

MANUAL DO GAROTO DE PROGRAMMA
Glauco Mattoso
MANUAL DO GAROTO DE PROGRAMMA
São Paulo
Casa de Ferreiro
Manual do garoto de programma
© Glauco Mattoso, 2026
Editoração, Diagramação e Revisão
Lucio Medeiros
Capa
Concepção: Glauco Mattoso
Execução: Lucio Medeiros
Fotografia: Akira Nishimura
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Mattoso, Glauco
MANUAL DO GAROTO DE PROGRAMMA / Glauco Mattoso. –– Brasil : Casa de Ferreiro, 2026. 122 Páginas
1.Poesia Brasileira I. Título.
25-1293
CDD B869.1
Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia brasileira
NOTA INTRODUCTORIA
Em torno do que chamam “putaria” fiz muitos dos mais lubricos poemas, mas cabe entrar, ca nesta collectanea, no officio propriamente dicto dos rapazes que seu corpo vendem ou alugam, inclusive si isso tem alguma relação com a barganha de tennis e botinas deschartaveis por novos pares ou por uma grana que seja compativel com o cheiro deixado nas palmilhas repisadas. Não deixo de fallar, pois, dos michês, “garotos de programma”, como os chamam. Leitores meus, na certa, approvarão mais este voluminho que, thematico, se insere em minha vasta producção.
DISSONNETTO MICHETADO [0505]
Mais serve ao cavalheiro do que à dama. Mais joven apparenta que o cliente.
Mais masculo se diz do que se sente. Quer ser mais que um garoto de programma.
Nem tudo que combina faz na cama. Si dá não quer. Si come não é quente. Si chupa não engole. Si o diz, mente. No par sempre é mammado. No bar, mamma.
Seu penis é mais canto que instrumento. Seu tennis é maior do que seu pé.
Seu riso é menos gozo que lamento. Seus olhos timidez fingem, até.
Aluga o que não tem e o que não é. Mas cobra a phantasia e, ciumento, “Amor!” espera ouvir, quando o café lhe paga algum cliente do momento.
DISSONNETTO DA REPRESENTATIVIDADE [0843]
Debatte no Congresso: se discute a volta dos casinos e o estatuto que reconhescerá tambem o puto naquella “vida”, e a pauta repercute.
Si bem que o Sancto Lobby alli labute, a claque dos michês joga mais bruto: a cada congressista um bello, hirsuto e masculo cowboy promette um chute.
No fim da votação, folgado ganha a Lei da Jogatina. De carona, approva-se o piranho e até a piranha. Agora a michetagem ja ambiciona.
Quer cargo no governo e, na campanha, lidera um cafetão em cada zona. Quem é que, então, segura aquella sanha dos velhos que pau querem e não conna?
DISSONNETTO DA ESCRIPTA AUTOMATICA [1456]
Fazer surrealismo é facil: basta junctar varias palavras, formar phrases sem nexo, onde um vocabulo contrasta com outro e de engannar-nos são capazes.
Pensamos que entendemos, e se arrasta o texto até o final, sem que os rapazes e as moças se definam: si ella é casta, ou si elle é pederasta, ou si são phases.
Na fabula do magico michê, ninguem é de ninguem nem se desnuda. Garotos suburbanos com você sorrindo transam... Subito, ja muda.
Você virou princeza, e o prostituto, que tinha de mulher a voz aguda, agora é cavalleiro e, antes que, astuto, conquiste-a, ja virou velha barbuda.
No samba do creoulo doido, até quem era poetiza agora estuda folklore e o menestrel faz candomblé. Até quem foi Satan se faz de Buddha.
DISSONNETTO PARA UM BORDEL MEMORAVEL [2128]
Havia um lupanar em Canindé chamado Vae Quem Quer, cujo cliente prefere até chamar de cabaret, provando que saudades delle sente.
A mim, a quenga classica não é quem mais attenção chama, e sim um ente folklorico, esse Haroldo, cuja fé na propria honra viril era descrente.
Si eu, cego, alli estivesse, em seu logar, teria o mesmo lemma a sustentar, ou seja: “O pau eu chupo, nem que feda!” Incluso si estiver a porra azeda.
Appenas uma coisa eu accrescento: si, appós gozar, mijar-me um pau sebento, normal é que, de vaso, a bocca eu ceda e sinta alguma pelle, não de seda.
DISSONNETTO SOBRE O BICHO E A BICHA [2782]
Cantando alegremente, quem la vinha? O pato! E quem pedira, sorridente, no samba para entrar? Sim, minha gente: o proprio, elle, o marreco! Que turminha!
Tambem o ganso, é claro, se advizinha e pede uma boquinha! Eu sou doente por um bichinho assim, obediente, que deixa até que eu faça chupetinha!
Com todos os michês assim eu tracto: si forem maus commigo, sou bem manso; si não, não pago o pato, nada, neca! Nem mesmo si carente eu o sustento.
Dum gajo que tiver um pé de pato eu chupo, p’ra que affogue, em mim, o ganso. E pago, si for reco, uma merreca, a menos que elle seja bem marrento.
DISSONNETTO SOBRE UM ZÉ MARIA DA CONCEIÇÃO [2812]
Me lembro muito bem: você vivia sonhando, la no morro, com um monte de coisas que não tinha. Nem me conte que foi que andou fazendo! Eu ja sabia!
Desceu e foi parar em plena via mais publica da zona! E, sob a ponte andou, que eu sei, dormindo. Minha fonte garante, e nella a gente bem confia.
Desceu para subir, disse você. Ninguem pode dizer que não subiu, mas, por aqui, de novo faz michê. Não venha cochichar-me esse seu “Psiu!”
Vender quem quizer venda, dar que dê! Quem, p’ra sobreviver, dá seu chibiu, seu cu, sua boquinha, ja se vê, na rua accabará, meu caro! Ouviu?
DISSONNETTO SOBRE AQUELLAS QUE BORBOLETEIAM [2871]
Mais voltas fica dando a mariposa em volta duma lampada si exfria o tempo, mas não sei si ella queria, de facto, se exquentar, ou outra cousa.
Appenas sobrevoa, jamais ousa pousar naquella luz. Durante o dia, se esconde, mas, à noite, rodopia em torno, sem pousar. Mas onde pousa?
Talvez na minha cama. Me comparo à lampada, e as mulheres considero que sejam mariposas. Não fui claro? Explico, então, melhor, o que é que eu quero:
Só sexo, mas, si cobram muito caro, accabam sem freguez. Eu sento e espero. Na falta, achei um cego cujo faro chulés prefere: chupa-me, sem lero.
DISSONNETTO SOBRE UM MANO UFFANO [2872]
Estou suando neste collarinho, callo appertado dentro do sapato, mas, quando é branco o cara, eu sempre tracto de estar naquella estica, de terninho.
Mais facil, dos clientes, é o ceguinho, que nunca quer saber si sou mulato ou negro: quer lamber o meu pé chato, chupar-me, e só. P’ra esse, eu nem me allinho.
Cor de jaboticaba, de azeviche, sou negro e tenho gosto! O cego é branco, mas quero que se foda, que se lixe! Commigo, o masochista é sempre franco:
Espera que eu lhe pise, que eu lhe exguiche, que eu goze, e eu sangro o saldo seu no banco. Não temo que a policia ja me fiche. Assim tracto o freguez, mesmo: no tranco.
DISSONNETTO SOBRE UMA PONCTUAÇÃO REVISADA [2922]
Amor como o teu {virgula}, ó rapaz, é foda {exclamação}! Original não foste {poncto e virgula}; banal {virgula}, todavia não serás!
És {interrogação}? Sei que és capaz de amar-me “pacas” {aspas}, mas de tal amor, remunerado a vil metal, estás de sacco cheio, não estás?
Parei e (entre parentheses: fiz bem) com essa michetagem {reticencias}... pois ando, ultimamente, sem vintem. Parei {poncto final}. Ha divergencias...
No modo de transares, pois tu nem me pisas! Frustras minhas preferencias! Disseste {travessão} -- Estou eu sem um puto! Todos nós temos carencias...
DISSONNETTO SOBRE AS PEDRAS DO JOGO [2991]
Mulher, sou jogador! Quero dinheiro! Jamais eu perco um jogo, esse da vida! Nos outros, perco, às vezes, a partida, mas sempre trappaceio meu parceiro.
Eu jogo, até no bicho, toda a lista: baralho, pingue-pongue, bilhar, dado... Appenas, para não ser castigado, não jogo pedra em cego sonnettista.
Si o jogo se accabar, o que será de mim, minha querida? Outra mulher terei que procurar, que assim não dá! Dinheiro tirarei eu, si puder...
Até dum cego, que chupar-me irá! Na falta da morena, o que vier eu traço, até veado! Desde ja, porem, vou advisando: é puro “affair”!
VOCALICA VOCAÇÃO [3366]
Questão mais alphabetica não ha: aberta é que a vogal idéa dá daquillo que na foda incluso está? Resposta promptamente tenho ja:
A foda se contenta e cabe em si. Curriculo da puta e do michê, o erotico é, tambem, do travesti: chardapio de quem coma ou de quem dê.
Exerce o mesmo officio, si é pornô, a lyra que um ephebo exhibe nu, comendo uma boceta, enchendo um cu de porra, ou qualquer bocca de cocô.
No affan sadomasô, proponho aqui: chupar pau é dever de quem não vê, mas, antes, lambe um cego o que eu lambi: artelhos, si o chulé for seu buquê.
Linguagem corporal jamais é má nem boa, appenas tactil beabá. Officio do orificio, a foda irá, fechando e abrindo, aonde a vogal va.
MINHAS CIRANDINHAS (9) [3499]
Fede o trappo que me cobre a suor, porra e chulé: eu sou pobre, pobre, pobre da ralé, ralé, ralé!
Peço esmolla e ganho um cobre por chupada: chupo até quem exige que eu me dobre e lhe lamba o sujo pé.
Ser michê não é problema, pois freguez não ha que eu tema nem sebinho algum abballa quem, sem grana, só se ralla.
Quando a rolla é fedorenta, sempre um jeito a gente inventa de chupal-a que nem balla e pensar que é mentha a galla.
A VOLTA DO MOTTE DO PUTO [3627]
Um michê que eu contractara se gabava de seu pau sempre duro e duma cara bonitinha, mas de mau.
Quando eu disse só ter tara por chulés, em alto grau, esticou seu pezão para mim, e urrei de gozo: “Uau!”
O rapaz fica perplexo, mesmo sendo o mais devasso, si, ao pagar caro por sexo, só lhe lambo o pé descalço.
Este motte eu não refuto e repito a cada passo: “Seja puta ou seja puto, seu tesão é sempre falso.”
O CAUTO CAUSO DO PREÇO VIL (1) [4357]
Ninguem pode dizer que deste pão jamais irá comer, ou que da suja aguinha não bebeu! Da dicta cuja bebeu ja, por signal, o proprio Cão!
Comer o que o Diabo ammassou não seria um problemão, si quem babuja de lingua em minha bota sobrepuja seu gozo com meu ganho e é bom patrão.
Em summa, ser michê não é problema, comtanto que o cliente bom burguez se mostre e que gastar demais não tema. Mas, quando me apparesce só freguez...
Sovina e pobretão, vejo um dilemma bem critico na frente, ao fim do mez. Collegas meus, na porta do cinema, battalham, como todos os michês...
INFECTO AFFECTO (1/10) [4471/4480]
(1)
Um distincto cavalheiro cujo nome foi Oscar tem teor do qual me inteiro neste affan particular:
Theatrologo maneiro, conseguiu elle aggradar o burguez mais costumeiro e o povinho mais vulgar.
Para gregos e troianos elle tinha sempre planos que rendiam mais successo.
Frequentando as altas rodas, e trajando novas modas teve um poncto em que me meço.
(2)
Pormenor interessante foi de Oscar o seu tesão por um pé, por um pisante masculino, eis a questão.
Que um famoso auctor se encante por sapato ou pé ja não causa expanto, porem ante sujas botas, virou cão:
Deleitava-se ao lambel-as, dar-lhes brilho: via estrellas, lingua ardendo, mas gozava!
Procurava, então, rapazes operarios que, qual nazis, querem forra em lingua escrava.
(3)
Aos mais sordidos peões dava Oscar bom pagamento e, ao babar em seus pezões botinudos, foi sedento.
Entendendo-lhe as razões, eu mal delle não commento. Outras foram as questões pertinentes que eu lamento:
Quiz Oscar manter sigillo, pois achava que attingil-o a má fama poderia.
E lustrou cada botina poeirenta na surdina. Foi assim, até que, um dia...
(4)
Sem escrupulos achou nosso Oscar um, certa vez. Encontrou-o appós um show, na sahida, e offerta fez:
“Quer que eu limpe a bota? Dou boa grana! Sou freguez bom de lingua! Que tal? Vou lhe pagar por todo um mez!”
Viu a chance o tal rapaz de tirar proveito e más intenções foi planejando.
Para Alfredo, não bastava desfructar de bocca escrava nem ter breve voz de mando.
(5)
Pretendia ter Alfredo mais polpudo resultado.
Foi lambido, mas, sem medo, quiz Oscar chantageado:
{Ou me paga, ou este dedo eu apponcto pro teu lado!}
Diz Oscar: “Não! Eu não cedo! Caia fora, seu folgado!”
Alfredinho, que não era de blefar, chance tivera de roubar-lhe uns documentos.
Eram provas de sujeira bem maior do que a poeira de sapatos poeirentos.
(6)
Feito o escandalo, eis Oscar diffamado e, na justiça, encrencado: vae parar na cadeia e o caso enguiça.
A prisão disciplinar não permitte que preguiça ninguem tenha. Trabalhar deve o preso, e o guarda attiça:
{Mais depressa! Vamos, metta mãos à obra! A piccareta tá pesada? Azar o seu!}
Soffre Oscar, que sempre fora delicado: em que oppressora carceragem se metteu!
(7)
Num paiz que a gente queira “de direito”, um prisioneiro nunca enfrenta uma pedreira muito tempo e o tempo inteiro.
Sahirá, dessa maneira, livre Oscar? Porem, primeiro, vae lamber, tambem, poeira no que calça um carcereiro.
O engraçado é que o rapaz reconhesce Oscar e faz mais questão de expezinhal-o:
{Vae, veado! Limpa a minha bota! Vamos! Engattinha! Tá lembrado do meu callo?}
(8)
Oscar olha e reconhesce o rapaz, cujo descalço pé lambera! Ah, si tivesse evitado um passo em falso!
Tem agora (e nem a prece vae salval-o) que no encalço ir da bota. A lingua cresce bocca affora e leva o calço:
É pisada sob a sola grossa, asperrima, que exfolla e provoca sangramento.
Lambe Oscar o que no chão se accumula: a podridão do solado mais nojento.
(9)
Muita coisa contamina no chão sujo, o que se gruda numa sola de botina e a sciencia nem estuda.
E, em prisão de disciplina, nem ha medico que accuda, nem antidoto ou vaccina contra febre assim aguda.
Logo, Oscar arde e definha numa cella, e se adivinha que final isto terá.
Ninguem nada diagnostica e mais outro preso estica as cannellas, claro está!
(10)
Oscar teve merescido fim, allega a lingua má do povão, mas eu duvido que tal caso findo é ja.
De outros homens a libido mais bizarra accabará por fazer dum encardido bute ou tennis bafafá.
Minha lingua se resente das lambidas que, imprudente, ando dando em sola suja...
Mas não ponho, não, de molho minha barba, nem me encolho: do que tempta tem quem fuja?
TARA CARA [4802]
Um “teenager” arrogante se lamenta: está sem grana. Tem dinheiro, e tem bastante, um masoca, que lhe explana:
“Si deixar, no seu pisante, que eu a lingua passe, affana o que tenho!” O joven, ante tal offerta, ja se uffana:
{Então lamba! Limpe a sola! Folgo, até, si alguem exfolla sua lingua em meu sapato! Ande, lamba! Pague o pato!}
Lambe, então, e se colloca por debaixo: ser masoca não sahiu muito barato. Mas gozou, é o que eu constato...
TÊTE À TÊTE COM O PIVETE [4998]
Parava eu no pharol (ou no signal, um outro diz), no transito daquella estreita transversal, quando um flanella franzino, um flanellinha, foi fatal:
Chegou, surgiu do nada, rindo e, mal a cara delle entrou pela janella, senti que me encostava um ferro. Bella manhan! Dia bonito, hem? Que legal!
Vivi João Nogueira, no logar. O bafo era terrivel! Tempo só deu para lhe dizer: “Pode levar! Não quero reagir, não! Tenha dó!”
Ainda destravei mais o gogó: “Eu chupo seu pau! Pago, alli no bar da exquina, um lanche! Tenho fumo e pó! Até lambo seu pé! Quer appostar?”
SCENAS TROPICAES (1/3)
(1)
[5286/5288]
Na praia, o coqueiral ondula ao vento. Turistas vão e voltam, sempre em bando, sahindo dalgum omnibus, filmando, battendo photos. Passa um barco, lento.
Olhando tudo, sempre muito attento, expanta-se um senhor ao ver que, quando mais gente se approxima, vae trepando, em cada coqueirão, um “elemento”.
Com cara de malandro, um delles tira os cocos, se exhibindo. Uma turista começa a tirar photos e se admira.
Mostrando habilidade, elle conquista olhares com seus gestos de mentira, e sua saphadeza não despista.
(2)
Um classico malandro brazileiro, posando para as photos, cocos traz. Visagens ensaiadas elle faz e trepa, nheco, nheco, no coqueiro.
As photos são eroticas! Ligeiro aos olhos da photographa, o rapaz simula estar trepando mesmo, mas é “com”, não “no” coqueiro, o tempo inteiro!
Aquillo não é proprio de quem quer somente tirar cocos! Se offeresce, sorrindo, o rapagão a quem lhe der...
Comida? Grana? Appenas aggradesce, pagando-lhe uns trocados, a mulher. Mas, perto, está um senhor, cujo pau cresce.
O moço, morenão de praia, vae e volta, sobe e desce. Sorri com aquella saphadeza que, no bom e claro portuguez, tesão attrae.
Discreto, um senhor olha. Até ser pae podia do moleque, cujo dom resume-se a trepar, posar e, em tom saphado, pedir grana. Alguem mais cae?
Notando que o senhor não photographa, o joven lhe dirige seu sorriso mais timido, que uns males desabbafa.
Lhe paga lauto almosso o senhor. Liso, se farta o joven, pede uma garrafa de vinho... Custa caro o paraiso!
DISSONNETTO DUMA LUXENTA QUE OBSTENTA [5333]
Nossa! Vejam só que chata essa dona! Quer que a gente use terno, use gravata, no cabello passe um pente!
Nos offende e nos maltracta: diz que cara de indigente temos, como si essa natta fosse, a della, mais decente!
Si ella achou que à sua classe offendemos, não chamasse nossa turma a seu apê para alli fazer auê!
Si chamou, é porque quer appanhar e ser mulher de malandro! Então nos dê tractamento de michê!
PERSEGUIÇÃO À PROFISSÃO [5818]
Moralistas teem fajuta concepção duma senhora de quem todo fan desfructa bom prazer, e sem demora.
Alludindo estou à puta que exaltei, porem agora contra ella alguem relucta e um careta commemora.
Não commento essa disputa de poder, si xinga ou ora quem condemna-lhe a conducta. Desse pappo eu estou fora!
Si um michê que eu chupo e chuta minha cara estou, por hora, a pagar, sua labuta só da nossa compta é, ora!
FINO CONFINAMENTO [6090]
A pelle empipocou. Nervoso passa a velha dama chique, tempo faz, trancada na mansão. Nenhum rapaz, daquelles de programma, mais a abbraça.
Allergica? Talvez. Assim de graça não pincta tanta bolha, algo que traz immenso malestar. Ja nem tem gaz, de tanto se coçar, essa devassa.
Não, antes differente foi. Pagava bem para que michês mostrassem ora carinho, ora carão com a senhora às vezes fina, às vezes torpe escrava.
Depois de estar soffrendo dessa brava coceira, a baroneza appenas ora, pedindo piedade. Em boa hora será attendida: a cova alguem lhe cava.
MICHETAGEM SEM IMAGEM [6119]
“Um cego entre inimigos...” Ja lhe disse alguem tal phrase, Glauco? Claro, né? Por SEM OLHOS EM GAZA tambem fé meresce um Aldous Huxley na mesmice.
Hem? Pode-se esperar que alguem não risse dos medos dum cegado? Vão até rir delle caso um carro marcha à ré dê para assustar, para que se attice!
Cachorros ja attiçaram em você, Glaucão? Ja lhe jogaram pedra, meu? Alguma coisa assim, ah, tambem eu queria lhe fazer, logo que dê!
Mas, como perspectiva não se vê da volta à normal scena, você deu é sorte! Nem bancar o philisteu eu posso! Só por phone sou michê!
ANTICORPOS [6235]
Testei. Eu não queria, mas testei. Fiz tudo p’ra addiar a decisão. Julguei, um dia sim, um dia não, si tinha que saber o que ja sei.
Testei. Que me forçasse, não ha lei. Não houve, não, qualquer obrigação moral, nem social. Nada, Glaucão! Appenas hesitei e, emfim, julguei.
Testei. Deu positivo, o que me indica que estive exposto ao virus, Glauco! Certo? Não sou nesses assumptos tão experto, mas acho que isso em nada augmenta a zica.
No cu tenho levado tanta picca que pouca differença faz si perto ou longe estou da peste. Só me allerto é quando outro michê doente fica...
DERRADEIRA SAPATEIRA [6243]
Indago-te, Glaucão, mais uma vez, depois de tantos annos: colleccionas ainda aquelles pares de grandonas botinas das quaes foste tão freguez?
Ainda colleccionas, dos michês de pés tamanho maximo, de lonas surradas ou de couros que nas zonas batteram, esses tennis de burguez?
Ainda colleccionas, dos punkões da antiga, aquelles fetidos burzegos nos quaes tu tacteavas com teus cegos carinhos e teus humidos beições?
Será que ‘inda nas sujas solas pões a lingua ja rachada, qual si pregos houvessem-n’a rasgado? Ora, te entrego os meus velhos -- e de velhos -- chinellões!
CONTRACEPÇÃO [6258]
É facil não ter filhos, Glauco! Basta fechar as pernas, porra! Gravidez se evita, né?, caralho! Só quem fez nenen foi a mulher que não é casta!
Um homem que não seja pederasta somente de putinhas é freguez! A culpa não é delle, que michês não paga, mas com puta a grana gasta!
Fui claro, Glauco? Ou achas que embaralho? A puta poderá ser chupeteira, appenas, si quizer! Caso não queira, que emprenhe! Que embarrigue, então, caralho!
Que pillulas, que nada! Não me valho jamais da pharmaceutica tranqueira! Si for p’ra desistir duma rampeira, eu fodo um cego, mesmo! Quebro o galho!
GENETIANO [6301]
Meu pae me ensignou! Elle, que me fez dormir, ja, de cothurno, prompto para a guerra, fez tambem, na minha cara, vergonha que eu tivesse, essa altivez!
Mas, em compensação, vejam vocês, ganhei um chulezão que se compara ao cheiro dum gambá! Só quem tem tara podolatra se torna meu freguez!
A vida me ensignou a ser michê, na falta dum emprego mais decente. Mas sempre encontro, soffrego, um cliente disposto a pagar caro o meu buquê.
Um cego masochista, que não vê faz tempo, tão sozinho ja se sente que minha visitinha mais frequente lhe faço. O cheiro lembra-lhe Genet.
CARO
MASOCHISMO,
ou BLUE SUEDE SHOES [6466]
Eu acho que esse “cat” é, sim, michê! Faz tudo que quizer, mas, affinal, está sendo bem pago para tal! Quaes dicas a canção mais quer que dê?
O cara abusar pode, você vê: até pode roubar carro, total preju causar à casa do bossal que se deixa pisar, como você!
Sim, Glauco, o gajo joga alguem no chão, lhe pisa bem na cara, abusa à bessa, mas note que elle appenas está nessa jogada “for the money”, amigão!
Assim é mais legal, hem? Não é não? Achei mais humilhante que lhe peça alguem p’ra ser pisado! O que interessa é para tal ser pago um dinheirão!
MICHÊS QUE EMPICHAM [6520]
Não tenho nenhum medo de empichado ser, Glauco! Tenho appoio, tenho base bem solida! A denuncia nem na phase final chega! Garanto o resultado!
Mas é dinheiro vivo que arrecado, pois teve que ser mala, sempre quasi bem cheia, a que paguei p’ra que não vaze nadinha do que faço neste Estado!
Por isso commemoro que essa nota mais nova, a de duzentos, logo corra! Menor me fica aquella mala, porra! Percebes, Glauco, como rolla a quota?
Não fosse essa chantagem, a patota vazava como jorra a minha porra nas typicas surubas de Gomorrha com tantos michetões que calçam bota!
IT CAME OUT OF THE SKY [6619]
Quem ia adivinhar? Talvez você, que é typo um guru, passa por propheta, pudesse prever tudo o que ja affecta a vida de quem, nisso, sorte dê!
O gajo não passava dum michê, topava algum programma, até da recta tirava, às vezes, quando certa setta, aquella do Cupido, fez nenê!
Ahi, cahiu do céu! Ninguem previa herança assim tão gorda! De repente, virou a cara para toda a gente! Deixou-lhe muita grana a velha thia!
Agora, Glauco, vive na follia, torrando tudo! O que você presente! {pressente} Verdade? Empobrescer vae, nem que tente voltar a ser michê? Que prophecia!
MEMPHIS [6766]
Alô? Telephonista, por favor! Estou de informação necessitado! Fugiu-me um de menor e estou, coitado de mim, sem meu michê dominador!
Na lista telephonica si for olhar, procure expertos: um soldado, um mano office-boy, um com solado bem gasto na botina, a se dispor!
Achando um que a pisar se dispuzer, favor me dar seu numero do phone, da bota, até do tennis que detone de tanto caminhar a fim de affair!
Desculpe, senhorita, mas mulher não serve! Tem que ser quem posicione um cego no logar e de Cambronne prefira a palavrinha no mester!
BOZO BRIOSO [6856]
Peor, Glaucão, foi tudo o que fizera aquelle deputado! O gajo tinha directa ligação com a turminha dos ultradireitistas, durão era!
Fallava mal das bichas, da paquera nocturna, das balladas! Mas gallinha agora se revela, Glauco! Vinha de casos com michês, uma gallera!
Flagraram, em suruba, que elle deu a varios pelladões, numa boate! Agora não ha jeito que desapte o nó no qual, coitado, se metteu!
Não quero nem saber! Só sei é que eu não caio na armadilha, caro vate! Si saio pelladão, é porque batte tesão, mas tenho uns brios de europeu!
RECUANDO NO COMMANDO [6920]
Michê? Sim, fui michê, Glauco! Sim, é verdade: dos clientes que attendi, alguns beber quizeram meu chichi, mas todos, sim, lamberam o meu pé!
Quarenta e trez eu calço... Chega até a ser quarenta e quattro, pois aqui e alli varia a bota que insisti a fim de que lambesse, essa ralé!
Sim, tenho o pé bem chato! Um gringo disse que é “fallen arch” o typico defeito, mas isso nem importa, pois suspeito que instigue nos freguezes a sandice!
Você, sim, lamberia, caso o visse, meu pé! Lambia as unhas, todo o peito, a sola grossa... Ahi, Glaucão, acceito que lamba meu chinello na velhice!
ARCO CAHIDO DECAHIDO [6921]
“Maiores pormenores” você diz querer sobre meu chato pé, Glaucão? Então! Um “fallen arch” esses que são podolatras lamberam, bem servis!
Lamberam a frieira que eu não quiz curar, pois augmentou meu chulezão, ja forte, do suor que sempre dão as meias que questão de ter eu fiz!
Lamberam o meu grosso calcanhar, a sola que, chatissima, molhada ficava, suadaça! A velharada morria de tesão, a delirar!
Agora, a decadencia meu logar ja veiu preencher! Velho sou cada vez mais, mas sua vida, comparada à minha... Nem preciso commentar!
MAIORES PORMENORES [6922]
Detalhes você pede, Glauco, mas contei ja muita coisa! Na punheta você se exbaldará, mas me prometta que irá de mim calar as coisas más!
Tractado sempre como um bom rapaz eu fora! Agora velho, nem boceta sambada mais consigo! Na veneta occorre-me voltar tempos attraz!
Hem, Glauco? Si eu voltasse a ser michê, você me pagaria para até beber o meu chichi, lamber meu pé, sentir no seu nariz o meu cecê?
Fazer o que eu quizesse com você é facil, si está cego! Mas não é de graça que eu me empenho, né, bebé? Um Conga, ao menos, quero que me dê!
SELVAGEM TIETAGEM [7206]
Duvidas tu, Glaucão? Mas é verdade! São muitos os moleques que te querem metter o pé na cara, que preferem foder-te bem na bocca, fans de Sade!
Sim, pensam no cegueta attraz de grade, mãos presas, algemado! Que exaggerem naquellas phantasias e se exmerem no sarro, ora! Teu verso os persuade!
Punhetas elles battem! Imagina qualquer delles que estás, sim, à mercê de todos os caprichos que lhe dê na telha ter, da forma mais suina!
Te querem ver de cara na latrina, comendo cocô, mijo no bidê lambendo! Mesmo sendo eu um michê, de graça attiçaria a tua signa!
THESE CORROBORADA (1/2) [8048]
(1)
{Tu leste, Glauco, o texto? Os homens agem assim na Antiguidade! Sim, refere o estudo que a menina cega à zona estava destinada! Sim, fatal funcção, a da ceguinha que, bollachas levando, chuparia rolla à bessa! Menino cego tinha seu medonho destino, tambem, pelo que ja leio: viver escravizado! Tens notado, Glaucão, como tractados feito gado humano os cegos foram? Eu attesto: não vejo differença num plebeu moleque desse tempo, si estivesse vivendo no presente! Sim, até que podia ser peor hoje! Que pensas?}
(2)
-- Ja muito li, reli, sim, tal passagem do texto scientifico, bem serio e grave, por signal. Mais me impressiona o caso do menino, com o qual melhor me identifico. Ora, não achas que “escravo” significa, tambem, essa funcção de prostituto? Ja supponho, por minha propria compta, sem receio de errar, que esse menino está fadado a ser bom fellador, pois que treinado será para chupar, por todo o resto da vida, maior prazo do que meu destino permittiu. Não te paresce que devo ter inveja do moleque? Convem analysar as differenças...
TRABALHADORES DO SEXO (1/2) [8104]
(1)
{Agora, Glauco, um soropositivo não mais transmitte a peste! Cê sabia? Fiquei sabendo: os medicos agora suggerem uma pillula que evita do virus transmissão pralgum parceiro. Disseram que é melhor a camisinha, mas sabe-se que poucos utilizam. Por isso, você, Glauco, que é sozinho, ja pode contractar o seu michê, que, como toda puta, todo trans, trabalha mais seguro. Ja pensou? Você não se enthusiasma, não celebra?}
(2)
-- Nem tanto. Tão sozinho ja não vivo nem tenho, sem visão, tanta phobia. Entendo por que tanto commemora a classe prostituta que cê cita. Mas nunca recorri, não, por dinheiro, a algum garoto, desses que, na linha villan, fazem programma. Não me pisam do jeito que eu queria. Nem me allinho à pillula, pois, como bem você conhesce, pés eu lambo. São, pois, vans p’ra mim taes discussões. Não, não estou ligando. O galho a gente sempre quebra.
INFINITILHO DA MULHERADA MARAVILHADA (1/2) [8123]
(1)
{Glaucão, eu fico puto! Cê sabia que “jovens infractores” tambem teem direito de ter “intima visita”? Puteiro de bandido ja virara a penitenciaria para adultos! Peor, muito peor, é sustentar com grana dos impostos um puteiro mirim, Glauco! Pois é! Com camisinha, até lubrificante, pagos com o nosso dinheirinho, Glauco! Fico putissimo! Tambem eu quereria putinha nova assim, ‘inda de graça! Glaucão, que tem você para dizer?}
(2)
-- Suspeito sou, por causa da mania que tenho por chulé dos que a FEBEM ja tenham frequentado. Você cita prostibulos de estado. Tá na cara que taes “namoradinhas” jamais cultos de egreja acceitarão, alem dum lar. Tambem eu quereria meu dinheiro usar para pagar, dum trombadinha, o cheiro chulepento, o sabor bom daquelle seu pezão. Si fosse rico, eu varios contractava. A poesia me serve de consolo. O que se passa la dentro ja supera meu prazer...
ODE CLASSISTA (1/4) [8169]
(1)
Qualquer trabalhador da construcção em frente ao edificio onde morei ficava, nos domingos, sentadinho na porta do tapume, vendo a rua, sem nada que fazer. Eu, certa vez, voltando do passeio, o olho batti nos dedos de seu pé, numa sandalia daquellas hawaiianas, ja bem gasta.
(2)
Fiquei maravilhado! Seu dedão, alem de ter um largo vão, notei que curto era demais, quasi ao mindinho egual em comprimento, emquanto sua bem chata sola punha-me freguez daquelle esculptural lanchão, alli no meio da calçada, que me calha no porte e do meu olho não se affasta!
(3)
Em casa, masturbei-me e meu tesão se inflamma. Ja assumindo que sou gay, à rua desço. Usando de jeitinho, explico ao operario que elle actua na pelle de quem manda no burguez e obriga que eu lhe lamba, qual gury currado pela gangue mais bandalha, seu grego pé, funcção dum pederasta.
(4)
Authentico michê de occasião, um bicco aqui lhe arranjo e lhe paguei não só pelo pezão: pelo sebinho da rolla que chupei. Como elle sua na sola! Como fede! E como fez beber, as ordens dando, o seu chichi, aquelle rapazelho que “gentalha” será si, ao Chaves, Kiko oppõe-lhe a casta!
BALLADA ALLEVANTADA (1/4) [8197]
(1)
O technico, fallando para a midia, exhibe experiencia com bolleiro de tudo quanto é typo, os da perfidia e aquelles mais attentos ao dinheiro, mas quer, si toda meta alguem divide-a, dizer que está apponctado para cyma.
(2)
O musico que, brega, faz successo saber não quer siquer de qualidade. Desdenha de mim, quando, ao menos, peço que, embora seus direitos arrecade, compense numas covers meu ingresso. Mas elle está apponctando para cyma.
(3)
A typica modello que, feliz, se exhibe em toda cappa de revista, dos velhos narigudos, rindo, diz que, brochas, são facillima conquista. Mas basta, si tractamos de nariz, o della, ja apponctado para cyma.
(4)
Baratos, meus michês jamais o são, pois curto os seus chulés e, só por isso, me cobram a lambida no pezão em dollar. Sendo minimo o serviço, são maximos, por causa dum pisão, seus preços, apponctados para cyma.
CANTO DO CANTHO DAS CASTAS MENOS CASTAS (1/9) [8450]
(1)
Paizes populosos do planeta echoam mesmo canto em todo cantho e, emquanto um rico filho na punheta desfructa e tem prazer olhando, emquanto se exporra a rir, dez pobres filhos, teta não tendo onde mammar, nem tendo sancto ou anjo que os proteja, ou lhes prometta logar no céu, a vida acham madrasta.
(2)
Pyramide hierarchica, que tanto discurso ja rendeu, a sociedade de castas não me causa algum expanto, pois, cego que enxerguei, notei bem: ha de cruel muito nos homens, desencanto que appenas ao discipulo de Sade, bem como ao de Masoch, accaba em pranto com riso, e não contrista, mas contrasta.
(3)
Mais baixas entre todas, duas: a de merdeiros e a de putos. Da primeira faz parte o limpador que, na cidade sem vaso e sem exgotto, fedor cheira emquanto limpa e, mesmo que não nade no lodo, recolhendo vae, à beira da fossa rasa, a bosta que a vontade de tantos intestinos fez em pasta.
(4)
Nojenta profissão, pois, caso queira comprar ou mendigar algo de quem lhe esteja accyma, aquella que é merdeira pessoa não recebe mesmo nem no rosto o olhar. As coisas da maneira mais secca são jogadas ao chão, bem aos pés do “superior” que, em plena feira, na rua da amargura a pobre arrasta.
(5)
De facto, uma “intocavel” é. Porem, exsiste uma “tocavel” casta, ao lado daquella, que meresce egual desdem. Refiro-me à das putas, que o veado inclue e o travesti mette tambem na compta. Todo filho abbandonado foi antes “offertado” a algum deus sem clemencia, “protector” do pederasta.
(6)
A zona é um bairro inteiro favellado e alli todo enjeitado apprenderá as artes sexuaes, mas não me evado da chance de fallar que quem está na chuva se molhar vae, pois treinado será na fellação até quem ja perdeu a perna, a vista. Seu boccado de pão dum pau chupado não se affasta.
(7)
Ceguinho assim nascido, ou que tem má visão e a perderá, de alguma puta recebe as instrucções: como se dá de lingua o banho, como numa hirsuta e suja pelle a baba expalhar, la na dobra do courinho achar a bruta pepita de sebinho e como pá usar as lambidellas... Bem, ja basta.
(8)
Na bocca, pois, resume-se a labuta do cego nessa casta, e na garganta que engole a fundo um phallo. Emquanto escuta as ordens e as risadas de quem canta de gallo, o cego sabe que desfructa daquillo quem enxerga. Não se expanta, portanto. Appenas reza, si fajuta não acha a velha crença, ja tão gasta.
Orando à tal Luzia como sancta que os cegos abbençoa, caso metta na bocca o mais immundo pau, ah, quanta paz intima elle alcança! Na sargeta se sente, mas agora não é tanta a sua desventura! Na punheta se basta e, pelos versos de quem canta, até que se consola a baixa casta...
MICHETAGEM? [9505]
Agora, nessa crise, Glauco, fica mais facil de encontrar michês que tenham chulé bem verdadeiro, não aquelle chulé de quem usou a mesma meia por dias, de proposito. Sei disso, pois tenho um marmanjão que me visita e delle, quando tiro os tennis, Glauco, o cheiro não enganna a freguezia!
VAGA PARA DEFICIENTE [10.056]
Não, Glauco, um cafetão só nos explora! Com elle fica quasi tudo quanto ganhamos no bordel! Cara de sancto questão nem faz o gajo de ter, ora!
Bordel de cafetão, não! Estou fora! Ja a minha cafetina... Ah, mas que encanto, querido, de mulher! Eu sempre janto com ella, quando o trampo ja deu hora!
Fallamos de você, Glauquinho, muito! Um cego chupador como você faz falta, não se encontra no circuito!
Hem? Topa? Até, talvez, ella lhe dê funcção de pedicure? Hem? Seu intuito não é dos pés tractar de quem bem vê?
OUTRO SEGREDO DE PÉ DE CHINELLO [10.177]
Magina, cara! Aquellas putas são rampeiras, chupeteiras, polaquinhas! Não é porque, no predio, são vizinhas que deixo de ter nellas um tesão!
Esposas de pastores, me dirão, são ellas? Que se fodam! Coitadinhas as achas? Eu não acho! São sobrinhas de cabo ou capitão? À merda vão!
É como no teu caso, Glauco! Os bodes, os bois, os cavallões que em teu apê circulam, não são sanctos! Não te engodes!
Mas, caso o general, que dum michê parente for, descubra, tu te fodes? Magina! Ja ninguem faz um auê!
DIA DE USAR BOTA [10.332]
Eu sempre estou de tennis, Glauco, mas às vezes uso bota. Algum cliente me pede, implora, para que eu lhe tempte um vicio de podolatra, fugaz.
O gosto delle é ver-se, dum rapaz, debaixo dum solado que se sente bem aspero na lingua. Assim, a gente de tudo, para aggrado delle, faz.
Lhe piso, melhor digo, pisoteio o corpo todo, o rosto, sem ter pena. Até que um joven sadico me creio!
Você diz que tem, Glauco, delle plena inveja? Ah, meu querido! O preço cheio nem cobro, si você somente enscena!
DIA DAS ARTES MARCIAES [10.368]
Você dos luctadores de judô na cara ja levou algum pezão? Siquer de karatê levou, Glaucão? Nem mesmo taekwondô, siquer sumô?
Appresentar-lhe irei o gigolô que em minha casa, agora, é Ricardão e come minha mina! Vocês vão ter muita diversão, na certa, pô!
O gajo, nessas artes, faixa preta allega ser e enorme pé tem, meu! Não quer, Glaucão? Prefere só punheta?
Alguem na sua cara ja metteu o pé, sem ser aquelle que prometta luctar bem? Era appenas philisteu?
DIA DO RESERVISTA [10.564]
Serviço militar? Não! Estou fora! Ainda bem que dicas ja me deu você, Glaucão! Pois é, graças ao meu pé chato, do quartel irei embora!
Alem do mais, meus oculos agora teem septe de myopia! Percebeu que passo por um nerd, em meu plebeu perfil, Glaucão? Ninguem tal cara adora!
Excepto você mesmo, seu tarado! Mas, mais que em minha cara, é no meu pé chatissimo que está você vidrado!
No lucro fico, claro, pois quem é das armas dispensado tem aggrado maior quando micheta algum mané!
DIA DO DESODORANTE VENCIDO [10.566]
Estou, Glaucão, na duvida si meu vulgar desodorante qualidade não tem, ou si meu cheiro, na verdade, é forte demais, mesmo num plebeu!
Usei diversas marcas, mas não deu nenhum jeito, Glaucão! Ora, quem ha de querer me contractar, nesta cidade, sabendo como fedo, meu? Fodeu!
Sim, claro, o meu chulé sei que você degusta com prazer! Mas os demais freguezes limpo querem um michê!
Talvez umas essencias naturaes resolvam meu problema, pois quem dê vintens por mim não vejo, ao cego eguaes...
DIA DO TRABALHADOR DO SEXO [10.573]
Não gosto que me chamem de michê! Garoto de programma sou, Glaucão!
Não faço qualquer coisa suja, não! Clientes não terei como você!
Jamais deixo que provem o buquê do meu pezão chatissimo, um tesão que todos os podolatras questão fizeram de pedir-me que eu lhes dê!
Mas como, nesta crise, estou tão duro, mudei de idéa, cego! Considero que pode ser você quem eu procuro!
Commigo ‘ocê ja teve chance zero, mas hoje, si deseja meu impuro chulé, nem altas granas mais eu quero!
DIA DO GAROTO DE PROGRAMMA [10.578]
Não gosto que “garoto de programma” me chamem, menestrel! Sou é michê, no torpe e escroto portuguez! Você não acha que estou certo? Ou ja reclama?
Mas, porra, faço tudo que na cama se possa fazer, Glauco! Quer que eu dê porrada? Dou! Sentir o meu buquê prefere? Meu chulé tem boa fama!
Até quem coma merda ja attendi! Nenhum garoto digo que sou, não! Tem gente que beber quer meu chichi!
Prefiro ser chamado de “mestrão” dos trouxas masochistas, pois ja vi ceguinho rastejar ao meu pezão!
DIA DO MOLEQUE TRAQUINAS [10.579]
Glaucão, o meu filhinho não tem jeito! Cresceu, ficou grandão, um marmanjão, mas ter juizo, Glauco, não tem, não! Faz coisas que eu, coitada, não acceito!
Agora anda a fazer algo suspeito, que eu acho que é michê, pois garotão os gays o consideram! Bom tostão traz para casa, tira algum proveito!
Eu acho que elle esteja precisando dum acconselhamento! Ocê podia fazer isso por mim, de quando em quando!
Hem? Quanto calça? Ah, penso que seria cincoenta... Ah, você topa? No commando, será bomzinho, creia! Não, não ria!
DIA DO MOLEQUE DE RECADOS [10.580]
Ah, mestre, succedeu algo curioso commigo! Um molecote me chegou trazendo uma encommenda... Ahi, lhe dou, por isso, uma gorgeta, respeitoso!
Formal fui, menestrel, mas o jeitoso garoto offeresceu-se, deu seu show de manha e de malicia! Eu, que não sou de ferro, me propuz a dar-lhe gozo!
Lhe digo: com inveja você, vate, ficava, pois o gajo tinha pé cincoenta, numa bota de combatte!
Hem? Quer encommendar um saccolé com elle? Não receia que o maltracte? Bomzinho com um cego ninguem é!
DIA DO HYPNOTISMO [10.695]
Te lembras do Mandrake, menestrel? Um simples gesto delle era chamado de “hypnotico”! Babau, o desalmado bandido ja fazia mau papel!
Eu mesmo, menestrel, ja fui fiel discipulo dum magico! De gado o gajo nos fazia, sem ter dado um unico gritinho no bordel!
O mestre era maestro! Nos regia qual fossemos orchestra! Aquelle bando de bichas em total hierarchia!
Emquanto o mestre esteve no commando, nós eramos automatos! Um dia, cedeu e seu annel accabou dando...
DIA DO JOVEN PARA SEMPRE [10.800]
Eu, quando te vendi meu tennis ja podrão, Glaucão, até que me senti mais joven! Me lembrei muito de ti, do tempo em que enxergavas! Longe está!
Michê ja não sou mais, meu camará, mas ‘inda vejo gente por aqui olhando-me com certo phrenesi... Será que ‘inda sou bello, meu? Será?
Pezão ainda tenho, pois meu pé (ainda bem) não muda de tamanho nem fica mais mollão do que ja é!
Tu, Glauco, que meu rosto nem extranho achar podes, ao menos meu chulé dirás si ‘inda está forte e ponctos ganho...
DIA DA PREVENÇÃO AO ACCUMULO DE ESMEGMA [10.805]
Não queres tu fazer circumcisão? Então terás, moleque, que empregar mais tempo no teu banho, a arregaçar a pelle do prepucio com a mão!
Não vás te masturbar, hem? Teu tesão reprime emquanto lavas, no logar mais intimo, o sebinho que teu ar pollue com esse cheiro fedidão!
Mas quero te fallar, aqui, em sigillo... No caso de não teres intenção de banho dar no pau, fica tranquillo!
Conhesço quem lhe paga bom tostão só para no teu sebo, sem vacillo, metter a lingua! Queres, molecão?
DIA DO GARIMPEIRO [10.821]
Difficil, nos garimpos, é molhar o ganso, tirar agua do joelho! Puteiro sempre exsiste, mas pentelho eu sou e exijo um farto lupanar!
Não, Glauco, puta aqui só vae achar quem queira na mulher descer o relho! Mas boa fellatriz não acconselho siquer tentar achar neste logar!
Não temos, neste fim de mundo, um cego daquelles bem treinados na chupeta! Às putas que mal chupam não me entrego!
Um dia, ainda volto! Me prometta, Glaucão, essa mammada que, não nego, foi mesmo bem melhor que uma punheta!
DIA DO APPOSENTADO [10.824]
Eu era cafetão, Glauco! Fundei um lindo lupanar, com putas tão charmosas, que os politicos questão faziam de pedir! Fui nisso um rei!
Eu tinha michê macho, michê gay, mandonas, polaquinhas, um montão de gente efficiente no tesão! Mas isso tudo, agora, apposentei!
Clientes meus se lembram desse rico bordel e teem saudade do que la rollou! Unica falha verifico...
Não tive fellador cego, pois ja você se recusou... Achou ser mico? Perdeu a melhor chance, isso sim! Bah!
DIA DO ELECTRICITARIO [10.878]
Foi só num escriptorio o meu trabalho, Glaucão! Nunca subi num poste, mas collegas meus subiram. E são más as coisas que occorreram. Eu detalho...
Cahiam, se quebravam, p’ra caralho tomavam choques... Glauco, ninguem faz idéa! Nós jamais tinhamos paz! Itens de protecção? Só quebra galho!
Não, electrocutado não cheguei a ser, mas foi por pouco! De borracha não fosse meu solado, ja nem sei!
Que foi? Se interessou? Ora, então acha a sola de borracha, a quem é gay podolatra, attrahente? Eis minha taxa...
DIA DA JUSTIÇA SOCIAL [10.973]
Sou mesmo, menestrel, um justiceiro! Admitto que justiça social eu faço, pois dou cabo dessa tal gallera “de menor”! Nem deixo cheiro!
Não gosto de pivete! Elle, primeiro, com pappo de michê, bem sensual, se chega... Tem pé grande, cheira mal nos tennis e nas meias... Fede inteiro!
Depois que ganha a minha confiança, o sadico moleque, então, advança naquillo que poupei tanto no banco!
Por isso resolvi: como creança não tracto mais ninguem! Commigo dansa quem queira me extorquir porque sou branco!
DIA DO TRABALHO [11.096]
Eu trampo, Glaucão, como cafetão! Pensar não va que é pouco o meu trabalho! Sim, tenho occupação, pois meu caralho não para de testar como ellas vão!
Testal-as devo, mesmo si tesão me falta, menestrel! Para tal calho! Não fosse eu empresario dum serralho famoso! Hoje estarei la, de plantão!
Em tempo, Glauco: ‘ocê não quer commigo trampar la no bordel? Um fellador ceguinho faz successo, meu amigo!
Charteira assigno, pago o que lhe for devido! Nunca ponho de castigo quem trampa direitinho, sem se impor!
DIA MUNDIAL DA PROSTITUTA [11.140]
Abrindo um espumante, neste dia a gente commemora com a amiga que tanto battalhou, à moda antiga, na nobre profissão da putaria.
A amiga, que em mim, credula, confia, accaba confessando que se liga na fama dos ceguinhos, uma briga antiga: Quem melhor chupar iria?
{Querido, a clientela nunca nega que sempre melhor goza si for cega a puta! Até bem pode ser um puto!}
{Você, que essa pesada cruz carrega, confirma? A sua bocca, que se emprega nas artes da chupeta, jogou bruto?}
DIA DO ADVOGADO TRABALHISTA [11.166]
Defendo os meus clientes! Ou você duvida, menestrel? Ainda agora estou com uma causa que melhora a vida dum bellissimo michê!
Estava sendo pago o seu cachê abbaixo do valor que ja vigora faz tempo! Um avarento freguez chora, mas deve indemnizar o tal Alê!
Calcule, Glauco! O moço sempre tinha que estar bem chulepento, usar a meia que, grossa, se impregnasse de morrinha!
Não digo que um patrão para a cadeia eu mande, mas terei que ver a minha graninha garantida, Glaucão, creia!
DIA DO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA [11.189]
Fallou o meu michê que sempre está das quattro linhas dentro, menestrel, que sempre segue as regras do quartel, por isso p’ra trepar nem sempre dá!
Da constituição elle está ja sciente, mas exerce seu papel de macho prostituto com fiel appreço pelas normas do orixá!
Aqui no meu terreiro, um lupanar abri, para comforto da gallera! As bichas tambem podem frequentar!
Dum joven militar sempre se espera caralho forte, pés de porte e um ar de eterno dictador, mas não à vera!
DIA DO SYPHILITICO [11.220]
A syphilis preoccupa? Nada disso! Appenas preoccupava, antigamente, aquella gente impura, aquella gente devassa, menestrel! Hoje, nem isso!
Agora, quem me presta algum serviço domestico de sexo tem semente ja tão contaminada, que se sente até, si eu reclamar, irritadiço!
Um dia desses, fiz ao meu michê pergunta desse typo: O que você tem feito para a SIDA não pegar?
O gajo respondeu: “Nada! Cadê que irei me preservar, si ja se vê morrendo, centenario, um militar?”
DIA MUNDIAL DO TURISMO SEXUAL [11.295]
No Rio de Janeiro, Glaucão, ha bordeis maravilhosos, onde cada turista satisfaz a mais tarada e suja preferencia vista ja!
Não só creanças putas, camará, expostas são à sanha de quem nada tem para que se perca! A dedicada e fina cafetina adjuda dá!
Alguns turistas curtem a chupeta dos cegos massagistas, recrutados com base num criterio bom, sem peta:
Melhor que na mulher, quem seu pau metta na bocca dum ceguinho mais cuidados terá, pois mette como que em boceta!
DIA MUNDIAL DO ESTUDANTE VAGABUNDO [11.371]
Eu acho redundancia, Glauco! Tenho um filho que estudante é! Não faz nada, aquelle inutil! Gasta, da mezada, ja tudo só com drogas! Franzo o cenho!
O dia passa à toa, sem empenho siquer nessas materias de empreitada mais util, menestrel! O que lhe aggrada é tennis ganhar! Nisso elle é ferrenho!
Você que sabe! Lavo minhas mãos! Presentes quer lhe dar? Então terá que, em seus pezões, lamber os sujos vãos!
Michê faz elle, claro, camará! Lhe pague bem, dê tennis, sem christãos principios, e chulé bom sentirá!
DIA DO TRABALHADOR NA
CONSTRUCÇÃO PESADA [11.385]
Na grande entrada dumas obras, vi sozinho, no domingo, um operario curtindo o seu descanso. Meu horario até que exquesci. Conto o que senti.
Calçando só chinello, um phrenesi causou-me seu pé chato que, sem pareo, dedão tinha mais curto. Meu precario tesão me fez dar voltas por alli.
Creei coragem. Tive que fallar com elle e seu pé grego dizer que era meu sonho. Prometteu me visitar.
Paguei-lhe michetagem, claro. Mera sessão de chupação, mas, em logar do pau, foi ao pezão a astral paquera.
FALLEN ARCH DAY [11.389]
Eu tenho, sim, Glaucão, arco cahido! Ou seja, meu pezão é mesmo chato! Por isso mesmo, cara, fiz contacto! Ganhar grana com elle, emfim, decido!
Você, que é tão podolatra, tem sido privado, no Brazil, de tal pé, facto commum, pois brazileiros, eu constato, teem cavos pés, pequenos, não duvido.
Careiro não serei, mas o tamanho da minha prancha calça até quarenta e septe! Vale, então, o quanto ganho!
Seu bolso, menestrel, bem sei que aguenta meu preço! Por signal, não tomo banho faz dias! Meu chulé será que tempta?
ASK A FUNNY QUESTION DAY [11.399]
Hem, Glauco? Diga ahi! Como você se sente? Eu me divirto, ja que vejo bem, quando um cego diz que seu desejo seria ver de novo! Faça auê!
Sim, diga que, perante quem bem vê, você bem que viria, de rastejo, lamber minha botina! Nem me pejo si digo que seria seu michê!
Alem de me lamber os pés, teria você que me pagar! Quer diversão maior? Fica gozada a putaria!
Trabalho nem terei de ter tesão na rolla que você nem chuparia! Por isso lhe pergunto: Por que não?
DIA NACIONAL DO DEMITTIDO [11.404]
Eu tinha, sim, funcção remunerada, mas fui, sem justa causa, demittido! Glaucão, quaes os motivos eu duvido que entenda, pois, de mal, nunca fiz nada!
Appenas por ter dado uma porrada na cara desse velho? Ora, querido! O cara me pediu! Foi divertido batter nelle! Rendeu muita risada!
O velho me chupava, não sem, antes, lamber meus pés suados, que eu tirava daquelles pesadissimos pisantes!
Pagava mal, por isso é que eu lhe dava porradas, que iam sendo mais constantes depois que elle fazia cara brava!
DIA MUNDIAL DO DESEMPREGADO [11.428]
Nós temos que fazer algo, Glaucão, por nosso cidadão trabalhador que perde seu emprego! Vou propor aquillo que pensei ser solução!
Proponho, por exemplo, que um peão sem trampo seu caralho possa pôr na bocca dum burguez, mas só si for bem pago, obvio! Mais caro cobrarão!
Você tambem, Glaucão, collaborar podia! Do peão o velho par de tennis compraria! Que tal, hem?
Um joven que precisa trabalhar não fica à toa, caso seu logar encontre no mercado! Pensei bem?
SONNETTO DO ISOLAMENTO SELECTIVO [11.693]
Visitas? Nem pensar! Eu não recebo ninguem! Na minha pagina, sim, faz quem queira a visitinha, Glauco, mas que muitos não curtiram ja percebo.
Não quero saber, Glauco! Sou mancebo de poucos predicados! Sou rapaz nojento, repulsivo! Sou mordaz, sarcastico! Na rolla juncto sebo!
Sim, esta quarentena me complica! Não posso visitar algum cliente que cheiros meus, fortissimos, aguente!
Mas noto que você, cego, que fica ahi sempre trancado, mais doente não vae ser... Visital-o vou. Consente?
SONNETTO DUM PAPPO DE PESCADOR [12.021]
Não sou que nem você, Glauco Mattoso! Você gosta de pés, mas tá recluso! Não pode sahir! Fica ahi, confuso, no verso sublimando todo o gozo!
Eu, não! Eu vou à lucta! Acho gostoso correr riscos! Nenhum typo recuso! À noite, dirigindo vou, reduzo, circulo o Trianon, busco um cheiroso!
Aquelle que tiver mais encardido o tennis, eu convido, para casa o levo! Quero que elle se compraza!
No seu caso, meu chapa, até duvido que tenha, alguma vez, puxado braza qualquer para a sardinha! A tara attraza!
SONNETTO DO TRAQUEJO SERTANEJO [12.765]
Impera a disciplina no puteiro. Será punida aquella que não queira cumprir o que se espera da rameira, com relho, si o cliente for vaqueiro.
De lingua dar um banho, por inteiro, na parte mais escrota, que mal cheira, é practica “polaca”, costumeira naquella região, ao que me inteiro.
Assim se exforça, à bessa, a chupeteira. Às vezes, por capricho, um boiadeiro quer pelo cego optar, alli na feira.
O cego, ora, terá que sentir cheiro bem forte emquanto lambe, que lhe beira a nausea, mas irá chupar, ordeiro.
SONNETTO DE TODOS OS MICHÊS [12.813]
Garoto, não lamentes teu estado, por seres tu michê! Que não te doa! Até que ganhas uma grana boa e fazes coisa, até, do teu aggrado!
Melhor seres michê do que soldado! Assim não ficarás, na rua, à toa! Bem podes encontrar algum coroa que banque tua vida de folgado!
De macho, ora, quem é que melhor poza? Bastou teu pé metteres (e quem metta eu pago bem) na minha cara ascosa!
Si queres, acharás tambem boceta de gente rica! Chega de chorosa conversa! Que és machão acho uma peta!
SONNETTO DO MOLEQUE GULOSO [13.012]
Seu Glauco, quando for ahi vou, sim, querer aquelle lanche que o senhor me vive promettendo! Mas, si eu for, não quero que essa lingua toque em mim!
Tá louco! Só me ennoja! Acho ruim que minha cadellinha ache sabor gostoso no meu callo! O meu doutor podologo fallou de coisa assim!
Me disse que taes fungos fazem mal àquelles que quizerem lamber essa frieira chulepenta! Dou aval!
Mas, caso o senhor queira, até sem pressa, chupar o meu caralho, vae ter sal no preço, o que, de facto, me interessa...
SONNETTO DO MOLEQUE GRACIOSO [13.018]
Notei, ja, que os veados uma graça acharam no meu porte, em minha cara carente, de bebê, seu Glauco! Para quem paga, disputado sou na praça!
Quem tenha a minha cara, facil, passa por orpham desvalido! Me compara alguem ao Robin, sabe? Quem tem tara por jovens não ha coisa que não faça!
Por gosto, obrigo que elles, da privada, recolham meu cocô, comam na minha presença! Melhor que isso não ha nada!
Não gosta, não, seu Glauco, dessa linha mais porca? Que prefere, hem? Quer pezada na cara? Não, de graça, não, bichinha!
SONNETTO DO MOLEQUE VAIDOSO [13.052]
Seu Glauco, sou vaidoso mesmo! Faço a barba todo dia, com locção e tudo! Meu pelludo bigodão apparo com cuidado, rente eu traço!
Meus pellos são recentes... Nelles passo até escovinha, sabe? Com a mão alliso o pentelhudo sacco, tão grandão, que ja me deixa até devasso!
Perfume passo pelo corpo, claro, de modo que não feda, assim, tão forte! Somente num logar eu não reparo...
Exacto: no pezão! Ha quem supporte chulé, pagando caro! Ora, meu caro senhor, não se reprima! Boa sorte!
SONNETTO DO MOLEQUE QUEIXOSO [13.053]
É foda, pô, seu Glauco! Sou menino doente! Me internei, ja, de montão! Com dores, nem aguento o coração! Em colicas se exvae meu intestino!
Bronchite tenho! Ja me contamino com quasi tudo quanto dá afflicção na falta dum ar puro! O senhor não calcula as secreções que eu elimino!
No penis, um esmegma accumulado me causa comichão e tem fedor que expanta a clientela! Acha gozado?
Frieiras, sim, junctei... Hem? O senhor deseja degustal-as? Para aggrado seu, faço baratinho tal sabor...
SONNETTO DO MOLEQUE ZELOSO [13.054]
Seu Glauco, sou honrado! Meu pae era, tambem, um respeitado cidadão!
Os jovens, hoje em dia, não estão, de facto, nem ahi! Não é? Pudera!
Conhesço outros meninos que, com mera tarefa, ganharão reputação de expertos trafficantes! Que dirão seus pobres paes? Creal-os foi chimera!
Exijo, nos programmas, mais respeito àquelles que fornicam por dinheiro!
Não, pecha de michê não mais acceito!
Alegre ja fiquei quando me inteiro que exsiste, no Congresso, quem direito nos queira dar, num trampo tão fuleiro...
SONNETTO DO MOLEQUE TEIMOSO [13.056]
Seu Glauco, quer mamãe mandar em mim! Papae tambem! Fiquei eu ja grandinho, não quero obedescer! Nem com carinho conseguem! Por que insistem tanto assim?
Ja disse que não faço nada! Fim de pappo, ora! Si sigo o mau caminho, problema meu! Preguiça tenho? Vinho demais tomo? Meu sangue é tão ruim?
Problema meu, ja disse! E então? Tambem dizer quer o senhor que eu devo olhar mais para meu futuro? Sou “nem nem”!
Estudo? Não! Trabalho? Não! Meu lar ja tenho! Vou herdar delles! Mas, sem dindim, lhe vendo uns tennis... Quer comprar?
SONNETTO DO MOLEQUE METICULOSO [13.057]
Nos minimos detalhes eu exijo que façam o que quero! Vou directo ao poncto: sou cricri, seu Glauco! Quieto não fico! Sou assim, não me corrijo!
Si estou com o caralho ja bem rijo, exijo que quem chupe, no trajecto da lingua, lave tudo que eu excreto: sebinho, porra... Até, claro, o meu mijo!
Seu Glauco, ja fallei para o senhor que gosto que me lambam o cu, bem la dentro? Não? Tambem vou lhe propor:
Pagando bem, eu deixo o senhor, sem nenhum pejo, chupar e, sem pudor, metter meu pé na bocca! Que é que tem?
SONNETTO DO MOLEQUE VIGOROSO [13.071]
Eu ajo com total brutalidade no tracto com adultos, mas é por motivo natural, como o senhor irá notar, seu Glauco, na verdade!
Não, para luctador eu nem edade terei, mas não desejo um luctador ser, ora! Ja me basta alguem suppor que posso, em breve, estar attraz de grade!
Num cego, ora, na marra a face eu piso! Me chame, e saberá! Quebro o seu dente debaixo do pisante... e solto o riso!
Embora bruto, sinto que carente ainda sou, seu Glauco, pois preciso de alguem que me sustente e que me aguente...
SONNETTO DO MOLEQUE VOLUPTUOSO [13.073]
Vergonha ja não tenho, não, senhor! Depois que perdi minha virgindade, fiquei despudorado! Mas quem ha de dizer que eu cobro caro p’ra me expor?
Pois é, seu Glauco! Um velho professor pediu p’ra me ver nu, mesmo que edade ainda nem tivesse, na verdade, p’ras coisas entender, siquer amor!
Agora, não! Agora adoro ver meninas pelladinhas, a boceta de fora, arreganhada! Ah, que prazer!
Às vezes, alguem pede que eu lhe metta no rabo! Si estiver em meu poder, eu como, por deleite e dindim! Eta!
SONNETTO DO MOLEQUE CHULEPENTO [13.074]
Seu Glauco, o meu pé fede! Fede tanto, que meias eu descharto com frequencia! Ja muitas deschartei, na sua ausencia! Agora, não! Ja valem sei la quanto!
Si novas o senhor me der, garanto que entrego as velhas sujas! Ninguem vence a salgada podridão, numa sequencia de dias nos meus pés! Causei expanto!
Alguem tentou laval-as, mas, assim que seccam, novamente exhalam cheiro de bacon ja rançoso! Odor ruim...
Ruim, mas para aquelles que dinheiro não dão por ellas! Ouça, quer de mim comprar um par? Serei-lhe barateiro!
SONNETTO DO MOLEQUE SEBENTO [13.076]
Seu Glauco, o meu esmegma fica tão rançoso, que eu nem deixo uma cueca lavada ser por minha mamãe! Eca! Coitada, não meresce essa afflicção!
Ficou doido? Não jogo fora, não! Tem gente interessada na melleca que gruda nella! Mesmo quando secca ainda fede paca! Dá tesão!
Me pagam boa grana? Ah, que elles, com tal cheiro, se punhetem, lambam essa camada amarellenta! Achei eu bom!
E então, seu Glauco? Como? Lhe interessa a minha meia suja? Ah, tenho o dom, tambem, dum chulezinho bom à bessa!
SONNETTO DO MOLEQUE NOJENTO [13.090]
Me chamam de nojento, mas eu só com isso me divirto! O senhor ja lambeu o vão dum dedo, quando está fedendo da frieira? Acho um chodó!
Não acha mais gostoso si eu, sem dó, mandar que lamba? Até me pagará mais caro, não é mesmo? Vamos la, seu Glauco! O que deseja? Chulé? Tó!
Lhe posso offerescer tudo: sebinho de picca, cocozinho que na prega grudou... O meu freguez eu expezinho!
Mamãe diz que tem dó de gente cega, mas eu não tenho, nada! Ahê, ceguinho! Chamou? Vae se foder quem virus pega!
SONNETTO DO MOLEQUE TRAVESSO [13.096]
Mamãe fallou que eu faço diabrura! Que eu possa ser chamado de “pestinha” até que não extranho! Quando tinha menor edade, eu dava até gastura!
Seu Glauco, hoje entendi! Quem, hem, attura menino que nem eu, que endemoninha a casa, que do filho da vizinha um olho, certa vez, quasi que fura?
Mas, como o senhor cego ja ficou, mais nada lhe farei de mal! Somente meu pé, para lamber, é que lhe dou!
Terá que me pagar, porem! Nem tente meu preço pechinchar, pois eu estou sabendo que por pés é, sim, doente!
SONNETTO DO MOLEQUE PRECOCE [13.098]
Mamãe que sou precoce sempre falla, seu Glauco! Com trez annos, eu cantava as lettras todas que esse povo grava, tão bregas, e fazia show na salla!
Aos treze, eu ja fazia, até, de escrava alguma menininha, minha galla mandava que engolisse! Fui um mala sem alça! Adultos eu mandava à fava!
Mais tarde, percebi que esses veados mais velhos sempre gostam de chulé de gente joven! São hallucinados!
Tambem o senhor? Ora, mas não é gozado? Si tiver alguns trocados sobrando, offerescer-lhe irei meu pé!
SONNETTO DO MOLEQUE RETARDADO [13.099]
Mamãe acha que estou eu com retardo mental, que portador sou de transtorno, que ja defeituoso vim do forno, emfim, que eu hoje seja, mesmo, um fardo!
Não acho nada disso! Mas eu ardo de gozo quando o phone dá retorno dum velho que me chupa! Sinto dor no caralho, ja, porem sou felizardo!
Sim, cada bicha velha, que me dá chupada, nem me chama de lelé da cuca, nem eu chamo de gagá!
No caso do senhor, seu Glauco, o pé irei deixar que lamba, porem ja fallei que custa caro o meu chulé!
SONNETTO DO MOLEQUE DESVALIDO [13.106]
Estou no mais completo desamparo, seu Glauco! Orpham fiquei, desde pequeno!
Quem é que cuidará de mim, que peno na vida, sem parentes? Hem, meu caro?
Não sente de mim pena, si eu declaro que estou ao léu, na rua, no sereno, vivendo de favores? Nada ameno é o drama! Ja doente estou, não saro!
Podia até, seu Glauco, o senhor, por favor, accolher este molecote faminto! Não podia? Pelamor!
Hem? Posso me chegar? Sim, no pacote incluo o meu pezão, que tem fedor de macho folgadão! Vamos, velhote!
SONNETTO DO MOLEQUE VIVIDO [13.108]
Passei por maus boccados nesta vida de joven favellado, ouviu, senhor? Satan foi quem meu pão ammassou! Por favor, senhor, me entenda! Ahi, decida!
Seu Glauco, quando um joven o convida àquellas putarias, sem pudor, que espera que succeda? Algum fedor na certa sentirá, ja de sahida!
Captou minha mensagem, meu amado e culto mestre? Vamos la, que está bem forte meu chulé! Que tal, veado?
Agora melhorou, meu camará!
Seguinte: desembolse, e não me enfado de tanto pisar nessa bocca! Ah, va!
SONNETTO DO MOLEQUE AMBICIOSO [13.110]
Seu Glauco, não achei que é pretensão demais o meu projecto, nesta vida!
Só quero ser, no caso, quem decida! Almejo ter tesão! Faço questão!
Não, esses michês todos são quem são, uns pobres favellados, de sahida!
Seu Glauco, quando um joven o convida, não acha que meresce essa attenção?
Então, seu Glauco! Vamos nessa! Venha aqui lamber a sola deste immundo pezão, que foi da Lapa para a Penha!
Prefere que eu visite, neste mundo immenso, o seu apê? Sem crise! Tenha certeza: longe irei, pois piso fundo!
SONNETTO DO MOLEQUE CAUTELOSO [13.114]
Seu Glauco, precisamos ter cuidado! A minha mãe não gosta do senhor!
Diz ella que é com muito despudor que escreve seus poemas! Tá ligado?
Saquei que não verseja para aggrado de mestres ou de paes! Posso suppor que pouco se importou si, com amor ou odio, seus leitores teem fallado!
Mas, quando for ahi, nem quererei saber si quem me chupa será gay, poeta, cego, ou coisa até peor!
Que gosta de lamber um pé, ja sei! Só falta lhe cobrar, como cobrei, um preço camarada, bem menor...
SONNETTO DO CLIENTE DESCRENTE [13.176]
Dormi, Glaucão, na casa desse hippie que tinha chulé forte e de freguez me fez. Depois da transa, seu cortez convite me instigou. Senti-me VIP.
Porem, no colchonette, eis que uma equipe de pulgas se installara! Cada vez que eu, louco, me coçava, dos michês mais dava raiva! Ah, typica “bad trip”!
Por causa dum chulé, dum som de rock maneiro, tanta pulga não compensa! Não caia nessa, Glauco, ouviu? Se toque!
Chulé muitos michês teem! Differença não acho si for hippie! Meu enfoque no flower power vejo com descrença!
SONNETTO DO INTERLOCUTOR SEDUCTOR [13.185]
Daquella vez, perguntas elle fez: “Ficaste cego? Porra! Foi ruim? Enxergo bem! Inveja tens de mim? Te sentes mal, agora que não vês?”
“E então? Pés ja lambeste de michês? Com elles gastas todo o teu dindim? Precisas nesse vicio pôr um fim? É facil! Ser não queres meu freguez?”
“Tu queres chulé forte? Sabes quanto eu calço? Ora, que esperas? Achas que eu irei te explorar? Não! Nem cobro tanto!”
“Meu tennis a cor branca ja perdeu! Me pagas um novinho? Te garanto o cheiro mais podrão dum pé plebeu!”
SONNETTO DO PAE DO GAROTO [13.287]
Poemas teus eu leio, Glauco, onde és tarado por uns chatos pés! Talvez meu filho os tenha... Sim, elle ja fez dezoito! Não dará quaesquer migués!
Me disse que michê quer ser! Tem pés enormes e chatissimos! Não dês detalhes! Nem precisa, pois freguez fez muito! Do teu typo, mais de dez!
Sim, elle sabe, experto que é, que taes clientes não desejam só pés chatos... Tambem uns tennis lambem: pagam mais...
Sim, delle lhe dou todos os contactos! Careta não sou, como os outros paes! Tomara que elle lucre com taes actos...
SONNETTO ACCONSELHAVEL [13.413]
Suggiro-te jamais idéa tal em practica botares, menestrel!
Nenhum gigolô sabe ser fiel! Iriam te tornar um animal!
Um cego que conhesço no hospital parar foi porque esteve, cara, ao bel prazer dum gigolô, bebendo o fel amargo do sadismo! Farás mal!
Conselho te darei, da mais sincera estima, menestrel! Sei dum michê que nunca dos clientes se appodera!
Appenas elle espera que lhe dê gorgeta boa aquelle que se exmera chupando um pau de erotico buquê!
SONNETTO ACCESSIVEL [13.415]
Alô! Mattoso? Puxa, até que emfim! Estava aqui esperando que ligasses! E então? Me conta ahi! Deste, hem, as faces a tapa? Aquillo tudo foi ruim?
Sim, temo os taes michês, pois eu ja vim a ser, desses que estão nas baixas classes, a victima perfeita! Caso os caces, cuidado toma! Guarda teu dindim!
Que foi que te fez esse rapagão? Lambeste esse pé chato? Que tesão! Cobrou-te muito caro, menestrel?
Caramba! Foi barato o chulezão? Então só teu vintem, só teu tostão gastaste? Nem foi dollar em papel?
SONNETTO DA ACCAREAÇÃO [13.557]
Mandei meu advogado pedir para aquelle magistrado que me dê a chance de encarar esse michê que disse ter, commigo, sua tara!
Sim, quero que elle prove, bem na cara olhando-me e fallando que me vê com jeito de quem curte esse buquê, fedido de chulé, que elle declara!
Magina! Aquelle joven tinha dicto, em pleno tribunal, ao tal juiz, que eu, pelo seu chulé, muito me excito!
Até verdade pode ser, mas fiz questão de lhe exigir um irrestricto silencio, nunca tantos mimimis!
SONNETTO DO MAGNETISMO [13.650]
Aquelle molequinho tem um charme, Glaucão, irresistivel! É michê ja muito disputado, pois buquê fortissimo tem, para dar allarme!
Verdade, Glau! Ja pude contentar-me demais com seu chulé! Caso você contracte esse moleque e caso dê gorgeta boa, ah, tracte de contar-me!
Só pela astral feição ja magnetiza, mas, quando os pés descalça, ah, Glau, que cheiro phantastico naquella sola lisa!
Disseram que elle cheira, por inteiro, o mesmo bodumzão, e só precisa pagar bem, que elle vale tal dinheiro!
SONNETTO DO MONETARISMO [13.843]
McCartney ja cantava que, subindo o dollar ou a libra, fica fracca a grana do Brazil. Meia patacca me paga quem achou meu pau bemvindo.
Michê quem for nos tropicos, si lindo, si feio, si expertinho, si babaca, mal ganha, mesmo quando ganha paca. Mais pego outro freguez, mais vou pedindo.
Descompto bom só faço para quem, alem de vate, é cego. Vale, então, alem do seu tostão, o seu sonnetto...
Àquelle que pagou só seu vintem, eu poso de infractor, de valentão, e em sua bocca a suja rolla metto...

Casa de Ferreiro
