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2 O Jornal de HOJE

Sábado e Domingo

Natal, 14 e 15 de abril de 2012

Maria do Perpétuo ENTREVISTA SECRETÁRIA DE SAÚDE DE NATAL

“A Zona Norte é prioridade” Márlio Forte

Prestes a completar um ano à frente da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a médica Maria do Perpétuo Socorro Nogueira tem dedicado boa parte do tempo, que é sempre corrido, a agilizar os serviços prestados à população, solucionando problemas recorrentes, como atender ne bem todas as demandas de uma cidade que cresce na velocidade da luz. Hoje, contemplando as ações desenvolvidas na administração Micarla de Sousa, Perpétuo não tem dúvida: muito já foi feito e muito mais ainda será.

“Quando assumi a secretaria, um dos grandes desafios era justamente o abastecimento de medicamentos e insumos nas unidades do município. Felizmente, conseguimos minimizar essa questão com a adesão à ata de registro de preços. Hoje, já conseguimos concluir um pregão licitatório para a aquisição de mais de 500 itens para abastecer todas as unidades durante 12 meses. Desde o segundo semestre de 2011 não temos mais problemas de abastecimento - e o que existe são faltas pontuais...”

JORNAL DE HOJE - Nesse primeiro ano à frente da Secretaria Municipal de Saúde o que a senhora destacaria como sucessos alcançados? Eu destacaria a abertura de serviços das maternidades. Até 2010 não se fazia cesarianas nas unidades de saúde do município de Natal. Elas eram realizadas em hospitais do estado - como o Santa Catarina, a Maternidade Januário Cico e o Hospital da Polícia. Foi nesta gestão que reabrimos o centro cirúrgico da Maternidade das Quintas e o Centro Cirúrgico da Maternidade Leide Morais. Juntas, Quintas, Felipe Camarão e Leide de Morais realizam em torno de 500 partos por mês, incluindo partos normais e cesáreas. São cesáreas de baixo risco e já totalizam 40% dos partos. É um serviço oferecido pela Prefeitura de Natal, mas que beneficia outras cidades do estado. JH - Faltam leitos para as parturientes? Em Quintas e Maternidade Dr. Leide Morais os leitos estão permanentemente ocupados e se há alguma folga ela está em Felipe Camarão, mesmo assim pouca. Já aderimos à Rede Cegonha, que é um programa do Ministério da Saúde para a redução da mortalidade maternoinfantil, junto com municípios da região metropolitana como Parnamirim, Extremoz, São Gonçalo do Amarante e Macaíba. Num primeiro momento será ampliado o número de leitos de UTI pré-natal. Esse processo terá início pela Maternidade Leide Moraes, com a ampliação de leitos para pacientes de médio risco. JH - Há outra vitória que a senhora contabiliza? Outro êxito foi o preenchimento de todas as escalas médicas nos Pronto Atendimento da cidade: Cidade Satélite, Mãe Luiza, Hospital dos Pescadores e Pronto atendimento Sandra Celeste, que hoje é referencia no atendimento a criança. Some-se a isso a reabertura do Pronto Atendimento Odontológico Morton Mariz e,também nesta gestão, foi criado o serviço de Atenção especializada ao portador de DST/AIDS, que hoje atende aproximadamente 150 usuários, desafogando o Hospital Giselda Trigueiro. Antigamente, saia muito na mídia problemas em relação a isso no Hospital dos Pescadores, onde havia muitas faltas de médicos nos plantões. Isso é passado. Hoje, o Hospital dos Pescadores dá um grande suporte ao Hospital Walfredo Gurgel e para as UPAs do ponto de vista de internação, especialmente junto à população de idosos. É hoje um hospital totalmente climatizado e seus leitos estão sempre ocupados. Eu diria que antes o Hospital dos Pescadores não tinha a cara de hospital que tem hoje, parecia mais uma grande unidade ambulatorial. Hoje, o HP pode atuar na estabilização de um paciente mais grave enquanto ele espera a remoção para uma unidade de alta complexidade. Como se sabe, todas as unidades do município são voltadas para a baixa e médica complexidade. Temos no Hospital dos Pescadores sala de estabilização, raios x e um médico de plantão exclusivamente para fazer a estabilização de pacientes. JH - Houve aumento real na de-

manda de pessoas que buscam a rede municipal de Saúde em Natal? Um recente levantamento que fizemos em algumas unidades do município revelou aumento no atendimento da ordem de 30% em relação ao ano passado. JH - Esse crescimento teve um impacto maior em algumas das regiões da cidade? O impacto maior recaiu sobre os Distritos Norte I e o Norte II, divididos em dois pela sua grandiosidade - daí a necessidade de reforçar nossa atenção nessa área, já que ali estão as maiores carências de profissionais e serviços. Trata-se do oposto da região Oeste, por exemplo, que é bem servida de serviços de saúde não só de postos de saúde como de unidades de saúde da família - isso incluindo médicos em quase toda a estrutura. JH - Como se materializará a prioridade na Zona Norte? Em termos mais imediatos com a construção ali de cinco unidades da saúde da família com recursos do PAC 2 do Governo Federal. Projetamos também um CAPS álcool e droga na região, com a abertura ainda de uma academia de saúde. Tratase de Centros de Apoio Psicossocial. Como já existe um CAPS que funciona 24 horas no Distrito Leste e outro na região Oeste, o da região Norte vai passar por uma reforma e ampliação. E como já temos um CAPS I (infantil) na região Oeste, na região Norte investiremos em reformas e construção de unidades de saúde nas comunidades da África e AME de Igapó. O Centro de Controle de Zoonoses, também situado na Zona Norte, deverá passar ainda este ano por uma grande reforma e reestruturação do setor de fisioterapia do Centro Clinico Zona Norte. Isso, porque houve uma expansão de seus programas. JH - Existe algum plano para o Samu municipal? A boa notícia é que vamos tirar as ambulâncias do Samu municipal do improviso de ficarem em estacionamentos em shoppings ou postos de gasolina, construindo Pontos de Apoio com estrutura de sanitários, repouso e sala de apoio. Trata-se de um projeto em curso de ampliação da Rede Samu Brasil. JH - Dias atrás todos foram surpreendidos com a paralisação dos serviços do Programa de Acessibilidade Especial Porta a Porta/PRAE destinado a transportar pessoas com dificuldade de locomoção. O que a Secretaria fez a esse respeito? Em relação ao PRAE, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta em 2008 junto à Secretaria de Mobilidade, Prefeitura, Seturn, Secretaria de Saúde e Ministério Público Estadual com a finalidade de oferecer o serviço. De fato, fomos pegos de surpresa no último dia 3, segunda-feira, com a suspensão do serviço pelo Seturn. Como a Secretaria é a responsável pelo cadastramento e acompanhamento da clientela que usa os serviços, estamos diretamente implicados no problema. JH - Quantas pessoas são atendidas pelo Prae? São cadastrados aproximadamente 500 pessoas, entre elas as que fazem hemodiálise, fisiote-

rapia (mais de 200), com problemas ortopédicos, quimioterapia, paralisia por AVC, enfim, existem as mais variadas situações, além de pessoas que utilizam o serviço para ir ao trabalho e para estudarem. Então, é um serviço fundamental para a população. A decisão da Seturn gerou uma situação muito delicada. Recorremos então à Procuradoria do Município para que, junto com o Seturn, encontrasse uma solução, inclusive para que adiassem até o final do mês a paralisação do serviço, evitando o trauma que aconteceu.

acabou ou que o fornecedor não entregou ainda. Não existe mais aquele desabastecimento geral que havia algum tempo atrás. O pregão eletrônico já foi publicado no Diário Oficial do Município, concorreram 50 empresas, 27 das quais concluíram o processo. Elas enviaram toda a documentação e nos próximos dias estaremos recebendo o medicamento e insumos, que serão armazenados no Nuplan, o órgão contratado para esse fim. Claro que alguma dificuldade poderá surgir, mas sabemos que 90% dos problemas já estão resolvidos.

JH - Como a senhora resolveu esse problema? O que fizemos foi priorizar com veículos próprios as situações mais complicadas. Ou seja, passamos a atender em caráter de emergência àqueles que tinham mais necessidade. Priorizamos 56 pessoas de fisioterapia, todas as de hemodiálise e quimioterapia. Não dispomos de carros adaptados para todos os tipos de enfermidades, o que gerou uma situação bem delicada. Já procuramos o Ministério Público, especificamente a Promotoria de Defesa do Consumidor, para reverter essa situação.

JH - Qual a participação do município quando o problema envolve alta complexidade? Hoje, contratamos cateterismo, cirurgias ortopédicas, cardíacas, neurológicas. Recentemente, uma paciente que tinha uma má formação e precisava de um aparelho que não havia no Brasil teve seu problema resolvido. Conseguimos que esse aparelho viesse da França e a pessoa foi operada com recursos do SUS por meio do contato feito pela SMS. O paciente foi operado em Natal no Hospital do Coração. Viabilizamos também cirurgias de alta complexidade na área de oftalmologia. Hoje temos uma rede laboratorial que realiza exames com diagnóstico rápido, com serviços de qualidade e de ponta. Há profissionais. O que falta é o acesso da população a esses serviços.

JH - Existem hoje problemas de abastecimento nas unidades de saúde do município? Quando assumi a secretaria um dos grandes desafios era justamente a questão do abastecimento de medicamentos e insumos. Felizmente, conseguimos minimizar essas questões com a adesão à ata de registro de preços. Hoje já conseguimos concluir um pregão licitatório para a aquisição de mais de 500 itens com a perspectiva de abastecer a todas as unidades do município no período de doze meses. Desde o segundo semestre de 2011 não temos mais problemas de abastecimento. O que temos às vezes são faltas pontuais - algum medicamento que

JH - Como assim? Refiro-me à informação de que esses serviços podem ser acessados. É a comunicação que falta? É a demanda reprimida? É uma questão de distribuição de profissionais? São questões que estamos resolvendo. Há também a falta de profissionais médicos para a atenção básica. Aderimos recentemente a um programa federal para a captação de profissionais para a aten-

ção básica, o Provab. Foram classificados para Natal 15 médicos e até agora só compareceu um. Nosso desafio é fidelizar o médico nas unidades de atenção básica. O Ministério da Saúde já diminuiu a jornada de trabalho para esses profissionais para tentar essa fidelização e não tem conseguido. Esse é um grande desafio. JH - Existe algum outro gargalo que preocupa a senhora? Na verdade, existem vários. A judicialização da saúde é um deles. Diariamente, a Secretaria recebe vários processos tanto das Varas da Justiça quanto do Ministério Público, obrigando o fornecimento de algum tipo de medicamento ou exame que em algumas das vezes não é da competência do município, mas que por via judicial nos temos que arcar. Às vezes são exames simples, outras vezes os usuários buscam a via judicial na expectativa de conseguir mais rapidamente a sua necessidade que não querem seguir os tramites habituais, enfrentar filas, aguardar em lista de espera que as pessoas desconhecem serem fornecidos nas unidades de saúde. Tem tardes que eu recebo oito processos e a área de regulação da secretaria recebe outros tantos - tudo a respeito de exames, consultas, medicamentos. Inclusive, medicamentos que existem de graça na Farmácia Popular mas que a medida judicial impõe que a Prefeitura forneça. Existe um paciente para o qual a prefeitura é obrigada a fornecer todos os medicamentos e cujos custos são os mesmos de uma unidade de saúde. Ou seja, esse único paciente custa o mesmo de unidade de saúde da Zona Norte que atende 100 famílias. Isso, sem falar no custeio de tratamentos experimentais, com medicamentos de ponta caríssimos que somos obrigados a adquirir via ordem judicial.


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