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Mundo de extremos: por que as ideias radicais atraem os jovens

ENIGMA NA AREIA

Pegamos carona numa expedição paleontológica no sul do Peru que investiga um cemitério de baleias no deserto. O modo como elas foram preservadas diz algo sobre o passado IMAGINE LER OS EVANGELHOS NA TERRA SANTA

ENTENDA A ORIGEM DOS IDIOMAS DE ACORDO COM A BÍBLIA

AO PONTO: EDUCAÇÃO SEXUAL E A QUEBRA DE TABUS

32591 – CONEXÃO 03/2015

Jul-Set 2015 – Ano 8 no 35

Exemplar:7,40 – Assinatura: 23,50

ENTENDA. EXPERIMENTE. MUDE

________ Designer ________ Editor ________ Ger. Didáticos ________ C.Qualidade ________ Depto. Arte


Da redação

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Editor Wendel Lima

EDUCAÇÃO PARA A VIDA

5 CONECTADO

A OPINIÃO DE QUEM SEGUE E CURTE A REVISTA

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GLOBOSFERA

ARCA DE NOÉ, MILAGRES, REPÚBLICA MÓVEL, FAST-FOOD SAUDÁVEL

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A ORIGEM DOS IDIOMAS DE ACORDO COM A BÍBLIA

William de Moraes

POUCAS LEITURAS ME SUPREENDERAM tanto quanto a do livro Educação. Confesso também que esperava pouco dessa obra. Apesar de admirar a autora, não pensava que um livro com esse título teria lições tão práticas e princípios tão abrangentes. A visão dela sobre educação extrapola a sala de aula, o currículo, a didática e os critérios de avaliação: tem que ver com a escola da vida. Mais do que treinar o aluno para o Enem, a faculdade, o intercâmbio ou o mercado de trabalho, ela enxerga na educação o preparo do ser humano para lidar com oportunidades, responsabilidades, derrotas e triunfos. Para encarar o mundo como dono das circunstâncias e não vítima delas. O fascinante é que essa obra foi escrita por alguém que, por questões de saúde, teve que deixar a escola muito cedo, porém, cresceu como uma leitora voraz de livros e da Bíblia, e observadora atenta da natureza e da vida. Pela influência de seus escritos, discursos e exemplo, cem anos após sua morte (em 16 de julho de 1915), todo um sistema educacional está estabelecido e atendendo 1,8 milhão de estudantes ao redor do mundo. Tudo isso me faz crer que apesar de ser uma mulher comum, Ellen G. White foi usada por um poder extraordinário. Foi uma mensageira de Deus. Daquela leitura obrigatória do curso de Teologia, trago comigo um livro todo grifado e anotado. Ao folheá-lo, saltam aos meus olhos lições que têm norteado minha compreensão da realidade: que o serviço é a lei da vida; que não devo ser mero refletor do pensamento alheio; e que a grande necessidade do mundo é de homens que não se compram e não se vendam. Aprendi também com essa leitura que a natureza e a Bíblia apresentam indícios da mesma mente superior e, que, se corretamente compreendidas, a ciência e a Bíblia não se contradizem, pelo contrário, se complementam (p. 128). Número após número, a revista Conexão 2.0 tem reforçado essas e outras lições típicas da educação adventista. Fazemos isso porque acreditamos que esse é um modelo mais vantajoso de ensino e preparo para a vida. Uma evidência disso é a reportagem de capa desta edição. Há 15 anos estudando como foram preservados centenas de fósseis de baleias no deserto de Pisco, o paleontólogo espanhol Raúl Esperante é um exemplo de como os criacionistas também fazem ciência com seriedade. As evidências que ele tem encontrado ali estão intrigando a comunidade científica e oferecendo uma explicação alternativa para esse fenômeno. Convido você a pegar carona nessa expedição paleontológica que revela algo sobre o passado. Boa leitura!

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22 PERGUNTAS

IGREJA E ESTADO, PROSPERIDADE, FESTAS BÍBLICAS E WHATSAPP

30 APRENDA

A FAZER SEU BLOG

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PSIC IMP SEX

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18 REPORTAGEM

SAIBA POR QUE AS IDEIAS EXTREMISTAS ATRAEM OS JOVENS

26 M

C Q P


ES,

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LER OS EVANGELHOS NOS LUGARES EM QUE JESUS ANDOU

8 AO PONTO

PSICÓLOGA EXPLICA A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO SEXUAL NA QUEBRA DE TABUS

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CAPA

ESCAVAMOS COM PALEONTÓLOGOS NO PERU PARA DESVENDAR O ENIGMA DO CEMITÉRIO DE BALEIAS EM PLENO DESERTO

Revista trimestral – ISSN 2238-7900 Julho-Setembro 2015 Ano 8, no 35 Ilustração da capa: Thiago Lobo

CASA PUBLICADORA BRASILEIRA

Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900 Site: www.cpb.com.br / E-mail: sac@cpb.com.br Serviço de Atendimento ao Cliente Ligue grátis: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h30 Sexta, das 8h às 15h45 Domingo, das 8h30 às 14h

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Editor: Wendel Lima Editores associados: Eduardo Rueda e Wellington Barbosa Projeto Gráfico: Marcos Santos e Éfeso Granieri Designer Gráfico: Fernando Santana Diretor Geral: José Carlos de Lima Diretor Financeiro: Edson Erthal de Medeiros Redator-Chefe: Marcos De Benedicto Redator-Chefe Associado: Vanderlei Dorneles Gerente de Produção: Reisner Martins Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza Colaboradores: Edgard Leonel Luz, Almir Afonso Pires, Almir Augusto de Oliveira, Antônio Marcos Alves, Douglas Jeferson Menslin, Eder Leal, Marco Antonio Leal Góes, Orlando Mário Ritter, Pedro Renato Frozza, Raquel Xavier Ricarte, Alexander dos Santos Dutra e Rérison Alfer Vasques.

26 MUDE SEU MUNDO

CONHEÇA A CASA DE APOIO QUE ACOLHE FAMÍLIAS DE PACIENTES COM CÂNCER

Assinatura: R$ 23,50 Avulso: R$ 7,40 www.conexao20.com.br Tiragem: 29.000

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LIÇÃO DE VIDA

A MODELO QUE TROCOU A CARREIRA NA EUROPA PELA MISSÃO NA MICRONÉSIA

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9116/32591 Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da Editora.

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2015 Pricila Cajรก / Imagem: Fotolia


Ao ponto Entenda

conexao20@cpb.com.br

Desabafos, sugestões, interação e dúvidas para a seção Perguntas? É por aqui mesmo!

Sou assinante da revista e vejo que ela está sempre atenta às novas tendências editoriais com um visual gráfico de muito bom gosto. Khelven Klay de Lemos O design da última matéria de capa ficou lindo. Fiquei emocionada, de verdade, em escrever essa reportagem. Foi um privilégio! Espero que o material renda bons frutos nas instituições adventistas. Rebbeca Ricarte Sou médico recém-formado e moro em Ribeirão Preto (SP). Tive uma surpresa agradável ao ler a última edição. No próximo ano terei horários flexíveis de trabalho e estou planejando uma experiência de missão de curta duração na Amazônia e no exterior. Por isso, a reportagem “Brazucas na terra dos faraós” anunciada na capa já me chamou a atenção. Mais para frente encontrei a seção “Mude seu mundo” com o título “Aventura na selva”. Exatamente as regiões que venho pesquisando nos últimos dias e para as quais pretendo viajar para servir! Como já é de costume, a Conexão 2.0 me mostrou formas de praticar o cristianismo verdadeiro e me inspirou com ideias para inovar e ir além. Ricardo Lima Coelho

conexao20.com.br

Perdeu alguma edição ou deseja reler uma matéria que gostou muito?

A revista Conexão 2.0 continua surpreendendo. O tema saúde, capa da última edição, deveria ser levado muito mais a sério por estudantes que desejam manter alta performance. A alimentacão e a qualidade do sono têm influência profunda no rendimento de alunos que pretendem passar em vestibulares, concursos e nas disciplinas da faculdade. Rodrigo Udo Zeviani

Acesse nosso arquivo e folheie todas as edições da Conexão 2.0

facebook.com/conexao20

Saiba o que vai ser publicado, opine sobre os conteúdos que já saíram e compartilhe com os amigos que não têm a revista.

Camila Paulino: Li minha revista numa tarde. Mais uma vez, amei a edição inteira. As notícias sobre o Clube de Desbravadores no Egito (“Brazucas na Terra dos Faraós”) e sobre os calebes (“Uma vida em Missão”) fizeram meu coração acelerar, pois são minhas paixões. Já aguardo a próxima revista. Giovanna Eugênia: Essa edição está maravilhosa, com destaque para os temas de saúde (capa) e evangelismo (reportagem, munde seu mundo e lição de vida). Histórias que, certamente, vão inspirar os jovens a compartilhar a esperança da volta de Jesus perto ou longe de casa. Guardei para

mim as palavras do pastor Elivelto Vital (p. 20): “Nos lugares em que não se prega o evangelho, só nos resta viver o evangelho. Não há espaço para encenar o cristianismo. ‘Eu sou a mensagem’ deixa de ser um slogan bonito para ser a maneira mais direta de falar sobre o amor de Deus e de quebrar preconceitos.” Que venha a próxima edição! Israel Benhur: O que vivemos hoje determina nosso amanhã. A revista abordou muito bem a importância de os jovens cuidarem do próprio corpo.

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Pricila Cajá / Imagem: Fotolia

Informação Conectado & Opinião Globosfera

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twitter.com/conexao_20 @c_cinthia1307: Obrigada por minha sugestão de pauta ser respondida. Toda a revista está formidável com conteúdos pertinentes à juventude. Parabéns! © Michael Brown | Fotolia

________ Ger. Didáticos

11.000 seguidores

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Divulgação TV Novo Tempo

© Donald Araya e Erwin Jerez

Texto Wendel Lima

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BIBLECAST NA TV

© Divulgação

Para quem deseja entender a relevância da teologia para o cotidiano, numa época marcada pela superficialidade de informações, inclusive na religião, o programa HiperLinkados é uma alternativa. Conhecidos por unir bom humor e uma reflexão séria sobre a Bíblia, os pastores José Flores Júnior e Diego Barreto levaram a linguagem do Biblecast para a TV Novo Tempo. O programa conta ainda com recursos gráficos, convidados e o talento do cartunista Felipe Carmo, do blog Traços do Reino. Todos os sábados, às 20h, ou no site novotempo.com/hiperlinkados.

Divulgação DSA

ARCA DE NOÉ NAS OLIMPÍADAS

PAPO ABERTO

Para conversar com os adolescentes sobre redes sociais, autoestima, comportamento e espiritualidade, a sede sul-americana da Igreja Adventista escalou o pastor Odailson Fonseca. Ele apresenta um bate-papo de 30 minutos, chamado Meu Código Fonte, que vai ser disponibilizado quinzenalmente no canal de vídeos da igreja. A ideia é ajudar os adolescentes a tomar decisões com base na Bíblia.

Uma réplica dela foi reconstruída por Johan Huiber, um holandês que sonhava em contar o relato do dilúvio universal num ambiente inesquecível. Inaugurada em 2012, ao custo de 1,5 milhão de dólares, o navio de madeira tem quatro andares, restaurante, sala de projeção e animais de verdade e de mentira. A embarcação mede 21 m de largura e 131 m de comprimento, já recebeu 600 mil visitantes e foi notícia na imprensa mundial. A novidade é que Huiber pretende atravessar o Atlântico para atracar com a arca no Rio de Janeiro, nas Olimpíadas de 2016.

CASA MÓVEL

© Adventist Review

Que tal trocar a república ou um quarto no internato por uma casa móvel? Talvez essa não seja uma opção segura no Brasil, mas pode ser nos Estados Unidos. É o que sugerem alunos da Faculdade de Arquitetura, Arte e Design da Universidade Andrews, em Michigan. A casa construída por eles tem apenas 13 m² e pesa 3.630 kg. A ideia dos universitários é vender o protótipo e levantar fundos para a fabricação de outras pequenas casas para pessoas carentes. Conheça o site do projeto: theshedtinyhouse.com 6 |

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Arquivo pessoal

© Donald Araya e Erwin Jerez

MILAGRES SÃO REAIS

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© Anderson Uesley

FAST-FOOD SAUDÁVEL

O lanche do seu intervalo pode ser mais saudável, sem perder sabor, aroma e textura. É o que promete a franquia SuperVeg, da empresa adventista de alimentos Superbom. A primeira lanchonete da marca já está funcionando no Centro Educacional Adventista Milton Afonso (Ceama), em Brasília. A franquia, que deve chegar às 450 escolas adventistas do Brasil nos próximos três anos, oferece pão de queijo e minipizza com queijo vegano, sanduíche e cachorro-quente com proteína vegetal, cupcake e fruta picada e fracionada.

Estudar Publicidade e Propaganda em instituições adventistas, as novas opções são o Unasp, campus Hortolândia (SP), no modelo agência-escola; e a Fadminas, em Lavras (MG), a partir de 2016. Liderar desbravadores, o tradicional e obrigatório curso de formação tem um formato diferente no sul do Paraná. Os candidatos acompanham as aulas por meio de um DVD e de uma revista, além de aulas presenciais a cada três meses. Concorrer a viagens internacionais por roteiros históricos da Igreja Adventista, o concurso Master White já está em andamento com suas seis fases online sobre seis livros de Ellen White, pioneira da igreja. Acesse http://bit. ly/1GemBgR.

O GAROTO E O PROFETA

Bradley Booth é conhecido por escrever para jovens cristãos de fala inglesa. Resgatando o estilo clássico de ficção, no livro Milagres do Manto, Booth insere sua narrativa em um contexto histórico real e, em linguagem simples e acessível, conta a impressionante história de um rapaz órfão de pai chamado Natã que encontra o profeta bíblico Eliseu. A leitura é leve e envolvente. Seus episódios são bem delineados e suas reviravoltas são surpreendentes. Muitas questões são sutilmente levantadas e respondidas com naturalidade e respaldo bíblico.

Colaboradores: Adventist Review, Cárolyn Azo, Fabiana Bertotti, Francis Matos, Jéssica Guidolin, Lucas Diemer, Márcia Ebinger, Márcio Tonetti, Silvia Tapia e Suzaeny Lima

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© Divulgação

PARA QUEM QUER...

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No monte Everest, o alpinista Ernesto Olivares Miranda, de 52 anos, escapou de uma avalanche que matou 20 pessoas numa base de acampamento aos 5,3 mil metros de altitude. A encosta de gelo, que passou a 50 metros dele, desmoronou por causa do terremoto que matou 8 mil pessoas no Nepal em abril.

Dois chilenos adventistas escaparam por um triz da morte. O pastor Rubén Soto foi arrastado de sua casa por uma enxurrada, no norte do Chile, e sobreviveu por um milagre ao se segurar por seis horas em uma palmeira. Ele foi resgatado de helicóptero e sua história foi contada em rede nacional.

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Ao ponto

Texto Alysson Huf Ilustração Paula Lobo

CARLA STORCH É mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e professora de educação sexual no Colégio Adventista da Liberdade, também na capital paulista. Procurando entender melhor a consciência dos adolescentes sobre a própria sexualidade, ela entrevistou 350 alunos de 14 a 18 anos na sua pesquisa de mestrado. Carla descobriu que os rapazes podem estar mudando sua visão sobre a iniciação sexual e confirmou que ter aulas sobre sexualidade na escola faz toda a diferença.

A que conclusões você chegou? Cheguei aos seguintes resultados: (1) os rapazes encaram o sexo como um meio de obter saúde e não como uma mera relação sexual; (2) eles também colocam o compromisso como fator importante nas motivações sexuais. Esse dado e o anterior contrariam a maioria dos estudos realizados, e podem apontar para uma mudança no comportamento masculino; (3) para ambos os gêneros, a pressa em experimentar o sexo é justificada pela ansiedade em adquirir um novo poder, próprio do mundo adulto; e (4) a média de idade da iniciação sexual é a mesma para os dois gêneros: 16 anos. 8 |

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Por que educação sexual é importante? Entre os adolescentes, há muitos tabus e preconceitos que alteram o significado e o desenvolvimento da sexualidade, muitas vezes comprometendo também suas relações afetivas e sociais. As aulas possibilitam melhor compreensão da consciência dos adolescentes a respeito de seus comportamentos e atitudes, levando os estudantes a fazer escolhas positivas. Qual é a relação entre educação, prevenção e satisfação sexual? A educação sexual possibilita um discurso aberto, livre de preconceitos, com orientação correta e eficaz. Para muitos em nossa cultura latina, falar

de sexo é incentivar a pessoa a uma vida sexual precoce, o que está totalmente equivocado. Alguém que recebe orientação sexual é capaz de fazer escolhas maduras, assumir relacionamentos seguros, lidar com as marcas negativas de outros envolvimentos sexuais e ser livre para fazer o que julga ser saudável para sua sexualidade. Existe uma idade indicada para o início da vida sexual? Os adolescentes não estão psiquicamente preparados para uma iniciação sexual. Ao fazerem essa escolha, eles perdem a naturalidade da vida sexual, o romantismo da conquista, liberdades, sonhos e ficam muito vulneráveis à gravidez e às DSTs. A idade correta seria

no início da vida adulta, no contexto do casamento, quando se tem maturação psíquica, e pode fazer escolhas de forma consciente, tendo condições de assumir os próprios atos. O que você diria para alguém que está pensando em experimentar o sexo antes do tempo? Seja responsável pelo seu corpo. E não se esqueça de que você será responsável por tudo que escolher hoje. Deus não criou a sexualidade para ser usada sem qualquer regra. É preciso entender que Ele fez o sexo para propiciar prazer às pessoas casadas que se amam, com a possibilidade de receber dádivas que completem essa relação de amor: os filhos.


educacaoadventista.com.br

Vandir Dorta / Foto: William Moraes

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Entenda

Texto Dayane Fagundes e Janaina Toledo Ilustração Livia Haydeé

A origem dos idiomas JÁ PAROU PARA PENSAR que é por causa do seu idioma que você pode expressar sentimentos e ser plenamente compreendido? Com ele também é possível descrever detalhes como cor, localização e quantidade. Mas a origem da comunicação verbal é um grande mistério para a ciência. Por não haver muitos indícios, pouco se sabe sobre o desenvolvimento das línguas. Porém, o relato bíblico de Gênesis traz uma explicação para o surgimento da diversidade linguística. No capítulo 11, está escrito que, na terra de Sinar, depois chamada de Babilônia (Dn 1:1, 2), o povo começou a construir uma torre que alcançaria os céus. Essa obra representava dúvida em relação à palavra de Deus (Gn 9:8-17) e desafio à Sua vontade (Gn 11:4). Foi por isso que Deus confundiu a língua deles, para que um não entendesse o outro. E é por causa da intervenção divina que a Terra foi povoada (Gn 1:28; 9:1), promovendo assim o desenvolvimento da diversidade étnica e cultural. Conheça essa história.

A Bíblia relata que, até o incidente com a torre de Babel, somente um idioma era falado em toda a Terra (Gn 11:1). O primeiro homem, Adão, foi capaz de criar novas palavras quando deu nome aos animais, sugerindo que tinha capacidade de comunicação plena e criativa (Gn 2:20).

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Na torre de Babel, Deus confundiu a língua dos homens para que não mais se entendessem (Gn 11:7). Na Suméria, berço da civilização e da escrita, foram encontradas variações dessa narrativa bíblica em tabletes com inscrições cuneiformes. A Bíblia não descreve o desenvolvimento de idiomas a partir de uma língua-mãe, mas o repentino aparecimento de uma diversidade inicial que gerou a multiplicidade linguística atual.


Principalmente na região do Iraque foram encontrados vários zigurates parcialmente preservados, anteriores a 2.000 a.C. É impossível dizer se um deles é o que restou da torre de Babel, mas o fato é que eles foram construídos com tijolos queimados e colados com betume (argamassa), exatamente o processo descrito na Bíblia (Gn 11:3).

Outras teorias... A filosofia tentou de muitas formas explicar como surgiram as línguas. Jean-Jacques Rousseau, por exemplo, supôs que a linguagem tivesse evoluído gradualmente a partir da necessidade de expressar sentimentos, o que ele chamava de “grito da natureza”. Esse recurso teria sido usado pelo homem primitivo para pedir socorro no perigo.

Linguista, filósofo e ativista norte-americano, Noam Chomsky revolucionou os estudos de sua área ao conceber a ideia da “gramática universal” como uma habilidade inata do ser humano. Para ele, é como se as pessoas já nascessem equipadas com um “software” linguístico no cérebro capaz de lhes dar ciência dos princípios gramaticais comuns a qualquer idioma. Fontes: Dr. Ruy Vieira, Um Tronco Comum Para os Idiomas (SCB, 1998); Luiz Gustavo Assis, pastor e mestrando em Arqueologia na Trinity University (EUA); programa Evidências, da TV Novo Tempo; Dr. Rodrigo Silva, Escavando a Verdade (CPB, 2007); Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 1 (CPB, 2011); e Josué Cândido da Silva, doutor em Filosofia (UESC), no artigo “Filosofia da linguagem (1): Da Torre de Babel a Chomsky”, disponível em http://bit.ly/1zSpoNk. jul-set

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A torre de Babel (ou “portal dos deuses”), possivelmente tivesse o formato de um zigurate, uma espécie de templo na forma de pirâmides aplanadas, comum na Mesopotâmia.

George Mead, psicólogo e filósofo norte-americano, afirmou que a linguagem textual precedeu a linguagem falada, na necessidade de se coordenar gestos comuns que se repetiam durante as caçadas ou fugas de animais selvagens. De acordo com Mead, com o passar do tempo, esse conjunto de gestos, que significava algo, deu lugar à formas mais elaboradas de linguagem, compondo um universo de discurso.

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Interpretação Capa & Reflexão Reportagem

Texto Mariana Venturi Fotos José de Oliveira Mendes

Perguntas Imagine

ESCAVANDO O PASSADO Acompanhamos a rotina de uma equipe de paleontólogos no deserto de Pisco para desvendar o enigma das baleias que estão sob a areia

Para o trabalho cuidadoso de escavação, os paleontólogos contam com algumas ferramentas: martelo, cinzel, pincéis, lupa, caderneta de anotação, régua, câmera fotográfica e GPS. A atenção no trabalho de campo é fundamental para a precisão das análises em laboratório

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RESISTIR AO SOL, AO VENTO, AO CANSAÇO. Unir resistência e força ao cuidado minucioso e sutil. Não se intimidar pelo calor que arde na pele, nem com o pó que tudo permeia – impregnando roupas, utensílios e o ar que se respira. Perseverar, ainda que todas as dificuldades em campo pesem com a saudade da família. Enfrentar o desconhecido a milhares de quilômetros de casa. Desbravar, durante semanas, o incerto. Uma tarefa que parece por demais árdua. Mas que, ao final, tem no decifrar a História sua recompensa. Esse é o pincelar de um cenário que compõe o dia a dia de desafios enfrentados pela equipe de Raúl Esperante no deserto da Bacia de Pisco, no Sul do Peru. O cientista, que é PhD em Paleontologia pela Universidade de Loma Linda (EUA) e pesquisador do Geoscience Research Institute (entidade mantida pela Igreja Adventista), lidera ali uma expedição que estuda, há mais de uma década, fósseis de baleias muito bem preservados sob a areia. O cinegrafista José Mendes de Oliveira e eu fomos documentar de perto essa pesquisa para o programa Origens da TV Novo Tempo. E agora, a gente conta essa viagem de tirar o fôlego com exclusividade para você.

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As baleias de Pisco já renderam 15 anos de estudo para o Dr. Raúl Esperante e algumas publicações em revistas científicas

VIAGEM PARA O DESERTO A jornada foi intensa, com ricas experiências e sabor de aventura desde o início. Para chegar ao sítio paleontológico, primeiro foi necessário voarmos até Lima para então alugar uma picape 4x4, único veículo capaz de transitar no deserto. Veio então o primeiro desafio: sair da capital peruana, uma vez que Lima é conhecida internacionalmente por seu trânsito caótico. Para se ter uma ideia: o jornal espanhol El País registrou que, por sua desordem crônica e altíssima incidência de mortes no trânsito, o transporte é o segundo problema mais grave da capital do Peru (só perde para a criminalidade). Graças a Deus, saímos ilesos do tráfego superpopuloso e não engrossamos as estatísticas. Deixando Lima para trás, dirigimos cerca de cinco horas pelo litoral – que, por sinal, nos surpreendeu com o incrível contraste da paisagem, que une o oceano Pacífico com o árido deserto. Os famosos outdoors gigantescos, extremamente criativos, também entreteram nossa atenção no caminho até chegarmos à pequena cidade de Ica, no Sul do Peru. O local, destino turístico muito freqüentado por ser um oásis no deserto, é onde fica a base de trabalho da equipe de Esperante. Fomos muito bem-recebidos, integrados à rotina da equipe e, no dia seguinte, já os acompanhamos à empreitada no deserto. Era incrivelmente mais instigante do que imaginávamos. O que encontramos ali, sob o quente sol do verão peruano, foi areia a perder de vista abrigando centenas e centenas de 14 |

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c v P p e f c n q d u t

fósseis, escondidos como tesouros ainda por investigar. Imagine um lugar sem sombras e inteiramente exposto ao calor, onde a paisagem é apenas recortada pelas dunas. Com exceção de nós, ali, em toda a extensão daquele cenário desértico, o único movimento vinha dos fortes ventos, cuja frequência se intensificava à medida que o dia avançava. Por isso, fosse para os cientistas pesquisarem em campo – ou para nossa equipe entrevistar e filmar os trabalhos – o tempo deveria ser aproveitado ao máximo pela manhã, uma vez que ao meio-dia já começava o sopro carregado de areia, tornando impraticável qualquer atividade. “Há dias em que não podemos trabalhar, porque há tanta poeira que não conseguimos usar as câmeras, nem mesmo escrever nos cadernos. O pó vem nos olhos e, às vezes, é até mesmo perigoso”, alertou Esperante, pouco antes de cobrirmos nosso equipamento enquanto filmávamos, protegendo o material de um redemoinho inesperado. CONTRA O VENTO É isso que também faz das paracas, fortes tempestades de areia, uma constante ameaça. E o que fez o pesquisador já enfrentar situações de fato extremas, como essa cena – ainda tão viva em sua memória e digna de um filme de ação: “Estávamos em quatro pessoas trabalhando há três dias na escavação de um fóssil de baleia. E lembro que, por volta do meiodia, justamente quando estávamos muito animados porque o esqueleto estava

finalmente aparecendo, de repente olhei e vi no horizonte algo como um muro de areia. Era uma tempestade de areia, vindo em nosso caminho”, recorda Esperante. O paleontólogo lembra ainda que, naquele mesmo instante, gritou para que seus assistentes recolhessem tudo e imediatamente saíssem, enquanto o muro de areia avançava rapidamente ao encontro deles. “Colocamos nossas coisas na caminhonete e partimos. Eu dirigia e via a tempestade de areia vindo ao meu encontro, e não consegui sair do deserto antes da tempestade me alcançar. Então fomos abraçados na nuvem de areia, tive que parar a caminhonete e esperar uns 15 minutos. Quando tudo clareou estávamos ainda cobertos, não conseguíamos ver nada através dos vidros do carro. Foi uma experiência e tanto. Nós estávamos a salvo, mas foi o fim dos trabalhos naquele dia”, conclui o cientista, com um meio sorriso. Por conta da adrenalina e adversidades imprevistas, o trabalho de paleontólogos e geólogos exige muita determinação, seriedade, e extrema concentração e foco. Tarefa semelhante a uma investigação forense com ossos desenterrados, mas que vai além disso. Esperante conta que lidar com a reconstituição do passado é um grande desafio, pois envolve tentar explicar onde, quando e por que determinado fenômeno ocorreu. “É prazeroso sentir que você está garimpando os fatos, a verdade. Enquanto escavamos, trazemos dados à superfície. É um trabalho apaixonante, mas não é para todo mundo – nem todos querem suportar as condições climáticas que enfrentamos.”

c v c d r e e

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A ROTINA DE ESCAVAÇÕES Semelhante ao trabalho nos sítios arqueológicos do Oriente Médio, a rotina no deserto peruano começa muito cedo. Levantávamos às 4 horas da madrugada, já com mochilas e equipamentos prontos; vestíamos roupas apropriadas e nos muníamos de protetor solar, chapéu e óculos de sol, e então nos encontrávamos na sala para, em grupo, refletir em textos da Bíblia e orar por nós e nossos familiares. Prontos para um novo dia, subíamos nas caminhonetes e dirigíamos nas ruas ainda escuras, alcançando as dunas antes do amanhecer. Diante dos fósseis, a equipe da expedição iniciava os trabalhos dividindo tarefas, que incluíam desde a escavação até o estudo das camadas sedimentares. Escavar fósseis de baleias ou dinossauros é um processo lento que demanda esforço e exige ação tão especializada quanto cuidadosa. Afinal, à primeira vista, tudo o que se vê são rochas. É preciso um estudo detalhado para distinguir o que pode ser quebrado daquilo que, lapidado, é valioso para a paleontologia. Encontramos muitos fósseis diferentes aqui. Alguns deles estão muito bem expostos no chão, mas outros estão completamente encobertos, e a única coisa que você vê é um pedaço de um osso despontando da areia. Então começamos a escavar as rochas, limpar com pincéis e diferentes ferramentas e, aos poucos, vamos expondo o grande esqueleto. Nós somos apaixonados por isso, não queremos parar, nós trabalhamos até ver o esqueleto por completo”, reconhece o paleontólogo. Na maioria das vezes, “ver o esqueleto completo” significa atravessar dias de intenso trabalho. Afinal,

© José Mendes de Oliveira

sedimentos costumam cobrir totalmente o esqueleto. Durante algum tempo, o som de ferramentas trabalhando arduamente foi o único a ecoar pelo deserto. Por fim, após tantas horas exaustivas (e suadas) e muito pó acumulado no corpo, foi indescritível a emoção da equipe quando finalmente contemplou um esqueleto inteiramente exposto. Crânio, mandíbulas, vértebras, as costelas, os membros... Todos os diferentes elementos ali, prontos para começar a reconstruir a história. Aliás, reconstruir, ali, significa recuperar para decifrar. Para desenterrar fatos, é necessário mais do que pistas. É preciso compor cada investigação com dados precisos e legítimos, que falem por si. Por isso, Esperante esclarece que a etapa seguinte, a mais importante em uma expedição paleontológica, são as informações coletadas durante o trabalho de campo, principalmente anotações em cadernos, fotografias e amostras (compostas por ossos e rochas) etiquetadas e enumeradas para posterior análise em laboratório. “Essa é a parte mais importante de nosso trabalho. Gasto horas e horas escrevendo notas. Tentamos conseguir o máximo de informações, porque voltar a campo é caro e podemos não retornar por anos. As anotações servem para lembrar exatamente o que observamos aqui e são a base para nossos relatórios e artigos. Para contar a história, nós só temos os fósseis e as rochas como testemunhas”, compara com o método forense. TESTANDO A HIPÓTESE EVOLUCIONISTA O mais intrigante no enigma de Pisco não é a existência de fósseis de baleia em pleno deserto. A área hoje está a cerca de 30 quilômetros do mar, e acredita-se que aquela antiga enseada tenha sido uma vez coberta pelo oceano. O que instiga é que centenas e centenas de baleias jazem ali com golfinhos e até pinguins, sob o manto de areia. “Este lugar é único. Não há outra área conhecida dos seres humanos com tantos fósseis de baleias como aqui. Nós estamos falando de centenas, talvez milhares de espécimes, e inclusive em diferentes camadas sedimentares”, pontua o paleontólogo espanhol, ciente da grandeza de seu material de pesquisa. O fascínio de Raúl Esperante por esse lugar já lhe rendeu mais de 15 anos de pesquisa em conjunto com uma equipe multidisciplinar dos Estados Unidos, Peru, Espanha e Itália. Rendeu também ao pesquisador várias publicações em revistas científicas, como Geologica Acta, Spanish Journal of Paleontology e Palaios. Uma evidência de que cientistas criacionistas também fazem pesquisa séria, dentro e fora dos laboratórios. De início, na busca por desvendar o que ocorreu ali, o pesquisador partiu de uma premissa evolucionista: “o presente é a chave para entender o passado”. Essa abordagem, denominada uniformitariana e usada por paleontólogos e geólogos, significa partir do pressuposto de que os fenômenos naturais sempre ocorreram da mesma maneira. Para tanto, o paleontólogo espanhol embarcou em cruzeiros que procuram por carcaças de baleia, a fim de monitorar e documentar com imagens o processo de decomposição das baleias mortas na costa e em alto-mar. “O que vimos é que baleias modernas se decompõem muito rápido quando morrem e descem ao fundo do mar. Tão rápido que, em questão de poucos meses para poucos anos, não há mais nada”, garante. Conclusão parcial: quando a carcaça fica exposta, está sujeita à deterioração e a probabilidade de fossilização ocorrer é quase nula. Essa constatação, por si só, coloca em xeque a premissa uniformitariana, de que processos modernos (como lentas taxas de deposição) equivalem aos da antiguidade. É um grande contraste com os fósseis de Pisco, que não apresentam sequer sinais de decomposição nos ossos. jul-set

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Para lidar com tais condições, pesquisadores de campo se preparam por muito tempo antes de escavar, principalmente quando o cenário oferece riscos. Primeiro, pela logística complicada, uma vez que é preciso ter acesso a áreas remotas com muitos equipamentos (isso inclui estudos prévios de mapas e fotografias aéreas, além de uma ida para reconhecimento do terreno). Segundo, porque pode ser necessário se adaptar a temperaturas extremamente quentes ou frias antes do início da temporada de trabalhos. E, talvez o mais importante, exige uma intensa pesquisa bibliográfica relacionada ao tema de investigação. “A gente chega ao sítio com muitos equipamentos, câmeras, GPS, e também com ferramentas de escavação. Nós trabalhamos com pessoas de diferentes campos do conhecimento, e assim tentamos responder às questões de diferentes ângulos”, explica. Esperante, como outros paleontólogos, conta com uma equipe multidisciplinar. Especialistas, por exemplo, em estratigrafia e preservação de fósseis.

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La Sonriente, o apelido dado a esse fóssil de baleia de 60 cm de altura, faz referência à barbatana preservada na boca do animal. O indício de rápida fossilização tem intrigado a comunidade científica

Em certo sentido, podemos dizer que o presente – neste caso – auxilia na compreensão do passado apenas ao nos mostrar que as condições de outrora devem ter sido muito diferentes do cenário atual, no contexto da morte e deposição das baleias na região de Ica. Ou então, não haveria fóssil nenhum lá. “A fim de que um fóssil se forme, o organismo deve ter partes duras remanescentes, como os ossos das baleias. E deve ocorrer um rápido sepultamento, caso contrário, a deterioração física e química destruiria os ossos. Além disso, o sedimento nos quais os ossos estão enterrados devem ter as condições geoquímicas corretas para preservar e fossilizar. Se esse não fosse o caso em Pisco, os ossos teriam sido decompostos sob condições de lenta deposição de areia”, reforça Esperante. CAUSA DA MORTE Além de uma questão principal que é a causa da morte de tantas centenas de baleias, uma pergunta crucial é o que causou a fossilização. Então, para trabalhar com diferentes hipóteses a fim de recompor a história, a equipe de Esperante tem escavado os fósseis, analisado os ossos e as rochas, assim como os sedimentos, durante todos esses anos. E descobriram uma evidência que sugere morte em massa com um único 16 |

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sepultamento: o grau de preservação dos fósseis é uniforme entre todas as amostras encontradas. “Nós temos escavado dezenas de espécimes de fósseis de baleias. Algumas delas estão com os ossos ligados como em vida. Em outras os ossos estão desconectados uns dos outros, mas ainda assim associados, estão agrupados, você pode dizer que é um espécime. E todas as amostras, todos os esqueletos, mostram um alto grau de preservação, o mesmo grau independentemente da desarticulação. Portanto, nós acreditamos que deve ter havido sepultamento rápido, nesta lama e areia que acimentou e preservou o osso. Mas não sabemos o mecanismo deste rápido sepultamento. É algo que ainda precisa de um estudo mais aprofundado” – pondera. Nos cenários atuais, por sua vez, os esqueletos de baleias encontrados no solo oceânico apresentam diferentes graus de preservação – alguns se mostram fortemente deteriorados, perfurados por larvas, ou ossos destruídos. Outros estão em “boa forma”, pois pousaram no leito do oceano recentemente. Já os ossos em Pisco não apresentam um único furo por necrófago sequer, como se realmente não houvesse tido tempo para que os parasitas se aproximassem de nenhum dos esqueletos.

E A PEÇA SE ENCAIXA Uma das descobertas mais interessantes de tantos anos de pesquisas no deserto peruano são as barbatanas fossilizadas. Barbatana é o aparelho de filtragem de um grupo de baleias denominado baleen, que em vez de dentes possui em sua boca um filtro composto por placas de queratina. Um clássico exemplo desse grupo são as gigantescas baleias azuis, que engolem enormes quantidades de água, filtram retendo o krill e pequenos peixes para se nutrirem, e então expelem o restante da água. As baleen são as maiores em tamanho que temos hoje, e curiosamente são maioria entre as espécies encontradas no deserto de Pisco. Um detalhe importante é que o órgão para filtragem das baleen, feito do mesmo componente de nossas unhas e cabelo, é apenas “colado” na gengiva da baleia (não está enraizado no maxilar, como os dentes) e perde a aderência logo após a morte do animal, destacando-se da boca. Em condições normais, como as observadas por Esperante em alto-mar, as correntes oceânicas arrastam essas barbatanas para longe do corpo, destruindo esses filtros e descartando qualquer hipótese de fossilização. O incrível é que em Pisco a equipe encontrou quase uma centena de carcaças completas, incluindo – para espanto da comunidade científica em geral – barbatanas fossilizadas em posição anatômica de vida.

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carcaça de uma baleia como La Sonriente pudesse ser totalmente coberta por sedimentos. Bem, se as carcaças se decompõem em até no máximo cinco anos, seria impossível sua fossilização nesta escala de tempo. Quanto mais uma completa fossilização, que mantivesse os ossos sem nenhum sinal de decomposição, e o mais improvável de todas as probabilidades: manter ainda a barbatana intacta em sua posição na boca. Se a baleia realmente tivesse ficado exposta durante centenas ou até milhares de anos, aguardando lenta e gradual deposição de sedimentos, primeiro a barbatana teria se destacado, os ossos seriam perfurados por parasitas, e então nada do que vimos ali existiria hoje. Como bem conclui Esperante, não parece razoável pensar que um grande esqueleto pudesse repousar num piso oceânico de águas rasas durante tantos séculos, sem ter sido perturbado por agentes físicos e biológicos que deteriorassem os ossos. “O que cogitamos é que, naquele tempo, condições de mais altos níveis de acumulação de sedimentos na bacia oceânica preveniram a decomposição, preservaram os ossos e os fossilizaram. Novamente, esses fósseis também levantam muitas questões para as quais não temos respostas ainda, e um estudo mais aprofundado é necessário”, arremata.

O quebra-cabeça começa a tomar mais forma. Pelo menos ali, nessa árida região de Pisco, algo muito diferente teve seu lugar no passado, como testemunham silenciosamente os intrigantes fósseis. Definitivamente, as rochas parecem revelar muito mais sobre um evento na História associado a uma súbita catástrofe, do que uma inconsistente teoria de lenta, milenar e monótona deposição de finos sedimentos, que supostamente teriam preservado, durante eras, um vestígio de vida a ser fossilizado. E é isso que torna os fósseis tão fascinantes. Eles estão diante de nós e debaixo da areia, belamente preservados, como memoriais de um passado que não deve ser esquecido, tampouco ignorado e melhor compreendido. O fato é que quanto mais evidências como essas trazidas à luz das areias de Ica se descortinam, mais urgente é nossa necessidade de questionar até que ponto o uniformitarismo é a chave definitiva para decifrar nossas origens. NA TELINHA Apresentado pela jornalista Mariana Venturi, o programa semanal e inédito Origens vai ao ar às sextas-feiras, às 19h30 pelo canal Novo Tempo. Acesse: novotempo.com/origens jul-set

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“A probabilidade de fossilização em condições modernas é quase zero, porque o tecido mole se destaca do organismo muito rapidamente e se deteriora rápido. E essa é outra peça de informação, uma forte evidência que dá suporte ao modelo de rápida deposição dessas camadas”, complementa o paleontólogo. Uma das amostras mais notáveis encontradas em Pisco é uma baleia fossilizada praticamente completa, totalmente exposta, com os ossos bem articulados e com presença anatômica inclusive da barbatana – que, por assemelhar-se a um sorriso, rendeu ao espécime o carinhoso apelido de La Sonriente. Igualmente interessante é o fato de que o sedimento que preservou o fóssil é semelhante ao que existe no fundo do mar. La Sonriente é uma das maiores contribuições da pesquisa de Pisco, pois desafia o atual método de datação dos fósseis, incluindo a radiometria. Por exemplo, esse fóssil em questão mede aproximadamente 60 centímetros de altura (mesmo animais grandes, como os dinossauros, ficam com a estrutura enxuta com a fossilização). A taxa de sedimentação, que é a velocidade com que o sedimento foi se acumulando ao longo do tempo, atualmente é medida em 10 cm a 1,5 m a cada mil anos, inclusive em solo oceânico. Agora, vejamos: neste ritmo, seriam necessários de 400 a 6 mil anos para que a

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Reportagem

Texto Fernando Torres Ilustração Thiago Lobo

Mundo de extremos As ideias radicais estão soltas por aí em busca de dar sentido ao mundo. E elas querem pegar você.

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REBELDE, REVOLTADO, ETERNAMENTE INSATISFEITO. Você já foi enquadrado por alguém num desses adjetivos? Normal. Quebrar regras, erguer bandeiras e sonhar em mudar o mundo faz parte do processo de descoberta da identidade e da construção de valores na transição da adolescência para a fase adulta. O problema é quando esse tipo de comportamento sai do controle e atinge proporções extremas – o que é muito comum entre os jovens. Quer um exemplo? Na produção do documentário Assassinos Suicidas (Suicide Killers, EUA, 2006), o cineasta francês Pierre Rehov ficou aterrorizado ao observar que a maioria dos homens-bomba do Oriente Médio tinha entre 15 e 25 anos. Parece muito distante da nossa realidade ocidental, mas, na prática, não é bem assim. Em março deste ano, os setores de inteligência do governo no Brasil detectaram que o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) buscava captar voluntários por aqui, o que já é feito em larga escala na Europa, especialmente na França e na Itália.

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Essa não seria a primeira vez que líderes e grupos revolucionários aliciam jovens para suas fileiras. Na formatação da Alemanha nazista, a partir da década de 1920, o general Adolf Hitler também recrutou milhares de crianças e adolescentes para a Juventude Hitlerista e a Liga das Meninas Alemãs: ambas as instituições tinham como meta doutrinar os princípios do nazismo em sala de aula e em atividades esportivas, formando uma nação racista e antissemita, disposta a matar e a morrer pelo Führer. FAZ SENTIDO Será que a mente jovem é mais suscetível a ideias extremistas? De certa forma, sim. Essa é a faixa etária das mudanças cognitivas, da formação do pensamento abstrato e, consequentemente, da definição dos conceitos de certo e errado. “O jovem vive o período da formação da identidade, o que o torna mais propenso a experimentar novas ideias”, diz o psicólogo Alberto Nery, doutorando em Psicologia Social na USP e professsor do curso de Psicologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Para o célebre psicólogo e educador suíço Jean Piaget (1896-1980), a formação da percepção de mundo está sujeita aos estímulos que o jovem recebe. Essa influência pode ser interna, culpa da genética e dos instintos naturais; e externa, que passa pelo processo de educação e interação na cultura e na sociedade locais. Mas quando a escolha é radicalizar, o que faz diferença mesmo é o sentido existencial. Fato: o extremismo oferece um suposto conforto. “As ideologias e propostas radicais vendem a ideia de significado e projeto de vida concretos, proporcionando certo alívio ao jovem angustiado e ansioso com o futuro. O Estado Islâmico, por exemplo, deixa muito claro o que é e o que pretende fazer”, descreve Nery. Com a precarização de sentido e múltiplas propostas para as três grandes instituições ocidentais – estado, família e religião –, a era pós-moderna coloca mais lenha no fogaréu. “Acredito que o momento atual favoreça o crescimento de posições mais radicais, uma vez que paira no universo político mundial a sensação de promessas não cumpridas. Embora tenha relativa consistência e estabilidade, a democracia baseada no modelo estadunidense ainda deixa muito a desejar, o que pode levar os jovens a enxergar a realidade como uma espécie de distopia, da qual somente seria possível alcançar a libertação por meio de posturas políticas radicais”, avalia o sociólogo Thiago Sereno. OPOSTOS NÃO SE ATRAEM Nem sempre foi assim. O marco de consolidação do jovem contestador, aquele que compra briga em público, remonta à louca década de 1960. Era o perí20 |

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odo da revolução de costumes, da contracultura, do movimento hippie, da efervescência estudantil – e, especificamente no Brasil, da resistência à ditadura militar, com o engajamento de universitários na luta armada. Por aqui, os ventos revolucionários têm soprado novamente de uns anos para cá. O maior exemplo recente são os protestos de junho de 2013. Além de boa parte da liderança do movimento ser jovem, 53% da multidão que tomou as ruas tinham menos de 25 anos e 22% eram estudantes, segundo o Instituto Datafolha. O problema é que algumas alas de manifestantes optaram por radicalizar. Era o caso dos anarquistas autointitulados black blocks, caracterizados por usar roupas pretas e questionar a ordem, a globalização e o capitalismo. Na prática, o que se viu nas ruas foram vidraças de bancos quebradas, lojas e monumentos depredados, fachadas e ônibus pichados e queimados. Mas esse é apenas um lado da história. “Associada a essa tendência, temos também o aumento de posições mais autoritárias, contrárias à lógica dos direitos humanos e que clamam por posições mais duras do Estado”, observa Thiago Sereno. Essa fileira de jovens se alinha a movimentos de extrema-direita, os neoconservadores. Revolucionários ao contrário, eles se espalham pelos campi das faculdades, tendo como pauta temas como intervenção militar e retorno da ditadura, defesa da pena de morte, redução da maioridade penal, direito à posse de arma de fogo e negação de direitos civis a minorias. No meio desses dois extremos, abismo em que a desinformação e a despolitização reinam, o diálogo é quase inexistente; predomina o ódio. “É difícil prever as proporções que posições mais radicais tomarão nesse processo em um futuro próximo. Mas as questões que mais me preocupam são as relacionadas à banalização da morte, como a defesa da pena de morte e a criminalização de minorias”, aponta o sociólogo. “EU TENHO A FORÇA” Incorrer em atos de violência é um dos riscos do extremismo, seja em qual direção o jovem apontar. O que dizer do embate entre subculturas como skinheads, punks, góticos e neonazistas? Há casos em que alguns integrantes desses grupos levam ao limite o choque entre as diferenças ideológicas. Manifestações de intolerência e violência também têm ocorrido contra minorias religiosas, homossexuais, negros, índios, imigrantes e moradores de rua. Essas expressões de desrespeito e extremismo precisam ter resposta rápida das autoridades, para que não estejam relacionadas à impunidade e, consequentemente, gerem mais atos violentos, até mesmo de retaliação, na certeza de que nada ocorrerá. Doutora em antropologia e professora da PUC Minas, Regina Medeiros observa que o enfrentamento na juventude é um ato presente em vários períodos da história. Hoje, segundo ela, o que chama a atenção no Brasil é a hostilidade contra homossexuais, como o recente caso de dois amigos adolescentes do Rio, que, ao se abraçarem para uma foto, foram confundidos com gays e espancados por 15 jovens. “Algumas pessoas contrárias à legalização da união homoafetiva atacam aqueles que estão mais próximos a fim

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de manifestar sua reação a essa mudança social, que representa uma interferência em seus valores”, diz a especialista. Segundo Regina Medeiros, o enfrentamento na juventude é um ato presente em vários períodos da história. E a melhor ação para conter esse comprotamento, de acordo com Regina, é o debate aberto entre família, igreja, escola, governo, meios de comunicação e população, para que temas como diversidade, tolerância e aceitação façam parte da formação do jovem. “É preciso um debate responsável e ético, que abranja toda a população, para combater reações violentas”, defende. CRISTÃO RADICAL Nesse cenário repleto de ideias antagônicas, você, como jovem cristão, pode ficar um pouco perdido. Mas é preciso botar a cabeça no lugar e se posicionar. Em geral, o caminho dos extremos não é o mais indicado. Na verdade, participar de grupos radicais seria a antítese da essência do cristianismo. “Movimentos extremistas não deveriam fazer parte da vida cristã. O jovem que segue a Cristo não é chamado a ter posturas radicais, a ser exclusivista, a quebrar a ordem e a tentar impor ao outro uma agenda de costumes e comportamentos que ele acredita serem corretos”, orienta o teólogo e educador Adolfo Suárez, coordenador do curso de Teologia do Unasp. No caso da orientação política, vale lembrar que nem esquerda, direita ou qualquer partido representam adequadamente a visão de mundo cristã. Existem convergências e divergências entre essas ideologias e a Bíblia. Por isso, o mais coerente é que o jovem cristão julgue esses posicionamentos à luz das Escrituras, apoiando as causas que têm amparo bíblico e se opondo às bandeiras que não têm esse respaldo. Isso significa que o cristão não deve ser apático ou indiferente ao que acontece em seu bairro, cidade ou país. Muito pelo contrário. Jesus ordenou que Seus seguidores fossem o “sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5:13-16). Essas palavras deixam bem clara a importância da postura e da influência social dos cristãos, com base no diálogo e na tolerância. “Somos chamados para exercer a fé cidadã, aquela que tem compromisso com

a sociedade e com a ética. O jovem cristão deve fazer a diferença onde estiver, participar do processo de construção da paz sem extremismos, mas por meio de uma vida que gera impacto”, sugere Suárez. Só há um radicalismo que deve ser realmente cultivado: a vivência do cristianismo bíblico. Longe dos estereótipos do “crente” fanático, isso não significa levar uma vida enclausurada, muito menos fiscalizar quem pensa diferente. Ser cristão radical é se inconformar com o pecado, depender de Cristo e obedecê-Lo incondicionalmente. Para ser cristão, não há meio-termo.

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Textos Eduardo Rueda

Básica

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TEOLOGIA DA PROSPERIDADE? Ainda hoje, muita gente acredita que a pobreza é uma condição para ser salvo e que os ricos vão para o inferno. Possivelmente, a origem dessa ideia tenha que ver com a má compreensão de textos como Lucas 6:24 e, principalmente, Mateus 19:24, que diz que “é mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha” (NTLH). O voto de pobreza da Igreja Católica, praticado já na Idade Média, e a teologia da libertação, que ganhou força nos anos 1970, também reforçaram o conceito de que ser pobre significa estar mais perto de Deus. No entanto, essa lógica tem mudado. Para muitas igrejas evangélicas e neopentecostais, estar em aperto financeiro é maldição, fruto de influências satânicas ou falta de fé. Segundo essa crença, aquele que anda com Deus obrigatoriamente se torna mais rico. Mas será que é isso que a Bíblia ensina? De acordo com as Escrituras, tudo o que temos de bom vem de Deus (Tg 1:17), e é Ele que nos dá força para adquirir riquezas (Dt 8:18). A Bíblia menciona homens consagrados que eram ricos, como Abraão e Jó (Gn 13:2; Jó 1:1-3; 42:12), e não há nenhuma referência que diga que ser próspero é pecado. Por outro lado, o amor ao dinheiro é considerado uma fonte de males (1Tm 6:10), e a ganância ou cobiça é equiparada à idolatria (Cl 3:5). Assim como adverte sobre o perigo da riqueza mal administrada, a Bíblia não menciona em lugar algum que pobreza seja um sinal da desaprovação divina. Pelo contrário, Deus é apresentado como defensor dos pobres e Aquele que cuida deles (Êx 23:10, 11; Dt 15:11; Sl 12:5; Mt 19:21; Tg 2:5). O próprio Cristo foi pobre durante Sua vida terrestre (2Co 8:9), e o apóstolo Paulo havia aprendido a estar contente em todas as circunstâncias, inclusive na pobreza (Fp 4:11-13). A visão bíblica de prosperidade é equilibrada e evita os extremos: não é pecado ser rico, mas ser pobre não implica falta de fé. Quem é rico não deve permitir que o dinheiro seja seu deus e deve compartilhar o que tem, e quem é pobre não precisa sofrer de inveja nem se conformar com a miséria.

Riqueza e pobreza não são pecado nem maldição

Fontes: Ozeas C. Moura, “A Bíblia apoia a teologia da prosperidade?”, Revista Adventista, abril de 2011, p. 15; Ivan Saraiva, “Teologia da prosperidade”, programa Está Escrito (TV Novo Tempo); Catecismo católico, “Conselhos evangélicos”; Augustus Nicodemus Lopes, “Afinal, o que está errado com a teologia da prosperidade?” (tempora-mores. blogspot.com.br)

Curiosa AS FESTAS DE ISRAEL Uma das formas de conhecer a cultura de um povo é por meio de suas festividades e de seus rituais religiosos. Por isso, para entender melhor a cultura do povo judeu, e consequentemente a Bíblia, é importante saber quais eram e como eram as festas de Israel. Ao longo do ano, os hebreus tinham sete ocasiões de celebração (Lv 23). As quatro primeiras ocorriam na primavera, e as três últimas no outono do hemisfério norte. A Páscoa (Pessach) comemorava a libertação da escravidão no Egito. Devido à proximidade das datas, ela era celebrada em conjunto com a Festa dos Pães Asmos (Matzot), em que, por sete dias, os israelitas comiam pão sem fermento, e com a cerimônia das Primícias (Bikkurim), na qual a primeira parte das colheitas era apresentada a Deus em gratidão. A Festa das Semanas (Shavuot) era realizada 50 dias após as Primícias, por isso é chamada também de Pentecostes (“penta” tem que ver com o número cinco). Assim como as Primícias, essa festa também 22 |

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estava relacionada à colheita e, na tradição judaica, é associada à entrega dos dez mandamentos, calculada como tendo ocorrido 50 dias depois do êxodo. A Festa das Trombetas (Shofarot), a primeira das festividades de outono, era comemorada com toques de shofar (trombeta feita de chifre de carneiro), que anunciavam a chegada do Dia da Expiação (Yom Kippur), dez dias depois. Nessa ocasião, o santuário hebreu era purificado de todos os pecados do povo acumulados durante o ano. Uma data de profunda consagração e reflexão. Cinco dias

depois, era celebrada a Festa dos Tabernáculos (Sukkot), um período de intensa alegria. Durante uma semana, os israelitas habitavam em cabanas, recordando os anos de peregrinação no deserto e o perdão que haviam acabado de receber no Yom Kippur. Essas festas eram uma “sombra”, um conjunto de símbolos que apontavam para a vinda de Cristo e o plano da salvação (Cl 2:16, 17). Fontes: Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia (CPB, 2011), v. 1, p. 868-873; Samuele Bacchiocchi, God’s Festivals in Scripture and History, v. 1 e 2 (Biblical Perspectives, 2001); e José Pereira, A Cruz Antes da Cruz (Tempos, 2003)

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RELIGIÃO E ESTADO Em 1891, com a Constituição Republicana, o Brasil deixou de ser um Estado confessional, isto é, com uma religião oficial, passando a ser considerado Estado laico. Nessa forma de governo, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são proibidos de favorecer ou prejudicar qualquer manifestação religiosa, e a liberdade de culto é assegurada a todos os cidadãos. Mas essa não é a realidade de todos os países do mundo, e em alguns lugares a interferência do Estado no campo religioso, e vice-versa, é encarada como algo comum.

Sim

Embora o catolicismo não tenha na atualidade a mesma influência que teve na Idade Média, alguns países e regiões ainda têm a fé do Vaticano como religião de Estado. É o caso da Alsácia-Lorena, território pertencente à França. Lá o clero é mantido pelo governo, e este, por sua vez, nomeia os bispos. Na Inglaterra, a Igreja Anglicana, que mistura características do catolicismo e do protestantismo, principalmente o de orientação calvinista, é a igreja oficial desde o século 16. O monarca britânico recebe os títulos de Governador Supremo da Igreja da Inglaterra e Defensor da Fé, e o primeiro-ministro é aconselhado por líderes dessa denominação. O islamismo também é a religião oficial de vários países, como Afeganistão, Arábia Saudita, Irã e Iraque. Nesses lugares, a religião muçulmana e o Estado são praticamente uma só entidade, e devotos de outras crenças são vítimas de perseguição.

Não

Apesar de o protestantismo ser a religião oficial em países como Dinamarca, Islândia e Noruega, de modo geral a combinação Igreja-Estado não encontra apoio entre os evangélicos. Os batistas, por exemplo, se declaram contrários a essa união. A Igreja Adventista entende que o amor e o livre-arbítrio fazem parte do governo universal de Deus, e que a obediência dos seres humanos deve ser motivada por esses princípios. Sendo assim, os adventistas creem que não se pode legislar sobre a fé, e que a imposição de determinada crença em detrimento de outra representa uma violação da liberdade de consciência. Fontes: Alderi Souza de Matos, “Igreja e Estado: uma visão panorâmica” (mackenzie.br); Paul Freston, Religião e Política, Sim; Igreja e Estado, Não (Ultimato, 2006); Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira (batistas.com); Declarações da Igreja (CPB, 2012); “Estado e religião: a convivência nem sempre fácil entre o poder político e o espiritual” (educacao.uol.com.br)

Criado em 2009, o vulgo “Zapzap”, aplicativo de mensagens instantâneas e gratuitas via celular, tem se tornado uma febre mundial. São 800 milhões de usuários e mais de 30 bilhões de mensagens enviadas diariamente. Inventado pelo ex-faxineiro, hoje bilionário, Jan Koum e um colega de trabalho, o app revolucionário surgiu como uma alternativa às mensagens de texto pagas, conhecidas como “torpedos” ou “SMS”. Há até quem já tenha deixado de lado o e-mail, sucessor da idosa...

Carta Pessoal, comercial, de amor ou de recomendação, ela é um dos meios de comunicação mais antigos, e alguns a consideram a mãe de todos os gêneros textuais. Entre as cartas famosas da História, temos a de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, relatando o descobrimento do Brasil; a de Getúlio Vargas, escrita antes de seu suicídio; e as que compõem a maior parte do Novo Testamento da...

Bíblia Livro sagrado para judeus e cristãos, ela é o mais traduzido, vendido e lido mundialmente. Com 66 subdivisões ou livros (39 no Antigo Testamento e 27 no Novo) e mais de 31 mil versículos, as Escrituras são repletas de história, poesia, profecia e ensinamentos éticos, morais e espirituais. Ao redor do mundo, as sociedades bíblicas distribuem exemplares completos da Bíblia ou partes dela em mais de 2.500 idiomas! Com todas essas línguas, é melhor ligar a...

Tecla SAP Second Audio Program [“Segundo Programa de Áudio”] é um canal de áudio alternativo transmitido durante certos programas de televisão. Ele permite que o telespectador escolha qual som ouvir. Geralmente, uma das opções é escutar a voz original (sem dublagem) dos atores, em filmes, seriados, etc. É uma excelente opção para quem quer trocar o vício do WhatsApp pelo aprendizado de um daqueles idiomas para os quais a Bíblia – a carta de Deus para nós – foi traduzida.

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Ponto de vista

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Imagine

Texto Wellington Barbosa Ilustração Paula Lobo e Fotolia

CAFARNAUM

...ler os Evangelhos nos lugares em que Jesus andou POR CAUSA DO ABISMO DE TEMPO e da distância cultural que nos separam do texto bíblico, é comum ler as Escrituras sem entender muito do seu significado. Por isso, ter noções básicas do contexto da época é fundamental para enxergar as narrativas da Bíblia em 3D. Como visitar a Terra Santa ainda é privilégio para poucos, a Conexão 2.0 fez um roteiro ilustrado dos principais lugares relacionados ao ministério de Cristo. Esse guia vai ajudar você a ler a Bíblia com outras lentes.

Após ter sido rejeitado em Nazaré, Jesus estabeleceu a base de Seu ministério em Cafarnaum (Mt 9:1), onde realizou muitos milagres e ministrou vários ensinos. É possível identificar as ruínas de alguns pontos interessantes, como a sinagoga e a casa de Pedro, cuja distância entre uma e outra é de uns 200 metros. Foi nesse ambiente que ocorreram as histórias de Marcos 1 e 2: a cura de um endemoninhado na sinagoga (1:21-26); da sogra de Pedro (1:29-31); de muitos outros enfermos, além de possessos (1:32-34); e do paralítico que foi amparado por seus amigos para descer do telhado numa maca (Mc 2:1-12). Além disso, foi em Cafarnaum que Cristo chamou Levi Mateus para ser seu discípulo (Mc 2:13, 14).

BETÂNIA

Também chamada de Betábara, a localidade é desértica e distante de grandes centros. Com essa informação, faz mais sentido identificar João como “a voz do que clama no deserto” (Jo 1:23). Acredita-se que foi próximo dali, a 9 km ao norte do mar Morto, na Jordânia (do outro lado do rio Jordão, conforme João 1:28), que Cristo foi batizado pelo próprio João Batista. O que sobrou foram os resquícios de igrejas antigas, com seus mosaicos e tanques batismais, uma evidência de que ali é um lugar importante para a tradição cristã.

BELÉM

A 10 km de Jerusalém, foi onde Jesus nasceu (Mq 5:2; Mt 2:4-6; Lc 2:11). Segundo a tradição cristã, a Igreja da Natividade indica o local do nascimento de Cristo, o que é pouco provável. Porém, o local mais confiável historicamente é o chamado Campo dos Pastores, região em que os anjos anunciaram a chegada do Messias prometido (Lc 2:8-20). A área é seca e rochosa.

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BANIAS (CESAREIA DE FILIPE)

Fica ao norte do mar da Galileia, na base do monte Hermom. Dali sai uma das nascentes do rio Jordão. Nessa região, que nos dias de Cristo era um importante centro da cultura greco-romana, Pedro confessou crer na divindade de Cristo (Mt 16:16) e, provavelmente, sobre o monte Hermom tenha ocorrido a transfiguração de Jesus (Mt 17:1-7). Curiosamente, Ele decidiu Se revelar claramente aos discípulos num território de muita idolatria pagã, o que sugere que Sua luz é mais necessária onde há domínio das trevas.

MAR DA GALILEIA

Também chamado de lago de Genesaré (Lc 5:1) e mar de Tiberíades (Jo 6:1). Na verdade, trata-se de um grande lago de água doce, alimentado pelo rio Jordão. A cerca de 100 km de Jerusalém, tem aproximadamente 20 km de extensão, 12 km de largura e profundidade estimada entre 25 e 230 metros. Às margens dele, Jesus realizou 18 de seus 33 milagres registrados, chamou Pedro, André, Tiago e João (Mc 1:16-20) e alimentou 5 mil homens (Mc 6:31-44). Depois do milagre da multiplicação dos pães, Jesus caminhou sobre as águas desse lago (Mc 6:45-52) e, em outra ocasião, acalmou uma tempestade (Mt 8:23-27).

JERUSALÉM

Muitas coisas ocorreram nessa capital. Um paralítico foi curado no Tanque de Betesda (Jo 5:1-9), uma das ruínas mais bem preservadas de Jerusalém. Foi lá também que Ele, olhando do cimo do monte das Oliveiras, chorou pela cidade e seu templo (Lc 19:37-44). Templo que foi purificado duas vezes por Jesus (Jo 2:13-16; Mt 21:12, 13), e cujo único resquício é o Muro Ocidental, também chamado de Muro das Lamentações. No jardim do Getsêmani, ao observar oliveiras milenares que podem ter sido da época de Cristo, fica mais fácil imaginar as cenas finais de Jesus, quando Ele orou intensamente naquele horto (Mt 26:36-46). Dali é possível ter uma ideia da distância que Jesus percorreu até chegar ao local em que, de acordo com a tradição, ficava a casa de Caifás: cenário de Seu interrogatório e da negação de Pedro (Mt 26:57-75). São muitas as teorias sobre o local da crucifixão e existem pelo menos duas alternativas para a localização de Sua tumba: a Igreja do Santo Sepulcro e o Jardim da Tumba. O mais importante, contudo, é saber que Ele está vivo, disposto a viver em nós e a agir por meio de nós!

Fontes: Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos e John Rea, Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD, 2007); Fábio Bourbon e Enrico Lavagno, The Holy Land: Archaeological Guide to Israel, Sinai and Jordan (White Star Publishers, 2009); Hussam Hammad, Jordânia Passo a Passo (Al-Fanar P. Press, 2013). jul-set

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NAZARÉ

Jesus viveu por 30 anos nessa cidade após retornar do Egito (Mt 2:19-23); por isso, Ele foi chamado de “Jesus de Nazaré” (Lc 18:37) e seus seguidores de “nazarenos” (At 24:5). Há poucos resquícios do 1o século ali, apenas algumas informações sacralizadas pela tradição cristã. Porém, a visita vale a pena para conhecer a área em que, possivelmente, ficava a sinagoga na qual Cristo leu as Escrituras (Is 61:1, 2 e 58:6) e onde foi rejeitado por Seus conterrâneos (Lc 4:16-30). Para marcar o local, foi construída outra sinagoga, hoje sob a responsabilidade de católicos gregos.

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Ação Mude seu mundo

Texto Suellen Timm Ilustração Paula Lobo

Lição de vida Aprenda

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Previstas para 2017, as novas instalações do CAAF devem custar 4,2 milhões de reais

Casa de apoio Conheça o centro assistencial que acolhe cem famílias de pacientes que lutam contra o câncer TATIANA RIBEIRO SEMPRE ACREDITOU que chegaria aos 30 anos com muitos sonhos realizados. Porém, às vésperas de completar a marca, ela percebeu que alguns objetivos são mais importantes do que outros, como o de aliviar o sofrimento alheio por meio da profissão médica. No fim de 2014, ela foi convidada por Andrenilse Tostes, uma colega de trabalho, a participar de uma festa solidária que a Igreja Adventista do bairro Nova Redentora, de São José do Rio Preto, iria promover na cidade de Barretos, no interior paulista. Tatiana prontamente atendeu ao convite, não imaginando a dura realidade que iria encarar durante aquela celebração de Natal com crianças que lutam contra o câncer. 26 |

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“Ao refletir que na minha casa nunca tinha faltado nada, entendi que havia chegado uma fase na minha vida em que já tinha tudo de que precisava”, reconhece. Foi por isso que na festa de seus 30 anos, Tatiana fez um pedido simples: que em vez de presentes, os convidados doassem cestas básicas para as famílias que são atendidas em Barretos. “Quando ajudamos o próximo, nós não perdemos; na verdade, somos nós que ganhamos.” APOIO ÀS FAMÍLIAS Localizada no oeste paulista e com 120 mil habitantes, Barretos é conhecida nacionalmente por sediar a Festa do Peão, mas quem visita a cidade fora das festividades perce-

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inclusão digital; palestras sobre depressão, autoestima, alimentação saudável; e atendimento psicológico, assistencial, de nutrição alimentar e direito. Além de prestar esses serviços no CAAF, a equipe auxilia em cursos oferecidos em outras casas de apoio da cidade. Na estrutura atual, o centro auxilia cerca de cem famílias por mês. Porém, em sua nova estrutura em construção e com previsão de entrega para 2017, o CAAF poderá fazer mais. O projeto da nova sede contempla cinco espaços: um para cursos e oficinas; outro que oferecerá descanso para as famílias que passam o dia no hospital; um terceiro para atendimento socioassistencial; um quarto que servirá para atividades culturais e palestras; e outro para hospedagem de 48 famílias em apartamentos.

gente que posso ajudar, mas criamos um vínculo com Barretos. Quando penso nas crianças, nas famílias e no sofrimento delas … é como um casamento, a gente não consegue mais largar”, confessa Mário Nunes, um dos fundadores do grupo “Amigos do Bem”. E é assim que Mário garante que a solidariedade faz bem para a autoestima. É perceber que as crianças não querem dinheiro nem brinquedos, mas desejam preencher um vazio que as acompanha durante toda a estadia em Barretos. A saudade da família, dos amigos, da casa, dos brinquedos e a necessidade de sentir que Deus Se preocupa com elas. E que um vislumbre desse amor pode ser demonstrado por meio de pessoas que estão dispostas a servir quem mais precisa.

GENTE SOLIDÁRIA Para prestar assistência em tantas áreas, evidentemente o CAAF conta com a ajuda de muitos voluntários, inclusive jovens. “No CAAF, os jovens se envolvem de diversas formas. Percebemos que eles querem traduzir a solidariedade e compaixão em ações, buscando uma sociedade mais justa e igualitária”, destaca Neusa Ferraz, coordenadora de ações sociais da ADRA para o oeste paulista. Assim como a médica Tatiana, muitos jovens adventistas de São José do Rio Preto apoiam o projeto. Um grupo da Igreja Adventista Central da cidade participa anualmente das festas promovidas pelo CAAF em datas comemorativas. Os voluntários se vestem com roupas típicas, brincam com as crianças e encenam histórias bíblicas. Na Igreja do bairro Alto da Boa Vista, outra turma do bem promoveu, no fim de 2014, uma campanha de corte de cabelo para confecção de perucas. O grupo também participa com doações e visitas ao CAAF. Profissionais como os da Clínica de Fisioterapia Independência também costumam doar tempo e talento para a entidade. E empresários, como o pessoal do grupo “Amigos do Bem”, chegam a viajar os 400 km que separam Barretos de São Paulo para participar das festas solidárias. “Na minha cidade tem muita

CÂNCER INFANTIL Estão crescendo as parcerias para ajudar famílias vítimas do câncer e campanhas contra essa doença cruel. Não apenas os jovens e a ADRA Brasil estão envolvidos, mas 200 mil crianças e adolescentes que integram os Clubes de Desbravadores e Aventureiros, agremiações adventistas que ensinam o serviço a Deus, ao próximo e à sociedade. Nos dias 25 a 29 de maio, eles distribuíram 4 milhões de folders educativos sobre o combate ao câncer infantil em escolas públicas de 2 mil cidades do país. “Um dos diagnósticos mais tardios que temos são verificados em adolescentes. É o período em que eles não contam para os pais o que sentem, dialogam pouco”, identifica Luiz Fernando Lopes, diretor-médico do Hospital de Câncer Infantojuvenil de Barretos, entidade que promove a campanha “Passos que Salvam”. O especialista explica que, se a doença for diagnosticada no início, existem 90% de chances de cura. O problema é que por falta de informação e medo do diagnóstico, as crianças costumam ser encaminhadas para o tratamento já em estágio avançado, resultando na recuperação de apenas 55% delas. São essas estatísticas que você, milhares de voluntários e essa matéria podem ajudar a mudar. jul-set

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be que o muncípio atrai também muita gente por outra razão. O Hospital Pio 12, referência no tratamento do câncer, atende diariamente cerca de 4 mil pessoas de todo o Brasil e de países vizinhos. O serviço de qualidade e gratuito oferecido pelo hospital faz com que muitas famílias mudem temporariamente para a cidade. É por isso que muitas ONGs atuam na região oferecendo moradia e auxílio integral para as famílias dos pacientes, como o CAAF (Centro Adventista de Apoio à Família), projeto que recebeu as cestas básicas da Tatiana. “O CAAF é um projeto incrível. Nem tenho palavras para descrever a importância do trabalho que eles realizam”, justifica a médica. Para o pequeno João (nome fictício), o tratamento começou bem cedo. Aos nove meses de idade foi diagnosticado um tumor no olho esquerdo dele. A doença fez com que ele e a mãe se mudassem para Barretos, deixando o pai e o irmãozinho na cidade de origem. O tratamento, que aparentemente seria rápido, perdurou por nove anos. “Nós ficamos fragilizados porque chegamos sozinhos e praticamente a vida toda do meu filho foi longe de casa”, relata a mãe do menino, que prefere não se identificar. A pequena Letícia Moreira também foi para Barretos muito cedo. Com apenas oito anos de idade ela trata de um tumor nos ovários. A família dela ficou na cidade natal, em Comodoro (MT), com exceção da mãe, Sandra. Para tristeza delas, no fim de 2014, o pai da Letícia, que havia se mudado havia poucos meses para Barretos a fim de apoiar a filha, sofreu um enfarto e veio a falecer. Mesmo assim, a pequena guerreira perseverou no tratamento e, depois de quase dois anos de luta, comemora a cura da doença. São famílias como essas que o CAAF procura atender. Fundado em 2011, o espaço é mantido pela ADRA Brasil (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais). O centro assistencial tem a missão de amenizar o sofrimento das famílias dos pacientes que, às vezes, passam vários anos em tratamento. Com o objetivo de proporcionar momentos de recreação e aprendizado, são oferecidos cursos de culinária, estética,

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Lição de vida

Texto Bruna Rech Fotos Vinicius Costa e arquivo pessoal

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Foi isso que levou uma modelo a trocar a carreira na Europa pela missão na Micronésia

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EM 2013, GIULIANA VERANO FOI contratada como modelo fotográfica pela Mega Model Brasil, considerada a segunda melhor agência do país. A jovem adventista assinou o contrato após combinar com a empresa que aceitaria apenas fazer ensaios que não confrontassem seus princípios. “Só firmei contrato depois que os agentes aceitaram minha recusa de trabalhar aos sábados, usar joias, pinturas extravagantes, roupas provocativas e fazer propagandas e fotos com apelos sensuais”, explica Giu, como é conhecida pelos amigos. A função de modelo comercial envolvia todo tipo de publicidade visual.

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DOENÇA NA INFÂNCIA Quem vê hoje a jovem de 22 anos, sorridente, simpática e comunicativa, não imagina que ela passou por uma grande luta pessoal na infância. Em 2004, Giuliana apresentou manchas roxas e pequenos pontos vermelhos por todo o corpo. Esses foram os primeiros sintomas da doença diagnosticada um mês depois. Giu estava com púrpura trombocitopênica idiopática (PTI). Trata-se de uma enfermidade autoimune caracterizada pela redução do número de plaquetas, células produzidas na medula óssea e responsáveis pela fase inicial de coagulação do sangue. O tratamento foi iniciado logo após o diagnóstico. O caso de Giuliana era considerado grave porque, após seis meses tomando medicamentos, seu organismo passou a não responder ao tratamento. Por esse motivo, a menina precisava retirar o baço para controlar a doença. Porém, como sua contagem de plaquetas estava em 20 mil por mililitro de sangue, comprometendo a coagulação, a cirurgia trazia risco de morte. Além disso, os médicos alertaram os pais dela dizendo que, com a retirada do baço, era mínima a chance de a medula óssea produzir sozinha a quantidade de plaquetas suficiente para a recuperação de sua saúde. Diante desse risco, os pais de Giuliana se opuseram ao procedimento cirúrgico. Pediram aos médicos um tempo para pensar e orar a Deus sobre a situação. Em resposta, um dos médicos desafiou os pais da ex-modelo: “Vocês esperam um milagre de Deus, não é? Ouçam bem: darei uma semana para esse milagre acontecer. No próximo exame da Giuliana, se o resultado não estiver acima de 140 mil plaquetas, ela será operada”, recorda a jovem. Orações e súplicas resumiram a semana da família. O dia do exame chegou. Todos os médicos e enfermeiros que acompanharam o caso de Giuliana e sabiam da esperança de um milagre da família estavam apreensivos. Na tarde daquele dia, os pais de Giuliana receberam um telefonema com o resultado do exame. Com uma voz vibrante, Sílvia Romani, uma enfermeira do laboratório, repetiu várias vezes o diagnóstico tão esperado por todos: “A Giu está curada e não precisa fazer a cirurgia!” O exame constatou que a menina estava com 144 mil plaquetas por mililitro de sangue. “O milagre que recebi

não foi somente a cura da minha enfermidade, mas também da alma. Hoje desejo ser um instrumento de Deus para salvar outras pessoas”, afirma Giuliana. O SONHO DE SER MISSIONÁRIA “Todos os sonhos que tinha antes de ficar doente se intensificaram depois que fui curada. Um deles era servir a Deus por meio de trabalhos voluntários”, relata. Foi com isso em mente que em março de 2014 Giuliana começou a planejar uma experiência missionária na África, plano que não se concretizou por causa da epidemia de ebola. A oportunidade de ir para as Ilhas Marshall, na Micronésia, surgiu depois de ela se cadastrar nas vagas internacionais oferecidas pelo Serviço Voluntário Adventista (adventistas. org/pt/voluntarios). Pouco antes de viajar para o campo missionário, os agentes da Mega Model Brasil convidaram Giuliana para trabalhar como modelo comercial na Europa. Contudo, Giu garante que a proposta não tirou o foco do seu objetivo. “Independentemente das oportunidades que perdi na agência, como missionária, além de servir a Deus e ao próximo, estou aprendendo lições que não poderiam ser aprendidas de outra forma”, compara. Giuliana assegura que está gostando muito da experiência, mesmo que o choque cultural e a saudade da família e do Brasil sejam inevitáveis. Segundo ela, o trabalho como missionária, além de ensiná-la a economizar cada centavo, a fez valorizar coisas que nunca imaginou que seriam tão importantes. “Hoje percebo o grande valor que têm a limpeza, o conforto da minha casa, o banho de chuveiro, a máquina de lavar-roupas, a água potável à vontade, a culinária e costumes do Brasil, entre outras coisas”, desabafa. Na Micronésia, a religião que predomina é a protestante. Atuando como professora de inglês na cidade de Laura, Giuliana leciona para dois alunos adventistas, alguns católicos e para vários evangélicos. Por isso, além de levá-los às programações da igreja adventista local, ela aproveita todas as aulas, passeios em meio à natureza e refeições oferecidas em sua casa, para contar histórias da Bíblia e experiências pessoais sobre bênções recebidas de Deus. “Eles amam cantar, orar e ouvir a respeito de como será o Céu, a volta de Jesus e conversões de ateus, como a de C.S. Lewis”, confirma Giuliana. Lá, é comum ela se deparar com casos de crianças que são exploradas no trabalho, foram abandonadas pelos pais e deixadas para adoção, que se envolvem com drogas e álcool e que são abusadas sexualmente. Alguns de seus alunos já passaram por isso ou enfrentam essa realidade. “É por essa razão que, além de falar do amor de Deus, estou dando o melhor que posso para cada criança: carinho, atenção, recreação, conhecimento, comida e vestimenta,” enumera Giuliana, que deve voltar para o Brasil em julho. A jovem missionária comenta que a motivação para evangelizar os marshallinos vem da certeza de que eles serão pessoas melhores se aceitarem Jesus Cristo e conhecerem a proposta surpreendente do evangelho. Porém, ela, que deixou temporariamente as aulas do curso de Jornalismo no Unasp para ensinar do outro lado do mundo, tem aprendido na missão lições que não têm preço. A principal delas é que “a verdadeira beleza está no ato de servir a Deus e às pessoas”. jul-set

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“Fiz desfiles, ensaios fotográficos e propagandas para divulgar diferentes marcas, sem abrir mão do que valorizo”, garante. Giuliana é modesta e não se diz tão bonita como a consideram, mas reconhece que, inicialmente, foi sua aparência que abriu portas de trabalho. Giu defende, no entanto, que suas conquistas não dependeram somente da sua beleza, e sim de outros fatores, como obediência a Deus, respeito ao próprio corpo, honestidade, dedicação, inteligência e talento. “Os jovens extremamente vaidosos e que dependem da aprovação visual dos outros, tornam­ se egocêntricos, fúteis e infelizes”, opina.

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Aprenda

Texto Jhenifer Costa Ilustração Fotolia

A FAZER SEU BLOG COMPARTILHAR EXPERIÊNCIAS ou conteúdos de determinada área em plataformas de acesso livre deixou de ser um hobby e se tornou um meio de ganhar dinheiro. Graças à procura por informação segmentada, os blogs são um dos fenômenos da internet. Como consequência, visitantes distintos encontram na blogosfera informação e entretenimento, ao mesmo tempo. Se os artigos são bem produzidos, interessantes e inovadores, um blogueiro desconhecido pode virar uma referência na web. Por isso, abaixo vão algumas dicas para quem pensa em criar um blog.

TEMA

Escolha um assunto com o qual você tenha intimidade. Leia, aprenda, pesquise e apure todas as informações sobre ele. Acompanhe páginas similares ao seu blog e melhore sempre. Empenhe-se em fazer um texto completo e coerente, use boas imagens e inove.

HOSPEDAGEM

DIVULGAÇÃO

Promova suas postagens nas redes sociais. É uma boa maneira de tornar seu blog conhecido, receber críticas e encontrar novos assuntos. Estabelecer parcerias com outros blogueiros também é um excelente meio de receber mais visitas e otimizar seus artigos.

INTERAÇÃO

Existem dois tipos: paga e gratuita. Conheça as opções de plataformas antes de decidir. Dependendo do tema do blog, vale a pena contratar um designer para fazer um layout que combine mais com sua proposta, do que simplesmente usar um template grátis. Manter uma página na internet pode ter custo zero, mas você também pode investir em um domínio (ex.: meusite.com) e pagar anualmente uma empresa para hospedá-la. Isso garante serviços como um espaço maior para armazenar arquivos, registro de e-mail, suporte técnico, banco de dados e backup.

Permita que seu leitor participe por meio de enquetes, fóruns, votações e sugestões de assuntos. Além disso, responda a todos os comentários, quer sejam positivos ou negativos. Dessa forma, provavelmente o visitante retorne à página.

PERSISTÊNCIA

Se sua pretensão é tornar seu blog rentável, então invista na divulgação, permita banners de publicidade e tente patrocínio. Contudo, esse é um processo demorado, que exige dedicação e bom fluxo de postagens. Existem ainda outras maneiras de lucrar, como empregar algumas técnicas de SEO, por exemplo.

“Blogar” não é fácil tarefa e exige dedicação e constância. Não desanime se nos primeiros meses as únicas visualizações da página forem as suas. Em média, demora um ano para um blog adquirir maturidade e conseguir fidelizar seus leitores. Portanto, pense em longo prazo.

CUIDADOS

Aborde temas coerentes com seus princípios morais e éticos. Blogs costumam ser opinativos; por isso, suas postagens serão pessoais. Logo, colocá-las na internet também será uma forma de exposição.

GANHOS

Fontes: Karla Caldas Ehrenberg, doutoranda em Comunicação Social (Unesp), Hadassah Sorvillo, publicitária e administradora do blog vuou.com.br e site agenciamestre.com.

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Pricila Cajá / Imagem: Fotolia

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