A Conquista_Arte_Volume 3

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LIVRO DO PROFESSOR

ARTE

COMPONENTE CURRICULAR: ARTE

Solange dos Santos Utuari Ferrari

Doutora em Educação, Arte e História da Cultura (Mackenzie-SP). Mestre em Artes Visuais (Unesp). Licenciada em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas (UMC-SP). Especializada em Antropologia (FESPSP) e em Arte-Educação (USP). É autora de livros, artigos e propostas curriculares, assessora em projetos de Educação, Arte e Cultura, educadora e artista visual. Sua produção literária já foi honrada com uma indicação e uma premiação no Prêmio Jabuti.

Pascoal Fernando Ferrari

Mestre em Ensino de Ciências (Unicsul-SP). Especializado em Sociologia (FESPSP). Licenciado em Teatro (Uniítalo-SP). Licenciado em Pedagogia (Unicastelo-SP). Licenciado em Psicologia (UBC-SP). É autor de livros, artigos e propostas curriculares, pesquisador de linguagem teatral em escolas, educador, escritor, ator e diretor teatral. Sua produção literária já foi honrada com uma indicação e uma premiação no Prêmio Jabuti.

Carlos Elias Kater

Educador, musicólogo e compositor. Doutor em História da Música e Musicologia pela Universidade de Paris IV (Sorbonne) e professor titular pela Escola de Música da UFMG. Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem). É membro permanente do Conselho Assessor da Cátedra Livre de Pensamento Pedagógico Musical Latino-Americano (UNA-Buenos Aires), conferencista, consultor e autor de publicações sobre Musicologia e Educação Musical Contemporânea. Sua produção já recebeu indicação ao Prêmio Jabuti. Membro da Academia Brasileira de Música (Cadeira no 16).

Bruno Fischer Dimarch

Educador, escritor, dançarino, músico e artista multimídia. Doutorando em Comunicação (Unip-SP). Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e licenciado em Educação Artística (Famosp). Foi professor em escolas públicas e privadas e em universidades. Atuou como técnico e assessor em Secretarias de Educação e como mediador em Bienais de São Paulo. Sua produção já foi indicada ao Prêmio Jabuti. É autor de livros e propostas curriculares, pesquisador e desenvolvedor de trabalhos sobre a dança em escolas, educador e artista nas linguagens de dança e música.

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Copyright © Solange dos Santos Utuari Ferrari, Pascoal Fernando Ferrari, Carlos Elias Kater, Bruno Fischer Dimarch, 2025

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira

Edição Francisca Edilania de Brito Rodrigues (coord.), Adele Motta, Lilian Ribeiro de Oliveira

Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam

Produção de conteúdo digital Ana Luiza Martignoni Spínola (coord.)

Gerência de produção e arte Ricardo Borges Silva

Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)

Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)

Ilustração de capa Luana Chinaglia

Arte e produção Rodrigo Carraro (coord.), Manuel Miramontes, Matheus Santiago Martins (assist.)

Diagramação Fernanda Matajs

Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno

Licenciamento de textos Erica Brambilla, Talita Santos Souza

Iconografia Erika Neves do Nascimento

Ilustrações Adilson Secco, Biry Sarkes, Bruna Assis Brasil, Bruna Sousa, Cibele Queiroz, Claudia Marianno, Cristiano Gomes, Daniel Garson Cabral, Ideário Lab, Ivy Nunes, João (Joinles) Silva, Marco Lorini, Milton Rodrigues Alves, Osnei Roko, Roberto Weigand, Romont Willy, Sandra Lavandeira, Sonia Vaz, Vanessa Alexandre, Veridiana Camelo

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

A Conquista : arte : 3º ano : ensino fundamental : anos iniciais / Solange dos Santos Utuari Ferrari... [et al.]. -2. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.

Outros autores: Pascoal Fernando Ferrari, Carlos Elias Kater, Bruno Fischer Dimarch Componente curricular: Arte.

ISBN 978-85-96-06180-3 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06181-0 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06182-7 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06183-4 (livro do professor HTML5)

1. Arte (Ensino fundamental) I. Ferrari, Solange dos Santos Utuari. II. Ferrari, Pascoal Fernando. III. Kater, Carlos Elias. IV. Dimarch, Bruno Fischer.

25-292916.0

Índices para catálogo sistemático:

1. Arte : Ensino fundamental 372.5

CDD-372.5

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD.

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

A arte está sempre em transformação. Não existe uma definição conclusiva ou universal sobre o que é arte ou sobre para que ela serve, mas podemos criar ideias moventes sobre ela. Do mesmo modo, o ensino de Arte, embora já constituído e proposto em currículos, pode se transformar a cada encontro com os estudantes, a cada ação criadora, nas rodas de conversa ou nos momentos de apreciação de diversas linguagens artísticas.

A arte pode ser considerada um campo de expressão de emoções, ideias criativas e visões do mundo; ela não explica a vida, mas a questiona o tempo todo. Nesse sentido, o ensino de Arte propõe uma educação “perguntadeira”, em que faz parte do desenvolvimento dos estudantes conhecer produções artísticas e desenvolver competências e habilidades, mas sobretudo aprender e ter espaço para fazer perguntas, que muitas vezes não terão respostas concretas, visto que a arte valoriza o subjetivo e o diverso.

Esta coleção constitui um instrumento organizado para o ensino das linguagens artísticas e oferece situações de aprendizagem, processos de avaliação e investigações pedagógicas valorizando a arte como um campo fértil para semear perguntas provocadoras de pensamentos criativos, críticos e poéticos.

Como uma bússola, em meio às inúmeras possibilidades de estudos no universo da arte, este material se propõe a apontar caminhos didáticos. No entanto, cada educador ou educadora, com suas histórias, identidades, formação profissional e sonhos, traz consigo um modo singular de aprender e ensinar, e como protagonista do seu trabalho decidirá como seguir em sua jornada poética e pedagógica.

Venha trilhar conosco percursos criativos, poéticos, estésicos e educativos que se propõem lúdicos, sensíveis e significativos a quem por eles cruzar.

ORGANIZAÇÃO GERAL DA COLEÇÃO

Esta coleção, destinada aos estudantes dos 3 o, 4o e 5o anos do ensino fundamental, é composta de Livro do estudante e Livro do professor, nas versões impressa e digital.

Livro do professor

Livros impressos

Livro do estudante

Além do subsídio para o professor, presente nas Orientações gerais, este livro reproduz o Livro do estudante na íntegra, em miniatura, com respostas indicadas na cor magenta. Nas laterais e abaixo da reprodução do Livro do estudante, são apresentados objetivos, introdução à unidade, conexões com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e com os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) da BNCC, comentários sobre o desenvolvimento das propostas, bem como propostas e aprofundamentos para enriquecer as abordagens pedagógicas. Há também sugestões de leituras e de propostas complementares, entre outros recursos para auxiliar o professor em sua jornada.

Livros digitais

Cada volume está organizado em quatro unidades, divididas em capítulos. Ao longo dos capítulos, são trabalhados conteúdos voltados para a aprendizagem em Arte e sua consolidação em uma estrutura clara e prática para ser trabalhada em sala de aula.

Livro do estudante e Livro do professor no formato digital, em HTML, o que permite o acesso ao material em diferentes aparelhos digitais: smartphones, notebooks e tablets, por exemplo.

Objetos digitais

Ao longo do volume, ícones indicam infográficos clicáveis e áudios que podem ser acessados pelo professor e pelos estudantes para enriquecer a aprendizagem de maneira dinâmica.

CONHEÇA SEU LIVRO DO PROFESSOR

Este Livro do professor apresenta orientações didáticas que visam apoiar a prática pedagógica. Elas estão organizadas em duas partes.

Orientações específicas , acompanhando as páginas do Livro do estudante em miniatura.

As orientações específicas estão organizadas como exposto a seguir.

• Introdução à unidade: apresenta os principais conteúdos desenvolvidos na unidade, com um pequeno resumo de cada capítulo.

• Objetivos: apresenta os principais objetivos de aprendizagem a serem alcançados ao final do estudo de cada unidade.

• BNCC: indica as competências e as habilidades da BNCC desenvolvidas ao longo da unidade. Também há menções aos temas contemporâneos transversais . Nos capítulos e nas seções, são indicados as habilidades e os TCTs específicos.

• Organize-se: especifica os materiais que devem ser providenciados com antecedência, algum preparo de sala de aula, pedido para casa, entre outros.

• Encaminhamento: apresenta comentários e orientações didáticas para o desenvolvimento dos conteúdos abordados nas páginas do Livro do estudante. Há dicas, comentários, sugestões de análise, complementos de atividades e de respostas e outras informações para o encaminhamento do trabalho docente. Há, também, sugestões de adaptação das atividades para as diferentes necessidades de aprendizagem dentro de uma mesma turma. Além disso, apresenta sugestões de maneiras e de momentos para a realização de avaliações.

• + Ideias: sugere atividades complementares para auxiliar ou ampliar as propostas do Livro do estudante.

• Sugestão para o estudante: indica sugestões comentadas de livros, sites, jogos, revistas, aplicativos etc. para o estudante desenvolver e aplicar os conhecimentos.

• Sugestão para o professor: indica sugestões comentadas de livros, sites , revistas, aplicativos etc. para o professor se aprofundar nos temas trabalhados.

Orientações gerais, ao final do volume.

Apresenta reflexões sobre pressupostos teórico-metodológicos da obra, considerações sobre o papel do professor, textos sobre a importância das avaliações, sugestões de planejamento e muito mais.

ORIENTAÇÕES GERAIS

E PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS É experiência aquilo que “nos passa”, ou que nos toca, ou que nos acontece, e ao nos passar nos forma e nos transforma. Somente o sujeito da experiência está, portanto, aberto à sua própria transformação. BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação Rio de Janeiro, n. 19, p. 25-26, jan./abr. 2002. A filosofia explica a experiência como as percepções e os saberes que construímos por meio dos sentidos. Se prestarmos atenção, perceberemos que todos os dias muitas coisas nos acontecem, mas nem todas nos tocam. Quando algo nos toca, nos afeta, isso pode representar um acontecimento significativo, uma experiência estética! Quem não se lembra de uma cena de filme, de uma pintura ou de um desenho visto na infância que tenha marcado sua história de vida? Uma música, um perfume ou uma imagem podem nos fazer viajar a tempos passados. Esse é o poder da experiência estética: o encontro com a beleza ou com a estranheza pode marcar a memória e influenciar nossa formação como seres sensíveis. Algumas vezes somos surpreendidos e envolvidos por esse tipo de experiência, outras vezes nos colocamos intencionalmente em estados sensíveis, disponíveis à poesia. Na busca por experiências estéticas, vamos ao cinema, a espetáculos de música, de teatro e de dança, a exposições de arte ou apenas ligamos a televisão ou acessamos dispositivos móveis para nos deleitar com séries e filmes, ouvir música, apreciar e compartilhar imagens. Na experiência estética os meus sentimentos descobrem-se nas formas que lhes são dadas, como eu me descubro no espelho. Através dos sentimentos identificamo-nos com o objeto estético, e com ele nos tornamos um. DUARTE JÚNIOR, João-Francisco. Fundamentos estéticos da educação 2. ed. Campinas: Papirus, 1988. p. 93. Segundo a definição de Duarte Júnior, a palavra estesia é oposta à palavra

UNIDADE 1 – ARTE CRIATIVA

UNIDADE 2 – CORPO: TEATRAL E DANÇANTE

UNIDADE 3 – LINGUAGENS EM COMPOSIÇÃO

UNIDADE 4 – ARTE BRINCANTE

ORIENTAÇÕES GERAIS

CONVITES PARA EXPERIÊNCIAS E PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

CAMINHOS PARA TRILHAR NO ENSINO DA ARTE

DE APRENDIZAGEM

POÉTICAS E INFÂNCIAS

A CULTURA DO BRINCAR X EDUCAÇÃO INCLUSIVA E CULTURA DE PAZ

BNCC E AS PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS NAS LINGUAGENS DA ARTE

AS SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM E AS DIMENSÕES DO CONHECIMENTO NAS LINGUAGENS DA ARTE

AMBIÊNCIAS EDUCADORAS E CRIADORAS

MEDIAÇÃO CULTURAL E CURADORIA EDUCATIVA XV

A PRESENÇA DAS LINGUAGENS DA ARTE

ARTES VISUAIS

ARTES INTEGRADAS (LINGUAGENS HÍBRIDAS)

FAÇA SEU PRÓPRIO CAMINHO!

AVALIAÇÃO, REGISTROS E SONHOS PEDAGÓGICOS

SUGESTÕES DE PLANEJAMENTO

QUADRO PROGRAMÁTICO DA COLEÇÃO

SUGESTÕES DE CRONOGRAMAS – 3º ANO XXVIII MATRIZES DE ROTINA E DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA

LIVRO DO PROFESSOR

ARTE

COMPONENTE CURRICULAR: ARTE

Solange dos Santos Utuari Ferrari

Doutora em Educação, Arte e História da Cultura (Mackenzie-SP). Mestre em Artes Visuais (Unesp). Licenciada em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas (UMC-SP). Especializada em Antropologia (FESPSP) e em Arte-Educação (USP). É autora de livros, artigos e propostas curriculares, assessora em projetos de Educação, Arte e Cultura, educadora e artista visual. Sua produção literária já foi honrada com uma indicação e uma premiação no Prêmio Jabuti.

Pascoal Fernando Ferrari

Mestre em Ensino de Ciências (Unicsul-SP). Especializado em Sociologia (FESPSP). Licenciado em Teatro (Uniítalo-SP). Licenciado em Pedagogia (Unicastelo-SP). Licenciado em Psicologia (UBC-SP). É autor de livros, artigos e propostas curriculares, pesquisador de linguagem teatral em escolas, educador, escritor, ator e diretor teatral. Sua produção literária já foi honrada com uma indicação e uma premiação no Prêmio Jabuti.

Carlos Elias Kater

Educador, musicólogo e compositor. Doutor em História da Música e Musicologia pela Universidade de Paris IV (Sorbonne) e professor titular pela Escola de Música da UFMG. Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem). É membro permanente do Conselho Assessor da Cátedra Livre de Pensamento Pedagógico Musical Latino-Americano (UNA-Buenos Aires), conferencista, consultor e autor de publicações sobre Musicologia e Educação Musical Contemporânea. Sua produção já recebeu indicação ao Prêmio Jabuti. Membro da Academia Brasileira de Música (Cadeira no 16).

Bruno Fischer Dimarch

Educador, escritor, dançarino, músico e artista multimídia. Doutorando em Comunicação (Unip-SP). Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e licenciado em Educação Artística (Famosp). Foi professor em escolas públicas e privadas e em universidades. Atuou como técnico e assessor em Secretarias de Educação e como mediador em Bienais de São Paulo. Sua produção já foi indicada ao Prêmio Jabuti. É autor de livros e propostas curriculares, pesquisador e desenvolvedor de trabalhos sobre a dança em escolas, educador e artista nas linguagens de dança e música.

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Copyright © Solange dos Santos Utuari Ferrari, Pascoal Fernando Ferrari, Carlos Elias Kater, Bruno Fischer Dimarch, 2025

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira

Direção de conteúdo e performance educacional Cintia Cristina Bagatin Lapa

Direção editorial adjunta Luiz Tonolli

Gerência editorial Natalia Taccetti, Nubia de Cassia de M. Andrade e Silva

Assessoria Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira

Edição Francisca Edilania de Brito Rodrigues (coord.), Adele Motta, Lilian Ribeiro de Oliveira

Preparação e revisão Viviam Moreira (coord.), Adriana Périco, Anna Júlia Danjó, Elaine Pires, Fernanda Marcelino, Fernando Cardoso, Giovana Moutinho, Paulo José Andrade, Rita de Cássia Sam

Produção de conteúdo digital Ana Luiza Martignoni Spínola (coord.)

Gerência de produção e arte Ricardo Borges Silva

Design Andréa Dellamagna (coord.), Ana Carolina Orsolin (criação)

Projeto de capa Andréa Dellamagna, Sergio Cândido (logo)

Ilustração de capa Luana Chinaglia

Arte e produção Rodrigo Carraro (coord.), Manuel Miramontes, Matheus Santiago Martins (assist.)

Diagramação Fernanda Matajs

Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno

Licenciamento de textos Erica Brambilla, Talita Santos Souza

Iconografia Erika Neves do Nascimento

Ilustrações Adilson Secco, Biry Sarkes, Bruna Assis Brasil, Bruna Sousa, Cibele Queiroz, Claudia Marianno, Cristiano Gomes, Daniel Garson Cabral, Ideário Lab, Ivy Nunes, João (Joinles) Silva, Marco Lorini, Milton Rodrigues Alves, Osnei Roko, Roberto Weigand, Romont Willy, Sandra Lavandeira, Sonia Vaz, Vanessa Alexandre, Veridiana Camelo

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

A Conquista : arte : 3º ano : ensino fundamental : anos iniciais / Solange dos Santos Utuari Ferrari... [et al.]. -2. ed. -- São Paulo : FTD, 2025.

Outros autores: Pascoal Fernando Ferrari, Carlos Elias Kater, Bruno Fischer Dimarch Componente curricular: Arte.

ISBN 978-85-96-06180-3 (livro do estudante)

ISBN 978-85-96-06181-0 (livro do professor)

ISBN 978-85-96-06182-7 (livro do estudante HTML5)

ISBN 978-85-96-06183-4 (livro do professor HTML5)

1. Arte (Ensino fundamental) I. Ferrari, Solange dos Santos Utuari. II. Ferrari, Pascoal Fernando. III. Kater, Carlos Elias. IV. Dimarch, Bruno Fischer.

25-292916.0

Índices para catálogo sistemático:

1. Arte : Ensino fundamental 372.5

CDD-372.5

Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD.

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300

Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33

Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

APRESENTAÇÃO

Querido estudante, Você já parou para pensar que vivemos em um mundo repleto de imagens? Que ouvimos sons o tempo todo? Que fazemos gestos e movimentos para nossa comunicação e expressão?

A arte é uma forma de criar imagens, sons, gestos e movimentos. Ela é, também, uma maneira de perceber o mundo ao nosso redor e de, nele, criar formas de expressão.

Venha! Embarque nesta “arte-aventura”! Convidamos você para que, por meio da música, das artes visuais, da dança, do teatro e das artes integradas, venha aprender sobre o universo da arte, conhecer alguns artistas e descobrir do que é feita a arte.

Ficou curioso? Vamos nessa? Convide seus familiares também!

Os autores.

ROMONT WILLY

CONHEÇA SEU LIVRO

Seu livro está organizado em quatro unidades.

As aberturas de unidade apresentam imagens e atividades que buscam despertar sua curiosidade sobre o que vai ser estudado.

Cada som tem seu timbre. Podemos reconhecer as pessoas pelo timbre de sua voz. Com a voz, podemos nos comunicar e nos expressar pelo cantar. Mas será que estamos cuidando bem dela? Para garantir uma boa saúde vocal, vale a pena aprender alguns cuidados com esse instrumento natural.

Beba água com regularidade e antes mesmo de sentir muita sede.

Faça alguns vocalises para exercitar sua voz.

Evite falar muito Durma bem durante a

Vocalises são exercícios com a voz para que ela fique aquecida e preparada para o canto. Eles servem também para preparar nossa audição para escutar e cantar, controlando a afinação, a intensidade de emissão da voz e a expressividade em geral. O timbre é a característica do som que permite distinguir fontes sonoras, isto é, deferenciar se escutamos o som de uma voz, de um motor ou de um instrumento musical.

Ouça os áudios e acompanhe alguns vocalises para exercitar sua voz. Depois, cante com os colegas.

Nos capítulos que formam cada unidade, você vai encontrar obras de arte, textos, fotografias, desenhos, brincadeiras, atividades... Um montão de coisas para descobrir e aprender com a turma.

Em Diálogos, você vai perceber como a arte se relaciona com a vida cotidiana, com outras áreas do conhecimento, como Ciências da Natureza e História, e com diferentes temas, como saúde, cidadania, pluralidade cultural, entre outros.

Os principais conceitos estudados aparecem em destaque, para você encontrar todos com facilidade.

Em Atenção!, são indicados alguns cuidados que você precisa ter ao realizar determinadas atividades.

Em Arte em projetos, você vai encontrar várias possibilidades de desafios para explorar o que foi estudado.

Em Dica, tem informações que complementam os assuntos estudados.

Arte-aventura é um convite para você perceber imagens, sons e gestos na arte e na vida cotidiana. É um momento para explorar, brincar, interpretar, pesquisar, experimentar, inventar... Para se desafiar e descobrir o fazer artístico.

Em Descubra mais, há indicações de livros, sites, museus, vídeos e outras fontes culturais.

Em Quem é?, você vai conhecer um pouco sobre a vida de pessoas importantes para a arte no Brasil e no mundo e também sobre a história de companhias, grupos ou organizações artísticas.

O Glossário explica e contextualiza algumas palavras que talvez você não conheça.

Em Esta é a minha arte!, você encontra sugestões para apresentar suas produções, realizar mostras e exposições presencias ou virtuais, ou seja, para mostrar sua arte!

Para rever o que aprendi, ao final de cada unidade, vai ajudar a identificar o que você já aprendeu e aquilo de que precisa de mais ajuda para aprender.

Estes ícones mostram como você deve realizar as atividades.

Objetos digitais

Atividade oral Atividade em grupo

Atividade em dupla

Atividade com desenho

Atividade de escuta

Atividade de canto Faça no caderno

Estes ícones identificam os objetos digitais presentes no livro. Os materiais digitais apresentam assuntos complementares ao conteúdo trabalhado na obra, ampliando ainda mais sua aprendizagem.

1 Infográfico clicável Áudio

SUMÁRIO

UNIDADE 1 ARTE

1 O QUE VOCÊ TEM NA

e ideias

Arte-aventura • Observar, lembrar e imaginar

Arte-aventura • Ferramentas para criar

Digital legal

14

Arte-aventura • Minicara de palhaço 56

Arte-aventura • E o meu palhaço, como é? 58

Arte em projetos • Palhaços e palhaças em cena 59

Arte em projetos • Minha mala de palhaçaria 60 2 CORPO, CADA PARTE DA

ARTE

É para movimentar? Vamos lá! 64

Imagens do imaginário 20

Arte-aventura • Mundo da imaginação 23

Arte-aventura • Poética pessoal . . 26

Arte em projetos • Misturar desenhos com fotografias .

Arte-aventura • Vamos brincar de performances? 34

Arte-aventura • Inventar e desenhar

Diálogos • Energia limpa

Arte-aventura • Parece brincadeira

em projetos • Intervenção

Arte-aventura • Movimentos da dança, movimentos do meu corpo!

70

Arte em projetos • Espetaculaços 72

A

LETRA E MELODIA

Letra e melodia de uma canção 80

Arte-aventura • Escute, cante e invente 82

Diálogos • Cuidados com a voz . . . 83

Arte-aventura • Brincando com música

Arte-aventura • Cânone: a minha, a sua e a nossa voz!

84

88

Compor músicas 90

Arte-aventura • Vamos cantar as notas? 92

Arte-aventura • Partituras desenhadas

Arte em projetos • Musicando poemas

94

2

A ARTE EM CENA

Por muitos e de muitas formas 100

Arte-aventura • Contando histórias no teatro 102

Arte-aventura • Meu amigo é minha sombra

Diálogos • Teatro em trânsito

103

104

Os elementos do teatro 105

Arte em projetos • Construindo cenários

Para rever o que aprendi

UNIDADE 4 ARTE

106

108

Arte-aventura • Vamos interpretar Mamo oime˜ nde rory?

Arte-aventura • Ayele (canção africana com jogo de mãos) 127

Diálogos • O meu, o seu e o nosso mundo sonoro 130

Arte em projetos • Criando músicas

Sair para brincar

Arte-aventura • Boi e outros personagens

Diálogos • Pare! Animais na pista

Arte em projetos • Dança dramática 140

Para rever o que aprendi . . . . . . . . 142

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS

OBJETOS DIGITAIS

Infográfico clicável: Exposição surrealista 22

Infográfico clicável: Intervenção artística 40

Infográfico clicável: Artistas circenses

Infográfico clicável: Coreografia: um conjunto de ações 64

Áudio 1: Canário-do-reino 79

Áudio 2: Ó, abre alas

Áudio 3: Tem gato na tuba

81

Áudio 4: Vocalise: Pare de falar (cantado) 83

Áudio 5: Vocalise: Pare de falar (playback) 83

Áudio 6: Vocalise: Lua (cantado)

83

Áudio 7: Vocalise: Lua (playback) 83

Áudio 8: Monjolo (versão cantada) 84

Áudio 9: Monjolo (versão playback)

84

Áudio 10: Quem tudo quer nada tem 85

Áudio 11: Monjolo (cânone a 3 vozes) 89

Áudio 12: Escala de Dó maior

Infográfico clicável: Profissionais do teatro

91

100

Áudio 13: Jogando com 2 sons 116

Áudio 14: Chegança 117

Infográfico clicável: Instrumentos musicais tradicionais indígenas

119

Áudio 15: Araruna 120

Áudio 16: Mamo oim˜e nde rory 122

Áudio 17: Ayele

127

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, são propostos momentos de nutrição estética com leitura de imagens e ação criadora, explorando materiais e o uso de tecnologias. No capítulo 1 , será explorado o processo de criação a partir de exercícios de observação, memória e imaginação, tendo como nutrição estética produções nas artes visuais. No capítulo 2, são propostas investigações sobre invenções e inventores, noções sobre o conceito de criatividade e processos criadores com o uso de tecnologia digital.

Os conceitos em foco na unidade são: processo de criação; percepção e imaginação; texturas, exploração de diferentes tecnologias para fazer arte; observação, memória e imaginação; arte e invenção; arte e tecnologia; recursos e técnicas convencionais e não convencionais; e performance.

Objetivos

• Participar de momentos de fruição com leitura de textos poéticos e de imagens, com foco na investigação do processo de criação e no desenvolvimento de poéticas pessoais, expressando hipóteses interpretativas e opiniões, e respeitando o ritmo do diálogo e o espaço de fala dos colegas.

• Identificar e usar em suas produções elementos de linguagem das artes visuais.

• Criar com autonomia, criatividade e poética em diferentes linguagens, percebendo processos que integram várias linguagens.

• Identificar, explorar e escolher diferentes elementos de linguagem, materialidades e tecnologias para se expressar em diversas expressões artísticas

• Realizar pesquisas acerca de elementos de linguagem, materialidades, pro -

ARTE CRIATIVA

Sua criatividade se desenvolve o tempo todo! Ela se desenvolve quando você fica curioso sobre algo. Quando você observa o mundo ao seu redor. Quando você enfrenta desafios. Quando se aventura a mergulhar em sua imaginação.

Inventar e se expressar faz parte da vida!

1 Vamos procurar estas imagens no livro?

Em seu caderno, escreva o número da página em que você encontrou cada imagem. O que será que vamos estudar?

12 1

Como exercício inicial, propõe-se um jogo em que os estudantes buscam as imagens desta abertura dentro da unidade. Instrua-os a observar cada imagem e

CRIATIVIDADE

cessos de criação, percepções sensoriais, estabelecendo relações entre arte, cultura e vida cotidiana.

• Conhecer artistas e suas produções em diferentes linguagens, materialidades e processos, ampliando repertórios e valorizando patrimônios culturais nacionais e internacionais.

BNCC

Competências gerais: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Competências específicas: 1, 3, 4, 5, 8 e 9.

ler as palavras. Na roda de conversa, pergunte sobre suas interpretações e seus saberes prévios. Este pode ser um momento potente de avaliação diagnóstica.

2 40 e 41

INTERVENÇÕES

Habilidades

(EF15AR01) Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético.

(EF15AR02) Explorar e reconhecer elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, cor, espaço, movimento etc.).

(EF15AR03) Reconhecer e analisar a influência de distintas matrizes estéticas e culturais das artes visuais nas manifestações artísticas das culturas locais, regionais e nacionais.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

OBSERVAÇÃO E MEMÓRIA

(EF15AR23) Reconhecer e experimentar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas.

(EF15AR24) Caracterizar e experimentar brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais.

(EF15AR25) Conhecer e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo-se suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas.

(EF15AR26) Explorar diferentes tecnologias e recursos digitais (multimeios, animações, jogos eletrônicos, gravações em áudio e vídeo, fotografia, softwares etc.) nos processos de criação artística. Temas Contemporâneos Transversais (TCTs): Cidadania e Civismo: Educação para o Trânsito, Direitos da Criança e do Adolescente; Ciência e Tecnologia; Meio Ambiente: Educação Ambiental; Multiculturalismo: Diversidade Cultural.

ENCAMINHAMENTO

(EF15AR04) Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais.

(EF15AR05) Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade.

(EF15AR06) Dialogar sobre a sua criação e as dos colegas, para alcançar sentidos plurais.

(EF15AR07) Reconhecer algumas categorias do sistema das artes visuais (museus, galerias, instituições, artistas, artesãos, curadores etc.).

(EF15AR08) Experimentar e apreciar formas distintas de manifestações da dança presentes em diferentes contextos, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório corporal.

(EF15AR20) Experimentar o trabalho colaborativo, coletivo e autoral em improvisações teatrais e processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais.

Em roda de conversa, apresente as imagens e as palavras-chave propondo aos estudantes que se expressem, criando hipóteses interpretativas a respeito delas. Proponha um jogo de “caça ao tesouro”, orientando-os a procurar nas páginas do livro as imagens apresentadas. Depois, eles deverão anotar no caderno o número da página em que encontraram a imagem, relacionando imagens, palavras e a localização de assuntos e temas. É interessante levantar os conhecimentos prévios da turma e sensibilizá-la para os próximos estudos.

BNCC

Habilidades: EF15AR01 e EF15AR07.

TCT: Ao apresentar um texto que valoriza os direitos da criança, esta proposta pode ser relacionada ao TCT Cidadania e Civismo: Direitos da Criança e do Adolescente.

Organize-se

• A ambiência nesse momento é voltada à leitura de imagem e texto. Como a conversação se inicia aqui e continua nas páginas seguintes, pode-se organizar as cadeiras da sala de aula em uma roda, por exemplo, ou levar os estudantes a outro ambiente, no qual possam se sentar confortavelmente com os livros nas mãos.

ENCAMINHAMENTO

Proponha um momento de nutrição estética a partir da leitura da imagem da obra Memória-2 . Faça a mediação e a curadoria de aprendizagens que estimulem conversações e despertem o olhar dos estudantes para as obras de arte. É positivo que expressem ideias e hipóteses que ativem memórias e ampliem o repertório cultural pelo encontro com a arte. Por meio das perguntas mediadoras, conversem sobre criatividade.

No poema, explore o sentido poético e simbólico do número cem. A poesia não é literal, a criatividade não se limita a uma quantidade; pelo contrário, ela não tem limites.

Talvez o cem, como indicação de muito, dialogue com o sem, de sem limites. Mas, mais importante que trazer

O QUE VOCÊ TEM

NA CABEÇA?

interpretações da poesia, é instigar os estudantes a fazê-las, repetindo a leitura de versos, perguntando os sentidos que podem ter trechos específicos, chamando a atenção para as repetições de palavras etc. Instigue também relações entre imagem e texto, como um pode dialogar com o outro, como a leitura em conjunto de imagem e texto traz ideias e sentidos diferentes de suas leituras individuais.

Converse com a turma sobre criatividade no cotidiano, por meio de perguntas como: para vocês, o que é ser criativo? Em que situações vocês se consideram criativos? Conhecem alguém muito criativo? Por que os artistas costumam ser criativos? O que é preciso para ser mais criativo? Fale sobre as diferenças entre as preferências pessoais e valorize a individualidade.

Montagem com ilustração e fotografia da obra Memória-2, de Yue Minjun, 2000. Óleo sobre tela, 140 cm x 108 cm.

VENHA OBSERVAR, MEMORIZAR, IMAGINAR E CRIAR!

Leia o trecho do poema a seguir com o professor.

A criança é feita de cem.

[…] Cem alegrias para cantar e compreender. Cem mundos para descobrir. Cem mundos

Na arte, há quem invente imagens em desenhos e pinturas com linhas, formas, cores, texturas… Transforme sons em músicas, palavras em poemas.

Invente com gestos, movimentos e expressões corporais.

Vamos estudar a ação criadora na arte? Venha observar, memorizar e imaginar!

Pode-se realizar uma avaliação diagnóstica para descobrir os conhecimentos prévios dos estudantes em relação aos saberes propostos e para definir o trajeto a seguir. Peça à turma que anote em seus cadernos suas “arte-aventuras” e os projetos de arte que serão vivenciados nas aulas. Comente que vários artistas costumam ter cadernos de anotações para registrar suas descobertas, pesquisas, dúvidas, modos de criar e outras experiências. Outra proposta é fazer combinados sobre os materiais que podem compor

um portfólio coletivo, registrando e contando as arte-aventuras da turma.

+Ideias

Instigue os estudantes a ler legendas de imagens e de textos visuais (obras de arte, ilustrações, partituras, fotografias, tabelas e outras) como possibilidade de desenvolvimento da competência leitora, da apreciação sensível e da interpretação das obras. Esses textos podem funcionar como provocações para momentos de nutrição estética e, poste-

riormente, serão contextualizados em seções e propostas didáticas.

Na investigação sobre o conceito de criatividade combine com os estudantes para realizar pesquisas sobre artistas e suas produções. Pense com os estudantes em diferentes suportes para a exposição dos desenhos e das obras encontradas. Com base nas imagens, converse com eles sobre o conceito de criatividade na arte e em outras áreas do conhecimento, como a ciência. Os estudantes podem montar um portfólio virtual, a partir de suas investigações e descobertas, e compartilhá-lo nas redes sociais da escola, por exemplo.

Uma das possibilidades de investigação é o catálogo da exposição Equilíbrio instável , que apresenta uma retrospectiva de obras, estudos e desenhos de Paul Klee que abrangem seus desenhos de infância (ver Sugestão para o professor).

Sugestão para o professor

• OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.

A artista visual Fayga Ostrower é uma das principais referências sobre processo criativo.

• KLEE, Paul. Equilíbrio instável . Centro Cultural Banco do Brasil, 2019. Disponível em: https://ccbb. com.br/wp-content/uplo ads/2021/07/PaulKlee.pdf. Acesso em: 8 set. 2025. Nesse link é possível acessar o catálogo, que apresenta uma retrospectiva de Paul Klee.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR04, EF15AR06 e EF15AR07.

TCT: Multiculturalismo: Diversidade Cultural.

ENCAMINHAMENTO

A ambiência para esta situação de aprendizagem dependerá dos caminhos escolhidos por você e pelos estudantes. A sala de aula pode estar organizada de diferentes formas: em disposição circular, que funciona bem para a conversa proposta, mas com carteira ou outro apoio para fazer uso de bancadas para as criações. Pode-se também escolher outro espaço da escola que seja adequado ou inspirador para o processo de fazer. Cada fazer envolve certos materiais que precisam ser separados e preparados antes da realização das situações de aprendizagem, como folhas de papel avulsas ou materiais para personalização do caderno.

Contextualize que, em muitas de suas pinturas, embora o artista Yue Minjun retrate expressões faciais de alegria, ele faz críticas à sociedade. Expressa que muitas pessoas vivem iludidas em meio ao consumo exagerado ou impedidas de expor opiniões e sentimentos verdadeiros diante de situações opressoras. Converse com os estudantes sobre imagem e mensagem. Permita que expressem suas ideias, instigando-os com perguntas mediadoras. Tal como descrevem teorias da arte, da comunicação e da semiótica, a geração de sentidos de uma imagem artística tende sempre a ser ampla e complexa. Portanto, uma imagem pode expressar

Imagens e ideias

O artista Yue Minjun adora pintar figuras retratando seu próprio rosto e dando grandes gargalhadas. O exercício da observação é importante no processo de criação de Yue Minjun, mas o artista também usa a memória e a imaginação para criar suas obras. Embora ele crie imagens de pessoas rindo, sua intenção muitas vezes é expressar ironia .

Ironia: quando alguém diz o oposto do que realmente quer dizer ou do que pensa, muitas vezes para provocar reflexões ou ser engraçado.

Eu sou um músico (I am a musician), de Yue Minjun, 2003. Óleo sobre tela. 76 cm x 56 cm.

1 A forma como criamos uma imagem pode expressar uma mensagem? Qual é sua opinião a respeito disso? Converse com os colegas. Respostas pessoais. Problematize imagens e mensagens com os estudantes. Questione-os se lembram de exemplos de imagens que carregam mensagens.

QUEM É?

Yue Minjun (1962-) nasceu na China. Ele faz pinturas e esculturas. As figuras que ele desenha têm características do próprio rosto e provocam reflexões sobre a sociedade e temas atuais.

2. Resposta pessoal. Os estudantes devem analisar a pintura desta página e a que está na abertura da unidade. Sugere-se observar os estudantes em momentos de nutrição estética e reflexão para

2 Observe novamente as pinturas de Yue Minjun. Em seu caderno, registre o que chamou sua atenção nessas imagens. avaliar como desenvolvem argumentações e compartilham suas ideias. Converse com eles sobre as cores, as formas figurativas e o modo como o artista criou suas composições a partir de sua imaginação e intenção artística.

uma mensagem bem direta, como é o caso das imagens publicitárias ou sinais de trânsito, enquanto as imagens artísticas tendem a gerar sentidos mais abertos. Comente que nem sempre é possível entender “o que o artista quis dizer”, mas sempre se pode dialogar com as obras e explorar as sensações e os sentidos que ela impele.

Combine com os estudantes e familiares que o caderno será utilizado para registrar descobertas, pesquisas, dúvidas, modos de criar e outras experiências no aprender sobre arte. Para personalizar os cadernos, ofereça diferentes materiais: riscadores, diversos tipos de papel, materiais reaproveitáveis que seriam descartados ou reciclados e outros materiais que os estudantes possam trazer. Disponibilize cola branca para as colagens. A família pode ser convidada, criando desenhos com os estudantes, colocando imagens e produzindo textos escritos.

3

Nas imagens criadas por Yue Minjun, existe sempre a representação de figuras humanas com expressão de gargalhada. Por que será? Vamos imaginar e conversar a respeito?

4 Quando você decide desenhar algo e não sabe como é exatamente, o que você costuma fazer? Você faz uma pesquisa, observa ou se lembra de coisas que já fez antes ou explora a sua imaginação? Pense em como acontece seu processo criativo e compartilhe suas experiências com os colegas.

5 Em uma folha de papel avulsa, crie um autorretrato e desenhe o que tem dentro de sua cabeça. No que você está pensando neste momento? O que deseja inventar? Expresse suas ideias em forma Respostas pessoais. Observe como os estudantes conversam sobre seus processos de criação em desenhos e avalie o repertório cultural e artístico já adquirido.

No exercício 5, promova um momento para a criação de um autorretrato inspirado na obra de Minjun, mas não uma releitura formal da obra. Isto é, proponha aos estudantes que se inspirem na proposta de desenhar as ideias que estão dentro da cabeça em um jogo com o autorretrato, sem fazer necessariamente um desenho igual à estética desenvolvida por Minjun. Registrar suas impressões na trajetória pedagógica é importante; por isso, também tenha o seu diário de bordo do professor.

+Ideias

Faça combinados sobre a criação e personalização de um caderno para registar as investigações, experiências artísticas e reflexões sobre o seu processo de criação. Nesse caderno personalizado, os estudantes podem criar histórias com parte de texto e desenhos, usar colagens de imagens, escrever trechos de poemas e letras de canções favoritas, entre outras possibilidades. Valorize a ideia de que esse caderno será um espaço pessoal e criativo, funcionando como memória do percurso artístico de cada estudante.

hipóteses interpretativas e socializem suas ideias com os colegas e o professor.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR04, EF15AR05 e EF15AR06.

Organize-se

• Separe com antecedência os riscadores que serão disponibilizados aos estudantes para a realização do processo criativo. Você pode separar objetos para deixar à disposição deles, verificando seu tamanho e sua complexidade para a realização do desenho.

ENCAMINHAMENTO

Nesta situação de aprendizagem, será proposta a realização de um desenho de observação. Ele pode ser feito individualmente e, nesse caso, pode-se manter a ambiência do fazer artístico das situações de aprendizagem anteriores. Pode-se também pensar em outras organizações do espaço. Por exemplo, formar agrupamentos de quatro carteiras em formato de cruz, com os estudantes virados para o centro, e colocar o objeto sobre o qual será feito o desenho de observação no centro da cruz.

A proposta deste Arte-Aventura se divide em três etapas. É importante avaliar o tempo para sua realização, que pode variar dependendo do ritmo, do envolvimento e das características particulares de cada contexto. Pode-se, portanto, realizar a situação de aprendizagem em uma ou mais aulas.

Para a realização do desenho de observação na proposta 1, disponibilize objetos para os estudantes escolherem ou peça que tragam os objetos de casa. Proponha também que se expressem

ARTE-AVENTURA

Observar, lembrar e imaginar

Vamos fazer uma experiência para investigar processos de criação ao desenhar?

Os riscadores são materiais usados para desenhar. Podem ser giz de cera, lápis de cor, lápis preto, canetas hidrográficas, entre outros. Com eles podemos criar com elementos visuais (como linhas, formas, cores, texturas etc.). Escolha um tipo de riscador e, em folhas de papel avulsas, faça três desenhos. Você também pode usar seu caderno.

Oriente os estudantes a explorar os elementos visuais, como, linhas, formas e cores, e a explorar, texturas, movimentos, volumes e outros.

1 Escolha um objeto que chame sua atenção para criar um desenho de observação. Deixe o objeto próximo à vista. Observe com atenção e desenhe.

Texturas podem ser táteis, quando são percebidas com o toque, ou visuais, quando são expressas por pontos, linhas e formas.

1. Produção pessoal. Incentive e oriente os estudantes a fazer um desenho de observação de um objeto que esteja próximo a eles.

sobre suas motivações e sobre como superam dificuldades e resolvem problemas na escolha e no uso de elementos visuais e materialidades. As escolhas e os objetos podem ser individuais ou compartilhados.

Para a proposta 2, é importante desconstruir a ideia de que a memória seria como um acesso a algo armazenado em nosso cérebro. Todavia, a neurociência tem observado que a memória é dinâmica. Ela se transforma e se recria, podendo sofrer alterações involuntárias e inconscientes. Os estudos acerca da cognição corporificada, por exemplo, têm fundamentado que a memória é mediada pela interação corpo-ambiente e vinculada a sistemas sensório-motores. Na proposta 3, incentive os estudantes a desenharem a partir do próprio universo imaginário e criativo.

2 Pense em algumas lembranças e faça um desenho de memória.

3 Agora, faça um desenho a partir da sua imaginação.

2. Produção pessoal. Provoque os estudantes a se lembrar de algo de que tenham memória, por exemplo, imagens de objetos, pessoas, animais, lugares.

3. Produção pessoal. Oriente os estudantes a pensar em algo que só existe na imaginação deles. Observe e analise como eles se expressam graficamente.

4 Depois de fazer os desenhos de observação, memória e imaginação, conte sobre seu processo de criação para os colegas.

5 Qual processo você gostou mais de fazer? O que achou dos desenhos criados pelos colegas? 5. Respostas pessoais. Incentive os estudantes a

desenvolver tanto a autoavaliação como a crítica construtiva e colaborativa com os colegas.

ESTA É A MINHA ARTE!

Que tal criar uma exposição para compartilhar com colegas e professores seus desenhos de observação, memória e imaginação?

4. Resposta pessoal. Organize uma roda de conversa com os estudantes. Proponha a eles que se expressem chamando a atenção para as particularidades, dificuldades e conquistas em cada processo ao compartilhar os desenhos de observação, memória e imaginação feitos.

A conversação proposta nas questões 4 e 5 traz boas oportunidades avaliativas. É fundamental que a roda de conversa seja um espaço de acolhimento, de escuta ativa, de expressão de alegrias, frustrações, dificuldades e anseios. A avaliação, portanto, não deve se sobrepor a essa dinâmica sensível e à troca sincera dos estudantes entre si, mas ser um complemento, um auxílio a eles na elaboração de seus sentimentos, sensações e pensamentos. Questionar como se expressam nas linguagens artísticas abre uma oportunidade de sondar o modo como lidam

15

com os processos de criação para além das artes visuais. É importante realizar registros e sistematizações sobre o que foi observado durante a conversação, podendo compor um portfólio da turma.

+Ideias

O desenho cego é uma forma lúdica de experimentar o desenho de observação. Coloque uma divisória na carteira ou na bancada, de modo que os estudantes não vejam a própria mão nem a folha onde estão desenhando. Observa-se o objeto, mas não se vê o processo

resultado do desenho. Esta também é uma boa oportunidade para conversar com a turma sobre pessoas ou colegas com deficiência visual: como incluir? Quais dificuldades enfrentam? Como podemos auxiliá-los? Além disso, se um estudante com deficiência visual se sentir confortável, peça que compartilhe com a turma como percebe e interpreta os objetos. Assim, a turma compreende diferentes formas de percepção e expressão, aprendendo a valorizar a diversidade de experiências sensoriais.

Sugestão para o professor

• KATZ, Helena; GREINER, Christine (org.). Arte e cognição. São Paulo: Annablume, 2015.

A obra articula dança, artes visuais, filosofia, neurociências e estudos da percepção para pensar como a arte ativa processos cognitivos dinâmicos no corpo e na mente. Atualiza as discussões sobre ciências cognitivas trazendo seus desdobramentos no século XXI.

• NEUFELD, Carmen B.; STEIN, Lilian M. A compreensão da memória segundo diferentes perspectivas teóricas. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 18, n. 2, p. 50-63, maio 2001. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/estpsi/a/ ZBFjP6tdL5xJ8XCffBsqbf J/?utm_source=perplexity. Acesso em: 8 set. 2025.

O artigo apresenta um resumo dos principais modelos de memória elaborados pelas ciências cognitivas até o início do século XXI.

BNCC

Habilidades: EF15AR01 e EF15AR26.

Organize-se

• Pesquise previamente aplicativos de fácil acesso para a criação de desenhos digitais.

ENCAMINHAMENTO

Proponha aos estudantes que pesquisem com os familiares desenhos e pinturas que fizeram quando eram menores e os tragam para a sala de aula.

Organize uma roda de conversa para o momento de nutrição estética e leitura da obra de Telmo Pieper. Diga aos estudantes que o artista criou a pintura digital Walvis tendo como modelo um desenho que fez quando era criança. Explique a eles que uma pintura digital é uma imagem criada com recursos tecnológicos. Existem aplicativos de simples acesso para a criação de desenhos digitais em dispositivos digitais, como notebooks e tablets. Se possível, faça uma curadoria digital e mostre alguns exemplos à turma.

A inteligência artificial generativa transformou o ato de criar imagens em um processo radicalmente novo. As habilidades criativas se voltam para a elaboração verbal, uma vez que imagens e vídeos são gerados com base em prompts, isto é, textos de comando. Eles são a principal ferramenta de controle criativo. Para facilitar o processo para usuários menos acostumados com a elaboração de prompts, muitas IAs generativas adaptam os pedidos feitos pelos usuários, elaborando prompts interna-

Do manual ao digital

Retome com os estudantes as experiências de desenho a partir da observação, memória e imaginação propostas anteriormente.

Muitos artistas criam com base no que observam no dia a dia. Outros artistas recorrem à memória para criar.

Há quem imagine e invente mundos novos. São mundos feitos por imagens do imaginário!

Para criar, é preciso escolher uma forma, uma linguagem e também materialidades e ferramentas, que podem ser manuais ou digitais.

Quando o artista Telmo Pieper era criança, ele gostava de ficar observando o mundo ao seu redor e criava desenhos e pinturas em folhas de papel.

Ao se tornar adulto, Telmo Pieper descobriu que poderia transformar os desenhos criados por ele na infância em pinturas digitais.

Observe esta imagem criada por Telmo Pieper.

Proponha aos estudantes que observem o desenho na parte superior da imagem e comparem com a pintura digital. O artista parte do seu desenho feito na infância para construir a imagem digital.

Walvis, de Telmo Pieper, 2009. Pintura digital feita em tablet

QUEM É?

Telmo Pieper (1989-) nasceu na Holanda. Ele é um artista visual e cria ilustrações, pinturas digitais e a óleo, além de grafites.

ACERVOPESSOAL

Pinturas digitais e desenhos digitais são imagens criadas com programas de computador para edição de imagens, inteligência artificial e outros recursos.

1 O que você e os colegas acharam dessa ideia?

2 Em seu caderno, registre sua opinião sobre essa experiência.

1 e 2. Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.

mente e gerando imagens diretamente, sem que o usuário acompanhe o processo. Apesar da facilidade de geração de imagens mesmo por pessoas que não costumam explorar as artes visuais, a IA interpreta os comandos que recebe para a criação da arte digital. Assim, nem sempre as imagens geradas correspondem ao que o usuário tinha em mente. Por isso, algumas plataformas oferecem controles de “criatividade” para geração de imagens. A consistência de geração pode ser também um desafio quando se procura criar uma sequência visual narrativa ou manter a consistência visual de um personagem em diferentes cenas. Por isso, muitos artistas digitais mesclam o uso de IA generativa com programas nos quais podem controlar e editar as imagens geradas. Esse assunto poderá ser retomado mais adiante, na seção Diálogos

Observe as imagens a seguir.

Tom Curtis é outro artista que transforma desenhos de crianças em fotografias e vídeos usando programas de edição de imagens. Partindo de desenhos infantis, ele cria um mundo de imagens fantásticas!

QUEM É?

Tom Curtis (1975-) é um artista e designer gráfico inglês que pesquisa desenhos de crianças para inventar com elas mundos fantásticos. São imagens do imaginário!

DESCUBRA MAIS

• GAVILAN, Clara. Sua vez! São Paulo: Caixote, 2023.

A proposta do livro é convidar crianças e adultos para desenhar, explorando a imaginação e a criatividade por meio de atividades divertidas para fazer com um familiar ou um amigo.

Para a questão 1, promova uma roda de conversa na qual os estudantes possam se expressar livremente. Em seguida, na questão 2, peça para escrevam no caderno o que foi discutido anteriormente.

26/09/25 15:55

Promova também uma conversa a respeito das obras de Tom Curtis. Incentive os estudantes a comparar com a pintura digital de Telmo Pieper e criar hipóteses sobre os processos criativos dos dois artistas, bem como os diferentes resultados visuais com o uso de ferramentais digitais de produção e edição de imagens.

+Ideias

Atualmente, artistas e ilustradores que trabalham com pinturas digitais expõem suas obras, fotos e vídeos de processos criativos em redes sociais. Com a turma, realize uma busca em redes sociais ou sites de pesquisa, com o objetivo de compor uma curadoria das obras digitais de que mais gostaram. Procure envolver os familiares nessa iniciativa.

Em momentos de ação criadora, os estudantes podem explorar materialidades como tintas. Proponha a eles a criação de suas próprias tintas plásticas, da seguinte maneira: 1. Misture duas colheres (sopa) de cola branca a uma colher (café) de corante alimentício usado para colorir bolos e doces. 2. Mexa bem e, se desejar, adicione algumas gotas de água. 3. Faça esse processo para cada cor criada para pintar.

Ao exercitarem a observação e o contato com o processo criativo de diferentes artistas, os estudantes ampliam seus repertórios com a arte.

Sugestão para o professor

• SAFETEC. Ferramentas digitais para professores

São Paulo: Sinprosp, c2025. Disponível em: https://ad min.sinprosp.org.br/upl/ arq/Ferramentas%20Digi tais%20para%20Professo res_pdf%20(1).pdf. Acesso em: 8 set. 2025.

O arquivo apresenta orientações para o uso de ferramentas digitais destinadas ao contexto escolar.

• THINGS I HAVE DRAWN. c2025. Disponível em: https: //www.thingsihavedrawn. com/. Acesso em: 8 set. 2025.

Conheça diversas criações elaboradas por Tom Curtis e seus filhos no projeto Things I Have Drawn ( Coisas que desenhei).

Pai e Dom (Dad and Dom), de Tom Curtis e seus filhos, 2017. Série Rostos engraçados (Funny faces).
Vaca de Al (Cow by Al), de Tom Curtis e seus filhos, 2020. Série Animais da fazenda (Farm animals).
Retrato de Tom Curtis e uma criação digital do artista feita a partir da fotografia.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR04, EF15AR05, EF15AR06 e EF15AR26.

TCT: Ao utilizar ferramentas digitais para produzir imagens, pode-se relacionar a proposta ao TCT Ciência e Tecnologia.

Organize-se

• De acordo com a disponibilidade da escola, providencie acesso a computadores ou a dispositivos digitais para que os estudantes possam experimentar a criação digital. Se não for possível realizar a proposta na escola, oriente os familiares ou responsáveis a realizá-la em casa.

ENCAMINHAMENTO

A ambiência e os combinados desta situação de aprendizagem dependerão dos recursos digitais disponíveis para sua viabilização e sua realização. Se a escola dispuser de uma sala de informática, pode-se utilizar o espaço para acessar os programas e os sites disponíveis. Em alguns contextos, os estudantes dividem os equipamentos, por não haver um computador por estudante. Em outros contextos, não há salas de informática, mas há um computador em sala de aula. Há ainda escolas que dispõem de tablets ou outros dispositivos portáteis para uso em sala de aula. Outra questão que afeta as ambiências e os combinados é a disponibilidade de acesso à internet. Trabalhar com a tecnologia de modo offline está mais ligado à experimentação e à utilização de software . A experimentação de aplicativos conectados à internet, como os geradores de imagem por IA, pode ser interessante, mas

5. Esta proposta pode ser feita em casa. Neste caso, oriente os familiares para que auxiliem os estudantes.

ARTE-AVENTURA Ferramentas para criar

Podemos criar imagens usando ferramentas manuais ou digitais. Então, que tal criar desenhos e pinturas usando diversas ferramentas?

MATERIAIS E COMO FAZER

1. Escolha um tema que você quer desenhar.

2. Decida quais riscadores, suportes e outros materiais você vai usar.

3. Crie o desenho. Lembre que ele pode ser feito a partir de sua observação, memória ou imaginação.

4. Você pode escolher colorir ou não seu desenho.

5. Com a ajuda de um adulto, fotografe o desenho ou a pintura que você fez de modo manual. Transfira a imagem para um dispositivo digital, como computador ou tablet

Atenção!

Peça ajuda a um adulto para pesquisar qual é a melhor ferramenta para criar desenhos e pinturas digitais em um um dispositivo digital.

ESTA É A MINHA ARTE!

6. Usando a ferramenta digital que você escolher, crie traços e formas sobre sua imagem.

7. Neste processo, você misturou formas de desenhar usando ferramentas manuais e digitais.

8. Salve a imagem e compartilhe com os colegas e familiares!

Com a ajuda do professor, você e os colegas de turma podem organizar uma exposição virtual. Já pensou como é legal compartilhar com tantas pessoas os desenhos e as pinturas manuais e digitais criados por vocês?

8. Sugere-se salvar as produções dos estudantes em arquivo digital e organizar uma exposição virtual, mas é preciso cuidar para que o acesso seja restrito à comunidade escolar.

requer combinados mais precisos acerca do uso ético dos recursos digitais, navegação e compartilhamento de dados.

Nas etapas de 1 a 4, o desenho é proposto enquanto processo de criação autoral e poética dos estudantes. Ofereça a eles folhas de papel avulsas em diferentes formatos e suportes.

Nas etapas de 5 a 7, o desenho é uma forma de incentivar o acesso a ferramentas digitais e desenvolver habilidades e competências tecnológicas. Verifique quais programas de edição de imagens estão disponíveis na escola ou quais os familiares ou responsáveis acessam para que possam ajudar os estudantes. Outra

possibilidade é pesquisar se há centros de inclusão digital acessíveis em seu município. Há vários aplicativos e programas gratuitos na internet para desenhar e pintar, mas é preciso verificar se a interface é segura para os estudantes. Quanto à participação da família, é importante enviar um tutorial (escrito, em áudio ou em vídeo) de como acessar os endereços e explicar o modo de uso das ferramentas. No boxe Esta é a minha arte!, oriente os estudantes sobre plataformas gratuitas de exposição de imagens. Pode-se criar um blog intitulado Galeria virtual de arte da turma ou usar uma página do site da escola para esse fim.

Converse

positiva desses recursos. Oriente os estudantes e os familiares quanto aos perigos do uso excessivo de telas, à exposição a redes sociais sem a supervisão dos responsáveis e à disseminação de fake news. Problematize essas questões e provoque os estudantes a formular soluções.

Na atualidade, existem várias ferramentas digitais que ajudam a criar imagens, sons e outros efeitos. Muitos artistas usam desde programas de edição de imagem a recursos com inteli gência artificial para criar imagens digitais.

Podemos conhecer todas essas tecnologias digitais, mas é preciso saber usá-las visando à sua segurança e ao bem de todos. Peça sempre a ajuda e o acompanhamento de um adulto para fazer pesquisas em páginas na internet e usar recursos digitais para criar imagens.

Não compartilhe imagens e outros projetos de arte com conteúdos falsos ou que expressem mensagens de preconceito e violência. Avise um adulto se alguma imagem suspeita chegar até você.

1 Com o professor e os familiares, pesquise e converse sobre as questões a seguir.

a) Quais recursos digitais podemos usar para criar imagens?

b) Como a inteligência artificial pode influenciar na forma como estudamos, acessamos imagens, textos e outros conteúdos na internet?

DESCUBRA MAIS

Inteligência artificial (IA) é um recurso tecnológico criado para imitar o raciocínio humano. Ela permite que, a partir de sistemas e dados inseridos, máquinas consigam aprender, resolver problemas e criar textos, vídeos, áudios e imagens.

1.a) e b) Oriente os estudantes, explicando que há programas de edição e criação de imagens que podem ser usados em projetos de arte na escola; no entanto, não é indicado usar nenhuma ferramenta de tecnologia digital e acessar a internet

• NUÑEZ, Emília. A menina da cabeça quadrada. São Paulo: Tibi, 2023.

Será que precisamos mesmo ficar tantas horas diante de telas? Que outras formas existem para brincar, se divertir e aprender? Como as tecnologias digitais podem ser positivas em nossa vida? O livro nos provoca a pensar nessas e em outras questões sobre o impacto da cultura digital em nossa vida.

sem orientação e acompanhamento de adultos (professores ou familiares).

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR06 e EF15AR26.

ENCAMINHAMENTO

Explique que a maioria dos aplicativos e softwares não são permitidos para menores de 12 anos de idade, de modo que devem ser sempre utilizados com a supervisão de um adulto. Destaque que as tecnologias digitais existem para melhorar a vida das pessoas,

vos de saúde. Sem medidas de segurança digital, esses dados ficam vulneráveis a roubo, fraudes ou ataques que podem causar prejuízos pessoais, empresariais, e até mesmo ameaçar a segurança de instituições públicas. Mais informações sobre esse tema podem ser encontradas nos materiais indicados na seção Sugestão para o professor. Como instrumento de avaliação, organize rodas de conversa nas quais os estudantes possam se expressar acerca de seus processos e dos estudos realizados, tanto em sala de aula quanto junto dos familiares ou responsáveis.

Sugestão para o professor

• BRASIL. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre o uso de dispositivos digitais. Brasília, DF: SECOM/PR, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/ secom/pt-br/assuntos/uso -de-telas-por-criancas-e -adolescentes/guia. Acesso em: 8 set. 2025. O material abrange temas como contextos de uso de telas e dispositivos digitais por crianças e adolescentes, direitos digitais de crianças e adolescentes, bem-estar digital, riscos e oportunidades e o que considerar antes de permitir o acesso ou baixar aplicativos para o uso por crianças e adolescentes.

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mas essas mesmas ferramentas podem ser usadas para fins prejudiciais. Dessa maneira, é preciso estar atento e seguir as orientações dos professores e dos familiares. Sendo assim, é necessário trabalhar o tema da segurança digital, que se trata do conjunto de práticas, tecnologias e políticas que visam proteger dispositivos, redes, dados e informações digitais contra acessos não autorizados, ataques, danos, vazamentos ou qualquer outro tipo de ameaça cibernética. Atualmente, quase tudo está conectado: dados bancários, conversas, fotos, documentos e até dispositi-

• CARTILHA DE SEGURANÇA PARA INTERNET. São Paulo, c2025. Disponível em: https://cartilha.cert.br/. Acesso em: 8 set. 2025.

O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) produziu uma série de materiais de fácil acesso e leitura acerca de segurança digital, que trazem linguagem e propostas lúdicas nas publicações.

VERIDIANA CAMELO

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR03, EF15AR04, EF15AR05, EF15AR06, EF15AR24 e EF15AR25.

TCT: Ao trabalhar obras de artistas de diferentes matrizes culturais, essa proposta pode ser relacionada ao TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Ambiente a sala de aula da mesma forma que nas outras propostas de criação visual. Após preparar a sala, realize uma leitura de imagem com os estudantes.

Manter a ambiência permite aos estudantes perceberem o ambiente organizado da mesma forma, fortalecendo a prontidão para o processo criativo.

Comente que Tarsila do Amaral é considerada uma das maiores artistas brasileiras. Suas pinturas são coloridas e expressam sua memória e nossa cultura.

Para a leitura da obra A Cuca , peça aos estudantes que organizem uma roda e apresente a eles a imagem. Faça então as seguintes perguntas: o que vocês veem na pintura? São animais ou pessoas? Que animais aparecem na obra? Vocês já conheciam esses animais? Quantas figuras há na imagem? Há animais assim na natureza?

Na questão 1 , proponha aos estudantes uma conversa sobre imaginação, criatividade e realidade expressas em imagens na arte. Pergunte a eles como percebem os próprios processos de criação e poéticas visuais.

Imagens do imaginário

Observe esta image criada por Tarsila do Amaral.

A Cuca, de Tarsila do Amaral, 1924. Óleo sobre tela, 73 cm x 100 cm.

Cada artista cria com base em suas ideias e em seus estilos. Será que a arte imita a realidade ou as imagens criadas pelos artistas podem sair da imaginação deles?

A artista Tarsila do Amaral, quando criança, ouviu histórias sobre a Cuca, uma personagem do folclore brasileiro. Observe, na imagem, como ela criou essa personagem e outros seres de seu imaginário infantil.

1 O que temos de usar para desenhar um ser que nunca vimos? Será que é difícil? Registre suas ideias em seu caderno.

QUEM É?

Tarsila do Amaral (1886-1973) foi uma artista brasileira. Ela criou muitas pinturas com imagens de seu imaginário.

1. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes digam que é necessário explorar a imaginação e a criatividade para criar a imagem de um ser que nunca viram.

Converse com os estudantes sobre a forma preferida deles de criar na arte. Questione-os sobre seus motivos, acolha as respostas e valorize a individualidade. Inicie a conversa com a pergunta: vocês gostam mais de pintar, desenhar ou de se expressar por meio de movimentos do corpo?

A Cuca é uma personagem da tradição popular brasileira cujas raízes apontam para a Península Ibérica. Era originalmente descrita como uma mulher idosa, assustadora e má, que era usada pelos adultos para amedrontar crianças, sobretudo quando não queriam ir para cama dormir. Monteiro Lobato deu uma nova configuração para a Cuca, na série Sítio do Picapau Amarelo, na qual é retratada como uma bruxa com cabeça de jacaré, pele escamosa e poderes mágicos, consolidando sua figura como vilã e símbolo do medo infantil (curiosamente, em Portugal e Espanha a Coca era representada como um dragão).

Na proposta 2 , pergunte a eles se conhecem outras histórias da tradição oral, como a da Cuca. Oriente-os a escolher uma dessas histórias e proponha que, inspirados nela, criem narrativas visuais. Se achar necessário, apresente alguns exemplos de personagens folclóricos, como Saci-pererê, Iara, Caipora, Boto e Lobisomem.

Observe esta imagem.

2. a), b), c), d) e e) Após a pesquisa e a análise dos dados levantados, auxilie os estudantes a fazer uma síntese com as principais informações e o que mais lhes chamou atenção.

Yushan Kuru, de Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAKUH), 2022. Acrílico sobre tela, 1 m x 1 m.

A pintura foi produzida por artistas do Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAHKU), da Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão, no Acre, que se uniram para criar e divulgar sua arte. É uma imagem carregada de histórias, contadas em linhas, formas e cores.

2 Agora, faça uma pesquisa sobre as histórias que são contadas na cultura local, ou seja, na região onde você vive.

a) Quais são os contos de tradição oral presentes na região?

b) Escolha três desses contos e registre como surgiram, do que tratam e quais são os personagens principais.

c) Investigue se existem também canções narrativas sobre esses contos.

d) Reúna todas as informações levantadas em sua pesquisa e faça um resumo em seu caderno.

e) Compartilhe com os colegas suas descobertas.

3 Quais imagens foram provocadas em seu imaginário ao conhecer mais sobre os contos da sua região? Comente com os colegas e desenhe em seu caderno.

ESTA É A MINHA ARTE!

Dica: amplie os desenhos para folhas de papel avulsas, escolha mais riscadores e solte sua imaginação!

Organize com os colegas uma mostra com a produção de todos. Que tal dar o título a essa mostra de Imagens do imaginário?

3. Oriente os estudantes a criar se inspirando em suas pesquisas e repertórios sobre as narrativas e os personagens dos contos locais. Eles devem escolher materialidades (suportes e riscadores) para se expressar por meio de desenhos.

Tarsila do Amaral propôs uma Cuca como um ser da natureza, mais próxima de um animal do que de um ser humano. Ela ganhou versão animada no longa-metragem Tarsilinha: TARSILINHA. Direção: Celia Catunda; Kiko Mistrorigo. Brasil, 2022. Animação (93 min).

Já Luís da Câmara Cascudo faz uma ligação entre as palavras cuco ou cuca com o idioma quimbundo e a influência angolana na

lenda (a palavra aponta para velhice) e também uma ligação com o tupi (apontando para voracidade, algo que se engole de uma vez).

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Ao realizar a proposta 3 , observe como os estudantes desenvolveram seus desenhos e se o fato de exercitarem a observação e a imaginação fez diferença na riqueza de detalhes. No momento da ação criativa, incentive-os a pensar em elementos das artes visuais,

como linhas, formas e cores. É possível ainda sugerir que elejam um tema para ser explorado, caso apresentem dificuldades em suas escolhas.

Em processo de autoavaliação, proponha que reflitam sobre como estão explorando a imaginação ao criar imagens. Instigue-os a experimentar diferentes técnicas e linguagens artísticas, valorizando o percurso de criação individual e coletivo.

+Ideias

A proposta de leitura de imagem da obra A Cuca pode envolver expressão corporal, possibilitando a integração de diferentes linguagens da arte. Ao final da conversa, peça aos estudantes que, ainda em roda, se levantem e façam uma fruição com encenação dessa obra. Eles podem criar, por meio de improvisações, histórias e situações que se transformarão em pequenas cenas. Eles também podem criar movimentos inspirados nas figuras.

Essa é uma boa oportunidade para propor aos estudantes a reflexão sobre as possibilidades de representação de um sentimento ou de uma ideia. Comente que é possível expressar-se pintando, desenhando, com o corpo e com movimentos, e por meio de outras linguagens artísticas.

Sugestão para o professor

• TARSILA DO AMARAL. c2023. Disponível em: http://tarsiladoamaral.com. br/. Acesso em: 10 set. 2025. Site oficial da artista em que estão disponíveis imagens de suas obras para compor momentos de nutrição estética na escola ou em casa.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR04, EF15AR05 e EF15AR07.

Organize-se

• Se possível, selecione previamente outras pinturas surrealistas, para um momento de nutrição estética dos estudantes.

ENCAMINHAMENTO

Pesquise previamente e prepare uma curadoria de imagens de obras de artistas pertencentes ao Surrealismo ou que passaram por fase surrealista em suas produções. Mantenha a ambiência da situação de aprendizagem anterior, combinando momentos de fruição e de criação.

Para a leitura da imagem da obra Vaca com guarda-sol, do artista Marc Chagall, trabalhe com a percepção e a expressão corporal dos estudantes, explorando os sons dos animais e criando histórias com base na imagem. Inicie com uma roda de conversa sobre os aspectos visuais: as formas, as cores, a figura e o fundo. Quais elementos da imagem parecem mais próximos ou mais distantes; os efeitos de luz e sombra; as texturas e outros elementos visuais. Explique o conceito de Surrealismo e, se possível, mostre à turma as imagens de pinturas surrealistas pesquisadas previamente.

Marc Chagall não pertenceu oficialmente ao Movimento Surrealista, o que não significa que ele não tenha trazido elementos oníricos para sua obra. Seu estilo é mais lírico, pessoal e ligado a raízes culturais (especialmente ao shtetl , povoado judaico do Leste Europeu) do que ao inconsciente freu-

Isso é surreal!

Você já ouviu a expressão que está no título desta página? Sabe o que ela significa? Vamos refletir um pouco?

Observe a reprodução desta pintura de Marc Chagall.

Uma vaca com guarda-sol? Ela pode voar sobre uma cidade? Na pintura surrealista do artista Marc Chagall, ela pode sim! E por que não?

Então, surreal é algo ou alguma situação que provoca estranhamento, que parece existir apenas no mundo da imaginação.

QUEM É?

Vaca com guarda-sol, de Marc Chagall, 1946. Óleo sobre tela, 81,3 cm x 108 cm.

Pintura surrealista é uma obra com imagens criadas com base no imaginário do artista. Parece que essas imagens foram retiradas de sonhos, do mundo da imaginação, onde tudo é possível.

Marc Chagall (1887-1985) nasceu na Bielorrússia. Criou pinturas com imagens fantásticas, carregadas com as memórias das histórias dos lugares onde viveu.

diano ou à provocação antiburguesa que motivava os surrealistas. Contudo, Chagall pode ser visto como um artista cujas obras frequentemente tangenciam o surrealismo, com seu universo mágico e simbólico. Na seção Sugestão para o professor, há a indicação do catálogo da exposição Sonho de amor, no qual essa discussão se faz presente.

Para avaliar os estudantes, observe como estão se desenvolvendo, faça registros para compor portfólios e anotações em seu diário de bordo. Proponha que, ao estudar conceitos e investigar palavras do universo da arte, eles façam anotações no caderno.

Observe o que os estudantes gostam de desenhar ou pintar; quais materiais usam e o que gostariam de inventar. Observe os estudantes que precisam de apoio nos momentos de criação. Incentive-os a criar em grupos a fim de promover a criação colaborativa.

ARTE-AVENTURA Mundo da imaginação

Na arte podemos encontrar imagens fantásticas que nos provocam a imaginar histórias. Observe esta pintura de Joan Miró. As imagens surrealistas são como imagens sonhadas. Inventar uma arte surreal é criar um mundo fantástico de imagens. Que tal inventar histórias visuais criando imagens surrealistas? Use seu caderno para criar desenhos fantásticos explorando as imagens de seu imaginário!

MATERIAIS E COMO FAZER

1. Como fez Joan Miró, vamos criar uma pintura? Explore as imagens de seu imaginário! Para isso, separe os materiais que você quer usar em sua criação. Depois, escolha um suporte para criar a sua pintura.

DESCUBRA MAIS

Joan Miró (1893-1983) foi um artista visual nascido na Espanha. Muitas de suas obras exploram imagens do imaginário.

2. Você pode usar tinta guache ou aquarela. Como suporte, pode usar folhas avulsas, como papel-cartão, cartolina e outras.

• LOPES, Vivian Caroline. Mari Miró. São Paulo: Ciranda Cultural, 2017. (Coleção arte é infância).

No livro, a personagem Mari está na aula de Arte e se encanta com a pintura Ouro do Firmamento, de Joan Miró. A partir daí ela vive aventuras e descobre que pode criar fazendo arte e inventando imagens do imaginário.

1 e 2. Produção pessoal. Oriente os estudantes que, nas Artes Visuais, eles podem se expressar de muitas formas, como criando desenhos, colagens, esculturas e muito mais!

Na leitura da imagem de Miró, chame a atenção dos estudantes para a forma como o artista utilizou e articulou os elementos visuais. Explique que, na arte surrealista, pontos, linhas e cores distribuídos no espaço do suporte permitem criar imagens do imaginário, ou seja, composições fantásticas que estimulam a imaginação.

+Ideias

Proponha a criação de histórias em narrativas visuais como ampliação dessa proposta. Os estudantes podem ser convidados a escrever no caderno sobre seus desenhos, narrando as histórias visuais inventadas por eles. Além disso, eles podem fazer suas criações em suportes maiores, explorando materialidades diversas. Incentive os estudantes a criar mais e, se possível, a criar histórias visuais usando ferramentas digitais.

Sugestão para o professor

• MARC Chagall: sonho de amor. São Paulo: Centro Cultural Banco do Brasil, 2022. Disponível em: https:// ccbb.com.br/wp-content/ uploads/2023/02/Catg-Cha gall_03_05-.pdf. Acesso em: 10 set. 2025. O catálogo da exposição Marc Chagall: sonho de amor é amplo em referências, informações e imagens. Excelente material para estudo, consulta e acervo do professor.

• SELECTED Marc Chagall Paintings. [S. l.], c2025. Disponível em: https://www. marcchagall.net/paintings. jsp. Acesso em: 10 set. 2025. O site (em inglês) pode ser útil na composição de uma curadoria de imagens, já que são disponibilizadas reproduções de diversas obras de Marc Chagall.

Sem título, de Joan Miró, 1953. Guache sobre papel, 32 cm x 45,7 cm.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR03 e EF15AR07.

TCT: Multiculturalismo: Diversidade Cultural.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a ambiência para a leitura e a fruição de imagens. Na obra Galo, de Aldemir Martins, chame a atenção dos estudantes para a forma como o artista usa os elementos constitutivos das artes visuais, como linhas, formas e cores, para expressar de forma singular formas figurativas.

Ao observar a obra de Waldemar Cordeiro, ressalte o modo como o artista explora formas e cores em sua pintura. Ele usa elementos constitutivos das artes visuais, como formas geométricas, e cores, como tons de vermelho, amarelo, azul, verde e laranja.

Conte aos estudantes que essa obra é uma composição abstrata e comente que nas pinturas abstratas são usados pontos, linhas, planos, cores, formas e outros elementos para criar imagens sem a preocupação de criar figuras que reproduzem o que vemos no mundo. Quando a arte abstrata foi criada, buscava-se produzir imagens nunca vistas antes. As crianças, quando produzem garatujas, experimentam linhas, formas, cores e materialidade sem a preocupação de figurar. Converse com a turma sobre esses desenhos não figurativos e comente que na arte há muitas maneiras de se expressar, incluindo a criação de imagens abstratas.

Trabalhe com as informações da legenda da obra de Waldemar Cordeiro, pergun-

Figuras e abstrações

Observe estas imagens criadas pelos artistas Aldemir Martins e Waldemar Cordeiro.

Movimento, de Waldemar Cordeiro, 1951. Têmpera sobre tela, 90,2 cm x 95 cm.

tando sobre o título dado pelo artista à pintura: Movimento. Incentive-os a observar como ele a compôs usando linhas, formas geométricas e cores, respeitando as hipóteses interpretativas de todos. Chame a atenção da turma para o modo como o artista posiciona as formas para sugerir sensação de movimento.

Em seguida, apresente a questão 1 aos estudantes e incentive a participação com base nas hipóteses interpretativas de cada um. Crie um ambiente acolhedor para que todos se sintam respeitados em suas leituras.

Como instrumento de avaliação, organize rodas de conversa para fazer sondagens sobre o que os estudantes observam na cultura visual, por meio das imagens apresentadas em momentos de nutrição estética, e sobre como costumam ver e conviver com imagens no cotidiano.

Galo, de Aldemir Martins, 1975. Óleo sobre tela, 55 cm x 46 cm.

Aldemir Martins foi um artista que criou pinturas e desenhos com formas figurativas. Foi também ilustrador de livros e escultor. Suas formas preferidas eram figuras de frutas, flores, gatos e aves como o galo que vimos na imagem da página anterior.

Já o artista Waldemar Cordeiro criou suas obras usando formas abstratas. Ele gostava de usar formas geométricas.

Cada artista usa elementos da linguagem, como linhas, formas e cores, para criar suas imagens figurativas ou abstratas a partir de suas intenções e poéticas pessoais. E você, como gosta de criar suas imagens? Já pensou nisso?

Poética pessoal é o modo singular como fazemos arte, ou seja, nosso próprio modo de criar arte.

Formas figurativas representam elementos da realidade, como seres humanos, animais, paisagens, objetos, entre outros.

Formas abstratas não representam elementos da realidade e podem ser geométricas ou orgânicas.

QUEM É?

Aldemir Martins (1922-2006) foi um artista plástico que nasceu no Ceará. Sua obra se destacou pela estética figurativa.

Waldemar Cordeiro (1925-1973) nasceu na Itália. No Brasil, participou do movimento de arte chamado Ruptura, que ficou conhecido como arte concreta de São Paulo. Criou obras de arte abstrata, com formas geométricas.

1 Quais são as diferenças entre uma obra e a outra? Use seu caderno para anotar suas ideias e impressões sobre a leitura dessas imagens. Depois, compartilhe suas ideias com os colegas.

Resposta pessoal. Incentive os estudantes a fazer análises identificando as características das imagens figurativas e abstratas. Veja mais orientações no Encaminhamento.

+Ideias

Para ampliar o repertório cultural dos estudantes e propor mais momentos de nutrição estética, pesquise outros artistas que usam formas geométricas e orgânicas para criar na arte com formas abstratas. Pode-se preparar previamente uma curadoria educativa para ampliar as propostas vivenciadas na nutrição estética.

Organize, sempre que possível, um modo de apresentar as produções dos estudantes

de forma presencial ou virtual (utilizando espaços e ferramentais digitais).

A abstração é um tema precioso para as artes visuais e sempre moveu importantes debates e teorias, como no valioso tratado de Kandinsky Do espiritual na arte e na pintura em particular (ver Sugestão para o professor). Mas é em O futuro da pintura (coleção incluída na edição brasileira da obra supracitada) que o artista aborda a arte abstrata e também a da criança como criações cujo valor e finalidade residem em seu interior,

sendo um meio particular de expressão a ser eleito. No Brasil, vale destacar o crítico de arte Mário Pedrosa, que escreveu sobre o abstracionismo. Leia o artigo de Otília Arantes sobre o crítico de arte, indicado a seguir.

Sugestão para o professor

• ALDEMIR Martins. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural. Itaú Cultural, c2025. Disponível em: https://enciclopedia. itaucultural.org.br/pessoas/ 674-aldemir-martins. Acesso em: 10 set. 2025. Verbete da enciclopédia que traz informações sobre a vida e a obra do artista Aldemir Martins.

• ARANTES, Otília. Mário Pedrosa, um capítulo brasileiro da Teoria da Abstração. Discurso, n. 13, p. 95-134, 1980. Disponível em: https://www. revistas.usp.br/discurso/arti cle/download/37892/40619. Acesso em: 10 set. 2025. O artigo discute a relevância de Mário Pedrosa para o desenvolvimento da Teoria da Abstração no Brasil.

• KANDINSKY, Wassily. Do espiritual na arte e na pintura em particular. São Paulo: Martins Fontes, 1996. Uma das mais importantes obras teóricas da arte moderna. Publicada originalmente em 1912, Kandinsky antecipa muitas ideias que influenciaram movimentos como o abstracionismo e o expressionismo.

• WALDEMAR CORDEIRO. c2025. Disponível em: https: //www.waldemarcordeiro. com/about. Acesso em: 10 set. 2025.

O site oficial de Waldemar Cordeiro disponibiliza um material amplo sobre a vida e as obras do artista.

ADRIANAZEHBRAUSK
ACERVOPESSOAL

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR04, EF15AR05, EF15AR06 e EF15AR07.

Organize-se

• Disponha a ambiência para o processo de criação, verificando materiais e combinando o tempo para a criação e a forma de uso dos materiais disponibilizados. Prepare previamente o suporte vazado ou deixe para confeccioná-lo com os estudantes. Os materiais necessários são folha de papel sulfite ou cartolina, giz de cera, canetas hidrográficas, lápis de cor, tinta guache, pincel, revistas, tesoura com pontas arredondadas e cola.

ENCAMINHAMENTO

A situação de aprendizagem tem início com a leitura de imagem e as impressões dos estudantes acerca da obra de Paty Wolff. Na questão 2, acolha os aspectos que chamaram a atenção dos estudantes. Comente a poética e a obra da artista. Para fazer essa pintura, Paty Wolff usou fotografias dela quando pequena e adulta. Trata-se, portanto, de um autorretrato. Para o processo criativo, leia com os estudantes as cinco etapas indicadas na proposta 3. Reforce o uso de pontos, linhas, formas e cores e a possibilidade de escolha entre desenho, pintura, colagem e técnica mista.

Promova a exposição das criações na sala de aula utilizando o material com espaços vazados geométricos de forma lúdica. Converse com os estudantes sobre todo o percurso criativo e sobre essa diferente forma de mediar o contato com as criações expostas.

ARTE-AVENTURA Poética pessoal

1. Contextualize que a obra faz parte do projeto “Ao rés-do-chão, rente às (i)memórias”, da artista visual Paty Wolff, e expressa pesquisas sobre sua ancestralidade e suas memórias. É possível que a imagem provoque nos estudantes sentimentos,

Os artistas criam imagens e apresentam suas histórias, memórias, cenas imaginadas ou guardadas com afeto. Cada artista visual tem sua forma de escolher linhas, formas, cores e materialidades para expressar em imagens seu modo pessoal de olhar o mundo e de sentir a vida. É sua poética pessoal!

Observe a obra a seguir, criada por Paty Wolff . Em seu caderno, anote suas ideias e impressões.

Para não esquecer as origens, de Paty Wolff, 2024. Acrílica sobre madeira, díptico, 80 cm x 100 cm.

QUEM É?

Paty Wolff (1989-) é artista visual, autora e ilustradora. Natural de Rondônia, suas obras apresentam a natureza de sua região, cenas cotidianas e histórias de pessoas e povos.

1 A obra de Paty Wolff provoca sentimentos, imaginação ou lembranças? Como será que a artista criou essa imagem?

2 O que chama sua atenção? Converse com os colegas.

2. Resposta pessoal. Veja mais orientações no Encaminhamento.

A relação arte e público é um tema caro aos estudos de mediação cultural. No âmbito das pesquisas de arte e cultura promovidas e instigadas por Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque, a mediação cultural é um dos campos conceituais sobre os quais refletimos, estudamos, pesquisamos e propomos arte. Mediação cultural envolve, entre uma complexidade de temas e conceitos, as experiências estéticas (e estésicas), os modos de provocar diálogos com o público, as relações entre arte e público e o processo curatorial. É importante delinear que tanto o estudo desse

percepções, imaginação, lembranças e mais. A escuta é fundamental na mediação cultural. Nessa obra, Paty Wolff mistura técnicas de desenho e pintura com tinta acrílica e giz pastel oleoso; como suporte, ela usa painel de compensado e papelão. Para criar as imagens, usou como referência fotografias de álbuns de família. 26/09/25

campo conceitual quanto sua prática não estão restritos a instituições culturais; ocorrem no âmbito escolar também. Na seção Sugestão para o professor, há indicações de leitura sobre o assunto.

A situação de aprendizagem compreende diferentes etapas. Registre cada etapa e promova pausas para conversação e para que os estudantes realizem seus registros. Os momentos de pausa oportunizam a reflexão, o registro, a avaliação e a autoavaliação; por isso, devem ser previstos no desenrolar do percurso de aprendizagem.

FREDGUSTAVOS
PATY WOLFF

3 Agora é sua vez de criar usando pontos, linhas, formas e cores, escolher materialidade e decidir como desenhar e expressar o que vê e sente em imagens. Explore sua criatividade e encontre sua poética pessoal.

MATERIAIS

• Folha de papel sulfite ou cartolina

• Giz de cera

• Canetas hidrográficas

• Lápis de cor

• Tinta guache

COMO FAZER

1. Escolha o suporte em que vai criar sua obra.

• Pincel

• Revistas

• Tesoura com pontas arredondadas

• Cola

4. Use formas figurativas ou formas abstratas.

2. Selecione os materiais que vai usar para compor seu trabalho. 5.

3. Em sua criação, use linhas, formas e cores e outros elementos visuais.

ESTA É A MINHA ARTE!

Chegou o momento de fazer uma exposição de suas criações! Vamos mostrá-las de um jeito diferente?

As obras podem ser coladas em uma parede da sala de aula. Na frente da parede escolhida, o professor vai instalar um varal e pendurar nele um tecido ou papel com furos em formas geométricas e orgânicas.

Quem visitar a exposição terá de escolher um dos furos para espiar e apreciar as obras de arte da turma!

+Ideias

Instigue os estudantes a pensar diferentes formas lúdicas de contato com a arte em seu espaço expositivo. Quais outros materiais, objetos e traquitanas poderiam ser indicados para mediar a relação entre arte e público? Tecidos transparentes? Plásticos? Treliças? Peneiras? Lupas? Membranas coloridas (como papel-celofane)? Binóculos? Através da água (em um recipiente transparente)? As ideias não precisam ser todas colocadas em prática, mas o levantamento de possibilidades permite aos estudantes pensar na multiplicidade de formas que podem ser estabelecidas para mediar o contato com obras de arte.

Sugestão para o professor

• MARTINS, Mirian Celeste (org.). Pensar juntos mediação cultural : [entre] laçando experiências e conceitos. 2. ed. São Paulo: Terracota, 2018.

Livro coletivo que reúne reflexões teóricas e relatos de experiências práticas sobre mediação cultural, sobretudo em contextos de museus, centros culturais, escolas e espaços educativos.

• MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa. Mediação cultural para professores andarilhos na cultura. 2. ed. São Paulo: Intermeios, 2012. Nessa obra, as autoras propõem que a mediação cultural seja vista como uma prática pedagógica sensível, crítica e inventiva, e não apenas como técnica ou transmissão de conteúdo.

• MIRIAN CELESTE MARTINS. c2025. Disponível em: https://www.mirianceleste. com.br. Acesso em: 10 set. 2025.

A página da professora e pesquisadora Mirian Celeste Martins traz textos reflexivos, artigos e vídeos sobre o seu trabalho.

DANIEL

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR04, EF15AR05, EF15AR06 e EF15AR23 e EF15AR26.

Organize-se

• Esta situação de aprendizagem pode ser desenvolvida apenas de forma analógica ou na interação entre o analógico e o digital. Para o trabalho analógico, disponibilize imagens físicas de jornais, revistas, folhetos e outros materiais impressos. Providencie também folhas de papel e riscadores para fazer os desenhos.

ENCAMINHAMENTO

Caso estejam disponíveis dispositivos para captura de imagem, pode-se explorar o processo de criação com o procedimento mais próximo do realizado por Ben Heine. Nesse caso, as criações serão as imagens captadas, mas pode-se ainda explorar edições digitais dessas imagens por meio de softwares de computadores ou aplicativos de dispositivos móveis. Combine com os estudantes qual será a dinâmica do processo criativo.

Reflita com a turma sobre as possibilidades de representação, perguntando: vocês já pensaram em criar uma arte misturando fotografia e desenho?

ARTE EM PROJETOS

Misturar desenhos com fotografias

O artista belga Ben Heine cria imagens combinando fotografias e desenhos.

Veja os efeitos que essa combinação traz à arte dele.

versus câmera 73 (Pencil vs. Camera 73), de Ben Heine, 2013.

Lápis versus câmera para a galeria Art Official Concept (Pencil vs. Câmera for Art Official Concept), de Ben Heine. Cabo Verde, 2011.

Converse com os estudantes sobre as diferentes possibilidades de se expressar em arte e de representar um sentimento ou ideia: pintando, desenhando, expressando-se corporalmente, entre outras. Pergunte a eles de que maneira mais gostam de se expressar. Depois, conversem sobre as diferenças entre as preferências e valorize as individualidades.

A proposta da seção é criar desenhos e combiná-los com fotografias, ou o contrário: escolher fotografias e fazer a intervenção com os desenhos. Converse com os estudantes sobre o processo de criar imagens dessa natureza. Peça a eles que pensem sobre o que seria interessante desenhar e em que cenas colocar o desenho. As propostas podem ser feitas com recortes de revistas ou folhetos utilizando a colagem, dobras de papel e desenhos. Se achar adequado para a maturidade dos estudantes, proponha que produzam as fotografias com uma câmera fotográfica digital ou dispositivo com câmera e que as imprimam.

Lápis

QUEM É?

Ben Heine (1983-) nasceu na Costa do Marfim, mas mora na Bélgica. É artista visual e cria imagens misturando desenhos com fotografias.

Que tal fazer essa experiência artística também?

COMO FAZER

1. Recorte uma fotografia de jornal, revista ou folheto de propaganda e cole sobre um desenho, ou faça o contrário. Pense, estude e faça combinações interessantes. Você também pode criar desenhos e misturar com uma paisagem real registrada em fotografia. Para fazer isso, use ferramentas de edição em um dispositivo digital.

2. Crie imagens de situações impossíveis ou de elementos reais. Solte a imaginação!

ESTA É A MINHA ARTE!

3. Cole sua criação em uma folha de papel avulsa.

Organize com os colegas uma exposição para mostrar a arte e poética pessoal de cada um da turma. Vocês também podem fotografar os trabalhos, gravar em arquivo digital e fazer uma exposição virtual.

Produção pessoal. Sugira aos estudantes que se expressem por meio de desenhos e colagens em folhas de papel avulsas, suportes maiores e outras propostas de criação.

Lápis versus câmera 29 (Pencil vs. Câmera 29), de Ben Heine. Bélgica, 2010.

Verifique as condições de acesso da escola e da turma. Caso não seja possível realizar as colagens digitalmente, peça à turma que faça em casa, com os familiares ou responsáveis. É importante observar se os estudantes têm acesso às diferentes tecnologias e pensar em alternativas simples, que permitam a participação de todos.

Ao realizar as propostas, observe como os estudantes desenvolveram seus desenhos e se o fato de exercitarem a observação e a imaginação fez diferença na riqueza de detalhes. No momento da ação criativa, incentive-os a pensar em elementos das artes visuais, como linhas, formas e cores. É possível ainda sugerir que elejam um tema para ser explorado, caso apresentem dificuldades em suas escolhas.

+Ideias

Após os estudantes fotografarem paisagens com desenhos interferindo nelas (colagens, sobreposições físicas etc.), pode-se propor outra etapa criativa. Importar as fotos para um editor de imagens e realizar uma edição criativa. A meta é ressignificar a imagem utilizando os recursos disponíveis. O que se pode editar:

• Recorte e colagem digital: destacar o desenho e integrá-lo a novas camadas, texturas ou fundos.

• Transparência e sobreposição: ajustar opacidade, criar fusões entre céu, papel e paisagem.

• Cores e filtros: harmonizar ou contrastar a paleta do desenho com a da fotografia.

• Adição de elementos visuais: usar formas, pincéis digitais ou texto para complementar a narrativa.

• Retoques criativos: borrar, duplicar, distorcer ou inverter partes da imagem para gerar efeitos surreais.

Sugestão para o professor

• BEN HEINE. Bruxelas, c2025. Disponível em: https://be nheine.com/. Acesso em: 10 set. 2025.

Site oficial (em inglês) de Ben Heine, com suas produções em várias técnicas e temas.

• 18 PENCIL Vs Camera Images in Progress. Publicado por: Ben Heine. 2012. 1 vídeo (ca. 9 min). Disponível em: https://youtu.be/2JQYUwsk c_I. Acesso em: 10 set. 2025. O vídeo apresenta alguns trabalhos de Ben Heine que misturam as linguagens de desenho e fotografia em criações de poéticas visuais.

BNCC

Habilidades: EF15AR01 e EF15AR08

ENCAMINHAMENTO

A ambiência neste momento é voltada à leitura de imagem e texto. Como a conversação se inicia aqui e continua nas páginas seguintes, pode-se preparar a sala de aula com uma organização diferente da usual, formando uma roda, por exemplo. A leitura pode ser inclusive em outro ambiente, no qual os estudantes possam se sentar confortavelmente com os livros nas mãos.

Peça aos estudantes que observem a imagem, que mostra uma montagem de ilustração com fotografia de Guto Lacaz e sua asa mecânica, que faz parte da performance L U D O V O O – 20 Aeroperformances. Proponha um momento de fruição e nutrição estética apresentando essa performance à turma para que todos conheçam e analisem novas formas de fazer arte.

Converse com os estudantes sobre o conceito de criação na arte e em outras áreas do conhecimento. Pergunte se conhecem algum invento que consideraram criativo e se sabiam que algumas criações artísticas exigem do artista conhecimentos de áreas como Matemática, Física, História, Geografia, entre outras ciências. Faça perguntas que despertem a curiosidade acerca da imagem de abertura do capítulo.

Acompanhe a leitura do Venha e peça aos estudantes que relacionem o texto à imagem. Eles poderão perceber que o artista pode ser inventor e investigador, fazendo uso de diversos materiais e formas de criar arte.

2 DE ONDE VEM

TANTA IDEIA?

Proponha aos estudantes que escrevam no caderno as palavras que não conhecem e criem, se possível, um glossário que explore o novo vocabulário. Eles podem escrever as novas palavras, descobertas durante os estudos em Arte, e, à medida que descobrirem significados, podem voltar a esse material e registrá-los. Dessa maneira, poderão desenvolver o vocabulário e a capacidade de utilização do contexto para compreender os significados de palavras.

VENHA DESCOBRIR E INVENTAR!

Leia o trecho do poema a seguir.

Um papelão vira um avião

Aventura que alguém assiste pela televisão

Tudo é fantasia neste mundo brincante

Acompanhe a leitura do texto com os estudantes. Oriente-os a registrar no caderno possíveis palavras novas em seu vocabulário, como performance. O conceito dessa palavra está na próxima página.

Quando se viaja no mundo da imaginação um portal se abre

E tudo pode acontecer.

Com a mente a mil, inventando a cada instante.

UM PAPELÃO vira um avião. 2025. Texto elaborado especialmente para esta obra. Somos criativos?

Na arte, tem quem invente imagens, objetos, performances

O que é preciso para ser criativo? Será que observar, imaginar ou ser curioso e questionar nos ajuda a criar?

Venha estudar a ação criadora na arte! Venha descobrir e inventar!

Guto Lacaz realiza diversas performances artísticas. A performance é uma linguagem contemporânea da arte que, em linhas gerais, se refere a uma ação realizada pelo artista. Essa ação tem caráter estético, mas é diferente de uma dramatização teatral. Em geral, na performance, o artista não assume um personagem, mas é ele mesmo em ação, com seu corpo e, no caso de Lacaz, com traquitanas, máquinas, eletrodomésticos e invenções.

Para este capítulo, é importante combinar com os estudantes como serão feitos os registros dos processos e da produção das propostas de ação criadora. Podem ser filmagens, gravações de áudio ou de depoimentos dos estudantes para compor um portfólio eletrônico. Também é possível registrar as experiências em desenhos para a criação de um portfólio físico. No momento da fruição, observe como os estudantes se manifestam, e avalie a compreensão deles sobre a integração da Arte com outras áreas e linguagens.

+Ideias

Guto Lacaz cria utilizando diversos materiais e usa vários princípios científicos em suas invenções. Articule conhecimentos com a área de Ciências da Natureza para a elaboração de projetos de Arte com princípios mecânicos, robóticos e elétricos que podem ser criados pelos estudantes. Peça a eles que, com caixas de papelão vazias, construam objetos para criar brincadeiras e façam performances como as do artista. Para trabalhar a ressignificação de objetos e materialidades, cite a obra L U D O V O O – 20 Aeroperformances.

Sugestão para o professor

• GUTO LACAZ. c2025. Disponível em: http://www.gu tolacaz.com.br. Acesso em: 10 set. 2025.

No site oficial de Guto Lacaz, é possível acessar imagens e vídeos de obras e registros de performances do artista.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR03, EF15AR06 e EF15AR23.

TCT: Ciência e Tecnologia.

ENCAMINHAMENTO

Verifique a melhor maneira de os estudantes fruir o trabalho de Guto Lacaz. Levante seus conhecimentos prévios e sensibilize-os para o assunto do capítulo: a criança e a invenção na arte. Instigue os estudantes a conversar sobre o que já sabem sobre Guto Lacaz e pergunte: será que ele é um artista com a mente inquieta? O que isso significa? Comente que, além de criar obras muito criativas, o artista atribui nomes sugestivos e instigantes aos objetos, como a performance Helicubo . Leve os estudantes a refletir: o que vocês imaginam que seja um helicubo? Como será que ele funciona?

Morada da invenção?

Veja este trabalho do artista Guto Lacaz.

Performance de Guto Lacaz com o objeto artístico Helicubo

Nessa performance , o artista prendeu um helicóptero de controle remoto a uma estrutura de material leve, em forma de cubo. Ao acionar o helicóptero, ele sobe e levanta também a estrutura, assim o cubo parece flutuar no ar. Como será que o artista chegou a essa ideia?

Performance é uma forma de arte em que o artista faz uma ação, como uma brincadeira, um jogo, uma dança, uma atitude, entre outras.

Acolha as diferentes opiniões e valorize a individualidade. Leia com os estudantes o conceito de performance e pergunte como acham que foi o processo de criação do artista em Helicubo. É importante considerar os relatos pessoais, se já presenciaram uma performance Proponha em seguida a fruição do vídeo da performance Helicubo (ver Sugestão para o professor ) para que os estudantes possam comentar impressões e análises dessa criação de Guto Lacaz. Se achar adequado, apresente a eles outras obras do artista. Retome temas como criação, invenção, relação entre arte e ciências e processos de criação. Leia com os estudantes o poema Morada do inventor, de Elias José, e peça que contornem palavras que desconhecem e conversem sobre os significados delas. Ao fazer a leitura, é importante que os estudantes percebam relações existentes entre o poema e as obras de Guto Lacaz, tanto pela invenção quanto pelo uso de diversas materialidades.

QUEM É?

Guto Lacaz (1948-) nasceu no município de São Paulo, no estado de São Paulo. Ele é formado em Arquitetura e cria obras com materiais do cotidiano de um modo bem divertido.

Do mesmo modo que Guto Lacaz transforma objetos do cotidiano em arte, Elias José brinca com as palavras como matéria sonora e seus potenciais trocadilhos, escolhendo-as com base em temáticas do cotidiano. Foi assim que escreveu poesias para o público infantojuvenil, propondo brincar com a materialidade das palavras.

Para trabalhar a questão 1, é interessante propor um ambiente descontraído como uma roda de conversa para que os estudantes possam refletir e pensar em ideias e criações e compartilhá-las com a turma.

Observe como os estudantes estão se desenvolvendo e fazem registros para compor o portfólio e anotações no caderno. Os registros potencializam o processo avaliativo e fornecem detalhes do processo criativo, da compreensão e do desenvolvimento de cada estudante ao longo das situações de aprendizagem.

Agora, vamos ler este poema.

Morada do inventor

A professora pedia e a gente levava para a escola, achando loucura ou monte de lixo:

latas vazias de bebidas, caixas de fósforo pedaços de papel de embrulho para presente fitas coloridas de várias larguras botões de todas as cores, formas e tamanhos brinquedos quebrados [...]

E nasceram histórias de arrepiar, escritas, desenhadas, preparadas antes ou inventadas na hora [...]. E, aos poucos, a nossa escola virou morada de inventor!

JOSÉ, Elias. Escola: morada de inventor e outros contos de escola. São Paulo: Paulus, 2009. Não paginado.

A escola pode ser um lugar em que a invenção mora?

Objetos e materiais que seriam descartados podem virar arte?

Será que para criar é preciso ter uma mente esperta, inquieta e curiosa?

1 Você tem muitas ideias de criação na cabeça? Que tal contar algumas delas para os colegas? Aproveite para registrar essas ideias em seu caderno.

Respostas pessoais. Crie um ambiente acolhedor e realize uma roda de conversa para que todos possam compartilhar suas ideias.

+Ideias

Aproveite o momento de fruição do vídeo de Helicubo e assista com os estudantes à matéria realizada pelo programa Metrópolis sobre a exposição Guto Lacaz: Cheque Mate. Selecione trechos da matéria e/ou assista com pausas comentadas e dialogadas. O link da matéria está em Sugestão para o professor

Sugestão para oprofessor

• GUTO Lacaz. Publicado por: Metrópolis. 2024. 1 vídeo (ca. 4 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=EAE7g5eD6VM. Acesso em: 10 set. 2025.

Matéria do programa Metrópolis , da TV Cultura, sobre a exposição Guto Lacaz: Cheque Mate , que reúne cerca de 170 obras do artista, destacando sua habilidade em transformar objetos do cotidiano em arte, com humor e crítica social. A exposição inclui três peças inéditas e explora sua trajetória desde os anos 1970.

• GUTO Lacaz: Helicubo. Publicado por: Guto Lacaz. 2019. 1 vídeo (ca. 4 min). Disponível em: https://youtu. be/9OyWtdelrWw. Acesso em: 10 set. 2025.

No vídeo, o artista Guto Lacaz apresenta sua criação Helicubo

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DANIEL GARSON CABRAL
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR04, EF15AR05, EF15AR08, EF15AR20, EF15AR23 e EF15AR26.

TCT: Ciência e Tecnologia.

Organize-se

• Verifique os materiais que estão disponíveis na escola e, se for oportuno, peça a colaboração de outros profissionais da escola, familiares e comunidade para doação ou aquisição de objetos para realizar esta situação de aprendizagem. Recomenda-se o uso de: caixas grandes de papelão, retalhos de tecidos e papéis, fita adesiva, brinquedos, garrafas PET e tampinhas, chapéus e acessórios.

ENCAMINHAMENTO

Explore o significado da palavra performance e retome a apreciação e a fruição das imagens do início deste capítulo (L U D O V O O – 20 Aeroperformances e Helicubo). A performance é uma linguagem artística de ação, que acontece em determinado tempo e, portanto, é uma arte efêmera. Ressalte a importância de fazer registros com fotografia e vídeo. A primeira etapa propõe a criação de figurinos e ambientação. Os estudantes podem se organizar em grupos e indicar quem será responsável pela construção da ambientação e de figurinos e objetos, quem fará a performance e quem a registrará. Alterne as funções para que todos participem de todas as etapas. Oriente os estudan-

ARTE-AVENTURA Vamos brincar de performances?

Artistas como Guto Lacaz se dedicam a criar arte inventando objetos criativos e fazendo performances. Lembra desta imagem?

Retome a imagem da abertura deste capítulo, reproduzida ao lado.

DESCUBRA MAIS

• VELOSO, Gil; LACAZ, Guto. O menino arteiro. São Paulo: Dedo de Prosa, 2011.

Um menino que não consegue ficar parado cria um monte de coisas que parecem não servir para nada. O que será que ele inventou? Leia o livro e descubra!

Guto Lacaz e sua asa mecânica, da performance L U D O V O O — 20 Aeroperformances

Agora é sua vez! Convide os colegas e o professor para construir objetos e brincar de performances

MATERIAIS

caixas grandes de papelão

Os elementos não foram representados em proporção de tamanho entre si.

retalhos de tecidos e papéis chapéus e outros acessórios que quiser

Atenção!

É bem interessante e divertido utilizar embalagens em projetos de arte, mas sempre se deve tomar muito cuidado para não se machucar! Peça ajuda ao professor e aos familiares quando for trabalhar com embalagens.

tes e os familiares ou responsáveis quanto ao uso de materiais de embalagens. É importante informar que é necessário saber a origem do material e ter certeza de que não se trata de materiais tóxicos ou cortantes.

Os estudantes criarão juntos, de modo colaborativo, inventando objetos e figurinos com diversas materialidades. Motive o processo de criação e imaginação contando histórias

e perguntando a eles que objetos e ações podem inventar. Uma dica é organizar os materiais em uma caixa e convidá-los a inventar e explorar possibilidades.

É importante que os estudantes realizem registros durante o processo de criação da performance e ao final dele que mostrem como foi essa experiência.

fita adesiva
brinquedos
garrafas PET e tampinhas

1. Crie figurinos e objetos para fazer performances cole, amarre ou prenda com fita adesiva os ma que escolher.

A performance é uma linguagem que tem se ampliado significativamente no Brasil, em especial, a partir dos anos 2000. Isso porque, a partir desse período, houve um aumento expressivo de artistas que passaram a explorar a performance como meio principal ou complementar, muitas vezes cruzando com outras linguagens como o vídeo, a instalação, a dança e a arte relacional.

Dessa maneira, a performance passou a ganhar espaço em museus, bienais, centros culturais e festivais e se expandiu ao tratar de questões sociais, políticas e identitárias, como colonialismo, memória, ecologia e sustentabilidade. Diversas universidades brasileiras passaram a incluir a performance em seus currículos de arte, teatro e educação, além de pesquisas em pós-graduação que a

investigam como expressão crítica, poética e pedagógica. Por fim, a popularização da internet e das redes sociais ajudou a ampliar o alcance da performance , permitindo que ações efêmeras sejam registradas, compartilhadas e reinterpretadas em contextos digitais.

Para auxiliá-lo no processo avaliativo, crie uma ficha de avaliação considerando se os estudantes compreenderam o conceito de performance ao analisar obras dos artistas apresentados e nas proposições práticas; o modo como se comportaram diante das atividades colaborativas e em grupo; a forma como criaram soluções com materialidades; e como se expressaram com base em temas sugeridos, do repertório pessoal ou de atividades de imaginação.

+Ideias

Os vídeos e os registros fotográficos com as performances dos estudantes podem ser apresentados para a comunidade escolar. Essa é uma excelente oportunidade de aproximar as famílias e a comunidade dos trabalhos realizados na escola. Referenciar os trabalhos pode ser interessante também, disponibilizando trechos e imagens das performances de Guto Lacaz que inspiraram o processo criativo.

Sugestão para o professor

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• PERFORMANCE In : ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural. Itaú Cultural, c2025. Disponível em: http://enciclo pedia.itaucultural.org.br/ termo3646/performance. Acesso em: 10 set. 2025. Na página, é apresentado de modo mais detalhado o conceito de performance.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR07 e EF15AR25.

TCT: Ciência e Tecnologia.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a sala de aula para os diferentes momentos da situação de aprendizagem, leitura do texto, fruição das imagens e fazer artístico. Pode-se pedir aos estudantes que pesquisem imagens de desenhos de invenções, como as máquinas voadoras de Leonardo da Vinci e Alberto Santos Dumont. Pode-se sugerir ainda que busquem outros inventores.

Inicie o trabalho conversando com os estudantes sobre artistas e inventores. Faça perguntas como: já ouviram falar em Leonardo da Vinci e em Santos Dumont? O que eles inventaram? Vocês saberiam dizer qual é a importância deles para a história? Conhecem outros inventores?

O termo designer refere-se atualmente a desenhista industrial, profissional habilitado em programação visual e concepção de produtos. Converse com os estudantes sobre a importância do desenho em muitas áreas do conhecimento (como o design, a publicidade, o desenho industrial, a arquitetura, a arte, entre outras) e sobre a importância da imaginação em processos de criação na arte e nas ciências.

+Ideias

Arte e invenção

Artistas e inventores, como Leonardo da Vinci e Alberto Santos Dumont, criaram inúmeros desenhos que inspiraram o desenvolvimento de inventos que fazem parte de nossa vida cotidiana, como as aeronaves. Observe as imagens a seguir.

Da Vinci projetou uma máquina voadora que lembra um helicóptero, não é mesmo? Santos Dumont desenhou dois aviões e um dirigível. Você já viu outra imagem de um dirigível?

Leonardo da Vinci (1452-1519) foi um artista e inventor italiano que criou muitos desenhos. Ele sonhava que as pessoas um dia pudessem voar. Isso foi muito antes de inventarem as primeiras máquinas voadoras, como o avião e o helicóptero, ou os aparelhos de voo, como a asa-delta e o paraquedas.

O brasileiro Alberto Santos Dumont (1873-1932) criou desenhos de balões, dirigíveis e aviões. Ele ficou conhecido mundialmente como oinventor do avião.

1 Você consegue imaginar como era o mundo antes dessas invenções? Comente com os colegas.

Resposta pessoal.

A turma pode realizar uma curadoria de desenhos criados por inventores de máquinas voadoras, em especial do artista Leonardo da Vinci. Pense com os estudantes em diferentes suportes para a exposição dos desenhos encontrados. Alguns desses projetos se tornaram realidade, outros são invenções de ficção científica em filmes, ficaram no sonho ou são parte da imaginação de mentes criativas. Os estudantes podem montar um portfólio virtual e compartilhá-lo nas redes sociais da escola, por exemplo.

ARTE-AVENTURA Inventar e desenhar

1. Respostas pessoais. Proponha uma roda de conversa e, na mediação cultural, acolha as falas dos estudantes, incentivando-os a descrever o que percebem na imagem. Convide-os a analisar os elementos visuais que identificam e a expressar suas ideias, memórias, sensações e emoções na fruição dessa obra.

Ex Orbis, de Regina Silveira, 2001. Painel de cerâmica, 7 m x 11 m. Painel criado para o saguão do aeroporto do município de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

Faz muito tempo que criamos coisas e modos inovadores de viver. Observe a obra Ex Orbis, de Regina Silveira. Existem vários desenhos nela. Você já viu desenhos como esses antes? Você sabia que muitas invenções incríveis nascem de ideias desenhadas em uma folha de papel? A imaginação e o registro das ideias são importantes. Os artistas criam desenhos para expressar suas ideias artísticas. Já os inventores fazem desenhos que mostram como suas invenções podem funcionar. Observe novamente a imagem anterior, leia as questões a seguir e registre suas ideias, impressões e esboços.

1 Observe atentamente a obra Ex Orbis, de Regina Silveira. Como você percebe as linhas, as formas e as cores? O que essa imagem lhe provoca a pensar, lembrar, sentir?

2 O que você pode inventar? Desenhe em folhas de papel avulsas ideias para novos inventos.

Produção pessoal. Sugira aos estudantes que se expressem por meio de desenhos, em folhas de papel avulsas, suportes maiores e em outras propostas de criação.

3 Escreva ao lado de seu desenho como seu invento funciona. Resposta pessoal. O importante nesta proposta é como os estudantes apresentam suas ideias; por isso, avalie a articulação das informações apresentadas, a desenvoltura e a poética pessoal na criação.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR07 e EF15AR25.

ENCAMINHAMENTO

Realize a leitura do painel Ex Orbis , de Regina Silveira. Peça aos estudantes que ob-

muitas ideias e hipóteses, que ativem memórias e ampliem o repertório cultural pelo encontro com a arte. À medida que eles conversam sobre a imagem, apresente informações sobre o processo de criação de Regina Silveira. Regina Silveira faz pesquisas de imagens, apropriações e ressignificações que resultam em um acervo visual rico para a realização de suas obras, atribuindo poéticas pessoais. No projeto Ex Orbis, um painel de cerâmica foi criado para ser colocado no prédio do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS). Para tanto, a artista pesquisou esboços e desenhos de máquinas voadoras de vários contextos culturais e épocas. Proponha aos estudantes a realização de registros no caderno. Observe como compreendem a importância do desenho para as invenções humanas e para as diferentes áreas do conhecimento.

Sugestão para o professor • REGINA SILVEIRA. c2025. Disponível em: https:// reginasilveira.com/. Acesso em: 10 set. 2025.

Site oficial da artista Regina Silveira, no qual se pode conhecer melhor suas obras por meio de imagens, vídeos e textos.

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servem e procurem encontrar imagens como o desenho da máquina voadora de Leonardo da Vinci e desenhos que se assemelhem aos de Alberto Santos Dumont.

Proponha um momento de nutrição estética com base na leitura da imagem da obra Ex Orbis. O professor é o mediador e o curador de aprendizagens que estimula conversações e desperta o olhar da turma para as obras de arte. É positivo que os estudantes expressem

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR07, EF15AR08 e EF15AR23.

TCTs: Ciência e Tecnologia; Meio Ambiente: Educação Ambiental

ENCAMINHAMENTO

Prepare a sala de aula para a fruição das obras no livro e uma roda de conversa com os estudantes. Levante seus conhecimentos prévios e sensibilize-os para o estudo da seção por meio de questões como: neste capítulo, vocês conheceram a obra de Guto Lacaz. Sabiam que ele é um artista multimídia, ilustrador, designer, desenhista, inventor e cenógrafo? Em sua opinião, quais são os ingredientes necessários para criar, inventar? Quais são as relações possíveis entre arte e ciências?

Fale sobre as invenções humanas, as criações artísticas e a participação direta do público na obra de arte. Destaque a obra Ciclocine , de Guto Lacaz, em que o artista usa uma bicicleta adaptada para projetar a imagem em uma parede, como em uma sala de cinema. Comente que a obra precisa de alguém para se concretizar plenamente e criar o significado proposto pelo artista.

Chame a atenção dos estudantes para o projetor, que consegue energia por meio de um gerador de energia alternativo. Nessa obra, Guto Lacaz criou uma maneira de produzir energia elétrica com uma bicicleta. Quando se pedala a bicicleta, é possível transferir energia para uma peça chamada dínamo; este aciona uma lâmpada que projeta imagens desenhadas pelo artista. A obra funciona como em uma tela de cinema, daí o nome Ciclocine.

Pode ser abordado nesta situação de aprendizagem o

Energia limpa DIÁLOGOS

Quem é que está sempre criando? Artista, cientista ou alguém que se arrisca?

Observe esta imagem com uma criação de Guto Lacaz.

A imagem mostra o artista Guto Lacaz usando sua invenção. Ele transformou uma bicicleta em um projetor de imagens! Além disso, o artista explorou seu processo artístico e criativo para reinventar a função desse objeto do cotidiano, a bicicleta, e, assim, inventar na arte!

Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7: Energia limpa e acessível. Ele se refere, em primeiro lugar, a fontes de energia que não emitem ou emitem muito pouco gás de efeito estufa (como o CO₂), não poluem o ar ou a água, e têm baixo impacto ambiental (energia solar, eólica e geotérmica são bons exemplos de energias limpas) (fonte: NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Objetivos de desenvolvimento sustentável. Brasília, DF: ONU, 2015. Disponível em: https:// brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 8 set. 2025).

Ciclocine, de Guto Lacaz, 1995.
EDSON KUMASAKA

E o que foi que Guto Lacaz inventou? Ele inventou uma forma de projetar imagens usando energia elétrica limpa. Por isso, a obra Ciclocine é um projeto de arte e também é uma forma de gerar energia limpa! Entenda o funcionamento dessa obra.

Energia limpa é aquela que não causa impactos negativos no ambiente durante seu processo de produção ou consumo.

Se alguém pedalar essa bicicleta, uma peça chamada dínamo transforma a força feita para movimentar a bicicleta em energia elétrica. Essa energia acende a lâmpada do farol e projeta as imagens desenhadas pelo artista.

A projeção das imagens na parede funciona como em uma tela de cinema. E é da mistura das palavras bicicleta e cinema que o artista criou o nome da obra, Ciclocine

Faça registros com fotografias e filmagens, pois as criações com projeção de imagens são efêmeras. Os registros feitos por você e pelos estudantes podem compor um portfólio coletivo (físico ou digital), um material que registre as experiências, as ações criadoras e as investigações da turma.

+Ideias

Ilustre a relação entre arte e ciências pesquisando sistemas de energia alternativa com os estudantes. Há vários artistas que estabelecem essas relações, como Lucia Kock, Eduardo Kac e Guto Lacaz (ver Sugestão para o professor).

Uma experiência possível é criar imagens desenhadas com canetas em uma folha de plástico transparente e colocá-la sobre o vidro de um retroprojetor. Os estudantes podem ser convidados a inventar histórias com base nas imagens projetadas, em narrativas e poéticas visuais.

Sugestão

para o professor

• KAC. Chicago, c2025. Disponível em: http://www. ekac.org/. Acesso em: 10 set. 2025.

Site oficial do artista Eduardo Kac (em inglês), que apresenta suas produções explorando a interdisciplinaridade entre arte e ciências. Acesse-o previamente e selecione o que é adequado trazer para a apreciação dos estudantes.

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É importante expandir o uso de energias renováveis, melhorar a eficiência energética (usar menos energia para fazer mais), investir em infraestrutura e inovação energética, apoiar países em desenvolvimento a adotar tecnologias limpas, entre outras medidas, pois cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo ainda vivem sem acesso à eletricidade. A energia é essencial para saúde, educação, comunicação, economia e qualidade de vida (o que conecta esse ODS a diversos outros), ademais, as fontes poluentes (como carvão e petróleo) contribuem fortemente para mudanças climáticas e problemas de saúde.

• LUCIA KOCK. c2025. Disponível em: http://luciako ch.com. Acesso em: 10 set. 2025.

O site oficial da artista apresenta cartografias com suas produções, em que trabalha principalmente com luz, transparências e cor.

dínamo
farol
lente
suporte de bicicleta
projeção OSNEI ROKO

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, e EF15AR07.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a sala de aula para a leitura do texto, a fruição da obra no livro e uma roda de conversa, considerando a proposta de leitura lúdica indicada na seção.

Aproveite este momento de nutrição estética e apreciação como uma possibilidade de leitura lúdica da imagem. Para abrir a atividade, a turma pode executar movimentos corporais que expressem as trajetórias representadas pelas linhas definidas com as marcas de pneus.

Proponha aos estudantes que expressem hipóteses sobre a materialidade presente em Derrapagem, na qual a artista fez pesquisas e reproduziu marcas de diferentes tipos de veículo em vinil adesivo. Na mediação cultural, converse sobre as marcas deixadas por pneus de diferentes veículos automotores e as que os carrinhos de brinquedo podem criar.

Retome o conceito de instalação, mostrando que a instalação artística é uma linguagem em que os artistas ocupam e modificam espaços usando os mais variados processos e materialidades. Apresente também o conceito de intervenções artísticas: trabalhos com a proposta de alterar, intervir em determinado espaço por um tempo. Essa atitude tira o ambiente do lugar-comum e provoca, em quem passa por esses espaços, encontros e experiências com arte.

O objetivo dessa proposta é apresentar possibilidades de criação de trabalhos ar tísticos de modo lúdico, para que os estudantes tenham a oportunidade de exercitar a fruição de textos visuais e verbais.

Intervir e criar

Observe esta obra de Regina Silveira

O que passou por aqui?

Quem deixou essas marcas?

Linhas…

Formas…

Texturas…

Derraparam na parede.

É um jeito de desenhar?

É um modo de escorregar o olhar?

O QUE passou por aqui? 2023. Texto elaborado especialmente para esta obra.

Converse com a turma sobre o Projeto Parede, do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Na passagem que dá acesso às salas de exposição, há um corredor no qual os artistas são convidados a fazer intervenções, explorando materialidades e ideias criativas e construindo um espaço interativo de arte.

Na questão 1, reserve um tempo para que os estudantes expressem hipóteses interpretativas. A proposta é estimular modos de pensar a arte e os processos de criação da artista Regina Silveira. Chame a atenção dos estudantes para os elementos formais (constitutivos de linguagem) das artes visuais (ponto, linha, forma, cor, textura, relação figura e fundo) e os objetos que foram colocados na parede, como pequenos carros. Será que eles também podem criar arte utilizando brinquedos? Converse ainda sobre a leitura e a interpretação das imagens ilustrativas.

Derrapagem, de Regina Silveira, 2004. Instalação com adesivo e carrinhos de madeira.

Existem muitos modos de criar na arte e um deles é fazer intervenções artísticas em diversos espaços. Foi no Projeto Parede, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, que a artista Regina Silveira criou a instalação Derrapagem

Intervenções artísticas são obras que mudam um espaço ou lugar por um tempo com desenhos, pinturas, instalações e outros meios de expressão artística.

1 Você reconhece essas marcas na parede? O que mais chama sua atenção nessa imagem?

Respostas pessoais. É provável

QUEM É?

Regina Silveira (1939-) nasceu no município de São Paulo. Ela é uma artista que se expressa em gravuras, pinturas, instalações e intervenções artísticas.

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ou integrada com outras linguagens, como a performance, o teatro, a dança, a arquitetura, a literatura e a música, e com a tecnologia.

+Ideias

Nas obras da artista Regina Silveira estão presentes desenhos traçados por linhas. Com base na obra apresentada, pode-se explorar com os estudantes os diversos tipos de linha: grossa, longa, curva, reta e sobreposição de linhas e formas, entre outros aspectos visuais. Instigue-os a falar quais tipos de linha conhecem e a registrar na lousa o nome e a representação de cada uma delas.

Proponha mais um momento de investigação sensorial levantando questões como: onde encontramos linhas no dia a dia? De linhas nascem formas e texturas? O que são texturas? Onde encontramos formas e texturas? Explique que as texturas podem ser criadas a partir do uso de materiais que deixam impressões (texturas táteis) ou usando linhas (texturas sensoriais visuais).

Sugestão para o professor

• DERRAPAGEM. São Paulo: Regina Silveira, 2004. Disponível em: https://regina silveira.com/DERRAPAGEM. Acesso em: 10 set. 2025. A página, pertencente ao site oficial da artista, apresenta comentários e mais imagens da intervenção artística Derrapagem.

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A instalação é uma linguagem artística da arte contemporânea que utiliza diversos elementos — como objetos, sons, luzes, vídeos, materiais naturais ou tecnológicos — acoplados ou dispostos em um espaço tridimensional. Ela pode estar acessível ao espectador, como em um museu, ou instalada no espaço público; muitas permitem entrar, circular e interagir com elas. Essa interação em geral é parte essencial da experiência.

Pode-se usar qualquer tipo de material: objetos cotidianos, elementos naturais (terra, água), projeções, som, luz, vídeos, tecidos, estruturas arquitetônicas etc. Muitas instalações são temporárias e projetadas especificamente para determinado local (site-specific). Às vezes, só fazem sentido naquele espaço e naquele momento. A instalação pode provocar sentidos, deslocamentos, reflexões ou reações físicas e emocionais. É uma linguagem que está na fronteira, dialogando

• INSTALAÇÃO. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural. Itaú Cultural, c2025. Disponível em: http://enciclopedia. itaucultural.org.br/termos/ 80018-instalacao. Acesso em: 10 set. 2025. Na página, é apresentado e detalhado o conceito de instalação.

BNCC

Habilidades: EF15AR02, EF15AR04, EF15AR05, EF15AR06 e EF15AR23.

TCTs: Ciência e Tecnologia; Cidadania e Civismo.

Organize-se

• Separe com os estudantes os seguintes materiais: carrinho de brinquedo de diferentes tipos, fita adesiva, canetas hidrográficas, tinta guache ou giz de cera de diferentes cores e papel branco (cartolina ou papel-cartão).

• Providencie um espaço amplo para que os estudantes possam pintar com os carrinhos, preferencialmente explorando outros espaços da escola, além da sala de aula. Combine com a gestão escolar, se necessário, e cuide para que seja um local seguro para os estudantes.

ENCAMINHAMENTO

Em roda de conversa, pergunte: vocês já repararam nos pneus de carros, caminhões e bicicletas? Se esses pneus passassem por cima de tinta colorida, o que apareceria no chão? Converse mais uma vez com os estudantes sobre o processo de criação da artista Regina Silveira. A proposta é que este projeto seja feito em suportes grandes. Oriente-os a emendar folhas de papel com fita adesiva para obter bases maiores para o percurso dos carrinhos. Ressalte a importância do trabalho colaborativo, sugerindo a eles que realizem obras coletivas, além das individuais, e dividam a autoria com os colegas.

ARTE-AVENTURA Parece brincadeira

Veja um detalhe da instalação e intervenção artística Derrapagem, que Regina Silveira criou.

Você já notou quantas texturas os carros deixam em estradas e ruas? Alguns brinquedos também têm rodas que podem deixar marcas sobre as superfícies.

Vamos pesquisar essas linhas e formas? Podemos criar texturas, movimentos e mais marcas. Esse modo de pintar pode ser bem divertido!

Separe os materiais e siga os passos. Você vai ver como é legal pintar com brinquedos!

Para ampliar o repertório dos estudantes e motivá-los a criar os próprios inventos, apresente a eles trabalhos do artista britânico Dominic Wilcox, que recriou projetos de inventos desenhados por crianças (ver Sugestão para o professor). Realize uma curadoria para verificar as imagens mais adequadas à faixa etária.

Em artes visuais, riscadores são instrumentos ou materiais usados para riscar, traçar ou desenhar sobre uma superfície, deixando marcas visuais — linhas, pontos, texturas ou manchas. Eles são fundamentais no desenho e em técnicas gráficas, mas também aparecem em práticas contemporâneas como performance e instalação. Entre os riscadores convencionais estão o lápis, o carvão vegetal, o grafite, canetas, giz, tinta em bastão e crayon; entre os não convencionais estão galhos, escovas, palitos, objetos pontiagudos, chaves, pedras, cartões magnéticos, entre outros.

Detalhe da instalação Derrapagem, de Regina Silveira, 2004.
fita adesiva
canetas hidrográficas ou giz de cera de várias cores
papel branco, pode ser cartolina, papel-cartão ou outro tipo
tinta guache de várias cores

1. Vamos adaptar um mecanismo para desenhar e pintar com carrinhos de brinquedo. Use fita adesiva para prender o giz de cera ou as canetas na parte lateral do carrinho.

2. Coloque o carrinho sobre um papel branco. Uma dica é emendar várias folhas de papel com fita adesiva, para deixar maior a base do percurso. Dependendo do modelo de carrinho que você estiver usando, o movimento pode ser mais ou menos aleatório e isso determinará os traços produzidos em seu desenho.

3. Na imagem, as crianças criam pinturas usando carrinhos de controle remoto como pincéis. Para esta proposta você pode molhar as rodas de seu carrinho em tinta guache.

Dica: se você não tiver um carrinho de controle remoto ou de fricção, conduza um carrinho com as mãos ou amarre um cordão no carrinho para puxar. O importante é a arte que resultará de sua criação!

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É importante que os estudantes sempre realizem registros e anotações de suas experiências com arte, expressando suas leituras de mundo, investigações, descobertas e trajetórias na criação de poéticas visuais. Reserve alguns minutos para o registro das principais ideias, técnicas e artistas explorados no decorrer da aula. Eles podem fazer anotações sobre as pesquisas de texturas e resoluções de problemas ao criar usando brinquedos eletrônicos.

Avalie o momento em que é necessário intervir e planejar novos caminhos. É importante realizar paradas para avaliação e conversar com os estudantes sobre: como estão compreendendo os conceitos; como estão se desenvolvendo nas situações de aprendizagem; o que estão gostando de fazer e conhecer; e quais as dificuldades e as facilidades que identificam nos percursos.

+Ideias

A turma pode realizar uma expedição pela escola com o objetivo de coletar outros materiais — de uso cotidiano — que sirvam como riscadores ou produtores de texturas. Os estudantes podem experimentar elementos da natureza, como gravetos e folhas. Ao longo do processo de criação, eles podem realizar um catálogo de texturas.

Sugestão para o professor

• DOMINIC WILCOX. c2019. Disponível em: http://domi nicwilcox.com/. Acesso em: 11 set. 2025.

O site oficial do artista, designer e inventor Dominic Wilcox apresenta suas criações, textos e comentários sobre processos artísticos e produção de portfólios.

• EDWARDS, Carolyn; FORMAN, George E. As cem linguagens da criança: a experiência de Reggio Emilia em transformação. Porto Alegre: Artmed, 2015. Os autores propõem o desenvolvimento intelectual da criança pequena pela focalização sistemática na representação simbólica.

BNCC

Habilidades: EF15AR01, EF15AR02, EF15AR04, EF15AR05, EF15AR06, EF15AR07 e EF15AR25.

TCT: Cidadania e Civismo: Educação para o Trânsito.

ENCAMINHAMENTO

Verifique a viabilidade de realização de visita ao museu, presencial ou virtual. No caso de uma visita presencial, leia os materiais indicados na matéria 5 links para orientar visitas escolares a museus recomendada na seção Sugestões para o professor No caso de visita virtual, verifique as condições de acesso à internet. Cada escola e rede de ensino tem a própria estrutura, que pode variar de salas de informática, de vídeo ou multimídia a tablets e monitores nas salas de aula. Caso o corpo docente seja composto de um professor de Informática, é possível propor a realização de uma aula conjunta. Na proposta 1 , retome o conceito de instalação. Apresente a obra Motos, da artista Leda Catunda, e proponha um convite para uma visita, presencial ou virtual, a algum museu ou outros espaços culturais do município ou da região onde os estudantes vivem.

Proponha um momento de fruição estética da obra de Leda Catunda, falando a respeito do processo de criação da artista. Os momentos de nutrição estética são oportunidades de encontros sensíveis com obras de arte, imagens da natureza e do cotidiano, percepção de sons, músicas, conhecimento do próprio corpo, além de mostrar as produções artísticas em diversas linguagens.

ARTE EM PROJETOS

Intervenção visual na escola

Os artistas visuais criam suas imagens em diversos tamanhos e com várias materialidades. Suas produções podem ser expostas em museus, em galerias e também em outros locais, como nas ruas.

Nesta imagem, uma criança está fazendo uma visita a um museu e observando uma obra artística criada por Leda Catunda

1 Faça um convite a seus familiares para visitar museus, presencial ou virtualmente, ou outros espaços culturais da cidade onde vocês vivem.

2 Escreva no caderno como foi essa experiência.

3 Depois, compartilhe o que você escreveu com os colegas e o professor.

1, 2 e 3. Respostas pessoais. Incentive a troca de experiências entre os estudantes para o enriquecimento de seus repertórios.

QUEM É?

Leda Catunda (1961-) nasceu no município de São Paulo. Ela estudou Artes Plásticas e é uma artista visual que cria imagens com pintura, colagens e objetos.

Para complementar a proposta 2 , sugira aos estudantes que registrem no caderno ou fotografem o que mais chamou a atenção deles durante as visitas. Na proposta 3, organize um momento para que possam compartilhar ideias, experiências e produções de texto. Ao iniciar a proposta de intervenção visual na escola, verifique se todos compreenderam o conceito de intervenção. Organize uma ambiência criadora educadora com materialidades em um espaço adequado para ser feita a intervenção.

Criança apreciando a obra Motos, de Leda Catunda, 2012. Colagem, 2 m x 4,5 m.

Agora, que tal criar uma intervenção visual na escola com imagens do imaginário? Convide os colegas, prepare os materiais e solte a imaginação.

MATERIAIS

Fita adesiva; folhas de cartolina branca; riscadores diversos (lápis grafite, lápis de cor, giz de cera); tinta guache; pincel; revistas e jornais velhos; cola; tesoura com pontas arredondadas.

COMO FAZER

1. Com a ajuda do professor, vocês vão escolher uma parede da escola: pode ser uma parede na entrada, no corredor ou no pátio.

2. Usem fita adesiva para forrar a parede com folhas de cartolina. Escolham riscadores, tintas e outros. Criem colagens, cortem imagens de revistas, jornais e outros materiais impressos sem uso. Com esse material, componha imagens para essa criação coletiva.

3. Quando finalizarem, convidem estudantes de outras turmas para apreciar a obra de arte de vocês.

+Ideias

Crie com os estudantes desenhos de vias e faça com eles sinalizações que são marcadas no asfalto, como faixas de pedestre, linhas de retenção, avisos de pare e devagar, marcações de vagas especiais para pessoas idosas e pessoas com deficiência (alguns municípios disponibilizam vagas para gestantes também), linhas longitudinais (indicando a direção e o sentido da via) contínuas e seccionadas, marcações de canalização (indicam a melhor maneira de utilizar as faixas, como quando há variação de largura) e pinturas especiais,

45

como ciclofaixas ou ciclovias e áreas de estacionamento.

Outra atividade consiste em propor aos estudantes e familiares que visitem sites de museus nacionais e internacionais que disponibilizam visitas virtuais e materiais de apoio. Um museu virtual é um espaço digital onde se pode explorar obras de arte, exposições, objetos históricos ou científicos por meio de imagens, vídeos, textos mediadores e até visitas em 3D ou realidade virtual. Exibem acervos reais de museus físicos ou coleções criadas exclusivamente para o ambiente digital. Podem

ter visitas guiadas, exposições interativas, vídeos explicativos e jogos educativos, e muitos oferecem recursos de acessibilidade (como audiodescrição, tradução para Libras e legendas). Acesse as sugestões a seguir:

• MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO (MASP). São Paulo, c2025. Disponível em: https: //masp.org.br/. Acesso em: 11 set. 2025.

• MUSEU DA PESSOA. São Paulo, c2025. Disponível em: https://museudapessoa. org/. Acesso em: 11 set. 2025.

• MUSEU DO LOUVRE. Paris, c2025. Disponível em: https://www.louvre.fr/en. Acesso em: 10 jul. 2025. (Em francês, inglês, espanhol e japonês.)

• MUSEU NACIONAL. Rio de Janeiro, c2025. Disponível em: https://museunacional. ufrj.br/. Acesso em: 11 set. 2025.

Sugestão para o professor

• SALLA, Fernanda. Livro de artista: arte contemporânea encarada de frente. Nova Escola, São Paulo, 1º maio 2014. Disponível em: https://novaescola.org.br/ conteudo/3538/livro-de -artista-arte-contempora nea-encarada-de-frente. Acesso em: 11 set. 2025. O artigo apresenta o conceito de livro de artista analisando o potencial pedagógico dos registros do próprio percurso criativo nas aulas de arte.

• VALLE, Leonardo. 5 links para orientar visitas escolares a museus. São Paulo: Instituto Claro, 27 abr. 2023. Disponível em: https://www. institutoclaro.org.br/educacao/nossas-novidades/noti cias/5-links-para-orientar-vi sitas-escolares-a-museus/. Acesso em: 11 set. 2025. A página traz textos com orientações sobre visitas a museus e links para auxiliar esse trabalho.

ENCAMINHAMENTO

Para a realização da avaliação, crie um ambiente descontraído e lúdico para que os estudantes se sintam o mais acolhidos possível. Combine com eles a forma de avaliação e se esta ocorrerá de maneira individual, em dupla ou oralmente.

Inicie retomando com a turma os conteúdos trabalhados ao longo da unidade. Relembre os conceitos abordados e as propostas realizadas, acolhendo informações levantadas pelos estudantes.

A ideia é que coloquem em prática os principais conceitos abordados. São apresentadas questões relacionadas ao desenho de observação, memória e imaginação e performance.

Nesta unidade, o processo criativo foi tema central das pesquisas e das propostas em Arte. Visto como elemento fundante das obras de arte, o processo criativo é algo único de cada artista e cada ser. A imaginação e a criatividade de diferentes artistas e inventores foram exploradas por meio da apreciação de suas criações.

Foram estudadas as linguagens das artes visuais e das artes integradas, destacando os percursos de criação dos artistas e dos estudantes. O uso das tecnologias presente nas atividades simbolizou formas contemporâneas de expressão. Foram propostos diferentes caminhos e buscas do fazer artístico e, por meio de diferentes processos de criação e pesquisas em arte, foram exploradas a imaginação, a criatividade e a memória.

Foram apresentadas propostas que promovem a apropriação do vocabulário do universo da arte e a ampliação do repertório como a

PARA REVER O QUE APRENDI

1 Anote a frase a seguir no caderno e complete de acordo com o que aprendeu.

Para criar é importante observar, memorizar e

2 Agora, usando folhas de papel avulsas, experimente criar novamente:

a) um desenho de observação.

Produção pessoal.

b) um desenho de memória.

Produção pessoal.

c) um desenho usando sua imaginação.

Produção pessoal.

3 Reflita e responda em seu caderno.

b) O que é performance?

c) E como funciona a obra de Guto Lacaz intitulada Ciclocine? imaginar

desta unidade, que teve como foco o estudo dos processos de criação dos artistas e dos estudantes.

a) De que modo o artista Ben Heine produz as imagens que você viu nesta unidade?

Ao retomar propostas que estão presentes no capítulo 1, compare as produções dos estudantes, analisando o que mudou em seus desenhos depois de estudar os dois capítulos O artista Ben Heine cria imagens combinando fotografias e desenhos. Contextualize que o artista também utiliza programas de computador para edição de imagens.

3. c) O artista criou uma bicicleta que, ao ser pedalada, gera energia limpa, acendendo a lâmpada do farol e projetando as imagens desenhadas por ele. A projeção das imagens na parede funciona como em uma tela de cinema.

3. b) Espera-se que os estudantes respondam que performance é uma forma de arte em que o artista faz uma ação, como uma brincadeira, um jogo, uma dança, uma atitude, entre outras.

leitura de poemas e letras de músicas de artistas brasileiros, e a pesquisa e o registro de saberes sobre diferentes produções artísticas. Em vários momentos foi proposta a integração entre linguagens artísticas com convites aos estudantes para vivenciarem processos de criação e poéticas misturando diferentes linguagens.

Ao apresentar artistas e suas produções, as situações de aprendizagem permitem a aproximação dos estudantes com diferentes culturas. Os momentos de nutrição estética são oportunidades de encontros sensíveis com obras de arte, imagens da natureza e do cotidiano, percepção de sons, músicas e conhecimento do próprio corpo. Diferentes formas de ver, ouvir e sentir a arte, modos múltiplos de expressar leituras de mundo que se tornam também um meio para alfabetização visual, corporal e sonora.

EDSON KUMASAKA
BEN HEINE
Ciclocine, de Guto Lacaz, 1995.
Lápis versus câmera 73 (Pencil vs. Camera 73), de Ben Heine, 2013.

Produções pessoais. Oriente os estudantes a observar, analisar e interpretar as imagens a partir de suas referências e saberes. Sugira aos estudantes que se expressem por meio de desenhos, em

4 Reveja as obras Vaca com guarda-sol, de Marc Chagall, Movimento, de Waldemar Cordeiro, e Galo, de Aldemir Martins. Aprecie e comente.

Agora, em folhas de papel avulsas, elabore desenhos ou pinturas escolhendo as materialidades que desejar. Crie:

a) uma imagem surrealista.

b) uma imagem abstrata.

c) uma imagem figurativa.

folhas de papel avulsas, suportes maiores e em outras propostas de criação. Eles podem escolher riscadores, no caso de uma produção de desenhos, ou tintas para pinturas, ou ainda usar várias materialidades em processos mistos. Como suportes, eles podem utilizar

folhas de papéis maiores, como cartolinas, papel-cartão ou placas de papelão de embalagens reutilizáveis. Em seguida, os estudantes podem compartilhar suas impressões, sensações e percepções a partir dessas obras.

No decorrer das propostas, o trabalho em conjunto e colaborativo também foi valorizado e apresentado como potencializador do processo de criação.

Retome os desenhos realizados no início da unidade. Proponha aos estudantes que comparem seus desenhos do início e do fim dos estudos desta unidade e observe se percebem mudanças em seus processos de criação e na produção de poéticas visuais. Ao final da avaliação, é interessante sugerir que compartilhem as respostas e conversem sobre as conclusões.

Nessa seção, propõe-se um momento de avaliação processual. Avalie os estudantes levando em conta os objetivos pedagógicos da unidade. Dessa maneira, é possível identificar conhecimentos individuais conquistados nos estudos ao longo da unidade, retomar e avaliar habilidades e conteúdos estudados e identificar possíveis dificuldades. Leia e avalie os objetivos da unidade tendo como base todas as situações avaliativas propostas. Além das atividades da seção, os portfólios físicos e/ou eletrônicos, os cadernos e outras produções e registros criados podem ser considerados. Nesse sentido, é importante também retomar situações avaliativas em que a presença do corpo se fez potente nos estudantes.

Além disso, nesta unidade, há conteúdos que precisam ser avaliados em relação ao desenvolvimento de competências e habilidades, como: observar o que os estudantes aprendem sobre patrimônio cultural ao entrar em contato com distintas matrizes estéticas e culturais nas artes visuais e nas artes integradas; como percebem as manifestações artísticas das culturas locais, regionais e nacionais; como escolhem e utilizam materialidades; e como percebem propostas de interação com obras de artistas.

Sugestão para o professor

• HOFFMANN, Jussara. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 34. ed. Porto Alegre: Mediação, 2004.

Nessa obra, discute-se a avaliação mediadora nos diferentes segmentos de ensino.

Vaca com guarda-sol, de Marc Chagall, 1946.
Movimento, de Waldemar Cordeiro, 1951.
Galo, de Aldemir Martins, 1975.
Os elementos não foram representados em proporção de tamanho entre si.

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, são apresentadas manifestações culturais em que o corpo está presente como materialidade expressiva. As artes circenses, o teatro e a dança estão presentes de modo integrado e em estudos singulares sobre as linguagens. No capítulo 1, o tema central é a palhaçaria, sendo trabalhadas a construção de personagens e a ação cênica. No capítulo 2, os movimentos dançados e a expressão do corpo propõem a vivência de processos artísticos explorando a ludicidade, a percepção, a expressividade e a imaginação, convidando os estudantes a ressignificar os espaços da escola e de casa, junto da família, gerando ambiências criadoras e educadoras na escola e fora dela.

Objetivos

• Participar de momentos de fruição com leitura de imagens e de textos poéticos.

• Identificar e usar nas produções elementos da linguagem da dança, do teatro e das artes circenses.

• Expressar-se oralmente sobre as próprias experiências com linguagens artísticas e poéticas, vivenciadas na escola e com a família.

• Conhecer artistas e suas produções, ampliando repertórios e valorizando patrimônios culturais nacionais e internacionais.

BNCC

Competências gerais: 3, 4, 5, 6, 9 e 10.

Competências específicas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

Habilidades:

(EF15AR04) Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso

CORPO: TEATRAL E DANÇANTE 2

Arte brincante convida a rir, dançar, cantar, tocar, encenar...

Arte na rua, na casa de espetáculo, no picadeiro do circo.

Na arte, linguagens se encontram! Dança-teatro mistura-se em experiências poéticas com o corpo.

1 Vamos procurar estas imagens no livro?

Em seu caderno, escreva o número da página em que você encontrou cada imagem. O que será que vamos estudar?

1

Como exercício inicial, propõe-se um jogo em que os estudantes buscam as imagens desta abertura dentro da unidade. Instrua-os a observar cada imagem e a ler as palavras. Na roda de conversa, pergunte sobre suas interpretações e seus saberes prévios. Este pode ser um momento potente de avaliação diagnóstica.

sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais.

(EF15AR08) Experimentar e apreciar formas distintas de manifestações da dança presentes em diferentes contextos, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório corporal.

(EF15AR09) Estabelecer relações entre as partes do corpo e destas com o todo corporal na construção do movimento dançado.

(EF15AR10) Experimentar diferentes formas de orientação no espaço (deslocamentos, planos, direções, caminhos etc.) e ritmos de

movimento (lento, moderado e rápido) na construção do movimento dançado.

(EF15AR11) Criar e improvisar movimentos dançados de modo individual, coletivo e colaborativo, considerando os aspectos estruturais, dinâmicos e expressivos dos elementos constitutivos do movimento, com base nos códigos de dança.

(EF15AR12) Discutir, com respeito e sem preconceito, as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola, como fonte para a construção de vocabulários e repertórios próprios.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

PERSONAGENS

(EF15AR18) Reconhecer e apreciar formas distintas de manifestações do teatro presentes em diferentes contextos, aprendendo a ver e a ouvir histórias dramatizadas e cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório ficcional.

(EF15AR19) Descobrir teatralidades na vida cotidiana, identificando elementos teatrais (variadas entonações de voz, diferentes fisicalidades, diversidade de personagens e narrativas etc.).

(EF15AR20) Experimentar o trabalho colaborativo, coletivo e autoral em

improvisações teatrais e processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais.

(EF15AR21) Exercitar a imitação e o faz de conta, ressignificando objetos e fatos e experimentandose no lugar do outro, ao compor e encenar acontecimentos cênicos, por meio de músicas, imagens, textos ou outros pontos de partida, de forma intencional e reflexiva.

(EF15AR22) Experimentar possibilidades criativas de movimento e de voz na criação de um

personagem teatral, discutindo estereótipos.

(EF15AR23) Reconhecer e experimentar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas.

(EF15AR24) Caracterizar e experimentar brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais.

(EF15AR25) Conhecer e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo-se suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas.

(EF15AR26) Explorar diferentes tecnologias e recursos digitais (multimeios, animações, jogos eletrônicos, gravações em áudio e vídeo, fotografia, softwares etc.) nos processos de criação artística. Temas Contemporâneos Transversais (TCT): Multiculturalismo: Diversidade Cultural; Economia: Trabalho; Cidadania e Civismo: Vida familiar e Social, Processo de Envelhecimento, Respeito e Valorização do Idoso; Saúde.

ENCAMINHAMENTO

Proponha o jogo com a leitura das imagens e palavras-chave. O exercício propõe construir hipóteses sobre os assuntos que serão discutidos na unidade, e os estudantes poderão escrever as palavras apresentadas no caderno, anotando o que sabem a respeito de seus significados. Retome essa conversa e as anotações ao final dos estudos desta unidade e avalie as conquistas e ampliações no repertório cultural e no vocabulário da turma.

BNCC

Habilidades: EF15AR18, EF15AR19 e EF15AR25.

TCT: Conhecer manifestações culturais como a arte da palhaçaria permite o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

Organize-se

• A ambiência nesse momento é voltada à leitura de imagem e de texto. Organize a sala de aula com carteiras unidas, formando grupos, para que os estudantes realizem a leitura em conjunto e conversem sobre o texto e sobre o que lhes chamou a atenção na fotografia e nas ilustrações.

ENCAMINHAMENTO

Contextualize que a palavra circo pode referir-se tanto ao lugar físico em que acontecem os espetáculos quanto à arte circense, que será trabalhada adiante.

Proponha uma roda de conversa para este momento de nutrição estética, a fim de levantar os conhecimentos prévios dos estudantes e sensibilizá-los para o estudo da imagem apresentada. Converse com eles sobre a imagem da cena de O jardim do imperador . Nesse espetáculo, as atrizes Paola Musatti e Vera Abbud interpretam duas palhaças que criam várias brincadeiras e situações engraçadas. As atrizes defendem que estudar a arte da palhaçaria é coisa séria. Essa arte nasceu no circo, mas também pode acontecer nos palcos de teatro.

PALHAÇARIA

50

Montagem com ilustração e fotografia de cena do espetáculo O jardim do imperador, com Paola Musatti e Vera Abbud, da Cia. Pelo Cano.

Peça aos estudantes que se reúnam em grupos, conversem sobre a imagem e interpretem o texto da legenda. Pergunte a eles o que percebem na imagem, chamando a atenção para a composição criada para esta abertura de capítulo: há uma fotografia retratando as atrizes no palco e há intervenções com textos e ilustrações. Comente que mesmo uma fotografia pode ser lida como uma pintura ou um desenho. No caso dessa imagem, há um registro fotográfico da cena teatral, um fragmento da cena do espetáculo O jardim do imperador.

Contextualize que a palavra "circo" pode referir-se tanto ao lugar físico em que acontecem os espetáculos, quanto à arte circense que é o conjunto de práticas artísticas de circo, como palhaçaria, malabarismo, acrobacia, mágica e outros.

dar a palhaçaria, com foco em mulheres dedicadas a essa arte, colabora com o desenvolvimento do ODS 15: igualdade de gênero.

Contextualize que o palco é um lugar físico com cenário e adereços de cena onde acontece a apresentação, e as atrizes, por meio de suas personagens, criam um local imaginário: um espaço dramático. Com base na observação da imagem, proponha aos estudantes que identifiquem elementos da linguagem teatral, como cenário, figurino, iluminação, maquiagem, expressão facial e corporal etc. Pergunte: quem são essas duas personagens? Por

que elas usam esse figurino e maquiagem? Que hipóteses vocês têm da personalidade da personagem palhaça? Vocês já estiveram em um circo e observaram personagens como o palhaço ou a palhaça? Como foi? Vamos pesquisar a profissão do palhaço e a arte da palhaçaria? O que sabem a respeito disso? As respostas são pessoais e trarão subsídios para conhecer as hipóteses interpretativas dos estudantes. Vale destacar que abor-

Contextualize que a palhaçaria é a arte de ser palhaço, uma linguagem cênica que envolve o uso do corpo, da voz, do improviso e da emoção para provocar o riso, mas também a reflexão, o encantamento e a empatia. Para além de concepções estereotipadas ou simplistas, a palhaçaria é uma forma profunda de expressão artística que trabalha com o erro, o ridículo e a vulnerabilidade como potências criativas e poéticas.

+Ideias

Peça aos estudantes que pesquisem mais a palhaçaria. Oriente-os a registrar suas pesquisas no caderno. A proposta é iniciar uma investigação que antecipará conceitos apresentados na página 52: artes circenses, palhaçar e palhaçaria

Como instrumento de avaliação, além dos cadernos, é interessante considerar os relatos dos estudantes nas rodas de conversa. Observe e acompanhe a participação deles nos momentos de apreciação de imagens; verifique como eles se comunicam oralmente e expressam suas hipóteses.

Sugestão para o professor

• QUAL é a origem do circo?

26/09/25 13:15

Superinteressante , São Paulo, 18 abr. 2011. Disponível em: https://super.abril. com.br/mundoestranho/ qual-e-a-origem-do-circo/. Acesso em: 9 set. 2025. Nesse artigo da revista

Superinteressante, é possível conhecer mais a história das artes circenses.

BNCC

Habilidades: EF15AR18, EF15AR22 e EF15AR24.

Organize-se

• A organização da sala de aula pode ser em grupos como na situação de aprendizagem anterior. Pode-se também criar outras configurações para a conversação, como a formação de uma roda. Uma vez que a leitura de imagens e do texto tem o livro como base, explore outros espaços da escola para o desenvolvimento dessa conversação, inclusive ao ar livre.

ENCAMINHAMENTO

Explore com os estudantes a letra da canção Piruetas, propondo que durante a leitura escrevam no caderno as palavras que rimam. Convide-os a ler várias vezes, explorando o ritmo do texto (pronunciando lentamente, mais rápido, muito rápido). Conversem sobre as artes circenses, sobretudo os termos palhaçar e palhaçaria. A palhaçaria expressa o conjunto de manifestações artísticas e culturais estudado e exercido por pessoas que mantêm viva a arte do palhaço e da palhaça. Geralmente os conhecimentos de palhaçaria são passados por outros palhaços, que ensinam técnicas para fazer rir, pintar-se, vestir-se, movimentar-se e falar de um jeito engraçado, ou seja, palhaçar!

A palavra palhaçaria é conhecida no meio artístico do circo e do teatro, embora alguns dicionários ainda não registrem oficialmente esse termo. Proponha aos estudantes que pesquisem mais

Hoje tem espetáculo!

Leia com o professor um trecho da canção.

Piruetas

Uma pirueta

Duas piruetas

Bravo, bravo

Superpiruetas

Ultrapiruetas

Bravo, bravo

Salta sobre

A arquibancada

E tomba de nariz

Que a moçada

Vai pedir bis PIRUETAS. Intérpretes: Os Trapalhões e Chico Buarque. Compositores: Luis Enriquez Bacalov, Sergio Bardotti e Chico Buarque. In: OS SALTIMBANCOS trapalhões. Rio de Janeiro: Universal Music, 2017. CD, faixa 1.

1 Converse com os colegas e responda: quem é o personagem ao qual a canção se refere?

Você já ouviu falar em artes circenses? E em palhaçar e palhaçaria?

Artes circenses são o conjunto de manifestações e habilidades dos artistas que trabalham no circo, como os palhaços, os malabaristas, os mágicos, os acrobatas, entre outros.

Palhaçar é desenvolver várias ações ligadas à arte do palhaço, como gestos, expressões corporais e faciais, jeito de falar, entre outras.

Palhaçaria é o conjunto de conhecimentos e ações dos artistas que se dedicam à arte e à cultura do personagem palhaço.

As artes circenses são práticas artísticas muito antigas que se desenvolveram de um jeito diferente em cada lugar e época. Há espetáculos circenses que acontecem em teatros, tendas, ruas e praças, mas também podemos assistir a alguns deles pela televisão ou em vídeos pela internet!

1. Espera-se que os estudantes identifiquem, pelas características dos movimentos e trapalhadas, que a canção trata do personagem palhaço.

a palhaçaria, incentivando-os a registrar suas descobertas no caderno.

Apesar de a palhaçaria ser uma tradição ligada a figuras masculinas, hoje também é exercida por mulheres. Além de desestimular estereótipos de gênero, mostre o quanto essa arte pode ser divertida.

A palhaçaria tem como característica o jogo com o público, pois, em geral, a inter -

pretação não ocorre como um personagem separado como ocorre quando se estabelece a chamada quarta parede, que seria uma parede invisível separando o palco ou a cena da plateia. A palhaça ou o palhaço buscam manter uma relação com o público, interagindo com base nas reações dele. O ridículo é explorado na falha, nos tropeços e nas trapalhadas dos palhaços, o que deflagra a poética das imperfeições humanas.

Espetáculo Choque-Rosa, do grupo Circo di SóLadies | Nem SóLadies, no município de São Paulo, estado de São Paulo, em 2024.

QUEM É?

Circo di SóLadies | Nem SóLadies é um grupo que surgiu em 2013. Ele é formado por artistas que propõem divulgar e valorizar a palhaçaria feminina no Brasil.

DESCUBRA MAIS

2 Você já foi ao circo ou já assistiu a um espetáculo circense pela televisão ou pela internet? Se sim, o que você achou do espetáculo? Converse com os colegas e o professor a respeito disso.

• COSTA, Wagner. Palhaçaria . Ilustrações: Al Stefano. São Paulo: Moderna, 2012.

Toda a turma da escola está esperando o palhaço Aleluia chegar. Convide os colegas e os familiares para ler com você e descobrir o que ele vai aprontar com a garotada!

2. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes compartilhem suas experiências e se mostrem curiosos para saber mais. Reforce os significados dos termos artes circenses, palhaçar e palhaçaria apresentados anteriormente. Também chame a atenção para o fato de que as artes circenses podem ser apreciadas tanto de forma presencial como virtual.

A palhaçaria frequentemente desafia a lógica racional, explorando o nonsense, o inesperado e o exagero. O trabalho corporal é intenso, pois é uma linguagem muito física, em que gestos, olhares e expressões são tão importantes quanto a fala. O corpo do palhaço precisa de prontidão, e estar disponível para o jogo, a queda, o desequilíbrio e a improvisação. Apesar de ter uma próxima relação com o público, comente que as artes circenses também podem ser apreciadas de forma virtual.

nômade, viajando de cidade em cidade, onde montam suas lonas; há outros que se apresentam em grandes casas de espetáculos, algumas vezes transmitindo suas apresentações em vídeo.

Informe aos estudantes que alguns estados brasileiros proíbem a presença de animais em circos. Abra um debate sobre essa situação: é ético utilizar animais nas apresentações dos circos? Como o circo acontece na atualidade?

As respostas são pessoais e darão subsídios para compreender como os estudantes percebem a arte circense atualmente. Sugira a eles que façam mais pesquisas e apresente vídeos e livros sobre a história do circo.

Observe e acompanhe a participação dos estudantes nas rodas de conversa e estudos, verificando como recebem a opinião dos colegas, como se expressam, se ficam curiosos para saber mais, entre outras observações.

Sugestão para o professor

• CIRCO DI SÓLADIES. São Paulo, c2013-2025. Disponível em: https://circodiso ladies.com.br/. Acesso em: 21 jul. 2025.

Site do grupo Circo di SóLadies | Nem SóLadies. Criado em 2013, o grupo é voltado à palhaçaria e ao feminismo, desenvolvendo uma dramaturgia própria.

26/09/25 13:15

+Ideias

Converse com os estudantes sobre os diferentes tipos de circo na atualidade, mostrando que há circos mais tradicionais e outros mais tecnológicos. Há circos que ainda conservam a tradição

• DOCUMENTÁRIOS: “Uma pirueta pela história do circo”. Publicado por: Rádio e TV Justiça. 2019. 1 vídeo ( ca. 28 min). Disponível em: https://youtu.be/k_pn 250GBRA. Acesso em: 21 jul. 2025.

Documentário sobre a história do circo que apresenta aspectos e expressões que marcaram a cultura da palhaçaria e de outras artes do circo.

BNCC

Habilidades: EF15AR18 e EF15AR19.

TCT: Conhecer as profissões ligadas ao circo, em geral, e à palhaçaria em particular permite o desenvolvimento do TCT Economia. A questão da aprendizagem dos ofícios de circo com os mais velhos e a longeva atuação dos palhaços inclusive quando idosos permite desenvolver o TCT Cidadania e Civismo. A relação entre humor e qualidade de vida permite o desenvolvimento do TCT Saúde.

ENCAMINHAMENTO

A organização da sala de aula pode ser a mesma de situações de aprendizagem anteriores.

Aqui é proposto o estudo da arte da palhaçaria no exercício de explorar a figura do palhaço. Fazer rir é uma profissão muito antiga. A figura do palhaço já existia na China antiga, e há relatos históricos mostrando sua influência em decisões de poderosos imperadores. A tradição do circo oriental, principalmente na China antiga, sempre esteve mais ligada à arte dos movimentos acrobáticos, desafiando a força, o equilíbrio e a elasticidade do corpo. Essa tradição ainda é preservada no circo chinês contemporâneo.

Nas propostas 1 e 2 , incentive os estudantes a levantar hipóteses interpretativas sobre a palhaçaria. No item c da proposta 1 , ressalte aos estudantes que o artista humorista nunca pode desrespeitar, constranger ou disseminar preconceito ou violência. Ao abordar os Palhaços Sem Fronteiras, converse sobre a relação entre emoção, saúde mental e qualidade de vida. Contextualize que o grupo atua em locais onde há algum tipo de vulnerabilidade, como períodos de

DIÁLOGOS

A profissão de fazer rir

Você sabia que existem muitos profissionais trabalhando para que um espetáculo circense aconteça? Há iluminadores, sonoplastas, montadores, malabaristas, equilibristas, mágicos, músicos e também palhaços e palhaças!

Sonoplasta: pessoa responsável pelos efeitos sonoros do espetáculo.

Montador: pessoa responsável por montar e desmontar a estrutura do espetáculo.

Uma das mais importantes artes circenses é a de fazer as pessoas rirem. Faz muito tempo que existem profissionais dedicados a essa arte e ofício, como o palhaço Piolin. Essa é a arte de palhaçar!

Palhaço Piolin em uma apresentação no município de São Paulo, estado de São Paulo, em 1967.

Para ser um palhaço ou uma palhaça, é preciso estudar e se profissionalizar. Geralmente, os artistas mais experientes ensinam as novas gerações de palhaços e palhaças. Outra forma de se profissionalizar é participar de uma escola de circo, onde têm aulas de palhaçaria. Essas escolas estão espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Será que existe alguma no município onde você mora?

1. a) Os palhaços e as palhaças, geralmente, se encontram com outros

QUEM É?

Piolin (1897-1973) era o nome artístico de Abelardo Pinto. Ele nasceu no interior do estado de São Paulo, dentro de um circo. Piolin é considerado um dos mais importantes palhaços brasileiros.

palhaços mais experientes que compartilham seus conhecimentos sobre a palhaçaria. Outra forma de estudar é frequentar uma escola de circo e palhaçaria.

1 Escreva suas ideias sobre as questões a seguir no caderno.

a) Onde os palhaços e as palhaças estudam?

b) O que você pensa da profissão de palhaço?

1. b) Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes apresentem suas opiniões a partir de suas vivências com esses profissionais.

c) Como você acha que o palhaço consegue nos fazer rir?

1. c) Espera-se que os estudantes comentem que o palhaço nos faz rir falando coisas engraçadas; fazendo gestos faciais, como caretas; tropeçando; caindo ou rolando no chão; e também com suas roupas e acessórios que podem ser surpreendentes.

estiagem, disseminação de doenças, falta de alimentos e remédios, situações de violência ou guerras. A missão dos Palhaços Sem Fronteiras é levar alegria para as pessoas desses lugares, principalmente as crianças.

A proposta 3 envolve a participação de familiares ou responsáveis em uma pesquisa, então é importante orientá-los sobre o uso de sites na internet que apresentam textos ou documentários sobre o tema. Na sala de aula, proponha aos estudantes que compartilhem suas pesquisas e conversem sobre o autocuidado, refletindo sobre como rir pode fazer bem para a saúde.

Apresentar as profissões relacionadas ao circo permite o desenvolvimento do ODS 8: trabalho decente e crescimento econômico. Destacar a relação entre humor e qualidade de vida permite o desenvolvimento do ODS 3: saúde e bem-estar.

+Ideias

Organize os estudantes em duplas ou pequenos grupos e oriente cada grupo a pesquisar um tema relacionado ao circo. Com base em um breve histórico sobre a história circense, escolha com a turma algumas possibilidades.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

Os artistas que estudam e se dedicam à arte da palhaçaria se apresentam em circos, teatros, praças, programas de televisão, na internet, entre outros lugares.

Mas você sabia que alguns desses artistas também se apresentam em locais onde um pouco de alegria ajuda a viver?

Você já ouviu falar do projeto Palhaços Sem Fronteiras ?

Vamos conhecer?

Projeto Palhaços Sem Fronteiras em apresentação no município de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, em 2024.

QUEM É?

Palhaços Sem Fronteiras é uma organização não governamental (ONG) que trabalha em vários países, inclusive no Brasil. Por meio da palhaçaria, eles levam alegria onde muitas vezes as pessoas estão tristes por causa de dificuldades relacionadas à saúde, à fome, à moradia, a problemas climáticos, à situação econômica, à violência e às violações dos direitos humanos, por exemplo.

2 O que você sente quando dá uma boa risada?

Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes apresentem as sensações que sentem ao rir. É importante acolher todas as manifestações deles.

3 Para conhecer mais sobre os profissionais que trabalham no circo, convide seus familiares e pesquise sobre o tema em livros, jornais, revistas ou na internet. Procure acompanhar o roteiro de pesquisa a seguir.

Realize uma curadoria digital com indicações aos estudantes e às famílias para fazerem as pesquisas em fontes confiáveis sobre o tema, como nos seguintes sites:

a) Quais profissões vocês encontraram? Faça uma lista.

b) Onde os profissionais atuam? Como se vestem? Usam algum adereço ou figurino?

c) Compartilhe suas descobertas com os colegas e o professor. https://www.instagram.com/palhacossemfronteiras/; https://www.palhacossemfronteiras.org.br/, https://mundodocircosp.com.br/obras/7/ (acesso em: 3 jul. 2025).

Durante a Antiguidade (de 3000 a.C. a 476 d.C.) foram criados locais para festivais de arte circense em Roma. Os espaços em que os artistas se apresentavam ficaram conhecidos inicialmente como arenas e, depois, como teatros de arena. Com o passar do tempo, os artistas começaram a se apresentar em ruas e praças. Foram criadas tendas enormes feitas de lona, com um palco em forma de picadeiro (área central e circular reservada às apresentações dos artistas). Na Idade Média (séculos V a XV), surgiu a ideia do circo itinerante, que viaja fazendo apresentações.

55

cializadas, inclusive mantidas pelo poder público, como a Escola Nacional de Circo da Funarte — Luiz Olimecha (Enclo), procurada por estudantes brasileiros e de outros países da América Latina. Todavia, o ofício sempre foi aprendido por meio da troca intergeracional, dos mais velhos para os mais novos, como nas famílias de pessoas romani (ciganas) de tradição circense. Em outros contextos também eram (e são, em muitos casos) os mais velhos que transmitiam (e transmitem) o legado, oralmente e de forma prática.

Sugestão para o professor

• DOUTORES DA ALEGRIA. São Paulo, c2025. Disponível em: https://doutores daalegria.org.br/. Acesso em: 9 set. 2025.

Site dessa organização sem fins lucrativos que leva a arte da palhaçaria a hospitais, proporcionando alegria a crianças, adolescentes e outros públicos em situação de vulnerabilidade.

• SILVA, Erminia. Palhaço Piolin e suas histórias. São Paulo: Galpão do Circo, 6 out. 2009. Disponível em: https://galpaodocirco.com. br/noticias/palhaco-piolin -e-suas-historias/. Acesso em: 9 set. 2025.

Essa matéria trata da relação do palhaço Piolin com os modernistas e seu desejo de fundar escolas de circo e profissionalizar a área.

27/09/25 13:07

No século XVIII, nasceu a ideia de circo como conhecemos hoje, com o inglês Philip Astley (1742-1814), considerado o criador do circo moderno. Nos dias atuais, há circos com diferentes formas: os que se apropriam das novas tecnologias; os que exploram mais as artes cênicas, com palhaços, shows musicais e encenações; entre outros.

O ofício de palhaço e de outros artistas e técnicos ligados ao mundo do circo se especializou e conta com registro profissional em carteira, com organizações em cooperativas e sindicatos. Para aprendê-lo há escolas espe-

• SUA Majestade Piolin. Publicado por: Blog Novidades OnLine: Domingos Netto. 2025. 1 vídeo (ca. 12 min). Disponível em: https: //www.youtube.com/wat ch?v=8dBYX2BKxEE. Acesso em: 9 set. 2025.

Filme dirigido por Suzana Amaral Rezende, em 1971, sobre o palhaço Piolin, com imagens, vídeos e falas do próprio Abelardo Pinto.

BNCC

Habilidades: EF15AR04, EF15AR20, EF15AR21 e EF15AR26.

Organize-se

• Para esta proposta, providencie antecipadamente riscadores coloridos, tesoura com pontas arredondadas e folhas de papel avulsas.

ENCAMINHAMENTO

Separe os materiais que serão utilizados no fazer artístico. Prepare o espaço e combine como será o uso dos materiais, sobretudo da tesoura, que deve ser usada com cuidado.

Levante os conhecimentos prévios dos estudantes e sensibilize-os para o estudo do assunto desta seção. Vale lembrar que a palhaçaria é sempre citada como arte de palhaços e palhaças, reforçando os princípios do ODS 5: Igualdade de gênero.

Em roda de conversa, peça aos estudantes que expliquem como caracterizariam a cara de um palhaço por meio do desenho: como desenhariam a boca, os olhos e o nariz? Converse com eles sobre as possíveis diferenças entre traços e cores, as diferentes opiniões, e valorize as preferências e a individualidade.

Em seguida, proponha aos estudantes que criem, em folhas de papel avulsas, vários esboços para experimentar possibilidades de expressões fisionômicas de caras de palhaços. Vale lembrar que a maquiagem do palhaço é muito especial e pode variar de acordo com a origem cultural, o gosto ou a intenção do artista. Peça a eles que

ARTE-AVENTURA Minicara de palhaço

Os palhaços e as palhaças têm um jeito todo especial de ser. Seus gestos, suas maneiras de brincar, falar, agir e se vestir os tornam diferentes.

As roupas que os palhaços usam são bem coloridas, mirabolantes e exageradas!

Observe a imagem a seguir e veja quanta palhaçada tem nos detalhes em destaque.

1. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes se expressem a partir de suas experiências com as artes circenses, em especial a da palhaçaria. Espera-se também que relatem como percebem o visual do palhaço vivido por atores e atrizes que se dedicam a essa arte. Ressalte que não existe um padrão, cada artista cria seu personagem a partir de sua intenção, estética e poética pessoal.

quer palhaçar?

1 Você já viu um palhaço ou uma palhaça com roupas e maquiagem diferentes da imagem anterior? Se sim, o que tinha de diferente? Compartilhe seu texto com os colegas. Você vai descobrir como existem muitos palhaços diferentes.

A maquiagem do palhaço é especial. Ela pode variar de acordo com a origem cultural, o gosto ou a intenção do artista.

Agora, que tal você montar uma minicara de palhaço e brincar com os colegas?

recortem um furo para encaixar a folha no nariz e usem vários riscadores, além de papéis de diversos tipos como suporte. É importante fazer experiências e ver quantas expressões é possível fazer nas caras de palhaços criadas.

A pintura facial do palhaço moderno tem suas raízes em Clown Joey, palhaço vivido por Joseph Grimaldi (1778-1837), na Inglaterra. Ele trouxe muito da commedia dell’arte para seu palhaço, encenado com maestria de panto -

mimas. Sua maquiagem consistia em pintar o rosto todo de branco, acentuar lábios (e por vezes também as laterais do rosto) com a cor vermelha e as sobrancelhas com cor escura. Dele se origina o palhaço branco, um dos tipos populares no Brasil. O outro tipo que geralmente faz dupla com o branco é o palhaço augusto (ou vermelho), cuja origem aponta para a Alemanha.

Em contraposição ao branco, o augusto é

Quem

MATERIAIS

riscadores coloridos

COMO FAZER

tesoura com pontas arredondadas

1. Recorte uma folha de papel de modo que ela fique menor que seu rosto.

2. Faça um furo no meio da folha para encaixar o nariz.

Dica: você pode fazer fotografias e filmagens para registrar este momento divertido!

folhas de papel avulsas

3. Em volta do furo, desenhe uma minicara de palhaço com olhos, sobrancelhas, boca e todos os detalhes que quiser. Faça uma cara bem engraçada!

4. Depois, é só colocar no nariz e se divertir com os colegas.

menos sofisticado, sua maquiagem é mais colorida e traz o clássico nariz vermelho. A maquiagem enfatiza os tipos do branco (mais elegante e autoritário) e do augusto (desastrado e rebelde), uma dupla consagrada nos picadeiros brasileiros.

Para avaliação, combine com a turma como serão feitos os registros das propostas de ação criadora (processos e produção). Suge-

re-se criar registros com filmagens, gravações de áudio ou depoimentos dos estudantes ao brincar com as minicaras de palhaços.

13:15

+Ideias

O artista Alexander Calder se interessava em criar projetos bem divertidos. De uma pequena folha de papel ele fazia uma máscara de palhaço com um círculo vazado para

encaixar o nariz. Também criava esculturas de equilibristas, trapezistas e bichos, como leões, focas e cavalos. Os circos de hoje, para proteger e respeitar os animais, geralmente não fazem mais apresentações com bichos. Mostre aos estudantes as produções de Calder como um momento de nutrição estética.

Sugestão para o estudante

• POSTHUMA, Sieb. O arame de Alexandre. São Paulo: Editora 34, 2015. Inspirado na vida e nas obras do artista Alexander Calder, o livro apresenta uma proposta de criação poética, convidando o leitor a criar com a materialidade do arame. Com um pouco de arame e muita imaginação, o autor mostra como se criam esculturas fantásticas.

Sugestão para o professor

• CALDER. Nova York, c2025. Disponível em: https://cal der.org/archive/all/works/. Acesso em: 10 set. 2025. O site apresenta o universo lúdico do artista Alexander Calder com a obra O circo de Calder e outros trabalhos.

• SENA, Jonathan Brites; OLIVEIRA, Natassia Duarte Garcia Leite de. (Trans)formações do palhaço: breve história dos tipos clássicos da palhaçaria. Urdimento: Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 2, n. 41, p. 1-22, 2021. Disponível em: https://periodicos. udesc.br/index.php/urdi mento/article/view/19977. Acesso em: 10 set. 2025. Esse artigo traz uma breve história dos tipos de palhaço, suas origens, seu desenvolvimento e sua presença na palhaçaria brasileira.

BNCC

Habilidades: EF15AR04, EF15AR18, EF15AR19, EF15AR20, EF15AR21, EF15AR22 e EF15AR23.

TCT: A família tem um papel a desempenhar na construção do palhaço, o que permite desenvolver o TCT Cidadania e Civismo.

ENCAMINHAMENTO

Na proposta 1 , ofereça riscadores e oriente os estudantes na criação do desenho do personagem de palhaço imaginado.

Na proposta 3, levante os conhecimentos prévios dos estudantes e sensibilize-os com perguntas como: vocês já brincaram de ser palhaço? Já brincaram de fazer caras e bocas? Que tal imitar caras de palhaços? E os gestos dos palhaços e palhaças, como são? Vamos brincar? Como vocês seriam se fossem um palhaço ou uma palhaça? Explique o processo de criação entre observar e criar, retomando os três aspectos da criação: observação, memória e imaginação.

Aproveite o momento da proposta 3 para conversar sobre o respeito e a ética que se deve ter em situações que podem parecer cômicas na escola ou fora dela, evitando atitudes que possam desencadear bullying

Lembre-os de que na arte da palhaçaria existe ética, profissionalismo, muito estudo e respeito ao observar o jeito das pessoas na criação de personagens.

+Ideias

Mesmo que o palhaço seja um personagem de fazer rir, o estudo de sua poética é coisa séria. Pesquise mais o tema com os estudantes e crie um sarau sobre a arte da palhaçaria na escola.

ARTE-AVENTURA E o meu palhaço, como é?

Será que antes de palhaçar o ator ou a atriz imagina e estuda para criar seu personagem?

Crie um personagem inspirado na arte da palhaçaria. Para começar, estude e imagine como seria seu personagem.

1 Em uma folha de papel avulsa, faça um desenho de seu palhaço ou palhaça.

Produção pessoal. Espera-se que os estudantes explorem as características psicológicas e visuais do personagem.

2 A imagem de seu personagem foi criada! Agora, escreva como ele é, como se veste, como brinca e quais objetos ele usa para palhaçar. Solte sua imaginação!

Resposta pessoal. Ao investigar como será o personagem,

os estudantes podem decidir como ele fala, como se movimenta e como se comunica por gestos, expressões faciais e corporais.

3 Você já tem informações sobre seu personagem. Chegou a hora de dar vida a ele! Siga estes passos. Veja orientações em Encaminhamento.

1. Convide os familiares para ajudar você a encontrar roupas largas, chapéus e outros acessórios para compor seu personagem.

2. Experimente com eles os movimentos, as expressões, a voz e o jeito de falar de seu palhaço.

3. Depois, compartilhe seu personagem com os colegas da turma.

Outra possibilidade é entrevistar um palhaço de verdade. A turma pode tentar realizar uma entrevista com uma palhaça ou um palhaço conhecido ou até mesmo tentar o contato através das redes sociais com sua supervisão, por exemplo.

Sugestão para o professor

• A FUNÇÃO do improviso e da palhaçaria na humanidade. Publicado por: Palhaça Rubra. 2023. 1 vídeo (ca. 62 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=G7cfyDWOZ0I. Acesso em: 10 set. 2025.

Live realizada por Lu Lopes, a Palhaça Rubra, que conversa com sua mestra Cristiane Paoli Quito sobre improviso e palhaçaria, passando pela formação em palhaçaria e refletindo sobre as próprias trajetórias.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
CRIS GOMES

ARTE EM PROJETOS

Palhaços

e palhaças em cena

Vamos inventar cenários e figurinos para contar histórias na arte da palhaçaria?

MATERIAIS

• Para compor os cenários: placas de papelão, folhas grandes de papel, riscadores, tintas, pincéis, tecidos e outros materiais.

• Para os figurinos: vale a improvisação! Explore o uso de peças de vestuário, chapéus, sapatos coloridos, entre outras peças.

• Para a maquiagem: ela é importante na arte da palhaçaria, mas o material deve ser atóxico. Por isso, peça orientação a um adulto.

COMO FAZER

1. Combinem a história que vocês querem encenar. Escolham a forma de encenar, quem serão os atores palhaços, onde a história vai se passar, entre outros detalhes.

2. Façam esboços para estudar cada cena, cenário, maquiagem e figurino. Inventem formas e características para cada personagem.

Dica: a história pode ser cômica, mas não pode conter mensagens preconceituosas ou que incitem a violência, porque isso não tem graça nenhuma. Consulte os familiares e o professor sobre as escolhas de piadas, charadas ou trechos de músicas que possam fazer parte da história.

3. Discutam qual é a melhor forma de contar a história.

4. Organizem o que cada um vai fazer.

5. Nas encenações, explorem cada parte do corpo, como a entonação e a projeção de voz, e a expressão corporal com movimentos e gestos. Seu corpo é expressivo e teatral. Com ele, vocês fazem cada parte de sua arte!

ESTA É A MINHA ARTE!

Peçam para alguém filmar as cenas para a turma rever as apresentações. Vocês também podem criar desenhos de figurinos e fazer uma exposição.

BNCC

Habilidades: EF15AR04, EF15AR18, EF15AR19, EF15AR20, EF15AR21, EF15AR22 e EF15AR23.

Organize-se

• Para as propostas, providencie antecipadamente: placas de papelão, folhas de papel grandes, riscadores, tintas, pincéis, tecidos e outros materiais que serão usados para compor cenários. Para os figurinos, providencie peças de vestuário, chapéus, sapatos coloridos, entre outras peças, e materiais de maquiagem que sejam atóxicos.

Na proposta das encenações na seção Arte em Projetos, ajude os estudantes a estabelecer um roteiro para improvisar as histórias. Se for possível, promova uma organização do espaço de forma que se configure como um picadeiro. Combine com a turma que todos serão aplaudidos coletivamente ao final de toda a mostra de improvisos (e não ao final de cada apresentação).

Contextualize que a improvisação é o ato de experimentar e criar cenas, ações ou diálogos. A improvisação é algo que pode ser bastante complexo, variando de uma experimentação com base em certas guias, estímulos, provocações, imagens, textos, situações ou roteiros, até a improvisação como a própria forma de apresentação. Na palhaçaria tradicional, com sua interação com o público, é essencial que palhaços e palhaças sejam bons improvisadores, pois estão lidando constantemente com acasos e imprevistos, respondendo às ações e às reações da plateia.

Alguns elementos da improvisação são: a prontidão, pois é preciso estar com visão e escuta ativas para acolher o outro e reagir com verdade; o jogo, um dos elementos centrais do teatro, é imprescindível na improvisação, pois é um exercício de interação constante; o foco na ação, cuidando para não travar a cena, mantendo-a dinâmica; consciência do processo coletivo, ou seja, que a improvisação se dá na troca com o outro e o outro é o combustível da ação; presença total, colocando corpo, voz, mente e emoção centrados no aqui e agora.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

Habilidades: EF15AR04, EF15AR19, EF15AR21 e EF15AR22.

Organize-se

• Para esta proposta, providencie antecipadamente: malas, bolsas, sacolas ou caixas, tinta ou maquiagem para usar no rosto, perucas, roupas largas e coloridas, sapatos, chapéus, narizes de palhaço e objetos que possam ajudar a montar figurinos e a fazer as brincadeiras de palhaço. A tinta pode ser feita com materiais alternativos como usar uma pasta com água como base e corante alimentício.

ENCAMINHAMENTO

Oriente os estudantes a trazer os materiais para compor a mala de palhaçaria deles. Eles podem conseguir, com a ajuda dos familiares, malas, mochilas, bolsas ou lancheiras usadas. A mala pode ser feita ainda com uma sacola de papel ou uma caixa de papelão. Podem trazer roupas largas, coloridas, sapatos, chapéus etc.

De acordo com a realidade da turma, avalie a possibilidade de construir a mala individual ou coletivamente. Sugira a eles que personalizem a mala de palhaçaria com pinturas, desenhos ou colagens.

Esse material pode ser usado sempre que a brincadeira de palhaçar acontecer na escola ou quando os estudantes quiserem criar brincadeiras de faz de conta, fazendo apresentações com seus pequenos circos. Eles podem levar a mala de palhaçaria para casa e brincar de palhaçar com os amigos e familiares.

ARTE EM PROJETOS

Minha mala de palhaçaria

Os palhaços e as palhaças se expressam, se vestem e se maquiam cada um ao seu estilo e de acordo com sua proposta artística.

Imagine quantas coisas os palhaços usam para se preparar para as apresentações no circo, no palco de um teatro e em outros lugares! São muitos detalhes que fazem toda a diferença na construção desses personagens tão engraçados.

O que você acha de criar uma mala de palhaçaria? Você pode guardar nela todos os elementos necessários para criar seu palhaço ou sua palhaça. Vamos lá?

MATERIAIS

Combine com o professor e os colegas e traga para a escola:

• uma mala, mas também pode ser uma bolsa, uma sacola ou uma caixa

• tinta ou maquiagem para usar no rosto

• peruca

• roupa larga e colorida

• sapato

• chapéu

• nariz de palhaço

• objetos que possam ajudar a montar o figurino e a fazer as brincadeiras de palhaço

Atenção!

Nem toda tinta pode ser usada como maquiagem. Para saber qual é a tinta certa para usar na pele, peça ajuda do professor ou de outro adulto.

Contextualize que a mala do palhaço é muito mais que um acessório — ela é quase um personagem em si. Em muitas escolas e tradições de palhaçaria, a mala é uma extensão do corpo e da história do palhaço. É seu armário, seu esconderijo, sua casa, seu palco portátil, sua alma em forma de objeto.

A mala pode lhe conferir uma identidade itinerante, como o próprio circo. Pode ser um objeto de cena que, além de mala, é banco, cama, baú do tesouro, tambor, palco em mi-

niatura, caixa de Pandora… A mala pode ser um repositório de memórias da palhaça ou do palhaço, inclusive de momentos desfavoráveis de sua história, podendo configurar um espaço íntimo compartilhado diante do público e com o público (e eventualmente as fragilidades, as contradições e as fantasias da personagem). A mala pode guardar objetos que se transformam durante o improviso, como um guarda-chuva que vira antena parabólica. Para a realização de uma avaliação proces-

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

1. Coloque o que você escolheu em uma mala e escreva nela: Minha mala de palhaçaria.

2. Depois de tudo arrumado, combine com o professor um dia para brincar de palhaçar.

3. Prepare uma cena para apresentar aos colegas.

4. O material de sua mala de palhaçaria será usado sempre que a brincadeira de palhaçar acontecer na escola.

Dica: você pode se juntar a um colega para criar uma cena. Divirtam-se!

1 Com seus familiares, pesquise em livros piadas ou charadas que possam ser contadas pela arte da palhaçaria. Lembre que deve selecionar apenas aquelas que não têm conteúdo preconceituoso nem incitam a violência. Piada desrespeitosa não tem graça!

sual, é importante considerar desde a sondagem, as rodas de conversa, até as práticas, observando se os estudantes se expressam de maneira crítica e investigativa ou não, quais dificuldades ou facilidades demonstraram ao longo das situações de aprendizagem e se desenvolveram conhecimentos acerca dos temas propostos.

É interessante observar se os estudantes compreenderam a temática abordada e ainda a interação em grupo e o trabalho colabo -

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rativo nas propostas. Combine com a turma como serão feitos os registros das propostas de ação criadora (processos e produção). Crie registros com filmagens, gravações de áudio ou depoimentos. Também é possível produzir desenhos como registros das experiências vividas para um portfólio físico.

+Ideias

O jogo de teatro com improvisação é uma forma de criação artística que mostra que aprender e criar podem ser processos diverti-

dos e prazerosos. Para propor aos estudantes um jogo teatral relacionado à palhaçaria, é preciso fazer alguns combinados antes: Quem serão os jogadores? (Combinar um grupo de quatro a seis estudantes por vez; os demais serão a plateia.) Qual é a proposta? (O grupo terá uma situação para resolver.) Quais serão as regras? Qual será a duração do jogo? (Combine um tempo de, geralmente, 5 a 10 minutos.) Qual será o problema que vai gerar a improvisação? (Traga objetos, adereços, roupas e coloque-os dentro de uma caixa. Eles podem ajudar a resolver os problemas e a construir um personagem.)

Sugestão para o professor

• MALA do palhaço. Publicado por: Canal dos Doutores da Alegria. 2020. 1 vídeo (ca. 1 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=RSvVrwCqJQ4. Acesso em: 10 set. 2025. Essa animação dos Doutores da Alegria traz o doutor Mané tirando de sua mala de palhaço o figurino ideal para a Besteirologia.

• PALHAÇARIA exibe as cenas mais divertidas com os palhaços. Publicado por: TV Brasil. 2019. 1 vídeo (ca. 28 min). Disponível em: https: //youtu.be/SlhGj_DpfKo. Acesso em: 10 set. 2025. O vídeo mostra ações artísticas em espaços culturais ligados ao circo e à arte da palhaçaria.

• PALHAÇO Filomeno em “A mala”. Publicado por: Ator Luan Silva. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: https: //www.youtube.com/wat ch?v=3kYQfO32smc. Acesso em: 10 set. 2025. O ator Luan Silva transforma a mala do palhaço Filomeno no motivo principal da cena.

BNCC

Habilidades: EF15AR08, EF15AR09 e EF15AR12.

TCT: O trabalho com o corpo, mesmo quando o foco é estético e poético, colabora com a saúde física, mental, emocional ou social, relacionando-se ao TCT Saúde. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS), no preâmbulo de sua Constituição, apresenta o seguinte princípio: “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença” (CONSTITUTION. Genebra: OMS, c2025. Disponível em: https://www.who.int/about/ governance/constitution. Acesso em: 10 set. 2025. Tradução nossa).

ENCAMINHAMENTO

A ambiência neste momento é voltada à leitura de imagem e de texto. Uma vez que o foco é a linguagem da dança, proponha uma leitura com movimento. Os estudantes podem levar seus livros para uma área aberta da escola ou sala com espaço livre, que pode ser, inclusive, a sala de aula regular, ajustada para a situação de aprendizagem (carteiras e cadeiras afastadas para abrir espaço para o movimento). A turma pode se sentar no chão em roda ou ocupar o espaço de diferentes maneiras.

A cada etapa da leitura ou sempre que considerar interessante, instigue os estudantes a se movimentar, impulsionados seja pelas imagens, seja pelo texto, seja pelas perguntas mediadoras, seja pela conversação.

Faça a mediação da leitura da imagem com os estudantes por meio de perguntas como: o que vocês estão vendo? Como são os movi -

mentos da dançarina? Como é o lugar onde ela está? E as crianças na ilustração, como são? Quais movimentos elas estão fazendo? O que todos estão fazendo?

Em seguida, leia o texto poético de abertura com os estudantes e faça perguntas mediadoras para aprofundar a leitura. Sugestões de perguntas e propostas de compreender o texto se movimentando: quando vocês se mexem, vocês esticam, dobram e torcem? Quais partes do corpo podem esticar, dobrar e torcer? O corpo tem muitas partes? Quais vocês usam mais? Quais vocês usam menos? Para quais direções seu corpo pode se movimentar? Experimentem esticar e dobrar os braços para diferentes direções. Conseguem perceber diferentes direções para onde seus braços podem se mover?

Dê continuidade à leitura e converse com os estudantes sobre as questões: vocês dançam? De que tipo de dança gostam mais? Permita que se expressem livremente e comente os diferentes tipos de dança.

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Esticar, dobrar e torcer, no texto de abertura, são uma referência direta à Coreologia, desenvolvida por Rudolf Laban em seu estudo da arte do movimento. Essas são as três ações funcionais do corpo que estariam na base de todo movimento possível. Há ainda as ações de esforço principais: recolher e espalhar.

Vale observar que, ao longo do capítulo, destaca-se o protagonismo feminino na linguagem da dança, sem excluir a presença masculina, o que reforça os princípios do ODS 5: igualdade de gênero.

+Ideias

A abertura do capítulo configura tanto uma preparação para o estudo que será desenvolvido quanto uma oportunidade para realizar a sondagem de conhecimentos prévios dos estudantes. Essa sondagem não tem apenas caráter teórico, mas, neste caso específico, aponta também para o conhecimento cinético, repertório corporal e propriocepção (sentido interno que permite ao corpo ter consciência da sua posição e movimento no espaço, sem depender da visão) dos estudantes. Por essa razão, é interessante propor alguma movimentação logo no início deste percurso de aprendizagem e sondar como está o desenvolvimento do pensamento do corpo dos estudantes.

Sugestão para o professor

• KATZ, Helena Tania. Um, dois, três: a dança é o pensamento do corpo. Belo Horizonte: FID, 2005.

A crítica e teórica da dança Helena Katz defende por meio de teorias semióticas, evolucionistas e das ciências cognitivas a dança como forma complexa de pensamento do corpo.

• RENGEL, Lenira Peral et al Elementos do movimento na dança. Salvador: UFBA, 2017. Disponível em: https:// repositorio.ufba.br/handle/ ri/26148. Acesso em: 10 set. 2025.

Esse material traz fundamentos da teoria da dança com base no legado de Rudolf Laban. É significativo como material tanto de estudo quanto de consulta. Os estudos propostos neste capítulo são consonantes com as teorias abordadas nele.

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Organize-se

• Mantenha a ambiência da situação de aprendizagem anterior, desde que ela permita a realização de movimentos. Não sendo possível realizar a leitura e os movimentos no mesmo ambiente, combine com os estudantes de fazer a leitura na sala de aula e, em seguida, se deslocar para um espaço mais adequado à experimentação dos movimentos.

ENCAMINHAMENTO

Explore com os estudantes o texto sobre as ações corporais. Convide-os a lê-lo várias vezes, explorando o ritmo do texto (pronunciando lentamente, mais rápido, muito rápido). Eles também podem se movimentar com base no que o texto sugere de movimentos dançados ao mesmo tempo que declamam o texto. Rudolf Laban define ações corporais como atitude e esforço que imprimem qualidade ao movimento. Há uma multiplicidade de ações corporais: pular, rodopiar, rastejar, empurrar, torcer, chutar, morder, expandir… As ações básicas de esforço estão entre as mais conhecidas e exploradas. Elas evidenciam uma atitude diante dos fatores de movimento: tempo, espaço e peso. São elas: torcer, pressionar, chicotear, socar, flutuar, deslizar, pontuar e sacudir.

Levante os conhecimentos prévios dos estudantes e sensibilize-os com perguntas como: vocês já repararam como as pessoas dançam? Que partes do corpo mais movimentam? E vocês, que partes do corpo mais movimentam? Já assistiram a al-

É para movimentar? Vamos lá!

Observe a imagem da bailarina e coreógrafa Andrea Elias . Depois, leia o texto com o professor.

torcer

Essas palavras representam algumas ações corporais. O que mais seu corpo pode fazer?

Dica: convidem os colegas para movimentar o corpo de acordo com as palavras. Depois, experimentem diferentes formas de fazer as ações corporais. Façam o mesmo em casa e continuem experimentando com seus familiares.

QUEM É?

Andrea Elias é bailarina, coreógrafa, diretora e professora de dança. No município do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, ela criou a Companhia de Dança-teatro Xirê, que é uma companhia de dança-teatro para crianças.

Andrea Elias em apresentação no centro da cidade do Rio de Janeiro, estado do Rio de Janeiro, em 2016.

gum espetáculo de dança? A que apresentação assistiram? Gostaram? Conhecem o trabalho de algum dançarino ou dançarina? E de dançarino ou dançarina popular de festas locais? Para a mediação cultural da leitura da imagem de Andrea Elias, os estudantes podem analisar como a dançarina e coreógrafa está dançando. Assim, podem ser feitas as seguintes perguntas: o que será que a dançarina Andrea Elias está fazendo? Ela está inventando uma dança? Está ensaiando? Ou será que está se apresentando? Quais partes do corpo dela estão dobradas? Quais estão esticadas? Quais estão torcidas? Peça aos estudantes

para passar o dedo sobre a imagem e perceber para quais direções as partes do corpo da bailarina estão apontando. A proposta é aprofundar o estudo do movimento na dança, enfocando as partes do corpo, as direções e a interação entre os estudantes. Oriente os familiares ou responsáveis quanto à realização de movimentos dançados em casa: os locais devem ser amplos e seguros, livres de objetos ou móveis, para evitar acidentes. Reforce também que os estudantes tomem cuidado para respeitar os limites do próprio corpo e não insistir em movimentos que causem dor ou desconforto.

LUCÍOLAVILELLA
MAURÍCIO

Dança-teatro é uma arte que mistura movimentos dançados com elementos do teatro. Cada espetáculo tem sua poética singular, podendo integrar movimento, gesto, expressões facial, corporal e vocal, entre outras possibilidades.

Quando você dança, quais partes do corpo se movimentam? Quais movimentos essas partes do corpo realizam? Mostre para os colegas os movimentos dançados de seu corpo!

Quando dançamos, nosso corpo se movimenta de muitas formas. Ele dobra, estica, torce, faz movimentos rápidos ou demorados, leves e firmes, que vão para uma ou para muitas direções.

Algumas vezes, uma parte do corpo se move exatamente como a outra. Em outros momentos, fazemos movimentos diferentes com cada parte do corpo.

Observe os movimentos dos corpos nesta imagem.

1 Como você percebe os movimentos da dança nessa imagem?

movimentos dançados que os estudantes descobriram ao explorar as imagens apresentadas. Eles podem desenhar, produzir vídeos, fazer registros fotográficos, realizar miniapresentações e até mesmo narrar suas descobertas para os colegas.

Sugestão para o professor

• “A SAGRAÇÃO da primavera”, por Pina Bausch. Publicado por: Aplauso Brasil TV. 2014. 1 vídeo (ca. 36 min). Disponível em: https://youtu.be/nd_ZCu qYdVE. Acesso em: 10 set. 2025. Cenas da coreografia criada em 1975 por Pina Bausch, com base na obra musical de Stravinsky, para a companhia Tanztheather Wuppertal.

• DANCING at Dusk: A moment with Pina Bausch’s The Rite of Spring. Publicado por: Dublin Dance Festival. 2021. 1 vídeo (ca. 1 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=cwWMmcT4UGY. Acesso em: 10 set. 2025. A versão editada do vídeo em forma de trailer é uma opção para fruição estética em sala de aula. Na descrição do vídeo, há uma ficha técnica detalhada da equipe de gravação e da companhia e seus membros.

• DANCING at Dusk: A moment with Pina Bausch’s The Rite of Spring. Publicado por: Thepostarchive. 2025. 1 vídeo (ca. 39 min). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v= 1QdRxrw-SQc. Acesso em: 10 set. 2025.

65

Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes criem hipóteses interpretativas a respeito dos movimentos apresentados na imagem. Acolha as respostas dadas e proponha um momento de criação de movimentos com base na fotografia.

Prepare momentos de fruição estética com trechos de vídeos da coreografia A sagração da primavera, comparando as duas versões. O balé moderno foi criado inicialmente por Vaslav Nijinsky com base na obra do compositor Igor Stravinsky, no início do século XX. Nessa época, tanto a música quanto a dança causaram polêmica, pois o público que assistiu ao espetáculo estranhou o ritmo irregular da peça.

As coreografias de A sagração da primavera presentes nas imagens das páginas 65 e 66 são adaptações contemporâneas desse espetáculo, criadas por Pina Bausch. Pina mudou a forma como os dançarinos se movi-

mentam no palco e se vestem, mas os movimentos continuam fortes e pesados.

Na questão 1, comente que os dançarinos estão fazendo movimentos em sintonia, mas sem o rigor das danças pré-modernas como o balé clássico e o romântico.

Acompanhe a participação de todos no decorrer da aula e realize sondagens para verificar os interesses dos estudantes, a fim de integrá-los às propostas futuras.

+Ideias

Você pode combinar com a turma diferentes formas de registros para acompanhar os

Filmado enquanto o mundo entrava no isolamento decorrente da pandemia de covid-19, o filme captura o último ensaio de uma companhia especialmente montada com 38 dançarinos de 14 países africanos e documenta um momento único em seus preparativos para uma turnê internacional.

• RENGEL, Lenira. Dicionário Laban. Curitiba: Ponto Vital, 2015.

Esse livro apresenta diversos verbetes que auxiliam na compreensão das ideias de Rudolf Laban.

Espetáculo A sagração da primavera, da Companhia Ballet Ópera de Paris, em Paris, França, em 2010.

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ENCAMINHAMENTO

Recomenda-se a leitura das páginas 64 e 65 para a continuidade do estudo na página 66.

Na página 67, propõe-se estabelecer diálogos entre Matemática e Arte, tratando dos conceitos de figura geométrica e movimento simétrico e explorando o conceito de simetria espelhada. Fale sobre os diferentes tipos de triângulo e retome o nome de cada um deles.

Converse com os estudantes sobre os conceitos de simetria na dança e nas artes visuais. Proponha que observem as imagens e experimentem esses movimentos. Eles podem comparar a simetria espelhada em seus movimentos com formas em objetos e imagens. Você pode ainda propor e orientá-los a fazer registros dos movimentos com filmagens.

Ao trabalhar a proposta 1, espera-se que os estudantes criem movimentos simétricos espelhados e explorem, assim, a expressividade do corpo e os movimentos dançados. Dessa maneira, eles poderão compreender que a simetria espelhada acontece na dança quando um lado do corpo se movimenta da mesma forma que o outro lado.

A proposta 2 é uma experiência de tradução intersemiótica. A ideia é trazer o movimento para o desenho. Acolha e respeite as diferentes formas de tradução em linguagem visual da experiência do movimento dan -

2 Observe a imagem.

a) Como são os figurinos dos dançarinos?

b) Todos os dançarinos estão fazendo o mesmo movimento?

c) O que mais chamou sua atenção na imagem?

d) Experimente fazer os movimentos que você observou nessa cena ou na cena da página anterior. Perceba como seu corpo se movimenta e converse sobre isso com os colegas e o professor.

2. a), b), c), d) Respostas pessoais a partir das hipóteses interpretativas dos estudantes.

DESCUBRA MAIS

• MURRAY, Roseana. Dançam porque não podem voar . Ilustrações: Simone Matias. São Paulo: Elo, 2024. O livro de poemas traz a dança, a música, a brincadeira e outras delicadezas como caminhos para a liberdade e para o encantamento.

çado. É importante ressaltar que toda tradução resulta em uma recriação, com perdas e invenções. Nem a descrição verbal, nem a representação visual, nem qualquer outra forma de abordar a dança será plenamente justa com a vivência dos estudantes na experiência do dançar.

Criar movimentos simétricos exige bastante dos estudantes e pode ser um pouco cansativo o esforço requerido. Trazer uma atmosfera lúdica pode colaborar para não criar tensões. O uso de música para a exploração dos movimentos é bem-vindo, desde que não direcione demasiadamente a experiência. Músicas instrumentais de diferentes gêneros são as mais indicadas. Varie os gêneros musicais durante a exploração dos movimentos (do samba à música eletrônica, da música orquestral clássica ao jazz contemporâneo).

Espetáculo A sagração da primavera, da Companhia Pina Bausch, em 2009.

Simetria na Matemática e na dança

Observe o triângulo a seguir. Ele é um triângulo equilátero

Triângulo equilátero: é aquele que tem os três lados iguais.

Agora, imagine uma linha passando no meio desta forma.

Este triângulo tem duas partes iguais, por isso dizemos que ele tem simetria espelhada.

Simetria espelhada acontece quando uma parte de um elemento ou de um movimento é igual à outra parte.

A simetria está presente na Matemática, mas também na dança.

Observe a imagem a seguir.

Simetria espelhada na dança é quando um lado do corpo se movimenta igual ao outro.

por meio das propostas realizadas individual e coletivamente, por meio dos momentos de fruição e dos registros realizados no caderno.

Sugestão para o estudante

• ACÍN, Eduardo. A sagração da primavera . São Paulo: Folha de S.Paulo, 2008. (Coleção folha concertos e óperas para crianças).

Esse livro apresenta um clássico dos consertos e das peças para balé adaptado para o público infantil.

Sugestão para o professor

• BARBOSA, Ana Mae. Tópicos utópicos . Belo Horizonte: C/Arte, 1998. Coletânea de textos publicados por Ana Mae Barbosa em diferentes épocas, principalmente quando esteve à frente da Direção do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

1 Que tal experimentar fazer movimentos de simetria espelhada com seu corpo? Quais movimentos você pode realizar?

Respostas pessoais.

2 Agora, em uma folha de papel avulsa, desenhe os movimentos que você realizou.

Produção pessoal. Ofereça folhas de papel avulsas, de preferência de grandes formatos, e riscadores para que os estudantes se expressem em desenhos a partir da experiência que tiveram ao realizar os movimentos dançados em simetria espelhada.

A proposta de relacionar desenho e movimento já fora explorada no Brasil por Artus Perrelet, em Minas Gerais, no início do século XX. Suas propostas estavam ancoradas em John Dewey e impulsionavam os estudantes a observar ações corporais provocadas pelo professor.

Ao realizar a tradução intersemiótica entre a experiência da dança e sua expressão visual, recomenda-se seguir este mesmo ca-

minho de atribuição de valor. Não se trata de um desenho no qual o movimento esteja representado, mas de um desenho que esteja consonante com a experiência do movimento.

26/09/25 13:18

Vale destacar que o trabalho com a dança desenvolve o pensamento do corpo, o que envolve um aprimoramento cognitivo que não se limita ao aspecto motor.

Avalie se os estudantes compreenderam os conceitos apresentados e se expressaram isso

• KATZ, Helena Tania; GREINER, Christine (org.). Arte e cognição : corpomídia, comunicação, política. São Paulo: Annablume, 2015. Livro que reúne artigos na conjunção arte, dança e ciência no âmbito do escopo teórico da teoria corpomídia, elaborado, e em desenvolvimento contínuo por mais de 20 anos, por Helena Katz e Christine Greiner.

• VARELA, Francisco. Sobre a competência ética. Lisboa: Edições 70, 1992.

O autor explora o conceito de enação como relação entre ação e agente no processo cognitivo, desde a conexão sensório-motora na cognição explorada por Piaget até as ciências cognitivas, passando pela cibernética e pela filosofia da mente (em especial a desenvolvida por Lakoff e Johnson acerca da embodied mind).

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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TCT: Ao trabalhar danças circulares pode-se desenvolver o TCT Multiculturalismo.

Organize-se

• Sugere-se organizar os estudantes em um espaço amplo da escola, como o pátio, o parque ou uma sala vazia. Se não for possível, organize as mesas e as cadeiras da sala de aula a fim de criar espaços mais livres.

ENCAMINHAMENTO

É sempre interessante iniciar as aulas de dança com aquecimento do corpo e exercícios breves de respiração, práticas que contribuem para a concentração e a preparação dos estudantes para as propostas.

Para a proposta 1, ao realizarem as marcações com giz no piso, deixar claro para os estudantes que esse procedimento só deve ser feito com a autorização prévia dos gestores da escola. No desenvolvimento da etapa 1 , oriente a turma a se movimentar seguindo a linha desenhada, de forma circular, no sentido horário ou anti-horário. Mencione que as danças de roda são exemplos de simetria de rotação. Na etapa 2 , todos realizam movimentos iguais, repetidamente, sempre que dão um passo para o lado, sobre a linha. Assim, criam movimentos dançados explorando a ideia de simetria

Simetrias e movimentos

Que tal aprender outros tipos de simetria nos movimentos dançados? Observe estas imagens e leia as informações.

Simetria de rotação é a repetição do movimento em torno de um eixo de rotação para uma direção, que pode ser para a direita ou para a esquerda, como vemos nas danças de roda.

Simetria de translação é a repetição em intervalos regulares de uma forma ou de um movimento que se desloca em uma direção, que pode ser para a direita ou para a esquerda.

Na dança, podemos tanto realizar movimentos simétricos quanto criar com movimentos assimétricos. Veja a imagem a seguir e leia as informações.

de translação. Na etapa 3, os movimentos são livres, mas pede-se o cuidado para não serem simétricos.

Retome na página 67, em Simetria na Matemática e na dança, as orientações sobre a tradução intersemiótica solicitada na proposta 2

Os movimentos simétricos, tanto de rotação quanto de translação, evocam um aspecto arcaico da dança. É possível encontrar em registros arqueológicos e em povos ancestrais que preservaram suas tradições a presença de danças desse tipo. Quando todos dançam em simetria, evoca-se uma comunhão, um sentido de coletividade.

Movimentos assimétricos são aqueles que não têm simetria. Eles apresentam irregularidade ou descontinuidade nos movimentos.

1 Vamos experimentar esses tipos de movimento e explorar todas as possibilidades de movimento do corpo? Você vai precisar de um giz de lousa e de um espaço amplo. Siga os passos indicados.

1. Usem giz para desenhar um grande círculo no chão e fazer uma marca no meio desse círculo. Criem movimentos dançados e explorem movimentos circulares dentro dessa forma e sobre a linha que a contorna.

2. Façam uma linha reta no chão com giz. Combinem um movimento para que todos realizem repetidas vezes e sempre para a mesma direção. Vocês devem se deslocar sobre a linha enquanto realizam o movimento da direita para a esquerda e, depois, na direção oposta.

3. Agora, dancem e criem movimentos livres e irregulares explorando todo o espaço.

2 Que tipo de movimento você realizou em cada um desses passos? Desenhe os movimentos em uma folha de papel avulsa e escreva o nome de cada um deles.

Espera-se que os estudantes façam desenhos de movimentos simétricos de rotação para o passo 1, movimentos simétricos de translação para o passo 2 e movimentos assimétricos para o passo 3

Avalie a participação, a interpretação, a interação e a criação dos estudantes com base nas proposições sugeridas. Observe se eles perceberam e compreenderam a relação da simetria com a composição em dança, durante a criação dos movimentos dançados, e se compreenderam a diferença entre a simetria de rotação e de translação. Os registros desta aula podem ser feitos por meio de desenhos, fotografias, vídeos, anotações no caderno e rodas de conversa.

+Ideias

Ao trabalhar a simetria de rotação, pode-se explorar ideias de movimento inspiradas em danças circulares diversas. Há danças circulares nas culturas indígenas do território brasileiro e na tradição de diferentes matrizes: a africana, a romani (cigana), a celta, a judaica, a grega, entre outras. O movimento das danças circulares sagradas difundido por Bernhard Wosien também oferece vasto repertório de movimentos que podem ser aproveitados nesta situação de aprendizagem. Uma pesquisa com a expressão dança circular trará diferentes referências em registros videográficos compartilhados na internet.

Sugestão para o professor

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• O QUE são as danças circulares sagradas? Publicado por: Consciência Próspera. 2017. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch? v=GSRbDFCN9kYI. Acesso em: 10 set. 2025. Renata Ramos discorre sobre o que é o movimento das danças circulares proposto por Bernhard Wosien.

OSNEI ROKO
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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Habilidades: EF15AR08, EF15AR09, EF15AR10, EF15AR11 e EF15AR18.

TCT: O estudo da dança-teatro permite desenvolver o TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se manter a ambiência de dança utilizada na situação da aprendizagem anterior. As coreografias da dança-teatro observam os movimentos do cotidiano, trazendo-os para sua arte como movimentos dançados.

Para iniciar a aula, realize com a turma uma expedição pela escola a fim de observar os movimentos cotidianos de estudantes e funcionários. Com base nessas observações, incentive a turma a criar movimentos dançados de diferentes maneiras: com a parte de cima do corpo ou só com as pernas; usando giros, torções/rotações, abaixando e se levantando. O importante é que cada um conheça e respeite os limites do próprio corpo.

Conduza os estudantes nas experimentações de movimento indicadas. São retomadas ideias de movimento das situações de aprendizagem anteriores e trazidas outras tomando por base conceitos de Rudolf Laban, como as ações corporais, os fatores de movimento (fluência, espaço, tempo e peso) e a corêutica (organização espacial dos movimentos), que traz o estudo da cinesfera e do corpo no espaço (veja os vídeos Ações na cinesfera em Sugestão para o professor).

A dança-teatro (Tanztheater, em língua alemã) está na base desta situação de aprendizagem. Ela teve como primeiros expoentes Rudolf Laban (1879-1958), Mary Wigman (1886-1973) e Kurt Jooss (1911-1967). Aqui des -

ARTE-AVENTURA

Movimentos

da dança, movimentos do meu corpo!

Observe estas imagens e preste atenção nos movimentos da dançarina e criadora de dança Sayonara Pereira

Sayonara Pereira, mais conhecida como Sayô, dedica sua vida à dança. Ela tem um jeito próprio de dançar, com grande influência da dança-teatro.

A dançarina brasileira Regina Advento , que você conheceu na abertura deste capítulo, também se dedica à dança-teatro.

Outra dançarina muito importante da dança-teatro foi a alemã Pina Bausch .

QUEM É?

Sayonara Pereira (1960-) nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ela é professora, pesquisadora e criadora de dança. Em todos os lugares onde viveu e que visitou, Sayonara Pereira dançou, aprendeu e ensinou dança.

tacamos três mulheres da segunda geração da dança-teatro, Pina Bausch (1940-2009), Reinhild Hoffmann (1943-) e Susanne Linke (1944-). Foi com Linke que Sayonara Pereira desenvolveu sua carreira, passando 19 anos com ela, em Essen, na Alemanha.

Outra brasileira que se destacou na dança-teatro foi Regina Advento, que trilhou sua carreira com Bausch. Na nova geração, há outro protagonismo feminino, Henrietta Horn (1968-), que trabalhou com Linke e desenvolveu uma linguagem própria, muitas vezes mais física e contemporânea do que suas predecessoras, e tem uma atuação ativa como

pedagoga e diretora de projetos educacionais em dança.

Observe como os estudantes criam movimentos dançados, podendo fazer filmagens para compor registros para portfólios eletrônicos.

+Ideias

Se possível, assista com os estudantes a trechos de espetáculos de Pina Bausch (preferencialmente com Regina Advento), Susanne Linke, Reinhild Hoffmann e Henrietta Horn. É interessante selecionar previamente trechos de apresentações e entrevistas com as artistas.

MÔNICACARDIM
Sequência de movimentos feita pela bailarina Sayonara Pereira.
MATTHIAS HOFFMANN
SILVIA MACHADO
JOÃO MARIA

QUEM É?

Regina Advento (1965-) nasceu no estado de Minas Gerais. Ela se destacou como bailarina no Grupo Corpo e, depois, em grupos de Pina Bausch, na Alemanha. O trabalho dela é reconhecido mundialmente.

Pina Bausch (1940-2009) foi uma bailarina e coreógrafa alemã. Ela defendia a ideia de que, para dançar, precisamos conhecer nosso corpo e trabalhar nossos gestos e movimentos.

Agora, vamos nos aventurar a dançar? Que tal fazer como Sayonara Pereira e explorar jeitos especiais de mover o corpo? Que movimentos nossos corpos podem fazer? Que danças podemos criar?

Convide os colegas da turma para essa divertida experiência!

Com base nas propostas da dança-teatro, vejam algumas ideias para vocês se movimentarem.

• Explorem como cada parte do corpo pode esticar, dobrar e torcer.

• Observem a velocidade dos movimentos que vocês descobriram. Façam esses movimentos de modo mais rápido ou mais lento.

• Tentem manter as partes do corpo se movimentando de modo igual.

• Mantenham as partes do corpo se movimentando de modo diferente umas das outras.

• Explorem as direções dos movimentos. Façam movimentos para trás, para todos os lados, para cima e para baixo.

• Imaginem que estão dentro de uma bola. Verifiquem todas as direções e todos os movimentos que vocês podem fazer dentro dessa bola.

• Ao dançar, percebam as partes do corpo se mexendo umas com as outras.

Sugestão para o professor

• AÇÕES na cinesfera. Publicado por: Escola de Ballet Sissone Instrutora Lara Rabelo. 2017. 1 vídeo (ca. 4 min). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=LVFSer7aRXw. Acesso em: 10 set. 2025.

Registro de Lara Rabelo sobre a prática proposta de realizar ações na cinesfera no âmbito da graduação em Dança EAD, da UFBA, módulo de Elementos do Movimento na Dança, sob regência de Lenira Rengel e tutoria de Aline Lucena.

• AÇÕES na cinesfera: elementos do movimento na dança. Publicado por: Aline L. 2017. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=qn7bVtA0TSM. Acesso em: 10 set. 2025.

Registro de uma devolutiva comentada de Lenira Rengel acerca da experimentação da cinesfera, colaborando com o entendimento desse conceito e sua prática.

• “EFFEKTE” Susanne Linke 2012. Publicado por: Festival Tokio. 2016. 1 vídeo (ca. 1 min). Disponível em: https://www.youtube.com/wat ch?v=-qbikWJ4JSw. Acesso em: 10 set. 2025.

Fragmento da coreografia Effekte (Efeitos), de Susanne Linke. Material com curta duração para fruição e estudo da dança-teatro.

• PEREIRA, Sayonara. Novas aproximações com a Tanz Theatralidade. OuvirOuVer, v. 11, n. 1, p. 72-87, 2015. Disponível em: https://seer.ufu. br/index.php/ouvirouver/ article/view/32706. Acesso em: 10 set. 2025. Artigo de Sayonara Pereira que traz um panorama reflexivo sobre a dança-teatro.

• SAYO Pereira: II Mostra Projeto Memória: profissionais de Comunicação, Letras e Artes. Publicado por: Canal –FAPCOM. 2023. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=oxeAqW4dcRA. Acesso em: 21 jul. 2025. Nesse vídeo do Projeto Memória (FAPCOM), Sayonara Pereira conta sua trajetória na dança e na educação.

• SOLO mit Sofa: Deutscher Tanzpreis: Choreography Reinhild Hoffmann. Publicado por: Ksenia Ovsyanick. 2023. 1 vídeo ( ca. 1 min). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch? v=3TJCc2tBoT0. Acesso em: 10 set. 2025.

Fragmento da coreografia Solo mit Sofa (Solo com sofá), de Reinhild Hoffmann. Outro material com curta duração para fruição e estudo da dança-teatro.

• TANZTHEATER von Reinhild Hoffmann, Susanne Linke und Henrietta Horn. Publicado por: Bühnen und Orchester Bielefeld. 2012. 1 vídeo (ca. 5 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=DmgFQHJUbAM. Acesso em: 10 set. 2025. Vídeo que traz fragmentos coreográficos de Reinhild Hoffmann, Susanne Linke e, principalmente, Henrietta Horn, da geração posterior a Bausch, Hoffmann, e Linke.

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Habilidades: EF15AR08, EF15AR09, EF15AR10, EF15AR11, EF15AR12 e EF15AR26.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se preparar a mesma ambiência para o dançar utilizada na situação da aprendizagem anterior. Combine com os estudantes que o contato deve ser realizado de forma respeitosa e com cuidado com o corpo do outro, não ultrapassando limites.

Oriente os estudantes a evitar toques em partes sensíveis do corpo, como rosto, olhos e regiões íntimas, respeitando os limites do pudor e do conforto individual. Estabeleça regra clara de consentimento: se alguém pedir para parar o toque, é obrigatório parar imediatamente, sem questionamentos. Estimule o cuidado mútuo, lembrando que a dança é uma forma de expressão coletiva e sensível, que deve ser prazerosa para todos. Observe atentamente as interações durante a proposta, intervindo com respeito e tranquilidade sempre que necessário para garantir o bem-estar dos estudantes.

Promova um momento de conversa antes e depois da prática, em que os estudantes possam expressar como se sentiram e tirar dúvidas sobre os limites do corpo e do toque.

Depois, explore a fotografia, comentando que o nome do espetáculo Entrelace parece dizer algo sobre como os corpos dos dançarinos estão: os corpos estão em contato uns com os outros, como se estivessem entrelaçados. Peça que observem como diferentes partes dos corpos entram em contato com outras enquanto eles dançam.

ARTE EM PROJETOS Espetaculaços

Vamos criar um projeto de dança?

Observe com atenção esta imagem da Cia. de Dança-Teatro Xirê. Você e os colegas vão realizar movimentos parecidos com estes.

Apresentação do espetáculo Entrelace, da Cia. de Dança-Teatro Xirê, no município do Rio de Janeiro, estado do Rio de Janeiro, em 2012.

Agora, que tal descobrir as possibilidades de se movimentar dançando com os colegas?

Sigam os passos da página seguinte e aproveitem para usar todos os movimentos que experimentaram neste capítulo!

Dica: não deixem de explorar os movimentos dançados em simetria espelhada, de rotação, de translação e assimétricos.

Nesta seção, é proposta a criação de uma improvisação. A metáfora do laço, criada pela Cia. de Dança-Teatro Xirê, traz a ideia do contato físico como um vínculo criativo, uma experiência artística que se constrói na interação com o outro. A proposta é entrelaçar os movimentos. Oriente os estudantes a se expressar criando movimentos e combinando os que criaram com os dos colegas.

Peça à turma que forme grupos que mostrem, um grupo por vez, os movimentos mais interessantes, divertidos e diferentes explorados em grupo.

Mostre aos estudantes como as companhias de dança criam nomes para seus espetáculos e como organizam um lugar e um período determinado para se apresentarem. Se necessário, dê a eles algumas referências para ajudá-los a pensar em um nome para o espetáculo, por exemplo: Nossos movimentos, Entrelaçamentos e Movimentos e contatos

1. Explore os movimentos de seu corpo em contato com os movimentos feitos por um colega da turma.

2. Depois, formem um grupo com cinco ou seis colegas.

3. Combinem os movimentos que vocês vão fazer.

4. Explorem as possibilidades de entrelaçamento, unindo os movimentos realizados por todos vocês.

expressões corporais e faciais, os estudantes podem expressar ideias, sentimentos e sensações.

ESTA É A MINHA ARTE!

Com a ajuda do professor, cada grupo deve mostrar o que criou. Definam o dia das apresentações e quanto tempo cada uma vai ter. Os grupos podem apresentar os espetáculos improvisando os movimentos ou podem ensaiar antes. Lembrem de criar nomes para os espetáculos de dança.

Na dança contemporânea, o contato adquire tanta relevância que passa a ser parte do treino, do repertório e da técnica desenvolvida por dançarinas, dançarinos, coreógrafas e coreógrafos. Na década de 1970, o estadunidense Steve Paxton fez um mergulho profundo e elaborou o contato improvisação (contact improvisation). Sua proposta parte da percepção do corpo do outro, como em uma escuta ativa, e do estabelecimento de diálogos e relações por meio do contato físico. Desenvolva com a turma diferentes formas de registro para acompanhar os movimen-

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tos dançados que descobriram e exploraram nesta aula. Os estudantes podem elaborar um texto ou um depoimento; desenhar; fotografar; produzir vídeos, áudios e até mesmo narrar suas descobertas.

É importante que a avaliação contemple algumas reflexões: quais movimentos descobriram? Quais partes do corpo mais exploraram? Como essas partes se mexeram: dobrando, esticando, torcendo, girando? O que descobriram sobre o corpo e os movimentos? Do que mais gostaram no decorrer das aulas? O que acharam das dançarinas e dos dançarinos?

O que pensam sobre suas produções individuais e coletivas? Desenvolveram processos de criação de modo colaborativo? Aprenderam a criar com autonomia e poética pessoal? Relacionam e contextualizam a arte e a vida cotidiana?

+Ideias

O contato corporal é um elemento muito importante na dança. Há jogos teatrais e propostas lúdicas que podem promover o desenvolvimento do contato de forma respeitosa e leve. Por exemplo, solicite aos estudantes que se desloquem no espaço explorando movimentos dançados com foco em esticar, dobrar e torcer. Ao passar por um colega, o estudante escolhe uma parte do corpo para cumprimentá-lo (ponta do pé, cotovelo, ombro, costas, calcanhar, punhos, ponta do dedinho etc.).

Sugestão para o professor

• ENTRELACE ( teaser ). Publicado por: Cia de Dança-Teatro Xirê. 2013. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: https://youtu.be/r2NpPNx zHYU?si=Kq7R07KTidHixF ci. Acesso em: 10 set. 2025. O vídeo mostra um trecho de Entrelace, da Cia. de Dança-Teatro Xirê. Destaca-se a interação das crianças que fazem parte do grupo dançando e criando seus entrelaços.

• LEITE, Fernanda Hübner de Carvalho. Contato improvisação ( contact improvisation) um diálogo em dança. Movimento, v. 11, n. 2, p. 89110, 2007. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index. php/Movimento/article/ view/2870. Acesso em: 10 set. 2025.

Esse artigo traz uma revisão bibliográfica do contato improvisação, abordando seus principais aspectos, temas, discussões e desenvolvimento em diferentes países.

ENCAMINHAMENTO

A proposta 1 traz a leitura de imagem e a expressão visual como forma de recuperar saberes, e ainda a pesquisa como meio de ampliação de estudo sobre o circo. Incentive os estudantes a consultar seus registros e relembrar os estudos sobre palhaçaria. Os estudantes devem criar um desenho no item c de uma das artes circenses pesquisadas, mas não a palhaçaria, que é o tema da criação visual da proposta 2.

As propostas 3 e 4 também trazem a recuperação dos saberes por meio da expressão visual, mas agora sobre simetria e assimetria na dança. Pode ser desafiador para os estudantes a criação de representações simétricas do corpo. Assim, conversar com eles sobre seus desenhos poderá revelar seu entendimento sobre a simetria na dança, ainda que a fala não reflita exatamente o que está desenhado (pode ser que nem todos consigam traduzir visualmente algo que compreenderam com base na experiência sensório-motora).

O item a da questão 5 traz uma pergunta sobre a dança-teatro, cuja definição está na página 65. Para responder a essa questão, primeiro solicite aos estudantes que respondam conforme lhes pareça adequado, o que permitirá identificar como esse conceito foi apreendido por eles. Em um segundo momento, peça que localizem no livro onde está a definição de dança-teatro e comparem suas respostas com essa definição.

Ressalte o fato de que respostas diferentes não significam necessariamente um erro, pois a resposta dos estudantes tende a estar mais ligada à experiência do dançar do que à definição conceitual. Portanto, são formas

PARA REVER O QUE APRENDI

1. a) Respostas pessoais com base no repertório cultural dos estudantes sobre o tema. Espera-se que eles notem os diversos elementos da personagem, como figurino, objetos de cena e expressões faciais e corporais.

1 Observe a imagem a seguir.

a) Descreva o que você percebe na imagem. Como é o figurino da personagem? Que objetos a palhaça utiliza em cena? Como você imagina que acontece essa apresentação? Será que ela é divertida? Escreva suas ideias no caderno.

b) Quais outras artes circenses você conhece? Pesquise uma e anote em seu caderno o que você descobriu.

c) Em uma folha de papel avulsa, crie um desenho sobre a arte circense que você escolheu.

Produção pessoal. Espera-se que os estudantes criem desenhos com palhaços, mágicos, malabaristas, equilibristas ou outros.

2 Em uma folha avulsa, faça um desenho que expresse a arte da palhaçaria. Algumas respostas possíveis são equilibrismo, malabarismo, mágica, entre outras.

Espera-se que, em seus desenhos, os estudantes representem a forma como palhaços e palhaças se vestem, criam sua maquiagem, seus bordões, personagens, textos, enredos e outras características e estilos que marcam sua expressividade e poética.

diferentes de se aproximar de um mesmo objeto, o que incorre em diferentes significações, ou seja, diferentes modos de formular e compreender o mesmo objeto.

O item b da questão 5 aponta para as ações corporais. Conforme já abordado, as ações corporais no escopo teórico de Rudolf Laban envolvem vários aspectos que precisam ser considerados. Essa questão permite diagnosticar se a ideia geral de ação corporal foi apreendida e quais aspectos desse estudo foram mais bem assimilados por cada estudante.

Nesta situação de aprendizagem, são trabalhadas questões avaliativas que colaboram com a identificação do desenvolvimento das habilidades relacionadas aos estudos propostos. Esta não é a etapa principal do processo avaliativo, mas uma parte específica que deve ser compreendida como parte de um percurso maior de aprendizagem.

Apresentação da palhaça Pina Blue, criada pela atriz Fernanda Giacomini, em Florianópolis, Santa Catarina, em 2016.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

3 Crie desenhos mostrando formas dos seguintes movimentos dançados simétricos:

a) simetria espelhada.

b) simetria de rotação.

c) simetria de translação.

Produções pessoais. Retome a ideia de simetria na Matemática e na dança.

4 Agora, crie uma cena com movimentos de dança assimétricos.

Retome a ideia de assimetria nos movimentos dançados.

5 Observe as imagens e, depois, responda às questões em seu caderno.

5. a) Dança-teatro é uma arte que mistura movimentos dançados com elementos do teatro. Cada espetáculo tem sua poética singular, podendo integrar movimento, gesto, expressões facial, corporal e vocal, entre outras possibilidades.

5. b) Espera-se que os estudantes mencionem ações como torcer, pressionar, chicotear, socar, flutuar, deslizar, pontuar e sacudir, ainda que utilizem outros verbos para se expressar. Comente que há ações de esforço, que são recolher e espalhar, as quais se referem à relação dentro-fora do corpo.

a) O que é dança-teatro?

Os registros feitos pelo professor e pelos estudantes configuram um conjunto de objetos que oportunizam um panorama avaliativo. No entanto, é importante relembrar que o desenvolvimento das habilidades não é tecnicamente mensurável dentro de um prazo específico, pois o próprio desenvolvimento cognitivo de cada estudante é singular e não linear. O caráter da avaliação, portanto, não é punitivo ou absoluto, mas uma forma de estabelecer uma visão global sobre impactos, assimilações, aquisições, dificuldades e avanços dos estudantes, de modo a apontar caminhos para o ajuste de rotas, planejamentos e propostas.

b) Quais são as possibilidades de ações e movimentos que seu corpo pode realizar? Faça uma lista.

Sugestão para o professor

• OLIVEIRA, Débora Barbosa de Souza. Avaliação da aprendizagem em Dança. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Dança) – Escola de Belas Artes, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018. Disponível em: https://eba.ufmg.br/ tccs/index.php/danca/ar ticle/view/280. Acesso em: 10 set. 2025.

Nesse trabalho há uma reflexão sobre a avaliação em Dança na escola pública que traz desde autoras consagradas no ensino de dança, como Isabel Marques, até diálogos com teorias da dança contemporânea, como a teoria do corpomídia de Helena Katz e Christine Greiner.

MATTHIAS HOFFMANN
LUCÍOLA
VILELLA

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, abordamos os elementos das linguagens artísticas em seus aspectos conceituais junto a propostas que permitam experienciá-los. A música e o teatro têm destaque neste percurso de aprendizagem. No capítulo 1, o canto, a canção, a notação musical e o cânone são conjugados com a ampliação de repertório e o cuidado com a saúde vocal. Também são abordados elementos da notação musical convencional e possibilidades de notação não convencional. No capítulo 2, a dramaturgia e a montagem cênica em teatro se desdobram no estudo dos trabalhadores do teatro e nos elementos de linguagem relacionados aos seus ofícios. A mímica é explorada por meio de proposições lúdicas e é apresentado um diálogo entre teatro e educação no trânsito.

Objetivos

• Participar de momentos de fruição com leituras de imagens, textos poéticos, dramatúrgicos e letras de música.

• Identificar e usar no fazer artístico elementos da linguagem da música e da linguagem teatral.

• Criar com autonomia, criatividade e poética em diferentes linguagens, participando de ações criadoras na música e no teatro e em suas relações com o texto escrito.

• Identificar, explorar e escolher elementos de linguagem e diferentes materialidades para se expressar em diversas linguagens, com ênfase na música e no teatro.

• Comunicar-se oralmente a respeito das manifestações artísticas das quais mais gostam de se expressar.

• Realizar pesquisas acerca de elementos de linguagem, materialidades, pro -

LINGUAGENS EM COMPOSIÇÃO 3

Cada linguagem tem seus elementos e seu processo de criação. Observe as imagens e leia as palavras. O que elas provocam você a pensar? Converse com os colegas sobre suas expectativas e curiosidades.

1 Vamos procurar estas imagens no livro?

Em seu caderno, escreva o número da página em que você encontrou cada imagem. O que será que vamos estudar?

Como exercício inicial, propõe-se um jogo em que os estudantes buscam as imagens desta abertura dentro

NOTAÇÃO MUSICAL NÃO CONVENCIONAL

da unidade. Instrua-os a observar cada imagem e a ler as palavras. Na roda de conversa, pergunte sobre suas interpretações e seus saberes prévios. Este pode ser um momento potente de avaliação diagnóstica.

cessos de criação e percepções sensoriais, estabelecendo relações entre arte, cultura e vida cotidiana.

BNCC

Competências gerais: 1, 2, 3, 4, 6 e 8.

Competências específicas: 1, 2, 3 e 5.

Habilidades:

(EF15AR13) Identificar e apreciar criticamente diversas formas e gêneros de expressão musical, reconhecendo e analisando os usos e as funções

da música em diversos contextos de circulação, em especial, aqueles da vida cotidiana.

(EF15AR14) Perceber e explorar os elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de jogos, brincadeiras, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musical.

(EF15AR15) Explorar fontes sonoras diversas, como as existentes no próprio corpo (palmas, voz, percussão corporal), na natureza e em objetos cotidianos, reconhecendo os elementos constitutivos da música e as características de instrumentos musicais variados.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

(EF15AR16) Explorar diferentes formas de registro musical não convencional (representação gráfica de sons, partituras criativas etc.), bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual, e reconhecer a notação musical convencional.

(EF15AR17) Experimentar improvisações, composições e sonorização de histórias, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais, de modo individual, coletivo e colaborativo.

(EF15AR18) Reconhecer e apreciar formas distintas de manifestações do teatro presentes em diferentes contextos, aprendendo a ver e a ouvir histórias dramatizadas e cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório ficcional.

(EF15AR19) Descobrir teatralidades na vida cotidiana, identificando elementos teatrais (variadas entonações de voz, diferentes fisicalidades, diversidade de personagens e narrativas etc.).

(EF15AR20) Experimentar o trabalho colaborativo, coletivo e autoral em

improvisações teatrais e processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais.

(EF15AR22) Experimentar possibilidades criativas de movimento e de voz na criação de um personagem teatral, discutindo estereótipos.

(EF15AR23) Reconhecer e experimentar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas.

(EF15AR24) Caracterizar e experimentar brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais.

(EF15LP15) Reconhecer que os textos literários fazem parte do mundo do imaginário e apresentam uma dimensão lúdica, de encantamento, valorizandoos, em sua diversidade cultural, como patrimônio artístico da humanidade.

TCT: Meio Ambiente: Educação Ambiental; Multiculturalismo: Diversidade Cultural; Saúde; Ciência e Tecnologia; Economia: Trabalho.

ENCAMINHAMENTO

Iniciamos os estudos nesta unidade convidando os estudantes a conhecer, fruir e analisar criticamente as práticas e as produções artísticas e culturais desenvolvidas nas artes musical e teatral. Para começar, convide os estudantes a apreciar as imagens e ler as palavras-chave nesta dupla de páginas. Oriente-os a buscar as imagens nas páginas do livro, anotando, em seus cadernos, o número da página em que foram encontradas. O exercício propõe construir hipóteses interpretativas sobre os assuntos que serão trazidos neste momento de estudo da arte.

BNCC

Habilidades: EF15AR13 e EF15AR14.

TCT: Ao abordar o estudo do pássaro canário, abre-se oportunidade para o desenvolvimento do TCT Meio Ambiente. A ampliação de repertório musical permite também o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Organize a sala de aula com a ajuda dos estudantes, criando um ambiente convidativo para os momentos de nutrição estética. Traga áudios do canto de canários-do-reino e da canção Canário-do-reino para os momentos de fruição (ver Sugestão para o professor).

O canário-do-reino (Serinus canaria) é uma ave criada em cativeiro que descende do canário-selvagem das Ilhas Canárias (donde deriva seu nome), Açores e Madeira. O sufixo “do-reino” é uma referência de sua origem, pois foi trazido ao Brasil desde o Reino de Portugal. O macho é conhecido por seu canto melodioso, usado tanto para marcar território quanto para atrair fêmeas. Seu canto varia conforme a linhagem. Diferentemente do canário-do-reino, que é uma espécie exótica (não nativa do Brasil), temos o canário-da-terra ( Sicalis flaveola), que é brasileiro e vive tanto solto na natureza quanto em cativeiro. Em roda de conversa, peça aos estudantes que observem as imagens e a letra da canção Canário-do-reino, de Antônio Carlos de Carvalho e Gerson Abatte (Carvalho e Zapatta). Pergunte a eles se já viram um canário, se já ouviram o canto desse pássaro e como é esse canto. Neste momento, é interessante propor a escuta de áudios do canto de canários-do-reino seguidos da música. Propo -

CANÇÃO: LETRA E MELODIA

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nha aos estudantes que cantem acompanhando a letra.

Apresentamos aqui um arranjo original dessa canção brasileira. Ela é introduzida por um violino e interpretada por duas vozes, uma feminina e outra masculina, que se alternam nas repetições das estrofes, mas em alguns momentos elas também cantam juntas, em uníssono. O acompanhamento instrumental é feito por violino, contrabaixo, flauta, bateria e percussão.

Após a escuta da música, converse com os estudantes sobre as características dessa canção. Se possível, proponha a eles a escuta de diferentes versões dessa canção. Durante

a escuta, instigue os estudantes a identificar o ritmo e a melodia de cada versão da canção.

Pode-se investigar o universo musical dos estudantes pedindo a eles que indiquem canções que conhecem e das quais lembram a letra e a melodia. Proponha uma conversa para que os estudantes compartilhem as respostas.

Ao final, sugira que os estudantes registrem nos cadernos o que acharam da música e proponha que escrevam ou ilustrem os sons do canário-do-reino.

Sugerimos a construção de um portfólio em que se explorem as linguagens desenvolvidas no percurso. Para a música, crie

VENHA OUVIR E CANTAR!

Você conhece a canção Canário-do-reino?

Vamos ler estes versos com o professor?

Canário-do-reino

Não precisa de dinheiro pra se ouvir o meu canto

Eu sou canário-do-reino

Canto em qualquer lugar

1a vez: Grupo 1 2a vez: Grupo 2

Em qualquer rua de qualquer cidade

Em qualquer praça de qualquer país

Levo o meu canto puro e verdadeiro

Eu quero que o mundo inteiro

Se sinta feliz

Cau ê, cau á

– Grupo 1

Oportunize vários momentos de nutrição estética na apreciação dessa canção. Apresente outras versões da canção para que os estudantes possam explorar interpretações diversas da mesma canção. Oriente os estudantes a escutar, aprender a letra da canção e cantar dividindo a turma em dois grupos e acompanhando as propostas previstas para o Grupo 1 e 2.

– Grupo 1 – Grupo 2

Grupos 1 e 2

Não precisa de dinheiro pra me ouvir cantar

Cau ê, cau á...

– Grupo 1

– Grupo 2

Eu sou canário-do-reino, canto em qualquer lugar

– Grupos 1 e 2

CANÁRIO-DO-REINO. Intérprete: Tim Maia. Compositores: Antônio Carlos de Carvalho e Gerson Abatte (Carvalho e Zapatta). In: TIM Maia. Rio de Janeiro: Polydor, 1972, faixa 4. Copyright © 1972 by Editora Musical Corisco Ltda.

Agora, que tal cantar Canário-do-reino? Ouça o áudio.

Vamos espalhar seu canto puro e verdadeiro por todo lugar? Venha ouvir e cantar!

portfólios sonoros, registrando os momentos de exploração de instrumentos, sessões de cantorias e apreciação musical, por meio de fotografia, gravações de áudio e vídeo. Os registros são uma importante ferramenta para a avaliação e definição de novas rotas a serem tomadas em novos projetos e percursos de aprendizagem.

+Ideias

Para as propostas de canto, sugerimos alguns exercícios de relaxamento e aquecimento para a preparação da voz:

Peça que os estudantes relaxem e aqueçam todo o corpo. Diga nomes de partes do corpo para que elas sejam, aos poucos, envolvidas no exercício. Faça repetições de três movimentos lentos com o pescoço e peça que os estudantes o acompanhem: abaixar e levantar a cabeça, olhar para o lado direito e para o lado esquerdo, girar a cabeça desenhando no ar círculos com a ponta do nariz, movimentar os ombros lentamente fazendo círculos. Para relaxar os lábios, faça passar bastante ar entre eles, emitindo o som de bruuuuu. O som pode variar de grave a agudo e, depois, de agudo a

grave. Pergunte aos estudantes: ao respirar, vocês percebem o ar entrando e saindo dos pulmões? Explique que esse movimento é como encher um balão: ao soprar, ele se enche e, ao deixar o ar sair, ele se esvazia e encolhe. Comente que, nesse sentido, a voz é um instrumento de sopro.

Sugestão para o professor

• CANÁRIO-do-reino ( a capella): 5 no Fubá! Publicado por: Canal Igor Ishikawa. 2020. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: www.youtube. com/watch?v=2yYT69sL5 g0. Acesso em: 11 set. 2025. Os integrantes do grupo 5 no Fubá aprenderam as melodias da canção Canário-do-reino e gravaram tudo à distância, por meio de aulas on-line e recursos próprios.

• CANÁRIO-do-reino (acústico) (feat. esp. Lulu Santos). Publicado por: Kid Abelha Oficial. 2017. 1 vídeo ( ca. 2 min). Disponível em: www. youtube.com/watch?v=XlK 3tRSQGIU. Acesso em: 11 set. 2025. Vídeo com áudio da canção Canário-do-reino interpretada pelo grupo Kid Abelha com a participação de Lulu Santos.

• CANÁRIO-do-reino. Publicado por: canal Tim Maia. 2020. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: www.youtube. com/watch?v=7qvDSuxb Xoo. Acesso em: 11 set. 2025. Vídeo com áudio da canção Canário-do-reino interpretada por Tim Maia.

• MÚSICA e trabalho: canário-do-reino: Monica Salmaso. Publicado por: Canal Centro de Memória Sindical Música e Trabalho. 2019. 1 vídeo (ca. 4 min). Disponível em: www.youtube. com/watch?v=Rz14TcY1oA4. Acesso em: 11 set. 2025. Versão da canção Canário-do-reino interpretada por Monica Salmaso.

BNCC

Habilidades: EF15AR13 e EF15AR14.

TCT: A ampliação de repertório musical permite o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

Organize-se

• Organize a sala de aula tal como na ambiência anterior. Prepare os áudios que serão utilizados nas fruições estéticas e canto nesta situação de aprendizagem.

ENCAMINHAMENTO

Proponha uma roda de conversa para levantar os conhecimentos prévios dos estudantes a respeito dos elementos constitutivos da música, em especial os parâmetros sonoros de altura e duração. Explique à turma que melodia é uma sucessão de sons, em geral, de alturas e durações diferentes, que pode conter ou não silêncios. A melodia é uma linha em que os sons ocorrem um depois do outro e, por isso, podemos chamá-la também linha melódica. É a melodia das músicas e das canções que representa a personalidade delas e que nos possibilita distinguir uma música de outra. A melodia é tão importante que, em geral, quando nos referimos a uma música qualquer, é dela que nos lembramos. Sugerimos pedir aos estudantes que recordem e cantarolem melodias de músicas que conhecem. Na questão 1, mencione que existe uma marchinha de carnaval de especial interesse, pois é considerada uma das primeiras do Brasil. Seu nome é Ó, abre alas . Ela foi criada em 1899, portanto, há mais de um século, porém soa como se tivesse sido composta hoje. Não a escutamos muito atualmente,

Letra e melodia de uma canção

Canção é uma música cantada, que possui melodia e letra. Muitos compositores se dedicam a fazer composições musicais que contam uma história. Algumas podem ter como base acontecimentos reais, lendas, contos de uma região ou cultura, mas outras são criadas na imaginação desses artistas.

Melodia é uma sequência linear de sons, com alturas e durações próprias, que expressa uma ideia musical particular. É uma sequência de notas tocadas uma após a outra.

Vamos destacar como exemplo o compositor Braguinha, que compôs Tem gato na tuba, uma história imaginária e com letra bem divertida. Essa canção foi feita em ritmo de marchinha de Carnaval, muito popular no final do século 19.

Tuba é um instrumento musical grande de sopro. Ele é feito de metal e produz sons graves. Esse instrumento é formado por um bocal, um corpo de tubo com pistões e uma campânula. Veja a seguir a imagem de uma tuba.

bocal (onde assopramos)

Braguinha ou Carlos Alberto Ferreira Braga (1907-2006) foi um importante compositor brasileiro, principalmente de marchinhas de Carnaval.

1 Vamos saber um pouco mais sobre as marchinhas de Carnaval. Você conhece Chiquinha Gonzaga? O professor vai apresentar à turma essa importante compositora.

Apresente aos estudantes o conteúdo que consta no Encaminhamento. Ao final, converse com eles sobre a importância de Chiquinha Gonzaga para a música brasileira.

mas ela obteve um sucesso estrondoso em sua época. Foi composta por uma mulher, considerada a primeira maestrina de nosso país, e uma das personalidades mais marcantes de sua época. Seu nome? Chiquinha Gonzaga! No áudio, a marchinha é apresentada em arranjo cantado por um grupo vocal misto (duas vozes femininas e uma masculina). O acompanhamento é feito por um piano e percussões. No decorrer da faixa, a tonalidade da música é alterada uma vez, ficando mais aguda. Leia com a turma o texto sobre melodia e a letra da canção Tem gato na tuba, de Alberto Ribeiro, Braguinha e Nuno Roland. Proponha

um momento de nutrição estética em que os estudantes apreciem a canção, compreendam a letra e conheçam a melodia e o ritmo. Converse com eles sobre o que entenderam da letra e como a melodia se relaciona com a música. Proponha que cantem a música, primeiro acompanhando o áudio e, depois, apenas com a memória da melodia. Comente com eles sobre como as músicas são compostas, interpretadas e gravadas, ajudando-os a desenvolver noções do processo de criação.

A versão da canção apresentada no áudio é interpretada por duas vozes femininas conjuntas com acompanhamento instrumental

campânula (por onde sai o som)
pistões (que manuseamos com os dedos) THE PALMS/SHUTTERSTOCK.COM

A expressão “tem gato na tuba” indica que ocorreu um problema, que existe algo estranho ou errado ou que surgiu uma dificuldade, um imprevisto ou um incômodo. Por exemplo, quando uma música está desafinada ou fora do controle do regente, se diz que “tem gato na tuba”! A canção Tem gato na tuba possui estrofes e refrão. Leia a seguir a letra dessa canção.

Tem gato na tuba

Todo domingo, havia banda

No coreto do jardim

E já de longe a gente ouvia

A tuba do Serafim...

Porém um dia entrou um gato

Na tuba do Serafim

E o resultado dessa “melódia”

Foi que a tuba tocou assim:

Pum... Pum... Pum... (miau)

Pum pu ru rum pum pum... (miau)

Pum... Pum... Pum... (miau)

Pum pu ru rum pum pum... (miau)

TEM GATO na tuba. Intérprete: A Turma do Balão Mágico. Compositores: Alberto Ribeiro, Braguinha e Nuno Roland. In: A TURMA do Balão Mágico. Rio de Janeiro: CBS Discos, 1982. LP, faixa A4.

2 Escute atentamente o áudio da canção. Aprenda a letra e perceba a melodia e o ritmo da música.

3 Depois, cante com os colegas. Procure cantar afinado e com a turma, de maneira que vocês formem uma só voz!

DESCUBRA MAIS

3 Os sites indicados nesta obra podem apresentar imagens e eventuais textos publicitários junto ao conteúdo de referência, os quais não condizem com o objetivo didático da coleção. Não há controle sobre esses conteúdos, pois eles estão estritamente relacionados ao histórico de pesquisa de cada usuário e à dinâmica dos meios digitais.

• A TURMA do Balão Mágico: tem gato na tuba. Publicado por: A Turma do Balão Mágico. 2014. 1 vídeo (2 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch? v=DQ9iK7Nu8Nw. Acesso em: 21 ago. 2025.

Ouça a canção na versão do grupo A Turma do Balão Mágico e cante junto.

3. Incentive os estudantes a cantar a música de diversas formas: à capela ou acompanhados de instrumentos musicais ou de outros objetos sonoros.

de uma tuba, um flautim, um contrabaixo e um piano. A ampliação de sua letra possibilitou criar uma breve história incluindo outros animais, afora o gato, e assim é possível ouvir novas onomatopeias sonoras.

Leia com os estudantes o texto da seção que apresenta a tuba, um grande instrumento de sopro que produz sons graves. Peça que observem a imagem do instrumento e que imaginem as dimensões reais dele, estabeleça comparações com objetos presentes na sala de aula. Em seguida, leia a explicação sobre o que a expressão que dá nome à canção

cantada, que possui melodia e letra. Pergunte: o que narra a canção Tem gato na tuba? Quem são os personagens? O que eles estão fazendo? Proponha que eles escrevam e desenhem em seus cadernos suas impressões sobre a canção. Depois, solicite que compartilhem com a turma. A letra de canção é o conjunto de palavras que formam os versos e as estrofes de um canto, que pode ter ou não um acompanhamento instrumental. Ela pode ter refrão, versos, ponte, introdução, interlúdios e outros elementos próprios. Sua linguagem pode ser poética, narrativa, descritiva, humorística, crítica ou experimental, variando de acordo com o gênero musical e a intenção do autor. O autor pode ser chamado de letrista ou compositor (quando a mesma pessoa cria letra e música). A letra interage com a melodia, o ritmo e a harmonia, o que lhe confere novos sentidos por meio da experiência estésica, podendo acionar emoções, sensações, memórias, reflexões e conteúdos imaginários.

Sugestão para o professor

• DICIONÁRIO MPB. Braguinha. Rio de Janeiro, c2021. Disponível em: https://di cionariompb.com.br/artista/ braguinha/. Acesso em: 11 set. 2025.

26/09/25 13:32

quer dizer. Peça que façam registros em seus cadernos com desenhos e palavras. Os critérios de avaliação devem sempre remeter aos objetivos pensados para esta unidade. A ideia é que os estudantes compreendam que a canção é uma música cantada que possui letra. Observe como eles compreendem a história contada na canção e como interpretam a música por meio do desenho.

+Ideias

Proponha aos estudantes que reflitam sobre o que é uma canção. Espera-se que eles compreendam que canção é uma música

Verbete do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira que traz de forma abrangente a vida e obra de Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha.

• MÚSICA falada. São Paulo: Eldorado FM , c2018. Disponível em: www. estadao.com.br/eldo rado/programas/musica -falada/. Acesso em: 11 set. 2025.

Programa radiofônico apresentado por Maurício Pereira (disponível também na forma de podcast em plataformas de streaming) aborda a relação entre letra e música.

BNCC

Habilidades: EF15AR13, EF15AR14, EF15AR15, EF15AR16 e EF15AR17.

TCT: A experiência musical e os processos criativos contribuem para o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a ambiência para a escrita. Chame atenção dos estudantes para esta situação de aprendizagem, que traz uma nova versão da canção trabalhada na situação de aprendizagem anterior.

Na proposta 1 , promova a leitura da nova versão da letra, que é uma ampliação criada a partir da original. Destaque os elementos letra, melodia e ritmo no canto. Pode-se pedir para os estudantes lerem a letra em voz alta sem cantá-la, cantarolar a melodia sem a letra e bater palmas (pode ser uma palma fraca utilizando apenas dois dedos percutidos na palma da outra mão) no ritmo do canto. Pode-se dividir os estudantes para que um grupo cante a melodia enquanto outro marca o ritmo do canto. Essa é uma forma lúdica de perceber os elementos do canto (letra, melodia e ritmo) e colabora para a assimilação da canção para a proposta seguinte.

Ainda, na proposta 1, proporcione a experiência do canto coral. Esse é um valioso exercício de coletividade, pois implica a prontidão, a atenção (ao regente do coro) e a escuta ativa de todos que estão cantando. Busca-se a confluência de sons, que se alinham por meio da afinação e da unicidade de ritmo, melodia e intensidade, e são coloridos pela diversidade de timbres e tessituras.

ARTE-AVENTURA Escute, cante e invente

Agora, veja uma nova versão da canção Tem gato na tuba.

E esse gato de canto macio

Encantou o Serafim, Miando afinado e bem integrado

Do início até o fim.

Pra turma do parque, de hoje em diante

Só há gato e Serafim

Os dois vivem juntos, em pura concórdia,

E o som da tuba ficou assim...

Tam… tam… tam… (ronron)

Tam ta ra ra ram tam tam

Miau miau miau... (pum pum)

Miau miau miau miau miau miau (pum pum)

Chegou um dia, disseram na banda:

“Essa moda é pra mim...

Tocar com um pato, cachorro ou gato,

Que nem toca o Serafim!”

Todos contentes com seu animal

Se juntaram num bom festim

Criaram uma música, original

E lá se foram pro coreto do jardim...

Tchum tchum tchum (au au)

Kuém kure rém kuém kuém (pam pam)

Fiu fiu fiu (assobio) (rim rom)

Pum pu ru rum pum pum... (miau!!!)

TEM mais bicho na tuba. 2025. Texto elaborado especialmente para esta obra. 2. Resposta pessoal. Oriente os estudantes a desenvolver o processo de criação na composição de letra de canção. O desenho também pode ser explorado como narrativa

1 Cante essa nova versão com os colegas.

Se necessário, retome com os estudantes o áudio da canção original.

2 Podemos imaginar que a história continua! Com os colegas, invente mais versos e estrofes para a letra dessa canção. Agora, o show é com vocês!

da história contada na criação musical. Proponha aos estudantes que criem novas partes da letra mantendo o ritmo e o humor da canção. Eles podem explorar sons onomatopeicos e narrativas. Incentive-os a criar mais ideias e a registrar a criação no caderno.

Na proposta 2, incentive os estudantes a criar mais versos ou versões para a canção Tem gato na tuba. Essa proposta permite estabelecer conexões interdisciplinares com Língua Portuguesa. Promova o compartilhamento das criações entre os estudantes, estimulando-os a experimentar o canto dos versos por eles criados.

Sob o aspecto da neurodiversidade, na linguagem musical, pode-se fazer combinados com os estudantes e proporcionar condições para a redução de estímulos sonoros muito intensos ou desordenados.

DIÁLOGOS

Cuidados com a voz

Cada som tem seu timbre. Podemos reconhecer as pessoas pelo timbre de sua voz. Com a voz, podemos nos comunicar e nos expressar pelo cantar. Mas será que estamos cuidando bem dela? Para garantir uma boa saúde vocal, vale a pena aprender alguns cuidados com esse instrumento natural.

Beba água com regularidade e antes mesmo de sentir muita sede.

Vocalises são exercícios com a voz para que ela fique aquecida e preparada para o canto. Eles servem também para preparar nossa audição para escutar e cantar, controlando a afinação, a intensidade de emissão da voz e a expressividade em geral.

O timbre é a característica do som que permite distinguir fontes sonoras, isto é, deferenciar se escutamos o som de uma voz, de um motor ou de um instrumento musical.

Ouça os áudios e acompanhe alguns vocalises para exercitar sua voz. Depois, cante com os colegas.

BNCC

Habilidades: EF15AR05, EF15AR13, EF15AR14, EF15AR15 e EF15AR23.

TCT: Nesta seção, desenvolve-se o TCT Saúde.

ENCAMINHAMENTO

Comente que a voz é nosso meio de expressão natural e precisamos tomar certos

Para mais experimentações, peça aos estudantes que coloquem uma das mãos sobre a garganta e façam um longo som de ssss, instigando-os a perceber que não sentimos vibrações na garganta. Peça que façam um longo som de a e indique que, nesse caso, percebemos a vibração. Explique que o que sentimos são as pregas vocais vibrando e proponha que pesquisem e experimentem outros vocalises.

Além da percepção do que acontece nas pregas vocais, explique aos estudantes que, quando respiramos, nossos pulmões se enchem de ar e a barriga se movimenta. Isso acontece porque os pulmões, quando estão cheios, empurram a barriga para baixo. Quando soltamos o ar, os pulmões se esvaziam e a barriga encolhe. Peça que façam um exercício de inspiração e expiração e percebam como o abdome se move.

Ao final, sugira aos estudantes que façam registros dos exercícios praticados em sala de aula para que possam reproduzi-los em casa com os familiares ou responsáveis.

Sugestão para o professor

• HISTÓRIA da fonoaudiologia. Recife: Crefono4, c2025. Disponível em: www.cre fono4.org.br/institucional/ historia/. Acesso em: 11 set. 2025.

26/09/25 13:32

cuidados com ela. Leia com a turma os cuidados para manter a saúde vocal. Comente que os alimentos exercem um papel importante no cantar. Não é indicado, por exemplo, ingerir chocolate e alimentos açucarados antes de usar a voz, enquanto comer maçã colabora na limpeza do aparelho fonador.

Explique o que são vocalises . Proponha a escuta dos áudios e a realização dos vocalises . Os áudios Vocalise : Pare de falar ( playback ) e Vocalise : Lua ( playback ) podem servir como guia para o canto dos estudantes.

Ao explicar como funciona o canto em coral, o músico Evandro Oliva menciona o uso da voz e a importância dos exercícios nos cuidados com ela.

Faça alguns vocalises para exercitar sua voz.
Evite falar muito
Durma bem durante a

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Habilidades: EF15AR13, EF15AR17 e EF15AR24.

TCT: A experiência proporcionada pelas brincadeiras musicais tradicionais incide tanto no desenvolvimento do TCT

Multiculturalismo quanto no ODS 16: Paz, Justiça e Instituições Eficazes, pela promoção de uma cultura de paz por meio do brincar.

Organize-se

• Para a ambiência do brincar, organize a sala de aula ou, mais recomendável, procure um espaço alternativo na escola, preferencialmente silencioso e ao ar livre. Combine como será o deslocamento de ida e volta ao espaço, assim como a melhor forma de utilizá-lo para brincar.

ENCAMINHAMENTO

Peça que os estudantes observem a imagem da página 84 e faça uma sondagem a respeito dos conhecimentos prévios deles sobre o tema. Pergunte: vocês já brincaram de Passa-anel? Como é essa brincadeira?

Comente que Monjolo é uma música da tradição brasileira cantada enquanto uma moeda pode ser passada de vizinho a vizinho. Convide a turma para brincar. Em roda, cada estudante abre os braços e permanece com a palma da mão esquerda aberta e voltada para cima, e com a mão direita em forma de pinça e apoiada sobre a mão esquerda aberta do colega à direita. Todos juntos realizam o mesmo movimento de levar a mão direita do lado direito para o lado esquerdo, simulando ou passando a moeda ou o anel. Um único objeto circula pela

ARTE-AVENTURA Brincando com música

Agora que você preparou sua voz, poderá cantar enquanto faz brincadeiras musicais.

Apresentamos duas brincadeiras musicais cantadas que você pode fazer com os colegas.

1. Monjolo

Leiam a letra da cantiga Monjolo e sigam as orientações do professor para participar desta brincadeira cantada. Vamos aprender?

Antes de começar, não se esqueçam de combinar o andamento ou a velocidade com que vão cantar. Durante a música, procurem cantar todos juntos, como se fossem uma só voz!

Monjolo

roda enquanto todos cantam a canção. Um estudante ocupa o centro da roda. Assim que a última estrofe da música for cantada, ele deve dizer com quem está a moeda. Caso ele se engane, terá mais uma chance e, se errar novamente, continuará no centro da roda até a próxima parada da música. Caso ele acerte, passará a integrar a roda, e o participante que estava com a moeda ocupará o seu lugar no centro.

Para iniciar a proposta da página 85, sensibilize os estudantes para o estudo dos assuntos desenvolvidos nesta seção. Após explicar

o que é um provérbio, realize com a turma o experimento sonoro com fase e defasagem, cujo tema é o jogo de movimento entre a acentuação do primeiro tempo da frase, que, na primeira voz, se mantém sempre igual e, na segunda, vai mudando pela subtração da última palavra do provérbio.

Inicie a proposta 1 com dois estudantes. Note que a frase da linha a ser dita pelo colega 1 se repete, e a da linha a ser dita pelo colega 2 vai sendo pouco a pouco reduzida pela retirada das palavras finais, uma a uma. A leitura do provérbio começa com os dois

2. Falar juntos, mas diferente

Nesta brincadeira, dois colegas pronunciam o mesmo provérbio: “Quem tudo quer nada tem”.

Perceba que o provérbio sempre se repete na linha azul (colega 1), enquanto na linha laranja (colega 2) ele vai sendo, pouco a pouco, reduzido pela retirada da palavra final. Isso cria um desencontro entre as falas e precisamos prestar bastante atenção para escutar as duas vozes ao mesmo tempo durante a realização desse jogo musical!

1 Com um colega, brinquem de Falar juntos, mas diferente. Lembrem-se: cada um deve escolher uma cor e seguir até o fim.

Colega 1: Quem tudo quer nada tem. Quem tudo quer nada tem.

Colega 2: Quem tudo quer nada tem. Quem tudo quer nada tem.

Colega 1: Quem tudo quer nada tem. Quem tudo quer nada tem. Colega 2: Quem tudo quer nada. Quem tudo quer nada. Quem tudo

Colega 1: Quem tudo quer nada tem. Quem tudo quer nada tem. Colega 2: quer. Quem tudo quer. Quem tudo. Quem tudo. Quem. Quem.

Todos: Quem tudo quer nada tem. Quem tudo quer nada tem. Quem tudo quer nada tem.

Agora, veja esta ilustração. Eles estão pronunciando o provérbio em duas vozes.

2 Que tal fazer essa brincadeira com outras frases? Com um colega, ensaiem a pronúncia e apresentem para a turma.

Produção pessoal. Auxilie os estudantes a definir a frase que vão usar na brincadeira e como um deles vai planejar a retirada de uma palavra a cada nova repetição da frase.

estudantes pronunciando juntos e ao mesmo tempo, isto é, em fase. Depois, tem início a defasagem, quando a frase a ser dita pelo colega 2 vai se tornando mais curta e a acentuação inicial da frase vai se deslocando em relação à frase dita pelo colega 1, que se mantém sempre igual. Embora ditas ao mesmo tempo, a duração das frases vai se diferenciando, e o que se escuta é o movimento de deslocamento de tempos sobrepostos.

Para a proposta 2, solicite aos estudantes que realizem a brincadeira novamente, porém, a partir de outra frase criada por eles.

po e o trabalho colaborativo nas propostas. Os registros produzidos poderão auxiliar no momento da avaliação. Um elemento da linguagem musical muito presente na brincadeira musical é a pulsação. Ela é o batimento regular que serve de base para organizar o tempo. Pode-se pensar nela como o “coração” da música, isto é, um fluxo constante de batidas que sentimos e contamos, mesmo que nem todas sejam marcadas explicitamente pelos instrumentos musicais. A pulsação é regular, como um metrônomo invisível. Podemos trazer uma percepção física da pulsação balançando a cabeça ou o corpo, batendo os pés no chão ou a palma da mão sobre a perna, por exemplo. Ela independe da velocidade — a pulsação pode ser lenta, moderada ou rápida, mas mantém a regularidade interna.

+Ideias

Organize uma roda com os estudantes sentados no chão e distribua um objeto para cada um. Conte de 1 a 10 e, a cada número, os estudantes passam seu objeto para o estudante sentado à sua direita, batendo o objeto no chão e mantendo sempre a pulsação. Em nova rodada, peça que cantem a canção passando os objetos nos trechos destacados na letra.

Sugestão para o professor

13:32

Ao final, peça aos estudantes que realizem registros em seus cadernos por meio da escrita de palavras ou de desenhos. Você também pode realizar registros no decorrer do jogo. Espera-se que os estudantes percebam e conheçam conceitos musicais que estão na base das diversas produções artísticas e culturais por meio das brincadeiras musicais. É importante avaliar se eles percebem o movimento dos tempos fortes da frase, em fase e em defasagem. É importante também observar como eles se expressam e quais dificuldades demonstram. Acompanhe a interação em gru-

• BATE o monjolo: livro Brincadeiras cantadas de cá e de lá. Publicado por: Canal Editora Melhoramentos. 2013. 1 vídeo (ca. 1 min). Disponível em: https://youtu. be/i-ahRlL9Ve0. Acesso em: 11 set. 2025. O vídeo apresenta a brincadeira musical cantada, com o uso de percussão corporal e brinquedos.

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Habilidades: EF15AR13, EF15AR17 e EF15AR24.

ENCAMINHAMENTO

Organize a sala de aula com a ajuda dos estudantes para criar um ambiente convidativo para os momentos de fruição e nutrição estética, canto e criação visual.

Observe com os estudantes a obra Música nova de Antonio Peticov e proponha que reflitam: é possível imaginar sons representados nesta imagem? Quais sons vocês imaginam ao ver essa pintura? Vocês já viram uma partitura convencional? Ela se parece com essa obra de Antonio Peticov? Como vocês representariam essa partitura?

Observe com os estudantes a linha melódica da música Parabéns a você . Pergunte se já haviam visto uma partitura antes e o que imaginam ser os elementos apresentados na partitura. Neste momento, é interessante comentar sobre como os sons são representados nas partituras convencionais e ler com os estudantes a linha melódica.

Na proposta 1 , tenha em mente que essa é uma canção que possui algumas variantes em cada região do país; por isso, acolha cada uma, adaptando ao contexto cultural dos estudantes.

Na proposta 2, sugira que os estudantes interpretem a música Parabéns a você com os colegas, à capela ou acompanhados de uma trilha instrumental. Eles podem ensaiar e apresentar a interpretação.

Na proposta 3, sugira aos estudantes um momento de fruição seguido da proposta de criação de uma notação

Uma linha para a melodia

Veja esta obra de Antonio Peticov e reflita: ao olhar para ela, podemos imaginar sons se espalhando pelo ar?

QUEM É?

Música nova (New Song), de Antonio Peticov, 1988. 70 cm x 50 cm.

Antonio Peticov (1946-) nasceu no município de Assis, no estado de São Paulo. Ele é um artista visual que cria pinturas, esculturas, gravuras e desenhos com cores intensas. Ele faz também desenhos inspirados em sons e em músicas.

Agora, observe a partitura de Parabéns a você, uma canção muito comum nas festas de aniversário. Os sons são organizados um depois do outro, formando uma linha chamada linha melódica

musical não convencional a partir da música Parabéns a você. Incentive que cada estudante crie a seu modo, explorando poéticas pessoais para inventar suas próprias imagens e representações de sons. Para a fruição, retome a apreciação da imagem criada pelo artista Antonio Peticov e contextualize que ele também criou uma partitura, embora não convencional. Podem ser apresentadas aos estudantes obras de outros artistas que buscam criar notações musicais não convencionais, como as partituras criativas da artista Nathalie Miebach. Eles podem explorar figuras, formas, linhas, ponto, texturas e outros elementos visuais para representar os sons por meio de uma linha melódica. Além de registrar a partitura criativa, faça uma roda de conversa para que os estudantes comentem como foi a experiência de criar uma notação musical não convencional.

3. Produção pessoal. Proponha aos estudantes que expressem, por meio de pontos, linhas, formas e cores, uma notação musical não convencional. Espera-se uma partitura criativa que expresse uma linha melódica.

MAGALHÃES, Léa (Bertha Homem de Mello). Parabéns a você. 1942. 1 partitura. Versão em língua portuguesa da canção Happy Birthday to You, de Mildred Hill e Patty Hill, de 1893.

Partitura é uma forma de representar os sons para escrever músicas. As partituras mais utilizadas atualmente foram criadas muito tempo atrás e seguem as mesmas regras e usam os mesmos símbolos até hoje. Assim, podem ser conhecidos por músicos no mundo todo.

Quando você ouve alguém dizer “parabéns a você”, possivelmente o que vem à sua mente são a melodia e a letra características dessa canção, não é?

1 Use sua memória e lembre como é a letra dessa canção. Escreva um trecho da letra em seu caderno.

Na partitura, as notas musicais que formam a melodia são escritas no pentagrama, que é o conjunto de cinco linhas e seus espaços. Quanto mais alto estiverem, mais agudas as notas vão soar, e quanto mais embaixo, mais graves elas vão ser.

O movimento das notas no pentagrama cria um desenho na partitura, chamado perfil melódico

1. Parabéns a você, / nesta data querida, / muitas felicidades, / muitos anos de vida!

2 Cantem com os colegas a canção Parabéns a você, lendo a letra e observando o movimento das notas no pentagrama.

Comente com os estudantes como as notas se repetem em determinado momento, sobem em outro, descem depois etc., criando um perfil melódico.

3 Agora, imaginem e desenhem em uma folha avulsa uma nova forma de expressar os sons que vocês emitiram: um perfil melódico, utilizando pontos, linhas, formas e cores.

4 Convide seus familiares para ouvir a canção de que você mais gosta.

a) Escreva um trecho da letra dessa canção em seu caderno.

Resposta pessoal.

b) Interprete a letra e a melodia dessa canção com seus familiares.

c) Agora, crie um desenho expressando os sons da canção, explorando pontos, linhas, formas e cores. Compartilhe sua partitura com os colegas.

4. c) Produção pessoal. A proposta de criação de uma partitura como descrito representa uma notação musical não convencional.

87 4. b) Oriente os estudantes a combinar com os familiares como vão interpretar a canção, conversando sobre as ideias, percepções, sensações e emoções provocadas pela escuta da canção.

roda de conversa para que eles possam expor as notações musicais que criaram e compartilhar como foi essa experiência para eles.

Como instrumento de avaliação, organize rodas de conversa para fazer sondagens a respeito do que os estudantes costumam ouvir no convívio social e o que descobrem com o repertório musical apresentado nas situações de aprendizagem. É interessante sempre propor que compartilhem suas ideias, suas respostas e seus desenhos com os colegas. Além da roda de conversa, considere os registros feitos pelos estudantes ao longo das propostas em forma de textos, desenhos, fotografias, filmagens ou gravação de áudios.

+Ideias

No momento de fruição de Música nova, proponha aos estudantes que tentem representar os sons da partitura utilizando objetos da sala de aula como instrumento, o corpo e a voz. É interessante que eles explorem também movimentos corporais nesta representação. Oriente os estudantes para que se organizem na leitura coletiva. Um deles pode ser o regente.

Sugestão para o professor

26/09/25 13:33

A proposta 4 convoca a participação dos familiares ou responsáveis. Oriente os estudantes a escrever trechos da música, exercitando a escrita a partir da memória. Podem ser feitos registros escritos ou com filmagens. Sugira que anotem o nome da música favorita escolhida e do artista que a interpreta em seus cadernos. No item c, proponha aos estudantes que façam um estudo de pontos, linhas, formas e cores que possam representar os sons das canções que eles ouviram. Peça que escolham a criação que melhor expresse suas intenções. Para a criação, eles podem trabalhar sozinhos ou em parceria com um familiar e podem explorar novamente elementos formais na criação de um desenho que represente os sons da música escolhida. Os estudantes poderão compartilhar as respostas e os desenhos com os colegas. É interessante fazer uma

• ANTONIO PETICOV. c2025. Disponível em: https://peti cov.com.br/category/dese nhos/musicas-desenhos/. Acesso em: 11 set. 2025. O site oficial do artista Antonio Peticov apresenta imagens de suas obras, entre as quais se destacam seus desenhos musicais.

• NATHALIE MIEBACH. c2025. Disponível em: https: //nathaliemiebach.com/. Acesso em: 11 set. 2025. A artista cria notações musicais não convencionais a partir de elementos visuais.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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ENCAMINHAMENTO

Para a ambiência do brincar, organize a sala de aula ou, mais recomendável, procure um espaço alternativo na escola, preferencialmente ao ar livre. Combine como será o deslocamento de ida e volta ao espaço, assim como a melhor forma de utilizá-lo para brincar.

Música à capela é executada somente com vozes, sem acompanhamento de instrumentos musicais. O termo vem do italiano a cappella (“como na capela”), fazendo referência às músicas religiosas antigas que eram cantadas nas igrejas apenas com vozes, já que, em alguns períodos, o uso de instrumentos era proibido em certos contextos litúrgicos. São exemplos de composições à capela os motetos e os madrigais. Pode ser designada como à capela uma música realizada em uma versão exclusivamente vocal, sem os instrumentos musicais que estariam presentes na versão original.

Levante os conhecimentos prévios dos estudantes sobre o tema. Pergunte a eles: o que pode significar “canto em cânone”? Explique que, no cânone, um cantor inicia a melodia e outro começa a cantá-la pouco tempo depois. É o procedimento em que uma única melodia ou linha melódica é interpretada por duas ou mais vozes, com um deslocamento em seus inícios. Pergunte se já ouviram alguma música assim.

ARTE-AVENTURA

Cânone: a minha, a sua e a nossa voz!

Você sabe o que é cânone?

Observe nas ilustrações e nas legendas a seguir como ocorre

Imagine que um colega começa a cantar uma melodia.

Em seguida, outro colega também começa a cantar a mesma melodia, só que iniciando um pouco depois.

Então, um terceiro colega também começa a cantar a mesma melodia, mas com um pequeno atraso, um pouco depois do segundo colega, e assim por diante.

Na música, você pode cantar com ou sem acompanhamento de instrumentos. Quando uma cantiga ou canção é interpretada apenas por vozes, sem acompanhamento de instrumentos musicais ou de áudios gravados, chamamos canto à capela.

1 Convide os colegas e apresente um canto à capela. Vamos lá?

Sugere-se deixar os estudantes cantarem livremente.

Comente com a turma que algumas palavras são empregadas mais cotidianamente, enquanto outras ocorrem em situações específicas e são usadas em contextos profissionais, como a palavra cânone, geralmente empregada no contexto musical. Para um exercício inicial, escolha alguma frase para ser pronunciada de duas formas diferentes. Organize os estudantes em dois grupos e explique que um grupo deve pronunciá-la com entonação grave e outro grupo com entonação mais aguda, por exemplo.

Quando cantamos em grupo a mesma melodia, mas com algumas pessoas começando antes e outras depois, dizemos que estamos cantando em cânone!

No exemplo da ilustração, temos um cânone a três vozes.

Veja a seguir um exemplo de como pode ser feito um canto em cânone na partitura da cantiga Monjolo, que você já conheceu.

2 Observe com atenção as duas linhas melódicas. Converse com o professor e os colegas sobre como cantar. 11

2. Oriente os estudantes a perceber a diferença entre o início da primeira voz (em azul), o início da segunda voz (em vermelho) e o início da terceira voz (em verde).

Monjolo em cânone a três vozes. MONJOLO. [19--?]. 1 partitura. Cantiga popular.

Em azul, está a melodia com a letra da cantiga para ser cantada por uma voz.

Em vermelho, está a melodia com a letra para ser cantada por outra voz. Perceba que o início da segunda voz é um pouco depois da primeira.

Em verde, está a melodia com a letra para ser cantada por mais uma voz. Note que o início da terceira voz é um pouco depois da segunda.

Comente com os estudantes que o canto em cânone pode ser feito tanto por uma voz quanto por grupos de vozes. Cada voz ou grupo de vozes entra em um determinado momento.

3 Agora, você e os colegas podem cantar Monjolo em várias vozes.

Espera-se que, após a discussão em grupo e a análise dos exemplos apresentados, os estudantes sejam capazes de cantar em cânone.

Na proposta 2 , sugere-se uma roda de conversa para esse momento de leitura de imagens, textos, interpretações e criação de hipóteses.

Em seguida, na proposta 3 , realize exercícios práticos com canto em cânone com a canção Monjolo. Procure trabalhar com duas

a partir das linhas melódicas da canção Monjolo . Os registros podem ser também em áudio ou vídeo, para depois serem utilizados em roda de conversa para que os estudantes analisem e comentem com os colegas como foi a experiência. É importante avaliar como os estudantes se expressam e participam ao longo das rodas de conversa, dos momentos de fruição e ao longo das propostas. Observe se eles compreenderam o conceito de cânone e as influências na música de matrizes estéticas culturais. Os registros sugeridos ao longo das situações de aprendizagem são um importante parâmetro de acompanhamento do processo de ensino e aprendizagem.

+Ideias

Proponha aos estudantes que ouçam várias versões de músicas cantadas em cânone. Elas podem ajudá-los a reconhecer o movimento das vozes e podem ser interpretadas com relativa facilidade. Momentos de nutrição estética com audições de apresentações musicais e com a exibição de vídeos com apresentações de grupos vocais ou corais são fundamentais para a compreensão do conceito trabalhado.

Sugestão para o professor

89

26/09/25 13:33

vozes e, depois de avaliar a resposta da turma a esse tipo de exercício musical, amplie o desafio, trabalhando com mais vozes. Explique que um cânone pode acontecer em três, quatro, cinco ou mais vozes.

Ao longo da proposta, o professor pode realizar registros da interpretação da turma

• PALAVRA Cantada: copo cânone. Publicado por: Canal Palavra Cantada Oficial. 2015. 1 vídeo (ca. 1 min). Disponível em: https://youtu. be/-XI2QIqx34E. Acesso em: 11 set. 2025.

No vídeo, é apresentada a brincadeira musical Copo cânone, com a música Uma era, de Paulo Tatit e Zé Tatit.

BNCC

Habilidades: EF15AR13, EF15AR14 e EF15AR16.

TCT: Abordar as músicas originárias do território e aprender a notação musical tradicional permitem o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Prepare o ambiente para a leitura de texto, fruição e conversação. Antecipe a pesquisa sobre as origens das músicas presentes no território.

Inicie com a fruição da fotografia que destaca o músico africano N’famady Kouyaté tocando balafon . Comente que se trata de um xilofone, em que o sufixo xilo se refere à madeira, como em xilogravura (veja sugestão de aprofundamento em +Ideias ). Pode-se mediar a fruição perguntando aos estudantes se eles conhecem o instrumento musical xilofone, se já o viram em algum contexto (como em uma banda ou orquestra) e se sabiam sobre sua origem africana. Essas perguntas colaboram para a proposta etnomusicológica que está no alicerce do estudo da página 90. Leia com os estudantes o texto após a fruição mediada. A partir das questões propostas, procure aprofundar os saberes acerca das músicas do território, considerando aspectos antropológicos e, se possível, etnomusicológicos, a partir de pesquisa que pode ser realizada junto aos estudantes, mas já previamente estudadas por você.

Etnomusicologia é a área de estudo que investiga a música no contexto cultural em que ela é produzida,

1. b) Resposta pessoal. Incentive os estudantes a perceber as origens culturais e étnicas das músicas escutadas na região. Uma possibilidade é elencar algumas canções e fazer pesquisas para levar esses dados e analisar com eles, identificando as origens, os estilos, os ritmos, os timbres de instrumentos

Compor músicas

tradicionais de várias culturas e outras características.

Desde tempos muito antigos, as pessoas perceberam que podiam produzir e organizar sons. Em cada tempo e lugar, os povos foram descobrindo como compor suas músicas: criaram instrumentos musicais com diferentes materialidades e sonoridades e compuseram músicas e canções, fortalecendo suas crenças, cultura e arte. Por isso, temos música em toda parte!

A música é uma prática cultural que faz parte da identidade de um povo. Ela pode ter diferentes funções na vida de uma comunidade, como a de celebrar ocasiões especiais, ninar, festejar, dançar, fazer parte de uma trilha sonora, entre outras.

1 Converse com os colegas sobre as questões a seguir, depois anote em seu caderno suas conclusões.

a) Quais são as músicas originárias de sua região?

Resposta pessoal.

b) Quais ritmos vocês escutam?

c) De quais canções vocês mais gostam? Por quê? O que elas expressam?

Respostas pessoais. A proposta é mapear a escuta musical e o repertório cultural dos estudantes para valorizar a cultura local e oferecer ampliações.

transmitida e vivida. Em outras palavras, ela não estuda apenas as notas e a estrutura sonora, mas o papel da música dentro de uma sociedade — suas funções, seus significados e suas conexões com religião, política, identidade, rituais, tecnologia, entre outros aspectos. Ela combina métodos da musicologia (análise musical) e da antropologia (estudo das culturas), abordando a música como prática social e parte da cultura de um grupo. Sua abrangência vai da música originária, passando por contextos tradicionais e populares, até gêneros urbanos e híbridos. Seu objetivo principal é compreender como a música é criada, interpretada e recebida em diferentes comunidades e períodos históricos.

O músico africano N’famady Kouyaté tocando balafon, um tradicional xilofone de madeira, em apresentação em 2024.
NÃO ESCREVA NO LIVRO. 26/09/25

Notação musical convencional

Existem várias formas de se fazer música. Uma das mais conhecidas utiliza três elementos principais: ritmo, melodia e harmonia

Ritmo é a combinação de sons com durações diferentes.

Melodia é a sequência de notas tocadas uma após a outra. Harmonia é a combinação de notas tocadas ao mesmo tempo.

Além disso, a música é escrita de uma forma que é compreendida por muitas pessoas. Essa escrita conserva as composições em forma de notação musical para serem interpretadas por qualquer músico, de qualquer lugar e a qualquer momento, podendo até mesmo ser interpretada pelas futuras gerações.

Na notação musical convencional, utilizamos as notas Dó , Ré , Mi , Fá, Sol, Lá e Si. Existem várias formas de combinar as notas para criar e escrever músicas, e cada nota tem seu lugar no pentagrama, que também pode ser chamado de pauta.

Lembre que na parte inferior do pentagrama ficam as notas mais graves e, acima, as mais agudas, que podem ser escritas tanto nas linhas quanto nos espaços. As claves, como a clave de sol, ficam sempre posicionadas logo no início da pauta.

A clave de sol indica que a nota posicionada sobre a segunda linha se chama Sol

As notas apresentam alturas diferentes, podendo ser mais graves ou mais agudas. A disposição das notas na sequência, da mais grave à de mesmo nome mais aguda (do Dó grave ao Dó agudo, por exemplo), é chamada escala musical

Na página 91, são abordados três elementos principais da música e a notação musical. Leia junto aos estudantes, exemplificando os elementos. Se possível, apresente acordes ao abordar a harmonia na música (veja Sugestões para o professor para saber mais sobre

espaço de desenvolvimento criativo ou como espaço para expressar ideias, imaginar, esboçar e inventar. Chame atenção dos estudantes em momentos oportunos para fazer registros em seus cadernos.

+Ideias

Pode-se aprofundar os conhecimentos acerca do balafon e seu contexto. Ele faz parte dos idiofones de teclas percutidas (placas de madeira afinadas que produzem som quando golpeadas com baquetas). Além do balafon (comum em países como Mali, Guiné, Burkina Faso e Costa do Marfim), encontramos no continente africano outros xilofones tradicionais, como o gyil (de Gana e Burkina Faso), a amadinda (Uganda) e a mbila (Moçambique). Pode-se organizar uma situação de nutrição estética do balafon e dos diferentes xilofones africanos.

Sugestão para o professor

• ESCALA de Dó: ascendente e descendente. Publicado por: Carlinhos. 2023. 1 vídeo (16 s). Disponível em: www. youtube.com/watch?v=l -OfOX1m-U4. Acesso em: 11 set. 2025.

Animação com escala Dó maior em movimento ascendente e descendente.

• SEMIBREVES Podcast. c2019. Disponível em: www. youtube.com/@Semibre vesPodcast. Acesso em: 11 set. 2025.

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harmonia musical). Proporcione a escuta de uma escala de Dó maior (movimentos ascendente e descendente), acompanhando o som junto à notação.

Reforce o uso do caderno como companheiro de aprendizagem, seja como registro, como

Podcast apresentado por Pedro Janczur e Daniel Lima sobre teoria musical traz uma sequência de estudos sobre harmonia nos episódios iniciais. Além do link indicado, está disponível em diferentes plataformas de streaming.

BNCC

Habilidades: EF15AR14, EF15AR16 e EF15AR17.

TCT: A experiência musical do canto e da percepção musical da escala permitem o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

Organize-se

• Prepare a aula para a prática musical. Verifique as questões técnicas para uso de reprodutores sonoros ou uso de instrumentos e equipamentos eletrônicos — se optar por utilizá-los nesta situação de aprendizagem. Prepare e teste com antecedência, para evitar ter que lidar com questões técnicas durante a aula.

ENCAMINHAMENTO

A situação de aprendizagem anterior tem como proposta a escuta ascendente e descendente da escala de Dó maior. Nesta, retomamos estes saberes e propomos experimentar a escala utilizando o canto. Leia com os estudantes o texto e faça a leitura da imagem que traz a metáfora da escada para que os estudantes possam ter a compreensão do movimento ascendente e descendente da escala por meio de algo que evoca uma experiência sensório-motora.

Realize um aquecimento vocal antes de iniciar o canto. Em seguida, afine as vozes em Dó, respeitando as alturas mais confortáveis para os estudantes (crianças têm registro vocal mais agudo que adultos).

Na proposta 1, pratique a escala de Dó. Pode-se usar um instrumento musical para a referência das notas, para

ARTE-AVENTURA Vamos cantar as notas?

2. Organize os estudantes em dois grupos: o primeiro manterá a nota Dó durante toda a atividade, ao passo que o segundo realizará as demais notas a partir da indicação do maestro. Os dois grupos devem se posicionar lado a lado e de frente para o

Observe a imagem a seguir.

maestro. Observe que a proposta será realizada em dois momentos subsequentes.

Uma escala musical é semelhante a uma escada, em que cada degrau corresponde a uma nota ou a um grau da escala musical.

1 Agora, vocês podem experimentar cantar as notas na escala de Dó maior (ascendente e descendente).

Proponha que os estudantes pronunciem em grupo as notas na escala de Dó ascendente à descendente demonstrada na imagem.

2 Vejam a seguir outra forma de cantar a escala de Dó maior. Um estudante pode ser o maestro, que fará um sinal com as mãos para indicar quando o grupo dever ficar em silêncio.

manter a nota Dó como pedal ou exercitar a memória sonora da escala, sem acompanhamento ou som de referência.

Na proposta 2, diferentes elementos dinamizam a experiência de cantar a escala de Dó. O primeiro é a regência: combine com os estudantes qual será o gesto para cantar (dedo indicador regendo como uma batuta de maestro, por exemplo) e qual será o gesto para o silêncio (fechar os dedos das mãos, por exemplo). O segundo é a divisão em dois grupos: um será responsável por fazer a nota pedal (Dó), enquanto o outro faz o canto. O terceiro é acrescentar uma nota a mais a cada repetição da escala após o silêncio, tanto no movimento ascendente quanto no movimento descendente. Troque as funções (quem canta a escala e quem canta a nota pedal) de cada grupo após um experimentar o passo a passo ascendente e o descendente.

Grupo 1 (todos cantam a nota Dó durante toda a atividade)

Dó...

Grupo 2 (todos cantam as notas da escala ascendente de Dó, conforme indicado)

Dó Ré (silêncio)

Dó Ré Mi (silêncio)

Dó Ré Mi Fá (silêncio)

Dó Ré Mi Fá Sol (silêncio)

Dó Ré Mi Fá Sol Lá (silêncio)

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si (silêncio)

Dó Si Lá Sol Fá Mi Ré Dó (silêncio)

Grupo 1 (todos cantam a nota Dó durante toda a atividade)

Dó...

Grupo 2 (todos cantam as notas da escala descendente de Dó, conforme indicado)

Dó Si (silêncio)

Dó Si Lá (silêncio)

Dó Si Lá Sol (silêncio)

Dó Si Lá Sol Fá (silêncio)

Dó Si Lá Sol Fá Mi (silêncio)

Dó Si Lá Sol Fá Mi Ré (silêncio)

Dó Si Lá Sol Fá Mi Ré Dó (silêncio)

Os blocos em cinza correspondem ao silêncio, e sua duração pode variar.

Fermata: a duração do som livre é flexível.

As cores das notas são meramente ilustrativas. Foram adotadas as cores do arco-íris.

fermata é usada para sinalizar quando uma nota ou pausa deve ser prolongada. Porém o tempo vai variar conforme a intenção do compositor ou interpretação do músico. Quando a fermata é colocada sobre uma barra de compasso pode indicar uma pausa mais prolongada. Em resumo, a fermata mostra possibilidades em relação à duração do som de forma livre e flexível.

+Ideias

Pode-se aproveitar a experiência da regência e apresentar aos estudantes a manossolfa. Ela consiste na associação de gestos a notas musicais. Sua utilização mais antiga remete a Guido d’Arezzo, que foi quem renomeou a nota musical antes chamada ut para Dó. Os usos modernos da manossolfa apontam para o húngaro Zoltán Kodály (1882-1967) e para o brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959).

Sugestão para o professor

• APRENDENDO o manossolfa e o solfejo. Publicado por: Meri Angélica Arakawa. 2017. 1 vídeo (ca. 7 min). Disponível em: www.youtube.com/ watch?v=hwA4W1JVH_s. Acesso em: 11 set. 2025. Nesse vídeo, Meri Angélica Arakawa apresenta a manossolfa junto ao canto da escala Dó maior e exemplos de seu uso em outras canções.

13:33

A nota pedal, em linguagem musical, é a nota singular que soa sem variação junto a uma execução melódica. Nesta, o Dó é uma nota pedal sendo cantada, sem variação de altura, enquanto o canto da escala se desenvolve. Um pedal pode ser apenas cantado, apenas tocado por um instrumento musical ou os dois ao mesmo tempo. É possível também fazer pedais na forma de acordes, mas sustentando suas alturas. Seu uso remonta às civilizações antigas (na Ásia, África e Europa) e está presente em músicas tradicionais de diferentes povos e também em músicas modernas e contemporâneas de diferentes gêneros (como o blues, o jazz e o new age).

Destaque aos estudantes mais um símbolo da notação musical convencional, a fermata. Contextualize que fermata é uma palavra de origem italiana e significa “parada”. Trata-se de um sinal na escrita musical convencional que é representado por uma curva com um ponto no centro. A

• GUIDO D’Arezzo: nome das notas musicais: manossolfa. Publicado por: Explicanção. 2021. 1 vídeo (ca. 5 min). Disponível em: www.youtube. com/watch?v=lEeimmtlO38. Acesso em: 11 set. 2025. Nesse vídeo, a compositora e musicista Bella Nogueira traz a história de Guido D’Arezzo, seu contexto, sua relação com o nome das notas musicais e a manossolfa.

BNCC

Habilidade: EF15AR16.

TCT: A proposta de criação de partituras não convencionais implica também o estudo das rupturas, inovações e invenções realizadas nesse âmbito, além de fortalecer o caráter semiótico de exploração de signos visuais e suas possíveis interpretações (traduções) sonoras, favorecendo o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a ambiência para a criação visual de partituras não convencionais. Disponibilize riscadores variados para o processo de criação. Combine com os estudantes se o processo será realizado integral ou parcialmente nos cadernos ou em folhas de papel avulsas.

Leia o texto com os estudantes. Esclareça que algo convencional está ligado a algo de um certo acordo em comum. No caso da partitura musical, escrita na pauta de cinco linhas (o pentagrama), com seu uso de claves (de Sol, Fá e Dó) e seu desenho de notas musicais e pausas (estabelecendo sua duração), há uma convenção de escrita, leitura e uso que permite que todas as pessoas que conhecem suas características possam ler as músicas e interpretá-las. Cada interpretação tem sua singularidade, mas estando dentro de uma certa convenção, é possível preservar fortemente a composição escrita na partitura.

Quando se cria uma partitura não convencional, ocorre justamente o contrário: por não haver uma convenção amplamente conhecida, a leitura e a interpretação se tornam mais abertas. Pode-se, ainda assim, estabelecer diretrizes para a leitura e

ARTE-AVENTURA Partituras desenhadas

É possível criar notações musicais desenhadas ou como a que vimos na escrita convencional. Em música, há possibilidades de interpretar, improvisar e compor. Somos intérpretes quando tocamos, cantamos ou regemos uma música.

1 Veja a imagem a seguir. Como você leria essa notação musical desenhada, ou seja, não convencional? Resposta pessoal.

2 Improvisar significa criar, lançar ideias novas. Vamos criar, improvisar e interpretar nossas criações?

Veja os passos a seguir e crie sua partitura desenhada da escala de Dó maior.

interpretação de uma partitura não convencional, mas a tendência dos músicos, desde o Modernismo, foi a de sustentar o acaso e a abertura na relação a ser estabelecida (de leitura e interpretação) com uma partitura não convencional.

As primeiras rupturas no âmbito da notação musical se deram no início do século XX a partir de compositores como Arnold Schoenberg e Luigi Russolo, mas se efetivaram de forma mais intensa com John Cage, Earle Brown, Morton Feldman e Karlheinz Stockhausen, nas décadas de 1940 e 1950. Nas décadas subsequentes, temos Cornelius Cardew, Sylvano

Bussotti e Krzysztof Penderecki. Murray Schafer, o criador do conceito de paisagem sonora, também explorou novas formas de notação musical. No Brasil, podemos destacar as notações de Hans-Joachim Koellreutter e Gilberto Mendes. Na era digital, temos propostas criadas por músicos como Brian Eno, que desenvolveu relações entre som e imagem de forma interativa, até mesmo por meio de aplicativos para dispositivos móveis.

Na proposta 1, converse com os estudantes sobre as possibilidades de leitura de uma partitura não convencional: há horizontalidade clara? Seria possível ler a partitura de modo

1. A partitura musical não convencional pode ser feita em seu caderno ou em folhas de papel avulsas. Use riscadores variados para essa proposta artística musical.

3. Faça experimentos e crie símbolos com pontos, linhas, formas e cores. Invente sua escrita musical desenhada. Uma notação musical inventada, não convencional!

2. Antes de iniciar sua partitura, perceba os sons. Note suas características: forte, fraco, grave, agudo, longo, curto e os diferentes timbres.

4. Lembre que sua partitura precisa também ter símbolos para representar as pausas na música.

vertical ou em outros sentidos? As linhas (caso existam) são lidas como em um livro, com uma sequência, na qual a linha de baixo sucede a linha de cima? Ou as linhas são lidas ao mesmo tempo, como em uma partitura de canto coral com diferentes vozes? É possível ler a mesma notação musical de diferentes formas? Como seriam as qualidades do som produzido a partir dos diferentes signos visuais (nos referindo especialmente aos parâmetros sonoros)?

Qual seria o som aproximado de cada signo visual? De quais formas a partitura poderia ser interpretada? Quais fontes sonoras (voz, instru-

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mentos musicais e fontes não convencionais) poderiam ser exploradas? Como seria a regência dessa partitura?

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Na proposta 2, o objetivo é criar uma partitura não convencional para a já explorada escala de Dó maior. Será preciso usar riscadores para a criação. Ela pode ser feita no caderno ou em folha de papel avulsa. A parte interessante de se usar o caderno é ter registrado os índices do processo nos esboços e ensaios dos estudantes.

Apesar de se estar lidando com a escala de Dó, propõe-se que sejam explorados os parâ-

metros sonoros na partitura, o que significa trazer a ela signos visuais para indicação de diferentes timbres, alturas, intensidades e durações.

Proponha um momento de partilha, para que os estudantes possam mostrar suas criações e apreciar as criações dos colegas. Incentive os estudantes a comentar seus processos criativos e quais signos visuais escolheram para representar as pausas, os sons e seus parâmetros. Estabeleça uma ambiência de trocas e acolhimento, no qual todos possam se expressar e ser respeitados e acolhidos em suas falas.

+Ideias

Proponha aos estudantes que criem uma manossolfa para suas partituras. Pode-se partir da manossolfa estabelecida por Kodaly ou Villa-Lobos e criar gestos para as variações nos parâmetros sonoros ou criar uma manossolfa totalmente nova. Da mesma forma que descrevemos sobre o fechamento da proposta 2 , reserve um momento de partilha para os estudantes mostrarem suas criações.

Sugestão para o professor

• MONTEIRO, Daniel José Mateus. O design e a notação musical: movimentos, elementos, cultura. 2020. Dissertação (Mestrado em Design Gráfico e Projetos Editoriais) – Faculdade de Belas-Artes, Universidade do Porto, Porto, 2020. Disponível em: https://reposi torio-aberto.up.pt/handle/ 10216/129910. Acesso em: 11 set. 2025.

Nesse trabalho acadêmico, Daniel Monteiro faz um estudo profundo sobre a notação musical em diferentes culturas, abrangendo as formas de notação musical convencionais e não convencionais do Ocidente.

BNCC

Habilidades: EF15LP01, EF15AR13, EF15AR14, EF15AR15 e EF15AR17.

TCT: A ampliação de repertório em música e literatura permite o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Proponha aos estudantes uma pesquisa na biblioteca da escola antes de iniciar o trabalho com a seção. Oriente-os a escolher algum livro de poemas da literatura infantil.

Comente com os estudantes que podemos nos inspirar ou fazer adaptações de poemas para criar canções. Proporcione a audição da música Espírito de contradição, de Hélio Ziskind. Proponha a análise da letra da canção, destacando as rimas e a estrutura em versos. Além disso, é importante que eles percebam as possibilidades de criar canções a partir de poemas. Explique que a escritora Ruth Rocha escreveu o poema, que o compositor Hélio Ziskind o transformou em canção e que ela foi interpretada pela cantora Fortuna com o Coral Infantil do Sesc Vila Mariana.

ARTE EM PROJETOS Musicando poemas

Inspirado em um poema de Ruth Rocha, Hélio Ziskind compôs a canção Espírito de contradição, e a cantora Fortuna a interpretou. Vamos conhecer essa canção?

Espírito de contradição

(Introdução) (Kunderodé Tukunderodá) coral)

Grupo 1: Eu disse: sim! você disse: não!

Grupo 2: eu disse: pé! você disse: mão!

Grupo 1: eu disse: biscoito! você disse: pão!

Grupo 2: eu disse: José! você disse: João!

Todos juntos: Espírito de contradição (Bis)

Grupo 1: eu acho bom você acha ruim

Grupo 2: eu acho bonito você acha “o fim”

Todos juntos: mas se pensarmos com muito cuidado vamos descobrir o “por outro lado” (Bis)

ESPÍRITO de contradição. Intérpretes: Fortuna e Coral Infantil do Sesc Vila Mariana. Compositores: Ruth Rocha e Hélio Ziskind. In: NA CASA da Ruth. São Paulo: Selo Sesc, 2008. Faixa 9.

Ao exibir o vídeo da apresentação indicado na seção Sugestão para o professor, destaque o acompanhamento instrumental de saxofone, piano, contrabaixo e bateria e para a alternância das vozes. Faça perguntas mediadoras como: vocês conhecem esta canção?

Conseguem descobrir quais instrumentos musicais estão presentes nesta canção? O que a canção nos diz? Comente com os estudantes sobre a interpretação de uma canção com al-

Além da música, Hélio Ziskind e Fortuna partilham outro elemento em comum: ambos têm ascendência judaica. A presença judaica na música, na literatura e nas artes em geral é notável. Ocorre, entretanto, que a razão pela qual os espaços da arte foram ocupados por pessoas judias foi, muitas vezes, sua segregação (algo que ocorreu com outros povos, como os ciganos). Foi assim que tantos judeus abraçaram as histórias em quadrinhos e o cinema nos Estados Unidos, por exemplo, antes de eles se tornarem uma indústria cultural.

ternância de vozes entre um ou mais cantores e com jogos entre quem canta o refrão e quem canta as diferentes estrofes. Proponha que experimentem esses exercícios com a música Espírito de contradição. Sugira que os estudantes, em conjunto, selecionem um livro e escolham um poema previamente. Na proposta, eles podem explorar o canto à capela e o cânone no momento de interpretar o poema. É importante conduzir as etapas de organização, porém, permitindo que eles tenham autonomia nos processos criativos.

Que tal criar canções a partir de poemas e depois cantar com os colegas?

COMO FAZER

Com o professor e os colegas:

1. Escolham um poema da literatura infantil.

Combine com os estudantes como a escolha do poema será realizada.

2. Experimentem entoar o poema das maneiras mais variadas e explorar a expressão e a sonoridade das palavras e os ritmos que elas formam. Vocês podem cantar à capela, bem como com o acompanhamento de instrumentos musicais ou de objetos sonoros.

3. Com base nas experimentações do passo anterior, escolham um ritmo e gênero musical (rock, samba, ciranda ou outro) para musicar o poema.

4. Dividam-se em dois grupos para interpretar a canção (vocês podem usar o poema inteiro ou apenas um trecho dele), decidindo qual parte cada grupo cantará e quando cantarão todos juntos.

Para esta proposta, proponha aos estudantes que façam experiências com o canto em cânone.

Nesta seção, é importante avaliar a participação, a interpretação, a interação e a criação dos estudantes ao longo das propostas. Observe durante as interpretações se os estudantes percebem e exercitam os parâmetros sonoros altura, intensidade, duração, timbre e densidade e se compreenderam a estrutura do poema e sua entonação. Os registros realizados por eles são importantes, pois podem mostrar facilidades e dificuldades de cada um.

QUEM É?

Hélio Ziskind (1945-) nasceu no município de São Paulo, estado de São Paulo. Ele é músico e compositor de músicas para crianças e jovens.

QUEM É?

Fortuna (1958-) nasceu no município de São Paulo, estado de São Paulo. Ela é cantora e tem vários projetos musicais, muitos deles realizados com crianças.

+Ideias

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Pode-se articular esta situação de aprendizagem de forma interdisciplinar com Língua Portuguesa. A escolha de um poema da literatura infantil para a criação de uma canção será feita de forma coletiva com base no repertório da turma ou a partir da seleção conjunta de um livro na biblioteca da escola. Envolva os estudantes na escolha e peça que compartilhem opiniões sobre o poema

escolhido. Ao final da interpretação, peça que realizem registros em seus cadernos, com comentários ou desenhos de como foi a experiência de interpretar o poema. É interessante fazer registros fotográficos ou filmagens dos momentos de criação, ensaio e interpretação.

Sugestão para o professor

• EPISÓDIO 118: os judeus na cultura pop , com Gabi Franco. Publicado por: Torá com Fritas. 2025. 1 vídeo (ca. 85 min). Disponível em: www.youtube.com/watch? v=EFfcKCXn1Rw. Acesso em: 11 set. 2025. Episódio do podcast Torá com Fritas, dedicado à cultura judaica, aborda a contribuição dos judeus para a cultura pop e os fatores que os levaram à sua forte presença na música e outras linguagens artísticas.

Sugestão para o estudante

• ESPÍRITO de contradição. Publicado por: Fortuna Oficial. 2021. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: www.you tube.com/watch?v=iVMI gHyHAJ8. Acesso em: 11 set. 2025.

Vídeo com o áudio da versão da canção Espírito de contradição interpretada por Fortuna e Coral Infantil do Sesc Vila Mariana.

• NA CASA da Ruth: espírito de contradição: Fortuna. Publicado por: Fortuna Oficial. 2011. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: https://you tu.be/Z6WY7Ln4kYs. Acesso em: 11 set. 2025. O vídeo mostra a apresentação da canção Espírito de contradição , com arranjos musicais de Hélio Ziskind e interpretada pela cantora Fortuna e pelo ator Rafael Zolko.

IVANROCHA

BNCC

Habilidades: EF15LP15 e EF15AR18.

TCT: A ampliação do universo literário por meio de uma das mais emblemáticas obras da dramaturgia brasileira e a abertura para o estudo dos profissionais ligados à área teatral colaboram com o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo e do TCT Economia.

Organize-se

• A ambiência neste momento é voltada à leitura de imagem e texto. Pode-se organizar a sala com carteiras arranjadas em grupos, para que os estudantes possam realizar a leitura em conjunto e conversar sobre o fragmento do texto teatral e sobre o que lhes chamou atenção na fotografia.

ENCAMINHAMENTO

Proponha uma roda de conversa para este momento de nutrição estética, a fim de levantar os conhecimentos prévios dos estudantes e sensibilizá-los para o estudo da imagem apresentada. Converse com eles sobre a imagem da cena do espetáculo e o texto de Pluft, o fantasminha. O fragmento do texto permite aos estudantes conhecer o personagem principal, Pluft, e sua característica cômica: ter medo de gente. Escrita por Maria Clara Machado em 1955, a peça joga com a inversão da relação entre pessoas e fantasmas (o medo, geralmente, se dá por parte das pessoas), antecipando algo que apareceria décadas depois, por exemplo, na animação Monstros S.A. (2001). Essa inversão traz uma

2 A ARTE EM CENA

virada psicológica na qual o medo deixa de ser unilateral, de humanos para fantasmas, e vira um jogo de espelhos (com o fantasma também temendo humanos).

Leia o texto e converse com os estudantes sobre como é realizada a montagem de uma peça teatral. Este momento traz a oportunidade de sondar os conhecimentos prévios dos estudantes sobre o tema. Saliente que este é apenas o início da conversa sobre o tema.

Solicite aos estudantes que registrem o que ficou da conversa em seus cadernos, contribuindo para a formação de um panorama acerca do percurso de aprendizagem. Observe e acompanhe a participação dos estudantes nos momentos de apreciação de imagens e verifique como se expressam oralmente e colocam suas hipóteses.

VENHA CRIAR E ENCENAR!

Pluft — Mamãe!

Mãe — O que é, Pluft?

Pluft — [...] Mamãe, gente existe?

Mãe — Claro, Pluft. Claro que gente existe.

Pluft — Mamãe, eu tenho tanto medo de gente! [...]

Mãe — Bobagem, Pluft

MACHADO, Maria Clara. Pluft, o fantasminha São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002. p. 6.

Você sabe como é a montagem de uma peça teatral?

A arte do teatro é construída por muitos processos de trabalho e por muitas pessoas. Do texto teatral à apresentação dos atores, tudo é planejado e realizado por muitos profissionais. Vamos descobrir mais sobre o universo da linguagem teatral?

Venha criar e encenar!

com cena do espetáculo Pluft, o fantasminha, em apresentação no município de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, em 2014.

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+Ideias

Pode-se conversar com os estudantes sobre o medo. Para começar, faça perguntas mediadoras como: será que há coisas que são assustadoras apenas pelo que elas são? Pluft tem medo de gente. Todas as pessoas seriam seres assustadores? Por que Pluft tem medo de gente? O que é ter medo? Do que vocês têm medo? Alguém já teve medo de algo e agora não tem mais? Como podemos fazer para lidar com o medo?

Dar nome e forma ao medo pode ser uma estratégia para lidar com ele. “Tenho medo de ficar só no escuro”, por exemplo. Pode-se transformá-lo em algo visual, desenhando o medo como um monstrinho ou dando alguma outra forma a ele. Narrativas que abordam o medo (como Pluft, o fantasminha ) ajudam as crianças a lidar com seus próprios medos, reconhecendo que é algo normal, possível de lidar e até mesmo superar.

Exercícios de respiração podem ajudar a aliviar a tensão em situações de medo, e po -

de-se praticá-los com os estudantes. Há elementos que ajudam a fortalecer o sentimento de segurança da criança, como portar algum objeto especial ou dizer alguma palavra ou frase de proteção. Como se trata de um sentimento legítimo e, muitas vezes, bastante intenso, é importante a escuta e o acolhimento aos estudantes, sem deboches ou diminuições.

O poder das histórias, sejam elas contos, mitos e lendas de tradição oral, romances, peças teatrais, entre outras formas narrativas, podem provocar sensações de medo nos estudantes, as quais devem ser respeitas e trabalhadas constantemente através de enfrentamento e superação desse sentimento.

Sugestão para o professor

• PLUFT, o fantasminha: 2013. Publicado por: Teatro O Tablado. 2020. 1 vídeo (ca. 57 min). Disponível em: www.youtube.com/watch? v=LEUCcG9LkoY. Acesso em: 12 set. 2025.

O vídeo traz um breve relato de Maria Clara Machado e sua relação com o medo como base para a criação de Pluft, o fantasminha. Traz também imagens da trajetória da companhia O Tablado, principal difusora das peças de Machado. • PLUFT, o fantasminha. In : ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural. Itaú Cultural, 2016. Disponível em: https://enciclope dia.itaucultural.org.br/obras/ 183107-pluft-o-fantasminha. Acesso em: 12 set. 2025.

Verbete sobre a peça teatral Pluft, o fantasminha abordando sua recepção pela crítica especializada em 1955.

BNCC

Habilidades: EF15AR18 e EF15AR19.

TCT: O estudo da linguagem teatral, suas formas e seus gêneros e dos profissionais ligados à área teatral colaboram com o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo, do TCT Economia e do ODS 8: Trabalho Decente e Crescimento Econômico.

Organize-se

• Pode-se manter a organização da sala utilizada na situação de aprendizagem anterior ou fazer uma nova configuração mais adequada à nutrição estética, por exemplo, caso esta venha a ser realizada. Para realizar a nutrição estética, prepare antecipadamente a curadoria educativa dos vídeos e das imagens que serão compartilhados com os estudantes.

ENCAMINHAMENTO

Leia a primeira parte do texto com os estudantes e converse com eles sobre os diferentes profissionais que podem fazer parte de uma montagem teatral. Pergunte se eles conhecem os ofícios citados e amplie os conhecimentos sobre eles. Converse também sobre as diferentes formas e gêneros teatrais, como o teatro de animação, que inclui o teatro de máscaras, de bonecos e de objetos. No teatro contemporâneo há, inclusive, propostas de encenação sem atores, sendo o público simultaneamente ator e plateia, como é a proposta do Panorama Kino Theatre, fundado em 2015, na

Por muitos e de muitas formas

Ao assistir a um espetáculo teatral, o que será que mais lhe chamaria a atenção?

Provoque uma conversa com os estudantes levantando hipóteses. Caso eles não tenham contato com teatro, sugerimos mostrar cenas em vídeo.

Luzes, sons, cenários, figurinos, atores e atrizes! Tudo isso pode chamar a atenção, mas o que será que tem por trás dos espetáculos teatrais? Quem são os trabalhadores dessa arte? Atores e atrizes, diretores, dramaturgos, cenógrafos, figurinistas, iluminadores, sonoplastas e tantos outros profissionais podem atuar para que um espetáculo teatral aconteça.

Além disso, existem diversas maneiras de fazer teatro: com atores em cena, com bonecos, com sombras e tantos outras. Assim, para cada espetáculo teatral, profissionais diversos também podem ser convidados. Hoje em dia, o espetáculo de teatro pode ser apresentado em lugares diferentes. O palco pode ficar em um teatro, dentro de um edifício, em um lugar público como na rua ou em uma praça ao ar livre. O teatro é uma arte feita por muitos e de muitas formas! Observe as imagens a seguir.

Suíça. Nele, uma parte do público se coloca como plateia em uma estrutura fechada como um minicinema. A estrutura tem mecanismo giratório, e enquanto ela gira, tem-se um panorama do espaço do entorno. A outra parte do público é convidada pelos membros da companhia a improvisar cenas, que são assistidas pela plateia como acontecimentos no espaço do entorno (veja mais em Sugestão para o professor).

Faça a leitura das imagens, chamando atenção para os diferentes elementos de cena e as formas de fazer teatro. Leia a continuidade do texto com os estudantes, estabelecendo conversações sempre que for oportuno. Se for possível, promova uma situação de nutrição estética com uma curadoria de vídeos e imagens dos referenciais abordados (há algumas indicações em Sugestões para o professor).

Companhia Caixa do Elefante apresentando a peça Banda Salsicha Recheada no Festival Internacional de Teatro de Bonecos, no Rio Grande do Sul, em 2008.
GUTO MUNIZ

Espetáculo Pluft, o fantasminha em apresentação no município de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, em 2014.

O texto Pluft, o fantasminha é uma história feita para teatro com diálogos e descrições de cenas. Nessa história escrita pela dramaturga Maria Clara Machado , um fantasma que tinha medo de pessoas faz amizade com uma menina e, a partir daí, vive várias aventuras com sua nova amiga.

Observe a imagem da cena do espetáculo: ator e atriz usam corpo e voz para representar seus personagens. Com o corpo, eles se movimentam, fazem gestos e expressões faciais. Com a voz, eles expressam as falas dos personagens. No teatro, gesto e voz estão conectados.

Mas existem atores que podem fazer teatro sem usar a palavra, como é o caso da mímica. O artista Marcel Marceau foi um mestre nessa arte. Ele é considerado um dos maiores mímicos da história do teatro.

QUEM É?

Maria Clara Machado (19212001) foi escritora e dramaturga. Ela nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, e é considerada uma das maiores referências do teatro infantil no Brasil.

Dramaturgo: pessoa que escreve peças de teatro.

A mímica , também chamada pantomima, é o teatro do movimento, do gesto e da expressão facial. Nessa forma de teatro, o ator não usa a voz para se expressar.

Marcel Marceau (1923-2007) foi um artista francês que espalhou pelo mundo inteiro o que ele chamou de “arte do silêncio”. Ele é o criador do personagem Palhaço Bip, de rosto pintado de branco, roupas velhas e chapéu com uma flor.

A mímica é uma forma de expressão artística e corporal em que a comunicação acontece sem o uso da fala, apenas por meio de gestos, posturas, expressões faciais e movimentos do corpo. A fisicalização é um dos elementos teatrais mais aprimorados nesta arte. Ela consiste no processo de tornar físico com o corpo algo que não é físico por si só, como uma emoção, um pensamento, uma situação ou até um objeto imaginário. É neste aspecto que os mímicos mais se destacam, fisicalizando paredes, objetos pesados, cordas e outros.

Observe e acompanhe a participação dos estudantes nas rodas de conversa e nos estudos, verificando como recebem a opinião dos colegas, como se expressam, se ficam curiosos para saber mais, entre outras observações.

+Ideias

Leia com os estudantes a ficha técnica de uma montagem teatral para identificar os diferentes profissionais que atuam para viabilizar e realizar uma montagem teatral. A depender da ficha escolhida, estarão compreendidos inclusive profissionais que atuam de forma mais indireta, como motoristas e profissionais que cuidam da alimentação do grupo.

Sugestão para o professor

• ARQUIVO especial Marceau. Publicado por: Jornalismo TV Cultura. 2011. 1 vídeo (ca. 1 min). Disponível em: www. youtube.com/watch?v=HA XvRe9ipuk. Acesso em: 12 set. 2025.

Trecho do Jornal da Cultura , da TV Cultura de São Paulo, que traz matéria sobre Marcel Marceau.

• MARCEL Marceau: The Sideshow [1975]. Publicado por: Circofrenia. 2018. 1 vídeo (ca. 7 min). Disponível em: www.youtube.com/wat ch?v=8WxD50g37So. Acesso em: 12 set. 2025. Apresentação de Marcel Marceau e seu Palhaço Bip com um primoroso trabalho de fisicalização.

• NA TRILHA do elefante. c2025. Disponível em: www. youtube.com/@natrilhado elefante3351. Acesso em: 12 set. 2025.

Canal da websérie Na trilha do elefante, mostrando os bastidores da companhia teatral Caixa do Elefante de teatro de animação.

• PANORAMA KINO THEATRE. Instagram: @pankino theatre. Disponível em: www.instagram.com/pan kinotheatre/. Acesso em: 12 set. 2025. Perfil do Panorama Kino Theatre por meio do qual se pode conhecer sua inovadora e lúdica proposta teatral.

BNCC

Habilidades: EF15AR19, EF15AR20 e EF15AR22.

TCT: A experiência da linguagem teatral abrangendo experimentação dramatúrgica, de direção, de figurino e de cenário colabora com o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo e do TCT Economia (por abordar aspectos ligados a diferentes ofícios teatrais).

ENCAMINHAMENTO

Sugere-se organizar os estudantes em espaços amplos da escola, como o pátio, o parque ou uma sala vazia. Se não for possível, organize as mesas e cadeiras da sala de aula a fim de criar espaços mais livres. Pode-se disponibilizar materiais para criação de figurinos e cenários. Promova o aquecimento do corpo e exercícios breves de respiração, pois eles contribuem para a concentração e a preparação dos estudantes. As tecnologias digitais podem ser aliadas no registro dos processos de criação e experiências artísticas.

Organize as etapas da situação de aprendizagem considerando o tempo e o aprofundamento pretendido em acordo com o seu planejamento escolar.

Para a seção Arte-aventura: Contando histórias no teatro , promova uma experiência dramatúrgica simples considerando as características desse gênero textual específico. Pode-se trazer um fragmento de Pluft, o fantasminha como exemplo de texto dramatúrgico. Oriente os estudantes para a redação de diálogos curtos, algumas rubricas e possíveis divisões de cenas.

ARTE-AVENTURA Contando histórias no teatro

4. Há muitas formas de criar no teatro. Aqui, propomos estabelecer uma narrativa com início, desenvolvimento e finalização. Porém, os estudantes podem escolher fazer mais cenas.

Combinem com os colegas uma história para contar em forma de cenas teatrais. Vamos contar essa história? Sigam o passo a passo e vejam como fazer. A atividade pode ser feita em conjunto com o professor de Língua

Portuguesa. Para isso, verifique se os estudantes estão estudando algum livro que possa ser transformado em peça teatral.

1. Vocês serão os dramaturgos, então escolham qual história vão contar. Inventem uma história ou escolham a história de um livro ou um caso conhecido em sua região.

3. Alguém pode ser o diretor que vai ajudar a montar cada cena. Os outros poderão ser os atores. Figurinos e cenários podem ser imaginários ou improvisados com tecidos, papéis, objetos de cena e outras materialidades. Não se esqueçam de combinar quem será uma parte fundamental do espetáculo: o público.

2. Identifiquem quem são os personagens e qual será a participação de cada um deles na história.

4. Separem a história em três partes, que serão as cenas que vocês apresentarão. Criem uma descrição para cada cena. Estabeleçam os diálogos de cada personagem e a ordem das falas de cada um.

5. Decorem as falas e improvisem as cenas.

Na etapa 1, oriente a escolha da história ou do enredo de cena.

Na etapa 2, comente sobre os personagens da cena, considerando que podem ser personagens novos, no caso de uma cena inédita, ou personagens presentes em uma história escolhida por eles. Nos dois casos, é interessante instigar os estudantes a se aprofundar em seus personagens.

Na etapa 3, indique aos estudantes as possibilidades de participação na montagem a partir de diferentes funções, com destaque para a direção e a atuação, mas pode-se explorar outras funções, como figurino e cenografia. Se possível, desenvolva o trabalho com a materialidade do figurino e do cenário com os estudantes.

Meu amigo é minha sombra

Que tal brincar de Sombra? Veja como:

1. Formem dupla com um colega.

2. Combinem quem será o mestre, ou seja, quem vai fazer movimentos inventados e livres, como gestos de andar, brincar, praticar esporte, entre outras possibilidades.

3. O outro vai imitar os gestos do mestre como se fosse sua sombra. Todos os movimentos deverão ser repetidos ou imitados procurando similaridade.

4. Lembrem que aquele que for a sombra não poderá usar a voz. Para praticar a arte da mímica e imitar os movimentos do colega, usem apenas gestos, expressões corporais e faciais.

Na etapa 4, há duas possibilidades de divisão das partes da história. Uma é uma única cena dividida em início, desenvolvimento e conclusão. Outra é ter cada uma dessas etapas como cenas independentes. A escolha impacta tanto na dramaturgia quanto na encenação.

Na etapa 5, oriente os estudantes a experimentar as falas escritas com leituras sem in-

terpretação e leituras com diferentes entonações, sempre em voz alta. Peça para eles repetirem diversas vezes as leituras em voz alta explorando as possibilidades do texto. Para o momento de improvisação, pode-se indicar para os estudantes improvisarem as cenas com os textos em mãos ou para improvisarem livremente a partir do texto. Não é o caso de solicitar que as falas sejam decoradas. Orga-

nize as apresentações e uma roda de conversação para os estudantes se expressarem acerca do processo.

Garanta que todos recebam aplausos por suas apresentações de forma igualitária. Peça para que os estudantes não aplaudam nenhuma apresentação em particular, mas aplaudam todos de uma vez após as apresentações se encerrarem.

Para realizar a situação de aprendizagem em Arte-aventura: Meu amigo é minha sombra , verifique a ambiência adequada. Oriente os estudantes acerca da proposta lúdica da sombra, um recurso muito usado em teatro, mímica, palhaçaria e humor físico. Pode-se realizar a fruição de vídeos que apresentem a sombra. Conduza as etapas de acordo com a dinâmica da aula e do grupo. Crie uma roda de conversa ao final para dialogar sobre a experiência.

Sugestão para o estudante

• OS SOMBRAS. Publicado por: TVSombra. 2011. 1 vídeo (ca. 2 min). Disponível em: www.youtube.com/watch? v=cg-IaPNguH8. Acesso em: 12 set. 2025.

Santiago Galassi traz gravações de seu mímico, O Sombra, realizando mímicas e sombras na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ).

Sugestão para o professor

• SPOLIN, Viola. Jogos teatrais : o fichário de Viola Spolin. São Paulo: Perspectiva, 2001.

Material reúne, em forma de fichas, diferentes jogos teatrais.

BNCC

Habilidades: EF15AR19, EF15AR20 e EF15AR22.

TCT: Ao tratar de uma peça que reforça a importância da segurança no trânsito, é abordado o TCT Cidadania e Civismo.

ENCAMINHAMENTO

Leia o texto de abertura junto com os estudantes. Ressalte a abrangência de temas que podem ser abordados pelo teatro, desde questões emocionais, situações fantásticas, acontecimentos históricos até questões que fazem parte do cotidiano dos estudantes. É o caso das questões de mobilidade e trânsito.

A educação para o trânsito é um conjunto de ações, práticas e conhecimentos voltados a formar cidadãos conscientes, responsáveis e solidários na utilização dos espaços públicos de circulação (ruas, avenidas, rodovias, calçadas etc.). Ela envolve mais do que ensinar regras e sinais de trânsito e volta-se à promoção de valores, atitudes e comportamentos seguros para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres, colaborando para a redução de acidentes, a preservação de vidas e a melhora da convivência social.

Oriente os estudantes acerca das etapas do processo criativo da cena voltada à educação no trânsito.

Na proposta 1, há indicadores que ajudam a organizar o processo criativo. Após o planejamento, solicite aos estudantes que formem duplas, trios ou grupos para encenar. Cada grupo decidirá como será a cena final, que pode ser elaborada por um dos membros do grupo ou uma cena nova abrangendo as diferentes propostas individuais. Combine com os estudantes um tempo para

Teatro em trânsito DIÁLOGOS

Pela linguagem do teatro, podemos pensar e debater muitos assuntos, como as questões que envolvem a mobilidade e o trânsito nas grandes cidades e rodovias.

No espetáculo Vrum, Vrum, Trânsito Legal, os atores e as atrizes em cena convidam os espectadores a viajar por histórias. Ao mesmo tempo, eles discutem a importância da segurança no trânsito, propondo reflexões sobre temas como:

Espetáculo Vrum, Vrum, Trânsito Legal Apresentação no município de São Paulo, estado de São Paulo, em 2023.

• quando for passageiro em um carro, usar o cinto de segurança e sentar no banco de trás, respeitando o limite de idade;

Espectador: o público, as pessoas que assistem a um espetáculo.

• prestar muita atenção ao atravessar a rua e sempre usar a faixa de pedestre;

• respeitar os sinais de trânsito, observando as cores e os sinais sonoros dos semáforos;

• não usar celular ao caminhar ou ao atravessar a rua;

• não colocar as mãos ou a cabeça para fora das janelas dos automóveis;

• combater qualquer forma de violência, inclusive as cometidas no trânsito.

Que tal criar uma cena teatral para divulgar mensagens sobre um trânsito legal em sua cidade ou região? O que seria importante expressar em sua cena teatral?

1 Crie um desenho para planejar sua cena e descreva:

a) o tema abordado.

b) a cena.

c) os personagens.

d) os cenários.

e) as falas dos personagens.

Produção pessoal. Sugira aos estudantes que se expressem por meio de desenhos no caderno ou em folhas de papel avulsas, suportes maiores ou outras propostas de criação.

improvisar e ensaiar as cenas por eles estabelecidas. Prepare o ambiente para as apresentações, combinando com os estudantes como será a disposição da plateia e qual será a ordem de apresentação dos grupos. Ao final das apresentações, estabeleça uma roda de conversação para que os estudantes possam se expressar acerca do processo.

Sugestão para o professor

• SILVA, Maksuel Luz Nunes da. Educação para o trânsito: uma parceria em prol da vida. 2017. Monografia (Pós-graduação em Segurança Viária Urbana) – Universidade Federal do Tocantins, Araguaína, 2017. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/4634. Acesso em: 12 set. 2025.

Monografia elaborada no curso de pós-graduação em Segurança Viária Urbana aborda o conceito de educação para o trânsito e sua relevância no contexto escolar.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

Habilidades: EF15AR19, EF15AR20 e EF15AR22.

Os elementos do teatro

No teatro, o público e os atores são fundamentais, mas já vimos também que existem muitos outros profissionais envolvidos no fazer teatral. Que tal conhecer mais sobre alguns elementos que compõem uma peça de teatro?

Cenário é a reunião de móveis e objetos que compõem uma cena.

Maquiagem é a pintura facial ou corporal dos atores.

Figurino é o conjunto de roupas e acessórios usados pelos atores.

Iluminação é o conjunto de luzes e efeitos luminosos que iluminam o palco e os atores.

Sonoplastia é a técnica que produz os efeitos sonoros e as músicas de uma peça teatral, também chamada trilha sonora.

1 Agora, crie um personagem! Pense em como ele ou ela é, onde vive, o que faz, sua personalidade e outras características. Como se veste? Como é seu figurino? Lembre que o figurino expressa as características e a personalidade de um personagem.

Produção pessoal.

2 Você já assistiu a filmes, animações ou espetáculos teatrais com trilhas sonoras? Qual é sua preferida? Converse com os colegas sobre efeitos e trilhas sonoras de que vocês gostaram e depois anote sobre o que conversaram.

Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.

26/09/25 13:23

ENCAMINHAMENTO

Leia o texto e as imagens com os estudantes.

Informe aos estudantes que a trilha sonora pode ser composta especificamente para um espetáculo teatral ou pode-se utilizar uma música já composta anteriormente, o que inclui os direitos autorais da música.

Amplie a conversa dizendo aos estudantes que, mesmo abrindo mão de alguns desses elementos da linguagem teatral, podemos fazer teatro ou improvisar cenas.

Na proposta 1 , peça aos estudantes que desenvolvam seus personagens anotando em seus cadernos esboços, desenhos e registros de ideias, assim como a versão consolidada de seus personagens. Estabeleça um momento para o compartilhamento das criações entre eles.

Na proposta 2 , estabeleça uma roda de conversação salientando os elementos cênicos ligados ao som, aos efeitos e às trilhas sonoras. Oriente os estudantes a realizar o registro da conversa em seus cadernos de arte.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

Habilidades: EF15LP18 e EF15AR20.

TCT: A experiência da linguagem teatral abrangendo a experimentação cenográfica colabora com o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo e do TCT Economia.

Organize-se

• Para esta situação de aprendizagem, pode-se criar uma disposição de carteiras que facilite a troca de materiais entre os estudantes. Além disso, serão necessários os seguintes materiais: folhas de papel grandes (como cartolina ou papel-cartão), riscadores diversos (lápis preto macio, canetas hidrográficas coloridas, lápis de cor) e tesoura com pontas arredondadas.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a ambiência para a criação de projetos cenográficos inspirados em plantas baixas. A disposição da sala pode ser alterada, colocando as carteiras de frente ou criando grupos de quatro carteiras em forma de cruz, caso se proponha uma criação coletiva.

Leia o texto sobre cenografia com os estudantes. Leia as imagens de plantas baixas cenográficas trazidas no livro. É possível aproveitar este momento para aprofundar o estudo sobre plantas baixas e como realizar sua leitura (ver +Ideias).

O nome cenografia remonta à antiguidade grega, cerca de V a.C., como o “desenho da cena”. Skēnē designava tenda ou barraca e, posteriormente, palco, enquanto graphía designava desenho ou pintura. Da conjunção

ARTE EM PROJETOS Construindo cenários

Que tal construir um cenário?

A cenografia é um elemento importante do teatro. É por meio dela que a plateia obtém informações sobre o tempo e o local onde a história acontece.

O cenário pode provocar na plateia sensações de alegria, medo, frieza, entre outras, ampliando a percepção sobre o texto encenado. Antes de fazer um cenário, o cenógrafo desenha suas ideias em uma planta baixa.

Cenografia é a arte e a técnica de construir cenários para o teatro ou cinema, delimitando o espaço cênico, ou seja, o espaço onde o espetáculo ocorrerá.

A planta baixa, no teatro, é uma visão aérea da cena, formada pela criação do cenógrafo e pela representação gráfica do cenário, isto é, o desenho de um ambiente visto de cima. É o projeto cênico de um espetáculo de teatro.

Se você fosse desenhar um cenário para uma história, como ele seria? Onde se passaria sua história? Quais objetos você desenharia? Tudo isso depende de como a narrativa será contada, de modo a despertar sensações em quem assiste ao espetáculo. Vamos criar uma planta baixa?

Na planta baixa, existem os desenhos dos móveis e dos objetos que vão fazer parte da cena da peça de teatro. Veja um exemplo para você criar projetos para cenários.

dos termos temos skēnographía , traduzido para nossa língua como cenografia. O termo aparece na obra Poética ou Arte poética de Aristóteles, que atribui a origem da cenografia grega a Sófocles quando este introduziu o terceiro ator no teatro.

Existem diferentes caminhos para a realização da criação do projeto cenográfico. As criações podem ser individuais, com os estudantes criando os elementos cenográficos específicos para seus projetos, ou coletivas, nas quais os estudantes podem criar elementos cenográficos que serão compartilhados com o grupo para a elaboração do projeto cenográfico.

Antes de dar início ao processo de experimentação do projeto cenográfico, converse com os estudantes ou grupos de estudantes sobre a história ou a cena para a qual o cenário será elaborado. Pode-se retomar a cena elaborada ou escolhida por eles na situação de aprendizagem anterior (página 105).

Em seguida, distribua os materiais e auxilie na realização das diferentes etapas do processo criativo. Auxilie na questão da escala, mesmo que seja de forma aproximada, para que os elementos criados estejam proporcionais entre si (por exemplo, uma cadeira não deve estar maior que um automóvel).

Após o processo de criação do projeto cenográfico, pode-se apresentar uma proposta lúdica aos estudantes, na qual eles brinquem com suas histórias ou cenas, levando seus personagens para o cenário. Para isso, oriente-os a criar seus personagens em papel de modo que eles possam ficar em pé (com uma pequena base, por exemplo).

Sugere-se na situação de aprendizagem a pesquisa acerca de diferentes gêneros literários e histórias neles presentes. A proposta que segue é fazer adaptações das histórias para o teatro, criando cenas dialogadas. As

adaptações podem ter como critério a transposição da história para os cenários criados por eles neste Arte em projetos.

13:23

Ao final do percurso proposto nesta seção, organize uma roda de conversação com os estudantes na qual eles possam se expressar acerca de seus processos, desafios, descobertas, soluções, criações, desejos etc.

+Ideias

A planta baixa é um recurso visual utilizado não apenas como planejamento e organização da cenografia. Ela é um diagrama cujas

origens estão na área da Arquitetura. Pode-se trabalhar com os estudantes a leitura de plantas baixas, comparando versões mais ilustrativas (as plantas baixas humanizadas) para o público em geral e versões técnicas arquitetônicas. Ver em Sugestões para o professor a indicação de matérias que trazem exemplos visuais das plantas baixas.

Sugestão para o professor

• QUAL A diferença entre a planta baixa e o projeto arquitetônico? Rio de Janeiro: Arquiprojetos, 25 set. 2019. Disponível em: https://aquiprojetos.com/ blog/qual-a-diferenca-entre -planta-baixa-e-o-projeto -arquitetonico. Acesso em: 12 set. 2025.

Matéria que aborda a planta baixa no contexto da Arquitetura trazendo bons exemplos visuais.

• O QUE é uma planta baixa. Holambra: Archshop, c2025. Disponível em: https:// archshop.com.br/o-que-e -uma-planta-baixa. Acesso em: 12 set. 2025.

Matéria que aborda a planta baixa e seus tipos, com exemplos visuais de planta baixa humanizada, técnica e digital.

• ARISTÓTELES. Arte poética. São Paulo: CultVox, 2001. Disponível em: http://www. dominiopublico.gov.br/pes quisa/DetalheObraForm. do?select_action=&co_ obra=2235. Acesso em: 12 set. 2025.

Arte poética de Aristóteles (ou Poética , no título original em grego) é uma das obras mais influentes da teoria literária e teatral ocidental. Escrita por volta do século IV a.C., é considerada o primeiro tratado sistemático sobre a arte da dramaturgia, com foco especial na tragédia grega.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

ENCAMINHAMENTO

A questão 1 retoma a definição de partitura. Há diversas maneiras com as quais os estudantes podem formular a descrição. Verifique se sua descrição traz no cerne a representação visual dos sons na linguagem musical.

A questão 2 traz duas formas de representação visual dos sons, uma partitura convencional com símbolos característicos, como a clave de Sol, a fórmula de compasso e os desenhos das notas musicais indicando sua altura e duração. Mesmo que os estudantes não conheçam a fundo os códigos convencionados, é importante que consigam discernir a diferença visual entre a partitura convencional e uma não convencional, como a de Antonio Peticov, a outra forma de representação, que mesmo inscrita em pautas (ou pentagrama) traz códigos visuais não convencionais.

A questão 3 reforça os princípios de saúde vocal abordados nesta unidade. O item a se configura principalmente como retomada de um elemento significativo que impacta na qualidade de vida dos estudantes. O item b aborda a técnica desenvolvida para aquecer, preparar e exercitar a voz, o vocalise, que pode ser descrito pelos estudantes como exercício ou aquecimento vocal.

A questão 4 recupera o estudo acerca dos elementos teatrais: cenário (ou cenografia), maquiagem, figurino, iluminação e sonoplastia. Os estudantes podem se valer de outros nomes e variar como descrevem cada um dos elementos. Além de verificar se o cerne dos conceitos está correto, procure

PARA REVER O QUE APRENDI

1 O que é uma partitura?

Partitura é uma forma de representar os sons para escrever músicas. As partituras mais utilizadas foram criadas há muito tempo, seguem as mesmas regras e utilizam os mesmos símbolos, que são usados no mundo todo.

2 Em seu caderno, anote de qual tipo são as partituras a seguir. a)

Léa (Bertha

Parabéns

partitura.

reforçar os nomes mais usuais dentro da linguagem teatral.

A questão 5 reforça a questão anterior, mas em forma de criação visual. Essa variação permite avaliar se os estudantes associam os conceitos à sua prática. Eles podem não trazer precisão em seus desenhos, por isso, recomenda-se conversar com eles sobre suas

criações, pois na fala pode ficar mais evidente a compreensão dos elementos de linguagem do que na representação visual em si. Isso não significa que a compreensão se deu apenas de forma conceitual, pois o fazer visual requisita a elaboração imagética mental acerca da disposição e o uso dos elementos teatrais tal como poderiam ser em uma situação real.

MAGALHÃES,
Homem de Mello).
a você. 1942. 1
Versão em língua portuguesa da canção Happy Birthday to You, de Mildred Hill e Patty Hill, de 1893. Partitura convencional.
Música nova (New Song), de Antonio Peticov, 1988. 70 cm x 50 cm. Partitura não convencional.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.

3 Você se lembra do que precisamos fazer para cuidar da voz?

a) Converse com os colegas sobre quais são as afirmações corretas e as copie em seu caderno.

Beber água com regularidade.

Dormir bem.

Gritar muito.

la - le - li - loluuuuuuuu

Os estudantes devem copiar todas as afirmações, exceto “Gritar muito”.

Fazer exercícios vocais antes de cantar.

b) E antes de cantar, o que é importante fazer?

Antes de cantar, é importante fazer vocalises. Os estudantes também podem responder “fazer exercícios com a voz” ou “fazer exercícios vocais”.

4 Discuta com os colegas quais são os elementos do teatro e a importância de cada um deles. Anote em seu caderno suas conclusões.

Espera-se que os estudantes respondam que cenário é a reunião de móveis e objetos que compõem uma cena; maquiagem é a pintura facial ou corporal dos atores; figurino é o conjunto de roupas

SEVENTYFOUR/SHUTTERSTOCK.COM e acessórios de uma peça teatral; Iluminação é o conjunto de luzes e efeitos luminosos que iluminam o palco e os atores em uma cena; sonoplastia é a técnica que usa efeitos sonoros e músicas em uma peça, também chamada trilha sonora.

5 Em uma folha de papel avulsa, crie um desenho que mostre os elementos teatrais Produção pessoal. Espera-se que os estudantes representem elementos como: cenário, maquiagem, figurino, iluminação e sonoplastia.

Finalizamos a unidade com questões avaliativas que colaboram com a identificação do desenvolvimento das habilidades relacionadas aos estudos propostos. Esta não é a etapa principal do processo avaliativo, mas uma parte específica que deve ser compreendida como parte de um percurso maior de aprendizagem. É importante salientar que o desenvolvimento das habilidades não é tecnicamente mensurável dentro de um prazo específico, pois o próprio desenvolvimento cognitivo de cada estudante é singular e não linear. O caráter da avaliação, portanto, não é punitivo ou absoluto, mas uma forma de se estabelecer uma visão global sobre os impactos, as assimilações, as aquisições, as dificuldades e os avanços dos estudantes, de modo a apontar caminhos para o ajuste de rotas, planejamentos e propostas.

Sugestão para o professor

• CERQUEIRA, Gustavo Melo. Avaliação em artes e em teatro . Salvador: UFBA, 2022. Disponível em: https: //repositorio.ufba.br/hand le/ri/36734. Acesso em: 12 set. 2025.

Material produzido pela Escola de Teatro da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Superintendência de Educação a Distância, aborda a avaliação em Arte, em geral, e em Teatro, em particular. O material conta com aspecto histórico, reflexões acerca dos desafios que se colocam, a avaliação na BNCC e sistemas, modalidades, técnicas e instrumentos avaliativos.

SEVENTYFOUR/SHUTTERSTOCK.COM

INTRODUÇÃO À UNIDADE

Nesta unidade, são apresentadas manifestações culturais a partir da perspectiva do patrimônio cultural e da cultura tradicional brasileira. No capítulo 1, é apresentada a tradição do artista brincante, tendo como foco a linguagem da música. Também são trabalhadas canções de origem indígena e africana. No capítulo 2, são abordados os festejos de boi, que mostram a dramatização e a construção de personagens na integração de música, teatro, dança e artes visuais.

Objetivos

• Participar de momentos de fruição com leitura de imagens e textos poéticos.

• Identificar e usar em suas produções elementos da linguagem da música, do teatro e da dança.

• Identificar, explorar e escolher elementos de linguagem e diferentes materialidades para se expressar em diversas linguagens.

• Comunicar-se oralmente a respeito das manifestações artísticas pelas quais mais gostam de se expressar e as experiências pessoais com linguagens artísticas e poéticas.

• Realizar pesquisas acerca de elementos de linguagem, materialidades, processos de criação e percepções sensoriais, estabelecendo relações entre arte, cultura e vida cotidiana.

• Conhecer artistas e suas produções, ampliando repertórios e valorizando patrimônios culturais nacionais e internacionais.

BNCC

Competências gerais: 1, 3, 4, 5, 6, 7 e 9.

Competências específicas: 1, 2, 3, 4, 5, 7, 8 e 9.

4

ARTE BRINCANTE

Por todos lugares e culturas, tem arte! Tem ritmo, expressão e movimento.

A todo momento, cada pessoa encontra seu modo de criar e se expressar.

1 Vamos procurar estas imagens no livro?

Em seu caderno, escreva o número da página em que você encontrou cada imagem. O que será que vamos estudar?

Habilidades:

(EF15AR03) Reconhecer e analisar a influência de distintas matrizes estéticas e culturais das artes visuais e nas manifestações artísticas das culturas locais, regionais e nacionais.

(EF15AR05) Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade.

(EF15AR08) Experimentar e apreciar formas distintas de manifestações da dança presentes em diferentes contextos, cultivando a

1. Como exercício inicial, propõe-se um jogo em que os estudantes buscam as imagens desta abertura dentro da unidade. Instrua-os a observar cada imagem e a ler as palavras. Na roda de conversa, pergunte sobre suas interpretações e seus saberes prévios. Esse pode ser um momento potente de avaliação diagnóstica.

percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório corporal.

(EF15AR09) Estabelecer relações entre as partes do corpo e destas com o todo corporal na construção do movimento dançado.

(EF15AR10) Experimentar diferentes formas de orientação no espaço (deslocamentos, planos, direções, caminhos etc.) e ritmos de movimento (lento, moderado e rápido) na construção do movimento dançado.

(EF15AR13) Identificar e apreciar criticamente diversas formas e gêneros de expressão musical,

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
BRINCANTE
MÚSICA E POVOS

DANÇAS DRAMÁTICAS

reconhecendo e analisando os usos e as funções da música em diversos contextos de circulação, em especial, aqueles da vida cotidiana.

(EF15AR14) Perceber e explorar os elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de jogos, brincadeiras, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musical.

(EF15AR15) Explorar fontes sonoras diversas, como as existentes no próprio corpo (palmas, voz, percussão corporal), na natureza e em

objetos cotidianos, reconhecendo os elementos constitutivos da música e as características de instrumentos musicais variados.

(EF15AR16) Explorar diferentes formas de registro musical não convencional (representação gráfica de sons, partituras criativas etc.), bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual, e reconhecer a notação musical convencional.

(EF15AR17) Experimentar improvisações, composições e sonorização de histórias, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos musicais convencionais

ou não convencionais, de modo individual, coletivo e colaborativo.

(EF15AR18) Reconhecer e apreciar formas distintas de manifestações do teatro presentes em diferentes contextos, aprendendo a ver e a ouvir histórias dramatizadas e cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório ficcional.

(EF15AR20) Experimentar o trabalho colaborativo, coletivo e autoral em improvisações teatrais e processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais.

(EF15AR23) Reconhecer e experimentar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas.

(EF15AR24) Caracterizar e experimentar brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais.

(EF15AR25) Conhecer e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo-se suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas.

TCT: Multiculturalismo: Diversidade Cultural; Cidadania e Civismo: Educação no Trânsito; Meio Ambiente: Educação Ambiental; Saúde.

ENCAMINHAMENTO

Como nas aberturas de unidade anteriores, convide os estudantes para o jogo de caça palavras, fazer as anotações no caderno e conversar sobre as imagens selecionadas.

BNCC

Habilidades: EF15AR03, EF15AR09, EF15AR24 e EF15AR25.

TCT: Abordar a cultura tradicional brasileira contribui para o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

Organize-se

• Prepare a sala de aula criando um ambiente descontraído e confortável para os estudantes. Isso pode ser feito colocando almofadas ou tecidos no chão para que eles se sentem em roda. Recomenda-se também uma curadoria digital sobre o músico Antonio Nóbrega.

ENCAMINHAMENTO

Organize uma roda de conversa para realizar uma sondagem dos conhecimentos prévios dos estudantes e sensibilizá-los para o estudo dos assuntos abordados neste capítulo: a música brasileira e sua diversidade estética, artística e cultural. As perguntas a seguir podem nortear essa sondagem: qual música brasileira vocês mais apreciam? Vocês já ouviram falar no artista Antonio Nóbrega? Será ele um cantor, instrumentista, compositor ou dançarino? Vamos pesquisar para conhecermos a arte desse brasileiro?

Acolha diferentes opiniões e valorize a individualidade e as preferências de cada estudante. Observe como eles reagem às imagens e ideias apresentadas. Contextualize que as imagens da página apresentam partes do espetáculo Húmus, de Antonio Nóbrega.

Peça aos estudantes que observem as fotos e as ilus-

trações e comente que os artistas representados nelas são artistas brincantes. Pergunte: o que é ser um artista brincante? Instigue-os a comentar como as pessoas das imagens estão se movimentando, se estão fazendo jogos, brincadeiras e músicas, dançando ou misturando essas ações. Peça aos estudantes que escrevam no caderno os nomes dos instrumentos que reconhecem na imagem. +Ideias

Combine com os estudantes uma pesquisa sobre o músico Antonio Nóbrega. Peça que procurem ouvir suas músicas e assistir a suas apresentações disponíveis na internet. Você pode levar esse repertório audiovisual para os estudantes em sala de aula.

Antonio Nóbrega e os componentes de sua companhia são artistas brincantes. A arte brasileira é repleta de jogo, festa, música e dança.

ANTÔNIO
NÓBREGA

VENHA SER BRINCANTE!

Venho a esta nobre morada

Para todos aqui saudar

Abra as portas do seu coração

A festa de abrição vai começar!

Tem música, dança e alegria

Gente brincante da noite ao novo dia!

ABRIÇÃO. 2025.

Texto elaborado especialmente para esta obra.

O que esses versos provocam você a pensar? Será um convite? Uma permissão para entrar?

Tem artista brincante, tem quem junte muita gente para dançar, cantar, tocar, brincar. É a tradição do povo brasileiro de fazer arte em todo lugar!

Vamos conhecer mais a arte brasileira? Vamos entrar nesta brincadeira, porque a festa já vai começar!

Venha ser brincante!

Montagem de ilustração com fotografia de Antonio Nóbrega em momentos do

A Cia. Antonio Nóbrega de Dança desenvolve uma linguagem de dança a partir do diálogo entre percursos culturais que marcam a arte e a cultura no Brasil — a tradição europeia ou ocidental e a forte pesquisa da tradição brasileira.

Converse com os estudantes sobre a formação do povo brasileiro e nossas raízes musicais. Você pode criar uma curadoria educativa com sons e músicas que marcam essas origens (africanas, europeias e indígenas).

Brincante é uma palavra usada para fazer referência à pessoa que brinca, que participa

mais sobre esses universos. Será que em sua localidade há pessoas que são brincantes e folgazões? Que tal convidá-las para conversar com os estudantes e contar sobre sua arte?

Sugestão para o professor

• ANTONIO Nóbrega no Auditório Ibirapuera. Publicado por: Auditório Ibirapuera. 2014. 1 vídeo (ca. 5 min). Disponível em: https://youtu. be/uMPGTGvjn2s. Acesso em: 12 set. 2025.

O vídeo apresenta cenas do espetáculo Húmus, criação e produção de Antonio Nóbrega, que propõe o sincretismo entre a dança contemporânea e as manifestações de dança da cultura brasileira.

• PACHECO, Tania. Darcy Ribeiro: documentário “O Povo Brasileiro”: capítulos de 1 a 10. Acervo Combate Racismo Ambiental, 13 jun. 2014. Disponível em: https:// acervo.racismoambiental. net.br/2014/06/13/darcy-ri beiro-documentario-o-povo -brasileiro-capitulos-de-1-a -10/. Acesso em: 12 set. 2025.

Vídeos baseados na obra de Darcy Ribeiro. Um documentário em dez programas realizado a partir de seus estudos. Pode ser acessado pela internet para a realização de pesquisas sobre a música e a cultura brasileiras.

• RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Global, 2015.

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de manifestações artísticas e culturais, como a congada, o reisado, a catira, as cavalhadas, as festas de boi, o maracatu e outras tradicionais da nossa cultura. Folgazões, também conhecidos como brincantes, são grupos de pessoas que participam de folguedos (festas e manifestações) de cultura tradicional.

O folgazão é aquele que tem gingado e molejo de corpo e sabe requebrar no ritmo do jogo (música). Esses termos fazem parte do vocabulário da cultura brasileira. Promova pesquisas com os estudantes para conhecer

Nessa obra de 1995, o antropólogo, escritor e político Darcy Ribeiro (1922-1997), estudioso das culturas brasileiras, comenta a formação do nosso povo.

espetáculo Húmus, 2013.

BNCC

Habilidades: EF15AR03, EF15AR09, EF15AR24 e EF15AR25.

ENCAMINHAMENTO

Esta situação de aprendizagem permite o estabelecimento de até três ambiências diferentes. A primeira se refere a uma ambiência de leitura de texto e imagem. A segunda é uma ambiência para pesquisa, que pode ser realizada por meio de recursos digitais ou pesquisa bibliográfica no acervo da escola. A terceira se refere à produção de uma exposição sobre os festejos tradicionais do território. A depender das especificidades de cada contexto, pode-se integrar uma ou mais ambiências. Por exemplo, a leitura de texto e imagem pode ser realizada na sala de informática, onde já será realizada a pesquisa e iniciado o preparo para a exposição.

Outra possibilidade é preparar uma única ambiência para todo o processo, caso a pesquisa e a produção da exposição possam ser realizadas no mesmo local. Contextualize aos estudantes que muitas pessoas participam de festejos tradicionais realizando diversas funções. Há pessoas que trabalham bordando e costurando as vestimentas dos brincantes, enquanto outras preparam comidas ou cuidam dos instrumentos musicais, por exemplo. Cada pessoa na comunidade tem seu papel e sua importância.

Antonio Nóbrega é um artista brincante que cria músicas e danças a partir de estudos realizados sobre as tradições e os festejos da cultura brasileira. Além das produções em música e dança, o artista também

O artista brincante

Brincante é uma expressão da cultura brasileira que representa as pessoas que participam dos festejos com presença de música, dança e representação, como as festas do Reisado, do Divino, do Bumba Meu Boi, do Maracatu, entre outras.

Por exemplo, se em sua comunidade você participa de uma festa tradicional como os festejos juninos, se você gosta de estar junto, de participar dessa festa e de brincar nela, você é brincante.

Existe um brincante que ficou conhecido por divulgar o encanto das festas tradicionais brasileiras. Ele é um multiartista que valoriza e divulga a arte dos brincantes, seu nome é Antonio Nóbrega.

Cultura é tudo o que se sabe e o que se faz em uma sociedade. Multiartista se refere ao artista que produz sua arte integrando ou se expressando em diferentes linguagens artísticas e usando vários recursos.

Cada festejo é de um jeito, tem seus ritmos, suas músicas, suas danças dramáticas, suas canções e suas tradições. Quando um festejo é acompanhado de cordões ou cortejos, em geral, existe a tradição da abrição ou da abertura de portas . Essa é uma prática tradicional relacionada a celebrações, em que uma cantiga, um cântico ou um ritual anuncia a chegada de um grupo de pessoas a uma cidade, uma fazenda, uma casa ou outro local, solicitando a abertura das portas para iniciar a festa. Os cânticos têm versos como os que você conheceu na página 113.

Antonio Nóbrega se apresentando na abertura da Bienal Internacional de Dança do Ceará – De Par em Par, em 2018.

produziu vídeos e o filme Brincante. Se possível, apresente obras do artista para fruição dos estudantes.

Converse com os estudantes sobre os cordões e os cortejos. Os cordões são grupos de foliões, geralmente fantasiados, que seguem em blocos acompanhados por músicos percussionistas e liderados e organizados por um mestre com apito. Já os cortejos geralmente têm a presença de foliões que se vestem de personagens como reis, rainhas, porta-estandarte, mestre-sala e outros e são acompanhados por músicos que tocam vários tipos de instrumentos. Na proposta 1, para produzir a exposição, escolha junto aos estudantes os festejos do território ou região que serão focalizados. Pode-se dividir os estudantes em grupos, caso a quantidade de festejos permita tal divisão. Caso contrário, os grupos podem se responsabilizar por aspectos diferentes de um mesmo festejo: música, figurino, dança, dramatização, participação comunitária, história etc.

QUEM É? ©SILVIAMACHADO/MÁTRIA

Antonio Nóbrega (1952-) nasceu no município de Recife, no estado de Pernambuco. Ele é um pesquisador de nossa arte e cultura. Também é compositor de poesias e canções sobre os festejos e a história do Brasil. Pelo seu estilo de trabalho, pode ser considerado um artista brincante.

1 Formem um grupo com os colegas e, juntos, realizem a pesquisa a seguir.

1. a), b) e d) Respostas pessoais. Oriente os estudantes a organizar os dados das pesquisas e as produções (com versos e desenhos) para a exposição.

a) Quais são os principais festejos tradicionais que acontecem em sua região? Escolham um deles para se aprofundar e anotem suas descobertas no caderno.

b) Durante a pesquisa, verifiquem informações como a época em que o festejo acontece, como ele acontece, o que essa tradição expressa, como ela surgiu e como são as músicas, as vestimentas, as danças e outras características desse festejo.

c) Em uma folha de papel avulsa, criem um verso em homenagem ao festejo que vocês pesquisaram. Na mesma folha, desenhem elementos que representem essa manifestação cultural.

Produção pessoal.

d) Organizem com os outros grupos uma exposição dos festejos tradicionais de sua região.

Apresentação do Grupo Reisado São Damião no município de Juazeiro do Norte, estado do Ceará, em 2023. O grupo pratica a abrição de portas durante o festejo.

Quanto ao aspecto visual da exposição, pode-se imprimir imagens, expor cartazes e panfletos de divulgação ou criar desenhos e pinturas sobre os festejos. Pode-se até mesmo criar representações tridimensionais, como bonecos e maquetes.

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Escolha um local adequado para a realização da exposição e prepare-o. Recomenda-se que seja um local de fácil acesso, podendo ser inclusive acessível à comunidade. Os estudantes podem preparar mediações culturais para a exposição. Para incrementar o trabalho, pode-se dispor de vídeos ou apresentações de dança e música, por parte dos estudantes ou de membros da comunidade.

Mediação cultural é um campo de estudos relevante na realização de uma exposição na escola, como na proposta desta situação de aprendizagem, mas também na arte e cultura dentro

e fora da escola. Mediar é estar entre contextos e culturas, entre pessoas e afetos, entre ideias e provocações. A mediação envolve tanto preparo e pesquisa quanto abertura ao acaso e ao diálogo. Registre as diferentes etapas do processo. Estabeleça momentos para os estudantes compartilharem oralmente suas ideias e descobertas. Aproveite os momentos de conversação para diagnosticar os conhecimentos prévios dos estudantes e identificar pontos que precisam de maior atenção no transcorrer do percurso de aprendizagem.

Sugestão para o professor

• ANTONIO NÓBREGA. c2022. Disponível em: https: //antonionobrega.com.br/ site/. Acesso em: 18 ago. 2025.

Página oficial do artista, contendo informações acerca de sua arte, suas criações e suas pesquisas.

• BRINCANTE: o filme. Publicado por: Instituto Brincante, 2020. 1 vídeo (ca. 90 min). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch ?v=HXpQwTFIfN8&t=1s. Acesso em: 13 set. 2025. O filme, de 2014, mistura ficção e documentário sobre a obra de Antonio Nóbrega. O elenco do filme conta com Antonio Nóbrega e Rosane Almeida, além de dançarinos e músicos do Instituto Brincante.

• MARINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa. Mediação cultural para professores andarilhos na cultura. São Paulo: Intermeios, 2012. Essa obra aborda a mediação cultural no contexto escolar de forma conceitual, prática e provocadora, apresentando reflexões, caminhos e estratégias para a movimentação da mediação cultural por meio do trabalho docente.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

BNCC

Habilidades: EF15AR13, EF15AR14, EF15AR15, EF15AR16, EF15AR17, EF15AR24 e EF15AR25.

TCT: A experiência musical e o estudo do contexto da canção Chegança contribuem para o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a ambiência da sala de aula para a experiência musical. Considerando a neurodiversidade dos estudantes da turma, cuide para que o uso de sons seja adequado. Sons muito fortes ou muito agudos podem causar desconfortos para alguns estudantes.

Na proposta 1, se possível, disponibilize instrumentos musicais, convencionais ou não, para a experiência de jogar com dois sons. Verifique e viabilize as condições e os recursos técnicos para a escuta do áudio. Prepare a ambiência tanto para a fruição estética sonora quanto para a experimentação musical.

Observe a partitura esquemática com os estudantes e pergunte se eles reconhecem as sílabas. Retome as notas musicais e os parâmetros sonoros, ressaltando a altura das notas e como elas são representadas nas partituras. Nessa partitura, há duas notas: uma mais grave (a nota Sol) e outra mais aguda (a nota Lá).

1. a) e b) Espera-se que os estudantes percebam que o A’ é uma variação do A, que a linha melódica de ambos tem muitas semelhanças e uma diferença na parte final. Chame a atenção dos estudantes para que observem que o trecho inicial, até a terceira nota Lá, é igual para A e A’, depois elas seguem distintas.

Música, forma e expressão

Você sabe o que é escutar musicalmente?

Escutar musicalmente é quando, além de ouvirmos sons, percebemos suas características. Assim, podemos perceber a combinação de sons longos e sons curtos formando o ritmo, e a relação entre os sons agudos e os sons graves gerando a melodia.

Ao escutarmos uma canção, podemos identificar como ela é composta. Em geral, as canções são construídas com base em 2 partes diferentes ( A e B ), que podem ou não se complementar, e podem ou não se repetir.

1 Veja a partitura esquemática de Jogando com 2 sons 13

1. c) Oriente os estudantes a explorar a voz, objetos sonoros ou instrumentos musicais disponíveis. Escolha um som grave e um som agudo explorando instrumentos ou objetos sonoros com essas características.

Partitura esquemática de Jogando com 2 sons

a) Ela está concebida na forma ABA’. Mas o que significa esse A’ ?

b) Localize na partitura o que tem de igual e o que tem de diferente entre o A e o A’.

c) Você pode interpretar essa música tocando as notas escritas (Sol e Lá) ou escolhendo um som grave para expressar a nota Sol e um som agudo para expressar a nota Lá.

d) Você pode interpretar essa música também do fim para o começo. Que tal experimentar?

e) Agora, você é o compositor! Crie uma música utilizando apenas dois sons, um grave e um agudo, à sua escolha.

Espera-se que os estudantes escolham um som grave (por exemplo, um tambor) e um som agudo (como um apito). Com base nesses sons, eles devem criar uma variação para essa música.

No áudio, estão presentes duas versões dessa breve música, concebida com apenas dois sons. A ideia é observar a forma da música e a organização desses dois elementos, em materialidades diferentes, muito embora seja escutada sempre a oposição entre uma sonoridade mais grave e outra mais aguda. Na primeira versão, são ouvidas duas notas, Sol e Lá. Na segunda, essa mesma música está interpretada por duas sonoridades: um pequeno tambor (som mais grave) e a batida de uma colher em uma xícara (som mais agudo). E, com isso, escutamos um tema (primeira versão) e uma variação (segunda versão), mantendo-se a mesma organização dos elementos. Destaque que essa partitura esquemática possui duas partes, A e B, e a parte A final tem uma pequena modificação (A’), portanto, está concebida na forma ABA’. Peça aos estudantes que observem e localizem semelhanças e diferenças entre as partes A e A’. Oriente-os a realizar essa música com duas sonoridades em vez de duas notas precisas. Por exemplo: eles podem interpretar com um colega, batendo a mão no fundo de um balde de plástico virado de cabeça para baixo, fazendo assim o som mais grave. O colega bate com um lápis ou uma caneta na lateral de um copo, uma caneca ou um vaso de vidro, realizando um som mais agudo. Peça a eles que observem a duração e a intensidade de cada som. Essa é uma proposta de interpretação livre, e não é necessário seguir a nota de modo rígido.

História, interpretação e composição

Você vai conhecer a canção Chegança Aqui apresentamos a letra em duas partes. A parte A é o refrão (trecho que se repete), e a parte B é o restante da letra (estrofes). Primeiro, escute musicalmente esta canção. Em seguida, leia a letra. 14 Peça aos estudantes que prestem atenção na forma como a letra da canção está organizada. Chegança

(Parte A – Refrão)

Sou Pataxó, sou Xavante e Cariri, Ianomâmi, sou Tupi, Guarani, sou Carajás. Sou Pancararu, Carijó, Tupinajé, Potiguar, sou Caeté, Fulniô, Tupinambá. Sou Pancararu, Carijó, Tupinajé, Potiguar, sou Caeté, Fulniô, Tupinambá.

(Parte B)

Depois que os mares dividiram os continentes, quis ver terras diferentes, eu pensei: “vou procurar um mundo novo, lá depois do horizonte, levo a rede balançante pra no sol me espreguiçar”.

Eu atraquei num porto muito seguro, céu azul, paz e ar puro, botei as pernas pro ar

Logo sonhei que estava no paraíso onde nem era preciso dormir para se sonhar.

(Repete parte A – Refrão)

(Parte B)

Mas de repente me acordei com a surpresa: uma esquadra portuguesa veio na praia atracar. Da grande nau, um branco de barba escura, vestindo uma armadura me apontou pra me pegar. Assustado, dei um pulo lá da rede, pressenti a fome, a sede, eu pensei: “vão me acabar”!

Me levantei de borduna já na mão, ai, senti no coração: o Brasil vai começar!

(Repete parte A – Refrão)

CHEGANÇA. Intérprete: Antonio Nobrega. Compositores: Antonio Nóbrega e Wilson Freire. In: MADEIRA que cupim não rói. São Paulo: Brincante Produções, 1997. 1 CD, faixa 3.

Borduna: objeto de origem indígena usado para luta, defesa, caça, como remo ou em esportes. Feita geralmente de madeira, tem o cabo longo e forma cilíndrica, com a parte da ponta achatada.

Realize a leitura da letra da canção Chegança com os estudantes e explore o vocabulário, pedindo a eles que escrevam no caderno as palavras que não conhecem para, depois, consultá-las em um dicionário.

Chegança apresenta compasso binário e andamento rápido, iniciando-se por um pequeno tambor marcando ritmo regular e uma flauta pífano. Logo a seguir, começa o canto da melodia numa voz (Antonio Nóbrega) e que após será acompanhada por um coro feminino. A instrumentação inclui flautas pífano e percussões e, a partir da metade da música, apresenta também alguns instrumentos de corda.

Nesta situação de aprendizagem, espera-se que os estudantes compreendam os parâmetros sonoros e sua representação por meio da partitura esquemática e da experimentação (descritas na página 118 ). Espera-se também que os estudantes percebam a relação entre a letra da canção e a história do Brasil, reconhecendo e valorizando as matrizes culturais. Você pode realizar sondagens para reconhecer os interesses dos estudantes e integrá-los às propostas. É importante considerar também os registros desenvolvidos pelos estudantes em seus cadernos.

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Na linguagem musical, quando falamos em parte A, B, A’ (ou outras combinações de letras), estamos nos referindo à forma musical, isto é, como uma música se organiza em seções. Quando se muda a letra, indica-se uma seção musical diferente, que pode ser uma variação, um contraste ou até uma mudança intensa. Algo como A’ representa uma variação da seção: se parece com A, mas traz alguma mudança (ornamentos, mudança de tonalidade, alteração rítmica). Há outras possibilidades, como a forma rondó, na qual a parte A sempre retorna, intercalando-se com outras (A, B, A, C, A, D… etc.).

Depois do jogo sonoro, os estudantes podem inventar mais partituras. Durante a prática, é interessante a realização de registros, que podem ser fotografias, filmagens, anotações e desenhos. Em uma roda de conversa, levante os conhecimentos prévios dos estudantes e sensibilize-os para o estudo do texto e das imagens apresentados na página 117

Sugestão para o professor

• CHEGANÇA. Publicado por: Antonio Nóbrega. 2020. 1 vídeo (ca. 4 min). Disponível em: https://youtu.be/ewC npLF1_CM. Acesso em: 18 ago. 2025.

Áudio da canção Chegança disponibilizado no canal do artista Antonio Nóbrega.

OSNEI ROKO

BNCC

Habilidades: EF15AR13, EF15AR23, EF15AR24 e EF15AR25.

ENCAMINHAMENTO

Pode-se manter a ambiência da situação de aprendizagem anterior, mas preparando os materiais e o espaço para desenhar. Leia com os estudantes o boxe da página 118 e converse com eles sobre a festa Caboclinhos de Pernambuco e suas características. Para a proposta 1, retome a canção Chegança e proponha que os estudantes cantem juntos, acompanhando a letra. Durante o momento de fruição, instigue-os a identificar instrumentos musicais e sons convencionais ou não convencionais presentes na música.

Na questão 2, verifique se os estudantes conseguem identificar as partes da canção e a alternância que ocorre nas estrofes: o refrão corresponde à parte A, e as estrofes correspondem à parte B.

Na questão 3, você pode propor uma roda de conversa para que compartilhem as respostas e impressões.

Proponha aos estudantes que realizem a proposta 4 levando em consideração as conversas que tiveram até aqui sobre o tema e, em seguida, peça que compartilhem seus desenhos com a turma. A ideia é que representem os povos nativos do Brasil e demais povos que para cá vieram. É interessante que os desenhos contenham características e elementos que expressem a mescla de culturas e a formação do povo brasileiro. Em um projeto interdisciplinar com História, contextualize sobre a chegada de europeus no continente americano e a colonização

Na canção, os compositores Antonio Nóbrega e Wilson Freire homenageiam os povos que viviam nas terras do atual Brasil muito antes de os europeus chegarem.

A canção expressa em letra e melodia a cultura brasileira de modo imaginário. Ela tem um ritmo característico, conhecido como toque de guerra, criado na arte dos Caboclinhos de Pernambuco.

Caboclinhos de Pernambuco é uma manifestação de nossa cultura tradicional. Quem brinca nessa festa se veste com roupas indígenas e sai pelas ruas dançando, cantando e tocando instrumentos musicais em ritmo bem rápido, fazendo vários movimentos que lembram um combate.

Caboclinhos

Pernambuco, em 2014.

1 Vamos aprender a cantar Chegança? Convide os colegas para essa cantoria!

Peça aos estudantes que escutem novamente o áudio e prestem atenção na melodia da música e no ritmo da letra. Para interpretar essa canção, o refrão e as estrofes são repetidos duas vezes.

2 Como a canção está organizada em sua forma?

A música está organizada em parte A e parte B. Ela tem refrão (parte A) e estrofes (parte B). A forma final resulta em: A B1-A B2-A B1-A B2-A A A.

3 O que mais você percebeu ao conhecer essa canção? As repetições que ocorrem na música são sempre iguais ou variam? Converse com os colegas e, depois, registre as conclusões da turma.

Resposta pessoal. Abra espaço para que os estudantes se expressem oralmente e criem hipóteses interpretativas sobre a canção e suas relações com a história do Brasil.

4 Ao ler e cantar a canção Chegança, podemos perceber uma história? Se sim, que história é essa? Quais são os personagens que se encontram e como se dá esse encontro? Vamos desenhar? Escolha riscadores e faça seu desenho em uma folha de papel avulsa.

Espera-se que os estudantes percebam a história e as palavras que fazem referência a nomes de povos e culturas indígenas do Brasil, além dos portugueses.

portuguesa (ver +Ideias e Sugestão para o professor).

Na página 119 , peça aos estudantes que observem a imagem da partitura que apresenta o canto dos Tupinambá. Pergunte: qual será o tema desse canto indígena?

Acolha opiniões e valorize as preferências e a individualidade. Comente com os estudantes que o registro do canto indígena tupinambá foi feito pelo gravurista francês Jean de Léry. Dialogue a respeito da riqueza

da arte indígena em várias linguagens e, em especial, na música, com amplo acervo de cantos que falam da natureza, do modo como os indígenas a percebem e de suas crenças. É importante dizer aos estudantes que não foram os povos indígenas que registraram essa música, mas sim um europeu, portanto, com uma visão pautada por sua cultura. A partitura encontra-se no livro História de uma viagem feita à terra do Brasil , também chamado América, uma importante fonte de informação sobre o período colonial brasileiro.

Grupo
União Sete Flexas de Goiânia na festa do Maracatu Rural, que é conhecido também como Maracatu de Baque Solto. Desfile no município de Nazaré da Mata, estado de
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Música dos povos originários

Muito antes de os portugueses chegarem à América, os povos indígenas que aqui viviam criavam música. Veja o registro de um canto do povo indígena Tupinambá, transcrito por Jean de Léry

Entre os povos originários do Brasil, a música sempre teve várias funções, como religiosa, festiva, entre outras.

Observe a gravura de uma celebração dos Tupinambá feita pelo artista Théodore de Bry.

1 Você consegue perceber que existe música e dança na celebração dessa imagem? Quais são os sons que você imagina? Quais instrumentos percebe nela? Converse com os colegas e, depois, anote suas conclusões no caderno.

QUEM É?

Festa e celebrações nativas, gravura de Theodore de Bry, no livro Navigationis in Brasiliam, cerca de 500 anos atrás.

Contextualize que, embora seja apresentada uma imagem histórica para analisar a presença da música na cultura dos povos originários, é preciso ressaltar que esta é uma representação feita a partir da visão de um artista europeu.

Jean de Léry (1536-1613) foi um religioso francês que veio, mais de 450 anos atrás, às terras que hoje formam o Brasil. Chegou a viver entre os Tupinambá e registrou muitos costumes desse povo.

Théodore de Bry (1528-1598) foi um desenhista que retratava os relatos dos viajantes europeus que vieram ao Brasil. Ele registou a natureza e a cultura dos povos que aqui viviam.

1. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes analisem os detalhes da imagem e identifiquem alguns itens que sugerem a presença de música, como os chocalhos presos às pernas dos indígenas, e de dança, como os movimentos dançados sugeridos pela expressão corporal dos indígenas.

Na questão 1, promova a leitura da gravura e comente que ela foi produzida a partir do olhar de um europeu sobre a cultura indígena. Espera-se que os estudantes percebam que os movimentos corporais indicam que os personagens estão realizando uma dança e que a música e os instrumentos como chocalhos estão presentes. Peça aos estudantes que compartilhem suas respostas e proponha que criem alguns registros no caderno sobre o assunto tratado.

Observe como eles se expressam ao longo das atividades, durante as rodas de conversa

Canto dos Tupinambá transcrito em partitura por Jean de Léry, de 1585. 119

e nos momentos de fruição e como trabalham em grupo e individualmente.

26/09/25 14:20

A avaliação deve se dar ao longo das situações de aprendizagem e por meio dos registros realizados. É importante observar se os estudantes compreenderam a formação do povo brasileiro e a importância das matrizes étnicas e culturais para a diversidade e pluralidade.

+Ideias

Você pode ampliar os conhecimentos dos estudantes a respeito dos povos indígenas

comentando que, segundo dados do Censo de 2022, há 278 povos indígenas vivendo no Brasil, que totalizam aproximadamente 1,6 milhão de pessoas. Os povos indígenas perderam muito dos seus territórios desde o período colonial, enfrentaram doenças e situações de violência que resultaram em diminuição populacional. A maioria dessa população vive em territórios demarcados e em comunidades ou grupos em áreas urbanas, rurais, litorâneas, ribeirinhas etc.

Sugestão para o professor

• DANÇAS brasileiras: caboclinho. Publicado por: Instituto Brincante. 2020. 1 vídeo (ca. 10 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=p4w-hsnnmSo. Acesso em: 18 ago. 2025. O vídeo apresenta o ritmo, os instrumentos, a dança e a cultura envolvidos na manifestação da cultura popular Caboclinhos de Pernambuco.

• ENRAIZANDO. c2014. Disponível em: https://www. youtube.com/channel/UCz QDKNP-lJdHpNbTQcZm6sA. Acesso em: 18 ago. 2025. O canal disponibiliza a sequência de vídeos da série Raízes do Brasil, que apresenta a história e curiosidades dos povos presentes na formação da identidade cultural do brasileiro.

• GRUPO Dzubucuá: povo Kariri-Xocó (A música dos povos originários do Brasil). Publicado por: Sesc Alagoas (Oficial). 2022. 1 vídeo (ca. 45 min). Disponível em: https:// youtu.be/nS3LQJu0g4A? si=ra6O20zaYLEmmnEW. Acesso em: 14 set. 2025. Apresentação do grupo Dzubucuá, do povo Kariri-Xocó.

• POVOS INDÍGENAS NO BRASIL. Quem são? Brasília, DF: ISA, c2025. Disponível em: https://pib. socioambiental.org/pt/ Quem_s%C3%A3o. Acesso em: 28 set. 2025. Leia o texto para acessar mais informações importantes sobre os povos indígenas no Brasil.

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Habilidades: EF15AR13, EF15AR17, EF15AR24 e EF15AR25.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a ambiência para a leitura de textos e imagens, fruição estética sonora e conversação. Pode-se também preparar uma ambiência para a dança, caso se opte por trazer a expressão do corpo para a situação de aprendizagem.

Proponha a fruição da canção Araruna , um canto indígena em arranjo e interpretação de Marlui Miranda. Organize uma roda de conversa com os estudantes sobre a riqueza da arte indígena e a expressão dela em várias linguagens, em especial na música.

Comente sobre o amplo acervo de cantos que falam da natureza, do modo como os indígenas a percebem e das suas crenças. Pergunte aos estudantes sobre o que fala a música Araruna. Realize a leitura compartilhada da letra traduzida para a língua portuguesa. Proponha aos estudantes que interpretem a música Araruna . Eles podem cantar e dançar.

No áudio, cantada por Marlui Miranda, Araruna é acompanhada inicialmente por um violão e, em seguida, por um piano. Música suave em interpretação delicada, pode ser utilizada de diferentes formas e funções, seja apenas para a escuta (percepção musical), para relaxamento, para movimento corporal livre no espaço e, igualmente, para a interpretação vocal, conjunta com o áudio ou sem acompanhamento instrumental ao vivo.

Comente que não se sabe quem criou Araruna nem quando a canção foi feita. Apesar de ela parecer atual,

A música está presente nas ocasiões mais significativas de todas as culturas do mundo desde o início da história.

Entre os povos kamayurás, que habitam a região do Alto Xingu, no estado de Mato Grosso, existe uma canção chamada Araruna. Vamos apreciar essa expressão musical?

Araras-azuis.

Araruna

Araruna, anarê

Araruna, anarê

Iniküwi küwana

Araruna, anarê

Oportunize a escuta musical do áudio Araruna.

Proponha também o aprendizado da letra, da canção e do canto.

MIRANDA, Marlui. Ihu: todos os sons. São Paulo: Terra,

A letra dessa canção indígena fala da arara-azul da seguinte maneira:

Araruna, arara-azul, voa.

Será que essa arara-azul é minha? É minha ou sua?

Araruna canta agora, Araruna vamos trabalhar. Aeore vai, nós vamos trabalhar, Aeore vai. Araruna, arara-azul, voa. Será que é minha ou sua arara-azul?

MIRANDA, Marlui. Ihu: todos os sons. São Paulo: Terra, 1995. p. 88.

E como a canção Araruna chegou até nós? A cantora e pesquisa dora musical Marlui Miranda aprendeu essa canção no município de Belém, no estado do Pará, com a indígena Nahiri Assurini, que havia aprendido com outras pessoas.

QUEM É?

Marlui Miranda (1949-) é uma cantora e estudiosa da música indígena brasileira nascida no município de Fortaleza, no estado do Ceará. Além de pesquisar músicas de diversas etnias indígenas, ela faz arranjos, interpreta e divulga essas músicas, apresentando-se em várias cidades do Brasil.

possivelmente existe há muito tempo. Entre os povos indígenas, a transmissão do conhecimento de forma geral, incluindo as músicas, se dá por meio da oralidade entre as gerações. A proposta é conhecer, valorizar e registrar a arte e a cultura brasileiras e compreender a importância da preservação desse patrimônio.

Pesquisada junto aos indígenas brasileiros kamayurás, essa música nos dá uma ideia parcial da imensa riqueza e diversidade poética produzidas pelas etnias indígenas. A palavra ihu significa som para os indígenas kamayurás. Essa palavra pode ter vários significados, como o som propriamente dito, os ruídos ou as sonoridades, a música e tudo o que captamos pela audição e entendemos por meio da escuta.

Peça aos estudantes que façam registros em seus cadernos sobre o tema e sugira que criem um desenho para ilustrar a canção. Ao final, organize uma roda de conversa para que possam compartilhar opiniões e desenhos com os colegas e o professor.

ACERVOPESSOAL

Onde está sua alegria?

A canção Mamo oimẽ nde rory significa “Onde está sua alegria?”. Para os Guarani Kaiowá, a alegria está em tekoha (ou tekoa), que significa o “lugar onde somos quem somos”.

Essa música foi criada recentemente pela comunidade dos Guarani Kaiowá, de Itay Ka’aguyrusu, de Panambi, no município de Douradina, no estado do Mato Grosso do Sul. Ela fala do desejo de retornar aos tekoha, que são os locais originais onde os antepassados desse povo viveram.

Tekoha não representa apenas a aldeia, mas também a visão de mundo, a cultura, os costumes, as crenças e a maneira como os Guarani Kaiowá se relacionam com a vida, com a natureza e entre si.

Apesar de muitos tekohas terem sido desmatados, foi neles que esse povo celebrou suas tradições ancestrais, em conexão com a natureza. Essa canção expressa o desejo de que isso volte a acontecer e todos sejam felizes.

Letra (em guarani)

Indígenas guaranis kaiowás com imagem do tekoha, na comunidade Itay Ka’aguyrusu, em 2015.

Mamo oim˜e nde rory (2x)

Tekohapyma oim˜e (2x)

Tradução

Onde está sua alegria?

Minha alegria está no tekoha

Pronúncia

Mamo iménde rêré

(ou Mamo iménde rori) Tecorrá pima oimé

ALMEIDA, Berenice de; PUCCI, Magda. Cantos da floresta: iniciação ao universo musical. São Paulo: Peirópolis, 2017. Não paginado.

sica apresentada, relacionando-as com a história do Brasil. Avalie os registros feitos pelos estudantes, pois indicam o desenvolvimento das aprendizagens de cada um.

Sugestão para o estudante

• 4 CURTAS para as crianças conhecerem histórias indígenas. São Paulo: Lunetas, c2025. Disponível em: https://lunetas.com.br/historias-indigenas/. Acesso em: 15 set. 2025.

O site Lunetas apresenta quatro indicações de curtas-metragens com histórias indígenas para crianças.

Sugestão para o professor

• ALMEIDA, Berenice de; PUCCI, Magda. A floresta canta! São Paulo: Peirópolis, 2014.

Esse livro apresenta uma expedição sonora por diversas aldeias indígenas do Brasil.

• CONVIDA! Vivência sonora com Gean Pankararu (PE). Publicado por: Sesc Brasil, 2020. 1 vídeo ( ca. 10 min). Disponível em: https://you tu.be/ruRZDqtlu3c?si=iA 3WKSLTvSaCTatu. Acesso em: 15 set. 2025.

Vídeo mostra composições do cantor Gean Pankararu e traz mais informações sobre o povo Pankararu.

• MARLUI Miranda fala sobre músicas e culturas indígenas no “Diversidade em Ciência”. Jornal da USP, 24 jun. 2019. Disponível em: https://jornal. usp.br/?p=254256. Acesso em: 14 set. 2025.

26/09/25 14:20

Contextualize na página 121 que Kaiowá, Ñandeva e M’byá são os três grupos que constituem o povo Guarani, um dos maiores povos indígenas brasileiros. Você pode explicar aos estudantes que o tekoha é o espaço vital e a base da existência para os povos Guarani e Kaiowá, abrangendo a terra ancestral, a cultura, os saberes e a conexão espiritual com a natureza, não se limitando a um simples território físico.

Atualmente, muitas comunidades vivem em acampamentos chamados tekoharã, em terras que antes eram indígenas, mas foram privatizadas. A esperança dessas comunidades é a retomada de parte dessas terras para que possam viver de forma plena, seguindo seus costumes e suas tradições.

Espera-se que os estudantes possam conhecer músicas e participar de práticas artísticas a partir de cantos dos povos indígenas, reconhecendo e valorizando a matriz indígena e o patrimônio cultural. Observe como eles reagem e participam das situações de aprendizagem. É importante que, ao longo das conversas e momentos de fruição, eles percebam as características de cada mú-

Programa Diversidade em Ciência, da Rádio USP, apresenta o trabalho de Marlui Miranda.

• MUNDO Aflora: Araruna. Publicado por: Mundo Aflora, 2018. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: https://you tu.be/z-CcjQZhvzc. Acesso em: 18 ago. 2025.

O canto Araruna recebe a interpretação do dueto Mundo Aflora, com arranjo para sinopets: garrafas PET afinadas.

BNCC

Habilidades: EF15AR13, EF15AR14, EF15AR16 e EF15AR17.

Organize-se

• Prepare o áudio Mamo oimẽ nde rory e a ambiência para a fruição sonora. Escute a canção antecipadamente para ter maior fluência e segurança ao desenvolver seu estudo junto aos estudantes.

ENCAMINHAMENTO

Converse com os estudantes acerca da proposta da situação de aprendizagem, o estudo de uma canção indígena e a notação de seu movimento melódico. Proporcione a fruição de Mamo oimẽ nde rory . No áudio, esta canção contemporânea Guarani Kaiowá é interpretada por voz feminina e coro com acompanhamento percussivo. Sua letra trata de tekoha, local de conexão com os ancestrais e a natureza. Ela pode ser interpretada com certa irregularidade de tempos, como é o caso do presente áudio, ou com uma métrica regular, com ajuste de tempo, como apresentamos na sua partitura.

Para facilitar a leitura, a partitura está transcrita numa tonalidade sem acidentes. A melodia registrada no áudio está cantada em Ré.

Leia as partituras junto aos estudantes e os textos que se referem a elas. Indique nas partituras as descrições trazidas no texto acerca das partes e sua constituição. Converse com os estudantes para verificar se todos conse-

Escute a música e observe a partitura.

A melodia tem duas partes: A (primeira linha da partitura) e B (segunda linha da partitura), sendo cada uma delas formada por duas repetições internas: A = a + a e B = b + b.

Observe que a começa com uma nota mais aguda (nota Dó, na sílaba Ma, de Mamo) e depois desce até a nota Fá (na sílaba men), para em seguida subir até a nota Lá. Realiza, assim, um desenho descendente seguido por outro ascendente

Na repetição do a, esse movimento se repete.

Assim como na partitura anterior, as notas no esquema fazem o mesmo desenho no espaço: começam mais alto (agudo), descem (Dó, Lá, Sol e Fá) e sobem de novo (Fá, Sol e Lá).

Observe este esquema.

Retome com os estudantes que esse desenho do movimento feito pelas notas da melodia no espaço é chamado perfil melódico.

Há dois esquemas para que os estudantes observem os desenhos com pontos e linhas que indicam seus movimentos, a fim de associarem com a escuta da música Mamo oimẽ nde rory

guiram perceber na notação o que está disposto no texto.

Mostre a organização da partitura. Em ambas as partes (A e B), há um pentagrama (cinco linhas horizontais) e uma clave de sol, que determina o nome das notas. Nela, está a notação melódica, com as alturas (graves e agudos) e a duração (curta e longa) das notas musicais. Logo abaixo, está a letra da canção, disposta de acordo com sua relação com as notas musicais. Acima do pentagrama, é indicado que as partes A e B da canção são formadas por repetições. A mesma melodia é cantada duas vezes em cada uma das partes. A forma completa da melodia é indicada por a. Da mesma forma, a parte B é composta de b + b, ou seja, duas repetições da mesma melodia e letra sem diferença entre cada uma das repetições.

MAMO oime˜ nde rory. [19--?]. 1 partitura. Cantiga indígena.

Podemos também dividir a segunda frase da melodia, B , em duas partes: B = b + b. Porém, b tem um movimento contrastante, de perfil inverso, isto é, começa com nota mais grave (Dó), sobe para uma nota mais aguda (Fá) e volta a descer até a nota grave de onde partiu (Ré e Dó).

1 Converse com os colegas sobre o que vocês compreenderam sobre o perfil melódico, ou seja, o movimento realizado pelas notas musicais no espaço. Espera-se que os estudantes percebam o movimento realizado pelas notas da melodia.

123

A escolha de como será realizada a marcação incide sobre questões de neurodiversidade da turma, materiais disponíveis e condições técnicas para a reprodução do áudio.

É recorrente a marcação da pulsação com instrumentos de percussão em músicas tradicionais dos povos originários. A pulsação (batida regular) é a base da organização musical em praticamente todas as culturas. Muitos instrumentos de percussão usados por povos originários (como maracás e bastões de ritmo) servem justamente para manter e reforçar essa pulsação coletiva.

Isso ajuda a sincronizar os cantos, as danças e os rituais, já que a música quase sempre é vivida de forma comunitária. Isso não significa que a percussão marque a pulsação em todas as músicas dos povos originários, podendo ser a voz a definir a pulsação, com a percussão fazendo marcações pontuais ou fazendo variações rítmicas para além da pulsação. Estabeleça momentos de conversação durante e ao final das situações de aprendizagem, abrindo espaço tanto para o registro no caderno quanto para a reflexão, expressão e acolhimento de dúvidas e dificuldades.

Sugestão para o professor

Leia o texto com os estudantes, apontando na partitura a movimentação melódica ascendente e descendente. Faça o mesmo nas notações esquemáticas que reforçam o desenho melódico do som. Informe que o perfil plano é aquele no qual não há ou não predomina movimento melódico ascendente ou descendente.

Proponha o canto de Mamo oimẽ nde rory e, quando os estudantes estiverem seguros quanto à letra e à melodia, peça para fazerem o movimento melódico com as mãos, colocando-as para baixo nos movimentos descenden-

tes e para cima nos movimentos ascendentes. Essa é uma forma de fortalecer o estudo por meio do aparelho sensório-motor, fundamental para o desenvolvimento cognitivo. Para envolver mais profundamente os estudantes com a canção, faça a marcação da pulsação junto à escuta. A pulsação está marcada pela percussão na gravação e pode ser marcada pelos estudantes de forma mais sutil com toque de palmas leves (por exemplo, percutindo os dedos indicador e médio na palma da outra mão) ou utilizando instrumentos de percussão.

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• BRASIL. Ministério dos Povos Indígenas. Cultura : a música nas tradições indígenas. Brasília, DF: Funai, 4 nov. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/ funai/pt-br/assuntos/noti cias/2022-02/cultura-a-mu sica-nas-tradicoes-indige nas. Acesso em: 14 set. 2025. Matéria na página da Fundação Nacional dos Povos Indígenas sobre a música tradicional das culturas indígenas brasileiras.

MAMO oime˜ nde rory. [19--?]. 1 partitura. Cantiga indígena.

BNCC

Habilidades: EF15AR08, EF15AR09, EF15AR10, EF15AR13, EF15AR14, EF15AR16 e EF15AR17.

Organize-se

• Prepare a ambiência para a prática de música e dança. Pode-se usar um espaço específico da escola que esteja mais adequado à prática ou afastar as carteiras deixando o centro da sala de aula livre. Pode-se ainda iniciar a prática com os estudantes em pé, se movendo no lugar (sem se deslocar) e deixando os livros sobre as carteiras para consultá-los enquanto experimentam a proposta.

ENCAMINHAMENTO

Leia a proposta junto com os estudantes. Colabore com o entendimento do esquema gráfico no qual estão indicados os pés marcando a pulsação. Faça a audição da música, letra e sua pronúncia com os estudantes. Proponha um aquecimento vocal antes da prática do canto. Para iniciar o canto com a marcação nos pés, pode-se começar apenas com a marcação, acertando o andamento da música e coordenando o movimento dos pés para que todos os estudantes pisem conjuntamente com o pé esquerdo e depois com o pé direito.

ARTE-AVENTURA

Vamos interpretar Mamo oim˜e nde rory?

Você pode interpretar esta canção com toda a turma, cantando ou cantarolando a melodia, enquanto balança o corpo marcando a pulsação da música com os dois pés no chão (sem sair do lugar).

Observe o esquema a seguir.

São indicadas a marcação sobre o pé esquerdo (em azul) e a marcação sobre o pé direito (em laranja).

Pode-se iniciar uma contagem antes de começar o canto (1, 2, 3, 4), coincidindo tanto o início da contagem quanto o início do canto com a pisada com o pé esquerdo. Alguns estudantes poderão ter mais facilidade de cantar e marcar o tempo observando o esquema visual, enquanto outros terão mais facilidade acompanhando o coletivo de forma mais intuitiva.

Cantar nos contratempos, isto é, entre uma pisada e outra, pode ser um elemento desafiador para os estudantes. Pode-se diminuir o andamento (velocidade) da música e fazer a marcação da pulsação com as mãos (batendo palmas levemente) até firmar o ritmo e depois retomar a marcação com os pés aumentando gradativamente o andamento.

Você poderá também criar uma nova parte. Sugerimos a Parte C , em que pronunciamos apenas uma sílaba (Rô ) quando o pé direito bate no chão.

Contextualize aos estudantes que a união entre música e dança na cultura dos povos originários está associada a fatores como a integração comunitária, na qual ambas linguagens participam de ritos que organizam o tempo coletivo e reforçam a identidade do grupo. Alguns exemplos de ritos nos quais música e dança estão integradas são o kuarup (etnias do Xingu), toré (etnias Fulni-ô, Pankararu, Xukuru, entre outras) e as ñembo’e (rezas cantadas de povos Guarani).

Explore variações de movimentação enquanto se pratica o canto com a marcação dos pés. Pode-se variar a direção da movimentação, para frente, para trás ou para os lados, em cada parte da música.

O uso de dispositivos eletrônicos pode ser significativo para o registro em áudio e vídeo das práticas realizadas. Pode-se trazer os registros eletrônicos para os momentos de avaliação, permitindo aos estudantes uma oportunidade também de fruição de seus próprios processos.

Sugestão para o professor

• GRUPO Veraju reconta Cantos da floresta: vídeo 5: Mamo oimẽ nde rory. Publicado por: Casulo: Espaço de Cultura e Arte, 2021. 1 vídeo (ca. 3 min). Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=2VDJ4-T5u3g. Acesso em: 14 set. 2025. Vídeo traz a proposta de reler artisticamente músicas e histórias indígenas referenciadas na obra Cantos da floresta.

• MAMO oimẽ nde rory. Cantos da floresta: iniciação ao universo musical indígena. São Paulo: Peirópolis, c2025. Disponível em: https: //www.cantosdafloresta. com.br/audios/mamo-oime -nde-rory/. Acesso em: 14 set. 2025.

Página apresenta a música Mamo oimẽ nde rory, com várias informações, partitura e áudio.

• OUVINDO e cantando Mamo oimẽ nde rory. Cantos da floresta: iniciação ao universo musical indígena. São Paulo: Peirópolis, c2025. Disponível em: https: //www.cantosdafloresta. com.br/povos/guarani/pro postas-didaticas/ouvindo -e-cantando-mamo-oime -nde-rory/. Acesso em: 14 set. 2025.

Proposta didática sobre a música Mamo oimẽ nde rory, com sugestões de ampliação de saberes.

BNCC

Habilidades: EF15AR13, EF15AR14, EF15AR15, EF15AR16, EF15AR17, EF15AR24 e EF15AR25.

ENCAMINHAMENTO

Na página 126, durante o canto, você pode combinar previamente com os estudantes como será o deslocamento, por exemplo, parte A (de frente) para o centro da roda, parte B (de costas) para fora da roda, parte C (de frente) girando a roda para a direita (sentido anti-horário).

Pode-se acrescentar a variação do tronco: mais voltado para baixo, em uma parte, e voltado mais para cima, em outra. Esse movimento nas danças indígenas está, em geral, relacionado à saudação ao céu e à terra.

Prepare a ambiência para a brincadeira musical da seção Arte-aventura: Ayele (canção africana com jogo de mãos) . Pode-se manter a ambiência da situação de aprendizagem anterior, pois mesmo não sendo trazida a dança, o corpo é ativado por meio da proposta lúdica.

Pode-se explorar a canção Ayele de muitas maneiras. A primeira é descrita na página 127 . Divida a turma em dois grupos. O grupo A é formado por cerca de oito crianças que atuarão como “fontes sonoras cantoras”. Elas ficarão em pé, dispostas em uma roda ampla, e cantarão conforme as orientações. O grupo B é composto pelos demais estudantes, que sentarão no chão dentro da roda. Eles permanecerão de olhos fechados, escutando o canto do grupo A e indicarão, quando solicitados, de onde vem o som (com uma das mãos).

Agora, vamos cantar todos juntos?

Organizem-se em dois grupos. Observem a partitura e sigam as instruções da legenda.

Em grupos, interpretem a melodia conforme as indicações.

1. Nas partes em , apenas o grupo 1 canta.

2. Nas partes em , apenas o grupo 2 canta.

3. Nas partes em , ambos os grupos cantam juntos.

Quando você sinalizar, um estudante do grupo A aumentará a intensidade de seu canto. O desafio do grupo B será identificar a direção, de onde vem esse canto mais forte. O jogo segue assim, com solicitações para outro estudante ou outra dupla, de modo que cantem um pouco mais forte a fim de que o grupo B identifique de onde vem o som.

Essa atividade explora a escuta e o reconhecimento auditivo, conectando-se com a canção sobre a criança Ayele, que se perde no mercado e busca encontrar seu pai (aqui, a fonte do som). O objetivo é treinar o controle vocal do grupo A e a percepção espacial pelo som do grupo B. Os grupos devem ser invertidos para que todos os estudantes experimentem as duas funções.

Arranjo original feito para esta obra.

ARTE-AVENTURA

Ayele (canção africana com jogo de mãos)

Existe uma canção africana que celebra a alegria do encontro entre pessoas. Vamos aprender?

Essa canção se refere a uma criança chamada Ayele, que se perdeu do pai em um mercado. Para se localizarem, ambos cantaram e, assim, se encontraram novamente.

Quando se reencontraram, eles se abraçaram forte e cantaram a música juntos.

Níger-Congo e pode ser identificada no Brasil no Candomblé Jeje e no Tambor de Mina.

A experiência musical e as brincadeiras musicais étnicas contribuem para o desenvolvimento do ODS 10: Redução das desigualdades — por meio da empatia resultante do contato positivo com a cultura do outro — e do ODS 16: Paz, justiça e instituições eficazes — pela promoção da cultura de paz por meio do brincar.

+Ideias

Ayele mido kulo, mido papa (n’)Ayele

Oh, oh! mido papa (n’)Ayele

Ayele mido kulo, mido papa (n’)Ayele

Ayele mido kulo, mido papa (n’)Ayele

17 Letra (em jeje)

AYELE. [S. l.: s. n.], [19--?]. Cantiga popular.

Tradução livre

Eu sou Ayele, eu sou o pai da Ayele

Ah, ah! Eu sou o pai da Ayele

AYELE. 2025. Cantiga popular traduzida especialmente para esta obra.

Vamos celebrar a alegria desse encontro cantando essa canção e fazendo um jogo juntos? Escutem a canção.

1. Dividam-se em dois grupos. Um grupo em pé formará uma grande roda e deverá cantar a melodia da canção.

Utilizamos nesse arranjo a escala de Dó maior descendente. Ela aparece no

2. O outro grupo ficará sentado no meio do círculo e sempre com os olhos fechados.

3. Todos do grupo da roda em pé cantarão juntos. Quando um dos integrantes cantar com maior intensidade, o grupo que está sentado deverá apontar com o indicador a localização desse colega.

4. O jogo segue assim, com um estudante diferente a cada vez cantando com maior intensidade e o grupo sentado procurando indicar sua localização, como aconteceu na história de Ayele e seu pai se buscando no meio das pessoas no mercado!

início da música na voz feminina e, em seguida, na voz masculina. Mais adiante a escala descendente serve de acompanhando para o canto da melodia.

É usado como um dos materiais musicais no arranjo do áudio Ayele a escala de Dó maior descendente. Ela aparece no início da música na voz feminina e, em seguida, na masculina também. Em um momento mais adiante, a escala descendente aparece novamente, servindo agora de contraponto, isto é, de voz que complementa ou acompanha a melodia cantada.

26/09/25 14:20

A letra da canção aponta para o tronco linguístico jeje, predominante nas culturas originárias de uma região que abrangia territórios nos atuais Benim, Togo e Gana, na África Ocidental. No Brasil, o termo jeje acabou se tornando uma designação genérica para povos e práticas religiosas vindos desse eixo linguístico-cultural, sobretudo ligados às línguas fon e ewé. O termo jeje foi usado (sobretudo na Bahia) para designar os africanos trazidos dessa região, em contraste com os nagôs (iorubás) e angolas (banto). Sua família linguística integra o ramo gbe da família

Por se tratar de uma música que carrega uma história, você pode propor uma representação teatral dela. Forme grupos de estudantes e solicite que preparem uma improvisação a partir da história. Pode-se solicitar aos grupos que , em suas improvisações, façam alguma pequena alteração na história, em elementos como quem, o quê, quando, onde, como e por quê. Por exemplo, o onde pode ser um mercado intergalático, o quando pode ser no período Paleolítico e o porquê ser o horário do almoço.

Privilegie o brincar e reserve um tempo para o registro, mas sem a necessidade de conversação, que pode ocorrer em um momento posterior e valendo-se dos registros realizados sobre a brincadeira cantada (e a improvisação teatral sugerida, caso venha a ser realizada).

Sugestão para o professor

• JEJE. In : ANCESTRALIDADES. Itaú Cultural; Fundação Tide Setubal, c2025. Disponível em: https:// www.ancestralidades.org. br/termos-e-conceitos/jeje. Acesso em: 12 ago. 2025. O verbete jeje , no portal Ancestralidades, contextualiza o uso do termo no Brasil.

BNCC

Habilidades: EF15AR13, EF15AR14, EF15AR16 e EF15AR17.

ENCAMINHAMENTO

Mantenha a ambiência lúdica para a continuidade da situação de aprendizagem. Leia o texto junto aos estudantes. Colabore na leitura e compreensão do esquema. Esta foi uma forma de apresentar um procedimento para o trabalho musical, a fim de explorar o potencial dessa canção, canto ou fala em roda com movimento e percussão corporal.

Observe junto aos estudantes, no esquema, como interpretar a melodia (ou apenas a letra ritmada), buscando compreender primeiramente como ela está concebida. Montem uma roda e experimentem a direção de giro com o movimento dos pés (na primeira parte) e, na sequência (na segunda parte), com a percussão corporal (palmas individuais e pisão de pés no chão). Veja em Sugestão para o professor possibilidades de movimentação para a canção. Conduza também a experimentação do canto em dois grupos (1 e 2) conforme indicado, primeiro alternando o canto e, depois, cantando juntos.

As propostas apresentadas nesta situação de aprendizagem estão abrangidas no conceito de brincadeiras rítmicas. Elas se caracterizam por serem brincadeiras que combinam movimento, som e ritmo, articulando tempo e espaço para expressão corporal e envolvendo os participantes de maneira ativa.

Cantando e movendo a roda

Na figura a seguir, há a indicação de tempos (1, 2, 3 e 4) e da letra da canção. Também há a indicação de como girar a roda na Parte 1 e de como realizar a percussão corporal na Parte 2 . Vamos compreender juntos e interpretar esta canção? Com os colegas, organizem uma roda. Na primeira parte, experimentem a direção de giro com o movimento dos pés. Já na segunda parte, experimentem bater palmas, mantendo as pisadas no chão.

Vocês podem repetir isso várias vezes enquanto escutam e cantam a canção. Os estudantes podem criar mais movimentos coreográficos e sons pela percussão corporal.

Monte uma roda e, ao começar a música, todos darão um passo lateral à sua direita com o pé direito e no tempo seguinte um passo com o pé esquerdo a direita, fazendo assim a roda girar para a direita. Pode-se inverter também o sentido do giro.

Agora, vamos cantar e fazer um jogo de mãos em duplas? Observe como se joga.

1. Convide um colega e se posicione na frente dele.

2. Fiquem com a palma da mão direita voltada para cima e a palma da mão esquerda voltada para baixo.

3. Na sequência, vocês baterão as mãos seguindo as orientações a seguir. Organize os estudantes em duplas, um na frente do outro, e oriente-os a seguir as etapas dos movimentos do jogo. Lembre-os de fazer os movimentos na marcação do tempo indicada na letra. 1 2 3 4 5 6 7 8

(Ay-) ele mido kulo mido Papa (n´Ay-) ele

(Ay-) ele mido kulo mido Papa (n´Ay-) ele

Oh oh mido Papa (n´Ay-) ele

Oh oh mido Papa (n´Ay-) ele

(n´Ay-) ele mido kulo mido Papa (n´Ay-) ele

(n´Ay-) ele mido kulo mido Papa (n´Ay-) ele

Mão direita com a palma para cima e mão esquerda com a palma para baixo.

Mão direita com a palma para baixo e mão esquerda com a palma para cima.

Palmas frente a frente com o colega. Palma individual.

Agora, vocês vão se dividir em dois grupos para cantar a canção. Um grupo canta os versos na cor vermelha, e o outro grupo canta os versos na cor verde. Nos versos na cor roxa, todos cantam.

Ayele mido kulo, mido papa (n’)Ayele

Ayele mido kulo, mido papa (n’)Ayele

Oh! oh! mido papa (n’)Ayele

Oh! oh! mido papa (n’)Ayele

Ayele mido kulo, mido papa (n’)Ayele

Ayele mido kulo, mido papa (n’)Ayele

129

Elas podem ser feitas com o próprio corpo, com objetos (como cordas) ou instrumentos de percussão. Além do desenvolvimento musical, também colaboram com a socialização, o desenvolvimento da concentração e da coordenação e a expressão emocional dos estudantes. Sugere-se dar protagonismo ao brincar durante o desenvolvimento da situação de aprendizagem, com pausas para registro. A conversação e avaliação devem ocorrer ao término das experiências ou antes de iniciar a próxima situação de aprendizagem, em uma aula subsequente.

+Ideias

Pode-se oportunizar um momento para realizar a brincadeira cantada junto aos adultos responsáveis pelos estudantes no espaço escolar. Auxiliados por você, os estudantes serão os condutores da música e suas brincadeiras. Verifique a melhor ocasião no calendário escolar para esta proposta lúdica de integração e interação entre estudantes, responsáveis e escola.

Sugestão para o professor

• AYELE: brincadeira do oeste da África. Publicado por: Ana Tatit, 2021. 1 vídeo (ca. 1 min). Disponível em: https: //www.youtube.com/wat ch?v=j233MI5mF2M. Acesso em: 14 set. 2025.

Vídeo publicado por Ana Tatit apresenta a música Ayele com uma brincadeira de coordenação rítmica.

BNCC

Habilidades: EF15AR13, EF15AR14, EF15AR16, EF15AR17 e EF15AR23.

TCT: O estudo do som, sua emissão e recepção e do ambiente acústico colabora com o desenvolvimento do TCT Saúde.

ENCAMINHAMENTO

Prepare a ambiência para a leitura do livro e o registro das ideias e aprendizagens dos estudantes em seus cadernos. Ressalte que cada pessoa tem suas preferências em relação aos sons e às músicas e que é importante respeitar as diferenças. Relembre noções sobre parâmetros dos sons e percepções musicais e converse com os estudantes sobre os sons ouvidos no cotidiano. Explore com eles a percepção de que cada som tem sua natureza, origem e personalidade. Os sons vêm sempre de uma fonte sonora que tem determinada materialidade e chega até nós de maneira particular, pois atravessa materiais em sua trajetória quando se propaga. Assim se constitui sua peculiaridade, o timbre e os outros parâmetros.

O timbre é como a cor do som. Existem vários tipos e nuances de timbres, assim como uma cor tem várias tonalidades. Na escuta de timbres, podemos notar que há sons que nos provocam certas sensações e, ainda, perceber que existem sons que são agradáveis de ouvir e outros que incomodam.

Alguns sons são considerados poluição sonora. Existem sons tão intensos que chegam a danificar alguns objetos e até a orelha. Ouvir

DIÁLOGOS

O

meu, o seu e o nosso mundo sonoro

Veja a tirinha a seguir.

Tem pessoas que gostam de estar em ambientes com sons intensos! Outras preferem lugares mais silenciosos. Mas será que existe um lugar totalmente silencioso?

Nosso mundo é sonoro. Percebemos o som do vento passando entre as folhas, as ondas do mar batendo na areia da praia, os carros passando nas ruas das cidades, as pessoas conversando, sons de grilos e outros bichos. No mundo, tudo é som!

Para provar isso, o compositor John Cage decidiu experimentar a plenitude silenciosa, ou silêncio total. Ele entrou numa câmara anecoica, ou seja, uma cabine completamente à prova de sons, para fazer um teste. Em pouco tempo, concluiu que o silêncio absoluto não existe. Mesmo dentro da cabine à prova de som, ele conseguia ouvir os sons de seu corpo, como seu coração batendo. Contextualize que, em seu experimento, John Cage ouviu dois sons: um agudo, produzido por seu sistema nervoso, e um grave, gerado pela circulação do sangue nas veias.

QUEM É?

John Cage (1912-1992) foi um compositor e músico estadunidense, pesquisador do som, do silêncio e da música. Dizia que tudo era som e que é possível fazer música com os mais variados elementos, inclusive os sons do cotidiano.

COLEÇÃOPARTICULAR

Som é energia em movimento, é uma vibração em deslocamento pelo ar, pelo espaço. É tudo o que é captado pela audição.

Contextualize que o som é produzido quando acontece uma vibração que provoca ondas sonoras. A corda de um violino, o ar soprado em uma flauta, um tambor tocado. O som se propaga onde há material em forma líquida, gasosa ou sólida.

música acima de 65 decibéis (dB) pode ter impacto na saúde porque a exposição prolongada a ruídos leva gradualmente à perda auditiva, irritabilidade, insônia e outros problemas.

Converse com os estudantes sobre o fato de que existe uma grande diversidade de sons, mas apenas uma parte deles é ouvida.

Desde tempos muito antigos, as pessoas já percebiam que o mundo era repleto de sons. Sons produzidos por diferentes fontes sonoras da natureza faziam parte da paisagem sonora natural que, aos poucos, foi mudando com os inventos criados ao longo da história. Assim surgiram as fontes sonoras artificiais, como sons de instrumentos musicais, máquinas, objetos, meios de transportes e tantos outros sons.

BECK, Alexandre. Armandinho três. Florianópolis, 2014. p. 6.

Gostamos de ouvir alguns sons, como sons da natureza e uma canção preferida. Que sons você gosta de ouvir?

Será que o tipo e a intensidade dos sons que você ouve podem afetar sua saúde e a de outras pessoas? Ouvir música, por exemplo, é importante e saudável, mas em uma intensidade agradável e que respeite quem está próximo a você, como seus vizinhos e os animais. A poluição sonora pode causar prejuízos à saúde, como perda auditiva, insônia e problemas emocionais. Os animais também sofrem com barulho.

A poluição sonora é o excesso de ruído ou sons que ultrapassam os níveis de intensidade considerados aceitáveis para a saúde e o bem-estar. Alguns exemplos são sons de veículos, máquinas, música em forte intensidade e outros.

1 Em sua casa, reúna os familiares e converse sobre as questões a seguir. Faça anotações em seu caderno e, depois, converse com os colegas.

1. a) Relembre que as fontes sonoras artificiais são os sons de coisas inventadas pelas pessoas, como as máquinas, os instrumentos musicais, entre outros.

a) Feche os olhos e faça silêncio. Escute os sons ao redor. Os sons são da natureza ou artificiais?

b) Procure identificar a altura, a duração e a intensidade de cada um dos sons. Identifique também quais são as fontes sonoras e seus timbres.

c) Quais sons você considera agradáveis e quais sons você acha que podem ser classificados como poluição sonora?

d) Qual é sua opinião e a opinião de seus familiares sobre a importância de respeitar os limites da intensidade dos sons?

e) Com a ajuda dos familiares, em folhas de papel avulsas, crie cartazes com desenhos e palavras que incentivem o autocuidado e o respeito em relação à produção de sons intensos. 1. c), d), e) Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.

ESTA É A MINHA ARTE!

Que tal fazer uma exposição dos cartazes produzidos pela turma na escola?

Uma roda de conversa também pode ser organizada na escola sobre o tema Sons, poluição sonora, saúde e qualidade de vida.

1. b) Em relação à percepção dos timbres, dependendo da materialidades e características da fonte sonora, é possível perceber diferentes qualidades, como brilhante, suave, aveludado, áspero, metálico, entre outras.

O músico canadense Murray Schafer desenvolveu o conceito de paisagem sonora e se preocupou com a acústica do mundo. Seu modo de pensar a música envolvia desde a capacidade de ouvir o silêncio até combater a poluição sonora. Ele defendia o desenvolvimento de uma orelha pensante, capaz de uma escuta mais sensível e refinada.

O estudo do som, sua emissão e recepção e do ambiente acústico colabora com o desenvolvimento do ODS 3: Saúde e bem-estar e do ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis.

É possível também estabelecer uma mediação tecnológica do som que traduz as ondas sonoras em sinais visuais ou táteis (luzes piscando, legendas em tempo real, aplicativos de transcrição ou pulseiras vibratórias).

A neurodiversidade também aponta caminhos para se pensar as relações com o som. Para pessoas dentro do espectro autista, o som pode ser percebido de forma amplificada (hiperacusia), gerando desconforto com ruídos que para outras pessoas são neutros. O contrário também acontece: uma hipossensibilidade pode fazer com que a pessoa precise de sons mais intensos para poder percebê-los. Com isso, a relação com ambientes acústicos pode variar muito dentro de um mesmo grupo, e o que for agradável para uns pode ser caótico para outros. Ainda abordando o Transtorno do Espectro Autista (TEA), há pessoas que usam a música repetida como autorregulação, não só pelo que escutam, mas pelo ritmo corporal que induz calma.

Portanto, ambientes acústicos (como a escola) podem ser pensados a partir de uma ótica que considera múltiplas sensibilidades sonoras, com zonas de silêncio, estímulos visuais ou táteis como equivalentes ao som, controles individuais de sons (fones, aplicativos, reguladores de volume etc.), entre outros.

26/09/25 14:20

A situação de aprendizagem abrange diferentes saberes, e recomenda-se que eles sejam acompanhados de registros nos cadernos.

+Ideias

Esta situação de aprendizagem abre a possibilidade de conversar com os estudantes sobre como as diferenças engendram diversas formas de relação com os sons e com os ambientes acústicos. Por exemplo, pessoas surdas também se relacionam com o som, pois suas vibrações podem ser percebidas por outros sentidos.

Sugestão para o professor

• MURRAY Schafer: os “sons do mundo” e a conscientização sonora. São Paulo: Terra da Música, c2022. Disponível em: https://terradamu sicablog.com.br/murray-s chafer-pedagogia-musical/. Acesso em: 15 set. 2025. Matéria sobre o legado de Murray Schafer, com destaque para sua abordagem educacional.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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Habilidades: EF15AR14, EF15AR15, EF15AR16 e EF15AR17.

Organize-se

• Escolha materiais, objetos ou instrumentos construídos pelos estudantes anteriormente. Eles poderão trazer objetos de casa ou utilizar objetos encontrados em sala de aula. Oriente-os a pedir ajuda aos familiares para selecionar materiais adequados (não cortantes) e limpar bem todos eles.

ENCAMINHAMENTO

Converse com os estudantes para uma sondagem dos conhecimentos prévios e sensibilize-os para o estudo dos assuntos apresentados nesta seção. Pergunte: vocês sabiam que podemos criar instrumentos musicais com objetos do nosso cotidiano? Quais desses objetos vocês acham que possuem boa sonoridade? Quais instrumentos podemos criar?

A proposta é criar uma série de instrumentos e fazer diversas experimentações sonoras. Os estudantes devem formar grupos para criar composições, que podem ser registradas em notações não convencionais compostas de linhas e formas. Oriente-os a reproduzir suas composições, explorando os objetos sonoros e os instrumentos construídos. Proponha que falem sobre os objetos que escolheram, suas características e quais sonoridades vindas desses objetos lhe chamaram atenção.

Para a proposta, permita que os estudantes experimentem livremente, ouvindo as sonoridades dos objetos

ARTE EM PROJETOS Criando músicas

Existem muitos modos de inventar na linguagem artística da música. Uma turma usou garrafões plásticos de água e tecidos para criar uma grande centopeia musical! Veja a imagem.

132

Você sabia que podemos criar música fazendo chocalhos com garrafas de plástico e tubos sonoros com canos de plástico, bem como soprando garrafas de vidro vazias?

e dos instrumentos, e explorem a combinação de sons das diversas fontes sonoras, criando linhas melódicas e ritmo.

Durante o processo de criação, oriente um grupo a ensaiar a linha melódica e o outro a criar as notações musicais, combinando as representações dos sons com os demais colegas.

Os estudantes poderão compor a música explorando também a voz e a percussão corporal, incluindo esses elementos na notação musical. Depois de criarem a música, eles poderão ensaiar a partir da leitura da notação musical criada.

Ao final, peça que componham registros do processo de criação, por meio da escrita de textos, da criação de desenhos ou de fotografias e filmagens. É possível, ainda, organizar e combinar com a escola a apresentação da turma.

Agora, que tal criar música com os materiais e os instrumentos que fizemos até aqui?

Uma sugestão é criar a música na forma A B A’

O A pode ser um tema, um ritmo ou uma melodia que você conheça ou criada por você. Já o B deverá ser algo diferente, que faça um contraste com o A. O A’ será uma variação, ou uma alteração, do A Crie música nessa forma e, depois, em outras formas! Vamos lá?

COMO FAZER

1. Recolham materiais diversos e investiguem os sons que vocês podem produzir com eles.

2. Explorem sons agudos e sons graves e também sons longos e sons curtos. Criem em grupos uma música com dois sons (um agudo e um grave) na forma A B A’. Vocês podem também criar um ritmo interessante e improvisar uma melodia sobre ele.

Atenção!

Peçam ajuda a um adulto responsável para selecionar materiais que não ofereçam riscos a vocês.

+Ideias

Ao fazer essa experiência, os estudantes perceberão que quanto mais água colocarem na garrafa, mais agudo será o som emitido quando soprada. Você pode indicar o uso de um aplicativo de afinação para obter notas mais precisas e montar uma escala musical (com cinco, sete ou mais sons). Para isso, é importante verificar qual a garrafa vazia que emite o som mais grave e montar a escala a partir dessa nota (considerada a nota fundamental da escala).

É importante valorizar o trabalho colaborativo e observar como os estudantes participam e se expressam durante as proposições. Avalie o desenvolvimento e o processo criativo considerando se eles compreenderam e exploraram os parâmetros sonoros com base na produção de sons com fontes sonoras alternativas e na criação de instrumentos musicais.

3. Ensaiem as músicas e marquem uma apresentação para os colegas de outras turmas da escola.

Dica: vocês podem registrar em áudio ou em vídeo a apresentação da turma.

26/09/25 14:20

Proponha aos estudantes a construção de uma alfaia utilizando um garrafão plástico vazio e tecido. Oriente-os a usar o garrafão com a boca para baixo. Sugira que a personalização seja feita com um tecido resistente e colorido amarrado em volta do garrafão. Os estudantes podem criar alças com o mesmo tecido e prender na cintura ou nos ombros.

Proponha uma experimentação coletiva, criando improvisações sonoras com as alfaias. A percussão deve se dar no fundo do garrafão com as mãos ou com o auxílio de baquetas, que podem ser pedaços de madeira com tecido enrolado em uma das pontas, bem apertado, em forma de bola.

Pode-se construir instrumentos de sopro a partir de garrafas com água. Oriente os estudantes a escolher garrafas que sejam cômodas para segurar nas mãos e assoprar. Elas devem ser preenchidas com quantidades diferentes de água, a fim de afiná-las, isto é, emitirem sons de alturas diferentes.

É possível desenvolver uma ficha (pauta de avaliação) para acompanhar o que os estudantes aprenderam. Sugere-se as seguintes questões: o que mais gostaram de fazer e apreciar? O que pensam sobre suas produções individuais e coletivas? Desenvolvem processos de criação de modo colaborativo? Aprendem a criar com autonomia e poética pessoal? Relacionam e contextualizam a arte e a vida cotidiana?

Sugestão para o professor

• COCO maduro: Embatucadores. Publicado por: Embatucadores, 2019. 1 vídeo (ca. 4 min). Disponível em: https: //youtu.be/dEVR4oXLOhM. Acesso em: 14 set. 2025. O grupo Embatucadores, coordenado por Rafael Rip, é composto de estudantes e ex-estudantes de escola pública. O vídeo mostra a apresentação de uma música do grupo usando instrumentos musicais convencionais e não convencionais.

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Habilidades: EF15AR03, EF15AR08, EF15AR13, EF15AR18 e EF15AR25.

TCT: Abordar a cultura tradicional brasileira contribui para o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

2

Organize-se

• Pode-se preparar previamente uma curadoria educativa de músicas e vídeos sobre festejos de boi para serem fruídos pelos estudantes durante o desenvolvimento da situação de aprendizagem.

ENCAMINHAMENTO

Apresente aos estudantes a pintura de 2013, feita por Wilma Bolsoni, sobre os bois Garantido e Caprichoso. A poética da artista evidencia as pinceladas, misturas de cores e apresenta uma paisagem mais sugerida do que representada, enquanto confere destaque e força às figuras dos bois.

Em seguida, leia o texto poético junto aos estudantes. Peça que relacionem elementos do texto com elementos da pintura (como os símbolos na testa dos bois). A primeira estrofe se refere ao boi Garantido que, com a cor vermelho, evoca o amor, o lirismo e a religiosidade. A segunda estrofe se refere ao boi Caprichoso, que representa, com a cor azul, a ousadia, a inovação e o orgulho de sua cultura.

Destaque o verso “Brinquedo de São João”. Converse com os estudantes sobre a palavra brinquedo e sobre o que eles imaginam que seja esse brinquedo referido no verso. Depois de acolher as falas dos estudantes, contextualize que, na cultura tradicional, brinquedo pode significar uma brincadeira,

O ENCANTO DO BOI

e

134

um jogo ou uma manifestação popular. As folias de boi, por exemplo, podem também ser chamadas brinquedos de boi.

A referência a São João aponta para o calendário, para o tempo do festejo, algo que ocorre na época de São João no Brasil. Ressalte que a Constituição Federal em vigor desde 1988 estabelece que o Brasil é um país laico, secular, isto é, não é regido por uma instituição ou princípio religioso e, consequentemente, o poder do Estado é oficialmente imparcial em relação às questões religiosas. Feriados como Natal, Paixão de Cristo (Sexta-feira Santa) e Dia de

Nossa Senhora de Aparecida, apesar de estarem ligados a uma religião, não são considerados questões de fé pela lei que os estabelece, mas de cultura e tradição.

A quadrilha, dançada nas festas juninas, é um exemplo interessante de como as festividades de São João, assim como as de Santo Antônio e São Pedro, carregam um aspecto mais cultural do que religioso. A quadrilha traz elementos do minueto, como passos e termos em francês que permanecem até a atualidade nesse brinquedo popular.

Montagem de ilustração com fotografia da obra Bois da festa de Parintins
Garantido
Caprichoso, de Wilma Bolsoni, 2013. Óleo sobre tela, 40 cm  x 30 cm.

VENHA BRINCAR E ENCANTAR!

Traz consigo um coração vermelho na sua testa Brinquedo de São João boi bonito da promessa.

Este boi dos pescadores da Amazônia encantada

Na testa leva uma estrela bela, firme e azulada.

Dois bois queridos e festejados pelos brincantes de Parintins.

TRAZ consigo um coração. 2025. Texto elaborado especialmente para esta obra.

Você já brincou em um festejo de boi? Conhece algum canto que fala sobre esse festejo?

O boi tem um papel muito importante na cultura brasileira. Existem festas e eventos em diversas regiões brasileiras que homenageiam esse animal. O Brasil é repleto de festejos, cantos e danças. Vamos conhecer mais?

Venha brincar e encantar!

A dança da quadrilha tem origem no minueto e em danças de salão europeias do século XVIII, especialmente na França. Alguns dos passos e termos em francês ainda permanecem: balancê (do francês balancer, balançar), anarriê (de en arrière , para trás), anavantu (de en avant tout, todos para frente).

Esses comandos, que soavam sofisticados no passado, foram incorporados de forma lúdica e hoje fazem parte da identidade da quadrilha como um brinquedo popular.

A abertura do capítulo e os momentos de conversação, oportunos durante a leitura de imagens e textos, permitem o levantamento dos conhecimentos prévios dos estudantes sobre os temas que serão abordados e sobre seu desenvolvimento acerca de estudos já realizados. Registre suas observações sobre o diagnóstico proporcionado.

+Ideias

Promova um momento de nutrição estética com imagens e vídeos sobre o Festival de Parintins. Procure mostrar tanto o que ocorre no Bumbódromo quanto em toda a cidade de Parintins (AM), que ganha tons azuis e vermelhos, expressando a torcida para os bois Garantido e Caprichoso.

Sugestão para o professor

• EULER, Madson. Festas juninas e julinas também são tempo de Bumba Meu Boi. Agência Brasil, 8 jul. 2023. Disponível em: https:// agenciabrasil.ebc.com.br/ radioagencia-nacional/ cultura/audio/2023-07/fes tas-juninas-e-julinas-tam bem-sao-tempo-de-bum ba-meu-boi. Acesso em: 15 set. 2025.

Essa matéria aborda a questão cultural, tradicional e patrimonial do Bumba Meu Boi.

26/09/25 17:12

Leia junto aos estudantes o texto que segue após o texto poético. As perguntas têm caráter de oralidade. A partir delas, pode-se estabelecer uma conversação. Movimente-a com outras perguntas mediadoras a partir das falas dos estudantes.

Abordar a cultura tradicional brasileira contribui para o desenvolvimento do ODS 16: Paz, justiça e instituições eficazes pela cultura de paz promovida pela arte brincante.

• VEIGA, Edison. Por que o Brasil tem feriados religiosos se é um Estado laico? G1 Economia, 24 jan. 2025. Disponível em: https://g1. globo.com/economia/noti cia/2025/01/24/por-que-o -brasil-tem-feriados-religio sos-se-e-um-estado-laico. ghtml. Acesso em: 15 set. 2025.

Essa reportagem aborda a questão dos feriados religiosos brasileiros no contexto de sua laicidade.

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Habilidades: EF15AR03, EF15AR08, EF15AR13, EF15AR18 e EF15AR25.

ENCAMINHAMENTO

Leia o texto e as imagens junto aos estudantes. Converse sobre o brincar nas tradições populares, chamando a atenção para manifestações do território ou da região. Peça aos estudantes que registrem em seus cadernos os pontos principais e os que mais lhes chamaram a atenção durante a conversação e diga para darem continuidade à conversa com seus familiares ou responsáveis, perguntando sobre suas experiências e ouvindo os relatos dos mais velhos acerca da vivência em festejos tradicionais.

Na página 137, contextualize que existem muitas folias que têm o boi como figura principal. Ele também aparece como personagem em outros festejos. O que o boi tem de tão especial? Os bois, as vacas e os bezerros são animais que aparecem em muitas histórias. Algumas vezes, eles aparecem como seres muito antigos que habitam o céu. Outras vezes, aparecem como animais sagrados. Para avaliarmos o tipo de influência cultural predominante de um folguedo de boi, devemos observar os instrumentos utilizados, assim como as vestimentas ou os figurinos, a dança, a coreografia e o ritmo. A característica desse conjunto de fatores define o que normalmente se chama de sotaque.

Do ponto de vista dos instrumentos interpretados, há três tipos principais de sotaque: Sotaque de Matraca — reflete uma influência preponderantemente indígena, utilizando-se de instrumen-

Sair para brincar

Você já participou de festas tradicionais? No Brasil, existem muitas festas em que o povo se reúne para brincar, celebrar e cultuar suas crenças e sua religiosidade. Nas festas tradicionais, há músicas, danças dramáticas, cortejos e outros elementos. Muitas dessas festas são reconhecidas como patrimônio imaterial, como Folia de Reis, Carimbó, Maracatu, Bumba Meu Boi, entre outras. Nesses festejos, tem gente que usa fantasia e encarna personagens para entrar na folia, ocupando as ruas com músicas, danças e muita alegria. Como já estudamos, aqueles que participam dos festejos são muitas vezes chamados brincantes. Veja as pessoas nos registros a seguir.

Mascarados durante a Folia de Reis, município de Ingaí, estado de Minas Gerais, em 2023.

Jovens dançando carimbó na comunidade quilombola de Mangabeira, estado do Pará, em 2022.

Maracatu Rural, conhecido também como Maracatu de Baque Solto, no município de Aliança, estado de Pernambuco, em 2015.

1 Você já saiu para brincar em um festejo tradicional? Quais festejos tradicionais existem em sua região? Você conhece algum brincante? Converse com seus familiares e descubra ainda mais sobre os festejos tradicionais!

Respostas pessoais. Oriente os familiares a pesquisar com os estudantes sobre os festejos tradicionais regionais. Peça que os estudantes verifiquem se há algum familiar ou vizinho que participa desses festejos e que possa contribuir com informações para enriquecer a conversa.

tos típicos como o maracá, a matraca, o pandeirão e o tambor-onça; Sotaque de Zabumba — evidencia influência africana, recorrendo ao maracá, ao tambor-onça, ao tamborinho, à zabumba e ao tambor-de-fogo; e Sotaque de Orquestra — apresenta marcada influência europeia e possui um instrumental mais atual e variado, de instrumentos de sopro (como saxofones, trombones, clarinetas e pistões) a banjos, guitarras, contrabaixo elétrico, teclado, entre outros.

Para a proposta 1 da página 137 , além das características apontadas anteriormente, você pode propor a criação de um mapa do boi. Providencie ou projete um mapa do Brasil com as divisões dos estados nacionais. Peça aos estudantes que escrevam em papéis pequenos os nomes das folias de boi e, em seguida, coloquem cada papel sobre o estado em que ocorrem. Caso seja utilizado um mapa do acervo da escola, pode-se optar por usar notas adesivas que não danifiquem o mapa.

Boiada encantada

Você conhece algum festejo de boi? Bumba Meu Boi, Boi de Mamão, Boi-Bumbá, Boi de Reis, Boi Caprichoso. No Brasil, diferentes tradições se misturam nas folias de bois. Tradições indígenas, europeias e africanas estão juntas na maior parte desses festejos. O resultado de tantas misturas foi o surgimento das mais encantadoras festas de bois.

No município de Parintins, no estado do Amazonas, o festejo original de boi se transformou em um festival folclórico grandioso que reúne milhares de pessoas todos os anos. É o Boi-Bumbá de Parintins, que dura três noites seguidas e é realizado no Bumbódromo, uma arena que comporta mais de 35 mil pessoas.

Apresentação do Boi Garantido no Festival Folclórico de Parintins, no estado do Amazonas, em 2024.

Apresentação do Boi Caprichoso no Festival Folclórico de Parintins, no estado do Amazonas, em 2025.

O Festival Folclórico de Parintins é uma das maiores festas tradicionais do Brasil e ocorre todos os anos. Essa festa grandiosa incorpora personagens indígenas e ribeirinhos, além de mitos regionais, como a Iara e o Boto.

1 Na região onde você vive, existem festejos de boi? Se sim, como acontecem? Com os colegas, realize uma pesquisa e anote em seu caderno o que vocês descobriram sobre esses festejos.

a) Qual é o nome do festejo?

b) Quais são os personagens?

c) Existem canções? Se sim, do que falam as letras?

d) Como é o ritmo das músicas?

e) Quais histórias são contadas sobre esses festejos?

f) O que mais tem para investigar e registrar em sua pesquisa? Respostas pessoais. Veja mais orientações no Encaminhamento.

Outras possibilidades que podem ser consideradas: fazer a impressão de mapas do Brasil menores e distribuir entre grupos de estudantes para a realização da proposta; fazer a impressão de mapas dos estados e organizar os estudantes em grupos para que cada um seja responsável por um estado; criar um mapa em suporte grande junto com os estudantes,

o que pode ser feito em conjunto ou com auxílio do professor de Geografia, ou criá-lo sem o rigor cartográfico, marcando de forma ilustrativa os estados brasileiros. Recomenda-se, mesmo que o mapa não esteja totalmente preciso, que os estudantes possam visualizar onde os folguedos são realizados, especialmente quando apontam para

uma cidade específica, como Parintins (AM), São Luís (MA) ou Macaé (RJ), por exemplo. Ainda, para se ter noção da distância, pode-se pesquisar o tempo de deslocamento de seu território até alguns locais onde se realizam os folguedos. É possível incrementar o mapa preparando desenhos ou recortes de fotografias dos folguedos e acrescentar em cada estado. Por exemplo, você pode pesquisar sobre o Boi-Estrela-do-Mar, fazer um desenho que represente essa folia e colocar a imagem no estado do Ceará. Depois de terminado, é interessante colocar o mapa em um local onde todos possam ver.

Sugestão para o professor

• BRASIL. Ministério da Cultura. Dossiê de Registro : Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão. São Luís: Iphan, 2011. Disponível em: https://bcr.iphan.gov.br/ documentos-do-process/ dossie-de-registro-comple xo-cultural-do-bumba-meu -boi-do-maranhao. Acesso em: 15 set. 2025.

26/09/25 14:24

Material abrangente sobre o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi no Maranhão. • BRASIL. Ministério da Cultura. Dossiê final: processo de instrução técnica do inventário de reconhecimento do Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins. São Luís: Iphan, 2018. Disponível em: https://bcr.iphan.gov.br/ documentos-do-process/ dossie-de-registro-bois-de -parintins. Acesso em: 15 set. 2025.

Material abrangente sobre o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

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TCT: Abordar a cultura tradicional brasileira contribui para o desenvolvimento do TCT Multiculturalismo.

ENCAMINHAMENTO

Leia com os estudantes o texto e as imagens. Converse com eles sobre o conteúdo e promova uma pesquisa sobre o Boi de Mamão e seus personagens. Investigue canções ou auxilie os estudantes a criar versos cantados para contar uma história.

Com caixas de papelão, retalhos de papel ou tecidos, riscadores, tintas, pincéis, cola e fitas adesivas, os estudantes podem improvisar e criar as formas e os figurinos dos personagens para as danças dramáticas.

É possível criar personagens que não sejam os tradicionais da folia, mas é importante conhecer aqueles que fazem parte da tradição. Para a vivência ou criação de personagem, considere, conforme indicado, seu deslocamento (formas de andar ou se mover), movimentos dançados, cantos, chistes e diálogos com outros personagens. Ferramentas digitais que permitam registro em imagem, áudio e vídeo se configuram como aliados eficazes no processo de registro dos processos vivenciados pelos estudantes. Estabeleça momentos de avaliação nos quais os estudantes possam fruir os registros realizados.

ARTE-AVENTURA

Boi e outros personagens

Os festejos de boi são carregados de música, dança e teatralidade. São danças dramáticas, com histórias geralmente contadas em forma de pantomima.

Danças dramáticas são manifestações culturais que misturam linguagens como dança, música e teatro.

Pantomima é uma forma de teatro que se baseia em gestos, com narrativa visual e poucos diálogos ao longo da apresentação.

No município de Florianópolis, no estado de Santa Catarina, existe o festejo do Boi de Mamão, que conta a história do personagem Mateus, um vaqueiro de origem humilde que descobre que seu boi de estimação morreu.

Inconformado, o vaqueiro busca um curandeiro que seja capaz de ressuscitar seu boi. Quando consegue, todos dançam e cantam felizes. Outros personagens surgem no decorrer da história, como Bernunça, que tem forma de dragão e, com uma boca gigante, persegue e tenta engolir quem assiste aos brincantes.

Bernunça, personagem do festejo do Boi de Mamão, no município de Florianópolis, estado de Santa Catarina, em 2011.

1 Vocês podem recontar essa história pesquisando mais sobre os personagens ou inventando outros. Cada personagem pode ter um jeito de andar, dançar e cantar. Resposta pessoal.

DIÁLOGOS

Pare! Animais na pista

Êêê boi, êêê boi, passa boi, boi, boi...

Vaqueiro veloz já foi, foi, foi...

Êêê boi, êêê boi, lá vai o boi, boi, boi...

No rastro de poeira, foi, foi, foi...

Êêê boi, êêê boi, rodopia o laço, junta o boi, boi, boi

E o desgarrado já junto à boiada foi, foi, foi...

ÊÊÊ BOI. 2025. Texto elaborado especialmente para esta obra.

O boiadeiro é um trabalhador do campo que cuida da boiada. Ele é personagem em músicas, lendas e histórias.

Um dos principais trabalhos do boiadeiro é a travessia do gado: a pé ou a cavalo, conduz muitos bois de um lugar a outro. Eles passam por estradas, trilhas, campos e até por regiões alagadas.

Os bois não são os únicos animais que estão em constante movimento. Tem muitos animais domésticos e animais silvestres que atravessam ruas, estradas e rodovias. Quando a travessia em um trecho da pista ocorre com frequência, ela é indicada com sinalizações de trânsito, como na imagem. Ao ver as placas, os motoristas devem reduzir a velocidade e aumentar a atenção.

de animais silvestres que podem aparecer na pista. A placa representa um tatu.

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Habilidades: EF15AR03, EF15AR05, EF15AR08, EF15AR13, EF15AR17, EF15AR18, EF15AR20, EF15AR22, EF15AR23, EF15AR24 e EF15AR25.

TCT: A reflexão sobre a preservação dos animais silvestres contribui para o desenvolvimento dos TCTs Cidadania e Civismo e Meio Ambiente.

Organize-se

• Se possível, prepare imagens e vídeos de travessias de gado realizadas por boiadeiros e travessias construídas para animais silvestres em rodovias.

ENCAMINHAMENTO

Animal silvestre: é aquele que vive na natureza, que não é domesticado.

1 Quais são os animais silvestres de seu município ou sua região?

2 Em seu caderno, crie uma placa de trânsito para sinalizar a travessia de um desses animais.

Resposta pessoal. Produção pessoal.

Sugestão para o professor

26/09/25 14:24

• A ORIGEM árabe do aboio nordestino. Publicado por: História Islâmica, 2023. 1 vídeo (ca. 7 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4uYOcTpMMCc&t=16s. Acesso em: 15 set. 2025.

Vídeo produzido por Mansur Peixoto, que compila diferentes materiais sobre o aboio, trazendo aspectos culturais, antropológicos e da linguagem musical.

• O QUE é um animal silvestre. WWF, c2025. Disponível em: https://www.wwf.org.br/nossos conteudos/conceitos_/animalsilvestre. Acesso em: 12 ago. 2025.

Esse texto aborda os animais silvestres e questões como tráfico e extinção.

Promova a leitura de texto e imagem junto aos estudantes. Converse sobre o tema e proponha a nutrição estética de imagens e vídeos previamente preparados. Proponha uma conversa sobre o boiadeiro. O boi é uma figura popular na cultura brasileira, e aquele que cuida, conduz e negocia o boi é o boiadeiro, chamado ainda de vaqueiro e peão de boiadeiro. É um trabalhador tradicional do Brasil. Há muitas canções sobre os boiadeiros em nossa cultura. Um fato interessante é sua ligação com um canto que remonta à matriz árabe no Brasil, o aboio. Pode-se realizar a escuta de canções sobre boiadeiros e conhecer, por meio de vídeo, o aboio (ver Sugestão para o professor). Converse com os estudantes sobre a travessia de animais, especialmente aquelas realizadas por animais silvestres. Realize a criação da placa de trânsito para sinalizar a travessia de animais silvestres. O processo de criação das placas colabora com o entendimento da linguagem utilizada para a criação da sinalização, para destacar o que se pretende comunicar.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Placa de trânsito no município de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, indicando a presença

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Organize-se

• Para a proposta de criação de figurino, providencie antecipadamente: folhas grandes de papel-cartão, tesouras com pontas arredondadas, fita adesiva, caixas de sapatos, barbante e folhas de papel crepom.

• Se possível, faça uma curadoria selecionando músicas no contexto de festejos de boi.

ENCAMINHAMENTO

Leia o texto junto aos estudantes. Converse com eles sobre as pesquisas realizadas anteriormente sobre o Boi de Mamão. Retome o que já foi descoberto sobre outras folias de boi e proponha a realização de mais pesquisas acerca dos personagens das diferentes folias de boi. Pode-se realizar uma nutrição estética com imagens e vídeos dos festejos. Há personagens típicos dos festejos tradicionais. Pode-se incentivar os estudantes a brincar com eles ou a inventar novos personagens. Uma possibilidade ainda mais completa é criar uma história da qual eles participem.

Oriente os estudantes a pesquisar canções de festas de boi para realizar sua dança dramática. Eles podem atribuir características e propósitos para os personagens. Por exemplo, um personagem será um boiadeiro sério que é amigo e protege o boi, enquanto outro pode ser uma menina traquina que quer amarrar um laço no rabo do boi.

ARTE EM PROJETOS Dança dramática

Que tal brincar de boi? Existem muitas canções e histórias sobre os festejos de boi. Cada uma delas apresenta versões e enredos para danças dramáticas. Você pode pesquisar e escolher as histórias que quer cantar, contar, encenar e dançar.

Uma das lendas conhecidas conta que, em uma fazenda, existia um boi que era muito querido pelo fazendeiro. Alguns diziam que esse boi era mágico e encantado. De noite, ele até cantava para seu dono. Um dia, o fazendeiro precisou viajar e, quando voltou, descobriu que seu boi havia morrido. Inconformado, ele buscou ajuda para ressuscitar o boi.

Fazem parte dessa história outros personagens, como Mateus, Catirina, Francisco, caboclos guerreiros, pajé e outros, dependendo do lugar onde o festejo acontece.

1 Anote no caderno:

a) Como você imagina que essa história termina? Faça uma pesquisa. b) Crie um final para essa história inventando mais personagens.

2 Vamos criar um figurino para recontar essa história em forma de dança dramática? Observe a proposta a seguir.

MATERIAIS

Comente com os estudantes que, para realizar uma dança dramática, eles devem se expressar por gestos, expressões corporais, faciais e movimentos, encenando, contando uma história. Eles também podem escolher músicas no contexto desse festejo e cantar individualmente ou juntos.

• 1 folha de papel-cartão do tamanho de seu quadril

• Tesoura com pontas arredondadas

• Fita adesiva

• 1 caixa de sapatos

• Barbante

1. a) e b) Oriente os estudantes a anotar tudo no caderno e a conversar entre eles para saber como estão criando e descobrindo mais informações.

Os estudantes podem pesquisar canções e festejos de boi. Se possível, faça uma curadoria selecionando músicas no contexto de festejos de boi e apresente aos estudantes em momentos de nutrição estética.

• 2 folhas de papel crepom nas cores que você escolher

Oriente e colabore com os estudantes no processo de criação do boi para brincar, coordenando o uso dos materiais e auxiliando no fazer artístico. O aspecto lúdico e uma atmosfera divertida fazem parte da proposta.

Apresente as seguintes dicas aos estudantes: quem estiver com o figurino de boi pode balançar, pular, sacudir, rodar e dançar. Pode também imitar o som do boi e interagir com todos. A música pode ser feita por todos que estão na roda ou por pequenos grupos.

A dança pode ter giros, saltos, movimentos com os braços, avanços, recuos e improvisos. Na dança dramática, é importante explorar as expressões corporais, os movimentos e as encenações para contar uma história.

As danças dramáticas são formas de expressão tradicional que combinam elementos de dança, teatro, música e enredo, configurando-se como manifestações coreodramáticas, ou seja, que contam uma história por meio do movimento corporal, mas também com falas, personagens e ações simbólicas.

fundamentais na dança dramática. Se houver público, todos podem interagir com quem está assistindo à apresentação. Na folia, é sempre bom brincar com o público.

Em sua tipologia, Mário de Andrade separou danças puras (com foco no ritmo e no movimento, sem enredo, como o cateretê e o lundu), danças cantadas (nas quais o canto acompanha o ritmo e o movimento, como a ciranda e o jongo) e as danças dramáticas (em que há personagens, ação dramática, trama narrativa e simbolismo ritual ou teatral, como a Chegança, a Congada, o Pastoril, a Cavalhada e o Bumba Meu Boi). Veja mais em Sugestão para o professor.

+Ideias

26/09/25 14:24

A finalização deste Arte em projetos pode ser uma grande celebração de todo o percurso de aprendizagem do ano. Para tanto, pode-se fazer um grande folguedo, com todos os participantes usando trajes ou elementos de vestuário que remontem à tradição brasileira. Comidas e bebidas especiais podem conferir uma experiência estésica mais completa, atingindo também os sentidos do paladar e

do olfato. A celebração pode ter participação em diferentes níveis, de todas as turmas de um mesmo ano, de toda a escola ou mesmo aberta aos adultos responsáveis pelos estudantes ou à comunidade. Pode-se estabelecer um caráter mais espontâneo para o festejo, com os estudantes fazendo suas danças dramáticas em meio ao brincar, o que pode ser uma experiência interessante, pois difere das usuais apresentações nas quais o público assume o papel de um espectador externo. Nessa proposta, o público é integrado como parte dos brincantes e pode também dançar e cantar junto aos estudantes.

Sugestão para o professor

• ANDRADE, Mário de. Danças dramáticas do Brasil Belo Horizonte: Garnier/Itatiaia, 2002.

Estruturada em três volumes organizados por Oneyda Alvarenga, a obra reúne estudos de Mário de Andrade sobre a dança na cultura tradicional brasileira, com discussões a respeito do caráter profano e religioso do bailado e as danças dramáticas Chegança, Congo, Maracatu, Bumba Meu Boi e Moçambique.

Sugestão para o estudante

• MELLO, Roger. Bumba meu boi bumbá. São Paulo: Global, 2018.

Essa obra conta uma versão da história do tradicional folguedo.

• BARBIERI, Stela. Bumba meu boi. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2014. Ilustrado por Fernando Vilela, esse livro conta uma versão da história do tradicional folguedo.

ENCAMINHAMENTO

A partir das proposições e situações de aprendizagem exploradas nesta unidade, peça aos estudantes que realizem as propostas desta seção, que apresentam os principais temas e conteúdos desenvolvidos. Para isso, retome brevemente estes conteúdos com eles.

Relembre como foram apresentadas as diversas manifestações culturais, destacando sua importância como patrimônio cultural e da cultura tradicional brasileira.

As questões da proposta 1 retomam os estudos sobre a notação musical convencional e movimentos melódicos.

As propostas seguintes se inserem no contexto das tradições da cultura brasileira. A questão 2 retoma um dos festejos estudados na unidade, os Caboclinhos de Pernambuco. A questão 3 recupera a definição de danças dramáticas, cuja elaboração aponta para Mário de Andrade e seu precioso trabalho sobre elas. Por fim, a questão 4 aponta para o Festival de Parintins, uma das folias de bois destacadas nesta unidade.

A unidade é finalizada com questões avaliativas que colaboram com a identificação do desenvolvimento das habilidades relacionadas aos estudos propostos. Esta não é a etapa principal do processo avaliativo, mas uma parte específica que deve ser compreendida como parte de um percurso maior de aprendizagem.

Verifique como os estudantes lidaram com a realização das propostas artísticas, em experimentações individuais e coletivas, e se foram capazes de ampliar o repertório estético, ampliando a compreensão da cultura brasileira.

PARA REVER O QUE APRENDI

1 Observe a imagem a seguir.

a) Quais são as notas que faltam no trecho da partitura para completar a escala de Dó maior?

Faltam as notas Si, Mi e Ré (e, opcionalmente, Dó grave). As notas existentes são: Dó, Lá, Sol e Fá.

b) Como é o perfil melódico desse trecho da partitura?

O perfil melódico desse trecho é descendente e, depois, ascendente.

c) O que significa escutar musicalmente?

1. c) Escutar musicalmente é quando, além de ouvirmos sons, percebemos suas características.

Assim, podemos perceber a combinação entre os sons longos e os sons curtos formando o ritmo, e a relação entre os sons agudos e os sons graves gerando a melodia.

2 A música brasileira é rica em ritmos e manifestações culturais. Qual é o nome da manifestação tradicional que tem um ritmo conhecido como toque de guerra? Caboclinhos de Pernambuco.

NÃO ESCREVA NO LIVRO.

3

O que são danças dramáticas?

São manifestações culturais que misturam linguagens como dança, música e teatro.

4. A festa dos bois Caprichoso e Garantido acontece no município de Parintins, no Estado do Amazonas, durante o Festival Folclórico de Parintins, mais conhecido como 4 Onde acontece a festa dos bois Caprichoso e Garantido?

Festival do Boi-Bumbá. Esse festival ocorre na Arena Bumbódromo, um espaço projetado especialmente para as apresentações dos dois bois, Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho).

26/09/25 14:24

Os registros, os esboços e as criações feitos pelos estudantes em seus cadernos ou em outros suportes configuram um conjunto de objetos que oportunizam um panorama avaliativo de prazo mais estendido. No entanto, é salutar relembrar que o desenvolvimento das habilidades não é tecnicamente mensurável dentro de um prazo específico, pois o próprio desenvolvimento cognitivo de cada estudante é singular e não linear.

O caráter da avaliação, portanto, não é punitivo ou absoluto, mas uma forma de se estabelecer uma visão global sobre os impactos, as assimilações, as aquisições, as dificuldades e os avanços dos estudantes, de modo a apontar caminhos para o ajuste de rotas, planejamentos e propostas.

Ao final da seção, proponha aos estudantes que compartilhem suas respostas para que a turma possa dialogar sobre as conclusões acerca dos temas abordados. Tendo em vista que cada pessoa pode ter experiências diversas com a arte, é importante avaliar a qualidade dos encontros que os estudantes tiveram com essa área de conhecimento em suas diferentes linguagens.

Caso identifique que algumas experiências não foram vividas, ofereça novas oportunidades de ação criadora em que os estudantes desenvolvam competências e habilidades e criem com autonomia a partir de poéticas autorais. Conversas em grupo sobre as próprias produções pode ser uma ação positiva podem a autoavaliação e a percepção da potência expressiva de cada um.

Referências bibliográficas comentadas

BARBOSA, Ana Mae (org.). Arte/educação contemporânea : consonâncias internacionais. São Paulo: Cortez, 2005.

Nessa obra, são explorados diferentes aspectos do ensino de Arte, levando em conta a interdisciplinaridade e a interculturalidade.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: https://basenacionalco mum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 18 ago. 2025.

Nesse documento, estão presentes proposições e embasamentos curriculares, determinando as competências e as habilidades específicas de cada área do conhecimento para garantir as aprendizagens essenciais.

COSTA, Wagner. Palhaçaria . São Paulo: Moderna, 2009.

A arte brincante do personagem palhaço é apresentada nessa obra de modo lúdico para incentivar professores, familiares e estudantes a conhecer mais sobre ela. A proposta é aprender a arte da palhaçaria brincando na escola ou em casa.

DELALANDE, François. A música é um jogo de criança . São Paulo: Peirópolis, 2019. Originalmente publicado em 1984, nesse livro o autor se dedica a compreender a relação da criança com a música partindo de uma observação aberta, questionando os modelos vigentes na época. Há reflexões apresentadas sob forma de entrevista, além de propostas de trabalho experimentais e criativas para educadores e de indicações de discografia.

FONTERRADA, Marisa Trench de Oliveira. De tramas e fios : um ensaio sobre música e educação. São Paulo: Unesp, 2005.

A autora apresenta informações sobre a música e a educação musical ao longo da história. Também traz proposições didáticas para o acesso dos estudantes à linguagem da música pela iniciação ativa e lúdica, por meio de canções, improvisações, jogos de escuta e criação.

LOUREIRO, Maristela; TATIT, Ana. Brincadeiras cantadas de cá e de lá . São Paulo: Melhoramentos, 2013.

As autoras dessa obra propõem preservar as tradições lúdicas e musicais da cultura infantil brasileira.

PEIXOTO, Fernando. O que é teatro. São Paulo: Brasiliense, 1986.

O autor investiga a natureza do teatro, sua história e seus elementos constitutivos. Nessa obra, ele demonstra que a linguagem teatral conecta diferentes elementos da linguagem e faz apontamentos históricos sobre o teatro desde a Grécia antiga até a contemporaneidade.

RENGEL, Lenira Peral et al Elementos do movimento na dança . Salvador: UFBA, 2017. E-book . Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/26148. Acesso em: 19 ago. 2025.

Nessa publicação produzida no curso de licenciatura em Dança, na modalidade a distância, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), são abordados os elementos do movimento na dança, fundamentada principalmente no legado de Rudolf Laban.

SCIALOM, Melina. Laban plural : arte do movimento, pesquisa e genealogia da práxis de Rudolf Laban no Brasil. São Paulo: Summus, 2017.

A autora aborda os ensinamentos de Rudolf Laban, sua introdução no Brasil e sua repercussão entre educadores e outros profissionais de dança, consolidando tanto um aspecto histórico quanto reflexões sobre Laban na contemporaneidade.

SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo: Perspectiva, 2005.

Nessa obra, a autora apresenta os fundamentos para o trabalho com jogos teatrais na escola e ressalta sua importância. Além disso, Viola Spolin mostra como se estrutura e se pratica o jogo teatral.

Leituras complementares para o professor

BARBOSA, Ana Mae; COUTINHO, Rejane Galvão (org.). Arte/Educação como mediação cultural e social São Paulo: Unesp, 2009.

Nessa obra, é feita uma análise das propostas para o ensino de Arte e a mediação cultural no Brasil.

BERTHOLD, Margot. História mundial do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2000.

Esse é um livro básico para quem quer conhecer mais sobre o teatro, seu vocabulário, suas técnicas e sua história.

BOLSANELLO, Débora. Educação somática: o corpo enquanto experiência. Motriz , Rio Claro, v. 11, n. 2, p. 89-96, maio/ago. 2005. Disponível em: https://www. periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz /article/view/167/138. Acesso em: 19 ago. 2025.

Nesse artigo, Débora Bolsanello apresenta uma definição de educação somática. A autora toma como base o conceito de corpo como experiência. Partindo de uma reflexão do corpo na história do Ocidente, traz para a discussão três aspectos principais da educação somática: o aprendizado pela vivência, a sensibilização da pele e a flexibilidade da percepção.

ORIENTAÇÕES GERAIS

CONVITES PARA EXPERIÊNCIAS E PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

É experiência aquilo que “nos passa”, ou que nos toca, ou que nos acontece, e ao nos passar nos forma e nos transforma. Somente o sujeito da experiência está, portanto, aberto à sua própria transformação.

BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 19, p. 25-26, jan./abr. 2002.

A filosofia explica a experiência como as percepções e os saberes que construímos por meio dos sentidos. Se prestarmos atenção, perceberemos que todos os dias muitas coisas nos acontecem, mas nem todas nos tocam. Quando algo nos toca, nos afeta, isso pode representar um acontecimento significativo, uma experiência estética!

Quem não se lembra de uma cena de filme, de uma pintura ou de um desenho visto na infância que tenha marcado sua história de vida? Uma música, um perfume ou uma imagem podem nos fazer viajar a tempos passados. Esse é o poder da experiência estética: o encontro com a beleza ou com a estranheza pode marcar a memória e influenciar nossa formação como seres sensíveis.

Algumas vezes somos surpreendidos e envolvidos por esse tipo de experiência, outras vezes nos colocamos intencionalmente em estados sensíveis, disponíveis à poesia. Na

busca por experiências estéticas, vamos ao cinema, a espetáculos de música, de teatro e de dança, a exposições de arte ou apenas ligamos a televisão ou acessamos dispositivos móveis para nos deleitar com séries e filmes, ouvir música, apreciar e compartilhar imagens.

Na experiência estética os meus sentimentos descobrem-se nas formas que lhes são dadas, como eu me descubro no espelho. Através dos sentimentos identificamo-nos com o objeto estético, e com ele nos tornamos um.

DUARTE JÚNIOR, João-Francisco. Fundamentos estéticos da educação. 2. ed. Campinas: Papirus, 1988. p. 93.

Segundo a definição de Duarte Júnior, a palavra estesia é oposta à palavra anestesia — a impossibilidade ou a incapacidade de sentir. No entanto, a estesia relaciona-se à possibilidade de sentir e significar. Em estado de estesia, seja por intenção, seja por distração, podemos viver experiências estéticas (DUARTE JÚNIOR, João-Francisco. O sentido dos sentidos : a educação (do) sensível. Curitiba: Criar, 2001).

Quando falamos em proposições pedagógicas no ensino de Arte, chamamos a atenção para a presença de professores-propositores, que são aqueles que se constituem pela for-

mação/ação/reflexão no fluxo das experiências culturalmente vividas. Experiência, nesse sentido, é a condição especial que, como expressa Jorge Larrosa Bondía, “‘nos passa’, ou que nos toca, ou que nos acontece” (BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 19, p. 26, jan./abr. 2002).

Entender arte como conhecimento e linguagem que dialoga com muitos saberes, sentimentos, sensações, tempos e contextos é um fator importante na concepção contemporânea de arte-educação. Do mesmo modo, a ideia de proposição pedagógica para o ensino de Arte está ligada ao desafio de buscar uma poética pessoal de aprender e ensinar Arte. Trata-se de uma postura pedagógica em que o professor, mesmo tendo como referência um material didático, toma decisões que resultam em escolhas autônomas e pensadas para os encontros entre os estudantes e o universo da arte. São profissionais atentos às necessidades da realidade e abertos à escuta sensível dos estudantes, acolhendo os diversos modos de ser e de existir.

Dessa forma, professores-propositores são profissionais autores dos seus projetos pedagógicos; preparam ambiências educadoras e criadoras e convidam os estudantes a viver experiências na fruição, na contextualização e no fazer artístico; compreendem a potência das experiências estéticas.

Fazemos aqui o convite aos professores-propositores, disponíveis à poesia e em estado de estesia, para trilhar caminhos cuja premissa é que a experiência com a Arte seja uma aventura repleta de experimentações, com ênfase na curiosidade, na alegria e nas descobertas: uma arte-aventura!

Caminhos

para trilhar

no ensino da Arte

Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o misté-

rio daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.

ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola 3. ed. São Paulo: Planeta, 2021. p. 189.

Já que somos seres de linguagem, expressão e poesia, as aulas do componente curricular Arte podem ser espaços e tempos para viver experiências com a beleza e com a boniteza. A beleza de que aqui falamos não está associada à ideia de padrões ou gostos estéticos, e sim à ideia de boniteza que aprendemos com Paulo Freire quando ele fala da necessidade de a educação percorrer caminhos de encantamentos. Quando Rubem Alves fala de ensinar e aprender por meio de “experiências da beleza”, nos convida a pensar em encontros sensíveis com o mundo e as coisas que nele habitam, incluindo a arte. Nesse sentido, ao escolher os caminhos para trilhar no ensino da Arte, devemos selecionar conceitos ou modos de provocar experiências com a beleza? Como preparar nossas aulas com boniteza para provocar encantamento? (FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia : saberes necessários à prática pedagógica. 38. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004. p. 23; ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola . 3. ed. São Paulo: Planeta, 2021).

O Livro do estudante desta coleção representa um rico material que oportuniza a fruição, a leitura e a construção de hipóteses interpretativas por meio de textos verbais e visuais e de materiais em áudio. Apresentamos diversas propostas que contemplam o fazer artístico — fruição e leitura de imagens, estudos e pesquisas, contextualizações e investigações sensoriais —, com o objetivo de tornar os estudantes protagonistas de sua aprendizagem. Para auxiliar o trabalho do professor, respeitando o momento de alfabetização e o processo de conquista da leitura e da escrita em que os estudantes estão mergulhados, a coleção propõe momentos de nutrição estética com leitura e interpretação de textos poéticos selecionados da literatura, trechos de canções e textos criados pelos autores junto com imagens de obras artísticas e ilustrativas, como forma de adentrar nos estudos

valorizando o pensamento poético e as experiências com a beleza.

Situações de aprendizagem

As proposições pedagógicas nesta coleção valorizam a investigação e as leituras de mundo, bem como a exploração de materialidades, processos e ações criadoras. São diversas situações de aprendizagem com o objetivo de facilitar o trabalho do professor e oferecer encaminhamentos metodológicos para provocar o constante e crescente aprendizado da arte, respeitando as infâncias e a cultura do brincar. Podemos refletir sobre o fato de a arte ser uma atividade e um produto cultural essenciais para o ser humano, por isso sua presença na escola é tão importante. Sem ela, o desenvolvimento de muitas competências e habilidades jamais seria alcançado, já que se trata de uma atividade humana ligada a manifestações estésicas e estéticas realizadas com base naquilo que percebemos, sentimos e pensamos. Que escolhas fazer diante da amplitude do universo da arte? Essa dúvida pode provocar os educadores a pensar sobre o que ensinar ou por quais caminhos seguir. Assim como um poeta que escolhe apenas algumas palavras, entre as muitas existentes, para criar seus versos e suas rimas, em meio ao vasto acervo de produções artísticas e manifestações culturais, a cada volume, unidade, capítulo e seção, realizamos escolhas e recortes, visando ajudar os professores nas suas próprias escolhas para criar, propor e caminhar por um percurso de ensino e aprendizagem da Arte na companhia dos estudantes. Com base nas escolhas que fazemos no universo da arte, podemos nos expressar, nos descobrir como criadores, apreciadores/espectadores, pesquisadores. Podemos, também, ser provocados por estados sensíveis e subjetivos a desenvolver o pensamento crítico e a viver encontros com a beleza, convidando os estudantes para essas experiências.

Nesta coleção, propomos o trabalho com base nas situações de aprendizagem: rodas de conversa, nutrição estética, ações criadoras, investigações sensoriais, pesquisas e expedições culturais. A expressão “situação de aprendizagem” nasce da reflexão de autores como José Carlos Libâneo e refere-se às si -

tuações didáticas e aos momentos educativos como pontos fundamentais para uma aprendizagem com sentido para os estudantes, entendidos como sujeitos ativos (LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. 21. ed. São Paulo: Loyola, 2008). Segundo Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e Maria Terezinha Telles Guerra, não se trata apenas de realizar uma atividade de modo mecânico, mas de vivenciar experiências significativas (MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria T. T. Teoria e prática do ensino de Arte: a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 2010).

Nesse sentido, ao participar de rodas de conversa e de momentos de nutrição estética ; ao viver a ação criadora , ao realizar investigações sensoriais, pesquisas e expedições culturais em ambiências educadoras, os estudantes podem vivenciar seu processo de aprendizagem. Essas e outras situações podem ser criadas para vivências com arte na escola e fora dela, convidando e envolvendo também os familiares ou responsáveis.

À medida que ensinamos arte também aprendemos com ela e sentimos sua importância na escola. Como expressam Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e Maria Terezinha Telles Guerra, a “arte é importante na escola, principalmente porque é importante fora dela” (MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria T. T. Teoria e prática do ensino de Arte : a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 2010. p. 12).

Tempos, poéticas e infâncias

Quando crianças, o que gostávamos de aprender? O que nos causava estranhamento, curiosidade, encantamento? Quais as experiências e os encontros com a arte que guardamos em nossas memórias?

Essa provocação, para vasculhar os sentimentos guardados e as memórias do seu tempo de infância, é um convite para pensar sobre como “definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós que está aqui é diferente do outro, como constelações” (KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 32-33) e sobre o fato de trazermos

conosco nossas subjetividades e modos de aprender e ensinar, construídos com tempo e uma diversidade de processos e experiências.

Mesmo considerando as diferenças entre tempos e contextos, esse exercício de memória deixa-nos mais sensíveis para compreender os estudantes, que têm seus estranhamentos, suas curiosidades, seus encantamentos e, sobretudo, seus desejos e seus direitos.

Ao ensinar Arte nos anos iniciais do ensino fundamental, é preciso compreender e mergulhar no universo do tempo da infância — ou melhor, das infâncias, considerando a diversidade de experiências vividas pelas crianças com base em seus contextos geográficos, culturais e sociais. A palavra infâncias carrega o sentido plural dos modos de ser e de existir, valoriza diferentes culturas e indivíduos e suas leituras de mundo, suas percepções, sensações e emoções diante da vida.

Investigar e acolher a forma como cada criança formula hipóteses interpretativas, desenvolve a oralidade, os processos de escrita, a leitura e as expressões artísticas visuais, sonoras e corporais é respeitar o tempo e a poética nas infâncias.

Ao conhecer melhor o desenvolvimento dos estudantes, suas conquistas e dificuldades, os professores podem analisar e planejar melhor suas aulas atendendo competências e habilidades, mas principalmente promovendo experiências significativas, capazes de compor histórias, memórias e aprendizados. Como você deseja ser lembrado? Essa é uma pergunta inquietante apresentada por Paulo Freire em: PAULO Freire contemporâneo. Direção: Toni Venturi. Brasil, 2007. 1 vídeo (ca. 50 min).

Há poética nas produções das crianças. A escuta e o acolhimento das produções exigem um exercício de avaliação sensível por parte dos adultos, em especial de professores e familiares, favorecendo ambientes mais seguros, acolhedores e potentes para o desenvolvimento da expressão e da ação criadora dos estudantes. Trata-se de um grande desafio, uma vez que a lógica do pensamento das crianças é diferente da lógica dos adultos. Dessa forma, precisamos estar atentos a essa diferença de modos de ser e de existir nas infâncias. Precisamos nos aventurar por mundos imaginários e simbólicos.

Minha tarefa pode ser comparada à obra de um explorador que penetra numa terra desconhecida. Descobrindo um povo, aprendo sua língua, decifro sua escrita e compreendo cada vez melhor sua civilização. Acontece o mesmo com todo adulto que estuda a arte infantil.

STERN, Arno apud MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria T. T. Teoria e prática do ensino de Arte: a língua do mundo: São Paulo: FTD, 2010. p. 84.

A cultura do brincar

Não é questão de querer

Nem questão de concordar

Os direitos das crianças

Todos têm de respeitar.

[…]

Tem direito à atenção

Direito de não ter medos

Direito a livros e a pão

Direito de ter brinquedos.

ROCHA, Ruth. Os direitos das crianças: segundo Ruth Rocha. São Paulo: Salamandra, 2014. p. 7-10.

Nesta coleção, foi feita a escolha de valorizar o aprender pelo brincar, por considerar esse um direito importante para o desenvolvimento dos estudantes.

A cultura do brincar permeia toda a coleção, valorizando as experiências práticas e lúdicas nas investigações de materialidades, elementos constitutivos das linguagens artísticas e processos de criação. São apresentados produções artísticas, jogos de faz de conta e brincadeiras simbólicas, jogos teatrais com danças e jogos musicais como as brincadeiras cantadas, entre outras propostas, sempre respeitando cada faixa etária e as diferentes infâncias.

A presença do brincante nas manifestações da cultura brasileira, como cirandas, danças, cantos e festejos, dialoga com os estudantes sobre as ações lúdicas, que não são práticas exclusivas das infâncias, mas atravessam as tradições culturais brasileiras em diferentes contextos, sendo algumas reconhecidas como patrimônios culturais imateriais.

A cultura do brincar também está presente nas propostas de trabalhos em grupo, em que as relações sociais podem ajudar a construir e exercitar noções e atitudes do trabalho colaborativo, da educação antirracista e da cultura de paz.

As práticas artísticas são propostas com base na experimentação com liberdade, incentivando a curiosidade e a criatividade e valorizando a imaginação e a invenção como propulsores de ideias, argumentos e resolução de problemas e desafios. São práticas que estão em consonância às metodologias ativas e ao desenvolvimento de pensamentos contextualizados e críticos.

A curiosidade e o sentimento de aventura abrem possibilidades de expressão e de descoberta. Assim, são importantes os desafios que incentivam os estudantes a investigar muitas linguagens e a construir saberes sobre arte e vida por meio do lúdico.

Educação inclusiva e cultura de paz

A respeito do papel dos professores de Arte na educação inclusiva, é preciso refletir sobre as complexidades e realidades que envolvem esse trabalho em cada escola.

O direito à educação de pessoas com deficiência vai muito além da garantia de acesso ao espaço escolar. Além de espaços adequados, a acessibilidade inclui projetos pedagógicos que garantam condições para o desenvolvimento pessoal, social e educacional dos estudantes.

Nas Orientações específicas que acompanham o Livro do estudante desta coleção, há sugestões para auxiliar no desafio de promover uma cultura inclusiva na escola. Os professores têm papel fundamental nesse processo, que envolve várias ações educativas, desde a escuta e a observação atenta e sensível às necessidades dos estudantes até a criação de ambiências seguras, solidárias e pacíficas.

Ações educativas e situações de aprendizagem significativas e flexíveis valorizam as potencialidades de cada estudante, propondo a participação efetiva e interativa. Para isso, é fundamental o constante diálogo com todos os estudantes da turma, a fim de desconstruir

ideias estereotipadas e preconceituosas sobre as pessoas com deficiência e fomentar a empatia e o respeito à diversidade das formas de ser, existir e aprender.

Essa abordagem propõe assegurar a frequência e a participação de estudantes com deficiência, no espectro autista, com altas habilidades ou superdotação de modo não segregado, reconhecendo as diferenças como positivas no ambiente escolar.

O termo neurodivergente refere-se a uma condição neurológica que afeta o modo como a pessoa percebe, conhece, se comunica, organiza pensamentos e expressa emoções. Ele abrange uma variedade de condições, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Superdotação e Dislexia. No entanto, para esta coleção, trabalhamos com o termo neurodiversidade , defendendo que as formas de ser, existir e aprender são múltiplas. É parte fundamental dessa defesa conhecer as condições apresentadas e criar abordagens educativas inclusivas personalizadas, com adaptações de situações de aprendizagem e processos de avaliação flexíveis. Deve-se buscar condições para a participação e o desenvolvimento de competências e habilidades, valorizando as potencialidades e garantindo uma ambiência educadora e criadora segura e livre de preconceitos e violências.

Outros desafios também estão diante dos professores, como a educação antirracista e decolonial. Esses são temas que há muito tempo estão em debate e que deflagraram a Lei n o 10.639/2003, que tornou obrigatória a inclusão de conteúdos relacionados à história e à cultura da África e dos afro-brasileiros na educação básica, e a Lei no 11.645/2008, que ampliou o escopo da lei anterior, incluindo a história e as culturas dos povos originários. Essas leis alteraram a lei de diretrizes e bases da educação nacional (LDB) e vêm influenciando conteúdos, concepções e encaminhamentos nos currículos, livros didáticos e projetos educativos (BRASIL. Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1996. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 28 set. 2025).

O pensamento decolonial nasceu de várias discussões na América Latina, e em outros locais do mundo, sobre a situação de povos que foram colonizados e que, mesmo após o fim do sistema social e econômico de dominação direta, sofreram e ainda sofrem as consequências dessa dominação, uma delas sendo a manutenção de uma visão histórica e cultural eurocêntrica, que desconsidera conhecimentos e narrativas históricas e culturais de outros povos.

A educação decolonial procura romper com essa forma de pensar e de ver o mundo e valoriza a diversidade de narrativas, histórias, saberes e ideias. Ela leva em conta a história, a luta contra preconceitos e a resistência cultural de povos indígenas, de comunidades remanescentes de quilombo, de povos ciganos e outros grupos, considerando o direito que eles têm de contar as próprias narrativas e de aprender com base nos saberes originais de seu povo e em seu contexto cultural.

A educação antirracista caminha junto à cultura de paz, à diversidade e à representatividade de povos, culturas e grupos minorizados, como as pessoas LGBTQIAPN+ e as mulheres. Nesse sentido, os professores de Arte podem proporcionar aos estudantes encontros com diferentes acervos culturais e artísticos, ampliando repertórios e conectando ideias, temas e visões de mundo expressas nas várias linguagens artísticas.

Obras artísticas trazem temas e expressões que podem contribuir para as conversas sobre situações-problema de modo a combater a violência e o preconceito, sobretudo contra mulheres, meninas e pessoas LGBTQIAPN+, de maneiras adequadas a cada tempo das infâncias. Outras temáticas urgentes podem ocupar as rodas de conversas e os momentos de nutrição estética com os estudantes, bem como os diálogos com familiares ou responsáveis, como a segurança infantil em situações presenciais e em ambientes digitais e o combate a situações de violência e de intimidação sistemática, como o bullying e o cyberbullying. Considerando que as pessoas não nascem violentas ou pacíficas — são as experiências que influenciam as concepções de mundo, os valores e as práticas sociais delas —, a educação inclusiva, antirracista e pautada na cultura de paz e nas experiências com a beleza da qual falamos pode contribuir para formar pessoas pacíficas.

O conceito de cultura de paz parte do princípio de que a violência não é inerente à humanidade, nem a paz. A paz precisa ser ensinada, aprendida e estimulada.

RECHENBERG, Ligia. Cultura de paz: novas abordagens sobre prevenção da violência entre jovens. São Paulo: Instituto Sou da Paz, 2010. (Projeto juventude e prevenção da violência 4). p. 13. Disponível em: https:// soudapaz.org/documentos/cartilha-cultura -de-paz/. Acesso em: 15 set. 2025.

BNCC E AS PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS NAS LINGUAGENS DA ARTE

Como os estudantes encontram as linguagens artísticas? Será por meio de uma ilustração de livro ou revista, por uma música que toca no rádio, por dispositivos móveis, pela televisão ou por outro meio? Será em uma cena de dança na rua, em uma página na internet ou em imagens de filmes ou desenhos animados? Com quais linguagens artísticas eles já tiveram contato? Como apresentar o universo da arte a eles? Que conceitos e ideias são importantes explorar em um projeto de arte? Essas são algumas questões a serem analisadas na proposta de um currículo de Arte.

A arte não está apenas nas instituições culturais, como museus ou casas de espetáculo. A arte está na vida, faz parte dela e é nutrida por ela. Ao observar as produções dos artistas, notamos que memórias e experiências pessoais são parte fundamental de suas pinturas, suas ações dramáticas, suas coreografias, suas músicas, seus textos e tantas outras criações artísticas em diferentes linguagens. Conhecer as diferentes linguagens é fundamental para compreender como a arte se manifesta nas culturas e como esta área de conhecimento pode ampliar os repertórios e a

visão de mundo dos estudantes. As linguagens artísticas também apresentam formas de expressão poética e de comunicação disponíveis para as experimentações dos estudantes.

Nesta coleção, apresentamos as linguagens artísticas tanto em seus conteúdos específicos como em conexões entre as diferentes linguagens da arte, com uma abordagem do ensino das linguagens artísticas que supere a polivalência e que busque conexões entre diferentes saberes e formas expressivas na arte.

Outro aspecto importante é a exploração das potencialidades nas relações entre o componente curricular Arte e diferentes saberes do currículo escolar — Ciências da Natureza, Geografia, História, Língua Portuguesa, Matemática e suas tecnologias —, bem como entre a arte e os temas contemporâneos trabalhados de forma transversal.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

• Ciência e Tecnologia

MULTICULTURALISMO

• Diversidade Cultural

• Educação para Valorização do Multiculturalismo nas Matrizes Históricas e Culturais Brasileiras

A interdisciplinaridade tem como premissa a interlocução entre saberes e é um exercício de interação e criação para estudar ou resolver problemas em percursos integrados — expandindo percepções e leituras de mundo. Não se trata de uma área estar a serviço da outra, mas sim de descobrir a potência do encontro entre elas e, dessa forma, promover diálogos.

A transdisciplinaridade é trazida nessa coleção pelos TCTs propostos pela BNCC, que são organizados em seis macroáreas temáticas (Meio Ambiente, Economia, Saúde, Cidadania e Civismo, Multiculturalismo e Ciência e Tecnologia) e têm o objetivo de promover um conhecimento contextualizado e relevante para a formação dos estudantes. Além das grandes áreas temáticas, os TCTs incluem temas mais específicos, conforme demonstrado no esquema a seguir.

MEIO AMBIENTE

• Educação Ambiental

• Educação para o Consumo Temas Contemporâneos Transversais

CIDADANIA E CIVISMO

• Vida Familiar e Social

• Educação para o Trânsito

• Educação em Direitos Humanos

• Direitos da Criança e do Adolescente

• Processo de Envelhecimento, Respeito e Valorização do Idoso

ECONOMIA

• Trabalho

• Educação Financeira

• Educação Fiscal

SAÚDE

• Saúde

• Educação Alimentar e Nutricional

BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC: proposta de práticas de implementação. Brasília, DF: SEB, 2019. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec. gov.br/images/implementacao/guia_pratico_temas_contemporaneos.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

Nesta coleção, os caminhos foram escolhidos com base em produções artísticas e culturais que possam ser instigantes para o estudo das linguagens artísticas (artes visuais, dança, música, teatro e artes integradas) bem como situações de aprendizagem que possam desenvolver competências e habilidades diante das dimensões do conhecimento em arte

(criação, crítica, estesia, expressão, fruição e reflexão) e dos objetos de conhecimento previstos na BNCC (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_ site.pdf. Acesso em: 24 set. 2025).

É expresso na BNCC o foco no desenvolvimento de competências e habilidades de Arte nos anos iniciais do ensino fundamental em várias linguagens (unidades temáticas) e objetos de conhecimento:

• Artes visuais: contextos e práticas; elementos da linguagem; matrizes estéticas e culturais; materialidades; processos de criação; sistemas da linguagem.

• Dança: contextos e práticas; elementos da linguagem; processos de criação.

• Música: contextos e práticas; elementos da linguagem; materialidades; notação e registro musical; processos de criação.

• Teatro: contextos e práticas; elementos da linguagem; processos de criação.

• Artes integradas: processos de criação; matrizes estéticas e culturais; patrimônio cultural; arte e tecnologia.

Esta coleção também se fundamenta no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (BRASIL. Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União , Brasília, DF, 13 jul. 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/l8069compilado.htm; NAÇÕES

UNIDAS BRASIL. Os objetivos de desenvolvimento sustentável no Brasil . Brasília, DF: ONU, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/ pt-br/sdgs. Acessos em: 8 set. 2025).

Embora o ensino de Arte seja flexível e movente, na coleção são propostos estudos que dão ritmo de progressão e conquistas do conhecimento em Arte e desenvolvimento de competências e habilidades. Nesse sentido, elencamos propostas com foco no trabalho com a alfabetização nas diferentes linguagens; no conhecimento e no uso de elementos constitutivos de cada linguagem; na materialidade, explorando o conhecimento de como a arte é feita e sustentada por diferentes materiais e recursos; no processo de criação de artistas e dos próprios estudantes; no trabalho colaborativo e nas poéticas pessoais; e nos estudos sobre o patrimônio cultural brasileiro e nossas matrizes culturais.

As situações de aprendizagem e as dimensões do conhecimento nas linguagens da arte

Ao elencar as diferentes situações de aprendizagem (rodas de conversas, nutrições estéticas, investigações sensoriais, expedições culturais e ações criadoras), nos pautamos nas proposições pedagógicas para desenvolver as diversas competências e habilidades atravessadas pelas dimensões do conhecimento em Arte.

A BNCC apresenta a criação como o “fazer artístico, quando os sujeitos criam, produzem e constroem”. Trata-se de uma dimensão de conhecimento em que se pode “apreender o que está em jogo durante a ação criadora , processo permeado por tomadas de decisão, entraves, desafios, conflitos, negociações e inquietações”. Já a palavra estesia é citada como uma dimensão do conhecimento que está no campo da “experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço, ao tempo, ao som, à ação, às imagens, ao próprio corpo e aos diferentes materiais”. O texto ainda realça que essa dimensão “articula a sensibilidade e a percepção, tomadas como forma de conhecer a si mesmo, o outro e o mundo” (BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. p. 194. Destaques nossos. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 24 set. 2025), saberes fomentados

ROBERTO WEIGAND

em momentos como na nutrição estética. Outras dimensões de conhecimento são citadas na BNCC como essenciais para o processo de ensino e aprendizagem em Arte, como a crítica , a expressão , a fruição e a reflexão , que podem ser exploradas tanto na nutrição estética como nas rodas de conversa , nas investigações sensoriais , nas expedições culturais e na ação criadora . As ambiências educadoras e criadoras podem ser ocupadas com vivências em diferentes situações de aprendizagem.

Ambiências educadoras e criadoras

Para viver um percurso criativo, poético, estésico e educativo, é preciso prever várias situações de aprendizagem, as quais devem ser vividas em um tempo e em um espaço pensado e preparado, ou seja, em ambiências educadoras e criadoras.

A inovação (analógica e digital), a convivência e o planejamento são pilares que funcionam como norteadores na elaboração das proposições pedagógicas em que os professores podem se basear para criar os percursos e as situações de aprendizagem, bem como as ambiências criadoras e educadoras que primam por uma “escola expandida” (HARDAGH, C. C. Escola expandida: por uma justiça cognitiva digital e perspectivas para “outros sujeitos”. Educere et Educare, v. 13, n. 28, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.17648/educare. v13i28.18790. Acesso em: 16 set. 2025), que consiste em planejar e criar tempo, espaço e materialidades para que vivências significativas com a arte possam acontecer. Ao proporcionar ambiências educadoras e criadoras, o professor pode ter como foco a situação de aprendizagem ação criadora, por exemplo, discutindo os processos de escolha de materialidades, os processos criativos e as poéticas pessoais de cada estudante, dos colegas ou de artistas. É possível criar um ateliê móvel ou fixo com a participação dos estudantes e dos familiares ou responsáveis. Esse tipo de ambiência pode ser proposto na escola e em casa. Em outras situações de aprendizagem, como a nutrição estética, o professor, em conjunto com a gestão da escola, os estu -

dantes e os familiares ou responsáveis, pode criar ambiências para apreciar imagens, ouvir músicas, fazer contação de histórias ou assistir a vídeos (que apresentem várias linguagens, como espetáculos de dança, teatro e performances), filmes e documentários, entre outras, que possam ampliar o repertório cultural e o vocabulário dos estudantes. Também são considerados ambiência educadora e criadora os locais frequentados nas expedições culturais, como museus, galerias, ateliês de artistas, bibliotecas, cinemas, teatros, locais com arte pública, manifestações culturais tradicionais regionais e momentos de fruição que podem acontecer em ambientes presenciais ou se expandir para o ciberespaço (sempre com a presença de adultos responsáveis).

O meio virtual apresenta-se como uma possibilidade para fazer visitas a museus e ambientes on-line que expressem as linguagens artísticas e para conhecer e usar ferramentas digitais em pesquisas ampliadas, explorando ambiências educadoras e criadoras digitais. No entanto, tudo precisa ser estudado, escolhido, planejado e organizado para que o tempo e o espaço vividos nessas ambiências sejam potentes, transformadores e seguros.

As situações de aprendizagem e as ambiências educadoras e criadoras podem desencadear momentos para o desenvolvimento de competências e habilidades e a ampliação de repertórios e poéticas pessoais em arte. É importante analisar as várias possibilidades, ressignificando espaços na escola e fora dela, que expandem as possibilidades de viver e aprender em diferentes espaços e contextos. Nesse sentido, o professor-propositor também exerce o papel de professor-dinamizador cultural. Ao longo das orientações para o professor trazidas nesta coleção, são propostas dicas de como criar situações de aprendizagem e ambiências educadoras e criadoras.

Mediação cultural e curadoria educativa

Como nasceu a ideia de professor-propositor? Artistas neoconcretos, como Lygia Clark (1920-1988), Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Pape (1927-2004), entre outros, desenvolveram na arte a ideia de artista-propositor, que

propunha para o público uma atitude ativa perante a arte. Do universo da arte para o ensino e a aprendizagem da Arte, a ideia de artista-propositor expandiu para a de professor-propositor, com base nas publicações das educadoras Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque, ao tratar do professor também como pesquisador, curador e mediador, “escavador de sentidos”, e da proposição pedagógica no ensino de Arte (MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa. Travessia para fluxos desejantes do professor-propositor. In : OLIVEIRA, Marilda Oliveira de (org.). Arte, educação e cultura Santa Maria: UFSM, 2007).

Pensando nesses papéis do educador, nesta coleção são propostas ações de curadoria e mediação cultural para a ampliação e a ativação cultural de repertórios dos estudantes. São oportunidades para reconhecer e respeitar lugares de fala, para trazer maior representatividade e diversidade na arte, valorizando a educação antirracista e decolonial. Nesse sentido, outra ação mediadora importante é realizar a curadoria digital, na qual o professor-curador faça pesquisas e acesse páginas da internet com antecedência, analisando se o conteúdo é apropriado ao contexto de estudo e à maturidade de cada turma, tendo por critérios aspectos como:

• Estar de acordo com os princípios da ECA, preservando a defesa dos direitos das crianças nos ambientes digitais.

• Primar pela cultura de paz, estando livre de qualquer tipo de preconceito, apologia à cultura de ódio e violência.

• Não estabelecer vínculos de consumo, pagamento ou necessidade de oferecer dados dos estudantes, professores e familiares ou responsáveis para ter acesso aos conteúdos.

Ao propor encontros entre a arte e os estudantes, o professor-mediador não é um “explicador”, mas estabelece uma “educação perguntadeira”, desenvolvendo habilidades didáticas no ato de perguntar e provocar pensamentos, conversações e construções de hipóteses interpretativas e argumentos diante do encontro com obras artísticas de diferentes linguagens. Nesse sentido, ser professor-mediador é criar ambiências e tempos para, junto aos estudantes, mergulhar em sensações,

emoções e percepções sobre o mundo, as coisas, si mesmo e o outro (RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante . Belo Horizonte: Autêntica, 2002).

Com base na ideia de que a mediação cultural não é um lugar para explicações ou verdades sobre as produções nas diferentes linguagens artísticas, mas um espaço de conversação, uma oportunidade para provocar a construção de hipóteses interpretativas e trocas de ideias, propomos vários momentos de nutrição estética para auxiliar os professores na formulação de suas ações mediadoras.

Também reconhecemos que é preciso fazer adaptações para abarcar a pluralidade de modos de ser e de existir dos estudantes, sobretudo considerando a neurodiversidade e estudantes com deficiência. Podem ser muito positivas as propostas de audiodescrição de imagens em grupo, em que os estudantes se envolvem, com o professor, nas ações mediadoras inclusivas. Para Amanda Tojal, é possível explorar experiências sensoriais na fruição artística com materiais “adaptados para o reconhecimento de outros sentidos, além do visual, como os sentidos tátil, sonoro, olfativo e espacial”, como “mapas táteis, maquetes expográficas, reproduções bi e tridimensionais de objetos ou imagens planas (pinturas, fotografias, entre outras)” (TOJAL, Amanda Pinto da Fonseca. Política de acessibilidade comunicacional em museus: para quê e para quem? Museologia & interdisciplinaridade , Brasília, DF, v. 1, n. 7, p. 200, out./nov. 2015. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/museologia/article/view/16779/15061. Acesso em: 24 set. 2025).

Na sala de aula, dependendo do objeto artístico a ser apreciado, os professores podem trazer, nos momentos de nutrição estética, materialidades com texturas, aromas e sonoridades. Também são interessantes as leituras de imagens que exploram não apenas a visão, mas o corpo, propondo movimentos dançados, percussão corporal, improvisação de cenas teatrais e outras ações em que linguagens e percepções sensoriais sejam trabalhadas de modo a promover experiências significativas com a arte.

A PRESENÇA DAS LINGUAGENS DA ARTE

Nesta coleção, são abordadas as linguagens artísticas das artes visuais, dança, música, teatro e artes integradas a partir de produções históricas e contemporâneas, incluindo estudos sobre novas formas de produção usando tecnologias digitais e o ciberespaço. Ao longo da coleção, buscamos sempre respeitar uma estrutura de pensamento pedagógico com caminhos nutridos pelos encontros significativos com a arte, pela afetividade e pela ludicidade que o processo do trabalho com as crianças exige.

Artes visuais

No que se refere às artes visuais, a proposta desta coleção é desenvolver processos de alfabetização visual ampliados e contextualizados à cultura visual, aos processos de criação e às poéticas visuais de artistas e dos estudantes. Segundo Santaella, “a alfabetização visual significa aprender a ler imagens, desenvolver a observação de seus aspectos e traços constitutivos, detectar o que se produz no interior da própria imagem” (SANTAELLA, Lucia. Leitura de imagens . São Paulo: Melhoramentos, 2012. p. 13). Nesse sentido, a alfabetização visual pode envolver vários estudos, expandir o olhar e ajudar a compreender o mundo e a cultura visual. Sugerimos situações de aprendizagem para apresentar aos estudantes conceitos e noções que enfatizam que as imagens são constituídas de elementos visuais como: ponto, linha, forma, cor, luminosidade e espaço. Por isso, é importante mostrar como esses elementos articulados podem criar texturas, tonalidades, variações de efeitos de luz e sombra, sensações de movimento, relações com o espaço, entre outras possibilidades. Os estudantes podem desenvolver competências e habilidades na interpretação e na criação de imagens ao serem apresentados, de maneira progressiva, às diversas possibilidades de articulações e combinações entre os elementos constitutivos da linguagem visual, às materialidades, aos diversos processos de criação e aos discursos poéticos e contextos culturais e históricos nos quais as imagens são criadas.

Para Fayga Ostrower, com poucos elementos de linguagem visual é possível criar muitas

combinações na produção de imagens, infinitas possibilidades imagéticas que podem provocar os estudantes a expressar ideias, memórias, emoções, sensações etc. A criação de imagens tem muitas possibilidades, como explorar diferentes materialidades e poéticas; investigar linhas e formas em um desenho, cores e matizes em uma pintura; captar imagens a partir de escolhas de ângulos e enquadramentos; explorar processos de desenhar, gravar, entintar e imprimir gravuras; descobrir volumes, espaços e formas tridimensionais na escultura, entre outras investigações que podem acontecer na fruição ou na criação de imagens analógicas ou digitais (OSTROWER, Fayga. Universos da arte. Campinas: Unicamp, 2013).

O estudo do mundo das imagens se faz potente pelo universo das artes visuais, mas não se restringe a ele. Uma vez que a cultura visual é vasta e interdisciplinar, pode estar associada a campos que fazem parte do cotidiano dos estudantes, como a arquitetura, a publicidade, o design , a moda, entre outros. Entendendo a “arte e a cultura como mediadores de significados” e que o “significado pode ser interpretado e construído”, as imagens podem “informar àqueles que as veem sobre eles mesmos e sobre temas relevantes no mundo” (HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000. p. 54).

Dança

Dança é a poética do corpo em movimento e todos os corpos são convidados a dançar. A linguagem da dança na escola se configura como espaço do corpo em seu pensamento estético. O movimento intencionalmente poético é o centro sobre o qual gravita a linguagem. Voltamo-nos à dança contemporânea como fundamento por alargar a matéria-prima da dança. Qualquer movimento é matéria potencial para dançar e coreografar, assim como qualquer corpo pode dançar. Onde pode existir movimento, pode existir dança.

Esses princípios fundamentam a concepção de dança desta coleção, pois permite que todos os estudantes sejam acolhidos na singula-

ridade de seus corpos. Sob essa perspectiva, entende-se que a potência poética dos corpos está em suas características particulares. Uma pessoa com deficiência, por exemplo, dança a partir de seu corpo, e não apesar de seu corpo. Portanto, não se trata de adaptar as diferenças e as singularidades do corpo a padrões de corpos preestabelecidos. O anticapacitismo e a perspectiva da arte contemporânea na dança têm um caráter ético, estético e político ao resistir e ao romper com estereótipos e idealizações dos corpos.

Nesse sentido, a escola é um ambiente privilegiado no qual o legado cinepoético da humanidade pode ser acionado por meio da experiência. Entendemos como ambiente não apenas o espaço, mas as relações que se estabelecem entre as pessoas. Há também questões técnicas, como adequar ou buscar um espaço adequado para a dança, verificar condições para uso de aparelhos sonoros, caso a música seja um elemento presente na proposta a ser desenvolvida, considerar a presença de estímulos visuais, sonoros e de iluminação sob a perspectiva da neurodiversidade etc.

Ainda sob essa perspectiva, a repetição de ambiências pode fortalecer o sentimento de segurança dos estudantes por meio da previsibilidade. Pode-se estabelecer uma rotina de combinados com os estudantes: interromper o toque ou o contato a qualquer sinalização do colega, zelar pela harmonia e por manter um clima leve e divertido e ter uma rotina no uso de espaços (como uma sala ou local específico para as propostas que envolvam experiências estésicas ou criativas) são algumas estratégias que possibilitam a construção de ambiências seguras. Isso não significa que as ambiências não possam variar; o elemento ativador de uma proposta pode ser justamente explorar uma nova ambiência, como dançar em meio às árvores em uma área verde do espaço escolar. Metodologicamente, indicamos a articulação entre as dimensões do ensino de Arte, ampliando repertórios, fruindo a dança, conversando sobre a dança, experimentando movimentos do corpo e suas partes, explorando ações corporais e temas de movimento, jogando, brincando, abrindo espaço para a imaginação, criando proposições e sequências

de movimentos, promovendo interações com objetos, espaços e corpos. A ampliação de repertório, seja pelo fruir seja pela experimentação dos movimentos, pode abranger, apontar para diferentes épocas, culturas e territórios ou partir deles.

Conversações compõem a avaliação em seu caráter processual. Aliada a elas estão os registros, que podem ser feitos pelos estudantes em linguagens verbais, não verbais e multimodais, utilizando materiais próprios, como cadernos ou recursos digitais. Proponha momentos para a leitura dos registros como forma de reflexão e avaliação dos percursos de aprendizagem, permitindo um olhar panorâmico sobre todo o processo.

Como as avaliações se desenvolvem com base em indicadores, recomenda-se a realização de situações de aprendizagem que permitam diagnosticar conhecimentos prévios, inclusive proprioceptivos.

Música

A proposição pedagógica para música presente nesta coleção convida professores e educandos a trilhar um percurso sensível e lúdico pela experiência criativa.

Pesquisas desenvolvidas recentemente têm nos instigado a considerar a música, a educação musical e o ensino da música de maneira inventiva e reflexiva, integrando os saberes musicais e os discursos possíveis sobre a música. Desde as contribuições de autores dos métodos ditos ativos, surgidos no período entre as duas Guerras Mundiais, vem sendo perseguido um equilíbrio mais adequado entre a música praticada, por um lado, e a música ensinada ou abordada teoricamente, por outro. Essas proposições consideram a arte um modo de ser, de estar e de pensar o mundo, e não um conteúdo rígido.

Em termos de ambiência, trata-se de oferecer aos estudantes meios adequados e condições favoráveis ao contato com o universo musical já existente — patrimônio já constituído, em suas múltiplas formas de manifestação — e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento de sua própria musicalidade com base nas necessidades presentes.

Para um professor-propositor, esses saberes podem seguir em mais estudos, pois es -

tamos propondo que o professor vivencie a música e seu ensino por meio de encontros significativos. Consideramos que é possível criar e interpretar música com qualidade, mesmo nos níveis mais iniciais. Sugerimos ao professor que oportunize a escuta, o contato e o conhecimento de manifestações musicais de diferentes épocas, gêneros, estilos, tendências e culturas. Para isso, oferecemos uma gama de representações musicais: da exploração de percepção de sonoridades a criações musicais contemporâneas; de músicas da tradição brasileira a experimentações sonoras internacionais; de instrumentos usuais ao uso de objetos sonoros e à construção de novos meios expressivos. Ao mesmo tempo, lembramos a importância de não restringir esses momentos apenas à audição ou à fala sobre música, mas que sejam oferecidos espaço, recursos e motivação suficientes para que cada estudante, além de se expressar criativamente pelos sons e pela música, entre em contato consigo e com o outro, com suas sensações, seus sentimentos e seus entendimentos, podendo aprender a exprimi-los com clareza e compartilhá-los no coletivo.

As aulas de música são também encontros com a diversidade e abrangem o acolhimento de estudantes com deficiência ou variadas sensibilidades. Uma comunicação multimodal com fala, gesto e imagem é uma estratégia eficiente, nesse sentido, repetindo e reforçando os estudos por meio de diferentes sentidos (tátil, auditivo, visual). No contexto do estudo das notações musicais, valorizamos partituras convencionais e, igualmente, formas diferenciadas de registro e criação. As ambiências podem trazer experiências sensoriais múltiplas: ouvir, cantar, tocar e sentir vibrações. Em termos de neurodiversidade, indica-se o estabelecimento de rotinas e rituais, trazendo previsibilidade para as aulas. Além disso, o cuidado com a intensidade e o excesso de estímulos sonoros pode oferecer um ambiente mais favorável, especialmente para estudantes com TEA.

Ao avaliar, são consideradas, ao menos, três instâncias. De forma diagnóstica, são propostas situações nas quais se possam identificar repertórios, experiências prévias e habilidades iniciais. Processualmente, busca-se

acompanhar o engajamento, os progressos e a criatividade dos estudantes. Em caráter final, são integrados os aprendizados em conversações nas quais são revisitados os registros do percurso de aprendizagem e promovidas reflexões sobre todo o processo.

A abordagem de ensino musical proposta aqui procura oferecer atividades prazerosas que tratem de conteúdos relevantes para o conhecimento e a formação musicais, como conceitos de tempo e espaço e noções de ritmo e melodia, bem como a prática de interpretação, improvisação, criação e agenciamento de materiais. Sempre que possível, é importante que os diversos conteúdos musicais sejam disponibilizados em sala de aula de maneira lúdica e integrada. Assim, ao longo dos temas, propomos o fazer musical para trabalhar várias situações de aprendizagem que transitam entre:

• escutar, acolher e conhecer;

• apreciar, avaliar e comentar;

• experimentar, descobrir e se apropriar;

• expressar, cantar e tocar;

• interpretar, improvisar e criar;

• compreender, comunicar e compartilhar.

Teatro

O teatro, como linguagem artística que pode agregar outras linguagens artísticas, proporciona um campo fértil para a experimentação e a construção de novos conhecimentos. Por meio do teatro, os estudantes não apenas exercitam a fala, a escrita e o movimento, mas também a escuta ativa e a empatia, essenciais para a convivência em sociedade.

Essa experiência contribui para o desenvolvimento de competências e habilidades fundamentais, que envolvem a criatividade, a crítica e a resolução de conflitos, tornando a sala de aula um lugar de construção de conhecimentos, de sentidos e de identidades.

Na linguagem teatral, nos anos iniciais do ensino fundamental, não temos a preocupação de fazer ensaios para apresentar peças teatrais ou espetáculos temáticos para comemorações da escola ou para o fim de ano, mas sim de abrir possibilidades de construir conhecimentos, criar, expressar e refletir.

Com base nos estudos e pesquisas de Viola Spolin, vamos explorar o “onde”, o “o quê” e

o “quem” (Onde se passa a narrativa? O que vou fazer em cena? Quem é o personagem que vou representar?). Essas são perguntas que a autora sugere fazer durante o processo de criação de uma cena ou de um jogo teatral. O jogo e a improvisação teatral são pressupostos básicos de sua teoria e metodologia (SPOLIN, Viola. Jogos teatrais na sala de aula : um manual para o professor. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010).

A improvisação teatral permite aos estudantes desencadear os processos de criação, imaginação e expressão poética pessoal ou coletiva.

No percurso da coleção, os elementos da linguagem teatral, como corpo, voz, iluminação, cenários, figurinos, máscaras e outros, serão investigados e conhecidos no âmbito conceitual e prático. A linguagem artística teatral se concretiza mediante a composição de alguns elementos. Mesmo renunciando a alguns deles, um espetáculo teatral pode se realizar; entretanto, conhecer os elementos citados é fundamental para compreender as muitas formas de fazer teatro, como teatro de animação, mímica, corpo e voz, improvisado. Pensar uma escola que atue como um espaço de experiências lúdicas, educadoras e criadoras é uma tarefa que exige atenção e dedicação. As ambiências físicas devem ser acolhedoras e flexíveis, construídas coletivamente, permitindo que os estudantes se sintam à vontade para explorar e expressar suas hipóteses e emoções. Isso inclui desde a disposição do mobiliário até a decoração, com elementos que remetem ao mundo do teatro, como máscaras, figurinos e cenários.

As ambiências socioafetivas, por sua vez, são igualmente importantes. A escola deve ser um espaço seguro onde todos se sintam respeitados e valorizados. O teatro, com suas dinâmicas de grupo e jogos, é um excelente recurso para fortalecer os laços de confiança entre os estudantes, incentivando a colaboração e o respeito às diferenças.

As ambiências educadoras e os combinados em sala de aula são ferramentas essenciais para a promoção de um ensino de qualidade. Ao criar um ambiente que valorize a interação, o respeito e a construção conjunta do conhecimento, estudantes e educadores podem de-

senvolver um processo de aprendizagem mais significativo e transformador. A educação, assim, se torna um espaço não apenas de construção de conhecimentos, mas de formação de cidadãos críticos, conscientes e comprometidos com sua realidade.

Para que as ambiências educadoras sejam concretizadas em sala de aula, é fundamental que os combinados sejam constantemente revisados e adaptados às necessidades da turma. A participação ativa dos estudantes na construção dos combinados não só fortalece o senso de coletividade e pertencimento, mas também desenvolve habilidades como negociação, resolução de problemas, colaboração e responsabilidade social.

A inter-relação entre ambiências educadoras e combinados é vital para um ambiente de aprendizagem bem-sucedido. Enquanto as ambiências propiciam a condição para o aprendizado, os combinados estruturam o processo de convivência, assegurando que o espaço criado seja utilizado de forma construtiva e respeitosa.

O professor pode promover situações de aprendizagem que estimulem a nutrição estética e a ação criadora no teatro, desde a produção de pequenas cenas teatrais improvisadas até a realização de rodas de conversa sobre temas relevantes, tratados em cena. Essas interações favorecem a investigação sensorial e a expressão de sentimentos, tornando o aprendizado mais significativo.

Recomenda-se o uso de estratégias de ensino que têm por objetivo incentivar os estudantes a construir conhecimentos de forma autônoma e participativa, por meio de problemas e situações reais, realizando tarefas que os estimulem a tomar iniciativa e a debater, tornando-se responsáveis pela construção de conhecimento. Assim, propomos que o professor seja um mediador nos processos de ensino e aprendizagem, garantindo aos estudantes o protagonismo de seu percurso nas aulas e na escola.

Especificamente, na metodologia aplicada ao ensino e aprendizagem da linguagem artística teatral, a proposta de Viola Spolin vigora, na medida em que sistematiza uma prática teatral destinada a crianças e jovens e possível de ser desenvolvida em sala de aula.

Com isso, contemplamos pontualmente TCTs e ODS, abordagens fundamentais para um ensino crítico, reflexivo e comprometido com as demandas contemporâneas.

A linguagem teatral apresenta-se como um caminho para construir cidadãos mais críticos, criativos e sensíveis. É uma manifestação da arte que tem o poder de transformar a maneira como nos relacionamos com o conhecimento e com o outro, revelando a beleza da diversidade cultural em todas as suas nuances.

Ao preparar as ambiências na escola, devemos pensar nos estudantes com deficiência e na neurodiversidade. A colaboração entre a escola, os familiares ou responsáveis e o restante da comunidade escolar é necessária para criar um ambiente de aprendizado inclusivo e eficaz, focado nas necessidades específicas de cada estudante. O teatro pode se mostrar uma ferramenta poderosa para a inclusão, pois oferece um espaço democrático onde cada um pode contribuir de acordo com suas habilidades e competências. Os exercícios, os jogos e as improvisações teatrais podem ser adaptados para garantir que todos os estudantes participem ativamente. O uso de tecnologias assistivas, a criação de roteiros inclusivos e a realização de ensaios que considerem o ritmo e as necessidades de cada estudante são algumas estratégias que podem ser implementadas.

Além disso, promover um ambiente de aceitação e respeito às diferenças é fundamental. O teatro pode se configurar como um mediador de práticas que reforçam a empatia e a compreensão, capacitando os estudantes a se tornarem agentes de transformação social. A inclusão nas aulas de arte também estimula o desenvolvimento integral dos estudantes com deficiência, podendo promover o autoconhecimento, a autoestima e a socialização.

Incorporar o teatro como parte da formação escolar é proporcionar aos estudantes um espaço de construção de conhecimentos e desenvolvimento humano. Ao trabalhar com a linguagem teatral de forma integral, preparar ambiências adequadas e garantir a inclusão de todos, a escola se torna um lugar onde o saber é construído coletivamente, em meio a experiências que traduzem a pluralidade dos seres humanos e da vida.

A avaliação no contexto do teatro na escola deve ser multidimensional, considerando aspectos diagnósticos, processuais e finais. A avaliação diagnóstica tem o intuito de identificar as habilidades e as dificuldades de cada estudante. Isso permite uma orientação mais personalizada e adequada às necessidades da turma.

A avaliação processual ocorre ao longo das situações de aprendizagem, intervindo e observando o desenvolvimento dos estudantes durante as práticas de exercícios, jogos e improvisações. Nesse momento, é importante registrar não apenas a evolução técnica, mas também as habilidades socioemocionais, como trabalho em equipe, autoconfiança e empatia.

A avaliação deve refletir o resultado do percurso vivido pelos estudantes. Isso pode se dar por meio de perguntas e respostas, por meio de improvisações teatrais ou mesmo por meio de reflexões individuais, nas quais os estudantes possam expressar o que aprenderam e como se sentiram durante todo o processo. Na proposta de Viola Spolin, três conceitos fundamentais se destacam: foco, instrução e avaliação. Esses momentos são essenciais para criar um ambiente de aprendizado eficaz e produtivo.

O foco é um princípio central na prática teatral e se refere à concentração e à atenção que os praticantes devem ter durante jogos e improvisações. A instrução é o guia, que orienta os praticantes no desenvolvimento dos jogos teatrais propostos, para estimular a exploração, a descoberta e a improvisação teatral. A avaliação, para Spolin, vai além da crítica convencional. A sugestão é que a avaliação deve ser realizada com base no crescimento pessoal e coletivo dos praticantes. Um feedback construtivo é incentivado, destacando o progresso e a criatividade e promovendo um ambiente onde os praticantes possam se sentir seguros para explorar e cometer erros no processo. É imprescindível uma avaliação individualizada que respeite o progresso de cada estudante, evitando comparações.

Para a inclusão de estudantes com deficiência ou com TEA, sugerimos utilizar estratégias como: dividir o conteúdo em partes menores, aumentar o tempo para realizar as provas, fazer audiodescrições, flexibilizar as formas de

avaliação e oferecer feedback contínuo sobre o processo. No entanto, destacamos que essas práticas também podem ser importantes para uma variedade de estudantes. Dessa forma, o foco da avaliação pode ser dado na participação, na iniciativa e no interesse dos estudantes, e não apenas em resultados pontuais.

Artes integradas (linguagens híbridas)

Conhecer o instrumento de trabalho e as possibilidades que ele oferece é essencial, mas ir além da mera aplicação dessas possibilidades é fundamental.

PIMENTEL, Lucia Gouvêa. Tecnologias contemporâneas e o ensino da arte. In: BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da Arte. São Paulo: Cortez, 2002. p. 117.

Para Lucia Gouvêa Pimentel, o universo tecnológico trouxe muitas possibilidades para conhecer e criar arte. É imprescindível proporcionar aos estudantes um ensino de Arte em consonância com seu tempo. Entretanto, somente o uso dessas tecnologias, sem um trabalho consistente por parte dos educadores, não vai garantir seu aprendizado e seu desenvolvimento artístico (PIMENTEL, Lucia Gouvêa. Tecnologias contemporâneas e o ensino da arte. In : BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da Arte São Paulo: Cortez, 2002. p. 113-122).

Consideramos artes integradas aquelas que são híbridas, podendo ser verbais, visuais, so-

FAÇA SEU PRÓPRIO

CAMINHO!

Cartografar seu próprio fazer pedagógico, como um professor-propositor, é elevar-se à condição de criador dos próprios percursos de aprendizagem junto aos alunos, de tecer a coautoria do seu pensar/fazer pedagógico com escolha de caminhos que possam abrigar e expressar também os desejos de seus alunos.

MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria T. T. Teoria e prática do ensino de Arte: a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 2010. p. 195.

As educadoras Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e Maria Terezinha Telles Guerra

noras, corporais, tecnológicas, audiovisuais e, ainda, todas elas juntas. São muitas as linguagens artísticas possíveis que precisamos, como educadores, estudar e conhecer como nascem e se transformam. Por exemplo, das máquinas fotográficas mecânicas às câmeras digitais altamente tecnológicas muito foi criado e experimentado. Além disso, o uso da fotografia tem alcançado uma proporção inigualável no desenvolvimento da cultura visual da contemporaneidade e tem muitos usos e funções além do artístico. Já o cinema nasceu do fascínio de captar, movimentar e projetar as imagens. Sendo narradores de histórias, os seres humanos associaram imagens a contos, e podemos apontar muitos momentos importantes, desde as primeiras projeções de sombras chinesas na Antiguidade, passando pelas invenções e investigações que deram origem às imagens em movimento do século XIX, até as ferramentas e os recursos tecnológicos atuais. As tecnologias e as novas linguagens, como videoarte, videodança, videoperformance e videoinstalação, feitas com recursos audiovisuais e digitais, podem estar entre as propostas no ensino de Arte, mas é preciso ter objetivos claros e criar situações de aprendizagem que estimulem a compreensão e a produção nas linguagens da arte contemporânea, bem como orientar estudantes e familiares ou responsáveis sobre os objetivos pedagógicos envolvidos no uso de ferramentas e recursos digitais e sobre maneiras confiáveis e seguras de navegar nos ambientes digitais.

apontam para a autonomia do educador que escolhe caminhos para criar soluções e proposições na sua ação educadora, diante de sua história e sua formação profissional, bem como o que o nutre enquanto base teórica, metodológica e experiência estética no encontro com a arte. Também é importante que o professor planeje seus caminhos e suas proposições pedagógicas e investigue suas concepções de arte e de ensino de Arte (MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria T. T. Teoria e prática do ensino de Arte :

a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 2010).

Sabemos que questionar é sempre um exercício importante para fazer escolhas; assim, ao estar diante do desafio de sermos professores-propositores, podemos nos indagar: como aproximar teorias da minha prática docente? Que relações esses fundamentos e proposições pedagógicas têm com a minha história de educador e a realidade dos estudantes? Qual é a minha concepção de arte e de ensino de Arte? Qual é o meu lugar de fala e o dos estudantes com os quais caminho?

Na busca por respostas, podemos olhar para nossas experiências e valorizá-las, assim como podemos estudar documentos, teorias, investigar as histórias e as trajetórias do componente curricular Arte e os autores que nos ajudam a compreender, nutrir e trilhar caminhos pedagógicos no ensino de Arte.

Na direção do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), no fim da década de 1980, a professora Ana Mae Barbosa desenvolveu, com base em suas pesquisas e suas ações educativas, a chamada Abordagem Triangular do Ensino de Arte. Ainda hoje, essa proposta de ensino de Arte é a base da maioria dos programas de educação de Arte no Brasil, seja em escolas, seja em museus. A proposta consiste em uma proposição pedagógica que aborda três eixos para a construção de saberes artísticos: ler, fazer e contextualizar. Esses eixos não apresentam uma ordem preestabelecida. É o educador, diante de seu projeto, que propõe os momentos de ler, fazer e contextualizar (BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da Arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 2009).

Ao ler, em momentos de fruição da arte, o enfoque dá peso à leitura como construção de sentido de que os estudantes vivem e percebem o mundo em imagens, sons, gestos e movimentos. São possibilidades de leituras de obras que se fundem às leituras de mundo dos estudantes para estabelecer relações entre arte e vida, construções de interpretações de um mundo culturalmente vivido (FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 2011). Essas propostas permeiam esta coleção, em especial nas aberturas de capítulo e nos diversos temas abordados.

O fazer artístico apresenta oportunidades para instituir “ambiências criadoras e educadoras” para a produção criativa e poética nas linguagens artísticas, explorando materialidades, elementos, temas e formas. A obra de um artista pode nutrir repertórios culturais, porém o foco no fazer artístico deve estar sempre na poética e no contexto de criação dos estudantes. Essas propostas estão presentes nas seções Arte-aventura e Arte em projetos Ao contextualizar a produção artística, o ensino de Arte deve ir além da apresentação de fatos históricos, deve ampliar o âmbito informativo e levar os estudantes a perceber a história da obra de arte como produção social que abarca dimensões dos conhecimentos histórico e cultural, além de proporcionar relações entre as produções artísticas, a leitura de mundo feita por eles e as conexões com seu repertório e suas experiências culturais. Essas propostas permeiam todo o Livro do estudante, em particular na seção Diálogos , que tem por foco os temas contemporâneos transversais.

Desejamos contribuir com o trabalho de professores-propositores, professores-mediadores, professores-dinamizadores e professores-curadores culturais, que também se comprometem com os processos de alfabetização e seguem se nutrindo de contribuições teóricas e metodológicas desenvolvidas por autores que são importantes referenciais para as formulações curriculares e as práticas educativas no ensino de Arte no Brasil. Diante das produções de conhecimento que nos inspiram na caminhada de desenvolver proposições pedagógicas, convidamos você, professor, a ser inventor de ideias e ações, uma vez que a educação e a arte estão sempre em transformação. Consideramos que Arte é uma área de conhecimento, um pensamento defendido por muitos educadores brasileiros e legitimado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l9394.htm. Acesso em: 24 set. 2025). O convite é para que você seja autor de seus tra -

balhos e que os estudantes também tenham autonomia para trabalhar de forma criativa e poética, aprendendo a interpretar os conhecimentos em Arte e a conectá-los com diferentes saberes e contextos.

A proposta desta coleção não é apenas auxiliar na execução das aulas, mas também inspirar você e os estudantes a inventar percursos criativos, poéticos, estésicos e educativos no ensinar e aprender Arte.

AVALIAÇÃO, REGISTROS E SONHOS PEDAGÓGICOS

É sabido que o professor avalia os estudantes a todo momento, a cada situação de aprendizagem, a cada participação. A finalidade dessa avaliação é que o professor possa contribuir para o desenvolvimento dos estudantes em aspectos acadêmicos e socioemocionais. Quando se trata especificamente de situações de aprendizagem com foco na avaliação, espera-se que o professor realize um acompanhamento bastante próximo do desenvolvimento das competências e habilidades previstas na legislação educacional vigente. Para um acompanhamento permanente, é importante instituir instrumentos práticos de avaliação dos estudantes, bem como um registro permanente dos resultados obtidos. Por exemplo, ao realizar produções artísticas, observar como os estudantes escolhem e utilizam materialidades e procedimentos; como identificam elementos constitutivos de linguagem e fazem arranjos; como se expressam oralmente ou por meio de textos sobre seus processos de criação e poéticas pessoais ou coletivas. Os critérios para a avaliação podem ser analisados a partir de como os estudantes compreendem e sabem narrar e se expressar sobre o processo criador e poético vivido. É importante ressaltar que, no componente curricular Arte, a avaliação não deve focar apenas o fazer artístico. O trabalho e os critérios de avaliação devem estar alinhados com os vários eixos de aprendizagem, como a produção, a fruição e a contextualização, e também deve acompanhar como os estudantes se percebem como seres de cultura e potência poética. Assim, podemos pensar em critérios, por exemplo: como eles identificam elementos constitutivos e materialidades em obras de artistas, em suas produções e nas dos colegas? Como percebem a arte em seu meio sociocultural e valorizam acervos locais que podem também dialogar com a produção mundial?

Criar pautas para avaliação com listas de critérios pode ajudar a compor uma planilha

que acompanhe o diário de classe ou mesmo um portfólio de cada estudante (ou da turma) e que será alimentado a cada nova proposta e situação de aprendizagem com finalidade de avaliação formativa. Esse planilhamento permite organizar, visualizar e analisar dados da turma com mais rapidez, e esses dados podem também contribuir para decisões visando à contínua aprendizagem dos estudantes.

É importante salientar que esses critérios podem ser estabelecidos com os demais docentes e a gestão escolar, para que os estudantes percorram todo o processo de ensino e aprendizagem e não sejam avaliados apenas pela realização de uma tarefa, mas pelo percurso percorrido em um bimestre, em um semestre ou no ano. Avaliar é uma tarefa coletiva e alinhada com a comunidade escolar. Por essa razão, tomar os objetivos e as competências e habilidades da BNCC como ponto de partida para definição de critérios formativos pode ser ainda mais produtivo.

Por fim, é possível que, no Plano Político-Pedagógico da rede ou da unidade escolar, haja a sugestão das métricas ou das balizas para a avaliação formativa dos estudantes. É importante estar alinhado a isso para que a avaliação de cada critério também converse com a avaliação geral estabelecida previamente. As avaliações diagnósticas são fundamentais no processo, pois podem indicar o que os estudantes já sabem sobre os temas tratados em aula e o que mais deve ser tratado para recompor a aprendizagem dos estudantes. Diagnosticar nos auxilia a tomar decisões mais precisas sobre o processo de ensino e aprendizagem.

A apropriação e a produção do conhecimento são de responsabilidade do professor e dos estudantes. Diante dessas mudanças, a avaliação também assume uma função diferenciada e tem como foco a formação integral dos estudantes. Observar, registrar e oferecer feedbacks avaliativos aos estudantes são ações que devem ser realizadas para

compor a gama de materiais a ser analisada durante cada percurso de aprendizagem e ao seu final. O foco é a avaliação formativa, em que o professor e os estudantes estabelecem diálogos sobre as conquistas de saberes ao longo do trajeto. Para que os objetivos em um processo de avaliação formativa aconteçam, é fundamental explorar tempos, ambiências educativas, modos e instrumentos de avaliação. A avaliação diagnóstica, a de processo e a de final de percurso podem se constituir também em situações de aprendizagem significativas, superando ideias negativas sobre a avaliação por parte dos estudantes.

É importante compartilhar responsabilidades com os estudantes e os familiares ou responsáveis, uma vez que a avaliação não é apenas responsabilidade do professor. Um bom percurso de aprendizagem não deve se esgotar em seu término. Ao contrário, deve deixar aquele “gosto de quero mais”. Assim, é imprescindível criar situações e rodas de conversa com os estudantes para debater conquistas de aprendizagem, o que gostariam de conhecer mais ou onde poderiam pesquisar para continuar a aventura de conhecer o universo da arte.

Para a ação criadora, sugerimos uma diversidade de propostas e experimentações. Diante delas, nosso desejo é que os estudantes tenham acesso a diferentes situações de aprendizagem que estimulam a autonomia, a compreensão e a produção significativa nas aulas de Arte, sendo também capazes de se autoavaliar em situações mais simples, para que, com o tempo, alcancem reflexões mais complexas.

As propostas sugeridas podem gerar experiências poéticas significativas, tendo como ponto de partida a problematização e a conexão entre conceitos, promovendo a solução de problemas e o estímulo à criatividade. A ideia é permitir que os estudantes se aventurem na descoberta de processos criativos com a experimentação de materialidades e de linguagens. São iniciativas de projetos que possibilitam trabalhar os aspectos experimental e experiencial nas linguagens artísticas. O foco da avaliação deve ser tanto o processo de aprendizagem como o produto, e esses podem ser discutidos com cada estudante em momentos de diálogo, estimulando a autoavaliação, como já mencionado.

Ao olhar para a experiência, é importante retomar conceitos e debates mobilizados pelos conteúdos temáticos das unidades e dos tópicos abordados. É o momento oportuno para que os estudantes falem a respeito do que aprenderam, do que acharam do processo, das dificuldades que encontraram e das possibilidades futuras.

Ao longo desta coleção, apontamos momentos e possibilidades para a avaliação formativa. Você pode desenvolver uma ficha (pauta de avaliação) para acompanhar as questões a seguir e outras que considerar importantes.

• O que os estudantes aprenderam ao estudar esta unidade?

• O que sabem sobre arte e processo criador coletivo?

• Compreendem a cultura imaterial e material e a importância do acervo brasileiro?

• Conhecem a formação do povo brasileiro e a importância das matrizes culturais?

• Expressam-se por meio de movimentos dançados e brincadeiras cantadas?

• Expressam-se por meio de pinturas, desenhos, esculturas e modelagens?

• Conhecem e analisam várias danças e músicas como patrimônio cultural imaterial?

• Quais danças gostaram mais de conhecer?

• Como os estudantes desenvolvem seus processos de improvisação teatral?

• Quais formas de se fazer teatro mais gostaram de conhecer ou praticar?

• Constroem argumentos sobre a arte brasileira e se expressam pela oralidade, pela escrita e por desenhos?

• Têm autonomia na escolha, na pesquisa e no uso de materialidades?

• Aprendem arte e a criam de modo colaborativo e com poéticas pessoais?

• Como constroem registros sobre suas produções?

É importante avaliar como os estudantes se comportam durante os momentos de ações criadoras previstas nesta coleção. Esses pontos devem ser levados em consideração e você pode complementar a lista com outros pontos que julgar convenientes.

SUGESTÕES DE PLANEJAMENTO

Quadro programático da coleção

Neste quadro, apresentamos os temas e os conteúdos que compõem os volumes desta coleção. Ao consultá-lo, você poderá observar a progressão de conteúdos a cada ano letivo, avaliar possibilidades de interdisciplinaridade e definir proposições para seu trabalho em sala de aula.

Unidade 1

3

ARTE CRIATIVA

1. O que você tem na cabeça?

• Imagens e ideias

Arte-aventura: Observar, lembrar e imaginar

Arte-aventura: Ferramentas para criar

Diálogos: Digital legal

• Imagens do imaginário

Arte-aventura: Mundo da imaginação

Arte-aventura: Poética pessoal

Arte em projetos : Misturar desenhos com fotografias

2. De onde vem tanta ideia?

• Morada da invenção?

Arte-aventura: Vamos brincar de performances?

Arte-aventura: Inventar e desenhar

Diálogos: Energia limpa

Arte-aventura: Parece brincadeira

Arte em projetos: Intervenção visual na escola

Para rever o que aprendi

Unidade 1

4 5

CRIAÇÃO EM GRUPO

1. Arte coletiva

• Junto e separado

• Arte que convida

Arte-aventura: Dança das linhas, das formas e das cores

• Desenhos orgânicos

Arte-aventura: Performar e traçar

Diálogos: Corpo flexível

Arte em projetos: Laboratório de criação coletiva

2. Clube de fotografia

• Minhas imagens

Arte-aventura: Ação fotográfica

Diálogos: Diferentes tecnologias para fotografar

• Fotografia encenada

Arte-aventura: Clique na cena

Arte em projetos: Clube de fotografia da turma

Para rever o que aprendi

Unidade 1

IMAGENS EM MOVIMENTO

1. Cinema: fábrica de sonhos

• Imaginação e criação

Arte-aventura: Literatura e cinema

Diálogos: Aventuras e saberes na Arte e na Ciência

Arte-aventura: Fábrica de sonhos

Arte em projetos: Um ser fantástico para brincar

2. Aventuras no mundo da imaginação

• Temas, personagens e emoções no cinema

• Personagens e histórias

Diálogos: Por que vemos imagens em movimento?

Arte-aventura: Desenhos em movimento

Arte em projetos: Histórias animadas

Para rever o que aprendi

Unidade 2

CORPO: TEATRAL E DANÇANTE

1. Palhaçaria

• Hoje tem espetáculo!

Diálogos: A profissão de fazer rir

Arte-aventura: Minicara de palhaço

Arte-aventura: E o meu palhaço, como é?

Arte em projetos: Palhaços e palhaças em cena

Arte em projetos: Minha mala de palhaçaria

2. Corpo, cada parte da minha arte

• É para movimentar? Vamos lá!

Arte-aventura: Movimentos da dança, movimentos do meu corpo!

Arte em projetos: Espetaculaços

Para rever o que aprendi

Unidade 2

COLABORAR PARA CRIAR

1. Nosso grupo de teatro

• Estar e criar junto

Arte-aventura: Tá na mão!

Arte-aventura : Contando histórias, fazendo arte junto!

• Mamulengos

Diálogos: Mão molenga?

Arte-aventura: Meu mamulengo

Arte em projetos: Nosso grupo de teatro

2. Clube de gravura

• Histórias gravadas

Arte-aventura: Criando gravuras com papelão

Arte-aventura: Barrogravura e monotipia

Diálogos: A arte delas!

Arte em projetos: Clube de gravura

Para rever o que aprendi

Unidade 2

A TURMA DO CINEMA

1. Cinema: arte de muitas linguagens

• Luz, câmera e imaginação!

Arte-aventura: Jogar e improvisar

• Adaptações fílmicas

Diálogos: Cinema: saberes, arte e lugar

Arte-aventura: Meu filme de curta metragem

Arte em projetos: Cineclube da turma

2. Som, movimento, ação!

• Som e ação

Arte-aventura: Jogo das trilhas sonoras

Diálogos: Temas no cinema: voz e corpo

• Cena, música e movimento

Arte-aventura: Curta-metragem musical!

Arte-aventura: Sapato para sapateado!

Arte em projetos: Efeitos especiais

Para rever o que aprendi

Unidade 3

LINGUAGENS EM COMPOSIÇÃO

1. Canção: letra e melodia

• Letra e melodia de uma canção

Arte-aventura: Escute, cante e invente

Diálogos: Cuidados com a voz

Arte-aventura: Brincando com música

Arte-aventura: Cânone: a minha, a sua e a nossa voz!

• Compor músicas

Arte-aventura: Vamos cantar as notas?

Arte-aventura: Partituras desenhadas

Arte em projetos: Musicando poemas

2. A arte em cena

• Por muitos e de muitas formas

Arte-aventura: Contando histórias no teatro

Arte-aventura: Meu amigo é minha sombra

Diálogos: Teatro em trânsito

• Os elementos do teatro

Arte em projetos: Construindo cenários

Para rever o que aprendi

Unidade 3

ESTA ARTE É NOSSA!

1. Unidos pela arte

• É de todos nós!

Arte-aventura: Fábrica de sons

• Gente, gesto e movimento

• Ouvir e se movimentar nos ritmos do Brasil

Arte-aventura: Frevo: dançar e ferver

Diálogos: A geografia dos ritmos musicais

Arte em projetos: Cultura do brincar

2. Artesões e foliões

• Bonecões para habitar

Arte-aventura: Quem vem lá?

• Máscaras e mascarados

Arte-aventura: Máscaras

Arte-aventura: Marotes para brincar

Diálogos: Desfilando os direitos das crianças

Arte em projetos: Criar e desfilar

Para rever o que aprendi

Unidade 3

ARTE AGORA

1. Arte contemporânea

• Arte contemporânea? O que é isso?

Diálogos: Arte e mensagens

• A dança e o registro do movimento

Arte-aventura: Lugares e materialidades

Arte em projetos: Videodança

2. Arte e tecnologia

• Tempo de poetizar e de brincar!

Diálogos: Arte e robôs

Arte-aventura: Pinturas com brinquedos eletrônicos

• Pintar com luz

Arte-aventura: Vamos criar light paintings?

Arte em projetos: Arte e luz

Para rever o que aprendi

1. Brincante

• O artista brincante

Unidade 4

• Música, forma e expressão

Arte-aventura: Vamos interpretar Mamo oime˜ nde rory?

Arte-aventura : Ayele (canção africana com jogo de mãos)

Diálogos: O meu, o seu e o nosso mundo sonoro

Arte em projetos: Criando músicas

2. O encanto do boi

• Sair para brincar

Arte-aventura: Boi e outros personagens

Diálogos: Pare! Animais na pista

Arte em projetos: Dança dramática

Para rever o que aprendi

ARTE NA BAGAGEM

1. Nossa música, nossa arte!

Unidade 4

• Ritmos e canções

Arte-aventura: Composições

Arte-aventura: Cantar e tocar

Diálogos: Numa batucada brasileira

Arte em projetos: Vamos cantar e tocar do nosso jeito?

2. Artes que dizem quem somos!

• Os sons de nossa bagagem cultural

Diálogos: Sons, formas e cores da natureza que inspiram a arte

Arte-aventura: O que você escuta?

Arte em projetos: Nossas sonoridades

Para rever o que aprendi

SOM E EXPERIMENTAÇÃO

Unidade 4

1. Os sons e a música

• Experimentações sonoras

Arte-aventura: Som, gesto e música

• Mundo sonoro: tipos de flauta

Diálogos: Mundo sonoro e musical

Arte em projetos: Corpo sonoro

2. Invenções e interpretações musicais

• Atitude musical!

Arte-aventura: Jalatarangam e outros experimentos

Diálogos: Escuta e propagação consciente

Arte-aventura: Tubos sonoros

• Um baião, uma nova experimentação!

Arte-aventura: Transformando brincadeiras em música!

Arte em projetos: Explorando novas formas de criação: Na escola, quase um rap

Para rever o que aprendi

Sugestões de cronogramas – 3o ano

Neste quadro, são apresentadas propostas de organizações de planejamento deste volume considerando o ano com 40 semanas letivas. Essa organização depende de sua análise e da coordenação da escola considerando o andamento das aulas e o calendário escolar. Depende também de possíveis adaptações ao contexto de cada escola e de outras ocorrências que podem interferir no planejamento escolar. CONTEÚDOS E PLANEJAMENTO DO 3o ANO

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Unidade 1

Acolhida conforme a programação da escola

Arte criativa

O que você tem na cabeça?

Imagens e ideias

Arte-aventura: Observar, lembrar e imaginar

Do manual ao digital

Arte-aventura: Ferramentas para criar

Diálogos: Digital legal

Imagens do imaginário

Isso é surreal!

Arte-aventura: Mundo da imaginação

Arte-aventura: Poética pessoal

Arte em projetos: Misturar desenhos com fotografias

De onde vem tanta ideia?

Morada da invenção?

Arte-aventura: Vamos brincar de performances?

Arte e invenção

Arte-aventura: Inventar e desenhar

Diálogos: Energia limpa

Arte-aventura: Parece brincadeira

Arte em projetos: Intervenção visual na escola

Para rever o que aprendi

Corpo: teatral e dançante

Palhaçaria

Hoje tem espetáculo!

Diálogos: A profissão de fazer rir

Arte-aventura: Minicara de palhaço

Arte-aventura: E o meu palhaço, como é?

Arte em projetos: Palhaços e palhaças em cena

Arte em projetos: Minha mala de palhaçaria 17

Corpo, cada parte da minha arte

É para movimentar? Vamos lá! 18

Simetria na Matemática e na dança

Simetrias e movimentos

Arte-aventura: Movimentos da dança, movimentos do meu corpo! 19

Arte em projetos: Espetaculaços

20 Para rever o que aprendi

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Unidade 3

Linguagens em composição

Canção: letra e melodia

Letra e melodia de uma canção

Arte-aventura: Escute, cante e invente

Diálogos: Cuidados com a voz

Arte-aventura: Brincando com música

Uma linha para a melodia

Arte-aventura: Cânone: a minha, a sua e a nossa voz!

Compor músicas

Notação musical convencional

Arte-aventura: Vamos cantar as notas?

Arte-aventura: Partituras desenhadas

Arte em projetos: Musicando poemas

A arte em cena

Por muitos e de muitas formas

Arte-aventura: Contando histórias no teatro

Arte-aventura: Meu amigo é minha sombra

Diálogos: Teatro em trânsito

Os elementos do teatro

Arte em projetos: Construindo cenários

Para rever o que aprendi 32

Arte brincante

Brincante

O artista brincante

Música, forma e expressão

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História, interpretação e composição

Música dos povos originários

Onde está sua alegria?

Arte-aventura: Vamos interpretar Mamo oime˜ nde rory?

Arte-aventura: Ayele (canção africana com jogos de mãos) 37

Unidade 4

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40

Diálogos: O meu, o seu e o nosso mundo sonoro

Arte em projetos: criando músicas

O encanto do boi

Sair para brincar

Boiada encantada

Arte-aventura: Boi e outros personagens

Diálogos: Pare! Animais na pista

Arte em projetos: Dança dramática

Para rever o que aprendi

Matrizes de rotina e de sequência didática

Matriz de planejamento de rotina

A sugestão de matriz a seguir pode ser adaptada para a realidade da turma e usada para organizar seu dia a dia.

Acolhida Receber os estudantes; registrar a data e a rotina do dia; conversar brevemente sobre novidades, acontecimentos ou combinados.

Discussão inicial

Desenvolvimento das aulas

Propor uma questão instigante relacionada ao tema da aula ou a acontecimentos do cotidiano. Estimular argumentação, escuta e respeito às opiniões. Pode ser em roda ou em pequenos grupos.

Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.

Intervalo/lanche Pausa para alimentação e recreação.

Desenvolvimento das aulas

Fechamento

Desenvolvimento do conteúdo planejado, das propostas interdisciplinares, lúdicas e complementares.

Síntese das aprendizagens: o que foi descoberto, quais dúvidas surgiram, como aplicar no cotidiano. Espaço para reflexão crítica e registro final.

Matriz de sequência didática

Esta sugestão é um modelo que atende ao planejamento de uma sequência didática de diferentes conteúdos e/ou áreas do conhecimento.

Identificação

Título da sequência didática. Turma em que será aplicada.

Componente Componente(s) curricular(es) envolvido(s).

Período de duração

Tema

Objetivos de aprendizagem

BNCC

Preparação

Encaminhamento

Número de aulas previstas.

Conteúdo principal a ser explorado. Pode ser, também, um objeto de conhecimento da BNCC ou um capítulo ou uma parte do livro didático.

Objetivo geral, objetivos específicos (por aula) bem como justificativa pedagógica.

Competências, habilidades e TCTs.

Materiais e recursos utilizados em toda a sequência, como as páginas do livro didático, itens de papelaria, equipamentos digitais, autorizações dos familiares, entre outros. Também é importante considerar possíveis adaptações para estudantes com diferentes necessidades de aprendizagem.

Pré-requisitos Conhecimentos prévios esperados dos estudantes.

Apresentação Sensibilização para o tema.

Aulas Desenvolvimento da sequência didática. A quantidade varia de acordo com a proposta.

Conclusão Discussão entre os estudantes e apresentação dos resultados.

Avaliação Verificação da aprendizagem e dos objetivos de aprendizagem atingidos.

Observações gerais Espaço para o registro do professor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS

• ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola . 3. ed. São Paulo: Planeta, 2021.

O livro apresenta reflexões poéticas sobre ensinar e aprender de forma significativa.

• BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da Arte : anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 2009. A obra é um marco no ensino de Arte no Brasil. Nela é apresentada a Abordagem Triangular de Ensino, compreendendo os contextos social, cultural e educacional, além de serem apresentadas suas propostas metodológicas.

• BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da Arte . 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002. Essa obra reúne textos de pesquisadores sobre temas relacionados ao ensino de Arte, como formação de professores, uso de tecnologias na educação, interdisciplinaridade e multiculturalidade.

• BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação , Rio de Janeiro, n. 19, p. 20-28, jan./abr. 2002. Jorge Larrosa Bondía propõe uma discussão da educação com base nas noções de experiência e sentido.

• BRASIL. Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 jul. 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil _03/leis/l8069compilado.htm. Acesso em: 28 set. 2025.

O ECA define as crianças e os adolescentes como sujeitos com direitos, em condição peculiar de desenvolvimento, que demandam proteção integral e prioritária por parte da família, da sociedade e do Estado.

• BRASIL. Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l9394.htm. Acesso em: 24 set. 2025.

Lei que estabelece as diretrizes e as bases da educação nacional, determinando normas para os diferentes segmentos de ensino em todo o território nacional.

• BRASIL. Lei n o 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 jan. 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639. htm. Acesso em: 24 set. 2025.

Essa lei altera a Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e as bases da educação nacional, incluindo no currículo oficial o estudo obrigatório da história e da cultura afro-brasileira.

• BRASIL. Lei n o 11.645, de 10 março de 2008. Diário Oficial da União , Brasília, DF, 10 mar. 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2008/lei/l11645.htm. Acesso em: 24 set. 2025. Essa lei inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura indígena.

• BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular : educação é a base. Brasília, DF: SEB, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.

Nesse documento, estão presentes proposições e embasamentos curriculares, determinando as competências

e as habilidades específicas em cada área do conhecimento para garantir as aprendizagens essenciais.

• BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana . Brasília, DF: Seppir, 2004.

Esse documento apresenta os marcos legais das diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira.

• BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais : Arte. Brasília, DF: SEB, 1998. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são diretrizes elaboradas para orientar os educadores por meio da normatização de alguns aspectos fundamentais concernentes a cada componente curricular.

• BRASIL. Ministério da Educação. Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva . Brasília, DF: SEE, 2008. Documento que estabelece princípios, diretrizes e ações para a inclusão de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação na rede regular de ensino.

• BRITO, Teca Alencar de. Um jogo chamado música : escuta, experiência, criação, educação. São Paulo: Peirópolis, 2019.

Em uma abordagem pedagógico-musical livre e criativa, o livro apresenta ideias e proposições pedagógicas para explorar a música na educação de crianças.

• DUARTE JÚNIOR, João-Francisco. Fundamentos estéticos da educação . 2. ed. Campinas: Papirus, 1988. Nesse livro, o autor explora o tema da aprendizagem considerando as premissas básicas do conhecimento, como o sentir e o pensar.

• DUARTE JÚNIOR, João-Francisco. O sentido dos sentidos : a educação (do) sensível. Curitiba: Criar, 2001.

O livro defende uma educação que valoriza o pensar, o sensível e os estudos para compreender o estado de estesia e de anestesia.

• FONTERRADA, Marisa Trench de Oliveira. De tramas e fios : um ensaio sobre música e educação. São Paulo: Unesp, 2008.

A obra apresenta estudos e proposições didáticas para o acesso dos estudantes à linguagem da música por meio de canções, jogos de escuta, improvisações, ritmo e movimentos corporais.

• FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 2011.

No livro, Paulo Freire defende a importância da leitura e da alfabetização de jovens e adultos, que considera uma prática fundamental para a compreensão do mundo.

• FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia : saberes necessários à prática pedagógica. 38. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004. (Coleção leitura).

Nessa obra, Freire aponta para novas relações e condições para a educação, ressaltando as práticas pedagógicas ligadas à ética universal e ao desenvolvimento da autonomia, da capacidade crítica e da valorização cultural.

• HARDAGH, C. C. Escola expandida: por uma justiça cognitiva digital e perspectivas para “outros sujeitos”. Educere et Educare, v. 13, n. 28, 2018. Disponível em:

https://doi.org/10.17648/educare.v13i28.18790. Acesso em: 24 set. 2025.

O artigo discute e apresenta proposições sobre a escola expandida.

• HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho . Porto Alegre: Artmed, 2000.

Nessa obra, o autor narra experiências de alguns professores que contribuíram para a expansão dos conhecimentos sobre a cultura visual na educação básica.

• KOUDELA, Ingrid D. Jogos teatrais . São Paulo: Perspectiva, 2009.

A autora apresenta uma série de exercícios e jogos teatrais para crianças e jovens, apoiada em pesquisas brasileiras sobre teatro e educação e em autores como Spolin, Piaget e Languer.

• KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Reunião de trabalhos de Ailton Krenak que discutem questões sobre ancestralidade, meio ambiente e cultura indígena.

• LABAN, Rudolf. Domínio do movimento . São Paulo: Summus, 1978.

O autor propõe que o conhecimento dos movimentos do corpo, mesmo os cotidianos, e a consciência corpórea podem ampliar a percepção e a expressão na dança e na vida.

• LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública : a pedagogia crítico-social dos conteúdos. 21. ed. São Paulo: Loyola, 2008.

O autor formula orientações para o fazer pedagógico-crítico, a fim de que o docente da escola pública possa repensar sua didática.

• MARTINS, Mirian. C.; PICOSQUE, Gisa. Cadernos para o professor-propositor. São Paulo: Instituto Arte na Escola, 2004.

Os cadernos foram criados para orientar professores quanto ao uso do material da DVDteca do Instituto Arte na Escola. Eles trazem discussões sobre professor-propositor, cartografias e pensamento rizomático.

• MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa. Travessia para fluxos desejantes do professor-propositor. In : OLIVEIRA, Marilda Oliveira de (org.). Arte, educação e cultura . Santa Maria: UFSM, 2007. p. 345-356.

Nesse capítulo, as autoras ampliam a ideia de artista-propositor para a de professor-propositor, com base em pesquisas e publicações das educadoras.

• MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria T. T. Teoria e prática do ensino de Arte : a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 2010. A obra propõe reflexões sobre conceitos para o ensino contemporâneo de Arte, considerando aspectos próprios das linguagens artísticas. Também apresenta a abordagem de ensino por meio dos territórios da Arte e Cultura.

• NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Os objetivos de desenvolvimento sustentável no Brasil . Brasília, DF: ONU, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 8 set. 2025.

Os ODS são metas globais adotadas pelas Nações Unidas em 2015, visando acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir que todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade até 2030.

• OSTROWER, Fayga. Universos da arte . Campinas: Unicamp, 2013.

O livro traz experiências como artista e educadora de Fayga Ostrower, com análises de obras de arte e propostas de ensino a partir de elementos constitutivos das artes visuais e do processo de criação.

• PAULO Freire contemporâneo. Direção: Toni Venturi. Brasil, 2007. 1 vídeo ( ca. 52 min).

Documentário para TV sobre o pensamento e a antropologia do pedagogo Paulo Freire.

• PIMENTEL, Lucia Gouvêa. Tecnologias contemporâneas e o ensino da Arte. In : BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da Arte . São Paulo: Cortez, 2002.

A autora aborda as muitas possibilidades para conhecer e criar arte por meio do uso de tecnologias, ressaltando a importância de um trabalho consistente por parte dos educadores.

RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante . Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

O livro discute as práticas pedagógicas com base na trajetória do professor e militante Joseph Jacotot.

• RECHENBERG, Ligia. Cultura de paz : novas abordagens sobre prevenção da violência entre jovens. São Paulo: Instituto Sou da Paz, 2010. (Projeto juventude e prevenção da violência 4).

Cartilha com proposições para enfrentar a violência, em especial no âmbito da escola.

• ROCHA, Ruth. Os direitos das crianças : segundo Ruth Rocha. São Paulo: Salamandra, 2014.

Livro com poema que foi escrito e destinado a crianças, mas traz lições para todos sobre os direitos das crianças.

• SANTAELLA, Lucia. Leitura de imagens . São Paulo: Melhoramentos, 2012.

Nessa obra, a autora apresenta conceitos fundamentais relacionados à percepção e às interpretações dos signos visuais nas artes plásticas e na publicidade.

• SCHAFER, Murray. A afinação do mundo . 2. ed. São Paulo: Unesp, 2012.

O autor apresenta o termo paisagem sonora e analisa como vivemos em meio ao ambiente sonoro contemporâneo.

• SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. 2. ed. São Paulo: Unesp, 2000.

Apresenta proposições para o ensino da música, com a intenção de desenvolver uma escuta sensível, atenta e, ao mesmo tempo, lúdica.

• SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro . São Paulo: Perspectiva, 2005.

A obra apresenta os fundamentos para o trabalho com jogos teatrais na escola. Além disso, mostra como é estruturado e praticado o jogo teatral.

• SPOLIN, Viola. Jogos teatrais na sala de aula : um manual para o professor. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010.

A obra oferece muitos exercícios e jogos teatrais, para que, praticando o teatro, seja possível avaliar de forma prática as competências e as habilidades dos estudantes.

• TOJAL, Amanda Pinto da Fonseca. Política de acessibilidade comunicacional em museus: para quê e para quem? Museologia & interdisciplinaridade , Brasília, DF, v. 1, n. 7, out./nov. 2015. Disponível em: https://periodicos. unb.br/index.php/museologia/article/view/16779/15061. Acesso em: 24 set. 2025.

O artigo traz proposições de Amanda Tojal sobre o uso de recursos e estratégias para mediação cultural inclusiva e a necessidade da expografia democrática em museus.

• VERGARA, Luiz Guilherme. Curadoria educativa: percepção imaginativa/consciência do olhar. In : CERVETTO, Renata; LÓPEZ, Miguel A. (org.). Agite antes de usar. São Paulo: Sesc, 2018.

Nesse texto, o autor explora as relações entre filosofia, arte e educação, discutindo a recepção e a interpretação da arte pelos observadores.

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