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2º SEMESTRE/2011

Geração

verde

Um novo futuro depende deles


CI Moema

CI Porto ALegre

CI Goiânia

Av. Ibirapuera, 1858 Tel.: (11) 5051-0381 São Paulo

Rua Padre Chagas, 80 Tel.: (51) 3346-4654

Rua 18, 326 Salas 3/4 - Setor Oeste Tel.: (62) 3093-4353

CI Brasília

CI Curitiba

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SCLN, 211 - Bloco B - Loja 06 Tel.: (61) 3340-2040

Av. Batel, 1.398 Tel.: (41) 3342-3032

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Chegou a hora de você fazer um intercâmbio Cursos, estágios, trabalhos, passagens aéreas e viagens para o exterior, que fazem a vida acontecer.

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você aprende com o mundo


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Expediente A Província Marista Brasil Centro-Sul atua nas áreas de educação, solidariedade, saúde, editorial e comunicação. A PMBCS está presente nos Estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Sua forma de atuação busca, por meio de processos educacionais, uma efetiva contribuição social e cultural, posicionando-se na defesa e promoção dos direitos das infâncias e juventudes. Desenvolver equilibradamente, afetividade e inteligência, dimensão comunitária e social, valores humanos e cristãos é a proposta da instituição.

PRESIDENTE DAS MANTENEDORAS: Ir. Dario Bortolini SUPERIOR PROVINCIAL: Ir. Davide Pedri SUPERINTENDENTE ABEC/UCE: Paulo Serino de Souza REDE DE COLÉGIOS: Ir. Paulinho Vogel, André Garcia, Isabel Cristina Michelan Azevedo, Vani Sant'ana COMUNICAÇÃO E MARKETING (ABEC/UCE): Patrícia Fatuch, Pollyana D. Nabarro, Alexandre L. Cardoso, Silvia S. Tateiva, Kelen Y. Azuma, Patrícia L. Egashira, Fábio Egg Mais, Tiago Ienkot COMUNICAÇÃO E MARKETING (COLÉGIOS): Bruna Finkensieper Gonçalves, Bruno Bonamigo, Caroline Damin Mertens ,Cláudia Cristina Batistela Francisco, Cristiane Rufino Santos, Daliane

BRASÍLIA • Colégio Marista de Brasília - Educação Infantil e Ensino Fundamental SGAS 609 CONJ A - Bairro Asa Sul - Brasília - DF - 70200-690 - (61) 3442-9400 Colégio Marista de Brasília - Ensino Médio - SGAS 615 CONJ C - Bairro Asa Sul Brasília - DF - 70200-750 - (61) 3445-6900 CASCAVEL • Colégio Marista de Cascavel - Rua Paraná, 2680 - Centro - Cascavel PR - 85812-011 - (45) 3036-6000 CHAPECÓ • Colégio Marista São Francisco - Rua Marechal F. Peixoto, 550L - Chapecó - SC - 89801-500 - (49) 3322-3332 CRICIÚMA • Colégio Marista de Criciúma - Rua Antonio de Lucca, 334 - Criciúma SC - 88811-503 - (48) 3437-9122 CURITIBA • Colégio Marista Paranaense - Rua Bispo Dom José, 2674 Seminário Curitiba - PR - 80440-080 - (41) 3016-2552

Anziliero Teston, Eros Augusto Asturiano Martins, Eziquiel

Colégio Marista Santa Maria - Rua Prof. Joaquim de M. Barreto, 98 - Curitiba - PR 82200-210 (41) 3074-2500

Machado Ramos, Fábio Silvestrini Aparício, Katia Macedo Dias

GOIÂNIA • Colégio Marista de Goiânia - Avenida Oitenta e Cinco, n. 1440

Kely Cristine de Souza, Luana Mendonça Dias dos Santos, Mayara

St. Marista - Goiânia - GO - 74.160-010 - (62) 4009-5875

Amaral Haudicho, Raquel Aline Bortoloso, Renato Mobaid Pereira

JARAGUÁ DO SUL • Colégio Marista São Luís - Rua Mal. Deodoro da Fonseca, 520 Centro - Jaraguá do Sul - SC - 89251-700 - (47) 3371-0313

Campos, Samira Damásio Dutra

Rua Imaculada Conceição, 1155 Prado Velho – Curitiba – PR Prédio Administrativo PUCPR – 8º andar CEP: 80215-901 Tel.: (41)3271-6500

JOAÇABA • Colégio Marista Frei Rogério - Rua Frei Rogério, 596 - Joaçaba - SC 89600-000 - (49) 3522-1144 LONDRINA • Colégio Marista de Londrina - Rua Maringá, 78 - Jardim dos Bancários - Londrina - PR - 86060-000 (43) 3374-3600 MARINGÁ • Colégio Marista de Maringá - Rua São Marcelino Champagnat, 130 Centro - Maringá - PR - 87010-430 - (44) 3220-4224 PONTA GROSSA • Colégio Marista Pio XII - Rua Rodrigues Alves, 701 - Jardim Carvalho - Ponta Grossa - PR 84015-440 - (42) 3224-0374

www.marista.org.br

RIBEIRÃO PRETO • Colégio Marista de Ribeirão Preto - Rua Bernardino de Campos, 550 - Higienopólis - Ribeirão Preto - SP - 14015-130 - Fone:(16) 3977-1400

Em Família | 8ª Edição | 2º Semestre 2011

SÃO PAULO • Colégio Marista Arquidiocesano - Rua Domingos de Moraes, 2565 Vila Mariana - São Paulo - SP - 04035-000 - (11) 5081-8444 Colégio Marista Nossa Senhora da Glória - Rua Justo Azambuja, 267 - Cambuci São Paulo - SP - 01518-000 - (11) 3207-5866

CAPA: Mirela Schreck Welter, Gabriel Weiand, Lucas Petry Heck, Marina Gabriela Maia, alunos do Colégio Marista Pio XII, Novo Hamburgo - RS FOTO: D'Contreras - ILEXPHOTO

A Revista Em Família é uma publicação da Editora Ruah para a Rede Marista de Colégios, com distribuição dirigida aos pais e colaboradores. Visite o blog da revista e envie sua opinião: www.maristaemfamilia.com.br

EDITOR: Luís Fernando Carneiro | DIAGRAMAÇÃO: Goretti Carlos | PUBLICIDADE: Ariane Rodrigues | R. Casemiro José Marques de Abreu, 706 – Ahú – Curitiba/PR – CEP: 82200-130 – Fone: (41) 3018-8805 | www.editoraruah.com.br | Quer anunciar? Entre em contato conosco pelo fone (41) 3018-8805 ou pelo site www.editoraruah.com.br Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.


Primeira impressão

Vazio que extermina,

Amor que sustenta Por Ir. Paulinho Vogel

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esquisas recentes indicam que nosso planeta já não consegue mais recompor os recursos naturais consumidos pelos seres humanos. Se continuarmos com o ritmo voraz de consumo atual, em poucos anos exterminaremos todas as possibilidades de vida no planeta. Somos a geração de seres humanos que mais consome futilidades, ou seja, consumimos sem precisar e, não raras vezes, por puro prazer, hábito, vontade ou desejo. A cultura do descartável nos leva ao consumo inconsequente. Angustiados, buscamos preencher um vazio com coisas que, na verdade, aplacam a angústia

momentaneamente e não nos levam à satisfação plena. Nosso planeta não está sendo exterminado pelo fato de existirem muitos seres humanos ou por estes necessitarem cada vez mais de artefatos para se manterem. A responsabilidade não se deve às necessidades básicas da modernidade, que nos faz utilizar cada vez mais os recursos naturais. A responsabilidade pelo extermínio da vida no planeta está no vazio existente na alma dos seres humanos que aqui vivem. O reflexo da sede e do vazio na alma dos seres humanos está na ausência dos pequenos gestos que,

frequentemente, não nos damos conta, como um abraço aconchegante, uma palavra de conforto, um gesto surpreendente ou um olhar carinhoso e terno. Este vazio se faz presente quando não acolhemos ou não somos acolhidos pelas pessoas que nós amamos, e quando não educamos nossos filhos para a alteridade, para a empatia e para o desejo de ver o outro feliz antes de nós mesmos. Na escravidão do tempo, certos gestos custam demais. Bauman (2001), descrevendo nossa época, diz: “O que conta é o tempo, mais do que o espaço que lhes toca ocupar; espaço que, afinal, preenchem apenas ‘por um momento’”. A salvação da vida em nosso planeta está nas mãos do pai, da mãe, do professor, do educador, enfim, dos responsáveis pelas futuras gerações. Preencher os corações das crianças, adolescentes e jovens, com gestos de amor, fazendo-os perceber que, mais importante que a própria felicidade, é enxergar nos olhos do outro que sua felicidade depende de gestos concretos de acolhida, de proteção, de amparo e de tempo “perdido” / investido. Assim se constróem identidades seguras e sólidas que encontram a própria felicidade não nas futilidades de cada esquina, mas dentro si mesmos, a partir dos gestos de amor vivenciados no seio da família.

Ir. Paulinho Vogel é Diretor Executivo da Rede Marista de Colégios

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Entrevista

Quando o lixo vira arte e vida


O artista plástico Vik Muniz fala sobre como o lixo pode se transformar em obra de arte apreciada no exterior e mudar a vida de toda uma comunidade Por Vivian Albuquerque

Quando começou este seu trabalho tão diferenciado? Quando resolvi deixar o Brasil e viver em Nova York. Minha ideia era abrir a mente para o mundo artístico, mas o que acabou acontecendo foi bem mais que isso. Comecei a produzir séries fotográficas que conquistaram o público por trabalhar com materiais nada ortodoxos: macarrão, algodão, pó, terra. Compúnhamos as imagens e eu fotografava. Uma foto, assim como uma pintura, não só mostra um tema, mas o material com que foi representado. Quanto mais distante o material do tema proposto,

V

icente José Muniz, o Vik Muniz, nasceu em São Paulo em uma família da classe média. Seus pais, um garçom e uma telefonista, com certeza nunca imaginaram que um dia seu filho – numa mudança para Nova York – poderia se tornar um ícone da arte pela fotografia, com trabalhos expostos nos mais importantes museus do mundo. Na década de 80, Vik decidiu estudar inglês em Chicago. Foi para ficar apenas seis meses, mas, numa visita a Nova York, se apaixonou e por lá acabou ficando e levando com ele o nome do Brasil, com uma arte nada convencional. Usando materiais como chocolate, açúcar, sucata e lixo, ele retrata pessoas e reproduz conhecidas obras de arte, provando que tudo, até mesmo o que ninguém mais quer, pode virar obra de arte “de valor”. Este ano, o documentário que mostra o trabalho do artista plástico brasileiro com catadores de material reciclável em um dos maiores aterros sanitários do mundo concorreu ao Oscar. Apesar de toda a torcida brasileira, a estatueta não veio. Mas Vik, mais uma vez, conseguiu sensibilizar o mundo por meio da sua arte, trazendo à tona discussões sobre sustentabilidade e olhar solidário.

mais inspirador será o engajamento entre o espectador e a imagem. Em várias de suas fotos você reproduz obras de arte já conhecidas. Poderia explicar o porquê desta escolha? Procuro trabalhar com o que o próprio espectador traz para esse seu encontro com a imagem. Por isso tem de ser algo que ele reconheça. Os temas acabam sendo algo já digerido e subestimado por ele. Não raro, desenho o que quero reproduzir, vou a um museu ou faço de cabeça. Trabalho com séries para não precisar dizer tudo de uma só vez. Trabalho com materiais

diversos ao mesmo tempo e nunca encerro uma série definitivamente; elas vão se extinguindo naturalmente. O filme "Lixo Extraordinário" tornou seu trabalho ainda mais conhecido por nós, brasileiros. Ali, poderíamos dizer que além da matéria-prima – lixo – você ainda teve as pessoas como grande componente de inspiração? Eu queria mudar a vida de um grupo de pessoas usando o material com que lidam no dia a dia. Assim surgiu a ideia de transformar lixo em


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Entrevista "O momento quando uma coisa se transforma em outra é o momento mais bonito. A combinação de sons se transforma em música. E isso se aplica a tudo.” Vik Muniz

arte e reverter a venda das fotos em recursos para aquela comunidade. O aterro do Jardim Gramacho atende a pelo menos 2,5 mil famílias. Pessoas que passam o dia ali, entre os caminhões e as pilhas de lixo, para ganhar R$ 50,00. Eram pessoas que nem sequer tinham fotos delas. E o momento mágico se deu quando uma coisa se transformou em outra; o lixo se transformou na imagem delas. Como foi o trabalho de criação destas obras que acabaram ganhando o mundo de forma tão especial? Fiz os retratos das pessoas e depois as convidei para trabalhar comigo no estúdio, “pintando” suas próprias fotos. Muitos nunca tinham se visto em uma foto e, de repente, estavam vendo seus retratos reproduzidos com materiais que eram, ao mesmo tempo, o sustento do dia a dia. Estar envolvido em projetos sociais, para mim, é fundamental. O lixo é uma boa matéria-prima para a arte, afinal? O lixo é dinheiro. A gente perde muito dinheiro com ele. Quem mexe

com o lixo ou tem muito dinheiro ou não tem nenhum. Muitas vezes, quando convido as pessoas para verem meu trabalho no galpão que temos no Brasil, elas se assustam porque entram e só veem montanhas e montanhas de lixo e sucata. Mas fotografamos com uma câmera 8X10, a uma distância de 20 metros. Só quando se sobe na torre é que se vê a obra no meio daquilo tudo. Por isso é tão bacana. Conseguimos criar o retrato de um catador que, como o lixo que está ali, ninguém conhece. Você tem essa preocupação constante de aproximar a arte do maior número de pessoas. A resposta parece óbvia, mas mesmo assim perguntamos: por que? Uma grande obra de arte deve transcender barreiras espaciais, temporais e linguísticas. Deve utilizar a universalidade dos sentidos e buscar, incentivar, a cumplicidade entre as pessoas. Não há como manter o provincianismo intelectual, no qual a arte internacional fala um dialeto próprio e tão distante do público, sob o risco da condenação do popular e do culto a um produto que seja fruto do isolamento. O artista não pode dizer que faz arte só para si. A arte deve se inspirar em experiências pessoais, mas ter a capacidade de transmitir essas mesmas experiências em um âmbito universal. O filme “Lixo Extraordinário” foi resultado de três anos de trabalho e tem um apelo muito forte com o público por causa do emocional. Você vê lágrimas nos olhos de quem assiste. E isso a arte não pode deixar de fazer: emocionar.

LIXO EXTRAORDINÁRIO Um pouco sobre o documentário premiado internacionalmente O documentário “Lixo Extraordinário” acompanha o trabalho de Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. Segundo o dicionário, “lixo” significa qualquer material considerado inútil, supérfluo, e/ou sem valor, gerado pela atividade humana. Antes de chegar ao Jardim Gramacho, Vik Muniz e os diretores do documentário não esperavam encontrar nada muito diferente disso, mas se surpreenderam ao conhecer pessoas cativantes e cheias de dignidade, como o Tião, jovem presidente da Associação de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho, ou o Zumbi, catador que, resgatando os livros do lixão, acabou montando uma biblioteca.


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Sustentabilidade ĂŠ

sobrevivĂŞncia. Que ta


uma questĂŁo de tal fazer a sua parte?

Lucas Petry Heck, Marina Gabriela Maia, Mirela Schreck Welter, Gabriel Weiand, alunos do ColĂŠgio Marista Pio XII, Novo Hamburgo - RS


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as compras do supermercado, ela não utiliza mais sacolas, mas as caixas de plástico, que sempre leva no porta-malas. Em casa, cascas, restos de produtos orgânicos e até as folhas do quintal vão direto para o minhocário. E os cuidados não param por aí. “Opto por produtos sem embalagens ou de refil. Quando isso não é possível, escolho as de menor impacto. Um exemplo? Gosto de sabão líquido concentrado, mas ainda opto pela caixa de papelão, porque a embalagem se degrada com mais rapidez. Jamais levo uma bandeja de isopor para casa, opto pelo presunto cortado na hora e embalado apenas no plástico. Além de ter mais sabor, não fico pensando nos 450 anos – no mínimo, que o isopor levaria para se degradar no meio ambiente”, conta Joana Bicalho, de Brasília, mãe dos alunos Marcela, 16, e João Pedro, 14, do colégio Marista João Paulo II, da Rede Marista do RIo Grande do Sul. É pouco? Pois saiba que eles ainda levam as embalagens que não há como evitar para o supermercado, que as entrega para uma cooperativa

de reciclagem; mantém um relógio na parede do banheiro, para administrar o tempo e a consciência sobre o consumo; e fazem compras semanais, no lugar das mensais, para evitar o consumo desnecessário. “Percebi que, quando comprava mensalmente, consumia muito mais e ainda perdia muitos produtos por data de vencimento”, explica. Mas estas dicas, segundo Joana, são muito individuais. “Muitas vezes, algo que é facilmente adaptável no meu dia a dia, não se enquadra na vida de uma outra pessoa”, confirma. “O caminho é passar a observar o nosso excedente. Tudo o que sobra não

nos pertence e, por isto, pode passar a não mais ser desperdiçado. Todos nós podemos reduzir nosso consumo em 40%, sem prejuízo à nossa qualidade de vida. O famoso menos que vale mais”, garante. A preocupação com a sustentabilidade é tanta que até o trabalho de Joana tem profunda ligação com o tema. Ela é uma das idealizadoras e consultoras da Empresa Responsável (www. empresaresponsavel.com), consultoria que ensina empresas a trabalharem com o chamado Marketing Verde. “Sempre trabalhei com publicidade e propaganda e, mesmo antes de diálogos sobre os impactos do consumis-

SUSTEN… O QUÊ? Veja como surgiu e se popularizou o termo sustentabilidade Na década de 70, o chamado Clube de Roma, formado por personalidades interessadas em discutir temas cruciais para a sobrevivência humana, encomendou ao MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts – um estudo que culminou no relatório “Os Limites do Crescimento”. O texto tratava de problemas como energia e escassez de recursos naturais, entre tantos outros itens importantes para nossa vida. E o que ficou comprovado foi que nosso modo de consumo e descartabilidade era ambientalmente inviável. Na época houve um lobby contrário à ampliação da consciência, mas o assunto, a tal da “sustentabilidade”, aos poucos foi ganhando peso político, econômico e social. Hoje, o tema é central em muitos encontros globais. Exemplo disso é a Conferência Rio + 20, programada para 2012, no Rio de Janeiro. Ela discutirá a Economia Verde, assunto que compartilha as atenções com a Logística Reversa, que trata do uso do lixo para novas produções, por meio da reciclagem.


PRECISO MESMO DISSO? COMO PENSAR VERDE NO DIA A DIA “O caminho é simples e prazeroso”, garante Joana. “É preciso ‘passar a olhar, vendo’. Ou seja, perceber nossos hábitos de maneira sistêmica. Sair da máquina do consumismo, e começar a observá-la, optando em benefício próprio, e da coletividade. Não se permitir ser manipulado pela mídia, bem como aproveitar o leque de ofertas para escolher algo de fato bom para nossas vidas. Não permitir que a correria do dia a dia nos leve a viver de forma automática, sem perceber nossas relações e nossas escolhas. Daí, começar a perceber e se questionar: preciso de fato disto? Hoje, 60% do volume de um carrinho cheio do supermercado vira lixo em apenas 15 dias. O mundo produz de lixo, por dia, o equivalente a 15 montanhas do tamanho do morro Pão-de-Açúcar. Estamos trocando nossas paisagens verdes por montanhas de lixo.”

mo na finitude dos recursos naturais, já me sentia incomodada com o estímulo crescente ao consumo e descartabilidade. Canalizei, à época, meu trabalho para a ‘venda de serviços’, exatamente pela preocupação que tinha com este tipo de propaganda. Em 2003, decidi fazer meu mestrado em Planejamento e Gestão Ambiental, e estudar profundamente os ganhos empresariais em investir no Marketing Verde. Percebi, então, uma enorme brecha na propaganda e no marketing: convencermos os consumidores de que os ‘produtos do bem’ fazem o bem para todos, em cadeia.”

SUSTENTABILIDADE E ECONOMIA Para a mãe e consultora, a sustentabilidade – termo da moda e até já meio banalizado – tem sido erroneamente vista como algo inatingível, que exige fortes mudanças, levando-nos ao menor conforto e a altos gastos. “Mas não é nada disto”, afirma. “Sustentabilidade ambiental e social não devem impactar negativamente na sustentabilidade econômica. Por exemplo: ao invés de abrirmos mão da claridade

de um ambiente para economizar energia, devemos abrir uma grande janela para iluminação natural. Outro exemplo: quando optamos pela fruta à caixa de suco, abrimos mão daquela praticidade que nos foi vendida, mas ganhamos em saúde e, consequentemente, qualidade de vida. Na verdade, devemos vender sustentabilidade como o conceito de saber viver, optar pelo bom, pelo respeito a si mesmo, numa escolha certa e inteligente. Com certeza, estamos num movimento importante. As escolas e seus projetos contribuem para isso. As empresas, forçadas pela necessidade de se mostrarem responsáveis socialmente, têm mandado seus executivos para cursos de pós-graduação em gestão socioambiental, ampliando o diálogo de necessidades e possibilidades. Fala-se muito mais em slow-life, qualidade de vida, tempo para a família e para a saúde. Tudo isto está virando moda e dados mostram que as pessoas que optam por este tipo de vida dependem menos dos médicos e se aproximam mais da família. Convivem mais, gastam menos e gastam certo, e por isto ampliam o ser ao ter.”


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Educação que

transforma Como as escolas e universidades podem fazer a diferença

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ensando em contribuir não somente com a comunidade acadêmica, mas com a sociedade em geral, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) vem trabalhando num projeto participativo de transformação socioambiental, com a criação de um Núcleo de Sustentabilidade. “O que queremos é concentrar esforços no estudo de modalidades de integração entre os conhecimentos técnico-científicos e os conhecimentos sociais, políticos, ambientais e gerenciais para proporcionar a todos um ambiente mais equilibrado”, explica o professor da área de Engenharia Ambiental e um dos idealizadores do Núcleo, Altair Rosa. Segundo o professor, a sustentabilidade hoje está inserida em várias disciplinas dos diferentes cursos da universidade. Uma preocupação principalmente quando o que se vê é o uso saturado do tema, ou a própria má utilização. “A sustentabilidade é vista como moda ou marketing, mas

o sentido real, o significado, ainda é pouco conhecido pela população. Falta compromisso da sociedade em querer se informar, ou então por realmente em prática ações que possam concretizar o emprego da teoria. Sustentabilidade trata do desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades. O desenvolvimento não pode ocorrer ‘a qualquer preço’”, alerta. “Sustentabilidade implica numa equação entre demanda, necessidade e desenvolvimento. Nosso planeta está apresentando evidentes sinais de desequilíbrio ambiental. O novo paradigma do desenvolvimento sustentável sugere, de um lado, uma reorientação deste modelo no sentido de um uso mais racional e responsável dos recursos naturais e, de outro, uma ampliação da participação da sociedade nos processos de tomada de decisão.” É dentro deste contexto, que o


social e eficiência econômica. Ela traduz em ações o conceito de desenvolvimento sustentável. A implantação dela não é um único acontecimento, documento ou atividade, mas sim um processo contínuo no qual a comunidade aprende sobre suas deficiências e identifica inovações, forças e recursos próprios ao fazer as escolhas que a levarão a se tornar uma comunidade sustentável”, conclui.

professor da PUCPR traz novamente à tona a Agenda 21, muito em voga nos jornais tempos atrás, mas hoje mais discreta. “A Agenda 21 é um programa de ação para o meio ambiente e o desenvolvimento. É composto de 40 capítulos que constituem a mais abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça

CONSCIÊNCIA PLANETÁRIA “A educação para a sustentabilidade é algo sempre presente na proposta de Educação Infantil dos colégios maristas”, diz Ana Lúcia Souto, assessora educacional da Rede de Colégios Maristas da Província Marista do Brasil Centro-Sul. “Nosso currículo é dividido em dimensões e uma delas é a Consciência Planetária, que diz respeito a todas as formas de vida. Sou assessora na área de Ciências da Natureza. Não é um conhecimento científico, como um fato apenas, mas algo que tem de estar inserido na nossa realidade diária para a sustentabilidade do planeta.” Para exemplificar parte do trabalho feito nas escolas, Ana Lúcia fala

sobre o Congresso Virtual Interdisciplinar Marista, realizado no ano passado, quando foi comemorado o Ano da Biodiversidade. “Discutimos com os alunos assuntos como as mudanças climáticas, a escassez dos recursos naturais, usando como base o relatório da ONU, com números dos últimos 50 anos. Os alunos escolheram um tema e, sobre ele, escreveram artigos científicos, propondo várias ações.” Entre os artigos, vários deles publicados no endereço www.marista.org. br/congressobio, está um que fala sobre o uso exagerado das sacolas plásticas, com o sugestivo nome: "Que Saco!". Para ilustrá-lo, os alunos fizeram fotos de árvores, nas quais as folhas foram substituídas por sacolas plásticas. “A proposta de Champagnat era transformar a sociedade, tornando-a mais justa para todos: pessoas, animais, meio ambiente”, conclui Ana Lúcia. “E isso depende de todos nós.”


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Na prática Como fazer a sua parte no dia a dia por um planeta melhor

QUAL A PROCEDÊNCIA DO QUE VOCÊ COMPRA? De nada adianta trocar sacolas plásticas por uma “ecobag” se ela for feita no Vietnã. Todos os materiais têm prós e contras; o vidro, por exemplo, é 100% reciclável, mas é pesado e a logística de reutilização exige alto consumo de água e energia. O plástico é retirado de matérias-primas não renováveis, mas seu processo de produção não gera resíduos. Para escolher entre produtos, é preciso adotar um conjunto de critérios que inclua durabilidade e adequação ao uso. Design sustentável é aquele que usa menos matéria-prima, processos industriais e energia.

TUDO BEM DEIXAR O CARRO EM CASA ÀS VEZES? Manter o carro em ordem para evitar emissões desnecessárias de dióxido de carbono é lei. Deixá-lo em casa nos trajetos servidos por transporte coletivo, ainda que apenas fora dos horários de pico, é melhor ainda, pois o ônibus e o metrô já circulam regularmente.

XÔ, DESCARTÁVEIS! Coador de pano, sacola de pano. Introduzi-los em sua rotina não requer nenhuma grande mudança. Melhor, você produz menor quantidade de lixo. E no trabalho, desconsidere os copos descartáveis. Vá de caneca. É muito mais charmoso e bem menos nocivo para o meio ambiente. No Colégio Marista de Brasília todos os alunos adotaram essa ideia com muito sucesso. É POSSÍVEL REDUZIR O CONSUMO Regrinhas fáceis para reduzir o consumo de luz e água em casa: mantenha as instalações elétricas em dia; escolha eletrodomésticos certificados; use ferro a vapor e acumule roupas para passar de uma vez só; instale a geladeira longe de fontes de calor, como o fogão, que a fazem trabalhar mais; pinte as paredes de cores claras, que refletem luz; mantenha luminárias e lustres limpos para evitar a perda de luminosidade; use lâmpadas fluorescentes ou de vapor de sódio; desligue o monitor do computador quando parar de trabalhar; ensaboe toda a louça antes de ligar a torneira elétrica.


FRUTA DA ESTAÇÃO: A ESCOLHA MAIS SÁBIA Transportar alimentos por longas distâncias gera mais poluição do que trazêlos de perto; manter comidas em freezer ou estufa consome mais energia do que conservar alimentos frescos por poucos dias. Logo, dar preferência aos frutos da época e alimentos produzidos no cinturão de sua cidade são maneiras simples de contribuir para a redução da poluição atmosférica. De quebra, você ajuda a garantir a sobrevivência de pequenos produtores e comerciantes, que perderam espaço nas últimas décadas para as grandes redes do varejo. EXPERIMENTE CONSERTAR, TROCAR OU DOAR Pense bem: é mesmo necessário trocar o celular porque um modelo novo chegou ao mercado? É importante ser eficiente no uso das coisas, consertando-as quando preciso. Antes de se desfazer de algo, considere alternativas como feiras e sites de troca. Ou destine a quem precisa: de livros e móveis a eletrônicos, sempre há uma instituição disposta a receber doações. DÊ UMA CHANCE PARA OS ALIMENTOS ORGÂNICOS Sim, eles são, por enquanto, mais caros e, em alguns casos, mais difíceis de achar do que o fruto da agricultura e da indústria regulares. Mas vale a pena desembolsar mais e sair em busca de feiras e mercados que comercializem produtos naturais. O cultivo de alimentos sem agrotóxicos ou pesticidas envolve um manejo mais racional dos ciclos da terra e de resíduos; alimentos não processados – açúcar mascavo, sal marinho, arroz e farinhas integrais – poupam a energia do processo industrial. SERÁ QUE EU PRECISO MESMO DISSO? Você precisa mesmo de mais uma saia preta? E de uma calça jeans? Cultivar uma atitude racional diante do ato da compra é a primeira lição. É isso o que ensina o Instituto Akatu, ONG voltada à difusão da ideia de consumo consciente. Uma simples lista feita em casa previne compras desnecessárias no supermercado. E um exame honesto do armário mostra se você precisa mesmo de mais um sapato.

Fonte: Revista Vida Simples e Instituto Akatu / Ilustrações: João Gabriel Vanz


Olhar

Em caso de

despressurização Cuide do seu espírito, do seu humor. Arrume seu cotidiano. Estando quite consigo mesmo, vá em frente e mostre aos outros como se faz

Carlos Contreras

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Por Martha Medeiros | Ilustração Mariana Poczapski

E

u estava dentro de um avião, prestes a decolar, e pela milionésima vez na vida escutava a orientação da comissária: "Em caso de despressurização da cabine, máscaras cairão automaticamente à sua frente. Coloque primeiro a sua e só então auxilie quem estiver ao seu lado". E a imagem no monitor mostrava justamente isso, uma mãe colocando a máscara no filho pequeno, estando ela já com a dela. É uma imagem um pouco aflitiva, porque a tendência de todas as mães é primeiro salvar o filho e depois pensar em si mesma. Um instinto natural da fêmea que há em nós. Mas a orientação dentro dos aviões tem lógica: como poderíamos ajudar quem quer que seja estando desmaiadas, sufocadas, despressurizadas? Isso vem ao encontro de algo que sempre defendi, por mais que pareça egoísmo: se quer colaborar com o mundo, comece por você. Tem gente à beça fazendo discurso pela ordem e reclamando em nome dos outros, mas mantém a própria vida desarrumada. Trabalham naquilo que não gostam, não se esforçam para manter uma relação de amor prazerosa, não cuidam da própria saúde,

não se interessam por cultura e informação e estão mais propensos a rosnar do que a aprender. Com a cabeça assim minada, vão passar que tipo de tranquilidade adiante? Que espécie de exemplo? E vão reinvindicar o quê? Quer uma cidade mais limpa, comece pelo seu quarto, seu banheiro e seu jardim. Quer mais justiça social, respeite os direitos da empregada que trabalha na sua casa. Um trânsito menos violento, é simples: avalie como você mesmo dirige. E uma vida melhor para todos? Pô, ajudaria bastante colocar um sorriso nesse rosto, encontrar soluções viáveis para seus problemas, dar uma melhorada em você mesmo. Parece simplório, mas é apenas simples. Não sei se este é o tal "segredo" que andou circulando pelos cinemas e sendo publicado em livro, mas o fato é que dar um jeito em si mesmo já é uma boa contribuição para salvar o mundo, esta missão tão heróica e tão utópica. Claro que não é preciso estar com a vida ganha para ser solidário. A experiência mostra que as pessoas que mais se sensibilizam com os dilemas alheios são aquelas que ainda têm

muito a resolver na sua vida pessoal. Mas elas não praguejam, não gastam seu latim à toa: agem. A generosidade é seu oxigênio. Tudo o que nos acontece é responsabilidade nossa, tanto a parte boa como a parte ruim da nossa história, salvo fatalidades do destino e abandonos sociais. E, mesmo entre os menos afortunados, há os que viram o jogo, ao contrário daqueles que apenas viram uns chatos. Portanto, fazer nossa parte é o mínimo que se espera. Antes de falar mal da Caras, pense se você mesmo não anda fazendo muita fofoca. Coloque sua camiseta pró-ecologia, mas antes lembre-se de não jogar lixo na rua e nem de usar o carro desnecessariamente. Reduza o desperdício na sua casa. Uma coisa está relacionada com a outra: você e o universo. Quer mesmo salvá-lo? Analise seu próprio comportamento. Não se sinta culpado por pensar em si próprio. Cuide do seu espírito, do seu humor. Arrume seu cotidiano. Agora sim, estando quite consigo mesmo, vá em frente e mostre aos outros como se faz.

Martha Medeiros é escritora e colunista dos jornais Zero Hora e O Globo.


PIO XII

Feita para você Nesta edição reforçamos o compromisso com uma

como grande diferencial a apresentação deste caderno

Educação Planetária, focada nas necessidades globais e

exclusivo. Nas próximas páginas você encontrará as his-

voltada para uma atuação local de nossos alunos e suas

tórias, personagens, projetos e ideias do Colégio Marista

famílias. Da mesma forma, a "Em Família" é uma revista

Pio XII. Divirta-se e participe com seu filho desta grande

que circula em todos os colégios da Rede Marista, tem

aventura do conhecimento.


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Com a palavra

Irmão Vanderlei Siqueira – Diretor Geral

E o Marista, como vai? N

o dia 15 de setembro, juntamente com o aniversário da cidade, comemoramos o cinquentenário da presença Marista na região campesina. De lá para cá diversos eventos vem celebrando esse ano especial e recordando fatos que marcaram vidas, experiências que abriram caminhos de crescimento humano e trajetórias de sucesso profissional. O Pio XII, inaugurado em 1961, nasce do anseio da comunidade local que esperava a instalação de uma escola Marista; fruto também da visão de futuro dos Irmãos que, acedendo aos apelos da população, mudaram o projeto construtivo, inicialmente concebido como centro de formação para candidatos Maristas. Esse fato é destacado pelo Ir. David na edição especial do cinquentenário para salientar a importância do trabalho conjunto da família e da escola para o bom êxito do processo educativo. Esta interação é importante porque a proposta educativa Marista concebe que é função da escola educar tanto para o ingresso nas melhores universidades quanto para todas as provas da vida. Nessa perspectiva, o jeito Marista de educar apregoa que os

valores estão intimamente relacionados à missão e se constituem para nós em grandes referenciais. Um desses valores é a sensibilidade comunitária ou o espírito de família. Ele nos interpela a construir entre as pessoas uma relação de parceria ativa, acolhendo-as e comprometendo-nos como diferentes e complementares. Valorizar a construção coletiva, a autonomia responsável, a flexibilidade, a ajuda mútua e o perdão. Ousar construir comunidade, com alegria, e fazer dela fonte de vida. A título de ilustração, gostaria de relatar uma historieta de Darlei Zanon, intitulada “O milharal”: Matias era o maior plantador de milho da região. Seu milharal era excelente. As espigas eram enormes e os grãos, de grande qualidade. A cada ano, a colheita era mais farta e ele ganhava muitos prêmios. Todos queriam saber qual era o segredo do seu Matias. Certo dia, um repórter da cidade resolveu fazer uma matéria sobre o assunto. Foi à fazenda do seu Matias e descobriu que ele tinha o costume de repartir com os vizinhos, todos os anos, as melhores sementes que tinha. Surpreso, o repórter questionou:

- Por que o senhor faz isso, se os seus vizinhos são os seus concorrentes? Se eles produzirem mais, o preço do milho vai baixar e o senhor vai ter menos lucros. Então Matias respondeu com segurança: – Faço assim porque o pólen do milho é levado pelo vento de campo em campo. Se meus vizinhos cultivarem um milho ruim e fraco, a polinização fará com que o meu milho fique cada vez mais fraco e com menor qualidade. Se eu quiser cultivar um milho bom, tenho de ajudar meus vizinhos a terem milho bom também. Construir comunidade não é uma tarefa fácil, pois diariamente nos confrontamos com ideias que, muitas vezes, divergem das nossas. É sinal de maturidade aceitar e admitir que os outros tenham concepções e maneiras de pensar diferentes das minhas. O confronto de opiniões nos ajuda a ampliar o olhar e nos educa para os gestos concretos de atenção, acolhida, escuta e diálogo. Lembremo-nos que todo bem que fizermos ao próximo voltará para nós e enriquecerá a nossa vida.


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Educa�

Educação Infantil

Mas, afinal de contas, o que é sustentabilidade? Desenvolvimento sustentável deve começar desde cedo

S

ustentabilidade é um termo usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. Como fazemos isso na escola? Trabalhamos com a formação da Consciência Planetária, uma dimensão que envolve as crianças no sentido de perceber o Planeta como espaço de relações e interações entre o homem e a natureza.


Portanto, repasso algumas dicas sobre ações sustentáveis para que vocês familiares, possam dar continuidade ao trabalho realizado na escola: • Combinar com os familiares de alguns amigos da escola a fazerem um rodízio, um dia de cada um dar carona; • Fazer estimativas de quantas sacolas de plástico a menos irão usar no comércio; • Utilizar o elevador do colégio, ou de outras localidades somente se necessário, assim além de realizar exercícios, enaltece a saúde; • Evitar o desperdício de papel nas atividades de desenho, recorte, pintura ou colagem; • Fazer uma sacola retornável com seu filho e ir às compras (padaria ou feira); • Fazer brinquedos em casa com materiais recicláveis; • Customizar roupas com laços, fitas, botões em vez de consumir uma nova; • Fazer um porta lixo de TNT para o carro não jogando na rua... • Brincar de troca-troca no mercado; em vez de bala de laranja- que tal uma laranja? Uma fruta sempre é mais saudável e cada troca vale pontos.

Assim, mostraremos que nós fazemos parte da natureza e é nossa responsabilidade manter essa Consciência em relação ao cuidado do Planeta e ao mesmo tempo, cuidando de nós mesmos. Vejam como o Infantil 2 conseguiu tornar nosso mundo mais sustentável!

Projeto Tomatinho Vermelho Por Larissa Rogalla

O

projeto nasceu a partir da curiosidade das crianças ao verem e comerem o tomate cereja que o aluno Murilo trouxe para a sala de aula. No momento em que as crianças mordiam o tomate, uma delas contou sobre o uso do tomate pela mãe, dando início a nossa investigação: O que podemos fazer com o tomate? Então, começamos a investigar. Isso desencadeou várias ações relacionadas, como: entrevistas, conhecer diferentes tipos de tomates, derivados, visualizar livros, aprender a música do Tomatinho Vermelho, construir um painel gigante com a letra da música, confeccionar máscaras, plantar as sementes entre outras. Para deixar nosso projeto ainda mais “gostoso”, degustamos um saboroso bolo de tomate que a amiga Heloisa trouxe, além do preparo de um delicioso macarrão ao molho de tomate no ateliê de degustação. Para o término do projeto, contamos com a colaboração das famílias, as quais sempre estiveram presentes, trazendo curiosidades sobre o assunto para a nossa sala de aula. Cada família contribuiu com o envio de uma receita, tendo o tomate como ingrediente, para a confecção de um livro. Além de despertar o senso científico, o projeto ajudou a desenvolver a consciência sobre alimentação saudável, mostrando os benefícios do consumo de frutas, muitas vezes desprezadas pelas crianças. Larissa Rogalla é professora do Infantil 2 B

Maria Cristina Starcke é Coordenadora Psicopedagógica


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Ser melhor

A Terra é a nossa casa Campanha da Fraternidade gera frutos concretos de sustentabilidade

A

vida no planeta pede socorro. Essa informação já é conhecida, bem como os problemas causados pelas consequências do aquecimento global. Até mesmo o Brasil, um país que há pouco se orgulhava de não ter problemas ambientais, já passa a integrar esta triste lista. Entre os especialistas no assunto encontramos os que afirmam não haver mais o que ser feito, restando a humanidade administrar as consequências. Outros, um pouco mais otimistas, afirmam que a salvação do planeta dependerá do compromisso de todos. Nesse contexto, a Igreja Católica no Brasil escolheu como tema da Campanha da Fraternidade 2011 “A Vida no Planeta” desencadeando ações visando o compromisso de todos com a questão.

A Missão Marista, em sintonia com a Igreja, realiza anualmente a Campanha da Fraternidade em suas Unidades. Em nosso Colégio, o projeto foi elaborado com participação dos professores, equipe pedagógica e núcleo pastoral. As ações desenvolvidas tiveram grande adesão e resultados positivos. Entre elas, destacamos o trabalho nos Dias de Formação, na Chácara Marista, com vídeos e debate sobre o assunto, o contato com a natureza e o plantio de mudas de árvores nativas da região. Destacamos também a visita à Caverna Olhos d´Água e as ações realizadas pelos professores, relacionando

o conteúdo da disciplina com o tema da Campanha, também o constante incentivo a reciclagem, bem como a redução do consumo e a reutilização dos materiais. No encerramento do projeto, realizamos a arrecadação de latinhas de alumínio na Maratona Champagnat (mais de 50 mil), aliando a questão ambiental com a solidariedade, destinando o material à ACAMARUVA (Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Uvaranas). Um dos objetivos de todo trabalho realizado foi buscarmos ações que possam ser realizadas diariamente e também mantermos viva a esperança de que podemos preservar a vida no planeta, estando abertos à solidariedade e compreendendo, cada vez mais que o planeta é nossa casa, que a vida que nele habita é frágil e carece de cuidados.


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Caleidoscópi�

Homenagem da Educação Infantil e 1º ao 5º ano para o Dia das Mães.

Apresentação do 11º Soltando a Voz.

Turma do Infantil 4 se prepara para animar a Festa Julina.

Preparação do Terceirão para o Vestibular!

Entrega de doações arrecadadas na Maratona Champagnat.

O Prefeito Pedro Wosgrau Filho e o Secretário de Ação Social Edilson Baggio entregaram o “Certificado do Selo Social 2010 – Categoria Ouro”.


Destaque

Aluno Marista é destaque no Beisebol Por Wilson Massamitu Furuya

O

beisebol proporciona muito mais do que benefícios físicos. Os praticantes adquirem valores como espírito de equipe, disciplina e autoconfiança. Exige-se dos atletas treinamento intensivo de mais de 12 horas semanais. No Brasil, a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS) é a responsável pela organização, controle e administração da modalidade olímpica no Brasil. Com sede em São Paulo (SP), a CBBS luta para divulgar e massificar o beisebol no país, o que tem conseguido com bastante êxito. Já são mais de 30 mil praticantes, 120 times espalhados pelo Brasil e 55 campeonatos nacionais e internacionais por ano. O resultado de tal empenho é, além de seu crescimento no Brasil, o reconhecimento internacional, sendo elevado o número de atletas brasileiros que vão jogar no exterior, principalmente no Japão e nos Estados Unidos. Jogando na categoria infantil, o

aluno Leonardo Barriviera Furuya, que cursa a 5ª Série do Colégio Marista Pio XII, iniciou os treinamentos aos nove anos na cidade de Maringá, onde ganhou vários prêmios em campeonatos regionais, nacionais e torneios internacionais, destacando-se principalmente como rebatedor e arremessador. Atualmente, joga pelo clube Nikkei de Curitiba e recebeu o Prêmio de Jogador destaque na XIX Taça Brasil de Beisebol Interclubes Infantil, com uma média de 53% como rebatedor, destacando-se também como arremessador e jogador da terceira base. Como uma tradição, o pai de Leonardo também foi jogador de beisebol e hoje atua como auxiliar técnico do time Nikkei Curitiba. Além disso, Henrique Barriviera Furuya, de apenas 8 anos, estudante da 3ª Ano do Colégio Marista Pio XII, já joga beisebol no mesmo clube do irmão e recebeu diversos prêmios por atuações em diversos campeonatos no Brasil.

Wilson Massamitu Furuya é pai do aluno Leonardo Barriviera Furuya, da 5ª série do Marista Pio XII

FERA DO JUDÔ Por Alceu de Oliveira Toledo Junior

Mateus Oltramari Toledo tem 12 anos e cursa a 7ª série no Colégio Marista Pio XII. Durante os últimos 6 anos obteve resultados expressivos em campeonatos regionais, estaduais e nacionais, sendo bicampeão Paranaense, Campeão dos Jogos Escolares do Paraná - 2011, 5º colocado no Brasileiro 2011, entre outros. Todas as 63 medalhas que Mateus conquistou são fruto de um grande trabalho realizado pelo professor Lauro Azuma. Valores como hierarquia, respeito, concentração, honra e princípios de vida podem ser sintetizados no significado da palavra Judô: caminho suave.

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Diz aí

Um mundo sustentável depende de nós Ao mesmo tempo em que pensamos “quem é o estúpido que joga o lixo na rua?”, vemos um papel de bala ser atirado ao chão. Boa parte destes poluidores são jovens que recebem educação ou influências de organizações, como o Green Peace, para não poluírem. Aparentemente as informações não bastam para uma tomada de atitude. É verdade que a nossa geração é mais informada. No entanto, somente isso não adianta. As pessoas reclamam do rumo que o planeta está tomando. O engraçado é que não agem para a melhora. Isto é, a geração Y precisa de preparo para cuidar do futuro. Ressaltemos que falar em futuro não significa pensar no amanhã, mas no agora. São os atos do presente que farão a diferença ou ficaremos esperando um milagre para a situação do planeta ter um avanço.

Antes tarde do que nunca, certo? Com relação ao meio ambiente este “tarde” já começa a se tornar “tarde demais”. São diversos os meios de comunicação que mostram os problemas da natureza. Assisti em um noticiário que o índice do desmatamento na Amazônia aumentou 5% em relação a 2009, entre as causas estão o avanço da agropecuária e o excesso de povoamento. O problema do meio ambiente persiste em gritar por socorro. No entanto, com a chegada de novas gerações, esta situação pode ser alterada. As Ecópolis, ilhas artificiais criadas para repor a mata nativa a partir do lixo produzido em Cingapura, são um exemplo. Apesar de tal realidade não alcançar os quatro cantos do planeta, este é um modelo para o mundo. Hoje a esperança é dos que já sentem “na pele” a fúria da natureza.

O futuro a Deus pertence. Será? Não podemos esperar que Ele acabe com toda a poluição e feche o buraco da camada de ozônio. Nossa geração é quem vai determinar como usufruiremos do futuro. Mesmo para seres fracos que vivem um presente de desgraças, a esperança é a última a morrer. Conscientizar os ignorantes já não é suficiente. Segundo Durkhein, a sociedade funciona em perfeita harmonia quando todos cooperam para seu funcionamento. As ideias que nossa geração vem acumulando são suficientes para serem transpostas em benefício ambiental. A tal esperança – capaz de transformar o inútil em grandiosidades – alimenta o nosso desejo de um futuro de grandes feitos. Para isso, sim, Deus terá de interferir. É necessário projetar o otimismo para o futuro e a esperança de melhora se concretizará.

Larissa Ohana Felício e

Gedley Kunan Stremel, 2º ano.

Lucas Felipe Monteiro e Neila Pimenta, 2º ano.

Lorena Miná Rodrigues, 1º ano.


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Educa�

Ensino Fundamental

Faça a sua parte! Alunos das quintas séries conscientizam comunidade escolar sobre tempo de degradação de diversos materiais Por Christiane Maria Szawka


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udo aquilo que consideramos inútil ou indesejável, todo objeto ou alimento que utilizamos produz lixo durante o seu processamento e torna-se lixo após ser usado. Trata-se de um problema de todos. Afinal, ele não é gerado sozinho, somos nós que o produzimos. Seu descarte traz sérios problemas ligados à ocupação de espaço, ao mau cheiro, à propagação de doenças, contaminação do solo, do ar e da água. Estudando sobre o lixo e os problemas ambientais por ele causados, os alunos das quintas séries elaboraram um mural para conscientizar a comunidade escolar com relação ao tempo de degradação de diversos materiais que são, muitas vezes, depositados no lixo comum. Ao separá-lo e descartá-lo em locais adequados para que possa ser reutilizado ou reciclado, estamos preservando e respeitando o meio ambiente. A elaboração do mural envolveu pesquisas, discussões em sala de aula sobre destino e tipos de lixos produzidos em diversos locais – casa, Colégio, restaurantes, indústrias, hospitais, entre outros – bem ������������������ como as consequências e formas de contaminação que eles podem trazer ao meio ambiente, afetando os seres vivos. Também conhecemos algumas técnicas de reciclagem de materiais usados no cotidiano. Tais informações foram utilizadas por nós no laboratório de Ciências, onde realizamos a reciclagem de papel e produzimos sabão com óleo vegetal usado na cozinha.

Pais e familiares participaram auxiliando nas pesquisas e mudando seus hábitos em casa. Com o intuito de melhorar a qualidade de vida e o meio ambiente, também solicitamos que você, leitor, consuma com consciência. É importante optar por produtos com menos embalagens ou de materiais recicláveis, evitar o uso de materiais descartáveis e avaliar se realmente é necessário adquirir determinado produto. Todos nós precisamos repensar nossas atitudes com relação ao lixo que produzimos, passando a reciclálo, reutilizá-lo e reduzi-lo. Para uma melhor percepção sobre essa necessidade, elaboramos o quadro abaixo (com base em pesquisas realizadas pelos estudantes e em fontes diversas) expondo o tempo que cada material leva para se decompor no meio ambiente. Perceba que boa parte dos materiais apresentados persistirá na natureza durante gerações. Portanto, este é apenas mais um motivo para que você faça a sua parte!

Alumínio

100 a 500 anos

Borracha

Indeterminado

Filtro de cigarro

5 anos

Fralda descartável

600 anos

Goma de mascar

5 anos

Isopor

Indeterminado

Lata de aço

5 a 10 anos

Madeira pintada

13 anos

Náilon

30 a 40 anos

Papel

Cerca de 6 meses

Plástico

Mais de 500 anos

Vidro

Indeterminado

Degradabilidade dos materiais

Fontes: www.fec.unicamp.br/~crsfec/tempo_degrada.html www.projetoreciclar.ufv.br/?area=tempo_degradacao

Christiane Maria Szawka é professora de Ciências


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Educa�

Ensino Médio

Desafio sustentável Todos devem apostar na sustentabilidade, pensar nas gerações futuras e também proteger o presente Por Everton Luis Gardinal e Ramon Martins

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ovos desafios nascem a cada ano e dificuldades aparecem com o decorrer das inovações. Com o advento da criação de novas tecnologias, várias profissões têm a necessidade de adaptarem-se a novos moldes, ao mesmo momento que mais profissões são criadas. Hoje existem novas preocupações e elas necessitam de realização o mais rápido possível. Vários temas vêm mostrando-se em voga e não podemos deixar de lado a necessidade de focarmos nossas ações na proteção ambiental. Todos devem realizar tarefas que se mostrem sustentáveis para o meio ambiente, pensar nas gerações futuras e também proteger o presente. A aluna Karoline Dutra Szul do Ensino Médio, que pretende cursar Direito enfatiza que, “além do trabalho espe-

cífico da área, o graduado deve visar o bem estar do ser humano, atuando com leis e projetos que propiciem justiça e sabedoria à sociedade para a prática da sustentabilidade ecológica”. Por mais que achemos que as ideias sozinhas não surtirão efeitos, as ações e ideias individuais sempre podem ser acolhidas por um grande número de pessoas. Vemos, a cada dia, o descaso com os espaços em que vivemos. Edificações são vandalizadas, áreas de proteção são degradadas e o uso do espaço é na maioria das vezes, em nosso país, não planejado. Todos esses problemas ocasionam uma baixa qualidade da vida dos cidadãos e ainda deixam de lado a preocupação com as gerações futuras. E você? Já pensou nas ações que realizará para melhorar a nossa

vida e a do planeta? Suas escolhas afetarão na sua vida futura e também no ambiente em que você viverá. A profissão que você escolher será levada por toda a sua vida e terá grande influência no mundo. Você já pensou como suas escolhas ajudarão no futuro da sua vida e da sociedade? Ana Laura Balvedi, aluna do Ensino Médio, responde com propriedade essa questão: “Penso em cursar Agronomia, criando alternativas para o desenvolvimento de projetos sustentáveis, sendo reflexiva e crítica nas situações ambientais”. Hoje no Arqui temos jovens do Ensino Médio decidindo candidatar-se a essas profissões novas. Esses alunos visam em primeiro lugar à realização de seus projetos de vida e estão conscientemente conectados com as modernas tendências do mercado de trabalho.

Everton Luis Gardinal é Assistente Psicopedagógico e Ramon Martins é Professor de Gramática, Literatura e Redação do ensino Médio


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Gente noss�

Marista pra sempre! Dois alunos e a mesma paixão pelos tempos de colégio Pio XII

Por Felipe Serenato Leal

Por Fabrício Salles Rosa Solak

E

T

ntrei no Marista na 1ª série do Fundamental e estudei até o Terceirão. Nestes 11 anos (os 11 melhores anos de minha vida) aprendi praticamente tudo que sei, desde a formação acadêmica até meus valores como cidadão. No Marista construí a formação do meu caráter. Alguns professores devem lembrar que, assim que entrei, eu não tinha um comportamento muito adequado! Então a equipe da Pastoral apostou em mim e, após algumas conversas, fui melhorando minha postura. Atualmente moro em Curitiba e faço Engenharia Elétrica. Para a minha felicidade, não me desvinculei do colégio e, sempre que possível, visito e participo dos encontros da PJM. Fazendo Engenharia Elétrica percebo o quanto é importante a formação Marista. No mercado de trabalho é preciso um diferencial! O diferencial está no protagonismo – muito incentivado no colégio. O diferencial está na visão ampla do mundo. O Marista me formou para liderar!

Felipe Serenato Leal é ex-aluno e estudante de Engenharia Elétrica

er estudado no Marista é uma experiência para toda a vida. Em cada dia de aula era possível conhecer melhor os meus colegas, outros alunos, professores e funcionários. Não é em todo colégio que a experiência de perceber a todos – nossa “segunda casa” – como verdadeiros amigos é possível! Todas as pessoas têm uma função especial, ajudando nas horas difíceis, cumprindo o conteúdo sem deixar dúvidas, chamando nossa atenção para nos mostrar os caminhos que Champagnat deixou. Não é por menos que os 12 anos que estudei no Marista deixaram grandes lembranças: quem pode se esquecer dos DDCs na Chácara? Como não lembrar dos encontros da PJM, dos bons amigos, das campanhas de Páscoa e das sempre engraçadíssimas danças na Maratona Champagnat? O que o Marista me proporcionou não foi só matéria para o vestibular, mas ensinou a compreender melhor o próximo.

Fabrício Salles Rosa Solak é ex-aluno e estudante de Medicina na Universidade Federal do Paraná


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Defesa

Campanha do Marista tem o apoio do Unicef e prevê dez iniciativas para contribuir com o direito ao brincar

E

ducadores concordam que o ato de brincar é uma das principais formas de expressão e atividade essencial das crianças. Assim, garantir espaço e tempo para que elas brinquem com os amigos, familiares ou sozinhas, é condição básica e fundamental para o seu desenvolvimento. Dentro da visão Marista de educar e formar cidadãos, as brincadeiras estimulam a criatividade nas crianças e contribuem para o desenvolvimento integral. O tempo legítimo do brincar está diretamente ligado à Infância, momento da vida no qual a fantasia, o faz de conta e o “era uma vez” ganham força. A Declaração Universal dos Direitos da Criança (aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1959), no artigo 7º, junto ao direito à Educação, enfatiza o direito ao brincar: Toda criança terá direito a brincar e a se divertir, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantir a ela o exercício pleno desse direito. Educadores, famílias e autoridades públicas devem se atentar e reconhecer nessa evidência social a responsabilidade de garantir espaços e

condições para que as crianças exerçam as linguagens da criatividade e da alegria vivenciadas pela prática do brincar. O brincar faz parte da essência da infância e o ato de brincar se faz presente desde o seu nascimento. Esse direito, uma das marcas inconfundíveis da criança cidadã, é sempre garantido nos espaços Maristas. Em nossa proposta socioeducativa, diariamente, os educadores organizam brinquedos e materiais não estruturados, como tecidos, potes, garrafas e caixas vazias, para as crianças inventarem suas brincadeiras. A Rede Marista de Solidariedade, mantém 27 Unidades Sociais em atividade nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. E é para fortalecer o direito ao brincar, que a Rede Marista de Solidariedade promove a Campanha pelo Direito ao Brincar, que tem por objetivo fomentar uma série de atividades envolvendo crianças, educadores e familiares na garantia desse direito. Desenvolvida com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a campanha


10 iniciativas para o Brincar

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Brincar é a essência de ser criança. Incentive a criança a brincar, em diferentes espaços, em todos os momentos. Brinque junto! Você vai aprender muito com ela. Brincar em um espaço adequado e seguro é um direito. As crianças têm direito a ter uma escola, um bairro e uma cidade apropriados para brincar, como está garantido no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas. Brincar permite que a criança expresse as fantasias, desejos, imaginação e criatividade. Incentive a brincadeira espontânea, com materiais diversificados e alternativos, pois eles permitem a invenção de novas formas de brincar. Brinquedos comprados prontos podem limitar as possibilidades da criação e incentivar ao consumismo infantil. Brincar oportuniza à criança vivenciar a ludicidade, descobrir a si mesma, desenvolver suas potencialidades e habilidades, aprender a relacionar-se e construir identidade. Participe do brincar. Aproxime-se da cultura lúdica da criança. Interaja com ela na brincadeira. Isso a fará sentir-se segura, respeitada e amada.

é muito importante para as crianças com 5 Brincar deficiência.Incentive a criação de espaços acessíveis

Unidades Sociais que trabalham com Educação Infantil: • • • • • • •

Centros Sociais Maristas Itaquera, Irmão Justino e Robru, em São Paulo; Centro Social Marista Lar Feliz, em Santos; Centro Social Marista Santa Mônica, em Ponta Grossa; Centro Educacional Marista Curitiba; Centro Social Marista Champagnat, em Cascavel; Centro Social Marista Irmão Rivat, em Samambaia/Distrito Federal; Pró-Ação (Programa de Ação Comunitária e Ambiental) Irmã Eunice Benato, também em Curitiba; 1200 crianças atendidas nas unidades sociais. prevê a divulgação de dez iniciativas que devem ser consideradas por todos que se almejam contribuir para a efetivação deste direito. Crianças que brincam e vivem plenamente sua infância certamente terão uma vida mais saudável e feliz.

e materiais adequados para a interação, criação e expressão das crianças com deficiência com outras crianças. A riqueza dessa experiência contribui para o desenvolvimento de atitudes de valorização, acolhida e respeito às diferenças.

não é perder tempo! Respeite quando uma 6 Brincar criança estiver brincando. Ela precisa de concentração

e dedicação para construir a experiência do brincar. Se precisar interromper essa atividade, justifique sua atitude e combine o momento para a dar continuidade à brincadeira.

é uma forma de aprender princípios da 7 Brincar solidariedade e de colaboração. Promova a convivência

da criança com outras crianças e adultos, em atividades lúdicas que favoreçam o contato com a diversidade e a partilha. É uma forma de aprender com as diferenças e exercitar a solidariedade desde cedo.

possibilita a transmissão de tradições e da cultura 8 Brincar para as novas gerações. Proporcione para as crianças os encontros geracionais para vivências brincantes entre adultos e crianças: é uma possibilidade de integrar-se ao meio físico e cultural. Incentive brincadeiras entre meninos e meninas: essa atitude ensina a respeitar as diferenças.

ensina a cuidar do meio ambiente, a descobrir 9 Brincar como as coisas são feitas e a valorizar o que é simples.

Incentive a criação e o conserto de brinquedos. Materiais alternativos podem ser utilizados para fabricar brinquedos. A criança não precisa necessariamente de brinquedos sofisticados, mas de brinquedos desafiadores e interativos.

de corpo inteiro é substituir a televisão, o 10 Brincar computador e o videogame. Equilibre o tempo da criança, cuide para que o tempo da infância não seja tomado pelo consumismo e pela dedicação excessiva aos produtos eletrônicos. Incentive o brincar e a interação entre amigos.


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Como fazer

Dinheiro nรฃo dรก em รกrvore Como educar nossos filhos para um consumo consciente? Por Vivian de Albuquerque


É

de Angola, na África, que Cássia D’Aquino nos atende. O que ela faz por lá? Colabora na criação de um programa financeiro, coordenado pelo Banco Central Africano, como consultora do Governo Americano. Autora de artigos e livros sobre o tema, educadora, e uma das primeiras pessoas a usar o termo Educação Financeira em Português, ela fala com propriedade sobre o assunto. “Trabalho há 17 anos com escolas”, comenta. “E a preocupação com o consumismo faz muito sentido. É parte da educação financeira não apenas gastar menos do que se ganha, mas aprender a fazer escolhas, ponderar. A escola tem papel importante nisso tudo, não como fonte de informações financeiras, mas como preparadora das crianças para o desenvolvimento do espírito crítico com relação ao consumo, para que na vida adulta possam lidar melhor com isso.”

CÁSSIA D´AQUINO: “É PARTE DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA APRENDER A FAZER ESCOLHAS, PONDERAR”.

A FORÇA DO EXEMPLO Cássia explica que o passatempo dos filhos é observar pai e mãe. Observar inclusive como eles compram e pagam as coisas gostosas, coloridas e divertidas que ganham. Por isso não é de se surpreender quando eles pedem uma coisa e dizem aos pais frases como: “pai, paga com o cheque”, “pai, você não tem dinheiro agora? Então paga com o cartão.” Mas afinal, quando devemos falar com eles sobre esse assunto tão importante? “Quem decide o momento é a criança”, garante Cássia. “Mas é bom saber que é um momento que vai levar pelo menos vinte anos. Com dois anos, dois anos e oito meses, as

crianças já falam sobre isso naturalmente. Já demonstram que entenderam o que é o dinheiro e para o que ele serve: comprar as coisas coloridas, gostosas e divertidas, das quais elas tanto gostam. Por isso é preciso pensar numa forma didática de falar com elas. Ter clareza de que os pequenos são absurdamente ‘concretos’. Um caminho interessante é mostrar cédulas e moedas, fazendo com que eles usem lupas para achar os elementos de segurança. Falar que dinheiro é algo que não se deve molhar, rasgar ou estragar. Tudo isso é uma maneira de construir o edifício de 20 anos, mas na realidade delas.” NA ESCOLA A escola ajuda; em casa também se ensina, mas e quando há discordâncias entre pais e mães na relação com o dinheiro? Um permite e outro não. Um compra sempre presentes e outro “regula”... É preciso saber que as crianças são muito hábeis para descobrir como explorar um ou outro para conseguir o que querem. E grande parte das famílias vive o problema. Para Cássia, escola e pais têm de estar muito atentos sobre o que querem com a educação financeira de suas crianças. Simular um supermercado em sala de aula não é educação financeira. “A escola pode ajudar muito se trabalhar com elas, por exemplo, a crítica da publicidade. Se despertar o espírito crítico dos alunos, pensando em formas criativas de resolver problemas e também desejos. Eu quero muita coisa: um triplex em Paris, por exemplo. As crianças também querem. O fato de verem coisas


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Como fazer

na televisão e pedirem não faz delas consumistas. É preciso saber interpretar isso da forma correta”, destaca. COMO LIDAR Segundo Cássia, uma criança com menos de nove anos que consome demais, provavelmente enfrenta dificuldades emocionais. Quer chamar a atenção e faz isso através do consumo exagerado. Após os nove, começa a entrar nos chamados grupos sociais e, uma vez neles, quer os chamados “pontos de contato” – uma mochila de marca, um tênis, um celular. “Atendo pais que me dizem que a filha de quatro anos só usa roupas de determinada marca e que quando não usa fica muito irritada. O que costumo fazer é perguntar como ela vai ao shopping para comprá-las? De carro? Dirigindo? Antes dos nove anos, a criança normalmente mimetiza o comportamento dos próprios pais. Por isso outra frase comum é aquela ‘essa menina é consumista como a mãe’. Quando a criança pede, os pais atendem e confirmam o destino que eles mesmos previram. A única forma de prepará-las para o consumo consciente é com o desenvolvimento do espírito crítico e, principalmente, observando o nosso próprio comportamento de consumo, enquanto pais”, conclui. Mais informações no site www.educacaofinanceira.com.br.

10 Dicas para crescer na economia

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Ensine seu filho a distinguir as coisas que compramos porque “queremos” daquelas que “precisamos”. Desde cedo, faça seu filho entender a importância de não desperdiçar e cuidar do dinheiro. Ensine a criança a controlar o consumo por impulso, mostrando como elaborar uma lista de compras e obedecê-la no supermercado. Explique aos filhos qual é o seu trabalho. Isso ajudará a criança a estabelecer relação entre ganho de dinheiro e os limites de seu uso. Mostre as diferenças entre coisas “caras” e “baratas” em diferentes ambientes (padaria, farmácia, papelaria, etc.). Assuma as próprias deficiências com relação ao dinheiro. Use o bom senso e não dê lições de moral. Estimule a criança a participar do orçamento doméstico, incentivando-a a dar sugestões sobre modos de reduzir despesas. Dê mesada à criança. Isso irá ajudá-la a tomar decisões e fazer escolhas, mesmo que em pequena escala. Não sinta-se desanimado se a criança gastar todo o dinheiro da mesada. Cometer erros é normal e vai ensiná-la a evitar erros maiores no futuro. Reforce a ideia de que a responsabilidade social e a ética devem estar sempre presentes no ganho e no uso do dinheiro.

Extraído do livro Educação Financeira - 20 dicas para ajudar você a educar o seu filho, da educadora Cássia D’Aquino.


Firmes na fé A saga da Jornada Mundial da Juventude

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m interessante movimento incidiu sobre a Europa, no mês de agosto. Aproximadamente 2 milhões de pessoas do mundo inteiro deixaram o conforto de seus lares e os seus afazeres pessoais e profissionais, para migrarem até a Espanha, permanecendo por lá durante 2 semanas. A cidade espanhola de Madri foi palco da tão aguardada Jornada Mundial da Juventude (JMJ), evento organizado pela Igreja Católica, a cada dois ou três anos, e que é considerada uma grande festa da fé, composta por diferentes culturas, porém todas em consonância com Aquele que é caminho, verdade e vida: Jesus Cristo. Para se falar em JMJ, é preciso retornar à história de alguém que esteve muito à frente de seu tempo: o Papa João Paulo II. Já na década de 80, e percebendo a importância da relação entre juventude e Igreja, ousou elaborar um encontro que reunisse os jovens de todo o mundo, com a intenção de professarem a fé católica. Diversos países já tiveram a oportunidade de acolhê-la. Embora sua programação varie conforme as especificidades locais e as demandas de cada época, um fator é comum a elas: a presença do Papa, líder da Igreja Católica e sinal de união entre seus fiéis.

Motivados pela maravilhosa experiência vivenciada por seus 40 peregrinos na Jornada de 2008, na Austrália, os Maristas do Brasil organizaram-se para estarem presentes ainda em maior número na edição de Madri. Ao todo, 81 pessoas compuseram a delegação Marista do Brasil, sendo 68 membros da Província Marista do Brasil Centro-Sul, 6 da Província Marista do Brasil Centro-Norte, 6 da Província Marista do Rio Grande do Sul e 1 representante da União Marista do Brasil (UMBRASIL). Para que ela fosse aproveitada da melhor maneira possível, um grande processo preparatório foi realizado, com atividades locais, regionais, provinciais e nacionais. VIGÍLIA A vigília merece um destaque à parte: do inicial calor escaldante da tarde até a tempestade inesperada surgida no meio da noite, ela foi uma prova de resistência para toda e qualquer pessoa. No momento em que o Papa iria discursar à juventude, uma torrencial chuva fez com que todos fossem pegos de surpresa. Ao invés de se retirar para um local seco, o Pontífice resolveu permanecer no palco, alegando depois que “se os jovens poderiam ficar ali, ele também pode-

ria”. Durante a missa de envio, Bento XVI convocou a todos a colocarem Cristo no centro da vida, dizendo que o seguimento a Cristo só é possível com a inserção nas comunidades, a participação na Eucaristia, o sacramento do perdão e o cultivo da oração da Palavra de Deus. Brasil! Coroando o encerramento da Jornada Mundial, o Papa anunciou que a próxima edição acontecerá na cidade do Rio de Janeiro, em 2013. Uma grande festa tomou conta dos corações brasileiros, que, enquanto agitavam fervorosamente suas bandeiras, já conseguiam imaginar aquela grande massa juvenil celebrando em terras brasileiras. Ao retornarem ao Brasil, além das roupas sujas e dos souvenires espanhóis, sentimentos de alegria, responsabilidade em levar a missão adiante e certa nostalgia quase causaram excesso de peso na bagagem dos peregrinos. Quase! Felizmente, o avião conseguiu comportar os 81 corações Maristas repletos de sonhos, carregados de esperança, edificados em Cristo e mais firmes do que nunca na fé. Setor Provincial de Pastoral


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Turma do Infinito Ex-aluno Marista, Raí lança livro sobre valores Por Sandra Santos

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epois de tornar conhecido internacionalmente seu trabalho social com crianças na Fundação Gol de Letra, o ex-jogador Raí se aventura pelo mundo da literatura. O livro “Turma do Infinito” marca sua estreia como autor de literatura infantojuvenil. Nesta entrevista exclusiva para a Revista Em Família, o craque conta um pouco sobre o livro e como o Marista fez a diferença na sua vida. Como surgiu a ideia de escrever o livro? A inspiração nasceu após ler uma redação escrita por minha neta, Naira, de 12 anos. O livro trata de espiritualidade, de solidariedade. É uma coisa antiga que eu tenho comigo. A criança nasce pensando que é o centro das atenções e depois ela descobre que não é bem assim. Precisa aprender a compartilhar e a ter interesses comuns. O ser humano tem tendência a ser individualista. Então, esse livro tem a proposta de pensar em um mundo melhor juntos. De onde vieram esses valores tratados no livro? Valores fortes, tanto em casa como na escola, marcaram minha infância saudável de interior. Posso dizer que o colégio Marista é o segundo fator

mais importante da minha formação. Estudei lá desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Só saí quando fui para a Faculdade. O Marista sempre incentivou questões lúdicas, música, arte e esportes. Isso também ajudou muito na minha carreira. Eu passava quase todo o dia no colégio; participava da banda, do time de basquete e de futebol. Posso dizer que o meu primeiro time de futebol foi o do Marista. Um dos momentos mais marcantes no Colégio? Eu devia ter entre 9 e 10 anos, foi quando perguntei a um irmão o que era pecado. Ele me respondeu: “pecado é aquilo que você sabe que está errado mas você insiste em fazer”. Foi uma resposta diferente daquela que eu esperava. Não foi uma resposta religiosa, foi para a vida. Só depois de algum tempo é que fui entender realmente o que ele quis dizer. Isso me marcou muito. Relembrando seu tempo de criança, que mensagem você deixa aos alunos maristas? Que sejam curiosos em relação às questões da vida, dos valores. Que encarem sempre o aprendizado dentro de casa, na escola, como crescimento pessoal.

TURMA DO INFINITO, Editora Cosac Naify O livro conta a história de quatro crianças que se conhecem na escola e percebem que juntas podem fazer a diferença no mundo ao seu redor.


Prateleira ADOLESCENTES: QUEM AMA, EDUCA! Içami Tiba Editora Integrare Não está nada fácil para os pais e educadores lidarem com os adolescentes de hoje, muito mais informatizados, globalizados e independentes que os do passado, mesmo recente. Adolescentes precoces (tweens) e tardios (caronas) são produtos dessa galopante evolução tecnológica e social. A educação dos filhos é um projeto de vida com a finalidade de prepará-los para a ética e a felicidade, a autonomia comportamental e a independência financeira. QUEM INDICA: Mário José Pykocz, Diretor Educacional do Colégio Marista Paranaense

QUAL É A TUA OBRA? Mário Sergio Cortella Editora Vozes Depois do sucesso de "Não Nascemos Prontos" e "Não espere pelo epitáfio", Mário Sergio Cortella publica um texto envolvente sobre as inquietações do mundo corporativo. Neste livro o autor desmistifica conceitos e pré-conceitos, e define o líder espiritualizado, como aquele que reconhece a própria obra e é capaz de edificá-la, buscando incessantemente o significado das coisas. QUEM INDICA: Tânia Serafim Búrigo , Diretora Educacional do Colégio Marista de Cascavel

A CARTA DA TERRA A Carta da Terra é um documento que traz um conjunto de princípios e valores que nortearão a construção de uma sociedade global mais justa, sustentável e pacífica. Transformado em vídeo, ganha acesso ao público maior em várias versões. QUEM INDICA: Ana Lúcia Souto, Assessora Educacional da DERC – Diretoria Executiva da Rede de Colégios da PMBCS


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Solidariedade

Você faz parte desta história Conheça o trabalho da Rede Marista de Solidariedade na promoção e defesa dos direitos de crianças e jovens “Minha trajetória no Centro Social Marista Ecológica foi muito boa. No primeiro dia de aula a primeira impressão que tive foi: Que escola bonita! Mas, a partir daí, eu percebi que não era só uma escola bonita, e sim uma escola que se preocupava ao máximo com seus alunos. Como era essa preocupação? Quando a gente precisava de ajuda em algumas matérias, sempre tinha alguém pra nos auxiliar, tirar nossas dúvidas, e a equipe pedagógica é maravilhosa! (...). Mas a gente não aprendeu só história, geografia etc. Aprendemos também a filosofia marista, os valores, competências, que, com certeza nos preparou para enfrentar a sociedade. Com nossas habilidades adquiridas, com nossos valores, vamos exercer na sociedade uma solidariedade, uma amizade, que com certeza vamos levar para o resto da vida.”

Estados de atuação da Rede Marista de Solidariedade

DF

GO

MS SP

PR DF: 1 Centro Social;

SC

MS: 1 Centro Social; SP: 7 Centros Sociais; PR: 7 Centros Educacionais e Sociais, 4 ProAção e 1 Centro de Defesa; SC: 7 Centros Sociais.


Quem conta essa experiência é Matheus Henrique Alves, ex-aluno do Centro Social Marista Ecológica, em Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba, Paraná. Hoje, Matheus já terminou o Ensino Fundamental, mas continua ligado ao Marista. Por meio de um projeto em parceria com a organização internacional King Baudouin Foundation, ele recebe uma bolsa de estudos para dar continuidade à sua trajetória de estudante. Histórias parecidas acontecem em diversos espaços onde atua a Rede Marista de Solidariedade, seja nas capitais como Curitiba, São Paulo, Florianópolis, Brasília, ou em cidades das regiões metropolitanas e do interior dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. O comprometimento do Marista com as crianças e jovens está expresso no depoimento de Matheus. A proposta social e educativa prioriza a qualidade do aprendizado e as relações huma-

Educação Infantil

Biblioteca Interativa

nas. Para que isso aconteça no dia a dia, a Rede Marista de Solidariedade investe na formação dos profissionais e na produção e socialização do conhecimento, com vistas a favorecer processos de participação infantil e juvenil, o envolvimento da família e a cidadania, para a geração de oportunidades e vivência da solidariedade. A PROMOÇÃO DOS DIREITOS A Rede Marista de Solidariedade atua na promoção dos direitos das crianças e jovens, oportunizando acesso à educação de qualidade, seja na educação infantil, no ensino fundamental, na qualificação profissional, no apoio socioeducativo (oficinas de arte educação desenvolvidos no contraturno escolar), ou por meio de projetos da Biblioteca Interativa e ações voltadas para as famílias. São 23 Centros Educacionais e Sociais Maristas e 4 Programas de Ação Comunitária e Ambiental (ProAção), oportunizando o atendi-

Qualificação Profissional

Atendimento indireto 216 mil adolescentes, jovens e famílias

Apoio Socioeducativo Orientação Sociofamiliar e Socioeconomia Solidária

Ensino Fundamental Vida Feliz

Atendimento direto 10,5 mil adolescentes, jovens e famílias.


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Solidariedade

mento direto às crianças e jovens. Em outras frentes de atuação Marista, como na universidade e nos colégios, a promoção se efetiva por meio das bolsas de estudo. A DEFESA DOS DIREITOS A Rede Marista de Solidariedade atua na defesa dos direitos das crianças e jovens, ou seja, busca dar visibilidade às situações de violação desses direitos. Exemplo disso é o Centro Marista de Defesa da Infância, que desenvolve projetos com foco no controle social, produzindo informações sobre as realidades das crianças e jovens do Paraná, divulgando-as e realizando capacitações dos agentes que trabalham com esse público. Além disso, a rede desenvolve projetos de advocacy. A partir de suas práticas, avalia e sistematiza seus conhecimentos, participa e fortalece redes das áreas da educação, assistência social e direitos, desenvolve campanhas e busca incidir nas políticas públicas.

Para isso, participa de conselhos e fóruns municipais, estaduais e nacionais, com o objetivo de contribuir para mudanças que propiciem a crianças e jovens o exercício de seus direitos. PRESENÇA SOLIDÁRIA MUNDIAL A Rede Marista de Solidariedade compartilha das diretrizes da Fundação Marista para a Solidariedade Internacional (FMSI), que possui o status de organização consultiva das Nações Unidas (ONU). Por meio do FMSI, a Rede Marista de Solidariedade contribui com subsídios aos temas pautados pela ONU. REDE MARISTA DE COLÉGIOS E PARCEIROS Em quase todas as cidades onde há um Colégio Marista, existe também um Centro Educacional e Social. Parte da receita gerada pelos colégios por meio das mensalidades é aplicada na Rede Marista de Solidariedade. Além disso, a rede de colégios e rede de solidarieda-

de realizam ações em parceria no campo educacional e campanhas que contribuem para a promoção e defesa dos direitos de todas as crianças e jovens. Além dos recursos provenientes das mensalidades para potencializar e inovar projetos, a rede conta com parcerias com empresas, organizações da sociedade civil, Poder Público e pessoas físicas. VOCÊ TAMBÉM É RESPONSÁVEL POR ISSO As transformações promovidas por educadores, crianças e jovens que integram a Rede Marista de Solidariedade geram protagonismo, oportunidade e solidariedade. Você, pai e mãe de aluno ou aluna dos colégios Maristas, também fomenta e favorece essas transformações. Acesse www.solmarista.org.br e conheça os projetos maristas de solidariedade.


Essência

Herdeiros de um sonho

Ir. Franki destaca que, Irmãos, colaboradores e leigos, somos todos corresponsáveis pela obra iniciada por Champagnat

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ransformar a realidade a partir do que há de melhor nos corações e mentes das pessoas comprometidas com os valores humano-cristãos. Foi com esta missão em vista que os Maristas deram início a uma história que agora se aproxima dos 200 anos. Em 1817, Marcelino Champagnat fundava o Instituto Marista. Um visionário para a época, ele já tinha a certeza de que seria um árduo, mas gratificante trabalho. Os resultados de tanta dedicação ao longo de toda a sua vida hoje estão distribuídos pelo mundo e, como não poderia deixar de ser, em várias regiões do Brasil.

O País responde por 32% da presença Marista no mundo, atuando nas áreas de educação, saúde, solidariedade e comunicação. Leigos, colaboradores e Irmãos, são mais de 24 mil pessoas, que atuam como herdeiros de um sonho, o sonho de Champagnat, atendendo a mais de 200 mil crianças, adolescentes e jovens. “Viver isso é estar em total conexão com o sonho”, explica Ir. Franki Kleberson Kucher, Diretor do Setor de Comunicação e Imagem Institucional da Província Marista do Brasil Centro-Sul, em um bate-papo com a Revista Em Família. Confira a seguir alguns trechos dessa conversa. CONECTADOS COM O SONHO É como se fosse a experiência do primeiro amor de nossas vidas, o tempo passa, mas você não a esque-

ce. Seria como um ponto de partida, que te apaixona, move e dá sentido a tudo o que você faz. Quando você se perde ou, por vezes, perverte o sonho, você precisa voltar e focar novamente os seus esforços para a perpetuidade. Champagnat sonhou infâncias e juventudes cidadãs, pro-tagonistas e felizes; não podemos traí-lo – temos de dar continuidade a obra por ele iniciada. PORTA-VOZES DA MENSAGEM MARISTA Nossos esforços caminham no sentido de encantar pessoas para compartir dos mesmos propósitos. Esse princípio da transparência requer cuidados apurados para que sejamos fidedignos à causa Maris-ta sonhada por São Marcelino. Por meio da comunicação, traduzimos e ressignificamos para nossos diver-

sos públicos de relacionamento o que nos identifica enquanto continuadores desse legado. Em todas as nossas frentes apostólicas, somos portadores e porta-vozes da mensagem Marista. SOMOS CORRESPONSÁVEIS NA MISSÃO No meu entendimento, o sonho de Champagnat é um projeto de Humanidade. São corações ao alto, em total sintonia com a dádiva divina; e corações nas mãos, em disposição de oferta do melhor que podemos dar. Ser herdeiro é sentir-se parte e corresponsável pela construção desta obra de Deus, cuja necessidade ainda é premente em nossas realidades. Temos muito o que fazer para que o sonho continue lindo, encantador e transformador. Corações nas mãos, então.

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Inspiração

SUPERSEIDI Para ele, superação é uma tarefa diária Por Kely Cristine de Souza

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illian Seide Arake, o Seidi, como é conhecido e gosta de ser chamado pelos amigos e professores do Colégio Marista de Cascavel, é aluno Marista desde 2006. Hoje, com 10 anos, está no 5º ano do ensino fundamental. “Quando eu cheguei no Marista ninguém me conhecia, mas eu não fiquei com medo não. Hoje todo mundo aqui no colégio me conhece”, explica. Com nove meses de idade, Seidi teve o diagnóstico do neurologista de paralisia cerebral. O médico relatou à família que ele poderia apresentar uma deficiência mental, não falar e não andar. A partir desse diagnóstico foi iniciado um longo e contínuo tratamento multidisciplinar que dura até hoje. Para alegria de todos, Seidi se desenvolveu e continua em pleno desenvolvimento, superando a cada dia as dificuldades que aparecem. Embora possua dificuldade para se locomover, é uma criança como qualquer outra, adora

brincar, correr e se divertir. “Eu não consigo jogar futebol com meus amigos, então às vezes eles jogam basquete comigo, porque eu aprendi esse jogo. Na sala, durante as atividades, eu sempre me atraso para copiar e fazer as atividades, mas os meus amigos e as minhas professoras me ajudam e eu consigo terminar”, conta. O Colégio Marista de Cascavel realiza um evento esportivo todos os anos, a OLIMAR, onde as crianças competem em diferentes atividades, e Seidi é um dos orgulhosos participantes: “Eu me sinto muito feliz na

OLIMAR porque tem várias competições e todos os pais e as mães vêm torcer para os filhos. Eu também gosto muito de ganhar a medalha de participação. Eu não sou muito bom em alguns esportes, mas eu gosto de participar mesmo assim, porque todo mundo torce por mim." No último mês de julho, Seidi foi ao estado de Minas Gerais para realizar um novo exame em virtude de sua dificuldade visual e foi diagnosticado que ele possui a SINDROME DE IRLEN, que é caracterizada por sintomas de pressão nos olhos, dores de cabeça e distorção da imagem durante a leitura. A família dele já providenciou um óculos que foi enviado aos Estados Unidos para receber um tratamento especial nas lentes e permitir que ele possa superar mais essa dificuldade. Além disso, ele precisa ir pelo menos uma vez ao ano até Curitiba para fazer aplicação de botox nas pernas para que consiga movimentá-las. A escola é muito importante para qualquer criança, mas é ainda mais importante para a criança com deficiência. É na escola que a criança aprende a confiar em si mesma, percebendo que é capaz de realizar a maioria das atividades, mesmo levando um pouco mais de tempo.

Kely Cristine de Souza é assistente de marketing do Marista de Cascavel


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Diversão

Brincando juntos

Ensinamos uma experiência que você pode compartilhar em família. Garantia de diversão!

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m tempos de tantas mudanças virtuais, fica cada vez mais difícil acompanhar nossos filhos. Muitas vezes lembramos que, na “nossa época”, as famílias passavam mais tempo juntas porque ainda podiam participar dos jogos e brincadeiras das crianças. Hoje, ao tentar levá-las a uma das nossas brincadeiras, passamos por “antiquados”. Até mesmo ouvimos que é “chato” ou que “não tem graça”. Eles gostam de transformar, mudar, criar e recriar mundos fictícios, avatares, entre outros. Pensando nisso e nas dificuldades com os jogos preferidos dos nossos filhos, acabamos buscando na memória experiências ou brincadeiras que conhecemos e que possam despertar o interesse deles. Neste novo espaço da Revista Em Família, apresentaremos algumas atividades que podemos fazer junto com nossos filhos. Serão experiências ou jogos que fazíamos quando tínhamos a idade deles, proporcionando um momento de integração familiar e com muita diversão, é claro. A receita é básica e todos os materiais podem ser comprados em mercados ou farmácias. Esperamos que tenham gostado da nossa dica. Até a próxima!

CRIANDO CRISTAIS Estamos vivenciando nos colégios o Ano Internacional da Química. Com isso, tiramos do “baú” uma interessante experiência de transformação. Afinal, vamos ver quem consegue transformar pedras comuns em cristais? Vamos à receita para que vocês vivam juntos esta experiência: 10g de sulfato duplo de alumínio e potássio (alume); Um copo de vidro; Um palito de sorvete (limpo); Água morna; Linha; Pedrinhas pequenas e irregulares. Método: lave as pedras cuidadosamente em água corrente. Coloque no copo água morna suficiente para cobrir as pedras (mais ou menos 1/3 do copo). Junte o alume e mexa com o palito até o produto parar de se dissolver facilmente. Podem sobrar alguns grãos no fundo. Coloque as pedras no copo ou amarre como na figura. Você pode acrescentar corante e criar cristais coloridos.


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