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Jornal do Recife, Pernambuco Ano I nº02 - 3 de julho de 2013

Novo cenário exige mais capacidade de gestão dos sindicatos O consultor sindical da CNC, Renato Rodrigues, mostrou, em sua palestra no Sicomércio Nordeste, como o setor sindical teve que se adaptar, a partir da Constituição de 1988, definindo critérios que permitissem sua autogestão. De acordo com o histórico feito por Rodrigues, até a edição da atual Constituição Federal, o governo tinha grande ingerência no setor, o que foi corrigido, tornando necessário que as entidades criassem as condições para atuar em um cenário de maior autonomia. Os projetos e programas que vêm sendo realizados no âmbito do Sistema Comércio, voltados para o fortalecimento dos sindicatos, estão diretamente ligados a este processo, de acordo com Renato Rodrigues. Ele destacou as várias ações que foram realizadas a partir do VII Sicomércio,

Daniel Lopez

realizado em 2007, com base no Plano Estratégico ali definido, e que foi sendo consolidado nos anos seguintes, como o Sistema de Informações de Crédito, o Sistema de Excelência em Gestão Sindical, fomento ao associativismo, a Certificação Digital, Sistemas Gerenciais, Redes de Relacionamentos, Desenvolvimento de Executivos Sindicais e CNC multimídia, com a criação dos sites dos sindicatos, todos eles disponíveis para Federações e sindicatos. Renato Rodrigues também citou outras ações importantes, como a regionalização dos congressos do Sicomércio, o banco de dados da Contribuição Sindical, a criação da Comissão de Negociação Coletiva (CNCC), a Renalegis e a atuação das Câmaras de Comércio da CNC, como consolidadoras do foco no fortalecimento das entidades decorrentes do novo ambiente sindical nascido no cenário de trans-

formação por que vem passando o País. “A liderança como forma de melhoria da representatividade e da representação sindical é o tema do nosso encontro”, afirmou Renato Rodrigues. “É bom que seja ressaltado que este tema não é um sonho ou uma fantasia. Essa liderança já está consolidada e a prova disso é o Sicomércio, emanado da ação dos líderes e concretizado pelas decisões das memoráveis assembleias realizadas no período de 1991 a 2007”. O ciclo de palestras do segundo dia foi finalizado com o chefe do Departamento de Planejamento da CNC, Daniel Lopez, falando sobre as ações e resultados do Plano Es-

tratégico CNC 2007-2020, e com o designer da Confederação, Marcelo Vital, mostrando o trabalho feito na implantação da nova identidade visual das entidades do Sistema e a importância da adesão dos sindicatos ao novo padrão.


Atuação de lideranças sindicais é decisiva para realizar mudanças A união dos empresários, nas mais diversas formas de associação, é absolutamente crucial nos dias de hoje. A afirmação é do professor José Pastore, da PUC São Paulo, especialista em relações do trabalho, que fez a palestra de abertura do último dia do Sicomércio Nordeste, que está sendo realizado em Recife. “Vivemos num regime democrático e as mudanças necessárias, principalmente da legislação trabalhista, exigem muita participação, discussão com argumentos fortes, documentação de apoio e presença efetiva nas instâncias que decidem (Executivo, Legislativo e Judiciário).” A atuação das lideranças sindicais é decisiva para avanços nas relações de trabalho e aprovação de projetos, reforçou o presidente da Fecomércio-PE, Josias Albuquerque. Na avaliação de Pastore, a integração do empresariado e o fortalecimento dos sindicatos, federações e confederação patronais do

Depoimentos “O evento trouxe ferramentas importantes que poderão ser aplicadas a nossa rotina. O encontro também foi uma oportunidade de fortalecer a relação entre federações e sindicatos” Juranildes Araújo Presidente do Siconcam-BA

“O congresso foi um momento de troca de ideias e experiências. A partir deste encontro precisamos permanecer unidos para levar nossos pleitos a uma esfera maior” Joaquim de Castro Presidente do Sindlojas Petrolina-PE

“O encontro foi uma oportunidade de unir entidades para a discussão de assuntos que afetam todo o setor. É preciso estar atento às regiões, mas sem perder a perspectiva nacional” Haroldo Júnior Presidente do Sindlojas São Luís-MA Jornal do Congresso Regional do Sicomércio | Recife, Pernambuco Fecomércio-PE Sede Provisória: Rua do Sossego, 264, Boa Vista, Recife, Pernambuco, CEP 50050-080 Tel.: (81) 3231.5393 - Fax: (81) 3222.9498 www.fecomercio-pe.com.br e-mail: imprensa@fecomercio-pe.com Presidente Josias Silva de Albuquerque

Coordenação-Geral/Edição: Lucila Nastassia Reportagens: Edson Chaves e Geraldo Roque (Ascom/CNC), Julliana Araújo (Ascom/Fecomércio-PE) Design/Diagramação: André Marinho / Thiago Maranhão Fotos: Agência Rodrigo Moreira Impressão: Gráfica Flamar Tiragem: 500 exemplares

comércio são estratégicos dentro de um quadro de mudanças. O Sicomércio, salientou, visa exatamente fortalecer esse associativismo. Os empresários, tal como as manifestações que se multiplicam em todo o País, têm seus pleitos. “As vozes das ruas expõem o descontentamento do povo em relação a seus representados, mas os empresários também reivindicam um ambiente de negócios melhor. Para defender seus interesses, contudo, precisam de uma preparação ainda melhor”, afirmou Pastore. Há resistências de ordem política e institucional, mas é fundamental mudar a Consolidação das Leis do Trabalho, defende Pastore, lembrando que a legislação em vigor acaba de completar 70 anos e isso exige de todos uma organização muito eficiente e atuação forte das lideranças setoriais.

Plano de sucessão ajuda sustentabilidade das empresas Um dos fatores mais importantes – e também mais negligenciados - para a sustentabilidade das empresas e organizações de forma geral é o processo de sucessão, como mostrou o consultor Fausto Alvarez, em palestra realizada no terceiro dia do Sicomércio Nordeste, que se encerra hoje, em Recife. Ao ressaltar que os custos com pessoal estão entre os mais elevados para uma empresa, Alvarez afirmou que o processo sucessório precisa ser criteriosamente construído, para evitar que escolhas e definições equivocadas prejudiquem as organizações. “A forma mais eficiente de cuidar do negócio é preparar um plano de sucessão”, disse o consultor, diretor da Kienbaum Consultoria em Recursos Humanos. Em relação a uma das grandes questões do mundo corporativo – se numa empresa familiar deve ser permitida ou não a participação de herdeiros ou optar-se pela profissionalização, Alvarez disse que não existe uma receita pronta. “É possível considerar pessoas da família na sucessão. O importante é estabelecer os critérios que conduzam as escolhas para a melhor solução para a perenidade da empresa”. Segundo Alvarez, apenas 15% das empresas familiares conseguem sobreviver a partir da terceira geração e mais de 80% delas não pensam na sucessão. “A forma mais eficiente de cuidar do negócio é preparar um plano de sucessão”, disse, destacando os principais critérios que devem nortear as decisões nesse campo: desempenho, requisitos necessários à posição, aspirações e interesses dos possíveis sucessores, mobilidade (em função da eventual necessidade de mudanças do profissional de sua região de origem) e uma análise cuidadosa do potencial dos profissionais, de preferência feita por uma consultoria externa. De acordo com Alvarez, são critérios que podem ser utilizados por todas as empesas, sejam elas grandes ou pequenas e também pelos diversos tipos de entidades e organizações, como as do setor sindical.


Sicomércio Recife 02