MANUAL

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M A N U A L D A

PROSTITUTA

Glauco Mattoso

MANUAL DA PROSTITUTA

São Paulo

Casa de Ferreiro

Manual do prostituta

© Glauco Mattoso, 2026

Editoração, Diagramação e Revisão

Lucio Medeiros

Capa

Concepção: Glauco Mattoso

Execução: Lucio Medeiros

Fotografia: Akira Nishimura

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Mattoso, Glauco

MANUAL DA PROSTITUTA / Glauco Mattoso. –– Brasil : Casa de Ferreiro, 2026. 194 Páginas

1.Poesia Brasileira I. Título.

25-1293 CDD B869.1

Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia brasileira

NOTA INTRODUCTORIA ou DISSONNETTO PUTANHEIRO [0306]

Putana, prostituta, marafona, rameira, pistoleira, meretriz… Alem do que o synonymo nos diz, exsiste uma perita em cada zona. Nem tudo na mulher é mera conna. Ha a bunda, o seio, a rotula, o nariz… Cliente mais exotico, feliz, a velha zona erogena abbandona. É o caso do podolatra, que quer o pé della na bocca, no seu phallo, qual fosse mesmo o casco dum cavallo, ou pôr seu pé na bocca da mulher. Do fetichista cego ja nem fallo, pois seu desejo não é pé qualquer e, ja que lambeção é seu mester, requer um com chulé, frieira e callo.

DISSONNETTO DA CUNNILINGUARUDA [0814]

Se installa CPI que appuraria quem fundos desviou para a Suissa. Chamados a depor nessa “puliça”, irados coroneis quasi dão cria. “Ondé que já se viu, Vige Maria, desconfiar de mim? Quero justiça!” Na midia a cobertura é ja massiça, mas nada se descobre e a coisa exfria.

Até que uma tehuda e mantehuda confessa que um amante usava a compta chamada “Longue-Tongue”, a mais polpuda, que tinha aquella fama, ja, de monta, prestigio que, das connas, não desgruda. Archivo a ser queimado, a moça, tonta, ainda o nome explica e se desnuda: {É delle a lingua, e enfia fundo a poncta!}

DISSONNETTO DA LUXURIA [0832]

Pensei que insaciavel era a puta que fode por prazer, mais que por grana! Que nada! Um velho ainda é mais sacana e nunca satisfaz a carne hirsuta! Na foda, pela lingua elle permuta a fragil erecção: o odor que emana da velha sem pudor na suja chana lhe dá mais appetite que uma tructa! Assanha-se o ancião quando a consorte tem cocegas por dentro! Então chupita o caldo que, excorrendo, fede forte! A velha, hallucinada, geme, grita! O velho se deleita nesse esporte! Qual sopa, cha, nem succo! Resuscita aquelle exhausto membro, em grande porte, o gosto da sardinha antes de fricta!

DISSONNETTO PROFISSIONAL [0887]

Si a puta de alto bordo está envolvida no escandalo dum banco ou duma pasta, o nome que na lama se lhe arrasta é sempre o de “modello”. E quem duvida? Ninguem dirá que a dama é de “má vida”, sabido o quanto ganha e quanto gasta aquella cuja conna não é casta mas posa como “honesta” e se appellida. A midia cae no conto e adopta o dicto: “modello” é o que se imprime em todo cantho. Até lhe gaba alguem o modellito. Restava perguntar: si o charme é tanto, por que na passarella em que transito não vejo essa mulher nem seu encanto? O nome “puta” achei sempre bonito. Estheticas questões eu nem levanto.

DISSONNETTO DESEGUAL [0888]

Emquanto a puta nobre tem mammata, prestigio e mordomia, uma rampeira battalha na calçada a vida inteira e nem de faxineira alguem contracta. “Modello” nunca a chamam e na latta a tractam de “piranha” e “pistoleira”. Emquanto estoutra mora na Vieira (que é Souto), a quenga velha latta cata. Vieira exsistem muitas: de Carvalho dos gays é passarella paulistana. Alli tambem tem classes o trabalho. Ao travesti de carro sobra grana. A pé, a bicha micha tem caralho postiço, peito frouxo e falsa chana no olhar daquelle estupido paspalho que, em busca de mulher, vê que se enganna.

DISSONNETTO CONTEXTUAL [0890]

Fallar dum “homem publico” é commum e nada de suspeito nos desperta, mas quando é “mulher publica” ja allerta olhares que se voltam ao bumbum. Que coisa! O mesmo termo traduz um sentido masculino que é, na certa, resquicio do machismo, emquanto apperta o cerco à femea, à falta de jejum! É puta sempre aquella que padesce no torpe linguajar que mais offenda. Então a prostituta não meresce do povo a confiança que lhe renda o voto que ao cacique se enderece? Quem jura que um politico não venda a propria mãe e ao demo sua prece não faça por um cargo na Fazenda?

DISSONNETTO LUBRICO [1078]

Num velho pornofilme de segunda, a Linda Lovelace engole inteiro um penis bem maior que o costumeiro e mostra ter garganta assaz profunda. Mais facil que na vulva ou numa bunda, o pau entra todinho: é que, primeiro, penetra até a metade e, então, boeiro se torna a bocca, e nella a rolla affunda. Depois a gente soube que na marra a actriz tinha actuado. O que se nota na hora é a cara agonica, bizarra, carona de coitada, de idiota. Engole exguicho. Muda, nem excarra. Narinas enche o ranho. Mais que chota molhada o suor jorra. Da boccarra excorre baba… e porra, si ella arrocta.

DISSONNETTO DA CANTIGA DE AMOR [1512]

“Filhinha, amor, vem ca. Só pro papae, amor, me conta aonde foste tu passar a madrugada! Conta, vae!”

-- Ah, papaezinho, va tomar no cu! “Filhinha, onde estiveste a noite toda? Com quem sahiste, amor, algum velhaco? Não temes, meu amor, que alguem te foda?”

-- Ah, foda-se, papae, não me encha o sacco!

“Não falles desse modo! Filha minha não pode ser quem tudo desaccapta, não pode se portar como gallinha!”

-- Ah, chega disso, pae! Que coisa chata!

“Mais uma, e te arrebento de pancada! Não fica a coisa, para ti, barata, ouviste? Vaes ficar descadeirada!”

-- Ah, jura, pae? Me batte? Ah, va, me batta!

DISSONNETTO DA PUTA PAGANDO O PATO [1526]

A puta está parada na calçada. Disseram que era puta. Não importa. O carro passa, vindo da ballada e cheio de rapazes, se reporta. Ao vel-a, estacionaram. Abre a porta um delles e ja parte, na porrada e rindo, para cyma della… E morta agora está, no chão, outra empregada. Alguns acharam isso diversão. Chutaram-na os rapazes, sem razão alguma, ou o motivo que elles dão é o facto de ser puta… E si ella fosse? Meresce ponctapés assim infrenes? Teria de morrer levando tennis na cara quem ja leva sempre o penis na bocca, ainda achando a picca doce?

DISSONNETTO DA FUTEBOLINA [1529]

Alem da puta simples, sem mania, da “groupie”, da Maria Gazolina, tambem se faz menção à tal Maria Chuteira, que commigo algo combina. Só fico imaginando o que faria quem usa dessa alcunha nada fina a sós com algum craque que sacia na dicta seus desejos de bolina. É claro que as chuteiras lhe descalça a puta, cuja pose não é falsa na scena em que cafunga na canhota e numa sola grossa a lingua bota. Não tenho a menor duvida que o craque, embora um gol no campo não emplaque, lhe mette o pé na bocca e o pau na chota, mas isso a midia cynica nem nota.

DISSONNETTO DA MULHER NUA [1609]

Tirou a roupa toda e, como não bastasse, pelo predio foi andar. Ficou chamada, como na canção, a “pelladona do primeiro andar”. Morava era no quincto, mas tesão causava desde o terreo ao patamar dos ultimos degraus, e com razão: mulher tão boazuda anda a faltar. Assim, quando ella tira a roupa e sae, pagando uma promessa, chama o pae o filho, para vel-a, e a mãe a filha. Eis como uma boceta, à bessa, brilha. Passeia a moça nua e, então, se veste de novo… E todos, do poder celeste, indagam por qual graça ella se humilha: “Das roupas, a rezar, se desvencilha?”

DISSONNETTO DO FILME PORNÔ [1675]

Ninguem exporra dentro! Trepa a puta em tudo quanto é pose e posição: deitada; de joelho; à força bruta boquettes paga; engole um caralhão. Coqueiro e frango-assado ella exsecuta com rara habilidade, e a direcção do filme, amadoristica e fajuta, repete aquillo a poncto de exhaustão. Maior repetição, e mais peora. Porem jamais o penis ejacula emquanto a puta o tenha dentro, engula ou cubra com a mão: tem que ser fora. De forma cansativa algo se explora. A porra é branca, espessa, e tanto abunda que faz a cobertura, sobre a bunda, como o glacê no bollo, que o decora.

DISSONNETTO DA GRAPHIA POLITICAMENTE CORRECTA [1683]

Se escreve que é “veado” ou que é “viado”? Se escreve que é “boceta” ou que é “buceta”? Depende da intenção: si o bicho é dado por macho ou si a conducta o comprometta. Si o bicho é “bicha”, um “I” será graphado; si appenas bicho, um “E” faz a canneta. E quanto à chochotinha? Algum boccado de pecha está no pau que se lhe metta? O estojo de rapé ja está em desuso, no proprio territorio, o solo luso, e ja ninguem precisa desses termos. Importa-nos, na foda, gozo termos. Da vulva todo mundo necessita, até quem não adspira, traga ou pitta, pois della dependemos ao nascermos, que, vida affora, aos machos põe enfermos.

DISSONNETTO PARA OS SEIOS [1722]

Peituda, o “sutian” della equivale a um par daquella bolla que se chuta. Famosa, a artista é rara, que se eguale a ella: uma Mae West? Ah, não disputa! Fafá tambem não dá razão que falle alguem em comparar… O que se escuta, porem, dessa menina não lhe vale melhor reputação do que a de puta. Assim accerca della eu ouço ou leio. É attraz dessas mamminhas que a ralé paresce estar correndo… Mas qual é, pergunto, o maior charme desse seio? Talvez o seu adspecto obeso ou cheio. Talvez os gajos queiram só mammar e achar tambem um optimo logar para a penetração: dos dois no meio.

DISSONNETTO PARA AS BELDADES INNOCENTES [1783]

Branca de Neve, Gatta Borralheira… São tantas, que não sei qual seja aquella mais bella, mais bonita, mais faceira… a Bella Addormescida, a Cinderella… Confundo todas ellas, de maneira tal que, si de repente me interpella alguem que desses contos bem se inteira, confesso nem saber mais quem foi ella. Até com Chapeuzinho ou com Alice, alem dalguma bruxa trappaceira, confundo essas meninas! É tolice, bem sei, e até paresce brincadeira! Ja quando é mais sacana a tal menina, daquellas que pelladas ha quem queira, a Bianca, a Barbarella, a Valentina, confundo-as com a puta mais rampeira.

DISSONNETTO PARA UM SONHO DESFEITO [1863]

Na hora em que appagou a luz, estava a moça se lavando: tinha ja limpado seu cuzinho, e agora lava a estreita bocetinha, que não dá. Sem agua quente, fica a moça brava e tenta se enxugar. Quando ella está ficando quasi secca, o braço trava, de subito, seu gesto… Que será? Sentiu a coceirinha pela perna, de leve, e sua mente ja se assanha suppondo uma caricia meiga e terna que sempre desejou e que não ganha. Então voltou a luz e, horrorizada ficou com uma scena assim tamanha: percebe que a coceira é provocada por uma cabelluda e negra aranha.

DISSONNETTO PARA UMA GAROTA QUE NÃO É DE QATIF [2042]

Que tenho a declarar? Fui sequestrada, sahindo à rua à noite, por bandidos! Levaram-me ao seu antro e fui, por cada um delles, suja, em todos os sentidos! Foderam-me na bocca! Penetrada me vi de todo lado! Meus gemidos inuteis foram sempre, pois que nada commove esses machões embrutescidos! Podemos ser, nós mesmas, as culpadas? Clemencia, meritissimo, eu lhe imploro! Si saio condemnada deste foro, coitadas das mulheres estupradas! “Mulheres temptadoras são damnadas! Culpada foi você, que os provocou! Em nome do Senhor, pois, eu lhe dou sentença de duzentas chibatadas!”

DISSONNETTO PARA UM PERIPAQUE SEM DESTAQUE [2099]

No quarto do motel, o velho exhala um ultimo suspiro: o comprimido tomado foi demais para quem galla ja nem tem no colhão, que está rendido. A pobre prostituta ainda falla: “Vovô! Que foi? Accorda!” Addormescido, porem, elle jamais irá escutal-a, tampouco dar ouvidos a Cupido. Chamada a portaria, alguem accorre e encontra uma menina, ‘inda de porre, tentando despertar uma carcassa que dessa noite tragica não passa. Nenhum policial se surprehende com mais esta occorrencia, que não rende siquer noticia nova para a massa que curte nos jornaes qualquer desgraça.

DISSONNETTO PARA UMA MULHER DAMNADA [2117]

Ficou, na Parahyba, Cabaceiras famosa pela cega que dizia: “Eu quero é me lascar!” Entre as rameiras, nenhuma mais soffreu da freguezia. Fodiam-na na bocca! Com maneiras estupidas forçavam-na, e ella abria boceta e cu, que as piccas mais grosseiras em carne viva punham, na sangria! Sahiam sem pagar e a pouca grana ainda lhe roubavam! Quem se damna assim aguentaria um lupanar? Assim quem quereria se damnar? Pois ella alli ficava! E quando alguem, lhe escuta o choro e soccorrel-a vem, terá de ouvir: “Eu quero é me lascar!” Queria estar alguem no seu logar?

DISSONNETTO PARA O LIVRE COMMERCIO [2308]

Sou puta, mesmo, e tenho orgulho disso! É minha e estou vendendo: o que ha de errado?

Me exponho, ora aqui dentro, ora do lado de fora, e nunca durmo no serviço! E sabe duma coisa? Nem cobiço melhor compensação! Nunca me enfado! Ja tive até cliente appaixonado, querendo ter commigo um compromisso!

A coisa que, na vida, me emputesce é aquella mulher “seria”, tão mettida, que é como si boceta nem tivesse! Na moita, ella percebe que esta vida dá lucro e dá prazer! E o que accontesce?

Me rouba a clientela, me endivida e, emquanto faz em publico uma prece, ficar me faz, assaz, emputescida!

DISSONNETTO PARA A ANATOMIA DA VULVA [2512]

Amigo meu de infancia sempre tinha alguma perguntinha de algibeira. Exemplo: si a mulher, de Adão herdeira, tem penis, tem um homem bocetinha? {Ei, como assim?}, a gente logo vinha p’ra cyma. Elle explicava: “ora, quem queira saber, veja na puta mais rampeira o grelo advantajado: é uma rollinha!” Si exsiste um pau la dentro da vagina, cadê, no macho, a chota equivalente? Ao menos algum traço se imagina! Bobagem de creança. Mas a gente no sacco a procurava e, na bolina, não era aquella fenda tão ausente. Creança até nem muito pequenina suspeito que julgar-se femea tente.

DISSONNETTO PARA UMA CASTANHOLA MASTURBATORIA [2671]

Fogosa, e natural da Catalunha, aquella minha idyllica hespanhola! “Queria que eu tocasse castanhola”, mas na cabeça a coisa eu nunca punha. Braguinha, por exemplo, é testemunha: não dei para a hespanhola muita bolla. Fallei-lhe: “Joga fora a castanhola!” Mas ella fica triste e se accabrunha. Em troca, eu dei a ella, de presente, o meu melhor pandeiro, para ver si assim ella ficava mais contente com outra qualquer coisa que fazer. Testei, tentei, teimei, inutilmente, porem não teve jeito. Algum poder secreto a castanhola tem, que a gente não sabe, de excital-a e dar prazer.

DISSONNETTO SOBRE O TURISMO SEXUAL [2770]

Quem diz que tem, diz que tem, diz que tem, tem o corpo febril, cheiro de matto, e come vatapá como seu pratto mais typico, é só ella, mais ninguem! Aquella mulatinha tem, tambem, o samba no seu pé, que um desaccapto ja fez, dansando, ao lado do mulato, mostrando o corpo aos gringos que aqui veem! {vêm}

Cantou aqui no Rio, no Pará, em Sampa e na Bahia! O gringo vê que a puta é de menor, mas vamos la! Alguns, mal chegam, pedem, ja: {Cadê as “niñas”, as meninas? Não me va dizer que é prohibido! Só você achou que com novinha aqui não dá negocio! Nem que eu faça algum bebê!}

DISSONNETTO SOBRE UMA PAIXÃO NÃO CORRESPONDIDA [2772]

Tahi: para você gostar de mim, eu ja fiz quasi tudo! Então não faça commigo uma desfeita dessas! Graça nenhuma tem agir commigo assim! Si alguem, de outra pessoa estando a fim, fizer tudo que eu faço, a todos passa a idéa de ser puta que, na praça, se vende a qualquer typo, por dindim!

Ja dei a bocetinha, ja a chupeta lhe fiz, engoli porra, dei o cu. Nem tem onde o caralho mais me metta! Nem sei como não fico jururu!

Que mais você pretende que eu commetta? Você não se convence: acha que o cru motivo de fodermos, fora a peta, não passa do tesão e do tutu!

DISSONNETTO

SOBRE UMA

BEIJOQUEIRA QUE QUEIRA A PORQUEIRA [2854]

Beijei, ja, cada beiço, que vocês nem podem calcular! Desde a beiçola do negro até a do velho, que se exfolla comendo coisa quente no chinez!

Os labios masculinos que eu, talvez, beijara com tesão, dum rapazola seriam. Foi no tempo em que na eschola ainda eu estudava, certa vez.

De la p’ra ca, perdi nojo e vergonha. Ja beijo qualquer bocca, seja suja ou limpa, cheire a pinga ou a maconha.

De putas fallam? Sou a dicta cuja!

A puta que não chupe que se exponha!

A puta que não chore e que não fuja da recta, e aguente o pau que o gajo ponha até no fundo, a todas sobrepuja!

DISSONNETTO SOBRE QUEM POSA DE DENGOSA [2926]

É dengo, é dengo, é dengo, dengo puro! É dengo no fallar, no requebrado, na pose, no vulgar palavreado, debaixo de holophotes ou no escuro! Na cama, o que ella gosta é de pau duro deixando ‘inda mais largo esse arrombado buraco principal. Por outro lado, o cu tambem ja deu, eu asseguro. Dengosa, ella só fica mesmo quando desfila pela rua e não escuta a voz de quem esteja no commando, fingindo que terá boa conducta, mas muda si tiver que estar em bando. Ca dentro do quartel, appenas puta será, no allojamento, supportando fazer o que quizer cada recruta.

DISSONNETTO SOBRE UMA CARAPUÇA PARA A BUÇA [2949]

Tá vendo? A putaria não compensa! Aquella velha la tambem foi puta! Agora até com cães ella disputa comida que, na rua, alguem dispensa! Já foi bonita, rica, teve extensa medida de terreno… Não desfructa de nada mais e, velha, só labuta por pão, pois em trepada ja nem pensa.

Tá vendo aquelle gorro na cabeça da velha? O gorro serve direitinho na sua cabecinha, quando cresça! Tá vendo aquella porta de inferninho? Por ella entra a menina mais travessa! Cuidado com a vida! Seu caminho mantenha sempre recto! Nunca desça a escada, pois sinão… ganha o gorrinho!

DISSONNETTO SOBRE UMA VELHINHA CONSERVADA [2951]

Duvido que você só tenha vinte anninhos! Mais paresce ter septenta! Olhando mais de perto, a gente tenta fazer idéa, e vinte é puro accincte! Eu, oculos? Menina, olhe, é o seguinte: você, mais um pouquinho, nem aguenta! As rugas, essa pelle macilenta… Não dá! Nem que use mascara, ou se pincte! Talvez phantasiada de vovó você conquiste alguem, minha menina. Mas acho que você vae ficar só. Irá mofar, parada alli na exquina. Quem quer você? Não, só si for bocó! Eu mesmo, sessentão, não me fascina mulher tão velha assim! Tenho até dó do ratto que explorar sua vagina!

DISSONNETTO SOBRE QUEM SE CONSOME NA CONSUMMAÇÃO [2983]

É facil redigir um estatuto que sirva, no inferninho ou gafieira, para disciplinar a malloqueira ralé que, alli, festeja, até de lucto. O rotulo de puta, às vezes puto, ninguem, é claro, assume. Alli, quem queira dansar e se mostrar, sabe a maneira correcta de portar-se, e que eu discuto. Mulher accompanhada não se tira para dansar, a menos que o fulano esteja a fim de briga e que a prefira. Peor é quando “mina” for dum “mano” a puta, a bem dizer, “mulher da lyra”. E quando alguem se isola, o desenganno se chama “fossa” e, caso fundo fira, que beba succo, ou caro sae o damno.

DISSONNETTO SOBRE A VERSATILIDADE DAS MULHERES [3063]

Depois da Mulher Gatto, a Mulher Gallo, Mulher Orangotango, e até mulher de nome comestivel… Quem quizer, excolhe: Mulher Cão, Mulher Cavallo… Melhor nome excolhi para, aqui, dal-o àquella que não seja uma qualquer, que “pisque” sua bunda e o que mais der, alem de fallar coisas que eu não fallo: Commum num lupanar, do linguajar da moça nenhum satyro reclama. Si a tal Mulher Filé tem seu logar na photo, ao vivo, à mesa e até na cama terá a Mulher Bisteca mais a dar. Virar Mulher Biscate ella proclama que pode: é transformista, e quem pagar mais alto chega a achar nella uma dama.

MONACHAL BACCHANAL [3280]

Bombava a sacanagem no cinema. No filme do pornographo italiano, os monges se consagram no prophano e sempre essas “virtudes” são o thema. É disso que um devoto mais se occupa.

Alumna de piano, a nymphetinha seduz seu professor e o pau lhe chupa. Alli, quem, affinal, desencaminha?

Flagrado, o mestre à cella commum vae. Interna-se a donzella num convento. Será “purificada” sob um bento pretexto: expiação… Pae, perdoae! Ninguem melhor que um frade, em transe, “estrupa”. Sim, elles lhe penetram a boquinha, flagellam-lhe a bundinha… Em catadupa jorrou a porra… O penis ia e vinha. Quem queira dirigir assim, não tema!

Exbanja o director primeiro plano e close, em sua offensa ao Vaticano.

Catholico ou não, cada actor que gema!

APPURO NO APPURO [3361]

A gente se constrange, eis o que digo. Difficil, à mulher desprevenida, é quando, entre as visitas, se intimida, na falta duma amiga, dum amigo. A porta do banheiro, então, lhe indico e a loira se retira (Com licença!), calcinha ensanguentada pelo chico. De mim o que será que (penso) pensa? Demora a retornar e, quando a vez me chega, acho o papel quasi no fim e o cesto abbarrotado: foi assim que todo aquelle sangue seccar fez. Olhando mais de perto, verifico que até a calcinha a loira alli dispensa, tão sujo lhe ficara aquelle mico.

Será que fica a festa, agora, tensa? Magina! Ninguem corre esse perigo! Sem nada ter por baixo, ella, fingida, nos brinda, até que o apperto reincida. Ahi, direi commigo: Foi castigo!

SOLTEIRA E CABREIRA [3455]

Sou mulher desconfiada de qualquer pappo furado: não dou trella p’ra cantada nem das modas sigo o gado! Não! Phantasma? Eu, hem? Que nada! Nem vampiro! Acho gozado! Lobishomem? É piada! Tenho medo é de tarado! De pensar que elle me metta no cuzinho ou na boceta, eu de panico ja morro, ja supplico por soccorro!

E si for na bocca, então? Deus me livre! O caralhão, incluindo aquelle gorro, é maior que o dum cachorro!

MENINA MIMADA [3960]

A filhinha à mãe pedia, insistente, uma boneca.

A mamãe resiste, addia, mas, emfim, ja não diz “Neca!”

A boneca, que queria a menina, até defeca! Peida, arrocta, o dedo enfia no nariz, tira melleca. Ja sumiu outra canneta!

Bem que a mãe desconfiava: quer a filha ter a escrava que fiel ser lhe prometta.

A canneta foi veneta: Por um lapis penetrada no cuzinho, a Barbie aggrada, com a lingua, outra boceta.

O CAUTO CAUSO DO ORGASMO ANIMALESCO [4156]

Casou-se virgem. Disse a mãe a ella: “Menina, vae doer, mas você faz que está gostando, entende? Esse rapaz é como todos: goza, e a gente gela!” Na hora, o rapaz trepa e se attropela, tentando repetir. Que tem mais gaz pretende demonstrar. Ella, sagaz, percebe e gosta. Finge ser cadella. Depois de só comer no mesmo pratto, um dia cae-lhe a ficha: ella fingia sentir exactamente o que, de facto, gozava, algo que nunca se sacia. Passou então, na cama, a ter mais tacto: deixou que elle fingisse em plena orgia estar, com mil gattinhas, o seu gatto. Ah, nada como usar a phantasia!

CREAÇÃO DA BOCETA [4464]

Creada foi por homens de valor nas suas profissões: um açougueiro chegou, com faca, e talho deu, certeiro. Depois, um marceneiro quiz propor: Com malho ou com formão, seja o que for, um furo fez no centro. Ja um terceiro que veiu era alfaiate e, por inteiro, velludo poz no forro interno, em cor. O quarto, um caçador, raposa poz por fora. Um pescador, o quincto, quiz um peixe lhe passar e odor propoz que poucos consideram infeliz. Ainda não estava finda, pois o sexto, um padre, a benze e só chichis permitte que ella faça. Mas, depois, lhe fode a fundo o septimo… e quer bis!

LUCTA DE PUTA [4518]

Se extranharam e, na rua, duas putas, que na Lapa fazem poncto, tornam sua briga publica, no tapa. Uma xinga de perua a collega, que lhe excappa das mãos gordas e recua, mas lhe attinge um murro a nappa. Sua quota appanha cada. Logo rollam na calçada, aggarradas: não ha nada que um malandro, alli, mais goste.

Um mais velho, um joven, idem. Descabellam-se, se aggridem com as unhas e collidem, aos tropeços, com um poste.

MAU GOSTO, BOM DESGOSTO [4537]

“Assim que eu gosto!”, escuto toda vez que estou chupando buça. Escuto “Assim que eu gosto!” quando alguem zomba de mim na hora em que chafurdo em sordidez.

Escuto “Assim que eu gosto” si freguez sou dessas cortezans que teem por fim molhar-me a bocca suja. E eu digo “Sim, senhora!” à gozação que alguem me fez.

Escuto “Assim que eu gosto!” quando arrosto o cheiro do mais podre corrimento. “Assim que eu gosto!”, escuto quando encosto os labios num buraco fedorento e rindo meu leitor que esteja apposto. “Assim que eu gosto!”, escuto, e o mijo enfrento. Si engulo chico, escuto “Assim que eu gosto!” “Assim que eu gosto!”, anxeio ouvir, sedento.

INVASÃO DE PRIVACIDADE [4662]

Flagraram uma actriz, em casa, nua. Tiraram photos: ellas podem, ja, ser vistas na internet. Eu acho, ca commigo, que tem nisso falcatrua. Não digo que ella, assim, se prostitua, mas sabe apparescer. O que me dá receio é que algum hacker poste la as photos que eu não queira ver na rua. Preoccupa-me que vejam como eu cago, pellado, contorcendo-me no vaso, pois logo notarão: não me comprazo fazendo na barriga aquelle affago. Verão minhas caretas tortas, caso divulguem taes imagens?, eu indago. Darão muita risada? Mais estrago farão si estou cagando com attrazo!

ACCENOS DE VENUS [4831]

A menina, quando dorme, a mão bota na chochota.

Algo appalpa que é disforme e de dentro della brota. Que algo nella se transforme o symptoma ja denota.

Desponctou-lhe um grelo enorme! Si contar, fazem chacota. Às cantigas haja appello!

Batatinha, quando nasce, é difficil que ultrapasse o tamanho desse grelo.

Femeas ha que querem tel-o.

Aos poetas, a menina rende a glosa fescennina que os consagra ao descrevel-o.

ALTERNATIVA DE GODIVA [4833]

Quando nada mais funcciona, a mulher conhesce um jeito de attrahir macho. Ella acciona esse methodo perfeito: Sae à rua pelladona!

Disso tira bom proveito, pois o macho que ambiciona acha e leva até seu leito. Mas se ferra, muitas vezes. É verdade que o tal macho não é desses boys que eu acho respeitaveis e cortezes.

São proletas, são burguezes. Mas fazer o que? Godiva é mulher que não se exquiva si precisa de freguezes.

CADA QUAL COM SEU MAL [4841]

Não dá dó da Josephina?

Seu defeito é que tem uma perna grossa, outra que é fina: namorado nunca arrhuma! Carolina, outra menina problematica, perfuma a boquinha. Si elimina a halitose? Não, mas fuma. Coitadinha da Raymunda, que tem corpo de sereia!

Não de cara, mas de bunda, é que é boa: se acha feia!

Ser mulher eu não desejo. Ja temi virar baleia. mas que as chupo bem, sem pejo, vou fallar de bocca cheia!

CAPTIVO ADOPTIVO [4936]

Paraste por que? Vamos, continua! Estás muito mollenga, meu rapaz!

Paresces nem ser esse que, ja faz um tempo, fui buscar alli na rua! De novo! Assim que eu gosto! Quero a tua linguona trabalhando! Tu me dás prazer como ninguem! Si não tens gaz, te vira! Juncta as forças! Soffre! Sua! Mais fundo! Abre-me a chota com a mão!

Agora mette a lingua! Ai, como eu fico molhada! Ai, que delicia! Que afflicção! Recuas, meninão? Não faças bicco!

Estica bem a lingua, meninão!

Não tenhas nojo! Quando estou de chico, tu sabes como eu gosto! Por que, então, te fazes de coitado? Paga o mico!

SAPHADEZA À POLONEZA [4946]

Vieram muitas putas, por aquella saudosa phase. Dizem que a polaca melhor se emporcalhava, era mais vacca, mais egua, mais gallinha, mais cadella. Tambem dizem, então: “Ella não fella, appenas! Com a lingua se destacca! Dá banho! Lambe tudo! Lambe caca, chichi, sebinho grosso! Ella se mella!”

Fazer feliz, na hora, algum rapaz é o maximo que a sordida ambiciona. Ninguem, porem, me conta o que é que faz somente da polaca a mais porcona das putas, mais barata e mais capaz! Talvez esteja certo quem abbona a these da fazenda: um capataz treinou-a, do chiqueiro para a zona.

DUDA, A BUNDUDA [4956]

Tornaram a Raymunda um excellente exemplo de mulher fofa por traz, polpuda, rechonchuda, cheia… Mas convem que um novo caso se accrescente. É o caso de Eduarda, que, somente na bunda, tem mais carne do que o gaz contido num bujão! A mulher faz furor na vizinhança, assanha a gente! Escuto os commentarios: “A coitada não pode nem andar! Serve uma calça naquella bunda? Nunca! Serve nada!” “Mas dansa bem, até! Dansa até valsa! Por ella, sei de alguem que faça cada loucura… Inda que a bunda seja falsa!” Mas, para alguma mente mais tarada, melhor é reparar nella descalça.

TINA, A REPENTINA [4957]

Sorri. Conta piada. Está feliz, paresce. Mas, de subito, ella muda de humor, fica casmurra, carrancuda, semelha bem mais velha… O povo diz: “Gozada, a Valentina! Eu não lhe fiz nenhuma offensa! Sente alguma aguda dor physica? Quem acha, não se illuda! Mais tarde, abre os sorrisos mais gentis…” Tensão premenstrual? Dizem que não. Seria cyclothymica? Ninguem explica das mudanças a razão. É tudo muito rapido! Assim, sem mais nem menos! Só pode ser, então, vontade de foder, quando não vem alguem lamber-lhe, cheio de tesão, a chota, a mammar chico, qual nenen.

VIOLANTE, A VIOLENTA [4970]

Jamais se conformou ella perante o facto: a mulher arabe, africana, privada do clitoris, donde emana a sua sensação mais excitante! Com ella, não! Jamais, ella garante! Questão faz de ser virgem, mas, sacana, masturba-se, estimula com insana volupia seu grelão, a Violante! Às vezes exaggera, quasi arranca o grelo, tal a força que ella emprega: paresce que maneja uma alavanca! Emquanto não se enfara, não sossega! Caminha até, coitada, meio manca! Os outros desconfiam: quando a cega (ficou cega, convem dizer) se tranca no quarto, em sirirycas arde e offega!

IMPROSTITUCIONALISSIMAMENTE [4981]

Ficou fodidamente emputescida, putissima ficou, vaginalmente fallando! E, si a mulher puta se sente, inexporradamente não revida!

Revida, pois, no exporro e, caso aggrida o macho, machucado elle, analmente, não fica inenrabavel! Sae da frente, portanto, quem com femeas lindas lida!

Aquella de quem fallo, a mais ferrenha das antiphallocraticas, não deixa barato e, emmachescida, desce a lenha, pois superpredicados mil enfeixa!

Não ha quem “propudor” com ella tenha! Si, immasculinamente, o homem se queixa, mettido a desmetter, depois não venha recaralhalizar, pois perde a gueixa!

ENSEJO PARA DESPEJO [4986]

Não pega, preoccupada, mais no somno. Terá que devolver o appartamento. “Eu era ponctual! Agora enfrento problemas financeiros!”, diz ao dono. Jamais fora em estado de abbandono deixada a kitchenette. No momento, estava até bonita, entrava vento fresquinho e era a poltrona como um throno. Cuidou bem do logar, sim, a coitada. Porem, o proprietario nem queria saber: pediu de volta. Endividada, não sabe a prostituta aonde iria. Terá que, cedo ou tarde, junctar cada pertence e cahir fora. É que a vazia sallinha ao trafficante até que aggrada e, deste, nova amiga alli se enfia.

MOLHADAÇO EM PALHA D’AÇO [5009]

Contou-me um outro cego, e eu nem encuco si muito demorou p’ra que contasse: na vulva da mulher mette elle a face e lambe, e chupa, e suga aquelle succo! Diz elle: “Glauco, fico mais maluco ainda si de chico está! Que eu passe a louca lingua pelos labios! Nasce até ferida nella, immersa em muco!” Não é como chupar um pau: a cara mettida é quasi toda no vermelho buraco vaginal, que se excancara! O toque à fellação não é parelho, siquer na activa parte dessa tara! Egual é só num poncto o rapazelho à velha ou à nympheta: se compara na lingua quando gruda algum pentelho…

BROCHANTES IMPLANTES [5037]

Difficil é dizer, nessa mulher, quaes bollas são maiores, si as do seio, si aquellas do bumbum… Mas o recheio occupa todo o espaço em que couber. Sim, tudo é silicone! A quem quizer tocal-a ou appalpal-a e, bem no meio, metter pretenda a rolla, com receio reage a boazuda, onde estiver: “Cuidado! Não apperta, hem? Vae que fura, que rompe, e vaza tudo! Só de leve! Não pode pressionar, não! Não se deve! Segura devagar, meu bem, segura!” Os homens desanimam… Quem se attreve, no meio da bombada mais impura, a dar um belliscão nessa fofura de araque, si extourar vae ella em breve?

PORCARIA

(1)

SEM PERFUMARIA

(1/2) [5047/5048]

Sejamos francos: sexo é sujo. A picca é suja. Uma boceta é tambem suja. Fodeu o dicto cujo a dicta cuja? Junctou sujo com sujo: justifica. Tambem no cu metter, si alguem fornica assim, é muito sujo. Sobrepuja, porem, qualquer sujeira quem babuja de lingua num caralho ou numa crica. Beijar, bocca com bocca, eu não confundo com sexo oral: embora troque baba, a bocca não desceu ao mais immundo, ainda não se torna tão vagaba. Cacete, sim! Cacete é vagabundo, pois quando aquelle mesmo pau que enraba penetra numa bocca, faz, no fundo, alguem se emporcalhar: no lodo accaba.

(2)

Verdade seja dicta, agora: a graça do sexo oral consiste mesmo nisso, sujar-se ao practicar um vil serviço. A scena, por ser suja, é que é devassa. Tentar amenizal-a, pois, não passa de inutil camuflagem. Não me ouriço sabendo que elle faça esse postiço papel de “bem lavado”, ou que ella o faça. A graça está em vencer essa barreira do nojo, em obrigar-se ao humilhante contacto, via oral, com tal sujeira, e creio que terei dicto o bastante. Ninguem dirá que eu fallo uma besteira. Portanto, é natural que o pau levante dum homem que lamber a chota queira daquella que pudica ser garante.

EXGUEDELHADA PENTELHEIRA [5099]

Na forma accidentada dos terrenos está, do corpo, o erotico na femea, comtanto que, na bronha, o macho embleme-a dos seios ao monticulo de Venus. O symbolo, talvez, que mais accenos e appellos faz (ainda que blasphemia alguns o considerem), não o teme a lasciva bocca, a lingua muito menos. Refiro-me ao pentelho, que rodeia a vulva, feito cerca de araminho farpado, a ser pullada, volta e meia. A bocca não dá pullos, a caminho da grutta, porem: perde-se e passeia por entre a trama lubrica do ninho, e nem importa ao caso si ella é feia ou não, si é só tesão, si é com carinho.

A PRAGA DA DESNADEGADA [5241]

Rebolla pelas ruas, a damnada, com sua bunda nova! Applicou nella uns chymicos recheios, e a mais bella bundona acha que obstenta na calçada! A bunda, saliente, mais aggrada aos machos porque a calça, que revela as formas rechonchudas, tem chancella de griffe vagabunda, vale nada! Mas como ella rebolla! Como ginga! Adora assim chamar nossa attenção! De casa à padaria, do sallão à feira, à academia… Alguem a xinga: “Promiscua! Vadia! Temptação do demo!” E a velha puta que, na pinga, affoga as magoas, joga-lhe a mandinga, despeito expalha, cospe a maldicção!

DISSONNETTO DUMA VOCAÇÃO EM CRISE [5374]

No convento, o Demo invade duma freira o coração.

Ella tem necessidade, ja, do penis dum christão. O que importa é que ella aggrade sua vulva afflicta. Não quer saber si vem dum frade ou dum padre o membro irmão.

Que immoral concupiscencia!

Sim, fremente, sae a freira à procura de quem queira defloral-a com urgencia!

Que pathetica carencia!

Acha o abbade velho e brocha que a linguona nella attocha e a accalmar-se, emfim, convence-a.

DE MALUQUETTE, SÓ BOQUETTE [5537]

Chacrette tinha sido a mãe, mas ella prefere ser chamada “chuteirette”. Rodeia jogadores, lhes promette jamais engravidar, mas é ballella. Eximia chupeteira, appenas fella aquelles que não querem que os punhete, e leva no cuzinho. Ninguem mette na chota, offerescida, da cadella. Mulheres desse typo são de Esparta! De vez em quando, alguem quer na vagina metter com camisinha, que descharta, de porra cheia… Achou que se vaccina. A puta recupera a porra! A parta um raio si, infeliz, não se insemina, visando casa, cama e mesa farta! Tem faro duma fera, a tal menina!

VAMPIRO MINETTEIRO [5539]

Historias tão insolitas eu tenho ouvido! Aqui no bairro, conta alguem num pappo de padoca, ja se tem noticia dum vampiro! Eu franzo o cenho! Só pode ser piada! O desempenho da fera é vergonhoso! O bicho nem procura a jugular duma refem! Nenhuma veia fura! Ao caso venho: Commentam que o vampiro só quer chico sorvido duma chota ensanguentada! Que sangue mais impuro! Que impudico! Por isso é que eu insisto: não ha nada peor que um brazileiro nisso! Eu fico damnado e dou razão ao Chico! Ah! Cada monstrinho vagabundo! Do fuxico mordaz alguem exsiste que se evada?

“É,

DE FATO, XOXOTA FEDE!” [5577]

Dos jogos palindromicos quem for adepto certamente corrobora a phrase repellente e sem pudor que expoz as genitaes duma senhora. Até mesmo quem cheiros maus adora concorda que a boceta tem fedor terrivel, si cheirada bem na hora fatal, naquelles impetos de amor. Quem for da cunnilingua fan suppor irá que nada altera nem peora aquillo que se espera do sabor lambido, a peixe podre egual, embora. Porem, na má graphia que vigora agora, na “chochota” xiz foi pôr quem “facto” grapha “fato”. Os erros fora, fazer não vou juizo de valor.

OFFENSA QUE COMPENSA [5601]

Judiam da ruivinha, Glauco! Nella penetram, mas na bocca! A rolla affunda até que se suffoque! Em sua bunda bastante battem! Zoam a cadella! Sim, chega a vomitar, pois na goela a rolla bomba à toda! Bem immunda e bruta a scena fica! Bella tunda lhe deram, Glauco! Como a puta fella! Os videos desse typo ja são bem communs! Você, que é cego, é quem se priva de scena tão explicita e lasciva! Glaucão, que puta azar que você tem! Mas resta-lhe um consolo, ja que sem visão quem fica a mente tem bem viva: Se veja no logar dessa passiva vadia, cego! Sinta-se refem!

TARADAS

ENCALHADAS [5694]

“Furor” dicto “uterino” uma mulher teria, antigamente, e se dizia que ser “nymphomaniaca” podia, si fosse dada ao sexo, uma “qualquer”. Aquella que conhesço, si puder, assume qualquer rotulo. Só “thia” não gosta que empregar queira a “vadia” que fama ter de puta tambem quer. As duas são vizinhas, mas aquella que tudo me contou diz que isso faz de facto: não trepou com Satanaz ainda, mas deseja, me revela. Rival, a “vagabunda” appenas della inveja tem, pois nunca foi capaz daquillo. Mas deduzo que são más actrizes e só ficam na janella.

PERSEGUIÇÃO À PROFISSÃO [5818]

Moralistas teem fajuta concepção duma senhora de quem todo fan desfructa bom prazer, e sem demora. Alludindo estou à puta que exaltei, porem agora contra ella alguem relucta e um careta commemora. Não commento essa disputa de poder, si xinga ou ora quem condemna-lhe a conducta. Desse pappo eu estou fora!

Si um michê que eu chupo e chuta minha cara estou, por hora, a pagar, sua labuta só da nossa compta é, ora!

MEME DA MENINA ENSABOADA [5938]

Coitada da nympheta! Tão bonita, até quando, no banho, se ensaboa! Não é que nesse instante é que lhe soa o caro cellular? Ella se irrita. “De quem será a mensagem?”, pensa, afflicta, debaixo do chuveiro. Uma pessoa, appenas, lhe interessa, que tão boa lembrança lhe traz… Buça que se excita… Pullando fora, aggarra a tal caixinha fallante, mas, na pressa, lhe excorrega da mão e cae no vaso onde fez mega tolete ‘inda ha pouquinho, coitadinha! Chorou com uma amiga, a qual é minha alumna. Aqui, pensei: {Gente que é cega não deve ter aquillo! Ninguem pega no troço com mão boba! Hem? Adivinha!}

MISCELLANEA MORALISTA [5979]

Aquella senhorinha não descansa. Catholica, faz liga com a amiga e cada puritana quer que a siga. Ponhamos argumentos na ballança. Fundou, apposentada, a “Associação” que “das Serias Senhoras” se baptiza. Que faz a sua ASS? Age entre as que são “mulheres de má vida”: a poetiza, a actriz, a puta… Insiste na questão: “Mulher seria de sexo não precisa!” Extranha “seriedade”, essa que é tão fingida quando em publico, pois faz fofoca a vizinhança: à noite, não sossegam as amigas, nem em paz permittem que alguem durma! Gritam, dão risada, cantam… Gastam nisso o gaz?

MISCELLANEA INFELLACIONAL [5982-B]

Minette é a quinctessencia do prazer. Orgasmo mais intenso eu só desfructo si chupo um bocetão jamais enxuto. Poder uma mulher tem de exercer. Por isso quero sempre meu poder testar sobre a mulher com quem discuto politica, pois della sempre escuto offensas que não posso devolver. Ja tive fellatrizes que meu pau fizeram exporrar com bom deleite, mas quero tal prazer em maior grau. Prefiro, agora, alguem que me subjeite na marra, por character mesmo mau, que faça a minha rolla jorrar leite: aquella que, exclamando um bello “Uau!”, me ensope este linguão com seu azeite.

MISCELLANEA BOATEIRA [5990]

Um gruppo os maus politicos commenta. Do velho deputado, que se amiga com joven prostituta, assumpta a Liga. Fofoca, nesse caso, mais se inventa. A coisa vem à tonna, mais nojenta ainda do que certa bruxa diga. Nas redes sociaes sempre se instiga um caso que se forja ou que se exquenta. A Liga das Senhoras Dignas tem razão ao criticar o “coroné” que, como orador, usa a lingua bem, mas mais indecoroso é ver que até seus pares o defendem e ninguem duvida de que em Christo elle tem fé! Alguem me disse que elle lambe, sem ter nojo, o grosso grelo da “muié”.

MEME DA DESCONVERSA [5996]

Arrhuma algum pretexto quem quizer. Aquelle simples lanche sahiu caro. A culpa foi da ameixa preta, claro. Assim allega a frivola mulher. Comer, a moça come o que puder. Mas para ser comida, ja reparo, mais facil é, pois ella tem bom faro até p’ra achar, na feira, novo affair.

A moça está gordinha, mas não fica immune à mesa farta: tem quindim, curau, doce de abobora, cangica, arroz doce, sagu, pavê, puddim… Depois da indigestão, se justifica: “A calda do manjar branco, foi sim!” Bem outra ser podia aquella dica: A porra tem sabor meio ruim.

MISCELLANEA PROVINCIANA [6007]

Menina liberada, aquella tal! No radio, o gesto della ganha fama. Tambem sae nos jornaes e attenção chama. Ganhou notoriedade, mas local. Talvez queira ser ella a nacional estrella mais famosa, com quem cama reparta astral politico que mamma nas tetas da venal midia global. Virou celebridade essa menina rebelde, que anda nua pela rua!

No clube e na parochia, se imagina que seja algum protesto. A puta actua sozinha? A popular lingua ferina suppõe que a suja “midia externa” influa com essas más manias da suina vidinha depravada da gazua.

MEME DA NYMPHOMANIACA [6008]

Nas ruas não exsiste diplomata. Fallarem que é “furor” seu, “uterino”, revela pouco tacto e pouco tino, mas claro que a pau esse rumor macta. Não é de medicina que se tracta, mas sim de sacanagem. Qual menino não toca nesse assumpto fescennino no pappo com a turma, sobre a gatta? Sim, fora do commum é o que ella tem, concordo, si em repouso a passarinha jamais está, si um fremito lhe vem. Mas faça-se justiça, coitadinha! Evita sahir dando e só traz, bem la dentro, uma cenoura ou… abobrinha! Seria preferivel que ella zen ficasse, mas, coitada, se apporrinha!

MISCELLANEA REGULAR [6018]

Nas taras, cada qual tem seu motivo. “Quem lambe uma boceta, si a mulher está de chico, oppõe-se ao que Deus quer.” Assim não diz o frade, que é lascivo. Eu mesmo, no meu gozo, não me privo das taras mais communs ao meu mester. Porem o frade espera seu affair passar, com a freirinha, pelo crivo. A freira argumentou, negou, mas nada que allegue dissuade disso o frade, disposto a degustar-lhe a ensanguentada e fetida vagina! Que dirá de um cego a freira, então, si o camarada degusta as hemorrhoidas de algum Sade? Por isso os bardos cantam: curta cada qual sua podre tara à saciedade.

MISCELLANEA ZOOLOGICA [6027]

Gallinha, não. Nem vacca dizem della. Talvez por ser “modello”, ella se julga formosa, mas não passa duma… pulga. Ou seja: ninguem falla que é cadella. Pernuda, grossas coxas, acha a miss que os ricos pagarão pelo seu joven corpinho saltitante e está feliz, embora as bem casadas lhe reprovem a má reputação. Ella só diz que curte a vida emquanto os homens chovem. Sangrou seus coroneis, pelos Brazis affora, foi tehuda e mantehuda. Se exquesce de que a vida não dá bis nas chances para sempre. Que se illuda no espelho! Um senador ja não lhe quiz chupar a chota, e a puta o chupa muda.

MEME DA MENINA BEIÇUDA [6029]

Meninas se conhescem por inteiro. Carminha descobriu que sua conna tem “labios” e por elles se appaixona, paixão que exige espirito fuleiro. Tem ella aquillo tudo que, primeiro, desejos despertou na propria dona. Mas tem tambem aquillo que ambiciona qualquer abbestalhado punheteiro. Queria era beijar-se, mas só pode fazer isso no espelho, chota a chota, ou labio a labio. A idéa que lhe accode é ver sua boneca, na qual bota a chota, dar-lhe os beijos. Quem se fode, mais tarde, é a cadellinha que ella adopta! Ninguem ha que com isso se incommode, excepto o moralista que me annota.

MISCELLANEA EUPHEMINISTA [6037]

A certas putas, rotulos bons são. Ja foi “Mulher Aranha”, “Mulher Mosca”… Agora é “Mulher Pulga” e está mais tosca. A bichos quem gostou duma allusão? A bicha acha mais facil. Seu cuzão, queimado na funcção, ja virou “rosca”. À bella seu espelho mostra fosca a cara, na verdade, dum canhão.

Modello é profissão? Bem, eu não acho. Appenas euphemismo é para a puta, que encarna mero insecto ao chucro macho. Só “Chupa, vagabunda!” a puta escuta. Affeita, emfim, à vida de capacho, depois de ser chupada, ex-”Mulher Fructa”, accaba desistindo, por relaxo, dum termo que por outro se permuta.

MEME DO SEXO VIRTUAL [6074]

{Não basta trepar, Glauco! Tenho, nua, que me photographar! Você sabia? Sinão, como, durante a pandemia, irei mostrar que a vida continua? A gente trepa, cada qual na sua, mas meu corpão a rede ja vigia! Assim todos verão que estou sadia! Pellada só não orna andar na rua! Não acha, Glauco? Sei que cegos não se importam com imagens! Todavia, você concorda, né? Quem, todo dia, trepar vae sem fazer divulgação?} -- Amiga, si me vissem, o tesão brochava! Melhor faço si na pia me lavo da punheta que vicia um cego. Que se expalhe escuridão!

COCEIRA NA BOCETA [6085]

Velhota, a mulher segue, ‘inda, solteira. Morando só, dispensa até empregada chamar para a faxina. Quer em cada centimetro da casa ser ligeira. E varre, e limpa, lava… Faxineira questão faz de virar. Jamais se enfada si escuta aquella aguda barulhada do velho adspirador, ou barulheira. Me irrito, porque estou, no meu andar, ouvindo tudo, inclusa a cantoria da doida solteirona. Ah, vae, enfia o cabo da vassoura! Puta azar! Podia vibradores enfiar na chota, até cenouras, sim, podia usar a bruxa, aquella velha thia! Mas deixa… A quarentena vae passar…

HASHTAG PREFIRO BANANINHA [6140]

Querido, vou fallar-te com franqueza. Mulher não sou que enrolla, tu ja viste. Mas, contra as outras todas, eu nem triste fiquei ao conhescer o Pé de Mesa. A fama que elle tinha, com certeza fajuta se revela, pois consiste a rolla delle em thema mais de chiste que duma allegoria da macheza. Devias ver, querido! Uma bimbinha minuscula, mais flaccida que pincto de velho ou de bebê! Mas eu não sinto prazer com rolla grande! Estou na minha! Prefiro mesmo um pincto que definha, pois posso simular um labyrintho na minha bocetinha! Não, não minto! Sou summamente estreita, appertadinha!

HASHTAG FUI ESTUPRADA [6150]

Lhe juro, Glauco! O bebado de mim fez tudo o que lhe veiu na cabeça! Sim, tive que chupar! E não se exquesça: caralho de mendigo… Ui, si é ruim! Fiquei tão humilhada! Teve fim a foda só depois que elle, na advessa e rude posição, jorrou espessa golfada! A vomitar eu quasi vim! Meu trauma? Claro, Glauco, que isso guardo! Não posso me exquescer! Mas nem por isso evito lhe contar! Ja meu serviço me impede de expalhar tão triste fardo! Você, que nesses themas é bom bardo, capaz é de entender o tal mestiço! bem pode transformar, sem ser ommisso, meu drama num poema ao pobre pardo…

BACALHAU [6208]

As partes, tanto em homens ou mulheres, fedendo a bacalhau nos são descriptas e tu tambem tal cheiro nellas citas. Explica-me isso, Glauco, si puderes! Então, caralho ou conna, dizer queres que tudo tem odor egual? Evitas fazer a differença? Que repitas te peço, Glaucão, isso que suggeres! Achar que a conna feda bacalhau eu acho, mas somente si está suja. Tambem a rolla, caso a dicta cuja sebinho juncte, exhala cheiro mau. Suggeres tu, portanto, que no pau ninguem se lave? Então machão babuja em conna sem lavar? Ninguem que fuja exsiste da sujeira? Ahi, babau!

CONTRACEPÇÃO [6258]

É facil não ter filhos, Glauco! Basta fechar as pernas, porra! Gravidez se evita, né?, caralho! Só quem fez nenen foi a mulher que não é casta! Um homem que não seja pederasta somente de putinhas é freguez!

A culpa não é delle, que michês não paga, mas com puta a grana gasta! Fui claro, Glauco? Ou achas que embaralho?

A puta poderá ser chupeteira, appenas, si quizer! Caso não queira, que emprenhe! Que embarrigue, então, caralho! Que pillulas, que nada! Não me valho jamais da pharmaceutica tranqueira! Si for p’ra desistir duma rampeira, eu fodo um cego, mesmo! Quebro o galho!

INCONCEBIVEL [6324]

Agora chupam só com camisinha as putas, Glauco! Porra, chato paca!

Caralho, sou do tempo da polaca!

Melhor recordação tens que esta minha? Lambia -- Ah, feliz epocha! -- todinha a rolla, dava banho, sim, a vacca!

Nas bollas salivava, até! Que inhaca!

Ficou molle esse trampo da gallinha!

Não, ellas não podiam ter do sebo qualquer nojo, Glaucão! De nenhum cheiro, nenhum gosto! Nenhuma, no puteiro, dizia não! Assim é que as concebo! Ficaram muito frescas, ja percebo!

Deixei de ser, por isso, um putanheiro! Agora, a recordar, sou punheteiro! Bons tempos! À memoria delles bebo!

DONDOCA DE MASOCA [6362]

No site elles exhibem à platéa a puta, que tem cara da Brunella. Mas, quando contractada ja foi, ella tem cara verdadeira: a da mocréa!

Só para você, Glauco, ter idéa da cara da putana, que é magrella, se enfoque na caolha mais banguela possivel numa typica plebéa!

Assim não dá, Glaucão, pois cobram caro!

Quem uma puta paga ja não manda!

As putas ja não fallam com voz branda e para nossos cheiros negam faro!

Recusam-se a lamber! Acham amaro o gosto da piroca! Só lavanda exigem que fedamos! Ja desanda a foda! Eu, que sou sadico, me azaro!

ENTROSAMENTO [6369]

Mattoso, minha filha virou puta! Não sei o que fazer! O senhor acha que eu devo lhe metter uma bollacha nas fuças? Devo usar a força bruta? Ou acha que ella mesma, que desfructa da grana que embolsou, sabe da taxa que cobra, si encaresce, si relaxa, emfim, si compensou, na vida, a lucta? Não, nunca a relação incestuosa foi, juro! Só chupei, nella, seu pé! Mattoso, precisava ver! Sim, é lindissimo o pezinho! Não é prosa! Então diz o senhor que jamais goza si for pé feminino, sem chulé? Mas isso ja passou de tara, até! Sim, chega a ser brochante! Não entrosa!

SEPTENTÕES [6377]

Ouviste fallar, Glauco, do dictado que diz que pau de velho é lingua? Agora te conto o que o vovô poz para fora: dois palmos duma lingua de tarado! Na minha conna a rolla dum cunhado ja tinha entrado fundo! Ninguem chora por isso: só de gozo se estertora! Mas, Glauco, mais o velho olhou meu lado!

Entrou com seu linguão tão fundo, tão gostoso, que suppuz ser uma cobra que estica, que colleia, que se dobra até quasi sahir pelo ladrão!

Tambem, como o vovô, tu septentão estás! A julgar pela tua obra, tens lingua de dois palmos! Não te sobra um tempo para as connas, Glauco, não?

MENINO LEPORINO [6392]

Beijei não! A menina nojo tinha, seu Glauco! Tenho o labio “leporinho”…

Agora, corajoso, lhe escrevinho e tudo vou contar em cada linha.

Não ria, Glauco, dessa tara minha!

Não posso ver um beiço vermelhinho, molhado, duplicado, cor de vinho rosado, que me encaixo na chotinha!

As putas deliciam-se, eu lhe juro! Relaxam, arreganham, abrem tudo!

E eu, labio contra labio, lambo mudo, degusto o succo, sorvo o mel mais puro!

Beijar na bocca, nunca, nem si escuro está! Mas o senhor tambem sortudo não é! Tem que beijar, sem ver, o cu do bundão mais porco, ou ser-lhe pedicuro!

PERSUASIVO MOTIVO [6445]

Mulheres são vaidosas, é verdade. Mas, Glauco, descollei uma nympheta bastante relaxada. Na boceta lambida quer ser. Gosta que eu lhe aggrade. Appenas com seu jeito persuade a gente: bem manhosa, bem ranheta. Questão faz que, de lingua, me intrometta la dentro da chochota, abrindo a grade! Mas quero, Glauco, um poncto resaltar: Aquella garotinha tem um puta chulé! Só calça tennis! Cê relucta tractando-se do sexo opposto o par? Queria ver você lamber, chupar aquelle pé suado, que lhe chuta a cara! Ver você na chota, a fructa de polpa succulenta, a babujar!

FERTIL TOM ERECTIL [6459]

Ouvi fallar, Glaucão, que tem menina bem sadica à procura dum machão que tope ser escravo! Você não quiz isso? No logar não se imagina? Hem, Glauco? Que tesão! Quem lhe domina a bocca ser mulher! Eu fico tão erecto que me exporro! Uma funcção almejo: chupador ser de vagina! A simples phantasia não lhe excita a mente? Cunnilingua qualquer? Nada? Eu fallo duma chota menstruada, da maxima abjecção que alguem admitta! Depois de ler tal scena, bem descripta em verso por você, descasco cada punheta, cara! Assim a madrugada passou, até que tudo se repita!

FADA RENADEGADA [6479]

Não, Glauco, minha bunda antes não era tão grande! Precisei fazer implante! O medico, o Doutor Pompom, garante que estou, ja, parescendo uma panthera! Bem sei que ter taes bundas é chimera total da mulherada, mas, durante uns tempos, invejosa fui bastante daquellas que se implantam! Ah, pudera! Viu, Glauco? Descomptei! Colloquei tanto, mas tanto silicone, que o trazeiro tem cara até do Rio de Janeiro, com Urca e Pão de Assucar! Um expanto! Mas, sem exaggerar… Eu não encanto, na praia, a molecada por inteiro! Comtudo, ja sahi do captiveiro pandemico! Sou fada, por emquanto!

CASEIRA GEMEDEIRA [6483]

Ai, Glauco, eu estou toda dolorida nas ancas! Você sabe por que? Fico em casa, ja não saio! Mas que mico! Quem é que aguenta assim ficar na vida? Sentada todo o tempo, quem duvida que irei sentir mais dores quando o chico vier? Arranjar quero logo um bicco, assim me mexo, ponho-me entretida!

Ai, Glauco, rebollei tanto na rua, mostrando o meu implante no trazeiro! Gastei no meu bumbum tanto dinheiro e devo me trancar nesta cafua?

Agora só nas cameras eu nua me exhibo! Não tem graça, assim! Meu cheiro ninguem sente! E você, Glauco? Me inteiro de que tambem com dores continua…

PUTA REPUTADA [6526]

Historia tem aquella cadeirante, você nem imagina, Glauco! Occorre que puta foi! Quem nasce puta morre mais puta ainda! Tino tem bastante! É como quem nasceu cego! Durante a vida vae soffrer, por mais que exporre pensando ser masoca… Bem, mas corre a lenda dessa puta! Não se expante! Trepar ja não podendo, que faz ella? Appenas chupa! Curva-se, rebaixa a bocca aberta ao maximo, que encaixa na rolla do freguez, e nella fella! Barato cobra, claro! Na favella ninguem tem mesmo grana! Assim, ella acha cliente sempre, embora até bollacha às vezes tome, como bagatella!

ANTIGAS AMIGAS (1/2) [6543/6544]

(1)

Não, Glauco, nunca puta fui de estrada, nem dessas do puteiro da favella! Eu fui menina virgem, uma bella nympheta, aos bons lençoes accostumada! Tornei-me puta appenas porque nada mais me satisfazia! A gente fella primeiro o pau dum primo… Uma barrella, depois, a gente soffre… e está ferrada! Porem, Glaucão, conhesço uma ceguinha que foi, esta sim, cria de puteiro! Sem outra alternativa, pelo cheiro sabia quanto tempo um sebo tinha! Um queijo de semanas, coitadinha, chupava direitinho! Zombeteiro, sim, todo freguez era! Não me inteiro, comtudo, si ‘inda aguenta tal morrinha…

(2)

Sim, Glauco, minha amiga foi nympheta bellissima, de inveja dar à gente! Mas pouco pude vel-a: de repente, perdi minha visão numa vendetta! Em mim vingaram-se elles duma treta de drogas na familia! De indigente menina dum central Buraco Quente, passei a ser ceguinha de sargeta! Sim, Glauco, fui treinada, na favella, a rollas engolir com a garganta mais funda! Qualquer picca ja levanta ao ver a cega abrir sua goela! Mas Glauco, me responda: quem revela taes coisas lhe interessa? Por que tanta vontade de saber? Por que se encanta você com a roptina de quem fella?

SEM VERGONHA [6547]

Então vou te contar, Glauco. Casada eu quasi estive. Virgem me mantive. De sexo faz sentido que se prive alguem? Pois esperei ser deflorada. Na vespera, rompeu elle. Mais nada restou-me de esperança. Só quem vive num mundo de illusão pode, inclusive, achar que ser feliz é dar risada. Eu ria por qualquer coisa, bobinha. Casar ja não mais quero, Glauco, não. Mas hoje faço sexo com a mão na boa. Ainda rio, mas sozinha. Achaste boba a minha ladainha? Não mesmo, Glauco? Puxa, mas és tão amigo! Si eu tivesse esse grelão que queres, a deixar-te lamber vinha!

RISONHA

MULHER NUA [6567]

Me viram, Glauco, toda pelladona, andando pela casa! Aquella gente tem cameras potentes e potente recurso de informatica! Que zona! Filmaram-me! Filmaram minha conna, meus labios! Os pellinhos, pela lente, até brilhavam, Glauco! De repente, nas redes eu bombei, bem bonitona! Mas, Glauco, descobri que ficar nua, appenas, não me basta! Necessito fazer mais coisas! Acho mais bonito alguem commigo! Um cara achei na rua! Agora melhorou! A dupla actua, famosa, pelas redes! Accredito que logo me entedio, mas evito pensar nisso! O programma continua!

MULHER FACIL [6569]

Me faço de difficil, Glauco, mas, na practica, sou quasi prostituta! Melhor dizendo, mesmo quem labuta na rua alguma manha sempre faz!

Só para ti confesso, meu rapaz: não viste mulherzinha mais enxuta e esbelta que eu, nem puta que te chuta ou pisa como faço, nem verás!

Ainda nem siquer te decidiste? Que esperas, Glauco? Cego tu ficaste!

Não queres ser tractado como um traste? Então! Estou aqui, carente e triste! Podemos resolver isto! Que baste, a ti, seres pisado! Não exsiste melhor chance! Ninguem ha que conquiste um cego! Outra mulher não encontraste!

INGRATAS CANDIDATAS [6708]

Não voto em mulher, Glauco! Onde é que ja se viu ser governado por mulher?

Si deixo que ella faça o que quizer, virar vae algo como um marajah!

Si machos na gestão a fazem má, calcule o que fará, nesse mester politico, uma dessas que um affair tem com o coronel que é mais gagá!

Não, Glauco! Na mulher eu jamais voto!

Não quero confundir o meu desejo com outros mais valores que eu almejo na vida, nos quaes pouca fé ja boto!

Ja basta a cidadan de quem devoto fiquei, que sua chota põe, sem pejo, na minha cara, a quem ‘inda cortejo e cujo chico sugo numa photo!

PROCEDIMENTO ESTHETICO [6741]

Morreu mais uma, Glauco! Foi bem feito! A prothese evitou, por ser mais cara, e poz um silicone porco para encher a bunda! Alli morreu, no leito! Logar mais clandestino não acceito siquer imaginar! Nem se compara à clinica que interna, applica, ampara e pode soccorrer nalgum mau jeito! Mas ella preferiu um silicone qualquer, industrial! Encheu daquillo os gluteos! Se fodeu! Estou tranquillo si xingo quem taes bundas ambicione! Bundudo não sou, Glauco, mas insomne não fico, não, por isso! Meu estylo é leve, longilineo! Quem curtil-o quizer, venha appalpar-me! Imito um clone!

SHEENA IS A PUNK ROCKER [6952]

Cabeça mohicana, nappa adunca, aquella pistoleira, Glauco, faz furor aqui no bairro! Mas rapaz, que é bom, ella não pega, mesmo, nunca! Pudera! A vagabunda virou punka! Tá toda tattuada, até ja traz no rosto uma de rolla! Solta gaz com força, qualquer pappo fode e trunca! Não, Glauco, nem é tanto o pappo della que expanta a molecada do logar, nem esse visual tão invulgar, mas uma affamadissima mazella!

A punka nunca toma banho, bella porquinha que deseja se tornar! Na chota fede tudo que, do mar, de podre exsiste e embrulha na goela!

VENUS IN FURS [6958]

Achei pouco, Glaucão, o que Lou Reed fallou do Severino! Ora, a chibata ninguem usa somente si se tracta de beijos exigir quem bem decide! Não, Wanda não ficou, ninguem duvide, só nisso! Beijar botas? Coisa chata será, si não passar duma cordata sessão de servidão que mal aggride! Commigo o Severino, Glaucão, ia passar uns maus boccados! Na veneta me dava que lambesse esta boceta que encharco, ouvindo um disco, todo dia! Sim, antes lamberia, ah, lamberia a minha bota! Appenas não se metta ninguem a duvidar, pois não é peta que esteja, sim, sujissima! Ah, não ria!

O CEGO E SUA NAMORADA [6980]

Embora cego, o gajo conseguira com uma namorada ter a sua amavel companhia pela rua. Mas logo descobriu que era mentira. Aquella maluquette era da lyra, sorria, como quem se prostitua, a todos que encontrasse e que, de lua, quizessem conferir como se vira. Do cego só queria alguma grana. Dos outros, chuparia até caralho fedido, que lhe desse mais trabalho de lingua! Ah, que putana mais sacana! Não, nunca abriu o jogo. Sua chana chupei, pois nisso julga que não falho. Sim, Glauco, sou tal cego. Não expalho, porem, que descobri que ella me enganna.

DESPEITO DA DESFEITA [7064]

Poeta, meu marido é um despeitado! Desculpe, intimidades si lhe fallo daquelle presumpçoso, cujo phallo nem pode ser chamado de cajado! Mas elle fica fulo si me enfado da sua gabolice! Falso gallo, assim o chamo, para não chamal-o de brocha, de impotente, de veado! Não, Glauco! Bem dotado não é, não! A minha bocetinha, sim, é festa aos olhos de quem isto não detesta! Pois elle desdenhou della, Glaucão! Precisa ver que grande e bello vão das pernas tenho, vate! Quem contesta? Os homens todos gostam, bardo, desta chochota! Até meu novo Ricardão!

APPOSTA NA BOSTA [7105]

Malvada sou, Glaucão! Si poderosa eu fosse, castraria algum machão, seus olhos vazaria, quando, então, promptinho ficaria à minha prosa! Então eu lhe diria: Aqui quem goza sou eu e mais ninguem! Os homens são escravos da boceta! Como um cão, lambidas dê nas petalas da rosa! Seus labios que em meus labios se inundar consigam da sopinha vaginal! Um cego bem cappado um animal se torna, de exquisito paladar! Depois, approveitando que cagar eu quero, vae comer meu trivial cocô que, comparado, tem mais sal que sangue menstrual! Quer appostar?

MOTTE GLOSADO (1/2) [7402]

A mulher que me assedia quer chupar-me! Que é que eu faço?

(1)

Entra sempre, ao fim do dia, no meu quarto a pernilonga. Minha insomnia, assim, prolonga a mulher que me assedia. Mas peor até seria si um morcego mais devasso occupasse o mesmo espaço… Deus me livre! Esse morcego, que tambem não dá sossego, quer chupar-me! Que é que eu faço?

(2)

Plagiarios toda hora chupar querem meu poema ou dum conto o prompto thema. O patrão me manda embora si a memoria não decora a roptina e, com cagaço, levo a bronca e appuro passo. Não bastasse essa agonia, a mulher que me assedia quer chupar-me! Que é que eu faço?

MOTTE GLOSADO (1/2) [7412]

Sempre à Virgem reza aquella mocetona pudibunda.

(1)

Apparenta ser donzella, tantas vezes diz “Amen!”, mas convicto estou que nem sempre à Virgem reza aquella bocetuda, que tem bella cara, alem de bella bunda. Sei dum padre que lhe affunda tudo e em cada furo enfia, desmentindo aquella pia mocetona pudibunda.

(2)

A putinha por devota quer passar-se: entra na egreja, se confessa, quer que seja perdoada. Depois, bota um pau sujo em sua chota. Mas querendo, embora immunda, que nenhum padre a confunda com qualquer vacca ou cadella, sempre à Virgem reza aquella mocetona pudibunda.

MOTTE GLOSADO (1/2) [7579]

Casamento pede ao sancto a lindissima encalhada.

(1)

Ella é bella! Ah, como é bella! Mas casar-se não consegue, que engraçado! Ammarra o jegue tanta gente, mas a ella falta a tampa da panella! Por ser casta e virgem, cada pretendente não quer nada e cae fora! Causa expanto?

Casamento pede ao sancto a lindissima encalhada.

(2)

O problema não é nem virgindade, mas aquillo que ella falla, sem vacillo: não deseja ter nenen mas trepar não quer, tambem! Em resumo, não quer nada com o sexo! Desaggrada mesmo a todos, por emquanto… Casamento pede ao sancto a lindissima encalhada.

MADRIGAL ESTOMACHAL [7724]

Na casta consciencia peso sente e abusa do pozinho effervescente.

Má vida? Má conducta? Sal de fructa não basta, si chupou muito caralho e galla engoliu muita aquella puta. Pesou? Foi accidente de trabalho. Agora bons conselhos ella escuta e toma, appós chupar, um cha com alho.

MADRIGAL LOCAL [7736]

No radio, o gesto della ganha fama. Tambem sae nos jornaes e attenção chama.

Virou celebridade essa menina rebelde, que anda nua pela rua! No clube e na parochia, se imagina que seja algum protesto. A puta actua sozinha? A popular lingua ferina suppõe que a suja “midia externa” influa…

MADRIGAL MENSTRUAL [7747]

Quem lambe uma boceta, si a mulher está de chico, oppõe-se ao que Deus quer.

A freira argumentou assim, mas nada que allegue dissuade disso o frade, disposto a degustar-lhe a ensanguentada e fetida vagina! Que dirá de um cego a freira, então, si o camarada degusta as hemorrhoidas de algum Sade?

MADRIGAL GENITAL [7757]

Carminha descobriu que sua conna tem “labios” e por elles se appaixona.

Queria era beijal-os, mas só pode fazer isso no espelho, chota a chota, ou labio a labio. A idéa que lhe accode é ver sua boneca, na qual bota a chota, dar-lhe os beijos. Quem se fode, mais tarde, é a cadellinha que ella adopta!

MADRIGAL SERVIÇAL [7774]

A bella fellatriz compensa a sua cegueira si efficaz é quando actua.

A puta ficou cega, mas tem rosto bonito e bocca grande. Entende agora que um logico serviço foi-lhe imposto: na fellatividade ella melhora a cada pau que chupa, mas o gosto na bocca amargo fica e mais demora.

MANIFESTO GREVISTA (1/2) [7955]

(1)

“Não sou, Glauco, espartana, atheniense nem arabe, mas digo com franqueza: deviamos nós todas fazer greve de sexo contra nossos maridinhos, amantes, namorados, noivos, casos estaveis, passageiros ou fortuitos! Iriam apprender, esses machistas, a nossos lindos corpos respeitar! Queria ver só, Glauco! Uns quattro dias sem foda, sem boceta, sem boquette, sem cu siquer, e todos elles iam deixar de ser tão brutos e mandões, não acha, amigo? Conte-me o que pensa!”

(2)

-- Importa pouco, amiga, caso eu pense assim, assado, sendo uma burgueza ou simples operaria quem, por breve periodo, negasse seus carinhos ao macho. Mas eu acho que os attrazos tiravam alguns, digo mesmo muitos, entre elles mesmos. Sendo masochistas ou sadicos, curtir vão o seu par e facil ficarão fans das orgias, gostando tanto, tanto, que, appós septe manhans, da mulherada prescindiam… Não acha perigoso? Ou sapatões serão ellas? Você rollas dispensa?

MONIKA NIPPONICA (1/2) [8094]

(1)

{Coitada da japinha, Glauco! Alem de ser treinada para chupar, ella precisa se deixar filmar chupando caralhos ensebados! Você falla, naquelles seus poemas, do sebinho, mas tinha que ver como foi sebão aquillo que lambeu a tal japinha! Às vezes foi vendada, como cega chupou. Em outros videos, vendo tudo estava. Mas, Glaucão, eu nem lhe conto o quanto que ficou accumulado o sebo, typo coco ralladinho cobrindo toda a glande! A japa cheira, recua, mas accaba se exforçando e limpa aquillo tudo com a sua linguinha japoneza, Glauco! São diversos videos, pena que você não pode conferir… Que lhe paresce?}

(2)

-- Paresce-me que fazem muito bem focando tantos filmes na amarella camada que esse esmegma vae formando. Mas, quanto à japoneza, de senzala jamais vae precisar, pois com carinho practica tudo quanto, no Japão, se exige da mulher. Segue essa linha sem ter, socialmente, tal entrega exposta. Bem discreta, sempre mudo é seu comportamento. Dou descompto aos videos, que exaggeram, por seu lado, na linha pornographica. Sublinho, porem, que eu, como cego, da cegueira fiz uso, ou me fizeram. Ao commando cruel obedesci. Quem prostitua a bocca me entender consegue, tão commum é ver, chupando, quem não vê. Estar no logar della… Ah, si eu pudesse!

CUESTA ABAJO (1/2) [8099]

(1)

{Que estás a pensar, Glauco, de mim? Pensas que devo ser modesta por que? Estás em duvida si tenho os predicados que tenho? Olha bem para a minha cara! Ah, deixa p’ra la! Cego estás, me exquesço. Mas sabes por demais como fui linda, charmosa, actriz famosa, até cantora! De sobra meu talento foi notado!

Modestia? Qual modestia! Glauco, o meu exemplo mais marcante é o da Sarita, que sempre repetiu ser forte em tudo! Tambem sou diva, musa, bruxa, fada! Não passas tu por mago? Pois eu sou é quasi semideusa! Vae, pergunta ahi na rua, pelas praças, pelas barracas dos feirantes, pelos bancos todinhos de jardim! Sim, te dirão quem fui, quem sou, quem sempre serei: uma estrella, não cadente, mas brilhante!}

(2)

-- Eu nunca duvidei dessas immensas e bellas qualidades tuas, mas a zona que frequentas, pelos lados do corrego, mal hoje se compara aos tempos do coretto, do começo do seculo passado. Sim, ainda tens fama, si me informo com quem fora gary, choffer de taxi, delegado… Comtudo, o tempo passa. Ja cedeu logar o cinemão à tal mesquita, que, quando demolida, ao mais classudo puteiro passou poncto. Uma moçada mais nova fatalmente do teu show ja não se lembrará. Que tu defuncta estejas, muitos acham. Das estrellas bem poucos são fans, hoje. Teus tamancos, porem, fazem successo, pois te são roubados com frequencia. Lhes perfuma teu cheiro o material. Não é bastante?

CERA & NATTA PARA DESDEMONA [8430]

(p’ra não dizerem que não canto as femeas)

Oh minha doce amada, minha goyabada, tão conspicua quão conspucia, inconstante e mammada, desnaturada e desnattada!

Oh minha desdenhosa, divina, demoniaca diva doidivanas, como amo tuas anas quando me envenenas com teus ventos; tuas chanas planas e plenas de corrimentos; tua prepucia que não posso arregaçar e teu regaço que não passo sem cabaçar!

IDÉA DE MEDÉA [8552]

Tortura das torturas! Um leitor mais sadico me impoz cruel castigo! Terei que imaginar qual o sabor dum chico na boceta! Assim me instigo… Tormento dos tormentos! Quando for forçado à cunnilingua, mal consigo suppor o que farei! Aquelle odor ja basta p’ra noção dar do perigo… Penar dos meus penares! Chupador serei duma mulher que ao inimigo nem quero desejar! Nem sei que cor tem ella, a face… Eu, cego, o que é que digo? Mandona, gozadora, com rigor sarcastico será, para commigo, a fonte do mais torpe e vil horror! Debaixo de seus pés terei abrigo? Num impeto masoca, a meu favor supponho o senso orgastico. Me ligo na astral contradicção, na moral dor e contra tal idéa ja não brigo.

SEGREDO DE PÉ DE CHINELLO [8933]

Magina, cara! Aquellas putas todas, rampeiras, chupeteiras, polaquissimas, que sempre entraram, livres, e sahiram do meu appartamento todo dia, estão sob a mais obvia das suspeitas! Algumas dellas, ora, são esposas de crentes moradores deste predio! Agora a perguntar-me taes vizinhos estão si confirmar irei sobre esta ou sobre mais aquella alli! Magina! Hem, Glauco? Crê você que eu vou fallar daquillo que, na rua, todos sabem? Não, nada disso! Obrigo-me, por força de firme decisão, a allegar maximo sigillo de cem annos, para minha total e indevassavel segurança! Você não se imporia, Glauco, o mesmo sigillo caso um desses marmanjinhos, que entraram e sahiram dahi, fosse o filho dum pastor qualquer? Magina!

ATTITUDE PHILOSOPHICA [9098]

Eu, como prostituta que se preza, jamais acceitaria alguem que exija aquelle elementar banho de lingua que davam as polacas nos clientes mais sujos e fedidos, Glauco! Não! Sou, como disse Sartre, prostituta ciosa, respeitavel, consciente! Não, Glauco! Nem siquer acceitaria chupar alguem que esteja sem asseio na pelle do prepucio! Um queijo desses nenhuma puta acceita, si for limpa! Mas, como nessa crise excolha alguma não temos, si eu encaro um penis sujo, engulo o meu orgulho, juncto com a porra, alem do sebo, pois requer a nossa profissão uma attitude bastante philosophica, querido!

MODELLO [9148]

Não, Glauco, prostituta não sou, não! Prefiro ser chamada de “modello”, palavra mais bonita, que suggere belleza, moda, luxo, charme e classe! A puta não inspira nem impõe respeito! Os meus clientes são pessoas famosas na politica, nas artes, na midia, nos esportes e nas telas! Me entende, menestrel? Eu não sou dessas que encaram um programma com qualquer malandro pé rapado, um proletario, um bebado, um lunatico ou um cego! Você, si me quizesse como sua mais nova accompanhante, com quem possa ser visto nos eventos sociaes, teria que ter fama, ter prestigio, que é coisa que você jamais terá! Mas isso não lhe digo como offensa, querido! Sei que irá me entender, Glauco! Por isso não acceito que me chamem de puta! Acho offensivo! Me expliquei?

FILHA DA PUTA [9149]

Chamaram ja de nomes elegantes a minha mãe, Glaucão! Ja foi chamada de dama, de madame, de condessa, de illustre embaixatriz, de poetiza… Até foi de modello ja chamada, emquanto tinha algum corpinho menos obeso, menos molle e decadente! Só que ella sempre puta foi, Glaucão! Mas eu, que nunca trepo com freguez de zona, de palacio ou de congresso, não gosto que me chamem disso, não! Lidero o narcotraffico daqui, alem do contrabando na fronteira! Eu quero mais respeito, menestrel! Mas esses que me xingam, ah, não sabem com quem estão lidando, meu querido! Sou casca de ferida, sou é carne, Glaucão, mas de pescoço! Tá ligado?

CASA DE INTOLERANCIA [9161]

Ah, Glauco! Cafetina sou zelosa! Aqui neste bordel eu não atturo cliente que exigente seja com as minhas funccionarias! Comprehende? Aqui nenhum freguez pode exigir chupeta assim, assado, nem mettida por traz, nem pela frente, nem de lingua um banho devagar dado no sacco, na pelle do prepucio ou no seu rego, à moda poloneza, das antigas!

Aqui só vem quem queira rastejar aos pés duma menina que lhe irá lambadas applicar duma chibata, até que saiba como lamber uma chochota molhadinha, até de sangue! Exacto, o menstrual, o Velho Chico, que é como chamo o nosso corrimento, que tanto tesão causa à velharada! Fallando nisso, Glauco, você não queria approveitar para testar a sua lingua numa bocetinha carnuda, advermelhada? Ah, por que não? Iria adorar minhas bem treinadas garotas, que só calçam altas botas de couro bem lustroso, bem lambivel!

SALTEADO? [9646]

Problemas outros, graves tambem, vejo na midia, menestrel! Os euphemismos são, para mim, peores que esses erros pequenos de grammatica! Acho um delles terrivel, Glauco, quando dizem duma mulher que é prostituta, que ella seja “modello”! Um euphemismo, por signal, damninho, pois suggere que deviam ser todas prostitutas as demais, seguindo o “bom exemplo” da “modello”!

SONNETTO DA BISPINHA DESPIDA [10.046]

Valores da familia aqui sustento, nas minhas transmissões ao vivo, ouviram?

Christan sou, evangelica! Deliram aquelles que expalharam peta ao vento!

Fiel, meu seguidor, o mais attento, notou que estas acções minhas só gyram em torno dos versiculos! Adquiram meus videos! Sim, la leio o Testamento!

Va la que, em horas vagas, ja me veja alguem dansando nua, a chota abrindo, mostrando… Mas jamais dentro de egreja!

Disseram dum fiel meu que rasteja, lambendo os meus pezinhos… É bemvindo quem queira… Mas eu cobro uma cerveja!

VAGA PARA DEFICIENTE [10.056]

Não, Glauco, um cafetão só nos explora! Com elle fica quasi tudo quanto ganhamos no bordel! Cara de sancto questão nem faz o gajo de ter, ora!

Bordel de cafetão, não! Estou fora! Ja a minha cafetina… Ah, mas que encanto, querido, de mulher! Eu sempre janto com ella, quando o trampo ja deu hora!

Fallamos de você, Glauquinho, muito! Um cego chupador como você faz falta, não se encontra no circuito!

Hem? Topa? Até, talvez, ella lhe dê funcção de pedicure? Hem? Seu intuito não é dos pés tractar de quem bem vê?

SONNETTO DA INFLUENCIADORA VAGINAL [10.059]

Fallando da “mulher endiabrada” o Lobo diz que inspira a phantasia de todas as devotas, hoje em dia, que querem agir como lhes aggrada.

Tambem a mim me inspira. Não ha nada no mundo que eu não faça. Quando cria coragem, a mulher ardente enfia la dentro o que estimule. Coisa cada!

Não, Glauco, não é phallo de cavallo, nem fallo de consolos ou quetaes. Eu metto umas serpentes no gargalo!

Sim, cobras, isso mesmo! Ocê jamais ouviu fallar? Um dia, comproval-o irei, no seu cu! Posso ouvir seus ais!

SONNETTO DA CONFIDENCIA [10.061]

Aquelle jogador de futebol queixava-se de estar o seu contracto suspenso, só por causa dum ingrato azar que lhe impedia ver o sol.

Logar ja, no melhor time hespanhol, perdera. “De repente, ‘inda constato que minha namorada, que é, de facto, lindissima, applicou-me vil anzol!”

“Alem de me imputar o que não fiz, ja contra mim depoz, e se exsecuta a minha prisão, ordem do juiz!”

“Tão linda, a tal modello! Na disputa insiste por que?” Então fallar eu quiz: {Mas, porra, quem mandou casar com puta?}

SONNETTO DO PUTANHEIRO GROSSEIRO [10.064]

Eu, quando ouço fallar duma mulher por todos só chamada de “modello”, ja desde sempre em pé tenho o cabello, Glaucão, diga a mulher o que disser!

Com uma dessas nunca algum affair terei, mesmo que digam que eu no zelo me excedo! Vão dizer? Podem dizel-o! Que diga que sou grosso quem quizer!

Disseram que fallei com preconceito, que emprego uma linguagem assaz bruta accerca da “modello”! Ora, bem feito!

Alguma que commigo não discuta! Quem manda serem putas? Não me deito com puta que não diga que é, sim, puta!

SONNETTO DA PUTA QUE SE REPUTA [10.067]

Eu era, sim, modello, Glauco! Porra, não sei por que é que implicam com a gente! Ainda que fofoca a plebe invente, ha sempre quem por nós d’amores morra!

Não falta passarella à qual concorra aquella de corpão mais attrahente! Inveja a mulherada toda sente da gente! Mas me chamam de cachorra!

Me chamam de cadella! Dor profunda me causam, Glauco! O povo me tortura! Rancor abunda! A raiva, a birra abunda!

Meu quarto decorei com a figura da minha (Ah, puz implantes!) bella bunda! Assim me vingo dessa arenga dura!

SONNETTO DA PUTA QUE SE REFUTA [10.068]

A puta, animadissima na cama, famosa fica pela habilidade na foda, por fazer tudo que aggrade a muitos coroneis de suja fama.

Assim que se tornar primeira dama, porem, outra versão ja na cidade circula: a de evangelica. Quem ha de dizer que de “modello” um cabra a chama?

Agora, não! Jamais a tal pastora fodeu como uma typica cadella de rua! Não, jamais cadella fora!

Limparam sua ficha. Ainda della se lembra, todavia, quem quer pôr a caceta numa bocca que bem fella.

SONNETTO DA PUTA INIMPUTAVEL [10.069]

Putissima me chamam, Glauco, só por causa desta fama de “modello” bonita, sensual, mas ninguem pelo olhar profissional me tem chodó!

O povo de mim falla, aqui, sem dó! Não posso ser culpada si meu grelo enorme todas querem e, sem tel-o, inveja sentem! Fallem da vovó!

Não posso fazer nada si, trepando ou não, meu furor nunca satisfaço!

Não, nesse meu corpão sou eu que mando!

Pudesse eu enfiar todo o meu braço la dentro, Glauco! Um dildo, um pau quejando, não serve, si é meu bimbo tão devasso!

SONNETTO

DA DOIDEIRA NO GALLINHEIRO [10.073]

O corno, quando lambe da mulher aquella bocetona molhadaça, sciente está de que por ella passa alheio caralhão, sempre que der.

Será que é preferivel, no mester da foda, ter linguona mais devassa e chotas chupar varias, nem que faça papel egual ao tal do Xavier?

Segundo o Lobo, quando um garanhão comeu por ahi todas, corno foi dos outros garanhões. Hem? Não foi não?

Talvez seja melhor ser dum só boi o otario ja casado, do que, em vão, comer tanta gallinha! Alloprei, oi!

SONNETTO DOS MODISMOS SOCIAES [10.084]

Das putas mal fallou o Lobo, mas tambem das “semiputas”: são aquellas que todos acham finas, acham bellas e cultas, mas que lingua teem mordaz.

São damas que, por terem linguas más, fofocam a respeito das cadellas vulgares que (ellas dizem) não são ellas, mas outras, as mais pobres, aliaz.

Tão só por frequentarem certa roda de elite, ja se julgam bem accyma da quenga que esses ricos incommoda.

Inutil, pois ao povo o que se estima ser puta só depende duma foda que, paga bem ou mal, com moda rhyma.

IMPLANTE QUE EXPANTE [10.145]

Até que emfim, Glaucão! Sou mulher bella de novo! Posso olhar, sem drama, a vida!

Tirei aquella prothese vencida que estava, ja, a vazar e ter sequela!

A minha bunda, agora, não revela mais toda aquella massa ammollescida! Ja puz implante novo, que convida a turma a appalpar toda, a aggarrar nella!

Você tambem, Glaucão! E então? Não quer mexer na minha bunda nova, não?

Não gosta, não, de bunda de mulher?

Me toque, vamos! Sabe? Em meu bundão, nos proximos implantes, si eu puzer maiores, ninguem deixo pôr a mão!

POUCA PORCARIA

É

BOBAGEM [10.210]

Um filho quem não queira adopta algum bichinho, um cão, um gatto, uma gallinha, até. Mas eu sciencia ‘inda não tinha de coisa assim, aqui tão incommum!

Sim, porco! Uma mulher adoptar um quiz, Glauco! Ja pensou? Não é gracinha um bicho desses solto na cozinha, na salla, até no quarto! Que fartum!

Não, nisso não pensei… Então o cheiro do porco tem erotico condão? Será por dar idéa de chiqueiro?

E si ella se deitar com o leitão? Aquelle parafuso cabe inteiro na chota? Virgem sancta! Pode, então?

DIA DAS MONJAS DE CLAUSURA [10.338]

Fallou, da Madragoa, aquelle Lobo famoso das putissimas freirinhas. Eu duvida não tenho disso. Minhas questões aqui são outras. Não sou bobo.

Conhesço um cidadão que se diz probo mas, como cafetão, as ladainhas do ramo manja. Sabe das mesquinhas manias dessas monjas, pelo globo.

As lusas cobram caro uma chupeta. Estão as hespanholas callejadas de tanta lambidella na boceta.

Ja todas, pelo mundo, são taradas por uma colleguinha que commetta as mesmas putarias, mas privadas.

DIA DE COMBATTE À VIOLENCIA CONTRA A MULHER [10.347]

Na rua a caminhar, a joven sente que está por traz alguem, que chega perto, portando um estylete e, bem experto de pappo, ja ammeaça alegremente.

Coitada! Bem conhesce, está sciente das manhas do maluco que, ja certo de impune ficar, joga seu aberto estylo de estuprar, inconsequente.

Mas ella, crendo que isso o dissuade, simula agir de cumplice intenção com elle. Eis que esse insano não se evade.

Levada ao mattagal, verá que são inuteis os seus berros. Chupará, de joelhos, um cacete ensebadão.

DIA DO APPOSENTADO [10.824]

Eu era cafetão, Glauco! Fundei um lindo lupanar, com putas tão charmosas, que os politicos questão faziam de pedir! Fui nisso um rei!

Eu tinha michê macho, michê gay, mandonas, polaquinhas, um montão de gente efficiente no tesão! Mas isso tudo, agora, apposentei!

Clientes meus se lembram desse rico bordel e teem saudade do que la rollou! Unica falha verifico…

Não tive fellador cego, pois ja você se recusou… Achou ser mico? Perdeu a melhor chance, isso sim! Bah!

DIA DE COMBATTE À MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA [10.904]

Orgasmo no clitoris? Nada disso! Como sultão, não posso permittir! Eu sou calipha aqui! Sim, sou emir tambem! Sou xeique, mesmo que mestiço!

Sim, mando que se faça tal serviço na minha mulherada! Nem fakir supporta as dores dellas! Eu, sentir taes dores? Nunca! Só quem é submisso!

Amputo todos elles! A mulher eu ponho num harem! Um inimigo transformo num eunucho, si eu quizer!

Não, Glauco! Pena, dó, não é commigo! No morro, sou mandão e, si puder, até la nos palacios tenho abrigo!

DIA DO TRABALHO [11.096]

Eu trampo, Glaucão, como cafetão! Pensar não va que é pouco o meu trabalho! Sim, tenho occupação, pois meu caralho não pára de testar como ellas vão!

Testal-as devo, mesmo si tesão me falta, menestrel! Para tal calho! Não fosse eu empresario dum serralho famoso! Hoje estarei la, de plantão!

Em tempo, Glauco: ‘ocê não quer commigo trampar la no bordel? Um fellador ceguinho faz successo, meu amigo!

Charteira assigno, pago o que lhe for devido! Nunca ponho de castigo quem trampa direitinho, sem se impor!

DIA MUNDIAL DO TURISMO SEXUAL [11.295]

No Rio de Janeiro, Glaucão, ha bordeis maravilhosos, onde cada turista satisfaz a mais tarada e suja preferencia vista ja!

Não só creanças putas, camará, expostas são à sanha de quem nada tem para que se perca! A dedicada e fina cafetina adjuda dá!

Alguns turistas curtem a chupeta dos cegos massagistas, recrutados com base num criterio bom, sem peta:

Melhor que na mulher, quem seu pau metta na bocca dum ceguinho mais cuidados terá, pois mette como que em boceta!

NATIONAL ASS DAY [11.323]

O gosto pela bunda da mulher exige que ella seja rechonchuda. Por isso tanta gente encontra adjuda botando silicone, si puder.

Não quero me metter, pois meu affair é mesmo o masculino, mas nem Buddha tem bunda tão redonda, tão polpuda assim… Colloque implante quem quizer!

Depois de pouco tempo, o silicone provoca todo typo de doença. Por obvio, se suppõe que elle infeccione…

Mas acham que me importo? Não! Quem pensa que eu choro não conhesce, de Cambronne, a classica palavra na sentença…

WEAR SOMETHING GAUDY DAY [11.326]

Vestir-se de maneira extravagante paresce estar nas modas, hoje em dia. Sem roupas, a mulher ja nem vadia será considerada, doradvante.

Alem de pôr na bunda algum implante, a fofa periguette se vicia nas tiras que, finissimas, da pia moral se distanciam, ja, bastante.

Ha tempo não se falla de bikini, siquer de tapa sexo, nem de fio dental. Só quem é casta se previne.

Das praias de Miami e das do Rio, quem com extravagancias não combine que fique longe e deixe em paz seu cio!

DIA MUNDIAL DOS PROTECTORES DE OUVIDO [11.452]

Por causa do barulho no vizinho, tentei no ouvido pôr um algodão, mas isso não funcciona muito, não, pois tudo ouvi fallarem, direitinho!

Sae cada palavrão! Nem adivinho quem é que está xingando: o cafetão, as travas, os veados, ou o tão fallado putanheiro! Que inferninho!

Sim, musica, Glaucão, toca bastante, mas altas, bem mais altas, são as vozes das putas e do joven trafficante!

Não, Glauco! Mesmo appós algumas doses tomar, não durmo, ouvindo o que, durante a noite, berram sadicos algozes!

SONNETTO

DO FINO CONFINAMENTO [11.703]

A pelle empipocou. Nervoso passa a velha dama chique, tempo faz, trancada na mansão. Nenhum rapaz, daquelles de programma, mais a abbraça.

Allergica? Talvez. Assim de graça não pincta tanta bolha, algo que traz immenso malestar. Ja nem tem gaz, de tanto se coçar, essa devassa.

Não, antes differente foi. Pagava bem para que michês mostrassem ora carinho, ora carão com a senhora.

Depois de estar soffrendo dessa brava coceira, a baroneza appenas ora, pedindo piedade, em peor hora.

SONNETTO DA EMPATHIA DUMA THIA [11.733]

Não posso ver você nessa agonia! Sou muito protectora, maternal!

Você nunca deu bolla a mim, mas qual! Não quero nem saber, Glauco! Sabia?

Quer queira, quer não queira, sou a thia, a avó, mãe, professora, a sensual amante, sou a musa que, affinal, presente está na sua poesia!

Não fuja de mim, Glauco! Não me venha dizer que em seus poemas não estão commigo o seu amor, o seu tesão!

Espere só! Depois que me entretenha aqui na quarentena, você não me excappa! Applacará minha paixão!

SONNETTO DO ASSEDIO FEMININO [11.750]

Estás a ver? Ficaste dando trella a toda a mulherada que te lia! Agora te paquera cada thia, em vez de debruçar-se na janella!

Não digas isso, Glauco! De cadella não chamo cada qual que te assedia! Não achas, meu querido, todavia, que para a putaria alguma appella?

Não basta teres dicto, ja, que és gay? Que querem as mulheres? Converter-te? Recebes, pelas redes, tanto flerte!

Suppões que com ciumes estarei! Magina, Glauco! Quero só foder-te a bocca, não fazer-me de sollerte!

SONNETTO DIRECTO AO PONCTO NO CONTO [11.751]

Bollei um conto assim, Glaucão. Que tal? A victima de estupro, paciente de estresse posttraumatico, se sente tão mal que vae parar num hospital.

Mas esse nosocomio tambem, mal interna taes mulheres, na corrente e em cella as mantem presas. Muita gente irá tractal-a como um animal.

Appós ser estuprada, todo dia, por varios gajos sadicos, ja fica de perna aberta, a bocca aberta à picca.

Emfim, ja accostumada, a mulher cria coragem, nojo perde e verifica que sente indifferença a quem fornica…

SONNETTO DA AMMESTRADA [11.925]

Me ensigna, vae, Glaucão, a ser mulher! Me ensigna a dar um beijo que tesão desperte, essa vontade de estar tão fogosa, fazer tudo o que puder!

Me ensigna a ser saphada, num affair bem sadomasochista! Vae, Glaucão! Me ensigna! Não importa si paixão me tenhas! Te serei uma qualquer!

Me ensigna a ser teu sordido capacho! Me ensigna a te lamber a suja bota! Me ensigna a ser humilde, ser devota!

Não queres me ensignar? Sabes? Eu acho que és fracco de character! Ja se nota que devo te ensignar a tua quota…

SONNETTO DA PUTINHA TRAQUEJADA [11.935]

Seu Glauco, de menor eu era ainda nos annos em que puta me tornei! Mas, como o meu irmão era ja gay, me deu a maior força! Fui bemvinda!

Agora de maior eu sou, e linda, me dizem! Sim, trepei e treparei até meu cu fazer bicco! Ja dei p’ra todo typo! O jogo nunca finda!

Mas nunca amei um cego! O senhor ja amou alguma puta? Dezenove eu tenho! Si quizer que eu lhe comprove…

Que pena! Ja não transa? Que será que eu posso fazer para que renove commigo o seu tesão? Quer que eu o sove?

SONNETTO DUMA EXPLICITA SOLLICITA [12.100]

Estou impressionada, aqui, comtigo! Caralho, ó gajo! Então és trovador? És bardo, menestrel, vate? Escriptor, em summa? Pois que sejas meu amigo!

Te posso dar idéas, muitas! Digo com toda a liberdade, sem favor nenhum! Estou disposta, quando for a Sampa, a visitar-te! E ja te instigo:

Podias escrever sobre mim! Claro! Má fama tenho! Um lance ja te dá noção: para sujeiras tenho faro!

Cheirei, beijei, lambi, chupei, com raro fervor, tantos tabus! Por que não ha “agenda, no momento”? Ah, va, meu caro!

SONNETTO DUMAS TARAS ÀS CLARAS [12.102]

Ai, Glauco, ó gajo! Como estás branquello! Precisas tomar sol! Estás ahi, trancado em casa, ha mezes! Percebi que tenho obrigação, por isso appello!

Obrigo-me, sim, neste mundo bello, sublime, ensolarado, a ser de ti amiga, companheira! Decidi guiar-te! Meu appello é bem singello!

Dar basta aquella volta ao quarteirão que davas antes dessa pandemia! Então, te levarei, sim, todo dia!

Não queres? Ora, Glauco! Puxa, são as minhas intenções philanthropia purissima! Nenhuma putaria!

SONNETTO DUM PESADELLO-MODELLO [12.221]

Querido, que saudade! Estou ligada na tua condição, ahi, ceguinho, carente de cuidados, de carinho, sem sexo, sem amor, sem luz, sem nada!

Até ja me imagino ouvindo cada gemido teu, qual passaro sem ninho, de facto um assum preto, coitadinho, cantando de afflicção desesperada!

Não vejo, meu poeta, a feliz hora de estar ahi, cuidar do teu bassê, que deve dar trabalho quando chora!

Não chora? Nem trabalho dá? Tu fora me queres de teus braços? Nem que eu dê ahi nenhum pullinho queres? Ora!

SONNETTO DO ENTRETIDO BANDIDO [12.705]

Que merda! Que terror, Glauco! Um bandido pegou-me, ja que sou mulher sozinha! Ainda bem que tudo uma vizinha notou e de soccorro fez pedido!

Emquanto os policiaes, sem allarido, não vinham, tentei uma chupetinha fazer no bandidão! Intenção minha foi tempo ganhar para ser detido!

Chupei, chupei, chupei, Glaucão, e nada dos tiras! Foi um drama aguentar tanta bombada duma rolla na garganta!

Appós gozar, o bruto camarada fugiu! Assim, Glaucão, não addeanta chamarmos a policia! Nem a sancta…

SONNETTO DO TRAQUEJO SERTANEJO [12.765]

Impera a disciplina no puteiro. Será punida aquella que não queira cumprir o que se espera da rameira, com relho, si o cliente for vaqueiro.

De lingua dar um banho, por inteiro, na parte mais escrota, que mal cheira, é practica “polaca”, costumeira naquella região, ao que me inteiro.

Assim se exforça, à bessa, a chupeteira. Às vezes, por capricho, um boiadeiro quer pelo cego optar, alli na feira.

Até de cu tal cego sente cheiro bem forte emquanto lambe, que lhe beira a nausea, mas irá aguentar, ordeiro.

SONNETTO DA MEDIDA PROTECTIVA [12.768]

Um dia, no balcão da bibliotheca, me desequilibrei quando empurrado. Cahi sobre a mulher que estava ao lado, pellada, pelladona, a tal sapeca.

Escandalo fez ella. “Quem não pecca”, gritou, “ante a nudez?” E fui levado, à força, ao tribunal. O magistrado prisão domiciliar me deu. Dó? Neca!

Em casa, algum amigo me trazia comida. De repente, eis que foi ella quem trouxe, pelladona ainda, a thia.

Ahi, lhe perguntei por que, si bella não era, andava nua. Me deu fria resposta: “Só protesto, só querella.”

SONNETTO DO ABORTO PROHIBIDO [12.885]

Aborto? O que é que eu acho? Ora, Glaucão! Você ja varias vezes me fez essa pergunta! Diz o ORVIL: não interessa o lado da mulher! Só do machão!

Si estupro soffreu ella, tem, então, que gravida ficar! Será mãe dessa creança, porra! Cuide bem! Não meça exforços! Assumiu obrigação!

Não culpo quem estupra! Affinal, é humano, um homem, porra! Tesão sente! A femea que em Jesus mantenha a fé!

O ORVIL diz: si, na foda, prepotente o macho for, que beije ella seu pé e mostre gratidão! Ao menos tente!

SONNETTO DA MUSA QUE NÃO É LUSA [13.001]

A musa da Francisca não tem nada de meiga, feminina, como aquella que, tendo predicados de donzella, será, pelos poetas, desejada.

Não, Julia da mulher não quer nem fada nem deusa. Nem que seja affavel, bella, nem mesmo uma mundana, a quem appella o bardo punheteiro, de empreitada.

A musa da Francisca, rude, grossa e rispida, paresce mais a chata figura duma mestra, a dar licções.

Com ella não ha lesbica que possa posar de sapatona. A musa macta a pau e nem perdão roga a Camões.

SONNETTO DA LESBICONA VALENTONA [13.008]

Bilac idealiza a mulher forte e bruta como typica guerreira que, meio mythologica, até beira a sadica carrasca, pelo porte.

Em verso, convenhamos que supporte tem elle em muitas lendas que, na feira das musas valentonas, ja canseira deu tanta a tanto vate. Eis o recorte.

Agora ponderemos si, na cama, o Principe dos Bardos com aquella moçoila treparia, accesa a chamma…

Commigo, ca commigo, nem dou trella ao pappo de Bilac. Appenas ama tal bruxa a lesbiquinha menos bella…

SONNETTO DA MISOGYNIA POETICA [13.038]

Achou o Cruz e Souza morbidez demais numa mulher que elle compara à planta venenosa. Não é rara a perfida noção que ja se fez.

Si lesbica for ella, duma vez por todas, se deduz que encarna a tara maligna dessas bruxas que teem, para as lendas, a mais torpe sordidez.

Alguns bardos, de medo, morrem duma mulher, cujo retracto fazem só de modo horrorizado, que eu resuma…

Não tenho, nem do Souza, qualquer dó. Quem for, ora, misogyno, se assuma! Sinão, é bruxa até nossa vovó…

SONNETTO DAS PROSTITUTAS ACTUAES [13.143]

Peguei, Glauco, uma puta alli na rua Augusta, mas frustrei-me! Deu em nada! A puta caro cobra, a desgraçada, mas ella só recusa, só recua!

Não chupa pau sebento, não actua de escrava, não rasteja, não degrada seu corpo, nem a mente! Ella se enfada até de dar a chota, de estar nua!

Ah, Glauco! Que saudade da polaca, que dava, com a lingua, aquelle banho nas pregas, sem ter nojo, nem de inhaca!

Entende? Eu, hoje em dia, até que extranho um cego que nos lamba! Curto paca, adoro quando um banho desses ganho!

SONNETTO DA DEGUSTADORA DE PREPUCIOS [13.189]

Ai, Glauco! Nem te conto! Quando eu era aquella prostituta mais rampeira, chupei, fora a piroca costumeira, a rolla mais immunda que se espera!

Alem de immunda, alem de ter, à vera, signaes de gonorrhéa, tal porqueira fedia tanto, tanto, que quem queira cheiral-a nem exsiste! É só chimera!

Verdade? Tu querias esse sebo provar na tua lingua, menestrel? És mesmo um psychopatha, ja percebo!

Não, gosto não achei, nella, de fel nem sal, siquer de mel! Urinas bebo mais doces, mais salgadas, no quartel…

SONNETTO DA EX-ESPOSA ENCIUMADA [13.196]

Ai, Glauco, mas que raiva que me dá! Aquelle meu ex-macho, hoje, namora meu proprio pae! Mas, ai, que não demora a forra que terei! Você verá!

Appós se separar de mim, está fazendo pirracinha! Ai, só peora si faço uma carinha de quem chora! Ahi que elle me zoa! Ai, basta, ja!

Ai, Glauco! O que farei? Porra, ja sei! Direi a todo mundo que elle é gay passivo, que comido foi seu rabo!

Papae só quer chupal-o, mas direi que está meu ex-marido, pela lei de Murphy, brocha! Assim, vingada accabo!

SONNETTO DA PASSAGEIRA ROPTINEIRA [13.216]

Ai, Glauco, pô! Ninguem respeita mais mulher nenhuma nesse trem lotado que eu tenho de tomar! Sempre do lado me fica algum machão, desses brutaes!

O gajo vae forçando os sexuaes contactos e nem liga si me evado ou não do corpanzil quente e suado que encosta, que se exfrega! Ai dos meus ais!

Embora de indignada me fingindo, não posso disfarsar que estou molhada! Hem? Claro que esse gajo não é lindo!

Um ogro mais paresce! Bem, ja nada importa, pois o gajo vae sahindo depressa, antes d’a porta ser fechada!

SONNETTO DUMA BREGA COLLEGA [13.235]

Glauquinho, meu querido, que saudade! Faz muito tempo, mesmo, não é? Puxa! Mas deixa que eu te conte, pois de bruxa estão, ja, me chamando! Que maldade!

Bullyingam, só, com gente ja de edade! Taes chistes d’agua fria são a ducha na nossa triste estima! Desembucha, querido! Me consola! Ah, rir? Quem ha de?

Somente por ser velha, feiticeira me chamam! Não é justo, pois o cego não chupa só por causa da cegueira!

Concordas tu commigo? Não sossego emquanto não te vejo! Mais besteira ao vivo trocaremos, meu “collego”!

SONNETTO DAS VELHOTAS DESTRAVADAS [13.237]

Nós todas solteironas somos, mas, no baile dos edosos, noite certa, achamos um irmão de cuca aberta que soube destravar-nos e… Zaz-traz!

Agiu como si fosse esse rapaz fogoso que tesão sempre desperta até nas bem casadas! Mais allerta fiquei, depois daquella acção fodaz!

O velho (o chamarei de velho) fez miseria! Nos lambeu, pela boceta affora, aonde escondam-se os buquês!

Ah, Glauco! Mais ninguem que se intrometta assim encontraremos! Não nos dês conselhos! Nossos cheiros nem dão treta!

SONNETTO DA INTERESSEIRA NA CEGUEIRA [13.246]

Ai, Glauco! O que você precisa não será nenhum chazinho para aquillo que cause depressão ou intranquillo o deixe! Nem precisa de poção!

Precisa de carinho! Uma affeição eu tenho por você, damnada! Asylo? Hospicio? Manicomio? Sem vacillo lhe digo: nada disso, meu irmão!

Da cuca, alem de cego, sei que está soffrendo, mas sou boa companheira, querido! Não farei appenas cha!

E então? Nem quer saber de quem só queira fazer-lhe companhia? Ah, porra, va tomar no cu, veado! Que toupeira!

SONNETTO PORTUARIO [13.399]

Antigamente, Glauco, um porto tinha em volta aquelle intenso movimento de gente nos puteiros. Inda tento lembrar daquellas scenas… Uma vinha…

Ficou-me na memoria a tal putinha polaca, que serviço mais nojento fazia, accostumada: no momento da foda, não bastava a chupetinha…

A puta nossas partes todas, sem nenhum nojo, lambia, até lavar virilhas e testiculos, bem zen…

Mas ‘inda havia asseio mais vulgar, num anus e num penis, que tambem sujissimos estavam, por azar…

SONNETTO INENNOJAVEL [13.427]

Não, Glauco! O melhor jeito para a gente dormir é ter orgasmo! Depois dum, a gente está mais grogue que bebum e immerge num torpor rapidamente!

Não vale ser com puta! Nada sente a gente si foder uma commum, daquellas que se ennojam com um pum e evitam engolir nossa semente!

Si puta for, terá que ser polaca! Aquella, sim, nem liga para a “nhaca” das partes que terá de lamber, ora!

Um somno, com certeza, a gente emplaca, mas, antes, é gostoso ver a vacca de lingua dando um banho, rolla affora!

SONNETTO REVIRAVEL [13.428]

Ah, Glauco! Um “Boa noite, Cinderella!” soffri recentemente! Nem te conto!

Dormir eu quiz com puta, alli no poncto aonde sempre eu ia, na favella!

Mas era puta nova… Achei que della vantagem tiraria… Fiquei tonto, depois de ter tomado, com descompto, um drinque… Hem? Que é que tinha? Alguem revela?

O coppo tinha alguma verde mentha… Hem? Era absintho? Nunca saberei! Ficar de pé, depois, ninguem aguenta…

Depois que desse effeito cappotei, alem de ter na compta só zerenta, fizeram de mim tudo! Virei gay!

SONNETTO

DA ESTUPRADA [13.525]

Ai, Glauco, foi horrivel! Eu em casa chegava, quando os dois entraram juncto! Roubaram-me e ‘inda tive que esse assumpto guardar! Um trauma desses não dephasa…

Sim, Glauco, me estupraram! Sei que rasa é delles a instrucção, mas lhe pergunto: P’ra que tanto sadismo? Ora, ao bestunto dou tractos, mas a mente não me embasa…

Sim, tive que chupal-os! Uns caralhos nojentos, fedidissimos, querido! Nem queira se excitar com taes trabalhos!

Depois que fiz gozar cada bandido, quizeram me mactar, mas foram falhos, pois vinha gente e logo tinham ido…

SONNETTO DO PARALLELISMO [13.562]

Um cego chupador nem se compara commigo! Prostituta sou, polaca! Nenhum nojo terei, siquer de inhaca anal, prepucial, na minha cara!

Com minha lingua, lavo o que está para lavado ser: algum resto de caca, mycose de virilha, sebo paca na pelle dum caralho que mijara…

O cego, si chupar, nem cobrar pode! Appenas obedesce seu algoz, na marra, a cara a tapa! Só se fode!

Nós, putas, pelo menos temos voz activa! Alto gritamos quando um bode nos sangra anus e chota, a rir de nós!

SONNETTO DO FEMINISMO [13.677]

Mulher de pés enormes eu jamais acceito, menestrel! A mulher bella precisa apparentar que é Cinderella, não pode ter uns pés descommunaes!

Ainda que chorando muitos ais, usar irá sapatos de fivella finissima, famosos na favella, com saltos agulhados, sensuaes!

Não quero nem saber si essa menina um numero maior necessitava!

Exijo della a forma pequenina!

Machona sou e irei buscar escrava que nunca a mim egual, pois, se imagina! Sinão, nas tamanconas subo, brava!

SONNETTO

DO SAPPHISMO [13.706]

Glaucão, eu, quando vejo gente juncta ja fico ouriçadão! Si for mulher, mais ‘inda me interessa algum affair com ellas! Hem, Glaucão? Por que pergunta?

Si forem poetizas? Ora, assumpta alguem que possam ter certo mester de lesbicas? Ah, pense quem quizer! Me importa aquella practica conjuncta!

Si estão appenas lendo poesia, nem tanto me estimulam, mas si estão brincando de bacchantes, eu queria…

Um dia me junctei com ellas… Não foi facil! Me enrabaram -- Quem diria? -com dildos gigantescos! Que tesão!

SONNETTO DO DYNAMISMO [13.757]

Dynamica, a polaca aqui da zona de tudo practicou no seu cliente.

Levou por traz, na frente e, paciente, levou tambem porrada, aquella dona.

Chupava cada pelle ensebadona!

Lambia cada rego repellente!

Bebia aquelle mijo que, ‘inda quente, lhe enchia a bocca! Alguem isso ambiciona?

Mas ella aguentou firme, para, agora, ter sua propria zona. Alli trabalha a nova geração. Grande senhora!

Polacas, hoje em dia, ja gentalha não são. A sociedade commemora, até, das prostitutas, a battalha.

SONNETTO

DO ECLECTISMO [13.758]

Ah, Glauco, sou eclectica! Sim, faço de tudo! Dou a chota, dou o rabo, masturbo, chupo… Sim, faço o diabo! Usando um cincturão, tiro um cabaço!

Uns dizem que de lesbica não passo, mas acho que se engannam, pois accabo servindo, Glau, de escrava! Até me gabo de mestra ser do sexo mais devasso!

Extranha que se possa ser escrava e mestra ao mesmo tempo, menestrel? Não tenho, Glau, na vida a menor trava!

Às vezes puta, às vezes a cruel villan dominadora, às vezes brava, às vezes docil, faço o meu papel…

SONNETTO DO RUFFIANISMO [13.790]

Glaucão, nos lupanares sou o tal! Disseram que serei um ruffião!

Magina! Appenas faço do tesão alheio meu negocio official!

Controlo toda a zona aqui, por mal ou mesmo por consenso! Ninguem tão valente é que me encare, pois, sinão, presuncto vae virar num mattagal!

Mas vamos combinar! Você não topa commigo trabalhar? Os cegos são perfeitos chupadores para a tropa!

Lhe pago uma abbonada commissão!

Assim você não mofa, nem se dopa com tantos analgesicos, Glaucão!

SONNETTO DO MATERNALISMO [13.815]

Preciso defender, como si filha me fosse, essa menina do povão, que está desempregada! Viu, Glaucão? Não ache, no meu gesto, uma armadilha!

Com ella si estiver, meu olho brilha, ja livre dos pudores! Vou, então, deixar, toda, fluir minha paixão materna, que borbulha, que fervilha!

Sim, poso de mamãe, quando sou quem vê chance de entregar o seu amor àquella que nympheta a ser ja vem…

Na mente da menina, si ella for carente dum tostão e dum vintem, serei mãe social! É meu pendor…

SONNETTO DO LUSITANISMO [13.862]

Por vezes, elles dizem ser a conna aquillo que é boceta, si eu menciono! Por vezes, elles dizem ser o conno si como conna alguem ja não menciona!

Hem, Glauco? Nossa lingua assim funcciona? É macho ou femea? Assim eu não abbono mais nada! Agora digo que é fanchono ou que é fanchona aquelle gay bichona?

Hem? Genero ninguem, no portuguez vernaculo, tem mais? Mas que baderna! Tesão é feminino, hoje, talvez?

Eleita presidente, si moderna for, ella presidenta ja se fez? Qualquer nação, assim, se desgoverna!

SONNETTO DO LESBIANISMO [13.880]

Glaucão, eu, quando vejo mulher juncta ja fico ouriçadão! Si mais mulher chegar, mais me interessa algum affair com ellas! Hem, Glaucão? Por que pergunta?

Si forem meio brutas? Ora, assumpta alguem que possam ter certo mester de lesbicas? Ah, pense quem quizer! Me importa aquella practica conjuncta!

Si estão appenas lendo putaria, nem tanto me estimulam, mas si estão brincando de bacchantes, eu queria…

Um dia me junctei com ellas… Não foi facil! Me enrabaram -- Quem diria? -com dildos gigantescos! Que tesão!

SONNETTO DO PROFISSIONALISMO [13.972]

A puta, antigamente, só seria, na sua profissão, boa de facto, si, docil, bem soubesse dar um tracto de bocca no cliente, sem phobia!

Sim, Glauco! Uma polaca bem sabia lamber, chupar, cumprir todo o contracto que, tacito, lhe impunha seu sensato agente, sem nenhuma rebeldia!

Ah, tinha que engolir um pau, até no fundo da garganta, mas tambem de lingua dava banho, sem migué…

Lavava as partes intimas de quem fedesse, de tão sujo! Meu chulé, bem sabe você, causos causou, hem?

PONCTUAL CASO DE JUDITH [conto 11 de PROMPTOS PONCTOS]

Fui pobre, bem mais pobre do que sou agora, Glauco. Puta ja não sou faz tempo. Foi difficil, mas junctei pequeno pé de meia para ter um minimo na hora da velhice. Mas fome passei. Uma cadeirante que seja prostituta pouca chance terá na vida. Appenas eu podia chupar e especialista me tornei na boa fellação. Isso não era, porem, sufficiente e precisei saber banho de lingua dar nos meus clientes, ou perdia todos elles, aos poucos, para a larga concorrencia da zona aonde tive que ir parar. Você, que está por dentro do que rolla nos sujos lupanares, Glauco, sabe que foram as famosas polaquinhas as putas que trouxeram essa moda aqui para São Paulo. Você sabe que, em meio, nos bordeis, à clientela de jovens estudantes e de velhos viuvos e ex-maridos, os tarados de sempre, quem polacas preferia, por causa do vulgar banho de lingua, seriam os brutaes policiaes alli do Bom Retiro, tambem uns da Barra Funda, alguns de Hygienopolis. Por isso nem preciso lhe explicar que, quando uma polaca dava banho de lingua, tinha mesmo que lamber tudinho, das virilhas ao caralho, passando pelo sacco, pelo cu, sentindo todo typo de sabor, de fetido suor, de mijo velho, de sebo, de cocô, de porra secca, até das assaduras e mycoses

communs nessas dobrinhas, ou dobronas, si forem os clientes mais gorduchos. Emfim, a puta tinha que jambrar até que seu cliente decidisse gozar na sua bocca fedorenta, pagando uma merreca por aquillo. Pois saiba, caro Glauco, que eu tambem senti necessidade de, entre meus freguezes, offertar esse serviço. Calcule que era, ja, muito difficil chupar sem da cadeira levantar, appenas me mexendo da cinctura um pouco para cyma, me curvando, fazendo grande exforço para as rollas na bocca collocar até chupal-as mais fundo, orgasmos fortes provocando naquella molecada alli do bairro. Tá certo que elles mais se divertiam com minha tão difficil posição, com essa minha atroz humilhação, que com o proprio orgasmo que eu causava. Mas, para alguns adultos, não bastava a bocca duma agonica alleijada fazendo uma chupeta regular. Queriam algo muito mais gostoso de ver e de sentir: a cadeirante usando sua lingua no que está fedendo na cueca, appós uns dias sem banho, fora aquelle pau sebento. Sim, tive que treinar a posição mais commoda ao freguez que, sentadão num alto poltronão, se excarranchava, as coxas bem abertas, abbraçando meu rosto, me deixando totalmente envolta num fedor de suor acido. Comtudo, me sahi tão bem naquillo que, em breve, minha fama no pedaço correu e me tornei até lendaria. Chamavam-me de Puta Alleijadinha,

de Puta Paralytica, Polaca Rodada, alem de tantos appellidos. Não, nunca fiquei só. Sempre commigo estava a minha prima, que não era mais puta, mas de boa cafetina servia, arrecadando os trocadinhos. Morreu ella, coitada… Quem de mim cuidou, appós a morte dessa prima, foi uma philanthropica vizinha, que, muito gentilmente, cafezinho fazia à freguezia, até bollinhos servia… Ah, que saudade, meu querido Mattoso, dessas boas creaturas!

Casa de Ferreiro

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