Palavras de Berço - prelo

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PALAVRAS DE BERÇO

Volume No 1

Verão 2026

VÍNCULOS QUE SE INSCREVEM

editorial ensaio voz poesia

Cássia V. Bittens, direção editorial

PALAVRAS DE BERÇO

Volume No 1 - Verão 2026

PALAVRAS DE BERÇO é uma publicação do LITERATURA DE BERÇO em parceria com o Grupo de Estudos da Literatura de Berço Revista digital de distribuição gratuita, proibida a sua comercailização

DIREÇÃO EDITORIAL

Cássia V Bittens

PROJETO GRÁFICO

Cássia V Bittens

REVISÃO

Cássia V Bittens

TRATAMENTO DAS IMAGENS

Cássia V. Bittens Mmmm mmm mmm, mmm mmmm m mmmmmm. Mmm mm mmmmm m mmmm, mmmm mm mmmmm. Mmmm mmm mmm, mmm mmmm m mmmmmm. Mmm mm mmmmm m mmmm, mmmm mm mmmmm. Mmmm mmm mmm, mmm mmmm m mmmmmm. Mmm mm mmmmm m mmmm, mmmm mm mmmmm. Mmmm mmm mmm, mmm mmmm m mmmmmm. Mmm mm mmmmm m mmmm, mmmm mm mmmmm. Mmmm mmm mmm, mmm mmmm m mmmmmm.

CRÉDITOS DAS IMAGENS

Todos os direitos reservados É autorizada a reprodução em meio impresso ou digital de partes da publicação desde que respeitada os termos da lei no que se refere ao crédito dos autores e da revista, conforme as regras da ABNT Cassía V. Bittens

Agradecimentos especiais às pesquidadoras do Grupo de Estudos da Literatura de Berço pela cessão de seus textos e imagens Mmmm mmmm m mmm, mmm m mmmmm mm Mmm, mmmm mm mmmm mmmmmm Mm, mmmm mm mmmmmm mmm mmmmm mmmm

VISTA

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Laura Sant´Ana - Como ocorre a criação de vínculos com os bebês?

Carla Braz Metzener - O vínculo, como lembra o psicanalista Victor Guerra, é co-construído É como uma dança entre o bebê e quem o cuida nem sempre é a mãe biológica, mas aquele que cumpre a função materna. Após o nascimento, o corpo do bebê que antes era contornado pela parede uterina e envolto pelo líquido amniótico perde esse invólucro primordial. E é justamente o toque, o acolhimento, o ritmo do cuidado e a presença que vêm substituir esse primeiro continente físicoemocional.

LS - Como fica o vínculo já na vida intrauterina com os avanços da medicina fetal e da escuta clínica?

CBM - O vínculo entre a mãe e o bebê tem início ainda na gestação. Já no útero, o bebê está imerso em uma matriz de sensações, sons, ritmos e afetos.

Dessa maneira, cabe ao adulto que recepciona o bebê no mundo decodificar as necessidades do bebê, dando forma e sentido, imprimindo um ritmo entre o dentro e o fora, entre o corpo e o mundo, pois é nesse espaço de mediação que o bebê pode começar a habitar a vida fora do útero de forma possível, criativa e integradora

O vínculo entre a mãe e o bebê tem início ainda na gestação. Já no útero, o bebê está imerso em uma matriz de sensações, sons, ritmos e afetos.

LS - Existem elementos imprescindíveis para que os vínculos sejam criados?

CBM - O cuidado nesse início não é apenas físico, mas essencialmente emocional O bebê precisa ser tocado, acolhido, olhado, escutado envolvido por uma presença que se deixe afetar e que ofereça, como diria Winnicott, um ambiente suficientemente bom. Um ambiente onde o psiquismo nascente possa ancorar-se, onde as protoconversações comecem a se esboçar, e onde os sons do mundo especialmente os da prosódia materna comecem a fazer sentido como forma de contato e reciprocidade.

LS - De quais formas a leitura para e com bebês pode auxiliar na criação de vínculos com as pessoas ao seu redor?

CBM - A literatura para bebês, nesse contexto, ganha um lugar de grande potência. A leitura compartilhada entre mãe e bebê, ou entre o bebê e quem cuida, oferece não apenas um momento de encontro, mas também um envoltório emocional. A voz que lê suave, ritmada, afetiva atua como uma espécie de envelope sonoro Ela embala, protege, comunica estados emocionais. Ela dá textura ao vínculo, favorecendo a construção de um espaço transicional onde o bebê pode brincar com os significados, com os ritmos e com a própria linguagem nascente.

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LS - Na sua opinião, o benefício da leitura é exclusivo do bebê?

CBM - Claro que não, a leitura também toca a mãe, o pai, os cuidadores permitindo-lhes reencontrar o bebê que foram um dia. Como afirma Victor Guerra, a chegada de um bebê convoca toda a família a reviver, em alguma medida, suas próprias experiências arcaicas A literatura, então, pode atuar como um instrumento de mediação simbólica, abrindo um espaço de reconexão com a própria infância, permitindo que o adulto também se sinta cuidado enquanto cuida

LS - Afinal, quem cuida de quem?

CBM - Trata-se de um cuidado duplo: o livro pode embalar o bebê, mas também

a mãe em seu cansaço, em suas angústias, em suas redescobertas. Ele pode funcionar como objeto transicional compartilhado, possibilitando que ambos habitem juntos um espaço de ternura, imaginação e escuta.

LS - Encerrando...

CBM - Considero a literatura voltada aos bebês algo precioso Os livros da Literatura de Berço compreendem a delicadeza e a profundidade desse momento oferecem mais do que histórias: oferecem texturas de vínculo, gestos poéticos, territórios de encontro E é nesse solo fértil que os primeiros fios da vida psíquica vão sendo tecidos.

O bebê talvez não leia palavras, mas habita ritmos.
E talvez o literário se inscreva aí: no que se compartilha antes mesmo de nomear.
Cássia V. Bittens
PALAVRAS

DE BERÇO

PONT

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Ler com um bebê é abrir o portal mágico e entrar com a afetividade num encontro de olhares e palavras. No embalo do colo, na voz que se entona, na mordida no livro e nas mãos que tocam as páginas, um mundo se revela e florescem vínculos de encanto, linguagem e descoberta.

CORDÃO DE PALAVRAS: TECENDO VÍNCULOS NAS POÉTICAS VOCAIS DAS NARRATIVAS DE BERÇO

Adriana Minghetti da Silva

Daniela Farto Brugnerotto de Aguiar

Priscila Bombassei Amorim

LOGO PENSEI DE ESCOVAR PALAVRAS. PORQUE EU HAVIA LIDO EM ALGUM LUGAR QUE AS PALAVRAS ERAM CONCHAS DE CLAMORES ANTIGOS. [...] EU JÁ SABIA TAMBÉM QUE AS PALAVRAS POSSUEM NO CORPO MUITAS ORALIDADES REMONTADAS E MUITAS SIGNIFICÂNCIAS REMONTADAS (BARROS, 2003, P.17)

Assim como Manoel de Barros escova as palavras, tomamos como ponto de partida escovar os sentidos da palavra: cordão enquanto elo, vínculo e abertura para o mundo desde sempre. Num primeiro momento, gostaríamos de refletir sobre o bebê e suas relações e potencialidades, longe de serem pautadas em etapas de desenvolvimento e sim, em suas singularidades como fonte das interações.

Muitos estudos apontam que as primeiras experiências sonoras dos bebês têm origem nos sons intra uterinos, à medida que a audição se desenvolve, muitas percepções já reconhecem a linguagem. Um fio que carrega enunciados, um cordão, que trazemos como metáfora, uma linha que vincula a cultura a poéticas vocais, um caminho para os sentidos e as experiências que acompanha o bebê.

Esses sentidos que chegam por palavras ora sussurradas, ora cantadas, ora ditas de forma afetuosa e narradas de modo a criar um fio que costura presença, cuidado e afetos nas relações entre pessoas adultas e bebês. São vozes que embalam, que tocam, que comunicam para além do signo da palavra dita, por meio dos gestos de acolhimento e humanização que atravessam o tempo e ecoam nas memórias.

Muitas dessas memórias nos chegam porque a palavra “passa de corpo a corpo” como afirma a poeta e pesquisadora Leda Maria Martins (2021).

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Uma palavra performática que, ao ser compartilhada numa canção de ninar, nos brincos ou acalantos, traz muito mais do que sons brincantes: estabelece um entrelaçar de presença, escuta e corporeidade estética, “o gesto e a voz modulam no corpo a grafia dos saberes das mais variadas ordens e de naturezas as mais diversas” (Martins, 2021). A palavra se torna corpo, e no embalo do canto, o bebê reconhece uma escuta que o acolhe e a sustenta, entendendo a “estética como uma forma de vida que implica reconhecer que cada criança traz uma história de vida pessoal única, moldada por sua cultura, ambiente e experiências anteriores”.(Aguiar, 2024). Neste contexto retomamos uma narrativa do vivido:

Uma criança após retornar à escola depois de alguns dias adoecida, estava nos contando sobre a brincadeira que a sua tia ensinou: “seu mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura bolo e jóia” Um colega da turma, no entanto, questionou que essa brincadeira não terminava “fazendo jóia" A criança logo argumentou “É jóia, sim! Minha tia disse que eu já estava jóia! “

As poéticas vocais ecoam de geração em geração, constituindo uma potente experiência na tradição oral que propõe a base dos vínculos afetivos e da construção subjetiva da criança. Esses momentos de escuta e de fala, enlaçados pelo afeto, estruturam, amparam e aproximam as relações humanas Vozes herdadas que, ao serem ouvidas, se tornam abrigo e território seguro.

Paul Zumthor, afirma que a presença reside na voz A voz está muito além da emissão do som, ou seja, ela não atua apenas foneticamente transformando palavra escrita em palavra falada. A voz é maior que a palavra, transita por ela e a ultrapassa (Zumthor, 2007) Mesmo quando o bebê dorme ou parece disperso, a voz do adulto preenche o ambiente como poéticas vocais, tornando-se um modo de dizer: “estou aqui, com você!” E essa presença vocal, contínua e afetuosa, é fundante para a sensação de segurança dos bebês e crianças.

Cada palavra dirigida à criança, seja nomeando o mundo ao redor, seja descrevendo emoções ou conversando é um abraço sonoro. Em entrevista, Parra (2011), enfatiza que “quando estudamos os pequenos, é preciso entender as competências naturais que carregam consigo ao nascer, dentre elas, a faculdade da linguagem. O bebê vem ao mundo com uma sensibilidade muito grande à voz humana. Ao ouvir, tenta construir significados”, portanto, é por meio das palavras ditas que se constrói a identidade e o universo linguístico desde o berço. A voz que nomeia também cuida, nutre, acolhe e fortalece narrativas de vida

Um cordão de palavras que pode nos ligar ao mundo, por meio da linguagem do vivido, do narrado… um fio que tece vínculos por meios de poéticas vocais afigurando-se na memória e nas relações por toda vida.

Um cordão de palavras que pode nos ligar ao mundo por meio da linguagem do vivido, do narrado… Um fio que tece vínculos por meios de poéticas vocais afigurando-se na memória das relações por toda vida.

PONTO DE VISTA

BARROS, Manuel "Escova" In: Memórias

Inventadas: A Infância São Paulo: Planeta, 2003

MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.

PARRA, Evélio C Música literária na primeira infância: depoimento [Set/2011] São Paulo: Revista Emília Entrevista concedida à Gabriela Romeu https://emiliaorgbr/evelio-cabrejo-parra/ Data de acesso: 27/07/2025

ZUMTHOR, Paul Introdução à poesia oral Tradução: Jerusa Pires Ferreira et a Belo Horizonte UFMG, 2010

Que vínculos se inscrevem na experiência de ler com um bebê?

Na leitura com os bebês, inscrevem-se vínculos afetivos, sensoriais e simbólicos. Desde o útero, a voz humana conecta o bebê à linguagem. Ao explorar o livro em uma intensa pesquisa corporal, por meio dos sentidos e das emoções, o bebê inaugura o mundo, inserindo-se na cultura oral e escrita. Nessa experiência, sente-se acolhido, descobre o prazer da leitura e desenvolve intimidade com o objeto livro.

Nicole Cerulio di Pietro Coordenadora da Equipe de Ed. Infantil SEMEC - Belém/PA

Como professora e mãe de duas crianças, percebo que a leitura com os pequenos é mais do que um simples hábito: é um momento de conexão, troca e desaceleração da rotina. Ler juntos permite olhar com atenção para o que as crianças dizem, pensam e imaginam um tempo só delas.

Com os bebês, a leitura se torna ainda mais especial. Ajuda a criar vínculos afetivos, organizar a rotina, ampliar o vocabulário e despertar o interesse pelos livros desde cedo. Minha filha mais velha, por exemplo, já lê com fluência aos seis anos e é apaixonada por livros. Além dos laços afetivos, ler com os bebês estimula o desenvolvimento infantil. As imagens, cores, formas e entonações usadas na leitura ativam diferentes conexões cerebrais, prendem a atenção e despertam emoções. Esses elementos ajudam na formação do repertório da criança e acompanham cada fase do seu crescimento. Introduzir a leitura na primeira infância é, sem dúvida, uma forma de deixar um legado rico, capaz de gerar frutos em uma educação significativa e encantadora.

Profa Camila C de Souza Idealizadora do @brincarteateliê em Marabá /PA Mãe da Cecília e do Matias

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PAUSA PARA APRECIAR

Quando ofertamos uma bibliodiversidade nas inaugurações literárias dos bebês, podemos observar como eles buscam, por si só, relações com as leituras para a construção de sentidos próprios, criando vínculos e conexões entre suas experiências e as representações que os livros trazem. Marina Sanches

Arte de XXXX, para o livro XXX, da Ed. XXXX

Leiturar, como diz Maria Emília López, é mais do que ler, é iniciar com ternura... É envolver o bebê num banho de palavras e afeto, onde nascem vínculos, imaginação e o desejo de escutar o mundo. Gillian Ichiama

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Arte de XXXX, para o livro XXX, da Ed. XXXX

RELATOS DE XPERÊNCIA

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ALENDO FOMENTA UM AMBIENTE DE E CONSTRUÇÃO DE SABERES ENTRE

PARTICIPANTES, CONTRIBUINDO PARA OLA SE TORNE, DE FORMA MAIS AMPLA, RDADEIRA COMUNIDADE LEITORA.

As sessões simultâneas de leitura, conhecidas como “Encantalendo”, oferecem um “cardápio” de leituras cuidadosamente selecionadas pelos educadores, apresentadas em um delicado painel com resenhas dos livros e uma ficha de inscrição para que os estudantes escolham suas leituras. No dia marcado, o público descobre quem será o leitor, promovendo surpresa e envolvimento

O principal objetivo do projeto é construir uma comunidade leitora que abranja desde o berçário até a Educação de Jovens e Adultos, proporcionando contato com boa literatura e oferecendo modelos de leitores Essa iniciativa fomenta um ambiente de troca e construção de saberes entre todos os participantes, contribuindo para que a escola se torne, de forma mais ampla, uma verdadeira comunidade leitora

A realização simultânea das sessões incentiva o envolvimento de toda a equipe escolar, que oferece diferentes leituras ao mesmo tempo, enriquecendo a rotina e fortalecendo o vínculo com a leitura desde os primeiros anos de vida, incluindo os bebês, cuja participação é fundamental para despertar o amor pelos livros desde cedo

O projeto foi institucionalmente iniciado em 2013 e acontece com frequência bimestral, alternando uma sessão inédita em um mês e uma reapresentação no mês seguinte. Participam do projeto 56 escolas, incluindo 20 EMEIs que atendem crianças de 0 a 3 anos, totalizando cerca de 2.905 bebês envolvidos (0 a 3 anos)

As crianças do berçário normalmente apontam para o livro ou se aproximam. Demonstram preferências por imagens coloridas ou livros que já exploraram. Todos são encaminhados ao painel onde deixamos expostas as imagens das capas mais a sinopse do livro com uma tabela para as ADIs escreverem o nome da criança. A escolha parte do interesse da criança

As crianças pequenas são participativas, argumentam, questionam, demonstram curiosidade, imitam e interagem entre seus pares e com o educador que está realizando a leitura. Quanto às crianças bem pequenas, estas costumam sorrir, bater palmas, balbuciar, imitar gestos e sons. Algumas crianças se aproximam do leitor e demonstram curiosidade com a entonação de voz durante alguns momentos da leitura.

É possível perceber o envolvimento das crianças quando fazem contato visual com o leitor, acompanham os gestos, apontam para as imagens, questionam interagem, sorriem, imitam os sons e outras situações procuram o mesmo título para fazer um reconto durante a hora da leitura livre”

A escolha dos livros para a sessão de leitura do Encantalendo, tanto para o Maternal quanto para o Berçário, é realizada de forma que as crianças sejam protagonistas desse momento. Ou seja, elas têm autonomia para escolher o livro que desejam partilhar com os colegas, vivenciando a leitura como uma experiência significativa e coletiva.

Para as crianças do Maternal 1, como todas já andam e algumas se comunicam por meio de balbucios e até mesmo pequenas palavras, criamos o nosso Mural do Encantalendo. Nele, as educadoras de todos os níveis escolhem o livro que gostariam de ler e, junto com esse livro, enviam uma sinopse ou uma breve resenha. Eu, enquanto coordenadora, monto uma arte com a capa do livro e a sinopse, deixando um espaço para que as crianças escolham o livro e a educadora escreva o nome de cada criança ao lado da obra selecionada.

Dessa forma, o Maternal 1 escolhe seus próprios livros por meio das ilustrações da capa e do livro físico, pois, junto ao mural, deixamos os livros expostos em um espaço acessível Assim, as crianças têm a oportunidade de, por meio do manuseio dos livros, folhear, observar e escolher aquele que desejam ver e ouvir, utilizando como referência as imagens que mais lhes chamam a atenção

Já com os bebês do Berçário, o processo é igualmente respeitoso, mas adaptado ao seu estágio de desenvolvimento. A educadora leva os livros até a sala e os deixa expostos ao chão, sobre o tatame, permitindo que uma criança por vez, engatinhando, escolha o livro pelo qual se sentiu mais atraída visualmente. Essa escolha é feita com base na observação, no toque e na curiosidade despertada pelas cores e formas das capas.

Durante a leitura, é comum observar reações que revelam o envolvimento das crianças com a história. Entre os comportamentos mais frequentes estão olhar fixo nas imagens, balbuciar, vocalizar, sorrir, observar as outras crianças, bater palmas ou imitar sons e gestos. Isso demonstra que, mesmo com diferentes níveis de linguagem, os bebês acompanham a história à sua maneira, participando desse momento de partilha leitora de forma ativa, afetiva e prazerosa.

Para as sessões do Encantalendo utilizamos duas estratégias para que os bebês possam participar: algumas vezes os levamos até o local onde está fixado o painel contendo o livro e as resenhas, em outras situações levamos os títulos com as resenhas até à sala, em ambas situações acomodamos os bebês de modo a ficarem confortáveis, apresentamos as imagens e lemos as resenhas, em seguida dispomos no chão próximo a eles as imagens de cada livro e deixamos que eles peguem o que mais chamou sua atenção,assim colocamos o nome na lista. No dia da sessão os bebês que não estranham adultos que não sejam de sua sala vão com as ADI’s para o espaço destinado a leitura, notamos que desde que estejam acolhidos e saibam que irão para outro espaço da escola para a leitura eles observam atentamente a leitura e as imagens, como é possível observar nas imagens acima. A apreciação da leitura começa desde cedo.

Escola: EMEI Vera Lúcia B. de L. Juliato

Coordenadora: Mirela V. Andretta

Professora: Ana Renata F L Nazzatto

Escola: EMEI Nativa Raíssa de Oliveira

Diretora: Flávia Luciana

Educadora: Aparecida Cardoso de Azevedo

infância As aulas viraram livro e, assim, Jussara pode alcançar um maior número de pessoas com sua denúncia: bebês negros, sobretudo na creche, não costumam ter o mesmo tratamento que bebês brancos

chamados de “anjos”, enquanto bebês negros costumam ser referidos como “sujos”, “piolhentos” ou com eufemismos como “moreninhos”.

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Para além de denunciar o racismo contra bebês e crianças pequenas, a autora sugere também práticas para que professores não apenas consigam detectar atitudes racistas em seu cotidiano, na lida com as crianças, mas também estratégias de autoeducação e intervenção para eliminar os tratamentos diferenciados praticados no dia a dia escolar, reconhecendo e combatendo nossos preconceitos inconscientes.

O objetivo principal do livro, em minha opinião, é ajudar professores a criarem espaços seguros em que bebês e crianças possam se sentir respeitados e valorizados não apenas em escolas e creches públicas, mas também em escolas de elite, majoritariamente brancas, como a própria autora diz Como isso é feito ao longo do livro? Por meio de exemplos de situações que costumam ocorrer em sala de aula, mas também com uma grande quantidade de perguntas norteadoras como estas:

Como brancos e negros têm sido retratados em suas falas e reflexões?

Quais são os critérios que você elenca para a escolha de quem será alimentado primeiro?

Diante de um grupo de bebês chorando, os negros serão os últimos a ganhar colo?

Suas mãos acariciam cabelos crespos, cacheados e lisos?

Estas são apenas algumas das perguntas que você encontrará no livro. Há muitas outras que vão provocar reflexões e, se tudo der certo, mudar comportamentos docentes nas escolas, contribuindo para um ambiente mais equitativo e livre de preconceitos.

A autora chama a atenção também para a criação de um ambiente mais inclusivo dentro da escola, para a importância da afetividade, para uma pedagogia da presença respeitosa e para a criação e manutenção de práticas acolhedoras, em ambientes onde a presença negra é valorizada e onde haja respeito às religiões de matriz africana.

Uma parte muito bonita deste livro está em seu final, quando mães de crianças e bebês negros escrevem cartas para as educadoras, relatando suas preocupações ao deixarem os filhos negros aos seus cuidados.

Ao final da leitura deste livro, espera-se que a educadora (sim, porque, em sua maioria, somos mulheres) tenha conseguido refletir sobre como tem sido seu tratamento, sua atenção, seu olhar, seu cuidado e, acima de tudo, seu colo cotidiano quando destinado aos bebês e crianças negros nas instituições educacionais. Trata-se de uma leitura imprescindível para qualquer profissional da Educação Infantil, sobretudo na creche, quando as crianças ainda são tão vulneráveis

SANTOS, Jussara. Democratização do colo: educação antirracista para e com bebês e crianças pequenas. Campinas: Papirus, 2025, 144 páginas.

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INDICAÇÕES COMENTADAS

Na literatura e no documentário, as duas obras nos lembram que o cuidado não nasce pronto: ele se aprende na relação

A dupla Não apronte, Mastodonte! (livro) e Como cuidar de um bebê elefante (documentário) revela o quanto o cuidado se sustenta no vínculo.

No livro, acompanhamos uma criança que vive a rotina ao lado de um mastodonte brincalhão. Entre banhos, escovações de dente, refeições, tarefas de casa e hora de dormir, o que se vê não é apenas uma sequência de afazeres, mas uma relação sendo construída. O cuidado se tece no ritmo da brincadeira, da observação e da companhia

Um livro para pensar o cuidado como uma presença paciente , e lembrar que nenhuma travessura é maior do que o laço que nos une.

Como cuidar de um bebê elefante (The Elephant Whisperers) Direção: Kartiki Gonsalves Produção: Netflix

No documentário, um casal acolhe um bebê elefante órfão em um centro de preservação no sul da Índia. Alimentar, proteger, ensinar e partilhar a rotina tornam-se gestos de aproximação e afeto. Aos poucos, o elefante filhote passa a fazer parte de uma família que se constrói na presença e no cuidado mútuo. Juntas, as duas obras convidam a repensar o cuidado como linguagem que se aprende na relação, feita de escuta, afinação e laço

Não apronte, Mastodonte!

Texto: Micaela Chirif

Ilustrações: Issa Watanabe

Editora: Jujuba

Palavra-vínculo

Na liquidez do ventre materno, ouvidos atentos à voz que embala, histórias contadas com amor, vínculos que se formam.

A voz da mãe, som suave, que ecoa e envolve, o bebê ouve e sente, amor que se desenvolve.

Palavras nutrem, sustentam, no silêncio do ventre, tecem o vínculo da vida.

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QUEM PARTICIPA

INTEGRANTES DO GRUPO DE ESTUDOS DA LITERATURA DE BERÇO, MUITAS

ATUAM COMO

PROFESSORAS E PESQUISADORAS. ALGUMAS TAMBÉM SÃO

CONTADORAS DE HISTÓRIAS OU, ATÉ MESMO, AUTORAS DE LIVROS INFANTIS.

APRESENTANDO AQUI, QUEM PARTICPOU DESTA EDIÇÃO...

ADRIANA MINGHETTI

É pedagoga e professora de Educação Infantil da rede pública do município de São Paulo. Especialista em narração artística, é também pesquisadora das infâncias

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DANIELA FARTO

Professora de Ed Infantil em Piracicaba-SP, também atua na formação de professores Mestranda pela UNICAMP, pesquisa as relações entre literatura, infância e docência. Acredita nas narrativas como possibilidade de reescrever práticas e afirmar a autoria docente

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ANA SELMA CUNHA

Mulher amazônica, apaixonada por livros, leitura e literatura - que alimentam as vivências da mãe, mulher, pesquisadora, professora, contadora de histórias e escritora

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DANIELA SALLES

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LAURA G. SANT'ANA

Estudante de graduação no curso XXXX - XXXX, é apaixonada pelas infâncias e por literaturas

PRISCILA BOMBASSEI

Professora, formadora de professores e pesquisadora das infâncias Especialista na Abordagem Reggio Emília, é diretora da Ed Infantil na rede pública de São Caetano do Sul/SP.

ROSA WALCACER

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GILLIAN ISHIAMA

Mestra em Literatura e Crítica Literatura pela PUC- SP e professora de Ed. Infantil em contexto bilíngue Pesquisadora das infâncias, é também estudiosa da literatura infantil japonesa

MARINA SANCHEZ

Construiu uma relação com a literatura e as infâncias desde o momento que iniciou sua atuação na Ed Infantil A cada experiência do seu cotidiano, fortalece seus vínculos e repertório leitor pelao olhares e gestos da primeiríssima infância

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REALIZAÇÃO: APOIO: editorial ensaio voz poesia

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