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Ser e tempo

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universidade estadual de campinas Reitor José Tadeu Jorge Coordenador Geral da Universidade Alvaro Penteado Crósta

Conselho Editorial Presidente Eduardo Guimarães Esdras Rodrigues Silva – Guita Grin Debert João Luiz de Carvalho Pinto e Silva – Luiz Carlos Dias Luiz Francisco Dias – Marco Aurélio Cremasco Ricardo Luiz Coltro Antunes – Sedi Hirano

Diretor Editorial Frei Antônio Moser Editores Aline dos Santos Carneiro – José Maria da Silva Lídio Peretti – Marilac Loraine Oleniki Secretário Executivo João Batista Kreuch

Comissão Editorial da Coleção Multilíngues de Filosofia Fausto Castilho (coord.) Bento Prado (†) – Eduardo Guimarães Franklin Leopoldo e Silva – Oswaldo Giacóia Júnior Assistente Alexandre Guimarães Tadeu de Soares

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Martin Heidegger

Ser e tempo Edição em alemão e português

Tradução, organização, nota prévia, anexos e notas

Fausto Castilho

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Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990. Em vigor no Brasil a partir de 2009.

ficha catalográfica elaborada pelo sistema de bibliotecas da unicamp diretoria de tratamento da informação H362s

Heidegger, Martin, 1889-1976. Ser e tempo / Martin Heidegger; tradução, organização, nota prévia, anexos e notas: Fausto Castilho. – Campinas, SP: Editora da Unicamp; Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2012. (Multilíngues de Filosofia Unicamp) Texto em português e alemão. 1. Filosofia. 2. Filosofia alemã. 3. Filosofia – Século XX. 4. Fenomenologia. 5. Onto­ logia. I. Castilho, Fausto, 1929- II. Título.

cdd 100 193 190 142.7 isbn 978-85-268-0963-5 (Editora da Unicamp) 111 isbn 978-85-326-4340-7 (Editora Vozes) Índices para catálogo sistemático:

1. Filosofia 2. Filosofia alemã 3. Filosofia – Século XX 4. Fenomenologia 5. Ontologia

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Título original: Sein und Zeit © 19th edition 2006 by Max Niemeyer Verlag, an Imprint of Walter de Gruyter GmbH & Co. KG Tübingen. Todos os direitos reservados. Copyright © da tradução by Fausto Castilho Copyright © 2012 by Editora da Unicamp 1a reimpressão, 2014 Direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19.2.1998. É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização, por escrito, dos detentores dos direitos. Printed in Brazil. Foi feito o depósito legal.

Editora da Unicamp Rua Caio Graco prado, 50 – Campus Unicamp cep 13083-892 – Campinas – sp – Brasil Tel./Fax: (19) 3521-7718/7728 www.editora.unicamp.br – vendas@editora.unicamp.br

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Editora Vozes Ltda. Rua Frei Luís, 100 cep 25689-900 – Petrópolis – rj – Brasil Tel. (24) 2233-9000 www.vozes.com.br

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Para Carmen

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sumário

Nota prévia...................................................................................................................................... Ser e tempo Nota prévia à sétima edição (1953). ............................................................................ Sumário da obra...................................................................................................................... Introdução.................................................................................................................................. Primeira seção. ......................................................................................................................... Segunda seção. .........................................................................................................................

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Anexos Apêndice I – Índice onomástico. ................................................................................. 1 183 Apêndice II – Glossário..................................................................................................... 1 185 Apêndice III – Termos e expressões em grego. .................................................... 1 187 Apêndice IV – Termos e expressões em latim. ..................................................... 1 191 Apêndice V – Texto em francês. ................................................................................... 1 199

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nota prévia

Os primeiros apontamentos do que um dia viria a compor a tradução de Ser e tempo remontam ao ano de 1949, em Paris, quando eu acabara de ingressar no curso de graduação em filosofia da Sorbonne, cujo corpo docente era integrado por Pierre-Maxime Schuhl, Victor Goldschmidt, Maurice de Gandillac, Gueroult, Alquié, Gouhier, Leroy, Gaston Bachelard, Suzanne Bachelard, Hyppolite, Jean Wahl, Maurice Merleau-Ponty, Gurvitch, Souriau, Bayer, Dufrenne e Jean Piaget. Estudando alemão na companhia de alguns colegas, porfiava em me inteirar ao mesmo tempo dos usos não raro inusitados que Martin Heidegger fazia do seu idioma. Minha labuta dependia, então, de um exemplar de Ser e tempo, que ainda hoje guardo comigo, da famigerada edição de 1941. Devo esse volume a Joseph Vrin, meu vizinho na Praça da Sorbonne, que o obti­vera de um seu confrade na própria Paris. Desse exemplar foi eliminada a dedicatória a Husserl que figura nas edições de antes e de depois do interregno nazista. Deve-se reconhecer, todavia, que nele se conservam as menções e as citações de trechos de suas obras (cf. pp. 38, 47, 50, 51, 363), em especial a nota no 2 da p. 38, que reza: “Se a investigação que se segue dá alguns passos à frente para a abertura das ‘coisas elas mesmas’, o autor o deve principalmente a E. Husserl, o qual, durante seus anos de estudante em Friburgo, mediante insistente direção pessoal e a mais livre cessão de investigações inéditas, familiarizou o autor com os mais diversos domínios da pesquisa fenomenológica”. 

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Ser e tempo

De 1949 a 1952, os esforços por me apropriar da linguagem empregada na obra foram bastante solitários, já que o livro ainda não tinha sido vertido em nenhum dos idiomas da Europa ocidental. A partir de 1951, no entanto, e logo em 1962, 1964, 1969, 1972, 1985, 1986, sucederam-se traduções em espanhol, inglês, francês, italiano e português. A essas traduções vieram juntar-se os importantes índices de Hildegard Feick, Index zu Heideggers “Sein und Zeit”, 1961; de Theodore Kiesel, “Lexicon”, in Being and Time, traduzido por J. Stambaugh, 1972; de Rainer A. Abast/ Heinrich P. Delfosse, Handbuch zum Textstudium von Martin Heideggers “Sein und Zeit”, vol. 1, 1980. Embora aquelas anotações iniciais remetessem ao ano de 1949, isso de modo algum significou que eu tenha também começado a traduzir o livro de forma contínua e passo a passo do primeiro até o último capítulo. Longe disso. O normal foi que, movido de algum interesse circunstancial, por ocasião, digamos, de um seminário, eu traduzia um trecho do livro que inevitavelmente era posto de lado. Entre essas traduções parciais de trechos isolados do livro se interpunham intervalos de anos e por vezes de decênios. Só voltava à releitura de algo traduzido quando o propiciava ou reclamava uma dada tarefa acadêmica. Dessas traduções se beneficiavam não apenas o tradutor, mas igualmente por certo os participantes de um seminário em que o fragmento era estudado. Já no final dos anos 1980 a soma dos trechos traduzidos compunha a tradução de praticamente a totalidade da obra. Durante o decênio de 1990 reli o conjunto das traduções, uniformizei a terminologia, sobretudo suas peculiaridades, e fiz a tradução do que ainda não traduzira. Daí resultou em 2000-2001 uma primeira versão completa de Ser e tempo em português. Embora essa versão fosse publicável, não me animava a fazê-lo. Sempre entendi que Sein und Zeit não pode ser “propriamente” traduzido e, se o for, sua leitura deve-se fazer em edição bilíngue: por mais rigorosa que seja, a tradução limita-se a fazer meras sugestões de uma leitura entre diversas outras relativamente a um original extremamente polissêmico, ao qual o leitor deve ter pronto acesso o tempo todo. Traduz-se para levar à leitura do original. Ora, é notório que até o presente momento não há pelo menos no Ocidente nenhuma edição bilíngue de Ser e tempo. As negociações para obter a autorização de uma edição bilíngue no Brasil foram demoradas e concluídas de modo exitoso pela competência de José Emílio Maiorino, do setor de Contratos da Editora da ­Unicamp. 10

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Nota prévia

Esta publicação só foi levada a bom termo por ter se beneficiado de amplo apoio e constante colaboração de um conjunto enorme de pessoas no Brasil e no exterior. É impossível enumerá-las. Expresso desde logo e, em primeiro lugar, minha mais sincera gratidão a Paulo Franchetti, o qual, na direção da Editora da Unicamp, empenhouse funcional e pessoalmente, ao longo de muitos anos, na publicação do presente volume. Sou para sempre profunda e imensamente grato a Alexandre Guimarães Tadeu de Soares e a Marcos Sêneda, que, na fase da revisão das provas, não apenas submeteram a versão completa a um minucioso escrutínio, relendo o texto de ponta a ponta, como também fizeram sugestões que hoje integram o texto da tradução. Quero agradecer sinceramente a Ricardo Lima pelos esforços que desenvolveu na coordenação pronta, justa e eficiente dos trabalhos relativos à presente edição. Finalmente, o meu especial agradecimento ao dedicado, minucioso e rigoroso trabalho de revisão efetuado por Juliana Bôa, Lúcia Helena Lahoz Morelli, Grazia Maria Quagliara, Caroline Barros de Lima e Rayssa Ávila do Valle, da equipe de revisoras da editora. Fausto Castilho

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Nota do tradutor: Esta tradução foi feita a partir do Tomo 2 da Edição Conjunta editada por Vittorio Klostermann (Frankfurt am Main, 1977), que utilizou o texto original inalterado, com as anotações apostas pelo autor à margem de seu exemplar de uso, dito “exemplar da cabana”.

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MARTIN HEIDEGGER

SER E TEMPO SEIN UND ZEIT

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Dedicado a

EDMUND HUSSERL em preito de veneração e de amizade

Todtnauberg, Floresta Negra badense, para o dia 8 de abril de 1926.

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NOTA PRÉVIA À SÉTIMA EDIÇÃO, 1953 O tratado Ser e tempo veio a lume na primavera de 1927, de início no Anuário para fenomenologia e pesquisa fenomenológica, v. VIII, editado por E. Husserl e simultaneamente em volume à parte. A presente reimpressão, que aparece como sétima edição, mantém o texto inalterado, o qual foi, porém, de novo revisto nas citações e na pontua­ ção. A numeração das páginas desta reimpressão, salvo variantes de somenos, concorda com a das edições anteriores. Eliminou-se a indicação “Primeira Parte”, que até agora figurou naquelas edições. Decorrido um quarto de século, a Segunda Parte já não poderia juntar-se à Primeira sem que esta fosse novamente exposta. Seu caminho permanece ainda hoje um caminho também necessário, se é que a pergunta pelo ser deve motivar nosso Dasein. Para a elucidação dessa pergunta convém reportar-se à Introdução à metafísica, que, simultânea à presente reimpressão, oferece pela mesma edito­ ra o texto de um curso ministrado no semestre de verão de 1935.

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SUMÁRIO INTRODUÇÃO

A exposição da pergunta pelo sentido de ser Primeiro capítulo Necessidade, estrutura e precedência da questão-do-ser § 1. A necessidade de uma expressa repetição da pergunta pelo ser................ § 2. A estrutura formal da pergunta pelo ser.......................................................................... § 3. A precedência ontológica da questão-do-ser.............................................................. § 4. A precedência ôntica da questão-do-ser..........................................................................

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Segundo capítulo A dupla tarefa na elaboração da questão-do-ser O método da investigação e seu plano § 5. A analítica ontológica do Dasein põe-em-liberdade o horizonte para uma interpretação do sentido de ser em geral. .............................................. § 6. A tarefa de uma destruição da história da ontologia ......................................... § 7. O método fenomenológico da investigação. ............................................................... A. O conceito do fenômeno. ....................................................................................................... B. O conceito do logos...................................................................................................................... C. O conceito prévio da fenomenologia. ........................................................................ § 8. O plano do tratado. ..............................................................................................................................

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PRIMEIRA PARTE

A interpretação do Dasein referida à temporalidade e a explicação do tempo como horizonte transcendental da pergunta pelo ser PRIMEIRA SEÇÃO

A análise-fundamental preparatória do Dasein Primeiro capítulo A exposição da tarefa de uma análise preparatória do Dasein § 9. O tema da analítica do Dasein. ................................................................................................. 139 § 10. A delimitação da analítica do Dasein em relação à antropologia, à psicologia e à biologia..................................................................................................................... 149

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