Revista Combustíveis & Conveniência - Ed. 144

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ÍNDICE 33

n Reportagem de Capa

n Na Prática

30 • Cuidados redobrados 34 • Previna-se contra golpes virtuais n Meio Ambiente

50 • Brasil na COP 21 n Conveniência

54 • NACS 2015: destaques para food service e tecnologia

n Entrevista

40 • Rodovia: os desafios para permanecer no mercado

10 • Sérgio Cavalieri, presidente da ADCE/Uniapac e do Conselho de Administração da Ale Combustíveis

n Mercado

18 • Sustentabilidade: a bola da vez 22 • Biodiesel: governo sinaliza 26 •

aumento da mistura Lubrificantes em destaque

61 • Evolução dos

48 • Perguntas e Respostas

29 • José Carlos Ulhôa Fonseca

66 • Crônica

38 • Jurídico Felipe Goidanich

Preços do Etanol

62 • Comparativo das

4TABELAS

58 • Atuação Sindical

17 • Paulo Miranda Soares

4OPINIÃO

4SEÇÕES

04 • Virou Notícia

Margens e Preços dos Combustíveis

63 • Formação

de Preços

64 • Formação

de Custos do S10

65 • Preços das Distribusidoras Combustíveis & Conveniência • 3


44 VIROU NOTÍCIA

DE OLHO NA ECONOMIA

2,8% Foi a mais recente revisão da projeção de recuo do PIB em 2015, divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. A estimativa anterior era de queda de 2,4%, mas, em função da deterioração da economia, foi ampliada para 2,8%. Caso seja confirmada, a previsão do governo representará a maior retração do PIB nos últimos anos.

US$ 11,12 bilhões Foi o superávit da balança comercial no acumulado do ano até 25 de outubro, segundo divulgação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Para este ano, a previsão do Banco Central é de superávit da balança comercial de US$ 12 bilhões.

35,5% Foi o recuo da Intenção de Consumo das Famílias de outubro

Plano B Após adiar a abertura de capital de sua subsidiária na Bovespa por tempo indeterminado, a Petrobras anunciou, em outubro, que a diretoria executiva aprovou a busca de um parceiro estratégico para a BR Distribuidora. Comenta-se no mercado que a decisão reflete a dificuldade da companhia em abrir o capital de sua subsidiária, como forma de gerar caixa para fazer frente ao elevado nível de endividamento e ao cronograma de investimentos, estimado em US$ 19 bilhões em 2016.

Comércio em queda As vendas do comércio varejista caíram 6,9% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2014, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio realizada pelo IBGE. O setor de combustíveis e lubrificantes foi um dos grupos que mais impactou no resultado total do varejo, com queda de 7,2%. A justificativa para o resultado foram o aumento dos preços acima da média nos últimos 12 meses e o menor ritmo da atividade econômica.

em comparação ao mesmo período de 2014, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em relação a setembro, o indicador atingiu redução de 1,8%.

3,6% Foi a revisão da expectativa de redução das vendas do comércio varejista para este ano. A projeção anterior era de queda de 2,9%, conforme divulgou a CNC. O pior ano do varejo, segundo a entidade, foi 2003, quando o volume de vendas do comércio registrou queda de 3,7%. 4 • Combustíveis & Conveniência

Redução nas vendas Como decorrência da crise econômica, as vendas de combustíveis em 2015 deverão atingir índices inferiores aos registrados em anos anteriores. De acordo com dados do Sindicom, no acumulado de janeiro a setembro, as vendas de gasolina no país recuaram 7,8% ante o mesmo período de 2014, enquanto as vendas de diesel, na mesma comparação, caíram 3,9%. Já as vendas de etanol hidratado apresentaram crescimento de 45,9%.


Ping-Pong

Mais queda O setor automotivo continua acumulando quedas de vendas. De janeiro a outubro, os emplacamentos de automóveis alcançaram 1,8 milhão de unidades, queda de 21,9% na comparação com o mesmo período de 2014. Em outubro, foram emplacados 161,6 mil automóveis, ante 166,3 mil em setembro. Nem o segmento de motocicletas apresentou números positivos. No acumulado do ano, os emplacamentos acumulam queda de 12,9%, com 1,04 milhão de unidades. Os dados são da Fenabrave, entidade que reúne as distribuidoras de veículos automotivos.

Dança das cadeiras Novas mudanças ocorreram na presidência do Conselho de Administração da companhia e de sua subsdiária BR Distribuidora. Clovis Torres Júnior renunciou, no início de novembro, ao cargo de membro do conselho da Petrobras e presidente e membro do conselho da BR, alegando motivos pessoais. Em seu lugar, a estatal anunciou a eleição, interinamente, de Segen Farid Estefen como presidente do conselho da subsidiária. O conselheiro fica no cargo até 31 de janeiro de 2016. Clovis Torres era suplente do conselheiro Murilo Ferreira, licenciado do cargo de presidente do Conselho de Administração da Petrobras desde 14 de setembro deste ano. No lugar de Ferreira, que também justificou sua licença por razões pessoais, entrou Luiz Nelson Guedes de Carvalho.

Frank Chen

Presidente da Associação Brasileira de Gás Natural Veicular (ABGNV) Recentemente, a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) apresentou um projeto-piloto de pontos de abastecimento de gás natural veicular domiciliar. Qual é sua opinião sobre este projeto? Qual seria o impacto para os postos? Essa é uma solução antiga, apresentada pela Honda há alguns anos nos Estados Unidos para demonstrar que o uso do GNV era possível em uma área domiciliar. Na ocasião, ainda não havia uma rede de postos de abastecimento eficientes, nem existia a exploração do shale gas (gás de xisto). No caso da Comgás, creio que a ideia seja popularizar o uso do gás, com um conceito de uma casa ecológica, onde você encontra outros componentes abastecidos pelo gás, como na cozinha, no aquecedor, no chuveiro. Entendo que, para os postos, esse conceito não possa trazer prejuízos. Por que não traria impacto para os postos? Entre outros fatores, pelo custo de energia e tempo de carga. Num posto, você abastece 15 metros cúbicos em cinco minutos, enquanto que numa residência, devido ao potencial volumétrico do compressor, você gastaria nove horas. É um período muito longo. Esse compressor seria ligado à rede elétrica da residência e hoje não temos números para demonstrar a eficiência e conveniência disso. Como fica a questão da segurança? Essa, sim, é uma questão muito importante, certamente a mais importante de todas. Um posto de combustível é altamente inspecionado e fiscalizado. Então, o cliente, quando vai lá, tem toda a segurança. Numa residência não sei como funcionaria, mas creio que deveria ter o aval do Corpo de Bombeiros, por exemplo, para manusear esse tipo de produto, que é inflamável. Na minha opinião, dificilmente, alguém que opera algo assim em casa será capacitado para fazê-lo ou terá equipamentos que possam promover a segurança contra incêndios. Existe regulamentação permitindo esse tipo de serviço? Não creio que exista hoje regulamentação para este caso específico. O que existe, por definição, é a necessidade de itens para a questão da segurança. Para os postos, sim, existe uma lei específica de funcionamento desse tipo de serviço. Como o senhor colocou, a questão da segurança é extremamente importante. Sendo assim, como fica a gestão desse tipo de serviço num condomínio? Em primeiro lugar, certamente, o consumo único não pagaria o investimento desse tipo de serviço. Há considerações a serem feitas no tocante à demanda de energia que se cria. Ainda, para implantá-lo em benefício de mais pessoas, teria que ter alguém para geri-lo, e não sei exatamente como seria feito. Enfim, acho muito difícil sua aplicação por conta de todos esses detalhes e, além do que, deve-se levar em conta que existe hoje toda uma rede de postos de distribuição já devidamente estabelecida e com experiência, afinal, o nosso programa já tem mais de 30 anos. Combustíveis & Conveniência • 5


44 VIROU NOTÍCIA

Menos renda Stock

A crise no setor de petróleo vai deixar de gerar R$ 62 bilhões em renda para o país até 2019, de acordo com dados do Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ, divulgados durante o Workshop Impactos Econômicos da Crise no Setor de Petróleo, promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). De acordo com o estudo, a queda no preço do petróleo fez que com que as petroleiras revisassem seus investimentos no Brasil. No ano passado, quando a crise começou, houve uma redução de 16% dos investimentos no setor, que passaram de R$ 104 bilhões, em 2013, para R$ 87 bilhões em 2014. Já em 2015, o montante de investimento anunciado pelas petroleiras caiu de US$ 236,7 bilhões para US$ 130,3 bilhões. A queda é de 45% e o impacto na renda nacional é de R$ 12,4 bilhões por ano.

Vitória para a ANP

Estudo Coppe Um estudo foi encomendado pelo Sindicom ao Instituto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), a fim de apoiar o argumento sobre a morosidade da operação na hora da coleta de amostra-testemunha, já que a mesma deve ser retirada de todos os compartimentos do veículo, o que poderia gerar um suposto colapso no sistema logístico. A análise jurídica considerou que a amostragem do estudo foi muito restrita para apoiar o argumento, já que foram consideradas três bases de distribuição, por apenas três dias. Além disso, não foram feitas as devidas adaptações nas bases para atender ao cumprimento da regulamentação.

Segurança Outro fato relacionado pelo Sindicom encontrou respaldo na questão de segurança, sob alegação de que a 6 • Combustíveis & Conveniência

Rogério Capela

Em 21 de outubro, a 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro concedeu decisão favorável à ANP em processo movido pelo Sindicom contra a agência reguladora, cujo intuito era a declaração da ilegalidade dos artigos 3º, 4º e 10º da Resolução ANP 44/2013, eximindo as associadas do Sindicom quanto à obrigatoriedade da coleta da amostra-testemunha quando da modalidade FOB.

amostra-testemunha não poderia ser transportada pelo caminhão-tanque por tratar-se de produto perigoso. Consultada sobre o tema, a Associação Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) esclareceu que a amostra-testemunha não poderia ser levada na cabine do veículo, porém, o transporte poderia ser autorizado em compartimento segregado fora da cabine. Por conta desta orientação, a ANP editou a Resolução 50, de 3 de setembro de 2014, que determina que o carregamento da amostra-testemunha, desde a base de distribuição até o posto, deve ser feito na caixa de ferramentas do caminhão-tanque.

Conclusão Para Guilherme Correa, juiz federal que julgou o processo, “conclui-se que a ANP agiu em conformidade com o poder normativo que lhe foi conferido pela Lei nº 9.478/97, visando ao fortalecimento da atividade fiscalizatória em relação à distribuição de combustíveis, de forma a possibilitar um controle mais efetivo sobre a adulteração, bem como a coleta de elementos precisos para a identificação do respectivo responsável”. Ao longo de todo o processo, que teve início em 2014, tanto a Fecombustíveis quanto o SindTRR foram assistentes, oferecendo apoio incondicional à ANP, em prol da Resolução 44/2013.


Isenção de IPI para elétricos e híbridos A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado Federal aprovou no dia 20 de outubro o projeto de lei 174/2014, que isenta de IPI os carros elétricos e híbridos por até 10 anos. Porém, o tema ainda deve ser votado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O projeto estabelece que veículos elétricos e híbridos movidos a etanol, ambos de fabricação nacional, terão isenção de IPI por uma década, sendo que os equipamentos para recarga dos automóveis também estão incluídos no benefício. Além da isenção, a proposta prevê que o imposto de importação seja zerado para acessórios, peças e componentes sem similar nacional, que serão utilizados na fabricação dos veículos e recarga de baterias. Se houver um produto nacional equivalente no período, o benefício deixa de ser válido.

PELO MUNDO por Antônio Gregório Goidanich

Uruguai Nos dias 5, 6 e 7 de novembro próximo estará sendo realizada, em Punta Del Este, a XLVIII Reunião da Comissão Latino-americana de Empresários de Combustíveis (Claec). A Unión de Vendedores de Nafta del Uruguay (Unvenu) será a anfitriã. Esta tradicionalíssima entidade gremial, das mais antigas da América no setor, é presidida atualmente pelo empresário Daniel Añon de Leon. O mercado de combustíveis deste pequeno país - 190.000 quilômetros quadrados de área e 3.500.000 habitantes - é um dos mais conservadores e preservados. Regido pelo ente estatal Abastededora Nacional de Combustibles, Alcohol y Portland (Ancap), misto de agência reguladora e companhia petroleira e dona da única refinaria do país, o mercado é inteiramente regulado, apesar de dezenas de anos de ameaças de abertura. O setor de distribuição que, durante quase cem anos contou com a Shell, a Esso e a Texaco além de uma distribuidora de capital nacional denominada Distribuidora de Ancap Sociedad Anonima (Dasa), com participações de mercado quase permanente (cerca de 40% para a Dasa e divisão quase igual entre as multinacionais), foi alterado consistentemente nos últimos anos. A Dasa passou a denominar-se Distribuidora Uruguaya de Combustibles Sociedad Anonima (Duscsa) e adquiriu a participação de mercado da Texaco. A Shell Uruguay foi vendida a Petrobras e a Esso foi incorporada por uma empresa dita guatemalteca. O setor de revenda propriamente, denominado distribuición minorista, contava com um número maior de participantes do que os atuais 485 postos de serviço.

Nos anos 60, a Acap acabou com a participação das garagens no mercado revendedor. No início do século XXI, eram 100 postos a mais do que os atualmente existentes. Parte deles foi extinto em razão das novas exigências de instalação e meio ambiente. Hoje, a venda média dos postos no Uruguai está bastante alta se comparada a outros países. O preço dos combustíveis no Uruguai sempre esteve entre os mais altos do mundo, equiparado aos preços vigentes nos países do ocidente europeu. Controlado pelo governo e dentro do sistema de wellfare state vigente tradicionalmente no pais a partir da Doutrina Battle Odonez, os últimos governos, presididos por socialistas ainda mais socialistas, incrementou ainda mais o processo. O preço de bomba no Uruguai, em reais convertidos pelo câmbio de início de outubro, está acima dos R$ 6,20 por litro.

Guatemala O presidente da Associación Guatemalteca de Expendedores de Gasolina (Ageg) é o presidente em exercício da CLAEC. Carlos Alberto Romero estará em Punta del Este para a passagem do cargo ao novo presidente.

México A Onexpo Nacional se fará presente na reunião da Claec, representada pelo seu presidente Jose Angel Garcia Elizondo. A abertura de mercado em andamento no México é o assunto mais relevante do momento internacional do setor.

Peru A Asociación de Grifos y Estaciones de Servicio del Peru (Agesp), a mais antiga entidade da revenda latino-americana, estará representada por seu presidente Renzo Lercari Carbone e deverá ser indicada como sede da próxima reunião da Claec. Combustíveis & Conveniência • 7


CARTA AO LEITOR 44 Mônica Serrano

Empreendedorismo do século XXI A Fecombustíveis representa nacionalmente 34 sindicatos, defendendo os interesses legítimos de quase 40 mil postos de serviços, 370 TRRs e cerca de 59 mil revendedores de GLP, além da revenda de lubrificantes. Nossa missão é acompanhar o mercado de revenda de combustíveis, com a meta de fomentar o desenvolvimento econômico e social do setor, contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida da nação. Tiragem: 25 mil exemplares Auditada pelo Presidente: Paulo Miranda Soares Presidente de Honra: Gil Siuffo 1º Vice-Presidente: Mario Luiz Pinheiro Melo 2º Vice-Presidente: José Carlos Ulhôa Fonseca 3º Vice-Presidente: Adão Oliveira da Silva 4º Vice-Presidente: Walter Tannus Freitas 5º Vice-Presidente: Maria Aparecida Siuffo Schneider 6º Vice-Presidente: José Camargo Hernandes 1º Secretário: Roberto Fregonese 2º Secretário: Emilio Roberto C. Martins 3º Secretário: José Augusto Melo Costa 1º Tesoureiro: Ricardo Lisboa Vianna 2º Tesoureiro: Manuel Fonseca da Costa 3° Tesoureiro: Armando Matheussi Conselheiro Fiscal Efetivo: Luiz Felipe Moura Pinto Conselheiro Fiscal Efetivo: Julio Cezar Zimmermman Conselheiro Fiscal Efetivo: João Victor C.R. Renault Diretor de TRR: Álvaro Rodrigues Antunes de Faria Diretor de Postos de Rodovia: Ricardo Hashimoto Diretor de Meio Ambiente: João Batista Porto Cursino de Moura Diretor de GNV: Gustavo Sobral Diretor de Conveniência: Paulo Tonolli Diretoria: Aldo Locatelli, Carlos Eduardo Mendes G. Junior, Eduardo Augusto R. Pereira, Flávio Martini de Souza Campos, José Batista Neto, Luiz Henrique Martiningui, Mário Seiti Shiraishi, Mozart Augusto de Oliveira, Nebelto Carlos dos Santos Garcia, Omar Aristides Hamad Filho, Orlando Pereira dos Santos, Ovídio da Silveira Gaspareto, Rui Cichella, Vilanildo Jorge Gadelha Fernandes Conselho Editorial: Emílio Martins, Francisco Franco, José Alberto Miranda Cravo Roxo, Mario Melo, Ricardo Hashimoto e Roberto Fregonese Edição: Mônica Serrano (monicaserrano@fecombustiveis.org.br) Editora-assistente: Gisele de Oliveira (assessoria.comunicacao@fecombustiveis.org.br) Redação: Rosemeire Guidoni (roseguidoni@uol.com.br) e Adriana Cardoso Capa: Alexandre Bersot (imagens Revista Caminhoneiro, Freeimages e Stock) Economista responsável: Isalice Galvão Publicidade: Gerente comercial: Celso Guilherme Figueiredo Borges (celsoguilherme@fecombustiveis.org.br) Telefone: (21) 2221-6695 Programação visual: Girasoli Soluções Fecombustíveis Av. Rio Branco 103/13° andar - Centro-RJ - Cep.: 20.040-004 Telefone: (21) 2221-6695 Site: www.fecombustiveis.org.br/revista E-mail: revista@fecombustiveis.org.br

8 • Combustíveis & Conveniência

Ainda é comum as pessoas terem uma imagem negativa sobre as empresas. As notícias, em geral, não divulgam coisas boas. Temos, como exemplo, o maior escândalo de corrupção no país com a Petrobras e as grandes empresas envolvidas na operação Lava-jato, que continua rendendo muitos acessos na internet e muitas páginas na mídia impressa. A realidade mostra que há empresas boas, corretas, íntegras, que respeitam as leis e pagam seus impostos e valorizam seus funcionários; e as más, que trapaceiam, que têm como meta o lucro a qualquer custo, exploram seus funcionários, sonegam impostos, causam impacto ao meio ambiente e à sociedade e, para compensar o mal, implementam ações de responsabilidade social somente para inglês ver. A boa notícia é que há uma nova visão de empresa, um novo capitalismo, que privilegia as relações humanas, o lucro continua sendo de vital importância, evidentemente, porém, ele passa a ser considerado o resultado da atuação eficiente, que envolve uma cadeia de atitudes. Nesse modelo de gestão, a conduta ética e a adoção das boas práticas de sustentabilidade estão inseridas no DNA da companhia. O relacionamento com seus públicos passa a ser uma de suas forças, o tratamento aos seus funcionários é mais humano. Da mesma forma, a empresa deve levar este conceito de proximidade para com seus clientes e fornecedores. Além de toda esta postura, a economia do século XXI é inclusiva e sustentável. Ela tem como objetivo minimizar as diferenças sociais por meio de ações ou abertura de oportunidades para projetos que favoreçam pequenos empreendimentos, para desenvolver economicamente uma população ou região e estão preocupadas com a sobrevivência do planeta Terra para as gerações futuras. Todos estes assuntos foram abordados na cobertura do 10º Seminário Internacional de Sustentabilidade e 25º Congresso Mundial Uniapac; pela visão de empresa da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa, na figura de seu presidente Sérgio Cavalieri, como entrevistado do mês da revista, que também está à frente da presidência do Conselho da ALE Combustíveis; e em um trecho da matéria da NACS. Também temos como destaque desta edição a situação dos postos de rodovia, como tem sido enfrentar a redução do consumo do diesel, em função da crise econômica, a concorrência com os Pontos de Abastecimento e a possibilidade de encontrar na diversificação de negócios, como os pontos de parada, um novo caminho. Há, porém, várias dificuldades para superar este processo. Confira a ampla reportagem de Rosemeire Guidoni. A seção na Prática traz duas matérias relevantes para o dia a dia do revendedor. Uma sobre problemas com o sistema ConectCar e Sem Parar sobre os casos de cobrança em duplicidade no comércio provocados por falha de sistemas ou até mesmo por pessoas, abordada por Gisele de Oliveira e a outra matéria mostra as fraudes da era virtual, como envio de boletos falsos e troca de máquinas POS e invasão de hackers nas contas bancárias por Adriana Cardoso. Boa leitura! Mônica Serrano Editora


44 SINDICATOS FILIADOS ACRE

GOIÁS

Sindepac Delano Lima e Silva Rua Pernambuco nº 599 - Sala 4 Bairro: Bosque Rio Branco-AC Fone: (68) 3226-1500 sindepac@hotmail.com www.sindepac.com.br

Sindiposto José Batista Neto 12ª Avenida, 302 Setor Leste Universitário Goiânia-GO Fone: (62) 3218-1100 Fax: (62) 3218-1100 sindiposto@sindiposto.com.br www.sindiposto.com.br

ALAGOAS Sindicombustíveis - AL James Thorp Neto Av. Jucá Sampaio, 2247, Barro Duro Salas 93/94 Shopping Miramar Maceió-AL Fone: (82) 3320-2902/1761 Fax: (82) 3320-2738/2902 scvdpea@uol.com.br www.sindicombustiveis-al.com.br

AMAZONAS Sindcam Luiz Felipe Moura Pinto Rua Rio Içá, 26 - quadra 35 Conj. Vieiralves Manaus-AM Fone: (92) 3584-3707 Fax: (92) 3584-3728 sindcam@uol.com.br

BAHIA Sindicombustíveis - BA José Augusto Melo Costa Av. Otávio Mangabeira, 3.127 Costa Azul Salvador-BA Fone: (71) 3342-9557 Fax: (71) 3342-9557/9725 sindicombustiveis@sindicombustiveis. com.br www.sindicombustiveis.com.br

CEARÁ Sindipostos - CE Vilanildo Fernandes Av. Engenheiro Santana Junior, 3000/ 6º andar – Parque Cocó Fortaleza-CE Fone: (85) 3244-1147 sindipostos@sindipostos-ce.com.br www.sindipostos-ce.com.br

DISTRITO FEDERAL Sindicombustíveis - DF José Carlos Ulhôa Fonseca SHCGN-CR 704/705, Bloco E entrada 41, 3º andar, sala 301 Brasília-DF Fone: (61) 3274-2849 Fax: (61) 3274-4390 sindicato@sindicombustiveis-df. com.br www.sindicombustiveis-df.com.br

ESPÍRITO SANTO Sindipostos - ES Nebelto Carlos dos Santos Garcia Rua Vasco Coutinho, 94 Vitória-ES Fone: (27) 3322-0104 Fax: (27) 3322-0104 sindipostos@sindipostos-es.com.br www.sindipostos-es.com.br

MARANHÃO Sindicombustíveis - MA Orlando Pereira dos Santos Av. Colares Moreira, 444, salas 612 e 614 Edif. Monumental São Luís-MA Fone: (98) 3235-6315 Fax: (98) 3235-4023 sindcomb@uol.com.br www.sindcombustiveis-ma.com.br

MATO GROSSO Sindipetróleo Aldo Locatelli R. Manoel Leopoldino, 414, Araés Cuiabá-MT Fone/Fax: (65) 3621-6623 contato@sindipetroleo.com.br www.sindipetroleo.com.br

MATO GROSSO DO SUL Sinpetro Edemir Jardim Neto Rua Bariri, 133 Campo Grande-MS Fone: (67) 3325-9988 / 9989 Fax: (67) 3321-2251 sinpetro@sinpetro.com.br www.sinpetro.com.br

MINAS GERAIS Minaspetro Carlos Eduardo Mendes Guimarães Junior Rua Amoroso Costa, 144 Bairro Santa Lúcia Belo Horizonte-MG Fone/Fax: (31) 2108- 6500/ 2108-6530 minaspetro@minaspetro.com.br www.minaspetro.com.br

PARÁ Sindicombustíveis - PA Ovídio da Silveira Gasparetto Av. Duque de Caxias, 1337 Bairro Marco Perímetro: Trav. Mariz e Barros/Trav. Timbó Belém-PA Fone: (91) 3224-5742/ 3241-4473 secretaria@sindicombustiveis-pa. com.br www.sindicombustiveis-pa.com.br

PARAÍBA Sindipetro - PB Omar Aristides Hamad Filho Av. Minas Gerais, 104 Bairro dos Estados João Pessoa-PB Fone: (83) 3224-1600 Fax: (83) 3221-0762 sindipet@hotmail.com www.sindipetropb.com.br

PARANÁ Sindicombustíveis - PR Rui Cichella Rua Vinte e Quatro de Maio, 2.522 Curitiba-PR Fone/Fax: (41) 3021-7600 diretoria.sindi@sindicombustiveis-pr. com.br www.sindicombustiveis-pr.com.br

PERNAMBUCO

SANTA CATARINA - BLUMENAU

PIAUÍ

SANTA CATARINA - FLORIANÓPOLIS

Sindicombustíveis - PE Alfredo Pinheiro Ramos Rua Desembargador Adolfo Ciríaco, 15 Recife-PE Fone: (81) 3227-1035 Fax: (81) 3445-2328 recepcao@sindicombustiveis-pe.org.br www.sindicombustiveis-pe.org.br Sindipetro - PI Robert Athayde de Moraes Mendes Av. Jockey Club, 299, Edifício Eurobusiness 12º, sala 1212 Teresina-PI Fone: (86) 3233-1271 Fax: (86) 3233-1271 sindpetropi@gmail.com www.sindipetropi.org.br

RIO DE JANEIRO

Sinpeb Julio César Zimmermann Rua Quinze de Novembro, 550/4º andar Blumenau-SC Fone: (47) 3326-4249 Fax: (47) 3326-6526 sinpeb@bnu.matrix.com.br www.sinpeb.com.br Sindópolis Paulo Roberto Ávila Av. Presidente Kennedy, 222 - 2º andar Campinas São José Florianópolis-SC Fone: (48) 3241-3908 sindopolis@sindopolis.com.br

SANTA CATARINA – LITORAL CATARINENSE E REGIÃO

Sindestado Ricardo Lisboa Vianna Av. Presidente Franklin Roosevelt, 296 São Francisco Niterói–RJ Fone/Fax: (21) 2704-9400 sindestado@sindestado.com.br www.sindestado.com.br

Sincombustíveis Giovani Alberto Testoni Rua José Ferreira da Silva, 43 Itajaí-SC Fone: (47) 3241-0321 Fax: (47) 3241-0322 sincombustiveis@sincombustiveis. com.br www.sincombustiveis.com.br

RIO DE JANEIRO - MUNICÍPIO

SÃO PAULO – CAMPINAS

Sindcomb Maria Aparecida Siuffo Pereira Schneider Rua Alfredo Pinto, 76 - Tijuca Rio de Janeiro-RJ Fone: (21) 3544-6444 secretaria@sindcomb.org.br www.sindcomb.org.br

RIO GRANDE DO NORTE

Sindipostos - RN Antonio Cardoso Sales Rua Monte Sinai - Galeria Brito salas 101/102 Natal-RN Fone: (84) 3217-6076 Fax: (84) 3217-6577 sindipostosrn@sindipostosrn.com.br www.sindipostosrn.com.br

RIO GRANDE DO SUL

Sulpetro Adão Oliveira Rua Cel. Genuíno, 210 - Centro Porto Alegre-RS Fone: (51) 3930-3800 Fax: (51) 3228-3261 presidencia@sulpetro.org.br www.sulpetro.org.br

RIO GRANDE DO SUL – SERRA GAÚCHA Sindipetro Serra Gaúcha Luiz Henrique Martiningui Rua Ítalo Victor Berssani, 1.134 Caxias do Sul-RS Fone/Fax: (54) 3222-0888 sindipetro@sindipetroserra.com.br www.sindipetroserra.com.br

RONDÔNIA

Sindipetro - RO Rafael Alexandre Figueiredo Gomes Travessa Guaporé, Ed. Rio Madeira, 3º andar, salas 307/308 Porto Velho-RO Fone: (69) 3229-6987 Fax: (69) 3229-6987 sindipetrorondonia@gmail.com www.sindipetro-ro.com.br

RORAIMA

Sindipostos - RR Abel Salvador Mesquita Junior Av. Surumu, 494 São Vicente Boa Vista - RR Fone: (95) 3623-8844 sindipostos.rr@hotmail.com

SANTA CATARINA

Sindipetro - SC Reinaldo Francisco Geraldi Rua Porto União, 606 Bairro Anita Garibaldi Joinville-SC Fone: (47) 3433-0932 / 0875 Fax: (47) 3433-0932 sindipetro@sindipetro.com.br www.sindipetro.com.br

Recap Flávio Martini de Souza Campos Rua José Augusto César, 233 Jardim Chapadão Campinas-SP Fone: (19) 3284-2450 recap@recap.com.br www.recap.com.br

SÃO PAULO - SANTOS

Sindicombustíveis - Resan José Camargo Hernandes Rua Dr. Manoel Tourinho, 269 Bairro Macuco Santos-SP Fone: (13) 3229-3535 Fax: (13) 3229-3535 secretaria@resan.com.br www.resan.com.br

SERGIPE

Sindpese Mozart Augusto de Oliveira Rua Raimundo Fonseca, 57 Bairro Treze de Julho Aracaju-SE Fone: (79) 3214-4708 Fax: (79) 3214-4708 sindpese@infonet.com.br www.sindpese.com.br

SINDILUB

Laércio dos Santos Kalauskas Rua Trípoli, 92, conj. 82 Vila Leopoldina São Paulo-SP Fone: (11) 3644-3440/ 3645-2640 sindilub@sindilub.org.br www.sindilub.org.br

TOCANTINS

Sindiposto - TO Eduardo Augusto Rodrigues Pereira 103 Sul, Av. LO 01 - Lote 34 - Sala 07 Palmas-Tocantins Fone: (63) 3215-5737 sindiposto-to@sindiposto-to.com.br www.sindiposto-to.com.br

TRR

Álvaro Rodrigues Antunes de Faria Rua Lord Cockrane, 616 8º andar, salas 801/804 e 810 Ipiranga-SP Fone: (11) 2914-2441 Fax: (11) 2914-4924 info@sindtrr.com.br www.sindtrr.com.br Entidade associada

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José Luiz Rocha Fone: (41) 8897-9797 abragas.presidente@gmail.com

Combustíveis & Conveniência • 9


44 Sérgio Cavalieri 4 Presidente da ADCE/Uniapac e do Conselho de Administração da Ale Combustíveis

Ética em primeiro lugar Fotos: Wagner Diló Costa

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Por Mônica Serrano Estimular os bons princípios nas empresas, ter ética e cumprir as obrigações legais, preservar o meio ambiente e priorizar o bom relacionamento em relação a todos os públicos da empresa. Este é um dos trabalhos de Sérgio Cavalieri, que se divide entre a presidência da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE), da UNIAPAC América Latina e como presidente do Conselho de Administração da Ale Combustíveis. “O valor maior é seguir a lei, mas, além de cumprir a legislação, que é um princípio básico, há outros valores importantes e que abrangem relacionamentos com diversos públicos, como funcionários, clientes e fornecedores”, disse. Cavalieri estimula a adoção de uma nova mentalidade no mundo corporativo, obter lucro é o meio, mas o fim é o ser humano. Não adianta o empresário ser eficiente, ter uma empresa rentável e próspera, porém trata mal os funcionários, comercializa um produto de menor qualidade e não paga todos os impostos. Ou seja, obter vantagem a qualquer preço não é um caminho sustentável. Graduado em engenharia civil pela Universidade Mackenzie de São Paulo, pós-graduado em Finanças pela Fundação Getulio Vargas, Cavalieri tem uma vasta experiência corporativa, é vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e um dos representantes da terceira geração da família que fundou o Grupo Asamar. Para o revendedor enfrentar o momento de crise, ele aconselha

Não é possível a empresa ter sucesso e ser perene se ela não seguir determinados princípios. O valor maior é seguir a lei, mas, além de cumprir a legislação, que é um princípio básico, há outros valores que também são importantes e que abrangem relacionamentos com diversos públicos, como funcionários, clientes e fornecedores

criatividade. “Pode surgir muita ideia nova, o posto é um ponto de venda e todo revendedor, hoje em dia, com a cabeça mais aberta, sabe que não vai sobreviver vendendo só gasolina, diesel e etanol. Tem que agregar outras receitas ao seu negócio”, disse. Confira abaixo a entrevista exclusiva concedida para a revista Combustíveis & Conveniência, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Combustíveis & Conveniência: Qual a sua opinião sobre a questão ética nas empresas tendo em vista o escândalo de corrupção da Petrobras? Sérgio Cavalieri: A questão ética é o grande desafio que temos como representantes da ADCE. Nosso trabalho é para que os empresários, gerentes e executivos compreendam a importância dos valores para o seu negócio. Não é possível a empresa ter sucesso e ser perene se ela não seguir determinados princípios. O valor maior é seguir a lei, mas, além de cumprir a legislação, que é um princípio básico, há outros valores que também são importantes e que abrangem relacionamentos com diversos públicos, como funcionários, clientes e fornecedores. Por exemplo, deve-se tratar bem o colaborador, de forma

amorosa, no sentido de formar um funcionário que cresça junto com a empresa. A mesma atitude envolve o cliente, deve-se enxergar seu potencial, não como se fosse a única vez que estivesse abastecendo em seu posto, mas a primeira vez de muitas, é o momento de garantir a próxima venda. Nesse sentido, se o funcionário gosta de trabalhar no posto, se tem confiança no patrão e admiração pelo trabalho que faz, há um reflexo na qualidade do atendimento e este funcionário vai atender bem o cliente. Também é importante a questão do ambiente, oferecer um local asseado e bem organizado. Se o cliente for ao banheiro, encontrará um local limpo; se precisar utilizar algum serviço, como borracharia, ele terá o que precisa. O cliente tem que ter uma boa impressão do posto e deve sair dali encantado. O empresário, hoje em dia, tem que ter uma atitude amorosa com clientes, funcionários e fornecedores. Ele tem que gostar de conviver com as pessoas, ser fraterno, não mentir ou enganar, isso faz parte do caráter e quando a pessoa tem estes valores fortalecidos, ela resiste às armadilhas. No caso específico da Petrobras, os valores dos envolvidos com a corrupção não estavam bem ancorados e a tentação de ganhar mais dinheiro Combustíveis & Conveniência • 11


44 Sérgio Cavalieri 4 Presidente da ADCE/Uniapac e do Conselho de Administração da Ale Combustíveis foi mais forte, o que resultou no envolvimento com o escândalo e uma catástrofe para as empresas nacionais e multinacionais. Num primeiro momento, elas podem ter ganhado muito dinheiro, mas, agora, não vale a pena, não há nada que pague uma noite na cadeia. C&C: A Ale tem como objetivo incorporar as boas práticas em sua gestão? SC: A Ale, originalmente, sempre atuou tendo em vista esses valores. Acredito que o proprietário é quem imprime à empresa essa marca de valores e o Marcelo Alecrim promove um ambiente saudável, de boa conduta, o que é visível e percebido em toda a empresa. Os funcionários gostam de trabalhar na companhia, os clientes também apreciam a empresa, eu diria que somos gente que gosta de gente. Tem empresário que tem medo do cliente, que prefere manter distância, ao contrário de nós que

queremos estar próximos. Não quer dizer que a gente consiga atender ao cliente em tudo, ou mesmo que não temos as nossas dificuldades. O fato é que não temos medo de enfrentar as situações ou obstáculos que aparecem. Queremos conhecer o que está bom e aquilo que não funciona bem, vamos fazer de tudo para corrigir e melhorar nossa competitividade. É assim que vemos o mundo. Temos um conselho de revendedores que se reúne para dar um feedback sobre a empresa, apresentar ideias, então, faz parte da nossa dinâmica mantermos um canal aberto e próximo com nossos clientes para, assim, nos diferenciarmos no mercado. Em relação ao ambiente de trabalho, propiciamos um clima bom para os nossos colaboradores, tanto é que a Ale é reconhecida entre as melhores empresas para se trabalhar. Então, a gente consegue ter um feeedback e procura transformar ideias, em práticas do dia a dia da empresa. C&C: Algumas empresas estão cientes da importância da sustentabilidade, de que sua atividade, de alguma forma, prejudica o meio ambiente ou a sociedade. E, como forma de minimizar os seus efeitos, implementam ações de responsabilidade social. O senhor acredita que essa compensação seja válida, isto é, que fazer mais de uma lado justifica fazer menos de outro? SC: Em primeiro lugar, dentre os conceitos da ADCE, mais do que reduzir os impactos, a gente quer trabalhar de forma a eliminar os impactos, mas, lógico, nem sempre é possível. Como a gente faz isso? É justamente mantendo a atenção ao empreendimento.

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O empresário tem que conhecer com profundidade seus negócios. Se, no passado, alguns empresários corriam riscos, hoje, o mundo mudou. No caso da revenda, há, por exemplo, o risco ambiental, com o derramamento de combustível, entre outros acidentes. Atualmente, não se pode correr riscos, e os que são conhecidos pelo empresário têm que ser administrados para evitar problemas. Na questão ambiental, há muita tecnologia envolvida, tanques e tubulações e, com as inspeções, os riscos são praticamente eliminados. Além desta questão, o revendedor também deve estar atento a outros tipos de riscos, por exemplo, o de ruído excessivo quando vai adquirir um equipamento para não ultrapassar o limite de emissão de ruídos. Há também a questão da água, não se pode consumir indiscriminadamente como antigamente, então, ele pode instalar equipamentos de reúso de água. Na parte de pessoas, ele pode ter um funcionário descontente, ou ainda, algum que não foi bem tratado, isso é um problema. Quando esse colaborador for demitido, provavelmente, ele vai ingressar com ação na justiça contra o posto. Deliberadamente, se o posto não atende bem o cliente, ele pode procurar as entidades de proteção ao consumidor, ou juizado de pequenas causas, na busca da preservação de seus direitos. Devemos estar atentos, pois atualmente o mundo é transparente, todos estão conectados, se um cliente vê alguma coisa errada no posto, ele fotografa ou filma e, no mesmo momento, está na internet e se espalha pelas redes. Na parte de tributos, não dá para fazer uma jogada qualquer para


Não adianta fazer ações sociais ou de responsabilidade social para mostrar à sociedade se a casa estiver desorganizada deixar de pagar impostos porque os sistemas estão conectados. Em relação ao combustível, se for oferecido um produto com qualidade inadequada, ele pode ter a licença de operação cassada. Ou seja, não adianta trabalhar com determinados riscos porque uma hora a conta vem. Tudo o que mencionei é responsabilidade social e essa prática começa dentro de casa. Antes de ajudar a vizinhança, uma creche, um asilo, uma escola ou qualquer outra entidade, o empresário tem que fazer uma autoanálise para avaliar se a empresa está atendendo aos novos parâmetros de funcionamento do mundo moderno. Depois que tiver a casa toda arrumada e se tiver tempo e disponibilidade de recursos para fazer ações filantrópicas isso é ótimo. A comunidade vai reconhecer. Com a transparência do mundo atual, qualquer atitude terá consequências. Não é só o fiscal do trabalho, a Secretaria de Fazenda, o Procon que fiscalizam, a sociedade toda está acompanhando o negócio dele. Então, diria que não adianta fazer ações sociais ou de responsabilidade social, para mostrar à sociedade se a casa estiver desorganizada. C&C: No caso dos postos de combustíveis, existe uma imagem negativa, bastante fortalecida pela imprensa, devido ao comportamento antiético de alguns empresários. Que tipo de

iniciativa poderia minimizar essa imagem perante à sociedade? SC: Realmente é um problema, de maneira geral, os empresários não são bem vistos pela sociedade. No caso dos postos de combustíveis, alguns poucos acabam prejudicando os bons, ou seja, os que não são corretos sujam a água. Se o empresário conseguir ter um bom relacionamento com funcionários, fornecedores, fiscais, comunidade, preservar o meio ambiente, oferecer um posto limpo, com um ambiente agradável, agir de maneira correta, ética e justa, automaticamente, a imagem do posto começa a mudar. As pessoas sabem reconhecer quando recebem um bom serviço e divulgam isso na internet. A notícia boa também se espalha nas redes tanto quanto a ruim. Hoje, as pessoas acabam se influenciando mais pelos mecanismos das redes sociais do que pela própria imprensa formal. Pouco a pouco, na medida em que o empresário fique mais consciente e consiga ter uma visão humana e amorosa com as pessoas, isso se traduz na prática do dia a dia

ao receber um cliente, um funcionário, o que acaba formando uma reputação positiva e passa a ficar quase imune à imagem negativa. Ser empresário é uma vocação. Outros empresários que também implementem esta forma de trabalhar também contribuirão para a mudança. Agora, a construção de uma nova imagem vai levar algum tempo, mas é preciso que cada vez mais empresários pratiquem isso, que o posto seja um local que preste bons serviços, e funcione como um porto seguro dentro da cidade, como ponto de apoio em uma necessidade. São pequenos detalhes que mudam a imagem e a reputação de uma empresa. C&C: É possível conciliar boas práticas ambientais, bom ambiente de trabalho, conduta ética e lucro? SC: Acho que essa, na minha visão, é a grande mudança de mentalidade. Obter lucro é o meio porque o fim é o ser humano. Não adianta o empresário acumular dinheiro e tratar mal o funcionário, comercializar um produto de menor qualidade para ter mais Combustíveis & Conveniência • 13


44 Sérgio Cavalieri 4 Presidente da ADCE/Uniapac e do Conselho de Administração da Ale Combustíveis margem, não pagar todos os impostos até chegar ao ponto extremo de fraudar o produto. Obter vantagem a qualquer preço não é um caminho sustentável. Deve-se inverter a visão, para se chegar ao lucro eu tenho que primeiro passar por todas as questões, como atender corretamente o cliente e ter bom relacionamento com funcionários e fornecedores. Na questão ambiental, cumprir com todas as obrigações. Se ele não conseguir fazer tudo e obter lucro é necessário repensar o negócio porque não vale a pena acumular passivos ambientais, trabalhistas ou tributários. O lucro pode até ser acumulado de forma antiética em um mês, dois meses, seis meses, um ano, mas, de repente, essa “vantagem” estoura e ele perde todo o patrimônio. Ter lucro é necessário para os empresários, é o ar que a gente respira, mas não é o lucro de qualquer maneira. O que se precisa ter em mente é que a grande revolução na forma de fazer negócios abrange primeiro cumprir com as obrigações legais, juntamente com as não legais, que estão no âmbito das relações, com atendimento humanizado com todos os públicos, e o lucro é o sinal da eficiência. Acredito que essa é a nova forma de ser empreendedor e não vejo outro jeito de fazer negócio. Se o empresário não estiver muito atento às mudanças que aconteceram na sociedade, se ele não mudar a mentalidade e continuar empurrando o negócio dele com a barriga, como, por exemplo, acreditar que o cliente não é muito exigente, ou que não vai ser pego na fiscalização, provavelmente, seu negócio 14 • Combustíveis & Conveniência

não vai durar muito tempo e ele pode, no futuro, ter sérios problemas. C&C: Temos presenciado a queda nas vendas de combustíveis de gasolina e diesel. Como a Ale vem enfrentando este período de crise? SC: Com muita austeridade e devemos considerar que somos privilegiados porque as vendas de combustíveis não caíram tanto quanto em outros setores da economia, que foram afetados de forma muito mais significativa. Dependendo da região, o diesel está caindo cerca de 4%, já a gasolina registrou queda porque aumentou o consumo de etanol. Devemos considerar que no cômputo geral, as vendas de combustíveis ainda apresentam crescimento. Como todo período de crise, a palavra de ordem é austeridade, estamos revendo os processos, com o desafio de continuar obtendo lucro, cumprindo as obrigações legais. Estamos fazendo mais com menos. É preciso deixar de fazer algo que não agregue tanto valor ao negócio. Aqui na Ale reavaliamos os custos, negociamos com fornecedores e aumentamos os prazos de pagamento. Acho que os revendedores têm que fazer a mesma coisa. Nesse momento, o que vale é a competência, navegar em mar tranquilo é fácil. Marinheiro bom é aquele que se mostra quando o mar está revolto e o bom empresário mostra a cara neste momento de crise. C&C: De que forma o empresário da revenda pode fortalecer a gestão neste período? SC: Pode surgir muita ideia nova, muita criatividade, criar um novo serviço, o posto é um

ponto de venda e todo revendedor, hoje em dia, com a cabeça mais aberta sabe que não vai sobreviver vendendo só gasolina, diesel e etanol, ele tem que agregar outras receitas ao seu negócio. O posto é um lugar estratégico na cidade, alguns abrem 24 horas, as pessoas têm livre acesso, é um forte canal de serviços. Na medida que consiga agregar mais opções e diversificar, inserindo novos produtos ou serviços, ele consegue melhorar seus resultados no final do mês e fidelizar clientes. Nesse momento de aperto, a gente passa a ser mais eficiente, mais produtivo, mais criativo porque saímos da zona de conforto e o empresário passa a se mexer para não deixar o barco afundar. C&C: A Ale é a quarta maior distribuidora do país e tem mantido esta posição ao longo dos anos. Quais são os planos de crescimento da companhia no longo prazo? SC: Como quarta maior distribuidora de combustíveis do país, a Ale mantém a meta de atingir faturamento da ordem de R$ 12 bilhões neste ano. Para isso, a companhia está investindo R$ 133,8 milhões, sendo R$ 115,2 milhões, direcionados aos postos revendedores da marca. Nosso objetivo é priorizar a produtividade das revendas, estreitando o relacionamento com esses clientes. Em 2014, a Ale faturou cerca de R$ 11,7 bilhões. A empresa, que gera 14 mil empregos diretos e indiretos, atende a cerca de 5 mil clientes, entre postos de serviços e consumidores finais. Desde o ano passado, a Ale já tinha feito reduções na parte de investimentos e fizemos algumas adequações com o apoio


da consultoria McKinsey. As recomendações e os pontos de melhoria que a Mackinsey identificou têm sido bastante úteis para enfrentar esse momento de crise. Porém, a Ale é uma empresa vocacionada para o crescimento e queremos estar cada vez mais fortes nas regiões em que atuamos, deixando nossa posição consolidada e reconhecida a fim de assegurar uma boa remuneração aos acionistas e com resultados de longo prazo. C&C: Até o ano passado, a imprensa noticiou a possível venda da Ale para a francesa Total. A Ale nunca confirmou. O que de fato ocorreu? SC: Naquela época, a Total tinha muito interesse no Brasil, principalmente na exploração de petróleo em águas profundas e vislumbrou a possibilidade de atuar no segmento de distribuição. De fato, a Total nos procurou, quiseram começar um namoro, que não foi adiante porque, para nós, não havia interesse naquele momento. De lá para cá, estamos seguindo a vida. C&C: Tivemos um novo aumento de preço da gasolina e diesel. O

que podemos esperar das vendas de combustíveis neste ano e no próximo? SC: Acho que, neste ano, a expectativa é que o diesel vai fechar um pouco negativo, gasolina e etanol fecham no zero a zero, assim como o setor de combustíveis. É importante lembrar que é um patamar elevado porque, nos últimos anos, o crescimento foi muito vigoroso, entre 6% e 7%. Na realidade, não decrescer já vai ser um excelente resultado, mesmo com o aumento de preços. Lógico que todos gostariam que o setor tivesse crescimento neste ano. Agora, 2016 e 2017 vão depender das decisões do governo. Temos as questões de ajuste fiscal, o governo tem trabalhado mais do lado da arrecadação do que o das despesas. Se tivermos aumento da Cide na gasolina, vamos voltar a vender mais etanol do que gasolina e, certamente, vamos ter que importar etanol. Considerando essa hipótese, vamos ter que enfrentar os problemas de logística e os gargalos que podem dificultar a operação para as distribuidoras. Para nós, é muito mais cômodo receber diesel e gasolina que são bombeados diretamente das

refinarias do que importar etanol. E mesmo num suposto aumento de consumo de etanol, não vejo risco de desabastecimento, mas é fato que teremos que ter prudência para lidar com uma matriz diferente. Toda vez que o etanol aumenta sua participação no mercado há flutuação de preço. É um setor com grande quantidade de usinas, existem distribuidoras que só trabalham com etanol e algumas fazem “malabarismos” e atuam com preços artificiais no mercado. Para os que trabalham de forma honesta e correta fica uma certa preocupação porque é fato que esse tipo de empresa existe no Brasil e sabemos que é difícil para a ANP e as secretarias de fazenda controlarem todo o mercado. Então, sempre que as vendas de etanol aumentam, há volatilidade nos preços e é preciso que o revendedor fique atento à procedência e à qualidade do etanol. Não vamos correr riscos para ganhar dinheiro, não vale a pena ultrapassar o sinal vermelho. O revendedor deve averiguar aonde vai comprar etanol porque há muitas empresas que trabalham de forma não ortodoxa no mercado. É este o alerta que faço. n

4FICHA TÉCNICA Recomendação de leitura: Carta Encíclica Laudato Si Cuidado da casa comum Autor: Papa Francisco Link: http://migre.me/rTg4K Combustíveis & Conveniência • 15


Confira as principais ações da Fecombustíveis durante o mês de outubro:

01 - Participação da Fecombustíveis no 10º Seminário Internacional de Sustentabilidade e 25º Congresso Mundial Uniapac, em Belo Horizonte/MG;

11 a 14 - Participação de Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustíveis, na NACS Show 2015, realizada em Las Vegas/Estados Unidos;

22 - Participação da Fecombustíveis em reunião com o Ministério dos Transportes, para tratar dos Pontos de Parada e Descanso, em Brasília/DF; 28 a 30 - Participação da Fecombustíveis no Congresso Nacional do Sicomércio, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC, no Rio de Janeiro/RJ.

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OPINIÃO 44 Paulo Miranda Soares 4 Presidente da Fecombustíveis

Aprendizado constante A cada ano que participo da NACS, vejo um vasto Nacional do Comércio de potencial a ser explorado pela revenda nacional em Bens, Serviços e Turistermos de negócios para o posto e loja de conveniência. mo (CNC). Este foi mais Mesmo que os mercados dos Estados Unidos e Brasil um grande evento, que sejam distintos, asseguro, temos muito o que aprender destacou, brilhantemencom a revenda norte-americana. te, o fortalecimento dos Quem foi à NACS pôde constatar que os nortesindicatos e federações por meio de debates, -americanos estão à nossa frente em termos de uso cujos principais eixos da tecnologia em seu negócio. Ao caminhar pela feira, trabalhados foram as relações sindicais, a atuação por exemplo, vi algumas bombas de combustíveis com legislativa, representação e produtos e serviços. tecnologia wireless que enviam os dados da pista para o Outro assunto que merece atenção refereescritório automaticamente. Aqui, também temos como fazer o controle das informações via softwares, mas lá, os -se aos pontos de parada e de descanso. Temos sistemas são bem mais avançados. A aplicação da leitura participado das reuniões junto ao Ministério dos destes dados faz a diferença no negócio, pode-se rever Transportes e demais envolvidos no tema e fomos estratégias, conhecer os hábitos de consumo, fidelizar pegos de surpresa com uma nota publicada no clientes, administrando o posto de forma mais eficiente. site da Agência Nacional de Transportes Terrestres A NACS deste ano apresentou mais soluções em (ANTT) em que divulgou um projeto-piloto de ponto termos de equipamento para o problema de escassez de parada e descanso dos caminhoneiros na BRde água, inclusive com máquinas 116, no trecho entre Paraná e Nós, postos de combustíveis, de lavagem a seco. Os revendeSanta Catarina, com iniciativa da concessionária Autopista dores norte-americanos também já funcionamos como pontos Planalto Sul, em parceria com enfrentam seus percalços com a de parada e descanso e falta de água, pois trata-se de um apresentamos nossas dificuldades a Federação das Empresas de problema mundial. para adaptar a infraestrutura do Transporte de Carga e Logística Assim como em 2014, a posto, como aumentar a área do de Santa Catarina (Fetrancesc). Nossa preocupação refereNACS deste ano apontou que o estacionamento, e implementar caminho da loja de conveniência é -se à falta de transparência do as modificações exigidas pela investir em alimentação saudável, governo com os envolvidos no Portaria 944, do Ministério do processo como pontos de paalimentos frescos e naturais. Hoje Trabalho e Emprego em dia, a escolha dos alimentos rada e descanso. Não temos representa prevenção à saúde. A ciência de como foi deliberada obesidade é um problema que atinge muitos países, esta concessão, já que determinados trechos de principalmente os Estados Unidos. Aqui no Brasil, estradas em poder de concessionárias são áreas as estatísticas também mostram o crescimento da públicas da União e deveriam passar por licitação. obesidade, que traz uma infinidade de problemas de A questão reside no favorecimento pelo governo de saúde. O acesso à informação nos possibilita mudar determinados agentes em detrimento de outros. nossos hábitos, se quisermos viver com saúde e ter Nós, postos de combustíveis, já funcionamos como mais qualidade de vida. Aliada à saúde, há o culto à pontos de parada e descanso e apresentamos nossas estética física, com parcela da população que opta dificuldades para adaptar a infraestrutura do posto, pela compra de alimentos menos calóricos. como aumentar a área do estacionamento, e impleE a NACS mostrou as diferentes possibilidades mentar as modificações exigidas pela Portaria 944, para a loja de conveniência variar o mix, apresentando do Ministério do Trabalho e Emprego. produtos frescos, bem feitos e saudáveis. Portanto, Temos agido com clareza, defendemos a categorecomendo ao revendedor ir à NACS pelo menos uma ria desde o início das discussões, quando a Lei dos vez na vida. Vale a pena conhecer as novidades, apuCaminhoneiros passou por revisão, e temos apoiado o governo, mas a recíproca não é a mesma. Somos rar nosso olhar sobre o negócio e trazer novas ideias. a favor do livre mercado - sem favorecimento -, e No final de outubro, também participei do Congresso defendemos regras transparentes e iguais para todos. Nacional Sicomércio, promovido pela Confederação Combustíveis & Conveniência • 17


44 MERCADO

Sustentabilidade: a bola da vez 10º Seminário Internacional de Sustentabilidade e o 25º Congresso Mundial da União Internacional de Empresários Cristãos trouxe à tona a questão ética e o surgimento de uma nova economia, que privilegia bons princípios e uma visão humanitária como o caminho para a evolução das empresas Por Mônica Serrano O tema sustentabilidade nas empresas não é um mero discurso que se encontra no escopo das grandes corporações nacionais e internacionais, este assunto cada vez mais ganha relevância para garantir a perenidade e a competitividade das companhias, principalmente no futuro. As boas práticas de responsabilidade social, atuar dentro de uma conduta ética e transparente, com respeito ao meio ambiente e ainda proporcionar uma economia inclusiva foram temas que estiveram na pauta das discussões do 10º Seminário Internacional de Sustentabilidade e o 25º Congresso Mundial da União Internacional de Empresários Cristãos (Uniapac), realizado em Belo Horizonte. 18 • Combustíveis & Conveniência

Segundo a visão da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE) e da Uniapac, o momento exige muito mais do que um olhar unilateral, focado no lucro, o horizonte corporativo deverá tornar-se mais amplo, abarcar princípios éticos, dentro de um conceito humanitário para proporcionar o bem-estar para todos. “Os líderes empresarias devem trabalhar pelo sucesso de suas empresas, sim, mas precisam contribuir para uma economia inclusiva, sustentável, de forma a garantir prosperida-

de da sociedade, a dignidade do ser humano e ajudar a construir um mundo melhor. Queremos levar os valores cristãos para o meio empresarial, formando e conscientizando dirigentes para uma gestão humana, espiritualizada, uma atitude mais amorosa com o mundo, pois a sociedade


moderna impõe a esses dirigentes responsabilidades que vão além de gerar lucro”, disse Sérgio Cavalieri, presidente do Uniapac América Latina e da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE). De acordo com Cavalieri, para que este novo momento empresarial ganhe força, faz-se necessário que os três seto-

res trabalhem juntos, empresas, governo e a sociedade civil, e cooperem em prol do bem comum. A fragmentação social, a concentração de riqueza, o caos urbano, a idolatria do dinheiro, o consumismo, o uso descontrolado dos recursos naturais, a mudança climática, os conflitos étnicos e religiosos, mostraram que o progresso cientifico, tecnológico e econômico sem precedentes nos últimos dois séculos foram incapazes de garantir a

paz e uma qualidade de vida razoável para todos os seres humanos sobre o planeta. De forma que as ações humanas baseadas na ambição pelo acúmulo de riquezas e atos ilícitos trouxeram resultados desastrosos e apontam para uma reflexão sobre os valores éticos nas empresas. Cavalieri exemplificou: “o momento nacional que vivenciamos a crise moral e ética com atos de corrupção levaram o país à profunda crise”, disse. Ex-empresário, o atual prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, complementou o discurso de Cavalieri ao ampliar o tema para a crise política e o desalento dos cidadãos brasileiros. “No Brasil, 75% das pessoas desconfiam dos partidos. Elas dizem que não gostam de política e, ao dizerem isso, elas estão delegando aos partidos as suas próprias vidas. Por pior que seja o nosso modelo politico eleitoral é o que temos nesse momento e não podemos, como cidadãos, fugir desse processo e dia. E é através da administração pública, escolhida pelo voto, que a realidade pode ser melhorada”, disse. Em seu discurso, o prefeito destacou que a participação ativa da população também está inserida no contexto da sustentabilidade que vai além do aspecto ambiental e se estenCombustíveis & Conveniência • 19


44 MERCADO Sebastião Jacinto Junior

Sérgio Cavalieri em discurso durante o Seminário Internacional de Sustentabilidade, em Belo Horizonte

de para o econômico, social e também político. “É importante o cidadão ficar mais próximo da discussão das prioridades de sua cidade, cobrar transparência no processo decisório dos gastos públicos e acompanhar os resultados das decisões tomadas pelos representantes políticos. E existe também a sustentabilidade cultural, que é valorizar, respeitar, promover a importância das raízes da história local, apesar de seus problemas. A expressão artística é importante para que as pessoas respeitem a sua origem e respeitem o outro, além de fazerem o que precisam fazer com mais qualidade, atenção e ética.” Lacerda lembrou a contribuição da Declaração dos Direitos Humanos, há quase 70 anos, divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao mundo. “Hoje é muito difícil uma ditadura que seja desrespeitadora dos direitos humanos sobreviva, as guerras de agressão entre os países ficam cada vez mais difíceis, mas o progresso tecnológico e o aumento da população provocou sérios problemas e a nossa casa comum (Terra) está sob ameaça, 20 • Combustíveis & Conveniência

embora muitos neguem isso”, enfatizou se referindo ao risco de aquecimento global. Marina Silva, professora associada da Fundação Dom Cabral e ex-ministra de Meio Ambiente, trouxe à reflexão a necessidade de uma reforma política com base na ética para a saída da crise. “A reforma política vai possibilitar a mudança das estruturas. Nosso ecossistema está totalmente degradado e é preciso mudar. A crise que estamos vivendo se resolverá quando fizermos reforma política orientada pela ética e isso exige uma mudança de postura”, disse. Para Marina, o desafio atual para as lideranças é a construção de uma sociedade mais justa e solidária. “Quando a gente fala de uma sociedade mais justa, com necessidades éticas e materiais, estamos fazendo uma profunda denúncia, dizendo que essa sociedade que temos não é justa, estou dizendo que o atual modelo não é sustentável. O importante do debate, é evocar valores nos aspectos da ética. Esse não é um desafio fácil.” A ex-ministra também evocou em seu discurso o

conceito de humanidade e das diferenças sociais. “Somos radicalmente dependentes um do outro. A humanidade não pode ser entendida como cidadão de primeira classe e de segunda classe. Se eu deixo de me importar com o outro, deixo de me importar comigo mesmo. O desafio de pensar numa sociedade solidária é um desafio que se coloca para todos nós. Todos temos algo que nos aproxima profundamente, que é o elo de humanidade, que nos coloca muito próximos uns dos outros. Somos humanos independente da condição econômica social que tenhamos”, disse. Diante desse contexto, o capitalismo está pedindo novos fundamentos, há um novo paradigma que diferencia o que é sucesso no século 20 e do século 21. No painel Nova Economia Mundial: empreendedorismo, cooperação, inclusão e resultados para todos, Ricardo Guimarães, presidente da Thimus Branding Brasil, mostrou que as empresas passam por um momento de transição. “Empresa boa é aquela que busca perenidade


e condições de operação num contexto adverso com objetivo de sucesso”. E o sucesso hoje abrange não apenas o lucro, mas características de cooperação, inclusão e resultados para todos, que, segundo Guimarães, não são opção, são imperativos de sobrevivência. “Temos uma cultura de sucesso do século 20 que não facilita a instalação com a nova maneira de lidar com o capital e a riqueza, da qual fazem parte inclusão e resultado para todos. O desafio das empresas e dos empreendedores é de reconhecer a existência de uma nova sociedade”, alertou. Mais do que visar exclusivamente o lucro, as empresas hoje podem abrir novas possibilidades para ampliar a participação de empreendedores que estavam fora do sistema econômico e, com isso, ajudar a reduzir a desigualdade social. Exemplos não faltaram durante o seminário, com iniciativas na África, América do Sul e Europa. Aqui no Brasil, foi pensando em uma economia inclusiva que o

tomador de crédito é feita pela abordagem informal, como numa pesquisa de campo, com as pessoas que conhecem o pequeno empresário ou que já compraram o produto ofertado. Além de conceder crédito, o Santander também auxilia o pequeno empresário a gerir seu negócio e a educação financeira acaba fazendo parte da atuação do banco. “Muitas vezes, este microempresário não tem a noção de seus custos. Aí você começa a ensinar educação financeira e mostra a importância da gestão dos negócios “, disse. O resultado aponta que o caminho trilhado pelo banco vem sendo bem-sucedido. De acordo com Linda, a linha de empréstimos de microcrédito tem o menor índice de inadimplência do banco, este ano está em 2%. “Cada um de nós pode fazer a transformação. A gente precisa acreditar na capacidade individual e na liderança individual. A somatória disso pode transformar o mundo”, afirmou. n

Sebastião Jacinto Junior

Temas atuais, como questões éticas, economia inclusiva e uma nova postura empresarial chamaram a atenção do público

Santander criou, há 11 anos, a linha de microcrédito para oferecer oportunidade a pequenos empresários. “O banco é um agente de transformação, como a alocação do capital traz desenvolvimento, esse é um ponto para refletir em relação à sustentabilidade”, destacou Linda Murasawa, diretora sustentabilidade do Santander. Segundo Linda, o banco avaliou que, na base da pirâmide, 60% da população está na linha da pobreza. E o Santander passou a investir em ações que visam minimizar as desigualdades. A linha de empréstimos voltada ao microcrédito é uma das iniciativas, que venceu vários obstáculos, principalmente com a oferta de crédito à população sem acesso ao sistema bancário. “Fazemos uma análise complexa, e numa comunidade em que a pessoa não tem comprovação de renda ou de residência, é difícil, como eu entendo que a pessoa tem necessidade de crédito e pode me dar garantia?”. Para vencer as dificuldades, a avaliação do

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44 MERCADO

Biodiesel: governo sinaliza aumento da mistura Segundo estatísticas dos produtores de biodiesel, o Brasil tem matériaprima suficiente e parque industrial capaz de atender ao aumento do teor de biodiesel, de forma progressiva e gradual, para o B10. O Ministério de Minas e Energia apoia, a indústria automobilística tem dúvidas e as distribuidoras preveem problemas em relação à logística e às questões tributárias Por Rosemeire Guidoni

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Divulgação Embrapa

Em 2014, a taxa de ocupação das usinas de biodiesel era de 50% e, em 2015, este índice saltou para 62%, o que indica que, apesar do crescimento, ainda existe capacidade para ampliar a produção. Com base neste argumento, reforçado por questões ambientais que indicam a necessidade de uso de fontes de energia renováveis, os produtores de biodiesel defendem que o país pode elevar o teor atual da mistura de 7% para 10%. A proposta, inclusive, é objeto de um projeto de lei do senador Donizeti Nogueira (PT-TO), que estabelece o aumento


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Ricardo Dornelles, diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME, apesar de apoiar o aumento do biodiesel para B10, o governo mantém cautela sobre a tributação de diferentes teores de biodiesel

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da mistura obrigatória para B8 90 dias após a aprovação, com previsão de aumento semestral para B9 e B10. O projeto foi alvo de debates durante a Conferência Biodiesel BR, realizada em São Paulo (SP), nos dias 26 e 27 de outubro. De acordo com Nogueira, o mercado está preparado para o avanço na mistura, sem comprometer a produção agrícola, e já existem dados e estudos que atestam isso. Além da elevação gradual do teor para 10%, o projeto propõe também o B20 metropolitano (ou seja, o uso de 20% de biodiesel no transporte público das cidades com mais de 500 mil habitantes). A proposta, se aprovada, virá logo em seguida à Resolução 3/2015 do Conselho Nacional de Política Energética (veja box), e é vista com bons olhos pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Ricardo Dornelles, diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME, confirmou a possibilidade de elevação do teor durante o painel de abertura da conferência. “O aquecimento global é um tema relevante e tem de ser tratado com seriedade. Durante a reunião do G7, na Conferência COP 21, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir as emissões de carbono e, para isso, uma das alternativas é a elevação da participação da bioenergia sustentável para 18% na matriz energética até 2030, por meio de etanol (1G e 2G), e o aumento da parcela de biodiesel na mistura do diesel”, destacou. Segundo ele, de 2008 para cá, a produção de biodiesel cresceu 176%, enquanto o PIB nacional, 13%. Neste ano, até

Luciano Libório, diretor Abastecimento e Regulamentação do Sindicom: “ainda existem muitos desafios a serem superados”

outubro, a atividade registrou um crescimento de 23%. Porém, Dornelles afirmou que o governo ainda tem reservas em relação à aprovação de diferentes teores de biodiesel em áreas metropolitanas. “Existem questões que precisam ainda ser melhor discutidas. Alguns estados podem perder receita de ICMS com esta decisão, além de surgirem outros problemas, como o encarecimento do diesel

em cidades mais distantes dos centros produtores de biodiesel”, observou. “O avanço da proposta depende de diálogo com toda a cadeia”, ponderou, mencionando, inclusive, a indústria automotiva, que ainda não concede garantia plena ao funcionamento dos veículos com teores de mistura superiores a 7%. O diretor do MME também falou sobre o mercado atual de diesel e as perspectivas para Combustíveis & Conveniência • 23


44 MERCADO Maria Inês Souza, assessora de diretoria da ANP, afirmou que a agência está analisando as atuais resoluções que tratam do uso de biodiesel

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os próximos anos, confirmando que o país continuará tendo de importar o combustível fóssil. O déficit entre a demanda e a produção de diesel no Brasil, até 2024, será da ordem de 10 bilhões a 12 bilhões de litros, o que representaria uma oportunidade de crescimento para o biodiesel. No entanto, o debate sobre o biodiesel tem de incluir os mercados dos subprodutos da soja e também a perspectiva de introdução de novas matérias-primas. “O biodiesel foi a solução de equilíbrio para a soja, mas o Brasil continua importador de óleo de palma, girassol, canola e mamona”, afirmou. Ainda durante a conferência, o deputado Evandro Gussi, presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel no Congresso Nacional, falou sobre a importância do biocombustível e mencionou que o Programa

do Biodiesel não pode deixar de crescer. “Ainda que legítimas, existem quimeras superáveis, que não podem atrapalhar o programa”, disse.

Dificuldades No entanto, existem muitas questões que trazem dificuldades para a inserção de teores maiores de biodiesel ao diesel,

Teores superiores: B20 e B30 Publicada no dia 14 de outubro, a Resolução 3/2015, do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), foi bastante comemorada pelos produtores, pois possibilita maior demanda pelo biodiesel. O texto da resolução estabelece o uso autorizativo de biodiesel em teores superiores ao B7 (sendo 20% em frotas cativas e 30% no uso agrícola, ferroviário ou industrial) e tem foco nos grandes consumidores, os quais, em tese, têm maior controle e consciência dos efeitos do biodiesel em seus equipamentos. Aliás, a comercialização de teores superiores ao B7, antes de aprovado outro teor compulsório, é vedada aos postos revendedores de combustíveis. A Resolução permite ainda o uso experimental, ou para fins específicos, de B100. Ricardo Gomide, coordenador geral de Desenvolvimento da Produção e do Mercado de Combustíveis Renováveis do MME, esclareceu que o biodiesel para estas finalidades continuará a ser comercializado por meio de leilões para que os volumes de compradores e vendedores sejam conhecidos. Para cada distribuidor, serão conhecidos os volumes de diesel, de biodiesel para B7 e de biodiesel autorizativo. 24 • Combustíveis & Conveniência

que vão além da equação da capacidade ociosa entre as indústrias, existência de matérias-primas e benefícios ao meio ambiente. A indústria automotiva, por exemplo, ainda não garante formalmente o funcionamento adequado dos veículos com teores superiores a 7%, salvo algumas exceções, como no caso de máquinas agrícolas. Para Luciano Libório, diretor Abastecimento e Regulamentação do Sindicom, ainda existem muitos desafios a serem superados pelos segmentos de distribuição e revenda de diesel. Dentre as questões citadas estão a falta de infraestrutura logística, diferenças tributárias e problemas concorrenciais. “As distribuidoras recebem o diesel por dutos ou balsa. Já o biodiesel chega em caminhões. O aumento do teor significa que vamos substituir parte do diesel por biodiesel e, com isso, teremos de abrir mão da infraestrutura dutoviária e, paralelamente, ampliarmos a frota de veículos para transporte”, pontuou. “Isso sem contar o fato de que as distribuidoras terão de investir em tancagem.


Ainda estamos nos adequando ao B7, precisamos de fôlego para nos adequarmos a um novo aumento de teor”, acrescentou. Do ponto de vista tributário, Libório enxerga dificuldades na cobrança de ICMS, especialmente no caso de teores distintos (veja box). “O ICMS do biodiesel é cobrado por substituição no diesel fóssil e tem um índice fixo para o diesel B7. Até o diesel marítimo, que não tem biodiesel, paga o mesmo tributo. Se tivermos percentuais variáveis de biodiesel, como será a cobrança?”, questionou. O executivo afirmou ainda que o grande risco de percentuais diferentes de ICMS seria a possível ocorrência de fraudes no segmento de diesel, com sonegação de impostos e perdas de arrecadação. Segundo dados do Sindicom, a perda potencial de arrecadação (com tributos estaduais e federais) poderia chegar a R$ 2,3 bilhões. Outros problemas decorrentes da autorização de percentuais variáveis por segmento seriam a dificuldade de identificação da atividade econômica de algumas empresas (por exemplo, uma empresa que tenha um braço agrícola e também opere uma indústria poderia comprar B20 ou B30?), o fato de o posto revendedor não ter como atestar qual o teor da mistura que recebe (pode ocorrer subfaturamento do B7, com entregas de B20 ou B30) e a portaria do CNPE não ter introduzido a figura dos transportadores revendedores retalhistas (TRR). “O TRR vai vender B7, B20 ou B30?”, questionou Libório. Maria Inês Souza, assessora de diretoria da ANP, afirmou

que a Agência está analisando as atuais resoluções que tratam do uso de biodiesel, para definir os mecanismos necessários à proteção do consumidor e do meio ambiente com uso de misturas com biodiesel em quantidade superior ao percentual de adição obrigatória. “A ANP vê com bons olhos o aumento de teor, entendemos que é um pleito do mercado. Por isso, estamos fazendo nosso traba-

lho de casa. Não temos ainda especificação fechada para os teores de B8 a B20. Precisamos ter a certeza de que os motores vão funcionar adequadamente, respeitando os atuais limites de emissões”, afirmou. De acordo com Maria Inês, a Resolução 18/2007, que trata de uso experimental do biodiesel, está em revisão, assim como a Resolução 2/2008, sobre uso específico do biocombustível.

Diesel marítimo Alexandre Cardoso Costa Caldeira, da Superintendência de Biocombustíveis e Qualidade do Produto da ANP, falou sobre o mercado de diesel marítimo, que é diferente do diesel rodoviário por não conter biodiesel. A razão disso é porque, em muitas situações, o produto fica no tanque sem uso por períodos maiores (embarcações utilizadas esporadicamente, para fins recreativos, por exemplo), o que leva à formação de micro-organismos e perda das características do biocombustível. A decisão da ANP em permitir que o diesel marítimo não contenha biodiesel foi, inclusive, para atender a um pleito dos próprios fabricantes de embarcações, estabelecida de acordo com a norma internacional ISO 8217 (que diz que combustíveis aquaviários têm de ser livres de bioderivados). No entanto, Caldeira afirmou que esta norma está sendo revista e que 16 países já votaram a favor da inclusão do biodiesel nos combustíveis aquaviários, em percentuais de até 7%. A nova versão deverá ser publicada em 2016 e a ANP deverá fazer novos estudos para avaliar a possibilidade de utilização de biodiesel neste tipo de veículo. O modelo de regulação para este segmento ainda deve ser analisado, mas a decisão poderá obrigar as embarcações a utilizarem diesel com biodiesel no teor vigente, com exceção das operações de exportação ou da marinha (segurança). Segundo o especialista, apenas o diesel de emergência (grau DMX) ficaria sem biodiesel. A recomendação é de que geradores de emergência e barcos salva-vidas continuem sem biodiesel. Vale destacar que o mercado de diesel marítimo representa apenas 1,4% das vendas de diesel e o acréscimo de biodiesel a este percentual não seria significativo para o setor. Conforme dados da ANP, existem, hoje, cadastrados na agência 129 postos que comercializam diesel marítimo, além de 58 postos flutuantes. n Combustíveis & Conveniência • 25


44 MERCADO

Auditório lotado para as palestras do VIII Simpósio Internacional de Lubrificantes, realizado no final de outubro, em São Paulo

Fotos: João Oliveira

Lubrificantes em destaque Simpósio promovido pela AEA, em São Paulo, debateu as tendências para o mercado automotivo brasileiro e as oportunidades para o segmento de lubrificantes e fluídos

Por Gisele de Oliveira Executivos e técnicos de empresas e líderes de entidades do setor de engenharia automotiva estiveram reunidos, no final de outubro, em São Paulo, para apresentar e debater as constantes transformações do setor de lubrificantes no país nos últimos 26 • Combustíveis & Conveniência

anos durante a realização do VIII Simpósio Internacional de Lubrificantes, Aditivos e Fluídos, realizado pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Em seu discurso de abertura, o presidente da AEA, Edson Orikassa, destacou os avanços do programa Inovar-Auto, com a adesão de todos os agentes

envolvidos na cadeia do setor automotivo do país, como o segmento de lubrificantes e de fluídos. “Este setor tem apresentado constantes inovações em redução de emissões por meio da qualidade e eficiência energética de óleos lubrificantes e fluídos desenvolvidos para


atender ao mercado automotivo brasileiro”, discursou. Já a coordenadora do Simpósio de Lubrificantes e diretora da AEA, Simone Hashizume, preferiu ressaltar a importância do evento como importante fórum para discutir as mudanças do setor de lubrificantes. “O programa do simpósio é preparado anualmente com a dedicação de toda a equipe, levando em consideração as demandas de nosso setor para o segmento de lubrificantes. Nosso objetivo, hoje, com este evento, é apresentar as transformações ocorridas neste segmento para acompanhar a eficiência energética”, explicou. E para mostrar o potencial de mercado a ser explorado pela indústria de lubrificantes e fluídos, o presidente da Jato Dynamics, Vitor Klizas, apresentou números sobre a frota brasileira e as oportunidades para o mercado de lubrificantes no país. De acordo com o executivo, de 1957 a 2014, o mercado automotivo brasileiro contava uma frota de 31 milhões de veículos em circulação. Embora o número seja diferente do apresentado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que calculou uma frota de 47,9 milhões em 2014, Klizas justificou a diferença em função da vida útil dos veículos e alguns critérios utilizados pela consultoria para o sucateamento. Por conta dessas diferenças, o cálculo da empresa para a idade média dos automóveis brasileiros é de 6,98 anos. “Nossa frota parece jovem, mas não é. Precisamos começar a discutir sobre o destino dos carros sucateados em nosso país e isso pode gerar novos negócios para o setor de lubrificantes”, previu Klizas.

Para se ter uma ideia, a cidade de São Paulo possui 1,94 veículo por habitante, a mesma concentração de carros existente em Paris e Londres. “Em algum momento, precisaremos buscar alternativas para esse problema”. Segundo ele, a estimativa é que a próxima etapa do Inovar-Auto - chamado de Inovar-Auto 2 - traga alguma regulamentação sobre sucateamento de veículos, mencionando que o país pode se basear em metodologias já utilizadas no mercado internacional, de exportação e importação de automóveis usados. Atualmente, os principais exportadores são Alemanha, Japão e Estados Unidos. A questão em relação ao sucateamento de veículos é quais modelos de automóveis se encaixam nesse mercado, levando em consideração os avanços de motores com foco na eficiência energética, o que obrigou o setor de lubrificantes a desenvolver tecnologias para acompanhar a evolução automotiva de baixa emissão.

“A maioria de nossos lubrificantes possuía graus de classificação considerados obsoletos e não licenciáveis no resto do mundo. Hoje, o setor já oferece produtos com graus mais modernos e novos grupos de básicos em comercialização”, defendeu Sergio Viscardi, coordenador da Comissão Técnica de Lubrificantes da AEA. De acordo com Viscardi, que também é gerente técnico de Lubrificantes da Ipiranga, a principal questão envolvendo o setor de lubrificantes diz respeito às formulações em termos de robustez para os veículos flex, em função das particularidades motores adaptados para receberem etanol anidro (de 27% na composição da gasolina C) e o etanol hidratado.

Motos em alta E as possibilidades não se restringem aos carros e comerciais leves, a gerente de Tecnologia para América Latina da Infineum Brasil, Margareth Carvalho, também mostrou o

Durante a cerimônia de abertura, a diretora da AEA e coordenadora do evento, Simone Hashizume, expôs o objetivo do simpósio deste ano

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44 MERCADO potencial a ser explorado pelo segmento de lubrificantes no mercado de motocicletas. Ela ressaltou o crescimento do mercado de motos no Brasil nos últimos anos, destacando a expansão do grupo na frota de veículos brasileira. “Dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) revelam que, de 2000 a 2013/2014, o segmento de motocicletas teve o crescimento mais expressivo no mercado de veículos”, lembrou. Em 2000, o mercado de motocicletas representava cerca de 14% da frota nacional. Já em 2013, a participação do setor pulou para 26%. A gerente criticou a postura da indústria de lubrificantes para o segmento de motocicletas, já que as empresas produtoras de óleos lubrificantes não vão além das especificações da JASO (sigla para acrônimo em japonês de Japanese Automotive Standards Organization), entidade que regula padrões automotivos do Japão e também responsável pela padronização de itens para lubrificação, como óleos, graxas e fluídos. “Entendemos que a JASO estabelece apenas um mínimo de especificação para motos, mas é possível atribuir outros requisitos que poderão ampliar as oportunidades para estes mercados”, disse Margareth, citando algumas limitações da padronizações da entidade, como teste de motores, de embreagem e de caixa de transmissão.

Rerrefino O mercado de óleos lubrificantes usados e rerrefinados 28 • Combustíveis & Conveniência

O presidente da AEA, Edson Orikassa, durante seu discurso na cerimônia de abertura do VIII Simpósio Internacional de Lubrificantes, Aditivos e Fluidos

Margareth Carvalho, da Infineum Brasil, falou sobre o potencial do mercado de lubrificantes para o segmento de motocicletas no país

também foi tema da palestra do diretor-geral da Lwart Lubrificantes, Thiago Trecenti. O executivo mostrou que o óleo rerrefinado tem a mesma qualidade do lubrificante de primeiro refino, além do potencial de crescimento no mercado. A empresa coleta mais de 180 mil de metros cúbicos por ano de óleo lubrificante usado e possui capacidade

de processamento de 220 mil metros cúbicos por ano. Os testes realizados pela companhia mostram que não há diferença de níveis de viscosidade e oxidação na comparação entre os dois tipos de óleos. “Estamos quebrando paradigmas no mercado ao comprovar que o rerrefinado é de qualidade tanto quanto o óleo de primeiro refino”, concluiu. n


OPINIÃO 44 Jose Carlos Ulhôa Fonseca 4 Vice-presidente da Fecombustíveis

Ética, moral e honra à frente de um ministério, Sem que se queira generalizar com julgasegundo noticiou O Estamentos precipitados, colocando todos na mesma condição moral, não há dúvidas de que o Brasil do de S.Paulo (01/10/15): precisa ser passado a limpo a começar pela “que referida ação não classe política existente, tendo em vista o que a está relacionada ao imprensa noticia diariamente. atual cargo estratégico, Na verdade, não há como se pensar difeocupado pela mesma figura investigada”. rente, em face do comportamento de boa parte Inacreditável, diriam todos, pois o mesmo podos representantes escolhidos em qualquer pilar do Leviatã brasileiro. lítico que está sendo investigado na presunção de Ainda bem que toda regra tem sua exceção, ter praticado delitos, com alcunha de desonesto, embora se deva usar uma lupa para separar o joio está exercendo outro cargo público, de importância do trigo, destacando-se uma minoria que mereestratégica, escolhido no processo fisiológico em que se tornou a administração pública brasileira. ça avaliação positiva. É, de fato, algo que corrói as entranhas do ciA nação, com seu povo aguerrido, vive, atualmente, com decepções cotidianas, agredida dadão honesto e trabalhador, gerando sentimento pela desfaçatez da maioria de seus eleitos, falta de frustração com os rumos da política brasileira, de pudor e ausência de instrumental de barganha escrúpulos, não restando de nível questionável. Na verdade, a corrupção não viceja outra solução a não ser Além disso, políticos apenas no Brasil, mas em todo tentar sobreviver a este caos investigados, com proo mundo. Lá, porém, induzem o moral que assola o país. vas inequívocas de malcidadão “a andar na linha”, podendo, Em outra vertente, já versação e corrupção, no caso não as respeitem, receber dizia o filósofo espanhol exercício de papel estraos rigores da lei, ser preso e Sêneca, que “mesmo com tégico, de forma irônica, desmoralizado levando o nome de o vento favorável você deve desafiam seus pares e as sua família à execração pública saber seu destino”, porém, instituições negando-se, a sensação que se tem é eticamente, a se desina de que o país está literalmente como uma nau compatibilizar de seus cargos. sem rumo, sem porto para atracar as esperanças Ao contrário, usam, descaradamente como e sonhos de dias melhores a todos os brasileiros. barganha, sua posição tentando impedir investigaSeu povo, independente de sua ideologia, perdeu ções a seu respeito, bem como criam obstáculos ao o que de mais sublime pode-se ter como cidadão, andamento de assuntos estratégicos para o país, qual seja a crença na possibilidade de fazer uso induzindo seus pares a negarem apoios importandos instrumentos constitucionais para colocar o tes ao equilíbrio fiscal e considerando a situação barco em águas mais tranquilas, sob o prisma da lastimável das contas brasileiras, provocada pela moral, seriedade no trato da coisa pública, ética e inépcia havida dos antigos gestores fazendários. justiça célere e oportuna, acreditando ser possível Na verdade, a corrupção não viceja apenas mudar a cara deste país. no Brasil, mas em todo o mundo. Lá, porém, Como exemplo, na Operação Acrônimo, da induzem o cidadão “a andar na linha”, podendo, Polícia Federal, ao ser recolhido farto material para caso não as respeitem, receber os rigores da lei, averiguações na residência de certo político por conta ser preso e desmoralizado levando o nome de sua de exercício recente, presumivelmente fraudulento, família à execração pública.

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44 NA PRÁTICA

Nos postos de combustíveis, sistemas como o ConectCar começaram a chamar a atenção das distribuidoras

Divulgação ConectCar

Cuidados redobrados Cartões de crédito e débito começam a dividir seu espaço com outros meios de pagamento, como os dispositivos de rádio frequência instalados nos veículos, conhecidos como Sem Parar e ConectCar. A questão é que, com estas modalidades, há o risco de cobrança em duplicidade de abastecimento ao consumidor se não houver controle do negócio e treinamento eficazes Por Gisele de Oliveira É cada vez maior o número de meios de pagamento de produtos e serviços ofertados pelos comerciantes aos clientes. Tudo na esperança de não perder uma só venda por não ter em seu estabelecimento a forma de pagamento escolhida pelo potencial consumidor. O pensamento é o mesmo para todos os setores 30 • Combustíveis & Conveniência

do comércio, inclusive, o de combustíveis. Neste último caso, além dos tradicionais meios de pagamento, um tem conquistado espaço no mercado varejista de combustíveis: os sistemas de pagamento por identificação de rádio frequência. Mais conhecidos pelos consumidores pela passagem automática nos pedágios de vias expressas de rodovias no país,

esses sistemas têm buscado parcerias com outras atividades econômicas que tenham o motorista de veículos como principal cliente, como estacionamentos de shoppings e postos de combustíveis. Ipiranga e Shell, por exemplo, já possuem parcerias com a ConectCar e Sem Parar, respectivamente, que permitem facilidade no pagamento pelos clientes nos postos de bandeira.


já responde por 30% do meu faturamento”, estimou. O empresário afirma que o pagamento por meio de identificação de rádio frequência vem crescendo em uma velocidade intensa e já faz planos de implantar o dispositivo nas demais ilhas de bombas de seu posto. “É uma tendência de mercado e acredito, inclusive, que essas modalidades de pagamento devem engolir outros meios de pagamento, como os cartões, no futuro”, previu o revendedor, ressaltando que, por enquanto, a única desvantagem para os comerciantes desse sistema é a cobrança de uma taxa similar a que as administradoras de cartão cobram. No caso do Sem Parar, essa taxa é de 3%, enquanto as administradoras de cartões, em geral, cobram 2%.

Dificuldades No entanto, como toda novidade, a implantação dessa forma de pagamento requer atenção redobrada com a gestão e controle por parte do revendedor. Isto porque como o pagamento é feito de forma automática, sem praticamente a interferência do frentista, é preciso ampliar o cuidado nesse tipo de operação para evitar cobrança em duplicidade para o cons u m i d o r, levando o posto a infringir o Código de Defesa do Consumidor (CDC). De acordo com o Artigo 42, do CDC, “o con-

sumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável”. Ou seja, cabe ao revendedor provar que a cobrança indevida não foi gerada por má-fé. E não são incomuns os casos de cobrança em duplicidade no comércio provocados por falha de sistemas ou até mesmo por pessoas - seja por desconhecimento ou falta de atenção no momento da operação. As próprias máquinas de cartões (POS) tão consolidadas no comércio, de vez em quando, apresentam falhas durante a operação e induzem o funcionário à cobrança em duplicidade. E com os dispositivos de rádio frequência, não poderia ser diferente. Embora a operacionalização do sistema seja relativamente simples – todo o processo é acompanhado pelo motorista do veículo (desde a autorização para realizar o abastecimento até o envio de conclusão da operação e débito do valor do volu-

Stock

Embora ainda tenham participação pequena na comparação com os demais meios de pagamento (dinheiro e cartões de crédito e de débito), os sistemas por identificação de rádio frequência devem ser uma tendência no mercado brasileiro por oferecerem mais comodidade e segurança ao consumidor. Prova do potencial desses dispositivos é que a ConectCar, vice-líder do segmento, possui mais de 500 mil tags em circulação no país, segundo fontes do mercado, que consideram o número ainda longe da primeira no ranking, a Sem Parar. No entanto, não resta dúvida do poder de fogo que esse meio de pagamento pode se tornar no futuro (veja box). Procurada, a Sem Parar preferiu não informar o número de clientes por considerar uma informação estratégica. Nos postos de combustíveis, os dispositivos ainda têm uma participação tímida, mas já começam a chamar a atenção das distribuidoras na busca por ofertas de facilidades para os motoristas. A marca Shell, por exemplo, tem aproximadamente 500 postos credenciados no sistema Sem Parar nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Já a ConectCar está presente em cerca de 3 mil postos da bandeira Ipiranga no país. É o caso de um revendedor em São Paulo que preferiu não se identificar. Atualmente, seu posto, de bandeira Shell, aderiu ao Sem Parar em duas das quatro ilhas de bombas de combustíveis disponíveis no estabelecimento e viu aumentar o volume de pagamentos pelo dispositivo automático. “De todos os meios de pagamento que meu posto oferece, o sistema

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44 NA PRÁTICA me abastecido por SMS), é comum, no início, surgirem dúvidas e falhas durante o processo. Recentemente, alguns revendedores do Rio de Janeiro registraram problemas na fase inicial de implantação do Sem Parar em seus postos. Isto porque havia uma falha na comunicação entre o sistema de pagamento eletrônico e os sistemas de gestão de postos, que, segundo a Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, já está sendo resolvida com a implantação de uma versão atualizada nos postos participantes.

O problema ocorria porque ao entrar no posto, o sistema do Sem Parar fazia a leitura automática da tag instalada no veículo credenciado no programa, antes mesmo de o frentista perguntar se a operação seria realizada ou não pelo pagamento eletrônico. Vale lembrar que, para ter direito ao abastecimento pelo dispositivo de rádio frequência, o cliente deve entrar no site da empresa de pagamentos eletrônicos e solicitar a adesão. Além disso, não são todas as bombas de combustíveis que oferecem esse serviço. Ou seja, os equipamentos disponíveis para

realizar esse tipo de operação possuem identificação específica e, ao seu lado, um monitor onde frentista e motorista acompanham toda a transação. De qualquer forma, a falha de comunicação na fase inicial gerou mal-estar para alguns revendedores, tanto que um deles relatou à Combustíveis & Conveniência que optou pelo descredenciamento do programa. “Tive tanta dor de cabeça com esse sistema que preferi desativá-lo para evitar mais prejuízos ao meu negócio”, disse o empresário, referindo-se à cobrança em duplicidade.

A marca Shell, por exemplo, tem aproximadamente, 500 postos credenciados no sistema Sem Parar nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná

Divulgação Raízen

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Itaú compra fatia da ConectCar

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As máquinas de cartões, de vez em quando, apresentam falhas durante a operação e podem induzir o funcionário à cobrança em duplicidade

Agora, com os devidos ajustes e a nova versão do sistema operacional do Sem Parar, é possível que a ocorrência desse tipo de situação diminua, já que haverá maior integração com o sistema de gestão do posto. Nesse novo modelo, a leitura da tag não será mais feita do forma automática, haverá um atraso para que haja tempo de o funcionário perguntar se o pagamento será feito pelo dispositivo eletrônico ou não. Caso o cliente opte por outra forma de pagamento, será necessário apenas passar um cartão magnético a fim de desarmar a habilitação para o abastecimento via Sem Parar. Mesmo a parte operacional entre os sistemas ter sido resolvida, isso não significa que o revendedor está livre de cobranças em duplicidade com qualquer que seja o meio de pagamento (dispositivos eletrônicos ou cartões de crédito ou débito) escolhido pelo consumidor. Neste caso, é preciso controle firme na gestão do posto. “Não tem mistério, tem que controlar [meios de pagamento]. Trata-se de um sistema

e pode haver falhas durante a operação”, alertou o revendedor de São Paulo. Além disso, há também a velha dica de treinamento da equipe para realizar qualquer tipo de transação comercial. No caso dos dispositivos eletrônicos, cabe ressaltar que, uma vez iniciado o abastecimento, não é possível mudar o meio de pagamento e o funcionário precisa informar ao consumidor. Ainda assim, já houve casos em que foi possível cancelar a operação por meio de centrais de atendimento das próprias empresas de pagamentos eletrônicos para satisfazer o cliente. Se mesmo tomando todas as precauções, acontecerem cobranças em duplicidade, a orientação é buscar atender da melhor forma possível o consumidor, mostrando agilidade e qualidade no atendimento. “Muitas das vezes o revendedor consegue evitar ações judiciais quando mostra empenho e atenção para resolver o problema do cliente”, ressaltou Deborah Amaral, advogada da Fecombustíveis. n

A briga pelo mercado de pagamentos eletrônicos nos postos de combustíveis entre Sem Parar e ConectCar deve aumentar. Isto porque o Itaú Unibanco anunciou, no final de outubro, que comprou 50% do capital social da ConectCar, participação referente à Odebrecht Transport. Os outros 50% pertencem à Ipiranga. Realizada por meio da Rede, filiada da holding, a operação envolve o pagamento de R$ 170 milhões e segue o compromisso da empresa de “explorar canais de pagamento eletrônico inovadores e com alto potencial de crescimento no mercado brasileiro”. Segundo comunicado divulgado pelo Itaú Unibanco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a ConectCar é vice-líder no seu setor de atuação e possui “relevantes taxas de crescimento”. Criada em 2012, a ConectCar é uma administradora de arranjos de pagamento próprios e prestadoras de serviços de intermediação de pagamento automático de pedágios, combustível e estacionamentos. Atualmente, a administradora opera em 12 estados e no Distrito Federal, facilitando pagamentos em mais de 80% dos pedágios do país, assim como uma ampla rede de estacionamentos e cerca de 3 mil postos de combustíveis. Combustíveis & Conveniência • 33


44 NA PRÁTICA

Previna-se contra golpes virtuais Em diferentes estados, revendedores têm sido vítimas de golpes aplicados em sistemas de pagamento por meio eletrônico ou ataque de hackers em contas bancárias. A recomendação é redobrar os cuidados para evitar perdas Por Adriana Cardoso As fraudes contra as revendas são menos incomuns do que se imagina. Os métodos utilizados pelos golpistas vão desde invadir a 34 • Combustíveis & Conveniência

conta bancária via internet, trocar as máquinas POS de cartões de débito e crédito por outras até enviar boletos para pagamentos com código de barras fraudado. A receitinha básica contra esse

tipo de crime continua sendo a boa e velha prevenção, com uma dose extra de desconfiança. Em Minas Gerais, revendedores foram vítimas, em série, do golpe da maquininha do


Atualmente, existem delegacias especializadas no Brasil, que contam com equipe de investigação no combate aos crimes virtuais

cartão. Os bandidos trocavam o POS da revenda por outro cadastrado com CNPJ diferente. O dinheiro ia parar na conta de uma empresa de fachada. Pela elevada quantidade de golpes, em Minas, o problema vai além. As redes Cielo e Rede deixaram de ressarcir os prejuízos, o que levou o Minaspetro a centralizar as ações judiciais para tentar reverter os danos. “As maquininhas sem fio exigem um pouco mais de cuidado, pois são mais fáceis de serem removidas (e trocadas por outras). É preciso que se verifique o número de série do equipamento e, principalmente,

os dados do recibo após o pagamento”, indicou Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab no Brasil, multinacional russa que atua na área de segurança de sistemas. Outro crime comum envolvendo maquininhas é clonar os dados do cartão daquelas que estão conectadas à rede de computador. Nesses casos, um vírus é instalado no computador e, quando o cartão é inserido no equipamento, os dados são roubados e enviados ao fraudador. Uma das vítimas do golpe da maquininha em Minas foi Ana Paula Rafante, dos postos Kepler e Luxemburgo, em Belo Horizonte.

A revendedora acredita que, como o local é bastante movimentado, alguém aproveitou uma distração dos funcionários e trocou a maquineta, sem fio, por outra, com CNPJ diferente. Ela percebeu o problema dias depois, quando o dinheiro do movimento não apareceu na conta. “Achamos que era um problema com o banco. Ficamos em alerta”, disse. Coincidentemente, um funcionário da Rede, empresa responsável pela maquineta, ligou perguntando se havia outro CNPJ no local. “Foi aí que pegamos o recibo e constatamos que havia outro CNPJ”, recordou. O prejuízo foi de R$ 40 mil, em vendas a débito e crédito, correspondentes a cinco dias e meio de movimento. A empresa negou-se a pagar o prejuízo e Ana Paula decidiu, então, entrar com uma ação via sindicato, além de registrar boletim de ocorrência. “Nesseínterim,elesmepagaram R$ 23 mil, no sentido de me dar um ‘cala boca’. Mas não fiz acordo com eles. Pedi que fossem notificados de que recebemos o dinheiro, mas que tinham prazo para pagar o resto”, disse a revendedora, que retirou todas as maquinetas da Rede dos postos. Até o fechamento desta reportagem, esse caso não havia sido resolvido. Para se proteger contra o golpe da máquina de cartão, o revendedor MarcosViníciusSimão,daRedeMAP, também de Minas Gerais, adotou uma prática simples: colocou, em cada equipamento, um adesivo bem grande com o nome do posto. Assim, em caso de troca, os funcionários percebem facilmente.

Boleto O golpe do boleto bancário, de acordo com Assolini, é bastante comum no Brasil, especialmente Combustíveis & Conveniência • 35


44 NA PRÁTICA

Stock

em compras feitas pela internet. Um vírus instalado no computador origina um boleto bancário falso e, quando o cliente paga, o dinheiro vai para a conta do estelionatário. Esta foi mais uma experiência desagradável da revendedora mineira Ana Paula. “Mandaram um boleto com o nome de uma associação do setor, que acabei pagando R$ 300 e só depois descobri que não existia”, disse. “Depois disso, mando todos os boletos para a contabilidade verificar.” A mesma revendedora contou que também quase foi vítima de invasão na conta bancária por hackers. Para se precaver, Ana Paula utiliza um software de segurança de dados na rede interna da empresa, com antivírus pago e só uns poucos funcionários são habilitados para usar o sistema.

Golpe diferente Na Baixada Santista, o revendedor Marciano Francisco Franco, do Centro Automotivo Mario Covas, 36 • Combustíveis & Conveniência

também passou por um mau momento. Para fazer a conferência dos boletos bancários recebidos de clientes do posto ele solicitou ajuda do suporte do banco. “Recebi alguns boletos, o crédito foi feito na conta corrente, mas não consegui identificar quais clientes tinham pago”, disse. Segundo Franco, por recomendação do gerente do banco, foi orientado a procurar um funcionário do suporte do banco. No mesmo dia, o revendedor recebeu um telefonema do suposto funcionário da instituição. Na confiança de que se tratava de um colaborador do banco, foram passados os dados da conta, senha e o número do token. Com isso, Franco acumulou prejuízo de R$ 12 mil reais. O estelionatário usou R$ 3 mil para pagar uma dívida com o Detran e os demais R$ 9 mil foram retirados da conta via internet. Esta movimentação causou estranheza por parte do banco que bloqueou a conta. A instituição financeira

ressarciu parte das perdas do revendedor, mas até hoje os R$ 3 mil não foram recuperados e a polícia não conseguiu identificar o autor do crime.

Precuções Como medida de segurança para evitar roubos virtuais na conta bancária, Assolini recomenda que não se deve usar o mesmo computador que se acessa a internet e, principalmente, das redes sociais, para o internet banking. Além disso, os técnicos que fazem a manutenção do sistema devem ser de confiança e a rede precisa ter um bom programa antivírus. “Eles fazem uma proteção muito básica e, portanto, insuficiente”, alertou. O analista lembra que os sistemas estão passíveis de falhas e são muito fáceis de serem exploradas por hackers. Por essa razão, ele frisa a necessidade de se ter fornecedores de boa reputação no mercado e que


cada usuário do sistema tenha sua própria senha, pois, em caso de problemas, é possível fazer o rastreamento e descobrir de qual equipamento partiu a fraude.

Proteção A ação dos golpistas não encontra limites e, com a tecnologia avançada, os crimes se renovam. Atualmente, existem delegacias especializadas em diferentes estados no combate aos crimes virtuais. Mesmo que a sua região não possua uma delegacia especializada, quem for vítima de um golpe deve registrar um Boletim de Ocorrência para que a polícia local tome as devidas providências. Do ponto de vista jurídico, as vítimas de crimes virtuais encontram respaldo na Lei 12.737/2012, que alterou o Código Penal para tipificar diferentes crimes na internet. A lei considera crime a invasão de dispositivos eletrônicos como celulares, notebooks, desktops, tablets ou caixas eletrônicos para obter ou adulterar dados de forma ilícita, lesando a vítima.

Paralelamente, o Procon também pode ser acionado. Segundo Renata Reis, coordenadora de área do Procon-SP, o artigo 6º, inciso VI, do Código de Defesa do Consumidor, garante ao consumidor o direito à prevenção de danos, impondo ao fornecedor o dever de se valer de todos os cuidados necessários e suficientes ao afastamento de qualquer prejuízo aos usuários dos serviços que presta. “A responsabilidade dos bancos subsiste quando o consumidor tomou todos os cuidados necessários com a guarda da senha e outras informações relativas aos meios de movimentação da conta e do cartão, bem como observou as orientações cedidas pelas instituições financeiras e, ainda assim, ocorreu a fraude. É possível que os serviços eletrônicos bancários contenham potenciais vulnerabilidades, passíveis de fraude, por terceiros, em seu sistema de segurança, com acesso não autorizado aos seus recursos.” Não seja pego desprevenido, mantenha sua atenção redobrada para não se arrepender depois. n

Marcus Almeida/Somafoto

Revendedores de Minas Gerais foram vítimas de bandidos que trocavam máquinas POS de cartões de débito e crédito

Fique alerta: a Não acesse conta bancária no mesmo computador que acessa internet/redes sociais; a Não utilize senhas óbvias, como datas de nascimento, não as anote em nenhum lugar e troque-as periodicamente; a Restrinja o número de usuários da rede da empresa. Lembre-se de que cada um deve ter uma senha; a Utilize um bom antivírus, preferencialmente os pagos, que têm cobertura melhor do que os gratuitos; a Verifique sempre os dados das notas emitidas pelas máquinas de cartão para ver se conferem com os da empresa; a Lembre-se sempre de que bancos e operadoras de cartões não solicitam atualização de cadastro por e-mail ou telefone. Também não solicitam tokens bancários, que correspondem a dispositivos de segurança solicitados para fazer as transações no banco digital; a Não forneça o número do token em hipótese alguma; a Ao pagar uma conta com cartão, confira se o valor foi digitado corretamente antes de digitar a senha; a Confira frequentemente seus extratos de movimentação de cartões. Caso detecte qualquer inconsistência, entre em contato imediatamente com a empresa operadora do cartão. Se for o caso, solicite o cancelamento. Fontes: Procon, órgão de defesa do consumidor; Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab no Brasil.

Combustíveis & Conveniência • 37


OPINIÃO 44 Felipe Klein Goidanich 4 Consultor jurídico da Fecombustíveis

Procon não sabe que o preço da gasolina é liberado? preços, nem necessidade Na data de 29/09/2015, a Petrobras anunciou de autorização prévia o aumento do preço da gasolina na refinaria. Na para reajustes de preços manhã do dia seguinte, alguns postos já haviam de combustíveis.Tamaumentado seus preços ao consumidor. Como sempre ocorre, a imprensa foi ouvir os pouco, o revendedor Procons de vários estados e municípios. E pelo tem obrigação de se que li nas notícias, vários Procons se manifestaram explicar ao Procon a no sentido de que seriam feitas fiscalizações para cada aumento de preços praticados. verificar eventual abuso e seriam expedidas notiNão existe lei que impeça o revendedor de combustíveis de aumentar o preço da gasolina ficações aos revendedores para que justificassem com base em um anúncio de aumento de preos aumentos de preços praticados. Teve um caso em que um representante do ços, ou apenas porque quer acompanhar uma Procon chegou ao cúmulo do desconhecimento oscilação do mercado. jurídico ao afirmar que, se o posto de combusPor se tratar de produto homogêneo porque os postos são obrigados a exibir tíveis aumentou o preço os preços praticados na antes de receber o produto É de conhecimento geral que entrada do estabelecimento com reajuste por parte da os preços dos combustíveis não e pela forte concorrência no distribuidora, tal conduta estão mais sujeitos ao regime de setor, naturalmente, os preços seria lesiva à boa-fé e sigpreços tabelados. Isto é, o governo praticados por concorrentes nificaria exigir vantagem federal optou pelo regime de são similares. Não é raro e manifestamente excessiva, preços liberados visando viabilizar nem ilegal que revendedores pelo que se enquadraria sigam, espontaneamente e como ato ilícito previsto o seu controle através da máxima sem qualquer acordo prévio, no Código de Defesa do econômica da oferta e da procura o comportamento de um reConsumidor. na relação comercial entre agentes, Ora, será que ele não vendedor líder de mercado, o que é natural e próprio de um sabe que, desde 1996, seja para aumentar ou para ambiente capitalista com a vigência da Portaria reduzir os preços de venda do Ministério da Fazenda dos combustíveis. Tais fatos são solenemente ignorados nas manº 59, houve o fim do regime de controle estatal dos preços da gasolina e do etanol. Ou seja, faz nifestações dos Procons em geral, de modo que quase 20 anos que o Brasil iniciou o ciclo que pôs optam por respostas em tom de acusação, sugefim ao tabelamento de preços dos combustíveis e rindo que os aumentos foram orquestrados, que o Procon não sabe disso? são abusivos ou mesmo que não teriam justificativa É de conhecimento geral que os preços dos econômica. E pior, a justificativa econômica só é combustíveis não estão mais sujeitos ao regime aceita se o aumento for exatamente o praticado de valores tabelados. Isto é, o governo federal pelo distribuidor, desconhecendo por completo que optou pelo regime de preços liberados visando os custos de operação dos postos têm aumentado viabilizar o seu controle através da máxima econômuito nos últimos tempos, tendo como exemplo, o aumento do valor da conta de luz. mica da oferta e da procura na relação comercial O revendedor de combustíveis já sofre demais entre agentes, o que é natural e próprio de um com assaltos e outras dificuldades, não sendo ambiente capitalista. certo receber tratamento de bandido por quem Neste ambiente de liberdade de preços, não há deveria preservar os bons fornecedores de proqualquer tipo de tabelamento, valores mínimos e máximos, participação do governo na formação de dutos e serviços.

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44 REPORTAGEM DE CAPA

Rodovia: os desafios para permanecer no mercado A crise econômica e a consequente redução da atividade industrial do país vêm se refletindo na queda no consumo de diesel. Não bastasse isso, atualmente, boa parte da frota de caminhões dispõe de tanques maiores, que permitem maior autonomia, e os postos de rodovia ainda enfrentam a concorrência dos PAs. Neste cenário, diversificar as atividades como ponto de parada pode ser uma alternativa para recuperar o fôlego Por Rosemeire Guidoni

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Revista Caminhoneiro

As vendas de diesel caíram 3,9% no país, entre os meses de janeiro e setembro, de acordo com dados anunciados em outubro pelo Sindicom. Já no acumulado de janeiro a agosto, segundo a ANP, o diesel havia recuado 3,3% em comparação ao mesmo período de 2014. As razões desta queda de consumo são diversas, desde o pífio de-

sempenho econômico do país, que paralisou as atividades industriais e comerciais e, consequentemente, colocou menos mercadorias em circulação, até a alta do combustível neste ano, que levou muitas empresas a criar sistemas logísticos mais eficientes, com redução do número de deslocamentos e despesas com combustíveis.

Porém, apesar de os dados do Sindicom apontarem para menos de 4% de queda, por compilarem os dados no país, quando o foco vai para situações específicas, como no caso dos postos de rodovia sediados em pontos logísticos vitais, o recuo no consumo de diesel tem sido bem mais drástico.“O volume de vendas caiu cerca de 15% desde meados de março deste ano, sendo que 95% desta queda foi no diesel”, destacou Edwaldo Nicola, responsável pelas três unidades da rede de postos Arco-Íris, todos localizados na rodovia Presidente Dutra, entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro (nas cidades de Aparecida, Lorena e Roseira). O mesmo índice (15%) também foi relatado por Cláudio Sakamoto, proprietário do Posto Sakamoto, um dos maiores postos do país, localizado também na Dutra, próximo à região de Guarulhos (SP), na via de entrada na capital paulista. “No nosso caso, além dos reflexos da crise econômica, a construção do Rodoanel (que passa por Guarulhos antes da chegada de São Paulo, desviando Combustíveis & Conveniência • 41


44 REPORTAGEM DE CAPA Usar sem consumir?

Arquivo

Muitos postos enfrentam a concorrência dos Pontos de Abastecimento (PAs), instalados pelas transportadoras para abastecer a sua frota

o tráfego de caminhões para não entrar na área urbana) também interferiu na redução do volume de vendas”, afirmou o empresário. A queda do consumo nacional de diesel em função da economia, no entanto, está longe de ser o único problema enfrentado pelos postos revendedores de rodovia. Além disso, outras questões contribuem para o baixo desempenho do segmento: hoje, grande parte da frota de caminhões já dispõe de tanques maiores, com maior autonomia, o que reduz a necessidade de paradas para abastecimento, e muitas empresas transportadoras (grandes consumidores) mantêm Pontos de Abastecimento (PAs) próprios para atender à sua frota. “Historicamente, os postos de rodovia estão enfrentando a concorrência desleal decorrente da falta de fiscalização das autoridades quanto à instalação de tanques de combustíveis em transportadoras, embarcadoras e uma infinidade de locais”, destacou 42 • Combustíveis & Conveniência

Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas e editor do Portal Estradas. Rizzotto enumera ainda outras dificuldades do setor. “Os cartões de crédito e suas versões para o setor de transportes (cartões-frete) são os grandes ´sócios´ dos postos. Há casos em que o posto tem prejuízo, mas o cartão não, em função da comissão recebida. Outra questão é que as distribuidoras não dão prazo para os postos, mas estes se sentem pressionados a conceder prazo para as transportadoras. Quando vem a crise, a inadimplência leva muitos postos à quebra ou às situações de grande dificuldade. A diferença é que o proprietário do posto tem laços com o dono da transportadora, inclusive por parcerias antigas, mas a distribuidora é um gigante frio, cujos acionistas querem lucro, e o executivo da empresa não tem o direito de fazer o que é justo, mas,sim, o que os acionistas determinam”, destacou.

Isso sem contar a concorrência entre os próprios postos revendedores, que, em algumas localidades, gera outro transtorno para os empresários. “Há casos de motoristas que optam por abastecer em locais com preço mais baixo, mas sem infraestrutura, e depois fazem a parada para descanso em nossos estabelecimentos, onde há chuveiros, sanitários e espaço adequado”, constatou Nicola, da rede Arco-Íris. Para contornar o problema, ele conta que os funcionários do posto procuram evitar a permanência de quem não consome e a empresa também lança mão de outros meios de controle. “O estacionamento não é cobrado, mas a permanência só é liberada mediante senha fornecida a quem abastecer, ou para aqueles que já forem clientes do posto. Além disso, todo o estabelecimento é monitorado por câmeras de vigilância. Os chuveiros também têm temporizador, que só é liberado com uma senha fornecida pelo posto”, explicou. “Muitos autônomos acham que têm o direito de receber os serviços de graça, sem compromisso de gerar receita. E como também são espremidos pelo mercado, possivelmente são clientes cada vez mais próximos da inadimplência. Sobra para o posto a área de alimentação, que é fundamental para a sobrevivência dos pontos de parada. Ali, a lucratividade é maior e não há necessidade de conceder prazos, a não ser para o cartão de crédito. Por isso, cada vez mais o ponto de parada vai precisar vender


sanduíche para manter a venda de diesel”, apontou Rizzotto. Para Cláudio Sakamoto, a solução para evitar o uso das instalações por não consumidores é cobrar o estacionamento e gerenciá-lo como empresa independente do posto (em seu caso, inclusive com CNPJ distinto). “Os sanitários e chuveiros, bem como a área para refeições, ficam dentro do estacionamento, cuja entrada é cobrada. Assim, só faz uso das instalações quem está dentro e pagou pela permanência”, afirmou. Mas o posto Sakamoto ainda é um caso à parte da grande maioria dos postos de rodovia do Brasil. O empreendimento conta com uma área pavimentada de 80 mil metros quadrados, que acomoda cerca de 600 carretas, com portaria,

câmeras de vigilância e controle rigoroso de entrada. Além da manutenção das instalações, existe um alto custo relativo ao seguro (responsabilidade civil) dos veículos estacionados. “Nós temos o estacionamento há 20 anos. Hoje, com a valorização imobiliária, seria praticamente impossível comprar um terreno com esta área, praticamente em uma região urbana”, comentou. Este diferencial acaba deixando o empreendimento à frente da concorrência, porque hoje, para criar uma infraestrutura deste porte, o investimento seria estratosférico.

Investimento E justamente este alto custo de infraestrutura é que vem deixando alguns revendedores receosos em solicitar sua

Divulgação/Posto Arco-Íris

Postos de rodovia enfrentam dificuldades com a queda do consumo de diesel e uma das alternativas para recuperar o fôlego é diversificar as atividades como pontos de parada

homologação como ponto de parada e descanso, nos moldes estabelecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Para se homologar, o estabelecimento interessado deve fazer seu requerimento junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e deve atender a uma série de regras de adequação, previstas na Portaria MTE 944, de julho de 2015 (veja Box). A portaria estabelece regras relativas a instalações sanitárias, área para refeições e pavimentação do local de estacionamento. Os pontos de parada já existentes na data de publicação da Portaria (9 de julho de 2015) situados em rodovias pavimentadas terão

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44 REPORTAGEM DE CAPA Ao mesmo tempo em que muitos empreendimentos estão na expectativa de uma linha de crédito, outros tantos, especialmente aqueles localizados no interior do país ou em estradas secundárias, vivem um momento bastante delicado, com perspectiva, inclusive, de encerramento de atividades em função da queda no consumo. Porém, na maioria esmagadora das situações, nem ao menos passar o negócio à frente é uma possibilidade. Além do custo elevado do terreno, o que por si só, muitas vezes, já inviabiliza a transação, eventuais passivos trabalhistas ou ambientais ainda são um risco para o novo proprietário e não

são raras as situações em que o fechamento da empresa é inviável financeiramente. Na avaliação de Rizzotto, somente vale a pena investir nas adequações do posto para se credenciar como ponto de parada se houver certeza de retorno. “Isto significa que os pontos de parada têm de avaliar muito bem o futuro. Linhas de financiamento com juros subsidiados não bastam, afinal, quem é correto quer pagar o empréstimo e, para isso, é preciso receita”, apontou. Porém, ele afirma que, certamente, as empresas e motoristas autônomos vão precisar cada vez mais de locais seguros para parar e os pontos de parada podem

Revista Caminhoneiro

prazo de um ano, a contar da citada publicação, para providenciarem a pavimentação ou calçamento de toda a área e construírem instalações sanitárias localizadas a, no máximo, 250 metros de distância do estacionamento. O investimento para as adequações vai depender muito da atual situação do empreendimento e muitos empresários ainda aguardam a criação de uma possível linha de financiamento. Esta possibilidade (de financiamento) vem sendo discutida desde o início dos debates sobre os pontos de parada, mas até o fechamento desta edição, no fim de outubro, nada de concreto havia sido divulgado pelo governo.

Posto Sakamoto, um dos maiores do Brasil, conta com estacionamento pavimentado de 80 mil metros quadrados, que acomoda cerca de 600 carretas, com portaria, câmeras de vigilância e controle rigoroso de entrada

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Stock

Muitos postos deverão fazer adequações em sua estrutura para solicitar seu reconhecimento como ponto de parada e descanso, o que deixa muitos revendedores receosos pelo alto custo do investimento

oferecer esse serviço mediante cobrança. “Por outro lado, os governos federal e estaduais têm obrigação de atender a Lei 13.103 e, portanto, estão mais sensíveis aos pleitos dos pontos de parada. Politicamente, é um bom momento, mas é preciso envolver a ANP e ANTT nesse processo. Fiscalização e regras iguais para todos são a garantia mínima necessária para se investir nos pontos de parada”, destacou. A Fecombustíveis enxerga na homologação como ponto de parada uma oportunidade de rentabilizar o negócio dos postos de rodovia e recuperar clientes. “Muitos postos, especialmente os de redes maiores, já têm boa infraestrutura e precisam apenas

fazer algumas adequações. A homologação como ponto de parada é mais uma oportunidade de garantir clientes e oferecer novos serviços, melhorando o desempenho da empresa”, afirmou Giancarlo Pasa, diretor da Federação. “A discussão sobre este tema não poderia deixar de passar pela revenda de combustíveis”, frisou Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustíveis, que considera que os postos de rodovia são os candidatos naturais ao papel de ponto de parada. Segundo ele, vários postos localizados em rodovias estão se preparando para atender aos critérios previstos na regulamentação, inclusive comprando áreas vizinhas aos estabelecimentos

para construir ou ampliar o estacionamento. Para aqueles que não podem investir, ou não desejam ser reconhecidos como pontos de parada, o risco pode ser a perda de clientes. Em princípio, nada impede que o caminhoneiro ou a empresa transportadora continuem frequentando os postos com que estão habituados ou com os quais já mantêm contrato, independentemente da homologação. Mas o risco a se correr, no caso de postos reconhecidos pelo governo, é que façam parcerias com as transportadoras ou com os administradores de cartões frota. A rede Arco-Íris, por exemplo, afirma que já iniciou as negociações com os cartões para colocar seus postos nas Combustíveis & Conveniência • 45


44 REPORTAGEM DE CAPA rotas de parada indicadas. Além disso, existem empresas que atuam no gerenciamento de riscos dos transportadores e elas chegam a determinar em que postos revendedores os caminhões por ela monitorados podem parar para abastecer ou descansar.

“Como é uma situação ainda nova, não podemos prever o que pode acontecer, se haverá ou não perda de clientes para os postos que não se homologarem, mesmo tendo estrutura suficiente para atender os caminhoneiros”, disse Pasa. “Mas a verdade

é que o consumo de diesel está em queda e a oferta de estacionamento e serviços é uma tendência do mercado.” A Fecombustíveis, inclusive, colocou em seu site um link (http://www.fecombustiveis. org.br/revendedor/ponto-de-parada/) para que os esta-

Infraestrutura necessária Confira o que diz a Portaria 944, do Ministério do Trabalho e Emprego, a respeito das condições mínimas de segurança, sanitárias e de conforto nos pontos de parada e descaso para motoristas: a As instalações sanitárias devem ser localizadas a uma distância máxima de 250 metros do local de estacionamento do veículo e ser separadas por sexo, além de garantidas as condições de higiene, iluminação e conservação. Nos locais onde houver baixa demanda de usuárias do sexo feminino, a quantidade de instalações a elas destinadas pode ser reduzida em até 70% da proporção obrigatória (veja a seguir), desde que assegurada a existência de pelo menos uma instalação sanitária feminina; a É necessário garantir a proporção mínima de um gabinete sanitário, um lavatório e um chuveiro por sexo, para cada 20 vagas de estacionamento ou fração; a Os gabinetes sanitários devem ser privativos, dotados de portas de acesso com dispositivo de fechamento, além de cesta de lixo e papel higiênico. Os vasos sanitários devem possuir assento com tampa e, nos sanitários masculinos, é permitida a instalação adicional de mictórios; 46 • Combustíveis & Conveniência

aOs lavatórios devem ser dotados de espelhos, material para higienização e para secagem das mãos; a Os chuveiros devem ter água fria e quente. O local dos chuveiros pode ser separado daquele destinado às instalações com gabinetes sanitários e lavatórios, e deve ter porta de acesso com dispositivo de fechamento, além de ralos sifonados com sistema de escoamento que impeçam a comunicação das águas servidas entre os compartimentos e que escoe toda a água do piso. A área mínima é de 1,20 metro quadrado, com suporte para sabonete e cabide para toalha, e possuir estrado removível em material lavável e impermeável; a Os ambientes para refeições podem ser de uso exclusivo ou compartilhado com o público em geral, devendo sempre: a) ser dotados de mesas e assentos; b) ser mantidos em adequadas condições de higiene, limpeza e conforto; e c) permitir acesso fácil às instalações sanitárias e às fontes de água potável; a É permitido que os usuários dos locais de espera, de repouso e de descanso utilizem

a própria caixa de cozinha ou equipamento similar para preparo de suas refeições; a Deve ser disponibilizada gratuitamente água potável em quantidade suficiente, por meio de copos descartáveis individuais, bebedouro de jato inclinado ou equipamento similar que garanta as mesmas condições; a Todo local de espera, de repouso e de descanso deve conter sinalização vertical e horizontal informando as regras de movimentação, as áreas destinadas ao estacionamento e o pátio de manobra de veículos, bem como a indicação da localização das instalações sanitárias e dos ambientes para refeições. Os locais situados em rodovia pavimentada devem possuir pavimentação ou calçamento. Além disso, é necessário possuir sistema de vigilância e/ou monitoramento eletrônico. Quando o estacionamento do veículo for cobrado, o local deve ser cercado e possuir controle de acesso; a É proibida a venda, o fornecimento e o consumo de bebidas alcoólicas nos locais de espera, de repouso e de descanso, bem como o ingresso e permanência de crianças e adolescentes (salvo se acompanhados dos responsáveis).


belecimentos interessados em se tornar pontos de parada respondam uma pesquisa, elaborada em conjunto com o Ministério dos Transportes, DNIT e ANTT, com a finalidade de mapear os locais de parada e descanso localizados nas rodovias federais e identificar as condições de infraestrutura desses locais. Vale ressaltar que os postos que preencheram esse questionário não estão cadastrados como Pontos de Parada e Descanso (PPD). O reconhecimento oficial dos estabelecimentos como PPD envolve outro processo, que se encontra em fase de definição pelo Ministério dos Transportes e demais órgãos envolvidos. De acordo com Pasa, há uma grande quantidade de empreendimentos interessados no credenciamento como postos de parada, aguardando a evolução das determinações do Ministério.

Concessionárias poderão conceder espaço para construir pontos de parada e descanso. Projeto-piloto, que deverá ser implementado no Km 45 da BR16, é visto com críticas pela revenda

Projeto-piloto Em 28 de outubro, a ANTT divulgou um projeto-piloto de ponto de parada e descanso que será implantado na BR-116 no trecho entre Paraná e Santa Catarina. A Autopista Planalto Sul, empresa do grupo Arteris e concessionária responsável pelo trecho, em parceria com a Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc) são as responsáveis pelo novo espaço. O presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda Soares, questionou quais serão as regras de concessão para as concessionárias de rodovias que terão pontos de parada, uma vez que não se tem conhecimento sobre como foi concedida a concessão, pois determinados trechos de rodovias são áreas do governo federal e deveriam passar por licitação. "Temos receio de que o governo beneficie as concessionárias, causando regras desiguais no mercado e prejudicando os postos", disse. O ponto de parada previsto para ser implementado está situado no Km 145 da BR-116, no trecho que liga Curitiba (PR) até a divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O local será especializado com equipamentos para atendimento a veículos acidentados ou com algum tipo de vazamento com produto perigoso. Além dos cuidados com a carga, a proposta é implantar atendimentos já oferecidos pelo programa SEST/SENAT, como salas de apoio para a concessionária, ANTT e administração, assim como espaço para realização de eventos promocionais, palestras educativas etc. A área contará com 120 mil metros e deve ser dividida em seis blocos, cada um deles com 21 vagas de estacionamento, sendo construído conforme a demanda de veículos na rodovia. Ricardo Hashimoto, diretor de Postos de Rodovia da Fecombustíveis, criticou: “Esse projeto parece distante da realidade. Não há como replicar esse modelo ao longo das rodovias. Como é possível ter quase 1000 m² por veículo? Algo deve estar errado, pois como é possível sustentar tal estrutura? Do jeito que está pode virar um elefante branco”. n

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44 PERGUNTAS E RESPOSTAS Em 1º de outubro, houve reajuste da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), referente ao quarto trimestre. Confira abaixo as principais dúvidas sobre este assunto:

De quanto foi o aumento para as empresas de pequeno, médio e grande portes? O reajuste ficou muito acima do esperado? As taxas nunca haviam sido reajustadas. Ninguém esperava por isso, principalmente o empresário que já vem sofrendo com o arrocho da economia. O reajuste chegou a 257%. Provavelmente, eles reajustaram desde 2000. O aumento foi somente para o custo da TCFA. Se tivessem alterado o valor do porte da empresa na mesma proporção, ou seja, em 257% (aproximadamente), a faixa de faturamento subiria muito, mas o reflexo para a revenda seria menor. Veja tabela abaixo:

LIVRO 33

Todos os revendedores devem pagar a TCFA? Até quando deve-se pagar? Todos os revendedores devem pagar a TCFA. Os valores dependem do porte do empreendimento, que, na verdade, é medido em termos de faturamento. O reajuste vale para o quarto trimestre de 2015 e o vencimento desta obrigação é janeiro de 2016. Hoje, se uma empresa emitir a GRU do quarto trimestre, já contemplará o valor corrigido.

Quais são as penalidades para quem não paga a TCFA? Multas de até 40% do valor da TCFA e correções monetárias, além de correr o risco de ser executado judicialmente, ter o nome da empresa inserido no Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal (Cadin) e arcar com custos processuais em eventual execução fiscal.

Potencial de Poluição, Pequeno Grau de utilização Porte de Recursos Naturais

Médio Porte

Grande Porte

Pequeno

R$ 289,84

R$ 579,67

R$ 1.159,35

Médio

R$ 463,74

R$ 927,48

R$ 2.318,69

Como funciona a cobrança da TCFA? Qual é a base de cálculo do reajuste e periodicidade de pagamento?

A TCFA é cobrada trimestralmente e não Alto R$ 579,67 R$ 1.159,35 R$ 5.796,73 havia norma sobre sua correção monetária. A cobrança é conforme o porte do Há como o revendedor questionar empreendimento, medido em termos o aumento excessivo? de faturamento anual, referente ao Acredito que o setor tributário ano do exercício anterior. de cada sindicato deve avaliar a situação e verificar as possíveis formas Qual é o destino dos recursos de questionamento. Apesar de ser arrecadados com a taxa? uma taxa ambiental, a análise de A destinação, prevista em lei, sua legalidade deve ser executada é para custear os serviços de fiscapelo setor tributário de cada sindilização do Ibama. cato. Como a obrigação de quitar o quarto trimestre acontece apenas Informações fornecidas por em janeiro, há um período para Bernardo Souto, consultor amamadurecer e tomar uma decisão sensata sobre o tema. biental da Fecombustíveis

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Livro: Vendas em Tempos de Crise Autor: Tom Hopkins Editora: Best Business 2015 tem sido, realmente, um ano difícil para todos os brasileiros. A crise econômica se agravou e o país entrou num período de forte recessão, com projeção para se estender até o ano que vem. Para completar o cenário negativo, o Brasil enfrenta uma crise política nunca vista antes em sua história. A desconfiança em todos os níveis (empresas, sociedade, investidores etc.) reina no país e o resultado mais claro desse ambiente é o aumento do desemprego e a queda real no consumo das famílias. Para quem trabalha no comércio, fica difícil prever resultados favoráveis para seu negócio quando ninguém está comprando. Porém, o que poucos sabem é que, mesmo em tempos difíceis, existe a possibilidade de enfrentar a adversidade com firmeza e sair bem-sucedido do período conturbado. Pelo menos é o que acredita o especialista em vendas Tom Hopkins. No livro Vendas em Tempos de Crise, o autor compartilha sua experiência concreta para provar que os princípios das vendas bem-sucedidas ultrapassam os períodos de crise, permanecendo sólidos ao longo dos anos. Segundo ele, quem adota sua estratégia vai além da sobrevivência, com chances reais de prosperar em ciclos menos favoráveis.

Combustíveis & Conveniência • 48


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44 MEIO AMBIENTE

Brasil na COP 21 O governo brasileiro pretende dar sua contribuição ao planeta em três vertentes: combate ao desmatamento, aumento da matriz energética em energias renováveis e replantio de áreas degradadas Por Adriana Cardoso Nos primeiros dias de dezembro, ocorrerá em Paris (França) a 21ª Conferência do Clima (COP 21), que deverá estabelecer um novo acordo entre países para reduzir o volume de emissões de gases do efeito estufa e evitar, dessa forma, que o aumento da temperatura da Terra ultrapasse os 2ºC neste século. Em setembro, a presidente Dilma Rousseff antecipou a proposta brasileira, que prevê, entre outros objetivos, reduzir em 43% o volume de emissões no período de 2005 a 2030. A proposta anunciada pelo governo brasileiro, durante a Cúpula da Organização das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em Nova York, em setembro, é considerada ambiciosa por uns e, para outros, está aquém do que o país pode fazer. “Este acordo é importante porque inclui, pela primeira vez, compromissos obrigatórios para todos os países sobre suas emissões de gases de efeito estufa, medidas de adaptação e meios de suporte – financiamento, transferência de tecnologia, cooperação, 50 • Combustíveis & Conveniência

capacitação, entre outros – às ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, explicou o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Ritl. O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), divulgado no ano passado, aponta que, de 1880 (ano em que a medição começou a ser feita) até 2012, a temperatura média da superfície terrestre subiu 0,85ºC, tornando os verões muito mais quentes em alguns países, como o Brasil. Com a aceleração do volume de emissões de gases de efeito estufa nos últimos anos, teme-se que a temperatura suba para além dos níveis seguros, provocando o derretimento de geleiras, o que elevaria os níveis dos oceanos e ameaçaria a biodiversidade. A COP 21 é considerada uma das conferências mais importantes, pois o acordo que sairá dela substituirá o Protocolo de Kyoto (1997), no Japão, cujos resultados são considerados pífios por muitos especialistas (veja box). Um dos motivos foi que os próprios Estados Unidos

não aderiram ao acordo, que começou a valer em 2005 e vence neste ano. Até agora, os países ficaram num jogo de empurra-empurra para não assumir compromissos climáticos obrigatórios. Até mesmo os Estados Unidos, um dos maiores emissores, possuem apenas um compromisso voluntário de redução.


Fotos: Stock/Freeimages

As nações em desenvolvimento normalmente escoram-se no argumento de que cumprir metas ambientais muito restritivas impedem seu crescimento econômico.

Cenário nacional Nos últimos anos, o Brasil ampliou sua matriz energética para fontes renováveis, como

o etanol, reduziu consideravelmente o desmatamento de florestas - em 2013, houve redução de 70% em relação à média registrada de 1996 a 2005, ainda que em patamares considerados elevados - e demarcou áreas de preservação. Mas ainda há muito a ser feito para impedir o aquecimento global a níveis seguros.

Para fazer com que se cumpram as metas, durante a conferência será discutida a questão de compliance, segundo Ritl, que é o conjunto de medidas para obrigar os países a seguirem à risca o que foi acordado e a aplicação de sanções aos que transgredirem não está descartada. Na opinião de Ritl, a proposta do governo brasileiro, Combustíveis & Conveniência • 51


44 MEIO AMBIENTE

Niels Andreas Claudio Ferreira

Proposta do Brasil prevê a participação de 18% de biocombustíveis sustentáveis, incluindo o etanol carburante e demais biomassas derivadas de cana-de-açúcar

se comparada às de outros países (os Estados Unidos, por exemplo, estabeleceram como meta redução de 32% nas emissões de 2005 a 2030), é bastante importante. “Mas o compromisso brasileiro ainda é insuficiente sob o ponto de vista do objetivo da negociação internacional, que é dar resposta à emergência climática e à necessidade de redução profunda de emissões globais”, ponderou. As emissões brasileiras em 2030, explica Ritl, atingiriam, dentro da meta indicativa para aquele ano, algo em torno de 1,3 bilhão de toneladas. “Na análise do Observatório do Clima, uma meta adequada para o Brasil seria de limitar as suas emissões a 1 bilhão de toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente, conta feita a partir da conversão das emissões de todos os gases em mesmo potencial de aquecimento global do CO2) em 2030.” Em linhas gerais, emitir mais que isso significaria ainda contribuir 52 • Combustíveis & Conveniência

para que o aquecimento global ultrapasse o limite seguro dos 2ºC. “E também não representa todo o potencial de redução de emissões que podemos empreender com ganhos para o país nas áreas de florestas, agricultura e pecuária e energia. Podemos fazer mais”, presumiu. Sobre o desmantamento, ele pondera que, embora muito se tenha alcançado nessa área, a destruição de florestas estagnou em patamares muito elevados. “Perdemos em torno de 5 mil quilômetros quadrados por ano de floresta na Amazônia e mais de 6 mil quilômetros quadrados por ano de matas de cerrado.” O professor de Ciências Ambientais na Universidade Mackenzie de Campinas (SP), Reinaldo Dias, disse que a questão que se impõe agora é como as metas propostas pelo Brasil serão atingidas. “As três grandes linhas de intervenção brasileira, que são o combate ao desmatamento, o foco em energia renovável e o

replantio de áreas degradadas, estão corretas e ultrapassaram as expectativas. No entanto, fica a pergunta: quais meios e recursos serão utilizados para se atingir essas metas?”

Etanol na COP A proposta que o Brasil levará à COP 21 prevê a participação de 18% de biocombustíveis sustentáveis, incluindo o etanol carburante e demais biomassas derivadas de cana-de-açúcar, no total da matriz energética, além de um aumento de 10% para 23% no uso de energias renováveis (solar, eólica e biomassa) até 2030. O percentual praticamente mantém a participação que etanol e bioeletricidade já têm hoje na matriz, que é de cerca de 17%. Em nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) considerou as medidas positivas, embora seja necessário analisar o detalhamento da proposta, o que só acontecerá no encontro de dezembro. A entidade participará de um painel, promovido


pelo governo do estado de São Paulo durante a COP 21, usando o etanol como case de sucesso na mitigação de emissões de gases do efeito estufa. Para o físico e professor emérito da USP e ex-secretário de Meio Ambiente do governo Collor (1990-1992), José Goldemberg, houve avanço nas metas anunciadas pelo governo, mas, no que se refere ao etanol, poderiam ser mais ambiciosas. “A atual produção de etanol é de cerca de 25 bilhões de litros por ano, o que poderia triplicar até 2030, reduzindo significativamente o consumo de gasolina e, portanto, as emissões de CO2. A meta proposta propõe apenas quase dobrar esta produção”, apontou Goldemberg, que foi o responsável pelas pesquisas que descobriram o potencial energético da cana-de-açúcar. Pelas contas do professor, a produção atual de 25 bilhões de litros do biocombustível reduz as emissões em 50 milhões de toneladas de CO2. Triplicá-la, portanto, teria um impacto significativo nas emissões previstas para 2030.

Futuro Mesmo com o avanço tecnológico para melhorar a qualidade dos combustíveis, o setor de transportes ainda é um dos principais responsáveis pelo volume de emissões de gases tóxicos à atmosfera. Na outra ponta, a urgência climática já está mexendo e deve mexer ainda mais com o mercado de combustíveis no futuro, na avaliação de Ritl. “Todas as empresas que fazem parte desse setor terão seus negócios, de alguma forma, impactados pelas alterações do clima e compromissos globais para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Protocolo de Kyoto O que é Foi um acordo internacional, proposto em 15 de março de 1998 em Kyoto, no Japão, que passou a valer em 2005 com o objetivo de diminuir as emissões de gases de efeito estufa pelos principais países emissores. O documento trazia um cronograma determinando que os países reduzissem em 5,2% as emissões de gases poluentes no período de 2008 a 2012, primeira fase do acordo.

Como atingir as metas Para cumprir o acordo, os países deviam, entre outras iniciativas, aumentar o uso de fontes de energias limpas (biocombustíveis, energia eólica, biomassa e solar); proteger florestas e outras áreas verdes; otimizar sistemas de energia e transporte; diminuir emissões de metano, gás presente em depósitos de lixo orgânico; e definir regras para emissão de créditos de carbono (por exemplo, uma indústria que polui menos pode vender créditos a outra que polui mais, mantendo, assim, controlados os níveis de emissões. O certificado é emitido por agências ambientais reguladoras).

O que aconteceu O Protocolo de Kyoto não atingiu os objetivos, pois houve aumento de 16,2% no volume de emissões entre 2005 e 2012. Países como Estados Unidos e Austrália, grandes emissores, também não assinaram o acordo, fato ao qual foi atribuído os resultados aquém das expectativas. Por outro lado, sem o acordo, especialistas dizem que o percentual de emissões teria sido maior. Fontes: Observatório do Clima; Reinaldo Dias, professor de Ciências Ambientais da Universidade Mackenzie Campinas (SP); e José Goldemberg, professor emérito da USP

A própria Agência Internacional de Energia recomenda que pelo menos dois terços das reservas conhecidas de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) do planeta permaneçam no subsolo para que não ultrapassemos o limite de aquecimento global de 2ºC”, disse. Reinaldo Dias, do Mackenzie, também acredita no crescimento da participação dos biocombustíveis em detrimento dos combustíveis fósseis. “O etanol deve aumentar sua relevância na matriz energética, principalmente na fase de transição com a diminuição de utilização de combustíveis fósseis. Haverá uma pressão no mundo contra

a utilização do diesel, mas o processo de substituição deverá ser lento”, previu. Para calcar o caminho até lá, tudo vai depender, segundo os especialistas, das decisões políticas do governo federal para o setor, propiciando investimentos, pesquisa e planejamento de médio e longo prazos para as empresas. “A busca e o interesse por alternativas aos combustíveis fósseis vão aumentar. Os biocombustíveis e a bioenergia são parte crítica da solução ao desafio das mudanças climáticas, assim como a eletrificação de veículos, que deve avançar, significativamente, ao longo das próximas décadas”, comentou Ritl. n Combustíveis & Conveniência • 53


44 CONVENIÊNCIA

NACS 2015: destaques para food service e tecnologia Revendedores de 73 países participaram do maior evento mundial do setor de conveniência, em Las Vegas. A área de food service permanece entre as tendências de mercado, bem como o uso de ferramentas tecnológicas. Nesse ano, a BR e a Ipiranga levaram aproximadamente 1.225 entre revendedores e parceiros brasileiros Por Mônica Serrano Assim como no ano passado, Las Vegas foi palco da feira mundial mais prestigiada da revenda, a NACS Show 2015, que aconteceu de 11 a 14 de outubro. Com recorde de público, a NACS recebeu 24.392 visitantes de 73 países, que participaram de 62 palestras educacionais, quatro sessões gerais e circularam nos estandes da feira que contou com 1.264 empresas expositoras, no Las Vegas Convention Center. A área de food service continua entre as tendências de mercado, assim como em 2014, com apresentação de alimentos frescos e linha saudável para a loja de conveniência. O uso de novas tecnologias também foi outro forte destaque, como meios de pagamento e de fidelização de clientes. Hank Armour, presidente e CEO da NACS , enfatizou, durante 54 • Combustíveis & Conveniência

a sessão geral do dia 13 de outubro, os benefícios que a NACs traz ao setor. “Temos trabalhado arduamente para desenvolver o setor, defender a revenda e trazer melhorias e crescimento a seus negócios”, disse. Segundo Armour, para ser bem-sucedido como empresário, é preciso estar antenado, saber o que está acontecendo em cada esquina ou em cada canto do mundo. “Não importa em que país você está, é possível aprender muito ao olhar para o que está acontecendo ao redor do mundo e é por isso que os visitantes de diversos países participam da NACS Show.” Armour mostrou aos participantes algumas ações desenvolvidas pela entidade norte-americana que visam ajudar os revendedores a melhorar sua oferta de serviços, bem como sua imagem. “A NACS vem espalhando a boa notícia sobre

nosso setor, por meio da expansão de parcerias e estreitamento de laços que temos com grupos reconhecidos e respeitados em todo o país, e para contar a história de nossa indústria para a mídia.” Como mais de 80% da gasolina nos Estados Unidos é comercializada em postos e lojas de conveniência, a NACS fundou o Instituto de Combustíveis há dois anos, para colocar na mesa de discussões o transporte de combustíveis. “O Instituto Combustíveis reuniu as diversas partes interessadas no setor de transporte de combustíveis, como varejistas, refinadores, produtores de etanol e gás natural, fabricantes de automóveis e até mesmo entidades de defesa dos consumidores, para criar uma base de pesquisa, identificando os maiores problemas logísticos para tentar resolvê-los.” De todas as iniciativas da NACS, de acordo com Armour,


Fotos: Revista Combustíveis & Conveniência

a que está no cerne da entidade são os interesses do setor varejista na esfera legislativa. Ele citou, no ano passado, a luta no Congresso para mostrar o impacto legal da regulamentação da rotulagem dos produtos, que se mostrava confusa e dispendiosa para o setor da revenda. Com a intervenção da NACS, o regulamento passou por revisão e o prazo para entrar em vigor foi adiado por um ano. Armour disse que há uma longa lista de outras questões legislativas que a NACS está envolvida, inclusive a revisão da norma de combustíveis renováveis, questões do salário mínimo, reforma da taxa de furto, entre outros temas.

Capitalismo consciente Já John Mackey, co-fundador e co-CEO da Whole Foods Market, declarou ser “um capitalista fanático”, relatando que a liberdade econômica e o empreendedorismo é que fazem dos Estados Unidos um grande país. Nos últimos 200 anos, segundo ele, o capitalismo permitiu que o mundo diminuísse a pobreza, a taxa de analfabetismo e aumentou a expectativa de vida das pessoas. Contribuiu para este cenário, a atuação de empresários como impulsionadores da economia. Porém, segundo as pesquisas dos institutos Gallup, Harris e Roper, as pessoas não confiam nas empresas. “Elas dizem que

os empresários são gananciosos, egoístas, pouco confiáveis, não se preocupam com o meio ambiente e têm muita influência sobre o governo”, disse Mackey. O executivo traçou importantes mudanças que vieram ao longo dos anos e elencou alguns destaques históricos: há 150 anos ainda havia escravidão; há 100 anos, as mulheres não tinham direito a voto; há 75 anos, a maior parte do mundo ainda estava em impérios coloniais; 55 anos atrás, o racismo e a segregação eram fortes e não havia nenhuma consciência ambiental; há 20 anos não havia iPhone, Google, Facebook ou Twitter. “Hoje, mais do que nunca antes na história, as pessoas estão conectadas, informadas e instruídas, em grande parte, devido à ascensão do capitalismo.” As pessoas, hoje, são também mais conscientes, salientou Mackey, alegando que estão mais despertas, há senso de certo e errado, rejeitam a violência, há maior consciência ambiental e há as que apresentam maior compromisso com a verdade. Tudo se move em uma direção positiva. “Para serem bem-sucedidas, no futuro, as empresas terão de atuar de forma mais consciente”, disse, mencionando que esta conduta é conhecida como capitalismo consciente. Os quatro princípios do capitalismo consciente, ele explicou,

são: um propósito mais elevado, integração das partes envolvidas com o empreendimento, liderança consciente e cultura consciente. “Todas as profissões têm um propósito mais elevado que se relaciona com o bem das pessoas”, comentou. Mas não se pode ter um negócio consciente sem que a gestão siga essa mesma linha, e esta é uma revolução que começa pelo líder da empresa. Mackey compartilhou as qualidades de um líder ideal, que incluem integridade, ter boas condutas, ser emocionalmente inteligente, espiritualmente evoluído, amoroso e cuidadoso. Uma cultura empresarial consciente é o batimento cardíaco de uma organização, “é o ativo mais valioso que uma empresa tem.” Segundo ele, as características desta cultura abrangem confiança, responsabilidade, cuidado, transparência, integridade, lealdade e igualitarismo. Em muitas empresas não há muito espaço para o amor, segundo Mackey. Ele sugeriu que as empresas tenham mais proximidade uns com os outros. A empresa não é só um local de trabalho, deve-se promover um ambiente e um espaço de empatia e amor. “É importante ganhar dinheiro, mas o seu negócio não é um jogo, uma máquina, equação matemática ou uma guerra”, disse. “O negócio envolve vidas de pessoas reais.” Combustíveis & Conveniência • 55


44 CONVENIÊNCIA

Feira atraiu revendedores de 73 países, que foram em busca de tendências e ideias para o negócio de combustíveis e de conveniência

A importância da cultura “Quem você quer ser quando crescer?” Essa é uma pergunta que qualquer empresário deve-se fazer ao definir a cultura da empresa, disse Jon Wolske, que possui um cargo chamado evangelizador da cultura da Zappos, bem-sucedida loja online de sapatos com sede em Las Vegas. Em sua palestra, Wolske informou que a cultura de uma empresa é uma mistura de atitude, sentimentos, valores e comportamentos que caracterizam um grupo empresarial e seus membros. “A marca tem que ter um sentimento para você e seus clientes”, disse ele. Esse sentimento precisa vir do proprietário para disseminar entre seus funcionários e clientes, que anseiam em voltar ao seu estabelecimento. As empresas com culturasfortescrescem,têmmelhores retornos sobre os investimentos e aumentam seu lucro líquido. “Ela [cultura] também conduz a produtividade dos funcionários, o atendimento ao cliente, a qualidade e a força da marca”, disse Wolske.

Distribuidoras na NACS a Ipiranga, a maior delegação Mais um ano em que a Ipiranga comparece à NACS com a maior delegação brasileira 56 • Combustíveis & Conveniência

dentre as distribuidoras, com mais de 1000 revendedores. No ano passado, a empresa levou ao evento mais de 900. Desde 2009, mais de 5.100 revendedores da bandeira Ipiranga estiveram na tradicional feira norte-americana. “A Ipiranga foi pioneira em levar para a feira uma delegação estruturada, bem organizada, com visitas guiadas e acompanhamento em tempo integral aos seus participantes”, disse Francisco Lucio Mandarino, gerente da Divisão de Marketing da Ipiranga. Para Mandarino, a feira é um atrativo ao revendedor porque apresenta tendências e oportunidades para a monetização do negócio de combustíveis e conveniência e, portanto, se torna interessante como forma de ampliar a visão sobre como gerir e ampliar receitas. Além disso, a NACS também permite intensa troca de experiências e possibilidade de relacionamento, o que só tende a fortalecer a qualidade dos produtos e serviços oferecidos pela Ipiranga. Como pontos de destaque da NACS Show 2015, a Ipiranga destacou entre as palestras que foram abordadas as novas ferramentas promocionais e de tecnologia de gestão de informação e de relacionamento com o consumidor, juntamente com o

food service, que permanece como tendência do mercado de conveniência. Como estratégia de negócios, além de dar amplo espaço à conveniência, a Ipiranga tem investido na diversificação de serviços. “Nossa estratégia de negócio é representada pelo conceito de ‘Lugar completo’. Buscamos oferecer uma série de produtos e serviços agregados aos postos, visando maior rentabilidade para a rede. Ainda que o combustível seja a atividade principal, além das lojas de conveniência, que já somam mais de 1.730 unidades, temos as padarias am/pm, com 390 unidades no Brasil; a linha de cartões Ipiranga; o serviço de recarga de celular e outros que vão além da rede física, como o programa de fidelidade Km de Vantagens, entre outras iniciativas que agregam ao posto e entregam muito além do combustível.”

a Participação da BR Pela BR Distribuidora participaram 225 entre revendedores, franqueados, parceiros e equipe da Petrobras Distribuidora. Em 2014, foram 250. Segundo Thomaz Lucchini Coutinho, diretor da Rede de Postos de Serviço da Petrobras Distribuidora, a NACS Show é o maior evento do segmento de postos de serviço e lojas de conveniência, que contempla a mais ampla e completa feira de produtos e serviços para o setor, visitado por mais de 20 mil pessoas de todo o mundo. “Certamente, a feira aprimora o conhecimento dos revendedores e franqueados e os ajuda na operação de seus negócios”, comentou. Entre as tendências apresentadas, Coutinho destacou a maior participação de alimentos


mais saudáveis, portabilidade das embalagens e muitas opções de equipamentos, como o autoatendimento touch. Com relação à tecnologia, as sessões educacionais se dividiram em três grandes blocos: fidelidade, meios de pagamento e inteligência do negócio. Nos debates sobre fidelização de clientes, o diretor da BR comentou que os aspectos abordados foram desde a construção e tipos de programa de fidelidade em si até as tendências tecnológicas mais modernas como mobile e aplicações NFC (Near Field Communication - comunicação sem fio, por aproximação). Também foram proferidas palestras dedicadas às técnicas de inteligência do negócio, abordando de que maneira os dados provenientes de programas de fidelidade, redes sociais, ambientes móveis e transacionais podem ser estruturados e bem trabalhados para servir como uma ferramenta de tomada de decisão para alavancar a rentabilidade dos negócios. O food service é um dos segmentos no varejo que mais tem crescido em todo o mundo e também no Brasil. A vida agitada e a falta de tempo fazem com que os consumidores busquem cada vez mais soluções práticas e rápidas para se alimentar. Em paralelo, as pessoas estão também mais conscientes e preocupadas com a alimentação saudável, em consumir produtos feitos a partir de ingredientes frescos e selecionados. “Considerando-se essa tendência, estamos investindo continuamente para que a rede BR Mania possa suprir bem essa demanda. Atualmente, oferecemos mais de 150 produtos de food service de marca própria, entre salgados,

doces, refeições, inclusive saladas e sanduíches para serem montados na hora. As lojas contam também com o BR Mania Café e a BR Mania Padaria, oferecendo diversos itens de panificação, incluindo pães integrais e artesanais. Nossa preocupação é atender às atuais demandas dos consumidores com produtos mais saudáveis, sem perder o sabor e a praticidade”, relatou Coutinho. A presença de uma solução superior de cafeteria, com o incremento do cardápio de bebidas e a oferta de diferentes tipos de cafés, também foi observada como um movimento muito forte na última NACS pela BR. De forma geral, as promoções e as ferramentas de fidelização aparecem como importantes instrumentos para conquistar e reter clientes, oferecendo benefícios que vão além da prestação de um bom serviço. “Uma questão comum observada é a necessidade de atração de clientes da pista para a loja, representando uma grande oportunidade para revendedores norte-americanos e brasileiros.”

a Ale e Raízen: sem revendedores Mesmo sem levar revendedores à NACS, a Raízen enviou representantes a Las Vegas para

acompanharem as tendências do setor de conveniência. Gabriela Fernandes, gerente de Marketing das lojas Shell Select, disse que a estratégia da Raízen para lojas de conveniência está alinhada com o que foi apresentado na feira deste ano. “Daremos muito foco na execução, rentabilidade da loja, gestão operacional e de categorias”. Segundo Gabriela, algumas palestras serão replicadas para a rede de revendedores Select pelo time de campo nas visitas programadas. Ela destacou dentre os painéis que chamaram sua atenção a utilização do mobile payments, como soluções de automação de lojas, programas de fidelidade, entre outros. Assim como o crescimento de marcas próprias dentro das redes de conveniência. Também foram apresentadas as soluções de recursos humanos com foco na retenção e motivação de equipes das lojas. Neste ano, a Ale não levou revendedores à Las Vegas, porém enviou um consultor externo e dois profissionais. A ideia é replicar, para os revendedores da rede, as tendências do food service, capacitação de equipe, flexibilização das ofertas de produtos e modernização das lojas. n

Mais de 24 mil visitantes puderam conferir 62 palestras educacionais e quatro sessões gerais Combustíveis & Conveniência • 57


44 ATUAÇÃO SINDICAL Pernambuco

Licenciamento ambiental: iniciativa exemplar

58 • Combustíveis & Conveniência

Gabriela Vasconcelos

Os postos revendedores de combustíveis localizados em boa parte dos municípios pernambucanos passaram a ter, nesse segundo semestre de 2015, mais agilidade e menos burocracia na hora de obterem as suas licenças de operação. O cenário vivido hoje é fruto de trabalhos conjuntos entre o Sindicombustíveis-PE, a prefeitura de Recife - através das Secretarias do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Smas) e de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc) e a Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH), com o acompanhamento da ANP. Estadual - Os primeiros resultados foram estabelecidos pela CPRH, com a ampliação da validade da Licença de Operação. De acordo com a presidente da Agência, Simone Souza, as leis estadual e federal estabelecem que as licenças de operação podem ter prazo de validade mínimo de um ano e máximo de dez anos. “Diante disso, a CPRH emitiu uma instrução normativa ampliando o prazo até então em vigor em Pernambuco, que era de um ano para quatro anos”, informou. “A renovação anual acarretava em um grande trabalho para os empreendedores, bem como para a CPRH, que, a cada oito meses, iniciavam um novo processo. Então, se a lei permite dez anos e se o posto revendedor de combustíveis não é enquadrado como sendo de grande impacto, porque não estender esse prazo?”, explicou Simone. No entanto, engana-se o revendedor que pensa que, ao obter essa licença, se verá livre de fiscalizações e das obrigato-

Presidente do Sindicombustíveis-PE, Alfredo Pinheiro Ramos, entre o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, e o vice-prefeito, Luciano Siqueira

riedades ambientais. A CPRH continuará com a atribuição de, se houver algum dano ambiental, suspender ou até cancelar a licença. “A ampliação da validade da licença não significa que por quatro anos o posto não será fiscalizado. Ele vai ser fiscalizado e daí pode vir todo o processo de penalidade”, alertou. Pernambuco possui 185 municípios, sendo que a Agência responde pela concessão de licenças em 170 deles. Os 15 restantes são de responsabilidade das secretarias de Meio Ambiente que, através de convênios de cooperação com a CPRH, se encarregam da emissão das licenças. Recife - A capital pernambucana passou a ser o principal exemplo desse grupo com a tramitação de projeto de lei que institui procedimentos para licenciamento de postos de combustíveis em seu território. O prefeito Geraldo Júlio assinou, no dia 08 de outubro, o Projeto de Lei nº 23/2015 que altera os procedimentos para licenciamento,

construção e instalação de postos de combustíveis automotivos através da revisão da Lei Municipal nº 16.786/2002. O projeto de lei foi construído com base nos tópicos exaustivamente discutidos durante as reuniões do Sindicombustíveis-PE com os representantes da Smas e da Semoc ocorridas durante quase seis meses com o objetivo de encontrar soluções para simplificar o processo de legalização e instalação dos postos, reconhecendo as inovações incorporadas pelo setor e a demanda da cidade pelo disciplinamento dos postos existentes. “Paralelamente à tramitação do projeto de lei, o secretário de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga, publicou, no dia 13 de outubro, a Portaria nº 67 assegurando o funcionamento dos postos revendedores do Recife até que seja sancionada a nova lei”, explica o presidente do Sindicombustíveis-PE, Alfredo Pinheiro Ramos, que acompanhou, pessoalmente, todo o processo.


A Portaria entrou em vigor na data de sua publicação, salvaguardando os postos de Recife quanto à Resolução 41 da ANP, de 05 de novembro de 2013. Com a secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Recife, Cida Pedrosa, foi construído uma alternativa que teve a participação do Sindicombustível-PE, Secretaria de Mobilidade do Recife e ANP. Foi assinado um Termo de Compromisso e contratado um seguro ambiental. Além disso,

foi feito um mapeamento de todos os postos de Recife que permitiu a concessão de licenças com prazo de um a cinco anos de acordo com a classificação técnica recebida. Os postos que atendem a todos os requisitos da Lei conseguiram licenças de cinco anos. Com essa iniciativa, dos 209 postos em funcionamento em Recife, 151 tiveram as suas licenças deferidas. “A diretoria do Sindicombustíveis-PE, junto ao seu corpo jurídico, coordenado

pelo advogado Luiz Ricardo de Castro Guerra, está buscando ampliar essas conquistas para os demais municípios que possuem suas secretarias ambientais”, disse o presidente do Sindicombustíveis-PE. “Nesse sentido, já vem promovendo encontros com os seus representantes, à exemplo do ocorrido em Petrolina, cidade do sertão pernambucano de grande relevância econômica e social para o nosso estado”, concluiu. (Gabriela Vasconcelos)

Bahia

Sindicato solicita revisão das penalidades Sindicombustiveis Bahia

No dia 1º de outubro, diretores do Sindicombustíveis Bahia e revendedores reuniram-se com a diretoria do Ibametro para fazer uma visita de cortesia ao novo diretor geral, Randerson Leal, e solicitar que o órgão regulador reveja as penalizações praticadas contra a revenda, pois os autos de infração estão desproporcionais com as irregularidades cometidas, como multa de R$ 12 mil por uma lâmpada queimada no display da bomba. “As generalizações das penalidades preocupam a categoria, principalmente porque hoje há queda nas vendas dos combustíveis e os valores dos autos de infração têm pesado muito nos custos dos postos, sendo que muitas irregularidades não lesam diretamente o consumidor ou agridem o meio ambiente”, ressaltou José Augusto Costa, presidente do Sindicombustíveis Bahia, que ainda explicou haver duplicidade nas multas e autuações. “Muitas vezes, o posto é multado pela ANP e pelo Ibametro na mesma irregularidade”, disse.

Reunião no Ibametro contou com a presença de diretores do Sindicombustíveis Bahia e revendedores que foram prestigiar o novo diretor da entidade, Randerson Leal

Leal, diretor do Ibametro, disse que o órgão busca atuar com transparência e que realiza um cronograma de fiscalização para não penalizar os empresários. Acrescentou, ainda, que a finalidade do órgão não é arrecadadora e, sim, a defesa intransigente do consumidor quanto à metrologia, à quantidade e à qualidade dos produtos. Já o diretor de regulação, Edson Sales, afirmou que o Ibametro poderá rever o valor das penalidades aplicadas desde que a irregularidade não tenha prejudicado o consumidor ou o meio

ambiente. “O Sindicombustíveis Bahia e o Ibametro possuem uma longa parceria. Sempre estivemos disponíveis para realizar palestras de esclarecimentos sobre as normas de metrologia e estamos abertos para dialogar sobre essa questão”, disse. O Sindicombustíveis Bahia ficou de enviar ao Ibametro um documento solicitando a criação de medidas reparadoras de conduta, dando prazo para a correção da irregularidade antes da aplicação da penalidade, quando o fato não gerar prejuízo direto ao consumidor. (Carla Eluan) Combustíveis & Conveniência • 59


44 ATUAÇÃO SINDICAL

Campanha de prevenção ao câncer de mama Sindicombustíveis Bahia

Postos de combustíveis de Salvador e do interior da Bahia aderiram à campanha de prevenção contra o câncer de mama

Em apoio ao movimento “Outubro Rosa”, o Sindicombustíveis Bahia, através do Projeto Posto Solidário, realizou a campanha de conscientização sobre a importância da prevenção contra o câncer de mama e do diagnóstico precoce. A ação ocorreu nos postos de combustíveis de Salvador e de cidades do interior do estado com a entrega de folder informativo sobre o autoexame, distribuído pelos frentistas com laços cor de rosa no peito. O objetivo da iniciativa, segundo o presidente do sindicato, José Augusto Costa, é chamar a atenção dos funcionários, dos clientes e da sociedade para a importância da prevenção contra a doença: “O câncer de mama é o que mais acomete mulheres em todo o mundo e um dos que mais matam no Brasil. Por isso, apoiamos a campanha para alertar sobre a importância do autoexame. Nenhuma mulher está livre do risco.” (AC Comunicação) 60 • Combustíveis & Conveniência


TABELAS 33 em R$/L

Período

São Paulo

Goiás

Período

São Paulo

Goiás

14/09/2015 - 18/09/2015

1,413

1,359

14/09/2015 - 18/09/2015

1,299

1,143

21/09/2015 - 25/09/2015

1,431

N/D

21/09/2015 - 25/09/2015

1,300

1,140

28/09/2015 - 02/10/2015

1,577

1,446

28/09/2015 - 02/10/2015

1,460

1,260

05/10/2015 - 09/10/2015

1,701

1,620

05/10/2015 - 09/10/2015

1,521

1,336

12/10/2015 - 16/10/2015

1,720

N/D

12/10/2015 - 16/10/2015

1,529

1,331

Setembro/2014

1,362

1,298

Setembro/2014

1,201

1,062

Setembro/2015

1,427

1,368

Setembro/2015

1,301

1,129

Variação 14/09/2015 16/10/2015

21,7%

N/D

Variação 14/09/2015 16/10/2015

17,7%

16,4%

Variação Setembro/2014 - Setembro/2015

4,7%

5,4%

Variação Setembro/2014 - Setembro/2015

8,4%

6,3%

HIDRATADO

ANIDRO

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL (Centro-Sul)

Fonte: CEPEA/Esalq Nota: Preços sem impostos

Fonte: CEPEA/Esalq Nota: Preços sem impostos

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL (Pernambuco) Período

Anidro

Hidratado

14/09/2015 - 18/09/2015

N/D

1,322

em R$/L

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL ANIDRO (em R$/L)

EVOLUÇÃO DE PREÇOS DO ETANOL ANIDRO

Em R$/L

-1,8%

ju l/1 5 ag o/ 15 se t/1 5

5

15

ju n/

n/ 15 ju l/1 5 ag o/ 15 se t/1 5

5

5

5

ai /1

r/1

ju

m

ab

m

v/

fe

ja

Variação Setembro/2014 Setembro/2015

16,5%

15

EVOLUÇÃO DE PREÇOS DO ETANOL HIDRATADO

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS Em R$/L DO 1,6 ETANOL HIDRATADO (em R$/L) 1,5

N/D

ar /1

15

1,2

Variação 14/09/2015 16/10/2015

EVOLUÇÃO DE PREÇOS DO ETANOL HIDRATADO

Em R$/L

1,4 1,6 1,3 1,5 1,2 1,4 1,1 1,3

5

15

t/1 5 t/1

o/ 15

se

ag o/

se

5 l/1

ag

ju

15

ju

m

n/

/1

5

m

Goiás

ai

5

/1 5

ab

r/1

m

15

m

ai /1 5 ju n/ 15 ju l/1 5

5

5

ab r/1

/1

15

ar

v/ fe

n/ 15

Goiás

Alagoas

v/

São Paulo

ja

0,9

ar

5

Alagoas

ja

1,0

São Paulo n/ 1

1,0 1,2

fe

-0,9%

0,9 1,1

Fonte: CEPEA/Esalq Nota: Preços sem impostos

5

1,351

/1

1,543

ai

Setembro/2015

1,3

m

1,364

5

1,571

1,5 1,2 1,4

/1

Setembro/2014

1,6 1,3

/1

1,541

Alagoas

ab r

1,825

Goiás

15

12/10/2015 - 16/10/2015

São Paulo

ar

1,490

1,9 1,6 1,8 1,5 1,7 1,4

m

1,754

1,7

15

05/10/2015 - 09/10/2015

1,416

v/

1,651

1,8 Em R$/L

n/

28/09/2015 - 02/10/2015

São Paulo EVOLUÇÃO Goiás DE PREÇOS DOAlagoas ETANOL ANIDRO

1,9

fe

1,344

ja

1,539

n/

21/09/2015 - 25/09/2015

Combustíveis & Conveniência • 61


44 TABELAS em R$/L - Setembro 2015

Comparativo das margens e preços dos combustíveis Distribuição

Gasolina BR Ipiranga Raízen

Preço de Custo 1

Preço de Venda

Margem (R$/L)

Margem (%)

Preço de Compra

Preço de Venda

Margem (R$/L)

Margem (%)

Com bandeira

2,722

2,891

0,169

5,8%

2,891

3,383

0,492

14,5%

Sem bandeira

2,747

2,878

0,131

4,6%

2,878

3,330

0,452

13,6%

Com bandeira

2,677

2,857

0,180

6,3%

2,857

3,275

0,418

12,8%

Sem bandeira

2,740

2,877

0,137

4,8%

2,877

3,375

0,498

14,8%

Com bandeira

2,709

2,889

0,180

6,2%

2,889

3,320

0,431

13,0%

Sem bandeira

2,662

2,829

0,167

5,9%

2,829

3,129

0,300

9,6%

Com bandeira

2,693

2,827

0,134

4,7%

2,827

3,268

0,441

13,5%

2,753

2,767

0,014

0,5%

2,767

3,251

0,484

14,9%

Com bandeira

2,705

2,879

0,174

6,0%

2,879

3,330

0,451

13,5%

Sem bandeira

2,746

2,792

0,046

1,6%

2,792

3,262

0,470

14,4%

2,713

2,861

0,148

5,2%

2,861

3,316

0,455

13,7%

Outras distribuidoras Sem bandeira

Resumo Brasil

Revenda

Resumo Brasil

Distribuição

Diesel S500 BR Ipiranga Raízen

Preço de Custo 1

Preço de Venda

Margem (R$/L)

Margem (%)

Preço de Compra

Preço de Venda

Margem (R$/L)

Margem (%)

Com bandeira

2,390

2,497

0,107

4,3%

2,497

2,811

0,314

11,2%

Sem bandeira

2,351

2,452

0,101

4,1%

2,452

2,699

0,247

9,2%

Com bandeira

2,352

2,472

0,120

4,9%

2,472

2,791

0,319

11,4%

Sem bandeira

2,375

2,480

0,105

4,2%

2,480

2,783

0,303

10,9%

Com bandeira

2,374

2,504

0,130

5,2%

2,504

2,797

0,293

10,5%

Sem bandeira

2,351

2,425

0,074

3,1%

2,425

2,687

0,262

9,8%

Com bandeira

2,351

2,503

0,152

6,1%

2,503

2,779

0,276

9,9%

2,395

2,398

0,003

0,1%

2,398

2,695

0,297

11,0%

Com bandeira

2,376

2,495

0,119

4,8%

2,495

2,802

0,307

11,0%

Sem bandeira

2,389

2,408

0,019

0,8%

2,408

2,700

0,292

10,8%

2,381

2,466

0,085

3,4%

2,466

2,768

0,302

10,9%

Outras distribuidoras Sem bandeira

Resumo Brasil

Revenda

Resumo Brasil

Distribuição

Diesel S10 BR Ipiranga

Revenda

Preço de Custo 1

Preço de Venda

Margem (R$/L)

Margem (%)

Preço de Compra

Preço de Venda

Margem (R$/L)

Margem (%)

Com bandeira

2,479

2,601

0,122

4,7%

2,601

2,956

0,355

12,0%

Sem bandeira

2,490

2,572

0,082

3,2%

2,572

2,885

0,313

10,8%

Com bandeira

2,459

2,629

0,170

6,5%

2,629

2,952

0,323

10,9%

Sem bandeira

2,489

2,595

0,106

4,1%

2,595

2,884

0,289

10,0%

Com bandeira

2,482

2,644

0,162

6,1%

2,644

2,954

0,310

10,5%

Sem bandeira

2,445

2,568

0,123

4,8%

2,568

2,859

0,291

10,2%

Com bandeira Outras distribuidoras Sem bandeira

2,482

2,594

0,112

4,3%

2,594

2,927

0,333

11,4%

2,457

2,479

0,022

0,9%

2,479

2,792

0,313

11,2%

Com bandeira

2,475

2,623

0,148

5,6%

2,623

2,953

0,330

11,2%

Sem bandeira

2,466

2,515

0,049

1,9%

2,515

2,824

0,309

10,9%

2,474

2,611

0,137

5,2%

2,611

2,939

0,328

11,2%

Raízen

Resumo Brasil

Resumo Brasil

A pesquisa abrange as capitais dos Estados da BA, MG, PA, PE, PR, RJ, RS, SP e o DF com relação à gasolina. Os dados do S500 não consideram as capitais do PA e PE. O fator de ponderação para cálculo de margem e preço médio é o nº de postos consultados pela ANP. (1): Calculado pela Fecombustíveis, a partir dos Atos Cotepe 16/15 e 17/15

62 • Combustíveis & Conveniência


TABELAS 33

FORMAÇÃO DE PREÇOS

em R$/L

Ato Cotepe n° 20, de 08/10/2015 - DOU de 09/10/2015 - Vigência a partir de 16 de outubro de 2015.

Gasolina

UF AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MT MS MG PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO

UF

73% Gasolina A

27% Etanol Anidro (1)

Diesel S500

(2)

1,233 0,487 0,073 1,115 0,417 0,073 1,143 0,482 0,073 1,147 0,480 0,073 1,088 0,424 0,073 1,147 0,424 0,073 1,151 0,467 0,073 1,207 0,475 0,073 1,150 0,465 0,073 1,097 0,428 0,073 1,185 0,486 0,073 1,165 0,470 0,073 1,151 0,467 0,073 1,128 0,476 0,073 1,123 0,420 0,073 1,097 0,420 0,073 1,114 0,425 0,073 1,128 0,469 0,073 1,109 0,467 0,073 1,086 0,420 0,073 1,177 0,486 0,073 1,168 0,488 0,073 1,098 0,491 0,073 1,176 0,473 0,073 1,156 0,420 0,073 1,129 0,465 0,073 1,145 0,467 0,073 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (4)

93% Diesel

7% Biocombustível (5)

AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MT MS MG PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO

73% CIDE

93% CIDE (2)

1,748 0,167 0,047 1,579 0,178 0,047 1,634 0,167 0,047 1,639 0,167 0,047 1,543 0,178 0,047 1,602 0,178 0,047 1,704 0,160 0,047 1,683 0,165 0,047 1,706 0,160 0,047 1,577 0,178 0,047 1,751 0,160 0,047 1,686 0,160 0,047 1,644 0,165 0,047 1,612 0,167 0,047 1,584 0,178 0,047 1,567 0,178 0,047 1,598 0,178 0,047 1,649 0,156 0,047 1,620 0,165 0,047 1,513 0,178 0,047 1,677 0,167 0,047 1,665 0,167 0,047 1,564 0,156 0,047 1,709 0,156 0,047 1,631 0,178 0,047 1,640 0,165 0,047 1,638 0,167 0,047 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (4)

73% PIS/ COFINS (2) 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279 0,279

93% PIS/ COFINS (2) 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231 0,231

Carga ICMS 1,005 0,932 0,898 0,863 0,972 0,959 0,921 0,932 1,026 0,884 0,866 0,842 1,040 0,989 0,865 0,929 0,818 1,009 1,086 0,952 0,924 0,915 0,899 0,863 0,944 0,783 0,910 2,863

Carga ICMS 0,592 0,488 0,497 0,539 0,528 0,510 0,369 0,336 0,445 0,474 0,531 0,354 0,443 0,516 0,468 0,472 0,488 0,336 0,365 0,491 0,541 0,539 0,300 0,346 0,504 0,328 0,435 2,485

Custo da Distribuição

Alíquota ICMS

Preço de Pauta (3)

3,076 2,815 2,875 2,842 2,835 2,881 2,891 2,966 2,993 2,761 2,888 2,829 3,010 2,945 2,759 2,798 2,708 2,957 3,014 2,809 2,938 2,923 2,839 2,862 2,872 2,729 2,874

25% 27% 25% 25% 28% 27% 25% 27% 29% 27% 25% 25% 29% 28% 27% 27% 25% 29% 31% 27% 25% 25% 25% 25% 27% 25% 25%

4,020 3,450 3,593 3,453 3,470 3,550 3,682 3,452 3,540 3,275 3,462 3,369 3,586 3,532 3,203 3,442 3,270 3,480 3,502 3,527 3,696 3,660 3,595 3,450 3,498 3,133 3,640

Custo da distribuição

Alíquota ICMS

Preço de Pauta (3)

2,785 2,522 2,575 2,622 2,527 2,567 2,510 2,461 2,588 2,507 2,719 2,476 2,530 2,573 2,507 2,494 2,542 2,417 2,427 2,459 2,663 2,648 2,297 2,488 2,590 2,410 2,518

17% 17% 17% 17% 17% 17% 12% 12% 15% 17% 17% 12% 15% 17% 17% 17% 17% 12% 13% 17% 17% 17% 12% 12% 17% 12% 15%

3,482 2,870 2,923 3,170 3,108 3,000 3,076 2,799 2,967 2,789 3,126 2,949 2,955 3,037 2,756 2,775 2,869 2,797 2,804 2,887 3,184 3,170 2,498 2,880 2,964 2,732 2,900

Combustíveis & Conveniência • 63


44 TABELAS

Formação de Preços

em R$/L

A revista Combustíveis & Conveniência divulga a formação do custo do diesel S10 em função do crescente aumento de sua participação no volume total de óleo diesel comercializado no país. Também está disponível para consulta o resumo das normas relacionadas à composição e tributação dos combustíveis líquidos publicadas ao longo do ano. UF

93% Diesel

7% Biocombustível

93% CIDE (2)

Diesel S10

(5)

93% PIS/ COFINS (2)

Carga ICMS

Custo da Distribuição

Alíquota ICMS

Preço de Pauta (3)

AM

1,701

0,167

0,047

0,231

0,516

2,662

17%

3,037

BA

1,628

0,178

0,047

0,231

0,528

2,612

17%

3,108

CE

1,665

0,178

0,047

0,231

0,519

2,638

17%

3,050

ES

1,728

0,165

0,047

0,231

0,336

2,506

12%

2,799

MA

1,634

0,178

0,047

0,231

0,490

2,580

17%

2,884

MG

1,687

0,165

0,047

0,231

0,466

2,595

15%

3,105

PA

1,670

0,167

0,047

0,231

0,525

2,639

17%

3,090

PE

1,593

0,178

0,047

0,231

0,484

2,532

17%

2,848

PR

1,701

0,156

0,047

0,231

0,353

2,487

12%

2,940

RJ

1,689

0,165

0,047

0,231

0,389

2,520

13%

2,996

RS

1,654

0,156

0,047

0,231

0,300

2,387

12%

2,498

SC

1,762

0,156

0,047

0,231

0,359

2,554

12%

2,990

SP

1,730

0,165

0,047

0,231

0,347

2,519

12%

2,891

CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL

2,520

(4)

Nota (1): Corresponde ao preço da usina com acréscimo do frete. Nota (2): Decreto 8.395,de 28/01/2015 Nota (3): Base de cálculo do ICMS Nota (4): Média ponderada considerando o volume comercializado no primeiro semestre de 2015. Nota (5): Corresponde ao preço do leilão com acréscimo do frete.

Norma

Produção de efeitos

Resumo

Medida Provisória 34, de 12/06/2015

14/01/15

Altera a alíquota de ICMS do diesel em Tocantins (13,5% para 15%)

Decreto 8.395, de 28/01/2015

01/02/15

Altera o PIS/COFINS e a CIDE da gasolina e do diesel

Portaria MAPA 75, de 05/03/2015

16/03/15

Altera o percentual de etanol anidro à gasolina (25% para 27%)

Lei 21.527, de 16/12/2014

17/03/15

Altera as alíquotas de ICMS da gasolina (27% para 29%) e do etanol (19% para 14%) em Minas Gerais

Lei 13.207, de 22/12/2014

23/03/15

Altera a alíquota de ICMS da gasolina na Bahia (27% para 30%)

Lei 18.371, de 15/12/2014

01/04/15

Altera a alíquota de ICMS da gasolina no Paraná (28% para 29%)

Lei 13.137, de 19/06/2015

01/05/15

Altera a alíquota de Pis/Cofins incidente na importação de etanol

Lei 4.688, de 26/06/2015

01/07/15

Altera a alíquota de ICMS do diesel no Mato Grosso do Sul (17% para 12%)

Lei 19.021, de 30/09/2015

01/01/16

Altera alíquota de ICMS da gasolina em Goiás (29% para 30%)

64 • Combustíveis & Conveniência


TABELAS 33

preços dAs DISTRIBUIDORAS Menor

Belém (PA) Gasolina Diesel Etanol

Macapá (AP) Gasolina Diesel Etanol

BR 2,966 2,590 N/D

Manaus (AM) Gasolina Diesel Etanol

Cuiabá (MT)

3,071 2,800 2,573

2,928 2,714 N/D

2,991 2,839 N/D

3,017 2,719 2,465

Menor

Maior

Equador 2,905 3,195 2,615 2,684 2,210 2,450

2,986 2,674 N/D

2,967 2,642 2,259

BR

3,111 2,792 N/D

Equador 3,252 3,252 2,785 2,785 N/D N/D

2,920 2,820 1,600

2,873 2,728 1,537

2,876 2,675 1,951

Taurus 2,720 2,862 2,530 2,653 1,730 1,949

2,703 2,581 1,795

2,872 2,707 1,940

3,016 2,683 1,891

2,845 2,677 1,721

Raízen 2,980 2,705 1,833

2,928 2,516 1,910

2,829 2,451 1,579

Raízen 2,919 2,528 1,962

2,781 2,507 2,029

2,831 2,590 2,075

Raízen 2,941 2,614 2,260

2,924 2,386 2,200

2,831 2,459 N/D

Raízen 2,831 2,459 N/D

Alesat 2,960 2,963 2,628 2,651 1,663 1,749

Gasolina Diesel Etanol

2,765 2,383 1,559

Gasolina Diesel Etanol

2,781 2,580 2,044

Gasolina Diesel Etanol

2,817 2,347 2,061

BR

IPP 2,937 2,431 1,893

2,780 2,412 1,673

2,930 2,580 2,249

2,769 2,500 2,029

2,938 2,349 2,204

2,745 2,371 2,044

IPP

BR

IPP

2,963 2,821 1,737 IPP

BR 2,949 2,642 1,701

2,867 2,573 2,234

3,087 2,730 2,332

2,877 2,600 2,285

Raízen 2,979 2,719 2,316

3,027 2,576 2,268

Satélite 2,907 2,938 2,513 2,513 N/D N/D

2,880 2,679 N/D

Raízen 2,912 2,679 N/D

Gasolina Diesel Etanol

Dislub 2,821 2,849 2,500 2,532 2,099 2,195

Alesat 2,813 2,823 2,528 2,528 2,139 2,203

2,813 2,488 2,225

Total

Gasolina Diesel Etanol

2,770 2,485 2,125

Raízen 2,799 2,970 2,575 2,730 2,070 2,292

2,760 2,491 2,111

Gasolina Diesel Etanol

Alesat 2,800 2,938 2,506 2,520 2,320 2,320

Gasolina Diesel Etanol

2,819 2,618 2,181

Gasolina Diesel Etanol

2,750 2,385 1,860

Gasolina Diesel Etanol

2,900 2,394 2,273

2,825 2,474 2,197

BR

Gasolina Diesel Etanol

3,015 2,712 2,330

Gasolina Diesel Etanol

Raízen 2,950 3,006 2,817 2,890 1,637 1,699

BR

2,748 N/D N/D

2,871 2,593 2,224

3,312 2,933 2,575

2,754 2,537 1,763

2,745 N/D N/D

Gasolina Diesel Etanol

Raízen 2,988 3,164 2,728 2,845 2,200 2,410

Gasolina Diesel Etanol

Porto Alegre (RS)

3,111 2,792 N/D

Raízen 2,802 2,818 N/D N/D 2,291 2,291

2,762 2,603 2,112

Raízen 2,938 3,099 2,613 2,803 2,334 2,418

BR

Maior

2,826 2,626 2,195

Gasolina Diesel Etanol

Equador 2,920 2,950 2,600 2,620 N/D N/D

Menor

2,806 2,545 2,211

Raízen 2,949 3,066 2,834 2,839 2,442 2,699

N/D N/D N/D

Maior

Raízen 2,820 2,901 2,525 2,617 2,362 2,362

2,771 2,404 2,175

N/D N/D N/D

Menor

2,906 2,404 2,175

Gasolina Diesel Etanol

Equador 3,192 3,252 2,909 2,944 2,184 2,364

Idaza

Florianópolis (SC)

3,056 2,698 2,434 IPP

3,312 2,799 2,250

Campo Grande (MS)

2,986 2,674 N/D IPP

BR

3,094 2,776 2,021

2,965 2,798 N/D

Maior IPP

2,968 2,636 2,177

2,926 2,549 2,120

N/D

IPP 3,188 2,863 2,540

2,990 2,675 2,250

3,056 2,821 2,514

2,965 2,662 N/D

BR

2,942 2,635 2,424

N/D N/D N/D

BR

2,800 2,800 1,530

Curitiba (PR)

Menor Total

IPP

Gasolina Diesel Etanol

Goiânia (GO)

N/D N/D N/D

IPP

Rio Branco (AC)

Gasolina Diesel Etanol

2,975 2,636 N/D

2,999 2,700 2,293

Porto Velho (RO)

Gasolina Diesel Etanol

Maior N/D

BR

Boa Vista (RR) Gasolina Diesel Etanol

Menor

São Luiz (MA)

Palmas (TO) Gasolina Diesel Etanol

Maior

em R$/L - Setembro 2015

Teresina (PI)

BR

Fortaleza (CE)

Natal (RN)

BR

Recife (PE)

Maceió (AL)

2,809 2,550 2,185

BR 2,855 2,525 2,271 BR

IPP

2,970 2,583 2,269 BR

2,949 2,531 2,405

2,748 2,473 2,161

2,953 2,647 2,338

Raízen 2,900 2,971 N/D N/D 2,028 2,341

2,861 N/D 2,101

2,960 N/D 2,197

2,950 2,447 1,937

2,765 2,479 1,886

3,072 2,586 2,159

2,842 2,503 2,009

Raízen 3,039 2,591 2,250

2,911 2,397 2,485

2,864 2,454 2,327

2,972 2,508 2,439

2,894 2,524 2,366

Raízen 2,994 2,625 2,514

Gasolina Diesel Etanol

Raízen 2,965 3,192 2,414 2,564 2,045 2,426

2,972 2,411 2,118

3,237 2,610 2,334

2,958 2,400 1,910

Gasolina Diesel Etanol

2,903 2,535 1,674

2,980 2,675 1,851

Alesat 2,944 2,976 N/D N/D 1,758 1,758

2,932 2,557 1,765

2,980 2,591 1,789

Gasolina Diesel Etanol

2,500 2,358 1,528

2,811 2,507 1,803

2,589 2,350 1,520

2,852 2,514 1,907

2,605 2,411 1,523

Raízen 2,853 2,617 1,779

Gasolina Diesel Etanol

2,886 2,509 2,085

3,110 2,590 2,478

Raízen 2,882 3,100 2,521 2,611 2,156 2,454

2,774 2,491 2,080

Aracaju (SE)

Salvador (BA)

Vitória (ES)

BR

Total

BR

Belo Horizonte (MG)

BR

São Paulo (SP)

IPP

BR

IPP

BR

2,905 2,571 2,323 IPP

BR

IPP

Rio de Janeiro (RJ)

Brasília (DF)

2,821 2,519 2,221

2,973 2,670 2,211 IPP

IPP

BR

João Pessoa (PB)

BR

BR 3,170 2,537 2,320 IPP

IPP

3,106 2,569 2,469 Fonte: ANP

Foram consideradas as três distribuidoras com maior participação de mercado em cada capital, considerando os dados disponibilizados pela ANP. O diesel corresponde ao S500, com exceção de Belém, Fortaleza e Recife, que apresentam o preço do S10

Combustíveis & Conveniência • 65


44 CRÔNICA 4 Antônio Goidanich

O flagelado Agosto foi um mês de constante calor em Porto Alegre, fugindo inteiramente de sua característica de ser inclemente e marcar a divisão entre os que seguiriam vivendo nos pagos e os que iriam para outra dimensão. A primavera entrou. Esperavam-se flores e dias agradáveis de sol para tirar o mofo do inverno. Nada disso. Chuvas torrenciais com direito a tempestades de tipo tropical, ou mais propriamente caribenho. O rio Guaíba, ou lago dizem alguns, subiu até quase 1.941 metros quando da enchente histórica e famosa nesta capital. A ilha do clube está interditada face a que a ponte de acesso permanece submersa a quase duas semanas. A turma do tênis vibra quando aparece um pouco de sol, ou a drenagem das canchas consegue dar condições de jogo. - Os primeiros a chegar têm direito a um set na cancha já preparada. Os outros esperam. - Gringo, esse esverdeado que tens nas costas? O que é? - Acho que escamas. Sou uma espécie de mutante. Já estava criando nadadeiras. E pele de palmípede nos dedos dos pés. - Para viver por aqui, só assim mesmo. A casa do Sinistro, no Espírito Santo (bairro ribeirinho da

66 • Combustíveis & Conveniência

zona sul de Porto Alegre), está debaixo d’água. Ele teve que tirar os carros da garagem e levar até a rua. Os carros estavam boiando e batendo uns no outros. - Por que boiando? Aquele carro japonês metido à besta que ele tem? Pelo que custou teria de ser anfíbio, entre outras coisas. - Não. É o BMW, acho que entregou os doces. O Renato fez o seguro dele e já está se queixando do prejuízo. - Como compensação podemos ter certeza. Ele não vem jogar e é um rançoso a menos. Já é chato normalmente. Deve estar insuportável. - Bah. Falando no diabo... olha ele ali. O companheiro recém-chegado, com cara de poucos amigos, ingressa na cancha direto. Sem respeitar as regras não escritas de preferência que regem as relações entre tenistas no caso de contingências. - Que gordinho metido à besta. Quer levar na marra. Para surpresa geral, o Doutor, o mais exigente em relação às tais regras, de forma irônica, diz: - Deixa. Pode ficar no meu lugar. Eu não gostaria mesmo de jogar com um flagelado.