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“Este é um livro verdadeiramente importante, no sentido mais urgente – um livro que serve à causa de Cristo por suscitar a pergunta mais importante que os seres humanos têm de encarar e, igualmente, por ajudar a respondê-la. Sou grato a McKinley por sua fidelidade e seu interesse pastoral que o motivaram a escrever este livro tão importante.” R. Albert Mohler Jr., presidente, The Southern Baptist Theological Seminary   “Simples, perscrutador, agradável, prático, honesto, direto e pastoral. Se você conhece alguém que está questionando sua conversão (ou que deveria estar questionando!), compre este livro!”   Dave Harvey, cuidado e implantação de igreja, Sovereign Grace Ministries   “Mike sempre teve a habilidade de falar sobre os aspectos mundanos e sérios da vida, tanto com amor quanto com profundidade, de maneira afetuosa. Essa é uma grande e rara combinação. Usando essas habilidades em seu livro mais novo, ele se refere às experiências diárias para explicar verdades espirituais mais profundas e mais importantes relacionadas à questão de como sei que sou um cristão”.   Jackson Crum, pastor titular, Park Community Church, Chicago, Illinois


“Existe, de fato, algo mais importante do que saber se já somos realmente cristãos? Pessoas aparecem com muitas maneiras diferentes de pensar sobre essa questão – indo desde sua capacidade de lembrar “a oração do pecador” a possuir em sua Bíblia um cartão assinado em um culto de avivamento, bem como a ter certeza de que sua “carta” está guardada em algum arquivo no escritório de uma igreja. Examinar a nós mesmos para termos certeza de que estamos na fé é muito mais do que isso. E McKinley nos oferece boa ajuda para esse tipo de exame do coração. Este livro é um bom material para devocionais, um bom material para pequenos grupos; e espero que, para alguns, ele seja a primeira vez que entenderão verdadeiramente o evangelho de Jesus Cristo.” Greg Gilbert, pastor titular, Third Avenue Baptist Church, Louisville, Kentucky   “Não pode haver pergunta mais importante do que ‘Eu sou realmente um cristão?’ E Mike McKinley nos ajuda, com grande habilidade, a respondê-la. Ele consegue desafiar os cristãos nominais, enquanto conforta os crentes genuínos. A maneira de escrever de McKinley é agradável, envolvente e simples, sem ser simplista. Aprecio especialmente a maneira como ele nos encoraja a explorar esta pergunta crucial no contexto de uma comunidade cristã. Se você não tem certeza de sua posição diante de Deus ou conhece alguém que não tem esta certeza, este é o livro ideal para você.”   Tim Chester, diretor, The Porterbrook Institute; Autor, You Can Change e A Meal with Jesus


“Alguma pergunta na vida pode ser tão importante quanto saber se você está certo com Deus – se está indo para o céu ou para o inferno? Tenho certeza de que toda pessoa agora na eternidade – sem nenhuma exceção entre os bilhões que estão lá – afirmaria a urgência e a prioridade de procurar a resposta para essa pergunta. Essa é a razão por que, se você tem alguma incerteza a respeito da resposta no que concerne à sua própria situação, você deve ler este livro. Algum dia, um dia tão real como o dia em que você entrou neste mundo, tão real como o dia em que você está lendo estas palavras, você entrará noutro mundo. Ali, você ficará para sempre. Você está pronto? Se não, este livro o ajudará a entender como a Bíblia diz que devemos nos preparar”. Donald D. Whitney, professor associado de espiritualidade bíblica, Deão associado da Escola de Teologia, The Southern Baptist Theological Seminary


Eu sou mesmo um

crist達o?


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) McKinley, Mike Eu sou mesmo um cristão? / Mike McKinley ; tradução Eros Pasquini Jr.. -- São José dos Campos, SP : Editora Fiel, 2012. Título original: Am I really a christian. ISBN 978-85-8132-015-1 1. Teologia doutrinal - Obras de divulgação I. Título. 12-03912

CDD-230.0462

Índices para catálogo sistemático: 1. Teologia doutrinal : Obras de divulgação 230.0462

Eu sou mesmo um cristão? Traduzido do original em inglês Am I Really a Christian? By Mike McKinley Copyright 2011© by Mike McKinley

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Fiel da Missão Evangélica Literária Proibida a reprodução deste livro por quaisquer meios, sem a permissão escrita dos editores, salvo em breves citações, com indicação da fonte.

Publicado por Crossway Books, Um ministério de publicações de Good News Publishers 1300 Crescent Street Wheaton, Illinois 60187, USA.

Presidente: James Richard Denham III Presidente emérito: James Richard Denham Jr. Editor: Tiago J. Santos Filho Tradução: Eros Pasquini Jr. Diagramação: Rubner Durais Capa: Rubner Durais Ilustração: Thiago MILD ISBN: 978-85-8132-015-1

Copyright©2011 Editora FIEL. 1ª Edição em Português: 2012

Caixa Postal, 1601 CEP 12230-971 São José dos Campos-SP PABX.: (12) 3919-9999

www.editorafiel.com.br


Sum á r io Agradecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Prefácio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 1 | Você não é cristão simplesmente porque diz ser cristão . . . . 19 2 | Você não é cristão se não nasceu de novo . . . . . . . . . . . . . . . . 33 3 | Você não é cristão simplesmente por gostar de Jesus . . . . . . 51 4 | Você não é cristão se curte o pecado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 5 | Você não é cristão se não perseverar até o fim . . . . . . . . . . . . 93 6 | Você não é cristão se não ama outras pessoas . . . . . . . . . . . . 115 7 | Você não é cristão se ama suas coisas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 8 | Será que tenho realmente como saber que sou cristão? . . . 155 9 | Um pouco de ajuda de seus amigos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173


ag r a de c i m e n to s Devo a algumas pessoas muitos agradecimentos por sua ajuda neste livro. Primeiramente, este livro foi uma ideia de meu amigo Andrew Sherwood. Acho que foi uma ótima ideia, embora o título “mais ofensivo” proposto por ele tenha sido mudado. Em segundo, Jonathan Leeman é um grande editor. É divertido trabalhar com um bom amigo que “compra” o projeto e ri de suas próprias piadas sem graça. Em terceiro, sou grato aos bons amigos da Crossway por seu apoio a este projeto. Sou bastante grato por trabalhar com tão excelente equipe. Em quarto, as boas pessoas da Guilford Baptist Church têm sido um maravilhoso encorajamento para mim. Não posso imaginar alguma outra igreja que torne o servi-la mais do que uma alegria para o seu pastor. Devo agradecimentos especiais a Brian e Leslie Roe por sua amizade e hospitalidade durante o processo de redação do livro. Por fim, a minha própria família. Meus filhos, Kendall, Knox, Phineas e Ebenezer foram tão amáveis e pacientes enquanto minha atenção foi dedicada a este livro. E minha esposa, Karen, é, sem dúvida alguma, a mulher mais encorajadora, autossacrificante, apoiadora e paciente no planeta. Ser casado com ela é um lembrete diário de que Deus me ama mais do que sou digno.


Prefácio este livro contém intenções mesquinhas?

B

em, cá estamos no prefácio. Parabéns por ter passado pelo Índice e continuado até aqui! A esta altura, como de costume, é preciso me apresentar, e também ao livro. Então vamos lá. Este livro visa convencê-lo de que, talvez, você não seja um cristão. Quero que você se pergunte: “Eu realmente sou cristão?” Isso porque estou convicto de que há muitos que pensam ser cristãos, mas na realidade não o são. Ao ouvir estas palavras, é provável que você seja tentado a se perguntar: “Que tipo de simplório presunçoso escreveria um livro destes?” E para ser bem franco penso que freqüentemente eu seja um mero simplório presunçoso. É só perguntar a meus amigos. Mas se você puder acredita nas minhas intenções, escrevo este livro com mais sincero intuito de ajudar. Nós, os que profes-


EU S OU ME S MO UM CRI S TÃ O ?

samos ser cristãos hoje, enfrentamos um sério dilema. Muitos se encontram confusos acerca de uma questão bem maior que simplesmente vida e morte, ou seja, se todos que se dizem cristãos, realmente o são. Deixe-me esclarecer. Muitas das subculturas e pequenos grupos são notoriamente exigentes quanto a quem realmente a eles “pertence”. Quando mais jovem, minha tribo era de roqueiros punk. E nessa esfera havia debates sem fim sobre quem, pessoa ou banda, era realmente “punk”. Se você não preenchesse os critérios certos, não esboçasse a ideologia pura, era rotulado de farsante, impostor, que quer ser, não sendo. No mundo da ortodoxia rock punk, a pior coisa é ser estigmatizado de artificial. Mas, no fundo, quem está preocupado com os critérios do rock punk, certo? O destino eterno de quem quer que seja não depende se os legítimos punks estão ou não resolvidos. Atente para outro exemplo. Ande um pouco comigo e você constatará o quanto eu torço pelos New York Yankees. Viajo com minha família para assistir aos jogos do time. Assisto a maioria dos seus jogos na televisão. Meus animais domésticos têm nomes dos jogadores. Fico mal humorado quando os Yankees perdem (o que, felizmente, não é tão freqüente). Suponhamos que você se identifique como um fanático pelos Yankees também. Mas, à medida que conversamos, fica claro que há anos você não assiste a um jogo sequer do time. Você desconhece quem são os titulares. Você só se interessa quando chega o final do campeonato mundial, porque o assunto está palpitando. Bom, no meu manual de “tremendo torcedor dos Yankees” você não figura. Eu consideraria você como um torcedor casual, um mero simpatizante. 12


P r e fác i o – E ste l ivro c on té m in te n ç ões mes qui nhas ?

Mas, novamente, que diferença faz? Ninguém vive ou morre por não ser um torcedor de carteirinha dos Yankees. Na verdade, pouco importa. Entretanto, volte-se para o assunto de ser ou não cristão, e de repente deixamos de lado o âmbito do trivial e estamos nadando em mar aberto. Nada menos que o destino eterno de sua alma é o que está em jogo! Jesus ensinou que o mundo está dividido em dois tipos de pessoas, que desfrutarão de dois tipos de destinos radicalmente opostos, nesta vida e na próxima. Os que são seus seguidores receberão vida abundante agora e bênçãos eternas na sua presença (João 10.10; Mateus 25.34). Os que não estão entre seus seguidores, haverão de desperdiçar seus dias neste mundo e, ao fim, experimentarão a justa ira de Deus contra seus pecados, por toda a eternidade. Meu amigo, há muito em jogo no saber se você é ou não um verdadeiro cristão. Imagine por um instante que todos estamos numa corrida. De acordo com as regras, não importa o lugar de chegada, importa somente que cheguemos. Mais ainda! Nosso destino eterno depende de chegarmos ou não ao final dessa corrida. Terminá-la é sinônimo de alegria eterna. Deixar de terminá-la, não importa o porquê, significa sofrimento eterno. Você consideraria essa corrida bastante importante, não é? Continue imaginando que, ao olhar para a pista de corrida, encontramos gente com tênis bem incrementado e roupa própria para uma corrida, mas por algum motivo, estão sentados ao lado da pista. Outros estão agachados, no ponto de partida, na posição de largada, rígidos como estátuas, tensos, devidamente equilibrados, mas simplesmente prontos. Eles jamais se movem. Ficam inertes. Outros estão correndo em círculos. Outros, ainda, correndo na direção errada. 13


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Suponhamos que parássemos para conversar com esses corredores sem direção e com esses não corredores. Logo perceberíamos que todos têm a impressão de estarem correndo bem. Eles estão de olho no final da corrida e estão convictos de que receberão uma boa recompensa. Eles sorriem e falam como que sonhando da nova vida que está além da linha de chegada. O problema é que sabemos que eles jamais concluirão a corrida, devido ao ritmo que estão adotando ou o rumo em que estão correndo. Diga-me qual seria a coisa certa, amorosa, a fazer? O amor nos motivaria a ignorar a confusão em que se encontram? O amor nos motivaria a chacoalhar a cabeça sem ofendê-los, mas a ficarmos sem dizer nada? É claro que não. Amá-los implicaria em alertá-los, convencê-los, até em implorar com eles para que mudassem o ritmo ou a direção. É nesse mesmo espírito que lhes ofereço este livro. Espero que ele seja útil para lhe ajudar a determinar se você está “correndo sua corrida” na direção certa. Com isso em mente, quero lhes dar quatro pontos de esclarecimento. Primeiro não me enxergo nem um pouquinho melhor do que você. Estou na mesma situação que você. Preciso reexaminar minha vida da mesma forma que estou pedindo para você reexaminar a sua. Segundo, este livro visa o público composto por pessoas que dizem ser cristãs, ou desejam ser cristãs. Se você sabe que não é cristão (digamos, você é um muçulmano ou um agnóstico ou qualquer outra coisa), fique bem à vontade para continuar lendo, mas talvez haja outros livros que sejam mais diretos para responder suas dúvidas e perguntas. Terceiro não me julgo perito nestas questões que me proponho a abordar. Você não deve nelas acreditar só porque eu disse. 14


P r e fác i o – E ste l ivro c on té m in te n ç ões mes qui nhas ?

Afinal, eu mal consigo equilibrar meu ganho com meus gastos. Na realidade, quero partilhar com você o que os peritos têm dito. Quero olhar para a Bíblia e ver o que Jesus e os autores das Escrituras disseram a esse respeito. Eu pressuponho que, por se considerar cristão, você está disposto a fazer, crer, e corresponder a tudo que a Palavra de Deus diz. Em quarto lugar, reconheço que muitos que são genuinamente cristãos têm lutas com o aspecto de segurança da salvação. Como pastor, é comum conhecer irmãos e irmãs com consciência bastante sensível, que sentem de perto cada fracasso, cada luta. Se você se encaixa nessa categoria, talvez você queira se utilizar de ajuda de alguns amigos, à medida que lê este livro. Peça que não apenas lhe desafiem, mas que também lhe encorajem com a graça de Deus em sua vida. Ou, se isso não puder ocorrer, pule direto para o capítulo 8, conforme descrito abaixo. Veja em que direção prosseguiremos: no primeiro capítulo, quero olhar para o que Jesus e o apóstolo Paulo disseram sobre a gravidade desta questão. Veremos que simplesmente dizer-se cristão não torna ninguém cristão. No capítulo dois, veremos o que a Bíblia diz ser um cristão “genuíno”. Nos capítulos 3 a 7, focalizaremos atenção em textos bíblicos que nos oferecem critérios bíblicos específicos para determinarmos se somos ou não cristãos genuínos. No capítulo 8, consideraremos a questão da convicção. Após passarmos boa parte do tempo no critério para se determinar se somos ou não cristãos, que, afinal, é o propósito primeiro deste livro, parece-nos importante também investirmos um tempo considerando como saber se você realmente é cristão. 15


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No capítulo 9, concluiremos enfocando o papel da igreja local no ajudar você a determinar se é cristão ou não. Aliás, enquanto você lê este livro, espero que o faça junto com outros irmãos de sua igreja. Deus nos deu as igrejas locais para que irmãos e irmãs em Cristo que nos conhecem bem possam nos ajudar a responder a essa importante pergunta. Tornar-se cristão implica em admitir que você é pecador, e admitir que sendo pecador, você está propenso ao auto-engano. Felizmente, Deus nos deu outros cristãos para nos ajudar a enxergar aquilo que nós mesmos não enxergamos. Por isso, pode-se dizer que este não é um livro para cristãos, individualmente. É um livro para cristãos, no contexto da igreja. O cristão que pensa ser capaz de fazer este auto-exame que vamos aqui propor sem a ajuda de outros membros de sua igreja local, terá começado mal, digamos. Talvez jamais encontre as respostas que está procurando. Bom, parece que isso nos basta a título de apresentação. Fico feliz de você continuar comigo. Vejamos agora o que Jesus tem a dizer nesse assunto tão importante.

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1 Você não é cristão simplesmente porque diz ser cristão!

M

inha caixa de entrada de e-mails está abarrotada de oportunidades de “me tornar alguma coisa”. Apenas neste mês recebi mensagens de amigos e spambots1, todas me oferecendo oportunidades de me tornar: • Amigo de alguém no Facebook, • Ser membro da Netflix, • Ser membro do Partido Democrata, • Fazer parte de uma liga de futebol americano virtual, • Ser um ESPN.com “insider”, • Fazer parte do conselho curador de uma empresa, • Ser o recipiente de um cartão eletrônico do Banco Central da Nigéria (programado para sacar 10 milhões de dólares!). Em grande probabilidade, não farei uso desses convites. Já 1

Nota do tradutor: Programas de computador automatizados que enviam spams


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sou um ESPN.com “insider”, não tenho tempo para jogar futebol americano virtual, ou ser um curador (embora, pensando bem, eu talvez até corra atrás dessa oportunidade dos $10 milhões...). Mas pense no que aconteceria se eu me valesse dessas ofertas: meu relacionamento com tais grupos seria redefinido, e eu passaria a ser membro ativo. Por enquanto, tudo claro. Tais membresias são questão de auto-seleção: ou você escolhe entrar, ou escolhe sair. No momento, Netflix e eu temos boa noção de nosso relacionamento (ou não relacionamento) porque jamais optei por entrar. Mas aqui é que entra a “pegadinha”: ser cristão não é bem assim.

Deus Conhece os Seus Com certeza, há tremenda clareza na equação, do lado de Deus. Ele não está nem um pouco confuso com relação a quem pertence ou não a ele. Na Bíblia, lemos que ele tem um registro bem definido dos que receberão vida eterna através de Cristo. Quando os setenta e dois discípulos voltaram a Jesus, irrefletidamente atordoados com o recente sucesso ministerial, Jesus disse a eles: “Alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lucas 10.20). Em outro texto, Jesus diz a seus discípulos: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim”(João 10.14). Deus sabe quem verdadeiramente é cristão e quem não é. Foi por isso que o apóstolo Paulo pôde falar de “Clemente e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida” (Filipenses 4.3). Da mesma forma, o apóstolo João, em sua visão do juízo final diante do grande trono branco, refere-se ao “Livro da Vida” que contém o nome de todos que são verdadeiramente povo de Deus. Todos cujos nomes não estiverem 20


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ali relacionados serão atirados no lago de fogo, enquanto todos cujos nomes aparecem no livro obterão acesso à Nova Jerusalém (Apocalipse 20.15; 21.27). Então Deus sabe claramente quem pertence a ele e quem não pertence. Clareza de quem é quem, não é um problema que Deus tenha.

Sua Camiseta Espiritual, De TRÁS PARA FRENTE Por outro lado, o mesmo não pode ser dito a nosso respeito. Nós não nos enxergamos com muita clareza. Aliás, nossa auto-consciência chega a ser ridiculamente limitada. Já se flagrou andando com papel higiênico preso a seu sapato? E com a camiseta de trás para frente? Ou com um pouco de ketchup no queixo? Eu já me peguei nessas situações vez por outra. Quando alguém finalmente teve a misericórdia de me conscientizar do problema (“Ô, seu tonto, sua camiseta está ao contrário!”), senti uma vergonha, de leve a moderada, digamos. Eu estava indo no meu caminho, pressupondo certas coisas a meu respeito (agradável, tremendamente bem apanhado, capaz de me vestir convenientemente), mas numa fração de segundo me convenci que a realidade não era bem aquela (nem um pouco legal). Todos ao meu redor conseguiam contemplar claramente a meu respeito, enquanto eu me mantinha abstraído da realidade. Lembro-me de certa ocasião que Deus usou para me ensinar acerca da, por vezes, enorme diferença entre a auto-percepção e a realidade. Eu acabara de me tornar co-pastor. Havia tido a oportunidade de ministrar um estudo bíblico a umas duzentas pessoas de nossa igreja. Havia gostado de coordenar o estudo e responder perguntas. No que podia avaliar, o estudo bíblico correra muito bem. 21


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Na manhã seguinte, sentado no escritório de um amigo chamado Matt, pedi que ele me desse um feedback do estudo da noite anterior. Ele me disse que, em sua ótica, tudo havia corrido bem, e aí mencionou como se surpreendera pela forma que eu liderara aquele grupo. “Mike”, ele me disse, “não dava para acreditar quão querido e cordial você foi e quão focado estava. Parecia que você estava realmente realizado por estar ali, e tão conectado com todo aquele povo. Eu me surpreendi”. Matt tencionou que suas palavras fossem um elogio, mas eu não as recebi dessa forma. Eu rechacei: o que ele quis dizer que estava surpreso? Sou sempre pessoa querida, cordial e focada! Sempre externo estar contente de estar em meu contexto de ministério! Afinal, sempre soube que não haveria venceria na vida por causa de uma inteligência ímpar; pessoas com wattagem limitada precisam ser queridas e cordiais. Mas não foi assim que Matt me enxergou. Ele explicou que, embora pessoalmente goste de mim, sempre me enxergou como alguém um tanto distante e desinteressado. Para piorar as coisas, ele começou a me dar exemplos de situações em que me viu assim. Como você deve imaginar, eu fiquei muito inquieto com as palavras de Matt. Depois de sair do escritório dele, fiquei remoendo as palavras dele. Até que cheguei à conclusão que ele havia pirado. Ou, se não estivesse pirado, foi, pelo menos crítico além da medida. Embora Matt fosse um amigo de minha confiança, com mais de dez anos de amizade, me deixei convencer que minha percepção a meu próprio respeito estava correta, e a dele errada. Naquela tarde, eu já tivera um almoço com Steve, outro membro da igreja. Eu não o conhecia bem à época, mas por seu 22


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envolvimento na igreja, ele tivera amplas oportunidades de me observar à frente dos trabalhos. Enquanto comíamos, partilhei com Steve os detalhes de minha conversa anterior com Matt. Ao terminar, perguntei a ele se ele concordava. Eu não era uma pessoa distante e desinteressada, não é mesmo? Para minha surpresa, Steve sinalizou com a cabeça enfaticamente. Com a boca cheia ele disse: “É isso aí! Você descrito com absoluta precisão. Esse é você. Distante... gostei dessa descrição. A palavra se encaixa bem”. Aí ele passou a partilhar detalhadamente porque me enxergava daquela forma. Ao final do almoço, eu me deixara convencer que tanto ele quanto Matt estavam certos a meu respeito. Senti-me arrasado. Minha percepção de mim mesmo estava ridiculamente imprecisa. Sentia-me como o próprio Sr. Amigável, mas todos me viam como o Sr. Distante e Ameaçador. Como eu pude ser completamente cego quanto à verdade a meu respeito? Você já se sentiu assim?

A Única Opinião Que Importa Em Mateus 25, Jesus nos fala sobre um grupo de pessoas que se conscientizou da verdade a respeito deles tarde demais. Ele constrói a cena de um relato angustiante em relação a como será o juízo final: Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas (Mateus 25.31-32). 23


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As ovelhas, nesse texto, representam o povo de Deus, os verdadeiros seguidores de Cristo. Eles serão louvados pelo seu mestre e introduzidos “no reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25.34). A sorte deles é a que nós almejamos! Os bodes, por outro lado, não têm tal sorte. Ouça o que Jesus diz para eles: Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna. Há muito que poderia ser dito sobre esse texto, ao qual voltarei no capítulo 6. Mas há duas coisas importantes para enxergarmos a esta altura. Primeira, todos os reunidos diante do trono se consideram cristãos, ou, pelo menos, estavam esperançosos da aprovação de Cristo. Quando Jesus confrontou os bodes com sua destruição eterna, ninguém levantou as mãos em louvor e disse: “Estás cor24


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reto, Jesus! Eu estava errado. Eu sempre disse que, na verdade, tu nunca exististes. Nunca cri na tua Pessoa. A verdade é que eu não deveria ter optado por rejeitá-lo”! Nenhum deles estava conscientemente se opondo a Jesus. Aliás, ao ouvirem o veredicto de Jesus, agiram como se tivesse havido algum erro. Eles todos haviam comparecido ao grande evento na esperança de receberem de Jesus alguma recompensa. Mas estavam terrivelmente errados. Foram vítimas do auto-engano. Não conseguiram enxergar seu próprio estado com clareza, e a cegueira deles custou-lhes absolutamente tudo. Segundo, repare que o próprio Jesus é o Juiz. É ele que introduz as pessoas à vida eterna ou ao castigo eterno. As nações que diante dele se encontram não são as que tomam as decisões. Não há nada que possam fazer ou dizer que faça com que ele mude de idéia. A única coisa que importa naquele último dia é se Jesus declara você como um dos seus. Quando estivermos diante de Jesus, nosso Juiz, qualquer evidência que dispusermos em benefício próprio não faránenhuma diferença fará. Você talvez destaque o fato de um dia ter feito a “oração do pecador arrependido”, ou de ter ido à frente num apelo, ou de ter sido batizado, ou quando você for rebatizado, porque a primeira vez não foi para valer, ou os acampamentos de jovens em que esteve, as viagens missionárias de que participou. Se naquele momento Jesus não disser de você “ele/ela é uma de minhas ovelhas”, nada do que você tiver feito fará diferença. Não haverá como apelar do veredicto do Juiz. O próprio Jesus disse no Sermão do Monte: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu 25


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Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade (Mateus 7.21-23).

Você percebe o que Jesus está dizendo? É possível você sinceramente pensar que é um seguidor de Cristo, mas, na verdade, não ser. É possível dizer a ele “Senhor, Senhor!”, e jamais entrar no reino dos céus. O simples marcar uma opção numa ficha de papel e chamar-se de cristão não o torna um cristão. Um site da web de alta visibilidade foi criado recentemente, onde as pessoas podem assinar seu nome para publicamente “declararem sua fé no Senhor Jesus Cristo”. Suponho que seja bom para você, se é disso que você gosta. Mas Deus não consultará esse site no dia do juízo. No fundo, o que conta, é a avaliação dele a seu respeito, não sua própria avaliação. Conforme Jesus disse, apenas aqueles que fazem a vontade do Pai no céu é que realmente são cristãos. Todos os demais ouvirão Jesus dizer: “Apartai-vos de mim”.

Uma Surpresa Desagradável Reconheço que o que estou dizendo é diferente do que se ouvem na maioria das igrejas hoje. No desejo bem intencionado que têm de tornar as boas novas de Jesus disponíveis a todos, muitas igrejas tornam a decisão de seguir a Jesus um tanto quanto fácil demais. A coisa toda gira em torno de uma decisão. Apenas diga que 26


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você quer ser cristão, e você se tornará um. Faça a oração com estas palavras. Assine este cartão. Siga estes passos. Pronto! Você já é um cristão! Fim de papo. Caso encerrado. Bem-vindo ao céu! É verdade que basta-nos uma única decisão de seguir a Cristo. Mas uma única decisão verdadeira é seguida de decisões diárias de seguir a Jesus. Jesus não achou ser suficiente você se identificar superficialmente com ele. Há mais no ser um seguidor de Cristo que simplesmente uma profissão de fé. Receio que muitas igrejas vêm encorajando pessoas a esperar que um dia Jesus diga a elas: “Bem está, servo fiel”, quando na verdade, elas o ouvirão dizendo: “Apartai-vos de mim”. Tais pessoas descobrirão a verdade quando for tarde demais. Seria possível você ser uma dessas pessoas? Seria possível você, na realidade, não ser verdadeiramente cristão? Como saber ao certo?

Jesus Não É Willy Wonka Você se recorda daquele clássico do cinema de 1971, Willy Wonka: A Fantástica Fábrica de Chocolate? (Eu me refiro a versão antiga, esquisita, estrelada por Gene Wilder, não a nova, igualmente esquisita, estrelada por Johnny Depp). Depois dos heróis Charlei e o Vovô Joe sobreviverem a um penoso tour da Fábrica de Chocolates Wonka, eles se dirigem ao local onde receberão o grande prêmio a eles prometido: um suprimento vitalício de chocolates Wonka. Mas há uma surpresa ao final. Willy Wonka, o dono da fábrica, não dá o prêmio a Charlie com base em uma questão puramente técnica. A cena se desenrola assim: Vovô Joe: Sr. Wonka? 27


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Willy Wonka: Estou assoberbado de trabalho, meu senhor. Vovô Joe: Só queria perguntar acerca do chocolate. É... o suprimento vitalício de chocolate... para o Charlie. Quando é que ele o recebe? Willy Wonka: Ele não recebe. Vovô Joe: Por que não? Willy Wonka: Porque ele violou as normas. Vovô Joe: Que normas? Não vimos norma alguma. Vimos, Charlie? Willy Wonka: Errado, meu senhor! Na cláusula 37B do contrato assinado por ele, está muito claro que tudo se tornará nulo e sem efeito se – e o senhor pode ler com seus próprios olhos nesta cópia fotostática: “Eu, o abaixo assinado, perderei todos os direitos, privilégios e licenças aqui e abaixo estipulados”, etc., etc.... “Fax mentis incendium gloria culpam”, etc., etc., “Memo bis punitor della cattum!” Está tudo aqui, o preto no branco, muito claro! Vocês roubaram as bebidas gasosas elevantes. Vocês colidiram com o teto que agora precisa ser lavado e esterilizado, então vocês não ganham nada! Passem um bom dia! Vovô Joe: O senhor é um bandido. É uma farsa, um trapaceiro! É isso que o senhor é! Como o senhor poderia fazer isso... elevar as expectativas de um menino e a aí estilhaçar todos os seus sonhos? O senhor não passa de um monstro desumano. 28


Você não é cristão simplesmente porque diz ser cristão

Willy Wonka: Eu disse, “passem um bom dia!”2 Aqui temos um equívoco contra o qual precisamos nos cuidar: Jesus não é Willy Wonka. Nosso Deus não é um Deus que se deleita em manter as pessoas no escuro, sem informação, apenas para poder puxar o tapete no último instante e negar-lhes as recompensas prometidas. Ele não é um sovina, ansioso para reter as bênçãos com base em pormenores técnicos. Em vez disso, Deus se deleita em salvar o seu povo. Jesus disse que ele “veio para buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10). Por isso ele veio ao mundo, para salvar-nos de nossos pecados. Se não quisesse nos salvar, não teria se dado ao trabalho de vir. Jesus não é um impostor. Não é um trapaceiro. Não é um monstro desumano. Nada poderia estar mais longe da verdade que essas concepções. Além do mais, Jesus nos forneceu graciosamente diretrizes extremamente claras acerca de quem pertence a ele. Nos versículos que antecedem a passagem que lemos há pouco, na qual ele dirá a alguns que se afastem, ele explica que “pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7.20). Nos versículos seguintes desta mesma passagem, Jesus se utiliza de uma ilustração de um homem que ouve as suas palavras e “as pratica” se assemelhando a um homem sábio que edifica sua casa sobre a rocha sólida. Enquanto isso, o homem que ouve as palavras de Jesus “e não as pratica” é como o insensato que edificou sobre a areia (Mateus 7.24-27). Não há quaisquer cláusulas obscuras nesse relacionamento. Jesus, falando em linguagem bastante simples, está procurando por “aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7.21). 2 Roald Dahl, Willy Wonka & The Chocolate Factory, dirigido por Mel Stuart (Burbank, CA: Warner Home Video, 1971), DVD.

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Examine-se! O simples fato de Jesus nos alertar contra o perigo que corremos é, em si, prova de seu amor e misericórdia. Ele nos deu essas palavras de alerta para que prestemos atenção a elas. As palavras de Jesus deveriam soar em nossa alma como um alarme de incêndio. A advertência de Jesus visa nos ajudar a chegar naquele último dia sem estarmos sendo auto-enganados. Pelo mesmo motivo, o apóstolo Paulo instrui a igreja em Corinto: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé. Provai-vos a vós mesmos” (2 Coríntios 13.5). Da mesma forma, o apóstolo Pedro instrui: “Procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1.10-11). Paulo e Pedro amavam aqueles que haveriam de ler suas cartas, por isso advertiram-nos a examinarem sua vida antes que fosse tarde demais. É isso que espero fazer neste livro inteiro. Quero examinar textos das Escrituras onde Jesus nos diz com base em exatamente o quê podemos nos auto-examinar para avaliarmos se realmente estamos na fé. De forma ideal, isso deveria ser feito no contexto de nossa igreja local. Justamente por não sermos os melhores juízes de nossa própria vida e conduta, é de tremenda importância que tenhamos à nossa volta cristãos sábios e honestos que possam nos ajudar a enxergar coisas em nossa vida que sozinhos não enxergamos. Portanto, encontre alguém na sua igreja (ou, quem sabe, encontre uma igreja!) e peça a essa pessoa que caminhe com você nessa jornada. Mas primeiro, temos uma caminhada a fazer. 30


Você não é cristão simplesmente porque diz ser cristão

C o m o C o r r e sp o n d e r

Reflita: A palavra de alerta de Jesus em Mateus 7.21-23 lhe deixa desconfortável? Por quê? Por que você acha que não basta apenas dizer que você é cristão? Você já examinou a sua vida alguma vez para averiguar se você é realmente cristão? Se não o fez, por quê? Se já o fez, qual foi o critério utilizado? Qual foi sua conclusão?

Arrependa-se: Peça a Deus que lhe perdoe por quaisquer maneiras em que você tem estado erroneamente confiante quanto a seu estado espiritual. Pense em uma forma de você crescer em humildade e aprender a não confiar sempre eu sua própria percepção das coisas.

Lembre-se: Pense acerca de 2 Coríntios 5.21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Você jamais será justo o suficiente para agradar a Deus. Mas, graças ao próprio Deus, a perfeita justiça de Cristo se torna nossa quando nos achegamos a ele em fé. Louvado seja Deus por essas boas novas!

Preste contas: Fale com um líder ou amigo na igreja e peça a essa pessoa que lhe forneça uma avaliação honesta e regular acerca de como lhe vê em sua vida espiritual. 31


2 Você não é cristão se não nasceu de novo

S

E VOU TENTAR CONVENCÊ-LO da possibilidade de você não ser um cristão, parece que precisamos definir o que a palavra “cristão” quer dizer. Literalmente, a palavra “cristão” significa “seguidor de Cristo”. De acordo com Atos 11, esse rótulo foi primeiramente usado na cidade de Antioquia, no primeiro século, para descrever homens e mulheres que haviam se vinculado a um grupo de seguidores de Jesus. Provavelmente, foi um termo cunhado na forma de menosprezo, mas os membros da igreja em seus primórdios acabaram adotando o termo e utilizando-o para se auto-descrever. O apóstolo Pedro usou o termo “cristão” em sua primeira epístola para sinalizar que seus leitores eram, verdadeiramente, seguidores do Senhor. Nesse texto, ele escreve: “Mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome” (1 Pedro 4.16).


EU S OU ME S MO UM CRI S TÃ O ?

Desembrulhando o assunto um pouco mais detalhadamente, cristão é alguém que ouviu o evangelho, as boas novas acerca de Jesus, e correspondeu confiando em Jesus para a salvação, declarando-o Senhor. Em suma, o cristão crê que: 1. Somos pecadores, merecendo completamente a condenação de um Deus Santo que odeia o pecado e toda a perversidade. 2. Deus, em Sua misericórdia, assumiu forma humana na pessoa de Jesus e viveu a vida de perfeita de obediência a Deus que nós deveríamos viver. 3. Ele ofereceu sua vida na cruz para pagar a penalidade pelos nossos pecados, e ressuscitou dentre os mortos em vitória e glória, como Rei prometido de Deus. 4. Qualquer um que se volta para Jesus em arrependimento e fé é completamente perdoado e adotado na família de Deus. Tristemente, entretanto, parece que o termo “cristão” acabou esvaziado de seu significado mesmo antes da tinta que Pedro usou para escrever sua carta secasse. Através das cartas do Novo Testamento, os apóstolos investiram um montante surpreendente de tempo advertindo contra os falsos mestres e membros extraviados de igreja, muitos dos quais, sem dúvida, continuavam a se intitular de cristãos. Hoje em dia usamos o termo como um adjetivo para descrever toda sorte de coisas que muito pouco tem a ver com o seguir a Cristo. Um atacadista na Internet anuncia “acessórios cristãos para carros”, 34


Vo c ê não é cristão se não nasceu de novo

“sacolas cristãs personalizadas” e “tapetes cristãos”. O uso que Pedro faz do termo “cristão” e tapetes de borracha para automóveis não está exatamente claro para mim. Mas, negócio é negócio! Também somos promíscuos no uso que fazemos do termo como substantivo. Utilizamos o termo como uma categoria padrão para quem não é Judeu nem Muçulmano. Ou então, usamos o termo para incluir gente famosa que foi criada na cultura igrejeira, tais como astros e estrelas pudicos e extremamente castos, só porque começaram cantando em igrejas. (Alguns exemplos são Britney Spears, Jessica Simpson, Clay Aiken). Aí, quando o shorts que usam se torna muito pequeno ou a vida intoleravelmente escandalosa, começamos a ter lá nossas dúvidas. Quem sabe nunca foram cristãos. Quem sabe eram somente do sul dos Estados Unidos1. Por vezes, é difícil saber a diferença. Então, o que significa ser cristão?

Uma Definição Operacional Poderíamos fatiar esta maçã de várias maneiras. Mas para os propósitos a que nos propomos, gostaria de sugerir uma definição operacional: cristão é alguém que recebeu o novo nascimento como um presente de graça de Deus. Certamente poderíamos dizer mais. Elaborar nossa definição utilizando categorias teológicas como a adoção (“cristão é quem recebeu uma condição adequada diante de Deus”). Mas eu gostaria de abordar o assunto através da lente da regeneração, por isso é que falarei em ser “nascido de novo”, ou receber “o novo nascimento”, duas frases que usarei intercambiavelmente. Neste capítulo, eu gostaria de desembalar essa definição e esclarecer algumas coisas sobre o ser cristão, fazendo uso de cinco perguntas. 1 Nota do Tradudor: onde vive a maioria dos “cristãos”

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EU S OU ME S MO UM CRI S TÃ O ?

O Que É O Novo Nascimento? Jesus fala do novo nascimento no terceiro capítulo do Evangelho de João. É o melhor lugar para começarmos: Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito (João 3.1-8)

Certamente, essa não era a conversa que Nicodemos esperava ter com Jesus. Ele sabia que algo era diferente em Jesus, e que Jesus parecia deter a chave para o reino prometido de Deus. Mas não era isso que ele esperava! Afinal, Nicodemos era mestre em Israel. Talvez não fosse tão conhecido como Jesus, mas tinha assento entre a elite religiosa. Ele veio a Jesus 36


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à busca da peça que estava faltando, o que era necessário para dar a volta por cima. Mas fato é que a prescrição de Jesus mais parece uma recomendação de se reformar a cozinha com dinamite. Não é um conselho tipo “5 dicas para se aprimorar”, do Dr. Você Pode Melhorar. Nada disso! Jesus disse a Nicodemos que precisava começar tudo de novo – nascer de novo! Mesmo que se considerasse um modelo de devoção e austeridade religiosas, Nicodemos precisava de uma vida totalmente nova, um novo nascimento. Dá para imaginar a confusão na mente de Nicodemos. Ele provavelmente estava um tanto apreensivo quanto a vir conversar com Jesus. Afinal, Jesus havia transformado a água em vinho, derrubado as mesas dos cambistas no pátio do Templo e dito frases do tipo “Destruí este santuário, e em três dias o reedificarei” (João 2.19). Jesus não tinha receio de dizer coisas que não faziam sentido para a maioria dos que o cercavam. Mas agora Ele diz para Nicodemos que, para entrar no reino de Deus, ele precisa que lhe dêem à luz novamente. Aquele pobre homem certamente não entendeu. Com bastante cuidado, ele pressionou Jesus à busca de detalhes: “Como é que é, Jesus? Sabes que isso é impossível, certo? Gente idosa não nasce segunda vez. A coisa... acontece uma única vez na vida”. Jesus, então, esclarece o que quis dizer. Não estava falando de uma renovação física, mas sim de “nascer do Espírito”. Nicodemos carecia de uma vida espiritual totalmente nova. Ele precisava o que os teólogos chamam de “regeneração”, um renascer por meio do qual a velha pessoal espiritual cede em favor da nova pessoa espiritual. Se Nicodemos precisava nascer de novo, mesmo nos dias em que Jesus estava ali por perto, então você e eu certamente precisa37


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mos nascer de novo para ver o reino que Jesus trouxe. Lembre-se de nossa definição operacional de cristão: cristão é alguém que recebeu o novo nascimento como um presente de graça de Deus. É isso que distingue o cristão do resto do mundo; o cristão é aquele que recebeu de Deus nova vida espiritual.

Por que é Necessário o Novo Nascimento? Embora Jesus tenha sido absolutamente claro com Nicodemos quando à necessidade de regeneração, ele não disse a Nicodemos por que ele precisava dessa nova vida, o que pode parecer estranho. A simples sugestão que um respeitado líder religioso precisava de tamanha revisão espiritual certamente seria algo vergonhoso. Por que seria necessário um novo nascimento? Jesus, aliás, deu uma dica a Nicodemos. Quando Nicodemos perguntou como tal coisa poderia acontecer, Jesus respondeu: “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?” (João 3.10). Jesus avaliou que Nicodemos tinha informação suficiente proveniente do Antigo Testamento para ser capaz de compreender o que ele estava dizendo. O Antigo Testamento, que Nicodemos provavelmente conhecia de trás para a frente, estava repleto de indicações que uma transformação tão radical seria tanto necessária quanto algo prometido por Deus. Há duas coisas que Nicodemos deveria ter percebido. Primeira delas, que o Antigo Testamento fala de todo ser humano vivendo em estado espiritual desesperador. Alguns exemplos são: • pois não têm eles sinceridade nos seus lábios; o seu íntimo é todo crimes; a sua garganta é sepulcro aberto, e com a língua lisonjeiam (Salmo 5.9). 38


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• o céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer (Salmo 14.2-3) • Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne (Ezequiel 36.26). Coração de pedra não funciona bem. Alguém que possua coração de pedra está morto, nada sente, está alheio. Juntando as peças do quebra-cabeça, o quadro é tenebroso, desesperador, na verdade. O ser humano não se encontra espiritualmente ferido; estamos espiritualmente mortos. A questão não é apenas que não estamos dispostos a agradar a Deus; somos incapazes de agradá-lo. Nicodemos, é claro, não poderia ter lido o que Paulo escreveu, devido à época. Mas para que esta faceta fique clara para nós, vale a pena percebermos de onde Paulo pegou este tema no Antigo Testamento, que diz respeito à nossa condição espiritual desesperadora: • Ele escreve: Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus (Romanos 8.7-8). • Em outro lugar, ele discorre: Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos 39


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outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais (Efésios 2.1-3). A auto-melhoria não é a solução para esses tipos de problemas. Uma revisão radical, sim. Aprendi algo a respeito da diferença entre essas duas coisas quando comprei a casa em que agora resido. Minha esposa e eu compramos nossa casa no auge do boom imobiliário no norte da Virgínia. A vizinhança era estratégica em termos ministeriais, e havia bastante espaço para parentes e amigos. Estava até ao nosso alcance adquiri-la - isto é, quase – o que era completamente incomum para a época. Na verdade, a casa era perfeita...exceto pelo fato de parecer que havia pertencido ao enredo de um filme de terror dos mais bravos! Nos dois anos seguintes, me empenhei em limpar a casa. Animais mortos foram removidos do quintal. Algumas paredes foram derrubadas. Outras foram limpas com fosfato trissódico para remover as décadas de acúmulo de nicotina. Portas que ligavam nada a coisa alguma foram trancadas definitivamente e assoalhos foram refeitos. Mas o tempo todo eu sabia que, mais dia, menos dia, teria que encarar o desafio do closet da suíte principal. As calhas acima desse pequeno cômodo estavam entupidas havia décadas, e, com o passar do tempo, os sidings, o isolamento e a dry wall, tudo havia ficado podre. Certa manhã, nosso cachorro Jeter, entediado de brincar no quintal, fez um buraco na parede. Minha esposa entrou no closet para se vestir e deu de cara com o cachorro bisbilhotando, do lado de fora da casa. A essa altura, é lógico, eu tive que suspender tudo e atacar esse problema. Um amigo veio me ajudar e durante vários finais de 40


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semana no verão nós reconstruímos o closet. Toda decoração teve que ser removida. Estava tudo comprometido. Cada chapa da dry wall precisou ser removida. Tudo estava mofado, se desintegrando. Cada camada de isolamento precisou ser jogada no lixo, assim como os sidings e as guarnições de acabamento. Ao terminarmos, o closet havia sido completamente refeito. Nada do closet original havia permanecido, porque nada do antigo closet teria sido útil numa casa aconchegante e não infecciosa. Esse closet se constitui numa pálida ilustração de nossa condição espiritual. Não fomos avariados pelo pecado; fomos completamente destruídos por ele. Não somos como uma tábua solta que dois pregos resolvem. Somos como um closet que está tão podre que cada parte dele precisa, necessariamente, ser substituída. Nicodemos deveria ter lido a história de Israel no Antigo Testamento, portanto, deveria saber disso. Segundo, Nicodemos deveria saber, a partir do Antigo Testamento, que Deus prometera solucionar esse terrível problema. Deus não se limita em mostrar nossa desprezível condição, nos deixando ali sem solução. Ele promete intervir e nos salvar. Ele disse através de Ezequiel: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ezequiel 36.26-27). O próprio Deus revificaria seu povo por meio da dádiva de seu Espírito. Portanto, quando Jesus entrou em cena e disse a Nicodemos que ele precisava de uma vida completamente nova trazida à existência pelo Espírito de Deus, a reação dele deveria ter sido: “É por isso que eu há muito esperava! É disso que precisamos!” 41


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Como É Que Obtemos o Novo Nascimento? Mas não foi isso que Nicodemos pensou. Ele estava esperando por algum tipo de regulagem espiritual, uma simples polida. Mas Jesus havia descrito nada mais, nada menos, que uma cirurgia cardíaca invasiva, o que deixou Nicodemos completamente confuso. Repare que Jesus precisou dizer a ele: “Não te admires”, como se Jesus tivesse que dar um jeito no queixo caído de Nicodemos, para que ele voltasse a fechar a boca. Nós podemos simpatizar facilmente com a perplexidade dele. Nicodemos não conseguiria “nascer de novo” por sua própria iniciativa. E Jesus deixou claro para ele que isso era tarefa do Espírito de Deus, e que o Espírito de Deus agiria totalmente de acordo com seu próprio prazer, assim como o vento sopra onde quer. Então, o que Nicodemos deveria fazer? Como haveria de obter o novo nascimento espiritual de que tanto carecia? A má notícia, que Nicodemos enxergou com clareza, é que ninguém pode se auto-presentear com esse novo nascimento. Isso é absolutamente impossível. Mas a boa nova, que Jesus passou bastante tempo explicando durante seu ministério, é que ele havia vindo para tornar algo extremamente impossível em algo possível. Através de sua vida, morte e ressurreição, Jesus assegurou vida eterna a seu povo. Deus, em sua misericórdia, aplica a obra de Jesus a nossa vida, dando-nos vida através de seu Espírito. Em 1 Pedro 1.3-4, o apóstolo reflete acerca do que Deus fez por nós: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança 42


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incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.

Regeneração é um ato unilateral de Deus. Deus é quem realiza a obra misericordiosa. Deus nos torna vivos. Nós simplesmente recebemos seu presente.

Qual é o Resultado de Se Nascer de Novo? Quando Deus realiza sua maravilhosa obra de regeneração em uma pessoa espiritualmente morta, isso sempre gera resultados. Em Atos 16.14, lemos da obra de Deus na vida de uma mulher chamada Lídia. Lucas relata: “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia”. O Senhor agiu no coração de Lídia, e Lídia prestou especial atenção à pregação que Paulo fez do Evangelho e o recebeu em fé. É assim que o novo nascimento funciona. A Bíblia chama esse resultado de “conversão”. O dom de Deus do novo nascimento sempre produz efeito em nossa vida. Ele nos transforma; converte-nos de uma forma de viver para outra. O Espírito de Deus não nos vivifica e aí nos abandona; ele nos presenteia com fé, com amor por novas coisas, e com novos desejos. A nova vida que recebemos através do Espírito de Deus efetua em nós uma transformação. Ela faz com que voltemos às costas ao nosso amor pelo pecado, e nos voltemos a Cristo em total confiança e fé. De forma que ele age, aí nós agimos. Isso aqui é radical! Não é como mudar de marca de desodorante; é uma alteração total de nosso estado espiritual. É uma mudança de alianças cósmicas. Paulo explica isso da seguinte forma: “E, assim, se 43


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alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo” (2 Coríntios 5.17-18). Se você está em Cristo, você nasceu de novo; você é uma criatura totalmente nova. Mais uma vez, entretanto, precisamos cuidar contra mal entendidos. Conquanto a mudança interior em nossa natureza possa ser radical e imediata, a mudança em algumas de nossas atitudes e comportamento exteriores poderá se manifestar mais lentamente. A regeneração não remove imediatamente o pecado que habita em nós. A Bíblia é realista. O apóstolo Paulo, cuja conversão foi tão repentina e marcante, admitiu claramente sua luta com o pecado através de toda sua vida (p. ex. Romanos 7.15). Mas onde quer que o Espírito de Deus tenha outorgado nova vida, sempre haverá transformação, mesmo que a mudança seja, por vezes, lenta. Esse é o ponto principal que você precisa entender. A transição do reino das trevas para a maravilhosa luz de Deus (1 Pedro 2.9) fará diferença na vida da pessoa. Por exemplo: Paulo relaciona fruto visível que o Espírito de Deus gerará nas emoções, conduta e atitudes do crente: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” (Gálatas 5.22-24). Tal fruto é o resultado do operar gracioso do Espírito em nossa alma.

Como Saber se Sou Nascido de Novo? Eis, então, a importante pergunta a ser feita – como você pode saber se é nascido de novo? A regeneração, afinal, não costu44


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ma ser espalhafatosa. Ela não se reveste de letreiros de neon, não costuma criar uma auréola sobre nossa cabeça. Ela não nos confere super-poderes com habilidades ímpares para resolver complexos problemas de trigonometria. Em outras palavras, nem sempre é fácil discernir quem recebeu o dom da regeneração. Mas isso não significa que não haja maneira de se auto-examinar para verificar se você realmente nasceu de novo. Ao contrário, você deveria estar procurando o fruto. No momento da regeneração, provavelmente não haverá sinos tocando, mas ela sempre resulta em vida transformada. É um ato invisível de Deus, visível somente nas atitudes e paixões e desejos transformados do cristão. O Espírito sempre gera fruto na vida das pessoas que ele vivifica. Não tenho como ser enfático o suficiente para dizer que tal processo de exame só pode ser feito adequadamente no contexto de uma igreja local fiel. Você precisa de outros cristãos comprometidos com seu bem-estar espiritual. Eles são quem pode vir a conhecer você e identificar o fruto do novo nascimento em sua vida. Se você tiver a tendência ao desânimo e à auto-condenação, eles podem ser capazes de lhe encorajar. Se você (como eu!) tiver a propensão a uma visão maior do que convém de si mesmo, quem sabe eles saibam esvaziar um pouco a bolha em que você se encontra, para seu próprio bem.

Cinco Coisas Que Todos Os Cristãos Possuem O que se constitui em evidência confiável de regeneração? Nos capítulos seguintes, meu desejo é voltar os olhos para cinco coisas que a Bíblia afirma que sempre acompanharão a verdadeira conversão. Se você as possui, você tem a firme evidencia da obra regeneradora de Deus em sua vida. Se essas coisas estiverem ausentes, você tem todo motivo para se preocupar. 45


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Crença na sã doutrina. Você não é cristão simplesmente por simpatizar com Jesus. Aversão ao pecado em sua vida. Você não é cristão se curte o pecado. Perseverança ao longo da vida. Você não é cristão se não persiste na fé. Amor pelo próximo. Você não é cristão se não se importa e não se preocupa com outras pessoas. Estar livre do amor pelo mundo. Você não é cristão caso as coisas do mundo tenham para você maior valor do que Deus. Deus ordenou que nos examinássemos para confirmar se estamos na fé. Estes cinco itens compõem parte do critério pelo qual podemos nos julgar. Para o cristão, portanto, a pergunta mais importante é: eu possuo fruto que evidencia o novo nascimento em minha vida? No último dia, nada mais importará. Se você não nasceu de novo, você não entrará no reino de Deus. Não fará diferença ter pais cristãos ou ter crescido frequentando igreja. Conforme João Batista disse aos fariseus, Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo (Mateus 3.8-10).

Não queremos ser insolentes como os fariseus. Portanto, precisamos constantemente examinar o fruto em nossa vida. Precisamos fazer isso individualmente. Devemos fazer isso junto com 46


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outros membros da igreja em quem confiamos. Você tem convidado irmãos e irmãs para ministrarem a você nesse sentido?

Mas Espere – uma Última Coisa! Há uma última coisa que precisamos aprumar antes de irmos em frente com o assunto em pauta. À medida que nos examinamos para constatar se realmente somos cristãos, é absolutamente essencial que mantenhamos nossas causas e efeitos no prumo. Caso contrário, nos perderemos no emaranhado. Lembre-se que Deus é a causa de nossa salvação. Não há dúvidas quanto a isso. Não há como se salvar por boas obras ou esforço árduo. Lembre-se, nosso estado natural é o de morte espiritual. Nada podemos fazer para nos trazer à vida. Observe cuidadosamente o que o apóstolo Paulo diz acerca de nossa salvação em Efésios 2.4-10: Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. 47


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Captou? Enquanto estávamos mortos em nossos pecados, Deus nos tornou vivos. Foi tudo por sua graça – um presente de Deus. Aliás, Deus intencionalmente nos salva dessa forma para que não nos gabemos ou pensemos que, de alguma forma, fomos nós mesmos que nos salvamos (veja Romanos 3.27)! Deus opera nossa salvação. Isto significa que as boas obras que esperamos (e temos a expectativa de) ver em nossa vida jamais poderão ser a causa de nossa salvação. Ao contrário, o amor e a misericórdia regeneradores de Deus são a causa. O fruto – o crescer na paz e no amor e na fé e na aversão pelo pecado – são os resultados daquilo que Deus faz. São as boas obras que ele preparou para nós, para que possamos executar as implicações de nossa salvação no mundo. Nosso objetivo neste livro, em outras palavras, não é perguntar se fizemos o suficiente para obter o amor e favor de Deus. Em vez disso, nosso objetivo é começar a aprender a como procurar evidências de que Deus efetuou uma obra transformadora em nossa vida. Portanto, ao trabalho! C o m o C o r r e sp o n d e r

Reflita: Antes de ler este capítulo, como você teria definido “um cristão”? Em que sua definição mudou após a leitura? O que o fato de precisarmos nascer de novo diz a nosso respeito? Quais são os perigos de confundirmos a causa de nossa regeneração com os efeitos de nossa regeneração?

Arrependa-se: 48


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Confesse a Deus a verdade de que você é pecador, completamente merecedor de sua justa ira. Se você ainda não “nasceu de novo”, peça a Deus que lhe dê essa nova vida agora.

Lembre-se: Pense acerca de Mateus 11.28-30: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. Cada um de nós carrega um pesado fardo de pecado, culpa e vergonha. Mas Jesus convida cada um de nós a vir, não importa o que tenhamos feito. E ele promete descanso e consolo para todo aquele que se aproximar em fé.

Preste contas: Fale com um líder ou amigo na igreja e peça a essa pessoa que lhe ajude a identificar quaisquer evidências de que você nasceu de novo.

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