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Edição 899

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Diário da Cuesta

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br

Rosa Nepomuceno

Jornalista e escritora botucatuense, Rosa marcou sua passagem com uma vida dedicada à cultura brasileira. Com Botucatu, manteve sempre uma relação afetiva, valorizando seus familiares e amigos e foi a jornalista responsável pelo moderno JORNAL DE BOTUCATU que surgia em nossa cidade no ano de 1980, continuando até o encerramento do jornal em 2005...

Em 2008, foi homenageada pela ABL – Academia Botucatuense de Letras, em cerimonia presidida pela Acadêmica Carmem Silvia Martin Guimarães, sendo empossada como Membro Correspondente da ABL. Na ocasião recebeu Moção de Aplauso aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal

Surgiu inspirado no JORNAL DA TARDE, do Grupo Estado, trazendo o progresso para Botucatu: da impressão manual no tipo para a linotipia com poderosas impressoras...

ANO III Nº 899 SÁBADO E DOMINGO , 23 E 34 DE SETEMBRO DE 2023
Livro referencial no estudo da Música Raiz, a obra de Rosa é emblemática.

Homenagem a Rosa, querida irmã

ISABEL CINTRA NEPOMUCENO

Rosa, Rosica, Ró, irmã, mamãe, amada, vovó, amiga, querida, sogra, companheira...

Pela quantidade de chamativos dá para percebermos a extensão de sua Luz em nossas vidas.

Como o Arcanjo Miguel, empunhava sua espada para defender o que lhe parecia de mais importante em sua vida. Guerreira, sempre, travava há muito tempo momentos incessantes de combate, em defesa da louca vontade de viver, e viver bem, com prazer, risos, sugestões, exigências, orientações. E todas as suas vontades vinham banhadas de carinho, de cuidados, de prazer em poder oferecer o melhor que brotava em sua mente aguçada, ao mesmo tempo que em seu coração quente, de ternura e dedicação.

Hoje sua espada repousa em algum canto silencioso de sua existência.

Trocou-a pelas flores que hoje adornam suas mãos, flores estas que ela mesma cultivou, vivenciando cada etapa de semeadura, cultivo, regas constantes e, finalmente, de contemplação do objetivo atingido: a floração, o maravilhamento de formas e contornos, de cores e perfumes que se espargem pelo ar! E sendo uma rosa, Rosa só poderia partir de seu canteiro terreno espargindo pelo ar seu aroma em forma de lembranças, essas que neste instante brotam no coração de cada um de nós.

Vai, querida flor!

Seu canteiro agora é outro, o das Rosas Perfeitas, que nós ainda não podemos alcançar.

Vai e deixa no ar o aroma desse perfume que hoje chamamos de Saudade.

Vai, querida flor, mas leva consigo o nosso Eterno Amor!

13/setembro/2023

EXPEDIENTE

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

Contato@diariodacuesta com br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

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O Diário da Cuesta não se por ideias

Diário da Cuesta

“Música Caipira, da Roça ao Rodeio”

Lançamento a nível nacional, por importante editora, da botucatuense Rosa Nepomuceno. Morando há alguns anos fora de Botucatu, nem por isso Rosa tem deixado de cultivar as suas raízes em sua cidade.

Particularmente, para nós que fomos contemporâneos da autora, a sua presença tem permanecido sempre lembrada. No início dos anos 80 quando fundamos o Jornal de Botucatu, um bem estruturado bi-semanário informativo, fomos à procura de Rosa Nepomuceno para que fosse a jornalista responsável pela nova publicação que surgia. Prontamente houve a sua concordância, o que revela o grau de confiança que ela nos dedicava, eis que estando no Rio de Janeiro, assumia a responsabilidade pelo jornal. Até hoje, Rosa é a jornalista responsável por esse jornal. À época, rbanoid em nossa equipe o Francisco de Assis Cintra Nepomuceno, irmão de Rosa, como redator do jornal e como cronista.

De tradicional família botucatuense, Rosa já muito cedo demonstrava o seu pique e garra ao realizar um sonho familiar – especialmente de seu querido avô Raimundo Marcolino da Luz Cintra -, da publicação do seu romance

“Até as Pedras se Encontram”, no início dos anos 70.

Pertencente à coleção Todos os Cantos, da Editora 34, o livro de Rosa representa um indiscutível marco na literatura brasileira.

O consagrado escritor Ignácio de Loyola Brandão, em crítica literária publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, de 12/12/99, desenha com clareza toda a grandiosidade dessa obra:

“Música Caipira, da Roça ao Rodeio”, (Editora 34, 439 págs , R$ 33) é muito mais que um livro que pretende levantar uma trajetória (polêmica) da música que mais representa o Brasil. É um quase romance, cheio de casos e curiosidades (quantos sabem que o nome da dupla Chitãozinho e Xororó nasceu do título de um sucesso de 1947, composto por Serrinha e Athos Campos? ), que funciona como uma enciclopédia das transformações que o país sofreu, das mudanças exigidas quase sob pressão, da deformação de um gênero musical ou de sua adaptação a uma modernidade gelatinosa. No caso da música caipira, Rosa Nepomuceno pergunta: o que é ser moderno? Vale a pena? Que parâmetros regem esse modernismo? As imagens focam e desfocam. Os reis da música sertaneja ( não pronuncie perto deles a expressão música caipira) vestem Armani e Ralph Lauren, usam chapéu americano, botas de pele de avestruz. No entanto, Rosa, uma das melhores jornalistas da atualidade, nascida em Botucatu e trabalhando hoje na imprensa carioca, que fez extensíssima pesquisa e tem o texto enxuto, bem humorado, não se deixa levar nem por saudosismos, nem por ortodoxias. Porque falar de música caipira, música da roça ou música sertaneja é navegar num mar de contradições, de incoerências, discussões, de (às vezes) ressentimentos e conceitos que mudaram muito ao longo de um século.

Raízes

- Este livro-enciclopédia, que pode ser lido como se fosse estruturado por meio de verbetes, cobre cem anos, ou mais. Ele procura raízes e mostra como essas raízes se perderam ou ficaram de tal maneira enterradas que quase não são vistas mais. De pai para filho, os violeiros perpetuaram sua habilidade. A viola ainda está aí, tocada, e muito. Essa viola de boa madeira, com cinco pares de cordas duplas, de arame, som meio frouxo teve serventia. Ainda tem, só que essa não é bafejada por spotlights, mesmo aparecendo nos arrasta-pés, nos bailes de fins de colheita, nas Folias de

Reis, nas comemorações religiosas e familiares, no interior de São Paulo, no Pantanal, na divisa com o Paraguai, no centro oeste, em Minas Gerais Será que a modernidade não acabou trazendo sangue novo a uma velha cultura? Será que essa modernidade, acusada de mercantilista, não fez renascer o gosto por um Brasil bucólico e lírico que ainda está dentro da gente e que não gostaríamos de perder? Será que essa viola transformada e eletronificada não ajudou a fazer uma crítica à vida urbana que, com sua agressividade e violência, vem matando aquilo que era a alma do brasileiro, o calor da convivência humana? Rosa Nepomuceno não se deixa apanhar na armadilha fácil da crítica primária Ela expõe os dois lados, questiona, indaga, pressiona. Não dá razão a um nem a outro, corre no fio da navalha.

Quem imaginaria, pergunta Rosa, que essa música iria parar um dia nos apartamentos da classe média urbana, aos ouvidos de jovens acostumados aos Beatles, Tom Jobim, Chico Buarque, João Gilberto? Ela percorre uma gama de misturas e influências que mescla Caetano, os irmãos Campos, Adoniram Barbosa, Renato Teixeira (que fez a música se desenvolver altamente), Geraldo Vandré e dezenas de outros. Foi a partir deles que se iniciou uma viagem de volta? No liquidificador se misturam berrantes (alguns amplificados por equipamentos Fender Twin, Jazz Chorus 120 ou Yamaha), Internets, sina errante do caboclo (mas que caboclo é esse que tem automóvel e televisão, assiste a Globo e quase não fuma mais cigarro com fumo de corda?) e som amplificado...

O livro de Rosa Nepomuceno como bem destacou o crítico literário, deverá polemizar. E isso no bom sentido! Polemizar para que se busque um rumo novo para essa música rica e representativa da brasilidade.

Em declaração exclusiva à coluna do João Bosco, no jornal “Diário da Serra”, de 15/16 de janeiro de 2.000, Rosa mandou seu recado a Botucatu, falando de seu livro:

“Foram 30 anos longe de Botucatu. Saí da cidade aos 19, em 1969. Passei um tempo na Bahia, atrás da mágica de Jorge Amado, com quem me correspondia desde os 15 anos; depois, por curto período, morei em São Paulo, me fixando em seguida no Rio de Janeiro. Aqui há 25 anos, instalada de frente para o Jardim Botânico, uma das áreas verdes mais bonitas da cidade, tento conciliar a vida rbanoide com meu lado interiorano, apreciador da natureza e de uma certa tranquilidade.

Escrever “Música Caipira, da Roça ao Rodeio”, a convite da Editora 34, de São Paulo, foi como retomar o caminho de casa, às origens familiares, às vivências na cidade, à música e personagens que marcaram a cultura interiorana paulista. Foram 16 meses de pesquisas, entrevistas e viagens. Embora não tenha ido a Botucatu, pude me reencontrar com a cidade através dos contatos com meus tios Ray e Rivaldo Cintra, que me municiaram com informações, com familiares de Plínio Paganini, com a Secretaria da Cultura, com o próprio Tinoco – da dupla Tonico e Tinoco, que nasceu em uma fazenda nos arredores – e com a viúva de Raul Tôrres, outro grande artista botucatuense.

Os livros também me transportaram para as histórias de BOTUCATU, como os de FRANCISCO MARINS, HERNÂNI DONATO, ARMANDO DELMANTO e PAULO FREIRE, e ainda os trabalhos dedicados a ANGELINO DE OLIVEIRA, como o organizado por GASTÃO DAL FARRA Se meu trabalho abrangeu a ampla geografia do universo musical caipira, no centro-sul e centro-oeste do país, MINHA CIDADE FUNCIONOU COMO O CORAÇÃO DO LIVRO, me oferecendo subsídios saborosos para enriquecer a narrativa. Com muitas

fotos, mapas, discografias, letras de música e até receita de feijão tropeiro, tenho certeza de que ele tocará a emoção dos conterrâneos. Agradeço ao amigo de longa data JOÃO BOSCO por este espaço precioso, mandando a todos um beijo carinhoso e em especial aos amigos da GENERAL TELES, do INSTITUTO CARDOSO DE ALMEIDA, do COLÉGIO SANTA MARCELINA, do footing no BOSQUE, das matinês do CASINO, dos bailes do 24 DE MAIO. Saudades!”

Fica a certeza de que Rosa Cintra Nepomuceno marcou um grande tento literário. Valorizou a cultura botucatuense, valorizou a tradição cultural de sua família e encheu de orgulho seus conterrâneos!

Valeu! Parabéns, Rosa! (AMD).

Rosa Cintra Nepomuceno, Editora 34, 438 págs., 1999. (Revista PEABIRU, nº 18, de janeiro/fevereiro de 2000)
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LEITURA DINÂMICA

- Com o jornal alternativo “Vanguarda de Botucatu” (1970), o processo gráfico de composição das matérias era através da tipografia, compondo letra a letra com os respectivos tipos. A destreza dos gráficos era impressionante e, pinçando os tipos, as palavras, as frases e o texto iam surgindo nas chapas que seriam, ao depois, impressas. Já com o “Jornal de Botucatu” (1980), a composição era feita em linotipo, representando um avanço tecnológico muito grande. Aos poucos, com a popularização da off-set, a feitura de jornais passou a ser mais fácil e mais rápida. Era a democratização chegando na mídia imprensa.

O linotipo: não dá para quem não conheceu imaginar o que eram aquelas máquinas gigantescas, o chumbo quente derretido para a composição das “linhas” do texto, e a impressão com todo aquele material pesado e graxa pra todo lado...Hoje é “facinho” fazer jornal. Houve, sem dúvida nenhuma, a democratização da comunicação

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