DOC MARKETING
Alice Selles Mestre em Administração e Desenvolvimento Empresarial; diretora da Selles Comunicação Integrada
VERSÃO BETA: SEMPRE
V
Um serviço médico em versão beta assume um olhar curioso sobre possibilidades de fazer seus serviços de forma inovadora, entendendo a importância de colocar o paciente no centro do negócio”
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ersão beta é um termo comum entre os profissionais e aficionados por tecnologia, que se refere a um software ou produto ainda em estágio de desenvolvimento, mas que seus desenvolvedores já consideram aceitável lançar ao público. Uma versão beta ainda possui bugs e problemas que precisarão ser acertados antes do lançamento da sua versão final. O que considero importante aqui é a ideia de que o produto ou serviço não está pronto: é a admissão de que existem retoques e ajustes a ser implementados, embora já seja possível usá-lo. Aliás, é exatamente do feedback dos usuários que surgirão os retoques e ajustes. Depois destes, haverá outros. Muitos jovens que estão no universo de games se sentem felizes por participar desse estágio final de desenvolvimento de seus jogos favoritos. Afinal, há nessa participação uma cumplicidade, que certamente repercutirá na fidelidade desses usuários. Algumas das empresas globais entre as mais admiradas assumem a “versão beta” como uma postura. Elas entendem que seus produtos e serviços estão em constante evolução e que seus avanços se baseiam no feedback dos usuários. A gigante Google é famosa por esse tipo de posicionamento. Pensando em soluções que antes dela não eram imaginadas, a empresa segue buscando o aperfeiçoamento contínuo de seus serviços. Em minha opinião, todas as empresas de serviços de saúde deveriam se posicionar da mesma forma: com a humildade de reconhecer que seus serviços e sua sistemática de atender podem evoluir sempre, aperfeiçoando-se continuamente. Um serviço médico em versão beta assume um olhar curioso sobre as possibilidades inovadoras de prestar seus serviços, entendendo a importância de colocar o paciente no centro do negócio: nada, na forma de atender ou de cuidar, deve ter como resposta “nós sempre fizemos assim”. Ideias importantes – que certamente podem ajudar hospitais, clínicas e consultórios a estabelecer diferenciais fortes e sustentáveis – podem advir da escuta atenciosa dos pacientes e de uma postura disruptiva. A pandemia de Covid-19 e o isolamento social que nos foi imposto para reduzir a propagação do vírus nos fizeram reinventar hábitos, tanto na vida pessoal quanto em nossas empresas. Fomos forçados, de maneira bastante abrupta, a sair de nossas certezas quanto às formas de fazer e experimentar novas possibilidades, que certamente estão em evolução. Em nossas empresas, estamos reestruturando processos. Estamos testando novas alternativas enquanto fazemos. A dinâmica das empresas foi colocada em versão beta pelo coronavírus. Como de tudo, de todas as experiências, é possível extrair algo positivo, será muito produtivo levarmos da pandemia essa postura: nada é certo. Nada está concluído. Nada está pronto. Podemos sempre evoluir em busca de uma versão final que jamais chegará. Acredito que essa é a essência do marketing de serviços médicos. Isso é muito mais profundo e importante do que a divulgação dos serviços que são oferecidos. Uma postura inovadora naturalmente se espalhará pela organização como um todo, inclusive pela interação e pela forma de se comunicar com seus públicos.