especial
CAMINHANDO AO CENTRO Chego cedo, às vezes antes do sol nascer, a cidade ainda adormecida se coloca silenciosa sob um céu esbranquiçado. As pedras, que tampavam a abertura no poste que marca o ponto onde por muitas vezes iniciei minhas caminhadas, não estão mais ali, um papelão agora tapa a abertura.
A
possibilidade de construção de significado ou do encontro de sentidos ocultos nos detalhes, na sutileza das marcas do tempo, da história e da vida gravada sobre a superfície da cidade tem me levado a percorrer repetidas vezes os mesmos espaços. Uma rotina que tem criado a possibilidade de exercitar uma relação muito pessoal com a fotografia, permitindo a produção de imagens que surgem do encontro de três forças. A primeira diz respeito a
própria imagem, o ato de transcrição do mundo a partir da visão monocular do aparato e da bi dimensionalidade da cópia que se constrói progressivamente através do fazer e da apropriação e entendimento desse vocabulário. A segunda, muito pessoal e pouco palpável, diz respeito a busca pelo encontro com a subjetividade, os segredos guardados para dentro que impregnam toda nossa relação de vivência com o mundo e o outro e que a fotografia, ou pelo menos al-