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Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!


PatrocĂ­nio


Diamante


Ouro


Prata


Bronze


PatrocĂ­nio


Antonio Fiola Presidente do SINDIREPA NACIONAL


Remeter-se a uma história que vai além das empresas do segmento de reparação de veículos é reunir em uma só trajetória toda a dedicação e amor que fundamentaram o natural crescimento do setor ao longo dos anos. Naquele nicho, famílias de todos os lugares do mundo, com suas tradições e propósitos, apostaram em uma prática corriqueira, nascida da necessidade, e que se consolidou pulsante, tal qual a paixão por algo passado de geração para geração; um verdadeiro símbolo de tradição e respeito em algo tão especial como o automóvel e sua indústria de reparação, que no Brasil nasceu antes das montadoras de automóveis. Ainda garotos, muitos vivenciaram aquele fazer artesanal pelas mãos de seus pais e parentes e, logo, pegaram gosto, passando a falar aquela língua cheia de fumaça, motores e velocidade. Era, claro, uma época diferente, onde a vida de um reparador dependia do ir e vir das encomendas, do seu talento para criar todo um maquinário de sua autoria e, acima de tudo, dos laços de amizade que se construíam em beira de estrada, com toda a gentileza de outros tempos. Apesar da agressiva vida de reparador que temos hoje, o setor carregou consigo uma tradição

arraigada, que, mesmo após a brusca mudança em sua configuração, com a profissionalização das atividades e um cenário diferenciado das antigas estruturas, continuou a avançar de forma apaixonada, seja pela natureza amigável do reparador e seu labor e conhecimento notáveis, seja pelo universo de novas tecnologias e soluções que se batem à porta da reparação para ficar. Como reparadores, aprendemos a fazer o que precisa ser feito, com o que temos em mãos e onde estivermos! Como a grande maioria dos reparadores do Brasil, neste livro encontraremos uma parte de nosso amor, dedicação, lutas e realização pessoal e profissional em uma atividade que, acima de mãos e cabeça, precisa de muito amor pulsante no coração e na alma. A história da reparação no Brasil tem várias cores e sujeitos, passou, como em todos os demais setores produtivos nacionais, por idas e vindas, construção de identidade, reformulação e abalos em meio a contextos socioeconômicos que atravessaram gerações, mas, a despeito deste chacoalhar da história, a reparação automotiva foi feita por homens e mulheres e suas vidas exemplares e, por meio delas, tem rosto e coração próprios.


Luiz Sergio Alvarenga Diretor Executivo do Sindirepa Nacional


Um setor com alicerces sólidos e amparados legalmente

Por três décadas aprendendo na indústria da reparação de veículos, foi possível enxergar que, além da emoção que move este setor de formação mundialmente familiar, seria necessário a razão para que seu espaço e reconhecimento fossem conquistados ao longo do tempo. Inspirado na própria indústria automobilística, nascedouro da matéria-prima vital a esta atividade, ou seja, o “veículo automotor”, conseguimos construir os alicerces sólidos e amparados legalmente para nortear a indústria da reparação de veículos. ◊ A normalização técnica, que de forma isenta e colegiada estabeleceu conceitos técnicos e uniformes de reparabilidade, melhoria de processos, e possibilitou clareza na relação com os consumidores, seguindo políticas internacionalmente reconhecidas.

◊ A certificação de empresas de reparação de veículos, que praticamente chancelou os requisitos estabelecidos e acreditados no país, garantindo assim as boas práticas da qualidade e produtividade, também alinhada com setores anteriormente organizados. ◊ A capacitação profissional, que foi disseminada com determinação praticamente em todo o extenso território brasileiro, permitindo o aperfeiçoamento a cada etapa da evolução tecnológica e nos colocando em destaque no cenário internacional. ◊ A certificação profissional, que resgatou a dignidade dos profissionais e foi transformada na certificação de competências, alinhando-se assim às políticas estabelecidas em diversos países. Partir do zero e chegar aonde chegamos comprova que todo este esforço valeu a pena e que hoje está devidamente registrado nesta pioneira obra, pois um setor sem memória é esquecido ao longo do tempo, mas com alicerces acreditados sempre será lembrado.


Sumรกrio


Breve linha do tempo 15

Capítulo 1

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A Indústria da Reparação de Veículos e Seu Início

21

Capítulo 2

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Anos 1960: Novos Desafios

31

Capítulo 3

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A Indústria e a Globalização

43

Capítulo 4

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Século XXI: De Oficinas Para a Reparação de Veículos

57

Capítulo 5

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Um Caminho Promissor para Reparação

69

Capítulo 6

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SINDIREPA

79

Capítulo 7

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Fichas Técnicas 89


Breve Linha do Tempo


1920

1945

Com os automóveis ganhando mais potência e velocidade, os freios passaram a ter acionamento hidráulico e a introdução do servo-freio.

É fundado o primeiro Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios no Brasil, iniciando o processo de fortalecimento do setor no País.

1940

1968

- No final desta década, surgem as primeiras escolas destinadas à formação de profissionais da área da reparação automotiva. - É criada em 28 de setembro a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), responsável pela elaboração das normas brasileiras.

São criados os primeiros Comitês Brasileiros, com 17 no total, incluindo o Comitê Automotivo Brasileiro (CB-005)12 da ABNT. 1 2

http://www.abnt.org.br/abnt/conselho/tecnico

http://www.abnt.org.br/images/pdf/historiaabnt.pdf (página 58).


1979 - Com a paralisação da produção petrolífera do Irã, devido à Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini, o preço do barril chega a US$ 40. - A Fiat lançou no mercado nacional o primeiro carro movido a álcool combustível. - É promulgada a Lei nº 6.729, que proibia o relacionamento direto das montadoras com as oficinas independentes.

1994 - É criado o Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), organismo acreditado do Inmetro dedicado entre outras atribuições a certificar em nome da autarquia do Governo Federal as empresas de reparação de veículos. O Sindirepa é um dos fundadores. - É instituído o Plano Real.

1990 - Esta década é marcada por uma franca reestruturação organizacional e produtiva e pela abertura econômica do País, configurando uma tarifa nominal média de importação de cerca de 40%, o que impactou em todas as cadeias produtivas do País. - Sindirepa consegue modificar a Lei nº 6.729 no artigo que impedia o relacionamento direto das montadoras com as oficinas independentes. Com esta mudança, as montadoras podem nomear oficinas autorizadas.


1995 - As câmaras setoriais foram desativadas. - É adotado o Regime Automotivo Brasileiro, um programa de investimento e incentivo à exportação, com medidas como a redução do Imposto de Importação em bens de capital, insumo e veículos. - É criado o Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso na cidade de São Paulo. - O Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) passou a conceder apoio financeiro a empresas multinacionais, eliminando a distinção entre empresas de capital nacional e de controle de capital estrangeiro.

1998 - Sindirepa ingressa no Conselho Diretor do Comitê Brasileiro Automotivo (CB05) da ABNT e assume a coordenação do Subcomitê de Serviços, manutenção e reparação, elaborando várias normas de serviços. - Frente à desvalorização do câmbio brasileiro, as empresas precisaram se adaptar ao investimento de uma estrutura produtiva diferenciada, que primava, sobretudo, pelo conteúdo nacional em detrimento da importação de sistemas.

1996

2007

- Introdução definitiva da microeletrônica, a quinta revolução tecnológica, no setor automotivo, exigindo que a indústria de reparação acompanhasse aquela evolução. - Surge uma pioneira certificação profissional para a qualificação do profissional automotivo: a ASE Brasil, uma parceria com a Automotive Service Excellence (ASE) dos Estados Unidos.

- Brasil ignora crise mundial e vendas crescem quase 30%, onde 85,6% dos veículos são bicombustíveis.


2013 - É criada, em dezembro deste ano, a Associação Sindirepa Nacional (ASN), reunindo Sindirepas do Brasil.

2015

2017

- É realizada a 12ª edição da Feira Automec, maior exposição de aftermarket do Brasil. - Chegam ao Brasil, oriundos da Europa, os catálogos eletrônicos oficiais de autopeças das montadoras Partslink24 e das indústrias de autopeças TecDoc.

- Brasil com uma frota de mais de 40 milhões de veículos automotores atrai novos negócios, entre eles a chegada da Euro ReparCar Service, rede mundial de oficinas com sede na Europa.

2014

2016

- É promulgada a Lei nº 15.297, de 10 de janeiro, batizada de “Lei Alvarenga”, que dispõe sobre normas básicas acerca das oficinas mecânicas e estabelecimentos assemelhados que funcionam no estado de São Paulo. - Em 18 de dezembro, a Lei chegou ao estado de Pernambuco, por meio da Lei nº 15.4211. - Setor automotivo, que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e máquinas autopropulsadas, teve retração de 7,1%, 3,50 milhões de unidades comercializadas no ano contra 3,77 milhões em 2013.

- Sindirepa São Paulo aciona judicialmente a Prefeitura de São Paulo pela suspensão da Inspeção Veicular do controle de emissões.

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https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=279001


CapĂ­tulo 1


A Indústria da Reparação de Veículos e Seu Início


Capítulo 1 - A Indústria da Reparação de Veículos e Seu Início

A história da indústria da reparação de veículos tem como seu principal (e inevitável) motor de formação a indústria automobilística no mundo. Na medida em que a atividade preenchia ruas e avenidas de diferentes nações com um novo tipo de transporte, esta tecnologia demandava de forma silenciosa auxílio técnico para alcançar, sem prejuízos, a quilometragem do progresso. E essa relação de dependência entre essas atividades não foi diferente no Brasil. “Tão logo os automóveis começaram a fazer parte da paisagem brasileira, as oficinas surgiram no meio rural, em beiras de estrada, nas pequenas e grandes cidades. A ocupação no segmento tornou-se rapidamente sinônimo de profissão para homens pobres da classe trabalhadora, cujo trabalho manual, apesar de exigir uma determinada expertise, não supera o status de atividade inferior” (FERREIRA, 2016, p. 524). Como, em seu início, automóvel era artigo de luxo, consequentemente o seu nicho derivado também ocupou durante algum tempo uma posição social diferente, salvaguardados pela clientela que o rodeava; muitos exerciam a função de motoristas (chauffeurs) e, ao mesmo tempo, mecânicos.

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Anúncio dos automóveis Bayard na revista Fon-Fon em 1907 demonstra a imponência dos primeiros automóveis e a quem eram destinados. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.


Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

No começo do século XX, uma linha de produção doméstica de peças se formatava artesanalmente pelas mãos de muitos mecânicos de fundo de quintal. “Naquela época, não tinha produção nacional, mas sim veículos importados e isso consolidou o mercado dos mecânicos e funileiros artesãos, que trabalhavam de forma especializada: ou com todo tipo de solda (carcaça de motor, câmbio etc.); ou com tornos; também havia os que desenvolviam a cromeação das peças, na solda de platina etc.”, afirma Antonio Fiola, atual presidente do Sindirepa-SP.

Interior da fábrica de Ford no bairro do Bom Retiro. Imagem: Acervo São Paulo Antiga.

Foi nos anos 1920 que a indústria automobilística fincou definitivamente seu pé como parte integrante da economia nacional, com a instalação da montadora de Henry Ford, na Rua Florêncio de Abreu, centro de São Paulo. Junto a uma enérgica linha de produção, o norte-americano protagonizou o início da cultura do automóvel no País; o que seria intensificada em 1925 com a abertura da Companhia Geral de Motores S.A., que montou no ano seguinte à sua criação o primeiro Chevrolet em território nacional. General Motors abre sua fábrica no Brasil. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.

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Capítulo 1 - A Indústria da Reparação de Veículos e Seu Início

Naturalmente, tanto o mercado de reparação quanto o de autopeças existentes se dedicaram a dar suporte à tecnologia dos novos tempos, mas em um ritmo próprio. Com poucos e espaçados negócios concentrados, sobretudo, na região sudeste do País, a dinâmica de produção e venda de peças, bem como a atividade de reparação naquele período, condiziam com o cenário: atividades que atendiam a uma população menos urbanizada, que não se reunia em grandes centros; e que utilizavam uma rede de comunicações incipiente, em que toda sorte de transações era realizada sem a agilidade dos novos dias. Foi naquele período e naquele ritmo que os pioneiros das atividades de peças e reparação nasceram. Eles começaram ali, entre peças customizadas, para atender a uma frota importada, a desbravarem estradas recém -abertas com seus representantes de malas prontas e lista de pedidos a postos para abastecer os mais longínquos confins do País e atarefados por enviar todas as peças

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para que um lento processo de encomendas cruzasse as regiões até chegar às mãos de seus solicitantes. Um dos icônicos personagens dessa história feita de uma temporalidade própria era o mecânico para emergências, que corria para reparar algum automóvel que havia ficado pela estrada. Além dele, tinham os que estabeleciam morada ali, ao pé de alguma mangueira, aguardando que a sua sorte e o revés de outro se cruzassem e ele pudesse ganhar alguns trocados para colocar a sorte do outro para funcionar novamente. Este cenário diferenciado composto por artistas e empreendedores em seu nascedouro (ex.: Famílias Varga, Kasinski, Mindlin, Stevaux, Sabó etc.) foi a marca daquela indústria em desenvolvimento, em que cada qual trilhou histórias próprias, mas impulsionados por um mesmo fim: estabelecer a indústria automotiva no Brasil. Gradualmente, aquela história foi ganhando novos capítulos.


Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Centro de Treinamento de Serviços para a formação de mecânicos especializados, dando impulso a um nicho de mão de obra que ia além do conhecimento empírico e que gradualmente criou condições para se transformar em setor, com toda a demarcação de campo de trabalho que lhe era devida. O grande desafio daquela indústria em seu início (e também depois) era acompanhar a inovação tecnológica que advinha de esteira de automóveis cada vez mais sedentas de produção. “Meu pai abriu uma oficina nos anos 30 e foi pioneiro no conceito de oficina de emergência. Comecei a trabalhar com ele quando tinha 14 anos e acompanhei toda a história da reparação e da chegada das fábricas de carros no Brasil. Conforme os carros e as tecnologias chegavam, os mecânicos se empenhavam para aprender. Apenas no final dos anos 30, por exemplo, é que surgiu o freio hidráulico e em seguida o servo-freio”, recorda o empresário Geraldo Luiz Santo Mauro (In memoriam), que foi presidente do SINDIREPA-SP, de 1983 a 2004, e também presidiu a ASE Brasil.

A história da reparação automotiva passou pelas mãos de pioneiros como Geraldo Santo Mauro e Giovanni Scopino. Imagem: Acervo Scopino.

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Capítulo 1 - A Indústria da Reparação de Veículos e Seu Início

Apesar de uma gradual indústria automobilística despontar com a instalação de diferentes montadoras no País, elas eram essencialmente importadoras. Portanto, todas as suas peças aqueciam uma indústria estrangeira em detrimento da fabricação nacional. E esta realidade durou até meados do começo dos anos 1940, quando o quadro mudaria consideravelmente com a 2ª Guerra Mundial. Muitos foram os fatores socioeconômicos que sentiram o impacto daquele conflito. E um deles foi o setor automotivo brasileiro. Além da fonte de energia, que precisou de um substituto para existir (o sistema de gasogênio, obtido com a queima de carvão), o alto fluxo de peças importadas para abastecer a linha de produção teve uma substancial baixa, levando a indústria local a ter que trabalhar com suas próprias pernas por sua sobrevivência naqueles tempos difíceis.

Veículos adaptados para funcionar com gasogênio, em 1940. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.

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Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Frente a esta dificuldade, que não atingiu apenas o setor de automóveis, a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial criada em 1938 para dar incentivo ao desenvolvimento dos setores produtivos nacionais ajudou a transformar o cenário industrial. Em 1940, o número de empresas nacionais atingiu mais de 49 mil estabelecimentos e, no seguinte, é criada a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). “O processo de acúmulo de capitais se acelerava, dando vigor às empresas. A produção de pneus, baterias, cabines e peças de automóveis se expandia, diminuindo a dependência externa desses produtos. Outros componentes utilizados para a montagem de veículos também eram oferecidos às fábricas de automóveis, perfazendo mais de duas mil peças diferentes para montagem e reposição dos veículos.” (CORREIA, 2008, p. 45).

Em 1944, a loja Mesbla lota seu saguão com as novidades do mercado automotivo. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.

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Capítulo 1 - A Indústria da Reparação de Veículos e Seu Início

Aproveitando a ocasião e o gradual aquecimento da indústria local, pautado, sobretudo, em uma política nacionalista, o pós-guerra teve mudanças importantes: a adoção do sistema de contingenciamento às importações e o surgimento de uma série de medidas restritivas à importação de bens de consumo não essenciais e com similar nacional. Naquele período, foi promulgado o Aviso 288, da CEXIM, que liberou a importação de autopeças, mas apenas para artigos não fabricados em território nacional. Na época, 104 artigos seguiram proibidos de serem importados. Neste período, o setor de autopeças registrou o surgimento de empresas que se firmariam pioneiras no setor de distribuição, a exemplo de Pellegrino (1941), Auto Americano (1943), entre outras. Em 1952, Getúlio Vargas convocou a indústria automobilística para participar da Subcomissão de Jipes, Tratores, Caminhões e Automóveis – SCJTCA, ligada à CDI, sob a presidência do Comandante da Marinha, Lúcio Martins Meira, que defendia a viabilidade da produção de veículos no Brasil, com componentes nacionais. Naquela época, o setor já era composto por diversas fábricas de autopeças em desenvolvimento e sete montadoras. No seguinte, Vargas proibiu a entrada de veículos completos no Brasil, forçando as empresas existentes a investirem por aqui.

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Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Ao longo desse período, a indústria automobilística foi salvaguardada com diversas políticas e a criação da Comissão Executiva da Indústria de Material Automobilístico (CEIMA), dedicada a cuidar de temas como incentivo à importação de ferramental, à produção, isenção de taxas e tarifas, câmbio mais baixo para remessas, dentre outras atuações. “A comissão teria um Presidente, nomeado pelo Presidente da República, e mais sete membros representantes dos seguintes órgãos: Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil, BNDES, Instituto de Tecnologia, Comércio Importação de Material Automobilístico; Ind. e Veículos e Motor. Ind. de Peças para Veículos e Motor, e Indústria do Aço” (Correia, 2008, p. 58). Até então, o setor estava salvaguardado, mas com a crise política no final do governo Vargas e o impacto de seu suicídio a balança comercial apresentou queda e o país passou por um período difícil até 1956, quando Juscelino Kubitschek foi eleito, dando um novo rumo à industrialização no país. Mais que medidas pontuais, as ações e os avanços tecnológicos que se iniciaram no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 deram uma guinada considerável na história da indústria automobilística em geral. Assim como ela, a sociedade estava mudando, com a introdução de novas dinâmicas de comunicação e tecnologia, dando àquele mercado o início de um novo capítulo em sua trajetória de crescimento.

Com o aumento da frota, o setor de reparação passou por grandes mudanças e uma delas foi a profissionalização. Imagem: Acervo SENAI-DF.

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CapĂ­tulo 2

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Anos 1960: Novos Desafios

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Capítulo 2 - Anos 1960: Novos Desafios

No segundo ano de governo de Juscelino Kubitschek, uma das medidas que causaram grande impacto ao setor automobilístico foi a criação, por meio do Decreto 39.412, de 16 de junho daquele ano, do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA). Até aquele momento, o setor representava uma grande fatia das importações no País. “Importava-se 100 mil veículos/ano, 60% caminhões, além de autopeças, superando em valor o que o Brasil gastava com petróleo e trigo. As previsões apontavam para crescimento do setor de 11% ao ano, significando cerca de 650 mil caminhões novos importados até 1960” (ANFAVEA, 2006, p. 98).

Inauguração da fábrica da Mercedes Benz no Brasil com a participação do presidente da época, Juscelino Kubitschek. Imagem: Acervo ANFAVEA.

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Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Com uma participação cada vez mais visível na economia nacional, bem como na cultura e nas ruas dos brasileiros, o setor aproveitou o momento para “plantar a semente da indústria automotiva nacional”. Um dos grandes destaques daqueles novos anos veio com a instalação das montadoras no País e, junto delas, as redes de concessionárias. Os anos 1960 foram importantes também para fortalecer a infraestrutura de sua cadeia produtiva derivada. Enquanto crescia a frota de veículos, tanto o setor de autopeças quanto os de reparação se diversificaram a fim de atender às novas demandas. É desse período o fortalecimento de empresas tradicionais, como a Autoasbestos, Auto Americano, Auto Três Leões, Borgauto, Borghoff, Casa Combate, Decar, Hermes Macedo, Jorcks, Pellegrino, Platinum e Sama.

A partir daquele momento, era iniciado um novo capítulo para a indústria automobilística: a produção nacional. Claro que, no começo, a composição misturava elementos importados, o que não garantiam o made in Brazil em toda sua glória. O Romi-Isetta, por exemplo, tinha 70% de nacionalização, enquanto a primeira camioneta DKW, produzida pela Vemag, possuía seus 60%. Em 1957, a Volkswagen inaugurava sua fábrica em São Bernardo e lançava uma Kombi com motor 1200, o primeiro a alcançar a marca de metade de suas peças nacionais.

Após anos de uma estabelecida estrutura de exportador de commodities, o desafio daquele momento era aquecer as esteiras de produção com o melhor que havia da manufatura nacional. Em resposta aos anseios da classe, é criado o GEIA, dando espaço para o lançamento, em 1956 mesmo, do 1º carro de passageiros de fabricação nacional, o Romi-Isetta (também chamado Carro-Bolha), das Indústrias Romi de Tornos. Realização da 1ª edição do Salão do Automóvel aqueceu o mercado com a apresentação de novos modelos e um novo gosto de um novo consumidor. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.

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Capítulo 2 - Anos 1960: Novos Desafios

“O mercado de autopeças era pequeno no início, pois a indústria automobilística estava começando e a frota circulante muito restrita. Pelas condições do mercado usava-se mais o conserto do que a reposição. Muitas peças eram ainda importadas e as fábricas nacionais também começaram a olhar com mais interesse para o crescente mercado que representavam os veículos circulantes”, lembra Luis Carlos Vieira, ex-diretor de vendas da Bosch. Um dos grandes acontecimentos para o mercado de autopeças e de reparação foi a tecnologia da informação. Diferentemente de pouca ambição, os setores produtivos não progrediam naquela época, pois viviam às voltas com a lentidão dos processos de comunicação que impactavam de uma forma geral: entregas, pagamentos e novas listas de produtos, para, assim, novas entregas e novos pagamentos. Quando a informação deu seus saltos por meio de modernos aparelhos como o telégrafo, o telex e, posteriormente, o telefone, uma nova dinâmica afetou todas as instâncias, transformando propósitos, estruturas e empresas, que se adequaram aos novos tempos. “Existiam dificuldades hoje difíceis de imaginar: ligações telefônicas podiam demo-

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rar horas ou dias para serem concretizadas; documentos só viajavam por malotes; notícias urgentes seguiam via fax ou telex; poucas estradas pavimentadas; voos escassos; os estoques tinham duração de vários meses, pois em determinadas regiões a carga poderia demorar até um mês em trânsito”, recorda Luis Carlos Vieira. Inevitavelmente, a velocidade da informação gerou demandas novas, ampliando o mercado de autopeças, de reparação, que consumia novas possibilidades de negócios; houve quem aproveitou para se diversificar e atender ao novo ritmo e os que ficaram como parte de uma história e seus primórdios, a exemplo da Sama Distribuidora, que foi incorporada ao Grupo Comolatti. Da mesma forma, negócios tradicionais do setor como Laguna Autopeças, iniciada lá atrás, agora era integrada a uma nova configuração de mercado. Com o lançamento do automóvel nacional ao final da década anterior e, em 1961, com 95% de peças nacionais com o Fusca da Volkswagen, um novo nicho de mercado sacudiu uma classe empresarial essencialmente importadora e deu vida à produção nacional com mais afinco.


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Proporcionalmente à frota que crescia, a reparação construía seu espaço, dando lugar às novidades e à inventividade de seus profissionais. Imagem: Acervo Sindirepa.

Imagem: Acervo Sindirepa.

Era de ouro da indústria automobilística em geral, além da nova rotina de comunicação e tecnologia crescente, aquele momento foi possível graças ao suporte de infraestrutura dos anos anteriores, com a fundação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 1941 e da Petrobras, instituída em 1953. Gradualmente, o segmento se consolidava por meio de suas montadoras, concessionárias, indústrias, distribuidores e lojas de autopeças e demais atores ligados à produção como a reparação, que ganhava espaço em condições de autorizados e independentes.

Apesar da defasagem tecnológica em relação a países como os Estados Unidos e da Europa, o Brasil chegou a meados dos anos 1960 com alguns momentos importantes para sua evolução para toda a cadeia automotiva: em 1961, é registrada a primeira exportação de ônibus nacionais, por meio da Mercedes-Benz; em 1964, o País estava em 9º lugar como produtor mundial, com a marca de 183.721 carros fabricados, segundo a ANFAVEA; e, em 1969, é a vez dos veículos nacionais saírem da esteira de produção rumo ao mercado internacional.

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Capítulo 2 - Anos 1960: Novos Desafios

Entre ápices e vales, os anos 1960 registraram algum declínio para o setor, sobretudo em 1962. “A inflexão na taxa de crescimento da produção de automóveis não foi um fenômeno isolado, uma vez que a produção de quase todos os bens de consumo duráveis cresceu a um ritmo mais lento, ou mesmo declinou a partir de 1962” (GUIMARÃES, 1980, p. 790).

Paralelamente à evolução do setor automotivo, o segmento da reparação ganha cada vez mais opções para se profissionalizar, a fim de acompanhar a tecnologia dos novos anos. Imagem: Acervo Sindirepa.

Naquele período, mesmo quando companhias como Volks, Vemag e Willys ocuparam suas fábricas na produção de versões barateadas de seus carros já populares, o brasileiro não conseguiu alcançar a renda necessária para comprar seu automóvel.

“A ampliação do mercado foi tolhida pela insuficiência de financiamento ao consumidor e, em especial, pela inexistência das condições favoráveis de crédito requeridas para atingir grupos de rendas mais baixas. O aparecimento rápido e espontâneo dos esquemas de consórcios em 1960 pode ser considerado uma forma de superar a situação. [...] A contribuição dos consórcios na venda de automóveis em 1968 chegou a corresponder a 70% da produção da indústria” (Idem, 1980, p. 790-791).

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Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Ao final daquela década houve quem progredisse, mas também os que ficaram para trás, como os produtores nacionais Vemag e a Fábrica Nacional de Motores, herança getulista que, ao fechar, dizia muito sobre os anos que viriam na sequência, bem como a indústria automobilística como um todo iria se organizar daquele momento em diante. Enquanto grandes nomes deixavam de existir para dar lugar aos novos, uma roupagem regionalizada também se fez presente no mercado automotivo em geral. Gradualmente, empresas em crescimento aproveitaram a tecnologia e o desenvolvimento das comunicações para instalar filiais pelos diferentes estados brasileiros, aumentando assim a sua capilaridade e a competitividade.

Na edição que celebrou a marca de um milhão de veículos, o Capeta, modelo experimental da Willys, ganhou espaço. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.

Com vagas abertas no mercado, houve a entrada de grandes produtores americanos de veículos no País e, junto a eles, novas políticas de diferenciação dos produtos, o que passou a exigir um algo mais da cadeia produtiva como um todo.

“Após um período de estabilidade de mercado, a Volks avançou significativamente sobre as parcelas de mercado de seus competidores e elevou sua participação para 62% em 1966, 68% em 1967 e, finalmente, em 77,5% em 1968, configurando um recorde na história da indústria automobilística nacional” (Idem, 1980, p. 792).

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Capítulo 2 - Anos 1960: Novos Desafios

Quando os anos de 1970 chegaram, a indústria automobilística já havia mudado de rosto. Após absorções e fusões, o mercado automotivo passou por um processo de reorganização da indústria, que envolveu efetivamente a absorção da FNM pela Alfa Romeo, a Vemag pela Volks, a substituição de tantas outras por nomes como General Motors, Ford e Chrysler, e, durante os anos 1968 a 1978, se caracterizou como um mercado amplo no que se refere a modelos. Um dos grandes nomes que teve sua estrutura modificada foi a Pellegrino, que, naquele período, foi adquirida pela empresa norte-americana Dana Corporation, tornando-se a primeira multinacional do segmento de aftermarket no País.

Uma década, novos protagonistas. Na 7ª edição do Salão do Automóvel, quem já era grande tinha espaço à altura. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.

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“O número de modelos oferecidos ao mercado, que foram sempre inferiores a 25 até então, e que o processo de reorganização reduziria para apenas 14 em 1968 aumentaria para 32 em 1970, 57 em 1974 e 70 em 1978. Da mesma maneira, enquanto os produtores da fase pré 67 lançaram 51 modelos novos, a indústria pós 67, que havia herdado 12 modelos do anterior, introduziu no mercado 139 novos modelos durante o período de 1968 a 1978” (Idem, 1980, p. 801).


Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Além dos desafios dentro da própria indústria, naquela década o setor ainda sofreu turbulência geopolítica e econômica; a começar com a criação da Comissão para concessão de incentivos fiscais e programas especiais de exportação (BEFIEX), a partir do Decreto-lei nº 1.219, de 15 de maio de 1972. O novo órgão impactou nos processos de exportação e no que se refere aos incentivos fiscais. Um ano depois, a economia mundial sofreu um abalo com a primeira crise do petróleo. Com o embargo dos países produtores de petróleo no mundo, o governo brasileiro criou medidas de restrição do uso de gasolina, com o aumento dos preços e a limitação do período de funcionamento dos postos. Paralelamente a isso, o País passava por uma delicada crise inflacionária que impactou nas políticas de financiamento e regulamentação de consórcios. Uma das ações do governo de Ernesto Geisel em 1975 para conter o cenário conturbado foi a criação do II Plano Nacional de Desenvolvimento, direcionado a injetar investimentos na produção de insumos, alimentos, energia e

bens de capital. E aquele pacote de medidas também chegou à indústria automobilística. Resultado: “quatro novas unidades fabris foram implantadas, sendo uma na Região Metropolitana de Belo Horizonte – MG (Fiat Automóveis), uma na Região Metropolitana de Porto Alegre – RDS (Agrale), uma na Região Metropolitana de Curitiba – PR (Volvo) e uma fábrica na região de Campinas em São Paulo (Mercedes Benz). Ainda neste período foram implantados dois centros de pesquisas e testes para veículos. Um centro de pesquisas na cidade de Indaiatuba (GM) e outro na cidade de Tatuí (Ford), ambas no Estado de São Paulo” (CORREIA, 2008, p. 30-31). Neste período, como alternativa à crise do petróleo, foi criado em 1975, por meio do Decreto nº 76.593, de 14 de novembro, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), forçando as fábricas nacionais a se adaptarem àquela realidade. “Pode-se citar como pontos positivos do período o surgimento do carro movido a álcool hidratado em 1978, geração de emprego e renda no aumento da oferta de mão de obra no campo” (MICHELLON, SANTOS, RODRIGUES, 2008, p. 4).

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Capítulo 2 - Anos 1960: Novos Desafios

Surgem os primeiros modelos movidos a álcool. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.

Período importante de desafios para a indústria nacional, o surgimento do álcool também impulsionou o cenário das retíficas, que antes mesmo de haver carro adaptado ao novo combustível nas ruas já trabalhavam na conversão pelo País afora. “Foi a indústria de reparação independente que fez o Proálcool funcionar”, reforçam José Arnaldo Laguna e Claudio Lambertucci, empresários retificadores daquele período. Este panorama se estendeu em 1979, com o segundo embargo dos países produtores ao mundo, gerando um mercado de veículos a álcool que chegou à década seguinte registrando um patamar de 700 mil unidades vendidas (em 1985).

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Mercado de modelos a álcool ganha força. Imagem: Livro Salão do Automóvel – 30 anos de História.


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Um novo patamar à vista

Período de grande mudança do setor, aquelas décadas não apenas modificaram profundamente a produção de automóveis, ditando e criando novos mercados, como estavam às portas de tempos de grande evolução tecnológica, que desafiavam as empresas da cadeia produtiva como um todo a atenderem às demandas que vinham para ficar. Acompanhando o quanto podia a tecnologia dos novos modelos, a indústria de reparação daquele período ficou marcada pela pessoalidade do negócio. “Podemos considerar este um período de consolidação do mercado de oficinas independentes. Naquela época, as concessionárias tinham a fama de serem muito caras e o cliente, ao mesmo tempo em que precisava do serviço, queria economizar. Assim, eles optam pelas oficinas independentes, onde passam a programar a revisão de seu veículo com os mecânicos. Desta relação, muitos se tornam amigos, dando outro aspecto ao mercado de oficinas no País, com o surgimento mais fortalecido do mecânico de confiança e também o socorrista, que era aquele que dava o suporte quando os automóveis ficam pela estrada”, reforça Fiola. Mesclada entre negócio familiar/independente e braço técnico de multinacionais, que consolidavam seu próprio pessoal para garantir a reparação de sua tecnologia, o setor de reparação automotiva logo entraria em uma fase diferente, deixando para trás seu lado “muito mais pessoal do que técnico”, por meio da formação de seus profissionais, os braços dados com a evolução tecnológica e novas posturas de gestão que tornariam a reparação automotiva num negócio vantajoso para os profissionais envolvidos, para a indústria de automóvel como um todo, para a sociedade e para as gerações futuras, por meio da sustentabilidade.

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CapĂ­tulo 3

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A Indústria e a Globalização

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Capítulo 3 - A Indústria e a Globalização

A partir dos anos de 1980-1990, uma enxurrada de demandas orbitou não apenas do segmento de reparação de veículos, e tampouco se encerrou na cadeia produtiva da indústria automotiva, mas por toda a economia; aqueles tempos representaram uma quebra estrutural de paradigmas em todas as esferas socioeconômicas e políticas do mundo a partir da globalização, que descentralizava as diferentes ações da sociedade e dialogava com o que vinha de fora. Até os anos de 1980, o setor de automóveis chegou a registrar alguns bons números de produção, mas logo em seguida passou por um processo de estagnação, com um parque industrial de alto grau de obsolescência. “A indústria automobilística brasileira não acompanhou as transformações verificadas nos países desenvolvidos. A retração da produção em níveis de capacidade ociosa muito elevada (equivalente a 27% da capacidade entre 1981-1984). [...] No final da década de 80, a idade média dos modelos produzidos no Brasil era quatro vezes maior que as dos modelos produzidos nos países desenvolvidos e o número de robôs instalados era equivalente a 0,2% dos instalados no Japão” (LUEDEMANN apud PANORAMA SETORIAL, 2003, p. 121). O gráfico abaixo mostra a evolução do faturamento em milhões de dólares das empresas da indústria automobilística entre 1980 e 2001 (MICAELO apud VALOR ECONÔMICO (2001), 2003, p. 28).

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Além do grave fosso tecnológico que separava a produção nacional, o País ainda passaria por duas dificuldades: a criação do Mercosul, que colocava em xeque a competitividade da tecnologia nacional diante da Argentina, que, àquela época, já possuía acordos automotivos com parques industriais aquecidos e subsidiados com investimentos; e ainda a crise em que as matrizes e subsidiárias das montadoras instaladas no Brasil estavam passando no cenário mundial. Frente a todas essas dificuldades, a indústria decidiu se mobilizar a fim de criar condições para que seus produtos pudessem concorrer de forma justa perante aquela dinâmica mercadológica. A partir de 1992, os principais representantes da cadeia automotiva se reuniram com o governo e criaram a Câmara Setorial da Indústria Automobilística, resultando na adoção de dois acordos automotivos (1992 e 1993), e buscaram reduzir a queda das

vendas por meio da redução do preço dos veículos; incentivar a exportação e financiamentos. “Entre as negociações realizadas na Câmara Setorial, tem-se a redução dos preços relativos dos automóveis (média uma redução de 22% nos carros de passageiros) e a isenção do IPI para carros populares (1000cc). Como consequência tem-se o recuo dos preços dos automóveis em relação à média das outras mercadorias, com um impacto benéfico sobre a demanda” (ROTTA, BUENO, 2000, p. 3). E não demorou muito para a resposta do mercado se apresentar positiva à indústria. A partir de 1993, o setor registrou um aumento na produção de 30% em relação ao ano anterior e, ainda, já começou a dar sinais de melhora com o expressivo aumento nas exportações (entre 1992-1994 as exportações cresceram quase 2,5 vezes e quintuplicaram entre 1992-1997).

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No ano em que o Plano Real foi implantado, o mercado interno foi aquecido e, em 1995, a produção chegou à casa dos 1,8 milhão de unidades no Brasil, representando a retomada do mercado de automóveis no Brasil, mas com a força necessária para aqueles tempos. “Durante o começo do Plano Real, a indústria esteve envolvida em um ambiente que priorizou a estabilidade ao crescimento; uma das soluções para não perder

Ao longo das décadas, o mercado automotivo deu um salto de variedade, com a convivência do nacional e do importado desafiando o mecânico nacional a evoluir constantemente. Imagens: Acervo ANFAVEA.

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mercado foi a criação dos ‘carros populares’ ou ‘carros 1000’, os mais baratos do mercado, preço reduzido devido a incentivos fiscais, o objetivo era atender a um público que não tinha acesso a novos carros, não encontravam concorrentes importados e principalmente suportando as empresas locais, margem necessária para a manutenção de preços competitivos em outros segmentos” (SILVA, 2007, p. 56-57).

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Os investimentos oriundos daquele período não foram suficientes para atender plenamente as demandas existentes, o que gerou um déficit externo de US$ 2,2 bilhões, segundo o Valor Econômico, em 2001. Frente a este setor, em 1995, surge o Regime Automotivo Brasileiro, programa de investimento e incentivo à exportação, com medidas como a redução do Imposto de Importação em bens de capital, insumo e veículos. Criado em meio ao cenário de negociações do Mercosul, o Regime Automotivo foi estabelecido através da Medida Provisória nº 1.235, de dezembro de 1995, e favoreceu a troca entre os países integrantes do Cone Sul, o que teve seus prós e contras, este último sobretudo para o mercado de autopeças e máquinas e equipamentos, que tiveram uma redução de 90% da alíquota do imposto de importação. “A abertura de mercado foi impactante, produzindo um cenário completamente novo, com um Salão do Automóvel que apresentava modelos como Rolls-Royce, Cadillac aliados a tecnologias que eram impensáveis até então. Apesar do propósito de fomentar a indústria local, demonstrou-se naquela atitude inicial o desnível de qualidade do que chegava e o que era produzido internamente”, afirma o diretor do Grupo Oficina Brasil, Cássio Hervé.

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Novo Arranjo, Novas Necessidades Um dos grandes diferenciais que demandou a atenção dos setores produtivos ligados ao segmento automotivo foi a tecnologia e, naquela época, a introdução da injeção eletrônica. Quando passou a ser uma realidade essa tecnologia em muitos veículos que circulavam no País, o alerta já havia sido dado sobre a introdução efetiva de avanços como a microeletrônica na rotina de produção automotiva. A despeito de quem duvidasse da capacidade do setor de reparação, a introdução da nova tecnologia representou a sua consolidação no mercado ao demonstrar que aquele profissional era capaz de fazer a manutenção dos automóveis com injeção eletrônica. Ao mesmo tempo, os anos 1990 foram determinantes para incitar nos profissionais a sua profissionalização, transformando-se em um período extremamente profícuo para o crescimento daquele mecânico. Um dos grandes propulsores da mudança do segmento foram os órgãos de representação. Em vários cantos do País, associações e sindicatos auxiliaram as empresas a profissionalizarem seu quadro colaborativo, a adquirirem novas tecnologias para impulsionar seu ferramental e ampliar sua demanda. Além de instigar o progresso dentro do setor, a representação crescente deu força e unidade para que estes se agregassem cada vez mais à necessidade de uma coexistência ativa e efetiva na busca por pleitos que iam além do conjuntural e que se estruturasse uma nova realidade benéfica a toda a cadeia automotiva.

Naquela década, o setor de reparação se fortaleceu por meio da unidade. Exemplo disso foi a tradicional festa do mecânico. Imagens: Acervo Sindirepa.

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... E por meio de suas representações. Imagens: Acervo Sindirepa.

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Aquele período foi decisivo e redefiniu a experiência e o próprio sentido destes profissionais na cadeia produtiva da sociedade. “A partir dos anos 1990, o ramo das oficinas mecânicas esteve diante da necessidade de uma maior ‘racionalização’ dos estabelecimentos e habilidades ligadas à ocupação. Considerando a profissão dos mecânicos, procura-se verificar de que modo as alterações nos automóveis acentuaram as diferenças entre os conhecimentos, equipamentos e as formas de aprendizagem referentes às atividades de reparação veicular, buscando observar como as inovações fomentaram uma diferenciação envolvendo saberes e práticas mais ‘artesanais e outras mais ‘técnicas’” (FERREIRA, 2011, p. 2). Apesar do forte movimento profissionalizante que seguia, a oficina brasileira não perdeu a sua essência: “Houve até um momento na história das oficinas em que as redes americanas queriam se instalar no Brasil visando automatizar mais o consumo que as oficinas nacionais tinham de peças e serviços. Mas os empreendimentos no País não aderiram ao movimento das redes, pois uma oficina aqui está mais voltada para uma

família e uma determinada classe social. Então, você não consegue padronizar esses procedimentos, porque o mecânico de confiança funciona de acordo com sua clientela de seu bairro. Então, você não consegue criar um padrão escrito para essas oficinas. E essas grandes redes vieram com propostas, mas percebeu-se que isso não funciona”, recorda Fiola. Outro grande desafio veio com a abertura de mercado e a entrada dos importados. “A abertura da economia brasileira na década de 90 afetou profundamente o setor automobilístico; o então presidente Fernando Collor queria modernizar a indústria, promovendo a concorrência aberta, entretanto, não foi estabelecido qualquer mecanismo de defesa contra as importações e nenhum preparo feito por parte das empresas nacionais. Como consequência, a abertura de mercado exigiu uma remodelação completa das estratégias vigentes, a fim de se adaptarem às novas regras do mercado. Durante o período em que as importações ficaram proibidas foi cultivada a produção de modelos locais, gerando enorme defasagem tecnológica, provocada principalmente pela falta de investimento e pela barreira na entrada de novas tecnologias” (SILVA, 2007, p. 56).

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Em meio a todo aquele processo de reestruturação, com a tomada de novas posturas e interlocução frente aos diferentes temas, houve momentos críticos para o setor automotivo, que vivenciou, só em 1991, a entrada de 19.843 veículos importados, com a maioria oriunda de importadores de marcas que não atuavam no mercado nacional. Daquele momento e ao longo de toda a década, o setor de reparação e de autopeças precisou acompanhar as demandas que vinham das ruas. A entrada maciça de importados no País representou o aumento de uma frota com tecnologia nova a ser reparada e que, na maioria das vezes, não contavam com as concessionárias ou tinham período de garantia. “Passamos a ter uma divisão do setor em que começa a nascer uma elite que consegue atender esses carros importados e por preços extremamente acessíveis ao consumidor”, reforça Fiola.

Ao longo das décadas, o mercado automotivo deu um salto de variedade, com a convivência do nacional e do importado desafiando o mecânico nacional a evoluir constantemente. Imagens: Acervo ANFAVEA.

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Gradualmente, o setor de reparação foi ocupando o espaço devido, munido de uma infraestrutura cada vez mais forte e uma representação à altura, que intercede por seus representados. Assim, temas que impactavam no setor como a importação, com a diminuição do Estado e a abertura de mercado; a revolução tecnológica, que exigia a renovação da frota com novos designs, marcas e modelos; e o próprio perfil das oficinas independentes ou não no Brasil, bem como a própria condição do profissional do setor; passaram a ser debatidos e reinventados por um conjunto cada vez maior de atores, partindo do diálogo e construção unificada para a sua materialidade prática no dia a dia das oficinas brasileiras.

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De uma plataforma básica, a indústria de reparação amadureceu temas de relevância como Regulamentação, ao se deparar com a necessidade de combater a pirataria e o uso de peças recondicionadas; Qualidade, ao ver que o uso das peças gerava sérios riscos ao automóvel e aos seus condutores. Passou a defender a manutenção preventiva, um dispositivo que, além de garantir vida útil ao automóvel, também salvaguardava o condutor de eventuais acidentes. Em meio a essas mudanças, o segmento introduziu nas pautas da sociedade a inspeção veicular, um tema que se desenrolaria até tornar uma etapa obrigatória a todo veículo licenciado a percorrer as ruas. Com esse tema, o setor de reparação acompanhou e colaborou com o movimento que se tornaria absoluto na sociedade: a defesa do consumidor (Lei nº 8.078/1990 – conhecido como Código de Defesa do Consumidor). Com estes temas, a reparação se aliou a um tema que mudou a forma de fazer negócio em todos os segmentos que geravam produtos e serviços à sociedade:

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“Cada vez mais o automóvel, assim como vários outros bens, incorpora uma quantidade significativa de serviços. Explicando melhor: o consumidor não compra apenas o veículo, ele compra o veículo e a garantia, a assistência técnica, um serviço de socorro 24h etc. (1997:515). Esse é um aspecto importante na concorrência hoje em dia. É verdade que, para um aumento do período de garantia ser viável, o sistema produtivo deve apresentar um bom desempenho em termos de qualidade, o carro deve ter tido um projeto bom etc. Mas é fato, também, que uma boa parte da percepção de qualidade do consumidor, da avaliação que faz o automóvel, se dá na relação com os serviços concessionários e autorizados” (FERREIRA apud SALERNO, 2016, p. 523). Outro tema a iniciar incursão na sociedade naquele período e que também teve seu lugar nas preocupações do segmento automotivo como um todo foi o meio ambiente, sobretudo após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio 92, uma das primeiras iniciativas que congregou um discurso unificado a favor do meio ambiente.


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Um dos grandes avanços da cadeia automotiva foi a criação, em 1994, do Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), organismo de certificação que passou a balizar a qualidade das empresas do setor. Dois anos depois, surgiu a certificação de competência profissional para qualificação dos profissionais automotivos, a ASE Brasil, um órgão implantado em parceria com a Automotive Service Excellence (ASE) dos Estados Unidos. No que se refere ao trabalho do segmento de reparação para a inovação, naquelas duas décadas muito de informação e formação fora compartilhada e transferida ou cursos técnicos em todo o País, e congregaram uma cadeia ávida em aprender e aplicar os novos conhecimentos.

Diante dos primeiros grandes desafios enfrentados pela nova conjuntura, o setor de reparação trilhou – e continua a trilhar – um caminho que se apresenta todos os dias. Passados aqueles anos de profundas reconstruções, seus agentes chegaram ao século XXI com novas pautas oriundas e naturais de cada conjuntura que nasce, mas ao mesmo tempo mais preparados para abraçar o novo, deixando para trás uma postura passiva sobre temas que o desafiariam e, até, antecipando a cadência dos acontecimentos futuros a partir do conhecimento adquirido em tempos difíceis.

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Reflexo das medidas tomadas nos anos anteriores, a trajetória da indústria automotiva nacional passou a percorrer novos rumos, que não seriam apenas macroeconômicos, mas de estrutura interna, de tomada de decisões de quem segurou as pontas naqueles tempos complicados e instáveis. O desafio posto de forma arrebatadora décadas anteriores reorganizou o mercado, criando uma onda de frescor e possibilidade, e dedicou-se a demarcar a diferença entre os que apostaram na própria mudança para garantir a longa vida de seu negócio e os que encerraram seu capítulo ali mesmo, nos autos do passado. O setor automotivo mundial apresentou nos primeiros anos do século XXI taxas elevadas de crescimento, sobretudo entre países em desenvolvimento, como os asiáticos. “O crescimento de 2000 a 2009 da produção de veículos observada tanto na China quanto na Índia fica muito acima da média dos demais países, sendo este um desempe-

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nho condizente com a expansão econômica observada em ambos. Se considerada a taxa de crescimento econômico no mesmo período – 1997 a 2009 – a China cresceu em média 9,02% a.a., enquanto a Índia obteve um crescimento médio de 6,08% a.a. (Banco Mundial, 2010)” (GABRIEL, et al. 2011, p. 6). Para o Brasil, os anos 2000 chegaram com otimismo. Indiscutivelmente, a tecnologia e sua desenfreada velocidade já haviam se estabelecido e exigiram o compromisso de constante atualização, seja de ferramental, de gestão ou mesmo na postura e na iniciativa dos profissionais. O resultado do conjunto de acordos firmados a partir do Regime Automotivo ao final dos anos de 1990, dentre outra medidas, chegaria ao novo século com números impressionantes, onde a indústria saiu de um mercado interno com 713.000 carros para registrar em 2000 a marca de 1.400.000 carros, sem contar a presença das montadoras, que dobrou.

No novo século, a frota brasileira cresceu exponencialmente. Imagem: banco de imagens.


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Naquele novo cenário, a indústria automotiva vivenciou, muito por conta do sistema de produção taylorista e seu ambiente de “hierarquia de controle informal” (LUEDEMANN, 2003), novidades como a descentralização industrial. Assim, no Brasil, a Medida Provisória nº 1.024, de 1995, e, posteriormente, a Lei 9.440, de 1997, iniciaram um pacote de concessão de benefícios (redução de impostos para importação e aquisição de matérias-primas, autopeças, máquinas e equipamentos) para incentivar as montadoras a instalarem suas plantas em regiões que não tinham tradição fabril, como Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

A partir daí, a indústria automotiva galgou degraus cada vez maiores, com aumento na produção e exportação. Muitos dos fatores dessa evolução viriam pelas mãos da própria indústria, que apostou na modernização de seus produtos, com o lançamento de novos veículos, a disponibilização de modelos importados e a renovação dos modelos ofertados pelas montadoras instaladas no Brasil. Por conta disso, houve um significativo aumento da produção e da produtividade, investimentos em novas plantas que se apresentam lucrativos, sobretudo pelos benefícios estatais que foram implantados, o que resultou em números importantes.

“Até a abertura comercial ocorrida no início da década de 1990, a produção concentrava-se, em sua quase totalidade, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Desde então, a indústria automotiva passou por grande desconcentração espacial. No ano de 1990, esses estados respondiam por 99,3% da produção nacional de veículos. Em 2009, essa participação foi reduzida para 69,4%, e estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro passaram a responder por quase 30% da produção” (BNDES, 2011, p. 199).

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Entre os períodos de 2002 e 2011, a produção total de autoveículos montados saltou de 1,63 milhão para 3,41 milhões de unidades, registrando um crescimento de 108,5%. Só em 2004, o setor fechou o ano com uma evolução 26,4% que a observada no ano anterior. No que se refere à exportação, o setor automotivo também obteve altas importantes e que seguiram ascendentes nos anos posteriores. As mudanças observadas nos últimos anos e que impactaram sobremaneira a cadeia automotiva, ofertando-lhes políticas de incentivo, promoveu, como consequência, o aumento da frota veicular brasileira, mas também mudou a cara do setor de reparação. Na medida em que o mercado passou a absorver cada vez mais tecnologia, a mecânica automotiva sofreu a influência de forma adversa, mesclando-se entre novidades instigantes – a exemplo da introdução nas oficinas das máquinas de pintura, com todo aquele mix de tintas – e cenários impactantes para a reparação. “Até a década de 1990, falava-se de umas 200 mil oficinas mecânicas no País, porque a frota, apesar de ser muito menor, era composta de carros cuja tecnologia a cada 10.000 km tinha que parar para uma limpeza de carburador, no mínimo. Com o tempo, a tendência foi mudando, e esse período de manutenção se estendeu para, em média, 40.000 km. Por conta da baixa demanda advinda da evolução tecnológica, o número de oficinas mecânicas foi caindo, e hoje estima-se, mais ou menos, 120 mil”, afirma Cássio Hervé, da Oficina Brasil.

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Por conta desse cenário, a partir dos anos 2000, o setor de reparação automotiva amadureceu seu perfil de profissionalização, com o desenvolvimento de novos processos técnicos e tecnológicos. De um “espontaneísmo amador”, o novo mecânico passou a entender sobre gestão empresarial, capacitação técnica e a trilhar caminhos em busca de uma bemsucedida racionalização dos serviços empreendidos, aumentando assim a sua produtividade. Neste bojo, o mecânico empresário garantiu cada vez mais seu engajamento em dispositivos de garan-

tia de qualidade como as certificações. Prerrogativa daquele novo século em todos os setores produtivos, a busca pela qualidade, inovação e sustentabilidade foram os motores que deram sustentação ao crescimento do mercado de reparação que permaneceu ativo e se diferenciou dos demais pelo investimento nesses predicados. “Entre as iniciativas de racionalização do ramo estão a elaboração de certificações de competência profissional, como a ASE Brasil, que surgiu em 1996 de uma parceria com a ASE (Automotive Service Excellence) dos Estados Unidos” (FERREIRA, 2016, p. 526).

Ao longo do tempo, esta certificação foi sendo substituída e hoje ela é feita por meio de processo de certificação profissional por competências do SENAI. A iniciativa, que conta com o apoio do SINDIREPA, avalia as competências do profissional de manutenção de veículos automotores através de uma prova prática e teórica.

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Juntamente a esse movimento, a classe empresarial de reparadores também fortaleceu, ao lado de suas principais representações, temas dedicados à manutenção preventiva e inspeção veicular em seu Grupo de Manutenção Automotiva (GMA), que passou a liderar na defesa da campanha nacional “Carro 100% / Caminhão 100% / Moto 100%”, uma iniciativa que ganhou o apoio do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e do Ministério das Cidades. Devido à força que o setor de reparação tem conquistado ao longo dos anos, desde 1999, a Central de Inteligência Automotiva (Cinau), a pedido do Sindirepa, passou a realizar a pesquisa denominada Imagem das Montadoras, originando o índice RO (Recomendação da Oficina), uma renovação no plano prático da Lei nº 6.729, em vigor desde 1979, que alterou o relacionamento das montadoras com as oficinas independentes. Esta ação gerou frutos importantes no que se refere ao diálogo entre os agentes da cadeia automotiva, balizando positivamente o papel de ambos, atualizando as duas partes sobre as novas tecnologias e contribuindo para a construção de uma rede confiável de serviços, desde a produção automotiva aos serviços de reforma que abraçaram a modernidade dentro de suas oficinas. E não foram apenas as oficinas e as montadoras que ganharam com essa mudança:

Ao longo dos anos, assim como o setor de reparação automotiva, as montadoras evoluíram ao longo dos anos. Imagem: banco de imagens.

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“Antigamente o próprio cliente tinha um perfil diferente, ele mesmo não sabia nada sobre seu carro e hoje está mais exigente e tem conhecimento básico do funcionamento do seu carro. Ele quer realizar as manutenções num lugar especializado, onde o problema será resolvido com segurança e garantia. Fica caro para o motorista deixar o carro em qualquer lugar, e ele sabe disso” – Geraldo Luiz Santo Mauro.


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Ao longo dos anos, o setor de reparação, por meio da iniciativa de seus agentes e da força de suas representações, desconstruiu a antiga ideia de um espaço de curiosos e amadores, passando a imputar em seu negócio a necessidade de perícia técnica qualificada e conhecimento de gestão. “No Senai Automotivo, além dos cursos de iniciação e de aperfeiçoamento profissional, foi implementado, em 2002, o Curso Técnico de Manutenção Automotiva, com duração de dois anos e estágio de seis meses, realizado durante ou após a conclusão do Ensino Médio. O curso habilita o aluno a tornar-se encarregado técnico, a supervisionar e a assinar como responsável por todas as atividades executadas na oficina” (FERREIRA, 2016, p. 528). Atualmente, o setor apresenta oportunidades de formação tanto em aprendizagem técnica como em formação superior e até pós-graduação.

O crescimento dos cursos de capacitação na área de reparação automotiva garantiu uma verdadeira mudança de paradigma para o setor. Imagem: Acervo SENAI-DF.

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E um dos grandes impulsionadores que fez dar certo este novo cenário foi o próprio mecânico, que viu naqueles anos e nos seguintes a oportunidade de se diferenciar e crescer em seu negócio: Família Scopino.

“Eu comecei aqui na época de 1963 e na época era só carburador, não existia injeção eletrônica, nada disso aí. E tudo era mais fácil, tanto peça de motor quanto peça de suspensão, de freio, tudo era mais fácil, porque era pouca marca de carro. Em relação a dinheiro, era melhor também, ninguém pedia orçamento, mandava fazer o serviço e aí se fazia direto. Era tudo muito mais fácil que hoje. Hoje com a injeção eletrônica tudo é complicado, para achar o defeito, para achar peça, tem o orçamento etc. Na época, tínhamos uma média de 10 funcionários, já no começo, pois sempre tivemos muito

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“A década de 90 foi promissora para quem realmente era empresário, e separou o mecânico do empresário da reparação, nesta época já era o momento de se passar o bastão, que hoje está sob o comando de meu filho. Geração nova combina com novas tecnologias, e começou um crescimento de cerca de 10% ao ano na empresa. Hoje, o empresário deve ser profissional no que faz”, afirma Giovanni Scopino, italiano.


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movimento aqui, mas era mais regulagem de motor. Hoje, a empresa est&a acute; nas mãos da nova geração, que sempre se atualiza com cursos de injeção eletrônica. Hoje somos autorizados Bosch e Marelli. Então meu filho que faz os cursos e capacita nossos mecânicos. E a minha filha, que cuida da administração da empresa” – Sr. Juan Samos Gimenes, espanhol, fundador da Mecânica do Gato. A construção dessa cultura do novo mecânico empresário contribuiu para a qualificação e o respeito do serviço frente à sociedade. Acompanhando o setor de reparação de perto, seus órgãos de representação criaram meios para que as oficinas aprendessem a lida dos negócios. Por isso, fomentou junto ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) a criação de um curso de gestão de oficinas em que trata de temas como marketing,

vendas de serviço, formação de preço, estoque e outros assuntos próprios dos empreendimentos modernos. “A análise da indústria da reparação automotiva revela que o processo de reconversão produtiva do complexo automobilístico implicou uma série de transformações no setor de serviços. O período é de alterações nas formas de organização do trabalho, nas práticas de gestão e nas tecnologias empregadas nos automóveis e equipamentos de reparo” (FERREIRA, 2016, p. 543). Atualmente, o setor de reparação responde a essa nova postura com números expressivos e uma importante participação na economia nacional. “O negócio de reposição de autopeças é hoje, no Brasil um mercado adulto que conta coma presença de todas as principais marcas mundiais”, afirma Luiz Carlos Vieira.

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Capítulo 4 - Século XXI: De Oficinas Para a Reparação de Veículos

Segundo dados da Associação de Entidades Oficiais da Reparação de Veículos do Brasil (Sindirepa Nacional), foi para 123.324 o número de estabelecimentos de reforma e reparação automotiva em 2016, onde os seus canais de compra estão cada vez mais bem distribuídos: lojas de autopeças (51%), distribuidores (22%), concessionárias (21%) e outros canais (6%), em um setor que movimentou, no ano passado, R$ 66,4 bilhões. “Apesar de apresentar um número menor em relação ao universo de oficina nos anos 1990, os números do setor atualmente demonstram um crescimento em meio a uma nova realidade do mercado em que o maior responsável pela abertura de novos estabelecimentos de reparação foi a grande produtividade conquistada pelo setor ao longo dos anos (ex.: de 140 carros por oficina, já alcançamos a marca de 500. Nos Estados Unidos, já são 1.000)”, afirma Cássio Hervé, Oficina Brasil.

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Em relação à participação por subclasse, o setor se apresenta da seguinte forma: Mecânica (65,55%), com automóveis e comerciais leves compreendendo 90% e caminhões, 10%; Colisão (11,05%); Lavagem/Acessórios (17,11%); Borracharia (6,29%). No que se refere à participação no mercado de trabalho, o setor de reparação absorveu 752 mil vagas diretas e indiretas. Vale ressaltar que o setor de colisão foi incluído em 2014. O Comitê Brasileiro de Automóveis, Caminhões, Tratores, Veículos, Similares e Autopeças (CB05) definiu as normas técnicas para o segmento de reparação e pintura dos elementos de carroceria de veículos. Com um mercado cada vez mais ativo, o segmento da reparação no Brasil, de fato, amadureceu. Ao longo dos anos, tomou (e toma) decisões empresariais mais sólidas e acompanha com compromisso os novos tempos.


Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Com o passar dos anos, as oficinas adotaram uma postura mais profissional e com espaços mais modernos. Imagem: banco de imagens.

“O setor evolui a cada dia e a maioria dos sistemas depende de chips, sensores e atuadores. Se uma peça tem problema é necessário substituir por outra nova. O mecânico vai existir até quando existirem automóveis, seja na manutenção preventiva ou corretiva. A tendência, assim como nos EUA, é a abertura de centros automotivos, onde se oferecem todos os serviços de diagnósticos, que deverão ser apresentados nas oficinas onde os reparos serão realizados. As oficinas vão seguir um padrão, e a formação de parceria vai ficar cada vez mais necessária e eficaz.”, afirma Fiola.

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CapĂ­tulo 5

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Um Caminho Promissor para Reparação

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Capítulo 5 - Um Caminho Promissor para Reparação

Faz algum tempo que os compromissos com o futuro passaram a bater à porta do segmento de reparação e foram bem recebidos por seus atores. A partir do momento em que muitos profissionais do ramo não só foram chamados à necessária atualização, mas adotaram posturas e investiram na evolução de seus processos e tecnologias, a indústria de reparação já embarcava no futuro e passou a escrever sua história focada nesta premissa.

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Assim, ao longo dos anos, é notória a participação em eventos nacionais como Automec, Salão do Automóvel, marcando presença também em feiras internacionais e até instituindo e conquistando seus próprios espaços de evolução. Sob o signo da inovação, a indústria da reparação evoluiu na medida em que seu produto exigiu, alcançando, de oficina, a cara e o profissionalismo de empresas de reparação de veículos, capacitados e entusiasmados por oferecer soluções para problemas diários a quem busca o serviço na atualidade.


Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Não foram apenas os automóveis que encontraram a modernidade, com seus modelos variados, cores e tecnologia de ponta, mas quem repara e mantém a vida deles na atualidade e vive a importante fase do setor em que o que prevalece é o gosto pela inovação tecnológica, pela evolução de processos logísticos e de gestão, por uma rotina que prioriza a atualização e a equipe responsável pelo cotidiano das oficinas no Brasil. Mais que em qualquer outra época da história, o setor tem seus principais atores como os maiores propulsores do desenvolvimento:

tem apenas um carro do tipo na região dele e ele já quer arrumar aquele carro. Então, a categoria é composta por profissionais muito ávidos e que buscam sempre se atualizar de novos conteúdos. Por conta disso, o setor possui grande potencial, favorável ao seu constante crescimento”, afirma Antonio Fiola, atual presidente da Associação de Entidades Oficiais da Reparação de Veículos do Brasil (Sindirepa Nacional) e do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo (Sindirepa-SP).

“Atualmente, o mecânico não só corre atrás como também acompanha a evolução. Muitas vezes em demandas algum reparador pede nosso auxílio: não consigo arrumar este carro. Aí nós vamos à base do DENATRAN e

pauta do empreendedorismo, que lhe trouxe o questionamento sobre situações que, na configuração anterior, eram tratadas de forma natural e, em muitos casos, informal. Para alguns, o futuro chegou.

De donos de oficinas, muitos passaram a vivenciar a

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Capítulo 5 - Um Caminho Promissor para Reparação

“A reestruturação da indústria automotiva tem promovido uma estrutura de negócio mais polarizada na esfera dos serviços, na qual se projetam, por um lado, estabelecimentos com melhores condições de investimentos em termos tecnológicos, de formação e práticas de gestão eficiente e, por outro, aqueles que, sem os mesmos recursos, operam no limite do sustentável ou são excluídos devido à escassez dos seus capitais” (FERREIRA, 2016, p. 526). Unindo este novo profissional, é possível visualizar um futuro promissor ao setor de reparação, independente de sua complexidade tecnológica, pois este profissional está apto a ser o protagonista da mudança. Para o setor automotivo em geral, a tendência para os próximos anos merece a atenção de todos. Segundo a “Análise de Tendência” desenvolvida pela ANFAVEA, Auto Alliance, pela consultoria Roland Berger Strategy Consultants e publicada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, três tendências internacionais darão o tom dos próximos desafios da cadeia automotiva, incluindo a reparação automotiva: conectividade e convergência tecnológica, mobilidade inteligente (baseado no perfil de consumidor) e veículos autônomos (construídos para trabalharem sem motorista, utilizando-se de outras fontes de energia e sistemas de propulsão alternativos); ou o chamado Automóvel 4.0.

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Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

“Independentemente da tecnologia. Se ele for elétrico, se for híbrido ou se ele for a gás, ou seja, qual seja a fonte de energia, eu tenho dois quesitos: os carros que estão vendidos e os que vão vir; que não vão deixar de quebrar, de bater, o acidente não vai deixar de acontecer, então eu repenso meu negócio todos os dias: ‘bom, e aí, será que isso aqui vai acabar? Eu acho que não’. Pode haver alguns movimentos de transformação, mas não existirá a sucumbência do setor, que cresce”, ressalta Fiola. De acordo com o estudo, um importante cenário será desenhado para os próximos anos, com a previsão até 2034 de uma frota de 95,2 milhões, com 7,4 milhões de licenciamentos, uma média de 2,4 habitantes por veículo (prevendo uma população de 226 milhões) e diversos avanços tecnológicos.

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Capítulo 5 - Um Caminho Promissor para Reparação

Na geração 4.0, um dos principais norteadores da evolução tecnológica será a eficiência energética – e em muitos casos já é. “Portanto, será o tempo da tecnologia do motor a propulsão elétrica (energia limpa/verde) combinada com algum outro sistema auxiliar (híbridos): tração de recarga externa, combustão interna, energia de acumuladores elétricos, ou ainda conversão da energia química do hidrogênio em energia elétrica proveniente de diferentes fontes. Estes sistemas de propulsão conviverão com outras fontes alternativas de energia, como gás natural, etanol, biodiesel, além de formas inovadoras que as pesquisas certamente terão revelado” (SEBRAE, 2015). Para a indústria de reparação automotiva e de autopeças, além de acompanharem esta evolução, novos tipos de materiais serão introduzidos para produção e reparo, o que irá requerer desses agentes a iniciativa para se reciclarem continuamente. Com propriedades mais finas, leves e resistentes, eles serão o futuro, e o reparador deverá estar atento para fazer o melhor uso desses novos conhecimentos a seu favor.

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Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

A partir da análise da Auto Alliance, alguns deles são: Nanomateriais, que pela larga possibilidade de uso podem estar presentes como condutores de carbonos, fibras produzidas a partir de algas e pneus reforçados; Grafeno, um tipo de aço com 200 vezes a força dos tradicionais, mas ao mesmo tempo são finos como átomo; Aerogel, material desenvolvido pela NASA, considerado um dos mais leves do mundo. Confira outros:

Materiais e Processos com Alta Tenologia Nanotecnologia Nanomateriais

Nanotecnologia é a ciência de trabalhar com átomos e moléculas para desenvolver materiais ou equipamentos extremamente pequenos. Nanotubos condutores de carbono. Nanocelulose - fibra produzida a partir de algas, mais leve e forte do que fibra de carbono. Penus reforçados com nanopartículas, menor desgaste.

Grafeno

Tipo de aço 200 vezes mais forte, porém fino como um átomo.

Gorilla Glass

Vidor endurecido quimicamente, tornando-se extremamente resistente.

Aerogel

Desenvolvido pela Nasa, é um dos materiais mais leves do mundo. É constituído de 99,9% de ar, mas é capaz de manter um formato sólido.

Sensor Ultrassônico

Sensor que usa ondas sonoras para detectar objetos à distância ou para detectar pessoas/ movimentos dentro dos carros.

Tecnologias

Câmeras/Ondas de Rádio/Laser/Wirelass/Microprocessadores.

Sistema de Freios e Alertas

Alarmes: visual, sonoro, por vibração do volume.

Fonte: Auto Alliance - Driving Innovation.

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Capítulo 5 - Um Caminho Promissor para Reparação

Acompanhar essa tecnologia não será fácil, pois ela efetivamente diferenciará os que irão investir na implantação delas e os que ficarão para trás. E um dos grandes desafiados será o segmento de reparação automotiva, com a reinvenção de seu modelo de negócio e, mais, conhecer profundamente do que se tratam essas novas tecnologias e como elas deverão ser inseridas no cotidiano das oficinas. Atualmente, o setor já vivencia potenciais de convergência tecnológica: “essas tecnologias disponíveis possibilitam o desenvolvimento de sistemas de comunicação e interatividade, que são conjugados com outros sistemas, como o de segurança do veículo, por exemplo. Permitem também que os usuários permaneçam conectados a seus veículos 24 horas por dia” (Idem, 2015). E a aplicação de modelos inovadores na cadeia automotiva, com os

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carros elétricos, que já circulam por muitos locais do mundo e foram acolhidos por marcas de renome. Dentre as tecnologias já disponíveis para os usuários estão o Android Auto (Google) e o Car Play (Apple). Além deles, já existem aplicativos que auxiliam diferentes públicos, como o Smile Drive, que conecta os automóveis, promovendo a integração nas redes sociais, com trocas de conhecimentos. Serão muitas as prerrogativas a baterem à porta do setor de reparação em um futuro distante ou não. De potencial econômico natural, este nicho se alimenta dos níveis de produção automotiva, com aumento ou diminuição da frota. Da mesma forma, sofre impacto sobre a escolha diária do consumidor, que opta por visitar uma oficina em vez de uma concessionária, e também é influenciado pela casualidade cotidiana, com a ocorrência de acidentes ou defeitos que surgem sem previsão.


Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Mas, a despeito do que gira em torno do potencial do setor para o futuro, o que o faz efetivamente um setor promissor para figurar bem-sucedido nos próximos anos virá da iniciativa de seus agentes. Para impulsionar a reparação automotiva no País é preciso que um novo modelo de “mecânica” e de mecânico esteja à frente deste processo, preocupados com o diálogo possível entre a capacidade de seu negócio à tecnologia que surge. Para isso, um novo modelo de oficina se apresenta como a alternativa mais segura para os profissionais que almejam ter assento privilegiado no futuro da cadeia automotiva. A aliança com redes profissionais deverá ser o caminho com que as oficinas serão mais competitivas para poderem ultrapassar os novos desafios.

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CapĂ­tulo 6

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SINDIREPA

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Capítulo 6 - SINDIREPA

A história do Sindirepa teve seu início ainda nos anos 1940. Naquela época, ainda não havia uma indústria nacional de automóveis em formação, mas o setor de reparadores já existia, absorvendo as demandas dos importados que já circulavam pelo País. Gradualmente, o potencial fabril brasileiro e a produção automobilística foram ganhando força, ruas e oportunidades, e, junto dele, o segmento de reparação também cresceu.

Desde os seus primeiros anos, o Sindicato ajudou na formação de seus sócios com o investimento em espaços para atualização, como sua biblioteca. Imagem: Acervo Sindirepa.

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Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Com a popularização do automóvel, o setor acompanhou o mercado a fim de dar suporte à nova demanda que surgia. Depois de São Paulo, diversos Sindirepas foram sendo criados em diferentes regiões, com o objetivo de representar a ascendente categoria produtiva que se formava no Brasil. A entidade se fortaleceu por meio do diálogo junto aos órgãos governamentais e em parceria com os demais atores da cadeia de produção automotiva, comportamento esse que seguiu sendo sua marca até hoje. Nos anos 1990, o setor e toda a economia sofreram o impacto da abertura de mercado do governo, com a entrada cada maior de importados. Para o setor, diversos desafios se apresentaram, sobretudo no que se refere às novas tecnologias, que exigiam do reparador conhecimento e peças compatíveis com os novos tempos. Para auxiliar o setor neste sentido, os Sindirepas intensificaram a formação dos profissionais, com cursos técnicos e de capacitação junto ao SENAI. Além disso, impulsionou o empreendedorismo através de missões técnicas no exterior, participando de feiras e exposições e, até, promoção de feiras nacionais.

O Sindicato à frente das missões internacionais do segmento, a exemplo de curso, como o de Autotronic, realizado nos Estados Unidos, em 1995, na University Of South Florida. Imagem: Acervo Sindirepa.

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Capítulo 6 - SINDIREPA

Gradualmente, os reparadores alcançaram os novos tempos e, ao seu lado, tinham uma entidade forte, que sempre esteve dois passos à frente, para defender seus interesses e o conduzir ao futuro com segurança e com as ferramentas necessárias para vivenciá-lo com confiança.

Participação do Sindicato no desenvolvimento da Associação Latina Americana para o Desenvolvimento da Reparação Automotiva (ALAREPA). Imagem: Acervo Sindirepa.

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Comitê Brasileiro Automotivo. Imagem: Acervo Sindirepa.


Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!

Além do incentivo à profissionalização das empresas de reparação de veículos, os Sindicatos foram além, ajudando o mercado de reparação a adotar uma nova postura por meio de iniciativas para obtenção e valorização de credenciais.

Evento de 25 anos do Comitê. Imagem: Acervo Sindirepa.

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Observando a importância do exemplo de união como força competitiva, em 2013 foi fundada a Associação de Sindirepas – Sindirepa Nacional, com o objetivo de fortalecer as entidades patronais e melhorar ainda mais o diálogo com as áreas pública e privada.

Diretoria SINDIREPA NACIONAL Presidente Sindirepa São Paulo Antonio Carlos Fiola Silva Vice-Presidentes Sindirepa Bahia Mauricio Freitas Sindirepa Campos Gerais John Ralph Reis Sindirepa Goiás Alyson José Nogueira Sindirepa Maranhão Antonio Rosa Cruz Pereira Sindirepa Mato Grosso Fausto Koga Sindirepa Minas Gerais Carlos Ramon de Melo Sindirepa Pará André Luiz Ferreira Fontes Sindirepa Pernambuco Pedro Paulo Medeiros de Moraes Sindirepa Rio de Janeiro Celso Mattos Sindirepa Rio Grande do Sul Enio Guido Raupp Sindirepa Rondônia Edson Vander Cordeiro Sindirepa Roraima João da Silva Sindirepa Santa Catarina Eduardo Colzani Sindirepa Tocantins José Febrônio da Silva

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SINDIREPA NACIONAL

SINDIREPA BAHIA

SINDIREPA MARANHÃO

Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado da Bahia R. Edistio Pondé, 342 Salvador – BA 41770-395 Tel. (71) 3343-1246 sindirepabahia@gmail.com www.sindicatodaindustria.com.br/sindirepaba Presidente: Mauricio Toledo Freitas

Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Maranhão Av. Jeronimo de Albuquerque, s/nº – 3º Andar 65060-645 São Luis – MA Tel. (98) 3082-1441 contato@sindirepama.com.br www.sindirepama.com.br Presidente: Antonio Rosa Cruz Pereira

SINDIREPA CAMPOS GERAIS

SINDIREPA MATO GROSSO Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Mato Grosso Av. Historiador Rubens Mendonça, 4193 78049-940 Cuiabá – MT Tel. (65) 3644-2926 sindirepamt@gmail.com www.sindicatodaindustria.com.br/sindirepamt Presidente: Fausto Massao Koga

Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios de Campos Gerais R. Freire Alemão, 1315 84040-050 Ponta Grossa – PR Tel. (42) 3223-9542 sindirepacg@gmail.com www.sindirepapg.com.br Presidente: John Ralph Reis SINDIREPA GOIÁS Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Goiás R. 200, 1121 – Quadra 67C – Lotes 01/05 74645-230 Goiânia – GO Tel. (62) 3224-0121 go.sindirepa@gmail.com www.sindicatodaindustria.com.br/sindirepago Presidente: Alyson José Nogueira

SINDIREPA MINAS GERAIS Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Minas Gerais R. Bernardo Guimarães, 63 – 5º Andar 30140-080 Belo Horizonte – MG Tel. (31) 3282-1417 sindirepa@fiemg.com.br www.sindirepamg.com.br Presidente: Carlos Ramon de Melo

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SINDIREPA PARÁ Sindicato da Industria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Pará Trav. Quintino Bocaiuva, 1588 – Bloco B – 6º Andar – Sala 6 66035-190 Belém – PA Tel. (91) 4009-4893 sindirepa@fiepa.org.br Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado da Pará Presidente: André Luiz Ferreira Fontes

SINDIREPA RIO GRANDE DO SUL Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Rio Grande do Sul R. Marcelo Gama, 99 90540-040 Porto Alegre – RS Tel. (51) 3342-6063 sindirepa-rs@sindirepa-rs.com.br www.sindirepa-rs.com.br Presidente: Enio Guido Raupp SINDIREPA RONDÔNIA

SINDIREPA PERNAMBUCO Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Pernambuco Av. Cruz Cabugar, 767 – 5º Andar 50040-000 Recife – PE Tel. (81) 3412-8528 sindirepa@fiepe.org.br www.sindicatodaindustria.com.br/sindirepapepe/ Presidente: Pedro Paulo de Medeiros de Moraes SINDIREPA RIO DE JANEIRO Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Rio de Janeiro R. Santa Luzia, 685 – 8º Andar – Sala 820 20030-041 Rio de Janeiro – RJ Tel. (21) 2517-2180 sindireparj@sindirepa.org.br www.sindicatodaindustria.com.br/sindireparj/ Presidente: Celso Mattos

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Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Rondônia Av. Celso Mazutti, 1711 76980-000 Vilhena – RO Tel. (69) 3322-8165 sindirepa.ro@outlook.com Presidente: Edson Vander Cordeiro SINDIREPA RORAIMA Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Roraima Av. dos Bandeirantes, 1015 69309-185 Boa Vista – RR Tel. (95) 3625-8405 sindireparr507@gmail.com www.sindicatodaindustria.com.br/sindireparr Presidente: João da Silva


SINDIREPA SANTA CATARINA Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Santa Catarina Av. Aluísio Pires Condeixa, 2550 89221-750 Joinville – Santa Catarina Tel. (47) 3461-3390 sindicatos.secretaria@acij.com.br www.sindirepasc.com.br Presidente: Eduardo Colzani

Fundadores Ailton Aires Mesquita Airton Tenório de Albuquerque Antonio Carlos Fiola Silva Carlos Ramon de Melo Celso Mattos Elias Correia Pedrozo Enio Guido Raupp Reginaldo Rossi

SINDIREPA SÃO PAULO Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo Av. Indianópolis, 2357 04063-004 São Paulo – SP Tel. (11) 5594-1010 sindirepa@sindirepa-sp.org.br www.sindirepa-sp.org.br Presidente: Antonio Carlos Fiola Silva SINDIREPA TOCANTINS Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Tocantins R. Gaucho, 300 – Sala 5 77804-020 Araguaína – TO Tel. (63) 3414-2734 cosma@sistemafieto.com.br www.sindicatodandustria.com.br/sindirepato Presidente: José Febrônio da Silva

Lista de Entrevistados Alvaro Pereira Antonio Fiola Cassio Hervé Claudio Lambertucci Enio Guido Raup Francisco De La Torre Guido Luporini José Arnaldo Laguna Luiz Carlos Vieira Mario Penhaveres Baptista Renato Giannini Salvador Parisi Sergio Comolatti Theophil Bernhard Jaggi

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Fichas Técnicas

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Diretoria Histórico Silvio R. Alencar de Almeida

Comercial para a América do Sul

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Diretoria Histórico Carlos H Zarlenga

President & Managing Director GM Mercosur

Cesar Watanabe Toledo

GMSA Customer Care & Aftersales Director

Carlos Eduardo Casagrande

Senior Aftersales Manager Commercial

Marco Antonio F Silva

Aftersales Product Marketing & Sales Admin. Manager

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Fundada em 1911, em Detroit, a Chevrolet é uma das maiores marcas de veículos do mundo, com negócios em mais de 100 países e vendas anuais de mais de 4.0 milhões de veículos. A Chevrolet oferece aos clientes veículos com consumo eficiente, desempenho envolvente, design inovador, características de segurança passivas e ativas e tecnologia de fácil utilização. No ano de 2016 a Chevrolet vendeu 345.916 mil no Brasil e 99.700 mil na Argentina. Em 2017, as operações na Argentina e Brasil foram integradas na GM Mercosul com quatro Complexos Industriais que produzem veículos motores e componentes.

Missão Conquistamos os clientes para sempre. Nossas marcas inspiram paixão e lealdade. Transformamos tecnologias de ponta em veículos e experiências que as pessoas amam. Participamos e contribuímos para a melhoria das comunidades onde trabalhamos ao redor do mundo. Estamos construindo a mais valiosa empresa automotiva.

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Diretoria Histórico Octavio de Lazari Junior

Presidente

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O Grupo Bradesco Seguros, conglomerado segurador da Organização Bradesco, lidera o mercado de seguros brasileiro, com atuação multilinha em âmbito nacional nos segmentos de Seguros, Capitalização e Previdência Complementar Aberta. Sua estrutura conta com núcleos de atendimento, escritórios e Sucursais em todo o país.

Missão Nossa missão é ser o ser o melhor lugar para o segurado proteger a vida, o futuro, a saúde e o patrimônio; e para corretores produzirem e funcionários trabalharem.

Produtos A comercialização de seus produtos se dá por meio da Rede de Agências do Banco Bradesco e da parceria de cerca de 40 mil corretores. Todo o portfólio de produtos do Grupo Bradesco Seguros é voltado para atender necessidades tanto de clientes pessoas físicas como jurídicas, com a segurança do maior Grupo Segurador do Brasil.


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Site: https://caoa.com.br/ Telefone: (11) 3386-9907 E-mail: rogerio.gonzaga@caoa.com.br

Histórico Fundada em 1979, a CAOA é a maior rede de concessionárias da América Latina e referência no setor automotivo brasileiro. Emprega cerca de 7 mil colaboradores e possui concessionárias das marcas Ford, Hyundai e Subaru. Em abril de 2007, a CAOA inaugurou a primeira fábrica da Hyundai no Brasil, a CAOA Montadora de Veículos. O empreendimento de R$ 2,5 bilhões, construído em Anápolis, com recursos próprios e operando com processos de alta tecnologia que garantem elevados níveis de qualidade aos produtos brasileiros. Nos últimos três anos a CAOA investiu intensamente no desenvolvimento de processos internos em sua área de Pós-Venda, com a reestruturação de oficinas, treinamento e qualificação constante da mão de obra. Atualmente, a rede CAOA de Pós-Venda administra cerca de 130 oficinas próprias e nomeadas espalhadas pelo Brasil. Para atender com eficiência toda essa demanda, em 2014 foi inaugurado o Centro de Distribuição de Peças do grupo CAOA, em Barueri / São Paulo. Com área total de 14.000 m², possui um estoque abastecido com mais de 100.000 mil peças diferentes e mais de um milhão de unidades em estoque. Como resultado desse trabalho, em 2017 a CAOA atingiu pela primeira vez, o topo das duas pesquisas realizadas pela consultoria J.D. Power, reconhecendo sua qualidade no ato da venda e nos serviços de Pós-Venda, garantindo que os clientes tivessem a melhor experiência dentro das concessionárias e oficinas da CAOA.


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Site: www.nakata.com.br Telefone: 0800 707 8022 E-mail: sac@nakata.com.br

Histórico A Nakata Automotiva, fabricante de autopeças para o mercado de reposição com mais de 60 anos de atuação no Brasil, especialista em componentes de undercar para veículos leves, pesados e motocicletas. A estrutura das operações é composta por fábrica, em Diadema-SP, sede administrativa, em Osasco-SP, e centros de distribuição, em ExtremaMG e Santo André –SP. A Nakata Automotiva desenvolve produtos de alta performance para atender o mercado de reposição, garantindo soluções completas aos reparadores, além de serviço de suporte técnico.

Missão Oferecer e garantir soluções competitivas para a reparação de veículos, atendendo às demandas do aplicador, usuário, colaboradores e acionistas.

Produtos Soluções em componentes de Suspensão, Direção, Transmissão, Freios e Motor para veículos leves, pesados e motocicletas.


diretoria Histórico Rubens Campos Vice-Presidente Sênior Aftermarket Automotivo Schaeffler América do Sul

Encontre nossa empresa:

Site: www.schaeffler.com.br Telefone: 0800 11 10 29 E-mail: sac.br@schaeffler.com Facebook: SchaefflerBrasil

Sediada na Alemanha e presente no Brasil desde 1958, a Schaeffler é uma fornecedora automotiva e industrial integrada. Com suas marcas LuK, INA, FAG e Ruville, a empresa representa a mais alta qualidade em tecnologia de ponta e tem uma forte capacidade de inovação, contribuindo de forma fundamental para a “mobilidade para o amanhã”, com componentes e sistemas de alta precisão em aplicações de motor, transmissão e chassis, bem como soluções de rolamento e guias deslizantes para um grande número de aplicações industriais. Na América do Sul, conta com uma planta em Sorocaba-SP e escritórios de vendas na Argentina, Chile, Colômbia e Peru.

Missão “Guiados pelos valores de uma empresa familiar global, trabalhamos em estreita colaboração com nossos clientes como verdadeiros parceiros para oferecer uma proposta de valor atrativo, por meio da nossa melhor experiência em tecnologia de fabricação e know-how de sistemas. Ao fazer isso, contribuímos para o sucesso de nossos clientes, o avanço de nossos colaboradores e a prosperidade da nossa sociedade. ”

Produtos Sob as marcas LuK, INA, FAG e Ruville, a Schaeffler abrange as diversas linhas de veículos divididas em suspensão, motor, transmissão e roda. Produtos de alta qualidade são um sinônimo de força inovadora, foco no cliente e qualidade para numerosos produtos automotivos.


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Apoio:


Editora Barúna Projeto Gráfico Rua Sete de Abril, 105 - Conjunto 4C Cep 01043-000 - São Paulo - SP (11) 3167-4261

Débora Neves

Revisão Adriane Gozzo

www.editorabarauna.com.br


SINDIREPA - Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!  

Remeter-se a uma história que vai além das empresas do segmento de reparação de veículos é reunir em uma só trajetória toda a dedicação e am...

SINDIREPA - Indústria da Reparação de Veículos: História e evolução pelo tempo!  

Remeter-se a uma história que vai além das empresas do segmento de reparação de veículos é reunir em uma só trajetória toda a dedicação e am...

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