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RLM nº 36

Leal Moreira, vida e arte.

GENTE DESIGN ESTILO IDEIAS CULTURA COMPORTAMENTO TECNOLOGIA ARQUITETURA

ano 9 número 36

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Ruy Castro Escritor, biógrafo, obsessivo. Em entrevista exclusiva, ele divide segredos e os planos para 2013.

Leal Moreira

Ronaldo Fraga J.R.Duran Garcia Márquez e Neruda


Fato | Comunicação RE 133

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Modo de preparo: Adicionar todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo. Bater vigorosamente e verter com coagem dupla em uma taça Martini previamente resfriada. Guarnição: Twist de limão siciliano.

Modo de preparo: Molhe a boca do copo para coquetel com suco de limão e encoste no sal para formar uma borda. Junte em uma coqueteleira a tequila, o contreau, o suco de limão, e 1 xícara de cubos de gelo. Misture bem e coe sobre a taça.


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Artes meramente ilustrativas que poderão ser alteradas sem prévio aviso, conforme exigências legais e de aprovação. Os materiais e os acabamentos integrantes estarão devidamente descritos nos documentos de formalização de compra e venda das unidades. Plantas e perspectivas ilustrativas com sugestões de decoração. Medidas internas de face a face das paredes. Os móveis, assim como alguns materiais de acabamento representados nas plantas, não fazem parte integrante do contrato. Registro de Incorporação: Protocolo nº 208.842 Matrícula (RI): 17.555 Livro: 2-k.o. (RG) em 01/11/2012.


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A Revista Leal Moreira 36 traz conteúdo exclusivo nas matérias sinalizadas com QR code.

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capa

índice

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RUY CASTRO O autor das consagradas biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda divide com a Revista Leal Moreira seu processo criativo e faz revelações surpreendentes.

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AURÉLIO MEIRA Na segunda entrevista da série especial sobre os 400 anos de Belém, o arquiteto Aurélio Meira, fala do nascimento da capital paraense e sua vocação natural para ser a grande referência de Amazônia.

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perfil O estilista Ronaldo Fraga inspirou-se em Belém para viver um dos momentos mais criativos de sua carreira. E confessa: está apaixonado por nossa cidade.

comportamento Sexo frágil? A nova revolução feminina conduziu as mulheres a postos inéditos e elas comemoram o reconhecimento.

destino A América Latina de Neruda e Garcia Márquez.

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J.R.DURAN Conhecido como o fotógrafo das beldades brasileiras, o catalão revela um lado seu pouco conhecido: o de pintor. Em livro ele reuniu belas aquarelas que retratam os quartos de hoteis nos quais se hospedou.

Belém| 400 anos

galeria

ÂNGELA SICILIA Conheça a jovem chef paraense, que encantou os italianos ao mostrar a perfeita combinação dos sabores da Grande Bota com os exóticos ingredientes amazônicos

gourmet

capa Ruy Castro, por Daryan Dornelles

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dicas Anderson Araújo Celso Eluan tech horas vagas confraria Felipe Cordeiro especial Fanfiction Arthur Dapieve enquanto isso Glauco Lima vinhos decor falando nisso institucional Nara Oliveira

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editorial

Aos nossos leitores, Esta é a primeira Revista Leal Moreira de 2013, motivo pelo qual aproveito para desejar-lhes um ano pleno de realizações e de boas leituras. Falando em boas leituras, tenho o prazer em dizer que este ano a Revista Leal Moreira comemora dez anos de existência e estamos preparando surpresas para celebrar essa década de entrevistas exclusivas e matérias especiais. É um privilégio ter em nossa primeira capa o escritor Ruy Castro. Biógrafo cuidadoso, homem de frases geniais, ele nos recebeu para uma entrevista maravilhosa e fotos intimistas. Geniais também são o estilista Ronaldo Fraga e o arquiteto paraense Aurélio Meira – ambos separados pela distância geográfica, mas unidos pelo amor a Belém. Fraga, definido por ele mesmo como “turista aprendiz”, criou suas últimas coleções tendo como inspiração o Pará. Já Meira é nosso convidado para falar dos 400 anos de Belém e conosco dividiu suas ideias para nossa capital. No próximo 08 de março, dia dedicado às mulheres, a RLM faz sua homenagem e esmiúça a nova revolução feminina e o papel desempenhado por elas neste terceiro milênio. Ângela Sicilia, chef de cozinha, fala de suas origens e da harmoniosa combinação entre a culinária italiana e os exóticos ingredientes amazônicos e nos apresenta uma receita exclusiva. Esta Revista Leal Moreira 36 está belíssima. Vocês haverão de achar que estou sendo suspeito, mas vão em frente: leiam esta edição e fiquem igualmente encantados. Ah, vale lembrar que as matérias sinalizadas com códigos QR têm conteúdos exclusivos em nosso site (que, aliás, está de cara nova): www.revistalealmoreira.com.br Boa leitura! André Moreira

expediente Tiragem auditada por

Atendimento:

Revista Leal Moreira

A Leal Moreira dispõe de atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 12 h e das 14h às 18:30h

Criação Madre Comunicadores Associados Coordenação Door Comunicação, Produção e Eventos Realização Publicarte Editora Diretor editorial André Leal Moreira Diretor geral Juan Diego Correa Diretor de criação e projeto gráfico André Loreto Gerente de conteúdo Lorena Filgueiras Editora-chefe Lorena Filgueiras Editora assintente e produção Camila Barbalho Fotografia Dudu Maroja Reportagem: Arthur Nogueira, Bianca Borges, Fábio Nóvoa, Jecyone Pinheiro, Leonardo Aquino, Lorena Filgueiras, Lucas Ohana e Su Carvalho . Colunistas Anderson Araújo, Arthur Dapieve, Celso Eluan, Glauco Lima, Felipe Cordeiro, Nara Oliveira e Raul Parizotto Assessoria de imprensa Lucas Ohana Conteúdo multimídia: Max Andreone Versão Digital: Brenda Araújo, Guto Cavalleiro, Fabrício Bezerra Revisão José Rangel e André Melo

Telefone: ++55 91 4005 6800

João Balbi, 167. Belém - Pará f: [91] 4005-6800 www.lealmoreira.com.br Construtora Leal Moreira Diretor Presidente: Carlos Moreira Diretor Financeiro: João Carlos Leal Moreira Diretor de Novos Negócios: Maurício Moreira Diretor de Marketing: André Leal Moreira Diretor Executivo: Paulo Fernando Machado Diretor Técnico: José Antonio Rei Moreira Diretor de Incorporação: Thomaz Ávila Gerente Financeiro: Dayse Ana Batista Santos Gerente de Relacionamento com Clientes: Alethea Assis

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On-line: Conheça um pouco mais sobre a construtora acessando o site www.lealmoreira.com.br. Nele, você fica sabendo de todos os empreendimentos em andamento, novos projetos e ainda pode fazer simulações de compras.

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Gráfica Santa Marta Tiragem 12 mil exemplares Comercial Gerente comercial Daniela Bragança • (91) 9289.0889 Contato comercial Thiago Vieira • (91) 8148.9671 contato@revistalealmoreira.com.br Financeiro Contato (91) 3321.6870 savio@door.net.br

Fale conosco: (91) 4005.6874 revista@door.net.br revista@lealmoreira.com.br www.revistalealmoreira.com.br facebook.com/revistalealmoreira Revista Leal Moreira é uma publicação bimestral da Publicarte Editora para a Construtora Leal Moreira. Os textos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da revista. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem autorização.


Belém

Doce Pecado Aliando gastronomia francesa e certo charme paraense, a Doce Pecado cativou o coração (e o paladar) de quem gosta de experimentar sabores novos e refinados. Especializada em crepes, a doceria oferece mais de 60 sabores da iguaria, entre doces e salgados. O ambiente é elegante, charmoso e bem decorado – com um leve ar parisiense. Aproveitando o bom momento para esse tipo de produto no Brasil, o local também investiu no conceito de brigadeiros gourmet: feitos com chocolate belga, os doces são combinados com sabores como camomila ou gengibre. O resultado é uma experiência gastronômica inusitada e deliciosa. Recomendamos.

Travessa Dom Romualdo de Seixas, nº 579 – entre Senador Lemos e Jerônimo Pimentel • 91 3348.6455 www.revistalealmoreira.com.br


Rua João Balbi, nº 1350 – esquina com 9 de Janeiro • 91 3236.2615

Dom Bareto Descontraído, leve, bom para início e fim de noite. Assim é o Dom Bareto – o quarto membro da família de bares com o mesmo prenome. O lugar inaugurou no fim do ano passado, depois de reforma comandada pela arquiteta Larissa Chady. O resultado foi um espaço entre o sofisticado e o aconchegante, dividido em dois ambientes – refrigerado, onde tem música ao vivo nos fins de semana; e o ventilado calçadão, ideal para jogar conversa fora com os amigos. O Dom Bareto também mantém o caráter esportivo do seu irmão mais velho, o Dom Bar: são sete telas espalhadas pelo local, que transmitem jogos de futebol e UFC. O cardápio é versátil – tem desde os celebrados petiscos de boteco até bem servidos pratos à la carte. É aconselhável chegar cedo para garantir uma mesa.


Brasil

Bolshoi Pub Para quem tem o hábito de sair com o objetivo de prestar atenção às apresentações musicais, o Bolshoi Pub é a pedida perfeita. Projetado para receber bem os shows intimistas, o lugar respira música. Nas paredes há pôsteres, cartazes, bandeiras, flâmulas e instrumentos, entre outros objetos divertidos – tudo disposto de maneira planejada e elegante. As televisões, espalhadas pelos quatro ambientes climatizados, transmitem simultaneamente o show dos artistas que estão no palco. As atrações que costumam passar por lá são de grande porte: a casa recebe desde nomes do jazz como o guitarrista Stanley Jordan até expressões da música brasileira como Arnaldo Antunes e Marina Lima. Além de tudo isso, o bar tem uma excelente carta de cervejas nacionais e importadas. Aconselhamos curtir a noite de Goiânia degustando o cremoso chope da Guinness, a famosa marca irlandesa.

Rua T-53 Nº1140 St Bueno. Goiânia, GO. • 62 3241.0731 • www.bolshoipub.com.br

Due Cuochi Um dos italianos mais celebrados do Brasil, o Due Cuochi Cucina é venerado pela crítica desde a sua inauguração, em 2005. Ostentando duas estrelas no Guia Quatro Rodas, a cozinha - comandada pela restauratrice Ida Maria Frank - vem sendo premiada com frequência por revistas especializadas. A aprovação dos paulistas resultou na abertura da filial no Shopping Cidade Jardim em 2008. Bem decorado, o lugar sugere certa receptividade e descontração sem perder a classe contemporânea. O atendimento, atencioso e profissional, completa a receita de sucesso do restaurante. No cardápio, as duas unidades focam na gastronomia italiana contemporânea. Entre as especialidades da casa, destacamos o Penne à vodka com pancetta italiana, rúcula selvagem e lascas de parmesão – harmonizado com um bom vinho, como os italianos fazem. www.revistalealmoreira.com.br

Rua Manuel Guedes, 93 – Itaim. São Paulo, SP • 11 3078.8092 • www.duecuochi.com.br

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mundo

Rock Bar Localizado em um dos mais luxuosos resorts do mundo, o Rock Bar é um lugar inovador e minimalista. Desenhado pelo japonês Yasuhiro Koichi, o bar é todo de vidro, incrustado no alto de uma rocha, 14 metros acima do nível do mar. O resultado dessa ousadia arquitetônica é a vista de 360° para o horizonte da Indonésia, à beira do oceano – o que rendeu a menção nas listas de melhores do mundo pela CNN e pelo New York Times. Além dos encantos visuais, há atrações musicais nos fins de semana e nos períodos de férias. O DJ residente toca gêneros como nu-disco, deep house e chill out, e frequentemente recebe convidados de fora – que podem ser outros DJs ou bandas festejadas no cenário moderninho. O cardápio também não deixa a desejar. Recomendamos experimentar o Summer Rolls, feito de macarrão de arroz, manga e hortelã no molho de ameixa, acompanhado de um Spiced Rock – feito com vodka, laranja, limão, alecrim, gengibre fresco e mel silvestre.

Jl. Karang Mas Sejahtera - Jimbaran, 80364. Bali, Indonesia • +62-361-702222 • www.ayanaresort.com/rockbarbali

Ice Bar Tudo é de gelo: poltronas, balcão e o próprio copo onde é servido o drinque. Essa é a ideia do Ice Bar, localizado no centro de Budapeste. Embora não seja o primeiro no mundo a adotar o conceito, o lugar tem o diferencial de ser o único que funciona o ano inteiro. Lá, os clientes recebem uma capa térmica que cobre o corpo inteiro, além de luvas quentes para manter o corpo confortável no frio. Para garantir que nada vai derreter, o bar só permite a entrada de poucas pessoas por vez – portanto, é bom fazer reserva. Outra curiosidade interessante: o bar possui o molde original do congelamento de Han Solo (personagem vivido por Harrison Ford) no filme Guerra nas Estrelas – O Império Contra-Ataca, certificado pela Lucas Film. Prato cheio para adeptos da cultura geek que queiram tirar uma foto com o artefato. No cardápio, apenas bebidas – o frio não permite cozinhar alimentos. Vale experimentar o Eskimo Kiss: oxicoco da Finlândia com licor de maçã ácida, suco de laranja e xarope de cana de açúcar. 1056 Budapest, Váci Utca 82. Budapeste, Hungria • +36 20 9 666 000 • www.icebar.hu www.revistalealmoreira.com.br


perfil

Ronaldo Fraga se define “aprendiz” apaixonado pelo Pará. Aqui ele buscou inspiração para compor suas coleções.

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Jecyone Pinheiro

Estilista aprendiz “Como uma luva que veste muitíssimo bem a mão”. A frase, de Mário de Andrade, poderia ter sido cunhada por Ronaldo Fraga, o mineiro que tornou o Pará sua recente – e grande – fonte de inspiração.

O

resgate da autoestima com a apropriação de sua cultura é a tônica do trabalho desenvolvido pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga em terras paraenses. Em rápida passagem por Belém, Fraga convergiu uma multidão de olhares. Eram estudantes de moda, designers e muitos fãs que se aglutinaram para vê-lo falar sobre suas experiências por aqui - incluindo um trabalho de pesquisa, que teve como base a reinvenção do tempo e da moda, em projeto social desenvolvido com mulheres da Cooperativa de Biojoias do município de Tucumã, no sudeste paraense. Como resultado, os produtos foram usados na sua última coleção de Verão apresentada no São Paulo Fashion Week. Antes da palestra em Belém, Ronaldo Fraga recebeu a equipe da Leal Moreira para um bate-papo descontraído onde falou de muita coisa séria, da sua proximidade com o Pará, do designer como mola propulsora do resgate da autoestima, de preconceito com o que é produzido na periferia e do real papel do designer ao encurtar as distâncias e mostrar as várias faces dos ‘Brasis’. Como se deu sua aproximação com o Pará? A primeira vez eu vim a convite da Fundação Vale para conhecer a Amazônia paraense e alguns projetos que vinham sendo desenvolvidos aqui. Na ocasião, fui convidado pra palestrar em outro evento, que estava ocorrendo no mesmo período. Caí de paixão por essa cidade e não tem como ser de outra forma. Lembrei-me de uma frase que adoro de Mário de An-

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drade, no livro “O Turista Aprendiz”. Quando chegou ao Pará ele disse: “O Pará foi feito pra mim, imagine uma luva que veste muitíssimo bem uma mão” – foi isso que eu senti aqui. Essa frase veio e ficou. Por que esse encantamento? Aqui é a última face do Brasil a ser descoberta pelos brasileiros. Quando a gente pensa numa relação do próprio Pará com o restante do Brasil, ela é muito recente, de menos de 100 anos. Esse extremo do Brasil, os brasileiros não conhecem. Isso suscita em mim crenças que eu tenho e trago de outras pesquisas, de outros trabalhos. O compromisso civil do designer é o de criar essa ponte entre a distância oceânica que existe entre os brasis dentro do próprio Brasil. E estou falando de um universo extremamente rico: se você fala em biodiversidade aqui tem; se você fala de sustentabilidade, aqui tem; se você fala em Brasil feito a mão, aqui tem; se você fala em música, aqui tem; comida e culinária, idem; é um lugar extremamente rico e fértil. Quando eu falo que o oxigênio do mundo está aqui eu não me refiro somente ao oxigênio da floresta amazônica, mas de caminhos possíveis, da reinvenção de um novo Brasil a partir de um Brasil diverso e isso tudo está aqui. O que mais lhe chamou a atenção no Pará? Você olha longe e pensa: “poxa, que mulher linda, você chega perto é uma castanheira” (risos) – ou seja, as pessoas terminam onde começam as árvores, as árvores terminam onde começam os bichos, os bichos terminam onde »»»

Dudu Maroja / Divulgação


começa a comida, a comida termina onde começa a música, a música termina onde começa a literatura, então tudo aqui é transformado em uma coisa só e esse desenho você vê em pouquíssimos lugares do mundo. Um prato cheio para quem trabalha com design. E o trabalho com as artesãs de Tucumã, como foi? Quando você entra num projeto como esse, você trabalha com a fartura da falta. É tudo muito frágil, porque hoje tem uma empresa financiando, mas ela pode não mais se interessar amanhã. E como essas pessoas ficam? Então meu grande desafio é plantar um desejo de mudança em cada uma delas. O sucesso pra mim é que se cada uma dessas 60 mulheres levar adiante esse desejo, esse olhar, esse estímulo a empreender com o que elas têm nas mãos já vai ser válido. Olhar para os restos da floresta e transformar em algo. Essa coisa do empreendedorismo individual é o que faz mudar o coletivo. Quando a gente chegou era lixo pra todo lado da sala, aos poucos, com o trabalho, nós fomos mudando isso. Elas esperavam que o lanche de todo dia fosse ser bancado todo dia. Aí falamos que não; que cada uma trouxesse o que tinha em casa, se tivesse uma banana, levava a banana, se não tem nada, arranca uma flor e traz a flor pra mesa. As mesas eram fartas. Quando você congela a imagem do início e no final, você fica emocionado: elas estavam mais bonitas, mais arrumadas, a maioria evangélica, no final estavam de cabelos soltos, maquiadas, flores na mesa, não tinha um cisco no chão. Tudo limpinho. Essa transformação, esse empreender no seu entorno, aquilo que transforma a sua vida e do outro pra mim é extremamente valioso. É isso que transforma o coletivo, não dá pra pensar na transformação do coletivo sem o estímulo da transformação do indivíduo. Qual foi a tônica do trabalho com o grupo? Foi um trabalho que mostrou caminhos possíveis, a necessidade urgente de reinvenção do nosso tempo, de reinvenção do nosso mundo e da moda. Porque, embora cada cidade tenha a sua cultura, o projeto tem uma metodologia que pode ser aplicada em qualquer lugar. Aconteceu em Tucumã, mas poderia ter acontecido na Ilha de Marajó, em Santarém, no Tocantins, como já aconteceu em vários lugares do Brasil, como Pernambuco, Jequitinhonha, Rio Grande do Sul, Pantanal. Esse lugar da moda me fascina. E não falo somente da geração de emprego e renda, mas de uma reafirmação e apropriação cultural.

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E a reação do público ao se deparar com o resultado desse trabalho? Tem sido fascinante. Apresentei esse material na “bienal de design”, em Buenos Aires, no Chile, em Portugal. Fui convidado, junto com Marcelo Rosenbaum, para abrir o “Ano do Brasil em Portugal” e o “London College of Fashion”, em Londres, em novembro passado. Lá aconteceu uma coisa muito interessante: quando apresentei esse projeto, na sequência tinha um inglês que é sócio de um grupo de agências de propaganda mais festejado na Europa e ele disse que ficou sem palavras diante da coincidência porque estão fazendo a próxima campanha de um perfume da Prada que tem o Brasil como foco, pela primeira vez o segundo maior consumidor de perfume do mundo está na mira de uma marca internacional que está trabalhando em um perfume específico pra um povo que toma mais de um banho por dia. O perfume vai ser lançado em breve e, para ilustrar a campanha, foi indicado o Estado do Pará. O mundo está de olho no Brasil e o Brasil está de olho no Pará, então o mundo está de olho no Pará. Não é porque o estado é lindo – a diferença é a diversidade cultural desse lugar, a pedra bruta da cultura desse lugar que o Brasil desconhece. Falta ao Brasil saber dar valor a nossa cultura de raiz, tão valorizada lá fora? Sou extremamente tolerante com a falta de cultura e a falta de educação. A nossa grande chaga não é a falta de dinheiro, mas de educação e cultura. Um projeto como esse, quando foi apresentado na Argentina, em Londres, em Portugal, as pessoas queriam saber da loja on-line, “onde se compra?”, “como faz pra conseguir?”. É um sucesso esse trabalho da biojoia. O Brasil, principalmente certos setores, é extremamente preconceituoso, pra eles a escravidão terminou ontem à tarde. E isso não é um problema do Pará, mas do Brasil, que nós temos que romper com a própria geração de designers e de consumo. E o consumo desenha muito bem a cultura de um lugar, a educação de um povo. “Me diga o que consomes que eu te direi quem és”. Pretende continuar com esse projeto? Embora esteja acontecendo no Estado do Pará, não é o primeiro trabalho que fiz, o meu trabalho é esse. A moda transformadora e o Brasil estão passando por esse momento de reinvenção do próprio país. Acredito que não seja nem a reinvenção da moda, pois da forma como estamos, há sinais de um desgaste profundo – temos o exemplo da Prada. Se as indústrias de cosméticos, de decoração e de moda estão de olho no que aqui tem em abundância »»»


A coleção “Turista Aprendiz” é uma síntese da diversidade paraense que tanto encantou Fraga.

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e, no entanto, não conseguimos enxergar isso, eu volto a dizer que o problema é a questão da educação. Há muito pra ser feito. Já me perguntaram se me sinto sozinho fazendo isso e eu prefiro acreditar que tem um monte de gente fazendo a mesma coisa, mas eu sei que é solitário. Solitário, mas transformador. Esse retorno eu tenho tido no Brasil inteiro com jovens que estão entrando ou saindo da escola agora, querendo seguir o mesmo caminho: pensar a moda como um instrumento de transformação. E quando você fala em gerar emprego e renda com apropriação cultural, é muito mais do que dar alimento a uma pessoa, é oferecer uma coisa que é caríssima e que não muda, mesmo que os governantes não permaneçam os mesmos: autoestima. E o pensamento recorrente de que “o que vem de fora é sempre melhor”? Sou otimista e procuro olhar aquilo que realmente transforma, que realmente muda. Se compararmos o Brasil de 10, 15 anos atrás, houve uma apropriação maior sim; tinha coisas que a gente escondia na área de serviço, embaixo do tanque e hoje a gente deixa na cozinha. Então hoje nós temos menos vergonha de certas coisas. E tem uma série de exemplos, e posso começar falando desse fenômeno da Gaby Amarantos e talvez ela não tenha a mesma aceitação no Pará, como tem no Sudeste do Brasil. Gaby é uma figura que está transitando por todas as áreas; foi o personagem da cultura brasileira mais premiado em 2012. Isso significa muito e não aconteceria há 10 anos, logo sinaliza alguma coisa. Apesar de tudo eu sou otimista. Quando os tempos mudam, você tem o ônus e o bônus, mas acho que nessa apropriação cultural nós demos uma melhorada, sim. Você lembrou da semente de jarina, que chama a atenção fora daqui... Então, acho até curioso a jarina - como aqui-

lo não pode ser uma pedra preciosa? É o marfim da Amazônia, minha gente! Nós exportamos isso na virada do século XIX para o século XX. Na Europa foi usada em maçaneta de porta, cabo de guarda-chuva e bengala para os ingleses. Então, esse conhecimento do que é joia, do que é valor agregado é que tem que ser discutido. Nesse sentido eu acho que realmente o mundo está acabando e concordo com os Maias. Aquilo que foi vivido aqui no ciclo da borracha está acontecendo com o mundo agora, é o fim de um ciclo. E entender quais são essas normas, essas regras é o grande desafio, mas esse novo mundo está aqui bem na nossa frente. Nesse sentido da autoestima, o que chamou mais sua atenção na interação com as artesãs? Você pode até pensar que eu estava trabalhando com sementes e restos da floresta, mas na verdade eu estava trabalhando com outra coisa. Quando eu falava de restos da floresta, não era só a matéria, mas das pessoas que estavam ali, esquecidas do mundo no meio de um “faroeste caboclo”, e que aos poucos esse resto foi se reconstruindo. Da mesma forma que as sobras de madeira iam para o descarte, o descarte ali eram elas mesmas num primeiro momento e que foram se construindo e tomando corpo, se apropriando. A gente sente a evolução das meninas em relação ao ofício delas. Elas foram se aprimorando na marchetaria e nas suas próprias vidas. Então, a cada vinda nossa, a gente ouvia uma conversa daquilo que elas tinham modificado em casa, com o marido, com o companheiro, limite que elas começavam a colocar, o que não acontecia antes. Um projeto como esse é muito mais amplo do que parece à primeira vista, ele tem uma possibilidade de transformação muito maior do que as pessoas imaginam. E transformação minha também, eu saio muito melhor de um lugar como esse e elas nunca mais vão sair de mim.


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Anderson Araújo, jornalista

Paixão e carnaval Não sou tão velho assim para morrer de saudade dos velhos carnavais. Aqueles dos desfiles em carro aberto, das guerras de confete, da exibição de umbigos - somente umbigos! - que causava frisson. Nem sou tão chegado assim no espírito que possui o Brasil de fevereiro em fevereiro, embora já tenha gritado “alá-laô” por aí. Gosto mesmo é do conto do Veríssimo, aquele do encontro dos foliões mirins ano a ano no bailinho. Aí, sim, dá uma saudade e até traz umas boas lembranças, como a da estranha que segurou minha mão em 1986. Depois que as gêmeas nasceram minha mãe foi arrebatada por um rebuscamento artístico nunca dantes visto na história desse País. Com um menino ela não tinha chance de enfeitar o moleque até não poder mais. Porém, com as meninas a alma de estilista da minha genitora se libertava das amarras da pobreza estética masculina. Com esmero, driblando um orçamento curto, ela deixava as filhas nos trinques, umas fofuras. No carnaval, então, nem se fala: viravam princesinhas ou odaliscazinhas ou bailarinazinhas ou ciganazinhas idênticas. Creio que os gastos não chegavam para mim, porque não me vejo no caldo da memória como um garotinho fantasiado. Recordo somente de umas camisas de viscose estampadas, feitas pela

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costureira Geni para meu guarda-roupa convencional. Na minha imaginação, eram imitações das vestimentas do Magno, aquele do bigode, aquele do seriado no Havaí. Assim, íamos os quatro para a Avenida Pedro Miranda ver os blocos: elas devidamente adornadas para folia, eu acreditando ser o dono da Ilha da Fantasia. Naquele 1986, fomos assistir ao carnaval. Antes da folia, insisti para ver no Cine China (antes Cinema Paraíso, hoje uma igreja evangélica) “O homem mais forte do mundo”, com Lou Ferrigno, aquele ator do Hulk. Mas, o filme era confuso e o ambiente esfumaçado demais. Nada salutar para crianças. Saímos minutos depois para ver a multidão e paramos próximo à Casa Pisco (hoje uma sapataria), na esquina da Travessa da Estrela. Minha expectativa maior era ver os mascarados do Chupico-pico, gente animada do bairro da Sacramenta. A tarde já esmorecia quando o bloco chegou numa folia de assustar. Acomodamos-nos na calçada. Mamãe protegendo as meninas e eu soltinho da Silva, me sentindo muito independente. Estava de olho arregalado no gorilão no meio do desfile quando ela entrelaçou os dedos nos meus. Senti um certo desconforto e estranhei a mão nem tão pequena para ser de uma irmã nem tão

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grande para ser de dona Clarisse, minha mãe. Olhei agarrada à minha mão uma mãozinha clara, delicada. Percebi de chofre: era uma menina. Uma menina desconhecida. Não tive coragem de olhá-la no rosto. O coração em descompasso com surdo e tamborim. Passamos aquele desfile interminável de mãos dadas observando a algazarra. Do meu lado, eu perguntava por que ela tinha me segurado. Seria engano? Seria medo do macaco gigante ou de outro mascarado? Seria meu charme pueril irresistível? Seria paixão? Sim, eu pensava na hipótese passional aos sete anos! Quando o bloco passou, fomos nos desprendendo com delicadeza e ainda lembro a textura macia, o tom rosado das mãos dela, o suor. Olhei-a. Ela sorriu, linda. E partiu sem deixar pista alguma. Fiquei naquela de “quem é você? Diga logo que eu quero saber o seu jogo...” por um segundo. Nos três anos seguintes esperei na mesma esquina aquele milagre se repetir no meio da confusão carnavalesca. Em vão, claro. Era eu perdido no mundo com um amor instantâneo de carnaval a maltratar meu coração. E olha que a adolescência nem tinha dado o primeiro grito. Por onde anda essa moça? Ainda me pergunto.


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Redação

Dudu Maroja

Nequaquam minima est “De modo algum és a menor” – essa é uma das inscrições latinas no brasão da cidade de Belém. A frase, citada com propriedade pelo arquiteto Aurélio Meira, revela sua paixão que é a capital paraense e o desejo em vê-la voltada para o futuro promissor. A entrevista com Aurélio Meira, arquiteto paraense, vinha sendo há muito almejada. Tivemos vários encontros informais, que sempre nos incentivavam a buscar coincidência das agendas e finalmente ela aconteceu. Tendo como cenário o café da SOL Informática e, ao fundo, o belo quadro do artista plástico (e também arquiteto) Jorge Eiró em que a vista de Belém, a partir da estação espacial Atlantis, é retratada, Aurélio Meira conversou com a Revista Leal Moreira sobre os caminhos e possibilidades que conduzem a capital paraense a celebrar – de fato – os seus quatro séculos de existência. Era para ser uma entrevista, que virou uma verdadeira aula – natural que fosse assim, já que Aurélio é filho de Augusto Meira Filho, historiador que, em vida, dizia ser “eterno namorado de Belém”. Paixão consaguínea e que atravessou gerações, como você há de ler a seguir, em mais uma das matérias da série “Belém rumo aos 400 anos”. Católico, sem precisar dizer isso, Aurélio Meira é pura emoção e os símbolos de sua devoção estão com ele o tempo todo: seja em um discreto escapulário, ou na fitinha de Nossa Senhora de Nazaré – gasta mas firme – em seu pulso ou nas referências que faz a Belém (sobre quão abençoada é Belém, “desde seu batismo”). A frase latina, inscrita no brasão de nossa cidade, citada por Meira, “nequaquam minima est” (de modo algum és a menor) foi tirada da profecia de Miquéias, relacionando Belém do Grão Pará com sua homônima Belém da Judeia.

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Aurélio, quero falar contigo sobre a Belém dos nossos sonhos, de outrora. Não queremos falar de problemas – não somente. Queremos dar ideias. Queremos tentar, no campo das ideias, apontar e trocar ideias, soluções. Hoje quero falar não somente com o Aurélio arquiteto, mas com o citadino. O homem de ideias e opiniões formadas e fortes sobre o cotidiano da cidade. Às vezes de maneira certa, as pessoas transcendem as coisas boas. O contrário também vale: de maneira certa, transcendem as coisas erradas. Todo planejamento é tão perfeito, quanto for flexível... Exatamente! Falaste em ideia. Taí um substantivo interessante. Quando fazia o magistério, eu dizia para os meus alunos que trabalhar com as ideias representa essencialmente o insumo básico de transformação de uma realidade. Às vezes a gente passa até a fazer uma releitura de fatos já consolidados e consagrados e nesta releitura surgem essas novas ideias que vão te ajudar a mudar a realidade e buscar aquilo que tu realmente desejas. Então, a nossa querida Belém tem uma coisa extraordinária e nisso cabe uma reflexão: Primeiro porque é o seu próprio batismo. Belém foi batizada e que muitos chamam de Santa Maria. Meu pai, o saudoso historiador Meira Filho, preconizava que a cidade não era Santa Maria de Belém do Grão Pará e sim “Nossa Senhora de Belém do Grão Pará”, porque Santa Maria de Belém, quando de seu batismo, foi buscar a Belém da Judeia. Ela se inicia com a consagração de Nosso »»»


Salvador. Ela já nasce grandiosa; posicionada pela natureza, riquíssima de riquezas naturais e aqui se ergueu sua primeira ermida. Em uma pequena retrospectiva histórica, para que possamos desenvolver bem essa questão do que é Belém hoje, o que poderá ser e o que foi. Belém é, talvez, a mais interessante das cidades com características portuguesas no Brasil. Se nós observarmos a sua história, Belém tem na sua história os três períodos mais importantes da sua era: colônia, império e república. Em cada um desses períodos, ela obteve, com certeza de seus gestores, o esforço em transformá-la em uma grande cidade. Belém se preparou e ergueu prédios públicos como o belíssimo Palácio Landi, o atual Museu Histórico do Pará porque a Coroa talvez tivesse até interesse em se estabelecer em Belém (houve pretensões), mas que acabou se concretizando no Rio de Janeiro. A Belém colonial foi extraordinária. A Belém império foi extraordinária, porque foi nesse período que vivemos o auge do ciclo da borracha e era possível oferecer ao seu cidadão uma qualidade de vida diferenciada. Creio que quando Lemos assumiu a intendência, ele também tivesse esse mesmo espírito voltado para o futuro, contemplando muito mais os acertos que os erros. Eu acho que toda vez que um gestor assume o executivo, eu comparo com aquilo que Lemos também deveria ter em mente quando assumiu a intendência pela primeira vez: a gente sempre espera que os planos aconteçam de forma positiva para a cidade. Onde foi que ele errou? Me permitam fazer uma crítica ao nosso apaixonado Lemos, que era futurista, que embelezou a cidade. Ele pecou em um aspecto: na transição para as terras altas, ele não pensou nas baixadas. Ele fez grandes obras, criou belíssimos espaços urbanos, criou um bairro planejado, que é o bairro do Marco. Mas e as transições? O que ele pensou para Fátima, que era uma baixada, para o Igarapé das Almas, as áreas de periferias ao longo dos rios. Esse foi o único ponto negativo que o Lemos teve, embora ele tenha sido um grande gestor na visão de urbes para Belém. Com a decadência da borracha, nós vivemos um período difícil de transição na economia. Pela própria história a gente não vê projetos audaciosos, e mesmo de recolocação no cenário brasileiro. Belém passou a ter efetiva participação mais federativa já com o advento de Brasília, porque tínhamos dificuldades de transporte, problemas de acesso e relacionamento com o núcleo principal, que era o Rio de Janeiro. Esse período foi recessivo, por conta do contato ineficiente com a capital.

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Com o advento de Brasília, houve um investimento mais maciço em cima da nossa região e, claro, Belém foi beneficiada. Eu me recordo de ver a Avenida Nazaré ser pavimentada em 1962, quando os paralelepípedos foram suprimidos pelo asfalto. Não significa que o asfalto era a melhor solução, mas de qualquer maneira era sinônimo de modernidade, mas foi nesse período que os recursos começaram a chegar, até para suprir as necessidades públicas: infraestrutura, saneamento, educação... A Belém do futuro precisa de soluções simples, mas eficazes; que o nosso gestor tenha o poder de decidir sobre o que é correto, aquilo que é o certo, fazendo uma associação de fatores que possam nos conduzir a um futuro mais generoso. O futuro mais generoso começa com a elevação da autoestima do nosso povo? Muita gente comenta que a gente precisa elevar a autoestima do povo. Não penso assim. Penso que temos que elevar a autoestima da cidade. Pensar que Belém já foi considerada umas das cidades mais verdes do país e atualmente figurar entre as que menos arborização tem, é muito triste. Porque o poder público, não só em suas atividades constitucionais, as parcerias público-privadas e as da atividade privada são as que fazem a autoestima da cidade florescer. A Belém, que tem muita coisa boa no seu presente e que conserva um legado precioso do seu passado, mas pensando no futuro, a matriz de envolvimento sentimental entre o poder público e o privado tem que pensar na cidade para o futuro, elevando sua autoestima. E eu não tenho dúvida de que seu povo vai absorver isso. Eu ouço as pessoas comentando que falta educação ao nosso povo. Não vejo assim também. Mas é que ele sabe que aquele ente público que deveria ser responsável também não está cumprindo com sua obrigação e aí, pela sua indisciplina, ele também não cuida. Então estás me dizendo que é um círculo virtuoso. Se o poder público funciona bem, teremos um povo engajado? Ah, não tenho dúvidas. Deixa eu te dar um exemplo bem doméstico. Se entras na tua casa e ela está toda arrumadinha – pode ser uma casa simples – e a infraestrutura dela está funcionando toda perfeitamente, a tua autoestima está elevada e os que estão ao teu lado, vão respeitar a qualidade do teu espaço. Os que forem te visitar vão ser inspirados pelo teu modelo de organização. Percebe? A autoestima aumenta. É sinal de que estou exercendo minha função como ser humano e cidadão para comigo, minha família e os que me cercam. A cidade é uma casa; se eu tiver os »»»

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jardins bem cuidados, os equipamentos públicos funcionando, os serviços públicos essenciais, da melhor forma possível. Se eu ando na cidade e me sinto qualificado e respeitado no direito de ir e vir, se eu tenho calçadas niveladas e conservadas, se o paisagismo urbano me traz bem-estar. Se eu percebo que meu semelhante cuida bem do espaço particular... essa é a cidade que a gente sonha, não é? E a participação público-privada? Vou te dar um exemplo prático, pegando o boom da construção civil na cidade. Uma edificação é um monumento para a cidade – porque se propõe a ter um projeto paisagístico, porque trabalha o entorno. E por que numa situação dessas, não houve um grande pacto determinando que as calçadas sejam padronizadas? Que o meio-fio seja também padrão? Esse pacto é uma parceria público-privada. Seria perfeito que houvesse um pacto dessa natureza pela iluminação das frentes das casas... A iluminação pública! Outra parceria que seria muito bem-vinda seria a prefeitura pedir à empresa concessionária de energia que modernizasse as instalações, trocasse os fios de alta-tensão por

outros, os trefilados – esse gesto nos permitiria, por exemplo, replantar nossas mangueiras, regenerar nossos exemplares centenários ou qualquer outro tipo de árvore frondosa. Nossos ipês são maravilhosos para o paisagismo urbano! Eles embelezariam certamente nossas ruas. Mas não dá! Porque tem a luz, porque o cidadão vai lá e corta de qualquer jeito. Já que seria muito caro transformar a alta-tensão em subterrânea, pelo menos o uso do trefilado permitiria o paisagismo urbano. É uma ideia simples. Com simplicidade, a gente consegue transformar uma realidade com ideias simples. A gente tem que ser audacioso, precisa re-estudar a cidade de uma forma responsável. E a travessia para o Combu – 300 metros depois do Acará? O crescimento de Belém para além da cidade, em direção das ilhas, a exemplo do que nossa vizinha Manaus fez também – o que achas? Vou fazer um registro para ti, porque não deves lembrar, já que és muito jovem. Belém tem um privilégio enorme em ter ilhas lindas, virgens. De 1971 a 1975, governava o Pará o Fernando José Guilhon e o Dr. Guilhon tinha um relacionamento muito próximo com o governo japonês e foi um dos governadores com mais visão de futuro que já tivemos. Pergunte ao Alcyr Meira, que pode con-

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tar melhor essa história. O governo japonês financiava naquela época uma ponte que ligava continente a continente, a exemplo do que o Dr. Almir Gabriel fez com a Alça Viária, mas aqui em frente de Belém, passando pelo Combu. O Alcyr chegou a fazer o planejamento de um bairro, de uma área residencial sobre essa ilha. Então o projeto já existe... Existe e não aconteceu, creio, por questões políticas. Penso que deve existir essa expansão, porque Belém não tem mais para onde expandir, mas igualmente, é um projeto que precisa de muito estudo. Nós temos que analisar, estudar profundamente as condições tipológicas e topológicas dessas ilhas e os potenciais de preservação do ecossistema, para que haja uma ocupação racional. Há que ter uma política de controle urbanístico enorme... Quase uma cidade ecológica. Isso! Temos que ter sustentabilidade e que haja uma composição mista nesse controle urbanístico, de modo que você pudesse desenvolver projetos emblemáticos, como hotéis, universidades, moradia. Ah, sem esquecer a navegabilidade. Como esse tipo de intervenção influenciaria para bem em Belém?

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Se você fizer uma intervenção em que você procure resolver e solucionar as interfaces do que pode trazer o problema, mal não fará. Só fará o bem. Eu acredito que ocupar de maneira responsável as ilhas, é a Belém do futuro. Quem conhece bem essas ilhas, sabe que boa parte delas é viável. Cotijuba é uma ilha alta e uma alternativa urbana maravilhosa, desde que haja uma ocupação responsável. Existe ainda um estudo, uma possibilidade de ligar Mosqueiro por meio de Caratateua e Outeiro. Taí outra possibilidade de expansão, que deve ser feita de maneira responsável. Mas, primeiro, precisa pensar o planejamento de Outeiro e Icoaraci até se chegar a Mosqueiro. É um planejamento, estudo a longo prazo. Belém podia ser reconhecida, no futuro, como a “cidade das ilhas”. Ou a “Cidade das águas”. Já que há inclusive projeto de promover o transporte fluvial, que é mais barato. Mas não pode ser qualquer tipo de embarcação. O ideal é que fossem parecidos com os vaporettos italianos (nota: “ônibus” fluviais de Veneza, na Itália). Eu queria causar uma pequena polêmica. Sobre o Ver-O-Peso, talvez o mais badalado cartão-postal de Belém. O Ver-O-Peso é para o povo ou para o turista? Achas que o Ver-O-Peso deveria ser somente »»»


mantido como espaço turístico? O Mercado de São Brás, por exemplo, que é desconhecido de grande parte de sua população, não poderia ser um belíssimo centro gastronômico? Não vou agradar muito na minha resposta. O Ver-O-Peso não pode perder a identidade de vernáculo, de três séculos de história. Duzentos anos atrás ninguém pensava no turista – o Ver-O-Peso sempre foi o entreposto de abastecimento da cidade. Então eu entendo que o Ver-O-Peso tem de ser pensado como um conjunto – ele é um conjunto arquitetônico. Ele não é só a feira, o centro logístico, ele não é só a alimentação aos trabalhadores. O Ver-O-Peso é suas docas, o casario. O que faz o Ver-O-Peso é essa coisa livre, espontânea. É onde se compra o pato, mas se compra o Viagra natural. O turista é simbiótico, ele vai em busca da curiosidade porque o Ver-O-Peso é um mercado popular. O turista é um ator do Ver-O-Peso. Mas a feira e o mercado precisam estar limpos, com segurança. É preciso pensar num grande conjunto e pensar até na readequação de alguns usos, de modo a oferecer uma melhor estrutura para todos. Me dá uma tristeza ver o Solar da Beira largado, sem uso perene. Um lugar lindo e abandonado. O Ver-O-Peso pode ter vias só para pedestres, veículos específicos para circular. Você sabia que o centro histórico de Belém tem quase nove mil prédios de interesse à preservação? É o maior centro histórico do Brasil. Foi demarcado, em abril do ano passado, pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional. As políticas públicas de preservação de sítios históricos têm de ser muito bem executadas e de maneira responsável. A Gaspar Vianna é linda, mas tá lá abandonada. Ninguém intervém. Tô fugindo um pouco do tema, mas é uma delícia ir “lá em baixo” (como os antigos chamavam a zona portuária e o comércio de Belém) comprar tapioca, farinha. O turista é parte daquilo, mas temos que pensar no conjunto. Já o Mercado de São Brás é extraordinário. A gente precisava eleger um silogeu, um grupo de pessoas que tenham o poder de decidir, de maneira prática – uma readequação de uso ali seria perfeito. Tem que se tirar a rodoviária dali – não faz mais sentido que tenhamos uma estação rodoviária ali. O Mercado de São Brás é o nosso Covent Garden (distrito londrino conhecido por seus mercados, lojas e restaurantes). Tudo que você pensa para a cidade tem de ser rápido e objetivo.

uma boa ideia para Belém é exatamente aquela em que nós pensamos Belém em grandes ideias. Sem pressuposições e mais afirmações

Vou te fazer a mesma pergunta que fizemos para o prefeito eleito, Zenaldo Coutinho. Como devolver a Belém o título de “metrópole da Amazônia”, como resgatar a Belém como referência de cidade do Norte? Gostei desse termo. Não sou presunçoso em achar que vivo em uma cidade que eu diga “estou na metrópole da Amazônia”, mas quero ouvir as pessoas dizerem que “estiveram na melhor ci-

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dade do Norte”, “na cidade para a qual eu quero voltar outra vez”. Temos que resgatar a condição de Belém como um dos melhores espaços urbanos para as pessoas. Eu não quero ser petulante de dizer que sou o melhor. Prefiro que quem visita Belém a reconheça como tal. Uma boa ideia pra Belém? São tantas... Então deixa eu mudar a pergunta: o que Belém tem de melhor? Pra motivar que seus visitantes voltem outras vezes? A sua gente de bem. Porque com gente de bem, tudo dá certo. Essa é a maior riqueza de nossa terra. Mas olha, voltando à tua pergunta, uma boa ideia para Belém é exatamente aquela em que nós pensamos Belém em grandes ideias. Sem pressuposições e mais afirmações. E qual teu maior sonho? Eu gostaria de ver Belém resgatar a relação que aconteceu desde o momento de sua fundação até hoje: sua relação com a natureza. É admissível que tenhamos quilômetros e quilômetros de orla fluvial e não desfrutemos 100% disso. O que eu gostaria de ver um dia acontecer em Belém é ver essa orla integrada à nossa cidade; a cidade de frente para as águas, respeitando sua vocação natural. Aí, Belém terá uma outra visão, outra sensação do que é viver em paz com a natureza.

Belém já ostentou [de direito] o título de “Cidade das Mangueiras”. Hoje, tristemente, a capital paraense lidera o ranking das cidades menos arborizadas em todo o país. Ipês, mangueiras, castanheiras - sejam nativas ou não devem ser replantadas. Nossa cidade merece mais verde; merece de volta o título de “mangueirosa”. Exija do poder público o estudo sobre qual espécie é a mais indicada; exija políticas de [re]plantio de nossas árvores.

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entrevista

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Bianca Borges

Anjo Biográfico O autor das consagradas biografias de Nelson Rodrigues, Carmen Miranda e Garrincha fala sobre seu processo criativo, revela por que não gosta de rock e conta que Belém é uma cidade em que se sente “em casa”. Ruy Castro teve um ano bastante movimentado em 2012. Autor de “O Anjo Pornográfico – a vida de Nelson Rodrigues”, o escritor foi referência obrigatória em todos os eventos, reportagens e programas especiais em homenagem ao centenário do jornalista, cronista esportivo e “maior dramaturgo do Brasil”, Nelson Rodrigues, comemorado em agosto passado. Só que, além de ser autoridade quando o assunto é Nelson Rodrigues, ele também é constantemente consultado para falar sobre os mais diversos assuntos, como as recentes efemérides dos 50 anos de lançamento da música Garota de Ipanema e o aniversário de 120 anos da mais famosa praia do mundo, Copacabana. Ao que tudo indica, 2013 deve seguir o mesmo ritmo, com o centenário de Vinicius de Moraes e de Leônidas da Silva, ícone do futebol brasileiro; além dos 30 anos da morte de Garrincha e dos 50 anos sem Lamartine Babo, compositor de marchinhas e autor de hinos para times de futebol. A relação com Nelson Rodrigues começou precocemente. Habituado a ficar no colo da mãe enquanto ela lia em voz alta o capítulo de “A vida como ela é”, a coluna de Nelson para o jornal A Última Hora, o pequeno Ruy notou que as letrinhas impressas no jornal faziam sentido. E foi dessa forma que aprendeu a ler e a escrever sozinho com menos de seis anos, e de quebra ainda se transformou, como ele próprio define, “na criança que mais entendeu de adultério”. Autor de “Carnaval no Fogo - Crônica de uma cidade excitante demais”, Ruy é Cidadão benemérito do Rio de Janeiro e uma fonte privilegiada para

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quem pesquisa a história da cidade. E também para quem deseja saber algum detalhe sobre o Flamengo – ele escreveu “O vermelho e o negro”, sobre a trajetória do clube. Precisa checar uma informação sobre algum personagem da Bossa Nova? Ruy Castro conta todas as histórias possíveis sobre o movimento em “Chega de Saudade”, “A onda que se ergueu no mar” e “Ela é carioca”. E se a discussão se refere a um dos maiores craques do futebol brasileiro, Mané Garrincha, ninguém pode falar com mais propriedade sobre “o gênio das pernas tortas” que o seu biógrafo. O trabalho de Ruy como biógrafo, inclusive, é um modelo de pesquisa historiográfica, apuração jornalística e estilo narrativo. E também revela seu caráter obstinado, que beira a obsessão. Tanto que na época em que descobriu estar com câncer de garganta não interrompeu o trabalho: escreveu a maior parte de “Carmen – uma biografia” ao longo do tratamento, mesmo quando estava internado. Depois, voltou pra casa, concluiu os 12 capítulos restantes e lançou o livro que considera seu trabalho mais bem-acabado, com 550 páginas. “O meu medo não era morrer. Era não terminar o livro”, revelou na época do lançamento. Na entrevista concedida à Revista Leal Moreira, Ruy Castro revela detalhes do processo de trabalho nas biografias, fala sobre suas preferências musicais e antecipa os projetos que pretende desenvolver ao longo deste ano. Mas – a quem interessar possa – ele já avisou, em entrevista concedida em 2006 a um portal na web: “Se alguém quiser escrever minha biografia, será problema dele. Mas só por cima do meu cadáver”. »»»

Daryan Dornelles / divulgação


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No último ano, você participou de discussões sobre a vida e a obra de Nelson Rodrigues em diferentes esferas: a jornalística, a teatral e da crônica esportiva. Como avalia as homenagens em comemoração ao seu centenário? De todos os centenários (ou cinquentenários) de que participei nos últimos anos, este foi o mais bem-sucedido. Talvez só os 50 anos da Bossa Nova, em 2008, se comparem. Falou-se e celebrou-se Nelson Rodrigues em 2012 no país inteiro. Um dos motivos para isso foi o Nelsinho Rodrigues, filho do homem, que esteve à frente do processo, participando e autorizando, liberando o país para homenagear seu pai. Se você acha isso pouco, pense em outros herdeiros de figuras ilustres, que quase sempre se comportam como abutres, querendo cobrar até por entrevistas sobre seu pai, tio ou avô... Qual faceta “rodriguiana” é ainda pouco conhecida do grande público? Estamos falando do maior dramaturgo brasileiro e um dos maiores do mundo. Por incrível que pareça, talvez essa faceta de Nelson ainda continue pouco conhecida do grande público: a do teatrólogo. Acho que muito mais pessoas deveriam ir ao teatro ver suas peças. Você já declarou que o mais impressionante da vida de Nelson é que ele tenha vivido todos aqueles acontecimentos em uma única vida. Quais fatos desse biografado mais o impressionaram? O assassinato de seu irmão Roberto, o empastelamento e destruição do jornal de sua família, sua tuberculose, a consagração com “Vestido de noiva”, o megassucesso popular com “A vida como ela é...”, as inúmeras proibições de sua obra, a tragédia de sua filha Daniela, o irmão Paulinho que morreu num desabamento em Laranjeiras, o filho Nelsinho, que ingressou na luta armada e foi preso e tortura-

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do por um regime que Nelson até então defendia... Quer mais? Durante a produção de uma biografia, em que se está imerso na vida daquela pessoa, acontece de o biógrafo “absorver” alguns sentimentos de seu biografado enquanto relata a história? Sim, não há como o biógrafo não se deixar tocar. Aliás, o biógrafo é o primeiro a se emocionar com a biografia. Por que você recusou o convite, feito por uma grande editora, para escrever a biografia de Millôr Fernandes, logo depois que ele morreu, no ano passado? Porque ainda não é a hora de escrever a biografia do Millôr. Nem a de ninguém que acabou de morrer. É preciso dar um tempo para a pessoa começar a ser vista na sua verdadeira medida. Quando morre, todo mundo se emociona e só se veem as suas qualidades. Você definiu, em depoimento gravado para o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, que o trabalho do biógrafo situa-se na fronteira entre Jornalismo, Letras e História. Mas a esse conhecimento precisaria estar atrelada uma “vivência de rua”. Por que essa vivência é importante? Porque uma biografia não se limita à obra do sujeito, refere-se principalmente à vida. Supõe-se que o biógrafo tenha um mínimo de vivência para poder trabalhar com a do personagem. E lugar de vivência é, em grande parte, na rua. E de noite, que é quando as coisas acontecem. Como funciona seu processo de trabalho com as biografias? É verdade que prioriza o levantamento de informações e documentos para só depois escrever? Qual a média de entrevistas que realiza por livro? É isso mesmo: primeiro, apurar tudo; e só depois »»»


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Bob Dylan sempre foi o rei dos chatos, o chato supremo. E David Bowie, sinceramente, mal sei quem é ou foi – cantava, rebolava, tocava sanfona, fazia o quê?

escrever. Acho que uma biografia exige pelo menos de 170 a 200 fontes. A uma média (média, disse eu) de cinco entrevistas por fonte, ponha aí 1.000 entrevistas ou perto disso. Quanto mais fontes e entrevistas, mais rica a narrativa fica e menor é a possibilidade de erros. Com tanta gente falando, pode-se ter certeza de que, se houver um fato escabroso e “secreto” na vida do sujeito, ele inevitavelmente aparecerá. Trinta anos após a morte de Garrincha, que imagem do “gênio das pernas tortas” ficará na memória do Brasil? Corre-se o risco de o Brasil esquecer Garrincha? Não, ninguém esquece o Garrincha. Todo ano, no mês da sua morte, saem matérias e criam-se eventos. O problema é que, se existe, a grande parte do material filmado sobre ele está guardada ou sumida. Garrincha não pegou o videotape, só a filmagem em película. Daí a escassez de material. Somos obrigados a ver aquelas mesmas jogadas toda vez... Ainda hoje há quem não consiga encontrar um único exemplar de “Estrela Solitária” à venda nas livrarias. A reimpressão do livro está liberada? O livro está liberado desde novembro de 1996 e, se é difícil encontrá-lo, é porque as livrarias só exibem os livros lançados até o mês passado. Mas ele continua vendendo, a uma média de 180 por mês nos meses fracos. Com os 30 anos da morte de Garrincha, em janeiro, as vendas devem ter subido muito. O processo contra a Companhia das Letras é que se arrastou por 11 anos, até 2006, mas foi finalmente liquidado.

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Qual sua opinião sobre a legislação brasileira para as biografias não autorizadas? O que ainda precisa ser compreendido – ou discutido – em torno dessa questão? Tudo já foi discutido, não há mais nada a falar. O que é preciso é que os deputados votem o raio da lei e liberem as biografias. Biografia é biografia não autorizada, o resto é conversa fiada. “Garota de Ipanema” completou meio século e, ainda hoje, existem lendas que cercam a música. A mais famosa, provavelmente, é a de que foi composta por Tom e Vinicius durante uma tarde em que estavam a uma mesa no bar Veloso (hoje Garota de Ipanema). Só que em “Chega de Saudade”, você esclarece que não foi bem assim. Como, na verdade, essa canção nasceu? Tom e Vinicius viram a jovem Heloisa passar, acabaram de beber seu uísque, pagaram e cada qual foi para sua casa. Algumas semanas depois, nasceu um samba. A música foi feita na rua Barão da Torre, 107 [para onde Tom tinha se mudado depois da Nascimento Silva, 107]. E a letra, num apartamento no Parque Guinle e numa casa em Petrópolis, ambos da bela Lucinha Proença, com quem Vinicius era casado na época. Pode-se imaginar uma canção daquela riqueza feita numa mesa de bar? Além disso, os donos atuais do botequim, que tanto gostam da história de a canção “ter sido feita lá”, se esquecem (ou não sabem) que o proprietário na época proibia que se tocasse violão nas mesas... Certa vez, em claro tom de brincadeira, você afirmou que Nelson Motta, seu colega, tem um problema: “ele gosta de tudo!”. Já você é conhecido por »»»


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deixar claro aquilo de que não gosta. Por que você não gosta de rock? Porque gosto de música. Por sorte, o século XX produziu grande música popular até mais ou menos 1970 – donde tenho muito o que escutar até morrer. Pra você, o que a música precisa ter para ser digna deste nome? Beleza. Ou criatividade. E, principalmente, musicalidade. Gosto de ouvir música tocada por músicos, não por enganadores. Não estou aqui para ouvir esporro, pancadaria, urros. Mas não há o que se salve no rock? Nem Beatles, Rolling Stones, Bowie ou Dylan? Os Beatles eram extraordinários – sempre foram muito musicais. Há até quem ache que eles não fazem rock, de tanta música que suas canções contêm. Quanto aos Rolling Stones, como dizia o Truman Capote (que era amigo deles), “Se as letras dos Rolling Stones fizessem sentido, seriam péssimas”. Bob Dylan sempre foi o rei dos chatos, o chato supremo. E David Bowie, sinceramente, mal sei quem é ou foi – cantava, rebolava, tocava sanfona, fazia o quê? Além da música feita de 1970 pra cá, você também não aprecia o cinema contemporâneo – exceto alguns filmes do Woody Allen... Há mais alguma exceção no cinema atual? Deve haver, mas não me interesso. Suponha que eu só me interessasse por literatura do século XIX – alguém ficaria me cobrando por não ter lido o último livro do Paulo Coelho? Não. Ou que eu só gostasse de música clássica, do Beethoven pra trás – alguém ficaria me cobrando por não ter ainda ouvido o último disco do Lobão? Não. Isso só acontece com o

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cinema. Ninguém entende que eu só me interesse pelo cinema de 1970 para trás. “Ah, mas você está perdendo o Fulano, o Beltrano...” (Suspiro) Então, tá, estou perdendo, azar o meu... Entre os seus projetos para 2013 há algum romance ou biografia? Vou fazer um livro de imagens sobre Carmen Miranda, a sair no fim do ano, juntamente com a abertura do novo Museu da Imagem e do Som do Rio, que terá Carmen como âncora. E, se conseguir terminar, um romance para a Alfaguara, cujo personagem principal é D. Pedro II. Em “Terramarear - Peripécias de dois turistas culturais” (Companhia das Letras, 2011), escrito a quatro mãos com sua esposa [a também escritora Heloísa Seixas], há o relato de sua visita a Belém e do encontro com a tradicional maniçoba. Como foi essa experiência? Quais recordações guarda da cidade? Quando estive em Belém pela primeira vez, em 1983, conheci o velho Ruy Barata [poeta paraense, autor de “Esse rio é minha rua”]. Convidou-me a jantar em sua casa, serviram-me maniçoba. Até hoje me dou com o Ruy, filho dele, médico em São Paulo. Tínhamos um enorme amigo em comum, Fernando Pessoa Ferreira, que morreu há dois anos, praticamente nos nossos braços. Conheço também o Paulo André, mas não o vejo há séculos. Também sou amigo da Fafá e de muitos paraenses espalhados pelo Brasil. Adoro Belém, já fui aí várias vezes desde 1983 e não deixo de comer maniçoba. Se não vou mais é por falta de tempo mesmo. É uma das cidades fora do Rio em que me sinto mais em casa – gosto da arquitetura, do calor úmido, e acho o máximo estar cercado de tantos torcedores do Flamengo.


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Celso Eluan empresário celsoeluan@ig.com.br

HAJA COMPETIÇÃO Quando numa modalidade esportiva algum país periférico se destaca, logo vem a pergunta: o que faz dele especialista nessa competição? Os quenianos são destaque absoluto nas provas de média e longa distância. Pesquisadores correram para a região de Eldoret, de onde vem a maioria dos campeões, a fim de entender as razões do alto desempenho. Avaliaram que a altitude colabora com a capacidade pulmonar e a resistência. Concluíram ainda que a dieta local rica em carboidratos é mais que adequada para o desgaste da prova. Investigaram características genéticas locais, mas não acharam nenhuma diferença relevante. No entanto, no Peru, Colômbia ou qualquer país andino também tem elevadas altitudes e dieta rica em carboidrato e de lá nunca surgiu nenhum campeão olímpico nessa modalidade. Na Jamaica, ao contrário, a especialidade são os fundistas, corredores de curta distância. Num país insular com população inferior a três milhões de pessoas, como podem sair tantos campeões de 100 e 200 metros, as provas de maior destaque no atletismo? Especulou-se até que a batata-doce, muito consumida em todo o país, seria uma das razões. Dos países asiáticos, a China em destaque, saem os melhores mesatenistas do mundo. Será que o olho puxado ajuda a enxergar melhor a bolinha do tênis de mesa? Ninguém supera os americanos quando se fala de basquete e, em especial, os gigantes afrodescendentes. Mas por que nenhum

país africano, de onde saíram os antepassados desses campeões das quadras, nunca se destacou, nem de longe, no esporte da cesta? Depois de muita investigação, a conclusão dos especialistas (e mesmo leigos como eu) leva a um fator comum a todos: a intensa dedicação aos treinos. Nosso maior cestinha, Oscar, afirma em suas palestras que acha curioso o apelido de Mão Santa que lhe aplicaram. Ele afirma: - Treino 10 mil arremessos por dia e ainda acham que sou “Mão Santa”? Um fator clássico para surgir um campeão é que haja muita gente praticando aquele esporte para que o espírito competitivo destaque os melhores. Se aqui no Brasil pensarmos em formar um time de hóquei certamente não será muito competitivo, pois os melhores daqui serão retirados de uma base de poucos praticantes e estes não têm referência de padrões mais elevados para se comparar. No entanto, em futebol ou vôlei, certamente podemos fazer 10, 20 ou mais seleções altamente competitivas. Os campeões tornam-se celebridades em seus países, dão autógrafos nas ruas, são identificados em qualquer lugar, apresentam sinais de novorriquismo como carros de luxo, iates e mansões. Aqui no Brasil, Neymar que o diga. Pois é, o que me chamou atenção foi ver que na Coreia do Sul, algumas celebridades são destaques num ‘esporte nacional’ de altíssima competitividade: ensinar e aprender. Professores de ponta são celebridades nacionais com ganhos milionários.

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Além dos campeonatos de videogames, os coreanos se destacam em qualquer olimpíada científica. São treinados para serem os melhores. Existe uma alta competitividade que promove uma elevação do nível geral de todos. Exatamente como acontece com os fundistas da Jamaica, os maratonistas do Quênia ou os mesatenistas chineses. Só que diferentemente dos outros esportes, a educação e essa obstinação por ensinar e aprender levou a Coreia, de um país arrasado e dividido pela guerra na década de 50, a um dos líderes em tecnologia mundial. Além disso, essa competitividade desenvolveu e enriqueceu o país que há meio século tinha uma renda per capita de US$ 80 (metade da de Gana à época) e hoje passa de US$ 20 mil. Diferentemente dos coreanos, estudar não é exatamente um esporte que o brasileiro tenha afeição. Para nossa cultura, passar de ano é suficiente. Não premiamos nem destacamos os melhores, aliás, estes até se escondem para não sofrerem bullying e serem discriminados. CDF, nerd e outras denominações menos publicáveis são logo sacadas para definir e segregacionar os diferentes. Nossa cultura é da média, nota sete tá bom, passou de ano, parabéns. A partir dessa comparação já poderíamos desenvolver um livro, mas não vou abusar da sua paciência que o trouxe até esse ponto. Para encerrar quero deixar um questionamento: em quem você apostaria seus tostões como país do futuro, Brasil ou Coreia?


comportamento

Christiane Lobato é Delegada Geral Adjunta da Polícia Civil do Pará. Bela e vaidosa, ela comemora o novo perfil da força em todo o país.

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Fábio Nóvoa

A nova revolução feminina Foram séculos de evolução. Da condição de total subserviência à descoberta do segundo sexo, um longo [e por vezes tortuoso] caminho foi percorrido pelas mulheres, que deixaram a fragilidade em casa e foram à luta.

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ão faz tanto tempo assim, quando as convenções sociais ditavam que o homem deveria ser o provedor da casa. Quando a Segunda Guerra Mundial estourou, muitos homens foram chamados para as fronteiras, cabendo às mulheres o novo papel de administrar a casa e ir atrás do seu sustento e de seus filhos. Quando a guerra findou, uma mulher ousou afirmar que “não nascia-se mulher. Fazia-se mulher”. Quando Simone de Beauvoir lançou seu “O Segundo Sexo”, as sementes do feminismo foram lançadas a um solo fértil da insatisfação delas. Anos depois, nos Estados Unidos, em protesto contra a ditadura da beleza, elas reuniram os símbolos de opressão e os queimaram em praça pública. No Brasil, elas lutaram pelo voto e conseguiram o direito ao sufrágio em 1932 (leia box), mas uma nova revolução feminina está acontecendo. Longe de queimar sutiãs, porém, as mulheres estão buscando seu espaço profissional, ocupando cargos que antes eram considerados masculinos. E em qualquer profissão, a tendência é que a presença feminina seja cada vez maior. Para isso, elas estão mostrando-se pioneiras e sabem lidar com todas as dificuldades, em busca de mais destaque (e igualdade) no mercado de trabalho. Christiane Lobato, 37 anos, é uma delas. Bela e vaidosa, ela é apenas um espelho do novo perfil da Polícia Civil no Brasil e, principalmen-

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te, no Pará. Christiane é delegada de polícia. E está muito longe dos estereótipos de policial que povoam o imaginário coletivo. Delegada geral adjunta da Polícia Civil do Estado do Pará, ela ingressou na Polícia Civil, em 2005, período no qual atuou em delegacias do Marajó. Foi diretora de seccionais e diretora de Atendimento aos Grupos Vulneráveis, responsável pela coordenação das Delegacias da Mulher; da Criança e Adolescente; de Proteção ao Idoso; de Crimes Discriminatórios e Homofóbicos e de Tráfico de Pessoas. A escolha profissional veio quase por acaso. “Na verdade, nunca pensei em ser policial. Depois que me formei em Direito, comecei a fazer concursos públicos, sem objetivos concretos. Passava e fazia para ver se me identificava. Acabei passando para a Polícia. E aí, você acaba se apaixonando”, afirma. “Os dias nunca são iguais. Apesar das dificuldades, você sente a vontade de continuar, não só pelo trabalho, mas que a população sinta que a Polícia mudou”. Para Christiane, a mudança no perfil policial já se reflete no atendimento à população. “É importante que a população veja essa mudança. Sabemos que ainda temos o que mudar, e as melhoras sempre vêm a longo prazo. Hoje, a Polícia Civil de muitos estados, como o Pará, deixou de trabalhar só na repressão. Trabalhamos também na prevenção. Investimos muito na »»»

Dudu Maroja


Ana Luna Lopes é a única sommelière em todo o estado e diz que a profissão exige muito estudo e disciplina.

questão social”, garante. “A população ainda tem preconceito com o trabalho policial. Muitas vezes, a pessoa sofre o crime, mas não procura a polícia, porque ela acha que vai ser atendida por uma pessoa grosseira, em um ambiente sujo, e a gente luta diariamente para que isso mude”, afirma. A delegada diz que, assim como em outras profissões, existem “prós” e “contras” no trabalho feminino. “As mulheres são mais detalhistas, elas se preocupam muito com as pequenas coisas – não só do procedimento em si, mas também no atendimento ao público. Você nota essa diferença. Não que o homem não seja sensível, mas as mulheres têm essa característica na própria cultura, que ela traz de casa. Querendo ou não, o trabalho é extensão da nossa família, da nossa vida”, reitera. “E pelo fato da mulher ter a família, ter o filho, uma obrigação a mais, o homem tem mais facilidade no trabalho externo. O homem pode passar 30 dias no interior, por exemplo, mas a mulher dificilmente. A mulher tem a casa, os filhos, o marido. E historicamente, a mulher tem a obrigação no ambiente familiar. Você tem que equilibrar isso”. Assim mesmo, ela acha que o trabalho é gratificante, apesar do dia a dia estressante. “A nossa

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profissão é arriscada, não somente pelos riscos reais, mas porque você se desgasta mais emocionalmente. Às vezes, as mulheres têm interesse em seguir a carreira na Polícia, mas os próprios pais e a família são resistentes. A minha mãe vive dizendo que, por ela, eu não seria da Polícia. E olha que eu não levo trabalho algum para casa”, brinca. “Eu acho que tem que amar o que você faz, se dedicar, se dedicando acaba conseguindo destaque. As pessoas que conseguem trabalhar com excelência, elas se sobressaem”, ensina. Christiane é vice-presidente do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM) e membro do Comitê Estadual de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Ela também prestou assessoria às CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) do Tráfico de Pessoas, em Brasília, de combate à Pedofilia e do Tráfico de Pessoas, na Assembleia Legislativa do Pará. Foi condecorada com o prêmio “Dulce Accioli”, em 2009, pela Câmara de Vereadores de Belém. Ela comandou também as investigações iniciadas no Pará que resultaram na descoberta de uma rede de tráfico de pessoas e de prostituição em São Paulo, em 2011.

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Acima das dificuldades, o prazer No caso de Ana Luna Lopes, 40 anos, o pioneirismo feminino tem um sabor especial. Ou melhor, vários sabores e aromas. Ela é a única sommelier mulher em atividade no Pará e trabalha em uma das maiores lojas de vinho da região. A paixão pela bela bebida nasceu em terras europeias. “Eu morei na Itália por muitos anos e sempre fui apaixonada por gastronomia, que é sagrada na Europa. E chegar até os vinhos foi bem fácil a partir daí”, garante. “Comecei a viajar muito pela Europa, conhecer lugares e países diferentes. Me apaixonei pela França, estudei francês, comecei a viajar e conhecer as principais ‘mecas’ deles: Bordeaux, Borgonha, Champagne”, diz, citando as regiões mais importantes na produção da bebida no mundo. Longe de ser apenas um degustador de vinhos, o trabalho do sommelier, diz Luna, é variado e requer muito estudo. “Nós não só degustamos vinhos. Talvez essa seja a parte divertida da profissão. Mas, no fundo, a nossa profissão é muito difícil, requer conhecimento, disciplina, sensibilidade”, explica. “O sommelier controla o estoque, conhece bem o mercado, conhece todas as novidades em nível mundial. Além disso, claro, tem que saber vender, saber respeitar o cliente, ter conhecimentos variados, ter uma cultura extensa também. Vinho e cultura estão bastante associados”. Mas, para chegar até aqui, é preciso trilhar um longo caminho. “Um bom sommelier tem que estudar muito, conhecer outro idioma. Além do italiano, tem que conhecer, no mínimo, o inglês e o francês. O estudo acadêmico é importante. Mas, você tem que se atualizar o tempo todo, conhecer as regiões, o clima, para chegar a ter um conhecimento não abstrato”, garante. “Quando viajam, as mulheres ‘normais’ compram sapatos. Eu compro vinhos”. As maiores dificuldades, ressalta, estão em conseguir a formação adequada, que requer tempo e dinheiro. “Nem mesmo os cursos da Associação Brasileira de Sommeliers chegam até aqui. Quer dizer, as mulheres interessadas em estudar, em Belém, têm esse limite. Têm que ir pra São Paulo, Rio ou Brasilia, para fazer um curso da ABS”. Mesmo assim, Luna diz que já existem iniciativas para mudar esse panorama. “Criar uma plateia é muito importante, para que as pessoas que se interessam por vinho possam buscar um conhecimento maior”, ensina. “O aspecto mais importante do meu trabalho é a formação, fazer com que as pessoas conheçam mais. Somente harmonizar um prato é muito limitado. Precisamos saber mais”. Luna garante que o público feminino é mais interessado quando o assunto é a bebida. “A maioria das mulheres que fizeram cursos comigo, continuam como estudiosas do vinho. As mulheres têm muito mais sensibilidade, nosso olfato é mais aguçado e temos uma característica muito feminina que é a curiosidade”, avalia. “Quando é um casal que vem aqui, é ela que acaba escolhendo”, brinca. Ela cita ainda o aumento no poder de con- »»»


Hildelene Bahia é comandante do navio petroleiro Rômulo Almeida. Na página ao lado, Vanessa Cunha dos Santos é imediata do navio da Marinha Mercante.

acesse o QR e confira mais fatos curiosos sobre a evolução feminina

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sumo como um dos fatores importantes para o crescimento do interesse da população pelo vinho. “Existe hoje uma revolução nos gostos. Hoje as pessoas falam naturalmente de gastronomia, ligado ao momento econômico do Brasil, as pessoas compram mais, buscam mais”, avalia. Mas, existe preconceito por ela ser mulher entre os clientes? Segundo a especialista, se este existe, fica do lado de fora da imensa adega que compõe a loja da Braz de Aguiar. “Tinha preconceito na Europa, quando comecei a estudar. Eu era estrangeira. Eles têm esse tipo de preconceito. Um pouco de arrogância, não generalizando. Eles se perguntam se uma brasileira ia ter o mesmo conhecimento que eles, europeus”, garante. “Tenho clientes habituées que já perceberam meu conhecimento e acreditam no trabalho”. E para as mulheres que queiram seguir esta carreira fascinante, a dica dela é a perseverança. “Eu diria que a mulher tem que seguir sua paixão. As dificuldades são muitas. Tem que ir para outros estados do Sudeste, onde temos ótimas escolas. Mas é um percurso muito complicado. Tem que ter muita paixão, o investimento é alto. Você escolhe essa paixão e tem que investir nela”, complementa.

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Desbravando os mares Hildelene Lobato Bahia e Vanessa Cunha dos Santos devem fazer história em fevereiro de 2013, quando embarcam no navio petroleiro Rômulo Almeida, da Transpetro. É que as duas serão as primeiras mulheres no Brasil a comandar um navio da Marinha Mercante. Hildelene é a comandante. Vanessa é a imediata. Hildelene se tornou a primeira comandante da Marinha Mercante Brasileira aos 39 anos. Nascida em Icoaraci, distrito de Belém (PA), formou-se em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Pará (UFPA), prestou concurso, quase que por acaso, para a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM). Fez a prova apenas para acompanhar o irmão, que havia feito a inscrição. Aprovada, passou a integrar o primeiro quadro feminino do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), em Belém. Em 2003, foi aprovada no concurso público da Transpetro e passou a ser uma das primeiras mulheres a trabalhar na frota da Companhia. Na primeira vez que embarcou, era a única figura feminina a bordo do navio Lorena. Além da estranheza dos tripulantes, Hildelene teve de driblar os receios dos pais, que acreditavam ser uma mudança mui-


to forte na vida da filha. Lá, tornou-se segundo e primeiro piloto, a primeira mulher no Brasil a chegar a imediato – segundo cargo na hierarquia de um navio – e a primeira capitã de cabotagem. Em 2009, Hildelene assumiu o comando do navio Carangola, tornando-se a primeira mulher a ocupar o posto mais alto da hierarquia da Marinha Mercante. Em 2012, foi nomeada capitã de longo curso, sendo a única mulher no Brasil apta para navegar pelos mares do mundo inteiro. “O mercado de trabalho para os marítimos no Brasil está aquecido e a carreira na Marinha Mercante nunca foi tão promissora. Nesta profissão, é possível ter estabilidade financeira e perspectiva de crescimento acelerado. No meu caso, por exemplo, cheguei ao posto de comandante em apenas 10 anos”, declara. Hildelene destaca as palavras-chave para quem deseja ingressar na Marinha Mercante: dedicação e estudo. E Hildelene não está só nesta missão. Aos 30 anos de idade, Vanessa Cunha dos Santos está ao lado da comandante Hildelene. Juntas compõem a força feminina nos postos de comando do quarto navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) a entrar em operação. Aos 18 anos, prestou diversos concursos e vestibulares. Na época, já formada como técnica em química foi aprovada no concurso para a Petrobras, na Es-

cola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM) e na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Vanessa, que até então nunca tinha pensado seriamente em ser marítima, apaixonou-se pela carreira e realizou o sonho ao ingressar na Transpetro. Foi admitida na Companhia em 2005, quando as mulheres a bordo eram raridade. Nessa época, Hildelene era empossada como a primeira imediata mulher da Marinha Mercante e, Vanessa, queria ser como ela. “Tenho muito orgulho de ser uma das poucas mulheres a ocupar atualmente um cargo de chefia na Marinha Mercante. Acredito que cada vez mais as mulheres vão optar por seguir este promissor caminho”, afirma. Águas nunca antes navegadas A carioca Dalva Maria Carvalho Mendes também é uma desbravadora de mares. Aos 56 anos, ela é a primeira militar a ocupar o posto mais alto da marinha para as mulheres, promovida do posto de capitão de mar e guerra (equivalente a coronel, no Exército), para o de contra-almirante (equivalente a general de duas estrelas), em novembro de 2012. Médica anestesista, ingressou nas Forças Armadas em 1981, no primeiro grupo feminino que entrou no serviço militar no país, após se inscrever em con- »»»

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fatos femininos • Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial mostrou que 11% dos executivos que atuam no Brasil são mulheres. O Brasil já é o quarto país com mulheres liderando grandes corporações. • Segundo a Polícia Civil do Estado do Pará, dos 518 delegados de Polícia em atuação no Estado, 187 são mulheres contra 331 homens, o que representa um percentual de 36% do quantitativo total. Já entre os investigadores, o número é de 1.154 investigadores e 191 investigadoras.

curso público. “Como havia poucos concursos públicos na época, houve uma corrida de mulheres. Foram cerca de 12 mil candidatas inscritas”, lembra. “Foi uma grande oportunidade, era uma tendência da época, procurar caminhos para seguir na carreira militar.” Dalva não teve nenhum familiar seguindo o mesmo caminho. Ela decidiu percorrer esse caminho pela paixão ao mar e à Medicina. “Comecei trabalhando no Hospital Marcilio Dias de alta complexidade da Marinha”. A oficial trabalhou de 1981 até 2009 no Hospital, chegando ao cargo de vice-diretora. Foi ainda diretora da Policlínica Naval Nossa Senhora da Glória, onde possui várias condecorações como a Ordem do Mérito Naval, Medalha Mérito Tamandaré e Medalha Militar com Passador de Ouro. Dalva lembra que a adaptação não foi simples. “Nós tivemos que ter um curso de adaptação. Não foi uma adaptação só nossa, foi uma adaptação da Marinha também”. Hoje, a Marinha possui cerca de 6 mil mulheres. “Foi um ganho grande para as forças armadas e para a sociedade. A sociedade não pode deixar de lado o trabalho feminino”, afirma. Ela acredita que as pessoas, de maneira geral, já veem o trabalho das mulheres no serviço militar de maneira normal. “As mulheres já estão em todos os trabalhos. Antes havia um estranhamento, hoje é cada vez menor”, diz. Para ela, o mais importante para exercer um cargo de liderança é o amor ao trabalho. “Eu sempre digo para os meus filhos: não importa o que vocês querem fazer, o importante é fazer com a alma, com o amor, no trabalho que nos deixa felizes. Corra sempre atrás dos seus sonhos, sempre respeitando os seus companheiros de jornada”, ensina. “A receita para conciliar o trabalho com a família é a união. Se tem parceiros, se há companheirismo, você consegue lidar com todas as coisas”. A médica anestesista Dalva Maria Carvalho chegou ao maior cargo de uma força brasileira. Elevada à condição de contra-almirante recentemente, ela comemora que as mulheres estejam alçando voos cada vez mais altos.

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galeria

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Arthur Nogueira

Solidão sem melancolia O espanhol J.R.Duran, reconhecidamente um dos maiores fotógrafos do país, revela um lado artístico pouco conhecido: o de retratar os quartos dos hotéis em delicadas aquarelas.

A

vesso a qualquer rótulo que possa cercear a arte ou a própria vida, J. R. Duran é um homem inquieto. Apesar de ser um dos fotógrafos mais requisitados do país, ele sempre fez questão, durante toda a carreira, de não limitar a sua expressão à fotografia. Ela é preservada como um dos caminhos possíveis, dentre tantos trilhados pelo olhar particular que ele lança sobre o mundo. Conhecido no Brasil por ensaios de moda e retratos de beldades para revistas masculinas, Josep Ruaix Duran nasceu em Barcelona, em 1952. Veio para cá na década de 1970, aos 18 anos, por motivos familiares. Àquela altura, devido à tensão do momento político que a Espanha atravessava, o Brasil representava para o jovem catalão a mesma coisa que, segundo ele, depois de tantos anos, representa ainda hoje: “um lugar de muito sol, de muito calor, de gente muito bonita.” Em São Paulo, onde fixou residência, Duran estudou Comunicação na Faculdade Anhembi e deu os primeiros passos profissionais como assistente do fotógrafo Marcel Giró. O estúdio próprio só foi montado no final da década de 1970, quando ele passou a trabalhar com moda e publicidade - ramos que o tornaram nacionalmente conhecido. Em mais de trinta anos de carreira, o estrangeiro foi agraciado com dezenas de prêmios de fotografia e concebeu ensaios sensuais de celebridades como Xuxa, Cláudia Raia, Maitê

Proença e Adriane Galisteu para a revista ‘Playboy’. Ao ser questionado sobre a sua trajetória profissional, J. R. Duran opta por celebrar o presente: “gostaria mesmo de falar do meu último livro.” Mas, admite: “trilhei os caminhos que eu achava que tinha que trilhar para chegar aonde queria. Não foi fácil, mas percebo que também não foi tão complicado assim.” O referido “último livro” tem o título ‘Cadernos de Viagem’ e foi publicado em 2012 pela Editora Benvirá. Ao contrário do que se espera do trabalho de um retratista de sucesso, a publicação não inclui nenhuma fotografia. Consiste em um diário de viagem ilustrado por aquarelas, que registra a passagem de J. R. Duran por 54 quartos de hotéis em 35 países. Faceta pouco conhecida do fotógrafo catalão, pintar é uma atividade antiga, na qual ele investiu em aperfeiçoamento ao longo dos anos. “Não é que eu seja um pintor, mas um ilustrador, talvez. Quando fazia as minhas aquarelas, os meus diários, eu não pensava que esse material poderia um dia ser publicado”, confessa. O conteúdo do livro foi produzido no período de três anos, mais precisamente, de janeiro de 2008 a janeiro de 2011, em cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Itu, Pequim e Johannesburgo. Sobre o sentimento de solidão, o “estou a zero” que uma noite de hotel, como diz a canção de Caetano Veloso, pode despertar, Duran »»»

arquivo pessoal


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Certa vez, eu fui a Belém e, quando comecei a fotografar, percebi que todas as fotos pareciam ser dele, porque a luz é única em Belém.

considera um aspecto positivo desse trabalho. Longe de qualquer melancolia, ele reconhece a sua estada nesses lugares e os experimentos que resultaram no livro como uma busca solitária por compreender melhor o universo ao seu redor. “Em viagens, existem aqueles momentos mortos. Por exemplo, eu acordo às seis horas da manhã, mas o meu compromisso é às nove, então, em vez de ir ver televisão, transformo a espera em literatura e pinto o que eu não posso capturar com a câmera”, explica. Para esse artista multifacetado, é clara a distinção entre as formas de expressão artística com as quais trabalha. “A fotografia diz muita coisa, mas é uma obra em aberto. A escrita tem um desdobramento mais profundo. Enquanto a fotografia é mais direta, mais impactante, o texto conduz a labirintos que escondem muitas coisas”, garante. Ainda assim, apesar das diferenças, as experiências se entrecruzam. Afinal, as viagens que provocaram a produção literária e as aquarelas só foram possíveis graças à fotografia, isto é, surgiram devido aos trabalhos fotográficos que Duran precisou realizar naqueles lugares. Este, segundo ele, foi mais um ponto a favor, porque “quando você viaja a trabalho, a imersão no lugar é mais profunda.” Em texto disponível no site oficial de J. R. Duran - jrduran.com.br, o jornalista Thales Guaracy, editor do ‘Caderno de Viagens’, descreve a publicação como “um livro impecável, único, de um talento brasileiro”. A respeito disso, Duran admite que, depois de tanto tempo vivendo no Brasil, foi impossível não ser absorvido pela

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força e personalidade da cultura do país. “Hoje, quando eu volto para a minha terra, eu sou um estrangeiro em Barcelona. Acho que eu devo ser mais brasileiro do que qualquer outra coisa. Não tem como não ser”, reconhece. Fora do âmbito pessoal, ao medir a influência do Brasil em sua trajetória profissional, Duran cita o exemplo de um paraense, o fotógrafo Luiz Braga. “Certa vez, eu fui a Belém e, quando comecei a fotografar, percebi que todas as fotos pareciam ser dele, porque a luz é única em Belém. Você começa a sentir como se estivesse pisando em um território que pertence ao Luiz Braga, o que é verdade. Todo mundo absorve impressões do lugar onde mora.” Referências Quando está às voltas com a concepção de um novo trabalho, seja na fotografia ou na literatura, J. R. Duran procura deixar de lado todas as influências externas, de modo a perseguir, dentro de si, um estilo próprio e livre. “Nessa fase, tento ler somente escritores neutros, que não tenham um estilo bem marcado. Leio biografias, por exemplo”, conta. Tudo para não ser, segundo as suas próprias palavras, “contaminado”. Quando não está trabalhando, porém, ele se considera um dedicado apreciador de arte. “As influências que eu tenho se misturam, entre fotógrafos, cineastas e pintores. Por exemplo, os pintores do século XIX, os cineastas franceses da Nouvelle Vague e muitos fotógrafos. Se você der uma olhada em minha estante de livros, tem de tudo”, observa. “Eu não posso dizer um nome, dois nomes, porque eu vou absorvendo pedaci- »»»


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Veja mais acesse o QR e veja galeria com todas as aquarelas de J.R. Duran

nhos de cada um”, continua ele, que se diz interessado não só na produção, mas na história de vida dos artistas que admira. “No ano passado, eu estava lendo sobre Caravaggio e cheguei a fazer uma viagem para Malta só para contemplar ao vivo uma de suas telas, a ‘A Decapitação de São João Batista’. Mesmo assim, se você procurar a luz de Caravaggio nas minhas fotos, não vai encontrar”, pondera. Já o fascínio pela literatura, J. R. Duran atribui, em grande parte, a dois autores franceses, Michel de Montaigne e Marcel Proust. “Os ensaios de Montaigne têm tudo a ver com fotografia, com a busca da melhor forma de enxergar as coisas, de trazer o mundo para dentro dos olhos”, poetiza. “No ano passado, eu fui ao Castelo de Montaigne e até deitei na cama dele, quando ninguém estava olhando!”, conta, bem-humorado, em mais uma referência ao inquieto viajante que abriga dentro de si. Aliás, a respeito da influência de Proust, quando declara que existem coisas que a câmera não é capaz de capturar, Duran poderia citar o seguinte trecho de ‘Du côté de chez Swann’, em tradução de Mário Sérgio Conti: “quando nada subsiste de um passado antigo, depois da morte dos seres, depois da destruição das coisas, solitários, mais frágeis mas mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, o odor e o sabor restam ainda por muito tempo, como almas, a recordar, a aguardar, a esperar, sobre a ruína de todo o resto, a carregar sem vergar, sobre a sua gotinha quase impalpável, o edifício imenso da lembrança.” Ainda que muitos intelectuais reconheçam não ser possível determinar a função principal da arte ou o motivo principal do trabalho do artista, em J. R. Duran o motor parece ser a celebração do mundo e de todas as possibilidades que estão disponíveis, a todo momento, para ele. Eis de onde vem, por exemplo, o interesse por Montaigne e Proust. “São as duas melhores leituras para compreender o mundo”, sentencia, com seu português carregado de sotaque catalão.

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O estúdio MGM planeja uma nova versão de “Ben-Hur”, cuja versão dirigida por William Wyler e protagonizada por Charlton Heston em 1959 é um dos grandes clássicos do cinema. A companhia planeja um novo filme baseado fielmente no romance publicado em 1880 por Lew Wallace, “Ben-Hur: Uma história dos tempos de Cristo”, e com roteiro de Keith Clarke, autor do argumento de “Caminho da liberdade”, de Peter Weir. O estúdio MGM foi responsável tanto pelo filme de Wyler e Heston, vencedor de 11 estatuetas do Oscar, incluindo os prêmios de melhor filme, diretor e ator, como pelo homônimo filme mudo de 1925. Ao estúdio atrai a ideia de um novo “Ben-Hur” fiel ao romance e diferente de sua célebre versão, mais centrada no conflito adulto entre o príncipe judeu Judah Ben-Hur (interpretado por Heston) e Messala (Stephen Boyd), o filho de um arrecadador de impostos romano. Enquanto a nova versão não chega, a Revista Leal Moreira recomenda o clássico, um dos mais belos do período áureo de Hollywood.

DESTAQUE HOMEM DE FERRO 3 Chega uma sequência “cruzada” da franquia de mais sucesso recente da Marvel. Desde o ataque dos chitauri – que se aliaram ao Deus Loki, para tomar Nova York (Os Vingadores), Tony Stark (Robert Downey Jr.) vem enfrentando dificuldades para dormir e, quando consegue, tem terríveis pesadelos. Ele teme não conseguir proteger sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) dos vários inimigos que passou a ter após vestir a armadura do Homem de Ferro. Um vilão novo, Mandarim (vivido magistralmente por Ben Kingsley), decide atacá-lo com toda força, destrói o lar de Stark e ainda captura Pepper. Para enfrentá-lo Stark precisará ressurgir do fundo do mar, para onde foi levado junto com os destroços da mansão, e superar seu maior medo: o de fracassar. O “Homem de Ferro 3” deve chegar ao Brasil no final de abril. Adrenalina garantida – difícil vai ser administrar a ansiedade até lá.

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CLÁSSICOS

INTERNET

Redundante dizer que a interpretação de Daniel Day-Lewis pode render-lhe um Oscar. E igualmente surpreendente. A cinebiografia do presidente Abraham Lincoln lidera o número de indicações ao maior prêmio do cinema norte-americano e é assinada por ninguém menos que Steven Spielberg. Lincoln é centrado na condução do Norte à vitória na Guerra da Secessão, tendo ainda a abolição da escravatura como cenário. A trama, roteirizada pelo dramaturgo Tony Kushner, se baseia na biografia Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln, escrita pela historiadora detentora do Pulitzer, Doris Kearns Goordwin. O elenco tem ainda Sally Field (que vive Mary Todd, esposa do presidente); Tommy Lee Jones (que incorpora Thaddeus Stevens, líder republicano, favorável à abolição), Joseph Gordon-Lewitt, entre tantos outros nomes preciosos. O drama histórico já estreou no Brasil. A cerimônia do Oscar ocorrerá no dia 24 de fevereiro, em Los Angeles. Prepare o bolão.

OS MISERÁVEIS Clássico de Victor Hugo (1862) revisitado em notas musicais. A produção arrebatou o Globo de Ouro e promete “abocanhar” mais prêmios no Oscar. Tendo como cenário a França do século XIX, a obra conta uma envolvente história de sonhos desfeitos e amor não correspondido, paixão, sacrifício e redenção. Hugh Jackman interpreta o ex-prisioneiro Jean Valjean, perseguido pelo implacável policial Javert (Russel Crowe), depois que ele viola sua liberdade condicional. Quando Valjean concorda em cuidar de Cossete, a jovem filha de Fantine (Anne Hathaway), funcionária de uma fábrica, suas vidas mudam para sempre. www.revistalealmoreira.com.br

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ROTTEN TOMATOES O site americano é especializado em resumos e novidades sobre filmes. O nome, uma “brincadeira” traduzida como “tomates estragados” deriva daquele clichê infantil (e quase histórico) de se atirar tomates em artistas se uma apresentação não for o esperado. Em inglês. http://www.rottentomatoes.com/


O VALOR DA INTELIGÊNCIA.

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horas vagas • música

VÍDEO

O filme alcançou o posto de 4ª melhor bilheteria nacional de 2012, é considerado uma obra-prima que aborda a relação conflituosa entre Gonzagão (o rei do baião) e seu filho, Gonzaguinha. Dirigido por Breno Silveira, o longa (que também virou uma microssérie na TV aberta) retoma a relação de dois dos mais expressivos músicos da cena brasileira, com estilos diferenciados e personalidades aparentemente distintas. Vale cada minuto de projeção.

DICA

GONZAGA, DE PAI PARA FILHO

CONFIRA FELIPE CORDEIRO Ele é um dos artistas paraenses mais celebrados pelo Brasil. Dono de um ritmo universalmente paraense, Felipe Cordeiro ganhou belas críticas e fãs famosos. Seu segundo disco, Kitsch Pop Cult, foi eleito um dos melhores de 2012. É um convite (contagiante) para dançar e uma síntese – perfeita, na nossa opinião – da alma paraoara. Para nossa sorte (e total felicidade) o músico ainda é colunista da Revista Leal Moreira.

AMY WINEHOUSE AT THE BBC Aos fãs apaixonados e ávidos por mais material inédito, eis a boa notícia: a Universal lança o CD/DVD “Amy Winehouse at the BBC”. O CD é uma compilação de apresentações dee Amy feitas para vários programas do canal inglês, no período de 2004 a 2009. Com um plus: interpretações inspiradíssimas. Já o DVD traz um documentário e apresentações, cujas músicas não estão no CD – Me and Mrs Jones e Back to Black. Para aliviar a saudade e brindar os ouvidos com música de excelente qualidade. Para quem tiver disposição, há ainda uma versão com três DVDs e um CD – trata-se de uma edição importada. Vá correndo garantir o seu box.

CLÁSSICO

INTERNET

BREAKFAST IN AMERICA

NEXT DAY David Bowie disponibilizou apenas um single [Where are we now?) como aperitivo para a pré-venda de seu álbum “Next Day” que será lançado oficialmente em março. “Next Day” foi anunciado no dia do 66º aniversário do músico e os fãs apaixonados já iniciaram a contagem regressiva para a chegada de março. Pré-venda do novo CD de David Bowie na loja do iTunes. Prepare o coração e o cartão internacional – nós também estamos ansiosos.

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O sexto álbum dos britânicos Supertramp foi lançado em 1979, em meio a muita polêmica. Nele estão algumas das músicas de maior sucesso da banda, como “The Logical Song”, “Goodbye Stranger” e “Take the long way home”. Durante as sessões de gravação, as brigas e oposições entre Rick Davies e Roger Hodgson ficaram mais frequentes. Mas nem os problemas empanaram o brilho da obra. Breakfast in America foi disco mais vendido da banda (aproximadamente 9 milhões de cópias somente nos Estados Unidos e 28 milhões em todo o mundo), considerado ainda uma obra-prima por seus críticos. Eis um álbum cercado de superlativos. Foi relançado duas vezes: na primeira vez, ganhou o formato de CD. Já no segundo relançamento em CD, o álbum teve toda a arte do encarte original preservada.


O VALOR DO SONHO.


horas vagas • literatura DESTAQUE

DICA

VIVENDO NO FIM DOS TEMPOS Não deveria haver mais nenhuma dúvida: o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final. Slavoj Žižek identifica neste livro os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais. E pergunta: se o fim do capitalismo parece para muitos o fim do mundo, como é possível para a sociedade ocidental enfrentar o fim dos tempos?

CLÁSSICO O RIO JOÃO CABRAL DE MELO NETO

LANÇAMENTO

O PERFUME HISTÓRIA DE UM ASSASSINO

Poesias que fluem como as águas do Rio Capibaribe – assim a reunião inédita de poemas de João Cabral de Melo Neto pode ser definida. E não por acaso. “O Rio”, nome dado à coletânea, traz o rio, que inunda as lembranças do poeta, como um dos personagens principais do livro. A exclusividade é da Saraiva em parceria com o selo Alfaguara da Editora Objetiva, que traz a reunião inédita de poemas. Sob a organização de Inez Cabral, filha do poeta, o livro tem 106 páginas e o prefácio do escritor português Antônio Lobo Antunes.

Talvez um dos livros mais apaixonantes da Literatura Mundial. O romance do alemão Patrick Süskind foi lançado em 1985 e vendeu mais de 15 milhões de exemplares em 40 línguas. A história começa com a narrativa do nascimento do vilão [há quem conteste] Jean-Baptiste Grenouille, talvez o mais cativante do universo literário e cria-se uma empatia imediata com ele: parido entre peixes e a sujeira de um mercado parisiense, rejeitado pela mãe e pela natureza, que negou-lhe o direito de exalar um cheiro próprio, tão característico dos seres humanos. Rejeitado também pelas amas de leite e instituições religiosas, o menino cresceu sobrevivendo ao novo, ao repúdio e às doenças. Sua “redenção” está na descoberta de seu próprio olfato apurado e assim, inicia uma cruzada em busca do cheiro perfeito, do perfume essencial – aquele que o fará ser aceito e irresistível. Uma cruzada mortal, já que ele inicia sua série de assassinatos para extrair o cheiro de suas vítimas. Hollywood tentou transpor a magia e beleza do livro para as telas – infelizmente nem o elenco estrelado salvou o filme.

CONFIRA OS CADERNOS ANATÔMICOS DE LEONARDO DA VINCI Eis mais uma coletânea imprescindível aos amantes das Artes. A Ateliê Editorial reuniu os mais de 1.200 desenhos anatômicos de Da Vinci, distribuídos em 215 gravuras feitas em preto e branco. As figuras foram dispostas em ordem cronológica, de modo que o leitor possa acompanhar, passo a passo, a evolução e o aprimoramento da técnica de Leonardo da Vinci como anatomista. As anotações de Da Vinci acompanham e dão o tom do momento do artista.

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JOE BENETT - SKETCHBOOK O livro do paraense Joe Benett é o primeiro lançamento da Editora Orago. “Joe Benett Sketchbook” traz diversos desenhos produzidos pelo paraense ao longo de sua respeitada carreira no exterior. Trata-se de uma edição especial de colecionador em capa dura e numerada – 500 exemplares –, com páginas de quadrinhos, capas e estudos de desenhos e personagens, além de relatos pontuais de importantes figuras que acompanharam de perto a carreira do quadrinhista. Ao esgotar a tiragem desse especial, segundo a Orago, o objetivo é relançar o livro em uma versão normal e com uma tiragem maior. Bennett trabalhou para a Marvel em títulos como Homem-Aranha, Capitão América, Hulk, Thor e Quarteto Fantástico. Atualmente, ele trabalha na DC, ilustrando a revista do Gavião Negro, e já desenhou Mulher-Gavião, Robin, Novos Titãs e Aves de Rapina.

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O VALOR DA ARTE.


horas vagas • Rio & Sampa

WORLD BIKE TOUR

Unindo conceitos como sustentabilidade, preservação ambiental e vida saudável, o World Bike Tour é um evento esportivo itinerante – sendo o maior do mundo voltado para o ciclismo. O tour já foi adotado em cidades como Madri, Lisboa e São Paulo. Dessa vez, a programação volta ao Rio de Janeiro no aniversário da cidade – 3 de março. 4 mil pessoas – sorteadas de centenas de milhares de inscritos – farão o trajeto de 11km, partindo da praia de Copacabana até o Aterro do Flamengo. Além do passeio ciclístico, também haverá uma série de ações inclusivas e de estímulo ao uso da bicicleta como meio de transporte. Vale acompanhar o passeio. SERVIÇO Rio de Janeiro: World Bike Tour Rio. Dia 03/03, às 8h. Largada na Praia de Copacabana. Informações no site www.worldbiketour.net

ELTON JOHN 40th anniversary of the Rocket Man Com uma das carreiras mais sólidas dentro da música pop mundial, Elton John está entre os maiores hitmakers do mercado fonográfico – reconhecimento que foi reforçado pela célebre revista Billboard, que o nomeou em 2008 como o artista solo de mais sucesso na história. Suas passagens pelo Brasil, que já não eram exatamente raras, se tornaram mais frequentes nos últimos três anos – e sempre alcança novos recordes de público. Em fevereiro, ele volta ao país para quatro apresentações, começando por São Paulo. Os shows fazem parte da turnê de comemoração dos 40 anos de Rocket Man, um de seus grandes sucessos. Um show para cantar junto do início ao fim. SERVIÇO São Paulo: Elton John – 40th anniversary of the Rocket Man. Dia 27/02, às 20h30, no Jockey Club - Av. Lineu de Paula Machado. Ingressos à venda pela internet (www.livepass.com.br) ou na bilheteria oficial - Estádio do Morumbi, bilheteria 2, das 10h às 18h.

Vale Tudo – O Musical A figura icônica de Tim Maia rendeu uma bela biografia escrita por Nelson Motta. Já o livro inspirou a montagem de um musical bem produzido, que se tornou sucesso de público e crítica desde sua estreia, em 2011. Dirigido por João Fonseca, Tiago Abravanel – neto de Silvio Santos – é quem interpreta Tim. A peça conta a vida do artista dos 12 aos 55 anos, e nesse meio tempo são interpretadas mais de 20 músicas dele, executadas ao vivo por uma banda de seis integrantes. Personagens como Elis Regina e Roberto Carlos também aparecem em cena. Ideal para os saudosistas da voz grave e marcante do “síndico”. SERVIÇO Rio de Janeiro: Vale Tudo – O Musical. Em cartaz de quinta a domingo, às 21h, no Theatro Net Rio - Rua Siqueira Campos, 143 - 2º Piso, Copacabana. À venda na bilheteria do teatro todos os dias, das 10h às 22h, ou pelo site www.ingressorapido.com

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O VALOR DA TRANQUILIDADE.

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horas vagas • New York

ÓPERA Apresentação única da orquestra, considerada uma das mais rígidas e melhores do mundo. Será dia 1º de março no Carnegie Hall. Ingressos custam entre US$124 e US$277. Informações no site http://bit.ly/UQQA5f

FLEETWOOD MAC O show é parte da turnê que celebra o 35º aniversário do álbum de maior sucesso do Fleetwood Mac, Rumours, que também é um dos mais exitosos discos de toda a história fonográfica. Lançado em 1997, Rumours vendeu mais de 40 milhões de cópias e ficou no topo das paradas por 31 semanas consecutivas. No Madison Square Garden. Dia 8 de abril. Mais detalhes em http://bit.ly/10cKzX3

LIZA MINNELLI A eterna diva de Cabaret se apresenta no dia 13 de março no Town Hall Theatre, também em New York. Ingressos entre US$ 170 e US$333. Imperdível. Confira em http://bit.ly/SLgDPT www.revistalealmoreira.com.br

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Nós sabemos quão valiosos são os pequenos (e grandes) momentos que fazem a vida valer a pena. O que é importante para você, faz toda a diferença para nós e é por isso que um Leal Moreira vale mais.

Nós damos muito valor ao seu sonho e seus bens mais preciosos cabem dentro de um Leal Moreira.

Mais valor com nome e sobrenome.

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horas vagas • iPad

TEMPLE RUN 2: Temple Run 2, continuação do aclamado jogo de aventura, já se encontra disponível para iPhone, iPod Touch e iPad. Gratuito para baixar e jogar, assim como seu antecessor. A nova versão do game traz gráficos mais detalhados e novas maneiras de fugir dos monstros que perseguem os personagens principais. Temple Run 2 agora se passa em montanhas acima das nuvens. Ao roubar um artefato sagrado, o personagem é novamente perseguido por monstros. Além dos habituais saltos e escorregadas, agora é possível passear por uma tirolesa ou em uma mina abandonada, utilizando um carrinho de mineração. Temple Run conquistou os jogadores que queriam um game ágil e fácil de jogar. Com uma “jogabilidade” precisa e a característica única de marcar o placar dos amigos, Temple Run virou uma febre, e pelo jeito essa continuação também fará muito sucesso. Custo: Free

Raul Parizotto empresário parizotto@me.com

PUFFIN WEB BROWSER Se você é daqueles que se decepcionaram quando souberam que o iPad não abria conteúdos em Flash, pode soltar o sorriso. Seu iPad terá a possibilidade de acessar grande parte desse conteúdo, além de, claro, ter navegação com abas e ser muito mais rápido que o Safari. O Puffin Web Browser é um browser cuja diferença principal, se comparado ao Safari e outros browsers para iOS, é permitir ver perfeitamente qualquer website com tecnologia Flash. Isto significa que você poderá ver qualquer vídeo ou jogar qualquer jogo que dependam de Flash, sem problemas (as páginas podem demorar algum tempo a carregar). Ainda assim, é melhor ter um website lento do que não o poder ver de todo... Tirando este “detalhe”, o Puffin Web Browser é um browser bastante normal, com separadores e bloqueio automático de pop-ups. Por outro lado, ele habitualmente carrega os websites mais rapidamente que outros browsers. Algumas características do Puffin • Mais veloz que o Safari • Abre as versões ‘full’ dos sites em vez das versões ‘mobile’ • Suporta uma grande quantidade de sites em Flash • Permite assistir vídeos em Flash em tela cheia • Navegação em várias páginas com Abas • Possui bloqueador de pop-ups • O Puffin é um app universal, compatível tanto com iPads quanto com iPhones/iPods Custo: Versão Full $ 2,99

GOOGLE MAPS: O Google Maps finalmente está disponível. A aguardada versão do aplicativo de localização do Google foi disponibilizada na App Store. O software conta com pesquisas locais, informações sobre transporte público, trânsito, imagens de satélite e do Google Street View, além de navegação curva a curva com orientação por voz. Entre os recursos do novo aplicativo estão pesquisa por endereços, locais e empresas, além da integração com o Google Local para a exibição de informações fornecidas pelos próprios usuários sobre os estabelecimentos comerciais. Com o novo Google Maps, o usuário pode sincronizar a sua conta Google com a versão web do serviço, podendo acessar facilmente as buscas recentes e os lugares favoritos. O aplicativo também conta com a navegação curva a curva orientada por voz, além de exibir informações sobre o transporte das cidades e as condições do trânsito. O app oferece ainda a visualização de imagens de satélites e do Google Street View, além das imagens normais dos mapas. O Google Maps chega, pouco menos de três meses após a Apple substituir o serviço de localização pelo novo Apple Maps no iOS 6. Na ocasião, a fabricante descreveu o software como o “mais bonito e poderoso serviço de mapeamento já feito”. Entretanto, os usuários começaram a relatar diversos erros no aplicativo, principalmente fora dos Estados Unidos. A repercussão foi tão grande que o CEO da Apple, Tim Cook, pediu aos usuários do iOS que usassem aplicativos concorrentes. Custo: Free

MESTRE DA MATEMÁTICA: Se você tem filhos em idade escolar, principalmente os que estão em fase de aprendizado de cálculos, o aplicativo Mestre da Matemática – Adição Subtração Multiplicação Divisão – pode ser um ótimo aliado no conhecimento do seu filho. O app está disponível em Português para iPhone e iPad. Pais, professores, e estudantes podem usar esse aplicativo de educação que está sendo adotado nas escolas nos Estados Unidos. Com ele, seu filho pode aprender as operações matemáticas de forma simples, ao mesmo tempo em que é desafiado em exames. Além disso, é possível criar perfis de aprendizado e monitorar o progresso dos pequenos. Custo: $ 0,99

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o

Sr iPhone

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Quintino Bocaiúva, 1226 | Nazaré - Belém - PA | 91 3242.0384


QLOCKTWO TOUCH

THE DARK KNIGHT MANUAL D Depois que Christopher Nolan reinventou a maneira de se ver o homem-morcego, não faltaram artigos relacionados à trilogia dirigida por ele. Talvez o melhor e mais completo seja o The Dark Night Manual – que por aqui recebeu o título de “O Cavaleiro das Trevas: Apetrechos, Armas, Veículos e Documentos da Batcaverna”. O livro é definitivamente para aficionados pela saga. Completo, imaginativo e muito bem confeccionado, ele traz um vasto material cheio de itens que tratam a história como algo real: o mapa de Gotham City e a planta da BatCaverna, por exemplo, estão presentes. Além disso, o manual esmiuça personagens, veículos, armas e tudo aquilo que é representativo no universo do Batman – tudo em uma qualidade inegável.

Bonito e de design arrojado, o Qlocktwo Touch é um relógio de mesa preciso, que mostra a hora por extenso – de maneira bastante charmosa. Lembrando um jogo de caça-palavras, os números escritos e expressões que sinalizam a hora correta ficam iluminados por LEDs brilhantes. O conceito diferente rendeu aos designers da Biegert & Funk o Prêmio Internacional de Inovação Interior. O aparelho ainda tem função de despertador. É possível escolher entre o soar do alarme e um lembrete mais “gentil” – no caso, o acender das suas luzes. Sensível ao toque, o relógio é fácil de manusear e oferece doze idiomas como opções para ajuste. Está disponível em sete cores diferentes.

Preço sugerido: R$ 87 Onde: www.saraiva.com.br

Preço sugerido: US$ 650 Onde: www.gadget-o.com

IPHONE SLR MOUNT Depois de o Instagram e outros aplicativos para iPhone estimularem o interesse das pessoas pela fotografia com seus focos simulados e filtros, o pessoal da Photojojo pensou em desenvolver uma maneira de ter fotos ainda mais interessantes com o aparelho. O resultado foi o iPhone SLR Mount – um case-adaptador que permite acoplar umaa lente profissional ao telefone. Com o equipamento, é possível fazer fotos com muito mais profundidade e qualidade – além de dispensar o uso dos tais filtros para obter um resultado artístico. No case ainda há espaço para atar uma alça de câmera. Aí, é só pendurar o equipamento no pescoço e sair por aí, fotografando. Disponível para os modelos de iPhone 4, 4S e 5. Preço sugerido: US$ 249 Onde: www.photojojo.com

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Os preços e disponibilidade dos produtos são de responsabilidade dos anunciantes

confraria


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OS AFRO-SAMBAS DE BADEN E VINÍCIUS Felipe Cordeiro Músico

Vinícius de Moraes faria 100 anos em 2013. Por esse motivo, certamente, haverá muitos shows e publicações em homenagem ao poeta nos próximos meses. Até então, já soube do espetáculo A Arca de Noé, que foi realizado em Brasília e reuniu nomes como André Abujamra, Kiko Dinucci, Móveis Coloniais de Acaju, Théo Werneck e Mê, num tributo ao clássico infantil que o mestre criou na década de 80. Diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro, Vinícius produziu uma obra densa, definitiva e inquieta. Dessa inquietude nasceu uma parceria das mais geniais na música brasileira, a com o violonista e compositor carioca Baden Powell. Esse encontro foi como uma liberação no contexto da Bossa Nova, aquela estética zona sul. Estamos diante de uma zona híbrida: banzo, reza, rosas, melancolia e risos, os afro-sambas. Açoites noturnos, notas concentradas de fé e belezas celestiais, nascidas no mundo simples do brasileiro comum: “pergunte pro seu Orixá, amor só é bom se doer...” Caetano Veloso abre seu mais recentemente disco – o Abraçaço – afirmando: “a bossa-nova é f...$%#@”. Mas genial mesmo é Vinícius para além da bossa-nova, quando soma seu talento ao também genial Baden e, juntos, abrem um caminho até então único no Brasil, juntando a sofisticação técnica do violão de Baden e a poesia de Vinícius com todo vigor dos terreiros de umbanda que emergem das entranhas do Brasil. Estamos em 66. O disco tem arranjo do mestre Guerra Peixe. Estamos em 2013. Tem gente criativa bebendo dessa fonte, a exemplo do compositor e músico paulistano Kiko Dinucci, um dos maiores do Brasil hoje, na minha opinião, e para quem o violão de Baden tem na sua “sujeira” e desleixo uma atmosfera comparável a um vigor punk. Com a afinação recorrente do bordão em Ré, Baden bebe em Dorival, mas sente a violência melancólica das matrizes africanas. Vinícius é um dos maiores poetas líricos do Brasil em todos os tempos. Nos afro-sambas, minha paixão maior dentro da obra dele, veem-se golpes, tiros, paixões nervosas em noites de intranquilidade, Exu no máximo, labaredas infinitas. Baden e Vinícius, fogueira de agora e sempre. www.revistalealmoreira.com.br

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O CAFÉ DA MANHÃ É A REFEIÇÃO MAIS IMPORTANTE DO DIA. NOSSO ALMOÇO TAMBÉM. VENHA CONHECER O NOVO BUFFET DO FAMIGLIA

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especial

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Leonardo Aquino

Os fãs no comando da história Com uma dose de “faz de conta” e outra de “faça você mesmo”, as fanfictions mudam a ordem natural da indústria cultural [e o final do enredo].

Q

uanto mais instigante é uma história, maior é o risco de insatisfação dos seguidores com o desenrolar e o desfecho dela. A afirmativa pode até parecer estranha, mas basta relembrar alguns exemplos do cinema, da televisão e da literatura para concordar nem que seja só um pouco. Será que todos os telespectadores da novela “Avenida Brasil” gostaram da solução do assassinato de Max? Ou que o final de “Lost” respondeu a todas as dúvidas de quem acompanhou religiosamente o seriado durante seis temporadas? E o triângulo amoroso da saga “Crepúsculo”? Terminou do jeito que todos os fãs queriam? É muito provável que as respostas a essas perguntas não sejam unânimes e que muita gente tenha tido vontade de reescrever a trama do jeito que preferia que ela fosse conduzida. Se você já sentiu alguma vez esse desejo de transformar a história que viu ou leu, o universo das fanfictions não lhe é distante. Em geral, essa vontade é motivada pelo desenvolvimento de fortes laços afetivos com a obra original, que leva os fãs a não se contentarem com o mero papel de consumidores passivos. Eles passam a querer interferir na narrativa, em maior ou menor grau. Decidem dar novos caminhos à trama, transferir a ação para outros locais ou criar personagens que não existiam no original. Sempre mantendo uma fidelidade respeitosa ao universo onde buscam inspiração. “A fanfiction é uma história escrita por um fã, envolvendo os cenários, personagens e tramas previamente desenvolvidos no original, sem que exista nenhum intuito de quebra de direitos autorais e de lucro envolvidos nessa prática”, evidencia Maria Lúcia Bandeira Vargas, que escreveu em 2005 o livro “O fenômeno fanfiction: novas

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leituras e escrituras em meio eletrônico”. As fanfictions ganharam corpo e se expandiram graças à internet, mas não representam uma ideia exatamente inovadora. Segundo Maria Lúcia Bandeira Vargas, a origem do fenômeno data do final da década de 1960, quando surgiram os primeiros fanzines, justaposição das palavras em inglês fan (fã) e magazine (revista). Essas publicações independentes nasceram com o propósito de aproximar os aficionados por algum universo ficcional, seja da TV, do cinema ou dos quadrinhos. Além disso, elas colocaram em circulação as histórias criadas pelos fãs e que acabariam desconhecidas. “Tem-se notícia do surgimento das fanfictions a partir do momento em que houve registro de um público leitor interessado nelas. Essas histórias, caso conquistassem destino outro que não o enclausuramento nas gavetas do autor, circulavam entre um público muito restrito, naturalmente fãs do seriado em questão”, explica. Com a internet, a circulação aumentou exponencialmente, assim como o volume da produção. Em websites como o fanfiction.net, por exemplo, o número de ficções publicadas ultrapassa a casa dos milhões. Só a saga Harry Potter tinha, no final de janeiro, mais de 600 mil textos disponíveis no site. É tanta gente produzindo tantas histórias que o intercâmbio entre fãs se torna inevitável e rende causos pessoais de amizades criadas, sucessos improváveis e de carreiras literárias surgidas a partir das fanfictions. Na carteira de identidade, ela se chama Lara Zenga. Mas no universo das fanfictions na internet, é mais conhecida como One Carter. O pseudônimo homenageia Chris Carter, criador do seriado sobre o »»»

Rodrigo Cantalício


qual Lara escreveu mais de uma centena de textos: Arquivo X. Mas a ânsia de querer reescrever histórias publicadas nasceu bem antes da famosa série dos anos 90. Em 1983, começou a escrever novelas depois que não gostou do final da primeira versão de “Guerra dos sexos”, as Rede Globo. Tinha apenas 12 anos. “Achei que se alguém podia escrever uma novela, eu poderia fazer uma também, e com o final que eu quisesse. Quem passasse por mim na escola sempre me via com um caderno universitário na hora do intervalo e pensaria que eu era uma menina estudiosa. Na verdade o caderno continha os capítulos da minha própria novela que eu ia escrevendo à mão, porque os colegas queriam ler um capítulo por dia”, relembra. Mas foi com “Arquivo X” que Lara ganhou popularidade como autora de fanfictions. Começou a escrevê-las depois que foi instigada por uma colega de faculdade que também era fã do seriado. Fez a primeira, a segunda, a terceira... Hoje são 180, estruturadas em seis temporadas distintas. “Fiquei aborrecida com os rumos da série. Aí comecei a mudar o direcionamento das fanfictions. Passei a introduzir personagens próprios, desviei o enredo como eu queria ver na TV e alguns leitores chegaram ao ponto de me dizer que tinham duas séries pra escolher: a da TV e a virtual”, conta Lara. No auge do sucesso de suas fanfictions, Lara respondia a mais de 200 e-mails por semana, isso sem contar os lei-

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tores que não tinham acesso a internet. Para eles, ela imprimia os textos e os enviava pelo correio. Como retribuição, recebia muitas cartas de agradecimento que fechavam o ciclo de uma atividade cujo único lucro é a satisfação. “Nós nos mantemos apenas pela paixão por escrever, que muitas vezes começa com ‘tô detestando o rumo da minha saga/série favorita, vou começar a escrever como eu queria que fosse e dividir isso com quem também queria ver assim’”, explica. As histórias sobrenaturais investigadas pelos agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully também foram inspiradoras para a jornalista Alessandra Malcher Godinho. “Arquivo X” foi um seriado que marcou a adolescência dela e em cujo universo ela mergulhou profundamente. Apesar de ser muito nova, Alessandra participava de encontros de fãs realizados em Belém. “Meus pais me deixavam ir raramente por causa da idade. Nesses eventos eram transmitidos episódios inéditos no Brasil, realizavam sorteios de fitas cassete com episódios gravados (ainda não existia DVD, muito menos o box com temporadas) e também escolhiam a melhor fanfiction de cada gênero”, relembra. Como a tensão sexual entre os protagonistas era um dos carros-chefes do seriado, era esse sentimento que norteava os gêneros das fanfictions de “Arquivo X”. Shippers eram os textos que levavam a história para a concretização do romance entre

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Mulder e Scully. Half-shippers, os que ficavam em cima do muro nesse aspecto. E os noromos (derivado de “no romance”), os que mantinham os personagens sem envolvimento amoroso. Quando começou a escrever as próprias fanfictions, Alessandra optou pelo gênero shipper e construiu uma rotina organizada de produção. “Eu ia pro colégio, voltava, ligava a TV pra esperar as reprises das 18 horas e o episódio inédito das 21. No intervalo entre um e outro, lia e escrevia as fanfictions”, conta. Uma delas foi premiada no fórum de fãs de “Arquivo X” no site Mundo Fox. “Escrevi um texto que misturava ‘Arquivo X’ e ‘Twilight Zone’ (outro seriado cultuado) e ganhei um prêmio de melhor fanfiction shipper do mês. Disponibilizaram até um banner do prêmio para eu colocar no meu blog. Era um prêmio para poucos”, orgulha-se. As fanfictions também podem ser o prefácio de uma carreira literária. Assim como Alessandra, Roberta Spindler foi uma adolescente aficionada por “Arquivo X” e que não se conformava com as histórias que acompanhava na TV. “Eu queria falar sobre Mulder e Scully da minha maneira, abordando temas que não via na série. Antes de começar, já tinha o costume de ler outros textos semelhantes e acredito que eles contribuíram pra que eu conseguisse a coragem de escrever”, conta. Os textos eram publicados na internet e sempre tinham retorno elogioso de leitores. Depois de al-

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guns anos nas fanfictions, Roberta se aventurou a criar o próprio universo narrativo e ficcional. Ao lado de Oriana Comesanha, escreveu o livro “Contos de Meigan”, publicado em 2011 pela editora Dracena e bastante comentado em blogs de literatura. Para Roberta, a prática nas fanfictions foi fundamental. “As fanfictions com certeza me impulsionaram a escrever. Foi com elas que adquiri o hábito e também, graças a elas, desenvolvi minha escrita na época da adolescência. Foi uma fase bem importante. Acredito que ela me tornou uma escritora melhor e me ajudou na criação de minhas próprias histórias depois”, opina. Mas não pense que as fanfictions se resumem a textos para ser escritos e lidos. A produção audiovisual também abre amplas possibilidades para a criatividade dos fãs inquietos e criativos. Um bom exemplo disso foi um vídeo produzido em Belém que fez sucesso na internet em 2006 e ainda arranca risadas de quem nunca o viu: “O Aranha no Pará”. Em 4 minutos e meio, um capítulo pouco imaginável das aventuras do Homem Aranha: uma ida do super-herói a Belém por causa de uma viagem a trabalho de seu alter-ego, o fotógrafo Peter Parker. Em vez de cumprir as pautas dadas pelo chefe, Parker (travestido de Homem Aranha) faz uma peregrinação pelos bares e pela noite de Belém, encontrando até um cover de Elvis Presley com quem faz uma luta coreografada. »»»


acesse o QR e leia uma fanfiction

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A ideia foi de um grupo de estudantes de comunicação social que tinham um trabalho acadêmico para fazer. A missão era criar o trailer de um filme imaginário, apenas com uma câmera de mão e duas semanas de prazo. A dois dias da entrega, o grupo não tinha nem o roteiro e resolveu usar a criatividade e a irreverência. “Eu tinha uma roupa de Homem Aranha no armário, coloquei um dos meus colegas de grupo pra vestir e decidimos sair na rua e improvisar”, relembra o produtor Laércio Cubas. O resultado foi hilário e acabou sendo premiado em um festival de vídeos na Universidade da Amazônia, onde o grupo estudava. Isso sem contar com o sucesso na internet. O vídeo foi muito compartilhado por e-mail numa época em que o YouTube ainda era novidade. “O filme, de fato, teve uma repercussão bem maior do que esperávamos, já que ele foi mesmo filmado de forma tosca, mas de certa forma ele foi um precursor dos vídeos virais e memes tão comuns hoje em dia. Então vira e mexe alguém compartilha o vídeo e uma nova geração toma conhecimento dele”, opina Laércio, que interpretou o chefe de Peter Parker no filme. Esses são apenas exemplos de produções independentes, mas dá pra encontrar o espírito das fanfictions em obras mundialmente famosas. O circuito comercial de cinema recebeu em 2013 uma adaptação sangrenta de uma clássica história infantil, “João e Maria caçadores de bruxas”, filme com um título autoexplicativo. O escritor Seth-Grahame Smith foi além e acrescentou mortos-vivos a um clássico da literatura, “Orgulho e preconceito”, de Jane Austen. Nasceu assim “Orgulho, preconceito e zumbis”, que acabou virando best-seller e ícone de um gênero chamado mash-up classic. Os formatos são variados, as transformações também, mas esses produtos da indústria cultural e as fanfictions são unidos pelo espírito. “Os leitores procuram extensões, mais conteúdo ou até mesmo um mundo alternativo para aqueles personagens que os agradam. Não somente em sagas literárias, mas em qualquer tipo de entretenimento”, afirma Roberta Spindler. “Acho que as fanfictions nascem de um desejo interno de insatisfação com o rumo que estão dando aos personagens. Esse universo é tão vasto quanto a imaginação dos fãs”, completa Alessandra Godinho.


SAUDADES DE BANGU

Arthur Dapieve Escritor

A temperatura atmosférica é registrada no Rio de Janeiro desde 1915. Em quase cem anos de medição, a máxima histórica ocorreu no comecinho deste verão 2012/2013, em 26 de dezembro, no bairro de Santa Cruz: 43,2º C, com sensação térmica de 47º C. O recorde anterior era de 14 de janeiro de 1984, em Bangu: 43,1º C (acho que ainda não se falava em sensação térmica naquela época). Essas duas informações querem dizer duas coisas: a temperatura média tem aumentado; e isso só pode ser pessoal, pois eu já era nascido para senti-la. Na verdade, não me lembro do pico anterior, mas no recente não gosto nem de pensar. Agora sei como uma pizza se sente no forno a lenha. Carioca tem fama de friorento. Os paulistanos que viram a luz do lado de cá da Via Dutra costumam ironizar que, mal a temperatura se aproxima dos 20º C, os cariocas tiram seus casacos mais pesados do armário e desfilam por Ipanema ou Leblon. É verdade. Mas não no meu caso. Embora eu seja o chamado carioca da gema, isto é, carioca filho de cariocas, vim com defeito de fábrica. Sou é calorento. Se a temperatura passa dos 20º C, passa para cima deles, já começo a me sentir desconfortável e banhado em suor quente. Não tenho, portanto, muitas chances de sentir frio no Rio de Janeiro, embora no inverno passado tenha visto o termômetro de rua marcar 13º C perto de casa. Moro em Laranjeiras, bem distante da Zona Oeste de Santa Cruz e de Bangu, mas ainda que a máxima fosse medida na pontinha da Restinga da Ma-

rambaia, o ponto mais ocidental do município, eu já começaria a me abanar. Há algo de psicológico em saber que a máxima na sua cidade – e, no caso do Rio, a área dessa cidade pode variar enormemente em característica física e se estender por 1.200 quilômetros quadrados – bateu os 40º C com jeitão de 50º C. Algo que nem um ar-condicionado ultrapotente é capaz de resolver. Algo que não está no corpo, mas no espírito. Costuma-se dizer que o verão é a estação do Rio. Sei lá. Mas lhes garanto que ele é mais bonito no outono. Os últimos verões têm sido bem diferentes dos verões que estão registrados na minha memória, em Copacabana. A cada final de tarde caía uma pancada de chuva que tornava a noite mais amena. Parece que ainda hoje é assim em Belém e Manaus, não? Lembro-me de adiar tarefas na rua para, fechadas as torneiras, ir sentindo o cheirinho da chuva, a caminho da papelaria ou do cinema (eu era estudante, então, e a vida era doce e cheia de esperanças). Como dizia, os últimos verões não têm charme algum. Tom e Vinicius sequer teriam visto a garota de Ipanema passar. Estariam entrincheirados atrás do ar-condicionado. E, ainda que não estivessem, não teriam forças para trabalhar. Houve uma vez um verão, ali de 2006 para 2007, que passei parcialmente em Bangu. Eu e Marcelo Madureira tínhamos um programa chamado “Sem controle” no canal por assinatura GNT. Nele, basicamente comentávamos a programação, doesse a quem doesse (nem todo mundo levou na boa). Ao

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final do ano, porém, o canal entrava de férias, e cada programa era estimulado a fazer um “especial de verão”. Nossas colegas escolheram lugares charmosos como o Guarujá ou Porto de Galinhas. Nós chamamos o documentarista Guilherme Coelho e fomos com a equipe para Bangu, tradicionalmente considerado o bairro mais quente da cidade mais quente do Brasil. Bangu é o seguinte. Fica entre a Avenida Brasil e o Maciço da Pedra Branca, que o protege da mais leve brisa marinha. No centro do bairro, há um calçadão com chuveirinho para os pedestres não desmaiarem. Ele estava quebrado nos fins de semana que passamos por lá, acompanhando como os moradores faziam para viver sob aquela bolha térmica. Fomos a uma loja de venda de piscinas de plástico, Marcelo paquerou na piscina do Casino (assim mesmo, com um S só) Bangu, eu fiz aula de tai-chi-chuan no mesmo clube, vimos o Bangu Atlético Clube jogar com o Macaé no estádio de Moça Bonita, fomos a uma roda de samba, comemos galeto na calçada, jogamos conversa fora no barbeiro. O resultado foi ao ar no especial “Houve uma vez um verão... em Bangu”. Desde então, essas memórias me serviam como parâmetro para qualquer calor que sentisse. Eu começava a suar e, tentando me sugestionar, pensava “ah, perto de Bangu isso é a Sibéria”. Costumava dar certo. Não mais. As sensações térmicas de 50º C nas últimas semanas estabeleceram novos parâmetros para o inferno. Saudades do fresquinho de Bangu de anos atrás.


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destino

A América Latina de Neruda e García Márquez

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foto Sara Houlison

Su Carvalho

Arquivo Pessoal

Uma viagem repleta de poesia e literatura. Entre o Pacífico de Neruda e o mar do Caribe de García Márquez, Chile e Colômbia têm marcados os passos e a memória de dois dos maiores escritores da Literatura Mundial

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e ler é viajar, seguir os caminhos da literatura como roteiro pode transformar uma viagem em uma experiência tão lírica quanto um poema de Pablo Neruda. Pode elevar ao fantástico, como um conto de Gabriel García Márquez, o passeio pela cidade ainda desconhecida. Foi esta a pretensão ao programar nossa viagem para o Chile e para Colômbia. Os ‘guias’ levados na bolsa foram os livros de memórias “Confesso que Vivi”, do chileno Neruda, e “Viver para Contar”, do colombiano García Márquez, dois vencedores do Prêmio Nobel de Literatura. A preferência literária foi o que motivou a escolha dos destinos, além da quase pueril ilusão de que chegar até os lugares que influenciaram a vida e a palavra desses dois grandes escritores, fosse nos aproximar também, de alguma forma, daquilo que lhes faz únicos.

Ali se encontram os manuscritos de “Os Versos do Capitão”, presenteados a Matilde – eram todos dedicados a ela – e um quadro pintado pelo mexicano Diego Rivera, onde o perfil de Neruda aparece entre os cabelos ruivos e desarrumados dela. Eles viveram juntos até a morte do poeta. “La Chascona” é a única casa que guarda marcas da ação dos militares durante o golpe de 1973, quando todas as propriedades de Neruda foram fechadas e depredadas. Ele morreu em 23 de setembro desse mesmo ano, doze dias depois que Augusto Pinochet assumiu o poder. Conhecemos o interior da propriedade com um pequeno grupo levado por um guia. Em todos os museus é oferecido este serviço. Os guias são sempre muito bem preparados, sabem detalhes da vida do poeta e recitam trechos de poemas. É preciso comprar ingressos e os grupos são formados apenas em espanhol e inglês.

Santiago de Neruda No Chile, a vida, obra e personalidade de Pablo Neruda estão retratadas em suas três casas, hoje transformadas em museus pela Fundação que leva o seu nome e cuida de todo o seu acervo. Em Santiago, ir visitar “La Chascona” (“a descabelada”, em língua indígena quíchua), foi nosso primeiro passo. É a única casa do poeta que não tem vista para o mar, já que “Isla Negra” e “La Sebastiana” estão na costa do Pacífico. A arquitetura do lugar é pouco convencional. Localizada em um terreno íngreme, no pé do morro San Cristóbal, a propriedade é dividida em três prédios, interligados por jardins e passagens secretas. Neruda imprime sua paixão pelo mar em todos os lugares que morou, mas na casa de Santiago o que se destaca mesmo é o amor por Matilde Urrutia, conhecida por seus cabelos desgrenhados. Por isso, o nome da casa.

Poeta e colecionador Neruda era mais que um colecionador, ele se autodenominava ‘cosista’ (“coisista”, em português), pelo exagerado número de coisas que guardava. Na cidade de Valparaíso, na “La Sebastiana”, parecem infinitas as coleções de garrafas, conchas do mar, taças coloridas, barcos e inusitados objetos. A casa parece fincada no alto do morro de Bela Vista. Das janelas, a vista do azul inédito do Pacífico é uma realidade poética. Em “Isla Negra”, casa localizada em um pequeno povoado na costa, ele guardava, por exemplo, um cavalo de papel maché em tamanho natural com três rabos postiços. Entre a coleção de carrancas de proas de navio, Neruda apreciava uma em particular, chamada “Maria Celeste”, porque no inverno “escorriam lágrimas de seus olhos”. O poeta dizia que ela chorava de pena. Os amigos contrariavam, explicando que era a umidade con- »»»

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Neruda se definia “cosista” (colecionador) e em la Isla Negra ele mantinha, por exemplo, um cavalo de papel maché em tamanho natural.

densada nos olhos de louça da estátua. Segundo o guia, ele rebatia dizendo: “não sou cientista, eu sou poeta. Para mim, ela chora, e na primavera volta a sorrir”. Imaginação e genialidade A impressão que se tem ao conhecer tantas estantes cheias de objetos e paredes abarrotadas é de participar da imaginação e genialidade do poeta, mesmo como espectador. Suas casas eram preparadas para a criação. A decoração é colorida e excessiva, mas mesmo assim se percebe a rima. “Isla Negra” é a principal delas. Ali, Neruda e Matilde estão enterrados de frente para o mar. No ambiente, pode-se quase que tocar em um estilo de vida que forjou obras como “Canto Geral”, “Cem sonetos de Amor” e o próprio livro de memórias “Confesso que vivi”, finalizado em um daqueles quartos. Para chegar até lá, alugamos em Santiago um carro e descemos a Rota 68 para o litoral Pacífico-sul lendo trechos deste livro, que descrevem as

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cidades e contam os motivos que levaram o poeta a construir aquelas casas. O Chile impressiona pela educação das pessoas, sua organização e limpeza, mas nem deveria. Era de se esperar algo assim de um lugar onde um poeta é também um herói, um deus. Do Chile para a Colômbia. O privilégio de caminhar nas terra de Gabo O roteiro de Gabo, como também é chamado García Márquez, começou por Bogotá, aonde ele chegou ainda adolescente para continuar os estudos. É também o lugar que marca a publicação de seus primeiros contos, no suplemento literário El Espectador. O bairro da Candelária, no centro antigo, com suas ruas estreitas e casas coloniais espanholas, ainda guarda a atmosfera dos cafés por onde ele forjou seus primeiros passos na literatura. “A instituição que diferenciava Bogotá eram os cafés do centro, onde mais cedo ou mais tarde confluía a vida de todo o país”, definiu o autor de “Cem Anos de Solidão” em “Viver para Contar”. Não encontramos o El Molino, “o café dos poe-

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Tel: 91 8887.6486 Fax: 913224.1203 tas mais velhos”, como ele descreve no livro, mas mesmo sentados à mesa do Juan Valdez Café foi possível vislumbrar um pouco a época em que o iniciante escritor tentava aprender sobre literatura escutando as conversas dos poetas consagrados nas mesas vizinhas. Na Candelária está localizado o Centro Cultural Gabriel García Márquez, que possui uma grande livraria e espaços para diversos eventos culturais. Páginas da história colombiana O passeio pela Candelária apresenta muito da história do país colonial e republicano. A Praça de Bolívar e a Avenida Sétima são paradas obrigatórias. Por ali também estão o Museu Botero, que tem entrada gratuita e expõe também obras de artistas como Dalí, Miró, Klimt e Picasso; o Museu do Ouro; e a Biblioteca Nacional, onde uma sala de música foi transformada pelo escritor em refúgio preferido. A Avenida Sétima foi palco do assassinato do candidato popular à presidência da República, Jorge Eliecer Gaitán, em 1948, o que desencadeou a onda de protestos e violência que destruiu

o centro de Bogotá, “El Bogotazo”, e se estendeu por outras cidades do país. Em Viver para Contar o fato é descrito em detalhes. Gabo chegou à cena do crime minutos depois do acontecido. Aquele 9 de abril marcou também a vida e a produção literária de García Márquez, pois o levou para Cartagena de Índias, na costa caribenha da Colômbia, um lugar mais seguro. “La Heróica” e a luz malva das seis da tarde Chegar a Cartagena de Índias, La Heróica, é entrar em um universo mágico cercado por muros e baluartes. Mesmo muito cheia de turistas, a cidade não perde o poder sobrenatural de arrebatar o visitante. Foi assim para Gabo, que não tinha em seus planos permanecer ali por muito tempo, mas em chegando lá, não mais quis partir. “Bastou dar um passo dentro da muralha para ver em toda a sua grandeza a luz malva das seis da tarde, e não consegui reprimir o sentimento de ter tornado a nascer”, conta no livro de memórias. Ao contrário de Bogotá, onde “Viver para Contar” é o único ‘guia turístico’ do gênero, em Cartagena é possível fazer passeios guiados que »»»

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bbordalogesso@uol.com.br

Cartagena das Índias é quente, mas os balcões floridos das casas garantem sempre uma boa sombra para seguir as histórias [reais e imaginárias] de Garcia Márquez.


Quando Gabo chegou à Cartagena das Índias, não pretendia passar muito tempo lá, mas apaixonou-se pela cidade.

Serviço

Chile Saiba como chegar às casas-museus de Pablo Neruda em: http://www.fundacionneruda.org Colômbia Todos os detalhes sobre o tour “A Cartagena de García Márquez” em: http://www.tierramagna.com/ ‘Guias’ Confesso que vivi Pablo Neruda Ed. Difel, 1979, 358 págs. Viver para Contar Gabriel García Márquez Ed. Record, 2003, 474 págs.

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remontam todos os passos de Gabo ao chegar à amurallada e apontam os cenários de fatos importantes de seus romances. Escolhemos a opção de audioguias, uma espécie de telefone que conta histórias ao discar números. Com o mapa em mãos, cada uma segue o roteiro sozinho – nada de grandes grupos correndo atrás de uma bandeirinha. São ao todo 35 estações. Oferecido em espanhol, francês, italiano, inglês e alemão, o tour requer concentração. Porém, dá para repetir os trechos em áudio a hora em que for necessário. Escolhemos o espanhol, para ouvir o idioma do autor. Segundo a Tierra Magna, empresa que desenvolveu o recorrido, já está sendo providenciada a opção em português. Todo o roteiro tem o respaldo da Fundación Gabriel García Márquez para El Nuevo Periodismo Iberoamericano, criada pelo próprio Gabo e seu irmão Jaime. A cidade dos amores contrariados O passeio começa no Templo de Santo Domingo, no centro da amurallada, onde há um monumento de Botero. Preparados para caminhar, basta ir seguindo o mapa. A cidade é quente, mas os balcões floridos das casas garantem sempre uma boa sombra para seguir as histórias reais e imaginárias de Gabo. O roteiro leva ao lugar no qual tomou a decisão de desistir do Direito para ser escritor, a conceituada Universidade de Cartagena; à redação do El Universal, quando iniciou o ofício da reportagem; e à linda propriedade que hoje é sua casa. É impac-

tante passar por aquelas ruas e recordar que, aos 85 anos, o escritor está perdendo suas memórias por causa da demência senil. Ainda mais quando recorremos pela cidade momentos dos amores contrariados de Florentino Ariza e Fermina Daza, do “Amor nos Tempos do Cólera”, e Sierva Maria de los Angeles e Cayetano Delaura, de “Do Amor e Outros Demônios”. O óxido do tempo Passamos pelo convento onde Sierva Maria foi internada para os exorcismos, hoje o luxuoso Hotel Santa Clara, e pelo Portal de Doces onde foi mordida pelo cão raivoso e começou sua tragédia. No Hospital Naval, ficamos imaginando o sobrevivente que inspirou o “Relato de um Náufrago”. E na Torre do Relógio, porta principal da muralha, desenhou-se diante dos olhos “O General em seu Labirinto”. Em alguns momentos a cidade, cercada por 11 quilômetros de muralhas, construídas para protegê-la de corsários ingleses e franceses, os “piratas do Caribe”, parece desamarrada do tempo. É fascinante. Atrás dos muros e baluartes, casas coloridas, avarandadas e floridas, e à frente, o mar caribenho. Respirar daquela brisa fantástica ressignifica tudo o que já foi lido da obra do autor. Gabo diz que em Cartagena as coisas, como as estátuas, não estavam preservadas contra o óxido do tempo e sim ao contrario: “preserva-se o tempo para as coisas que continuavam tendo a idade original, enquanto os séculos envelheciam”. Só indo até lá para compreender isso.


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enquanto isso

München

Vim morar em Munique para fazer minha pesquisa para o doutorado em Antropologia, pela parceria Brasil/Alemanha de bolsas de estudos CAPES/ CNPQ/DAAD. Meu trabalho é sobre a prática da capoeira brasileira na Alemanha, e discute essas culturas antagônicas. Por isso, estou na Alemanha desde novembro do ano passado, quando terminei minhas disciplinas na Universidade de Santa Catarina – onde estava morando por dois anos. Digo que foi uma espécie de estágio em Florianópolis, pois lá existe uma brisa bem forte de cultura alemã. Aqui, sou pesquisador visitante do instituto de etnologia da faculdade de Estudos Culturais da Universidade de Munique. Dentre as coisas que acho mais interessantes na cidade, destacaria o fato de ela estar nesse ponto entre o tradicional e o moderno: uma cidade cosmopolita, de grandes empresas e indústrias, mas que consegue conservar as características e costumes de um povo camponês. Outra característica marcante é o fato de Munique ser a capital da Baviera – que é mundialmente conhecida por sediar a Oktoberfest. Isso faz com que a cidade se torne o grande centro da cultura alemã, já que, quando

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pensamos em Alemanha, a imagem que nos vem é a da cultura bávara. Em termos de programação cultural, os museus e prédios históricos estão entre os pontos fortes da cidade. Um lugar indispensável para se conhecer é a Residência de Munique (em alemão, Münchner Residenz), antiga casa dos Wittelsbach - família que reinou na Baviera até a proclamação da república alemã. Agora, comporta uma galeria de museus, teatros, entre outros, bem no centro da cidade. Além dos museus, que são bem famosos, tem também o encanto dos espaços abertos. Um exemplo disso é o Englischer Garten - um parque que fica às margens do rio Isar, que atravessa a cidade. Lá, é possível desfrutar de mais de 4km² de verde em plena cidade, além de um belo lago e elementos da cultura oriental. Vale muito a pena passear por lá. Pra quem gosta de esportes, a cidade também oferece coisas legais. Munique já foi sede de Jogos Olímpicos, já recebeu Copa do Mundo e é a casa do Bayern – um dos times mais importantes da Europa e de grande destaque internacional. Outro bom atrativo de Munique é a gastrono-

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Fábio Araújo Fernandes Cineasta mia. A comida é única no mundo. Aqui tem ótimos restaurantes e os preços são bem em conta, se comparados com os valores das outras cidades europeias. Eu costumo frequentar o Restaurant und Biergarten na Chinesischer Turm que fica no Englisch Garten ao lado de minha universidade. De uma maneira geral, eu recomendo os típicos “Bier Gartens” alemães. Aqui na Baviera se come muita carne de porco, além das famosas linguiças. Vir à Alemanha e não experimentar é falta grave! A noite aqui também é bem movimentada para todos os tipos e estilos. Quem gosta de um estilo de vida mais boêmio, também será muito feliz aqui – afinal, é a terra da cerveja! Quanto ao clima, Munique é a cidade dos extremos; um verão bem quente e um inverno dos mais frios da Alemanha. Então, dependendo de quando se vem pra cá, a melhor coisa é olhar na previsão do tempo e vir preparado. Em resumo, Munique oferece de tudo e recebe bem todo tipo de gente. Cultura, esporte, lazer, cerveja, comida... Não importa do que você goste mais: uma visita à Alemanha nunca é tempo desperdiçado.


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Cidadãos Alados Fala-se muito que a internet e principalmente as redes sociais na web, tornaram o mundo pequeno. Isso é muito verdade mesmo. A rede mundial de computadores permite acesso a um volume imensurável de informações, de conteúdos, de paisagens e a seres humanos e desumanos, estejam onde estiverem. Até a barreira do idioma já está quebrada pelos tradutores online. Mas um outro fenômeno, talvez menos badalado na mídia e menos percebido, certamente causa efeitos e mudanças muito mais expressivas e que ainda vão precisar ser muito estudadas. Trata-se do acesso cada vez maior ao transporte aéreo. Até bem pouco tempo, principalmente no terceiro mundo, de onde o Brasil vem saindo nas últimas décadas, viajar de avião era uma solenidade, uma comodidade ainda não tão cômoda, mas acessível a poucos privilegiados. As pessoas vestiam sua melhor roupa pra embarcar numa aeronave, uma conquista que agregava muito status e glamour. De uns tempos para cá, viajar de avião, a passeio ou a trabalho, está se tornando cada vez mais corriqueiro. É quase banal como pegar um ônibus ou um táxi. A Organização Mundial do Turismo informou que no ano de 2012, pela primeira vez na história do mundo, o número de turistas internacionais passou de 1 bilhão. Este é um fato que certamente já está causando uma série de transformações de comportamento, de hábitos de consumo, hábitos alimentares, de lazer, exigências, consumo de entretenimento, de formação de opinião, de entendimento do mundo. Principalmente para os segmentos sociais de baixo poder aquisitivo, até então excluídos das linhas aé-

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reas, pessoas que antes nasciam, cresciam, viviam e morriam e viajavam apenas no pensamento e na imaginação. Viajar de avião quebra isolamentos, é diferente de saber, de ouvir contar, de ler, de estudar, de ver na TV ou na internet. As pessoas podem cada vez mais presenciar, se encantar, desencantar, reencantar, tirar suas próprias conclusões, misturar suas visões de mundo com as de outros mundos, e influenciar outras pessoas quando voltam para o lugar onde vivem. Mudando ou não a sua realidade cotidiana. Viajar de avião, assim como o acesso à internet e à produção pessoal de conteúdos, frequentemente quebra a hierarquia do poder da informação. Antes, por exemplo, um governante de plantão poderia dizer que aquela obra inaugurada por ele era a mais bela do país. E a maioria da população tendia a concordar, já que o conceito de país se resumia a um raio de 500, 600, no máximo 1.000 quilômetros. Agora, uma fatia cada vez maior da população vai a outras cidades, outros estados e até mesmo a outros países, outros continentes. Compara, avalia, analisa, vive, convive e tem outros subsídios para concordar ou não. Esse vai e vem voador certamente já está influenciando as decisões de voto nos processos eleitorais, as decisões de compra de produtos e serviços, o relacionamento com as marcas, com produtos culturais e até com a própria religião. É uma oportunidade imensa de novos negócios, novos produtos, novas propostas e novas ideias. Os governantes, executivos de marketing, publicitários, sociólogos e antropólogos, cientistas, já devem estar desenvolvendo muitos estudos para mensurar a influência

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que o dom de voar está gerando nas pessoas. Talvez muita gente que agora vive viajando ainda nem se dê conta das possibilidades que o fato de ter asas pode gerar na sua vida, já que muita gente as vezes voa 2000, 3000, 5000 quilômetros e só vê ou consome aquilo que está relacionado com o seu universo de vaidades da sua origem e não se permite olhar um palmo além dos roteiros do mainstream. Por exemplo, é cada vez mais comum um cidadão sair do Rio Grande Sul para brincar o carnaval em Salvador, passa quatro dias pulando dentro de um quadrado, não se relaciona com nada único da capital baiana, e volta pra casa com a mesma experiência que teria se participasse de uma micareta em Porto Alegre. Ou seja, ainda tem muita gente que sai do lugar mas não voa, não amplia o olhar. Mas preferencias não se julgam, nem se discute, mas até isso vai mudar com a onda voadora. A medida que as pessoas forem percebendo que viajar de avião é muito mais do que estar em outro lugar, mas acima de tudo, é estar em outro universo de costumes, de visões de mundo, de organização política e social, esse fenômeno de massa vai bagunçar muitas certezas, convicções e verdades assimiladas ou impostas. Assim como os bravos navegadores da antiguidade traziam sozinhos notícias e novidades de novos mundos, hoje toda hora os aeroportos estão lotados de pessoas pousando com excesso de bagagens, gente vendo, vivendo e removendo bens materiais ou imateriais e construindo uma sociedade nova, formada progressivamente por seres alados. Se isto será uma evolução ou um retrocesso da espécie, só a história vai dizer. E voando!


gourmet

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Lorena Filgueiras

Essência ítalo-amazônica Filha de um italiano com uma mineira, a chef paraense Ângela Sicilia ganha a Europa com surpreendentes criações gastronômicas que mesclam os tradicionais sabores da Grande Bota com ingredientes locais.

À

primeira vista, a chef Ângela Sicilia parece uma personagem, saída de um livro infantil. Ela surge toda de cor de rosa no salão, com os cabelos loiros cuidadosamente presos. A essa altura, é impossível perceber que ela está sem maquiagem, sem brincos (itens considerados proibidos para quem trabalha na cozinha) ou quaisquer outros acessórios. Na cozinha a jovem chef mostra a que veio. Exigente, curiosa e apaixonada por Gastronomia, a chef autodidata tem chamado a atenção com suas criações. No comando da cozinha do restaurante Famiglia Sicilia há um ano (que por mais de vinte anos, em homenagem ao patriarca, chamou-se Dom Giuseppe), Angela Sicilia se destaca como uma das chefs mais talentosas de sua geração. Assumidamente apaixonada por suas origens gastronômicas, ela é uma estudiosa e com muita harmonia consegue “casar” típicos pratos italianos com ingredientes locais. Basta uma rápida olhada no menu (que vive em constante evolução) para ver ‘Arancini de pato’ (a típica entrada italiana: bolinhos feitos com arroz arbóreo), ravioli de maniçoba ou Fettucini de jambu com magret de pato e redução de tucupi. “Massas são neutras e um convite à imaginação”, afirma. E foi com misturando o trigo aos ovos, em companhia do pai, Giuseppe, que ela entrou no universo gastronômico. “A primeira coisa que ele me ensinou, de fato, a fazer, foi brigadeiro”, ri. Voltando ao começo Filha de um italiano com uma mineira, a Gastronomia estava predestinada a ser o caminho natural da paraense Angela Sicilia, uma vez que os próprios pais já atuavam no ramo e ela, ainda criança, ajudava a mãe na cozinha. “Eu era muito criança mesmo, mas

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minha lembrança olfativa quase sempre reencontra o cheiro dos molhos, do alho sendo dourado no azeite. Mesmo a comida trivial, do dia a dia, tinha cheiro e gosto diferentes, porque quando o papai entrava na cozinha, sabíamos que a refeição não seria simples, mesmo que fosse o habitual. A macarronada dele era espetacular!”, ela conta. Com Dona Jussara, doceira hábil e de mão cheia, aprendeu os primeiros segredos dos doces que encantavam Belém na época. Com ela também aprendeu a mesclar as culinárias italiana, mineira e paraense. “De mamma Jussara lembro dos tabuleiros de pão e várias tortas, que ela fazia sob encomenda, mas ela sempre dava um jeitinho de fazer para nós. A que eu mais gostava era a de amendoim. Ficava em êxtase total quando ela me deixava comer um pouco das bordas dos bolos, que ela retirava para deixá-los perfeitos, retos”. A cozinha estava no sangue. Dela e do irmão mais velho, o também chef e sommelier Fabio Sicilia. Amadurecimento precoce “É uma das mais tenras recordações – acompanhar a mamãe todos os dias ao Clube do Remo, onde ela mantinha uma cantina. Naquela época, com oito anos, acho, eu passava o troco, ajudava no que fosse preciso. E achava incrível quando ela me deixava ter responsabilidades. O papai havia partido [ela fica emocionada] e tínhamos de garantir nosso sustento. Não foi uma infância fácil, mas também não posso dizer que foi difícil”. Alguns anos depois da morte do pai, a mãe também partia. Ambos os irmãos assumiram os negócios da família. Aos 24 anos, Fabio foi para a Itália estudar »»»

Dudu Maroja / Divulgação


Ângela Sicilia comanda a cozinha do tradicional Famiglia Sicilia, que por duas décadas se chamou “Dom Giuseppe”, em homenagem ao pai, Giuseppe Sicilia. A mãe, Jussara, foi a grande incentivadora dos filhos.

Gastronomia e Angela, com apenas 15 anos, tomava conta do restaurante e ficava no caixa. A maturidade chegou precocemente. Ruim? Não para eles, que sempre foram o esteio um do outro. “Fabio foi meu ‘pai’ durante minha adolescência e tinha de ajudá-lo da melhor maneira possível”, conta. Natural que a adolescente quisesse aproveitar a fase, mas a prioridade sempre foram os negócios da família. Hoje casada, mãe de dois meninos, Ângela dedica boa parte do dia ao restaurante e faz pessoalmente as massas, já que faz questão que sejam artesanais. De volta à cozinha Falando em massas e não à toa, o espaguete à bolonhesa é o prato favorito da chef. “Largo qualquer prato por espaguete à bolonhesa”, conta em meio às gargalhadas. “Ah, e bolo branco, aquele simples mesmo, com cobertura de chocolate”, complementa. Perfeccionista, detalhista e exigente, a chef faz questão de visitar cada um de seus fornecedores. “Quero que meu cliente fique satisfeito com produtos de alta

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qualidade, mas não abro mão de que sejam ingredientes social e ecologicamente corretos. Porque quando a gente vai à fonte e é rigoroso nesse aspecto, a gente estimula uma corrente positiva”. O reflexo de tanto zelo são criações gastronômicas que encantam. Ela não abre mão de reunir pessoalmente com a equipe da cozinha e do salão, além de promover o que chama de “intercâmbio cultural” com chefs de outros estados, quando a equipe inteira recebe treinamentos e workshops. Falando em intercâmbio, Ângela esteve recentemente na Europa, em intercâmbio gastronômico, a convite de chefs italianos para mostrar o resultado da cozinha ítalo-amazônica que desenvolve. Depois seguiu para o Identitá Golose, um congresso que reúne os mais importantes chefs do mundo. De lá voltou com mais ideias e novas “combinações”. “Estou ansiosa para colocá-las em prática”, finaliza. De volta à cozinha, ela mostra à Revista Leal Moreira o passo a passo de uma receita exclusiva, que será o “Prato da Boa Lembrança” do Famiglia Sicilia este ano.


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receita

Risoto nero Dr. Arlen Jones

(porção individual)

INGREDIENTES • • • • • • • • • • •

100 gramas de arroz negro cozido no caldo de legumes (veja no box ao lado como fazer) 50 gramas de camarão rosa cru 25 gramas de lula (cortada em anéis) 25 gramas de polvo (cortadinho) 25 gramas de salmão em lascas e grelhado Cebola picada (a gosto) Alho picado (a gosto) Manteiga para refogar cebola e alho Cheiro-verde picadinho a gosto Suco de ¼ de limão Sal e pimenta a gosto

MODO DE FAZER Refogue a cebola e o alho. Deite os camarões, lula e polvo. Acrescente sal e pimenta a gosto e o cheiro-verde. Quando os frutos do mar estiverem no ponto, acrescente o arroz. Misture cuidadosamente e acrescente – por último – o salmão. Corrija o sal e a pimenta, se necessário e acrescente o suco de ¼ de limão. Mexa e sirva em seguida. PARA FAZER O ARROZ NEGRO O arroz negro consome muito tempo de cozimento até obter a maciez. Para fazer a base do risoto, doure cebola na manteiga e acrescente o arroz negro. Refogue e acrescente 50 ml de vinho branco. Deixe evaporar o álcool e acrescente o caldo de legumes (pronto) aos poucos conforme a água do arroz for secando. Vá experimentando para sentir o ponto al dente. Se você preferir mais macio, deixe cozer um pouco mais. Desligue e reserve. Está pronto para usar na receita. HARMONIZANDO O PRATO A chef recomenda um Sauvignon Blanc.

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vinho VINHOS PARA A FESTA DE BACO

Uva 100% Pedro Jimenez Graduação 15% 750 ml. Origem Jerez de la Frontera, Andaluzia Espanha Ao sul de Sevilla encontramos a DO Jerez Xérèz, Sherry. Esses são vinhos especiais e fortificados, com adição de aguardente vínica, após o processo normal de vinificação. Os estilos de Jerez podem ser secos ou doces, que são elaborados com as uvas Pedro Ximenez - colhidas muito maduras e são expostas ao sol para que haja maior concentração de açúcar natural. O envelhecimento se faz com o tradicional método Soleras. O Pedro Ximenez é um vinho generoso, é muito bom sozinho, para meditar ao término da refeição ou na boa companhia de queijos azuis. É perfeito, delicioso e sedutor quando acompanha sobremesas feitas com chocolate. Onde comprar: Grand Cru (Indicação da Sommelier:Ana Luna Lopes) www.revistalealmoreira.com.br

Uva 100% Nebbiolo Graduação: 14% REGIÃO: Piemonte - Barolo CLASSIFICAÇÃO LEGAL: Barolo D.O.C.G. Uvas provenientes principalmente dos vinhedos próprios em Serralunga d’Alba (70%), com pequenas partidas oriundas de fornecedores de longo-prazo em privilegiadas posições de Catiglione Falletto e Monforte d’Alba. Colheita com duração de três semanas (fim de outubro e começo de novembro). Seleção acurada das uvas, com descarte das imperfeitas. Desengace total. Prensagem delicada e fermentação nos tanques de inox em contato com os sólidos, a 25-26°C, por 20 dias. Nesta fase as remontagens foram frequentes, mantendo as cascas sempre imersas e em contato com o mosto. Terminada a fermentação alcoólica, procedeu-se a separação do vinho da parte sólida. Malolática completa. Trasfega aos barris de carvalho para envelhecimento. Engarrafamento e manutenção das garrafas nas frias adegas por mais vários meses antes da emissão ao mercado. Trinta e seis meses em carvalho, sendo 30% em barricas bordalesas e 70% em botti, barris de 2000 a 5000 litros de carvalho francês de Allier de vários anos. Vai bem com Brasato al Barolo (carne bovina cozida longamente no vinho Barolo com especiarias, legumes aromáticos e ervas); Capriolo al ginepro (Veado assado lentamente e servido com molho escuro de zimbro); Tagliolini freschi al tartufo bianco (Massa fina rica em ovos com trufas brancas). Onde comprar: Decanter

Uva Touriga Nacional Graduação 13% 750 ml. Origem Dão Portugal Com verões quentes e invernos frios, o Dão sempre foi terra de vinhos deliciosos e foi dentro dessas condições climáticas favoráveis que a Touriga Nacional, casta ícone portuguesa, no Dão se adaptou e hoje, com o atual processo de modernização da vinicultura na região, pela nova geração de produtores mais diligentes e pelos baixos rendimentos produtivos, uma das ações mais importantes na produção de vinhos de qualidade, a TN se expressa bem na região com ótimos resultados. A linha de vinhos Quinta das Estrémuas TN, da Vinícola de Nelas AS, que foi fundada em 1939, são elaborados com as melhores uvas de toda a produção e os resultados são evidentes. No Quinta das Estrémuas TN 2007 a fruta vermelha madura está integrada à madeira. De fato ele estagia por bem 11 meses em barricas de carvalho francês de Allier e é sensacional a interação entre os aromas varietais primários e os terciários, com toques de tostado e terrosos. Em boca tem estrutura, corpo, taninos marcantes e personalidade para dar e vender. Perfeito acompanhante para o leitão assado de forno. Onde comprar: Grand Cru (Indicação da Sommelier:Ana Luna Lopes)

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BRUNELLO DI MONTALCINO RISERVA 2005

BAROLO 2007

QUINTA DAS ESTRÉMUAS 2007 DO DÃO

JEREZ DO - HIDALGO PEDRO XIMENEZ VINO DULCE NATURAL

Não necessariamente você precisa gostar de Carnaval, para aproveitar a festa de Baco de maneira intensa. A Revista Leal Moreira traz as indicações para cair na folia de modo singular: sorvendo e degustando grandes rótulos.

Uva 100% Sangiovese Graduação: 13,5° GL REGIÃO: Toscana - Siena - Montalcino Vinhedos plantados em 1972-1973, perfeitamente expostos a sudeste. CLASSIFICAÇÃO LEGAL: Brunello di Montalcino D.O.C.G. Vinho muito festejado. A viticultura adotada é a mais natural possível, sem uso de compostos químicos no solo ou nas vinhas, num perfeito respeito ao entorno ambiental. Os vinhedos convivem harmoniosamente entre 2 hectares de jardins (uma coleção de 1.500 rosas e plantas do mundo todo) o que garante um espontâneo equilíbrio entre flora e fauna. Após a colheita manual no ponto ótimo de maturação, as uvas são desengaçadas e postas pra fermentar em grandes tonéis de carvalho da Eslavonia, sem controle de temperatura. Longo amadurecimento em botti, com diversas trasfegas durante este período. Não há clarificação, nem filtração. Permanência em garrafa de 6 meses antes da emissão ao mercado. No palato exemplifica o conceito de harmonia com personalidade, marcada mineralidade e espantosa persistência. Luxuriante e inesquecível, com cerejas passas e outras pequenas bagas vermelhas, violeta, húmus e ervas aromáticas. Harmônico, mineral e espantosamente persistente. Combina divinamente com Bisteca alla Fiorentina; Vinho de meditação com queijos duros e salames toscanos curados. Onde comprar: Decanter


Líder absoluta de mercado na região Norte, há 35 anos. www.lotusonline.com.br 109


decor

Do detalhe ao luxo O novo – e exclusivo – empreendimento Leal Moreira é uma harmoniosa combinação de sofisticação e funcionalidade O apartamento decorado do Torre Unitá, assinado pelos arquitetos Ana Perlla e José Jr., traduz toda beleza e sofisticação de um Leal Moreira. Os ambientes – modernos e atraentes – revelam uma semelhança única entre si: o bom gosto na decoração. Tudo em harmonia. Confira abaixo a seleção dos dez itens mais marcantes feita pela equipe da Revista Leal Moreira:

Atraente

Toque de glamour

A mesa de apoio elaborada com ferro e fibra natural chama a atenção dos visitantes pela cor amarela, que é evidenciada pelo contraste com o tom marrom das poltronas de couro que a envolvem. Onde: Spaço Casa

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O clima sofisticado da sala é resultado da combinação de vários itens estrategicamente bem posicionados. O lustre dourado, por exemplo, além de dar um toque de glamour, proporciona luzes mais pontuais na mesa de jantar. Onde: Rezende’s

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Lucas Ohana

Dudu Maroja

Charme O relógio de mesa dá um charme a mais no quarto masculino. É possível utilizá-lo também para guardar pequenos objetos dentro dele. Onde: Jardim Secreto

Revestimentos Os revestimentos da Metallo fortalecem a neutralidade da sala, tom ideal para destacar com propriedade objetos que a compõem, como, por exemplo, a televisão preta. Além disso, eles colaboram para a seriedade que o espaço requer. Onde: Metallo

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Madeira de demolição Uma boa maneira de contribuir para o meio ambiente é adquirindo móveis e objetos de madeira de demolição. São peças maravilhosas, com um longo tempo de vida útil, como esse espelho do lavabo. Onde: Jardim Secreto

Imponente O cavalo de louça é apenas parte da decoração da parede da sala – formada por quadros, livros, taças de bebida. Ele se destaca pela sua postura hesitante e formato robusto. Onde: Jardim Secreto

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Exclusivo A sala do apartamento decorado dedica um canto exclusivo para vinhos. Além das adegas, o modulado da SCA abriga uma boa quantidade deles. E, para degustá-los, as pessoas podem sentar na confortável poltrona ao lado. Onde: SCA

Revestimento Outro revestimento da Metallo, que merece destaque. A churrasqueira da varanda gourmet ganhou a neutralidade merecida. Em tom pastel e acabamento de cerâmica, ela dá o charme na hora de receber seus amigos. Onde: Metallo

Refinamento As cortinas traduzem o refinamento do quarto masculino. Feitas com linho e algodão, elas seguem o padrão cinza – com detalhes amarelos – da cama, travesseiros, mesas, abajour e tapete. Onde: Angela Belei

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falando nisso

Heluza Sato & Maurício Toscano arquitetos

1. A madeira, um dos materiais mais antigos usados pelo homem na criação de espaços construídos, traz consigo uma atmosfera de aconchego para os usuários. O emprego deste material pode ter as mais variadas aplicações, podendo ser colocado no revestimento de pisos, esquadrias, painéis de parede ou mesmo no mobiliário. As peças de madeira oriundas de demolições, desde que tratadas adequadamente, são uma ótima opção para compor áreas de estar, jantar ou até cozinhas. 2. A laca é um tipo de resina capaz de deixar uniforme a superfície de objetos onde é aplicada. Atualmente, a técnica de laqueamento é utilizada em larga escala pela indústria de móveis, porque possui a característica de atribuir requinte e delicadeza às peças que reveste, pode apresentar-se de forma brilhosa (a mais comum), com semibrilho ou fosca, além de ter uma infinidade de cores e tons. 3. O vidro talvez seja o material que mais apresentou avanços técnicos nos últimos anos, e por isso além de limpidez traz para os ambientes o aspecto de modernidade. Ele é capaz de atender os mais variados gostos, podendo ter cores mais ousadas como berinjela e amarelo, ou mais neutras como branco e fendi, e os mais diferentes efeitos como os texturizado e refletente. Quando empregados em portas, os translúcidos integram visualmente ambientes adjacentes, como sala de estar e sacada, enquanto os opacos são ótimas soluções na separação de áreas íntimas ou que exigem maior privacidade. 4. As pedras são sinônimo de opulência e solidez. Além das tradicionais aplicações como o revestimento de pisos e bancadas de cozinhas e banheiros, elas ficam bem fazendo o papel de caixilhos, formando marcantes portais, ou como painéis de parede que ainda apresentam a opção de serrem iluminados, dando singularidade a qualquer ambiente. 5. Os tecidos são provedores de conforto, e sua escolha depende da concepção geral do projeto. Para a elaboração de ambientes mais rústicos e/ou despojados, na hora de cobrir poltronas e sofás opte por tecidos mais grossos e lisos (monocromáticos), e na organização de ambientes sofisticados, lance mão dos mais leves. A conjugação de cores e estampas deve imprimir a personalidade dos usuários, porém sempre acompanhada pelo bom senso, e procurando fugir dos extremos (a enfadonha apatia e a exagerada extravagância). 6. A atmosfera de nobreza que os metais carregam, pode ser posta nos ambientes na forma de cadeiras, bases de mesas, luminárias, molduras de quadros, guarda-corpo de escadas ou mesmo em objetos decorativos. Além disso, as opções de acabamento são muitas: aço escovado, alumínio polido, bronze envelhecido... 7. As tintas de parede, que atualmente resistem com eficácia às fortes chuvas e à elevada umidade, típicas do clima equatorial, possibilitam uma infinidade de conjugação devido à profusão de cores, que podem ser acetinada, semiacetinada, fosca, lisa ou com textura. Os fabricantes ainda oferecem as que produzem efeitos visuais de madeira, veludo, etc., e apresentam aplicação e manutenção menos dispendiosas em comparação aos materiais aos quais elas aludem. A escolha da tinta ideal é muito subjetiva e deve ser resultado da conversa entre o cliente e o arquiteto responsável pelo projeto, levando em consideração a máxima de que “tons claros ampliam visualmente e os escuros diminuem”. É importante também ter em mente que o resultado final dependerá da habilidade da mão de obra que aplicará a tinta.

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A casa do futuro já existe.

castilho

E pode ser a sua casa.

A Gold Control é uma empresa de automação de casas e prédios. Ela disponibiliza para você a criação de ambientes personalizados e inteligentes, cenas de iluminação, sistemas de refrigeração automatizados e muito mais. É um serviço diferenciado feito para você, que procura comodidade, exclusividade e bom gosto. Visite a Gold Control e conheça um ambiente totalmente automatizado ou ligue e agende uma visita da nossa equipe. Serviços

Benefícios:

• Automação de Iluminação e Home Theater por Tablet e Smartphone. • Criação de zonas independentes de Áudio e Vídeo. • Ambiente de Som Oqulto ® Invisível . • Automação de persianas e cortinas, jardins e áreas comuns. • Controle Inteligente de Temperatura. • Gerenciamento de Energia em tempo real. • Segurança (Sistema inteligente de segurança e controle de acesso biométrico).

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nal

Institucio

LANÇAMENTO DO TORRE UNITÁ Em comemoração ao lançamento do luxuoso Torre Unitá, a Leal Moreira reuniu clientes e parceiros para um coquetel especial no estande de vendas do empreendimento. Na ocasião, os convidados puderam conferir o show da renomada cantora paraense Juliana Sinimbú. O Torre Unitá, localizado em um dos bairros mais privilegiados de Belém – o Umarizal

– , possui 24 opções de lazer, 2 vagas no estacionamento, apartamentos de 143 m² com 3 suítes, e muito mais. Ideal para você e sua família. Endereço: Antônio Barreto, 1240 entre 9 de Janeiro e Alcindo Cacela (estande de vendas e apartamento decorado) Informações: 3351.5011

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PARTIDA MEMORÁVEL O Jogo das Estrelas foi um presente para os amantes de futebol. Na ocasião, participaram celebridades e grandes jogadores locais e nacionais, como o paraense Paulo Henrique Ganso, para uma partida memorável no Estádio Olímpico do Pará – o Mangueirão – com o objetivo de arrecadar alimentos para doação. O evento, organizado pela academia Cia Athletica, contou com o apoio da Leal Moreira. “Foi uma excelente parceria visto que (...) tanto a Cia Athletica como a Leal Moreira possuem valores bem claros em relação à responsabilidade social”, ressaltou Miro Gomes, diretor de marketing da academia. A parceria foi tão boa que, em 2013, ela promete muito mais. Aguardem!

RELACIONAMENTO COM CLIENTES LEAL MOREIRA O setor de clientividade da Leal Moreira passou por reformulações e agora atende por “Relacionamento com clientes”. A nova gerente de Relacionamento, Alethea Assis, explica que a mudança na nomenclatura é reflexo do novo momento da empresa. “Queremos ainda mais proximidade com nossos clientes, porque eles são especiais e merecem tratamento personalizado”. O setor de Relacionamento da Leal Moreira funciona na sede da Leal Moreira (Rua João Balbi, nº 167 • fone: 4005.6868)

CRIATIVIDADE A Agenda Leal Moreira 2013, que reúne obras de renomados artistas paraenses com intervenções na logomarca da construtora, está um sucesso! A agenda foi lançada no vernissage da exposição das obras que a ilustraram, na Galeria Leal Moreira do Boulevard Shopping. O evento possibilitou um momento único de celebração dos artistas e convidados da Construtora.

A sala do Torre Unitá é um verdadeiro show de elegância e funcionalidade, assim como o quarto da filha - uma suíte -, com detalhes em cor de rosa. Na foto ao lado, a varanda gourmet.


nal

Institucio

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FESTA DE CARNAVAL Para celebrar as conquistas de 2012 e começar o ano com força total, tal, usia Leal Moreira realizou um super baile de carnaval com atrações musiara cais, brincadeiras e concursos de fantasias no Buffet Champagne para os seus funcionários. Cada folião levou dois quilos de leite para doarr à Casa do Menino Jesus III. Na foto ao lado, a Irmã Silvaniza Barbosa, sa, recebe as doações.

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nal

Institucio

Check List das obras Leal Moreira projeto

lançamento

fundação

estrutura

alvenaria

revestimento

fachada

acabamento

.

Torre Parnaso 2 ou 3 dorm. (1 suíte) • 58,40m² e 79,20m² • Cremação • Av. Generalíssimo Deodoro, 2037 (com a Rua dos Pariquis) Torres Dumont 2 e 3 dorm. (1 e 2 suítes) • 64m² a 86m² • Pedreira • Av. Doutor Freitas, 1228 (entre Av. Pedro Miranda e Marquês de Herval). Torre Vitta Office Salas comerciais (31,73 a 42m²) • 5 lojas (61 a 299,62 m²) • 31,73 a 42m² (sala comercial) • de 61 a 299,62m² (lojas) • Marco • Av. 25 de Setembro, 2115. Torre Vitta Home 2 dorm. (1 suíte) • 58,02m² • 3 dorm. (1 suíte) • 78,74 m² • 58 m² e 78 m² • Marco • Travessa Humaitá, 2115 (entre 25 de Setembro e Almirante Barroso). Torre Triunfo 3 e 4 suítes (170,34 m²) • cobertura (335,18m²) • Marco • Trav. Barão do Triunfo, 3183 (entre 25 de Setembro e Almirante Barroso). Torres Floratta 3 e 4 dormitórios • 112,53m² a 141,53m² • Marco • Av. 25 de Setembro, 1696 (entre Travessas Angustura e Barão do Triunfo). Torres Trivento 2 e 3 dorm • 65,37m² a 79,74m² • Sacramenta • Av. Senador Lemos, 3253. Torre Résidence 2 ou 3 suítes (174m²) • Cobertura (361m²) • Cremação • TV. 3 de Maio, 1514 (entre Magalhães Barata e Gentil). Torres Ekoara 3 suítes (138m²) • Cobertura (267 ou 273m²) • Utinga • Tv. Enéas Pinheiro, 1700 (entre Av. Alm. Barroso e Av. João Paulo II). Torre Umari 2 ou 3 dorm. sendo 1 suíte (107m²) • Umarizal • Rua Dom Romualdo de Seixas, 1500 (entre Antonio Barreto e Domingos Marreiro). Sonata Residence Uniplex (71m² a 72m²) e Duplex (118m² a 129m²) • Umarizal •João Balbi, 1291 (entre 9 de Janeiro e Alcindo Cacela).

Veja fotos do andamento das obras no site: www.lealmoreiraimobiliaria.com.br

120

em andamento

concluído


A perfeita mistura entre transparência e resistência. O Torre de Farnese é um dos empreendimentos de alto nível da Leal Moreira que tem a segurança e a beleza dos vidros Ebbel. Uma combinação atestada por tantas outras obras de qualidade. • Aumento de área útil. • Proteção contra vento, chuva, poluição e maresia. • Valor e qualidade otimizados, propondo melhor custo/ benefício, uma vez que proporciona maior comodidade e conforto. • Segurança com uso de vidros temperados • Praticidade em seu manuseio e limpeza.

Rod. BR-316, KM 2 Alameda Moça Bonita, nº 14 Guanabara • Ananindeua/PA Fone: [91] 3235.5395 3235.5313


Nara Oliveira Consultora empresarial

Onde focar em 2013

Os dois Brasis são vistos também de forma nítida

e serviços, pois este profissional precisa entender de

em potencial. Analisar o posicionamento estratégico

em como o mercado de trabalho se expressa: para

3 áreas e ter muita disponibilidade para viagens. Esta

da empresa, apontando eventuais possibilidades de

alguns segmentos apagão de mão de obra, para

última difícil de encontrar nos paraenses. Ele é res-

obtenção de vantagem competitiva. As empresas de

outros, restrição de oportunidades. Há um grupo de

ponsável pela manutenção (elétrica, mecânica e em

médio porte, mesmo as regionais, já estão delegan-

profissionais que as áreas de gestão de pessoas cus-

automação) dos equipamentos e linhas de produção

do esta tarefa para executivos contratados, contudo

tam a encontrar. De acordo com um levantamento da

dos clientes da empresa para a qual trabalha.

achar pessoas no mercado com experiência nesta

Page Personnel, especializada em recrutamento pro-

área é de enorme dificuldade. Esta posição é consi-

fissional, a procura por um profissional escasso atinge

Consultor em Engenharia

derada nível 3, ou seja, de enorme dificuldade para o

diretamente a produtividade das empresas e, para

Profissional muito requisitado por conta do conhe-

mercado do Norte em termos de recrutamento.

algumas áreas, sobram vagas no país.

cimento técnico na área específica da consultoria. O

Hoje as consultorias enfrentam um problema antes

desafio é associar este conhecimento com um perfil

impensável: a baixa oferta de candidatos e alto núme-

dinâmico e agressivo de consultoria, além da disponi-

ro de ofertas para algumas posições. O que é estraté-

bilidade de viagens.

Projetos Logísticos Esta área veio tomando impulso na última década e o Brasil ainda não teve tempo de formar profissio-

gico para quem trabalha com seleção de profissionais

nal. O estado é lento em respostas. Este profissional

para cargos igualmente estratégicos é o recrutamen-

Vendedor Key Account Sênior

de projetos logísticos está inserido em operadores lo-

to destas pessoas.

Este profissional terá como sua responsabilidade

gísticos, varejo ou indústria. Como operador logístico

Assim, esta coluna traz dicas para profissionais que

a gestão de carteira de clientes de grandes redes.

tem que ter uma visão ampla de processos já que lida

estão entrando no mercado de trabalho ou que pas-

Responsável pela negociação de contratos com com-

com segmentos diversos, com urgências e particula-

sam pelo processo de desenhar sua segunda carreira

pradores. Definição e implementação de ações pro-

ridades distintas. As atividades poderão ser voltadas

para que possam se posicionar frente ao mesmo fa-

mocionais com o objetivo de melhorar exposição dos

tanto para o dimensionamento, planejamento, imple-

zendo as melhores escolhas.

produtos nas redes e incremento de vendas. Gestão

mentação ou melhoria do projeto.

de custos, rentabilidade e volume de vendas. Inglês Supervisor de Produção

fluente e boa penetração nas grandes redes de su-

Com a indústria aquecida, apesar das dificuldades

permercado. Prepare-se para este desafio e escolha

de 2012, os profissionais que entendem de cadeia de

onde você quer trabalhar.

produção e que unam o lado lógico e o humano para

Vendedor Técnico Formação em Química ou Engenharia Química com experiência comercial no mercado de cosmético. Gestão de carteira de clientes no segmento cos-

lidar com gestão de pessoas são amplamente requi-

Analista de Inteligência de Mercado

mético, prospecção de novas contas, venda consulti-

sitados e peças raras no mercado.

Municiar as áreas de Marketing e Vendas com in-

va e participação de feiras e eventos do setor. Viva os

Técnico de Campo (manutenção eletromecânica)

formações referentes aos mercados, levantando e

O técnico de campo é um dos profissionais mais re-

analisando situação da concorrência, movimenta-

quisitados em empresas de máquinas, equipamentos

ções estratégicas, posicionamento e novos entrantes

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novos tempos. Boa sorte!


Fato | Comunicação RE 133

PRODUTOS DESTINADOS A ADULTOS APRECIE COM MODERAÇÃO

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MARGARITA

50 ml de Ketel One Vodka 20 ml de Cointreau 30 ml de suco de cramberry Suco de 1 gomo de limão tahiti

40 ml de Tequila Don Julio Blanco 20 ml de Cointreau 2 colheres (sopa) de suco de limão Cubos de gelo Sal (para a borda do copo)

Modo de preparo: Adicionar todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo. Bater vigorosamente e verter com coagem dupla em uma taça Martini previamente resfriada. Guarnição: Twist de limão siciliano.

Modo de preparo: Molhe a boca do copo para coquetel com suco de limão e encoste no sal para formar uma borda. Junte em uma coqueteleira a tequila, o contreau, o suco de limão, e 1 xícara de cubos de gelo. Misture bem e coe sobre a taça.


RLM nº 36

Leal Moreira, vida e arte.

GENTE DESIGN ESTILO IDEIAS CULTURA COMPORTAMENTO TECNOLOGIA ARQUITETURA

ano 9 número 36

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Ruy Castro Escritor, biógrafo, obsessivo. Em entrevista exclusiva, ele divide segredos e os planos para 2013.

Leal Moreira

Ronaldo Fraga J.R.Duran Garcia Márquez e Neruda

RLM 36  

Ruy Castro - Escritor, biógrafo, obsessivo. Em entrevista exclusiva, ele divide segredos e os planos para 2013.

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