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Existe um problema com os contos de fadas. Somos levadas a acreditar que príncipes encantados existem e que um dia eles acharão nosso sapatinho perdido e perceberão que somos a mulher da vida deles. Ou então, eles enfrentarão espinhos e perigos para nos dar um beijo apaixonado e nos despertar do sono profundo causado pela bruxa malvada. Na vida real não é assim, mas eu sempre acreditei que fosse. A culpa de eu ser uma romântica iludida pode ser toda entregue às princesas, imaculadas e lindas em seus vestidos de baile. Cinderela, Branca de Neve e A Bela Adormecida podem ter encontrado seus “encantados”, mas, por algum motivo, esqueceram de deixar um sobrando para mim. Posso ter apenas dezenove anos e estar no “início da vida”, como minha mãe gosta de dizer, mas eu provavelmente já sei um pouco sobre a vida e o amor. Eu já me machuquei bastante e acreditei em caras o suficiente para saber que nenhum deles virá me salvar em um cavalo branco. A culpa de minha vida ser assim é toda dos mal amados que se dedicaram a escrever conto de fadas, obras que, na minha opinião, ajudaram a disseminar a ilusão na mente das meninas inocentes. 19


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Ou então, a culpa é do Pedrinho. Pedrinho foi meu primeiro amor de verdade, quando ainda estava aprendendo o bê-á-bá. Era um garotinho bonito, de cabelos castanhos, que se sentava na cadeira em frente à minha todos os dias. Eu achava que isso era um sinal divino. Ele levava Cheetos para a merenda, cada dia de um formato diferente. Em minha casa, Cheetos era um pecado capital. Minha mãe não deixava que minha irmã e eu chegássemos ao menos perto de um pacote de Cheetos. Ela dizia que dava câncer. Na época eu não fazia a mínima ideia do que era câncer, mas eu achei o Pedrinho o garoto mais interessante da escola por comer uma coisa que minha mãe abominava. E foi amor à primeira vista. Ou ao primeiro pacote de Cheetos. Na minha turma, havia uma menina chamada Ana Carolina que era extremamente metida. Ela se achava melhor que todos por causa de suas madeixas douradas e esticadas, enquanto eu tinha que me virar com fios castanhos, sem brilho e escorridos. Grande coisa! Mas para esse tipo de gente, esses detalhes bestas eram sempre um recurso usado para chamar a atenção. Mesmo quando você ainda tem seis anos e mal sabe escrever seu nome, esse tipo de pessoa já nasce com o dom de atormentar a vida alheia. O mundo é realmente cruel. Não havia nenhuma restrição familiar que impedisse a Ana Carolina de comer Cheetos. Todos os dias, durante o recreio, ela pedia um pouco do Cheetos do Pedrinho embora sua lancheira cor-de-rosa estivesse repleta de guloseimas. Ele, como bom representante do sexo masculino, não recusava o mole que ela dava e dividia o salgadinho com ela. 20


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A gota d’água foi o dia que o Pedrinho entregou o pacote inteiro de Cheetos Bola nas mãos dela. Como forma de agradecimento, Ana Carolina tascou-lhe um beijo na bochecha, deixando o menino vermelho e a plateia infantil que estava no pátio em polvorosa. Todas as crianças começaram a gritar “tá namorando” para os dois. Antes de correr para o banheiro e choramingar, pude ver Pedrinho pegar na mão dela. Ser criança naquele tempo já não era fácil! Entre um Cheetos e uma pegada na mão, foi a primeira vez que partiram meu coração. O que me leva a pensar que, se meu primeiro amor não tivesse sido tão cruel comigo, talvez minha sorte hoje tivesse mudado. Se somar dois mais dois, a culpa toda é da minha mãe! Foi ela que me contou histórias sobre as princesas e me proibiu de comer Cheetos! Acho que quando eu conseguir um terapeuta para tratar meus traumas amorosos, levantarei essa questão. Sempre dizem que temos que encontrar a raiz de nossos problemas e acho que estou caminhando com sucesso para isso. Em memória dos Cheetos que não comi na minha infância, agora estou sentada com um daqueles pacotes família com quase meio quilo de puro sabor de isopor e fedor. Não sei porque queria tanto comer isso quando era criança. Na verdade, nem gosto muito agora, mas é ótimo para um dia de fossa. Excelentes cumpridores de seus papéis: me deixam gorda e fedendo. Acho que tudo isso vai me ajudar a repelir os seres do sexo oposto. Estou cogitando a hipótese de iniciar uma dieta a base de Cheetos. Estava me sentindo tão mal, que agora não culpava apenas minha mãe pelo insucesso de minhas relações, mas, sim, todas as mulheres do mundo. Sabemos que 21


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homens são idiotas e safados e ainda assim acreditamos no papo furado deles. Somos burras em dobro! Se bem que a Rebeca, minha melhor amiga, havia dito para que eu não confiasse no Wellington. Seu primeiro e principal argumento era o nome dele: começa com uma letra que até pouco tempo não existia no alfabeto português, tem dois “l” e um “g” mudo, provavelmente não era uma pessoa simples. Afinal de contas, se o nome já era complicado, já dá para imaginar o resto. Eu devia ter acreditado na Rebeca. Ela sempre foi sábia em dar conselhos amorosos – que eu nunca cumpria, claro. Mas na próxima vez, vou ouvi-la. Cansada de chorar, tirei um lencinho de papel da minha caixinha, que já estava acabando. Assoei o nariz bem forte. Ao mesmo tempo, o telefone começou a tocar. Congelei. E se fosse o Wellington? Deixei o telefone tocar mais duas vezes, como forma de castigo, caso fosse ele. Era bom aprender a esperar, afinal quem pensava que era? Ele tinha me dado um fora e, sinceramente, eu não o aceitaria de volta. Se estava pensando que diria “volte para mim” e eu voltaria correndo, estava muito enganado. Ele teria que pedir muitas vezes, umas duas vezes. Teria que se ajoelhar, trazer rosas e pagar um jantar bem caro. Tudo bem, nem tanto. Um lanche no Mc Donald’s já era o suficiente. Eu só teria que acreditar que ele estava bastante arrependido. E então, eu pensaria no caso. Esses homens precisam aprender a não tratar mal uma mulher. O telefone parou de tocar. E se fosse realmente o Wellington? Eu poderia estar perdendo uma chance de reatar o nosso namoro, desfazer aquele mal entendido. Corri até o telefone e tirei do gancho, já dizendo um alô esbaforido, esperando algum 22


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sinal de vida. Mas minha mãe já havia atendido a extensão e não era o Wellington, era apenas a Rebeca. – Mãe, você pode desligar. Preciso falar com a Rebeca – eu disse, pelo telefone mesmo. – Mas Melissa... – Minha mãe tentou interromper, mas a ouvi bater o telefone cinco segundos depois. – Sua desnaturada! Cadê você? – Eu perguntei. Precisava dela num momento como aquele. – Eu já vou. Fui ao Centro com a mamãe fazer compras e essa hora está tudo um caos, você sabe como é. Em quinze minutos, no máximo, estarei aí. – Beca, você sabe o que aconteceu? – Choraminguei. Estava ficando fraca, quase chorando, feito uma idiota. Tratei de engolir aquilo, pois nenhum cara merecia que eu derramasse mais nenhuma lágrima em seu nome. – Claro que sei. Que tipo de amiga eu seria se não soubesse? E fora que a fofoca corre. Eu te disse que com um nome daqueles não dava pra confiar. A Rebeca realmente sabia das coisas. Era melhor eu passar a escutá-la. Mas espera! Ela disse fofoca? Ai meu Deus... – Rebeca, o que você quer dizer com isso? – Que uma pessoa com um nome tão complicado... – Ela já ia começar a explicar sua teoria sobre os nomes, quando eu a interrompi. – Não falo disso, sua lerda. Eu estou falando da questão da fofoca! – Disse, irritada. – Ah, isso? – Ela fez uma voz de descaso. – Pelo amor de Deus, Melissa, até parece que você acha que ninguém sabe. Mesmo através do telefone, podia imaginar ela girando os olhos, como costumava fazer quando dizia alguma coisa que apenas no planeta dela soava óbvio. Sim, eu 23


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achava que ninguém sabia e gostaria que continuasse assim pelo menos por um tempo. Não faziam nem vinte e quatro horas! Na verdade, eu esperava que ninguém soubesse até eu ter uma conversa com ele e colocar os pingos nos “is”, como dizem por aí. Então ele perceberia que não deveria ter me chutado, olharia nos meus olhos e diria o quanto sou incrível. Mas isso ele já tinha dito e terminou comigo. Acho melhor eu deixar de ser incrível. – Mel, olha só, eu estou dirigindo e preciso desligar esse telefone agora antes de levar uma multa! – Ela disse bufando. – Você não conhece uma coisa chamada viva-voz? Uma invenção muito boa, você nem precisa segurar o celular para falar. Custa dizer quem já descobriu que eu não estou mais namorando? Só pra que eu comece a me preparar pra humilhação pública. – Para com isso. Ninguém tem nada a ver com a sua vida. Sério, preciso desligar. Clique. Ela desligou sem nem dizer tchau. É, estou bem provida de amigos. Coloquei o telefone no gancho e rolei na cama. Nem ao menos minha melhor amiga estava com muita paciência para mim e provavelmente meio mundo já sabia que eu não estava mais namorando. Viraria motivo de piada mais uma vez, se bem que eu já estava ficando acostumada com isso. Todo mundo vivia comentando quando eu passava: “Olha lá a Melissa, ela levou mais um fora semana passada”, “Sabe a Melissa? Está namorando de novo. Não dou dois dias”, “Mas essa tal de Melissa é uma fácil, vive 24


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namorando e não sossega com ninguém”. E esses eram apenas os burburinhos mais simples. Já podia escutar as vozes dos fofoqueiros zunindo em minha cabeça. Depois de um tempo, minha mãe bateu na porta do quarto. Demorei alguns segundos para decidir se a deixava entrar ou não, pois não estava disposta a ouvir um sermão sobre como eu deveria estar feliz que o namoro terminou agora e não quando eu tivesse mil anos, mil filhos e mais mil anos de casada. Aquela conversa sobre separação e o par perfeito, que já ouvira mil vezes. Ela sempre terminava dizendo que um dia o cara ideal vai aparecer em uma bandeja de prata para mim. Mas do jeito que as coisas andavam, eu realmente não me importava em qual bandeja ele viria. Poderia ser até em uma de plástico de R$ 1,99 com desenhos de flores, frutas e peixes, que não faria nenhuma diferença. Quando cheguei à porta, a situação era pior do que a prevista. Acompanhada da minha mãe, minha irmã, Mariana, de quinze anos, trazia um pote de sorvete de chocolate e três colheres. Parecia que nem minha própria família se importava comigo, já que eu tinha alergia a chocolate. Então, nem no sorvete elas acertaram. Minha mãe tinha um exemplar de uma daquelas revistas para adolescente na mão. Sinceramente, eu não lia aquilo desde meus treze anos. Provavelmente era ideia da Mariana. Ela achava que um daqueles colírios iriam me ajudar em alguma coisa, ou que aquelas dicas “milagrosas” iriam me salvar do fundo do poço amoroso. Mas minha irmã não é a melhor conselheira, só para início de conversa. Um dia desses eu pedi umas dicas de música e ela me deu uns nomes esquisitos de banda. Eu joguei no YouTube para ver algum clipe e dar meu veredicto. Os caras pareciam ter doze anos e 25


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usavam calças cor de rosa e mais maquiagem que eu. Com um gosto musical desses, quem precisa de ajuda é a própria Mariana. Vou apresentar algumas bandas para ela e, no futuro, ela vai me agradecer por salvá-la da alienação. Ela se sentou bem do meu lado e me entregou uma colher do sorvete, que eu acabei recusando. Minha mãe olhou torto para o meu pacote de Cheetos. – Ai Melissa! Quantas vezes eu vou dizer que essa porcaria dá câncer e fede a chulé? – ela pegou o pacote como se fosse um rato morto e jogou na lixeira do banheiro do meu quarto. Ainda estava resmungando quando ela voltou, torcendo o nariz. – Você está fedendo. – É esse o objetivo – murmurei mal humorada. Era incrível como nem ao menos em um momento depressivo, em que eu estava com vontade de me afundar em Cheetos até minha pele absorver todo o cheiro ruim, eu era respeitada. O que mais queria no momento era assistir a algum filme e me entupir de comida, não ouvir um conselho familiar. – Sabe o que eu acho? – Mariana começou. Não, eu não queria saber o que ela achava. Ela tinha quinze anos e um namorado. Ela ainda estava no primeiro ano do Ensino Médio e nem precisava se preocupar com o que ia fazer quando fosse para a faculdade! Isso tudo a fazia ser uma pessoa completamente insuportável no momento, e o que eu menos gostaria era um conselho dela. – Eu acho que você deveria comer um pouco desse sorvete comigo e depois a gente pensa em outra coisa. – Seria ótimo, se eu não fosse alérgica a chocolate! – Eu disse, emburrada. 26


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Sabia que estava sendo ridícula, mas não conseguia me controlar. Era mais forte que eu. Estava acabando com todas as tentativas da minha irmã de parecer simpática, o que era uma coisa raríssima. Minha mãe passou a mão pelos meus cabelos e eu deitei no colo dela. Ela fez todo seu discurso rotineiro e acabou dizendo a parte da bandeja. Por último, me deu um beijo na testa e jogou a revista no meu colo. – A Mariana disse que ler a revista vai fazer você se sentir melhor – Mamãe parecia sincera ao dizer isso, por isso, controlei minha língua, evitando falar qualquer coisa que a magoasse. Ela saiu do quarto com Mari, que já havia devorado metade do sorvete. As duas me deixaram sem nenhum pacote de Cheetos para me consolar. A vida é mesmo muito injusta. Logo que elas saíram, o interfone tocou. Alguns minutos depois eu ouvi a Rebeca entrar em casa cumprimentando minha mãe e a Mari e vir direto para o meu quarto. A ouvi dizer a palavra “emergência” antes de abrir a porta. Ela entrou com uma sacola cheia de DVDs em uma mão e um saco repleto de comidas que minha mãe abominava na outra, além de Coca-Cola. Esse era um dos motivos dela ser minha melhor amiga. Ela sabia exatamente como me ajudar nesses momentos, pois nada melhor do que se entupir com porcaria numa sessão de filmes para me deixar feliz. Ela vinha cumprindo o papel de ombro amigo muito bem nos últimos dois anos. – Eu trouxe esses filmes de menininha que você gosta – ela disse, abrindo a sacola da locadora que trazia 500 dias com Ela, Quando em Roma e A Última Música. Senti falta de algum filme clássico, como Casablanca ou My Fair Lady. Adorava aquele clima de filmes antigos, mas 27


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nem dei bola. Ela havia se esforçado para trazer filmes como eu gosto porque, se dependesse dela, iríamos ver Pulp Fiction e Clube da Luta. Mas também estava com medo dos filmes românticos me deixarem para baixo... Depois, ela exibiu todas as junk foods que havia comprado e ergueu as latas de Coca-Cola no ar, como se fôssemos brindar. – Quer brindar o quê? – Eu perguntei, levantando um sobrancelha, desconfiada. – Brindar que você está solteira de novo e já pode sair comigo para procurar a próxima vítima, óbvio. Nós rimos. – Além disso, você tem que agradecer a Deus por ter se livrado daquele traste! Porque, fala sério, né... Ninguém merece! – Eu ri de novo. Ela foi até o aparelho de DVD e colocou o primeiro filme. Ficamos em silêncio por algum tempo. Sinceramente, eu estava pronta para dispensar relacionamentos pelo menos por um ano, afinal, daqui a pouco eu teria que começar a estagiar e precisava me dedicar a isso com afinco. E todos sabem que namorados são uma distração, ainda mais quando se trata de mim. Nunca soube conciliar muito bem namoro e outras atividades. Portanto, não iria dar mole para ninguém e não ligaria para nenhum cara que me desse bola por enquanto. Não estava preparada para me jogar em uma nova relação. Falei isso para ela, muito séria, afinal, o assunto era sério. Ela riu, como se eu tivesse acabado de contar a piada do século. Respeito para quê, não é? Não sei porque eu ainda esperava uma reação diferente da parte dela ou de qualquer outra pessoa. – Você falou isso nas últimas nove vezes e não cumpriu em nenhuma delas – ela fez o favor de me lembrar. 28


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– Não é na décima que isso vai mudar – ela concluiu. – Obrigado pelo apoio, de verdade – eu disse, sarcástica. Me coloquei de pé em frente ao espelho, ignorando o filme. Contei até dez antes que me irritasse muito com a Rebeca. – Não dou muito tempo para você aparecer com um novo namorado, ou pelo menos para você comentar que conheceu alguém em algum lugar e trocou e-mails e telefones e tudo mais – ela continuou. – E depois de um tempo, no máximo dois meses, se der sorte, você vai estar chorando de novo porque não deu certo. Senti como se tivesse levado um soco no estômago. Aquilo era um golpe baixo, muito baixo. Não se deve falar das fraquezas de alguém assim. – Você está dizendo que não tenho capacidade de manter um relacionamento por mais de um mês? – Meu rosto fervia. Se a Rebeca não fosse minha melhor amiga, teria batido nela ali mesmo. Mas ao invés disso, engoli minha raiva e disse: – Até parece que você está rogando praga. Sinceramente, Rebeca, não esperava isso de você. – Não é isso que estou dizendo – ela tratou de se explicar. – O que eu quero dizer é que você não consegue ficar sozinha. É parte da sua natureza: você precisa de outra pessoa para se sentir completa – ela falava como se fosse uma conclusão óbvia. – O fato é que você quer um compromisso sério, mas a maioria dos homens hoje em dia não está pronta para isso. Como diz mamãe, todo mundo foge da raia. Rebeca terminou de falar tudo com um sorriso triunfante no rosto. Algo no seu tom me lembrava um analista tentando me mostrar o caminho certo a seguir, ou 29


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qualquer coisa dessas. Eu não gostei nada desse tom. Mas, por incrível que parecesse, era isso mesmo que acontecia. Mas é óbvio que eu não admitiria isso em voz alta, nem daria razão para a Rebeca, pois ainda estava chateada com ela. Suspirei. Estava cansada e com poucas forças para discutir certas coisas e não aguentava mais que apontassem meus erros. Eu tentava levar a vida com bom humor, mas, em certos momentos, como esse, isso era praticamente impossível. Me sentei na beira da cama e peguei um pacote de Cheetos de queijo, que ela havia colocado no fundo da sacola. Era exatamente daquilo que eu precisava naquele momento. Minha mão ficou amarela e gordurosa por causa do farelo do biscoito. Não me importei. Que eu mesma ficasse amarela e gordurosa. Rebeca olhou para minha cara com nojo. – O que foi? – Eu perguntei, lambendo os meus dedos. – Quer um pouco também? – Estendi o pacote até ela, que tapou o nariz e fez uma expressão negativa e de horror com a cabeça. – Você está cheirando a chulé, vá tomar um banho agora. E dizendo isso, ela abriu o guarda roupa, procurou um short e uma blusa para mim, jogou em cima da cama e saiu, batendo a porta.

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Dividida entre dois apaixonantes rapazes, Mel precisa escolher com quem ficar, não sem passar pelas mais divertidas – e constrangedoras – si...

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