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COP25 Relatório Final de Delegação GRUPO DE TRABALHO DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS


ONTEÚDO

04 05 06 10 11 13 14 43 45 53 55

O que é a COP?

O Engajamundo

A delegação

Credenciais

Logística Geral

Financeiro

Diário de Conferência

Engaja na mídia

Depoimentos e impressões

Resultados e análise geral

Agradecimentos


O QUE É A COP25? A 25ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro de Mudanças do Clima da ONU, ou simplesmente COP25, aconteceu entre os dias 2 a 13 de dezembro de 2019, em Madri, na Espanha. Foi a última conferência a anteceder o início da vigência do Acordo de Paris, que entra em vigor em 2020. Depois da COP21, em 2015, ano em que foi elaborado o Acordo de Paris, as conferências têm se debruçado sobre como colocá-lo Paris em prática. Ainda há regras a serem negociadas e por isso a COP25 foi importantíssima no sentido de finalizar essa tarefa e, também, foi a última oportunidade para os países colocarem possíveis metas mais ambiciosas na mesas de negociações. Um fato relevante é que 2019 foi o ano em que a Conferência deveria ser sediada na América do Sul, uma prática comum dentro da convenção de Clima de variar as sedes entre os continentes. O Brasil era o principal candidato em 2018, entretanto, depois das eleições presidenciais em outubro, retirou a sua candidatura e, em Katowice, na COP24, o Chile foi escolhido para sediar a COP25.

Depois de meses de organização, pouco mais de um mês antes do início da conferência, o presidente Sebastián Piñera do Chile cancelou a COP, que até então aconteceria em Santiago, devido às circunstâncias sociopolíticas no país. Só no dia 03 de novembro foi confirmada a nova sede em Madri, na Espanha. Uma mudança assim tão repentina (e de continente!) só contribui para inviabilizar a participação da sociedade civil, que dos ramos é a que dispõe de menos recursos.

Mas, ainda assim nós do

Engajamundo conquistamos a

vitória de levar uma delegação de

14 jovens, que representaram as

vozes de diferentes partes e

diversidades do Brasil

Relatório final de delegação, 04


O ENGAJAMUNDO O Engajamundo é uma organização liderada por jovens que acreditam na sua responsabilidade como parte fundamental da solução para enfrentar os maiores desafios socioambientais do Brasil e do mundo! Atuamos como um canal para a participação efetiva da juventude em decisões importantes que afetam o nosso presente e o nosso futuro.

Nossa missão é conscientizar os jovens brasileiros de que mudando a si mesmos, seu entorno e se engajando politicamente, eles podem transformar as suas realidades.

Das 13 delegações de jovens em Conferências da ONU que já tivemos, 7 foram de clima. Acreditamos que seguir ocupando os espaços onde as decisões sobre nossas vidas são tomadas é um dos caminhos para a mudança. Nós queremos mostrar ao mundo e aos tomadores de decisão as soluções que viemos aplicando nos nossos dia-a-dia, que a responsabilidade pelo nosso planeta é coletiva e as decisões sobre os caminhos a serem tomados também devem ser. E por sermos parte da responsabilidade coletiva, precisamos ser incluídos como uma parcela da solução a serem colocadas em prática. Queremos voz. Somos voz.

Relatório final de delegação, 05


DELEGAÇÃO COP25 A delegação deste ano foi composta por 12 articuladores e 02 representantes do administrativo da rede (o nosso CF - Comitê Facilitador). O processo para a escolha dos membros da delegação se iniciou com as inscrições dos voluntários do Engajamundo do Grupo de Trabalho sobre Mudanças Climáticas (GT de Clima), por meio de cartas ou vídeos, com alguns critérios pré estabelecidos de forma coletiva dentro do GT. Logo após as inscrições, adotamos a metodologia de Democracia Profunda para realizar a seleção. Democracia Profunda é uma metodologia voltada para a tomada de decisões coletivas que considera a sabedoria das minorias e o consenso coletivo

O resultado foi uma delegação diversa com: negros, indígenas, LGBTQI+ e por sua maioria composta por mulheres (exatamente 9 mulheres e 4 homens). Durante a conferência, a delegação se dividiu em três grupos de atuação: Comunicação, Ativismo e Lobby, com o intuito de determinar nossas formas de incidência dentro da COP25.

ESTADOS

SNEVOJ

14

7

BRASILEIROS REPRESENTADOS

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COMUNICAÇÃO

TIME Karina Giselli Paulo Gabriela Kinda

Time responsável por criar material de comunicação usando linguagem fácil e acessível, voltada principalmente para o público que segue o Engajamundo nas redes sociais e de mídias parceiras. Durante a COP o time criou conteúdo relatando a rotina da conferência, produziu comunicados de imprensa sobre as ações de ativismo e lobby, cobriu demais acontecimentos relevantes, além de terem sido responsáveis por todo o material audiovisual da delegação.

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ATIVISMO

Time responsável por organizar e executar ações de ativismo dentro e fora do espaço da conferência, trazendo assim visibilidade, de forma criativa e bem sexify, para questões estratégicas que estão - ou deveriam estar - sendo discutidas nas plenárias. O time também é responsável por fazer denúncias sobre acontecimentos relevantes da realidade climática brasileira.

Relatório final de delegação, 08

TIME Jaciara Valdinéia Paloma Iago Nayara Aretha


LOBBY

TIME Mirim Ju Igor Bruno Beatriz

Time responsável por fazer pressão nos diplomatas brasileiros com os posicionamentos da juventude para que eles os levem em consideração durante as negociações. Os lobistas da delegação abordam representantes do executivo e legislativo que participam da conferência para questionar e cobrar avanços desses mesmos posicionamentos para a criação ou execução de políticas públicas climáticas em nível nacional e local.

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CREDENCIAIS Desde 1992, o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) tinha a prática de credenciar a sociedade civil brasileira para participar das conferências internacionais sobre clima. Foi assim que as delegações anteriores do Engajamundo participaram das últimas COPs. O tipo de credencial recebida era o Party Overflow, uma credencial que dava permissão à entrada em diversos espaços dentro da conferência e uma grande possibilidade de incidência em espaços que normalmente são fechados à sociedade civil. Pela primeira vez em 27 anos, o Estado Brasileiro optou por não mais credenciar a sociedade civil. Com essa situação, tivemos que recorrer a outras organizações internacionais para ainda assim levarmos as vozes da juventude brasileira para esse espaço de tomada de decisão internacional tão importante. Os grandes parceiros nesse processo foram a CAN (Climate Action Network) e a UKYCC (United Kingdom Youth Climate Coalition), que credenciaram a nossa delegação como observadores e tornaram possível nosso acesso à conferência.

Relatório final de delegação, 10


LOGÍSTICA GERAL Como dissemos, a princípio, a COP25 iria ser sediada na cidade de Santiago, no Chile. Faltando cerca de um mês para a conferência, revoluções sociais explodiram no país sede, e o presidente do Chile, Sebastián Piñera, veio a público declarar que o país não teria condições de sediar a conferência. Quatro dias depois, contrariando qualquer expectativa, houve o anúncio da mudança drástica e repentina da conferência de Santiago para a cidade de Madrid, na Espanha, mantendo as mesmas datas inicialmente previstas para o Chile. Com isso a delegação teve vários prejuízos como perda de passagens de avião que já haviam sido compradas, perda de reservas de hospedagem, perda de doações que eram voltadas para elaboração de projetos no Chile - como o projeto que havia sido aprovado para a COY (Conference of Youth), que aconteceria em Valparaíso, e até mesmo a desvalorização da nossa moeda quando comparada ao Euro. Somado ao prejuízo, foi necessário reorganizar toda a logística da delegação em menos de um mês. Começando com a reformulação da campanha de financiamento coletivo, tendo sido necessário criar uma nova campanha de arrecadação no site benfeitoria.com.br. No dia 06 de novembro a campanha foi lançada, com uma meta inicial de 25 mil reais, no modelo Tudo ou Nada (ou seja, ou a meta inicial é batida, ou não seria arrecadado nada). Foram 10 dias intensos focados na divulgação e arrecadação de fundos para a vaquinha online. No fim, graças a todos os nossos financiadores, o resultado foi positivo e arrecadamos R$28.143,00, após as taxas, o valor arrecadado através do crowdfunding foi de R$24.906,55.

Relatório final de delegação, 11


LOGÍSTICA GERAL Para além da estratégia de financiamento coletivo, outros caminhos foram adotados, visto que, mesmo batendo a meta estabelecida, o valor não seria suficiente para arcar com os custos de toda a delegação. Nesse seguimento, o contato com parceiros (de organizações e pessoas físicas) foi essencial, e, graças a essas parcerias, foram arrecadadas doações que se converteram principalmente em passagens aéreas. Somado a isto, captações individuais também foram feitas visando cobrir custos adicionais e/ou pessoais. Algumas pessoas da delegação usaram outras formas de captar recursos para suprir esses gastos como por exemplo: venda de salada de frutas diariamente na universidade, bazar online, campanhas individuais nas redes sociais (como vaquinhas e rifas), além de solicitações de auxílios para participação de eventos nas próprias universidades onde estudam, e inscrição em projetos e editais focados em oferecer suporte para a participação de jovens negras e indígenas na COP25.

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FINANCEIRO Passagens aéreas

Nossa maior despesa foram os custos de levar os membros da delegação do Brasil até Madrid. Estes custos ficaram ainda mais altos considerando o pouco tempo de antecedência que tivemos para providenciar as passagens, dada a mudança repentina de país sede, como contamos antes. Graças a nossa rede de parceiros, conseguimos a doação de 13 passagens, detalhadas ao lado:

Captações e custos

Além das passagens aéreas, a delegação teve custos para cobrir tanto na logística de preparação e chegada em Madrid, como para os dias de Conferência. Para isto, a estratégia de captação contou com o resultado conjunto de diversas origens, incluindo o da campanha de financiamento coletivo. Segue abaixo um resumo das entradas e dos gastos da delegação:

ENTRADAS

GASTOS

Total: R$48.106,55

200 doadores na campanha

13 =

passagens doadas

R$80.544,43 captado em passagens aéreas


Diรกrio de

CON FERรŠN CIA


SEMANA 1 Segunda-Feira Ambition needed at COP25

02/12/ 2019

Local: Panda Hub, Hall 6

No primeiro dia de COP, Giselli Cavalcanti falou sobre “Expectativas da Juventude para a COP25”, na mesma mesa que Tasneem Essop (Diretor Executivo da CAN) e Carolina Urmenta (Governo Chileno). A fala fez parte do evento de abertura do Panda Hub, espaço da WWF no pavilhão da COP. O tema disparador para a fala de todos os participantes foi trazer as expectativas para a COP25 a partir do lugar de fala de cada um - como Engajamundo, falamos das expectativas da juventude. O foco da fala foi trazer a diversidade e como atuamos de diferentes formas tanto no Brasil, como fora dele. Como o foco era também falar sobre ambições, falou-se sobre a atuação da juventude como um exemplo que deveria ser seguido pelos tomadores de decisão, e a importância da educação climática como caminho para a democratização da pauta climática. Sustaining All Life Talks

Local: Green Zone

O Engajamundo foi convidado pela organização Sustaining all Life para participar de suas conversas durante a COP que buscam fortalecer os movimentos da sociedade civil dentro da Conferência. Nessa oportunidade, Mirim Ju Yan e Valdinéia Munduruku representaram o Engajamundo, onde falaram sobre o trabalho da nossa rede e sobre como cada um enfrenta as mudanças climáticas nas cidades que vivem e nos seus territórios de origem. Val ressaltou a importância dos povos originários, jovens e mulheres estarem ocupando os mais diversos espaços na COP e Mirim Ju destacou a necessidade de estreitar nossa conexão com a natureza e nos unirmos em prol dela. No evento foi possível conhecer como outras organizações de jovem pelo mundo tem enfrentado as mudanças climáticas.

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SEMANA 1 Terça-Feira Amazônia o Centro do Mundo

Local: Brazil Climate Action Hub

03/12/ 2019

No segundo dia de COP o Engajamundo facilitou o evento Amazônia o Centro do Mundo, no espaço Brazil Climate Action Hub. Foi realizado um diálogo, em formato de aquário, sobre a Amazônia, com diferentes perspectivas (científica e empírica) de como as mudanças climáticas atingem essa região, e quais são os possíveis esforços conjuntos para a mitigação desses impactos. A roda foi iniciada por três garotas da delegação: Paloma Costa, Nayara Almeida e Valdinéia Munduruku. A Val abriu o diálogo trazendo sua narrativa pessoal sobre como as mudanças climáticas afetam o seu quotidiano e a Amazônia. A Nayara trouxe a perspectiva da mobilização da juventude sobre o tema, a partir da experiência no Engajamundo e no Fridays For Future e a Paloma trouxe a perspectiva da sociedade civil atuando politicamente sobre o tema a nível Nacional e Internacional, a partir da experiência no Engajamundo e no Instituto Socioambiental.

Do evento, o time de

comunicação criou um vídeo

para o IGTV, contextualizando

os objetivos do evento e

falando do Brazil Climate

Action HUB, contando com a

participação de quem facilitou

e quem participou do evento.

Vem conferir no @engajamundo!

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SEMANA 1 Terça-Feira “La Agenda 2030 y el Green New Deal en

03/12/ 2019

Iberoamérica: cooperación y alianzas para la transición ecológica”

Local: Zona Verde/IFEMA

Paloma Costa, participou da mesa "La Agenda 2030 y el Green New Deal en Iberoamérica: cooperación y alianzas para la transición ecológica", um evento da fundação Avina, do qual também participaram Rebeca Grynspan (Secretária Geral Iberoamericana), José Antonio Sanahuja (Diretor de la Fundación Carolina) e José María Vera (Diretor Geral interino da Oxfam Internacional), com a mediação de Paula Ellinger da Fonseca (Responsável pelo Programa de Ação Climática da Fundação Avina). A mesa teve como foco a transição justa apresentando como caminhos: a necessidade de encararmos a transição como socioecológica e não somente ecológica; a participação, incorporando a juventude e a sabedoria dos povos originários, fazendo com que esses sejam parte das tomadas de decisões; e o financiamento e investimento em projetos de base. A fala de Paloma, especificamente, focou em chamar atenção para a necessidade de tomar esses caminhos de forma rápida, eficiente e ambiciosa, focando sempre na democratização e inclusão de todos na hora da tomada de decisões. ACE Capacity Building for Youth

Local: Action Room 1, Hall 4

O foi focado em prover uma visão geral sobre o que é ACE (Action for Climate Empowerment), o que é a YOUNGO (Children and Youth constituency to United Nations Framework Convention on Climate Change), como a juventude poderia participar dos processos intergovernamentais, e quais são as atividades relacionadas a juventude e educação disponíveis na COP25. Inicialmente houve uma dinâmica em que se abordou os seis aspectos que compõem ACE, que são educação, treinamento, consciência pública, participação pública, acesso à informação e cooperação internacional para estas questões. Também se questionou em quais artigos o termo é mencionado tanto na Convenção-Quadro (artigo 6), Protocolo de Kyoto (artigo 10(e)) e Acordo de Paris (artigo 12), quanto nos relatórios do IPCC (sumário para tomadores de decisão do SR15 e parágrafo D.5.6). O evento foi relevante como um ponto de contato entre a juventude e o secretariado, bem como entre si, e para de fato mostrar as janelas de oportunidade de incidência específicas sobre o assunto para os jovens do mundo.

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SEMANA 1 Conferência de Imprensa da CAN: Abordagens para

uma COP Latina em Madrid

Terça-Feira

03/12/ 2019

Local: Press Room

Ainda no mesmo dia, a delegação participou da Conferência de imprensa da CAN (Climate Action Network) intitulada “Abordagens para uma COP Latina em Madrid”. A mesa foi composta por: Gabriela Burdiles (Fiscal de Meio Ambiente do Chile), Adrian Martinez (La ruta del Clima - Costa Rica), Alejandro Aleman (Centro Humboldt da Nicarágua), Richard O’ Dianna (Peru). Representando o Engajamundo,

Gabriela Baesse falou sobre como a juventude pode ocupar espaços de tomadas de decisão a nível internacional e como podemos fazer uma incidência política na COP25. Fóssil do Dia

Local: Hall 4

Para fechar o segundo dia de conferência, o Brasil juntamente com o Japão e a Austrália foi premiado com o “Fóssil do dia”. O Fóssil do Dia é um antiprêmio entregue pela Climate Action Networking (CAN) durante todos os dias da COP ao país que teve o pior desempenho nas negociações - ou "àquele que é o melhor em ser o pior". De forma inédita, o prêmio foi triplo e, no caso do Brasil, a nomeação veio pela acusação à sociedade civil como responsável pelos incêndios ocorridos na Amazônia. Representando a delegação, Aretha Monteiro foi receber o prêmio coberta com um lenço preto não mostrando o seu rosto, em alusão à repressão e ao risco que os defensores do meio ambiente sofrem diariamente por defenderem a floresta em pé desde que o novo governo começou.

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SEMANA 1 Quarta-Feira Voz da Juventude Amazônica

04/12/ 2019

Local: Brazil Climate Action Hub

A delegação participou do evento “Voz da Juventude Amazônica”, cujo objetivo era pensar em possíveis incidências efetivas na COP25, a partir da perspectiva representantes brasileiros presentes. Além disso, também visou criar laços com organizações indígenas para fortalecer o movimento na luta contra a crise climática. De fora coletiva, foram levantadas demandas da juventude a partir dos diferentes lugares de fala dos jovens presentes e, como resultado, foi criado um manifesto para apresentar na reunião do governo brasileiro com a sociedade civil que estava marcado para o dia 05/12. Além disso, tivemos a importante contribuição de Walelasoextxeige P.B Surui, indígena da região da Rondônia, que questionou sobre os motivos do Engajamundo ainda não ter chegado lá e levantou a necessidade de pensar na narrativa de levar os indígenas para o Engajamundo e não o inverso. Por fim, ela também adotou como missão criar um novo Núcleo Local no estado.

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SEMANA 1 Quinta-Feira Government and Civil Society:

05/12/ 2019

Open talk about the climate negotiations with ministerial representatives

Local: Brazil Climate Action Hub

Na tarde do dia 05/12, aconteceu o primeiro encontro da sociedade civil com representantes do governo brasileiro dessa COP. Por meio de um convite do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e do Instituto Clima e Sociedade, alguns ministros estiveram presentes para trazer posicionamentos do Brasil e tirar dúvidas dos que ali estavam e, até então, contavam com o silêncio e distanciamento das agendas do governo. Conforme já relatado, tendo conhecimento desse evento, durante o evento Voz da Juventude Amazônica, foi demandado pelos presentes a entrega de um documento que levasse proposições e demandas dessa juventude mobilizada em prol das floresta e clima. Foi com essa resolução de urgência de ação que a discussão serviu de insumo para construção de uma carta co-criada do encontro entre Engajamundo e Rede da Juventude Indígena (REJUIND) e escrita por Karina Penha, Kinda Van Gastel e Mirim Ju Yan Guarani. O evento, que contou com a presença de Marco Túlio Cabral (Ministério de Relações Exteriores), Adriano Santhiago (Ministério de Meio Ambiente) e Gustavo Mozzer (Ministério da Agricultura), foi marcado pela leitura e entrega desse documento aos representantes do governo. Durante a entrega, a juventude foi aplaudida enquanto os representantes do governo recebiam críticas por usarem um discurso ultrapassado de possibilidades limitadas de composição da nossa matriz energética. Sem o devido embasamento técnico, tentaram justificar a posição de continuar apostando na energia fóssil, nuclear e hidrelétrica - que defendemos não ser verdadeiramente limpas ao pensar em seus impactos sociais, biológicos e culturais. Acertadamente, a sala estava repleta de profissionais especializados que puderam trazer luz a viabilidade de ter um país movido a energias limpas. De certo o momento foi de profundo aprendizado e troca, e acreditamos que só a partir de um diálogo aberto como o que foi feito, oportunizando que diferentes vozes fossem ouvidas sem medo, é que podemos avançar realmente nas políticas públicas climáticas inclusivas e democráticas.

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SEMANA 1 Manifesto dos Jovens Brasileiros na COP25

Este documento foi escrito por jovens Brasileiros presentes na COP25. Precisamos que os governos, o Brasil e o mundo nos escutem e criem ações propositivas inclusivas. Estamos aqui para contribuir. Nós jovens defendemos que é necessário pautar em todos os espaços de discussão oficiais entre os tomadores de decisão a defesa dos povos indígenas que são quem estão e sempre estiveram na linha de frente das lutas pela terra e pelo nosso planeta. Assim como dos povos quilombolas e de comunidades tradicionais que vem sendo massacradas no Brasil, como mostra o aumento de 350% no número de assassinatos de quilombolas no país. Defendemos a inclusão efetiva da sociedade civil nos processos decisórios, não só enquanto espectadores mas enquanto também agentes deliberativos nas tomadas de decisões. Afinal, se estão sendo pensadas políticas para que a economia brasileira possa ser melhorada, isso só será possível com a defesa de seus povos e territórios que, para nós, não são tidos como recursos mercadológicos. Para além disso, está ligada a nossa cultura, memória e ancestralidade. O contato com a Terra é sagrado. E se não formos nós a defendê-la, as consequências serão sentidas por toda humanidade, pelas gerações futuras e por nós mesmos, aqui e agora. Por isso precisamos caminhar em sentido do respeito e proteção da natureza nas tomadas de decisões políticas imediatamente. Para isso, ter a sociedade civil aqui representada é imprescindível. Não oferecer credenciais para participação desses setores nas conferências mundiais ou não manter os espaços de diálogo governo-sociedade atrapalha qualquer decisão a longo prazo. Traduz um posicionamento pouco apreciado globalmente que é a exclusão social e é visto por nós e internacionalmente como um grande retrocesso. É tempo de somar esforços para lidar com os novos desafios. Juventude e os povos originários e tradicionais não são inimigos, mas aliados nesse processo. Escutar o que precisamos, por isso, é fundamental. Restituir os espaços e ferramentas de participação social é caminho para garantir que democraticamente possamos desempenhar o papel que uma potência como o Brasil deve e tem capacidade de fazer. Recuperando valores dessas populações e dando espaço para um modelo de desenvolvimento onde nos envolva e reconecte a humanidade com a natureza. As metas e assinaturas das políticas e acordos internacionais não podem resultar no avanço de conflitos, desmatamento e da gravidade da violação dos nossos direitos enquanto povo. Para isso é necessário diálogo com os povos originários, comunidades tradicionais e juventude brasileira, que são negativamente afetados pelos grandes projetos desenvolvimentistas, como cadeias produtivas de commodities de modelo latifundiário e monocultor com uso de inúmeros agrotóxicos que destroem a natureza e poluem o solo e os rios, a construção de hidrelétricas que matam a vida dos rios e afetam diretamente o modo de vida de povos e comunidades inteiras e contribuem com o agravamento das mudanças climáticas. É possível sim um modelo de desenvolvimento que respeite a biodiversidade. Popularizar a agricultura familiar significa garantir o futuro para que jovens vivam suas culturas e permaneçam morando onde e como desejarem e com a capacitação necessária possam manter um caminho sustentável de produção e segurança alimentar. Preservar mecanismos de diálogo e garantir o cumprimento das leis é reduzir o risco de vida para essas populações e dá esperança e perspectiva de bem viver digno para todos nós. Temos muito a contribuir com nossos conhecimentos e queremos fazer parte de todo projeto de presente e futuro do país. Agradecemos enormemente podermos estar dialogando e estarmos presente nestes locais como a COP e esperamos que, apesar das dificuldades de acesso, possamos superar as diferenças e juntos construir um país melhor para todos, sem exceção nem exclusão. Juventude brasileira presente na COP 25

Relatório final de delegação, 21


SEMANA 1 Quinta-Feira

Acordo de Escazú, participação e acesso à

05/12/ 2019

informação e justiça em processos ambientais e climáticos na América Latina:

uma abordagem interseccional e de direitos humanos

Local: Brazil Climate Action Hub

Karina Penha e Jaciara Borari participaram deste evento, cujo objetivo foi discutir a participação e acesso à informação e justiça climática a partir de uma abordagem intersetorial, intergeracional e de direitos humanos. O evento contou também com a participação das organizações: GenderCC - Women for Climate Justice, Life e.V., Engajamundo, La Ruta del Clima, IBASE e CONAMI. Karina trouxe sua perspectiva como mulher negra e quais os desafios que ela passa, trazendo um eixo e direcionamento para a justiça climática necessária. Jaciara, enquanto mulher indígena e ativista, que vive na linha de frente das questões ambientais, trouxe as perspectivas desde o seu contexto e os desafios enfrentados como mulher e para proteção de seu território.

Reunião com Jayathma Wickramanayake, UN Special Envoy on Youth

Local: Food Court

Paloma Costa, junto ao grupo de jovens #Super30, onde representa o Engajamundo, participou da reunião com a Secretária Especial da Juventude da ONU Jayathma Wickramanayake para tratar da agenda de seu gabinete para o próximo ano. Um dos focos do gabinete, que está totalmente alinhado com o trabalho que o Engajamundo veio fazendo no último ano, é relativo ao impulsionamento da Educação Climática nos diversos países e nas diversas esferas de Governança.

Relatório final de delegação, 22


SEMANA 1 Quinta-Feira Declaração da Juventude da América Latina

05/12/ 2019

e do Caribe no âmbito das negociações da COP25

Local: Press Conference Room Mocha, Hall 4

Na quinta-feira do dia 5 de dezembro, as juventudes latino-americanas e caribenhas presentes na COP25 declararam o seuprimeiro pronunciamento dentro do marco da mesma a respeito da situação da América Latina e Caribe frente a crise climática e ambiental, obtido mediante discussão, diálogo e consenso, realizado de maneira horizontal e coletiva. Igor Vieira, membro honorário da delegação do Engajamundo, participou dessa leitura e da elaboração das exigências, e foi fundamental para adicionar a visão brasileira nesse documento, que não existia até então. Além disso, Igor foi o responsável pela tradução do pronunciamento para o português. O pronunciamento levantou 15 pontos específicos para nossa realidade. Sua demanda final fez direta referência às opressões às minorias e defensores ambientais, pressionando os países a assinarem o Acordo Regional sobre Acesso à Informação, Participação Pública e Acesso à Justiça em assuntos ambientais na América Latina e no Caribe, mais conhecido como Acordo de Escazú, e sua ratificação imediata antes de dezembro de 2020. A leitura foi seguida de uma ação de ativismo, que tanto denunciou os assassinatos dos defensores e ativistas climáticos e ambientais, quanto a própria censura. Durante a ação, foi trazida a memória de lideranças ambientais assassinadas, suas histórias foram contadas, músicas de resistência foram cantadas enquanto era denunciada a urgente necessidade do Acordo de Escazú. Este foi um dos momentos mais significativos para a juventude na COP25. Se forma extremamente rápida e eficiente, dezenas de pessoas de países diversos mostraram o multiculturalismo que marcam tão fortemente não somente a identidade brasileira, mas de toda a região.

Relatório final de delegação, 23

Clique aqui para conferir o texto na íntegra!


SEMANA 1 Quinta-Feira Solutions for Future

05/12/ 2019

Local: Medialab Prado

Giselli Cavalcanti, Paulo Ricardo e Gabriela Baesse representaram o Engajamundo no evento Solutions For Future, organizado pela a Ashoka. Pela a primeira vez, jovens, empreendedores sociais, pesquisadores e jornalistas se reuniram para criar soluções conjuntas para o desafios mais importante do século XXI: a crise climática. O objetivo do Engajamundo no evento foi contar um pouco sobre o ativismo climático no Brasil e quais as formas de incidência que o Engajamundo tem adotado, além de contar como os ativistas da linha de frente estão lutando contra um governo negacionista e trazendo nossa realidade à tona para ativistas de outros países. Durante o evento, houve a participação dos jovens no debate que, girou em torno dos pontos de divergência e convergência relativos à atuação de ativistas e empreendedores, levantando como uma atuação conjunta pode contribuir para o enfrentamento da crise climática. Estavam presentes as organizações: Extinction Rebellion, Grupo Tangente, WakeUp Leaders, Acto Uno, PuntoJES, Taiti, Opnion20, Human UP, El Orden Mundial, Youth Press Agency, Ashoka, Mondragon, Team Academy e Engajamundo.

Relatório final de delegação , 24


SEMANA 1 Sexta-Feira Marcha Global pelo Clima e Dia de Ação

Climática #6D

06/12/ 2019

A marcha global pelo Clima já faz parte da agenda da Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas, e durante a COP25, em Madrid, não foi diferente. Mas, dessa vez, a manifestação teve outra dinâmica e, ao invés de acontecer no sábado, como era de costume, aconteceu no dia 06/12, sexta-feira, por influência das Greves pelo Clima puxadas pela ativista climática sueca Greta Thunberg. Além disso, foi um dia marcado pelo #6D, que era o dia de ação global pelo o clima, que nasceu com o objetivo de tornar a emergência visível e realizar ações concretas, ao redor de todo o mundo, que ajudem a mitigar os efeitos da crise climática. A manifestação contou com um público de cerca de 500 mil pessoas, segundo os organizadores da marcha e dos shows. A delegação do Engajamundo na COP25 esteve presente durante a marcha levando como uma de suas principais mensagens, em uma faixa de mais de 2m, o seguinte recado: “Stop Ecocide” ("Pare o Ecocídio"). Com esta mensagem, foi denunciado o retrocesso das políticas ambientais brasileiras que facilitaram durante o ano de 2019 o aumento do desmatamento na Amazônia e contribuíram para agravar o genocídio dos povos da floresta - como as populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas - e a ameaças infundadas a ativistas socioambientais.

Relatório final de delegação, 25


SEMANA 1 Sexta-Feira Flashmob no #6D

Local: Palco da Marcha do Clima

06/12/ 2019

A manifestação se estendeu até a zona dos Novos Ministérios, onde aconteceram os discursos de encerramento no palco principal, incluindo o de Greta Thunberg. No mesmo palco, a delegação do Engajamundo ocupou o espaço levando a voz da diversidade da juventude brasileira. No formato de um flash mob, levamos para o palco personagens centrais da pauta ambiental brasileira e ilustramos o confronto que existe entre eles: “Os madeireiros ilegais” que desmatam a Amazônia; o “Tomador de decisão” majoritariamente homens brancos, ricos e velhos que usam da caneta (pior arma) para ratificar projetos e leis que atentam à integridade física e dos territórios das pessoas; os “Agrotóxicos” que infelizmente estão sendo liberados desenfreadamente pelo Governo Federal e são altamente prejudiciais para a saúde física e alimentar das pessoas; o “Brigadista da Brigada de Alter” em protesto à prisão injusta e infundada os que acusou de serem os responsáveis por colocar fogo na Amazônia quando o trabalho e atuação deles era justamente o contrário; e, por último, os jovens ativistas climáticos, nós. A letra do flash mob levou a importância da Amazônia para todos nós, botando em evidência o papel essencial de seus principais defensores: os povos originários e tradicionais, representados na letra pelos indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

Relatório final de delegação, 26


AMAZONIZAR! El Amazonas és nuestra alma Nuestro espíritu y nuestro cuerpo Cuando nacimos ya sabemos Que del bosque dependemos Por defenderla ¡Nuestro castigo es morir! Es el desaparecimiento O el encarcelamiento Vamos amazonizar Cambiar el sistema y reempezar (4x)

Relatório final de delegação, 27

Somos todos Somos indígenas, ribereños, quilombolas ¡Activistas! Los defensores de la vida Son los defensores del Amazonas (2x) ¡El defensor somos nosostros! ¡El defensor somos nosostros! ¡El defensor somos nosostros!


SEMANA 1 Sábado Reunião de prefeitos e prefeitas da América Latina

07/12/ 2019

na COP25

Local: Hotel NH Collection

Karina Penha participou da mesa com tomadores de decisão da América Latina falando do Engajamundo, de como a juventude pode lutar contra a crise climática e como a sociedade civil pode atuar também. Estavam reunidos prefeitos e prefeitas da América Latina e representantes das redes de cidades presentes na COP25 para socializar as discussões que levaram ao longo de 2019 em diferentes espaços e instâncias regionais preparatórios para a COP e as prioridades das respostas dos governos frente à crise climática local. Nessas bases, foram discutidos os pontos sugeridos para uma agenda de ação comum a ser implementada em 2020 e em todo o do próximo ciclo das NDCs. Ato inter-religioso em defesa da Amazônia na Cumbre de los Pueblos

Local: Universidade Complutense de Madrid

Participação de Mirim Ju Yan levando a espiritualidade ancestral indígena como contribuição a uma nova era e um novo momento, no qual as diferenças necessitam ser respeitadas. E também no qual as diferentes origens de conhecimento e modos de vidas podem conviver enquanto houver o aprendizado e crescimento entre si, com um outro paradigma de espiritualidade em que não há guerra entre os diferentes credos, mas sim o equilíbrio pela consciência como princípio das relações, tanto humanas quanto naturais. Foi feita uma narrativa da história enquanto parte do povo indígena e, no final, foi feita uma reza para curar as feridas deixadas pelo processo de colonização e globalização, deixando claro que os povos indígenas têm muito o que contribuir com essa nova fase da humanidade mas que, para isso, é necessário o respeito para quem se é e como se vive e para com toda a natureza.

Domingo

08/12/ 2019 Relatório final de delegação, 28

Na COP25, assim como acontece todos os anos, o domingo foi fechado para apenas negociadores oficiais dos países. Como delegação, aproveitamos o dia para alinhamento e planejamento de estratégias para a próxima semana de negociações.


SEMANA 2 Segunda-Feira Brasil na COP25: um diálogo sobre ambição climática

09/12/ 2019

Local: Brazil Climate Action Hub

A segunda semana de COP começou com a participação de Karina no evento como a representante do Engajamundo. O evento contou com a presença de Ricardo Salles (Ministro de Meio Ambiente do Brasil), Davi Alcolumbre (Presidente do Senado), Joenia Wapichana (Deputada Federal), Fernanda Hassem (Prefeita do Acre), Caetano Scannavino (Projeto Saúde Alegria) e Luiz Cornacchioni (diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio), com moderação de André Guimarães. Além das pessoas que estavam compondo a roda de conversa, o evento também contou com a participação de Marina Silva e Isabela Teixeira, ex-ministras do Meio Ambiente do Brasil, que estavam na plateia.

Karina participou do painel, trazendo a perspectiva de juventude brasileira no cenário do combate às mudanças climáticas. “Ter que lutar pelo clima do planeta é

uma responsabilidade que eu não sabia

que a juventude teria que carregar, mas

se não nós, quem?

A juventude está

consciente dos seus atos e os tomadores

de decisão, estão?”

Entretanto, o evento que se propunha a ser um espaço de diálogo entre sociedade civil e governo, acabou por não cumprir seu objetivo por completo. O ministro do meio ambiente e chefe da delegação brasileira se retirou do painel logo após a sua fala e não ficou para o momento de debate.

Relatório final de delegação, 29


SEMANA 2 Segunda-Feira Evento Plenária sobre Los Desafíos de la Accion

Climatica para américa latina

09/12/ 2019

Local: Universidad Complutense de Madrid

Foi lido o Manifiesto Latinoamericano por la Acción Climática, que simultaneamente estava sendo lido também no Chile, onde estava acontecendo a Cúpula dos Povos (evento anual promovido por movimentos sociais e representantes da sociedade civil global como um contraponto à Conferência das Nações Unidas sobre o Clima). Jaciara Borari foi chamada para falar sobre sua realidade como indígena no Brasil, expondo sobre a realidade dos desmatamentos na Amazônia, as queimadas ilegais e a criminalização dos ambientalistas e todos os defensores da floresta. Ela também fez também uma denúncia sobre as violações dos direitos humanos que ocorre no Brasil, ressaltando sobre o genocídio indígena e o ecocídio. Por fim, falou sobre a COP25 ser ainda um lugar em que não temos espaço, e da dificuldade maior que houve esse ano, em que existiu um verdadeiro paredão entre governantes e sociedade civil. Meaningful youth participation: The case of the Netherlands

Local: Pavilhão do BENELUX

Durante a tarde, Kinda Van Gastel e Giselli Cavalcanti participaram deste evento, que fez parte do calendário de atividades do Benelux, o qual trazia casos de sucesso do governo holandês de implementar a participação efetiva da juventude nas políticas públicas climáticas. Lá, Kinda teve a oportunidade de, junto a jovens de outras organizações que estavam presentes, contar como o Engajamundo tem atuado na defesa efetiva dessa participação da juventude. Enfatizou a crescente mobilização da juventude brasileira na pauta climática e sobre como a educação se insere como um pilar importante para a organização do Engajamundo, tendo em vista a formação como uma maneira de aumentar o engajamento e a construção de soluções propositivas para as nossas diferentes realidades.

Também foram feitas atividades em grupos que tratavam sobre qual a potência trazida pela juventude para o movimento socioclimático. Um dos pontos principais foi a abertura e a força da diversidade diante das diferentes perspectivas, pontos e conhecimentos multidisciplinares que trazem esse espírito do novo e da urgência.

Relatório final de delegação, 30


SEMANA 2 Segunda-Feira Ato contra genocídio indígena no Brasil

09/12/ 2019

Local: área externa do IFEMA

Ainda durante a tarde, aconteceu um ato de solidariedade e denúncia ao genocídio que os povos indígenas sofrem no Brasil e na América Latina. O ato foi organizado pelas representações indígenas na COP25, especialmente a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que é liderada por Sonia Guajajara, e teve o apoio do grupo de ativistas Extinction Rebellion. A ação contou com a participação de lideranças indígenas brasileiras e latino americanas, denunciando o retrocesso da pauta socioambiental na América Latina, a falta de representatividade indígena nos espaços de tomada de decisão e os riscos e ataques que os protetores da floresta têm sofrido todos os dias em seus territórios e quotidianos.

Mirim Ju Yan, Jaciara Borari e Valdinéia Munduruku representaram o Engaja neste ato, trazendo a perspectiva da juventude brasileira, a importância da participação dos jovens e a missão de todos na proteção daqueles que protegem as florestas. Ao final, foi feita uma roda de cantorias, puxada pelos Povos Indígenas, e Mirim Ju Yan fez uma fala ao microfone expondo sobre a necessidade de se atentar a sabedoria ancestral para o enfrentamento da crise climática e de como é necessário espaços de união, respeito e inclusão a essa sabedoria ancestral. Após sua fala, policiais espanhóis pediram a credencial e o passaporte do Yan o que levou a uma ação de membros do Extinction Rebellion a pedirem para que os policiais também tomassem fotos de seus passaportes. Ao final, Mirim Ju Yan e Paloma só puderam retornar a conferência escoltados por policiais.

Relatório final de delegação, 31


SEMANA 2 Terça-Feira Das Florestas à Cidade: por que os jovens unidos

10/12/ 2019

salvarão o mundo

Local: Universidade Complutense de Madrid

Nayara Almeida participou deste painel representando o Engajamundo, no qual foi discutido o que os jovens de cada lugar e de cada movimento estão fazendo pra mudar a realidade e como eles são protagonistas nessa luta. Na mesa também estavam presentes Militza Flaco e Jeffry Torres (da Aliança Mesoamericana de Povos e Florestas), Héctor Fabio Yucuna (Coordenador das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica), Nyg Kaingang (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Hahae Son (Ação Climática Cristã da Holanda) e, como moderador, Iniquilipi Chiari (Técnico de Áreas Protegidas, fundador e atual Secretário do Congresso Geral da Juventude Guna).

Diálogo com o Dr. David Suzuki sobre "carbon budgets” for heavily climate impacted

future generations

Local: Área Externa do Brazil Climate Action Hub

A conversa teve a participação do importante cientista canadense em estudos ambientais, David Suzuki, junto representantes da juventude internacional, como a estudante canadense Léa Ilardo, a chefe regional da Associação Indígena Canadense Kluane Adamek e Mirim Ju Yan Guarani, representando o Engajamundo. Dr Suzuki contou sobre o início da jornada de luta, em defesa do meio ambiente e como aprendeu essa necessidade junto aos povos indígenas da América Latina. Mirim Ju relatou sobre a inteligência ecossistêmica que é base do viver dos povos indígenas e importante de ser aprendido por toda a humanidade. Falou a respeito da visão comum contra a mercantilização de qualquer solução e em especial do comércio de carbono, pois ela afeta negativamente o equilíbrio dos modos de vidas indígenas e ambientais, além de que não diminuirá a destruição da natureza nem os fatores que ocasionam as mudanças climáticas. Também foi levantado como a juventude hoje está lutando junto aos povos indígenas nessa compreensão que precisa ser melhor trabalhada, ouvida e respeitada.

Relatório final de delegação, 32


SEMANA 2 Quarta-Feira Ação de ativismo do Engajamundo - Free Water

11/12/ 2019

Local: Entrada da Blue Zone

Na quarta-feira da segunda semana, a delegação começou o dia abalando com uma ação de ativismo na entrada principal da Conferência. O Engaja denunciou os crimes ambientais e o genocídio dos povos da floresta interpretando os governantes do "País B". Na ação, o País B oferecia a quem entrava na conferência águas engarrafadas trazidas diretamente de suas terras, que de adequadas para consumo e saudáveis para os ecossistemas não tinham nada. A ação aconteceu com 4 tipos diferentes de águas engarrafadas para interação com o público. A água vermelha representou o sangue dos povos originários devido ao genocídio dos defensores da vida. A água marrom representou a lama, vindas dos crimes ambientais relacionados ao rompimento de barragens. A água preta engarrafada simbolizou o óleo derramados ao longo de praias brasileiras, com o registro de mais de 546 locais entre dez estados do Nordeste e do Sudeste. Por último, garrafas com águas aparentemente normais foram expostas, simbolizando que existem muitos rios contaminados por poluentes invisíveis aos olhos que afetam a saúde da população local e a biodiversidade, como é o caso do Mercúrio despejado nos rios em Santarém. Seja visível a olho nu ou não, um grande ecocídio está ocorrendo no Brasil e mostramos na ação quem é afetado, quem promove e paga essa conta.

Relatório final de delegação, 33


SEMANA 2 Quarta-Feira Reunião com Ambassador De Alba, responsável pelo

11/12/ 2019

Climate Action Summit

Local: Hall 10

Paloma Costa, junto ao grupo de jovens #Super30, onde representa o Engajamundo, participou da reunião com o Embaixador da ONU De Alba, que lidera a Cúpula de Ação Climática para tratar da participação da juventude e incidência nas tomadas de decisão. O grande recado dado pelo Embaixador foi que escutássemos a sabedoria dos Povos Indígenas e que aproveitássemos a grande onda de visibilidade dada à juventude para realmente ocuparmos e colocarmos as nossas demandas e soluções nas mesas de tomadas de decisão, fazendo parceria com os Estados e com as outros atores chave que acompanham a conferência. Una década para cambiar el mundo? Qué transiciones urgentes se necesitan para una

justicia global? Visiones y experiencias desde una sociedad civil diversa

Local: Zona Verde/ IFEMA

Paloma Costa participou da mesa promovida pelas redes Futuro en Común e Climate Action Network, na qual também participaram Sasha Gabizon (Woman Engage for a Common Future), Juan Carlos Jintiach (Coordinación Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica COICA), Montserrat Mir (Just Transition Center - pdc) e Santiago Lorenzo (Representante da CAN International), com a mediação de Cristina Monge (Futuro en Común e ECODES). A mesa focou no que deveria ser feito de fato para se alcançar o mundo que queremos e como fazer uma transição justa. A fala de Paloma deu enfoque à necessidade de a juventude ainda ter que estar buscando por um espaço de fala e no quanto isso já devia ter sido superado, visto que já foram apresentadas várias soluções, das mais variadas formas, e isso ainda não foi devidamente incluído na hora de elaborar acordos e comprometimentos. Também foi abordado que o futuro está na educação, na ciência e, principalmente, na sabedoria dos povos da floresta que há tempos vêm resistindo.

Relatório final de delegação, 34


SEMANA 2 Quarta-Feira Ação de ativismo da DCJ (Demands Climate Justice)

11/12/ 2019

Local: Hall 10

Nayara, Paloma, Iago, Aretha, Karina, Giselli, Gabriela e Kinda participaram da ação de ativismo promovida pelos membros da DCJ para falar sobre ação climática. Afinal, é pra isso que toda a sociedade civil veio a essa conferência, não é mesmo? Nesta ação materiais simples foram levados para emitir sons em frente a sala da plenária principal. Faixas foram levantadas, discursos foram feitos e teve muito barulho para chamar atenção do que estávamos demandando. A ação contou com a colaboração de diversos segmentos e grupos além da DCJ, tendo mobilizado diversos setores da sociedade civil participantes da COP, como a CAN, Fridays For Future e CAUCUS. Em face aos absurdos que têm ocorrido e como reação à inefetividade das negociações, toda a articulação ocorreu de forma sigilosa, contrariando o procedimento burocrático padrão de solicitação de autorização ao Secretariado da UNFCCC Povos indígenas e ativistas do global sul deram depoimentos sobre o que eles vêm sentindo na pele e cantaram sobre justiça climática e resistência, mostrando que a ação era pacífica. Entretanto, houve uma enorme repressão por parte da segurança da ONU, participantes tiveram suas credenciais fisicamente removidas e um cordão de segurança foi formado até que os ativistas fossem colocados para uma zona externa do pavilhão. Após isso, cerca de 300 pessoas que participavam da ação foram escoltadas por dezenas de policiais, mantidos na zona externa e impedidos de retornar para o espaço da Conferência. Inicialmente foi anunciado que todos os que haviam sido retirados seriam descredenciados e impedidos de reentrar na Conferência nos dias que faltavam, porém, após muita negociação, no dia seguinte foi concedida a entrada.

Relatório final de delegação, 35


SEMANA 2 Quarta-Feira Conferência de Imprensa da YOUNGO

11/12/ 2019

Local: Mocha, Hall 4

Bruno representou o grupo de trabalho sobre Ação para o Empoderamento Climático (ACE) da YOUNGO na conferência de imprensa da segunda semana. Na fala, Bruno apresentou demandas da juventude mundial para a agenda de ACE construídas pelo grupo de trabalho e, tendo em mente que a agenda de ACE anda de mãos dadas com a agenda da juventude, se aprofundou na sugestão que todas as partes (países) tenham, além do ponto focal nacional (negociador), um ponto focal jovem de ACE nesses espaços. ACE é uma das agendas que nós, juventude brasileira, mais acompanhamos dentro desse espaço, uma vez que entendemos que é só com a educação, cooperação internacional, acesso democratizado à informação, consciência e participação pública e o empoderamento das comunidades locais que realmente teremos força como humanidade para enfrentar a crise climática. Reunião com ICLEI

Local: Hall 4

Beatriz Pagy, uma das Coordenadoras de Campanha do Engajamundo, teve uma reunião com Yunus Arikan, Diretor de Advocacy Global do ICLEI Secretariado Global, e Rodrigo Perpétuo, Secretário Executivo do ICLEI América do Sul. Com isto houve uma aproximação entre as organizações. A parceria já havia sido mencionada anteriormente em conversas paralelas sobre a Campanha PLANTAÊ, nova iniciativa de arborização e reflorestamento do Engajamundo. A ideia é que os membros dos Núcleos Locais do Engajamundo sejam envolvidos especialmente na aplicação de academias da Plant-for-the-Planet e que, posteriormente, seja feita uma ponte entre os articuladores do Engaja e os governos municipais e estaduais brasileiros.

Relatório final de delegação, 36


SEMANA 2 Quinta-Feira Reunião da Juventude global com OAK Foundation

12/12/ 2019

Local: Em frente do Brazil Climate Action Hub

Diversos membros da delegação como Bruno Berilli, Beatriz Pagy, Kinda van Gastel, Iago Hairon, Mirim Ju Yan e Gabriela Baesse, participaram da reunião sobre percepções e necessidades da juventude em encontro ao advocacy pelo clima com Karen, da OAK Foundation. Além dos brasileiros, outros representantes de países como México, Namíbia e Argentina também estiveram presentes. Foi discutido amplamente quais eram as faltas que os próprios jovens sentiam em suas atuações nos territórios, e como instituições externas poderiam trazer esse apoio e maximizar essa atuação. Foi dado um enfoque especial às visões das minorias, como a percepção dos povos indígenas e das mulheres, buscando-se saber quais pontos diferenciados ou adicionais eram sentidos. Depois da reunião foi redigido um documento compilando os depoimentos para posterior compartilhamento e endereçamento, além de potenciais parcerias e apoios de doadores. Entrega do documento dos povos indígenas junto à Minga Indígena

Local: Chilean Pavillon

Enquanto organização que está se constituindo e ganhando representatividade para ter seu espaço respeitado nos eventos da ONU, mostrando a demanda e a voz presente dos povos indígenas nos espaços de tomadas de decisão da UNFCCC, foi elaborado um documento, com a participação de Mirim Ju Yan na elaboração, que tratava das demandas dos povos indígenas para a Presidência da COP. Mirim Ju Yan também participou da cerimônia de entrega do documento junto a representantes dos povos indígenas de diferentes partes do mundo.

Relatório final de delegação, 37


SEMANA 2 Quinta-Feira Decade of Ecosystem Restoration:

12/12/ 2019

Plant a Trillion Trees with Plant-for-the-Planet App and be Part of a Solution to the

Climate Crisis

Local: Room 4, Hall 4

O evento tinha como objetivo mostrar a versão 2.0 do aplicativo da Plant-for-the-Planet para auxiliar os projetos de plantio ao redor do mundo. Atualmente, existem 60 projetos de reflorestamento que receberam mais de 800.000 euros através do app da Plant. Nesse contexto, o Engajamundo foi convidado pela Plant-for-the-Planet Foundation para falar sobre o desmatamento na Amazônia. Valdinéia Munduruku foi escolhida como a representante da delegação, como indígena amazônica, e foi traduzida por Beatriz Pagy. Val falou ao lado de Chiagozie Udeh (Plantfor-the-Planet Global Board), Marie-Claire Graf (Delegação Suíça e Swiss Youth for Climate), contando ainda com a mediação de Peter Abraham (Ponto Focal do ODS 7 do UNMGCY). Em sua fala, Val destacou que a região norte é uma das regiões que mais sofre com desmatamento, que é causado pelos vários projetos de infraestrutura - portos, hidrelétricas, ferrovias - além de empresas gananciosas, agropecuária, plantação de soja, e garimpos ilegais.

Ainda assim foi reforçada a forma de resistência a partir da organização dos povos indígenas nos seus territórios, através de mecanismos como os protocolos de consulta e a auto-demarcação, e o protagonismo das mulheres indígenas.Além destes pontos, foram questionados quais seriam os maiores pontos para o auxílio na luta indígena e nos vários projetos de iniciativa de restauração e conservação. A questão do financiamento apareceu fortemente, além da visibilidade às iniciativas que já ocorrem nos diversos territórios.

Relatório final de delegação, 38

Foto cedida pela Plant-For-The-Planet


SEMANA 2 Quinta-Feira YOUNGO Spokescouncil

12/12/ 2019

Local: Room 5, Hall 4

O Spokescouncil é a reunião diária de alinhamentos e repasses da YOUNGO, sendo um espaço fundamental para orientação de jovens interessados em acompanhar as negociações climáticas e se conectar com pessoas de outras nacionalidades e contextos. Na quinta-feira, Beatriz Pagy, membro do Bottom-lining team da YOUNGO, facilitou o Spokes, modificando sua estrutura tradicional. Depois de uma pequena dinâmica de integração, pessoas de diferentes regiões foram pareadas para discutir suas sensações e percepções sobre a ação de ativismo do dia anterior liderada pela DCJ. A ação teve como consequência muito desconforto nos participantes e espectadores, devido à reação das autoridades e da própria constituency, que não conseguiu reagir de maneira eficiente e imediata. A partir disso, a atuação da constituency pode ser esclarecida e um diálogo estabelecido. Várias vozes puderem ser ouvidas e em conjunto foram levantadas críticas e sugestões para a melhora do grupo.

Sexta-Feira YOUNGO Spokescouncil

13/12/ 2019

Local: Room 5, Hall 4

Na sexta-feira, Beatriz Pagy também facilitou a reunião da YOUNGO. Assim como no dia anterior, a dinâmica proposta serviu como uma provocação às estruturas estabelecidas nas negociações. Não apenas na questão da estamentalização e hierarquização dos participantes, mas seu próprio reflexo na disposição arquitetônica das salas. Assim, os participantes foram orientados a sentar em blocos de acordo com as grandes regiões do mundo e a partir disso,pôde-se visualizar materialmente quem eram as juventudes que ocupavam de fato o espaço da COP: uma maioria norte-americana e europeia. Para além dessa divisão, os participantes do “Sul” foram voltados para o palanque, enquanto os participantes do “Norte” ficaram no fundo da sala, invertendo a ordem comum dos privilégios. Por fim, foi feito um world café para discutir três perguntas: o que conectou as pessoas com a ação climática; qual a sensação sobre o status das negociações; e como a YOUNGO pode mudar suas estruturas para ter maior incidência nesses espaços.

Relatório final de delegação, 39


SEMANA 2 Sexta-Feira Ação do Fridays For Future

13/12/ 2019

Local: Hall 4

A delegação participou da ação do Fridays for Future international, momento de fortalecimento dos movimentos de justiça climática, para que houvesse uma conexão, também, através da força da arte, em solidariedade aos jovens, mulheres e indígenas. Durante a ação músicas foram cantadas e jovens foram escutados, mulheres e indígenas falaram sobre suas lutas e foi mostrado que todos os afetados pelas mudanças climáticas estão de olho no que os tomadores de decisão estão fazendo. Ação de ativismo - Flash Mob Amazônia

Local: Hall 4

Nesta ação, o time de ativismo expôs para o mundo a importância global e local de se preservar a Amazônia. A mensagem foi passada através da mistura de discursos potentes e o reprise do flashmob construído diretamente para a ação do #6D. A ação conectou o público com a realidade Amazônica pela voz de quem a vive na pele o que tem acontecido na região, denunciando o genocídio que ameaça todos que lutam para manter a floresta em pé e como os povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e ativistas têm se mobilizado e organizado para fazer frente a essa questão. Três faixas foram levantadas e estendidas com mensagens bem diretas sobre a realidade brasileira: “SOS Amazônia: Pra ter floresta em pé, não dá pra ficar sentado”, “Stop Ecocide” (“Pare o Ecocídio”, em português) e “The Amazon stands because we resist” (“A Amazônia permanece em pé porque nós resistimos”, em português).

Relatório final de delegação, 40


SEMANA 2 Sexta-Feira

Manifestação do Extinction Rebellion

13/12/ 2019

Local: Em frente ao IFEMA

Aretha, Gabriela, Iago, Mirim Ju Yan, Nayara e Paloma estiveram presentes na manifestação promovida pelo Extinction Rebellion. Jovens e adultos sentaram-se no chão e estenderam faixas em frente ao prédio da COP junto ao barco da XR, e alertaram que a COP25, apesar de não ter as suas negociações finalizadas totalmente, havia fracassado. No ato, vozes dos reais protagonistas da ação climática foram levantadas. Palavras de ordem foram proferidas e diversos ativistas e líderes indígenas se manifestaram falando sobre suas localidades e realidades. Na ação foi enfatizado que a justiça climática é justiça social, é inclusão e é ter diversidade nos processos de tomada de decisão. Um minuto de silêncio foi feito em prol do assassinato de mais um indígena brasileiro do povo Guajajara, orações e músicas foram cantadas. Mirim Ju Yan fez uma fala expondo sobre a necessidade de união para o enfrentamento da crise climática.

Intergenerational Approaches to Restoration: Nature-Based Solutions, Youth, &

Sustainable Development

Local: Panda Hub, Hall 6

Diálogo com Kaluki Paul Mutuku (coordenador regional africano da Youth4Nature), Mirim Ju Yan Guarani (Engajamundo), Theo Cullen-Mouze (organizador da Fridays for Future Ireland), Virginia Young (diretora do International Forests and Climate Program da Australia), David Kuhn (WWF-US), Vania Olmos Lau (coordenadora regional da Latin America and Caribbean Youth4Nature). Tratando de como foram as entradas de cada um na defesa dos assuntos relacionados à mudança climática, relatos pessoais de como cada um tem atuado em suas regiões, os desafios e as questões das relações entre gerações a respeito disso tudo. Mirim Ju Yan se posicionou mostrando que a compreensão da necessidade do respeito à natureza faz parte de todo o modo de vida indígena, que nesse novo debate os povos indígenas são pioneiros em sua defesa e que possuem a sabedoria ancestral necessária para contornar todos os atos de destruição que impactam negativamente na crise climática.

Relatório final de delegação, 41


SEMANA 2 Sexta-Feira Colossal Fossil

13/12/ 2019

Local: Hall 4

O Brasil ganhou Colossal Fossil, ou Fóssil do Ano, um prêmio irônico que reconhece os países que mais prejudicam a ação climática a nível local e internacional durante os últimos 12 meses. E o motivo de ter levado o prêmio? Aqui vão alguns: o contínuo esforço de Bolsonaro em desmontar as políticas ambientais; 2019 como o ano com o maior índice de desmatamento no país dos últimos dez anos; três lideranças indígenas assassinadas apenas na segunda semana de dezembro; o bloqueio das menções a direitos humanos no artigo 6.4 e se opor ao termo “emergência climática”. Por outro lado, o Ray of the Year (ou a Luz do Ano) é um prêmio positivo, que reconhece atores que tiveram impacto positivo em prol da agenda climática. Nesta COP, a premiação um reconhecimento duplo: aos povos indígenas, pela incessante luta em prol da preservação natureza e pelo clima mesmo cercados de tanta violência; e à juventude, pela resiliência e determinação em pressionar por posicionamentos concretamente eficazes dos tomadores de decisão e por mobilizar milhões nas ruas. Ao receber ambos os prêmios, a delegação fez uma manifestação sobre a censura das vozes, colocando uma marca de mão vermelha, feita com tinta, sobre a boca. Jaciara Borari fez uma fala sobre os motivos de o Brasil ter recebido essa homenagem irônica, ressaltando a atuação dos povos indígenas e tradicionais, das organizações da sociedade civil e de outros ativistas climáticos mesmo em uma situação política extremamente desfavorável. A fala foi traduzida ao vivo para o espanhol por Bruno Berilli, e inglês por Paloma Costa. Foi feito o grito de guerra “We are unstoppable, another world is possible” enquanto uma faixa onde se lia “The Amazon stands because we resist!” ("A Amazônia se mantém [de pé] porque resistimos") era exibida.

Para ler na íntegra todos os Fósseis entregues, clique aqui! Relatório final de delegação, 42


SEMANA 2 Sexta-Feira Ação de Ativismo - Ação dos Pirralhos

Local: Escritório oficial da delegação do Brasil

13/12/ 2019

Durante a última semana de COP, o atual presidente do Brasil chamou a ativista Greta Thunberg e os jovens ativistas de “pirralhos” e a juventude obviamente reagiu a isso deixando um recado para o governo. A delegação construiu uma ação silenciosa para fazer uma foto oportunidade com um mensagem simples e direta: “os pirralhos estão mudando o mundo. Ainda dá tempo de se unir a eles”. Junto a isso, foi deixado o “Fakebook” - um guia das mentiras e falacias negacionistas contadas pelo atual Ministro do Meio. Ambiente. Além disso, um pedaço de pano com a imagem do “olho que tudo vê” ao lado de uma motosserra feita de papelão foram colocadas estrategicamente, mostrando a indignação dos jovens brasileiros às medidas tomadas pelo governo de incentivo aos destruidores das florestas, o que vem promovendo aumento descomunal do desmatamento e do ecocídio.

Clique aqui para acessar o Fakebook!

Relatório final de delegação, 43


ENGAJA NA MÍDIA Eventos e ações:

Clique para acessar os links!

Ação de ativismo do Engajamundo: Água Grátis Catraca Livre

Ação de ativismo do Engajamundo: Ação dos Pirralhos Catraca Livre MSN Notícias

Debate "Justiça climática: as interseccionalidades de gênero, raça e classe na agenda do clima" Página 22

Painel "Um diálogo sobre ambição climática" Terra

Folha PE Coalizão Brasil

Fóssil do Ano O Globo Estadão

Relatório final de delegação, 44


ENGAJA NA MÍDIA Entrevistas de membros da delegação:

Entrevista de Paulo Ricardo Ação Educativa/Alma Preta Entrevistas de Paloma Avina EFE España Entrevista Mirim Ju Mashable Italia Entrevista Giselli, Paulo, Karina e Gabriela Programa Cidades Sustentáveis

Clique para acessar os links!

Perspectivas e análises sobre a COP25:

Organizações do GT Agenda 2030 participam da COP 25 GT Agenda 2030 Are Global South experts sidelined in climate conversations? Al Jazeera Na Conferência do Clima, Brasil chega pequeno e sai minúsculo Greenpeace Human Rights Wiped Out From Article 6 Climate Tracker

Relatório final de delegação, 45


DEPOI MENTOS E impressões dos membros da delegação


Paloma Costa, Brasília, DF COORDENADORA DO GRUPO DE TRABALHO DE CLIMA

No ano da ação pelo Clima, sem dúvida alguma, a juventude liderou o protagonismo de tal movimento, indo às ruas demandar uma resposta rápida e efetiva dos tomadores de decisão. Acontece que nós, jovens, mesmo sendo protagonistas desse movimento, ainda temos que estar buscando e criando nossos espaços de vozes, não tendo, assim, espaços aptos para divulgar nossas iniciativas e as soluções que viemos aplicando desde que ocupamos tal posição. Somos mestres na diversidade, horizontalidade e descentralidade das iniciativas. Porém, espaço para implementar tais inovações ainda não há. Me pergunto quanto de alma deixamos e se algo ensinamos nos espaços de fala que nos são dados? Já tentamos as abordagens mais diversas mas ainda assim, a resposta dos Estados é insuficiente para a crise que já está acontecendo. Mas eu saio feliz, os três times, nos quais a delegação se divide, conseguiram pequenas vitórias diárias, que contribuem para as grandes idéias necessárias para adiar o fim do mundo. Viva as nossas florestas que remanescem em pé!!!!

Karina Penha, São José de Ribamar, MA COORDENADORA DO GRUPO DE TRABALHO DE CLIMA

A COP desse ano tinha como tema/slogan “Tempo de Atuar” acho que nós, juventude, temos muito isso em mente. É hora de agir. Neste ano em que o Brasil não teve como parte da sua delegação oficial a Sociedade Civil e nem teve um espaço oficial ou um pavilhão como os outros países, o Brazil Hub foi um espaço feito por e para a sociedade civil e nós pudemos ocupar e participar de muitas atividades nesse espaço, inclusive atividades que nós puxamos e isso me deixou bem feliz, precisamos nos fortalecer enquanto rede e nessa COP eu tive ainda mais certeza disso. Fizemos um papel muito bonito enquanto delegação aqui, comunicamos, atuamos, fizemos e fortalecemos relações e contatos. Tivemos a nossa delegação mais diversa do Engajamundo em COPs e eu fico muito orgulhosa de ter vivido isso enquanto coordenadora do GT, nosso crescimento e aprendizado sobre espaço de fala e oportunidades tem sido cada vez melhor e isso é refletido nas nossas delegações. O diferente desse ano foi o diálogo com os tomadores de decisão Brasileiros, esse espaço refletiu muito do que acontece atualmente no cenário ambiental Brasileiro, mas poder ter tido a oportunidade de fazer algumas falas enquanto mulher, jovem e negra e trazer a questão do racismo ambiental para esse espaço pra mim foi inesquecível. Nós estamos fazendo história nesse lugar e estamos dando o nosso melhor para que essa história seja prazerosa de ouvir e contar. Ainda falta muito, mas a gente tá no caminho.

Relatório final de delegação, 47


Nayara Almeida, Duque de Caxias, RJ Se a minha eu de janeiro de 2019 tivesse tido um encontro a minha eu de dezembro de 2019 e ela me contasse que eu iria para a Conferência de Clima da ONU com o Engajamundo eu iria dizer que ela é uma impostora. Ainda não caiu a ficha de que eu pude estar num espaço como esse: injusto por natureza, que tenta te sugar o tempo inteiro especialmente por você não ser uma pessoa privilegiada de alguma maneira. Eu senti o tempo todo que fazer parte desse espaço enquanto juventude brasileira foi como invadir um sistema maior e fazer florescer algo que não querem que floresça. E assim agi. Agimos. Mostramos nossa potência e nossas vozes em toda a sua diversidade e, voit lá, deu muito certo! Nos fizemos presentes em todos os dias de conferência, com muito sexify e conteúdo. Olho para todos os times e vejo como cada um deu o seu melhor para fazer mais uma vez história na COP. Sinto muito orgulho de poder ter trabalhado olhando no fundo dos olhos de cada um dessa delegação, sabendo que diversas narrativas foram amplificadas, que nós, pirralhos, cada vez mais estamos nos conectando com a mãe terra e crescendo em força e em número para a pauta climática. Saio dessa conferência com muita fúria e esperança no coração, porque mais que nunca sinto que vai ser pela pressão e força das pessoas, em especial as que já estão gerando alternativas ligadas ao seu modo de viver, que a solução climática virá e para isso vamos usar e abusar do nosso espírito coletivo e a mais profunda rebeldia que existe dentro de nós. Até uma próxima!

Bruno Berilli, Feira de Santana, BA E a gente conseguiu, de novo. Se um dia eu achei que conseguir participar da COP24 tinha sido o maior desafio da minha vida, é porque eu não imaginava como seria participar de uma conferência que parecia ser mais acessível. Era aqui do lado, eu já tava com passagem comprada e tava começando a arrumar a mala, quando tudo mudou. Primeiro, o cancelamento, e depois a manutenção da data com a mudança pra outro continente. Eu tive certeza que não ia conseguir. O que me deu forças e principalmente esperanças é a rede de apoio que se formou, de novo ninguém soltou a mão de ninguém, e, depois de mais reuniões do que seria saudável ter, a gente conseguiu. Em três semanas saímos do negativo para uma situação relativamente confortável, com todos com passagem comprada e tudo necessário garantido. É assim que me vejo nessa delegação, além de alguém que gosta muito do tema e tá sempre disposto a aprender mais, um facilitador para garantir que ninguém seja deixado pra trás. A crise climática é, antes de tudo, uma crise social, e são as pessoas que há milênios já praticam as soluções que devem ser ouvidas nesses espaços de tão difícil acesso como a COP.

Relatório final de delegação, 48


Mirim Ju Yan, Brasília, DF Enquanto produção de conhecimento, relatar o aprendizado experienciado em palavras escritas, uma sintetização objetiva a fim de condensar e tirar algum sumo da mente racionalizada e organizar dessa forma é muito novo para mim. É um outro modus operandi, uma outra relação de vida ao qual estou iniciando aprendizado. A minha participação na COP25 junto ao Engajamundo pôde me abrir essa possibilidade, estar em contato com os jovens brasileiros, em espaço internacional, levando junto com lideranças de meu povo e de outros povos indígenas, num diálogo com a sociedade internacional, conversar com a sociedade civil global ver o que se passa no mundo. Diferentes histórias mas com realidades semelhantes quanto ao roubo de nosso direitos enquanto povos distintos, traz o reconhecimento que o trabalho enquanto indígena, onde temos todo um outro modo de vida e que é fundamental que seja aprendido por toda a humanidade nossas sabedorias, e que senti que existe o reconhecimento dessa importância por quem está com o coração aberto para se adaptar e aprender junto à consciência junto conosco. Ao longo do curso, trocando ideias, experiências, aprendendo e ensinando durante atividades diversas que o Engajamundo abriu a chance. Sou enormemente grato e quero seguir este caminho de relação em rede por um objetivo comum respeitando princípios justos numa construção do mundo que queremos, equilíbrio entre os mundos o bem viver e as ODS respeitando a mãe natureza. Há’evete Aguyjevete.

Giselli Cavalcanti, Natal, RiN Se engana quem pensa que a COP é só um evento, é na verdade muito além: é um mar revolto com ondas vindo de todos os lados. No meio de tanto (especialmente quando a gente vê decisões importantes sendo tomada a portas fechadas por homens engravatados) é quase que automático se sentir impotente e acreditar que nosso trabalho é pouco. Mas que sorte a nossa: é também nessa maré que a gente esbarra com gente como a gente, que constrói juntos, que ocupa lugar de fala, que leva a frente nossas pautas, que até canta pelos corredores o power to the people. Enquanto do lado dos negociadores a COP25 não trouxe avanços reais e os países continuam sem ter um real comprometimento e adiando naquilo que já não temos tempo, para mim foi um marco do que significa esse lado aqui. Seguimos juntos sociedade civil, ativistas, cientistas, povos originários, quilombolas, ribeirinhos, juventudes, reivindicando aos tomadores de decisão: sigam nossos exemplos, sejam tão ambiciosos quanto nós, protejam aqueles que protegem o planeta e façam da justiça climática uma realidade do agora. Saio da COP25 com muito orgulho da minha delega, tão linda, tão grande, tão diversa e tão potente, e é com essa galera que eu reafirmo todos os dias que sim, a gente consegue!

Relatório final de delegação, 49


Paulo Ricardo, Feira de Santana, BA Meados de 2016 quando decidi ser parte do Engajamundo, nunca imaginei em participar de uma Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas da ONU. Será que é possível, um garoto negro, do interior da Bahia, participar de uma COP? Um espaço majoritariamente ocupado por pessoas de países desenvolvidos, engravatados, e com pouquíssima representação da sociedade civil? Sim, é possível. Através do medo. Medo de decisões que estão impactando nosso presente, e consequentemente nosso futuro, estão sendo tomadas, a portas fechadas, decisões que estão sendo tomadas sem escutar a voz de pessoas que estão sofrendo com a crise climática, que estão na linha de frente lutando pela a defesa de seus territórios. Decisões que põe em risco a VIDA de PESSOAS, sem contar com toda nossa biodiversidade que é imprescindível para a saúde do nosso lar, a nossa casa, o planeta terra. Mas isso não é suficiente para chegar até esse espaço. Precisamos do trabalho coletivo, e da união de todes, e isso eu encontrei no Engajamundo, ou melhor dizendo: Com as pessoas que eu encontrei aqui, pessoas que eu quero levar para o resto da minha vida! Como já dizia o Emicida: Irmão, você não percebeu Que você é o único representante Do seu sonho na face da terra Se isso não fizer você correr, chapa Eu não sei o que vai . Gratidão!

Valdinéia Munduruku, Jacareacanga, PA Fazer parte de uma delegação tão diversa do engajamundo para ir a COP25 foi sem dúvidas uma das maiores experiência que eu já vivi. Nunca me imaginei saindo do meu território para ecoar a voz da juventude indígena em um lugar tão distante, falar da minha realidade, tudo que enfrentamos, ocupar esse espaço de fala foi importante e será sempre. Foram muitas sensações desde os critérios de escolha até a chegada em Madrid. O medo de ser a primeira a chegar em um país totalmente diferente, até a alegria de encontrar toda a delegação e viver a loucura que é a COP. Superação é a palavra que define. Estar no meio de uma juventude que tem os mesmo ideais, que acredita que juntos podemos ser a solução ou parte dela nessa problemática que tem sido a luta pela justiça climática, mesmo que o espaço não seja tão acessível, faz a luta ser mais leve. Foram muitos momentos de alegria, estresse, não tem como não se estressar estando em um lugar tão pesado, mas também não tem como sair da COP sem o sentimento de companheirismo. A delegação do Engajamundo teve muito companheirismo, todos tentando se ajudar no que era possível. Fico imensamente feliz em ter feito parte dessa delegação tão maravilhosa. Gratidão!

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Gabriela Baesse, Natal, RiN Em 2019, o mundo que já está cada dia mais quente, começa literalmente e figurativamente a pegar fogo. No Brasil isso se concretiza com um governo que nega a emergência, aniquila a proteção e incentiva aqueles que lucram com a irresponsabilidade. É a destruição acima de tudo e a ganância acima de todos. Diante de um cenário de extremismo, o Brasil recusa receber a COP25 em 2018. Em 2019, os movimentos sociais do Chile se levantam, ocupam as ruas e desafiam o governo, não aguentando a pressão, a Conferência se desloca para Madrid. Mais um ano a Conferência é feita no velho continente, com suas velhas soluções ultrapassadas. O desafios nos é lançado: como levar 15 jovens para o outro lado do mundo em um mês? Isso só foi possível com tantas mentes e corações juntos, determinados a serem ainda mais escutados diante de tanta insanidade. Nós triunfamos. Chegamos lá com uma delegação imensamente diversa e decidida a dar tudo de si para denunciar a dura realidade, mostrar soluções primordiais e ancestrais dos povos originários e clamar por mais luta e resistência, cada dia mais fundamentais. Eu que sempre tive esse sonho de estar em uma conferência da ONU com o Engajamundo, não poderia estar mais feliz em como e com quem isso se concretiza. Apesar dos desafios, estávamos unidos com afeto, determinação e potência. Todos os dias era evidente o empenho individual e coletivo de cada um e suas equipes. Saio do velho continente renovada pela luta dos meus parentes brasileiros e hermanos do mundo inteiro. Nós não vamos nos calar diante da injustiça, clamamos por mais poder a todos os povos. Exigimos que todos sejam incluídos nas tomadas de decisão, que cada voz seja escutada e que nenhuma vida seja ignorada! Seguimos juntos!

Beatriz Pagy, São Paulo, SP Por mais descrença com as negociações climáticas em si, é incrível como sempre somos puxados e tentados a voltar para a COP. Esse ano tínhamos uma tarefa relativamente fácil de fechar alguns poucos artigos do Livro de Regras, mas vimos como a forma como estruturamos o nossa dinâmica global dos trava, como a diplomacia velha nos falha, e como a captura da vontade política pelo poder econômico prevalece. Mas disso já sabíamos e só reforçamos nossa certeza de que é no mundo concreto, muito além do jogo de palavras esvaziadas, que fazemos a mudança acontecer. Então por quê continuamos voltando sempre para esse espaço são hostil e, tantas vezes, reflexo da opressão social? Pra mim, mais uma vez, também se comprovou esse é um lugar de amadurecimento, onde em que conexões inexplicáveis e inimagináveis acontecem. E, de alguma forma, estando lá, reforçamos o espírito de transformação uns dos outros, e renovamos e redescobrimos o que conecta como algo muito maior que o que nos separa. E assim nos renovamos como seres disruptivos da dessa distopia que chamamos de realidade, até que ela se renda a sua melhor versão que nos atrevemos a sonhar!

Relatório final de delegação, 51


Jaciara Borari, Alter do Chão, PA Primeiro, a união faz a força. Foi uma experiência e tanto, bom… quando entrei pra delega, a COP seria no Chile, com toda a mudança, acabei tendo minha primeira viagem pro exterior e ter que atravessar o oceano foi surpreendente, levar a voz da jovem mulher indígena da Amazônia para ecoar em um espaço internacional com muitos países, onde ainda temos pouquíssimo espaço e quando temos algum espaço, mas junto com a delegação e outros parentes indígenas presentes, conseguimos fazer várias ações e dar nosso máximo. Não foi nada fácil, mas foi de grande aprendizagem, se eu já sei tudo sobre uma COP? Não, não sei, mas vou aprendendo com o tempo. Sonhar em voar longe, a gente sempre sonha, mas que iria virar realidade… e assim com pessoas tão maravilhosas como foi essa delegação, ativistas que defendem e somam na luta, que te motivem a continuar, foi e é inspiração. "A Amazônia é nossa alma, nosso corpo e nosso espírito". Salve a Amazônia, Salve os guardiões das Florestas! Chega de genocídio indígena e pare o ecocídio. Surara!

Aretha Monteiro, Brasília, DF Quando relembro os preparativos para a COP25, incluindo o processo seletivo, fico imensamente agradecida por ter sido escolhida e por tudo que conseguimos construir até então. Foram meses de muita entrega para conseguirmos fazer tudo acontecer, e acredito que cada membro da delegação estava lá por motivos maiores do que podemos compreender. Chegando na COP, ainda foi difícil de crer. Estava em um ambiente de grandes decisões internacionais e como poderia eu ter ido tão longe? Caindo na real, organizamos o grupo de uma forma que funcionou muito bem. Alguns, inclusive eu, perguntando se estaria dando o seu melhor de fato, querendo preencher qualquer janela de tempo “livre” com mais trabalho, mais eventos, afinal, aquela era uma oportunidade única. Foi bastante correria, agenda com alguns eventos que eram acrescentados de última hora. Como time de ativismo, entendi a importância de levar a mensagem da juventude do global sul para espaços internacionais, pois o global norte tem demandas diversas e precisamos mostrar outros pontos de vista na luta climática. Trabalhei duro, descansei o quanto deu, adoeci, curei-me, conheci pessoas, conheci Madri - uma cidade que nunca imaginei conhecer -, e tudo isso com uma alegria imensa de estar diante do desconhecido com a companhia certa, que foi essa delegação sem defeitos.

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Kinda Silva, Feira de Santana, Bahia COMITÊ FACILITADOR

Por que ainda insistimos enquanto jovens a achar que não somos capazes? Estando na COP25, algo que parecia tão longe, entendi que podemos fazer qualquer coisa. Estar junto com essa juventude maravilhosa e fazer aquele espaço ser mais humano, acolhedor. Criar laços, debochar de quem brinca com nosso futuro e presente e dar risada para fazer essa luta mais leve. Junto a vocês - a maior delegação do Engaja presente em uma COP, e todos que nos apoiaram e acreditam no trabalho que viemos fazendo - essa luta se torna possível e deliciosa de se viver, mesmo com todos os amargos dos últimos tempos. Mas saio da COP25 com essa felicidade, de saber que mesmo lá, as vozes jovens, com todas as suas cintilâncias de diversidade, importam! Que cada vez mais, os protagonistas, defensores e mais afetados pela crise climática, estão ocupando esse debate e dando o tom do que o ativismo climático significa na realidade brasileira: uma luta também por diminuição de desigualdades e proteção de nossos povos. Que enquanto florescemos, o mundo que queremos fica mais perto de se realizar. Que a juventude, aqui e global, está cada vez mais madura para mostrar como os caminhos da urgência climática devem ser seguidos: com graça, comprometimento, vontade, coragem, diálogo, abertura e ação!

Iago Hairon, São Paulo, SP COMITÊ FACILITADOR

De todas as COPs que participei a COP25 foi difícil, em todos os sentidos. Porém sou grato compartilhado momentos com essa delegação ter passado o recado pro mundo de que nós brasileiros estamos mobilizados, lutando por climática e transformando nossas realidades.

Relatório final de delegação, 53

a mais por ter linda e jovens justiça


RESULTADOS E análise da conjuntura climática do Brasil

Ao decorrer do ano de 2019, as políticas elaboradas pelo Governo Federal brasileiro visaram desconstruir toda a governança socioambiental e climática que vinha sendo elaborada ao longo dos últimos 30 anos e que foram um enorme ganho da sociedade civil ao longo desse tempo. Acontece que todos esses retrocessos foram refletidos nas negociações e estratégias do Brasil durante a COP25. Pela primeira vez na história, o Governo Brasileiro se recusou a compartilhar as credenciais com a sociedade civil brasileira e o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, instrumento responsável por fiscalizar a implementação da NDC brasileira e produzir orientações estratégicas para o governo federal, não recebeu nenhum apoio ou financiamento para ir à Conferência. O Ministro , do Ministério do Meio Ambiente, veio com uma agenda fechada, nada acessível à sociedade civil, que tinha como objetivo principal monetizar a Amazônia, regularizando o artigo 6 de forma a mercantilizar as soluções, dando início ao Mercado de Carbono, sob uma ótica de que quem desmata pode continuar fazendo-o desde que pague por serviços ambientais. A vergonha entre tantos retrocessos foi enorme. Para começar, nesse mesmo ano, o chefe da delegação brasileira se pronunciou publicamente dizendo que "Mudanças Climáticas é assunto para daqui a 500 anos" e ainda assim foi para a Conferência, curioso né? E, no ano em que o desmatamento alcançou o nível mais alto em 11 anos, a delegação brasileira veio a Conferência das Partes pedir financiamento para acabar com o Desmatamento - que teve seu aumento dada a des-política do governo. Também nesse ano, o INPE sofreu graves ameaças contra a integridade dos dados que divulga e a possibilidade de deixá-los públicos. E, ainda assim, em plenária durante a COP25, o Ministro Salles pediu mais transparência aos países da União Europeia e a Organização das Nações Unidas, não faz em casa mas pede fora. Os jovens da delegação brasileira do Engajamundo, por exemplo, em ação durante a marcha mundial pelo Clima, no dia 6 de dezembro e na sexta-feira, dia 13, durante a COP25, pediram justamente o contrário: para Amazoniar o sistema, mudá-lo e recomeçar, em tendência oposta ao que o Ministro do Meio Ambiente veio pedindo durante a conferência. O acordo de como seria fechado o Livro de Regras que regula o Acordo de Paris, contou com o Brasil como uma das partes que contribuiu para o atraso das discussões do mesmo, indo, mais uma vez, contra a tendência global de ação pelo Clima. Assim, já que não teve consenso, as discussões, mais uma vez, foram adiadas para o próximo ano. Mas quantos anos temos?

Relatório final de delegação, 54


RESULTADOS E análise da conjuntura climática do Brasil

O resultado positivo em tudo isso foi se fortalecer e fortalecer ainda mais as redes globais que buscam Justiça Climática pois, em tempos de pós verdades (fake news) e desgoverno Socioambiental, o que ficou claro, e isso pode ser facilmente visto dos resultados e relatórios da Cumbre Social por el Clima, é que o resto do mundo está buscando um caminho mais ativo e unido para o enfrentamento da crise climática. E a participação da juventude e povos indígenas, mesmo contrária a vontade do governo, explicitou exatamente isso. Inundamos os corredores, com ações e diálogos. Mas não só. No ano em que o mundo pareceu se dar conta do que vem acontecendo com a realidade brasileira, finalmente conseguimos participar e criar mais espaços para que essa denúncia fosse feita. Para que, quem quisesse ou precisasse nos ouvir entendesse o genocídio, os desmontes e o escárnio pela liberdade de expressão e participação social que vem acontecendo. Se de um lado os países deram um show de letargia justo no que eles nomearam “tempo de atuar” - estenderam as negociações em 44 horas e mesmo assim ficaram tão aquém dos resultados esperados – a juventude por sua vez, se fez presente num caminho do que queremos, cheio de arte, participação e ciência! Com muito esforço e comprometimento vimos essa representação do sul global ocorrer. Mas ainda não é o suficiente. Quando indígenas e jovens estiverem enfim ajudando a negociar e a tomar decisões, aí chegaremos a um começo ideal. Até lá, seguimos pronunciando em bom tom para que não digam que nosso anúncio de crise global, soava apenas como barulho!

Relatório final de delegação, 55


AGRADECIMENTOS A luta contra a crise climática não é uma missão fácil, nem é simples estar nela como sociedade civil (ainda mais nesse nosso contexto brasileiro, né?). Como jovens, enfrentamos ainda nossos desafios próprios nesse cenário, mas trazemos também toda a nossa energia e nosso potencial para mudança. Como nos lembra sempre nossa amiga Hamangaí Pataxó: não somos o amanhã, somos o agora. Nossa luta é árdua, mas sabemos que não seguimos sós, e se teve juventude brasileira na conferência de Clima da ONU foi graças a todos aqueles que mais uma vez acreditaram no potencial dos jovens do Engajamundo, e por isso agradecemos: A Fundação Avina, WWF-Brasil, ISA - Instituto Socioambiental, CAN - Climate Action Network, UKYCC - Uniteed Kingdon Youth Climate Coalition, Greenpeace, CLUA Climate and Land Use Alliance, OC - Observatório do Clima, Escola de ativismo, iCS Instituto Clima e Sociedade, Instituto Humanize, Fundo Elas, UnB - Universidade Federal de Brasília, UFRB - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e Fundação Ford. Os nossos agradecimentos pessoais também a Cíntya, Alice, Andréia e demais parceiras do ICS - Instituto Clima e Sociedade, pela iniciativa, convites e parceria no espaço Brazil Climate Action Hub durante a COP esse ano. A Angeline, que apoiou o nosso time de ativismo desde quando nos encontramos na conferência e possibilitou que a gente levasse os elementos ideais para as nossas ações. Como parceiros tão importantes no desafio de chegar até a conferência, agradecemos a Carlos Rittl (OC), Adriana Ramos (ISA) e Alessandra Mathyas (WWF-Brasil). A Heloísa, do Catraca Livre, por nos ajudar a fazer nossas vozes ecoar para tantas pessoas. A Carlos García, por todo o suporte tanto antes como durante nossa estadia em Madrid, e pelo apoio na nossa ação do #6D. A João Henrique, Raquel Rosemberg e Comitê Facilitador do Engajamundo, por terem apoiado a delegação sempre que necessário, mesmo estando no Brasil. Por abrir portas para as oportunidades de fala em mesas, eventos e conferências de imprensa, agradecemos a YOUNGO, constituency de juventude dentro da UNFCCC, Plant for the Planet, CAN-LA - CAN América Latina, DCJ - Demand Climate Justice, a Bruna Cerqueira do ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade, Mark Lutes e Fernanda Carvalho do WWF, e Henrique e Larissa, integrantes da Casa Fluminense.

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AGRADECIMENTOS Ao nosso membro honorário, companheiro de caminhada e grande amigo de todos nós, agradecemos a Igor Vieira por se fazer tão presente, com tanta potência e tanto amor, nesse nosso processo. Com muito carinho, agradecemos ainda a Dani, Thiago e Tawanna, também membros do Engaja, e a Matsi, Taily e Txai, todos jovens brasileiros que estavam na COP com suas missões e compromissos pessoais, mas que ainda assim somaram forças a nossa delegação e tornaram nossa participação na conferência ainda mais completa. Para fechar o ciclo da juventude brasileira, agradecemos por fim a Yago Freire, originalmente membro da delegação e que contribui tanto desde o início do nosso processo mas que não pode estar presente junto a nós em Madrid. Por último e não menos importante, agradecemos de coração às 200 pessoas que doaram na nossa campanha de financiamento coletivo e a todos que a compartilharam, nossa gratidão a todos e todas que confiam no nosso trabalho e no poder da juventude como parte da solução. Seguimos juntos!

Obrigada!

Relatório final de delegação, 57


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Relatório Delegação COP25_Engajamundo  

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