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diagramado por: Alexandre Gaiser Marco Ant么nio Victor agosto 2008


11.mar.8 do amor Quando gostamos muito de algo (ou até de alguém), pode parecer impossível falar dessa coisa, ao mesmo tempo em que é impossível não falar dela. Então sai algo um quê desajeitado e quase que "injustificável" mesmo. Porque do amor que sentimos pela coisa, ao mesmo tempo em que queremos revelá-la aos outros, é tanto o nosso amor, que parece impossível que os outros já não a compreendam. Se alguém me perguntar de "coisas importantes" (que é como eu chamo estas profundamente amadas), é provável que, para não "derreter", eu tenha que simplificar tamanho o amor, até caber em uma explicação como a explicação que existe para todas as coisas que existem. Então pode ser também que eu tente desamar um pouco, para não ter que passar pelo constrangimento dessa simplificação; e as explicações ganham uma espécie de objetividade que vem, no fim, dessa "queda de vida" (a vida que vai embora quando se desama, ainda que "funcionalmente"). "Maturidade" é quando começamos a conseguir falar do que amamos como se fosse algo objetivo sem desamar. Maturidade é plenitude.

Obs.14.jun.8 Tem que ser possível conciliar plenitude e sobrevivência! Como sobreviver no mercado? E na academia? Eis o desafio para os próximos capítulos...

Carolina Silva Oukawa (do caderninho de 2008)


“A construção do estar é simultaneamente a criação do ser” No começo deste ano, surgiu-me a idéia de iniciar um novo grupo de extensão universitária, voltado para a questão habitacional em São Paulo. Inicialmente, a idéia veio de um trabalho, com o qual colaborei, do arquiteto José Fabio Calazans, em uma ocupação da qual ele faz parte, enquanto arquiteto, trabalhando lá desde seu começo, há 20 anos. Trata-se da famosa Centreville, em Santo André, que até hoje está de pé, e graças a toda essa luta, agora já é terreno da CDHU e está prestes a ser reurbanizada e reconstruída, lutamos para que de acordo com a arquitetura de Zé Calazans. No primeiro semestre, juntei alguns colegas e desenvolvemos algumas reuniões, inclusive indo visitar uma favela em Santo André, a Vila Irene II, para fazermos um primeiro contato. Lá nos informaram que eles já têm um projeto pronto e a construir, da prefeitura, com ajuda do PAC. Pareceu-me claro, naquele momento, que estávamos colocando o carro na frente dos burros, pulando etapas importantíssimas para a formação de um projeto de extensão. Um projeto não surge do nada. Nem um grupo surge do nada. Ele pode surgir naturalmente, mas é necessário que desenvolvamos uma formação teórica conjunta dos possíveis membros de um grupo. E o ideal é que a demanda e interesse surja da própria comunidade cm quem se trabalha, qualquer seja ela. Mas, frente à atual enorme barreira social, física, cultural e econômica entre a universidade e os setores pobres de nossa sociedade, essa iniciativa pode ser forçada por nós, desde que se tenha consciência disso. E que a partir de então, sintamos uma real disposição por parte da comunidade (, bairro, favela, aldeia, o que for..). Agora, o primeiro passo está prestes a ser tomado por um grupo de estudantes que está organizando o EPA! –encontro projeto ação– (o nome não é certo, mas o que importa é o conteúdo), para aprofundarmos a questão da atuação prática e política do arquiteto em formação. Como forma de contribuir inicialmente para tal, transcrevo este texto de Zé Calazans, escrito na ocasião de um Caderno Brasileiro de Arquitetura, - publicação da revista Projeto, de 1981, sobre a arquitetura de Carlos Zanettini, nosso aposentado professor. É bem esclarecedor de sua –Zé Calazans– idéia de arquitetura, e, para mim, foi um dos mais empolgantes textos lidos sobre nosso ofício.

Diego Hosiasson Kapaz


Depoimento Na arquitetura brasileira, a estrutura, a construção, não são meros pretextos para o trabalho criador, como se a beleza fosse algo que paira acima da realidade concreta. Para Zanettini, trabalhar a técnica significa também investigar as formas sociais para produzi-las, como se as relações dos homens entre si, no ato de produção, fossem cada vez mais importantes para o seu resultado. Até mesmo os usuários são convocados para participar da atividade de projetar, trazendo o uso para dentro da própria produção, sem que o arquiteto perca, entretanto, sua autonomia. Em algumas obras, esse modo de trabalhar, essas preocupações com a produção da cidade parecem comparecer no próprio espaço nos fazendo visualizar uma cidade onde convivam, entrelaçados, acrisolados nos produtos do trabalho humano, a tecnologia mais desenvolvida com as técnicas mais rústicas, até locais, feitas com muita gente trabalhando. O trabalho do arquiteto ganha a dimensão de um projeto coletivo onde construir significaria ao mesmo tempo organizar a vida social. Frente às suas obras sempre acabamos discutindo as relações entre o espaço e a construção, o espaço e a estrutura, a arte e a técnica. Na arquitetura paulista, nossa referência, as relações sociais participam, dão sentido para o próprio produto. Nossa vida, dentro de um espaço que conta assim com ela, faria parte, cada vez mais, da própria obra. Espaço e homem se completam. Parecem compreendê-lo como objeto e sujeito do próprio ambiente, capaz de pensar o espaço não só com os olhos de um espectador que contempla algo dado, fora dele, mas de constituí-lo conforme vive dele. Vivendo numa nação privada de sua história, nos acostumamos a ver esses dois momentos do trabalho do arquiteto como momentos distintos. Fruto talvez da ruptura entre o trabalho criador e a vida social, pensamos e permanecemos divididos entre uma fronteira colocada entre a arte e a técnica, o planejamento e o urbanismo, e até entre o econômico e o político. Por um lado, a construção é pensada como algo que constrange um espaço que se justapõe, até se esconde dela. A estrutura parece ser um mero esqueleto. A forma dominada por uma lógica anterior à vida. Os detalhes, meros pormenores de um todo já pronto que parece existir independente de suas partes. Como se o particular fosse uma limitação ao universal, o programa um limite ao projeto, a necessidade um limite à liberdade. Por outro lado, o espaço é visto como algo que constrange a construção, como se a forma fosse uma espécie de camisa de força da matéria. Enxergam na busca da unidade, na afirmação da cidade como um todo estruturado, uma forma pobre, uma caixa que empacota a vida, forma abstrata dominada por uma lógica plástica, apriorística que abriga quaisquer estruturas, quaisquer circunstâncias. Vêem no todo algo que constrange as suas próprias partes, desrespeita sua autonomia. O projeto seria uma


limitação ao programa. O urbanismo, uma prisão da cidade, como se o social fosse um limite ao individual. Ou então o resultado imediato da simples soma de duas partes. Concebem os produtos do trabalho humano como expressão mecânica de seu processo de produção, os produtos industriais como o simples arranjo de seus componentes. Nas entrelinhas, o processo industrial como um processo cujas operações estão determinadas pelo produto. Envolvidos com os compromissos imediatistas da produção acreditam, entretanto, que o descompromisso da produção com o seu destino final é condição para a eficiência da própria produção. Sem o olhar da história, imaginam o objeto ou o desenho industrial como mero produto, descomprometido do seu significado para a própria vida. Resolvem essa contradição eliminando o projeto. Lamentam a destruição inevitável do individual, como se realmente, o social fosse um limite à sua existência. Mas desenham a casa, a escola, a própria cidade como se a industrialização, a solução para sua necessidade de reprodução, fosse a sua repetição em série, independente dos compromissos de cada objeto com suas circunstâncias particulares. Entretanto, mesmo dentro de uma universidade desvinculada da vida social, foi pelo convívio com as obras da arquitetura paulista que, talvez, tenhamos compreendido que esses dois momentos não são dois instantes distintos do trabalho criador. Pelas obras, pela própria vida urbana, pudemos aprender uma visão da história que supera essa dualidade colocada entre uma natureza sem história e a cultura, o pensamento entendido como algo acima da própria história da natureza. Realmente vemos o que não víamos. Vemos nessa história da arquitetura que as técnicas, a construção, os materiais participam desse espaço de convivência sem perderem sua autonomia. Uma porta aberta pode alterar o espaço inteiro de uma casa. Os pilares não são uma coisa como sustentação, outra como forma, como elemento do todo. Nem mesmo a paisagem, as plantas, são apenas plano de fundo, qual natureza morta, onde se situa a intervenção humana, ainda que levemente colocada. Participam da obra, constituem um espaço, enquanto natureza incorporada à história humana. A criação do espaço não é um momento posterior à produção, nem tampouco a produção um ato anterior à vida. A construção do estar é simultaneamente a criação do ser. O extremo rigor no trato da construção, até uma aparente ortogonalidade, seria justamente condição necessária para a concepção de um espaço que se liberta das paredes, da técnica, da pura geometria. Em alguns edifícios, até cidades, não vemos os seus limites mas reconhecemos pertencer a um espaço maior que a construção. Um espaço curvo pode brotar das paredes retas, não é mais o simples vazio contido pelos planos materiais. Até os intestinos não visíveis são incorporados a este espaço que parece compreender a vida urbana como um todo indivisível desde a soleira da casa até a porta da fábrica.


Cada função, cada lugar está referenciado ao espaço da cidade, participa da construção da vida social sem perder a sua característica. Pelo contrário, quanto maior o desenvolvimento das relações sociais, maior a independência, a liberdade, a caracterização do próprio indivíduo. O todo é maior do que a simples sucessão dos instantes, mas o retângulo externo não surge como um perímetro abstrato, alheio às circunstâncias particulares, como se fosse apenas uma cobertura que abriga quaisquer atividades, quaisquer estruturas. O todo não é algo dado, pronto, que se recheia com o conteúdo das partes. O projeto não antecede as relações sociais, mas também não as reproduz simplesmente, como se o sistema social fosse independente dos fatos, a estrutura um esqueleto da vida. Sua visão de estrutura parece concebê-la como algo dinâmico, que se transforma com a história humana. O todo se cria na interação das partes em si e simultaneamente com o próprio todo em criação. A transparência das relações sociais seria a conquista possível de uma história que transforma a humanidade inteira, o planeta, num todo estruturado. Quanto maior a vinculação entre as próprias partes e o próprio todo, maior a transparência não somente das relações das partes entre si mas da criação do próprio todo. Perceber é sempre refletir a parte, relacioná-la, inseri-la num todo em movimento. Quanto mais a vida social se entrelaça com o processo produtivo, quanto mais a história se intrinca com o universo, mais a história humana ganha uma autonomia em relação ao puro domínio da natureza. O seu domínio, até a transformação das próprias relações de produção, é cada vez mais a subversão das relações sociais. A transformação econômica é ao mesmo tempo a transformação política. Somos cada vez mais objetos e sujeitos de nossa história. Pela subversão das condições que nos determinam, nos recriamos, recriando o próprio ambiente que nos cria. Entretanto, o conhecimento das condições que nos determinam, o esclarecimento das direções da nossa história, a consciência do todo, não é possível se não por dentro do movimento, até da criação do próprio todo. A descoberta do sentido das coisas seria sempre a criação de sentido. A transformação política é cada vez mais a transformação cultural. A totalidade das relações sociais amplia de importância para o resultado da própria produção não só as relações dos homens enquanto produtores. O próprio destino do produto do trabalho humano, o uso, tem importância maior, não só na eficiência do processo produtivo mas no controle global das suas forças. No desenho de alguma cidade, a casa e a cidade se misturam tanto que as casas até podem ser menores. É a contribuição do cultural ao próprio econômico. A arte não só conforma o nosso gosto, enriquece nosso repertório, esclarece as nossas formas de trabalhar, como contribui para desenharmos a nossa própria vida. É a dimensão política da atividade cultural. Sem ela, sem a cidade, não poderíamos conhecer as condições que nos determinam. A solução da casa, da escola, enfim, de cada problema particular, antes que limite,


enriquece e amplia não só as possibilidades, como até a eficiência da própria indústria. O maior compromisso entre os produtos e a produção se revela no desenho contemporâneo, justamente como possibilidade de aumento de liberdade do próprio processo de criação do produto em relação à forma com que eles são produzidos. As operações do processo industrial estão realmente, cada vez menos, em estrita dependência com os produtos. Os seus componentes servem às diversas funções, a diversos objetos. Os produtos chegam a ser quase o resultado imediato da forma de produção. São às vezes o simples sopro das máquinas. Nada mais. Não são, entretanto, o puro resultado mecânico do processo, a mera articulação dos componentes no mercado, como se o processo industrial fosse um limite à solução do problema particular, ao trabalhador criador. Pelo contrário. Os próprios componentes se transformam no desenho e na montagem do produto. Os produtos recriam o processo, quase a sugerir o encantamento do trabalho humano, até das máquinas, pelo fazer artístico. Aumentam os limites e abre-se a possibilidade da arte invadir o cotidiano. O próprio viver ganha a dimensão de espetáculo dentro dessa cidade que parece se criar com a própria vida política. No convívio entre os homens o espaço se completa. Objetos e cidades São simultaneamente produtos e obras. Produtos desse viver e proposta de convivência. No domínio do homem sobre a natureza o homem se cria e se inventa. É a contribuição do programa ao projeto. No desenho de novas relações sociais, no desenho da cidade de um outro social, na subversão de suas condições, o homem descobre as formas de equacionar a sua própria sobrevivência. Seria a contribuição do projeto ao programa. A manifestação da beleza.

José Fabio Calazans


Anotações sobre arquitetura, por Oswaldo Bratke O que me foi dado a aprender na escola e na vida profissional em relação à profissão de arquiteto é que: a) Arquitetura é uma arte de utilidade e como tal deve ser: -ajustada ao homem e não este se adaptar a ela, com espaços e proporções justos para o uso que se destina, objetivando o bem-estar do usuário; -apresentada com soluções simples e autênticas para seu uso eficaz; -planejada de maneira a ter seu ter seu preço justo, duração desejada e de manutenção fácil e econômica; -despida de componentes desnecessários; -ajustada às condições climáticas, aos materiais disponíveis e às técnicas em voga; -de beleza de forma, que é a essência da arquitetura e a alegria dos olhos; passada uma era, é a forma que será julgada e mostrará as qualidades do arquiteto. -de maneira a refletir seu uso específico. b) Não devem ser postos de lado os conhecimentos do passado, antes analisá-los para saber de quais ensinamentos podemos usufruir para a solução dos problemas modernos. c) Uma obra arquitetônica não é um elemento isolado e sim uma peça de um sistema existente ou a se formar, que, completado, deve ser um complexo harmônico e que, atravessando os tempos, se autentica, conta a cultura de uma época. d) Para ser um bom arquiteto, não se precisa ser necessariamente um gênio, e sim conhecer o métier. In: SEGAWA, Hugo. Oswaldo Arthur Bratke. Pro Editores, São Paulo: 1997. p. 94.

enviado por Alexandre Gaiser


Vita Activa FAU enviado por Dedi Conard


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E M AG O S TO :

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O fato dos muros Devaneios do núcleo Cogumelo Nossas vidas são cercadas de fatos. Fato a fato, construímos nossa realidade, o mundo que nos cerca. Os fatos da política, os fatos da mídia, o fato do aquecimento global, do futebol, da televisão, do domingo, olimpíadas na china, etc, etc. Com abordagem e enfoque diferentes, a cogumelo publica dois textos que olham de perto o fato dos muros. Como os muros se fazem presentes, mais do que parecem.

Alexandre Sato, Natália Espada, Erick Fugii e Otávio Limão O Conto da Menina sem Olhos e o Garoto sem Fala O garoto sem fala gostava da menina sem olhos. Eram vizinhos. O que os separava era um pequeno muro de mais ou menos um metro de altura entre os jardins dos dois. Todo dia a menina sem olhos regava suas plantas do jardim. Devido a sua condição, essa atividade arrastava-se por um bom tempo. Não era incomum o menino sem fala encontrar a menina regando uma pedra ou um desses anãozinhos de gesso. Mas ele não a avisava de seu engano, mesmo porque não poderia. Assim tinha mais tempo para admirá-la. Ficava ali, todos os dias, numa contemplação silenciosa. Mais pela natureza do que por opção. Gostaria de responder quando ela, às vezes, falava sozinha. Não sabia como chamar sua atenção. Pensava em mil coisas pra dizer a ela. Mas de que adiantava? Então ele chacoalhava os braços, se agitava todo, batia o pé no chão. Contudo, o máximo que arrancava da menina sem olhos eram alguns suspiros. De susto. A menina sem olhos, por sua vez, talvez mal soubesse da existência do menino sem fala. Sabia que tinha um vizinho, mas o máximo que escutava eram alguns barulhos quando ia regar suas plantas e se assustava com eles. Perguntava quem era, se havia alguém ali, mas ninguém respondia. Poderia ser brincadeira do vizinho, pensava. Se


fosse, era de muito mau gosto, concluía. Cogitou passar parar o outro lado do muro e ver, desculpe... averiguar se havia alguém. Mas, se houvesse provavelmente sairia correndo de medo de uma menina sem olhos. Então passava seus dias sozinha, digerindo sua solidão. Sua solidão escura. Às vezes conversava sozinha no jardim, fazia pausas, como se esperasse por uma resposta. Desejava que alguém um dia respondesse, e que talvez a ajudasse a regar suas plantas. O menino sem fala pensava em pular o pequeno muro também. Mas isso não é coisa que se faça, refletiu. Mesmo porque, o que ele faria? Tocaria nela? Ela faria perguntas das quais ele não poderia responder. Desesperado escreveria alguma coisa, faria mímicas, ou um desenho de um coração patético. Seria em vão. O problema afinal não era aquele murinho de tijolos. O problema era outro muro. E este outro muro ele não sabia como pular. Então ficava como ficou. Todo dia eles se encontravam sem se encontrar. Uma falava, outro olhava. E quem olhasse de fora bem que poderia ajudar. Mas afinal, daria certo? As coisas são como são.


Lero lero sobre ferramenta Ferramenta: fer.ra.men.ta. substantivo feminino, do latim ferramenta, plural de ferramentum. Ferramenta é qualquer instrumento empregado nas artes ou ofícios. Ferramenta é também um mecanismo físico ou mental que forneça alguma vantagem no fazer de determinada atividade. Já inventamos diversas ferramentas, dentre elas a picareta! A picareta é comumente utilizada nas minas para escavar a terra, arrancar e quebrar rochas, mas é também muito empregada na demolição de pequenas edificações e muros. Muros: muros por muitas vezes nos dão a sensação de proteção. Muros viram símbolos, muros são o suporte de muitos artistas urbanos. Muros foram feitos para vedar, para organizar, para segmentar, para separar. Aqui, na FAU, existem também muros muito curiosos. Muros que segregam, muros que separam e segmentam os alunos, a produção e os esforços. Aqui existem muralhas sólidas e enraizadas que separam os departamentos e que qualquer comunicação formal entre as unidades parece impossível, há também os muros dos estúdios que não só separam os ateliês, mas também os alunos, bichos,veteranos ,colegas da mesma ‘turma’ e professores. E por fim existe o muro entre arquitetura e design, que nos livros são tão próximos, aqui na FAU são separados por um grande e opaco muro. Um muro burro. Peguemos as nossas picaretas e derrubemos os muros! Picaretas certamente não faltam aqui! Mas as nossas picaretas não derrubam muros, estão enferrujadas, não funcionam e talvez até ajudem a conformá-los.


O Conto da Menina sem Olhos e o Garoto sem Fala Lero lero sobre ferramenta Ilustrações

Núcleo Cogumelo Otávio Limão Alexandre Sato Erick Fugii


Estudantes de arquitetura na periferia do capitalismo

O texto que segue é um conjunto de pensamentos e reflexões, mais ou menos desconexos, mais ou menos desenvolvidos e mais ou menos pertinentes. Espero que apreciem a leitura e espero que eu consiga de alguma forma contribuir para qualquer debate que ocorra ou venha a ocorrer. Começo e termino com as necessárias citações ao mestre.

1 “Ninguém nega, ninguém pode esconder o caos que impera nas cidades que a burguesia dirige. Muito ao contrário, todos acompanham os protestos populares, inclusive os urbanistas e tratadistas que até disputam entre si os argumentos para reforçar e dar cores vivas às misérias urbanas. Os livros de urbanismo, em geral, são um passeio aos cortiços. Americanos querem para si a desonra de possuírem em Nova Iorque um Harlem – o maior cortiço do mundo. Já autores ingleses ressaltaram num masoquismo mais digno, à inglesa, as misérias de seu East End. Entre nós, em São Paulo, é a própria prefeitura que exerce o cinismo burguês à falta de “autores qualificados”. (...) (...) Os termos para isentar de culpa a burguesia, para convencer que não adianta derrubá-la do poder, que tudo sempre foi o que é, são diversos. (...) O remédio que unanimemente se recomenda para aliviar as situações é a planificação. A isso também estamos acostumados em São Paulo. (...) (...) Planos e mais planos, que em resumo oferecem à humanidade, de um lado, o


primarismo medieval, do outro lado, o fascismo.(...) (...) A casa popular foi reconsiderada, glosada, estudada, por todos os arquitetos, sob todos os aspectos possíveis e imagináveis, em todos os países. (...) Bastava produzir em série. (...) (...) Surge afinal, a questão: onde ficamos? Ou: o que fazer? Esperar por uma nova sociedade e continuar fazendo o que fazemos, ou abandonar os misteres de arquiteto, já que eles se orientam numa direção hostil ao povo, e nos lançarmos na luta revolucionária completamente? Nenhum dos dois, unicamente.” (1952) ARTIGAS, “Caminhos da arquitetura moderna” in Caminhos da arquitetura; São Paulo: Cosac e Naify, 2004, pp38-39, 49 (todos os grifos são meus)

2 “(...) Eu cheguei a assumir a responsabilidade de dizer para vocês que o caminho que eu estava indicando era o caminho que, no futuro, faria de vocês homens dignos tal como eu pensava que eu era. Agora, na sua frente, eu posso pedir profundas desculpas. O nosso projeto nacional não funcionou e não se pode por a culpa no Partido Comunista. E hoje, quando vejo o PT falando em consultar as bases pela TV, me dá vontade de dar risada.” (Artigas em entrevista a Paulo Markun, 1984) “As idéias do velho mestre” in Caminhos da arquitetura; São Paulo: Cosac e Naify, 2004, pp172 (publicado originalmente na Folha de São Paulo, edição do dia 19 de janeiro de 1985)

3 “(...) Para discutir os projetos com os mutirantes, os arquitetos inventaram algumas metodologias. Cito três das mais exemplares. A primeira utiliza um modelo tridimensional, o 'maquetomóvel', uma maquete desmontável e remontável. (...) A segunda metodologia entrega ao mutirante o controle do processo. (...) Os arquitetos, neste caso, trabalham apenas como leitores dos desenhos, os quais levam para o escritório e avaliam. (...)


A terceira alternativa, cética em relação à ação direta dos mutirantes (...), reinvidica um papel mais ativo ao arquiteto no processo de projeto. (...) Em assembléia, o arquiteto apresenta em grandes pranchas elementos que representam usos domésticos (...) o arquiteto debate com os mutirantes e conduz o processo, põe janelas no canto e não no meio, faz recuos e recortes que jamais seriam propostos, tentando fazer aparecer seu desenho e explicando suas motivações. (...)Se os arquitetos estiverem motivados a construir obras com invenção e não apenas com reproduzir com correção técnica a autoconstrução, quais argumentos devem utilizar, por exemplo, para rechaçar os balaústres ou as janelas arqueadas coloniais? Para isso o arquiteto não pode apenas lançar mão de sua razão técnica, afirmando por exemplo que são elementos construtivos antieconômicos, pois estaria assim impedindo o diálogo franco e restituindo sua 'autoridade' inqüestionável de técnico de nível superior. Se é preciso criar uma cultura arquitetônica comum entre arquitetos e mutirantes, ela deve ser francamente debatida e experimentada até consolidar um novo imaginário do que seja o habitat popular numa grande cidade. ARANTES, Pedro Fiori, Arquitetura Nova; São Paulo: Editora 34, 2002 A idéia de “projeto de país” na nossa condição atual pode até ser considerada mito ou falácia por alguns. Porém, é inegável que esta faculdade – e tudo aquilo que nela prezamos – foi construído sobre o debate a respeito de um projeto de país. Se hoje estudamos o que estudamos em nosso currículo é porque em algum momento fazia sentido ao projeto de país que se estava desenhando que arquitetos contribuíssem desta ou daquela maneira ao desenvolvimento da sociedade. Aquele projeto de país falhou. Permito-me uma indagação bastante superficial: se não há projeto de país por trás do nosso currículo atual, então, qual o motivo de aplicá-lo?

[1] Recentemente Jorge Wilheim¹ publicou um texto na Folha de São Paulo no qual tenta alertar a sociedade paulistana das barbaridades arquitetônicas que ela própria produz. Segue um trecho: (...) Quando plantas dos apartamentos são publicadas, espanta-me a similitude dos programas e dimensionamentos: parece que há um único protagonista a desenhar com sua "mão escondida" todas as plantas, com iguais dimensões dos quartos, denominações sempre que possível em inglês

1 O texto pode ser lido em http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc226/mc226.asp


e a presença inevitável, esta brasileira, da churrasqueira. O que não se publica é o nome do arquiteto autor desses projetos! A "mão escondida" o apagou, seja por não considerá-lo importante a ponto de figurar ao lado do decorador, do paisagista e dos realizadores do empreendimento; seja porque o próprio arquiteto não se sinta à vontade com o resultado. Se arquiteto existe, como entender, tiradas poucas exceções, o descaso com a estrutura e com a fachada, geralmente um aplique colado, muitas vezes imitando um paupérrimo estilo neoclássico? Ao percorrer a cidade, vejo, com espanto, o resultado disso: um descalabro arquitetônico, na profusão grotesca e gigantesca de fachadas sem caráter, uma acúmulo de mediocridade preenchendo a paisagem urbana, num completo descaso com a rua em que cada prédio se localiza, ao atulhá-la com trânsito que não pode suportar e uma seqüência de grades, muros, muralhas com guarita, por vezes parecendo-se com presídios. Expressão voraz e predatória do privado não-urbano, recusa da cidade e da vida societária, exclusão ostensiva de tudo o que é público, de todos.(...) Reparo em outro aspecto do texto de Wilheim: ele se pergunta porque ocorre neste fenômeno a total anulação da interferência da figura do arquiteto na configuração dos edifícios que compõem este cenário. Não é, claro está para todos, uma pergunta inédita. Há na biblioteca da FAU um bom mestrado sobre o tema. Cito um trecho de um artigo baseado na pesquisa e publicado na Revista da Pós: (...) A pesquisa de mercado, a qual em alguns momentos é apresentada como doadora incontestável da autoridade do profissional de marketing, atestando sua legitimidade com relação ao atendimento dos desejos do consumidor, tem como objeto não só as formas materiais que o produto possa assumir, mas também suas possíveis imagens, os signos que possuem trânsito, penetração em identificáveis nichos da demanda. É nesse sentido que o profissional de marketing se introduz como emissor das representações dos produtos imobiliários, como produtor de sentido do espaço, papel o qual, socialmente, parecia até aqui ser atribuído ao arquiteto.(...)² grifo meu O assunto está fartamente estudado: sabemos que para o atual mercado imobiliário residencial a pesquisa de novas tipologias arquitetônicas, a busca de soluções inovadoras e criativas e o incentivo à “boa arquitetura” não fazem sentido, visto que não é este tipo de característica que “agregará valor aos projetos”. Os enormes lucros de que este mercado goza provém da exploração de mão-de-obra desqualifi 2 COSTA, André; Imagem da Arquitetura e Arquitetura da Imagem: uma investigação acerca da construção dos discursos na produção do espaço urbano


cada, da limitação do mercado a uma faixa de renda restrita, da caixa preta dos BDIs, quando de obras públicas, etc, etc. Jorge Wilheim, como se sabe, é um mais importantes especialistas em planejamento urbano no país e um dos principais nomes na construção do atual plano diretor da cidade. Como sabemos, trata-se do plano que, em toda a história, mais avanços estabelece em relação ao estabelecimento de instrumentos de combate ao capital imobiliário especulativo, ao repovoamento do centro, e em relação à redução das desigualdades urbanas. É também o plano que – justamente por contar com todos estes instrumentos – prova que planejamento não consegue reduzir desigualdade nenhuma e que trata-se de ferramenta dotada de imobilismo em relação à situação de segregação intensa a que se submete grande parte da população. Provou que, não importa o quão bem intencionadas sejam as estratégias de dotar o processo de planejamento de participação popular, é justamente esta participação que é subvertida pelo capital e por este utilizada como justificativa para a manutenção do estado de coisas que vivemos. Há espaço hoje para se falar em Desenho? Projeto de cidade? Projeto de país? Atuação política? Sobreviver?

[2] Nos anos 50, 60 e até meados dos 70, o modelo de atuação liberal do arquiteto estava efetivamente associado a um certo projeto de país. Valia o discurso da “boa arquitetura”: pregava-se que o arquiteto, mesmo exercendo atuação liberal – e portanto, mesmo atuando no setor privado –, tinha em mãos a possibilidade de propor uma cidade mais justa em seus muitos projetos, assim como uma estética de vanguarda para nosso tempo e nosso país. Havia poucos profissionais no mercado e um público consumidor formado por uma certa parcela da elite local (intelectuais, professores universitários, etc) propício à experimentação e às novas formas. Nos anos 70, por outro lado, assistiu-se a uma proliferação de empresas de engenharia de médio e grande portes que também passaram a contratar arquitetos – tome-se o caso paradigmático da Hidroservice e seus cento e tantos arquitetos assalariados. Neste momento, Rodrigo Lefèvre chega a escrever um artigo para a revista Módulo pregando esta forma de atuação como um vetor necessário e oportuno ao desenvolvimento do país e à superação de desafios sociais. Surgidas com o milagre econômico do regime autoritário, logo elas se desintegraram. O cenário para a atuação liberal hoje, porém, certamente não é mais similar àquele dos anos 50 ou 60. Não existe mais a tal da “elite intelectual” e não são poucos os profissionais que todos os anos as muitas escolas despejam no mercado. No entanto, estas escolas insistem em constituir seus currículos segundo o paradigma da atuação liberal.


Pensemos, porém, que um arquiteto que se vê sem alternativas de utilizar-se de sua prática profissional como instrumento de transformação da cidade e da sociedade escolha levar uma “vida dupla”: submete-se às dificuldades e as frustrações que o trabalho cotidiano oferece mas resolve militar em um movimento ou partido político como atividade secundária. Será que só é possível pensar nestas duas esferas (do trabalho e da política) com esta dualidade opressora? O profissional se vê sem condições de estabelecer uma práxis que tenha algo a dizer ao mundo e se conforma com isto, estabelecendo duas frentes de atuação: uma pragmática, no trabalho e outra militante, na política. Fatalmente a opressão da esfera do trabalho impedirá a continuidade da luta política deste sujeito. Pergunto-me: faz sentido em se falar, nos dias de hoje, em unir novamente práxis e trabalho? Há espaço hoje para se falar em projeto de cidade? Projeto de país? Atuação política? Sobreviver?

[3] Uma das alternativas que se levantou a partir dos anos 80 foi o da atuação direta dos arquitetos com os movimentos ligados com a reforma urbana de uma forma geral e com os movimentos de moradia em particular. Durante a gestão de Luíza Erundina em São Paulo (a qual por si só já foi revolucionária³), houve uma ebulição de assessorias técnicas se formando e trabalhando junto de movimentos de moradia na construção de conjuntos habitacionais por meio de mutirão autogerido, coordenadas pelo programa Funaps-Comunitário (capitaneado por Nabil Bonduki). Com o fim da gestão e com o fechamento, por parte dos governos conservadores que se seguiram, da máquina pública a muitas destas experiências, houve também a dissolução de algumas destas assessorias. A citação de Pedro Arantes, a terceira a abrir este texto, explora bem o significado e as dificuldades que envolvem esta forma de atuação. Não há dúvidas: todo o conjunto de experiências com mutirões autogeridos que existiram nos últimos 20 anos foram fundamentais especialmente para a formação de um grupo de movimentos sociais maduros e autônomos. Não há dúvida: trata-se de um conjunto de experiências que efetivamente levou à emancipação de muitas lutas localizadas e à constituição de um cenário de alternativas à crise social do país. Porém, tudo indica que a conjuntura política atual – excessivamente reacionária – estabeleça um processo de sufocamento cada vez maior destas experiências, 3 Como sempre, não podemos deixar de lembrar da presença de Paulo Freire na Secretaria de Educação, Paul Singer no Planejamento, Ermínia Maricato na pasta de Habitação e Desenvolvimento Urbano e Marilena Chauí na Cultura.


tornando-as mais e mais localizadas. As dificuldades próprias a cada uma delas tendem a indicar – no longo prazo e infelizmente – o isolamento das demandas e dos grupos, assim como a eventual reprodução nestes projetos das condições de segregação que os próprios tentam combater: são projetos que não conseguem ser executados em terrenos que não os mais periféricos, muitas vezes tentando combater o processo de periferização das cidades mas participando dele. Recentemente participei da visita ao assentamento D. Thomás Balduíno (imagem), do MST, em Cajamar, com um grupo de alunos da FAU. Não pretendo aqui reproduzir as críticas à arquitetura do conjunto que normalmente são feitas aos projetos de mutirão de uma forma geral: sabemos todos das dificuldades próprias de uma experiência como esta e a citação de Pedro Arantes que inicia este texto dá uma idéia da dimensão da problemática. Basta dizer que trata-se de um projeto residencial por vezes conservador em seu desenho: casa pequenas divididas em cômodos tradicionais. Isto, porém, não importa no momento. O trabalho foi realizado por um grupo de alunos e ex-alunos da FAU, assessorados pela Usina, e mostrou que da atuação política do estudante é possível plantar uma semente de utopia. Considero o trabalho realizado no assentamento efetivamente um “projeto de utopia experimental”4 , não propriamente pelo resultado, que pode ser criticado de diversas maneiras, mas pelo processo e pela cultura política que se produziu ali e que não teria acontecido se não tivesse sido estabelecido aquele espaço. Trata-se, de fato, de uma cultura política que supera o imobilismo da política institucionalizada. Trata-se, de fato, do estímulo à constituição da esfera pública, mesmo que pequeno e localizado. Chamem o movimento do que quiserem: de reformista, anti-revolucionário, etc. Havia ali, naquele momento, alguma esperança de revolução. É, contudo, experimento localizado e eventualmente isolado de outras demandas sociais. Há espaço hoje para se falar em projeto de cidade? Projeto de país? Atuação política? Sobreviver?

[4] Tento concluir este texto confuso com o seguinte pedido aos estudantes: insistamos no contato com os movimentos sociais urbanos como forma de tentar propor uma práxis sobre a cidade e sobre a sociedade, como alguns colegas têm feito. Não por um desejo de “ganhar experiência”, “fazer extensão” ou por um desejo de “ajudar os 4 Para me utilizar da expressão de Henri Lefèvre.


necessitados”: não é de paternalismo infantil de que falamos. Minha passagem pela FAU não foi muito prolífica neste sentido e sinto que este contato teria sido o instrumento a preencher uma lacuna em nossa falta de perspectiva cotidiana: precisamos encontrar um modo de dizer algo para o mundo, de nos sentirmos indivíduos atuando por mudanças. Falo na necessidade de trabalhar junto dos movimentos sociais – e de crescer junto com eles – pois assim podemos estimular uma ainda que mínima esfera de trabalho/práxis sobre a cidade. Não penso nos resultados imediatos: penso na superação de nosso cenário sem alternativas. Não se trata apenas da união da universidade (“teoria”) com os movimentos (“prática”): pensemos para além disto, pensemos na possibilidade de semear uma efetiva nova esfera de atuação na realidade urbana e social. Não estou pensando em “reformas”, estou pensando em como preparar – junto com o povo, refletido nos movimentos sociais – o terreno para a tão desejada revolução. Resignificar a política por meio da prática. A cidade é uma totalidade: trabalhar com um fragmento é trabalhar no todo. Concluo o texto, enfim, com uma citação final de Artigas, nunca antes tão contemporânea: (...) Surge afinal, a questão: onde ficamos? Ou: o que fazer? Esperar por uma nova sociedade e continuar fazendo o que fazemos, ou abandonar os misteres de arquiteto, já que eles se orientam numa direção hostil ao povo, e nos lançarmos na luta revolucionária completamente? Nenhum dos dois, unicamente. É claro que precisamos lutar pelo futuro do nosso povo, pelo progresso e pela nova sociedade dando a esta missão os melhores dos esforços, pois é à medida que, pela participação na luta ao lado do povo, compreendermos seus anseios, fizermos parte dele, que atingiremos a “espontaneidade nova”, que criará como interpretação direta dos verdadeiros anseios populares. Mas é claro que enquanto a ligação entre os arquitetos e as massas populares não se estabelecer, não se organizar, enquanto a obra dos arquitetos não tiver a suma glória de ser discutida nas fábricas e nas fazendas, não haverá arquitetura popular. Até lá, uma atitude crítica diante da realidade. [1952] Artigas, op. cit.

Gabriel Fernandes 5º ano


T R H F Z R X O T R V F K

H Z E L C S V P E E K E B W OQ E R K L OW N P E F

D Y X Z L N D X U Y X D D

A T G I A C A N A N I E A

I B G V C I AO H S ON S P B V S B ZO C Y A T T B

P L J H A T A T A E B H L

R F E Y A S B E R K R Y U G R L V OW X I C K W F O P G Z V A P I B E L A S B E R A R - S E P L R E W X I F E W F O P ZQ CM P WG E D A S B X R K L Y N R V E OA WON Z U F F O P Z G XM R U E AWAW B E

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