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RECUPERAÇÃO DA FÁBRICA BALEEIRA

DOS POÇOS DE SÃO VICENTE

Judite Fernandes Manuela Macedo


"...Mas o homem impressiona-me ainda mais que a baleia: é tremendo, de pé, minusculo, com a vida no olhar e nas mãos. No barco está tudo calado e ansioso, ninguém diz palavra inutii: homens, barco, arpoador e arpão, tudo o mesmo corpo e a mesma alma. São sete, dominados pela acção, trespassados pelo ar e por este \ cheiro que penetra pela boca e pelos poros, gerador de energia -é um ser umco, só nervos e vontade, à caça do monstro e com uma ponta de perigo que seduz - sem fè/a%g do negócio, que é excelente..." : jjj m "As ilhas desconhecidas11 . jl Obras completas de Raul Brandão


1- FUNDAMENTAÇÃO

Uma visão de desenvolvimento da Região Açores passa obrigatoriamente por um crescimento individual e sustentado das diversas localidades, passando por incentivos ao seu sector turístico e da preservação e valorização do seu património histórico-cultural com o consequente fomento de actividades económicas paralelas e da criação de novos postos de trabalho. É precisamente neste âmbito que este projecto se insere, na medida em que pretende a recuperação de um elemento valioso do património histórico-cultural da zona de S. Vicente/Capelas e, obviamente, da Região, como o é a Fábrica Baleeira e a sua reconversão num complexo que visa a dinamização da actividade turística, na sua componente de turismo cultural e de eco-turismo.

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II- OBJECTIVOS

Recuperação do edifício da Fábrica Baleeira dos Poços de São Vicente e sua reconversão num complexo que constaria de: i) Museu da caça à baleia. ii) Museu da pesca artesanal. iii) Sala de exposições. iv) Biblioteca. v) Aquário recriando fauna e flora locais. vi) Aquário recriando lagoas. vii) Sala de seminários. viii) Pequeno laboratório

Numa segunda fase, a recuperação do restante património existente na zona, ■

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nomeadamente o Calhau Miúdo, as Casas dos Baleeiros e as vigias da Baleia da Quinta do Navio e da Ponta do Cintrão.

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III- DESENVOLVIMENTO DOS OBJECTIVOS

A pertinência da recuperação de um edifício como o da Fábrica Baleeira dos Poços de São Vicente mantendo o seu traçado original é inquestionável, na medida em que preserva um património histórico que, desde a cessação de qualquer actividade da caça à baleia na Região Açores em Março de 1983, com a publicação do decreto legislativo regional n°2/83-A, tende a desaparecer. Por outro lado, é importante dar a conhecer à população em geral todo um espólio cultural e histórico que marca a presença Açoreana em Portugal e no mundo, o que só é possivel se, simultâneamente à recuperação do edificio ocorrer também a sua reanimação.

i e ii) A actividade da pesca artesanal nos Açores tem vindo a sofrer uma evolução ao longo do tempo, com as consequentes alterações nas artes de pesca utilizadas, levando a que, inclusivé, algumas delas tenham já desaparecido e que outras tendam a desaparecer. Entretanto, algumas delas, persistem ainda na memória de pescadores mais velhos. É neste contexto que se torna fundamental manter e recuperar

esta

importante forma de património histórico e cultural. A execução destes componentes do projecto passa por um trabalho de recolha r

e inventarização de todo o imóvel existente e contactos com pessoas e instituições relacionadas com o meio.

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iii) A recolha e recuperação de fotografias, gravuras, imagens, documentos escritos, etc, que ilustrem estas duas actividades será com certeza enriquecedora e necessária a um espaço que pretende retratar não só a pesca artesanal e a caça à baleia em si como também toda a dinâmica social e histórica que as acompanharam. Para além disso, esta estrutura pretende promover outros trabalhos artísticos que estabeleçam relação com esta área.

iv) A ideia da criação de uma biblioteca onde se encontrasse bibliografia respeitante não só à caça à baleia e à pesca artesanal como a outros aspectos da temática maritíma surge fundamentalmente devido à grande lacuna existente na Região e mais especificamente na ilha de S. Miguel, a esse nível. Urge por outro lado recolher e catalogar os documentos ainda existentes e que, caso isso não seja feito, correm o risco de se perderem para sempre. Essa biblioteca conteria também uma base de dados "ASFA"e "Current contents" além de alguns livros básicos sobre o meio aquático.

v, vi vii e viii) Todo este projecto surge como uma tentativa de maior aproximação e sensibilização das populações em relação ao mar, com o espírito de se possibilitar aos açoreanos uma visão mais1glóbal e apurada do meio que os rodeia e no qual, é necessário compreender, estão enquadrados, sob várias formas, como uma das peças de uma grande engrenagem natural.

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As razões da existência do aquário são, do ponto de vista educativo: A importância do conheciménto do património natural aquático existente, pelas camadas mais jovens e público em geral; a observação dos animais vivos num ambiente "natural", o que possiblita um maior impacto na protecção da natureza; conduz a uma maior educação ambiental e conhecimento da importância da protecção das espécies. Possiblita também um complemento às aulas dadas nas escolas a todos os ciclos escolares com possibilidade de ministração de algumas aulas no próprio aquário beneficiando das condições de observação directa dos animais. Haveriam por outro lado, placares explicativos sobre os animais presentes no aquário e o seu ambiente facultando ao público uma maior informação e exposições temáticas temporárias chamando a atenção do público para vários problemas ambientais. Sob o ponto de vista ciêntifico, possiblita estudos de comportamento dos peixes, cria a possibilidade de projectos de investigação em colaboração com a universidade; a realização de estudos sobre a eutrofização das lagoas e procura de soluções; a possibilidade de recolhas de animais aquáticos feridos e sua reabilitação e reintrodução na natureza, além da tentativa de reprodução em cativeiro de espécies ameaçadas para futura reintrodução no habitat Sob o ponto de vista do turismo, um aquário é sempre uma atracção turística, especialmente numa zona como os Açores, em que embora algum turismo já seja feito }

com o intuito de observar a beleza subaquática da Região, esta tem capacidade para atrair ainda maior percentagem de turismo nessa direcção. Por outro lado, observa-se

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uma certa lacuna a nivel dos circuitos turísticos na zona norte da ilha de São Miguel,que o desenvolvimento de um polo turístico na zona de São Vicente/Capelas irá com certeza suprir. Por ultimo, é de ressaltar o facto do aquário ser um tipo de atracção turística que não está sujeita às flutuações anuais devidas às condições climatéricas.

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DOCUMENTAÇÃO FOTOGRÁFICA


I - ENQUADRAMENTO DA FÁBRICA NA ZONA LIMÍTROFE

FOTO 1: Panorama da fábrica a partir da " Vigia da laranja

FOTO 2: Panorama da fábrica e da zona litoral envolvente,


Il - ENQUADRAMENTO EXTERIOR

FOTO 2: Vista da zona frontal da fรกbrica.


FOTO 3: Vista do lado Ocidental da fรกbrica.

FOTO 4: Vista do lado Oriental da fรกbrica.


Ill - INTERIOR DA Fテ。RICA

FOTO 2: Edifテュcio principal visto de frente.


FOTO 4: Pรกtio traseiro.


FOTO 5: Vista de um nivel superior do pรกtio traseiro.


FOTO 7: Pormenor da chaminĂŠ.


FOTO 8: Pormenor da chaminĂŠ


IV - RESTANTE PATRIMÓNIO EXISTENTE NA ZONA

FOTO 1: Pias do Calhau Miúdo.


FOTO 2: Fontenário do Calhau Miúdo.


FOTO 3: Vigia do baleeiro existente na Quinta do Navio.

FOTO 4: Vigia do baleeiro existente na Quinta do Navio.


FOTO 6: Vista do moinho.


FOTO 7: Vista do moinho


Recuperação da fábrica da baleia de São Vicente