
M A N U A L D O
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M A N U A L D O
São Paulo
Manual do prisioneiro
© Glauco Mattoso, 2026
Editoração, Diagramação e Revisão
Lucio Medeiros
Capa
Concepção: Glauco Mattoso
Execução: Lucio Medeiros
Fotografia: Akira Nishimura
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Mattoso, Glauco
MANUAL DO PRISIONEIRO / Glauco Mattoso. –– Brasil : Casa de Ferreiro, 2026. 216 Páginas
1.Poesia Brasileira I. Título.
25-1293
CDD B869.1
Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia brasileira
NOTA INTRODUCTORIA ou
SONNETTO DO “MANUAL DO PRISIONEIRO” [14.006]
Qualquer preso, politico ou commum, por bom comportamento sua pena ja pode commutar. Quem o condemna previu a progressão de qualquer um.
Na cella, não reclame do fartum. Currado si foi, nada dessa scena commente, nem tortura. Ache pequena questão si ja passou algum jejum.
Mandaram lamber botas ou o chão? Pois lamba. Alguem mandou seu pau chupar? Então chupe. E não diga, jamais, não.
Cegado não foi? Optimo! Um azar maior tem quem perdeu sua visão e tudo faz na marra, sem chiar.
O mais bonito typo de tormento, p’ra mim, é pôr a victima enterrada até o pescoço, vendo nivelada a cara aos pés do algoz, todo o momento. Foi na Africa do Sul que este instrumento puniu presos, rendendo gargalhada aos guardas, que ‘inda enchiam de mijada a bocca do detento ja sedento. Caramba! Fico só curtindo a scena por traz duma cegueira torturante, sentindo a dor do negro, doradvante, me pondo em seu logar, soffrendo a pena! Requincte desses, nem o grande Dante cantou numa comedia extraterrena que pune quem mais fundo se condemna: um cego hallucinado e comediante!
Meninos são crueis, si poderosos. No Reich, a Juventude Hitlerista é sempre convidada p’ra que assista nos campos o exterminio dos edosos. Pol Pot e Mao tiveram fervorosos soldados brincalhões, na jamais vista tortura collectiva, à communista. São anjos. Quanto aos presos, criminosos. Nas ilhas Fidji, quem for pego entregue será, trazido preso como veiu, aos filhos dos guerreiros, no recreio, e o ritual da farra é o que se segue. E eu, sendo prisioneiro nesse meio, ainda que ter culpa qualquer negue, é certo que o feitor mirim me cegue, mas, ao lamber seu pé, sei que alegrei-o.
Bandido que vae preso está roubado. A lei do cão, que impera na favella, em canna na barrella se revela: cachorro por cachorro é violentado. Montado, ammontoado que nem gado, alem da sella sente a lei da cella: Cão novo alli se torna uma cadella, chupando o pau mijado, o cu cagado. A superlotação requincta a scena e sempre cabe mais um fidaputa naquelle espaço hostil que se disputa: eu mesmo, o cego vil que se condemna. Alli vae peorar minha conducta, pois quero accumular paixão com pena, ser victima à mercê duma dezena, lambendo o pau que come e o pé que chuta.
Mirbeau bolla um jardim mirabolante: Alli os suppliciados são mantidos à vista do turista, e seus gemidos se egualam aos dum passaro que cante. Na China fica o bosque verdejante. A fina dama exhibe os seus vestidos emquanto os prisioneiros nus são ridos e goza o algoz seu jugo agonizante. Tortura e ecologia fazem par e o sangue tinge o verde como a flor. Quem mais real scenario vae suppor? Sadismo é la tal qual peixe no mar. Aqui, quem vê se faz torturador se pondo dum algoz tal no logar, gozando o que não posso appreciar, pisando a dor do cego com humor.
Um odio entre dois povos ancestraes levou à guerra. Agora estão em paz. Conservam, todavia, algum rapaz servindo, em captiveiro de animaes. Eunucho, olhos furados e, addemais, os dentes extrahidos, elle faz “fellatio” como só elle é capaz, chupando do inimigo os genitaes. Gengivas que masturbam sem tracção. A lingua ja treinada em titillar. Garganta que supporta a irrumação. Conhescem algum caso similar? Confirmo? Não confirmo? Não sei, não, mas quasi penso em mim, sem vacillar, no sonho recorrente, na noção do orgasmo masochista, a me empolgar.
Gabeira, em “O que é isso, companheiro?”, fallando do regime militar, descreve o caso, nunca por inteiro, tal como eu gostaria de fallar. Rememorando aquelles tempos idos, depois de preso, agguarda no quartel e vê no corredor outros detidos forçados ao mais sordido papel. Soldados os obrigam a lamber no piso de ladrilhos a sujeira das botas que alli passam, brincadeira que insuffla nos recrutas o prazer. Ainda que com dó dos seus gemidos, curtiu a scena, até que um coronel o fez tapar os olhos e os ouvidos, porem no paladar seu livro é mel. Quem sabe, um dia, um outro ex-guerrilheiro melhor me satisfaça o paladar contando quem lambeu chão de banheiro e as solas que pisaram tal logar.
Aptado ao pau-de-arara, o preso agguarda que todos se accommodem. Se depara alli o mesmo informante que o dedara. Alguns veem à paizana, outros de farda. {vêm} Inicio da sessão. Alguem não tarda a rir do torturado, cuja cara contorce-se em esgares. A taquara penetra-lhe no cu, que se accovarda. A certa altura, todos tomam parte, tirando uma casquinha. O electrochoque, que alguem maneja até que de mão troque, funcciona livremente e, até que farte, na bocca o prisioneiro sente o toque do tennis do cagueta, o que mais arte revela caso o cara, antes do enfarte, maldiga quem seu rosto chute ou soque.
Na cova vertical foi, vivo ainda, mettido. A terra prende o corpo em volta. Appenas a cabeça ao ar se solta, mas a mobilidade alli se finda. A quem o sepultou a scena é linda e della ja se ri toda uma excolta. Inutilmente o preso se revolta e xinga a molecada recemvinda. Aos pés impiedosos dos algozes, o rosto encara solas e biqueiras de botas, de botinas, de chuteiras que pisam, surram, entre alegres vozes. Até que soffra fortes e certeiras biccudas e arda em dores mais atrozes, em cada vez maiores dessas doses, humilha-se uma bocca com sujeiras.
Creanças, no manejo da chibata, são mais encarniçadas que um adulto. De berço ou orpham, principe ou inculto, o infante, castigando, se arrebatta. Que a victima, ammarrada, se debatta elle acha mais gostoso, e nada occulto é o riso, gargalhado como insulto, na bocca do moleque que a maltracta. Punido, alguem mais velho sente a offensa, alem da dor, emquanto o relho estalla. O joven que o maneja ao preso falla brincando, até que ao braço o exforço vença. A cada chibatada, quem vae dal-a aggrava muito mais a atroz sentença e algum desgosto futil ja compensa, pois ri, diz “Yeah!” e ainda chupa balla!
Ha dois typos de sadico: o valente, capaz de ser guerreiro, que não corre da raia e cae luctando bravamente, mas, quando vence, faz que o sangue jorre. Battalha finda, é certo que desforre seu impeto na victima impotente. Ja o sadico covarde se soccorre do gruppo, da chantagem, da patente. É deste, caso o callo mais me apperte, que fallo, que mais gosto, pois descompta seus medos no refem sobre quem monta e, emquanto barbariza, se diverte. Desejo que elle seja mais sollerte, desejo ser seu servo, dar-lhe a chance de usar-me e que em meu rosto os pés descanse, que em mim de seus demonios se liberte.
Verdugo melancholico, não via em nada a graça que aos demais encante. Na hora da tortura é que irrompia o riso que marcava seu semblante. Quando em seus labios o animal sorria, satanica era a face num instante. Mas quando elle açoitava, que euphoria! Ao Demo não faltava accompanhante. Em torno todos punham-se a acclamal-o num como que espectaculo de gala. A scena advolumava cada phallo daquelles que alli vinham desfructal-a e, para não ouvir, em meio ao riso, cantar toda a platéa alli na salla, num khoro em tom crescente, era preciso suppor que uma chibata não estalla.
No filme antigo, a cara dum fulano viril e bigodudo apparescia ao fundo, emmoldurada na bacia, por sobre a qual a tabua fecha o plano. Si alguem alli cagasse, antes que o cano levasse toda a merda, o gajo iria sentir como a materia era macia mas fetida: fedor de gaz methano. Assim que se levanta quem cagara, resurge o rosto, agora recoberto dum liquido que a molho se compara e cheiro tem terrivel, isso é certo. Rirão ainda muitos dessa cara. O rosto exprime expanto no olho aberto: não era liquefeito o que esperara. E a camera o retracta mais de perto.
Nalguns paizes, como na Bolivia, vigora a lei do açoite, que perdura. O povo approva: allega que essa dura cultura seja indigena, e revive-a. Os lideres locaes teem uma nivea noção da auctoridade: quem segura o latego decide quanto dura a pena e satisfaz sua lascivia. O numero de golpes no punido varia, não conforme seu delicto, porem conforme o ludico e a libido. Chicote alli se exhibe: emquanto afflicto se sente o criminoso, um convencido “juiz” provoca, em publico, seu grito! Si estou nessa platéa… Ah, tal gemido iria me causar tesão, admitto!
A bunda, sobre o vaso, se exparrama. Si vista por debaixo, é como o tecto da arena, pelo olhar dum architecto maluco, que distorça o panorama. Porem, quando do rego se derrama a molle merda sobre um pobre, inquieto e afflicto rosto, o jacto de dejecto mergulha um ser humano em chula lama! Ja vi scena do typo: na gravura, a cara do inimigo apparescia, no fundo da privada, bem segura. Na certa alguem, cagando, se sacia. Depois que, sobre a tabua da bacia, sentava-se um soldado, a bosta dura formava um bollo e a bocca recobria, tal era dos toletes a grossura.
Na bocca introduziram-lhe um funil e lhe immobilizaram a cabeça, de modo que seu rosto permanesça voltado para cyma, em pose vil.
Não fora seu algoz nada gentil nas coisas que lhe disse: “Otario, exquesça que é gente! Quero mais é que padesça comendo merda, aqui neste covil!”
Accyma do funil foi posto o assento no qual se accommodou, sorrindo, o algoz, de cujo cu sae liquido excremento que tanto suffocou outros gogós. Tragando feito um rallo, emitte voz de bicho aquella bocca, e seu lamento borbulha ao fundo, cada gole appós, na atroz sonoplastia do tormento.
Tortura, na Indonesia, era roptina diaria das prisões: este relato veridico dá compta que o mau tracto supera tudo quanto se imagina. Até mais costumeira que na China, a moda é, sob a sola do sapato, manter o prisioneiro, cujo ingrato destino é supportar quem o domina! O tempo todo ao chão e aos pés exposto, servindo de capacho, a levar chute, pisão, golpes de lucta pelo rosto!
Peor é quando exigem que exsecute papel de luctador, lhe sendo imposto que perca para todos com quem lucte!
Eu bem que perderia si, supposto, de lingua desse banho nesse bute…
Aqui, quando o regime militar se impunha, occorreu isto numa cella. Os presos se appinhavam, sem restar espaço a alguem deitado dentro della. Então um carcereiro quiz brincar e rir-se do pavor causado àquella gentalha carceraria, cujo azar augmenta porque nunca se rebella. “Cuidado com a cobra!” -- o guarda grita, impune em seu despotico regime, e joga uma serpente em meio à afflicta gallera, que se agita e se comprime. Foi morta, mas alguem sae machucado depois desse espectaculo sublime, emquanto, na cabeça do soldado que brinca, o que practica não é crime.
Emquanto o guerrilheiro é torturado por forças governistas, um agente lhe diz com ironia: “Tem transado a sua companheira com a gente…”
Mais tarde, ja na cella, um novo dado lhe passa o carcereiro, mordazmente: “Ninguem meu pau tão bem tinha chupado!”, garante-lhe, sorrindo, frente a frente. “Será que você chupa que nem ella?
Será que você tem amor à vida?”
E opprime, opprime, até que o gajo fella, em troca de algum somno e de comida. O facto vem descripto com detalhe e disso o delator jamais se olvida, embora, em certos ponctos, alguem falhe: ommitte-se que a bota foi lambida.
Mão livre, mas, ao mesmo tempo, presa. A canga é um instrumento de tortura que torna isso possivel: como a mesa que tenha no seu tampo uma abertura. Appenas a cabeça, sem defesa, accyma fica, e o peso o preso attura. Só come ou bebe aquillo que a vileza do algoz permitte: a bocca abre e segura. Mirbeau descreve a scena: até carniça, aquella podre posta -- Arre! -- asquerosa, attiram sobre a tabua, e ainda attiça a fome do punido quem o goza. Exposto, sob a canga, ao visitante, debaixo da pressão mais dolorosa, o preso o olha com odio, mas garante seu naco e a porcaria acha gostosa.
Na base de Guantánamo, segundo aquelles que la passam temporada, isola-se do resto deste mundo a victima, suspeita ou accusada. Si adepta é do terror, não me approfundo no caso, mas, ainda que culpada, será que com tortura o mais immundo dos crimes é punido, e a voz calada? Duvido: só nos contam que, la dentro, ao som de chibatadas e correntes, o preso appanha e arrasta-se no centro da roda de soldados sorridentes. Recebe ponctapés e lambe botas dos guardas, dos curiosos, dos agentes, até que falle e entregue uns idiotas, ou morra, sem a lingua e sem os dentes.
No Irak, a de Abu Ghraib a fama ganha de ser prisão-modello da tortura mais sadica e pornô! Ninguem se accanha de nos contar o que é que se procura: Appenas humilhar! Não foi extranha, portanto, aquella scena que ja dura um tempo na internet e que tamanha offensa provocou numa cultura: Sabendo que no Islam jamais a sola se lambe, beija ou toca, tem quem ache aquillo divertido. Quem controla os carceres questão faz dessa praxe: De cada mussulmano o americano faz graça até que disso o bicco rache e exige, mais que o bicco, mais que o cano, que passe no solado a lingua e engraxe.
Fascinio exerce o açoite entre os que estão no gozo do poder: como é gostoso ter ammarrado alguem que disse não àquillo que queriamos! É o gozo!
Quem lategos maneja é caprichoso: lambadas, as applica elle com mão certeira, de maneira que o orgulhoso converta-se num misero chorão. Altiva, pensa a victima em, calada, soffrer, e nisso o cerebro trabalha sem nunca dar motivo à gargalhada do sadico, um prazer que orgasmo valha. A chibatada accerta-lhe a virilha e sangra-lhe o caralho. A dor se expalha nas nadegas, no sacco… Dentes rilha, mas berra, e nisso o sadico gargalha!
Arenas só confirma o que delata alguem que era chamado “piccareta” por scepticos petistas: se maltracta em Cuba como os nazis, não é peta. Exemplo foi o caso da valleta de exgotto, em pleno campo, onde uma “natta” de presos, chafurdando, dá veneta aos guardas, que desfructam da mammata. No lodo excrementicio o preso affunda a cara, sob a bota e, emquanto inunda de merda sua bocca, ouve a risada alegre da brutal rapaziada. Pretexto foi limpar da valla o fundo, que estava assoreado, mas immundo de facto é quem, de cyma, faz cagada. Mais podre, convenhamos, não ha nada…
“Si queres uma imagem do futuro, é um cothurno pisando um rosto humano…”, diz Orwell pela bocca do mais duro carrasco, que a seu preso inflige o damno. Si Winston entendeu, um tanto obscuro paresce, mas o poncto orwelliano mais nitido reside neste puro conceito, que o carrasco impõe, uffano: “Um mundo de pisar ou ser pisado…”, sem chances, antagonico, binario. Assim será o futuro baseado em odio e humilhação! Que a gente encare-o! Não faz o auctor nenhuma prophecia. De facto o vejo, caso aqui compare-o, parelho: ja o passado offerescia exemplos do poder totalitario.
Peor tortura é, para Winston, ser com rattos confrontado! Disso sabe seu sadico carrasco e, de prazer, allarga o riso, a poncto de que babe. É Winston collocado, para ter mais medo, até que aquillo tudo accabe, de cara na gaiola onde, a querer sahir, um camundongo appenas cabe. Appavorado, o preso chora, berra, sabendo-se indefeso. Assim se sente, e todo mundo sente, na Inglaterra, aquillo que sentiu o dissidente. Emquanto o Grande Irmão a tudo assiste, tyrannico, cruel, omnipresente, alegre está o carrasco, e o preso triste, olhando aquelle ratto à sua frente.
Aquelle Alexandrinho teve seu momento mais famoso emquanto estava num palco: do espectaculo o apogeu é quando o filme em close a scena grava. A fim de demonstrar que se rendeu e deve obedescer, o joven lava, usando sua lingua, o que um plebeu nojento e sem escrupulos mandava: “Tá vendo essa botina? Limpe a sola!” No livro o tal solado oppressor fede e sobre sua bocca a bota colla, depois que, ja prostrado, o joven cede. Em jubilo, a platéa delle ri, pois rir dum desgraçado nada impede, emquanto Anthony Burgess faz alli que um ser humano o automato arremede.
Bandido valentão, Lucio não quiz fallar ao delegado, e até lhe excarra! Terá de chupar rolla, porque diz o tira que vae ser, então, na marra! E foi o Lucio Flavio, pelos vis agentes, transformado, como narra Louzeiro, em chupador, ante os quadris dum macho, adjoelhado! E fazem farra! Nem bem adjoelhou, um tira empurra seu rosto com o pé. Si elle se exquiva, appanha ainda mais. Si não é surra, é rolla e humilhação o que elle leva! Por fim, entra um caralho em sua bocca com pose de erecção torpe e lasciva e, emquanto a bocca não pode estar oca, o som das gargalhadas mais se eleva.
Condemna-se um primario à “exsecração” que sirva de “excarmento”. Os termos veem, {vêm} na practica, a calhar: a punição é que, sobre seu rosto, cague alguem. Há salla appropriada: ao rés do chão, deitado, fica o preso, a cara bem debaixo dum assento. Os homens vão sentando e defecando, com desdem. Paresce um sanitario masculino, seu typico usuario bem ao jeito: um funccionario publico, um menino, um velho, um estudante de direito. Appós um dia inteiro vendo um anus abrir-se, recebendo o seu effeito purgante e do cocô sentindo os damnos, libertam-no e commentam: “Foi bem feito!”
Sentença proferida, foi preciso à força conduzil-o. Agora agguarda na salla sanitaria. Rente ao piso está sua cabeça. O algoz não tarda. Entrou. Por sobre o vaso, seu sorriso encontra o olhar do preso. Abbaixa o guarda as calças e se senta. Molle e liso, desaba-lhe um tolete de cor parda. Está immobilizado. O cagalhão lhe excorre pelo rosto. O odor à rosa opposto será, claro. Os labios são borrados pela merda pegajosa. Respiração suspensa. Outro dejecto de massa putrescente e volumosa lhe cae, mais um, na cara. E, emquanto o recto se livra e o preso soffre, o guarda goza.
No mesmo vasilhame em que elle caga lhe servem a comida. Assim, na cella commum da Guatemala, os crimes paga quem, sendo dissidente, se rebella. Asturias registrou, na sua saga, o barbaro costume. Mas aquella tortura alimentar ja se propaga na America Latina, com sequela. Ao ver que o preso come algum dejecto no meio do pheijão, o predilecto prazer do carcereiro é olhar-lhe a boia, sarcastico, rilhando os dentes: “Oia!” Alegre, o funccionario até approveita e bota seu tempero na receita, mijando na vasilha: o pheijão boia no liquido, visão digna dum noia.
“Não, moço! Espera ahi! Sou innocente! Ja vem meu advogado me soltar! Espera mais um pouco!” Mas o agente da lei colloca o preso em seu logar: Debaixo da privada, a cara rente ao chão, bocca p’ra cyma, maxillar aberto à força. Caso alguem se sente alli, num vaso humano irá cagar e, pelo jeito, o proprio carcereiro que caga a merda alli mais fedorenta será quem vae cagar nelle primeiro: abbaixa as calças, peida, e ja se senta. A massa marron desce duma vez, depois dos maus odores que elle venta, e entope a bocca a alguem que nada fez e que nenhum perigo representa.
“Eu sinto muita pena do senhor, mas é que estou cumprindo o meu dever…” Assim o carcereiro diz, ao pôr a bunda sobre o assento p’ra fazer cocô! Pois é, cocô, cujo fedor presente o condemnado ao receber {pressente} na cara o farto peido! Ja o sabor da merda é mais difficil descrever. Aberta e presa, a bocca, como um rallo que sorve, emquanto um ventre se allivia, engole o troço, pois, si vomital-o, ha risco de engasgar e de asphyxia! O corpo do detento, embora aptado, se torce, se contorce, soffre, expia, saccode-se… Diz, rindo, o algoz: “Coitado!” Limpando-se, ergue a bunda da bacia.
Com phones nos ouvidos, um chiclette na bocca, quem addentra o cagatorio é o joven carcereiro, que repete, da musica que escuta, o palavrorio. É rap o que está ouvindo. O toalete, local de punição, é “purgatorio” dum preso “apprivadado”, a quem compete soffrer esse castigo vexatorio. O joven, bem folgado, appoia a bunda no assento e tira disso muito sarro. Sorrindo, cantarola emquanto inunda a cara do detento com seu barro. Immovel, posto a ferros, o detento que tudo ja aguentou, até catarrho, se borra, engasga, tosse… e seu lamento nem tem musica ou lettra: é um som bizarro.
Um musico é quem hoje se “apprivada”: culpado foi de plagio. Agguarda, afflicto, quem vae no cagatorio entrar. A cada barulho que da porta vem, é o rito: Escuta os passos. Logo, uma risada echoa. Um rosto joven e bonito o observa la de cyma: “Que cagada gostosa vou dar, cara!” Solta um grito: {Não faça isso commigo!} Mas o joven nem quer saber si ha dados que comprovem que o plagio é involuntario, ouvindo a fita, embora a canção ache que é bonita. Se senta. O peido excappa e até assobia. A merda cae, cantando a melodia que um som de xylophone bem imita a cada cagalhão, cada pepita.
Trazendo de soltura um alvará, se appressa um advogado no caminho até o distante carcere onde está seu typico cliente: o coitadinho. Pequeno em seu delicto, elle será cagado em plena cara, até, todinho borrado, “excarmentar-se”. Aptado ja ao vaso, agguarda o algoz. Chora baixinho: {Meu Deus! Tomara que elle chegue logo! Cadê o doutor?} Attraza-se. {Eu lhe rogo, Senhor!} Mas quem entrou foi um agente que está appertado pelo appello urgente. A bunda tapa a luz. Um peido expouca. Os olhos elle fecha. Não é pouca a merda que lhe chove em cyma, quente, e passa, molle, pelo vão do dente.
Ninguem o cu me lambe tão gostoso nem tão suavemente quanto a minha columna excrementicia, o volumoso cocô, si a consistencia está mollinha!
A cada piscadella, o cu meu gozo excita, pois a merda, que alli tinha parado, sae de leve e, caprichoso, o musculo relaxa e faz cosquinha!
Alegre sensação, então, me brota!
Naquelle instante, penso estar sentado na cara do inimigo derroptado, impondo-lhe o tributo da derropta! Mas logo phantasio minha quota: Na practica, se inverte a scena activa, pois quem no cu dos outros põe saliva é o cego, que de Glauco o nome adopta.
PARA UM LENTO EXCREMENTO (1/4) [2451/2454]
(1)
O agente do presidio, encarregado de, sobre o condemnado, defecar, se mostra constrangido e, num esgar de exforço, diz sentir-se constipado. Debaixo delle, o preso, por seu lado, implora e chora. O agente tende a dar razão ao prisioneiro e a lhe poupar o extremo desprazer de ser cagado. Tentando parescer menos tyranno, o gajo diz, sem graça mas com jeito: “Concordo, moço! É muito deshumano cagarmos bem na cara dum subjeito assim deitado, no logar do cano! Vontade até nem tenho! É meio estreito meu recto! Espere… Está, si não me enganno, sahindo… Ah! Ja sahiu! Prompto! Está feito!”
(2)
“Desculpe, moço…”, insiste, envergonhado, o agente, emquanto o preso, com olhar afflicto, cerra a bocca e quer parar até de respirar, sem resultado. Deslisa o cagalhão, attravessado por cyma de seu rosto. Tem um ar de pena quem cagou. De levantar dalli ja faz menção, ‘inda sentado. Quer elle demonstrar que tem no peito um nobre coração samaritano: “Costumo demorar, hem? Nem suspeito como é que ja sahiu! Sempre me damno na hora de cagar! Estou sem jeito! Mas acho que accabou… Não, não… Ah, mano, de novo me desculpe si lhe deito em cyma outro cocô! Falhou meu plano!”
(3)
A cara do subjeito agora está coberta pela merda, que lhe excorre no queixo e nas orelhas, sem que forre, ainda, a bocca, quasi aberta, ja. Pois é: pelas narinas ja nem dá, coitado, para arfar! Si não recorre à bocca, suffocado o preso morre alli mesmo, naquella sorte má. Usando um tom de voz menos severo, o gajo tem postura complacente:
“Caramba, moço, eu juro que não quero cagar na sua cara! Normalmente, sae pouco, creia! Estou sendo sincero! Sahiu mais molle agora, mas contente, confesso, nem estou! Somente espero que creia em mim… Mas… Opa! De repente…”
(4)
E, sobre aquelle rosto, outro boccado desaba e se exparrama. Desta feita, entrou até na bocca, quando a estreita passagem é um nariz quasi fechado. Respira emquanto engole elle, coitado, e tosse borbulhando. Ja se adjeita melhor, sobre a privada, quem lhe deita, tolete appós tolete, o bollo obrado. Procura não causar mais alvoroço no preso nem usar tom excarninho: “Estou quasi accabando, moço! O grosso ja foi! É só você ter um pouquinho a mais de paciencia, entende, moço? Você teve até sorte! Ja adivinho que deve estar pensando: {Antes um troço mollinho ja, que, lento, um mais durinho!}”
RHAPSODIA PARA QUEM PEIXINHO É (1/6) [2515/2520]
(1)
Que foi procedimento irregular está todo o presidio bem sciente, mas tal não impediu que aquelle agente levasse o proprio filho p’ra “brincar”. É facto ja sabido que o logar, assim como outros centros onde gente que infringe as leis a dura pena enfrente, applica a punição mais exemplar. Alli se preparou um cagatorio no qual o preso aptado está, deitado de cara sob o vaso expiatório. Por mais “normal”, porem, que ser cagado paresça, não ha nada que appavore-o e humilhe mais que um junior la sentado. Será que exsiste fado mais inglorio que aquelle a um prisioneiro reservado?
(2)
Chegando, o molecote pede ao pae que o leve até o banheiro, pois está ficando com vontade. O pae, que ja premeditara tudo, o leva, e sae. -- Não tenha dó si todo o cocô cae na cara do subjeito! Elle que va p’ra puta que o pariu! Cê pode ir la e usar mesmo! -- O moleque, alegre, vae. Mal fecha a porta, o molecote escuta alguem pigarreando surdamente de dentro da privada. Nem relucta: Olhando para baixo, acha impotente o rosto exposto. “Ahê, seu fidaputa! Tá prompto p’ra soffrer?”, diz, sorridente. O olhar que com o delle se permuta expressa algo de podre e de indecente.
(3)
Ao vel-o, o prisioneiro diz, surpreso: {Não faça isso commigo, não, menino! Você não é malvado, eu imagino, não vae cagar num homem indefeso!}
Responde o molecote, rindo, ao preso: “Você que tá por fora! Acho divino ver nego segurando esse pepino! Será que meu cocô faz muito peso?” {Espere ahi, moleque! É prohibido menor num logar destes! Seu pae pode se dar mal, hem? Cuidado, que eu revido!}
Não ha, porem, discurso que incommode um sadico fedelho: “Ah, seu bandido! Agora é que commigo cê se fode!”
Sujar-se vae um cara assim rendido na barba, no cabello e no bigode.
(4)
“E, só por desafforo, eu vou, primeiro, mijar na sua bocca, p’ra você deixar de fallação! Fez seu auê? Agora vae ser menos palpiteiro!”
O preso vê que, accyma delle, o arteiro moleque abbaixa as calças. Tambem vê que o pincto elle segura (e de nenê não é) com alvo certo e olhar certeiro.
O jacto attinge o rosto e cae, em cheio, abbaixo do nariz. O preso fecha os olhos, no reflexo que lhe veiu. Exquesce a bocca aberta e, pela brecha dos labios, sente um mijo extranho, alheio, que excorre para dentro. Então se vexa. Urina, quando chega assim, sem freio, mais fere em nossos brios do que flecha.
(5)
E, emquanto elle se humilha, o molecote ballança o pingolim e tira um sarro: “Gostou do aperitivo? Antes do barro nas fuças, cê meresce mais um trote!” Reabre os olhos quem serviu de pote ao mijo dum pivete. Nisso, o excarro lhe estalla em cyma. Arranha, esse catarrho, passando, do menino, pela glotte. Rouqueja, e então gargalha, com desdem, o filho dum impune funccionario. É ammostra. O principal agora vem. “Sacou, babaca? Sente o drama, otario? Então aguenta ahi! Vae ser que nem porrada de cocô! Vae ser hilario!” Difficil, para alguem que está refem do vaso, um acto haver mais arbitrario.
(6)
A bunda do moleque cobre o vaso, restando, ao prisioneiro, a escuridão e o peido, cujos gazes o ar lhe vão deixando irrespiravel. Segue o caso. E finda como os outros: sob o raso e molle lodaçal que o cagalhão formara, o preso engasga de afflicção. Respira, embora o ar venha com attrazo. Comeu cocô, sem duvida. Por mais que evite, alguma merda do moleque accaba degustada: amargos saes! Permitta-se ao garoto que defeque na cara dum adulto, e este jamais exquesce, alli deixado até que seque. E os bardos que retractem corporaes funcções sem prejulgar quem pague e peque…
Nas aulas de tortura, Mitrione nos dava, aos brazileiros, o apparato da technica. Mas acho muito chato deixar que um instructor nos direccione. “Picana”? “Submarino”? “Telephone”? Não basta! É necessario que o sapato nos lamba o prisioneiro! Eu só maltracto alguem si riso e gozo proporcione! Os cabos e sargentos assim dizem durante uma sessão demonstrativa, pedindo que mais filmes se reprisem, imagens de cor cada vez mais viva. Convem que taes detalhes mais se frisem: Na tela, o preso arrasta-se, se exquiva das botas, caso os sadicos lhe pisem a cara, e molha as solas com saliva.
[3032/3033]
(1)
O cego, prisioneiro, é submettido ao “teste do cocô”: de quattro e nu, procura, farejando, o que do cu do sadico instructor haja sahido. Debaixo de chicote, não duvido que accabe, logo, achando esse tutu fedido e endurescido, que urubu nenhum acceitaria ter comido. Focinho rente ao troço, o que incentiva o cego a abboccanhal-o, alli no piso, é o toque da chibata imperativa. Que tracte de comer, si tem juizo! Emfim, tenta a dentada decisiva: Vacilla, mas mordisca! Nem preciso dizer que, no seu dente e na gengiva collada, a merda induz o algoz ao riso!
(2)
Tractar um cego assim é bem commum, ainda em nossos dias, num paiz que, outrora, era Indochina: é o que me diz um cambojano, sem pudor nenhum. Occorre que o detento, na mão dum malvado carcereiro, por feliz se dá si ainda enxerga! Quem não quiz comer por bem, agora ache o fartum! E o cego, sob açoite, anda, engattinha, afflicto, em direcção ao que lhe ennoja o olfacto: a bosta, alli, secca e durinha! Por ella, em desespero, ao chão se roja! Sorriu quem viu que, inerme, elle ia e vinha… Terá que degustal-a e, si de soja ou peixe algum sabor achar que tinha, ganhou mais um gastronomo o Camboja.
SOPA NO MEL [3126]
Alem de ser cagado em plena cara, cumprindo uma sentença que (Pudera!) por todos é chamada de “severa”, o preso com mais pena se depara.
“Si duro for o troço”, elle pensara, “até que não me sujo tanto: é mera questão de me limpar, depois!” Quem dera! Com outro vil detalhe não comptara.
De facto, é cagalhão grosso o que o tira desova, merda para la de dura, que desce e contra um rosto immovel mira, mas, bocca e olho fechando, o preso attura. Depois, porem, o tira mija! Agora mais nada no seu ventre elle segura.
A merda ja ammollesce, e só peora o lodo em que se torna essa tortura.
Um outro tem peor recordação. Sabendo que, num ultimo momento, tem chance de perdão, reza o detento. Às vezes chega tarde esse perdão. Razão tem de ficar desesperado. Levado à Exsecração Publica, a casa na qual cumpre sentença o condemnado à pena de “excarmento”, elle se arrasa. O methodo é sabido: alguem se senta no vaso onde, de cara para cyma, o preso fica, immovel: nem se anima a olhar, descendo, a merda fedorenta. Quer seja elle innocente, quer culpado, não chega o seu indulto, e elle extravasa o choro. Mas quem caga, por seu lado, só pensa, alli, no allivio que lhe appraza. Ninguem alli demonstra compaixão. Ninguem, ao ver-lhe o rosto, diz “Lamento!”, coberto que ficou pelo excremento. E quantos mais tal pena pagarão?
Teem certas sensações moral effeito. Cagar, alliviar a tripa cheia melhor será si é sobre quem se odeia ou sobre quem inspira algum despeito. Exemplo dou desse ecstase curioso: Você ja reparou, emquanto caga, que um quasi orgasmo causa esse asqueroso volume intestinal, abrindo a vaga? Calcule então si aquillo que lhe deixa vazio o recto encobre immovel rosto que, sob o seu assento, esteja exposto a tudo que cahir, sem chance à queixa! Não acha que é, de facto, mais gostoso? E a cara que está alli? Caso lhe traga lembranças do inimigo, quanto gozo terá você, curtindo o que elle paga? Por isso, quando cago, me deleito! A mesma sensação, tambem gozei-a suppondo castigar-me quem me leia e zombe do meu physico defeito.
Feliz e sorridente, em seu plantão, chegou o carcereiro karateka e alguem irá servir-lhe de peteca, levando, entre outros golpes, o chutão. O agente se diverte, rindo à bessa. Excolhe um prisioneiro e, mal da cella o leva para o pateo, ja começa a nelle practicar. O preso appella: “Não batte muito forte, por favor!”
Sorri-lhe o practicante, cujo tennis não deixa nem os dentes nelle indemnes, depois que a bocca chuta com vigor.
A surra, por instantes, até cessa.
Ainda adjoelhado, appós aquella sequencia de pattadas, nem que peça arrego, mais recebe, ja banguela.
De novo os duros golpes dados são.
Do tennis o solado até careca ficou: nem só no piso é que elle breca. Num rosto mais pisou do que no chão.
(1)
REQUENTADA (1/2) [3369/3370]
No vaso ao se sentar, sentiu que o flato fedia o que, no almosso, fora o pratto.
Succedem-se outros peidos, cujo cheiro de couve a dividir-se está com alho e mais ingredientes do tempero.
Emfim, vem o cocô, que abre caminho aos poucos, por estar bem grosso e duro, tornando mais fedido esse ar impuro que inhala quem se tranca no quartinho.
Se limpa e se levanta o carcereiro que alli se alliviara. Um ja grisalho detento se suffoca, em desespero.
De cara sob o vaso, entra em contacto directo com a merda e paga o pato.
Castigo desse typo, na latrina, estava ja abolido, se imagina.
Na practica, o systema prisional jamais, a qualquer tempo, se humaniza e o preso mais rebelde passa mal.
Si a falta não for grave, algum dejecto recebe sobre o rosto. Mas, si for, alem de perceber pelo fedor, sabor sente dum pratto predilecto.
Lhe applicam um funil e, sendo oral a via, o paladar sabe que, à guisa de rallo, alli se serve o principal:
Tutu com torresminho se elimina, de couve accompanhado, à fescennina.
Os termos são, ao povo, giria clara: “corró”, “correccional”… por duro crivo o preso passa e soffre o “correctivo”. A um bicho o prisioneiro se compara. Ou soffre, ou morre, quando não se evade. Punido “moralmente”, seu castigo consiste em “accaptar” com “humildade” aquillo que fizer o algoz comsigo. Castigo “psychologico”, é o que adopta o agente, mas o preso sacrifica a bocca, quando chupa a porca picca, e a lingua, quando lambe a bruta bota. Emquanto mentaliza a liberdade, tambem o preso ralla seu umbigo no chão, a rastejar do muro à grade, e allarga, no joelho, um corte antigo. De facto, liberdade é coisa rara. Entendam bem: “tortura” é relativo conceito, si ao regime eu sobrevivo, até si não livrei da nausea a cara.
Robben, duro, foi um osso: o apartheid usa, alli, farda. O fardado é bem mais moço. São os presos de cor parda. Enterrado até o pescoço, o detento negro agguarda que lhe urine, qual num poço, bocca addentro, o branco guarda. O branquello abre a braguilha, tira o pau e se imagina superior. Sorrindo, humilha quem engole o que elle urina. Rente ao piso, o prisioneiro, que a vingança só rumina, bebe o mijo. Mas, primeiro, lambe a sola da botina.
No presidio, algum momento sempre exsiste, de ironia: perguntaram ao detento que castigo preferia. Entre um sordido e nojento e um que sangra e supplicia, o coitado pensa: “Aguento si menor for a agonia…” Comer merda elle prefere numa abjecta refeição, appostando que tolere, e um tolete encara, então. Mas vomita e, agora, aguenta, de lambuja, outra sessão de sadismo: uma sangrenta e cruel flagellação.
Pendurado de cabeça para baixo, um prisioneiro não espera que accontesça nada muito prazenteiro.
Não ha scena que appetesça nem que aggrade pelo cheiro num barril que a merda espessa e cremosa encheu inteiro.
O cocô quasi transborda da barrica! Que regalo aos algozes! Pela chorda, vão la dentro mergulhal-o!
Elle implora e se debatte no brevissimo intervallo, mas, até que a merda o macte, tosse e engasga feito um rallo!
Me passaram o recado do jeitinho como eu narro: ammarraram um coitado e o castigo foi bizarro, pois, appós terem pisado sua cara e achado um sarro, chega um delles e, aggachado, sobre a bocca desce o barro. O cocô sahiu bem molle, em porção até que pouca, e o coitado aquillo engole porque abriu, na marra, a bocca! La deitado, immovel, fica. Só se escuta a voz ja rouca.
Jorra mijo duma picca e eis a bocca menos oca!
Ammarraram um coitado com a cara para cyma e um funil na bocca: o brado que lhe excappa aggrava o clima. Terá dentro alguem obrado e o momento se approxima. Na cadeira está sentado quem demonstra pouca estima. A cadeira tem um furo de passagem para a fece, pelo qual o cocô duro e rolliço, facil, desce. O funil tem bicco largo (Oxalá não o tivesse!) e o cocô sabor amargo, mas na lingua elle ammollesce.
Em Mauthausen, campo nazi, hitlerista juventude se diverte a olhar quem quasi morto esteja e se desnude. Aos internos, ja na phase terminal, a turma allude com gracejo que extravase um sadismo agudo e rude: “Olha aquelle! Que magrella! Que tal vermos si elle appella para a nossa piedade?
Hem? Façamos que elle brade!” E um coitado a turma queima vivo, vendo que elle teima, sem fazer tudo que aggrade aos meninos, fans de Sade.
(1)
[3601/3610]
Caro amigo, tempo faz que não dou noticias minhas. Nem calculas, meu rapaz, a razão, si não as tinhas!
Do Brazil sahi, sim, mas onde estou nem adivinhas! Ilhas vi, desde Alcatraz, Tahiti… Até as greguinhas!
Foi, porem, nestas Cagarras que prendi minhas ammarras e fiquei até o momento.
Me envolvi com a cultura dum paiz de linha dura e fugir agora eu tento.
(2)
Eu, que appenas confundia as Maldivas com Malvinas, nem sabia que exsistia tal logar! Tu nem attinas!
Panoramas de magia nas Cagarras descortinas: cada praia nos premia com palmeiras e collinas!
O que, ahi, ninguem suspeita é que aqui jamais foi feita orthographica reforma.
Portuguez tambem se falla: na pronuncia, até se eguala, mas, na escripta, é velha a norma.
(3)
Sei que tu não compartilhas, e eu tambem, das dictaduras. A principio, maravilhas só notei, bellezas puras!
Excaldado de armadilhas, oppressão tu não atturas, nem eu, claro! Nestas ilhas, são, porem, as penas duras!
Quem está por traz de grade da apparente liberdade democratica não goza.
Muito cynico, o regime de direito é, mas reprime com lei sordida e asquerosa.
(4)
Nem noção da coisa fazes! Mal cheguei, por ser poeta, conhesci daqui uns rapazes de cultura mais selecta.
Me disseram que, nas phases mais remotas, foi directa a tortura, mas as pazes se fizeram, e se affecta.
Quem commette algum delicto, quer commum (o que eu evito), quer politico, é “exsecrado”.
Euphemismo é o “excarmento”, pena, agora, que eu enfrento, mesmo tendo um advogado.
(5)
Um lettreiro “Exsecração” diz, e “Publica”, na porta. Como vês, tal inscripção não é coisa que comforta.
Esse é o nome que, aqui, dão ao presidio! Pouco importa o protesto dos que não se conformam com lei torta.
O castigo é um “excarmento” e “excremento” (Eu não invento!) é o sentido mais concreto!
Mas estou na cella, e tenho que encerrar… Com teu empenho sei que compto! Teu dilecto…
(6)
Meu querido, estou de volta. Que recebas eu espero esta charta. Não me solta um juiz que é mui severo.
Accabei de, sob excolta, vir do Forum, e só quero te externar minha revolta, pois leal te considero.
Ja compuz muito poema descrevendo este systema carcerario e punitivo.
Mas insisto, meu amigo, podes crer no que te digo: deste horror eu não me privo!
(7)
Com a cara para cyma, bem debaixo dum assento de privada, não se anima o coitado do detento!
Ammarrado, elle que exprima ter repulsa! É que um nojento cagalhão na bocca o intima a engolir, descendo, lento!
Quem defeca é um funccionario da Justiça! E quem compare-o a um carrasco, está correcto.
Um funil na bocca é posto, mas transborda sobre o rosto uns pedaços do dejecto.
(8)
O peor é quando, molle, o excremento, qual um barro, se derrama e o preso engole! Não duvides do que narro!
Quem não tenha algum controle sobre a nausea, num bizarro mel se affoga! O povo bolle com tal thema e tira sarro!
A despeito do protesto humanista, todo o resto da nação reprova o appello!
Si, de humor, qualquer programma faz piada, nem reclama a familia que for vel-o!
(9)
Ah, meu caro! Si te expantas vendo um preso a comer fezes, sabes la quantas gargantas ja as tragaram? Não desprezes!
Ah, por tantas almas sanctas! Eu tambem, com minhas theses humanistas, sei la quantas pago, mesmo que tu rezes!
As pressões humanitarias são constantes, e são varias as potencias que pressionam.
O archipelago se basta, entretanto, e votos gasta quem votar, pois não funccionam!
(10)
Bem, collega, nestas linhas registrei meu desamparo, na esperança de que minhas curtas chartas fallem claro.
Não são meras ladainhas, tu percebes, pois declaro o que soffro! Não te allinhas com o Mal, não é, meu caro?
A quem crê me manifesto: novas nuvens de protesto sobre as ilhas sempre chovam!
Sendo só para o momento, me despeço, e me contento que meus prantos te commovam!
(1)
(1/10) [3691/3700]
“Olha só, mamãe! O moço foi cagado bem na cara!” E, da testa até o pescoço, vê-se um rosto que se azara.
Recoberto por um troço que ao chouriço se compara (enrollado, escuro e grosso), essa scena não é rara.
Nas Cagarras, vê-se, em cada sujo vaso de privada dum presidio, um rosto assim.
Qualquer um do preso ri, até mesmo algum gury que alli levam com tal fim.
(2)
Um reporter extrangeiro nas Cagarras temporada passa e vê que seu ropteiro de pesquisa desaggrada.
Entrevista elle, primeiro, quem passou pela privada: esses nem siquer do cheiro fallar querem, nem de nada.
Sae às ruas e pergunta, mas do povo a voz se juncta contra elle nesse assumpto.
Indagada do “excarmento”, fica a plebe, cem por cento, mais calada que um defuncto.
(3)
No “youtube” um video passa em que a camera, installada no interior do vaso, espaça muito rente da cagada.
Pega, em close, de quem faça o cocô, sahindo cada cagalhão, e a maior graça, claro, está na bocca obrada.
O subjeito implora, berra, e em seguida os olhos cerra, percebendo que o cu pisca…
Se ouve o peido, e um som gosmento antecipa o atroz momento em que a merda um réu petisca.
(4)
Fora, uns acham que a nação cagarrense seja lenda, e uma nova annexação ao Brazil ha quem defenda.
Mas o facto é que elles são, os ilhéus, gente de renda nem tão baixa: o povo não passa fome e ha carro à venda.
Não se entende, todavia, essa estupida mania de punir com merda à face!
Mais ainda: ao povo, a pena é terrivel, mas a scena da cagada é bom que passe!
(5)
Da cidade de Pracilha, na insular nação Cagarra, do prefeito a propria filha nos contacta e os factos narra:
{Quem infringe a lei se humilha, quando é pego! Virou farra popular gozar quem trilha a má senda, e a pena é barra!}
{Não assisto, mas chocada fico ouvindo uma piada que aqui conta quem descreve…}
{Cocô duro, elle que coma! Cocô liquido, elle toma si o delicto foi mais leve…}
(6)
Mais a filha do prefeito de Pracilha nos revela:
{O povão acha bem feito que haja pena como aquella…}
{Me contaram que um subjeito condemnado, quando appella, mesmo o appello sendo acceito, permanesce alli na cella.}
{Só na hora em que ja está quasi “obrado”, é que alguem dá a noticia da soltura.}
{Mas passou, ja, pelo susto! Foi sustado um acto injusto; resta o trauma, que perdura!}
(7)
E ella um caso exemplifica, do innocente que, levado à privada, à espera fica que alli chegue um advogado.
Nisso, encara um sacco, a picca, ballançando! Appavorado, elle teme que a titica saia e seja em vão seu brado!
“Moço, espere! Eu não fiz nada! A innocencia está provada! Vae chegar meu defensor!”
Mas o agente não segura seu apperto, e outra soltura virá tarde se interpor.
(8)
Em Pracilha, quem percorre os kiosques, pela rua, vê que a um thema se recorre nas revistas… Mulher nua?
Nada disso! Ha quem exporre com tesão que a substitua: o excremento, quando excorre sobre um rosto, em scena crua!
Dum tolete, até da photo um leitor diz ser devoto, quando, em close, uns beiços roça!
Em familia e em sociedade, entretanto, ninguem ha de confessar que aquillo endossa.
(9)
Mais detalhes quem emprega, descrevendo um “excarmento”, é um detento que não nega sua culpa: “Agora, aguento!”
“Vejo abrir-se o cu! Me offega a garganta! Em vão, eu tento não cheirar! De cada prega, que se allarga, sopra um vento!”
“Ouço um peido, que assobia! Me debatto na bacia, mas meu rosto está bem firme!”
“Outro peido explode e, molle, desce o barro! A gente engole, não tem jeito de eximir-me!”
(10)
Por mais poncta que uma cerda tenha e escove o vão do dente, a impressão que um refem herda do “excarmento” é permanente:
“Deixa um gosto amargo a merda na garganta, e até na mente! P’ra exquescer a gente é lerda, mesmo em sonho a gente sente!”
O castigo, que envergonha para sempre um réu, dá bronha, todavia, ao typo sado:
“Nestas ilhas, phantasia todo macho uma bacia, na qual caga, e alguem cagado…”
EM PLENO SECULO (1/2) [3979/3980]
(1)
O juiz quiz que elle seja condemnado à morte. Quem cumpre as ordens e appedreja o coitado, quiz tambem. Desaffectos seus, da egreja ou do exercito, estão, sem dó, querendo que se veja um cirquinho, e se entreteem. Participam, com orgulho, da tortura: que elle grunha como um porco! Um pedregulho o risonho algoz empunha. Quando a pedra, em cheio, accerta de quem fora ja poz unha numa palpebra entreaberta, rindo, o povo testemunha.
(2)
A segunda pedra pega bem na bocca e os dentes quebra. Na platéa, um ex-collega do accusado urra e celebra. A terceira pedra cega um dos olhos: se requebra no estertor quem se relega, contra as regras de Genebra. Quando a quarta pedra attinge com extrema precisão o nariz da viva esphinge, brota sangue em borbotão. Quincta, sexta… e mais se exvae quem trahiu sua nação inclemente e, agora, attrae a sedenta multidão.
A cada trez lambadas da chibata, você come um cocô. Caso não coma, em dobro as levará. Si não embroma e come, accaba logo a dose ingrata. Entende bem você seu drama e tracta de abrir a bocca à merda. O cocô toma, inteiro, o espaço interno e, alli, se somma à lingua, aos dentes: massa que se acchata. O gosto é nauseante, o odor medonho. Fazendo sacrificio, empurra, engole aquillo… Está você no inferno? É sonho? É sadomasochismo que extrapole? Um gommo de cocô paresce inconho. Mais solido é um tolete, outro mais molle. Gargalha quem cagou: “Depois reponho seu pratto, hem? Coma tudo, hem? Não enrolle!”
EDUCACIONAL GENERAL OSORIO (1/14) [4037/4050]
(1) O RHAPSODO:
Os cegos prisioneiros postos são na mesma carceragem, às dezenas. Estão em condições bem pouco amenas, forçados a trabalhos na prisão.
Não são presos communs os que la vão parar, mas dissidentes, uns appenas por terem protestado. Tristes scenas performam, mas risada os guardas dão.
Tarefas degradantes os agguardam, alem de jogos sadicos, pois nada commove quem os pune: “Elles que se ardam!”
Aqui descreverei a malfadada roptina dessas penas, que accovardam qualquer opposição: “Quem contra brada?”
(2) O RHAPSODO:
Alli foi Instituto, antigamente, depois reformatorio. O militar regime, ao qual é crime contestar, concentra alli quem “contra as leis” attempte.
Allega-se abrigar deficiente parcella de detentos nesse “lar penal”, mas poucos sabem que o logar funcciona como carcere, somente.
Tambem quasi ninguem disso suspeita, porem não eram cegos elles, antes de terem feito offensas à direita.
Está mais que evidente: os militantes de esquerda são cegados, mal lhes deita a mão a repressão dos brutos guantes.
(3) O RHAPSODO:
Relata-me um anonymo ex-agente daquella dictadura: “Da tortura não gosto, mas collegas meus, com pura frieza, a practicaram, sabe a gente.”
“No caso do Instituto, dum tenente ouvi que era um barato ver a dura labuta dos ceguinhos…”, diz e jura ter feito só visita ao ambiente.
“Convite me fizeram para, alli, ver como é divertido o que a cegueira provoca em quem ja vira. Eu fui e vi…”
Assim elle me narra, assim se queira suppor seja veridico. Eis aqui, portanto, outra comedia brazileira:
(4) O VISITANTE:
Os guardas me recebem com sorriso nos labios, bem matreiro, mas, de fora, ninguem dirá que, emquanto um cego chora, alguem delle caçoa, insisto e friso.
Fachada neogothica. Um adviso notei juncto ao gradil e ainda agora me lembro: “Cães ferozes”. Que vigora a regra vigilante é o meu juizo.
Não vejo cão algum, mas ja supponho que, sendo perigoso a alguem que veja, a um cego elle será bem mais medonho.
Nem vozes, nem lattidos ouço. A egreja vizinha toca o sino e seu tristonho som nega o que, la dentro, se festeja.
(5) O VISITANTE:
Os methodos variam: ferro em braza, no tempo de Sansão; tambem pungente é a dor que, ao ser cegado, o preso sente si um olho é perfurado e appenas vaza.
A antiga praxe, agora, se dephasa. O globo enucleado (a algum doente doada sendo a cornea): eis a corrente conducta que é cirurgica na casa.
O preso, compulsorio doador, depois é transferido ao Instituto, ainda resentindo-se da dor.
Aqui vim visital-o e, attento, escuto as queixas que faz, soffrego, ao depor, sentindo-se inferior, fodido e puto.
(6) O ESTUDANTE:
{Eu era um estudante e a faculdade foi palco de protesto. Entrei no meio, embora aos esquerdismos sendo alheio, e logo fui jogado attraz da grade.}
{Familia tenho longe e, na saudade, fiquei desamparado. Em tiroteio perdido eu ficaria, pois me veiu o choque da cegueira nesta edade.}
{Com outros fui levado a um hospital. Passada a anesthesia, quando accordo, percebo todo o alcance do meu mal.}
{Passou tambem o choque, o choro, e, a bordo do negro camburão, cheguei a tal logar, onde das dores me recordo.}
(7) O VISITANTE:
Trabalhos manuaes os vi fazendo, alguns bem subalternos, como botas que apprendem a engraxar, cumprindo quotas, sob pena dum castigo mais horrendo.
Tambem com exercicios estão sendo treinados: percorrer, sob as chacotas dos guardas, todo o pateo, nas lajotas rallando mãos, joelhos… E eu me offendo.
Mas nada digo: finjo estar gostando da scena. Um guarda, rindo, a mim se exhibe e manda um cego a nós vir rastejando:
“Aqui, ceguinho! Rapido!” E prohibe que erecto fique: “Engraxa!” A seu commando, lhe lambe a bota o preso, e eu que prelibe.
(8) O ESTUDANTE:
{Fizeram-me apprender tarefas nada suaves: lavar pisos, de gattinhas andando, o cheiro ardendo, forte, em minhas narinas, limpar merda na privada…}
{Levando ponctapés, ouço a risada do guarda que me treina, as excarninhas palavras: -- Anda, cego! Bem limpinhas eu quero todas! Quero um brilho em cada!}
{Me curvo nas latrinas, metto a mão no mijo, no cocô, supporto o cheiro. E o guarda inventa nova gozação:}
{Emquanto estou curvado, elle, certeiro, urina em mim! E suas ordens são que eu fique quieto e aguente o tempo inteiro!}
(9) O VISITANTE:
Advisto os cães, então, usados para causar maior terror no engattinhante detento. “Aqui! De quattro! Não levante!” E o cego eis que ao cachorro se compara.
Gargalha o guarda às custas duma cara de medo do ceguinho. Si, durante os brutos exercicios, o bastante não faz, um cão advança e elle se azara.
O guarda attiça o cão, que rosna, latte e quasi morde o preso. Este engattinha às ordens de quem como bicho o tracte.
O cão não lambe bota alguma. A minha quem lambe é o proprio cego: elle que accapte aquillo que lhe impõe quem o expezinha!
(10) O ESTUDANTE:
{De dia, na officina, estou com mais internos e a banal manufactura nos toma o tempo. À noite, está à procura de algum de nós, na cella, algum dos taes.}
{Dos mesmos que nos treinam nas banaes latrinas. Accompanho quem segura meu braço e é mais carrasco que quem fura meu olho. O que quer elle? Ouvir meus ais?}
{Decerto! E quer gozar! Elle se senta e, à sua frente, estou adjoelhado. Terei outra tarefa, e mais nojenta…}
{Na bocca metterei meu mau boccado, chupando até sentir que me ammammenta de esperma um membro sadico e folgado.}
(11) O VISITANTE:
Olhando para baixo, vejo o cego lambendo a minha bota. A lingua exfrega o couro, à volta toda. Elle se entrega, em cega obediencia, e eu me assossego.
As ordens não são minhas. Me encarrego appenas de assistir. O guarda allega que faz demonstração do que uma cega conducta significa a alguem sem ego:
“Tá vendo? O cego engraxa direitinho, ja sabe ser humilde! No começo, pedia dignidade!” E ri, excarninho.
Emquanto o guarda falla, até me exquesço daquillo que alli faço, e me ammesquinho olhando quem me engraxa e paga o preço.
(12) O ESTUDANTE:
{Tambem de massagista aqui trabalho: os proprios guardas usam minha mão em suas costas, pernas, pés, e são sarcasticos ao rirem do que eu valho.}
{Só sirvo para isso, dizem: malho braçal. Eu me dedico porque não desejo mais castigos. Faço, então, dos guardas a vontade, quebro o galho.}
{Nas pernas eu appalpo uma batata thalluda e vou descendo ao tornozello, emquanto o guarda como um cão me tracta.}
-- Assim que eu gosto! -- {Até satisfazel-o, terei que me deter na sola chata dum pé que fede e pede o maior zelo.}
(13) O VISITANTE:
Contemplo o cego alli prostrado e penso na sorte de quem, feito um animal, apprende a obedescer. Sinto-me mal? Nem tanto: desse azar eu me dispenso.
Converso com o guarda, que um intenso prazer demonstra impondo ao cego tal tarefa em minhas sujas botas. Qual humor aggrada a um guarda? Qual seu senso?
A phrase do soldado em minha mente gravei: “O peor cego é quem ficou e ainda quer ver, acha até que é gente!”
Medito eu ca: si cego não estou, nem quero imaginar o que é que sente alguem que tenha inveja do que eu sou!
(14) O ESTUDANTE:
{Não sou mais estudante, não sou nada, senhor! Eu lhe aggradesço por ter vindo me ver e ouvir, agora que está findo meu tempo e logo lavo outra privada.}
{Não sei si o que eu contei aqui lhe aggrada, mas tive namorada! Eu era lindo, de mim ella fallava! Agora rindo estão de mim os guardas! Dão risada!}
{Por isso tenho inveja do senhor, que pode me enxergar e pode embora ir quando bem quizer, aonde for!}
{Eu fico aqui pensando: emquanto um chora, alguem delle caçoa e alguem, sem dor, assiste e, depois, disso fica fora…}
A bunda occupa todo o assento e sobra dos lados: elle é gordo, mesmo, e caga, aos poucos, a linguiça! Quando vaga o recto, mais se allarga cada dobra. Debaixo da privada na qual obra, o gordo escuta a surda voz, a praga raivosa que ella solta, rouca, gaga, que o paio emmudesceu mas se recobra. Na bocca, que pragueja e que se cala a cada salsichão a mais que desça, salame entrou, tambem, para tapal-a. Augmenta a pilha, cresce, então. Que cresça! Peidando, o gordo faz sobre a cabeça do preso que, no vaso oval, se entalla, um ultimo chouriço: que padesça! Que soffra alli, sem follego, sem falla!
Num filme, com requinctes deshumanos, um medico apprisiona dois ou trez coitados e os opera com soez pericia, costurando a bocca ao anus. Mas nem precisa tanto! Serios damnos fez quando alguem cagou sentando e fez cocô na bocca aberta dum burguez luxento e rabugento… Quem? Os manos! Um caso casa assim com esse clima. Contaram-me: assaltaram a mansão do cara. Elle, ammarrado, para cyma abriu, na marra, a bocca, alli no chão! Sentou-se um dos bandidos… Quem sublima não lembra… Accocorou-se… Um cagalhão sahiu, amargo… e entrou… Gommo de lima! Bandidos são crueis! Ah, como são!
São feitos prisioneiros, si a battalha perderam. Perderão, tambem, seu olho. O escravo cego excusa até ferrolho: não foge nem se insurge, só trabalha. Debaixo de chibata, qualquer falha se pune e aqui, de medo, ja me encolho. Me sinto escravo e, cego, não excolho trabalho. A fustigar-me, alguem gargalha. Risadas ouço. Sinto a chibatada no lombo. Não reajo nem me evado. Agguardo as ordens. Cumpro, mudo, cada. Me vejo a tal regime transportado. A vida não permitte esperar nada. Sem pena, a usar a bocca sou forçado. Lambida a sola, a rolla foi chupada. Gargalha o algoz, emquanto eu me degrado.
Linguiça de legume, carne, massa… Cocô mixtura tudo. Quem o coma na certa notará como elle somma sabores, duro ou molle alguem o faça. Comer cocô não é coisa que passa por muitas cabecinhas… Mascar gomma paresce preferivel. Até toma chichi quem chupa; merda não tem graça. Occorre que, em regimes de excepção, registra-se a ingestão, como tortura, de merda pelos presos, num porão commum a qualquer nova dictadura. A scena se repete, mas a pura verdade é que quem come à força não se lembra do sabor dessa mixtura, em meio a tanta soffrega afflicção.
Confesse, desgraçado! Foi você, não foi? Está doendo? Você vae sentir mais dor ainda! Esse seu ai está fracco, qualquer babaca vê! Vou dar mais um apperto! Caso eu dê na dose certa, então você se trae! Ahi, confessa tudo! E, quando um cae, os outros tambem dansam… Diga! O que? Não pode supportar? Mas eu ainda não tive chance para tudo pôr em practica! Tem cada coisa linda! Tem choque, ferro em braza, expannador no rabo, tem tortura que não finda! Respire! Ande, responda! Muita dor ja sente? Puxa! Agora sim, bemvinda é sua cara, afflicta de pavor!
Estão brincando? Nunca! Mastigar cocô? Não, nem na marra! Não sou como aquelles masochistas! Não me domo a poncto de sujar meu paladar! Esperem! Não! Me soltem! Dei azar, confesso, dei bobeira, mas não como, por isso, um cagalhão! Nem mesmo um gommo siquer! Perde seu tempo quem cagar! Me soltem, ja fallei! Não! Por favor! Não quero! Não, na bocca não! Eu corro daqui, juro! Não volto, não! Soccorro! Ah! Sancto Deus! Que nojo! Ah, Deus, que horror! Ja quasi vomitei! Assim eu morro! Não como mais, não, seja de quem for!
Não digam! Comi tudo? Que sabor horrivel! É de gente ou de cachorro?
ORDEM DO DIA (1/2) [5109/5110]
(1)
Às tropas discursando, o general nipponico que occupa, na Koréa, a aldeia, da victoria deu a idéa mais practica: dominio sexual! {Soldados! Isto é nosso, agora! Aval nos deu o Imperador! E então, qual é a devida recompensa? Que a plebéa nos sirva como puta, em sexo oral! As femeas chuparão nosso caralho! Os machos limparão a nossa bota com suas linguas! Eis o seu trabalho! Assim um prisioneiro se devota!} Ao menos eu, na lyra, à funcção calho! Symbolica rhetorica? A derropta foi sordida: dos homens eu detalho que sujo foi o trampo e dura a quota.
(2)
No Irak, o americano ordens escuta, tambem, dum general: {Homens! Agora é nosso este paiz! Ou collabora comnosco o povo, ou soffre a força bruta! Serão como cachorros! Quem os chuta e pisa bem fará! Quem “Passa fora!” e “Lambe a bota!” grita-lhes melhora a propria estima e vale o que desfructa!} Levaram os soldados tão ao pé da lettra esse discurso, que a prisão de Abu Ghraib assistiu demais, até: as photos para sempre mostrarão. Abbaixo da mais infima ralé, de quattro, o irakiano lattiu, não ouviu sinão risadas, sua fé no Islam viu sob a sola, e até o Corão!
Batteram muito nelle! Muito tapa na cara, bofetada que arde e estalla! Tambem uma cinctada! Quer leval-a alguem pela bochecha ou pela nappa?
Depois, lhe deram murros! Não excappa ninguem de ser surrado nessa escala crescente, si o subjeito não se abballa com simples peteleco… É nova etapa!
Agora, leva chutes e, rasteira soffrida, ponctapés até na cara! A bocca, ja sangrando, se excancara! Um olho, quasi, attinge uma biqueira! Costellas fracturadas, se prepara algum dos aggressores para, à beira do sadico prazer, quebrar inteira a sua cabeçorra a pau e vara!
Da primeira chicotada desviou-se. Quasi excappa. Porem, antes que se evada, outra estalla feito tapa. Excorrega. Um pé, de chapa, no nariz dá-lhe a lambada. Ja de sangue a roupa empappa. Por soccorro elle ja brada. Como um “bicho” a soffrer trote ou detento nas galés, leva surra de chicote e, de quebra, uns ponctapés. Pouco caso não fizesse! Evitasse dar olés!
Relho agora a turma desce! Pode um homem contra dez?
Doador de corneas é o mais docil prisioneiro: obedesce bem e até lambe o pé do carcereiro. Não doou de boa fé, mas na marra. Agora arteiro não será, nem durão, né?
Chupará rollas, ordeiro!
Ja fallei delle bastante em sonnetto, em motte, em ode. Seu inferno nem o Dante concebeu, e ninguem pode. Ja pensaram? Meliante sendo ou não, quem se incommode ja não ha si, doradvante, na prisão elle se fode.
{Bandido bom não é bandido morto, appenas! É preciso tortural-o bem, antes de mactal-o, Glauco! Fallo sem força de expressão nem descomforto! Meu poncto é bem directo, não é torto, mas sei que vou pisar, Glauco, no callo daquelles humanistas! Que regalo, na bronha, proporciona tal desporto! Deleite é torturar bandidos, ja que falta não farão! Mas o melhor é quando lhes arranco os olhos! Mor barato o desespero delles! Ah!} -- Você nunca pensou como será que podem se vingar? Olhe em redor! Estão bem do seu lado! Não, major! Melhor outra punheta ver si dá!
Lamber o chão? Fazer alguem usar a lingua nessa sordida funcção? No Orkut era commum alguem, na mão de sadicos, passar por tal azar. Nas redes é possivel encontrar imagens em que todo um sujo chão terá que ser lambido. Risos são ouvidos. As prisões são bom logar. Na nossa dictadura, diz Gabeira, assim se torturou. O preso tinha que limpo deixar onde se caminha com botas militares. Ha quem queira? Às vezes algemado, de colleira em volta do pescoço, foi a minha lembrança que excitou a punhetinha: Nas botas se lambeu, tambem, sujeira.
Bons tempos, Glauco, quando se podia punir com castração e com cegueira alguem que, na segunda, até primeira vez, tenha demonstrado rebeldia! Depois de cego, fica a autonomia do gajo reduzida a verdadeira prisão sem grade. Mesmo que elle queira fugir, não pode, noite sendo, ou dia. Você bem sabe, Glauco. Um prisioneiro cegado obedescer vae, sem direito a queixa, ao carcereiro. Me deleito com isso. Do que rolla bem me inteiro. É pena que não rolle em brazileiro presidio, mas, emfim, acho bem feito. Você não vae dizer que é preconceito, não é? Não fosse, Glauco, um punheteiro!
Ja tenho o meu ORVIL, Glauco! Não fallo dum Orwell, não! ORVIL mesmo, o contrario de “livro”! Um detalhado promptuario dos methodos que pisam no seu callo! Surpreso ficará! Vou impactal-o! Você reparará, caso compare-o aos livros esquerdistas, que scenario diverso olhei: de Sade fui no emballo! Proponho torturar, no captiveiro, os nossos inimigos, com requincte maior de crueldade, tendo uns vinte carrascos para cada prisioneiro! Sim, typo lynchamento, Glauco! Pincte la, quando nós vencermos! Mas, primeiro, teremos que sahir deste atoleiro chamado “pandemia”! Ah, puta accincte!
No ORVIL, “livro” que lido foi de traz p’ra frente, militares negam tudo: que tenham torturado, que desnudo ficou o seu regime, ja sem gaz… Accusam as esquerdas como más e perfidas, o povo como mudo refem do terrorismo que um estudo demanda p’ra voltar a patria à paz. Discordo, cara! Affirmo que tortura rollou, sim, mas foi optimo que tenha rollado, Glauco! Assim se desempenha a força, a auctoridade que perdura! Meu sonho, si vencermos nós, da pura moral (você não vale) é, com ferrenha vontade, torturar quem não me venha lamber as botas numa dictadura!
PAREDÃO [6207]
Duvido de você, quando me diz que exsiste boa gente em cada lado! Si sou de esquerda, quero fuzilado ver um dos “bons”! Assim serei feliz!
Aquelle que equilibre dois Brazis, por mais que seja bemintencionado, meresce simplesmente ser tractado com toda a cortezia que condiz: Teremos boa balla, paredão tambem bom, para cada desses tão bomzinhos, porem cuja posição se opponha ao socialismo de plantão! Mas antes, Glauco, quero vel-os chão lambendo pelo pateo da prisão!
Rirei quando pedirem meu perdão por terem sido neutros na questão!
TALHE NO DETALHE [6240]
Gravura vi, Glaucão, que lhe interessa. Carrascos trez accabam de cegar um homem, cujo oval globo ocular tirado foi da cara, mas sem pressa. Seu outro olho sahir tambem vae, nessa sessão de cegação. Falta passar a faca, que dum delles a brincar está na mão e quasi que a attravessa. Detalhe interessante que, evidente, nos salta à vista: algozes de pau duro estão, fora das calças. Glauco, juro! Aquillo mexe mesmo com a gente! Mais um detalhe: rosto sorridente exhibem elles. Quasi ja no escuro total, o desgraçado mostra puro terror no olhar que resta. A gente sente.
Te quero descrever, Glaucão, a scena que vi numa veraz photographia. Foi n’Africa do Sul, quando valia o rigido regime em sua pena.
Do preso o queixo roça na terrena poeira. Até o pescoço la se enfia o corpo. Na cabeça, à luz do dia, o forte sol luz batte nada amena.
Dois jovens guardas pisam na cabeça, que está das sujas botas ao alcance. Teem elles, quanto queiram, boa chance de tudo fazer nella que envilesça. Pisar, chutar, mijar, mandar a advessa e secca lingua achar que rolle e danse na sola das botinas. De relance, notar pude. Suppuz que o pau lhes cresça…
Tens, Glauco, uma noção do que seria um ratto na boceta, até no cu dum pobre prisioneiro que, ja nu, esteja aptado pela tyrannia?
Não, Glauco, o ratto, mesmo, só se enfia alli porque não teve outro menu! Cercado, sem passagem, sabes tu por onde tal bichinho ousar iria?
Si o ratto não tiver outra sahida excepto um orificio natural, irá forçar, cavar caminho, mal podendo se mexer! Alguem duvida?
Coitada da abertura que decida fechar-se aos movimentos do animal!
Será bem dolorido, Glauco, o tal tractor tentando abrir uma avenida!
Aptado pelos pulsos, mãos accyma da altura da cabeça, sem nenhuma cueca siquer, mesmo que elle assuma uns ares dignos, logo desanima. Começa a sessão, nesse extremo clima de euphorico recreio. Se advoluma o publico na arena, à qual ja rhuma até molecadinha que se mima. As habeis chibatadas dadas são nas nadegas, nas coxas, não somente nas costas. O punido os golpes sente arderem e rebolla na afflicção. Provoca as gargalhadas do povão por causa dessa dansa que, indecente, paresce “estripetise” e faz a gente pensar num cabaré. Não é, Glaucão?
Levaram o teimoso bandoleiro, que nada confessara, à salla ao lado. Por ordem do orgulhoso delegado, o gajo foi queimado com isqueiro! Sim, Glauco! Dei um google! Sim, me inteiro dos factos! Foi todinho chammuscado! Na poncta das orelhas, no suado pezão, no sacco roxo, no trazeiro… Você ficou com pena do pezão, não é? Talvez você não o queimasse! Talvez nelle exfregasse sua face, apposto, pois conhesço o seu tesão! Mas delle não tiveram pena, não! Só deram gargalhadas! Si enxergasse, veria você como goza a classe dos tiras, que teem tedio no plantão!
Usou o prisioneiro uma cangalha, que alguns estão chamando de gollilha. A argolla no pescoço mais humilha aquelle que incidiu em grave falha. Num campo o condemnado ja trabalha forçado, sob açoite, e ja se pilha rebelde e rancoroso. Os dentes rilha de raiva a cada golpe que lhe valha. “Tiraram de mim tudo! O meu orgulho, a minha dignidade! Fui forçado, debaixo de lambadas, o solado das botas a lamber! Ah, tive engulho! Mas quero me vingar! Farei barulho, com minha banda, para que esse lado rockeiro ouvido seja! Revoltado sou! Nunca a rir eu canto! Não empulho!”
Pegaram o ladrão. Pé de chinello, se nota pelo video. Por castigo fizeram-no comer merda. Me instigo com isso. Perguntei si o gajo é bello. Disseram-me que é negro. Me revelo sympathico ao coitado, que perigo correu si não comesse, em calda, o figo. Aquella forte imagem eu congelo. Si fosse no meu clube, comeria cocô na marra alguem mais rico, um branco burguez que, mesmo quando o não expanco, engole, molle, atroz dysenteria. Voltando ao caso, contam que fazia caretas ennojadas quem, o tranco levando, põe na bocca com um franco desgosto o cagalhão da burguezia.
As taes “experiencias”, na Allemanha nazista, são, sim, “medicas”, Glaucão! Serviram para alguma coisa! São remedios, é mais cura que se ganha! Concordo que houve casos de tamanha maldade que envergonham a nação… Exemplo? O da coceira, diversão duns sadicos doutores, cruel sanha! Não soube? Elles prendiam o subjeito com pulgas, muitas pulgas! Ammarrado, sem ter como coçar-se, esse coitado soffria loucamente! Era bem feito! Desculpe! Eu quiz dizer que não acceito um caso desses, cujo resultado de nada addeantou e nenhum dado rendeu, excepto o sadico proveito!
“Quem quer assistir quando o preso for à salla do pau para se ferrar?” -- Eu! -- Eu! -- Dois caguetinhas seu azar quizeram ver, curtir a sua dor. Vibravam ambos. Quiz o tennis pôr na cara do coitado um delles, ar fazendo, de carrasco, no logar, suppondo que será torturador. Uns choques a levar, no pau de arara, a victima sentiu na bocca a sola do tennis do cagueta, que lhe exfolla o labio, se exfregando pela cara. Jamais exquescerá. Bem que tentara! Aquella gargalhada a lhe echoar ficara na memoria. Sim, um par de meros informantes mostrou tara!
Disseram que esse gajo torturado foi, Glauco, mas tortura… Ah, não acceito! Então não se tortura mais direito! Do typo não acceito um falso dado! Filmaram? Pois deviam ter filmado! E photos? Não ha photos? O subjeito até tem maxillar no mais perfeito estado! Deveriam ter quebrado! Serviço foi de porco, porra! Caso eu fosse torturar alguem, primeiro furava, Glauco, os olhos! Prisioneiro na minha mão é cego! Os olhos vazo! Você, Glauco, se queixa do descaso com cegos nesta terra? Não, parceiro!
Ainda não viu nada! Com isqueiro e machina de choques… eu arraso!
Quebrangulo: o local ficou na minha lembrança pelo facto de ter sido alli que comeu merda algum bandido por ordem da policia boazinha. Bandidos? A versão é comezinha, mas della muitas vezes eu duvido, pois tiras satisfazem a libido às custas de innocentes, nessa linha. Rendeu esse espectaculo um boccado. O preso comeu merda mixturada com mijo, provocando gargalhada dos homens que da lei estão do lado. Mais fica alguem das fezes ennojado, mais elles se divertem, pois aggrada aos olhos a careta appavorada do gajo que engoliu esse ensopado.
SANATORIO (1/3) [7121/7123]
(1)
Ja muito pesquisei, mas poucos dados junctei sobre o que rolla na cadeia em termos da real tigella cheia de merda, dada aos presos maltractados! Mas rolla muito, Glauco! São forçados, assim como os internos numa feia prisão para pirados, a ter, creia você, tal refeição, esses coitados! Uns casos collecciono… No primeiro, forçaram um menor (que ja tentara mactar a mãe) a, fundo, sua cara metterno sujo vaso do banheiro! Fizeram que lambesse, sob um cheiro horrivel, o cocô que se junctara alli! Se divertiram, nessa tara que excita, que fascina, ao que me inteiro!
(2)
Num outro caso typico, o subjeito, detido por ter roubos commettido, demora a confessal-os. Ao bandido dirão os policiaes que foi bem feito… Bem feito, sim, Glaucão, pois teve peito o gajo para achar que ser punido não ia pela audacia! Faz sentido? Ninguem nas mãos dos tiras tem proveito! Um video foi gravado. Mostra a cara de nojo do subjeito, que terá, na marra, que comer a merda ja cagada por um tira que tem tara! Sim, come! Cada troço se compara a um gommo de linguiça, mas nem dá, Glaucão, para suppor como será o gosto que rendeu scena tão rara…
(3)
Lambeu cocô, chichi, numa latrina, um entre seus alumnos. Um só, não: alguns, que eram judeus. Esse allemão é Streicher, professor que, impune, ensigna. Ensigna, em Nuremberg, e disciplina impõe, cruel e rigida: só vão passar os que tiverem mais tesão na caça aos “inferiores”. É roptina. A turma dos mais sadicos admira seu masculo guru, dão gargalhada na hora de levar um camarada judeu ao sanitario. O gruppo pira. O joven, de joelhos, que respira aquelle cheiro horrivel, se degrada, passando a lingua alli, da molecada ouvindo que seu nojo é de mentira.
SANATORIO (7/9) [7127/7129]
(7)
Vi com meus proprios olhos, Glauco, quando estive trabalhando no districto, um preso que comeu merda! Não cito qual era, mas prenderam todo o bando! Um delles foi teimoso! Foi teimando, negando mudamente! Estava fricto! Levaram à retrete esse maldicto! Iria, ja, cumprir qualquer commando! A cara alguem lhe empurra na privada, affunda até que em merda se suffoque! Luctar quer, mas lhe applicam muito choque e emfim elle engolir vae a cagada! Engole, engole, Glauco! Come cada pedaço que boiou, tal como gnocchi, na sopa de chichi! Dei bom enfoque nos troços, Glauco? O toque, emfim, aggrada?
(8)
Ouvi fallar, Glaucão, que na Koréa do Norte exsistem campos de trabalho forçado onde elles chupam o caralho dos guardas, comem merda com platéa! Si for verdade, Glauco, horrivel é a vidinha desses presos! Si não falho na analyse, comer só bosta attalho é para a morte, em dupla diarrhéa! Será que morrem mesmo? O ser humano é muito resistente e bem se adapta a tudo nesta vida, se constata! Não creio que será tão feio o damno! Comer cocô? Não, disso não me uffano! Mas, antes que um algoz desses me batta, melhor é degustar, na mais sensata opção, o cagalhão dalgum tyranno!
(9)
Os guardas, na prisão salvadorenha, segundo me disseram, tinham plena licença para armar aquella scena coprophaga! Satan lhes deu a senha! Eis como toda a acção se desempenha: Os presos comem merda numa arena, à vista da platéa que, sem pena, diverte-se na sanha mais ferrenha! Debaixo de chicote, come cada detento um cagalhão e tudo grava alguem que gargalhadas sempre dava perante essa afflicção dum camarada! Cheguei a ver um filme! Se degrada bastante quem a bocca tem escrava a poncto de comer o que nos trava, Glaucão, o paladar da pheijoada!
Si fica pendurado de cabeça voltada para baixo, um prisioneiro na certa não espera que accontesça nenhum evento muito prazenteiro.
Ao gosto não ha scena que appetesça, tampouco uma que aggrade pelo cheiro num sordido barril que a merda espessa, marron e repellente encheu inteiro.
O fetido cocô quasi transborda daquella atroz barrica! Que regalo ja curtem os algozes! Pela chorda suspenso, vão la dentro mergulhal-o!
O preso soffre: implora e se debatte, ainda no brevissimo intervallo, inutilmente! Até que a merda o macte, engulha, tosse e engasga feito um rallo!
DESFORRA QUE BORRA (2) [7165]
Amigos me passaram o recado do jeito como, nestes versos, narro: Os gajos ammarraram um coitado e sei como o castigo foi bizarro! Assim rollou: appós terem pisado na sua cara, achando o maior sarro, um delles chega, aos risos: aggachado, lhe desce, sobre a bocca aberta, o barro!
O fetido cocô sahiu bem molle, aos pingos, em porção até que pouca, mas esse infeliz todo o monte engole, de facto, porque abriu, na marra, a bocca!
Cagado, la deitado, immovel, fica e delle só se escuta a voz ja rouca. Agora jorra mijo duma picca e eis essa sua bocca menos oca!
Carrascos ammarraram um coitado deitado, com a cara para cyma. Puzeram um funil na bocca: o brado rouquenho que lhe excappa aggrava o clima. Terá dentro da peça alguem obrado e o tragico momento se approxima. Na rustica cadeira está sentado um gajo que demonstra pouca estima. Aquella cadeirinha tem um furo que dá boa passagem para a fece, espaço pelo qual o cocô duro, cylindrico e rolliço, facil, desce. O practico funil tem bicco largo (Alguem diz: “Oxalá não o tivesse!”) e a bosta sempre tem sabor amargo, mas, rapido, na lingua ella ammollesce.
Eu gosto de ver, vate, esse scenario de campo de trabalho, ou de prisão! Eu gosto quando nunca dizer não alli me irá nenhum presidiario! Adoro ver um homem (acho hilario) de quattro, rastejando pelo chão! Eu mando e, de joelhos, elle então me chupa, appós sentir gosto urinario! Um homem, quando fica adjoelhado na minha frente e chupa, satisfaz as minhas taras, Glauco! Sou capaz de nelle descomptar meu lado sado! Me excita que elle esteja condemnado, cumprindo pena! Até que você faz papel desse que nunca terá paz na vida, que lhe resta, de forçado!
Aqui neste paiz tem mais humano regime um criminoso: condemnado appenas a doar, compensa o damno e presta alguns serviços ao Estado.
Nós somos democraticos! Ninguem é preso ou torturado nesta terra! No maximo, sim, pune-se quem erra fazendo com que aquillo que elle tem de seu seja doado e, disso alem, impondo que trabalhe! Nosso plano será recuperal-o e vel-o, uffano, cumprindo o seu dever de cidadão! Ninguem direito algum, todos dirão, aqui neste paiz tem mais humano!
Terá seu patrimonio confiscado, sentença mais que justa! Mas tambem as corneas doará! Sim, fica sem visão, mas passa a algum necessitado seu approveitamento! Não me evado das minhas convicções de renomado jurista quando digo que um culpado de crime, na cadeia, não se emenda! Assim se exempla, em nosso (à parte a renda) regime, um criminoso condemnado!
Prisão não regenera ninguem, mas treinar o delinquente para, como callista ou pedicuro, achar o pomo que calha ao seu trabalho, isso é que faz justiça à sociedade! Sim, com paz de espirito é que affirmo: o mais insano bandido se arrepende e seu enganno lamenta para sempre quando, cego, mais util nos será! Com menos ego, appenas a doar, compensa o damno!
Nos nossos pés, treinado, o massagista practica seu officio com extrema pericia! Soluciona-se o problema das vagas em presidios, ja que, vista não tendo, elle não foge! Então, invista na causa popular, com resultado politico, o governo! O que arrecado eu, sendo o governante, é taxa plena! Portanto, o massagista paga a pena e presta alguns serviços ao Estado!
Talvez, si do islamophobo a cabeça cortar, o Estado Islamico apparesça.
Um gay, uma mulher, um extrangeiro… Em publico, o carrasco os decapita, sorrindo, e a scena filmam por inteiro! Mas outros “infieis” estão, na fita, morrendo… E os torturou todos, primeiro, o sadico e fanatico sunnita!
Alguns crucificados… Alguem grita, de penis amputado… Um outro, sem os olhos, erra às tontas… A desdicta das virgens menininhas vae alem da atroz escravidão, jamais descripta nas midias: mais chiqueiro do que harem!
Um xeique exclaresceu: a mulher tem total obrigação de dar prazer ao homem. Assim, tracta-se, tambem, de sexo oral: a bocca ante o dever de sujos paus chupar! Portanto, quem cegou, cappou, mactou… fará valer!
“Sim, fui torturador! Ja no DOI-CODI, admitto, trabalhei! Que mal ha nisso? Cumpri com meu dever! Ordens cumpri! Fiquei na moita appenas para não poderem patrulhar, os revanchistas! Agora fallar posso, Glauco! Ou é bonito ser sincero só si for de esquerda quem assume que é da lucta armada defensor, Glauco? Responda!”
-- Eu, hem? Si não respondo, você pode até me torturar! No seu serviço eu não trabalharia. Si escrevi O QUE É TORTURA, admitto que, ao tesão do algoz, fujam os proprios masochistas, pois acho que você pode seu pé mandar que beijem, lambam, sem auctor ser desse crime, ou cumplice. Quem chuta ou pisa não precisa da atroz onda!
Um sadomasochista não quer só de mentira dominar ou ser submisso, mas isso não exige que quem ri da agrura dum captivo seja tão adepto dum regime de fascistas que appenas utilizam sua fé no gozo para a toda parte impor os proprios interesses. Eu à puta que va quero quem minhas crenças sonda!
Durante a dictadura na Argentina, collegas de prisão dum tal de Chango narraram a desdicta. Ser judeu valeu-lhe mais cruel perseguição por parte dos agentes carcerarios. Tiravam-no da cella. Ja no pateo, um guarda {le hacía mover} justo {la cola, que ladrara como un perro, las botas le chupara.} Foi chocante {lo bien que lo hacía}, si {imitaba al perro}, sim, {igual que si lo fuera!} {Si no satisfacía al guardia} a gosto, o algoz só {le seguía}, assim, {pegando}… Ouvindo os companheiros seus lattidos, suppunham ser, de facto, algum cachorro, tal era do rapaz fiel a voz ao tymbre que exigia seu algoz.
No seculo passado, foi roptina dos presos ser cachorro. Não me zango si fazem de mim isso, pois o meu tesão é masochista. Mas eu não queria ser judeu na mão de varios algozes argentinos. Que me tracte o leitor dessa maneira, nem me assusto, pois quando um cego soffre não tem erro. Comtudo, differente foi, durante os annos de Videla, a scena braba. Agora, puppy players fazem cera, cu doce, dengo, manha. Si indisposto, o cão nem obedesce a algum commando mais firme de seu dono. Os divertidos brinquedos dos gays nunca meu exporro suscitam, mas o cego tem um “boss” cruel em cada mente, e mais feroz.
Relatam-me: na Arabia, actualmente, a practica sunnita recrudesce. Quem pensa que internet é livre para protestos, condemnado será como qualquer outro sacrilego. Será, em publico filmado, flagellado.
Até turistas filmam. Quanta gente diverte-se com isso! Si estivesse alli, tambem eu, logico, filmara: a todos os demais nisso me sommo.
Me dizem que, entre aquelles que vêem, ha quem queira, até, nas botas ser babado!
Explica-se: o punido tem, na frente de todos, que lamber, antes da prece e dumas chibatadas, com a cara nas botas do carrasco ou, num assommo da parte deste, lambe quem está appenas assistindo como sado.
Não posso me fazer de indifferente perante tal castigo. Me enduresce a picca quando um cego se compara à victima. Meu gozo não embromo e digo que desejo lamber ja o tennis dum turista mais folgado.
Um arabe que livre pense e tente ser, logo saberá, caso não cesse seus memes de postar, que quem se azara é elle. Provará do amargo pomo na sola da botina. Provará aquillo que provei ao ser cegado.
{Então, Glaucão, na certa te provoca angustia a proporção em que a cegueira usada fora para a punição ou para a represalia, quando o globo podia ser queimado pelo ferro em braza, ser furado ou simplesmente tirado com os dedos, imagino que sem anesthesia… Ja pensaste, Glaucão, si tu vivesses nesse escuro regime? Bastariam teus poemas mais leves para à pena costumeira tu seres condemnado! Ouso dizer que, quando teus dois olhos prestes ja a serem arrancados estivessem, verias do carrasco o olhar risonho e, logo appós a barbara extracção, risadas ouvirias, nada mais podendo divisar na cara assaz cruel e zombeteira do rapaz, suppondo-se mais joven o carrasco…}
-- Mais longe vou, si scena tal te choca: Alem duma agonia, da caveira me sendo retirados como são os olhos, e de estar eu, feito bobo, causando o riso delle, mal meu berro cessasse de echoar, esse inclemente carrasco quereria meu destino mais cedo completar. Esse contraste do cego, para aquelle que fez furo nos olhos seus, daria bellos themas poeticos. Supponho que elle queira usar-me como objecto de prazer, fazendo-me chupar, o que lhe dá tesão mais requinctado. Não se exquescem os sadicos de serem, no meu sonho,
rapazes caprichosos. O tesão, tu sabes, mais augmenta si normaes os olhos do oppressor forem e más as chances do opprimido. Não estás a achar graça do lance em que eu me lasco?
{Te sentes victimado, Glauco? Pois então pensa naquelles que, em qualquer nação, regime ou epocha, serão cegados na prisão, suppostamente a fim de doar corneas, mas tambem por uma disciplina commodista por parte do regime: quem não tem visão difficilmente foge, não reage nem recusa quando o novo e rude carcereiro nelle busca alguma diversão impiedosa. Que pensas disso, Glauco? Não te sentes, às vezes, invejoso desses presos? Não queres masochista ser, Mattoso?}
-- Amigo, nem calculas! Os meus dois globões glaucomatosos nem siquer dariam boas corneas, porem não me falta phantasia nesta mente devassa. Me imagino, sim, refem dum joven carcereiro, que da vista perfeita bem desfructa. A rir, me vem o agente exigir prompta fellação, applica bofetões. Si me commovo por outros, por mim nunca. Me chammusca o joven, me machuca. Por fim goza gostoso, bocca addentro. Dos agentes, aquelle não deixou jamais illesos os cegos. A sonhar, vejo o seu gozo.
Puxar pela memoria requeria o facto. Eis que puxei o quanto pude. Requinctes de sadismo, no regime cubano, uns escriptores no detalhe relatam, como aquelle em que o subjeito, sabendo que irá, para trabalhar, ao campo de forçados, antes é levado frente ao publico risonho a fim de confessar o seu delicto: de idéas discordar. Reconhescendo seu “erro”, pedirá perdão ao povo, que ri da sua cara, pois aquillo em nada reduzir vae sua pena.
Então eu dou palpite que riria melhor a tal platéa si a attitude do preso, mais humilde, ante seu crime, tivesse que ser. Maximo acchincalhe seria que lambesse elle, no peito e até na sola, a bota popular de cada cidadão dessa ralé.
Achando ser delirio o que supponho, appenas eu commento que me excito com esse panorama tão horrendo. É quando perguntar si me commovo alguem vae, pois me informam que, ao estylo daqui, sadicos entram mesmo em scena:
“Mas, Glauco, isso occorreu no dia a dia da nossa dictadura! Alguem se illude com falsas negativas? Todo um time bem craque em torturar (Mas não expalhe, sinão vae dar idéa!) tinha feito que cada prisioneiro, ao implorar perdão, lambesse os tennis ou o pé descalço dum cagueta cujo sonho
ter era tal prazer! Acha bonito, Glaucão, tudo o que estava accontescendo?” Respondo que, bonito, não. De novo, porem, eu lhes affirmo que tranquillo me sinto. Ter tesão ninguem condemna.
Relatam nossos proprios torturados detalhes do papel que desempenha o typico cagueta no odioso regime militar. Em livro, o preso nos conta que informante, no paiz, jamais faltava: algum discreto moço podia ser quem ia, ao “entregar” suspeitos, convidado ser por um agente do DOI-CODI a, si quizesse, sessões presenciar. Um delles deu resposta a tal pergunta nestes termos: -- Ahi, quer assistir? Quer ver um show legal de pau de arara? Foi você que o caso dedurou. Quer assistir? -- Uau, si quero! Posso mesmo? Uau!
Narrou o preso: Foram muito usados os methodos banaes nessa ferrenha usina de tortura. Tinha gozo maior que o dos carrascos um obeso baixote, delator dum infeliz vizinho communista. Num pau grosso ficou dependurado, com um par de fios connectados ao bumbum, ao sacco, ao penis, para rezar prece, o tal de “subversivo”. Se fodeu bonito, como achou, si nós soffrermos a curra, tal gordinho, a quem eu sou egual ao torturado, que mal vê o pé que em suas fuças insistir irá, pisando como num degrau.
(1)
DA COPROPHAGONIA (1/17) [8239]
Não canto aqui, Leitor, luzentes theses que sabios e academicos sustentem. Só mostro onde, em Historia, os livros mentem e ommittem, das parochias às dioceses. Consulto do Hermeneuta as exegeses e affirmo: o asco maior que os Homens sentem é o caso em que dum réu no rosto sentem e caguem-lhe os carrascos justas fezes. É deste torpe thema que aqui tracto, embora desaggrade a réus e algozes, ferindo, uns no regalo, uns no recapto. Não sei si irei fazer, Leitor, que gozes. Porém, dada a crueza dum tal facto, suggiro-te a leitura em parcas doses, a menos que ja a Sade sejas grato.
(2)
Jamais a Humanidade se liberta da primitiva practica penal: malgrado algum progresso occidental, tendencia a torturar ninguem conserta. Comquanto se mantenha ‘inda encoberta, a mais nojenta pena leva aval de cem nações, nas quaes à carga anal a bocca dos forçados foi aberta. O culto a Belphegor, o estercorismo, vodu, macumba, nada justifica castigos de coprophilo sadismo! Mas eis que o obrar fecal se communica na marra à bocca aberta, advesso trismo propicio à oral descarga da titica e nisso obrando (em versos) sempre eu scismo.
(3)
Linguiça de legume, carne, massa… Cocô mixtura tudo. Quem o coma na certa notará como elle somma sabores, duro ou molle alguem o faça. Comer cocô não é coisa que passa por muitas cabecinhas… Mascar gomma paresce preferivel. Até toma chichi quem chupa; merda não tem graça. Occorre que, em regimes de excepção, registra-se a ingestão, como tortura, de merda pelos presos, num porão. A scena se repete, mas a pura verdade é que quem come à força não se lembra do sabor dessa mixtura, em meio a tanta soffrega afflicção.
(4)
A bunda occupa todo o assento e sobra dos lados: elle é gordo, mesmo, e caga, aos poucos, a linguiça! Quando vaga o recto, mais se allarga cada dobra. Debaixo da privada na qual obra, o gordo escuta a surda voz, a praga raivosa que ella solta, rouca, gaga, que o paio emmudesceu mas se recobra. Na bocca, que pragueja e que se cala a cada salsichão a mais que desça, salame entrou, tambem, para tapal-a. Peidando, o gordo faz sobre a cabeça do preso que, no vaso oval, se entalla, um ultimo chouriço: que padesça! Que soffra alli, sem follego, sem falla!
(5)
A bunda, sobre o vaso, se exparrama. Si vista por debaixo, é como o tecto da arena, pelo olhar dum architecto maluco, que distorça o panorama. Porem, quando do rego se derrama a molle merda sobre um pobre, inquieto e afflicto rosto, o jacto de dejecto mergulha um ser humano em chula lama! Ja vi scena do typo: na gravura, a cara do inimigo apparescia, no fundo da privada, bem segura. Depois que, sobre a tabua da bacia, sentava-se um soldado, a bosta dura formava um bollo e a bocca recobria, tal era dos toletes a grossura.
(6)
Castigo desse typo, na latrina, estava ja abolido, se imagina. Na practica, o systema prisional jamais, a qualquer tempo, se humaniza e o preso mais rebelde passa mal.
Si a falta não for grave, algum dejecto recebe sobre o rosto. Mas, si for, alem de perceber pelo fedor, sabor sente dum pratto predilecto. Lhe applicam um funil e, sendo oral a via, o paladar sabe que, à guisa de rallo, alli se serve o principal: Tutu com torresminho se elimina, de couve accompanhado, à fescennina maneira da cozinha menos fina.
(7)
Na bocca introduziram-lhe um funil e lhe immobilizaram a cabeça, de modo que seu rosto permanesça voltado para cyma, em pose vil. Não fora seu algoz nada gentil nas coisas que lhe disse: “Otario, exquesça que é gente! Quero mais é que padesça comendo merda, aqui neste covil!”
Accyma do funil foi posto o assento no qual se accommodou, sorrindo, o algoz, de cujo cu sae liquido excremento. Tragando feito um rallo, emitte voz de bicho aquella bocca, e seu lamento borbulha ao fundo, cada gole appós, na atroz sonoplastia do tormento.
(8)
Vejamos outro exemplo. Na Koréa ainda se practica o que a Amnistia em graves relatorios denuncia: punir com dejecção crimes de idéa. Um preso, cuja origem é plebéa, serviu, como outros tantos, de bacia durante um dia inteiro à burguezia, da qual levou no rosto a diarrhéa. Ficou, sob uma tampa de privada, em pé, cara voltada para cyma, immovel, entallado, olhando cada trazeiro que se sente e que comprima o recto até que o fetido ar invada o céu de quem perdeu toda a auto-estima. Quizera Deus poupal-o da cagada!
(9)
Depois do peido, pisca o cu de novo e ja dejecta, em jacto, o resto molle daquillo que na mesa é… (Ravioli? Lasagna? Peixe? Arroz? Sushi com ovo?) A merda offende e humilha o homem do povo, lhe excorre pela face, e o pobre engole um pouco, pois forçoso é que lhe rolle garganta addentro parte do desovo. Levanta da privada, sorridente e leve o dysenterico burguez, tão ja mijo a molhal-o o preso sente. E mal seu caldo grosso um delles fez, um outro não demora que se sente e faça egual quinhão, por sua vez, no rosto do supposto delinquente.
(10)
Diverso deste caso é o que, no Congo (reporta um anthropologo), attravessa o tempo em seu folklore. Me interessa, portanto, e neste poncto me prolongo. Guerreiros inimigos passam longo periodo em captiveiro até, sem pressa, morrerem na tortura. Aqui começa o rito bronco desse povo mongo. Até o pescoço enterra-se o captivo, appenas a cabeça, para traz recurva, a bocca aberta, ‘inda bem vivo. Segundo o ritual, somente faz cocô naquella bocca quem, no crivo, tem preso o ventre e é quasi ja rapaz, achando tudo aquillo divertido.
(11)
Meninos e marmanjos fazem fila, se aggacham, um por um, collando a prega ao labio do captivo, que se entrega a Deus, na fé que o espirito lhe asyla. A merda sae a custo e, até engolil-a, ao olho lhe approximam, quasi o cega, o espinho que ammeaça. Descarrega o proximo moleque outra morcilla. Tolete appós tolete, secco e duro, affunda na goela que ora engulha, se entope do carnivoro monturo. Si não morrer no engasgo que lhe attulha a glotte, ganha, ao fim de tanto appuro, o premio de pilhar-se livre o pulha, mas isso ser veridico não juro.
(12)
Um outro caso, em solo mussulmano, occorre mais no Irak, alem do Egypto: punir dos dissidentes o delicto é o mais commum pretexto a algum tyranno. Aqui não é na terra nem no cano que o preso está entallado, mas, num rito diverso, frente ao povo e sob o grito selvagem da torcida, encara o damno. Arenas com platéa: a scena exacta que cerca a applicação da fecal pena, appenas precedida da chibata. Embora a lotação seja pequena, o publico é fanatico e retracta a sadica pulsão de quem condemna, agindo como um typico primata.
(13)
Despido, o condemnado ao centro fica, aberta a perna, expondo o viril dote, emquanto o algoz faz uso do chicote e excita uma assistencia nobre e rica. O latego se enrolla e ja se estica de novo, como cobra dando o bote, até que o sangue rubro à pelle brote e alguma porra excorra em cada picca. Então, o principal: posto de gattas, defronte ao torturado ha uma gamella repleta do cocô de escravocratas. Ao toque do chicote, affunda nella as fuças o coitado, e as taes batatas fecaes logo lhe descem pela goela. Peor é que recentes são taes datas…
(14)
Por fim, na nossa America Latina tambem se verifica, e nada inhibe, aquillo que nas ilhas do Caribe e até no Cone Sul mal se imagina. Em muitos dos presidios, a latrina é mais que mero vaso ao sujo kibbe: por traz duma censura que prohibe denuncias, é dos presos a cantina. Alli, o que alguem cagou outro ja come na marra, debruçado e sob abuso verbal dos que bem mactam sua fome. Não sou eu que primeiro o facto accuso, mas quero emphatizar que logo some da midia o azo ao “sadismo”, termo intruso. Preferem-se euphemismos a tal nome.
(15)
Relato um episodio no Equador, no qual os prisioneiros, um por vez, dum cheio comem tudo o que se fez até que exvaziasse o evacuador. Naquelle quem cagou não quiz dispor da valvula, na vil desfaçatez de ver accumular a humana fez que nunca do alimento terá cor. Emquanto um dos forçados se adjoelha a fim de abboccanhar o que lhe cabe, o guarda diz o que lhe der na telha. Com tal mastigação até que accabe, recebe ponctapés e olha de esguelha. Aquelle a quem não manda que se enrabe tem fama, a conferir, de negra ovelha.
(16)
No mesmo vasilhame em que elle caga lhe servem a comida. Assim, na cella commum da Guatemala, os crimes paga quem, sendo dissidente, se rebella. Asturias registrou, na sua saga, o barbaro costume. Mas aquella tortura alimentar ja se propaga na America Latina, com sequela. Ao ver que o preso come algum dejecto no meio do pheijão, o predilecto prazer do carcereiro é olhar-lhe a boia. Alegre, o funccionario até approveita e bota seu tempero na receita, mijando na vasilha: o pheijão boia no liquido, visão digna dum noia.
(17)
Cantei num breve rol como se come dejecto por castigo ou por maldade de guardas carcerarios fans de Sade e não por clamor ultimo da fome. Embora por mendaz alguem me tome, appenas fui fiel à realidade; e ainda que aos puristas desaggrade, forçoso é dar ao methodo seu nome. Chamar-se-ia como a penal lei que algo mais lembre alem de merda pura?
Lei Plumbea? Ferrea? Petrea? Oral? Não sei. Eis, pois, Leitor, que emquanto alguem procura melhor nomenclatura, chamarei de “coprophagonia” tal tortura, porquanto melhor termo não achei.
Um homem, quando perde a liberdade e sua independencia, se reduz àquillo que se applica a quem faz jus a alguma punição da sociedade, na ronda do rondó correccional.
Não basta estar recluso attraz de grade! Ceguemol-o! Privado elle da luz, se torna obediente! Até suppuz jamais haver um cego que se evade, na ronda do rondó correccional.
Com minha experiencia de jurista, constato que cegal-o é o melhor meio de fugas evitar! Si perde a vista, alem do mais, subjeita-se ao que leio accerca da cegueira: quem resista não ha, quanto ao castigo e quanto ao freio, na ronda do rondó correccional.
Por thema a masochista putaria, confesso recorrente phantasia que tenho ao me banhar. Sob o chuveiro que accabo de fechar, ja por inteiro molhado, o corpo penso que estaria immovel, enterrado em cova exguia até o pescoço, docil prisioneiro, de cara para cyma. Alguem, certeiro, na minha bocca mija, qual bacia aberta ao marmanjão que se allivia ou, antes, qual mictorio, o mais fuleiro. Occorre que o chuveiro que, primeiro, chovia, agora appenas pela via dum unico jactinho, usando a pia dos labios como o rallo no banheiro, papel faz do sabor, assume o cheiro do mijo, o seu calor, e me ecstasia. O jorro diminue e, logo, fria ficando vae a “urina”. O captiveiro termina, gotta a gotta. Meu ligeiro caralho gottejou, tambem. Queria estar eu dum mijão aos pés, um dia!
(1)
Indagam si de esquerda sou. Admitto que seja, mas me exijo coherente! Me digo stalinista, sem conflicto, ou mesmo um maoista que se sente um tanto masochista… Tambem cito Fidel, mas no começo, quando a gente fallava em paredão para o delicto!
(2)
Sim, chamo-me esquerdista: acho bonito o rosto do caudilho no vigente livrinho de proverbios! Acho o mytho da personalidade condizente!
Mas acho mais bonito que haja um rito summario e o prisioneiro dissidente confine-se num campo e esteja afflicto!
(3)
Que em publico se obrigue, sob o grito e o riso, a uma autocritica! Que tente mostrar-se arrependido! Sim, me excito com tal humilhação! Que o penitente não seja perdoado e que, proscripto, forçado a trabalhar no campo, aguente do algoz o gozo sadico e irrestricto!
(4)
Que um unico partido, sem attrito, governe e o oppositor seja silente! Que a midia mal não falle e, por escripto, nenhum poeta seja irreverente! Que mesmo o cego ironico e maldicto não possa criticar o presidente que, sempre charismatico, eu ommitto!
Usei constantemente a forte scena da pena de “excarmento”, em que o subjeito, de cara para cyma, se condemna a merda receber por ter mal feito. Mas era na privada que tal pena teria seu logar, ja que me deito pensando estar debaixo da pequena bacia, à qual se senta algum “eleito”. Agora me inteirei de que, na arena lotada de islamitas o conceito fecal de punição se concatena melhor com shows de publico proveito. A arena se resume a uma latrina no andar de cyma. Appenas o maldicto punido, mais abbaixo, se illumina exposto ante os olhares, tenso, afflicto. Em pé, fica ammarrado sob urina e fezes que, cahindo, dão bonito effeito sobre o rosto que se empina na marra, alçado o queixo. Ouve-se o grito: “Cocô! Meu Deus! Cocô!” Mais se hallucina o povo, que hurras berra, em khoro. O rito consumma-se tambem na Palestina, na Syria, no Sudão, como no Egypto.
Elle era ‘schizophrenico, mas nem por isso precisava assassinado ser pelos militares desse jeito, Glaucão! Foi ammarrado, foi jogado num minimo cubiculo, onde estavam os ares ja tomados pelo gaz! Morreu asphyxiado rapidinho, mas isso não retira as evidencias de intenso soffrimento nessa morte! Em summa, mais um caso de tortura! Si, em vez dum louco, fosse com um cego, ahi talvez até se desculpasse tal facto, ‘ocê não acha, menestrel? Comtudo, nesse caso, os militares poriam sobre sua cara a bota! Depois, então, fariam todo o resto!
Mas, Glauco, o pessoal está pegando demais, mas demais mesmo, no meu pé! Tá certo que empreguei nesse subjeito aquillo tudo que elles me ensignaram no curso: choque electrico, cigarro, agulha, palmatoria, abuso oral, rectal, nasal, dental e genital! Si quasi que mactei o desgraçado, a culpa não foi minha! Quem mandou o cara ser tão fragil? Supportasse melhor, ora! Affinal, aquelle curso que todos frequentamos no quartel foi feito para macho, pois tambem a gente é torturada, a fim de estar sciente do que rolla com a pelle dos outros, Glauco! O cara que encarasse a barra que elle iria aguentar, porra! Mas deixe estar! Problemas eu com isso não tenho! No governo, muita gente me entende, me protege e me dá appoio! Quem sabe eu seja até recompensado!
Mas, Glauco, veja só! Si la de cyma exemplo vem da propria auctoridade, dizendo que enaltesce quem tortura, honrando uma memoria assaz notoria que tinha aquelle infame general, por que não poderei eu, que sou guarda civil, me impor mettendo o pé na cara dum obvio delinquente que, no chão, ficou, por meus collegas, reduzido a mero verme, inerme, inerte e docil? Você, que ja levou meu pé na cara, bem sabe que não piso com pressão tão forte, que tem sola de borracha, macia, a minha bota! Não se lembra? Então! Estão fazendo disso, Glauco, um cynico cavallo de battalha, appenas tempestade em coppo d’agua!
Glaucão, vou lhe contar. Fui um menor daquelles “infractores” e passei um tempo na FEBEM. Quem não fizesse aquillo que mandavam, era posto num poço, onde não dava siquer para sentar, só para a gente estar de pé. Então, os monitores que quizessem mijar, usavam como vaso nossa cabeça, a propria cara, caso nós olhassemos de baixo para cyma. Ficavamos alli por muitas horas, até perdão pedirmos. Ja sei, Glauco, você vae perguntar o que mandavam fazer, que não faziamos direito. Sim, isso mesmo. O que elles nos mandavam fazer era chuparmos no capricho. Tarefa bem difficil para quem ja fosse escholadão na bandidagem…
RECORDATORIO DO REFORMATORIO [9145]
FEBEM e FUNABEM ja foram siglas ironicas, nos tempos de suffoco, que, por definição, o “Bem Estar” visavam “do Menor”. Estadual que foi essa primeira, a mais famosa, e sendo federal essa segunda, lembranças más deixaram em milhares de jovens infractores. Hoje ja senhores, tanto os jovens quanto os seus algozes, os chamados “monitores”, preferem exquescer o que rollou. Appenas um ou outro se dispõe a dar-me, com detalhes, os relatos mais crus do tractamento que soffreu naquellas “fundações”. Mas será mesmo que nunca voltaremos a taes tempos? Si tudo dependesse desses “minions”, teriamos daquillo um revival.
Discordo de você, Glauco! Os direitos, no caso duma guerra, devem ser inuteis aos que forem capturados com vida! Quem pegar um inimigo quer vel-o transformado num escravo, quer que elle se degrade, se rebaixe ao maximo! Sonhei com isso, Glauco! Sonhei que escravizava a valer um soldado capturado, o qual iria comer cocô, beber chichi, depois de muito me chupar, até morrer num campo de forçados, menestrel! Concorda agora, Glauco, com meu sonho?
A vida dum bandido, diz você, nem pode ser assumpto de biographos communs, tal a jornada de tormentos que inflige e que tambem soffre, coitado. Na cella, si for preso, nem precisa contar o que elle passa, ao bel prazer de todos os demais encarcerados, si for o mais fraccote delles, Glauco. Appenas um detalhe, que você nem sempre salienta: ao se livrar dalli, se vingará tal bandidão em gente ‘inda mais fragil que elle proprio. Chupou, mas mais fará chupar, depois.
Em cellas appinhadas, si jogada for uma cobra, Glauco, os prisioneiros irão se machucar, é de suppor. É muita malvadeza si fizerem tal coisa na prisão, mas sei que fazem. Agora, convenhamos: O que espera você? Que esses detentos luxo tenham? Comforto? Diversão? Quem se diverte alli só será mesmo o carcereiro, aquelle que jogou a cobra nelles…
Relata aquelle estoico prisioneiro de guerra que encarou com heroismo as sadicas torturas que soffreu nas mãos dos inimigos, Glauco! Mas não falla coisa alguma sobre estupro nem sobre lambeção de bota! Aquelle farsante enganna a quem? Magina, Glauco! Ficou por tantos annos em poder dos rudes guerrilheiros, mas não conta que rollas chupou, botas lambeu? Ora! Que credibilidade elle quer ter?
Nem sei o que é peor, Mattoso: ser de guerra prisioneiro para, appós ir para aquelles campos de trabalho, pisado ser por botas militares ou ter de chupar rolla de soldado! Tu podes calcular o degradante papel de quem, debaixo de pés brutos, terá que lamber solas de borracha? Calculas o sabor amargo duma sujissima piroca de recruta?
Me explica, pois, Mattoso: Teus sonnettos descrevem verdadeiros sentimentos de quem pisado foi e quem chupou?
Você fallou, Glaucão, desses caguetas que sallas de tortura frequentavam só para appreciar o que rollava com esses prisioneiros. Mas eu sei de fonte limpa, Glauco, que elles não appenas assistiam, mas curtiam, tambem, participar dessas torturas! Você ja fallou disso? Do tesão maior desses caguetas que dos proprios carrascos, ja fallou? Ja disse tudo!
Ouvi dum assessor, Glaucão, que, quando na cella vae parar algum politico, os outros presos fazem com o cabra mais coisas do que fazem, por exemplo, com quem fode creanças! Só por isso jamais são mixturados os politicos aos outros prisioneiros! Sim, às vezes se exquescem os agentes de deixar à parte, numa cella, algum aspone, algum vice supplente dum cassado! Ahi fodeu, Glaucão, litteralmente!
Conhesço um camarada que, este não, siquer posso chamar de camarada.
De esquerda, mas de esquerda que, extremada demais, acha que é pouco um paredão.
“Não, Glauco! Si esquerdista sou, então não tenho que ser brando ou terno, nada!
Guevara me desculpe: é these errada!
Não temos que ter molle coração!”
“Nos campos de trabalho quero pôr aquelles dissidentes todos, porra!
Que soffram, na afflicção, no horror, na dor!”
“Quem queira divergir, Glaucão, que morra!
Até você, si contra a gente for!
Não pense que, incapaz, risco não corra!”
Agente fui e tenho uma tremenda saudade dos porões da dictadura, Glaucão! Tanta alegria tive, pura, emquanto torturava alguem com venda!
Você nem precisava! Não se offenda, mas acho o mor barato uma tortura causar em cego! O cara não attura soffrer? Mais dará gozo que me renda!
Ah, Glauco! Quantos methodos eu punha em practica! Agua, fogo, choque, “estrupo”! Sem freio, sem temor nem testemunha!
Às vezes eu sozinho, outras em gruppo, que sarro, cara! Pena que nem unha ‘rancamos, hoje, e só meu dedo chupo…
Você pegou regime tão fechado por causa de delicto muito feio? Agora terá chance, sem receio, de estar em liberdade neste Estado.
Quer ser um carcereiro? O condemnado será preso politico. Chamei-o sabendo que você terá recreio no tracto dos communas, desse gado.
Nos campos nós mantemos quem perdeu emquanto nós ganhavamos. Os tracte peor do que soffreu qualquer judeu.
E então, topa? Belleza. Você batte, estupra, queima, cega… Nesse breu que fique quem leis nossas não accapte.
Bebês decapitados? Nem o Estado Islamico chegou a tanto, cara! Queimaram, mutilaram, tudo para causar maior impacto, maior brado!
Não, Glauco! Li bastante! Estou lembrado das coisas pavorosas que essa tara dos gruppos terroristas fez! Tomara que nunca alguem se exquesça desse lado!
Sim, piccas amputadas, sim, nos cus espetos enfiados, sim, sei disso, poeta! Que é que disso se deduz?
Sadismo, sim, sadismo! Não attiço polemicas, Glaucão! Mas bebês nus, em postas… De Satan, só, foi serviço!
DIA DA HUMILDADE [10.236]
Alguem pode entender muito humilhante lamber a bota suja, chupar picca sebenta, ter linguona que se enchica dum sangue que a garganta acha abundante.
Grudados numa sola de pisante, cocôs são removidos. Quem estica a lingua sabe disso. Mas a zica maior não ha poeta que bem cante.
Consiste essa maior humilhação em tudo limpar quando na privada alguem deixou seu grosso cagalhão.
Mas isso com a lingua. Não ha nada peor que engolir merda. Você não concorda, Glauco? O que é que mais degrada?
No tempo ja longinqua, a scena dista, mas temos que lembrar. No patamar de cyma, a divertir-se e gracejar, estava a Juventude Hitlerista.
No pateo, os judeus presos, sob a vista dos jovens, se moviam devagar, às cegas, rastejando, para dar prazer àquelle publico nazista.
Sem roupas, mãos e pés aptados, iam e vinham, se rallando pelo piso, emquanto os crueis jovens delles riam.
Agora, quando ouvindo estão um riso angelico (ou mengelico), os que viam aquillo um dejavu teem, impreciso.
DIA DA FRANQUEZA [10.436]
Tortura? Sim, tortura! Acho legal! Devia ser, talvez, legalizada! Assim preencheria logo cada bandido sua ficha criminal!
Os methodos? São livres! Affinal, nenhum policial receia nada! Cigarro, choque electrico, porrada, chibata, aguenta tudo um marginal!
Effeito pedagogico mais forte ainda nós teremos humilhando o gajo! Ora, ha com elle quem se importe?
O piso que elle lamba! Que commando receba para andar, temendo a morte, de rastos, sob as solas, e eu gozando!
Um preso ja ammestrado normal acha lamber o chão, passar a lingua nessa poeira accumulada, que interessa appenas aos solados de borracha.
A fim de evitar surras, se despacha na hora, ao ouvir ordens e, depressa, de quattro se colloca. Ahi, começa ouvindo bem que alguem o bicco racha.
Risonho, o carcereiro cospe e pisa em cyma desse excarro que elle mesmo soltara alli na lage pouco lisa.
O preso sua lingua passa, a esmo, no cuspe empoeirado, um extra, à guisa do gosto de farofa com torresmo.
Fallei ja disso, Glauco. Nos Estados Unidos, propuzeram que quem seja às grades condemnado, de bandeja ja doe suas corneas: são cegados.
Vantagens haverá, de varios lados. As corneas servirão a quem esteja daquillo precisando. Uma cereja no bollo é que estarão disciplinados.
Um cego prisioneiro não consegue fugir. Não se rebella contra nada. Em summa, não ha coisa à qual se negue.
É commodo ordenar que dê chupada e engula sem chiar. Alguem que cegue nem pode dedurar quem o degrada…
Immovel, um de guerra prisioneiro agguarda, ammarradinho, o que de cyma lhe venha à cara. Aquillo não anima ninguem, pois é cocô de infecto cheiro.
Castiga-se, naquelle captiveiro, um preso que por menos não se estima: pertence a alguma tribu que nem prima seria da que está nesse terreiro.
Accyma da cabeça do coitado, appenas um assento de privada, sem fundo, para allivio dum soldado.
De tudo o que degrada, não ha nada peor que ser assim excarmentado, mas sua pena aos sadicos aggrada.
Da torre de vigia, algum gaiato observa aquella afflicta multidão de internos trabalhando, sem perdão nem pena, capinando qualquer matto.
Risadas dão os guardas si insensato é o typo de trabalho, pois estão, por vezes, a quebrar pedras, sinão appenas rastejando ao sol ingrato.
Commum é de gattinhas ver alguem levando ponctapés, chutes na cara, cothurnos que lamber tendo, tambem.
A vida de internato se compara, no caso dos menores, ao tal “bem estar” duma FEBEM antiga, à clara.
Fiquei sabendo, Glauco! Um carioca me disse que prestou serviço para a nossa dictadura, que jogara no carcere escriptores! Sem fofoca!
Nem sempre quem escreve ser masoca deseja… Ahi que mora a questão, cara! Os presos que lamber tiveram rara sujeira, alli no piso dessa toca!
Das cellas para o pateo, um corredor havia, a ser lambido, onde cothurnos pisavam… Um horror, é de suppor!
Quaesquer horarios, sempre, em quaesquer turnos, serviam para a farra! Gozador, o gajo mais curtiu os mais nocturnos…
Conhesço um gringo, Glauco, que luctara na guerra americana, mas doente voltara para a America. Se sente o cara assaz culpado duma tara…
Remorsos sente, claro, pois foi, para diversos prisioneiros, inclemente na sadica tortura, a ferro quente, a faca, a choque electrico… Humilhara!
Lamberam suas botas todos, antes de serem mortos nessa atroz tortura. Agora, nem mais usa taes pisantes…
Prefere, só de tennis, à procura sahir dos seus clientes, os amantes do chute e do pisão… Tudo tem cura!
Um lider camponez deu entrevista agora mesmo, mestre, e disse bem: Até pode tardar, mas logo vem o proximo regime communista!
Primeiro, os sovieticos conquista tiveram, que implantou o que ninguem suppunha: a nossa lucta, agora sem temor, bem diffundida, dada a pista!
Em breve, voltaremos, globalmente potentes! A fascista burguezia que nosso paredão agguarde e enfrente!
Mas, antes, menestrel, o que eu queria dizer é que estarei, todo contente, impondo aos inimigos a agonia!
Estou decepcionado com a nossa esquerda, pois defendo uma tortura politica, penal, como a que fura os olhos, usa açoite, emfim, da grossa!
Caracas ou Havana sempre endossa tal practica! Aqui, toda a gente jura que é feio torturar! Ninguem segura, assim, as dissidencias! Ha quem possa?
Agora, da direita sou adepto, pois ella aqui tortura como la nas outras dictaduras, sem ter veto!
Commigo você, Glauco, não está de accordo? Ora, devia ja, directo, ter ido cortar canna, camará!
Fallar não vou num campo de “trabalho forçado”. Nem dizer “concentração” eu quero, Glaucão! Acho uma noção de morte, de exterminio: um acto falho.
Aos presos condemnados eu me valho dum termo de geral applicação: “colonia penal”. Prompto! Todos vão penar, cada macaco no seu galho!
Irão, sim, trabalhar, mas cada qual na sua vocação. Quem sem visão está, ser pode escravo sexual…
Proponho que elle cumpra a fellação nos proprios carcereiros, ja que egual chupeta taes agentes não terão…
Na marra, aquelle inerme prisioneiro começa a rallamber o sujo piso interno do presidio, sob o riso do joven carcereiro, sobranceiro.
A lingua, rente ao tennis por inteiro filmado na sessão, faz indeciso e exquivo movimento. Tambem fiz o serviço, recolhendo cada argueiro.
Os ciscos adherindo vão à minha rallada lingua. A baba molha a lage pisada pelo tennis, que é Rainha.
Embora degradado pelo ultraje, não deixo de exbarrar, em recta linha, num tennis que combina com o traje.
DA DOSE EXACTA (1) [11.659]
Eu sempre tive nojo de cocô e, desde adolescente, esse fedor deixava-me impedido de suppor que exsista, com cocô, filme pornô.
Ouvindo o que papae ou que vovô fallavam, sem comptar o que o doutor contava sobre nunca a bocca pôr siquer perto das fezes, pensei: “Pô!”
Em summa, de hygiene é que se tracta. Si exsiste alguma coisa que nos una é o asco, reacção a mais sensata.
Por isso mesmo, gozo com a grata imagem do rival que a gente puna com merda a ser comida. Dose exacta.
DUMA PRISÃO E DUMA SOLTURA [11.985]
Depois de ter jantado, ousei peidar. Occorre que era sopa que eu jantara… Peidei… Borrei-me todo, tá na cara! Cocô de sopa, Glauco! Pô, que azar!
Problema meu, não posso reclamar. A gente, nessas horas, mais se azara si está na rua: ha sempre quem repara. Não ha, para cagar, peor logar!
Peor ainda é sopa de cocô!
Ouviu fallar? Sim, Glauco, na prisão (Qual é? Guatemalteca?) a sopa dão!
Cocô nadando em mijo, Glauco, pô! (Ah, nortekoreana?) Scenas tão coprophilas só podem dar tesão!
Assim! Agora fica assim, até que eu filme, nesse piso, o teu rastejo! Rasteja mais, ceguinho, pois, sem pejo, filmar-te quero! Beija, aqui, meu pé!
Teu riso para a camera, sim, é ironico o bastante! Eu, que bem vejo, irei satisfazer o meu desejo de rir dum cego, nelle dar olé!
Agora vaes comer esse cocô ahi, nessa tigella à tua frente! Rasteja! Pelo cheiro um cego sente!
Sentiste? Então performa teu pornô papel! Ora, abbocanha! A minha lente bem capta a porca scena de teu dente!
SONNETTO DO EXAME DE FEZES [12.459]
Passei! Passei, Glaucão! Comi cocô na frente da platéa! Que vexame! Agora ja passei no meu exame de fezes! Sou maluco paca, pô!
Difficil foi, sim! Filme bem pornô daria aquella scena! Até madame estava a assistir, Glauco! Não reclame quem queira ser doidão como o vovô!
Ah, cara! Aquelle velho foi pirado! Eu, perto delle, viro um mero pincto! Ao menos, orgulhoso ja me sinto!
Sim, elle de cabeça pendurado foi dentro da privada! Não, não minto! Um dia, a coisa ainda mais requincto!
SONNETTO DO CARCERE PRIVADO [12.495]
Saber quer, Glauco? Obrigo uma bichinha, que escrava se declara, a me ser bem submissa de verdade: que estar em um carcere privado tem! Tadinha?
Tadinha nada! Nella applico minha total auctoridade: limpa, sem perdão, com sua lingua de refem, qualquer que seja a minha sujeirinha!
As solas que, no piso, junctam pó; a rolla, accumulando o meu sebinho; meu mijo, que melhor é do que vinho…
Cocô, que comerá todo, sem dó! Appanha! No cu leva, Glauco! Só que venda tem nos olhos, qual ceguinho…
SONNETTO DO VEZEIRO CADEEIRO [12.592]
Sim, Glauco, o meu avô, que no papel usou Chico Coelho, foi chamado por seu diffamador, cabra saphado à bessa, de Chichi Cocô! Que fel!
Mas isso não foi nada! De Miguel o velho nem se fez! De seu aggrado foi essa alcunha! Ah, não! Não me degrado assim, Glaucão! Sou muito mais rebel!
Sim, quando perguntado, respondia vovô que de jogar-se na bacia sentia até vontade! Coisa feia!
Caguei na cara delle, certo dia! Sim, foi a seu pedido! Porcaria seu fracco sempre fora, na cadeia!
PLAUSIVEL [12.629]
Nas solas ja lambi cocô de gatto, de pombo, de cachorro, ou vacca, até! Depende donde o gajo poz o pé, do typo de solado do sapato!
Sim, Glauco! Quando disso eu, livre, tracto, tem gente que não bota muita fé, dizendo que da cuca sou lelé, que sempre fui, nas lettras, insensato!
Mas juro que é verdade! Si escrevi, em chronicas mundanas, sobre bosta lambida sob as solas, dei resposta…
Perguntam-me “Lambeste até chichi?”, risada dando, Glauco! Mas quem gosta de ver a minha lingua suja apposta…
A scena mostra alguem que, nu, cappado, recebe do folgado capataz de relho um golpe, emquanto força faz puxando, nos trabalhos, um arado.
As outras scenas mostram, ammarrado, o mesmo lavrador que, do rapaz folgado, leva chutes. No chão jaz, depois dos ponctapés, desaccordado.
Exhibe-se, em seguida, a melhor scena, daquelle escravo tendo que comer a merda do rapaz. Que vil dever!
Coitado do machão que se condemna a penas tão severas, por prazer, appenas, dum algoz com tal poder!
SONNETTO DO JOGO DESCONTENTE [12.642]
Sim, como Pollyanna deveria
você jogar, Glaucão! Pense commigo: Será que essa cegueira foi castigo assim tão duro, mesmo, uma agonia?
Podia ser peor: a luz do dia perdida de repente, com dor, digo, um furo nos seus olhos, um perigo que, em scena accidental, você corria!
Podia por alguem ser explorado, forçado a mendigar e, para aggrado dum cara, a jogos sadicos se expor!
Iria comer merda desse sado, cagada no chão sujo, um ja pisado cocô, cujo sabor nem quiz suppor!
DOS EXCREMENTOS DOS PHILISTEUS [12.662]
Sansão, captivo, teve (eu adivinho), ja cego, que chupar, de incircumcisos algozes, os caralhos, com seus lisos prepucios ensebados, direitinho!
Alem desse prazer, bem comezinho, dos jovens philisteus, ia, nos pisos do carcere, lambendo, ouvindo os risos geraes, todo pisado cocozinho!
De quattro, qual um bicho, o pé na cara lhe punham os meninos que iam vel-o comer no chão a bosta! Que modello!
Assim vejo você, Glauco! Tomara que esteja conformado! Quero tel-o, um dia, nos meus pés, com todo o zelo…
Emfim, comer cocô jamais deixou, Glaucão, de ser castigo na prisão, qualquer prisão, até nas de nação mais rica, addeantada, certo estou!
O gosto, muita gente relatou, é pessimo; o fedor, horrivel! Não podemos ommittir tambem que são as nauseas o successo desse show!
Não fosse tanto nojo o que suscita, no pratto, uns pedacinhos de excremento, não era assim tão bom divertimento…
Por isso reaffirmo: o que me excita é delles a repulsa! Mas não tento, siquer, me ver soffrendo um tal tormento…
DA SOPA DE INHAME [12.702]
Tomou sopa de inhame, Glauco? Não? Melhor que de cocô, tenho certeza! Mas, quando está a tigella alli na mesa, um cego não excolhe refeição!
Cagada a merda liquida, amigão, somente pelo cheiro, de surpresa, o cego percebeu que sem defesa estava ante cruel obrigação!
Mas teve que tomar, si escravo meu tornou-se pelas voltas desta vida! Não pode repellir sua comida!
Senti-me como o proprio philisteu zombando de Sansão, pois divertida foi essa scena! A sopa não convida?
Não, Glauco, supportar você não ia! Fizeram-me lamber todo um banheiro! Sim, isso mesmo! O piso, por inteiro coberto da mais grossa porcaria!
Levei chutes na cara! Valentia nem pude exhibir! Só de lembrar, beiro a nausea! Minha lingua tal chiqueiro lavou na marra, porra! A turma ria!
Senti de mijo o cheiro, senti gosto de bosta mixturada com poeira de tanta sola suja! Fui exposto!
Filmaram tudo, Glauco! Não, não queira achar que poderei erguer o rosto de novo! Não foi mera brincadeira!
Consulta ao ORVIL, sobre isso, ja fiz, Glaucão! Vae ser commum, como foi antes, nos tempos do DOI-CODI, que pisantes lambidos sejam pelos vis civis!
Depois que nós vencermos, mais feliz serei ao ver communas rastejantes aos nossos pés, Glaucão, e não te expantes com isso que, no ORVIL, um trecho diz!
No piso das prisões, sempre rasteja alguem para lamber essa poeira pisada pela bota à bessa andeja!
A sola tambem lambem, caso queira erguer do chão o bicco quem festeja as scenas de lambida a tarde inteira!
DA TRANSPARENCIA TORCIONARIA [12.894]
Nos centros clandestinos de tortura nós eramos, na propria, bons de facto! Tivemos que esconder, mestre, eu constato, aquillo que faziamos! Não dura!
Segredo não se guarda! Ninguem jura boquinha de siry fazer e, ingrato, alguem sempre dedura quem de gatto sapato fez um preso! Quem segura?
O ORVIL diz que é melhor, então, tornar legaes, officiaes, os centros taes! Assim, será “serviço militar”!
Glaucão, que tal? Eu quero, por demais, virar torturador! Quero pisar na cara dos civis, esses bossaes!
SONNETTO DA CAMARA DE TORTURA [12.897]
Na salla de tortura a gente tem que estar se divertindo, menestrel! Ja temos que dar duro no quartel, mas ha, tambem, lazer! Ainda bem!
Segundo o ORVIL, podemos usar, sem limites, o cigarro, os choques… Quem quizer, pode estuprar o cara, ao bel prazer, pode ser, mesmo, bem cruel!
Sim, Glauco, ja metti, naquella salla, a rolla numa bocca! Sim, chupal-a um preso fiz, no meio da sessão!
Sim, claro que exporrei! E por que não? Nem sempre esse communa appenas ralla a lingua no chão! Pode engolir galla!
SONNETTO DO DOI-CODI [12.935]
Nós davamos risada, Glaucão, ora! Devia doer, claro, mas não era na nossa pelle, mesmo… O que se espera dum centro de tortura? Alguem, la, chora!
A gente era “alcagueta”, mas de fora ninguem ficava! A tara da gallera era assistir a tudo! Quem não quer a desgraça alheia achar gostosa? Bora!
Alguem, no corredor, o chão lambia por ordem dum agente, mas a gente ficava alli, curtindo! Uma alegria!
Ja li, no ORVIL, que está ficando urgente a volta desses centros! Que seria do sarro sem alguem que se attormente?
SONNETTO DO MERCENARIO SANGUINARIO [12.989]
Nós, como mercenarios, vamos para qualquer logar. Um gruppo temos, sim. Não macto só por grana. Para mim, melhor é torturar antes. É tara.
Tentamos capturar bem vivo o cara e, quando conseguimos, ha festim. Sim, Glauco, prolongamos o seu fim ao maximo. Ninguem isso declara.
Cadaver enterrado, mais ninguem saber quer si morreu assim, assado. Ah, como dá prazer cada refem!
Si faço chupar? Claro que sim! Sado não perde tempo! O cara ainda tem anxeio de ser (Trouxa!) libertado…
DA COPROPHAGIA SUPPOSTA [13.157]
Daquella vez, fizeram que eu comesse cocô, sendo filmado numa scena pornô das mais nojentas. Não pequena foi minha repugnancia a um troço desse…
Não, nunca tive, em sonho, um interesse em practicas coprophagas. Sem pena, usaram minha bocca. Quem condemna, comtudo, tal conducta? A scena fez-se!
No meio da calçada, alguem cagara e toda a turma, agora, me fazia naquillo metter esta cega cara!
Será que ‘inda consigo ter, um dia, coragem de verdade? Não, tomara que nunca! Só suppuz coprophagia!
Na salla de tortura, ao lado dum cagueta, assisti, mudo. Um militante de esquerda appanhou muito… Riu bastante aquella atroz platéa. Algo commum.
Brutal foi! Lhe exfollaram o bumbum! Usaram choque electrico durante mais tempo do que um medico garante. Seu recto não deixaram em jejum.
Um frango, num espeto, parescia o gajo, nu, naquelle pau de arara… Nem para descrever dá, num sonnetto!
É disso que me lembro. Si der para narrar tal lance em versos, eu prometto que conto o que rollou com outro cara.
SONNETTO DOS MENINOS RECRUTADOS [13.315]
Na frente de battalha, a meninada dá tiros de verdade em tudo quanto se mova alli por perto, sob o manto das cores inimigas. Dão risada.
Pegar um homem vivo lhes aggrada. Melhor que metralhal-o, sem expanto dos velhos habitantes, é rir tanto ou mais, causando morte prolongada.
Torturam o opponente guerrilheiro, à vista do povão, tal como quem é frango contra aranha em gallinheiro.
Piccando vão, aos poucos, o refem na poncta dos punhaes. Pisam, primeiro, com gosto no seu rosto, os olhos sem.
De guerra prisioneiros, para mim, precisam soffrer muito, mestre, emquanto não são exsecutados! Para tanto, usamos uns facões! Simples assim!
Os vamos extripando, por tintim, até que, bem sangrados, nosso bando esteja satisfeito! Vou gozando à bessa ao ver, Glaucão! Sempre me vim!
Chacinas desse typo nós filmamos e expomos pelas redes! A gallera adora quando disso gargalhamos!
É foda! Alguns causões, na actual era, costumam protestar, mas seus reclamos inuteis são! É guerra, porra! À vera!
[13.362]
Confina-se num campo o povo inteiro que estava alvo tornando-se da seita satanica que, em guerra, não acceita as raças que de bichos teem o cheiro.
Na guerra, vale tudo. O carcereiro diverte-se estuprando, se deleita pisando na cabeça de quem deita por terra. São milhões em captiveiro.
As scenas, hoje em dia, não são mais secretas como outrora. Pela tela podemos ver humanos animaes…
Ao Papa, a Satanaz, alguem appella, mas, sendo só rhetoricos taes ais, o crime impera. Alguem a sunga mella…
Aquelle que interroga algum bandido detido não tem muita paciencia com gente que se nega a contar. Vence a razão de quem indaga, não duvido.
Mas, caso o preso teime, decidido a nada revelar, uma sciencia se impõe: a da tortura. Havendo urgencia, respostas surgem. Mas… resta a libido.
Trabalham os agentes, mas tambem divertem-se e bom sarro tiram, ora! Quem foi que não chupou, si soffreu? Hem?
Os methodos variam, mas quem chora no pau, pau chupará. Mais tarde, sem chiar, implora a rolla. Até decora.
[13.383]
À noite, no local allojamento, pappeiam os recrutas sobre como jogar a culpa toda no mordomo no caso de gorar o movimento.
Mas, caso o golpe vingue, que tormento irão elles impor! Gommo por gommo, farão alguem que coma, como como, a merda que cagarem! Eu aguento?
Ah, como creativos elles são! Que sonhos! Os communas comerão cocô todos os dias, como rancho…
Tambem eu sonho, claro. Meu tesão consiste em lhes lamber, desd’o dedão até no calcanhar! Ah, me excarrancho!
Sim, fui presidiario, cara! A gente não tinha nem direito de chiar! Nós eramos só mesmo, para azar, as victimas do mais cruel agente…
Comtudo, não bastava a repellente tarefa de lamber, até rallar a lingua, algum pisante de vulgar modello… Outro detalhe era frequente…
Os proprios occupantes duma cella fodiam-se entre si, como si fosse normal todos gozarem na barrella…
Chupei, amarga, cada picca doce que entrasse pela bocca… Não foi bella a scena que a memoria agora trouxe…
DO HUMANISMO [13.618]
Odeio os humanistas, menestrel! Defendo uma tortura, sim, “de estado”! Não creio que meresça algum coitado cuidados, si está preso num quartel!
Alli si estiver, é por ser fiel às causas que, de esquerda, teem causado discordias e tumultos! Não me evado de nada! Assumo tudo, no papel!
Das theses da direita fui auctor, poeta! Quem quizer, basta ler um dos livros que escrevi para me expor!
Detesto um ideario que, commum nas rodas humanistas, faz suppor que pense em attemptados só bebum…
Glaucão, vou lhe explicar pausadamente os passos do meu methodo, que calha àquelle que deseja ter, sem falha, controle sobre escravos, thema quente…
Primeiro, venda applique. Quem se sente cegado não reage. Esse trabalha melhor com sua bocca. Mas ‘cê ralha, em caso de recusa do invidente.
Si segue recusando uma chupeta, ‘ocê lhe ensignará, com a chibata, a ser obediente, esse cegueta…
O cego berrará, caso ‘ocê batta com força. Depois, caso ‘ocê lhe metta mais fundo, terá mente mais cordata…
SONNETTO DO REVANCHISMO [13.782]
Si eu fosse, menestrel, o presidente aqui desta nação, não deixaria que tudo se frustrasse! Mas um dia ainda voltaremos, és sciente!
Bem sabes tu que iremos dessa gente, emfim, nos desforrar com alegria e sede de vingança! Acho que eu ia mactar todo communa pela frente!
Pegassemos uns vivos, ah, poeta, iriam soffrer muito na tortura! Ou achas que essa acção não é correcta?
Teremos que voltar à linha dura, sinão, Glaucão, ninguem mais se punheta nem goza quando os olhos delles fura!
Assim que retirado foi da cella, batti nelle e mandei lamber o chão! Foi linda a scena! Aquella lambeção alegre me deixou! Que scena bella!
No piso de cemento toda aquella escoria apprisionada fiz questão de ver engattinhando! Deu tesão! Alli muita poeira se exfarella!
Poeira das botinas dum soldado, poeira até dos tennis dum menino que tenha a protecção do delegado!
É sadico o moleque, eu vaticino, pois foi de seu talante e seu aggrado pisar nos prisioneiros! E é franzino…
Glaucão, ja me infiltrei, sim, num quartel, a fim de espionar o que essa gente pretende fazer caso, de repente, se encontre no poder, ao prazer bel!
Até ja me passei por coronel, fingi que mactaria lentamente os nossos inimigos e, contente, torturas proporia, menestrel!
Propuz que torturassemos com toda a nossa crueldade! Que se foda aquelle communista arruaceiro!
Mas logo perceberam que, na roda, eu era alienigena! Foi foda! Comeram-me! Estupraram meu trazeiro!
SONNETTO DO COLLABORACIONISMO [13.913]
Na França, a Resistencia à nazi bota foi brava, mas, de vez em quando, alguem cahia, apprisionado. Só quem tem coragem, nessas horas, se devota…
Ja victima do chiste e da chacota foi quem collaborou, feito um refem covarde, com os nazis. Hoje vem à tonna alguma typica anecdota.
Um desses delatores, pego por alguem da Resistencia, torturado foi como qualquer ratto: sem pudor…
Furaram os seus olhos e, cegado, não pôde ver, dos sadicos, a cor das botas que calaram o seu brado…
Glaucão, uma das coisas fascinantes que encontro na christan philosophia é quando, humilde, Christo offerescia a cara a tapa, nunca como dantes!
Anteriormente, coisas humilhantes do typo só na marra alguem podia suppor que succedessem: não queria ninguem ser um dos seres rastejantes!
Taes seres, prisioneiros, em geral, escravos se tornavam: nesse caso na cara appanhariam, é fatal!
Mais coisas aguentavam: eu me embaso nas chronicas historicas! Normal seria até comer cocô no vaso!
PONCTUAL CASO DE THEOPHILO [conto 9 de PROMPTOS PONCTOS]
Eu sei o que você, Mattoso, quer ouvir. Lhe contarei exactamente aquillo que deseja, pois ja tive em carcere privado um cego, quando morei numa Guyana que não vou dizer qual era para não dar mais detalhes vagos. Vamos, pois, ao poncto. Ainda no começo deste seculo, as redes sociaes não eram tão visadas, patrulhadas, e podiamos formar gruppos, no orkut ou por email, em torno das mais torpes preferencias, taes como quem, de carro, gostaria de edosos ou peões attropelar, collegas ou rivaes escravizar, esposas transformar em putas entre amigos, mactar cães abbandonados, queimar mendigos, coisas desse typo. Pinctou, assim, primeiro nos Estados Unidos, depois entre nós, o thema, até que serio, dessa populosa e sempre maior massa carceraria. Não tinha nosso gruppo solução do typo humanitario para aquelle crescente contingente de detentos, de presos perigosos, para ser exacto, que jamais em sociedade podiam viver como cidadãos communs e que, cumprindo suas penas, por annos custariam muita grana, por causa de presidios cada vez mais caros, appinhados e inseguros. A grande suggestão, que evitaria problemas de motim, de indisciplina, de custos com a maxima politica
de falsa segurança, começou na America, appoiada pela nossa local communidade: forçar todos os presos transitados em julgado a suas boas corneas doar para quem, fora das prisões, dellas precisem. Assim, o condemnado desempenha papel mais social e, noutra poncta, não causa mais problema alli na cella. Percebe você, Glauco, o quanto tal politica suggere de incentivo a todo carcereiro que se excite com essa gente inerme e totalmente subjeita a tantos sadicos abusos? Por isso mesmo, Mestre, eu quiz propor no gruppo certas normas para aquelles cegados prisioneiros, typo dar-lhes forçados trabalhinhos roptineiros, de facto compativeis com a sua abjecta condição: massagear, com suas mãos mas, logico, tambem usando suas linguas, os pés, não appenas dos agentes carcerarios, porem de todos quantos os quizessem usar para deleite vingativo que possa compensar o que fizeram de mau a nós, honestos cidadãos. Ou seja, as prisões ‘inda serviriam de clinica, a precinhos populares, àquelles que quizessem relaxar os pés com tal holistica massagem. É claro que, entre internos funccionarios, os cegos serviriam tambem para usarem suas boccas em caralhos dispostos a gozar sem restricções de nojo, dignidade e livre excolha da parte dum forçado fellador. O cego que se negue incorreria
em grave transgressão disciplinar, subjeita a punições de praxe, como soffrer choques electricos ou ser, na frente dos demais, chicoteado. Na epocha do orkut eu não vivia ainda na Guyana, mas la fui fugindo dumas dividas que fiz aqui. La, com trambiques, me virei a poncto de ter casa num local pacato que, isolado, me servia de lar, de esconderijo ou de escriptorio, conforme quem entenda do riscado. Não longe da cidade, eu la de carro levava pouco tempo para, às vezes, chegar e fazer compras. Uma vez, passando pela praça principal, notei que estava a turma de pivetes zoando com um cego que pedia comida, que implorava por qualquer sobrinha comestivel. Comestivel?
Magina! A molecada só lhe dava nojeiras as mais putridas, mas elle, sem ter alternativa, as devorava de prompto, sem siquer as mastigar direito, para, appós, não vomitar… A cada podriqueira que lhe davam, ficava às gargalhadas todo mundo, mas, quando fui chegando, os molecotes se foram dispersando. O cego, um joven mestiço, percebeu minha chegada e, soffrego, pediu por uma adjuda, um troco para alguma coisa menos passada pôr na bocca, alem de restos. Chamei-o para perto dum kiosque, paguei-lhe qualquer coisa de beber, um lanche e, depois disso, um pappo tive com elle, bem aberto, nestes termos: Perdeu recentemente sua ja
precaria visão? Nada de familia, parentes nem amigos? Um emprego qualquer jamais teria? Ficaria na praça, à mercê desses pivetões dispostos a zoar com os mendigos? Então que tal servir-me como um cego servir deve de escravo para quem enxerga normalmente? Hem? Que tal ser meu cão, meu lambedor de pés, meu bem treinado massagista, chupador de rolla, como os presos que citei? Sim, elle entendeu tudo o que fallei, pois tinha algum preparo, mesmo sendo, talvez, analphabeto. Concordou, baixou sua cabeça, disse “Sim, senhor! O que quizer, senhor, eu faço!”
Levei-o para casa, abertamente lhe impuz que, em troca appenas de comida, colchão para dormir e roupa limpa, seria meu escravo sexual, podal, anal e tudo o mais que suas mãos, sua bocca, às cegas, me pudessem fazer, que divertisse minhas horas. Eu tinha, na cozinha, alguem e, para negocios outros, outros serviçaes, mas esses poderiam se servir, tambem, da bocca cega, appropriada a toda putaria desejavel. Assim, ganhei meu proprio prisioneiro, com elle satisfiz todas as taras, usei-o como oral masturbador, diario massagista, lambedor de callos e frieiras, do chulé curtido nas botinas de interior, emfim, me deleitei, sempre dizendo a elle que precisam ter os cegos funcção util no mundo, ou, do contrario, melhor seria, duma vez, morrerem.

