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Sumário

Parte 1 Autoridade Introdução ........................................................................................ 9 1. O exercício de autoridade no Antigo Testamento ................. 15 2. A autoridade de Jesus Cristo ..................................................... 39 3. A autoridade da Palavra de Deus .............................................. 57 4. A autoridade da liderança da igreja local ................................. 79 5. A autoridade dos pais em casa .................................................. 97 6. A autoridade do Governo ....................................................... 103 7. A autoridade de Satanás .......................................................... 107 Parte 2 Poder 8. Poder ......................................................................................... 113 9. Exemplos do exercício do poder do Espírito em Atos ........ 115 10. O poder do Espírito nas Epístolas ....................................... 121 11. O poder do Espírito nos filhos de Deus ............................. 141 Conclusão ..................................................................................... 151


capítulo 1

O exercício de autoridade no Antigo Testamento O Antigo Testamento consistentemente mostra que a autoridade tem sua fonte e legitimação em Deus. Ele tem pleno direito de fazer como quer, uma vez que Deus é o Criador. Os autores humanos do primeiro testamento concordariam com a posição de Paulo que declara: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36) e “[...] Não há autoridade que não venha de Deus” (Rm 13.1). Toda autoridade que os homens dispensam, portanto, deve ser uma extensão da autoridade que Deus exerce. O direito de governar, mandar e reinar da parte dos homens encontra-se na Bíblia, porém, esse direito tem sua fonte inteiramente em Deus.

Adão e Eva O relato da criação do primeiro casal informa ao leitor que Deus criou “o homem à sua imagem [...] homem e mulher os criou”. Dentre as implicações para a humanidade que esta frase inclui, está o direito de subjugar a terra, dominar sobre os peixes do mar, as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra (Gn 1.27,28). Aqui não há menção de alguns indivíduos dominarem outros habitantes da terra. Isso quer


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dizer que Deus não previu a necessidade de governo e domínio humano? Podemos raciocinar que se o primeiro casal não tivesse pecado, rebelando-se contra o mandamento do Senhor, todos os homens teriam vivido diretamente sujeitos a Deus. O mundo seria uma verdadeira teocracia, sem necessidade de reis, presidentes, juízes e policiais. A perfeita obediência a Deus teria mantido uma harmonia e uma paz que não exigiriam impostos, leis humanas ou presídios. Todos falariam a mesma língua. Sem egoísmo algum, mostrariam o perfeito amor de uma família cujos membros querem o melhor uns para os outros. O último livro da Bíblia descreve um futuro, após a volta de Jesus Cristo, em que o governo humano não será mais necessário. “Não vi templo algum na cidade, pois o Senhor Deus todo poderoso e o Cordeiro são o seu templo” (Ap 21.22). O governo eclesiástico será desnecessário. A cidade não precisa de sol nem de lua para brilhar sobre ela, pois a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua candeia. “As nações andarão em sua luz, e os reis da terra lhe trarão a sua glória. [...] A glória e a honra das nações lhe serão trazidas. Nela jamais entrará algo impuro, nem ninguém que pratique o que é vergonhoso ou enganoso, mas unicamente aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21.23-27). Evidentemente, não haverá autoridade senão aquela exercida por Deus, o Todo-Poderoso e pelo Cordeiro. Os reis da terra trazem glória ao Cordeiro, mas não impõem sua autoridade. A característica extraordinária da Nova Aliança será uma realidade absoluta e não apenas parcial: “Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações [...]. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo ‘Conheça ao Senhor’, porque todos eles me conhecerão” (Jr 31.33,34). Mas todos conhecem o desfecho da história do primeiro casal. Apesar de estar empossado de autoridade e poder diretamente da boca de Deus (Gn 1.28), não resistiu a mais de um teste. Na primeira prova, uma serpente, certamente um dos animais sobre quem deveriam dominar, foi capaz de não apenas


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questionar a autoridade de Deus, como desafiá-la. Com sucesso, então, a serpente fez com que o casal jogasse por água abaixo a autoridade do Senhor. “Foi isso mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim?’ ” (Gn 3.1), em outras palavras, a serpente sugere que Deus estava sendo autoritário, um verdadeiro déspota, pois como ele proibiria que eles usufruíssem do melhor do jardim? A primeira impressão é que a isca lançada pela serpente não tivesse surtido efeito algum, pois a mulher prontamente responde: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim” (Gn 3.2). O problema é que ela vai um passo além, e a serpente consegue lançar a dúvida no coração da mulher quanto à perfeição da autoridade de Deus. Ela diz: “Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele” (Gn 3.3). A ordem inicial de Deus não fazia menção alguma sobre não tocar. Deus dissera: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal”. Se houve algo foi a total liberalidade e amor providencial da parte de Deus, com uma única exceção, e não o contrário, como a serpente propôs. Mas, por mais barata que fosse a sua proposta, isso foi suficiente para que o casal caísse na cilada. Assim, vemos que eles não apenas questionam a bondade da ordem de Deus e a sua autoridade como também falham em exercer o poder sobre os animais, neste caso, uma serpente falante.

Caim e Abel O primeiro homicídio na história humana apresenta um enigma. Por que será que Caim se enfureceu a ponto de planejar destruir a vida de seu irmão mais novo que nada lhe fizera para provocar tamanha raiva irracional? É possível que a humilhação frente à rejeição do seu sacrifício tenha sido tão profunda que provocou esse ódio mortífero. Foi um golpe tão forte contra a sua autoestima que se sentiu na obrigação de eliminar o seu irmão por imaginar que ele fosse seu rival.



Autoridade e poder