
M A N U A L D O
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O R C E DDO R
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M A N U A L D O
O R C E DDO R
São Paulo
Manual do torcedor
© Glauco Mattoso, 2026
Editoração, Diagramação e Revisão
Lucio Medeiros
Capa
Concepção: Glauco Mattoso
Execução: Lucio Medeiros
Fotografia: Akira Nishimura
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Mattoso, Glauco
MANUAL DO TORCEDOR / Glauco Mattoso. –– Brasil : Casa de Ferreiro, 2026. 160 Páginas
1.Poesia Brasileira I. Título.
25-1293 CDD B869.1
Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia brasileira
Originalmente publicada em edição impressa (2022) pelo sello Lumme, esta collectanea, antes intitulada CHANCA NA CANCHA e agora digitalmente reeditada com sonnettos da nova safra (a partir do undecimo milhar), faz um recorte da veia satyrica mattosiana em torno do futebol, paixão thematica directamente ligada à podolatria, outra fixação fetichista do auctor. Desde o inicio da antiga safra (1999), quando compoz o sonnetto “Futebollistico”, incluido por Italo Moriconi na anthologica selecção de OS CEM MELHORES POEMAS BRAZILEIROS DO SECULO (Rio de Janeiro: Objectiva, 2001), taes poemas veem sendo objecto de compilações especificas como OS 11 CONTRA, OS 11 A FAVOR: UM BRAZIL E ARGENTINA COMO VOCÊ NUNCA VIU, E COM JUIZ URUGUAYO (São Paulo: Lumme, 2007), organizada por Francisco dos Sanctos e Aníbal Cristobo, ou LITTERATURA E FUTEBOL (São Paulo: Abril, 2010, Especial BRAVO!), organizada por João Gabriel de Lima, para não fallar dos contos e chronicas em que se abborda o esporte das massas. Mattoso se inscreve, portanto, no clube dos escriptores que, em prosa ou poesia, thematizaram fanaticamente o maior traço cultural dos brazileiros, ao lado do carnaval e, naturalmente, do sexo, implicito e explicito.
Machismo é futebol e amor aos pés. São machos adorando pés de macho e nesse mundo magico é que me acho em meio aos fans de algum camisa dez.
Invejo os massagistas dos Pelés nos ludicos momentos de relaxo, servindo-lhes de chanca e de capacho, levando a lingua alli, do chão no rés.
É logico que um cego que nem eu, sem chance de poder commemorar, não pode convocar o titular dum time brazileiro ou europeu.
Contento-me em chupar o pollegar do pé desse rhachitico plebeu de varzea que, coitado, não venceu siquer a mais local preliminar.
Agora todo craque tem “agente”, si não “procurador” ou “empresario”, que o passe lhe leiloa, seu salario calcula e tira um tanto que o sustente.
Contractos teem, às vezes, tanta gente mettendo a mão, que cada proprietario fracciona sua parte num Romario, Garrincha ou Ronaldinho adolescente.
A clausula ficou bem complicada: O pé que chuta mais pertence ao time. A perna do outro pé fica emprestada e vale mais si o gajo faz regime.
A rolla entre juizes foi rifada. A bunda, accostumada a quem a mime, dois donos tem: papae e a namorada, alem dalgum traveco que não rhyme.
{Caralho, porra!} -- irado, o treinador esnobe e engravatado instrue a equipe. A fim de que o zagueiro participe, lhe diz {Porra, caralho!} com fervor.
Olhado pelo traje, é de suppor tivesse um linguajar que estereotype o nivel superior da classe VIP à qual diz pertencer o “professor”.
Instado, justifica que os “meninos” entendem só palavras de calão, por isso emprega os termos menos finos. Tentei comprehender, mas não sei, não.
Me accodem commentarios fescenninos… Em casa, a esposa o tracta por “patrão”, lhe corta a unha dos pés, e com suinos ruidos chupa a rolla até o colhão.
Em ouro, pratta ou bronze todo athleta quer ver-se medalhado. O brazileiro está mui raramente no primeiro logar, mas marca olympica ‘inda é meta.
Num campo nosso craque se projecta -- a bolla - mas no estadio verdadeiro -- o grego - faz papel piffio e fuleiro o medico, o gymnasta, e até o poeta.
Em medicina, a poncta é só da faca. Na quadra, o podio bem de longe é visto. Vanguarda, em poesia, é pedra ou caca. Algum genio que surge é como um kysto.
Mas palmas todos battem ao babaca. Excepto um accidente ou imprevisto, ninguem no pantheão seu nome emplaca nem Glauco ou Piva algum será bemquisto.
“Não quero p’ra casar com minha filha!” -- é sempre o commentario que se escuta accerca dum athleta que bem chuta mas no comportamento pouco brilha.
Com isso todo mundo compartilha o estylo cafageste e a má conducta do craque, desde que com garra e lucta conquiste campeonatos nessa trilha.
Assim do futebol é mesmo o mundo? Hypocritas! Então na filha alheia o gajo pode a rolla metter fundo, alem de puxar fumo e furar veia?
Si for assim, serei mais vagabundo que o proprio jogador: quero-lhe a meia e o pé cheirar, espero, bem immundo, aquelle tal que a gente até tonteia!
Sumiu um par de tennis que ficava jogado pelo chão do vestiario. Disseram que elles eram do Romario, mas são de quem um penalty ‘inda cava.
Faz tempo que seu couro não se lava, e a cor ja desbotou, dado o precario estado a que, trancados num armario, chegaram, e a catinga agora é brava.
Occorre-me o que tenho perguntado a todo fan da minha poesia: Quem foi que a mão passou no tal calçado, tão sujo que ninguem o calçaria?
Só pode ser proeza dum tarado! Vocês verão, mais dia, menos dia, vae elle apparescer, tendo passado, alem da mão, a lingua, que é mania!
Chuteiras pendurou certo attaccante, de cuja “despedida” até se orgulha, devido ao povo que um estadio attulha e applaude-lhe o charisma, delirante.
De la p’ra ca, porem, tenta, durante a temporada inteira uma fagulha de fama facturar, e ‘inda vasculha si vaga tem nalgum time importante.
O gajo vez mais cada se embanana! Paresce que essa gente não sossega, ainda que no banco tenha grana e edade p’ra gastal-a à moda brega!
Carrões, mulheres, drogas, nada sana a falta duma bolla e dum collega no campo ou noutro jogo, mais sacana, com quem, longe da gente, elle se exfrega.
Agora o Ronaldinho ja encasquetta que quer ultrapassar o que o Pelé marcou na selecção! Pretende até ser de Todos os Seculos o athleta!
Folgado, né? Nem bem elle completa metade do que o Rei fez, e tem fé que chega rapidinho no seu pé e como Imperador ja se projecta!
Está, de facto, o gajo deslumbrado! Paresce nem lembrar de que, outro dia, chorava, de joelho arrebentado, e, em coppas, teve até dysenteria!
Melhor faria elle si o recado soubesse interpretar: que mais valia um passaro na mão que um cento alado, a menos que outra fosse a prophecia…
Melhor rivalidade não exsiste que aquella entre dois times, não na bolla appenas, mas em tudo quanto rolla quando a torcida alegre humilha a triste!
O bom da humilhação, porem, consiste nas rixas extracampo, quando a sola dalgum arruaceiro na cachola do torcedor rival pisa e faz chiste!
Mais coisa, nesse poncto, se accrescenta. Dizer que o Maradona ao Pelé vence não basta: um argentino os representa, na charge, em posição que outra dispense.
Pelé, que se adjoelha, experimenta o gosto da chuteira e se convence, lambendo o pé do “pibe”, que este é penta! Melhor do que Flamengo e Fluminense!
Escreve-me um amigo, e assim me inteiro que o time “lanterninha”, embora à beira da queda, tem (paresce brincadeira) um craque que faz pose de artilheiro.
De facto, é um “mactador”, porém fuleiro é o gesto delle à midia, quando cheira (mettendo o nariz dentro da chuteira) o gaz do pé que, em campo, é tão certeiro.
A scena não é nada meritoria. “É forte?” (lhe pergunta o jornalista) {Fortissimo! Tem cheiro de victoria, de gol, de goleada!} Nem despista!
O proprio chulezinho é a compulsoria paixão do craque! E o “phoca” que resista à chanca e que não seja outro que adore-a sem dar, dalgum podolatra, na vista.
Depois do futebol, a suburbana estrada vira palco de estupendo confronto entre torcidas! Sae correndo um gordo, mas o cercam e se damna!
Quem fogo lhe atteou, com tanta gana, cahiu na gargalhada! E o gordo ardendo em chammas, debattendo-se no horrendo estado em que ficou, de tocha humana!
Attraz de quem não acha bom abrigo, um magro, machadinha em punho, attacca, os dedos deceppando do inimigo, mas tomba quando espetam-lhe uma faca!
Ouvindo alguem contar, penso commigo: paresce até piada, mas é fracca, repete-se, e sorrir já não consigo quando ouço alguem voltar à quente vacca.
Cracões camisa dez, que tantos tentos marcaram, não se incluem no meu plano, pois não sou flamenguista ou corinthiano, siquer no futebol busco os talentos.
Camisas vi, de tons pretos, cinzentos, e duas tenho, só, das quaes me uffano: a mais bonita, azul, do São Caetano; a outra, advermelhada, do Juventus.
Não pensem que virei um vacillão! Torcer pelo mais fracco é minha signa. Si contra um “grande” é o jogo do Azulão, eu visto a deste e volta dou na exquina.
Mas, quando elle e o Juventus jogam, não vacillo: a vermelhinha me hallucina! Trajando-a, ja perdi, como a visão, sem chance de revanche e sem vaccina.
Do craque um fan biographo publica a vida detalhada em grande e grosso volume, que revela, até o pescoço, a lama em que se atola, em dicas rica.
Porem o jogador furioso fica e embarga o livro, emquanto um doce e insosso reporter mostrará como bom moço um gajo que se droga e que traffica.
Aqui ninguem dirá que são coitados. As partes (editor, biographado, auctor) e respectivos advogados celebram um accordo bem bollado.
No rollo, livram todos os trez lados a cara: em cambio negro ja quotado, o livro é rateado entre os saphados. Empatte ja será bom resultado.
Emquanto grita “Chupa!”, o torcedor fanatico a cabeça põe p’ra fora do apê, pela janella: “Chupa, agora!”, repete, vingativo, com furor.
Dirige-se ao vizinho: quando for à rua, occultará que commemora querendo que lhe engula a dura tora quem dá bom dia e o tracta por “doutor”.
Será que faltará civilidade? São ambos pacatissimos! Mas quando começa o jogo, exquescem a amizade, a classe, o tractamento urbano e brando!
A cada gol que sae, pela cidade se escuta o grito “Chupa!”, em tom de mando. Não ha celebração que mais degrade, ainda mais si grita assim um bando.
Quebrou-se outro tabu: marcou Romario, emfim, o gol millesimo! Só resta agora que o recorde a gente encare-o como algo provisorio e faça festa.
É como celebrar o anniversario de alguem, dum casamento, da modesta poupança, quando a sobra do salario permitte: que é feliz, ninguem contesta!
Porem, não viverá nessa mammata. Depois, o desaffio continua: emquanto uma camisa você sua, lhe cobram que recordes novos batta.
É disso que tractei e que se tracta, excepto no sonnetto: quanto mais eu batto, mais me dizem que normaes ao cego são as dores e a bravata!
Não ha o que mais odeio, si accompanho um jogo do meu time pelo radio, que aquelle intervallão, cujo tamanho paresce ‘inda maior que o proprio estadio!
Peor é quando o mais tacanho e fanho daquelles jogadores, sem que enfade-o, dá sua “palavinha”: “Si não ganho, empatto ou perco, certo?” E o gaudio invade-o.
Prefiro da torcida a voz mais rouca! Odeio, alem do annuncio de remedio, o craque ante o reporter, que não mede-o no quanto de “palava” lhe sae, oca.
Dum craque só se espera coisa pouca! Quem joga futebol não dá “palava”: precisa só jogar, antes que a trava lhe saia da chuteira e entre na bocca!
O estadio é gigantesco: si, vazia, nos choca e maravilha, essa estructura lotada é trepidante e desaffia a logica, tão solida e insegura!
Torcidas se agglomeram quando é dia de classico. Nas ruas se mixtura o povo, mas la dentro não seria possivel: cada qual o egual procura.
A cada gol, alguem até se exporra!
Emquanto a archibancada treme, a urina empoça nos banheiros, fedentina provoca, em biccas la de cyma jorra.
A cada falta, alguem até se borra! Coitado de quem fica no caminho! O mijo de quem ganha cae, quentinho, na cara de quem perde e vae à forra.
Alem da puta simples, sem mania, da “groupie”, da Maria Gazolina, tambem se faz menção à tal Maria Chuteira, que commigo algo combina.
Só fico imaginando o que faria quem usa dessa alcunha nada fina a sós com algum craque que sacia na dicta seus desejos de bolina.
É claro que as chuteiras lhe descalça a puta, cuja pose não é falsa na scena em que cafunga na canhota e numa sola grossa a lingua bota.
Não tenho a menor duvida que o craque, embora um gol no campo não emplaque, lhe mette o pé na bocca e o pau na chota, mas isso a midia cynica nem nota.
Aquelle jogador não joga nada! Maior perna-de-pau! E joga com um puta dum salto alto! Só embaixada sabe fazer! Em summa, não é bom!
Mas, em contrapartida, que jogada que fez seu empresario! Esse tem dom para negociar! Si, para cada reserva, houvesse um desses, que frisson!
Às vezes, phantasio o que então rolla. Ja vejo até a gallera a ovacionar aquelle que transforma em titular o gajo que quadrada viu a bolla!
Tal typo de negocio faz eschola. Tambem do deputado um advogado precisa ser dos bons, pois o saphado até para roubar se descontrola!
Chamado “chinellinho”, elle não quer treinar e de doente só se faz. Ao clube comparesce, mas, si der, nem cheira umas chuteiras o rapaz.
Si for para sahir, pegar mulher, varar a noite… logo se refaz da “seria contusão”! Haja o que houver, porem, quer ser tractado como um az.
Detalhe conferi nesse bossal.
De tanto ter passado o pé arejando, até seu chulezinho é já mais brando que aquelle da chuteira: era “animal”.
Mas esse ramerrão é sempre egual. Reserva ou titular, seu empresario tem prompto um poncto, caso alguem encare-o: “Elle está quasi em condição normal…”
Em campo, o jogador, na dividida, o choque não evita e vem ao chão. Deitado, sente como é que revida o jogador rival tal encontrão.
Na cara leva o chute! Ha quem decida que aquillo, na verdade, foi pisão! O facto é que a chuteira foi lambida, na practica, si as travas alli vão!
Onde é que se offendeu o craque opposto? Exacto: bem na bocca! E como aberta se achava, quando aquella sola accerta na cara do attaccante, amargo é o gosto!
Não foi aquelle insulto tão supposto. Não sangra, mas resente-se daquillo que, deante da tevê, vem denegril-o: a marca da vergonha no seu rosto!
Torce o sanctista contra o sampaulino: ainda que o rival, la fora, enfrente algum time uruguayo ou argentino, se alegra quando o gringo vence a gente.
“Sou Boca ou Peñarol desde menino, comtanto que o São Paulo se fomente!” Assim, ou viceversa, me defino si, torcedor do Sanctos, sou doente.
Em todo o paiz, rolla a these vil. Espera um colorado que se foda quem torce para o Gremio, claro, em toda partida em que o rival seja Brazil.
Não ha por que ser, nisso, tão gentil. Importa mais o bairro que a nação, o estado ou a cidade: amigos são os mesmos a quem fiz guerra civil.
Maracanan lotado, Mineirão lotado, Morumby lotado… Qual paiz não gostaria que o povão lotasse algum estadio nacional?
Mas só para a victoria! A commoção da massa num esporte em que o rival é patria do extrangeiro: eis a razão de ser uma derropta tão fatal.
As coisas ja nos foram bem peores. Na Coppa de cincoenta, viu a gente que nossa selecção foi, de repente, vencida em casa… Ah, minha mãe! Não chores!
Brochou o pau, a lingua, até clitoris! Quem viu não se conforma: é como a tropa nazista la em Paris! E foi na Europa que nos tornamos, bem depois, maiores.
Zagueiro violento, elle é batata: carrinhos dá por traz, empurra, soca. Feliz foi o chronista que o retracta: “pega, em cada enxadada, uma minhoca”.
Si falha a marcação com que combatta um optimo attaccante, elle ja troca o jogo limpo pelo pau da patta. Quem é que, à sua frente, não pipoca?
Tractando-se de lance disputado, cahido o centroadvante, mette a chanca na cara do coitado e, na retranca, seu time vae mantendo o resultado.
Partida tensa. Jogo ja accabado. Placar que não sahiu do zero a zero e, como falta um arbitro severo, bem alto o zagueirão ergue o solado.
Em campo, a bandeirinha o corpo exhibe de puta, ou de “modello”. Da gallera lhe chega a gritaria: “Prova o kibbe, gattinha! Chupa aqui! Vem ca, panthera!”
Tambem uma “juiza”, que prohibe perguntas dos reporteres, e fera se torna quando apita, assanha o “pibe” que exsiste em cada macho, alli. Pudera!
Estão presentes todos os clichês. Na cama, cada uma é sapatona, mas sabe que, por traz dum Maradona, está um latente androgyno, talvez.
Ouvido que não soffre de surdez de compta faz que nada esteve ouvindo, emquanto um torcedor acha outro lindo, mas finge querer dellas a nudez.
Edade, para os hippies, influia na adversão por alguem que a gente sinta. Foi principio de tal philosophia: “Não confie em ninguem com mais de trinta!”
Persistem taes valores hoje em dia: que um az do futebol na edade minta faz parte do mercado. Alguem confia num “velho” que não marca e que não finta?
“Vovô”, rotula a chronica quem passa dos trinta, trinta e cinco… Quem commenta chacota faz do craque. Eu acho graça, ja que estou a caminho dos septenta.
“Canalhas envelhescem tambem!”, falla o povo, cuja lingua não aguenta ninguem. Eu me divirto. Manda balla o bandido “menor”, e se innocenta.
Pergunta para o technico Machão durante a collectiva: “O jogador que accaba de estrear mostrou valor e chega a conquistar seu coração?”
Responde o treinador: {Ei, homem não! Meu coração conquista só si for a minha esposa, e dura nosso amor ja trinta e tantos annos, meu irmão!}
Manchette sae na pagina esportiva: “Machão diz que foi gay quando solteiro.” e velhos commentarios readviva… É foda o jornalismo brazileiro!
Não é? Por que será que ninguem criva de taes questões um arbitro, primeiro? Por isso que entrevista collectiva diverte-me, entretido, o tempo inteiro.
Na miss as pernas chamam a attenção, assim como as do craque da chuteira, por causa da largura da cadeira, opposta à da cannella, em proporção.
É proprio à boazuda o “violão” formado por aquella costumeira bundona e pelos seios. Quem ja beira os trinta, vae perdendo essa attracção.
Em sendo de mulher, ninguem extranha a larga coxa: a fina não combina. Porem no jogador a coxa ganha destaque, pois qualquer cannella é fina…
Naquelle que obstentar anca tamanha. E tal desequilibrio ‘inda culmina num pé bem brazileiro, de tacanha e estreita dimensão: pé de menina.
Si está todo encardido, no fedelho, a mãe o reprehende, não com tanta dureza, pois decerto, antes da janta, o filho o lava e segue o seu conselho.
Mais tarde, ao contemplar-se num espelho, percebe nada haver que lhe garanta ficar como o da Nara. Que addeanta lavar? Agora está todo vermelho!
Eterna lhe paresce essa sequela. Um dia, ja crescido, jogador se torna, mas seu medo está naquella chuteira que alli batta: é muita dor!
A rotula mudou, virou patella, mas nada mudará quando elle for rever mamãe e ouvir a bronca della, alem da fallação do torcedor.
Ary Barroso tinha uma gaitinha: seu toque virou marca registrada da commemoração tripudiada em cyma da torcida que se appinha.
Torcida do outro time, se adivinha: a cada gol marcado, emquanto brada, contente, o narrador Ary faz cada mudança no placar mais excarninha.
Em seu estylo typico, bizarro, temido ou odiado, Ary nem liga: a gaita tripudia, tira um sarro, excepto si a camisa for amiga.
Agora, si do time um gol eu narro, alguem ja grita “Chupa!”, caso siga a gaita, cujo dono puxa o carro, xingado de sacana duma figa.
O Sanctos, que não tinha ‘inda um Pelé, ficou de fora. Ommittem-se tambem Palmeiras e Corinthians. Só quem tem logar será o São Paulo, nesse olé.
O tempo é de Leonidas. Café é symbolo da patria, mas ninguem duvida que da bolla é que nos vem prestigio, alem do samba… Pé por pé…
Ausencias e presenças dão na vista. Flamengo, Botafogo e Fluminense estão no imaginario do sambista, ainda que no Vasco elle não pense.
Si formos exigir-lhe toda a lista, até o Ameriquinha, por nonsense, devia figurar, caso um desista do computo na chronica circense.
Assim o nosso time nada ganha!
Só temos jogador perna-de-pau! Depois de tanto resultado mau, ainda acham que estou fazendo manha?
Que merda! A incompetencia foi tamanha e o nivel attingiu tão baixo grau que fomos pro rebollo e, ahi, babau! Até do lanterninha a gente appanha!
Sou mesmo um azarado, ja suspeito!
Cahimos da terceira para a quarta, da quarta para a quincta… Desse jeito, o patrocinador ja nos descharta!
Culpada é a cartolagem! É bem feito! Mas eu não me conformo! Um raio os parta! Nem como massagista eu approveito aquella chulezeira, alli, tão farta!
Da boa sorte vive quem mal joga. Voltando de má phase, um attaccante fuzila o archirival e se garante. Depois, com ironia dialoga.
Responde, si o reporter o interpella: “Nóis é carrasco mermo!” E dá risada, revendo o lance, um chute de trivella ou uma truculenta cannellada.
Experto, o jornalista mais o attiça: {Você sente um gostinho quando marca trez contra o seu ex-time?} E elle, com parca cultura: “É tesão puro! É uma deliça!”
Levanta a sola, que enche toda a tela, e zoa: “Agora lambe aqui, cambada!” Não ha maior chuteira do que aquella, nem menos attrevida gargalhada.
O jogo mais o dopa do que droga. Mas, mesmo que victoria um craque cante, na proxima, erra, e é “burro” e “inguinorante”. Em breve, não está mais elle em voga.
{Nós temos audiencia nacional! E agora, amigo ouvinte, com você a analyse daquelle que mais vê: Fulano de Tal, sempre racional!}
“Alô! Bem, meu querido, você sabe, um jogo é sempre um jogo, e o resultado ninguem accerta, até que o jogo accabe. Ouvinte, estamos sempre do seu lado!”
“Teremos hoje um classico e, é certeza, não ha favoritismo… Quem garante que vença o visitante? E si o mandante vencer, por outro lado, foi surpresa?”
“Respeito quem discorda, mas nem cabe achar que empatte é pouco… Eu sou scismado: descompto excessos, caso alguem se gabe… O nosso ouvinte sempre está ligado!”
{Achei a sua analyse cabal, perfeita, caro mestre! E então, cadê o trio de arbitragem? Falta o que? Ah, prompto! O juizão deu o signal!}
Um jogo sempre rende gozação. No classico “San-São”, a meninada da Villa dansa samba e dá lambada. Coitados dos que victimas lhe são!
A cada gol marcado, de quadrilha ou frevo ensaia os passos um sanctista e um “velho” tricolor mais elle humilha. Aquillo causa riso, dá na vista.
Não é dentro de campo, todavia, maior a gozação: gritando “Chupa!”, na exquina ou na varanda é que se aggruppa quem sobre o rival “Bambi” tripudia.
Um pae com taes moleques sua filha não casa, mas orgasma si, na pista, tal como no gramado, um delles brilha a cada aphrodisiaca conquista.
Chorar o perdedor vae sempre em vão. Repete “Chupa, Bambi!” da sacada quem, frente à Independente, não diz nada, com medo de levar um pescoção.
Normaes provocações rollam na vida. Que em briga a gozação até descambe, mas, findo o jogo, ja não ha quem sambe. Dispersa a mais fanatica torcida.
Sahiu toda a gallera, appós o jogo. Somente algum gruppinho, noite affora, prosegue, quando alguem ‘inda tem fogo e escuta alguma voz que commemora.
Num cantho mais escuro, porem, falta soccorro ao solitario torcedor sanctista que, implorando “Por favor!”, cercado é, dalguns “Bambis”, pela malta.
Será, naturalmente, sob o “pogo” dos jovens, sua bocca, que ora chora, pisada, rindo a turma do seu rogo. Assim se põe a raiva para fora.
Que rolla alli tesão alguem duvida?
Ironico, hem? Quem xinga um boy de “Bambi” na cara seu pé leva e escuta “Lambe!” Na sola a lingua sente-se encardida.
{É, gente! É fim de jogo! Que derropta! E agora, meus amigos, com vocês Elle, o commentarista sem “talvez”: Fulano de Tal! Tudo o cara annota!}
“Alôôô! Bem, meu querido, é como eu digo: que cada jogo é um jogo… Ao favorito, perder assim um classico é castigo. Por isso é que esta phrase eu sempre cito!”
“Perdeu porque foi muito retranqueiro. A minha these é que a melhor defesa devia ser o attaque… Foi surpresa? Caixinha de surpresas, companheiro!”
“Respeito quem concorda ou não commigo, mas acho que culpar somente o apito não basta… Esse argumento é muito antigo… Por isso prophecias sempre evito!”
{Fallou o queridinho da patota! Fallou o mestre! Quanta lucidez na analyse perfeita que elle fez! E então? Em qual cracaço o povo vota?}
É symbolo de garra tal zagueiro. Em campo, ao jogo bruto o beque appella no bicco, no carrinho ou na cannella. É typico do genio brazileiro.
A bolla pouco importa: o que elle visa é a cara, mais que o corpo, do attaccante rival, na qual com força chuta e pisa, achando natural que o povo o cante.
Durante os treinamentos, é cordato e calmo: paciencia tem até com quem lhe photographa, em close, o pé quarenta e quattro, a sola grossa ao tacto.
Casado está com certa poetiza que delle disse: “Nada ha que me encante mais nesse pé que a pelle, branca e lisa…” Quem é que não queria tal amante?
Daquelle pé supponho qual o cheiro. Não toca elle de lettra ou de trivella: na grama, é pau; na cama, elle chinella. Meu ecstase, em punhetas, eu ja beiro.
Commum vocabulario ouço com gozo. À “folha secca” sommam-se “embaixada”, “peixinho”, “bicycleta”, “pedalada”… São termos para um joven talentoso.
Quem não baptiza algum e não faz feio, destacca-se num lance corriqueiro: o penalty, o excantheio, o cabeceio. Ha sempre quem jogou assim primeiro.
Quem menos tem talento se destacca no porte ou na apparencia, como o “meia” que, tendo uma estatura que se hombreia, no numero que calça é grande paca.
Cincoenta é sua chanca, que, no meio das outras, faz furor: conhesço olheiro que sonha descalçal-a; eu devaneio, babando de prazer no travesseiro.
Será que elle seria generoso? Em vez duma camisa autographada, podia nos dar elle a chanca usada! Que sonho! Quanto orgasmo! Que gostoso!
Estou, no futebol, bem callejado. Não torço para time grande, mas, torcesse, eu não faria o que alguem faz. Não fico o tempo todo tão ligado.
Não quero correr riscos. Eu zapeio, ouvindo pelo radio: si meu time marcar, prosigo ouvindo o tempo meio, até que uma victoria se approxime.
Gozando do adversario o soffrimento, deleito-me, mas, caso elle consiga marcar, o meu dedinho ja desliga o radio, pois soffrer eu não aguento.
Depois, o resultado, com receio, confiro. Não ha jogo que me anime si contra está o placar e perdem feio. Prefiro sensação bem mais sublime.
Sardinha sempre puxo pro meu lado. Ah, não! Para torcer não tenho gaz o tempo inteiro, até nas horas más! Si for para perder, eu ja me evado!
Jamais elle será craque europeu. Não ha nada que aggrade, nem que encante, nem nada de galante no attaccante. Aqui, mais se assemelha a algum plebeu.
Seu pé quadrado e chato se excarrancha por dentro duma enorme e larga chanca, que é branca e em branco mancha a verde cancha. O gajo tem mais coxa, tem mais anca.
É feio feito um bugre, mas gol marca e, dando a “palavrinha”, diz: “Eu carço cincoenta, de extourá quarqué cadarço! Si poz a cara embaixo, a gente carca!”
Goleiros ja pisou aquella lancha que duma só mulher suspiro arranca: Maria Trava, a fan que acham ser fancha. Xingada, a tal subiu ja na tamanca.
Apposto que o pezão ella lambeu!
Traveca que é masoca tem bastante motivo p’ra tirar-lhe o atroz pisante. Tiral-o quereria, tambem, eu!
Linguagem é, no jogo, differente. Lesão, no futebol, sangrando ou não sangrando, não importa: é “contusão”. Da falta de cultura se resente.
Fractura, contractura… não importa, é tudo “contusão”. Si muscular ou ossea, não importa, é lettra morta. Até me accostumei ao linguajar.
Do campo, quando o craque sae de maca directo para o proximo hospital, soffreu a “contusão”, jargão fatal que o mau commentarista bem destacca.
La seja o que sentir, que o descomforta, só pode “contundido” o craque estar! “Contunde-se” na lingua, até, que é torta, quem queira de analysta aqui posar.
Alguem ca me paresce incompetente. Morreu de infarcto em campo? Ora, o jargão não falha: é “contusão” no coração! Mudar está faltando outro que tente.
Jogador que quer ser craque de malicia é bom modello. Quer na zaga, quer no attaque, um rival não vae vencel-o.
Caso um tento não emplaque, à porrada faz appello. Dividindo, é choque, é baque: elle mette o cotovello.
Violencia se excancara: Si não for cotovellada, não tem elle um pé de fada: mais a um casco se compara.
Quem for fracco mais se azara: O adversario, ja cahido, vê, de largo e de comprido, uma sola bem na cara.
Da torcida a barulhada que ensurdesce e tem sequela é cornetta amplificada: vuvuzela é o nome della.
Mas conhesço um camarada que dispensa a vuvuzela. Não precisa de mais nada: para o peido o cara appella.
Com pheijão no seu regime, peida tanto e tal barulho faz seu peido, que eu me orgulho de torcer para o seu time.
Que mais gente se approxime! Caso em gruppo a gente torça, eu só grito: elle faz força e um golaço desreprime.
Quer nos clubes, quer na Coppa, se repete a mesma scena, das Americas à Europa, africana ou branca a arena.
Sempre a camera se topa reprisando o que condemna o “fairplay”: um pé galopa e excoiceia, audaz, sem pena.
Haja foco no pisante!
Quando a trava da chuteira rasga um rosto, o lance beira o sadismo mais flagrante.
Quem soffreu isto, garante: Labios sangram ao beijar, da biqueira ao calcanhar, sem querer, no ardor do instante.
Futebol, dirão vocês, é o esporte mais raçudo: na final, mais uma vez, meio tempo muda tudo.
No primeiro, a gente fez por vencer, mas não me illudo: no segundo, sou freguez e levei mais um biccudo.
A sadismo o caso cheira: A chuteira do opponente bem na cara accerta a gente e chupamos-lhe a biqueira.
O fetiche isto ja beira: Si aos tabus eu me accostumo, é normal que, ao levar fumo, ser pisado tambem queira.
“¡Ay, mi madre!”: o jornalista hespanhol não reprimiu a esperança na conquista: “Ai, mamãe que me pariu!”
Porem, antes que elle insista, um collega advisa: “Psiu! Vae com calma, meu! Despista! Palavrão quasi sahiu!”
No calor, falta pudor.
Pela radio, que transmitte a partida, ha quem imite a paixão do locutor:
“Si meu time é vencedor, eu tambem saio pellado!
Caso vença a Hollanda, eu nado no canal, sem nada pôr!”
Ser goleiro é levar vara!
Onde eu piso, a grama morre!
Si eu defendo, quem dispara “chutou fracco” e “está de porre”!
Si eu engulo, a falha é clara: “comi frango”… e a fama corre!
De quem chuta a minha cara nunca ha chance que eu desforre!
Mais azar tem minha piça:
A putinha que eu fodia está gravida! Annuncia que pensão quer na justiça!
Rolla aquella mesma missa:
Si eu mactal-a e exquartejal-a, ja meu time não me escala e meu genio desperdiça!
Futebol não é partida para frouxo ou dorminhoco, pois ha, fora a dividida e o carrinho, outro suffoco:
É a bollada! Quem revida sabe quando dar o troco, mas a bolla, na battida, dá na cara mais que um soco!
Vão taes datas para a agenda. Por exemplo: na barreira, a pellota acha, certeira, o nariz de quem defenda!
Ha machão que ‘inda se offenda? Ai! Da frente, antes que saia, pelo choque elle desmaia e a anecdota vira lenda.
Microphone nem direito adjustado, e o cara admitte: “Communico-lhes que acceito, meus senhores, o convite!”
Outro egual ja fora feito a um collega seu da elite dos “coppeiros”, e o subjeito recusou, gente, accredite!
Cargo egual, quem não arrosta? Mas ainda faltam quattro longos annos, e o theatro só de applauso vive e gosta.
Sua sorte está, pois, posta. Si, até la, soar só vaia, nada impede que este saia e um terceiro acceite a… apposta.
Longe o beque da pellota, mostra a sola da chuteira. Foi “pé alto”, o juiz nota, sem olhar para o bandeira.
O zagueiro, uma marmota. O attaccante, uma toupeira. Na cannella um mette a bota.
O outro vive na banheira.
A torcida à sancta appella. Com elencho assim, qual time haverá que se approxime dos primeiros da tabella?
Alguem sua sorte sella: Professor “prestigiado”, esse technico, coitado, novos craques nem revela.
A torcida, que se aggruppa, commemora o gol do time: a quem perde, intima “Chupa!”, e esse grito tudo exprime.
O ceguinho nem com lupa lê jornal, mas não se exime: ouve o radio e se preoccupa que a chupar alguem o intime.
Sempre rolla tal façanha. Para um time rebaixado elle torce, e entende o brado de quem, rindo, delle ganha.
Scena assim ninguem extranha. Intimado, se adjoelha e, aggarrado pela orelha, um caralho elle abboccanha.
“Futebol é uma caixinha de surpresas”… e um caixão de “retranca” e “burra linha”, de “catimba” e “tapetão”.
Quem commenta só adivinha; quem apita, ou é ladrão, ou é bicha; quem “fominha” não quer ser, “passa o ballão”.
Vem do tempo da caverna: “corta-luz”, “pivô”, “trivella”, “chinellinho”, “vuvuzela”, “derby”, “classico”, “lanterna”…
A piada é sempre “interna”. O jargão é pittoresco, mas não entra termo fresco nem palavra mais moderna.
Não quero parescer muito severo, mas ha, no futebol, uma lacuna: preciso é que se impeça ou que se puna partida que termine em zero a zero.
Que mudem essa regra, é o que eu espero, pois, nesse empatte, um poncto me importuna! Meresce ponctuar só quem enfuna a rede! Premio ao zero eu não tolero!
Decida! Cobre penalty! Prorogue o tempo até que algum dos times marque! Quem sabe o retranqueiro, assim, bem jogue! Ou, quando não jogar, que depois arque…
Com criticas em tudo quanto é blog! Será prioridade, então, no Parque, o gol! E o “professor”, por mais bulldog que seja, irá exaltal-o, antes do embarque.
“Caixinha de surpresas”? Não! Que nada! É “camara”, isso sim, e “de tortura”! Durante o jogo, a gente se pendura em forca, em pau-de-arara, em estrappada!
A gente soffre sustos, caso invada a nossa area o rival, si mal segura a bolla o nosso archeiro, ou quando fura o chute a gente em bolla bem lançada.
Nervoso nós aqui sempre passamos. Si quasi nós marcamos, a agonia soffremos e, si quasi nós tomamos, tambem a gente soffre, attura, expia.
Escravos parescemos: nossos amos nos battem… Do golzinho uma alegria mal dura, si o placar jamais viramos. Seremos campeões, nada, algum dia!
Agora, pela Europa, o juiz não dá falta mais nenhuma! O jogador ja pode commetter seja o que for, carrinho, pé na cara, pescoção.
E a moda aqui ja pega! Leva mão no peito, até gravata, o “mactador” e cae, sendo pisado! Urra de dor, mas segue o jogo e nada de chartão!
Devia dar um filme brazileiro.
A scena é choreographica. A corrida do centroadvante, a perna do zagueiro, o tranco, a pirueta retorcida.
O corpo rodopia e vira, inteiro, de pernas para o ar! Prostra-se, em seguida, immovel, e de maca sae ligeiro, debaixo dos applausos da torcida.
Eu sou, quanto ao Flamengo, indifferente. Si fosse carioca, torceria ou para o Madureira, ou Ollaria. Aqui, sou do Juventus fan doente.
Mas pilho-me putissimo somente si alguem, sendo paulista, tem mania de “roxo flamenguista” e tripudia, no espirito de porco, sobre a gente.
Embora tal figura seja excassa, paulista que se affirma flamenguista devia ser lynchado em plena praça, até queimado vivo, caso insista!
Meu odio de esportivo ardor não passa. Porem, si um trahidor não baixa a crista, meresce que lhe accabem com a raça no sonho dum ceguinho derroptista.
Me conta um jogador (verdade pura), amante que é da noite, que a Maria Chuteira, quando transa, se appropria de usadas camisinhas, ou as fura.
Precisa inseminar-se, o que assegura pensão, herança… E, quando chupa, fria, evita engolir: finge na bacia cuspir, mas enche a chota da mixtura.
O craque, prevenido, faz a puta chupar, mas pela orelha a prende bem, até que tudo engula e não discuta, sem chance de siquer dizer porem.
O jeito, diz o craque, é força bruta! Na chota, quando mette, de ninguem acceita camisinhas: elle chuta certeiro em campo e, em casa, tem nenen.
Achei muito engraçado! O narrador do jogo, cauto, evita o palavrão a todo custo. Hypocrita, diz: “Não! Não pode! Que é que o ouvinte vae suppor?”
Mas abre o microphone e, quando for captar do treinador uma instrucção mais rispida, se escuta: {Mais tesão, caralho! Mais porrada! Mais suor!}
{No rabo! Faz tomar no rabo! Enraba!}, insiste, berra o technico. Ninguem lhe barra a voz no radio. Elle se gaba: {Sou foda! Sou fodão! Quem perde tem…
Mais é que se foder!} Depois vem, braba, a voz do narrador: “Que feio! Eu, hem?” Mas, quando a transmissão do jogo accaba, commenta: “Veadão! Enganna a quem?”
Um dia, ja foi moda. Caso emplaque um gol, o jogador, ante a torcida, appalpa o proprio pau. Isso convida os outros a appalpar o pau do craque.
Alguns chegam por traz: são seus, de attaque, collegas. A mão mettem na fornida e dura rolla. Aggarram-na. Valida tal gesto o torcedor, applaude a claque.
Se chama “pattolagem” esse estylo de commemoração. Vale tambem dar uma encoxadinha, sem vacillo. Agora, me paresce que ninguem…
Practica mais aquillo. Ao permittil-o, é claro que o juiz orgasmos tem! Não fazem da questão nenhum sigillo mas fingem que não lembram muito bem…
O sonho, antigamente, era jogar na nossa selecção. Hoje, um athleta deseja estar na Europa. Nem se affecta si alguem for convocado em seu logar.
Questão nem faz de ser o titular num jogo caçanickeis, pois, na recta final, o que interessa mesmo, a meta, é craque ser no clube que ganhar.
Ninguem mais salvação é da lavoura! Um titulo é curriculo! Amistoso é mico! De repente, o gajo extoura joelho ou tornozello, e foi-se o gozo!
Prefere um jogador ser da tesoura a victima num jogo, ao desastroso carrinho que a carreira lhe desdoura! No banco todo craque é talentoso!
Dois homens, frente a frente, numa mesa de bar, tiram a limpo a differença. Um delles assumira como offensa o amigo disputar sua princeza.
“Você não vae fazer essa baixeza commigo, vae, parceiro? Dá licença! Sem essa, meu! Roubar quem não pertença à gente é redobrada saphadeza!”
{P’ra mim, toda boceta se reparte! Quem disse que a menina lhe pertence? É muita pretensão da sua parte! Melhor pensar em coisa que compense!}
“Tá certo… Cê venceu… Eu que descharte a chance… E, por signal, sou palmeirense. Você, como sanctista, tem mais arte e, em caso de paquera, mais convence.”
Está fora de forma o cincoentão, mas joga futebol com a gallera no campo que improvisam, bem onde era mattão fechado. Agora aquillo é chão.
Na terra, elle se ralla, exfolla a mão, o braço, sae sangrando e vira fera. Mais tarde, está ja calmo. À sua espera, o filho adolescente. Ambos se vão.
Cruzaram o portão no muro, o trilho. Em casa, de chinello, sente o pé doendo. Uma massagem pede ao filho. Faz este ar de difficil, mas não é.
Descalça seu pae. Pensa: “Não me humilho! Appenas massageio!” E o pae: {Olé! Joguei bem, hem? Ainda tenho brilho! Ainda no meu pique boto fé!}
Ao menos, no Brazil, alguem ja pensa que a Coppa não traz nada que approveite ao nosso crescimento. Bello enfeite serão esses estadios! E compensa?
Qual nada! O que circula pela imprensa é pouco. Si de pedra tirar leite, ainda vae gastar, para deleite da FIFA, o paiz uma somma immensa!
A Coppa? Tudo gyra ao seu redor! Depois, se sucateia tudo! A grana que agora é desviada bem maior será que o sucatão que nos uffana!
Então, algo se appura. Mas de cor sabemos: dará pizza de banana! Perder la na Allemanha era melhor!
A gente, em farra assim, sempre se damna!
Ricardo: o sobrenome nem precisa dizer. Muitos Ricardos teem inteira certeza: aquelle é flor que não se cheira, deshonra esse prenome que os baptiza.
Si, seria, alguem fizer uma pesquisa, verá como, antipathico, elle beira o posto campeão da podriqueira, a vil notoriedade, a menos lisa.
Se sente, perto delle, mau odor. Fallando, elle dá nojo. No que faz, ainda mais. Inspira só rancor, repulsa, esse sequaz de Satanaz.
Não é que um puxa-sacco de “doutor” o chama? Que não tenha intenções más, duvido. Este, affinal, foi treinador e gasta, na politica, algum gaz.
Si eu fosse o jogador cuja medalha roubada fora pelo dirigente saphado, não deixava esse incidente barato: exigiria pena à “falha”!
Jamais me calaria! O que me calha, por merito, eu exijo! Qual! A gente disputa, ganha, e o premio simplesmente “sumiu” na mão de alguem que não battalha?
Hem? Vamos pôr as coisas na ballança! A gente, desde cedo, joga bolla, escreve, faz poemas, livros lança… e as glorias todas cabem ao cartola?
O gajo que roubou, que fez lambança, ainda acha desculpa que não colla? Tomar no cu! Pau nelle! Mais cobrança! Um dia algum castigo sempre rolla!
O classico paulista tem confronto de classes, entre “bambis” e “gambás”. Fardados, os gambés manteem a paz no estadio, mas, na rua, eu me ammedronto.
Rivaes terriveis, mactam-se num poncto qualquer, numa estação, num wagão… Mas tambem a gozação que fazem faz effeito visual, de batte-prompto.
Paresce tudo obrinha do Destino! Ao “bambi” só pergunta o corinthiano: “Cepeefe na nota?” E diz, ferino, que os “bambis” são freguezes, anno a anno.
“Tem troco p’ra cem?”, falla o sampaulino, dizendo que, ao centesimo, seu plano cumpriu: marcou Rogerio. Eu nem opino. Si fallo, por signal, sempre me damno.
Ouvi de amigo meu: “Glauco, não pense que enganna alguem com isso, eu lhe previno! Não venha me dizer que é juventino! Torcer para o Juventus não convence!
Você, Glauco, bem sabe que pertence à turma do chiqueiro, que é suino seu karma, seu estigma, seu destino! Sim, Glauco! Orra, se assuma palmeirense!”
Conhesço, das torcidas, toda a manha. Si gosta de soffrer o corinthiano, mas sabe que, ao final do jogo, ganha, maior do palmeirense é sempre o damno.
O porco soffre quando o time appanha e soffre quando batte, anno appós anno, quer pizza elle prefira, quer lasanha, quer seja calabrez, quer de Milano.
Os times muito devem: ao athleta, impostos ao governo… é claro, alem de gols, de jogos ganhos e, tambem, de titulos, que é sempre a maior meta.
Mas, mesmo assim, contractam! Quem completa salarios millionarios? Alguem vem e banca, patrocina, com ou sem attrazo, o novo craque… e mais projecta!
Só pode tal mutreta cheirar mal! Só pode ser lavagem de dinheiro! Por isso um time “grande” tem aval, embora perdedor e caloteiro!
Tambem dá p’ra explicar, no Carnaval, “escholas” que torcidas são: teem cheiro de crime organizado… e eleitoral! Ahi tem, sim, jeitinho brazileiro!
APPRESSANDO O PASSO [5113]
Hem? Como? “Accelerar o rhythmo”? É isso que “un coup de pied aux fesses” significa? Sim, claro que o francez é lingua rica, mas, traduzindo assim, soa castiço!
Prefiro “um pé na bunda”! Sei que attiço os animos: no rabo levar bicca alguem meresce? E a coisa peor fica si fallo do Brazil e accuso o enguiço!
Si as obras attrazaram, si nem lei conseguem fazer, penso, sim, que é grave! Mas “chute no trazeiro” não darei, pois sei que meu bordão batte na trave!
Compuz em portuguez, e comporei. Francez pode soar até suave. Na bunda em ponctapés fallar, não sei, porem, si em ouro fecha a melhor chave.
GOGÓ DE GAGÁ [5125]
Não posso comparar pela “pinctura” na hora em que elles marcam gol, nem dar trophéu de craque a Messi ou a Neymar, mas, pela voz, tracei-lhes a figura.
Ouvindo Messi, eu vejo um velho. É dura, roufenha e grave a sua voz. Fallar do jeito que elle falla tem um ar de enfado e mau humor, ninguem attura!
Nem sei si este quartetto persuade. Neymar, por outro lado, quero e aguento ouvir: tem voz de alguem da sua edade, de joven, de garoto allerta, attento.
Não gosto de voz grossa em joven. Ha de ser essa a differença: um rabugento, mas outro jovial. E eu que “Gol!” brade, pensando no pé delles, chulepento!
Bronquissimo, brutissimo, a má fama daquelle zagueirão ninguem extranha mais. Quando outro vermelho o gajo ganha, ainda microphones quer! Reclama:
“Melhor ficar calado! Estou na lama!
Ou fico caladinho, ou faço manha!
Ou fecho a bocca, ou logo alguem me appanha fallando merda e a coisa se exparrama!”
Polemica a fofoca ja creou.
Ironico, o reporter accrescenta: {Tem medo de fallar? Pois ja fallou!}
E ri da propria lingua virulenta.
De campo sae o beque. Deu seu show. Irá, no vestiario, a chulepenta chuteira deixar, disso certo estou, querendo um cheiro desses pela venta.
Meu time outra perdeu! Assim não dá! Sou calmo, sou pacato, não aggrido ninguem, mas, si me aggridem, eu revido! Me gozam! Dos limites passam, ja!
Nasci civilizado, com babá de classe fui creado, com bandido evito me envolver e repetido eu tenho: minha raça não é má!
Fallar de violencia até me enfada! Por isso, futebol não é motivo, na minha opinião, para porrada, e ao campo, de voltar, jamais me privo!
Só macto alguem, no estadio, caso invada meu lado outra torcida! Não me exquivo, ah, pode appostar, disso, não, por nada! Quem venha me enfrentar não fica vivo!
A bollada na vidraça foi fatal! Toda a janella se quebrou. Não sae de graça travessura tão singella.
“Mas, mamãe! Não foi pirraça! Dei um chute forte nella porque, assim, ella ultrapassa a barreira, de trivella!”
Bem me inteiro desse culto. Qual trivella! Foi torpedo! Ja previa, tarde ou cedo, tal preju qualquer adulto!
Vae a grana ser de vulto. Ter do campo a casa à beira nisso accaba! Ha quem não queira, por prazer, causar tumulto?
Diz Neymar que se adjoelha, si um collega gol de placa marca, e beija-lhe a parelha chanca, quando se destacca.
Mas só falla e a sobrancelha ergue, ironica. Si attacca, é fominha e nem vermelha tem a face em tarde fracca.
Seu fetiche ganha fama. Diz que a chanca do outro oscula, mas não beija. Que um gandula beije a sua, nem reclama.
Que será que faz na cama? Mais provavel, accredito, por ser elle um craque, um mytho, é si um outro seus pés ama.
Jogador que beija a bolla, ao cobrar um excantheio, mostra garra. Mas não colla seu amor, si o chute é feio.
Vão dizer que o labio exfolla o babaca bem no meio duma bolla onde entra a sola das chuteiras, fundo, em cheio.
Dirão logo do boboca: “Elle beija o que pisado foi por todos! Terá dado por tesão essa beijoca?”
A resposta se colloca, bem provavel. Mas, si o chute accertar, ha quem lhe impute pecha alguma de masoca?
Retirado foi de maca o zagueiro, inconsciente. O subjeito é forte paca! Que será que teve, gente?
Peripaque? Elle se attraca com os craques! Nada sente dividindo a bolla! Fracca não será a sola que enfrente!
Foi, emfim, ao choque exposto! Com os cravos da chuteira o attaccante deu certeira trauletada no seu rosto!
E eu quiz delle estar no posto! Elle é sempre quem exfolla artilheiros! Duma sola, desta feita, sente o gosto!
Um “esporte de contacto” futebol é, como diz o chronista, que acha chato si não vê varões viris.
“Si batter, eu tambem batto!”, falla o craque que, feliz, entra em campo. Fica grato o reporter, que isso quiz.
Nunca falta quem se aggrade. Mal o classico começa, surge bello exemplo dessa salutar “virilidade”:
Alguem batte com vontade. Dois se extranham. O pau quebra. Toda a chronica celebra e a torcida o campo invade!
SONNETTILHOS DUMA TORCIDA ENFRAQUESCIDA (1 a 6) [5461/5466]
Sampaulino? Não combino! Corinthiano? Não! Nem pense! Ser sanctista? Me vaccino! Que restou? Ser palmeirense? Ja affirmei ser juventino, mas a causa não convence.
Si meu verso é tão suino, minha signa é ser circense.
Só que, emquanto o meu Palmeiras sempre estava nas primeiras posições, eu me ommittia. Affinal, um soffredor, como o cego, tem que expor uma imagem de agonia.
Meu pae era sampaulino. Meus irmãos torcem, tambem, para os bambis. O menino Pedro um time ‘inda não tem. Ser poeta fescennino eu queria, mesmo sem conhescer um Aretino, um Bocage, muito bem.
No gymnasio, eu fui tiete dos collegas que baskete practicavam: uns gigantes! Mas de nada eu entendia. Minha occulta phantasia era olhar os seus pisantes.
Quando entrei na faculdade, houve a coppa de septenta. Nessas horas, nos invade a atmosphera barulhenta.
O Brazil pauleira enfrenta: Inglaterra. Quem não ha de se ligar? O clima exquenta caso alguem um só gol brade. E bradaram! Foi o nosso! Impassivel ja não posso pretender ser, doradvante. Fui prestando uma attenção cada vez maior e não mais seria um ignorante.
Na familia, a italianada influia: a sympathia sempre estava mais ligada ao Palestra, mamma mia! Alem disso, o Pedro nada a ver tinha com quem ia contestar: seu pae, que, cada vez mais, delle differia.
Conclusão: discretamente, o Pedrinho adolescente foi virando um torcedor.
De lambuja, algum jornal mostra a photo sensual do pezão dum jogador.
Mas surgiu logo o conflicto. Como alguem que vae ficar cego pode ser convicto torcedor, desses de bar? Como pode esse maldicto condemnado pelo azar torcer para um que bonito vem fazendo? Elementar!
Desde a amada “academia” ao vexame em Tokyo, eu ia disfarsando que torcia. Mas, agora, que meu time de perder não se redime, é possivel que eu lhe rhyme.
Estou sendo coherente, pois, si porco me confesso. Um masoca consciente tem que amar esse insuccesso. Si o Palmeiras, de repente, começar a ganhar, peço mil desculpas e, silente, eu devolvo o meu ingresso. Como o time, ao que paresce, nem torcida quer, mas prece, ser eu posso um palestrino.
Futebol é meu castigo e podolatra prosigo, como fui desde menino.
Tem estima ou tem estigma? Quem carrega um time inteiro? Si ruim se mostra o clima, hoje é dia do goleiro.
Quando a bolla se approxima, elle espera e sae, certeiro. Quer por baixo, quer por cyma, só não pega si é frangueiro.
Elle gosta da ribalta. Muda a cor da camiseta, sae caçando borboleta, faz a cera, faz a falta.
Faz a ponte e, lindão, salta! De canudo ou de canneta, leva! Toca até punheta si pegar a que vem alta!
“ELLE PODE, POR ACASO, SACAR O PÉ DO PELLÉ?” [5582]
Pelé não tem dois eles. Acho chato. Palindromos dependem da graphia errada, a reformada. Mas eu tracto de pol-os, mesmo assim, na poesia.
Saquei, sim, do Pelé seu pé. Formato normal tem elle, embora a Xuxa ria dum pé que diz ser torto. Desaccapto paresce-me: despeito da tithia.
Garrincha, sim, teria, ao que constato, pé torto. Porem Elza nunca chia. Estive, ja, com ella. Que contacto bacchana que foi! Tive essa alegria!
Contou-me Elza: cortava de seu gatto as unhas do pezão. Talvez um dia eu corte as do Chulapa… Mas, de facto, somente em sonho o lance rollaria…
Espaço dá, dedica muito dengo a midia àquelle clube, exaggerado conceito de que, pelo nosso lado de fracco futebol, só dá Flamengo.
Ja como torcedor, sempre capengo e caio, suffocando cada brado de gol que foi perdido, mas vingado estou quando o Mengão se torna quengo.
Perdeu do Liverpool o Mundial de Clubes! Isso basta para meu tesão estimular! Qual europeu meresce mais tamanha bacchanal?
Dos Beatles elle é symbolo! Que tal? Que mais posso querer, nesse meu breu de luzes e de titulos? Perdeu o Mengo! Que delicia! Que final!
Si na chronica esportiva vale aquillo que interpreta o reporter, creativa não será, jamais, a meta.
Se mantem repetitiva a “caixinha” si secreta. “De surpresas”, não se exquiva da mesmice e appuro affecta.
Futebol é diversão, mas tem gente que complica coisas simples. A questão se resume numa zica.
Quando um time é campeão, teve sorte, eis o que explica. Perdedores, todos são azarados, eis a dica.
Bordão do narrador de futebol no radio diz da vida: “colorida, gostosa…”, em conclusão, “de ser vivida”. Só falta algo fallar da luz do sol!
Tá certo, Maciel! Depois dum rol de phrases animadas, quem convida o ouvinte, suggerindo que decida ver coisas positivas, lança anzol.
Entenda quem quizer. Eu comprehendo o termo “colorida” da maneira mais clara: não é cego quem ver queira as cores, não um triste breu horrendo.
Alegre-se quem vê, pois eu defendo seu maximo tesão. Minha cegueira só fica alegre quando uma coppeira partida pelo radio ouço, mas vendo.
Aos paes occorre sempre esta questão: Que nome dar devemos ao filhinho que craque, um dia, seja, canarinho? Resolvem com amor o problemão.
Em vez de ser Adão, Sebastião, Romão ou Elesbão, que tal Zezinho, Marinho, Romarinho ou Ronaldinho? Ha sempre bons homonymos à mão.
Que seja jogador de selecção queremos? Romarilson, com certeza, chamar-se deve, ou Neymarson, então. Não pode ter um nome que nos leve…
A ter delle o conceito dum João ou Zé Ninguem, peão, furando greve. Não sendo nem siquer um do Timão, talvez qualquer Zezão sinta firmeza.
O pappo, antes do jogo, não tem graça. Não quero enrollação, eu quero bolla rollando, sem mais pappo que não colla! Depois do jogo, sim, um quadro traça.
Achar que differença alguma faça encher linguiça serve a quem nos trolla com blefes e bravatas de gabola. Em campo está o que compta para a massa.
Agguardo pelo classico no estadio, mas, antes do começo da partida, é tanto fallatorio no meu radio que até prefiro ouvir, de quem decida…
Gritar, uns palavrões, caso mais brade o povão majoritario na torcida e, mesmo que o calão alli degrade o discurso, mais a scena é divertida.
{Passou por um, passou por dois! Será possivel? Chapellou mais um zagueiro! Só falta agora… Ah, va tomar no cu! Marcou por cobertura! Assim eu não transmitto mais a porra desse jogo! Vão todos para a puta que pariu! Ao patrocinador peço perdão, tambem ao nosso ouvinte, mas não dá! Assim não dá mais para narrar nada da merda desse jogo! Vão à puta, repito, vão à puta, à merda, todo o time se foder! Desculpe, gente!}
“Ahi, Glaucão! Escuta só! Vem ca! Escuta a narração desse fuleiro reporter esportivo! Si tabu achavas palavrões na transmissão dum jogo, que dirás do desaffogo das magoas deste gajo? Só serviu de meme pelas redes! Palavrão tem volta? Tem perdão? Achas que ja chegamos a tal poncto de excrachada chulice, que qualquer gajo que escuta aquillo não faz caso desse engodo? Então, Glaucão? Estás indifferente?”
-- Estou me divertindo. Não está você? Provavelmente só o goleiro vazado não rirá. Termo mais cru ouvi de torcedores, mas um tão explicito me vem quando, no fogo dum classico, o outro time reagiu melhor e o meu perdeu. Nos versos são até bem collocados os de má sonancia, mas são termos que quem brada no radio manchará sua conducta. Xingar, eu xingo, sempre que me fodo, mas, sendo num poema, alguem aguente!
{Dei buscas, attendendo ao seu pedido, mas nada achei, Glaucão, nem na Calçada da Fama, aquella que era conhescida emquanto um pantheão “Maracanan” ainda definia, antes da coppa perdida, da reforma destructiva. Não, Glauco, pé nenhum de jogador, moldado no cemento, corresponde ao typico formato que você cultua. Dedão todos teem egual ou mesmo mais comprido que o segundo artelho. São “romanos” e não “gregos”, segundo o seu criterio. Mas achei appenas um: talvez o do Renato Gaucho tenha curto o seu dedão, não sei si tanto quanto você queira, mas vou salvar a photo, a qual annexo.}
-- Renato? Qual? Aquelle que tem sido um idolo no Gremio? Não, mais nada me diga! A sua busca me convida a duma coisa appenas ter a van noção de que me lembro! Nada ensopa mais minha sunga que essa scena viva na mente, do Leandro, com amor, fallando que seguia o craque aonde preciso fosse, dando roupa, apê, presentes… Quanta inveja tive, mal eu soube, do Leandro, si no fundo dum tennis, duma chanca, deu empregos diversos à narina, à lingua gay! Que inveja, si na sola do sapato, do pé descalço, um labio ficou tão pertinho do Renato! Prazenteira imagem vou guardar, que praza ao sexo!
Não seja, amiga, nisso nada burra! A dica dou: si experta você for, começa a namorar um jogador famoso, sem ciumes e sem turra.
Aos poucos, desentende-se. Então, urra, barracos arma, allega que de cor tem elle preconceito. Faz suppor que irá se defender, por isso o empurra.
Sabendo que elle nunca foi bom moço, prepare-se, querida, para dar porrada! Batta, aggarre em seu pescoço!
Registre essa aggressão no cellular. Do resto, sem ser duro, sem ser grosso, qualquer “adevogado” vae tractar.
Aquelle jogador de futebol queixava-se de estar o seu contracto suspenso, só por causa dum ingrato azar que lhe impedia ver o sol.
Logar ja, no melhor time hespanhol, perdera. “De repente, ‘inda constato que minha namorada, que é, de facto, lindissima, applicou-me vil anzol!”
“Alem de me imputar o que não fiz, ja contra mim depoz, e se exsecuta a minha prisão, ordem do juiz!”
“Tão linda, a tal modello! Na disputa insiste por que?” Então fallar eu quiz: {Mas, porra, quem mandou casar com puta?}
SONNETTO DA MORDIDA NA VIRILHA [10.062]
Hem? Veja só que hilario foi, Glaucão! Um homem mordeu outro na virilha em publico! Você, que compartilha taes factos em sonnetto, um tem à mão!
Um membro da torcida do Mengão mordido foi! Não acha que isso humilha aquelle que mordeu? Quem dentes rilha rilhou la muito perto! Não foi não?
Pouquinho mais mordesse, ja mordia (talvez até chupasse), em pleno shopping, o membro de quem torce e vae à via!
Cartolas, mais cuidado, quando topem com esses torcedores! Qualquer dia alguem enraba alguem! É thema pop, hem?
SONNETTO DUMA PUTA DE QUEM CHUTA [10.065]
Eu, quando jogador era de bolla, fodi, Glaucão, com uma mulher dessas que chamam de “modello”. Mas não peças que eu conte boa coisa, pois não rolla!
A puta só mantinha na cachola a gana de roubar-me, pois às pressas fodia! Mal chupava! Não confessas que gostas tu de pés de rapazola?
Pois ella nem lambeu meu pé! Não quiz siquer provar o sebo do meu pau! Assim craque nenhum será feliz!
Eu craque não fui nunca, mesmo, Glau! Troquei-a por qualquer dessas gentis rampeiras feias! Orra, Glauco! Uau!
[10.066]
Não, Glauco, não joguei em clube rico! Só time de terceira divisão, no maximo! Por isso putas não peguei, dessas “modellos”, nenhum mico!
São putas de politico ou milico e, quando um jogador lhes cae na mão, só querem sua grana, meu irmão! Por isso com “modellos” eu implico!
Vocês, que são gays, Glauco, teem mais sorte, pois vivem na suruba! Só castigo terão, esse infernal, depois da morte!
Nós, machos, somos victimas (e eu brigo por causa disso) dessas que meu forte chulé detestam! Vida dura, amigo!
SONNETTO DO BOLLEIRO PAGODEIRO [10.090]
Carreira, ja fallei, de jogador é vida de cachorro. Mas me explico. Até dum astro, um idolo, um ja rico, é curta, quinze anninhos, si isso for.
Por isso o craque gosta de suppor que pode fazer tudo: curtir picco, pó, fumo, beberagens e, qual mico maior, foder, é claro, sem amor.
E fode. E como fode! Fode tanto que, numa surubada dessas, pode mostrar que não tem rabo la tão sancto.
Algum tempo durante, ‘inda de bode posou, pondo nenen por todo cantho. Agora, machos acha no pagode.
Alguem, no futebol, diz que ficou “doidão, doidão, doidão” appós cheirar a meia chulepenta: aquelle par que estava nos pezões de quem jogou.
A culpa desse lance está num show de bolla: a narração, com linguajar gaiato, do Ricardo Mello. Um ar podolatra se impõe. Fan delle sou.
Agora virou moda: alguma meia fedida quer cheirar, bem cafungada, aquelle que ficar “doidão” anxeia.
O Mello vae dizer que não tem nada com isso, mas direi, de bocca cheia, que estou com a narina ammalucada.
Eu pago, para todo o time, cem reaes! Quero cheirar cada chuteira, tambem as meias! Caso o cara queira, eu cheiro o pé descalço, sim, tambem!
{É pouco! Cem é pouco! Porra, nem por sermos varzeanos tão sem eira nem beira nós seremos! A charteira você não abre? Então cheirar nem vem!}
Tá certo! Duzentão! Mas não acceito chuteira que não tenha chulé forte! Ei, venha aqui! Cheirar deixe eu direito!
{Ja chega! Ja cheirou! Que se comforte com isso! Si quizer ter mais proveito, que pague, de trezentos, um apporte!}
REI DA LEI DO EX [10.154]
Chamado fui, Glaucão, de pipoqueiro! Com raiva da torcida, que vaiava meu nome nos estadios, eu à fava mandei e prum rival sahi, ligeiro!
Questão fiz de marcar, ja no primeiro confronto, contra aquelle ex-time e trava mostrei, destas chuteiras, a quem dava valor menor ao celebre bolleiro!
Mostrei, alem da sola, à minha antiga torcida, a dura rolla, para fora, na cara do juiz -- bom que se diga!
Fui para fora, claro, mas agora dos dois lados alguem sempre faz figa que eu mostre novamente minha tora!
Foi, mesmo sem jogar uma rodada, a sorte do Flamengo muito boa. Ainda que qualquer rival se doa, deu tudo certo, um ferro para cada.
Um perde, empatta aquelle. A coisa aggrada ao povo flamenguista. Não à toa a midia accusa a fraude e, na pessoa dum arbitro, um placar vira piada.
Roubaram? Não roubaram? De concreto, ficou o resultado bem de jeito às comptas do Flamengo. Nem me inquieto.
Fé tenho que, a despeito do suspeito jeitinho, o Fla na proxima, completo, dá sopa ao chocolate, e eu me deleito.
Na zona da degolla, reacção animica faltando, o time grande mal joga. Sem um lider que commande, o time vae soffrendo humilhação.
Chuteira ao alto. Um arbitro que não tem pulso. Um soffrimento que se expande no time perdedor. Feito uma glande, a poncta da chuteira arbitra a acção.
Prostrado no gramado, o centroadvante ja chupa a chanca suja do zagueiro. Ninguem alli mais acha que é bastante.
Em casa, revivendo o lance inteiro, orgasma quem chupou. Ninguem se expante com esse masochismo dum bolleiro.
DIA DO CHRONISTA ESPORTIVO [10.484]
Empatte bem que pode rollar, meu querido ouvinte. Temos favorito? Não creio. Mas empattes eu admitto que sejam bem possiveis. Entendeu?
Não temos, como os clubes de europeu tamanho, jogadores de perito estylo, um futebol que bem bonito se jogue, só refugo de plebeu.
Sim, coppas ja ganhamos. Mas agora ficar em zero a zero ja seria um lucro na partida, que demora.
Si tiros não houver, pancadaria maior não occorrer, uma senhora teria, com seu filho, uma alegria.
No campo ja fiquei, Glaucão, bem perto daquelle jogador que maior pé tem, desses gigantões! Maior até que desses basketeiros, fique certo!
Fallei, no vestiario (fui experto), com esse bem dotado! Sim, pois é! O gajo tem fetiche! Bote fé! Fetiche por chulé! Sim, jogo aberto!
Na sua propria chanca elle cafunga, pois falla que encontrou alguem com cheiro egual só nos discipulos do Dunga!
Glaucão, o que elle diz é verdadeiro! Reporter que se mostre meio punga não topa aquelle cheiro de chiqueiro!
A cada mundial, se lembrará o nosso torcedor da musiquinha: “Palmeiras não tem…” Temos só coppinha! Hem, Glauco? Que desgraça, camará!
Dodecacampeão? Sim, mas não ha qualquer comparação, meu, nessa linha dos titulos de peso! Ja adivinha você que gozação alguem fará!
O Sanctos, o Corinthians, o São Paulo teem coppas desse typo! Pelo rallo se foram nossas chances, menestrel!
As regras vão mudar e, no gargalo, jamais nós venceremos! Nosso callo p’ra sempre pisarão! É tão cruel!
DIA DO SOMNO [10.690]
Glaucão, ja accostumado estou àquillo que com você tambem rolla: passar a noite sem dormir! No seu logar tambem estou, Glaucão! Fique tranquillo!
De insomnia nós soffremos! Referil-o me soa redundante, pois azar tivemos de deixarmos de enxergar faz tempo! Nem é caso de sigillo!
Mas quero lhe contar um segredinho… Um methodo occorreu-me, Glauco, para pegar firme no somno, rapidinho!
Ouvirmos futebol! Não falha, cara! Estamos em tal varzea, que meu vinho barato ja nem tomo! Precisara?
Terão que me engolir, todos vocês, seus merdas! Vocês sabem quem sou eu? Quem quiz desmerescer-me se fodeu! Eu sou muito mais eu, seus fedepês!
Treinei ja muito time de burguez, de elite e de povão! Nem europeu capaz foi de vencer um clube meu! Ninguem por este esporte melhor fez!
Me encher o sacco sempre vem alguem si soffro uma derropta! Mas ninguem me vem elogiar como meresço!
Quem é que mais talento tem? Hem? Quem? Vocês jogaram bolla? Ninguem tem direito de foder-me, em desappreço!
DIA DO FICO [10.728]
Hem, Glauco? Nem duvido que tu queiras e torças para aquelle gesto lindo tornar-se, emfim, real, firme e bemvindo: Abel jura que fica no Palmeiras!
Ja muitos duvidaram! As carreiras dos technicos, em euros, vão subindo, em dollares tambem, num forte e infindo processo que, da bolla, são as feiras!
Mas elle prometteu que ficaria, né, Glauco? Tem certeza? Não foi bem aquillo que elle disse certo dia!
Bem, hoje saberemos… Si ninguem dos outros times muita bruxaria fizer, elle dirá que fica! Amen!
Reporteres indagam. “Eu ganhei!”, responde o treinador. Noutra partida será “Nós empattamos!” a contida resposta aos jornalistas. É de lei.
“Vocês perderam!” diz elle, eu ja sei, em caso de derropta, phrase ouvida só pelos jogadores. A sahida é coisa decidida, constatei.
Alguns ja confirmaram que elle é gay. Foi visto namorando um jogador da varzea. Promovel-o vae, notei.
Jamais da selecção será. Si for, seu craque não será, jamais, um rei, trocado, ja, sob outro treinador.
Ouvindo pelo radio, o jogo “vejo”, narrado nos detalhes, cada lance. Mas, antes que uma rede alguem ballance, se torna a voz um mero gargarejo.
Voltada a syntonia ao que eu desejo ouvir, eis que no jogo nova chance surgiu de gol. Mas, antes que isso advance, de novo perderei o breve ensejo.
Da salla saio, levo o meu radinho ao quarto, viro a antenna p’ra janella, mas só me engrola tudo o som damninho.
De volta à salla, alguem se refestela no meu sofá. Carinho no focinho lhe faço. Nem me irrito mais com ella.
Glaucão, a pattolagem continua em voga! Não mudou nadinha! Agora o cara aggarra aquella grossa tora de quem o gol marcou, mas não recua!
Sim, antes o artilheiro tinha a sua piroca appalpadona sem demora, mas, hoje, o cara tira para fora a rolla a ser chupada, alli, bem nua!
Incrivel, Glauco! Quem suppor podia? Não resta, mais, qualquer homophobia em campo! Os artilheiros são mammados!
Marcado o gol, os craques, hoje em dia, exporram bem na bocca de quem ia marcar, mas os serviu, olhando os lados!
Nenhuma differença, a algum canhoto, fará, quando batter uma punheta, maior do que empunhar uma canneta ou mesmo uma tesoura, meu garoto!
Não, vate! Inda si o gajo for piloto ou mero motorista, dirá peta quem falla que elle exbarra na sargeta ou caia com o carro num exgotto!
Os craques mais fodões do futebol honraram a chuteira que, canhota, lhes dera tal logar, astral, ao sol!
Tambem dum militar canhota bota mais pisa caso morda algum anzol golpista, a se passar por patriota…
Bah! Todos torcem contra, no jornal, no radio, na TV, meu time, vate! São antipalmeirenses! Dão combatte total, si vamos bem ou vamos mal!
Durante a transmissão, não dão egual valor ao que succede nesse embatte!
Si eu venço, não foi justo! Si houve empatte, vencer meresceria meu rival!
Soffremos nós um gol? O narrador mais berra do que quando nós marcamos! Um penalty não vale a meu favor!
Só contra! Ahi, valeu! São os reclamos appenas mimimi si o treinador for nosso! Ora, antiverdes, convenhamos!
Ahi, mano! Você estuprou aquella
Maria Chuteirette? Pois fez bem! Putinhas desse typo, meu, só teem vontade de posar como cadella!
Você foi preso? Serio? Numa cella está a agguardar quem venha pagar cem mil euros de fiança? Amigo, sem problema! Faço parte da panella!
Adjudo você, claro! Mas me entenda! Na proxima, ao Brazil fuja depressa, sinão lhe faltará quem o defenda!
Aqui fica mais facil sahir dessa! Cê pode practicar a mais horrenda sevicia, que terá comparsa à bessa!
Ouviram do Pelé, num tom hilario, que Zito bom motivo dava ao lado sarrista desse elencho, que não vi jogar, mas figurou no pantheão.
Pelé disse que Zito não tem pareo em termos de chulé. Mais eu me aggrado sabendo que elle “é serio mas sorri si alguem tapa o nariz, abbanna a mão…”
Não é maravilhoso? O vestiario inteiro fumegando o defumado chulé do jogador, todos alli!
Melhor, em vez do Zito, si o Romario tivesse esse pé fetido, humilhado que fosse todo o time… Hem? Que cricri!
A minha mente suja sempre indaga, emquanto escuto um jogo, como faz, sentindo caganeira, algum rapaz em campo. No calção mesmo se caga?
Paresce que sim! Roga alguma praga, naquelle mau momento, xinga, mas não pode segurar o que, por traz, a marca deixa, feito um pé da zaga.
Sim, fica “carimbado” o seu calção e logo sae de campo o centroadvante, a fim de se trocar. Canta o povão:
“Cagou nas calças! Não é molle, não!” Comtudo, uma torcida delirante bem sabe como molle é um cagalhão…
Eu, desde adolescente, na torcida estou por quattro jovens que meu som fizeram. Esse tempo foi tão bom que nunca delle exquesço mais na vida.
Agora descobri que me convida tambem o futebol a vel-o com mais livres olhos. Torço ja por John, Paul, George e Ringo em jogo que decida.
Sim, quero que elles vençam sempre, em casa, qualquer que seja o povo ou continente que enfrentem, nesse esporte que me abbraza!
Vencer, vencer, vencer! Jamais dephasa o credo! Ora, quem disse que somente no samba a gente, em ecstase, extravasa?
{Contaram-lhe, ja, Glauco, quem foi pôr a cara na chuteira do cracaço do jogo? O mais vulgar governador!} -- Verdade? De saber eu questão faço!
{Sim, elle foi beijar! É de suppor que tenha até lambido! Que palhaço! Nas redes, teve muito gozador!} -- Eu quero chance assim de ser devasso!
{Mas elle auctoridade tem, valor devia dar ao posto seu no paço!} -- Ao menos dum fetiche exhibiu traço…
{Pois é… Só não desdenho si quem for beijar se chame Glauco, nem desfaço!} -- Concordo. Vou ao thema dar espaço.
Descrevo-lhes extranho pedicure. A lingua serviçal, que se encarrega da sordida tarefa, lingua cega será, por mais que “exotica” ser jure.
Frieiras, callos, tudo que ella atture lamber, que inspirem nojo ninguem nega. Cliente não será nenhuma brega madame, mas chuteiras quem pendure.
De varzea, certamente, é quem cliente se torna dessa lingua, que agua quente dispensa ao descascar a grossa sola.
Confirmo o caso: digo que se sente servido o jogador e que não mente o cego que serviu tal rapazola.
DA TORCIDA ENLOUQUESCIDA [11.650]
Me lembro. O Marcellinho Carioca, depois dum gol, performa verdadeiro “estripetise” erotico. Primeiro, se livra da camisa. Auês provoca.
Aquella, com ninguem o craque troca, jogada ao torcedor que ja seu cheiro cafunga ao aggarral-a. Ahi, ligeiro, o septe seu calção lança ao fanzoca.
Depois do short, attira Marcellinho à turma de marmanjos a chuteira, a meia, que um feliz fan beija, cheira…
Do campo volta alegre, pelladinho. Faltou somente a sunga, com certeira e extrema ponctaria, achar quem queira…
SONNETTO DA ITALIA QUE ME CALHA [11.667]
Careca e Maradona o campeonato jogavam pelo Napoli e eu os via. Na placa, a propaganda a gente lia: salame e mortadella. Que barato!
Da marca Leoncini me retracto babando de vontade todo dia de jogo. Ah, si pudesse essa iguaria comprar! Não importavam! Mas que chato!
Fiquei chupando o dedo, mas agora nem posso, na TV, curtir mais nada. Sem graça, gol nenhum se commemora.
Um unico consolo resta: bora comer pizza, comer maccarronada, emquanto a pandemia não peora!
SONNETTO DA CAIXINHA DE TORPEZAS [11.992]
Eu quero ver é gente se fodendo, na vida, na politica, nas artes, Glaucão! Antes que faças teus appartes, vou logo completar com um addendo:
Mais curto o futebol, onde pretendo torcer, não para alguma dessas partes maiores, mais “da massa”! Que deschartes os “grandes” eu suggiro e recommendo!
Só torço contra, Glauco! Torço para que percam, que nervosos fiquem! Quero ver choro, desespero! Um gol a zero…
Mas nada, na delicia, se compara ao jogo que se perde por um mero descuido, um só detalhe… Fui sincero?
Indagas-me que numero o sapato que calço tem, Glaucão? Quarenta e seis! Achaste grande? Então exhibo-te: eis a photo do meu largo pé de pato!
Que pena! Me exquesci de que insensato seria annexar photos! Mas fieis te podem ser, tambem, por mais crueis que sejam, os detalhes que eu relato:
Tão chata a sola, tabua mais paresce ser, Glauco! Tacteal-a si pudesse teu dedo, gozarias! Te controla!
Adoro futebol! Não sou o Messi, mas, para alimentar a tua prece, direi: minha chuteira fez eschola!
SONNETTO DUM ZOOM NO ZAGUEIRO [12.079]
Um arbitro de video não perdoa! A camera flagrou quando o zagueiro, sem bolla, aggrediu tanto um artilheiro rival, que ver a scena até me enjoa!
Glaucão, precisas ver! Elle destoa dos outros: bem maior, seu corpo inteiro é mesmo animalesco! Pelo cheiro, o chamam de Gorilla não à toa!
Imagens delle mostram o pezão na bocca do opponente, que sem dente ficou, Glaucão! Hem? Isso tens em mente?
Preferes é gozar mesmo na mão pensando que és do gajo o competente e eximio massagista? Ah, ninguem tente!
Coitado do goleiro! O jogador rival pretende entrar com bolla e tudo, mas elle exhibir tenta que é raçudo e joga-se nos pés do mactador!
Calculas tu, Glaucão, o que quem for cahir no chão, em frente dum marrudo daquelles, vae soffrer? Ou fica mudo ou faz enorme escandalo de dor!
Pois bem: esse goleiro nem reclama! Attira-se na cancha, bem defronte aos sadicos pezões do mastodonte!
Na bocca lhe entra a trava, a terra, a grama! Emfim, de sujidade entrou um monte, mas elle tudo lambe! Quer que eu conte?
SONNETTO DUMA INCONTIDA TORCIDA [12.086]
Ouviu essa noticia, Glauco? Tem torcida revoltada contra aquella campanha má do time! Mas appella assim à violencia cega alguem?
Appella, sim! Entraram, de refem fizeram todo o gruppo, que (revela a midia) teve gente até banguela de tanto pé, na bocca, levar bem!
Chegou a reagir um jogador ou outro, mas a gangue era bem mais valente e fez abusos sexuaes…
Ouvi fallar, Glaucão, que estuprador pinctou na scena! Aquelles animaes curraram o goleiro! Houve mais ais…
[12.095]
O craque, que ser visto numa tela adora, por um passa, por dois passa, encobre o goleirão, faz uma graça e marca novamente, em scena bella!
Imagem que repetem, se congela, e em camera mais lenta se repassa, encanta a torcedora populaça! Alguem até na sunga ja se mella!
Masturba-se, sozinho, o jogador que fora pelo craque, no calor do lance, bem dribblado. Offega, arfando…
Orgasma, se imagina lambedor da chanca do rival que, si ver for, tambem gozou, se vendo no commando.
Coitado do podolatra, si for dum time principal o massagista! Difficil ficará que elle resista à louca temptação, a tal fervor!
A sós com elle, experto, um jogador ou outro sempre lança alguma pista, dá trella, artelhos mexe, ergue, sarrista, o sadico pezão, tenta se impor!
Assim se deu commigo, Glauco! Tenho bastante experiencia! Meu salario foi alto! Sim, brilhei no vestiario!
Tractei do mor zagueiro, meu! Em vario momento fui escravo imaginario do cara! Ao lembrar delle, ‘inda me venho!
SONNETTO DUM INCULTO INSULTO [12.119]
Chamado fui de “mono”, Glauco! Sim, tambem “hijo de puta”, a forma abjecta usada pelo gringo que, em completa sandice, disse coisa tal de mim!
“Macaco fidaputa”, fica, assim, ainda mais grosseiro! Ninguem veta offensas desse typo quando o athleta é negro, ou brazileiro, o mais chinfrim!
Si eu fosse importantão como o Neymar, partia para cyma do babaca! Mas sou alguem que pouco se destacca!
Você, que se colloca no logar da gente, é masochista, soffre paca! Talvez ja nem na carne sinta a faca!
DO MARRENTO COMPARTILHAMENTO [12.645]
Mostrando o flamenguista ao sampaulino a sola, pela tela, manda: “Ahi, vae ter que me lamber, porque senti cheirinho, ja, do titulo, cretino!”
Mas não só torcedores, eu attino, adoptam essa moda, pois ja vi rivaes tambem politicos, de si gabando-se, fazendo o gesto fino!
São solas de chuteira, de sapato, de tennis, de cothurno, de chinello… Você, Glaucão, achou tal gesto bello?
E si tiver na sola algo de gatto grudado? Mesmo assim exsiste um elo daquillo com o verso mais singello?
“Apponctem o caralho para cyma (dizia Luxemburgo), em direcção ao céu!” Aos jogadores, o tesão está no jogo ganho, é o que os anima…
Mas quem no futebol gozos sublima accaba se trahindo! Né, Glaucão? Pretexto nunca falta aos que ja são propensos a crear um certo clima!
Vencendo ou não vencendo, o vestiario dum delles a fraqueza presencia! No banho, um dedo bobo alguem enfia…
Diziam que jamais quiz o Romario daquillo desfructar! Mas quero, um dia, ouvir alguem contando que queria…
SONNETTO DA MAIOR VERGONHA [12.724]
Você, Glaucão, só pode palmeirense ser, visto que não teve mundial! Fallando nisso, não me leve a mal, mas noutro patamar tambem não vence:
Tambem não tem coppinha! Não, não pense que quero fazer disso um carnaval, mas é que a musiquinha habitual, num pique de marchinha, me convence!
Glaucão, mas não será muito humilhante nem titulo que é menos importante siquer ter conquistado? Os outros teem!
Ganhar um mundial é bem gigante tarefa, mas coppinha… Semelhante, não vejo uma vergonha para alguem!
Não é que exsiste mesmo? Ja nem fallo do queijo gorgonzola, cujo cheiro é como o do chulé! Sim, pois me inteiro accerca dum authentico regalo…
Usaram, sim, bacterias: são de callo, frieira… São dos pés dum artilheiro! Effeito fazem para que, certeiro, tal queijo forte saia… Ah, vou proval-o!
Aquillo que se impregna na chuteira dum craque, elles mixturam com o fungo da bota do rockeiro mais pauleira!
É desse lacticinio que eu commungo e entendo quem cocô de mico queira beber num exquisito café “lungo”…
Madrasta ser é ver que não tem fibra o cego que, enteado seu, alheio se torna à piedade. Triste e feio, não ganha, della, amor. Seu filho vibra.
O filho verdadeiro se equilibra nos mimos da mamãe. Batte, sem freio, no cego, que pedir arrego veiu, mas teve que lamber um pé que “dibra”.
Descalço das chuteiras, esse filho da puta, auctorizado, diz: “Humilho você! Lamba meus pés!” E dá risada.
Bem sadica, a madrasta não faz nada. Só mima seu filhão, que, com um riso cruel, diz: “Quem é cego eu escravizo!”
[12.928]
Glaucão, ja reparaste? Futebol quem joga nos appoia! Si for craque, adjuda na campanha, tem destaque nas midias! Jogar sabem seu anzol!
Tambem temos cartolas nesse rol de amigos, não appenas quem gol marque! Até na Academia, até no Parque alguem ha que, da causa, trampa em prol!
Torcidas em geral, “organizadas” ou não, nos dão tambem total appoio! No ORVIL, são às brigadas comparadas!
E então? És torcedor, Glaucão? Do joio o trigo separaste? Das bancadas podias tomar parte -- Hem? -- sem teu “oio”!
SONNETTO DA CHUPADA FILMADA [13.040]
Vi tudo, Glauco! Olhei cada minuto daquillo que fizeram com o cara! Estava alli na praça, ja accabara meu lanche, e vi que estava alguem bem puto!
Cercaram o coitado! Mais astuto, alguem o rasteirou! Cahido, para chutado ser, foi facil! Se compara à bolla numa varzea: jogo bruto!
Fizeram, em seguida, que chupasse o bicco dos pisantes! Deu idéa um delles que fodessem sua face!
Filmaram a chupeta, Glaucão! É a sessão mais humilhante! Não bastasse, o filme causou risos à platéa!
Seu Glauco, quando jogo bolla, alem de estar sempre impedido, não me privo de entrar, com pé bem alto, vingativo, na cara do opponente! Batto bem!
Às vezes sou expulso, ora! Porem, provoco confusão e, pelo crivo dos arbitros, tambem um aggressivo rival accaba fora! A calhar vem!
Jamais, no vestiario, comprometto alguem, mas, extracampo, piso, sim, na lingua dum masoca, alli no ghetto!
Tambem o senhor curte essa ruim postura minha? Faça algum sonnetto que falle do que, aqui, fazer eu vim!
[13.152]
Depois do jogo, o cheiro que se expalha por todo o vestiario deixa a gente maluca! Tem cecê, mas certamente tambem tem o chulé que mais me calha!
Um dia, conferir fui… Mas canalha foi cada molecote! Quem se sente cheiroso quer cobrar um excedente por minha cafungada, que não falha!
Aquelle que chulé mais forte tem meresce, mesmo, um extra! Ah, cada artelho eu fuço, lambo, chupo… Lavo bem!
Glaucão, vou lhe contar! O rapazelho curtiu! Quiz combinar commigo: vem no meu apê! Chulé não vi parelho!
Glaucão, de futebol fui jogador! Eu era aquelle estupido zagueiro que fica assediando o tempo inteiro um craque, mesmo craque si não for!
Quarenta e septe eu calço, mas ja beiro um oito ou nove! Chanca, só na cor todinha preta! As travas metto, por tesão, em quem for muito cavalheiro!
Fair play, Glaucão? Que nada! Questão faço que minha sola attinja, bem na cara, quem quer que me paresça folgadaço!
Os arbitros me expulsam? Ora, para taes typos, faço um gesto com o braço, ou fallo um palavrão que se equipara…
DUMA BOCCA INDEFESA [13.211]
Cahido o goleirão, appós jogada difficil, se contorce no gramado. Fingindo soccorrel-o, um do outro lado lhe chuta a cara. Ainda dá risada.
A poncta da chuteira teve entrada bem facil pela bocca do coitado. Da lingua a molle poncta sentirá, do chancão, um paladar que não aggrada.
Em casa, vendo o lance, esse goleiro degusta, de memoria, aquella chanca. Chupou, sim, do rival, um pé certeiro…
Nenhuma serie erotica desbanca tal scena. Ah, que goleiro punheteiro! Gozou. Ah, que risada a porra arranca!
Daquella vez, sonhei que estava alli, em pleno vestiario, depois duma partida varzeana. Quem assuma não falta, que nos gays faça chichi.
Mijado pelo time, então, me vi. Appós essa sessão, por mais alguma proposta lhes paguei. E quem me estruma primeiro? O zagueirão! É quem mais ri.
O time inteiro, pois, se divertia. Porem o melhor lance, em tal orgia, foi minha lingua nesses pezões chatos…
É sonho, sei bem disso. Mas un dia ainda a lingua passo -- Que euphoria! -nos pés de quem nem jogue em campeonatos…
Complexo? Que complexo? Viralattas nós somos, mesmo, porra! Sem problema admitto que, em materia de cinema, estamos bem abbaixo dos magnatas!
Tambem no futebol, ora! Si empattas ou perdes de europeus, que chore e gema a gente, porra! Ha time que não tema os grandes, que concentram tantas prattas?
Os tennis que fabricam la na America jamais encontrarás aqui, meu caro! La toda luz é sempre mais feerica!
Aqui qualquer hamburger é mais caro! A nossa tradição, carente, iberica, tornou-nos inferiores, eu reparo!
Meu time é favorito sempre, porra! Jamais eu reconhesço o meu rival! Torcida assim tão grande é sem egual! Não vejo, não, comnosco quem concorra!
Vencer, vencer, vencer! Alguem que morra, si for dos outros times, si fatal o clima for às rixas, e infernal! Não ha quem contra a gente se soccorra!
Acharam arrogante essa postura? Ah, fodam-se! Quem manda não ser tão marrento, tão bairrista? Ah, vida dura!
Mas, quando nós perdemos, ahi não admitto! Quem supporta? Quem attura? Faltou molhar, dos arbitros, a mão!
SONNETTO DO JOGO FEIO [13.556]
O jogo do Palmeiras, um horror de bolla, ainda assim ganhar consegue! Incrivel, Glauco! Porra, agora pegue os outros grandes times, por favor!
Flamengo, Botafogo… Todos, por opção, jogam bonito, com moleque estylo, o brazileiro! Caso um peque, será por excepção, si infeliz for!
No caso palmeirense, exsiste, creio, alguma covardia de enfrentar os grandes, um fatidico receio…
Paresce que, prevendo o seu azar de sempre, esses athletas fazem feio só por temor de, em summa, amarellar…
DO CLUBISMO [13.596]
Prefiro ver o Vasco ganhar, ja que não sou sampaulino, do Timão! Não torço pelo Sanctos! Elle, então, que perca do Cruzeiro, camará!
Jamais quero o Flamengo onde elle está! Que perca, ja, do Gallo, meu irmão! O Gremio que não ganhe do Verdão! Nem mesmo o Botafogo ganhará!
Si for para perder do Fluminense, que seja para vel-o perder para o Vasco, na final, sem mais suspense!
Havendo um macta-macta, quebra a cara quem torça para time que não vence siquer o Colorado… Mas tomara!
Não quero nem saber si quem nos banca tem optimo orçamento e patrocina o craque mais marrento ou mais traquina! Agora só jogamos na retranca!
Ganhavamos de todos, mas desbanca a gente qualquer time que fulmina o nosso gol, agora! Se previna quem possa! Só jogamos na retranca!
Porei, si necessario, todo o time formando um paredão frente ao goleiro! Não vejo, na torcida, quem me intime!
Si todas nós perdermos, eu me exgueiro! Irei treinar um time que não rhyme jogar com attaccar o tempo inteiro!

