.vale a pena ler e pensar...
Aprendi a amar essa tuba canora, que o peito acende e a cor ao gesto muda.
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om a sua dimensão dolorosa, a morte é momento de confronto com a vida e com o seu pulsar mais radicalmente verdadeiro. Por isso celebramos a memória. Do tempo em que fui aluna da Senhora Dra. D. Irene Ferreira de Almeida, tenho ainda presente a vontade de um dia vir a ser como ela. No espaço da aula, havia decerto sujeitos a predicar e toda uma panóplia de relações com o verbo, o ritmo da “récita” das preposições, mas, entre tudo isso, projetava-se sobretudo um imenso horizonte na sua voz e gestos generosos. O sorriso era o de quem sabe pairar algures o amor entre mestre e discípulo. Nada disto significava adocicar o que não se deixa dulcificar. O seu discurso era rigoroso, com a exigência do respeito pelos alunos e da valorização da formação humana. Antes de ser sua aluna, ouvia a minha irmã e, às escondidas, procurava nos seus cadernos vestígio daquele entusiasmo. É que o horizonte apontado no seu discurso escolar para alunas tão novas, com a dimensão da memória dos séculos, era o de alguém em quem a cultura não era competência que se tem, mas coisa que se é, confundindo-se com o pulsar do coração. Maria Mafalda Viana
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nossa Escola chora a partida da mais excelente professora - a nossa querida, por todas e por todos Senhora D. Irene, que o SENHOR chamou à sua presença depois duma longa vida. Todas as irmãs que com Ela conviveram, as colegas de quem foi Mestra no saber, no convívio ameno, na elegância do vestir, do saber estar, do aconselhar, assim como todas as colaboradoras dessa casa - tão cor de rosa que era - estão de luto e, cada uma chora as suas lágrimas, pelas suas lições de beleza,
de expressão cheia de melodia, de transmissão de valores e saberes. As suas alunas lembram sempre, o entusiasmo a emoção, a ordem o prazer com que ensinava. Que júri seria capaz de avaliar esta Mulher de corpo inteiro que punha a alma inteira em tudo o que fazia? Espero que a nossa escola faça transparecer a dor de todas as salas e corredores que pisou, sendo Ela mesmo um alicerce que não cai. Da amiga, colega e aprendiza, Maria Margarida Pinto Machado