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idosos no ponto de cem rĂŠis

Emanoelle Silva


Por Emanoelle Silva


“Quando eu vinha aqui não tinha nada disso, só esse prédio ai (Paraíba Palace). Era tudo muito diferente.” – Francisco Firmino.


“Nasci e fui criado no centro. Antigamente esse ponto era melhor, tinha mais gente. Era mais movimentado.” – Antônio


“Eu frequento desde 1980. Venho aqui todos os dias, pra trabalhar e brincar. Venho mais por causa da dama. Dama é muito bom, dá conhecimento e amizade, foi tudo o que eu fiz aqui. Trabalho e brinco, brinco trabalhando e trabalho brincando. Sou o melhor jogador de dama da Paraíba, esse lugar é o meu ponto.” – Genival, o melhor jogador de dama da Paraíba


“Eu venho aqui desde quando... acho que vocês não eram nem nascidos. Vocês não viram o bonde que passava por aqui. Não viram a transformação que passou isso aqui. Que passou uma modificação, passou, de acordo com o tempo, né? Porque futuramente isso aqui não vai ficar desse jeito. Vocês hoje tão vendo isso aqui, mas futuramente não vai nem existir, vai ter uma modificação, um túnel, uma invenção de alguém, pra modificar a situação. É o que se vai ver.” - Essa modificação vai ser melhor para quem frequenta? “Bom, essa modificação pode ser melhor pro pessoal do tempo. Vocês sabem que o tempo muda e as pessoas mudam, não é? Hoje eu tô aqui, mas eu já conheço isso aqui desde quando eu era menino. A maioria das pessoas vem pro ponto do cem réis, primeiro: tão um pouco cansados de tá no comércio pra cima e pra baixo, né? Ai diz, vamos sentar ali, descansar um pouquinho que daqui a gente toma sentido e vai pra onde quer. O ponto do cem réis é uma praça, não é? E praça é pra você descansar, é um lazer, por isso que é bom, a praça é bom. As pessoas vem pra meditar suas decisões, passar um tempo, conversar com os amigos e relaxar. O ponto dos cem réis é isso.” – Batista


O Ponto de Cem Réis é uma praça localizada no centro de João Pessoa, lugar onde o tempo é medido de forma bem particular, para uns o dia é agitado e o ponto é apenas para o ir e vir dos locais de trabalho, mas para quem trabalha por lá é como estar em casa. Para outros, é um ambiente de sossego, onde se pode passar horas apenas conversando. É um ponto de encontro de gerações, culturas e etnias. Entretanto, o seu cenário já sofreu inúmeras transformações desde o início de sua história, por necessidades urbanísticas ou por intervenções políticas. Assim como o entrevistado Batista afirma que as mudanças ocorrem para as pessoas do tempo, o arquiteto e antropólogo Nelson Ferreira (1985, p. 12) diz que as transformações são pensadas por uma elite acadêmica e técnica que fazem o que acreditam ser o melhor para a massa, submete a população a aceitar essas imposições e a criarem mecanismos de defesa para resguardar suas lembranças. Apesar de todas as intervenções, a praça hoje não deixou de ser um espaço vivo, pois permanece interagindo pessoas, situações e acontecimentos do dia a dia. Conectando a cidade da zona norte a sul e de outras cidades.


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