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Pensados de forma lúdica e afinada com as inovações do mundo, os volumes da coleção propõem uma viagem pelo conhecimento. A linguagem acessível, os textos diversificados e a ênfase nos recursos visuais convidam a interagir com os temas apresentados por meio de diversas estratégias de aprendizagem, como infográficos, seções exclusivas e atividades lúdicas e desafiadoras. Conheça mais no site da coleção e veja os recursos disponíveis para os professores adotantes, planejados para facilitar a prática pedagógica e despertar o interesse nos alunos.

AMOSTRA para degustação do professor

Professor, esta amostra apresenta alguns capítulos da coleção Expedições Geográficas. Nela, você poderá conhecer a estrutura da coleção e o conteúdo programático desenvolvido para proporcionar aulas ainda mais dinâmicas e completas.

EXPEDIÇÕES GEOGR ÁFICAS melhem adas • sergio adas

EXPEDIÇÕES GEOGRÁFICAS

EXPEDIÇÕES GEOGRÁFICAS

Ensino Fundamental II

15302808

Nossos consultores estão à sua disposição para fornecer mais informações sobre esta obra.

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0800 17 2002

confira: • Sumário da obra • Uma seleção de conteúdos didáticos para análise do professor


Melhem Adas Bacharel e licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor do Ensino Fundamental, Médio e Superior da rede pública e em escolas privadas do estado de São Paulo.

Sérgio Adas Bacharel e licenciado em Filosofia, doutor em Geografia Humana e pós-doutor em Educação pela Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da Universidade de São Paulo.

Expedições geográficas

6 1a edição

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© Melhem Adas, Sérgio Adas, 2011

Coordenação editorial: Fernando Vedovate, Wagner Nicaretta Edição de texto: Wagner Nicaretta, Ana Carolina F. Muniz, Cesar Brumini Dellore, Daiane Ciriáco, Carochinha Produção Editorial Assistência editorial: Angélica Campos Nakamura, Flavio Manzatto de Souza, Magna Reimberg Teobaldo Preparação de texto: Carochinha Produção Editorial Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico: A+ Comunicação Capas: Everson de Paula Fotos: óculos usados na prática de esqui © Buzz Pictures/Alamy/Other Images; Vulcão Eyjafjallajökull em erupção, Islândia (2010) © Arctic-Images/Corbis/ LatinStock Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Maria Lucia F. Couto Edição de arte: Flavia Maria Susi Assistência de produção: Marcia Nascimento Edição de infografia: William Hiroshi Taciro (coordenação), Ana Carolina F. Muniz, Angélica Campos Nakamura, Cesar Brumini Dellore, Daiane Ciriáco, Daniela Máximo, Fernanda Fencz, Mauro César C. Brosso Ilustrações: Studio Caparoz, Vagner Vargas, Nilson Cardoso Cartografia: Alessandro Passos da Costa, Anderson de Andrade Pimentel, Fernando José Ferreira Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero Revisão: Afonso N. Lopes, Ana Cortazzo, Ana Maria C. Tavares, Denise de Almeida, Fernanda Marcelino, Luís M. Boa Nova, Maristela S. Carrasco, Millyane M. Moura, Nancy H. Dias, Viviane T. Mendes Pesquisa iconográfica: Camila D’Angelo, Evelyn Torrecilla As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de bureau: Américo Jesus Tratamento de imagens: Fabio N. Precendo, Pix Art Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Helio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Adas, Melhem Expedições geográficas, 6o ano / Melhem Adas, Sérgio Adas. — 1. ed. — São Paulo : Moderna, 2011.

Bibliografia.

1. Geografia – (Ensino fundamental) I. Adas, Sérgio. II. Título.

11-05517

CDD-372.891 Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia: Ensino fundamental

372.891

ISBN 978-85-16-07129-5 (LA) ISBN 978-85-16-07130-1 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2013 Impresso na China 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação Caro estudante,

Você já percorreu e venceu alguns anos de estudo. Parabéns! Seja bem-vindo ao 6o ano! Ao percorrer e virar cada página deste livro, atento às orientações do professor, seremos companheiros de viagem! Ao consultar o sumário, observe os assuntos que vamos percorrer, nas oito Expedições Geográficas. Do início ao fim de cada uma delas, acompanharemos os passos da Geografia, ciência que contribui para observarmos e compreendermos melhor o mundo no qual vivemos. Nessa trajetória em busca de novos conhecimentos, conserve bem viva e acesa a sua curiosidade de explorador. Ela é condição essencial para o aprendizado. Esperamos que, ao trilhar os Percursos deste livro, você desenvolva o gosto e a sensibilidade pelas questões políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais, além do desejo de ser participante de um grande projeto: o de construir um mundo melhor para todos. Isso envolve o respeito ao meio ambiente, à diversidade das pessoas e povos e atitudes cuja contribuição seja o aprimoramento e a resolução de problemas da sociedade. Nossa expectativa é que você perceba como os lugares do mundo estão relacionados e compreenda melhor o lugar e a comunidade em que vive a partir do espaço geográfico socialmente produzido. Ao embarcar nessa fascinante viagem em busca de novos conhecimentos, o convidamos para não apenas constatar os fatos, mas também relacioná-los. Boa viagem de estudos! Os autores

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Conhecendo o r v i l o d s o s r u c os re organização do livro A coleção Expedições Geográficas possui uma organização regular, planejada para facilitar o trabalho em sala de aula. É dividida em oito Expedições (unidades), cada uma com quatro Percursos (capítulos), totalizando 32 Percursos.

Abertura de Expedição Por meio da exploração de um infográfico ou um jogo de imagens e um texto introdutório, a abertura da Expedição apresenta o que será tratado nos quatro Percursos seguintes.

Aquecendo A minisseção Aquecendo vai sondar seus conhecimentos prévios e estimular o interesse nas temáticas abordadas ao longo da Expedição.

Percurso Os Percursos apresentam conteúdos organizados de forma clara, em títulos e subtítulos que facilitam a compreensão dos temas. As informações são apresentadas por meio de diferentes linguagens, mesclando textos, mapas, gráficos, tabelas, ilustrações e fotos. As atividades direcionam a observação e a interpretação desses elementos.

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Seções laterais Sugerem livros, vídeos e sites que ajudam a aprofundar e complementar o estudo, além de ser um ótimo entretenimento. Glossário Apresenta o significado de termos pouco comuns ou desconhecidos.

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Estações Apresentam textos de revistas, jornais, livros e sites, que desenvolvem os temas transversais e complementam o conteúdo do Percurso. Dividem-se em quatro tipos: Estação Socioambiental, Estação Cidadania, Estação História e Estação Ciências. As atividades promovem a reflexão e estimulam o debate.

Estação Socioambiental Aborda temas sociais e ambientais e desenvolve a compreensão das relações entre espaço geográfico, sociedade e ambiente.

Estação História Trata dos aspectos históricos de um determinado tema para enriquecer seu estudo. O texto, com as atividades, busca reforçar as relações entre espaço geográfico e tempo histórico.

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Estação Cidadania Traz textos que possibilitam refletir e assumir uma posição diante de problemas ligados à realidade e discutir medidas e soluções.

Estação Ciências Por meio dos textos dessa estação, você vai refletir sobre o papel da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento da sociedade.

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Infográfico Os infográficos podem aparecer tanto na abertura como no meio de um Percurso. Eles são ótimos recursos gráfico-visuais por integrarem imagem, gráfico e texto, apresentando dados e informações de maneira sintetizada. Sempre vêm acompanhados de questões relevantes sobre o que foi proposto.

Seções de fechamento de Percurso Essas seções procuram ampliar, por meio de textos e atividades, o seu repertório cultural e o conhecimento de técnicas e procedimentos utilizados na Geografia. São três seções diferentes: Bagagem de ferramentas, Outras rotas e Encontros.

Bagagem de ferramentas Aqui são apresentados procedimentos específicos da Geografia e técnicas de estudo e pesquisa que permitem aprimorar o trabalho individual e em grupo.

Outras rotas Essa seção possibilita conhecer lugares diferentes, que tenham significado religioso, cultural, arquitetônico etc., ampliando os horizontes culturais.

Encontros Apresenta aspectos do cotidiano de diferentes povos, etnias ou personagens, privilegiando a diversidade étnica cultural. Propõe uma reflexão sobre a importância da diversidade e do respeito à diferença.

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Atividades As atividades sempre aparecem em páginas duplas no final dos Percursos pares. Visam à releitura e revisão dos conteúdos, à aplicação dos conhecimentos adquiridos, à interpretação de mapas, gráficos, tabelas, textos e estimulam a reflexão a respeito do que foi estudado. São divididas em cinco subseções. Explore Atividades que exploram diferentes linguagens, como textos, imagens, tabelas, gráficos, charges etc.

Revendo conteúdos São atividades de releitura e revisão de conteúdos. Frequentemente apresenta questões diretas e lúdicas, como palavras cruzadas, situações-problema, enigmas e caça-palavras. Leituras cartográficas Atividades envolvendo a linguagem cartográfica. Estimulam a habilidade de leitura e interpretação de mapas, que podem estar associados a gráficos, tabelas, perfis etc.

Investigue Propõe pesquisas individuais ou em grupo para aprofundar o que foi estudado.

Pratique Propõe uma atividade que exige execução de procedimentos, como elaboração de mapas, desenhos ou croquis.

Desembarque em outras linguagens É uma seção que fecha as Expedições ímpares. Apresenta o trabalho de artistas e outras personalidades por meio de temas ligados ao conteúdo estudado. A abordagem é interdisciplinar e as linguagens variadas, geralmente ligadas às artes e à literatura.

Apresenta uma linha do tempo biográfica do artista ou uma síntese de suas obras. Apresenta a expressão artística ou a linguagem que o artista representa.

Breve apresentação da personalidade tratada e seu trabalho. Caixa de informações e Interprete Atividades de releitura e interpretação que estimulam a compreensão do assunto. As informações são interpretadas e relacionadas com a Geografia.

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Mãos à obra Essa seção possibilita pôr em prática a linguagem apresentada.

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Sumário ExpEdição 1 orientação e localização no espaço geográfico, 12 percurso 1. Espaço e paisagem O espaço e as pessoas, 14 • Paisagem, 16 • O lugar, 20 Bagagem de ferramentas – Leitura de paisagem

percurso 2. Orientação no espaço geográfico A importância da orientação, 22 • A orientação pelos astros, 23 Encontros – O céu segundo os índios Atividades dos percursos 1 e 2

percurso 3. Paralelos e meridianos

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A rosa dos ventos e a localização, 30 • Os paralelos terrestres, 31 • Os meridianos terrestres, 32

percurso 4. Latitude e longitude Latitude e longitude: as coordenadas geográficas, 34 • A altitude, 38 Atividades dos percursos 3 e 4 Desembarque em outras linguagens – Monteiro Lobato e a Geografia

34 40 42

ExpEdição 2 Elementos básicos de Cartografia, 44 ol ga dM ock itrie Va/shutterst

percurso 5. A Cartografia percurso 6. A escala O mundo no papel, 52 • A escala em mapas e plantas, 55 Atividades dos percursos 5 e 6

percurso 7. A representação gráfica do relevo A Terra não é uma casca de ovo, 58 • A representação do relevo, 59 Outras rotas – Yusuhara, a cidade em cima da nuvem

percurso 8. Os gráficos A representação de dados, 64 Atividades dos percursos 7 e 8

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Do desenho ao mapa, 46 • A representação da Terra, 49

52 56 58 63 64 68

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FIG199EXP-ADAS-6

ExpEdição 3 A Terra: aspectos físicos gerais, 70 Crosta oceânica

percurso 9. A Terra no Sistema Solar

72

O planeta Terra, 72 • A forma da Terra, 74 • As zonas de iluminação, 75

Crosta continental

percurso 10. A Terra em movimento Corrente de convecção Manto Núcleo

O movimento e o tempo, 76 • O movimento de rotação: os dias e as horas, 76 • O movimento de translação: o tempo em anos, 77 Encontros – Os iorubás e o tempo Atividades dos percursos 9 e 10

percurso 11. A história da Terra O tempo da natureza, 84 • A formação da Terra, 84 • A Terra em constante mudança, 86 • As eras geológicas, 87 Bagagem de ferramentas – Elaboração de linha do tempo

76 81 82 84 89

percurso 12. Teoria da deriva continental e das placas tectônicas

90

O interior da Terra, 90 • A teoria da deriva continental, 91 • A teoria das placas tectônicas, 92 Atividades dos percursos 11 e 12 Desembarque em outras linguagens – Claude Monet

94 96

ExpEdição 4 o relevo continental: os agentes internos, 98

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percurso 13. As formas do relevo continental e os agentes do modelado

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As principais formas do relevo, 100 • Relevo e sociedade, 104 • Os agentes do modelado terrestre, 106 Bagagem de ferramentas – Leitura de rochas

percurso 14. Os dobramentos O que são dobramentos?, 108 • As placas tectônicas e os grandes dobramentos, 109 Outras rotas – Aclimatando-se à altitude Atividades dos percursos 13 e 14

percurso 15. As falhas e os terremotos

100 107 108 111 112 114

O que são falhas?, 114 • Os terremotos, 116 • Os sismógrafos e a intensidade dos terremotos, 117

percurso 16. O vulcanismo O magma em movimento, 120 • O vulcanismo e o relevo, 121 • A atividade vulcânica e os solos, 122 • Onde ficam os vulcões?, 123 Atividades dos percursos 15 e 16

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Expedição 5 O relevo continental: agentes externos, 128 w es ten ock d61 /corbis/latinst

Percurso 17. A ação do intemperismo, das águas correntes e das águas oceânicas

130

Nada se perde, tudo se transforma, 130 • O intemperismo, 131 • As águas correntes, 131 • As águas oceânicas, 138

Percurso 18. A ação do vento, das geleiras e dos seres vivos A ação do vento, 140 • A ação das geleiras, 143 • A ação dos seres vivos, 144 Outras rotas – Faça a sua geleira Atividades dos percursos 17 e 18

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Percurso 19. O relevo do Brasil

140 145 146 148

Um relevo de altitudes modestas, 148 • Importância do estudo do relevo brasileiro, 151

Percurso 20. A hidrografia do Brasil A importância dos rios, 152 • Brasil: um país de grandes recursos hídricos, 153 Atividades dos percursos 19 e 20 Desembarque em outras linguagens – Frans Krajcberg

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Expedição 6 Clima e vegetação natural, 160 Percurso 21. O clima

ol ha r im agem

Tempo atmosférico e clima, 162 • O clima, 164 Bagagem de ferramentas – Climograma: um recurso para interpretar o clima

o/ lcã s fa thai

Percurso 22. Os climas do mundo e do Brasil Os climas do mundo, 172 • Os climas do Brasil, 174 Atividades dos percursos 21 e 22

Percurso 23. Terra: grandes paisagens vegetais naturais

162 171 172 178 180

Vegetação natural ou nativa, 180

Percurso 24. Brasil: formações vegetais naturais Ocupação humana e diminuição da vegetação natural, 186 Atividades dos percursos 23 e 24

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in hu ap ck res s/corbis/latinsto

Expedição 7 Extrativismo e agropecuária, 196

x n/ ua ngq yu xia

Percurso 25. O extrativismo

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O que é extrativismo?, 198 • Tipos de extrativismo, 199 • Reservas extrativistas no Brasil, 205

Percurso 26. O extrativismo mineral Tipos de extrativismo mineral, 206 • A indústria mineral no mundo, 207 • O extrativismo mineral e os impactos socioambientais, 208 Atividades dos percursos 25 e 26

Percurso 27. A agricultura

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A agricultura e as condições naturais, 212 • Os sistemas de produção agrícola, 215 • A organização da agricultura brasileira, 216 • A agricultura e os impactos ambientais, 218

Percurso 28. A pecuária As formas de criação de gado, 220 • A pecuária no Brasil, 222 Atividades dos percursos 27 e 28 Desembarque em outras linguagens – Chris Jordan

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mb er g/G etty Images

Expedição 8 Indústria, sociedade e espaço, 228

o lo s/B lia E k Mar

Percurso 29. Do artesanato à manufatura e à indústria moderna As formas de produção, 230 • Tipos de indústrias, 235 Encontros – Artesãs retratam em peças história de seus antepassados

Percurso 30. Indústria: transformações sociais e impactos ambientais As mudanças na sociedade e na paisagem, 238 • Indústria e impactos ambientais, 240 • ONGs e meio ambiente, 242 Atividades dos percursos 29 e 30

Percurso 31. Indústrias e fontes de energia A importância das fontes de energia, 246 • Os combustíveis fósseis, 247 • A energia elétrica, 250 • Energias sustentáveis, 253 Bagagem de ferramentas – Aprendendo a fazer uma pesquisa

Percurso 32. A atividade industrial no Brasil Histórico, 256 • A distribuição espacial da atividade industrial, 258 Outras rotas – São José dos Campos: centro da tecnologia aeroespacial do Brasil Atividades dos percursos 31 e 32

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e o m s i v i t Extra a i r á u c e p o r g a

Nesta Expedição Expedição, você aprenderá a distinguir extrativismo vegetal de agricultura, e garimpagem de indústria extrativa mineral, além de estudar vários aspectos geográficos da agricultura e da pecuária.

Na foto, a atleta Letícia Bufoni faz uma demonstração de uma manobra de skate. Lembre-se: o uso de equipamentos de segurança para a prática desse tipo de esporte é indispensável.

A natureza como fonte de vida

PERCURSOS 25

o extrativismo

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o extrativismo mineral

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a agricultura

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a pecuária

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Somos parte da natureza e dela dependemos para a nossa sobrevivência, seja para obter alimentos, seja para construir os objetos que suprem as nossas necessidades sociais, culturais e econômicas. A simples análise de um objeto de uso cotidiano nos dá a ideia de como somos dependentes dos recursos naturais.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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Aquecendo 1 Você concorda com a afirmação “a natureza é fonte de vida”? Explique. 2 Observe o espaço de sua sala de aula, escolha um objeto que faça parte dela e identifique a matéria-prima utilizada para sua fabricação.

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Shape

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O algodão é uma das principais fibras utilizadas na fabricação de tecidos. Está presente em mais de 40% das roupas utilizadas no mundo. O Brasil é o quinto maior produtor de algodão e o quarto maior exportador mundial.

eduardo braz

Roupas

O shape é a prancha de madeira do skate. A matéria-prima utilizada na sua fabricação pode ser obtida tanto pela exploração das florestas como pela silvicultura, que é o conjunto de atividades ligadas ao cultivo de árvores para fins comerciais. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO – em 2005, a silvicultura forneceu cerca de dois terços da madeira utilizada na produção industrial no mundo.

Tênis

Grande parte do solado dos calçados é fabricada a partir da borracha. O látex, matéria-prima da borracha natural, é extraído da seringueira, árvore nativa da Amazônia, mas que hoje é cultivada em diversas partes do mundo. Já a borracha sintética é produzida a partir de derivados do petróleo, extraído do subsolo terrestre. Vários produtos são obtidos durante as etapas de refinamento do petróleo, como combustíveis e produtos asfálticos.

Lixa

Aplicada sobre o shape para evitar que o calçado escorregue, a lixa tem como principal componente o aço, produzido em indústrias siderúrgicas a partir de minérios com grande concentração de ferro extraídos de jazidas naturais.

Trucks

Trucks são os eixos onde se encaixam as rodas, os rolamentos e os amortecedores do skate. Eles são geralmente confeccionados em alumínio, um elemento abundante na crosta terrestre, extraído das jazidas minerais de bauxita. PErcursO 25

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percurso

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O extrativismo

Recurso natural Todo bem fornecido pela natureza.

lalo de almeida/folhapress

Figura 1. O vento, como recurso natural inesgotável, tem sido utilizado na produção de energia elétrica. Na foto, parque eólico de Osório, RS (2010).

O extrativismo é um conjunto de atividades por meio das quais o ser humano retira ou extrai recursos da natureza sem que tenha participado do processo de criação ou reprodução desses recursos naturais. Os recursos naturais se classificam em: Recursos naturais renováveis: que podem ser repostos pela natureza e por certas práticas ou técnicas utilizadas pelo ser humano, como é o caso dos vegetais e de alguns tipos de solo erodidos — que podem ser recuperados dependendo do estado de degradação em que se encontram. Recursos naturais não renováveis: são aqueles que, uma vez esgotados, não podem ser repostos, ou cuja renovação ocorre em ritmo muito lento. É o caso dos minerais (ferro, cobre, petróleo, carvão mineral etc.). A natureza levou milhões de anos para formá-los e, uma vez utilizados, eles não se renovam em curto espaço de tempo. Recursos naturais inesgotáveis: são aqueles que, mesmo utilizados intensamente, não se esgotam, como o ar, a energia solar e o vento (figura 1).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 O que é extrativismo?

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2 Tipos de extrativismo Pré-história Período histórico que antecede o aparecimento da escrita e o uso de metais.

r-p/kino

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Há três tipos de extrativismo: o animal (caça de animais e pesca), o vegetal (extração de recursos da flora) e o mineral (extração de minerais, como ouro, ferro e cobre). O extrativismo difere da pecuária, da piscicultura (figura 2), da agricultura e da silvicultura, pois essas atividades promovem a reprodução de plantas e animais por meio da ação humana, seja em busca da subsistência, seja em função de uma atividade econômica. As formas de atividade extrativista também variam de acordo com os objetivos do ser humano. Desse modo, pode-se dizer que há três formas diferentes de atividade extrativista: a simples coleta para subsistência, o extrativismo como atividade econômica complementar e o extrativismo em escala industrial, com utilização de recursos técnicos avançados.

Figura 2. Tanques de piscicultura em Viçosa, MG (2003). A piscicultura não pode ser considerada uma atividade extrativista, pois realiza a reprodução de espécies em criadouros artificiais, como o que mostra a foto ao lado.

Corresponde à extração de recursos para fins de alimentação, abrigo, e para fazer instrumentos de caça, de pesca e de defesa etc. Durante grande parte da Pré-história, o ser humano se dedicou à coleta de recursos da flora, da caça e da pesca, como meio de sobrevivência. Entretanto, essa forma de extrativismo não se restringe apenas a essa etapa primitiva da humanidade. Há atualmente muitos povos que vivem predominantemente da caça, da pesca e da coleta de recursos da flora. É o caso de alguns grupos indígenas que vivem isolados na Amazônia (figura 3) e dos pigmeus, que habitam a Floresta do Congo, localizada na República Democrática do Congo, Camarões, Gabão e Congo.

geison miranda/afp

A coleta

Figura 3. Grupo indígena isolado na Amazônia, próximo à fronteira com o Peru (2008).

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Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) <www.renctas.org.br>

O extrativismo como atividade econômica complementar é, em geral, praticado por populações que não conseguem sobreviver apenas da agricultura. Dessa forma, buscam a complementação da renda mensal na extração e comercialização de recursos naturais, como vegetais e peixes. O dinheiro obtido é usado para comprar produtos como sal, óleo, arroz, feijão etc. No estado do Maranhão, por exemplo, os trabalhadores das plantações de arroz complementam o rendimento mensal com a coleta e venda do coco de babaçu (figura 4). Outro exemplo são alguns garimpeiros que deixam a roça sob os cuidados da família e saem em busca de pedras preciosas e ouro nos vales fluviais. Muitas vezes, a atividade extrativista causa danos irreversíveis ao meio ambiente. O extrativismo vegetal e sem nenhum planejamento pode pôr em risco diversas espécies. No extrativismo mineral, é comum, por exemplo, o uso do mercúrio em garimpos. Essa substância, altamente tóxica, é despejada na água dos rios para separar o ouro do cascalho. Com isso, contamina-se a água, exterminando peixes e outros animais aquáticos. Outros sérios problemas relacionam-se ao extrativismo animal, como o tráfico de animais silvestres: ameaça de extinção ou mesmo causa da extinção de muitas espécies animais.

palê zuppani/pulsar imagens

Com notícias diárias sobre o tráfico de animais silvestres no Brasil e sobre as providências tomadas para impedi-lo, esse site ainda oferece uma ótima relação das perguntas mais frequentes sobre o tema. Confira a seção Fique por dentro.

A atividade econômica complementar

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Navegar é preciso

Figura 4. Quebra do coco de babaçu para a retirada da semente, na Reserva Extrativista do Extremo Norte do Tocantins, em Carrasco Bonito, TO (2010). Observe o modo rudimentar e perigoso como é realizada a quebra do coco.

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e

stação socioambiental

“[...] O pau-rosa é árvore majestosa, que atinge de 25 a 30 metros de altura e fornece madeira de refinada qualidade. [...] A devastação começou em 1925, quando o perfume francês Chanel no 5, criado em 1921, principiava sua carreira bem-sucedida no mercado internacional. Um de seus principais ingredientes era justamente o linalol, extraído do pau-rosa. Ao que parece, a exploração começou na Guiana Francesa, mas não demorou muito para alcançar o Pará e o Amazonas, com produção crescente. O apogeu do extrativismo se deu entre 1940 e 1960, com as exportações do óleo essencial chegando à média de 300 toneladas anuais no período. [...] Estima-se que, no mínimo, 500 mil árvores tenham sido abatidas desde o início da exploração predatória. Na década de 1980 os estoques já haviam sido dilapidados em grande parte. Por essa época, o linalol foi sintetizado, tornando alguns segmentos da indústria que fabricam os produtos menos sofisticados, como artigos de higiene e cosméticos, independentes do pau-rosa. A

perfumaria fina, entretanto, continua a depender do óleo natural, com qualidades superiores. Tanto é verdade que a exploração clandestina do pau-rosa persiste, embora existam regras do Ibama para exploração sustentável. Mas é possível que a pressão sobre as árvores remanescentes diminua em futuro próximo. Já ficou demonstrado, há alguns anos, que é possível extrair o óleo das folhas do pau-rosa em escala industrial, com qualidade e rendimentos equivalentes ao do produto obtido da madeira [...]. O que se espera é que, com plantios racionais e o emprego de equipamentos modernos, a oferta possa expandir-se gradualmente, tornando a exploração predatória antieconômica. [...]” SANTOS, Aberdan Silva. Perfumes da floresta. Scientific American Brasil: Amazônia, a floresta e o futuro. São Paulo: Duetto, 2008. p. 47-48.

Sintetizado Produzido em laboratório.

palê zuppani/pulsar imagens

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

perfumes da floresta

1. Por que, mesmo com a produção sintética do linalol, a exploração predatória do pau-rosa continuou a existir?

Broto da árvore de pau-rosa, em Maués, AM (2005).

2. Por que a obtenção do óleo por meio das folhas do pau-rosa contribui para a exploração sustentável dessa árvore?

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A escala industrial Essa forma de extrativismo é praticada, geralmente, por empresas que dispõem de capitais, técnicas de extração aprimoradas e de mão de obra especializada. É o caso de empresas do ramo pesqueiro que utilizam radares para localizar cardumes, ou de mineradoras que fazem uso de conhecimentos científicos, máquinas e instrumentos diversificados para localizar e explorar jazidas minerais etc. Essas empresas atuam nos três tipos de extrativismo: animal, vegetal e mineral. A seguir, estão destacadas as atividades extrativistas da pesca e da extração de madeiras. No próximo Percurso, você conhecerá mais a respeito do extrativismo mineral.

Figura 5. Descarregamento de peixes nas proximidades do Delta do Rio Pó, no Mar Adriático, Itália (2010).

A pesca tornou-se uma atividade extrativista bastante desenvolvida em alguns paí­ ses. Os navios equipados com radares são capazes de localizar os cardumes e tornam a atividade da pesca mais ágil e produtiva. Outros navios contam com instalações para processar o pescado. Desse modo, enquanto continuam pescando, esses grandes navios-fábrica (figura 5) transformam o pescado em produto pronto para ser comercializado. Isso permite que os navios fiquem mais tempo no mar, ao invés de retornarem para o continente somente para descarregar o que extraíram. No Japão, país populoso onde não existe terra suficiente para o desenvolvimento da criação de gado bovino em grande escala, os peixes e outros recursos do mar são muito consumidos. Por isso, o país é também um dos principais países pesqueiros do mundo (figura 6).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

stefano de luigi/vii network/corbis/latinstock

A pesca

Figura 6. Mundo: 10 maiores países pesqueiros China

17,1 7,0

Peru Estados Unidos

4,9

Indonésia

4,8

Japão

4,2

Chile

4,2 3,9

Índia

3,3

Rússia

2,8

Tailândia Filipinas

Fonte: FAO. La situation mondiale des pêches et de l’aquaculture 2008. Roma: FAO, 2009. p. 12.

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2,3 0

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Milhões de toneladas

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delfim martins/pulsar imagens

A pesca realizada nos rios e la­ gos apresenta menor importância co­ mercial que a realizada nos oceanos e mares. Entretanto, é de grande im­ portância para as populações ribeiri­ nhas, que aí encontram grande fonte de alimentação (figura 7). É esse o caso dos povos ribeirinhos dos rios da Ama­ zônia, do Vietnã, da China, do Congo e de muitos outros, que praticam a cha­ mada pesca de autossubsistência.

O extrativismo de madeira

delfim martins/pulsar imagens

luiz cláudio marigo/tyba

Desde remotas épocas, o ser humano extrai dos vegetais os recur­ sos de que necessita. Das partes do vegetal — raiz, caule, folhas e fru­ tos —, aquela que tem sido mais explorada é o caule, de onde se extrai a madeira, principal recurso do extrativismo vegetal (figura 8).

Figura 7. Indígenas da etnia Kalapalo pescando na Lagoa Ipavu, no Parque Indígena do Xingu, Querência, MT (2009).

Devido a essa atividade extrativista, as Florestas Temperadas e Sub­ tropicais, localizadas nas zonas de médias latitudes — América do Nor­ te, Europa, Ásia, Austrália e América do Sul —, foram intensivamente devastadas pela ação humana, restando poucas áreas ainda cobertas por essa vegetação nativa. As Florestas Boreais ou de coníferas, situadas em médias e altas la­ titudes da América do Norte, Europa e Ásia, há tempos têm as suas madeiras exploradas (figura 9, na página seguinte). Aí atuam grandes empresas madeireiras, que realizam a exploração e fornecem matéria-prima para as indústrias de papel e para outros fins.

Figura 8. À esquerda, extração legal de madeira na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, AM (2010); acima, serraria em Xapuri, AC (2008).

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friedel gierth/dpa/afp

Navegar é preciso Rede Povos da Floresta <www. redepovosdafloresta. org.br>

Com muitas informações sobre comunidades tradicionais e indígenas, esse site oferece um panorama geral do movimento de preservação do ambiente, da cultura e dos territórios originais desses povos.

Diante da intensa exploração madeireira da Floresta Boreal, o Canadá e a Finlândia, por exemplo, implantaram um planejamento de desmate. Na prática, se uma empresa madeireira desmata determinada área, é obrigada a fazer o reflorestamento de uma área igual ou superior àquela devastada. As Florestas Tropicais e Equatoriais, situadas em baixas latitudes da América, da África e da Ásia, estão sendo exploradas em ritmo preocupante. Grandes empresas madeireiras nacionais e estrangeiras atuam nessas florestas, provocando grande desmatamento e colocando diversas espécies em risco de extinção. Nessas florestas, o desmatamento avança mais rápido que o reflorestamento e a reprodução natural. Na Ásia, estudos indicam que, para cada cinco hectares desmatados, há apenas um hectare reflorestado. No Brasil, um dos maiores produtores de madeira do mundo (figura 10), o ritmo de desmatamento da Floresta Amazônica, embora tenha diminuído nos últimos anos, ainda é bastante acelerado. Calcula-se que 16% de sua extensão original já foi desmatada — uma área equivalente a duas vezes o tamanho do estado de São Paulo. Figura 10. Mundo: cinco maiores produtores de madeira

13,3%

Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) <www.imazongeo.org.br>

Acesse o ImazonGeo para navegar em um mapa digital da Amazônia brasileira e descubra tudo sobre queimadas, áreas protegidas e terras indígenas da região.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 9. Exploração de madeira da Floresta Boreal no norte do Canadá (2007).

Estados Unidos 9,6%

Índia China

55,7%

8,5% 7,1%

Brasil Canadá Outros países

5,8%

Fonte: Atlas National Geographic: a Terra em números. São Paulo: Abril, 2008. p. 57. v. 19. Nota: Também foi computada a produção de madeira proveniente da silvicultura.

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delfim martins/pulsar imagens

As reservas extrativistas (Resex) são espaços destinados às populações extrativistas, cujo modo de exploração dos recursos naturais renováveis ocorre de maneira autossustentável e sem prejudicar a conservação ambiental. No Brasil, essas áreas são demarcadas e protegidas por lei, para que as populações locais possam praticar o extrativismo resguardadas dos impactos de atividades econômicas que agridem o meio ambiente — como o desmatamento causado por madeireiros e pela expansão da agropecuária. A primeira reserva extrativista do Brasil foi criada em 7 de março de 1990, reunindo seringueiros e castanheiros na Reserva Extrativista Chico Mendes (figura 11), localizada em Xapuri, no estado do Acre. O nome dessa reserva é uma homenagem ao seringueiro e ambientalista Chico Mendes (figura 12), líder de seringueiros e castanheiros que se sentiam ameaçados diante do avanço da agricultura, da pecuária, dos madeireiros ilegais e de empresas nacionais e estrangeiras sobre a Floresta Amazônica. Vivendo da extração de látex e da coleta de castanha-do-pará dessa floresta, eles se organizaram e passaram a exigir providências dos governos estaduais e federal, para que fossem criadas reservas extrativistas. Chico Mendes foi assassinado em 22 de dezembro de 1988 por causa de sua luta pela preservação da Floresta Amazônica. Além das reservas extrativistas localizadas em áreas florestais, existem, no Brasil, as chamadas reservas extrativistas marinhas. É o caso da Reserva Extrativista Marinha de Pirajubaé, localizada em Santa Catarina.

Figura 11. Castanheira, árvore que pode atingir mais de 30 m de altura, na Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, AC (2008).

Ambientalista Aquele que se envolve com as questões ambientais e participa de movimentos em defesa do meio ambiente.

fernando marques/agência estado

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3 Reservas extrativistas no Brasil

Pausa para o cinema Amazônia em chamas. Direção: John Frankenheimer. Estados Unidos: Warner Bros., 1994.

Figura 12. Chico Mendes em Xapuri, AC (1988).

O filme retrata a trajetória do ativista Chico Mendes, seringueiro e líder sindical decidido a lutar contra a exploração predatória da Floresta Amazônica e em favor de seu povo.

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percurso

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O extrativismo mineral

Detritos ou sedimentos transportados e depositados pelos rios.

damir sagolj/reuters/latinstock

Aluvião

Como você viu no Percurso anterior, entre as práticas extrativistas existem atividades ligadas ao aproveitamento dos recursos naturais de origem mineral. Existem duas formas principais de extrativismo mineral: a garimpagem e a indústria extrativa mineral. A garimpagem (figura 13) é a exploração de recursos minerais realizada de forma rudimentar, sem a utilização de técnicas ou instrumentos de trabalho aprimorados. É realizada, geralmente, no leito dos rios ou nos seus aluviões, de onde são extraídos metais como ouro e pedras preciosas. A indústria extrativa mineral utiliza equipamentos modernos de exploração, conhecimentos técnicos e científicos, mão de obra técnica especializada (geólogos, engenheiros de minas etc.) e uma organização administrativa avançada (figura 14).

paulo fridman/pulsar imagens

Figura 13. Garimpo de ouro na Tailândia, país situado na Ásia (2011).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 Tipos de extrativismo mineral

Figura 14. Indústria extrativa mineral: máquinas extraindo minério de ferro no estado do Pará (2008).

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ricardo azoury/pulsar imagens

Esse tipo de indústria extrai grandes quantidades de minérios para abastecer as indústrias metalúrgicas e siderúrgicas. Essas indústrias transformam os minérios em matérias-primas (figura 15) e as fornecem para outras indústrias que fabricam diversos produtos, como é o caso da indústria de autopeças, a de chapas de aço para a construção de navios, a de ferro para a construção civil etc. Os metais obtidos têm uso diversificado: com o ferro e os metais de liga são fabricados diferentes tipos de aço; do cobre, são feitos fios de eletricidade e canos; o alumínio é usado na fabricação de aviões, automóveis, janelas, portas e outros utensílios domésticos, como panelas.

Figura 15. Produção de barras de aço na Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, RJ (2008).

2 A indústria mineral no mundo Os minerais encontram-se distribuídos desigualmente na crosta terrestre. Nenhum país possui, em seu território, quantidades suficientes de todos os minerais de que a sociedade industrial necessita. Há, portanto, uma interdependência dos países no que diz respeito à produção mineral (figura 16).

Cite dois recursos minerais existentes no território brasileiro.

Figura 16. Mundo: alguns recursos minerais – 2008 OCEANO GLACIAL ÁRTICO

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

RÚSSIA 4 8 7 _ M _ P 2 6 _ E 7 _ G E O ADAS_6 – Mundo:REINO alguns recur- UCRÂNIA UNIDO FRANÇA CAZAQUISTÃO ESTADOS sos minerais (2008). UNIDOS

CANADÁ

TRÓPICO DE CÂNCER

0

EQUADOR

ARGÉLIA MÉXICO

OCEANO

COLÔMBIA

PACÍFICO

CHINA

KUWAIT EGITO ARÁBIA SAUDITA

ÍNDIA

OCEANO

VENEZUELA

PACÍFICO

CARAJÁS

OCEANO

BRASIL PERU

INDONÉSIA

OCEANO

ATLÂNTICO

ÍNDICO

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

Minérios Gás natural Petróleo Carvão Urânio Ferro Minerais e metais não ferrosos Bauxita (alumínio) Ouro Diamante

JAPÃO

IRÃ

LÍBIA

NAMÍBIA CHILE

AUSTRÁLIA ÁFRICA DO SUL

ARGENTINA

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

N

ANTÁRTIDA 120

60

0

60

120

180

2.540 km

Fontes: CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas Nathan 2009: Atlas du 21è siècle. Paris: Nathan, 2008. p. 161; FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2003. p. 98. percurso 26

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Transnacional ou multinacional Empresa que atua, por meio de filiais ou subsidiárias, em vários países. A ONU utiliza a expressão “transnacional”, pois expressa melhor a ideia de que ela não pertence a vários países, mas sim atua além das fronteiras do país-sede.

Alguns países têm riquezas minerais e indústrias que as exploram, mas não têm um parque industrial que absorva a produção. Outros têm grande parque industrial, mas subsolo pobre em riquezas minerais e, por isso, precisam importá-las. É o caso do Japão — grande importador de minério de ferro do Brasil. Por meio de empresas transnacionais ou multinacionais, os países ricos dominam a extração e a comercialização de muitos minerais, porque detêm recursos tecnológicos e capitais para explorá-los e industrializá-los em todo o mundo. Há também empresas nacionais que realizam esse tipo de exploração.

Navegar é preciso Museu de Geociências do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo <www.igc.usp.br/museu>

juan carlos ulate/reuters/latinstock

Com cerca de 45 mil amostras de minérios, gemas, rochas e até meteoritos, esse museu é um dos mais importantes acervos brasileiros de peças minerais.

Como vimos, os minerais são importantes para a sociedade humana porque estão presentes na fabricação de vários objetos. Entretanto, não se pode permitir que a exploração mineral seja mais uma causa, entre muitas, da destruição do meio ambiente e de desastres ecológicos. Mas é isso que vem ocorrendo, principalmente em países onde a legislação ambiental mostra-se frágil e a ação fiscalizadora, ineficiente. No Brasil, a legislação é exigente. Para uma empresa explorar uma jazida mineral é necessária uma autorização governamental chamada licença ambiental, fornecida pelo Ibama. Para obter essa licença, a empresa deve contratar técnicos capazes de elaborar um estudo de impacto ambiental (EIA) que descreva as alterações do ambiente na área de extração e as providências que serão tomadas pela empresa para evitar, diminuir ou compensar os impactos negativos. Apesar de a legislação ser avançada, os impactos ambientais causados pela mineração são grandes. As atividades mineradoras podem provocar impactos sociais como a expulsão e a desapropriação dos moradores locais. Por conta disso, não são raros os conflitos socioambientais envolvendo mineradoras no mundo (figura 17). A exploração mineral a céu aberto é um exemplo de método de extração de rochas e minerais próximos da superfície que arrasa paisagens inteiras: retira a cobertura vegetal, destrói o relevo, provoca a fuga e a morte de animais e contribui para o assoreamento dos cursos fluviais (figura 18).

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3 O extrativismo mineral e os impactos socioambientais

Figura 17. Marcha em protesto à mineração de ouro, em Heredia, Costa Rica (2010). A mensagem da faixa diz: “Mineração a céu aberto deixa o meio ambiente morto”.

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A mineração em profundidade é um método de extração subterrânea que também causa severos impactos. Os entulhos resultantes do processo de extração, quando não devolvidos às galerias das minas abandonadas, ficam espalhados em áreas próximas e tornam-se fonte de poluição (figura 19). Esses resíduos, ao serem carregados pelas águas das chuvas, se infiltram no solo ou escoam em direção aos rios, transportando substâncias que podem contaminar a água e prejudicar os seres vivos.

Figura 18. Duas vistas da cidade de Itabira, MG. À esquerda, no início do século XX, antes da mineração de ferro. À direita, no final desse mesmo século. Observe que o pico Cauê e a mata que o recobria não existem mais.

Impactos da garimpagem

Galeria

Não são apenas as grandes empresas de mineração que causam danos ambientais. O garimpo também provoca danos e prejuízos, entre eles a poluição dos rios pelo mercúrio, um metal muito tóxico. O mercúrio auxilia a garimpagem, pois, ao ser misturado com o cascalho retirado dos rios, atrai os fragmentos de ouro. Essa mistura é aquecida e parte do mercúrio evapora, restando o ouro. O vapor de mercúrio pode causar intoxicação ao ser respirado pelo garimpeiro, e o cascalho contaminado com mercúrio é despejado na água, provocando a poluição das águas do rio.

Corredor subterrâneo escavado para a exploração de uma mina.

Figura 19. Entrada de uma mina subterrânea de estanho em Oruro, Bolívia (2007).

juan karita/ap photo/glowimages

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museu do ferro de itabira

miguel br’scia/museu do ferro de itabira

Apesar da destruição do Pico Cauê e da mata, alguns elementos permaneceram na paisagem de Itabira. Identifique-os.

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Atividades dos percursos 25 e 26 1 O extrativismo: a) não é realizado em escala industrial. b) não tem nenhuma relação com a pesca ou a coleta. c) difere da agricultura e da pecuária por nunca agredir o meio ambiente.

a) Qual desses recursos naturais é renovável? b) Cite o tipo de extrativismo que não apareceu entre as imagens e dê exemplos de seus produtos.

3 Explique o que são as reservas extrativistas e de que forma se dá a exploração de recursos naturais nesses espaços.

d) difere da agricultura e da pecuária por não ser uma atividade reprodutiva.

2 Observe as fotos e identifique o tipo de extrativismo realizado para obtenção de cada produto. Depois, responda às questões.

Leituras cartográficas

4 Observe o mapa a seguir e responda às questões. Brasil: principais produtos do extrativismo vegetal

lasse kristensen/shutterstock

RR

AP

EQUADOR

PA AM

CE

PE

AC RO

Castanha-do-pará

DF

OCEANO

GO MG

ES

MS

Cera de carnaúba Castanha de licuri

SE

BA

MT

Coco de babaçu Castanha-de-caju

AL

TO

Látex coagulado de hévea

Petróleo

RN PB

PI

MA

SP

RJ

ATLÂNTICO

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

PR

Frutos de umbu SC

idal/shutterstock

Pequi Pinhão Plantas aromáticas, medicinais, tóxicas e corantes

630 km 50ºO

Valor da colheita – 1999 (em reais) 12.252.000 6.262.000 50.000

joão luiz bulcão/tyba

Ouro

Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005. p. 123.

a) Quais estados se destacam na produção de castanha-do-pará e de coco de babaçu? b) A cera de carnaúba é usada na fabricação de produtos farmacêuticos, cosméticos, vernizes e impermeabilizantes. Em quais unidades da federação há extração dessa cera?

Fruto do babaçu

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N

RS

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Revendo conteúdos

c) No estado onde você mora há alguma extração vegetal significativa? Qual?

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5 Observe o mapa abaixo e responda às questões. Mundo: países produtores de petróleo – 2007 NORUEGA RÚSSIA

CANADÁ REINO UNIDO ESTADOS UNIDOS

MÉXICO

TRINIDAD E TOBAGO VENEZUELA COLÔMBIA

OCEANO PACÍFICO

ROMÊNIA ITÁLIA

TUNÍSIA

TRÓPICO DE CÂNCER

EQUADOR

DINAMARCA

EQUADOR

BRASIL

PERU

SÍRIA

LÍBIA EGITO

ARGÉLIA NIGÉRIA

CHADE

GUINÉ EQUATORIAL GABÃO ANGOLA

CAZAQUISTÃO

AZERBAIJÃO

SUDÃO CAMARÕES CONGO

UZBEQUISTÃO TURCOMENISTÃO IRÃ IRAQUE CHINA KUAIT CATAR ÍNDIA OMÃ VIETNÃ TAILÂNDIA

EMIRADOS ÁRABES IÊMEN ARÁBIA SAUDITA

MALÁSIA

OCEANO PACÍFICO

BRUNEI

INDONÉSIA

Milhares de barris por dia 10.000 7.500 5.000 2.500 0

OCEANO ATLÂNTICO ARGENTINA

OCEANO ÍNDICO

MERIDIANO DE GREENWICH

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

AUSTRÁLIA

N

2.200 km

Fonte: L’Atlas du Monde Diplomatique 2010. Paris: Armand Colin, 2009. p. 96.

a) Quais foram os maiores produtores mundiais de petróleo em 2007? b) Que região do mundo concentra a maior parte da produção de petróleo?

Explore

6 Para responder às questões, interprete a tabela. Os cinco maiores produtores mundiais de minério de ferro – 2000 e 2007 (em 1.000 toneladas) Ano País 2000 2007 China

215.000

600.000

Brasil

190.000

360.000

Austrália

158.000

320.000

Índia

68.000

160.000

Rússia

80.000

110.000

Fonte: Images economiques du monde: géoéconomie-géopolitique 2009. Paris: Armand Colin, 2008. p. 52.

a) Em números absolutos, quais países apresentaram maior crescimento na produção de minério de ferro entre 2000 e 2007? De quanto foi esse crescimento? b) Que tipo de extrativismo mineral é responsável por essa produção? Por quê? c) Que tipo de empresa realiza, em geral, esse tipo de exploração de minérios em escala industrial? percurso 26

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PERCURSO

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A agricultura 1 A agricultura e as condições naturais Embora a agricultura possa, atualmente, se beneficiar do grande desenvolvimento técnico e científico, ela ainda depende de condições naturais como o clima, o solo e o relevo. Veremos, a seguir, como a atividade agrícola se relaciona com essas condições.

Agricultura e clima

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O clima é um fator que influi de forma decisiva na distribuição espacial das várias plantas cultivadas no mundo (figura 20). O algodão e o amendoim, por exemplo, desenvolvem-se em clima quente e seco. O cacau, a juta, a cana-de-açúcar e o café, em clima quente, com períodos bem definidos de chuva e seca. O trigo, a aveia, o centeio e a beterraba açucareira desenvolvem-se melhor em clima temperado e no clima frio. Figura 20. Mundo: algumas plantas cultivadas 0º

Principais produtos Arroz

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

AMÉRICA AM ÉRICA DO NORTE

Aveia

EUROPA

Café Cana-de-açúcar

Citrinos Milho

AMÉRICA ÉRICA CENTRAL

Mandioca 0º

Painço OCEANO PACÍFICO

Batata Produtos florestais Beterraba açucareira Soja Tabaco

ÁSIA

502_M_P27_E7_GEOADAS_6 – Mundo: algumas ÁFRICA plantas cultivadas. OCEANO

TRÓPICO DE CÂNCER

OCEANO PACÍFICO

ATLÂNTICO

EQUADOR

AMÉRICA AM ÉRICA DO SUL

MERIDIANO DE GREENWICH

Cevada

OCEANO ÍNDICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

OCEANIA

Chá CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

Trigo

N

Uva 1.840 km

Fonte: Atlas National Geographic: a Terra – o Universo. Portugal: National Geographic Society, 2005. p. 56-57.

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Quando as chuvas não caem no período certo e na quantidade necessária, a germinação das sementes e o crescimento das mudas ficam prejudicados. Os períodos de secas prolongadas também causam danos à agricultura e às pastagens. Da mesma forma, quando as chuvas são abundantes e ultrapassam o nível normal, a produção agrícola é afetada (figura 21). Em todos esses casos, a diminuição da produção leva ao aumento do preço final do produto, prejudicando economicamente tanto o setor produtivo como os consumidores.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

MARCOS DE PAULA/AGÊNCIA ESTADO

Figura 21. O excesso de chuvas e a ocorrência de enchentes prejudicaram a plantação de verduras em Teresópolis, RJ (jan. 2011).

Produtividade agrícola Quantidade média de colheita obtida em relação à área de terra cultivada.

Adubação Processo pelo qual se fertiliza a terra, tornando-a própria para o cultivo.

Agricultura e solo Quanto ao solo, existem também condições naturais favoráveis e desfavoráveis para a agricultura. No solo fértil, a produção e a produtividade agrícolas são maiores. Porém, se o solo for ácido e de baixa ou média fertilidade, precisa ser submetido a procedimentos técnicos (figura 22), como correção do grau de acidez e adubação, para que se obtenha uma boa colheita.

R

Figura 22. Aplicação de calcário no solo para correção da acidez, em Caarapó, MS (2008). Esse processo é chamado calagem.

IO

ANDRÉ SEALE/PULSAR IMAGENS

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yu xiangquan/xinhua press/corbis/latinstock

O relevo pode ser um fator restritivo ou facilitador para a agricultura. Em áreas montanhosas, a prática agrícola torna-se mais difícil, pois a declividade das encostas confere maior poder erosivo à água das chuvas, que podem arrastar o solo e as plantas. Além disso, a inclinação do terreno dificulta o uso de máquinas no plantio, na irrigação, na colheita e no transporte da produção. Há muito tempo, o ser humano tem tentado diminuir as restrições para a prática da agricultura nessas áreas. A agricultura em terraços é um exemplo disso. Muito comum em vários países da Ásia, da América do Sul e da Europa, os terraços evitam a erosão do solo pelas enxurradas (figura 23). Outra maneira de evitar que a água da chuva cause danos aos terrenos com elevada declividade é realizar o cultivo em fileiras que seguem as curvas de nível (figura 24). Em planícies, a prática agrícola é especialmente facilitada. Nas planícies inundáveis — chamadas também de várzeas —, que são invadidas pelas águas dos rios ou lagos durante certo período do ano, cultivam-se vegetais de crescimento rápido, como o arroz e outras culturas temporárias (figura 25).

Figura 23. Plantação de arroz em terraços em Guangxi, China (2006).

Cultura temporária

keren su/corbis/latinstock

bob daemmrich/corbis/latinstock

Diz-se dos vegetais que precisam ser plantados anualmente para que possam fornecer a safra. É o caso do arroz, do milho, da soja, do feijão e do trigo.

Figura 24. Plantação de algodão em curvas de nível no Texas, Estados Unidos (2007).

Agricultura e relevo

Figura 25. Cultivo alagado de arroz em Kengtung, Mianmar (2006).

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Além das condições naturais, existem elementos culturais que influenciam a prática agrícola. Para a agricultura, deve-se considerar três fatores: a terra, o trabalho e o capital: • a terra é a área de solo onde são cultivados os vegetais. Pode ser de grande, média e pequena extensão; • o trabalho é a atividade humana aplicada à produção. A qualidade do trabalho depende do conhecimento técnico da mão de obra empregada; • o capital abrange, além de dinheiro, os instrumentos de produção: foices, arados de tração animal, tratores, colheitadeiras, semeadeiras, adubadeiras etc. Quando, numa unidade agrícola, a terra é o principal fator de produção, e não o capital, dizemos que se trata de um sistema agrícola de produção extensivo ou agricultura extensiva. Esse tipo de produção se caracteriza pelo uso de técnicas tradicionais e apresenta, geralmente, baixa produtividade. Quando, porém, o principal fator de produção é o capital, dizemos que se trata de um sistema agrícola de produção intensiva ou agricultura intensiva, caracterizado por intensa utilização de máquinas e implementos agrícolas, adubos, equipamentos para irrigação, sementes e mudas seleciona­ das etc., além de elevada pro­ du­tividade (figura 26). elisângela leite/tyba

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

2 Os sistemas de produção agrícola

Compare os instrumentos de trabalho empregados nos dois casos apresentados.

delfim martins/pulsar imagens

Figura 26. Ao lado, lavrador ara a terra em Tabira, PE (2010); abaixo, colheita mecanizada da soja em Capão Bonito do Sul, RS (2011).

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Quem lê viaja mais STRAZZACAPPA, Cristina; MONTANARI, Valdir. A questão das terras no Brasil: das sesmarias ao MST. São Paulo: Moderna, 2000.

Por apresentar um histórico da formação das propriedades rurais no Brasil, esse livro vai permitir que você compreenda os impasses relativos à reforma agrária e ao movimento dos trabalhadores sem-terra no país.

3 A organização da agricultura brasileira A produção agrícola no Brasil é diversificada e estende-se por quase todo o território brasileiro, apresentando regiões com maior ou menor adensamento da atividade agrícola (figura 27). De modo geral, existem quatro tipos básicos de organização da produção agrícola brasileira: o latifúndio; a unidade familiar produtora de bens agrícolas para o mercado, também chamada de agricultura familiar; a unidade familiar de subsistência; e a empresa agrícola, em que estão inseridos o agronegócio e a agroindústria. Figura 27. Brasil: principais produtos agrícolas

RORAIMA

AMAPÁ EQUADOR

PARÁ

RIO GRANDE DO NORTE

MARANHÃO PIAUÍ

PARAÍBA PERNAMBUCO

ACRE RONDÔNIA

MATO GROSSO

BAHIA

TOCANTINS

ALAGOAS SERGIPE

DF

GOIÁS

Abacaxi

Feijão

Amendoim

Laranja

Arroz

Maçã

Banana Cacau Café Caju

Fonte: FERREIRA, Graça M. L.; MARTINELLI, Marcelo. Atlas geográfico ilustrado. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2004. p. 16-32.

MINAS GERAIS MATO GROSSO DO SUL

ESPÍRITO SANTO

RIO DE JANEIRO

Mandioca Milho Pera

OCEANO ATLÂNTICO

SÃO PAULO

TRÓPICO

D E CAP RICÓRN IO

PARANÁ

Pêssego Pimenta-do-reino

Cana-de-açúcar

Soja

Coco-da-baía

Trigo

Erva-mate

Uva

SANTA CATARINA N

RIO GRANDE DO SUL

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

CEARÁ AMAZONAS

440 km

O latifúndio É a grande propriedade rural. Nem toda a sua terra é cultivada, apresentando, portanto, subaproveitamento, e sua exploração se faz por meio de técnicas tradicionais e apresenta baixa produtividade.

A agricultura familiar Arrendatário Aquele que toma em aluguel a terra de um proprietário, mediante pagamento em dinheiro, em produção ou prestação de serviço.

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Nesse tipo de organização da produção agrícola, a utilização da terra é feita por pequenos proprietários e arrendatários, com trabalho fundamentalmente familiar, havendo, eventualmente, a contratação de mão de obra assalariada. A agricultura familiar (figura 28), que visa abastecer principalmente o mercado interno, é responsável por mais da metade da produção de alimentos no Brasil — arroz, feijão, frutas, hortaliças, cebola, batata etc.

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vivi zanatta/agência estado

joão prudente/pulsar imagens

Figura 29. Plantação de mandioca em Triunfo, PE (2010). A mandioca, também chamada de aipim ou macaxeira, é um dos principais produtos da agricultura de subsistência no Brasil.

A unidade familiar de subsistência É realizada em pequenas propriedades, muitas delas classificadas como minifúndios, com uso de técnicas tradicionais e mão de obra familiar. Nesse caso, a produção tem por objetivo atender às necessidades alimentares da família que a pratica (figura 29). Parte dos produtos cultivados e da criação de animais é vendida para adquirir sal, óleo, outros alimentos e produtos de que a unidade familiar necessita. Geralmente o pai ou os filhos mais velhos se empregam em outras propriedades como trabalhadores permanentes ou temporários (boias-frias) para complementar a renda familiar.

Minifúndio Pequena propriedade rural, especialmente a que se dedica à agricultura de subsistência.

A empresa agrícola: o agronegócio e a agroindústria As empresas agrícolas são unidades de produção avançadas do ponto de vista tecnológico e podem ocupar grande, média ou pequena extensão de terra. Usam sementes ou mudas selecionadas, realizam a análise química do solo para detectar falta ou excesso de nutrientes para as plantas, fazem uso intensivo de fertilizantes, agrotóxicos, máquinas e implementos agrícolas, utilizam técnicas controladas de irrigação e contam com a assistência técnica de engenheiros agrônomos. Devido ao uso de tecnologia, as empresas agrícolas apresentam grande produção e produtividade. Empregam trabalhadores permanentes, embora também utilizem mão de obra temporária (boias-frias), e produzem tanto para o mercado interno como para o externo. Muitas empresas agrícolas transformaram-se em agroindústrias, ou seja, passaram a transformar os produtos que cultivam — ou de outros produtores — em bens industrializados. É o caso da laranja, transformada em suco, e da cana-de-açúcar, transformada em álcool e açúcar (figura 30). Além disso, a expressão agroindústria também corresponde ao conjunto de empresas industriais que fornecem produtos para a agricultura. É o caso das indústrias de adubos, pesticidas, máquinas agrícolas etc.

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Figura 30. Usina de açúcar e álcool em Piracicaba, SP (2006), recebendo carregamentos de cana-de-açúcar. paulo fridman/pulsar imagens

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 28. Cultivo de alimentos orgânicos no município de Suzano — que faz parte da Região Metropolitana de São Paulo —, SP (2005).

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Navegar é preciso Agricultura orgânica <www.cnpab.embrapa. br/pesquisas/ao.html>

Você vai encontrar informações e pesquisas sobre a prática da agricultura orgânica no Brasil e entenderá melhor de que forma a chamada agrobiologia tem contribuído para melhorar a produção agrícola no país.

4 A agricultura e os impactos ambientais A agricultura moderna tem causado diversos impactos ambientais, entre eles a compactação e a erosão do solo, a contaminação da água de rios e lençóis subterrâneos e, até mesmo, danos à saúde humana.

A compactação e a erosão do solo Se, por um lado, as máquinas agrícolas facilitam a prática da agricultura, por outro compactam o solo e dificultam a infiltração de água, contribuindo para aumentar o escoamento superficial das águas. Com isso, a erosão se intensifica e pode provocar o aparecimento de sulcos no solo, chamados de ravinas (figura 31). O escoamento superficial das águas pluviais também contribui para a formação de voçorocas, que apresentam sulcos mais profundos que as ravinas.

4

3

2

1

A ilustração ao lado mostra, em sequência, o aspecto de quatro momentos diferentes da evolução de uma ravina. 1 e 2. Formação e ampliação da ravina. 3. Estágio intermediário de ravinamento. 4. Evolução da ravina para a formação de voçoroca. Fonte: elaborado com base em GUERRA, Antônio Teixeira; GUERRA, Antônio José Teixeira. Novo dicionário geológico-geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. p. 514.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 31. Estágios de ravinamento de uma encosta

O uso de agrotóxicos

Polinizador Que promove a polinização: o transporte de pólen de uma planta para outra, permitindo a reprodução do vegetal.

Controle biológico Uso de espécies vegetais ou animais capazes de atacar pragas e doenças das plantas, sem afetar os seres humanos, os vegetais e os animais.

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Os agrotóxicos são compostos químicos que, despejados ou pulverizados sobre as lavouras, controlam as pragas e doenças que atacam os vegetais. Entretanto, podem provocar o envenenamento do trabalhador que os aplica, contaminar os alimentos produzidos, as águas dos rios e dos lençóis de água subterrânea e, consequentemente, as pessoas e animais que utilizam essas águas. Além disso, os agrotóxicos não exterminam apenas a praga causadora do dano à plantação, mas também insetos polinizadores e outros que se alimentam da praga, como lagartas e pássaros. Por causa dos danos à saúde humana, à dos animais e ao próprio meio ambiente, nota-se que vem crescendo a procura por produtos orgânicos, que são cultivados com adubo natural e controle biológico, sem o uso de agrotóxicos. Esse recurso produtivo faz parte da chamada agricultura sustentável — sistema de produção agrícola que se preocupa com a manutenção dos recursos naturais.

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stação Ciências

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A história das joaninhas da Austrália “Há muitos anos os limoeiros e laranjeiras do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, começaram a ser atacados por uma espécie de pulgão, a cochonilha das laranjas, causando enormes perdas na produção de frutos na região. Os inseticidas existentes na época eram praticamente inofensivos a esses insetos, pois eles produzem verdadeiras carapaças de cera ou de outras substâncias que os protegem e dificultam a penetração do tóxico. Foi então formada, pelo governo, uma comissão de especialistas com a finalidade de achar a solução para o grave problema. Nessa comissão havia um cientista — um biólogo — que, tendo estudado o problema, verificara que o tal pulgão não era nativo dos Estados Unidos, mas havia sido introduzido através de mudas ou frutos de laranjeiras trazidos da Austrália. Partindo do princípio de que, segundo as leis da natureza, toda praga tem um inimigo natural, isto é, um predador, concluiu que, no lugar de origem da praga, deveria ser encontrado, também, o predador capaz de controlá-la. [...]

Após alguns meses de permanência na Austrália, o biólogo regressou aos Estados Unidos com um estranho carregamento: trazia em sua bagagem algumas caixas contendo vários casais de joaninhas! As joaninhas [...] são, na verdade, terríveis devoradores de pulgões e, assim, encontraram, nas laranjeiras da Califórnia, um ótimo lugar para viver, com comida muito farta. [...] As joaninhas resolveram, de fato, o problema dos laranjais californianos, que vinham sendo dizimados pela cochonilha. Não extinguiram a praga (do contrário, não teriam mais o que comer e morreriam também), mas mantiveram-na ‘sob controle’, de modo a não causar grandes perdas às plantações. Dali, as joaninhas foram levadas para outros lugares do mundo e, até hoje, são usadas como mais eficiente processo de controle de cochonilha. É verdade que, em muitos lugares, as joaninhas têm sido destruídas pelo uso irracional de inseticidas e, nesses casos, a cochonilha ‘toma conta’, pois são muito mais resistentes aos tóxicos!” BRANCO, Samuel Murgel. Natureza e agroquímicos. São Paulo: Moderna, 2003. p. 39-40.

1. Que nome se dá ao tipo de combate às pragas empregado no caso das joaninhas da Austrália? 2. Explique por que o conhecimento científico foi fundamental para o combate eficiente das pragas que atacaram as plantações na Califórnia.

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percurso

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A pecuária 1 As formas de criação de gado A pecuária reúne as atividades relacionadas à criação de gado, para fins domésticos ou comerciais. Pode-se distinguir, pelo menos, duas formas principais de criação de gado: o pastoreio, que compreende o nomadismo e a transumância, e a pecuária de sistema extensivo, semiextensivo ou intensivo.

O pastoreio é um modo de vida baseado na exploração de pastagens naturais, onde a criação de animais é realizada em áreas sem uso de cercas e sem controle da alimentação dos animais. Há duas formas de pastoreio: o nomadismo pastoril e a transumância.

O nomadismo pastoril O nomadismo é o modo de vida em que um grupo humano se desloca de um lugar para outro para manter sua subsistência. No caso do nomadismo pastoril, o grupo humano desloca-se com seu rebanho em busca de pastagens para os animais. É esse o caso de alguns grupos de lapões, povo que vive no extremo norte da Europa (Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia) e pratica o pastoreio nômade da rena (figura 32).

A transumância

mark bryan makela/in pictures/corbis/latinstock

Figura 32. Pastoreio de renas no norte da Finlândia (2007).

É a forma de pastoreio que se caracteriza pela migração periódica de rebanhos e populações pastoras de acordo com o clima. Em geral, esse deslocamento ocorre entre pastagens em regiões montanhosas e pastagens em planícies — no verão, as montanhas se tornam uma alternativa às planícies, atingidas pela seca, e, no inverno, as planícies constituem melhor área para criação, enquanto as montanhas ficam cobertas pela neve. Na transumância, apenas os pastores se deslocam ou migram com o rebanho (figura 33). As famílias permanecem em suas casas, dedicando-se à pequena agricultura. No nomadismo pastoril, visto anteriormente, todo o grupo humano se desloca com o rebanho. A prática dessas modalidades de pastoreio tem sido cada vez mais rara, devido ao avanço das atividades econômicas modernas, como a indústria e a mineração. Ao chegar a regiões de pastoreio, essas atividades acabam empregando a população, que, aos poucos, tem abandonado as pastagens.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O pastoreio

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armando favaro/agência estado

A pecuária

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A pecuária abrange a criação de animais de grande porte — como bois (bovinos), cavalos (equinos), búfalos (bufalinos), mulas e burros (muares) e asininos (jumentos ou jegues, como são chamados no nordeste do Brasil) — e animais de pequeno porte — como porcos (suínos), ovelhas (ovinos), cabras (caprinos), aves (avícolas) e abelhas (apícolas). Estudaremos mais detalhadamente os sistemas de criação do gado bovino, por sua importância no fornecimento de alimentos (carne, leite e derivados) e matérias-primas para uso industrial. Conheça a seguir cada um desses sistemas.

Os sistemas de criação da pecuária

Confinamento Refere-se ao gado criado em cercados, onde é alimentado com matéria vegetal (feno, forragem verde etc.) e ração.

Figura 34. À esquerda, pecuária bovina extensiva praticada na província de Alberta, Canadá (2010). Abaixo, confinamento de gado bovino na França (2011). pascal pavani/afp/getty images

larry macdougal/canadian press/ap images/glowimages

A pecuária extensiva é praticada, geralmente, em regiões de baixa densidade demográfica e com grande disponibilidade de terras. O rebanho é criado solto no campo e se alimenta principalmente de pastagens (naturais, cultivadas ou mistas). Os animais destinam-se aos abatedouros para a produção de carne e há aproveitamento do leite das fêmeas. A pecuária semiextensiva é uma prática em que se associam as pastagens e o confinamento para a engorda dos animais. Confinado nos períodos de estiagem, o rebanho se destina, geralmente, a abastecer o mercado de carne. Observe a figura 34.

Figura 33. Pastor conduz um rebanho de ovelhas por montanhas no Irã (2006).

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G1 Especiais — Amazônia <www.g1.globo.com/ natureza/amazonia>

Greenpeace — Amazônia <www.greenpeace.org/ brasil/amazonia>

caetano barreira/olhar imagem

Nos sites indicados, você poderá consultar notícias e estudos sobre a relação entre a criação de gado e o desmatamento na Amazônia brasileira, além de outros assuntos relacionados, como o trabalho escravo e as mudanças na cadeia produtiva da pecuária bovina.

Quando a terra é um fator de produção de alto preço, pratica-se a pecuária intensiva. Nesse sistema, o pecuarista procura utilizar técnicas modernas para aumentar a produtividade por meio, por exemplo, da seleção de raças, do fornecimento de forragens e rações que possam melhorar a alimentação do rebanho e da concentração do maior número possível de animais por unidade de área. Esse sistema é utilizado, principalmente, na criação de gado leiteiro, onde os animais ficam estabulados.

2 A pecuária no Brasil O Brasil é detentor do segundo maior rebanho bovino do mundo, atrás apenas da Índia — onde a criação de gado não tem fins comerciais por questões religiosas. Em 2006, no Brasil, a relação entre o número de habitantes e o número de cabeças de gado bovino era de 1 para 1, ou seja, havia aproximadamente uma cabeça de gado bovino para cada habitante (segundo estimativas do IBGE, em 2006 a população brasileira era de 186 milhões, e o rebanho bovino, de 206 milhões). No Brasil, a pecuária bovina de corte, ou seja, destinada à produção de carne, é realizada predominantemente segundo o sistema extensivo e semiextensivo, com o objetivo de abastecer os mercados interno e externo. Esse sistema é praticado principalmente em grandes propriedades, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Na Região Norte, a expansão da pecuária tem sido responsável por grandes desmatamentos da Floresta Amazônica. A pecuária intensiva é mais praticada nas regiões Sudeste e Sul, onde o preço da terra é mais elevado, e visa, sobretudo, à produção de leite. Além de se destacar na criação de gado bovino, o Brasil possui o terceiro rebanho mundial de gado suíno, superado apenas por China e Estados Unidos. A maior criação e produção de suínos é realizada de forma intensiva, principalmente nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A avicultura de frango, em granjas, ocupa posição de destaque no Brasil, por abastecer o mercado interno e também o externo. Os demais rebanhos brasileiros têm importância alimentar regional: os ovinos, criados principalmente no Rio Grande do Sul, fornecem carne e lã; os caprinos, no Nordeste, servem à produção de carne, leite e couro (figura 35).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Navegar é preciso

Figura 35. Criação de caprinos no município de Senhor do Bonfim, BA (2007).

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e

stação socioambiental

com estímulo oficial, floresta vira capim crescimento do rebanho brasileiro na Amazônia (que entre 2003 e 2006 concentrou 96% do crescimento do rebanho nacional) fez com que a região bancasse um terço das exportações brasileiras de carne, assegurando a liderança mundial do país nesse mercado. ‘A pecuária está sendo empurrada para cá’, constata Carlos Xavier, presidente da comissão para assuntos da Amazônia Legal da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e da federação local, numa referência à substituição de pastos no Sudeste e Centro-Oeste por culturas de cana-de-açúcar e grãos. ‘A pressão [sobre a fronteira agrícola] é muito forte’. […]” SALOMON, Marta. Com estímulo oficial, floresta vira capim. Folha de S.Paulo, 13 jan. 2008. Ciência, A31.

Amazônia Legal Delimitação geográfica que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e parte do estado do Maranhão, cuja criação teve o propósito de promover o desenvolvimento regional.

halo palo jr./kino

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

“O município amazônico que derruba floresta vende filé-mignon mais barato do que carne de segunda no resto do país. Dono do maior rebanho bovino brasileiro, São Félix do Xingu, no Pará, dá um retrato extremo da expansão acelerada da pecuária na Amazônia Legal. Estimulada por terra barata e crédito oficial a juros subsidiados, a atividade está diretamente associada ao desmatamento. Nesta década [2001-2010], grande parte dos 14,5 mil quilômetros quadrados da mata derrubados no município — quase dez vezes a área da cidade de São Paulo — deu espaço a pastos. Eles abrigam 1,7 milhão de cabeças de gado. São 30 bois por habitante, relação quase dez vezes maior que a média da Amazônia, que já é o triplo da média nacional. Os recordes de São Félix do Xingu ecoam na região. No ano passado [2007], quando a área desmatada alcançou 19% da floresta, a Amazônia Legal passou pela primeira vez a marca dos 10 milhões de abates, segundo projeções da ONG Amigos da Terra — Amazônia Brasileira. No relatório ‘O Reino do Gado’ [...], a entidade estima aumento de 46% nos abates entre 2004 e 2007. A concentração cada vez maior do

1. Destaque do texto um trecho que reflete a relação entre a expansão da pecuária e o desmatamento na Amazônia.

Pasto de gado bovino em área desmatada da Floresta Amazônica, São Félix do Xingu, PA (2010).

2. Com base em seus conhecimentos sobre os sistemas de produção pecuária, proponha algumas atitudes que o poder público poderia adotar para reduzir o avanço da pecuária na Amazônia.

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Atividades dos percursos 27 e 28 Revendo conteúdos

1 O nomadismo pastoril se diferencia da transumância porque:

II. Gado criado em confinamento, eventualmente com uso de pastagens. O objetivo é abastecer o mercado de carne.

Sistema de criação:

. Benjamin Rondel/Corbis/LatinStock

a) não se dedica ao gado bovino. b) apenas os pastores migram de um lugar para o outro em busca de alimento para o gado. c) todo o grupo humano se desloca com o rebanho em busca de novas pastagens para o gado.

2 No Brasil: a) a avicultura não tem importância econômica.

c) predomina a pecuária bovina intensiva, com baixa produção de carne e leite. d) predomina a pecuária bovina extensiva e semiextensiva, com alta produção de carne e leite.

III. Sistema que exige investimentos de capital em técnicas de criação e reprodução, utilizado principalmente na produção leiteira.

Sistema de criação:

. flávio florido/folhapress

b) há um pequeno rebanho de suínos, criado de forma intensiva.

3 A partir dos textos e imagens abaixo, identifique o sistema de criação descrito em cada item.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

d) utiliza técnicas mais modernas de criação.

I. Grande quantidade de terras, criação do gado solto, alimentado em pastagens naturais. O rebanho é destinado principalmente à produção de carne.

Sistema de criação:

.

GERSON GERLOFF/PULSAR IMAGENS

4 Quais são os quatro tipos básicos de organização da produção agrícola brasileira? Indique as principais características de cada um deles.

5 Explique as relações entre: a) agricultura e clima; b) agricultura e solo; c) agricultura e relevo.

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Leituras cartográficas

6 Observe o mapa abaixo e responda às questões. a) Quais são os produtos agrícolas mais antigos do continente americano, com cultivo anterior a 5000 a.C.?

MERIDIANO DE GREENWICH

As origens da agricultura e da domesticação de animais – a partir de 8000 a.c.

ÁSIA

E U R O PA 6500 a.C.

OCEANO

6500 a.C.

ATLÂNTICO

7000 a.C.

3500 a.C.

7000 a.C. 7000 a.C.

8000 a.C. 7000 a.C.

6000 a.C.

4500 a.C.

7500 a.C.

AMÉRICA

8000 a.C.

5700 a.C.

ÁFRICA

3000 a.C.

b) De acordo com o mapa, quais foram os dois primeiros animais a serem domesticados no mundo? Em que continente isso ocorreu?

5500 a.C.

8000 a.C.

6000 a.C.

7000 a.C. 3500 a.C.

8000 a.C.

6000 a.C.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

7000 a.C. 3000 a.C.

4000 a.C.

3000 a.C.

OCEANO

3300 a.C.

EQUADOR

7000 a.C.

ÍNDICO

5000 a.C.

4000 a.C. 8000 a.C.

OCEANO PACÍFICO

N

Algodão

Cevada

Arroz

Ervilha

Aveia Batata

2.300 km

Feijão

Cabra

Galinha

Carneiro

Ganso

Sorgo

Cavalo

Lhama

Trigo

Gado

Porco

Milho Painço

Fonte: PARKER, Geoffrey. Atlas Verbo de história universal. Lisboa: Verbo, 1996. p. 14-15.

Inhame

Cânhamo Centeio

Mandioca

Lentilha

Área de origem das principais culturas agrícolas e criação

Explore

Investigue

7 Leia o texto abaixo e responda às ques-

8 Em grupo, você irá pesquisar sobre os

tões. “O arroz irrigado é produzido em dezesseis estados de todas as regiões do Brasil, portanto, sob condições climáticas muito distintas. Entretanto, de acordo com os dados do IBGE, para a safra 2000/2001, cerca de 90% d essa produção é oriunda da Região Sul e, principalmente, dos estados do Rio Grande do Sul (RS) (77,1%) e Santa Catarina (SC) (12,8%).” EMBRAPA. Cultivo do arroz irrigado no Brasil. Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia. embrapa.br>. Acesso em: 10 mar. 2011.

a) De acordo com o texto, que fator natural provavelmente é responsável pela alta produção de arroz na Região Sul? b) Qual foi o percentual de participação dos estados citados no texto na produção nacional de arroz na safra 2000/2001?

produtos agrícolas no seu município (ou municípios vizinhos). Para isso, visite o site do IBGE <www.ibge.gov.br>. Clique no botão “Banco de dados” e, em seguida, no “Cidades”. Encontre seu município (ou municípios vizinhos) e clique no campo “Censo agropecuário 2006”. Liste os produtos de lavouras permanentes e de lavouras temporárias cultivados, seguindo o modelo abaixo. Anote apenas as informações sobre o número de estabelecimentos que cultivam determinado produto e a quantidade produzida. Depois, apresente o resultado em classe. Número de estabelecimentos

Quantidade produzida

Lavoura permanente Lavoura temporária

PErcursO 28

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Desembarque

1963 Nasce em San Francisco

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Catálogo de exposição. 2005 Registra a destruição provocada pelo furacão Katrina em Nova Orleans, nos Estados Unidos. 2006 Inicia o trabalho Running the Numbers: an American self-portrait [Fazendo as contas: um autorretrato estadunidense], em que buscou retratar dados estatísticos relacionados ao consumo, à produção de lixo, às questões sociais e aos vícios mais comuns nos Estados Unidos. A obra ao lado faz parte dessa série.

Publicação que reúne as fotografias de Chris Jordan em Nova Orleans.

2008 Viaja pelo mundo como ecoembaixador do Dia da Terra, pela National Geographic.

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Capa do livro Running the numbers.

reprodução

A

rtista e fotógrafo, Chris Jor­ dan mora em Seattle, no estado de Washington, Es­ tados Unidos. Preocupado com o consumismo, cria obras surpreen­ dentes com objetos descartados diariamente. As imagens finais dão ideia do montante de lixo pro­ duzido no mundo contemporâneo, pois reúnem vários objetos desti­ nados ao lixo dispostos de for­ ma repetitiva em grandes conjun­ tos. Esses verdadeiros cenários do consumo são fotografados e po­ dem ser observados a diferentes distâncias: de longe, lembram pin­ turas ou até reproduções de obras de arte; de perto, mostram do que são feitos. Confira a seguir.

FOTO EM BAIXA 535C

reprodução

2003-2005 Desenvolve o trabalho Intolerable Beauty: portraits of American mass consumption [Beleza intolerável: retratos do massivo consumo estadunidense], reunindo fotografias de objetos descartados.

2003 Deixa o trabalho como advogado e passa a dedicar-se à fotografia.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

andrew heavens/mct/newscom

Arte e consumo

DE OLHO NO ”LIXO”

reprodução

CHRIS JORDAN

em outras linguagens

2009 Começa a desenvolver o trabalho Running the numbers II: portraits of global mass culture [Fazendo as contas II: retratos da cultura de massa global], em que busca representar dados sobre o consumo em todo o mundo. No mesmo ano, lança o livro com a primeira fase desse trabalho e inicia a produção de um filme sobre o despejo de lixo no Oceano Pacífico.

EXPEDIÇÃO 7

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chris jordan/foto: cb2/zob/wenn/newscom chris jordan/foto: cb2/zob/wenn/newscom

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Nesta obra (Cans Seurat, cuja tradução é “latas de Seurat”, 2007), o artista usou 106 mil latas de alumínio para reproduzir a tela Um domingo à tarde na Ilha da Grande Jatte, 1884, do pintor francês Georges Seurat. Segundo Chris Jordan, isso é o que se consome, a cada 30 segundos, nos Estados Unidos.

Caixa de informações 1. Que tipo de problema Chris Jordan retrata em suas obras?

Brasil é o campeão de lixo eletrônico entre os emergentes “[...] O Brasil é o país emergente que mais toneladas de geladeiras abandona a cada ano por pessoa e um dos líderes em descartar celulares, TVs e impressoras. […] A estimativa é de que, no mundo, 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são geradas por ano. Grande parte certamente ocorre nos paí­ses ricos. Só a Europa seria responsável por um quarto desse lixo. [...]” O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 fev. 2010. Disponível em: <www.estadao.com.br>. Acesso em: 10 mar. 2011.

2. De maneira geral, quais objetos são utilizados nas obras de Chris Jordan?

Interprete 3. Que relação existe entre a arte de Chris Jordan e o assunto do texto ao lado?

Mãos à obra 4. Em grupo, colete embalagens de produtos consumidos em seu dia a dia e construa um objeto de forma a retratar o consumismo e o desperdício, conforme o exemplo de Chris Jordan.

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Melhem Adas Bacharel e licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor do Ensino Fundamental, Médio e Superior da rede pública e em escolas privadas do estado de São Paulo.

Sérgio Adas Bacharel e licenciado em Filosofia, doutor em Geografia Humana e pós-doutor em Educação pela Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da Universidade de São Paulo.

Expedições geográficas

7 1a edição

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© Melhem Adas, Sérgio Adas, 2011

Coordenação editorial: Fernando Vedovate, Wagner Nicaretta Edição de texto: Wagner Nicaretta, Ana Carolina F. Muniz, Daiane Ciriáco, Cesar Brumini Dellore, Carochinha Produção Editorial Assistência editorial: Angélica Campos Nakamura, Flavio Manzatto de Souza, Magna Reimberg Teobaldo Preparação de texto: Carochinha Produção Editorial Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico: A+ Comunicação Capas: Everson de Paula Fotos: Câmera fotográfica © Caroline Purser/Getty Images; Praça do Pelourinho, Salvador, Bahia © Danny Lehman/Corbis/Latinstock Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Maria Lucia F. Couto Edição de arte: Flavia Maria Susi Assistência de produção: Marcia Nascimento Edição de infografia: William Hiroshi Taciro (coordenação), Ana Carolina F. Muniz, Angélica Campos Nakamura, Cesar Brumini Dellore, Daiane Ciriáco, Daniela Máximo, Fernanda Fencz, Mauro César C. Brosso Ilustrações: Vagner Vargas Cartografia: Alessandro Passos da Costa, Anderson de Andrade Pimentel, Fernando José Ferreira Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero Revisão: Afonso N. Lopes, Alexandra Costa, Ana Cortazzo, Ana Maria C. Tavares, Márcia Leme, Millyane M. Moura, Nancy H. Dias, Viviane T. Mendes Pesquisa iconográfica: Camila D’Angelo, Evelyn Torrecilla As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de bureau: Américo Jesus Tratamento de imagens: Fabio N. Precendo, Pix Art Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Helio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Adas, Melhem Expedições geográficas, 7o ano / Melhem Adas, Sérgio Adas. — 1. ed. — São Paulo : Moderna, 2011.

Bibliografia.

1. Geografia – (Ensino fundamental) I. Adas, Sérgio. II. Título.

11-05518

CDD-372.891 Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia: Ensino fundamental

372.891

ISBN 978-85-16-07131-8 (LA) ISBN 978-85-16-07132-5 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2013 Impresso na China 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação Caro estudante,

Neste ano você é nosso convidado para embarcar em uma grande expedição: o estudo da Geografia do Brasil! Com a curiosidade sempre alerta e muita disposição, estaremos juntos por vários meses, sempre seguindo uma única direção: conhecer um país de dimensões continentais que possui uma das mais ricas biodiversidades do mundo, além de grande diversidade cultural. As oito Expedições Geográficas deste livro tratam de vários assuntos e, para saber quais são de antemão, é necessário consultar o nosso roteiro: o sumário. Sugerimos também que você conheça os vários recursos existentes neste livro, ou seja, as suas seções, as quais o levarão a relacionar vários assuntos e áreas do conhecimento. Uma dica de viagem: não seja apenas um viajante distraído ou que passa pelos lugares e regiões sem perceber as contradições existentes. Seja um viajante cidadão e consciente, que utiliza seu aprendizado e conhecimento para participar da construção de um Brasil melhor para todos. Um bom começo é fazer isso a partir do lugar e região onde se vive. Você está pronto? O que se pode querer mais? Afinal, o Brasil é imperdível! Os autores

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Conhecendo o r v i l o d s o s r u c os re organização do livro A coleção Expedições Geográficas possui uma organização regular, planejada para facilitar o trabalho em sala de aula. É dividida em oito Expedições (unidades), cada uma com quatro Percursos (capítulos), totalizando 32 Percursos. Aquecendo A minisseção Aquecendo vai sondar seus conhecimentos prévios e estimular o interesse nas temáticas abordadas ao longo da Expedição.

Abertura de Expedição Por meio da exploração de um infográfico ou um jogo de imagens e um texto introdutório, a abertura da Expedição apresenta o que será tratado nos quatro Percursos seguintes.

Percurso Os Percursos apresentam conteúdos organizados de forma clara, em títulos e subtítulos que facilitam a compreensão dos temas. As informações são apresentadas por meio de diferentes linguagens, mesclando textos, mapas, gráficos, tabelas, ilustrações e fotos. As atividades direcionam a observação e a interpretação desses elementos.

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Seções laterais Sugerem livros, vídeos e sites que ajudam a aprofundar e complementar o estudo, além de ser um ótimo entretenimento. Glossário Apresenta o significado de termos pouco comuns ou desconhecidos.

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Estações Apresentam textos de revistas, jornais, livros e sites, que desenvolvem os temas transversais e complementam o conteúdo do Percurso. Dividem-se em quatro tipos: Estação Socioambiental, Estação Cidadania, Estação História e Estação Ciências. As atividades promovem a reflexão e estimulam o debate.

Estação Socioambiental Aborda temas sociais e ambientais e desenvolve a compreensão das relações entre espaço geográfico, sociedade e ambiente.

Estação História Trata dos aspectos históricos de um determinado tema para enriquecer seu estudo. O texto, com as atividades, busca reforçar as relações entre espaço geográfico e tempo histórico.

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Estação Cidadania Traz textos que possibilitam refletir e assumir uma posição diante de problemas ligados à realidade e discutir medidas e soluções.

Estação Ciências Por meio dos textos dessa estação, você vai refletir sobre o papel da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento da sociedade.

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Infográfico Os infográficos podem aparecer tanto na abertura como no meio de um Percurso. Eles são ótimos recursos gráfico-visuais por integrarem imagem, gráfico e texto, apresentando dados e informações de maneira sintetizada. Sempre vêm acompanhados de questões relevantes sobre o que foi proposto.

Seções de fechamento de Percurso Essas seções procuram ampliar, por meio de textos e atividades, o seu repertório cultural e o conhecimento de técnicas e procedimentos utilizados na Geografia. São três seções diferentes: Bagagem de ferramentas, Outras rotas e Encontros.

Bagagem de ferramentas Aqui são apresentados procedimentos específicos da Geografia e técnicas de estudo e pesquisa que permitem aprimorar o trabalho individual e em grupo.

Outras rotas Essa seção possibilita conhecer lugares diferentes, que tenham significado religioso, cultural, arquitetônico etc., ampliando os horizontes culturais.

Encontros Apresenta aspectos do cotidiano de diferentes povos, etnias ou personagens, privilegiando a diversidade étnica cultural. Propõe uma reflexão sobre a importância da diversidade e do respeito à diferença.

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Atividades As atividades sempre aparecem em páginas duplas no final dos Percursos pares. Visam à releitura e revisão dos conteúdos, à aplicação dos conhecimentos adquiridos, à interpretação de mapas, gráficos, tabelas, textos e estimulam a reflexão a respeito do que foi estudado. São divididas em cinco subseções. Explore Atividades que exploram diferentes linguagens, como textos, imagens, tabelas, gráficos, charges etc.

Revendo conteúdos São atividades de releitura e revisão de conteúdos. Frequentemente apresenta questões diretas e lúdicas, como palavras cruzadas, situações-problema, enigmas e caça-palavras. Leituras cartográficas Atividades envolvendo a linguagem cartográfica. Estimulam a habilidade de leitura e interpretação de mapas, que podem estar associados a gráficos, tabelas, perfis etc.

Investigue Propõe pesquisas individuais ou em grupo para aprofundar o que foi estudado.

Pratique Propõe uma atividade que exige execução de procedimentos, como elaboração de mapas, desenhos ou croquis.

Desembarque em outras linguagens É uma seção que fecha as Expedições ímpares. Apresenta o trabalho de artistas e outras personalidades por meio de temas ligados ao conteúdo estudado. A abordagem é interdisciplinar e as linguagens são variadas, geralmente ligadas às artes e à literatura.

Apresenta a expressão artística ou a linguagem que o artista representa. Apresenta uma linha do tempo biográfica do artista ou uma síntese de suas obras.

Breve apresentação da personalidade tratada e seu trabalho. Caixa de informações e Interprete Atividades de releitura e interpretação que estimulam a compreensão do assunto. As informações são interpretadas e relacionadas com a Geografia.

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Mãos à obra Essa seção possibilita pôr em prática a linguagem apresentada.

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Sumário ExpEdição 1 o território brasileiro, 12

an Zi/ Kin O

percurso 1. Localização e extensão do território brasileiro

en av iar

Como localizar o território brasileiro?, 14 • Pontos extremos do território brasileiro, 17 • Latitudes e diversidade de paisagens naturais, 17 • Os fusos horários, 18 Bagagem de ferramentas – Como calcular as horas por meio de um mapa de fusos horários

percurso 2. A formação do território brasileiro A formação territorial, 20 Atividades dos percursos 1 e 2

percurso 3. A regionalização do território brasileiro

14

19

20 26

28

O que é regionalizar, 28 • Brasil: regionalização oficial, 29 • Os complexos regionais, 29

percurso 4. Domínios naturais: ameaças e conservação Os domínios morfoclimáticos, 32 • Impactos ambientais sobre os domínios morfoclimáticos do Brasil, 34 • As Unidades de Conservação, 36 Outras rotas – Jalapão Atividades dos percursos 3 e 4 Desembarque em outras linguagens – Araquém Alcântara

32 37 38 40

ExpEdição 2 A população brasileira, 42

cK e/ pu lsa r imag ens

percurso 5. Brasil: distribuição e crescimento da população

ne eu rK arTu

44

Brasil: país populoso e pouco povoado, 44 • A distribuição da população pelo território brasileiro, 45 • O censo, 46 • O crescimento da população brasileira, 47 • Natalidade e fecundidade em queda, 49 • Redução da mortalidade e aumento da expectativa de vida, 50

percurso 6. Brasil: migrações internas e emigração O que é migração, 52 • O êxodo rural, 55 • Deslocamentos temporários de população, 55 • Emigrantes brasileiros, 55 Encontros – A migração por quem a viveu Atividades dos percursos 5 e 6

percurso 7. População e trabalho: mulheres, crianças e idosos

52 57 58

60

A população segundo os setores de produção, 60 • Mulheres e desigualdades no mercado de trabalho, 61 • O trabalho infantil no Brasil, 64 • A pirâmide etária do Brasil, 64

percurso 8. Brasil: a diversidade cultural e os afro-brasileiros Brasil: país de muitos povos e culturas, 66 • Grupos formadores da população brasileira, 66 • Os brasileiros nos censos do IBGE, 68 • Os afro-brasileiros no Brasil atual, 69 Atividades dos percursos 7 e 8

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Expedição 3 Brasil: da sociedade agrária para a urbano-industrial, 74

av es /pu lsa r imagens

Percurso 9. A urbanização brasileira

h sc en rub

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O que é urbanização?, 76 • Brasil: taxas de urbanização regionais e estaduais, 76 • Brasil: urbanização tardia, mas acelerada, 77 • Causas da urbanização no Brasil, 78 • O processo de urbanização, 80

Percurso 10. Rede, hierarquia e problemas urbanos

82

A rede urbana, 82 • As categorias e funções urbanas, 82 • A hierarquia urbana, 83 • A conurbação, 84 • As Regiões Metropolitanas, 84 • A megalópole em formação, 86 • Movimentos sociais urbanos, 87 • Problemas urbanos, 88 90 Atividades dos percursos 9 e 10

Percurso 11. A industrialização brasileira

92

O Brasil pré-industrial, 92 • Fatores favoráveis à industrialização do Brasil, 93 • Concentração e relativa desconcentração industrial, 95

Percurso 12. O espaço agrário e a questão da terra

98

A importância da agropecuária no Brasil, 98 • A geografia agrícola do Brasil, 98 • A pecuária, 101 • Pecuária intensiva e extensiva, 102 • Desigualdade no campo, 102 • Movimentos dos trabalhadores rurais, 103 104 Atividades dos percursos 11 e 12 Desembarque em outras linguagens – Otávio e Gustavo Pandolfo 106

Expedição 4 Região Norte, 108 Percurso 13. Região Norte: localização e meio natural

110

Região Norte ou Amazônia?, 110 • Aspectos físicos gerais, 112

CO LO MB INI

Percurso 14. Região Norte: a construção de espaços geográficos

O

BI FA

Percurso 15. Amazônia: conflitos, desmatamento e biodiversidade A entrada do grande capital na Amazônia Legal em tempos recentes, 128 • O desmatamento na Amazônia, 129 • A biodiversidade da Amazônia, 132 Bagagem de ferramentas – Aprendendo a fazer um mapa pictórico

Percurso 16. Amazônia: o desenvolvimento sustentável Organização não governamental — ONG, 134 • O desenvolvimento ecologicamente sustentável, 135 • As reservas extrativistas, 136 Encontros – Cipó artístico Atividades dos percursos 15 e 16

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118

A construção do espaço geográfico de 1500 a 1930, 118 • A construção do espaço geográfico — após 1930, 120 • Os governos militares e os novos rumos da colonização da Amazônia, 121 126 Atividades dos percursos 13 e 14

128 133

134 137 138

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ExpEdição 5 Região Nordeste, 140

Tin s/ pu lsa r imagens

percurso 17. Região Nordeste: o meio natural e a Zona da Mata

Fim Del

r ma

142

A diversidade no Nordeste, 142 • As sub-regiões do Nordeste, 144 • A Zona da Mata: localização e condições naturais, 144 • Zona da Mata: as metrópoles, 146 • Zona da Mata: aspectos gerais da economia, 147 149 Encontros – Os pescadores do sul da Bahia

percurso 18. O Agreste O Agreste: localização e condições naturais, 152 • As cidades do Agreste, 153 • Agreste: economia, 154 Atividades dos percursos 17 e 18

percurso 19. O Sertão O Sertão: localização e condições naturais, 158 • O Rio São Francisco, 160 • Sertão: economia, 162 • As questões sociais e políticas da seca, 164 Outras rotas – Parque Nacional Serra da Capivara

percurso 20. O Meio-Norte

152 156

158 165

166

O Meio-Norte: localização e condições naturais, 166 • Meio-Norte: construção inicial do espaço, 168 • As capitais regionais e outras cidades, 169 • Meio-Norte: economia, 169 171 Bagagem de ferramentas – Elaboração de mural Atividades dos percursos 19 e 20 172 Desembarque em outras linguagens – O Sertão de Graciliano Ramos: do local ao 174 universal

ExpEdição 6 Região Sudeste, 176 percurso 21. Região Sudeste: o meio natural

178

ur Y/ pu lsa r imagens

Apresentação, 178 • Aspectos do meio natural, 179

ZO Oa rD rica

percurso 22. Região Sudeste: ocupação e povoamento

184

O início do povoamento, 184 • Da Vila de São Paulo para o interior, 185 • A mineração e a produção de espaço, 186 • A cafeicultura e a produção de espaços geográficos no Sudeste, 188 190 Atividades dos percursos 21 e 22

percurso 23. Região Sudeste: a cafeicultura e a organização do espaço

192

A expansão da cafeicultura em direção ao interior de São Paulo, 192 • A cafeicultura e a imigração estrangeira, 194

percurso 24. Região Sudeste: população e economia População, 196 • Economia, 197 Atividades dos percursos 23 e 24

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196 204

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EXPEDIÇÃO 7 Região Sul, 206 Percurso 25. Região Sul: o meio natural

208

ET TI/ PU LSA R IMAGENS

Apresentação, 208 • Aspectos do meio natural, 209

ICIO MAUR

ON SIM

Percurso 26. Região Sul: a construção de espaços geográficos Ocupação inicial da Região Sul, 216 Atividades dos percursos 25 e 26

Percurso 27. Região Sul: problemas ambientais

216 222

224

A produção de espaços geográficos e a natureza, 224 • Região Sul: desmatamento, 224 • Principais problemas ambientais, 228 231 Encontros – Os cipozeiros de Garuva

Percurso 28. Região Sul: população e economia População, 232 • Economia, 233 Atividades dos percursos 27 e 28 Desembarque em outras linguagens – Percy Lau: O Brasil detalhado em preto e branco

232 240 242

EXPEDIÇÃO 8 Região Centro-Oeste, 244 Percurso 29. Região Centro-Oeste: localização e meio natural

246

AN /P UL SAR IMAGENS

Apresentação, 246 • Aspectos do meio natural, 246

B UM OL NK STEFA

Percurso 30. Região Centro-Oeste: fatores iniciais da construção de espaços geográficos

Percurso 31. Região Centro-Oeste: a dinamização da economia O avanço da ocupação territorial, 262 • Infraestrutura e integração regional, 265 • Região Centro-Oeste: a organização atual do espaço geográfico, 267 Bagagem de ferramentas – Pesquisa por meio de entrevista estruturada

Percurso 32. Região Centro-Oeste: população, economia e meio ambiente Crescimento da população, 270 • Crescimento do PIB, 270 • Centro-Oeste: economia em plena expansão, 271 • O extrativismo, 274 • Indústria, 275 Atividades dos percursos 31 e 32

Bibliografia

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254

Os primeiros exploradores, 254 • A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e a articulação com o Sudeste, 256 • Até meados do século XX, um povoamento escasso, 257 259 Outras rotas – Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga Atividades dos percursos 29 e 30 260

262 269

270 276

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eXpeDIÇÃo

2

o ã ç a l u p o p A brasileira

Nesta Expedição, você é convidado a conhecer alguns aspectos sobre a população da qual faz parte. Saber quem somos, quantos somos, como e onde vivemos é um passo importante para melhor compreender nosso país e saber como a população brasileira mudou ao longo do tempo. Também estudará como a população está distribuída no território e as desigualdades que ainda existem no mercado de trabalho brasileiro.

PERCURSOS 5

Brasil: distribuição e crescimento da população

6

Brasil: migrações internas e emigração

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População e trabalho: mulheres, crianças e idosos

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Brasil: a diversidade cultural e os afro-brasileiros

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A evolução da população brasileira Ao longo da história do Brasil, podemos observar um constante crescimento da população. Tal crescimento, no entanto, não aconteceu de forma regular: em alguns momentos o processo foi acelerado, em outros, mais lento. A distribuição da população pelo território também mudou, passando de maioria rural para urbana. Observe o crescimento da população brasileira no infográfico a seguir. A partir de 1900, ocorreu um grande aumento da população. A principal causa desse fenômeno foi a chegada de imigrantes estrangeiros, que já era significativa no século XIX, mas teve maior importância no início do século XX.

Só no período entre 1904 e 1930, entraram no país mais de dois milhões de imigrantes.

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Aquecendo 1 O processo de envelhecimento da população é um dado recente no país. O que tem contribuído para a população viver mais? 2 O gráfico revela uma característica importante sobre a distribuição da população brasileira. Qual?

Na década de 1930, o governo criou medidas restritivas para a entrada de imigrantes, reduzindo o fluxo de estrangeiros para o país.

A taxa de crescimento populacional caiu, mas o país não registrará rapidamente uma redução no número de seus habitantes. Com o desenvolvimento da medicina e a melhora na qualidade de vida, a tendência é que ocorra um envelhecimento da população, que viverá por mais anos se comparada à população do passado.

Com o avanço da industrialização, a população passou a ser majoritariamente urbana e teve seu perfil transformado: houve maior acesso à educação e à saúde, as condições de vida melhoraram e as mulheres aumentaram a participação no mercado de trabalho. Assim, o número de nascimentos caiu e, a partir da década de 1970, a população passou a crescer de maneira menos acelerada.

Entre os anos de 1940 e 1970 a população aumentou de maneira acelerada. Isso ocorreu graças ao maior crescimento natural da população, resultante de altas taxas de natalidade e do declínio das taxas de mortalidade.

Fontes: IBGE. Sinopse preliminar do censo demográfico 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2000. Primeiros resultados do censo 2010. Disponível em: <www.censo2010.ibge.gov.br>. Acesso em: 17 fev. 2011.

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percurso

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Brasil: distribuição e crescimento da população 1 Brasil: país populoso e pouco povoado

No entanto, o Brasil é considerado um país pouco povoado. Isso porque, quando utilizamos essa expressão, consideramos a relação entre o número de habitantes e a sua área territorial — a população relativa. Para medir a concentração da população de uma determinada área, calcula-se sua densidade demográfica por meio da divisão do total da população pela área em que está distribuída. Esse valor é expresso pelo número de habitantes por quilômetro quadrado (hab./km2). No caso do Brasil, que contava em 2010 com uma população de 190.732.694 habitantes e uma área de 8.514.876 km2, a densidade demográfica é de 22,4 hab./km2. Países muito povoados não são, necessariamente, muito populosos. Em muitos casos é a pequena área do território que determina altas densidades demográficas. Note que a maioria dos países citados na tabela 1 é insular.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O Brasil possui uma população numerosa: em 2010, eram 190.732.694 habitantes, segundo os dados publicados pelo IBGE. Com a 5a maior população do mundo, é um país populoso, pois sua população absoluta — isto é, a soma de todos os seus habitantes — é elevada.

Tabela 1. População e área territorial de países de elevada densidade demográfica – 2007 País (continente) Cingapura (Ásia)

44

Área (km²)

Densidade demográfica (hab./km²)

4.436.000

693

6.401

Malta (Europa)

406.583

316

1.286

Barein (Ásia)

752.000

665

1.130

155.991.000

144.000

1.083

Maldivas (Ásia)

305.556

300

1.018

Barbados (América)

293.894

431

681

22.858.872

35.980

635

Bangladesh (Ásia)

Fonte: BONIFACE, Pascal (Org.). L’année stratégique 2008: analyse des enjeux internationaux. Paris: Dalloz, 2007.

População

Taiwan (Ásia)

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2 A distribuição da população pelo território brasileiro

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A distribuição da população é influenciada por fatores naturais e econômicos, que podem ser permissivos ou restritivos ao povoamento. Entre os fatores naturais permissivos, podemos citar climas amenos e relevos com baixas declividades e, como fator econômico, o dinamismo da economia em uma região. Esses fatores podem constituir uma área de atração de população. Por outro lado, climas desérticos ou muito frios, bem como declínio de atividade econômica, são exemplos de fatores naturais e econômicos restritivos, caracterizando uma área de repulsão de população. Quando dizemos que a densidade demográfica do Brasil é de 22,4 hab./km2, é importante compreender que esse dado é uma média geral, que não corresponde a todo o território do país, que pode apresentar áreas mais ou menos povoadas de acordo com fatores naturais e econômicos. Observe na tabela 2 que a densidade demográfica varia entre as grandes regiões do Brasil. A Região Sudeste, além de ser a mais povoada, é a mais populosa: a cada 100 habitantes do país, 42 vivem nela. Essa região se tornou a principal área de atração populacional no decorrer da história de nosso país, devido à atividade mineradora em Minas Gerais (século XVIII), à expansão da cafeicultura no Rio de Janeiro e em São Paulo (séculos XIX e XX) e à industrialização (século XX). Tabela 2. Brasil: densidade demográfica das grandes regiões – 2010 População

Área (km²)

Densidade demográfica (hab./km²)

Porcentagem da população brasileira

Norte

15.865.678

3.853.327

4,1

8,3

Nordeste

53.078.137

1.554.257

34,1

27,8

Sudeste

80.353.724

924.511

86,9

42,1

Sul

27.384.815

576.409

47,5

14,4

Centro-Oeste

14.050.340

1.606.371

8,7

7,4

190.732.694

8.514.876

22,4

100

Região

BRASIL

Fonte: IBGE. Primeiros resultados do censo 2010. Disponível em: <www.censo2010.ibge.gov.br>. Acesso em: 11 mar. 2011.

Observando a figura 1, na página seguinte, podemos notar a desigual distribuição da população brasileira pelo território. Por exemplo, nas proximidades de São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais, existem densidades demográficas acima de 100 hab./km², enquanto em largos trechos dos estados do Amazonas, Pará e Roraima, as densidades demográficas são inferiores a 1 hab./km². percurso 5

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45

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Figura 1. Brasil: densidade demográfica – 2005 Em que parte do território está concentrada a população brasileira? Justifique.

OCEANO Boa Vista

ATLÂNTICO

Macapá

EQUADOR

Belém São Luís

Manaus

Fortaleza Teresina

Rio Branco

Natal João Pessoa Recife

Porto Velho

10ºS

Maceió

Palmas

Aracaju Salvador

Cuiabá

Brasília Goiânia Belo Horizonte Campo Grande

Vitória

70ºO

São Paulo

Densidade demográfica Habitantes por km2

Curitiba

Menos de 1,0 De 10,0 a 24,9 De 25,0 a 99,9

TRÓPICO

DE CAPR ICÓRNIO

OCEANO Florianópolis

De 1,0 a 9,9

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 131.

Rio de Janeiro

N

Porto Alegre

ATLÂNTICO

30ºS

De 100,0 a 280,0

390 km

Mais de 280,0 60ºO

50ºO

40ºO

30ºO

3 O censo O levantamento de dados que realiza a contagem da população de um país, estado ou município é chamado recenseamento ou censo. É por meio dele que conhecemos também outras características da população, como a composição por idade, gênero, nível de instrução etc. Os governos se servem dos dados do censo para o planejamento de políticas públicas. Por exemplo, possuindo dados sobre o crescimento da população e a sua composição por idade, os governos ficarão sabendo: • quantas vagas nas escolas dos ensinos fundamental, médio e universitário precisam ser criadas para atender à população; • quantos empregos serão necessários, anualmente, para absorver os jovens que entram no mercado de trabalho; • quantas habitações precisam ser construídas; • quantos leitos hospitalares precisam ser criados etc. Vê-se, então, que o estudo da população tem vários objetivos práticos.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

20ºS

Os censos e o crescimento da população Estatística Ciência que organiza e analisa dados numéricos.

46

Até 1871 não havia sido realizado, no Brasil, um recenseamento demográfico. Foi nesse ano que o governo imperial de D. Pedro II organizou a Repartição de Estatística para realizar no ano seguinte o primeiro recenseamento oficial do Brasil.

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4 O crescimento da população brasileira

arquivo agência estado

Pode-se distinguir duas causas básicas para o crescimento populacional brasileiro: a contribuição da imigração e o crescimento natural ou vegetativo da população.

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A imigração

Os europeus, africanos e asiáticos que migraram para o Brasil, além dos indígenas que aqui já viviam, são os formadores da população brasileira. Entre os imigrantes que entraram no Brasil, devemos distinguir os que vieram de maneira forçada, como os africanos, trazidos como escravos, e os imigrantes livres ou espontâneos. Desse grupo, os que mais se destacaram quantitativamente foram os portugueses, italianos, espanhóis, alemães e japoneses (figura 2). Além desses povos, os sírios, libaneses, poloneses, ucranianos, holandeses, coreanos e chineses também contribuíram para a formação da população brasileira. Nas últimas décadas, o Brasil tem recebido grande número de migrantes nigerianos, angolanos e bolivianos. Observe a contribuição da imigração para o crescimento populacional do Brasil na figura 3. Entre 1887 e 1930 entraram no Brasil cerca de 3,8 milhões de imigrantes, o que contribuiu de forma significativa para o crescimento populacional do país. Após 1930, a imigração decresceu, assumindo uma importância secundária no crescimento populacional. Entre os fatores que explicam essa queda, destaca-se a Lei de Cotas da Imigração, criada pelo governo brasileiro em 1934. Essa lei restringiu a entrada de imigrantes, pois estabelecia cota anual de 2% do total de imigrantes de cada nacionalidade que tinha imigrado nos últimos 50 anos.

Figura 2. Imigrantes italianos posam para foto na chegada ao porto de Santos, SP (1957).

100

Lei de Cotas da Imigração (1934)

150

Crise econômica mundial (1929)

Milhares 200

Abolição da escravatura (1888)

Quando ocorreu o maior pico de imigração no Brasil?

Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

Figura 3. Entrada de imigrantes no Brasil – 1870-1940

50

Fonte: IBGE. Brasil: 500 anos de povoamento. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 2 mar. 2011.

0

1870

1875

1880

1885

1890

1895

1900

1905

1910

1915

1920

1925

1930

1935

1940

percurso 5

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À diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade dá-se o nome de crescimento natural ou vegetativo da população. A taxa de natalidade corresponde ao número de nascidos vivos a cada 1.000 habitantes de um país, estado ou município, num determinado período de tempo — geralmente, um ano. É calculada dividindo-se o número de nascidos vivos em determinado período pelo número da população existente no mesmo período. O resultado é multiplicado por mil para facilitar a leitura e permitir comparação internacional. Ela é representada pelo símbolo “‰”, que quer dizer por mil. A taxa de mortalidade corresponde ao número de óbitos por 1.000 ha­ bitantes. É calculada dividindo-se o número de óbitos em determinado período pela população total nesse mesmo período e multiplicando-se o resultado por mil. Como exemplo, vamos calcular o crescimento vegetativo referente ao ano de 2008, no Brasil, com base em dados do IBGE (valores arredondados): Taxa de natalidade – taxa de mortalidade = 16‰ – 6‰ = 10‰

Navegar é preciso Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE

A taxa de crescimento vegetativo da população brasileira em 2008 foi 10‰, o que significa que, em cada grupo de 1.000 habitantes, a população aumentou em aproximadamente 10 pessoas. Nos dias atuais, o crescimento natural da população é a principal causa do crescimento quantitativo da população brasileira, ainda que esse crescimento venha diminuindo desde o período de 1971-1980 (figura 4). Figura 4. Brasil: taxas de natalidade, mortalidade e de crescimento natural da população, por 1.000 habitantes – 1901-2010

<www.ibge.gov.br>

Nesse site você encontrará textos, mapas, gráficos e tabelas sobre diversos aspectos da população brasileira. Acesse a aba População.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O crescimento vegetativo

‰ 50

Taxa de natalidade Taxa de mortalidade Crescimento vegetativo

40

*estimativa

30

48

20

10

81

-1

99

0

80

19

1-

7 19

19

0 97 -1 61 19

96 0 19 51 -1

0 95 -1 41 19

21 19

01

-1

92

0

19 40

0

19

Fontes: CARVALHO, Alceu Vicente W. A população brasileira: estudo e interpretação. Rio de Janeiro: IBGE, 1960. p. 21; HUGON, Paul. Demografia brasileira: ensaio de demoeconomia brasileira. São Paulo: Atlas/Edusp, 1973. p. 127-133; IBGE. Anuário estatístico do Brasil 1993; 1995; 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 1993; 1995; 2000; IBGE. Síntese de indicadores sociais 2002. Rio de Janeiro: IBGE, 2003. p. 35.

00

20

1-

9 19

0*

01

-2

1 00

2

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A partir de 1961, ocorreu uma redução mais acentuada das taxas de natalidade no Brasil. Vários fatores contribuíram para isso. Com a modernização da economia brasileira, representada principalmente pela industrialização, muitas famílias migraram do campo para a cidade em busca de melhores condições de vida, como empregos de maior remuneração, assistência médico-hospitalar, educação para os filhos etc. Geralmente, as famílias residentes no campo tinham muitos filhos, o que representava mais ajuda no trabalho rural. Migrando para as cidades, diante dos custos e dificuldades impostas pela vida urbana, os casais diminuíram o número de filhos. Juntamente a isso, a maior participação das mulheres no mercado de trabalho e o aumento do uso de métodos contraceptivos também contribuíram para a redução de filhos por casais (figura 5). A redução do número de filhos constitui uma das mudanças ocorridas com a urbanização, ocasionando a queda da taxa de fecundidade, ou seja, o número de filhos por mulher em idade reprodutiva (entre 15 e 49 anos). Para se ter ideia, enquanto em 1960 a taxa de fecundidade era de 6,3, em 2000 declinou para 2,4, tendo passado para 1,86 em 2008. Conclui-se, então, que a redução da taxa de fecundidade tem forte impacto na redução da taxa de natalidade.

Métodos contraceptivos Métodos utilizados pelos casais para evitar a gravidez. É o caso das pílulas anticoncepcionais, do dispositivo intrauterino (DIU) e do preservativo.

delfim martins/pulsar imagens

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5 Natalidade e fecundidade em queda

Figura 5. A maior participação da mulher no mercado de trabalho é uma das causas da redução do número de filhos por mulher no Brasil. Na foto, mulheres trabalham em fábrica de produtos para alimento de animais domésticos, em Guaiçara, SP (2008). percurso 5

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Figura 6. Todos os anos o Ministério da Saúde realiza no Brasil campanhas de vacinação para prevenir doenças, contribuindo para a queda das taxas de mortalidade e o aumento da esperança de vida ao nascer. Cartaz da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe (2011).

Outra importante tendência demográfica atual está relacionada à redução das taxas de mortalidade (reveja a figura 4). Há diversos fatores que explicam essa redução no Brasil e no mundo: • os progressos da medicina — do diagnóstico de doenças à descoberta de medicamentos para a cura de enfermidades; • as campanhas de vacinação (figura 6); • a melhoria das condições sanitárias, por meio da instalação de redes de água tratada, redes coletoras de esgoto e da coleta de lixo; • a maior conscientização da população quanto à prevenção de doenças, que estimula a prática dos exercícios físicos e de uma alimentação mais saudável. Todos esses fatores tiveram impacto sobre as taxas de mortalidade e aumentaram a expectativa de vida ou esperança de vida ao nascer da população brasileira (figura 7). Apesar dos avanços na área de saneamento básico, ainda há uma forte demanda por melhorias nesse setor. No Brasil, em 2008, somente 52,5% dos domicílios contavam com rede coletora de esgoto.

Figura 7. Brasil: esperança de vida ao nascer – 1950-2009 Esperança de vida ao nascer

Anos 80 70 62,5

60 50 40

48,0

66,9

70,4

73,1

52,7

43,3

30

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ministério da saúde

6 Redução da mortalidade e aumento da expectativa de vida

Chamada também de expectativa de vida, expressa a duração prevista para a vida de um recém-nascido, caso a taxa de mortalidade considerada no momento em que o indivíduo nasceu permaneça constante.

20 10 0 1950

1960

1970

1980

1991

2000

2009

Fontes: HUGON, Paul. Demografia brasileira: ensaio de demoeconomia brasileira. São Paulo: Atlas/ Edusp, 1973. p. 123; IBGE. Anuário estatístico do Brasil 1993; 2001. Rio de Janeiro: IBGE, 1993; 2001. p. 2-29; p. 2-26; ONU/Pnud. Relatório do Desenvolvimento Humano 2007/2008. Coimbra: Almedina, 2007. Disponível em: <www.pnud.org.br/rdh>. Acesso em: 10 mar. 2011.

50

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e

stação ciências

Mortalidade infantil

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

“a mortalidade infantil é um indicador do nível de saúde calculado a partir das mortes que ocorrem no primeiro ano de vida. a mortalidade de crianças com menos de um ano de vida, mais do que a de jovens e adolescentes, indica melhor as condições socioeconômicas e de saúde de determinada população. isso porque, como a infância compreende desde o nascimento até os 10 ou 12 anos, seria difícil obter dados de boa qualidade relativos a todo esse período, para toda a população. e principalmente porque é no primeiro ano de vida que os fatores biológicos e sociais têm mais influência sobre as condições de saúde das crianças — pois ainda estão em processo de formação e têm menor capacidade de defesa contra as agressões externas, favorecendo o desenvolvimento das doenças e a morte. a mortalidade infantil reflete não apenas os aspectos relacionados à manutenção da saúde, como também a qualidade do atendimento ofe-

recido à gestante, ao parto e às crianças. esse indicador de saúde reflete também a ocorrência das doenças em geral, em especial as infecciosas, a quantidade e a qualidade da alimentação disponível e as condições gerais de saneamento básico [...]. praticamente todos os aspectos da vida humana influenciam a sobrevivência da criança, refletindo-se na mortalidade infantil. o nível educacional dos pais e a renda econômica da família, por exemplo, são condições sociais de grande influência sobre as taxas de mortalidade infantil, mais elevadas na população de menor renda e menor escolaridade. pelos diversos fatores que podem provocar variações na taxa de mortalidade infantil, este é um indicador consagrado das condições socioeconômicas e de saúde de uma população. […]” TELAROLLI JÚNIOR, Rodolpho. Mortalidade infantil: uma questão da saúde pública. São Paulo: Moderna, 1997. p. 10.

Mundo: taxa de mortalidade infantil – 2009

RÚSSIA CANADÁ ESTADOS UNIDOS CHINA

RDC

BRASIL

Taxa de mortalidade infantil

INDONÉSIA

Taxa de mortalidade infantil por mil (‰) nascidos vivos Menos de 5 De 5 a 15 De 16 a 39 De 40 a 100 De 101 a 155

AUSTRÁLIA

N

3.310 km

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 37.

1. Em 1970, no Brasil, a taxa de mortalidade infantil era de 115 mor-

tes por 1.000 nascimentos. Com base no mapa, avalie a redução da taxa de mortalidade no Brasil e compare-a com a de outros países. 2. Reflita sobre a relação desse índice com a qualidade de vida da população. 3. Comente a contribuição da ciência para a redução das taxas de mortalidade infantil, no Brasil e no mundo.

Índice que registra o número de crianças que morreram com menos de um ano, a cada 1.000 nascidas vivas. É calculado dividindo-se o número total de mortes em crianças menores de um ano pelo número total de crianças nascidas vivas, no mesmo tempo, período e local. O valor é então multiplicado por 1.000. Também pode ser calculada com base no número de crianças menores de 5 anos.

PErcursO 5

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percurso

Brasil: migrações internas e emigração

6

Migração é o deslocamento de indivíduos de uma região para outra ou de um país para outro. Quando os deslocamentos ocorrem no interior de um país, recebem o nome de migrações internas ou nacionais. Quando ocorrem entre países, trata-se de migrações externas ou internacionais. Tomando por base o Brasil e suas Grandes Regiões — Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste —, podemos distinguir dois tipos de migrações internas: • inter-regionais — que correspondem à migração de pessoas de uma região para outra; • intrarregionais — relativas à migração de pessoas dentro de uma mesma região. Podem ocorrer entre os estados de uma mesma região ou de uma localidade para outra de um mesmo estado. Os mapas das figuras 8 a 11 representam os movimentos migratórios com a divisão político-administrativa do Brasil atual. Entre 1940 e 1988, ocorreram transformações no território brasileiro. Assim, esses mapas não representam a divisão político-administrativa da época. Optamos pela representação atual para facilitar a compreensão da direção dos movimentos migratórios internos.

Principais migrações internas no Brasil (de 1940 aos dias atuais) A partir de meados do século XX, intensifica-se o processo de povoa­ mento e ocupação do interior do território brasileiro. Para facilitar seu estudo, vamos considerar as migrações internas em cinco períodos a partir de 1940.

De 1940 a 1950

Figura 8. Brasil: migrações internas – 1940-1950

EQUADOR

MA

PI

CE

081_M_P06_E2_GEOADAS_7 – Brasil: migrações internas (1940TO BA 1950). MT

RN PB PE AL SE

ICO

DF GO

NT

MG

RJ

SP

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

AT

MS

N

O

CE

A

NO

PR

Direção das migrações

Fonte: elaborado pelos autores.

52

590 km 50ºO

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 O que é migração

Nesse período, destacaram-se as migrações inter-regionais da Região Nordeste para as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul (figura 8). O Nordeste tornou-se uma região de repulsão de população, principalmente, pela baixa oferta de empregos e pelas secas no Sertão. Ao mesmo tempo, outras regiões constituíam-se em áreas de atração de população. Os migrantes eram atraídos pela oferta de trabalho na cafeicultura e nas grandes cidades do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, ou se dirigiram para o Centro-Oeste, atraídos pelas descobertas de diamantes e cristal de rocha (quartzo cristalizado) no alto do Rio Araguaia. No norte do Paraná, a disponibilidade de terras para o cultivo de café atraiu principalmente migrantes paulistas.

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De 1950 a 1960

NT

AT

O

AN

CE

O

De 1960 a 1970

Santarém

Manaus

Altamira

NT

ICO

085_M_P06_E2_GEOADAS_7 São Félix – Brasil: migrações internas (1960do Xingu 1970).

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

NO

O Nordeste se manteve como a principal região fornecedora de mão de obra migrante para as outras regiões do Brasil. Além do Sudeste, houve também migração do Nordeste para a Amazônia, principalmente após a instalação de indústrias em Manaus. Nesse período, teve início um fluxo migratório de paulistas, paranaenses, catarinenses e sul-rio-grandenses para o Centro-Oeste, em busca de terras para cultivar (figura 10).

EQUADOR

AT

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ICO

Entre 1950 e 1960, a Região Nordeste continuou sendo a principal origem dos migrantes que seguiam para outras regiões do Brasil (figura 9). A industrialização do Sudeste, principalFigura 9. Brasil: migrações internas – 1950-1960 mente dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, foi o grande fator de atração populacional. Os chamados paus de arara, caEQUADOR 0º minhões improvisados com bancos de madeira na carroceria e cobertos com lona, sem o mínimo conforto, foram largamente uti084_M_P06_E2_GEOADAS_7 lizados para transportar os migrantes do – Brasil: migrações internas (1950Nordeste em viagens que duravam dias. 1960). No mesmo período, as migrações internas do Nordeste para o Centro-Oeste foram estimuladas pela construção de Brasília e pela atividade mineradora. Muitos candangos, como foram denominados os trabaTRÓPICO DE CAPRICÓRNIO lhadores que se dedicaram à construção da nova capital, permaneceram como moraN dores da região. Já a garimpagem de ouro e pedras preciosas atraiu migrantes em di530 km reção ao Mato Grosso. Direção das migrações 50ºO O fluxo migratório do Nordeste também Fonte: OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Integrar para não entregar: seguiu em direção a Rondônia, atraído pela políticas públicas e Amazônia. 2. ed. Campinas: Papirus, 1991. p. 75. exploração da cassiterita. Nesse período houve fluxos migratórios de gaúchos para Figura 10. Brasil: migrações internas – 1960-1970 o estado do Paraná, em busca de novas terras que se abriam para a agricultura.

O

CE

A

N

Cassiterita Minério do qual se extrai estanho. O estanho é utilizado na fabricação de ligas metálicas com outros minerais.

Direção das migrações

530 km

50ºO

Fonte: OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Integrar para não entregar: políticas públicas e Amazônia. 2. ed. Campinas: Papirus, 1991. p. 76.

PErcursO 6

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53

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Figura 11. Brasil: migrações internas – 1970-1990 Boa Vista Caracaraí

EQUADOR

Fortaleza

086_M_P06_E2_GEOADAS_7 BACIA DO Alta ARAGUAIA – Brasil: internas (1970Ji-Paraná migrações Floresta 1990). Vilhena

Rio Branco

AT

NT

ICO

DF

Cáceres

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO Londrina

NO

De 1990 aos dias atuais

CE

O

A partir da década de 1990, os fluxos migratórios que mais despertam a atenção são os de volta aos locais de origem, a chamada migração de retorno, e a diminuição substancial do tradicional fluxo do Nordeste para o Sudeste: no período de 1995 a 2000, migraram 965 mil pessoas, e entre 2001 e 2006, declinou para 539 mil. Os programas sociais governamentais, como o Bolsa Família, e o crescimento econômico do Nordeste, tanto no setor industrial como no de serviços, têm sido apontados como responsáveis pela diminuição dos fluxos migratórios Nordeste-Sudeste (figura 12). 570 km

50ºO

Fonte: SCHAEFER, José Renato. In: OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Amazônia: monopólio, expropriação e conflitos. Campinas: Papirus, 1987. p. 92.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Direção predominante

Apesar de o fluxo migratório do Nordeste para o Sudeste ter continuado, nesse período houve também um grande fluxo de migrantes do Sudeste, do Sul e do Nordeste para as regiões CentroOeste e Norte. Vários fatores contribuíram para essas migrações: a construção de rodovias, os incentivos dos governos estaduais e federal — por meio da doação de lotes de terra para a prática da agricultura —, as descobertas de ouro e diamantes em Roraima e o avanço da agricultura e da pecuária em terras antes não utilizadas para esse fim, processo conhecido como expansão da fronteira agropecuária (figura 11).

N

A

Passo Fundo

De 1970 a 1990

Figura 12. Brasil: migrações internas – 1995-2000 Qual é a intensidade do fluxo migratório de Roraima para Mato Grosso?

RR

AP

0 EQUADOR

AM

MA

PA

CE

RN

PI PE

AC

TO RO

Saldo migratório (1.000 habitantes)

PB AL

Até –100 –100 a 0 1 a 15 16 a 50 Acima de 50

SE

MT BA DF

Intensidade do fluxo (1.000 habitantes) 20 a 50 50 a 150 Acima de 150

GO MG

MS

OD TRÓPIC

E CAPRIC

ÓRNIO

SP

PR SC

Fonte: IBGE. Atlas do censo demográfico 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2003. p. 58.

54

ES

RJ

Origem do fluxo

OCEANO ATLÂNTICO

N

RS

Região Norte Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro-Oeste

480 km

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2 O êxodo rural

Figura 13. Brasil: população urbana e rural – 1950-2010

O êxodo rural, também denominado migração campo% cidade, é o principal movimento populacional interno do 100 Brasil, desde a segunda metade do século XX. Em 1950, 84 81 80 75 de cada 100 habitantes, cerca de 69 moravam no cam68 60 po, formando a população rural; 31 viviam nas cidades e 56 45 compunham a população urbana. 40 36 O ritmo acelerado da industrialização brasileira, soma20 do aos problemas no campo — como baixos salários e o 0 difícil acesso à propriedade da terra pelos trabalhadores 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010 rurais —, foi a grande mola propulsora do êxodo rural. Em População rural População urbana 1970, a população urbana já era de 56%. Esse processo continuou após 1970, levando o Brasil a ser um país pre- Fonte: IBGE. Anuário estatístico do Brasil 1992. Rio de Janeiro: IBGE, 1992; dominantemente urbano. Observe a figura 13. IBGE. Censo demográfico 2000. Rio

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3 Deslocamentos temporários de população As migrações temporárias caracterizam-se pelo deslocamento de indivíduos para locais onde há trabalho durante um tempo determinado. Uma vez concluída a tarefa, os migrantes retornam para o lugar de origem. É o que ocorre com aqueles que se deslocam da Região Nordeste para trabalhar em colheitas no Sudeste. Outra forma de deslocamento temporário é a migração pendular. Trata-se de um deslocamento populacional diário de ida e volta, semelhante ao movimento do pêndulo de um relógio. É o caso do deslocamento diário de milhares de habitantes de cidades vizinhas para os grandes centros urbanos, onde estão localizados os seus empregos e locais de estudo.

4 Emigrantes brasileiros

de Janeiro: IBGE, 2001. p. 2-56; IBGE. Primeiros resultados do censo 2010. Disponível em: <www.censo2010.ibge. gov.br>. Acesso em: 16 mar. 2011.

Quem lê viaja mais PORTELA, Fernando; VESENTINI, José William. Êxodo rural e urbanização. 17. ed. São Paulo: Ática, 2004.

História de uma família que migra da Bahia para São Paulo em busca de melhores condições de vida.

Na década de 1970, o governo do Paraguai autorizou o loteamento de terras próximas à fronteira com o Brasil, com permissão para que brasileiros pudessem adquiri-las. Calcula-se que o número de brasileiros que emigraram para o Paraguai tenha sido próxiFigura 14. Brasileiros no exterior – 2008 mo de 500 mil. Esses emigrantes ficaram conhecidos como brasiguaios. Durante a década de 1980, uma crise na REINO UNIDO economia brasileira marcada pelo elevado ESPANHA JAPÃO ESTADOS desemprego e pelo aumento persistente ITÁLIA UNIDOS PORTUGAL ISRAEL dos preços estimulou a saída de brasileiros OCEANO GUIANA para outros países. FRANCESA PACÍFICO OCEANO PACÍFICO Hoje, calcula-se que cerca de 1,28 miOCEANO OCEANO ATLÂNTICO ÍNDICO lhão de brasileiros vivem nos Estados UniPARAGUAI dos e cerca de 280 mil vivem no Japão. Mil pessoas (estimativa) 1.200 N Após a crise econômica internacional ini500 ciada em 2008, muitos brasileiros perde100 ram o emprego e retornaram para o Brasil. 10 3.920 km Veja, na figura 14, as quantidades mais Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: expressivas de brasileiros no exterior. Moderna, 2010. p. 133. CÍRCULO POLAR ÁRTICO

TRÓPICO DE CÂNCER

EQUADOR

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

PERCURSO 6

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55

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e

stação socioambiental ma que menos de 15 mil migraram. segundo o engenheiro de relações institucionais do consórcio, antônio Marrocos, o município está interessado em divulgar dados elevados ‘para conseguir mais recursos’ com a licença da usina hidrelétrica de Jirau, a 140 quilômetros da cidade, comandada por empresas concorrentes. porto Velho conhece bem os efeitos devastadores da massa migratória. Milhares de pessoas dirigiram-se para lá, no início do século [XX], para a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, projeto faraônico que ligava Brasil e Bolívia para escoar a produção de borracha. o movimento se repetiu com a invasão de garimpeiros em busca de ouro no rio Madeira, na década de 1970. [...]” MIRANDA, Giuliana. Migração acima das expectativas provoca impactos socioambientais em Porto Velho (RO). Portal do meio ambiente, 16 jan. 2010. Disponível em: <www.portaldomeioambiente.org.br>. Acesso em: 18 mar. 2011.

1. O EIA da Usina Santo Antônio previa um contingente de 40 mil migrantes para 2012. Porém, segundo a prefeitura, Porto Velho atingiu esse número em 2010. Quais as consequências para a cidade? 2. Os eventos associados à migração descontrolada são recentes em Porto Velho?

paulo De araeuJo/cB/D.a press

“Desde o seu início em setembro de 2008, a usina hidrelétrica de santo antônio [...] atraiu mais de 40 mil pessoas a porto Velho, capital de rondônia. pelo estudo de impacto ambiental (eia), documento indispensável para obtenção da licença do projeto, esse contingente só deveria ser atingido no auge dos trabalhos, em 2012. a infraestrutura local, em plena floresta amazônica, não acompanha o ritmo acelerado das mudanças. faltam vagas em escolas e hospitais, os sistemas de transporte e saneamento estão saturados e os preços não param de subir. em pouco mais de um ano, a frota de veículos aumentou 22%, pressionando o já complicado tráfego. Desde 2006, porto Velho é a capital campeã em mortes no trânsito, segundo o conselho Nacional de trânsito (cNt). [...] embora menos de 3% dos domicílios tenham esgoto tratado e muitas ruas não sejam asfaltadas, o metro quadrado na capital pode atingir rs 3 mil, o mesmo que no Jardim paulista, bairro nobre da cidade de são paulo, devido à escassez de ofertas. alimentos, calçados e vestuário também sofreram grandes reajustes. [...] o santo antônio energia, consórcio construtor do projeto de rs 13,5 bilhões — equivalente ao produto interno Bruto (piB) de rondônia —, nega que 40 mil pessoas tenham chegado à cidade, como informou a prefeitura. a empresa afir-

AM

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Migração em porto Velho

PORTO VELHO

Usina Santo Antônio 4

6 -3

BR

MT 10°S

AC

RONDÔNIA

BR

-3

64

N

BOLÍVIA

170 km 65°O

60°O

Fonte: Usina Santo Antônio. Disponível em: <www.uhesantoantonio.com/usina>. Acesso em: 3 mar. 2011.

Canteiro de obras da usina hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho, RO (2010).

56

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encontros A migração por quem a viveu Leia os relatos de pessoas que, ao longo de suas trajetórias de vida, realizaram um movimento migratório.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

BERENICE “Um período difícil de minha vida foi quando vim para São Paulo na década de 70, migrante nordestina, de Campina Grande (PB) com rápida passagem e estadia em Recife (PE). Vim de ‘Fuscão’ modelo 1967, com dois filhos pequenos, a menor no meu colo, com apenas seis meses de vida, rasgando os três mil quilômetros que separam mais do que dois estados distantes, mas que separam também dois estilos de vida completamente diferentes. Separam duas perspectivas de passado e de futuro quase que antagônicas. Viajei com a filha no colo para dar mais espaço para o filho de três anos poder dormir e descansar, e não é preciso falar da péssima qualidade das estradas e dos hotéis (naquele tempo não havia as famosas churrascarias gaúchas, hoje tão comuns ao longo das rodovias). A BR-116 era muito esburacada, e a Bahia, que tem 800 quilômetros de extensão Nordeste-Sul, parecia ter 2 mil quilômetros. Quando cheguei, fui morar no Parque Continental, bairro de classe média, metida a classe alta, e os olhares eram insinuantes. Olhares de reprovação ao nosso linguajar, aos nossos trajes e até um ranço de preconceito interessante e maquiado: ‘como estes nordestinos têm dinheiro para vir morar aqui?’ No Ceagesp, logo nos primeiros dias, quando eu falava, era tratada por baiana (até por outros nordestinos radicados há mais tempo aqui). Havia um ar de espanto, de indignação e de ironia quando eu pedia jerimum em vez de abóbora, ou macaxeira em vez de mandioca etc. Era um motivo de riso, mas jamais me deixei abater. [...]” LUIZ “Eu fui um migrante, andei muito nesse Brasil. Eu nasci no Paraná e com seis meses de idade a gente foi para Sergipe, Nordeste. Com um ano voltamos para o Paraná novamente, e do Paraná mudamos

de vários em vários municípios do estado do Paraná. O último município do Paraná que eu morei foi onde eu nasci, Jaguapitã, numa fazenda de café. Com aquela geada de 1975 nós fomos para Campinas, São Paulo [...]. Lá moramos nove, quase dez anos e eu estudei até a quinta série na realidade. Aos 11 anos comecei a trabalhar como guarda mirim numa entidade que tinha lá. Trabalhei na própria entidade, no cartório, e trabalhei numa indústria de beneficiamento de legumes. Seria uma empresa que trabalhava em fazer nhoque, batata frita, essas coisas...” Museu da Pessoa. Disponível em: <www.museudapessoa.net>. Acesso em: 18 mar. 2011.

1. Compare os relatos apresentados e identifique algumas dificuldades enfrentadas por Berenice e Luiz. 2. Como você imagina que seja, hoje, a viagem de um migrante? 3. Comente o trecho: “... três mil quilômetros que separam mais do que dois estados distantes, mas que separam também dois estilos de vida completamente diferentes. Separam duas perspectivas de passado e de futuro quase que antagônicas”.

PErcursO 6

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Atividades dos percursos 5 e 6 ( ) a população desses municípios não apresentou crescimento.

Revendo conteúdos

1. Utilize seus conhecimentos e complete a tabela.

b) Calcule a porcentagem da população rural dessas cidades. Portanto:

Absoluta

( ) Anápolis é a cidade que melhor exemplifica a proporção entre a população urbana e a rural no Brasil.

urbana (em porcentagem)

( ) Itapemirim é a cidade com maior porcentagem de população rural.

Brasil: população – 2010

segunda região mais populosa do país região com a segunda maior densidade demográfica

3. Cite alguns acontecimentos que serviram de fator de atração populacional para as migrações internas no Brasil desde 1940.

região menos povoada

2. Observe os dados populacionais de cinco cidades brasileiras. Depois, assinale como falsas (F) ou verdadeiras (V) as afirmações a seguir. Brasil: população de municípios selecionados – 2000 e 2010 Cidade Castanhal (PA) Cajueiro (AL)

18.975

20.410

16.485

4. Observe o mapa abaixo e responda às questões. Brasil: mortalidade infantil – 2008

Urbana Rural em Em 2000 Em 2010 em 2010 2010 (hab.) (hab.) (hab.) (hab.) 134.496 173.096 153.321

Leituras cartográficas

RR

AM

19.775 3.925

AP

EQUADOR

PA

MA PI

AC

28.121

30.988

19.325

11.663

Araranguá (SC)

54.706

61.339

50.551

10.788

Anápolis (GO)

288.085 335.032 329.170

5.862

Fonte: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 25 mar. 2011.

a) Esses dados: ( ) mostram que o crescimento quantitativo da população brasileira diminuiu na última década. ( ) mostram que as cidades acompanharam a tendência brasileira de crescimento quantitativo da população.

58

RN PB

PE

AL SE

TO

RO

BA

MT

Itapemirim (ES)

CE

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

( ) Cajueiro apresenta elevada porcentagem de população rural e, por isso, é um exemplo da proporção entre a população urbana e a rural no Brasil.

região mais populosa e mais povoada

DF GO MG Número de óbitos infantis por mil nascidos vivos (‰) De 13,0 a 18,0 De 18,1 a 20,0 De 20,1 a 30,0 De 30,1 a 40,0 49,0

ES

MS SP PR SC RS

RJ TRÓPICO

DE CAP

RICÓR NIO

OCEANO ATLÂNTICO

N

590 km 50ºO

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 132.

a) Em qual estado do Brasil a taxa de mortalidade infantil é muito alta? b) Quais estados apresentam as menores taxas de mortalidade infantil?

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caio guatelli/folhapress

Explore

5. Interprete os gráficos: Regiões Nordeste e Sudeste: população rural e urbana

Passageiros se aglomeram em trem que liga São Paulo ao Município de Poá (2006).

Nordeste 40 30 Nordeste

7. Analise a tabela e responda às questões

30 20

a seguir.

20 10 10 0 1940 1950 1960 1970 1980

1991 2000 2010

1940 1950 1960 1970 1980

1991 2000 2010

Brasil: população e área de alguns estados – 2010 Estados

0 80

População

Área (km²)

Pará

7.588.078

1.247.689

Bahia

14.021.432

564.692

70 60

Mato Grosso

3.033.991

903.357

60 50

Rio Grande do Sul

10.695.532

281.748

São Paulo

41.252.160

248.209

Sudeste 80 70 Sudeste Milhões Milhões de habitantes de habitantes

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Milhões Milhões de habitantes de habitantes

40

50 40

Fonte: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.com.br>. Acesso em: 27 jun. 2011.

40 30 30 20

a) Calcule a densidade demográfica dos estados constantes da tabela e aponte qual é o mais povoado e o menos povoado.

20 10 10 0 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010 0 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010 População urbana População rural População urbana

População rural

Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005. p. 92; IBGE. Primeiros resultados do censo 2010. Disponível em: <www.censo2010.ibge.gov.br>. Acesso em: 16 mar. 2011.

a) Quando a população urbana se tornou maior em cada uma das regiões apresentadas? b) Aponte, aproximadamente, o tamanho da população urbana nessas regiões em 1980 e em 2000.

6. A que forma de migração se pode associar a imagem a seguir? Quais são suas particularidades?

b) Qual estado é o mais populoso? E o menos populoso? c) Os dados da tabela permitem concluir que a população se encontra bem distribuída pelo território? Explique a sua resposta.

Pratique

8. Para entender melhor como se realiza o levantamento dos dados de uma população, realize um censo em sua sala de aula. Faça a contagem do número de meninos e meninas, da data de nascimento dos seus colegas, agrupando-os por mês, do número de irmãos ou de pessoas que moram em cada domicílio etc. Monte uma tabela para registrar os dados e construa gráficos de colunas para ilustrar essas informações. percurso 6

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percurso

7

População e trabalho: mulheres, crianças e idosos Uma das formas de estudar a população de um país é por meio dos setores de produção. Existem três setores de produção básicos: • o setor primário reúne as atividades agropecuárias, extrativistas, a pesca e a silvicultura; • o setor secundário abrange as atividades industriais e a construção civil; • o setor terciário agrupa as atividades prestadoras de serviços, como o comércio, o sistema bancário, a administração pública, as atividades de saúde, educação, saneamento básico, transportes, telefonia etc. Observe a figura 15.

zig koch/olhar imagem

B

C

daniel cymbalista/pulsar imagens

artur keunecke/pulsar imagens

A

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 A população segundo os setores de produção

Figura 15. Exemplos de atividades de cada setor de produção. Na foto A, atividade pecuarista no município de Poconé, MT (2010). Na foto B, trabalhadores em linha de montagem representam o setor secundário, PR (2008). Na foto C, técnico presta serviço de manutenção na rede telefônica na cidade de São Paulo (2008).

60

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103_F_P07_E2_GEOADAS_7 – Foto de campo com 8/8/11 12:26 PM


mpo com

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A distribuição da população e os setores de produção Segundo o IBGE, a população economicamente ativa (PEA) é o conjunto de indivíduos que trabalham ou estão em busca de emprego e compõe o potencial de mão de obra com que podem contar os setores produtivos. Conhecer o número de pessoas que trabalham em cada setor, ou a participação de cada setor na PEA, é importante para fornecer dados para a avaliação da economia de um país e para o planejamento econômico e social. No Brasil, o estudo da população trabalhadora ao longo dos censos demográficos fornece elementos para compreender as mudanças na economia do país. Observe a figura 16. Em 1940, de cada 100 pessoas que formavam a PEA do Brasil, aproximadamente 70 estavam ocupadas no setor primário, 10 no setor secundário e 20 no setor terciário de produção. Esses dados nos informam que, em 1940, a economia brasileira tinha por base os produtos do setor primário de produção. Além disso, podemos também concluir que no ano de Figura 16. Brasil: distribuição da PEA por setores de 1940 a industrialização do país era modesprodução – 1940-2009 ta, pois empregava apenas 10% da PEA, e % que as cidades e a população urbana ainda 80 eram reduzidas, pois apenas 20% da PEA es70,2 70 tava empregada no setor terciário — setor 60,7 60 54,4 que reúne atividades predominantemente 54,0 56,5 50 urbanas, assim como o setor secundário. 44,3 45,0 40 Nas pesquisas seguintes, notam-se alte38,0 33,0 30,0 rações na distribuição da PEA por setores de 30 25,0 22,8 22,9 26,2 produção. Na Pesquisa nacional por amos20 22,8 19,8 20,6 12,7 17,8 13,1 tra de domicílios de 2009, observou-se que 10 10,0 cerca de 22% da PEA do Brasil dedicava-se 0 ao setor secundário, 61% ao setor terciário, 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 superando a participação do setor primário, Setor primário Setor secundário Setor terciário com cerca de 17%.

2 Mulheres e desigualdades no mercado de trabalho No Brasil, o número de mulheres na população supera o de homens, em quase todas as regiões. Isso ocorre porque as mulheres apresentam maior longevidade, com expectativas de vida maiores. Nas últimas décadas, a sociedade brasileira atravessou importantes transformações políticas, econômicas e sociais que afetam mulheres e homens de maneiras diferentes. Uma delas é o crescimento da presença das mulheres no mercado de trabalho (figura 17, na página seguinte), aumentando sua participação na PEA e garantindo às mulheres maior autonomia.

22,1 17,0

2009

Fontes: IBGE. Anuário Estatístico do Brasil 1978; 1982; 1994; 1995. Rio de Janeiro: IBGE, 1979; 1983; 1995; IBGE. Pesquisa nacional por amostra de domicílios 2001; 2009. Rio de Janeiro: IBGE, 2002; 2010.

Qual era a distribuição da PEA pelos setores de produção no ano de 2000?

percurso 7

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60,9

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No entanto, apesar da ampliação do acesso ao mercado de trabalho, grande parcela das mulheres continua assumindo os trabalhos domésticos, que envolvem as tarefas relacionadas à limpeza da casa, à alimentação, ao cuidado de filhos, entre outros. Esses afazeres geram sobrecarga de trabalho para as mulheres e influem diretamente na possibilidade de conseguirem empregos e de ocuparem melhores postos no mercado de trabalho.

Figura 17. Brasil: taxa de participação no mercado de trabalho das pessoas de 15 anos ou mais por sexo – 2001-2008 % 90

81,00

80,47

80

70

60

Nos últimos anos, estudos vêm apontando uma tendência contínua de redução da desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil. Entre outros fatores, o aumento da renda das mulheres está relacionado à conquista de mais espaço na vida pessoal, familiar e na sociedade e ao combate à desigualdade entre os gêneros.

57,58 54,15 50 2001

2002

Homens

2003

2004

2005

2006

2007

2008

Mulheres

Fonte: IPEA. Mulher e trabalho: avanços e continuidades. Comunicados do Ipea, n. 40, 8 mar. 2010. p. 2.

Mulheres chefes de família

Cônjuge Indivíduo ligado a outro pelo casamento.

No Brasil, o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho e a sua maior autonomia financeira vêm contribuindo para o aumento da proporção de famílias chefiadas por mulheres, isto é, vem crescendo a proporção de famílias que têm a mulher como responsável pelo sustento, com ou sem a existência de um cônjuge no domicílio. Isso significa que cada vez mais famílias vivem a situação de não terem o sexo masculino como principal provedor da renda, apesar de ainda predominar a chefia masculina. Observe as figuras 18 e 19.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

 ulheres e homens: desigualdade de M rendimentos

Figura 18. Brasil: proporção de arranjos familiares com a mulher como referência – 1998-2008 O que ocorreu em relação à proporção de famílias chefiadas por mulheres entre 1998 e 2008?

% 34,9

35 30 25,9 25 19,2

20

19,9

15 9,1

10 5

4,4

5,9 2,4

0

Fonte: Com todas as mulheres, por todos os seus direitos. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2010. p. 52.

62

Unipessoais 1998

Com cônjuge

Sem cônjuge

Total

2008

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Figura 19. Brasil: mulher chefe de família – 2008

RR

AP

EQUADOR

AM

AC

PA

MA

CE

Descreva o percentual de famílias chefiadas por mulheres em seu estado. Em seguida, cite outros estados em situação semelhante.

RN PB

PI 110_M_P07_E2_GEOADAS_7 – Brasil: mulher chefe de família (2008). TO

PE AL SE

RO

BA

MT DF GO MG

ES SP

Família constituída por mãe e filhos como parte do total de famílias chefiadas por mulher (%)

TRÓPICO

PR

De 35,0 a 47,0

SC

De 47,1 a 50,0 De 50,1 a 55,0

RJ

RS

DE CAPR ICÓRNIO

OCEANO ATLÂNTICO

N

De 55,1 a 58,9 390 km

De 59,0 a 65,0 50ºO

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 132.

Avanços na escolaridade feminina No Brasil, as mulheres vêm superando os homens nos indicadores educacionais. Isso ocorre em todas as regiões do país, sendo mais expressivo na população residente nas áreas urbanas (figura 20). Na prática, isso representa que elas têm ultrapassado o nível de ensino fundamental, cuja duração passou a ser de 9 anos, a partir de 2006. As mulheres tendem, portanto, a ter mais qualificação para entrar no mercado de trabalho, mas isso ainda não se reverte, na mesma velocidade, em salários mais elevados para a população feminina ocupada. Embora muitas estejam alcançando cargos de chefia, uma parcela expressiva das mulheres ainda ocupa postos de trabalho com menor nível de proteção social, seja pela falta de carteira assinada, seja, até mesmo, pela falta de remuneração pelo trabalho realizado.

Figura 20. Brasil: número médio de anos de estudo da população de 15 anos ou mais – 2008 10

9,2 8,3

7,6 8

7,3

6 Anos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

MS

4

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Total Mulheres

Ocupadas(os)* Homens

*Nota: refere-se à população de áreas urbanas.

Fonte: Com todas as mulheres, por todos os seus direitos. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2010. p. 52. PErcursO 7

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3 O trabalho infantil no Brasil celso junior/agência estado

No Brasil, a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbem expressamente o trabalho infantil, permitindo que adolescentes com mais de 14 anos trabalhem como aprendizes e que entre os 16 e 18 anos exerçam apenas funções seguras. Apesar de o trabalho infantil ter diminuído nos últimos anos, em 2009 ainda havia 4,2 milhões de trabalhadores com idade entre 5 e 17 anos no país. Esses menores, além de terem sua formação escolar prejudicada, muitas vezes estão expostos a ambientes de trabalho insalubres, que comprometem seus desenvolvimentos biológico e psicológico (figura 21).

Insalubre Que é prejudicial à saúde, que causa doença.

4 A pirâmide etária do Brasil A pirâmide etária representa graficamente a quantidade de pessoas segundo as faixas de idade e o sexo, de uma população. Considerando a queda das taxas de fecundidade e natalidade e o aumento da expectativa de vida, as pirâmides etárias do país vêm sofrendo alterações. Veja a figura 22. Observa-se que na pirâmide etária de 2010 a base apresenta-se menos larga em relação à de 1980; isso se deve à queda das taxas de fecundidade: em 1980, a população brasileira entre 0 e 19 anos correspondia a 49% da população total, passando para 33%, em 2010. Na pirâmide de idades de 2010, o pico alargou-se em relação à de 1980. Isso ocorreu em virtude de o brasileiro estar vivendo maior número de anos, consequência da melhoria das condições de vida. Figura 22. Brasil: pirâmides etárias – 1980 e 2010 1980

Anos 80 ou mais 75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5a9 0a4

Homens

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Anos 80 ou mais 75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5a9 0a4

Homens

Fontes: IBGE. Anuário estatístico do Brasil 2007. Rio de Janeiro: IBGE, 2008; Censo demográfico 2010. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 21 mar. 2011.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 21. Menino de 11 anos trabalha na produção de carvão no município de Alagoinhas, BA (2006).

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Mulheres

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O “bônus demográfico” no Brasil De acordo com demógrafos, até 2020 o Brasil viverá um período no qual o número de pessoas em idade economicamente ativa superará muito o de crianças e idosos, considerados dependentes. Esse período, chamado bônus demográfico, é considerado favorável à economia de um país, pois significa maior oferta de mão de obra e menores gastos com pessoas que não participam da PEA. A partir de 2020, estima-se um aumento da proporção de idosos na população geral. A expectativa é que a população brasileira com mais de 60 anos vai mais do que triplicar nas próximas quatro décadas: de pouco mais de 20 milhões em 2010, atingirá cerca de 65 milhões de habitantes em 2050, alterando o perfil da pirâmide etária brasileira (figura 23). No Brasil, o ritmo do enveFigura 23. Brasil: pirâmide etária – 2050 lhecimento populacional deverá ser mais acelerado do que o Anos ocorrido em outros países no 80 ou mais 75 a 79 Homens século passado. Na França, por 70 a 74 65 a 69 exemplo, foi necessário mais 60 a 64 55 a 59 50 a 54 de um século para que sua po45 a 49 40 a 44 pulação com idade igual ou su35 a 39 30 a 34 perior a 65 anos aumentasse 25 a 29 20 a 24 de 7% para 14% do total, va15 a 19 10 a 14 riação demográfica que ocor5a9 0a4 rerá no Brasil em apenas duas % 0 5 4 3 2 1 0 décadas, entre 2011 e 2031.

Os efeitos do envelhecimento da população Com o aumento da população idosa, o Estado brasileiro, que financia e administra sistemas públicos de saúde e de previdência social, deverá se preparar para maiores gastos com saúde e aposentadoria dos idosos. Em relação à saúde, o aumento dos gastos dependerá da qualidade de vida da população, o que impõe ao Estado e à sociedade em geral a necessidade de buscar ações que garantam um envelhecimento mais saudável para as pessoas. Outro ponto importante é a disponibilidade de ajuda familiar para esse grupo. Geralmente, com o avanço da idade, as pessoas passam a necessitar de maior apoio e cuidado familiar. Isso é preocupante quando se considera que essa ajuda poderá ser afetada devido à maior participação da mulher no mercado de trabalho — a quem tradicionalmente coube o importante papel de cuidar de familiares idosos. Como consequência, isso poderá demandar maiores investimentos públicos em asilos e casas de repouso. Algumas projeções para o Brasil indicam que o número de pessoas sendo cuidadas por não familiares vai duplicar até 2020 e será cinco vezes maior em 2040, em comparação com 2008. É possível que essas transformações afetem também as empresas, que poderão expandir os programas de treinamento dirigidos aos idosos com o objetivo de reincorporá-los ao mercado de trabalho.

Mulheres

1

2

3

5

Fonte: IBGE. Indicadores sociodemográficos e de saúde no Brasil 2009. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. p. 36.

Previdência social Conjunto de instituições estatais cujo objetivo é proteger e amparar o trabalhador e suas famílias na velhice e na doença, por meio de aposentadorias, pensões, assistência médica e hospitalar etc.

percurso 7

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PERCURSO

Brasil: a diversidade cultural e os afro-brasileiros

8

A população brasileira originou-se da miscigenação de vários povos. Por isso apresenta grande diversidade cultural, manifestada na religião, na música, na dança, na alimentação, na arquitetura, no vestuário etc. Exemplo dessa diversidade é a própria língua portuguesa, reconhecida como oficial no Brasil. Ela possui palavras únicas quando comparada à língua portuguesa falada em outros países. Isso porque incorporou muitas expressões dos grupos étnicos formadores da população brasileira: indígenas, europeus e negros africanos. Palavras como Tietê, caatinga, sucuri e pitanga têm origem indígena. Mocambo, cafuné, fubá, cuíca e berimbau têm origem africana. E outras palavras de línguas europeias foram agregadas ao português, como tchau e pizza, que vêm do italiano.

Miscigenação Cruzamento interpovos; mestiçamento.

Preconceito Juízo ou opinião desfavorável formados antecipadamente, de um grupo social a respeito de outro, em relação à etnia, cultura, religião, classe social etc.

2 Grupos formadores da população brasileira Os indígenas Figura 24. Brasil: principais povos indígenas – 1500

EQUADOR

ós

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Povos indígenas Tupi-guarani Jê Aruaque Cariba ou Caraíba Cariri Pano Tucano Charrua Outros grupos Limite atual do território brasileiro

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zonas Ama Rio

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

OCEANO ATLÂNTICO

Fonte: Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 12.

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N

470 km

Como vimos no Percurso 2, diversos grupos indígenas viviam no território que viria a ser o Brasil antes da colonização portuguesa. Esses grupos foram estimados entre 2 a 4 milhões de indivíduos, distribuídos em mais de 1.000 diferentes tribos (figura 24). Possuíam características próprias de organização social, línguas, crenças, técnicas de coleta, caça, pesca e cultivo agrícola. Hoje, alguns grupos indígenas vivem isolados, outros em reservas ou nas cidades, muitos em precárias condições de vida. Os grupos indígenas continuam lutando pelos seus direitos e contra o preconceito e o descaso com sua cultura (figura 25), que ocorrem a despeito da contribuição desses grupos para a formação do povo brasileiro e de seus conhecimentos sobre o meio ambiente, a flora e a fauna do território, acumulados por séculos.

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1 Brasil: país de muitos povos e culturas

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ED FERREIRA/AGÊNCIA ESTADO

Há anos, as pesquisas médicas e farmacêuticas se baseiam nesses conhecimentos para aproveitar as propriedades preventivas e curativas de várias espécies vegetais e animais utilizadas por grupos indígenas, a fim de obter substâncias para elaboração de medicamentos. No entanto, os indígenas ainda são vítimas da invasão de suas terras por fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, grileiros, entre outros.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Os portugueses e outros imigrantes A partir do século XVI, iniciou-se a formação da população brasileira com a chegada dos portugueses e sua miscigenação com os grupos indígenas e negros africanos, trazidos como escravos. Nos séculos XIX e XX, esse processo prosseguiu com a chegada de outros povos europeus. Entre os que vieram em maior quantidade estão os italianos — segundo grupo mais numeroso, depois dos portugueses —, espanhóis, alemães, japoneses, sírio-libaneses, russos, poloneses, chineses, coreanos, indonésios, uruguaios, bolivianos, entre outros.

Figura 25. Indígenas em manifestação, em Brasília, DF, no ano de 2008, a favor do reconhecimento da Reserva Raposa Serra do Sol, uma das maiores terras indígenas do Brasil, situada no estado de Roraima.

Os negros africanos A partir do século XVI, com a chegada de negros africanos para servir de mão de obra escrava, amplia-se o processo de miscigenação. Os escravos foram a principal mão de obra em atividades econômicas do Brasil colonial, colaborando para o desenvolvimento econômico do país. Três grandes culturas africanas entraram no Brasil por meio de imigrações forçadas: culturas sudanesas, bantas e guineano-sudanesas islamizadas (figura 26). Apresentavam diferentes tradições e crenças, o que contribuiu para a formação cultural brasileira.

Grileiro Pessoa que se apossa de terras de outra, por meio de falso documento ou escritura de propriedade.

Figura 26. Área de origem dos afro-brasileiros ÁSIA

A

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M

COSTA COSTA COSTA DO DO DO ESCRAVO OURO MARFIM

ÁREA ISLAMIZADA

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São Luís

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OCEANO PACÍFICO

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MERIDIANO DE GREENWICH

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OCEANO ÍNDICO N

Bantos Sudaneses

1.390 km

Fonte: SALZANO, F. M.; MAIA, N. Freire. População brasileira: aspectos demográficos, genéticos e antropológicos. São Paulo: Nacional/ Edusp, 1987. p. 28.

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A escravidão Quem lê viaja mais FRAGA, Walter; ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de.

Essa obra revela aspectos da história e da geografia africanas e trata das influências culturais desse continente sobre o Brasil.

museus castro maia/div.iconografia, rio de janeiro

Uma história da cultura afro-brasileira. São Paulo: Moderna, 2009.

Figura 27. Aplicação do Castigo do Açoite (1834), gravura de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), pintor e desenhista francês que retratou a sociedade brasileira no início do século XIX.

3 Os brasileiros nos censos do IBGE

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Assim como os indígenas, os negros africanos introduzidos no Brasil e na América em geral foram submetidos a brutais condições de existência (figura 27). Arrancados de suas comunidades, de suas famílias e de suas terras, atravessaram o Oceano Atlântico nos sujos porões dos navios negreiros como cargas ou mercadorias de venda e compra. Calcula-se que cerca de 10 milhões de negros africanos foram trazidos para a América entre 1502 e 1870, sem considerar os que morreram durante a viagem ou eram mortos durante a resistência ao seu aprisionamento. Desse total, calcula-se que mais de 3,5 milhões foram desembarcados no Brasil.

Por meio dos censos realizados pelo IBGE, entre outros aspectos, é possível conhecer a distribuição da população brasileira segundo a cor da pele. As pessoas, quando perguntadas pelos pesquisadores do IBGE que realizam o censo, são livres para autodeclarar sua cor Figura 28. Brasil: distribuição da população de pele, entre cinco opções: branca, preta, parda, amasegundo a cor da pele – 2009 rela e indígena (figura 28). Esse tipo de informação continua sendo levantado 0,7% em estudos estatísticos não por uma posição racista ou 6,9% preconceituosa por parte dos institutos de pesquisa, mas para avaliar a condição social das famílias e pessoAmarela e indígena Preta as segundo a cor, considerando que na nossa história as 48,2% 44,2% Parda elites dirigentes, de modo geral, não tiveram preocupa­ Branca ções em melhorar as condições de vida de grupos menos favorecidos socialmente, como, por exemplo, indígenas e negros. Por isso, essas informações podem dar apoio às políticas públicas que buscam reduzir, de maneira Fonte: IBGE. Pesquisa nacional por amostra de domicílios 2009. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 30 set. 2010. eficaz, as desigualdades sociais no país.

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4 Os afro-brasileiros no Brasil atual Titulação

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

As comunidades remanescentes de quilombos São comunidades formadas por descendentes de negros africanos escravizados que fugiram das fazendas de açúcar, de café e da atividade mineradora e de outras a partir do século XVII. Eles se autodenominam quilombolas. Essas comunidades persistiram e são encontradas em praticamente todos os estados brasileiros (figura 29); durante muito tempo ficaram desconhecidas ou isoladas. Com a Constituição Brasileira de 1988, que concedeu aos quilombolas o direito à propriedade de suas terras e à manutenção de suas culturas, essas comunidades se tornaram mais visíveis à sociedade brasileira. Até 2002, haviam sido identificadas 743 comunidades quilombolas no Brasil. Atualmente, devido às iniciativas do governo federal e das comunidades quilombolas em busca do autorreconhecimento, o número de comunidades identificadas supera 3.500. No entanto, devido à demora no processo de reconhecimento oficial e titulação da maior parte delas, há ainda muitos conflitos entre quilombolas, fazendeiros e posseiros.

Garantia de posse legítima e definitiva da terra.

Posseiro Ocupante de uma propriedade que não tem nenhum direito nominal sobre ela, destinando-a ao seu sustento.

Figura 29. Brasil: comunidades quilombolas

RR

AP EQUADOR

AM MA

PA

CE

Identifique os quatro estados brasileiros com maior número de comunidades quilombolas e a quantidade delas em seu estado.

RN PB

PI

PE TO

AC

AL

RO

SE

BA

MT DF GO MS

MG ES SP

Número de comunidades quilombolas 850

CAPRICÓ RNIO

OCEANO

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RJ TRÓPICO DE

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ATLÂNTICO

RS 400 km

5 50ºO

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 142. percurso 8

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Projeto Manejo dos Territórios Quilombolas <www.quilombo.org.br>

Conheça o Projeto Manejo, os quilombolas de Oriximiná, o artesanato do quilombo e muito mais por meio dos textos, fotos e mapas desse site.

E

A cada ano, vários estudos comprovam que, apesar de apresentar redução desde 2001, a população negra, no seu conjunto, possui piores condições de vida em relação a outros grupos de pessoas. A expressão mais dramática dessa desigualdade é a incidência da pobreza na população negra: no Brasil, de cada dez pobres, seis são negros. Além disso, os negros recebem cerca de metade dos rendimentos obtidos pelos não negros e apresentam as maiores taxas de desemprego. A desigualdade persiste na educação: a taxa de analfabetismo é maior na população negra, grupo que apresenta, em média, dois anos a menos de estudo. Isso significa que, quanto maior o nível de ensino (da educação básica ao ensino superior), menor é a presença dos negros. No mercado de trabalho, ainda é alta a desigualdade entre negros e não negros, sobretudo em relação às mulheres negras. Elas são as que mais sofrem com a discriminação: apresentam a menor taxa de participação no mercado de trabalho, a menor taxa de ocupação, a maior taxa de desemprego e o menor rendimento.

stação Cidadania

Desigualdades de gênero e cor “as informações sobre rendimento médio da ocupação principal no mercado de trabalho capturam de forma evidente as desigualdades de gênero e raça. como consequência das desigualdades educacionais, da segregação de mulheres e negros em postos de trabalho de menor qualidade e do próprio fenômeno social da discriminação, os rendimentos de homens e de brancos tendem a ser mais elevados do que de mulheres e negros. Brasil: rendimento médio mensal do trabalho, segundo gênero e cor – 2008 Homem branco

em 2008, enquanto as mulheres brancas ganhavam, em média, 63% do que ganhavam os homens brancos, as mulheres negras ganhavam 65,8% dos homens do mesmo grupo racial e apenas 35,3% do rendimento médio dos homens brancos. importante destacar que os diferenciais de remuneração entre estes grupos vêm caindo ao longo dos anos, embora em ritmo lento, dada a condição estruturante das desigualdades de renda entre brancos e negros e entre homens e mulheres se reduziram em mais de 13% e 10%, respectivamente.” Com todas as mulheres, por todos os seus direitos. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, mar. 2010. p. 55.

R$ 1.411,56

Mulher branca

R$ 889,95

Homem negro

R$ 757,21

Mulher negra

R$ 498,61 0

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Média brancos: R$ 1.180,96 Média homens: R$ 1.078,55

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900 Em reais

1.200 Média negros: Média mulheres:

1.500 R$ 650,69 R$ 704,34

Fonte: Com todas as mulheres, por todos os seus direitos. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, mar. 2010. p. 55.

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Desigualdades entre negros e não negros

Navegar é preciso

1. Segundo o texto, a desigualdade salarial é consequência de quais fatos? 2. Em sua opinião, como é possível combater o “fenômeno social de discriminação”?

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Os movimentos dos afro-brasileiros

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Nos últimos anos, os movimentos de luta dos afrodescendentes por igualdade social e melhores condições de vida estão os levando a vencer barreiras sociais e culturais, e a destacar-se em várias atividades. Mostram com isso que não é a cor da pele que determina a capacidade das pessoas. Logo após a abolição da escravidão em 1888, surgiram as primeiras organizações formadas por afrodescendentes. Nos anos de 1960 e 1970, os movimentos em busca de direitos civis para os negros ganhou maior força no Brasil, sob influência dos movimentos negros dos Estados Unidos e pela independência das colônias europeias na África. Utilizando-se, por exemplo, da música e da dança como expressões contestatórias, tornaram mais visíveis as injustiças a que são submetidos. O rap (rhythm and poetry: ritmo e poesia), por exemplo, aborda o racismo, a violência policial, as precárias condições de renda e outras temáticas sociais.

Navegar é preciso Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial <www.portaldaigualdade. gov.br>

Site governamental que disponibiliza o Estatuto da Igualdade Racial e informações sobre quilombos no Brasil.

Ações afirmativas

Quem lê viaja mais Até recentemente não havia em nosso país uma política nacional articulada e contínua para a promoção da igualdade das pessoas seAGOSTINI, João Carlos. gundo a cor da pele, apesar de o movimento negro brasileiro denunBrasileiro, sim senhor. ciar o racismo há décadas e propor políticas para sua superação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004. Em 21 de março de 2003, data em que é celebrado no mundo todo Livro abrangente, que aboro dia internacional pela eliminação da discriminação racial, o governo da as concepções muitas vefederal criou a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Razes esteriotipadas do brasicial (Seppir), que desenvolve inúmeras ações voltadas para a promoleiro sobre a sua gente. ção da igualdade racial. Um exemplo são as chamadas ações afirmativas, que correspondem ao tratamento preferencial dado às pessoas de grupos desfavorecidos de uma sociedade. Isso pode ser feito por meio de cursos de qualificação profissional, bolsas de estudo, cotas de ingresso nas universidades etc. Apesar de ser um antigo desejo, Figura 30. Brasil: total de pretos e pardos no ensino não só da população afro-brasileira, superior – 2002 e 2006 mas também de mulheres e pessoas portadoras de necessidades especiais, apenas no dia 13 de maio de 2002 foi 1.757.336 instituído por decreto presidencial o 2006 1.263.233 Programa Nacional de Ações Afirmati494.103 vas. Por meio dele os afro-brasileiros, entre outros, foram beneficiados obtendo, por exemplo, maior acesso ao 938.640 ensino superior no Brasil (figura 30). 562.742 2002 Total Privado Público

375.898

Fonte: PAIXÃO, Marcelo; CARVANO, Luiz M. (Org.). Relatório anual das desigualdades raciais no Brasil 2007-2008. Rio de Janeiro: Garamond/Laeser/ Instituto de Economia da UFRJ, 2008. p. 82.

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500.000

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Estudantes

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Atividades dos percursos 7 e 8 Revendo conteúdos

Leituras cartográficas

1. Observe os gráficos a seguir e, com base

4. Observe o mapa e, em seguida, responda

em seus conhecimentos sobre a PEA no Brasil, complete as lacunas e responda à questão. Brasil: distribuição da PEA por setores de produção – 1940 e 2009

às questões. Brasil: trabalho infantil – 2009 EQUADOR

1940 Setor ____________ 10%

Setor __________ 70%

2009 Setor ___________ 20%

Parte da população ocupada em relação ao total da faixa etária de 5 a 13 anos (%) De 0,6 a 2,0 De 2,1 a 5,0 De 5,1 a 6,0 De 6,1 a 7,8 De 8,0 a 8,8

TRÓPICO D

E CAPRIC

OCEANO ATLÂNTICO

ÓRNIO

N

610 km 50ºO

Setor _________ 57% Setor secundário ___ %

• Qual dos gráficos está relacionado aos processos de industrialização e urbanização no Brasil? Por quê?

2. Comente as desigualdades existentes no

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 134.

a) Em quais regiões do Brasil aparecem os maiores percentuais de trabalho infantil? b) Por que nessas regiões o trabalho infantil é mais comum?

5. Responda às questões com base nos mapas a seguir. Brasil: analfabetismo por cor da pele – 2007 BRANCA

mercado de trabalho brasileiro, considerando a situação dos negros, das mulheres e o trabalho infantil.

3. No Brasil, a miscigenação:

RR

AP

AM

PA

CE PI

TO

RO

BA

MT

RN PB PE AL SE

DF

b) não ocorreu entre indígenas e europeus, já que os europeus repudiaram os nativos.

GO MG

MS

c) foi determinante para que não se desenvolvesse no país o preconceito racial.

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MA

AC

a) teve pouca importância na formação da população brasileira.

d) é um traço marcante da população brasileira, que lhe confere enorme diversidade cultural.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Setor terciário ___%

ES SP PR

Pessoas de 15 anos ou mais (%) 2,0 a 15,0 15,1 a 18,0

SC

RJ

OCEANO ATLÂNTICO

N

RS 600 km

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Explore

PARDA RR

AP

PA

MA

CE PI

AC TO

RO

BA

MT

RN PB PE AL SE

marcio baraldi

AM

6. Observe o cartum.

DF GO MG MS

ES SP PR

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Pessoas de 15 anos ou mais (%)

OCEANO ATLÂNTICO

SC

4,8 a 10,0 10,1 a 20,0 20,1 a 28,2

RJ N

RS 600 km

PRETA RR

AP

AM

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BA

MT

RN PB PE AL SE

DF GO MG MS

ES SP PR

Pessoas de 15 anos ou mais (%) 6,0 a 16,0 16,1 a 19,0 19,1 a 35,8

SC

RJ

OCEANO ATLÂNTICO

N

RS 600 km

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. p. 116.

a) Qual é a taxa mínima e a máxima de analfabetismo em relação à população branca? Em qual região ele é mais acentuado? b) Quanto às populações parda e preta, suas taxas de analfabetismo são maiores ou menores que a da branca? Explique. c) Quais estados apresentam as menores taxas de analfabetismo para as três populações?

a) A que figura o cartunista vinculou o preconceito? b) Como o autor define “pré-conceito”? c) Qual é a mensagem do cartum em relação à diversidade cultural?

Investigue

7. Em grupo, pesquise as ações do governo para combater o trabalho infantil. Jornais, revistas e páginas públicas na internet são excelentes fontes de informação. Procure saber quando e onde ocorreram as ações e que resultados tiveram. Feita a coleta de informações, redija um texto sobre as ações do governo e exponha a opinião do grupo quanto aos resultados obtidos.

percurso 8

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Melhem Adas Bacharel e licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor do Ensino Fundamental, Médio e Superior da rede pública e em escolas privadas do estado de São Paulo.

Sérgio Adas Bacharel e licenciado em Filosofia, doutor em Geografia Humana e pós-doutor em Educação pela Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da Universidade de São Paulo.

Expedições geográficas

8 1a edição

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© Melhem Adas, Sérgio Adas, 2011

Coordenação editorial: Fernando Vedovate, Wagner Nicaretta Edição de texto: Wagner Nicaretta, Ana Carolina F. Muniz, Cesar Brumini Dellore, Daiane Ciriáco, Carochinha Produção Editorial Assistência editorial: Angélica Campos Nakamura, Flavio Manzatto de Souza, Magna Reimberg Teobaldo Preparação de texto: Carochinha Produção Editorial Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico: A+ Comunicação Capa: Everson de Paula Fotos: Binóculos © Brigitte Sporrer/Corbis/Latinstock; Cataratas do Iguaçu, Brasil © Werner Van Steen/ The Image Bank/Getty Images Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Maria Lucia F. Couto Edição de arte: Alexandre Lugó Ayres Neto Assistência de produção: Marcia Nascimento Edição de infografia: William Hiroshi Taciro (coordenação), Angélica Campos Nakamura, Cesar Brumini Dellore, Daniela Máximo, Fernanda Fencz, Mauro César C. Brosso Ilustrações: Bruno Alvarge, Luciano Veronezi, Marcus Penna, Mario Kanno, Nilson Cardoso, Sattu, Vagner Vargas Cartografia: Alessandro Passos da Costa, Anderson de Andrade Pimentel, Fernando José Ferreira, Adilson Secco, Alex Argozino, Adriana P. Argozino Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero Revisão: Alexandra Costa, Ana Cortazzo, Ana Maria C. Tavares, Fernanda Marcelino, Viviane T. Mendes Pesquisa iconográfica: Camila D’Angelo, Cristiane Morinaga, Evelyn Torrecilla, Monica de Souza As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de bureau: Américo Jesus Tratamento de imagens: Bureau São Paulo, Fabio N. Precendo, Pix Art, Rodrigo Fragoso, Rubens M. Rodrigues. Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Helio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Adas, Melhem Expedições geográficas, 8o ano / Melhem Adas, Sérgio Adas. — 1. ed. — São Paulo : Moderna, 2011.

Bibliografia.

1. Geografia – (Ensino fundamental) I. Adas, Sérgio. II. Título.

11-05519

CDD-372.891 Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia: Ensino fundamental

372.891

ISBN 978-85-16-07133-2 (LA) ISBN 978-85-16-07134-9 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2013 Impresso na China 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação Caro estudante,

Você já percorreu muitos “quilômetros” ao ter estudado, nos dois anos letivos anteriores, noções básicas da Geografia e desvendado lugares e regiões do Brasil. Já não é, afinal, um viajante de primeira viagem. Pensando nisso, neste ano letivo que se inicia o convidamos para uma viagem ainda mais desafiadora. Contando mais uma vez com sua dedicação aos estudos, que tal ir além dos limites e fronteiras do território brasileiro? Ao consultar o sumário deste livro, você verá que nossos primeiros destinos serão os continentes, os oceanos, os Estados e as populações do mundo, como também os aspectos econômicos e ambientais do mundo global; e depois o continente americano ou América! Para tornar a sua viagem mais agradável e interessante, folheie e estude as páginas deste livro, observe os seus mapas e as suas ilustrações imaginando-se numa grande expedição científica: anote suas ideias e dúvidas e se esforce para vencer os desafios que aparecerão em seu caminho. E, não se esqueça, também é importante levar na bagagem o diálogo e a troca de ideias com os colegas, além de contar com a ajuda de um guia de expedição muito especial, o seu professor. Ao lado dele, a cada Percurso você estará avançando na compreensão do mundo em que vivemos e, em particular, dos países americanos, descobrindo também relações históricas, econômicas, culturais e diplomáticas entre eles e o Brasil. Portanto, prepare-se para viajar, mesmo sem sair da cadeira e da mesa de estudos! Os autores

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Conhecendo o r v i l o d s o s r u c os re organização do livro A coleção Expedições Geográficas possui uma organização regular, planejada para facilitar o trabalho em sala de aula. É dividida em oito Expedições (unidades), cada uma com quatro Percursos (capítulos), totalizando 32 Percursos.

Abertura de Expedição Por meio da exploração de um infográfico ou um jogo de imagens e um texto introdutório, a abertura da Expedição apresenta o que será tratado nos quatro Percursos seguintes.

Aquecendo A minisseção Aquecendo vai sondar seus conhecimentos prévios e estimular o interesse nas temáticas abordadas ao longo da Expedição.

Percurso Os Percursos apresentam conteúdos organizados de forma clara, em títulos e subtítulos que facilitam a compreensão dos temas. As informações são apresentadas por meio de diferentes linguagens, mesclando textos, mapas, gráficos, tabelas, ilustrações e fotos. As atividades direcionam a observação e a interpretação desses elementos.

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Seções laterais Sugerem livros, vídeos e sites que ajudam a aprofundar e complementar o estudo, além de ser um ótimo entretenimento. Glossário Apresenta o significado de termos pouco comuns ou desconhecidos.

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Estações Apresentam textos de revistas, jornais, livros e sites, que desenvolvem os temas transversais e complementam o conteúdo do Percurso. Dividem-se em quatro tipos: Estação Socioambiental, Estação Cidadania, Estação História e Estação Ciências. As atividades promovem a reflexão e estimulam o debate.

Estação Socioambiental Aborda temas sociais e ambientais e desenvolve a compreensão das relações entre espaço geográfico, sociedade e ambiente.

Estação História Trata dos aspectos históricos de um determinado tema para enriquecer seu estudo. O texto, com as atividades, busca reforçar as relações entre espaço geográfico e tempo histórico.

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Estação Cidadania Traz textos que possibilitam refletir e assumir uma posição diante de problemas ligados à realidade e discutir medidas e soluções.

Estação Ciências Por meio dos textos dessa estação, você vai refletir sobre o papel da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento da sociedade.

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Infográfico Os infográficos podem aparecer tanto na abertura como no meio de um Percurso. Eles são ótimos recursos gráfico-visuais por integrarem imagem, gráfico e texto, apresentando dados e informações de maneira sintetizada. Sempre vêm acompanhados de questões relevantes sobre o que foi proposto.

Seções de fechamento de Percurso Essas seções procuram ampliar, por meio de textos e atividades, o seu repertório cultural e o conhecimento de técnicas e procedimentos utilizados na Geografia. São três seções diferentes: Bagagem de ferramentas, Outras rotas e Encontros.

Bagagem de ferramentas Aqui são apresentados procedimentos específicos da Geografia e técnicas de estudo e pesquisa que permitem aprimorar o trabalho individual e em grupo.

Outras rotas Essa seção possibilita conhecer lugares diferentes, que tenham significado religioso, cultural, arquitetônico etc., ampliando os horizontes culturais.

Encontros Apresenta aspectos do cotidiano de diferentes povos, etnias ou personagens, privilegiando a diversidade étnica cultural. Propõe uma reflexão sobre a importância da diversidade e do respeito à diferença.

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Atividades As atividades sempre aparecem em páginas duplas no final dos Percursos pares. Visam à releitura e revisão dos conteúdos, à aplicação dos conhecimentos adquiridos, à interpretação de mapas, gráficos, tabelas, textos e estimulam a reflexão a respeito do que foi estudado. São divididas em cinco subseções. Explore Atividades que exploram diferentes linguagens, como textos, imagens, tabelas, gráficos, charges etc.

Revendo conteúdos São atividades de releitura e revisão de conteúdos. Frequentemente apresenta questões diretas e lúdicas, como palavras cruzadas, situações-problema, enigmas e caça-palavras. Leituras cartográficas Atividades envolvendo a linguagem cartográfica. Estimulam a habilidade de leitura e interpretação de mapas, que podem estar associados a gráficos, tabelas, perfis etc.

Desembarque em outras linguagens É uma seção que fecha as Expedições ímpares. Apresenta o trabalho de artistas e outras personalidades por meio de temas ligados ao conteúdo estudado. A abordagem é interdisciplinar e as linguagens são variadas, geralmente ligadas às artes e à literatura. Breve apresentação da personalidade tratada e seu trabalho. Caixa de informações e Interprete Atividades de releitura e interpretação que estimulam a compreensão do assunto. As informações são interpretadas e relacionadas com a Geografia.

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Investigue Propõe pesquisas individuais ou em grupo para aprofundar o que foi estudado.

Pratique Propõe uma atividade que exige execução de procedimentos, como elaboração de mapas, desenhos ou croquis.

Apresenta uma linha do tempo biográfica do artista ou uma síntese de suas obras. Apresenta a expressão artística ou a linguagem que o artista representa. Mãos à obra Essa seção possibilita pôr em prática a linguagem apresentada.

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Sumário Ck ker sto en s u/Corbis/latin

ExpEdição 1 Espaço mundial: diversidade e regionalização, 12 percurso 1. Os continentes e os oceanos

14

Os continentes, 14 • Os oceanos e suas áreas, 16

percurso 2. Estados e população do mundo Estado, nação e território, 20 • O mapa político do mundo está definido?, 22 • A população mundial, 24 Outras rotas – Vaticano, o menor Estado do mundo Atividades dos percursos 1 e 2

percurso 3. Diferentes modos de ver o mundo

20 27 28 30

Vários mundos em um só, 30 • O mundo físico, 30 • O mundo das sociedades humanas, 32

percurso 4. Outras regionalizações do espaço mundial

36

Países desenvolvidos e subdesenvolvidos, 36 • Primeiro, Segundo e Terceiro Mundos, 37 • Países do Norte e países do Sul, 39 • Regionalização segundo níveis de desenvolvimento, 40 • O caráter transitório das regionalizações, 43 44 Atividades dos percursos 3 e 4 Desembarque em outras linguagens – Um só mundo, muitos olhares: 46 o mapa-múndi de Vik Muniz

ro ns Ck aCH to s/CnP tins /Corbis/la

ExpEdição 2 Mundo global: origens e desafios, 48 percurso 5. Origens e bases do mundo global Nunca estivemos tão próximos, 50 • Como tudo começou: as economias-mundo, 51 • As quatro fases da globalização e o sistema-mundo, 51 • Transportes e telecomunicações: os motores tecnológicos da globalização, 53 Encontros – Índios usam internet para defender seus direitos

percurso 6. A economia global Fluxos de mercadorias: o comércio global desigual, 56 • A fábrica global e a nova divisão internacional do trabalho, 58 Bagagem de ferramentas – Como interpretar um mapa de fluxos? Atividades dos percursos 5 e 6

percurso 7. Globalização e meio ambiente

50

55 56 61 62 64

Os debates internacionais sobre meio ambiente, 64 • Principais problemas ambientais do século XXI, 65

percurso 8. Crises e desigualdades no mundo global Efeito estufa: de fenômeno natural a desafio da humanidade, 70 • Energia e meio ambiente, 72 • A produção e o consumo desiguais dos recursos naturais, 74 • Modelo econômico versus meio ambiente, 75 Atividades dos percursos 7 e 8

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70

76

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ar Cole ção Particul

Expedição 3 América: natureza e herança colonial, 78 Percurso 9. América: posição geográfica, relevo e hidrografia América: o primeiro mapa, 80 • Área territorial e posição geográfica, 80 • Regionalização com base na posição das terras do continente, 81 • O relevo e o povoamento, 82 • Hidrografia, transporte fluvial e povoamento, 87 Outras rotas – Lago Titicaca

Percurso 10. Clima e vegetação América: fatores que exercem influência no clima, 90 • Os tipos de clima e as formações vegetais da América, 94 Atividades dos percursos 9 e 10

Percurso 11. A conquista da América pelos europeus

80

89 90 96 98

A apropriação das terras americanas pelos europeus, 98 • Os povos nativos, 99

Percurso 12. Outras regionalizações da América As várias formas de estudar a América, 106 Atividades dos percursos 11 e 12 Desembarque em outras linguagens – A arte de Gutzon Borglum: Monte Rushmore

106 110 112

Jo se ck Fus Sto te R tin aga/Corbis/La

Expedição 4 América: países desenvolvidos, 114 Percurso 13. Estados Unidos: formação e expansionismo territorial Localização e divisão política, 116 • A formação territorial, 117 • Da Independência à conquista do oeste, 118 • A expansão territorial e a política intervencionista, 121 Encontros – Chefe Seatle – Tribo Suquamish

Percurso 14. Estados Unidos: potência econômica O maior produtor, o maior consumidor, 124 • Um gigante na agropecuária, 124 • O espaço urbano-industrial, 128 Atividades dos percursos 13 e 14

Percurso 15. Estados Unidos: população e megalópoles

116 123 124 132 134

A distribuição da população no vasto território, 134 • Espaço urbano: as megalópoles, 135 • Estados Unidos: a imigração ontem e hoje, 138 • As minorias étnicas, 140

Percurso 16. Canadá: economia integrada ao Nafta O Canadá e os parceiros do Nafta, 144 • A população canadense, 145 • Panorama econômico do Canadá, 147 Atividades dos percursos 15 e 16

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144 152

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Expedição 5 América: países emergentes, 154

tu rA G/A lam y/Other

Percurso 17. Brasil, México e Argentina: da industrialização tardia à inserção global

n ge da Bil a m Pris

156

As maiores economias da América Latina, 156 • A industrialização tardia, 157

Percurso 18. México Regiões naturais, 162 • População, 164 • Economia, 168 Outras rotas – Um tesouro asteca Atividades dos percursos 17 e 18

Percurso 19. Argentina

162 171 172 174

Regiões naturais, uso da terra e recursos minerais, 174 • População, 179 • Indústria e energia, 179 • Conflitos territoriais recentes, 180

Percurso 20. Brasil: conflitos e cooperação na Bacia Platina Das disputas territoriais à consolidação das fronteiras políticas, 182 • Brasil e Argentina: da desconfiança à aproximação, 184 • O Mercosul, 186 Atividades dos percursos 19 e 20 Desembarque em outras linguagens – Os murais de Diego Rivera: a memória da história mexicana

182 188 190

Expedição 6 América: economias de base mineral, 192

ut /d pa /Co rbis/LatinStock

Percurso 21. Venezuela e Trinidad e Tobago

do an a/H Pdvs

Percurso 22. Equador e Chile O Equador, 202 • Chile, 207 Atividades dos percursos 21 e 22

Percurso 23. Peru e Bolívia O Peru, 214 • A Bolívia, 219 Bagagem de ferramentas – Interpretação de pirâmide etária

Percurso 24. Guiana, Suriname e Jamaica Guiana e Suriname, 226 • Jamaica, 228 Encontros – O reggae na Jamaica: origem e identidade de um povo Atividades dos percursos 23 e 24

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194

A Venezuela, 194 • Trinidad e Tobago, 201

202 212 214 225 226 229 230

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Expedição 7 América: economias de base agropecuária, 232 Ru e do vs ag ky/ Im ty Bloom berg/Get

s

an dm Frie Noah

Percurso 25. Colômbia

234

Localização geográfica, 234 • Regiões naturais, 235 • De colônia espanhola a país independente, 237 • População, 238 • Economia, 239 • Guerrilha e narcotráfico, 239

Percurso 26. Uruguai e Paraguai O Uruguai, 240 • O Paraguai, 244 Atividades dos percursos 25 e 26

Percurso 27. América Central Continental e Insular

240 248 250

Os dois conjuntos de países e territórios dependentes, 250 • A América Central Continental, 251 • A América Central Insular, 254

Percurso 28. Cuba País de terras baixas e clima tropical, 258 • Da Revolução Cubana aos novos rumos políticos, 259 • Os progressos sociais e as dificuldades econômicas, 262 Outras rotas – Caleidoscópio cultural Atividades dos percursos 27 e 28 Desembarque em outras linguagens – Juan Sisay e os pintores do Lago Atitlán (Guatemala)

258

263 264 266

Expedição 8 América: projetos de integração, 268 Ger Br vásio Baptista/A

Percurso 29. Hispano-americanismo e pan-americanismo

270

A formação dos Estados latino-americanos, 270 • O hispano-americanismo de Simón Bolívar, 272 • O pan-americanismo dos Estados Unidos e a América Latina, 273

Percurso 30. Integração nas Américas: rivalidades e cooperação Americanismos em tempos de globalização, 278 • Cooperação e integração na América do Sul, 282 Atividades dos percursos 29 e 30

Percurso 31. O Brasil na América do Sul: fronteiras e integração física e energética

278 286 288

Faixa de fronteira brasileira, 288 • O papel estratégico das pontes internacionais, 291 • América do Sul: integração física e energética, 292

Percurso 32. Brasil: liderança e tensões na integração sul-americana

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294

Brasil: potência regional, 294 • Brasil: alguns impasses diplomáticos recentes na América do Sul, 295 Bagagem de ferramentas – Como elaborar um storyboard Atividades dos percursos 31 e 32

298 300

Bibliografia

302

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7

América: e s a b e d s a i m econo agropecuária

Nesta Expedição, você vai conhecer três países da América do Sul — Colômbia, Uruguai e Paraguai — e visitar a América Central, região que concentra 20 dos 35 países do continente americano. Esses países apresentam economia de base agropecuária, com destaque para o cultivo de café, cana-de-açúcar, banana, soja, milho e algodão, e para a criação bovina e ovina, além de uma crescente atividade turística nas praias tropicais do Caribe.

PERCURSOS 25

Colômbia

26

Uruguai e Paraguai

27

América Central Continental e Insular

28

Cuba

232

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Riqueza e pobreza no campo O setor agroexportador da América Latina apresentou nos últimos anos um crescimento bem acima da média mundial. Essa rápida evolução positiva, no entanto, foi alavancada por apenas alguns produtos primários, como café, banana, açúcar etc., que têm seus preços determinados pela oferta e pela procura do mercado internacional.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

EXPEDIÇÃO

Evolução das exportações agrícolas (US$ bilhões)

A participação da América do Sul e Central passou de 4,3% (US$ 264 bi) para 5,6% (US$ 855 bi) no comércio mundial de bens agrícolas, em menos de uma década.

Essas exportações foram favorecidas pela modernização da produção e pela integração ao mercado internacional. Porém, isso não resultou em grandes melhorias sociais e diminuição acentuada da desigualdade.

855

América do Sul e Central

264

Alta de

223% 2000

2008

15.188

Resto do mundo

6.140 Alta de

147% 2000

2008

Aquecendo Observando os dados, pode-se dizer que os países da América Latina mantêm sua condição histórica? Explique.

Fontes: FAO. Boom agrícola y persistencia de la pobreza rural. Disponível em: <www.fao.org>. Acesso em: 8 jul. 2011. Cepal. Disponível em: <www.eclac.org/>. Acesso em: 13 jun. 2011. ICO. Disponível em: <www.ico.org>. Acesso em: 14 jun. 2011.

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Guatemala

Guatemala, Nicarágua e Colômbia são exemplos de países de crescimento agrícola concentrado em poucos produtos, voltados ao mercado externo.

Produção agrícola (em 100 mil toneladas)

A produção agrícola para o mercado externo já é mais de duas vezes maior que a produção para o consumo interno. Banana, cardamomo (uma especiaria oriental) e cana-de-açúcar são responsáveis por 94% das exportações.

Exportação

60

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

40

40 20

1990

6.545 Consumo interno

da produção agrícola total da Nicarágua é cana-de-açúcar para exportação.

5,8

8o produtor mundial de

4,5

banana e o maior produtor de cardamomo são as posições da Guatemala no ranking mundial.

3,0 1,5 0

1,1 1990

2000

3.912 Outros produtos agrícolas para exportação

90%

Flores

6,0

2009

94.707 Cana-de-açúcar para exportação

Exportações agrícolas (bilhões de dólares) Total

2000

Produção agrícola (toneladas)

Entre 1994 e 2009, o consumo interno de bens agrícolas produzidos no país caiu de 12% para 6%. No mesmo período as exportações mais que dobraram.

Entre 2002 e 2009, o PIB agrícola colombiano passou de 9,1 bilhões para 24 bilhões de dólares. Apenas dois produtos, café e flores, representaram 52,6% do setor agroexportador, em 2009.

88

80

Nicarágua

Colômbia

Consumo interno

100

358% foi o crescimento nas exportações de flores da Colômbia entre 1990 e 2009.

2009

O modelo agroexportador e a pobreza na América Latina A pobreza sofreu redução durante esse período, porém num ritmo bem menor do que o de entrada de riquezas. Para se ter uma ideia, entre 2002 e 2009, a pobreza no campo na América Latina se reduziu em média 1,28% ao ano, enquanto para o mesmo período a média de aumento anual das exportações foi de 17,7%. Porcentagem de pobres por domicílio (Média para América Latina)

62 53

Em alguns casos a pobreza no campo até aumentou. Na Colômbia, entre 1991 e 2009, o percentual de pobres no campo passou de 60,7% para 64,5%.

2002 2009

38 28

Variação média anual

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Campo

Cidade

-1,28%

-1,51%

233

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PERCURSO

25

Colômbia

A Colômbia, cujo nome foi dado em homenagem a Cristóvão Colombo, situa-se a noroeste da América do Sul, quase inteiramente na zona tropical norte (figura 1). Apenas um pequeno trecho de seu território localiza-se no Hemisfério Sul. O seu ponto extremo sul está a 4°13’S, e o ponto extremo norte a 12°30’N. Com 1.141.748 km² de área territorial — um pouco menor que o estado do Pará (1.247.689 km²) —, a Colômbia é atravessada pela Cordilheira dos Andes e, por isso, integra a chamada América Andina. Por ser banhado na porção oeste pelo Oceano Pacífico e no noroeste pelo Mar do Caribe, o país é privilegiado no que diz respeito à comunicação com outras regiões do mundo. Figura 1. Colômbia: físico 80ºO

70ºO

MAR DO CARIBE

Península de la Guajira

Riohacha Santa Marta Maicao Barranquilla Pico Cristóbal Colón Ciénaga 5.775 m Sabanalarga Valledupar Cartagena Malambo

10ºN

El Carmen de Bolívar Sincelejo Montería

Caucasia

A

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150 km

EQUADOR

C

O

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Atrato

N

VENEZUELA

Aguachica Ocaña Cúcuta Villa Rosario Bucaramanga Pamplona Arauca Puerto Barrancabermeja Girón Floridablanca Carreño Yarumal Puerto Zapátoca Nuquí Quibdó Itagüi Berrío a Duitama t e M Bello Tunja Sogamoso Medellín Manizales Zipaquirá Yopal Pereira Vichada Bogotá Cartago Soacha Villavicencio Armenia Girardot Buga Ibagué viare Espinal Gua Puerto Cali Palmira Inírida da r Iní i Neiva Ne E San José H Popayán del Guaviare L Garzón I Patía D Florencia Tumaco R Pitalito Pasto C O Mocoa Mitú Ipiales Apa Vaupés po ris Orita Apartado

OCEANO PACÍFICO

Magangué

Ca uc a Magdalena

PANAMÁ

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 Localização geográfica

EQUADOR

Ca q ue tá

Pu tu

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BRASIL

o ay

Fontes: elaborado com base em Enciclopédia do mundo contemporâneo. São Paulo: Publifolha/Rio de Janeiro: Editora do Terceiro Milênio, 2002. p. 210; Capital: l’encyclopédie du monde 2006. Paris: Nathan, 2005. p. 209.

234

Altitudes (metros) 5.000 2.000 1.000 500 Nível do mar

s Amazona

PERU Letícia

eXpeDIÇÃo 7

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2 Regiões naturais Pode-se distinguir no território colombiano três regiões naturais: as Planícies Costeiras, a Região Andina e os Lhanos.

As Planícies Costeiras (La Costa)

Estação balneária Cidade litorânea que conta com infraestrutura hoteleira e disponibilidade de serviços de boa qualidade.

Rogério Reis/Pulsar Imagens

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Luciano Leon/Alamy/Other Images

Há que se distinguir duas planícies costeiras: a do Oceano Pacífico e a do Mar do Caribe ou das Antilhas. Enquanto nas terras baixas das planícies do Oceano Pacífico o clima é quente e úmido — as precipitações médias anuais são superiores a 2.000 milímetros, com trechos em que elas superam 3.000 milímetros —, nas planícies do Mar do Caribe, de clima menos úmido, essas médias situam-se entre 600 e 1.000 milímetros, com alguns trechos entre 1.000 e 1.400 milímetros. A costa caribenha colombiana é conhecida pelas belas praias; cidades como Barranquilla, Cartagena e Santa Marta (figura 2) são estações balneárias e atraem muitos turistas. Devido à sua bela arquitetura colonial, Cartagena (figura 3) também foi considerada patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Quanto ao povoamento, nas imediações das cidades da costa caribenha, as densidades demográficas estão predominantemente entre 50 e 100 hab./km² e mais de 100 hab./km². Entretanto, na costa do Pacífico, vão de menos de 1 a 10 hab./km².

Figura 2. Nas imediações de importantes estações balneárias da Colômbia, pequenas vilas de pescadores atraem turistas à costa caribenha do país. Na foto, vista de Tanganga, próxima a Santa Marta (2009).

Figura 3. Aspecto da arquitetura colonial na cidade colombiana de Cartagena das Índias (2007). Na foto, veem-se a Igreja e o Convento San Pedro Claver e parte da Praça da Aduana. percurso 25

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Na Colômbia, a Cordilheira dos Andes se divide em três ramos: a Cordilheira Ocidental, mais próxima do Oceano Pacífico, a Cordilheira Central e a Cordilheira Oriental (reveja a figura 1), onde se situa Bogotá, a capital do país, a 2.630 metros acima do nível do mar. Entre as cordilheiras Ocidental e Central estende-se o vale por onde corre o Rio Cauca, com 1.250 quilômetros de extensão, afluente do Rio Magdalena (1.550 km), que, por sua vez, corre entre as cordilheiras Central e Oriental. Esses rios são importantes vias de comunicação, pois colocam em contato o altiplano colombiano e as baixas planícies costeiras do Mar do Caribe. A Região Andina é a mais populosa e povoada da Colômbia. Aí se situam as cidades de Bogotá, Cali e Medellín, entre outras de grande importância econômica. Essas terras altas foram o berço dos chibchas, povo pré-colombiano que foi destruído em grande proporção com a chegada dos espanhóis em 1538. O clima dessa região varia segundo a altitude. Nos vales e encostas com altitudes entre 500 e 2.500 metros, o clima é subtropical; entre 2.500 e aproximadamente 3.000 metros, temperado; entre 3.000 e 4.500 metros, frio de alta montanha; e acima dos 4.500 metros, polar, com cumes montanhosos cobertos por gelo e neve (figura 4).

Figura 4. Parque Natural Serra Nevada do Cocuy Guicán, área protegida de 306 mil km2 na Cordilheira Oriental, Colômbia (2009). Ao fundo, montanhas cobertas por gelo e neve compõem a paisagem com altitudes que variam entre 600 e mais de 5.000 metros acima do nível do mar.

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A Região Andina

Os Lhanos Situados a leste da Cordilheira Oriental, os Lhanos ocupam cerca de dois terços do território colombiano, que, cobertos pela Savana e pela Floresta Equatorial — a Floresta Amazônica —, correspondem às vastas planícies onde correm grandes rios que nascem na vertente oriental dos Andes.

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Na sua porção norte, o clima é tropical com menor precipitação anual se comparado à porção sul, onde predomina o clima equatorial quente e úmido. É nesse último tipo de clima que se localiza a cidade colombiana de Letícia, que faz fronteira com Tabatinga, no Brasil. Observe as diferenças entre o clima de Bogotá (figura 5), situada nos Andes, e o de Letícia (figura 6), no extremo sudeste dos Lhanos colombianos, fronteira com o Brasil. Figura 5. Bogotá (Colômbia): climograma

Precipitação (mm)

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400

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Figura 6. Letícia (Colômbia): climograma Temperatura (ºC)

Precipitação (mm)

O que se observa em relação às médias térmicas das duas localidades?

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Fonte: CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas du 21e siécle 2008. Paris: Nathan, 2007. p. 156.

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Fonte: Atlas National Geographic: América do Sul. São Paulo: Abril, 2009. v. 1. p. 48.

3 De colônia espanhola a país independente Admite-se que o primeiro contato europeu com as terras que hoje correspondem à Colômbia se deu em 1499, quando os navegantes Américo Vespúcio, Juan de la Cosa e Alonso de Ojeda chegaram ao Lago Maracaibo (hoje pertencente à Venezuela), e daí aportaram na Península de Guajira, no Mar do Caribe, que hoje faz parte do território colombiano. Após enfrentarem a resistência dos caraíbas no litoral e dos chibchas no altiplano, em 1533, os colonizadores fundaram Cartagena e em seguida, em 1536, no altiplano andino, Santa Fé de Bogotá. Além da exploração de ouro, prata e pedras preciosas — entre elas, esmeraldas —, introduziu-se a agricultura de algodão e tabaco, destinados à exportação, com a utilização da mão de obra escrava africana. Diante da cobrança de altos impostos pela metrópole espanhola, os colonos espanhóis se rebelaram em 1781, iniciando o movimento pela independência, obtida em 1819, tendo à frente Simón Bolívar, que criou a República da Grande Colômbia, ou Gran Colômbia, a qual incluía os territórios atuais da Venezuela, da Colômbia, do Equador e do Panamá. Rivalidades locais e regionais, somadas à interferência da Grã-Bretanha, levaram à separação da Venezuela e do Equador, em 1829 e 1830, respectivamente. Em 1903, após várias interferências dos Estados Unidos, o Panamá, que até então não existia como país independente, separou-se da Colômbia. percurso 25

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Hasta la ultima piedra. Direção: Juan José Lozano. Colômbia: Earthling Production, 2006.

Em 2010, a população da Colômbia era de 46,3 milhões de habitantes. É o quarto país mais populoso da América (após os Estados Unidos, o Brasil e o México) e o segundo da América do Sul. A cidade de Bogotá (figura 7) é a mais populosa do país, com 6,2 milhões de habitantes, seguida por Cali — no vale do Rio Cauca —, com 2,1 milhões. Na composição da população colombiana, predominam os eurameríndios (58%), seguidos por descendentes de europeus ibéricos, principalmente de espanhóis (20%), eurafricanos (14%), afro-americanos (4%), ameríndios (1%) — figura 8 — e outras etnias (3%). Mardagada/Alamy/Other Images

Documentário sobre a resistência pacífica dos moradores camponeses da Comunidade de Paz de San José de Apartado em meio ao fogo cruzado das guerrilhas e das forças policiais do governo colombiano.

4 População

Figura 8. Ameríndios da etnia Nunak, na Amazônia colombiana, próximos ao município de San José del Guaviare (2006). Caçadores e coletores nômades, os nunaks vivem em pequenas famílias e, apesar de o governo colombiano ter demarcado, em 1993, um território para assegurar sua integridade física e cultural, seu modo de vida é constantemente ameaçado por invasores.

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Figura 7. Vista de Bogotá, situada em um altiplano da Cordilheira Oriental dos Andes, à altitude de 2.640 metros acima do nível do mar (2009).

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Pausa para o cinema

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5 Economia Embora a Colômbia apresente uma economia diversificada — produção e exportação de recursos minerais, incluindo carvão mineral e petróleo, além de certo desenvolvimento industrial —, a agricultura é uma atividade que apresenta importância considerável. Predominam as culturas tropicais — café, cana-de-açúcar, algodão, banana, cacau e milho —, que, com a pecuária bovina, ovina, suína e caprina, ocupam a Região Andina. Além de abastecer o mercado interno, os produtos agropecuários destinam-se à exportação. Entre eles destaca-se o café — a Colômbia, após o Brasil, é o maior exportador desse produto, juntamente com o Vietnã. Na mineração, merecem destaque o carvão mineral, cujas jazidas são as maiores da América do Sul, e as esmeraldas, cuja produção é a maior do mundo. Veja no mapa da figura 9 a distribuição espacial das atividades econômicas colombianas.

Figura 9. Colômbia: economia Riohacha Santa San Andrés Barranquilla Marta Valledupar Cartagena

10ºN

PANAMÁ PANAM Á

Sincelejo Montería

VENEZUELA

Cúcuta Bucaramanga

Quibdó *

Cali Popayán

Pasto

*

Medellín

Manizales Pereira Armenia

Arauca

Puerto Carreño

*

Bogotá Ibagué

Villavicencio

Neiva

San José del Guaviare

Florencia Mitú

Mocoa

EQUADOR

BRASIL

EQUADOR

N

PERU 190 km Letícia

Agricultura

6 Guerrilha e narcotráfico

70ºO

MAR DO CARIBE

Milho

Criação de gado Bovino

Outras atividades Papel e celulose

Banana

Ovino

Farmacêutica

Café

Suíno

Aço

Caprino

Química Desde a década de 1950, descontentes com os ruMontadora Algodão Pesca automobilística mos da política colombiana, formaram-se duas orPortos de pesca Folha de coca Indústria alimentícia Aipo Exploração florestal ganizações autointituladas socialistas, de esquerda: Indústria têxtil Cacau Madeira Petróleo Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) *Importante participação de multinacionais e Exército de Libertação Nacional (ELN). Fontes: elaborado com base em Capital: l’enciclopédie du Por meio de ações contra o exército colombiano, monde 2006. Paris: Nathan, 2005. p. 21; Atlas National Geographic: América do Sul. Portugal: National Geographic ataques a instalações governamentais, assassinatos Society, 2005. p. 53. e sequestros de empresários e políticos, essas orgaCite duas atividades nizações tentam pressionar o governo e a sociedade industriais de Bogotá para obter concessões, em confrontos que já duram e de Medellín. mais de 40 anos. Além da guerrilha, outro drama vivido pela sociedade colombiana é o narcotráfico. Formaram-se no país organizações com ligações internacionais, conhecidas como cartéis, que se dedicam à produção e à Quem lê comercialização de drogas. O cartel de Medellín, por exemplo, foi desviaja mais mantelado pelo exército em 1993, mas logo em seguida organizaramARBEX, José. -se os cartéis de Cali e de Cartagena. Narcotráfico: um jogo de Com o objetivo inicial de combater o narcotráfico e posteriormente poder nas Américas. São Paulo: Moderna, 2004. as Farc e o ELN, no ano de 2000 os Estados Unidos aprovaram o chaNesta obra você vai entenmado Plano Colômbia. Trata-se de um pacote de ajuda de 1,3 bilhão der vários aspectos que cerde dólares para o país, além de aviões, helicópteros e treinamento micam o narcotráfico e como os litar de tropas colombianas, numa força-tarefa para combater o narpoderosos cartéis se tornacotráfico. ram um problema mundial. Cana-de-açúcar

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Uruguai e Paraguai

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1 O Uruguai

55ºO 30ºS

ARGENTINA Artigas

BRASIL Rivera

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Lago Artificial de Rincón del Bonete

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Figura 10. Uruguai: físico

Com área territorial de 177.414 km2 — menor que o estado do Paraná (199.314 km²) —, o Uruguai situa-se no sudeste da América do Sul, estendendo-se na direção norte-sul, entre as latitudes 30°S e 35°S. A maior parte do território uruguaio é parte da Bacia do Prata, como ocorre com o Paraguai e a Argentina. Por isso, esses três países formam a chamada América Platina. É comum ainda referir-se ao Uruguai como país do Cone Sul, pois, com o Chile e a Argentina, localiza-se na porção Altitude (metros) do território sul-americano que se afunila na direção sul, 600 300 semelhante à forma de cone. O Paraguai e o sul do Brasil, 150 0 desde o estado de São Paulo, também podem ser consideCapital rados pertencentes ao Cone Sul. Cidade

Condições naturais

Melo

Guichón

O relevo uruguaio (figura 10), de baixa altitude, é formado por planaltos com altitudes médias de 300 metros Carmelo e apresenta ondulações suaves denominadas no país de Florida Cardona N Santa Lúcia Rocha cuchillas. Na rede hidrográfica, destacam-se dois rios Minas Ri od La Paloma Las Piedras aP San Carlos rata que nascem no Rio Grande do Sul: o Rio Negro, que atraO AN Montevidéu Punta CE O del Leste 100 km vessa o país de nordeste a sudoeste, e o Rio Uruguai, que delimita a fronteira entre o Uruguai e a Argentina. Fonte: SADER, Emir (Coord.). Latinoamericana: Enciclopédia O clima é temperado com chuvas bem distribuídas no decorrer do contemporânea da América Latina ano; o inverno é frio, mas não apresenta queda de neve. A cobertura e do Caribe. São Paulo: Boitempo/ Rio de Janeiro: Uerj, 2006. p. 1224. vegetal predominante é de Campos, continuação natural dos Campos da Campanha Gaúcha do Rio Grande do Sul. Formam excelentes pastagens para os rebanhos, principalmente de bovinos e ovinos, que são a base da economia uruguaia (figura 11). egro

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Lago Artificial del Palmar

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Figura 11. Aspecto de Campos no Uruguai com criação de ovinos (2005).

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Antes da chegada dos colonizadores europeus, o território que hoje corresponde ao Uruguai era habitado por guaranis, charruas — que ofereceram grande resistência à ocupação europeia — e outros povos indígenas. Embora os europeus explorassem o Rio da Prata desde o início do século XVI (1515), a ocupação espanhola do território, que na época era chamado de Banda Oriental (do Rio Prata), somente teve início por volta de 1610, com a introdução da criação de gado bovino a mando do governador de Buenos Aires. No entanto, os portugueses também tinham interesse nessas terras devido à sua posição estratégica para chegar à Bolívia e ao Peru, terra da prata e do ouro. Por isso, em 1680 os portugueses fundaram na margem esquerda do Rio da Prata a Colônia de Sacramento, invadida pelos espanhóis, que não desejavam perder as terras para os portugueses. Anos mais tarde, em 1726, os espanhóis, diante da ameaça da presença portuguesa na região, fundaram Montevidéu (figura 12), na entrada do Rio da Prata, e o território foi incorporado ao Vice-Reinado da Prata, com sede em Buenos Aires. Quando os argentinos se libertaram do domínio espanhol em 1816 e declararam a independência, os comerciantes de Montevidéu, liderados por José Gervásio Artigas, não aceitaram a subordinação à Argentina ou a Buenos Aires. Diante disso, iniciaram um movimento de emancipação. Entretanto, em 1817, a cobiça portuguesa pelas terras da Banda Oriental levou tropas luso-brasileiras a invadi-las, derrotar Artigas e anexá-las ao Brasil, com o nome de Província Cisplatina. Em resposta, um grupo liderado por Juan Antonio Lavalleja proclamou a independência em 1825 e, em 1827, com o apoio de tropas argentinas, expulsou as tropas brasileiras.

Figura 12. Monumento La Carreta, no centro da cidade de Montevidéu (2007). Na conquista e povoamento do interior do Uruguai, a carreta-habitação foi muito utilizada pelos imigrantes europeus.

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De colônia espanhola a país independente

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População A população de 3,4 milhões de habitantes (2010) do Uruguai encontra-se irregularmente distribuída no território. O norte, ocupado por Propriedade rural, geralmente de grande grandes estâncias, é escassamente povoado (figura 13). O sul, a entradimensão, utilizada para da do Rio da Prata e o oeste, vale do Rio Uruguai, são mais povoados, agricultura ou pecuária. com densidades demográficas entre 25 e mais de 100 hab./km². A cidade de Montevidéu (figura 14), capital do Uruguai, com 1,6 milhão de habitantes, apresenta cerca de 44% da população total do país. A população uruguaia é predominantemente urbana (92%). A sua população é formada em sua maior parte por descendentes de espanhóis e italianos (cerca de 90%). Os eurameríndios correspondem a apenas 6% e os afrodescendentes, a 4%. Por não haver apresentado, durante o período colonial, produtos tropicais e Figura 13. Uruguai: densidades metais preciosos que interessassem à metrópole espademográficas nhola e necessitassem de mão de obra escrava para a sua 55ºO ARGENTINA exploração, o Uruguai apresenta pequena participação 30ºS dos afrodescendentes na sua população. Estância

Artigas

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BRASIL Cidades mais povoadas

Salto

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Las Piedras 100 km

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Montevidéu Ciudad de la Costa

Mais de 1.000.000 Entre 50.000 e 100.000 Entre 40.000 e 50.000 Entre 30.000 e 40.000 Entre 20.000 e 30.000 Habitantes/km2 Mais de 100 Entre 50 e 100 Entre 25 e 50 Entre 10 e 25 Entre 1 e 10 Menos de 1

Fonte: Atlas National Geographic: América do Sul. São Paulo: Abril, 2008. v. 1. p. 95.

Rocha San Carlos Maldonado

Figura 14. Vista de Montevidéu, com o Rio da Prata ao fundo (2007). No centro da foto, o Palácio Salvo, construído em 1925, e, no canto inferior direito, parte da Praça da Independência.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A agropecuária é a base da economia do Uruguai. O país é um tradicional exportador de carne bovina, couro e lã, esta obtida do rebanho de ovinos (figura 15). Além desses produtos, figuram na pauta de exportação do país o trigo, a soja, o arroz e o milho. A riqueza obtida com as exportações de carne, lã e couro permitiu que o país desenvolvesse, na primeira metade do século XX, um amplo sistema de serviços de educação e saúde, sendo por isso chamado, na época, de “Suíça da América do Sul”. Apesar de esses “anos dourados” terem chegado ao fim, o Uruguai possui nível de vida superior ao de muitos países da América Latina, fato que constitui orgulho para os uruguaios. O IDH do país é 0,765 (2010), a taxa de analfabetismo de adultos é baixa (2,1%), a esperança de vida é de 76,8 anos e a taxa de mortalidade infantil é de 12‰ — indicadores sociais melhores que os do Brasil. A partir da década de 1960, a economia uruguaia começou a ser abalada pela queda do preço da lã e da carne no mercado internacional. Diante disso, a oligarquia pecuarista passou a aplicar parte significativa de seus recursos no exterior e na especulação financeira e pouco na melhoria da produção interna. A atividade industrial é reduzida e está relacionada, principalmente, ao processamento de produtos de origem animal: carne, couro e lã. Nos últimos anos têm crescido a indústria vinícola e o setor financeiro (bancos), levando o país a ter participação expressiva no setor bancário latino-americano. Como país-membro e fundador do Mercosul, o Uruguai tem sido beneficiado economicamente pelo comércio entre os integrantes do bloco, o que contribuiu para o crescimento de seu PIB. Veja na figura 16 a distribuição das atividades econômicas no território uruguaio.

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Economia

Figura 15. Fazendeiro uruguaio realizando a tosquia manual, isto é, o corte da lã de ovelha (2011).

Figura 16. Uruguai: economia 55ºO

30ºS

Qual é a principal atividade econômica em Punta del Leste, cidade situada entre o Rio da Prata e o Oceano Atlântico?

BRASIL

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Refino de petróleo LAVALLEJA

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Rodovia Ferrovia Atividades e produtos

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Indústria têxtil Fiação de lã Mecânica leve Turismo Carne e couro Laticínios Arroz Cevada

Fontes: SADER, Emir (Coord.). Latinoamericana: enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe. São Paulo: Boitempo Editorial/Rio de Janeiro: Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, 2006. p. 1224; Capital: l’encyclopédie du monde 2006. Paris: Nathan, 2005. p. 616. percurso 26

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Com área territorial de 406.752 km² — pouco maior que o estado de Mato Grosso do Sul (357.124 km²) —, o Paraguai se localiza na porção centro-sul da América do Sul e tem 6,5 milhões de habitantes (2010). Como a Bolívia, é um país que não tem litoral (figura 17). Para fazer o seu comércio com o exterior, no caso dos produtos que não podem ser transportados pela aviação comercial, o Paraguai depende da Argentina e do Brasil. O Rio Paraguai atravessa o país de norte a sul e, no território argentino, encontra-se com o Rio Paraná, que desemboca no estuário platino. Por meio dessa travessia Paraguai-Paraná, o país tem um de seus acessos ao mar. Entretanto, é pelo território brasileiro que o Paraguai realiza parte significativa do comércio com o exterior. Na década de 1960, o Brasil ofereceu ao Paraguai uma Figura 17. Paraguai: posição geográfica saída para o mar. Tal proposta La Paz Brasília PERU Goiânia BOLÍVIA tinha o objetivo de atrair o Paraguai para a área de influência BRASIL Sucre do Brasil, afastando-o de maior aproximação com a Argentina. Pedro Juan Caballero ná A saída do Paraguai para o mar Concepción PARAGUAI São Paulo foi concretizada com a construBR-27 Assunção 7 N Curitiba ção da Ponte da Amizade sobre Foz do Iguaçu Paranaguá Encarnación o Rio Paraná (inaugurada em San Miguel de CHILE Tucumán 1965) e a construção da rodo300 km via que liga a capital do país, a Porto Alegre cidade de Assunção, até o porto Córdoba ARGENTINA de Paranaguá (BR-277), no esViña del Mar URUGUAI Capital Rosário tado do Paraná. Nesse porto, o Cidade Valparaíso Santiago Rodovia Buenos Aires Montevidéu Paraguai possui um terminal de Ferrovia 60°O uso exclusivo. Rio P

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Com quais países o Paraguai faz fronteira? Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 161.

30°S

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2 O Paraguai

Regiões naturais O Rio Paraguai divide o país em duas regiões naturais: a Oriental e a Ocidental.

A Região Oriental Nessa região predominam os planaltos ondulados de baixas altitudes — uma continuação dos Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná da classificação do relevo realizada pelo geógrafo brasileiro Jurandyr R. S. Ross. Formada por solos férteis, resultantes da decomposição do basalto, é a principal região agrícola do país. Além da soja (figura 18), o principal produto de exportação do Paraguai, cultivam-se milho, tabaco, cana-de-açúcar, trigo, algodão, entre outros. Essa região, coberta por remanescentes da Floresta Tropical, caracteriza-se pelo clima tropical, com boa distribuição de chuvas.

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Figura 18. Fazenda de soja em Campo Nueve, na Região Oriental do Paraguai, a leste do rio de mesmo nome (2010).

A oeste do Rio Paraguai abre-se a Região Ocidental, chamada também de Gran Chaco. Formado por planícies, o Gran Chaco caracteriza-se pelo clima quente e chuvoso no verão e seco no inverno. Mas, à medida que avança para noroeste, em direção à Bolívia, torna-se mais seco, com baixa precipitação e predomínio de estepes. Santuário ecológico do Paraguai, com grande biodiversidade, é uma região pouco povoada, onde se instalaram a criação de gado extensiva, a cultura do algodão e o extrativismo vegetal do quebracho, planta da qual se extraem o tanino, utilizado para curtir e amaciar o couro bovino, e o quinino, matéria-prima para a fabricação de medicamentos pela indústria farmacêutica.

De colônia espanhola a país independente No início do século XVI, tanto portugueses como espanhóis realizaram incursões pela Bacia Platina; no entanto, foram os espanhóis que avançaram para o interior do território por meio dos rios Paraná e Paraguai, chegando às terras que formariam o Paraguai. Em 1537, construíram um forte militar no Rio Paraguai, para servir de base de apoio à expansão em direção às minas do Peru. Mais tarde, o forte deu origem à cidade de Assunção (figura 19).

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A Região Ocidental

Figura 19. Assunção, às margens do Rio Paraguai (2008). Em 2010, a região metropolitana da capital paraguaia tinha 2 milhões de habitantes. percurso 26

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Guerra do Brasil: toda a verdade sobre a Guerra do Paraguai. Direção: Sylvio Back. Brasil: Embrafilme, 1987.

As terras que hoje formam o Paraguai eram habitadas principalmente pelos guaranis, e não demorou muito para que ocorresse a miscigenação entre colonizadores espanhóis e indígenas, fato que acabou facilitando a ocupação e que explica a predominância de eurameríndios no país (90%), além da adoção do guarani como língua oficial, juntamente com o espanhol. Por volta de 1609, com o propósito de converter os indígenas ao cristianismo, muitas missões religiosas se estabeleceram nas terras que formariam o Paraguai (figura 20). Apesar de protegidas pelos padres jesuítas, as missões foram invadidas e destruídas por portugueses (bandeirantes) e espanhóis nas expedições de apresamento de indígenas. Até 1811, tanto as terras que hoje constituem o Paraguai como as que formariam a Argentina, o Uruguai e a Bolívia faziam parte do domínio espanhol com o nome de Vice-Reinado do Rio da Prata. Nesse ano, o Paraguai separou-se do Vice-Reinado e, em 1813, declarou sua independência. Durante o período colonial, essa colônia espanhola não ofereceu à metrópole riquezas em metais e pedras preciosas. A sua agricultura de subsistência e a distância do oceano dificultaram a sua prosperidade.

Mike Theiss/Ultimate Chase/Corbis/LatinStock

Numa mistura de ficção e fatos reais, esse filme procura desfazer os vários mitos que cercam a Guerra do Paraguai.

A ocupação do território pelos espanhóis

Figura 20. Ruínas La Santíssima Trindade de Paraná, antiga redução jesuíta construída em 1706, próxima à cidade de Encarnación, Paraguai (2009). Em 1993 foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, em conjunto com a redução de Jesus de Tavarangue.

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Pausa para o cinema

A prosperidade, a Guerra do Paraguai e o declínio Um período de prosperidade do Paraguai chegou após a independência, durante os governos de José Gaspar Rodriguez de Francia (1814-1840), Carlos Antonio López (1844-1862) e Francisco Solano López (1862-1870). Com a contratação de técnicos estrangeiros, esses governos implantaram no país ferrovias, telégrafo e indústrias, entre elas a metalúrgica, a naval, de tintas, têxtil, de papel, de materiais para construção, de pólvora, de armamentos, entre outras.

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Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro

Figura 21. Tela Batalha Naval do Riachuelo, de Eduardo de Martino (1870). Essa batalha, ocorrida em 11 de junho de 1865, é considerada uma das mais importantes da Guerra do Paraguai.

Economia Norberto Duarte/AFP/Getty Images

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Além disso, incentivaram a agricultura e a instrução pública, além de outras iniciativas que modernizaram o país e promoveram o desenvolvimento autônomo e independente, fato não ocorrido com os demais países latino-americanos, na época dependentes da Inglaterra, principalmente. No entanto, com o objetivo de recuperar territórios guaranis, Solano López invadiu o que é hoje o estado brasileiro de Mato Grosso do Sul e a região de Corrientes, no nordeste da Argentina, próximo à fronteira do Paraguai. Tal situação levou à formação da aliança Brasil-Argentina e Uruguai (a Tríplice Aliança) para combater o Paraguai (figura 21). A guerra durou de 1864 a 1870. Foram necessários cinco anos para a Tríplice Aliança vencer a guerra contra o Paraguai. Ao final, o imperialismo inglês se beneficiou com a guerra. Para Brasil, Uruguai e Argentina sobraram muitas dívidas, contraídas principalmente com os banqueiros ingleses para financiar a guerra, e um saldo de muitos mortos. Para o Paraguai ficaram a destruição do país e a redução drástica de sua população. O desenvolvimento autônomo do Paraguai foi substituído pela presença inglesa e até hoje o país não conseguiu recuperar a autonomia econômica que possuía em meados do século XIX.

A economia paraguaia tem por base a agropecuária. Algodão, soja, sementes oleaginosas, óleos vegetais e carne bovina são exportados principalmente para os países do Mercosul, do qual o Paraguai é país integrante, e para Chile, Alemanha, Suíça, Holanda, Estados Unidos e outros. A eletricidade é outra fonte de renda do Paraguai. Sócio do Brasil na Hidroelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, o país vende o excedente de energia elétrica ao Brasil. Um dos problemas enfrentados pela economia do país é o comércio de artigos importados ou contrabandeados (bebidas, roupas, aparelhos eletrônicos etc.), que, apesar de ilegal, representa fonte de emprego e de renda para muitos paraguaios (figura 22). Figura 22. Tráfego na Ponte Internacional da Amizade, que liga a Ciudad del Este, no Paraguai, à cidade de Foz do Iguaçu, no Brasil (2010). A cidade paraguaia é uma das maiores zonas francas de livre comércio do mundo, atraindo brasileiros em busca dos baixos preços dos produtos ali vendidos. percurso 26

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Atividades dos percursos 25 e 26 1 Um grupo de três repórteres e três fotó-

grafos de revista recebeu a tarefa de fazer uma reportagem sobre a Colômbia. O diretor da redação dividiu o grupo em três núcleos — A, B e C, cada um formado por um repórter e um fotógrafo — e determinou que cada núcleo deveria se dedicar a uma pauta, ou seja, a um assunto a respeito desse país. Leia abaixo as pautas e, depois, responda às questões. Pauta do grupo A: visitar a região de praias mais turística e povoada da costa colombiana; fotografar especialmente a cidade que, por causa da arquitetura colonial, é considerada patrimônio da humanidade. Pauta do grupo B: visitar a região de maior altitude e mais populosa da Colômbia; fotografar as principais cidades e as lavouras do principal produto agrícola exportado por esse país. Pauta do grupo C: visitar a região natural que predomina em dois terços do território colombiano e fotografar a vegetação dominante da sua porção sul. a) Qual região natural da Colômbia foi visitada por cada grupo? A que produto agrícola se refere a pauta do grupo B?

de dois deles, anote os seus nomes nos espaços indicados e, depois, responda às questões. _____________ País 1: ______________ eira com o BraLocalização: faz front lívia. sil, a Argentina e a Bo s de habitantes. População: 6,5 milhõe ra e a eletriciEconomia: a agricultu fontes de dade são importantes renda.

de 2010 pela: Eliminado na Copa Espanha.

País 2: ______________ _____________ Localização: faz front eira com o Brasil e a Argentina. População: 3,4 milhõe s de habitantes. Economia: a pecuár ia de bovinos e ovinos é o maior desta que. Perdeu na semifina l da Copa de 2010 para: Holanda.

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Revendo conteúdos

b) Qual foi a vegetação fotografada pelo grupo C? c) Qual grupo esteve na região em que se localiza Bogotá? Por que, nessa região, existe grande variação climática? d) Se os repórteres devessem escrever sobre a mineração colombiana, quais dois produtos de destaque dessa atividade naquele país eles deveriam pesquisar? Por quê?

2 Na Copa do Mundo de futebol de 2010, três países da América do Sul foram eliminados nas quartas de final e um foi semifinalista. Leia a seguir a ficha-resumo

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a) Qual desses países não tem saída para o mar? De que forma o Brasil está relacionado a essa situação? b) Por que o país 1 não manteve o desenvolvimento industrial obtido após sua independência? c) Que tipo de vegetação está relacionado à principal atividade econômica do país 2? d) O país 2 também apresentava altos níveis de desenvolvimento socioeconômico na primeira metade do século XX. Por que isso não se manteve?

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NORBERTO DUARTE/AFP/GETTY IMAGES

e) Um país que não é sul-americano e venceu nas quartas de final, foi metrópole dos países 1 e 2. Que país é esse? Qual é a relação desse fato histórico com a composição étnica da população dos países 1 e 2?

Leituras cartográficas

3 Observe o mapa abaixo e responda à questão.

a) Qual é a importância da Ponte da Amizade para a economia paraguaia?

VENEZUELA COLÔMBIA

b) Qual era a intenção do governo brasileiro ao construí-la?

GUIANA SURINAME GUIANA FRANCESA (FRA) EQUADOR

EQUADOR

d) Que tipo de problema o comércio de produtos contrabandeados e “piratas” gera na economia brasileira?

PERU BRASIL

5 Observe a tela e responda às questões.

BOLÍVIA

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

c) Por que tantas pessoas se deslocam do Brasil para fazer compras na cidade retratada na foto? Explique.

COLEÇÃO PARTICULAR, URUGUAI

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América do Sul: urbanização

PANAMÁ PANAM Á

Avenida comercial na Ciudad del Leste, ligada ao Brasil pela Ponte da Amizade (2010).

PARAGUAI

OCEANO

OCEANO

PACÍFICO URUGUAI CHILE

ATLÂNTICO

ARGENTINA

População urbana % da população total (2006)

N

Ilhas Falkland (RUN) Malvinas

780 km

21% - 40% 41% - 60% 61% - 80% Mais de 80%

Fonte: SMITH, Dan; BRAEIN, Ane. Atlas da situação mundial. São Paulo: Companhia Nacional, 2007. p. 28.

• Quais são os países mais urbanizados da América do Sul? Quais apresentam os menores percentuais de urbanização?

Explore

4 Observe a imagem e faça o que se pede.

Os tropeiros, tela de Adriana Raquel Ramos Capeci, natural de Paysandú, no Uruguai.

a) Que relação existe entre a cobertura vegetal predominante no Uruguai — retratada na tela — e a atividade econômica realizada? b) Reveja a figura 16 do Percurso 26 e indique as principais atividades econômicas em Paysandú, local de origem da pintora.

PERCURSO 26

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PERCURSO

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América Central Continental e Insular A América Central compreende dois conjuntos de unidades políticas que, segundo a localização geográfica, são classificados em América Central Continental, ou Ístmica, e América Central Insular (figura 23). A América Central Continental corresponde à estreita faixa de terras emersas — o istmo — que une a América do Norte à América do Sul, tendo a oeste o Oceano Pacífico e a leste o Mar do Caribe, ou Mar das Antilhas. Nessa porção situam-se sete países. Já a América Central Insular concentra os arquipélagos do Mar das Antilhas, que, por sua vez, formam três grupos: • Grandes Antilhas: compreendem arquipélagos e ilhas de maior dimensão, como Cuba, Ilha Hispaniola — onde se localizam o Haiti e a República Dominicana —, Porto Rico e Jamaica; • Pequenas Antilhas: abrangem várias ilhas de pequena dimensão, entre elas Anguilla, Antígua e Barbuda, Guadalupe e outras; • Bahamas: arquipélago com mais de 700 ilhas, ao norte e nordeste de Cuba. Na América Central Continental, todas as unidades políticas são independentes. Na América Central Insular, além de países independentes, existem territórios (ilhas ou arquipélagos) pertencentes ao Reino Unido, à França, aos Países Baixos e aos Estados Unidos, que são, na verdade, lembranças do colonialismo dos séculos anteriores.

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1 Os dois conjuntos de países e territórios dependentes

Figura 23. América Central: político – 2011 ESTADOS UNIDOS Golfo do México

AH AM Nassau A

OCEANO ATLÂNTICO

B

S Is. Caicos (RUN) Is. Turks (RUN)

TRÓPICO DE CÂNCER

PORTO RICO (EUA)

CUBA G

R A N D E S Is. Cayman JAMAICA

HAITI

Porto Príncipe

REPÚBLICA DOMINICANA

Santo Domingo

A N T I L H A S

Kingston

MÉXICO

PEQUEN

BELIZE Belmopan

MAR DAS ANTILHAS

GUATEMALA HONDURAS Guatemala

AS

HAS

Havana

IL

Cite uma ilha das Pequenas Antilhas pertencente à França e outra que pertence ao Reino Unido.

A

NT

I. Anguilla (RUN) ANTÍGUA E BARBUDA

SÃO CRISTÓVÃO E NÉVIS

GUADALUPE (FRA)

MARTINICA (FRA)

SANTA LÚCIA

SÃO VICENTE E GRANADINAS

DOMINICA

BARBADOS GRANADA

S HOLAND TILHA ES A AN S Aruba Curaçao Bonaire

TRINIDAD E TOBAGO

(MAR DO CARIBE)

Tegucigalpa

San Salvador

EL SALVADOR

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. p. 39.

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OCEANO PACÍFICO

N

NICARÁGUA Manágua

COSTA RICA

São José

Panamá

PANAMÁ

AMÉRICA DO SUL 430 km

76°O

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2 A América Central Continental Países, área e população A América Central Continental é formada por sete países: Guatemala, Belize (ex-Honduras Britânicas, independente em 1981), Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá. Juntos, somam 523.780 km² de área territorial — menor em cerca de 63.000 km² que o estado de Minas Gerais (586.528 km²). Veja a tabela. América Central Continental: área territorial e população – 2010 País

Área (km²)

População

Belize

22.966

300.000

Costa Rica

51.100

4.600.000

El Salvador

21.040

6.200.000

Guatemala

108.890

14.400.000

Honduras

112.090

7.600.000

Nicarágua

129.494

5.800.000

78.200

3.500.000

523.780

42.400.000

Panamá

TOTAL

Fontes: BONIFACE, Pascal (Org.). L’année stratégique 2009: analyses des enjeux internationaux. Paris: Dalloz/Iris, 2008; Banco Mundial. Disponível em: <www.worldbank.org>. Acesso em: 7 mar. 2011.

Relevo Figura 24. Vulcão Momotombo, a 1.297 metros acima do nível do mar, próximo à cidade de León, na Nicarágua (2009).

Dennis Cox/Alamy/Other Images

Do ponto de vista geológico, a América Central é resultado de colisões de várias placas tectônicas ocorridas há mais de 1 milhão de anos. Daí se entende por que é uma região montanhosa e com mais de 80 vulcões, muitos ainda em atividade, cujas erupções ao longo do tempo causaram inúmeras mortes e destruição (figura 24). Veja onde se concentram as maiores altitudes do relevo da América Central na figura 25.

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Figura 25. América Central: físico OCEANO Nassau

H AM

AS

PORTO RICO (EUA) REPÚBLICA DOMINICANA CUBA San Juan HAITI Santo Domingo Porto S G JAMAICA Príncipe A R Kingston L H A I T N S A A N D E S PEQUENA

Havana

N

N

TILHA

S

TRÓPICO DE CÂNCER

ATLÂNTICO

BA

Golfo do México

BELIZE Belmopan

MAR DAS ANTILHAS

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. p. 38.

OCEANO PACÍFICO

(MAR DO CARIBE)

NICARÁGUA Manágua São José COSTA RICA

Panamá

PANAMÁ 76°O

Altitudes e profundidades em metros 2.000 1.000 500 200 0 200 2.000 4.000

Canal

Pode-se distinguir dois alinhamentos de montanhas na América Central Continental. O primeiro se estende do sul do México até a Nicarágua, passando pelas terras da Guatemala e de Honduras. Essas montanhas, chamadas regionalmente de cordilheiras, formam planaltos elevados a oeste. O segundo alinhamento começa no sul da Nicarágua, atravessa a Costa Rica, o Panamá e chega à Colômbia, na América do Sul. Tanto o primeiro como o segundo alinhamento de montanhas dão origem a vales, que permitem a comunicação entre o litoral do Pacífico e o do Mar das Antilhas e por onde correm alguns rios. Entre esses cursos de água destacam-se: o Motágua, o Coco e o San Juan, escoadouro do Lago Nicarágua. Enquanto na fachada do Pacífico, devido à proximidade da cordilheira, as planícies litorâneas são estreitas — cerca de 50 quilômetros de largura, em média —, na fachada do Caribe elas são largas, pantanosas e com chuvas durante todo o ano.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

GUATEMALA HONDURAS Guatemala Tegucigalpa San Salvador EL SALVADOR

340 km

Clima e vegetação Em relação ao clima, a América Central Continental localiza-se totalmente na zona tropical, entre 7° e 18° de latitude norte. Entretanto, devido às altitudes de seu relevo, os tipos climáticos da região variam: nas baixas altitudes, aparece o clima tropical úmido; nas altitudes mais elevadas, tem-se clima temperado e até frio de alta montanha. Em virtude da variação de tipos de clima, há uma diversidade de formações vegetais, com ocorrência de floresta tropical, estepe e floresta de pinheiros. Calcula-se, porém, que mais da metade da floresta tropical já foi desmatada. A população fixou-se principalmente nas vertentes montanhosas voltadas para o Pacífico e nas suas planícies, devido ao clima mais favorável e aos solos férteis originários da atividade vulcânica.

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Antes da chegada dos conquistadores europeus, a América Central Continental era habitada por vários povos indígenas, entre eles os maias, que se concentravam principalmente nas terras que hoje constituem Guatemala, Honduras e Belize e a Península de Iucatã (México). Chamados de “gregos do novo mundo”, os maias dominavam técnicas avançadas de construção e concepções arquitetônicas arrojadas de templos, pirâmides, observatórios astronômicos, esculturas, pavimentação de ruas e estradas, campos de jogos etc. Conheciam a escrita pictórica e a matemática. O seu calendário era de extrema precisão. Com 365 dias, divididos em 18 meses de 20 dias, determinava o ritmo das estações, garantindo as boas colheitas dessa civilização agrária. Quando os europeus chegaram à América Central Continental, ficaram assombrados com tamanho conhecimento. No entanto, nessa época, a civilização maia já estava em declínio, o que facilitou a ocupação das terras e a escravização daqueles que sobreviveram à impiedosa conquista (figura 26).

Figura 26. Ruínas de Tikal, cidade maia localizada em Petén, região da atual Guatemala (2008). Foi um dos maiores centros populacionais e culturais dessa civilização pré-colombiana.

De colônias a países independentes Diferentemente das ilhas do Caribe, a América Central Continental não apresentou para os colonizadores espanhóis a possibilidade de ganhos ou riquezas. Enquanto nas ilhas do Caribe as plantações de cana-de-açúcar eram lucrativas, a parte continental ficou na posição periférica dos interesses da metrópole. Em virtude do não estabelecimento dos espanhóis nas terras do que hoje corresponde a Belize — ex-Honduras Britânicas —, piratas ingleses iniciaram, no começo do século XVIII, a extração do pau-brasil das florestas e sua comercialização na Europa. Assim, Belize é o único país da América Central Continental não colonizado por espanhóis. Com exceção das Honduras Britânicas, atual Belize, que obtiveram a independência em 1981, e do Panamá (figura 27), que apenas se formou como Estado independente em 1903, após se desmembrar da Colômbia com o apoio dos Estados Unidos — que aí desejavam construir o Canal do Panamá —, os demais países da América Central Continental se libertaram da Espanha entre 1821 e 1838, seguindo o processo de independência, na época, ocorrido em toda a América Latina.

Figura 27. Cidade do Panamá, localizada a nordeste da desembocadura do Canal do Panamá (2008). A capital do país era, em 2010, a cidade mais populosa da América Central Continental, com 1,3 milhão de habitantes.

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O período pré-colonial: os maias

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Figura 29. Área das Grandes e Pequenas Antilhas

A economia dos países da América Central Continental tem por base a agropecuária, com destaque para a produção de café, banana, açúcar, algodão, frutas tropicais e carne (figura 28). O principal parceiro comercial são os Estados Unidos, que recebem, em média, 50% das exportações desses países. Com exceção da Costa Rica — e de Cuba na América Central Insular —, os países apresentam precários indicadores sociais: mortalidade infantil de menores de 1 ano superior a 20‰, taxa de analfabetismo superior a 20% e baixo nível de escolarização.

3 A América Central Insular As Grandes e Pequenas Antilhas somam, juntas, 225.000 km² de área territorial, ou seja, são menores que o estado de São Paulo (248.209 km²). Desse total, 207.022 km² cabem às Grandes Antilhas (Cuba, Porto Rico, Jamaica e a Ilha Hispaniola, onde se situam o Haiti e a República Dominicana). Veja a figura 29.

8%

Condições naturais 92%

Grandes Antilhas Pequenas Antilhas

Fonte: organizado pelos autores.

Barlavento Corresponde à encosta voltada para o vento.

Sotavento

Michael Dwyer/Alamy/Other Images

Encosta oposta à de barlavento, ou seja, ao abrigo do vento.

As ilhas que formam as Antilhas correspondem a áreas ou pontos elevados de uma enorme cadeia de montanhas submarinas que se estende de leste a oeste, desde as Ilhas Virgens (localize-as na figura 23) até a América Central Continental. Além desse ramo, há outro que se inicia a leste de Porto Rico e descreve um grande arco, formando as Pequenas Antilhas. As cordilheiras da América Central Ístmica fazem parte desse conjunto montanhoso submarino, formado durante a era Cenozoica, no período Terciário — ou seja, são dobramentos modernos. Por isso, em geral, o relevo é montanhoso (figura 30). Localizadas em plena zona tropical, portanto em baixas latitudes, e submetidas à ação das correntes marítimas quentes e à dos ventos alísios, as ilhas têm em geral clima tropical, com temperaturas médias anuais ao nível do mar em torno de 26 °C. A precipitação, no entanto, varia: é maior nas encostas leste e nordeste das montanhas — a barlavento —, onde sopram os alísios que transportam a umidade; nas encostas oeste e sudoeste — a sotavento —, a umidade é menor, pois, quando os alísios ultrapassam a barreira montanhosa, já perderam grande parte de sua umidade. Em decorrência da distribuição irregular das chuvas, a vegetação original é diversificada. Surgem florestas tropicais nas áreas úmidas e vegetação rala e espinhosa, como savanas e estepes, nas menos úmidas.

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John Mitchell/Alamy/Other Images

Figura 28. Mulher separa grãos de café em fazenda próxima à cidade de Matagalpa, na Nicarágua (2008).

Economia e indicadores sociais

Figura 30. Vista de cultivos agrícolas e de relevo montanhoso no município de Constanza, situado a 1.283 metros acima do nível do mar, na República Dominicana (2010).

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A chegada dos europeus e a independência

Coleção particular/The StapletonCollection – The Bridgeman Art Library/Keystone

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Cristóvão Colombo, o primeiro europeu a chegar às Antilhas, fundou em 1496, na Ilha Hispaniola, o primeiro núcleo de povoamento europeu em nome da Espanha, o qual deu origem a São Domingos, a capital da República Dominicana. Em seguida aos espanhóis, as Antilhas receberam navegadores ingleses, franceses e holandeses — muitos deles piratas a serviço dos rivais da Espanha. Sem poder controlar o imenso arquipélago, a Espanha perdeu pouco a pouco o domínio dessas ilhas para ingleses, franceses e holandeses. Isso explica a diversidade de características culturais, políticas e sociais das Antilhas, segundo a metrópole colonizadora de cada ilha. No processo de conquista e colonização, os habitantes originais — aruaques, caraíbas, tainos e outros —, quando não foram mortos em confronto ou devido a doenças introduzidas pelo europeu, foram submetidos à escravidão nas atividades exploradoras de metais e pedras preciosas ou ainda nas plantações (figura 31). Os habitantes que sobreviveram ao extermínio se refugiaram nas zonas montanhosas. Data do período colonial a introdução de milhares de escravizados africanos no trabalho nas plantações (cana-de-açúcar, tabaco, algodão etc.). Daí se explica a grande participação dos afrodescendentes na população das Antilhas (na Jamaica, somam 75% da população total; no Haiti, 96%; em Trinidad e Tobago, 40%; além dos metiços em número significativo). A independência das colônias europeias nas Antilhas ocorreu em diversos momentos dos séculos XIX e XX. Apesar de os movimentos pré-independência terem surgido no início do século XIX no Haiti e na República Dominicana, e na segunda metade do século XIX em Cuba, esses países somente se libertaram formalmente no século XX, pois, além de lutarem contra as metrópoles espanhola e francesa, foram ocupados pelos Estados Unidos. No Haiti, essa ocupação permaneceu de 1915 a 1934, em Cuba, de 1899 a 1902, e na República Dominicana, de 1916 a 1924. Muitas ilhas das Antilhas ainda são territórios dependentes de Reino Unido, França, Países Baixos e Estados Unidos.

Figura 31. Plantação de cana-de-açúcar, Antilhas, século XIX, gravura de Paolo Fumagalli. Nas Antilhas, além da escravização dos habitantes originais, os colonizadores europeus utilizaram a mão de obra de inúmeros africanos submetidos à mesma condição. percurso 27

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População

Robert Harding World Imagery/Alamy/Other Images

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A população das Antilhas, em 2010, era de pouco mais de 42 milhões de habitantes. O país mais populoso é Cuba, com 11,2 milhões, seguido pela República Dominicana e pelo Haiti, ambos com cerca de 10 milhões de habitantes. Entre as cidades, as capitais desses países também são as mais populosas: Havana (Cuba) tem 2,2 milhões de habitantes; São Domingo (República Dominicana), 2,1 milhões (figura 32); e Porto Príncipe (Haiti), 1,9 milhão. Com exceção de Cuba, os indicadores sociais das Antilhas mostram que os países e os territórios que as compõem apresentam baixas condições de vida. A mortalidade infantil é de modo geral superior a 20‰, sendo que no Haiti esse número chega a 62‰ — nos países desenvolvidos, essa taxa é menor que 5‰. Além disso, a instabilidade política e o terremoto de 2010 (figura 33) têm marcado a história recente haitiana.

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Figura 32. Rua com restaurantes em São Domingo, capital da República Dominicana (2010).

Figura 33. Pessoas caminham pelas ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti, após o terremoto de janeiro de 2010.

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A base da economia antilhana é a agricultura, com destaque para a produção e exportação de cana-de-açúcar, banana, tabaco, algodão e café. A exceção fica a cargo de Jamaica e Trinidad e Tobago, que têm na bauxita e no petróleo, respectivamente, seus principais produtos de exportação. O desenvolvimento industrial limita-se à agroindústria açucareira e às indústrias de transformação de bens não duráveis (tecidos, roupas, calçados, alimentos etc.). Ao lado da agricultura, outras fontes de renda das Antilhas são o turismo e o setor financeiro (bancos). Com belas praias, a região tornou-se rota de cruzeiros marítimos, que aí desembarcam milhares de turistas todos os anos (figura 34). Em alguns arquipélagos, como Bahamas, Ilhas Cayman e Ilhas Virgens, o setor financeiro (bancos) é considerado um “paraíso fiscal”: não cobra taxas nem impostos dos depósitos bancários, permite a abertura de contas não identificadas e não se importa com a origem do dinheiro. Isso torna esses arquipélagos cobiçados por pessoas e empresas de várias partes do mundo que movimentam dinheiro de origem ilegal, como é o caso do narcotráfico, contrabando de armas e de mercadorias em geral, desvio de dinheiro público etc. Há tempos, essa prática tem sido condenada por organismos internacionais, que exigem maior controle do Estado sobre o sistema bancário.

Figura 34. Praia com turistas em Little Stirrup Cay, pequena ilha nas Bahamas (2008).

Amy Strycula/Alamy/Other Images

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Economia

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PERCURSO

Cuba

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1 País de terras baixas e clima tropical

Abrolho Forma de relevo submarino constituída por afloramentos de rocha, cobertos por poucos centímetros ou metros de água, que por vezes emergem formando ilhas.

Situado na entrada do Golfo do México, entre a Flórida (Estados Unidos), da qual dista apenas 170 km, e a Península de Iucatã (México), o arquipélago cubano, formado pela Ilha de Cuba, pela Ilha da Juventude e por cerca de 1.600 abrolhos e ilhas, é o maior das Antilhas (figura 35). Com 110.860 km² de área territorial, é pouco maior que o estado de Pernambuco (98.281 km²). Sua largura varia entre 30 e 200 km, e seu comprimento, de noroeste a sudeste, é de aproximadamente 1.250 km.

Figura 35. Cuba: físico ESTADOS UNIDOS

80°O

75°O

População 25°N

BAHAMAS

Guanabo

Minas de Matahambre

La Fé

Altitudes

Varadero Cárdenas Guanabacoa Sagua la Grande Jovellanos Cifuentes Colón Perico Santo Domingo Caibarién Artemisa a anában H San Cristóbal Rio Santa Clara CUBA Chambas Consolación del Sur Placetas Cienfuegos Cabaiguán Morón Pinar del Río Golfo de Juraguá Esmeralda Taguasco Batabanó Sancti Spíritus Baía dos Nueva Gerona Ciego de Ávila Porcos Nuevitas Céspedes Condado Santa Fé Florida Puerto Camagüey Padre Guáimaro Vertientes

Mariel Guanajay

Havana Marianao

Matanzas

Crucero Contramaestre

Ilha da Juventude

Guáimaro

1.000 metros 500 200 0 Estradas principais Jesús Menéndez

Las Tunas o

N

Rio Salad

(MAR DO CARIBE)

90 km

J. MARSHALL – TRIBALEYE IMAGES/ALAMY/OTHER IMAGES

CAYMAN (Ilhas)

Figura 36. Vista de relevo plano no Vale dos Engenhos, próximo à cidade de Trinidad, Cuba, com terras ocupadas pela agricultura (2009).

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Holguín

Cueto

Moa

Mayari uto Santa Cruz Baracoa Jiguani del Sur Bayamo San Luis El Salvador Manzanillo Palma Soriano Guantánamo Bartolomé Masó RA SA. MAEST Niquero Santiago PICO Base militar de Cuba de Guantánamo (EUA) TURQUINO 1.994 m 20°N

MAR DAS ANTILHAS

Mais de 1.000.000 Mais de 500.000 Mais de 100.000 Mais de 50.000 Mais de 10.000 Menos de 10.000

Rio Ca

Fontes: Capital: I’encyclopédie du monde. 6. ed. Paris: Nathan, 2005. p. 228; Enciclopédia do mundo contemporâneo. São Paulo: Publifolha/Rio de Janeiro: Terceiro Milênio, 2002. p. 234 (com complementação).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Golfo do México

Seu relevo é predominantemente plano (figura 36), formado por baixos planaltos e planícies aluviais de solo fértil. No sudeste do território surge a Sierra Maestra, onde se localiza o pico culminante da ilha, o Pico Turquino, com 1.994 metros de altitude. O clima cubano é tropical úmido, com temperatura média anual superior a 26° C e precipitação entre 1.200 e 2.000 milímetros anuais. A ilha está sujeita às grandes instabilidades climáticas que ocorrem no Caribe, como é o caso dos furacões. A vegetação da ilha foi intensamente devastada ao longo do seu processo de ocupação humana europeia, mas ainda há florestas tropicais e, nas áreas de maior altitude, pinheiros.

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Pausa para o cinema

De 1934 a 1958, o militar Fulgêncio Batista, com o apoio dos Estados Unidos, comandou Cuba. Embora tivesse presidido o país somente nos períodos de 1940 a 1944 e de 1952 a 1958, detinha o poder político e, de fato, governava o país: os presidentes ocupavam o cargo apenas nominalmente, subordinados a Fulgêncio Batista, que, em 1952, após um golpe de Estado, tornou-se ditador. Seu governo, violentamente repressivo e corrupto, representava os interesses estrangeiros e os das oligarquias nacionais. Nesse período, Havana, a capital, atraía milhares de turistas para suas praias, clubes noturnos, hotéis de luxo e cassinos (figura 37). Famílias ricas estadunidenses mantinham na ilha casas de veraneio, e empresas estrangeiras, principalmente estadunidenses e inglesas, dominavam os principais setores de produção (minas, produção açucareira, eletricidade, transportes, bancos, comércio exterior etc.), enquanto grande parcela da população vivia pobremente. Isso gerou um descontentamento popular em relação ao governo. Após a tentativa frustrada de derrubar o governo de Fulgêncio Batista em 1953, a revolução comandada por Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara tornou-se vitoriosa em 8 de janeiro de 1959, quando os revolucionários entraram em Havana e implantaram um novo governo (figura 38). Naquela data Fulgêncio Batista já tinha fugido para o exterior. Bettmann/Corbis/LatinStock

Che. Direção: Steven Soderbergh. França/ Espanha/Estados Unidos: Wild Bunch, 2008.

Ernesto Che Guevara, um jovem médico, é apresentado a Fidel Castro. Juntos, planejam a retomada de Cuba, país sob o domínio ditatorial de Fulgêncio Batista.

Figura 37. Mulheres e homens bem trajados em mesa de carteado num cassino de Havana, Cuba (1940).

Figura 38. Revolucionários cubanos liderados por Fidel Castro (de pé, no jipe, ao centro) e Camilo Cienfuegos (à esquerda de Castro) entram em Havana, em 8 de janeiro de 1959, após derrotarem as tropas do ditador Fulgêncio Batista.

AFP/Other Images

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2 Da Revolução Cubana aos novos rumos políticos

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O alinhamento com a União Soviética

Quem lê viaja mais

O novo governo, sob o comando de Fidel Castro, inicialmente nacionalizou várias empresas estrangeiras e realizou a reforma agrária. Tal orientação levou os Estados Unidos e os refugiados que haviam se instalado na Flórida após a revolução a organizarem a invasão da ilha. Em abril de 1961, com o apoio logístico da Força Aérea dos Estados Unidos, eles desembarcaram na chamada Baía dos Porcos, mas foram derrotados (figura 39).

PORTELA, Fernando; SILVA, José Herculano da. Três jovens brasileiros partem em viagem para Cuba na companhia de Dr. Preciado, um herói da Revolução Cubana, e descobrem um país de grande beleza natural e de aspectos sociopolíticos positivos e negativos.

Three Lions/Getty Images

Cuba em perspectiva. São Paulo: Ática, 2007.

Figura 39. Membros da milícia de Fidel Castro na montanha Escambry (1961), uma das áreas de Cuba onde ocorreram combates durante a tentativa de invasão da Baía dos Porcos por exilados cubanos apoiados pelos Estados Unidos.

Após romper relações diplomáticas com os Estados Unidos, em dezembro de 1961, Fidel Castro anunciou a adesão da revolução ao socialismo e o alinhamento com a União Soviética. Assim, Cuba, que fora durante muito tempo o “quintal” dos Estados Unidos, deixou de ser área de influência estadunidense e passou a gravitar em torno da União Soviética. Como o mundo vivia, nesse período, a Guerra Fria — a disputa por áreas de influência entre os Estados Unidos (capitalista) e a União Soviética (socialista) —, o governo estadunidense decretou, em 1962, o bloqueio econômico a Cuba (figura 40). Com o bloqueio, a ilha perdeu investimentos e o mercado dos Estados Unidos para suas importações. Diante disso, o comércio externo de Cuba dirigiu-se para o Leste Europeu (Alemanha Oriental, Polônia, Hungria e outros países que, na época, eram também socialistas) e para a União Soviética. Com a implantação do socialismo, as reformas econômicas se aprofundaram. As empresas industriais, comerciais, bancárias etc. e parte das terras agrícolas passaram ao controle do Estado.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Donald Nausbaum/Photographer’s Choice/Getty Images

A crise econômica

O fim da Guerra Fria, a desagregação da União Soviética e o colapso do socialismo real no Leste Europeu a partir de 1989 atingiram a economia cubana. Os principais parceiros comerciais da ilha, vivendo problemas internos, reduziram as compras de açúcar cubano e cortaram a ajuda militar e técnica que havia tempos vinham fornecendo. Ao deixar de receber entre 5 e 7 bilhões de dólares anuais da União Soviética, que também lhe fornecia petróleo a preço favorável e comprava açúcar, Cuba entrou na década de 1990 em uma profunda crise econômica. Entre 1991 e 1993 importou apenas um terço do petróleo de que necessitava, o que afetou até mesmo a colheita da cana-de-açúcar.

Figura 40. Pintura em muro de Havana, capital de Cuba, onde se lê “anti-imperialistas”, mensagem que expressa a oposição dos revolucionários cubanos à política externa dos Estados Unidos.

Nova parceria Com a eleição de Hugo Chávez para a presidência da Venezuela, em 1998, as dificuldades econômicas de Cuba diminuíram, principalmente quanto ao abastecimento de petróleo. Admirador de Fidel Castro e do socialismo cubano, o governo de Hugo Chávez estreitou as relações com a ilha e passou a abastecê-la de petróleo a preços baixos. Contratou também técnicos cubanos na área de saúde e educação e forneceu especialistas venezuelanos para a prospecção de petróleo em Cuba, além de realizar outros acordos com esse país.

As reformas recentes Hector Planes/Bloomberg/Getty Images

No início de 2008, após 49 anos no poder, Fidel Castro afastou-se do governo por problemas de saúde e foi substituído pelo irmão Raúl Castro, que o acompanhou desde a juventude (figura 41). O novo dirigente cubano iniciou algumas reformas no regime, entre elas a cessão de terras a agricultores — com o intuito de elevar a produção de alimentos e diminuir a dependência da importação —, uma nova política habitacional e a liberação de algumas atividades econômicas para a iniciativa privada. Além disso, buscou maior aproximação e intercâmbio com a Europa e a América do Sul. Figura 41. Havana, 24 de fevereiro de 2008: Raúl Castro, presidente de Cuba, vota durante seção da Assembleia Nacional Cubana, que lhe concedeu plenos poderes no cargo. percurso 28

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3 Os progressos sociais e as dificuldades econômicas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Kevin Foy/Alamy/Other Images

Robert Harding Picture Library/Alamy/Other Images

Figura 42. O turismo é uma atividade importante para a economia cubana. Na foto, edificações e piscinas do hotel Puntarena, em Varadero, estância balneária de Cuba (2008).

Os planos governamentais do socialismo cubano para o desenvolvimento da agricultura e para a industrialização não obtiveram sucesso. A economia depende ainda em larga proporção do turismo e das exportações de açúcar, tabaco (charutos) e níquel. Para contornar a crise da década de 1990, o governo, na época, abriu a economia aos investimentos estrangeiros no setor turístico e hoteleiro. Esse setor continua ativo atualmente e atrai mais de 400 mil turistas por ano, o que contribui para ajudar a debilitada economia cubana (figura 42). O acesso a bens de consumo em Cuba é restrito. Há muitas moradias modestas, a frota de veículos é bastante antiga e há problemas no transporte coletivo (figura 43). Em contraste com o aspecto material precário e a falta de liberdade política, Cuba realizou grandes avanços na educação e nos serviços de saúde, ambos gratuitos para toda a população. O país possui um sistema de saúde preventivo, e o governo criou a figura do médico de família, ou seja, um médico para um grupo de 120 famílias. A taxa de mortalidade infantil (5,0‰) é a mais baixa da América Latina, graças à eficiente assistência médica, hospitalar e alimentar — no Brasil, a taxa de mortalidade infantil, em 2010, foi de 22,0‰, e na Argentina, 13,0‰. A esperança de vida ao nascer é também elevada em Cuba (79,1 anos). Na educação, o ensino é obrigatório até o correspondente ao Ensino Médio brasileiro, e há muitos investimentos em pesquisas, principalmente na área de medicina.

Figura 43. Rua do centro de Havana, capital de Cuba, com carros antigos estacionados (2007).

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Outras rotas “Havana, a capital de Cuba, transpira animação. Com sua mistura um tanto surreal de colonialismo e comunismo, ela tem também um irresistível charme pré-revolucionário, da década de 1950. Com sua criatividade e espontaneidade, a cidade pode ser considerada a capital cultural do Caribe. E é também uma vitrine espetacular de arquitetura. Seu centro, Havana Vieja, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco por causa de suas mansões do século 18, fruto da riqueza trazida pelas esquadras de navios a caminho da Espanha. Mais tarde, grandes fortunas oriundas do açúcar e da escravidão inauguraram uma leva de edifícios lu­ xuosos, e praças com pavimento de pedra foram rodeadas por edifícios com elegantes adornos. No século 20, a moderna Havana ganhou efusivas expressões Art Déco, Beaux Arts e modernistas, com um toque tropical. Um projeto de restauração, hoje em sua terceira década e centrado em quatro praças antigas, continua a transformar edifícios históricos em hotéis, restaurantes e museus ecléticos, que vão do grandioso Museo de la Revolución ao esotérico e delicioso Museo de Naipes (Museu dos Baralhos), na Plaza Vieja. A cena artística de Havana é das melhores da América Latina. A grande tradição literária Adam Eastland/Alamy/Other Images

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Caleidoscópio cultural

de Cuba se mostra na Plaza de Armas, onde visitantes e moradores se juntam na feira de livros usados, e em bares como El Floridita e La Bodeguita del Medio [...]. As ruas antigas são cheias de galerias. A música e a dança, do sentimental son à animada salsa, são as correntes subterrâneas que animam a vida cubana. A alta cultura tem como emblema o Balé de Cuba […] Muitos dos lugares pouco mudaram desde a década de 1950, dando um vislumbre de uma era passada e fazendo com que os visitantes voltem sempre.” DOYLE, Craig. As melhores viagens das Américas. São Paulo: Publifolha, 2010. p. 38-39.

1. O caleidoscópio é um tubo cujo jogo interno de espelhos reflete a cada movimento diferentes combinações de cores ou formas; com base nisso, por que o texto leva o título “Caleidoscópio cultural”? 2. Na sua opinião, de que maneira a mistura de elementos culturais está presente no seu dia a dia ou no cotidiano da sua cidade?

Art Déco

Estilo decorativo caracterizado pelo uso de materiais novos e por uma acentuada geometria de formas aerodinâmicas, retilíneas, simétricas e ziguezagueantes.

Beaux Arts

Estilo arquitetônico originário da Escola de Belas Artes de Paris e influenciado pela arte greco-romana e renascentista; caracteriza-se pelo uso de ornamentos, colunas, estátuas, flores etc.

Son

Estilo de música originário de Cuba que mistura a guitarra espanhola aos ritmos e instrumentos de percussão africanos.

Sala dos Espelhos no Museu da Revolução, o mais importante de Cuba, localizado em Havana (2011).

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Atividades dos percursos 27 e 28 Revendo conteúdos

1 O mapa abaixo apresenta alguns erros. Observe-o e, depois, responda às questões.

d) ( ) O território cubano está sujeito a instabilidades climáticas que ocorrem no Caribe, como os furacões.

3 A maior parte da população da América Central Continental fixou-se nas vertentes montanhosas voltadas para o Pacífico porque essa área:

CÂNCER

PORTO RICO

CUBA HAITI

20ºN

MÉXICO ÉXICO

N

REPÚBLICA DOMINICANA

JAMAICA

420 km BELIZE GUATEMALA HONDURAS EL SALVADOR

América Central Continental

NICARÁGUA COSTA RICA PANAMÁ

10ºN

América Central Insular Grandes Antilhas Pequenas Antilhas Bahamas

80ºO

a) Ao indicar os países da América Central Continental e os países das Grandes Antilhas, três países foram coloridos de forma incorreta. Indique esses erros. b) Entre os países coloridos incorretamente, está o único país da América Central Continental não colonizado por espanhóis, mas sim por ingleses. Que país é esse? c) Qual é o nome da ilha onde se localizam o Haiti e a República Dominicana? d) Nos territórios atuais de quais países da América Central se desenvolveu a civilização maia?

2 Analise as afirmações a seguir sobre Cuba. Marque V (verdadeiro) ou F (falso) e corrija as afirmações falsas. a) ( ) No relevo de Cuba predominam elevadas altitudes.

a) não está ligada à atividade vulcânica e não apresenta abalos sísmicos. b) é rica em recursos minerais, base econômica desses países. c) apresenta solos férteis, resultantes da atividade vulcânica. d) é rica em planícies pantanosas, onde se pratica a pecuária extensiva no período da seca.

4 A América Central Continental, embora totalmente situada na zona tropical, apresenta climas temperados e frios porque: a) a Corrente de Humboldt, composta de águas frias, causa chuvas na sua fachada ocidental. b) Belize e Guatemala se localizam próximo ao Trópico de Câncer, apresentando fenômenos climáticos típicos da zona temperada, no norte de seus territórios. c) a proximidade da Cordilheira dos Andes e da Floresta Amazônica, na América do Sul, interfere na circulação das massas de ar e na umidade da região. d) parte do seu relevo é montanhosa e suas maiores altitudes resultam na existência desses tipos de climas. e) o efeito continentalidade predomina na definição dos tipos climáticos da região, devido à sua extensão territorial.

b) ( ) Na Sierra Maestra, no sudeste da Ilha de Cuba, localiza-se o ponto culminante da ilha, o Pico Turquino.

5 De que forma o fim da União Soviética e o

c) ( ) Os solos pouco férteis e a predominância de climas frios prejudicam as atividades agrícolas em Cuba.

colapso do socialismo real no Leste Europeu a partir de 1989 provocaram impacto na economia cubana?

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E TRÓPICO D

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Explore

Leituras cartográficas

6 Observe os mapas e responda às questões.

7 Leia o fragmento de texto e responda. “[…] Terremotos e erupções vulcânicas na faixa do Pacífico e furacões na zona atlântica constituem aspectos importantes de uma geografia das desgraças. Em 1541, Santiago de Guatemala sofre sua primeira destruição; León, na Nicarágua, é mudada de lugar em 1610 para escapar a tremores e erupções; em 1773, a magnífica arquitetura de Santiago de Guatemala rui [...]; Manágua sucumbe em 1931 e 1972. […] A lista seria interminável. Conviver com terremotos e vulcões é parte indissolvível da vida na América Central […]”

Figura A. Bahamas, Grandes e Pequenas Antilhas: uso da terra e principais atividades agropecuárias 70ºO

AMÉRICA DO NORTE TR

BAHAMAS

O AN OCE

O TIC ÂN ATL Ilha

Cana-de-açúcar Tabaco Pastagem Área de cultivo Floresta

Bovinos Banana Café Pesca Frutos do mar

ena

qu

Uso da terra e agropecuária

I CAR

Pe

DO MAR

s de Barlaven to

as

Ilha

Ilhas Cayman

360 km o

s

Camagüey

PORTO RICO Santiago Santo de Cuba HAITI Porto Domingo Príncipe JAMAICA Kingston BE

Grandes Antilh

s Antilha

CUBA

sd eS

n to ve ta

REPÚBLICA San DOMINICANA Juan

Havana

BARBADOS

TOBAGO TRINIDAD

AMÉRICA DO SUL

BRIGNOLI, Héctor Pérez. América Central: da colônia à crise atual. São Paulo: Brasiliense, 1983. p. 9.

Fonte: Dorling Kindersley. Atlas mundial: o atlas para o século XXI. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1999. p. 80.

• Explique por que existem vulcões e ocorrem terremotos na América Central.

Figura B. Bahamas, Grandes e Pequenas Antilhas: principais segmentos industriais 70ºO

N

AMÉRICA DO NORTE

OD

PIC

TRÓ

OCE

BAHAMAS

San Juan

REPÚBLICA DOMINICANA

de S

Porto Príncipe

A DO C

RIBE

Refinação de açúcar

Mineração

Turismo

Refinação do petróleo

Maiores áreas industriais

Pe

qu

MAR

Santo Domingo

s de Barlaven to

Santiago es A de Cuba ntil has JAMAICA Kingston Ilhas Cayman

PORTO RICO

360 km

Indicadores sociais – 2010

o

Ilha

HAITI

s Antilha

s

Camagüey

Grand

Indústrias principais Indústria da pesca

Ilha s

ena

CUBA

ICO NT TLÂ A O

to

Havana

AN

8 Com base nos dados da tabela e em seus conhecimentos, responda às questões.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

N

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ÂN

EC

OD

ÓPIC

BARBADOS

AMÉRICA DO SUL

Fonte: Dorling Kindersley. Atlas mundial: o atlas para o século XXI. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1999. p. 81.

a) Cite as principais atividades agropecuárias desenvolvidas no território cubano. b) Onde estão localizadas as principais concentrações industriais da região? c) Existe uma atividade econômica do setor terciário da economia comum a quase todos os países das Grandes e Pequenas Antilhas. Identifique-a na figura B.

Expectativa de vida média (em anos)

Mortalidade infantil de menores de 1 ano (‰)

I

5,0

0,2

79,1

II

62,0

37,9

61,6

TOBAGO

TRINIDAD

Taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais (%)

País (América Central)

Fonte: Banco Mundial. Disponível em: <www.worldbank.org>. Acesso em: 7 mar. 2011.

a) Qual país da tabela apresenta melhores condições de vida? Explique e indique o seu nome. b) O país II tem a pior taxa de mortalidade infantil de toda a América e em 2010 foi atingido por um terremoto de sete pontos na escala Richter. Qual é o nome desse país?

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Desembarque e os pintores do Lago Atitlán (Guatemala)

A

natureza e o ambiente cultural são considerados fontes inspiradoras na obra de muitos artistas. Não é diferente para os pintores do Lago Atitlán, na Guatemala, cuja principal inspiração é o contexto geográfico único e o cotidiano das pessoas que ali vivem em aldeias. Um dos mais importantes pintores da Guatemala foi Juan Sisay, que nasceu em 1921, no vilarejo de Santiago de Atitlán. Embora, como outros, tenha recebido pouca instrução técnica sobre a arte da pintura, Juan Sisay desenvolveu um estilo pessoal e inconfundível e ganhou prêmios por suas pinturas em várias partes do mundo.

Arte Maya Tz’utuhil

Juan Sisay

em outras linguagens

Cortando café (2009), de Mario Gonzalez Chavajay.

Inspirações e influências Os pintores do Lago Atitlán, como ficaram conhecidos internacionalmente, inspiraram-se no contexto sociogeográfico ao compor suas obras. Juan Sisay, o pioneiro e mais famoso deles, mostrou-se extremamente talentoso ao representar de maneira inovadora e singela o mundo que o rodeava. Além do lago, as pinturas de Sisay retratam cenas familiares, cerimônias religiosas e atividades econômicas típicas daquela região, como a agricultura e a pesca. O uso de cores vivas, que enfeitam as vestes tradicionais, expressa a influência da cultura maia.

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UMA VIDA NA ARTE – JUAN SISAY

Décadas de 1930 e 1940 trabalhou para ajudar a família e não frequentou escolas de pintura; assim, desenvolveu e aperfeiçoou a própria técnica.

Décadas de 1960 e 1970 percebe-se notável evolução de sua técnica, comprovada em telas como Cofrade, de 1960.

Década 1950 começou a pintar com maior frequência.

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Arte Maya Tz’utuhil

Arte Maya Tz’utuhil Arte Maya Tz’utuhil

Atol Matz (1960), de Juan Sisay.

Cofrade (1960), de Juan Sisay.

Caixa de informações El Pescador (2006), de Juan Fermin Gonzalez Morales.

1. Quais características temáticas e estilísticas marcam o trabalho de Juan Sisay e dos demais pintores do Lago Atitlán? 2. Quais elementos dessas obras evidenciam a ascendência ét­- nico-cultural predominante das personagens retratadas?

Década de 1990

Interprete

aprendizes e outros pintores de Santiago de Atitlán, como Juan Fermin Gonzáles Morales e Mário Gonzáles Chavay, deram continuidade ao legado do pintor, reproduzindo seu estilo.

3. O que torna a pintura realizada na região do Lago Atitlán única no mundo?

Mãos à obra

1989

Década de 2000

foi assassinado depois de expor uma tela sobre o massacre da população indígena pelo governo militar guatemalteco.

tem-se tentado resgatar as obras de Sisay entre admiradores e compradores, em acervos particulares.

4. Pinte em uma folha de papel algo que represente o local onde você mora. Assim como Sisay, inspire-se nas cores, nos costumes e na paisagem de sua região. Depois, apresente seu trabalho para a sala e explique no que se inspirou para fazê-lo.

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Melhem Adas Bacharel e licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor do Ensino Fundamental, Médio e Superior da rede pública e em escolas privadas do estado de São Paulo.

Sérgio Adas Bacharel e licenciado em Filosofia, doutor em Geografia Humana e pós-doutor em Educação pela Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da Universidade de São Paulo.

Expedições geográficas

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© Melhem Adas, Sérgio Adas, 2011

Coordenação editorial: Fernando Vedovate, Wagner Nicaretta Edição de texto: Wagner Nicaretta, Ana Carolina F. Muniz, Daiane Ciriáco, Cesar Brumini Dellore, Carochinha Produção Editorial Assistência editorial: Angélica Campos Nakamura, Flavio Manzatto de Souza, Magna Reimberg Teobaldo, Bárbara Berges Preparação de texto: Carochinha Produção Editorial Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico: A+ Comunicação Capa: Everson de Paula Fotos: Telefone celular © Bernhard Lang/dpa/Corbis/Latinstock; Cidade de Ghadames, Líbia © Bashar Shglila/Getty Images Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Maria Lucia F. Couto Edição de arte: Alexandre Lugó Ayres Neto Assistência de produção: Marcia Nascimento Edição de infografia: William Hiroshi Taciro (coordenação), Angélica Campos Nakamura, Cesar Brumini Dellore, Daniela Máximo, Fernanda Fencz, Mauro César C. Brosso Ilustrações: Alex Affonso, André Toma, Breno Girafa, Cássio Bittencourt, Pedro Hamdan, Pianofuzz, Mário Kanno, Vagner Vargas Cartografia: Alessandro Passos da Costa, Anderson de Andrade Pimentel, Fernando José Ferreira Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero Revisão: Viviane T. Mendes Pesquisa iconográfica: Camila D’Angelo, Carol Böck, Fernanda Siwiec, Camila Soufer, Evelyn Torrecilla, Monica de Souza As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de bureau: Américo Jesus Tratamento de imagens: Bureau São Paulo, Fabio N. Precendo, Pix Art, Rodrigo Fragoso Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Helio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Adas, Melhem Expedições geográficas, 9o ano / Melhem Adas, Sérgio Adas. — 1. ed. — São Paulo : Moderna, 2011.

Bibliografia.

1. Geografia – (Ensino fundamental) I. Adas, Sérgio. II. Título.

11-05520

CDD-372.891 Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia: Ensino fundamental

372.891

ISBN 978-85-16-07135-6 (LA) ISBN 978-85-16-07136-3 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2013 Impresso na China 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação Caro estudante,

Você já parou para pensar em sua conquista por estar no 9o ano? É isso mesmo! E para comemorá-la, como bons viajantes, que tal renovarmos energias para seguirmos em frente? Ao consultar o sumário, observe que, no ano letivo que se inicia, nosso destino será a unidade e a diversidade do mundo global. Na companhia de seu professor e das várias seções deste livro, você descobrirá novos percursos do conhecimento geográfico. Aprenderá mais sobre a forma como as comunidades e sociedades vivem na Terra e como deixam suas marcas no espaço geográfico. Entre suas marcas, poderemos visualizar espaços geográficos desenvolvidos, alguns a caminho do desenvolvimento e outros menos avançados, do ponto de vista econômico, científico e tecnológico. Como horizonte, portanto, este livro busca inspirá-lo a perceber as relações entre o seu cotidiano e o mundo. Nossa expectativa é a de motivá-lo a adotar como prática atitudes de reflexão, responsabilidade e participação diante dos fatos e dos problemas estudados pela Geografia. Como somos companheiros de viagem, vale uma dica: a Geografia é uma ferramenta de leitura e interpretação da realidade! E, por meio dela, você poderá enxergar problemas conhecidos, como as desigualdades socioeconômicas entre diferentes Estados e regiões do mundo global. Dito isso, está feito o convite: embarque nas Expedições Geográficas deste livro como cidadão do mundo, e, à medida que passar a conhecê-lo ainda mais, busque contribuir para a construção de um mundo melhor. Os autores

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Conhecendo o r v i l o d s o s r u c os re organização do livro A coleção Expedições Geográficas possui uma organização regular, planejada para facilitar o trabalho em sala de aula. É dividida em oito Expedições (unidades), cada uma com quatro Percursos (capítulos), totalizando 32 Percursos.

Abertura de Expedição Por meio da exploração de um infográfico ou um jogo de imagens e um texto introdutório, a abertura da Expedição apresenta o que será tratado nos quatro Percursos seguintes.

Aquecendo A minisseção Aquecendo vai sondar seus conhecimentos prévios e estimular o interesse nas temáticas abordadas ao longo da Expedição.

Percurso Os Percursos apresentam conteúdos organizados de forma clara, em títulos e subtítulos que facilitam a compreensão dos temas. As informações são apresentadas por meio de diferentes linguagens, mesclando textos, mapas, gráficos, tabelas, ilustrações e fotos. As atividades direcionam a observação e a interpretação desses elementos.

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Seções laterais Sugerem livros, vídeos e sites que ajudam a aprofundar e complementar o estudo, além de ser um ótimo entretenimento. Glossário Apresenta o significado de termos pouco comuns ou desconhecidos.

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Estações Apresentam textos de revistas, jornais, livros e sites, que desenvolvem os temas transversais e complementam o conteúdo do Percurso. Dividem-se em quatro tipos: Estação Socioambiental, Estação Cidadania, Estação História e Estação Ciências. As atividades promovem a reflexão e estimulam o debate.

Estação Socioambiental Aborda temas sociais e ambientais e desenvolve a compreensão das relações entre espaço geográfico, sociedade e ambiente.

Estação História Trata dos aspectos históricos de um determinado tema para enriquecer seu estudo. O texto, com as atividades, busca reforçar as relações entre espaço geográfico e tempo histórico.

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Estação Cidadania Traz textos que possibilitam refletir e assumir uma posição diante de problemas ligados à realidade e discutir medidas e soluções.

Estação Ciências Por meio dos textos dessa estação, você vai refletir sobre o papel da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento da sociedade.

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Infográfico Os infográficos podem aparecer tanto na abertura como no meio de um Percurso. Eles são ótimos recursos gráfico-visuais por integrarem imagem, gráfico e texto, apresentando dados e informações de maneira sintetizada. Sempre vêm acompanhados de questões relevantes sobre o que foi proposto.

Seções de fechamento de Percurso Essas seções procuram ampliar, por meio de textos e atividades, o seu repertório cultural e o conhecimento de técnicas e procedimentos utilizados na Geografia. São três seções diferentes: Bagagem de ferramentas, Outras rotas e Encontros.

Bagagem de ferramentas Aqui são apresentados procedimentos específicos da Geografia e técnicas de estudo e pesquisa que permitem aprimorar o trabalho individual e em grupo.

Outras rotas Essa seção possibilita conhecer lugares diferentes, que tenham significado religioso, cultural, arquitetônico etc., ampliando os horizontes culturais.

Encontros Apresenta aspectos do cotidiano de diferentes povos, etnias ou personagens, privilegiando a diversidade étnica cultural. Propõe uma reflexão sobre a importância da diversidade e do respeito à diferença.

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Atividades As atividades sempre aparecem em páginas duplas no final dos Percursos pares. Visam à releitura e revisão dos conteúdos, à aplicação dos conhecimentos adquiridos, à interpretação de mapas, gráficos, tabelas, textos e estimulam a reflexão a respeito do que foi estudado. São divididas em cinco subseções. Explore Atividades que exploram diferentes linguagens, como textos, imagens, tabelas, gráficos, charges etc.

Revendo conteúdos São atividades de releitura e revisão de conteúdos. Frequentemente apresenta questões diretas e lúdicas, como palavras cruzadas, situações-problema, enigmas e caça-palavras. Leituras cartográficas Atividades envolvendo a linguagem cartográfica. Estimulam a habilidade de leitura e interpretação de mapas, que podem estar associados a gráficos, tabelas, perfis etc.

Investigue Propõe pesquisas individuais ou em grupo para aprofundar o que foi estudado.

Pratique Propõe uma atividade que exige execução de procedimentos, como elaboração de mapas, desenhos ou croquis.

Desembarque em outras linguagens É uma seção que fecha as Expedições ímpares. Apresenta o trabalho de artistas e outras personalidades por meio de temas ligados ao conteúdo estudado. A abordagem é interdisciplinar e as linguagens são variadas, geralmente ligadas às artes e à literatura.

Apresenta uma linha do tempo biográfica do artista ou uma síntese de suas obras. Apresenta a expressão artística ou a linguagem que o artista representa.

Breve apresentação da personalidade tratada e seu trabalho. Caixa de informações e Interprete Atividades de releitura e interpretação que estimulam a compreensão do assunto. As informações são interpretadas e relacionadas com a Geografia.

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Mãos à obra Essa seção possibilita pôr em prática a linguagem apresentada.

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Sumário PE TE CK RT URN STO LEY/CORBIS/LATIN

EXPEDIÇÃO 1 Mundo global: geopolítica e organizações internacionais, 12 Percurso 1. Do mundo multipolar para o bipolar da Guerra Fria

14

O mundo multipolar e as guerras mundiais do século XX, 14 • Mundo bipolar: da escalada ao fim da Guerra Fria (1947-1989), 17

Percurso 2. A Nova Ordem Mundial e os Estados Unidos Os Estados Unidos e o mundo unipolar, 24 • A política unilateral da hiperpotência, 24 • O terrorismo e o “11 de setembro”, 25 • O terrorismo e a contrapartida dos Estados Unidos, 26 Bagagem de ferramentas – Como representar fenômenos quantitativos em um mapa político Atividades dos percursos 1 e 2

Percurso 3. Organizações internacionais mundiais

24

31 32

34

A ONU: origens e objetivos, 34 • Fundo Monetário Internacional , 38 • O Banco Mundial, 38 • A OMC, 39 • Organizações internacionais privadas e não governamentais, 39

Percurso 4. Organizações internacionais regionais Organizações internacionais regionais, 40 • Alianças culturais: principais OIs regionais, 41 • Segurança e defesa: principais OIs regionais, 42 • Economia e comércio: principais OIs regionais, 43 Atividades dos percursos 3 e 4 Desembarque em outras linguagens – Angeli: mais que desenhos, uma visão de mundo

40

46 48

PE DR OU ES AG GAR TE/AFP/GETTY IM

EXPEDIÇÃO 2 Mundo global: população e desafios globais, 50 Percurso 5. População mundial: ritmo de crescimento, desigualdade e migrações

Percurso 6. População mundial: cidades e consumo

60

O crescimento da população urbana e as megacidades, 60 • Cidades e hábitos de consumo mundializados, 61 • As cidades globais, 62 • Turismo e consumo dos lugares, 63 Atividades dos percursos 5 e 6

64

Percurso 7. Mundo: principais religiões

66

Introdução, 66 • Cristãos e islâmicos, 67 • O hinduísmo, 70 Outras rotas – A Cidade Velha de Jerusalém, Israel

Percurso 8. Desafios humanos da ONU e de todos nós num mundo global Direitos humanos: ontem e hoje, 74 • Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), 76 • A epidemia de Aids na África Subsaariana, 77 • A geografia do crime internacional, 79 Atividades dos percursos 7 e 8

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52

A distribuição da população mundial, 52 • O crescimento da população mundial, 53 • Populações: perfil interno e disparidades, 55 • As migrações internacionais, 56

73 74

82

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ExpEdição 3 Europa: diversidade e integração, 84 eb ilD r he Ag ot ent ur gmbh/AlAmy/

im Ag es

l itA Dig ine F1onl

percurso 9. Europa: meio natural

86

Europa: continente ou península da Ásia?, 86

percurso 10. Europa: aspectos populacionais O crescimento demográfico, 92 • Encontros – Sami, um povo indígena único na Europa, 95 Atividades dos percursos 9 e 10

percurso 11. A construção da União Europeia Etapas da formação de uma potência econômica, 98 Outras rotas – Montanhas e música

percurso 12. A economia europeia União Europeia: poderoso bloco econômico, 104 • A “outra Europa”, 109 Atividades dos percursos 11 e 12 Desembarque em outras linguagens – A arte na calçada de Julian Beever

92 96 98 103 104 112 114

ExpEdição 4 CEi e Europa oriental, 116

AP Ph oto /glo WimAges

percurso 13. Do Império Russo à CEI

y/ sk At luk eFrem

percurso 14. A Comunidade dos Estados Independentes A CEI, 124 • CEI: área territorial, população e povos, 124 • Conflitos territoriais e de nacionalidades, 127 Atividades dos percursos 13 e 14

percurso 15. CEI: economia A integração econômica regional, 132 • As desigualdades econômicas, 133 • O cerco energético russo, 135 Bagagem de ferramentas – Como ler e compreender um texto

percurso 16. Europa Oriental: países ex-socialistas A implantação do socialismo, 138 • O fim do socialismo no Leste Europeu, 139 Atividades dos percursos 15 e 16

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118

Do Império Russo à URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), 118 • A economia soviética, 120 • Da União Soviética à CEI, 122

124 130 132 137 138 144

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Xi nh ua

k oc Pre ss/Corbis/LatinSt

Expedição 5 As grandes economias da Ásia , 146

/ ua inH i/X y i X Tao

Percurso 17. Ásia: continente de diversidade física e cultural A diversidade natural, 148 • População, 153 Outras rotas – A Terra das Neves

Percurso 18. O Japão e os Tigres Asiáticos Japão: país marítimo e potência mundial, 156 • A Era Meiji e a economia japonesa hoje, 159 • Os Tigres Asiáticos, 161 Atividades dos percursos 17 e 18

Percurso 19. China: o dragão asiático

148 155 156 166 168

Por que dragão asiático?, 168 • Localização e divisão administrativa, 168 • A população chinesa, 169 • A economia chinesa depois da revolução socialista, 171 • China: potência do século XXI?, 173 • Problemas atuais da sociedade chinesa, 174 177 Encontros – Apelo pelos uigures: habitantes do Xinjiang

Percurso 20. Índia: o país das diversidades De colônia britânica a país independente, 178 • A população indiana, 179 • Conflitos étnico-culturais e fronteiriços, 181 • A economia indiana, 182 Atividades dos percursos 19 e 20 Desembarque em outras linguagens – O jardim japonês de Shunmyo Masuno

178 186 188

Expedição 6 Oriente Médio, 190

&

TR IP/ s Ala my/Other Image

Percurso 21. Oriente Médio: aspectos físicos e humanos gerais

s or ct ire Art D

192

Oriente Médio: uma visão eurocêntrica, 192 • Localização geográfica, 192 • Aspectos físicos, 193 • População: traços políticos, étnicos e culturais, 195 • Abundância de petróleo e escassez de terras férteis e água, 197

Percurso 22. O Oriente Médio e o petróleo Golfo Pérsico: o “golfo do petróleo”, 200 Atividades dos percursos 21 e 22

Percurso 23. Israel e Palestina

200 204 206

Antecedentes históricos, 206 • A criação do Estado de Israel, 208 • O radicalismo obstrui a paz, 209

Percurso 24. Os conflitos árabe-israelenses Seis décadas sem paz, 210 Bagagem de ferramentas – Como ler uma imagem de satélite Atividades dos percursos 23 e 24

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210 213 214

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Expedição 7 África: heranças, conflitos e diversidades, 216 seb astião salgado

Percurso 25. África: o meio natural

218

Extensão e localização, 218 • Relevo e hidrografia, 219 • Clima, 221 • A vegetação natural e a ação antrópica, 222

Percurso 26. A África e o imperialismo europeu O início da apropriação de territórios pelos europeus, 224 • A apropriação do território, 225 • O impacto do neocolonialismo na África, 227 • O racismo: outro legado do colonialismo, 228 • A descolonização africana, 230 Outras rotas – Uma peregrinação africana Atividades dos percursos 25 e 26

Percurso 27. África: população, regionalização e economia África: o segundo continente mais populoso, 234 • A distribuição da população, 234 • A regionalização com base no critério étnico ou cultural, 236 • A regionalização com base na economia, 238 Bagagem de ferramentas – Como interpretar uma anamorfose

Percurso 28. A África no início do século XXI Um continente fragilizado, 244 Atividades dos percursos 27 e 28 Desembarque em outras linguagens – A África vista pela lente de Sebastião Salgado

224

231 232 234

243 244 250 252

Mi ch el

k oc St Set boun/C rbis/Latin o

Expedição 8 Oceania e regiões polares, 254 Percurso 29. Oceania

256

Oceania: um continente insular, 256 • Problemas ambientais nas ilhas oceânicas, 260

Percurso 30. Austrália e Nova Zelândia Austrália e Nova Zelândia: conquista e colonização, 262 • Austrália, 265 • Nova Zelândia, 270 • Reparação aos povos nativos, 273 Atividades dos percursos 29 e 30

Percurso 31. Ártico

262 274 276

O que é o Ártico?, 276 • Desvendando o Ártico, 278 • Os povos do frio, 278 • O Ártico: alterações em curso, 281

Percurso 32. Antártida

284

Aspectos físicos gerais, 284 • As primeiras expedições, 286 • O Brasil na Antártida, 288 Atividades dos percursos 31 e 32 290 Bibliografia

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eXpeDIÇÃo

1

: l a b o l g o d Mun geopolítica e s e õ ç a z i n a org s i a n o i c a n r e t in

Prepare-se para embarcar numa viagem no tempo pela segunda metade do século XX. Nela, você verá que antes da Segunda Guerra Mundial o mundo vivia uma ordem mundial multipolar e, após o conflito, passou para uma ordem bipolar e marcada pela Guerra Fria (1947-1989), resultante do confronto entre Estados Unidos e União Soviética. Com o fim da União Soviética e a crise do socialismo real, o mundo assistiu à hegemonia dos Estados Unidos. Em meio a tantos acontecimentos, organizações internacionais mundiais e regionais foram criadas com o intuito de regular as relações entre os países. Ao estudar esses fatos, você terá uma melhor compreensão do mundo atual.

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1

Do mundo multipolar para o bipolar da Guerra Fria

2

A Nova Ordem Mundial e os Estados Unidos

3

Organizações internacionais mundiais

4

Shen Hong/Xinhua Press/Corbis/Latinstock

Percursos

Organizações internacionais regionais

Aquecendo 1 Em sua opinião, há equilíbrio entre a influência política e econômica dos países, em escala regional e global? Justifique com exemplos.

Representantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, reunidos em debate aberto, para discutir sobre a situação na Somália, em Nova York, Estados Unidos (2011).

2 Cite alguns motivos que podem levar ao surgimento de conflitos e divergências entre países. 3 Relacione a foto desta página com a resolução de conflitos internacionais.

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1 Hegemonia Supremacia, superioridade (cultural, econômica ou militar) ou influência preponderante exercida por cidade, povo, país etc.

Topical Press Agency/Getty Images

Figura 1. Reunião de representantes de países envolvidos na Primeira Guerra Mundial, no Palácio de Versalhes, próximo a Paris (França), em 10 de novembro de 1918, um dia antes da rendição alemã. Ao assinar esse tratado, os alemães foram obrigados a reduzir seu poderio bélico, ceder minas de carvão, restituir territórios conquistados, ceder colônias, submarinos e navios mercantes, além de pagar uma indenização de 33 bilhões de dólares.

14

Do mundo multipolar para o bipolar da Guerra Fria 1 O mundo multipolar e as guerras mundiais do século XX Entre meados do século XIX e o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), vários Estados disputavam a hegemonia mundial. Nesse cenário, Reino Unido e França (países industriais europeus que tinham se consolidado como potências imperialistas), Alemanha, Japão, Estados Unidos e Rússia competiam pela ampliação de mercados compradores de seus produtos industrializados e fontes de matérias-primas para suas indústrias. Assim, prevalecia a chamada ordem mundial multipolar, ou seja, havia distintos polos ou centros de poder no cenário internacional. A partir de agora, você vai conhecer os principais fatos e acontecimentos que marcaram esse período e de que forma eles levaram à chamada Guerra Fria — quando a ordem mundial tornou-se bipolar.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) resultou de um conjunto de acontecimentos relacionados à disputa por mercados entre potências industriais, que, organizadas em alianças políticas e militares, buscaram defender seus interesses econômicos e ampliar sua influência política, cultural e militar no mundo. De um lado, a guerra contou com a Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia) e, de outro, com a Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e o Império Austro-Húngaro), que acabou derrotada. Em novembro de 1917, a Rússia abandonou a guerra, após a revolução socialista, e, depois de uma guerra civil, adotou em 1922 o nome de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) — assuntos que você estudará no Percurso 13. Os Estados Unidos, por sua vez, entraram na guerra em 1917 e, com enorme poderio bélico, tiveram papel decisivo na vitória da Tríplice Entente (figura 1).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

percurso

EXPEDIÇÃO 1

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A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) Em 1929, quando a economia mundial ainda era dominada pelas disputas imperialistas, o mundo foi surpreendido pela crise econômica provocada pela quebra da bolsa de valores de Nova York. Até então, os Estados Unidos tinham financiado e fornecido produtos às principais nações europeias atingidas pelos conflitos da Primeira Guerra Mundial. Na Alemanha e na Itália, em particular, o fim dos investimentos estadunidenses decorrentes da Crise de 1929 ocasionou o fechamento de inúmeras indústrias, agravando ainda mais o desemprego e o empobrecimento da classe média e das classes trabalhadoras. Esse cenário facilitou a ascensão do nazismo na Alemanha e do fascismo na Itália, que prometiam às suas populações melhores dias e um Estado forte e respeitado. Nesse contexto, ao qual ainda se somavam questões mal resolvidas pelos tratados de paz estabelecidos após a Primeira Guerra Mundial, eclodiu a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O confronto se deu entre duas grandes coalizões militares (figura 2): os Aliados (Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética) e o Eixo (Itália, Alemanha e Japão).

Bolsa de valores Instituição em que se negociam ações e títulos, ou seja, documentos que certificam a propriedade de um bem ou valor.

Nazismo Movimento imperialista e belicista (de guerra) cuja doutrina apoiava-se na pretensa superioridade da raça ariana, da qual se afirmava descenderem os alemães, justificando-se a perseguição a grupos e etnias considerados inferiores.

Fascismo Sistema político nacionalista e antidemocrático liderado por Benito Mussolini, na Itália, de 1922 a 1943.

Figura 2. A marcha da Segunda Guerra Mundial – 1943 CÍRCUL O

Países aliados Países neutros Países do Eixo Países aliados ao Eixo Territórios ocupados pelo Eixo URSS

POLAR ÁRTICO

Vipuri Leningrado O

AR

DINAMARCA

M

GRÃ-BRETANHA

Londres

LETÔNIA

URSS

nHOLANDA Berlim Ma Varsóvia Canal da Dunquerque POLÔNIA BÉLGICA ALEMANHA Paris TCHECOSLOVÁQUIA

Stalingrado

FRANÇA

42ºN

Moscou

LITUÂNIA

Dantzig

ch a

IRLANDA

ESTÔNIA

BÁL TIC

MAR DO NORTE

OCEANO ATLÂNTICO

FINLÂNDIA

SUÉCIA

NORUEGA

Vichy

SUÍÇA Laibach

Zagreb Belgrado

ROMÊNIA

ESPANHA

BULGÁRIA

ITÁLIA

ALBÂNIA Salonica

MA R TUNÍSIA

TURQUIA

GRÉCIA

ARGÉLIA MARROCOS

CÁSPIO

Crimeia

MAR NEGRO

IUGOSLÁVIA

PORTUGAL

MAR

MAR DE AZOV

HUNGRIA

Creta ME DITE RRÂNEO Tobruck

N

350 km 16ºL

LÍBIA

CHIPRE LÍBANO

SÍRIA

PALESTINA Alexandria El Alamein EGITO

IRAQUE

ARÁBIA TRANSJORDÂNIA

Fonte: DANTAS, José. História geral. São Paulo: Moderna, 1991. v. 2.

PERCURSO 1

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Corbis/Latinstock

Em solo europeu, depois de intensas batalhas em terra, mar e ar, a Itália foi derrotada em 1943, e as forças alemãs se renderam em maio de 1945. Em solo asiático, devido à forte resistência japonesa, a guerra terminou somente em agosto de 1945, com o lançamento das bombas atômicas pelos Estados Unidos sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki (figura 3). Logo após a rendição alemã, em maio de 1945, a Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação, controladas pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial: Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França (figura 4).

Figura 3. A explosão de uma bomba atômica na cidade japonesa de Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, dias após o bombardeio nuclear de Hiroshima, foi um dos momentos que marcaram o fim da Segunda Guerra Mundial. Figura 4. Zonas de ocupação da Alemanha e de Berlim – 1947 A ALEMANHA OCUPADA

Hamburgo Hannover

Berlim

Frankfurt

Tegel

B e r l i m

Corredores aéreos

52°N

Gatow

Rio Sp re e

Tempelhof

N

Fontes: ROSA, Gabriele de; CESTARO, Antonio. Mito, storia, civiltà. Roma: Minerva Italica, 1983; LAMBIN, Jean-Michel (Org.). Histoire-géographie: initiation économique. Paris: Hachette, s.d. p. 177.

16

Zona soviética Zona francesa Zona britânica Zona estadunidense Aeroportos Ferrovias e metrô

5 km 13°L

EXPEDIÇÃO 1

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2 Mundo bipolar: da escalada ao fim da Guerra Fria (1947-1989) Com o término da Segunda Guerra Mundial, as relações internacionais entre países passaram a ser influenciadas pelas disputas por poder entre duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética — situação que durou quase 45 anos.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A expansão do socialismo e a “cortina de ferro” Enquanto a Alemanha permaneceu dividida e administrada em zonas de ocupação após a derrota na Segunda Guerra Mundial, o socialismo — sistema político e econômico baseado na coletivização dos meios de produção, no fim da propriedade privada e das classes sociais e no planejamento estatal da economia — expandiu-se principalmente para os países da Europa Oriental, ou Leste Europeu, como Iugoslávia (1945), Albânia (1946), Bulgária (1946), Polônia (1947), Romênia (1947) e, posteriormente, Tchecoslováquia (1948). Na Alemanha, a porção oriental do território, então ocupada pelos soviéticos, tornou-se socialista em 1949 e passou a ser denominada oficialmente República Democrática Alemã (RDA), conhecida também como Alemanha Oriental. A porção ocidental, então ocupada por Estados Unidos, Reino Unido e França, permaneceu capitalista e passou a ser chamada de República Federal Alemã (RFA), ou Alemanha Ocidental. A cidade de Berlim também foi dividida por zonas de ocupação (reveja a figura 4). Sob o pretexto de impedir a fuga de mão de obra especializada para o lado ocidental, o governo da Alemanha Oriental construiu o Muro de Berlim, dividindo as duas porções da cidade. A construção, iniciada em 1961, foi concluída em 1973. A União Soviética tinha interesse na implantação do socialismo nos países da Europa Oriental, pois eles: • passariam a formar um bloco político e ideológico alinhado com os interesses soviéticos, opondo-se assim aos Estados Unidos e aos países capitalistas europeus na disputa pela hegemonia mundial; • teriam suas economias e mercados servindo ao crescimento econômico da URSS; • seriam um “escudo de proteção” ou “Estados-tampão” contra as ameaças dos países capitalistas da Europa Ocidental e dos Estados Unidos ao desenvolvimento do socialismo soviético, formando uma “cortina de ferro” que protegesse seu território. Diante do avanço do socialismo na Europa Oriental, os Estados Unidos e aliados ocidentais assistiram ao fortalecimento da União Soviética, que se tornava uma superpotência rival, cujo objetivo era expandir sua área de influência no mundo. Nesse contexto, os Estados Unidos anunciaram, em 1947, a Doutrina Truman, um marco importante do rompimento entre os Aliados do Ocidente e a União Soviética, e, em 1948, o Plano Marshall, dando início ao período histórico das relações internacionais conhecido como Guerra Fria, que durou 42 anos, entre 1947 e 1989.

Pausa para o cinema Hiroshima. A humanidade e o horror. Direção: Paul Wilmshurst. Reino Unido: BBC, 2005.

Mistura de imagens de ar­ quivo e ficção, o documen­ tário reconstitui o impacto físico, político e histórico da bomba atômica sobre a ci­ dade japonesa de Hiroshi­ ma, em agosto de 1945. O milagre de Berna. Direção: Sönke Wortmann. Alemanha: Little Shark/ Senator Film, 2003.

O filme retrata a recons­ trução da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial e a construção do Muro de Berlim ao destacar uma histórica vitória de sua se­ leção de futebol na Copa do Mundo de 1954.

Coletivização Efeito de tornar coletivo, pertencente a várias pessoas.

Doutrina Truman Doutrina elaborada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, tinha por base uma política destinada a conter a expansão do socialismo no mundo por meio do envio de tropas, fornecimento de armamentos e dinheiro.

Plano Marshall Programa de auxílio econômico à Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial, lançado por iniciativa de George Catlett Marshall, general e secretário de Estado do governo Truman.

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e

stação História

13 de agosto de 1961

Muro divide Berlim

Na madrugada de hoje, a agência oficial de imprensa da República Democrática Alemã enviou um despacho que diz: ‘A Otan está praticando sabotagem contra nosso país. Elementos inseguros vêm sendo levados a deixar seus lares, envolvidos por suborno, engano e chantagem’. A mensagem exortava o governo alemão-oriental a adotar ‘providências enérgicas’. Menos de uma hora depois da divulgação da nota, policiais e soldados bloqueavam 68 dos 80 pontos de passagem entre Berlim Oriental e Ocidental. As comunicações telefônicas e postais foram cortadas. Exigem-se autorizações especiais para que veículos do lado ocidental trafeguem em Berlim Oriental. A viagem de metrô entre as duas partes da cidade já vinha sendo controlada há semanas. Soldados da Alemanha Oriental Sabe-se que o governo da Aledurante a construção do Muro de manha Oriental elaborou uma Berlim, em 24 de novembro de 1961. lista de moradores cujas casas serão expropriadas, de forma a permitir a construção de um imenso muro dividindo a cidade. Ele passaria bem ao lado do Portão de Brandemburgo, símbolo da capital e da unidade alemã. […]”

gert SChÜtZ/akg­imageS/ aLbum/LatinStoCk

“O governo da Alemanha Oriental começou a bloquear as passagens entre as partes leste e oeste de Berlim e deverá construir em breve um grande muro, dividindo de vez os setores comunista e capitalista da cidade. O objetivo da separação seria pôr fim à emigração de cerca de 20 mil alemães orientais a cada mês — em sua maioria trabalhadores especializados —, que procuram melhores condições de vida na Alemanha Ocidental. Nas últimas semanas, o líder soviético Nikita Khruschev vinha acusando duramente a Otan de ‘incitar distúrbios’ na Alemanha Oriental, ao atrair imigrantes oferecendo-lhes ‘o paraíso na Terra’. Khruschev também exigia que os exércitos ocidentais pusessem fim à ocupação da antiga capital alemã.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Decisão do governo da Alemanha Oriental de separar a cidade esquenta a Guerra Fria.

BRENER, Jayme. Jornal do século XX. São Paulo: Moderna, 1998. p. 215.

1. Aponte qual é o tema central abordado pelo texto. 2. Qual a razão apontada pela Alemanha Oriental em dividir Berlim?

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A divisão do mundo em dois blocos de poder A Guerra Fria foi um confronto indireto entre os Estados Unidos e a União Soviética. Apesar dos investimentos militares, não houve confronto direto envolvendo armamentos entre as duas superpotências. No final da década de 1940, esses dois países já detinham armas nucleares, e a corrida armamentista manteve a população mundial com receio de uma Terceira Guerra Mundial. Em função disso, o período da Guerra Fria também ficou conhecido como o do “equilíbrio do terror”. Vários acontecimentos marcaram esse período tenso das relações internacionais, entre eles a formação de alianças militares das superpotências com outros países, visando garantir e ampliar suas áreas de influência. Essa iniciativa foi decisiva para estruturar um mundo bipolar, caracterizado pela disputa entre, de um lado, o bloco de países capitalistas (liderado pelos Estados Unidos) e, de outro lado, o socialista (liderado pela União Soviética).

Quem lê viaja mais NOVAES, Carlos Eduardo. Capitalismo para principiantes. São Paulo: Ática, 2003.

Com várias ilustrações e muito bom humor, essa obra apresenta os principais conceitos, ideais e implicações acerca do capitalismo.

Em 1949, sob liderança dos estadunidenses, foi criada a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar destinada a garantir a existência do sistema capitalista na Europa Ocidental e a defesa das liberdades democráticas com a colaboração dos países-membros. A partir de 1957, esses países entregaram à Otan equipamentos de guerra, inclusive armas atômicas, para reforçar a defesa do Ocidente. Em 1955, o bloco socialista liderado pela União Soviética, em resposta à criação da Otan, estabeleceu o Pacto de Varsóvia (Tratado de Assistência Mútua da Europa Oriental), uma aliança militar com objetivos semelhantes aos da Otan (figura 5). Figura 5. As alianças militares da Guerra Fria: Otan e Pacto de Varsóvia Países fundadores da Otan, cujo mapa não inclui a Islândia (abril 1949)

FINLÂNDIA NORUEGA

HOLANDA BÉLGICA Bruxelas LUX. Paris

N

MAR BÁLTICO

Berlim REP. DEMOCRÁTICA ALEMÃ

350 km

REP.

FRANÇA

ESPANHA Madri

Lisboa

Gibraltar Ceuta

Baleares

M AR M E

HUNGRIA

Sicília MALTA

ER La Valette RÂ NE O

Conflito na Europa Ocidental relacionado à Guerra Fria

Kiev

Chisinau Bucareste

20°L

MAR NEGRO

BULGÁRIA Sófia

Creta

T TUNÍSIA

Intervenção soviética

ROMÊNIA

MAR GRÉCIA EGEU Guerra Civil 1946-1949 Atenas

DI

ARGÉLIA

“Cortina de ferro” UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS (URSS)

pe da Bu

Belgrado SAN MARINO IUGOSLÁVIA MÔNACO ANDORRA VATICANO Roma Córsega Tirana ITÁLIA Sardenha ALBÂNIA Ilhas

Melilla

MARROCOS

POLÔNIA 8 196 Praga

Países do Pacto de Varsóvia, maio 1955

TCHECOSLOVÁQUIA

Berna LIECHT Viena (retira-se do comando ÁUSTRIA integrado da Otan em SUÍÇA 1966 e o reintegra em 2009)

PORTUGAL

Vilnius

Varsóvia

Luxemburgo FEDERAL ALEMÃ

Moscou

Riga

Copenhague Amsterdã

Países que aderiram à Otan a partir de 1952

Talínn

SUÉCIA

DINAMARCA

REINO UNIDO

Londres

OCEANO ATLÂNTICO

Estocolmo

19 56

Dublin REP. DA IRLANDA

50°N

Helsinque

Oslo

MAR DO NORTE

st e

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Otan e Pacto de Varsóvia

Ancara TURQUIA

Izmir Nicósia

LÍBANO Grécia-Turquia CHIPRE 1974

ISRAEL

Fonte: BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 20. PERCURSO 1

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A corrida armamentista e espacial

Cite uma intervenção de cada superpotência no continente americano.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Durante o período da Guerra Fria, a corrida armamentista e espacial foi a maneira encontrada pelas duas superpotências para demonstrar a eficiência e a superioridade dos modelos de sociedade que defendiam (figura 6). Assim, após a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética canalizou quase todos seus recursos financeiros e materiais para a pesquisa científica, prioritariamente para o setor aeroespacial e militar. Nos Estados Unidos, havia grandes interesses financeiros e econômicos das indústrias na aceleração dos programas bélicos ou militares e aeroespaciais. O desenvolvimento de tecnologia militar de ponta, inclusive com grande arsenal de mísseis nucleares, possibilitou a conquista do espaço, por meio de foguetes capazes de superar a órbita terrestre. Na década de 1950, os soviéticos saíram à frente ao lançar o satélite artificial Sputnik I, em 4 de outubro de 1957. Logo depois, em 31 de janeiro de 1958, os estadunidenses equiparariam esse feito espacial lançando o Explorer I.

Figura 6. EUA e URSS: arsenal nuclear e situação estratégica no final dos anos 1980 O enfrentamento nuclear

OCEANO ÁRTICO ESTADOS UNIDOS

Coreia 1950-1953

OCEANO PACÍFICO

1945

URSS Guatemala 1954

1964

1949

Nicarágua 1982-1988

Cuba 1962

Pla São Domingo 1965

OCEANO PACÍFICO

no

Mars hall

1952

Vietnã 1961-1975

Berlim 1948

1960

Afeganistão 1979-1988 Grécia 1946-1949

Chile 1973

Bolívia 1966-1967

OCEANO ÍNDICO

OCEANO ATLÂNTICO

País neutro

1945

Armamento nuclear A “cortina de ferro” Crises ou conflitos

OS NID

20.000 10.000

Bloco soviético, país do Pacto de Varsóvia e outros aliados País ligado à URSS (cooperação militar) País parceiro e depois afastado Intervenção soviética

0 1945

SU

Intervenção americana

30.000

TA DO

“Contenção nuclear” (1949-1989)

SS

O Plano Marshall

UR

País ligado aos Estados Unidos

40.000

ES

Os Estados Unidos e seus aliados

Evolução do arsenal nuclear de 1945 a 1995 Moçambique 1976-1994

Número de ogivas*

Angola 1976-2002

1955

1966

1975

1986

1995

* Ogiva é a parte agregada de um projétil, um míssil etc. que carrega explosivo nuclear.

Ação cubana

Fonte: BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 18. Representação sem escala.

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Esses foram apenas os primeiros passos de uma competição acirrada entre as duas superpotências, que ambicionavam realizar a primeira viagem espacial com tripulação humana. Nessa corrida, os soviéticos mais uma vez assumiram a dianteira quando, em 12 de abril de 1961, lançaram o cosmonauta Yuri Gagarin para uma viagem em torno da Terra, ao passo que os Estados Unidos conquistaram o mesmo êxito somente no mês seguinte, quando enviaram o astronauta Alan Shepard (figura 7). A corrida espacial culminou em 1969, quando os Estados Unidos levaram os primeiros astronautas à Lua por meio da Missão Apollo 11. Depois disso, uniram esforços aos soviéticos para conduzir a exploração espacial por meio de projetos de cooperação, fato que resultou no encontro das espaçonaves Apollo (Estados Unidos) e Soyuz (União Soviética), em 17 de julho de 1975. Esse acontecimento marcou o fim da corrida espacial. No entanto, a disputa entre as superpotências pela hegemonia e pela ampliação de áreas de influência no mundo persistiu até 1985, aproximadamente.

Intriga internacional. Direção: Alfred Hitchcock. EUA: Metro-Goldwyn-Mayer, 1959.

Sob o pano de fundo da Guerra Fria e da espiona­ gem, esse suspense conta a história de um publicitá­ rio que é confundido com um espião e passa a ser perseguido por uma orga­ nização misteriosa. O dia seguinte. Direção: Nicholas Meyer. EUA: Gina Production/Universal Pictures, 1983.

O filme retrata como se­ ria o dia seguinte na Terra depois de uma guerra nu­ clear entre as duas super­ potências da Guerra Fria.

Rolls Press/Popperfoto/Getty Images

Treze dias que abalaram o mundo. Direção: Roger Donaldson. EUA: Beacon Communications, 2000.

NASA

Figura 7. Acima, o cosmonauta russo Yuri Gagarin na primeira viagem espacial com tripulação humana em 1961. À direita, Alan Shepard, astronauta estadunidense enviado ao espaço após um mês da conquista soviética na corrida espacial.

Pausa para o cinema

O filme aborda o episódio que ficou conhecido como a crise dos mísseis, quan­ do em outubro de 1962 mísseis soviéticos foram encontrados em Cuba, es­ tremecendo ainda mais as relações internacionais em plena Guerra Fria.

Quem lê viaja mais ARBEX JR., José. Guerra Fria: o estado terrorista. São Paulo: Moderna, 2005.

Entenda melhor os vários aspectos que cercaram a Guerra Fria e as conse­ quências desse conflito no mundo, inclusive no Brasil e na América Latina.

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A crise do socialismo real

Navegar é preciso TV Cultura – Alô escola <www2.tvcultura.com.br/ aloescola>

Figura 8. Mikhail Gorbachev mudou o rumo das relações internacionais e contribuiu para o término da Guerra Fria ao firmar acordos de desarmamento com os presidentes estadunidenses Ronald Reagan e seu sucessor, George H. W. Bush. Na primeira foto, Gorbachev (sentado, à esquerda) e Reagan (sentado, à direita) assinam tratado de desarmamento em Washington, Estados Unidos (1987). Na segunda foto, Gorbachev (à direita) e George H. W. Bush (à esquerda) se cumprimentam em coletiva de imprensa sobre acordos de paz em Moscou, Rússia (1991).

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Peter Turnley/Corbis/LatinStock

Clique em “História” e depois em “Guerra Fria” para acessar textos de jornalistas, historiadores e cien­tistas sobre esse período da história mundial.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Nome dado aos regimes dos países socialistas por oposição ao socialismo pregado teoricamente por Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), entre outros. Esse conceito refere-se a certas práticas socialistas que existiram na ex-União Soviética e nos países do Leste Europeu, como o monopólio de poder exercido pelo Partido Comunista.

A partir da década de 1980, várias mudanças no cenário político internacional levaram à gradual transformação do mundo bipolar. Em 1985, Mikhail Gorbachev subiu ao poder na União Soviética e revelou à sociedade soviética e ao mundo a situação do socialismo real. Ao lado de iniciativas junto ao governo dos Estados Unidos para a redução dos arsenais atômicos dos dois países, Gorbachev promoveu reformas econômicas e políticas nas repúblicas soviéticas (assunto que você estudará nos Percursos 13 e 14). Com isso, procurou superar insatisfações sociais internas decorrentes da escassez de alimentos e de bens de consumo (vestuário, aparelhos eletroeletrônicos etc.), promoveu a libertação de presos políticos, acabou com a censura e permitiu a organização de novos partidos políticos e eleições livres — enfim, tornou o socialismo democrático (figura 8). Bettmann/Corbis/Latinstock

Socialismo real

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A reunificação alemã e o fim da Guerra Fria No contexto da crise vivida pela economia soviética, que também repercutia em outros países do bloco socialista, e da abertura política promovida por Gorbachev, a Alemanha Oriental iniciou, em 1987, uma aproximação com a Alemanha Ocidental. Entre outros fatores, isso contribuiu para a derrubada do Muro de Berlim, em 1989 (figura 9). No ano seguinte, a Alemanha reunificou-se, pondo fim ao socialismo que vigorava na Alemanha Oriental. Esses eventos impulsionaram a queda dos governos socialistas nos países do Leste Europeu, com forte participação popular. Em decorrência, e também assolado por crises políticas, econômicas e sociais, o governo de Gorbachev perdeu o poder na União Soviética em dezembro de 1991, quando o país deixou de existir. As quinze repúblicas que a compunham tornaram-se Estados independentes; onze delas se associaram e formaram a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), assunto que será estudado no Percurso 13. O fim dessa superpotência marcou também o fim da bipolarização do poder no mundo e inaugurou uma nova fase nas relações internacionais, marcada por outros desafios e por desigualdades de poder entre os países, conforme estudaremos no próximo Percurso.

Pausa para o cinema Adeus, Lenin! Direção: Wolfgang Becker. Alemanha: X-Filme Creative Pool/Westdeutscher Rundfunk, 2003.

Um jovem alemão, temendo pela saúde da mãe, tenta esconder dela o fim da Alemanha Oriental, que ocorreu enquanto ela estava em coma.

Figura 9. A derrubada do Muro de Berlim, em novembro de 1989, representou não somente o fim da divisão da cidade em duas partes, uma socialista e a outra capitalista, mas também o fim da Alemanha Oriental (socialista) e a sua unificação territorial, política e econômica com a Alemanha Ocidental (capitalista).

Stephen Ferry/Liaison/Getty Images

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percurso

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A Nova Ordem Mundial e os Estados Unidos

J Scott Applewhite/AP Photo/Glowimages

Nos dez primeiros anos após o fim da Guerra Fria, sem mais contar com a União Soviética como contrapeso à sua influência no mundo, os Estados Unidos iniciaram uma escalada de guerras e intervenções em conflitos internacionais, consolidando seu enorme poderio militar, cultural e econômico, além de ampliar sua capacidade de influenciar nações e organizações internacionais (figura 10). Nesse contexto, surgiu uma ordem mundial unipolar ou monopolar, na qual a hegemonia planetária dos Estados Unidos tornou-se indiscutível, apesar da existência de outras potências mundiais (França, Alemanha, Rússia, China e Japão) e regionais (África do Sul, Brasil, Índia e Irã). Figura 10. O então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, discursa para soldados de seu país na Base de Camp Bondsteel em Kosovo (2001). No final da década de 1990, os Estados Unidos intervieram militarmente na Guerra do Kosovo. Com a ajuda da Otan, a única superpotência do mundo pós-Guerra Fria desbravou uma antiga área de influência russa, consolidando seus processos de expansão no mundo pós-Guerra Fria.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 Os Estados Unidos e o mundo unipolar

2 A política unilateral da hiperpotência

Multilateralismo Em política internacional, forma de negociar ou tomar decisões nos organismos e fóruns de discussão internacionais levando em conta os diversos pontos de vista.

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Diante desse enorme poderio político, econômico e bélico estadunidense, alguns estudiosos passaram a chamar o país de hiperpotência. Principalmente durante as administrações do ex-presidente George W. Bush (2001-2004 e 2005-2008), a expressão unilateralismo designou a maneira como foi conduzida a política externa desse país. Em diversas questões que afetam o mundo, como as energéticas e ambientais, as decisões tomadas por esse governo deixaram marcada uma conduta política internacional conflitante com os princípios do multilateralismo. Nos campos político, econômico e, em particular, no militar, esse unilateralismo acentuou-se depois dos atentados terroristas ao país em 11 de setembro de 2001.

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Em diferentes períodos históricos, o terror foi usado para obter-se o poder ou para manter-se nele. Originalmente, o termo surgiu para designar uma prática de governo, o chamado terrorismo de Estado, que, por meio de atentados, extorsões e tortura, procura intimidar a população e manter os mesmos governantes no poder. Mais recentemente, o terrorismo — que não deve ser confundido com fundamentalismo islâmico — pode ser entendido como o modo pelo qual grupos políticos impõem sua vontade pela prática de atos violentos. Movidas muitas vezes por radicalismo político e religioso, as ações terroristas utilizam-se especialmente de atentados violentos contra dirigentes políticos e contra a população civil, geralmente com a finalidade de conseguir publicidade para seus objetivos políticos. Um caso muito expressivo ocorreu em 11 de setembro de 2001, quando dois aviões sequestrados tiveram suas rotas alteradas para atingir as duas torres de um dos principais símbolos dos Estados Unidos: o World Trade Center, em Nova York, onde estavam localizadas sedes de grandes empresas (figura 11). No mesmo dia, outro avião sequestrado atingiu o edifício do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, situado próximo à capital, Washington.

Fundamentalismo islâmico Corrente do islamismo que defende os valores tradicionais dessa religião e prega a adoção do Corão, seu livro sagrado, como base da Constituição do Estado e da organização de diversos aspectos da vida em sociedade. Nem todos os defensores do fundamentalismo islâmico praticam ou defendem o terrorismo. O fundamentalismo existe também entre seguidores de outras religiões.

STR New/Reuters/Latinstock

Sergey Konozenko/Alamy/Other Images

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3 O terrorismo e o “11 de setembro”

Figura 11. Na foto maior, as torres gêmeas do World Trade Center, em Manhattan, Nova York, um dos principais símbolos do poderio econômico dos Estados Unidos, em fevereiro de 2001. Na menor, as torres logo após o atentado terrorista, em 11 de setembro de 2001. percurso 2

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Nova ordem mundial. São Paulo: Núcleo, 1997.

O livro aborda temas como o colapso do socialismo, a globalização, a explosão urbana, as crises dos Estados e os surtos de separatismos ocorridos com o fim da Guerra Fria. HAESBAERT, Rogério; PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A nova des-ordem mundial. São Paulo: Unesp, 2006.

O declínio dos Estados Unidos e a ascensão da China, por exemplo, levam os autores a propor uma nova regionalização do espaço mundial contemporâneo.

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FERREIRA, Edson Alberto Carvalho.

Reuters/Al-Jazeera TV/Latinstock

Quem lê viaja mais

Os atentados resultaram na morte de mais de 3 mil pessoas, paralisaram o país e causaram perplexidade e sentimento de insegurança em todo o mundo, pois com eles ficou demonstrada a fragilidade da hiperpotência mundial, cuja tecnologia de defesa era julgada imbatível. Com a população assustada pelo acontecimento, o governo, após buscas feitas por suas agências de inteligência, estabeleceu um culpado: o líder saudita Osama Bin Laden — desafeto do país naquele momento, mas antigo aliado dos Estados Unidos quando da ocupação soviética do Afeganistão (1979-1989). Bin Laden foi treinado pela CIA (Agência Central de Inteligência) e teve papel importante na derrota soviética no Afeganistão no tempo da Guerra Fria. A partir de 1990, Bin Laden passou a demonstrar crescente insatisfação com as ações da política externa dos Estados Unidos, entre elas a forte presença na Arábia Saudita (sua terra natal), inclusive com bases militares, e a posição estadunidense ostensivamente favorável a Israel nos conflitos com os palestinos. A partir de então, a qualificação de Bin Laden passou de “guerreiro da liberdade” para “terrorista” (figura 12). Depois de viver refugiado por quase 10 anos, o líder saudita foi surpreendido e morto por militares estadunidenses em maio de 2011.

Figura 12. Osama Bin Laden, em transmissão da rede de televisão Al-Jazeera, em 2001, era o líder do grupo terrorista islâmico Al Qaeda.

4 O terrorismo e a contrapartida dos Estados Unidos Os atentados de 11 de setembro de 2001 alteraram completamente o cenário político internacional e resultaram numa escalada sem precedentes da força militar dos Estados Unidos no mundo. Uma das consequências diretas foi o grande aumento das despesas militares desse país (figura 13), que haviam sido reduzidas entre 1985-2000 em relação aos períodos mais turbulentos da Guerra Fria: em 2009, por exemplo, elas representaram 46,5% das despesas militares mundiais (figura 14).

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Figura 13. Estados Unidos: despesas militares – 2001-2011 As despesas militares dos Estados Unidos cresceram ou diminuíram nesse período? O que explica essa variação?

900 800 700

Bilhões de dólares

600 500 400 300 200 100 0

2001

2002 2003 2004 2005

2006 2007 2008

2009 2010 2011

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: Center for Arms Control and Non-Proliferation. Disponível em: <www.globalissues.org>. Acesso em: 23 mar. 2011.

Figura 14. Distribuição das despesas militares mundiais – 2009

Fahrenheit, 11 de setembro.

14,7% Estados Unidos

China 46,5% 20,7%

França Reino Unido Rússia Próximos dez países combinados Outros países

3,5% 3,8% 4,2%

pausa para o cinema

6,6%

Direção: Michael Moore. Estados Unidos: Lions Gate Films, 2004.

nesse documentário são investigadas possíveis relações entre a família do ex-presidente estadunidense George w. Bush e membros de famílias sauditas ligadas a Bin laden.

Fonte: Center for Arms Control and Non-Proliferation. Disponível em: <www.globalissues.org>. Acesso em: 23 mar. 2011.

Entre outros efeitos, os atentados impulsionaram o surgimento da chamada Doutrina Bush, que incluiu a estratégia da guerra preventiva e o combate sem tréguas ao terrorismo internacional. Essa doutrina defende o direito de os Estados Unidos atacarem “preventivamente” qualquer país que julguem representar uma ameaça potencial. O lançamento dessa política conduziu à adoção de leis polêmicas, que violam abertamente os direitos fundamentais dos indivíduos, aumentando a discriminação contra os imigrantes de diversas nacionalidades, principalmente os de origem árabe, tanto nos Estados Unidos como nos países europeus. Em 2001, o Reino Unido adotou lei antiterrorista que permite deter por tempo indeterminado e sem acusação qualquer estrangeiro suspeito de constituir ameaça à segurança do país. O brasileiro Jean Charles de Menezes foi uma das vítimas dessa política. Em julho de 2005, suspeito de ser homem-bomba, foi morto por policiais ingleses no metrô de Londres. PErcursO 2

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No plano internacional, o Afeganistão foi eleito o foco inicial da primeira campanha militar da chamada Operação Liberdade Duradoura, deflagrada pelo governo George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001 (figura 15). Esse país asiático supostamente abrigava Osama Bin Laden e seu grupo, a Al Qaeda, protegidos por outro grupo ultrarradical, o Talibã, milícia que havia assumido o governo afegão em 1996. Apesar da existência de inúmeros grupos terroristas no passado ou na atualidade, em diversas regiões do mundo, a Al Qaeda adquiriu maior projeção internacional. Isso porque, além do uso indiscriminado da violência, caracteriza-se por ser uma rede composta por múltiplos comandos, distribuída nos cinco continentes. Além dos atentados de 11 de setembro de 2001, as ações mais conhecidas da Al Qaeda foram o ataque aos trens de Madri, em 2004, e os atentados a bomba contra o metrô de Londres, em 2005. Como outras ofensivas militares lideradas pelos Estados Unidos, aquela realizada contra o Afeganistão em 2001, a qual deu início à ocupação militar que se prolonga até os dias atuais, além do combate ao terrorismo, buscou garantir seus interesses econômicos e estratégicos. Ela possibilitou o aumento da presença de suas forças militares no mundo (figura 16) e, particularmente, o reposicionamento de suas bases militares na Ásia Central, cercando-a em boa parte e sobrepondo-se à histórica influência da Federação Russa nessa área geográfica, além do controle de imensas jazidas petrolíferas e de gás natural existentes na região. Vale lembrar que a ofensiva no Afeganistão, além de baixas nas forças militares, causou a morte de milhares de civis afeganes.

Talibã Milícia islâmica que surgiu em 1994 na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. A palavra “talibã” vem do persa telebeh e pode ser traduzida como “buscador da verdade” ou “estudantes do Corão”.

Ásia Central

Oleg Nikishin/Getty Images

Parte central do território asiático que abrange o sul do Cazaquistão, o Turcomenistão, o Uzbequistão, o Quirguistão e o Tadjiquistão.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Afeganistão (2001): busca de culpados e interesses econômicos

Quem lê viaja mais MAGNOLI, Demétrio. Terror global. São Paulo: Publifolha, 2008.

O autor investiga o significado dos atentados de 11 de setembro de 2001 e o terrorismo global liderado pela Al Qaeda.

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Figura 15. A represália dos Estados Unidos no Afeganistão foi iniciada em 7 de outubro e terminou em 6 de dezembro de 2001, com o apoio militar de outros países. A ofensiva resultou na deposição do governo Talibã e em milhares de civis mortos, sem que fosse encontrado o líder terrorista Osama Bin Laden. Na foto, soldados dos Estados Unidos preparam combate contra forças do Talibã, próximo à cidade de Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão (2001).

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Figura 16. Mundo: presença das forças armadas dos Estados Unidos THULÉ CÍRCULO POLAR ÁRTICO

ISLÂNDIA REINO UNIDO

CANADÁ ESTADOS UNIDOS

HAVAÍ MIDWAY

OCEANO PACÍFICO

EQUADOR

CUBA

HONDURAS PANAMÁ

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

ALEMANHA

BIELORRÚSSIA

ITÁLIA VI FROTA

BERMUDAS GUANTÁNAMO

LÍBIA

IV FROTA VENEZUELA ATLÂNTICO SUL E CARIBE

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

ÁFRICA

II FROTA ATLÂNTICO* ZIMBÁBUE

OCEANO ATLÂNTICO

AFEGANISTÃO PAQUISTÃO

IRÃ IRAQUE ESTADOS DO GOLFO

DJIBUTI SUDÃO** ETIÓPIA SOMÁLIA

HAITI

AMÉRICA DO SUL

RÚSSIA

ÁSIA

SÍRIA

O LH ME ER RV MA

TRÓPICO DE CÂNCER

MÉXICO

NORUEGA

TURQUIA ESPANHA

MERIDIANO DE GREENWICH

III FROTA PACÍFICO

GROENLÂNDIA (DINAMARCA)

ÁFRICA DO SUL

BIRMÂNIA

FILIPINAS DIEGO GARCIA

OCEANO ÍNDICO

Frotas estadunidenses Estados, desde o início de1980, hostis ou ameaçadores durante períodos mais ou menos longos

Invasão do Iraque (2003)

NIKOLA SOLIC-POOL/GETTY IMAGES

Menos de dois anos após a investida militar no Afeganistão, os Estados Unidos iniciaram, com apoio do Reino Unido e outros países, a invasão e ocupação militar do Iraque, em 20 de março de 2003. Unilateral, a ação ocorreu sem prévia consulta, negociação ou respeito a opiniões e decisões de outros governos e organismos internacionais (principalmente a ONU). Baseou-se na alegação infundada de que o Iraque produzia e armazenava armas químicas e biológicas de destruição em massa. Sem o apoio da ONU, a ocupação resultou na deposição do ditador iraquiano Saddam Hussein (figura 17), mais tarde julgado e enforcado, ainda que não tenham sido encontradas provas dos motivos alegados.

GUAM

OCEANO PACÍFICO

CINGAPURA

V FROTA OCEANO ÍNDICO MAR VERMELHO ESTADOS DO GOLFO

Países-membros da Otan Aliados ou apoiados militarmente pelos Estados Unidos Principais intervenções militares Principais bases militares dos Estados Unidos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

COREIA DO NORTE COREIA DO SUL JAPÃO VII FROTA PACÍFICO OKINAWA OCIDENTAL TAILÂNDIA

AUSTRÁLIA

NOVA ZELÂNDIA

N

2.700 km

Fonte: L’Atlas du monde diplomatique 2010. Paris: Armand Colin, 2009. p. 62.

* A Guarda Costeira dos Estados Unidos é considerada a I Frota Naval do país, mas, dado que a denominação não é utilizada oficialmente, não foi incluída no mapa. ** O traço pontilhado representa a fronteira do Sudão do Sul, país que surgiu do desmembramento do Sudão em 9 de julho de 2011, porém as informações do mapa se referem ao Sudão antes do desmembramento.

Figura 17. Deposto, o ex-presidente Saddam Hussein discursa durante tribunal iraquiano, defendendo-se das acusações de que seu regime político cometeu genocídio contra a população curda no Curdistão iraquiano, norte do Iraque, entre 1986-1989. Bagdá, Iraque (2006). PERCURSO 2

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Saad Shalash/Reuters/Latinstock

Figura 18. Em 30 de junho de 2009, sob o governo do presidente Barack Obama, os Estados Unidos iniciaram a retirada parcial de soldados estadunidenses do país, ocupado desde 2003. Para celebrar, o Iraque declarou feriado o dia 30 de junho – Dia da Soberania Nacional.

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Os custos elevados da guerra e da ocupação militar estadunidenses, somados às mortes de soldados, geraram um intenso descontentamento da opinião pública dos Estados Unidos, o que contribuiu para aumentar a já grande impopularidade do ex-presidente George W. Bush. Seu sucessor na presidência, Barack Obama, anunciou que a retirada completa das forças militares do Iraque deveria ocorrer até o final de 2011, quando então os Estados Unidos entregariam formalmente as tarefas de segurança do país às forças iraquianas (figura 18). Analistas internacionais avaliam que a invasão e a ocupação do Iraque a pretexto de combater a ditadura de Saddam Hussein e destruir suas armas químicas e biológicas tiveram como fator preponderante o interesse pelo petróleo iraquiano. Detentor das jazidas de petróleo, o Estado iraquiano atual prevê a abertura do setor a empresas petrolíferas estrangeiras. A invasão e ocupação do país deixaram um grande saldo de mortos e feridos. Cerca de 4.700 soldados dos Estados Unidos pereceram. Quanto aos iraquianos, principalmente civis, o número de mortos varia de 85 mil a mais de 102 mil, dependendo da fonte de informação. Em âmbito internacional, avalia-se que a longa presença militar dos Estados Unidos no Iraque, além de ter estimulado os movimentos radicais de resistência no país, pode ter intensificado a atuação de outros, que lutam contra a hegemonia estadunidense em diferentes partes do mundo.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Opinião pública e consequências da guerra

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Bagagem de ferramentas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Como representar fenômenos quantitativos em um mapa político bilhões; uruguai, uSS 491 milhões; e Venezuela, uSS 3,1 bilhões. não há dados para Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

os mapas políticos são elaborados para caracterizar as relações de poder entre regiões ou países. Sobre os limites políticos, podemos representar fenômenos com base em informações que podem ser classificadas em ordem de grandeza, facilitando a comparação de dados de diferentes áreas ou zonas. essas informações, chamadas de quantitativas, podem ser representadas em um mapa por meio de círculos proporcionais aos valores representados, de linhas com espessuras de diferentes valores, ou por meio de zonas cuja intensidade das cores, da mais clara para a mais escura, determina o valor da informação. observe o mapa abaixo. Agora é a sua vez. com a ajuda do professor, elabore um mapa sobre os gastos militares da América do Sul. Você utilizará dados, retirados da mesma fonte do mapa abaixo, relativos aos gastos militares na América do Sul em 2010: Argentina, uSS 3,2 bilhões; Bolívia, uSS 314 milhões; Brasil, uSS 28,1 bilhões; chile, uSS 6,2 bilhões; colômbia, uSS 9,2 bilhões; equador, uSS 2,1 bilhões; paraguai, uSS 146 milhões; peru, uSS 2

Como fazer 1- Trace os limites territoriais dos países da América do Sul em uma folha. 2- Utilizando as mesmas cores do mapa abaixo, desenhe uma legenda com os seguintes intervalos (em dólares): até 1 bilhão; de 1,1 a 2 bilhões; de 2,1 a 4 bilhões; de 4,1 a 10 bilhões; de 10,1 a 30 bilhões. 3- Pinte os países de acordo com as classes da legenda. 4- Insira seu nome no trabalho e lembre-se de dar um título ao seu mapa. 1. Qual é o valor dos gastos militares do Brasil segundo a leitura de cada mapa? 2. Qual é a principal vantagem da representação zonal de um fenômeno quantitativo?

Mundo: despesas militares – 2010 OCEANO GLACIAL ÁRTICO

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

Rússia: 52,3 milhões

Reino Unido: 57,4 milhões Estados Unidos 687,1 bilhões

França: 61,3 milhões

China: 114,3 milhões TRÓPICO DE CÂNCER

PACÍFICO

Montante de bilhões de dólares investidos em 2010

0 Até 1 De 1,1 a 10 De 10,1 a 70 De 70,1 a 120 De 120,1 a 687,1 Dados indisponíveis

OCEANO

OCEANO

ATLÂNTICO

PACÍFICO

MERIDIANO DE GREENWICH

OCEANO

EQUADOR

OCEANO

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

ÍNDICO

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

28 Estados não têm exército, a maioria dos quais são ilhas do Caribe, do Oceano Índico e do Pacífico. Costa Rica, Haiti e Panamá estão também nessa categoria. Esses países possuem forças policiais e negociaram acordos de defesa com outros Estados.

N

2.700 km

Fontes: SciencesPo. – Atelier de cartographie. Disponível em: <http://cartographie.sciences-po.fr>; Stockholm International Peace Research Institute. Disponível em: <http://milexdata.sipri.org>. Acesso em: 12 maio 2011.

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Atividades dos percursos 1 e 2 Revendo conteúdos

b) Em qual período a Alemanha foi dividida em zonas de ocupação? A quais países essas zonas de ocupação deram origem?

1 Considere os seguintes períodos: meados do século XIX a 1945; 1947 a 1989; 1990 até hoje. Assinale a alternativa que apresente a ordem mundial desses períodos, respectivamente, e responda às questões.

c) Qual acontecimento na Alemanha deu início, simbolicamente, à ordem mundial unipolar?

2 A chamada Doutrina Bush: a) está relacionada à política multilateral dos Estados Unidos durante a Guerra Fria.

I. bipolar, multipolar e unipolar. II. multipolar, bipolar e unipolar. IV. bipolar, unipolar e multipolar.

c) foi contrária às ações estadunidenses no Afeganistão e no Iraque.

a) A qual dessas ordens está relacionada a Guerra Fria? Explique.

d) relaciona-se ao que os Estados Unidos chamam de “guerra preventiva”.

Leituras cartográficas

3 Observe o mapa e responda às questões. O mundo bipolar dos anos 1980 Bloco socialista ESTADOS UNIDOS

CANADÁ

URSS NICARÁGUA

CUBA

ico Tróp

OCEANO PACÍFICO

Países socialistas não relacionados à URSS Países aliados ao bloco socialista por um acordo de cooperação militar ou um tratado de amizade

TAIWAN CHINA

FILIPINAS

REINO UNIDO

NOVA ZELÂNDIA

FRANÇA

OCEANO ATLÂNTICO

c de n ór ric ap

io

CHILE

Pacto de Varsóvia

OCEANO PACÍFICO

JAPÃO

BRASIL

ARGÉLIA LÍBIA MALI

IRAQUE ISRAEL IÊMEN DO SUL

AUSTRÁLIA

OCEANO ÍNDICO

ETIÓPIA

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b) não teve relação com os atentados de 11 de setembro.

III. unipolar, bipolar e multipolar.

Linha de confronto Leste-Oeste Países com armas nucleares Bloco capitalista Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) Países aliados ao bloco capitalista por acordos de cooperação militar Países neutros

ANGOLA MOÇAMBIQUE

Representação sem escala.

Fonte: L’Atlas du monde diplomatique 2010. Paris: Armand Colin, 2009. p. 50 (com modificações).

a) Entre quais grupos de países ocorreu a bipolarização geopolítica representada no mapa? b) Quais países, nessa época, possuíam armas nucleares? c) Qual era a condição de Cuba no mundo bipolar dos anos 1980? E a da China?

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ESTOQUE MUNDIAL DE ARMAS NUCLEARES

40.000 30.000

4 Observe o mapa abaixo e faça o que se pede.

20.000 10.000

Estoque de armas nucleares em 2009

0 1945 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2009

ESTOQUE MUNDIAL DE ARMAS NUCLEARES

40.000

França, Reino Unido e China Estados Unidos

30.000

União Soviética (Rússia a partir de 1992)

20.000 10.000 0 1945 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2009 0º OCEANO GLACIAL ÁRTICO

França, Reino Unido e China Estados Unidos

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

União Soviética (Rússia a partir de 1992)

REINO UNIDO FRANÇA

RÚSSIA

ESTADOS UNIDOS ISRAEL

IRÃ PAQUISTÃO CHINA

COREIA DO NORTE TRÓPICO DE CÂNCER

OCEANO

ÍNDIA

OCEANO

PACÍFICO

PACÍFICO

EQUADOR

OCEANO ATLÂNTICO Um quadrado preto representa cerca de 100 armas nucleares Tradicionais potências nucleares Novas potências nucleares Estados suspeitos de desenvolver armas nucleares com fins militares

MERIDIANO DE GREENWICH

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: Le Monde diplomatique. Disponível em: <www.monde-diplomatique.fr>. Acesso em: 30 maio 2011.

OCEANO

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

ÍNDICO

N CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

2.700 km

a) Quais são as tradicionais potências nucleares mundiais? b) Quando teve início o armazenamento de armas nucleares por parte das principais potências? A partir de quando esse estoque foi acentuadamente reduzido? c) Quais são as novas potências nucleares mundiais? Que países são suspeitos de programas nucleares para fins militares?

Explore

JoAQuÍn SAlVAdor lAVAdo (Quino) – todA mAFAldA – mArtinS FonteS, 2009

5 Leia a tira e explique qual é a crítica na fala da personagem.

Fonte: QUINO. Mafalda. vol. 3. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 44. PErcursO 2

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percurso

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Organizações internacionais mundiais

JRC, Inc/Alamy/Other Images

As duas grandes guerras do século XX deixaram um saldo de milhões de vítimas, tornando clara a necessidade de meios efetivos, em escala mundial, para assegurar a paz e promover a dignidade humana. Essas preocupações levaram à criação da ONU (Organização das Nações Unidas), que substituiu a Sociedade das Nações ou Liga das Nações, concebida durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A ONU, uma organização internacional, foi resultado de vários encontros de líderes mundiais rea­lizados entre 1942 e 1945, e passou a funcionar em 24 de outubro de 1945, com sede na cidade de San Francisco (Califórnia, Estados Unidos). Nessa data, representantes de 51 países aprovaram, na Conferência de San Francisco, uma Carta de Princípios, composta por 111 artigos, que orientou as ações da organização. Atualmente, a sede da ONU está em Nova York (figura 19), e a organização tem 193 países-membros de soberania reconhecida internacionalmente; não fazem parte dessa organização Taiwan, considerada uma província da China, Kosovo, Saara Ocidental e o Vaticano.

A ONU durante e após a Guerra Fria

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 A ONU: origens e objetivos

Durante os mais de quarenta anos da Guerra Fria, a discussão e a decisão sobre assuntos internacionais essenciais no âmbito da ONU permaneceram, em grande parte, influenciadas pelos interesses dos Estados Unidos e da hoje extinta União Soviética.

Figura 19. Sede da ONU em Nova York, Estados Unidos (2008).

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A partir da década de 1990, com a desmontagem da Velha Ordem Mundial baseada na bipolarização, a ONU defrontou-se com novos desafios. Apenas entre 1990 e 1994, quinze missões de paz foram realizadas pela organização, o mesmo número que nos quarenta anos anteriores. Em 1997, as chamadas Forças de Paz da ONU já haviam realizado mais operações militares em áreas do mundo onde ocorriam conflitos do que no período da Guerra Fria (figura 20). Atualmente, como veremos no Percurso 8, a ONU se depara com problemas cujas raízes e efeitos são cada vez mais globais, e busca, assim, articular soluções que necessitam de respostas também globais.

Navegar é preciso Nações unidas no Brasil <www.onu-brasil.org.br>

Com várias informações sobre os organismos e programas especializados da ONU, esse site permite acesso a notícias e publicações dessa organização.

Figura 20. Mundo: missões de paz da ONu – 1948-2006 1978-2006 LÍBANO 1958 LÍBANO 1999 IUGOSLÁVIA (SÉRVIA)

1996 CROÁCIA

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1992-1995 1996-1998 1998 CROÁCIA

1964 CHIPRE

1974 SÍRIA

1948 ISRAEL

1992-1999 MACEDÔNIA

1973-1979 EGITO

1992-1995 BÓSNIA-HERZ. 1995 BÓSNIA

1956-1967 GAZA

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

1993 e 2006 GEÓRGIA

OCEANO AT L Â N T I C O

1994-2000 TADJIQUISTÃO 1988-1991 IRÃ

1993-2006 HAITI

OCEANO PA C Í F I C O 0º

1991 SAARA OCIDENTAL 1965-1966 REP. DOMINICANA

1991-1995 El SALVADOR

2000 ERITREIA

1997 GUINÉ

1989-1992 (AMÉRICA CENTRAL)

1993-1997 2005 LIBÉRIA LIBÉRIA

1960-1964 REP. DEM. DO CONGO

1960

1991-1999 e 1988-1991 ANGOLA

1970

1992-1995 DJIBUTI

1999 CONGO

1950

1989-1990 NAMÍBIA

TRÓPICO DE CÂNCER

1989-1990 AFEGANISTÃO

1991-1993 CAMBOJA

1963-1964 IÊMEN

1998-2000 REP. CENTRO-AFRICANA

1998 SERRA LEOA

Missões ões ativas

1991 KUAIT

1994 CHADE

1993-1996 1993-1994 RUANDA 1992-1994 MOÇAMBIQUE

OCEANO PACÍFICO

1965-1966 ÍNDIA

1962-1963 INDONÉSIA

EQUADOR

1949 ÍNDIA 1999 e 2006 TIMOR LESTE TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

OCEANO ÍNDICO

1980 N

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

1990

Operações ativas em 2006 / Data de início 2006

Operações mais antigas / Datas de início e término

Principais órgãos da ONU Criada com o objetivo principal de promover a manutenção da paz por meio da resolução pacífica de conflitos e da segurança coletiva, a ONU desenvolveu ao longo do tempo vários organismos e programas especializados (figura 21, na página seguinte). A organização é composta por seis órgãos principais: a Assembleia Geral — que toma as decisões ou determina ações —, o Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela, a Corte Internacional de Justiça e o Secretariado Geral. Este último administra todo o aparato da ONU e tem que, entre outras responsabilidades, articular e representar as atividades e propostas dos organismos e programas especializados.

2.200 km

Aponte um continente e um subcontinente onde a intervenção da ONU não foi necessária entre 1948 e 2006. Fonte: SMITH, Dan. Atlas dos conflitos mundiais. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007. p. 110-111.

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Figura 21. Organograma da ONU (órgãos principais) Conselho de Segurança

Comitê do Estado-Maior Comitê contra o Terrorismo Comitês Permanentes e Órgãos Especiais Tribunais Internacionais Operações e Missões de Paz

Assembleia Geral

Comitês Principais Conselho de Direitos Humanos Comissão de Consolidação da Paz

Programas e Fundos Unctad Pnud Acnur UNDCP Pnuma UNFPA PMA UNRWA UN-Habitat Institutos de Pesquisa e Treinamento

Conselho Econômico e Social

Conselho de Tutela

Comissões Técnicas Desenvolvimento, Drogas, Justiça, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento sustentável, Direitos da mulher, População, Estatística Comissões Regionais África, Europa, América Latina e Caribe, Ásia e Pacífico, África Ocidental Outros Questões indígenas, Florestas, Órgãos de peritos etc.

Secretariado Geral

Agências Especializadas OIT FAO Unesco OMS FMI Icao ITU UPU Unido OMT OMPI Fida etc.

Organizações Relacionadas IAEA OMC Opaq

Outros fundos Unfip Undef Fonte: elaborado com base em Centro de Informações das Nações Unidas. Disponível em: <http://rio.unic.org>. Acesso em: 2 jun. 2011.

O Conselho de Segurança da ONU O Conselho de Segurança é composto por representantes de quinze Estados-membros: cinco permanentes, com direito a veto a qualquer decisão (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido), e dez rotativos ou temporários. O poder decisivo desfrutado pelos cinco membros permanentes se explica pelo fato de a ONU ter sido estruturada com base na correlação de forças resultante da Segunda Guerra Mundial, o que determinou que os principais vencedores desse conflito e os primeiros paí­ses a possuírem a bomba atômica ocupassem cargos permanentes no Conselho de Segurança. Há anos países que não usufruem de uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU reivindicam sua reforma.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Corte Internacional de Justiça

A reforma do Conselho de Segurança da ONU Nos últimos anos, o Brasil tem participado ativamente de ações de manutenção da paz promovidas pela ONU. Em 1999, enviou tropas ao Timor Leste, na Ásia, com o objetivo de garantir a independência do país, e, desde 2004, mantém forças de paz no Haiti (figura 22). Por meio dessas e outras ações, o país empenha-se na criação de mais vagas permanentes no Conselho de Segurança da ONU. Essa reivindicação brasileira conta com o apoio de potências regionais, como Índia e África do Sul, cujos governos também têm a mesma pretensão (figura 23).

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Roberto Schmidt/AFP/Getty Images

Figura 22. Soldados brasileiros patrulham ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti, como parte das atividades da Minustah (Missão da ONU para a Estabilização do Haiti), missão militar liderada pelo Brasil (2004). Figura 23. Conselho de Segurança da ONU: membros permanentes e países pretendentes — 2009

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

CANADÁ ESTADOS UNIDOS

JAPÃO

OCEANO ÁRTICO RÚSSIA

MÉXICO

OCEANO PACÍFICO

REINO UNIDO FRANÇA

OCEANO PACÍFICO

CHINA ALEMANHA ITÁLIA

ÍNDIA

EGITO OCEANO ÍNDICO

BRASIL

NIGÉRIA

OCEANO ATLÂNTICO

Membro permanente do Conselho de Segurança da ONU País pretendente a membro permanente ÁFRICA DO SUL

Membro do G8 (G7* + Rússia, país convidado) * Grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo, criado em 1976.

Representação sem escala.

Fonte: BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 34.

A Alemanha e o Japão também defendem a reforma, participando dos esforços para que o Conselho de Segurança expresse o mundo de hoje, e não o da Segunda Guerra Mundial. Fatos como a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque (2003), sem a aprovação da ONU, evidenciam a necessidade de uma reforma capaz de fortalecer essa organização internacional, para a consolidação de um sistema mundial baseado no modelo multipolar e multilateral.

Os financiadores e os limites da ONU A cada dois anos o Secretário-Geral da ONU apresenta na Assembleia Geral um orçamento aos países-membros, cuja aprovação somente ocorre após uma série de recomendações que o modificam. Cada país-membro contribui com base na capacidade de sua economia, principalmente de acordo com o produto interno bruto (PIB) e a renda per capita. Desse modo, o orçamento da ONU também reflete a desigualdade econômica mundial, com a maior participação dos países ricos e economias mais fortes.

Orçamento Com base em certo período de tempo (de modo geral, um ano), cálculo sobre quantias de dinheiro que deverão ser gastas ou investidas para custear atividades e projetos de organismos internacionais, administrações públicas, empresas privadas etc.

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Existem no mundo diversas organizações econômicas internacionais que, consolidadas ao longo do século XX, reúnem muitos Estados-membros e desempenham importante papel na discussão de acordos financeiros e comercias. O FMI (Fundo Monetário Internacional, figura 24) é um organismo da ONU fundado em 1945 cuja atuação em âmbito mundial busca promover e assegurar a cooperação e a estabilidade dos sistemas financeiros e monetários, além de prestar assistência técnica em assuntos econômicos aos países-membros. Esses países pagam ao FMI uma quantia proporcional ao desempenho de suas economias, fato que determina tanto o poder de participação de cada um deles nas decisões da organização como também o valor dos empréstimos que poderão receber. Nos últimos anos, várias críticas têm sido dirigidas contra o FMI, principalmente da parte de movimentos sociais organizados de vários países, em função de o órgão impor aos governos que solicitam empréstimos medidas severas de contenção de gastos públicos que prejudicam suas populações. Stephen Jaffe/IMF/Corbis/Latinstock

Figura 24. Reunião do FMI, na sede da organização em Washington DC, Estados Unidos (2009).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

2 Fundo Monetário Internacional

Quem lê viaja mais MILLET, Damien; TOUSSAINT, Eric.

3 O Banco Mundial

50 perguntas, 50 respostas sobre a dívida, o FMI e o Banco Mundial. São Paulo: Boitempo Editorial, 2006.

O Banco Mundial surgiu na mesma época do FMI e também faz parte da ONU. Inicialmente chamado Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird), foi o principal agente financeiro dos processos de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial. No decorrer do tempo, passou a desempenhar importante papel na organização e no funcionamento da economia mundial. Atualmente, o Banco Mundial presta assessoria econômica e concede empréstimos principalmente aos países com menor nível de desenvolvimento, financiando projetos com o objetivo de reduzir a pobreza no mundo.

Estruturado em forma de perguntas e respostas, o livro mostra a atuação do FMI e do Banco Mundial, bem como suas implicações nos países menos desenvolvidos.

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4 A OMC Diferentemente do FMI e do Banco Mundial, que têm suas sedes em Washington (Estados Unidos), a Organização Mundial do Comércio (OMC) está sediada na cidade de Genebra, na Suíça. Essa organização foi criada em 1995 em substituição ao Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT, em inglês General Agreement on Tariffs and Trade), este último criado em 1944. A OMC não faz parte do sistema da ONU e tem como objetivo fixar as regras do comércio mundial visando ampliá-lo. Em busca desse objetivo, a OMC atende os governos que se sentem prejudicados no comércio mundial. Além disso, organiza rodadas de negociação entre seus países-membros que podem durar anos, visando à obtenção de acordos entre eles sobre conflitos no comércio mundial.

Médicos sem Fronteiras <www.msf.org.br>

Na seção “Diário de bordo”, você tem acesso a depoimentos dos profissionais que viajam o mundo com o objetivo de levar cuidados médicos a milhares de pessoas que necessitam deles. Anistia Internacional <www.br.amnesty.org>

Saiba mais sobre os direitos humanos no Brasil e no mundo e descubra de que forma essa organização tem atuado em cada país para impedir a violação desses direitos.

No mundo atual existem várias organizações internacionais privadas cujo funcionamento e atuação ocorrem independentemente dos Estados. Um exemplo é a Fifa (Federação Internacional de Futebol), com sede em Zurique, na Suíça. Semelhantes às organizações internacionais privadas, as ONGs (organizações não governamentais) atuam sem fins lucrativos. Criadas pela sociedade civil, as ONGs realizam ações com o objetivo de complementar em diversas áreas (educação, saúde, ajuda humanitária, meio ambiente etc.) o trabalho dos Estados e das organizações internacionais de caráter mundial ou regional. Com recursos financeiros obtidos por meio de doações, en­ti­ dades privadas e mesmo a partir da colaboração de Estados, as ONGs tendem a dedicar-se a assuntos específicos. Alguns exemplos são: o Greenpeace, que busca conscientizar a opinião pública para os problemas ambientais; a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho, que prestam assistência a populações em áreas de desastre natural ou guerras; a Médicos sem Fronteiras, que leva cuidados médicos a populações marginais e empobrecidas (figura 25); e a Anistia Internacional, que desenvolve várias ações voltadas para a proteção dos direi- Figura 25. Integrante da ONG Médico sem Fronteiras tos humanos. examina criança em Ajakwac, Sudão (2010). Kate Geraghty/Sydney Morning Herald/Getty Images

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

5 Organizações internacionais privadas e não governamentais

Navegar é preciso

percurso 3

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percurso

4

Organizações internacionais regionais

Supranacional

Com frequência, as pessoas formam grupos quando possuem um interesse comum (figura 26). Com os Estados ou países ocorre algo similar: unem-se buscando obter um benefício comum, como promover a integração econômica, desenvolver o comércio com outros grupos de países, garantir e defender a segurança de seus territórios e populações, como também organizar ações políticas e econômicas para promover suas culturas. Assim, além das organizações internacionais que você estudou no Percurso 3 — como a ONU, o Banco Mundial, o FMI e a OMC —, existem outras que reúnem menor número de Estados e cuja atuação é regional. São as chamadas organizações internacionais regionais (OIs regionais). As OIs regionais podem agrupar países de um mesmo continente (escala continental), de parte dele (escala subcontinental) ou mesmo de diferentes continentes (intercontinental). Esse tipo de organização resulta de tratados internacionais intergovernamentais ou multilaterais, isto é, assinados por governos de vários Estados, e conta com órgãos cujo funcionamento busca assegurar objetivos e interesses supranacionais. Dependendo da organização da qual participam, os objetivos variam: podem ser de ordem política, econômica, social, cultural, jurídica, militar, entre outras.

Figura 26. Exemplos de grupos de pessoas com interesses comuns. Acima, fãs da saga Harry Potter no lançamento do livro em Berlim, Alemanha (2007). À direita, assembleia dos funcionários de uma montadora de automóveis em São Caetano do Sul, SP (2009).

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Valéria Gonçalvez/Agência Estado

Marcus Brandt/AFP

Pertencente a uma organização ou a um poder superior em relação ao governo de cada Estado ou país.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 Organizações internacionais regionais

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2 Alianças culturais: principais OIs regionais Existem organizações regionais dedicadas a aprofundar a cooperação entre países cujas populações compartilham traços culturais comuns, como língua e religião. Em alguns casos (figura 27), reúnem países que no passado pertenceram a impérios coloniais europeus. Figura 27. Alianças culturais: principais Ois regionais 0º OCEANO GLACIAL ÁRTICO

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

TRÓPICO DE CÂNCER

OCEANO

OCEANO

PACÍFICO

PACÍFICO EQUADOR

OCEANO ATLÂNTICO

CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) OIF (Organização Internacional da Francofonia) Liga Árabe OCI (Organização da Conferência Islâmica) OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos) Commonwealth of Nations (Comunidade das Nações)

CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) Criada em 1996, tem como objetivo reforçar a presença dos Estados-membros no cenário internacional, incentivar e desenvolver ações de cooperação entre eles em diversas áreas (educação, ciência e tecnologia, administração pública, cultura etc.) e promover a difusão da língua portuguesa. OIF (Organização Internacional da Francofonia) Fundada em 1986 e com sede em Paris (França), é uma organização dedicada à cooperação cultural, social, informativa, política e econômica entre os Estados onde se fala a língua francesa. Liga Árabe Fundada em 1945, com sede no Cairo (Egito), reúne países de língua árabe, com o objetivo de fortalecer e coordenar os interesses comuns entre os países-membros. Um dos objetivos principais da Liga Árabe é resolver o conflito árabe-israelense na Palestina.

MERIDIANO DE GREENWICH

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

OCEANO

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

ÍNDICO

N CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

2.310 km

Fonte: organizado pelos autores. * O traço pontilhado representa a fronteira do Sudão do Sul. As informações do mapa, porém, se referem ao Sudão anterior à independência do Sudão do Sul em 9 de julho de 2011.

OCI (Organização da Conferência Islâmica) Fundada em 1970, com sede em Jiddah (Arábia Saudita), é uma organização voltada para a defesa dos interesses da comunidade muçulmana no mundo, com o objetivo de desenvolver iniciativas que assegurem o seu bem-estar. OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos) Criada em 1949, com sede em Madri (Espanha), dedica-se a fortalecer a cooperação e a solidariedade entre os países ibero-americanos no campo da educação, da ciência, da tecnologia e da cultura, além de promover a democracia e a integração regional. Commonwealth of Nations (Comunidade das Nações) A atual Commonwealth foi criada em 1965, com sede em Londres (Reino Unido). Agrupa antigos membros do império colonial britânico, além de Moçambique, Estado que se tornou associado da organização e dela recebe cooperação nas áreas econômica, sociocultural, educativa, solidária e tecnológica.

PERCURSO 4

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ARRIGHI, Jean Michel. OEA: Organização dos Estados Americanos. São Paulo: Manole, 2003.

Uma leitura didática e instrutiva sobre a Organização dos Estados Americanos, que corresponde a uma organização internacional regional de escala continental.

A segurança internacional, a defesa de populações e territórios contra eventuais agressões externas e a busca por alianças militares sempre foram uma preocupação para os governantes dos países. Por mais forte e próspero que seja um Estado, não se pode garantir a segurança dos seus cidadãos e assegurar os interesses da nação mantendo-se isolado ou ausente de acordos com outros Estados. Assim, por meio de organizações e tratados internacionais (figura 28) busca-se fortalecer relações amigáveis com o maior número possível de países, a fim de diminuir o risco de conflitos. As principais organizações internacionais regionais relacionadas à segurança internacional são a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE). Criada no contexto da Guerra Fria, em 1949, a Otan é uma organização voltada para a colaboração militar entre os Estados participantes. Com o desmoronamento da União Soviética e do socialismo em Estados do Leste Europeu, entre 1989 e 1991, redefiniu suas funções, tornando-se o eixo da política de segurança de toda a Europa e da América do Norte. A OSCE, dedicada à promoção da democracia e do liberalismo econômico na Europa, desenvolve atividades voltadas para a prevenção de conflitos, administração de crises e reabilitação pós-conflitos em alguns de seus Estados-membros. Entre os tratados internacionais — acordos formais em que as partes determinam direitos e obrigações no relacionamento de umas com as outras — destacam-se o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) e o Tratado de Segurança do Pacífico (Anzus).

Figura 28. Segurança e defesa: principais OIs regionais e alguns tratados

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3 Segurança e defesa: principais OIs regionais

Quem lê viaja mais

0º OCEANO GLACIAL ÁRTICO

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

TRÓPICO DE CÂNCER

OCEANO

OCEANO

PACÍFICO

PACÍFICO EQUADOR

OCEANO

Tratados Tiar (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) Anzus (Tratado de Segurança do Pacífico)

MERIDIANO DE GREENWICH

ATLÂNTICO Organizações internacionais regionais Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa)

OCEANO

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

ÍNDICO N

CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

2.390 km

Fonte: organizado pelos autores.

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Também conhecido como Tratado do Rio, o Tiar é um acordo de defesa mútua entre os países-membros que começou a vigorar em 1948 e estabeleceu que uma agressão contra um dos Estados-signatários será considerada um ataque contra os demais. O acordo é administrado no âmbito da OEA (Organização dos Estados Americanos). Os países signatários que assinaram o Anzus em 1951 se comprometeram a solucionar problemas internacionais por meios pacíficos, garantir a segurança e a justiça internacionais, além de absterem-se do recurso à força ou extorsão. Por causa de uma crise relativa à segurança nuclear, em 1986 os Estados Unidos romperam suas obrigações militares com a Nova Zelândia. Assim, o tratado permanece em vigor entre Estados Unidos e Austrália, e entre Nova Zelândia e Austrália.

Uma das expressões geográficas mais visíveis da globalização em curso no mundo é a formação de organizações internacionais regionais dedicadas a facilitar e expandir as trocas comerciais tanto entre seus países-membros quanto deles com mercados mais distantes (figura 29). Popularmente são conhecidas como blocos econômicos regionais. Atualmente, existem pelo menos quatro tipos de blocos econômicos, com objetivos e características diferentes. Veja no infográfico das páginas 44 e 45 quais são esses tipos e alguns importantes blocos no contexto da economia mundial. Figura 29. Navio cargueiro transporta contêineres com produtos de diferentes empresas e países no estreito de Solent, que separa a Ilha de Wight da Grã-Bretanha (2010). ANDREW AITCHISON/IN PICTURES/ CORBIS/LATINSTOCK

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4 Economia e comércio: principais OIs regionais

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infográfico Nafta (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte)

Blocos econômicos Os blocos econômicos são organizações internacionais em que grupos de países estabelecem regras comuns buscando o fortalecimento econômico regional. Dependendo do nível de integração entre os países, adotam-se até mesmo políticas comuns monetárias e de desenvolvimento.

Zona de livre-comércio com o objetivo de liberalizar o comércio entre os três países-membros, entrou em vigor em 1994 e pode ser considerado uma reação à criação da UE.

Tipos de organização econômica regional Os diagramas abaixo representam de maneira simplificada as características das organizações econômicas regionais. $ Quanto mais elementos compartilhados (representados $ países. em azul), menor a autonomia econômica dos $

País-membro

Livre circulação de pessoas

Tarifas alfandegárias

$

Circulação de bens e serviços

$

$

1 Zona $ de livre-comércio $ $ $ $$ $ $

$

$

$$

$

$

$$

$ $

Moeda $

$

• Reduz ou elimina as tarifas alfandegárias sobre a importação e a exportação de produtos entre os países-membros. • Cada membro fixa as suas próprias tarifas alfandegárias no comércio com países não membros.

2 União aduaneira ou alfandegária $

$ $$ $ $ $

$ $

$

$ $ $ $ $

$

$

• Elimina barreiras alfandegárias entre países-membros. • Fixa tarifa comum externa aos países não membros que negociam com o bloco. • Forma-se em torno de um ou mais grupos de produtos.

$

3 Mercado comum $ $

$

$

$

$ $ $ $ $

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$ $ $ $

• Prevê livre-comércio e a eliminação de todas as tarifas alfandegárias e cotas de importação, além da livre circulação de pessoas, capitais e serviços entre os países-membros. • Permite a adoção de leis comuns em vários setores, como agrícola, industrial, energético e financeiro.

CAN (Comunidade Andina de Nações) Com sede em Lima (Peru), essa organização foi formada em 1969 com a denominação Pacto Andino para aumentar a integração econômica entre os países-membros. Em 1992 constituiu-se uma zona de livre-comércio, mas várias dificuldades político-econômicas dos Estados-membros dificultam a real integração entre eles.

4 União econômica e monetária $

$

$

$

$

$

$ $ $ $

$

44

$

$ $ $ $

• Além do que oferece o mercado comum, estabelece política monetária única (com a adoção de mesma moeda) e política de desenvolvimento econômico comum para os países-membros. • Tem como objetivo a criação da cidadania única. • Apresenta política externa comum.

Mercosul (Mercado Comum do Sul) Criado em 1991 com o objetivo de elevar a competitividade das economias de seus membros, é uma união aduaneira (livre-comércio e política comercial comum) com sede em Montevidéu (Uruguai). Conta com Bolívia, Peru, Chile, Colômbia e Equador como Estados associados. Em 2006 iniciou-se o processo de entrada da Venezuela como país-membro, que ainda não havia sido concluído em maio de 2011.

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UE (União Europeia)

CEI (Comunidade dos Estados Independentes)

Mais importante bloco econômico da atualidade, exporta um volume cerca de cinco vezes maior que os Estados Unidos. Como união econômica e monetária, permite o livre trânsito de pessoas e mercadorias e conta com o euro, moeda única que circula na maior parte dos 27 países do bloco.

Fundada em 1991, com sede na cidade de Minsk (Belarus), congrega 11 antigas repúblicas soviéticas e tem como principal objetivo promover a cooperação entre os Estados-membros em diversas áreas, implantando um mercado econômico comum — objetivo ainda não atingido.

Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) Com sede em Cingapura, essa zona de livre-comércio, fundada em 1989, foi a primeira organização criada para o fortalecimento da comunidade da Ásia e do Pacífico. A liberalização total do comércio entre os países da Apec está prevista para ocorrer até o ano de 2020.

Em alguns casos, há flexibilidade para que um país participe de mais de uma organização. Os países que compõem o Nafta, por exemplo, são também membros da Apec.

SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral) Criada em 1992, é uma zona de livre-comércio e tem como objetivo transformar-se em um mercado comum, além de buscar contribuir para a construção da estabilidade política e econômica da região.

Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) Fundada em 1967, destina-se a promover o desenvolvimento econômico e trocas comerciais entre os Estados-membros (cuja maior parte das exportações é endereçada a países fora do bloco), estimulando a redução gradual das barreiras alfandegárias.

1. Em quais tipos de organização econômica regional não é prevista a livre circulação de pessoas? 2. Em qual bloco econômico a maior parte dos países-membros adota uma moeda única?

PERCURSO 4

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Atividades dos percursos 3 e 4 Revendo conteúdos

1 Em 2003, o Conselho de Segurança da

c) integram o Conselho de Segurança dessa organização e, por isso, têm o poder de veto sobre qualquer decisão da ONU, como China, França e outros três países.

ONU votou contra a invasão do Iraque; no entanto, tropas estadunidenses ocuparam esse país e deram início à chamada Guerra do Iraque, que resultou na deposição e morte do líder iraquiano Saddam Hussein. Os Estados Unidos:

d) não fazem parte da ONU e, por isso, não se submetem às suas decisões.

2 O que são e como funcionam as Organiza-

b) integram o Secretariado Geral dessa organização e, por isso, estão aptos a decidir, sozinhos, sobre ações armadas.

ções Não Governamentais (ONGs)? Cite exemplos.

3 Os pontos A, B, C, D, E e F indicam a localização de empresas beneficiadas por blocos econômicos. Complete a legenda do mapa com os tipos de organização econômica regional de cada bloco e, depois, responda às questões. Blocos econômicos 0º OCEANO GLACIAL ÁRTICO

CÍRCULO POLAR ÁRTICO

A C

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e) integram o Conselho de Segurança dessa organização e, por isso, têm o poder de veto sobre qualquer decisão da ONU, como Rússia, China e outros dois países.

a) integram o Conselho de Segurança dessa organização e, por isso, têm o poder de veto sobre qualquer decisão da ONU, como Brasil, Rússia e outros cinco países.

D TRÓPICO DE CÂNCER

OCEANO

OCEANO

PACÍFICO

PACÍFICO EQUADOR

UE — _________________________ SADC — zona de livre-comércio Apec — ________________________ Mercosul (membros permanentes) — _____________________________

B

ATLÂNTICO

F

OCEANO ÍNDICO

MERIDIANO DE GREENWICH

E

OCEANO

a) Assinale o bloco econômico não representado no mapa que também se localiza na América do Sul:

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

N CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO

2.390 km

I.

CAN;

II. Asean; III. Nafta; IV. CEI.

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b) Duas empresas que aparecem no mapa estão localizadas em países que também integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Aponte quais são essas empresas. c) As empresas A e C estão localizadas em países que também integram a:

a) As organizações destacadas são universais ou regionais? Explique. b) Quais países da CAN têm acordos bilaterais com os Estados Unidos? De que forma isso caracteriza o tipo de organização econômica que define a CAN?

Explore

I. Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

5 Observe as imagens a seguir e responda

II. Organização da Conferência Islâmica.

às questões.

III. Liga Árabe.

a) Quais tipos de organizações internacionais estão representados nas imagens? Indique os objetivos de cada organização.

IV. Comunidade das Nações. V. Organização Internacional da Francofonia.

b) Que elemento retratado na fotografia B permite dizer que se trata de uma organização mundial?

Leituras cartográficas

JAY DIRECTO/AFP/GETTY IMAGES

4 Observe o mapa a seguir e responda às questões: Principais processos de integração regional nas Américas – janeiro de 2009

CANADÁ

OCEANO ESTADOS UNIDOS

Fracasso da Alca (Área de Livre-Comércio das Américas) TRÓPICO DE CÂNCER

MÉXICO

Nafta (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte) Cafta (Acordo de Livre-Comércio da América Central e República Dominicana) Outros acordos bilaterais com os Estados Unidos Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) CAN (Comunidade Andina de Nações) Estados-membros Estados associados

Figura A. Agentes da Cruz Vermelha resgatam moradores atingidos por chuvas tropicais que causaram enchentes em Marikina, Filipinas (2009).

CUBA REP. DOMINICANA BELIZE DOMINICA HONDURAS GUATEMALA EL SALVADOR GUIANA NICARÁGUA SURINAME COSTA RICA VENEZUELA GUIANA FRANCESA PANAMÁ COLÔMBIA

EQUADOR

LAURENCE GRIFFITHS/GETTY IMAGES

PACÍFICO

EQUADOR BRASIL

PERU

BOLÍVIA TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

PARAGUAI

OCEANO

CHILE

ATLÂNTICO URUGUAI

N

ARGENTINA

Mercosul (Mercado Comum do Sul) Estados-membros Estados associados Unasul (União das Nações Sul-Americanas)

1.580 km 100°O

Fonte: DURAND, Marie-Françoise et al. Atlas da mundialização: compreender o espaço mundial contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 57.

Figura B. Evento da Federação Internacional de Futebol (Fifa) na qual Rússia e Qatar foram os países eleitos para sediar as Copas do Mundo de Futebol de 2018 e 2022. Zurique, Suíça (2010).

PERCURSO 4

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Desembarque

em outras linguagens

Angeli: mais que desenhos, uma visão de mundo

angeli – fsp 9.6.2006

Com apenas 14 anos de idade, já publicava quadrinhos de humor em várias revistas.

1956

1963

1970

angeli – fsp

A

rnaldo Angeli Filho nasceu em São Paulo, em 1956. Aos 14 anos, já publicava quadrinhos de humor em várias revistas e, aos 17, foi eleito o melhor chargista do ano no Salão de Humor de Piracicaba, em São Paulo. A partir de 1973, passou a trabalhar como chargista político no jornal Folha de S.Paulo e, em 1983, lançou a revista Chiclete com Banana, que apresentava uma enorme galeria de personagens. Em 2010, Angeli ganhou o prêmio de melhor chargista no 22o HQMix, um dos mais tradicionais prêmios dos quadrinhos brasileiros.

Angeli nasceu no bairro Casa Verde, na cidade de São Paulo (SP).

Ingressou no Ensino Fundamental, no Grupo Escolar Benedito Tolosa.

Arte e humor a serviço da reflexão Pode-se dizer que a charge é uma forma criativa e irreverente de retratar a realidade. Com uma galeria de personagens contestadores, que criticam o comportamento urbano, as charges de Angeli tratam de temas relacionados à vida em sociedade, à geopolítica, à economia, ao meio ambiente, entre muitos outros. Publicadas em meios de comunicação de grande alcance, como jornais, revistas e internet, essas obras de arte e humor nos levam a refletir sobre o espaço e o momento histórico em que vivemos.

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angeli – revista chiclete com banana

Recebeu o prêmio do 22o HQMix como melhor chargista.

1991

2010 2000 Foi lançado no mercado editorial português, onde fez grande sucesso.

1983 Publicou a revista Chiclete com Banana, lançando uma enorme galeria de personagens.

angeli – fsp 26.6.1998

1973 Começou a trabalhar em jornal como chargista político e criou personagens marcantes e críticos do comportamento urbano.

Participou da exposição de quadrinhos na Itália em comemoração aos 500 anos da chegada dos europeus à América, expondo ao lado de grandes chargistas internacionais.

Caixa de informações 1. Em quais meios de comunicação as charges desse artista são publicadas? Qual é o papel desses meios na compreensão e interpretação das suas charges?

Interprete 2. As charges são capazes de retratar elementos da ordem mundial em um determinado período his­tórico? Justifique sua resposta com base em seus conhecimentos e nos elementos das charges desta seção. 3. A partir da observação da charge “O mundo em que vivemos”, apresente os temas abordados pelo autor e os elementos que os caracterizam.

Mãos à obra 4. Com base no que você estudou nesta Expedição, selecione um tema e represente-o em uma charge. Procure desenhar imagens expressi­ vas sobre o tema e uti­lizar textos curtos e su­gestivos. Use a criatividade para se manifestar por meio de per­sonagens.

PERCURSO 4

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Pensados de forma lúdica e afinada com as inovações do mundo, os volumes da coleção propõem uma viagem pelo conhecimento. A linguagem acessível, os textos diversificados e a ênfase nos recursos visuais convidam a interagir com os temas apresentados por meio de diversas estratégias de aprendizagem, como infográficos, seções exclusivas e atividades lúdicas e desafiadoras. Conheça mais no site da coleção e veja os recursos disponíveis para os professores adotantes, planejados para facilitar a prática pedagógica e despertar o interesse nos alunos.

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confira: • Sumário da obra • Uma seleção de conteúdos didáticos para análise do professor

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