Por recomendação do Ministério da Saúde, Botucatu vai antecipar para o dia 18 de janeiro (domingo) o início da vacinação contra a dengue. A ação ocorrerá de forma simultânea nos municípios-piloto selecionados pelo Governo Federal e reforça a estratégia nacional de prevenção diante do risco de avanço da doença.
Botucatu está entre os poucos municípios brasileiros escolhidos para receber a vacinação de forma ampliada, contemplando toda a população de 15 a 59 anos. Em outras cidades do país, a imunização ocorre de maneira escalonada e voltada a públicos prioritários.
A vacina utilizada será o primeiro imunizante de dose única contra a dengue no mundo, com produção 100% nacional e distribuição exclusiva pelo Sistema Único de Saúde. Estudos indicam 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática e 89% de proteção contra formas graves, com cobertura contra os
Botucatu antecipa vacinação contra a dengue para 18 de janeiro
Município é um dos poucos do país escolhidos para imunização ampliada de pessoas entre 15 e 59 anos, com vacina inédita de dose única pelo SUS.
quatro sorotipos da doença.
A escolha de Botucatu como polo da estratégia nacional considera o histórico positivo do município em campanhas anteriores, como a vacinação contra a Covid-19, que teve impacto direto na redução de casos. O cenário atual, com risco de circulação dos sorotipos 2, 3 e 4, torna a medida ainda mais estratégica.
Para receber a vacina, é necessário manter o cadastro atualizado na Unidade de Saúde de referência e apresentar documento com foto, CPF, Cartão SUS e comprovante de endereço. Adolescentes de 10 a 14 anos seguem com a vacinação disponível regularmente nas Unidades de Saúde.
A Prefeitura de Botucatu irá divulgar nos próximos dias a organização da imunização em massa e o cronograma completo da ação. (Acontece Botucatu)
Segundo Ives Gandra, os eventos de 8 de janeiro não configuraram um golpe de Estado, mas sim uma “baderna” ou protesto desarmado, impossível de ser um golpe, pois golpes exigem armas; ele defende anistia para os envolvidos e vê o suposto plano de atentado como “absurdo” e “irreal”, sendo favorável a punir os participantes como baderneiros, não golpistas. Ele criticou a condução do STF e o tratamento dado aos atos, insistindo que não houve uso de armas e que militares não estariam envolvidos em um plano de derrubada, descrevendo o ocorrido como uma manifestação sem capacidade de golpe. Página 2
Ives Gandra rebate alegação de que se tentou um golpe de Estado no 8/1 de 2023
Por Guilherme Grandi
O jurista Ives Gandra Martins rebateu nesta segunda (8) as alegações de que os atos de 8 de janeiro de 2023 foram uma tentativa de golpe de Estado, afirmando que o movimento não passou de uma “manifestação política irracional” que culminou em distúrbios injustificáveis. Destacando a ausência de armas entre os manifestantes, ele afirmou que a execução de um golpe seria rigorosamente impossível naquele contexto.
Martins diz estar convicto de que as Forças Armadas não participariam de um golpe de Estado, salientando sua familiaridade com a mentalidade militar. Ele ressaltou que suas aulas para coronéis, que se tornariam generais, evidenciaram a postura constitucional das Forças Armadas, descartando a possibilidade de apoio a um golpe.
“Tendo em vista que, muitas vezes, civis estavam às portas dos quartéis exigindo uma atuação por parte dos militares, todas as Forças Armadas, com tranquilidade, respeitaram a opinião, mas não tomaram medida nenhuma contra a ordem pública. Eu mesmo dizia, desde agosto de 2022, que não haveria a menor possibilidade de golpe porque as Forças Armadas não participariam nunca de um golpe de Estado”, disse em um artigo enviado à imprensa.
O jurista comparou o cenário brasileiro com casos de golpes de Estado na África, destacando a presença de forças armadas e tanques nesses eventos, algo ausente no episódio de janeiro de 2023 no Brasil. Ele enfatizou que um grupo desarmado de civis não teria
força para ameaçar a democracia, especialmente sem o apoio das Forças Armadas.
“Não tinham nenhuma arma. Encontraram uma faca com um deles, mas não havia nenhuma movimentação militar que pudesse justificar um movimento golpista”, completou.
Ives Gandra Martins afirmou estar convencido, ainda, de que ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nunca pretendeu dar um golpe, e que, se pretendesse, “não teria conseguido apoio nenhum das Forças Armadas, cujos generais, 90%, pelo menos os generais daquela época, de 1990 a 2022, tiveram que suportar as minhas aulas e eu conhecia sua maneira de pensar”.
Martins expressou preocupação com a classificação dos envolvidos como golpistas, defendendo que a punição deveria ser direcionada aos atos de baderna, não como participantes de uma tentativa de golpe. Ele argumentou que a ausência de armas torna impossível um golpe de Estado, e que a aplicação de penas violentas, como os 17 anos de reclusão impostos, é inadequada.Ao mencionar o primeiro ano dos atos, Martins antecipou uma avaliação histórica futura, prevendo que historiadores analisarão os fatos, não as narrativas, e questionarão a interpretação equivocada dos eventos de janeiro de 2023.
Ele concluiu destacando a improbabilidade de um golpe de Estado sem armas e sem o respaldo das Forças Armadas, caracterizando os envolvidos como promotores de desordem, não golpistas. (GAZETA DO POVO)
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DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO
Gomes
FALAR BEM
BAHIGE FADEL
Vira e mexe, ouço alguém dizendo para outra pessoa, no momento em que me aproximo: “Tome cuidado com o que vai falar; ele é professor de português.’ E eu penso: Caramba! Devem pensar que eu sou um monstro pronto para devorar alguém que venha a cometer um erro de língua portuguesa. Ledo engano. Não sou assim. Não fico corrigindo as pessoas num bate-papo ou num supermercado. Não corrijo. A não ser que me peçam ou que a fala prejudique a compreensão do conteúdo. Caso contrário, fico na minha. A não ser que a intimidade que tenho com alguém me permita essa liberdade.
Vamos explicar algumas coisas. A linguagem, isto é, o uso da língua, tem várias funções. Vou me ater a duas delas apenas: a referencial ou denotativa, que visa a informar, e a poética, que visa à beleza na forma de transmitir uma mensagem. A pessoa estará falando bem quando conseguir unir essas duas funções, ou seja, transmite uma mensagem com clareza e de forma agradável. Eu sei que beleza é algo relativo. Quando explicava a relatividade da beleza aos meus alunos, invariavelmente, dava dois exemplos: um de Vinícius de Moares:
‘Eu sem você não tenho por quê
Porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar...’
Outro de Valdick Soriano:
‘Eu não sou cachorro, não
Pra viver tão humilhado
Eu não sou cachorro, não
Para ser tão desprezado...’
A língua de ambas as músicas é a portuguesa, mas cada autor escolheu um tipo de linguagem para transmitir a ideia do que sentia com a separação. A função referencial está satisfeita em ambas as composições. Já a função poética... Eu prefiro a de Vinícius.
Eu tendo a aceitar todos os tipos de linguagem, desde que não machuquem ou magoem a língua portuguesa. Guimarães Rosa usou uma linguagem diferente da de Olavo Bilac.
“O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia” (Guimarães Rosa)
“Última flor do lácio, inculta e bela
És, a um tempo, esplendor e sepultura
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela,” (Olavo Bilac)
O que machuca a língua portuguesa são certos vícios, como o de um diretor de escola que conheci, aqui em Botucatu. Ele dizia para os alunos: ‘Mais respeito e menas confiança.’ E os alunos riam. Ou aquele locutor de rádio: ‘Houveram várias prisões.’ E olhe que já expliquei para esse bom locutor que o verbo haver, com o sentido de existir, ocorrer, é impessoal e, por isso, não tem sujeito. Deve ficar na terceira pessoa do singular: Houve várias prisões. Se trocar por ocorrer, muda de figura. O que era objeto direto com o verbo haver vira sujeito com o verbo ocorrer. Daí, o verbo concorda com o sujeito: Ocorreram várias prisões.
Pois é, falar bem não é falar chique. Falar bem é respeitar as funções da linguagem, sem magoar a língua. É só ter um pouco de cuidado.
“O leitor”
MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA
Logo após conhecer as letras, sob os olhos pacientes da D. Geny, minha diligente professora do primeiro ano, lá no Raphael de Moura Campos.
Vi-me certo dia na frente ao mercadinho onde minha mãe fazia compras, lendo o nome da placa ali na frente.
Peguei na mão da minha mãe que estava mais preocupada em atravessar e rua em segurança e mostrei a placa quase gritando para que ela finalmente percebesse que eu tinha aprendido a ler.
Tinha um orgulho tão grande porque achava que era uma proeza sem par.
A cartilha do Be-a-bá tinha funcioncionado.
A partir desse momento lia desde rótulos de remédios, livros infantis que vinham com desenhos, e... fui lendo vida afora principalmente aqueles autores que me encantaram.
Romances, contos, crônicas, poesias...
Chegava a decorar os trechos que mais me tocavam o coração e a mente.
Se quisesse me encontrar era num cantinho quieto sentada num degrau da escada que levava ao quarto de uma edicula que nunca tinha sido terminada.
Saia de férias e na mala pesava um exemplar de “E o vento levou”.
Ia para a praia e o livro ia dentro da sacola.
Vivia no mundo do faz de conta.
Viajei muito no balão azul da imaginação.
Chegou o computador, a Internet e continuamos a ler.
Comprei o primeiro iPhone e mergulhei nas redes sociais.
O velho encanto de entrar numa livraria e acariciar as ca-
pas de novos exemplares ainda é um prazer que vive entranhado em mim.
Agora que também escrevo as vezes releio algumas minhas velhas estórias e me comovo, revivendo o momento.
Nada supera o cheiro e o toque de um livro novo.
Sigo pela vida elegendo novos autores prediletos, nunca depreciando os meus velhos amores.
Ontem vi uma amiga querida ganhar um livro de presente.
Foi mágico ver o prazer em seu semblante e o brilho dos seus olhos, as mãos que seguravam o livro com aquele mesmo amor que reconheci.
Folheou as páginas curiosa.
Prendendo-se a cada pequeno detalhe.
Já antevia o momento de começar a le-lo.
Hoje leio muita coisa pelo celular, quase que o dia todo, também escrevo e publico.
Foi emocionante ver o primeiro exemplar do meu próprio livro lançado.
Mas nada supera ver os comentários sobre minhas estórias.