DIVULGAÇÃO PNLD
O etanol: um depressor do sistema nervoso Muitas propagandas procuram alimentar a imagem de bem-estar associada ao consumo de bebidas alcoólicas. No entanto, o efeito inverso também é parte integrante da ação do etanol no organismo humano. Há pessoas que apresentam baixa tolerância a bebidas alcoólicas e que estão mais sujeitas aos efeitos desagradáveis de curto prazo decorrentes de sua ingestão. O que explica essas diferenças? O etanol não é uma substância com papel de destaque no complexo sistema de reações que ocorrem no interior das células. O fígado o identifica como tóxico e libera uma enzima, a álcool desidrogenase (indicada pela sigla ADH), que o oxida, transformando-o em etanal – um aldeído. Quando uma pessoa ingere pequenas quantidades de etanol em um intervalo de tempo não muito curto, seu organismo é capaz de concluir essa transformação, que prossegue por ação de outra enzima, originando ácido etanoico. Esse ácido é um participante natural de nosso metabolismo. Mas isso requer tempo; assim, beber muito álcool de uma só vez pode causar problemas sérios – em alguns casos até a morte. Logo, o que explica o fato de algumas pessoas terem um nível elevado de tolerância ao álcool e outras não é a maior ou menor disponibilidade da enzima ADH. Entre os efeitos negativos imediatos do álcool, podemos citar: indisposição estomacal – decorrente do aldeído e do ácido formados – e sobrecarga do fígado e dos rins. O uso abusivo de etanol pode provocar dependência física e psicológica, problemas graves no sistema nervoso e predisposição a diferentes doenças no fígado, como a hepatite alcoólica e a cirrose, e no estômago, como a gastrite crônica. E qual é o efeito do etanol no sistema nervoso central? Tecnicamente, dizemos que o etanol é um depressor do sistema nervoso central, o que não significa que essa substância torne uma pessoa deprimida assim que começa a beber; na verdade, ela atua como redutor da atividade do sistema nervoso central. Por isso, os consumidores de álcool ficam mais “relaxados” e “autoconfiantes”. No Brasil, o motorista cometerá infração para qualquer quantidade (concentração) de etanol detectada no sangue. Caso apresente concentrações maiores que 6,0 decigramas de etanol por litro de sangue, o motorista responderá criminalmente. O etanol e outras drogas atuam sobre os neurotransmissores – moléculas que conectam uma célula nervosa (neurônio) a outra. Essas células são altamente especializadas na percepção e na elaboração de respostas a estímulos externos. Há neurotransmissores que estimulam a atividade elétrica do cérebro, isto é, são excitatórios, e outros – os inibitórios – que a reduzem. Assim, por exemplo, o aumento da quantidade de um neurotransmissor inibitório – o ácido gama-aminobutírico (GABA) – explica os movimentos lentos, típicos de alguém que se excedeu na bebida. O aumento da quantidade de outro neurotransmissor no sistema nervoso central – a dopamina – explica as sensações prazerosas experimentadas por quem bebe. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 12% das pessoas desenvolvem dependência do álcool em um processo lento, que comumente passa despercebido a quem bebe e àqueles que lhe são mais próximos. 1. Por que algumas pessoas são mais tolerantes ao álcool? 2. Qual é o efeito do etanol no sistema nervoso central? 3. O texto menciona que a dependência do álcool é um processo que passa despercebido a quem bebe e às pessoas próximas. Por quê?
Álcool, cigarro e drogas, de Jairo Bouer. São Paulo: Panda Books, 2005. (Col. Bate-papo com Jairo Bouer). A adolescência é uma fase de mudanças. E toda mudança gera algum grau de medo e angústia. Numa conversa bastante franca, sem discurso moralista ou slogans simplistas, o psiquiatra Jairo Bouer esclarece os riscos do consumo de álcool, cigarro e drogas.
Capítulo 4 Funções orgânicas oxigenadas
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