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Quando eu me amar Natalia Moreno


Aos meus pais, com amor, e ao meu marido pelo apoio, sem ele essa hist贸ria n茫o estaria no papel.


QUANDO EU ME AMAR

Prefácio A fluidez dos amores e dos tempos atuais, Natalia tenta conflui-los em sua linguagem necessária a amores fugazes, ou ao que quase sempre se possa pensar que sejam amores. A mesma dinâmica que move as personagens, trazendo-as desde muito distante para perto do universo do leitor, é a mesma de sua narração: a vontade de ir sempre em frente. Amores contrariados são das matérias que mais agradam os leitores, porque são, de certo, como o que é a vida, o desejo e a desilusão - e novamente o desejo -, parte de uma equação que compõe propriamente o que é humano. É impossível não reconhecer as personagens fora da ficção, muito pela atualidade do tema e pela sensibilidade da autora por esse tempo. Bruno Henrique Coelho, formado em Letras - CEUNSP, especialista em Teorias Linguísticas e Ensino pela FCLAr - UNESP 6


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E

la se arrumou como se não tivesse medo de estar iludida. Sonhou por semanas com aquele momento, ajeitou-se mais uma vez. Deu uma última olhada para o espelho e aprovou o reflexo. Enfim, havia conseguido perder os quilos indesejáveis e criado coragem de usar aquele vestido verde que ressaltava suas curvas e a pele bronzeada. “Tudo isto é para você” – disse para si mesma, pensando nele. Entrou em seu carro e seguiu o caminho pelo qual esperava encontrar a sua felicidade. No rádio tocava uma música agitada que acompanhava as batidas do seu coração. Ele esperava-a na entrada do bar e, para a sua surpresa, Bernardo abriu a 8


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porta do carro, abraçou-a com calor, beijou-lhe a face, ofereceu lhe o braço e seguiram, os dois juntos, como há tempos não ficavam, para a mesa reservada. Sofia não conseguia esconder a emoção, a alegria que sentia ao reencontrá-lo. Uma moça com uma voz grave enchia o salão com uma canção dos Los Hermanos: “Paz, eu quero paz. Já me cansei de ser a última a saber de ti. Se todo mundo sabe quem te faz chegar mais tarde. Eu já cansei de imaginar você com ela, diz pra mim se vale a pena amor...” Alguns casais se embalaram com o som e não demonstravam a menor timidez em dançar em um lugar que não tinha a escuridão a favor dos dançarinos de fim de semana. Bernardo e Sofia eram só sorrisos, cada um com seu motivo. Jogaram conversa fora e lembraram de um passado não tão distante.  Você se lembra quando brincávamos com os seus primos de caçar borboletas? E em uma tarde que 9


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corríamos pelo parque te chamei para ir por outro caminho?  É claro! Nós éramos impossíveis juntos...  Pois é, quando você se negou a ir comigo eu fiquei decepcionado! Deixei minha timidez de lado para fazer aquele convite... e poder te dar um beijo. “Se fosse hoje não teria recusado”, pensou Sofia arrependida com uma saudade quase tocável daquela época. Entres outros assuntos em que conversaram sobre os planos, os sonhos, este foi o único diálogo em que falaram deles juntos, mas não juntos como um só. Sofia se desapontou um pouco com o rumo da conversa, parecia que ele não havia reparado o quanto ela mudara da menina dentuça de cabelos embaraçados. Parecia que ele não via nada mais do que uma amiga sentada a sua frente. Seu coração trincou, mas não iria desistir daquele homem que ela amava desde menina. 

E como está a sua vida amorosa, 10


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Bernardo? O que te fez voltar para esta cidade que você mesmo dizia não ter nada que lhe interessasse? Ele a olhou nos olhos e por um segundo ela parecia ter razão em sonhar com um relacionamento.  Tirei uma folga do restaurante, tenho funcionários nos quais confio para poder me ausentar, eu precisava de novos ares, ou melhor, dos velhos ares. - disse fitando Sofia. “Não era essa a resposta que eu esperava, mas Bernardo voltou e agora é a minha chance de conquistar o homem dos meus sonhos. Não será esta noite, mas aos poucos eu vou conseguir alcançar o coração dele”, pensou. Ela sabia que não podia perder nenhuma oportunidade de estar com ele, então, antes de se despedirem prometeram se encontrar. Passeavam de mãos dadas, às vezes ele colocava o braço em volta dela e ela se sentia como uma princesa sendo guiada por um príncipe medieval, livre de todos 11


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os perigos. Tinha o corpo e o coração amparados por um homem que ela estava conseguindo cativar e, se tudo desse certo, ficaria para sempre ao seu lado. Sofia interrompeu este pensamento e concluiu que precisava ser mais realista, por mais que quisesse, não era bem assim que as coisas estavam acontecendo, Bernardo estava mais para um soldado cumprindo seu dever. Passaram um mês entre encontros, risos e abraços. Sofia vivia do pouco que ele lhe oferecia e se perguntava o que faltava nela para ele olhá-la como uma mulher. Tinha essa mania de sempre achar que o errado estava em si mesma, mesmo quando não havia nada. Ele simplesmente não a queria, pelo menos não demonstrava, e assim como qualquer pessoa, tinha o direito de se apaixonar por quem bem entendesse. Uma coisa Sofia sabia: no coração a gente não manda. Em um dos passeios, Bernardo parecia querer dizer algo, seus olhos demonstravam um pensamento confuso, uma vontade de traduzir em palavras o 12


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que ele sentia, mas Bernardo não disse nada, apenas sorriu e Sofia acreditou ter imaginado coisas. E quando ele, finalmente, falou não era o que ela queria ouvir:  Vou voltar para meu apartamento. Não posso deixar meus negócios por tanto tempo. Retorno amanhã e ficarei esperando uma visita sua.  Sério? Mas e aquele papo que estava cansado de tudo? Não fui uma boa companhia?  Que mania essa sua de se menosprezar... Nem merece uma resposta... Eu já disse, preciso voltar, por enquanto não sei fazer dinheiro cair do céu. Sofia retribuiu o sorriso, o abraçou como se pudesse guardar para sempre aquele momento, o cheiro e o desejo de seu amor ser retribuído. Ele foi embora fazer as malas e ela seguiu para sua casa com o coração apertado e a promessa de que Bernardo passaria mais tarde por lá. Sentou na sala e com um copo de Martini esperou ansiosamente por aquela noite 13


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que poderia ser a sua chance de conquistรกlo. Sofia se vestiu de alegria e esperanรงa, estampou-se de azul, deu brilho ao cabelo negro e comeรงou a folhear algumas revistas como se a velocidade em que as pรกginas eram viradas pudesse afetar o ponteiro do relรณgio.

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Sobre a autora: Natalia Moreno vive em terceira pessoa, procura um lugar ao mundo, gosta de animais, música, dançar, ler e escrever. Gosta da sensação de poder ser ela. Ri com facilidade e chora mais fácil ainda. É impulsiva e compulsiva. Escreve por hobby, tenta colocar em palavras escritas sentimentos e sensações que não consegue transmitir em palavras faladas. É paisagista e estuda Letras. Tem o defeito de querer colocar tudo em ordem, desde um quadro torto até o mundo e se desespera por este último estar fora do seu alcance.

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