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Quantificação e caracterização de danos em povoamento de Pinus taeda L. submetido ao desbaste misto mecanizado Miguel Pesch Tramontini¹; Carlos Cézar Cavassin Diniz²; Fábio Cordeiro de Brito³; Renato César Gonçalves Robert4; Felipe Martins de Oliveira5 Graduando em Engenharia Florestal, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, miguelpesch@gmail. com; 2Doutorando em Engenharia Florestal, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, carlos.diniz@ufpr.br; 3 Graduando em Engenharia Florestal, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, brito.fabiocordeiro@gmail.com; 4Professor do curso de Engenharia Florestal, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, robert@ufpr.br; 5Professor do curso de Engenharia Florestal, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Irati, PR, fmoliveira@unicentro.br 1
Resumo: O presente trabalhou visou analisar lesões causadas em árvores remanescentes de um plantio de Pinus taeda após o primeiro desbaste feito com o trator florestal harvester. O trabalho foi realizado em uma empresa florestal localizada na cidade Inácio Martins, estado do Paraná. A avaliação foi feita em 24 parcelas, onde as lesões foram classificadas em: leve, moderada e intensa, sendo divididas em: frequência, posição na árvore e grau de intensidade do dano. Em relação a frequência, constatou-se que 17,3% dos danos foram encontrados na base da árvore e 8,5% no fuste, totalizando 25,8% de árvores lesionadas nas parcelas avaliadas. Do total de lesões observadas, 68% foram encontradas na base, seguido de 32% no fuste, não sendo verificada nenhuma lesão na copa. Quanto ao grau de intensidade das lesões, constatou-se que os maiores índices foram classificados como leve. Palavras-chave: Lesão em árvores; Harvester; Qualidade em operações florestais.
Introdução e objetivos A atividade de desbaste consiste em reduzir o número de indivíduos de um determinado plantio e proporcionar assim uma menor competitividade, maior espaço, luz e nutrientes, melhorando assim o desenvolvimento das árvores remanescentes. Segundo Scheneider e Schineider (2008) a competição entre as árvores causa uma diminuição no crescimento e, portanto, deve-se concentrar a produção em incremento nas plantas que possuem melhores condições, e que irão constituir o corte final, realizando a retirada das que não atendam os objetivos finais. Além de gerar uma maior qualidade da madeira, os desbastes evitam perdas com árvores que não estão em uma condição adequada e certamente morreriam naturalmente no plantio (SMITH, 1962). Segundo Cabral (2014) a mecanização do desbaste é uma excelente inovação, muito importante para se alcançar numerosas vantagens no processo de produção de madeira. Em contrapartida aos estudos que apontam a importância da operação de desbaste existem as dificuldades e complexidades encontradas na realização deste processo, principalmente o método mecanizado, onde as maquinas tem dificuldades de se
locomoverem dentro dos talhões, devido à densidade elevada (DROOG, 2016). Este problema de locomoção pode gerar sérios danos mecânicos às árvores remanescentes, como por exemplo, as lesões no fuste, que podem deixar as árvores susceptíveis ao ataque de pragas e doenças, causando perda da qualidade da madeira e consequentemente uma redução da produtividade final e prejuízo econômico (VASILIAUSKAS, 2001; RIBEIRO et al., 2002; LINEIROS et al., 2003). O presente trabalho foi desenvolvido visando realizar uma avaliação qualitativa e caracterização dos danos causados na operação de desbaste misto mecanizado, podendo gerar assim informações que sirvam de base para uma melhor estratégia de trabalho visando uma redução destes danos e um maior aproveitamento das árvores remanescentes ao final do ciclo produtivo. Material e métodos O estudo foi conduzido em plantios florestais de Pinus taeda com 11 anos de idade, espaçamento 3 m x 2 m com aproximadamente 1.666 árvores por hectare e volume médio individual de 0,22 m³. A floresta
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Foram instaladas 24 parcelas com 546 m², delimitada em 5 linhas de árvores de cada eito de trabalho da máquina. A localização do dano foi determinada da seguinte forma: Base (0 m a 1,30 m), Fuste (de 1,31 até a primeira inserção de galhos) e Copa (acima da primeira inserção de galhos). As lesões foram classificadas em relação à área do dano: leve (1 a 100 cm²), moderada (101 a 200 cm²) e intensa (>200 cm²). Resultados e discussão O percentual de árvores danificadas após as operações de corte e processamento da madeira realizada durante o desbaste pode ser observado na Figura 3.
Foto: Michel Pesch Tramontini
Árvoresdanificadas danificadas(%) (%) Árvores
objeto de estudo está localizada no município de Inácio Martins, no estado do Paraná, Brasil. De acordo com a classificação climática de Köppen (1948) o clima da região é caracterizado como Cfb, com temperatura média de 17 °C e pluviosidade média anual de 1.460 mm. O sistema de colheita da madeira estudado foi o de árvores toras curtas (cut to lenght), em que, segundo Malinovski et al. (2002), a árvore é processada no local de derrubada, sendo extraída para a margem da estrada ou para o pátio temporário em forma de pequenas toras.O corte florestal foi realizado por um harvester com rodados de pneus com potência nominal de 204 hp / 150 Kw equipado com motor Mercedes-Benz / MTU OM 934 LA EU Stage IV com peso operacional de 17,5 toneladas e horímetro de 510,4 horas (Figura 1).
66
100 80 60 40 20 0
17,3
Base Base
8,5
Fuste Fuste
Figura 3. Percentual de árvores remanescentes danificadas após as operações de desbaste. Figura 1. Harvester utilizado na atividade de corte florestal.
O tipo de desbaste utilizado foi o misto mecanizado: sistemático, com a remoção da 5ª linha de forma sistemática; seletivo, com a remoção das árvores dominadas e suprimidas nas duas linhas adjacentes (Figura 2), com intensidade total de 45%.
Figura 2. Esquematização do desbaste misto.
Para caracterização e quantificação dos danos, foram verificadas as árvores remanescentes da parcela e classificadas de acordo com a frequência, intensidade do dano (leve, moderado e intenso) e localização do dano em relação à altura (base, fuste e copa).
Como pode ser observado, a localização que obteve o maior percentual de lesões foi à base com 17,3% enquanto o fuste obteve um valor de 8,5%, totalizando 25,8%. Verificou-se que o principal motivo deste resultado foi devido aos problemas encontrados pelo operador em processar a tora no interior do talhão, por ser uma operação de primeiro desbaste em um plantio adensado, sem a realização de tratos silviculturais como a poda, por exemplo. Outro fator que influenciou na quantidade de danos às árvores remanescentes está ligado à habilidade do operador, em processo de adaptação com a máquina, por trabalhar anteriormente com um trator de esteiras adaptado. Segundo Machado (2014) um treinamento adequado (prático e teórico) do operador é fundamental para uma boa realização das operações de colheita. Comparando os danos ocasionados na base e no fuste, podemos observar na Figura 4 que o maior percentual ocorreu na base. Este resultado pode ser explicado devido ao adensamento do plantio e o porte da máquina, que apesar de ser específica para atividades de desbaste acaba havendo contato com as árvores remanescentes. A maior ocorrência das lesões na parte inferior da árvore é um fator preocupante, tendo em vista que esta região é onde se obtêm as toras de maiores dimensões
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Ocorrência de danos danos (%) (%)
67
Conclusões
100 80
68
60 32
40 20 0
Base Base
Fuste Fuste
Figura 4. Percentual de danos nas árvores remanescentes em relação à altura.
Distribuição de danos Distribuição danos (%) (%)
em diâmetro, qualidade e consequentemente valores agregados. Estas lesões podem estressar a planta, que se torna susceptível ao ataque de pragas como a vespa da madeira, Sirex noctilo, uma praga quarentenária que ataca plantas que estão em uma condição de estresse (VESPA-DA-MADEIRA, 2014). A Figura 5 apresenta a distribuição dos danos causados pelo harvester durante a operação de corte florestal. É possível notar que os maiores valores foram obtidos na classe leve, seguido da classe moderado e intenso. 100 80 60 40 20
Por apresentar alta porcentagem de danos (25,8%), principalmente devido às condições da floresta e a dificuldade em realizar as operações no interior do talhão, conclui-se que o desbaste, nas condições apresentadas, pode ser menos impactante, gerando assim toras de melhor qualidade. A maior quantidade de danos ocorreu na base das árvores, de onde são retiradas as toras de maiores dimensões em diâmetro e valor agregado. Os danos do tipo leve foram os mais observados, seguidos de moderado e intenso, respectivamente. Referências CABRAL, O. M. J. V. Avaliação operacional da colheita de madeira em desbastes de Pinus taeda L. Irati: [s.n.], 2014. 111 f. DROOG, A. F. Avaliação de danos causados em povoamentos de pinus submetidos ao desbaste mecanizado. Irati: [s.n.], 2016. 44 f. LINEROS, M.; ESPINOSA, M.; JIMENEZ, A. Dano a los arboles remanentes por sistema harvester-forwarder en raleo comercial de Pinus radiata D. Don. Revista Bosque, v. 24, n. 1, p. 87-93, 2003. MACHADO, C. C. (Ed.). Colheita florestal. 3. ed. Viçosa, MG: Ed. UFV, 2014. 543 p.
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MALINOVSKI, J. R.; CAMARGO, C. M. S.; MALINOVSKI, R. A. Sistemas. In: MACHADO, C. C. (Org.). Colheita florestal. Viçosa, MG: Imprensa Universitária da Universidade Federal de Viçosa, 2002. p. 145-167.
28 10
0
Leve Moderado Intenso Leve Moderado Intenso Figura 5. Percentual de distribuição dos danos nas classes.
Estes resultados podem indicar uma influência do operador, por estar em um período de adaptação, pode ter ocasionado um elevado percentual de lesões nas árvores remanescentes, porém o maior percentual de lesões ocorreu de forma menos intensa. Apesar da maior ocorrência de lesões serem de intensidade menor, deve-se atentar ao seu elevado número, deixando a árvore susceptível ao ataque de insetos e pragas, diminuindo sua qualidade e valor agregado ao final da rotação.
RIBEIRO, N.; SITOE, A.; GUEDES, B.; STAISS, C. Manual de silvicultura tropical. Maputo: Universidade Eduardo Mondlane, 2002. 123 p. SCHNEIDER, R.; SCHNEIDER P. Introdução ao manejo florestal. 2. ed. Santa Maria, RS: FACOS-UFSM, 2008. 566 p. SMITH, S. D. The practice of silviculture. New York: John Wiley & Sons, 1962. 578 p. VASILIAUSKAS, R. Damage to trees due to forestry operations and its pathological significance in Tepemperate Forests. Journal of Forestry, v. 74, n. 4, p. 319-336, 2001. DOI: 10.1093/ forestry/74.4.319. VESPA-DA-MADEIRA (Programa Nacional de Controle à Vespada-Madeira - PNCVM). Colombo: Embrapa Florestas, 2014. Folder. Disponível em: <http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/ bitstream/item/142117/1/2014-folder-vespa.pdf>.Acesso em: 8 nov. 2017.