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Impresso Especial 9912266613/2010-DR/PE Fecomércio-PE ... CORREIOS ...

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Comércio e

mobilidade Veja na reportagem de capa como o comércio varejista de Pernambuco é prejudicado pela questão da mobilidade urbana 15 Certificado

Digital Fecomércio-PE é agora Autoridade de Registro

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Nordeste é o alvo das grandes redes varejistas brasileiras Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012

* Conteúdo será disponibilizado a partir do dia 24 da abril de 2012

Mais informações: www.sescpe.com.br *


INFORME FECOMÉRCIO-PE

A Revista do Comércio do Estado de Pernambuco

Sede Provisória: Rua do Sossego, 264, Boa Vista, Recife, Pernambuco, CEP 50050-080 Tel.: (81) 3231.5393 - Fax: (81) 3222.9498 www.fecomercio-pe.com.br e-mail: imprensa@fecomercio-pe.com.br Presidente Josias Silva de Albuquerque 1º Vice-Presidente Frederico Penna Leal; 2º VicePresidente Bernardo Peixoto dos Santos O. Sobrinho; 3º Vice-Presidente Alex de Oliveira da Costa; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio Atacadista Rudi Marcos Maggioni; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio Varejista Joaquim de Castro Filho; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio de Agentes Autônomos Severino Nascimento Cunha; VicePresidente p/ Assuntos do Comércio Armazenador José Carlos Raposo Barbosa; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio de Turismo e Hospitalidade Júlio Crucho Cunha; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio de Serviços de Saúde José Cláudio Soares; 1º Dir. Secretário João de Barros e Silva; 2º Dir. Secretário José Carlos da Silva; 3º Dir. Secretário José Stélio Soares; 1º Dir. Tesoureiro José Lourenço Custódio da Silva; 2º Dir. Tesoureiro Roberto Wagner Cavalcanti de Siqueira; 3ª Dir. Tesoureira Ana Maria Caldas de Barros e Silva; Dir. p/ Assuntos Tributários Diógenes Domingos de Andrade Filho; Dir. p/ Assuntos Sindicais José Manoel de Almeida Santos; Dir. p/ Assuntos de Relações do Trabalho José Carlos de Santana; Dir. p/ Assuntos de Desenvolvimento Comercial Eduardo Melo Catão; Dir. p/ Assuntos de Crédito Michel Jean Pinheiro Wanderley; Dir. p/ Assuntos de Consumo Silvio Antonio de Vasconcelos Souza; Dir. p/ Assuntos de Turismo José Francisco da Silva; Dir. p/ Assuntos do Setor Público Milton Tavares de Melo Júnior; Dir. p/ Assuntos do Comércio Exterior Celso Jordão Cavalcanti. Conselho Fiscal - Efetivos João Lima Cavalcanti Filho, João Jerônimo da Silva Filho, Edilson Ferreira de Lima Sindicatos Filiados: Sind. do Comércio de Vendedores Ambulantes do Recife Olinda e Jaboatão - Tel.: 3224.5180 Pres. José Francisco da Silva; Sind. do Comércio Varejista de Catende Palmares e Água Preta - Tel.: 3661.0775 Pres. Sérgio Leocádio da Silva; Sind. do Comércio de Vendedores Ambulantes de Caruaru - Tel.: 3721.5985 Pres. José Carlos da Silva; Sind. dos Lojistas no Comércio do Recife - Tel.: 3222.2416 Pres. Frederico Penna Leal; Sind. do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Recife - Tel.: 3221.8538 Pres. José Lourenço Custódio da Silva; Sind. do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Pernambuco - Tel.: 3231.5164 Pres. Ozeas Gomes da Silva; Sind. do Comércio Varejista dos Feirantes do Estado de Pernambuco - Tel.: 3446.3662 Pres. João Jerônimo da Silva Filho; Sind. do Comércio Varejista de Materiais Elétricos e Aparelhos Eletrodomésticos do Recife Tel.: 3222.2416 Pres. José Stélio Soares; Sind. do Comércio Varejista de Garanhuns - Tel.: 3761.0148 Pres. João de Barros e Silva; Sind. do Comércio de Hortifrutigranjeiros, Flores e Plantas do Estado de Pernambuco - Tel.: 3252.1313 Pres. Alex de Oliveira da Costa; Sind. do Comércio de Jaboatão dos Guararapes - Tel.: 3476.2666 Pres. Bernardo Peixoto dos Santos O. Sobrinho; Sind. do Comércio Varejista de Maquinismos, Ferragens e Tintas do Estado de Pernambuco - Tel.: 3221.7091 Pres. Celso Jordão Cavalcanti; Sind. do Comércio Varejista de Petrolina - Tel.: 3861.2333 Pres. Joaquim de Castro Filho; Sind. dos Lojistas do Comércio de Caruaru - Tel.: 3722.4070 Pres. Michel Jean Pinheiro Wanderley; Sind. do Comércio de Autopeças do Estado de Pernambuco - Tel.: 3471.0507 Pres. José Carlos de Santana; Sind. dos Representantes Comerciais e Empresas de Representações Comerciais de Pernambuco - Tel.: 3226.1839 Pres. Severino Nascimento Cunha; Sind. das Empresas de Comércio e Serviços do Eixo Norte - Tel.: 3371.8119 Pres. Milton Tavares de Melo Júnior.

Mobilidade urbana x comércio É com grande prazer que chegamos à segunda edição do novo modelo do nosso Informe Fecomércio. O primeiro número foi um sucesso, com muitos comentários positivos e elogios. Tudo isso graças ao trabalho de uma equipe muito dedicada e que veste a camisa do Sistema Fecomércio/Senac/Sesc-PE. Gostaria de aproveitar para ressaltar que a tendência é melhorarmos nossa publicação cada vez mais, contando sempre com a ajuda dos nossos leitores. Neste número, tratamos da mobilidade urbana e de seu impacto no comércio em geral. Em recente pesquisa feita pelos nossos consultores, ficou constatado que as fortes chuvas (que acabam por afetar o trânsito das nossas cidades) foram a grande queixa do comércio, superando inclusive os impostos cobrados pelo governo. Destacamos também a presença das grandes redes de varejo investindo cada vez mais na Região Nordeste. A nossa região vem se destacando quando nos referimos ao desenvolvimento e ao aquecimento de vendas, numa comparação com o resto do país. Dentro do cenário nordestino, Pernambuco é considerado a menina dos olhos dos investidores. Falamos da presença do Magazine Luiza, da Ricardo Eletro (através da Eletro Shopping) e das Casas Bahia, que inauguram no Shopping RioMar a primeira unidade recifense. Falamos também no nosso informativo sobre os grandes grupos pernambucanos na área de reforma e construção, como Ferreira Costa, Tupan e Atacado dos Presentes. As empresas têm investido e aumentado sua força dentro deste segmento. Além desses, comentamos vários outros assuntos de interesses do comércio pernambucano. Boa leitura!

Conselho editorial: Lucila Nastassia, Nilton Lemos, José Fernandes de Menezes, Luiz Kherle, José Oswaldo Ramos Coordenação geral/Edição: Lucila Nastassia Reportagens: Flora Guedes, Luiz Felipe Freire, Nilton Lemos, Patrícia Natuska, Rafaela Aguiar, Tony Duda (Multi Comunicação) Capa: André Marinho/Thiago Maranhão Design/Diagramação: André Marinho/Thiago Maranhão Fotos: Agência Rodrigo Moreira Revisão: Laércio Lutibergue Impressão: Gráfica Flamar Tiragem: 7.000 exemplares

Josias Albuquerque Presidente do Sistema Fecomércio/Senac/Sesc-PE

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ANUNCIO

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SUMÁRIO

6 Notas 8 Opinião: Carlos Tavares de Oliveira 9 Os pontos controversos 10 Páscoa movimenta turismo no interior 12 Papelarias e livrarias se reinventam para atrair consumidores 14 Opinião: Luiz Otávio Cavalcanti 15 Fecomércio-PE passa a funcionar como Autoridade de Registro 16 Economia em pauta 18 Empresas sustentáveis 20 Jurídico em pauta 26 Ginástica laboral é garantia de integração e saúde 28 Educação profissional a distância avança em Pernambuco 32 Arte para ressocializar 35 Obras e reformas aquecem a construção civil 40 Opinião: Francisco Cunha 41 O Nordeste é o alvo das grandes redes 44 Tributário em pauta

22 CAPA

Comércio e mobilidade Como os problemas da mobilidade urbana afetam o comércio do Estado de Pernambuco

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NOTAS

Transposição deve gerar 6 mil empregos em 2012 As obras da transposição do Rio São Francisco empregam hoje 3,9 mil trabalhadores, que vão movimentar o comércio na região. Até julho de 2012, esse número deve chegar a 6 mil. Destes, mil vão atuar na construção das estações de bombeamento, obra que será tocada pelo consórcio formado pelas construtoras Mendes Júnior e GDK, vencedoras da licitação. A previsão de conclusão dos trabalhos é de 36 meses. A nova etapa é para a construção das três estações de bombeamento do lote 8 do Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco. Este eixo terá quase 400 quilômetros de extensão, dos quais 46% estão concluídos. Foram destinados R$ 275 milhões para a construção das estações, que vão bombear as águas do rio pela cidade de Cabrobó, no Sertão do São Francisco, até a cidade de Jati, no Ceará.

Mercado antecipa previsão de Selic

Taxa de desemprego recua

No primeiro relatório Focus com as projeções do mercado financeiro após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), as previsões para a taxa Selic este ano e em 2013 foram mantidas em 9% e 10%, respectivamente. No entanto, o mercado agora estima que a Selic cairá para 9% ao ano já em abril, permanecendo nesse percentual até fevereiro do ano que vem e passando para 9,5% em março. A estimativa anterior era que esse nível seria alcançado em maio e que a Selic voltaria a subir em janeiro para 9,5% ao ano. (Fonte: Portal da Exame)

A taxa de desemprego no Recife, medida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apresentou queda pelo quarto mês consecutivo, alcançando a marca de 11,9% no mês de janeiro, ante os 12,2% registrados em dezembro do ano passado. Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada em parceria com a agência Condepe/Fidem, esse é o menor índice registrado para a Região Metropolitana do Recife desde novembro de 1997, quando foi iniciado o acompanhamento. Nos últimos 12 meses, segundo o estudo, o rendimento médio do trabalhador cresceu 7,1% no Recife, enquanto houve queda em Salvador (-11,4%), São Paulo (-1,9%), Distrito Federal (-1,1%), Fortaleza (-0,5%) e Porto Alegre (-0,1%).

Interiorização do desenvolvimento Foi anunciado o início das obras da construção da primeira fábrica de vidros planos do Nordeste, a Companhia Brasileira de Vidros Planos (CBVP), do Grupo Cornélio Brennand, que vai produzir vidros que abastecerão a indústria da construção civil, moveleira e automotiva. O empreendimento, localizado na cidade de Goiana, tem investimentos de quase R$ 800 milhões e é o primeiro a ser constituído com capital 100% brasileiro. Os R$ 770 milhões destinados à construção da fábrica tiveram um aporte de 20% de capital próprio, 50% da Sudene e 30% vindos do BNDES/BNB. O funcionamento da companhia, que será construída em uma área de 90 mil metros quadrados, está previsto para 2013. Serão gerados cerca de 370 empregos diretos e mais de 1.500 indiretos.

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Criação de empregos Ao todo, foram criados 12 mil novos postos de trabalho em janeiro, elevando o contingente de pessoas ocupadas para 1,6 milhão, com crescimento expressivo no número de vagas com carteira assinada criadas no setor privado. Nos últimos 12 meses, a capital pernambucana apresentou o maior crescimento no nível de ocupação (8,5%), seguida por Belo Horizonte (3,8%), Distrito Federal (3,6%), São Paulo (2%), Porto Alegre (1%), Salvador (1%) e Fortaleza (-0,5%). Os segmentos econômicos que mais se destacaram na geração de empregos nos últimos 12 meses foram o de serviços, com 78 mil novas vagas e crescimento de 9,9%; construção civil, com 34 mil novas ocupações e incremento de 36,6%; e comércio, que cresceu 7,9% com a oferta de 23 mil novas vagas.

Pernambuco quer investir

R$ 3 bi em 2012 O governo do Estado pretende ampliar em 20% o volume de investimentos feitos com recursos próprios, convênios e outras fontes de receita. Se em 2011 o valor foi de R$ 2,5 bilhões, este ano a meta é aportar R$ 3 bi. “Precisamos entrar em 2012 investindo, porque os investimentos geram obras que, por sua vez, geram empregos, e estes têm efeito sobre a economia”, explica o governador Eduardo Campos. Aumentar a capacidade de investimento público e assegurar o cumprimento dos acordos salariais firmados com os servidores estaduais. Essas são as metas prioritárias para 2012.

Incentivos para as PMEs

Indústria em alta O setor industrial de Pernambuco está crescendo, empregando mais e pagando salários maiores, contrariando a tendência de desaceleração observada no país. Segundo levantamento divulgado no dia 14 de março deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a oferta de postos de trabalho na indústria do Estado cresceu 4,2% em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, ante uma queda de 0,5% no país e de 0,4% na Região Nordeste. O resultado pernambucano foi o segundo maior em todo o país, ficando atrás apenas do Paraná, onde o número de vagas de emprego na indústria cresceu 4,6% no primeiro mês de 2012. “É uma prova de que o processo de transformação da economia pernambucana está se consolidando. Nossa indústria mantém a trajetória de crescimento, apesar da tendência de desaceleração enfrentada no restante do país”, destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Geraldo Júlio.

O IFC, segmento do Banco Mundial voltado para o financiamento da iniciativa privada, será o próximo parceiro do governo do Estado e dos empreendedores pernambucanos. Com foco nas pequenas e médias empresas, a iniciativa visa oferecer empréstimos a juros baixos, consultoria para exportação, assistência técnica e até ajudar na formalização dessas companhias. A ideia é que a Agência de Fomento do Estado de Pernambuco (Agefepe) funcione como um fundo garantidor dos empréstimos, possibilitando assim juros mais baixos para os empresários. Os arranjos produtivos locais da confecção, do gesso e da agricultura irrigada devem ser os primeiros a receber os incentivos. Pernambuco também sugeriu a abertura de uma linha de crédito mais robusta para atender às empresas do novo polo automotivo, de tecnologia da informação e de energias renováveis.

RioMar gera empregos O Shopping RioMar, que vai contar com 476 lojas, é um fenômeno em geração de empregos. O Grupo JCPM, proprietário do centro de compras, está investindo R$ 600 milhões na construção do prédio de quatro pavimentos e 300 mil m2 de área construída. De acordo com os administradores do shopping, outros R$ 150 milhões serão destinados anualmente ao pagamento de impostos federais, estaduais e municipais. Com uma proposta arquitetônica moderna, o RioMar pretende se diferenciar dos demais shoppings pela capacidade do estacionamento – são 6.200 vagas – e também pela grande oferta de entretenimento. O mall será o único do Estado a abrigar um teatro. Na sua obra já são aproximadamente 2.500 pessoas com empregos diretos e, quando finalizado, esse número será de quase 8 mil empregos. Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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OPINIÃO | CARLOS TAVARES DE OLIVEIRA Jornalista e consultor da CNC

China:

a locomotiva continua rebocando

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os últimos anos, após a crise desencadeada em 2008 por Wall Street, tornou-se expressão comum entre os observadores internacionais dizer que a China reboca a economia do planeta. Felizmente para a comunidade mundial – e o Brasil em particular –, na passagem do ano, o expresso asiático continuou firme nos trilhos, oferecendo certa tranquilidade ao cenário econômico. O híbrido, mas afinal vitorioso, sistema econômico lançado em 1979 por Deng Xiaoping – que o chamava de “economia de mercado socialista” – certamente não agradaria a Karl Marx nem a Adam Smith. Consertando falhas visíveis dos sistemas socialista e capitalista, a fórmula Deng – estimulada por suas significativas tiradas como “é glorioso enriquecer” e “não importa a cor do gato” – acabou, de fato, cumprindo as normas básicas da economia de mercado, previstas pela Organização Mundial de Comércio (OMC). A China completou dez anos de entrada na OMC e em 2016 será confirmada oficialmente como economia de mercado. O êxito evidente da abertura da economia e o incentivo à exportação comprovam-se não só nos exuberantes resultados alcançados, mas também na alegria do povo chinês; nas ruas ou durante as compras nos elegantes shoppings de Pequim e Xangai, sempre apinhados de gente bem-vestida e sorridente; e nas lojas das principais grifes mundiais, como tive a oportunidade de pessoalmente verificar no ano passado. Apesar da crise que atingiu os principais mercados, União Europeia e Estados Unidos em 2011, a Chi-

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na manteve em alto crescimento o seu Produto Interno Bruto (PIB), com taxa de 9,5% e o mínimo desaceleramento, dentro da incrível expansão média de 10% dos 32 anos de feitura. Pelos índices convencionais, o PIB chinês (em torno de US$ 7 trilhões) situou-se em segundo lugar na escala mundial. Porém, pelo parâmetro paridade do poder de compra – que, de fato, avalia o nível de vida da população –, o PIB chinês ultrapassa US$ 14,5 trilhões, superando até o dos Estados Unidos, segundo alguns especialistas. Para o Fundo Monetário Internacional, pelo índice PPC, o PIB chinês será maior que o americano em 2016. Conservando e até ampliando a liderança no comércio internacional, a balança chinesa somou US$ 3,5 trilhões, crescendo 23%, com exportações de US$ 1,8 trilhão e importações de US$ 1,7 trilhão. Isso sem contar os resultados das Regiões Administrativas de Hong Kong e de Macau, cujas relações comerciais com o exterior devem ter girado em torno de US$ 500 bilhões. Com os superávits acumulados na balança comercial e também na de serviços (turismo, fretes, lucros diversos, etc.) após a abertura, a China totalizou a fantástica soma de US$ 3,3 trilhões em reserva de moedas de outros países, particularmente dos EUA e da União Europeia. Em moeda americana, são cerca de US$ 1,2 trilhão em bônus do Tesouro e mais de US$ 1 trilhão em dólares correntes em poder dos bancos e empresas estatais chinesas. O restante são euros, inclusive da Alemanha e da França.


Os pontos controversos Devido às exigências do Ministério do Trabalho, a adoção do ponto eletrônico foi adiada

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ponto eletrônico ainda gera muita polêmica dentro do meio jurídico. Alguns acreditam que uma portaria não resolveria a questão, enquanto associações tentam mudar algumas exigências feitas. Em 2012, tudo indica que este cenário vá permanecer inerte, visto que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) adiou mais uma vez a adoção do ponto eletrônico. Atualmente, 5% das companhias no Brasil utilizam o novo sistema, ou seja, dos 7,5 milhões de empresas, apenas 450 mil utilizam o ponto eletrônico. Para outras empresas, de pequeno porte, por exemplo, é mais viável utilizar outro esquema para registrar a jornada de trabalho de funcionários. Ela pode ser mecânica (com o cartão) ou manual (escrito). A lei é clara: toda empresa com mais de dez empregados precisa ter o controle da jornada dos seus trabalhadores. Na opinião do especialista em direito trabalhista Thiago Cavalcanti, advogado da Queiroz Cavalcanti, um dos fatores de tanta discussão são as exigências do ministério. “O MTE exigia que o ponto tivesse uma memória interna, que não pudesse alterar os horários e que fosse biométrico, porém a portaria foi sendo adiada

por vários motivos. Um dele é que seria oneroso para as empresas, especialmente para as de pequeno porte”, explica. Ainda segundo o advogado, há vários aspectos a serem analisados. “O que importa para a lei é que ela seja cumprida. Independentemente do tipo de ponto, quem determina o tipo é o ministério”, frisa Cavalcanti. No entanto, é preciso ressaltar a importância do controle de ponto dentro da empresa. “Isso deve ser analisado com mais afinco. Muitos funcionários adulteram seus pontos, e isso é crime. Com o cartão de ponto, o MTE espera reprimir esse tipo de conduta”, reforça. Segundo o presidente da Federação das Micro e Pequenas Empresas de Pernambuco, José Tarcísio, o ponto

eletrônico é desnecessário nas microempresas. “Na realidade, o relacionamento do empregado com o empregador é quase que familiar. Há outras maneiras de registrar a jornada e, como esse modelo de empresa tem até cinco pessoas, o ponto se torna desnecessário”, explica. José Tarcísio também diz que o governo deveria doar os pontos para os microempresários. “Quando o MTE instituiu a portaria, ele deveria ter feito um levantamento de quantas microempresas existem no país. Como é de interesse deles, creio que eles também deveriam financiar o custo dos pontos, visto que, para um microempresário, as despesas são altas e não compensariam devido à cartela de funcionários pequena.” Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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Páscoa

movimenta turismo no interior 3

A

s celebrações da Semana Santa coincidem com a chegada do outono ao país, período de maior ocorrência de chuvas. Este ano, o domingo de Páscoa será em abril, no dia 8. Em Pernambuco, algumas cidades do interior são privilegiadas por sua geografia, estando localizadas em maiores altitudes que a capital, Recife. Por isso, nessa época, elas recebem muita gente, que busca fugir da correria da cidade e do calor do litoral e procura descanso e lazer no Agreste do Estado, principalmente nos municípios de Gravatá, Garanhuns e Triunfo. Gravatá, cidade que possui clima serrano e está a 80 km da capital, costuma receber grandes eventos com shows gratuitos na Praça Chucre Mussa Zarzar. Em Garanhuns, distante 229 km do Recife, o presidente do

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Sindicato do Comércio, João de Bolinha, estima que as vendas aumentem em torno de 10% no período. “Chegam muitos turistas. Os hotéis, restaurantes e bares ficam cheios. O comércio sente a movimentação causada pelo aumento de pessoas na cidade.” O feriado da Semana Santa começa na Sexta-Feira da Paixão e vai até o Domingo de Páscoa, aumentando o fluxo no comércio durante o fim de semana. “Alguns comerciantes já perceberam o incremento nas vendas e começaram a abrir as lojas aos sábados, a exemplo das grandes lojas que marcam presença na cidade, como as Lojas Americanas e a Ferreira Costa”, conta Maria Genil, gerente do Centro de Turismo e Lazer (CTL) do Sesc em Garanhuns. Com 59 apartamentos e pacotes que variam de R$ 372 a R$ 570, o


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CTL de Garanhuns está com todas as reservas fechadas há três meses. Os turistas vêm não só do Recife e Região Metropolitana. “Muitos são de Maceió e de João Pessoa”, explica Genil. A 400 km do Recife, Triunfo, outro destino bastante procurado nessa época, também recebe muitos turistas. As vagas do CTL do Sesc na cidade foram preenchidas antes mesmo de a Quaresma começar. “Antes do Carnaval, todos os apartamentos já estavam reservados”, diz Jeane Arruda, gerente da instituição. De acordo com ela, a proximidade com Alagoas e Paraíba diversifica a origem dos visitantes da cidade. O pacote para hospedagem no feriado varia de R$ 75 a R$ 225.

de 50% das vendas no comércio no período. Entre os itens mais vendidos nessa época, o grande destaque é o bacalhau, principal ingrediente dos pratos da SextaFeira da Paixão. “Ano passado, as vendas foram boas. Isso deve se repetir este ano. Aqui é o peixe, principalmente o bacalhau, que se destaca. O chocolate fica em segundo lugar.”

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1,2,3 - Centro de Turismo e Lazer Sesc Triunfo 4,5,6 - Centro de Turismo e Lazer Sesc Garanhuns

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A presidente da Associação Comercial de Triunfo, Kátia Cilene, aposta em um aumento Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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Papelarias e livrarias

se reinventam para atrair consumidores

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eunindo cada vez mais serviços e variedades de produtos em um mesmo local, as livrarias e papelarias têm assumido novos formatos para atrair os consumidores. Com oscilações no faturamento acentuadas ao longo do ano, as lojas buscam a dinamização para não ficarem para trás no mercado. É comum hoje encontrar nesses estabelecimentos uma diversificação grande de produtos, que variam de brinquedos a artefatos para limpeza ou produção de festas, por exemplo. Com o objetivo de satisfazer o cliente que deseja dar uma pausa antes ou depois das compras, as livrarias e papelarias estão apostando também em cafeterias. Fundada em 1971 e com unidades em Prazeres, Piedade, Candeias, Cavaleiro e Jaboatão dos Guararapes, a Livraria MEC está inserida nessa classificação de comércio atacadista e varejista em geral. Investindo no serviço de gráfica rápida, a empresa também se prepara para reservar parte de suas dependências, que serão expandidas em breve, para um espaço para a venda de lanches.

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“A saída é formar mais parcerias com escolas e investir em mix variados de produtos” Felipe Freire

“O desempenho das livrarias e papelarias depende muito da gestão, senão o negócio fica estagnado e tende a fechar em dois ou três anos. Na Livraria MEC, começamos este ano com desempenho semelhante ao do ano passado, mesmo considerando a inflação. Mas, no geral, o mercado

está parado, em algumas lojas os faturamentos até caíram. Então é preciso agregar outros atrativos aos estabelecimentos”, diz Felipe Freire, à frente da administração de três unidades da rede há 16 anos. A Livraria MEC fechou 2011 com crescimento de 10% no faturamento e o aumento na venda de materiais corporativos está previsto para este ano. De acordo com Freire, o comércio de presentes, chamados no varejo de gifts, e de produtos de informática tem crescido, representando 15% dos lucros atualmente. Entre as dificuldades do setor, o empresário aponta a concorrência


crescente com distribuidoras, que passaram a atender diretamente à demanda não apenas de grandes e médios escritórios, mas também dos pequenos, oferecendo custos menores que os das papelarias. A presença forte do comércio online na vida das pessoas também tem atingido o setor das livrarias e papelarias. Por isso, a Livraria MEC prevê a entrada no e-commerce em, no máximo, um ano. Com cinco lojas no Rio Grande do Norte e uma em Pernambuco, a rede potiguar Potylivros tem investido em instalações com vários ambientes para atrair os consumidores. Na filial inaugurada em março do ano passado no bairro da Boa Vista (na mesma casa onde, até 1999, funcionava a famosa Livraria Síntese), as prateleiras de livros dividem espaço com uma cafeteria e, no primeiro andar, um auditório com 40 lugares recebe eventos como lançamento de livros e oficinas. Nas chamadas megalivrarias Cultura e Saraiva, duas das principais redes que contam com filiais no Recife, essa tendência está cada vez mais consolidada. Além de diversos eventos acontecerem em seus auditórios, suas dependências estimulam os clientes a não apenas comprar, mas também a aproveitar os ambientes. “Hoje as livrarias não podem mais vender só livros, senão elas

tendem a fechar. É preciso prestar serviços aos clientes, porque às vezes eles vão à loja apenas para tomar um café ou ver uma palestra e não necessariamente comprar livros. Por isso, vamos investir em uma programação cultural este ano. A locação do auditório para eventos de terceiros também é uma fonte de lucro para nós”, diz o gerente da Potylivros, Maxwell Xavier. Integrante da Associação Nacional das Livrarias, Xavier acredita que o perfil das livrarias continuará precisando se adaptar aos consumidores: “Quem sabe, no futuro, elas sejam como lojas de departamento”.

Material escolar Dezembro, janeiro e fevereiro são os meses mais rentáveis para o setor, de acordo com o consultor da Fecomércio-PE Luiz Kehrle. “Isso se dá por causa da compra de material para a temporada escolar, o que é expressivo também durante o mês de julho. Este é um ramo muito sazonal, com faturamento alto em períodos específicos”, explica.

diretamente com as editoras, que está atraindo os pais pela comodidade de não precisarem ir às lojas. “Ano a ano, o nosso faturamento durante os períodos de volta às aulas está caindo. A saída para contornar esse problema é formar mais parcerias com escolas e investir em mix variados de produtos”, aponta Felipe Freire. Embora a Potylivros seja mais voltada para os livros acadêmicos, Maxwell Xavier concorda que a concorrência com as escolas tem prejudicado a venda de materiais didáticos. “Os colégios não possuem concessões de venda, então essa é uma atividade ilegal. Alguns estão até abrindo empresas jurídicas para fugir da ilegalidade. Além dessa questão, há editoras que têm vendido diretamente aos consumidores”, completa.

Esses lucros provocados pela venda de material escolar, entretanto, têm sido prejudicados pelo impacto das taxas cobradas pelas escolas para a compra dos produtos

“Hoje as livrarias não podem mais vender só livros. É preciso prestar serviços aos clientes” Maxwell Xavier

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OPINIÃO | LUIZ OTÁVIO CAVALCANTI Advogado e consultor da Faculdade Santa Maria

O falso dilema

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batalha do século 21 não será entre capitalismo e socialismo. Será entre versões do capitalismo: o capitalismo liberal e o capitalismo de Estado. O capitalismo de Estado é a mais profunda mudança ocorrida na economia mundial nos países emergentes nos últimos dez anos. A poderosa participação de empresas com capital estatal no mercado de países emergentes é a seguinte: na China, 80%; na Rússia, 62%; no Brasil, 38%. Entre as dez empresas globais de maior faturamento em 2011, no ranking liderado por Walmart, Shell, Esso e BP, quatro delas têm participação ou são controladas pelo Estado, sendo três chinesas e uma japonesa. De 1900 a 1970, prevaleceu a ideologia do forte papel do Estado na economia e, de 1970 a 2000, estabeleceu-se o livre mercado defendido por Thatcher e Reagan. Com a crise de 2008 e com os investimentos do Tesouro americano em empresas automobilísticas e bancos, fortaleceu-se a tese de crescente presença do Estado, que vinha sendo desenhada na China (um regime e dois sistemas) e na Rússia (um regime e um sistema). O Estado vem se tornando um investidor cada vez mais sofisticado, de modo a demonstrar atuação competente numa economia globalizada e em sociedades que se querem abertas e democráticas.

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O Brasil é o mais ambíguo dos países emergentes que praticam o capitalismo de Estado. Produziu uma experiência de êxito na privatização nos anos 90, principalmente na telefonia. E, nos últimos cinco anos, vem implementando um novo cenário de política industrial: substituindo o figurino puro de empresas estatais, ou de empresas privadas puras, pelo modelo de participação do Estado em empresas privadas. Esse modelo vem sendo financiado pelo BNDES e pelo BNDESpar. E, na prática, a participação do Estado se dá minoritária ou majoritariamente. Vejamos a relação das maiores empresas brasileiras: Petrobras (Estado); Vale (sócios estatais); Friboi (financiada pelo BNDES); Telemar/Oi (privatizada e depois recebendo suporte do Estado, inclusive para comprar a Brasil Telecom); Braskem (associação Petrobras/Odebrecht); Eletrobrás (estatal e sócia de empresas no setor); Brasil Foods (fusão de Sadia e Perdigão, financiada pelo BNDES); e Embraer (apoiada por fundos de pensão). Penso que a presidente Dilma já percebeu que a realidade é mais complexa do que aquela com que a doutrina lida em manuais partidários. Daí a privatização da Infraero. O próximo passo serão os portos, porque o Brasil participa com menos de 2% das exportações mundiais e precisa de logística, agilidade e infraestrutura para exportar.


Fecomércio-PE passa a funcionar como

Autoridade de Registro

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om a incidência cada vez maior de fraudes e roubos de dados na internet, o certificado digital, ferramenta que funciona como assinatura eletrônica para empresas e prestadores de serviços em transações na internet, ajuda a evitar esses transtornos. Antes trabalhando como um ponto de atendimento, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE) desde janeiro deste ano passou a exercer a função de Autoridade de Registro (AR), emitindo as certificações digitais. Atualmente, são cerca de 20 certificações novas emitidas por dia.

Para emitir o certificado digital, os interessados devem procurar os sindicatos ligados à Fecomércio. São eles que vão agendar o encaminhamento de empresas e prestadores de serviços para a elaboração do documento, que será realizada na sede da entidade, que fica na Rua do Sossego, no Centro do Recife. O documento eletrônico, além de dar autenticidade aos dados, garante o sigilo das informações. Ao funcionar como um CNPJ ou CPF eletrônico, o certificado digital garante ainda o não repúdio nas transações realizadas em sites de governos, feitas com a senha do certificado. O documento também passa mais confiança aos órgãos, pois todos os dados estão armazenados de forma segura no cartão. Dessa forma, as instituições terão a certeza de que é a empresa ou o prestador que está realizando a operação.

Segundo o secretário executivo da Fecomércio-PE, Jesus Ivandro, foram praticamente oito meses de muito trabalho, organização e aprovação de uma auditoria externa para poder considerar a instituição capacitada para fazer este trabalho, que tem a chancela do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (Inpi), da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da Certisign. “Mesmo assim, não deixamos de trabalhar e em quase um ano de trabalho emitimos cerca de 2 mil certificações”, ressalta o executivo. “Esta é uma forma mais segura tanto para quem emite quanto para quem recebe a nota fiscal eletrônica, que agiliza a troca de informações com a Receita Federal e o Judiciário”, finaliza Jesus Ivandro. Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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ECONOMIA EM PAUTA | JOSÉ FERNANDES DE MENEZES

A dinâmica das empresas

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o longo do ciclo econômico, empresas nascem e morrem. Historicamente, tanto as grandes como as pequenas estão sujeitas aos avanços e recuos da economia. Contudo, no movimento de baixa do ciclo, o impacto é mais acentuado naquelas de menor porte. As micros e pequenas empresas se deparam com maiores problemas em virtude de fatores estruturais inerentes à sua sobrevivência, tais como dificuldade de acesso ao crédito, baixa produtividade, falta de planejamento e de capital financeiro, acesso a novas técnicas, política fiscal e a burocracia. Na atualidade, um número expressivo de pessoas em todo o mundo busca cada vez mais superar a exclusão mediante pequenas atividades produtivas e comerciais, fora do circuito da economia formal, dando emprego a uma grande proporção da força de trabalho. Para a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), são verdadeiramente microempresas os pequenos estabelecimentos de trabalho autônomo, muitas vezes economicamente viáveis, mas que enfrentam uma enorme barreira financeira. As grandes empresas, que respondem por parcela expressiva do PIB, por sua vez, estruturadas econômica e financeiramente, têm demonstrado, ao longo da história, uma maior capacidade de se ajustarem com maior velocidade às mudanças estruturais e de curto prazo. Pernambuco tinha, no fim de 2010, 181.818 estabelecimentos empresariais que respondiam por 1.536.626 trabalhadores formalmente contratados, o que indica o maior estoque dos últimos dez anos, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Daquele total, uma acentuada maioria, cerca de 95,0%, caracterizava-se como microempresário, categoria em que se enquadram as firmas com até 19 empregados.

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Verifica-se que, a cada ano, cresce a quantidade de microempresas em termos líquido (natalidade menos mortalidade) e absoluto, acompanhando o movimento de crescimento do número de firmas, independentemente do porte. De 2000 a 2010, o número de firmas atuando no Estado aumentou em 59 mil unidades, o que corresponde a um crescimento anual médio de 4,01%, tendo sido as firmas de menor porte as principais responsáveis pelo resultado: 94% das novas unidades eram compostas por microfirmas; 5% envolviam pequenos estabelecimentos; 0,3% eram médias e apenas 0,7% caracterizavam-se como grandes. Sob a perspectiva setorial, os maiores incrementos ficaram por conta do comércio (44%) e dos serviços (41%). Nas atividades industriais, o índice encontrado foi de 13,5%. No que diz respeito à criação e à sobrevivência das firmas, não se dispõe de dados atualizados a respeito dessa questão. No entanto, uma tabulação especial elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e uma pesquisa realizada pelo Sebrae dão uma ideia da sobrevivência das firmas em Pernambuco. Mostram, por exemplo, que em todos os anos da série 1992/2002 a mortalidade superou a natalidade, o que corresponde a uma variação líquida positiva. Setorialmente, as maiores taxas de variação (mortalidade-natalidade) ocorrem no comércio e nos serviços. O levantamento do MTE também apresentou informações relativas do movimento de mudanças de categoria. Observou-se que 95% dos microestabelecimentos existentes de 1995 a 2002 com mais de sete anos de existência não mudaram de porte. Nas pequenas e médias, a proporção encontrada foi de 4,5% e 0,2%, respectivamente. As grandes não se deslocaram para a categoria de menores.

A pesquisa do Sebrae sobre a sobrevivência das firmas foi realizada com base nos dados da Secretaria da Receita Federal para os anos de 2005 e 2006. Para as empresas constituídas em 2006, a taxa de sobrevivência encontrada em Pernambuco, com até dois anos de atividade, foi de 58,2%, abaixo da média do Nordeste (69,1%) e do Brasil (73,1%). O índice mais recente foi inferior à taxa das firmas criadas em 2005 (62,9%). Setorialmente, a evolução da sobrevivência foi negativa para todos os grandes setores (indústria, construção civil, comércio e serviços). A taxa de sobrevivência da indústria de transformação passou de 69% para 60,55%; a da construção civil, de 55,5% para 54,4%; a do comércio, de 63,3% para 69%; e a taxa de sobrevivência dos serviços, de 59,9% para 54,1%. Três observações podem ser tiradas. Primeiro, houve nos últimos anos significativa expansão das empresas de menor porte, de modo particular das microempresas. Segundo, como as firmas de maior porte detêm maior proporção do faturamento, os números revelam uma acentuada concentração. Terceiro, os micros e pequenos estabelecimentos formais e informais têm um papel de atenuar os efeitos negativos dos ciclos recessivos, e num momento em que o crescimento do emprego e o da riqueza são muitas vezes não correlatos, tendo em vista que a expansão da economia não se traduz na geração de um número expressivo de postos de trabalho. As ações adotadas nos últimos anos foram importantes, no entanto, ainda não são suficientes para dar sustentabilidade a esse importante segmento da economia. É fundamental que o desempenho dessas empresas seja sistematicamente monitorado, a fim de que se possa estabelecer ações visando atenuar uma série de fatores responsáveis pela mortalidade precoce. Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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Empresas sustentáveis

Estabelecimentos pernambucanos aderiram ao consumo consciente para contribuir com o meio ambiente

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cordar, tomar banho, alimentar-se, sair de carro e chegar ao trabalho. Essas ações fazem parte do dia a dia de diversos brasileiros. No entanto, muitos ainda não sabem que esses atos podem acarretar impactos ambientais, sociais e econômicos. Enquanto existem empresas e pessoas que percebem suas atitudes e sabem como elas afetam o meio ambiente, outras não têm tanta consciência. Procurando levar a sustentabilidade para dentro das empresas e conscientizar os empresários da importância das ações que poupem recursos naturais e racionalizem energia, o Serviço Brasileiro de Apoio a Pequenas e Médias Empresas (Sebrae-PE) está aprimorando um projeto de suma importante para um ambiente empresarial mais sustentável. O Sebrae-PE trabalhou juntando grupos e consultores para ofertar serviços às empresas. “A estratégia do Sebrae foi fomentar a criação de fóruns de sustentabilidade em setores-chave de cadeias construtivas. O Fórum da Construção Sustentável é um exemplo. Ele já existia e os responsáveis nos chamaram para fazer capacitações e palestras para os empresários. Com

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essa iniciativa, começamos a trabalhar pesado dentro do tema”, explica o gestor do Programa de Sustentabilidade nas Micro e Pequenas Empresas do Sebrae-PE, Maurício Corrêa de Araújo. Ainda de acordo com Araújo, em 2011 o projeto foi retomado de forma diferenciada. “Nós procuramos abranger cidades da Mata Sul do Estado. Este ano vamos tentar criar um fórum sustentável e queremos fazer várias reuniões para saber o que

os empresários precisam para melhorar os recursos e economizar energia. No entanto, a atitude sustentável é praticada. Nós oferecemos apenas a capacitação; cabe a cada empresa ter a iniciativa e uma pessoa que fique responsável por pensar nessa parte”, completa. Na opinião do diretor da Construtora Metron, Renildo Guedes, o Fórum de Construção Sustentável nasceu da necessidade de mostrar a importância das atitudes sustentáveis. “Nos


Ações que as empresas podem fazer para ajudar o meio ambiente Atitudes que incentivem a produção e o consumo de alimentos orgânicos, pois estes não agridem a natureza, além de serem benéficos à saúde dos seres humanos. Exploração dos recursos minerais (petróleo, carvão, minérios) de forma controlada, racionalizada e com planejamento. Uso de fontes de energia limpas e renováveis (eólica, geotérmica e hidráulica) para diminuir o consumo de combustíveis fósseis. Esta ação, além de preservar as reservas de recursos minerais, visa diminuir a poluição do ar. Criação de atitudes pessoais e empresariais voltadas para a reciclagem de resíduos sólidos. Esta ação, além de gerar renda e diminuir a quantidade de lixo no solo, possibilita a diminuição da retirada de recursos minerais da Terra.

reunimos uma vez por mês. Trabalhamos a questão da sustentabilidade como um todo. Para isso, cada empresa precisa definir como vai atuar nesse meio para melhorar o consumo de energia”, frisa. Segundo o diretor, o setor de construção civil registrou uma queda no consumo de energia. A proprietária do Capibaribe Delicatessen, Yolanda Regina, conta que a panificadora passou por uma reforma drástica para atender às demandas sustentáveis. “Tudo começou depois que eu participei do projeto de capacitação do Sebrae. Depois disso, passamos a economizar energia, incentivar o uso de sacolas sustentáveis, entre outras ações”, diz Yolanda, que encontrou uma nova função para o

forno elétrico: “Entre uma fornalha e outra de pão, sempre assamos algo diferente para não deixá-lo ligado sem necessidade e consumir muita energia”. Sobre o impacto que essa mudança poderia causar aos clientes, Yolanda é confiante: “Avisamos que íamos começar essa campanha dentro da empresa visando racionalizar o uso da energia e contribuir com o meio ambiente. A maioria gosta e aprova. Somente quem não conhece os problemas sustentáveis e os benefícios dessas iniciativas é que resiste à novidade”.

Desenvolvimento da gestão sustentável nas empresas para diminuir o desperdício de matériaprima e criação de produtos com baixo consumo de energia. Atitudes voltadas para o consumo controlado de água, evitando ao máximo o desperdício, com a adoção de medidas que visem à não poluição dos recursos hídricos e à despoluição daqueles que se encontram poluídos ou contaminados. Fonte: Inovação & Sustentabilidade (http://sustentabilidade.atarde.com.br).

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JURÍDICO EM PAUTA| JOSÉ ALMEIDA DE QUEIROZ

O papel da

ouvidoria O

surgimento da ouvidoria ocorreu no século XIX com a promulgação da Constituição Sueca, em 1809, introduzindo a figura do justitieombudsman, com o objetivo de controlar a observação das leis pelos tribunais. A figura do justitieombudsman permitiu à população reclamar contra atos de funcionários do rei, inclusive de juízes. Tomando como espelho a instituição sueca, vários outros países adotaram a figura do ouvidor ao longo do século XX e a ouvidoria passou a ser comum tanto em organizações públicas como privadas, servindo como um canal de comunicação através do qual a população se manifesta. Existiu no Brasil, na época colonial, a figura do ouvidor-geral, que era uma espécie de corregedor-geral de justiça e tinha a competência de julgar e punir infratores dos altos interesses da justiça. Contudo, essa figura do ouvidor-geral se distanciava dos moldes do justitieombudsman concebido na Suécia, já que este representava o cidadão, enquanto aquele representava os interesses do titular do poder. Apesar de José Almeida de Queiroz Consultor da Presidência do Sistema Fecomércio-PE almeidajaq@hotmail.com

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André Marinho /Thiago Maranhão

sucessivos estudos para implantação do instituto sueco no Brasil e de estar previsto em seu projeto original um “defensor do povo”, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 não instituiu um ombudsman para controle da administração federal. Essas funções ficaram divididas entre o Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério Público e o Congresso Nacional. As constituintes estaduais previram os Tribunais de Contas, os Ministérios Públicos Estaduais e as Assembleias Legislativas. São muitas as entidades que reúnem os ouvidores de todo o mundo. No Brasil, criou-se em 1995 a Associação Brasileira de Ouvidores (ABO), tendo como principais finalidades congregar todos os profissionais que exerçam as atividades e funções de ouvidor (ombudsman), assim como aqueles que exerçam atividades afins dentro do campo de defesa da cidadania, dos direitos individuais e do meio ambiente; tornar conhecida, apreciada e respeitada a instituição da ouvidoria, como instrumento de aprimoramento democrático e de defesa dos cidadãos; e colaborar na criação de ouvidorias em qualquer campo de atividade em que elas se fizerem necessárias. No âmbito empresarial, diante do mundo globalizado e competitivo, a adoção da ouvidoria passou a ser uma ferramenta indispensável. A complexidade do ambiente e as pressões que surgem no mercado criam a necessidade de uma organização cujos membros estejam altamente conectados, uma organização que esteja de fato criando seu futuro através do compartilhamento de comunicação e expansão do conhecimento. Além dos benefícios mercadológicos de se manter uma comunicação interna bem estruturada, outra vertente que também caracteriza a necessidade de uma comunicação interna é que ela atua como agente humanizador das relações de trabalho. Uma pesquisa realizada para identificar as principais ocorrências administrativas levantadas por ouvidores apresentou o seguinte quadro:  consumidores: 1º – tratamento desqualificado recebido na área de atendimento estruturado da empresa (SAC), 2º – ressarcimento por não conformidade de produtos/serviços, 3º – ressarcimento por percepção equivocada de qualidade dos produtos/serviços; funcionários: 1º – mesma função, mesma responsabilidade e salários diferentes, 2º – desvio de recursos da empresa e espionagem, 3º – percepção de incapacidade dos gestores, 4º – falta de acesso à área de recursos humanos e à chefia, 5º – percepção de perseguição após fatos ocorridos; clientes: 1º – cobranças indevidas em virtude de atrasos na entrega de produtos/serviços, 2º – tratamento desqualificado recebido pela empresa, 3º – política comercial inadequada em função do potencial; fornecedores: 1º – favorecimento ilícito de concorrentes, 2º – denúncia de corrupção, 3º – indefinição de critérios objetivos para contratação. 

Rua Dr. Manoel Borba, 68, Centro, Garanhuns, Pernambuco, CEP: 55.295-020 Tel./Fax: (81) 3761.0148 E-mail: scvgaranhuns@yahoo.com.br

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Comércio e mobilidade

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s mais de 570 mil veículos cadastrados no Recife pelo Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) até dezembro de 2011 são personagens de um problema que cresceu mais de 38% em dez anos. Congestionamentos e questões como poluição e estresse têm reflexos na mobilidade urbana, na qualidade de vida e na economia. Desde 2001, a frota em Pernambuco, diz o Detran, saiu de cerca de 965 mil para mais de 2 milhões de carros. A tendência é continuar crescendo. “Não se pode proibir as pessoas de comprar carros. É natural com o aumento da renda”, analisa o consultor de mobilidade urbana Germano Travassos. “A questão não é a quantidade, mas o que se faz com esses carros. É necessário um uso racional”, diz. Ele se refere ao modelo adotado no Brasil, semelhante ao americano, que prioriza a utilização de veículos, deixando o transporte coletivo em segundo plano. “É um equivoco impressionante. Na Europa, já na década de 60, ficou claro que esse padrão é insustentável. Nenhuma cidade do mundo aguenta ter 40% da população com mobilidade por carro.”

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O rendimento do comércio varejista, principalmente o tradicional, de rua, é diretamente afetado pela mobilidade. No caso do Recife, negativamente. Há uma má influência sobre os resultados, uma “relação clara”, como explica o doutor em trânsito Oswaldo Lima Neto. “Você está dificultando o acesso das pessoas. A falta de mobilidade prejudica muita coisa.”

NO PARKING A capital pernambucana não tinha o modelo de “mall” até a inauguração do Shopping Recife, no fim de 1980. Isso mudou a cara do varejo e fez a comodidade sobressair ao comércio tradicional. A Rua da Imperatriz, no Centro da cidade, já era exclusiva de pedestres na década de 70. Com o início da operação dos shoppings, houve uma segregação de classes: consumidores com maior poder aquisitivo migraram para o ar condicionado (e para os estacionamentos). “Há uma expressão americana equivocada que diz ‘no parking, no business’ (‘sem estacionamento, sem negócios’)”, comenta Germano Travassos. Refletindo


“Na Europa, já na década de 60, ficou claro que esse padrão é insustentável. Nenhuma cidade do mundo aguenta ter 40% da população com mobilidade por carro” Germano Travassos

por outro parâmetro, o consultor comenta que simplesmente oferecer estacionamentos não resolve o problema da mobilidade; ao contrário, cria mais um conglomerado de automóveis de que as vias do entorno não darão conta. Na opinião do diretor de relações institucionais da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Luís Augusto Ildefonso, onde há comodidade e conforto há vantagens para os comerciantes. Ainda assim, ele destaca a dispersão dos shoppings para áreas longe dos

grandes centros. “Há 15 anos, a proporção de shoppings nas grandes cidades em relação às menores era de 65% para 30%. No senso que fizemos no fim do ano passado, está quase meio a meio”, diz. Idelfonso comenta que as vendas são influenciadas pelo trânsito, principalmente nos centros de compras próximos a grandes avenidas. “Há um desconforto. Ninguém sai para fazer compras em horário de rush. É por isso que as compras são mais cômodas e mais fluentes depois do horário de pico, por volta de 20h”, atesta. Segundo Germano Travassos, a transformação passou pelo comércio em várias cidades brasileiras (a tendência de ruas exclusivas para pedestres começou em Curitiba-PR, nos anos 70), mas, no Recife, teve uma peculiaridade. “Em outros lugares, se observava uma revitalização. Os comerciantes investiam em seus negócios, melhoravam vitrines e o padrão do centro comercial daquela rua. Aqui não houve isso”, conta. O consultor relembra que as ruas Nova e Imperatriz foram fechadas, mas poucos comerciantes investiram. “Alguns comerciantes têm restrições a vias onde não circulam carros, mas há exemplos de comércios em áreas assim que tiveram alta de até 40% nas vendas”, diz.


MOBILIDADE A causa mais óbvia para os problemas de mobilidade, descreve Oswaldo Lima Neto, é o excesso de automóveis versus o sistema viário. “No Recife, o sistema viário é muito ruim, as ruas são muito estreitas para o fluxo de carros”, analisa. É a primeira causa. A segunda é a falta de estrutura para gerir o tráfego. “A Companhia de Trânsito e Transportes Urbanos (CTTU) tem mais de dez anos e não fez concursos até então. Não tem quadro técnico estruturado para exercer o papel de fiscalização e educação que lhe cabe”, diz.

Lima Neto lista novos pilares. O primeiro deles é o planejamento do uso e a ocupação do solo. “Não se pode permitir que haja empecilhos na fluidez do trânsito. O Shopping RioMar, como está hoje, vai causar um transtorno grande ao trânsito de Boa Lima trata de outro assunto: a tecnologia utilizada no Viagem. Se você levava duas horas trânsito. “A nossa é muito antiga. Em para entrar ali, passará três, porque a Fortaleza, por exemplo, onde há um “Há um desconforto. estrutura é a mesma para suportar controle de tráfego mais moderno, um fluxo muito maior de os semáforos têm sensores que Ninguém sai para fazer carros”, exemplifica. identificam o fluxo de carros para diminuir o número de paradas. Não resolve o problema, mas ajuda. Se tivesse algo assim por aqui, acidentes e incidentes com carros não afetariam tanto a fluidez do trânsito.” E a terceira questão são os gestores, que talvez estejam renegando a segundo plano um caso tão grave quanto a mobilidade.

compras em horário de rush. É por isso que as compras são mais cômodas e mais fluentes depois do horário de pico, por volta de 20h” Luís Augusto

Depois, é necessário dar prioridade absoluta à população não motorizada, fazer ciclovias, melhorar as calçadas. A terceira questão é a restrição do uso de automóveis. “Há uma lógica para tudo. Do jeito que segue, está tudo Ildefonso perdido. Uma cidade com um trânsito desse tipo também fica com a economia imóvel.”

Apontando soluções, Lima Neto sugere a intermodalidade: unir a possibilidade de contribuir para a fluidez do trânsito de forma inteligente. Imagine uma estação de metrô com estacionamento: você estaciona o carro com segurança e segue seu caminho de metrô. Ou um lugar com bicicletas para alugar. “Quando se fala de trânsito, pensa-se no carro que fica preso no congestionamento, mas eu penso nas pessoas que estão no carro. É um problema sério”, analisa. Segundo o consultor, a organização benfeita resulta em um trânsito que permite ao cidadão exercitar todas as oportunidades que as grandes cidades oferecem. Para Luiz Kehrle, também consultor da FecomércioPE, as inundações e as consequentes perdas de

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estoque, embora tendo acontecido pontualmente, não foram a tônica durante as fortes chuvas do ano. “Pode-se concluir que a mais deletéria consequência das águas foi seu rebatimento sobre a já combalida mobilidade da população. Tanto é que, mesmo os shopping centers, um tanto mais protegidos do aguaceiro que o comércio de rua, também apontaram as chuvas como o principal problema enfrentado”, disse. Ainda de acordo com Kehrle, a mobilidade está se tornando um problema extremamente grave em praticamente toda a Região Metropolitana do Recife, devendo gerar discussões e promessas durante a campanha eleitoral que se aproxima. “O setor varejista precisa aprofundar os estudos da influência da mobilidade sobre o desempenho da atividade comercial para, entre outras coisas, avaliar as perdas sofridas. Certamente esse é um ponto sobre o qual o Instituto Fecomércio, através de seu Centro de Pesquisa, deverá se debruçar este ano, buscando aprofundar os resultados obtidos na sondagem realizada em 2011”, finaliza o consultor. De acordo com o consultor da Fecomércio-PE José Fernandes de Menezes, as cidades brasileiras de uma forma geral, além de conviverem com os clássicos problemas estruturais (desemprego, pobreza, falta de saneamento, falência do sistema de transporte

público, habitação, entre outros), se defrontam na atualidade com a questão da   mobilidade no meio urbano. “O boom da venda de veículos e o caos no transporte público encontraram as cidades brasileiras despreparadas e sem horizonte de curto prazo”, explica o consultor. Segundo Menezes, no Recife, a falta de investimentos visando ao escoamento do tráfego de veículos ao longo dos últimos anos, somada a  um planejamento ineficiente e sem visão de futuro do habitat, vem afetando o comércio  tradicional e o moderno. Em uma pesquisa realizada pela Fecomércio durante o período de grande volume pluviométrico em 2011, os empresários da RMR apontaram a intensidade das chuvas como principal fator responsável pela queda das vendas, superando inclusive a carga tributária e a  taxa de juros. “A questão não é a chuva, mas a incapacidade da cidade em escoar o volume de água.  O que se pode concluir é que a incapacidade de gerir e gastar os recursos públicos é o pano de fundo da questão da mobilidade”, finaliza José Fernandes de Menezes.   Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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Ginástica laboral

é garantia de integração e saúde

Sesc Pernambuco promove aulas para estimular os funcionários a sair do sedentarismo

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esde abril de 2009, em alguns dias da semana, Roberta Guedes de Moura vai à sede e às unidades de Casa Amarela e de Turismo e Lazer do Sesc. Com música para colocar todos no clima e diminuir a seriedade do ambiente de trabalho, ela inicia uma série de exercícios de alongamento, que ajudam a relaxar o corpo e a mente. Roberta é professora de educação física e faz parte do quadro de funcionários da instituição. Ela é a instrutora da ginástica laboral, atividade que faz parte do Programa de Qualidade de Vida do Sesc.

Afinal de contas, lugar de trabalho deve também ser lugar de bemestar. E é com essa perspectiva que muitas empresas adotam atividades que auxiliam na promoção da saúde do funcionário. “A ginástica laboral é um conjunto de atividades que estimulam a coordenação visomotora e a articulação musculoesquelética com o objetivo de oxigenar os músculos, prevenir lesões musculares e aumentar o fluxo do líquido sinovial, que fica entre as articulações. Isso diminui a fadiga, o cansaço e promove bem-estar”, explica Roberta Guedes. De acordo


Ginástica laboral Conjunto de práticas de exercícios físicos realizados no ambiente de trabalho. Utiliza técnicas de alongamento e exercício que estimulam a coordenação visiomotora.

Benefícios da ginástica laboral Fisiológicos • Aumenta a oxigenação dos músculos. • Favorece a circulação do líquido que fica entre as articulações (líquido sinovial). • Diminui o surgimento de lesões causadas por esforço repetitivo. • Auxilia a manter a postura correta da coluna. • Diminui a tensão muscular. • Estimula a integração entre o grupo. • Estimula a prática de exercícios físicos regulares. • Melhora a concentração. Fonte: Roberta Guedes de Moura Instrutora de ginástica laboral do Sesc-PE

com Roberta, a orientação é que os exercícios sejam feitos todos os dias. “Distribuímos uma cartilha com instruções explicando como os movimentos devem ser feitos, já que a atividade física regular é uma forma de prevenir acidentes de trabalho e de contribuir para a motivação dos funcionários. Isso ajuda na prevenção de doenças e na diminuição de faltas. “A ideia da ginástica laboral é que seja um passo, um despertar, para que as pessoas saiam do sedentarismo e comecem a perceber a necessidade de trabalhar a saúde”, argumenta Marta Jordão, chefe do Departamento de Pessoal e uma das responsáveis pelo Programa de Qualidade de Vida do Sesc Pernambuco, criado pela Diretoria de Assistência Social. “Queremos estimular a atividade física e prevenir lesões causadas por esforço repetitivo”, diz Marta. Outros benefícios apontados

pela prática da ginástica laboral, além da diminuição dos índices de falta ao trabalho por doenças, é a integração e a melhora da concentração dos funcionários nas atividades que eles desempenham. No Sesc, os encontros contam com um público bastante assíduo e animado. “As aulas fazem com que a gente tenha um contato maior com o grupo. Podemos nos aproximar de pessoas que são de outros setores e que não conhecíamos antes”, conta Maurício Ciríaco, chefe do Departamento de Estatística e Pesquisa e frequentador das aulas. Maurício já é adepto de atividades físicas diárias e considera os encontros um complemento importante. “Moro no Curado e vou todos os dias da minha casa até o Terminal Integrado de Passageiros. A laboral aqui ajuda até mesmo para o trabalho, deixa o ambiente mais descontraído e

insere a atividade física na nossa rotina”, afirma. O projeto está em expansão para outras unidades. “Algumas já iniciaram e outras estão retomando as atividades”, informa a coordenadora de Esporte e Lazer do Sesc, Thereza Roberta. “A atividade física é item de qualidade de vida. Possui ganhos que vão além do trabalho. A ginástica laboral é um incentivo para que os funcionários possam adotar outros hábitos que possibilitem mais saúde na sua vida”, completa. Para ela, a atividade no trabalho faz parte do processo de tomada de consciência da importância de cuidar do corpo, do físico, de movimentar o corpo, de começar a perceber a necessidade de estar bem fisicamente. “Queremos que, a partir das aulas, o funcionário possa adotar outras atividades físicas com maior impacto positivo, a médio e longo prazo”, finaliza. Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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Educação profissional a distância avança em Pernambuco

Enquanto o governo do Estado amplia vagas em cursos para a população, o Senac Pernambuco mira a Copa do Mundo de 2014

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este mês de março, cerca de 1.300 pernambucanos comemoram o fim de uma etapa profissional em sua vida. Todos eles integram a primeira turma formada pelos cursos profissionalizantes a distância oferecidos pelo governo do Estado em parceria com o Programa Brasil Profissionalizado, do Ministério da Educação. Alguns deles já tiveram as aulas encerradas no fim de 2011, como os do curso de informática, enquanto outros realmente finalizam as atividades este mês, como os de enfermagem. O que todos esses estudantes ilustram, de forma geral, é um novo caminho que tem sido trilhado na educação profissional no Estado. “Esse campo da educação profissional a distância é muito novo em Pernambuco, tanto que estamos formando a primeira turma agora com alunos que começaram a estudar em 2009. Mas vamos dar uma guinada nisso este ano com o lançamento de um edital com mais de 4 mil vagas em sete cursos diferentes, todos técnicos”, explica o secretário executivo estadual da Educação Profissional, Paulo Dutra.

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O novo edital vai atender a duas escolas técnicas que abrangem 20 polos em todas as regiões de Pernambuco. Alguns dos municípios alcançados foram Araripina, Paudalho, Caruaru, Serra Talhada, Santa Cruz de Capibaribe e Petrolina. Entre os cursos que serão oferecidos, estão administração, comércio, logística, segurança do trabalho, hospedagem e informática. De acordo com o gestor de educação a distância da secretaria estadual, George Bento, essa nova leva de cursos profissionais a distância será marcada por avanços na tecnologia empregada. “Cada aluno receberá um notebook, o que não havia antes. Além disso, vamos utilizar um ambiente virtual bem diferenciado, em que o estudante vai acompanhar uma disciplina por semana, ao contrário dos métodos tradicionais, em que são abordadas várias competências ao mesmo tempo. Os cursos continuam contando com avaliações presenciais, já que o Conselho Estadual de Educação define que as atividades não podem ser 100% a distância, exigindo avaliações presenciais, por exemplo”, explica.


Os alunos recém-formados em aulas não presenciais são apenas uma parcela do total de aproximadamente 12 mil pessoas matriculadas na rede estadual de educação profissional atualmente. As duas escolas habilitadas a ministrar esses cursos específicos, viabilizados por materiais multimídias e ambientes virtuais de aprendizagem, integram o leque de 19 escolas técnicas à disposição do Estado. “A expectativa para este ano é preencher as vagas do novo edital, que vêm a se somar às oportunidades oferecidas pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), por exemplo, e formar profissionais para o mercado de trabalho”, afirma Dutra. Referência em formação profissional no país, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) oferece dezenas de cursos a distância, que compreendem desde a formação inicial e continuada até a educação superior, além de pós-graduação lato sensu, a partir de 2005. Todos eles são reconhecidos pelo Ministério da Educação e podem ser encontrados em praticamente todos os Departamentos Regionais da instituição.

Em Pernambuco, por meio da Rede EAD Senac, o Senac atendeu cerca de 600 alunos em 2011 – número que tem sido ampliado a cada ano. Esses estudantes, a maioria jovens, distribuíram-se entre cursos de curta duração, formação inicial e continuada e também especialização. “O Senac trabalha com ensino a distância aqui em Pernambuco há mais de 30 anos, por muito desse tempo com ensino por correspondência. Contudo, de 2005 a 2006, houve grandes mudanças e atualizações tecnológicas, além do lançamento dos primeiros cursos on-line e da primeira especialização on-line em educação a distância, por meio da Rede Nacional de Cursos de Pós-Graduação a Distância”, explica a analista de educação profissional do Senac Pernambuco Betânia Paiva.

Segundo Betânia, no ano passado, registrou-se um aumento na procura pelos cursos a distância no modelo semipresencial, que une uma aula por semana ao restante da carga horária através do ambiente virtual. Ela também destaca os cursos de multimídia na educação, Excel básico e avançado e gestão de pequenos negócios, que atendem a um modelo de educação flexível, em que o presencial e o a distância não se diferenciam. “Cada vez mais pessoas que estudam e trabalham têm procurado atualização e aperfeiçoamento. Uma das principais facilidades dos cursos on-line, que é a flexibilidade, tem sido um grande atrativo para

Para o segundo semestre deste ano, o Senac prevê o lançamento da Rede EAD Nacional de Cursos Livres, com mais de 30 opções on-line, sendo a maioria voltada para a Copa do Mundo de 2014. De acordo com o projeto, será oferecido em todo o Brasil um portfólio de cerca de 100 cursos até 2014, com a expectativa de atender mais pessoas de diferentes regiões. Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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elas, porque não é necessário se deslocar para uma sala de aula convencional para estudar. Com acesso à internet, o aluno pode acompanhar as aulas a qualquer momento e em todo lugar. Dessa forma, temos conseguido atender mais pessoas em lugares mais distantes do Estado e do país. A nossa preocupação é oferecer novas alternativas de educação profissional, que reúnam diferentes tecnologias e educação de qualidade para diferentes públicos”, finaliza. A gestora de recursos humanos Amanda de Barros, de 29 anos, é exemplo de quem tem optado por cursos a distância. “A vida está cada dia mais agitada e a profissão tem exigido que a gente se atualize cada vez mais rápido. Então a internet aparece como um caminho mais prático, possibilitando que

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eu faça cursos de curta duração, outros mais longos e até uma pós a distância”, conta. De acordo com Amanda, que reserva o período da noite após o trabalho para os estudos, os cursos que contam com o apoio de tutores exigem um compromisso maior dos alunos, porque são delimitados prazos para atividades. Além disso, possibilitam um envolvimento maior porque os estudantes podem interagir para esclarecer dúvidas. “Quando os cursos já são preparados, com material pronto e provas on-line, você tem uma liberdade maior, podendo se adequar melhor ao perfil de quem é mais atarefado e deseja turbinar o currículo.”

BRASIL – O Ministério da Educação também já anunciou que serão oferecidos cursos de idiomas com o objetivo de qualificar profissionais para os megaeventos esportivos que o Brasil vai promover nos próximos anos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. No total, 33 institutos federais, dois centros federais de educação tecnológica, as escolas técnicas ligadas às universidades federais do Rio Grande do Norte, de Santa Maria (RS) e à Rural de Pernambuco e nove instituições públicas estaduais oferecerão os cursos a distância, de acordo com a Agência Brasil. Em 2011, a expectativa das Redes de Educação Profissional e Tecnológica do MEC de atender 50 mil estudantes foi superada. Ao todo, 75 mil alunos se matricularam nos cursos técnicos no ano passado. Dos 48 cursos disponíveis, os mais procurados foram os de informática, administração e segurança do trabalho.


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Arte para ressocializar No Raio Norte, cela três da Casa da Cultura, no Centro do Recife, duas mulheres atendem os visitantes e clientes do projeto Expressão, oferecendo o artesanato pernambucano como produto mestre da casa. Nadja Paula e Luiza Alzira, egressas do sistema prisional do Estado, são a cara do trabalho ofertado, desenvolvido por outros 600 profissionais, artesãos e artistas dos cerca de 20 presídios de Pernambuco.

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O

prédio da Casa da Cultura terminou de ser construído em 1867 para ser a Casa de Detenção da época. Funcionou como presídio por 118 anos. Em 1980, foi tombado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Hoje abriga tudo que o Estado oferece de produção artística da mão de obra carcerária. Segundo o gerente de educação e qualificação profissionalizante da Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres), Ednaldo Pereira, da unidade de Itamaracá até a de Petrolina, o projeto de qualificação leva

mais renda a quem, a priori, está fora do mercado de trabalho. “Na loja, onde estamos há aproximadamente dez anos, temos um faturamento mensal de R$ 1 mil. As peças são comercializadas à vista, o que ainda é um problema para uma maior amplitude de faturamento”, diz. Ainda segundo ele, colocar a opção de pagamento com cartão é muito burocrático. “Somos um órgão do governo. Isso dificulta bastante conseguir colocar um emissor eletrônico de notas fiscais agregado a um pagamento via cartão.” Em loja, os produtos variam de um ímã de geladeira, que custa R$ 1,50, a um quadro do artista


Eliosval Fortunato da Silva, há tempos exposto, pelo custo de R$ 5 mil. “O quadro é fantástico. Mas, afinal, quem anda com R$ 5 mil em espécie para comprar alguma coisa no mercado?”, questiona. Os melhores meses de vendas acompanham a movimentação turística: janeiro, fevereiro e junho e julho. “Com faturamento de R$ 1 mil em meses comuns, esse montante passa do dobro nos meses de alta”, diz Luiza Alzira. Luiza, por sinal, é mais que uma entusiasta do trabalho. “Sou artesã. Trabalho com biscuit há anos e muitos produtos meus já foram vendidos aqui desde o tempo em que eu estava na colônia penal. Trabalho na loja há três anos, mas colaboro há cinco, pelo menos. Antes, apoiava a equipe da secretaria em eventos, como a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte). Eu ia escoltada da colônia penal até o Centro de Convenções e voltava escoltada”, lembra. “Vendíamos muito bem todos os produtos, inclusive as minhas peças.” A Fenearte, promovida anualmente, também é uma excelente fonte de renda para esses trabalhadores. “O balanço da última feira registrou um faturamento de R$ 12 mil em dez dias de exposição”, lembra Ednaldo Pereira. “Tudo vendendo à vista, em espécie.”

“Sou artesã. Trabalho na loja há três anos, mas colaboro há cinco, pelo menos. Antes, apoiava a equipe da secretaria em eventos, como a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte). Eu ia escoltada da colônia penal até o Centro de Convenções e voltava escoltada” Luzia Alzira

Todo o montante recebido retorna para o artesão, que usa como quiser. Segundo Pereira, geralmente o dinheiro é usado na compra de matéria-prima para a produção de novas peças, às vezes feita pela própria secretaria. Quando a família do detento trabalha com artesanato, ela fornece material de trabalho para as oficinas e a renda recolhida vai para ela ou fica para o próprio preso. Além disso, a cada três dias de trabalho, um dia da pena é reduzido ao período de condenação. A mão de obra carcerária do sistema atua dentro da unidade prisional em espaços próprios para o trabalho das oficinas. Em alguns casos, eles trabalham na própria cela, quando não estão no horário das

oficinas. “A produção contempla artesanato típico pernambucano, brinquedos, bordados, pinturas, entre outras obras, e é recolhida nas unidades pela gerência de educação e qualificação profissionalizante, da Seres, que faz a triagem de qualidade, cataloga, coloca os preços e encaminha para a venda”, detalhou Pereira. RECICLARTE Em uma loja no Shopping Paço Alfândega, a Associação Reciclarte oferece produção carcerária a um público receptivo, formado principalmente por turistas. “Eu pensava que haveria preconceito, mas muitos compram, e muitos compram somente para ajudar”, disse a diretora da associação, Ana Paula Valdez. Estão expostas peças feitas de pedaços de madeiras e de embalagens metálicas de Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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entorno do estádio do Sport Club do Recife. Outro ponto importante de produção de arte para o projeto Expressão é a Penitenciária Agroindustrial São João (PAISJ), que reúne os presidiários julgados e condenados ao regime semiaberto do Estado. Desta unidade, chegam jogos de banheiro feitos de tecido, peças de madeira, metal e quadros.

salgadinhos – tudo doado por empresas parceiras. Na loja, o artigo mais caro é uma adega de vinhos, toda feita com pedaços de madeira, por R$ 200. Mas há opções de R$ 30, R$ 35, R$ 5. Esse trabalho pode muito bem ser descrito como “multiplamente sustentável”: gera rendimentos aos presos, reutiliza material reciclável e ainda desonera o Estado. “É um resgate”, conta Ana Paula, “uma forma que eles têm de se sentir úteis e recuperar o respeito da família”. PEÇAS Atualmente, a loja dispõe de 400 produtos. São peças de vestuário, bijuterias e artigos para decoração da casa. O que não chega à loja tem outra solução para movimentação do comércio. A venda ocorre nos próprios presídios em horários de visita. “A visita de amigos e familiares reúne, sempre, um contingente muito expressivo de pessoas. São peças mais simples. O que chega à loja passa por um processo mais criterioso de qualidade, no qual se avalia beleza, refinamento do acabamento, e é fundamental a utilidade para o dia a dia”, explica Pereira. O trabalho inicialmente acontece quando a capacitação ou o

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treinamento de produção artística vai até os presidiários do Estado. São oficinas de artesanato, pintura em tecido e vários trabalhos manuais. E a regra é: quem vai sendo treinado tem o compromisso de atuar como multiplicador do conhecimento. No caso dos presídios do Sertão, a logística acontece uma vez por mês. As peças são trazidas cuidadosamente para o Recife e entram no circuito de comercialização juntamente com as outras de unidades mais próximas e que conseguem chegar com mais velocidade. “As peças de madeiras são um sucesso. Os peixes produzidos com o material são um dos itens mais vendidos”, garante Nadja, funcionária da loja há um ano. “Os navios também são carrochefe. Todos produzidos com restos de madeira e trazidos do Presídio Barreto Campelo, nas proximidades de Igarassu. Sucesso com os turistas internacionais”, completa. As caravelas variam de R$ 100 a R$ 300, de acordo com o tamanho. Bicicletas de ferro, que custam R$ 5, são produzidas por artesãos que estão em regime aberto, mas ainda continuam trabalhando para o projeto. Eles produzem no Centro de Apoio a Egressos em Liberdade (Cael), localizado no

Para Luiza, a questão de não oferecer compras via cartão de débito e crédito é uma problemática que vale reiterar. “Um barco que custa R$ 400 foi vendido na Fenearte por R$ 300 na última edição por não termos a opção de pagamento a oferecer”, constata. “Estamos em um ponto turístico do Estado. Não há turista que circule com dinheiro, até por causa da violência das capitais. Estamos na rota do turismo da cidade e em uma localização muito boa. Os navios de passageiros que chegam à cidade vêm em excursão para a Casa da Cultura e a gente, às vezes, não consegue vender um jogo de xadrez, que custa R$ 150. As casinhas de madeira, que são comercializadas pelo preço de R$ 180, são um sucesso e a gente não pode vender mais barato. Perdemos a venda”, reclama. O gerenciamento e a supervisão da loja são de responsabilidade da Secretaria de Ressocialização do Estado, que controla o caixa, executa relatórios semanais de vendas e abastece o estoque. A loja funciona todos os dias no horário da Casa da Cultura (de segunda a sexta, das 9h às 19h, sábados, das 9h às 16, e domingos, das 9h às 14h). Serviço: Casa da Cultura Rua Floriano Peixoto, s/n, bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife Loja Expressão Raio Norte, cela 3


Obras e reformas

aquecem a construção civil

O

aumento da renda do consumidor, aliado ao aquecimento da economia, está aguçando o apetite do setor varejista da construção civil. Nesse ritmo estão empresas como os grupos pernambucanos Tupan, Ferreira Costa e Luna, que se movimentam com mais fôlego, este ano, para ampliar os negócios no mercado. Entre as estratégias estão a abertura de novas unidades, o reforço no estoque e a preparação para iniciar as vendas pela internet. Justamente para atender à demanda de obras e reformas, que consomem itens variados para dar forma a imóveis residenciais e comerciais.              

Apostando no crescimento orgânico, o Grupo Tupan – que atua no Norte e Nordeste com a venda de itens para a construção civil no atacado e no varejo – vai inaugurar uma unidade, em maio deste ano, e planeja instalar outras três na região. As datas destes três últimos empreendimentos ainda estão sendo definidas. Quem conta detalhes da expansão de mercado é o presidente do Grupo Tupan e também engenheiro, Carlos Aurélio de Carvalho Menezes, mais conhecido como Carlinhos da Tupan. Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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ENTREVISTA | CARLINHOS DA TUPAN Informe Fecomércio (IF) – Onde será inaugurada a primeira loja da empresa este ano e quanto está sendo investido?

IF – Quantos empregos estão sendo gerados?

Carlinhos da Tupã (CT) – Será em Caruaru, no Agreste pernambucano. Já estamos inclusive montando as gôndolas. Vai ser uma loja Tupan com mais de 6 mil metros quadrados. Nessa loja, estamos investindo com recursos próprios R$ 15 milhões. Esses recursos estão sendo aplicados na compra do terreno, na construção e na aquisição de equipamentos. CT – Serão gerados 170 empregos diretos e as contratações já se iniciaram. Entre os cargos, estão estoquista, atendimento, caixa e vendedor.

IF – Além dessa unidade em Caruaru, a empresa tem outros planos de expansão no mercado?

CT – Queremos abrir outras três unidades na região. Uma delas já começou a sair do papel e está em obras. Será um home center, da bandeira Tupan, e vai funcionar em Olinda. Já estamos em fase de obtenção de licenças. Além dessa loja, também planejamos abrir mais duas novas centrais de distribuição, este ano, no Recife. E também passar a vender pela internet no varejo.

IF – O senhor poderia detalhar melhor como será esse projeto de comercializar pela internet?   

CT – Este ano será de organização. A empresa já está se preparando para vender pela internet no varejo. Hoje já vendemos no atacado a pessoa jurídica. Vamos contratar consultorias para preparar a empresa. A clientela está mais informada e exigente, então temos que estar ainda mais preparados para atender com produtos e serviços de qualidade. CT – Nossa história começou em Serra Talhada, interior de Pernambuco, e hoje o grupo conta com sete unidades do varejo (na bandeira Tupan), uma central de distribuição (no Recife) e duas unidades no atacado (na bandeira Distac), sendo uma em Serra Talhada – considerada a maior unidade do grupo em vendas – e outra em Maceió-AL. Para abastecer os clientes localizados no Norte-Nordeste, a empresa conta com frota de 160 veículos próprios. São mais de 1,7 mil funcionários e mais de 140 representantes comerciais para fazer a captação de novos clientes.

IF – Como está formado hoje o Grupo Tupan?

“A clientela está mais informada e exigente, então temos que estar ainda mais preparados para atender com produtos e serviços de qualidade”

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Expectativa é ampliar faturamento este ano Quem também está otimista este ano é o diretor comercial do Grupo Luna, Sebastião Luna. A empresa – formada por quatro unidades no varejo da bandeira Atacado dos Presentes, uma transportadora própria e uma importadora – espera que o faturamento deste ano cresça pelo menos 30%. Para isso, a intenção é ampliar em 20% o mix de produtos, inclusive com importados, para os clientes encontrarem tudo em um só lugar, como defende o bordão da empresa. Hoje são 260 mil itens disponíveis nos diversos setores, como construção, papelaria, automotivo, brinquedos, cama, mesa e banho.

Além de reforçar a variedade de produtos nas lojas físicas, a empresa – que está no mercado desde 1985 – também quer passar a vender pela internet. A previsão é que isso ocorra em seis meses, já que, segundo Luna, será necessário contratar consultoria, comprar equipamentos, treinar pessoal e focar a logística. A estratégia envolve ainda a contratação de pessoal nos diversos setores para reforçar o atendimento, conforme o crescimento da

demanda. Além da estruturação da casa e da disponibilidade de mix diferenciado, outros dois aspectos favorecem as vendas: o aumento no poder de renda do consumidor e a facilidade no pagamento. Sem falar na localização das unidades, nos bairros de São José, Curado, Torre e Boa Vista. Mas os planos do Grupo Luna não param por aí. No ano que vem, a empresa quer abrir mais uma unidade no Recife, sem prazo nem local definido.

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Em funcionamento desde 1884, a Ferreira Costa conta hoje com cerca de 1,6 mil funcionários e mais de 200 promotores para apoiar as vendas.

Negócios que atravessam gerações Quem também está expandindo negócios é a Ferreira Costa. A empresa pernambucana planeja abrir, no primeiro semestre deste ano, uma nova loja, no bairro da Tamarineira. Esta será a quarta unidade em operação da empresa, que já conta com duas unidades em Pernambuco – sendo uma no Recife-PE e outra em Garanhuns, no interior do Estado – e outra em Salvador-BA. Em funcionamento desde 1884, a Ferreira Costa conta hoje com cerca de 1,6 mil funcionários e mais de 200 promotores para apoiar as vendas. Pelo seu desempenho, ocupa hoje o quinto lugar no ranking nacional das lojas de material de construção, segundo a revista Anamaco. A história da Ferreira Costa começou ainda em Garanhuns, em 1884, com um pequeno armazém de ferragens e ferramentas, do

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imigrante português João Ferreira da Costa. De lá para cá, o negócio vingou e, de pai para filho, foi passando de geração a geração. Uma história que vem atravessando décadas e décadas com solidez. Além do mix variado de produtos

e serviços diferenciados, a empresa aposta em campanhas de marketing para manter acesa a marca no mercado e na mente dos consumidores que buscam itens para construção, reforma e decoração.


N贸s sempre acreditamos no potencial de crescimento de Pernambuco,

por isso, investimos nas pessoas!

www.fecomercio-pe.com.br www.pe.senac.br www.sesc-pe.com.br Informe Fecom茅rcio-PE | MAR/ABR 2012 |

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OPINIÃO | FRANCISCO CUNHA Sócio da TGI Consultoria e presidente do Conselho Editorial da Revista Algomais

Ajuste competitivo

N

ão é mais segredo para nenhum pernambucano atento ao que está acontecendo no Estado que Pernambuco vive a melhor oportunidade de desenvolvimento dos últimos 50 anos quando olhamos para trás e, pelo menos, dos próximos 25 anos quando olhamos para frente. Pelos cenários elaborados para a versão 11 da Pesquisa Empresas & Empresários (Pernambuco da Próxima Geração), realizada pela TGI Consultoria e pelo INTG – Instituto da Gestão, com assessoria técnica da Multivisão e da Ceplan, o PIB do Estado deve duplicar até 2020 e quadruplicar até 2035. O que está acontecendo de uns tempos para cá não deixa de ser surpreendente para quem tem um pouco mais de estrada nesse assunto de desenvolvimento de Pernambuco. Há 20 anos, no período que se convencionou chamar de “baixo-astral” no Estado, se dizia que a “salvação” de Pernambuco era uma refinaria ou siderúrgica ou montadora. Nem sequer se sonhava em ter mais de um empreendimento estruturador desses listados. Hoje temos a refinaria, a siderúrgica e a montadora mais a petroquímica, o polo naval (estaleiros), a farmacoquímica, a ferrovia, a transposição e, até 2014, os investimentos da Copa do Mundo. Todos esses projetos estruturadores são responsáveis por investimentos da ordem de US$ 35 bilhões nos próximos cinco anos, o que é um volume de inversões muito grande para uma economia pequena como a de Pernambuco (apenas cerca de 2,5% da brasileira). As estimativas da pesquisa E&E são de que, por causa desse volume relativamente alto, a economia pernambucana cresça cerca de dois pontos percentuais acima da brasileira pelos próximos anos. Com tudo isso, pode-se dizer, sem medo de errar, que vivemos um momento em que está se dando a definitiva globalização da economia de Pernambuco. Disse o ex-ministro Rubens Ricúpero que globalização é como co-

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lesterol: existe o bom e o ruim. O bom da globalização pernambucana é fácil identificar: investimentos, aumento da renda e do consumo, dinamismo da economia, aumento da oferta de empregos... O ruim é o “apagão” da mão de obra, a enorme sobrecarga sobre a infraestrutura, em especial no Recife, e a hipercompetição que se abate sobre as empresas pernambucanas. De fato, junto com os investimentos estruturadores estão vindo as empresas concorrentes, em especial do Sudeste do país, todas querendo aproveitar o surto de crescimento estadual, de certo modo confundindo crescimento com tamanho da economia. O resultado é isso que todos começamos a sentir em nossos mercados: uma pressão crescente sobre a clientela em praticamente todos os setores tradicionais da economia pernambucana, inclusive no de comércio de bens e serviços. A pergunta que fica é: e diante desse novo quadro, o que fazer? Tudo leva a crer que é mais do que chegada a hora do que poderíamos chamar de “ajuste competitivo” das empresas locais, com pelo menos os seguintes focos: 1 – profissionalização radical da empresa (do porteiro ao presidente, incluindo governança corporativa); 2 – disciplina de capital (sintonia com os fundamentos econômicos e financeiros do negócio, produção enxuta e precisa); 3 – inovação (em produtos, modelos de negócios, processos e gestão tecnológica); 4 – foco na vocação competitiva (investimento nos pontos fortes e nas competências distintivas da empresa); 5 – transição para a economia de baixo carbono. O jogo está no início. Ainda há tempo para fazer o que precisa ser feito, mas não muito. As empresas pernambucanas têm tradição e história de luta e sucesso empresarial, porém precisam apressar o passo, porque o novo cenário competitivo veio definitivamente para ficar.


O Nordeste

é o alvo das grandes redes Magazine Luiza, Casas Bahia e outras grandes redes estão colocando como parte do seu planejamento investir na nova mina de ouro do Brasil.

E

m outubro do ano passado, o Magazine Luiza finalizou seu processo de chegada a Pernambuco, assumindo a sua marca na praça, depois de ter adquirido a operação da paraibana Lojas Maia, com 14 lojas em vários municípios do Estado e 141 unidades em nove Estados da Região Nordeste. Agora é a vez da chegada da rede Casas Bahia ao Recife. Com previsão de entrar em operação no RioMar Shopping até outubro, a rede vem coroar a importância do varejo local para as grandes marcas nacionais. Mesmo sem divulgar oficialmente sua intenção no Nordeste, a Casas Bahia inaugurou no ano passado uma unidade em Petrolina e abriu três lojas na Bahia e uma em Goiás.

“O Nordeste está experimentando uma evolução de mercado que nos dá ainda mais orgulho de sermos brasileiros. Sempre tivemos o sonho de atuar no mercado nordestino por entender que o crescimento da região é muito grande”, diz Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza. Atualmente, 23% das suas lojas estão no Nordeste e até o fim de 2013 a empresa deve ter cerca de 200 lojas na região. Sobre a concorrência de outras grandes redes, a empresária acredita que quem ganha com isso é o consumidor final. “Assim como o Magazine Luiza, muitas outras empresas estão entrando na região para colaborar com o crescimento cada vez maior do Nordeste, o que é bom para todo o comércio varejista”, ressalta. O Magazine Luiza também é um grupo de capital aberto e no terceiro trimestre do ano passado havia gerado um faturamento de R$ 1,89 bilhão, num crescimento de 33,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também foca investimentos nas vendas via internet, faturando R$ 214,4 milhões e crescendo 48% no trimestre. Neste período, a companhia iniciou o processo de virada definitiva da marca Magazine Luiza no Nordeste e planeja até o fim deste ano ter a marca em todas as lojas da região. Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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“A entrada de marcas como Casas Bahia e Magazine Luiza, a ampliação de shoppings e a construção de novos empreendimentos, como o RioMar, mostram que o setor vive uma ótima expectativa de vendas” José Fernandes de Menezes

“Pernambuco é um Estado muito importante para nós, com enorme potencial de crescimento, tanto que o escolhemos para realizar a primeira onda de virada da marca, de Lojas Maia para Magazine Luiza, em outubro do ano passado”, finaliza Luiza Trajano. Já as Casas Bahia fazem parte da Globex Utilidades, que inclui ainda as lojas do Ponto Frio e a Nova Pontocom (operações de e-commerce do Pontofrio.com.br,

Extra.com.br, Casasbahia.com.br e Atacado Ponto Frio). Também faz parte do grupo o Pão de Açúcar, que em Pernambuco tem as marcas Assaí (duas unidades), Extra Hiper (duas unidades), Extra Supermercados (cinco unidades), Pão de Açúcar (duas unidades) e Postos Extra (três unidades). O balanço das lojas da Globex foi de R$ 4,9 bilhões em vendas líquidas no terceiro trimestre do ano passado, totalizando R$ 7,8 milhões de lucro. O grupo também

havia investido R$ 108 milhões em aquisição de novas lojas, terrenos e reformas. “A entrada de marcas como Casas Bahia e Magazine Luiza, a ampliação de shoppings e a construção de novos empreendimentos, como o RioMar, mostram que o setor vive uma ótima expectativa de vendas”, comentou o consultor econômico do Centro de Pesquisa (Cepesq) da Fecomércio-PE José Fernandes de Menezes. Segundo as projeções do setor, o varejo pernambucano deve fechar o ano com um crescimento de 6%. Desde 2004, o comércio varejista recifense já dobrou de tamanho, mostra a Fecomércio, num faturamento estimado em R$ 9 bilhões no ano passado.

Primeira loja da Casas Bahia será inaugurada no RioMar Shopping

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“O Brasil cresceu nos últimos anos com distribuição de renda, especialmente no mercado nordestino, que tem demonstrado um grande potencial” ENTREVISTA | LUIZA TRAJANO Presidente do Magazine Luiza

Informe Fecomércio-PE - Como está a presença do Magazine Luiza quando nos referimos ao setor em que ele atua no mercado brasileiro? Luiza Trajano - O Magazine Luiza foi fundado em 1957 e é uma das maiores redes varejistas do país. Atualmente, possui 728 lojas e nove centros de distribuição, estrategicamente localizados em 16 Estados (São Paulo – sede –, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão). Em abril do ano passado, a rede passou a ser listada na Bolsa de Valores e, mais uma vez, inovou, destinando grande parte de suas ações a pequenos investidores. A política de gestão de pessoas adotada já rendeu diversos prêmios à rede, que há 14 anos figura entre as melhores empresas para se trabalhar nos rankings da revista Exame e do Instituto Great Place to Work. Em 2010 foi considerada a melhor na prática de falar com seus funcionários e, em 2011, como a melhor na prática de escutar, além de ter sido eleita uma das dez melhores empresas para se trabalhar no Brasil.

IF - O que fazer para se diferenciar? LT - Estamos vivendo uma época de oportunidades em todos os segmentos e acredito que, para nos diferenciar, precisamos continuar crescendo sem perder a nossa essência de simplicidade, transparência, valorização e respeito às pessoas.

IF - Quais os diferenciais que estão fazendo as grandes redes entrarem com mais força no Nordeste? LT - Um dos diferenciais é o alto poder de consumo do Nordeste. O Brasil cresceu nos últimos anos com distribuição de renda, especialmente no mercado nordestino, que tem demonstrado um grande potencial.

IF - Com possíveis inaugurações e expansões, o grupo tem expectativa de gerar quantos empregos? LT - A cada loja inaugurada, sempre geramos empregos diretos e indiretos, mas não há um número preciso, pois depende do tamanho de cada loja. Posso afirmar que hoje temos 600 funcionários da rede trabalhando em Pernambuco e mais de 4 mil em todo o Nordeste.

IF - O consumidor do Nordeste é muito diferente dos outros consumidores brasileiros? Por quê? LT - Não vejo diferenças. Assim como os consumidores de outras regiões, os do Nordeste também querem produtos e atendimento de qualidade. O Magazine Luiza tem um forte compromisso com a satisfação de seus consumidores e, por isso, preza pelo bom atendimento e pela valorização das pessoas. Tratamos cada cliente como único e, para que esse relacionamento seja eficaz, utilizamos todas as ferramentas de que dispomos e criamos um canal de comunicação bastante aberto. Trabalhamos para que o momento de compra seja uma lembrança memorável e prazerosa na vida do consumidor, atendendo da melhor maneira possível, no tempo e da maneira que ele preferir.

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TRIBUTÁRIO EM PAUTA | ALESSANDRO RODRIGUES

INSS e a base de cálculo da

Contribuição Social Patronal

A

Lei nº 8.212/91 determina como fato imponível e base de cálculo da contribuição social paga pelo empregador, descrita no inciso I do artigo 22 e no inciso I do artigo 28, respectivamente, a remuneração paga pelo empregador aos empregados em decorrência dos serviços prestados ou quando permanecer à disposição do mesmo empregador. Ou seja, a base de cálculo da contribuição previdenciária patronal deve ser composta pela remuneração paga ao empregado pelo tempo que este se põe à disposição do empregador ou recebe remuneração como contraprestação pelo serviço prestado. O ministro José Delgado, no julgamento do Resp 951.623/PR, definiu o seguinte conceito: O contrato de trabalho, como é sabido, consiste numa troca de dois bens: um, imaterial, que se constitui da energia de trabalho de uma pessoa física; outro, material, representado pela soma de dinheiro ou por outro bem capaz de satisfazer as necessidades humanas. Este último é o que se denomina de remuneração. Na conhecida definição de Franco Guidotti, a remuneração é uma “atribuição patrimonial correlata, devida na relação do trabalho, pelo empregador ao empregado, em função da prestação de trabalho”. Com base na lei, na doutrina e na jurisprudência, entende-se por remuneração a soma do valor que é pago pelo serviço prestado ao empregado ou pelo tempo que ele está à disposição do empregador. E, sendo a remuneração a base de cálculo da contribuição previdenciária em tela, entende-se que, por exclusão, quaisquer outras parcelas pagas ao empregado que não decorram da con-

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traprestação efetiva ou potencial em referência não estão sujeitas a esta exação. Ocorre que nem todo valor pago pelo empregador aos empregados tem a natureza jurídica remuneratória. Alguns valores têm a natureza jurídica indenizatória, pois não decorrem da efetiva prestação de serviço e não são incorporados ao cálculo da aposentadoria do trabalhador. Temos como exemplo as parcelas pagas a título de abono constitucional de um terço de férias; valores pagos ao empregado nos primeiros 15 dias de seu afastamento em razão de doença ou acidente; férias indenizadas; aviso prévio indenizado; abono pecuniário e prêmio em pecúnia por dispensa incentivada. Tais valores não têm natureza remuneratória. Por não ser efetuado habitualmente, o adicional de férias não tem repercussão nos cálculos de benefícios previdenciários, descaracterizando a incidência constante no artigo 201, parágrafo 11 da CF/88, não tendo o que se falar em desequilíbrio atuarial neste ponto. O empregado afastado por motivo de doença ou acidente não presta serviço nem está disponível ao empregador. Por esse motivo, as parcelas recebidas durante os primeiros 15 dias de afastamento por motivo de doença ou decorrente de acidente de trabalho não devem ser consideradas salário, mas apenas uma verba de caráter previdenciário paga pelo empregador. Os valores pagos pelas férias não gozadas consistem na compensação ao empregado por não usufruir de um descanso a que fez jus, caracterizando uma verba indenizatória pelo direito ao descanso que ele deixou de exercer.


O aviso prévio indenizado já traz na sua nomenclatura a sua natureza de verba indenizatória, pois visa reparar o dano causado ao trabalhador que teve a sua contratação rescindida abruptamente, sem dar margem a uma preparação para o evento da perda do emprego. O prêmio pago aos trabalhadores que não faltam ou chegam atrasados ao trabalho, o denominado abono assiduidade, não possui natureza salarial, até porque está expressamente excluído do salário de contribuição nos termos da Lei 8.212/91, artigo 28, parágrafo 9º, alínea “e”, item “7”. Por fim, o artigo 28, parágrafo 9º, alínea “e”, item “5”, da Lei 8.212/91 determina que o pagamento do prêmio pecúnia por dispensa incentivada, por ser uma espécie de incentivo à demissão, não integra o salário de contribuição. Resta então configurada que a imposição fiscal de exigir o recolhimento da contribuição social incidente sobre tais valores pagos aos empregados afronta o princípio da estrita legalidade por não compor a respectiva base de cálculo da remuneração pelo tempo que se põe o empregado à disposição do empregador ou que se recebe como contraprestação pelo serviço prestado. É farta a jurisprudência no sentido de excluir da base de cálculo da contribuição social para o INSS as verbas acima mencionadas, cabendo ao contribuinte procurar assessoria adequada para identificar eventuais distorções no seu procedimento e buscar o reconhecimento à compensação que é de direito, relativamente a valores recolhidos indevidamente. Vale realçar que existem entendimento e jurisprudência na mesma linha no que se refere às verbas pagas referentes às férias regulares e ao salário-maternidade. Alessandro Rodrigues Assessor tributário da Presidência da Fecomércio-PE alessandro@alradvocacia.com.br Informe Fecomércio-PE | MAR/ABR 2012 |

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Veja na reportagem de capa como o comércio varejista de Pernambuco é prejudicado pela questão da mobilidade urbana

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