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O Ba ronato

de

Shoa h - A C a nç ão

do

Silêncio

A Canção do Silêncio

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N

or

r da

a Eliath

Hiisar Quinto Império

Kuronaya

Nordara

12

Quinto Império

Kuronaya

L atakia

1 Farhan 2 Cenóbio de Ahator 3 Tosten 4 Latig 5 Dubliner 6 Desdalain 7 Mianeh 8 Kierkgarrd 9 Wexford 10 Velha Roldana 11 Susanowo

12 Izanagi 13 Amaterasu 14 Niigata 15 Koshinetsu

20 Dartmoor 21 Feldspar 22 Sienbalth 23 Verenna 24 Eth Doran 25 Medrawt

Hiisarlik 16 Lakhesys 17 Íllion 18 Klotho 19 Çanakalle

Ulan Bator 26 Forte Condado 27 Vale dos Ecos 28 Darhan Ull 29 Portões do Sussurro 30 Shanty


Kriemhild Ulan Bator

rlik

Latakia

Kriemhild Território não mapeado devido a acordos políticos entre Nordara e o continente Kriemhild. Constam quatro reinos em registro: Aetryan, Hildnyar, Fahner, Laos. Cada reino é governado por um herói-regente, e o poder é atribuído aos seus líderes baseado em atos de heroísmo perante a sociedade. O continente nordariano tem muita dificuldade em entender seus costumes. Uma outra peculiaridade de Kiemhild é a não adoção da tecnologia a vapor, mas de uma fonte de energia mágica denominada Makhê.

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1 – Heraion A vida pareceu-lhe um vazio, e a existência um fardo. Mark Twain em As aventuras de Tom Sawyer


Namid

O

castelo de

Ahsverus era uma gigantesca construção

que volitava acima do continente de Nordara. Seus muros feitos de placas de ferro arrebitadas por parafusos do tamanho do braço de um homem e o portão frontal composto por engrenagens complicadíssimas em um sistema de cabos, fios e correntes barulhentas. Quando necessário, tombava para frente e se transformava em uma rampa, de modo que os kiy, a Guarda Palaciana, pudessem sair com seus grifos mecânicos. Cada membro da Guarda devia construir sua própria montaria. Os grifos eram inspirados nas criaturas lendárias, metade leão, metade águia, que haviam ajudado Shoah e seus seguidores a se livrarem dos Titãs. Havia vinte torres no muro do castelo: dez armadas com canhões e casas de vigia, dez com imensas hélices responsáveis por seu voo. A fortaleza acabara de chegar às montanhas de Hellyah, uma cordilheira localizada ao norte do Império que fazia a divisa entre três regiões importantes, o baronato de Shoah, o reino bárbaro de Eliath e a capital Farhan. Ao invés de continuar sua viagem em direção ao baronato, estacionou acima das montanhas por um tempo. Uma corneta soou na mais alta das torres de vigia, o portão frontal rangeu e tremeu. Suas correntes balançaram e as rodas dentadas que o moviam giraram. Quando o portão chegava à metade de sua abertura total, um grifo entrou manobrando perigosamente entre a borda e o teto da entrada. As penas metálicas de suas asas faiscaram


na parede, o cabo de bronze que formava sua cauda chicoteou no ar e ele derrapou no pátio até parar. Quem conduzia o autômato em forma de animal era um homem pálido e alto. Por baixo do chapéu tricorne era possível ver cabelos pretos e lisos que iam até o meio das costas. Tinha o rosto emoldurado por uma barba rala e olhos cor de prata sem pupilas. Vestido em negro, uma camisa reforçada em couro, um sobretudo com ombreiras de ferro e calças escuras por dentro dos coturnos. Atrás dele e segurando sua cintura para não cair havia uma mulher de pele morena e cabelos castanhos, roupas brancas e um casaco de pele de urso. Um soldado pegou as rédeas do grifo e os passageiros desmontaram, a mulher precisou de ajuda, pois não conseguia se equilibrar direito. Sem falar nada ambos seguiram por um corredor bem iluminado que os levou para dentro do castelo. Então o homem que conduzia o grifo finalmente disse. – Por aqui, senhora Hawthorn. Creio que a Imperatriz Vykthoria não tenha muito tempo. Conforme avançavam no corredor, a mulher via vários guardas andando apressadamente de um lado para o outro, como numa emergência. Sua preocupação aumentou, Mary não estava acostumada a realizar partos tão importantes. – As contrações começaram há tempos, mas a criança não quer nascer. Parece resistir a tudo que fazemos. – continuou o homem que controlava o grifo, as pessoas lhe davam passagem enquanto andava e olhavam para a mulher com um misto de preocupação e admiração. Mary Hawthorn ouviu em silêncio até chegarem ao quarto da Imperatriz. Não se sentia confiante para ajudar, mas ser chamada pelo Império era algo tão honrado que ela jamais poderia negar. Antes de abrir a porta, perguntou ao homem que acompanhava: – Svann, onde está meu marido? – Com o Imperador, amparando-o. – Preciso dele. Karl tem experiência em partos difíceis. Foi ele quem me ajudou com minha filha. – Vou chamá-lo então. Svann girou nos calcanhares e voltou correndo pelo corredor. Mary Hawthorn entrou no quarto e viu um círculo de pessoas em


torno da cama imperial. O quarto era lindo, mobiliado com estantes, cadeiras e mesas que deviam custar o preço da casa de Mary. As cortinas eram grossas e um tapete bordado cobria o chão. Havia dois guardas vestidos como Svann próximos à janela, a Imperatriz estava na cama amparada por uma moça com traços finos e olhos escuros. O dossel havia se partido e metade dele estava no chão. Não havia esperança no rosto das pessoas. – Como ela está? – perguntou Mary passando pelas mulheres para ficar ao lado da cama. – Muito mal – respondeu um homem alto de cabelos presos em dreadlocks – Perdeu muito sangue. A criança parece querer matá-la. – Vou precisar de toda ajuda. Qual o seu nome? – Dante Wadencliff. A seu dispor, senhora. – Me chame de Mary. Ela se aproximou mais ainda, afastando o grupo. A Imperatriz suava, os olhos abriam e fechavam cada vez mais lentamente. – Imperatriz, por favor, aguente só mais um pouco. E que Shoah nos proteja. A Imperatriz só conseguiu gemer em resposta. Mary sentiu pena dela. Sabia como era a dor do parto e a dor maior de perder um filho neste momento sagrado. Logo em seguida, Svann apareceu seguido por Karl e uma mulher que ela não conhecia. – Trouxe uma mashiyrra – disse-lhe Karl, parando ao lado da cama. – Thyzar Hadjakkis. A mulher se ajeitou na cama para que pudesse ajudar. Estava séria e concentrada. Retirou a espada que trazia consigo e a deixou no chão. Seus cabelos eram loiros e ondulados, os olhos verdes e brilhantes, a pele morena. Usava uma armadura de placas sobrepostas que lhe davam um aspecto mecânico. Apesar disso, suas mãos eram ágeis, já tinha afastado as cobertas e movido a Imperatriz para uma posição mais confortável. Mary conduziu as demais pessoas para fora do quarto. Só ela, Svann, Karl, Dante e Thyzar permaneceram. Os gritos de dor da Imperatriz Vykthoria podiam ser ouvidos por todo o castelo. Mary pediu o auxílio dos poderes de Thyzar para que a perda de sangue da Imperatriz não a matasse. O bebê se enrolara no cordão umbilical, sufocando ao ser puxado, então a


parteira usara todos seus conhecimentos para não matá-lo. Depois de muito esforço eles finalmente trouxeram a criança à vida sem matar Vykthoria. Respiraram aliviados ao ouvir o choro do infante. Mais que depressa, foram até a porta e mandaram avisar ao Imperador que seu primogênito nascera e que era um lindo e saudável menino. Quando Mary terminou de limpar o bebê, teve uma surpresa: ele já estava com os olhos abertos. – Nunca tinha visto isso acontecer – ela murmurou, ajeitando a criança em seus braços. – O que houve? – perguntou Thyzar enquanto Dante, ao seu lado, tirava as toalhas, fronhas e lençóis da cama. – Ele nasceu com os olhos abertos, são tão bonitos, de um azul profundo – Mary sorriu, encantada com o pequenino. – Qual será o nome dele? – Namid. – responderam todos, em uníssono. – Namid Ahsverus – repetiu Mary. Olhou mais uma vez para a criança, depois notou o silêncio no ambiente. As demais pessoas se entreolhavam constrangidas e, só então, ela notou por que estavam todos assim. – Como vocês sabem o nome dele? – As estrelas nos disseram. – respondeu a Imperatriz Vykhtoria.

O Baronato de Shoah - A Canção do Silêncio  

Primeiro capítulo do livro "O Baronato de Shoah - A Canção do Silêncio" de José Roberto Vieira, publicação da Editora Draco. BLOG baronatode...

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