Entrelaços - História - Volume 2

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HISTÓRIA

ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

COMPONENTE CURRICULAR: HISTÓRIA

LIVRO DO PROFESSOR

Gislane Campos Azevedo Seriacopi

Mestra em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Atuou como professora universitária, pesquisadora e professora de História dos ensinos fundamental e médio nas redes pública e privada.

Autora de livros didáticos.

Reinaldo Seriacopi

Bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior. Autor e editor de livros didáticos.

1a edição São Paulo – 2025

Entrelaços – História – 4o ano (ensino fundamental – anos iniciais)

Copyright © Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Assessoria Débora Diegues

Edição Francisca Edilania de Brito Rodrigues (coord.), Carlos Eduardo de Almeida Ogawa, Mariana Renó Faria, Rui Campos Dias, Vanessa do Amaral

Preparação e revisão Maria Clara Paes (coord.), Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Ana Carolina Rollemberg, Anna Júlia Danjó, Cintia R. M. Salles, Denise Morgado, Desirée Araújo, Diogo Souza Santos, Elaine Pires, Eloise Melero, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Kátia Cardoso, Márcia Pessoa, Maura Loria, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam, Veridiana Maenaka, Yara Affonso

Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna

Moreirão, Tami Buzaite

Gerência de produção e arte Ricardo Borges Silva Design Andréa Dellamagna (coord.), Sergio Cândido (criação), Ana Carolina Orsolin

Projeto de capa Sergio Cândido

Imagem de capa SuperPixel Inc/stock.adobe.com

Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.) Alexandre Tallarico, Marcia Cunha do Nascimento, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)

Diagramação Estúdio Diagrami

Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga

Licenciamento de textos Érica Brambila

Iconografia Jonathan Santos, Lucas Alves Profeta, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)

Ilustrações Alberto De Stefano, Alex Rodrigues, Anderson Carolino, Bruna Ishihara, Caco Bressane, Estúdio Ampla Arena, Getulio Delphim, Lais Oliveira, Milton Rodrigues Alves, Wanderson de Souza Caetano

Cartografia Mario Yoshida, Sonia Vaz

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Seriacopi, Gislane Campos Azevedo

Entrelaços : história : 4º ano : ensino fundamental : anos iniciais / Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi. -- 1. ed. -São Paulo : FTD, 2025.

Componente curricular: História.

ISBN 978-85-96-06156-8 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06157-5 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06158-2 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06159-9 (livro do professor HTML5)

1. História (Ensino fundamental) I. Seriacopi, Reinaldo. II. Título.

25-292664.0

Índices para catálogo sistemático:

CDD-372.89

1. História : Ensino fundamental 372.89

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Ensinar História nos anos iniciais do Ensino Fundamental é mais do que apresentar fatos do passado: é ajudar os estudantes a dar sentido ao mundo em que vivem e ao lugar que ocupam nele. A História oferece ferramentas para que os estudantes compreendam que fazem parte de uma coletividade, com memórias, conquistas e desafios que atravessam o tempo. Quando os estudantes percebem que também são sujeitos históricos, começam a desenvolver um olhar mais crítico e solidário sobre a sociedade.

Sabemos que o trabalho do professor generalista é repleto de responsabilidades e desafios. Por isso, pensamos este livro como um apoio concreto e próximo: aqui, reunimos sugestões práticas, caminhos possíveis e orientações que podem ajudá-lo a conduzir as atividades e a dialogar com os conteúdos históricos de forma significativa e prazerosa.

Nosso objetivo é caminhar a seu lado para que, desde cedo, seus estudantes possam exercitar a curiosidade, o respeito à diversidade, a valorização da memória e o compromisso com a construção de um mundo mais justo, fraterno e tolerante – princípios essenciais da formação cidadã.

Os autores

ORGANIZAÇÃO GERAL DA COLEÇÃO

Esta coleção é composta de três volumes destinados ao 3 o, 4o e 5o ano do ensino fundamental. Para cada ano escolar, tem-se o Livro do estudante e o Livro do professor, nas versões impressa e digital.

Livros impressos

O QUE É HISTÓRIA

Livro do estudante

Cada volume está organizado em quatro unidades, divididas em capítulos. Ao longo dos capítulos, são trabalhados conteúdos voltados para desenvolver habilidades e competências do componente curricular de História em uma estrutura clara e prática, adequada para ser abordada em sala de aula.

capítulo, vamos aprender que objetos como a bicicleta aju- dam a entender o passado, as mudanças que ocorreram ao longo do tempo e como isso tudo tem a ver com a História

resultado da ação do ser humano no tempo e no es paço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. (EF04HI08) Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS (TCT) Diversidade cultural. • Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras). • Vida familiar e social.

bicicletas evidencia que

uma

se modificam com o

Naquele momento, as bicicletas tinham rodas dianteiras enormes, pedais ligados diretamente à roda e não usavam correntes. Eram altas, difíceis de subir e de se equilibrar, e muitas pessoas caíam delas. Atualmente, as bicicletas são mais seguras e mais avançadas; ainda assim, é preciso ter muito cuidado ao usá-las, pois acidentes com elas podem ser graves. Neste capítulo, vamos aprender que objetos como a bicicleta ajudam a entender o passado,

destacando que analisar essas mudanças é uma das essências do estudo da História. Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento da habilidade EF04HI01 Bicicleta fabricada Estados Unidos em 1934.

ENCAMINHAMENTO Para dar início ao trabalho com a dupla de páginas, proponha aos estudantes a discussão das questões que abrem o texto. A conversa pode ser feita primeiramente em duplas ou em pequenos grupos, e, depois, cada grupo pode compartilhar suas ideias com

diferentes

O QUE É HISTÓRIA 05/10/25

ATIVIDADES Proponha aos estudantes que conversem com familiares e solicitem que mostrem um objeto antigo guardado em casa, contando a história associada a ele (no caso de não haver um objeto antigo, o familiar pode descrever algum e contar sua história). Oriente-os a elaborar três perguntas relacionadas ao objeto para que o familiar escolhido as responda, destacando como é possível conhecer aspectos da vida da pessoa e de épocas anteriores a partir desse objeto. O objetivo é que os estudantes reflitam sobre como podemos conhecer o passado e a história de indivíduos por meio dos objetos, que funcionam como “fontes históricas”.

Livro do professor

CONEXÃO

Livros digitais

Objetos digitais

PARA O PROFESSOR BORGES, Vavy Pacheco. O que é história 18. ed. São Paulo: Brasiliense, 1993. (Coleção primeiros passos, v. 17). Nesse livro, a historiadora Vavy Pacheco Borges apresenta uma introdução aos estudos históricos, discutindo a origem da historiografia e algumas das escolas historiográficas que mais influenciaram o pensamento dos historiadores em diferentes épocas.

A resposta da atividade é pessoal. Os estudantes podem mencionar objetos como telefones, aparelhos de rádio e televisão, entre outros. Explore como as formas e os usos desses objetos e suas construções tiveram influência nas mudanças ocorridas. Na atividade 2 espera-se que os estudantes percebam que a bicicleta fabricada na década de 1970 é a mais parecida com a que existe em nossos dias. Contudo, os estudantes podem argumentar que o modelo da década de 1890 apresenta semelhanças com as bicicletas atuais. A resposta da atividade 3 é pessoal. Ao refletir sobre o processo de desenvolvimento de fer-

e as descobertas influenciaram o resultado.

Além dos subsídios para o professor, este livro reproduz o Livro do estudante na íntegra, em miniaturas com respostas em magenta. Nas laterais e abaixo da reprodução do Livro do estudante, são apresentados a introdução à unidade, os objetivos de aprendizagem, comentários e orientações para o encaminhamento das propostas, bem como ampliações e aprofundamentos para enriquecer as abordagens pedagógicas. Oferece também textos e atividades complementares e sugestões de leitura, filmes e outros recursos.

Trata-se do Livro do estudante e do Livro do professor no formato digital, em HTML5, o que permite o acesso ao material em diferentes aparelhos digitais: smartphones, notebooks e tablets, por exemplo.

Ao longo do volume, ícones indicam infográficos clicáveis que podem ser acessados pelo professor e pelos estudantes para enriquecer a aprendizagem de maneira dinâmica.

SUMÁRIO

Unidade 1 – O que a História estuda? 8

Unidade 2 – A formação das cidades e as trocas comerciais 46

Unidade 3 – Origens do Brasil 78

Unidade 4 – Deslocamentos e comunicação 114 ORIENTAÇÕES

O Livro do professor VII

A Base Nacional Comum Curricular VIII Competências IX Habilidades XI

Quadro de habilidades XII

Educação integral XIII

O ensino do componente curricular de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental XIV

Trabalhando os conceitos estruturantes de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental XVII

As leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008: educação para a igualdade racial e o respeito à diversidade XX

Trabalho com fontes históricas nos anos iniciais XXII

Interdisciplinaridade XXIII

O ensino do componente curricular de História e os Temas Contemporâneos Transversais XXV

As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) na educação XXVI

Aprendizagem significativa XXVII

Metodologias ativas XXVIII

O trabalho com projetos XXVIII

Pensando o papel do professor XXIX

Espaços coletivos de formação XXX

O espaço da sala de aula XXX

Educação inclusiva XXXII

Avaliação formativa XXXV

Avaliação formativa no componente curricular de História XXXVII

Planejamento e conteúdos XXXVIII

Quadro programático da coleção XXXVIII

Sugestões de cronograma – 4º ano XL

Matriz de planejamento de rotina XLII

Matriz de planejamento de sequência didática XLII

Sugestão de projeto do 4º ano: festival de culturas indígenas XLIII

REFERÊNCIAS COMENTADAS XLVI

HISTÓRIA

ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

COMPONENTE CURRICULAR: HISTÓRIA

LIVRO DO PROFESSOR

Gislane Campos Azevedo Seriacopi

Mestra em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Atuou como professora universitária, pesquisadora e professora de História dos ensinos fundamental e médio nas redes pública e privada.

Autora de livros didáticos.

Reinaldo Seriacopi

Bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior. Autor e editor de livros didáticos.

1a edição São Paulo – 2025

Entrelaços – História – 4o ano (ensino fundamental – anos iniciais)

Copyright © Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Assessoria Débora Diegues

Edição Francisca Edilania de Brito Rodrigues (coord.), Carlos Eduardo de Almeida Ogawa, Mariana Renó Faria, Rui Campos Dias, Vanessa do Amaral

Preparação e revisão Maria Clara Paes (coord.), Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Ana Carolina Rollemberg, Anna Júlia Danjó, Cintia R. M. Salles, Denise Morgado, Desirée Araújo, Diogo Souza Santos, Elaine Pires, Eloise Melero, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Kátia Cardoso, Márcia Pessoa, Maura Loria, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam, Veridiana Maenaka, Yara Affonso

Produção de conteúdo digital Deborah D’Almeida Leanza (coord.), André Tomio Lopes Amano, Fabio Bonna

Moreirão, Tami Buzaite

Gerência de produção e arte Ricardo Borges Silva Design Andréa Dellamagna (coord.), Sergio Cândido (criação), Ana Carolina Orsolin

Projeto de capa Sergio Cândido

Imagem de capa SuperPixel Inc/stock.adobe.com

Arte e produção Vinicius Fernandes (coord.) Alexandre Tallarico, Marcia Cunha do Nascimento, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)

Diagramação Estúdio Diagrami

Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga

Licenciamento de textos Érica Brambila

Iconografia Jonathan Santos, Lucas Alves Profeta, Leticia dos Santos Domingos (trat. imagens)

Ilustrações Alberto De Stefano, Alex Rodrigues, Anderson Carolino, Bruna Ishihara, Caco Bressane, Estúdio Ampla Arena, Getulio Delphim, Lais Oliveira, Milton Rodrigues Alves, Wanderson de Souza Caetano

Cartografia Mario Yoshida, Sonia Vaz

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Seriacopi, Gislane Campos Azevedo

Entrelaços : história : 4º ano : ensino fundamental : anos iniciais / Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi. -- 1. ed. -São Paulo : FTD, 2025.

Componente curricular: História.

ISBN 978-85-96-06156-8 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06157-5 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06158-2 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06159-9 (livro do professor HTML5)

1. História (Ensino fundamental) I. Seriacopi, Reinaldo. II. Título.

25-292664.0

Índices para catálogo sistemático:

CDD-372.89

1. História : Ensino fundamental 372.89

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Olá, estudante!

Convidamos você a uma viagem no tempo para conhecer povos, culturas e lugares diferentes, de antigamente e de hoje também.

Nessa jornada, vamos investigar como se vivia no passado e explorar histórias de famílias, cidades, festas, invenções e muito mais. Ao longo do percurso, você vai compreender que muito do que somos, fazemos ou pensamos no presente tem origem naqueles que vieram antes de nós.

A história não está apenas nos livros: ela está também na nossa escola, na nossa rua, nos objetos que usamos, nas músicas que ouvimos e cantamos e até nas brincadeiras que inventamos. Ela se constrói todos os dias. E, o mais importante, você vai compreender que a história é feita por todos, inclusive por você e pelas pessoas que o cercam.

Os autores.

CONHEÇA SEU LIVRO

ABERTURA DE UNIDADE

Na abertura de unidade, você vai despertar sua curiosidade, explorar imagens e trocar ideias com os colegas.

Luiz Gonzaga gravou, em 1957, a música “A Feira de Caruaru” para celebrar uma das feiras mais famosas do país, localizada na cidade de Caruaru, no estado de Pernambuco. A feira surgiu quando comerciantes de uma antiga rota de comércio que passava pela região começaram a parar ali para descansar e vender seus produtos. Com o tempo, a feira cresceu e deu origem à cidade. Hoje, a Feira de Caruaru é considerada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro e, além de atender os compradores locais, atrai consumidores de todas as regiões do país. Leia um trecho da música interpretada por Luiz Gonzaga.

A Feira de Caruaru

[...] Faz gosto da gente ver De tudo que há no mundo Nela tem pra vender

Na feira de Caruaru

Tem massa de mandioca Batata assada Tem ovo cru Banana, laranja, manga Batata-doce, queijo e caju Cenoura, jabuticaba Guiné, galinha, Pato e peru [...]

Tem louça, tem ferro veio, Sorvete de raspa Que faz jaú [...] Boneco de vitalino Que são conhecido

Inté no Sul, De tudo que há no mundo Tem na feira de Caruaru A feira de Caruaru…

ALMEIDA, Onildo. A Feira de Caruaru [S. ]: Luiz Lua Gonzaga, c2025. Música lançada em 1957 e interpretada por Luiz Gonzaga. Disponível em: https://luizluagonzaga.com.br/a-feira-de -caruaru/. Acesso em: 22 jul. 2025.

1 Você já foi à feira com algum familiar? Se já foi, o que mais gosta de fazer nesses espaços?

2 A letra da música cita diversos produtos. Quais são seus preferidos?

3 Os principais instrumentos do forró e do baião são a sanfona, a zabumba e o triângulo. Você conhece esses instrumentos? Sabe imitar como eles são tocados? Se souber, mostre para os colegas.

4 Você já deve ter ouvido músicas, assistido a desenhos animados ou comido algum prato que têm origem em outros países. Conte para a turma como foi sua experiência e explique como

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CAPÍTULOS

Nos capítulos, você vai encontrar diferentes conteúdos e aprender com eles.

IDEIA PUXA IDEIA

A influência da língua tupi no Brasil Você sabia que a língua portuguesa que falamos atualmente é resultado do encontro de diferentes povos e culturas? Quan- do os europeus chegaram aqui, encontraram povos que falavam línguas muito diferentes das deles. Uma delas era o tupi. Com o passar do tempo, os portugueses, ao conviverem com os povos indígenas, aprenderam os idiomas deles, e muitas dessas palavras foram incorporadas à língua que falamos atual- mente. Essas palavras são usadas para nomear frutas, animais, lugares, alimentos e até mesmo brinquedos, por exemplo. Nesta seção, vamos conhecer algumas palavras de origem indígena.

tupi: acayu Significado: noz que produz.

Ao longo do livro, você vai encontrar informações sobre pessoas importantes citadas no texto.

Essas e outras palavras de origem tupi estão presentes em nosso dia

A sedentarização

Com o desenvolvimento da agricultura e da domesticação de animais, os grupos humanos começaram a se fixar por mais tempo nos mesmos lugares.

As casas, antes feitas para durar dias ou meses, passaram a ser mais resistentes. Os grupos cresceram, e os povoados começaram a surgir. Esses povoados eram formados por várias casas próximas, áreas para guardar alimentos, espaços para os animais e lugares onde o grupo se reunia. As pessoas precisavam organizar a limpeza, cuidar da água e decidir o que plantar. Isso fez surgir novas formas de liderança e regras para a convivência.

Não existiam ruas, e os habitantes circulavam de uma casa a outra por escadas, atravessando os telhados. Viver em grupo trouxe vantagens: havia mais segurança, mais troca de conhecimentos e maior produção de alimentos. Mas também surgiram problemas: conflitos por terras, doenças e desigualdades entre os membros da comunidade. Essa nova forma de viver foi um passo importante na história. Ainda não eram cidades, mas os povoados já mostravam sinais do que viria a seguir: uma sociedade mais complexa, com tarefas divididas, crenças comuns e novos desafios pela frente. 4 Explique no caderno como era a vida nos primeiros povoados formados com o desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais. Elaborado com base em: DIAS, João Manuel Alveirinho. Mundividências projectadas das representações do espaço

43

Resposta esperada: as

Este ícone indica as atividades que devem ser respondidas no caderno.

MÃO NA MASSA

É a hora de realizar atividades

MÃO NA MASSA

Caju. Vista aérea do município de Curiti- ba (PR),

tupi: jaeça-caré Significado: o que olha de lado.

Jacarés no Pantanal.

IDEIA PUXA IDEIA

Este é um convite para você aprofundar os temas estudados, conversando com outras áreas do conhecimento e tratando de temas diversos e de cidadania.

Agora, observe ao seu redor, em sua casa, na escola ou no bairro onde você mora. Escolha três objetos, documentos ou registros que você acha que são fontes da história

CRIANÇA CIDADÃ

Você vai refletir sobre assuntos do cotidiano e encontrar propostas que promovem o exercício da cidadania.

2. a) O jornal foi um veículo da luta dos motoristas particulares por melhores condições de vida e de trabalho.

O QUE ESTUDEI

em: noticias/brasil-registra-194-3-mil-novos-migrantes-em-2024.https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/ Acesso: 6 ago. 2025.

1. b) Porque, ao longo da história do país, pessoas oriundas de diversos locais do mundo se estabeleceram no Brasil, participando de maneira significativa da formação do povo brasileiro. Imigrantesvenezuelanos esperam atendimento no programa Operação Acolhida, em Boa Vista (RR), 2023. PHOTO

142

a) De acordo com a reportagem, quantos imigrantes chegaram ao Brasil em 2024 e de onde veio a maior parte deles?

Chegaram 194,3 mil imigrantes, a maior parte da Venezuela.

b) Por que podemos afirmar que o Brasil é um país multiétnico?

c) A entrada de imigrantes no Brasil é algo exclusivo dos tempos atuais? Por quê?

Não, ao longo do tempo, pessoas de diferentes nacionalidades imigraram para o Brasil, principalmente na virada do século 19 para o 20.

2 No começo da década de 1920, os motoristas profissionais se organizaram para criar o jornal Voz do Chauffeur (Voz do Motorista) para lutar por direitos. A publicação existiu por cerca de dois anos. Leia a seguir um trecho de uma reportagem publicada por esse jornal. A grafia foi adaptada para a língua portuguesa de nossos dias.

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BOXES

CONCEITO

Destaca os principais conceitos estudados.

ATENÇ ÃO

Traz orientações sobre cuidados necessários para a realização de determinadas atividades.

Pecúlio:valor pagoemcaso defalecimento doassociado.

Veja respostas e comentários no Encaminhamento Veja resposta no Encaminhamento […] tomamos a iniciativa de formar um projeto de melhoramentos em nosso benefício […] […] cujo resumo é o seguinte: 1 – Regulamentação das horas de trabalho; 2 – Criar um pecúlio para a viúva do associado vítima de acidente; 3 – Construir no prazo máximo de três anos um Hospital-Sanatório; 4 – Promover festas públicas em benefício do Hospital-Sanatório etc. FARIA JUNIOR, José Pedro de et al A classe. Voz do Chauffeur Rio de Janeiro, ano 1, n. 1, p. 3, 1924. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DOCREADER/DocReader.aspx?bib=343390&pagfis=3. Acesso em: 7 ago. 2025.

a) Com base na leitura do trecho, qual era a importância desse meio de comunicação para a categoria dos motoristas profissionais?

b) Os motoristas profissionais elaboraram uma lista com reivindicações para melhorar as condições de trabalho da categoria. Que reivindicações eram essas?

c) De acordo com o que você estudou, quais grupos sociais também utilizaram a imprensa para reivindicar seus direitos?

3 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade. • Aproveite este momento para refletir sobre os seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO Respostas pessoais. Sempre Àsvezes Nunca

Respeitei o professor e os colegas? Prestei atenção nas explicações? Pedi ajuda quando tive dúvidas? Contribuí nas atividades em grupo? 143

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O QUE ESTUDEI

Este ícone indica as atividades que devem ser respondidas oralmente.

É hora de retomar os principais assuntos estudados em cada unidade.

FIQUE LIGADO

Apresenta sugestões de livros, sites, músicas e outros materiais para enriquecer seu conhecimento.

TEM MAIS

Traz curiosidades e informações complementares ao tema estudado.

OBJETOS DIGITAIS

GLOSSÁRIO

Apresenta o significado de palavras e expressões que talvez você ainda não conheça.

O ícone a seguir identifica os infográficos clicáveis, que são objetos digitais presentes neste volume. Esses objetos digitais apresentam assuntos complementares ao conteúdo do livro, ampliando sua aprendizagem.

INFOGRÁFICO CLICÁVEL

UNIDADE

3

ORIGENS DO BRASIL

CAPÍTULO 1 INDÍGENAS E PORTUGUESES NA AMÉRICA

Cada povo tem uma origem

Os indígenas antes da colonização europeia

A relação com a natureza

O contato com os portugueses

IDEIA PUXA IDEIA • A INFLUÊNCIA DA LÍNGUA TUPI NO BRASIL

As lutas do presente

CAPÍTULO 2 BRASIL AFRICANO

Os povos africanos antes da colonização

tráfico de escravizados

CRIANÇA CIDADÃ • COMBATE AO RACISMO

afro-brasileira

UNIDADE

imigração europeia

origem da imprensa

OBJETOS DIGITAIS

Infográfico clicável: As mulheres dos primeiros grupos humanos . . .

Infográfico clicável: Os primeiros núcleos urbanos e as cidades atuais 50

Infográfico clicável: O povo pataxó no Brasil atual 95

Infográfico clicável: Intelectuais negras brasileiras

Infográfico clicável: Imigrações recentes para o Brasil

Infográfico clicável: Meios de comunicação no Brasil

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, os estudantes serão convidados a pensar as práticas da ciência histórica e a refletir a respeito do trabalho do historiador e da história das primeiras formações humanas. No capítulo 1, o foco é a construção do conhecimento histórico, as características do trabalho do historiador e as especificidades dos diferentes tipos de fontes históricas, que permitem conhecer diversos aspectos do passado. No capítulo 2, parte-se para a reflexão sobre a história dos primeiros grupamentos humanos, iniciando pelos debates sobre as teorias do povoamento da Terra e discutindo a transição do nomadismo para o sedentarismo. Ainda nesse capítulo, aborda-se como a agricultura e a criação de animais permitiram a fixação dos primeiros grupos humanos e a formação das primeiras cidades. Assim, ao longo da unidade, os estudantes vão se familiarizar com procedimentos típicos das metodologias das ciências históricas, conhecendo também as diferentes fontes possíveis (como documentos, vestígios arqueológicos, relatos orais etc.) de análise para a compreensão de determinado recorte do passado.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Perceber as relações entre passado e presente, compreendendo a noção de permanência e as transformações sociais e culturais.

• Compreender o que é História e quais são as características do trabalho do historiador.

• Refletir sobre o papel das fontes históricas na construção de conhecimentos sobre o passado.

• Analisar a ação de pessoas, grupos sociais e comunidades no tempo e no espaço.

O QUE A HISTÓRIA ESTUDA?

Sobre as questões apresentadas, veja comentários no Encaminhamento

1 Você já brincou de procurar por pistas? Como foi?

2 Se precisasse obter informações sobre como as pessoas se comunicavam no passado, o que você faria?

• Refletir sobre questões históricas relativas às migrações humanas.

• Investigar o surgimento da espécie humana no continente africano e sua expansão pelo mundo.

• Discutir a circulação de pessoas, produtos e culturas ao longo da história.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a unidade com uma roda de conversa, convidando os estudantes a discutir o que caracteriza um detetive e como é o seu trabalho. Incentive-os a compartilhar filmes, desenhos animados e livros que contam histórias de detetives. Com base nos exemplos citados, exponha práticas e atividades que caracterizam o trabalho dos detetives, como a investigação de fatos e de pessoas e o levantamento de provas.

Por meio dos elementos expostos, proponha a comparação do trabalho do detetive com o trabalho do historiador. Pergunte aos estudantes o que fariam se tivessem de investigar algo que

Investigado

Você já brincou de detetive? Procurar pistas, reunir informações, fazer perguntas... tudo isso faz parte da brincadeira de detetive. E do trabalho de quem estuda História! Os historiadores são como “detetives do tempo”. Eles querem descobrir como as pessoas viviam antigamente, o que comiam, onde moravam, como se vestiam, o que construíam, o que pensavam. Para isso, eles observam atentamente as pistas deixadas ao longo do tempo: cartas, roupas antigas, objetos, construções, fotografias, histórias contadas pelas pessoas e muito mais.

Nesta unidade, você vai aprender como esses “detetives do tempo” trabalham e por que é tão importante conhecer o passado para entender melhor o mundo de hoje.

foi João das Neves?

16:56

aconteceu no passado: o que procurariam, onde procurariam e de quais recursos precisariam para a investigação. Registre na lousa os elementos citados pelos estudantes, depois, coletivamente, selecione as informações consideradas mais significativas pela turma.

Esteja atento ao longo do processo de ensino e aprendizagem: estudantes com deficiência, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e/ou dislexia, por exemplo, podem ter dificuldade no processamento de informações grafomotoras ou na percepção e/ou orientação visuoespacial, bem como fragilidades na memória de trabalho. Dessa forma, podem pular linhas durante a leitura ou esquecer rapidamente o que acabaram de ler. Para ajudá-los a se localizar, sugira que utilizem uma régua para acompanhar o texto. Procure sempre ler os textos em conjunto com os estudantes ou explicar trecho a trecho após a leitura realizada por eles, verificando se compreenderam e ratificando as informações.

O objetivo da atividade 1 é incentivar os estudantes a estabelecer um paralelo entre uma brincadeira infantil de procurar pistas para descobrir algo e o trabalho do historiador, que, por

meio da análise de vestígios e evidências, procura compreender diferentes aspectos das sociedades do passado.

Na atividade 2, os estudantes podem responder que entrevistariam pessoas que viveram naquele tempo e procurariam informações em livros, em reportagens de época, fotografias, vídeos etc. O importante é que eles percebam a importância de buscar informações em fontes variadas.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• GINZBURG, Carlo. Sinais: raízes de um paradigma indiciário. In: GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. Tradução: Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 143-179.

Neste artigo, reconhecido como um clássico da historiografia, o professor italiano Carlo Ginzburg defende que o trabalho do historiador se assemelha ao de um detetive, uma vez que ambos buscam a verdade com base na análise de indícios.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Discutir o que é História e qual é a importância da construção de conhecimento sobre o passado.

• Compreender as características do trabalho do historiador e as metodologias de trabalho por ele adotadas.

• Definir o conceito de fontes históricas, reconhecendo-as como elemento central na construção de conhecimento sobre o passado.

• Diferenciar os tipos de fontes históricas, reconhecendo suas especificidades.

• Refletir sobre a diversidade de olhares para o passado, com base em diferentes fontes históricas.

• Reconhecer a existência de diferentes metodologias para lidar com a variedade de fontes históricas exploradas pelos historiadores.

BNCC

HABILIDADES

(EF04HI01) Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo.

(EF04HI08) Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

TEMAS

CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Diversidade cultural.

• Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

• Vida familiar e social.

O QUE É HISTÓRIA capítulo

Você já andou de bicicleta? Ou já andou com um irmão, uma prima ou um amigo que guiava uma?

Observe as imagens e converse com os colegas.

A história da bicicleta é um ótimo exemplo de como as mudanças transcorrem ao longo do tempo. A bicicleta mais antiga foi criada há quase 150 anos, quando nem os bisavós da maioria das pessoas de hoje haviam nascido.

Elementos fora de proporção.

Um dos primeiros modelos de bicicleta foi lançado no Reino Unido por volta de 1870.

Bicicleta de segurança, lançada na década de 1890. Ela era conhecida dessa maneira por ser mais segura que as bicicletas altas que existiam anteriormente.

ENCAMINHAMENTO

Bicicleta fabricada nos Estados Unidos em 1934.

Para dar início ao trabalho com a dupla de páginas, proponha aos estudantes a discussão das questões que abrem o texto. A conversa pode ser feita primeiramente em duplas ou em pequenos grupos, e, depois, cada grupo pode compartilhar suas ideias com os demais.

Após essa conversa inicial, solicite aos estudantes que têm bicicleta que a descrevam para a turma. Proponha, então, que observem as imagens de bicicletas que aparecem no livro, identificando as datas e percebendo quais são as mais antigas e as mais recentes. Peça-lhes que comparem as bicicletas das imagens com as descritas por eles, apontando semelhanças e diferenças.

Em seguida, proponha uma reflexão sobre como a comparação entre os diferentes tipos de bicicletas evidencia que os objetos se modificam com o tempo, destacando que analisar essas mudanças é uma das essências do estudo da História. Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento da habilidade EF04HI01.

Naquele momento, as bicicletas tinham rodas dianteiras enormes, pedais ligados diretamente à roda e não usavam correntes. Eram altas, difíceis de subir e de se equilibrar, e muitas pessoas caíam delas.

Atualmente, as bicicletas são mais seguras e mais avançadas; ainda assim, é preciso ter muito cuidado ao usá-las, pois acidentes com elas podem ser graves.

Neste capítulo, vamos aprender que objetos como a bicicleta ajudam a entender o passado, as mudanças que ocorreram ao longo do tempo e como isso tudo tem a ver com a História que estudamos na escola. Vamos aprender também como a História estuda as sociedades do passado e o jeito como as pessoas viviam, trabalhavam, se divertiam, se vestiam, se alimentavam e se relacionavam umas com as outras.

Converse com os colegas e o professor sobre as questões a seguir.

Veja respostas e comentários no Encaminhamento.

1 Você conhece algum outro objeto que se transformou ao longo do tempo?

2 Qual das bicicletas nas imagens se parece mais com as que são produzidas em nossos dias?

3 Que objeto você tem curiosidade de saber como foi desenvolvido?

16:56

A resposta da atividade 1 é pessoal. Os estudantes podem mencionar objetos como telefones, aparelhos de rádio e televisão, entre outros. Explore como as formas e os usos desses objetos e suas construções tiveram influência nas mudanças ocorridas.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes percebam que a bicicleta fabricada na década de 1970 é a mais parecida com a que existe em nossos dias. Contudo, os estudantes podem argumentar que o modelo da década de 1890 apresenta semelhanças com as bicicletas atuais.

A resposta da atividade 3 é pessoal. Ao refletir sobre o processo de desenvolvimento de ferramentas, utensílios e outros objetos, os estudantes são convidados a compreender as ideias e motivações que nortearam a criação dos itens e como as tentativas, os erros e as descobertas influenciaram o resultado.

ATIVIDADES

Proponha aos estudantes que conversem com familiares e solicitem que mostrem um objeto antigo guardado em casa, contando a história associada a ele (no caso de não haver um objeto antigo, o familiar pode descrever algum e contar sua história). Oriente-os a elaborar três perguntas relacionadas ao objeto para que o familiar escolhido as responda, destacando como é possível conhecer aspectos da vida da pessoa e de épocas anteriores a partir desse objeto. O objetivo é que os estudantes reflitam sobre como podemos conhecer o passado e a história de indivíduos por meio dos objetos, que funcionam como “fontes históricas”.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• BORGES, Vavy Pacheco. O que é história. 18. ed. São Paulo: Brasiliense, 1993. (Coleção primeiros passos, v. 17).

Nesse livro, a historiadora Vavy Pacheco Borges apresenta uma introdução aos estudos históricos, discutindo a origem da historiografia e algumas das escolas historiográficas que mais influenciaram o pensamento dos historiadores em diferentes épocas.

Bicicleta de corrida da década de 1970.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Nesta dupla de páginas, proponha uma atividade de sensibilização em que os estudantes devem escrever um breve texto, com um ou dois parágrafos, recuperando como foi o dia anterior e contando aspectos da rotina deles. Após a escrita dos textos, proponha aos estudantes que reflitam sobre como seria a vida deles se tivessem nascido em outro país ou em outra época e como seriam seus hábitos, suas tarefas diárias e a relação deles com os familiares e a comunidade. Proponha que compartilhem as conclusões com um colega.

Depois, peça-lhes que analisem a fotografia das mulheres da aldeia Ipatsé trabalhando na produção de polvilho. Organize uma roda de conversa para discutir quais aspectos da rotina das mulheres retratadas podem ser semelhantes e quais diferem das rotinas descritas por eles na atividade inicial. Com base nos elementos levantados, aponte como hábitos, costumes, práticas e tradições variam em diferentes lugares e se transformam ao longo do tempo. Essa abordagem favorece o desenvolvimento dos TCTs Diversidade cultural e Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras

Na atividade 1, espera-se que estudantes da região Norte, por exemplo, citem o açaí; do Nordeste, o caju; e do Sul, o pinhão – todas plantas nativas do Brasil. Os do Centro-Oeste e do Sudeste talvez mencionem pratos cujo principal ingrediente é o milho, como o curau e a pamonha. Estudantes com deficiência podem apresentar dificuldade de abstração e fragilidades no processo de memorização, com diferentes manifestações e níveis. Para auxiliá-los na realização dessa atividade, mostre fotografias ou vídeos dos elementos citados para ajudá-los a assimilar melhor o conteúdo.

DO PRESENTE PARA O PASSADO

Você já imaginou como seria sua vida se você tivesse nascido em outro país ou em outra época? Como seriam seus hábitos, quais seriam suas tarefas diárias, como seria a relação que você tem com a família e a comunidade?

E se o Brasil fosse diferente? Por que vivemos de um jeito e não de outros? Por que comemos certos alimentos, como arroz, feijão ou tapioca, por exemplo? O hábito de preparar alguns alimentos tem origem no que aprendemos com povos que viveram há muito tempo em nossa história . Não só os alimentos, mas muitos aspectos de nosso presente têm origem nos tempos passados e são considerados permanências.

A mandioca, que também é chamada aipim ou macaxeira, é um bom exemplo. Esse ingrediente é utilizado em inúmeras receitas brasileiras.

A mandioca já era usada pelos povos indígenas para fazer farinha, beiju e tapioca muito antes de os europeus chegarem ao território que hoje conhecemos como Brasil. Ou seja, nosso presente está muito relacionado ao nosso passado.

de mandioca.

Indígena do Xingu, em Gaúcha do Norte (MT), em 2023.

1 Que outros alimentos, ingredientes ou pratos de origem indígena você conhece ou fazem parte de seu cotidiano?

Resposta pessoal. As respostas podem variar de acordo com a região do país. Remontar: ter origem; voltar no tempo.

2 Há algum hábito ou costume presente em sua vida que remonta a tempos passados e que pode ser considerado permanência?

Resposta pessoal. Esta atividade reforça a importância de conhecer o passado.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes percebam que muitos utensílios e alimentos usados ou consumidos hoje têm origem nos conhecimentos de nossos antepassados. O cultivo da mandioca e a sua transformação em polvilho, por exemplo, são conhecimentos ancestrais indígenas. Ferramentas e outros utensílios também podem depender de conhecimentos acumulados para serem usados.

ATIVIDADES

Proponha aos estudantes que escrevam um breve depoimento contando um evento marcante da vida deles. Na sequência, devem se reunir em duplas e ler o depoimento do colega, buscando levantar o que conseguem conhecer da vida do outro com base na leitura do relato.

Mulheres da aldeia Ipatsé (etnia kuikuro) trabalham na produção de polvilho no Parque
Bolo
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

O PAPEL DO HISTORIADOR

O conhecimento a respeito do passado é resultado do trabalho do historiador. Esse profissional, assim como faz um detetive, procura pistas deixadas pelas pessoas ao longo do tempo. Essas pistas do passado também são chamadas vestígios, fontes históricas ou documentos históricos

Ao analisar essas fontes, o historiador pode descobrir como as pessoas viviam, como lidavam com os desafios de sua época e quais foram as transformações pelas quais passaram. Assim, as fontes nos ajudam a conhecer melhor o passado e a refletir sobre o presente. Conheça algumas dessas fontes a seguir.

Fontes orais

São cantigas, mitos, narrativas, entrevistas e depoimentos que podem ser contados diretamente para o historiador ou registrados em áudio, vídeo ou por escrito.

Depoimentos

O depoimento de Rachel, uma menina de 9 anos que veio de um país chamado Haiti, é um exemplo de fonte oral.

Os sites indicados nesta obra podem apresentar imagens e eventuais textos publicitários junto ao conteúdo de referência, os quais não con-

“Gosto de brincar e de estudar, quando não tenho lição de casa eu brinco de tabuada, a matéria [de] que mais gosto é matemática”. […]

[...]

dizem com o objetivo didático da coleção. Não há controle sobre esses conteúdos, pois eles estão estritamente relacionados ao histórico de pesquisa de cada usuário e à dinâmica dos meios digitais.

[…] “quero ser médica e morar um pouco no Brasil e um pouco no Haiti”. [...]

DI BELLA, Gabriela; CHRIST, Gui. O Brasil pelos olhos de nove crianças refugiadas que vivem em São Paulo. BBC News Brasil, São Paulo, 12 out. 2016. Disponível em: https://www.bbc. com/portuguese/brasil-37626309. Acesso em: 15 maio 2025.

Como um historiador pode utilizar esse documento? Um historiador que estuda imigração pode utilizar esse depoimento para entender as dificuldades pelas quais passaram os imigrantes que vieram para o Brasil. Outro exemplo de pesquisa é estudar a situação do Haiti, uma vez que os conflitos no país fizeram com que famílias fugissem de lá.

1 Além dos exemplos citados, em que outras pesquisas esse depoimento poderia ser útil?

1. Entre outras pesquisas, os estudantes podem sugerir: estudar como as crianças veem seus sonhos; saber o que uma criança refugiada gosta de aprender e de brincar.

TEXTO COMPLEMENTAR

O que é conhecimento tradicional?

29/09/25 06:37

Conhecimento tradicional é o conjunto de informações de povos indígenas e de comunidades tradicionais adquirido por meio de sua vivência junto à natureza e da observação e experimentação de procedimentos e resultados […]. Tais conhecimentos vieram da necessidade de adaptação ao ambiente em que vivem, dos saberes dos antepassados e da troca desses saberes com outros povos e comunidades. Esses conhecimentos fazem parte do seu modo de vida e do seu cotidiano, mesmo quando apenas uma pessoa da comunidade os detenha.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Perguntas frequentes sobre CTA. Brasília, DF: Iphan, c2014. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/849/. Acesso em: 15 set. 2025.

Para a discussão sobre o papel do historiador e as fontes utilizadas em seu trabalho, uma possibilidade interessante é iniciar com a leitura coletiva do depoimento da menina Rachel, vinda do Haiti. Antes da leitura, explique o significado de imigração e contextualize diversos fatores que levaram grande número de haitianos a saírem de seu país e migrarem para o Brasil. Entre os motivos, podem ser citados a busca por melhores condições de vida e trabalho, especialmente após o forte terremoto que abalou o Haiti em 2010, e a instabilidade econômica e política do país. Explique, então, como o trabalho de investigação realizado pelos historiadores se baseia em fontes históricas. Incentive os estudantes a compreender que o depoimento lido é uma fonte histórica e apresente a categoria de fontes orais.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Reúna os estudantes em duplas para realizar a leitura da narrativa escrita por professores da etnia kaxinawá do Acre. Eles devem ler o texto, discutir as ideias e anotar as dúvidas. Em seguida, peça às duplas que socializem com a turma o que entenderam do texto.

Após a leitura, proponha uma roda de conversa para debater a pergunta: “Como e para que um historiador pode utilizar esse documento?”. Incentive os estudantes a levantar hipóteses, que podem ser registradas na lousa e debatidas coletivamente.

Na atividade 1, comente com os estudantes que, ao recontar histórias dos antepassados, o narrador está transmitindo a cultura de sua etnia.

A atividade 2 é uma oportunidade para que os estudantes percebam, na prática, como os depoimentos orais ajudam a preservar a memória da família, da comunidade e das gerações passadas. Ao ouvir e compartilhar essas histórias, eles compreendem que as narrativas são formas de resguardar e transmitir o passado, assim como fazem os povos indígenas e outras comunidades tradicionais. Caso considere pertinente, solicite aos estudantes que, com autorização dos responsáveis, levem fotografias de pessoas da família, como avós e bisavós, e pergunte se convivem com eles ou os conheceram. Estudantes com deficiência visual podem levar as fotografias e descrever quem está retratado com base em relatos prévios da família.

Mitos e narrativas

Lendas, mitos, narrativas e fábulas também são registros orais. Leia o trecho da narrativa escrita por professores da etnia kaxinawá do Acre sobre a memória de seu povo.

Vamos contar uma história dos antigos. Em nossa fala chama-se Nete Bekũ [...].

Diz que chegou um repiquete e alagou tudo. A água carregou essa mulher, que não teve por onde escapar. A alagação cobriu mato, terra, tudo. Terra alta também cobriu.

[...] Depois o rio começou a baixar, baixar, baixar, até que findaram as águas.

[...]

[...] Diz que a mulher pegou duas abelhas, achou uma cabaça, furou, botou-as dentro e tampou. Passada uma semana, a mulher espocou a cabaça e dela saíram dois meninos. Ela pegou esses meninos para criar. [...]

SALOMÃO, Leoncio et al. História da feiticeira cega Nete Bekũ. In: SALOMÃO, Leoncio et al Shenipabu Miyui. Rio Branco: Comissão Pró-Índio do Acre, 1995. p. 60.

Repiquete: na região amazônica,é o nome dado a uma subida temporária e rápida do rio. Cabaça: planta cujo fruto seco (do mesmo nome) é utilizado para fazer utensílios como vasilha para água e peças de artesanato. Espocar: estourar, arrebentar.

Como um historiador pode utilizar esse documento? Estudiosos da cultura indígena podem usá-lo para entender os mitos e as narrativas indígenas; geógrafos podem pesquisar sobre as cheias na região amazônica; cientistas podem estudar a planta cabaça; entre outras investigações.

1 Quando o narrador diz “vamos contar uma história dos antigos”, a quem ele se refere?

Aos seus antepassados.

2 Você conhece alguma história sobre os antepassados de sua família?

Resposta pessoal. Oriente os estudantes a falar um de cada vez, levantando a mão para pedir a fala ou para fazer alguma pergunta.

PARA O PROFESSOR

• PINSKY, Carla Bassanezi (org.). Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2005. Nessa coletânea de textos, renomados pesquisadores apresentam e analisam diferentes tipos de fontes históricas, apontando metodologias e estratégias para utilizá-las na construção de conhecimentos históricos.

CONEXÃO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Fontes escritas

São todos os tipos de documentos escritos, como cartas, leis, contratos, livros, jornais, revistas, bilhetes e cadernos.

Poemas

O documento a seguir é um trecho do poema "O prato azul-pombinho”, da poeta brasileira Cora Coralina. Nele, a autora aborda memórias e tradições familiares.

Era um prato sozinho, último remanescente, sobrevivente, sobra mesmo, de uma coleção, de um aparelho antigo de 92 peças.

Isto contava com emoção, minha bisavó, que Deus haja.

Era um prato original, muito grande, fora de tamanho, um tanto oval.

[...]

[...] Com duas asas por onde segurar. Prato de bom-bocado e de mães-bentas.

De fios de ovos.

De receita dobrada de grandes pudins, recendendo a cravo, nadando em calda.

Cora Coralina (18891985), poeta brasileira, nasceu no estado de Goiás. Ela escrevia sobre a vida simples, as lembranças e as tradições de sua cidade.

CORALINA, Cora. O prato azul-pombinho. In: CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. São Paulo: Global Editora, 2012. E-book. p. 51-52.

Como um historiador pode utilizar esse documento? Pode usá-lo para estudar a poesia de Cora Coralina e investigar louças antigas, doces e memórias.

1 Cora Coralina transformou suas memórias da infância em poesia. Você tem em casa algum objeto que faz lembrar pessoas de sua família ou algum momento especial? Que lembranças esse objeto traz? Conte aos colegas e ao professor.

Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

2 Se você fosse escrever um poema sobre algo de sua casa que tem um valor afetivo, o que escolheria? Por quê? Conte aos colegas e ao professor.

Respostas pessoais. No entanto, o objetivo é levar os estudantes a refletir sobre como os objetos são portadores de memória e podem ser usados como documentos históricos.

TEXTO COMPLEMENTAR

Para uma definição de Fonte Histórica

26/09/25 16:56

“Fonte Histórica” é tudo aquilo que, por ter sido produzido pelos seres humanos ou por trazer vestígios de suas ações e interferência, pode nos proporcionar um acesso significativo à compreensão do passado humano e de seus desdobramentos no Presente. As fontes históricas são as marcas da história. […] os homens e mulheres deixam vestígios, resíduos ou registros de suas ações no mundo social e natural. Este imenso conjunto de vestígios – dos mais simples aos mais complexos – constitui o universo de possibilidades de onde os historiadores irão constituir as suas fontes históricas. […] BARROS, José D’Assunção. Fontes históricas: uma introdução aos seus usos historiográficos. In: ENCONTRO INTERNACIONAL HISTÓRIA & PARCERIAS, 2., 2019, Rio de Janeiro. Anais […]. Rio de Janeiro: ANPUH-Rio, 2019. p. 1. Disponível em: https://www.historiaeparcerias2019.rj.anpuh.org/resources/anais/11/ hep2019/1569693608_ARQUIVO_bd3da9a036a806b478945059af9aa52e.pdf. Acesso em: 15 set. 2025.

Continue a reflexão sobre os tipos de fontes históricas apresentando as fontes escritas. Proponha aos estudantes que reflitam sobre como os registros escritos são uma das bases fundamentais para a compreensão de acontecimentos do passado.

Realize a leitura coletiva do poema de Cora Coralina e esclareça possíveis dúvidas de interpretação e vocabulário. Caso julgue interessante, faça uma breve apresentação da poeta e de sua obra. Esse poema é rico em emoções e linguagem figurada; por isso, é importante dedicar atenção especial aos estudantes com autismo, que podem apresentar dificuldade em cognição social. Para tornar a leitura mais concreta para esses estudantes, proponha uma colagem ou pintura de um prato de papelão com materiais diferentes, como tinta, papel celofane e barbante.

Após a leitura, solicite aos estudantes que descrevam o que é possível compreender com base na leitura do poema, incentivando-os a pensar por que ele pode ser considerado uma fonte histórica. Na sequência, proponha a realização das atividades. Na atividade 1, espera-se que os estudantes percebam que, assim como fez Cora Coralina, é possível identificar objetos do dia a dia que também guardam memórias e histórias familiares. Espera-se que citem um objeto de casa — fotografia, roupa, móvel, louça, brinquedo, entre outros — e o relacionem a uma lembrança, uma pessoa ou um momento especial. Mais do que nomear o objeto, o importante é refletir sobre o valor da memória e das tradições familiares.

MATUITI
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Inicie o trabalho com a dupla de páginas propondo a análise da reprodução do documento da Lei Áurea. Se for conveniente, circule cópias de uma das reproduções dessa lei para a turma. Esse material pertence ao acervo do Arquivo Nacional do Brasil e pode ser consultado no canal de divulgação da instituição, disponível em: https:// flic.kr/p/W7M8Ls (acesso em: 27 set. 2025). Mencione que se trata de uma fonte histórica escrita e proponha aos estudantes que pensem em semelhanças e diferenças em relação à outra fonte escrita estudada.

Na atividade 1, oriente os estudantes a observar detalhes como as letras, os símbolos, as assinaturas, os carimbos, as datas e os nomes. Explique que, no passado, usavam letra cursiva e linguagem formal própria da época. Mostre que a escrita reflete os costumes da época e que, assim como a linguagem, ela muda com o tempo.

A atividade 2 leva os estudantes a refletir sobre a função social das leis e sua relação com o presente. Converse com os estudantes sobre o que eles acham que precisaria mudar na cidade, nas escolas ou nas ruas e quais leis poderiam ajudar nesse processo. Seria interessante organizar, com base nas sugestões dos estudantes, um código de leis da turma, reunindo as propostas apresentadas. Antes de reuni-las, incentive a análise coletiva de cada uma das sugestões, para avaliar sua plausibilidade e propor ajustes.

Na sequência, apresente aos estudantes o conceito de cultura material, explicando que as fontes de cultura material são objetos do passado que ajudam os historiadores a conhecer como as pessoas viviam e trabalhavam. Com a ajuda dos estudantes, elabore uma lista de exemplos de fontes de cultura material, como

Leis

As leis ajudam a entender como as sociedades se organizavam e quais eram as regras em cada época. A Lei Áurea, por exemplo, colocou fim à escravidão no Brasil.

Como um historiador pode utilizar esse documento histórico? Ele pode pesquisar sobre o fim da escravidão no Brasil; sobre a caligrafia da época; sobre como eram escritas as leis; entre outros estudos.

Carta original da Lei Áurea.

1 Observe bem o documento e responda às questões no caderno.

a) O que mais chamou sua atenção?

b) Por que a escrita dele parece diferente da dos documentos de hoje?

Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento.

2 Se você pudesse criar uma lei para melhorar a vida das pessoas hoje em dia, que lei seria? Escreva-a no caderno e explique-a.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

Fontes de cultura material

As fontes de cultura material são objetos feitos no passado que ajudam os historiadores a saber como as pessoas viviam e trabalhavam, como ferramentas, panelas, construções, brinquedos, entre outros.

Construções

Além de permitir o estudo do passado, as construções também podem ser marcos históricos, ou seja, acontecimentos locais muito importantes para um grupo social ou país. Um exemplo é a casa do ambientalista brasileiro Chico Mendes, que lutou pela conservação das florestas da Amazônia.

Como um historiador pode utilizar esse documento histórico? As construções podem servir para o historiador saber como as pessoas viviam em determinado período, os tipos de materiais utilizados nas obras etc.

1 Se você pudesse escolher uma construção de sua cidade para um historiador conhecer a história dela, qual seria? Comente com os colegas e o professor.

Resposta pessoal. Os estudantes podem citar tanto construções públicas (prefeitura, rodoviária entre outros) como particulares (a própria casa ou a casa de parentes mais velhos). Veja comentários no Encaminhamento

ferramentas, utensílios, roupas, brinquedos, entre outros itens, e termine destacando o exemplo das construções (casas e prédios).

Na atividade 1, em Construções, é importante destacar que não há respostas erradas, pois um historiador pode analisar a história tanto de construções antigas quanto recentes, considerando-as no contexto da história da cidade. Logo, os estudantes podem citar construções públicas (prefeitura, rodoviária, entre outras) ou particulares (a própria casa ou a casa de parentes mais velhos).

Casa de Chico Mendes, em Xapuri (AC), em 2014.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Chico Mendes (1944-1988) nasceu no município de Xapuri, no estado do Acre. Ele foi seringueiro e ativista político e destacou-se por sua luta pelos direitos dos seringueiros da Amazônia.

Brinquedos

Brinquedos são objetos utilizados pelas crianças para brincar, se divertir e aprender.

Como um historiador pode utilizar esse documento histórico? Brinquedos são importantes fontes históricas, pois auxiliam o historiador a compreender como as pessoas brincavam em determinadas épocas, além de permitir entender como um tipo de brinquedo (pião, por exemplo) foi utilizado em diversas gerações.

1 Vamos analisar um exemplo de cultura material? Reproduza a ficha no caderno, analise o documento da fotografia e preencha-a com as informações que você obteve.

Máquina de costurar

Brinquedo da década de 1930. Madeira e metal, 19,5 cm x 17,5 cm x 8 cm.

a) Nome do objeto:

Máquina de costurar de brinquedo.

b) Tipo de documento histórico:

Documento de cultura material.

c) Época em que foi produzido:

Década de 1930.

d) Material de que foi feito:

Madeira e metal.

e) Função do objeto na época:

Divertir crianças.

26/09/25 16:56

PARA O PROFESSOR

• LIMA, Tania Andrade. Cultura material: a dimensão concreta das relações sociais. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi: ciências humanas, Belém, v. 6, n. 1, p. 11-23, jan./abr. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/899P QPGsVV5WGXNyxXqzhwc/?format=html&lang=pt. Acesso em: 15 set. 2025. Nesse artigo, a pesquisadora apresenta um histórico do conceito de cultura material, mostrando as transformações que ele sofreu ao longo do tempo e as interpretações que recebeu de diferentes vertentes dos estudos arqueológicos.

Oriente o preenchimento da ficha de análise da máquina de costurar da atividade 1, apresentada como exemplo de cultura material. Faça, inicialmente, uma análise coletiva da fotografia, destacando os principais elementos que caracterizam o objeto. Em seguida, peça aos estudantes que respondam às questões da ficha no caderno, copiando o modelo apresentado. Encerre a atividade questionando os estudantes se os objetos apresentados reforçam ou não papeis de gênero e se no presente brinquedos como esses ainda existem.

ATIVIDADES

Para discutir como os brinquedos podem ser considerados fontes materiais, solicite aos estudantes que se reúnam em duplas e descrevam para o colega seu brinquedo favorito. Eles devem contar a história do brinquedo: como o receberam, quem os presenteou, em qual ocasião e o que o brinquedo representa (personagem de desenho animado, da internet etc.). Isso os incentivará a pensar a historicidade dos objetos do cotidiano. Os estudantes podem também desenhar os brinquedos e compartilhar os desenhos realizados.

PARA OS ESTUDANTES

• SANTOS, José. Crianças do Brasil: suas histórias, seus brinquedos, seus sonhos. Ilustrações: Cláudio Martins. São Paulo: Peirópolis, 2009. O livro seleciona 27 histórias de infância do acervo do Museu da Pessoa. A proposta é que o leitor, por meio dos relatos, conheça a vida, as brincadeiras, a realidade e os sonhos de crianças de todas as partes do país, reforçando a ideia de que todo mundo tem história e que toda história deve ser ouvida e registrada.

Ioiô, pião e bilboquê de madeira.
UNIVERSIDADEMUSEUDOIPIRANGA/DESÃOPAULO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
MODELO PARA COPIAR

ENCAMINHAMENTO

Proponha aos estudantes que levantem hipóteses sobre outros tipos de documentos, além de relatos orais e escritos, que possam ser utilizados pelos historiadores. Com base nos elementos levantados, apresente a definição de fontes visuais e audiovisuais e mostre exemplos desse tipo de material.

Para discutir esse conjunto de fontes, uma possibilidade é dividir a turma em grupos e solicitar a cada grupo que leia com atenção um dos textos disponibilizados no livro com exemplos de fontes visuais ou audiovisuais: pinturas e áudios. Dependendo do tamanho da turma, é possível definir que um ou mais grupos tratem de um mesmo exemplo. Cada grupo deve ler o texto relativo à sua fonte, discutir seus significados e produzir uma pequena apresentação sobre ele. Após as apresentações, promova um debate coletivo sobre as semelhanças e diferenças existentes entre as fontes históricas apresentadas. Por fim, proponha a realização das atividades.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes respondam que ambas as imagens representam o Rio de Janeiro, com destaque para o Pão de Açúcar, um dos pontos turísticos mais famosos do Brasil, e mostram a natureza exuberante e algumas casas. As duas imagens também têm a presença de pessoas negras, provavelmente trabalhadores escravizados. De diferente: a primeira imagem tem maior foco na paisagem natural, enquanto a segunda destaca a paisagem urbana, estando a natureza em segundo plano. Luz, cor e estilo também são diferentes: a primeira tem tons mais vivos e forte contraste; a outra, tons mais suaves, claros e pastéis.

Na atividade 2, incentive os estudantes a analisar as imagens e descrever o que observam, mas não exija uma análise completa das obras.

Fontes visuais

São pinturas, cartões-postais, fotografias, filmes, cartazes, entre outras.

Pinturas

Pinturas ajudam a conhecer o passado, mas elas não são uma “cópia da realidade”. Mostram somente o que o artista quis destacar. Por isso, dizemos que a pintura é uma representação, uma maneira que o artista tem de observar o mundo. Note como o Pão de Açúcar, uma montanha da cidade do Rio de Janeiro, foi retratado nessas imagens por dois artistas diferentes da mesma época.

Vista do Pão de Açúcar tomada da estrada do Silvestre, de Charles Landseer, 1827. Óleo sobre tela, 61,5 cm x 93 cm.

Casa do Sr. Chamberlain no Catete, Rio de Janeiro, de Henry Chamberlain, cerca de 1820. Aquarela e grafite sobre papel, 19,7 cm x 26,7 cm.

Como um historiador pode utilizar esses documentos históricos? Ele pode usá-los para estudar a produção artística no Brasil; a história do Rio de Janeiro; a presença dos negros na cidade; a urbanização carioca; a história da Mata Atlântica; entre outros temas.

1 O que as imagens têm em comum? E o que têm de diferente? Responda no caderno.

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

2 Observando as duas imagens, o que cada artista achou mais importante mostrar? A natureza, como rios, plantas e o céu? Ou as construções, ruas e pessoas? Explique no caderno.

3 Podemos dizer que essas imagens são cópias da realidade? Converse com os colegas e o professor.

Não, pois cada artista destacou ou escondeu aquilo que lhe interessava. Ao fazer uma obra, o artista escolhe o que mostrar, o que valorizar e o que esconder.

2. Um artista (imagem 1) achou mais importante mostrar a natureza, os rios e o céu. O outro (imagem 2) quis mostrar mais as construções.

Na atividade 3, o mais importante é que os estudantes tenham a noção de que a imagem é uma representação, e não uma cópia da realidade.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Fontes audiovisuais

São gravações de músicas, áudios e materiais que podem estar disponíveis na internet, como fotografias digitais, vídeos, podcast, postagens de redes sociais, sites, blogs

Áudios

Os áudios estão presentes em redes sociais, mensagens de celular, vídeos, podcasts e até em audioguias, como este do Museu do Amanhã, do Rio de Janeiro. Os áudios são uma forma de aprender, se informar e conhecer histórias, como a da “Pequena África” – um lugar muito importante para entender a cultura e a história dos povos negros no Rio de Janeiro.

Programa de áudio durante a reprodução de um audioguia do Museu do Amanhã.

Como um historiador pode utilizar esse documento histórico? Ele pode usá-lo para entender a herança africana no país; estudar as transformações do espaço urbano no Rio de Janeiro; entender como os museus podem prestar serviços educativos; compreender como os museus passaram a abordar e valorizar a diversidade racial no Brasil; estudar a tecnologia ligada a museus; entre outros aspectos.

1 Em casa, com a ajuda de um responsável, ouça o áudio do Museu do Amanhã (CONHEÇA a Pequena África: episódio único. Museu do Amanhã, 2024. Audioguia. Disponível em: https://soundcloud.com/ contato-site/audioguias-do-museu-do-amanha-conheca-a-peque na-africa. Acesso em: 7 ago. 2025.). Na aula seguinte, conte para os colegas o que mais lhe chamou a atenção sobre a história da “Pequena África”. Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

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Na atividade 1, o áudio traz o relato de uma advogada e historiadora que foi criada no Morro da Providência, favela situada na zona portuária do Rio de Janeiro(RJ) e a primeira comunidade desse tipo no país. Na região, também está localizado o Museu do Amanhã, instituição onde a mulher trabalha. A zona portuária é conhecida também como “Pequena África”, nome que recebeu do cantor e compositor Heitor dos Prazeres. Ele dizia que o local era uma África em miniatura, em razão da quantidade de moradores africanos ou descendentes de africanos e de manifestações culturais de origem africana que ali existiam.

ATIVIDADES

Para aprofundar a reflexão sobre as fontes visuais, proponha aos estudantes que se organizem em pequenos grupos e pesquisem imagens antigas que mostrem como eram, no passado, os espaços que eles frequentam no cotidiano: a escola, a rua em que ela se localiza, o bairro onde moram ou a cidade em que vivem. Com base nas imagens selecionadas, cada grupo deve desenvolver um exercício comparativo e redigir um breve texto relatando as continuidades e rupturas na paisagem analisada ao longo do tempo, pensando o que podemos concluir sobre o passado por meio da análise do material.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• HAGEMEYER, Rafael Rosa. História & audiovisual. Belo Horizonte: Autêntica, 2023. O livro traz uma série de reflexões sobre as relações entre os registros audiovisuais e a história, apontando como esses suportes servem tanto de fonte como de objeto da análise historiográfica.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Inicie o trabalho desta dupla de páginas lendo, com os estudantes, a definição de fontes imateriais. Após a leitura coletiva, organize uma roda de conversa para que os estudantes troquem impressões e compartilhem a compreensão do conceito. Reforce a ideia de que fontes imateriais são aquelas que dependem do conhecimento e da memória das pessoas para existir, por mais que existam registros sobre a prática ou suporte material para a sua existência.

Em seguida, proponha a observação atenta das fotografias, discutindo como cada uma representa um tipo de fonte imaterial, como as danças e a culinária.

Na atividade 1 do boxe Danças, os estudantes devem reconhecer que a dança faz parte da cultura e das tradições de um local ou de um grupo de pessoas. Eles podem citar, por exemplo, danças folclóricas, religiosas, de aniversários, de Carnaval ou de eventos culturais locais. O importante é que percebam que, além de diversão, a dança preserva costumes, histórias e modos de viver que passam de geração em geração.

Na atividade 1 do boxe Alimentos, espera-se que os estudantes percebam que certos alimentos e receitas fazem parte da história de sua família ou de sua comunidade. Ao citar um alimento, eles devem compreender que seu preparo é uma fonte histórica, incluindo-se aí a receita, a escolha dos ingredientes, entre outras medidas, e que sua execução é uma forma de preservar a memória e fortalecer os laços familiares e/ou comunitários, o que ajuda a manter viva a cultura local.

As atividades contribuem para o desenvolvimento dos TCTs Diversidade cultural e Vida familiar e social

Fontes imateriais

São as memórias, os costumes, as tradições, o jeito de fazer coisas, como preparar uma comida, uma dança, festas típicas, entre outros. Passam de uma pessoa para outra sem estarem escritas ou guardadas em objetos.

Danças

A dança é uma fonte imaterial porque representa um conhecimento aprendido e transmitido por ensinamentos. Por meio de passos, músicas e movimentos, é possível conhecer valores, festas, crenças e modos de viver de diferentes culturas. Observe a imagem do maracatu, um conjunto de música, dança e traje tradicional encontrado principalmente em Pernambuco.

Apresentação de maracatu rural em Nazaré da Mata (PE), em 2023.

Como um historiador pode utilizar esse documento histórico? Ele pode usá-lo para estudar a herança africana no Brasil, uma vez que o maracatu tem forte relação com a cultura da África.

1 Você conhece alguma dança de sua família, de sua escola ou de seu município? O que ela representa? Converse com o professor e os colegas Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

Alimentos

Elementos fora de proporção.

O conhecimento a respeito do preparo de alimentos tradicionais é um exemplo de fonte imaterial. Na fotografia, observamos o resultado do trabalho das doceiras tradicionais de Pelotas (RS).

produzidos

Como um historiador pode utilizar esse documento histórico? Ele pode usá-lo para entender como esse conhecimento foi passado de geração em geração; buscar a relação das doceiras com a comunidade; e entender o papel das doceiras na economia do município. O documento também pode ser utilizado por estudiosos de alimentação, entre outras finalidades.

1 A sua família tem o costume de preparar algum alimento especial? Por que ele é importante para vocês? Responda no caderno. Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

ATIVIDADES

Considerando a culinária uma importante fonte imaterial, proponha aos estudantes a criação de um livro de receitas da turma. Cada estudante deve conversar com algum familiar e pedir ajuda para registrar uma receita que documente algum aspecto da história da família. Após essa coleta, as receitas devem ser reunidas para formar um caderno de receitas que possa ser compartilhado com a turma. Aproveite para pedir aos estudantes que elaborem um texto breve explicando a relação da receita com a trajetória da família ao longo do tempo e que memórias ela ajuda a preservar.

Doces
artesanalmente em Pelotas (RS), em 2023.

Fontes digitais

A internet é um lugar onde muitas pessoas buscam informações. Por meio dela, é possível encontrar todo tipo de notícias, matérias, imagens, programas e aplicativos.

Fake news

Muitos conteúdos são produzidos com o objetivo de enganar as pessoas; são as chamadas fake news, expressão da língua inglesa que, em português, quer dizer “notícias falsas”. Observe um exemplo a seguir.

Como um historiador pode utilizar esse documento histórico? Historiadores e outros pesquisadores podem utilizá-lo para entender como são produzidas as notícias falsas; compreender a cultura digital do século XXI; estudar as mídias e seus usos; e desenvolver o pensamento crítico ao analisar tais documentos.

1 A imagem anterior é uma montagem fotográfica. Você acha que toda fotografia mostra algo que aconteceu de verdade?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento.

2 O que um historiador ou usuário de internet deve fazer para descobrir se um documento é falso ou verdadeiro? Como você poderia descobrir que essa fotografia é falsa?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

O objetivo da atividade 1 é levar os estudantes a entender que nem toda fotografia mostra algo que aconteceu. Hoje em dia, com a tecnologia, as pessoas podem mudar imagens, juntar partes de fotografias diferentes e fazer montagens que parecem reais, mas não são. Essa abordagem favorece o desenvolvimento da habilidade EF04HI08.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes compreendam que o historiador, assim como qualquer pessoa que utiliza a internet, deve pesquisar bem para saber se uma imagem ou notícia é verdadeira. Procurar em sites de confiança, perguntar para pessoas que entendem do assunto, ler outras informações sobre o tema e ver se aquela imagem aparece em lugares confiáveis são estratégias eficazes para verificar a veracidade das informações. No caso dessa fotografia, ao pesquisar na internet, é possível descobrir que a imagem já foi desmentida e é uma montagem.

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• CARNEIRO, Henrique. Comida e sociedade: uma história da alimentação. São Paulo: Elsevier, 2003.

Na obra, o autor aborda os diferentes aspectos do campo de estudo da história da alimentação, como a economia, os valores culturais relacionados ao consumo de alimentos e a importância dos preparos como registro de práticas de determinados períodos.

Imagem que representa uma notícia falsa, em 2014. Nessa montagem, um tubarão está prestes a atacar uma pessoa içada por um helicóptero.
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ENCAMINHAMENTO

A seção Mão na massa propõe que os estudantes participem de uma atividade que permite verificar os conhecimentos construídos ao longo do capítulo a respeito dos diferentes tipos de fontes históricas.

O objetivo central é ajudar os estudantes a reconhecer diferentes tipos de fontes históricas e compreender que elas são fundamentais para conhecer e contar histórias do passado. Na primeira parte da atividade, os estudantes vão classificar os tipos de fonte em cada caso: escrita, visual, material, oral e imaterial. Esse exercício ajuda a perceber que objetos, documentos, imagens, músicas, relatos e costumes são pistas que nos contam como as pessoas viviam em outros tempos.

Na segunda parte, a proposta é aproximar esse conhecimento da realidade dos estudantes. Eles são convidados a observar ao redor — em casa, na escola ou no bairro — e identificar três fontes que contem algo sobre sua história, a de sua família ou de sua comunidade.

Reforce que o conhecimento histórico não é aquele que só é obtido por meio de livros. Ele pode ser produzido pelos estudantes por meio da análise de lembranças, falas, festas, fotografias e objetos do cotidiano. Sempre que possível, incentive os estudantes a conversar com pessoas da família, ouvir histórias, observar objetos antigos ou fotografias.

Para realizar a proposta, os estudantes podem, inicialmente, se reunir em grupos para jogar a Caça ao tesouro. Em cada rodada, um jogador pode fazer uma das perguntas que aparecem no “tabuleiro” para outro jogador, e, a cada acerto, o jogador anda uma casa.

MÃO NA MASSA

Caça ao tesouro

Ajude a estudante a chegar ao baú do tesouro que guarda nossa história! Responda cada pergunta sobre os tipos de fontes usados por historiadores em suas pesquisas. Quanto mais acertar, mais você avança! Identifique o tipo de fonte em cada caso.

Fonte material.

Fonte escrita.

Cartas ou diários escritos há muito tempo.

Móveis ou utensílios de uma casa antiga.

Relatos contados em roda de conversa na escola.

Fonte visual.

Fotos antigas da família ou da cidade.

Fonte oral.

Fonte imaterial.

Festas populares ou lendas contadas sem serem escritas.

Agora, observe ao seu redor, em sua casa, na escola ou no bairro onde você mora. Escolha três objetos, documentos ou registros que você acha que são fontes da história de sua vida, de sua família ou de sua comunidade. Registre-os no caderno.

Fonte 1:

Tipo de fonte:

O que ela conta sobre o passado?

NÃO ESCREVA NO LIVRO. MODELO PARA COPIAR

Para isso, você precisa responder às perguntas sobre os tipos de fontes que os historiadores usam para fazer suas pesquisas. Cada resposta correta faz você avançar no caminho!

Fonte material. Fonte escrita.

Objetos antigos, como potes e ferramentas usadas no passado.

Lendas e histórias contadas pelos avós.

Livros e jornais antigos.

Músicas e danças tradicionais passadas de geração em geração.

Cartões-postais e pinturas que mostram cenas do passado.

Fonte 2:

Tipo de fonte:

O que ela conta sobre o passado?

Fonte 3:

Tipo de fonte:

O que ela conta sobre o passado?

Desafio final

Desenhe no caderno uma dessas fontes para mostrar aos colegas. Depois, cada um pode contar para a turma o que descobriu.

Na segunda etapa, é possível ampliar a atividade pedindo aos estudantes que produzam registros a respeito das fontes que eles identificaram. Para isso, oriente-os a pedir a ajuda de um adulto da família. Uma festa familiar ou da comunidade pode ser registrada por meio de fotos tiradas com um celular, por exemplo. O mesmo pode ser dito de um monumento ou de uma construção.

Após a identificação das três fontes, proponha aos estudantes que se reúnam em pequenos grupos para compartilhar os registros que fizeram e explicar suas escolhas e análises. Esse momento enriquece a troca de saberes e valoriza a história de cada estudante e da comunidade em que vive.

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Fonte imaterial.
Fonte oral.
Fonte visual.
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MODELO PARA COPIAR

ENCAMINHAMENTO

O conteúdo desta dupla de páginas encerra o capítulo. As atividades propostas pretendem levar os estudantes a realizar um exercício de análise documental, interrogando a imagem apresentada com um olhar de historiador e pensando o que podemos descobrir com base nessas questões.

Seria interessante, inicialmente, propor uma análise coletiva da imagem, fazendo com que os estudantes compartilhem impressões sobre a obra e levantem hipóteses sobre possíveis leituras. O parágrafo inicial do texto contém linguagem figurada (“conversar” com os documentos, as “respostas” dos documentos), por isso é importante observar se os estudantes compreendem o sentido das palavras entre aspas; caso contrário, será necessário esclarecer. “Conversando” com os documentos poderia ser substituído nas explicações por estudando os documentos e “respondem” poderia ser substituído por ajudam.

Como o historiador trabalha?

O historiador aprende sobre o passado ”conversando” com documentos, fotografias, objetos, desenhos e outros vestígios de tempos passados. Mas esses documentos não “falam” sozinhos! Eles só “respondem” se o historiador souber fazer boas perguntas com base neles.

Por isso, o historiador precisa perguntar:

— O que esse documento quer me contar?

— O que posso aprender com ele?

Vamos treinar esse exercício de analisar as fontes juntos?

Observe a imagem a seguir.

Imagine que somos historiadores e queremos entender a situação representada na pintura. Para isso, precisamos indagar o documento. Já fizemos e respondemos algumas perguntas para você entender como os historiadores fazem, mas agora é sua vez.

Jogando bolinha de gude, de Ricardo Negro, 2015. Tinta acrílica sobre tela, 80 cm x 60 cm.
RICARDO NEGRO

1 Reúna-se com um colega, observem a obra e respondam no caderno às perguntas. Oriente a atividade de observação. Veja comentários no Encaminhamento

a) O que as crianças estão fazendo?

Estão brincando com bolinhas de gude.

b) Onde elas estão?

Na rua, em frente a várias casinhas coloridas da periferia.

c) Quais objetos aparecem na imagem?

d) Como é o ambiente?

Bolinhas de gude, flores, plantas, casas, postes e fios elétricos. Colorido, cheio de casas próximas umas das outras, com chão de terra e algumas plantas.

e) Quais são os nomes das crianças?

A imagem não informa.

f) Essas crianças são amigas, irmãs ou colegas?

g) Qual é o nome do artista?

Não dá para saber apenas olhando a imagem. Ricardo Negro.

h) Essa cena aconteceu de verdade ou é uma imaginação do artista?

A imagem não responde sozinha. Teríamos de conversar com o artista para saber.

i) Qual é o nome da obra?

Jogando bolinha de gude.

Após analisarem os documentos, os historiadores usam as informações que descobriram para escrever os textos que vemos em livros, sites etc.

2 Converse com um colega sobre o que você entendeu a respeito dessa pintura. Fale sobre o que aparece nela, o que ela faz você pensar e o que ela pode contar sobre a vida das crianças que brincam na rua. Ouça também o que o colega tem a dizer. Respostas pessoais. Veja orientações e comentários no Encaminhamento

TEM MAIS

Na obra Jogando bolinha de gude, do artista Ricardo Negro, vemos crianças brincando na rua, em frente a casinhas coloridas de um bairro da periferia. O chão é de terra e há postes, fios e algumas plantas. As crianças parecem felizes e concentradas na brincadeira, mas não sabemos seus nomes, se são amigas, irmãs ou colegas. Também não sabemos se essa cena aconteceu de verdade ou se foi criada pelo artista com base em lembranças ou imaginação. A imagem mostra como as brincadeiras de rua são importantes na infância e como fazem parte da história de muitas crianças.

26/09/25 16:56

A atividade 1 desenvolve nos estudantes a capacidade de observar, interpretar e questionar documentos visuais, entendendo que imagens são fontes históricas. As perguntas ajudam a diferenciar o que a imagem mostra daquilo que não aparece e exige pesquisa ou imaginação. Isso reforça que um documento, sozinho, não responde tudo sobre o passado. Caso considere necessário, conduza a atividade oralmente, em roda de conversa. É importante que os estudantes percebam que nem sempre um documento traz todas as respostas. Nesses casos, os historiadores buscam outras fontes para tentar encontrar as respostas para seus questionamentos.

Na atividade 2, oriente os estudantes a analisar a pintura e contar o que observam (as crianças, as casas, a brincadeira), o que acham que essa imagem representa e o que ela pode revelar sobre a infância, as brincadeiras e o jeito de viver das crianças daquele lugar.

ATIVIDADES

Depois da realizar a atividade de análise documental, que mobiliza uma série de questionamentos para a investigação da obra, proponha aos estudantes que se reúnam em duplas ou pequenos grupos e criem mais duas perguntas que possam levantar outros elementos da imagem ainda não analisados. Após a elaboração das questões, os grupos podem trocá-las entre si para tentar respondê-las, percebendo novas camadas de interpretação.

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OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Identificar as motivações dos processos migratórios que levaram à ocupação dos continentes.

• Discutir o significado de nomadismo, pensando as relações entre os indivíduos e a natureza nos primeiros grupamentos humanos.

• Analisar a importância do domínio do fogo para as mudanças nos modos de vida dos primeiros grupamentos humanos.

• Investigar os vestígios arqueológicos que servem de base para a construção dos conhecimentos sobre os primeiros grupamentos humanos, com destaque para as pinturas rupestres.

• Refletir sobre o desenvolvimento da agricultura e do pastoreio como marcos de mudança na história da humanidade.

• Discutir mudanças e permanências nos modos de vida dos seres humanos com base no processo de sedentarização.

BNCC

HABILIDADES

(EF04HI01) Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo.

(EF04HI02) Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.).

(EF04HI04) Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas.

(EF04HI05) Relacionar os processos de ocupação do campo a intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções.

DO NOMADISMO À SEDENTARIZAÇÃO capítulo 2

Você conhece o tipo de moradia representado na imagem?

Trata-se de uma ger, cabana típica dos mongóis, povos da Ásia que tradicionalmente vivem do pastoreio e não têm moradia fixa. Quando os pastos não são suficientes para alimentar os animais, os mongóis se mudam para outros locais, normalmente alternando entre as planícies e as montanhas.

Por isso, a ger foi feita para ser montada e desmontada rapidamente. Ela é feita com uma estrutura de madeira e coberta com couro e lã, além de contar com um fogão a lenha. Em apenas um dia, uma família mongol consegue montar sua cabana e se estabelecer.

(EF04HI09) Identificar as motivações dos processos migratórios em diferentes tempos e espaços e avaliar o papel desempenhado pela migração nas regiões de destino.

TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS (TCTs)

• Ciência e tecnologia.

• Educação ambiental.

• Vida familiar e social.

• Diversidade cultural.

Moradia típica ger, na Mongólia, em 2023.

Você sabia que toda a humanidade já viveu como os povos mongóis, mudando de local de acordo com a disponibilidade de recursos naturais? Neste capítulo, vamos estudar como os seres humanos povoaram os diferentes continentes da Terra e descobriram os meios de se manter em um local definitivo.

1 Como você imagina que seja viver se deslocando de um local para o outro?

Resposta pessoal. Incentive os estudantes a refletir sobre a questão, apontando pontos positivos e negativos que eles observam nesse tipo de vida.

2 Observe a fotografia e escreva no caderno três características que você considera diferentes da sua realidade. Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento.

ENCAMINHAMENTO

Na atividade 1, caso julgue interessante, monte um quadro na lousa dividido em duas colunas, uma para o registro dos pontos positivos e outra para os pontos negativos, e discuta coletivamente os elementos levantados.

Na atividade 2, a ideia é retomar a observação da fotografia e compará-la com a realidade dos estudantes. É importante propor que eles pensem em aproximações e distanciamentos, evitando uma visão preconceituosa em relação às culturas de outros povos. Reforce que cada uma das culturas tem a própria lógica e que não devemos hierarquizá-las, construindo olhares de inferiorização em relação ao outro, o que permite trabalhar o TCT Diversidade cultural.

26/09/25 17:48

Para iniciar o trabalho com a abertura do capítulo, proponha aos estudantes uma análise atenta da fotografia que mostra uma ger, cabana típica de grupos nômades mongóis. Peça aos estudantes que descrevam em detalhes a construção retratada e também a paisagem na qual ela se localiza. Sugira a eles que imaginem como deve ser viver nessa habitação e quais recursos do nosso cotidiano devem ou não existir dentro dela.

Com base nos elementos levantados pela observação da fotografia, pergunte aos estudantes se eles conhecem a palavra nômade e tente construir coletivamente uma definição para esse conceito pela observação das características da habitação mongol. Destaque que os povos chamados nômades são aqueles que se mudam para outros locais, normalmente em busca de alimento e condições de sobrevivência.

Explique que os primeiros grupamentos humanos eram grupos nômades, que precisavam se deslocar constantemente em busca de alimentos.

ENCAMINHAMENTO

Inicie a discussão sobre o povoamento da Terra mostrando aos estudantes um planisfério e pergunte-lhes se sabem onde teriam surgido, de acordo com as pesquisas, os primeiros seres humanos. Permita que os estudantes levantem hipóteses e busquem justificá-las e, após a discussão coletiva, aponte que a resposta é que os primeiros seres humanos teriam surgido no continente africano há aproximadamente 300 mil anos.

A seguir, proponha esta outra reflexão: se os seres humanos surgiram na África, como eles ocuparam os demais continentes? Diga-lhes que os cientistas acreditam que, entre 100 mil anos e 60 mil anos atrás, os primeiros grupos humanos tenham saído da África e migrado para os outros continentes. Essa abordagem favorece o desenvolvimento da habilidade EF04HI09.

Na atividade 1. a), é importante destacar para os estudantes que, no contexto que está sendo trabalhado, o conceito de migração descreve o deslocamento de pessoas com o objetivo de se estabelecer em outra área. Nos dias atuais, a migração leva em conta, além do deslocamento, o motivo do deslocamento. Para imigrantes, a definição também leva em conta a situação legal no país de destino e a adaptação à cultura local.

Na atividade 1. b), espera-se que os estudantes respondam que a migração foi essencial para o povoamento da Terra, pois permitiu que os seres humanos se espalhassem por todos os continentes ao longo da história.

O objetivo da atividade 2 é incentivar os estudantes a formular hipóteses sobre as razões que motivaram o povoamento do planeta ao longo dos tempos. Eles podem citar a necessidade de buscar alimentos em outros lugares, fugir de predadores, encontrar regiões com clima mais ameno e com abundância de água, caça e alimentos para coleta.

1. a) Os estudantes podem encontrar uma definição como a seguinte: movimentação de uma pessoa, um grupo ou um povo para uma região diferente dentro de um mesmo país, ou para um país diferente, quase sempre motivada por razões políticas ou econômicas.

O POVOAMENTO DA TERRA

Ao olhar para o passado da espécie humana, uma das poucas certezas que se pode ter é a de que a humanidade constantemente se desloca entre os lugares, por diferentes motivos. Assim, muito antes de o ser humano desenvolver tecnologias como a agricultura e a escrita, já havia pessoas em quase todos os continentes.

Mas você pode se perguntar: onde começou essa caminhada? A resposta é simples: no continente africano. Os primeiros seres humanos surgiram lá, há aproximadamente 300 mil anos. Além disso, acredita-se que, entre 100 mil anos e 60 mil anos atrás, os primeiros grupos humanos tenham saído da África.

Foi assim que, aos poucos, o ser humano foi povoando os demais continentes, como a Ásia, a Europa e, muito tempo depois, a Oceania e a América. Esse processo é chamado povoamento da Terra, e os cientistas ainda pesquisam como ele aconteceu, principalmente em relação ao povoamento do continente americano, onde se encontra o Brasil.

1 Pesquise no dicionário o significado da palavra migração e faça o que se pede.

a) Registre a definição que você encontrou.

b) Como o significado da palavra migração está relacionado ao que você aprendeu sobre o povoamento da Terra? Explique.

Os estudantes podem responder que migração é o nome dado ao movimento de populações humanas para regiões diferentes.

2 Em sua opinião, que motivos podem ter levado os seres humanos a povoarem o planeta? Converse com os colegas e o professor sobre isso. Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

Multidão caminha em uma rua de um bairro de Tóquio, no Japão, em 2023.

PARA O PROFESSOR

• NEVES, Walter Alves; PILÓ, Luis Beethoven. O povo de Luzia: em busca dos primeiros americanos. Rio de Janeiro: Globo, 2008.

O livro apresenta alguns dos mais importantes achados arqueológicos feitos por brasileiros e, com base neles, discute as teorias e os embates científicos na busca por explicar como teria se dado a ocupação do continente americano.

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Povoamento da América

Quando o assunto é o povoamento da América, ainda existem muitas dúvidas. Os cientistas acreditam que esse processo aconteceu há milhares de anos, mas não concordam totalmente sobre quantas vezes isso ocorreu, nem quais caminhos os primeiros grupos seguiram até chegar ao nosso continente. Por isso, existem diferentes hipóteses, ou seja, diferentes ideias baseadas em pesquisas e evidências.

As principais hipóteses de rotas percorridas pelos seres humanos estão representadas no mapa a seguir.

Mundo: prováveis rotas do povoamento da América

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

PACÍFICO

DESERTO DO SAARA

Equador

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio

ATLÂNTICO

TERRA DE SUNDA

OCEANO ÍNDICO

Hipótese 1 (Estreito de Bering)

Hipótese 2 (Oceano Pacífico)

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Elaborado com base em: VIDAL-NAQUET, Pierre; BERTIN, Jacques. Atlas histórico: da Pré-História aos nossos dias. Lisboa: Círculo de Leitores, 1987. p. 18. ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 50.

1. Uma das hipóteses mais aceitas é que os primeiros seres humanos chegaram à América vindos da Ásia há aproximadamente 20 mil anos. Eles teriam atravessado o Estreito de Bering durante uma glaciação, ou seja, quando o clima ficou muito frio e se formou uma ponte de gelo que ligou os dois continentes.

Estreito de Bering: faixa de mar que separa a Ásia da América do Norte.

2. Existe também outra hipótese, com menos apoio entre os cientistas, que diz que os primeiros seres humanos teriam chegado à América vindos da Austrália, navegando pelo oceano Pacífico.

1 Escreva no caderno qual é a hipótese mais aceita atualmente sobre a chegada dos seres humanos ao continente americano.

A hipótese mais aceita é a de que eles migraram da Ásia, após atravessar o Estreito de Bering durante uma glaciação.

26/09/25 17:48

Após a realização das atividades, peça aos estudantes que observem atentamente o mapa das prováveis rotas do povoamento da América. Uma possibilidade é pedir a eles que se reúnam em duplas e analisem o mapa, discutindo as diferentes teorias nele apresentadas sobre a ocupação do continente americano. Em seguida, proponha a leitura coletiva das explicações sobre as duas teorias mais aceitas para explicar a ocupação do continente americano: a teoria do Estreito de Bering e a teoria da travessia pelo oceano Pacífico. Incentive os estudantes a comparar as propostas das duas teorias e a discutir quais elementos permitem defender uma e outra possibilidade.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• PERAZZO, Marilia; CISNEIROS, Daniela. Vamos falar sobre arqueologia? Ilustrações: Jean Galvão. São Paulo: C&M Editora, 2025.

O livro apresenta de modo didático e adaptado para crianças os princípios da arqueologia.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Trópico de Câncer
Círculo Polar Ártico

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a discussão sobre o modo de vida nômade, é interessante explorar a animação Os Croods (2013), que apresenta de forma divertida uma família do início da história humana. Pergunte se algum estudante já assistiu à animação e pode compartilhar o que lembra da narrativa. Caso seja possível, exiba alguns trechos do filme que mostrem a vida da família, representando como seriam os hábitos e costumes dos primeiros grupamentos humanos.

Explique que essa família era “nômade”, como era típico dos primeiros grupamentos humanos, e proponha a leitura coletiva da definição do conceito de nomadismo. Peça aos estudantes que compartilhem o que entenderam da definição para garantir o pleno entendimento do conceito. Com base nos elementos levantados, explique que, desde que os primeiros humanos surgiram na África, eles se deslocavam de um lugar a outro para sobreviver, em busca de água, alimento e abrigo.

Em seguida, proponha que os estudantes se reúnam em duplas e, em uma folha de papel avulsa, desenhem como imaginam as moradias desses primeiros humanos. Oriente os estudantes a refletir sobre todas as tecnologias que ainda não existiam naquele período histórico e a tentar representar em seu desenho apenas aquilo que lhes parece possível para grupos que viveram há milhares de anos. Essa abordagem favorece o desenvolvimento das habilidades EF04HI01, EF04HI02 e EF04HI04.

Após o término da atividade, proponha que os estudantes apresentem para os colegas os desenhos, justificando suas escolhas. A seguir, peça a eles que observem atentamente a fotografia que mostra uma réplica de uma cabana feita por seres humanos há 20 mil

O modo de vida nômade

Durante grande parte da história, a humanidade foi nômade. Você sabe oque isso significa?

Nomadismo é o modo de vida em que os grupos humanos não permanecem muito tempo no mesmo lugar. Quando os recursos naturais de onde estão se esgotam, os grupos nômades se mudam.

Desde que os primeiros humanos semelhantes a nós surgiram na África, eles se deslocavam de um lugar para outro para sobreviver, em busca de água, alimento e abrigo.

Esses grupos organizavam sua vida de acordo com o ambiente. Acampavam em locais próximos a rios, florestas ou regiões com boa oferta de caça e frutos. Como não ficavam muito tempo no mesmo lugar, levavam apenas onecessário: utensílios de pedra, cestos, peles para se proteger do frio e armas para caça e pesca.

Os grupos viviam em comunidades que podiam ter tamanhos variados, entre 20 e até mais de 100 pessoas. Todos os indivíduos tinham funções importantes, pois a colaboração era essencial para a sobrevivência.

Enquanto alguns saíam em busca de alimento, outros cuidavam dos mais jovens, protegiam o grupo ou preparavam objetos úteis para o dia a dia. É muito provável que as crianças aprendessem observando os adultos, ajudando-os, aos poucos, de acordo com sua idade. Acredita-se que as decisões eram tomadas em grupo, com base na experiência e no diálogo entre os mais velhos.

anos e que está em exposição no Museu de História Natural de Viena (Áustria). Incentive-os a comparar a réplica com os desenhos feitos anteriormente pelas duplas, percebendo pontos comuns e diferenças.

Na atividade 1. a), espera-se que os estudantes respondam que as moradias temporárias dos primeiros grupos humanos eram construídas com materiais obtidos na natureza, como galhos, folhas, barro, peles de animais e fibras vegetais. Incentive-os a pensar que muitos materiais comuns na construção de casas atualmente, como vigas de aço, concreto, pregos e parafusos de metal, são resultado de desenvolvimento tecnológico muito posterior ao período de organização dos primeiros grupamentos humanos.

Na atividade 1. b), o objetivo é que os estudantes consigam relacionar as características das moradias desses primeiros humanos com o modo de vida nômade deles. Em vista disso, as moradias precisavam ser portáteis e fáceis de desmontar porque os grupos se deslocavam com frequência em busca de alimento e água.

Cena da animação Os Croods (2013), que apresenta de forma divertida uma família com modo de vida nômade.

As moradias dos primeiros seres humanos

Os primeiros seres humanos buscavam na natureza abrigos que os protegessem do frio, da chuva e de animais perigosos. As cavernas, muitas vezes, serviam como moradia. Elas ofereciam um abrigo natural e seguro, além de manterem uma temperatura mais estável durante o dia e a noite.

Mas nem todos viviam em cavernas. Em muitos lugares, principalmente onde não havia cavernas ou em regiões com clima mais quente, os grupos construíam moradias temporárias com itens que encontravam no ambiente. Usavam galhos, folhas, barro, peles de animais e fibras vegetais para montar estruturas simples, como barracas e cabanas.

Essas casas eram frequentemente desmontadas quando o grupo decidia mudar de lugar. Por isso, os materiais precisavam ser portáteis. As moradias eram construídas perto de fontes de água e alimentos, como rios e áreas de caça.

Réplica de uma cabana feita por seres humanos há 20 mil anos e encontrada no leste de onde hoje é a Tchéquia, país da Europa. Museu de História Natural, em Viena, na Áustria, em 2020.

1 Descreva como eram feitas as moradias temporárias dos primeiros grupos humanos.

a) Que materiais eles usavam?

As moradias eram construídas com galhos, folhas, barro, peles de animais e fibras vegetais.

b) Por que essas moradias precisavam ser fáceis de desmontar?

Elas precisavam ser portáteis e fáceis de desmontar porque os grupos nômades se deslocavam com frequência em busca de alimento e água.

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PARA OS ESTUDANTES E O PROFESSOR

• HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma história em quadrinhos: o nascimento da humanidade. Roteiro: David Vandermeulen. Ilustrações: Daniel Casanave. Tradução: Érico Assis. São Paulo: Quadrinhos na Cia., 2020. v. 1. Nessa versão em quadrinhos do famoso livro do historiador Yuval Noah Harari, o leitor é convidado a viajar para o passado para conhecer melhor, e de maneira divertida, os modos de vida dos primeiros humanos, além de refletir sobre a evolução humana.

ATIVIDADES

Para aprofundar a reflexão sobre as diferenças dos modos de vida dos primeiros grupamentos humanos em relação ao nosso cotidiano atual, peça que os estudantes reflitam sobre suas rotinas e as comparem com a vida dos primeiros humanos, apontando as diferenças nos seguintes aspectos:

a) hábitos alimentares; b) vestimentas; c) hábitos de higiene. Após a realização da atividade, peça aos estudantes que comparem as próprias respostas com as dos colegas, discutindo elementos que nos distanciam de nossos mais remotos antepassados.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Uma possibilidade interessante para dar início à discussão sobre o domínio do fogo pelos primeiros humanos é propor aos estudantes que realizem as atividades propostas. Essa abordagem favorece o desenvolvimento da habilidade

EF04HI02.

Atente para as dificuldades que os estudantes com deficiência podem ter, como a dificuldade em identificar a ideia central do texto ou em formular respostas completas às perguntas. Para garantir a participação de todos, pode-se recorrer a alternativas, como ditar, usar cartões com palavras-chave para escolha, ou responder com apoio de um colega-escriba, sem deixar de valorizar a compreensão que os estudantes demonstrarem.

Na atividade 3, espera-se que os estudantes reflitam, em diálogo com os colegas, sobre a importância do fogo no nosso dia a dia. Embora a resposta seja pessoal, oriente os estudantes a pensar nas dificuldades que encontrariam no cotidiano caso não tivessem acesso ao fogo e na dependência que têm deste em muitas das atividades, como a preparação de alimentos.

Após a realização das atividades, proponha uma roda de conversa para discutir por que podemos afirmar que uma das maiores conquistas da humanidade foi o domínio do fogo. Com base nos elementos levantados pelos estudantes, faça na lousa uma lista de todas as atividades que o domínio do fogo permitiu aos humanos.

2. Com o fogo, os seres humanos passaram a cozinhar os alimentos, tornando-os mais macios, saborosos e fáceis de mastigar e digerir. Além disso, o fogo espantava animais perigosos e aquecia as pessoas em dias e noites frias.

O domínio do fogo

Uma das maiores conquistas da humanidade foi o domínio do fogo. Os cientistas acreditam que os seres humanos já dominavam o uso do fogo antes mesmo de terem saído da África. Com o fogo, passaram a cozinhar os alimentos, tornando-os mais macios, saborosos e fáceis de mastigar e digerir. Isso ajudou a melhorar diferentes aspectos da saúde humana.

O fogo também servia para afastar animais perigosos, iluminar a noite e aquecer as pessoas em regiões frias. Com isso, os grupos humanos puderam viver em lugares variados, inclusive onde o clima era mais desafiador por causa do frio.

2 Quais são as principais vantagens que o domínio do fogo trouxe para os seres humanos?

3 Converse com os colegas sobre como você e sua família utilizam o fogo no dia a dia.

Resposta pessoal. Oriente os estudantes a compartilhar suas respostas e respeitar a fala dos colegas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Pessoas ao redor de uma fogueira em Mateiros (TO), em 2023. O ato de sentar-se ao redor do fogo e contar histórias é tão antigo quanto o início do domínio do fogo pelos seres humanos.

O domínio do fogo foi tão importante que inúmeros povos desenvolveram mitos e lendas para explicar como os seres humanos aprenderam a usar as chamas para sobreviver.

O texto a seguir é um mito do povo katukina, que habita a região oeste do Acre. Ele conta como os seres humanos aprenderam a usar o fogo.

Mito Katikuna: domínio do fogo katukina: domínio do fogo

Mito: é uma narrativa simbólica ou fantasiosa que ajuda a explicar a origem do mundo, dos astros, das plantas e dos animais.

Um dia a onça foi caçar e pediu ao periquito e à coruja que ficassem de olho no fogo, porque este podia se apagar. A onça disse que se eles cuidassem do fogo direitinho ela lhes daria um pouco de caça. Dito e feito! O periquito e a coruja ficaram cuidando do fogo, mas, na volta, a onça comeu tudo sozinha. [...]

[...]

Isso se repetiu durante vários dias até que um dia a coruja e o periquito decidiram roubar o fogo da onça. [...] A onça, quando viu que estava sem fogo, ficou desesperada. Ela tentou fazer fogo de novo, mas não conseguiu. Aí percebeu que daquele momento em diante teria que comer carne crua...

Foi o periquito que deu o fogo aos humanos, que antes só comiam carne crua!

POVOS INDÍGENAS NO BRASIL MIRIM. Mitos. São Paulo: ISA, c2025. Disponível em: https://mirim.org/pt-br/como-vivem/mitos. Acesso em: 23 jun. 2025.

4 Para que a onça precisava do fogo, de acordo com o mito katukina?

Para cozinhar seus alimentos.

5 Por que a onça precisava preservar o fogo?

Porque ela não sabia produzir fogo.

6 Que aspectos da vida desse povo indígena são explicados por esse mito?

Essencialmente, o mito relata como os humanos aprenderam a usar e a manter o fogo. Além disso, explica por que as onças comem carne crua.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

Em seguida, realize a leitura coletiva do texto que registra um mito do povo katukina, que habita a região oeste do Acre, contando como os seres humanos aprenderam a usar o fogo. Peça aos estudantes que leiam o texto individualmente e, na sequência, selecione alguns deles para relê-lo em voz alta, esclarecendo possíveis dificuldades de interpretação e vocabulário.

ATIVIDADES

Com base no mito do povo katukina, proponha que os estudantes redijam uma pequena história, de cerca de três parágrafos, inspirada em um dos usos que fazemos atualmente do fogo em nosso cotidiano. A ideia é que a narrativa criada proponha uma reflexão sobre a importância do fogo nas nossas vidas e os avanços técnicos e tecnológicos que foram possíveis graças ao domínio dele.

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• NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. Quando e como foi descoberto o fogo: a verdade sobre essa história. São Paulo: National Geographic Brasil, 12 abr. 2023. Disponível em: https:// www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/quando-e-como-foi-descoberto-o-fogo -a-verdade-sobre-essa-historia. Acesso em: 19 ago. 2025. O texto apresenta dados sobre a descoberta e o manuseio do fogo pelos seres humanos.

ENCAMINHAMENTO

Na seção Ideia puxa ideia, a proposta é discutir como o fogo desempenhou um papel importante no processo evolutivo dos seres humanos, mobilizando os TCTs Ciência e tecnologia e Educação ambiental. Para isso, os estudantes devem fazer a leitura de dois textos: um deles é o trecho do livro de um cientista que estuda a evolução humana e o outro é o trecho de um poema. Para auxiliar os estudantes diante de possíveis dificuldades na interpretação dos textos sugeridos, uma possibilidade é reuni-los em duplas e propor que cada um leia inicialmente, de modo individual, cada um dos textos e que, em seguida, compartilhe com o colega a própria compreensão. Pode ser interessante também sugerir aos estudantes que façam anotações, durante as leituras, de pontos que considerarem os mais importantes e que, depois, comparem essas anotações com as do colega, percebendo coincidências e diferenças. Ao trabalhar dois empregos diferentes da linguagem verbal, um trecho de livro de caráter científico e um texto literário, a seção contribui para o desenvolvimento da competência geral da educação básica 4. Na atividade 1, espera-se que os estudantes percebam que o ser humano faz uso cultural do fogo, pois, desde sua descoberta, este foi empregado para construir relações sociais e a integrar o repertório de técnicas transmitidas ao longo do tempo.

IDEIA PUXA IDEIA

A importância do fogo

Nunca manuseie o fogo sem a supervisão de um adulto.

O fogo desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento humano. O primeiro texto é um trecho do livro de um cientista que estuda a evolução humana. O segundo é de um poema. Leia-os e responda o que se pede.

Texto 1

1. Porque ele ajudou o ser humano a se alimentar de modo mais eficiente e contribuiu para a criação de vínculos sociais.

2. As pessoas se reuniam para conversar, contar histórias, ensinar habilidades, cozinhar e criar laços com os outros membros do grupo.

[...] O impacto do fogo no desenvolvimento da humanidade é incomparável. [...] Vínculos sociais são criados e consolidados ao redor do fogo, histórias são contadas, habilidades transmitidas, e alimentos, preparados e compartilhados.

Somos o único animal que cozinha. Às vezes, a energia e os nutrientes estão nas profundezas dos vegetais e da carne que consumimos, e a digestão é o processo pelo qual eles são liberados. [...]

[...] Ao cozinhar os alimentos, quebramos as ligações de móleculas complexas, tornando-as mais fáceis de serem digeridas pelo nosso estômago. A carne é amaciada pelo calor. Alimentos mais moles também são mais rápidos de comer [...].

RUTHERFORD, Adam. O livro dos humanos: a história de como nos tornamos quem somos. Rio de Janeiro: Record, 2020. p. 59-60.

3. Mostra que o ser humano desenvolveu uma maneira única de preparar os alimentos, tornando-os mais fáceis de digerir e mais nutritivos.

1 Segundo o texto 1, por que o fogo teve um impacto tão importante no desenvolvimento da humanidade?

2 Que atividades humanas passaram a acontecer ao redor do fogo, de acordo com o autor do texto 1 ?

3 O autor do texto 1 afirma que “Somos o único animal que cozinha”. O que isso nos mostra sobre o uso do fogo na alimentação?

4 De acordo com o texto 1 , de que maneira o fogo facilita a digestão dos alimentos?

O calor do fogo quebra moléculas complexas dos alimentos, liberando mais energia e nutrientes.

5 O texto 2 fala de um animal “muito curioso”. De qual animal está falando?

Do ser humano, chamado, no poema, “bicho homem”.

NÃO ESCREVA NO LIVRO. ATENÇ ÃO

6. O estudante pode citar a caça predatória, a destruição de hábitats naturais, a poluição, o desmatamento e o uso de produtos que afetam o meio ambiente.

7. Proteger os ambientes naturais, evitar poluir o ambiente, adotar animais abandonados e respeitar todas as formas de vida.

Texto 2

Bicho homem

De todos os animais

Um é muito curioso

Ele cuida de alguns bichos

Com um jeito caprichoso

Mas com outros animais

Ele esquece o que é paz

Vira um bicho perigoso

[…]

Afinal nós somos bichos

Como os outros animais

Bicho, homem e natureza

Esse trio é tão capaz

Todo mundo em harmonia

Lutaremos pra que um dia

Todos bichos tenham paz.

6 Segundo o poema, os humanos podem ser perigosos para os bichos. Liste no caderno ações humanas que prejudicam os animais.

7 Quais atitudes o “Bicho homem” pode ter para ajudar os outros animais e cuidar melhor da natureza? Converse com os colegas e o professor.

8 O texto 1 mostra como o ser humano aprendeu a usar o fogo para viver melhor em grupo. O poema “Bicho homem” mostra que o ser humano pode cuidar ou destruir. O que esses dois textos nos dizem sobre a capacidade do ser humano? Converse com os colegas e o professor.

Os textos mostram que o ser humano tem grande poder: pode usar seus conhecimentos para unir, proteger e cuidar, mas também pode causar destruição.

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PARA O PROFESSOR E OS ESTUDANTES

BARROS, Manoel de. O meu quintal é maior do que o mundo: antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.

Um dos temas explorados pelo poeta Manoel de Barros é a relação do ser humano com o ambiente e a natureza. A sua obra pode servir de inspiração para o professor no trabalho com a seção, e, se for oportuno, alguns poemas podem ser lidos com a turma.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• BRASIL. Ministério da Educação. Vamos cuidar do Brasil: conceitos e práticas em educação ambiental na escola. Coordenação: Soraia Silva de Mello e Rachel Trajber. Brasília, DF: MEC: MMA: Unesco, 2007. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao3.pdf. Acesso em: 16 set. 2025.

A publicação, feita em uma parceria entre o Ministério da Educação, o Ministério do Meio Ambiente e a Unesco, se propõe a dialogar com professores sobre a contribuição da educação para a construção de sociedades sustentáveis.

OBEID, César. Bicho homem. In: OBEID, César. Rimas animais. Ilustrações: Andréia Vieira. São Paulo: Moderna, 2010. p. 40-41.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a reflexão sobre as inscrições rupestres, peça aos estudantes que observem atentamente as fotografias da dupla de páginas. Oriente-os a discutir o que as fotografias parecem representar, com que técnicas e materiais as representações foram produzidas e em que locais foram feitas. Com base nas hipóteses levantadas pelos estudantes, explique o que são as figuras conhecidas como pinturas rupestres, desenhos por meio dos quais os seres humanos expressavam ideias e registravam o dia a dia antes de inventarem a escrita, há milhares de anos. Diga-lhes que esses desenhos, que normalmente eram feitos em paredes de cavernas e blocos de pedra, mostram animais, cenas de caça, rituais e danças. Algumas imagens parecem representar histórias, enquanto outras são mais simbólicas, como é o caso da Cueva de las Manos, na Argentina.

Explique que essas inscrições são fundamentais para que os pesquisadores possam compreender como viviam os primeiros grupos humanos. Peça a eles que retornem às imagens e levantem hipóteses sobre o que é possível saber, com base nelas, acerca da vida dos primeiros grupos humanos. Os estudantes poderão, por exemplo, dizer que os animais representados conviviam com os seres humanos ou eram destinados à caça.

Este conteúdo dá margem para que o professor trabalhe a expressão artística dos estudantes, contribuindo para o desenvolvimento da competência geral da educação básica 3. Para isso, proponha que eles criem desenhos inspirados nas pinturas rupestres, retomando os exemplos apresentados nas fotografias. Incentive os estudantes a usar a criatividade e a imaginação, ainda que o tema principal continue sendo as pinturas rupestres.

Inscrições rupestres

Antes de inventarem a escrita, os seres humanos já expressavam suas ideias e registravam o dia a dia por meio de desenhos. Esses registros ficaram conhecidos como inscrições ou pinturas rupestres. Elas foram feitas há milhares de anos em paredes de cavernas, em muros e blocos de pedra.

As pinturas rupestres descobertas na Caverna de Lascaux, datadas de cerca de 20 mil anos atrás, mostram cenas do cotidiano, como a representação de cavalos, cervos e touros.

Pinturas rupestres de animais na Caverna de Lascaux, na França, em 2017.

As inscrições e pinturas rupestres mostram animais, cenas de caça, rituais e danças. Algumas imagens parecem representar histórias, enquanto outras são mais simbólicas, com formas geométricas e desenhos mais simples. Essas inscrições ajudam os pesquisadores a compreender como viviam os primeiros grupos humanos.

Na Cueva de las Manos (Caverna das Mãos, em português), as pinturas de mãos foram feitas com pigmentos naturais, por meio de uma técnica de sopro com tubos feitos de ossos. As pinturas foram feitas entre 13 mil anos atrás e 9 mil anos atrás.

Pinturas rupestres na Cueva de las Manos, na Argentina, em 2024.

No Brasil, um dos lugares que abriga pinturas rupestres é o Parque Nacional da Serra da Capivara, no estado do Piauí. Por sua importância histórica e cultural e pelo trabalho da arqueóloga Niède Guidon, foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1991.

Na atividade 1, comente com os estudantes que, além de serem um dos poucos registros simbólicos das populações que viveram milhares de anos atrás, as pinturas rupestres são raras e difíceis de encontrar.

1. As pinturas rupestres são importantes porque mostram como os primeiros grupos humanos se expressavam antes da escrita. Além disso, ajudam os pesquisadores a entender os valores, os costumes e o ambiente em que viviam esses povos.

As pinturas rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara mostram pessoas e animais em movimento, além de cenas de caça e rituais. Elas foram feitas há milhares de anos com tintas naturais, principalmente em tons de vermelho.

Pintura rupestre em paredão do Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI), em 2024.

1

Niède Guidon (1933-2025) nasceu no município de Jaú, no estado de São Paulo. Ela foi arqueóloga, pesquisadora e professora, dedicando sua vida à criação do Parque Nacional da Serra da Capivara e à preservação dos sítios arqueológicos e das pinturas rupestres encontrados no local, além da proteção da natureza da região.

TEM MAIS

As pinturas rupestres eram feitas com materiais simples encontrados na natureza. Um exemplo é a semente de urucum, que era utilizada para produzir uma tinta avermelhada, já o jenipapo produzia tons mais escuros. Elementos como esses eram triturados, amassados e, depois, misturados com água, gordura animal ou seiva de plantas.

ATIVIDADES

A arqueóloga Niède Guidon (1933-2025) foi uma das mais importantes pesquisadoras brasileiras, tendo dedicado sua vida à criação do Parque Nacional Serra da Capivara e à preservação das pinturas rupestres encontradas no local. Para que conheçam mais sobre ela, proponha aos estudantes que façam, em casa, uma pesquisa e registrem no caderno três informações relevantes sobre seu trabalho. Após a realização da pesquisa, organize os estudantes em pequenos grupos e solicite a eles que compartilhem e comparem as informações obtidas.

Por que as pinturas rupestres são importantes para os estudos sobre os primeiros seres humanos?

2 O que as pinturas rupestres revelam sobre a vida desses grupos?

Elas revelam diversas cenas do cotidiano, como caçadas, rituais, danças e formas de organização social.

3 Como os antigos grupos humanos produziam as tintas para fazer as pinturas rupestres?

Os antigos grupos humanos produziam as tintas utilizando materiais naturais disponíveis na natureza, como urucum, gordura de animais, entre outros recursos naturais.

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PARA OS ESTUDANTES

• SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Geo360 Brasil: Parque Nacional Serra da Capivara [passeio virtual]. Brasília, DF: Rio de Janeiro: SGB, c2025. Disponível em: https://geoportal. sgb.gov.br/360serradacapivara/. Acesso em: 16 set. 2025. Esse passeio virtual pelo Parque Nacional Serra da Capivara permite ao usuário acessar dezenas de imagens, em 360 graus, de paredões, mirantes e rochas esculpidas pelo tempo. Além disso, é possível interagir com imagens de um sobrevoo no parque, conhecido por preservar alguns dos vestígios arqueológicos mais antigos da presença humana na América do Sul e considerado Patrimônio Cultural da Humanidade. CONEXÃO

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Sementes de urucum.
Elementos fora de proporção.

ENCAMINHAMENTO

O objetivo da atividade proposta na seção Criança cidadã é conscientizar os estudantes acerca da importância de preservarmos nossos patrimônios históricos e culturais. Para dar início à discussão, organize a leitura coletiva das manchetes, que tratam de situações de depredação de pinturas rupestres. Motive os estudantes a refletir sobre a gravidade dos casos relatados e a discutir por que essas ações são tão prejudiciais para o conhecimento de nossa história. Aproveite para reforçar a importância das pinturas rupestres como documentos acerca dos modos de vida dos primeiros grupos humanos. Em seguida, proponha que, em duplas ou pequenos grupos, os estudantes realizem a leitura do texto da subseção O que podemos fazer?. Incentive-os a debater cada um dos itens e a pensar no papel que cada um de nós tem na preservação do patrimônio histórico e cultural, o que permite um trabalho com os TCTs Educação ambiental e Vida familiar e social

CRIANÇA CIDADÃ

Responsabilidade com o patrimônio histórico Leia as manchetes a seguir.

Pintura rupestre em Diamantina é depredada com pichação

Vândalos cobriram as pinturas com picho verde e palavras ofensivas

BARBOSA, Wellington. Pintura rupestre em Diamantina é depredada com pichação. Correio Braziliense, Brasília, DF, 29 jan. 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2024/01/6794349-pintura-rupestre -em-diamantina-e-depredada-com-pichacao.html. Acesso em: 5 set. 2025.

Homem danifica

arte

rupestre milenar

para

postar fotos nas redes sociais

CORREIA, Flavia. Homem danifica arte rupestre milenar para postar fotos nas redes sociais. Olhar Digital, São Paulo, 10 ago. 2024. Disponível em: https://olhardigital.com. br/2024/08/10/ciencia-e-espaco/homem-danifica-arte-rupestre-milenar-para-garantir -melhor-foto/. Acesso em: 8 maio 2025.

Notícias como essas mostram que nosso patrimônio histórico está em risco. Como já estudamos, as pinturas e inscrições rupestres são registros muito antigos, feitos por povos que viveram há milhares de anos. Elas nos ajudam a entender como esses grupos viviam, o que comiam, como caçavam e até no que acreditavam.

Esses desenhos e relevos são considerados parte do patrimônio histórico e cultural da humanidade porque guardam memórias importantes sobre o passado. São como registros deixados pelos nossos antepassados e que hoje podemos estudar, admirar e proteger.

1. Porque as pinturas rupestres são registros muito antigos que revelam como viviam os povos do passado. Elas são parte essencial do nosso patrimônio histórico e cultural. Quando alguém destrói essas pinturas, uma parte da história é perdida para sempre. Preservá-las é uma forma de respeitar quem viveu antes de nós.

O que podemos fazer?

Cuidar do patrimônio é uma forma de respeitar nossos antepassados e garantir que as próximas gerações também possam aprender com essas histórias. E todos nós podemos ajudar!

Conheça a seguir algumas atitudes importantes.

• Nunca tocar ou riscar as inscrições e pinturas rupestres, mesmo que pareçam pequenas ou escondidas.

• Avisar um adulto se vir alguém pichando ou danificando esses locais.

• Visitar sítios arqueológicos com respeito e atenção, seguindo as orientações dos guias e das placas.

• Conversar com a família e os representantes da escola sobre a importância desses lugares.

Quando cuidamos do passado, ajudamos a construir um futuro com mais respeito, conhecimento e cuidado com a história de todos os povos!

Indígena do povo waurá mostra inscrição rupestre que foi danificada em Paranatinga (MT), 2019. A inscrição era considerada parte importante da cultura desse povo.

1 Por que é importante preservar pinturas e inscrições rupestres? Explique com base nas informações do texto e nas manchetes apresentadas.

2 O que você pode fazer, no seu dia a dia, para ajudar a proteger o patrimônio histórico? Cite pelo menos dois exemplos. Resposta esperada: os estudantes podem mencionar que devem respeitar os sítios arqueológicos quando os visitam, sem tocar nas pinturas. Também podem avisar um adulto se virem alguém danificando esses lugares. Outra forma é conversar com a família e os amigos sobre a importância de cuidar desse tipo de patrimônio.

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ATIVIDADES

Organize os estudantes em pequenos grupos e proponha que escolham um dos itens apresentados no texto da subseção O que podemos fazer? para produzir um material visual e apresentá-lo. O material pode ser um fôlder, um cartaz ou mesmo um material digital. O importante é que a produção apresente a ideia defendida de maneira chamativa, com ilustrações. Os materiais produzidos podem ser expostos para que as ideias discutidas sejam compartilhadas com toda a comunidade escolar.

PARA OS ESTUDANTES

SOUTO, Mayara. A ressurreição da memória Xingu: indígenas ganham réplica de gruta sagrada. Correio Brasiliense, Brasília, DF, 20 out. 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense. com.br/brasil/2024/10/6968746-a-ressurreicao-da-memoria-xingu-indigenas-ganham-replica -de-gruta-sagrada.html. Acesso em: 29 out. 2025.

Conheça a história da gruta do Kamukuwaká, um local sagrado para o povo waujá que continha uma série de inscrições de caráter religioso e que sofreu um ato de vandalismo em 2018. Como a gruta original não pôde ser restaurada, uma réplica foi feita e dada aos indígenas em 2024. CONEXÃO

RENATO
SOARES/PULSAR IMAGENS
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a reflexão sobre o desenvolvimento da agricultura, solicite aos estudantes que observem atentamente o mapa, que mostra as áreas de domesticação de plantas entre 8500 a.C. e 3000 a.C. Incentive os estudantes a identificar em quais continentes ficam os pontos destacados no mapa. Em seguida, faça a leitura coletiva da legenda que identifica exemplos de espécies vegetais e datas aproximadas da primeira domesticação dos pontos destacados no mapa. Essa abordagem favorece o desenvolvimento das habilidades EF04HI02, EF04HI04 e EF04HI05

Peça aos estudantes que identifiquem quais das espécies citadas ainda hoje fazem parte de nosso consumo cotidiano, como trigo, ervilha, azeitona, arroz, milho, feijão, abóbora, batata, mandioca. Comente com os estudantes que, atualmente, muitos dos alimentos que comemos têm origem na chamada “agricultura familiar”, que se baseia em técnicas e saberes antigos, mas usa inovações tecnológicas mais modernas, possibilitando maior produção de diversos alimentos durante o ano todo.

Com base nessa reflexão, questione os estudantes por que a agricultura revolucionou radicalmente a vida dos primeiros agrupamentos humanos. A partir das hipóteses levantadas, explique que, com a agricultura, alguns grupos humanos deixaram de se deslocar o tempo todo em busca de alimentos.

A atividade 1 pode ser desenvolvida de maneira coletiva, com uma roda de conversa que trate da importância da agricultura em nossas vidas. Incentive os estudantes a pensar sobre as dificuldades de alimentação que teríamos sem a agricultura.

O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA

Depois de milênios vivendo como nômades, alguns grupos humanos começaram a perceber que algumas sementes que caíam no chão germinavam, cresciam e se transformavam em novas plantas. Aos poucos, aprenderam que poderiam cultivar e colher alimentos sem precisar se mudar. Essa descoberta transformou completamente o modo de vida desses grupos.

As primeiras experiências com a agricultura aconteceram em diferentes regiões do mundo. Nesses lugares, os grupos começaram a cultivar cereais, como trigo e cevada, e leguminosas, como ervilhas e lentilhas. Observe o mapa e suas informações

Mundo: áreas de domesticação de plantas (8500 a.C. a 3000 a.C.)

Polar Ártico

ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio Equador Trópico de Câncer

Polar Antártico

Exemplos de espécies vegetais e datas aproximadas da primeira domesticação

1. Trigo, ervilha e azeitona — 8500 a.C.

2. Arroz e milho-miúdo — 7500 a.C.

3. Milho, feijão e abóbora — 3500 a.C.

4. Batata e mandioca — 3500 a.C.

5. Inhame africano e palma — 3000 a.C.

6. Cana-de-açúcar e banana — 7000 a.C.

7. Papoula e aveia — 6300-3500 a.C.

9. Cana-de-açúcar e banana — 7000 a.C.

10. Papoula e aveia — 6300-3500 a.C.

11. Gergelim e berinjela — 7000 a.C.

8. Gergelim e berinjela — 7000 a.C.

Fonte: DIAMOND, Jared. Armas, germes e aço: os destinos das sociedades humanas. Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 46.

Com a agricultura, os seres humanos não precisavam mais se deslocar o tempo todo. Mas isso também trouxe novos desafios: era preciso cuidar da terra, esperar o tempo certo para colher e se proteger contra chuvas, pragas ou animais. A vida cotidiana passou a seguir um ritmo controlado pela agricultura.

1 Você conhece alguém que trabalha com agricultura? Converse com os colegas e o professor sobre a importância desse trabalho em nossas vidas. Resposta pessoal. Oriente os estudantes a compartilhar seus relatos e opiniões, respeitando os colegas.

Círculo
Círculo
OCEANO ÍNDICO
OCEANO PACÍFICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
SONIA VAZ
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Plantar, colher e... trabalhar mais?

A vida dos primeiros agricultores era diferente da que levavam os caçadores e coletores. Antes, as pessoas viviam em pequenos grupos e se alimentavam do que conseguiam caçar e coletar na natureza. Com a agricultura, passaram a depender de alimentos mais específicos e a trabalhar muito mais, pois precisavam preparar a terra, cuidar das plantações e armazenar comida para os períodos de escassez.

Ao mesmo tempo, foi necessário construir moradias mais resistentes, feitas para durar muito tempo, fabricar recipientes para guardar grãos e organizar as tarefas do grupo. Algumas pessoas plantavam, outras cuidavam das ferramentas, e havia quem ficasse responsável por vigiar os alimentos e proteger o local.

HITECHERZ/SHUTTERSTOCK.COM

Recipiente de cerâmica de aproximadamente 2500 a.C. encontrado na região da Lombardia, na Europa. Ferramenta para moer grãos encontrada na China.

Essa nova forma de viver possibilitou o crescimento dos grupos e o surgimento dos primeiros povoados. Mas também trouxe desigualdades: enquanto alguns tinham terra e produziam o suficiente para viver, às vezes até mais do que precisavam, muitos passaram a depender de outras pessoas. Essa transformação foi um passo importante para o surgimento das sociedades como conhecemos hoje, com regras, chefes e até disputas por território.

Veja resposta no Encaminhamento.

1 O que mudou na vida dos grupos humanos com o desenvolvimento da agricultura? Converse com os colegas.

26/09/25 17:48

Após a realização da atividade, proponha que os estudantes reflitam sobre um outro lado da questão: os novos desafios que a agricultura também trouxe aos grupos humanos, uma vez que foi preciso cuidar da terra, esperar o tempo certo para colher e se proteger contra chuvas, pragas ou animais. Com isso, a vida cotidiana passou a seguir um novo ritmo controlado pela agricultura.

Peça aos estudantes que apontem o que é preciso para realizar a agricultura e registre na lousa as ideias levantadas. Em seguida, peça a eles que analisem as imagens que aparecem no livro e mostram um recipiente e uma ferramenta utilizados para a realização de atividades ligadas à agricultura no mundo antigo.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes respondam que, com a agricultura, alguns grupos humanos deixaram de ser nômades e passaram a viver fixamente em um mesmo lugar. Eles começaram a plantar alimentos, como trigo e milho, o que transformou seu modo de vida. Também precisaram cuidar da terra, esperar o tempo da colheita e se proteger contra pragas e mudanças climáticas.

ATIVIDADES

PARA O PROFESSOR

• PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. São Paulo: Contexto, 2001. Nesse livro, o historiador analisa a formação das primeiras civilizações humanas, com base no estudo de conquistas importantes que permitiram esse desenvolvimento, como a agricultura e a escrita. CONEXÃO

Para aprofundar a reflexão dos estudantes sobre a importância da agricultura no nosso cotidiano, peça que cada um faça uma relação dos alimentos mais consumidos pela família e que identifique quais desses itens são provenientes da produção agrícola. Após a preparação das listas, solicite aos estudantes que se reúnam em duplas e comparem seus resultados, debatendo como a produção agrícola é fundamental para a nossa alimentação cotidiana.

Ao realizar a atividade, certifique-se de que não há estudantes em situação de insegurança alimentar.

DIMA MOROZ/SHUTTERSTOCK.COM
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ENCAMINHAMENTO

Para introduzir o tema da domesticação de animais pelos seres humanos, comece trazendo para o universo dos estudantes a discussão proposta pela atividade 3 Pergunte se eles têm animais de estimação e como é a relação que estabelecem com eles. Incentive-os a explorar o vínculo que atualmente existe entre os seres humanos e outros animais que passaram a participar do convívio doméstico, como cães e gatos, mas também animais como cavalos em contextos rurais.

Com base nessa primeira aproximação, desenvolva a reflexão propondo que os estudantes entendam que os seres humanos não domesticam animais apenas como “ pets ”. A domesticação, no passado, ligava-se sobretudo à alimentação, ao fornecimento de recursos como couro e lã, ao trabalho (por exemplo, pastoreio, tração e transporte) e à proteção dos povoados. Além disso, a domesticação de animais representa uma mudança importante na forma como os grupos humanos viviam e se organizavam. Compreender essa relação entre os humanos e os animais é importante porque ela demonstra como passamos a domesticar e conviver com outras espécies, em vez de apenas caçá-las. Essa reflexão é que se espera, inclusive, como resposta para a atividade 2. Em seguida, proponha a leitura coletiva do texto, que busca explicar como se deu a aproximação dos animais com os seres humanos e, a partir daí, as primeiras relações de domesticação de animais. Auxilie os estudantes na leitura e na interpretação do texto, esclarecendo possíveis dúvidas de vocabulário e destacando as principais ideias apresentadas.

Para introduzir a questão da sedentarização, organize uma roda de conversa para discutir como o desenvolvimento da

Animais e seres humanos, uma longa convivência

Além de plantar, os grupos humanos passaram a domesticar animais. Isso significa que, em vez de caçá-los, aprenderam a criá-los, alimentá-los e usá-los para várias tarefas do dia a dia. Os primeiros animais domesticados foram o cachorro, a cabra e a ovelha.

Leia mais a seguir sobre a domesticação dos cachorros.

Uma teoria aponta que alguns lobos mais tolerantes aos seres humanos andavam atrás dos humanos para usufruir dos restos de comida deixados por eles. Em se alimentando mais, estes animais geraram mais descendentes [...].

Com o tempo, os filhotes das gerações futuras dos lobos não caçavam mais sozinhos e tinham o homem [ser humano] como única fonte de alimentos. Os filhotes começaram a enxergar o homem [ser humano] como seu macho alfa [líder da matilha], e assim começou a domesticação deste animal. [...]

Pintura rupestre que retrata um caçador e seu cachorro, na Argélia, cerca de 6000 a.C.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA. Entre lobos e cães. Juiz de Fora: UFJF, 27 nov. 2020. (Coleção itinerante de zoologia). Disponível em: https://www2.ufjf.br/zoologiaitinerante/2020/11/27/ entre-lobos-e-caes/. Acesso em: 11 jun. 2025.

FIQUE LIGADO

• ALFA. Direção: Albert Hughes. Estados Unidos: Columbia Pictures, 2018. Streaming. (ca. 96 min).

O filme conta a história da amizade entre um jovem e um lobo, apresentando o início do relacionamento entre as duas espécies.

Com o tempo, outros animais também passaram a fazer parte da vida humana: bois e burros puxavam cargas, cavalos serviam de meio de transporte, galinhas e porcos eram criados para alimentação. Esses animais ajudaram a garantir comida e facilitar o trabalho, mas também exigiam cuidados, abrigo e alimento. A convivência com os animais transformou os hábitos e a rotina dos grupos.

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2 Por que é importante entender a relação entre os humanos e os animais?

Veja orientações e comentários no Encaminhamento

3 Você tem algum animal de estimação? Converse com os colegas e o professor sobre a importância desses e outros animais em nossas vidas.

Resposta pessoal. Oriente os estudantes a compartilhar suas histórias, respeitando os colegas. Se algum estudante não tiver animal de estimação, ele pode participar da atividade expondo sua opinião sobre o assunto.

agricultura e da domesticação de animais permitiu que os grupos humanos começassem a se fixar por mais tempo nos mesmos lugares. Explique que esse movimento de fixação é o que chamamos de sedentarização, passo fundamental na história do desenvolvimento dos seres humanos, pois resultou na formação das primeiras cidades. Essa abordagem favorece o desenvolvimento das habilidades EF04HI01, EF04HI02, EF04HI04 e EF04HI05.

Para tratar desse tema da formação dos primeiros núcleos urbanos, peça aos estudantes que observem atentamente a imagem, uma representação artística da cidade de Çatal Hüyük, erguida onde hoje se localiza a Turquia. Incentive os estudantes a comparar essa cidade com as cidades que conhecemos hoje, percebendo semelhanças e diferenças entre elas.

Conclua apontando como essa nova forma de viver foi um passo importante para o desenvolvimento das sociedades humanas.

A sedentarização

Com o desenvolvimento da agricultura e da domesticação de animais, os grupos humanos começaram a se fixar por mais tempo nos mesmos lugares. As casas, antes feitas para durar dias ou meses, passaram a ser mais resistentes. Os grupos cresceram, e os povoados começaram a surgir.

Esses povoados eram formados por várias casas próximas, áreas para guardar alimentos, espaços para os animais e lugares onde o grupo se reunia. As pessoas precisavam organizar a limpeza, cuidar da água e decidir o que plantar. Isso fez surgir novas formas de liderança e regras para a convivência.

Çatal Huyuk Çatal Hüyük

Ilustração representando Çatal Hüyük, povoado erguido na região da atual Turquia. Essa é uma das primeiras aglomerações urbanas conhecidas, datada de mais de 9 mil anos.

Elaborado com base em: DIAS, João Manuel Alveirinho. Mundividências projectadas: o início das representações do espaço geográfico: parte II: representações do espaço na Pré-História. Faro, Portugal: Universidade do Algarve, 2015. p. II-136.

Não existiam ruas, e os habitantes circulavam de uma casa a outra por escadas, atravessando os telhados.

Viver em grupo trouxe vantagens: havia mais segurança, mais troca de conhecimentos e maior produção de alimentos. Mas também surgiram problemas: conflitos por terras, doenças e desigualdades entre os membros da comunidade.

Essa nova forma de viver foi um passo importante na história. Ainda não eram cidades, mas os povoados já mostravam sinais do que viria a seguir: uma sociedade mais complexa, com tarefas divididas, crenças comuns e novos desafios pela frente.

4 Explique no caderno como era a vida nos primeiros povoados formados com o desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais.

Resposta esperada: as pessoas viviam em casas próximas, cuidavam da plantação e dos animais e armazenavam alimentos. Cada um tinha uma tarefa, como plantar, construir, vigiar ou cozinhar. Surgiram regras e lideranças para ajudar na convivência em grupo.

TEXTO COMPLEMENTAR

ATIVIDADES

Para verificar se os estudantes se apropriaram dos temas trabalhados, proponha a escrita individual de um breve texto que deve conter os seguintes elementos: desenvolvimento da agricultura, domesticação de animais e formação dos primeiros povoados. Espera-se, com essa proposta, que os estudantes consigam relacionar o desenvolvimento da agricultura e da domesticação de animais às condições que permitiram a fixação dos grupamentos humanos. Essa sedentarização, com o tempo, levou ao desenvolvimento dos primeiros povoados.

26/09/25 17:48

Arqueólogos estudam a transição da vida nômade para o sedentarismo

Como terá acontecido a transição da vida nômade para o sedentarismo na Amazônia? Para responder a esta e a outras perguntas sobre os modos de vida das antigas populações indígenas, arqueólogos estão investigando, em parceria com pesquisadores do Instituto Mamirauá, a mudança nas formas de habitar a Amazônia durante o primeiro milênio antes de Cristo. A pesquisadora Márjorie Lima, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, compõe o grupo.

[…]

“Arqueologicamente sabemos que durante um período antigo as pessoas se mudavam com maior frequência, não moravam em um único lugar por muito tempo. A partir desse período vemos que em algumas regiões isso começa a mudar e as pessoas começam a morar por mais tempo em uma área. Elas tornam-se então mais sedentárias […]”, comenta Márjorie.

LELIS, Amanda. Arqueólogos estudam a transição da vida nômade para o sedentarismo. Jornal da USP, São Paulo, 25 maio 2017. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=88396. Acesso em: 19 ago. 2025. 43

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As cores não correspondem aos tons reais.

ENCAMINHAMENTO

Na seção O que estudei, busca-se retomar os principais conteúdos trabalhados ao longo da unidade, com o objetivo de sistematizar e consolidar conceitos estudados. Essa sistematização não é apenas um momento de revisão, mas também de reflexão, no qual os estudantes são convidados a analisar o próprio percurso de aprendizagem e a realizar uma autoavaliação. Esse processo contribui para que cada estudante reflita sobre o que aprendeu, como aprendeu e quais aspectos ainda precisam de maior atenção.

Ao incentivar a reflexão sobre os conteúdos e a realização de uma autoavaliação, são oferecidos aos estudantes parâmetros para orientar suas atitudes, organizar seus estudos e fortalecer o próprio protagonismo no processo de aprendizagem.

Explique à turma que este é o momento de retomar o que foi trabalhado ao longo da unidade, identificando avanços e reconhecendo eventuais dificuldades. Essa prática favorece o desenvolvimento de processos metacognitivos, ajudando cada estudante a compreender o próprio aprendizado e a perceber a evolução ocorrida.

Na atividade 1. c), espera-se que os estudantes respondam que, por meio da imagem, pode-se perceber que essas pessoas praticavam a caça e utilizavam arcos e flechas para isso. Também podemos afirmar que dominavam a técnica de produzir tintas para que pudessem deixar tais registros nas rochas.

Na atividade 1. d), é possível afirmar que sim, uma vez que os caçadores foram representados usando arco e flecha.

O QUE ESTUDEI

1 Observe com atenção a imagem de uma pintura rupestre. Em seguida, responda às questões no caderno.

a) Que tipo de fonte histórica é essa?

b) O que essa pintura mostra?

Fonte visual.

Ela mostra pessoas caçando alguma espécie de cervídeo.

c) O que essa imagem nos permite saber a respeito dos costumes dessas pessoas?

Questões 1. c), 1. d) e 1. e): veja orientações e comentários no Encaminhamento

d) Por meio dessa imagem, podemos afirmar que essas pessoas sabiam fabricar ferramentas?

e) Explique a importância da caça para as sociedades nômades.

Na atividade 1. e), espera-se que os estudantes respondam que, antes do desenvolvimento da agricultura, a caça e outras formas de extrativismo eram muito importantes para a subsistência dos grupos humanos.

Na atividade 2. c), espera-se que os estudantes observem atentamente o objeto e o comparem com outros objetos que conhecem.

Na atividade 2. e), os estudantes poderão elaborar diferentes perguntas: como e onde ele foi encontrado, se é possível saber de quando ele é, se existem outros objetos semelhantes etc. É importante destacar que, muitas vezes, será necessário pesquisar em diversas fontes confiáveis para descobrir informações sobre objetos antigos.

Na atividade 2. f), os estudantes podem mencionar que pesquisariam em livros e na internet ou consultariam algumas pessoas. Reforce que a pesquisa histórica frequentemente exige uma consulta a múltiplas fontes para obtenção de informações confiáveis.

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Pintura rupestre na Caverna de Los Caballos em Fuentes de León, na Espanha.

2

O antiquário é um local que trabalha com a compra e venda de objetos antigos. Imagine que você foi a um antiquário e encontrou o seguinte objeto.

Reúnam-se em grupo de três colegas e procurem responder, no caderno, às questões a seguir.

a) Esse objeto pode ser considerado uma fonte histórica? Que tipo de fonte ele é?

Sim, ele é uma fonte de cultura material.

b) De que material esse objeto é feito?

Ele aparenta ser feito de aço.

c) Ele se parece com algum objeto que você conhece?

Resposta pessoal.

d) Você sabe para que ele serve?

Objeto do começo do século 20.

Resposta pessoal. Provavelmente, os estudantes desconhecerão sua utilidade, mas trata-se de um apontador de lápis.

e) Caso não saiba, que perguntas você poderá fazer para tentar descobrir a utilidade desse objeto?

f) Em quais outros lugares você pesquisaria para obter mais informações sobre esse objeto?

• Ao final, formem uma roda de conversa e comentem o que conversaram e a quais conclusões chegaram.

3 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.

2. e) Os estudantes poderão elaborar diferentes perguntas, como onde ele foi encontrado, se é possível saber de quando ele é, se existem

• Aproveite este momento para refletir sobre seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO

outros objetos semelhantes etc. É importante destacar que muitas vezes será necessário pesquisar em diversas fontes para descobrir informações sobre objetos antigos.

Respostas pessoais.

Sempre Às vezes Nunca

Respeitei o professor e os colegas?

Prestei atenção nas explicações?

Pedi ajuda quando tive dúvidas?

Contribuí nas atividades em grupo?

26/09/25 17:48

A Autoavaliação tem a função de ajudar cada estudante a reconhecer o que já conseguiu aprimorar e o que ainda precisa ser melhorado no estudo da unidade. Esse registro é útil para que os estudantes desenvolvam habilidades como autonomia, autorregulação e colaboração. Se houver pessoas com deficiência na turma, de maneira geral, é essencial garantir adaptações e recursos de acessibilidade que possibilitem a plena participação na autoavaliação. Também pode ser importante oferecer tempo adicional para a realização das tarefas e solicitar apoio de mediadores ou colegas quando necessário. Finalize a avaliação estabelecendo objetivos que deverão ser cumpridos pelo estudante ao longo do ano.

Ao final, promova um momento coletivo de troca de ideias, no qual os estudantes possam compartilhar impressões sobre o que aprenderam e sobre os desafios que encontraram. Essa prática valoriza a diversidade da turma, incentiva a escuta ativa e reforça a noção de que o aprendizado é um processo colaborativo e inclusivo, no qual cada voz e cada experiência contribuem para o crescimento de todos.

Veja orientações no Encaminhamento
Elementos

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, os estudantes vão conhecer as transformações ocorridas nos modos de vida dos primeiros grupamentos humanos na transição do nomadismo para o sedentarismo, com foco em dois temas centrais: a formação dos primeiros centros urbanos e o estabelecimento das primeiras trocas comerciais.

O capítulo 1 conduz os estudantes à reflexão sobre como o processo histórico de sedentarização deu origem aos primeiros núcleos urbanos, analisando os movimentos de urbanização ao redor do mundo e as transformações ocorridas nas cidades ao longo do tempo. No capítulo 2, parte-se para a reflexão a respeito da formação das cidades e do estabelecimento das primeiras trocas comerciais, analisando como elas se davam antes da invenção do dinheiro, as mudanças ocorridas com a introdução das moedas e o estabelecimento de grandes circuitos de comércio ao longo da história e seus impactos sobre as populações locais. Assim, ao longo da unidade, os estudantes acompanham os primeiros passos da formação de sociedades complexas, percebendo como as transformações criaram diferentes formas de organização social, com novas maneiras de ocupar o espaço e de se relacionar com a natureza. Além disso, as transformações ocorridas estabeleceram novas relações entre os seres humanos, por meio de trocas e do desenvolvimento do comércio, que passou a funcionar como elo importante entre diferentes grupos e sociedades.

UNіDADE A FORMAÇÃO DAS CIDADES E AS TROCAS COMERCIAIS

2

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Analisar as consequências da fixação das primeiras comunidades humanas.

• Problematizar a complexificação das sociedades humanas e a formação dos primeiros núcleos urbanos.

• Discutir as interferências do desenvolvimento urbano nos modos de vida dos habitantes das cidades.

• Identificar as transformações ocorridas nas cidades ao longo do tempo.

• Compreender o estabelecimento das primeiras trocas comerciais entre diferentes grupos humanos.

• Refletir sobre as diferentes modalidades de trocas comerciais que se estabeleceram entre grupos humanos antes da mediação do dinheiro.

• Compreender como a criação das moedas estabeleceu novas formas de trocas comerciais.

• Analisar a formação de grandes rotas comerciais e compreender seus impactos nas populações de diferentes regiões.

Vista aérea do mercado Ver-o-Peso, em Belém (PA), em 2024.

Atualmente, a maior parte das pessoas no mundo vive em cidades, mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo, os seres humanos viveram como nômades, deslocando-se em busca de comida e abrigo. Isso aconteceu por mais de 200 mil anos.

Há cerca de 10 mil anos, tudo começou a mudar. Alguns grupos humanos aprenderam a plantar alimentos e a domesticar animais. Com isso, começaram a viver em um só lugar. Em pouco tempo, surgiram vilarejos e cidades.

Nas cidades, as pessoas que produziam mais do que precisavam começaram a trocar utensílios, alimentos e outros produtos. Acredita-se que foi assim que nasceu o comércio. Mais tarde, com o desenvolvimento da moeda, as trocas tornaram-se mais fáceis.

ATIVIDADES

1 O município onde você mora tem uma área urbana e outra rural? Se sim, qual é a maior?

2 Como é o comércio na região onde você mora? Há muitas ou poucas lojas? Há grande variedade de mercadorias?  Veja comentários e orientações no Encaminhamento.

Nesta unidade, vamos estudar como todas essas mudanças ajudaram a transformar a vida das pessoas e como surgiram as cidades em que vivemos hoje.  22/09/25 11:13

Para aprofundar a reflexão sobre as diferenças entre os espaços urbano e rural, proponha aos estudantes que produzam um desenho em que, de um lado, representem a vida nas cidades e, de outro, a vida no campo. Incentive-os a retratar em suas produções não apenas aspectos da paisagem desses espaços, mas também elementos de atividades econômicas e modos de vida. Peça também que identifiquem se o local em que vivem e o espaço onde está localizada a escola se inserem em um quadro urbano ou rural.

Para trabalhar a abertura da unidade e propor a reflexão sobre o processo de transição do nomadismo para o sedentarismo, é importante fazer a sondagem dos conhecimentos construídos anteriormente sobre o tema. Para isso, divida a lousa em duas partes: em uma, devem ser registrados aspectos que caracterizam a vida das primeiras comunidades humanas nômades; na outra, as características das primeiras sociedades sedentarizadas. Incentive os estudantes a relembrar o que já conhecem sobre o tema e a colaborar no preenchimento do quadro.

Com base nas ideias levantadas, introduza a reflexão sobre como a sedentarização permitiu a formação das primeiras cidades. Peça aos estudantes que discutam quais elementos caracterizam, hoje, a vida nas cidades e reflitam se esses elementos já existiam ou não nos primeiros núcleos urbanos. Incentive os estudantes a perceber como as trocas comerciais se desenvolveram amplamente nos espaços urbanos.

A resposta da atividade 1 é pessoal. Explore o conhecimento dos estudantes sobre as características do município onde vivem. Caso demonstrem não saber a respeito das diferenças entre o espaço rural e o urbano no município, oriente-os a pesquisar o tema, recorrendo a sites como o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou o site da prefeitura do município, em busca de dados oficiais e confiáveis.

As respostas da atividade 2 são pessoais. Com essa atividade, espera-se que os estudantes reflitam sobre como o comércio está presente na localidade em que vivem: qual é a sua importância para a comunidade, quais tipos de comércio existem e quais mercadorias são vendidas.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Entender como o processo de sedentarização permitiu a formação dos primeiros núcleos urbanos.

• Comparar o processo de urbanização em diferentes partes do mundo, percebendo semelhanças e diferenças entre essas formações.

• Problematizar a vida nas cidades, percebendo características desse modo de vida e comparando as relações no presente e no passado.

• Discutir as transformações ocorridas nas cidades ao longo do tempo, percebendo continuidades e rupturas.

• Apropriar-se da discussão sobre a história das cidades e dos modelos urbanos para refletir sobre a própria realidade, considerando aspectos da cidade e características da comunidade em que vive.

BNCC

HABILIDADES

(EF04HI03) Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente.

(EF04HI04) Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas.

TEMAS

CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso.

• Diversidade cultural.

AS CIDADES MUDAM COM O TEMPO

As imagens desta página mostram uma vista de Salvador, capital da Bahia e uma das cidades mais antigas do Brasil. As fotografias foram tiradas da mesma posição, mas em épocas diferentes. Observe as imagens e leia a legenda.

ENCAMINHAMENTO

Peça aos estudantes que observem atentamente as duas fotografias que mostram a cidade de Salvador, na Bahia, tiradas de uma mesma posição, mas em épocas diferentes. Reúna os estudantes em duplas e peça-lhes que compartilhem as percepções a respeito das imagens e indiquem semelhanças e diferenças entre as duas fotografias. A seguir, promova o compartilhamento de reflexões, sistematizando na lousa quais elementos em comum foram levantados e quais diferenças foram percebidas.

Por meio desse debate inicial, incentive os estudantes a pensar como a história urbana da cidade de Salvador e de todos os outros núcleos urbanos é marcada, em maior ou menor medida, por mudanças e permanências. A resposta da atividade 1. a) é pessoal. Explore os conhecimentos prévios dos estudantes sobre Salvador. Caso a escola esteja localizada nessa cidade, pergunte a eles se conhecem o local fotografado.

Na fotografia 1, a imagem mostra vista de parte da cidade de Salvador (BA) na década de 1950. Na fotografia 2, a imagem mostra a mesma vista da cidade em 2022.

1 Reúnam-se em grupos e respondam oralmente às seguintes questões.

a) Vocês conhecem esse local ou já viram fotografias dele?

b) Qual imagem parece mais antiga? O que fez vocês pensarem isso?

c) A construção grande que aparece mais à esquerda em ambas as fotografias mudou ou continuou semelhante?

d) Qual é a função dessa construção nas duas imgens?

e) O que mudou e o que permaneceu igual nas duas imagens?

f) Como você acha que era viver na cidade da fotografia do passado? E na cidade da fotografia atual? Por quê?

Veja comentários e orientações no Encaminhamento

Nas fotografias, é possível observar que o Elevador Lacerda (a construção grande mais aparente, em formato de “L” invertido) permanece na paisagem e continua transportando as pessoas entre a parte alta e a parte baixa da cidade.

Também é possível observar as marcas das transformações, como os prédios altos e a expansão da cidade ao fundo, por exemplo. Ou seja, a história urbana de Salvador é marcada por mudanças e permanências, assim como a de outras cidades no Brasil e no mundo.

2 Agora, converse com os colegas e o professor sobre as questões a seguir.

2. a) Resposta pessoal. Incentive os estudantes a pensar sobre o futuro e a projetar transformações sociais, tecnológicas e urbanas.

a) Como você imagina que será Salvador daqui a 100 anos? Comente sua resposta.

2. b) Resposta pessoal. Incentive os estudantes a refletir sobre como as necessidades urbanas podem se transformar ao longo do

b) No futuro, você acha que o Elevador Lacerda ainda existirá ou será substituído por outro meio de transporte?

tempo, considerando invenções e novas propostas urbanas.

3 De acordo com o que você estudou, é possível dizer que as cidades sempre existiram?

Lembre os estudantes de que os primeiros seres humanos modernos levavam um modo de vida nômade.

ATIVIDADES

Na atividade 1. b), espera-se que os estudantes respondam que a imagem 1 é mais antiga. Peça a eles que justifiquem a escolha com base em elementos visuais das fotografias, como os edifícios ou o aspecto geral da imagem. Pode ser que alguns estudantes saibam que antigamente não havia fotografias coloridas, pois já estão familiarizados com esses registros imagéticos em porta-retratos antigos de fotografias de família. Valorize as hipóteses e observações, mesmo que não estejam totalmente corretas — o mais importante é desenvolver o olhar histórico.

Na atividade 1. c), espera-se que os estudantes respondam que o Elevador Lacerda continua a figurar na paisagem de Salvador com a mesma aparência de décadas atrás.

Na atividade 1. d), espera-se que os estudantes respondam que a função do Elevador Lacerda é transportar os moradores de Salvador e os turistas que visitam o município entre a parte baixa, onde está o porto, e a parte alta.

29/09/25 06:40

Para aproximar a reflexão da realidade dos estudantes, proponha a eles que pesquisem as mudanças ocorridas ao longo dos últimos anos no bairro em que vivem. Sugira que conversem com familiares para obter mais informações sobre as mudanças ocorridas no lugar em que moram, como o fechamento ou a abertura de comércios; a demolição ou construção de edifícios; e o início ou o fim de atividades de serviços ou do funcionamento de estruturas públicas, como praças, parques, unidades de saúde, escolas e creches. Caso seja possível, é interessante que os estudantes pesquisem na internet imagens que representem essas mudanças. Após a etapa de pesquisa, organize as apresentações dos resultados obtidos, promovendo um momento de compartilhamento com incentivo à troca de experiências entre os estudantes.

Na atividade 1. e), espera-se que os estudantes respondam que a principal diferença é a presença de mais edifícios altos na parte baixa de Salvador.

A atividade 1. f) propõe a comparação entre duas imagens da cidade de Salvador em tempos diferentes e serve como mobilizador para começar a discutir o significado da fixação dos seres humanos em centros urbanos. O trabalho com as imagens, por sua vez, reforça a compreensão desse suporte como documento histórico e incentiva a observação, o diálogo e a construção de noções de mudança e permanência no espaço urbano.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar o trabalho desta dupla de páginas, proponha aos estudantes que discutam o que eles entendem por núcleos urbanos. Incentive-os a pensar o que caracteriza uma cidade e o que a distingue de outras realidades, como o mundo rural.

A seguir, explique que as primeiras cidades só puderam se organizar por meio do processo de sedentarização dos grupos humanos, uma vez que a consolidação de atividades de agricultura e de criação de animais permitiu o sustento de grupos maiores. No entanto, é necessário destacar que a sedentarização não significou o abandono completo dos modos de vida anteriores, já que atividades como a caça e a coleta continuaram presentes e relevantes na organização dessas comunidades. Essa abordagem favorece o desenvolvimento da habilidade EF04HI04

Organize os estudantes em pequenos grupos e proponha que discutam quais são os desafios nessas primeiras cidades, que passaram a reunir grupos de pessoas cada vez maiores. É importante que os grupos registrem por escrito as reflexões debatidas para que depois as compartilhem com os demais colegas. Incentive os estudantes a prestar atenção em elementos como a necessidade de prover o sustento de todos os habitantes da cidade, estruturar moradias, construir espaços para proteção e interação etc.

Com base nos elementos levantados, explique que as mudanças de estilo de vida provocadas pela urbanização fizeram com que surgissem novas maneiras de organizar o trabalho, estabelecendo, por exemplo, a divisão de tarefas para suprir a comunidade em suas diferentes necessidades.

A VIDA NOS PRIMEIROS NÚCLEOS URBANOS

Como já estudamos, com o passar do tempo, alguns grupos humanos deixaram de ser nômades e se tornaram sedentários. Isso quer dizer que, em vez de se mudar de tempos em tempos, esses grupos passaram a habitar sempre o mesmo local e a construir moradias fixas. Essas moradias agrupadas formavam os primeiros núcleos urbanos.

Para que isso acontecesse, era necessário ter acesso a fontes de alimento. Por isso, a urbanização normalmente estava ligada ao desenvolvimento da agricultura e do pastoreio. A alimentação era complementada com a caça e a pesca.

Esses grupos humanos também precisavam de água para beber, cozinhar e dar para os animais, por isso, muitos desses primeiros vilarejos ficavam próximos a rios, lagos e fontes. Alguns grupos se estabeleceram no litoral e passaram a extrair do mar alimentos como peixes e crustáceos.

Uma das moradias do sítio arqueológico de Skara Brae, no Reino Unido, em 2024. Construído há 5 mil anos, o vilarejo é um exemplo de como eram feitas as construções nos primeiros núcleos urbanos.

Na atividade 2, os estudantes devem apontar que o historiador poderia estudar o vestígio para entender quais tipos de alimentos as pessoas consumiam naquela região no passado, quais alimentos cultivavam e quais eram as técnicas de preparo utilizadas, entre outras informações.

Para realizar a atividade 3, seria interessante propor uma análise coletiva da imagem, a fim de explorar os diversos aspectos do afresco. A imagem mostra diferentes atividades realizadas pelos trabalhadores no campo. Na parte inferior, no centro, observam-se homens usando machados e foices para cortar árvores ou galhos. Ao centro, a parte azul provavelmente representa uma água represada para molhar as plantas. No centro, na parte inferior, dois homens conduzem bois que puxam um arado, abrindo a terra para o plantio. No lado esquerdo, na parte inferior, trabalhadores preparam a terra e espalham sementes, mostrando como o plantio era feito em equipe. Na parte inferior direita da imagem, aparecem os produtos prontos e organizados. Os cereais colhidos são armazenados em potes e cestos. Também vemos tigelas vermelhas com formas arredondadas que representam alimentos, provavelmente para os trabalhadores se alimentarem (ou o artista

A mudança de estilo de vida provocada pela urbanização fez surgir novas maneiras de organizar o trabalho. Houve, por exemplo, a divisão de tarefas, em que algumas pessoas cuidavam das plantações, enquanto outras domesticavam animais, produziam potes de cerâmica, utensílios e tecidos.

Foi nesse contexto que grupos humanos aprenderam a conservar alimentos, evitando, assim, que se estragassem. Nesse processo de conservação dos alimentos, foram desenvolvidos o pão e o macarrão, feitos de trigo, e queijos e iogurtes, que vêm do leite.

Macarrão de aproximadamente 4 mil anos atrás encontrado no sítio arqueológico de Lajia, na China. No caderno, responda às questões a seguir.

1 Que tipo de vestígio é esse macarrão?

Vestígio material.

2 Como um historiador ou arqueólogo pode utilizar esse vestígio?

Veja orientações no Encaminhamento

3 Observe a imagem e responda às questões no caderno.

Detalhe de Parede leste, lado sul da capela das oferendas de Nakht, de Norman de Garis Davies e Lancelot Crane, 1908-1910. Têmpera sobre papel, 171,5 cm x 226,7 cm x 6,4 cm. Reprodução de uma das paredes da capela de oferendas de Nakht, com cenas agrícolas de cerca de 1410-1370 a.C., em Tebas, no antigo Egito.

a) Que tipo de fonte é essa?

Fonte visual.

b) Quais atividades foram representadas na imagem?

c) Com base na imagem, é possível dizer que havia divisão de tarefas na agricultura egípcia?

Veja respostas no Encaminhamento.

Na imagem, é possível identificar cenas de semeadura, de extração de madeira e de aragem do solo para o plantio. 51

26/09/25 18:06

quis indicar os tipos de alimentos que seria possível fazer com os grãos colhidos). Há ainda jarras e vasilhas que podiam guardar água ou leite. Os cestos empilhados mostram como os egípcios guardavam o que produziam. A presença dos animais mostra o processo de domesticação. Na atividade 3. c), espera-se que os estudantes percebam, com base na análise da pintura, que havia divisão de tarefas na agricultura egípcia. A imagem mostra que os egípcios antigos produziam os alimentos de maneira organizada e coletiva, usando ferramentas como foices, machados e arados puxados por bois.

ATIVIDADES

Para promover a reflexão sobre rupturas e permanências entre o passado e o presente, proponha aos estudantes que, organizados em duplas, produzam duas listas: uma elencando três aspectos comuns às cidades do passado e do presente e outra apontando mudanças ocorridas nos espaços urbanos, quando comparamos os primeiros núcleos formados e as cidades atuais.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

O objetivo desta dupla de páginas é promover a reflexão sobre como, em diversas regiões do mundo, diferentes grupos passaram a conviver em vilarejos que, com o tempo, transformaram-se em cidades. Para isso, organize os estudantes em cinco grupos para explorar o mapa e os boxes com os textos e as imagens.

Cada grupo deve ficar responsável por explorar as informações sobre uma das cidades citadas, prestando atenção aos seguintes aspectos: localização, datação e características gerais. As conclusões dos grupos devem ser registradas por escrito e, depois, apresentadas aos colegas para socializar os conhecimentos levantados.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes respondam que os sítios arqueológicos mostram que povos antigos já viviam em grupos organizados, construíam casas, produziam alimentos por meio da agricultura, da coleta, da caça e da pesca, além de manterem hábitos coletivos e regras de convivência. É possível que os estudantes mencionem também a fabricação de cerâmica, tecidos e joias.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que os sítios arqueológicos dos primeiros povos sedentarizados foram encontrados em diversas localidades da Ásia e da América do Sul.

Na atividade 3, espera-se que os estudantes respondam que esses sítios arqueológicos ajudam a entender como viviam os povos antigos, mostrando como a urbanização aconteceu em diferentes regiões do mundo e revelando os costumes, as técnicas e as formas de organização social desses povos.

A urbanização ao redor do mundo

As cidades não foram criadas por um único povo. Em várias partes do mundo, diferentes grupos aprenderam a viver juntos em vilarejos que, com o tempo, se transformaram em cidades. Isso aconteceu em momentos distintos e de maneiras diferentes.

Observe alguns exemplos de sedentarização no mundo.

Mundo: sítios arqueológicos de povos sedentarizados (cerca de 7500 a.C. a 3000 a.C.)

Círculo Polar Ártico

Trópico de Câncer

Equador

PACÍFICO

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

GLACIAL ANTÁRTICO

Elaborado com base em: VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico: geral e Brasil. São Paulo: Scipione, 2011. p. 24-26. MAPA dos sítios pré-históricos de Jomon no norte do Japão. Japão: Patrimônio mundial: sítios pré-históricos de Jomon no norte do Japão, c2025. Disponível em: https://jomon-japan.jp/en/. Acesso em: 12 jul. 2025.

Sannai Maruyama (cultura jomon)

O povo jomon foi o primeiro a se sedentarizar na região do atual Japão. Os vestígios desse povo datam de mais de 12 mil anos atrás, mas acredita-se que os primeiros assentamentos urbanos sejam de 5 mil anos atrás.

Reconstrução moderna dos edifícios da cultura jomon no sítio arqueológico de Sannai Maruyama, no Japão, em 2025.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• BENEVOLO, Leonardo. História da cidade. São Paulo: Perspectiva, 2019. Nessa obra de referência, o pesquisador italiano pensa a cidade como uma construção histórica, que nem sempre existiu nem resulta de uma necessidade natural. Partindo dessa ideia, a proposta é explicar a origem das cidades no mundo antigo e o destino delas no mundo contemporâneo, até a segunda metade do século XX.

OCEANO ATLÂNTICO
OCEANO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO
Çatal Hüyük Ur
Aspero Caral Harappa Moenjodaro
Banpo Sannai Maruyama
SONIA VAZ

Caral

Localizados na América do Sul, onde hoje é o Peru, os centros urbanos de Caral são alguns dos mais antigos da América, datando de aproximadamente 5 mil anos atrás.

Çatal Hüyük

Um dos primeiros vilarejos conhecidos data de aproximadamente 9500 anos atrás e está localizado na atual Turquia.

Vista do sítio arqueológico de Çatal Hüyük, na Turquia, em 2025.

Ur

A região da Mesopotâmia se situa entre os rios Tigres e Eufrates, em área que hoje pertence à Síria, ao Iraque e ao Kuwait. Foi nesse local que uma série de povos sedentarizados se estabeleceu a partir de 7 mil anos atrás, construindo cidades como Ur, datada de aproximadamente 5 mil anos atrás.

Banpo (cultura yangshao)

Banpo é um sítio arqueológico da cultura yangshao localizado nas proximidades do Rio Amarelo, na China. Datado de aproximadamente 7 mil anos atrás, é um dos primeiros exemplos de urbanização no leste da Ásia.

Paredes de barro no sítio arqueológico de Caral, no Peru, em 2025.

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

Sítio arqueológico de Ur, no Iraque, em 2023.

1 O que esses sítios arqueológicos mostram sobre a vida dos povos antigos?

2 Em quais continentes foram encontrados os sítios arqueológicos dos primeiros povos sedentarizados?

3 Por que esses sítios arqueológicos são importantes para a história da urbanização?

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• A PRIMEIRA cidade do mundo: engenharia ancestral. [S. l.: s. n.], 2022. 1 vídeo (ca. 5 min). Publicado pelo canal History Brasil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ah GPnlkQxjM. Acesso em: 16 set. 2025. Nesse vídeo, são apresentadas as descobertas arqueológicas daquela que seria a primeira cidade organizada de que se tem notícia, localizada na atual Palestina.

ATIVIDADES

Após conhecer mais a história de algumas das primeiras grandes cidades formadas no mundo, podemos nos perguntar se sabemos algo sobre a formação da cidade em que vivemos. Pensando nisso, proponha aos estudantes que façam uma pesquisa sobre a história da cidade em que vivem. Cada estudante deve levantar informações sobre a data de fundação da cidade e o contexto de sua criação e, com base na pesquisa, escrever um texto de ao menos três parágrafos sintetizando os principais elementos pesquisados. Oriente os estudantes a buscar fontes oficiais, como os sites da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, para levantar informações confiáveis.

Esculturas do Museu Banpo, na China, em 2013.

ENCAMINHAMENTO

Para dar início à discussão desta dupla de páginas, organize uma roda de conversa para discutir qual é a função das leis dentro de uma sociedade. Incentive os estudantes a debater por que precisamos de leis e regras e a pensar o que aconteceria caso elas não existissem. A ideia é que os estudantes percebam que a concentração de muitas pessoas vivendo em um mesmo local, como acontece nas cidades, faz com que seja necessária a criação de uma série de regras que organizem a convivência e regulem as relações.

Por meio dos elementos levantados nessa reflexão inicial, proponha a leitura coletiva do artigo que pertence ao Código de Lipit-Ishtar, um documento escrito há aproximadamente 4 mil anos, na região da Mesopotâmia, onde hoje está o Iraque. Na atividade 1. a), espera-se que os estudantes respondam que a lei mostra que o corte de árvores do jardim de outras pessoas para obter madeira ocorria com frequência. A prática era tão comum que se tornou objeto de lei. Reforce para os estudantes que a madeira era muito importante no passado, pois era utilizada na fabricação de ferramentas e móveis, além de servir como combustível para o fogo nas cozinhas.

A resposta da atividade 1. b) é pessoal. Não existe resposta única. Alguns estudantes podem argumentar que hoje a maior parte das pessoas vive em cidades e que jardins com árvores não são mais tão comuns. Outros podem dizer que, mesmo assim, eventualmente alguém pode acabar derrubando árvores na propriedade de outras pessoas para fazer cercas ou mesmo fogo, ou citar casos de pessoas que se apropriam de plantas que não lhes pertencem.

Problemas da vida urbana

O surgimento dos núcleos urbanos, com a concentração de muitas pessoas no mesmo local, deu origem a inúmeros problemas. As doenças, por exemplo, se espalhavam com facilidade. Surgiram também conflitos de convivência, e foi preciso criar regras sobre o que poderia ou não ser feito. É provável que essas regras tenham dado origem aos códigos de leis posteriormente.

A necessidade de resolver problemas coletivos, como a segurança contra ameaças externas e a manutenção de obras públicas, como muros e ruas, fez com que surgissem administradores e soldados. Assim, a vida simples dos grupos nômades foi substituída por sociedades mais complexas. Ao longo dos milênios, alguns núcleos populacionais tornaram-se grandes cidades habitadas por milhares de pessoas.

1 O documento a seguir foi escrito há aproximadamente 4 mil anos na região da Mesopotâmia, onde hoje está o Iraque. Trata-se do Código de Lipit-Ishtar, um conjunto de regras que estava em vigor na cidade de Ur, na antiga Suméria. Leia o trecho e faça o que se pede. Veja respostas e comentários no Encaminhamento

Se um homem corta uma árvore do jardim de outro homem, ele deverá pagar meia mina de prata. […]

MARK, Joshua J. Código de Hamurabi Tradução: Ricardo Albuquerque. In: WORLD History Encyclopedia. [S l.]: WHE, 24 jun. 2021. Localizável no subtítulo: O Código de Lipit-Ishtar. Disponível em: https://www.worldhistory.org/ trans/pt/1-19882/codigo-de-hamurabi/. Acesso em: 14 jul. 2025.

Mina: quantidade equivalente a 6 gramas de prata.

a) Que tipo de problema de convivência essa regra tenta combater? Responda no caderno.

b) Em sua opinião, esse tipo de problema poderia ocorrer atualmente? Responda no caderno e, depois, comente com os colegas e o professor.

Nas primeiras cidades, o governo, ou a própria população, construía muros altos. Nas cidades atuais, principalmente no Brasil, muitas construções são cercadas por muros altos.

Em seguida, solicite aos estudantes que observem atentamente as fotografias. Elas mostram a muralha da cidade de Jericó, na Palestina, datada de aproximadamente 10 mil anos atrás, e um edifício atual em uma cidade brasileira. Proponha aos estudantes que discutam coletivamente as semelhanças e diferenças entre as fotografias.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Observe as imagens.

Muralha da cidade de Jericó, na Palestina, em 2025. Datada de aproximadamente 10 mil anos atrás, acredita-se que a cidade seja um dos primeiros núcleos urbanos do mundo.

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

2 Compare as imagens e responda no caderno.

a) Que tipo de preocupação levava as populações das cidades antigas a levantar muros em torno da cidade?

b) Para que servem os muros dos edifícios construídos nas cidades brasileiras de nossos dias? Elabore uma explicação.

c) Que semelhanças e diferenças podem ser apontadas na função dos muros nas primeiras cidades e nas cidades atuais?

3 Em sua opinião, quais são as vantagens e as desvantagens de morar em cidades atualmente?

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

22/09/25 11:13

Na atividade 2. a), espera-se que os estudantes respondam que os moradores das primeiras cidades erguiam muros com o objetivo de proteger a cidade de invasores e saqueadores e do ataque de animais.

Na atividade 2. b), espera-se que os estudantes respondam que os muros servem para proteger os moradores e os bens que estão dentro das casas ou dos prédios. Também ajudam a evitar que pessoas entrem sem permissão e que crianças pequenas saiam sozinhas para a rua. Além disso, os muros separam o espaço da casa do espaço da rua.

Na atividade 2. c), espera-se que os estudantes respondam que a semelhança está na preocupação com a segurança. A diferença é que, nas cidades antigas, a preocupação era, sobretudo, com ataques externos, enquanto nas cidades brasileiras dos dias atuais, somente os moradores dos edifícios são protegidos, e até os moradores da mesma cidade podem ser considerados uma ameaça.

A atividade 3 incentiva os estudantes a refletir sobre a vida urbana. A ideia é que percebam que as cidades mudaram muito, mas a necessidade de organização, cooperação e oferta de serviços continua. Em muitas cidades, o trânsito e a violência são problemas urbanos significativos. Caso os estudantes morem no campo ou na zona rural, ou possam acessá-los, aproveite esse conhecimento para enriquecer a reflexão.

Edifício residencial em Maceió (AL), em 2025.

ORGANIZE-SE

Para realizar a atividade proposta na seção, providencie com a turma: roupas para caracterizar os personagens, objetos de cena, caderno ou blocos de notas e lápis.

ENCAMINHAMENTO

Na proposta de atividade apresentada na seção Mão na massa, os estudantes devem se organizar para produzir uma apresentação que represente o surgimento de um povoado em nossos dias.

Embora seja uma dinâmica simples, ela permite que os estudantes percebam, de maneira concreta, que a formação de um núcleo e sua transformação em uma pequena cidade exige muito mais do que alimentação e moradia. Saúde, arte, convivência, leis, educação e cuidados, que demandam a atuação de diversos profissionais com diferentes conhecimentos, constituem algumas das outras necessidades. Reforce, na apresentação da atividade, que a vida coletiva depende da participação de muita gente, com diferentes habilidades.

Na etapa Como fazer, caso não seja possível trazer roupas ou objetos para a caracterização como agricultor, construtor, artesão ou administrador, explique à turma que a criatividade e a participação são mais importantes do que o figurino. Oriente os estudantes a improvisar com materiais disponíveis em sala, como folhas de papel avulsas para fazer chapéus ou crachás com os nomes dos personagens, ou até mesmo apenas gestos que representem a função escolhida. Assim, todos podem participar de maneira igualitária e sem constrangimento.

MÃO NA MASSA

Como surgem os povoados?

Nesta atividade, vocês vão organizar uma apresentação que represente o surgimento de um povoado em nossos dias.

Materiais

• Roupas e objetos para a caracterização dos personagens (agricultor, construtor, artesão, administrador)

• Caderno ou bloco de papel para registrar o roteiro da cena

Como fazer

1 A turma será dividida em grupos. Cada grupo vai representar uma atividade importante para o funcionamento do povoado. Confira, a seguir, quais são esses grupos e como eles devem ser caracterizados.

Agricultores

Representem a atividade dos agricultores semeando, regando e colhendo alimentos.

Construtores

Representem a atividade empilhando objetos que simbolizem tijolos e construindo casas ou muros.

Artesãos

Representem a atividade modelando potes de cerâmica para guardar comida ou fabricando utensílios.

Administradores

Representem a atividade ajudando a organizar os demais grupos e contribuindo para a resolução de problemas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

2 Em seguida, organizem o espaço da sala dispondo as carteiras em formato de roda. Lembrem-se de puxar as carteiras sem fazer barulho.

3 Por fim, organizem a representação interagindo com os colegas e oferecendo seus serviços ou produtos.

Concluindo a atividade

Após a encenação, reflitam sobre as seguintes questões.

1 O povoado funcionaria apenas com esses quatro grupos?

2 Que outras atividades seriam necessárias para que o povoado continuasse a existir?

3 Se alguém quisesse tocar música ou contar histórias, isso também seria importante?

4 Existe alguma função social mais importante que outra?

Oriente a conversa dos estudantes, lembrando-os de outras atividades importantes para o funcionamento da cidade. Questione quem cuidaria dos doentes, quem ensinaria as crianças, entre outras funções. Veja orientações no Encaminhamento

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22/09/25 11:13

Antes da encenação, mostre à turma que, sem organização, grandes tarefas não funcionam bem. Para isso, escreva os nomes dos espaços de trabalho (ex.: “Artesãos”, “Agricultores” etc.) em folhas de papel avulsas e prenda-as nas paredes. Depois, sem dar instruções específicas, peça a cada estudante que escolha onde quer ficar. Eles vão perceber que alguns grupos ficarão superlotados e outros com poucos ou nenhum participante. Esse momento é ótimo para conversar sobre a importância da divisão organizada de tarefas. Na sequência, organize os grupos de maneira equilibrada e inicie a representação conforme está orientado no texto dos estudantes.

Com essa atividade, os estudantes não apenas vivenciam conteúdos históricos, mas também desenvolvem cooperação, criatividade, expressão corporal e pensamento crítico. A atividade amplia a compreensão sobre a origem das cidades, desenvolvendo a habilidade EF04HI03, e incentiva a valorização da diversidade de funções que sustentam qualquer sociedade.

Além das tarefas encenadas e discutidas na roda de conversa, é fundamental lembrar a necessidade de proteger casas e plantações contra as cheias dos rios, garantir acesso à água limpa, cuidar dos animais, preservar os alimentos e organizar os espaços. Também é importante valorizar todos os papéis sociais e reforçar a ideia de que uma comunidade só funciona com respeito, cooperação e o reconhecimento de que cada tarefa tem seu valor.

ENCAMINHAMENTO

Para explorar o conteúdo desta dupla de páginas, que trata das transformações pelas quais algumas cidades passaram ao longo da história, uma estratégia é organizar a turma em grupos de quatro pessoas. Cada membro do grupo deve ficar responsável pela leitura atenta das informações sobre uma das cidades citadas. A divisão pode ser determinada por sorteio. Após a leitura atenta, cada estudante deve fazer registros daquilo que achou mais significativo do material lido. Circule pelos grupos e auxilie os estudantes caso apareçam dificuldades com vocabulário ou interpretação dos textos.

Após o levantamento das informações, cada membro do grupo deve compartilhar com os colegas o que registrou. Após a fala de todos, incentive os estudantes a realizar comparações entre as cidades estudadas, percebendo semelhanças e diferenças entre suas histórias. Essa abordagem mobiliza o TCT Diversidade cultural

Terminada a dinâmica, organize os estudantes para a realização das atividades.

AS CIDADES SE TRANSFORMAM AO LONGO DO TEMPO

Com o passar do tempo, as cidades podem se transformar. A população de uma cidade pode aumentar ou diminuir, tornar-se mais rica ou empobrecer e até mesmo desaparecer. Acompanhe alguns exemplos de transformações pelas quais algumas cidades passaram ao longo de sua história.

Harappa e Moenjodaro, no Paquistão

Fundadas por volta de 3000 a.C. por povos que moravam no Vale do Rio Indo, essas cidades possuíam traçados urbanos planejados, com ruas largas, sistema de água e esgoto, construções de tijolos padronizados e áreas para banhos públicos. Os habitantes produziam roupas de algodão, fabricavam joias, utensílios e brinquedos de terracota e praticavam comércio com outros povos. Por volta de 2000 a.C., ataques de invasores nômades levaram os moradores a abandonar essas cidades.

Vista do sítio arqueológico de Moenjodaro, no Paquistão, em 2023.

Roma, na Itália

A cidade, que surgiu como um pequeno centro urbano no século 8 a.C., chegou a ter milhões de habitantes séculos depois. Roma foi a capital de um grande império e recebia diariamente visitantes da Ásia, da Europa e da África. Atualmente, atrai turistas do mundo inteiro para seus museus, sítios arqueológicos e outros patrimônios da humanidade.

Turistas visitam o Coliseu, sítio arqueológico localizado na cidade de Roma, na Itália, em 2025.

Pequim, na China

O centro urbano que existia no local anteriormente foi destruído em 1215 pelos conquistadores mongóis liderados por Gengis Khan. No lugar, os mongóis construíram Pequim. Atualmente, a cidade é um importante centro econômico e uma das mais populosas do mundo, com aproximadamente 21 milhões de habitantes. As construções históricas da antiga Pequim convivem lado a lado com prédios modernos.

Vista de Pequim em 2025. À frente, construções tradicionais chinesas. Ao fundo, modernos edifícios empresariais.

Tenochtitlán, no México

A antiga capital do império asteca estava localizada no centro do Lago Texcoco, na região central do atual México. Ao contrário de outras cidades do mundo, pode-se dizer que Tenochtitlán deixou de existir quando foi conquistada pelos espanhóis em 1521. A cidade, que possuía ruas largas e organizadas, casas, mercados, templos, intenso comércio e escolas, foi substituída por uma cidade colonial, com arquitetura de estilo europeu.

Vista de ruínas astecas no centro da Cidade do México, capital do México, em 2025. Ao fundo, está a Catedral Metropolitana, construída pelos espanhóis.

São Vicente: a importância histórica da primeira cidade do Brasil

Em 22 de abril de 1500, os portugueses chegaram ao território que um dia seria o Brasil. Embora o município de Porto Seguro, na Bahia, seja tradicionalmente conhecido como o ponto de chegada dos colonizadores, a cidade de São Vicente, no Litoral paulista, ocupa o posto de primeiro assentamento português oficialmente reconhecido e estruturado no país.

Fundada pelo administrador colonial Martim Afonso de Sousa, São Vicente foi a primeira vila com governo próprio e eleições regulares, o que a torna um marco na implantação da estrutura administrativa europeia no Brasil. “São Vicente foi a primeira vila até porque, naquela oportunidade, não existia o termo cidade. Todas eram vilas”, explica Paulo Eduardo Costa, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente.

1. De mudanças. As invasões pioraram as condições de vida da população dessas cidades, o que fez com que elas fossem abandonadas.

1 As invasões de povos nômades em Harappa e Moenjodaro são exemplos de mudanças ou permanências históricas? Justifique.

2 Patrimônio cultural é tudo aquilo que faz parte da história e da cultura de um povo e que foi preservado. Observando a imagem, é possível dizer que o patrimônio cultural de Pequim foi preservado?

Sim, a fotografia mostra que, mesmo sendo uma cidade moderna, Pequim preservou ao menos parte de seu patrimônio cultural.

11:13

CHIARA, Giullia. São Vicente: a importância histórica da primeira cidade do Brasil. São Paulo: Alesp, 22 abr. 2025. Disponível em: https://www.al.sp.gov.br/ noticia/?22/04/2025/sao -vicente--a-importancia -historica-da-primeira-cidade -do-brasil. Acesso em: 19 ago. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A seção Ideia puxa ideia busca aproximar o estudo da formação das cidades da realidade vivida pelos estudantes. A proposta os convida a investigar o passado da cidade em que vivem, por meio de entrevistas orais, e a refletir sobre problemas atuais, elaborando propostas de ação. Essa atividade possibilita o trabalho interdisciplinar com Língua Portuguesa e o desenvolvimento do TCT Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso

A etapa de entrevista com um familiar ou morador antigo permite valorizar fontes orais e promover o vínculo intergeracional, além de incentivar a escuta e o registro de memórias locais. Motive a turma a compartilhar suas descobertas e a perceber diferenças e semelhanças entre os relatos. Atente-se às diferentes necessidades dos estudantes para a realização da entrevista. Alguns estudantes, por exemplo, podem ter dificuldade em manter o foco durante toda a entrevista. Se necessário, divida o roteiro em blocos curtos de perguntas, marcando pausas para que eles se reorganizem e retomem a concentração.

Oriente os estudantes a perguntar ao entrevistado se é possível gravá-lo em áudio, para poder retomar a conversa em outros momentos.

IDEIA PUXA IDEIA

Qual é a história da nossa cidade?

Algumas cidades surgem a partir da chegada de imigrantes, do desenvolvimento de plantações agrícolas, da construção de estradas ou ferrovias, entre outros fatores.

Assim, é possível dizer que toda cidade tem uma história. Na maioria das vezes, conhecer a história da cidade também significa entender quais populações viveram naquele local no passado.

Vamos descobrir mais sobre a história do lugar onde você vive?

Entrevista com um morador antigo

Preparando a entrevista

No caderno ou em uma folha de papel avulsa, prepare o roteiro da entrevista copiando as perguntas a seguir.

Roteiro de perguntas

• Você sabe o ano em que a cidade foi fundada?

• Você já ouviu falar dos grupos que moravam nessa região antes da fundação da cidade, como povos indígenas, comunidades remanescentes de quilombos ou pequenos agricultores?

• Você sabe se grupos foram expulsos quando a cidade foi fundada? Que destino essas populações tiveram?

• Como era a cidade ou a comunidade antigamente?

• Você ou alguém que você conhece participou de momentos importantes da história da cidade?

• Qual é seu local preferido na cidade? Por que você o considera especial?

• Você conhece alguma história ou lenda que teria ocorrido na cidade?

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

Realizando a entrevista

1 Marque uma conversa com um adulto de sua família ou da comunidade.

2 No dia combinado, peça a outro adulto que acompanhe você para gravar a entrevista com o celular.

3 Em um ambiente silencioso, faça as perguntas do roteiro que você preparou.

4 Em casa, ouça a gravação e escreva as respostas que você conseguiu na entrevista.

5 Em um dia determinado pelo professor, reúna-se com os colegas da turma e compartilhem as informações que conseguiram.

Após conhecer melhor a história da cidade, os estudantes são convidados a refletir sobre os problemas atuais enfrentados pela comunidade e a pensar em ações possíveis de melhoria.

Essas ideias podem ser sistematizadas em um cartaz coletivo, um mural da turma ou até em um projeto de intervenção escolar, como campanhas educativas ou pequenas ações ambientais.

Concluindo a atividade

Em sala de aula, faça uma roda de conversa com a turma sobre as seguintes questões.

1 Que outras maneiras vocês podem encontrar para entrar em contato com a história da cidade onde vivem?

2 A cidade onde vocês moram preserva a história de grupos que habitaram a região no passado, como indígenas e quilombolas?

3 Os locais mais queridos pela população da cidade estão relacionados ao passado do lugar?

Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

26/09/25 18:06

• BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 2023.

Nesse clássico das Ciências Humanas brasileiras, Ecléa Bosi apresenta um estudo sobre a memória, tendo como ponto de partida as lembranças de pessoas idosas, isto é, as memórias daqueles que viveram tempos passados e são capazes de construir retratos complexos a respeito das mudanças vividas pela sociedade.

O objetivo é que os estudantes compreendam que fazer parte de uma cidade também significa cuidar dela — e que, mesmo sendo crianças, suas vozes e atitudes podem fazer a diferença.

TEL COELHO/GIZ DE CERA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Compreender o estabelecimento das primeiras trocas comerciais entre diferentes grupos humanos.

• Refletir sobre as diferentes modalidades de trocas comerciais que se estabeleceram entre grupos humanos antes da mediação do dinheiro.

• Compreender como a criação das moedas estabeleceu novas formas de trocas comerciais.

• Analisar a formação de grandes rotas comerciais e perceber seus impactos nas populações de diferentes regiões.

BNCC

HABILIDADES

(EF04HI02) Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.).

(EF04HI06) Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização.

(EF04HI07) Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial.

TEMAS

CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Educação financeira.

• Educação para o consumo.

ENCAMINHAMENTO

Inicie o capítulo tocando para a turma, se possível, a canção abordada: “A Feira de Caruaru”, disponível em: https://disco grafiabrasileira.com.br/fonogra ma/98926/a-feira-de-caruaru

O COMÉRCIO E SUAS ROTAS capítulo 2

Luiz Gonzaga gravou, em 1957, a música “A Feira de Caruaru” para celebrar uma das feiras mais famosas do país, localizada na cidade de Caruaru, no estado de Pernambuco.

A feira surgiu quando comerciantes de uma antiga rota de comércio que passava pela região começaram a parar ali para descansar e vender seus produtos. Com o tempo, a feira cresceu e deu origem à cidade.

Hoje, a Feira de Caruaru é considerada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro e, além de atender os compradores locais, atrai consumidores de todas as regiões do país.

Leia um trecho da música interpretada por Luiz Gonzaga.

A Feira de Caruaru

[...]

Faz gosto da gente ver De tudo que há no mundo

Nela tem pra vender

Na feira de Caruaru

Tem massa de mandioca

Batata assada Tem ovo cru

Banana, laranja, manga Batata-doce, queijo e caju Cenoura, jabuticaba Guiné, galinha, Pato e peru [...]

Tem louça, tem ferro veio, Sorvete de raspa

Que faz jaú

[...]

Boneco de vitalino

Que são conhecido

Inté no Sul,

De tudo que há no mundo

Tem na feira de Caruaru

A feira de Caruaru…

62

ALMEIDA, Onildo. A Feira de Caruaru. [S. l.]: Luiz Lua Gonzaga, c2025. Música lançada em 1957 e interpretada por Luiz Gonzaga. Disponível em: https://luizluagonzaga.com.br/a-feira-de -caruaru/. Acesso em: 22 jul. 2025.

(acesso em: 17 set. 2025), interpretada por Luiz Gonzaga. Execute a canção uma primeira vez, pedindo aos estudantes apenas a escuta atenta, a fim de que prestem atenção não só na letra, mas também na sonoridade, nos instrumentos e no jeito de cantar. Em seguida, execute a música pela segunda vez, pedindo a eles que acompanhem o trecho da letra reproduzido no material. Esclareça possíveis dúvidas de vocabulário e de interpretação do texto. Explique que as palavras velho e até foram grafadas como veio e inté, uma vez que elas procuram reproduzir a oralidade da fala.

Após a audição, organize uma roda de conversa para que os estudantes debatam o que perceberam sobre a música. Peça inicialmente que eles falem sobre percepções mais subjetivas, ou seja, se gostaram da canção, se conhecem outras músicas do mesmo gênero e se estão acostumados a escutá-lo em casa ou em outros espaços. Com base nessas percepções iniciais, incentive os estudantes a falar sobre a letra da canção, associando o que ouviram com o título dela.

1 Você já foi à feira com algum familiar? Se já foi, o que mais gosta de fazer nesses espaços?

Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

2 A letra da música cita diversos produtos. Quais são seus preferidos?

Resposta pessoal. Sempre que possível, valorize o hábito de consumir alimentos naturais ou pouco processados.

3 Os principais instrumentos do forró e do baião são a sanfona, a zabumba e o triângulo. Você conhece esses instrumentos? Sabe imitar como eles são tocados? Se souber, mostre para os colegas.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

4 Você já deve ter ouvido músicas, assistido a desenhos animados ou comido algum prato que têm origem em outros países. Conte para a turma como foi sua experiência e explique como você teve acesso a esses produtos.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

[Trio de forró], de mestre Luiz Antônio, 2012. Escultura em argila.

Luiz Gonzaga (1912-1989) nasceu no sertão de Pernambuco e ficou conhecido como o Rei do Baião. Com sua sanfona, divulgou a música nordestina por todo o Brasil, com sucessos como “Asa Branca”, que são cantados até hoje.

06:43

Partindo dos elementos levantados na conversa, explique que a Feira de Caruaru surgiu quando comerciantes de uma rota de comércio que passava pela região começaram a parar ali para descansar e vender seus produtos. Com o tempo, a feira cresceu e deu origem à cidade.

Na atividade 1, aproveite para explorar a reflexão sobre os hábitos de consumo dos familiares dos estudantes, questionando se costumam frequentar feiras livres ou outros tipos de feiras e o que geralmente compram nesses locais. Caso a resposta dos estudantes seja que não frequentam feiras, incentive-os a apontar outros locais aos quais costumam ir para fazer compras, como supermercados e shopping centers, e se esses locais se aproximam ou não da descrição feita na canção.

Na atividade 2, organize na lousa uma lista de todos os produtos que são citados na canção para que os estudantes possam selecionar seus preferidos. Caso seja possível, organize-os em duplas para que possam comparar as listas entre si e conversar sobre suas escolhas, refletindo sobre hábitos de consumo.

A atividade 3 tem como objetivo despertar o interesse dos estudantes pela música popular brasileira, especialmente o forró e o baião, e promover a valorização da cultura nordestina. Ao perguntar se conhecem os instrumentos e se sabem imitá-los, incentivam-se a escuta, a observação e a expressão corporal. Apresente imagens ou vídeos curtos sobre o forró e sobre Luiz Gonzaga, permitindo, assim, a ampliação do repertório musical dos estudantes.

Na atividade 4, os estudantes poderão citar séries, desenhos e filmes que conhecem ou aos quais costumam assistir e músicas que conhecem por intermédio da família ou que acessam pela internet. Entre os pratos, são muito consumidos quibes, sushi, estrogonofe, entre outros. Aproveite para mostrar que alguns hábitos de consumo cotidiano têm origem em outros países.

Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento da habilidade EF04HI06.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a discussão sobre as trocas comerciais, pergunte aos estudantes quais locais eles costumam frequentar quando necessitam comprar alguma coisa. Diante de respostas como feiras, supermercados, vendas, shopping centers, incentive-os a pensar se todos os locais vendem os mesmos produtos ou se há diferenças entre eles. Seria interessante também refletir sobre como, hoje, muitas vezes compramos coisas pela internet, sem sair de casa, e recebemos os produtos por meio de serviços de entrega.

A partir dos elementos levantados nessa conversa inicial, proponha que eles imaginem como seria a vida em um local onde não existissem lojas ou mercados para comprar os produtos necessários para sobreviver e em que o dinheiro também não existisse. Incentive-os a levantar hipóteses sobre como poderia se dar o consumo nessas condições. Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento da habilidade EF04HI06. Em seguida, explique que esse era o cenário no cotidiano dos primeiros grupamentos humanos. Geralmente, as famílias ou os pequenos grupos produziam quase tudo aquilo de que precisavam, cultivando alimentos, fabricando utensílios, costurando suas roupas e construindo suas moradias. Quando havia a necessidade de outros produtos, poderia se estabelecer a prática conhecida como escambo. Pergunte se os estudantes conhecem essa palavra e explique que ela é utilizada para se referir a trocas diretas de produtos, em que não se usa a intermediação de dinheiro. Para a realização da atividade 1, é interessante organizar uma leitura coletiva do texto, esclarecendo possíveis dúvidas de vocabulário e auxiliando com dificuldades de interpretação que possam aparecer.

AS PRIMEIRAS TROCAS COMERCIAIS

Quando os primeiros humanos abandonaram o nomadismo (deixaram de viver mudando de lugar em lugar e se fixaram), há aproximadamente 10 mil anos, ainda não existiam lojas ou mercados para comprar os produtos necessários para sobreviver. O dinheiro também não existia. As famílias ou pequenos grupos produziam quase tudo de que precisavam, cultivando alimentos, fabricando utensílios, costurando roupas e construindo moradias. Quando um grupo produzia mais do que necessitava, principalmente alimentos ou utensílios, podia oferecer esses itens a um grupo vizinho, em troca de outros produtos. Assim, surgiram as trocas diretas, em que não se usava dinheiro. Essa prática é conhecida como escambo. Por exemplo: um pote de cerâmica podia ser trocado por frutas; um machado, por um pouco de tecido. Com o tempo, o comércio ficou mais variado. Alguns materiais especialmente úteis para a vida, ou que possuíam valor religioso ou simbólico, passaram a ter maior importância e a ser usados como referência nas trocas.

Pingente de colar

Na atividade 1. b), espera-se que os estudantes respondam que as trocas de mercadorias ainda são bastante comuns em diferentes lugares. Existem, por exemplo, feiras de troca de produtos usados, de livros, de brinquedos, entre outros. Em ambientes rurais, também ainda é comum que se realizem trocas diretas de mercadorias, sem a mediação de moeda.

Na atividade 2 incentive os estudantes a lembrar se eles já participaram de feiras de troca de brinquedos, por exemplo, ou se já testemunharam adultos trocando itens que não usavam mais por outros, como ferramentas. Outra possibilidade é a troca de serviços, como um corte de cabelo em troca de um ajuste de roupa feito por uma pessoa costureira. É interessante também mencionar que, atualmente, diante da busca pela redução do consumo e por uma vida mais sustentável, têm crescido iniciativas de troca de roupas e livros, por exemplo, visando diminuir a produção e pôr em circulação itens que já não estavam mais em uso. Essa abordagem mobiliza o TCT Educação para o consumo

data do de 4 mil anos atrás encontrado no norte do atual Sudão.
Colar de aproximadamente 6 mil anos atrás encontrado no sítio arqueológico de Skara Brae, no Reino Unido.
Elementos fora de proporção.

1 Leia o trecho de texto a seguir e responda às questões no caderno.

Apesar de existir uma certa especialização (por exemplo, famílias inteiras dedicavam-se exclusivamente à fabricação de cerâmica), a tendência era cada casa [...] produzir o máximo possível do que era necessário à sobrevivência. Mas sempre houve a necessidade e a oportunidade de trocar com outras famílias os bens que não eram produzidos ou que eram insuficientes. Nas aldeias, de fato, acontecia uma troca intensa. Do mesmo modo, os camponeses, os pastores e os habitantes da cidade trocavam produtos entre si, o que permitia diversificar o consumo.

REDE, Marcelo. A Mesopotâmia São Paulo: Saraiva, 1997. p. 18. (Coleção que história é esta?).

1. a) As trocas ocorriam, principalmente, porque algumas famílias produziam bens em quantidade maior do que usavam, enquanto outras não produziam tudo de que necessitavam.

a) De acordo com o texto, quais razões levavam as famílias a trocarem bens?

b) A troca de produtos sem o uso de dinheiro é uma atividade que ainda existe?

2 Você, seus familiares ou os responsáveis com os quais mora já participaram de trocas diretas de mercadorias ou serviços, conhecidas como “mercado de troca” ou “mercado das pulgas”? Converse com os colegas e o professor. Veja comentários no Encaminhamento Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

TEM MAIS

Os indígenas brasileiros praticavam o escambo para trocar alimentos, adornos e ferramentas. Muitos povos ainda mantêm essa prática em festas, encontros e no dia a dia das aldeias. 65

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

ATIVIDADES

Para auxiliar os estudantes a compreender como podem ser estabelecidas trocas comerciais sem a mediação de moeda, organize uma feira de livros e brinquedos usados. Proponha que cada um deles traga para a escola um item que já não utilizem mais, mas que esteja em bom estado, e organize um espaço para a troca desses objetos. Incentive os estudantes a estabelecer negociações entre si, buscando produtos que lhes interessem e combinando a troca deles. Organize a dinâmica de modo a garantir que todos consigam trocar seus itens, a fim de que cada um da turma leve para casa um produto diferente do que trouxe, resultado das negociações.

27/09/25 06:43

• BERNSTEIN, William J. Uma mudança extraordinária: como o comércio revolucionou o mundo: da pré-história aos dias atuais. Tradução: Patricia Sá. São Paulo: Campus-Elsevier, 2008. Nesse livro, o autor busca traçar um panorama da história da comercialização global, desde suas origens no mundo antigo até os dias atuais, apontando continuidades e rupturas nesse longo processo histórico.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a discussão, incentive os estudantes a refletir sobre as experiências deles ou dos seus responsáveis com a atividade comercial. Peça a eles que comentem como costumam pagar pelos produtos comprados. Comente que, cada vez mais, os meios físicos, como dinheiro em papel ou moeda, e mesmo os cartões de crédito estão perdendo espaço para os recursos de pagamento digital, como o Pix.

Com base nessas ideias, peça aos estudantes que analisem os produtos que foram utilizados como moedas de troca ao longo da história: animais, sal, metais preciosos, conchas e grãos de cacau. Incentive-os a refletir sobre os motivos que teriam feito que os seres humanos deixassem de utilizar essas moedas e adotassem o dinheiro em moeda metálica e, posteriormente, o papel. Os estudantes poderão apontar a praticidade para transportar a moeda e utilizá-la como meio de pagamento.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes respondam que esses itens eram aceitos por muitas pessoas, o que permitia que a compra e a venda ocorressem sem depender da troca direta, o escambo. Além disso, como tinham um valor reconhecido pela comunidade, esses objetos funcionavam como uma forma inicial de dinheiro, tornando as transações mais simples e eficientes.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que, antes da invenção das moedas, o sal era um produto muito valioso e, por isso, era usado como forma de pagamento. Os soldados romanos, por vezes, recebiam seu pagamento em sal. Caso demonstrem dificuldade em fazer a associação, proponha que pesquisem a origem da palavra em dicionários ou em sites

Antes do dinheiro

Com o tempo, em alguns lugares, as pessoas deixaram de fazer trocas diretas e passaram a usar certos produtos como forma de representar o valor das coisas. Por exemplo: um bezerro podia valer uma saca de trigo ou dois rolos de tecido. Observe mais alguns exemplos.

Animais

Um dos primeiros meios de troca foram os animais vivos, que eram utilizados para obter outros alimentos, vestimentas e utensílios.

Comerciante com um animal vivo em artefato sumério. Detalhe de O estandarte de Ur, de autoria desconhecida, cerca de 2600-2400 a.C. Madeira, betume, conchas, calcário e lápis-lazúli, 21,6 cm x 49,5 cm.

Metais preciosos

Objetos de metal, como ouro, pra- ta e cobre, além de pedras preciosas, foram utilizados como meio de troca. Eles eram valorizados por sua beleza e por serem raros.

Colar de ouro encontrado na antiga cidade da Babilônia, do século 18 a.C. ao século 17 a.C.

Na atividade 3, caso os estudantes não saibam, proponha que conversem com adultos que sejam do convívio deles e que trabalhem. Provavelmente, os adultos vão mencionar dinheiro em espécie e transferências bancárias. Incentive os estudantes a comparar as formas antigas de negociação citadas com as formas de hoje em dia.

Sal

Atualmente, o sal é um produto barato e fácil de comprar. No passado, porém, nem todas as sociedades tinham acesso a esse tempero, que também era usado para conservar alimentos. Na Roma antiga, os soldados recebiam seu pagamento em sal, sendo essa a origem da palavra salário.

fora

Conchas

Pequenas e brilhantes, essas conchas eram usadas como meio de troca em diver- sas regiões da África, principalmente nos reinos de Mali, Gana e Benin. Eram valoriza- das pelas comunidades locais pela facilidade de transporte.

As conchas conhecidas como búzios foram muito utilizadas como meio de troca e como artefatos em rituais religiosos na costa ocidental da África, entre os séculos 11 e 17.

Grãos de cacau

Na região onde hoje estão o México, a Guatemala e outros países, os povos indígenas utilizavam os grãos de cacau como meio de troca.

Amêndoas de cacau torradas. KOMTHONG-APEC/SHUTTERSTOCK.COM

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

1 Por que o uso de objetos como grãos de cacau e conchas facilitava o comércio?

2 Qual é a origem da palavra salário?

3 De que maneiras as pessoas recebem pagamentos atualmente?

TEXTO COMPLEMENTAR

Dinheiro na mão é vendaval

Dinheiro, cheque, empréstimo, financiamento. Tudo o que se conhece hoje do nosso sistema monetário é resultado de milhares e milhares de anos de evolução. Muito cedo na história da civilização, o homem viu a necessidade de ter um instrumento para intermediar as relações comerciais. A moeda, onde tudo começou, foi determinante para o desenvolvimento econômico, social e cultural de toda a civilização. A moeda hoje parece algo pra lá de simples, mas nem sempre foi assim. Antigamente, ainda em anos a.C, o escambo era o mecanismo para se “fazer negócios”. Eram trocas amigáveis, baseadas no excedente de produção, sem equivalência de valor. […]

ATIVIDADES

Para pensar sobre os mecanismos utilizados no cotidiano como instrumentos para a troca e a comercialização de produtos, sugira que os estudantes realizem uma investigação dos hábitos de consumo das pessoas que convivem com eles. Oriente os estudantes a pedir que algum morador da casa em que vivem lhes conte as três últimas compras que fez e qual foi o meio de pagamento utilizado. Peça que cada estudante anote em seu caderno as informações coletadas e, após a realização das pesquisas, compartilhe com a turma os resultados. Tabule na lousa os meios de pagamento que foram citados e levante aqueles que são, de acordo com as pesquisas feitas, os mais comuns dentro daquela comunidade.

Na Idade Média, o escambo passou a se desenvolver. Fumos, temperos, tecidos e animais variados entraram na rota do comércio. Alguns produtos eram mais procurados que outros, o que deu origem à chamada moeda-mercadoria. Era a transição do escambo para o que pode ser considerado o primeiro tipo de intermediação financeira. […]

Durante esse período da moeda-mercadoria, os metais tiveram papel de grande destaque, em especial, o ouro, a prata e o cobre. […] Como podiam ser subdivididos e pesados, em pouco tempo passaram a ser o principal padrão de valor nas sociedades.

BARRETO, Pedro. Dinheiro na mão é vendaval. Desafios do Desenvolvimento: Ipea, Brasília, DF, ano 6, n. 53, p. 72-73, ago. 2009. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/desafios/images/stories/PDFs/ desafios053_completa.pdf. Acesso em: 18 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Saco com sal. ALEXANDARIOTZOV/ SHUTTERSTOCK.COM
Elementos
de proporção.

ENCAMINHAMENTO

Para iniciar a reflexão sobre o uso de moedas para a realização de comércio, proponha aos estudantes que observem com atenção a imagem que mostra uma moeda de metal usada na antiga Lídia (atual Turquia), no século 7 a.C. Peça a eles que leiam a legenda para descobrir de que material é feita a moeda, uma liga de ouro e prata. A partir da observação, proponha que os estudantes levantem hipóteses dos motivos que levaram os metais a se tornarem o material principal para a fabricação de moedas durante um longo período da história. Incentive-os a pensar que as moedas de metal são resistentes, não estragam e são fáceis de transportar. Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento da habilidade EF04HI02

Na correção da atividade 1, é interessante propor que os estudantes reflitam sobre como a introdução da moeda também criou desigualdades ao tornar o comércio dependente de quem possui metais. Incentive o pensamento crítico ao levar os estudantes a pensar não só na praticidade da moeda, mas também nas implicações sociais que ela traz.

Na atividade 2, os estudantes podem propor uma moeda digital, meios de troca baseados em tempo de serviço, cartões acessíveis a todos, entre outras formas de pagamento. É importante que esses meios facilitem o acesso a bens e serviços, em vez de dificultá-lo. Essa atividade incentiva os estudantes a imaginar soluções possíveis, com base em justiça, acessibilidade e praticidade. Também desenvolve habilidades de projeção para o futuro e trabalha o TCT Educação financeira de forma crítica e cidadã.

A moeda: uma nova forma de trocar

O dinheiro, como conhecemos atualmente, surgiu com a moeda de metal. Por ser feita de materiais preciosos, como o ouro e a prata, a moeda tinha um valor fixo, o que facilitava o comércio. Além disso, os metais são resistentes e não estragam ou morrem, como acontecia nas trocas feitas com os grãos de cacau e os animais vivos.

Desde então, quem vendia produtos passou a receber moedas como pagamento. Essas moedas também podiam ser usadas para comprar uma infinidade de outras coisas.

As primeiras moedas de metal foram criadas pelos antigos lídios, um povo que viveu na Anatólia, onde hoje é a Turquia, há aproximadamente 2 800 anos.

Liga: material resultante da mistura de metais.

Somente aos poucos, outros povos começaram a usar as moedas como meio de pagamento. Além disso, mesmo com a invenção da moeda, o escambo e outras formas de trocas de mercadorias continuaram a existir.

FIQUE LIGADO

• ROCHA, Ruth. Como se fosse dinheiro. São Paulo: Salamandra, 2010. Nessa obra, a autora aborda o uso do dinheiro, instigando o leitor a pensar em questões divertidas, como a troca de um sanduíche por uma galinha.

1. A introdução da moeda facilitou as trocas comerciais porque todos passaram a aceitar o mesmo meio de troca como forma de pagamento.

1 Quais mudanças ocorreram no comércio com a introdução da moeda?

2 Se você pudesse inventar uma nova forma de pagamento que beneficiasse toda a sociedade, como ela funcionaria? Converse com o professor e os colegas. Resposta pessoal. Veja resposta e orientações no Encaminhamento.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• BANCO CENTRAL DO BRASIL. O que é o dinheiro? Brasília, DF: Banco Central do Brasil, dez. 2002. (Cadernos BC: série educativa). Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/ cidadaniafinanceira/documentos_cidadania/Cadernos_BC-Serie_Educativa_para_criancas/ dinheiro.pdf. Acesso em: 20 ago. 2025.

O material, produzido pelo Banco Central do Brasil e disponibilizado digitalmente, conta, com linguagem simples e ilustrações divertidas, a história das relações de comércio e o surgimento da moeda como meio de intermediação comercial.

Moeda de metal usada na antiga Lídia (atual Turquia), no século 7 a.C. Ela era feita de uma liga de ouro e prata.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

MÃO NA MASSA

O jogo do comércio

Você aprendeu que, no passado, o escambo era a principal forma de comércio. Depois, surgiram o dinheiro e outras formas de pagamento. Vamos fazer um jogo para entender melhor essa mudança?

Materiais

• 1 folha de cartolina

• 1 tesoura com pontas arredondadas

• Canetinhas e lápis de cor

Como fazer

Preparação das fichas e moedas

ATENÇ ÃO

1 Recorte 12 fichas redondas de cartolina.

2 Divida as fichas em três grupos e escreva o nome de um produto nas fichas de cada grupo: Alimentos, Roupas, Brinquedos.

3 Recorte 15 moedas pequenas de cartolina.

4 Escreva em cada moeda: “1 dinheiro”.

1a rodada: troca sem moeda (escambo)

1 O professor vai recolher todas as fichas, misturá-las e distribuí-las novamente para você e os colegas. Cada estudante vai receber 12 fichas misturadas.

2 Tente montar um conjunto com 4 fichas de alimentos, 4 fichas de roupas e 4 fichas de brinquedos.

3 Para isso, converse com os colegas e troque as fichas com eles.

2a rodada: troca com moeda

1 Entregue as fichas para o professor, que vai misturá-las e distribuí-las novamente.

2 Agora, faça com os colegas as mesmas trocas da primeira rodada. Desta vez, vocês vão usar dinheiro, e os produtos terão preço fixo.

• Alimento: 3 moedas.

• Roupa: 2 moedas.

• Brinquedo: 4 moedas.

O professor vai distribuir novamente as fichas (12 por estudante) e entregar 15 moedas para cada um.

3 Tente montar o mesmo conjunto da rodada anterior: 4 fichas de alimentos, 4 fichas de roupas e 4 fichas de brinquedos.

A atividade será finalizada com uma conversa mediada pelo professor. Veja orientações no Encaminhamento

ORGANIZE-SE

Utilize uma tesoura com pontas arredondadas e peça auxílio de um adulto para recortar as figuras. 69

27/09/25 06:43

Para realizar a atividade proposta na seção, providencie com a turma: cartolina, tesoura com pontas arredondadas, canetinhas e lápis de cor.

O objetivo da seção Mão na massa é simular a aquisição de mercadorias tanto por meio da prática do escambo como também com o uso de moedas. Adapte o jogo conforme as demandas da turma, criando mais fichas, alterando o objetivo do jogo, mudando o tempo disponível para a negociação ou estipulando outros valores em moeda para cada ficha. Antes do início da primeira rodada, oriente os estudantes a pensar que valor eles podem colocar em seus produtos para que atinjam o objetivo proposto. Leve-os a refletir sobre as fichas que eles consideram mais valiosas. Durante as negociações, observe o comportamento dos estudantes no momento das trocas, motivando a participação de todos.

Para a segunda rodada, mostre para os estudantes que, agora, cada mercadoria tem um valor específico. Proponha que eles alterem o valor inicialmente proposto para cada tipo de ficha. Se necessário, anote os valores na lousa. Ao término das negociações, durante a roda de conversa, procure discutir com eles quais dificuldades enfrentaram. Todos os estudantes começaram o jogo com o mesmo número de moedas? Algum estudante deu desconto na venda de sua mercadoria? A existência de diferentes quantidades de moedas dificultou a compra das mercadorias em algum momento? Ao final da atividade, peça-lhes que sintetizem o tema elaborando um pequeno texto que descreva como as pessoas compravam antes e como compram agora.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Inicie o trabalho destas páginas propondo que os estudantes se reúnam em duplas ou pequenos grupos para analisar as imagens que representam o comércio realizado no Egito antigo. Solicite que cada grupo anote no caderno as estratégias para o transporte de mercadorias que aparecem nas imagens. Após a realização da dinâmica, peça que cada grupo socialize com os demais suas conclusões para que possam comparar os resultados obtidos.

A partir da análise dos estudantes, explique que as diferentes civilizações estabeleceram uma série de rotas para poder fazer comércio com outros grupos. Dentre essas rotas comerciais, ou seja, os caminhos utilizados por comerciantes para transportar mercadorias, destaque a existência de três tipos: as rotas terrestres, percorridas em veículos, como carroças puxadas por animais, ou sobre o lombo de animais de carga; as rotas fluviais, percorridas em embarcações pequenas e médias; e as rotas marítimas, percorridas em embarcações médias e grandes.

Para a realização da atividade 1, é interessante analisar coletivamente as três imagens, incentivando os estudantes a perceber os detalhes sobre os meios de transporte de mercadorias. Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento das habilidades EF04HI06 e EF04HI07.

AS ROTAS COMERCIAIS

Mesmo antes do desenvolvimento da moeda, o comércio já cobria longas distâncias em vários lugares do mundo. Com frequência, aldeias e cidades compravam materiais que não produziam e vendiam mercadorias produzidas a mais. Esse comércio podia ocorrer em regiões distantes de onde as pessoas viviam. Por exemplo, uma aldeia situada longe do mar certamente precisaria de sal para conservar seus alimentos, enquanto uma cidade litorânea, embora tivesse dificuldade para cultivar alimentos, produziria sal com facilidade. Observe a seguir como os antigos egípcios, um povo que viveu no norte da África há mais de 4 mil anos, compravam e vendiam mercadorias com outros povos.

As cores não correspondem aos tons reais.

A ilustração representa um mercado de rua no Egito antigo há aproximadamente 4 mil anos. Entre as mercadorias que os egípcios compravam de outros povos, estavam as toras de madeira.

As cores não correspondem aos tons reais.

A ilustração representa um porto no Egito antigo há aproximadamente 4 mil anos. Os egípcios vendiam muitos produtos para outros povos, principalmente grãos e tecidos.

Elaborado com base em: MILLARD, Anne; MCEWAN, Joseph; MANN, Roger. Ancient Egypt. Londres: Usborne Publishing, 1981. p. 28-29. (Everyday life in Egyptian times).

1

Com o tempo, formaram-se rotas comerciais, ou seja, caminhos utilizados por comerciantes para transportar mercadorias. Antigamente, havia três tipos de rotas comerciais.

• Rotas terrestres: percorridas em veículos como carroças puxadas por animais ou apenas no lombo dos animais.

• Rotas fluviais: percorridas em embarcações pequenas e médias.

relacionado a rios e córregos.

• Rotas marítimas: percorridas em embarcações médias e grandes.

1 Observe as imagens a seguir e identifique os tipos de rotas comerciais que esses comerciantes estão percorrendo.

CRESQUES, Abraão. Atlas catalão

[S. l.: s. n.], ca. 1375. 1 mapa, color. Detalhe de mapa com a representação da caravana comercial que percorre a Rota da Seda.

2 3

vendem farinha para padeiros no rio Sena, em Paris.

Imagem 2

de carregamento de peixes no porto de Dieppe, na França.

Imagem 1

a) Rota fluvial. b) Rota terrestre. c) Rota marítima. As rotas comerciais também contribuíram para o surgimento de novas cidades. Nas paradas feitas ao longo da viagem, era comum surgirem comércios, casas e até mesmo muros para proteger tais localidades. As rotas também favoreciam as trocas de saberes e de costumes, transmitindo novas receitas, músicas e até palavras. Essas trocas ajudaram a misturar culturas e tornaram as cidades mais diversificadas.

Imagem 3

29/09/25 10:04

ATIVIDADES

Pergunte aos estudantes por que as trocas comerciais podem ajudar a aproximar diferentes povos. Espera-se que eles respondam que elas permitem que pessoas entrem em contato com outras culturas, conheçam línguas, hábitos alimentares e costumes de outros povos, o que os convida a refletir sobre seu repertório e sua percepção do mundo.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• PINTO, Otávio Luiz. Rota da seda. São Paulo: Contexto, 2023. Nesse livro, o historiador analisa a chamada Rota da Seda, um fenômeno de integração que uniu Oriente e Ocidente entre os séculos II a.C. e XVI d.C., favorecendo, para além da circulação de mercadorias, um intenso intercâmbio de ideias.

NÃO ESCREVA NO LIVRO. Fluvial:
Detalhe da obra Vida de São Denis, de autor desconhecido, 1317. Iluminura, 24 cm x 16 cm. Moleiros
Detalhe da obra Vista do porto de Dieppe, de Claude Joseph Vernet, 1765. Óleo sobre tela, 165 cm x 263 cm. Representação
M. SEEMULLER/DEAGOSTINI/GETTY IMAGES

ENCAMINHAMENTO

Inicie o trabalho desta dupla de páginas propondo aos estudantes uma análise do mapa que trata das rotas comerciais marítimas nos séculos XVI e XVII. Inicialmente, auxilie os estudantes a reconhecer as principais regiões envolvidas nas rotas comerciais destacadas e os continentes em que se localizam. Em seguida, proponha um levantamento dos principais produtos que aparecem em circulação nessas rotas comerciais.

Com base nos elementos levantados pela análise do mapa, explique que esse período, durante o qual portugueses, espanhóis, franceses e ingleses se lançaram aos mares em busca de rotas para expandir o comércio, ficou conhecido como o das Grandes Navegações. Essas novas rotas marítimas ligaram diferentes partes do mundo, e comerciantes passaram a cruzar os oceanos, conectando povos distantes e dando início a um comércio global. Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento das habilidades EF04HI02, EF04HI06 e EF04HI07.

Na atividade 1, os estudantes podem citar o trigo, que tem origem asiática e é consumido na forma de pães e biscoitos; a mandioca, que tem origem americana e é consumida cozida ou em preparados, como polvilho e tapioca; e a aveia, que tem origem europeia e é consumida seca ou em pães e bolos.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes indiquem o alimento e a origem geográfica dele, explicando por que o escolheram.

As Grandes Navegações e seus impactos

A criação de rotas comerciais transformou o mundo. Ao longo dos séculos, os caminhos terrestres, fluviais e marítimos passaram a ligar regiões muito distantes, da China imperial à Europa, do sul da África aos reinos indianos. A colonização do Brasil também está ligada à descoberta de novas rotas comerciais. Durante muitos anos, os europeus compraram especiarias, tecidos finos, porcelanas e pedras preciosas de diferentes regiões da Ásia por meio de rotas terrestres e marítimas. No século 15, com o aumento da dificuldade para cruzar o mar Mediterrâneo, os europeus buscaram novas rotas de navegação para chegar à Ásia.

Os primeiros a realizar essas viagens foram os portugueses, que organizaram expedições para contornar o continente africano e alcançar as chamadas Índias. Em uma dessas viagens, que ocorreu em 1500, chegaram à costa do continente atualmente conhecido como América do Sul, onde hoje está o município brasileiro de Porto Seguro (BA).

HOMEM, Lopo; RAINEL, Pedro; RAINEL, Jorge. Terra Brasilis. [S. l.: s. n.], 1519. 1 mapa, color. Mapa que representa a chegada de navios à costa do território que viria a ser o Brasil, publicado no Atlas Miller

Especiaria: produto de origem vegetal usado para dar sabor, aroma ou conservar alimentos.

A canela, a pimenta e o gengibre são exemplos de especiarias. Índias: naquele período, era o nome dado ao território que hoje pertence à Índia, que estava dividido em inúmeros reinos.

Os portugueses não foram os únicos a buscar novas rotas comerciais pelos oceanos. Espanhóis, franceses e ingleses também se lançaram aos mares, dando início ao período conhecido como o das Grandes Navegações As novas rotas marítimas ligaram diferentes partes do mundo, e comerciantes passaram a cruzar os oceanos, conectando povos distantes. Foi assim que teve início o comércio global: mercadorias começaram a circular entre Europa, Ásia, África e América.

Observe no mapa as principais rotas de comércio nos séculos 16 e 17 e alguns dos produtos que circulavam por meio delas.

Mundo: rotas comerciais marítimas (séculos 16 e 17)

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Círculo Polar Ártico

AMÉRICA DO NORTE

Trópico de Câncer

Equador

AMÉRICA CENTRAL

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio

Cidade do México Havana Arica Potosí Lisboa Sevilha

AMÉRICA DO SUL

OCEANO PACÍFICO

de Greenwich

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Círculo Polar Antártico

comerciais portuguesas Rotas comerciais espanholas

Elaborado com base em: BARRACLOUGH, Geoffrey (org.). Atlas da história do mundo. São Paulo: Folha: Times Books, 1995. p. 38-39. VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico: geral e Brasil. São Paulo: Scipione, 2011. p. 91.

1 Reproduza a ficha no caderno e preencha-a com informações sobre três alimentos que você consome em seu cotidiano e que estão representados no mapa.

Alimento Continente de origem Como é consumido 1 2 3

ATIVIDADES

Para ampliar as reflexões sobre as rotas comerciais e aproximá-las da realidade dos estudantes, proponha que eles investiguem por quais rotas principais as mercadorias chegam ao município em que moram. As respostas podem variar de acordo com a região do Brasil. Grande parte do transporte de mercadorias no Brasil é feito por rotas terrestres, especialmente por meio de rodovias, mas cidades da região Norte, por exemplo, com frequência são abastecidas por rotas fluviais.

PARA OS ESTUDANTES

• JOLY, Dominique; OLIVIER, Emmanuel. As Grandes Navegações: HQ. Tradução: Alexandre Boide. Porto Alegre: L&PM, 2022. O livro traz uma versão em quadrinhos da história das Grandes Navegações dos séculos XV a XVII, período em que portugueses, espanhóis, holandeses, franceses e ingleses cortaram os mares em busca de novas rotas de comércio.

2 A origem de algum alimento chamou sua atenção? Qual? Converse com os colegas e o professor.

Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento

3 Que alimentos nativos da América são muito consumidos em outros continentes? Dê dois exemplos. Veja comentários no Encaminhamento.

Os estudantes podem citar alimentos como a batata, o tomate, o cacau (ingrediente principal do chocolate) e até a mandioca, muito consumida na África e na Ásia.

29/09/25 06:44

CONEXÃO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
MODELO PARA COPIAR

ENCAMINHAMENTO

Para a discussão sobre os impactos das Grandes Navegações nas populações, inicie propondo que os estudantes reflitam sobre os interesses envolvidos na chamada expansão marítima. Incentive-os a perceber que os europeus foram movidos por interesses mercantis nesse processo, pois o objetivo central dessas viagens era estabelecer novas rotas que pudessem ampliar o comércio das potências europeias e suas conexões com diferentes partes do mundo.

Com base nessa reflexão, peça aos estudantes que observem atentamente o trecho da Tela de Tlaxcala, um códice asteca do século XVI que mostra conquistadores europeus recebendo tributos de povos indígenas. Incentive os estudantes a refletir sobre o ponto de vista dos povos nativos americanos a respeito desse processo e o contraste dessa perspectiva em relação ao ponto de vista dos europeus, uma vez que aqueles são atingidos diretamente pela exploração destes.

Em seguida, proponha que os estudantes se reúnam em duplas para discutir quais conexões comerciais existiam entre a Europa, a África e a América nesse período. Incentive-os a pensar nas maneiras pelas quais a defesa dos interesses comerciais europeus passava pela dominação destes sobre povos de outros continentes, os quais, por sua vez, passavam, então, a ser explorados.

Impactos sobre as populações locais

Ao mesmo tempo em que as Grandes Navegações causaram um aumento do comércio em todo o planeta, elas também provocaram impactos negativos sobre muitos povos.

Nas Américas, por exemplo, portugueses, espanhóis, ingleses, franceses e holandeses se apossaram dos territórios que, até então, pertenciam às populações indígenas. Milhões de pessoas morreram ao defender as próprias terras ou ao contrair doenças trazidas pelos europeus.

Os sobreviventes foram obrigados a abandonar suas crenças, seus hábitos e costumes e a adotar as crenças, os hábitos e os costumes dos povos que os dominaram. Muitos foram obrigados a realizar trabalhos forçados em plantações ou em atividades extrativistas.

Lâmina 28 da obra Tela de Tlaxcala (Lienzo de Tlaxcala), de artistas desconhecidos, cerca de 1550. Pintura, 200 cm x 500 cm, em reprodução do século 18. Na cena, conquistadores europeus recebem tributos de povos indígenas. Os produtos obtidos pelos colonizadores na América eram revendidos na Europa a preços altos.

Aponte que o estabelecimento de um grande sistema de escravização de africanos, que foram trazidos à força para as Américas para servir de mão de obra, é uma das mais terríveis consequências desse processo, pois milhões de pessoas foram forçadas a migrar entre os séculos XVI e XIX. Destaque que, apesar da violência que marcou todo o processo, é importante perceber que os africanos trouxeram uma enorme contribuição para a formação da cultura brasileira, tornando-se parte importante da construção de nosso país.

1. a) Os europeus foram caracterizados com armaduras e armas. O líder dos soldados, provavelmente Hernán Cortés, está sentado em uma cadeira, enquanto todas as outras pessoas estão em pé.

Impactos do comércio na África e na Ásia

Um dos impactos mais significativos das Grandes Navegações para a África foi o início do processo de escravização. Entre os séculos 15 e 19, cerca de 10 milhões de africanos foram arrancados à força de suas terras, afastados de suas famílias e enviados para a América, onde foram obrigados a realizar trabalhos forçados.

O tráfico de escravizados gerou grandes lucros para os comerciantes e para os reinos europeus, que cobravam impostos sobre a compra e a venda de pessoas. Entretanto, o tráfico de escravizados foi responsável por desestruturar inúmeras sociedades do continente africano.

Na Ásia, os europeus instalaram feitorias em diversas cidades asiáticas estratégicas, de onde controlavam o comércio de especiarias, tecidos, porcelanas e outros produtos valiosos. Em muitos locais, tentaram impor suas regras, crenças e valores, criando grandes tensões com as populações locais.

1 Observe a imagem anterior e responda no caderno.

Feitoria: posto comercial fortificado instalado pelos europeus em diversas cidades da América, da Ásia e da África.

a) Como os colonizadores europeus foram caracterizados na ilustração?

b) Que tributos os povos indígenas ofereceram aos europeus?

Alimentos, como milho e carne, além de animais vivos.

2 Com base no que você estudou, aponte três aspectos positivos e três aspectos negativos provocados pelas Grandes Navegações.

Veja sugestões e comentários no Encaminhamento

Vista do Castelo de São Jorge da Mina, localizado em Elmina, no litoral de Gana, em 2023. Nesse local, os portugueses compravam escravizados, que depois eram transportados para a América.

06:43

Na atividade 2, espera-se que os estudantes mencionem como aspectos positivos: aumento do comércio em escala mundial; grande circulação de alimentos, plantas e animais entre os continentes; e ampliação do conhecimento geográfico. E, como aspectos negativos: colonização e destruição de muitas culturas locais; escravização de milhões de pessoas; e morte em grande escala da população nativa em algumas regiões.

A discussão sobre diferentes pontos de vista a respeito de um mesmo acontecimento histórico é complexa, pois implica analisar a multiplicidade dos acontecimentos históricos. Para verificar se os estudantes compreenderam os impactos que as invasões europeias tiveram nos povos americanos, proponha que eles escrevam dois textos breves, de um parágrafo, um apresentando as consequências das grandes navegações para os europeus; e outro, as consequências para os povos nativos americanos.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• BAUDOT, Georges; TODOROV, Tzvetan (org.). Relatos astecas da conquista. Tradução: Luiz Antônio Oliveira de Araújo. São Paulo: Editora Unesp, 2019. Esse livro reúne a literatura produzida no continente americano por aqueles povos que foram alvo das invasões europeias. Os textos, produzidos à época, mostram uma visão de mundo diferente daquela dos conquistadores europeus.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
MTCURADO/GETTY IMAGES

ENCAMINHAMENTO

Na seção O que estudei, busca-se retomar os principais conteúdos trabalhados ao longo da unidade, com o objetivo de sistematizar e consolidar conceitos estudados. Essa sistematização não é apenas um momento de revisão, mas também de reflexão, no qual os estudantes são convidados a analisar o próprio percurso de aprendizagem e a realizar uma autoavaliação. Esse processo contribui para que cada estudante reflita sobre o que aprendeu, como aprendeu e quais aspectos ainda precisam de maior atenção.

Ao incentivar a reflexão sobre os conteúdos e a realização de uma autoavaliação, são oferecidos aos estudantes parâmetros para orientar suas atitudes, organizar seus estudos e fortalecer o próprio protagonismo no processo de aprendizagem.

Explique à turma que este é o momento de retomar o que foi trabalhado ao longo da unidade, identificando avanços e reconhecendo eventuais dificuldades. Essa prática favorece o desenvolvimento de processos metacognitivos, ajudando cada estudante a compreender o próprio aprendizado e a perceber a evolução ocorrida.

O QUE ESTUDEI

1 Explique a relação existente entre o cultivo de alimentos e a formação das primeiras cidades.

2 A imagem a seguir é um mapa histórico da cidade de Londres, atualmente no Reino Unido, feito no século 16. Observe-a com atenção e responda.  Veja respostas e comentários no Encaminhamento

BRAUN, Georg; HOGENBERG, Frans. Civitates Orbis Terrarum. [Colônia, Alemanha: s. n.]. 1572. 1 mapa, color. A imagem é um mapa da cidade de Londres publicado no atlas, também conhecido como Cidades do mundo

a) Quais elementos do mapa histórico indicam as áreas urbanas da cidade? E as áreas rurais?

b) Londres era protegida por uma muralha que circundava a maior parte da cidade. Pode-se afirmar que a construção era um exemplo de permanência histórica? Por quê?

Na atividade 1, espera-se que os estudantes respondam que o domínio das técnicas de cultivo facilitou a fixação de grupos em uma mesma localidade, diminuindo a necessidade de se deslocar em busca de alimentos. Com isso, surgiram os primeiros núcleos urbanos, muitos dos quais se expandiram e deram origem às primeiras cidades. Essa atividade retoma aspectos da habilidade EF04HI03. Na atividade 2. a), espera-se que os estudantes respondam que as áreas urbanas podem ser identificadas pela grande quantidade de ruas, residências e outros estabelecimentos, como igrejas, porto e muralhas, todos muito próximos uns dos outros. As áreas rurais podem ser representadas pelos campos cercados, onde as estradas aparecem distantes umas das outras.

Na atividade 2. b), espera-se que os estudantes respondam que sim, pois a construção de muralhas protetoras remonta ao desenvolvimento das primeiras cidades.

Essa atividade retoma aspectos da habilidade EF04HI03

Na atividade 4, espera-se que os estudantes expliquem que, durante o período conhecido como o das Grandes Navegações, houve um intenso intercâmbio de produtos agrícolas. Alimentos nativos de um continente foram levados para outros, onde também passaram a ser cultivados. Isso contribuiu para ampliar a diversidade alimentar em todo o planeta. Essa atividade retoma aspectos das habilidades EF04HI02 e EF04HI07.

3. a) América: mandioca, milho, tomate e batata; África: inhame; Ásia: arroz e soja; Europa: videira (uva), aveia e oliveira.

3 Imagine que você foi à feira e comprou os alimentos do quadro a seguir.

Mandioca Milho Tomate Batata

Coco Uva Abacaxi Pepino

Abóbora Abacate

a) Consulte o mapa Rotas comerciais marítimas (séculos 16 e 17), na página 73, e indique o continente de origem de cada um dos alimentos listados. Para isso, reproduza a ficha a seguir no caderno e preencha-a.

América África Ásia Europa

4 Faça um texto que explique como as Grandes Navegações contribuíram para a ampliação da diversidade alimentar em todo o planeta.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

5 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.

• Aproveite este momento para refletir sobre seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO

Respeitei o professor e os colegas?

Prestei atenção nas explicações?

Pedi ajuda quando tive dúvidas?

Contribuí nas atividades em grupo?

Respostas pessoais.

Sempre Às vezes Nunca

27/09/25 06:44

Aproveite essa atividade para mostrar para os estudantes a maneira pela qual a agricultura influenciou (e ainda influencia) as sociedades. Nessa atividade, observamos dois exemplos: o domínio da agricultura, que se relaciona com o surgimento dos primeiros núcleos urbanos, e o intercâmbio de produtos observado durante as Grandes Navegações, que contribuiu para ampliar a diversidade alimentar do planeta, uma vez que vários alimentos se adaptaram muito bem em regiões fora de suas localidades de origem.

A Autoavaliação tem a função de ajudar cada estudante a reconhecer o que já conseguiu aprimorar e o que ainda precisa ser melhorado no estudo da unidade. Esse registro é útil para que os estudantes desenvolvam habilidades como autonomia, autorregulação e colaboração. Se houver pessoas com deficiência na turma, de maneira geral, é essencial garantir adaptações e recursos de acessibilidade que possibilitem a plena participação na autoavaliação. Também pode ser importante oferecer tempo adicional para a realização das tarefas e solicitar apoio de mediadores ou colegas quando necessário. Finalize a avaliação estabelecendo objetivos que deverão ser cumpridos pelo estudante ao longo do ano. Ao final, promova um momento coletivo de troca de ideias, no qual os estudantes possam compartilhar impressões sobre o que aprenderam e sobre os desafios que encontraram. Essa prática valoriza a diversidade da turma, incentiva a escuta ativa e reforça a noção de que o aprendizado é um processo colaborativo e inclusivo, no qual cada voz e cada experiência contribuem para o crescimento de todos.

MODELO PARA COPIAR

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, os estudantes vão refletir sobre as origens e a formação do Brasil com base na presença de povos indígenas e africanos. Muito antes da chegada dos portugueses, os povos originários já habitavam o território, desenvolvendo modos de vida variados, organizando-se em comunidades e acumulando saberes a respeito da natureza. Séculos depois, milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil, na condição de escravizados, deixando marcas na história por meio das línguas, crenças, práticas culturais e formas de resistência que ajudaram a moldar o país. O capítulo 1 ressalta a diversidade dos povos indígenas, suas línguas, cosmogonias, tradições, expressões artísticas e modos de relação com o ambiente.

No capítulo 2, é trabalhado o papel dos africanos no processo de colonização, chamando a atenção tanto para a violência da escravidão quanto para a força das lutas coletivas e a preservação de elementos culturais que permanecem ainda hoje.

Ao acompanhar esses percursos, os estudantes poderão reconhecer como os povos indígenas e africanos influenciaram a formação da sociedade brasileira, seja na alimentação, nas formas de entender o mundo, na arte, na música ou nas formas de organização social. Essa perspectiva amplia a compreensão do passado e ajuda a superar visões que colocam apenas os europeus no centro da narrativa histórica, valorizando a contribuição de diferentes matrizes culturais.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Reconhecer a presença histórica de povos indígenas e africanos na formação do

UNіDADE ORIGENS DO BRASIL 3

Crianças e adolescentes do Grupo Batuque Reciclado durante a Festa de Cultura Afro em homenagem ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, em Araruama (RJ), em 2015.

Adultos e crianças indígenas da etnia pataxó dançam no ritual do Awe durante festa Aragwaksã (Ritual da Vitória), em Porto Seguro (BA), em 2024.

Brasil, valorizando suas culturas, seus modos de vida e suas contribuições para a sociedade.

• Compreender que a ocupação do território brasileiro antecede a chegada dos portugueses e que o processo de colonização envolveu a imposição da escravidão e a resistência de diferentes grupos.

• Identificar mudanças e permanências nas formas de viver, de se organizar socialmente e de se relacionar com a natureza, comparando diferentes tempos históricos.

• Analisar como línguas, saberes, práticas, costumes e expressões culturais de indígenas e africanos permanecem vivos no cotidiano brasileiro, compondo parte essencial da identidade nacional.

• Desenvolver atitudes de respeito à diversidade cultural, reconhecendo a importância da memória e da valorização de diferentes matrizes que constituem a sociedade brasileira.

• Utilizar conceitos de tempo histórico, permanência e mudança, identidade e diversidade para interpretar processos históricos e ampliar a compreensão do passado e do presente.

Você já pensou sobre as influências culturais dos povos indígenas e dos povos africanos em seu dia a dia?

O idioma que falamos é formado por muitas palavras de origem indígena e africana. Na alimentação, muito do que consumimos no cotidiano é herança dos indígenas e dos povos que vieram da África. Essas influências também podem ser percebidas nos ritmos musicais, nas crenças religiosas, nas danças e em muitos outros elementos.

Isso ocorre porque os povos indígenas e africanos fazem parte da formação da sociedade brasileira. Quando os portugueses chegaram, há pouco mais de 500 anos, milhões de indígenas viviam nestas terras. Depois, ao longo de 300 anos, milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil.

Nesta unidade, vamos estudar um pouco mais dessa história para entender como indígenas e africanos contribuíram para a sociedade em que vivemos.

Meninas quilombolas brincam com bonecas em Presidente Kennedy (ES), em 2019.

1 Você considera importantes as contribuições dos povos indígenas e africanos para a formação do Brasil? Explique.

2 Em sua opinião, como a chegada dos portugueses à América impactou a vida dos povos indígenas e dos povos trazidos da África?   Veja comentários e orientações no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

Inicie a unidade organizando uma roda de conversa e proponha aos estudantes que discutam o que sabem a respeito do legado indígena e dos povos africanos e seus descendentes na sociedade brasileira. Permita que falem livremente, sem se preocupar, nesse momento inicial, se as respostas estão corretas.

Em seguida, solicite aos estudantes que façam, em duplas, a leitura do texto de abertura da unidade e auxilie-os com as dificuldades que possam surgir em relação ao vocabulário. Finalizada a leitura, encoraje-os a identificar quais palavras eles conhecem e verifique se conseguem ampliar essa relação, mencionando outros exemplos. Esse é um bom momento para relacionar as experiências pessoais dos estudantes com o texto, reforçando, assim, a noção de que as culturas africanas e indígenas estão presentes no dia a dia dos brasileiros.

Comente que o Brasil é formado pela mistura de diferentes povos e essa diversidade cultural é uma das marcas de nossa sociedade. Explique que esse legado não é algo exclusivo do passado, pois se faz presente até os dias de hoje, e que compreender a existência dessa diversidade é uma forma de valorizar e respeitar as diferenças.

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26/09/25 19:38

• SILVA, Aracy Lopes da; GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (org.). A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1o e 2o graus. São Paulo: Global; Brasília, DF: MEC, 2004. Obra fundamental para compreender abordagens pedagógicas atuais sobre os povos indígenas.

As respostas das atividades 1 e 2 são pessoais. Incentive os estudantes a compartilhar os conhecimentos prévios a respeito do tema. Atente para combater estereótipos e assegure que as contribuições dos estudantes sejam respeitosas.

PHANTHIT.MALISUWAN/SHUTTERSTOCK.COM
LUCIANA WHITAKER/PULSAR IMAGENS
Crianças indígenas da etnia paresí na aldeia Wazare, na Terra Indígena Utiariti, em Campo Novo do Parecis (MT), em 2021.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Identificar alguns dos povos indígenas do Brasil contemporâneo e reconhecer as diferenças entre esses povos.

• Conhecer aspectos dos povos indígenas que viviam no território brasileiro antes da chegada dos portugueses, em 1500.

• Dimensionar a importância da grande migração tupi-guarani no passado e no presente.

• Conhecer a profunda relação dos povos indígenas com a natureza.

• Entender o impacto da colonização portuguesa sobre os povos indígenas.

• Identificar a presença da cultura indígena na formação da sociedade brasileira.

• Compreender as lutas indígenas contemporâneas.

BNCC

HABILIDADES

(EF04HI01) Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo.

(EF04HI02) Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.).

(EF04HI03) Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente.

(EF04HI04) Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas.

INDÍGENAS E PORTUGUESES NA AMÉRICA capítulo

Você sabe quantos povos indígenas habitavam, no passado, o território que pertence atualmente ao Brasil? E quantos habitam no presente?

Antes da chegada dos portugueses, acredita-se que havia aproximadamente 1 500 povos. Hoje, de acordo com a Fundação Nacional dos Povos

Brasil: representantes políticos indígenas

Nas eleições municipais de 2024, foram eleitos na região Norte: 72 vereadores indígenas, 3 prefeitos indígenas e 7 vice-prefeitos indígenas.

Nas eleições municipais de 2024, foram eleitos na região Nordeste: 81 vereadores indígenas, 4 prefeitos indígenas e 4 vice-prefeitos indígenas.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Você considera importante a participação de indígenas em cargos políticos? Por quê?

Respostas pessoais. Veja comentário no Encaminhamento

2 Com o auxílio de um familiar ou responsável, pesquise informações sobre um representante indígena na política e escreva um pequeno texto sobre ele.

(EF04HI05) Relacionar os processos de ocupação do campo a intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções.

(EF04HI10) Analisar diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS (TCTs)

• Educação ambiental.

• Diversidade cultural.

• Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

Indígenas (Funai), há 305 povos, correspondendo a cerca de 1,7 milhão de indígenas vivendo em seus territórios tradicionais e em áreas urbanas. Esses povos têm ocupado cada vez mais espaços importantes em nossa sociedade, como universidades, áreas da cultura e das ciências e a política. Nas últimas décadas, muitas pessoas indígenas foram eleitas para cargos públicos, como prefeito, vereador, deputado estadual e deputado federal.

Observe o infográfico apresentado. Ele traz informações sobre a participação de representantes indígenas nos espaços de poder.

Mostre que essa luta por espaço político não é recente: resulta de séculos de resistência e conecta-se diretamente às atuais demandas por direitos como terra, educação e saúde. Reforce também que a crescente participação indígena em universidades e em diferentes áreas da sociedade é fruto de políticas públicas, como o sistema de cotas, implementado em 2012.

Nas eleições municipais de 2024, foram eleitos na região Centro-Oeste: 34 vereadores indígenas.

Nas eleições municipais de 2024, foram eleitos na região Sudeste: 18 vereadores indígenas, 2 prefeitos indígenas e 1 vice-prefeito indígena.

Nas eleições municipais de 2024, foram eleitos na região Sul: 30 vereadores indígenas.

Elaborado com base em: BRASIL. Ministério dos Povos Indígenas. 256 indígenas são empossados como prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Brasília, DF: MPI, 7 jan. 2025. Disponível em: https://www.gov. br/povosindigenas/pt-br/assuntos/ noticias/2025/01/256-indigenas -sao-empossados-como-prefeitos -vice-prefeitos-e-vereadores-1. Acesso em: 10 jul. 2025. FERREIRA, Igor. Censo 2022: Brasil tem mais de 8,5 mil localidades indígenas, a maioria na Região Norte. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro, 19 dez. 2024. Disponível em: https:// agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia -noticias/2012-agencia-de-noticias/ noticias/42278-censo-2022-brasil -tem-mais-de-8-5-mil-localidades -indigenas-a-maioria-na-regiao-norte. Acesso em: 10 jul. 2025. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. p. 93.

a) Anote no caderno o nome do representante indígena escolhido.

b) Qual cargo o representante assumiu?

c) Quais ações esse representante realizou para promover melhorias de vida para os povos indígenas?

• Compartilhe com os colegas o que você descobriu.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

ENCAMINHAMENTO

29/09/25 10:07

As páginas de abertura do capítulo apresentam dados sobre a presença indígena no Brasil, comparando números do passado e do presente, além de destacar informações sobre a participação política desses povos. Oriente os estudantes a observar o mapa e a discutir os dados apresentados, refletindo sobre o que eles revelam em termos de representatividade. Explique que, embora os povos indígenas tenham enfrentado perda de territórios e redução populacional ao longo dos séculos, continuam existindo e conquistando cada vez mais espaços de destaque na sociedade brasileira. Incentive uma análise crítica do mapa e faça perguntas como: “Onde estão concentrados os maiores números de representantes políticos indígenas?” e “Como ocorre a distribuição desses representantes pelas regiões do Brasil?”. Aproveite para promover um debate sobre a importância de haver lideranças indígenas em cargos públicos, destacando o papel desses representantes na ampliação do direito à voz e à representação.

Na atividade 1, incentive os estudantes a refletir sobre a importância da presença de representantes indígenas em cargos políticos para a defesa dos direitos de seus povos.

Na atividade 2, oriente os estudantes a pesquisar informações em sites oficiais do governo federal e da Unidade da Federação onde vivem, de modo a reconhecer dados atualizados sobre a participação indígena na política.

Esta dupla de páginas mobiliza o desenvolvimento das habilidades EF04HI01 e EF04HI10, além de trabalhar conceitos fundamentais como cidadania, democracia, representatividade e diversidade cultural.

ATIVIDADES

Peça aos estudantes que, em grupos, elaborem um pequeno cartaz com frases ou desenhos que expressem a importância da participação indígena na política. Os cartazes podem ser expostos na sala ou nos corredores da escola.

ENCAMINHAMENTO

Apresente aos estudantes a narrativa indígena que explica a origem das pessoas da etnia kaingang, evidenciando a riqueza cultural e a diversidade de saberes desse povo. Explique que o mito não deve ser entendido como “mentira” ou “fantasia”, mas como uma narrativa simbólica que expressa a visão de mundo, os valores e a memória coletiva de uma comunidade. Ressalte que, por meio dos mitos, transmitem-se conhecimentos, ensinamentos éticos e formas de organização social. Ao trabalhar com o mito kaingang, destaque como essa história aborda as diferenças entre as pessoas e ensina o respeito à diversidade. Essa abordagem mobiliza o TCT Diversidade cultural e aciona a habilidade EF04HI04. Promova a leitura coletiva do texto, incentivando a escuta atenta e o diálogo. Explique que os mitos são também uma forma de memória, pois preservam tradições e saberes transmitidos entre gerações. Evite comparações reducionistas entre mito e ciência, valorizando a tradição oral como um modo legítimo de interpretar o mundo e afirmar identidades culturais.

Na atividade 1. c), espera-se que os estudantes respondam que os mitos são importantes porque são histórias que guardam as memórias de um povo. Essas narrativas orais são um meio para que esse povo desperte um amor por suas histórias, suas lutas, suas vitórias e suas derrotas.

A atividade 2 favorece a compreensão do papel dos mitos como forma de explicar o mundo, ao mesmo tempo que desenvolve criatividade, oralidade e consciência sobre a diversidade de formas de conhecimento. Ao criar e apresentar um mito, os estudantes vivenciam a tradição oral e percebem como ela ajuda a formar identidades e crenças. Destaque que os mitos são narrativas que explicam a

CADA POVO TEM UMA ORIGEM

Os diferentes povos indígenas têm maneiras diversas de explicar a origem do mundo e das pessoas. Os Kaingang, que vivem nos estados da região Sul e no estado de São Paulo, contam uma história muito antiga sobre suas origens. Leia a seguir o trecho sobre a origem dos Kaingang.

A tradição dos Kaingang afirma que os primeiros da sua nação saíram do solo; por isso têm cor de terra. Numa serra, não sei bem onde, no sudeste do estado do Paraná, dizem eles que ainda hoje podem ser vistos os buracos pelos quais subiram. Uma parte deles permaneceu subterrânea; essa parte se conserva até hoje […]. Eles saíram em dois grupos chefiados por dois irmãos, Kanyerú e Kamé […]. Cada um já trouxe consigo um grupo de gente. Dizem que Kanyerú e toda a sua gente eram de corpo delgado, pés pequenos, ligeiros, tanto nos seus movimentos como nas suas resoluções, cheios de iniciativa, mas de pouca persistência. Kamé e seus companheiros, pelo contrário, eram de corpo grosso, pés grandes, e vagarosos nos seus movimentos e resoluções.

Corpo delgado: pessoa que apresenta um corpo magro. Corpo grosso: pessoa que apresenta um corpo grande e forte.

CASTRO, Eduardo Batalha Viveiros de. Curt Nimuendaju: 104 mitos indígenas nunca publicados: a redescoberta do etnólogo teuto-brasileiro. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, n. 21, p. 64-111, 1986. p. 86. Disponível em: http://etnolinguistica.wdfiles.com/local-files/biblio%3Animuendaju-1986-mitos/nimuendaju_1986_mitos.pdf. Acesso em: 11 jul. 2025.

cores não correspondem aos tons reais.

origem do mundo, dos seres humanos, dos deuses etc. Caso considere necessário, os grupos podem receber um roteiro com perguntas-guia como: “Quem criou o mundo?”; “O que existia antes?”; “Como surgiram as pessoas, os animais ou o céu?”; e “O que o povo aprendeu com essa história?”. Após as apresentações, promova uma roda de conversa para valorizar os diferentes mitos criados, reforçando a importância do respeito a todas as formas de explicar o mundo.

Ao propor atividades criativas com narrativas, é importante evitar que os estudantes “inventem um mito” no sentido de imitar ou substituir as tradições indígenas. Os mitos são narrativas sagradas e identitárias, transmitidas entre gerações e próprias de cada povo. Para não os deslegitimar, oriente a turma a criar histórias próprias, inspiradas em valores atuais — como respeito à natureza, solidariedade ou diversidade —, deixando claro que essas produções são narrativas inventadas, e não mitos. Assim, preserva-se a distinção entre a tradição indígena, que deve ser valorizada e respeitada, e o exercício de imaginação dos estudantes, que serve para incentivar a oralidade e a criatividade, sem reforçar visões equivocadas.

ALEX
RODRIGUES
Ilustração representando idoso kaingang contando o mito de Kanyerú e Kamé.
As

Essa história é um mito passado de geração em geração pelos indígenas da etnia kaingang, que, além de explicar a origem do mundo, demonstra que existem diferenças entre as pessoas e que é importante respeitar todas elas.

Grupos de pessoas que compartilham a mesma origem, histórias, tradições e cultura são denominados etnia

1 Leia o trecho de texto e responda às questões no caderno.

[…] Os velhos são as pessoas que dominam a tradição oral e sabem como ninguém contar essas histórias que nos remetem a um tempo muito distante de nossos dias. Essas histórias – batizadas de mitos – quase sempre contam a origem de tudo e são sempre transmitidas de forma oral, ou seja, não há livros que guardam essas narrativas – elas são carregadas na memória do povo inteiro e são sempre recontadas de forma a despertar no povo um amor pela própria história, pelas lutas, pelas vitórias e derrotas.

2

MUNDURUKU, Daniel. As serpentes que roubaram a noite: e outros mitos. Ilustrações: Crianças Munduruku da aldeia Katõ. São Paulo: Peirópolis, 2001. p. 7.

1. b) Os mitos são repassados por meio da tradição oral, contados pelas pessoas mais velhas.

a) De acordo com o texto, o que são mitos para os povos indígenas?

Os mitos são histórias que quase sempre contam a origem de tudo.

b) De que modo os mitos são repassados para as novas gerações?

c) Por que os mitos são importantes para os povos que os criam? Explique.

Veja resposta e comentários no Encaminhamento

Em grupo, imagine que você e os colegas pertencem a um povo muito antigo. Conversem e elaborem um mito de origem que represente seu grupo. Para criar o mito e apresentá-lo à turma, sigam o roteiro proposto.

• Escolham um nome para representar o povo antigo ao qual o grupo pertence.

• Escolham um tema, como a origem do mundo, das pessoas ou dos animais, para criar um mito para o povo que o grupo representa.

• No caderno, escrevam a narrativa para contar o mito criado pelo grupo.

• Depois, com o auxílio do professor, escolham uma forma de contar essa história. Pode ser uma apresentação oral, uma encenação simples, um desenho em mural ou um cartaz ilustrado.

Produção pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

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29/09/25 06:45

ATIVIDADES

Proponha a cada grupo a produção de uma ilustração do mito criado, podendo ser um desenho ou uma pintura. Organize uma exposição em sala de aula, intitulada “Os mitos de origem dos povos imaginados”, valorizando a produção coletiva.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• MUNDURUKU, Daniel. Histórias que eu vivi e gosto de contar. Ilustrações: Rosinha Campos. 2. ed. São Paulo: Callis, 2010. O livro apresenta narrativas indígenas em uma linguagem adequada ao público infantojuvenil.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que a Arqueologia é a ciência que estuda vestígios materiais — como ossos, ferramentas, cerâmicas e restos alimentares — para reconstruir modos de vida antigos, enquanto a História interpreta esses vestígios relacionando-os a contextos mais amplos.

Para tornar o estudo concreto, apresente os exemplos do povo marajoara, dos sítios de Lagoa Santa e dos sambaquis, localizando-os no mapa. Incentive os estudantes a ler as caixas de texto do mapa, percebendo o que os vestígios revelam sobre alimentação, cultura e organização social.

Promova uma discussão coletiva com base nas seguintes questões: “Como esses povos obtinham alimentos?” e “O que a cerâmica marajoara, o crânio de Luzia e os sambaquis nos contam sobre o modo de vida e a memória desses povos?”. Valorize as respostas pessoais e incentive a turma a justificar as hipóteses com base nas evidências apresentadas.

É importante destacar que existem diferentes formas de compreender o passado. Enquanto a ciência busca explicações por meio de evidências materiais, os povos indígenas preservam suas próprias narrativas sobre a origem do mundo e da humanidade, transmitidas oralmente. Reforce que ambas são formas legítimas de conhecimento, que expressam diferentes modos de interpretar a realidade e ajudam a compreender a diversidade cultural. Finalize a atividade retomando o papel dos pesquisadores e mostre que o trabalho deles não apenas reconstrói modos de vida antigos, mas também contribui para valorizar os povos originários e combater visões preconceituosas que negam sua importância histórica. Esse tema fomenta o desenvolvimento das habilidades EF04HI01, EF04HI02,

OS INDÍGENAS ANTES DA COLONIZAÇÃO EUROPEIA

A História e a Arqueologia, ciências que lidam com o passado, também buscam entender a origem dos povos e da humanidade. Esses cientistas procuram vestígios para compreender quem eram as pessoas e como elas viviam no passado. Os vestígios podem ser, por exemplo, ossos, partes de esqueletos, partes de cerâmicas ou de instrumentos.

Brasil: descobertas arqueológicas

OCEANO PACÍFICO

Povo Marajoara Povo de Lagoa

Divisa estadual Fronteira internacional

Urna funerária marajoara, de cerca de 700 a 1100. Cerâmica, 43 cm x 47 cm.

Povo marajoara (aproximadamente 1400 anos atrás)

Achados arqueológicos indicam que a ilha de Marajó, localizada no atual território do Pará, foi habitada por povos caçadores, coletores e pescadores. Esses povos produziram cerâmicas com variadas formas e com alto grau de complexidade.

Elaborado com base em: MOON, Peter. A nova face de Luzia e do povo de Lagoa Santa. Agência Fapesp São Paulo, 9 nov. 2018. Disponível em: https://agencia.fapesp.br/a-nova-face-de-luzia-e-do-povo-de-lagoasanta/29157. Acesso em: 14 jul. 2025. DI GREGORIO, Enrico. As bases da arqueologia moderna no Brasil. Revista Pesquisa Fapesp, São Paulo, ed. 353, jul. 2025. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/asbases-da-arqueologia-moderna-no-brasil/. Acesso em: 23 jul. 2025. MUSEU NACIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Cultura marajoara. Rio de Janeiro: MN, c2025. Disponível em: https://www. museunacional.ufrj.br/dir/exposicoes/arqueologia/arqueologia-brasileira/marajoara.html. Acesso em: 14 jul. 2025. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1 Quais eram os meios usados por esses povos para obter alimentos?

Os povos obtinham alimentos por meio da caça, da pesca e da agricultura.

EF04HI04, EF04HI05 e EF04HI10, além de conceitos como evidência histórica, cultura material, permanência e mudança, diversidade cultural e memória coletiva. Na atividade 2, se considerar oportuno, esclareça que o trabalho dos pesquisadores contribui para a compreensão dos modos de vida dos povos que habitavam o território antes da colonização.

ATIVIDADES

Proponha uma atividade em grupo denominada “arqueologia em sala de aula”. Prepare envelopes com imagens de vestígios (cerâmicas, esqueletos, ferramentas) e os distribua aos grupos. Cada um deve imaginar o que pode ser descoberto sobre o modo de vida de um povo com base naquele vestígio.

2

A presença humana na América

As descobertas científicas indicam que, antes da chegada dos europeus, o território foi habitado por diferentes povos. Cada um deles tinha seu modo de vida: alguns eram caçadores e coletores, outros eram pescadores ou agricultores. Observe o mapa na página anterior e as informações sobre os povos do passado.

Povo de Lagoa Santa (aproximadamente 12 mil anos atrás)

No sítio arqueológico de Lagoa Santa, foram descobertos os vestígios de grupos coletores e caçadores que viveram no território do atual estado de Minas Gerais. Entre eles está um dos fósseis humanos mais antigos do continente americano, uma mulher que foi nomeada Luzia pelos cientistas.

3 Povos dos sambaquis (cerca de 8 mil anos atrás)

Esses povos coletores e pescadores viveram em diversas regiões litorâneas do país. Vestígios foram localizados em maior quantidade no litoral das regiões Sul e Sudeste e em locais dos atuais estados da Bahia, do Maranhão e do Pará. Os sambaquis são montes de conchas (alguns chegam a ter dezenas de metros de altura) nos quais os arqueólogos encontraram restos de alimentos, utensílios e sepultamentos.

Réplica do crânio de Luzia no Museu Nacional, no Rio de Janeiro (RJ), em 2016. O crânio e alguns ossos de Luzia foram achados em 1975, em Pedro Leopoldo (MG), que faz parte do sítio arqueológico de Lagoa Santa.

Sambaqui encontrado no sítio arqueológico Santa Marta III em Laguna (SC). Fotografia de 2024.

2 Qual é a importância do trabalho realizado pelos pesquisadores que investigam os vestígios dos nossos antepassados? Comente com os colegas. Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

26/09/25 19:38

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• FUNARI, Pedro Paulo; NOELLI, Francisco Silva. Pré-história do Brasil. São Paulo: Contexto, 2023. A obra apresenta informações atualizadas sobre a arqueologia brasileira.

• PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros: a pré-história do nosso país. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. (Coleção nova biblioteca de ciências sociais). A obra aborda as principais descobertas arqueológicas no país.

TEXTO COMPLEMENTAR

Luzia era uma mulher baixa, de apenas 1,50 metro de altura […], 20 e poucos anos de idade. Sem residência fixa, perambulava pela região onde hoje está o Aeroporto Internacional de Confins, nos arredores de Belo Horizonte, acompanhada de uma dúzia de parentes […]. Na maioria das vezes se contentava com os frutos das árvores baixas e retorcidas, uns coquinhos de palmeira, tubérculos e folhagens. Em ocasiões especiais, dividia com seus companheiros um pedaço de carne de algum animal que conseguiam caçar […]. Foi possivelmente vítima de um acidente, ou do ataque de um animal […]. O corpo ficou jogado numa caverna [...] passados mais de 100 séculos, a mais antiga brasileira está emergindo das profundezas de um sítio arqueológico para a notoriedade do mundo científico. TEICH, Daniel Hessel. A primeira brasileira. Veja, São Paulo, p. 80-87, 25 ago. 1999. p. 80.

ENCAMINHAMENTO

Apresente a grande migração tupi-guarani, ocorrida cerca de mil anos antes da chegada dos europeus à América. Explique aos estudantes que esses povos se deslocaram por diversas regiões da América do Sul, ocupando litorais, planaltos e áreas interiores. Ressalte que essas migrações estavam ligadas ao crescimento populacional, à busca por novas terras cultiváveis e a ideais culturais, como a da Terra sem Mal, presente em várias tradições tupi-guarani, que simboliza abundância e vida sem sofrimento.

Oriente a leitura detalhada do mapa. Peça aos estudantes que observem a legenda, que indica a provável área de origem no sudoeste da Amazônia, e as rotas seguidas pelos povos. Destaque o papel da escala, mostrando como ela ajuda a estimar a extensão percorrida nas migrações. Analise os elementos geográficos, como rios, oceanos e limites territoriais, que influenciaram os deslocamentos. Localize com a turma os pontos de chegada desses povos em diferentes regiões do Brasil (Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e em áreas da América do Sul.

Reforce que os povos indígenas não eram estáticos e tinham organização social, conhecimentos de agricultura e de navegação e capacidade de adaptação ao ambiente. Essa mobilidade mostra a complexidade das culturas indígenas muito antes da colonização europeia.

A grande migração tupi-guarani

Aproximadamente mil anos antes da chegada dos europeus à América, houve um grande movimento migratório de povos indígenas. Povos que compartilhavam uma língua de origem comum, o tupi-guarani, saíram da região onde hoje está o estado de Rondônia e se espalharam para o leste, para o sul e para o oeste, em direção à fronteira atual com o Peru.

Observe o mapa a seguir. Ele apresenta informações sobre essa movimentação.

Essas migrações foram motivadas principalmente pelo crescimento populacional e pela necessidade de encontrar novas terras cultiváveis. Com elas também ocorreu o surgimento de novas etnias, como Guarani, Wajãpi, Surui Paiter, entre outras.

Elaborado com base em: MELLO, Antônio Augusto Souza; KNEIP, Andreas. Novas evidências linguísticas (e algumas arqueológicas) que apontam para a origem dos povos tupi-guarani no leste amazônico. Literatura y Lingüística, Santiago, n. 36, p. 299-312, dez. 2017. p. 302. Disponível em: http://www.scielo.cl/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0716 -58112017000200299&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 21 jul. 2025. ZORZETTO, Ricardo. Ascensão e declínio dos Tupi. Revista Pesquisa Fapesp, São Paulo, ed. 311, jan. 2022. Disponível em: https:// revistapesquisa.fapesp.br/ascensao-e-declinio-dos -tupi/. Acesso em: 21 jul. 2025.

FIQUE LIGADO

América do Sul: migrações dos povos tupi-guarani antes dos europeus

de Capricórnio

Rotas tupi-guarani

Provável área de origem dos tupi-guarani

Divisa estadual atual Fronteira internacional atual

• MIRIM, Werá Jeguaka. Kunumi guarani. Ilustrações: Gilberto Miadaira. São Paulo: Panda Books, 2014. Esse livro conta a história de uma criança guarani, apresentando a casa, a vida na aldeia e as brincadeiras desse pequeno indígena.

29/09/25

Compreender a grande migração tupi-guarani permite valorizar a diversidade cultural e a presença histórica indígena em quase todo o território brasileiro. Esse conteúdo mobiliza as habilidades EF04HI04, EF04HI05 e EF04HI10, articuladas aos conceitos de migração, etnia, diversidade cultural, tempo histórico e permanência/mudança.

Na atividade 1. a), espera-se que os estudantes respondam que os povos de língua tupi-guarani saíram provavelmente do sudoeste da região amazônica, onde hoje está o estado de Rondônia.

Na atividade 1. b), espera-se que os estudantes respondam que parte dos povos de língua tupi-guarani migrou para o litoral, a leste, e outra parte foi em direção ao sul, chegando à costa da atual região Sudeste. Outra parte, ainda, foi para o oeste, em direção à atual fronteira com o Peru.

Promova um debate coletivo com base no conceito de etnia. Pergunte como os estudantes imaginam que diferentes povos de uma mesma matriz linguística (como Guarani, Wajãpi, Suruí, Mbya, Ñandeva, entre outros) desenvolveram culturas próprias ao longo do tempo, expressas em seus modos de vida, tradições e costumes. Use as imagens dos Guajajara, Guarani Mbya e Guarani Ñandeva como exemplos visuais para aproximar o conteúdo da realidade atual. Essa abordagem mobiliza o TCT Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras

Trópico

Presença tupi-guarani em diferentes regiões

A grande migração do passado fez com que esses povos se espalhassem por quase todo o território. Eles chegaram a regiões do litoral nordestino, do Planalto Central, do sul do país e da costa sudeste. Hoje, estão presentes nos estados das regiões Norte, Sul, Centro-Oeste, Sudeste e no estado do Maranhão, na região Nordeste.

Ao longo do tempo, cada povo desenvolveu uma cultura própria, que pode ser percebida em seus modos de vida, suas tradições e seus costumes. Conheça alguns desses povos a seguir.

Os Guajajara vivem no estado do Maranhão. O significado do nome desse povo é “donos do cocar”.

Crianças indígenas da etnia guarani mbya em oficina de peteca feita com palha e grãos de milho na aldeia Boa Vista, em Ubatuba (SP), em 2024.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que, ainda que possa haver diversas semelhanças entre eles, cada povo desenvolveu culturas próprias, e isso pode ser percebido nos modos de vida, nas tradições e nos costumes de cada povo.

ATIVIDADES

Indígena da etnia guajajara faz pintura corporal em menina na aldeia urbana Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), em 2025.

Os Guarani Mbya habitam áreas do interior e do litoral dos estados das regiões Sul e Sudeste e também estão presentes nos estados do Pará e do Tocantins. O nome Mbya significa “muita gente em um só lugar”.

O território dos Ñandeva encontra-se em partes dos estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná. Eles também estão presentes em áreas dos estados de São Paulo, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. A palavra Ñandeva quer dizer “nós” ou “todos nós”.

Jovem indígena da etnia guarani ñandeva produz artesanato com palha de taquara na Terra Indígena Peruíbe, em Peruíbe (SP), em 2021.

1 Observe o mapa da página 86 e responda no caderno.

a) De qual região saíram os povos de língua tupi-guarani?

b) Para quais regiões esses povos migraram?

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

2 Os povos que participaram da grande migração tupi-guarani compartilham a mesma cultura nos dias de hoje?

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

26/09/25 19:38

• NAVARRO, Eduardo de Almeida. A Terra sem Mal, o paraíso tupi-guarani. Cultura Vozes, Petrópolis, v. 89, n. 2, p. 61-71, mar./abr. 1995. Disponível em: https://tupi.fflch.usp.br/sites/tupi.fflch. usp.br/files/NAVARRO,%20E.A.%20A%20terra%20sem%20mal,%20o%20par%C3%A1iso%20 tupi%20guarani..pdf. Acesso em: 18 set. 2025. Nesse estudo acadêmico, Eduardo Navarro explora a cosmovisão tupi-guarani.

Peça aos estudantes que escolham um dos povos apresentados (Guajajara, Guarani Mbya e Ñandeva) e elaborem uma pequena apresentação oral sobre seus modos de vida atuais, destacando permanências e mudanças em relação ao passado.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que os povos indígenas constroem saberes por meio da observação detalhada do ambiente e da experiência acumulada por gerações. Esse conhecimento envolve o uso de plantas para alimentação e cura, a compreensão dos ciclos das chuvas e das fases da lua, a leitura das constelações e a definição dos melhores períodos para plantar e colher. Ressalte que esses saberes não são “inferiores” nem “alternativos”, mas formas próprias e legítimas de ciência, com base em observação, experimentação e transmissão de conhecimento dentro das comunidades.

Apresente como exemplo a trajetória de Mapulu Kamayurá, liderança do povo kamaiurá, no Parque Indígena do Xingu (MT). Pajé e cacica, ela atua no cuidado com a saúde espiritual e física da comunidade, valorizando o uso de plantas medicinais e promovendo a saúde das mulheres. Em 2018, foi reconhecida com o Prêmio de Direitos Humanos do governo brasileiro, na categoria “Saúde e população indígena”, pela importância de seu trabalho na valorização da cultura e na defesa dos direitos do seu povo. Outro exemplo é Davi Kopenawa Yanomami, xamã e líder político que tem denunciado os impactos do garimpo e do desmatamento, mostrando como a destruição da floresta ameaça não apenas os povos indígenas, mas o equilíbrio ambiental global.

Promova, em sala de aula, uma discussão sobre como esses conhecimentos dialogam com os desafios do presente, como o desmatamento, as mudanças climáticas e a escassez de recursos. Incentive a turma a compreender que a preservação das florestas é fundamental para todos os seres humanos, pois garante a regulação do clima, a manutenção da biodiversidade e a produção de alimentos.

A RELAÇÃO COM A NATUREZA

Os povos indígenas têm uma forte conexão com o ambiente onde vivem. Eles conhecem os diversos tipos de plantas usadas para curar doenças e preparar chás e alimentos saudáveis.

Mapulu Kamayurá é cacica e a primeira mulher pajé entre os povos do Xingu, no Mato Grosso. Nascida em 1969, ela é conhecedora da medicina tradicional praticada por seus antepassados e atua em defesa da saúde dos povos indígenas, com atenção à saúde das mulheres. Em 2018, seu trabalho foi reconhecido e ela recebeu o Prêmio Direitos Humanos, concedido pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH).

Os povos indígenas também observam o tempo, as chuvas e o céu para saber o melhor momento de plantar e colher. Todos esses saberes vêm da convivência com a natureza e da observação de seus ciclos.

Cacica: mulher líder de um povo indígena.

Os povos indígenas observam o céu há muito tempo e identificam constelações com formas que lembram animais, pessoas e objetos. Na segunda quinzena de junho, por exemplo, é possível observar no céu a constelação da Ema. Ela representa a chegada do inverno para os indígenas que vivem na região Sul e do período de seca para aqueles que vivem na região Norte do país.

Constelação da Ema, identificada pelos indígenas da etnia tupinambá provavelmente antes da chegada dos europeus.

As comunidades indígenas testam, experimentam e aprendem o que funciona melhor. Esses conhecimentos, produzidos pelas experiências indígenas em contato com o meio ambiente, são uma forma de fazer ciência.

A imagem da constelação da Ema foi criada pela equipe do site Telescópio na Escola, disponível em: http://www.telescopiosnaescola.pro.br/ (acesso em: 19 set. 2025). Criado por profissionais de diversas universidades públicas do Brasil e do Colégio Militar de Porto Alegre, o site faz a divulgação científica de temas relacionados à astronomia, incluindo etnoastronomia, ou seja, o conhecimento sobre o universo desenvolvido pelos povos indígenas.

Estas páginas mobilizam as habilidades EF04HI01, EF04HI04 e EF04HI05 e possibilitam o trabalho com os TCTs Educação ambiental e Diversidade cultural, reforçando a importância de valorizar diferentes formas de conhecimento e de compreender os povos indígenas como protagonistas na construção de soluções para o futuro.

Na atividade 2, incentive os estudantes a refletir sobre como diferentes grupos — indígenas e não indígenas — se relacionam com a natureza, reconhecendo a importância do respeito às formas diversas de conhecimento. Explique que a destruição das florestas não ameaça apenas comunidades locais, mas impacta toda a humanidade.

Respeitar e preservar

Para os povos indígenas, a floresta é uma casa cheia de vida. As árvores, o céu, os animais, as pessoas e os espíritos da floresta fazem parte dessa casa, e todos estão conectados.

Mas essa casa tem sofrido muitos ataques, como desmatamento, mineração predatória, entre outras atividades que fazem mal ao meio ambiente. Lideranças indígenas, como Davi Kopenawa Yanomami, são importantes vozes na defesa e proteção da natureza.

Davi Kopenawa Yanomami, nascido em 1956, é um dos líderes indígenas mais conhecidos do Brasil. Atua na defesa do território yanomami e contra o garimpo ilegal. Ele é escritor e representante internacional dos povos indígenas e demais povos da floresta. Em 2021, passou a integrar a Academia Brasileira de Ciências (ABC).

É importante aprender com os povos indígenas a respeitar a natureza. Preservá-la é fundamental para garantir a vida das futuras gerações.

1. Os povos indígenas observam os ciclos da natureza, testam, experimentam e aprendem o que funciona melhor.

Líder da etnia guarani da Terra

Indígena Ribeirão Silveira coleta ervas e raízes para o preparo de remédios naturais, em Bertioga (SP), em 2022.

1 De acordo com o que você estudou, explique como os povos indígenas produzem seus conhecimentos.

2 Para você, proteger a floresta é uma forma de proteger a vida? Justifique.

Resposta pessoal. Veja comentário no Encaminhamento

3 Quais ações podem ser tomadas para a preservação da natureza? Compartilhe suas ideias com o professor e a turma.

Resposta pessoal. Veja comentário no Encaminhamento

26/09/25 19:38

Na atividade 3, oriente a turma a compartilhar ações de cuidado no cotidiano, como economizar água e energia, separar o lixo para reciclagem e consumir de maneira consciente. Mostre que pequenas atitudes também contribuem para a sustentabilidade e para o exercício da cidadania.

ATIVIDADES

Organize um debate em sala de aula com base na seguinte questão norteadora: “O que podemos aprender com os povos indígenas sobre o cuidado com a natureza?”. Divida a turma em grupos e oriente cada grupo a pesquisar e apresentar exemplos de práticas sustentáveis desenvolvidas por diferentes povos indígenas, como o uso consciente da água, o manejo tradicional da terra, a preservação das florestas e o respeito aos ciclos da natureza. Incentive os estudantes a relacionar essas práticas com as questões ambientais atuais e a refletir sobre como podem inspirar ações no cotidiano da comunidade escolar.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

O contato entre portugueses e indígenas marcou profundamente a história do Brasil.

Mostre que fontes históricas, como gravuras e pinturas, foram produzidas, em grande parte, por não indígenas. Por isso, é essencial destacar que muitas dessas representações refletem visões parciais, etnocêntricas e, em alguns casos, preconceituosas. Explique aos estudantes que alguns ilustradores, como Theodor de Bry, nunca estiveram na América e produziram imagens com base em relatos de terceiros. Isso não invalida o uso desses registros como fontes históricas, mas demanda análise crítica.

Nesse momento, proponha aos estudantes que observem a xilogravura da obra de Hans Staden. Oriente-os a responder, em duplas: “Quais atividades aparecem na imagem?”; “Quem está realizando essas tarefas?”; e “O que essas cenas revelam sobre o cotidiano nas aldeias indígenas?”. Depois, peça a cada dupla que apresente suas conclusões à turma, como se estivessem explicando o que aprenderam. Esse exercício favorece a aprendizagem por investigação e a leitura crítica de fontes visuais.

Incentive a análise comparativa das imagens da obra de Hans Staden e dos artistas Theodor de Bry e Benedito Calixto, discutindo: “Como os indígenas foram representados?” e “Essas representações correspondem ao que sabemos hoje sobre a realidade?”. Reforce que as imagens não são neutras e precisam ser interpretadas conforme o contexto de produção.

Por meio desse debate, ressalte que a História se constrói a partir de múltiplos registros e perspectivas, cabendo ao historiador (e aos estudantes em formação) questionar, comparar e interpretar as fontes.

O CONTATO COM OS PORTUGUESES

Quando os portugueses chegaram ao território que hoje chamamos Brasil, em 1500, encontraram milhões de pessoas que já ocupavam essas terras.

Essas pessoas viviam organizadas em centenas de povos diferentes, com enorme diversidade de línguas, crenças, modos de vida e estruturas sociais. A maioria desses povos vivia em aldeias com casas coletivas que podiam ser feitas de madeira e palha.

Nas aldeias, havia famílias que viviam e trabalhavam juntas. Em geral, as aldeias eram formadas por 100 a 300 pessoas, embora algumas pudessem ser maiores.

Aldeia tupinambá representada com homens indígenas cortando madeira e mulheres cuidando das roças, imagem de autor desconhecido publicada na obra Hans Staden: suas viagens e cativeiro entre os selvagens do Brasil, publicada originalmente em 1557. Xilogravura, 18,7 cm x 13,5 cm.

O trabalho nessas aldeias era realizado por homens e mulheres. Os homens costumavam caçar, pescar, derrubar árvores para as roças e construir casas. As mulheres cuidavam da plantação, preparavam os alimentos, faziam cerâmicas, redes, colares e cuidavam das crianças.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que os homens eram responsáveis por atividades de caça, pesca e abertura de roças. As mulheres cuidavam da plantação, preparavam os alimentos, faziam cerâmicas, redes, entre outros objetos.

Na atividade 3, se considerar oportuno, pode-se apresentar como exemplo a religiosidade de portugueses e indígenas. Comente que os portugueses praticavam o Catolicismo com seus rituais sagrados, como o batismo e a crisma. Já os diferentes povos indígenas tinham maneiras diversas de praticar a religiosidade, com os próprios rituais e formas de se conectar ao sagrado.

Na atividade 4, os estudantes podem citar os conflitos relacionados com disputas por terras, as doenças trazidas pelos europeus e a imposição da cultura europeia.

Esse conteúdo mobiliza as habilidades EF04HI01 , EF04HI02 e EF04HI10, além de trabalhar conceitos como contato cultural, conflito, colonização, diversidade e resistência.

Contatos, conflitos e impactos

Os primeiros contatos entre indígenas e portugueses foram geralmente pacíficos. Mas, com o passar do tempo, a relação se tornou conflituosa, causando grandes mudanças nas vidas desses povos. Numerosos conflitos estavam relacionados com a disputa por terras, que levou à expulsão de muitos povos de seus territórios.

Os portugueses mandaram um segundo navio me buscar, de Theodor de Bry, publicado na obra América, a Terceira Parte, de 1592. Gravura, 33 cm x 24,5 cm. A imagem mostra uma cena de conflito entre grupos indígenas aliados aos portugueses e outros povos que resistiam à colonização.

Além dos impactos causados pelas disputas de terra, os indígenas sofreram com as doenças trazidas pelos portugueses. A gripe e o sarampo levaram centenas de indígenas à morte, que não possuíam defesas naturais contra essas doenças.

A catequização promovida pelos portugueses obrigou os indígenas a abandonar suas crenças e modos de vida para seguir a cultura e a religião dos europeus.

Anchieta e Nóbrega na cabana de Pindobuçu, de Benedito Calixto, 1920. Óleo sobre tela, 42,5 cm × 65,8 cm.

1 Como era a organização da vida nas aldeias indígenas?

As aldeias indígenas eram formadas por famílias que viviam de forma coletiva.

2 Quais atividades os homens e as mulheres indígenas costumavam realizar no dia a dia?

Veja resposta no Encaminhamento

3 Os costumes dos povos indígenas eram os mesmos dos portugueses?

Os costumes eram diferentes. Veja orientações no Encaminhamento

4 Quais foram os principais impactos sofridos pelos povos indígenas com a chegada dos portugueses?

Veja resposta no Encaminhamento

26/09/25 19:38

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Nesse livro, o autor investiga a complexa relação entre os indígenas e os colonizadores paulistas durante os séculos XVI e XVII. A obra redimensiona o papel dos povos nativos no sistema produtivo e na economia da região, especialmente por meio do trabalho forçado e da escravização. Com base em ampla pesquisa histórica, a obra desconstrói mitos sobre a formação de São Paulo e evidencia a centralidade dos indígenas na origem do estado.

ATIVIDADES

Peça aos estudantes que observem as obras Os portugueses mandaram um segundo navio me buscar e Anchieta e Nóbrega na cabana de Pindobuçu. Explique que ambas foram produzidas por não indígenas, por isso refletem uma visão parcial sobre o encontro entre portugueses e povos originários. Na primeira, destaque que os portugueses, aliados aos tupiniquins, atacam uma aldeia tupinambá, sendo representados em guerra, com armas e canoas. Na segunda, os padres portugueses pregam a religião dentro de uma cabana, enquanto os indígenas aparecem em silêncio, apenas ouvindo. Após a observação, incentive a turma a analisar como os indígenas foram representados: ora como guerreiros violentos, ora como figuras submissas diante dos europeus. Reforce que essas imagens não mostram a realidade de maneira completa, mas expressam os valores e as intenções de quem as produziu. Conclua discutindo com a turma como representações visuais também podem transmitir preconceitos e estereótipos, destacando que a leitura crítica das fontes históricas é fundamental para compreender diferentes perspectivas sobre o passado.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BRIDGEMAN IMAGES/FOTOARENA

ENCAMINHAMENTO

A seção Ideia puxa ideia explora a influência da língua tupi no português, mostrando como os contatos culturais deixaram marcas profundas em nosso vocabulário. O conteúdo propicia trabalhar de modo interdisciplinar com o componente curricular de Língua Portuguesa.

Explique aos estudantes que a língua é dinâmica e se transforma ao longo do tempo, incorporando palavras de diferentes origens. Mostre que muitos termos usados no cotidiano vêm do tupi, como nomes de alimentos (abacaxi, pipoca, mandioca, guaraná), de animais (jacaré, piranha, arara) e de lugares (Curitiba, Ibirapuera, Anhangabaú). Ressalte que esse intercâmbio cultural atravessou fronteiras e chegou a Portugal. Como resultado do processo de colonização, palavras de origem indígena também foram incorporadas ao português europeu, como tapioca, abacaxi e mandioca.

Promova um exercício coletivo de leitura e análise das palavras destacadas, incentivando os estudantes a relacionar a etimologia com a construção de significados. Esse momento pode ser articulado com o componente curricular de Língua Portuguesa, destacando como as palavras são formadas e transformadas e, em alguns casos, caem em desuso. Mostre que a língua é um espaço de encontro cultural e que o uso de vocábulos indígenas no português falado no Brasil revela a presença viva e atual do legado indígena em nossa identidade.

Esse conteúdo mobiliza as habilidades EF04HI01 e EF04HI10, além dos conceitos de diversidade linguística, identidade cultural, intercâmbio cultural e multiculturalismo, dialogando com o TCT Diversidade cultural.

Na atividade 1, os estudantes podem mencionar topônimos

IDEIA PUXA IDEIA

A influência da língua tupi no Brasil

Você sabia que a língua portuguesa que falamos atualmente é resultado do encontro de diferentes povos e culturas? Quando os europeus chegaram aqui, encontraram povos que falavam línguas muito diferentes das deles. Uma delas era o tupi.

Com o passar do tempo, os portugueses, ao conviverem com os povos indígenas, aprenderam os idiomas deles, e muitas dessas palavras foram incorporadas à língua que falamos atualmente. Essas palavras são usadas para nomear frutas, animais, lugares, alimentos e até mesmo brinquedos, por exemplo.

Nesta seção, vamos conhecer algumas palavras de origem indígena.

Origem tupi: acayu

Significado: noz que produz.

Origem tupi: jaeça-caré

Significado: o que olha de lado.

Origem tupi: curi (pinheiro) + tyba (muitos).

Significado: local com muitos pinheiros.

do município em que moram, como os nomes de ruas ou de bairros, ou até nomes de outras frutas, animais e alimentos que são heranças das culturas indígenas.

Na atividade 2, espera-se que os estudantes percebam que os contatos entre os diferentes povos, indígenas e não indígenas, promoveram a diversidade linguística presente no Brasil.

Na atividade 3, proponha aos estudantes que criem um pequeno glossário ilustrado de palavras de origem indígena, organizadas por temas (animais, plantas, lugares, alimentos), demonstrando como esse vocabulário faz parte do cotidiano e reforçando o legado indígena na formação cultural e linguística do país.

Caju.
Vista aérea do município de Curitiba (PR), em 2020.
Jacarés no Pantanal.

Essas e outras palavras de origem tupi estão presentes em nosso dia a dia. Elas são importantes porque fazem parte de nossa identidade e mostram nossa diversidade cultural.

Veja respostas, orientações e comentários no Encaminhamento

1 Cite outras palavras que você conhece que têm origem na língua tupi.

2 Você considera importante a contribuição dos povos indígenas para a língua que falamos hoje? Por quê?

3 Com a orientação do professor, pesquise em um dicionário palavras de origem tupi. Depois, forme um grupo com os colegas e façam o que se pede.

• Selecionem três ou quatro palavras de origem tupi que vocês utilizam no cotidiano.

• Escolham imagens para acompanhar as palavras selecionadas.

• Depois, em uma cartolina, colem as imagens e elaborem uma legenda com as informações da origem das palavras escolhidas.

• Na data estipulada pelo professor, apresentem o trabalho realizado em grupo. Ao final, conversem sobre o que vocês aprenderam.

Origem tupi: pi (pele) + poka (rebentar).

Significado: grão de milho que estala no fogo.

Origem tupi: pé-teca

Significado: golpear o brinquedo com a palma da mão.

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010. CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário histórico das palavras portuguesas de origem tupi. 4. ed. São Paulo: Melhoramentos; Brasília, DF: Ed. UnB, 1998. DICIONÁRIO TUPI-GUARANI. [S l.], c2025. Site. Disponível em: https://dicionariotupi.com.br/. Acesso em: 18 jul. 2025. SILVA, Hosana dos Santos. Breve introdução à história das línguas no Brasil. São Paulo: Unifesp, 2015.

19:38

TEXTO COMPLEMENTAR

O tupi antigo foi, durante as primeiras décadas de ocupação portuguesa, a principal língua de comunicação entre índios, europeus e uma geração de brasileiros mestiços que começava a povoar o território nacional.

Com o passar do tempo, o tupi antigo evoluiu para outras línguas, como o nheengatu (ou língua geral amazônica, falada até hoje), mas acabou perdendo importância a partir de meados do século 18, quando o então primeiro-ministro português, Marquês de Pombal, proibiu o uso e o ensino do tupi no Brasil e decretou o português língua oficial.

O objetivo de Pombal era enfraquecer a Igreja Católica e os jesuítas, que utilizavam a língua indígena para se aproximar e catequizar os nativos brasileiros. Com a proibição, o tupi desapareceu como idioma funcional (sobrevivendo apenas como a variação nheengatu na Amazônia).

Apesar disso, a língua se manteve viva, principalmente, por meio de palavras do português falado no Brasil. Segundo o filólogo Evanildo Bechara, organizador do Dicionário da Academia Brasileira de Letras (ABL), é difícil dizer quantas palavras do português são originárias do tupi. “Nos dicionários, há palavras que não são mais usadas e há algumas até que só têm um uso em determinada região”, diz.

PARA OS ESTUDANTES

• DICIONÁRIO TUPI-GUARANI. [S. l.], c2025. Site. Disponível em: https://dicionariotupi.com.br/. Acesso em: 14 set. 2025.

Plataforma interativa com a origem e o significado de centenas de palavras em tupi-guarani.

ABDALA, Vitor. Tupi deu importantes contribuições ao português. Agência Brasil, Rio de Janeiro, 11 dez. 2024. Disponível em: https:// agenciabrasil.ebc.com.br/ cultura/noticia/2014-12 /tupi-deu-importantes -contribuicoes-ao-portugues. Acesso em: 18 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Pipoca.
Peteca feita de penas de galinha e cordame de banana, no Museu Guimarães Rosa, em Cordisburgo (MG), em 2018.

ENCAMINHAMENTO

O fechamento do capítulo retoma a luta contemporânea dos povos indígenas. Explique aos estudantes que, mesmo após séculos de colonização e violências sofridas, os povos originários continuam presentes em todo o território brasileiro e seguem lutando pelo reconhecimento de seus direitos, pela posse de suas terras e pela preservação de suas culturas e saberes. Destaque o papel da Constituição de 1988, que representou um marco ao garantir direitos fundamentais aos povos indígenas, incluindo a demarcação de terras tradicionais, a preservação de seus modos de vida e a proteção de suas culturas.

Apresente Ailton Krenak, intelectual, escritor e ativista, como uma liderança fundamental. Ele se tornou símbolo da luta indígena ao articular, no processo constituinte, a defesa dos povos originários, com grande impacto político e social. Mostre também a importância do Acampamento Terra Livre, realizado anualmente em Brasília (DF), como um dos maiores exemplos de mobilização política indígena na atualidade, reunindo lideranças de diversas etnias para reivindicar direitos e fortalecer a presença indígena no cenário nacional. Essas referências reforçam a ideia de que a história indígena não pertence apenas ao passado; ela se faz no presente e se projeta no futuro por meio da resistência e da luta coletiva. Na atividade 1. a), espera-se que os estudantes identifiquem a manifestação como um exemplo de articulação dos povos indígenas na luta por seus direitos. Já na atividade 1. b), espera-se que os estudantes percebam que as pessoas na imagem reivindicam o direito à terra, o reconhecimento da presença indígena anterior à colonização e o respeito aos seus direitos por parte da justiça.

AS LUTAS DO PRESENTE

Os povos indígenas sentem até hoje os impactos da colonização. Muitos se encontram ameaçados e buscam proteger as terras que ocupam, seus saberes, suas línguas, suas formas de viver e sua relação com a natureza. Há também aqueles que buscam reaver suas terras ancestrais para continuar praticando suas tradições.

As lutas dos povos indígenas acontecem desde a chegada dos europeus, mas ganharam destaque na segunda metade da década de 1980. Nesse período, uma nova Constituição Federal estava sendo formulada no Brasil, e, nesse processo, lideranças indígenas lutaram para assegurar direitos aos seus povos.

Ailton Krenak, nascido em 1953, é um importante intelectual, escritor e defensor dos povos indígenas e da natureza. Entre os anos de 1987 e 1988, participou ativamente dos debates sobre os direitos dos povos indígenas na Constituição Federal, em Brasília (DF). O artigo 231 assegura a esses povos a preservação de suas culturas e seus saberes e o reconhecimento de suas terras tradicionais.

Na atividade 2, aproveite o momento para incentivar os estudantes a perceber que as populações indígenas ainda enfrentam muitos desafios e ameaças em relação aos seus territórios, à sua forma de viver e aos seus saberes. Comente que é importante valorizar a luta dos povos indígenas para garantir um país mais justo e diverso. Esta dupla de páginas mobiliza as habilidades EF04HI01 e EF04HI03, além de conceitos de cidadania, direito, resistência, diversidade cultural e memória.

ATIVIDADES

Proponha aos estudantes que escrevam uma carta coletiva, como se fosse destinada a uma autoridade pública, na qual expressem a importância da preservação dos direitos indígenas. Essa carta pode ser lida em sala e exposta em um mural.

Indígenas assistem sessão da Assembleia Nacional, em Brasília (DF), em 1988.

A mobilização dos povos indígenas

Os povos indígenas seguem com suas lutas ainda hoje, exigindo o reconhecimento do direito às suas terras, à saúde e à educação de qualidade. Também lutam contra o desmatamento, a poluição dos rios e a destruição de suas aldeias. Muitas lideranças indígenas se organizam em grupos que promovem mobilizações em todo o país.

O Acampamento Terra Livre, criado em 2004, mobiliza anualmente milhares de indígenas de diferentes povos. Eles se reúnem para levar suas pautas ao governo federal, em Brasília (DF).

1 Observe a fotografia e responda às questões no caderno.

a) O que é retratado na imagem?

A imagem apresenta a mobilização Acampamento Terra Livre.

b) Com base nos elementos presentes na imagem, o que está sendo reivindicado?

Veja resposta no Encaminhamento.

2 De acordo com o que você estudou, a luta dos povos indígenas na atualidade é importante? Por quê? Compartilhe sua resposta com o professor e os colegas.

Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento

01/10/25 11:21

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. O livro reúne reflexões de Ailton Krenak sobre a crise ambiental e os modos de vida que ameaçam a existência humana. O autor defende a valorização da natureza e o respeito aos povos indígenas como caminhos de resistência. A obra propõe uma mudança de consciência diante da urgência planetária.

Indígenas reunidos na mobilização Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília (DF), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Reconhecer a presença histórica e cultural dos povos africanos e afrodescendentes no Brasil, identificando contribuições em diferentes dimensões da vida cotidiana.

• Observar e analisar permanências e transformações relacionadas às práticas culturais de matriz africana no tempo e no espaço.

• Compreender a diversidade cultural como elemento constitutivo da sociedade brasileira, valorizando identidades e tradições afro-brasileiras.

• Identificar no presente manifestações culturais, religiosas, linguísticas, musicais e alimentares de origem africana, relacionando-as ao contexto histórico de sua formação.

• Analisar dados e informações que evidenciem a composição étnico-racial da população brasileira.

• Refletir sobre atitudes de respeito, combate às desigualdades e enfrentamento do preconceito, reconhecendo a importância da cidadania e dos direitos humanos.

• Produzir registros orais, escritos e visuais que expressem aprendizagens sobre a herança africana, exercitando a escuta, a argumentação e a construção coletiva de conhecimento.

BNCC

HABILIDADES

(EF04HI01) Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo.

(EF04HI06) Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização.

BRASIL AFRICANO capítulo 2

Você já notou as influências das culturas africanas em seu dia a dia? As palavras da língua portuguesa, os pratos culinários, as músicas e as festas populares são alguns exemplos da presença cultural africana no Brasil.

O Bumba Meu Boi de Zabumba é uma manifestação cultural afro-brasileira característica do Maranhão. Considerada uma das manifestações mais antigas da região, os elementos culturais africanos estão presentes nos trajes, nas músicas e nos instrumentos.

Bumba Meu Boi de Guimarães, em São Luís (MA), em 2013.

O Maracatu Nação é uma manifestação cultural afro-brasileira que surgiu em Pernambuco. Ele tem influência dos cortejos reais que remontam às coroações dos reis e rainhas do Congo.

Rei e rainha em cortejo do Maracatu Nação, em Olinda (PE), em 2010.

Boa parte da população brasileira é descendente de povos que habitam regiões da África que hoje correspondem aos países Benin, Nigéria, Angola, Congo, Moçambique, entre outros. Trazidos à força para o Brasil, esses povos pertenciam a diferentes etnias, com línguas, saberes e culturas próprias. Mesmo diante dos deslocamentos forçados e da violência provocada pela escravidão, esses povos mantiveram suas culturas e resistiram por meio das lutas, da fé, da arte, da solidariedade e da reinvenção de suas tradições.

(EF04HI09) Identificar as motivações dos processos migratórios em diferentes tempos e espaços e avaliar o papel desempenhado pela migração nas regiões de destino.

(EF04HI10) Analisar diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF04HI11) Analisar, na sociedade em que vive, a existência ou não de mudanças associadas à migração (interna e internacional).

TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS (TCTs)

• Educação em direitos humanos.

• Diversidade cultural.

• Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

Você sabia que hoje o Brasil é o país com mais pessoas negras fora da África? Isso mesmo!

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo de 2022, mais da metade da população brasileira se declarou preta ou parda, o que equivale a mais de 112 milhões de pessoas. Observe o gráfico a seguir.

Brasil: distribuição da população residente (a cada 1 000 pessoas)

O Brasil é o país que concentra o maior número de pessoas negras no mundo, depois da Nigéria, que é o país mais populoso da África.

Conhecer a história das pessoas negras trazidas para o Brasil é fundamental para entender de onde viemos, respeitar a diversidade e enfrentar as desigualdades e os preconceitos que, infelizmente, ainda existem.

Neste capítulo, vamos aprender sobre a África antes da colonização, entender o que foi o tráfico de pessoas escravizadas e descobrir as muitas formas de resistência. Vamos aprender também sobre as influências da cultura africana que estão presentes no dia a dia de todos os brasileiros.

Elaborado com base em: BELANDI, Caio; GOMES, Irene. Censo 2022: pela primeira vez, desde 1991, a maior parte da população do Brasil se declara parda. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro, 22 dez. 2023. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge. gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/ noticias/38719-censo-2022-pela-primeira-vez -desde-1991-a-maior-parte-da-populacao-do-brasil -se-declara-parda. Acesso em: 26 jul. 2025.

Veja respostas, orientações e comentários no Encaminhamento

1 Quais elementos da cultura africana você reconhece em seu cotidiano? Cite exemplos.

2 Você ou algum de seus familiares já presenciou ou participou de alguma manifestação cultural de origem afrodescendente? Conte suas experiências para o professor e os colegas.

3 De acordo com o gráfico com dados do Censo realizado em 2022, responda às questões a seguir.

a) Em relação a cor e raça, como a maioria da população se autodeclarou?

b) Em qual região do país há a maior concentração de pessoas pardas?

c) Qual região apresenta a maior concentração de pessoas pretas?

4 Por que é importante conhecer a história dos povos africanos e afrodescendentes? Explique.

ENCAMINHAMENTO

formas de expressão. Esse encaminhamento fortalece o reconhecimento da diversidade e estimula o protagonismo dos estudantes como sujeitos que constroem conhecimento pela observação e pela escuta. Oriente os estudantes a analisar o gráfico com atenção, destacando que a maioria da população brasileira se autodeclara preta ou parda e que existem diferenças regionais significativas. Esse é um momento oportuno para discutir a importância de conhecer a história dos afrodescendentes como forma de valorizar a diversidade e combater preconceitos.

Na atividade 1, os estudantes podem mencionar a culinária, a música, festas populares, religiões, brincadeiras etc.

Na atividade 2, os estudantes podem citar experiências como rodas de capoeira ou samba, festas de Maracatu, congados etc.

Na atividade 3. a), espera-se que os estudantes respondam que a maioria da população se autodeclarou preta ou parda.

26/09/25 20:00

Inicie o tema deste capítulo com uma atividade de sensibilização que parta da observação do cotidiano dos estudantes. Sugira que, em duplas ou trios, eles identifiquem elementos de sua vida diária que tenham origem africana ou afro-brasileira. Incentive-os a perceber que essas influências não pertencem apenas ao passado, porque permanecem vivas e atuantes na cultura atual. Podem ser citados pratos consumidos em casa (feijão, quiabo, angu, acarajé), estilos musicais (samba, maracatu, jongo, axé), festas e tradições presentes no bairro ou município (Carnaval, Maracatu, congados, festejos de santos populares), palavras incorporadas ao vocabulário cotidiano (moleque, caçula, dendê), bem como manifestações religiosas de matriz africana, elementos da moda e expressões artísticas.

Conduza a conversa reforçando que a cultura africana e afro-brasileira não se restringe ao passado, uma vez que está no presente, nas práticas sociais, nas artes, na religiosidade e nas

Na atividade 3. b), espera-se que os estudantes respondam que a região Norte apresenta a maior concentração de pessoas pardas.

Na atividade 3. c), espera-se que os estudantes respondam que a região Nordeste apresenta a maior concentração de pessoas pretas.

Na atividade 4, os estudantes podem abordar o respeito à diversidade, o combate às desigualdades e aos preconceitos etc.

Finalize com uma reflexão sobre o legado dos povos de origem africana e dos afrodescendentes na formação da sociedade brasileira. Esse trabalho mobiliza as habilidades EF04HI01, EF04HI10 e EF04HI11.

Indígena Branca Parda Preta Amarela
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Inicie o tema comentando com a turma a grande diversidade de povos e culturas presentes no continente africano. Leia com os estudantes os textos sobre o antigo Império do Mali e o antigo Reino do Benin. Comente que as atividades econômicas nesses reinos e impérios também eram diversas.

Explore o mapa sobre as viagens portuguesas na costa africana no século XV e comente que o tráfico atlântico de africanos não se resume a um número ou a um dado estatístico. Ele deve ser apresentado aos estudantes como um processo humano que envolveu violência, deslocamento forçado e ruptura de laços sociais e culturais. É importante ressaltar que cada uma das pessoas escravizadas possuía uma história, uma origem, uma cultura e saberes que foram transplantados à força para outros territórios. Essa visão ajuda os estudantes a compreender que o tráfico impactou não apenas o passado, mas a formação da sociedade brasileira e americana, deixando heranças que se manifestam até hoje na cultura, na língua, na culinária, na religião e nas formas de resistência.

Ao trabalhar com os estudantes o intervalo de 72 anos entre a conquista de Ceuta e o contorno do cabo da Boa Esperança, o objetivo não deve ser a memorização de datas, mas a construção de uma percepção histórica sobre os desafios das navegações. Incentive-os a pensar no que significava, naquela época, explorar rotas desconhecidas, enfrentar o mar aberto sem instrumentos precisos e lidar com embarcações em constante aperfeiçoamento. Essa reflexão possibilita que reconheçam a complexidade do processo e compreendam que os avanços tecnológicos são resultado de experimentações, erros e descobertas.

OS POVOS AFRICANOS ANTES DA COLONIZAÇÃO

A África é um continente com grande diversidade de povos e culturas. No passado, abrigou reinos e impérios, como o Império do Mali e o Reino do Benin, além de muitos outros. Esses povos falavam diferentes línguas, tinham religiões próprias, produziam arte, desenvolviam tecnologias e se organizavam de formas variadas.

No antigo Império do Mali, por exemplo, a cidade de Tombuctu foi um importante centro de conhecimento. Lá funcionavam mesquitas e escolas. A mais conhecida dessas instituições é a Universidade de Sankoré, ligada à mesquita Djinguereber.

O antigo Reino do Benin abrigou um im portante centro comercial, localizado na região do Golfo da Guiné. Esse reino também se des tacou pela confecção de placas em alto-relevo e esculturas feitas de bronze ou latão.

Considerada uma das mesquitas mais antigas da região, em Djinguereber foram estudados e produzidos milhares de manuscritos em áreas como matemática, medicina, história, filosofia e religião.

Mesquita Djinguereber, lo-

No século 19, as esculturas e placas em alto-relevo foram retiradas dos lugares de origem. As peças retratavam os antigos reis, cenas militares, entre outras situações. Muitos desses objetos foram saqueados pelos europeus e, hoje, estão expostos em museus da Europa.

Rei com dois assistentes, séculos 16-17, escultura retirada de um palácio do antigo Reino do Benin. 1 escultura, placa de latão.

Outro aspecto que pode ser valorizado é a relação entre navegação, comércio e poder. Explique que o controle das rotas marítimas foi decisivo para o enriquecimento de alguns reinos europeus, em especial Portugal, e que a busca por novos caminhos esteve diretamente ligada à expansão colonial e ao desenvolvimento do tráfico de africanos. Esse diálogo amplia a compreensão dos estudantes sobre a interligação entre as práticas econômicas e as práticas políticas e sobre os avanços náuticos que serviram para consolidar um sistema que explorava populações inteiras. A atividade 2 convida os estudantes a refletir sobre esse longo intervalo. O objetivo não é que encontrem uma resposta exata, mas que percebam que uma empreitada dessa dimensão enfrentava muitas dificuldades. É importante destacar que, ao longo dessas décadas, os navegadores desconheciam rotas seguras, e inúmeros naufrágios aconteceram na costa africana. Aos poucos, houve avanços técnicos que possibilitaram novas tentativas: o aprimoramento de instrumentos de navegação, como a bússola e o astrolábio, e a invenção da caravela, embarcação mais leve e ágil, foram fundamentais para que os portugueses conseguissem superar esses obstáculos.

As atividades comerciais nos reinos e impérios africanos foram intensas e diversificadas. A maior parte do comércio era feita por meio de rotas que atravessavam o deserto do Saara, ligando cidades da África ocidental, como Tombuctu e Gao, e centros do norte da África, como Marrakech e Cairo.

O transporte era feito por meio das caravanas de camelos, que conectavam diferentes povos e culturas. Eram comercializados, no período, ouro, sal, marfim, pessoas escravizadas, entre outros.

O contato com os portugueses

A partir do século 15, os portugueses passaram a navegar cada vez mais pela costa da África. Estavam em busca de rotas comerciais alternativas para as Índias, de onde vinham muitas mercadorias usadas pelos europeus. Assim, o contato entre portugueses e povos africanos ficou mais frequente, e as relações comerciais também.

Os líderes dos reinos africanos decidiam com quem e sob quais condições fariam comércio. Mas, com o tempo, as trocas comerciais passaram a ser dominadas pelos interesses portugueses, o que levou ao desequilíbrio das relações e, mais tarde, à colonização e ao tráfico atlântico de milhões de africanos.

Viagens portuguesas na costa africana (século 15)

Açores (1428) Madeira (1420)

Cabo Verde (1456)

Marrakech

Cabo Bojador (1434)

Guiné (1434-1462)

Elaborado com base em: DUBY, Georges. Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2008. p. 64-65. OVERY, Richard. A história completa do mundo Rio de Janeiro: Reader’s Digest, 2009. p. 154. NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Cidades comerciais importantes

1 Observe a imagem da mesquita Djinguereber, em Tombuctu. Por que essa cidade era considerada um centro importante no antigo Império do Mali?

Porque era um centro religioso e de estudos, com mesquitas e universidades.

2 Observe o mapa e responda: quantos anos se passaram entre a conquista de Ceuta pelos portugueses e a chegada deles ao sul da África? Levante uma hipótese para explicar o tempo decorrido.

Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento

26/09/25 20:00

Essa discussão ajuda os estudantes a compreender que os grandes feitos históricos não acontecem de forma imediata, mas são fruto de processos demorados, de erros, tentativas e descobertas. Assim, desenvolvem a percepção de que a história é resultado da ação humana em contextos específicos, marcados por permanências e transformações.

No trabalho com este conteúdo são mobilizadas as habilidades EF04HI01 e EF04HI06.

Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Cabo da Boa Esperança (1487)
(1482-1485)
Viagens de Bartolomeu Dias
Golfo de Benin Golfo da Guiné
Tombuctu Gao

ENCAMINHAMENTO

Explique que o mapa apresentado traz informações sobre o tráfico de pessoas escravizadas, ocorrido entre os séculos XVI e XIX. Ressalte que milhões de africanos foram forçados a deixar suas terras, suas famílias e seus modos de vida e foram trazidos para as Américas, em um processo marcado por violência e exploração. Destaque que a escravização foi organizada pelos europeus e constituiu uma engrenagem essencial do sistema colonial, com efeitos devastadores para o continente africano e consequências que ainda impactam as sociedades afrodescendentes no presente.

Explique que o tráfico desestruturou sociedades inteiras e promoveu a perda de grande parte de sua população jovem e em idade produtiva. A demanda europeia por escravizados incentivou guerras entre reinos e povos africanos, uma vez que os prisioneiros de guerra acabavam sendo vendidos para traficantes. Dessa maneira, muitas sociedades deixaram de produzir de forma sustentável e sua economia passou a girar em torno do comércio de escravizados.

Explore os portos africanos destacados no mapa e os principais destinos no Brasil, como Salvador, Recife, Rio de Janeiro, São Luís e Belém, chamando a atenção para a centralidade dessas cidades no comércio de pessoas escravizadas.

O TRÁFICO DE ESCRAVIZADOS

A escravidão não foi inventada durante o período da colonização. No mundo antigo, era comum que, em meio a guerras e conflitos, muitas sociedades escravizassem os povos vencidos. No entanto, a partir do século 15, os europeus transformaram a escravidão em comércio. Prisioneiros de conflitos e habitantes de regiões invadidas eram capturados e negociados por portugueses e outros povos da Europa.

Por aproximadamente quatro séculos, o tráfico de pessoas no continente africano se tornou um negócio muito lucrativo para os europeus. Estima-se que, nesse período, quase 6 milhões de pessoas foram trazidas à força para o Brasil para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar e, posteriormente, na mineração e no plantio de café, entre outras atividades.

Rotas do tráfico de pessoas escravizadas

Elaborado com base em: SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006. p. 82.

Fortaleza de São Miguel em Luanda, Angola, em 2023.

No século 16, Portugal construiu, em Luanda, a Fortaleza de São Miguel. Nesse local, milhares de pessoas escravizadas foram negociadas e enviadas às Américas. A configuração atual data do século 17, tendo passado por reformas ao longo do tempo. O espaço abriga hoje a sede do Museu das Forças Armadas de Angola.

1 No caderno, relacione os locais de saída de escravizados, indicados a seguir, aos locais de chegada correspondentes.

a) São Jorge da Mina:

b) São Tomé: c) Moçambique:

1. a) Belém, São Luís e Salvador. 1. b) Salvador.

1. c) Rio de Janeiro.

A trajetória

Longe de suas famílias, as pessoas capturadas eram encaminhadas até as feitorias litorâneas, construções fortificadas destinadas ao comércio de escravizados. Lá, essas pessoas eram negociadas como mercadorias e partiam em embarcações que ficaram conhecidas como navios negreiros. As viagens podiam durar cerca de dois meses.

As pessoas eram submetidas a situações de muito sofrimento durante as viagens. Ao desembarcarem, elas eram negociadas em mercados de escravizados, localizados no Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luís e Belém. O valor pago por pessoa dependia de fatores como idade, força física e sexo.

As pessoas escravizadas eram submetidas a condições precárias durante as viagens através do Atlântico. Muitos não resistiam e morriam em razão da falta de alimentos e da propagação de doenças.

Detalhe de Seções de um navio negreiro, de Robert Walsh, parte da obra WALSH, Robert. Notices of Brazil in 1828 and 1829. Londres: F. Westley and A. H. Davis, 1830.

Ao longo de quase três séculos, na região em que se localiza o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro (RJ), estima-se que desembarcaram cerca de 1 milhão de escravizados. Em 2017, o local foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade.

Grupo Afoxé Filhos de Gandhy realiza cerimônia no Cais do Valongo no Rio de Janeiro (RJ), em 2018, para homenagear os povos africanos escravizados.

1 Como eram as viagens das pessoas escravizadas para a América?

As viagens, sempre difíceis, eram muito longas e impunham condições precárias às pessoas, muitas das quais morriam no trajeto.

2 Em sua opinião, por que submeter pessoas à condição de escravidão fere os direitos delas?

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

26/09/25 20:00

Nas atividades 1 (página 101) e 2, incentive os estudantes a refletir sobre o que significava, para uma pessoa africana, ser capturada e levada para outro continente contra sua vontade. O objetivo não é obter uma resposta única, mas promover a empatia histórica e a percepção de que a escravidão não foi apenas um dado econômico, mas uma experiência humana marcada por dor, resistência e sobrevivência. Esse exercício de imaginação histórica ajuda a compreender que, além dos números, havia homens, mulheres e crianças que tiveram suas vidas profundamente transformadas.

Relacione o tema com o presente discutindo como descendentes de africanos escravizados continuam a lutar por reconhecimento, respeito e valorização de suas culturas. Retome a importância das manifestações culturais afro-brasileiras, por exemplo, a capoeira, o Maracatu e as religiões de matriz africana, como expressões de resistência e identidade. Essa conexão ajuda os estudantes a perceber que a história da escravidão não está restrita ao passado, uma vez que se articula à construção da sociedade brasileira atual. Essa abordagem mobiliza o desenvolvimento das habilidades EF04HI09 e EF04HI10.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. Essa obra aborda o tráfico atlântico de africanos como um sistema integrado entre África, América e Europa, destacando o papel central da escravidão na formação do Brasil.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Comente que Zumbi nasceu em 1655 e viveu boa parte de sua vida no Quilombo de Palmares. Em 1678, aos 23 anos, tornou-se o principal líder do quilombo e organizou a resistência contra os constantes ataques dos colonizadores, que buscavam destruir esse espaço de liberdade. Zumbi foi morto em 1695 por tropas enviadas pelos portugueses, mas sua memória se tornou símbolo da luta contra a escravidão e do direito dos povos negros à liberdade. O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, busca preservar sua memória e, ao mesmo tempo, evidenciar que o Brasil ainda enfrenta grandes desafios no combate ao racismo.

Para trabalhar o tema da capoeira, pergunte aos estudantes o que sabem sobre a prática, se já presenciaram ou participaram de uma roda e quais instrumentos e músicas estavam presentes. Registre na lousa as contribuições da turma e, em seguida, proponha a observação da fotografia da roda de capoeira. Incentive-os a descrever coletivamente a cena, destacando os movimentos, o formato da roda, os instrumentos musicais e a importância do canto coletivo. Explique que a capoeira, criada pelos africanos escravizados no Brasil e por seus descendentes, foi uma forma de resistência cultural e política, utilizada tanto como defesa quanto como preservação da identidade. Ressalte ainda que, por muito tempo, foi criminalizada, mas resistiu e se espalhou pelo país. Hoje, é reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reforçando sua relevância histórica e cultural. Como estratégia de aprofundamento, combine, se possível, com o professor do componente curricular de Educação Física a presença de um capoeirista da comunidade na escola, para apresentar aos estudantes a

Resistência à escravização

As pessoas escravizadas foram forçadas a trabalhos pesados nas fazendas de cana-de-açúcar e de café, na mineração e nas atividades urbanas. Elas enfrentavam longas jornadas de trabalho, castigos e privações. Essas situações não foram aceitas por elas, que resistiram por meio de revoltas e fugas, ao mesmo tempo que procuravam formas de criar laços entre si e preservar as próprias culturas.

Revoltas e fugas

Em diferentes lugares, houve revoltas organizadas pelas pessoas escravizadas. Algumas aconteceram nos navios, durante a travessia, outras ocorreram nos locais em que moravam. As fugas podiam acontecer de forma solitária ou em grupos.

Quilombos

Fuga de escravos, de François-Auguste Biard, 1859. Óleo sobre madeira, 33 cm x 52 cm.

Os quilombos reuniam as pessoas que fugiam da escravidão, formando comunidades escondidas na mata ou em outros locais difíceis de encontrar. Os quilombolas construíam casas, cultivavam alimentos e tinham organizações sociais próprias. O quilombo mais conhecido foi o de Palmares, localizado na Serra da Barriga, no atual estado de Alagoas. O principal líder do Quilombo dos Palmares foi Zumbi.

Quilombola: pessoa que mora no quilombo.

BLAEU, Joan; MARCGRAF, Georg. Praefecturae Paranambucae pars Meridionalis. Amsterdã: Tipografia Blaeu, 1647. 1 mapa, color., 52,5 cm x 61,7 cm. Detalhe de mapa da parte sul da capitania de Pernambuco.

1 Zumbi foi líder do Quilombo de Palmares. No dia de sua morte, 20 de novembro, é celebrado o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Reúna-se em grupo e, com o auxílio do professor, façam uma pesquisa sobre esse tema. Para isso, respondam às questões propostas.

• Quem foi Zumbi dos Palmares?

• Por que o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra é importante para a sociedade brasileira?

Veja respostas, orientações e comentários no Encaminhamento

prática da capoeira. Caso não seja viável, apresente vídeos curtos que mostrem rodas de capoeira, com seus toques, cantos e movimentos típicos. Incentive os estudantes a registrar suas impressões por meio de desenhos, relatos ou pequenas reportagens.

O conteúdo desta dupla de páginas favorece a valorização da cultura afro-brasileira e permite trabalho interdisciplinar com os componentes curriculares de Educação Física e Arte, além de dialogar com os TCTs Diversidade cultural e Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

Na atividade 1, oriente os estudantes a realizar uma pesquisa em livros, revistas ou sites confiáveis sobre Zumbi e Palmares. Incentive-os a utilizar a biblioteca da escola e a registrar as informações no caderno, sempre anotando as fontes consultadas. Esse exercício reforça a importância da pesquisa crítica e da construção do conhecimento com base em informações verificadas.

Na atividade 2, os estudantes poderão expressar, em forma de poema, a importância de Palmares e de Zumbi, tanto para os habitantes do quilombo quanto, como símbolo, para a conscientização

BIBLIOTECA

Capoeira

A capoeira surgiu como forma de resistência contra as opressões. Segundo um grupo de pesquisadores, os movimentos de alguns animais foram incorporados à capoeira como forma de defesa. Hoje, essa prática agrega outros elementos, como luta, música e dança, além de ser considerada atividade esportiva. Por ser um símbolo de resistência da cultura dos afrodescendentes, a capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

de

Resistências cotidianas

O uso das línguas africanas no cotidiano, ainda que proibido, era uma das formas de preservação das identidades culturais das pessoas escravizadas. Outra forma ocorria por meio da alimentação. O angu é um exemplo disso. Preparado com farinha de milho e água, era um alimento muito comum na África. Preservar esses aspectos também era uma forma de resistência à escravidão.

Negras vendedoras de angu, de Jean-Baptiste Debret, 1835. Litografia em papel, 29,7 cm x 23,7 cm.

2 Ainda em grupos, façam um poema em homenagem ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Depois, apresentem o texto para a turma.

Veja respostas, orientações e comentários no Encaminhamento.

3 Por que a preservação das culturas africanas pode ser considerada uma forma de resistência à escravidão? Explique. Resposta pessoal. Os estudantes podem mencionar a preservação das identidades, das tradições e dos valores dos escravizados, mesmo diante da violência e da opressão.

26/09/25 20:00

sobre a luta negra na atualidade. Oriente-os a refletir sobre os valores que pretendem destacar em seus poemas — como liberdade, resistência, solidariedade e justiça — e as imagens ou elementos simbólicos que podem reforçar essas mensagens.

Na atividade 3, é importante destacar que a resistência negra não se limitou a fugas e revoltas. Ela se manifestou de diferentes maneiras, incluindo a preservação de crenças religiosas, de hábitos culturais e de práticas como rodas de batuque e festas populares. Muitas dessas tradições sobreviveram por meio do sincretismo religioso, que associou orixás africanos a santos católicos, garantindo sua continuidade em meio à repressão.

PARA O PROFESSOR

• RODA de capoeira: Comunidade Quilombola: Série AUÊ: 1a temporada. [S. l.: s. n.], 2019. 1 vídeo (2 min). Publicado pelo Canal Parabolé. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=v8Yfi7 A6oXA. Acesso em: 18 set. 2025.

O vídeo, parte de uma série, apresenta a roda de capoeira de modo didático para crianças.

Roda
capoeira com crianças do projeto Tribo Mirim em Itacaré (BA), em 2023.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A seção Criança cidadã trata da importância do combate ao racismo e da valorização da diversidade como princípios básicos da convivência democrática, mobilizando o TCT Educação em direitos humanos. Contextualize com a turma que o racismo não se expressa apenas em ações diretas e explícitas, mas também em atitudes cotidianas, como piadas, apelidos, comentários ou práticas de exclusão que desvalorizam a identidade e a história de uma pessoa ou grupo. Explique que essas formas de violência afetam a dignidade humana e violam direitos garantidos pela Constituição brasileira.

Ressalte que respeitar as diferenças, reconhecer o legado cultural dos afrodescendentes e valorizar suas contribuições para a sociedade brasileira são atitudes que fortalecem a cidadania e a convivência ética. Esse é um tema que dialoga diretamente com o TCT Educação em direitos humanos, promovendo a formação de estudantes conscientes e comprometidos com uma sociedade mais justa e inclusiva.

Relacione o tema com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), que, em seu artigo 1o, afirma: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. O documento está disponível em: https://www.unicef.org/ brazil/declaracao-universal-dos -direitos-humanos (acesso em: 24 set. 2025). Explique que combater o racismo é uma forma de colocar em prática esse princípio, reconhecendo que todos merecem respeito, sem distinção de cor, origem, cultura ou religião.

Na atividade 1, oriente os estudantes a identificar situações do dia a dia em que atitudes racistas aparecem, como brincadeiras ofensivas,

CRIANÇA CIDADÃ

Combate ao racismo

Leia a frase e observe a imagem do cartaz a seguir.

O cartaz é um alerta sobre situações que envolvem o racismo. Essas situações acontecem quando alguém é tratado com desprezo ou sofre ofensa ou injustiça por causa da cor da pele, do tipo de cabelo, das roupas ou da aparência física.

O racismo não escolhe lugar e pode ocorrer na escola, na rua, no trabalho, nos esportes etc. Muitas vezes, ele aparece disfarçado de piadas ou de brincadeira, e dizer para a pessoa que sofreu racismo que “foi só brincadeira” não muda o que ela sentiu.

No espaço escolar, quando um colega sofre racismo, ele pode se sentir triste e ter vergonha ou até medo. Por isso, é importante que as crianças e os adultos lutem contra o racismo. Aprender a respeitar as diferenças é um importante passo para que todos se sintam bem, acolhidos e seguros.

TEM MAIS

O Estatuto da Igualdade Racial (Lei n o 12.288/2010) , em conjunto com outras leis, busca garantir a igualdade de oportunidades para pessoas afrodescendentes, além de promover o combate aos crimes de racismo.

exclusão em jogos ou apelidos pejorativos. Ajude-os a perceber que essas situações, ainda que pareçam pequenas, têm consequências profundas para quem as sofre.

Na atividade 2, incentive a turma a refletir sobre formas de enfrentar essas situações: valorizar a história e a cultura afrodescendente, promover o respeito ao próximo, denunciar práticas discriminatórias e agir com empatia. Se considerar oportuno, registre as contribuições na lousa e proponha a produção coletiva de uma cartilha de boas práticas contra o racismo, que pode ser compartilhada com a escola e a comunidade.

As atividades mobilizam as habilidades EF04HI01, EF04HI06 e EF04HI10.

ATIVIDADES

Proponha a criação de campanhas de conscientização dentro da escola. Divida a turma em pequenos grupos e peça que elaborem cartazes, slogans, poesias ou pequenas encenações que expressem mensagens contra o racismo e em defesa da igualdade. Essas produções podem ser expostas nos murais da escola ou apresentadas em um momento coletivo.

BRASIL. Ministério da Educação. Diga não ao racismo. 2024. 1 cartaz, color.

O que podemos fazer?

Combater o racismo é um ato de respeito que começa com atitudes que podemos colocar em prática no dia a dia. Conheça a seguir algumas delas.

• Tratar todas as pessoas com respeito, valorizando todas as histórias pessoais.

• Não fazer piadas ou brincadeiras com expressões racistas.

• Valorizar a cultura e a história dos povos negros que vieram para o Brasil.

• Avisar um adulto quando presenciar atitudes racistas na escola.

• Conversar com familiares e colegas sobre a importância de combater o racismo.

Ao adotar atitudes de respeito e de cuidado com o outro, reconhecemos seus direitos, valorizamos suas identidades e ajudamos a construir um mundo mais justo e um futuro mais digno para todos!

Crianças em oficina de valorização da identidade, em Salvador (BA), em 2024. Esse tipo de iniciativa reforça e valoriza as identidades.

Veja respostas, orientações e comentários no Encaminhamento

1 De acordo com o que você estudou, de que forma as atitudes racistas se manifestam no dia a dia? Explique.

2 Quais atitudes você e os colegas podem adotar para combater o racismo na escola?

20:00

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• BRASIL. Lei no 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm. Acesso em: 19 ago. 2025. Texto da lei que versa sobre os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Aproveite a oportunidade para aprofundar com os estudantes a reflexão sobre a presença africana no Brasil para além do passado da escravidão, destacando como seu legado permanece vivo no presente. É fundamental conscientizar a turma de que a herança africana não se restringe a manifestações folclorizadas, uma vez que se expressa em dimensões profundas da vida cotidiana, na religiosidade, na alimentação, na música, na linguagem e nas formas de convivência.

Oriente os estudantes a perceber que essas heranças culturais não são apenas “traços do passado”, mas também elementos que seguem sendo reinventados, atualizados e reconhecidos como parte constitutiva da identidade brasileira. Essa compreensão ajuda a romper visões estereotipadas que reduzem a cultura africana à escravidão, ressaltando-a como fonte de resistência, criatividade e valorização comunitária.

Na atividade 1, aproveite para promover um debate coletivo sobre a diversidade religiosa no Brasil. Peça que os estudantes citem religiões que conhecem e discuta sobre o direito à convivência pacífica entre diferentes crenças, previsto na Constituição. Valorize exemplos próximos do cotidiano da turma, como amigos e vizinhos que frequentam religiões distintas, mostrando que o respeito é um princípio de cidadania.

As atividades 2 e 3 buscam evidenciar o forte legado da cultura africana na formação da sociedade brasileira. Trabalhar esse legado é fundamental para valorizar a diversidade, combater o racismo e reconhecer a importância dos povos africanos em nossa sociedade. Esse momento trabalha o TCT Diversidade cultural.

Na atividade 2, amplie o tema da culinária relacionando-o com o conceito de memória

CULTURA AFRO-BRASILEIRA

A cultura afro-brasileira é resultado de um longo processo histórico. Os africanos e seus descendentes que viveram a escravidão mantiveram, recriaram e transmitiram seus saberes, culturas e práticas, e eles estão presentes no cotidiano e na identidade do povo brasileiro. Conheça a seguir alguns exemplos dessa cultura rica e diversa.

Religiosidade

As religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, apesar da perseguição histórica, mantiveram suas práticas, rituais e saberes ancestrais. Nelas, são cultuados os orixás, que representam forças presentes na natureza, como os rios, os trovões e as florestas. Eles também representam aspectos da vida cotidiana, como o amor, a justiça e a saúde.

No dia 2 de fevereiro, ocorre a festa em homenagem a Iemanjá, divindade considerada rainha do mar e mãe dos orixás. Praia do Rio Vermelho, em Salvador (BA), em 2024.

Culinária

Alimentos como acarajé, vatapá, caruru, angu e mungunzá são alguns exemplos da culinária afro-brasileira. Muitas receitas e modos de preparo de alimentos de origem africana foram preservados e compartilhados entre gerações, por estarem vinculados a aspectos da vida prática e religiosa dos afrodescendentes.

O acarajé é um bolinho feito com feijão-fradinho, recheado com caruru, vatapá e camarão seco. Nas práticas religiosas, ele é tradicionalmente oferecido à orixá Iansã. Centro histórico de Porto Seguro (BA).

TEM MAIS

Os africanos trouxeram ao Brasil técnicas para preservar os alimentos por mais tempo, como a defumação e o uso do sal e de temperos. Na defumação, a carne e o peixe são colocados perto da fumaça de uma fogueira ou de um forno, o que ajuda a secar e conservar esses alimentos.

afetiva: incentive os estudantes a pensar em pratos preparados em família que carregam tradições transmitidas de geração em geração. Pergunte quem cozinha em casa, quais receitas aprenderam e se alguma delas tem relação com festas ou datas especiais. Mostre que a cozinha é um dos espaços de preservação cultural e de fortalecimento de vínculos familiares.

Na atividade 3, proponha que os estudantes comparem diferentes ritmos afro-brasileiros, escutando trechos curtos e observando instrumentos, danças e letras. Se possível, articule o tema com os professores dos componentes curriculares de Arte ou Educação Física para experimentar batidas de percussão corporal, palmas ou pequenos movimentos de dança. Essa vivência amplia a compreensão sobre a força da musicalidade africana e seu impacto na cultura brasileira contemporânea. Respostas possíveis para a atividade 4: cafuné: fazer carinho na cabeça de uma pessoa; moleque: garoto pequeno; bagunça: desordem; dendê: óleo extraído de palmeira; quitute: comida apetitosa; cochilo: ato de dormir um pouco; cuíca: instrumento musical; abadá: túnica usada geralmente em festas de axé; zonzo: que está com tontura, desorientado; xodó: alguém com quem se tem vínculo afetivo, namoro, paixão.

Música

e instrumentos

A música afro-brasileira é composta de diversos gêneros musicais, como o samba, o maracatu, o lundu, entre outros. O samba, o gênero mais popular do Brasil, está presente em festas como o Carnaval e em rodas tradicionais. Instrumentos como o atabaque, o agogô e o berimbau, que dão ritmo às músicas afro-brasileiras, estão presentes em festas, rituais religiosos e rodas de capoeira.

Palavras de origem africana

O samba de roda do Recôncavo Baiano, representante da herança cultural africana no Brasil, reúne ritmo, poesia, música e dança. Santo Amaro (BA), em 2017.

Muitas palavras da língua portuguesa têm origem africana. Elas estão presentes no dia a dia e podem ser usadas em diferentes contextos, nomeando alimentos, ritmos musicais, sentimentos, peças de vestuário etc. A língua contribui para manter viva a memória e a cultura de todos os povos trazidos da África.

Abadá Bagunça Cochilo Cafuné Cuíca

Dendê Xodó Moleque Zonzo Quitute

Veja respostas, orientações e comentários no Encaminhamento

1 Qual é a importância de respeitar a religiosidade afro-brasileira?

2 Você conhece outros pratos de origem africana? Cite exemplos e explique por que a comida pode ser considerada uma forma de preservar a cultura.

3 Você conhece outros ritmos musicais de origem africana? Cite exemplos.

4 Observe o quadro com palavras de origem africana, escolha três delas, consulte o significado de cada uma em um dicionário e anote no caderno.

FIQUE LIGADO

• OLIVEIRA, Kiusam de. Omo-oba: histórias de princesas e príncipes. Ilustrações: Ayodê França. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2023. Nesse livro, a autora reconta as histórias dos mitos de princesas e príncipes africanos, os orixás. As narrativas apresentam as aventuras, as jornadas e os desafios dos orixás.

PARA O PROFESSOR

• MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

ATIVIDADES

Proponha que os estudantes criem um “Glossário da cultura afro-brasileira”, reunindo palavras, comidas, músicas e expressões que tenham origem africana ou que se relacionem ao legado afro-brasileiro. O glossário pode ser ilustrado com desenhos, colagens ou fotografias. Depois, organize uma exposição na escola para que as turmas compartilhem com a comunidade escolar os aprendizados sobre a influência africana em nossa cultura.

PARA OS ESTUDANTES

• ASTOLFI, Cristina; PANAZZO, Silvia; MACHADO, Taiana. Almanaque afro-indígena. São Paulo: Editora do Brasil, 2025. O almanaque apresenta algumas das várias contribuições de povos africanos e indígenas para a cultura brasileira. CONEXÃO

A obra discute os fundamentos da identidade nacional brasileira.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explique à turma que práticas como o uso de ervas medicinais e a realização de festejos tradicionais estão diretamente ligadas à valorização da memória e ao fortalecimento da identidade das comunidades. Ressalte que esses conhecimentos, além de atender a necessidades práticas, como o cuidado com a saúde, são também formas de resistência e preservação cultural.

Oriente os estudantes a perceber que manifestações como o congado e o reinado dialogam com elementos africanos e católicos, representando tanto a fé quanto a luta por reconhecimento e igualdade. É importante evidenciar que essas práticas integram o patrimônio cultural brasileiro e continuam sendo vivenciadas em diferentes regiões, fortalecendo os vínculos comunitários e a memória coletiva.

Relacione os festejos de congado e reinado com outras manifestações populares brasileiras que também unem fé, música e dança, como a Festa do Divino ou o Maracatu. Essa comparação ajuda os estudantes a perceber como diferentes tradições dialogam entre si e reforçam o papel da cultura na preservação da identidade coletiva.

Na atividade 5, espera-se que os estudantes comentem que o uso de ervas medicinais ajuda no tratamento de doenças e pode ser muito útil, principalmente em situações em que o acesso a hospitais ou postos de saúde é limitado. Ao mesmo tempo, esse é um tipo de conhecimento passado de geração em geração e é uma forma de preservar a cultura do grupo.

Explique para a turma que saber identificar as ervas medicinais era e ainda é um conhecimento importante para as comunidades quilombolas.

Uso de plantas medicinais

Em um período em que não havia recursos para os cuidados com a saúde, os escravizados recorriam aos conhecimentos que tinham sobre o uso de plantas e ervas. Muitos desses saberes foram preservados pelas comunidades quilombolas. Babosa, agrião, mastruz e arruda são alguns exemplos de plantas usadas no preparo de xaropes naturais ou chás. Geralmente, as plantas ajudam a tratar resfriados, dores no corpo, entre outras doenças.

Mulher coleta plantas para uso medicinal na comunidade quilombola Kalunga de Vão das Almas, na Chapada dos Veadeiros (GO), em 2017.

Práticas de cultivo

As comunidades quilombolas guardam os saberes dos cuidados com a terra e do trabalho nas roças. A produção alimentar, nesses espaços, favorece a alternância do tipo de cultivo, a nutrição do solo e as épocas adequadas de plantio e colheita. Essas práticas são transmitidas às comunidades ao longo do tempo, preservando os conhecimentos das populações afrodescendentes.

Homem trabalha em plantação na comunidade quilombola Dona Bilina, em Campo Grande (RJ), em 2023.

ATIVIDADES

Proponha a criação de um “Caderno de saberes” coletivo da turma. Cada estudante pode entrevistar familiares, vizinhos ou pessoas da comunidade para registrar práticas culturais, receitas caseiras, histórias ou tradições relacionadas à saúde, à música, à dança ou à culinária. O material reunido pode se transformar em uma produção coletiva, valorizando o diálogo entre escola e comunidade.

Na atividade 6, espera-se que os estudantes respondam que os festejos de congado e reinado são manifestações culturais e religiosas que homenageiam santos negros católicos e elementos da cultura africana. Nas festas, são usados trajes de origem africana, são entoados cantos acompanhados por tambor e ocorre a representação da coroação do rei do Congo.

ANDRE DIB/PULSAR IMAGENS
LUCIANA WHITAKER/PULSAR IMAGENS

Congados e reinados

Irmandade católica: grupo de pessoas que se reúnem para cultuar os santos católicos.

Os congados e reinados são manifestações culturais e religiosas que homenageiam os santos católicos negros: Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, São Benedito e Santa Efigênia. As primeiras manifestações ocorreram nos tempos da escravidão. Elas eram organizadas por pessoas escravizadas e libertas que faziam parte de irmandades católicas. Essas irmandades eram espaços de acolhimento, de pertencimento e de preservação das tradições africanas. Durante os festejos em homenagem aos santos, as pessoas negras podiam usar trajes de origem africana, tocar tambores, entoar melodias e representar a coroação do rei do Congo. Por isso, esses festejos ficaram conhecidos como congados e reinados. Eles são celebrados até hoje em diversas regiões do Brasil.

6 O que são os festejos de congado e reinado? Explique. Veja respostas, orientações e comentários no Encaminhamento

5 Por que saber identificar as ervas medicinais era e ainda é um conhecimento importante para as comunidades quilombolas? Explique.

26/09/25 20:00

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• MOURA, Clóvis. Quilombos: resistência ao escravismo. 5. ed. Teresina: EdUESPI, 2021. E-book Disponível em: https://editora.uespi.br/index.php/editora/catalog/download/55/45/283 -1?inline=1. Acesso em: 16 set. 2025. O livro aborda a questão dos quilombos como unidade básica de organização e resistência da comunidade negra contra o escravismo.

Apresentação de grupos de congado durante a Festa do Rosário dos Homens Pretos, em São Paulo (SP), em 2025.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ORGANIZE-SE

Para a realização das atividades da seção, providencie com os estudantes: caderno ou bloco de papel, cartolinas, canetas coloridas, lápis de cor, giz de cera e outros materiais artísticos.

ENCAMINHAMENTO

A seção Mão na massa incentiva a valorização da diversidade cultural brasileira, evidenciando a contribuição dos povos africanos na formação de práticas, expressões e saberes que permanecem vivos no cotidiano. Explique aos estudantes que a herança africana não está apenas em fatos históricos distantes, mas também em comidas que fazem parte da mesa brasileira, nos ritmos musicais que marcam festas e encontros, nas palavras do dia a dia e até em saberes tradicionais ligados à saúde.

A Feira cultural afro-brasileira é uma oportunidade para que os estudantes exercitem a pesquisa, a criatividade e o protagonismo. Oriente-os a formar grupos nos quais cada um será responsável por um eixo temático: culinária, música, danças, religiosidade, língua e vocabulário, saberes medicinais ou artesanato.

A roda de conversa final deve ser conduzida de modo a promover um espaço de escuta respeitosa e reflexão crítica. Incentive os estudantes a compartilhar quais foram suas descobertas, o que mais os surpreendeu e como perceberam a presença da cultura afro-brasileira em suas vidas. Essa atividade não apenas sistematiza o aprendizado, mas também favorece o desenvolvimento de competências socioemocionais, como respeito, empatia e cooperação.

A proposta mobiliza os TCTs Diversidade cultural e Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.

MÃO NA MASSA

Feira cultural afro-brasileira

Você aprendeu que a cultura brasileira tem muitas influências de culturas africanas. Agora, vamos realizar uma feira cultural para mostrar a diversidade do Brasil?

Materiais

• Caderno ou bloco de papel para registrar as informações pesquisadas.

• Cartolinas, canetas coloridas, lápis de cor, giz de cera e outros materiais artísticos.

Como fazer

A turma se organizará em grupos. Cada grupo vai escolher um tema para apresentar na feira cultural. Confira a seguir algumas ideias de tema.

• Culinária afro-brasileira.

• Ritmos e instrumentos musicais afro-brasileiros.

• Festas tradicionais de origem africana.

• Palavras, contos e provérbios de origem africana. Após definir o tema, realize as etapas a seguir.

Etapa 1. Pesquisando o tema escolhido

Com a orientação do professor, visitem a biblioteca da escola ou de seu bairro. Selecionem livros ou publicações que apresentem informações sobre o tema escolhido e anotem as mais importantes no caderno ou no bloco de notas.

ATIVIDADES

Proponha que cada grupo elabore um cartaz ilustrado que explique seu tema com imagens, palavras-chave e pequenas frases. Depois, organize uma exposição coletiva na escola, aberta para outras turmas e, se possível, para familiares. Essa prática amplia o alcance da atividade e reforça a ideia de que a escola é um espaço de difusão e valorização da cultura.

CAROLINO

Etapa 2. Preparando os cartazes

Agora, elaborem cartazes com as informações do tema escolhido. Os cartazes podem apresentar desenhos coloridos, poemas, letras de músicas, entre outros elementos escolhidos pelo grupo.

Etapa 3. Organizando a feira e a apresentação

Na data combinada, levem os cartazes produzidos e colem cada um deles nos espaços indicados pelo professor. Quando tudo estiver pronto, recebam os funcionários da escola, os colegas e os professores de outras turmas. Apresentem os cartazes e contem a eles o que vocês aprenderam!

Encerramento

Após a feira, organizem uma roda de conversa e compartilhem suas experiências, pensando nas questões a seguir.

1 2 3

O que vocês aprenderam realizando as pesquisas?

Qual aspecto pesquisado foi o mais interessante para vocês? Expliquem.

O trabalho apresentado pelo grupo contribuiu para a valorização da cultura e das tradições afro-brasileiras?

Respostas pessoais. Veja orientações no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

26/09/25 20:00

• GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.

O livro analisa como as lutas do movimento negro produzem saberes pedagógicos e políticos fundamentais para a sociedade brasileira. A autora destaca a importância da educação antirracista e da valorização das identidades negras. Além disso, a obra contribui para a compreensão da relação entre movimentos sociais, resistência e transformação social.

ENCAMINHAMENTO

Na seção O que estudei, busca-se retomar os principais conteúdos trabalhados ao longo da unidade, com o objetivo de sistematizar e consolidar conceitos estudados. Essa sistematização não é apenas um momento de revisão, mas também de reflexão, no qual os estudantes são convidados a analisar o próprio percurso de aprendizagem e a realizar uma autoavaliação. Esse processo contribui para que cada estudante reflita sobre o que aprendeu, como aprendeu e quais aspectos ainda precisam de maior atenção.

Ao incentivar a reflexão sobre os conteúdos e a realização de uma autoavaliação, são oferecidos aos estudantes parâmetros para orientar suas atitudes, organizar seus estudos e fortalecer o próprio protagonismo no processo de aprendizagem.

Explique à turma que este é o momento de retomar o que foi trabalhado ao longo da unidade, identificando avanços e reconhecendo eventuais dificuldades. Essa prática favorece o desenvolvimento de processos metacognitivos, ajudando cada estudante a compreender o próprio aprendizado e a perceber a evolução ocorrida.

Na atividade 1 a), espera-se que os estudantes respondam que, segundo o autor, o conhecimento que os Kaiowá têm a respeito dos cantos dos pássaros e das cigarras, da floração do ipê, da posição do Sol ou das fases da lua é fundamental para a prática da agricultura. Além disso, a interpretação dos sinais da natureza funciona como um calendário, permitindo aos Kaiowá identificar as diferentes estações do ano.

Na atividade 1 . b) , os estudantes poderão responder que o canto de alguns pássaros indica qual é a estação do ano. Com isso, esse povo

O QUE ESTUDEI

1 Leia o texto a seguir, escrito por um professor indígena da etnia kaiowá, e responda às questões.

[…] as fases da lua, a estação chuvosa, o canto de alguns pássaros e das cigarras, a floração do ipê e a mudança da posição do Sol seguem orientando a agricultura das famílias tradicionais kaiowá. Os cantos de certos pássaros nos orientam, funcionando como um calendário. Reconhecendo-os, podemos saber qual é a estação do ano, se é período de plantio ou ainda não, se já passou a época de frio no inverno, se é uma época boa com muitos peixes no rio, se vai ter vento forte. Há quem reconheça até a chegada da tempestade pelo canto das aves.

JOÃO, Izaque. Língua vegetal guarani. In: CARNEVALLI, Felipe et al. (org.). Terra: antologia afro-indígena. São Paulo: Ubu; Belo Horizonte: Piseagrama, 2023. p. 109.

Veja respostas, orientações e comentários no Encaminhamento

a) De acordo com o texto, como o autor descreve a relação dos Kaiowá com a natureza?

b) Por que os cantos dos pássaros podem funcionar como um calendário para os Kaiowá? Explique.

2 De acordo com o que você estudou, os povos indígenas têm uma forte relação com a terra e a natureza. Explique como a chegada dos portugueses, no século 16, interferiu nessa relação.

3 Faça um texto curto que indique a presença das culturas dos povos indígenas no dia a dia dos brasileiros.

4 O racismo ainda está muito presente na sociedade brasileira. Com base em seus estudos, elabore um texto curto com o seguinte título: “Combater o racismo é um ato de respeito”.

reconhece quais são os períodos de plantio, se estão nas estações de frio ou se a época é boa para a pesca. Segundo o autor, algumas pessoas, por meio do canto dos pássaros, podem reconhecer a chegada de tempestades.

A atividade 1 mobiliza a habilidade EF04HI04

Na atividade 2, espera-se que os estudantes respondam que, com a chegada dos portugueses, houve muitos conflitos com relação à posse das terras. Muitos indígenas foram expulsos de seus territórios, afetando de maneira significativa seu modo de vida. A atividade 2 mobiliza a habilidade EF04HI02.

Na atividade 3, espera-se os estudantes apontem aspectos como os hábitos alimentares (como o consumo de milho, mandioca, abóbora); o nosso idioma, que incorporou diversas palavras indígenas; a toponímia, uma vez que muitos nomes de rios, cidades e estados são de origem indígena; as lendas indígenas, como a do Curupira e a do Boitatá, entre outros exemplos. A atividade 3 mobiliza a habilidade EF04HI03.

5 Observe com atenção a ilustração. Em seguida, responda às questões no caderno.

a) O que está representado nessa ilustração? Como você chegou a essa conclusão?

b) A capoeira é um exemplo da resistência contra a escravidão, que durou por mais de três séculos. Cite outras formas de resistência praticadas nesse período.

6 Leias as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro.

Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.

• Aproveite este momento para refletir sobre seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO

Respeitei o professor e os colegas?

Prestei atenção nas explicações?

Pedi ajuda quando tive dúvidas?

Contribuí nas atividades em grupo?

Respostas pessoais.

Sempre Às vezes Nunca

A atividade 4 propõe que o estudante articule seus conhecimentos a respeito do que significa o racismo, como ele se manifesta e de que maneira se podem combater essas práticas.

Na atividade 5. a), espera-se que os estudantes respondam que a ilustração mostra uma roda de capoeira. Espera-se que os estudantes observem os trajes e os instrumentos musicais, como o atabaque e o berimbau, comuns em rodas de capoeiras.

Na atividade 5. b), espera-se que os estudantes respondam que as fugas, as rebeliões, a organização de quilombos e a prática de crenças religiosas são alguns outros exemplos que podem ser citados.

A Autoavaliação tem a função de ajudar cada estudante a reconhecer o que já conseguiu aprimorar e o que ainda precisa ser melhorado no estudo da unidade. Esse registro é útil para que os estudantes desenvolvam habilidades como autonomia, autorregulação e colaboração. Se houver pessoas com deficiência na turma, de maneira geral, é essencial garantir adaptações e recursos de acessibilidade que possibilitem a plena participação na autoavaliação. Também pode ser impor-

tante oferecer tempo adicional para a realização das tarefas e solicitar apoio de mediadores ou colegas quando necessário. Finalize a avaliação estabelecendo objetivos que deverão ser cumpridos pelo estudante ao longo do ano.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, os estudantes são convidados a refletir sobre como os deslocamentos humanos e os meios de comunicação se relacionam e ajudam a compreender a formação da sociedade brasileira. O ponto de partida é a presença dos povos imigrantes no Brasil, que, ao longo da história, transformaram profundamente os costumes, os hábitos alimentares, as festas, os modos de falar, as práticas religiosas, a arquitetura e até a organização das cidades no país.

Essas transformações não ocorreram isoladamente e foram registradas, narradas e transmitidas por diferentes meios de comunicação.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Reconhecer como os deslocamentos populacionais, especialmente as imigrações, contribuíram para a formação da sociedade brasileira, influenciando costumes, hábitos alimentares, festas, modos de falar e práticas culturais.

• Analisar o papel dos meios de comunicação na transmissão de informações e na constituição da memória coletiva.

• Identificar permanências e mudanças históricas ligadas à chegada de imigrantes ao Brasil, ao processo de migração de brasileiros para outros países e às diferentes formas de comunicação.

• Compreender a diversidade cultural como resultado das interações entre povos de diferentes origens e refletir sobre sua presença no cotidiano da comunidade local e da escola.

• Valorizar o uso consciente e crítico dos meios de comunicação, reconhecendo seu impacto positivo e os desafios que podem trazer à vida social, cultural e pessoal.

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DESLOCAMENTOS E COMUNICAÇÃO

A presença de pessoas de nacionalidades diferentes influenciou de maneira profunda os hábitos e costumes dos brasileiros. Isso pode ser observado nas nossas festas, na nossa alimentação, na arquitetura, no nosso vocabulário, nas nossas crenças e em muitos outros aspectos. No início do século 20, muitos imigrantes que vieram em busca de emprego incentivaram, inclusive, o surgimento de diversos jornais que lutavam por melhorias nas condições de vida dos trabalhadores. Nesta unidade, você entrará em contato com alguns aspectos da presença dos imigrantes no Brasil e conhecerá a importância dos jornais e de outros meios de comunicação – como o cinema, o rádio, a televisão e a internet – para a sociedade brasileira.

ENCAMINHAMENTO

Como atividade de sensibilização, organize uma roda de conversa para que os estudantes compartilhem exemplos de influências culturais presentes em seu cotidiano, como comidas típicas, festas, músicas ou palavras de origem estrangeira, além de meios de comunicação que considerem relevantes. Registre na lousa as palavras-chave mencionadas e, em seguida, divida a turma em grupos para que produzam cartazes com desenhos, colagens ou recortes de revistas que representem essas influências. Os cartazes formarão um “Mural da Diversidade e da Comunicação”, que poderá ser exposto na sala ou no corredor da escola, valorizando as diferentes origens culturais e o papel dos meios de comunicação na vida em sociedade.

Explore a fotografia da abertura da unidade com os estudantes. Ela mostra imigrantes venezuelanos na fronteira da Venezuela com o Brasil. Comente com a turma que, até 2024, o Brasil era o quarto país que mais recebia imigrantes venezuelanos. Sensibilize os estudantes perguntando se eles conhecem (isso se eles próprios não forem) migrantes de outros países.

Venezuelanos atravessam a fronteira entre Brasil e Venezuela em Pacaraima (RR), 2019.

Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

1 Você observa a influência da presença estrangeira em seu dia a dia? Cite exemplos.

2 Os meios de comunicação estão muito presentes em nosso cotidiano. Cite um meio de comunicação que você considera importante e explique o motivo.

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Retome com a turma os conhecimentos de que a presença de pessoas de diferentes nacionalidades transformou a sociedade brasileira em aspectos diversos: alimentação, festas, crenças religiosas, vocabulário, arquitetura, artes e modos de viver. Valorize os exemplos mencionados pelos estudantes a respeito da vivência cotidiana deles, como comidas típicas, palavras de outras línguas, celebrações culturais e práticas sociais que revelam essa diversidade.

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dos, promovendo um ambiente de escuta ativa e de reconhecimento das experiências dos estudantes.

Finalize destacando que, ao longo da unidade, eles vão compreender melhor como o Brasil se tornou um país marcado pela diversidade cultural e pela multiplicidade de formas de comunicação, além de perceber como esses processos históricos estão ligados ao presente.

Em seguida, destaque o papel dos meios de comunicação ao longo do tempo. Explique que os jornais, o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a internet registraram e divulgaram essas transformações culturais, contribuindo para formar a memória coletiva e aproximar diferentes comunidades. Incentive-os a pensar como esses meios continuam presentes em suas vidas e como impactam suas relações pessoais, familiares e escolares.

As duas atividades têm a função de mobilizar os conhecimentos prévios da turma e introduzir os conceitos centrais: diversidade cultural, deslocamentos humanos, permanências e mudanças históricas e meios de comunicação. Incentive respostas pessoais e valorize as contribuições de to -

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Identificar diferentes grupos de imigrantes que chegaram ao Brasil e reconhecer suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

• Analisar como os fluxos populacionais marcaram o território brasileiro, influenciando a cultura, a economia e a organização das cidades.

• Reconhecer, na realidade local, a presença de tradições, costumes, festas e práticas sociais de origem imigrante.

• Comparar permanências e mudanças nos modos de vida brasileiros associadas às migrações.

• Valorizar a diversidade cultural resultante da convivência de diferentes povos no Brasil.

BNCC

HABILIDADES

(EF04HI09) Identificar as motivações dos processos migratórios em diferentes tempos e espaços e avaliar o papel desempenhado pela migração nas regiões de destino.

(EF04HI10) Analisar diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF04HI11) Analisar, na sociedade em que vive, a existência ou não de mudanças associadas à migração (interna e internacional).

TEMAS CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Diversidade cultural.

• Educação em direitos humanos.

DESLOCAMENTOS POPULACIONAIS NO BRASIL capítulo 1

Observe a fotografia a seguir.

ENCAMINHAMENTO

Utilize a fotografia como ponto de partida para instigar os estudantes a refletir sobre a presença da imigração em diferentes regiões do Brasil. Pergunte se eles já conheceram ou ouviram falar de costumes de origem japonesa ou de outros grupos imigrantes. Ressalte que o Brasil é um país multiétnico, isto é, formado pela contribuição de muitos povos, como indígenas, africanos, portugueses, italianos, alemães, japoneses, árabes, entre outros. Explique que essa diversidade está presente em práticas culturais, na alimentação, nas festas, no vocabulário e em aspectos da vida cotidiana.

Aproveite para explorar como as culturas se misturam. Leve para a sala de aula imagens de festas como o Tanabata Matsuri, em São Paulo, ou registros de templos budistas no interior do Paraná, relacionando-os com outros exemplos locais ou regionais que os estudantes conheçam. Essa aproximação reforça a ideia de que a diversidade cultural está presente tanto em grandes centros urbanos quanto em pequenas cidades.

1. Respostas pessoais. Veja comentários no Encaminhamento

Você acha que essa construção se localiza no Brasil ou em outro país? Ela fica no Brasil, mais precisamente na cidade de Assaí, no interior do Paraná. Esse município recebeu grande número de imigrantes japoneses, e nele vivem muitos de seus descendentes.

Além desse município, há muitos outros lugares marcados pela presença dos diversos grupos de imigrantes que ajudaram a formar a sociedade brasileira, como italianos, espanhóis e alemães. Isso demonstra como o Brasil é um país multiétnico

Muitas festas, hábitos alimentares, palavras e costumes do nosso cotidiano, mesmo que a gente não perceba, foram herdados desses grupos e passaram a fazer parte do nosso dia a dia. É essa mistura que torna o Brasil um país tão rico em diversidade cultural.

Multiétnico: diversidade de etnias que forma uma sociedade.

Memorial da Imigração Japonesa, inaugurado em 2018, em Assaí (PR). Fotografia de 2021.

3. Pessoas de várias partes do mundo trouxeram para o Brasil diferentes costumes, tradições, hábitos alimentares e conhecimentos que influenciaram nossa cultura, economia e vida social, contribuindo para formar o país que conhecemos hoje.

1 Você conhece ou já teve contato com tradições da cultura japonesa? Quais?

2 O que faz do Brasil um país multiétnico?

3 Como a chegada de pessoas de diferentes lugares ajudou a construir o Brasil que conhecemos hoje?

2. Resposta esperada: a sociedade brasileira foi construída, ao longo do tempo, por pessoas de diversas etnias.

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Valorize os exemplos que os estudantes possam trazer de sua vivência, como comidas típicas, tradições familiares, músicas ou objetos herdados de imigrantes. Destaque que, ao longo do capítulo, eles conhecerão mais sobre esses deslocamentos populacionais e seus impactos na formação da sociedade brasileira. Essa abordagem fomenta o desenvolvimento das habilidades EF04HI10 e EF04HI11. Na atividade 1, espera-se que os estudantes mencionem exemplos como: alimentos típicos (sushi, sashimi, ramen), costumes cotidianos (tirar os sapatos antes de entrar em casa), artes marciais (judô, caratê), entretenimento (anime, mangá, karaoke, videogames) e práticas artísticas (origami, ikebana e bonsai).

Nas atividades 2 e 3, explique que a palavra multiétnico significa a coexistência de várias etnias em um mesmo território, e o Brasil é exemplo disso, pois, ao longo da história, povos indígenas, africanos, europeus e asiáticos participaram da formação da sociedade. Esse encontro gerou tensões, mas também produziu ricas expressões culturais. Essas influências não anulam outras, mas ampliam o mosaico que constitui a identidade nacional.

TEXTO COMPLEMENTAR

O Brasil é profundamente multicultural, e foram as próprias políticas de imigração, inicialmente pensadas para nos tornar mais “europeus”, que possibilitaram essa diversidade. […] Guerras e conflitos, aliados às infindáveis crises econômicas e humanitárias, fazem aumentar de maneira vertiginosa os fluxos migratórios não só no Brasil, mas no mundo todo. Todavia, os seres humanos migram há milhares e milhares de anos – a própria ideia de nação e a existência de fronteiras e passaportes é muito posterior a esse fenômeno. Compreender as motivações e, principalmente, os desafios que entrelaçam a migração no atual estágio civilizatório da humanidade é fundamental para não reproduzirmos preconceitos e teorias defasadas. […]

PACHECO, Raíssa Araújo. Com quantas culturas se faz a identidade nacional? Outras Palavras, São Paulo, 23 jul. 2025. Disponível em: https:// outraspalavras.net/blog/com -quantas-culturas-se-faz-a -identidade-nacional/. Acesso em: 18 set. 2025.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explique que a abolição da escravidão, em 1888, colocou os grandes proprietários rurais diante da necessidade de contratar mão de obra assalariada. Foi nesse contexto que o governo brasileiro passou a incentivar a chegada de italianos, alemães, espanhóis e, posteriormente, japoneses. Mostre que esses fluxos migratórios não ocorreram por acaso e que havia interesses econômicos envolvidos, mas também o sonho de melhores condições de vida por parte dos imigrantes. Comente as consequências sociais e culturais desses deslocamentos, como a introdução de novas técnicas agrícolas, novos hábitos alimentares e formas de organização comunitária. Ressalte que a imigração deixou marcas que permanecem até hoje no cotidiano.

Sugira aos estudantes que entrevistem familiares ou vizinhos descendentes de imigrantes, com o objetivo de compreender como as memórias familiares se relacionam com o que aprenderam em sala. Essa dinâmica aproxima a história estudada dos contextos de vida dos estudantes, reforçando o caráter vivo e dinâmico da memória cultural.

A IMIGRAÇÃO EUROPEIA

Durante boa parte do século 19, ainda havia escravidão no Brasil. No entanto, por causa da pressão de diversos movimentos sociais, foram criadas leis que começaram a enfraquecer esse sistema. Apenas em 1888, com a assinatura da Lei Áurea, a escravidão foi oficialmente abolida no país.

Com o fim da escravidão se aproximando, grandes proprietários rurais passaram a procurar uma nova forma de obter mão de obra para trabalhar nas plantações, principalmente de café. Foi nesse período que o governo brasileiro começou a criar iniciativas para atrair imigrantes europeus ao país, oferecendo-lhes a oportunidade de morar e trabalhar em terras brasileiras.

Os primeiros grupos que chegaram eram formados por italianos, alemães e espanhóis. Eram formados por pessoas que buscavam melhores condições de vida, emprego e novas oportunidades que não encontravam em seus países de origem naquela época. Em 1908, chegaram os primeiros imigrantes japoneses.

Navio de emigrantes, de Lasar Segall, 1939-1941. Óleo com areia sobre tela, 230 cm x 275 cm.

Entre 1884 e 1940, aproximadamente 4 milhões de imigrantes chegaram ao Brasil. Eles vieram com o sonho de ter uma vida melhor e trouxeram diversos traços culturais que passaram a fazer parte da sociedade brasileira e que permanecem até a atualidade.

1. As imagens mostram que muitas pessoas vinham de longe para o Brasil, viajando em navios cheios e apertados.

Capa da revista O Immigrante, publicada em 1908 pelo governo do estado de São Paulo. Ela mostra os trajetos percorridos por imigrantes da Europa para o porto de Santos, no Brasil.

1 O que as imagens desta página e da página anterior mostram sobre a viagem das pessoas que vinham para o Brasil?

2 Qual é a relação entre o fim da escravidão e a chegada de imigrantes ao Brasil?

O fim da escravidão gerou uma necessidade de mão de obra, que foi resolvida pela criação de medidas que incentivaram a vinda de imigrantes.

3 Em sua opinião, qual é a consequência social e cultural da vinda dos imigrantes para a sociedade brasileira? Converse com os colegas.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

Na atividade 2, espera-se que os estudantes compreendam que o fim da escravidão, em 1888, gerou a necessidade de substituição da mão de obra nas lavouras. Para atender a essa demanda, o governo brasileiro incentivou a chegada de imigrantes, principalmente europeus e, posteriormente, japoneses.

O objetivo da atividade 3 é motivar os estudantes a expressar a própria opinião a respeito da valorização dos imigrantes na sociedade brasileira, pois eles contribuíram para que o Brasil se tornasse um país com ampla mistura de culturas.

01/10/25 11:23

• HALL, Michael M. Italianos em São Paulo (1880-1920). Anais do Museu Paulista: história e cultura material, São Paulo, tomo XXIX, p. 201-215, 1979. Disponível em: https://revistas.usp. br/anaismp/article/view/216292/205348. Acesso em: 22 set. 2025. O trabalho analisa a chegada dos imigrantes italianos a São Paulo, entre o final do século XIX e o início do século XX, destacando as condições de trabalho a que eram submetidos, a vida nas fazendas de café e o processo de adaptação nas cidades.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que a ideia de o Brasil ser um país multiétnico significa reconhecer que sua população foi formada pela contribuição de diferentes povos, de origens diversas, ao longo da história. Ressalte que essa diversidade não é apenas um traço do passado, mas uma realidade que continua viva, renovando-se a cada geração de migrantes que chega ao país. Mostre que as heranças culturais não estão apenas em grandes festas ou comidas típicas, mas em gestos, palavras, práticas religiosas e na organização das cidades. Essa abordagem mobiliza a habilidade EF04HI10 e o TCT Diversidade cultural. Aproveite para problematizar com a turma: por que, muitas vezes, valorizamos tradições europeias, mas não damos o mesmo reconhecimento às práticas de origem indígena ou africana? Essa discussão ajuda a refletir sobre preconceito cultural e sobre a necessidade de valorizar igualmente todas as contribuições para a formação da sociedade brasileira. Proponha uma abordagem interdisciplinar com o componente curricular de Arte, mostrando que a diversidade cultural está presente em danças, músicas e manifestações artísticas do país, como o fandango (influência espanhola), o samba (de matriz africana) e a Oktoberfest (influência alemã). Também é possível dialogar com o componente curricular de Ciências da Natureza, explorando como alimentos introduzidos por diferentes povos (como o trigo, a uva, o café ou o arroz) tornaram-se parte da alimentação dos brasileiros, modificando hábitos e formas de cultivo. Essa interdisciplinaridade reforça que a cultura é resultado de interações históricas e sociais complexas.

Brasil: um país multiétnico

Influência alemã

A Oktoberfest é uma festa de origem alemã que ocorre na cidade de Blumenau (SC), no mês de outubro. É considerada a maior festa do tipo das Américas e atrai milhares de turistas todos os anos.

Além das festas, os imigrantes alemães influenciaram a arquitetura de cidades do Sul do Brasil e trouxeram pratos típicos, como cuca, chucrute, salsicha e joelho de porco.

Dança tradicional alemã durante a Oktoberfest, em Blumenau (SC), em 2024.

Influência árabe

A influência árabe no Brasil pode ser percebida na arquitetura de diversas cidades, nos pratos típicos, como quibe, esfirra e tabule, e em hábitos como o consumo de café e o uso de palavras originárias do árabe em nosso vocabulário cotidiano, como alface, algazarra e azulejo

Influência italiana

Os italianos influenciaram a culinária brasileira com pratos como polenta, pão caseiro e massas artesanais.

Descendentes de imigrantes italianos com roupas típicas, durante desfile da 37a Semana Cultural Italiana, em São João do Polêsine (RS), em 2022.

Casa dos Azulejos, residência com influência arquitetônica árabe, localizada em Amarante (PI), em 2022.

Influência japonesa

O judô é uma arte marcial de origem japonesa e representa uma das influências dessa cultura no Brasil. Além disso, a cultura japonesa também está presente no nosso dia a dia por meio da culinária, das histórias em quadrinhos (mangás), dos desenhos animados (animes) e de outras práticas, como o origami e o uso de palavras do idioma japonês.

Rafaela Silva, atleta brasileira de judô, durante combate nos Jogos Olímpicos Paris 2024, em Paris, na França.

Rafaela Silva nasceu em 1992 na comunidade d a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro (RJ), e começou a praticar judô ainda criança. Venceu campeonatos nacionais e internacionais. Em 2016, ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio.

Influência espanhola

Original da Espanha, o fandango possui diferentes formas no Brasil, como o fandango tropeiro, o fandango caiçara e o fandango nordestino. Cada um deles reflete as influências e os costumes das regiões onde se desenvolveu. A presença espanhola também pode ser percebida na culinária, em palavras do nosso vocabulário e em nomes de cidades e famílias espalhadas pelo país.

Pessoas dançam o tradicional fandango gaúcho, que tem suas raízes na cultura espanhola, no Centro de Tradições Gaúchas em São José dos Campos (SP), em 2024.

1 No nosso dia a dia, é comum encontrarmos comidas, palavras e festas que fazem parte das tradições de diferentes grupos de imigrantes. Qual dessas heranças culturais você acha mais interessante? Explique o motivo. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes identifiquem alguma herança cultural relacionada à alimentação, às festas ou aos costumes trazidos por grupos de imigrantes, conforme o contexto de vida de cada um.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

A atividade 1 permite reconhecer a presença dessas tradições no cotidiano, como: comer bacalhau (tradição portuguesa); participar de festas juninas (influência portuguesa); consumir sushi e yakissoba (influência japonesa e chinesa); comer macarrão (influência italiana). As respostas podem variar, mas é importante que os estudantes percebam como essas influências ajudam a compor a diversidade cultural do Brasil.

ATIVIDADES

Proponha que a turma organize um cartaz das influências culturais. Organize os estudantes em grupos de quatro pessoas e peça que indiquem, com imagens, desenhos ou palavras, contribuições culturais de diferentes grupos imigrantes (portugueses, italianos, alemães, japoneses, espanhóis, árabes etc.) nos diversos estados brasileiros. Ao final, monte um mural com todas as contribuições, para que a turma visualize a riqueza da diversidade cultural brasileira.

• LESSER, Jeffrey. A negociação da identidade nacional: imigrantes, minorias e a luta pela etnicidade no Brasil. Tradução: Patricia de Queiroz Zimbres. São Paulo: Editora Unesp, 2001. A obra apresenta um estudo abrangente sobre as diferentes comunidades imigrantes (italianos, japoneses, judeus, árabes, entre outros) e como suas experiências ajudaram na construção da ideia de identidade nacional brasileira.

• ORTIZ, Renato. Cultura brasileira e identidade nacional. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 2006. O livro analisa como diferentes tradições culturais – indígenas, africanas, europeias e de outros povos imigrantes – foram incorporadas ao longo da história e ajudaram a formar a ideia de identidade nacional brasileira.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Explique aos estudantes que a História não é formada apenas por grandes eventos ou personagens célebres, mas também pelas vivências de pessoas comuns que participaram de processos coletivos, como a imigração. Explique que memórias familiares e relatos de vida revelam aspectos subjetivos –sentimentos, sonhos, medos e estratégias de adaptação – que os documentos oficiais muitas vezes não registram.

Mostre que entrevistas e depoimentos permitem reconstruir detalhes do cotidiano dos imigrantes: o idioma aprendido com dificuldade, os trabalhos iniciais, os hábitos preservados e os novos costumes adquiridos. Esses elementos ajudam a compreender não apenas o que aconteceu, mas como o evento foi vivido e transmitido às gerações seguintes.

Enfatize que trabalhar com história oral é também um exercício de empatia, pois ouvir a memória de alguém implica respeito, acolhimento e responsabilidade na forma de registrar e compartilhar essas narrativas.

Como podemos conhecer a vida de um imigrante?

É possível conhecer mais sobre as histórias dos imigrantes por meio de diferentes fontes, como entrevistas, fotografias, documentos pessoais, objetos de família e relatos orais. Essas fontes nos ajudam a entender como foi a chegada deles, quais foram os costumes que trouxeram, quais desafios enfrentaram e como passaram a viver em terras brasileiras.

A seguir, você vai ler um trecho da entrevista com Keiishi Inokawa, feita por integrantes do Museu do Imigrante. Keiishi e sua família vieram do Japão para o Brasil em 1933, quando ele tinha 7 anos. Neste trecho, ele conta um pouco sobre o aprendizado da língua portuguesa no Brasil.

KEIISHI: Ninguém conhecia nem falava português, eu que tinha que interpretar depois que estava na escola, como meu pai nunca falou com camarada, nem minha mãe, eu era o intérprete. […]

MUSEU: E o senhor aprendeu rápido o português? Como que foi aprender português? Foi difícil?

KEIISHI: Ah, é diferente a língua, né? O mais difícil com sete anos, depois com oito anos que começou a aula, desde A-B-C, tem que poder escrever e falar. Então com oito ou nove, nove anos eu comecei a entender um pouco, com dez anos já podia falar. […]

INOKAWA, Keiishi. Museu da Imigração: coleção de história oral: projeto conte sua história. [Entrevista cedida a] Angélica Beghini e Tatiana Waldman; [transcrição de] Mariana de Oliveira Keller. São Paulo: Museu da Imigração do Estado de São Paulo, 10 mar. 2017. Transcrição de entrevista. Disponível em: https://museudaimigracao.bnweb.org/scripts/bnweb/bnmapi.exe?router=upload/459. Acesso em: 5 jun. 2025. Família de imigrantes japoneses posa em uma fazenda de café no estado de Paulo, cerca de 1930.

MÃO NA MASSA

Entrevista com um imigrante

Agora é a sua vez! Em grupo, entreviste um imigrante ou descendente de imigrante que faça parte de sua comunidade ou da família de algum dos colegas.

Utilize o roteiro a seguir para guiar a entrevista. Reproduza-o no caderno e preencha-o com as respostas que a pessoa entrevistada fornecer. Lembre-se de realizar a entrevista com o acompanhamento de um responsável.

Roteiro de entrevista:

Data da entrevista: / /

Nome do(a) entrevistado(a):

Idade:

País de origem:

Atualmente reside em:

1. Qual foi o motivo de sua vinda para o Brasil?

2. Como foi a sua chegada ao Brasil? Houve alguma experiência marcante?

3. Do que você mais gosta no Brasil?

4. Quais tradições ou costumes de seu país de origem você continua praticando aqui?

5. Existe algo de seu país de que você sente falta?

O que é?

6. Que conselhos você daria para imigrantes que estão chegando agora?

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

Incentive os estudantes a perceber que, na seção Mão na massa, ao entrevistar familiares, vizinhos ou membros da comunidade, eles estão colaborando para a preservação da memória coletiva e, ao mesmo tempo, relacionando o passado ao presente em que vivem. O objetivo é aproximar os estudantes de experiências reais de migração, favorecendo a escuta, a valorização da diversidade cultural e o desenvolvimento de habilidades de registro escrito. Oriente-os a realizar a entrevista em grupo, sempre acompanhados de um responsável, e a reproduzir o roteiro no caderno, para registrar as respostas. É importante incentivá-los a ouvir com respeito, dar tempo para que o entrevistado conte suas memórias e, ao final, refletir com a turma sobre os aspectos comuns e diferentes nas histórias compartilhadas, relacionando-os ao tema da formação cultural do Brasil. Explique que escutar a experiência de vida de pessoas imigrantes ou descendentes deles é um ato de valorização da diversidade e de combate a preconceitos.

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• ALBERTI, Verena. Ouvir contar: textos em história oral. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. O livro apresenta a história oral como uma metodologia que valoriza a experiência individual e coletiva, resgatando memórias que, muitas vezes, ficam à margem dos registros oficiais. A autora destaca que a oralidade é um recurso fundamental para compreender os processos históricos sob a perspectiva dos sujeitos comuns, permitindo que vozes, antes silenciadas, sejam ouvidas.

• MEIHY, José Carlos Sebe Bom; HOLANDA, Fabíola. História oral: como fazer, como pensar. São Paulo: Contexto, 2019. O livro é uma referência para compreender a metodologia da história oral. Nessa obra, os autores discutem conceitos, técnicas e cuidados necessários ao realizar entrevistas e trabalhar com relatos pessoais como fontes históricas.

MODELO PARA COPIAR
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Ao discutir a migração de brasileiros para outros países e a chegada de novos imigrantes ao Brasil, explique que esses deslocamentos são fenômenos globais que ocorrem em praticamente todas as sociedades. Ressalte que migrar não é apenas mudar de território: envolve reconstruir vínculos, adaptar-se a uma nova língua, a outro clima e cultura, além de enfrentar, muitas vezes, situações de preconceito ou exclusão.

Mostre aos estudantes que tanto os brasileiros que vivem fora quanto os imigrantes que chegam ao país carregam consigo experiências culturais ricas, capazes de transformar as sociedades de acolhida. Comente que a migração representa também um processo de troca: ao mesmo tempo que se compartilham costumes e saberes com outros lugares, também se recebem influências e novas formas de viver. Essa abordagem promove o desenvolvimento das habilidades EF04HI09 e EF04HI11.

Valorize a leitura e interpretação dos dados apresentados no gráfico. Explique que os gráficos de barras são recursos visuais que facilitam a comparação entre informações – nesse caso, os países que concentram o maior número de brasileiros residentes no exterior em 2023. Proponha perguntas que promovam a reflexão, como: por que alguns países concentram mais brasileiros? Quais fatores (trabalho, estudo, vínculos familiares) podem explicar esses dados? Existe relação entre a migração de brasileiros para fora do país e a chegada de imigrantes ao Brasil?

Incentive-os a perceber que, por trás dos números, existem histórias de pessoas e famílias que buscaram construir suas vidas em outros lugares.

Na atividade 1, espera-se que os estudantes reconheçam que o país que recebeu mais imigrantes brasileiros foram os Estados Unidos. Chame a

Brasileiros no exterior

O Brasil sempre recebeu pessoas de outros países, que vieram morar aqui em busca de novas oportunidades. Mas você sabia que muitos brasileiros também deixam o país para viver em outros lugares?

A partir da década de 1980, um número crescente de brasileiros começou a se mudar para o exterior. Os destinos mais procurados naquela época eram o Japão, os Estados Unidos e o Paraguai. Essas pessoas buscavam melhores condições de trabalho e de vida.

Nas últimas décadas, essa migração continuou. Atualmente, muitos brasileiros também escolhem países da Europa, como Portugal, Reino Unido e Itália. Os motivos para essa mudança se tornaram muito variados. Algumas pessoas ainda saem do Brasil em busca de melhores oportunidades de trabalho, já outras procuram segurança, querem estudar ou ter mais qualidade de vida.

Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, em 2023, cerca de 4,9 milhões de brasileiros e brasileiras viviam fora do país. Observe o gráfico a seguir.

EstadosUnidosPortugalParaguaiReinoUnidoJapãoAlemanhaEspanha ItáliaCanadáArgentina

SONIA VAZ Fonte: BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Comunidades brasileiras no exterior: ano-base 2023. Brasília, DF: MRE, 2024. p. 5. Disponível em: https:// www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/BrasileirosnoExterior2023.pdf. Acesso em: 5 ago. 2025.

1 De acordo com o gráfico, qual país recebeu mais imigrantes brasileiros?

O país que recebeu mais imigrantes brasileiros são os Estados Unidos.

2 Se você fosse morar em outro país com a sua família, o que você levaria para representar a cultura brasileira? Converse com os colegas.

Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

atenção para qual barra é maior para identificar os valores mais altos. Uma possível razão para esse destino é a busca por melhores oportunidades de trabalho e de vida.

A atividade 2 convida os estudantes a refletir sobre a diversidade cultural do Brasil e a pensar em elementos que representam nossa identidade cultural em outros lugares do mundo.

CONEXÃO

PARA OS ESTUDANTES

• ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA REFUGIADOS BRASIL. Brasília, DF, c2025. Site. Disponível em: https://www.acnur.org/br/. Acesso em: 19 set. 2025.

O site reúne informações, relatórios e materiais educativos sobre refugiados no Brasil e no mundo. Oferece dados sobre acolhimento, direitos humanos, xenofobia e integração social, que podem ser trabalhados pelo professor em diálogo com os conteúdos do livro.

Maiores comunidades brasileiras por país (2023)
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
País

A imigração para o Brasil na atualidade

Nas últimas décadas, o Brasil continuou a receber milhares de estrangeiros. As origens desses imigrantes são variadas, desde países da América (haitianos, venezuelanos, bolivianos, paraguaios) até países da Ásia e da África (chineses, indianos, angolanos).

As motivações não são apenas busca por uma vida melhor, por trabalho e por novas oportunidades. Uma parte desses imigrantes procura refúgio e proteção humanitária, motivada por guerras, conflitos, desastres naturais, entre outras situações.

Embora o Brasil seja um país com tradição no acolhimento de pessoas imigrantes e refugiadas, ainda existem desigualdades no modo como diferentes grupos são recebidos. Observe a tirinha a seguir sobre esse tema.

Apesar desses desafios, o Brasil tem avançado na criação de políticas públicas que buscam integrar migrantes e refugiados, oferecendo acesso a serviços, programas sociais e oportunidades no mercado de trabalho.

O migrante é uma pessoa que sai do próprio país para viver em outro, por motivos como trabalho, estudo, entre outros. Já o refugiado precisa deixar o próprio país por correr risco de vida por causa de guerra, perseguição ou outras situações muito graves. Não pode contar com a proteção de seu país de origem e precisa ser acolhido por outro país.

FIQUE LIGADO

• PARAGUASSU, Fernanda. A menina que abraça o vento: a história de uma refugiada congolesa. Ilustrações: Suryara Bernardi. Belo Horizonte: Vooinho, 2017. Esse livro conta a história de Mersene, uma menina que fugiu da guerra em seu país e veio morar no Brasil com a mãe e os irmãos. Com saudade do pai, ela inventa uma brincadeira com o vento para se lembrar dele.

1 O que a tirinha pode nos fazer pensar sobre como diferentes imigrantes são recebidos no Brasil? Escreva suas conclusões no caderno. Espera-se que os estudantes percebam que a tirinha mostra uma situação de desigualdade no tratamento dado a diferentes grupos de imigrantes.

27/09/25 06:21

PARA OS ESTUDANTES

• DATAMIGRA BI. Brasília, DF, c2025. Site. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJr IjoiMzg3NjRmYjktNWI5Mi00YTI0LThiZDctNWFjNDA4ZTkxZWExIiwidCI6ImVjMzU5YmEx LTYzMGItNGQyYi1iODMzLWM4ZTZkNDhmODA1OSJ9&pageName=2a555d64be07f5353cb. Acesso em: 19 set. 2025.

Essa plataforma de referência sobre migração no Brasil disponibiliza relatórios, gráficos e análises atualizadas sobre fluxos migratórios, incluindo brasileiros no exterior e imigrantes que chegam ao país. É útil para trazer dados recentes para a sala de aula e enriquecer debates.

Caso considere pertinente, retome com a turma a fotografia da abertura de unidade. Em seguida, promova a leitura compartilhada da tirinha. Ela propõe uma reflexão sobre como determinados imigrantes, principalmente os provenientes de países da América Latina ou da África, muitas vezes sofrem preconceito, enquanto outros, como os europeus, tendem a ser tratados com mais simpatia. A tirinha pode ser explorada em sala de aula com uma conversa cuidadosa sobre o que é a xenofobia, reforçando a importância do respeito e da igualdade no acolhimento de todas as pessoas, independentemente de sua origem. Oriente a turma a refletir sobre como o preconceito pode atingir de maneira desigual diferentes grupos de migrantes, dependendo de sua origem, tom de pele, classe social ou religião. Promova a interdisciplinaridade com o componente curricular de Geografia, mostrando como os deslocamentos populacionais estão ligados a fatores como economia, conflitos, desigualdades regionais ou desastres ambientais. Essa abordagem favorece o desenvolvimento do TCT Educação em direitos humanos e das habilidades EF04HI09, EF04HI10 e EF04HI11.

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• PATARRA, Neide. Migrações internacionais: teorias, políticas e movimentos sociais. Estudos Avançados, São Paulo, v. 20, n. 57, p. 7-24, ago. 2006. Disponível em: https:// doi.org/10.1590/S0103 -40142006000200002. Acesso em: 22 set. 2025. A autora analisa os fluxos migratórios recentes, destacando tanto a saída de brasileiros para o exterior quanto a chegada de novos imigrantes.

CONEXÃO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BECK, Alexandre. [Quando se fala contra imigrantes da Bolívia, Congo ou Haiti...]. 2022. 1 tirinha, color.

ENCAMINHAMENTO

Aproveite a seção Criança cidadã para aprofundar a reflexão sobre a migração como um direito humano e o papel da escola na promoção da inclusão. Explique aos estudantes que práticas de acolhimento não se limitam a gestos simbólicos, envolvendo também atitudes concretas que ajudam a construir ambientes de respeito, pertencimento e solidariedade. Traga exemplos do cotidiano: aprender a cumprimentar alguém em sua língua de origem, compartilhar brincadeiras típicas, oferecer ajuda para compreender a rotina da escola ou convidar novos colegas para participar de atividades em grupo.

Mostre que acolher significa também reconhecer e valorizar a cultura do outro, entendendo que a diversidade fortalece tanto a comunidade escolar quanto a sociedade em geral. Ressalte ainda que políticas públicas, como a Operação Acolhida, só são efetivas quando acompanhadas por ações locais que garantem dignidade e respeito no dia a dia.

Na atividade 1, ressalte que esta é uma oportunidade para os estudantes colocarem em prática o que aprenderam sobre acolher pessoas de outros lugares. Sugira que realizem a proposta em pequenos grupos ou individualmente, organizando as ideias no caderno. Incentive a criatividade e a empatia nas ações planejadas. Estabeleça diálogo com o TCT Educação em direitos humanos, reforçando que a convivência baseada na igualdade e no respeito é parte fundamental da cidadania.

Ao final, avalie se os estudantes reconhecem a importância do acolhimento como prática de cidadania e se propõem ações criativas e viáveis para incluir colegas imigrantes ou refugiados no ambiente escolar. Observe se valorizam a diversidade cultural, se

CRIANÇA CIDADÃ

Migração: diversidade e inclusão

Como estudamos, o Brasil é conhecido por ser um país com tradição no acolhimento de pessoas migrantes e refugiadas. Esse acolhimento contribui para a promoção da igualdade, a garantia de direitos e, principalmente, o enriquecimento cultural e social, já que o contato com esses grupos permite a troca de conhecimentos e experiências.

Assim, ao acolher migrantes e refugiados, a sociedade demonstra solidariedade com o outro e oferece oportunidades para o desenvolvimento de um ambiente com mais diversidade e inclusão.

Operação Acolhida

A Operação Acolhida é uma ação humanitária criada em 2018 e organizada com o apoio do governo federal, dos estados, dos municípios, da sociedade civil e da Organização das Nações Unidas (ONU).

demonstram atitudes de empatia e solidariedade e se conseguem articular o aprendizado sobre migração com situações concretas do cotidiano. Mais do que respostas certas, é importante perceber se conseguem transformar o conhecimento histórico em reflexões e iniciativas que promovam uma convivência respeitosa e inclusiva.

Ela acolhe migrantes e refugiados e funciona em três etapas:

• organização da chegada nas fronteiras;

• acolhimento com abrigo, alimentação e cuidados de saúde;

• interiorização, que é o deslocamento dessas pessoas para outras cidades do país, onde elas possam recomeçar a vida.

Até 2024, mais de mil cidades brasileiras já acolheram migrantes e refugiados vindos da Venezuela. Com isso, além de oferecer ajuda, as pessoas dessas cidades passaram a conviver com uma nova cultura, a aprender um segundo idioma, o espanhol, e a contar com novas formas de contribuir para a vida da comunidade.

1 Imagine que novos estudantes imigrantes e refugiados foram matriculados na escola onde você estuda e sua turma ficou responsável por acolhê-los. Registre no caderno um plano com ideias para recebê-los bem.

Para organizar suas propostas, utilize o roteiro a seguir.

a) Elabore um cartão de boas-vindas com uma mensagem acolhedora.

b) Planeje um passeio pela escola com descrição do trajeto e dos principais espaços que serão apresentados.

c) Crie um jogo com perguntas e respostas para que todos possam se apresentar e compartilhar algo sobre si. Veja comentários e orientações no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

Imigrantes são recebidos pela Operação Acolhida, em Pacaraima (RR), em 2024.

27/09/25 06:21

• CANDAU, Vera Maria. Direitos humanos, educação e interculturalidade: as tensões entre igualdade e diferença. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 37, p. 45-56, jan./abr. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/5 szsvwMvGSVPkGnWc67BjtC/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 17 set. 2025. A obra de Vera Maria Candau discute o papel da educação na promoção dos direitos humanos em contextos de diversidade cultural. A autora enfatiza os desafios que a escola enfrenta ao lidar com desigualdades e diferenças, propondo uma perspectiva intercultural. Candau analisa as tensões entre igualdade e diferença, apontando limites e possibilidades da educação em direitos humanos. O texto problematiza a homogeneização cultural e valoriza a construção de relações respeitosas.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Reconhecer a evolução dos meios de comunicação, desde a cultura oral até as tecnologias digitais atuais.

• Comparar como diferentes meios de comunicação influenciaram a vida das pessoas em distintos momentos históricos.

• Refletir sobre os impactos sociais e culturais que as transformações nos meios de comunicação provocam em diferentes grupos sociais.

BNCC

HABILIDADES

(EF04HI02) Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.).

(EF04HI08) Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

TEMAS

CONTEMPORÂNEOS

TRANSVERSAIS (TCTs)

• Ciência e tecnologia.

• Educação em direitos humanos.

• Saúde.

2

A IMPORTÂNCIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Você já observou que utilizamos diferentes aparelhos para nos comunicar com as pessoas que estão longe de nós? Os aparelhos celulares, os telefones fixos, os computadores com acesso à internet são alguns exemplos disso.

SÉCULO 15

Invenção da imprensa, o que permitiu a criação dos primeiros jornais.

Retrato de Johannes Gutenberg, de autor desconhecido, século 17. Gutenberg inventou a prensa de tipos móveis de metal.

DÉCADA DE 1920

Primeiras transmissões de rádio no Brasil.

1808

Publicação dos primeiros jornais brasileiros.

Estação de radiotelefonia no morro do Corcovado, no Rio de Janeiro (RJ), em 1922.

Primeira página da Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808.

1876

Invenção do telefone.

DÉCADA DE 1930

Invenção da televisão e primeiras transmissões em alguns países da Europa.

Um dos primeiros modelos de telefone, em 1877.

DÉCADA DE 1950

Primeiras transmissões televisivas no Brasil.

ENCAMINHAMENTO

Um dos primeiros modelos de televisão, na Alemanha, em 1935.

Bastidores de um programa da TV Tupi, em São Paulo (SP), em 1952.

Inicie o conteúdo solicitando aos estudantes que observem o painel de fotografias. Explique que ele mostra uma linha evolutiva dos meios de comunicação, da invenção da imprensa no século XV até o início do uso comercial da internet no Brasil nos anos 1990. Oriente a análise em três dimensões:

• progressão histórica: observar a ordem cronológica e como cada inovação transformou a forma de comunicar;

• impacto social e cultural: refletir sobre mudanças no cotidiano – a imprensa ampliou a circulação de informações; o rádio e a TV trouxeram notícias e entretenimento em tempo real; e a internet possibilitou a comunicação global instantânea;

• contexto brasileiro: destacar como essas invenções também chegaram ao Brasil, conectando o global ao local.

Esses aparelhos são chamados de meios de comunicação. Ao longo do tempo, as sociedades criaram diferentes meios de comunicação para transmitir informações importantes. Novas tecnologias modificaram a forma como as sociedades se comunicam e ajudaram a encurtar as distâncias entre pessoas e grupos que vivem longe uns dos outros. Observe o esquema destas duas páginas para conhecer um pouco mais a respeito dessa história e seus principais acontecimentos no Brasil.

1 Como você acredita que as sociedades se organizavam antes da invenção desses meios de comunicação? Discuta esse tema com seus colegas. Resposta pessoal. Veja comentários no Encaminhamento

1895

Invenção do cinema

1954), inventores do cinema, em 1890.

1896

Invenção do rádio.

Guglielmo Marconi (18741937), físico italiano e inventor do rádio.

DÉCADA DE 1970

Desenvolvimento do computador pessoal e da internet.

Programadora testa microcomputador, em Los Angeles, Estados Unidos, em 1975.

ATENÇ ÃO

Os intervalos de tempo não foram representados de modo proporcional.

1907

Primeiras exibições comerciais de cinema no Brasil.

DÉCADA DE 1990

Início da internet comercial no Brasil.

usa

129

Faça perguntas para guiar a leitura do painel, como: qual foi a primeira grande invenção mostrada? O que mudou na vida das pessoas com o telefone, o rádio, a televisão ou a internet? Há semelhanças entre a chegada do rádio/da televisão e a chegada da internet ao Brasil? Quais desses meios ainda fazem parte do nosso dia a dia?

planejamento, como no uso das cartas. Hoje, podemos enviar e receber informações em tempo real, conectando pessoas em qualquer lugar do mundo.

Na atividade 1, incentive os estudantes a imaginar como era a vida social antes da invenção dos meios modernos de comunicação e a refletir sobre isso. Oriente a discussão destacando que, em diferentes épocas, as pessoas recorriam a formas diretas e presenciais de comunicação, como conversas em praças, feiras, igrejas ou reuniões comunitárias, além de mensagens escritas (cartas, pergaminhos) e de mensageiros que levavam recados de um lugar a outro.

Incentive-os a pensar em aspectos práticos como: de que maneira as notícias circulavam? Como líderes e governantes mantinham a população informada? Que estratégias eram usadas para manter contato entre longas distâncias? É importante valorizar as hipóteses levantadas pelos estudantes e, ao final, ajudá-los a perceber que, mesmo sem os recursos atuais, as sociedades sempre criaram meios de comunicação para garantir a organização da vida coletiva. Essa abordagem favorece o desenvolvimento da habilidade EF04HI08 e mobiliza o TCT Ciência e tecnologia.

PARA O PROFESSOR

20:13

Explique o significado de meios de comunicação: ferramentas criadas pelas sociedades para trocar informações, ideias e sentimentos. Relacione com o cotidiano dos estudantes (celulares, computadores, internet, televisão, cinema, streamings) e lembre-os de jornais e revistas, menos presentes hoje.

Mostre que os meios de comunicação mudaram ao longo do tempo, com o surgimento de novos (internet) e o declínio de outros (cartas). Há também permanências históricas, como a imprensa, inventada no século XV e ainda hoje utilizada, mesmo com a expansão dos jornais digitais.

Finalize destacando como a comunicação instantânea revolucionou a vida contemporânea. Lembre os estudantes de que, no passado, as mensagens demoravam para chegar e exigiam

• BURKE, Peter; BRIGGS, Asa. Uma história social da mídia: de Gutenberg à internet. Tradução: Maria Carmelita Pádua Dias. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. Nesse estudo, os autores analisam as transformações nas práticas de comunicação desde a invenção da imprensa até a era digital, refletindo sobre os impactos sociais do desenvolvimento de novas mídias e formas de expressão.

CONEXÃO
Os irmãos franceses Louis Lumière (1864-1948) e Auguste Lumière (1862-
Cine Pathé, no Rio de Janeiro (RJ), em 1919.
Mulher
computador conectado à internet em São Paulo (SP), em 1999.

ENCAMINHAMENTO

Ao trabalhar a temática da importância da imprensa no Brasil, é possível explorar a ideia de que até o final do século XX, a principal forma de acesso aos jornais era por meio da compra dos exemplares em bancas de jornal ou por meio de assinaturas domiciliares.

Nas cidades brasileiras, ainda há estabelecimentos comerciais dedicados à venda de jornais e revistas, as chamadas bancas de jornal. Esses estabelecimentos são pequenas construções localizadas em uma faixa das calçadas de pedestre. Antes da popularização da internet, mais pessoas tinham o hábito de frequentar esses espaços para a compra de jornais e revistas, que trazem informações e lazer.

As bancas de jornais tiveram seu ápice no Brasil entre as décadas de 1960 e 1990, período marcado pelo avanço das taxas de alfabetização e pela diversificação da publicação de jornais e revistas. Porém, ao longo das primeiras décadas do século XXI, esses estabelecimentos começaram a perder força e popularidade. Muitas bancas fecharam e outras se adaptaram, passando a vender produtos variados.

O grande responsável pela queda da popularidade das bancas de jornal foi o declínio do consumo de jornais e revistas impressos. A difusão dos materiais digitais, pagos e gratuitos, levou a uma queda na circulação dessas publicações.

Esse exemplo é uma excelente oportunidade para explorar as mudanças e permanências nos meios de comunicação e como isso resulta em impactos sociais relevantes. O hábito de ir às bancas de jornal contribuiu para o fortalecimento de práticas de sociabilidade, pois a banca não era apenas um local de consumo, mas de informação. Além disso, os jornais digitais nem sempre são acessados

A ORIGEM DA IMPRENSA NO BRASIL

A história da imprensa no Brasil começou há mais de 200 anos. Em 1808, os dois primeiros jornais brasileiros foram criados: o Correio Braziliense, publicado na Inglaterra e trazido de navio para o Brasil, e a Gazeta do Rio de Janeiro, com sede no Brasil.

Nas décadas seguintes, outros jornais começaram a ser publicados no país, como o Jornal do Comércio (1827), o Correio Paulistano (1854), o Jornal do Recife (1859), entre muitos outros.

Nesse período, os jornais eram impressos em papel e vendidos aos clientes. Até a introdução dos programas de rádio na década de 1920, a única forma de jornal existente no Brasil era o jornal impresso. Por isso, apenas as pessoas alfabetizadas (os mais ricos) tinham acesso às notícias e se informavam sobre o que acontecia no país.

1. Resposta pessoal. Oriente os estudantes a perguntar para os adultos de sua convivência. Com o declínio das vendas dos jornais impressos, muitos municípios do Brasil deixaram de receber exemplares para serem vendidos.

Primeira página do Diario do Rio de Janeiro, publicado no Brasil a partir de 1821.

1 Com a difusão da internet, muitos jornais deixaram de existir na forma impressa e passaram a circular somente online. Há, no município em que você mora, algum ponto de venda que comercialize jornais e revistas impressas?

em sua integralidade, uma vez que as pessoas podem consultar apenas informações parciais que despertam seu interesse imediato.

Assim, há mudanças na maneira como as pessoas se informam, já que o jornal, como um meio coerente de organização das informações segundo a lógica editorial de cada publicação, perdeu força.

A imprensa e a luta contra a desigualdade

Desde o século 19, a imprensa foi utilizada como instrumento na luta por maior igualdade social no Brasil. Diversos movimentos sociais, como o das mulheres, o das pessoas negras ou o dos operários, utilizaram a imprensa para defender suas ideias.

A imprensa negra atuou na luta contra a escravidão desde o começo dos jornais no Brasil, como em 1833 com o jornal O Homem de Cor, do jornalista Francisco de Paula Brito (1809-1861), no Rio de Janeiro (RJ). Muitos outros jornais foram lançados ao longo da segunda metade do século 19 a favor da abolição da escravidão e contra o racismo na sociedade brasileira.

A imprensa feminina foi muito importante na luta pelo direito de voto das mulheres. Esse direito só foi conquistado na década de 1930.

Nas primeiras décadas do século 20, a imprensa operária ganhou força no país, incentivando os trabalhadores das fábricas a lutar por seus interesses e por melhores condições de vida.

Antonieta de Barros (1901-1952) foi uma das pioneiras do jornalismo feminino. Também foi a primeira deputada estadual negra do Brasil, eleita por Santa Catarina.

1 Você conhece algum jornal de sua comunidade, tanto impresso quanto online? Responda no caderno. Veja resposta e comentários no Encaminhamento

26/09/25 20:13

Comente com a turma que Antonieta de Barros defendia os direitos das mulheres e o acesso à educação.

A atividade 1 apresenta resposta pessoal. Peça aos estudantes que compartilhem as respostas com a turma e, se possível, mostrem exemplares desses jornais, impressos ou digitais, para que todos possam conhecê-los.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Primeira página do jornal A Voz da Raça, um exemplo da imprensa negra no Brasil, em São Paulo (SP), em 1933.
ACERVO FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL, RIO DE JANEIRO, RJ

ORGANIZE-SE

Para realizar a atividade proposta na seção Mão na massa, providencie junto aos estudantes: cola escolar, folhas de papel sulfite, régua e tesoura com pontas arredondadas.

ENCAMINHAMENTO

A seção Mão na massa aborda a participação, a convivência e a circulação de informações na comunidade escolar. Antes de iniciar a atividade, é oportuno selecionar outros exemplos de materiais jornalísticos além do que consta no Livro do estudante.

Em sala de aula, é possível apresentar esses exemplos e explorá-los de forma detalhada com a turma. Vale examinar as diferentes seções de um jornal, os elementos textuais e visuais que são mobilizados para transmitir as informações de forma clara e acessível. Também é oportuno analisar as divisões internas de uma publicação jornalística, inclusive mencionando que os jornais podem apresentar seções; colunas que expressam pontos de vista dos autores do texto; editoriais, que revelam a opinião do veículo; e textos informativos, que buscam uma narrativa mais descritiva de determinados acontecimentos.

Depois de apresentar as particularidades da linguagem jornalística, é oportuno organizar uma discussão prévia para ajudar os estudantes a identificar possíveis temas que poderão ser explorados. Nessa perspectiva, é importante reforçar que os jornais vão compartilhar informações pertinentes à turma ou à escola como um todo. É possível explorar acontecimentos importantes da escola, atividades especiais que merecem destaque, celebrações, disputas esportivas, aspectos da história da escola, demandas dos estudantes, entre outras possibilidades.

Caso mais de um grupo deseje investigar a mesma temá-

MÃO NA MASSA

O jornal da turma

Os jornais podem ser utilizados para as mais diversas finalidades. Algumas pessoas, por exemplo, produzem os jornais de bairro, que compartilham informações importantes da comunidade. Há também empresas e escolas que organizam a publicação de jornais que trazem informações úteis para todas as pessoas que participam desses espaços.

Vamos, agora, fazer um jornal que contenha informações importantes de sua sala de aula e sua escola. Essa publicação pode reunir entrevistas com funcionários, informações sobre algum evento que vai ocorrer na escola, algum fato importante ocorrido na escola recentemente, uma data que precisa ser lembrada por todos, entre outros exemplos.

Com a ajuda de seu professor, cumpra o roteiro a seguir.

Materiais

• Cola escolar

• Folhas de papel sulfite

• Régua

• Tesoura com pontas arredondadas

Como fazer

1 Forme um grupo com cinco colegas.

ATENÇ ÃO

Utilize uma tesoura com pontas arredondadas e peça auxílio de um adulto para recortar as figuras

2 A proposta da atividade é criar um pequeno jornal com duas páginas. Cada página deve ter uma notícia principal e dois artigos menores. Observe o exemplo na página seguinte.

3 Converse com os colegas e escolham um nome para o jornal e os temas que serão explorados nas duas páginas (duas notícias principais e quatro artigos menores). Depois de escolherem, mostrem o que concluíram para seu professor e verifiquem se está tudo certo.

4 Em grupo, façam o rascunho dos textos que vão compor o jornal. Escolham fotografias ou criem ilustrações para acompanhar as notícias principais.

5 Façam as correções necessárias no rascunho.

tica, é possível lembrá-los de que cada jornal pode apresentar o mesmo tema com pontos de vista diferentes, evidenciando, assim, como cada pessoa ou grupo se expressa a partir de determinado lugar.

A produção dos rascunhos é uma etapa importante. É válido acompanhar os grupos durante essa etapa, contribuindo para a correção de erros e sugerindo ajustes que esclareçam as informações apresentadas.

O jornal pode ser criado de forma impressa, utilizando folhas de papel sulfite, mas também é possível usar ferramentas digitais. Existem plataformas gratuitas que podem ajudar a criar os jornais, mas é importante acompanhar os estudantes na utilização dessas ferramentas.

Para avaliar a aprendizagem dos estudantes nesta proposta, observe não apenas o produto final do jornal, mas também o processo de construção coletiva. Valorize a habilidade de selecionar informações relevantes, a clareza na organização das ideias e o uso adequado da linguagem jornalística. Atente-se à forma como os estudantes trabalharam em grupo, dividindo funções, respeitando as opiniões dos colegas e integrando diferentes pontos de vista na produção do material.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

6 Depois de finalizado o texto, iniciem a preparação do jornal. Para isso, utilizem folhas de papel sulfite. Criem as divisões das seções nas duas folhas. É importante reservar espaço para inserir as imagens e os textos. Além disso, os textos devem ter espaço para o título.

7 Após finalizar a divisão, passem o texto dos rascunhos para o jornal e colem as fotografias e ilustrações.

8 Com o jornal pronto, compartilhem o trabalho com o restante da escola.

133

Verifique, ainda, a compreensão sobre as diferenças entre textos opinativos e informativos, avaliando se conseguiram identificar e aplicar tais distinções em suas produções. É importante considerar o desenvolvimento da autonomia e da criatividade, bem como a pertinência dos temas escolhidos em relação ao cotidiano escolar. Por fim, incentive a autoavaliação: peça que cada estudante ou grupo reflita sobre as principais aprendizagens do processo, sobre o que funcionou bem e sobre o que poderia ser aprimorado em futuras produções. Essa prática favorece a consciência crítica e a consolidação das competências comunicativas.

01/10/25 11:29

ATIVIDADES

Proponha que cada grupo elabore também uma seção de “Cartas do leitor”, fictícia ou real. Os estudantes podem imaginar perguntas, elogios ou críticas que leitores fariam ao jornal da turma e redigir respostas. Essa atividade ajuda a perceber o caráter interativo da comunicação jornalística, mostrando que ela envolve diálogo entre quem escreve e quem lê, além de estimular a escrita argumentativa.

Exemplo de primeira página do Jornal da Turma

ENCAMINHAMENTO

Mostre a fotografia e peça aos estudantes que a examinem com atenção. Pergunte o que eles observam: quem são as pessoas, o que elas estão fazendo, como parecem estar se sentindo. Incentive os estudantes a imaginar o que poderia estar sendo transmitido no rádio: uma notícia, uma música, uma novela etc. Explique que esse meio de comunicação preencheu uma importante lacuna na circulação de informações a partir das décadas iniciais do século XX. Naquele período, os índices de analfabetismo eram muito elevados no país, dificultando o acesso à informação para amplas camadas da população. Os jornais impressos, por exemplo, só eram acessíveis àqueles que sabiam ler.

Nesse cenário, o rádio foi o primeiro meio de comunicação de amplo alcance que podia ser aproveitado por todos. Além disso, o rádio se tornou um meio de lazer muito popular, transmitindo programas de variedades, esportivos, musicais e outras emissões que marcaram o cotidiano do país até o advento da televisão.

A partir da segunda metade do século XX, o rádio perdeu seu protagonismo entre os meios de comunicação do país, mas continuou sendo uma importante forma de informação e lazer. Além disso, com o desenvolvimento da internet, rádios online se popularizaram e os podcasts foram inventados. Dados divulgados por uma plataforma digital de acesso a músicas e podcasts indicam que em 2023 houve um aumento de 36% na produção de podcast entre janeiro e setembro no país. Além disso, no mesmo período, houve um aumento de 28% da audiência dos podcasts. Confira essa informação e outras no site sugerido no boxe Conexão, a seguir.

O RÁDIO

O rádio é um meio de comunicação desenvolvido no século 19 e que se popularizou no início do século 20. Nesse período, foram criadas as tecnologias necessárias para a transmissão de registros sonoros por longas distâncias.

No Brasil, as primeiras transmissões de rádio aconteceram em 1922. A novidade despertou grande interesse no país. Nos anos seguintes, surgiram as primeiras emissoras de rádio, quando os aparelhos começaram a ser comprados por parte da população.

Inicialmente, os rádios eram caros e, por isso, nem todos tinham recursos para comprá-los. Era comum, portanto, que as pessoas das comunidades se reunissem para ouvir programas populares ou se informar por meio do radiojornalismo.

Outro ponto que merece destaque é que o consumo de podcast é ainda mais intenso entre as camadas mais jovens da população. Isso significa que essa linguagem dialoga diretamente com os interesses e as expectativas dessa população. Nessa perspectiva, é possível propor uma atividade complementar aos estudantes para a organização de um podcast explorando aspectos importantes do cotidiano escolar.

Família escuta programa de rádio no Rio de Janeiro (RJ), em 1942.

A importância do rádio no Brasil

Na década de 1930, os rádios se tornaram populares no Brasil, o que contribuiu para a disseminação de informações em regiões distantes do país. Isso foi muito importante, já que, naquela época, o acesso aos meios de comunicação era limitado.

Até a chegada da televisão, na década de 1950, o rádio foi o principal meio de comunicação do país. Porém, esse meio nunca deixou de ser ouvido e ainda está presente nas casas, nos comércios e até nos celulares.

Ainda hoje, existem muitas rádios comunitárias que dão voz a diferentes setores da sociedade, como aos grupos indígenas e quilombolas.

afrodescendentes utilizam

1 Imagine que você é responsável pela criação de um programa de rádio que vai tratar de uma questão importante para sua escola. Qual tema você escolheria e por quê? Compartilhe suas ideias com seus colegas. Veja respostas e comentários no Encaminhamento.

26/09/25 20:13

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• FORLANI, Marcelo. Para Spotify, Brasil é o país do podcast. Omelete, São Paulo, 24 maio 2024. Disponível em: https://www.omelete.com.br/musica/spotify-brasil-podcast. Acesso em: 25 set. 2025. A notícia apresenta dados de acesso e produção de podcasts no Brasil.

A proposta da atividade 1 é motivar a reflexão dos estudantes a respeito da importância dos programas de rádio no mundo contemporâneo. Esse meio de comunicação ainda é muito presente no cotidiano, mesmo com a presença da internet. Incentive os estudantes a refletir sobre assuntos fundamentais para a comunidade, como a organização de espaços públicos, a existência de serviços de lazer e cultura na comunidade, a necessidade de melhoria na qualidade e a oferta dos principais serviços públicos, entre outras temáticas.

Comunicador Micael Eliabe, da etnia guarani ñandeva, opera mesa de som em 2024. Muitos líderes indígenas e
programas de rádio para dar voz às suas demandas.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

Ao analisar o papel da televisão como meio de comunicação, é importante lembrar que esse ainda é o meio mais utilizado pela população brasileira para se informar e para o lazer. Programas como novelas, filmes, seriados, infantis e de perfis variados são consumidos cotidianamente por amplas parcelas da população.

Pesquisadores estimam que, em 2025, 46% dos brasileiros tenham usado a televisão como principal fonte de informações. Os dados podem ser consultados no relatório (em inglês) Digital News Report 2025: Brazil, do Reuters Institute, disponível em: https:// reutersinstitute.politics.ox.ac. uk/digital-news-report/2025/ brazil (acesso em: 9 set. 2025).

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), 94,3% dos domicílios estão equipados com ao menos um aparelho de televisão. Os dados podem ser conferidos no documento Acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2023, disponível em: https://agenciadenoticias.ibge. gov.br/media/com_mediaib ge/arquivos/f070dbf1d5a8e94f f1d37b7b516e0eb5.pdf (acesso em: 9 set. 2025).

Nessa perspectiva, é possível propor aos estudantes que reflitam sobre os hábitos de uso da televisão em seus cotidianos. Para isso, convide-os a pensar sobre os programas a que eles assistem e o tempo gasto com televisão ao longo da semana. Também é possível propor aos estudantes que comparem o tempo que passam assistindo à televisão com o tempo dedicado a outros meios de comunicação, como o rádio e a internet.

Em sala de aula, essas informações podem ser usadas para refletir sobre o papel da televisão no cotidiano da turma, além de servir como ponto de

A TELEVISÃO

Você sabia que a televisão é um dos meios de comunicação mais populares no Brasil? É por meio dela que milhões de brasileiros se informam todos os dias.

A televisão exigiu o desenvolvimento de muitas tecnologias para possibilitar a transmissão de imagem e áudio a longa distância. As primeiras transmissões televisivas ocorreram na década de 1930, no Reino Unido.

No Brasil, a televisão começou a ser utilizada na década de 1950. Ainda assim, naquele período, os aparelhos eram muito caros e, por isso, apenas os mais ricos tinham acesso a eles.

Isso mudou atualmente. A televisão está presente em quase todos os domicílios brasileiros. Todos os dias, milhões de brasileiros assistem a jornais, filmes, novelas, seriados e programas diversos pelas televisões.

partida para promover comparações entre o presente e o passado. Nesse caso, é válido lembrar que, antes da popularização da internet, a televisão ocupava um papel ainda maior, sendo utilizada durante parte importante do tempo livre de amplas parcelas da sociedade brasileira.

A proposta da atividade 1 é incentivar a reflexão a respeito da temporalidade, promovendo a análise e a comparação de registros televisivos do passado e do presente. É importante incentivar os estudantes a identificar rupturas, ou seja, elementos que eles acreditam que não existem mais no presente, mas também permanências, ou seja, semelhanças entre os programas do passado e do presente. Caso julgue oportuno, esta atividade pode ser desenvolvida de forma coletiva em sala de aula, selecionando previamente trechos de programas televisivos que serão exibidos aos estudantes.

A análise dos programas infantis do passado é um importante instrumento para promover o pensamento histórico dos estudantes. Com isso, é possível auxiliar a turma a exercitar a análise de diferentes registros históricos, promovendo comparações para identificar rupturas e permanências. Essa abordagem propicia o desenvolvimento das habilidades EF04HI02 e EF04HI08.

O empresário de comunicação Assis Chateaubriand (1892-1968), com o microfone em mãos, em São Paulo (SP), em 1950. Chateubriand foi um dos pioneiros da televisão no Brasil e fundou a primeira emissora do país, a Tupi.

As transformações da televisão ao longo do tempo

Ao longo do século 20, a televisão passou por grandes transformações. As primeiras transmissões eram feitas em preto e branco. Na década de 1970, a transmissão colorida começou a se popularizar.

A partir da década de 1990, a televisão a cabo e a televisão digital ganharam força no Brasil, trazendo mais qualidade de imagem, diversidade de informações e lazer. Atualmente, com a internet, é possível assistir a canais televisivos de diversos países, o que contribui para uma maior circulação de informações.

Personagens do programa infantil Cocoricó, em São Paulo (SP), 2024. O programa era exibido pela TV Cultura e por diversas emissoras públicas do Brasil.

1 Converse com um familiar adulto sobre os programas infantis a que ele assistia quando criança e aos quais você ainda tem acesso. Compare alguns desses programas com aqueles aos quais você costuma assistir pela televisão. Quais diferenças chamaram sua atenção? E o que há de semelhante?

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

ATIVIDADES

26/09/25 20:13

Uma sugestão de complemento da atividade é propor aos estudantes que descrevam os programas populares no presente, destacando elementos que eles consideram importantes nessas produções. Com base nisso, é possível refletir sobre as diferenças entre os programas contemporâneos e trechos de emissões do passado. Um ponto que pode ser mencionado com frequência pelos estudantes são as inovações tecnológicas que possibilitam a criação de outros registros no presente. Mas também é possível incentivar a comparação de conteúdos e temas explorados nos programas antigos e atuais.

ENCAMINHAMENTO

Nas últimas décadas, o acesso à internet no Brasil se popularizou, resultando em um cenário no qual crianças de todas as idades utilizam aparelhos digitais por longos períodos do dia. Esse acesso tem pontos positivos e negativos, especialmente quando o uso da internet se torna excessivo ou ocorre de forma não supervisionada.

Assim, é oportuno refletir com os estudantes a respeito dos papéis sociais desempenhados pela internet, mas também sobre a importância do uso moderado das tecnologias digitais. Nessa perspectiva, um recurso que pode contribuir para a organização dessa discussão em sala de aula, além de identificar dados a respeito dos usos das telas digitais por crianças e adolescentes, é o Guia sobre usos de dispositivos digitais, lançado pelo governo federal brasileiro em 2025 e disponível em: https://www.gov.br/secom/ pt-br/assuntos/uso-de-telas-por -criancas-e-adolescentes/guia (acesso em: 19 set. 2025). Esse guia traz informações detalhadas sobre os contextos de uso de telas e dispositivos digitais, os direitos digitais de crianças e adolescentes, a questão do bem-estar digital e os riscos e oportunidades associados ao uso dessas tecnologias.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o uso excessivo de telas está associado a dificuldades de concentração, alterações no sono, sedentarismo e até problemas de visão em crianças e adolescentes. Por isso, especialistas recomendam limitar o tempo de exposição diária e sempre incentivar momentos de brincadeiras ao ar livre, de convívio familiar e de leitura. A internet e os dispositivos digitais podem trazer benefícios importantes, como acesso a informações, desenvolvimento de novas habilidades e contato com diferentes culturas, mas seu uso deve ser equilibrado para que não prejudique outras dimensões da vida.

A INTERNET

Você sabia que a internet é uma invenção muito recente? Há mais de 30 anos, quase ninguém tinha acesso à internet no Brasil. Seus familiares mais velhos, como pais e avós, possivelmente só começaram a utilizar a internet na adolescência ou já adultos.

Mesmo recente, a internet provocou grandes mudanças no modo como se vivia. As pessoas começaram a ter a opção de contratar serviços de internet no Brasil em 1994.

Aos poucos, o serviço de internet começou a se popularizar com o auxílio do computador pessoal. Na década de 2010, os aparelhos celulares com conexão à internet começaram a se tornar mais acessíveis, ampliando o acesso a esse meio de comunicação.

Transmissão de notícias

Pela internet, podemos ler jornais, revis tas e artigos de opinião de todo o planeta atualizados em tempo real.

Entretenimento

Compras

Atualmente, podemos comprar de tudo pela internet, como alimentos, roupas, ferramentas, brinquedos, entre outros.

Pela internet podemos assistir a programas divertidos, jogar com os amigos ou ouvir músicas, entre outras atividades de lazer. MYRONOVDESIGN/SHUTTERSTOCK.COM

Assim, é possível mobilizar as informações do guia para organizar uma discussão com os estudantes a respeito dos papéis desempenhados pelas telas no cotidiano, os cuidados que podem ser conduzidos pelo grupo para evitar excessos e como o uso consciente da internet é capaz de contribuir para a ampliação de conhecimentos, a interação com os outros e as práticas de lazer.

Atualmente, quase todos os domicílios brasileiros têm acesso à internet, principalmente pelos celulares. Leia no infográfico destas páginas algumas informações sobre os principais usos da internet no presente.

1 Converse com seus familiares a respeito dos usos da internet no convívio entre vocês. Para isso, cumpra os passos do roteiro a seguir.

a) Pergunte aos seus familiares quais são os principais usos que eles fazem da internet.

b) Peça que respondam qual é o impacto da internet na vida deles e como esse meio de comunicação mudou o cotidiano.

c) Registre no caderno o que você descobriu e compartilhe com os colegas em sala. Veja comentários no Encaminhamento

Comunicação

Existem diversos aplicativos e plataformas de troca de mensagens, áudios, imagens e vídeos que permitem a comunicação com qualquer pessoa pelo mundo. Além disso, com a internet, surgiu outro tipo de emissão semelhante à dos rádios: os podcasts. Essas emissões podem ser produzidas por qualquer pessoa, o que prova que o acesso a esse meio de comunicação foi popularizado.

Estudo

A internet é uma ferramenta muito utilizada para realizar cursos e estudar os mais variados temas.

3DJUSTINCASE/SHUTTERSTOCK.COM

Cuidado com a saúde

A internet permite a realização da telemedicina, ou seja, a consulta com médicos a distância.

29/09/25 06:47

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

• GUIMARÃES, Ueudison Alves et al As tecnologias digitais como recursos pedagógicos no ensino: implicações nas práticas docentes. Formiga: MultiAtual, 2024. Disponível em: https://www.editoramultiatual.com.br/2024/04/as-tecnologias-digitais-como-recursos.html. Acesso em: 19 ago. 2025. Esse guia digital oferece um panorama atualizado sobre como as tecnologias digitais – da internet à inteligência artificial e à realidade aumentada – podem ser integradas nos processos de ensino e aprendizagem.

A proposta da atividade 1 é motivar a reflexão dos estudantes sobre a importância da internet no cotidiano. Um tema que pode ser discutido durante a atividade é a utilização excessiva da internet no presente, lembrando que é primordial evitar o uso prolongado de telas e que existem evidências científicas do impacto disso na concentração e em outras capacidades cognitivas relevantes. Nesse caso, é válido lembrar que, embora a internet seja um instrumento eficiente para a comunicação, o uso excessivo dela não é recomendado para crianças, jovens e mesmo adultos.

Complemente a atividade pedindo aos estudantes que coletem dicas de segurança com seus familiares. Organize uma roda de conversa para que cada um compartilhe o que descobriu. Valorize as diferentes contribuições, anote as principais dicas na lousa e, ao final, construa com a turma uma lista coletiva de cuidados para usar a internet com segurança.

GOODSTUDIO/SHUTTERSTOCK.COM

ENCAMINHAMENTO

A seção Ideia puxa ideia está relacionada aos TCTs Ciência e tecnologia, Educação em direitos humanos e Saúde.

A seção propõe uma reflexão crítica sobre as formas de interação social na era digital. É importante destacar que, embora as tecnologias digitais favoreçam a comunicação a distância e ampliem as formas de lazer, elas também podem gerar isolamento quando usadas em excesso. Explique aos estudantes que a cena apresentada na atividade é um exemplo comum no cotidiano contemporâneo: famílias e amigos que, mesmo reunidos fisicamente, não compartilham experiências porque cada um está concentrado em seu dispositivo digital.

Aproveite a oportunidade para introduzir a noção de convivência equilibrada entre o uso das tecnologias e a interação presencial. Reforce a importância de cultivar momentos de diálogo e atividades coletivas que não dependam de telas. Essa discussão pode ser associada à ideia de bem-estar digital, presente em materiais oficiais de orientação sobre o uso de tecnologias por crianças e adolescentes.

Na atividade 4, espera-se que os estudantes respondam que a fala do pai tem um elemento irônico, uma vez que ele afirma gostar de estar junto da família. Porém, apesar de estarem todos reunidos, cada um se encontra isolado em seu mundo virtual. Explique para os estudantes que a ironia é uma figura de linguagem com a qual se diz algo querendo expressar o contrário, geralmente para causar um efeito cômico.

A proposta da atividade 5 é incentivar os estudantes a discorrer a respeito do isolamento social provocado muitas vezes pelo uso excessivo da internet.

IDEIA PUXA IDEIA

Uso da internet

A internet é um meio de comunicação que nos permite fazer muitas coisas. Porém, é preciso saber usá-la de modo consciente, pois ela também oferece muitos riscos. O uso excessivo das redes sociais e de jogos virtuais pode provocar distúrbios de sono e de alimentação e problemas de saúde físicos e mentais. Além disso, são muito comuns os casos em que adultos fingem ser crianças para tentar enganá-las.

Leia o cartum e o trecho da reportagem e, depois, responda o que se pede.

ALPINO. Tempos modernos. [S. l.]: Charges Alpino, 2019. Disponível em: https://charges.alpino.in/ wp-content/uploads/2024/12/TemposModernos.charge.jpg. Acesso em: 11 ago. 2025.

ATIVIDADES

Proponha que os estudantes, em duplas ou trios, criem uma tirinha que represente uma situação cotidiana envolvendo o uso excessivo de celulares ou computadores. Oriente-os a pensar em diálogos curtos, explorando a ironia ou o humor como recurso para evidenciar os contrastes entre o convívio presencial e o virtual.

Depois, organize uma pequena exposição na sala com todas as produções. Caso haja recursos disponíveis, também é possível utilizar ferramentas digitais simples para criar as tirinhas, ampliando o contato com linguagens visuais contemporâneas.

Na atividade 6, espera-se que os estudantes percebam que a internet, ao mesmo tempo que traz muitas facilidades para o dia a dia das pessoas, também oferece riscos, razão pela qual é importante saber utilizá-la de forma consciente. Auxilie na elaboração do texto, colocando de forma agrupada na lousa os aspectos positivos e negativos levantados pelos estudantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já demonstra preocupação com o impacto do uso prolongado de dispositivos digitais por crianças e adolescentes, reforçando a necessidade de acompanhamento e, em casos mais graves, intervenção profissional. A orientação é que pais e educadores mantenham diálogo constante e estejam atentos a mudanças de comportamento que possam sinalizar riscos à saúde mental. […]

[...] a primeira medida essencial para o cuidado dos mais novos é o diálogo e a interação entre pais e filhos, incluindo acompanhar suas atividades on-line e estabelecer limites claros, como restringir conteúdos inadequados para a idade. [...]

INTERNET sem monitoramento dos pais expõe crianças e adolescentes a riscos. Jornal da USP, São Paulo, 17 abr. 2025. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio -usp/internet-sem-monitoramento-dos-pais-expoe-criancas-e-adolescentes-a-riscos/. Acesso em: 7 ago. 2025.

1. Sim. A opinião do estudante deve ser valorizada, mas o importante é que ele consiga articular de maneira escrita o que ele pensa sobre o tema.

1 Segundo o trecho da reportagem, o uso prolongado de dispositivos digitais por crianças é considerado um problema? Explique no seu caderno se você concorda ou não com essa afirmação.

2 Quem são os personagens representados no cartum?

Um casal com três filhos. Dois dos filhos são jovens e o outro ainda é uma criança.

3 O que eles estão fazendo?

A criança, sentada no chão, está jogando videogame. Os demais, no sofá, estão concentrados em seus dispositivos conectados à internet.

4 Como você interpreta a fala do pai?

Veja resposta e comentários no Encaminhamento

5 Você já viu ou vivenciou alguma situação semelhante à que foi representada nesse desenho? Conte para os colegas o que você achou.

Resposta pessoal. Veja orientações no Encaminhamento

6 Em grupo, reúnam-se em uma roda de conversa e façam o que se pede.

a) Com base na leitura da reportagem e na observação do cartum, façam uma lista com cinco pontos positivos e cinco pontos negativos da internet.

b) Ainda na roda de conversa, discutam os pontos positivos e negativos levantados. Ao final, escrevam coletivamente um texto de no máximo dez linhas sobre a importância do uso consciente da internet.

Veja orientações no Encaminhamento

CONEXÃO

PARA O PROFESSOR

26/09/25 20:13

• LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução: Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. Esse livro é uma referência clássica para compreender como a internet e as tecnologias digitais transformaram as formas de comunicação, sociabilidade e produção de conhecimento. Apesar de não ser recente, sua abordagem ajuda o professor a refletir criticamente sobre a cultura digital e seus desdobramentos no cotidiano escolar.

ENCAMINHAMENTO

Na seção O que estudei, busca-se retomar os principais conteúdos trabalhados ao longo da unidade, com o objetivo de sistematizar e consolidar conceitos estudados. Essa sistematização não é apenas um momento de revisão, mas também de reflexão, no qual os estudantes são convidados a analisar o próprio percurso de aprendizagem e a realizar uma autoavaliação. Esse processo contribui para que cada estudante reflita sobre o que aprendeu, como aprendeu e quais aspectos ainda precisam de maior atenção.

Ao incentivar a reflexão sobre os conteúdos e a realização de uma autoavaliação, são oferecidos aos estudantes parâmetros para orientar suas atitudes, organizar seus estudos e fortalecer o próprio protagonismo no processo de aprendizagem. Explique à turma que este é o momento de retomar o que foi trabalhado ao longo da unidade, identificando avanços e reconhecendo eventuais dificuldades. Essa prática favorece o desenvolvimento de processos metacognitivos, ajudando cada estudante a compreender o próprio aprendizado e a perceber a evolução ocorrida. Na atividade 1. a), aproveite para destacar o contexto humanitário da crise migratória venezuelana e os programas brasileiros de acolhimento. No item b, ao afirmar que o Brasil é um país multiétnico, espera-se que os estudantes reconheçam a contribuição histórica de diferentes povos na formação cultural e social do país (indígenas, africanos, europeus, asiáticos e, mais recentemente, latino-americanos). No item c, oriente os estudantes a perceber que a imigração não é um fenômeno recente, mas parte da história brasileira desde o período colonial. O início do século XX é um exemplo de momento intenso de entrada de imigrantes. Essa atividade mobiliza as habilidades EF04HI09 e EF04HI11.

O QUE ESTUDEI

1. b) Porque, ao longo da história do país, pessoas oriundas de diversos locais do mundo se estabeleceram no Brasil, participando de maneira significativa da formação do povo brasileiro.

1 Leia a seguir o trecho de uma notícia a respeito da entrada de imigrantes no Brasil.

Em 2024, foram registrados 194 331 novos migrantes no Brasil. Os venezuelanos lideraram a lista das principais nacionalidades que solicitam autorização de residência (94 726 pessoas) […].

BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Brasil registra 194,3 mil novos imigrantes em 2024. Brasília, DF: MJSP, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/ noticias/brasil-registra-194-3-mil-novos-migrantes-em-2024. Acesso: 6 ago. 2025.

Imigrantes venezuelanos esperam atendimento no programa Operação Acolhida, em Boa Vista (RR), 2023.

a) De acordo com a reportagem, quantos imigrantes chegaram ao Brasil em 2024 e de onde veio a maior parte deles?

Chegaram 194,3 mil imigrantes, a maior parte da Venezuela.

b) Por que podemos afirmar que o Brasil é um país multiétnico?

c) A entrada de imigrantes no Brasil é algo exclusivo dos tempos atuais? Por quê?

Não, ao longo do tempo, pessoas de diferentes nacionalidades imigraram para o Brasil, principalmente na virada do século 19 para o 20.

2 No começo da década de 1920, os motoristas profissionais se organizaram para criar o jornal Voz do Chauffeur (Voz do Motorista) para lutar por direitos. A publicação existiu por cerca de dois anos. Leia a seguir um trecho de uma reportagem publicada por esse jornal. A grafia foi adaptada para a língua portuguesa de nossos dias.

Na atividade 2, comente com os estudantes que, no começo da década de 1920, os carros ainda eram uma novidade no Brasil. Apenas as pessoas ricas tinham condições de comprar um automóvel, importado dos Estados Unidos. Naquele tempo, era muito comum que os veículos fossem dirigidos por motoristas particulares, chamados então “chauffeur”. Essa palavra, de origem francesa, significa “motorista” e foi aportuguesada, sendo escrita como chofer. Em 1924, a associação dos motoristas do Rio de Janeiro lançou o jornal Voz do Chauffeur com o objetivo de defender os interesses dessa categoria profissional, composta, em sua maioria, de trabalhadores pobres, negros ou mestiços.

Na item b, espera-se que os estudantes respondam: estabelecer um número máximo de horas de trabalho, criar um fundo de reserva financeiro para as viúvas de motoristas vítimas de acidente de trânsito e construir um hospital e organizar eventos públicos para arrecadar verbas para ele. Pode-se comentar com os estudantes que, se os motoristas estabeleceram um limite de horas de trabalho, isso pode ser entendido como um indício de que eles eram obrigados a trabalhar muitas

2. a) O jornal foi um veículo da luta dos motoristas particulares por melhores condições de vida e de trabalho.

[…] tomamos a iniciativa de formar um projeto de melhoramentos em nosso benefício […]

[…] cujo resumo é o seguinte:

1o – Regulamentação das horas de trabalho;

2o – Criar um pecúlio para a viúva do associado vítima de acidente;

3o – Construir no prazo máximo de três anos um Hospital-Sanatório;

Pecúlio: valor pago em caso de falecimento do associado.

4o – Promover festas públicas em benefício do Hospital-Sanatório etc.

FARIA JUNIOR, José Pedro de et al. A classe. Voz do Chauffeur, Rio de Janeiro, ano 1, n. 1, p. 3, 1924. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DOCREADER/DocReader.aspx?bib=343390&pagfis=3. Acesso em: 7 ago. 2025.

ATIVIDADES

a) Com base na leitura do trecho, qual era a importância desse meio de comunicação para a categoria dos motoristas profissionais?

b) Os motoristas profissionais elaboraram uma lista com reivindicações para melhorar as condições de trabalho da categoria. Que reivindicações eram essas?

Veja respostas e comentários no Encaminhamento

c) De acordo com o que você estudou, quais grupos sociais também utilizaram a imprensa para reivindicar seus direitos?

Veja resposta no Encaminhamento

3 Leia as questões e escreva as respostas no caderno usando as palavras do quadro. Responda com base em seu comportamento ao longo desta unidade.

• Aproveite este momento para refletir sobre os seus pontos fortes e as atitudes que você pode melhorar.

AUTOAVALIAÇÃO

Respeitei o professor e os colegas?

Prestei atenção nas explicações?

Pedi ajuda quando tive dúvidas?

Contribuí nas atividades em grupo?

Respostas pessoais. Sempre Às vezes Nunca

20:13

horas por dia. Já a proposta de criação de um pagamento para as viúvas de motoristas vítimas de acidente de trânsito pode ser um indício de que o número de acidentes fatais de trânsito era elevado na época. Essa atividade mobiliza a habilidade EF04HI08.

Na item c, espera-se que os estudantes respondam que vários grupos sociais fizeram uso da imprensa na luta por seus direitos, como os operários, as mulheres, os negros, entre outros.

A Autoavaliação tem a função de ajudar cada estudante a reconhecer o que já conseguiu aprimorar e o que ainda precisa ser melhorado no estudo da unidade. Esse registro é útil para que os estudantes desenvolvam habilidades como autonomia, autorregulação e colaboração. Se houver pessoas com deficiência na turma, de maneira geral, é essencial garantir adaptações e recursos de acessibilidade que possibilitem a plena participação na autoavaliação. Também pode ser importante oferecer tempo adicional para a realização das tarefas e solicitar apoio de mediadores ou colegas quando necessário. Finalize a avaliação estabelecendo objetivos que deverão ser cumpridos pelo estudante ao longo do ano.

Proponha que os estudantes realizem uma encenação em grupo, simulando uma reunião de trabalhadores no início do século XX, como os motoristas que criaram o jornal Voz do Chauffeur. Divida a turma em pequenos grupos: cada grupo deve escolher um porta-voz e elaborar, em conjunto, uma lista de reivindicações que considerem importantes para melhorar a vida dos trabalhadores da época (redução da jornada de trabalho, melhores salários, acesso à saúde, entre outros). Depois, peça que cada grupo apresente suas reivindicações para a turma como se fosse um “conselho de trabalhadores”, utilizando a oralidade e, se possível, improvisando recursos, como cartazes ou slogans.

REFERÊNCIAS COMENTADAS

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Atlas geográfico escolar. 9. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

• Esse atlas reúne mapas e informações geográficas, estatísticas e cartográficas atualizadas sobre o Brasil e outros países.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil 500 anos. Rio de Janeiro: IBGE, c2025. Disponível em: https://brasil500anos.ibge. gov.br/. Acesso em: 11 set. 2025.

um período longo e complexo, que teve início às vésperas da chegada dos europeus à América.

SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2009.

• Nessa obra, os autores apresentam os principais conceitos usados na área de História. Os termos são organizados em verbetes e linguagem acessível, tornando-se uma importante ferramenta para o estudo e o ensino de História.

• O site oferece conteúdos sobre o processo de ocupação do território brasileiro, destacando as contribuições de diversos grupos que formam a sociedade brasileira.

MUSEU DA IMIGRAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Coleção de história oral. São Paulo: MI, c2025. Campo de busca: História oral; filtro: DVD. Disponível em: https:// museudaimigracao.bnweb.org/bnportal/pt-BR/search?exp=Hist%C3%B3ria%20Oral&filter=%7B%22exp%22:%5B%22%5C%22DVD%5C%22%2Ftipo%22%5D%7D. Acesso em: 11 Set. 2025.

• O site apresenta uma coletânea de entrevistas feitas com migrantes e seus descendentes, formando um importante acervo sobre a história das migrações.

PEREIRA, Amilcar Araujo; MONTEIRO, Ana Maria (org.). Ensino de História e culturas afro-brasileiras e indígenas. Rio de Janeiro: Pallas, 2013.

• Nesse livro, os autores apresentam análises dos processos históricos relacionados à complexa configuração étnico-cultural do Brasil, oferecendo repertório para a formação de professores.

RUTHERFORD, Adam. O livro dos humanos: a história de como nos tornamos quem somos. Rio de Janeiro: Record, 2020.

• A obra traz informações sobre as semelhanças e diferenças entre humanos e outros animais.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

VICENTINO, Cláudio. Atlas histórico: geral e Brasil. São Paulo: Scipione, 2011.

• Esse atlas é um importante recurso didático que apresenta conteúdos sobre os grandes períodos da História.

YAMÃ, Yaguarê. Falando tupi. Ilustrações: Geraldo Valério. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

• Nessa obra, o autor apresenta, de forma lúdica, palavras da língua portuguesa de origem tupi, promovendo a valorização da diversidade cultural e linguística dos brasileiros.

DOCUMENTOS OFICIAIS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://basenacionalco mum.mec.gov.br/. Acesso em: 11 set. 2025.

• Essa obra é uma síntese atual da história do Brasil construída com base na análise de documentos inéditos de

• Esse documento define o conjunto de aprendizagens essenciais que os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica, de modo que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento.

BRASIL. Ministério da Educação. Ensino fundamental de nove anos: orientações gerais. Brasília, DF: SEB/DPE/COEF, 2004. Disponível em: https:// portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/ noveanorienger.pdf. Acesso em: 11 set. 2025.

• Essas diretrizes estabelecem os princípios éticos, políticos e estéticos que regem o aprendizado dos estudantes no ensino fundamental, indicando quais devem ser os objetivos do aprendizado nesse segmento.

ORIENTAÇÕES GERAIS

O Livro do professor

Fazer da sala de aula um contexto democrático onde todos sintam a responsabilidade de contribuir é um objetivo central da pedagogia transformadora. […]

HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução: Marcelo Brandão Cipolla. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017. p. 56.

Este Livro do professor foi elaborado para oferecer fundamentos teóricos, orientações metodológicas, sugestões de encaminhamentos e estratégias de avaliação que favoreçam aprendizagens significativas, inclusivas e contextualizadas. Ele dialoga com os desafios contemporâneos do ensino de História e com as demandas formativas previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), reafirmando seu compromisso com uma educação histórica crítica, democrática e plural. Em conjunto com o Livro do estudante, esta obra propõe uma concepção pedagógica que articula vivências cotidianas, diversidade cultural e problematização das realidades locais e globais, favorecendo a compreensão das relações entre passado e presente.

Considerada em seu conjunto, a coleção propõe um ensino do componente curricular de História orientado por dois eixos principais, sendo o primeiro deles o reconhecimento pelo estudante de sua condição de sujeito histórico, compreendendo-se como uma pessoa inserida em determinado contexto histórico. O segundo eixo é a compreensão de uma realidade brasileira marcada pela diversidade étnico-racial e pela desigualdade social. Esses eixos dialogam com os princípios do “Eu”, do “Outro” e do “Nós” que norteiam os conteúdos elencados pela BNCC para esse componente curricular. Por isso, os conteúdos didáticos foram organizados e desenvolvidos com o objetivo de aproximar o saber histórico escolar das

vivências cotidianas dos estudantes, tornando o estudo do componente curricular de História mais acessível e significativo. Temas como os espaços públicos e privados, as memórias da comunidade, os marcos históricos locais e as transformações nos modos de vida são tratados em uma perspectiva que articula presente e passado, mudanças e permanências, diversidade e pertencimento.

As atividades propostas ao longo do livro incentivam a observação do entorno, a realização de entrevistas e a análise de imagens e outros documentos. Também envolvem a construção de murais e linhas do tempo, entre outras práticas investigativas. Elas foram pensadas para respeitar a diversidade das turmas, garantindo a participação de estudantes com diferentes modos de aprender, incluindo aqueles com deficiência, dificuldades de aprendizagem ou que se comunicam por outros meios.

A coleção também busca valorizar o trabalho com a diversidade étnico-racial do Brasil, abordando as contribuições dos diversos grupos que formam a sociedade brasileira e suas heranças culturais. Nesse sentido, o Livro do professor também incorpora as orientações legais para o ensino das histórias e culturas afro-brasileiras, africanas e indígenas (leis no 10.639/2003 e no 11.645/2008), promovendo uma educação comprometida com a valorização da diversidade cultural, o combate às desigualdades estruturais e a inclusão de grupos historicamente silenciados.

Neste Livro do professor, há também orientações para conduzir os processos avaliativos em sala de aula, mostrando como a coleção contribui para que o professor mensure a aprendizagem dos estudantes. Na coleção, a avaliação é compreendida como parte essencial do processo de ensino e aprendizagem, devendo ter caráter formativo, contínuo

e sensível às singularidades dos estudantes. Ainda, ela deve apoiar a mediação do professor, orientar intervenções pedagógicas e fomentar nos estudantes a capacidade de refletir sobre suas aprendizagens e seus percursos.

Este Livro do professor, portanto, tem a intenção de ser um aliado na construção de práticas pedagógicas que dialoguem com as realidades sociais contemporâneas,

acolham a diversidade e contribuam para formar sujeitos críticos, participativos e conscientes de seu papel no mundo. Que cada professor encontre, nestas páginas, suporte para planejar, refletir e reinventar seu fazer docente, sempre com o horizonte de uma educação comprometida com a cidadania, a justiça social, a valorização das memórias coletivas e a superação das desigualdades históricas.

A Base Nacional Comum Curricular

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento elaborado por uma equipe de técnicos do Ministério da Educação (MEC), especialistas, associações científicas e professores da Educação Básica e do Ensino Superior, com ampla discussão e participação dos membros da sociedade. Esse documento indica habilidades, conhecimentos e competências que se espera que os estudantes desenvolvam em cada ano e, de forma geral, ao longo da escolaridade básica. Em sua formulação, os redatores se apoiaram em documentos como a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN) e o Plano Nacional de Educação

A BNCC define os direitos de aprendizagem e desenvolvimento de todos os

Estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental prestam atenção à aula da professora em Lauro de Freitas (BA), 2019.

estudantes da Educação Básica no Brasil. Estabelece, de forma clara e progressiva, os conhecimentos essenciais que devem ser garantidos a todos os estudantes, independentemente da região em que vivem ou da rede de ensino que frequentam, promovendo a equidade e a qualidade da educação no país. A BNCC também orienta a elaboração dos currículos dos sistemas e das redes de ensino, a produção de materiais didáticos e os processos de formação de professores e de avaliação da aprendizagem, garantindo que todos esses elementos estejam alinhados e voltados ao pleno desenvolvimento do estudante como sujeito de direitos.

Na BNCC, as expectativas de aprendizagem estão organizadas em competências gerais, competências específicas de área do conhecimento, competências específicas dos componentes curriculares e habilidades . Conheça a estrutura desse documento a seguir.

Competências

A BNCC descreve dez competências gerais da Educação Básica, além de sete competências específicas de Ciências Humanas para o Ensino Fundamental. Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 8. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025. As competências gerais e específicas devem orientar a prática pedagógica em todos os anos da Educação Básica.

COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA

1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4. Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 9-10. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Para cada área do conhecimento, são definidas competências específicas de área.

Nas áreas que abrigam mais de um componente curricular (Linguagens e Ciências Humanas), também são definidas competências específicas do componente (Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa, Geografia e História) a ser desenvolvidas pelos alunos ao longo dessa etapa de escolarização.

As competências específicas possibilitam a articulação horizontal entre as áreas, perpassando todos os componentes curriculares, e também a articulação vertical, ou

seja, a progressão entre o Ensino Fundamental – Anos Iniciais e o Ensino Fundamental – Anos Finais e a continuidade das experiências dos alunos, considerando suas especificidades.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 28. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Confira a seguir as competências específicas da área de Ciências Humanas e do componente curricular de História para o Ensino Fundamental.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS

HUMANAS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos.

2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo.

3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social.

4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a

valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados.

6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 357. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

COMPETÊNCIAS

ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanismos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo.

2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.

3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito.

Habilidades

As habilidades expressam as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos estudantes em cada ano do Ensino Fundamental. Ao indicar o que os estudantes devem “saber” (considerando a constituição de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) e, especialmente, o que devem “saber fazer” (considerando a mobilização desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana e do pleno exercício

4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações.

6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica.

7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 402. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025. da cidadania), as habilidades articulam-se às competências específicas da área e, consequentemente, às competências gerais do Ensino Fundamental, contribuindo para garantir o desenvolvimento delas.

Na BNCC, as habilidades são identificadas por códigos e estão listadas em quadros, agrupadas por componente curricular e por ano. A título de exemplo, apresentamos uma breve descrição da estrutura da habilidade EF02CI07. Essa estrutura se repete nas demais habilidades de todas as áreas.

Ensino fundamental 2o ano

Verbo(s) que explicita(m) o(s) processo(s) cognitivo(s) envolvido(s) na habilidade. EF 02 CI 07

Componente curricular de Ciências da Natureza Numeração sequencial

Descrever as posições do Sol em diversos horários do dia e associá-las ao tamanho da sombra projetada.

Modificadores do(s) verbo(s) ou complementos do(s) verbo(s), que explicitam o contexto e/ou uma maior especificação da aprendizagem esperada.

Complemento do(s) verbo(s), que explicita(m) o(s) objeto(s) de conhecimento mobilizado(s) na habilidade.

Elaborado com base em: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 29, 335. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

A numeração sequencial das habilidades de cada ano não representa uma ordem ou hierarquia das aprendizagens. Nesta coleção, a

sequência em que os assuntos são desenvolvidos nas unidades de cada volume reflete escolhas autorais relacionadas às relações de

interdependência entre os conceitos, entre outros fatores. Destacamos, porém, que essa sequência é apenas uma sugestão e, portanto, Quadro de habilidades

4

não é obrigatória; a escola e o professor têm autonomia para determinar a grade curricular e a sequência de assuntos a serem desenvolvidos.

º ANO

UNIDADES TEMÁTICAS OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES

Transformações e permanências nas trajetórias dos grupos humanos

A ação das pessoas, grupos sociais e comunidades no tempo e no espaço: nomadismo, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras

(EF04HI01) Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo.

(EF04HI02) Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.).

Circulação de pessoas, produtos e culturas

O passado e o presente: a noção de permanência e as lentas transformações sociais e culturais

A circulação de pessoas e as transformações no meio natural

As questões históricas relativas às migrações

A invenção do comércio e a circulação de produtos

As rotas terrestres, fluviais e marítimas e seus impactos para a formação de cidades e as transformações do meio natural

O mundo da tecnologia: a integração de pessoas e as exclusões sociais e culturais

O surgimento da espécie humana no continente africano e sua expansão pelo mundo

Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos

Os processos migratórios do final do século XIX e início do século XX no Brasil

As dinâmicas internas de migração no Brasil a partir dos anos 1960

(EF04HI03) Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente.

(EF04HI04) Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas.

(EF04HI05) Relacionar os processos de ocupação do campo a intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções.

(EF04HI06) Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização.

(EF04HI07) Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial.

(EF04HI08) Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

(EF04HI09) Identificar as motivações dos processos migratórios em diferentes tempos e espaços e avaliar o papel desempenhado pela migração nas regiões de destino.

(EF04HI10) Analisar diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

(EF04HI11) Analisar, na sociedade em que vive, a existência ou não de mudanças associadas à migração (interna e internacional).

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 412-413. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Educação integral

A BNCC é referência obrigatória na elaboração dos currículos de escolas públicas em todo o Brasil, servindo de base para a elaboração dos currículos estaduais e municipais. Sendo assim, é possível dizer que a BNCC e os currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica. O documento afirma que:

No Brasil, um país caracterizado pela autonomia dos entes federados, acentuada diversidade cultural e profundas desigualdades sociais, os sistemas e redes de ensino devem construir currículos, e as escolas precisam elaborar propostas pedagógicas que considerem as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes, assim como suas identidades linguísticas, étnicas e culturais.

Nesse processo, a BNCC desempenha papel fundamental, pois explicita as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver e expressa, portanto, a igualdade educacional sobre a qual as singularidades devem ser consideradas e atendidas. […] […]

[…] Para isso, os sistemas e redes de ensino e as instituições escolares devem se planejar com um claro foco na equidade, que pressupõe reconhecer que as necessidades dos estudantes são diferentes.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 15. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Um dos princípios que norteiam a BNCC é o de formação integral dos estudantes, ou seja, aquela que conta com a construção intencional de processos educativos promotores de aprendizagens que atendam às necessidades, às possibilidades e aos interesses dos estudantes. Por integral, entende-se também uma educação que não só dê conta dos aprendizados relacionados aos componentes curriculares, mas também do estudante como indivíduo, acolhendo suas singularidades.

[…] Reconhece, assim, que a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano global, o que implica compreender a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os como sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades. […]

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 14. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Assim, de acordo com a BNCC, os aprendizados devem estar relacionados aos desafios da sociedade contemporânea, de modo que formem pessoas capazes de usar essas aprendizagens em sua vida. O documento defende, ainda, que o ensino de Ciências Humanas é imprescindível para a formação integral dos estudantes, destacando, entre os conhecimentos da área, alguns conceitos trabalhados pelo componente curricular de História.

A área de Ciências Humanas contribui para que os alunos desenvolvam a cognição in situ, ou seja, sem prescindir da contextualização marcada pelas noções de tempo e espaço, conceitos fundamentais da área. Cognição e contexto são, assim, categorias elaboradas conjuntamente, em meio a circunstâncias históricas específicas, nas quais a diversidade humana deve ganhar especial destaque, com vistas ao acolhimento da diferença. O raciocínio espaço-temporal baseia-se na ideia de que o ser humano produz o espaço em que vive, apropriando-se dele em determinada circunstância histórica. A capacidade de identificação dessa circunstância impõe-se como condição para que o ser humano compreenda, interprete e avalie os significados das ações realizadas no passado ou no presente, o que o torna responsável tanto pelo saber produzido quanto

pelo controle dos fenômenos naturais e históricos dos quais é agente.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 353. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

A BNCC, além de outros documentos, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e as DCN, enfatiza a importância do currículo contextualizado na realidade local, social e individual da escola e de seu público, a valorização das diferenças e o atendimento à pluralidade e à diversidade étnico-cultural. Essa contextualização é ainda mais importante para o aprendizado da História nos anos iniciais do Ensino Fundamental, e parte considerável dos conteúdos dedica-se à compreensão dos lugares de vivência dos estudantes, dos grupos que formaram a população do município, das atividades econômicas relacionadas à história do local, dos marcos históricos e patrimônios e dos grupos populacionais a que esses patrimônios e marcos estão relacionados.

A compreensão do contexto local por meio dos instrumentos cognitivos da História contribui para que o ensino do componente curricular não tenha caráter enciclopédico, como um apanhado de conceitos sem significado para os estudantes. Mais do que acumular fatos, os estudantes precisam ser habilitados a compreender e interpretar o mundo, bem como a transformá-lo, ou seja, interferir nele de forma consciente, sabendo que suas ações têm consequências para a vida individual e coletiva. Para que esse objetivo se concretize, é necessário superar práticas ainda comuns no ensino do componente curricular de História que se baseiam na simples memorização de datas, nomes e eventos isolados. Abordagens desse tipo tendem a apresentar o conhecimento histórico de forma fragmentada e descontextualizada.

A BNCC propõe o caminho inverso: que os conteúdos e as habilidades sejam organizados em torno de problemas e de perguntas

significativas, que articulem experiências pessoais, memórias locais e processos históricos mais amplos. Assim, evita-se o enciclopedismo e promove-se a construção de aprendizagens com sentido, capazes de mobilizar a curiosidade e o pensamento crítico dos estudantes.

Essa concepção de ensino do componente curricular de História parte dos princípios de que o conhecimento histórico é construído por meio de práticas científicas e pedagógicas e de que o estudo do passado precisa ser constantemente reinterpretado à luz das perguntas do tempo presente. Nessa perspectiva, o ensino do componente curricular de História deve incentivar a elaboração de questões sobre o passado, a busca e interpretação de diferentes evidências, a produção de explicações e a defesa de seus pontos de vista com argumentos. Esse movimento ajuda os estudantes a perceber que toda narrativa sobre o passado é resultado de escolhas e disputas de memória, favorecendo a formação de sujeitos capazes de dialogar com a diversidade de perspectivas presentes na sociedade.

A BNCC também enfatiza a importância de habilidades essenciais para a convivência no mundo contemporâneo, como a observação, a experimentação e a investigação. Esse destaque é importante para que o estudante reconheça, desde o início de seu percurso nos anos iniciais do Ensino Fundamental, que a História, como forma de conhecimento, não é um monólito ou obra acabada, e sim construção humana, provisória e resultante de um processo de elaboração que, embora submetido às regras do conhecimento científico, é também histórico e, por isso, sujeito a reelaborações e reinterpretações.

O ensino do componente curricular de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental

O ensino do componente curricular de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental tem como objetivo a compreensão

de si como sujeito histórico e a formação da consciência histórica. De acordo com a BNCC, essa etapa é marcada por um percurso progressivo: da construção da noção de “Eu” ao reconhecimento do “Outro” e, por fim, à percepção de um “Nós”.

O exercício do “fazer história”, de indagar, é marcado, inicialmente, pela constituição de um sujeito. Em seguida, amplia-se para o conhecimento de um “Outro”, às vezes semelhante, muitas vezes diferente. Depois, alarga-se ainda mais em direção a outros povos, com seus usos e costumes específicos. Por fim, parte-se para o mundo, sempre em movimento e transformação. Em meio a inúmeras combinações dessas variáveis – do Eu, do Outro e do Nós –, inseridas em tempos e espaços específicos, indivíduos produzem saberes que os tornam mais aptos para enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 397-398. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf.

Acesso em: 22 set. 2025.

Esse movimento é essencial para que os estudantes compreendam que fazem parte de coletividades — famílias, comunidades, grupos sociais — e desenvolvam as bases da convivência democrática e do exercício da cidadania.

O texto a seguir mostra como o ensino do componente curricular de História pode contribuir para o estudo das relações entre individualidade e coletividade, entre o “Eu”, o “Outro” e o “Nós”, sendo fundamental para a compreensão de como a vida humana se organiza socialmente e como o estudante pode ser um agente histórico nessa coletividade.

[…] é importante o desenvolvimento da percepção de que a história de vida não é algo puramente individual, mas que nossas vivências estão entrelaçadas na vida de outras pessoas, que somos influenciados pelos discursos circulantes na socieda-

de. Os alunos precisam perceber como sua vida está relacionada à dos pais, dos avós, dos colegas, por exemplo. Ao incentivá-los a partilhar suas vivências, os professores contribuem para promover uma aproximação do conceito de alteridade, o interesse pelo “outro”, ou seja, favorecem uma espécie de descentramento. Desse modo, constrói-se a ideia de que a história não é feita exclusivamente pelos chamados “grandes homens”, ela deixa de ser apenas “a história dos outros”.

GIL, Carmem Zeli de Vargas; ALMEIDA, Dóris Bittencourt. A docência em história: reflexões e propostas para ações.

Erechim: Edelbra, 2012. (Entre nós ensino fundamental anos finais, v. 5, p. 71).

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, de acordo com a BNCC, o processo de aprendizagem do componente curricular começa pelo reconhecimento do próprio entorno: família, escola, vizinhança, bairro e município tornam-se objeto de investigação e reflexão histórica. À medida que crescem, os estudantes ampliam suas referências, passando a identificar diferentes modos de viver, pensar, organizar e registrar a vida em sociedade, percebendo que cada grupo produz memórias, linguagens e conhecimentos próprios. Com isso, compreendem que a realidade social é diversa, histórica e passível de transformação.

A partir do 3 o ano, a BNCC desloca o foco, que estava na identidade pessoal e nos vínculos com as pessoas e os lugares do cotidiano, para a noção de tempo e espaço, abordando a história do lugar onde os estudantes vivem, as dinâmicas da cidade e do campo e a distinção entre vida pública e privada. No 4 o ano e no 5 o ano, abordam-se a diversidade de povos e culturas; os processos de formação das áreas urbanas, do comércio, das comunicações, da sociedade brasileira; e os direitos e deveres do cidadão, incentivando o respeito às diferenças e o compromisso com o bem comum. Assim, ao conhecerem modos de vida de diferentes épocas, os estudantes desenvolvem noções de tempo, identificam

mudanças e permanências e percebem que as sociedades são fruto de decisões humanas, permeadas por disputas, acordos e colaborações ao longo do tempo. Em uma sociedade marcada por desigualdades, o ensino do componente curricular de História também assume um papel político-pedagógico: promove a valorização das memórias e identidades locais 1 e a escuta das vozes de mulheres, povos indígenas, afro-brasileiros e outras populações tradicionais, rompendo com visões eurocêntricas que historicamente silenciaram saberes e experiências diversos2. Essa perspectiva, alinhada a abordagens decoloniais, reconhece as memórias de comunidades historicamente invisibilizadas como fontes legítimas de conhecimento, capazes de enriquecer a compreensão dos processos históricos e de ampliar as possibilidades de identificação dos estudantes com os conteúdos escolares. Como afirma o historiador francês René Rémond:

[…] o entendimento do presente escapa a quem ignora tudo do passado e […] só é possível ser contemporâneo do seu tempo tendo conhecimento das heranças, consentidas ou contestadas […].

RÉMOND, René. Introdução à história do nosso tempo: do antigo regime aos nossos dias. Lisboa: Gradiva, 1994. p. 11.

Para apoiar esse tipo de aprendizagem, é fundamental propor o uso de múltiplas fontes — imagens, documentos escritos, objetos, músicas, narrativas orais e mapas, entre outras — que despertem a curiosidade e incentivem a formulação de perguntas, a seleção de informações e a construção de explicações próprias, promovendo o

letramento científico. Ao registrarem suas interpretações em textos, desenhos, falas e produções diversas, os estudantes exercitam a elaboração de argumentos orais e escritos, competência essencial para o aprendizado histórico e para o fortalecimento de sua participação na vida pública.

Nesse percurso, é preciso reconhecer que, embora os estudantes já não estejam na fase de alfabetização inicial, a leitura e a escrita ainda estão em consolidação, o que exige práticas que articulem diferentes saberes e respeitem os ritmos e as formas de aprender de cada estudante. Como destaca a professora Durlei de Carvalho Cavicchia, estudiosa de Jean Piaget, “o conhecimento se produz a partir da ação do sujeito sobre o meio em que vive, só se constitui com a estruturação da experiência que lhe permite atribuir significação” (CAVICCHIA, Durlei de Carvalho. O desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida. In : UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA; UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. Caderno de formação : formação de professores: educação infantil: princípios e fundamentos. São Paulo: Cultura Acadêmica: Unesp: Univesp, 2010. p. 13-27. (Curso de pedagogia, v. 1, p. 13). Disponível em: https://acervodigital. unesp.br/bitstream/unesp/337946/1/cader no-formacao-pedagogia_6.pdf. Acesso em: 20 set. 2025).

Ensinar História, assim, não é apenas transmitir informações prontas, mas criar situações em que os estudantes possam agir, dialogar, escutar, interpretar e se reconhecer como participantes da História, capazes de transformar o mundo à sua volta.

1 As identidades locais referem-se às formas pelas quais os sujeitos e as comunidades se reconhecem e se constituem a partir de seus territórios, modos de vida, tradições, relações sociais, linguagens e pertencimentos afetivos. Essas identidades são múltiplas, dinâmicas e historicamente construídas e expressam o enraizamento dos sujeitos em seus contextos geográficos, culturais e políticos.

2 O pensamento decolonial busca romper com a lógica eurocêntrica que dominou a produção do conhecimento durante e após o colonialismo. Em vez de aceitar uma única forma de saber, ele propõe valorizar as múltiplas vozes silenciadas pela história oficial. Como afirma Walter Mignolo, um dos principais teóricos da decolonialidade, a formação do mundo moderno-colonial resultou em narrativas nacionais na língua dos colonizadores (MIGNOLO, Walter D. Novas reflexões sobre a “ideia da América Latina”: a direita, a esquerda e a opção descolonial”. Caderno CRH, Salvador, v. 21, n. 53, p. 239-252, maio/ago. 2008. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/article/ download/18970/12327/64318. Acesso em: 15 set. 2025).

Educar nos anos iniciais é, portanto, um trabalho de base que cuida do presente com os olhos no futuro, respeitando o tempo da infância e acreditando na capacidade das crianças de pensar criticamente, imaginar e construir uma sociedade mais justa e democrática.

Trabalhando os conceitos estruturantes de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental

A História, como componente curricular e saber produzido no âmbito das universidades, tem como objeto central o estudo das relações sociais ocorridas no transcorrer do tempo, compreendidas nas múltiplas formas de organização da vida em sociedade e nas transformações resultantes da ação humana.

A História ensinada e praticada nas escolas não é a mesma da universidade. O peso da História escolar está mais nos fins didáticos que de pesquisa, e, por esse motivo, o trabalho com o componente curricular na Educação Básica também é conhecido como saber histórico escolar . Os PCN de História para o Ensino Fundamental trazem uma elucidativa definição desse conceito.

Considera-se que o saber histórico escolar reelabora o conhecimento produzido no campo das pesquisas dos historiadores e especialistas do campo das Ciências Humanas, selecionando e se apropriando de partes dos resultados acadêmicos, articulando-os de acordo com seus objetivos. Nesse processo de reelaboração, agrega-se um conjunto de representações sociais do mundo e da história, produzidos por professores e alunos. As representações sociais são constituídas pela vivência dos alunos e professores, que adquirem conhecimentos dinâmicos provenientes de várias fontes de informações veiculadas pela comunidade e pelos meios de comunicação. Na sala de aula, os materiais didáticos e as diversas formas de comunicação

escolar apresentadas no processo pedagógico constituem o que se denomina saber histórico escolar.

BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: história, geografia. Brasília: MEC: SEF, 1997. p. 29. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/ pdf/livro051.pdf. Acesso em: 20 set. 2025.

O saber histórico construído nas escolas pela prática dos professores e no aprendizado dos estudantes também se pauta pelos mesmos princípios e objetivos da História praticada nas universidades, mas às vezes segue dinâmica própria, reelaborando o conhecimento histórico para atender a necessidades que lhe são próprias ou impostas.

Um reflexo dessa dinâmica foi a construção de um saber escolar que valorizava os grandes acontecimentos e os grandes personagens históricos. Não é à toa que essa visão do ensino de História tenha prevalecido durante a ditadura militar, quando o ensino esteve submetido à coerção do regime político vigente.

Esta coleção se coloca em tradição oposta. Continua os esforços de reconstrução de um ensino de História democrático que valoriza a formação do Brasil por sujeitos históricos minorizados. Por isso, busca, por exemplo, superar a visão linear do tempo atrelada à noção de progresso, em que se classificam alguns modos de vida como avançados e outros como primitivos ou obsoletos. Assim, a História que é colocada em prática na coleção procura analisar como e por que os modos de vida se transformam ao longo do tempo, evidenciando conflitos, permanências e mudanças.

Defende-se, nesta coleção, que a História não deve ser apresentada como mera narrativa de fatos lineares, datas e personagens, mas como um campo de conhecimento que permite compreender processos sociais, culturais e políticos em suas dimensões de mudança e permanência. Como afirmam Sandra Regina Ferreira de Oliveira e Marlene Rosa Cainelli:

A sala de aula foi entendida como um espaço de intercruzamento entre os saberes de professores e alunos, mediatizados pelas propostas curriculares quanto ao saber a ser transmitido e pelas influências e interferências da sociedade na qual a escola se insere.

OLIVEIRA, Sandra Regina Ferreira de; CAINELLI, Marlene Rosa. Entre o passado e a história: investigando os conhecimentos históricos de crianças dos anos iniciais em uma escola pública brasileira. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 29, n. 4, p. 99-118, dez. 2013. p. 101. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edur/a/ PCHqS3zpTqhnVHr8HynnwpG/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 20 set. 2025.

Dessa maneira, ao levar em consideração as especificidades do aprendizado do componente curricular nos anos iniciais, trabalha-se o conceito de tempo histórico, entendendo-o como a dimensão em que se situam as ações humanas e suas transformações, buscando-se trabalhar as vivências dos estudantes, principalmente por meio de comparações entre o presente e o passado próximo.

Conteúdos como mudanças nas formas de se comunicar ou de se organizar politicamente são abordados com o objetivo de desenvolver nos estudantes o conceito de transformação social. O trabalho com esse conceito destaca as razões pelas quais mudanças podem ocorrer, sem, contudo, renunciar à adequação ao segmento dos anos iniciais. Por isso, os conceitos de mudança e de permanência são mobilizados em situações em que os estudantes percebem como certos aspectos da vida cotidiana se transformaram ao longo do tempo, enquanto outros permaneceram. Sobre o trabalho com o tempo, é importante considerar o que afirma a professora Circe Bittencourt:

[…] O uso das datas precisa estar vinculado a uma busca de explicação sobre o que vem antes ou depois, sobre o que é simultâneo ou ainda sobre o tempo de separação de diversos fatos históricos. Deve-se, em suma, dar um sentido às datações, para que o aluno domine as datas como

pontos referenciais para o entendimento dos acontecimentos históricos.

O uso das “linhas do tempo” ou “frisas cronológicas” tem sido um meio eficiente de concretizar e visualizar períodos longos para apreender uma representação da dimensão temporal da história. O uso das linhas do tempo merece também cuidados quando se pretende que os alunos dominem efetivamente a noção de tempo histórico.

No caso do ensino do tempo cronológico para alunos das séries iniciais, é interessante vinculá-lo à noção de geração . Pais, avós, os vestígios do passado de pessoas familiares mais velhas mostram um momento diferente do atual, revelando uma história e as transformações sociais possíveis de ser percebidas nas relações com o tempo vivido da criança. Essas sucessões e transformações podem ser sistematizadas por meio de linhas do tempo, chegando-se à visualização de um tempo cronológico que é apreendido progressivamente. Posteriormente, nas séries escolares sequenciais, essa etapa é acrescida de linhas do tempo de uma genealogia mais extensa e com associações de outros tempos e lugares.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. (Coleção docência em formação, p. 212).

Outra consequência da superação da visão linear de tempo é o trabalho com o conceito de sujeito histórico , que passa a destacar grupos que antes eram pouco valorizados, como as mulheres, a população negra, os trabalhadores, entre outros. Na coleção, há atividades que incentivam os estudantes a considerar a si próprios, suas famílias e grupos da comunidade como sujeitos históricos e agentes produtores de transformações sociais. Essa prática evidencia que a História, como componente curricular, não se restringe aos já mencionados grandes personagens ou eventos, mas inclui também o cotidiano, as práticas culturais e as lutas sociais.

O trabalho com fontes históricas — orais, visuais, escritas, materiais ou imateriais — é apresentado como meio para analisar diferentes pontos de vista, incentivando os estudantes a interpretar documentos levando em consideração as condições em que foram produzidos e a compreensão de que toda narrativa histórica é resultado de escolhas e valores.

A leitura e interpretação de fontes é parte importante do que se pode chamar de letramento histórico, entendendo que a formação cidadã requer o desenvolvimento de capacidades para analisar criticamente documentos e discursos, interpretar fontes e compreender diferentes temporalidades.

Outro conceito fundamental para o trabalho com o componente curricular nos anos iniciais do Ensino Fundamental é o de memória . Para abordá-lo em sala de aula, recorre-se a fontes como relatos, fotografias, objetos e espaços da comunidade. Conforme indica a BNCC, esses tipos documentais são os mais recomendados por estarem relacionados às vivências familiares e ao cotidiano dos estudantes.

O trabalho com o conceito de memória consiste em mostrar que esses objetos e lugares são suportes de recordações e podem ser fontes de conhecimento histórico.

Dessa forma, aproxima-se o sujeito (o estudante) do objeto de estudo (o passado vivido e transmitido). Como lembra a professora Circe Bittencourt:

A memória, entretanto, não pode ser confundida com a história, como advertem vários historiadores. As memórias precisam ser evocadas e recuperadas e merecem ser confrontadas. As dos velhos e de pessoas que ainda estão no setor produtivo ou as de homens e de mulheres nem sempre coincidem, mesmo quando se referem ao mesmo acontecimento. Mas nenhuma memória, individual ou coletiva, constitui a história. A história “consiste na escolha e construção de um objeto, operação que pode dar-se a partir de evocações de lembranças” (Le Goff, 1988, p. 109), e exige, na

análise das memórias, um rigor metodológico na crítica e na confrontação com outros registros e testemunhos.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. (Coleção docência em formação, p. 170).

A coleção também convida os estudantes a trabalhar a memória coletiva. Antes de prosseguir, vale a pena retomar o texto fundamental para o trabalho com memória coletiva, o livro do sociólogo Maurice Halbwachs. Para ele, […] a memória coletiva tira sua força e sua duração do fato de ter por suporte um conjunto de homens [humanos], não obstante eles são indivíduos que se lembram, enquanto membros do grupo. Dessa massa de lembranças comuns, e que se apoiam uma sobre a outra, não são as mesmas que aparecerão com mais intensidade para cada um deles.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução: Laís Teles Benoir. São Paulo: Centauro, 1950. p. 55.

Essas memórias, Halbwachs alerta, não são neutras nem universais: são construídas socialmente, frequentemente disputadas, e refletem relações de poder, seleções, silenciamentos e esquecimentos. No caso do Brasil, pode-se dizer que determinados grupos têm suas histórias constantemente lembradas e celebradas, enquanto outros, como povos indígenas, comunidades negras, populações periféricas ou camponesas, muitas vezes têm suas experiências apagadas, distorcidas ou marginalizadas.

Na coleção, o conceito de memória coletiva é trabalhado por meio do reconhecimento dos marcos temporais, iniciando a diferenciação entre tempo da natureza e as formas de controle da passagem do tempo criadas por diferentes culturas. Esses marcos temporais são trabalhados por meio de suas próprias histórias de vida, na trajetória da escola e na comunidade em que vivem. Assim, a História no âmbito dos anos iniciais do Ensino Fundamental busca articular o tempo do estudante

com tempos mais amplos, conectando experiências individuais e coletivas ao longo de diferentes escalas temporais.

As leis no 10.639/2003 e no 11.645/2008: educação para a igualdade racial e o respeito à diversidade

O ser índio e o viver índio, no Brasil, não são constantes históricas de um passado pré-colombiano. Os povos heterônomos […] constituem pluralidades culturais variadas, determinadas por tempos de lutas e derrotas, por extinções e sobrevivências, condicionadas pelo presente que se constrói em meio a uma complexidade sociopolítica que deixa pouco espaço de manobra e opção existencial para eles. […] […]

A nova Constituição brasileira definiu o índio como parte essencial da nação brasileira, cidadão com direitos plenos, povos específicos com direitos legitimados pela sua historicidade, coletividades com formas próprias de conduta social e cultural.

GOMES, Mércio Pereira. Os índios e o Brasil: passado, presente e futuro. São Paulo: Contexto, 2017. p. 200, 286. Um passo importante para o reconhecimento de que o Brasil é um país multiétnico foi a aprovação da Lei no 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e cultura afro-brasileiras e africanas em todas as escolas de Educação Básica. Já a Lei no 11.645/2008 ampliou essa obrigatoriedade, incluindo História e cultura dos povos indígenas brasileiros. Essas leis são fruto de décadas de luta de movimentos sociais — em especial o movimento negro e o movimento indígena — que denunciaram o racismo e a invisibilização de suas contribuições na história oficial e reivindicaram uma educação antirracista, plural e democrática.

A sociedade brasileira foi estruturada sobre bases coloniais e escravistas que, durante séculos, escravizaram milhões de africanos e seus descendentes e promoveram o extermínio e a expropriação dos povos

indígenas. Essa herança produziu desigualdades profundas e naturalizou hierarquias raciais que ainda se refletem em nossa sociedade.

O primeiro ponto a entender é que falar sobre racismo no Brasil é, sobretudo, fazer um debate estrutural. É fundamental trazer a perspectiva histórica e começar pela relação entre escravidão e racismo, mapeando suas consequências. Deve-se pensar como esse sistema vem beneficiando economicamente por toda a história a população branca, ao passo que a negra, tratada como mercadoria, não teve acesso a direitos básicos e à distribuição de riquezas.

RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 9.

Na escola, o racismo se manifesta de modo direto — por insultos, exclusões, piadas — e também de forma sutil: a ausência de personagens negros e indígenas nos livros; a associação entre indisciplina e estudantes negros; o silenciamento diante de nomes ou traços culturais indígenas e africanos. Essas práticas atingem especialmente as crianças, que podem assim internalizar sentimentos de inferioridade e rejeitar sua identidade.

Nesse cenário, o professor não deve se omitir diante do racismo, pois isso também é uma forma de violência simbólica. Por isso, é fundamental construir práticas pedagógicas que valorizem positivamente a presença negra e indígena, enfrentem preconceitos e formem crianças solidárias e respeitosas. Isso passa por analisar fontes históricas diversas e de diferentes procedências: documentos escritos, objetos, fotografias, obras de arte, narrativas orais, músicas, vestimentas, artefatos da cultura material, produções literárias de autores africanos, afro-brasileiros e indígenas. Dessa maneira, os estudantes poderão perceber que a história é feita de múltiplos pontos de vista, que existem disputas pela memória e diferentes formas de explicar o passado. Esse exercício estimula a

curiosidade, o pensamento crítico e a empatia, além de permitir que estudantes negros e indígenas se reconheçam como sujeitos históricos.

Ao longo dos capítulos, esta coleção não deixa de trabalhar os desafios que indígenas e afro-brasileiros enfrentam. Porém, também dá destaque para personagens negros e indígenas em contextos variados, como sujeitos históricos ativos, produtores de conhecimento e cultura, valoriza suas produções culturais e científicas e reconhece a

diversidade interna desses grupos, mostrando que há múltiplas etnias, culturas e trajetórias históricas. A coleção também propõe atividades que convidam os estudantes a analisar fontes diversas, levantar hipóteses, construir narrativas próprias e refletir sobre as desigualdades, os preconceitos e os estereótipos ainda presentes na sociedade. Ao fazer isso, busca não apenas cumprir o que determinam as leis, mas também contribuir efetivamente para a formação de uma geração mais justa, empática e preparada para conviver na diversidade.

Estudantes ensaiam para apresentação de siriri, dança folclórica da região Centro Oeste, na comunidade remanescente de quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento (MT), 2025.

CESAR DINIZ/PULSAR IMAGENS

Trabalho com fontes históricas nos anos iniciais

O trabalho com fontes históricas é um dos pilares da pesquisa em História e do ensino desse componente curricular na Educação Básica. Porém, o objetivo da leitura de fontes no âmbito do saber escolar não é formar pequenos historiadores, mas disponibilizar aos estudantes as ferramentas desenvolvidas pelos historiadores ao longo dos anos para compreender o mundo.

As fontes — como documentos escritos, objetos, imagens, objetos de arte, narrativas orais etc. — são os vestígios que permitem ao historiador reconstruir e interpretar o passado. Aproximar os estudantes dessa faixa etária das fontes desde os anos iniciais ajuda a fazê-los compreender que a História não é uma narrativa pronta, mas um conhecimento construído a partir de pistas deixadas por pessoas que viveram em outros tempos. Esse trabalho contribui para desenvolver o raciocínio histórico e para aproximar os estudantes do modo de pensar dos historiadores. A BNCC chama essa aproximação de uma “ atitude historiadora ” (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 401. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versao final_site.pdf. Acesso em: 10 set. 2025).

Ao observar uma fotografia antiga de seu bairro, por exemplo, os estudantes podem comparar as roupas, os objetos e os espaços do passado com os atuais, identificando mudanças e permanências. Essa atividade estimula a curiosidade, o levantamento de hipóteses, a argumentação e o respeito por outras formas de viver. Também possibilita que estudantes de diferentes origens vejam suas histórias e culturas valorizadas como parte legítima da história coletiva.

Para muitos professores generalistas, trabalhar com fontes históricas pode ser desafiador, pois elas frequentemente apresentam linguagem complexa, termos antigos e

referências culturais pouco familiares para os estudantes. Superar essas barreiras exige uma mediação atenta e planejada. É importante, por exemplo, apresentar cada fonte situando seu contexto de produção — quem a criou, quando e com qual objetivo — e selecionar partes que sejam mais acessíveis, como pequenos trechos de textos ou detalhes visuais claros. Também é recomendável propor perguntas que estimulem a reflexão e o diálogo, sem esperar respostas únicas, permitindo que os estudantes construam significados próprios. Valorizar suas interpretações, mostrando que levantar hipóteses e testar ideias faz parte do trabalho do historiador, favorece a participação ativa da turma. Além disso, relacionar os vestígios do passado às vivências cotidianas dos estudantes contribui para que a interpretação das fontes se torne mais próxima e significativa para eles.

Uma forma acessível de trabalhar fontes visuais (como fotografias, pinturas, ilustrações, cartazes e mapas) com crianças pequenas é conduzir a análise em etapas simples e progressivas. Primeiro, convide os estudantes a observar a imagem com atenção e comentar livremente o que percebem, sem que haja respostas certas ou erradas. Em seguida, ajude-os a descrever os elementos que veem, nomeando cores, objetos, pessoas, roupas, gestos e expressões faciais. Depois disso, incentive o levantamento de hipóteses, perguntando quem poderia ter produzido aquela imagem, em que época, com qual finalidade e o que pretendia comunicar. A partir daí, apresente algumas informações históricas básicas que ajudem a contextualizá-la, como a data aproximada, o local, o autor e a relação com o conteúdo estudado. Também é útil propor comparações com imagens atuais ou com situações vividas pelos próprios estudantes, aproximando o passado do presente. Por fim, incentive que registrem suas descobertas de diferentes formas — escrevendo pequenas legendas, produzindo textos curtos, desenhos

ou dramatizações. Esse tipo de atividade ajuda a compreender que as fontes não trazem verdades prontas, mas indícios que precisam ser analisados de maneira crítica para que seja possível construir explicações sobre o passado.

Interdisciplinaridade

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o estudante é apresentado, pela primeira vez, ao aprendizado organizado e sistematizado em áreas do conhecimento (Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática) e componentes curriculares (História, Geografia, Arte, Matemática, entre outras). A partir desse momento, ele começa a entrar em contato com o conhecimento científico especializado, com formulação de conceitos, categorias e métodos próprios de cada ciência.

Toda essa estrutura pautada na disciplinaridade, embora traga grandes contribuições ao processo de ensino, acaba por fragmentar o conhecimento, como se este ocupasse várias caixas, uma para cada componente curricular, sem integração entre elas. Assim, os estudantes aprendem os conteúdos em partes isoladas, sem conseguir perceber como se relacionam entre si e com a realidade.

Muitos autores e professores questionaram essa limitação em suas práticas, trazendo críticas à grande especialização das disciplinas e à necessidade de conectá-las para explicar o mundo em que vivemos. A interdisciplinaridade se apresenta, assim, como alternativa para devolver ao conhecimento sua unidade e sua aplicabilidade. Nesse sentido, concordamos com Jayme Paviani quando afirma que:

A interdisciplinaridade não é apenas a integração de um conjunto de relações entre as partes e o todo, mas também uma descoberta de propriedades que não se reduzem nem ao todo nem às partes isoladas. Em seu nível mais alto, é uma modalidade de relação que, sem eliminar as

contribuições individuais das disciplinas, as integra num único projeto de conhecimentos.

PAVIANI, Jayme. Interdisciplinaridade: conceitos e distinções. 3. ed. Caxias do Sul: Educs, 2014. p. 48. Para Ivani Fazenda, a interdisciplinaridade é um movimento de passagem da subjetividade à intersubjetividade, ou seja, de uma visão individual para uma visão compartilhada do conhecimento. Nesse sentido, ela recupera a ideia de cultura como formação do humano total, inserido em sua realidade e capaz de agir sobre ela.

Nesse sentido, o homem [humano] que se deixa encerrar numa única abordagem do conhecimento vai adquirindo uma visão deturpada da realidade. Ao viver, encontra uma realidade multifacetada, produto desse mundo, e evidentemente mais oportunidades terá em modificá-la na medida em que a conhecer como um todo, em seus inúmeros aspectos.

Para que isto ocorra, é necessário, sobretudo, que haja uma preparação. Essa preparação, que inicialmente tomou o nome de Paideia (formação do homem total), passou a ser uma formação dividida, produto da Ocidentalização com seu consequente aumento do saber e a necessidade de criar-se um sistema de Educação (Família, Igreja, Escola etc.), dando a cada um seu papel.

FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2011. p. 81.

Ainda segundo a autora, trata-se de superar a relação pedagógica baseada na transmissão linear de conteúdos e construir uma relação em que “a posição de um é a posição de todos” (FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2011. p. 93), marcada pelo diálogo e pela colaboração. Como afirma Edgar Morin, só um pensamento complexo — que articule parte e todo — pode enfrentar uma realidade igualmente

complexa. Para isso, é preciso religar saberes, mostrando como os conteúdos escolares se conectam à vida (MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Tradução: Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2005).

A interdisciplinaridade não significa o abandono das especificidades dos diferentes campos do saber, tampouco a criação de uma nova ciência que passe a regular esses campos. Ela se manifesta no diálogo e na aproximação, evidenciando como construir novas formas de refletir sobre o mundo e pensar em soluções para as questões que são colocadas no dia a dia.

A interdisciplinaridade não é, portanto, apenas uma forma de organizar o currículo; é também um caminho para transformar a relação pedagógica. Ela estimula a curiosidade intelectual, fortalece práticas cidadãs e democráticas e ajuda a formar sujeitos capazes de intervir em sua realidade.

A BNCC respalda esse objetivo ao afirmar que o ensino nos anos iniciais deve articular campos do conhecimento em torno de práticas de investigação, linguagem e resolução de problemas, sempre a partir de contextos próximos da realidade do estudante (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2025).

Nesse cenário, o professor não precisa ser especialista em cada componente curricular, mas deve criar situações que incentivem os estudantes a pesquisar, comparar, entrevistar, experimentar e registrar, favorecendo descobertas e reflexões. Dessa forma, eles deixam de ser apenas receptores de informações e passam a se envolver ativamente no processo de aprendizagem, produzindo conhecimento a partir de sua vivência na comunidade e com as pessoas de seu convívio, considerando seu conhecimento prévio e suas experiências pessoais.

A coleção contribui para o desenvolvimento de práticas interdisciplinares em sala

de aula, rompendo as barreiras que separam os componentes curriculares ao propor atividades que partem de situações-problema.

A seção Criança cidadã, por exemplo, apresenta circunstâncias retiradas da realidade em que o estudante deve, ao mesmo tempo, aprofundar seus conhecimentos e se posicionar diante dos acontecimentos, mobilizando os seus aprendizados. A seção Ideia puxa ideia apresenta temas que podem ser estudados sob o ponto de vista de mais de um componente curricular ou que trabalham os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) da BNCC, propondo um olhar multifacetado diante da realidade.

Além das seções, há outros temas e conteúdos na coleção que mostram que a interdisciplinaridade vai além da soma de conteúdos: aproxima escola e vida, valoriza a cultura local e contribui para formar cidadãos críticos e participativos.

A professora Selene Coletti faz as seguintes observações sobre a interdisciplinaridade:

O professor do Fundamental 1 tem o privilégio de exercitar esse olhar com sua turma. Conseguindo enriquecer cada vez mais sua prática, pois sozinho trabalha de forma integrada com todas as áreas do conhecimento. […].

Algumas dicas para exercitar esse olhar: […]

• Apresentar os conteúdos por meio de perguntas desafiadoras como “por que chove granizo?”. As respostas podem desencadear várias propostas envolvendo não só Ciências, como Língua Portuguesa e Artes; […]

• Ensinar os alunos a pesquisar. Mostrar como utilizar as diferentes ferramentas disponíveis no computador e como elas contribuem para desenvolver o protagonismo da turma no que se refere a integração dos diferentes saberes; […]

COLETTI, Selene. 7 dicas para trabalhar a interdisciplinaridade no Fundamental 1. São Paulo: Nova Escola, 9 mar. 2020. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/18930/ 7-dicas-para-trabalhar-a-interdisciplinaridade-no -fundamental-1. Acesso em: 20 set. 2025.

O ensino do componente curricular de História e os Temas Contemporâneos Transversais

Na BNCC, a interdisciplinaridade aparece em diversos momentos, sendo um dos principais os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs). Eles incorporam ao currículo o estudo de assuntos que foram estabelecidos em lei, dando tratamento didático ao que foi definido na legislação brasileira.

Os TCTs foram integrados ao currículo escolar no final dos anos 1990 como mecanismos integradores, instrumentos na/da/ para superação da fragmentação do conhecimento escolar. De acordo com as crenças da época, na sociedade contemporânea globalizada, esse conhecimento deveria ter uma nova configuração, passando a articular/combinar diferentes campos do saber (WENCESLAU, Maurinice Evaristo; SILVA, Fabiany de Cássia Tavares. Temas transversais ou conteúdos disciplinares?: cultura, cidadania e diferença. Interações, Campo Grande, MS, v. 18, n. 4, p. 197-206, out./dez. 2017. Disponível em: https://interacoesucdb.em nuvens.com.br/interacoes/article/view/1562/ pdf. Acesso em: 24 set. 2025).

Esse segundo processo de distribuição de conhecimentos organizou os conteúdos

curriculares em torno de temas como ética, educação ambiental, orientação sexual, pluralidade cultural e saúde. Essas temáticas foram incluídas no currículo do Ensino Fundamental de forma “transversal”, não como uma área de conhecimento específica, mas como temas a serem tratados nas várias áreas que compunham o currículo.

A coleção propõe abordar os TCTs articulando-os aos conteúdos históricos de forma crítica e significativa, dialogando com outras áreas do conhecimento e promovendo uma abordagem interdisciplinar. Como indicam Hernández e Ventura, a interdisciplinaridade permite a construção de aprendizagens mais amplas, por meio da articulação entre saberes escolares e experiências de vida (HERNÁNDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. Tradução: Jussara Haubert Rodrigues. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 1998).

Entende-se, portanto, que os TCTs oferecem uma oportunidade de superar a fragmentação do ponto de vista disciplinar para favorecer uma compreensão abrangente dos problemas do mundo contemporâneo. Ao integrar conhecimentos, favorece-se uma compreensão mais aprofundada da realidade e um aprendizado mais significativo.

BRASIL. Ministério da Educação. Temas contemporâneos transversais na BNCC: proposta de práticas de implementação. Brasília, DF: MEC, 2019. p. 7. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ implementacao/guia_pratico_temas_contemporaneos. pdf. Acesso em: 15 ago. 2025.

As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação

(TDICs) na educação

O uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) faz parte do cotidiano das crianças e dos adolescentes. Isso traz oportunidades, mas também riscos. Por isso, é essencial compreender como utilizar esses recursos de forma pedagógica, com intencionalidade, com base em legislação e orientações atuais sobre o tema.

No Brasil, duas leis recentes consolidam a importância da educação digital. A Lei n o 14.180/2021 , que institui a Política de Inovação Educação Conectada , busca ampliar o acesso às tecnologias nas escolas (BRASIL. Lei n o 14.180, de 1 o de julho de 2021. Institui a Política de Inovação Educação Conectada. Diário Oficial da União : seção 1, Brasília, DF, ano 159, n. 123, p. 1, 2 jul. 2021). Posteriormente, a Lei n o 14.533/2023 , que criou a Política Nacional de Educação Digital, reforçou a necessidade de desenvolver a alfabetização digital e promover o uso crítico e consciente das TDICs (BRASIL. Lei no 14.533, de 11 de janeiro de 2023. Institui a Política Nacional de Educação Digital [ ]. Diário Oficial da União : seção 1, Brasília, DF, ano 161, n. 8-B, p. 1, 11 jan. 2023). Essas diretrizes são complementadas por documentos oficiais do Ministério da Educação, como o Referencial de saberes digitais docentes, que orienta a formação de professores para integrar a tecnologia ao processo de ensino e aprendizagem (BRASIL. Ministério da Educação. Saberes digitais docentes. Brasília, DF: MEC, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-co nectadas/20240822MatrizSaberesDigitais. pdf. Acesso em: 12 set. 2025).

A BNCC também enfatiza que o uso das tecnologias deve estar ligado ao desenvolvimento de competências gerais, como a cultura digital, a capacidade de pesquisa e a resolução de problemas (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum

Curricular : educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 29 set. 2025). Isso significa que a tecnologia não deve ser vista como um acessório, mas como parte do processo de aprendizagem, desde que usada com objetivos pedagógicos claros e em equilíbrio com outras formas de ensino.

Um documento fundamental para pensar esse tema é o guia Crianças, adolescentes e telas , lançado pelo governo federal em 2025 com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Ele foi elaborado com base em estudos científicos e traz recomendações práticas para o uso saudável das telas.

RECOMENDAÇÕES SOBRE USOS DE TELAS

• Crianças menores de 2 anos: sem uso de telas, salvo videochamadas acompanhadas por adultos.

• Até os 12 anos: não devem possuir smartphone próprio

• Acesso a redes sociais: respeitar a classificação indicativa das plataformas.

• Entre 12 e 17 anos: uso deve ser acompanhado por adultos ou educadores.

• Evitar uso em refeições e antes de dormir; promover momentos de desconexão.

Elaborado com base em: BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom/PR, 2024. p. 12, 26, 42, 53. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/ uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/guia-de -telas_sobre-usos-de-dispositivos-digitais_versaoweb.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

O guia também recomenda que escolas e famílias definam regras para o uso de aparelhos digitais, criando uma cultura de equilíbrio. A criança deve usar a tecnologia como ferramenta de aprendizagem e convivência, e não como substituto de brincadeiras, leituras, jogos coletivos ou da vida em comunidade (BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas : guia sobre usos de

dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom/ PR, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/ secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por -criancas-e-adolescentes/guia/guia-de-telas_ sobre-usos-de-dispositivos-digitais_versao web.pdf. Acesso em: 12 set. 2025).

No espaço escolar, esses riscos exigem atenção redobrada. As telas podem ser recursos valiosos, mas, sem intencionalidade pedagógica, transformam-se em distração. O uso desses recursos deve ser uma opção quando a tecnologia potencializa a aprendizagem, amplia o acesso à informação ou possibilita experiências que não seriam possíveis sem ela. Ao longo do livro, indicamos usos de tecnologias digitais em algumas atividades e acesso a sites , vídeos e outros materiais relacionados ao conteúdo trabalhado. Embora o livro apresente possibilidades de uso, este não é imprescindível para atender aos objetivos propostos em cada capítulo, considerando que muitos estudantes podem ter dificuldade para acessar tecnologias digitais.

Por fim, é importante lembrar a relevância da mediação feita por professores e famílias. Cabe ao professor e aos adultos responsáveis orientar, propor projetos, mediar o uso, mas também abrir espaço para que as crianças participem ativamente, reflitam sobre seu consumo digital e construam uma relação crítica e saudável com as tecnologias.

Aprendizagem significativa

A educação na contemporaneidade pressupõe a formação para a vida, no sentido de habilitar os estudantes à leitura e à análise crítica da realidade, além de promover seu desenvolvimento pessoal e social. Para atingir esse objetivo, é importante valorizar os conhecimentos prévios dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem.

O biólogo, psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget (1896-1980) foi um dos pioneiros a estudar o desenvolvimento cognitivo e intelectual e o processo de construção do conhecimento. Embora o foco da pesquisa de Piaget

não fosse a educação formal, suas pesquisas serviram de base para que outros estudiosos entendessem que o ponto de partida para a construção de um novo conhecimento é aquilo que os estudantes já sabem.

Amparado nas pesquisas de Piaget, David Ausubel (1918-2008), um psicólogo da área educacional, foi um dos primeiros a usar a expressão conhecimento prévio. Para ele, o conjunto de saberes que um estudante traz é extremamente importante para a elaboração de novos conhecimentos e para garantir uma aprendizagem significativa. Sobre os conhecimentos prévios, Francimar Martins Teixeira e Ana Carolina Moura Bezerra Sobral afirmam: Os conhecimentos prévios podem ser considerados como produto das concepções de mundo da criança, formuladas a partir das interações que ela estabelece com o meio de forma sensorial, afetiva e cognitiva, ou, ainda, como resultado de crenças culturais e que, na grande maioria das vezes, são de difícil substituição por um novo conhecimento. Estudos direcionados a identificar a origem das ideias prévias dos estudantes destacam que estas podem ser classificadas em três grandes grupos, que apesar de serem metodologicamente discutidos de forma separada, encontram-se articulados: origem sensorial, relacionada às concepções empíricas, ou seja, baseiam-se em informações obtidas por meio das interações com o mundo natural; origem social, relacionada a um conjunto de crenças partilhadas pelo grupo social a que o estudante pertence, e origem analógica, relacionada à comparação entre domínios distintos do saber (POZO et al., 1991). Apesar das diferentes origens das ideias prévias dos estudantes, há, na literatura da área, o consenso de que as mesmas constituem um todo articulado de informações que irão influenciar de forma marcante a apropriação de novos conhecimentos.

TEIXEIRA, Francimar Martins; SOBRAL, Ana Carolina Moura Bezerra. Como novos conhecimentos podem ser construídos a partir dos conhecimentos prévios: um estudo de caso. Ciência & Educação, Bauru, v. 16, n. 3, p. 667-677, 2010. p. 669. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ciedu/a/ HGqTSFFXNpSSkg4vnDFw3mh/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 26 set. 2025.

A teoria da aprendizagem significativa, proposta por Ausubel em 1963, afirma que o aprendizado se torna mais eficaz quando os novos conteúdos são assimilados de forma integrada aos conhecimentos que os estudantes já possuem. Em vez de apenas decorar informações soltas, os estudantes passam a compreender os conteúdos ao relacioná-los com suas experiências anteriores, construindo conhecimentos significativos e mais duradouros.

Esta coleção utiliza as ideias da historiadora Regina Célia Alegro como um dos referenciais teóricos sobre a importância do conhecimento prévio nas aulas de História.

A História alimenta-se da memória e da reconstrução do passado. Essas elaborações ocorrem como experiências individuais e coletivas que determinam a identidade dos envolvidos e permitem compreender o mundo e nele atuar. Os conteúdos da História são expressos por meio de narrativas que não se reduzem a meros discursos, mas efetivam-se como “práticas” que constroem e reconstroem objetos explicitando os seus significados.

Assim, para o ensino de História, mais do que para qualquer outra disciplina ensinada na escola básica, é necessário considerar os “diferentes discursos”, os diferentes conteúdos que circulam na sala de aula. Para além do conhecimento veiculado no livro didático, na fala do professor, na tradição oral e nos meios de comunicação de massa, é possível reconhecer, também, o conhecimento elaborado pelo aprendiz. E mais: como estabelece a teoria da aprendizagem significativa de Ausubel e colaboradores, pode-se facilitar o processo de aprendizagem ao organizar-se o ensino – de História – a partir do conhecimento prévio manifesto pelos estudantes.

O que o aluno já sabe, o conhecimento prévio (conceitos, proposições, princípios, fatos, ideias, imagens, símbolos), é fundamental para a teoria da aprendizagem significativa, uma vez que constitui-se

como determinante do processo de aprendizagem […].

ALEGRO, Regina Célia. Conhecimento prévio e aprendizagem significativa de conceitos históricos no Ensino Médio. 2008. Tese (Doutorado em Educação) –Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Marília, 2008. p. 23-24. Disponível em: https://repositorio. unesp.br/bitstream/handle/11449/102251/alegro_rc_dr_mar. pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 22 set. 2025.

Metodologias ativas

As metodologias ativas representam ferramentas importantes no processo de ensino e aprendizagem, pois colocam os estudantes no centro desse processo e incentivam sua participação.

As metodologias ativas se inspiram nos trabalhos dos educadores do movimento Escola Nova, do Brasil, e do filósofo e educador estadunidense John Dewey (1859-1952), que considerava que os estudantes aprendem melhor quando realizam tarefas relacionadas aos conteúdos que estão estudando. Com base nesses princípios, as metodologias ativas propõem estratégias de ensino que valorizam a participação efetiva dos estudantes, em contraposição ao ensino tradicional, que se apoia apenas na recepção de conteúdos prontos. Nessas metodologias, os estudantes assumem um protagonismo, sendo incentivados a observar evidências, levantar hipóteses, investigar, criar e propor soluções para problemas reais ou simulados.

Entre as diversas práticas possíveis estão a aprendizagem baseada em projetos, a sala de aula invertida, a sala de aula compartilhada, os estudos de caso, a aprendizagem baseada em problemas, além da criação de jogos, das dramatizações, das investigações, das pesquisas, das experimentações práticas e do uso de modelos híbridos que combinam estratégias ativas com recursos digitais.

O trabalho com projetos

Como já foi dito, aprendizagem baseada em projetos é um exemplo de metodologia ativa. Por meio dela, os estudantes se

envolvem com tarefas e desafios para resolver um problema ou desenvolver algo concreto relacionado à sua vida na escola ou na comunidade. Durante esse processo, os estudantes desenvolvem o pensamento crítico e criativo, precisam tomar decisões em equipe, buscar informações em diversas fontes, organizar ideias e apresentar resultados.

Na página XLIII o professor vai encontrar uma sugestão de projeto para o 4o ano. Como a execução de um projeto por vezes toma um tempo considerável do planejamento didático, sem mencionar a necessidade de adaptar a proposta às condições da escola, optou-se por deixar a utilização dessa metodologia somente para o professor, para que ele decida se e quando o projeto será desenvolvido.

Ainda assim, tendo em vista que o desenvolvimento de projetos demanda que os estudantes exercitem suas habilidades de exploração e reflexão, incentivando-os a apresentar soluções originais, recomenda-se enfaticamente sua aplicação.

Pensando o papel do professor

Os professores desempenham um papel central no processo de formação social e cultural dos estudantes e são agentes fundamentais na construção do pensamento crítico e da cidadania. Assim, a profissão docente precisa ser constantemente valorizada, e sua formação inicial e continuada deve receber atenção especial, de modo que possam responder de maneira criativa e crítica às demandas educacionais do presente e do futuro.

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, um dos maiores desafios é a inserção dos estudantes na cultura letrada. Nessa fase, os estudantes estão construindo as bases para todas as aprendizagens futuras, e o papel do professor torna-se determinante. No entanto, atender a esse desafio implica ultrapassar a figura do professor que apenas transmite conhecimentos ou executa decisões impostas por outros. É necessário

adotar novas perspectivas: a do professor-pesquisador e a do professor-problematizador. O professor-pesquisador é aquele que transforma sua prática em objeto de análise, que investiga suas estratégias, busca novas referências, dialoga com colegas e promove uma postura reflexiva em si e em seus estudantes. O professor-problematizador , por sua vez, é aquele que parte da realidade da turma, escuta os estudantes, identifica seus interesses e suas necessidades e constrói com eles propostas significativas, que ultrapassem os limites do livro didático e estimulem a investigação, a comparação, a análise crítica e a produção de conhecimento.

Assumir esses papéis reflete uma mudança profunda na forma de pensar o ensino em comparação ao papel tradicional do professor. É preciso entender que o professor é o próprio autor de sua prática pedagógica. Para isso, é fundamental questionar-se continuamente. Para favorecer essa postura, algumas questões-chave podem nortear a autoavaliação docente.

• Compreensão e acessibilidade : tenho clareza dos saberes básicos da minha área no segmento em que leciono e consigo traduzi-los de forma acessível? Como posso adaptar minha linguagem e meus exemplos para diferentes perfis?

• Interdisciplinaridade : consigo estabelecer relações entre diferentes áreas do conhecimento nas minhas aulas? Que temas poderiam integrar Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, por exemplo, de maneira significativa?

• Atualização constante : estou atento às novas descobertas e aos debates no campo científico e educacional? Como incorporo essas novidades às minhas práticas?

• Metodologias diferenciadas : quais metodologias ativas conheço e utilizo? Como posso diversificar ainda mais minhas abordagens, sem perder de vista os objetivos de aprendizagem?

• Escuta e observação : ouço de fato os estudantes? Percebo suas dificuldades, seus interesses e suas dúvidas? Que estratégias posso adotar para que todos se sintam ouvidos?

• Uso crítico do material didático: utilizo o livro como apoio ou dependo exclusivamente dele? De que forma posso complementá-lo com outras fontes e experiências?

• Práticas científicas: tenho proporcionado experiências que aproximem os estudantes do fazer científico — como pesquisas, entrevistas, experimentos e visitas?

• Investigação e ética: incentivo a reflexão sobre as implicações sociais e éticas do conhecimento que trabalhamos? Dou espaço para que os estudantes expressem opiniões e construam argumentos?

Essas reflexões apontam para a necessidade de um professor que não apenas ensina, mas que também aprende continuamente e se reinventa.

Ser um professor-pesquisador e problematizador significa assumir a responsabilidade de contribuir para a formação de sujeitos capazes de compreender o mundo criticamente e atuar nele de forma ética e transformadora. Para isso, procure adotar uma postura colaborativa e questionadora e incentive os estudantes a fazer o mesmo. Ao adotar essa postura, a sala de aula se torna um ambiente propício e favorável para trocas.

Espaços coletivos de formação

Além da reflexão individual, o desenvolvimento profissional docente também passa pelos espaços coletivos de formação, como reuniões pedagógicas, grupos de estudo e trocas de experiências entre pares. Sempre que possível, compartilhe suas ideias e práticas com os colegas e construa coletivamente soluções para os problemas que surgem no cotidiano escolar. A construção colaborativa de saberes pedagógicos, que tem como base situações reais de sala de aula, amplia o repertório didático, promove atualização constante e contribui para a

construção de uma prática mais consciente e fundamentada.

Essa articulação entre reflexão sobre a prática, registro sistemático das aprendizagens e busca permanente por atualização profissional contribui para consolidar um fazer docente sensível às singularidades dos estudantes e comprometido com a formação cidadã e inclusiva. Em síntese, ser professor implica não apenas ensinar conteúdos, mas também aprender continuamente com a experiência, reinventando práticas e renovando o compromisso ético com a educação democrática e transformadora.

O espaço da sala de aula

O modo como o espaço da sala de aula é organizado exerce grande influência sobre as experiências escolares, já que é nesse ambiente que os estudantes passam boa parte do tempo escrevendo, ouvindo, refletindo, interagindo e aprendendo. Para que esse espaço favoreça a aprendizagem, é importante que seja planejado como um ambiente acolhedor e funcional, que proporcione bem-estar, estimule a interação e seja agradável para o trabalho coletivo e individual.

Segundo as educadoras Madalena Telles Teixeira e Maria Filomena Reis, a forma como o mobiliário está disposto interfere na dinâmica das aulas, nos padrões de comunicação e nas relações interpessoais entre professor e estudantes (TEIXEIRA, Madalena Telles; REIS, Maria Filomena. A organização do espaço em sala de aula e as suas implicações na aprendizagem cooperativa. Meta: Avaliação, Rio de Janeiro, v. 4, n. 11, p. 162187, maio/ago. 2012. Disponível em: https:// revistas.cesgranrio.org.br/index.php/metaa valiacao/article/view/138/pdf. Acesso em: 20 set. 2025). Por isso, recomenda-se que a organização seja flexível e adaptada aos objetivos de cada atividade, permitindo que a disposição das carteiras e mesas seja alterada sempre que necessário. Essa flexibilidade é especialmente relevante para propostas que envolvem aprendizagem

cooperativa, pois facilita a colaboração entre os estudantes e o apoio mútuo durante as tarefas.

A disposição tradicional em filas e colunas, por exemplo, costuma ser associada a aulas expositivas e à instrução direta, centradas na figura do professor. Embora seja eficiente para atividades de transmissão de conteúdos, esse arranjo reduz a possibilidade de contato visual e de troca entre os estudantes, favorecendo uma lógica de controle e disciplina. Já as configurações voltadas para a interação, como mesas agrupadas em pequenos grupos, círculos, formato em U ou fileiras horizontais, aproximam os estudantes entre si e do professor, favorecendo discussões, produções coletivas e trabalhos colaborativos (TEIXEIRA, Madalena Telles; REIS, Maria Filomena. A organização do espaço em sala de aula e as suas implicações na aprendizagem cooperativa. Meta : Avaliação, Rio de Janeiro, v. 4, n. 11, p. 162-187, maio/ago. 2012. Disponível em:

https://revistas.cesgranrio.org.br/index.php/ metaavaliacao/article/view/138/pdf. Acesso em: 20 set. 2025).

Quando a proposta pedagógica envolve cooperação, torna-se fundamental contar com mobiliário móvel e com espaços que possam ser reorganizados com facilidade, de modo a apoiar diferentes formatos de trabalho: individual, em duplas, em grupos menores ou com toda a turma. Além disso, a criação de cantinhos ou áreas temáticas pode estimular a autonomia e o protagonismo dos estudantes, desde que acompanhada de intencionalidade pedagógica — caso contrário, a simples mudança física da sala não garante maior liberdade de ação, podendo apenas reproduzir novas formas de controle.

Portanto, planejar e gerir o espaço físico da sala de aula é uma tarefa pedagógica estratégica. A organização do ambiente precisa estar alinhada aos objetivos de ensino e aos métodos adotados, funcionando como um recurso que favoreça a aprendizagem e contribua para tornar as aulas mais significativas, inclusivas e participativas.

Professora e estudantes em sala de aula multisseriada dos anos iniciais do Ensino Fundamental no município de Matias Cardoso (MG), 2022.

Educação inclusiva

[…] escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas proveem uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO,

A CIÊNCIA E A CULTURA. Declaração de Salamanca: sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. Salamanca: Unesco, 1994. p. 1. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ salamanca.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.

A acessibilidade e a inclusão constituem princípios fundamentais da Educação Básica brasileira desde que foram aprovados marcos

legais como a Constituição Federal de 1988, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei no 13.146/2015) e a Política Nacional de Educação Especial. Esses documentos asseguram o direito de todas as crianças a uma educação de qualidade, que reconheça e respeite suas diferenças e potencialidades.

Ainda assim, um dos maiores desafios da educação brasileira é garantir a equidade e a inclusão. Todos os estudantes deveriam ter as mesmas oportunidades de aprendizagem, independentemente de onde estudam ou de sua classe social. Este é, aliás, um dos objetivos da BNCC: fortalecer a equidade definindo os conhecimentos, competências e habilidades que todos os estudantes devem aprender, independentemente de raça, gênero, classe social ou origem geográfica.

A inclusão escolar também é um princípio fundamental que busca garantir a equidade no acesso ao direito à educação, oferecendo a todos igualdade de oportunidades e ao mesmo tempo respeitando particularidades, ritmos e formas de expressão. Entre suas características estão o respeito às diferenças, a eliminação de possíveis obstáculos físicos, sociais e pedagógicos e a oferta de suportes adequados às necessidades de cada estudante, o que pode envolver adaptações curriculares, uso de recursos de acessibilidade, formação e capacitação dos professores e um ambiente acolhedor.

Segundo Andréa Bezerra Ferreira et al., a inclusão educacional vai além da presença física de estudantes com deficiência em salas de aula regulares; envolve a adaptação do ensino para garantir a participação ativa de todos, respeitando suas necessidades e promovendo um ambiente de aprendizagem colaborativo e acessível (FERREIRA, Andréa Bezerra et al . Inclusão escolar no Brasil: políticas públicas e desafios na educação especial. ISCI : Revista Científica, Sinop, ed. 53, ano 11, n. 8, p. 1-13, 2024. Disponível em: https://www.isciweb.com.br/revista/4252. Acesso em: 24 set. 2025).

A inclusão também envolve a construção de relações saudáveis, promovendo a empatia, o respeito mútuo e o senso de pertencimento. Quando professor e escola se comprometem com a inclusão, o ambiente escolar se transforma em um espaço rico de encontros, trocas e desenvolvimento para todos. Os estudantes ganham mais autonomia, autoestima e aprendem valores e habilidades socioemocionais essenciais como tolerância, responsabilidade social, respeito às diferenças, colaboração e cooperação.

Simone Pereira dos Santos e Helena Venites Sardagna ressaltam que a inclusão contribui para a formação de cidadãos mais

conscientes e beneficia todos os estudantes envolvidos. Mais do que uma exigência legal, a inclusão é um compromisso ético e um pilar importante para a construção de uma sociedade mais justa e gentil e menos desigual (SANTOS, Simone Pereira dos; SARDAGNA, Helena Venites. Acessibilidade curricular e inclusão escolar: uma revisão de literatura. Educere et Educare, Cascavel, v. 18, n. 45, p. 434-454, 2023. Disponível em: https:// saber.unioeste.br/index.php/educereetedu care/article/view/30639/22078. Acesso em: 14 set. 2025).

No contexto do ensino de História nos anos iniciais, garantir acessibilidade significa planejar situações de aprendizagem que superem barreiras físicas, comunicacionais, pedagógicas e atitudinais, permitindo a participação plena e equitativa de todos os estudantes. Como afirmam Susan Stainback e William Stainback, a escola inclusiva é aquela que valoriza a diversidade como um recurso para o enriquecimento do processo educativo, e não como um obstáculo (STAINBACK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores. Tradução: Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 1999).

Para promover a acessibilidade, a segurança e a consequente participação de estudantes com necessidades educacionais específicas, é necessário primeiramente organizar os locais de aprendizagem. Deve-se manter espaço entre as carteiras para permitir a circulação de cadeiras de rodas, andadores ou acompanhantes, evitando excesso de móveis ou objetos que dificultem a locomoção e deixando os objetos de uso diário sempre no mesmo lugar para facilitar a autonomia.

Como alguns estudantes podem apresentar hipersensibilidade sensorial, é importante, sempre que possível, manter um ambiente com pouco ruído, além de luz suave (evitando sobrecarga visual com excesso de cartazes ou cores muito vibrantes, por

exemplo) e avaliar a possibilidade de ter um espaço mais tranquilo para a realização de pausas. No caso de uso de vídeos, é importante que apresentem audiodescrição e não estejam em volume muito alto.

Além disso, recomenda-se que o professor esteja atento às especificidades de cada estudante, ajustando práticas e recursos sempre que necessário, em diálogo com as orientações das equipes de apoio da escola e com as famílias. Entre as possibilidades estão a produção de mapas, gráficos e maquetes táteis para estudantes cegos ou com baixa visão, a utilização de materiais visuais legendados e a mediação em Libras para estudantes surdos, bem como o acolhimento de registros orais ou em outros suportes para estudantes com dificuldades motoras ou de escrita. É importante organizar tempos adequados para a realização das tarefas, criar ambientes favoráveis à participação coletiva e individual e promover intervenções pedagógicas diferenciadas quando necessário.

Pode ser desafiador para o professor se atentar às diferentes necessidades presentes em sala de aula e adaptar no momento da aula os materiais e o conteúdo para que todos os estudantes possam ter a oportunidade de aprendê-lo. Para auxiliar nessa questão, o Livro do estudante conta com textos objetivos, esclarecimento de vocabulário, visualização confortável de textos, imagens e tabelas. Em conteúdos mais complexos, o professor contará com encaminhamentos e outras orientações didáticas, além de indicações de leituras para auxiliar a preparação da aula, no Livro do professor.

A mediação do professor, nesse sentido, deve ser sensível às singularidades, promovendo a participação ativa de todos e reconhecendo que a diversidade compõe a riqueza das relações educativas. Essa

perspectiva dialoga com as concepções defendidas por Tony Booth e Mel Ainscow, segundo as quais a inclusão é um processo contínuo de remoção de barreiras e criação de culturas escolares que acolham cada estudante em sua integridade (BOOTH, Tony; AINSCOW, Mel. Index for inclusion : developing learning and participation in schools. Bristol: Centre for Studies on Inclusive Education, 2002. Disponível em: https:// www.eenet.org.uk/resources/docs/Index%20 English.pdf. Acesso em: 20 jul. 2025).

No entanto, é possível que algumas dessas sugestões de adaptação propostas no material não sejam adequadas aos estudantes em questão pela diversidade de realidades. Sendo assim, as sugestões podem ser replicadas em contextos diversos a depender da escolha e análise do professor ou podem inspirá-lo em seu planejamento e em suas práticas, assim como as indicações de leitura.

Uma dessas indicações de leitura se destaca por oferecer estratégias que beneficiam a todos os estudantes, contribuindo de fato para um ambiente inclusivo. Trata-se da obra Práticas para a sala de aula baseadas em evidências , de Fernanda Orsati et al. , da Editora Memnon, 2015. Já a coleção O que fazer e o que evitar: guia rápido para professores , da Editora Vozes, também é indicada por conter títulos que abordam transtorno do espectro autista (TEA), dislexia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), entre outras possibilidades, auxiliando com recomendações eficazes de como realizar o processo de inclusão na esfera pedagógica e na esfera social.

É importante que o professor busque conhecer o histórico e as particularidades de cada estudante com necessidades educacionais específicas para conseguir planejar com antecedência as estratégias mais

eficientes e preparar os materiais de acordo com suas necessidades, promovendo um ambiente seguro e respeitoso. Além disso, é primordial que sensibilize os estudantes desde cedo para o respeito às diferenças e à convivência inclusiva, possibilitando momentos de reflexão e escuta ativa. Porém, a inclusão não pode ser responsabilidade exclusiva do professor. É essencial envolver toda a comunidade escolar nesse processo, incluindo gestores, famílias, profissionais da saúde e membros da comunidade. A gestão escolar precisa assegurar recursos, formação e apoio à equipe docente. Já com relação à família, de acordo com Vilma Moreira da Silva Lima e Maria Elba Medina Barrios, sua sensibilização e envolvimento em reuniões pedagógicas, projetos escolares e atividades extracurriculares é fundamental, uma vez que ela pode fornecer dados atuais sobre o estudante, aproximando o contexto familiar do ambiente pedagógico e garantindo que as necessidades do estudante sejam atendidas de forma mais personalizada (LIMA, Vilma Moreira da Silva; BARRIOS, Maria Elba Medina. O papel da família na inclusão escolar e a adaptação curricular. Humanidades & Tecnologia (Finom) , Paracatu, v. 58, n. 1, p. 87-97, abr./jun. 2025. Disponível em: https: //zenodo.org/records/15083874. Acesso em: 24 set. 2025).

A verdadeira inclusão somente acontece quando todos se apropriam de seus papéis e se responsabilizam por criar um ambiente escolar que acolhe, respeita e valida as diferenças. Não existe um guia único de como fazê-la, ela acontece em uma busca contínua.

Avaliação formativa

O conceito de avaliação formativa está relacionado a metodologias que propõem a participação ativa de estudantes e

professores no processo de ensino e aprendizagem. Essa perspectiva entende que aprender não é apenas acumular informações, mas construir conhecimento de forma colaborativa, contínua e contextualizada. Por isso, a avaliação deixa de ser vista como um momento isolado, destinado a medir resultados finais, e passa a ser concebida como parte integrante do percurso de aprendizagem. Assim como os estudantes são convidados a realizar atividades que favoreçam a construção de noções, hipóteses e reflexões, eles também devem ser chamados a participar ativamente de seu próprio processo avaliativo, reconhecendo o que aprenderam, identificando dificuldades e traçando metas para avançar, em conformidade com sua faixa etária. Para que cumpra esse papel, a avaliação precisa ser plural, contemplando diferentes formas e instrumentos que possibilitem ao estudante demonstrar o que sabe de maneiras diversas, valorizando não apenas a nota ou o conceito avaliativo, mas, sobretudo, o percurso pedagógico. Uma avaliação verdadeiramente formativa permite tanto ao professor quanto ao estudante revisitar suas trajetórias, analisar os caminhos escolhidos, compreender os avanços e redefinir estratégias sempre que necessário. Ela deve criar situações de interação ricas e significativas: interação entre os próprios estudantes, que aprendem ao trocar experiências e pontos de vista; interação entre estudantes e professores, em um processo dialógico e reflexivo; e interação entre estudantes e os objetos de conhecimento, de forma concreta, contextualizada e crítica.

Existem inúmeras possibilidades para a realização de avaliações com caráter formativo. Elas podem ocorrer individualmente, em dupla ou em grupo; podem assumir formatos escritos, orais, visuais ou

multimodais; podem acontecer por meio da elaboração de trabalhos, cartazes, peças teatrais, jogos educativos, rodas de conversa, produções digitais, pesquisas de campo, provas formais, entre outras. Independentemente do formato, o aspecto central deve ser sempre o mesmo: criar oportunidades para que os estudantes pensem, analisem, problematizem e atuem sobre o conhecimento.

Nessa perspectiva, a avaliação torna-se um momento essencial para professores e estudantes. Para os professores, ela oferece um retrato dinâmico da aprendizagem da turma, confrontando o planejamento com a realidade vivida, revelando o que deu certo e o que precisa ser ajustado. Para os estudantes, é um momento de aprendizado em si, no qual podem refletir sobre suas conquistas, reconhecer seus desafios e compreender como se relacionam com os conteúdos e as práticas propostos. Mais do que medir resultados, a avaliação formativa propõe construir caminhos.

Para dar corpo à avaliação formativa e orientar práticas avaliativas consistentes e eficazes, a estrutura das unidades e as seções desta obra permitem realizar avaliações diagnóstica, de processo e somativa. A avaliação diagnóstica ou inicial tem como objetivo identificar o que os estudantes já sabem, quais experiências possuem e que concepções prévias carregam sobre determinado objeto de estudo. Essa etapa é fundamental, pois permite ao professor planejar intervenções adequadas ao perfil da turma. Uma forma interessante de realizá-la é por meio de rodas de conversa, nas quais os estudantes possam compartilhar experiências, levantar hipóteses e expressar expectativas. Atividades autobiográficas, como relatos orais ou escritos sobre vivências relacionadas ao tema, também são recursos importantes para essa etapa,

pois aproximam o conteúdo do universo pessoal dos estudantes, promovendo a valorização de sua bagagem cultural e social. Nesta obra, questões que podem ser trabalhadas como parte das avaliações diagnósticas são propostas nas aberturas de unidade, e há, no decorrer dos conteúdos, levantamentos dos conhecimentos prévios dos estudantes sobre diferentes assuntos.

A avaliação de processo é contínua e acompanha o desenvolvimento do trabalho ao longo do tempo. Mais do que verificar se algo foi “aprendido”, ela busca compreender como o aprendizado está acontecendo, quais obstáculos surgem e que estratégias podem ser adotadas para superá-los. As atividades distribuídas ao longo dos capítulos foram, em grande parte, elaboradas para propiciar momentos de avaliação de processo.

Por fim, a avaliação somativa (de resultados ou final) não se restringe a conferir notas ou aprovar conteúdos. Ela tem a função de verificar se os objetivos propostos foram atingidos, mas também de indicar novos rumos para os próximos ciclos de aprendizagem. É interessante que seja diversificada, permitindo diferentes formas de expressão. Produções escritas, apresentações orais, produtos artísticos, debates e atividades práticas podem revelar aspectos complementares da aprendizagem e oferecer ao professor um panorama mais completo do que foi construído. A seção O que estudei pode ser utilizada para compor a avaliação somativa. Dessa seção também faz parte um quadro de autoavaliação, a ser copiado pelos estudantes no caderno e preenchido de acordo com as ações deles ao longo do estudo de cada unidade, de forma a refletir sobre os pontos fortes e o que pode melhorar.

Ao longo de todo o processo, as avaliações devem estimular competências

es senciais para o mundo contemporâneo, incentivar a autonomia, a colaboração, a argumentação e a criatividade dos estudantes, orientando ajustes e promovendo avanços significativos.

Avaliação formativa no componente curricular de História

A avaliação, no contexto do ensino do componente curricular de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental, também é concebida como um processo contínuo, formativo e integrado à prática pedagógica cotidiana. Há, porém, particularidades que estão relacionadas ao processo de aprendizado de conteúdos e conceitos do componente curricular.

No ensino de História, avaliar também significa observar como os estudantes desenvolvem a consciência histórica: sua capacidade de identificar mudanças e permanências, compreender relações entre

passado e presente e reconhecer os processos históricos que foram importantes para sua formação como indivíduo. Outras habilidades relacionadas ao aprendizado do componente curricular são valorizar a diversidade de grupos sociais e problematizar a realidade em que vivem. Para isso, é fundamental que o professor utilize instrumentos variados, que possibilitem aos estudantes expressarem seus conhecimentos de diferentes maneiras, respeitando suas singularidades e ritmos de aprendizagem.

A avaliação em História também deve considerar as condições de partida dos estudantes, reconhecendo as desigualdades sociais e culturais que atravessam o processo de escolarização. Nesse sentido, a avaliação torna-se também um instrumento de correção de desigualdades, ao permitir que todos avancem, cada um a seu ritmo, com respeito à sua história e potencialidades.

Planejamento e conteúdos

Quadro programático da coleção

Neste quadro, apresentamos os temas e conteúdos que compõem os volumes desta coleção. Ao consultá-lo, o professor poderá observar a progressão de conteúdos a cada ano letivo, avaliar possibilidades de interdisciplinaridade e definir proposições para seu trabalho em sala de aula.

Espaços domésticos, públicos e privados

Capítulo 1 – Onde eu vivo é assim

Meus lugares de vivência

Ideia puxa ideia – Educação no trânsito

Criança cidadã – Cuidando do lugar onde vivemos

Capítulo 2 – Espaços públicos e suas funções

Outros espaços públicos

3 4 5

Quem cuida dos espaços públicos?

Criança cidadã – Como preservar e melhorar os espaços públicos que frequentamos

As unidades de conservação

Mão na massa – UCs do município e arredores

Natureza e cidadania

O que estudei

Unidade 1

O que a História estuda?

Capítulo 1 – O que é História

Do presente para o passado

O papel do historiador

Mão na massa – Caça ao tesouro

Capítulo 2 – Do nomadismo à sedentarização

O povoamento da Terra

Ideia puxa ideia – A importância do fogo

Criança cidadã – Responsabilidade com o patrimônio

histórico

O desenvolvimento da agricultura

O que estudei

O tempo e as culturas

Capítulo 1 – O tempo e a história

O tempo da natureza

O tempo cronológico

Como o historiador trabalha o tempo?

Mão na massa – Linha do tempo

Capítulo 2 – A natureza e a formação dos povos

Os povos sedentarizados e a natureza

O antigo Egito e sua relação com a natureza

A civilização grega

Organização social dos indígenas brasileiros

Ideia puxa ideia – A sociedade e a natureza

O que estudei

O município e sua gente

Capítulo 1 – Os grupos que vivem na região onde moro

Presença indígena nas cidades

Ideia puxa ideia – Brincar também é um direito!

Cidades e a presença afro-brasileira

Migrantes e imigrantes

Mão na massa – Livreto de cordel

Capítulo 2 – História do município em que vivo

Primeiras vilas e cidades

As cidades mudam

Criança cidadã – Crescimento dos municípios e meio ambiente

As pessoas e as comunidades

Ideia puxa ideia – Municípios e comunidades

O que estudei

Unidade 2

A formação das cidades e as trocas comerciais

Capítulo 1 – As cidades mudam com o tempo

A vida nos primeiros núcleos urbanos

Mão na massa – Como surgem os povoados?

As cidades se transformam ao longo do tempo

Ideia puxa ideia – Qual é a história da nossa cidade?

Capítulo 2 – O comércio e suas rotas

As primeiras trocas comerciais

Mão na massa – O jogo do comércio

As rotas comerciais

O que estudei

Diversidade e cidadania

Capítulo 1 – Crenças religiosas no Brasil e no mundo

As origens da religião

Religião e identidade no Brasil

Criança cidadã – É preciso respeitar todas as religiões

Capítulo 2 – Em busca da cidadania

Mão na massa – Acessibilidade e cidadania

Cidadania em outros tempos

A conquista da cidadania no Brasil

Ideia puxa ideia – Cidadania em ação

O que estudei

Unidade 1
Unidade 2
Unidade 1
Unidade 2

Unidade 3

Marcos históricos e patrimônios culturais

Capítulo 1 – Lugares de memória e marcos históricos

A memória viva da cidade

Mão na massa – Os marcos históricos da minha região

Capítulo 2 – Patrimônio cultural

O que é patrimônio cultural?

Criança cidadã – O patrimônio é de todos

Ideia puxa ideia – Você conhece o carimbó?

O que estudei

Unidade 4

Campo, cidade e cotidiano

Capítulo 1 – A cidade e o campo: presente e passado

A vida nas cidades

Mão na massa – Eleições na sala de aula

A vida no campo

As relações entre campo e cidade

Ideia puxa ideia – Alimentação saudável no cotidiano

Capítulo 2 – Trabalho e lazer ao longo do tempo

O trabalho no passado

O trabalho hoje

Criança cidadã – Todo trabalho é importante

O lazer no passado

Mão na massa – Oficina de brinquedo

O lazer hoje

O que estudei

Unidade 3

Origens do Brasil

Capítulo 1 – Indígenas e portugueses na América

Cada povo tem uma origem

Os indígenas antes da colonização europeia

A relação com a natureza

O contato com os portugueses

Ideia puxa ideia – A influência da língua tupi no Brasil

As lutas do presente

Capítulo 2 – Brasil africano

Os povos africanos antes da colonização

O tráfico de escravizados

Criança cidadã – Combate ao racismo

Cultura afro-brasileira

Mão na massa – Feira cultural afro-brasileira

O que estudei

Unidade 3

Memória e patrimônio

Capítulo 1 – Memórias para guardar e compartilhar

Vozes que contam histórias

Onde a memória fica guardada

Memórias dos grupos minorizados no Brasil

Ideia puxa ideia – A saúde e os saberes indígenas

Capítulo 2 – Patrimônios da humanidade

Patrimônios materiais e imateriais

Mão na massa – Patrimônios na minha região

Criança cidadã – Patrimônio natural em perigo

O que estudei

Unidade 4

Deslocamentos e comunicação

Capítulo 1 – Deslocamentos populacionais no Brasil

A imigração europeia

Mão na massa – Entrevista com um imigrante

Criança cidadã – Migração: diversidade e inclusão

Capítulo 2 – A importância dos meios de comunicação

A origem da imprensa no Brasil

Mão na massa – O jornal da turma

O rádio

A televisão

A internet

Ideia puxa ideia – Uso da internet

O que estudei

Unidade 4

A comunicação e questões do Brasil atual

Capítulo 1 – A comunicação humana

Como os seres humanos se comunicam?

O desenvolvimento da escrita

A comunicação nas sociedades sem escrita

Diferentes formas de comunicação

Mão na massa – Linguagem poética

Ideia puxa ideia – A importância da Língua Brasileira de Sinais

(Libras)

Capítulo 2 – O Brasil contemporâneo

Um país diverso

A violência na sociedade

Desigualdade entre os gêneros

O preconceito étnico-racial

Criança cidadã – Luta contra a discriminação

Meio ambiente em risco

Mão na massa – Consciência ecológica

O que estudei

Sugestões de cronograma – 4o ano

O quadro a seguir apresenta sugestões de cronogramas ao longo das semanas letivas para o trabalho com o volume 4 do Livro do estudante. As propostas são: semanal, bimestral, trimestral e semestral. Estes cronogramas são apenas sugestões que podem ser adaptadas conforme a realidade escolar.

CONTEÚDOS E SUGESTÕES DE CRONOGRAMA – 4o ANO

1a 1

2a 1

3a 1

4a 1

5a 1

6a 1

7a 1

8a 1

9a 1

Unidade 1 – O que a História estuda?

Capítulo 1 – O que é História

Do presente para o passado

O papel do historiador

Fontes orais

Fontes escritas

Fontes de cultura material

Fontes visuais

Fontes audiovisuais

Fontes imateriais

Fontes digitais

Mão na massa – Caça ao tesouro

Como o historiador trabalha?

Capítulo 2 – Do nomadismo à sedentarização

O povoamento da Terra

Povoamento da América

O modo de vida nômade

Ideia puxa ideia – A importância do fogo

Inscrições rupestres

Criança cidadã – Responsabilidade com o patrimônio histórico

O desenvolvimento da agricultura

Plantar, colher e… trabalhar mais?

10a 1 O que estudei

11a 2

12a 2

13a 2

14a 2

Bimestre

Trimestre

15a 2

16a 2

17a 2

Unidade 2 – A formação das cidades e as trocas comerciais

Capítulo 1 – As cidades mudam com o tempo

A vida nos primeiros núcleos urbanos

A urbanização ao redor do mundo

Mão na massa – Como surgem os povoados?

As cidades se transformam ao longo do tempo

Ideia puxa ideia – Qual é a história da nossa cidade?

Capítulo 2 – O comércio e suas rotas

As primeiras trocas comerciais

Antes do dinheiro

A moeda: uma nova forma de trocar

Mão na massa – O jogo do comércio

18a 2 As rotas comerciais

19a 2 As Grandes Navegações e seus impactos

20a 2 O que estudei

Semestre

Trimestre

21a 3

22a 3

23a 3

24a 3

Bimestre

Trimestre

25a 3

26a 3

27a 3

28a 3

29a 3

Unidade 3 – Origens do Brasil

Capítulo 1 – Indígenas e portugueses na América

Cada povo tem uma origem

Os indígenas antes da colonização europeia

A presença humana na América

A grande migração tupi-guarani

Presença tupi-guarani em diferentes regiões

A relação com a natureza

Respeitar e preservar

O contato com os portugueses

Contatos, conflitos e impactos

Ideia puxa ideia – A influência da língua tupi no Brasil

As lutas do presente

A mobilização dos povos indígenas

Capítulo 2 – Brasil africano

Os povos africanos antes da colonização

O contato com os portugueses

O tráfico de escravizados

A trajetória

Resistência à escravização

Criança cidadã – Combate ao racismo

Cultura afro-brasileira

Cultura afro-brasileira (continuação)

Mão na massa – Feira cultural afro-brasileira

30a 3 O que estudei

31a 4

32a 4

33a 4

34a 4

35a 4

Bimestre

Unidade 4 – Deslocamentos e comunicação

Capítulo 1 – Deslocamentos populacionais no Brasil

A imigração europeia

Brasil: um país multiétnico

Como podemos conhecer a vida de um imigrante?

Mão na massa – Entrevista com um imigrante

Brasileiros no exterior

A imigração para o Brasil na atualidade

Criança cidadã – Migração: diversidade e inclusão

Capítulo 2 – A importância dos meios de comunicação

36a 4

37a 4

38a 4

39a 4

40a 4

A origem da imprensa no Brasil

A imprensa e a luta contra a desigualdade

Mão na massa – O jornal da turma

O rádio

A importância do rádio no Brasil

A televisão

As transformações da televisão ao longo do tempo

A internet

Ideia puxa ideia – Uso da internet

O que estudei

Matriz de planejamento de rotina

A seguir, é apresentada uma sugestão de matriz de planejamento de rotina. Ela é um recurso importante para a organização da aula, pois cria uma rotina previsível, otimiza o tempo e os recursos, além de facilitar o atendimento de estudantes com diferentes ritmos de aprendizagem. Cabe reforçar que essa é uma sugestão e deve ser adaptada de acordo com a realidade de cada escola e turma.

Momento Tempo Ação Objetivo

Acolhida Variável

Ativação de saberes Variável

Desenvolvimento do conteúdo

Variável

Prática Variável

Socialização Variável

Encerramento Variável

Recepção dos estudantes

Correção de tarefa, revisão de conteúdo etc.

Apresentação e discussão do conteúdo

Realização de atividades ou seções

Correção das atividades e compartilhamento dos resultados

Retrospectiva da aula e revisão de estudo

Criar um ambiente acolhedor.

Identificar conhecimento prévio e defasagens.

Introduzir ou ampliar o estudo de conceitos.

Desenvolver habilidades e competências.

Incentivar a reflexão e a troca de ideias.

Avaliar se os objetivos da aula foram alcançados.

Matriz de planejamento de sequência didática

Roda de conversa, música etc.

Avaliação diagnóstica, jogos etc.

Lousa, atividades dinâmicas, vídeos etc.

Atividades individuais ou em grupo, jogos, brincadeiras etc.

Lousa, roda de conversa, correção cruzada etc.

Avaliação formativa ou de resultado, questionário, debate etc.

A seguir, é apresentada uma matriz de planejamento de sequência didática. O planejamento detalhado de uma sequência didática busca garantir a coerência no processo de ensino e aprendizagem e a efetividade dos objetivos definidos. A matriz apresentada é uma sugestão e deve ser adaptada de acordo com cada turma e conteúdo a ser desenvolvido.

Etapa

Definições preliminares

Seleção e organização dos conteúdos

Recursos didáticos

Cronograma

Planejamento das aulas

Execução e monitoramento

Socialização e avaliação

Objetivo

Escolher o tema e os objetivos.

Definir os conteúdos abordados.

Elencar os recursos didáticos a serem utilizados.

Estabelecer um cronograma.

Definir o que será realizado em cada aula.

Assegurar o alinhamento ao tema e aos objetivos definidos.

Verificar se os objetivos definidos foram atingidos.

Descrição

Definir um tema central e detalhar os objetivos a serem atingidos, indicando as competências e habilidades da BNCC a serem desenvolvidas.

Delimitar os conteúdos, indicando os capítulos do Livro do estudante e outros materiais a serem estudados.

Listar e providenciar os recursos didáticos necessários em cada etapa, como materiais manipuláveis, instrumentos, jogos etc.

Detalhar o cronograma de acordo com cada etapa a ser realizada, incluindo a quantidade de aulas necessárias.

Descrever de maneira detalhada o trabalho previsto para cada aula, incluindo atividades e outras práticas dos estudantes.

No desenvolvimento das aulas, fazer os ajustes necessários ao ritmo da turma e registrar a participação individual e coletiva dos estudantes.

Avaliar a realização da sequência didática, a participação dos estudantes e o desenvolvimento da aprendizagem.

Sugestão de projeto do 4o ano: festival de culturas indígenas

O festival de culturas indígenas valoriza a diversidade cultural, especialmente dos povos indígenas, e promove a reflexão crítica sobre preconceitos, articulando pesquisa, produção e socialização. Além disso, propõe que o componente curricular de História seja compreendido como construção coletiva, fruto de uma pesquisa baseada em fontes históricas como tradições orais, objetos e registros.

Além disso, a proposta permite trabalhar os conteúdos históricos de maneira significativa, porque conecta o conteúdo curricular à vivência dos estudantes e à realidade da comunidade escolar.

Capítulo de referência

Este projeto dialoga de forma mais direta com a Unidade 3, Capítulo 1

Justificativa

Os povos indígenas são parte importante do Brasil, tanto para sua formação quanto para o presente, uma vez que eles são defensores das pautas ambientais e da diversidade cultural. Porém, ainda é comum que os indígenas sofram com preconceitos e estereótipos. Promover um festival na escola é uma oportunidade de valorizar as culturas indígenas, estimular o respeito às diferenças e, ao mesmo tempo, aproximar dessa realidade os estudantes não indígenas, relacionando passado e presente de maneira significativa.

Objetivos

• Reconhecer a diversidade cultural dos povos indígenas.

• Combater os preconceitos e as visões estereotipadas a respeito desses povos.

• Desenvolver as habilidades de pesquisa, de criação e de socialização nos estudantes.

• Valorizar as metodologias colaborativas e a aprendizagem pela experiência.

Etapas do projeto

1. Investigação inicial

a) Organize uma roda de conversa sobre o tema: “O que já sabemos sobre os povos indígenas?”.

b) Apresente imagens, vídeos curtos e livros paradidáticos. Se possível, priorize obras feitas por indígenas. Para facilitar a pesquisa inicial, organize os materiais de acordo com o povo indígena.

c) Distribua os materiais em sala e incentive os estudantes a consultá-los.

d) Registre as percepções dos estudantes na lousa e no caderno.

e) Divida a turma em quatro grupos temáticos: Alimentação, Arte, Moradia, Histórias

2. Preparação do festival

a) Inicie a preparação do festival separando os recursos disponíveis na escola, como livros paradidáticos e obras de referência ou sites confiáveis (veja uma lista com sugestões mais adiante). Organize esses materiais de acordo com os povos indígenas abordados ou representados.

b) De acordo com as possibilidades da escola, proponha que cada grupo faça um ou mais dos materiais sugeridos a seguir. Lembre os estudantes de que os materiais devem estar relacionados a um povo indígena.

Alimentação

Cartazes sobre alimentos tradicionais (mandioca, milho, peixe) e os meios pelos quais são obtidos (agricultura, extrativismo etc.).

Arte

Desenhos de grafismos, ensaio de dança ou canto, galeria de desenhos.

Moradia

Ilustração ou maquete de moradia indígena.

Histórias

Reconto em gibi/cordel artesanal.

c) Separe uma ou duas aulas para que os estudantes façam as pesquisas e organizem as informações. Peça-lhes que registrem o resultado dessa atividade no caderno.

d) Combine com a turma como o evento será organizado, se dentro da sala ou em um espaço comum da escola. Converse com a direção para obter recursos adicionais que podem ser necessários, como mesas, toalhas e materiais para fixar os cartazes.

e) Separe uma ou duas aulas para que os estudantes confeccionem os produtos que serão exibidos.

3. Realização do festival

a) Inicie o evento com uma fala coletiva sobre respeito à diversidade cultural.

b) Se o evento for realizado somente em sala de aula, organize o revezamento dos grupos: enquanto uns apresen -

Etapa Quantidade de aulas

1. Investigação inicial 2 aulas

2. Preparação do festival 4 a 6 aulas

3. Realização do festival 1 turno

4. Avaliação coletiva 1 aula

Dicas para o professor

tam, outros recebem visitantes.

c) Se possível, envolva outras turmas e familiares ou responsáveis pelos estudantes.

4. Avaliação coletiva

a) Conduza uma nova roda de conversa com os estudantes e faça as perguntas a seguir.

• O que aprendemos a respeito do povo indígena sobre o qual pesquisamos?

• Como a minha opinião sobre as culturas indígenas mudou após a pesquisa e a apresentação?

b) Monte um mural com frases, fotos e desenhos que resumam os aprendizados.

c) Compartilhe o registro com a comunidade escolar em formato de cartaz ou postagem digital.

CRONOGRAMA SUGERIDO

Atividades

Roda de conversa, apresentação de materiais, divisão em grupos.

Pesquisa guiada, produção de cartazes, desenhos, dança ou canto, ilustrações ou maquete e reconto.

Apresentações, oficinas, dinâmicas e abertura coletiva.

Roda de conversa, mural final e socialização com a comunidade.

• Fique atento aos estereótipos: mostre que não existe “um único jeito de ser indígena” ou uma cultura indígena única.

• Se possível, convide representantes indígenas locais (presencial ou virtualmente) para enriquecer a experiência.

Fontes confiáveis

Sites institucionais

ARTICULAÇÃO

DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL. [ S. l. ], c2025. Site . Disponível em: https://apiboficial.org. Acesso em: 16 set. 2025.

MUSEU NACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS. Rio de Janeiro, c2025. Site. Disponível em: https://www.gov.br/museudoindio/pt-br. Acesso em: 16 set. 2025.

POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. São Paulo, c2025. Site . Disponível em: https://pib. socioambiental.org. Acesso em: 16 set. 2025.

Depoimentos e vídeos

MUSEU DA PESSOA. Exposição Vidas Indígenas: modos de habitar o mundo. São Paulo: Museu da Pessoa, c2022. Disponível em: https://exposicaovidasindigenas.museu dapessoa.org. Acesso em: 16 set. 2025.

Livro de receitas

PINTO, Taiz Siqueira (coord.). Receitas culinárias indígenas guarani-kaiowá e terena na escola. Campo Grande, MS: Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2023. E-book. Disponível em: https://alimentacaoescolar.org.br/wp-content/ uploads/2024/08/2023_Receitas-Culinarias -Indigenas-Guarani-Kaiowa-e-Terena-na -Escola.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.

Autores indígenas

Daniel Munduruku

Escritor do povo munduruku, ele é autor de dezenas de livros infantis e juvenis. Sua obra aproxima crianças e jovens da cultura indígena e combate estereótipos.

Eliane Potiguara

É considerada a primeira escritora indígena a publicar no Brasil. Retrata em sua obra as lutas, memórias e resistências do povo potiguara.

Ailton Krenak

Liderança do povo krenak, é filósofo e ambientalista. Sua escrita propõe novas formas de relação entre humanidade e natureza.

Olívio Jekupé

Escritor guarani mbya, é autor de livros infantis e juvenis que apresentam o cotidiano indígena e fortalecem o protagonismo originário.

Julie (Trudruá) Dorrico

Escritora e pesquisadora do povo macuxi, é reconhecida por sua poesia, que une espiritualidade e natureza. Ela também defende o fortalecimento da literatura indígena e o respeito às juventudes indígenas.

Orientação didática

Organizar um festival sobre a cultura indígena na escola é uma oportunidade de

promover aprendizagens significativas e vivências que rompem com estereótipos ainda presentes no imaginário social. Como lembra Paulo Freire, “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens [seres humanos] se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido . 79. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021. p. 95). Nesse sentido, o festival se constrói na interação entre professor, estudantes e comunidade escolar, mobilizando aprendizagens coletivas.

Na primeira etapa, você pode organizar uma roda de conversa, registrar os saberes prévios e, em seguida, apresentar imagens, vídeos curtos e livros de autoria indígena. Essa prática favorece a escuta ativa e valoriza as culturas originárias como parte constitutiva da história brasileira.

Na preparação do festival, os grupos devem ser orientados a produzir materiais acessíveis e criativos. Caso tenha condições de organizar com a ajuda de familiares, o grupo responsável pelo tema alimentação pode apresentar alimentos como mandioca cozida, beiju ou milho, a serem degustados no evento. O grupo responsável pelo tema arte pode elaborar cartazes com grafismos, organizar uma oficina de pintura corporal com guache ou ensaiar uma dança. O grupo que vai apresentar o tema moradia pode construir uma maquete de aldeia em papelão ou argila, enquanto o grupo responsável pelas histórias pode dramatizar uma lenda indígena utilizando fantoches confeccionados em sala. Esse momento promove a interdisciplinaridade entre os componentes curriculares de História, Geografia, Ciências e Arte.

Atividades interativas, como degustação de comidas, oficinas de pintura ou dramatizações, tornam a experiência mais envolvente e significativa. Caso seja possível, oriente os estudantes a pesquisar músicas de povos indígenas, para ambientar o evento e valorizar as expressões artísticas.

Após o festival, é essencial realizar a avaliação coletiva. A roda de conversa é uma boa oportunidade para refletir sobre a execução do projeto e para que os estudantes

expressem do que mais gostaram. Essa etapa de reflexão fortalece a autonomia, a consciência crítica e o protagonismo estudantil.

Os benefícios que a aplicação do projeto oferece são múltiplos: favorece o contato com diferentes fontes históricas, estimula a valorização da diversidade cultural, amplia a compreensão dos vínculos entre sociedade e natureza e promove a empatia ao aproximar os estudantes das realidades enfrentadas pelos povos indígenas atualmente. Além disso, o festival permite desenvolver habilidades sociais, como cooperação, comunicação e tomada de decisões coletivas.

Por fim, é fundamental garantir que o projeto se desenvolva em um ambiente de inclusão. Para isso, é importante que o suporte

às mais diversas formas de deficiência seja garantido ou que as atividades possam ser feitas por todos os estudantes do grupo. A riqueza do projeto está justamente em envolver cada estudante de acordo com suas possibilidades, reforçando o sentido democrático e inclusivo da escola.

Caso os estudantes sejam, eles próprios, indígenas ou estejam em um local em que a população indígena predomina, o festival das culturas indígenas pode ser realizado envolvendo anciãos, lideranças e familiares, destacando o protagonismo da comunidade. Mais do que representar tradições, a proposta pode valorizar os saberes locais — narrativas orais, cantos, grafismos, rituais e alimentação tradicional — em língua indígena e em português, fortalecendo a identidade cultural e linguística dos estudantes.

REFERÊNCIAS COMENTADAS

ABREU, Martha; SOIHET, Rachel (org.). Ensino de história: conceitos, temáticas e metodologias. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.

• Livro que apresenta reflexões sobre os principais temas de ensino de História e metodologias de ensino para esse componente curricular.

AUSUBEL, David Paul; NOVAK, Joseph Donald; HANESIAN, Helen. Psicologia educacional. Tradução: Eva Nick. 2. ed. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.

• Obra que aborda o desenvolvimento cognitivo de crianças e jovens.

BARBOSA, Artur Sergio de Sousa. O ensino de história para uma educação das relações étnico-raciais: a história da África para além do livro didático. 2020. Dissertação (Mestrado em Ensino de História) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/server/api/ core/bitstreams/21ebb233-44ba-410d-b9da-c0c7e3057a16/ content. Acesso em: 24 set. 2025.

• Dissertação que aborda a aplicação das leis no 10.639 e no 11.645 na Educação Básica brasileira.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. (Coleção docência em formação).

• Livro que aborda os mais diferentes aspectos relacionados ao ensino de História na Educação Básica.

BITTENCOURT, Circe (org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1997. (Repensando o ensino).

• Livro que discute as aplicações do saber histórico na sala de aula ante as mudanças sociais.

BOOTH, Tony; AINSCOW, Mel. Index for inclusion: developing learning and participation in schools. Bristol: Centre for Studies

on Inclusive Education, 2002. Disponível em: https://www. eenet.org.uk/resources/docs/Index%20English.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Publicação que apresenta maneiras pelas quais as escolas podem aperfeiçoar suas práticas no que diz respeito à educação inclusiva.

BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

• Livro que apresenta a conexão entre memória, relações afetivas e sociais e a construção do conhecimento histórico.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

• Conjunto das leis que fundamentam e constituem o Estado brasileiro. Estabelece, entre outros direitos, que a Educação Básica é um direito de todos e dever do Estado.

BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 14 set. 2025.

• Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que estabelece direitos e normas para a Educação Básica brasileira.

BRASIL. Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

• Lei que estabelece a obrigatoriedade do ensino de conteúdos relacionados à história e à cultura da África e dos afro-brasileiros.

BRASIL. Lei no 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Brasília, DF: Presidência da República, 2008. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

• Lei que amplia a abrangência da Lei no 10.639 ao introduzir a obrigatoriedade do ensino de conteúdos relacionados à história e à cultura indígena.

BRASIL. Lei n o 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

• Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Documento oficial do Ministério da Educação que serve de referência para a construção de currículos para todos os segmentos da Educação Básica.

BRASIL. Ministério da Educação. Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Brasília, DF: MEC, [ca. 2023]. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/centrais-de -conteudo/publicacoes/institucionais/compromisso-nacional -crianca-alfabetizada.pdf. Acesso em: 29 jul. 2025.

• Documento oficial que apresenta os fundamentos do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica: diversidade e inclusão. Brasília, DF: CNE: MEC: Secadi, 2013. Disponível em: https:// www.gov.br/mec/pt-br/media/etnico_racial/pdf/diretrizes_ curriculares_nacionais_para_educacao_basica_diversidade _e_inclusao_2013.pdf. Acesso em: 27 set. 2025.

• Conjunto de diretrizes que orientam a elaboração dos currículos escolares em âmbito nacional.

BRASIL. Ministério da Educação. Temas contemporâneos transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos. Brasília, DF: MEC, 2019. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/ contextualizacao_temas_contemporaneos.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Documento oficial que apresenta os TCTs. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, DF: MS, 2014. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_ alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Guia que incentiva a população a consumir alimentos mais saudáveis, a fim de melhorar os hábitos alimentares dos brasileiros e suas condições de saúde.

BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. Brasília, DF: Secom/PR, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de -telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/guia-de-telas_sobre -usos-de-dispositivos-digitais_versaoweb.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

• Guia que faz recomendações sobre o uso de telas e outros dispositivos digitais por crianças e adolescentes, evidenciando seus benefícios, mas também a atenção que o uso desses equipamentos exige.

CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e antirracismo na educação: repensando nossa escola. São Paulo: Selo Negro, 2001.

• Obra que trabalha os desafios relacionados à implementação de práticas antirracistas em ambiente escolar.

CHALHOUB, Sidney. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

• Obra que aborda a cidade do Rio de Janeiro nas primeiras décadas da República.

CONTI, Késia Liriam Meneguel de; ZANNATA, Shalimar Calegari. Acidentes no ambiente escolar: uma discussão necessária. In: PARANÁ. Secretaria Estadual da Educação. Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor PDE: artigos. Curitiba: SEED, 2014. p. 2-17. (Cadernos PDE, v. 1). Disponível em: http://www.diaadiaedu cacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_ pde/2014/2014_unespar-paranavai_cien_artigo_kesia_liriam_ meneguel.pdf. Acesso em: 14 set. 2025.

• Material que trata de acidentes em ambiente escolar. DELGADO, Lucilia de Almeida Neves. História oral: memória, tempo, identidades. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. (Coleção leitura, escrita e oralidade).

• Livro que aborda a importância dos relatos e da história oral para a construção do conhecimento.

FERREIRA, Andréa Bezerra et al. Inclusão escolar no Brasil: políticas públicas e desafios na educação especial. ISCI: Revista Científica, Sinop, ed. 53, ano 11, n. 8, p. 1-13, 2024. Disponível em: https://www.isciweb.com.br/revista/4252. Acesso em: 24 set. 2025.

• Artigo que discute a importância das políticas públicas para assegurar a inclusão escolar no Brasil.

FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática de ensino de história: experiências, reflexões e aprendizados. Campinas: Papirus, 2003. (Coleção magistério: formação e trabalho pedagógico).

• Obra que reflete sobre as transformações no ensino de História durante as últimas décadas do século XX, com a redemocratização e a promulgação de leis como a Constituição e a LDB.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 41. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Coleção leitura).

• Obra que continua as reflexões iniciadas por Paulo Freire em Pedagogia do oprimido

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 79. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

• Obra que reflete sobre os modos de educar e como o ensino pode favorecer a autonomia e a liberdade do estudante.

GHELLI, Alex Conrado. Os desafios do ensinar história no século XXI e as potencialidades do letramento histórico na formação de estudantes do ensino fundamental 2023. Dissertação (Mestrado em Ensino de História) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2023. Disponível em: https://www. bdtd.uerj.br:8443/handle/1/21570. Acesso em: 24 set. 2025.

• Dissertação em que o autor expõe os desafios contemporâneos do ensino do componente curricular de História, entre eles o letramento científico e a influência das mídias sociais.

GIAVARA, Ana Paula; CARIE, Nayara Silva de. Avaliação da aprendizagem em História: tendências e perspectivas. Ensino em Re-Vista, Uberlândia, v. 32, p. 1-25, 2025. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/emrevista/article/ view/77970/41156. Acesso em: 24 set. 2025.

• Artigo que traz novas perspectivas em relação ao tema do ensino de História, destacando o papel dos dados coletados em avaliações de larga escala.

HAYDT, Regina Célia Cazaux. Curso de didática geral. 8. ed. São Paulo: Ática, 2006. (Série educação em ação).

• Obra que oferece suporte teórico para o professor decidir quais estratégias utilizar durante as aulas e quais recursos considerar em cada caso.

HOBSBAWM, Eric. Sobre história. Tradução: Cid Knipel Moreira. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

• Obra que aborda a teoria e a prática da História como componente curricular.

LIMA, Vilma Moreira da Silva; BARRIOS, Maria Elba Medina. O papel da família na inclusão escolar e a adaptação curricular. Humanidades & Tecnologia (Finom), Paracatu, v. 58, n. 1, p. 87-97, abr./jun. 2025. Disponível em: https://zenodo.org/ records/15083874. Acesso em: 24 set. 2025.

• Artigo que discute os desafios da inclusão escolar e como os adultos responsáveis, da família e da escola, são importantes para esse processo.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2014. E-book

• Obra que discute a avaliação da aprendizagem na escola como recurso para a garantia das atividades educativas. MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo Tradução: Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2005.

• Obra que aborda a complexidade do saber e defende que é necessário articular conhecimentos de diversas áreas para constituir um pensamento complexo.

MUNANGA, Kabengele; GOMES, Nilma Lino. O negro no Brasil de hoje. São Paulo: Global: Ação Educativa, 2006. (Coleção para entender).

• Obra que reflete sobre as questões raciais relacionadas à população preta no Brasil.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. (Coleção cultura negra e identidades).

• Livro que faz uma análise crítica da identidade racial brasileira e do mito da democracia racial.

PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens: entre duas lógicas. Tradução: Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artmed, 1999.

• Obra que discute quais são os melhores meios de avaliar a aprendizagem e reflete sobre os objetivos da educação e da avaliação escolar.

PERRENOUD, Philippe. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação: perspectivas sociológicas. 2. ed. Tradução: Helena Faria, Helena Tapada, Maria João Carvalho, Maria Nóvoa. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997. (Coleção Temas de educação).

• Obra que trabalha o tema da formação de professores no contexto das mudanças pelas quais o mercado de trabalho passou no final do século XX.

SANTOS, Simone Pereira dos; SARDAGNA, Helena Venites. Acessibilidade curricular e inclusão escolar: uma revisão de literatura. Educere et Educare, Cascavel, v. 18, n. 45, p. 434454, 2023. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/ educereeteducare/article/view/30639/22078. Acesso em: 24 set. 2025.

• Artigo que apresenta um compilado da literatura científica elaborada sobre acessibilidade e inclusão no ambiente escolar.

SCHENINI, Fátima. Múltiplos instrumentos podem aperfeiçoar o processo de avaliação escolar. Portal do Professor, [Brasília, DF], ed. 11, 17 dez. 2008. Disponível em: http://portaldo professor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=272. Acesso em: 14 set. 2025.

• Texto que discute as diferentes ferramentas e possibilidades para acompanhar o desempenho dos estudantes.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; REIS, Letícia Vidor de Sousa (org.). Negras imagens: ensaios sobre cultura e escravidão no Brasil. São Paulo: Estação Ciência: Edusp, 1996.

• Livro que debate a história das populações africanas que chegaram ao Brasil.

SILVA, Aracy Lopes da; GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (org.). A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1o e 2o graus. Brasília, DF: MEC: Mari: Unesco, 1995.

• Livro que traz estratégias para abordar a temática indígena em sala de aula sob uma perspectiva cidadã e inclusiva.

SPOSITO, Maria Encarnação Beltrão (org.). Livros didáticos de história e geografia: avaliação e pesquisa. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2006.

• Livro que apresenta uma pesquisa sobre os livros didáticos de História e Geografia, incluindo os temas e as metodologias mais trabalhados nas salas de aula.

STAINBACK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores. Tradução: Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 1999.

• Obra que aborda os principais aspectos e práticas de uma educação inclusiva.

WESTBROOK, Robert B.; TEIXEIRA, Anísio. John Dewey Tradução e organização: José Eustáquio Romão, Verone Lane Rodrigues. Recife: Fundação Joaquim Nabuco: Massangana, 2010. (Coleção educadores). Disponível em: https://www.do miniopublico.gov.br/download/texto/me4677.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

• Coletânea que reúne textos do educador estadunidense John Dewey, acompanhados de uma introdução explicativa.

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