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MĂ´nica Guttmann

A Lata de Sentimentos e seus caminhos


Mônica é psicóloga e arterapeuta. Gosta de conversar com crianças, pais e educadores sobre sentimentos, saúde, autoconhecimento e outros temas que nos ajudam a viver melhor e mais feliz. Faz isso através de seus livros publicados para crianças e adultos e das aulas que dá em diversas instituições e espaços culturais, como na Associação Palas Athena e no Instituto Sedes Sapientiae aqui no Brasil e também lá longe, no exterior. Como psicoterapeuta e arte terapeuta atende em seu consultório em São Paulo, crianças, adolescentes, famílias e adultos. Neste livro que tem em mãos, Mônica ajuda seus leitores a entenderem, aceitarem e ou transformarem essa lata de sentimentos que exite dentro de cada um de nós!


Mônica Guttmann A Lata de Sentimentos e seus caminhos

ilustrações de Marcos Almeida


Para Lia Diskin e Basilio Pawlowicz


Um convite

A Lata de Sentimentos e seus caminhos reúne a trilogia das três latas: a Lata de Sentimentos, Lata da Imaginação e Lata dos Caminhos. A Lata é símbolo de tudo que somos, nossos sentimentos, emoções, pensamentos, valores e todas as nossas histórias. À medida que entramos em contato e conhecemos mais os nossos sentimentos, podemos usar melhor nossa imaginação e escolher novos caminhos. E quanto mais olharmos e cuidarmos destas três latas, mais bonita e iluminada será nossa história e nossa vida! Portanto, este livro é uma lata de descobertas para quem quiser e puder aproveitá-las. Uma lata cheia de carinho para vocês! Mônica Guttmann


15 A Lata de Sentimentos 27 A Lata da Imaginação 37 A Lata dos Caminhos

47 Dicionário de sentimentos 51 Caderno de atividades


Apresentação

Por que será tão difícil para crianças e adultos entrar em contato e falar sobre seus sentimentos? O que será que essas “coisas” chamadas sentimentos despertam nas pessoas a ponto de mudarem a cor de seus rostos quando estão com raiva, desviarem o olhar quando estão envergonhadas, ficarem com dor de barriga quando estão com medo ou perceberem o coração disparado quando estão apaixonadas? Por que será que essas “coisas” chamadas sentimentos transformam o jeito de olharmos e percebermos a vida, de fazermos nossas escolhas e criarmos nossa história? Como seria a vida se as pessoas tivessem mais coragem de encarar seus sentimentos? Ser criança não é fácil. A criança vive os mesmos sentimentos que o adulto, só que os vive de uma maneira mais direta, espontânea, intensa, menos elaborada e consciente. Isso não quer dizer que os adultos tenham todos os seus sentimentos elaborados e amadurecidos, aliás, pelo contrário, é sempre um aprendizado e uma busca humana! Neste livro, crianças e adultos terão a oportunidade de entrarem em contato com seus sentimentos de uma maneira criativa, lúdica e gostosa. Todos os personagens desta história fazem parte de cada um de nós: o Mágico-Artista é aquele nosso lado mais criativo e corajoso que deseja crescer, enfrentar e transformar as coisas. Aquele nosso lado que acredita que ninguém é perfeito e que todos têm algo para ser melhorado! O Bruxo Catador de Sentimentos é aquele nosso lado medroso, que tem receio de olhar as coisas de frente e prefere deixar tudo como está, sem nunca mudar! Os personagens das casinhas coloridas contam sobre as emoções e sentimentos que estão dentro de todos nós, e é por isso que nos identificamos com eles, e podemos até tentar ajudar aos outros.

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Após receberem do Mágico-Artista a Lata de Sentimentos, os habitantes estavam adorando a possibilidade de cuidar e transformar os sentimentos. Levados, então, pela curiosidade, coragem e criatividade, acabaram recebendo mais uma Lata: a Lata da Imaginação. Com esta nova Lata, eles vão descobrir o mundo mágico e poderoso da mente e perceber a importância de conhecê-la para melhor aproveitá-la. Também vão descobrir o excelente instrumento que existe em cada um de nós: a imaginação. É ela, a imaginação, que vai ajudar a entender todos aqueles sentimentos descobertos, como a raiva, a inveja, o medo, a solidão… E ajudar para que todos saibam o que fazer com eles. Quais são os caminhos ideais e as melhores escolhas? Já que nos demos conta de que não podemos escolher o que sentimos, de que maneira podemos escolher o que fazer com aquilo que sentimos? Assim como A Lata de Sentimentos é uma representação simbólica do mundo de emoções que habita os seres humanos, a Lata da Imaginação ocupa, igualmente, um espaço imenso e ativo dentro de todos nós. Olhamos, sentimos e percebemos a vida conforme a nossa capacidade de alcance. À medida que vamos amadurecendo, nosso olhar sobre a vida também vai se transformando. Nós, humanos, diferente de outros seres, temos a incrível capacidade de imaginar. Em alguns, a imaginação é muito livre e bem desenvolvida, em outros nem tanto, mas é ela que nos permite conhecer, torcer, distorcer, modificar, alcançar e transformar tudo aquilo que percebemos e sentimos. A imaginação pode estar a serviço de uma criatividade saudável, ativa, viva, cuidadosa, alegre, transformadora; assim como pode estar a serviço de repressões, neuroses, psicoses e outras distorções da realidade que acabam sendo muito destrutivas. Podemos perceber que quanto maior a sensibilidade e criatividade de uma criança ou adulto, maiores podem ser seus medos, suas fantasias. Observamos pela biografia dos artistas, por exemplo, o quanto muitos deles sofreram com suas fantasias e percepções.

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A mesma capacidade de imaginar que leva uma pessoa a criar arte, ciência, novos projetos e descobertas pode levá-la a criar fantasias de medo e horror. Por meio dessa capacidade foram feitas maravilhosas e tenebrosas criações, pois ela serve tanto para a grandeza quanto para a pequenez humana. Traz em si o desafio da escolha do melhor caminho a seguir, tendo como base os valores éticos, o respeito e o cuidado consigo mesmo e com os outros. Imaginação e saúde estão diretamente ligadas. Em A Lata da Imaginação, os habitantes da aldeia, guiados por sua curiosidade (representada como um ponto de interrogação) e seus sentimentos (representados como um ponto de exclamação), fazem um grande mergulho, percebendo suas mágicas possibilidades, realidades e fantasias. Depois de tanto sentir e imaginar, o Mágico-Artista resolveu presentear os habitantes da aldeia com sua terceira e última Lata. Depois que aprendemos a olhar para nossos sentimentos e permitimos que eles nos inspirem pensamentos, imagens e ideias sem fim, temos que aprender a colocar tudo isso em prática. Temos que aprender a agir. E foi assim que, trazendo seu último presente, o Mágico-Artista convidou os habitantes da aldeia a seguirem com sua Lata dos Caminhos, para mais uma aventura e aprendizados. Os habitantes escolheram seus caminhos a partir daquilo que eram ou queriam viver e realizar, e todos os caminhos faziam parte da mesma grande Lata. Sejam bem-vindos a Lata de Sentimentos e seus caminhos!

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Prefácio

Mônica Guttmann é uma parceira antiga da Representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Seus livros permitem mergulhar em alguns elementos essenciais do ideário da “Cultura de Paz”, conceito forjado no âmbito da Década Internacional para a Cultura de Paz e Não Violência (2000-2010). A Cultura de Paz está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não violenta dos conflitos. É uma cultura baseada em tolerância, solidariedade e compartilhamento em base cotidiana. Uma cultura que respeita todos os direitos individuais, que assegura e sustenta a liberdade de opinião e que se empenha em prevenir conflitos, resolvendo-os em suas fontes. Atualmente, esses conflitos englobam novas ameaças não militares para a paz e para a segurança, como a exclusão, a pobreza extrema e a degradação ambiental. A Cultura de Paz procura resolver os problemas por meio do diálogo, da negociação e da mediação. A construção de uma Cultura de Paz requer profunda participação de todos tendo como pano de fundo de qualquer mobilização a tolerância, a democracia e os direitos humanos — em outras palavras, a observância desses direitos e o respeito pelo próximo, são valores “sagrados” para a Cultura de Paz. Nas palavras da diretora geral da UNESCO, Irina Bokova, “tenho a convicção de que todos estamos naturalmente ligados por nossa condição de seres humanos. Que todos temos os mesmos sonhos de prosperidade e felicidade. E todos sabemos muito bem que esses sonhos só se podem realizar em um clima de paz. A diversidade cultural e o diálogo entre as culturas contribuem para o surgimento de um novo humanismo, no qual se reconciliam o universal e o local, e mediante o qual reaprendemos a construir o mundo… Respeito aos direitos fundamentais, à dignidade de cada ser humano, à diversidade, de uma humanidade solidária e responsável. Esta é a mensagem da

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UNESCO, cuja função consiste em dar um novo impulso à solidariedade, congregando e despertando consciências.” O livro cujo prefácio tenho a honra de assinar envereda por essa direção. A Lata de Sentimentos e seus caminhos, de Mônica Guttmann, não é por definição um livro infantil, ainda que seu público principal possam ser crianças. O livro atende muito bem também o universo de adultos interessados no autoconhecimento e na sua evolução como seres humanos, além de destacar a importância do respeito aos valores essenciais como a ética e a solidariedade. Mônica Guttmann — de maneira divertida, descontraída e lúdica — procura instigar em seus pequenos (ou grandes) leitores o processo de autoconhecimento. Como veremos na obra a seguir, nossa evolução como indivíduos passa por desafios de cunho emocional e, acima de tudo, envolve escolhas, caminhos ou responsabilidades. Ao dividir o livro em três grandes blocos temáticos ligados aos “sentimentos”, à “imaginação” e aos “caminhos” a autora demonstra que com um pouco de criatividade, ou uma boa dose de imaginação, nossos caminhos ou escolhas podem sempre ser reinventados ou redirecionados e transformar trajetórias de vidas. Espero que os leitores de A Lata de Sentimentos e seus caminhos tenham o mesmo prazer que tive ao mergulhar nessa leitura gostosa, divertida e — por que não dizer — provocadora. Boa leitura! Marlova Jovchelovitch Noleto Diretora da Área Programática da UNESCO no Brasil

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capítulo 1

A Lata de Sentimentos Em alguma parte do tempo, em um país desconhecido, havia uma aldeia muito pequenina. Crianças e adultos, uma vez por mês, reuniamse para jogar fora algumas de suas coisas. Coisas bem difíceis de serem tocadas, abraçadas ou carregadas no colo, pois eram os sentimentos e emoções que as pessoas não gostavam de possuir. Durante o encontro, levavam os sentimentos que lhes provocavam medos, ciúmes, inseguranças, raivas, desejos de destruir, de bater, de se vingar. Eram os sentimentos difíceis de guardar e, muitas vezes, parecia impossível de se conviver com eles. Esses encontros eram coordenados pelo Bruxo Catador de Sentimentos. Ele catava os sentimentos que as pessoas não queriam mais e jogava-os em sua grande Lata de lixo. E os sentimentos ficavam no lixo por um bom tempo, sem saírem do lugar e sem se transformarem. Com isso, exalavam cheiro de coisa parada… A Lata de lixo seguia enchendo a cada dia mais e intoxicando, com suas cores esquisitas, a vida na pequena aldeia.

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Um dia foi anunciado que um grande Mágico-Artista passaria por ali e ensinaria a todos uma maneira de transformar os sentimentos que não gostavam e não queriam mais. Todos ficaram animadíssimos à espera do tal Mágico-Artista, pois quem sabe, ele ajudaria a transformar definitivamente os sentimentos ruins que nasciam e cresciam dentro das pessoas, dando um jeito naquela grande Lata de lixo do Bruxo Catador de Sentimentos! Durante o mês continuaram acumulando seus sentimentos e, no dia marcado, encontraram-se no mesmo lugar de costume, levando todas as coisas difíceis que possuíam dentro de si. A Lata de lixo do bruxo continuava ali, cheia como sempre. As pessoas estavam muito ansiosas e perguntavam entre si: — Quando será que ele aparecerá? De onde virá? De que jeito? Ao anoitecer, quando o Sol despedia-se da aldeia e a Lua pedia licença para iluminá-la, a grande estrela da consciência começou a brilhar cada vez mais forte, apontando para uma pequena estrela cadente que caía na aldeia. Foi nessa estrela que chegou o Mágico-Artista.

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Ele pousou no centro da praça, local onde o aguardavam. Estava fácil observar quantas coisas difíceis de serem sentidas as pessoas tinham levado para ele: medo, pavor, raiva, inveja, ciúme, ódio, desespero, angústia, tristeza, frustração, insegurança, dor, solidão, ansiedade, agressão, mau humor, vergonha. E o Mágico-Artista, apenas com um gesto pediu para que cada um colocasse no centro aquilo que havia levado. Depois, ele fez um grande monte, pegou suas tintas e pincéis e começou a trabalhar. Pintou cada parte daquela montanha de coisas com uma cor diferente, cada cor representando um sentimento difícil. Eram tantos os sentimentos e as cores que tudo ficou maravilhosamente colorido. Uma combinação que se transformou em uma montanha muito alegre e diferente. As pessoas olhavam para ele e para a montanha colorida com uma mistura de estranheza e admiração. Pouco depois, o Mágico disse: — Agora, gostaria que cada um de vocês chegasse mais perto da montanha e pegasse para si uma parte dela.

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Eles acharam muito esquisito o pedido do Mágico, afinal, o que colocaram ali eram exatamente os sentimentos que não gostavam e que não queriam mais! Por que pegariam algum de volta? Mas o Mágico continuou: — Fiquem tranquilos! Vocês não trouxeram todas essas coisas para mim à toa. Vou ajudá-los a descobrir que os sentimentos que trazemos dentro de nós, por mais duros que sejam, nunca podem ser jogados fora. O que podemos e devemos fazer é tentar transformá-los. Todos os sentimentos que vocês não gostam de ter e que trouxeram para cá continuam dentro desta montanha e também dentro de vocês. Os habitantes da aldeia, ainda curiosos, continuaram atentos ao que o Mágico dizia. — Quando vocês olham, cuidam e oferecem aos sentimentos diferentes cores, eles podem ser olhados de outra maneira! Em vez de tentarmos jogar fora ou fingirmos que eles não existem dentro da gente, poderemos aprender muita coisa sobre nós mesmos e sobre os outros. Ele ainda disse: — Para isso é preciso, também, conseguirmos olhar para esses sentimentos sem julgá-los e sem recriminá-los. Podemos olhar, neste momento, através das janelas de algumas casas desta aldeia, e observar como algumas pessoas estão lidando com o que sentem… •••• Todos dormiam na casa amarela. Exceto uma menina, a que estava de olhos abertos, coberta até o nariz, com medo de dormir e ser engolida pelo monstro do sono. A menina tinha muito medo da noite e ainda não sabia que os medos poderiam lhe ensinar a descobrir que ela era apenas uma criança que necessitava ser amada e protegida e que sua imaginação era tão grande a ponto de fazê-la acreditar em monstros que não existem. Ou melhor, que existem apenas em sua imaginação! Ao olharem pela janela da casa azul-celeste, onde moravam dois irmãos e sua família, observaram que eles tiveram uma grande briga e existia muita raiva crescendo em cada um. Os dois ainda não sabiam

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que a raiva poderia ensinar que eles tinham muita energia e força, as quais poderiam usar de uma maneira bem diferente! Na pequena casa verde morava um jovem casal. Nesse exato momento eles brigavam porque a moça se encantou com a inteligência de seu vizinho. O marido não aguentou de ciúme! O que ele não sabia é que o ciúme e a inveja poderiam lhe mostrar que ele também tinha seus talentos, capacidades e direitos. Não precisava sentir-se inferior, sem graça ou incapaz. Na janela da casa cor-de-rosa morava uma velhinha. Ela estava muito, muito triste, pois seu marido acabara de morrer. A velhinha não queria estar assim, mas a tristeza não a obedece e parece que nunca mais se desgrudará dela! Infelizmente, ela ainda não sabe que as tristezas nos mostram como somos sensíveis, que sabemos amar e que estamos mergulhados de corpo e alma nas emoções da vida… E que um dia, quando menos esperamos, voltamos a nos alegrar. Quando olharam para a última janela, da casinha vermelha, viram que ali morava uma linda menina de olhos azuis. A menina tinha vergonha de sair de casa por se sentir um pouco mais gordinha. Toda vez que ela saía para a rua acabava ficando tão vermelha de vergonha quanto a cor de sua casa. Afinal, o que há de tão errado com ela? O que há de errado em ser, estar ou se sentir mais gordinha? A vergonha é um sentimento que nos faz sentir mal, diferentes, como se fôssemos os únicos a nos sentir estranhos, rejeitados. Além disso, lidar com alguns sentimentos difíceis exige muito esforço, podendo causar certa ansiedade e, em consequência disso, muita fome. Em outras ocasiões, ser gordinha é apenas um charme, algo natural, sem problema nenhum. Depois dessa visita a algumas das janelinhas das casas da aldeia, percebe-se como nem sempre é fácil para as pessoas lidarem com seus sentimentos. Não somos os únicos a ter essas dificuldades. Todos os sentimentos fazem parte da gente, e mesmo aqueles mais difíceis podem ter cor e ser transformados em novas cores e formas, assim como fez o Mágico-Artista.

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Continuando nossa história… O Mágico-Artista pediu para que o povo da aldeia abrisse uma grande roda em volta da montanha colorida e que cada um, em seu tempo, retirasse, aleatoriamente, uma parte da montanha. Ele sabia que, para que os sentimentos fossem transformados em novas cores, cada um teria que fazer a sua parte. Então, os moradores da aldeia olharam bem de frente para o pedaço colorido da montanha que tinham em suas mãos, sorriram e depois jogaram com força os pedaços para cima, bem para o alto, para que eles pudessem voar livremente! Logo depois, uma chuva de gotas coloridas caiu sobre a cabeça de todos. As gotas eram os sentimentos transformados que puderam voar livremente. Não importava mais de quem era cada um daqueles pedaços, pois a chuva caía sobre a cabeça de todos! Aquele momento foi de grande emoção. O céu brilhava coloridamente e o coração da aldeia estava feliz. Enquanto o céu da aldeia brilhava… Na casa amarela, a menina adormecia sem medo, pois os monstros de sua imaginação haviam se apagado em meio à coragem de seus sonhos. Já na casinha azul-celeste, os irmãos transformaram a raiva em conversa séria, a conversa séria em brincadeira e da brincadeira nasceu um abraço grande e gostoso! Na casinha verde, o marido ciumento havia descoberto que o que sua esposa mais admirava nele era sua inteligência, portanto, se cuidasse melhor dela, em vez de competir com o vizinho, poderia convidá-lo para criarem um lindo jardim. E a velhinha da casa cor-de-rosa acolheu sua tristeza, guardou-a em sua saudade e abriu novamente a janela de sua casa, pois a aldeia, seus amigos e muitas outras histórias esperavam por ela alegremente! A menina da casinha vermelha havia descoberto que era gordi-

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nha porque seu coração queria ter bastante espaço. O coração dela desejava bater livremente. Foi então que, aos pouquinhos, a menina aprendeu a conhecer e acolher seus sentimentos mais difíceis e despediu-se, carinhosamente, de sua vergonha. Mas não pensem que tudo isso é tão fácil e rápido assim… O Mágico-Artista resolveu despedir-se entregando a todos um presente diferente: uma Lata de Sentimentos! — Como assim? Depois desses momentos tão mágicos você vai nos deixar uma Lata? — gritou o povo com estranheza e decepção. — Lata de lixo nós já temos a do Bruxo Catador de Sentimentos! E ela nunca nos ajudou em nada, aliás, só nos fez deixar nossos sentimentos parados sem que fossem transformados! — Não fiquem decepcionados! Esta não é uma Lata qualquer, é uma Lata artística, pois os sentimentos não ficarão parados para depois serem jogados fora. Tudo que entra nesta Lata é reciclado e transformado em cor. Coisas, sentimentos, sensações, pensamentos. Tudo que entra na Lata sai dela transformado em cor! Existem cores que podem ser feitas de outras cores e sentimentos que podem ser feitos de outros! Você sabe com quais cores são feitas as outras cores como laranja, verde, azul, cinza e rosa? E quais os sentimentos que podem ser feitos de inveja, medo, amor e alegria? As pessoas, mais uma vez, agradeceram e guardaram a Lata que reciclava sentimentos no centro da praça da aldeia. Então, a partir daquele dia, as pessoas que se sentiam mal com algum de seus sentimentos seguiam para o centro da praça, sentavam-se ao lado da Lata, olhavam bem no fundo dela e jogavam aquilo que mais desejavam transformar. Os sentimentos podiam voar livres até que mudassem de cor! Até mesmo o Bruxo Catador de Sentimentos teve um final bem colorido! Logo depois que o Mágico-Artista despediu-se de todos ele foi até o centro da praça, escondido, trocar a Lata de Sentimentos por sua velha Lata de lixo.

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Ele não queira olhar seus sentimentos, não acreditava nas cores e gostava das coisas como eram antes: paradas! Mas quando esticou seu braço para trocar as Latas, um grande medo saiu de dentro dele e empurrou-o para o fundo dela. Os habitantes da aldeia, pouco depois, quando olharam para o céu ficaram surpresos, pois viram a estrela da consciência brilhar novamente e, junto com ela, o Mágico-Artista e o Bruxo Catador de Sentimentos voando juntos e livres pelas cores do tempo. •••• Quando podemos sentir com liberdade todos os nossos sentimentos, mesmo os mais difíceis, quando os deixamos voar livremente através de nosso corpo, de nosso coração e de nossa alma, eles deixam de ser escuros e difíceis para tornarem-se coloridos como as borboletas: que um dia também foram diferentes, tiveram outro nome, eram presas ao chão e não sabiam voar! A Lata de Sentimentos foi o presente que o Mágico-Artista deixou para a aldeia, e esta parte da história que vocês acabaram de ler foi encontrada dentro dela. Agora imaginem se ela tivesse sido jogada em uma Lata de lixo qualquer? Simplesmente não haveria história.

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Capítulo 2

A Lata da Imaginação Em algum momento do tempo, na mesma pequenina aldeia do país desconhecido, os sentimentos que haviam mergulhado na Lata de Sentimentos continuavam seus movimentos e histórias tentando ajudar os habitantes em seu crescimento. Na casinha amarela, a menina que já adormecia sem medo acordou, certa manhã, com algumas questões. — Para onde foram os monstros da minha imaginação? Onde fica minha imaginação? Será que em minha imaginação existem apenas monstros? Será que não existem outros personagens e histórias? Será que posso tocar a campainha da casa de minha imaginação e perguntar quem é que mora lá dentro? A menina acordou, tomou seu café da manhã e seu banho. Foi para a escola e voltou para casa com a pergunta bem grudada ao seu lado. Quando estava quase chegando, a pergunta pulou diante dela e disse: — Menina! Espere! Vou lhe mostrar uma coisa que você vai adorar. — O quê? — perguntou a garotinha, bem curiosa.

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— Venha comigo! — disse a pergunta, caminhando à frente. A menina, atenta, foi andando atrás daquele enorme e misterioso ponto de interrogação. No caminho, passaram pela casinha azul-celeste, onde moravam os dois irmãos que aprenderam a transformar raiva em amizade, conversa e brincadeira. Eles abriram a porta, olharam para a menina e para o ponto de interrogação e perguntaram: — O que vocês fazem aqui? — Viemos buscá-los para conhecer uma coisa! — respondeu o ponto de interrogação, entusiasmado. — O quê? — perguntou um dos meninos. — Venham conosco e vocês logo saberão. Os dois meninos, muito curiosos, imediatamente pegaram suas mochilas e saíram de casa seguindo a menina da casinha amarela e o novo guia, o ponto de interrogação. Durante o caminho, pararam na pequena casa verde onde morava o jovem casal que já não sentiam mais ciúme um do outro. Estavam bem juntinhos, confiantes, tentando descobrir uma maneira criativa e bonita de plantar seu novo jardim. Quando viram aquela turma animada e curiosa com o misterioso passeio, resolveram também ir atrás. E lá estava o jovem casal, seguindo a menina, os dois irmãos e o ponto de interrogação. Pararam ainda na casinha cor-de-rosa onde morava a velhinha que não vivia mais triste. Ela estava na janela, olhando alegremente a vida lá fora, quando toda aquela turma chegou. — Quer vir com a gente, vovó? — convidou a menina, animada. — Para onde, crianças? — perguntou. — Para um lugar misterioso onde o ponto de interrogação está nos levando! — responderam ao mesmo tempo os irmãos. A velhinha, empolgada, pegou seu guarda-chuva, sua bolsa e seu chapéu e saiu com todos em caravana. Por fim, pararam na casinha vermelha onde morava a menina de olhos azuis, que perdeu a vergonha de ser quem era e ficou muito feliz em acompanhá-los naquela misteriosa e emocionante aventura.

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Todos os personagens das casinhas coloridas caminharam felizes atrás do misterioso ponto de interrogação, que crescia a cada passo. Crescia tanto, tanto, tanto… que, de repente, explodiu! Dessa explosão apareceu outra grande, colorida e misteriosa Lata. Era uma Lata bem interessante, ainda mais colorida que a Lata de Sentimentos e cheia de pedacinhos diferentes uns dos outros. Era muito bonita, macia, cheirosa e tinha duas enormes asas. E, de dentro dela, sem mais nem menos, sem nenhum preparo ou aviso, saiu o Mágico-Artista.

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Todos ficaram surpresos e alegres em rever seu mágico amigo. Mas, por que será que ele apareceu justamente naquele momento? O que será que ele queria? — Olá, gente! Fui chamado pela curiosidade de vocês e senti que precisava lhes trazer outro presente: a Lata da Imaginação. Agora que vocês já aprenderam a colocar seus sentimentos difíceis na Lata de Sentimentos, devem estar se perguntando o que fazer com os sentimentos que foram transformados. Como cuidar deles para que continuem sempre se transformando? Para onde levá-los? Onde guardá-los? É muito bom poder transformar o medo em coragem e realizar as coisas de que gostamos. Mas, de que adianta termos coragem, se não sabemos como e nem para que usá-la? E o Mágico-Artista completou: — De que adianta pararmos de sentir raiva, se não sabemos o que fazer com nosso amor pelos outros e do amor que eles podem sentir por nós? De que adianta não ficarmos mais tristes, se não sabemos como compartilhar nossas alegrias com os outros? De que adianta deixarmos de ter vergonha de nós, se não sentimos que temos os mesmos direitos e necessidades que os outros? De que adianta transformarmos tantos sentimentos dentro da Lata, sem podermos transformar e criar novas histórias? E é por todas essas razões e muitas outras que hoje trouxe para vocês minha nova Lata! Todos olharam surpresos. Mas ele continuou: — A Lata da Imaginação vai ajudá-los a descobrir novas ideias. Com criatividade vão saber o que fazer com tudo que aprenderam. Imaginar é descobrir, crescer, transformar, se libertar, abrir o coração, escutar os sentimentos e aproveitar melhor a vida! — Nossa, Mágico! Que presentão! — alegraram-se todos. — E o que devemos fazer? — É só subir esta escadinha e mergulhar na Lata, sem medo, deixando a imaginação levar vocês para onde ela quiser. Um de cada vez… E o Mágico-Artista despediu-se dos habitantes da aldeia, mas, dessa vez, deu um mergulho bem fundo e diferente na sua Lata da Imaginação.

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Todos acenavam para dentro da Lata, esperando para também mergulharem no mais novo presente. Assim, um de cada vez preparou-se para o mergulho. A menina da casinha amarela, forte em sua segurança e coragem, mergulhou primeiro. À medida que descia para o fundo da Lata, olhava para todos os lados, imaginando quantos personagens diferentes poderiam existir ali dentro. Havia heróis, bichos, fadas, príncipes, princesas, gnomos, bruxas, monstros e piratas. Todos que moravam lá dentro apresentavam-se à menina, convidando-a a inventar um montão de histórias. Como ela já não tinha tanto medo, resolveu abraçar todos os personagens e voar junto com eles por suas histórias. As asas da imaginação da menina batiam rápidas e leves e ela pôde viver e criar muitas histórias, com todos os personagens que queria, dos mais aos menos bonzinhos.


No entanto, ela sabia que tudo aquilo fazia parte de sua Lata da Imaginação e que, quando quisesse, poderia escolher voltar para o mundo lá fora, trazendo a incrível experiência que aquele mundo criativo lhe permitia viver. Logo após a menina, mergulharam na Lata os dois irmãos curiosos. Cada um foi para um canto da Lata e combinaram de se encontrar na volta, para compartilhar tudo o que viram. Um deles foi para o lado mais iluminado, pois queria descobrir os segredos das luzes, cores e formas. O outro foi para o lado mais escuro da imaginação, usando sua grande lanterna, pois queria descobrir os segredos das formas e cores dos medos e das coisas que ficam mais escondidas. O irmão que foi para o lado mais iluminado encontrou muita poesia e histórias de alegria, sabedoria e amor. Tudo era colorido e brilhante: nesse lado da Imaginação, não existia dor nem sofrimento. Tudo era belo, leve e brilhante. O irmão que foi para o lado mais escuro, muitas vezes, desligava sua lanterna para não enxergar tristeza, medo e dor. Naquele lado escuro da Lata, a Imaginação batia suas asas tão fortemente que o medo e a solidão começaram a doer no menino. Ele não queria ver tanto sofrimento nem ficar naquele lado escuro. Quando acendia a lanterna, via o que não queria. Quando apagava, não podia ver nada e se perdia. Foi então que ele resolveu ligar a lanterna novamente e voltar para o começo de tudo.

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A imaginação pode nos levar a lugares muito difíceis e escuros e, muitas vezes, não conseguimos voltar exatamente quando desejamos. Mas como o menino não havia abandonado sua lanterna, conseguiu voltar na hora que quis. A lanterna é nosso desejo de querer olhar as coisas como elas são. Em seguida, o marido segurou a esposa em seus braços e mergulhou apaixonadamente, deixando que o vento da confiança e do amor lhes mostrassem novos e românticos caminhos para estarem juntos e imaginarem novas sementes para seu jardim. Foi naquele momento que, dentro da Lata, eles desejaram seu primeiro bebê. O bebê do casal nasceu nove meses depois, cheio de coloridas histórias. É também na Lata da Imaginação que plantamos as sementes de nossas mais lindas e importantes criações. A velhinha abriu seu guarda-chuva cor-de-rosa e flutuou alegremente para dentro da Lata, juntando-se a todos que buscavam acreditar nas poderosas aventuras e nos caminhos da imaginação. Com seus óculos redondos e limpinhos, abriu bem os olhos e o coração e entregou-se ao presente do tempo e aos ventos da imaginação…

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E mesmo já tendo vivido muitas e muitas histórias, e imaginado tantas e tantas sementes, aproveitou a Lata para pedir que o tempo ainda lhe trouxesse lindas surpresas! E, por fim, a menina que era gordinha entrou na Lata da Imaginação com enorme entusiasmo, pois ela era a própria imaginação! Adorava sonhar e a vida tinha que ser doce e saborosa para ela! E na Lata podia viver esta doçura, com os ingredientes que tinha vontade, com as cores de seus desejos! Ali, a menina da casa vermelha nem lembrava se era ou não gordinha, pois isto não fazia mais a menor diferença. A diferença estava no prazer e na alegria de poder viver e criar a vida a seu gosto. Imaginar é acreditar, É fortalecer antigos e bons caminhos, É escolher novas histórias e possibilidades, É confiar na força dos sonhos, É criar suas próprias imagens e caminhos. Imaginar é poder reciclar, Com coragem, seus sentimentos E transformar a vida, Com criatividade, sabedoria e amor! •••• Depois de um tempo enorme e colorido dentro da Lata, em que cada um pôde se sentir mais livre e solto, flutuando, com confiança, por entre muitas imagens, personagens, pensamentos e histórias, ao sabor dos sopros mágicos da imaginação, todos foram saindo, bem devagar, um por um, na ordem em que haviam entrado. Saíram da Lata com os olhos brilhando e o corpo vibrando! Lá fora, o ponto de interrogação os aguardava para a viagem de volta, agora acompanhado por um simpático ponto de exclamação. Cada um dos habitantes das casinhas coloridas, depois de mergulhar na Lata da Imaginação, descobriu que só se consegue imaginar por meio dos sentimentos, e que quanto mais sensíveis são as pessoas,

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mais elas imaginam e criam. E quanto mais criam, menos difíceis os sentimentos ficam. O ponto de interrogação pegou a dianteira da fila, seguido do ponto de exclamação e dos habitantes da aldeia. De volta para casa, seguiram animados e felizes com a grande aventura e tantas descobertas. Os pontos de interrogação e de exclamação foram morar junto com eles, na aldeia. Assim poderiam, a qualquer momento, passear novamente. As pessoas da vila descobriram que sem perguntas e sentimentos, sem curiosidade e sem emoção, ninguém entra direito na Lata da Imaginação! Desde aquele dia, a pequena aldeia, com seus habitantes aprendizes, passou a ter duas grandes e diferentes Latas em sua praça central: a Lata de Sentimentos e a Lata da Imaginação. Naquela mesma noite, todos sonharam que o Mágico-Artista voltava para visitá-los, trazendo sua última Lata de surpresas. E como a Lata é de surpresas, e estas acontecem do jeito e quando a gente menos espera, é melhor vocês relaxarem, aguardarem ou tentarem adivinhar! Qual será a última Lata que os habitantes da aldeia vão ganhar? Enquanto vocês curtem o sentimento da curiosidade, aproveitem sua Lata da Imaginação para criar lindos pensamentos, lembranças e histórias!

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Capítulo 3

A Lata dos Caminhos Enquanto os habitantes curtiam seus sentimentos e o poder de sua imaginação por meio das duas latas, o Mágico resolveu colocar mais uma lata no centro da aldeia, sem que ninguém percebesse. E assim, o Mágico-Artista com sua Lata dos Caminhos, resolveu levar os habitantes da aldeia para o caminho das coisas e situações únicas. Nesse caminho não existem conflitos e escolhas, tudo e todos estão ali. Compreendem isso? Difícil, não é? Na vida, desde crianças, temos o hábito de fazer escolhas, pois não podemos estar fisicamente em mais de um lugar ao mesmo tempo e não podemos estar e ter tudo e todos que desejamos. Esse é um difícil e grande aprendizado: fazer escolhas. Por essa razão, o Mágico resolveu levar os habitantes da aldeia para um lugar onde tudo era único, não existia “ou isto ou aquilo” e, aparentemente, a vida parecia mais fácil. Porém, as coisas aconteceram diferentemente daquilo que ele imaginou e quando estavam escalando uma enorme montanha, fo-

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ram surpreendidos por uma avalanche de possibilidades. Depois disso, nada mais seria como antes. Uma vez diante de tantas possibilidades, os caminhos nunca mais seriam únicos. Então, o Mágico decidiu que não tentariam mais chegar ao caminho das coisas únicas e aceitariam esse novo desafio da história: aprender a escolher a partir de muitas e muitas possibilidades. Quando a avalanche terminou, estavam todos assustados (inclusive o Mágico) e escondidos dentro de uma enorme gruta na montanha. Ao saírem da gruta, viram a Lata dos Caminhos bem na entrada, como se aguardasse por eles. Como ela estava ali, todos aproveitaram para conhecer a Lata e, com isso, descobriram que ela era a fonte das infinitas possibilidades. Dentro dela existiam incontáveis caminhos. Para organizar a euforia diante de tantas possibilidades, o Mágico pediu para que cada um imaginasse um caminho diferente para suas vidas, que se concentrassem bem e escolhessem com o coração alguma atividade com a qual pudessem fazer sua contribuição criativa com os outros, com o planeta, com a vida. Com calma, silêncio e concentração, todos iriam descobrir algum dom ou talento que gostariam de exercer, fortalecer e compartilhar. A realidade é fruto da imaginação, portanto, tudo que se imagina pode virar realidade.

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Dentro da Lata havia sugestões de cores, formas, cheiros, tamanhos, gostos, brilhos… E cada um começou a escolher e inspirar seu caminho. A menina da casinha amarela, que havia transformado medo em coragem, escolheu tornar-se escritora, criando livros como mensagens, expressando suas palavras em forma de arte e histórias. Um dos irmãos que havia transformado raiva em amizade, e que morava na casa azul, fez a escolha de ser cientista e o outro artista. O irmão cientista escolheu um caminho redondo, amarelo, com cheiro de curiosidade, gosto de novidade e tamanho do mundo. Um caminho cujo fim é o próprio começo, cuja vida é o próprio mundo. O irmão artista escolheu um caminho parecido com ele, altruísta, profundo e generoso. O irmão artista-pintor escolheu um caminho quadrado, com cheiro de tinta, gosto de fruta, tamanho de tela e brilho de natureza. Escolheu o caminho da sensibilidade e da expressão, dos sentimentos e das emoções. Escolheu a arte como missão. O casal da casinha verde que transformou ciúme e insegurança em confiança, escolheu caminhos em forma de pontos de interrogação, pois adorava fazer perguntas e transformar respostas em novas perguntas. Isso porque eram filósofos que adoravam questionar e fazer reflexões sem fim!

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A velhinha viúva, que sabia transformar tristeza em alegria e compaixão, cuidava de um maravilhoso jardim, escolheu as flores mais coloridas e raras, os perfumes mais suaves e secretos e os espinhos mais distraídos e afiados que protegem o jardim dos ventos fortes que vêm do norte. Era uma senhora sábia e amorosa. A menina que transformou sua vergonha em amor-próprio, escolheu cuidar dos outros como enfermeira, e fazia de seu trabalho sua mais forte missão. Ajudar os outros era seu grande propósito de vida! Havia muitos outros habitantes da aldeia que aproveitaram a Lata dos Caminhos para escolher ou fortalecer suas escolhas, como os políticos ou chefes que usaram o poder e o dinheiro para dominar as pessoas e escolheram caminhos triangulares, onde ficavam sentados no alto, no pico do triângulo. Mas lá de cima, descobriram que o poder pelo poder e o dinheiro pelo dinheiro não têm valor algum e os tornavam pessoas vazias, injustas, egoístas e violentas. Resolveram sair de onde estavam e acompanhar os políticos mais justos e humildes, os quais escolheram o círculo como símbolo, onde todos estão juntos e unidos, podendo enxergar e ouvir uns aos outros. As pessoas urbanas que escolheram caminhos bem retangulares, em forma de caixinhas, onde tudo é projetado e calculado para caber cada vez mais gente e mais caixinhas, se deram conta de que suas escolhas estavam bem apertadas e resolveram abrir mais espaços, trazendo e preservando mais natureza nas cidades. As pessoas das montanhas escolheram as montanhas mais altas e lindas com neve ou sem neve, mas todas elas altas, gloriosas, maravilhosas. São essas as pessoas que conhecem bem o poder do silêncio e das alturas… As pessoas dos mares escolheram as águas mais claras, os oceanos mais profundos e os horizontes mais distantes. São amigas das algas e dos peixes e conhecem o mundo do fundo do mar como ninguém. São pessoas que lutam pela preservação das espécies e que se assustam com o que a humanidade tem feito com elas e contra si mesmos.

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As pessoas que se transformam a cada instante escolheram o caminho da espiral, aquele que não para nunca, que está sempre em movimento e em descobertas sem fim. As pessoas que se transformam são aquelas que sabem que a vida é movimento e crescimento. As pessoas da prisão que antes escolheram ficar nos caminhos do medo, das ameaças, da violência, da raiva e do ódio e que foram aprisionadas em celas de concreto e em celas imaginárias, perceberam que a prisão morava dentro e fora delas. Essas pessoas se libertaram quando a humanidade toda também se deu conta de que enquanto houvesse prisões de concreto, todos do planeta, de alguma maneira, estariam aprisionados no medo da vida. Na Lata dos Caminhos, as pessoas da prisão escolheram a liberdade, a justiça, a compaixão e a solidariedade. As pessoas da liberdade escolheram a coragem e os bons riscos, a entrega e a confiança, a liberdade e o amor que vivem dentro do coração e alma de cada um. Os analfabetos que se aprisionaram e foram aprisionados em caixinhas apertadas e em mundos isolados que se submeteram e se renderam àqueles que tinham o poder da palavra, resolveram aprender a ler e escrever. Conheceram as palavras, livros, documentos e aprenderam a pensar e sentir de outras formas. As crianças que por adultos desinformados e sem consciência eram reprimidas em suas escolhas e sequestradas de si mesmas, recebendo os limites e a educação necessários, passaram a ser respeitadas em seus sentimentos, percepções, necessidades e direitos. Os idosos puderam escolher viver a velhice com dignidade, sabedoria e amor, sem ressentimentos, ignorância, raiva e frustração, pois a humanidade aprendeu a viver com mais consciência e respeito pelo espaço e tempo da vida de cada um. Envelhecer passou a ser um processo natural e saudável, pois a vida das pessoas tornou-se mais plena e íntegra. Os animais, cujas escolhas eram cada vez mais limitadas no mundo dos humanos, passaram a ser respeitados em seus direitos, espaços e natureza.

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Os ecologistas escolheram cada vez mais olhar a natureza com amor e cuidar do planeta como se este fosse seu corpo. Cada habitante escolheu um caminho e se surpreendeu com ele. Experimentar a Lata dos Caminhos era uma possibilidade de sonhar com um mundo muito mais justo, equilibrado e melhor. Não havia medo, frustração nem ódio. Cada caminho era escolhido com a cara e a alma de cada habitante. E cada um reconhecia seu valor e sua importante contribuição para o todo. O Mágico-Artista observava os caminhos de cada um se cruzando e formando uma maravilhosa e inspirada mandala com cores, formas e movimentos. O Mágico estava feliz com o que via. A diversidade de escolhas e de caminhos tornava o mundo mais colorido e bonito. E o respeito e cuidado com as escolhas de cada um, tornava o planeta mais brilhante e iluminado. No entanto, habitantes da aldeia, incluindo o Mágico-Artista, esqueceram-se de um personagem que também fazia parte da história e que voltaria para atrapalhar: o Bruxo Catador de Sentimentos.

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•••• Quando o Bruxo Catador de Sentimentos percebeu que a aldeia inteira estava se curando e escolhendo caminhos mais parecidos com cada um, ele também resolveu escolher o seu. Escolheu um caminho parecido com ele: um enorme caldeirão de bruxarias, capaz de transformar todos os caminhos escolhidos em uma pedra gigante. Tudo que entrasse no caldeirão viraria pedra. Sempre orgulhoso de suas invenções destrutivas e paralisantes, começou a ameaçar os habitantes com sua poderosa e cruel escolha. No entanto, como todos já estavam seguros e integrados, resolveram se unir e formar uma enorme roda em volta do bruxo. E, mais uma vez, ele se viu sozinho e sem escolha. A única possibilidade que lhe restou foi ele mesmo entrar em seu caldeirão. Novamente caiu em seu próprio feitiço, transformando-se em pedra. Os habitantes e o Mágico-Artista resolveram comemorar os caminhos escolhidos. A Lata dos Caminhos e o Mágico deram sua última pincelada, jogando uma chuva de estrelas coloridas para alegrar todos. O cenário estava lindo. Os caminhos cruzados, curados e inteiros. Os habitantes, felizes. E o Mágico, realizado. Assim, como despedida triunfal, o Mágico resolveu promover uma enorme festa. Todos os habitantes da aldeia chegaram por seus diferentes caminhos e descobertas. A festa estava alegre e plena. Os caminhos, vivos e brilhantes. O Mágico pôde realizar sua última e maior expressão artística. Em uma única e grande pincelada, ele transformou e colocou mais luz e cores nos sentimentos e na imaginação daqueles que ainda escolheram caminhos do medo, poder e violência e uniu todos os caminhos em um único. A Terra ficou inteiramente colorida e brilhante. Nesse momento, nosso planeta passou a ser o mais amoroso sentimento, a mais criativa imaginação, o melhor e maior caminho e a mais inspirada criação do Mágico-Artista! FIM


O nosso pequeno dicionário de sentimentos e emoções Como estamos falando de sentimentos e eles são uma coisa muito particular e especial, saiba que cada um os sente do seu jeito e em diferentes momentos. Veja o nosso Dicionário de Sentimentos e pergunte-se: tem algum sentimento que não está listado e que você deseje colocar aqui? O mais importante de tudo é descobrir que podemos sentir livremente. Mas que também temos a capacidade de cuidar para que nossos sentimentos difíceis não nos deixem fazer algo que seja ruim para nós mesmos e para os outros. Não pensem que tudo isso é tão fácil e rápido assim. Essas descobertas são feitas no tempo… no tempo do encontro, do mistério, da coragem e do desejo de mudança!

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Agressão: quando atacamos ou ofendemos os outros ou a nós mesmos.

Fracasso: quando sentimos que o que fizemos foi um desastre e ficamos com uma sensação bem forte de termos perdido algo dentro de nós.

Alegria: quando nosso corpo e nossa alma conseguem sorrir juntos.

Generosidade: quando conseguimos abrir nosso coração aos outros e dar o melhor de nós.

Amizade: quando desejamos ao outro as mesmas coisas boas que desejamos a nós mesmos e sabemos que podemos contar uns com os outros.

Justiça: quando ninguém sai de uma história sem receber as lições que deve aprender.

Amor: quando nosso coração encontrou seu maior lugar e suas melhores batidas.

Liberdade: quando descobrimos que podemos ser exatamente quem somos.

Ansiedade: quando queremos dar um pulo no tempo e ficamos com uma sensação esquisita de receio, o que faz nosso coração bater muito rápido, transpirarmos sem parar e ficar com a boca bem sequinha.

Mágoa: quando estamos tristes ou ressentidos com alguém. Mau humor: quando não estamos gostando muito de nós mesmos naquele momento e tudo e todos parecem perder a graça.

Bom humor: quando estamos gostando da gente e da vida naquele momento.

Medo: sentimento desagradável que temos antes de uma situação desconhecida ou ameaçadora.

Carinho: é o primo mais gostoso do amor…

Paz: quando sentimos que tudo está certo e que todas as histórias que vivemos são feitas para nós mesmos.

Dor: sensação ruim localizada em nosso corpo que pode ser muito forte. Entusiasmo: quando a alegria fica quase maior que o corpo da gente.

Perdão: um sentimento maravilhoso que encontramos quando conseguimos nos colocar no lugar do outro e vice-versa.

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Poder: uma ilusão que nos faz sentir que temos muita força, que somos enormes e que podemos dominar tudo e todos que desejamos.

Solidariedade: quando nossos olhos sabem perceber os problemas dos outros, inspiram nosso coração e avisam nossas mãos e pernas de que devemos fazer algo para ajudar.

Prazer: aquela sensação que temos quando comemos algo delicioso, brincamos com o que mais gostamos, estamos com quem amamos…

Sucesso: quando conseguimos chegar exatamente onde podemos e queremos chegar.

Raiva: sentimento ruim que nos faz doer por dentro e ter vontade de gritar.

Tristeza: quando perdemos a alegria e parece ser muito difícil encontrá-la novamente.

Respeito: quando olhamos para o outro e percebemos como todos valem a pena!

Vergonha: sentimento de insegurança quando nos sentimos diferentes, meio extraterrestres.

Responsabilidade: quando percebemos que somos muito importantes naquilo que estamos fazendo ou que devemos fazer e que os outros contam muito com isto. Saudade: aquele “ventinho” que bate em nosso coração e nos avisa que não podemos estar perto fisicamente de quem desejamos, mas podemos estar perto de outro jeito. Solidão: sentimento que bate em nossa porta quando somos deixados do lado de fora…

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O nosso grande caderno de atividades

Experiências e expressões artísticas ajudam crianças e adultos a sentir, elaborar, refletir e compartilhar com mais profundidade os conteúdos vivenciados no livro. Aqui nesse caderno, você encontrará atividades que podem ser desenvolvidas individualmente ou em grupo. Elas estão separadas tematicamente, de acordo com os capítulos do livro. Estre as propostas e ideias de jogos, brincadeiras e reflexões, você poderá mergulhar em seus sentimentos e criar novos e criativos caminhos para sua vida. Aproveite este mergulho artístico nessa Lata de Atividades e também nas suas próprias Latas!

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Atividades da Lata de Sentimentos 1) Transformação Você sabe o que é transformar? É dar nova forma, é tornar algo diferente do que era. Significa mudar, alterar, modificar. Reflita: • Quais coisas você já transformou em sua vida? • Você sabia que a arte pode nos ajudar a transformar muita coisa? E que é muito difícil crescer sem transformar e se transformar? • Quais os sentimentos que você já experimentou? • Quais você não gosta de ter e que gostaria de transformar? 2) Reciclar Você sabe o que é reciclar? Você sabe como e por que devemos reciclar nosso lixo? E nossos sentimentos, será que podemos reciclá-los? 3) Jogo da memória Invente um jogo da memória em que o nome de um sentimento fará par com um desenho que o representa: • Corte uma cartolina em vários quadrados pequenos. • Em alguns quadrados, escreva os nomes dos sentimentos e nos outros faça os respectivos desenhos. • Deixe tudo preparado e, então, convide os amigos para jogar! • Lembre-se de criar também uma caixinha ou uma latinha para guardar as peças do seu jogo. Assim, tudo ficará organizado e você poderá jogar outras vezes!

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4) Inventar uma personagem, uma pintura e uma história Aproveite os cartões de seu jogo da memória e vire-os para baixo. Tire na sorte um cartão e invente uma personagem ou uma pintura para o sentimento que aparecer. Depois, crie uma história para sua personagem ou pintura. 5) Roda das cores Com uma folha de papel-cartão branca faça uma circunferência. Divida-a em fatias e pinte-as com todas as cores que quiser nesse momento. • Feche os olhos e coloque seu dedo em uma das fatias de cor. • Abra os olhos, veja em que cor seu dedo está e pense em algum sentimento que essa cor faz lembrar. 6) Lata de Sentimentos Invente, com sucatas, a sua Lata de Sentimentos. 7) Um diário Escolha um caderno e comece a criar um diário. Escreva nele os sentimentos mais importantes que aparecerem durante suas histórias de vida! É uma delícia poder contar com um diário para expressarmos o que sentimos. Eles podem ser nossos melhores “amigos de papel”. 8) Bichos Pense em alguns bichos como: cachorro, gato, rato, leão, macaco, barata, urso, galinha, tartaruga, coelho, cavalo, coruja, hipopótamo e outros. Depois, observe quais sentimentos você tem ao pensar em cada um deles.

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9) Descubra um caminho para os sentimentos Você já jogou algum jogo de tabuleiro? Que tal criar um agora? Todo jogo de tabuleiro tem um início e um fim que acontecem no próprio tabuleiro. O objetivo desse jogo é você ajudar um sentimento a conseguir chegar em outro. Por exemplo: como é que você pode ajudar o medo a chegar na coragem? Que tipo de desafios você pode inventar durante o percurso de seu tabuleiro, para que o medo encontre a coragem? E como você pode ajudar a raiva a encontrar o amor? Que desafios você pode inventar para ela em seu tabuleiro? Que outros sentimentos você gostaria de colocar em seu tabuleiro? Veja algumas possibilidades: • • • • • •

insegurança — segurança desconfiança — confiança egoísmo — altruísmo inimizade — amizade tristeza — alegria desrespeito — respeito

10) Peça teatral Crie uma peça teatral ou um teatro de bonecos e coloque como personagens alguns sentimentos. Use elementos do teatro como cenário, som, luz, música, figurino, adereços e invente os diálogos e as cenas até que a história tenha começo, meio e fim… 11) Você gostaria de desenhar seus sentimentos? Desenhe alguns. Você pode criar uma cara para cada um deles: raiva, saudade, vergonha, medo, coragem, alegria, amor, esperança, tristeza. 12) Para refletir Para você, quais são os sentimentos mais fáceis e os mais difíceis de sentir? O que faz com que você sinta uns diferentes dos outros?

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13) Sobre a história da Lata de Sentimentos… • O que você achou mais interessante na história deste livro? • Quais outros personagens você inventaria? • O que você achou do final da história? • Como você teria ajudado as personagens das “casinhas coloridas”? • O que você achou do presente que o Mágico deixou para os habitantes da aldeia? Você gostaria de ter ganhado um presente assim? • Como você imagina que esta história poderia continuar?

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Atividades da Lata da Imaginação 1) Sobre a história • Se você fosse cada um dos habitantes das casinhas coloridas, o que faria dentro da Lata da Imaginação? • E se você pudesse convidar algumas pessoas de sua família, alguns amigos e conhecidos, quem você gostaria de ver entrando na Lata da Imaginação? • Por que o ponto de interrogação conduziu todo mundo para a Lata? • Qual das Latas você gostaria de ganhar do Mágico: a da Imaginação ou a de Sentimentos? • Se você fosse o Mágico-Artista, depois de trazer a Lata de Sentimentos e da Imaginação, qual outra Lata você acharia importante levar para a aldeia? 2) Sobre sua imaginação Se você pudesse dar uma forma, uma cor e um tamanho para sua imaginação, como ela seria? Escolha uma (ou algumas) das atividades abaixo para dar forma a ela! • • • • • •

Com biscuit ou massinha de modelar. Com pintura a guache em uma cartolina. Com sucata. Com uma colagem. Com um desenho feito com giz de cera ou lápis de cor Com várias latas que você for encontrando pelo caminho (lata de refrigerante, de leite em pó, de ervilha, de leite condensado etc.) e usando vários materiais, como papel laminado, crepom, glitter, purpurina, lantejoula, botões etc.

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3) Atividades “fora da lata” • Desenhe como você acha que é a Lata da Imaginação de cada pessoa de sua família. Quem você sente que tem a Lata maior, mais colorida e criativa? • Se você pudesse ser o Mágico-Artista e dar de presente uma Lata para alguém, para quem você daria? Qual Lata? Por quê? • Crie uma história de aventuras, em que você entra na sua Lata da Imaginação. O que você vê por lá? Quais aventuras acontecem? • Se você pudesse dar uma Lata da Imaginação de presente para sua escola, como ela seria? Como a Lata ajudaria em sua escola? • E se você pudesse criar e presentear o Brasil com uma Lata da Imaginação, como ela poderia ajudar nosso país? E para a Terra? Como a Lata da Imaginação poderia ajudar o planeta a tornar-se um lugar melhor? • Se você pudesse ser o Mágico-Artista e criar, ao mesmo tempo, dez Latas de assuntos diferentes, quais Latas que você criaria? • O que é “imaginar” para você? Como você percebe que sua imaginação está ajudando? • Escreva sobre as coisas que você mais imaginou em sua vida até agora, tanto as positivas quanto as negativas; tanto as mais bonitas quanto as mais feias. • Quem são ou quem é a pessoa mais imaginativa ou criativa que você conhece? • Quais as invenções e criações humanas que você considera mais criativas?

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4) Cartelas enigmáticas Invente um jogo de cartelas. Esse é um jogo gostoso de criar e jogar com mais de duas pessoas. Primeiro, corte um montão de cartelas do mesmo tamanho e depois escreva ou desenhe enigmas para que as pessoas advinhem o que é, por exemplo: • É gelado, colorido e é consumido no verão. Resposta: sorvete. • É uma personagem colorida, tem narigão e usa cartola. Resposta: o Mágico-Artista. 5) Mímicas da imaginação É só fazer a mímica de algo que você escolheu em segredo, dentro de você mesmo ou em grupo; os outros vão ter que imaginar e adivinhar o que é. 6) Sua vida lá para frente no tempo Imagine como será sua vida daqui a 30 anos. Coloque sua vida na Lata da Imaginação e veja que história ela ganha. Se você quiser, escreva e ilustre sua história. 7) Criação de um relógio Invente um relógio que, em vez de tempo, marca as cores de sua imaginação, de acordo com os diversos momentos do dia. Por exemplo: quando você acorda, que cor tem sua imaginação? E quando você toma café da manhã? E quando vai para a escola? E quando volta para casa? As cores de sua imaginação ficam sempre do mesmo jeito durante um dia inteiro ou ela vai mudando, conforme seus sentimentos, emoções e atividades? 8) Uma carta Escreva uma carta para o Mágico-Artista, contando para ele tudo que você gostaria de fazer com sua Lata da Imaginação.

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9) Mico sem perguntas e ideias Você conhece o Jogo do Mico? É um jogo de cartas em que você tem que ir achando o par de cada carta. A única carta que não tem par é a do mico e quem terminar o jogo com ela na mão, perde. É você quem vai criar e desenhar as cartas, inclusive a do mico. O seu mico vai ser um personagem meio sem graça, que não tem vontade de conhecer nem de perguntar nada e não tem ideia alguma sobre nada. Você consegue inventar um personagem tão sem graça assim? Depois, faça vários desenhos, cada qual com seu par, e convide amigos para jogar. Você pode, inclusive, convidar seus amigos para criarem juntos o jogo todo e cada um inventar seu próprio mico. O mais legal fica no jogo. Que tal? 10) Quebra-cabeça da imaginação Invente um quebra-cabeça em que o desenho nasce da imaginação. 11) Esconde-esconde Esconda, em algum lugar da sala, um embrulho com algum segredo dentro. Os outros vão ter que achar o embrulho e descobrir o tal segredo. E, quando fizerem perguntas, você só poderá responder sim ou não. 12) As histórias de cada um Espalhe alguns objetos no centro de uma mesa. Cada participante do jogo vai ter um papel e uma caneta para escrever uma história bem criativa a partir desses objetos. Provavelmente, as histórias serão bem diferentes umas das outras… Depois, faça duas pinturas ou dois desenhos diferentes (você pode fazer sozinho, em dupla ou em grupo). Olhando para todos os desenhos criados, invente uma história. 13) Um cinema dentro da gente Feche os olhos e imagine uma tela de cinema em branco dentro de você. Agora, deixe que alguma personagem surja de sua imaginação, na tela. Como ela é? Quem ela é? Veja se ela se movimenta, se encontra alguém ou cria alguma história.

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14) Sentindo músicas Coloque uma música de que você gosta muito e comece a desenhar ou pintar o que sente. Agora, coloque uma música de que você não gosta e descubra ou pinte o que sente. Como foi para você expressar esses dois momentos? 15) Como é a sua Lata da Imaginação? Crie sua Lata, usando os materiais que quiser. 16) Estar sozinho Para refletir: o que você costuma sentir e imaginar quando está sozinho, em silêncio, sem ninguém por perto? 17) Quando você for bem velhinho Como você imagina que será sua vida quando você for bem velhinho? 18) Um lugar da minha imaginação para as fotografias Pegue algumas fotos das quais você gosta (suas, de pessoas queridas, de momentos legais etc.). Tire uma cópia de cada uma, recorte as pessoas e cole-as em algum desenho que você vai criar para elas. 19) Minha vida como um conto de fadas Se sua vida fosse um conto de fadas, como seria? Qual é o conto de fadas que mais o emociona? Conte a história de sua vida como se ela fosse um conto de fadas, com heróis, vilões, magia, perigos, ameaças, amor, sucesso, conquistas e final feliz. 20) Se você fosse… Qual seria? Um carro? Uma fruta? Uma cor? Um animal? Um país? Uma música? 21) Imagine • Como seria o mundo se não existissem países? • Como seria sua vida se você fosse de outro sexo? • Como será a vida na Terra daqui a 500 anos?

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Atividades da Lata dos Caminhos 1) Para refletir • No dia a dia, você gosta de escolher as roupas que vai usar? Sua comida? Suas atividades? Seus amigos? • O que fazer com seu tempo? • E você acha difícil fazer escolhas? • Como você imagina o caminho do Mágico-Artista? E como você imagina o caminho do Bruxo? • Como são suas imaginações construtivas? E as destrutivas? 2) Desenhe O caminho das coisas únicas e o caminho das várias possibilidades. 3) Escreva Sobre as escolhas mais difíceis que você fez em sua vida 4) Crie Sua própria Lata dos Caminhos (ou Lata das infinitas possibilidades) usando sucatas, materiais plásticos, gráficos, argila, massinha de modelar, papelão ou os materiais que você tiver vontade. 5) Imaginação Use sua imaginação e escolha um caminho bem diferente para sua vida ou para a vida das pessoas que você conhece! Brinque de imaginar histórias bem criativas. Por exemplo: como seriam seus caminhos se você fosse um animal, ou uma fruta ou uma pessoa idosa, ou um alpinista? Como seria a vida de seu pai se ele fosse um astronauta e de sua mãe se ela fosse dona de uma sorveteria?

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6) Invente e escreva Uma história em que a personagem principal encontre em seu caminho a Lata dos Caminhos. Essa história deve ter um desafio, um vilão e um final bem inesperado. 7) Pense e escolha Uma cor, uma forma, um cheiro, um tamanho, um gosto, um brilho… que combine com você. 8) Que tal? Criar bonecos com argila, massinha de modelar ou biscuit que representem os caminhos de cada um dos habitantes da aldeia? Convide amigos ou sua família para criarem junto com você. O cientista, o artista, os políticos, filósofos, as pessoas urbanas, as pessoas das montanhas, as pessoas dos mares, as pessoas dos jardins, as pessoas que se transformam, as pessoas da prisão, as pessoas da liberdade, os analfabetos, os escritores, as crianças, os idosos, os animais, os ecologistas. Quando todos estiverem prontos, perceba como eles ficam juntos. Que mundo é esse que foi criado? O que acontece com cada um deles nesse cenário? 9) Mandala Pesquise sobre o significado e os tipos de mandalas e invente a sua, com desenho ou pintura. 10) Argila Crie com argila o caldeirão do Bruxo. 11) Para inventar • Que tal inventar uma chuva de estrelas coloridas? • Que tal inventar um planeta colorido e brilhante? 12) Responda Qual foi sua melhor e maior criação?

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Editora Evoluir, 2015 Título original Texto Ilustrações Revisão Design gráfico

A Lata de Sentimentos e seus caminhos Mônica Guttmann Marcos Almeida Elisa Andrade Buzzo e Fabiana Chiotolli Uriá Fassina

Conselho Editorial

Bia Monteiro, Chico Maciel, Fernando Monteiro, Flavia Bastos, Lilian Rochael e Uriá Fassina

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Guttmann, Mônica A Lata de Sentimentos e seus caminhos / Mônica Guttmann ; [ilustrações de Marcos Almeida]. — São Paulo : Evoluir, 2015. 1. Emoções - Literatura infantojuvenil 2. Sentimentos - Literatura infantojuvenil I. Almeida, Marcos. II. Título. 15-09251

CDD-028.5

Índices para catálogo sistemático: 1. Emoções : Literatura infantojuvenil 2. Sentimentos : Literatura infantojuvenil

028.5 028.5

ISBN 978-85-8142-086-8 Este livro atende às normas do novo Acordo Ortográficos da Língua Portuguesa, em vigor desde janeiro de 2009. Fontes Papel miolo Papel capa Impressão

Ideal Sans e Blenny Offset 120g/m² Triplex 300g/m² Elyon (São Paulo)

Impresso em outubro de 2015

Esta obra é licenciada sob uma Licença Creative Commons 4.0 Internacional que permite que você faça cópias e até gere obras derivadas, desde que não as use com fins comerciais e que sempre as compartilhe sob a mesma licença.

Editora Evoluir · FBF Cultural Ltda. Rua Aspicuelta, 329 · São Paulo-SP · CEP 05433-010 (11) 3816-2121 · ola@evoluir.com.br · www.evoluir.com.br


Em A Lata de Sentimentos e seus caminhos, Mônica Guttmann procura instigar o autoconhecimento em seus pequenos e grandes leitores de maneira divertida, descontraída e lúdica. Este não é apenas um livro infantil, ainda que seu público principal sejam as crianças. O livro atende muito bem também ao universo de adultos interessados no autoconhecimento e na sua evolução como seres humanos, além de destacar a importância do respeito aos valores essenciais como a ética e a solidariedade. Nossa evolução como indivíduos passa por desafios de cunho emocional e, acima de tudo, envolve escolhas e responsabilidades. Explorando de forma alegre e reflexiva os “sentimentos”, a “imaginação” e os “caminhos”, a autora demonstra que, com um pouco de criatividade e uma boa dose de imaginação, nossas escolhas podem sempre ser reinventadas ou redirecionadas e transformar trajetórias de vidas.

ISBN

978-85-8142-086-8


A Lata de Sentimentos e seus caminhos