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1ยบ SEMESTRE/2011

A magia

da leitura


www.oxfordporcelanas.com.br

COLEÇÃO 2011

ENRIQUE RODRIGUEZ


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Expediente

A marca marista está presente em 14 cidades do Rio Grande do Sul e Distrito Federal. São 24 colégios, alguns com trajetória centenária, educando mais de 17 mil estudantes.

COLÉGIOS MARISTAS PRESIDENTE DAS MANTENEDORAS: Ir. Inácio Nestor Etges. VICE-PRESIDENTE DAS MANTENEDORAS: Ir. Gilberto Zimmermann Costa. ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO E MARKETING DA MANTENEDORA: Rosângela Florczak, Alexander Goulart, Cleber Colares, Antonio Melchiades C. Santos, Diego Wander, Lidiane Ramirez de Amorim, Luiza Zaccaro, Marcelo Cordeiro, Márcio Bertuol, Eric Bauer, Roberto Winck, Marciane Görlach. ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO E MARKETING DOS COLÉGIOS: Aline Taciana de Castro, Anna Catarina Cruz da Fonseca, Bruna Provenzano, Bruno dos Santos Quevedo, Carolina Martin. Carolina Bender, Diogo Pedrotti, Évelin dos Santos, Fernanda Laguna, Gabriel Bessa, Gabriel Soares de Sá, Gisele Souza e Silva, Ingrid Bravo, Juliana Matos, Kassieli de Mello, Katiana Ribeiro, Nelson Vidal, Patrícia dos Santos, Renata Fagundes, Rodrigo Copetti, Rozecler Bugs, Sabrina Onzi, Sendi Spiazzi, Tiago Luis Rigo, Virginia Prux Reginato. COMISSÃO DE EDUCAÇÃO: Ir. Gilberto Zimmermann Costa, Simone Engler Hahn, Eliane Schultz, Patricia Saldanha, Mauricio Anony, Leticia Bastos Nunes, Viviane Truda, Adriana Filipetto, Maria Waleska Cruz. Endereço: Rua Ir. José Otão, 11 – Bom Fim Porto Alegre - RS - Brasil – CEP: 90035-060 Site: colegiomarista.org.br Fone: 0800-54-11-200

CAPA: Mateus Mera Barbosa FOTO: Caixa Mágica/Ribeirão Preto (www.caixamagica.com.br) PRODUÇÃO: Mayara Amaral Haudicho

COLÉGIO MARISTA APARECIDA Rua Ramiro Barcelos, 307 – Centro Cx.P. 212 - 95700-000 - Bento Gonçalves - RS Fone/Fax: (54) 3452 1022 COLÉGIO MARISTA JOÃO PAULO II SGAN – 702 – Cj. B – Av. W3 – Quadra 702 Norte 70710-300 - Brasília - DF Fone: (61) 3426 4600 – Fax: (61) 3326 3180 COLÉGIO MARISTA ROQUE GONÇALVES Rua Saldanha Marinho, 563 - 96508-001 Cachoeira do Sul - RS Fone: (51) 3722 2160 – Fax: (51) 3722 5285 COLÉGIO MARISTA MARIA IMACULADA Rua Visconde de Mauá, 545 Cx.P. 27 - 95680-000 - Canela - RS Fone/Fax: (54) 3282 1151 COLÉGIO MARISTA MEDIANEIRA Rua Valentim Zambonatto, 85 Cx.P. 177 - 99700-000 - Erechim - RS Fone: (54) 3522 1495 – Fax: (54) 3522 2902 COLÉGIO MARISTA PIO XII Av. Nicolau Becker, 182 - 93510-060 - Novo Hamburgo RS Fone: (51) 3584 8000 COLÉGIO MARISTA CONCEIÇÃO Rua Paissandu, 889 – 99010-100 Cx.P. 114 - 99001-970 - Passo Fundo - RS Fone: (54) 3316 2700 – Fax: (54) 3313 4100 COLÉGIO MARISTA ROSÁRIO Praça Dom Sebastião, 2 - 90035-080 Porto Alegre - RS Fone: (51) 3284 1200 – Fax: (51) 3284 1220 COLÉGIO MARISTA ASSUNÇÃO Av. Dom Bosco, 103 - 90680-580 Porto Alegre - RS Fone: (51) 3086 2100 COLÉGIO MARISTA CHAMPAGNAT Av. Bento Gonçalves, 4314 – Cx.P. 1429 90650-001 - Porto Alegre - RS Fones: (51) 3339 1436 / (51) 3336 9077 COLÉGIO MARISTA SÃO PEDRO Rua Álvaro Chaves, 625 – Bairro Floresta 90220-040 - Porto Alegre - RS Fone: (51) 3222 4996 – Fax: 3222 4598 COLÉGIO MARISTA IPANEMA Av. Coronel Marcos, 1959 – Ipanema 91760-000 - Porto Alegre - RS Fone/Fax: (51) 3086 2200 COLÉGIO MARISTA SÃO FRANCISCO Rua Doutor Nascimento, 577 96200-300 - Rio Grande - RS Fone: (53) 3234 4100 COLÉGIO MARISTA SÃO LUÍS Rua Marechal Floriano, 719 – 96810-000 Cx.P. 23 - 96900-970 - Santa Cruz do Sul - RS Fone/Fax: (51) 3713 8500 COLÉGIO MARISTA SANTA MARIA Rua Floriano Peixoto, 1217 – Cx.P. 531 97015-373 - Santa Maria - RS Fone: (55) 3222 2232 – Fax: (55) 3223 8150 COLÉGIO MARISTA SANTO ÂNGELO Av. Venâncio Aires, 971 - 98801-660 Santo Ângelo - RS Fone: (55) 3312 2140 – Fax: (55) 3312 4015 COLÉGIO MARISTA SANT´ANA Rua Bento Martins, 2015 – Cx.P. 525 97510-001 - Uruguaiana - RS Fone: (55) 3412 4288 – Fax: (55) 3412 5921 INSTITUTO MARISTA GRAÇAS Av. Senador Salgado Filho, 8326 94440-000 - Viamão - RS Fone/Fax: (51) 3492 5500 COLÉGIOS/ESCOLAS SOCIAIS COLÉGIO MARISTA SÃO MARCELINO CHAMPAGNAT Av. Nicolau Becker, 182 - Cx.P. 368 93301-970 - Novo Hamburgo - RS - Fone: (51) 3584 8000 - marcelino@maristas.org.br COLÉGIO MARISTA VETTORELLO Rua Dom Bosco, 103 - 90680-580 - Porto Alegre - RS Fone: (51) 3336 7402 – Fax: (51) 3086 2100 vettorello@maristas.org.br ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL MARISTA RENASCER Rua Irmãos Maristas Bairro Mário Quintana - 91250-330 - Porto Alegre - RS Fone: (51) 3366 2844 renascer@maristas.org.br ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL MARISTA TIA JUSSARA Rua Santa Rita de Cássia, 90 – Ilha Grande dos Marinheiros - 1920-690 – Porto Alegre - RS Fone: (51) 3203 1622 crechemar@maristas.org.br ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL MARISTA N. S.ª APARECIDA DAS ÁGUAS Rua N. S.ª Aparecida, 3144 Ilha Grande dos Marinheiros 90090-400 – Porto Alegre - RS - Fone: (51) 3203 1676 ESCOLA MARISTA SANTA MARTA Rua Irmão Cláudio Rohr, 150 – 97038-000 – Vila Pôr-do-Sol Cx.P. 171 - 97001-970 – Santa Maria - RS Fone: (55) 3212 5373 sec.santamarta@maristas.org.br

A Revista EM FAMÍLIA é uma publicação da Editora Ruah para a Rede Marista de Colégios, com distribuição dirigida aos pais e colaboradores. Visite o blog da revista e envie sua opinião: www.maristaemfamilia.com.br

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Primeira impressão por Ir. Gilberto Zimmermann Costa

A arte da A

leitura aproxima as pessoas. Permite conhecer e compreender ideias e sentimentos. Na leitura, encontramos informação, diversão, construção de novos conhecimentos e desenvolvimento do senso crítico. Por acreditar na força dialógica do texto e da imagem, os Colégios Maristas apresentam com grande alegria e satisfação um novo canal de comunicação: a revista Em Família. Informação qualificada sobre o que faz a diferença no dia a dia dos estudantes dos Colégios Maristas, reportagens especiais sobre assuntos de interesse das famílias e temas atuais em educação são os eixos da nova publicação. Não só informar, mas sobretudo comunicar, ou seja, fortalecer o diálogo, é o propósito da iniciativa, propor-

leitura

cionando um feliz encontro entre os elos mais importantes na formação das crianças e jovens: a escola e a família. Esta primeira edição traz como tema de capa o Mundo Mágico da leitura. Sem dúvida, esse mundo mágico tem o poder de proporcionar ao estudante a possibilidade de aprender a converter as palavras em ideias, imaginar o que não viu e mergulhar na situação emocional do personagem, provando diferentes sensações. Neste sentido, diversão, emoção e novas aprendizagens se materializam por meio da leitura. O desafio da leitura aumenta a habilidade de escuta, amplia a variedade de experiências, o que contribui para o desenvolvimento de aprendizagens significativas. Ou seja, auxilia a pessoa a

colocar-se frente às situações de modo autônomo além de criar novas alternativas de ser e estar no mundo. Ler é uma aventura que torna a educação uma via de inclusão social, de conscientização e de promoção da cidadania. A Em Família traz também outros destaques, como reportagem sobre a dinamicidade da figura feminina que assume diferentes papéis sociais, os novos jeitos de aprender presentes na escola, e muito mais! Boa leitura!

Ir. Gilberto Zimmermann Costa é Vice-Presidente das Mantenedoras e Coordenador da Comissão de Educação.

Os estudantes João Vitor, Marcela e Mateus divertem-se na sessão fotográfica para essa edição


Entrevista

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O (re)

descobridor Divulgação

do Brasil


Em entrevista à revista Em Família, Laurentino Gomes conta como transformou a história do Brasil num delicioso sucesso de vendas Luís Fernando Carneiro

“ESPERO, PELA LEITURA, AJUDAR A PROMOVER A VIDA DE OUTRAS PESSOAS, TANTO QUANTO MEUS PAIS FIZERAM POR MIM AO ME ESTIMULAR A LER E A ME INTERESSAR

O

Brasil foi descoberto em 1500, mas, de verdade, só foi inventado como país em 1808. Foi quando a família real portuguesa chegou ao Rio de Janeiro e transformou uma colônia atrasada e ignorante em uma nação independente. Nenhum outro período da história brasileira testemunhou mudanças tão profundas. Mas foi quase 200 anos anos depois que um jornalista resolveu contar essa história direito. Em 2007, Laurentino Gomes lançou “1808”, vendeu mais de meio milhão de livros e conquistou duas categorias do Prêmio Jabuti, Melhor Livro Reportagem e Livro do Ano de Não-Ficção. No ano passado foi a vez de “1822”, um relato detalhado sobre a Independência do Brasil, conquistar as prateleiras das livrarias e rapidamente os primeiros lugares em vendas. Mas como transformar a história do Brasil em um sucesso de público e crítica? Você vai perceber nessa entrevista que Laurentino Gomes concedeu à Em Família que a receita do seu sucesso gira em torno de uma grande história, um forte trabalho de pesquisa e uma sintonia verdadeira com o leitor.

PELA HISTÓRIA" Você sempre gostou de ler? Qual a influência da sua família nesse seu interesse por leitura? Meus pais eram cafeicultores pobres do interior do Paraná. Tinham poucos anos de estudo. Apesar disso, valorizavam muito a educação e, em especial, a leitura. Meu pai, que havia estudado só até o quinto ano primário, era um leitor voraz. Lia obras de História e Filosofia que tomava emprestadas ao pároco local, um homem bastante culto.

Mesmo vivendo em uma região distante e carente de tudo, meus pais conseguiram criar condições para que todos os quatro filhos completassem o curso superior. Tenho muito orgulho das minhas origens, o que também reforça em mim um grande senso de missão como escritor. Espero, pela leitura, ajudar a promover a vida de outras pessoas, tanto quanto meus pais fizeram por mim ao me estimular a ler e a me interessar pela história.


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Entrevista

"ESTAMOS EM UM NOVO SÉCULO QUE PEDE UMA NOVA LINGUAGEM E NOVOS FORMATOS CAPAZES DE ATINGIR NOVAS AUDIÊNCIAS OU NOVOS PÚBLICOS."

Algum dia nos seus sonhos você imaginou ter um best-seller sobre história? Nunca imaginei que livros de História do Brasil pudessem ter uma repercussão tão grande. Ainda hoje me surpreendo com a reação dos leitores. Recebo dezenas de e-mails todos os dias, nos quais fazem elogios, sugerem temas para futuras obras e pedem que eu não pare de escrever. Um livro tem grande poder de transformação. E o primeiro alvo da mudança geralmente é o próprio autor. Minha vida mudou bastante desde que lancei o “1808”, em 2007. Hoje passo boa parte do meu tempo lendo, pesquisando ou viajando pelo Brasil para dar aulas, fazer palestras e participar de sessões de autógrafos e bate-papos com os leitores. E confesso que nunca estive tão feliz. O reconhecimento e o contato com os leitores tem funcionado como um elixir da juventude para mim. Sinto-me renovado e com muita energia para me dedicar aos futuros livros. Conhecer a sua própria história pode mudar o presente e o futuro de um país? O estudo de História é fundamental para a construção do Brasil do futuro. Uma sociedade que não estuda História não consegue entender a si própria, porque desconhece as razões que a trouxeram até aqui. E, se não consegue entender a si mesma, provavelmente também não estará preparada para construir o futuro de forma organizada e estruturada. É quase impossível compreender o Brasil de hoje sem estudar a vinda da corte de D. João para o Rio de Janeiro e a influência decisiva que esse acontecimento teve na Independência, em 1822. Eu diria que todas as nossas características nacionais, todos os nossos defeitos e virtudes, já estavam presentes lá.

Livros são também importantes para quem já saiu da escola há bastante tempo? Ler é uma das formas mais agradáveis e prazerosas de aprender. Quem lê consegue ir além dos limites da própria vida, porque amplia seus horizontes com a experiência dos outros. Ao ler um romance de Machado de Assis, por exemplo, nós somos transportados para outro lugar e outro tempo, no Rio de Janeiro do final do Século 19, distante da nossa realidade de hoje. Conseguimos, portanto, ter uma experiência de vida anterior à época em que nascemos. No caso dos livros de História do Brasil, pode haver também um benefício de natureza psicológica relacionado à forma como nos identificamos em relação ao nosso país. Hoje os brasileiros convivem com um sério problema de autoestima. O estudo de História mostra que o Brasil não é pior nem melhor do que qualquer outro país. É apenas diferente, porque as nossas raízes são diferentes. O que significa que o nosso futuro provavelmente também será diferente. Qual o segredo para tornar a história do Brasil atrativa para o leitor comum? Procuro sempre observar os personagens e acontecimentos com os olhos de um leitor adolescente ou um adulto mais leigo, não habituado a ler sobre História do Brasil. Se esse leitor conseguir entender o que eu tento explicar, todos os demais também entenderão. Eu leio muito sobre o assunto, pesquiso documentos e visito os locais em que as coisas aconteceram dois séculos atrás. Apesar da distância no tempo, esses lugares ainda guardam hoje muita informação para quem tiver o olhar atento. Também procuro orientação adequada logo no início do projeto. Por fim, ao escrever, tento ser o mais


Qual a melhor maneira de se olhar para a História do Brasil? Infelizmente, a História do Brasil é muito contaminada por dois tipos de deturpações. A primeira é a chamada História oficial, que se esforça em fazer em celebração épica dos heróis e acontecimentos, como se eles tivessem construído ou dado origem a um Brasil melhor do que o que vemos hoje nas ruas, esquinas, morros e favelas. É uma visão da história que predomina especialmente em período de ditaduras, como no ensino nas disciplinas de Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Educação Moral e Cívica durante o regime militar de 64. A segunda deturpação é marcada por uma tentativa de desconstrução dessa História oficial. São livros, filmes e minisséries que banalizam os fatos e personagens, como se pertencessem a um Brasil viralatas indigno do seu passado. É o que se vê, por exemplo, no filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, de Carla Camurati, e na série de televisão “Quinto dos Infernos”. A verdade, como sempre, está no meio. O que procuro mostrar nos meus livros é que a História do Brasil tem, sim, personagens engraçados, pitorescos e caricatos, como D. João VI e Carlota Joaquina, mas não se resume a isso. Você acredita que por conta de "Harry Potter", "Crepúsculo", "Lua Nova" os jovens acabam sendo portas de entrada

interessantes para livros mais densos? Eu não tenho qualquer preconceito contra esses livros. Ao contrário, acho que uma forma de estimular a leitura numa faixa etária que, aparentemente, não está lendo tanto quanto deveria. A melhor forma de criar novos leitores é associar a leitura a uma atividade prazerosa. Por isso, melhor começar com Harry Potter do que forçar uma criança ou um adolescente a ler obras como as de Machado de Assis mediante o risco de passar ou reprovar num exame. O risco, nesse caso, é afastá-la para sempre dos livros. Se o estudante entender que ler é sinônimo de prazer, no futuro provavelmente se interessará também por essas obras mais complexas e sofisticadas do ponto de vista literário. Você deu um passo à frente ao entender que os leitores precisavam de uma nova linguagem. Qual é o papel da escola diante dessa nova realidade? Tenho observado uma mudança na atitude dos professores e das escolas em geral. Estão mais empenhados em usar uma linguagem acessível aos estudantes e, no caso da História, uma narrativa mais equilibrada dos acontecimentos do passado. Isso é muito bom. O Brasil vive um momento de mudanças com a redução do números de pessoas que viviam na pobreza absoluta e o crescimento das classes “B” e “C”. Significa que estamos, finalmente, conseguindo distribuir renda, emprego, saúde, educação e outras oportunidades. Há novos consumidores, novos leitores e novos estudantes participando desse processo de ascensão social. Temos de ser generosos com eles produzindo livros, aulas e material didático acessíveis na linguagem. O uso de uma linguagem mais didática e acessível é

Divulgação

claro e didático possível na linguagem. Também me esforço para misturar na narrativa elementos pitorescos e bem humorados com uma mergulho mais profundo das situações que descrevo. Acho que ninguém precisa sofrer para estudar História.

uma forma de democratizar e ampliar o conhecimento no Brasil. O que pensa dos e-books? Os escritores têm de estar atentos a novos formatos? O futuro do livro e o futuro do papel são coisas diferentes. O formato papel parece estar mesmo com seus dias contados, mas o conteúdo dos livros continuará a ser tão relevante quanto sempre foi. A República, de Platão, que já foi uma obra prima no pergaminho, permanece relevante hoje no papel e continuará a ser nos meios digitais. Nosso desafio, portanto, não é a mudança nos formatos, mas a qualidade do conteúdo. Estamos em um novo século, que pede uma nova linguagem e novos formatos capazes de atingir novas audiências ou novos públicos. Há um público jovem que, aparentemente, não está lendo muito no papel, mas passa boa parte do tempo surfando na internet e é muito seduzido pela linguagem audiovisual. Por essa razão, daqui para frente nós – jornalistas, escritores, professores, historiadores, produtores de conhecimento de forma geral – precisamos ter estratégias multimídia para atingir diferentes públicos.


Capa

A magia da leitura

Uma boa notícia. Os livros não vão acabar justamente porque só eles permitem a adultos e crianças recriar histórias, viajar por mundos reais e imaginários e serem protagonistas em um mundo que insiste em colocá-los como espectadores

Caixa Mágica/Ribeirão Preto

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Marcela e João Vitor


s vezes, antes do café da manhã, eu já acreditei em mais de seis coisas impossíveis.” A frase é de Alice e a invenção linguística está no famoso clássico de Lewis Carroll. Entretanto, o que se apresenta de uma forma simples e despretensiosa, talvez seja a grande chave para definirmos a magia da leitura. Ler nos dá a possibilidade de acreditar no impossível, de encontrar nas histórias de Monteiro Lobato um caminho para uma vida melhor, com bonecas que ganham vida, num ambiente que alimenta as travessuras das crianças de todas as idades. Entrevistamos muitos alunos maristas para compor essa reportagem e o melhor foi perceber que a maioria deles sabe muito bem o que quer quando toma um livro nas mãos: viajar. Curiosamente, essa geração cercada de tecnologia tem as mesmas expectativas que nossos avós quando o assunto é literatura. Eles querem embarcar em um mundo de sonhos, de conhecimentos reais e imaginários, de fantasia; desejam dar um tempo no corre-corre diário que violenta a criatividade e a paz. Em resumo: para Mateus Mera Barbosa, João Vitor Zeviani Monteiro de Barros e Marcela Marques Cilento, que aparecem nas fotos desta matéria, ler é uma forma incrível de se relacionarem com autores de todas as épocas e de construírem em suas mentes os cenários e os detalhes de cada obra. Num filme isso não é possível. Ali, tudo já vem processado, os vestidos têm cores certas e as expressões são fruto do talento dos atores e diretores. Quem lê um livro é livre para (re)criar. A escola é, portanto, um ambiente que deve investir em espaço adequado, em acervo que conta com obras literárias clássicas, modernas e contemporâneas, de modo a se tornar a estação ideal para que esse embarque aconteça. A família é outra estação fundamental. Por esse motivo, convidamos para um bate-papo a escritora e mãe de aluno marista, Liana de Camargo Leão, também professora de Literaturas de Língua Inglesa na Universidade Federal do Paraná, doutora pela USP e mestre pela UFPR e pela UFRJ. Ela aposta que a leitura em voz alta e a conversa em torno do livro são fundamentais para construir pontes entre pais e filhos. “A leitura compartilhada desenvolve a arte da conversação em família, é momento propício para se discutir valores, desenvolver o vocabulário e o pensamento abstrato”, explica. Confira trechos dessa conversa com a escritora.


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Capa

A INFÂNCIA FOI ENCURTADA? A infância é um período curto, hoje ainda mais encurtado por um “adolescer” precoce: as crianças são muito cedo intimadas a entrar no mundo do erotismo e do consumo. Mais do que nunca é preciso recuperar a magia das rimas, das cantigas de roda, dos contos de fada e da literatura. LINGUAGEM COMO FORÇA CRIADORA É no periodo da infância que a criança vive a linguagem como força criadora: “Mãe, tô apertada. Quero ir ao vaso solitário.” O mesmo tipo de invenção linguística está em Lewis Carroll (18321898), o autor de "Alice no País Das Maravilhas": “Às vezes, antes do café da manhã, eu já acreditei em mais de seis coisas impossíveis.” Carroll propôs deliciosos neologismos: “Me deram como presente de des-aniversário". [em inglês, “un-birthday present”.] Na abertura de Alice, Carroll convida o leitor a passar ao mundo do faz-de-

"A LEITURA PERMITE QUE NOSSAS EXPERIÊNCIAS DE VIDA SEJAM COMPARTILHADAS E É FUNDAMENTAL PARA QUE AS CRIANÇAS PERCEBAM QUE AS SUAS EXPERIÊNCIAS, COMO CRESCER, SE APAIXONAR E ENFRENTAR DIFICULDADES TAMBÉM PODEM SER PARTILHADAS."

conta: Alice segue o Coelho Branco que carrega um relógio no bolso do colete e está muito atrasado: “Ai, ai, ai! Vou chegar atrasado demais!” Hoje, somos como o Coelho Branco de Alice: atrasados, apressados, correndo atrás do tempo, um tempo que nos escapa, um tempo do qual nos queixamos sempre e que não nos permite ler. FALANDO EM TEMPO, QUAL É O TEMPO PARA A LEITURA? Entre as mais frequentes queixas das mães quanto à educação dos filhos está a de que eles preferem vídeo-games e televisão ao livro. A ausência do livro na vida das crianças reflete a ausência do livro na vida dos pais. Os pais alegam falta de tempo para leitura. Ler requer tempo, requer disponibillidade, mental e emocional. E tempo é questão de prioridade. Em uma época de excesso de informação e excesso de oferta de produtos, o ser humano passa a ser definido como “espectador” e “consumidor”. São roupas, ipods, ipads, celulares, aparelhos eletrônicos que nos atraem com a promessa de definir nossa subjetividade e suprir nossas insatisfações. Entramos no mundo do descartável, dos objetos-símbolos que terminam por criar em nós um vazio permanente. O tempo do consumo é contínuo; e nos consome. É um tempo acelerado que nos atropela: consome a nossa noção de identidade, nos encolhe, nos diminui. O tempo da leitura é, ao contrário, um tempo que expande o ser humano. É também um tempo de recolhimento, de introspecção, de mergulho para dentro, de diálogo consigo mesmo, um tempo de formação do acervo pessoal, de nossa biblioteca interna.


"O TEMPO DA LEITURA É UM TEMPO DE RECOLHIMENTO, DE INTROSPECÇÃO, DE MERGULHO PARA DENTRO, DE DIÁLOGO CONSIGO MESMO, UM TEMPO DE FORMAÇÃO DO ACERVO PESSOAL, DE NOSSA BIBLIOTECA INTERNA."

A LEITURA É UMA PROTEÇÃO CONTRA O EXCESSO DE ESTÍMULOS? Com certeza. Freud sugere que a proteção contra estímulos é uma função quase mais importante do que a recepção dos estímulos. Desenvolver a linguagem, a capacidade linguística de expressar o pensamento e assim possibilitar a criação de uma ponte entre a experiência intelectual e a experiência emocional para poder construir linguisticamente a própria história, o próprio relato e refazêlo a cada baque, quando a vida for nos marcando, nos torcendo: isso me parece essencial à formação de uma subjetividade sadia, capaz de superar conflitos e de auxiliar o outro no enfrentamento e na superação de etapas. Desenvolver a empatia e aprender o caminho entre emoção e intelecto são efeitos colaterais da leitura. A leitura permite que nossas experiências de vida sejam compartilhadas e é fundamental para que as crianças percebam que as suas experiências, como crescer, se apaixonar e enfrentar dificuldades também podem ser partilhadas. EDUCAR NÃO É TERCEIRIZAR Administrar é delegar tarefas e cobrar resultados. Não sei se o modelo é adequado quando se trata de criança, de afeto, de leitura, de educação. Como

delegar a tarefa de compartilhar o dia-a-dia com os filhos? Será que só os professores, psicólogos, babás, personagens de tevê e de videogame podem popular a vida dos nossos filhos? A principal “conversa” de uma criança será com a televisão? A leitura em voz alta e a conversa em torno do livro constroem pontes entre pais e filhos. A leitura compartilhada desenvolve a arte da conversação em família, é momento propício para se discutir valores, se desenvolver o vocabulário e o pensamento abstrato. E O FUTURO DO LIVRO? Vivemos uma mudança nos hábitos de leitura: o livro digital, mais fácil de produzir e distribuir, ecologicamente correto, e, em breve, também mais barato. Na escola isso significará muito menos peso na mochila! E dá para fazer anotações, apagar anotações, aumentar a letra, etc. Quando a gente fala em futuro do livro, pensa em futuro do livro de papel. Mas o livro eletrônico é o futuro do livro. O que importa é o conteúdo e, é claro, a possibilidade de acesso. O livro eletrônico traz acesso instantâneo.

Liana Leão: “O livro é a casa que abriga a cabeça da gente”

Entre os livros de Liana Leão estão: "Shakespeare, Sua Época e Sua Obra"; "O Livro das Casas"; "O Livro dos Pés"; "Dona Salete de Copacabana e Seus Amigos de Estimação", em co-autoria com Luiz Otávio Leão; “Julieta de Bicicleta"; "Diferentes: pensando conceitos e preconceitos"; "A caixinha de narizes", em

Mais: Confira no blog da Revista Em Família uma

co-autoria com sua filha

reportagem completa sobre o futuro da literatura

Anna Beatriz.

e os livros digitais. www.emfamiliamarista.com.br


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Perfil

Brilho nos olhos O

ex-aluno marista Marcelo Beltrão de Almeida é um devorador de livros. Formado pela PUCPR em Engenharia Civil, acionista do Grupo CR Almeida - um dos maiores grupos empresariais brasileiros - é ex-deputado federal. Com uma carreira tão extensa, apesar de ter apenas 44 anos, Almeida é mais conhecido por ser um grande incentivador da leitura. Na Câmara dos Deputados, foi o criador e presidente por três anos da Frente Parlamentar Mista da Leitura, que colocou os assuntos de incentivo ao livro e à leitura na pauta política nacional. Em Curitiba (PR), criou o programa “Conversa entre amigos”, no qual mais de mil participantes leem uma mesma obra e depois participam de encontros para discutir o livro. O programa já contou com as participações de escritores importantes, como Laurentino Gomes, Caco Barcellos, Cristóvão Tezza, Domingos Pellegrini, Miguel Sanches Neto e Roberto da Matta.

Como você descreve a magia de ler? Para mim, ler é sempre uma viagem. Conheço muitos lugares em diferentes partes do mundo, não apenas porque sempre viajei, mas porque leio bastante. Para mim, ler é viajar sem sair do lugar. A leitura proporciona à nossa mente a possibilidade de estar em todos os lugares descritos nos livros. E a magia está quando visitamos fisicamente um lugar descrito em um livro que já lemos! Isso acontece sempre comigo. Essa relação do livro com a realidade é encantadora e cativante! De onde vem sua paixão pelos livros? Aprendi a amar os livros com a minha mãe e meu avô. Aprendi com eles o prazer da leitura e não a obrigação de ler. Isso muda tudo na vida da gente! A criança ou adolescente que só lê por obrigação imposta pela escola nunca vai desenvolver o gosto pela leitura. Por isso, nós – pais, tios e avós – temos a grande tarefa de mediar a leitura com nossos filhos, sobrinhos e netos, desenvolvendo neles o gosto pela lei-

tura. Na minha época, a internet e a televisão não competiam com a leitura no quesito entretenimento, o que tornava mais fácil essa tarefa para minha mãe e meu avô. Hoje, creio que o nosso maior desafio nessa área é orientar crianças e adolescentes a buscar bom conteúdo na internet. O meio pode ter mudado, mas a mediação da leitura ainda se faz necessária dentro de casa. No ano passado, ainda como deputado federal, você solicitou ao ministro da Educação, Fernando Haddad, que a leitura fosse incluída na pauta de prioridades de ações do ministério para este ano. O que falta para o Brasil investir mais em leitura? Falta muita coisa! Mas, na área educacional, o primeiro passo tem que ser dado com os professores e não com os alunos. Temos que fazer com que os nossos professores sejam, primeiro, leitores para depois pedir para que eles estimulem a leitura em seus alunos. Nos últimos anos, em razão das atividades que promovo de leitura, tenho encon-

trado muitos professores que não leem, que declaram publicamente que não gostam de ler. Como um profissional desses poderá formar novos leitores? Nos tempos de Marista você lembra de alguma obra ou atividade que o marcou nesse sentido da literatura? O colégio era como a extensão da minha casa. Morava quase do lado! Éramos adolescentes agitados pela idade e pela mudança do ginásio para o científico. Não lembro mais o nome dela, mas tinha uma professora de Português que quando falava sobre um livro, seus olhos brilhavam! Esse era o mesmo encantamento que eu via no meu avô, em casa. Não tenho lembrança específica sobre algum momento marcante, mas essa sensação de estar em casa, de encontrar na escola o mesmo ambiente que eu tinha em casa, no que se referia à leitura, é uma sensação que guardo até hoje!

Mais: Quer conhecer o programa conversa entre amigos? Então acesse o site www.conversaentreamigos.com.br


Dia a dia

Até para as

supermulheres, elasticidade tem limite Como a elástica Senhora Incrível, as mulheres se desdobram para cumprir vários papéis. Mas é preciso cuidado: sabemos o que acontece quando esticamos demais um elástico...

Divulgação

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Maria Sandra Gonçalves

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elena é mulher bonita, dedicada a cuidar da casa, dos três filhos e do marido Roberto, que vive se queixando dos problemas de trabalho. Você certamente já foi apresentado à história dessa heroína. Como? Não achou a vida dela muito heróica? Pois Helena é ninguém menos que a Mulher Elástica, aquela que no filme “Os Incríveis” se vê forçada a abrir mão da vida pacata e da

superproteção das crianças para salvar o marido e o planeta das armas do malvado Síndrome. Na vida real a mudança de papéis não é assim tão visível. As Helenas do nosso dia a dia vão usando suas habilidades sem fazer muito alarde. Mesmo que não estejam de uniforme vermelho e máscara no rosto, as mulheres precisam mesmo de muita elasticidade para

conciliar a vida doméstica, os cuidados pessoais, a atenção aos filhos e – em muitos casos – a dedicação ao trabalho. Cada uma tem seus segredinhos para dar conta de tudo. E, ao contrário do que aconteceria no cinema, nós podemos revelá-los. Eles se resumem à busca do equilíbrio. Equilíbrio no trabalho, pois, mais que presentes materiais, os filhos que-


Números incríveis

A presença feminina na população economicamente ativa (PEA) é maior que a dos Homens, 17% comparando com os 13% masculinos. Já a participação feminina com nível superior ultrapassou a masculina e é de um pouco mais de 54%. Em 2010 a taxa de mulheres que trabalham com carteira assinada aumentou para 44%, em 2000 essa taxa era de 33%. As mulheres ocupam quase 22% dos cargos elevados (presidência, gerência...) no Brasil. A participação das mulheres no mercado de trabalho desde a década de 70 ao ano 2000 subiu de 17 para 35%. Fonte: IBGE (ibge.gov.br) e Rede Brasil Atual (www.redebrasilatual.com.br)

"AS HEROÍNAS TAMBÉM FALHAM. DÊ A SI MESMA O DIREITO DE APRENDER E PROGREDIR COM SEUS ERROS."

rem – e merecem atenção – com essa máxima em mente, fica mais fácil decidir entre assumir tarefas extras ou voltar mais cedo para casa. Afinal, a promoção que permite comprar uma casa na praia também rouba muitas horas de convivência familiar. Ponha tudo na balança e veja o que vale mais a pena. Os sábios alertam: “dinheiro perdido dá para recuperar; tempo perdido jamais”. Equilíbrio na divisão de tarefas. Toda Mulher-Elástico pode atuar melhor com o apoio do Sr. Incrível. Ou seja, as mulheres podem – e devem – compartilhar as tarefas com seus companheiros. Quando os dois estão

sobrecarregados, é preciso encontrar soluções simples para que toda a família viva em harmonia. Quer um exemplo? Você adora levar as crianças para a escola, mas, para isso, enfrenta um estresse diário e deixa o trabalho atrasado. De quebra, vive se perguntando por que essa tarefa cabe somente a você. Resultado: a ida para a escola (ou a volta) se transforma em um momento de tensão. Que tal mandar seus filhos de transporte escolar e se organizar melhor para dar atenção a eles em casa? Sem a pressão do trânsito e dos horários, as chances de boa convivência entre pais e filhos aumentam muito. Na vida pessoal, o bom senso também deve ditar as regras. É muito saudável cuidar da aparência e da saúde, mas se as visitas ao salão de beleza são sempre mais sagradas do que as situações em que sua presença é requisitada na família, alguma coisa está errada. O equilíbrio também se aplica a autoavaliação. A autoindulgência exagerada é um erro, mas culpar-se por tudo traz resultados ainda piores. Sabemos bem o que acontece se o elástico for esticado demais. Não deu para ir à reunião do colégio? Paciência. Marque um horário particular com a professora. Exagerou na dose ao chamar atenção dos filhos? Peça desculpas. As heroínas também falham. Dê a si mesma o direito de aprender e progredir com seus erros. Se a angústia aparecer, esqueça as soluções incríveis e vá pelo caminho certeiro: procure alguém com um ombro amigo e disponibilidade para ouvir um desabafo. Maria Sandra Gonçalves é jornalista e mãe dos alunos maristas Daniel e Mariana.


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Olhar

por Fabrício Carpinejar

Felicidade

não tem fim, tristeza sim

Quando não era pai, o riso pedia um motivo. Uma função. Uma explicação. A piada tinha que ser muito engraçada. Hoje a vida é mais engraçada do que a piada

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eus filhos nunca perguntam: por que está triste? Eles me fazem feliz antes de perguntar. Só passei a rir à toa depois da paternidade. Rir por nada mesmo. Rir porque vejo meu filho desenhando uma casa com pernas ou reparo no modo como ele segura o garfo, igual à avó. Ou observando a concentração da filha diante da televisão ou seu bocejo esquecendo a proteção das mãos. Quando não era pai, o riso pedia um motivo. Uma função. Uma explicação. A piada tinha que ser muito engraçada. Hoje a vida é mais engraçada do que a piada. Ao largar a pasta do trabalho, há um alívio de que serei abraçado pelos filhos até ser derrubado. Levantarei as pernas para cima, desistindo das reservas. Meu riso dá cambalhotas sem colchão. Eu recebo diariamente pilhas de livros. Poderia confessar que felicidade é permitir que o Vicente abra os pacotes e me conte os títulos. Ele fica alucinado em ajudar. Mas os livros foram se espalhando, tomando os corredores. A esposa me advertia do avanço do escritório pelas peças. Tomei jeito e resolvi pedir novas estantes. Garantiria folga momentânea do problema e o filhote

seguiria rasgando os envelopes. O marceneiro chegou, amaciado de sotaque espanhol. Expliquei o que desejava e fui para minhas atividades. Não cessava de falar enquanto encaixava os parafusos. – Em que você trabalha? – Sou escritor e professor. – Professor de onde? – Da Unisinos... – Ah, a Unisinos, minha filha estuda lá, no curso de Letras, ela é aplicada. (Neste momento, vi que ele apenas encontrava um motivo para falar da filha. Achou o sinal do petróleo e não cessaria sua perfuração.) – Que bom, parabéns... – Não, parabéns para ela, que não puxou o pai e se dedicou a estudar. Quando olho para minha filha, me sinto realizado. Tudo o que passei na vida não teve borracha. – Não teve borracha? – Pai não apaga nada que viveu depois dos filhos. Não põe fora nem um desenho... Eu freei uma gargalhada desavisada. Na última semana, fui ao lançamento de um livro de alunos da Unisinos. Quando me escorei para pedir um autógrafo,

Teresa, uma das autoras, me encarou: – Põe esse livro na sua estante. – Sim, vou colocar. – Na estante de meu pai. – Como? – Ele fez sua biblioteca. Tenho orgulho dele. Me ensinou a escrever e nem sabe. O lápis que ele usava na orelha para medir a altura das paredes, sua filha pegou para escrever e alargar as palavras. Felicidade é quando o filho coincide com o pai e a mãe – e nenhum deles precisa ter consciência disso.

Fabrício Carpinejar é poeta, autor de Meu Filho, Minha Filha (Ed. Bertrand Brasil, 2007), entre outros livros


Novos jeitos de aprender Novos tempos exigem da escola novos jeitos de ensinar e de despertar o gosto pelo aprender. Mais do que encontrar novos recursos e práticas, o desafio da educação contemporânea é ir ao encontro da criança e do jovem, entender o seu mundo e fazer parte dele.


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Maristas em rede

No meio do caminho, havia o Ensino Médio

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tapa intermediária da vida do estudante, o Ensino Médio – conclusão da Educação Básica e ingresso no ensino superior ou técnico – tem sido alvo de muita discussão e estudos nos últimos anos no Brasil. Ora com foco na qualidade do currículo e avaliação da aprendizagem, ora buscando compreender como despertar interesse do adolescente / jovem em fase marcada por mudanças em todas as dimensões: física, emocional, psicológica e espiritual. Nos Colégios Maristas não tem sido diferente. Formação continuada de professores, qualificação dos espaços

da sala de aula, incrementos tecnológicos e projetos inovadores buscam manter a atenção e a qualidade do processo educacional dos adolescentes. Foi no ambiente marista que, há mais de 30 anos, ocorreu a primeira experiência de Terceirão no Rio Grande do Sul. Com carga horária ampliada e revisão de conteúdos, o Marista Rosário inaugurou uma modalidade que seria amplamente adotada nas escolas privadas. De lá para cá muito se fez para continuar melhorando a proposta de Ensino Médio. Hoje, para formar o adolescente / jovem que vive em um tempo de escolhas cada vez mais amplo e diversificado, contribuindo para que saia da escola pronto para exercer com maturidade as suas opções, preparando não só no aspecto acadêmico, mas também pessoal, o desafio que se coloca é ainda maior. O trabalho desenvolvido pelos Colégios tem recebido reconhecimento. No Prêmio Marcas de Quem Decide, realizado pelo Jornal do Comércio, os Colé-

gios Maristas aparecem como líderes na preferência dos entrevistados na categoria Ensino Médio há oito anos consecutivos. Para continuar oferecendo uma educação diferenciada neste nível de ensino, a instituição aposta em projetos de formação para liderança, orientação vocacional e profissional, revisão do conteúdo acadêmico para preparar para os vestibulares e ENEM, apoio na formação pessoal e coletiva, entre outras atividades, programas e projetos. É preciso também considerar outro importante desafio que surge: a articulação entre os saberes, numa perspectiva interdisciplinar. As escolas maristas se reorganizaram para trabalhar projetos que contemplem as grandes áreas do conhecimento: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias; Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias. Os Colégios Maristas têm respondido positivamente aos novos desafios. Um dos destaques é o Projeto Contextura, do Instituto Marista Graças, em Viamão. Buscando a religação dos saberes, o projeto vem se destacando entre as escolas do Estado como um excelente exemplo de renovação do Ensino Médio.


Diz aí

Qual a sua relação com a internet? A tecnologia veio para somar. Há anos discutimos sua interferência na sociedade e, em especial, na vida das crianças e dos jovens. Conversamos com alguns estudantes maristas para saber qual a relação deles com a tecnologia, e se ela ajuda ou atrapalha na hora dos estudos. Confira algumas respostas!

Tenho uma relação saudável. Sem excessos, sem deixar que a tecnologia atrapalhe a minha vida ou a minha convivência com as pessoas. Procuro ter cuidado ao buscar qualquer tipo de conteúdo, sabendo que muitos deles podem não ser válidos, atrapalhando meus estudos e minha capacidade de raciocínio. A família tem importância quando se trata de internet. Quando tenho dúvidas, recorro aos meus pais; nas redes sociais, tenho cuidado e eles sabem com quem me relaciono. Obviamente, também tem o seu lado ruim. Ela pode dar ao aluno a ideia de que tudo é fácil, fazendo com que ele deixe de fazer sua própria análise, ou seja, paramos de pensar para copiar. Mas se o estudante tem vontade de aprender, e se questiona sobre diversos assuntos, a internet só tem a ajudar.

Como todo jovem, tenho uma relação muito ampla com a tecnologia, que vai do entretenimento ao estudo. Acredito que a internet seja a tecnologia que mais pode auxiliar em termos de pesquisa de dados, ou obtenção de outras informações, pois é aberta para todos, tratando de assuntos de qualquer área. Porém, ao mesmo tempo em que temos o trabalho facilitado por essa ferramenta, devemos estar atentos a sua confiabilidade, já que não há maior controle em qualquer site. Sugiro que a internet seja apenas um auxílio aos estudos, e não a base, pois devemos, também, estar preparados para pesquisas bibliográficas e documentárias, que além de garantir uma informação segura, estimula o raciocínio e consequentemente fixa o conhecimento de forma eficiente e natural.

Em relação aos estudos, acredito que a internet só ajuda, pois além das pesquisas para trabalhos, sempre aprofundo os conteúdos que vimos em aula. Quando tem trabalho em grupo, marcamos reuniões pelo MSN, cada um faz a sua parte e depois juntamos tudo. Agiliza e não tem aquela necessidade de reunir todos em um mesmo lugar. Mas claro que tudo em excesso é prejudicial. Acredito que quando se passa muito tempo na frente do computador, a gente pode perder o foco nos estudos, deixar de fazer outras atividades como ir à academia, por exemplo, pois atividade física também é importante. Também percebo que as amizades são superficiais na internet, pois como estamos online o tempo todo, os amigos até param de te procurar.

Júlia Mader – 1° ano do Ensino Médio

João Benhur B. Müller – 2º ano do Ensino Médio

Colégio Marista Rosário, Porto Alegre

Colégio Marista Medianeira, Erechim

Colégio Marista Champagnat, Porto Alegre

Taylene Moreira de Sá – 3º ano do Ensino Médio

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Ponto de vista


A aventura do conhecimento Douglas Pereto

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cerne das novas formas de aprender é o acesso amplo à informação, transformando a apropriação do conhecimento por parte do aluno em algo ciberneticamente veloz, interligado às tecnologias disponíveis nesse museu de grandes novidades no qual os pais é que se esforçam para acompanhar. Vamos partir do princípio que, mesmo estando os componentes curriculares colocados cada qual nas gavetas dos períodos semanais, há tempos o seu conteúdo já migrou do estado sólido para o líquido, trazendo a fórceps a interdisciplinaridade para o cotidiano. Sob esse prisma, é preciso atenção ao fato de que o aluno, “do latim alumnus, alumni... alimentar, sustentar, nutrir, fazer crescer”, segundo Houaiss, possui o acesso, mas nem sempre o discernimento ao que acessar na rede. Nossos filhos lembram, por vezes a velha canção dos anos 80 “Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal / Eu tenho pressa / E tanta coisa me interessa / Mas nada tanto assim”. Aí está a importância do binômio família-escola na orientação diária, desde a organização do material escolar, passando pelo olhar atento durante as atividades, até o momento do retorno, com a afetiva e vigilante pergunta “como foi o seu dia?”. Creio ainda não se ter encontrado site, livro ou inovação capaz de substituir com a mesma mágica o contato

Mãos à obra! Afinal, a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original. Albert Einstein

pessoal de um professor com aquele ser em crescimento. É neste instante irreproduzível do momento de aula que a entonação, o olhar do mestre sobre os pupilos, realiza o processo ensino-aprendizagem valendo-se da mais antiga e eficaz receita, cujos ingredientes podem ser apenas um professor, seus estudantes e um simples quadro de giz. O resto é "plus". Nos hábitos de estudo, cabe à escola esclarecer e aos pais acompanhar a diferença entre o tema, que é a realização dos exercícios propostos pelo professor para casa, e o ato de estudar, muito mais importante, revisando no lar o conteúdo diário, fazendo marcações, exercícios e resumos, observando ambiente arejado, iluminado e silencioso. Nesse viés educacional, a Literatura pode ser uma grande aliada na compreensão dos novos hábitos interdisciplinares de estudo em tempos líquidos e virtuais. Faça um pequeno teste, embrenhe-se a ler a linguagem cientificista do poeta Augusto dos Anjos com

suas biológicas diatomáceas ou Euclides da Cunha e Os Sertões jornalísticos, geográficos e sociológicos. Talvez você possa fazer uma incursão a um novo mundo pelos olhos da cadela Baleia em Vidas Secas. Caso prefira, valha-se dos olhos do albatroz para ler com os todos os seus cinco sentidos aguçados O Navio Negreiro de Castro Alves. A Literatura está no cotidiano imperceptível das lojas, no perfume inspirado no lema árcade do carpe diem, na lã que traz a profusão de cores do Barroco, na compreensão da frase dita na canção que você ouve na rádio. Não saber literatura não faz falta, mas saber faz toda diferença, afinal, não é um livro que muda a sua vida, mas o conjunto das obras que passam por suas retinas, cada vez que você chega mais perto e contempla as palavras. Aluno, pai, professor, aventurem-se no conhecimento. Para começar, observem A Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix, lá existem aulas de arte, literatura, história, geografia, música, sociologia, filosofia, religião, física e matemática, Difícil? Como disse Einstein "Mãos à obra! Afinal, a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original." Douglas Pereto é Professor de Literatura, formado em Letras e especializado em Gestão Educacional. Atua como Coordenador de Turno do Colégio Marista Conceição, em Passo Fundo.


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Educar

Na mesma direção Novos documentos orientam a prática educativa nos Colégios Maristas

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m outros tempos, por mais que fosse conhecida a filosofia de ensino da escola, a prática pedagógica era realizada a partir de um itinerário já traçado e pouco aberto à colaboração da comunidade escolar. Hoje, o cenário é outro. A instituição escolar vem se abrindo cada vez mais à participação ativa dos educadores, famílias e estudantes na construção e avaliação das concepções e práticas educativas. Na Rede Marista de Educação Básica, os últimos anos foram de intenso trabalho conjunto de reflexão, análise e elaboração de novos caminhos a serem traçados, sem perder de vista a tradição e o horizonte da Missão Educativa e Evangelizadora do Instituto dos Irmãos Maristas. Em 2010, os frutos dessa jornada começaram concretamente a aparecer por meio do lançamento e implementação de documentos norteadores. Numa produção coletiva coordenada pela União Marista do Brasil (UMBRASIL), destaca-se o Projeto Educativo do Brasil Marista, um documento que consolida a atuação em rede de todos os colégios maristas no país e que visa qualificar o processo educativo potencializando práticas pedagógicas. A função de um documento como este é subsidiar a comunidade educativa (gestores, educadores, estudantes e família) para o alinhamento de conceitos, o desenvolvimento de intencionalidades e demais aspectos presentes nas escolas maristas. Garantem-se assim os princípios institucionais na ação pedagógico-pastoral, tendo

em vista uma educação de qualidade, intercultural e evangelizadora no contexto contemporâneo. Para o nacionalmente reconhecido educador, Dr. Miguel Arroyo, PhD em Educação, o Projeto Educativo do Brasil Marista respeita as diversidades culturais e regionais tendo como ponto de partida as demandas que vêm da realidade social atual e da rica história da educação marista. Ele destaca que a proposta reconhece a centralidade dos sujeitos da ação educativa, os estudantes como protagonistas, articula educação, cultura e valores e concebe um currículo integrado, ou seja, que respeita os contextos, vivências e está aberto ao novo. Na prática Por mais rica e inovadora que seja uma proposta educacional, se ficar apenas no plano teórico em nada contribuirá para reais mudanças nas práticas de ensino-aprendizagem na escola. Embora a versão impressa do Projeto Educativo tenha sido publicamente lançada em cada colégio e entregue aos gestores e educadores, a implementação concreta no dia a dia escolar se constitui num desafio, pois implica numa nova forma de compreender o papel da educação na contemporaneidade. No Marista Rosário, as Jornadas Pedagógicas que antecedem o início do ano letivo foram dedicadas ao projeto. Gestores e educadores se debruçaram sobre o documento num esforço de gestão compartilhada e reflexão sobre conceitos, análise de metodolo-

gias, atividades extraclasse e retomada de práticas pedagógicas no intuito de aprimorar as ações do cotidiano e criar novas estratégias, especialmente nas formas de ensinar, aprender e avaliar. A materialização do Projeto Educativo em sala de aula também vem acontecendo no Colégio Marista João Paulo II, de Brasília. A partir do tema proposto pela Campanha da Fraternidade 2011 – Fraternidade e Vida no Planeta – a escola elaborou o projeto interdisciplinar "Que marcas você quer deixar no planeta", que perpassa os momentos de formação na Chácara Pequi e desdobramentos nos componentes curriculares. Do 6º ao 9º ano, no primeiro trimestre, Língua Portuguesa, Ciências, Geografia, Matemática, Artes e Ensino Religioso trabalharão em conjunto o tema por meio de textos, filmes, músicas e outras ferramentas pedagógicas. O Acumuladão, avaliação trimestral interdisciplinar, também terá a questão da vida no planeta como eixo central. A formação para a cidadania planetária e responsabilidade social é parte fundamental do novo Projeto Pedagógico Em todos os Colégios Maristas ações de implementação estão sendo realizadas. Dentre as ações de Rede para 2011, coordenadas pela Comissão de Educação das mantenedoras, destacam-se a promoção de momentos de estudo nos encontros estaduais, workshops e palestras para os professores, como a que ocorrerá no mês de junho, em Porto Alegre, com a presença do professor Miguel Arroyo.


Regimento Escolar Enquanto o Projeto Educativo tem como foco as grandes diretrizes da proposta pedagógico-pastoral dos Colégios, outro documento lançado em 2010, o novo Regimento Escolar, garante a normatização legal das atividades inerentes aos órgãos da escola nos planos pedagógico, administrativo e disciplinar. Durante a revisão do regimento, estudos e pesquisas foram realizados com o propósito de qualificar os processos que envolvem o cotidiano administrativo e pedagógico dos colégios. Houve alterações e avanços em questões que envolvem, por exemplo, as normas de convivência, matrículas, avaliação da aprendizagem, estudos de recuperação, direitos e deveres dos estudantes e dos educadores, dentre outros. Na foto acima, lançamento do Projeto Educativo. Abaixo, professores estudaram os novos documentos nas jornadas pedagógicas.

O Projeto Educativo do Brasil Marista respeita as diversidades culturais e regionais tendo como ponto de partida as demandas que vêm da realidade social atual e da rica história da educação marista. Dr. Miguel Arroyo, PhD em Educação


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Escola que se abre

para o mundo

Eis um dos principais desafios das instituições de ensino hoje: não significar para seus estudantes um “mundo à parte”.

Tudo junto ao mesmo tempo Com a internet sempre à disposição, o computador ou celular como companheiros fiéis, ágeis e habilidosos no manuseio das redes sociais, adeptos das relações digitais, como chamar a atenção dos jovens em um universo escolar nem sempre tão atraente quanto o seu? Segundo a pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música, Elvira de Souza Lima, a escola ainda é um lugar sem substituto, porém, precisa estar preparada para lidar com uma geração que carrega mudanças culturais e até biológicas.

Não é por acaso que são cada vez mais evidentes as dificuldades em manter essa geração atenta a toda forma de comunicação estática que em nada lembra os seus hábitos cotidianos tão repletos de imagens em movimento. Segundo a pesquisadora, padrões culturais também determinam padrões de atenção. “A criança de hoje forma padrões de atenção para imagens em movimento e não imagens do papel. Os jovens, por outro lado, são ‘treinados’ a passar com rapidez de uma coisa a outra, o que provoca uma alternância nas redes neuronais, dificultando a capacidade de imersão em uma única atividade”, destaca.


Essa nova configuração cultural e biológica, como salienta Elvira, requer da escola um esforço a mais no desenvolvimento da atenção e também da imaginação. Neste sentido, a escola pode ter na tecnologia uma grande aliada. Esta é a aposta da Rede Marista com o investimento em dois projetos: a implementação da lousas interativas e da robótica educacional em todas as escolas da Rede. Mais de 350 educadores já estão utilizando o recurso hoje presente em 17 unidades do Rio Grande do Sul. Ele permite a aplicação de softwares em 3D, o uso de recursos multimídias, animações, simulações e uma série de outras funcionalidades que tornam as aulas mais dinâmicas e envolventes. Um deles é o professor de Geografia do Ensino Fundamental do Colégio Marista Rosário, José Gusmão Rodrigues. “Desde o uso das lousas interativas, eu não utilizo mais mapas convencionais. A lousa é um chamariz para os estudantes, eles disputam para participar nas aulas em que a utilizo”, destaca o professor. Já a robótica educacional envolve mais de quatro mil estudantes da

Educação Infantil ao Ensino Médio. Em atividades realizadas sempre em grupo, os estudantes são desafiados a criar, desenvolver, experimentar protótipos de robôs, a partir de conceitos e teorias de diversas disciplinas. “Aliar a robótica ao aprendizado é oportunizar ao estudante colocar em prática os conceitos e estimular a construção do conhecimento através do ‘aprender fazendo’”, ressalta o instrutor de Robótica do Marista Assunção, Marcos Aranda. Quem participa dessas atividades acaba desenvolvendo habilidades que auxiliam no desempenho em sala de aula. É o que conta Carla Bender, mãe de João Pedro, aluno do 1° ano do Ensino Médio do Colégio Marista Pio XII: “A robótica trouxe uma série de benefícios para meu filho, desde as questões relacionadas com a aprendizagem quanto as de nível interpessoal. Em disciplinas como matemática, física e inglês, por exemplo, é visível o retorno nas questões de concentração, solução de problemas, prática de língua estrangeira.” No Colégio Marista Champagnat, o trabalho multidisciplinar passa pelo

Laboratório de Tecnologias Educacionais. Com os pequenos, o trabalho é voltado para o uso correto do computador. “Nós trabalhamos o mouse e as habilidades de motricidade, o teclado e a espacialidade e bi/tri/dimensionalidade da tela. As crianças trabalham cores, números, formas e a alfabetização em si acaba acontecendo também com o apoio de recursos tecnológicos”, conta Joelene de Oliveira Lima, Coordenadora dos Laboratórios. “O aluno vive as teccontinua >>


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nologias diretamente na sua vida fora da escola. A escola tem de saber inserir essas tecnologias nos seus processos de ensino e colocá-la a serviço da aprendizagem”, lembra Cesar Desimon, professor do Laboratório de Tecnologias.

Uma nova

(Re)descobrir o gosto pelo aprender Para estimular o hábito de estudar e o gosto pelo aprender não bastam recursos tecnológicos. Outras questões merecem atenção como os ambientes de aprendizagem. Pesquisas comprovam que o ambiente escolar interfere no processo educativo de forma direta ao transmitir aos estudantes uma série de impressões perceptivas. Com base nisso, ano a ano, as unidades maristas investem na qualificação dos ambientes. Projetos que transformam o ambiente em recurso de aprendiza-

da escola esforço

configuração cultural e biológica do estudante requer no desenvolvimento da atenção e da imaginação gem também têm dado bons resultados. Um exemplo é o Contextura, do Instituto Marista Graças que propõe uma nova organização dos espaços, da rotina escolar, e, sobretudo, de metodologia e prática pedagógica. Implementado gradualmente no Ensino Fundamental e Médio, o projeto prevê

semanas de estudos teóricos e práticos, com temas norteadores interdisciplinares que mostram a aplicabilidade dos conteúdos de sala de aula na vida cotidiana. No Marista Rosário, a reforma estrutural das salas do Ensino Médio integrou um movimento de mudança conceitual e estrutural, com base em momentos de diálogo entre professores, direção e estudantes. Para dar uma nova cara às salas, elas receberam adesivos e murais que caracterizam um local do mundo onde há presença marista, além de telas LCD, nova iluminação e lousas interativas. Os estudantes também ganharam um espaço exclusivo no prédio anexo construído recentemente, com espaços projetados para que possam ter um ambiente de estudo e convivência.


Destaque

Na foto ao lado, Lucas (direita) com seu amigo. Abaixo, Laura (esquerda) com suas colegas de treino.

Sucesso no pádel L

ucas Somensi Marconi,17 anos, da 3ª série do Ensino Médio do Marista Aparecida, de Bento Gonçalves, joga pádel desde os 8 anos. Gosto que nasceu com por influência do pai, que também é desportista. Marista desde a Educação Infantil, destaca que, dentre as competições, a mais importante da qual participou foi o Mundial em 2006, realizado na Espanha. Competiu ainda em dois Panamericanos, um em 2006 em Porto Alegre e outro em 2010, na Argentina, em Buenos Aires. Os pais apoiam Lucas na prática do esporte e o acompanham nas viagens de competições. Treinando até quatro vezes por semana de 1h a 2h, em média, ele comenta que a irmã, Laura Marconi, da 5ª série do Ensino Fundamental da escola, também vem jogando com todo o apoio do irmão. “É um esporte saudável, muito divertido e dinâmico que trabalha o corpo e a habilidade, além da experiência, da

disciplina e do trabalho em equipe”, diz o estudante. Colecionador de mais de 27 troféus e muitas medalhas, ele fala que o esporte ainda é pouco difundido no Estado e, ainda assim, o Brasil é considerado uma potência. No roteiro de competições deste ano já está incluída a participação no Mundial 2011. Concluinte do Ensino Médio, Lucas pretende cursar Administração, seguir a profissão do pai, auxiliando na administração dos negócios e ter o esporte como uma opção de lazer. entendendo o pádel O pádel é um jogo rápido, que teve início no Brasil em 1988. A bola e quadra são iguais as do tênis, no entanto, a quadra tem dimensões um pouco diferentes, possuindo paredes nos fundos e parte das laterais, algumas que utilizam vidro ou blindex no lugar das paredes, o que permite ótima visualização do jogo. O piso pode variar de cimento a grama oficial.

Fera no Tênis Estudos, treinos, dever de casa, alimentação balanceada, provas, viagens, competições, medalhas e troféus. Assim é a vida do atleta Marcos Bernardes, 1º ano B do Ensino Médio do Marista João Paulo II. Marcos tem 15 anos e pratica tênis há oito, quando tomou gosto pelo esporte ao ver seu primo jogar. Já participou de mais de 100 competições, dentro e fora do país. Há praticamente um ano passou a fazer parte da categoria de profissionais e conta com mais de 50 troféus já conquistados. O atleta, patrocinado pela Escola, participa do Torneio Future, que acontece em todo o mundo, e é determinado no que faz. “Gosto de tênis, de viajar e quero sempre ser o melhor”, comenta Marcos.

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Giro

Transformação em tempo integral É de Santa Maria-RS um dos trabalhos pioneiros de inclusão social da Rede Marista. A Escola Marista Santa Marta, localizada em uma das maiores ocupações urbanas do país, ajuda a transformar essa realidade, que hoje conta com o processo de regularização fundiária encaminhado. A Escola atende, atualmente, 900 estudantes e, nesse ano, vive uma experiência inédita ao implantar o trabalho de turno integral. Por volta de 350 estudantes têm atividades educativas durante todo o dia: pela manhã ou tarde em sala de aula e, no turno inverso, participam de atividades como música, oficinas de informática, percussão e esportes. Novos ambientes para os EJAS Atualmente, os Colégios Maristas São Marcelino Champagnat, de Novo Hamburgo, e Marista Vettorello, de Porto Alegre, atendem aproximadamente mil estudantes. São histórias de vida marcadas por vitórias particulares e desenvolvimento, mas todos com o sonho de um futuro melhor através da educação. Preocupada em valorizar, cada vez mais, esse trabalho, a Rede Marista tem investido na qualificação do corpo docente e na estrutura física de funcionamento dessas unidades. No Marista São Marcelino, para 2011 foram adquiridas lousas interativas para as salas de aula e os ambientes ganharam nova pintura. Já no Marista Vettorello, além da pintura, o prédio recebeu melhorias na infraestrutura.

Lideranças juvenis O trabalho de estímulo às lideranças realizado pelo Serviço de Orientação Educacional (SOE) do Colégio Marista Santo Ângelo, inicia com a reflexão sobre o papel dos líderes na escola e na comunidade. O bate-papo com os estudantes esclarece dúvidas, atribuições, desafios e tarefas dos estudantes dispostos a assumir novas responsabilidades. Em 2011, o trabalho foi ampliado, desafiando os jovens a lançar suas propostas via

internet, em redes sociais como o Orkut e Twitter. Outra novidade é a votação realizada via web, nas eleições dos líderes de turma (a partir da 5ª série EF até o Ensino Médio) e da nova diretoria do Grêmio Estudantil. A expectativa é que os novos recursos auxiliem na mobilização e na participação dos adolescentes.


Qualificação docente Para começar o ano letivo aptos a utilizar novos recursos em seus planos de ensino, os educadores do Marista Sant’Ana participaram de uma capacitação em Tecnologias da Educação. A atividade integrou o Seminário de Planejamento Marista, que acontece, no início do ano escolar, e busca preparar e capacitar os educadores, além de trabalhar diversos temas como projetos interdisciplinares e planejamento estratégico. Com a capacitação, os docentes puderam incluir em seu planejamento atividades que utilizem como recurso de apoio a lousa interativa e o portal da FTD, que oferece complementações ao Sistema de Ensino em ambiente virtual.

Desafio mundial de robótica Estudantes dos colégios maristas Assunção, Champagnat e Ipanema, de Porto Alegre, em conjunto com estudantes da PUCRS, participaram do Vex Robotics Champion Ship, campeonato considerado o maior desafio de robótica do mundo. Ele reúne anualmente 400 equipes e mais de 4 mil estudantes dos Estados Unidos, Brasil, México, Canadá, Reino Unido, China, Coréia, Singapura, Taiwan e Japão. A equipe do Marista Pio XII, Under Control, também participou de um campeonato mundial, porém em outra categoria, o First Robotics Competition, no mês de março. As vagas para estas competições são decorrentes do bom desempenho das equipes maristas nas etapas nacionais. A equipe Under Control participa do mundial desde 2003.

Educação cultural na Fenavinho Uma das maiores feiras realizadas no Rio Grande do Sul contou com a presença do Colégio Marista Aparecida, de Bento Gonçalves. A Fenavinho Brasil 2011, por mais um ano, contou com o projeto Piccola Città (Pequena Cidade), dirigido ao público de 0 a 10 anos com atividades que promoveram a alfabetização cultural. Em um espaço preparado especialmente os pequenos, eles puderam passear por uma cidade em miniatura e aprender de forma lúdica a história da imigração italiana. Em 2010, mais de 40mil pessoas passaram pelo evento que ocorreu em abril. Mais informações, acesse www.fenavinhobrasil.com.br.

Parceria pela solidariedade O Colégio Marista São Luís é o novo parceiro do SESC no desenvolvimento do programa nacional de segurança alimentar e nutricional Mesa Brasil, que redistribui alimentos a instituições sociais. A parceria vai beneficiar o Centro Social Marista Boa Esperança, que atende gratuitamente crianças de seis a 12 anos no período inverso ao da escola. Também pretende fomentar ações educativas junto às famílias do centro social, em conjunto com o colégio. O projeto vai envolver o grupo de estudantes da Pastoral Juvenil Marista (PJM), Grêmio Estudantil e o Interact, vinculado ao Rotary Club. Os jovens também vão passar por atividades de formação, com certificação, realizadas com o apoio do Senac.


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Caleidoscópio

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foto Cláudio Tavares

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1. Atividades especiais promoveram

4. Pensando no cuidado com o

estudantes têm lições de ecologia

a integração dos estudantes novos

planeta, estudantes plantam

e contato com a natureza sem

do Marista Ipanema (Porto Alegre)

árvores no I Momento de Formação

precisar sair do colégio (Viamão)

2. Na brinquedoteca, estudantes da

Marista do Colégio Marista

7. Plenamente concluído, o novo

Educação Infantil e Séries Iniciais do

João Paulo II (Brasília/DF)

acesso do Marista Conceição já

Marista Pio XII têm a oportunidade de

5. Visita à Fazenda Serra Azul é uma

oferece mais segurança e comodidade

aprender brincando (Novo Hamburgo)

das atrações do roteiro que integra

para as famílias. (Passo Fundo)

3. A lousa interativa é um dos

o projeto Conhecendo Canela, do

8. Em 2011, a Educação Infantil passa a

diferenciais da primeira turma

Marista Maria Imaculada (Canela)

contar com espaços exclusivos no novo

de Ensino Médio do Marista

6. Com o passeio pelas trilhas

prédio do Marista Rosário (Porto Alegre)

Medianeira (Erechim)

ecológicas do Marista Graças, os

9. Hora do conto no projeto acolhida


10 11

12

13

14

15

16

aos maristinhas da Educação Infantil

12. Pequenos exploram as primeiras

Luís, espaço verde à disposição

do Marista Sant’Ana (Uruguaiana)

letras na nova Biblioteca Infantil

das atividades escolares e também

10. No Marista Santo Ângelo, atividades

Débora Gurski Herbert, do Marista

das famílias (Santa Cruz do Sul)

motoras ajudam a descobrir o nível de

São Pedro (Porto Alegre)

15. Crianças do Turno Integral do

aprendizagem e de desenvolvimento

13. Com o projeto Contando e Encantando,

Marista Assunção apresentam peça

das crianças (Santo Ângelo)

o Marista Aparecida leva a literatura

teatral com tema relacionado à

11. No Marista Roque, estudantes

para estudantes da rede municipal e

sustentabilidade (Porto Alegre)

refletem sobre seus desafios

particular de ensino (Bento Gonçalves)

16. Em uma produção que emociona

e objetivos para 2011 e os

14. Estudantes do Marista São

todos os anos, estudantes do Marista

representam em palavras e criações

Luís complementam as aulas em

São Francisco encenam as 21

artísticas (Cachoeira do Sul)

saídas a campo no Parque São

estações da Via Sacra (Rio Grande)


34

Gente noss�

Nas alturas

Ex-atleta do Marista São Pedro é talento do vôlei nacional

C

om 1,74 de altura, Thaís Bruzza Saraiva, 19 anos, é jogadora de voleibol profissional e treina em média seis horas diárias, cinco dias por semana. Natural de Porto Alegre, a ex-atleta do Marista São Pedro concluiu o Ensino Médio em 2009. No ano seguinte, precisou deixar a família no sul para se dedicar exclusivamente ao esporte, indo para São Paulo jogar em São José dos Campos. Atualmente, atua no time de São Bernardo do Campo.

A paixão pelo vôlei começou em 2002, quando ingressou aos dez anos de idade, na quarta série, após conquistar uma das bolsas de estudos oferecidas pela escola. Embora jogasse futebol com as outras meninas, Thaís se destacava mais pela altura. Por esse motivo, foi convidada pelo professor Ricardo Signoretti para entrar na escolinha de vôlei do Marista São Pedro. A partir daí, a estudante se encantou com o esporte, praticando todas as tardes em que havia treino. Conciliar os estudos e o esporte, porém, exigia disciplina e organização. “Às vezes era bem cansativo, mas sempre contei com o apoio da minha família. Os professores também me ajudaram bastante”, reconhece Thaís. A experiência vivida na escola contribuiu ainda para a sua formação pessoal e social. “Os valores que os maristas nos passam são muito especiais, pois aprendemos a ter espírito de grupo, solidariedade, valorizar a amizade”, ressalta. Ao longo de sua trajetória na escola, a jogadora ganhou vários títulos,

sendo tricampeã juvenil gaúcha; campeã brasileira infanto-juvenil em 2006 e campeã brasileira juvenil em 2007. Também atuou nos times da Sogipa e do Grêmio Náutico União. Em 2008, foi para Santa Catarina, onde estudou o segundo ano do Ensino Médio e se tornou campeã adulta catarinense pelo time de Brusque. Em 2009, de volta a Porto Alegre, ela concluiu os estudos no Marista São Pedro. Sobre os planos para o futuro, Thaís está determinada a seguir adiante com a carreira esportiva e fazer faculdade. “Meu principal projeto é a profissionalização no vôlei, com muita dedicação, trabalho e seriedade. Pretendo me aperfeiçoar cada vez mais. Também pretendo voltar a estudar, pois sei que a carreira de atleta é curta”, frisa a jogadora. Dos tempos do colégio, ficam as boas recordações: “O amadurecimento que tenho hoje foi adquirido nas ocasiões que participei com o colégio e no dia a dia com os professores e colegas. O Marista São Pedro era minha segunda família”.


36

Vestibular

Abaixo a TPV! É preciso aprender a lidar com o problema da tensão pré-vestibular Fabíola Almeida

“F

oi a melhor sensação do mundo!”. É assim que a ex-aluna Marista, Iana Dornelas Fonte Boa, descreve o que sentiu ao ver o nome na lista dos aprovados. Mas a caloura em Direito lembra que a preparação não foi fácil e no 3º ano chegou a recorrer a acompanhamento psicológico para controlar a ansiedade pelo vestibular. Assim como Iana, vários estudantes sofrem com a tensão pré-vestibular (TPV). Um levantamento feito com 1.046 vestibulandos verificou que 56,3% apresentaram sintomas de ansiedade, considerando os níveis de intensidade leve, moderado e grave. Dentre os estudantes que apresentaram transtorno depressivo, destacou-se a prevalência mais elevada em meninas (59,3%) do que em meninos (28,4%). De todos os participantes da amostra, 947 (90,5%) responderam ainda que o vestibular alterou seus hábitos de vida, sendo as principais modificações na vida social com amigos, no relacionamento familiar, no sono, na atividade física e na alimentação. O estudo foi comandado pelo psiquiatra Daniel Guzinski Rodrigues, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), e pela psicóloga Cátula Pelisoli, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)*.


O ex-aluno Andre Luis Tavares, aprovado no Programa de Avaliação Seriada (PAS), da UnB, e na Unicamp para o curso de Ciência da Computação, reforça a ideia de que a tranquilidade pode ser um diferencial na hora de realizar as provas. “Estudar demais por obrigação pode atrapalhar mais do que ajudar, porque você acaba se sobrecarregando e não fixa direito o que aprendeu. Acho importante ter um tempo para se divertir e pensar em outras coisas, senão fica difícil aguentar a pressão do vestibular.” TENSÃO PRÉ-VESTIBULAR Conhecida como TPV, a tensão pré-vestibular é quase inerente à vida dos estudantes. Dificuldade de concentração, inquietação, dores de cabeça e musculares, além de tonturas, são sintomas típicos da TPV, de acordo com a pesquisa. O medo da reprovação, as incertezas relacionadas ao desempenho no dia da prova, a forte cobrança da família e de amigos, são situações que acabam contribuindo para o surgimento da ansiedade que, em muitos casos, pode ultrapassar os limites da normalidade e prejudicar o desempenho. A ex-aluna Fernanda de Carvalho,

recém-aprovada no PAS e no vestibular para o curso de Nutrição, conta que com ela não foi diferente: “No último ano procurei ficar mais calma e encarar a prova com menos pressão, acho que isso pode ter ajudado”. A professora de Física Samara Meira acompanha os alunos na Central de Vestibulares do Maristão, em Brasília, e sugere que os jovens não mudem muito a rotina: diversão, atividades físicas e alimentação saudável ajudam a manter o equilíbrio. “Exercite o pensar, exercite a capacidade de crítica, exercite o hábito da leitura”, destaca. Em resumo, a TPV não mata, mas impede viver intensamente um dos períodos mais bonitos da vida. * Para ler o artigo "Ansiedade em vestibulandos: um estudo exploratório", de Daniel Guzinski Rodrigues e Cátula Pelisoli, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/Fapesp).

“ESTUDAR DEMAIS POR OBRIGAÇÃO PODE ATRAPALHAR MAIS DO QUE AJUDAR, PORQUE VOCÊ ACABA SE SOBRECARREGANDO E NÃO FIXA DIREITO O QUE APRENDEU. ACHO IMPORTANTE TER UM TEMPO PARA SE DIVERTIR E PENSAR EM OUTRAS COISAS, SENÃO FICA DIFÍCIL AGUENTAR A PRESSÃO DO VESTIBULAR.” Andre Luis Tavares


38

Como fazer

Esqueça o que você sabe sobre hábitos de Ricardo Marchesan

E

stamos acostumados a ouvir diversas recomendações sobre bons hábitos de estudo, como escolher um local silencioso, manter uma rotina para fazer tarefas, estabelecer metas e limites, entre tantas outras. Mas como sabemos se esses hábitos são realmente bons?


Uma excelente matéria publicada no jornal "The New York Times" analisou as descobertas mais recentes em hábitos de aprendizado e descobriu muitos resultados surpreendentes que podem ajudar qualquer pessoa, desde uma criança aprendendo a fazer contas, a um idoso aprendendo um novo idioma. Muitas destas descobertas contradizem a sabedoria popular, como por exemplo, ao invés de manter apenas um local de estudo, simplesmente alternar a sala onde a pessoa estuda aumenta a retenção. De acordo com o autor da pesquisa, o cérebro faz associações sutis entre o que se está estudando e as sensações exteriores naquele momento, independentemente dessas percepções serem conscientes. Forçar o cérebro a fazer

múltiplas associações com o mesmo material pode, na verdade, dar a essa informação mais relevância neural. Variar o tipo de material estudado numa única sessão de estudos – alternando, por exemplo, entre vocabulário, leitura e conversação de um novo idioma – parece deixar uma impressão mais profunda no cérebro do que se concentrar apenas em uma coisa de cada vez. Muitos atletas também costumam também misturar seus treinos com séries de força, velocidade e habilidade.

Cientistas descobriram que o estudo espaçado de um assunto – uma hora hoje, uma hora no final de semana e uma hora daqui a uma semana – melhora a capacidade de recordar esse assunto. Uma explicação é que o cérebro, quando volta naquele material num outro dia, precisa reaprender um pouco daquilo que ele havia esquecido e esse processo, em si, reforça o aprendizado. Essa é uma razão pela qual os cientistas julgam que os testes – ou provas simuladas – são ferramentas poderosas de aprendizagem, além de meramente ferramentas de avaliação. O processo de se extrair uma ideia parece fundamentalmente alterar a forma com que a informação é armazenada subsequentemente, tornando-a bem mais acessível no futuro. Nada sugere que somente essas técnicas – alternar ambientes de estudo, misturar conteúdo, espaçar as sessões de estudo, fazer testes – resolverão os problemas de aprendizado, pois a motivação também importa muito. Mas, pelo menos, essas técnicas oferecem aos pais e estudantes um plano de estudo baseado em evidências, e não em sabedoria popular ou teorias vazias. Vale lembrar que a forma como aprendemos importa não só para retermos eficientemente algumas informações para as diversas tarefas que executamos todos os dias, mas também porque o aprendizado induz mudanças neuroplásticas no cérebro que, consequentemente, podem aumentar nossas reservas funcionais e nossa saúde.

DICA ESPECIAL Cérebro vivo é cérebro ativo! “Pesquisas indicam que o cérebro inicia um processo de declínio cognitivo já a partir dos 25 anos de idade. É possível, contudo, manter o cérebro afiado, adiar o declínio das suas funções e habilidades, e minimizar esse declínio, com atitudes ao alcance de todos. Engajar-se em atividades regulares de exercícios físicos e mentais, ajudam na estimulação do cérebro.”

* Ricardo Marchesan é sócio fundador do Cérebro

Suzana Herculano, neurocientista, desde 2008 é

Melhor, empresa especializada em treinamento

apresentadora e roteirista do quadro Neurológi-

cerebral por meio de jogos online.

ca, do Fantástico, e autora de seis livros, “Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor”


40

Como fazer

Os

hábitos de estudo campeões Confira algumas estratégias que podem contribuir com os melhores hábitos de estudo, todas baseadas em pesquisas científicas:

ALTERNE O AMBIENTE Variar o ambiente onde se estuda aumenta a retenção da memória. Quando se troca de local, o cérebro faz associações sutis entre o que se está estudando e as sensações externas, sendo percepções conscientes ou não. Quando forçamos o cérebro a praticar múltiplas associações com o mesmo material, essa informação passa a ganhar maior relevância neural. VARIE O MATERIAL A SER ESTUDADO Mesclar o tipo de material numa mesma sessão de estudos pode deixar uma impressão mais profunda no cérebro do que se concentrar apenas em um assunto de cada vez. Assim como esportistas possuem treinos alternados, poderíamos, por exemplo, ter uma sequência que passasse por vocabulário, leitura e conversação de um novo idioma.

ESTUDE ESPAÇADAMENTE Quando montamos um cronograma espaçado para a aprendizagem de um determinado assunto, como por exemplo, uma hora hoje, uma hora no final de semana e uma hora daqui a uma semana, melhoramos nossa capacidade de recordar esse tema. Ao voltar no material trabalho em um curto período de tempo, nosso cérebro acaba reaprendendo uma parte daquilo que ele havia esquecido, dessa forma, se tornando um processo de reforço de aprendizado.Alterar para: “ ao voltar ao material trabalhado em um curto período de tempo, nosso cérebro acaba reaprendendo uma parte daquilo que ele havia esquecido, dessa forma, se tornando um processo de reforço de aprendizado. TESTES SÃO BEM VINDOS As provas simuladas ou exercícios são ótimas ferramentas de aprendizagem e não

uma simples forma de avaliação. O processo de se extrair o conhecimento absorvido na resolução desses testes acaba alterando a forma como essas informações são armazenadas e, subsequentemente, torna o acesso mais fácil no futuro. MOTIVE-SE Assim como a prática, a motivação é fundamental para o aprendizado. Quanto mais se pratica, mais chance o cérebro tem de reforçar as modificações sinápticas que constituem o que está sendo aprendido. Quanto mais motivação se tem, mais se pratica, mais importância se dá ao aprendizado e, portanto, mais facilmente acontecem as modificações sinápticas do aprendizado.

Fonte: Cérebro Melhor (www.cerebromelhor.com.br)


Estreia, em parceria com o Canal Futura, Turma da Teca. Esta coleção, da FTD, baseada no programa Teca na TV, sucesso do Canal Futura, traz histórias que tratam de temas como formação pessoal e social, meio ambiente e ética, linguagem, matemática, sempre dentro do universo infantil. Turma da Teca é dirigida para a galerinha de 4 a 7 anos de idade. São duas coleções com seis livros cada uma, criados com base em 12 episódios do programa de TV. Acompanha também DVD com seis histórias (um para cada coleção e faixa etária). As coleções são apresentadas em embalagens bem atrativas!

O Kit do Aluno é composto de: • 6 livros • 1 DVD

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42

Compartilhar

A internet pode ser segura Presença e diálogo são as grandes armas dos pais também no ambiente virtual

N

ão é preciso destacar o quanto a rede mundial de computadores revolucionou o dia a dia das pessoas e transformou a sociedade. O que assusta, ainda, é que por ser uma novidade não há normas e leis específicas para coibir os crimes praticados por meio dos computadores. São fraudes financeiras, envio de vírus, roubo de senhas, crimes contra a honra, calúnia, injúria, difamação, cyberbullying (humilhação de pessoas por meio de postagens na Internet) e, talvez o crime mais preocupante, a pedofilia. “A despeito de terem sido criadas delegacias especializadas, é importante que todos os usuários da Internet saibam que existem meios mais seguros de usar a rede mundial, a partir da adoção de alguns medidas práticas”, destaca Luiz Flávio Borges D’Urso, Presidente da OAB SP, que organizou a

cartilha “Recomendações e boas práticas para o uso seguro da Internet para toda a família”. SEM BARREIRAS Os especialistas destacam que é importante que a barreira digital que separa os pais de seus filhos seja rompida, já que muitos pais ficam alheios à conduta de seus filhos no ambiente virtual em razão do próprio desconhecimento que têm a respeito da informática. Respeitar a privacidade dos filhos não pode ser sinônimo de ausência de supervisão, de vigilância, o que deve ser feito em consonância com o respeito aos valores da própria família. É também essencial que os filhos saibam que seus pais têm conhecimento do que ocorre na Internet e que podem confiar neles caso sofram alguma agressão no meio virtual. Além disso, é necessário que os pais expliquem sobre a importância do uso consciente da Internet e das consequências que atitudes irresponsáveis podem causar. SERVIÇO: A Cartilha pode ser acessada no site da OABSP, pelo link: www.oabsp.org.br/comissoes2010/crimes-alta-tecnologia/cartilhas/cartilha_internet.pdf

6 CUIDADOS PARA NÃO CAIR EM ARMADILHAS DA REDE

1

Lembre-se de que as relações estabelecidas na Internet são relações interpessoais e, por isso, é importante ter os mesmos cuidados tomados no contato pessoal do dia a dia: não revele a estranhos informações pessoais que possam comprometê-lo ou comprometê-la, tais como: endereço, telefone, seu nome completo, nome de familiares, local de trabalho, nome da escola onde estuda, dados que indiquem sua rotina

2

Preserve sua intimidade: não divulgue informações, contatos, fotos ou vídeos pessoais e tenha cuidado ao realizar negócios e manter relacionamentos via Internet

3

Tome cuidado com novas amizades, procurando referências antes de considerá-las como conhecidas

4

Antes de publicar algo, lembre-se de que não são apenas os seus amigos e pessoas honestas que utilizam a Internet. Desconfie das pessoas e dos sites que desrespeitam as leis e promovem a intolerância ou se manifestam em desacordo com a ética

5

Utilize em seu computador um programa firewall, um software antivírus e aplique mensalmente as atualizações mais recentes fornecidas pelo fabricante do sistema operacional e do software antivírus

6

Não clique em links da web presentes em e-mails, nem abra arquivos anexos enviados por pessoas desconhecidas. Em caso de dúvidas entre em contato com o remetente da mensagem antes de clicar em um link ou abrir um arquivo anexo


Prateleira

QUEM INDICA: Ivanize Salgueiro Braga, Professora de Geografia do Colégio Marista Ipanema, de Porto Alegre

QUEM INDICA: Maristela Martins, bibliotecária do Colégio Marista Sant’Anna, de Uruguaiana

1808 LAURENTINO GOMES, EDITORA PLANETA O livro 1808 é baseado na história da fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil, resultado da invasão de Napoleão Bonaparte ao país Europeu. É fruto de mais de 10 anos de pesquisa do autor, que construiu um relato fiel sobre o momento de fundamental importância na história dos brasileiros. As condições econômicas, sociais e políticas dos países envolvidos são contextualizadas, constituindo um complemento às disciplinas de história e geografia.

QUEM ME ROUBOU DE MIM? FÁBIO DE MELO, EDITORA CANÇÃO NOVA Escrito pelo Padre Fábio de Melo, o livro “Quem me roubou de mim?” aborda algumas questões sobre as dificuldades das relações humanas. Por meio de reflexões filosóficas, textos poéticos e histórias reais, o autor toca nosso entendimento e nossas emoções, convidando-nos a um mergulho em nossa subjetividade, a fim de nos fazer conhecer a nós mesmos e a descobrir como viver e conviver melhor não só com as pessoas que nos cercam, mas com todos que passam pelo nosso caminho.

“SÓ EM DOIS LUGARES AS PESSOAS SÃO PERFEITAS, NOS CURRÍCULOS E NOS CEMITÉRIOS”. Em seu livro “Qual é a tua obra?” (Editora Vozes), o filósofo Mário Sérgio Cortella defende que reconhecer que não sabe tudo leva você a querer evoluir, a buscar novos conhecimentos, a arriscar mais. Uma obra que mostra a importância de refletir sobre os caminhos que escolhemos seguir.

ídeo INVICTUS, COM MORGAN FREEMAN E MATT DAMON

Para as famílias que acreditam em valores como superação e espírito de equipe, e crêem na força do perdão, Invictus é uma boa pedida. O filme acompanha os anos entre a saída de Nelson Mandela da prisão, sua vitória nas eleições e os primeiros anos como presidente. Procurando diminuir o abismo que separa brancos e negros, em decorrência do regime do apartheid, Mandela busca no rugby uma forma de unir seu povo. Inspirador, este filme mostra o poder do esporte, o sentimento de união que uma competição gera e como tudo isso foi fundamental para o perdão entre a população da África do Sul. Uma lição de sensibilidade e humanismo. QUEM INDICA: Liane Ramires, Coordenadora de Turno do Marista Maria Imaculada, de Canela


44

Solidariedade

Em que mundo você

deseja viver? Proposta Marista nos convida a fazer parte da cultura da solidariedade

Um mundo melhor é o que todos nós queremos para nossos filhos e para todas as crianças e adolescentes. Um mundo digno, que respeite nossa liberdade e a diversidade ideológica, religiosa, étnica e de gênero, e que respeite também nossa integridade humana. E é por esse mundo que devemos trabalhar”, afirma Jimena Djauara N. C. Grignani, assessora da Rede Marista de Solidariedade. Mais que caridade, o comprometimento de todos com a construção de uma sociedade mais justa é que define a cultura da solidariedade, tão discutida e aplicada em cada uma das unidades Maristas. Afinal, se você é incentivado a pensar e agir por um mundo melhor, sua posição sobre a vida e as demais pessoas será diferente daquela de alguém que aprendeu apenas a buscar o primeiro lugar num mundo compe-

titivo. Essa maneira de pensar vai além da postura de ajuda ao outro e busca uma interação de pessoas de realidades sociais distintas numa via de mão dupla onde todos ganham. É como afirmava João Paulo II: ser solidário implica uma “determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum” em busca da justiça social e da fraternidade. Em resumo, a cultura da solidariedade vem para inverter a lógica de um mundo regido pela competição. “Só quando nos aproximamos de outras realidades sociais e econômicas é que podemos exercitar a cooperação. Este é um movimento complexo, uma nova maneira de ver as coisas, mas à medida que essa cultura for sendo compreendida e vivenciada pelas pessoas, naturalmente a realidade do país se transformará”, finaliza Jimena.


BOA NOVA A partir do que indica a Missão Educativa Marista, educa-se na e para a solidariedade, pois essa missão apresenta a Boa Nova, não apenas em termos pessoais, mas também a partir de uma visão comunitária. Tal visão segue a lógica de Jesus Cristo, alcançando os mais empobrecidos, buscando o bem comum e assumindo a responsabilidade pelo presente e o futuro da humanidade, assim como por toda a Criação. Fonte: "Termos, Expressões e Valores Institucionais – Diretrizes para comunicação da Província Marista Brasil Centro Sul – N°1".


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Solidariedade

Rede Marista de Solidariedade do Rio Grande do Sul Alguns Números Número de atendidos anualmente:

40

mil pessoas em atendimentos sistemáticos.

Número de Centros Sociais:

Número de Escolas Sociais:

Número de convênios:

12 6 21

Presença:

CIDADE

UNIDADE SOCIAL

ÁREA DE ATUAÇÃO

Porto Alegre

Centro Social Marista de Porto Alegre Centro Social Marista Santa Isabel Centro Social Marista de Solidariedade - em Porto Alegre Centro Social Marista da Juventude Centro Social Marista Ir. Donato Centro Social Marista Ir. Bortolini Escola Marista de Ed. Inf. Aparecida das Águas Escola Marista de Ed. Inf. Tia Jussara Escola Marista de Ed. Inf. Renascer Colégio Marista Vettorello (EJA)

Apoio socioeducativo, inclusão digital e formação para o mundo do trabalho; Apoio socioeducativo, inclusão digital e formação para o mundo do trabalho; Parcerias com o poder público na área de atendimento em serviço social; Apoio socioeducativo e esportes; Esportes Apoio Socioeducativo e música; Educação infantil Educação infantil Educação de jovens e adultos;

Santa Maria

Centro Social Marista Santa Marta Centro Marista de Inclusão Digital Escola Marista Santa Marta

Apoio socioeducativo e projetos de geração de trabalho e renda; Inclusão Digital, recondicionamento de computadores; Educação infantil e Ensino Fundamental.

Santa Cruz do Sul

Centro Social Marista Boa Esperança

Apoio socioeducativo, projetos de geração de trabalho e renda e oficinas culturais.

Viamão

Centro Social Marista Graças

Oficinas culturais, esportes e apoio socioeducativo

Gravataí

Centro Social Marista Mario Quintana

Atendimento à crianças e adolescentes com distúrbios de comunicação (surdos).

Novo Hamburgo

Colégio Marista São Marcelino Champagnat (EJA)

Educação de jovens e adultos


Essência

À Mãe, com carinho Maristas do Brasil dedicam 2011 a Maria

A

última grande assembleia geral do Instituto dos Irmãos Maristas, ocorrida em Roma há dois anos, acentuou a figura de Maria, mãe de Deus, como grande inspiradora e protetora da obra marista no mundo. Nos documentos publicados depois da Assembleia, o exemplo de Maria e exaltação de suas virtudes foram destacados, o que despertou a União Marista do Brasil (UMBRASIL) a estabelecer um Ano Mariano. Com o tema Maria no coração da Igreja e o lema Com Maria, para uma nova terra, o Ano tem a perspectiva de reavivar a presença de Maria na vida Marista e da Igreja Católica, contribuindo também como preparação para a comemoração dos 200 anos de nascimento do Instituto dos Irmãos Maristas (1817-2017). A celebração do Ano Mariano, no período de 25 de março a 8 de dezembro de 2011, acontece em todas as Unidades Maristas do Brasil por meio de atividades e eventos nacionais. As comemorações tiveram início durante a Semana Pastoral, evento que aprofundou a identidade Marista e a Missão evangelizadora que envolve a todos que fazem parte da Instituição. O Ano Mariano será vivenciado em todas as unidades maristas. Nos colégio, as programações são coordenadas pelo Serviço de Pastoral Escolar. Um exemplo de atividade que envolve a

todos, é o que fará o Marista São Francisco, em Rio Grande. Capelinhas com a imagem de Nossa Senhora circularão por entre as residências dos estudantes, oportunizando a oração em família. Na Semana Literária, a criação de poesias e músicas marianas pela comunica educativa será incentivada. Em Santa Cruz do Sul, no Marista São Luís, celebrações vão animar a comunidade e despertar para a espiritualidade marista. A exposição Maria do Povo e os Jogos Champagnat serão momentos privilegiados para ampliar o conhecimento sobre a vida e legado de Maria para a Igreja e para os Maristas. No Marista Conceição, em Passo Fundo, o Ano Mariano será marcado por diversas atividades celebrativas de cunho religioso e cultural, como exposição de cartões postais com imagens de Maria, participação da escola em romarias e peregrinações e momentos de oração marial ao entardecer na capela do colégio. As ações propostas mostram que, sob diversos títulos e matizes, Maria é retratada nas diversas culturas, comunidades e povos como companheira, modelo de inspiração, força para acolher a realidade da vida e lutar para sua transformação. Maria é a mulher plena de Deus, a mãe, a irmã, a amiga, a intercessora junto a Cristo, solidária com os pobres e humildes.

ia ão Marcor aç no da Igreja.

O QUE É A UMBRASIL? Com sede em Brasília/DF, a União Marista do Brasil (Umbrasil) foi criada pelos Irmãos Maristas em 2005 com a finalidade de articular ações comuns entre as mantenedoras das diferentes unidades administrativas maristas do Brasil. A Umbrasil se dedica especialmente a assuntos institucionais de abrangência nacional, como evangelização, educação básica e superior, assistência social, saúde e cultura.


48

Inspiração

em milagres?

Você acredita A ex-aluna marista, Pauline Becker Zacaron, venceu o câncer e encontrou novas maneiras de ser feliz

U

ma célebre frase de Albert Einstein ensina que “só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem; a segunda é vivê-la como se tudo fosse um milagre”. De fato, entre o nascimento e a morte, cada momento deve ser vivido como um milagre. E nossa medida de felicidade certamente será proporcional à nossa sensibilidade para enxergar cada um destes pequenos dons que recebemos ao longo da vida. Com apenas 18 anos, logo após a conclusão da 3ª série do Ensino Médio no Marista, Pauline Becker Zacaron iniciou uma batalha pela própria vida e precisou rapidamente rever esses conceitos. Com dores fortes, descobriu que possuía um tumor em um dos ovários e, então, fez a primeira operação. Mesmo depois da cirurgia, as dores não só continuaram, mas aumentaram ainda mais. Vários exames foram realizados e constataram-se algumas manchas na coluna. A jovem submeteu-se a mais uma cirurgia para retirada de um fragmento da coluna para biópsia e foi

descoberto que o problema na coluna era consequência de uma das células que havia se deslocado do ovário. “Na hora da notícia, o desespero tomou conta de mim ao saber que estava com câncer. Segurei firme na mão do médico e de meus familiares e disse: “façam tudo que tiver que ser feito com a ajuda de Deus, mas não me deixem morrer”, relembra Pauline. Foi realizada, então, a terceira cirurgia; dessa vez, porém, para retirada da vértebra onde o tumor se alojara. Após o procedimento cirúrgico de 12 horas, Pauline iniciou as sessões de quimioterapia, momento em que sofreu bastante com os sintomas: enjoo, falta de apetite e queda dos cabelos, entretanto, jamais perdeu o desejo de viver. Hoje, três anos depois da descoberta da doença, Pauline faz faculdade de Administração, está plenamente curada e, acima de tudo, muito feliz. A doença lhe trouxe muitas lições e a principal delas é de que cada momento deve ser vivido em sua plenitude, algo que todos sabem, mas poucos

colocam em prática verdadeiramente. “Como o hospital em Criciúma fica em frente ao Marista, o colégio foi a primeira imagem que tive após levantar da cama do hospital. Com a ajuda de meus familiares, dei os primeiros passos até a janela e não consegui segurar as lágrimas. O Marista abriu as portas de uma educação de qualidade e a virtude como família. Os amigos que formei e os funcionários sempre estarão em meu coração”, conta. Como para cada um de nós, também para Pauline o colégio estava associado às amizades, aos valores universais e às coisas mais significativas que constroem a nossa vida. Ali ela havia sido feliz e presenciado todos os milagres diários que só uma criança é capaz de enxergar. Por isso, fica a dica: nos momentos de dificuldades, que tal lembrar dos tempos de colégio? Pode ser que a força daquela criança seja tudo o que o homem ou a mulher de hoje precisem para vencer os problemas e continuar a enxergar os milagres diários.


50

Humor


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Em Familia RS ed 07  

Edição de junho/2011 da revista Em Família - Rio Grande do Sul