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INTRODUÇÃO

1 CORÍNTIOS Autoria As evidências internas e inerentes a este documento apostólico, bem como as evidências externas não deixam dúvida quanto à autoria de Paulo (1.1,2; 16.21). Os próprios pais da igreja, como Clemente de Roma, por volta do ano 95 d.C., já defendiam a autoria paulina dessa primeira carta à Igreja em Corinto. Na época de Paulo, a cidade de Corinto tinha uma população estimada em 250 mil cidadãos livres e cerca de 400 mil escravos. Devido à sua localização geográfica, constituía-se de uma faixa de terra ligando a península ao continente, com pleno acesso ao mar Mediterrâneo; era uma encruzilhada para viajantes e comerciantes de todas as partes do mundo. Seus dois importantes portos eram Cencréia, cerca de 10 km a leste do golfo Sarônico, e Lecaião, a uns 2 km a oeste, no golfo de Corinto, que faziam da cidade ponto estratégico e obrigatório de abastecimento de descarga de navios. O comércio era um dos mais exuberantes do Mediterrâneo; a cultura cosmopolita, e a imoralidade sem limites faziam parte da religião local como forma de expressão e culto aos deuses helênicos. Corinto abrigava doze grandes templos, sendo que um dos mais infames era dedicado à Afrodite, deusa grega do amor, onde mais de mil mulheres eram escolhidas todos os anos para oferecem seus corpos aos homens como oferenda religiosa. Propósitos Essa primeira carta dirigida à Igreja em Corinto é eminentemente de ordem prático-doutrinária e trata de problemas espirituais e morais como se fosse um manual de teologia pastoral. Alguns membros da casa de Cloé comunicaram a Paulo a respeito do surgimento de fortes discórdias qque haviam se alastrado de tal forma qque a pprópria p igreja g j estava se dividindo. Outros irmãos que foram ter com Paulo em Éfeso, como Estéfanas, Fortunato e Acaico (16.17), trouxeram relatos perturbadores sobre o procedimento imoral e pagão de alguns membros da igreja (caps. 5 e 6). Devido ao contexto cultural e religioso no qual a cidade vivia, a imoralidade sempre oprimiu os cristãos de Corinto. Paulo já havia recomendado expressamente que os crentes não deviam voltar a se envolver com os procedimentos moralmente inconvenientes e impuros, próprios daqueles que não temem a Deus e seguem a deuses e líderes segundo suas próprias concupiscências (5.9-11). Contudo, o apóstolo percebe que não foi bem compreendido e, portanto, escreve com maior clareza ainda, conclamando os verdadeiros crentes a uma ação imediata e drástica contra o pecado e os rebeldes (5.3-13). Um comitê vindo da liderança da igreja em Corinto trouxe uma carta pedindo as orientações de Paulo em relação a uma série de assuntos (7.1; 8.1; 12.1; 16.1). Sendo assim, mesmo considerando os diversos dons espirituais que capacitavam muitos membros da igreja para o santo e produtivo serviço cristão, os crentes de Corinto eram imaturos, muito ligados à tradição pagã dos helênicos e aos maus costumes (1.4-7; 3.1-4). Paulo, então, se dispõem a instruir e restaurar a igreja – a partir da sua liderança – nas suas específicas áreas de fraqueza, corrigindo práticas equivocadas e pecaminosas, como: murmurações e divisões (1.10 – 4.21); todas as formas de imoralidade (5.1 – 6.20); demandas entre cristãos mediadas por juízes incrédulos (6.1-8); exageros de comida, bebida e liberdade moral durante a Ceia do Senhor (11.17-34); e falsas concepções teológicas sobre a ressurreição de Cristo (cap.15). Paulo ainda instrui a igreja sobre a coleta de ofertas em favor dos cristãos que estavam atravessando um terrível período de crise econômica e financeira em Jerusalém (16.1-4). Esta carta de Paulo, portanto, tem a preocupação básica de resolver os problemas enfrentados pelos crentes em Corinto quanto à verdadeira prática cristã, ou seja, em relação à santificação progressiva de cada crente, mediante o controle absoluto do Espírito Santo, que se expressa através de uma fé santa e de um caráter santo. O conteúdo desse documento eclesiástico de Paulo faz todo o sentido nos dias de hoje, na vida diária dos crentes e nas comunidades modernas. A maior parte das questões enfrentadas pela Igreja em Corinto faz parte do nosso cotidiano e das realidades humanas do século XXI. O capítulo 13 fala da maior necessidade do homem: o amor. E o capítulo 15 responde: a ressurreição do nosso Salvador.


Data da primeira publicação ç Todos os documentos históricos e arqueológicos apontam para a primavera do ano 55 d.C. como a data em que os originais da primeira carta à Igreja de Corinto começaram a ser lidos e estudados ppublicamente,, como era costume dos cristãos da época. p Paulo teria escrito essa epístola p já j no final do período p de três anos qque ppassou em Éfeso ((16.5-9;; At 20.31).) Na menção ç qque o apóstolo p faz em relação à sua permanência na movimentada e helênica cidade de Éfeso até a chegada das celebrações de Pentecostes (16.8), fica evidente seu desejo de passar pouco tempo ali depois de ter escrito aos coríntios. Esboço geral de 1 Coríntios 1. Saudações ministeriais com ações de graças (1.1-3) 2. Louvor a Deus pelos dons espirituais concedidos à Igreja em Corinto (1.4-9) 3. O apóstolo busca corrigir as falhas dos crentes coríntios (1.10 – 6.20) A. Calúnias, difamações e divisões (1.10 – 16) B. O Espírito de Cristo é indivisível (1.10 – 17) C. Os crentes devem enfatizar a pregação da Cruz (1.18 – 31) D. O exemplo de Paulo através do seu ensino (2.1-5) E. O verdadeiro conhecimento e sabedoria (2.6-16) F. Brigas e facções são sinais de imaturidade espiritual (3.1-4) G. A correta avaliação dos ministros de Cristo (3.5-9) H. A Igreja deve ser edificada sobre a Rocha (3.10-15) I. O Templo do Senhor (3.16,17) J. Como devemos ver nossos líderes espirituais (3.18 – 4.17) K. Advertência aos orgulhosos e arrogantes (4.18-21) L. A imoralidade renitente não deve ser tolerada (5.1-13) M. Litígios entre crentes não devem ser ajuizados por pagãos (6.1-11) N. Não oferecer os corpos à prostituição como os pagãos (6.12-20) 4. Orientações quanto ao celibato, casamento e divórcio (7.1-40) 5. Orientações quanto às comidas e oferendas aos ídolos (8.1 – 11.1) 6. Orientações quanto à proclamação e ao culto público (11.2 – 14.40) A. A simbologia do uso do véu por parte das irmãs (11.2-16) B. Como compreender e se portar na Ceia do Senhor (11.17-34) C. Como compreender e praticar os dons espirituais (12.1 – 14.40) D. O amor fraternal é o mais importante dos dons espirituais (13.1-13) E. O dom da profecia (pregação) é superior ao de línguas (14.1-25) F. A necessidade de ordem no culto (14.26-40) 7. Como compreender a doutrina da ressurreição (15.1-58) 8. Orientações quanto à oferta para a Igreja em Jerusalém (16.1-4) 9. Paulo planeja passar o inverno com a Igreja em Corinto (16.5-9) 10. Exortações, saudações finais e bênção apostólica (16.10-24)


1 CORÍNTIOS Prefácio e saudações Paulo, convocado para ser apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Sóstenes,1 2 à Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus e convocados para serem santos, juntamente com todos os que, em toda parte, invocam o Nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:2 3 Graça e paz a vós outros, da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo!

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Graças a Deus pelos irmãos 4 Sempre dou graças a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi concedida por Ele em Cristo Jesus. 5 Pois em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo conhecimento, 6 porquanto o testemunho de Cristo foi confirmado em vós, 7 de maneira que não lhes falta nenhum dom espiritual, enquanto aguardais a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo.3 8 Ele os conservará firmes até o fim, de modo que sereis irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 9 Deus é fiel, por meio do qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.4

Exortações à concórdia na igreja 10 Suplico-vos, queridos irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que concordeis uns com os outros no que falam, a fim de que não haja entre vós divisões; antes, sejais totalmente unidos, sob uma mesma disposição mental e no mesmo parecer. 11 Caros irmãos, fui informado a vosso respeito, pelos da família de Cloé, que existem discórdias entre vós. 12 Refiro-me ao fato de um de vós afirmar: “Eu sou de Paulo”; enquanto o outro declara: “Eu sou de Apolo”; e outro: “Eu sou de Pedro”; e outro ainda: “Eu sou de Cristo!”.5 13 Ora, acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em vosso favor? Fostes batizados em nome de Paulo? 14 Dou graças a Deus por não ter batizado a nenhum de vós, com exceção de Crispo e de Gaio, 15 a fim de que ninguém venha a alegar que foi batizado em meu nome. 16 É certo que batizei também os da casa de Estéfanas; além destes, não me recordo se batizei algum outro irmão. 17 Porquanto Cristo não me enviou para batizar, mas para proclamar o Evangelho; não por meio de palavras de sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada.

1 Aqui Paulo volta a usar a expressão “apóstolo” em seu sentido restrito, os que viram e foram comissionados pelo próprio Jesus ressurreto (Mc 6.30; Hb 3.1). Paulo publica seu título em quase todas as suas cartas (menos em Fp, 1 e 2 Ts e Fm), com o objetivo de confirmar sua convocação apostólica como arauto de Jesus, autoridade essa que seus opositores procuravam contestar (2Co 11). 2 Paulo usa a expressão “Igreja de Deus” somente aqui, em At 20.28 e 2Co 1.1. No AT, a expressão equivalente usada é “Assembléia do Senhor” (Dt 23.1; Nm 16.3; 20.4; 1Cr 28.8). 3 A palavra grega original para “dom” é charisma, e ressalta, em seu significado, que os dons são resultado da graça de Deus e capacitam os cristãos para ministrar aos membros do Corpo de Cristo e ao mundo perdido. Os crentes receberam a capacidade de suprir todas as necessidades da Igreja por meio do Espírito Santo (12.7-11; 14.3-17). 4 Paulo garante que a fidelidade de Deus se encarregará de manter os crentes “firmes até o fim” (1Ts 5.24; v.8). 5 Apolo havia realizado um ministério notável em Corinto (At 18.24-28; 19.1). Pedro, cujo nome em grego é Cefas (Jo 1.42), também era muito querido e respeitado. Entretanto, dizia-se que apenas os cristãos judeus o seguiam. Um outro grupo, ainda, se arvorava o direito de ser mais cristão do que os outros. Paulo, que não admitia “paulinistas”, admoesta a todos que abandonem suas “facções religiosas” e se concentrem no fato de que todos os crentes são de Cristo, e a Ele devemos toda a devoção e obediência. Evidentemente que devemos respeito e carinho aos nossos líderes espirituais e amor fraterno para com todas as pessoas.


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Palavra da cruz, poder de Deus 18 Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão sendo destruídos, porém para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.6 19 Porquanto está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos homens cultos”.7 20 Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus completamente insensata a sabedoria deste mundo? 21 Considerando que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, foi do agrado de Deus salvar os que crêem por intermédio da loucura da proclamação da sua mensagem.8 22 Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos procuram sabedoria; 23 nós, entretanto, proclamamos a Cristo crucificado, que é motivo de escândalo para os judeus e loucura para os gentios.9 24 Todavia, para os que foram convocados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e sabedoria de Deus.10

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O chamado e vocação dos santos 25 Porquanto a insensatez de Deus é mais sábia que a sabedoria dos seres humanos, e a fraqueza de Deus é mais forte que todo o poder dos homens. 26 Irmãos, contemplai a vossa vocação! Pois não foram convocados muitos sábios, de acordo com critérios humanos, nem muitos poderosos, nem tampouco nobres. 27 Pelo contrário, Deus escolheu justamente o que para o mundo é insensatez para envergonhar os sábios, e escolheu precisamente o que o mundo julga fraco para ridicularizar o que é forte. 28 Ele escolheu o que do ponto de vista do mundo é insignificante, desprezado, e o que nada é, para reduzir a nada o que é, 29 com o objetivo de que nenhuma pessoa se vanglorie perante Ele. Somos de Deus em Cristo Portanto, vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós sabedoria da parte de Deus, justiça, santificação e redenção, 31 a fim de que, como está escrito: “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”.11 30

6 A palavra original grega para “poder de Deus” é dunamis (Rm 1.16). Portanto, o Evangelho não tem apenas a capacidade de instruir e educar, mas o poder de transformar a alma de qualquer ser humano, tornando-o santo em Cristo, por meio da ação contínua do Espírito Santo (At 1.8). 7 Paulo não está condenando todo o saber secular, mas sim as idéias filosóficas que procuram destronar Deus do comando do universo e das vidas dos indivíduos na Terra. A citação é extraída de Is 29.14, texto em que Deus condena a política dos “sábios” de Judá, os quais tentaram negociar um acordo com o Egito ao serem ameaçados pelo rei Senaqueribe, da Assíria. Os cidadãos de Corinto eram extremamente politizados e dados a questionamentos. Aristides dizia que em todas as ruas de Corinto achava-se algum suposto sábio, que tinha soluções para todos os problemas do mundo. 8 A expressão “proclamação da mensagem” deriva do significado geral do termo grego original kerigma. A pregação das “boas notícias” de que Jesus Cristo (o Messias), o Filho de Deus, encarnado, que morreu na cruz do Calvário e ressuscitou para nossa justificação, santificação e salvação eterna, é simplesmente loucura (insensatez) do ponto de vista de quem está escravizado pelo sistema de valores deste mundo. É interessante notar que o vocábulo “crêem” está no original grego no tempo presente contínuo do verbo, o que indica uma fé diária e constante. 9 Deus colocou o mundo todo sob uma grande prova de fé. Os judeus esperavam um Messias com poderes políticos e militares extraordinários que pudesse colocar Israel sobre todas as nações da terra (Jo 7.31). A bênção de Deus era compreendida somente a partir da ostentação de símbolos econômicos, políticos e militares (poder e riqueza). Jamais poderiam aceitar alguém amaldiçoado por Deus (Gl 3.13). Os gregos escarneciam de uma divindade que, a seus olhos, não tinha a sabedoria filosófica e o poder para salvar a si mesmo da condenação, à morte de cruz. Os romanos tinham certeza de que nenhuma pessoa de boa reputação seria crucificada, de maneira que era inconcebível que Jesus pudesse ser divino e ao mesmo tempo um criminoso condenado à pena capital. 10 Deus demonstra sua incomensurável e imarcescível sabedoria ao vir à terra em forma humana, na pessoa do seu Filho, para pagar a pena universal que condenava todo homem ao eterno afastamento da presença gloriosa do Senhor. Sem a loucura e a fraqueza da crucificação, não poderia ter havido a sabedoria, o poder da ressurreição e os inumeráveis benefícios decorrentes, que estão à disposição de todos os crentes (Hb 11.1; Gl 6.14). 11 Os próprios cristãos que moravam em Corinto eram testemunhas vivas de que a salvação não depende de boas ações ou


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Pregação no poder do Espírito Eu mesmo, irmãos, quando me dirigi até vós, não o fui apenas com um discurso eloqüente, nem ostentando sabedoria para vos anunciar o testemunho de Deus. 2 Porquanto decidi nada saber entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado.1 3 E foi sob fraqueza, temor e grande tremor que estive entre vós. 4 Minha mensagem e minha proclamação não se formaram de palavras persuasivas de conhecimento, mas constituíram-se em demonstração do poder do Espírito, 5 para que a vossa fé não se fundamente em sabedoria humana, mas no poder de Deus.2

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A sabedoria que vem do Espírito 6 Contudo, falamos de sabedoria entre aqueles que já têm maturidade; não me refiro, entretanto, à sabedoria desta era ou dos poderosos deste século, que estão sendo reduzidos a nada. 7 Ao contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus preordenou antes da origem das eras, para a nossa glória.

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Nenhum dos governantes desta era compreendeu essa sabedoria, pois se a tivessem entendido, não teriam crucificado o Senhor da glória!3 9 No entanto, como está escrito: “Olho algum jamais viu, ouvido algum nunca ouviu e mente nenhuma imaginou o que Deus predispôs para aqueles que o amam”. 10 Deus, todavia, o revelou a nós por intermédio do Espírito! 11 Pois, quem conhece os pensamentos do ser humano, a não ser o espírito do homem que nele reside? Assim, igualmente ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus.4 12 Nós, entretanto, não recebemos o espírito do mundo, mas, sim, o Espírito que vem de Deus, a fim de que possamos compreender o que por Deus nos foi outorgado gratuitamente. 13 Sobre isso também pregamos, não com palavras ensinadas pelo saber humano, mas, sim, com palavras ministradas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para os que são espirituais. 14 As pessoas que não têm o Espírito não aceitam as verdades que vêm do Espírito 8

da qualidade inerente de certas pessoas. Portanto, quando alguém é contemplado com o dom da salvação deve orgulhar-se (gloriar-se) na misericórdia do Senhor (Jr 9.24). Capítulo 2 1 Os pregadores e mestres do Evangelho devem dar especial atenção ao conteúdo da mensagem e ao viver sob a direção do Espírito Santo. A oratória e as técnicas de comunicação são secundárias. A expressão original grega marturion significa “testemunho”, e transmite aos oradores a idéia de serem testemunhas de Cristo antes de apenas comunicadores. “Cristo crucificado” é uma síntese da mensagem cristã que deve ser pregada em todo mundo e a todos os povos (15.3,4), cuja exposição completa está registrada nas diversas passagens do NT. 2 Paulo não está negligenciando o estudo sistemático e dedicado das Escrituras, nem a busca do aperfeiçoamento na arte de pregar. Suas cartas revelam grande conhecimento em várias áreas do saber, e sua eloqüência ficou evidenciada em seus vários discursos (At 17.22-31). O que acontece, infelizmente, é que à medida que os cristãos se desenvolvem no conhecimento teológico, menos se observa demonstrações de piedade e dependência do Espírito em suas vidas. O que o experiente apóstolo está nos ensinando é que a obra é do Senhor. É o Espírito Santo quem abençoa o pregador cristão para entregar a mensagem de Deus aos ouvintes, assim como é o mesmo Espírito quem opera na audiência para aplicar as verdades bíblicas em seus corações. A confiança de Paulo como pregador não dependia da sua capacidade intelectual e retórica, como ocorria com os comunicadores e filósofos gregos. 3 A expressão grega original teleiois (perfeitos ou aperfeiçoados) refere-se aos cristãos que por meio da experiência com o Espírito Santo, e às muitas provas, alcançaram sabedoria e maturidade espiritual e, portanto, já não agem com “infantilidade, espiritual” (Hb 5.13 a 6.3). Ao referir-se aos “poderosos deste século”, Paulo não está falando das potestades demoníacas, mas dos governantes judaicos e romanos da sua época, bem como das autoridades humanas do nosso tempo, cujo poder é ilusório e efêmero (2.8; Lc 24.20; At 3.17, 4.27; Mc 1.24,34). 4 Paulo cita o AT com freqüência (está escrito...), a fim de demonstrar o cumprimento da Palavra de Deus em Jesus Cristo. Aqui, Paulo refere-se a certas passagens de Is 64.4; 65.17; 52.15. O amor não é apenas um sentimento de paixão, mas um compromisso para a vida toda (Jo 14.21). A grande revelação se refere às verdades do Evangelho todo.


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de Deus, pois lhes parecem absurdas; e não são capazes de compreendê-las, porquanto elas são discernidas espiritualmente. 15 Contudo, aquele que é espiritual pode discernir todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é compreendido; porquanto: 16 “Quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo?” Todavia, nós temos a mente de Cristo!5 O crente infantil e as dissensões Irmãos, não vos pude falar como a pessoas espirituais, mas como a pessoas carnais, como a crianças em Cristo. 2 O que vos dei para beber foi leite e não alimento sólido, pois não podíeis recebêlo, nem ainda agora podeis,1 3 porque ainda sois carnais. Visto que campeia entre vós todo tipo de inveja e discórdias, por acaso não estais sendo carnais, vivendo de acordo com os padrões exclusivamente mundanos? 4 Pois, quando alguém alega: “Eu sou de Paulo”, e outro “Eu sou de Apolo”, não estais agindo absolutamente segundo os padrões dos homens? 5 Quem é, portanto, Apolo? E quem é

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Paulo? Servos por intermédio dos quais viestes a crer, e isto conforme o ministério que o Senhor concedeu a cada um.2 6 Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento. 7 De forma que nem o que planta nem o que rega são de alguma importância, mas unicamente Deus, que realiza o crescimento. 8 O que planta e o que rega ministram de acordo com um propósito, e cada um será premiado segundo o seu próprio trabalho. 9 Porquanto nós somos colaboradores de Deus; vós sois a lavoura de Deus e edifício de Deus.3 O dever dos ministros de Cristo 10 Segundo a graça de Deus que me foi outorgada, eu, como prudente construtor, lancei o alicerce e outro está edificando sobre ele. Entretanto, reflita bem cada um como constrói. 11 Porque ninguém pode colocar outro fundamento além do que está posto, o qual é Jesus Cristo! 12 Se alguma pessoa edifica sobre esse alicerce utilizando ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha,4 13 sua obra será manifesta, porquanto o

5 O homem “natural” ou “da alma” (no grego original psuchikos) vive em função de um “espírito não regenerado”, ou seja, completamente inclinado às vontades da terra, do pecado e das trevas. O Espírito Santo em nós, além de dar vida ao nosso espírito, nos abre a visão ao conceder-nos o poder do discernimento (em grego anakrinetai). Um milagre ocorre, e deixamos de ser apenas “alma vivente” para ser pneumatikos (no original grego “espiritual”). Ou seja, guiados pelo Espírito Santo (Rm 8.9,14). Entretanto, o Espírito não age por força, o crente precisa convidá-lo a participar das decisões de sua vida. Quanto mais o cristão dialogar e entregar o controle de sua vida ao Espírito Santo, tanto mais e maiores experiências do amor e do poder de Deus terá. Capítulo 3 1 A expressão grega original sarkinois significa “carnais” no sentido de “bebês humanos”. Quando conhecemos a Cristo como nosso Salvador e Senhor, passamos a ser orientados pelo Espírito Santo, que começa a nos alimentar com “leite”, termo que, no original, identifica todo o desígnio básico de Deus, ministrado de forma didática e progressiva, até que possamos compreender (ingerir) princípios mais complexos e de alta doação pessoal ao Senhor e aos nossos semelhantes (At 20.27; Hb 5.12-14; 6.1). 2 Todo ministro da Palavra deve ser diakonoi, ou seja, “servo”. Essa expressão no original grego transmite a idéia de pessoas tão humildes que, em si mesmas, não têm qualquer poder ou mensagem, e apenas estão a serviço do seu senhor. 3 Paulo tinha um chamado divino para pregar o Evangelho onde ainda não havia sido pregado (At 18.4-11). Apolo tinha o dom de mestre, gostava de ensinar os membros de uma igreja já implantada, normalmente edificando os novos convertidos que Deus convocava à salvação por meio da pregação pioneira de Paulo. As duas funções têm igual importância e são complementares para o cumprimento da vontade de Deus. O “prêmio” (salário ou recompensa) não depende do êxito, do número de salvos ou igrejas plantadas, mas do trabalho realizado com sinceridade e espírito de adoração ao Senhor. Os crentes são o campo agrícola de Deus. E o grego é enfático ao repetir que Deus é dono tanto da lavoura, quanto do edifício, nos quais Paulo, Apolo, Pedro e tantos outros discípulos foram trabalhadores dedicados. 4 O ouro, a prata e vários tipos de pedras preciosas (como o mármore) foram usados na construção dos templos, enquanto a madeira, feno e palha eram destinados às casas sem grande valor. O primeiro grupo representa o trabalho precioso e aceito


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Dia a trará à luz; pois será revelada pelo fogo, que provará a qualidade da obra de cada um.5 14 Se a obra que alguém construiu permanecer, este receberá sua recompensa. 15 Se a obra de alguém se queimar, este sofrerá prejuízo; ainda assim, será salvo como alguém que escapa por entre as chamas do fogo.6 16 Não sabeis que sois santuário de Deus e que o seu Espírito habita em vós? 17 Se alguma pessoa destruir o santuário de Deus, este o destruirá; pois o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.7

crito: “Ele apanha os sábios nas próprias artimanhas deles”. 20 E mais: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são elucubrações vãs”. 21 Portanto, nenhuma pessoa deve se orgulhar dos homens, porque tudo vos pertence, 22 seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo todo, a vida, a morte; assim como o presente ou o futuro, tudo o que existe é vosso,8 23 e vós sois de Cristo, e Cristo de Deus!9

A sabedoria humana é loucura 18 Ninguém se iluda: se qualquer pessoa entre vós se considera sábia de acordo com os padrões deste nosso tempo, então é melhor tornar-se insensata para alcançar a sabedoria. 19 Porquanto a sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus. Pois está es-

Ministros de Deus Portanto, todas as pessoas devem nos considerar servos de Cristo encarregados dos mistérios de Deus.1 2 Além disso, o que se requer de todos aqueles que têm essa responsabilidade é que vivam fielmente. 3 Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós, ou por qualquer

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por Deus como oferta suave e agradável que suportará os testes do Juízo divino; simbolizam a doutrina e a vida cristã puras e saudáveis. O segundo grupo significa o trabalho realizado sem sinceridade e pureza de coração, apenas como uma atividade profissional sem qualquer compromisso ético e moral com Deus e com as pessoas; simboliza doutrina e vida cristã insípidas e distantes dos princípios básicos da Palavra de Deus. 5 O juízo divino testará com fogo a qualidade espiritual das obras realizadas. O trabalho de alguns crentes resistirá à prova, como metais caros e pedras preciosas, porém, outros verão suas obras serem consumidas pelo fogo como se fossem de palha seca. Essa forte ilustração usada por Paulo tem o propósito de ressaltar a importância de se pregar, ensinar e viver a Palavra de Deus sem subterfúgios, manipulações ou intenções reprováveis (4.5; 2Co 5.10). 6 Recompensa, salário ou galardão (Ap 22.12; Lc 19.16-19). Paulo usa uma expressão proverbial muito comum entre os gregos da época e que tinha o sentido geral de “escapando por um triz”, para explicar que toda a obra desse cristão insincero e negligente será queimada pelo fogo da justiça de Deus. 7 O termo grego original correspondente à palavra “santuário” é naos. E era um somente, no qual também existia o chamado “lugar santíssimo”. Era um costume pagão acreditar que seus deuses moravam dentro dos seus muitos templos, por isso a profusão de imagens e esculturas. Entretanto, o Deus de Israel tinha em seu templo em Jerusalém apenas um símbolo da presença divina, porquanto o Espírito de Deus habita o Templo que é a Igreja Universal que se manifesta nas igrejas locais. A penalidade para a profanação do templo era a exclusão ou a morte (Nm 19.20; Lv 15.31). Paulo aqui se refere a pessoas que profanam a igreja local por meio de divisões e dissensões (1.11-12). 8 Todos os ministros e líderes cristãos não são absolutamente autônomos; todos pertencem a uma única Igreja Unida em Cristo com o principal propósito de serví-la enquanto servem ao Senhor. Nenhum grupo cristão pode considerar-se dono exclusivo de um determinado líder, nem tampouco qualquer líder pode atrever-se a ser dono da igreja ou de seus membros. O mundo (em grego kosmos), ou seja, o universo físico, incluindo todo o verdadeiro e saudável conhecimento secular pertence aos crentes (15.54-57). 9 Paulo explica essa relação de propriedade, destacando que os crentes estão unidos a Cristo e pertencem a Ele. Cristo está unido a Deus, o Pai (Jo 10.30), e com Deus, o Espírito Santo (2Co 13.14). De maneira que, semelhantemente, todos os cristãos sinceros estão em união com os verdadeiros líderes espirituais da Igreja e com Cristo, que, por sua vez, está em união com as demais pessoas da trindade. Cristo é igual a Deus, mas, como Filho e homem, é perfeitamente submisso ao Pai. Capítulo 4 1 A palavra grega huperetas, aqui traduzida por “servos” tem o sentido de “subordinado ou mordomo”, enquanto a expressão grega oikonomos, aqui traduzida por “encarregados”, quer dizer “despenseiros ou responsáveis”. Isso significa que “os servos” do Senhor são como “supervisores” espirituais daqueles que se fizeram “escravos” de Cristo e administradores dos bens de Deus, ou seja, da Sua Palavra e mistérios (sabedoria e poderes divinos encobertos ao mundo, mas revelados aos discípulos de Cristo – Rm 11.25).


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tribunal humano; em verdade, nem eu tampouco julgo a mim mesmo. 4 Porquanto, ainda que esteja consciente de que nada há contra mim, nem por isso me justifico, pois quem julga é o Senhor.2 5 Assim, nada julgueis antes da hora devida; aguardai até que venha o Senhor, o qual não somente trará à luz o que está em oculto nas trevas, mas igualmente manifestará as intenções dos corações. Então, nesse momento, cada pessoa receberá de Deus a sua recompensa.3 Advertência contra a arrogância 6 Irmãos, apliquei essas verdades a mim e a Apolo por amor de vós, para que por nosso intermédio aprendais a não ir além do que está escrito, de maneira que nenhum de vós se encha de orgulho a favor de um contra o outro.4 7 Pois, quem é que te faz destacado em relação aos demais? E o que tens que não tenhas recebido? E, se o recebeste, então qual o motivo do teu orgulho, como se não o tiveras ganho? 8 Já tendes tudo o que desejais! Já estais ricos! Conseguistes vos tornar reis, e isso, sem nós! Quisera muito eu que verdadeiramente reinásseis, para que também nós reinássemos convosco! 9 Porquanto a mim parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte; pois viemos a ser como um espetáculo para o

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mundo, tanto diante de anjos como dos seres humanos. 10 Nós somos loucos por causa de Cristo, todavia vós sois os sábios em Cristo! Nós somos os fracos por causa de Cristo, mas vós sois fortes! Vós sois respeitados, contudo, nós somos desprezados! 11 Até hoje, estamos passando fome, sede e necessidade de roupas; somos afrontados e esbofeteados, e não temos morada certa. 12 Nos afadigamos de trabalhar arduamente com as próprias mãos. Quando somos ofendidos, abençoamos; quando perseguidos, não revidamos; 13 quando caluniados, respondemos fraternalmente. Até esse momento, somos considerados a escória da humanidade, o lixo do mundo.5 Admoestação de pai espiritual 14 Não vos escrevo dessa forma com a intenção de vos envergonhar, mas para vos advertir, como a meus filhos amados. 15 Pois, ainda que venhais a ter dez mil tutores em Cristo, não teríeis, entretanto, muitos pais. Porquanto em Cristo Jesus eu mesmo os gerei por intermédio do Evangelho.6 16 Sendo assim, suplico-vos que sejam meus imitadores. 17 Por esse motivo, vos estou enviando Timóteo, meu filho amado e fiel no Senhor, o qual vos trará à lembrança o modo como vivo em Cristo Jesus, em

2 A expressão grega anakrinõ (“julgado”) significa um exame ou análise crítica que se faz antes do julgamento final. Paulo se sentia “justificado” em relação à obra que realizava. Quanto à sua salvação, contudo, a “justificação” é dom de Deus mediante a fé (Rm 5.1). 3 A “hora devida” tem a ver com o Dia em que Deus julgará os crentes (3.13), manifestará as mais profundas intenções do coração (Sl 19.12; 139.23,24; Rm 2.16; Hb 4.12,13) e concederá galardões aos fiéis (15.58; Hb 6.10). 4 Os antigos e sábios rabinos gostavam de citar um provérbio: “Não ultrapasses o que está escrito” (Jr 9.24; Is 5.21; Sl 94.11). Devemos ter um conceito da humanidade a partir das Escrituras (4.18,19; 5.2; 8.1; 13.4), considerando as limitações do ser humano caído (Gn 3), e lembrando que a arrogância (altivez, orgulho, soberba, empáfia) é a principal causa dos desentendimentos, divórcios e divisões. 5 Paulo escreve de Éfeso (15.32; 16.8,9), e faz questão de mencionar que trabalhou duramente (fabricando tendas – At 18.3; 20.34,35; 1Co 9.6,18) com o objetivo de não depender financeiramente de ninguém para ensinar o Evangelho. Paulo pagou para abençoar e pregar a Salvação, e recebeu injúrias e perseguições, sem revidar ou vingar-se (Mt 5.44). Os gregos desprezavam qualquer trabalho manual e o relegavam aos escravos (1Ts 2.9; 2Ts 3.8). 6 Todo pai deve estabelecer limites para seus filhos e admoestá-los, sempre que necessário, perseverantemente em amor (Ef 6.4). Paulo usa a expressão grega “paidagogos”, aqui traduzida por “tutores”, pois se referia ao serviço de alguns escravos, encarregados de acompanhar os rapazes até à escola e supervisionarem seu aprendizado e educação (Gl 3.24). Paulo usa o direito de um pai fiel ao Senhor para pedir que seus filhos imitem seu comportamento e caráter (11.1; 1Ts 1.6).


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conformidade com o que eu ensino por toda parte, em todas as igrejas. 18 Alguns de vós se tornaram arrogantes, como se eu não fosse mais visitar-vos. 19 Contudo, em breve, irei visitar-vos, se o Senhor permitir, então saberei não apenas o que estão falando esses soberbos, mas que poder eles realmente têm. 20 Porque o Reino de Deus não consiste de palavras, mas de poder!7 21 O que preferis? Devo ir visitar-vos com a vara da disciplina, ou com amor e espírito de mansidão?8 Combate à imoralidade na Igreja De toda parte se ouvem comentários de que há impureza entre vós, e uma espécie de imoralidade que não se observa nem mesmo entre os pagãos, a ponto de alguém manter relações sexuais com a mulher do seu pai.1 2 E ainda estais cheios de arrogância! Não devíeis, pelo contrário, repugnar tal

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1 CORÍNTIOS 4, 5

atitude e expulsar da comunhão aquele que assim procede? 3 Apesar de eu estar ausente fisicamente, estou presente em espírito, e já julguei quem praticou tamanha insolência, como se estivesse presente. 4 Ora, quando vos reunirdes em o Nome do Senhor Jesus, e eu estando convosco em espírito, diante da presença do poder de nosso Senhor Jesus, 5 entreguem esse homem a Satanás, para que a carne dessa pessoa seja destruída, mas seu espírito seja salvo no Dia do Senhor.2 6 Esse vosso orgulho não é bom. Não sabeis que um pouco de fermento faz com que toda a massa fique fermentada? 7 Livrai-vos do fermento velho, a fim de que sejais massa nova e sem fermento, assim como certamente, sois. Porquanto Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi sacrificado.3 8 Por isso, celebremos a festa, não com

7 O Reino de Deus se estabelece na vida de todos aqueles que têm um encontro verdadeiro e profundo com a fé em Jesus Cristo, recebem a presença do Espírito Santo em suas vidas e passam a trabalhar com a Igreja (os santos) na proclamação da glória do Senhor, com humildade e caráter cristãos (Jo 3.3-8; 2Co 5.17). Neste sentido, as palavras fúteis e vazias se contrapõem ao poder autêntico do Espírito Santo. 8 Como pai espiritual de todos aqueles “adolescentes espirituais” em Cristo, que formavam a igreja de Corinto naquela época, Paulo os adverte figuradamente sobre a possibilidade de ter de usar sua autoridade apostólica (“a vara da disciplina”) para repreendê-los e ensiná-los a se manter no verdadeiro Caminho do Senhor (2Co 10.8; 13.10). Capítulo 5 1 A expressão grega porneia, aqui traduzida por “imoralidade”, significa todo o tipo de impureza moral e indecência. O incesto era expressamente contra a Lei judaica (Lv 18.7,8; 27.20; Am 2.7) e abominável entre os romanos. O antigo orador Cícero declarou que tal ato era desconhecido na sociedade romana de sua época. O texto de Paulo faz supor que a mulher não se tratava da mãe biológica do homem em questão, ainda assim uma atitude repugnante mesmo para aqueles que não criam em Deus (os pagãos). 2 Paulo já havia advertido a igreja em Corinto (v.9) que os crentes devem buscar e andar em santidade, pois esse é o caráter dos cristãos e seu testemunho ao mundo. Entretanto, neste caso, como não houve qualquer manifestação de arrependimento e, além disso, muitos ainda se portavam com arrogância, afrontando a Palavra, Paulo manda, em nome de Jesus Cristo, que seja executada a sentença pública (perante toda a igreja) de excomunhão daquele cristão faltoso, renitente e presunçoso. Um ato formal e solene deveria marcar a exclusão do impenitente (excomungar da igreja – Jo 9.22) da comunhão e do convívio fraterno dos crentes (nossa família em Cristo), e decretar sua devolução ao reino das trevas (sistema mundial), onde Satanás reina com toda a sorte de crueldades e depravações. Essa sentença vigorava até que o cristão rebelde se arrependesse dos seus maus atos e pecados contra o Senhor e Sua Igreja e rogasse por sua reintegração à comunhão dos santos. Entretanto, algumas vezes, era necessário que tais pessoas sofressem aflições espirituais, psicológicas e físicas até que compreendessem o valor e a bênção de viver guardados e dirigidos pelo Espírito Santo. Mesmo pessoas que jamais se arrependem claramente, nem voltam ao bom senso espiritual, poderão ser salvas no último dia, por haverem, um dia, aceito ao Senhor e se tornado cristãs. Portanto, esse julgamento final não pertence à Igreja (Ef 2.12; Cl 1.13; 1Jo 5.19). 3 Paulo repete uma metáfora muito usada por Jesus para evidenciar que os cristãos são, posicionalmente, santos (santificados por Cristo) e, portanto, os devem ser também no procedimento diário; puros, como a massa dos pães sem fermento (levedura), oferecidos como alimento durante a Festa da Páscoa (Êx 12.15). Nas Escrituras, em geral, o fermento simboliza o mal ou o pecado (Mc 8.15), que penetra na alma humana, azeda e se desenvolve (cresce), contaminando todo o corpo. A Igreja deve estar atenta e, com amor e firmeza, livrar-se do fermento do pecado, pois é nova massa, composta de novas criaturas em Cristo (2Co 5.17). Cristo é nosso Cordeiro Pascal. Em sua morte expiatória na cruz do Calvário cumpriu completamente – e de uma vez por


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fermento velho, nem com o fermento do maligno e da corrupção, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade. 9 Já vos adverti por carta que não vos associásseis a nada que fosse imoral. 10 Dizendo isso, não me refiro às pessoas imorais deste mundo, nem aos avarentos, ou aos ladrões, ou ainda, aos idólatras. Se assim fosse, seria necessário que saísseis do mundo. 11 Entretanto, agora vos escrevo para que não vos associeis com qualquer pessoa que, afirmando-se irmão, for imoral ou ganancioso, idólatra ou caluniador, embriagado ou estelionatário. Com pessoas assim não deveis sequer sentar-se para uma refeição. 12 Pois, como haveria eu de julgar os que estão fora da igreja? Todavia, não deveis vós julgar os que são de dentro? 13 Contudo, Deus julgará os que são de fora. Expulsai, portanto, do vosso meio esse que vive na prática da indecência.4 O crente não deve buscar juízo pagão Atreve-se alguém entre vós, quando há litígio de um contra o outro, levar o caso para ser julgado por pessoas pagãs e não pelos próprios santos?1

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10 2 Ou desconheceis que os santos julgarão

o mundo todo? E, se o mundo será julgado por vós, como sois incompetentes para julgar assuntos de tão menor importância?2 3 E mais, não sabeis vós que iremos julgar inclusive os anjos? Quanto mais as demandas triviais desta vida! 4 Será que, quando surgem questões desta vida para serem julgadas, constituís como juízes as pessoas menos respeitáveis da igreja? g j 5 É para vossa vergonha que me expresso dessa forma. Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar uma contenda entre irmãos? 6 Contudo, ao invés disso, um irmão recorre ao tribunal contra outro irmão e apresenta tudo isso diante de incrédulos? 7 Só o fato de haver entre vós processos judiciais uns contra os outros revela que já estais derrotados. Em vez disso, por que não deis preferência a sofrer a injustiça? Por que não arqueis com o prejuízo? 8 Entretanto, sois vós mesmos que praticais a injustiça e cometeis fraudes, e tudo isso contra seus próprios irmãos!

todas – as demandas da Lei quanto à instituição do sacrifício judaico do cordeiro pascal (Is 53.7; Jo 1.29). O Cristo, o Cordeiro de Deus, foi crucificado no exato Dia da Páscoa, celebração anual que começava no entardecer do dia anterior, quando se realizava a cerimônia familiar e comunitária da refeição da Páscoa (Êx 12.8). 4 É função da Igreja orar, orientar e buscar a reconciliação do pecador com Deus. A disciplina na igreja não deve ser uma atitude intempestiva ou despótica, mas um processo amoroso e justo com vistas a recuperar o faltoso à plena comunhão com Cristo e com os santos (crentes) da igreja. O primeiro passo desse processo, quase sempre, é o mais negligenciado – o que traz graves conseqüências – e consiste na busca de um diálogo particular e conciliador entre a pessoa que se sente ofendida e o suposto ofensor (Mt 18.15-18). Todavia, não cabe à Igreja julgar o mundo e os incrédulos, pois esse papel é da responsabilidade das autoridades governamentais constituídas em suas várias instâncias (Rm 13.1-5), cujo julgamento final e eterno será decidido por Deus (Ap 20.11-15). Capítulo 6 1 Paulo usa o termo “santos” não exatamente como “perfeição do caráter moral”, mas como “nossa posição em Cristo diante de Deus”. Na época de Paulo, os assuntos criminais e de estado eram julgados conforme a lei romana, que concedia aos judeus o direito de ajuizar seus próprios litígios, princípio que deve ser respeitado pelos cristãos de hoje (Rm 13.3,4). Entretanto, diversas causas judiciais sobre bens materiais, morais e éticos entre cristãos devem ser julgados e resolvidos pelos próprios crentes por amor, fé e temor a Deus. Uma vez que o materialismo e o maquiavelismo do sucesso tenta dominar a seara da Igreja, o exemplo de cristãos, chegando a bom termo em suas demandas judiciais, seria um maravilhoso testemunho para o mundo todo. 2 Paulo lembra aos crentes que o mundo e os anjos (Sl 8.6; Hb 2.5-9; 2Pe 2.4,9; Jd 6) serão julgados por eles no governo futuro que terão com Cristo (Mt 19.28; 2Tm 2.12; Ap 5.10; 20.4). Considerando que o Espírito Santo habita a vida do cristão sincero hoje, isso lhe dá uma visão ampla e a perspectiva divina sobre assuntos que envolvem ética e moral, podendo julgar com sabedoria suas próprias causas, e não necessitando passar pela humilhação de submeter-se ao juízo de pessoas que não têm a mente de Cristo, nem confiam na Palavra de Deus.


11 9 Não sabeis que os injustos não herdarão

o Reino de Deus? Não vos deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem os que se entregam a práticas homossexuais de qualquer espécie, 10 nem ladrões, nem avarentos, nem viciados em álcool ou outras drogas, nem caluniadores, nem estelionatários herdarão o Reino de Deus.3 11 Assim fostes alguns de vós. Contudo, vós fostes lavados, santificados e justificados em o Nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito Santo do nosso Deus! Nosso corpo é santuário de Deus 12 Todas as coisas me são permitidas, mas nem todas são saudáveis. Tudo me é lícito realizar, mas eu não permitirei que nada me domine.4

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13 Os alimentos são para o estômago e o estômago, para os alimentos. Deus, no entanto, destruirá tanto um quanto o outro. Mas o corpo não é para servir à imoralidade, e sim para o Senhor; e o Senhor, para o corpo.5 14 Por seu poder, Deus ressuscitou o Senhor e, igualmente, nos ressuscitará. 15 Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei eu os membros de Cristo e os unirei a uma prostituta? De forma alguma! 16 Ou não é de vosso conhecimento que quem se une a uma prostituta torna-se um corpo com ela? Porquanto está escrito: “Os dois serão uma só carne”.6 17 Entretanto, aquele que se une ao Senhor é um só espírito com Ele! 18 Fugi, portanto, da imoralidade sexual.

3 O Reino de Deus é herdado mediante o novo nascimento em Cristo (Jo 3.3-5; Mt 5.1; Rm 4.13). Toda pessoa que verdadeiramente recebeu o Espírito Santo em seu coração tem a mente de Cristo e será controlada por Deus em seus pensamentos, motivações e realizações. Essa não é uma tarefa fácil nem automática, porquanto Deus não priva o ser humano do livre arbítrio que lhe concedeu. O “Eu” humano luta contra o Espírito de Deus, pois ambos caminham em direções opostas (Rm 7.19). No entanto, a vitória do cristão sobre suas próprias inclinações naturais é certa (1Co 15.57). Cabe ao crente entregarse em plena confiança aos cuidados do Senhor e experimentar o poder de Deus na transformação de seus traços nocivos de caráter e personalidade. Não há nada que a presença de Cristo não possa curar ou mudar para melhor. A razão básica de todo pecado e atitude contrária aos padrões morais e santos de Deus é a idolatria. Uma pessoa sempre se submeterá com prazer ao seu maior amor. Se nosso maior e mais importante amor não for o Senhor, seremos idólatras e, de alguma forma, passaremos a servir ao deus que escolhemos. Paulo fala de todo o tipo de imoralidade e coloca, no mesmo nível, os homossexuais, adúlteros, mentirosos, viciados, de forma geral, enganadores e fofoqueiros. Cada um desses grupos cultua um deus particular e precisa se converter dos seus maus caminhos (1Rs 8.35,47; 2Cr 6.24,26; 7.14; 30.9; Ne 1.9; Jr 18.8,11; Lc 1.16; At 3.19; 14.15; 26.18; 28.27; 1Pe 2.25). Não é de hoje que a sociedade é tentada a levar as pessoas à imoralidade sexual e ao “deus do prazer” (hedonismo e egocentrismo). Os antigos gregos pagãos já difundiam a idéia de um “terceiro sexo”, uma mistura entre os atributos masculinos e femininos que dariam origem a um “homem mais sensível e amável” e a uma “mulher mais racional e competitiva”, personalidades altamente requeridas pelo mercado capitalista e difundidas pela mídia em todo o mundo atual. No templo de Afrodite em Corinto, a prostituição fazia parte do culto pagão, o que conferia a esse pecado um tom de mistério e certa divinização, bem ao gosto dos hipócritas que sempre buscam uma boa justificativa para seus atos egoístas e contrários à vontade de Deus (Rm 1.1632). Parentes, amigos e a Igreja devem orar a Deus especialmente pela conversão dessas pessoas, que certamente sofrem escravizadas pelo Diabo. Orientar sempre com paciência, firmeza e amor; jamais esquecendo, entretanto, que a conversão é um dom de Deus a seu tempo, nós – como crentes - somente podemos testemunhar da graça que já recebemos. 4 Os gregos sempre se consideraram semideuses, especialmente em Corinto, a maior e mais cosmopolita das cidades gregas na época de Paulo. Assim, a liberdade para os gregos era parte do fato de se acharem “filhos dos deuses”. Era comum dizerem: “tudo me é lícito!”, numa demonstração de certa arrogância. Paulo, entretanto, complementa o pensamento com uma frase de grande sabedoria, bem ao estilo grego: “mas nem tudo é realmente proveitoso ou útil”. Um direito transforma-se num erro (pecado) se prejudica – de alguma forma – outra pessoa ou a nós mesmos. 5 O destino final e glorioso para nosso corpo é ser absolutamente transformado (15.42; Rm 8.11). Paulo destaca que tudo nessa vida é transitório, tanto o corpo quanto os alimentos; entretanto, alerta para a necessidade de darmos muita importância ao que fazemos por meio do corpo; que não é para ser usado como um parque de diversões sexuais, mas como elemento fundamental de uma celebração de compromisso, prazer e fidelidade entre duas pessoas que se casam para se amarem por toda a vida (Hb 13.4). Muitos casais têm sérios problemas conjugais por levarem para dentro de seus lares fantasias sexuais promovidas pela mídia e por um sistema mercantilista cada vez mais agressivo, pois um mundo desestruturado e sem limites é mais consumista e lucrativo para alguns. 6 Paulo ressalta o grande valor que Deus atribui ao corpo humano, especialmente dos salvos, e, por isso, cita o fato de Deus haver ressuscitado o corpo de Cristo e, em futuro iminente, os corpos de todos os crentes (15.51-53; 1Ts 4.16,17). Um corpo destinado à ressurreição não deve se autodestruir pela compulsão sexual, drogas, desregramentos alimentares, autoflagelos, amarguras, iras e maledicências de todos os tipos (Ef 4.26; Fl 3; 1Tm 3.2,11).


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Qualquer outro pecado que uma pessoa comete, fora do corpo os comete; todavia, quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo.7 19 Ou ainda não entendeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não pertenceis a vós mesmos? 20 Pois fostes comprados por alto preço; portanto, glorificai a Deus no vosso próprio corpo.8 Princípios sobre a vida conjugal Agora, em relação aos assuntos sobre os quais escrevestes, é bom que o homem se abstenha de relações sexuais com qualquer mulher. 2 Porém, por causa da imoralidade, cada homem tenha sua esposa, e cada mulher, seu marido.1 3 O marido deve cumprir seus deveres conjugais para com sua esposa, e, da mesma forma, a esposa para com seu, marido.2 4 A esposa não tem autoridade sobre o

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seu próprio corpo, mas, sim, o marido. Da mesma maneira, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas, sim, a esposa. 5 Portanto, não vos negueis um ao outro, exceto por mútuo consentimento, e apenas durante algum tempo, a fim de vos consagrardes à oração. Logo em seguida, uni-vos novamente, para que Satanás não vos tente por causa da vossa falta de controle.3 6 Entretanto, prego isso como concessão e não como mandamento. 7 Porquanto gostaria que todos os homens estivessem na mesma condição em que eu vivo, contudo, cada ser humano tem seu próprio dom da parte de Deus; um de determinado modo, outro de forma diferente.4 Melhor estar solteiro, pior é a separação 8 Digo, no entanto, aos solteiros e às viúvas: Melhor seria se permanecestes como eu. 9 Porém, se não vos é possível controlarse, que se casem. Porque é melhor casar do que viver queimando de paixão.

7 A expressão grega original kollõmenos significa um tipo de união perene, leal e capaz de resistir às diversidades da vida e aos desgastes do tempo (Mt 19.5; Mc 10.8; Ef 5.31). A melhor saída para os momentos de tentação sexual é “fugir”. A expressão imperativa em grego, nesse caso, traz a seguinte idéia: “cultivem o hábito de fugir sempre” (Gn 39.12; 2Tm 2.22; 1Ts 4.3), pois a imoralidade sexual pode destruir o templo de Deus. Não é possível adorar ao Senhor por meio de um templo profanado. Paulo aproveita para advertir os gregos quanto as práticas sexuais das sacerdotisas de Afrodite em Corinto (3.17). 8 O cristão deve aprender a valorizar seu corpo como lugar sagrado em que Deus reside, e conscientizar-se de que, por intermédio da presença amorosa e poderosa do Espírito Santo, tem à sua disposição todos os recursos para livrar-se de qualquer escravização ou engano pecaminoso, e se transformar em Pedra Viva para a glória de Deus (Rm 8.5-11; 1Pe 2.9; 1Jo 1.9; Rm 6.12,13; Cl 3.17). Capítulo 7 1 Os coríntios tinham o costume de fazer perguntas embaraçosas a Paulo (7.25; 8.1; 12.1; 16.1,12). Paulo sempre se pronunciou favorável ao casamento e à vida familiar conforme a vontade de Deus (Ef 5.22-33; Cl 3.18,19; 1Tm 3.2,12; 5.14). Ensinou que o celibato é dom de Deus e uma decisão absolutamente pessoal. Quando grupos auto-intitulados cristãos começassem a proibir o casamento, este seria um sinal do início da apostasia que marcaria o final dos tempos (1Tm 4.1-3). 2 Os cônjuges têm direitos e deveres em função do ideal de desenvolverem uma família sadia e um lar harmonioso. Neste sentido, o amor sexual é uma dívida mútua, não um favor ou obrigação contratual. É a expressão de uma vida de compromisso amoroso, fidelidade e respeito, ou seja, amor conjugal. A idéia de que a abstenção sexual é mais santa tem sua origem no paganismo (1Pe 3.7; Hb 13.4). 3 Deus criou a maioria dos homens e mulheres com grande disposição natural para o relacionamento sexual (libido), acentuadamente durante a juventude. O casamento oferece aos cônjuges a correta motivação e o perfeito ambiente para a satisfação física e emocional do amor erótico. A abstenção temporária, com consentimento mútuo e tendo em vista alguma finalidade proveitosa, é plenamente compreensível e aceitável (como uma espécie de jejum), pois a vida conjugal não se limita ao relacionamento sexual (Ec 3.5; Jl 2.16). 4 Embora o casamento faça parte da vontade de Deus para a humanidade, não é obrigatório, especialmente considerando as circunstâncias culturais, sociais e religiosas pelas quais passavam os coríntios naquele momento. Paulo preferiu o celibato por boas e pessoais razões (29, 32, 35), e porque tinha o “dom” (em grego charisma) de viver solteiro, o qual inclui efetivo controle sobre o apetite sexual e uma grande apreciação por um estilo de vida totalmente independente. O casamento também exige um “dom” específico (Mt 5.32; 19.10-12; Mc 10.2-12; Lc 16.18).


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Todavia, ordeno aos casados, não eu, mas o Senhor: Que a esposa não se separe do marido. 11 Se, porém, ela se separar, que não se case, ou que se reconcilie com o seu marido. E que o marido não se divorcie da sua esposa. 12 A todos os demais, eu particularmente, não o Senhor, vos digo: Se algum irmão tem mulher descrente, e esta se dispõe a viver com ele, não se divorcie dela. 13 Da mesma forma, se uma mulher tem marido incrédulo, mas este consente em viver com ela, não se separe dele. 14 Porquanto o marido descrente é santificado por causa da esposa cristã; e a esposa incrédula é santificada por causa do marido crente. Se assim não fosse, seus filhos seriam impuros, mas agora são santificados. 15 No entanto, se o incrédulo decidir separar-se, que se separe. Em tais circunstâncias, nem o irmão nem a irmã estão sujeitos à servidão; pois Deus nos chamou para vivermos em paz. 16 Porquanto, como podeis saber, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, como sabes, ó homem, se salvarás tua mulher?5 10

Cada um viva conforme seu chamado 17 Contudo, cada um prossiga vivendo na condição que o Senhor lhe determinou, e em conformidade com o chamado de Deus. É isso que ordeno em todas as igrejas!

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Foi alguém chamado sendo já circuncidado? Não se preocupe em desfazer sua circuncisão. Foi alguém chamado sendo incircunciso? Não se deixe circuncidar! 19 A circuncisão em si não faz o menor sentido e a incircuncisão também não significa nada; o que realmente importa é obedecer aos mandamentos de Deus.6 20 Cada um deve permanecer na condição em que foi chamado por Deus. 21 Foste chamado sendo escravo? Não te preocupes com isso. Mas se ainda podes conseguir tua liberdade, aproveita a oportunidade. 22 Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; e da mesma forma, aquele que era livre quando foi chamado, agora é escravo de Cristo. 23 Fostes comprados pelo mais elevado preço; não vos torneis escravos de homens! 24 Portanto, irmãos, cada um deve permanecer diante de Deus na condição em que foi chamado.7 18

Solteiros ou casados: consagrem-se! 25 Quanto aos solteiros, não tenho mandamento específico do Senhor. Dou, no entanto, meu parecer como um homem que, pela misericórdia do Senhor, tem vivido em fidelidade. 26 Considero, portanto, que é saudável, devido aos problemas deste momento, que a pessoa permaneça em sua atual condição.

5 Paulo está falando de casais que já estavam casados quando um deles aceitou a Cristo como Salvador e Senhor. O cônjuge descrente é influenciado diretamente pelo Espírito Santo que agora habita no coração do cônjuge cristão, especialmente quando este age de acordo com a vontade de Deus (1Pe 3.1). Os filhos pertencem à comunidade cristã (Igreja). Essa é uma bênção geral e funciona de forma similar à bênção outorgada por Deus a Israel, onde todos gozavam de certos benefícios especiais do Senhor, apesar de muitos não serem salvos e fiéis (10.1-5). O crente deve fazer todo o possível para preservar seu casamento. Se, ainda assim, o cônjuge descrente decidir abandonar o crente, numa reação contra o Evangelho, o cristão fica livre da obrigação de continuar casado, pois deve haver paz no lar do crente (Lc 12.51; 14.26; 21.16). 6 Os cristãos judeus não devem preocupar-se em eliminar fisicamente o fato de serem judeus, assim como, os gentios não devem ceder às pressões judaizantes a favor da circuncisão e da guarda de leis e costumes legalistas (At 15.1-5; Gl 5.1-3). O que importa na vida é a obediência a Cristo, pois comprova a realidade da existência do amor e da fé. A fé não anula a obediência, mas sim a confirma. 7 No Império Romano, era comum os nobres presentearem seus escravos com a liberdade por algum serviço prestado ou ato notável. Paulo está ensinando que o crente deve viver satisfeito onde está e com o que tem. Essa é uma maneira de testemunhar nossa fé em Cristo em qualquer fase ou circunstância da vida. Entretanto, sempre que for possível, não perder a oportunidade de buscar o sucesso e a liberdade (econômica, financeira, política e social), pois já temos a mais importante das liberdades em Jesus: a espiritual.


1 CORÍNTIOS 7, 8

Estás casado? Não procures separação. Estás solteiro? Não procures casamento. 28 Todavia, se te casares, com essa atitude não pecas; da mesma forma, se uma virgem vier a se casar, também por isso não comete pecado. Contudo, aqueles que se casam enfrentarão uma série de dificuldades nessa vida, e eu gostaria de poupá-los disso. 29 Irmãos, o que desejo vos fazer entender é que o tempo se abrevia sobremaneira. De agora em diante, aqueles que têm esposa, vivam como se não tivessem, 30 aqueles que estão tristes, como se não chorassem; os que estão alegres, como se não houvessem alcançado a felicidade; os que podem comprar o que desejam, como se nada possuíssem; 31 os que se beneficiam dos produtos do mundo, como se não tivessem acesso a nada; porque a forma presente deste mundo está se transformando.8 32 O que desejo de fato é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado pode se entregar aos assuntos do Senhor, em como mais poderá agradar ao Senhor. 33 Entretanto, quem é casado preocupase com os negócios deste mundo, em como irá agradar sua esposa; 34 e fica dividido. A mulher que não é casada e a virgem se ocupam dos assuntos do Senhor para serem santas, tanto no corpo como no espírito. A mulher casada, no entanto, preocupa-se com os negócios do mundo e de como irá agradar seu marido. 27

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Estou dizendo isso para o vosso maior benefício, não para restringir vossa liberdade, mas para que possais viver de maneira honrada, em plena consagração ao Senhor. 36 Mas, se alguém julgar que está agindo de forma desonrosa perante sua noiva, se ela estiver passando da idade, crendo que deve se casar, faça como entender melhor. Ele não peca por isso; que se casem. 37 Contudo, o homem que decidiu firmemente em seu coração que não se sente obrigado, mas tem controle sobre sua própria vontade sexual, e chegou à conclusão de não se casar com sua noiva, da mesma forma, esse também faz bem. 38 De modo que, aquele que se casa com sua noiva faz bem; mas quem não se casa faz melhor. 39 A mulher está ligada ao seu marido enquanto ele viver. Porém, se o seu marido morrer, ela estará livre para se casar com quem desejar, contanto que ele pertença ao Senhor. 40 Entretanto, segundo me parece melhor, ela será mais feliz se permanecer viúva. E nisso, penso também estar em acordo com o Espírito de Deus.9 35

Acerca dos alimentos oferecidos aos ídolos No que se refere aos alimentos sacrificados aos ídolos, reconheço, como dizeis, que “todos nós temos pleno conhecimento”. Porém, esse tipo de conhecimento produz orgulho, mas o amor nos faz crescer na fé.

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8 Embora Paulo não esteja retransmitindo uma ordem direta de Jesus, manifesta sua opinião, especialmente para uma questão que não envolve uma decisão entre o certo e o errado, e considerando aquele momento específico dos cristãos em Corinto. Escrevendo sob inspiração do Espírito Santo (v.40), fica claro que seus conselhos devem ser motivo de reflexão por parte de todos os cristãos em todas as épocas. O tempo urge e a vida é fugaz. A volta de Cristo é iminente, e o cristão deve aproveitar o tempo para evangelizar e preparar-se para seu encontro com o Senhor (v.29-31). O mundo cada vez mais se preocupa com os aspectos materiais e temporais dessa vida. O cristão deve compreender que todas essas coisas estão se transformando e desaparecerão em breve; portanto, o amor ao Senhor e os demais bens espirituais e eternos são as virtudes que devem ser cultivadas e preservadas. 9 O casamento é uma união vitalícia (com exceção de Mt 19.9), por isso o cristão deve procurar conhecer bem a pessoa com quem deseja passar o restante da sua vida, antes de assumir esse compromisso solene. Entretanto, com o falecimento (expressão que no grego original significa: dormir – At 7.60), o cônjuge fica livre do vínculo conjugal e pode se casar com outro cristão, isso porque os costumes de um eventual cônjuge pagão, certamente, tornariam difícil a vida de um crente. Neste caso, seria melhor ficar só e receber o amparo dos filhos, parentes e igreja (7.26-34; 1Tm 5.3-16). Paulo nos assegura que fala em conformidade com o juízo do Espírito Santo, o que era também uma resposta aos céticos e críticos de seu tempo que procuravam negar sua autoridade apostólica (1.1-7; 9.1; 12.25).


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pessoa que imagina conhecer alguma coisa, ainda não tem a sabedoria que necessita. 3 Todavia, quem ama a Deus, este é conhecido por Deus.1 4 Portanto, no que se refere à comida sacrificada a ídolos, temos pleno conhecimento de que o ídolo não tem o menor significado no mundo e que só existe um Deus!2 5 Pois, ainda que haja os chamados deuses, quer no céu, quer na terra – como de fato há muitos deuses e senhores – 6 para nós, contudo, há um único Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem vivemos; em um só Senhor, Jesus Cristo, por intermédio de quem tudo o que há veio a existir, e por meio de quem também vivemos.3 7 No entanto, nem todos conhecem essa verdade. Alguns, ainda acostumados com os ídolos, comem esse alimento como se fosse um sacrifício idólatra; e como a consciência deles é frágil, deixam-se contaminar. 8 Ora, não são os alimentos que nos fazem aceitáveis diante de Deus; não nos tornaremos piores se não comermos, nem melhores se comermos.

1 CORÍNTIOS 8, 9

9 Contudo, tendes cuidado para que o exercício da vossa liberdade não se torne um motivo de tropeço para os fracos. 10 Porquanto, se alguém que tem a consciência fragilizada vir a ti, que tens este conhecimento, comendo à mesa no templo de ídolos, não será induzido a se alimentar do que foi oferecido em sacrifício a ídolos? 11 E, assim, esse teu irmão mais fraco, por quem Cristo também morreu, é destruído pelo teu conhecimento. 12 Portanto, quando pecas contra teus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, pecas contra Cristo. 13 Concluindo, se o alimento que eu como induz meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne a fim de que não seja eu a causa do pecado dele.4

Os direitos dos apóstolos Não sou eu plenamente livre? Não sou eu apóstolo? Não vi eu a Jesus, nosso Senhor? E, não sois vós fruto do meu labor no Senhor?1 2 Se para alguns não sou reconhecido como apóstolo, com toda a certeza o sou para vós. Porquanto, sois o selo do meu apostolado no Senhor.

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1 A cultura greco-romana com seu culto aos deuses pagãos permeava a vida de todos os povos atingidos pelo império (At 17.16). Esses conceitos culturais e religiosos influenciam nossa sociedade até hoje. Sem a bênção do amor divino (em grego agape) o conhecimento é estéril e anti-social (1Co 13). Ser “conhecido” por Deus é sentir Seu amor, presença e bênçãos espirituais (Gl 4.8-9; 1Jo 4.7-8). Os coríntios haviam escrito a Paulo perguntando sobre como agir em relação às carnes que sobravam dos sacrifícios oferecidos nos altares pagãos e eram comidas pelos sacerdotes e pelos ofertantes, junto com amigos e parentes, em festas públicas no templo, ou vendidas no mercado. Alguns cristãos não viam problema em comer esse tipo de carne, até porque era difícil saber qual parte fora sacrificada. Outros já acusavam sérias dificuldades de consciência e medo de estarem pecando contra o Senhor. O cristão maduro sabe que seus conhecimentos são limitados e que somente o Senhor conhece tudo e todos (Rm 11.33-36). Por isso, deve tratar com amor e paciência seus irmãos mais fracos ou novos na fé. 2 Os ídolos não passam de simples objetos materiais. Entretanto, ao longo dos séculos, os demônios têm escravizado o mundo induzindo as pessoas a depositarem fé na sorte que essas coisas possam proporcionar. Os crentes não devem alimentar qualquer tipo de superstição, temor ou apego a amuletos. A fé do cristão deve ser pura e absoluta em Cristo, nosso Deus (Sl 115.4-7; 135.15-17; Is 44.12-20). 3 As expressões “deuses” e “senhores” têm o mesmo sentido nesse contexto, nos manuscritos gregos (Ef 6.12). Paulo não está concordando, de fato, que possa haver “outros deuses”, pois está claro que “há somente um Deus” (Dt 6.4). Mas olhando para a mitologia greco-romana, Paulo está concordando que muitas pessoas se deixaram iludir por Satanás e passaram a adorar coisas e seres que não são reais deidades, nem sequer existem. Deus é a origem primeira (o Criador) de tudo o que há (a criação). Deus-Filho é a pessoa dinâmica da Trindade, por intermédio de quem todas as coisas vieram à existência (Jo 1.3; At 4.24; Hb 2.10; Cl 1.16). 4 A palavra grega original exousia tem o sentido de “autoridade, liberdade e direito”. O crente é livre em Cristo, entretanto, evita tudo quanto possa escandalizar ou prejudicar a fé de algum irmão mais fraco ou menos maduro (Rm 14.13-21). A expressão “nunca” no original grego é um negativo duplo enfático (Mt 18.6-9). Capítulo 9 1 Paulo, a exemplo de Jesus, sempre enfrentou críticas à sua pessoa e ministério. Alguns proclamavam que Paulo não tinha méritos para ser considerado apóstolo (2Co 12.11,12; Gl 1.1 – 2.10). Paulo justifica seu chamado e ministério por meio de duas


1 CORÍNTIOS 9

Esta é minha defesa diante daqueles que me julgam. 4 Não temos nós o direito de comer e beber? 5 Não temos nós o direito de levar conosco uma esposa crente como fazem os demais apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro?2 6 Ou será que Barnabé e eu somos os únicos que devemos ter um trabalho secular para nos sustentar? 7 Quem serve num exército à sua própria custa? Quem cultiva uma vinha e não se alimenta do seu fruto? Quem apascenta um rebanho e não pode beber do leite que é produzido? 8 Porventura, isso que vos digo é apenas um mero ponto de vista humano? Ora, a própria Lei não afirma claramente o mesmo? 9 Pois está escrito na Lei de Moisés: “Não amordace o boi enquanto ele estiver debulhando o cereal”. Por acaso é com bois que Deus está preocupado? 10 Ou certamente não estaria fazendo tal afirmação por nossa causa? É evidente que é em nosso favor que esse princípio foi escrito. Pois “o lavrador quando ara a terra, e o debulhador quando tira as cascas das sementes, deve fazê-lo na esperança de participar dos resultados da colheita”. 11 Se nós semeamos entre vós verdades espirituais, seria pedir muito colhermos alguns de vossos bens materiais?3 3

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Se outros têm o direito de ser sustentados por vós, seguramente não o temos nós em maior medida? Contudo, jamais fizemos uso desse direito. Ao contrário, suportamos tudo para não colocar qualquer tipo de obstáculo ao progresso do Evangelho de Cristo. 13 Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados se alimentam com o que pertence ao templo, e que os que servem diante do altar participam do que é oferecido no altar? 14 Assim, o Senhor também ordenou aos que proclamam o evangelho, que igualmente vivam do evangelho!4 12

Visão e missão de Paulo 15 Todavia, eu não tenho me servido de nenhum desses direitos. Não estou escrevendo na expectativa de que façais dessa forma para comigo; porquanto, melhor me fora morrer a permitir que alguém me prive desta minha honra. 16 Porém, quando prego o evangelho, não vejo como me orgulhar, pois a mim é imposta a obrigação de proclamar. Ai de mim se não anunciar o Evangelho!5 17 Porquanto, se prego de espontânea vontade, tenho direito a recompensa; entretanto, como prego por obrigação, estou simplesmente cumprindo uma missão a mim confiada. 18 Qual é, portanto, a minha recompen-

grandes evidências: Paulo viu a Jesus (At 9.1-9; 22.6-16; 26.12-18), da mesma forma que os demais apóstolos (At 1.21,22). Acrescenta que o fruto do seu ministério no Senhor era visível nas vidas de muitos (especialmente dos próprios coríntios). 2 Paulo defende (no original grego apologia – v.3) o direito ao suprimento de suas necessidades básicas, inclusive ao casamento, se essa fosse sua vontade (7.7). A maioria dos discípulos e apóstolos havia se casado. Tinham filhos e viviam em família. Tiago e Judas, irmãos de Jesus Cristo, eram filhos de Maria e José. O apóstolo Pedro também era casado e cuidava de sua família (Mt 8.18). 3 Paulo se refere à Lei expressa no Pentateuco (Dt 25.4; 1Tm 5.17), considerando que Deus se preocupa com o bem-estar dos animais, quanto mais com Seus servos e obreiros que ministram em Seu Nome e seara. Paulo está propondo que os obreiros cristãos recebam, por parte da Igreja, pleno sustento de suas necessidades materiais (Gl 6.6), a fim de que possam dedicar-se despreocupadamente à ministração da Palavra e ao cuidado do rebanho do Senhor. Os benefícios materiais não se comparam aos profundos e eternos benefícios espirituais (Rm 15.27). 4 Geralmente, os ministros da Igreja, nos primeiros séculos, recebiam sustento integral. Paulo, entretanto, preferiu sustentar-se por meio do trabalho manual que – como todo judeu de sua época – aprendeu quando adolescente; com o principal objetivo de evidenciar sua integridade e desprendimento em relação à obra do Senhor, evitando que os críticos o acusassem de qualquer interesse financeiro ou material. Os cristãos de Corinto entenderiam bem a ilustração de Paulo ao se referir aos que trabalham no templo, não apenas por conhecerem o AT (Dt 18.1; Lv 7.28-26; Nm 18.8-20), mas pelo fato da prática comum nos templos pagãos dos gregos e romanos. 5 Por trás de toda pregação sincera e autêntica, há um mandato (chamado) do Senhor, que produz uma irresistível motivação divina no coração do homem (Rm 1.14; At 20.26; Ez 33.7; Jr 20.9). Paulo alimentava um “santo orgulho” de não depender das


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sa? Tão somente esta: que anunciando o evangelho, eu o apresente gratuitamente, não usando, assim, dos meus direitos de pregá-lo. 19 Porque, embora seja absolutamente livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas.6 20 Tornei-me judeu para os judeus. Para os que estão subjugados pela Lei, torneime como se estivesse igualmente sujeito à Lei, embora eu mesmo não esteja debaixo da Lei, com o objetivo de ganhar aqueles que estão dominados pela Lei. 21 Para os que estão sem Lei, tornei-me como sem lei vivesse (embora não esteja livre da Lei de Deus, mas submisso à Lei de Cristo), a fim de ganhar os que não têm a Lei. 22 Para os fracos, tornei-me semelhante-mente fraco, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com a finalidade de conseguir, de qualquer maneira possível, salvar alguns. 23 Faço tudo isso por causa do Evangelho, a fim de me tornar co-participante dele.7

1 CORÍNTIOS 9, 10

Um verdadeiro atleta de Cristo 24 Não sabeis que entre todos os que correm no estádio, na verdade, somente um recebe o grande prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis!8 25 Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, e isso, para obter uma coroa que logo se desvanece; no entanto, nós nos dedicamos para ganhar uma coroa que dura eternamente.9 26 Portanto, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem apenas soca o ar. 27 Mas esmurro o meu próprio corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de haver pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.10 Exemplos do Antigo Testamento Portanto, irmãos, não quero que ignoreis que nossos antepassados estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar.1 2 Em Moisés, todos eles foram batizados na nuvem e no mar.2

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ofertas dos irmãos para sua sobrevivência, ainda que reivindicasse esse tipo de atitude cristã e generosa em benefício de todos aqueles que trabalhavam a serviço do Reino e dos irmãos nas igrejas. 6 Paulo, por sua devoção a Cristo, se tornou um homem livre da Lei (9.20; Rm 6.14; 10.4); das responsabilidades de um lar, ao optar por uma vida celibatária (7.6,32); das demandas da sociedade secular (7.23; At 22.25); do domínio das vontades carnais (9.25) e de qualquer dívida por favores ou ofertas recebidas (Rm 13.8). Paulo não apenas deixou de exercer o direito de receber pagamento material por seu trabalho, mas se privou de várias outras prerrogativas sociais e eclesiásticas em função do seu grande objetivo de evangelizar (ganhar) o mundo. 7 Por amor aos judeus, Paulo se ajustava aos mandamentos do AT (At 16.3; 18.18; 21.20-26). Ajustava-se, pelo mesmo motivo, (2Co 5.14) à cultura gentílica (aos que não conheciam a Lei), sempre que essa atitude não violava os princípios ensinados por Cristo; e ajustava-se, ainda, à consciência dos “fracos” que tinham uma série de restrições alimentares e de costumes. Tudo isso pelo prêmio de manter-se fiel ao Senhor, levar a Palavra da salvação a muitos, e ouvir de Jesus: “Muito bem, servo bom e fiel” (Mt 25.21; Lc 19.17). 8 As corridas e jogos atléticos bienais eram comuns e muito apreciados pelos gregos; somente superados em importância, em toda a região, pelos Jogos Olímpicos, cuja maior premiação era a honra da vitória, agraciada por uma coroa de folhas naturais (perecível), na qual os gregos acreditavam que havia as bênçãos dos deuses do Olimpo. 9 Na carreira cristã, o importante não é começar bem, mas terminar vitorioso (10.1-12; Tm 2.5; 4.7). A expressão: “todo atleta em tudo se domina”, como aparece em algumas versões, é melhor traduzida a partir dos textos gregos mais fidedignos como: “se submetem a um treinamento rigoroso”, pois o original grego comunica claramente a idéia de “esforçar-se ao máximo”. A coroa do cristão – ao cumprir sua jornada – é imperecível, e dura para sempre (2Tm 4.8; Tg 1.12; 1Pe 5.4; Ap 2.10; 3.11; 4.10). 10 Paulo usa aqui uma metáfora extraída das lutas de boxe, a fim de ilustrar a nossa vida cristã cotidiana. Ele não desferia seus golpes contra o ar, sem alvo ou propósito certo, como os muitos pensadores gregos. Mas, ensina que devemos disciplinar nosso corpo como oferta e serviço a Jesus Cristo, nosso Salvador e Senhor (Fp 3.14). Capítulo 10 1 Paulo fala sobre os pais (ancestrais) daquela geração de israelitas. Milhares de pessoas que foram testemunhas oculares dos portentosos feitos de Deus, quando libertou Seu povo da escravidão do Egito. Os antepassados dos judeus tiveram o privilégio de andar debaixo (sob a nuvem) da direção pessoal de Deus no deserto (Êx 13.21,22; 14.19; Nm 9.15-23; 14.14; Dt 1.33; Sl 78.14) e provar a redenção ao atravessar o mar rumo à Terra Prometida (Êx 14.21-29). 2 Paulo enfatiza que “todos”, sem exceção, viram e experimentaram os milagres de Deus. É preciso uma fé genuína, confirmada pela perseverança, para receber a Salvação e o Reino de Deus. Nem o batismo nem a ceia garantem a salvação daqueles que


1 CORÍNTIOS 10

Todos comeram do mesmo alimento espiritual, 4 e todos beberam da mesma bebida espiritual, porque tinham a sede saciada pela rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo.3 5 Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles; e, por isso, seus corpos ficaram espalhados pelo chão do deserto.4 6 Esses fatos ocorreram como exemplo para nós, a fim de que não cobicemos o que é ruim, como eles fizeram. 7 Não vos torneis idólatras, como alguns deles foram, conforme está escrito: “O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à orgia.5 8 Não nos entreguemos à imoralidade, como alguns deles assim agiram – e num só dia morreram cerca de vinte e três mil.6 9 Não devemos pôr à prova a paciência de Cristo, como alguns deles fizeram, e por isso foram mortos pelas serpentes.7 3

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E não vos entregueis à murmuração, como alguns deles resmungaram e foram mortos pelo destruidor. 11 Tudo isso lhes aconteceu como exemplo, e foi escrito como advertência para nós sobre quem o final dos tempos já chegou!8 12 Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia. 13 Não vos sobreveio tentação que não fosse comum aos seres humanos. Mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além do que podeis resistir. Pelo contrário, juntamente com a tentação, proverá um livramento para que a possais suportar.9 10

A Ceia de Cristo e a ceia dos demônios 14 Por isso, meus amados irmãos, fugi da idolatria. 15 Falo isso a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que estou afirmando.

participam desses atos simbólicos e cerimoniais de fé. Mesmo a atuação pessoal e sobrenatural de Deus não assegurou que os israelitas, contemporâneos de Moisés, chegassem à Terra Prometida. Essa é uma grande lição para a Igreja de hoje. 3 O maná (pão), alimento espiritual que descia do céu, e a água pura e refrescante, que brotava em abundância da Rocha (Êx 16.2-36; 17.1-7; Nm 20.2-11; 21.16), saciando a todo o povo, era o Cristo pré-existente: Pão e Água da vida – nosso alimento espiritual (Jo 4.14; 6.30-35), que nos acompanha em nossa jornada. 4 Desde o Éden, Deus tem procurado ensinar o princípio da obediência – como prova do amor sincero e da fidelidade – dos seres humanos (criação) para com Seu Pai (Criador). Entretanto, o Diabo – ao longo da história – tenta levar a humanidade a ignorar essa lei divina e afrontar a Deus por meio da desobediência à Sua Palavra. De todos os adultos que saíram do Egito, apenas Calebe e Josué tiveram permissão de entrar em Canaã (Nm 14.22-35; Js 1.1,2). Nem sempre a maioria tem razão (Hb 3.14-19). 5 Os coríntios estavam raciocinando como os israelitas do passado, assim como a sociedade mundial de nosso tempo. Israel, no deserto, se enjoou do maná e queria carne (Nm 11.4,34: Sl 78.27). Israel ergueu um deus de ouro, segundo suas vontades e interesses mesquinhos (Êx 32.1-6), assim como ocorre no mundo de hoje, e ficará mais evidente à medida que nos aproximamos rapidamente do final dos tempos. 6 Paulo faz referência à participação do povo israelita nos cerimoniais moabitas de adoração ao deus Baal-Peor (Nm 25.1-9), que incluía todo o tipo de imoralidades sexuais com as jovens que cultuavam esse deus espúrio. O templo da deusa Vênus em Corinto abrigava cerca de 1000 prostitutas ritualistas. Os textos hebraicos e a Septuaginta (texto grego do AT) registram 24 mil mortos. Os autores do NT não tinham a mesma preocupação com a exatidão dos números quanto os teólogos atuais, e muitas vezes os citavam de forma aproximada. A tradição judaica, na antiguidade, acreditava que os números traziam informações espirituais em si mesmos (Js 6; Jó 1 e 42). 7 Insensata e tola é a pessoa que tenta desafiar os princípios estabelecidos por Deus. É inútil lutar contra o Senhor (Cristo), denominado Javé (Jeová) no AT (Nm 14.2-36; 16.11,41; 21.5). Uma das principais expressões de falta de fé e incredulidade é a reclamação sistemática (queixas contínuas). Paulo faz uma associação entre o anjo que trouxe a peste registrada em Nm 16.4650, por causa da murmuração contra os servos do Senhor (Moisés e Arão – Nm 16.41), e o anjo exterminador (Êx 12.23; 2Sm 24.16). 8 As Escrituras Sagradas foram legadas por Deus para nossa instrução na fé, crescimento espiritual e advertência (Rm 15.4). O período histórico chamado de “o final dos tempos” teve início com a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus, prolongando-se até a Sua volta em glória e restauração completa da Igreja (Hb 1.1). Vivemos a “época da graça” quando o Evangelho está sendo pregado e a grande e derradeira oportunidade de salvação está à disposição de todos os interessados em todo o mundo. Esse tempo, entretanto, está passando muito rapidamente e logo se encerrará (1Ts 4.13-18). 9 É Deus quem permite que sejamos tentados segundo as ambições e fraquezas humanas. A tentação em si não é pecado, pois o próprio Cristo foi tentado, mas não pecou (Mt 4.1-11). As tentações põem nossa fé e lealdade ao Senhor à prova e nos ensinam a depender da proteção e direção do Espírito Santo (1.9; 1Ts 5.24; Lm 3.23). Deus não permite que sejamos tentados com a intenção de nos ver cair em pecado, mas sim, para fortalecer nossa fé por meio das provas (Mt 6.13; Tg 1.13; Hb 11.17). O livramento ou escape é a capacitação divina que nos é concedida em cada situação específica, a fim de que possamos resistir e


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Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é a comunhão do sangue de Cristo? Acaso o pão que partimos não é nossa participação no Corpo de Cristo?10 17 Como há somente um pão, nós, que somos muitos, somos um só corpo, pois todos participamos de um único pão.11 18 Observai o povo de Israel: porventura os que comem dos sacrifícios não são participantes do altar? 19 Sendo assim, o que estou querendo dizer? Será que o sacrifício oferecido a um ídolo significa alguma coisa? Ou o ídolo tem algum valor? 20 Não! Quero enfatizar que o que os pagãos sacrificam é oferecido, isto sim, aos demônios e não a Deus. E não quero que tenhais qualquer comunhão com os demônios. 21 Não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios. Não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. 22 Ou desejamos provocar os ciúmes do Senhor? Porventura somos mais fortes do que Ele?12 16

1 CORÍNTIOS 10

Os limites da liberdade cristã 23 Sim, “tudo é permitido”, porém nem tudo é proveitoso. Sim, “todas as coisas são lícitas”, contudo nem todas são edificantes. 24 Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas o bem dos seus próximos.13 25 Comei de tudo o que se vende no mercado, sem questionamentos por causa da consciência, 26 porquanto “do Senhor é a terra e tudo o que nela existe”.14 27 Se, portanto, algum descrente vos convidar para uma refeição e quiserdes ir, comei de tudo que vos for servido, sem nada questionar por motivo de consciência. 28 Mas, se alguém vos prevenir: “Isto foi oferecido em sacrifício”, nesse caso, não comais, por causa daquele que vos avisou e por motivo de consciência.15 29 Não me refiro à vossa própria consciência, mas da consciência da outra pessoa. Pois, por que a minha liberdade deve ser julgada pela consciência dos outros? 30 Se participo da refeição com ação de

vencer todas as tentações e provas. Entretanto, mesmo as nossas quedas e falhas são transformadas por Deus em ensino e força para nosso desenvolvimento espiritual (1Jo 1.9). 10 O cálice da bênção era o terceiro cálice do qual se tomava o vinho nas antigas celebrações judaicas da Páscoa. Foi numa tradicional celebração de Páscoa que Jesus instituiu Sua Ceia como memorial cristão (Mt 26.17-30; Mc 14.12-26; Lc 22.7-23). Ao erguer o terceiro cálice e abençoá-lo (ao agradecer a Deus por coisas simples as estamos consagrando e abençoando), Jesus criou um símbolo para que seus discípulos, de todas as partes e épocas, recordassem o dia do seu sacrifício (derramamento do sangue inocente do Cordeiro de Deus) em benefício de todos os que crêem. Jesus não estava dizendo que o vinho bebido se transformaria em seu sangue, até porque quando celebrou a primeira Ceia seu sangue ainda não havia sido derramado. Mas usou uma forte metáfora para ilustrar a nossa comunhão (em grego: koinõnia) com seus sofrimentos, a cruz e a vida eterna (11.25). 11 O ato cerimonial de muitos crentes, participando de um mesmo pão, simboliza a união e a unidade que deve prevalecer no Corpo de Cristo, onde não deve haver distinções raciais, políticas, culturais, sociais, econômicas ou denominacionais. A comunhão vertical (com Deus) não existe em plenitude, sem a comunhão horizontal (com os irmãos, a Igreja – 1Jo 1.5-7). 12 Paulo nega que os ídolos sejam alguma coisa, tampouco que haja deuses. Na verdade, são demônios que se travestem de deuses, aterrorizam e iludem as pessoas, e delas pedem sacrifícios e adoração. O povo de Deus é advertido a não participar de festas pagãs dessa natureza, pois isso seria ter comunhão com os demônios. Todo tipo de idolatria é entrar em acordo com os demônios, e isso é provocar o zelo (ciúme) de Deus (Êx 20.5; Dt 32.21; Sl 78.58). 13 Os coríntios haviam aprendido de Paulo acerca da liberdade que temos em Cristo, mas estavam usando esse conceito saudável e comunitário para dar vazão ao egoísmo e às imoralidades pessoais. Paulo concorda que somos livres para fazer tudo o que for agradável a Deus, ao nosso próximo e a nós mesmos. Temos toda a liberdade para fazer e promover o bem sobre a terra e para com todos. A liberdade para o erro e o mal é pecado (Gl 6.2; Rm 14.19; 15.2; 1Co 3.9-17; 8.1). 14 Mesmo que as carnes e os alimentos tivessem sido sacrificados aos ídolos, no templo pagão, ao serem colocados no mercado público, perdiam totalmente seu significado religioso e místico, não podendo afetar a consciência e a fé dos cristãos, pois tudo pertence ao Senhor (Jo 1.1; Sl 24.1; Rm 14.14). 15 Desenvolver um relacionamento social e amigo com incrédulos é interessante quando o objetivo maior é levá-los à Cristo. Nesse caso, deve-se comer com tranqüilidade de tudo quanto for posto à mesa, sem qualquer receio de um possível mal derivado de alimentos sacrificados. Entretanto, se alguém informar que aquela carne ou alimento foi oferecido a ídolos, o crente deve se abster devido à consciência das pessoas presentes, pois alguém poderia supor que um cristão está livre para participar de cultos e rituais pagãos, e isso serviria de escândalo ou confusão para muitos.


1 CORÍNTIOS 10, 11

graças, por que sou condenado por algo pelo qual posso dar graças a Deus? 31 Assim, seja comendo, seja bebendo, seja fazendo qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. 32 Não vos torneis motivo de tropeço nem para judeus, nem para gregos, nem para a Igreja de Deus. 33 Também eu procuro agradar a todos, de todas as maneiras possíveis. Porquanto não estou em busca do meu próprio bem, mas procuro o bem de muitos, para que sejam salvos.16

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Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo!1

Reverência na adoração 2 Eu vos elogio porquanto em tudo vos lembrais de mim, e vos tendes apegado fielmente às tradições que vos transmiti.2 3 Entretanto, desejo que entendais que Cristo é o Cabeça de todo homem; o homem, o cabeça da esposa; e Deus, o cabeça de Cristo.3

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Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça; 5 e toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, pois é como se estivesse com a cabeça rapada. 6 Assim, se a mulher não cobre a cabeça, então deveria cortar também o cabelo. Se, no entanto, é vergonhoso para a mulher cortar o cabelo ou raspar a cabeça, então ela deve cobrir a cabeça.4 7 O homem, contudo, não deve cobrir a cabeça, visto que ele é a imagem e a glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem. 8 Porquanto o homem não se originou da mulher, mas sim a mulher do homem;5 9 além disso, o homem não foi criado por causa da mulher, mas sim a mulher por causa do homem. 10 Por essa razão e por causa dos anjos, a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade.6 11 No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem nem o homem é independente da mulher. 4

16 O princípio geral que orienta a exposição teológica de Paulo nos capítulos 8 a 10 é que todas as nossas palavras e atitudes podem glorificar ou profanar o Nome de Deus (6.20; Cl 3.17,23). Um coração agradecido consagra todas as coisas ao Senhor (1Tm 4.4; Rm 14.6; Ef 5.20). Capítulo 11 1 Paulo foi salvo por Cristo e dele se tornou “imitador” (palavra cujo sentido original refere-se ao compromisso de ser discípulo). Todo aquele que vive segundo o exemplo supremo de Cristo deve ser, igualmente, seguido (1Pe 2.21). 2 A expressão grega original pardoseis, aqui traduzida por “tradições”, refere-se ao ensino cristão básico e fundamental transmitido de forma oral e escrita (2Ts 2.15; 3.6; 1Co 15.3), e não tem a ver com costumes e modelos culturais de uma comunidade cristã. O Evangelho deve tomar a forma e a cultura do povo onde está sendo pregado, sem infringir nenhum de seus mandamentos. Isto é manter a “tradição” neotestamentária e a doutrina dos apóstolos (At 2.42-47). 3 Paulo usa a palavra grega kefale, em seus dois significados: “cabeça” e “chefe”. A expressão grega literal usada neste texto para “mulher” tem o sentido de “esposa”. Paulo está ensinando que, assim como Cristo tem autoridade (em grego: digno de honra) sobre o homem (Cl 1.18; 2.10), e por isso deve ser honrado (tanto no sentido de receber quanto de agir com honradez). Assim também o marido tem uma posição de autoridade no lar e deve, portanto, ser honrado pela esposa (15.28; Ef 1.21,22; 5.22,23). 4 O costume oriental dos homens de descobrirem suas cabeças ao entrar num local religioso ou sinagoga, e das mulheres cobrirem suas cabeças como símbolo de honra a seus maridos era muito anterior a Paulo (Gn 3.16). Esse dado cultural era tão forte que costumava-se rapar a cabeça das prostitutas e mulheres pegas em adultério como sinal público de desonra. Algumas mulheres estavam confundindo sua posição de liberdade em Cristo e igualdade de direitos em relação aos homens, e cortando os cabelos ou retirando o véu (manto) de sobre as cabeças em sinal de protesto (1Tm 2.11-14; Gl 3.28). 5 Deus estabelece uma hierarquia de honra e autoridade com base na origem primeira dos seres. Deus, como não tem início, tempo ou espaço, é a própria origem e a finalidade de tudo, merecendo ser honrado e amado eternamente por toda a sua criação. Deus é Pai de Jesus Cristo; e o Senhor é a autoridade máxima sobre todo homem; o homem, em um certo sentido, deu à luz a mulher, para que esta lhe fosse esposa, sua melhor companhia na terra e sua colaboradora leal, segundo o plano de Deus para a humanidade (Gn 2.21-24). Por isso, cabe à mulher respeitar e ajudar seu marido. Os maridos, contudo, devem ser amáveis e justos, como convém aos verdadeiros filhos de Deus (1Pe 3.7). 6 Paulo estabelece uma correlação entre o acampamento judaico, descrito na Torá (o Pentateuco), quando Deus passeava por entre seu povo no deserto para os abençoar e santificar, e ao lar cristão (Dt 23.14). Deus, assim como seus anjos (Is 6.2; 2Pe 2.4; Hb 1.14; Jd 6), tem prazer em passear pelos lares onde Seu Nome é amado e reverenciado. Assim como o véu e os mantos


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1 CORÍNTIOS 11

Porque, assim como a mulher veio do homem, assim também o homem nasce da mulher, mas tudo provém de Deus! 13 Julgai entre vós mesmos: é apropriado a uma mulher orar a Deus com a cabeça descoberta? 14 Não vos ensina a própria natureza que, se o homem tiver cabelos compridos, isso lhe é motivo de desonra? 15 E que se a mulher, entretanto, tiver cabelos compridos, isso é para ela uma glória? Pois os cabelos compridos lhe foram outorgados como se fosse um manto. 16 Contudo, se alguém deseja fazer desse assunto uma polêmica, nós não temos esse procedimento, nem as igrejas de Deus.7

divergências entre vós, para que os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio. 20 Pois, quando vos reunis como igreja, não é para comer a Ceia do Senhor.9 21 Porque, quando comeis, cada um toma antes a sua própria ceia sem esperar pelos outros. E, dessa maneira, enquanto um fica com fome, outro se embriaga. 22 Será que não tendes casas onde podeis comer e beber? Ou, de fato, desprezais a Igreja de Deus, humilhando os que nada possuem? Que vos direi? Acaso vos elogiarei por isso? Certamente que não vos elogio por essas atitudes!

A Ceia deve expressar amor cristão 17 Apesar de tudo, não vos elogiarei quanto à instrução que passo a vos dar agora, porquanto as vossas reuniões produzem mal e não bem! 18 Em primeiro lugar, porque ouço dizer que há divisões entre vós quando vos reunis como igreja; e até certo ponto acredito que isso esteja ocorrendo.8 19 Todavia, se faz necessário que haja

Como celebrar a Ceia do Senhor 23 Pois eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão 24 e, logo após haver dado graças, o partiu e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim.10 25 Do mesmo modo, depois de comer, Ele tomou o cálice e declarou: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Fazei

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(em grego exousia – “autoridade”), para a maioria dos povos orientais, a aliança de casamento também era um símbolo do compromisso entre um homem e sua mulher. Os judeus costumavam confeccionar um anel circular de ouro maciço, totalmente liso e sem qualquer adorno extra ou inscrição, que o noivo colocava no dedo indicador da mão mais forte da noiva como símbolo de Kiddũsh (consagração) e amor perpétuo. Paulo usa a expressão hebraica “por causa dos anjos”, para falar da presença gloriosa do Senhor sem a necessidade de mencionar o nome de Deus, como era a forma de os judeus fiéis respeitarem a transcendência divina. Os textos de Qunram - os rolos do Mar Morto - aduzem a este motivo. 7 No primeiro século, era costume no oriente os homens usarem os cabelos mais curtos do que os das mulheres. Paulo não acha importante discutir costumes locais e temporários ou culturas, desde que estes procedimentos não transgridam os princípios básicos do Evangelho de Cristo. 8 Reunir-se “como igreja” ou “na igreja” são expressões que derivam do termo grego original Ekklesia que fora traduzido do hebraico (congregação – At 7.38) pela Septuaginta. A palavra portuguesa “igreja” deriva do termo em latim Ecclesia. Contudo, todas essas expressões têm um mesmo sentido: a igreja não significa um lugar ou edifício, mas o ajuntamento, a assembléia ou a reunião dos fiéis seguidores de Cristo (discípulos) com o objetivo de adorar a Deus, estudar sua Palavra, cooperar e encorajar uns aos outros na fé. 9 O ensino eucarístico (o termo original grego eucharistesass significa “dar graças”), distintivo de Paulo, salienta a significação da Ceia, ligando-a firmemente ao propósito remidor de Deus, de tal maneira que a mesma proclama a morte de Cristo (v.26), visto como o ritual de Páscoa. A expressão hebraica Haggãdãh (anunciar, proclamar) foi traduzida por Paulo para o grego Katangellõ, cujo sentido é realizar uma pregação dramatizada em palavra e símbolo como era a própria Páscoa (Êx 13.3-10). Paulo apresenta o profundo significado da Mesa do Senhor como uma comunhão (em grego koinõnia) entre os filhos de Deus, simbolizada pelo partilhar do pão e do vinho (10.16), e revela o caráter de unidade da Igreja, pois assim como seus membros compartilham juntamente de um único pão, também se reúnem como o Corpo único de Cristo. Paulo termina essa carta com um fundo eucarístico: Marãnãthã, expressão transliterada do aramaico e que significa: “Vem, Senhor!” (16.22). 10 Segundo descobertas e análises histórico-arqueológicas ocorridas durante o século 20, Paulo escreveu esta carta pouco antes do surgimento dos quatro evangelhos. Esse é, portanto, o primeiro relato da Ceia do Senhor e a mais antiga citação escrita das palavras do Senhor Jesus (Mt 26.26). A celebração da eucaristia e da Ceia do Senhor, na comunhão dos crentes, deve ser


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isto todas as vezes que o beberdes, em memória de mim”. 26 Portanto, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice proclamais a morte do Senhor, até que Ele venha.11 27 Por esse motivo, quem comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. 28 Examine, pois, cada um a si próprio, e dessa maneira coma do pão e beba do cálice. 29 Pois quem come e bebe sem ter consciência do corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação.12 30 Por essa razão, há entre vós muitos fracos e doentes e vários que já dormem. 31 Contudo, se nós tivéssemos a cautela de julgar a nós mesmos, não seríamos condenados.

22 32 No entanto, quando somos julgados pelo Senhor, estamos sendo corrigidos a fim de que não sejamos condenados juntamente com o mundo.13 33 Portanto, meus caros irmãos, quando vos reunirdes para comer a Ceia, aguardai uns pelos outros. 34 Se alguém tiver fome, coma em casa, para que, quando vos reunirdes, isso não seja para vossa própria condenação. Quanto às demais orientações, pessoalmente vos instruirei, assim que puder visitar-vos.14

Quanto aos Dons Espirituais A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que tenhais desconhecimento.1 2 Sabeis que, quando éreis pagãos, de uma maneira ou outra, fostes fortemente atraídos para os ídolos mudos.2

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realizada com alegria, fraternidade, reverência e com o sentido de celebração (memorial), não como sacrifício, uma vez que esse já foi realizado pelo próprio Senhor, de uma vez para sempre e por todos os que crêem (Hb 9.27,28). 11 Jesus celebrou a primeira Ceia do Senhor, logo após a tradicional refeição da Páscoa (Mt 26.17-30; Mc 14.12-26; Lc 22.723; Jo 13.18-30). Um cálice de vinho foi o símbolo usado por Jesus para marcar o início de um novo pacto (aliança) que seria escrito com seu sangue, inocente e vicário, derramado sobre a cruz do Calvário (Lc 22.20; Jr 31.31-34). A nova aliança (em grego diatheke) é superior e derradeira sobre a antiga aliança firmada com Moisés e o povo de Israel no Sinai (Êx 24.3-8). Esse novo memorial deve ser realizado com regularidade, até que Jesus volte – brevemente – em glória (Mt 26.29). 12 A Ceia do Senhor é uma celebração destinada aos crentes. Antes de participar da Ceia, o crente deve passar um tempo refletindo sobre a maneira como está vivendo o cristianismo que professa. A expressão grega original dokimazetõ significa um “exame rigoroso” da alma em relação à vontade de Deus: uma auto-análise íntima, sincera e curadora, em aconselhamento com o Espírito Santo. Esse tempo de diálogo, confissão e restauração com o Espírito Santo seria melhor aproveitado antes da Ekklesia, ou seja, antes da “reunião dos crentes” para o culto. Assim, o cristão chegaria para a celebração da Ceia em plena comunhão com Deus e com seus irmãos, com a alma renovada e restaurada, apto para louvar a Deus e vivenciar plenamente o significado do memorial do sacrifício de Cristo por nossa salvação (19; 2Co 13.5; Tg 5.16; 1Jo 1.6). Quem não é sensível ao Corpo de Cristo, isto é, ao significado diário e perpétuo da morte e ressurreição do Filho de Deus, e à natureza e caráter da Ekklesia (os membros da Igreja do Senhor), vive uma vida egocêntrica e materialista, atraindo sobre si ainda mais juízo (5.5; 1Tm 1.20; At 5.1-11; Tg 5.13-20). 13 Um exame rigoroso das nossas motivações e ações à luz da Palavra nos pouparia de muito sofrimento. Como filhos redimidos de Deus somos disciplinados – assim como um pai amoroso corrige as atitudes erradas de seu filho – a fim de que cheguemos à conclusão de que precisamos nos arrepender dos nossos pecados e voltar à plena comunhão com o Espírito do Senhor. Esse processo de correção, disciplina, reconhecimento, perdão e restauração significa: crescimento espiritual na graça. E apenas aqueles que amam a Deus e se permitem quebrantar, conseguem perceber essa bênção em suas vidas (2Co 7.10; Hb 12.7-14; Rm 6.22). 14 A Igreja primitiva celebrava uma reunião de confraternização conhecida como ágape (termo grego para o “amor fraternal”), por ocasião da celebração da Ceia do Senhor (2Pe 2.13; Jd 12). Ocorre que, na igreja de Corinto, os grupos de gregos cristãos ricos estavam trazendo grande quantidade de alimentos para a festa, mas não repartiam com os pobres. E muitas pessoas estavam passando fome, enquanto outras até se embriagavam, antes da Ceia do Senhor. Paulo nota o absurdo e, por isso, adverte que o cristão deve estar em contínua vigilância espiritual e comunhão com o Espírito de Deus, pois a natureza do cristão é semelhante a de todo mundo, e tende para o egoísmo (pecado). Paulo ainda demonstra que o líder cristão deve discernir sobre o que escrever e o que falar. E, ainda, que há assuntos que dizem respeito à toda a congregação, e outros que são mais particulares. Capítulo 12 1 Paulo continua a responder às questões levantadas pelos coríntios na referida carta (7.1; 8.1; 16.1). Embora, a palavra original grega usada aqui para “dons” seja diferente da usada em 1.7, é certo que tem a ver com pneumatikõn, crentes capacitados pelo Espírito Santo para servirem no Reino de Deus e cooperarem (encorajarem) uns aos outros. 2 Os coríntios, no passado (10.19,20), e muitas pessoas – ainda hoje – foram iludidos por rituais a ídolos (objetos) sem vida. Os “gentios” ou “pagãos” são todos aqueles que não colocam sua fé (confiança na paternidade e salvação) em Deus por intermédio de Cristo. Paulo orienta aos coríntios a seguirem a direção do Espírito Santo que agora habita em seus corações.


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Portanto, eu vos afirmo que ninguém que fala pelo Espírito de Deus, pode dizer: “Maldito seja Jesus!” Da mesma forma, ninguém pode declarar: “Jesus é Senhor!”, a não ser pelo Espírito Santo.3 4 Existem diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo.4 5 Existem várias formas de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.5 6 E há diversas maneiras de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos. 7 A cada um, contudo, é concedida a manifestação do Espírito, com a finalidade de que todos sejam beneficiados.6 8 Pelo Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de conhecimento.7 9 A outro, pelo mesmo Espírito, é outorgada a fé; a outro, pelo único Espírito, dons de curar;8 3

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10 a outro, poder para operar milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a outro, variedade de línguas; e ainda a outro, interpretação de línguas. 11 Entretanto, o mesmo e único Espírito realiza todas essas ações, e Ele as distribui individualmente, a cada pessoa, conforme deseja.9

Unidade na diversidade 12 Porquanto, assim como o corpo é uma só unidade e possui muitos membros, e todos os membros do corpo, ainda que muitos, constituem um só organismo, assim também ocorre em relação a Cristo. 13 Pois todos fomos batizados por um só Espírito, a fim de sermos um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos,

3 A pessoa que foi regenerada (nasceu espiritualmente), pelo Espírito Santo, não tem como proferir qualquer maldição (anátema – 16.22; Gl 1.8,9) contra a pessoa de Jesus Cristo, nem agir de maneira a amaldiçoar o Nome do Senhor. Pelo contrário, somente o crente pode declarar com propriedade que “Jesus é o Senhor” (Jo 20.28; 1Jo 4.2,3). Essa expressão na boca de qualquer pessoa que não tenha nascido de novo (Jo 3) é “anátema” para sua própria vida. A expressão original grega, aqui traduzida por “Senhor”, é a mesma utilizada na tradução grega do AT (Septuaginta) para se referir ao nome de Deus Yahweh em hebraico. 4 O termo grego original aqui traduzido por “dons” é charismatõn, que tem a ver com poderes miraculosos que Deus outorga aos crentes em Cristo, Seu Filho, por meio do Espírito Santo (Rm 12.3-8; 1Pe 4.10). Há diversos dons (capacitações espirituais) para diversas aplicações e serviços na Igreja. Paulo apenas citou alguns. Essa é uma das passagens (12.4-6) que revela a Trindade em ação para abençoar cada crente com dons e capacitações espirituais a serviço da Igreja. 5 A expressão grega original, aqui traduzida por “ministérios”, é usada, em suas várias formas, sempre no sentido de “serviço à comunidade”, especialmente aos membros da Igreja de Cristo, como o zelo em servir às mesas (At 6.2,3). A Igreja primitiva (no século 1) usava esse mesmo termo em referência ao ofício diaconal (Fp 1.1). 6 Uma das evidências da conversão de um pagão a Cristo é a expressão de um dos muitos dons espirituais em benefício dos seus irmãos. Todo cristão recebe pelo menos um dom do Espírito Santo (1Pe 4.10,11). O dom espiritual é concedido de forma gratuita, natural e para toda a vida, entretanto, sua manifestação é ocasional e está sujeita ao crente. Todas as capacitações espirituais (dons) têm como objetivo divino encorajar e edificar, especialmente, os membros da comunidade de crentes que integram a Igreja. Portanto, não devem ser jamais usados com orgulho ou egoísmo para que seus efeitos e as pessoas envolvidas não sofram prejuízos. Paulo adverte que alguns em Corinto estavam procedendo mal em relação à administração dos seus próprios dons. 7 Nem todos os crentes têm o mesmo dom, tampouco, há algum cristão que tenha todas as capacitações espirituais. A expressão original grega logos traz o sentido de “capacidade de comunicar”, enquanto “sabedoria” corresponde ao poder de analisar profundamente algo que é descoberto ou apresentado. O dom do “conhecimento” tem a ver com a capacidade espiritual dos apóstolos, profetas e mestres em trazer à lume novas revelações da Palavra para o benefício do Corpo de Cristo (Ef 2.20; 4.11). 8 Essa não é a fé para a salvação (que todo cristão ganhou), que também é um dom de Deus, mas cuja finalidade é converter o coração do incrédulo e levá-lo a crer profundamente no sacrifício vicário e salvador de Jesus Cristo (Ef 2.8-10; Fl 2.12). O dom da fé para o serviço cristão é uma capacitação especial para crer no cumprimento da Palavra e na realização de grandes obras espirituais em prol da comunidade cristã e na evangelização do mundo (13.2; Mt 17.19). Quanto à expressão grega original “dons de curas” (literalmente no plural) refere-se a várias capacidades espirituais oferecidas pelo Espírito Santo aos crentes, a fim de poderem ministrar, de várias formas, a cada uma das muitas doenças que afligem a humanidade de tempos em tempos. 9 Literalmente, no original grego, temos a expressão: “ações de milagres”, confirmando que o milagre é sempre uma intervenção sobrenatural e extraordinária de Deus, que, nesse caso, usa como canal a pessoa de determinado crente e sua capacitação espiritual e especial (dom) concedida pelo próprio Senhor. A profecia é igualmente um ato da vontade de Deus, que o Espírito Santo transmite especialmente ao crente agraciado com esse dom específico. A revelação divina pode ser uma predição (Mt 24; At 11.28; 21.10,11) ou anúncio da vontade expressa de Deus a partir da exposição da Palavra (At 14.29,30; 13.1,2). Entretanto, como falsas profecias e ensinos podem adentrar à comunidade dos crentes, o Senhor concede o “dom de distinguir” os espíritos, separando com clareza os ensinamentos e práticas que vêm do Senhor dos enganos e mentiras que


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quer livres; e a todos nós foi dado beber de um único Espírito.10 14 Porque também o corpo não é constituído de apenas um membro, mas de muitos. 15 Se porventura o pé disser: “Porque não sou mão, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. 16 E se a orelha reclamar: “Porque não sou olho, não pertenço ao corpo!”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. 17 Se o corpo todo fosse olho, onde estaria a capacidade de ouvir? Se o corpo todo fosse audição, onde estaria o olfato? 18 Em verdade, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade. 19 E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20 Sendo assim, há muitos membros, mas um só corpo!11 21 O olho não pode ordenar à mão: “Não tenho necessidade de ti!” Tampouco a cabeça pode declarar aos pés: “Não preciso de vós!” 22 Ao contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são essenciais;

24 23 e os membros do corpo que julgamos serem menos honrosos, nós mesmos os tratamos com maior honra. E os membros que em nós são vergonhosos, vestimos com decoro especial, 24 enquanto os membros mais apresentáveis, dispensam qualquer tratamento especial. Todavia, Deus estruturou o corpo atribuindo maior honra aos membros que dele tinham necessidade, 25 a fim de que não haja divisão no corpo, mas sim que todos os membros tenham igual dedicação uns pelos outros. 26 Desse modo, quando um membro sofre, todos os demais sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se regozijam com ele. 27 Ora, vós sois o Corpo de Cristo, e cada pessoa entre vós, individualmente, é membro desse Corpo. 28 Assim, na Igreja, Deus estabeleceu alguns primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro, mestres; em seguida, os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas.12

tentam seduzir os cristãos desde o início da Igreja (1Jo 4.1-6). Alguns crentes recebem a capacidade espiritual de falar em outros idiomas, sem que nunca os tenha aprendido de forma natural, como ocorreu no Dia de Pentecoste (At 2.4-11) ou em línguas extáticas (no original grego glõssõn), um sistema lingüístico próprio dos seres celestiais e desconhecido na Terra. Esse dom tem a finalidade de enlevar os crentes e a Igreja, não exatamente de comunicar ensinos, doutrinas ou profecias do Senhor. Deve ser ministrado em adoração sincera a Deus, com humildade, altruísmo e discernimento (como todos os demais), pois o mau uso dos dons pode causar muito prejuízo ao seu hospedeiro e à Igreja (1Co 14. 9,10). Por isso, Paulo orienta o uso do dom de “línguas estranhas”, e enfatiza que tenham tradução clara e precisa, a fim de que todos os ouvintes possam ser movidos a louvar a Deus, especialmente os que ainda não são cristãos (1Co 14.18-28). É Deus, por meio do Seu Espírito, quem atribui soberanamente a cada crente os dons espirituais, para edificação da Igreja e evangelização do mundo. Ao cristão cabe receber seus dons com alegria, e administrá-los com sabedoria, altruísmo e sem rivalidades, para a glória do Senhor Jesus. 10 O povo de Deus (os crentes) são os únicos membros do Corpo de Cristo (a Igreja), e deve aprender a usar a diversidade dos seus dons espirituais para, em unidade e adoração ao cabeça da Igreja: Jesus Cristo (Ef 1.22,23), evangelizar o mundo. Todos os cristãos sinceros são batizados no Espírito Santo (Jo 4.10), incorporados ao Corpo de Cristo e, portanto, podem participar da Ceia do Senhor (10.16). Em Cristo não pode haver qualquer preconceito ou distinção racial, cultural, econômica ou social, pois a todos que crêem foi dado o direito de beber do único Espírito de Deus, de modo que suas vidas expressem o fruto do Espírito que neles habita (Gl 5.22,23; Jo 7.37-39). 11 A Igreja em Corinto apresentava muitas deformações doutrinárias. Uma delas era exigir que todas as pessoas tivessem o dom de línguas. Com isso, muitos cristãos sinceros estavam se sentindo inferiorizados perante seus irmãos. Paulo orienta, especialmente os líderes da igreja (1Pe 5.1; At 6.1-6), a ter uma visão correta sobre a diversidade e os benefícios do exercício de todos os dons na Igreja, porquanto essa é a vontade soberana de Deus para o funcionamento sadio do Corpo de Cristo. 12 Os ministérios e os dons são como os dois lados de uma mesma moeda. Quando o Senhor convoca alguém para uma missão (serviço espiritual) é porque já lhe concedeu os dons necessários. Os “apóstolos” são aqueles que foram escolhidos pessoalmente por Cristo, foram testemunhas oculares da Sua ressurreição e receberam autoridade especial para estabelecer os fundamentos doutrinários da Igreja (Mc 3.14; At 1.21,22; Ef 2.20; Jd 3). Em seu sentido ampliado, esse termo pode ser usado


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Acaso são todos apóstolos? São todos profetas? Ou são todos mestres? Todos têm o dom de realizar milagres? 30 Todos têm dons de curar? Falam todos em línguas? Todos as interpretam? 31 Contudo, buscai com zelo os melhores dons.13 29

O Amor que vem de Deus E agora, passo a vos mostrar um caminho ainda muito mais excelente. Ainda que eu fale as línguas dos seres humanos e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.1 2 Mesmo que eu possua o dom de profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, e ainda tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei.2 3 Mesmo que eu dê aos necessitados tudo o que possuo e entregue o meu próprio

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1 CORÍNTIOS 12, 13

corpo para ser queimado, se não tiver amor, todas essas ações não me trarão qualquer benefício real.3 4 O amor é paciente; o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, nem é arrogante. 5 Não se porta de maneira inconveniente, não age egoisticamente, não se enfurece facilmente, não guarda ressentimentos.4 6 O amor não se alegra com a injustiça, pois sua felicidade está na verdade. 7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8 O amor jamais morre; todavia, as profecias deixarão de existir, as línguas cessarão, o conhecimento desaparecerá. 9 Porquanto em parte conhecemos e em parte profetizamos; 10 quando, no entanto, chegar o que é perfeito, o que é imperfeito será extinto.5 11 Quando eu era criança, pensava como

como “missionário” (Rm 16.7; Gl 1.19). Os “profetas” revelam a Palavra de Deus para situações específicas e temporárias. Os “mestres” dominam a teologia, a didática, e ensinam de forma prática a Palavra revelada (Ef 4.11). Os dons, que permitem aos cristãos a realização de milagres, curas e prestação de socorro (ajuda espiritual, psicológica ou material), estão agrupados numa mesma categoria e devem ser ministrados com humildade, altruísmo e profunda adoração ao Senhor (v. 9,10; At 5.12; Rm 12.6-8; At 6.1-6). Finalmente, Paulo destaca os que têm dom de “governo ou administração”, normalmente exercido pelos presbíteros (At 15.6-22; 1Tm 3.5) e, pela terceira vez, menciona o “dom de línguas”, em último lugar. 13 A expressão grega original zeloute também usada em 14.1, indica o “zelo” (dedicação, cuidado, carinho, seriedade) com que o crente em Cristo deve aceitar, compreender e usar seus dons espirituais em benefício especialmente do Corpo de Cristo. A instrução de Paulo não é para que os cristãos entrem numa competição em busca de eventuais dons mais importantes ou apreciáveis. Os dons são distribuídos por Deus, segundo sua vontade soberana, não podem ser escolhidos ou aprendidos; são capacidades espirituais em potencial, que precisam ser desenvolvidas e usadas com maturidade. O uso pleno e sábio dos dons proporciona grande alegria ao seu hospedeiro, a todos que estão à sua volta e, especialmente, ao Espírito do Senhor. Paulo segue mostrando que a maneira mais correta de exercer os dons é por meio do amor sincero. Neste sentido, o amor não é um “dom espiritual” mas sim um dos atributos do fruto do Espírito (Gl 5.22). Capítulo 13 1 Jesus e sua Igreja criaram uma expressão nova para o vocábulo grego Agape, que significa “amor sacrificial”, o mesmo amor demonstrado por Cristo em sua missão de sacrifício vicário por nossa Salvação (Jo 13.34,35; 1Jo 3.16). Essa palavra raramente é encontrada nos escritos gregos seculares, mas aparece mais de 100 vezes no NT, configurando uma expressão especialmente cristã. Paulo recorre a uma figura de linguagem (hipérbole) para ensinar que falar sem amor (Agape ( ) é tão inócuo quanto apenas fazer barulho sem sentido. 2 Paulo escolhe outros três dons para enfatizar que ainda que tais dons fossem expressos em todo o seu esplendor, se não houvesse o amor de Deus (Agape ( ), não produziriam qualquer benefício verdadeiro e perene. 3 Deus não aceita qualquer ato de generosidade, doação ou sacrifício que não seja motivado, primeiramente, pelo amor cristão (Agape ( ). Mesmo os atos de martírio, quando provocados pelo egoísmo ou fanatismo político-religioso, são absolutamente rejeitados por Deus. 4 O amor que vem de Deus tem dupla característica: a) Ativa: não espera ser amado primeiro para retribuir, mas toma a iniciativa e age com misericórdia (benignidade). b) Passiva: não se precipita em julgar e condenar, mas espera pacientemente (longanimidade) pela ação poderosa e perfeita do Senhor. Paulo faz referência ao procedimento indecoroso e desregrado dos coríntios naquele momento (11.18-22 e capítulo 5). 5 O Espírito Santo concede seus dons aos crentes a fim de revelar a Cristo e nos encorajar na caminhada cristã. Quando o que é “perfeito” (o sentido grego original desta palavra é: “fim”, “cumprimento”, “completa maturidade”) se manifestar, os dons não serão mais necessários. As profecias estarão todas cumpridas; teremos uma só língua e não haverá barreiras à comunicação, todos teremos pleno conhecimento e mais nada será necessário ser aprendido ou amadurecido.


1 CORÍNTIOS 13, 14

menino, sentia e falava como menino. Quando cheguei à idade adulta deixei para trás as atitudes próprias das crianças. 12 Agora, portanto, enxergamos apenas um reflexo obscuro, como em um material polido; entretanto, haverá o dia em que veremos face a face. Hoje, conheço em parte; então, conhecerei perfeitamente, da mesma maneira como plenamente sou conhecido.6 13 Sendo assim, permanecem até o momento estes três: a fé, a esperança e o amor. Contudo, o maior deles é o amor!7 O correto uso dos dons Segui o caminho do amor e exercei com zelo os dons espirituais; contudo, especialmente o dom de profecia.1 2 Porquanto quem se expressa em uma língua estranha, não fala aos homens, mas a Deus. De fato, ninguém o compreende, pois em espírito fala mistérios.2 3 Entretanto, quem profetiza o faz claramente para edificação, encorajamento e consolação de todas as pessoas.3

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26 4 Quem fala em uma determinada língua

a si mesmo se edifica, mas quem profetiza edifica a Igreja.4 5 Gostaria que todos vós falásseis em línguas, todavia, muito mais que profetizásseis. Quem profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a não ser que as interprete para que toda a comunidade receba a palavra que edifica. 6 Portanto, irmãos, se eu for até vós falando em línguas, que benefício vos trarei, se não vos falar por intermédio de revelação, ou de conhecimento, ou de profecia, ou, ainda, de ensino?5 7 Até mesmo considerando objetos sem vida, mas que produzem sons, tais como a flauta ou a harpa, como alguém poderá reconhecer a música que está sendo tocada, se os sons formados por elas não forem distintos? 8 E mais, se a trombeta não emitir um som claro e correto, quem se preparará para a batalha? 9 Da mesma maneira vós, se com a língua não pronunciardes sons que se podem

6 Paulo novamente usa uma figura de linguagem para explicar a maneira parcial e obscura com que nos é facultado conhecer e sentir a Deus. Vemos o Senhor como por um reflexo imperfeito, normalmente produzido na época do apóstolo, por um objeto de bronze polido (espelho), no qual as pessoas costumavam ver a projeção de seus rostos e a aparência do corpo (Tg 1.23). Entretanto, por ocasião do iminente e glorioso retorno de Jesus Cristo, os cristãos poderão ver o Senhor com toda a nitidez e também o conhecerão de uma forma muito mais completa do que nos é possível hoje, semelhante ao pleno conhecimento que o próprio Espírito já tem de cada cristão (1Jo 2.2; Mt 7.23). 7 O amor sincero a Deus abre espaço na mente e no coração do crente para o pleno exercício dos dons em benefício dos seus irmãos e na evangelização do mundo (1Ts 1.3). Todos os dons serão desnecessários e desaparecerão com a volta de Cristo, entretanto, o amor (Agape ( ) permanecerá, pois é o maior poder (virtude) concedido por Deus aos seres humanos, especialmente aos crentes (1Jo 4.10). Afinal, Deus é amor (1Jo 4.8) e ordena que amemos uns aos outros (Jo 13.34,35). O amor supera todas as dádivas. Mesmo depois que todos os dons passarem, o amor de Deus continuará a ser perpetuamente o princípio governante dos relacionamentos no universo. Capítulo 14 1 O amor ((Agape) é o ambiente ideal em que os dons espirituais devem ser expressos e ganham plena eficácia, especialmente o dom de profecia (12.10). 2 O termo grego original, aqui traduzido por “línguas estranhas”, se refere tanto a um idioma humano desconhecido por determinado povo ou cultura, como a língua extática dos seres celestiais. Deus compreende bem todas as manifestações do espírito humano, assim como o próprio Espírito Santo intercede em nós ao Pai com “gemidos impossíveis de serem expressos por meio de palavras” (Rm 8.26). Os ouvintes não conseguem entender alguém que fale uma língua assim; por isso, é mistério. E, portanto, sua expressão pública somente é aprovada e útil à Igreja quando há quem possa interpretá-la para o vernáculo dos ouvintes. 3 A verdadeira palavra profética é estimulante, confirmada pelo Espírito que habita nos cristãos e se alegra com a verdade; é também encorajadora (no original grego paraklesin). A mesma função do Espírito Santo: exortar, animar e aconselhar o crente, como um sábio e dedicado advogado faria para com seu protegido (1Jo 2.2; 12.7). 4 A própria pessoa que fala uma língua estranha não a compreende por meio de qualquer capacidade intelectual. Mesmo que ela tenha o dom de interpretar, este será sempre um poder espiritual (virtude, dádiva) e não uma propriedade da mente ou do saber. Portanto, a edificação é pessoal e na área emocional, fortalecendo a fé, estimulando a dedicação e inspirando mais amor para com Deus e o Seu Reino. 5 A expressão “revelação”, neste texto, vem do termo grego original apocalypsis, significando uma “mensagem direta de Deus”. Por isso, a Bíblia King James, em inglês desde 1611, denomina o último livro da NT como Revelation.


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entender, como se compreenderá o que dizeis? Pois estareis como que jogando palavras ao vento.6 10 Realmente, há diversos idiomas no mundo; contudo, nenhum deles é sem sentido. 11 Portanto, se eu não compreender o significado do que alguém está comunicando, serei estrangeiro para quem fala e tal pessoa, estranha para mim. 12 Assim igualmente vós. Visto que estais desejosos por exercer os dons espirituais, procurai amadurecer naqueles que produzem edificação para todo o Corpo de Cristo. 13 Sendo assim, aquele que fala em uma língua, ore para que possa interpretá-la corretamente. 14 Pois, se oro em uma língua meu espírito também ora, mas o meu intelecto fica improdutivo.7 15 Diante disso, o que fazer então? Orarei com o espírito, mas ao mesmo tempo com a mente; cantarei com o espírito, mas igualmente com a razão.8 16 De outra forma, se louvares a Deus apenas com teu espírito, como poderá alguém que está entre os não instruídos declarar o “Amém” à tua ação de graças, visto que q não entende o qque dizes? 17 É possível que estejas dando graças

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muito bem, mas o teu semelhante não está sendo edificado.9 18 Dou graças a Deus por falar em línguas mais do que todos vós. 19 No entanto, na igreja, prefiro comunicar cinco palavras compreensíveis, a fim de orientar os meus semelhantes, do que falar dez mil palavras em uma língua estranha. 20 Irmãos, não sejais infantis em vossa maneira de pensar. Porém, quanto ao mal, sede como as crianças, contudo, adultos quanto ao entendimento. 21 Pois está escrito na Lei: “Por meio de homens de outras línguas, e por intermédio de lábios de estrangeiros, falarei a este povo, todavia, mesmo assim, eles não me ouvirão”, diz o Senhor. 22 Desse modo, as línguas são um sinal, não para os crentes, mas para os incrédulos. A profecia, entretanto, não é um sinal para os não crentes, mas para todos os cristãos.10 23 Se, portanto, toda a igreja se reunir num lugar e todos falarem em línguas, e entrarem pessoas não instruídas ou descrentes, por acaso não dirão que estais loucos? 24 Mas, se todos profetizarem, e alguém incrédulo ou não instruído entrar, será por todos convencido de que é pecador e por todos será julgado.

6 A flauta, a harpa (um tipo de cítara) e a trombeta eram instrumentos musicais bem conhecidos pelos gregos da época de Paulo. O soar das trombetas e os vários toques de guerra eram familiares desde os grandes clássicos da literatura: Ilíada e Odisséia, escritos pelo maior poeta grego Homero (por volta do séc. IX a.C.). Os judeus tinham na Torá e na memória dos antepassados o vívido som produzido a partir dos chifres de carneiro (Nm 10.9; Js 6.4,9). Para que alguém reconheça uma melodia, a compreenda e lhe dê valor, deve haver uma variedade de notas musicais, organizadas de tal maneira que produzam um som harmonioso e significativo. Uma só nota, repetida de forma monótona, não conseguiria transmitir uma mensagem interessante; apenas causaria desconforto e irritação. 7 O princípio básico do ensino de Paulo sobre os dons espirituais é que sejam usados para a edificação (em grego pneumatõn) do Corpo de Cristo (v.12). Em Corinto, uma importante cidade portuária, era comum se ouvir muitos idiomas estrangeiros. Entretanto, Paulo explica que o dom de línguas não é fruto da mente ou da habilidade no aprendizado de outros idiomas, mas um mistério espiritual, não compreendido nem mesmo por quem fala. Por isso, maior valor está no dom de compreender e traduzir essa linguagem espiritual para o vernáculo dos ouvintes. 8 Orar (no grego original proseuchomai) deve incluir expressões sinceras de louvor e gratidão ao Senhor. A adoração cristã é mais do que um exercício intelectual, estético ou emocional. A espontânea improvisação de um hino ou cântico de louvor em línguas estranhas só teria valor para a edificação da igreja se todos pudessem compreender a mensagem (1Cr 16.36; Ne 5.13; 8.6; Sl 104.33; 136.1; 148.1; Rm 11.36; Ef. 5.18-20; Cl 3.16). 9 Era costume, desde as antigas sinagogas, os ouvintes dizerem: “amém” (que significa literalmente em hebraico: assim seja) quando concordavam com uma determinada oração e desejavam também fazer suas aquelas palavras (Dt 27.15; Ne 8.6). 10 O capítulo 28 de Isaías revela que a língua assíria era uma espécie de sinal de condenação para os judeus incrédulos, pois soberbamente se achavam o único povo de Deus. Por isso, Paulo destaca esse aspecto do dom de línguas: ser um sinal para os não crentes (Pedro pregou em aramaico em At 2, mas cada estrangeiro ouviu a Palavra em seu próprio idioma). Da mesma maneira, a profecia era imprescindível para os cristãos que, naquela época, ainda não tinham o NT. O dom de profecia sempre transmite verdades reveladoras aos que se dispõem a recebê-las com humildade e fé (Mt 13.11-16).


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Os segredos do seu coração se tornarão manifestos. E assim, prostrando-se, rosto em terra, adorará a Deus, testemunhando que, em realidade, Deus está entre vós!11 25

Ordem nas reuniões da Igreja 26 Portanto, qual a atitude correta, então? Ora, quando vos reunis, cada um de vós tem um salmo, ou uma mensagem de ensino, uma revelação, ou ainda uma palavra em determinada língua e outro tem a interpretação dessa língua. Tudo seja feito para a edificação da Igreja.12 27 Se alguém falar em uma língua estranha, que a falem somente dois, quando muito três, um de cada vez, e que haja quem possa interpretar. 28 Contudo, se não houver intérprete, permaneça calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.13 29 Tratando-se de profetas, falem dois ou

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três, e os outros julguem com zelo tudo o que foi dito. 30 No caso de ser concedida uma revelação a alguém que está sentado, cale-se o primeiro. 31 Porque todos podereis profetizar, cada um por sua vez, para que todos sejam orientados e encorajados. 32 O espírito dos profetas está sujeito ao controle dos próprios profetas.14 33 Porquanto Deus não é Deus de desordem, mas sim de paz. Como em todas as assembléias dos santos,15 34 as mulheres devem permanecer em silêncio nas igrejas, quando não lhes é permitido falar; mantendo-se em atitude de respeito, como também a Lei ordena. 35 Se desejarem saber mais sobre algum ensino, questionem a seus maridos em casa; porque, para a mulher é vergonhoso conversar durante as reuniões da igreja.16 36 Porventura a Palavra de Deus teve

11 Paulo não enfatizava o uso do dom de línguas na evangelização, mas sim o contato pessoal, a amizade que se desenvolvia ao longo das experiências da vida diária (discipulado). A expressão “não instruídos” diz respeito aos gentios simpatizantes ou interessados, mas não iniciados na doutrina dos apóstolos, também chamados de “indoutos”. Já o termo “incrédulo” era uma referência clara aos judeus céticos e arrogantes. 12 Paulo revela, em linhas gerais, como se desenvolvia o culto na igreja cristã primitiva (v.23; 11.17-20). Alguns desses elementos (como o salmo e a palavra de ensino) provinham do costume judaico de se adorar a Deus no AT, e que fora assimilado pelas sinagogas (Mt 26.30; Lc 4 16.22). O termo “salmo” se refere a poemas e músicas compostos por membros da igreja ou recitações de antigos salmistas de Deus, como Davi (o mais apreciado). A mensagem de ensino ou instrução tem a ver com a exposição da boa doutrina (teologia bíblica); a revelação diz respeito às profecias e, finalmente, as expressões de louvor e adoração por meio de línguas estranhas, sempre acompanhadas de interpretação para a devida compreensão de todos os ouvintes. 13 A igreja em Corinto não estava sabendo lidar coerentemente com o dom de línguas em função do seu objetivo maior: a edificação do Corpo de Cristo. Por isso, Paulo os adverte e impõe três restrições ao seu uso nas assembléias da igreja: 1) Somente duas ou três pessoas devem falar por reunião; 2) Deve falar uma de cada vez; 3) Cada mensagem ou expressão proferida deve ter sua respectiva interpretação para o vernáculo dos ouvintes (v.28). 14 Os crentes que têm o dom de profecia, assim como os que têm o dom de línguas, não deveriam superar três pessoas a falar por reunião. Na época de Paulo, eram comuns os excessos e reuniões que se prolongavam por várias horas até a exaustão. Os próprios profetas deveriam julgar o conteúdo bíblico e espiritual das mensagens pregadas pelos demais profetas, pois mesmo os crentes com dom de profecia ou quaisquer líderes espirituais não são infalíveis e, portanto, devem ser avaliados com sabedoria (com o dom de discernimento – 12.10) por toda a igreja (37; At 20.30; 1Ts 5.20). O dom de revelação no AT era expresso através dos profetas p do Senhor, nos tempos p do NT, por p meio dos apóstolos p e seus discípulos p mais próximos. p Paulo, nos capítulos p de 12 a 14 se refere a dons que são concedidos a qualquer membro da Igreja de Cristo. Podia ser uma predição, como no caso de Ágabo (At 11.28; 21.10-11), uma orientação específica da parte de Deus (At 13.1,2) ou mensagens de edificação, exortação e consolo (v.3). Paulo enfatiza que o dom de profecia, assim como o de línguas estranhas, não são produto de qualquer êxtase emocional ou psíquico, mas são capacitações espirituais totalmente sob controle do crente. 15 Em todo o NT, a expressão “em todas as assembléias (ou congregações) dos santos” é usada somente aqui e enfatiza a universalidade e a harmonia de toda a Igreja visível de Jesus Cristo, o Filho de Deus, na Terra. Portanto, todas as igrejas cristãs devem obedecer às orientações aqui expressas, a fim de que o poder e a glória do culto cristão estejam na pessoa de Cristo e não no carisma individual dos membros da igreja. Um culto sem ordem, tumultuado, e sem coerência teológica (bíblica) pode colocar o nome de Deus em descrédito diante daqueles que ainda não foram salvos. A paz e a união dos crentes em Cristo é um poderoso testemunho ao mundo (1Ts 5.23). 16 Deus criou o homem primeiro e lhe entregou a responsabilidade de amar e orientar sua esposa (1Tm 2.11-14; Ef 5.25). A mulher foi criada a partir do corpo do homem, a fim de lhe ser a melhor companhia (auxiliadora) ao longo de toda a vida (Gn 2.20-24). Alguns povos interpretam erroneamente esse princípio bíblico e submetem suas mulheres a uma condição humilhante e desumana.


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origem entre vós? Sois vós o único povo para quem a Palavra foi entregue?17 37 Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que o que vos escrevo são mandamentos do Senhor.18 38 No entanto, se alguém não reconhece essa verdade, deixe que tal pessoa siga em sua ignorância.19 39 Concluindo, caros irmãos, aperfeiçoai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em línguas. 40 Porém, que tudo seja realizado com decência e ordem!20 A ressurreição de Cristo é real Irmãos, lembro-vos do Evangelho que vos preguei, o qual também recebestes e no qual estais firmes.

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Por meio dele também sois salvos, desde que vos apegueis com convicção à Palavra que vos anunciei; caso contrário, tendes crido em vão.1 3 Porquanto, o que primeiramente vos transmiti foi o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, 4 foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, conforme as Escrituras, 5 e apareceu a Pedro e depois aos Doze.2 6 Depois disso, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. 7 Mais tarde apareceu a Tiago, e a todos os apóstolos.3 8 E, depois de todos, apareceu igualmen2

Outras culturas contrariam a ordem de Deus e impõem sobre a mulher um peso de responsabilidade, autoridade e liberdade para o qual ela não foi concebida. Paulo, no entanto, está menos preocupado em definir o papel da mulher e mais em evidenciar o respeito cristão que deve haver entre o povo de Deus. Para Paulo, era natural que as mulheres pudessem orar e profetizar nos cultos públicos (11.5). Contudo, tudo deveria ser feito com decência e respeito (bom senso cristão). Na época de Paulo, e especialmente em Corinto, conviviam muitas culturas, cada qual com suas regras sociais. Paulo orienta a igreja a ser sensível às várias culturas e, nesses casos, se em alguns grupos sociais é tradicional a mulher manter-se em silêncio, que seja assim. Por outro lado, para culturas mais abertas à participação feminina nas reuniões, que não houvesse o exagero (muito comum nas igrejas orientais) de as mulheres se entregarem a discussões intermináveis e em voz alta, atrapalhando o desenvolvimento geral do culto. 177 Algumas pessoas torceram o nariz para as argumentações de Paulo, obrigando o apóstolo a usar de ironia em suas perguntas, mostrando aos coríntios que eles estavam desenvolvendo e seguindo uma “doutrina particular” nessas questões, em vez de aceitarem e se ajustarem à eterna Palavra de Deus. 18 Paulo deixa claro que suas orientações são mandamentos expressos do Senhor, devendo ser obedecidos. Já que a discussão dos coríntios era sobre os dons e capacitações espirituais, Paulo enfatiza que quem de verdade recebeu suas virtudes (poderes) do Senhor saberá reconhecer com humildade a autoridade que o apóstolo recebeu de Deus. 19 O desobediente e renitente passará a ser considerado pelo apóstolo e por toda a igreja como incrédulo, na expectativa de que, verdadeiramente, venha a conhecer a Salvação. 20 Os membros das comunidades cristãs devem ter a liberdade de exercer o dom espiritual de línguas, com decência e ordem (bom senso cristão), segundo a clara doutrina de Cristo, ensinada pelo apóstolo Paulo (v.26-35). A prática de qualquer dom, fora dos princípios da Palavra de Deus, se constitui em personalismo, arrogância, egoísmo e, portanto, em pecado. Capítulo 15 1 Aceitar a Cristo é apenas o primeiro passo de uma vida inteira caminhando em comunhão com o Espírito Santo. Se alguém não persevera na fé cristã, demonstra claramente que ainda não abraçou a fé salvífica. Paulo apresenta um resumo da defesa da fé cristã que havia se tornado um postulado da igreja primitiva: 1) As Escrituras comprovam que Jesus é o Messias prometido (Lc 24.25-27; Sl 16.8-11; Is 53.5,6,11) em todas as predições do AT. 2) O túmulo vazio e centenas de testemunhos oculares da ressurreição corpórea de Jesus. Paulo cita apenas seis aparecimentos aqui (At 1.21,22). 2 Paulo é submisso à tradição dos apóstolos, especialmente aos que viveram mais próximos de Cristo. Paulo deixa claro que não foi o criador do pensamento e da tradição cristã. Ele afirma sua conversão a Jesus, seu aprendizado e respeito à doutrina dos primeiros apóstolos (os verbos que emprega nos manuscritos gregos são termos técnicos que comunicam o sentido de “receber” e “transmitir” a tradição cristã da igreja primitiva). Apesar de toda a formidável cultura, capacidade intelectual e sabedoria teológica, Paulo fazia questão de salientar a pregação central dos Evangelhos e dos apóstolos: que Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio a terra, andou entre nós, morreu – sem pecado – exclusivamente pelos nossos pecados (Hb 7.27), foi sepultado (morreu como ser humano), e foi ressuscitado (somente Deus tem o poder de ordenar a ressurreição). Paulo tinha grande respeito pela espiritualidade e experiência de vida de Pedro, e costumava chamá-lo por seu nome aramaico: Cefas. A morte era compreendida por judeus e gregos como um estado de adormecimento das almas, que eram transportadas para um lugar celestial chamado Hades (tradução grega Haidẽs, derivada da expressão hebraica Shẽ’ôl), l com um abismo dividindo o plano das almas salvas das perdidas, todas aguardando o Dia do Senhor e o final dos tempos (Lc 16.19-31). Os judeus contavam qualquer parte do dia como um dia inteiro. Por isso, os três dias são contados a partir da tarde de sexta-feira, todo o sábado e as primeiras horas da alvorada do domingo (Mt 12.40). 3 Paulo cita algumas das muitas aparições de Cristo após a ressurreição: a Pedro (Lc 24.34); ao primeiro grupo de apóstolos e discípulos, conhecido como “Os Doze” (Lc 24.36-43; Jo 20.19-23), a mais de quinhentos discípulos na Galiléia (Mt 28.10-20).


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te a mim, como a um que nasceu fora do tempo. 9 Pois sou o menor dos apóstolos, nem mereço ser chamado apóstolo, porquanto persegui a Igreja de Deus.4 10 Mas, pela graça de Deus, sou o que sou. E a sua graça para comigo não foi inútil; antes, trabalhei mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus que vive em mim. 11 Portanto, quer tenha sido eu, quer tenham realizado eles, é isso que pregamos e é nisso que crestes.

então, Ele também não ressuscitou a Cristo. 16 Porquanto, se os mortos não ressuscitam, nem o próprio Cristo foi ressuscitado! 17 E, se Cristo não ressuscitou, a vossa fé para nada serve, e continuais a viver em vossos pecados. 18 Sendo assim, também os que dormiram em Cristo estão perdidos. 19 Ora, se a nossa esperança em Cristo se restringe apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os seres humanos.5

Nós também ressuscitaremos 12 Ora, se tem sido proclamado que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como é possível que alguns dentre vós afirmais que não existe ressurreição dos mortos? 13 Então, se não há ressurreição dos mortos, nem mesmo Cristo ressuscitou; 14 e, se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como igualmente é improdutiva a vossa fé. 15 Pior que isso, seremos considerados falsas testemunhas de Deus, porque contra Ele testemunhamos que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. Todavia, se é verdade que os mortos não ressuscitam,

A ressurreição dos crentes 20 No entanto, em realidade, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo Ele o primeiro dos frutos dentre aqueles que dormiram. 21 Porque, assim como a morte veio por um homem, da mesma forma, por um homem veio a ressurreição dos mortos. 22 Porquanto, assim como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados.6 23 Contudo, cada um por sua vez: Cristo, o primeiro; logo depois, os que são de sua propriedade na sua vinda.7

Paulo se refere, ainda, a Tiago, meio-irmão de Jesus (Mt 13.55), o qual não acreditou em Jesus Cristo até o evento da ressurreição (Jo 7.5), mas depois se arrependeu e, convertido, dedicou toda a sua vida a serviço do Senhor, especialmente cooperando na liderança espiritual da igreja de Jerusalém (At 1.14; 15.13). Jesus também se apresentou a todos os apóstolos (At 1.6-11). 4 O aparecimento de Jesus Cristo a Paulo ocorreu cerca de três anos depois da Sua ascensão aos céus. Paulo reconhece que não fez parte da primeira formação original dos apóstolos. Na verdade, Paulo estava – por causa do zelo à tradição judaico-religiosa e da cegueira espiritual – perseguindo a Igreja (ao próprio Cristo), quando foi convertido e convocado pelo Senhor para serví-lo (At 9.1-8). Entretanto, uma vez alcançado pela graça de Jesus Cristo, dedicou-se de todo coração ao Senhor e à evangelização do mundo; sendo reconhecido pelo próprio apóstolo Pedro como servo amado e apóstolo de Deus (2Pe 3.14-18). A graça do Senhor transforma qualquer indigno em santo (2Co 11.5). 5 Alguns em Corinto estavam afirmando não haver ressurreição do corpo. Para os gregos, toda a matéria era considerada como inerentemente má, por isso deveria ser aniquilada pela morte, o fim de todo mortal. De outro lado, os judeus criam que cada átomo do corpo sepultado ressuscitaria literalmente. Paulo arma um sistema lógico de raciocínio e corrige essas duas doutrinas errôneas. 6 Negar a ressurreição de Cristo seria reduzir o cristianismo a uma simples lenda religiosa. E não haveria remissão dos pecados (Rm 4.25). E ressurreição de Cristo é o âmago da fé dos cristãos (1Pe 1.3). Paulo apela para a tradição histórica dos judeus e afirma que, assim como o primeiro molho da colheita (as primícias) era dedicado ao Senhor, em sinal de que toda a colheita pertencia a Ele e lhe seria dedicada por meio de todas as vidas que dependiam do fruto da terra (Lv 23.10-20), assim também, Jesus Cristo, que foi ressuscitado, é a garantia plena de ressurreição e vida eterna de todo o salvo (redimido) por Deus (1Ts 4.13-18). A morte veio à Terra por meio de um só homem, Adão (Gn 3.17-19). Da mesma forma, a ressurreição e a vida eterna nos foram concedidas por um só homem: Cristo, “o último Adão” (Rm 5.12-21; Jo 5.25; 1Ts 4.16,17; Ap 20.6). Não há espaço na teologia de Paulo para a doutrina da salvação universal. Nem todos serão salvos, somente aqueles que aceitarem o sacrifício de Cristo e tiverem seus corações sinceramente convertidos ao Senhor, e, portanto, podem compartilhar da Sua natureza e serão vivificados (2Pe 1.4). 7 O termo grego original parousia (vinda) era usado para comunicar a chegada de uma visita real. No NT, tem o sentido técnico e denota a volta gloriosa de Cristo.


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Então virá o fim, quando Ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, potestade e poder.8 25 Porque é necessário que Ele reine até que absolutamente todos os seus inimigos sejam prostrados debaixo de seus pés. 26 E o último inimigo que será destruído é a Morte.9 27 Pois Ele “tudo sujeitou debaixo de seus pés”. Porquanto, quando se afirma que “tudo” lhe foi submetido, é evidente que isso não inclui o próprio Deus, que conduziu todas as coisas à submissão de Cristo. 28 Todavia, quando tudo lhe estiver sujeito, então o próprio Filho se submeterá àquele que todas as coisas lhe colocou aos pés, a fim de que Deus seja absolutamente tudo em todos.10 29 Se não há ressurreição, que farão aqueles que se batizam pelos mortos? Se, de maneira alguma, os mortos não ressuscitam, por qual razão então se batizam em benefício deles?11 30 De igual modo, nós mesmos, por que estamos nos expondo a perigos o tempo todo? 31 Todos os dias enfrento a morte! E 24

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afirmo isso, irmãos, porquanto sois meu orgulho em Cristo Jesus, nosso Senhor. 32 Portanto, se foi simplesmente por razões humanas qque lutei com feras em Éfeso, que lucro obtive nisso? Ora, se os mortos não ressuscitam: “comamos e bebamos, pois amanhã morreremos”.12 33 Não vos enganeis! “As más companhias corrompem os bons costumes”.13 34 Como justificados que sois, recobrai o bom senso e não pequeis mais; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; declaro isso para vossa vergonha.14 Os novos corpos dos ressuscitados 35 Entretanto, é possível que alguém questione: “Como ressuscitam os mortos? E com que espécie de corpo ressurgirão?” 36 Insensato! O que semeia não nasce a não ser que primeiro morra. 37 Quando semeais, não semeais o corpo que virá a ser, mas apenas uma simples semente, assim como a semente de trigo ou outra qualquer. 38 Mas Deus lhe dá um corpo, como determinou, e a cada espécie de semente dá seu corpo apropriado.

8 A expressão original “o fim” tem a ver com a segunda e gloriosa volta de Cristo e todos os grandiosos acontecimentos profetizados nas Escrituras que a acompanharão. O início do Reino de Cristo ocorre no momento da sua glorificação (At 2.32; Ef 1.19-23). Por meio da Igreja, o Senhor consolida sua vitória sobre todas as forças e inimigos do universo (Cl 2.15). Ao final dos tempos, havendo cumprido cabalmente sua missão, entregará o Reino ao Pai. 9 O verso 25 é uma alusão ao Sl 110.1, conforme Mt 22.44. A Morte (em grego thanatos), personificada como arquiinimiga da vida, será aniquilada no fim dos eventos que acompanharão a volta triunfante de Cristo (Ap 19.11-21; 20.5-14), no julgamento do grande trono branco (quando a Morte e o Hades serão lançados no eterno lago de fogo). 10 As três pessoas da trindade são iguais em divindade e em dignidade. A subordinação que se estabelece é apenas quanto à função de cada pessoa. Deus-Pai é o Senhor e cabeça supremo da trindade. Deus-Filho tem a função de cumprir a vontade soberana do Pai, na criação como na plena redenção da raça humana. Deus-Espírito é enviado pelo Filho como selo da salvação e poder espiritual para habitar e capacitar o crente a fazer a vontade do Pai, com o objetivo de que Deus seja tudo em todos. 11 Paulo faz referência a mais uma prática equivocada e antibíblica dos coríntios com a principal finalidade de evidenciar a contradição que há nas pessoas que dizem não crer na ressurreição ou na vida após a morte, mas que ao mesmo tempo participam de rituais envolvendo o além. Há mais de 50 interpretações sobre esse texto publicadas em comentários teológicos em todo mundo, porém o mesmo continua envolto em certa obscuridade. 12 Paulo, como cidadão romano, jamais foi obrigado a lutar contra feras (At 19), como ocorreu com milhares de cristãos gentios ou judeus por ordem do Império nas arenas de Roma. Paulo se refere metaforicamente aos próprios líderes judeus e romanos que o perseguiram acirradamente “como feras” em Éfeso (2Co 1.8, conforme Sl 22.12-21). Paulo apela novamente para o raciocínio lógico dos coríntios, ao afirmar que seria um total contrasenso sofrer todo tipo de perseguições e humilhações para proclamar a ressurreição de Cristo se esta não fosse um fato verídico (2Co 11.23-29). Paulo usa um antigo e conhecido ditado popular para enfatizar a idéia de que se Cristo não houvesse ressuscitado, a vida terminaria mesmo no túmulo, e, então, o melhor seria gozar os dias de forma hedonista, ou seja, buscando o prazer (Is 22.13). 13 Paulo está convencido de que tem argumentos poderosos para rebater a filosofia grega. Por isso, cita a conhecida e apreciada comédia grega Thais, escrita pelo antigo poeta grego Menandro, a fim de advertir os próprios cristãos gregos para não se deixarem levar pelos falsos argumentos e vãs filosofias (Pv 13.20). 14 A situação na igreja de Corinto era de tal mundanismo que muitos freqüentadores não eram cristãos de fato, apenas apreciavam a comunhão dos crentes. Paulo afirma que isso é vergonhoso para todos.


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Nem toda carne é da mesma espécie: os seres humanos têm uma espécie de carne, enquanto os animais possuem outra, as aves outra, e os peixes uma outra diferente. 40 Também existem corpos celestes e corpos terrestres; todavia, um é o esplendor dos corpos celestiais, e outro diferente é o brilho dos corpos terrestres. 41 Um é o esplendor do sol, outro da lua, e outro ainda o fulgor das estrelas; e as estrelas diferem em luminosidade umas das outras. 42 Assim será com a ressurreição dos mortos. O corpo que é semeado é perecível e ressuscita imperecível; 43 é semeado em desonra, mas ressuscita em glória; é semeado em fraqueza, porém ressuscita em poder; 44 é semeado um corpo natural, contudo ressuscita um corpo espiritual. Ora, se há corpo natural, há também corpo espiritual.15 45 Da mesma forma, está escrito: “Adão, o primeiro homem, foi feito alma vivente”; o último Adão, no entanto, é espírito vivificante! 46 Assim, não foi o espiritual que veio primeiramente, mas sim o natural; depois dele então, chegou o espiritual. 47 O primeiro homem foi formado do pó da terra, o segundo homem é dos céus. 48 Os que são da terra são semelhantes ao 39

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homem terreno; os que são dos céus, ao homem celestial. 49 Assim como obtivemos a imagem do homem terreno, receberemos de igual modo a imagem do homem celestial.16 Todos seremos transformados 50 Contudo, irmãos, eu vos afirmo que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem o que é perecível pode herdar o imperecível. 51 Eis que eu vos declaro um mistério: nem todos adormeceremos, mas certamente, todos seremos transformados,17 52 num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Porquanto a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. 53 Pois é impreterível que este corpo que perece se revista de incorruptibilidade, e o que é mortal, se revista de imortalidade. 54 No momento em que este corpo perecível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, for revestido de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “Devorada, pois, foi a morte pela vitória!” 55 “Onde está, ó Morte, a tua vitória? Onde está, ó Morte, o teu aguilhão?” 56 Porquanto, o aguilhão da Morte é o pecado, e o poder do pecado é a Lei.18

15 Paulo usa uma série de analogias para demonstrar que, no caso da ressurreição, Deus tomará um corpo “natural” (em grego psuchikon), perecível (corruptível), fraco e pecaminoso, e o transformará – na ressurreição – num corpo “espiritual” (em grego pneumatikon), glorioso, imperecível (incorruptível), poderoso e sem pecado. Não se trata de um corpo imaterial ou totalmente diferente do corpo natural; contudo, preparado para viver a eternidade com Deus numa dimensão celestial (2Pe 3.10-13). 16 O primeiro homem, criado a partir do pó da terra (Gn 2.7), foi feito “alma vivente” (no original grego psuchen-zősan), ou seja, Adão recebeu um corpo psicossomático que transmitiu geneticamente para toda a raça humana até nossos dias. O “ultimo Adão”, Cristo, o espírito vivificante (Jo 5.26) que proporcionará aos crentes remidos, em seu glorioso retorno, um corpo físico especial, poderoso, sem pecado e imperecível (Fp 3.21). Um corpo semelhante ao de Cristo: ressurreto e glorificado (Lc 24.36-43). 177 O corpo e o sangue não são elementos pecaminosos em si mesmos, mas constituem a natureza psicossomática dos seres humanos, que necessita ser transformada para que possa viver eternamente no ambiente celestial com Cristo (Hb 2.14; 5.9). Paulo revela que o grande evento da ressurreição mundial se dará numa fração de tempo (no original grego atomos – a menor unidade referencial de tempo e matéria). Todos os crentes, quer vivos por ocasião do glorioso retorno de Cristo, quer já mortos, receberão instantaneamente novos corpos gloriosos. Esse será o grande som da trombeta profetizado (Mt 24.31; 1Ts 4.16; Ap 11.15). Paulo vivia cada dia de sua vida numa espécie de antegozo espiritual pela certeza absoluta que tinha do glorioso retorno de Cristo, da ressurreição e da vida eterna de todos os crentes. 18 Foi o pecado (desobediência) de Adão que nos sujeitou ao poder da morte (Gn 3, Rm 5.12). O aguilhão (no original grego kentron) é como o ferrão do escorpião ou do marimbondo. O aguilhão não é a morte, mas sim o pecado inoculando seu veneno letal na alma e no corpo de quem não se arrepende diante de Cristo, e, portanto, não é perdoado (Ap 9.10). A Lei de Deus é clara em relação ao pecador que não se arrepende (A conversão - o único antídoto eficaz) e à pena de morte eterna (Is 25.8; Os 13.14).


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Contudo, graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo!”19 58 Portanto, meus amados irmãos, permanecei firmes e que absolutamente nada vos abale. Dedicai-vos, dia após dia, à obra do Senhor, plenamente conscientes de que no Senhor, todo o vosso trabalho jamais será improdutivo.20 57

Oferta para o povo de Deus Quanto à oferta para o povo de Deus, fazei vós também da mesma forma como orientei às igrejas da Galácia.1 2 No primeiro dia da semana, cada um de vós separe o que puder, de acordo com a sua renda, e a guarde para que não se façam coletas quando eu chegar.2 3 Então, quando estiver entre vós, enviarei com carta de recomendação os

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homens que aprovardes para levarem a vossa contribuição para Jerusalém. 4 Se for conveniente que eu também vá, eles me acompanharão.3 Projetos e pedidos pessoais 5 Depois de passar pela Macedônia, por onde tenho de atravessar, irei até vós. 6 Provavelmente, eu permaneça convosco durante algum tempo, ou até mesmo passe o inverno entre vós, a fim de que possais cooperar comigo, para onde quer que eu tenha de ir.4 7 Porquanto, desta vez, não vos quero ver apenas de passagem; pelo contrário, anelo ficar algum tempo convosco, se o Senhor o p permitir. 8 Contudo, permanecerei em Éfeso até o Pentecoste; 9 porque se abriu para mim uma porta ampla e promissora; mas os inimigos são muitos.5

19 Cristo é a única possibilidade de vitória e vida eterna sobre o poder do pecado, a morte eterna a partir do sepulcro, e a condenação final e eterna pelo pecado, conforme a Lei (Rm 4.25). 20 O maior e melhor investimento do crente está em servir (ministrar) ao Senhor e à Igreja. Todos os esforços na adoração ao Senhor e na proclamação da Palavra ao mundo serão regiamente recompensados por Jesus Cristo em seu glorioso e iminente retorno (Mt 25.21 de acordo com Lc 19.17). Capítulo 16 1 Paulo responde a mais uma das questões levantadas pela igreja em Corinto (7.1; 8.1; 12.1) e organiza uma grande ação de levantamento de recursos, envolvendo as igrejas da Galácia e da Macedônia (2Co 8.1; 9.1-4; At 24.17), com o objetivo de socorrer a igreja em Jerusalém que estava padecendo por causa da forte crise que se abateu sobre Israel por volta do ano 45 d.C., e devido às constantes perseguições aos crentes, especialmente em Jerusalém (Rm 15.26; At 11.28; 8.1; Hb 10.32; 1Ts 2.14). 2 Paulo faz a primeira referência ao fato de que as reuniões da igreja cristã já estavam ocorrendo costumeiramente aos domingos, em homenagem e celebração ao “Dia do Senhor”, o dia da semana em que Jesus Cristo ressuscitou (Ap 20.7 e 1.10; Lc 24.1-6). As ofertas eram recolhidas durante os cultos, como uma forma de adoração ao Senhor. Todos deviam contribuir, de forma espontânea e regular, cada qual à medida do seu ganho semanal. Justino Mártir, um dos chamados “pais da Igreja”, relata que em sua época (150 d.C.) era tradicional os crentes trazerem seus dízimos e ofertas, todos os domingos, a fim de cooperarem com a obra do Senhor. 3 Paulo e os demais apóstolos sempre se preocuparam com a transparência na prestação de contas e responsabilidade financeira das igrejas como demonstração de bom testemunho. Por isso, determinou que o dinheiro arrecadado não fosse tocado. A igreja deveria separar alguns homens de confiança que teriam como desafio missionário a tarefa de servir ao Senhor como auditores e guardiães dos recursos doados pelos coríntios (2Co 8.16-21). Os nomes de alguns dessa comitiva estão registrados em At 20.3-6. 4 Paulo, apesar de fazer todo o possível para não ser um peso financeiro para ninguém (9.1-12), contava com a ajuda dos irmãos para prover suas viagens e obras missionárias. No inverno mediterrâneo (novembro a março), era praticamente impossível navegar (At 27.9-12). Em At 20.2-16 temos o registro de como esses planos se realizaram. 5 Paulo escreve sua primeira carta aos coríntios em Éfeso, onde estava. Desejava subir até à Macedônia e visitar os filipenses e outras igrejas ao norte da Grécia, para então passar um bom tempo ensinando e fortalecendo a fé da igreja em Corinto. Pensou primeiro em ir direto para Corinto, mas mudou de idéia (2Co 1.12 – 2.4). Pentecoste significa o qüinquagésimo dia do Pentecostes, ao passo que “pentecostes” tem a ver com os 50 dias de celebração da Festa das Primícias (Lv 23.10-16), as sete semanas após a Páscoa. A “porta aberta” era uma expressão conhecida entre os cristãos, e tinha a ver com “alguma oportunidade concedida por Deus para serví-lo diretamente ou ao seu Reino”. Os “inimigos ou adversários” se referem aos artífices pagãos que produziam miniaturas de prata do templo da deusa Ártemis e o grande número de pessoas pobres e incultas que depositavam fé nesses amuletos (At 19.23-34).


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Caso Timóteo chegue, tomai providências para que ele não tenha nada que recear entre vós, pois ele trabalha na obra do Senhor, assim como eu.6 11 Portanto, ninguém o despreze. Mas ajudai-o a prosseguir viagem em paz, a fim de que ele possa retornar até mim, pois o estou esperando juntamente com os irmãos. 12 Quanto ao irmão Apolo, insisti que fosse com os irmãos para vos visitar. Todavia, ele não quis ir agora de modo algum. Irá, porém, assim que tiver uma boa oportunidade. 13 Vigiai, permanecei firmes na fé, portai-vos corajosamente, sede fortes! 14 Fazei tudo com grande amor fraternal. 15 Irmãos, sabeis que os da família de Estéfanas representam os primeiros frutos da Acaia; eles têm se dedicado ao ministério dos santos; portanto, suplico-vos agora 16 que também vos sujeiteis aos que são como eles, assim como a todo que coopera e ministra na obra. 10

34 17 Alegro-me com a vinda de Estéfanas, Fortunato e Acaico; pois eles supriram o que me faltava da vossa parte. 18 Porque revigoraram o meu espírito assim como o vosso. Homens como eles são dignos de todo o vosso reconhecimento.7

Saudações ç e a bênção ç final 19 As igrejas g j da província p da Ásia vos enviam saudações. Áquila e Priscila vos cumprimentam fraternalmente no Senhor, assim como a igreja que se reúne na casa deles.8 20 Todos os irmãos daqui vos saúdam! Cumprimentai-vos uns aos outros com o costumeiro beijo santo!9 21 Eu, Paulo, escrevi esta saudação de próprio punho.10 22 Se alguém não ama o Senhor, seja amaldiçoado. Agora, pois, Marana tha!11 23 A graça do Senhor Jesus seja convosco. 24 Recebam o amor que tenho por todos vós em Cristo Jesus. Amém!12

6 Paulo envia Timóteo e Erasto, dois irmãos e missionários em quem muito confiava, à Macedônia (At 19.22) e depois a Corinto. Todavia, Timóteo era adolescente e um tanto tímido, apesar de muito firme em Cristo, e Paulo zelava para que a igreja o acolhesse com respeito e carinho fraterno (1Co 4.17; 1Tm 4.12; 2Tm 1.7). Erasto era crente de Corinto e administrador da cidade (Rm 16.23; At 19.22). A segunda carta de Paulo aos coríntios revela que a situação na igreja havia piorado. Tito conseguiu resolver parte dos principais problemas, e preparar o caminho para a chegada de Paulo (2Co 1.15-23; 2.1-12; 8.16). 7 Estéfanas, Fortunato e Acaia levaram a carta dos coríntios ao apóstolo (7.1), buscaram seus conselhos e supriram parte do carinho e da comunhão que Paulo ansiava ter com toda a igreja. A atitude espiritual e sacrificial desses irmãos aliviou o coração aflito de Paulo em relação às muitas dificuldades e pecados entre os crentes de Corinto. 8 Paulo se refere às comunidades cristãs situadas nas províncias romanas na Ásia (atualmente a região onde se localiza a Turquia ocidental) em que estavam Éfeso e várias cidades menores ao redor (At 19.10). Durante a vida ministerial de Paulo, todas as pessoas ao longo da província e cercanias ouviram o Evangelho. As igrejas de Colossos, Laodicéia e Hierápolis também estavam incluídas nessa saudação do apóstolo (Cl 4.13-16; Ap 1.11; 2 e 3). Áquila e Priscila (variante do nome grego Prisca) haviam ajudado Paulo a iniciar a igreja em Corinto (At 18.1-4) e o acompanharam até Éfeso onde estavam começando outra igreja em casa, como era comum nesse período da igreja primitiva (At 18.18-19; Rm 16.3-5; Fm 2). 9 O beijo público na face, em sinal de submissão respeitosa e amor fraternal, era um antigo costume oriental cultivado nas sinagogas e preservado pela igreja primitiva. 10 Paulo, como costume da época e entre os apóstolos, servia-se da assistência de um amanuense (pessoa que se dedicava a arte de escrever) para quem narrava muitas de suas cartas. A saudação, entretanto, o apóstolo faz questão de fazer de próprio punho a fim de mostrar seu carinho especial pelos irmãos de Corinto (Cl 4.18; Fm 19; 2Ts 3.17; Rm 16.22). 11 Paulo é claro em alertar para o fato de que aquela pessoa que se mantém deliberadamente contra o Evangelho deve ser deixado por sua própria conta e risco, a fim de que experimente o que significa viver afastado da comunhão de Deus, prove do desagrado do Pai e venha a se arrepender (Lc 15.11-32; Jo 3.36; Gl 1.8-9). Ao final da carta, Paulo suspira uma expressão em aramaico (Marana tha – Maranata), que significa “Vem Senhor”, e tornou-se uma expressão de clamor muito conhecida entre os cristãos da igreja primitiva, ao suplicar a Deus para que se abreviasse a gloriosa volta de Jesus Cristo. 12 Paulo encerra suas palavras escritas com sua tradicional bênção apostólica (Gl 6.18; Ef 6.24; Fp 4.23), uma simplificação da bênção trinitária dispensada na segunda carta aos coríntios (2Co 13.14). Paulo foi firme e amoroso, como todo bom pai deve ser, sempre disposto a corrigir, perdoar e regozijar-se com seus filhos na graça de Jesus Cristo, nosso Senhor.

007 Corintios 1º  
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