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Diário da Cuesta

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Adeodato Faconti

1º - (Pontremoli) Adeodato Facontti nasceu em Pontremoli em 28 de fevereiro de 1877. Ali viveu os primeiros 30 anos, era um intelectual autodidata. Lá escreveu seus 4 primeiros livros, lá conheceu e se apaixonou por Leonilda Varoli; 2º - (New York) Adeodato Faconti foi para New York, em julho de 1907, onde já morava seu irmão Gio Battista Fa-

“...

conti, onde ficou até março de 1908; 3º - (Botucatu) Em 1908, Adeodato Faconti chega a Botucatu, para aquela que seria “...a maior aventura de minha vida...”, casa-se com Leonilda Varoli e torna-se membro ativo da cidade que passou a ser, para o resto de sua vida, a sua morada...

a maior aventura da minha vida...”

Todos os anos, Alessio Varoli, industrial bem sucedido e Consul Honorário da Itália em Botucatu, passava as férias com sua família em sua cidade natal: Pontremoli. Lá começou o romance entre Adeodato Faconti e Leonilda Varoli. Entre 1905 e 1907 os dois namoravam e, a partir de 1907, passaram a namorar por cartões postais... Ele na Itália e América (New York), ela em Botucatu. Em 1908 começa “... a maior aventura da minha vida...”: Cruzando mares e enfrentando as distâncias continentais, se casam e são felizes com a família que contruiram... 3 tempos de

ADEODATO FACONTI & LEONILDA VAROLI

Focalizando a Família Varoli nestes últimos capítulos, para terminar, hoje, vou falar sobre o casal Leonilda Varoli e Adeodato Faconti.

Como já foi dito, dona Leonilda Varoli era filha de Aleixo Varoli Moça de rara formosura e aprimorada educação, em viagem pela Europa, a passeio, conheceu o moço Adeodato Faconti, que era de Pontremoli, terra de Aleixo Varoli. E com ele, em 1908, veio a se casar, em Botucatu. Desse casamento nasceram os filhos: Oberdã, jornalista em Santos; Raul Tigrani, eletro-técnico, residente em Santos; Antonio, representante comercial, residente em Londrina ( Paraná ); Eduardo, eletro-técnico, residente em Botucatu, e a Professora Mirian Ana Prófuga Faconti, viúva do médico Dr. Grazielo de Noronha, residente com os filhos na cidade de Avaré. Dona Leonilda faleceu há tempo e o Sr. Faconti reside em Botucatu, em companhia do filho Eduardo.

Adeodato Faconti, nascido em Pontremoli ( Massa-Carrara ) aos 28 de fevereiro de 1877, fez seus estudos clássicos naquela cidade italiana. Tornou-se senhor de grande cultura. E dedicou-se ao jornalismo, tanto na Itália como na América do Norte, onde residiu com o irmão Batista, na cidade de Nova York, de 1905 a 1907. Veio, depois para o Brasil, e em Botucatu, casou-se com dona Leonilda. Sem deixar suas atividades literárias, foi industrial e fazendeiro. Era um dos líderes da Colônia Italiana, onde, pela sua combatividade, pela palavra falada ou escrita, exercia intensas atividades. Integrado plenamente na coletividade brasileira, e porque as leis de então o permitiam, militou intensamente na política local. Era do PRP, da facção Cardosista. Foi Vereador à Câmara Municipal local, de 1923 a 1928. Depois da Revolução de 1930, afastou-se das atividades políticas. Mas, seu trabalho literário continuou, projetando o nome de Botucatu intelectual lá fora, como se verá pela relação de sua bagagem literária abaixo publicada. Em 1965, num aplaudido gesto da Câmara Municipal e da Prefeitura Municipal de Botucatu, o Sr. Adeodato Faconti recebeu o titulo de “Cidadão Botucatuense”. Honra ao Mérito, foi o ato dos poderes públicos locais, considerando-o Botucatuense “AD HONOREM”, pelos relevantes serviços prestados à cidade e ao povo, em sessenta anos de dedicação e trabalhos, em prol do berço de seus filhos.

Adeodato Faconti, aos 94 anos de idade, continua em plena e pujan-

te produção intelectual. Agora mesmo, lançou à luz da publicidade um interessante trabalho, - “O Último Passeio de Jesus Cristo Sobre a Terra” escrito em janeiro de 1971.

Sua bagagem literária, compreende duas fases: na Itália, até 1905, e no Brasil, de 1908, até agora São obras em italiano e em português Compreende romances, ensaios e memórias Dramaturgo, produziu belas peças teatrais Como exemplo, posso citar o drama “Sangue Brasiliano”, que depois de representado em Botucatu, foi levado à cena no Teatro Sant’Anna, em São Paulo, com grande sucesso

OBRAS DE ADEODATO FACONTI

“Os Proletários” – ensaio, Florença, 1899

“Roma Neroniana” – páginas históricas – Florença – 1899

“Antes de Maciovic” – episódio épico polonês – Florença – 1902.

“Mirta Flavien” – romance, com prefácio de Henrique Sienkiewtiz, autor do “Quo Vadis” – Florença – 1905

“Aurora de Paz” – alegoria histórica, peça em um ato.

“O Capelão da Camisa Vermelha” ou um ensaio do Hino de Garibaldi, peça em dois atos.

“O Leproso” – drama em cinco atos.

“Sangue Brasileiro” – drama em dois atos.

“O Sino de XX de Setembro” – comédia espírita, em dois atos.

“Miséria e Honestidade” – comédia em um ato.

“O Soldado Desconhecido” peça em um ato.

“Os Mardocheos” – comédia satírica em cinco atos.

“Amor e Morte” – drama em um ato.

“A Marcha dos Mortos em Botucatu” ( narração macabra )

“Os Italianos no Brasil” – memórias de outros tempos –Trilogia : Anita Ribeiro Garibaldi, A Retirada da laguna e o Contrabandista.

Comemoração da Festa do XX de Setembro, feita pelos italianos e brasileiros mortos, no cemitério de Botucatu.

“Remexendo os Meus Rascunhos” –1965 – memórias.

Neste último trabalho há uma dedicatória, que vale a pena transcrever: - “Ao Dr. Dante Delmanto, jurisconsulto insigne que, desde o inicio de sua carreira às lisonjeiras ofertas de uma política desonesta, preferiu, para atenuar o rigor da justiça, intervir com o recurso de sua inteligência e com o fascínio de sua palavra fecunda, em favor das vítimas das humanas paixões, a fim de não lhes esvaecer a esperança de poder ressurgir numa vida nova no meio do consórcio civil (Fonte: Família Varoli)

LEMBRANDO O AVÔ CARIOCA

Mário Rodrigues Torres, meu avô materno, era natural do Rio de Janeiro.

Sobrinho-neto de Joaquim José Rodrigues Torres, Visconde de Itaboraí, duas vezes primeiro-ministro durante o reinado de D. Pedro II, seu pai possuía uma loja de louças e cristais na rua Visconde de Pirajá, em Copacabana.

Estudante de direito, veio certa vez a Botucatu, no interior paulista, na companhia de um amigo cuja família tinha uma fazenda no município.

Apaixonou-se pela mais bela moça da cidade, Eulalina Amaral Campos, que acabara de se graduar como normalista e se tornaria professora de várias gerações. Correspondido por ela, depois de formado, voltou à cidade.

Acolhido pelo avô materno da jovem, Coronel Raphael Augusto de Moura Campos, importante líder político local, casou-se e lá constituiu numerosa família.

Só regressou à sua cidade natal pouquíssimas vezes, como quando defendeu revoltosos derrotados em 1924, durante o Governo Arthur Bernardes.

Tornou-se advogado conceituado na região e destacada figura política, tendo sido prefeito durante a Revolução de 30.

Quando a ditadura militar, em 64, aboliu os partidos políticos existentes, permitiu a criação de apenas dois novos: a Arena, governista, e o MDB, de oposição.

Enquanto seu filho mais velho Rubens, advogado renomado e vereador, passou a chefiar a Arena local, Mário, tornou-se presidente do MDB. O espírito democrático e conciliador que transmitira ao filho permitiu que ambos, embora em polos distintos, convivessem pacificamente dentro do maior respeito.

Tranquilo, bonachão e otimista, outras características marcantes de meu avô eram a bondade, a diplomacia e nunca deixar de dar esperança a quem o procurasse, por mais difícil que fosse o caso.

Defendeu gratuitamente inúmeras pessoas que não tinham recursos para lhe pagar, recebendo no final do ano um peru ou um peixe do rio Piracicaba.

Por outro lado, como advogado do maior construtor da cidade, seu amigo, não cobrava honorários. Este, em retribuição, construiu a ótima casa em que Mário moraria por muitos anos, também sem nada cobrar pelo material e mão de obra.

Quando foi procurador- chefe do município, o prefeito veio falar com Rubens, pedindo-lhe que convencesse o pai a se aposentar, pois, com seu grande coração, vinha prorrogando as dívidas de contribuintes em dificuldades, o que acabaria prejudicando a arrecadação municipal. Mário não aceitou o pedido e continuou no cargo até sua aposentadoria.

Alguns episódios que mostravam sua rica personalidade, ficaram gravados em minha memória:

A CARTA Minha mãe Cecília era uma das moças mais bonitas de Botucatu.

Jovens das cidades vizinhas vinham aos bailes locais para ver se conseguiam a chance de dançar com ela, que jamais repetia o mesmo vestido.

Certa ocasião, um jovem médico do Rio de Janeiro, que mais tarde se tornaria profissional famoso, visitando Botucatu, conheceu-a em um desses bailes, encantando-se com ela.

Depois de regressar ao Rio, escreveu a meu avô pedindo permissão para namorá-la. Consultando minha mãe, esta lhe disse que não tinha interesse no rapaz.

Meu avô escreveu, então, uma carta ao jovem explicando a recusa da filha.

Umas duas semanas após, o médico en-

viou ao meu avô um telegrama com os seguintes dizeres: “Recebi sua amável carta. Sigo Botucatu mês que vem para marcarmos noivado”.

Mário, não querendo magoar o moço, fôra tão diplomata que ele entendeu que sua proposta tinha sido aceita

Não só minha mãe, como o resto da família, entraram em pânico, obrigando meu avô a escrever-lhe uma nova carta, desta vez menos diplomática, esclarecendo o mal-entendido ...

O DISCURSO

No início da ditadura militar, o MDB, partido oposicionista, programou um comício em Botucatu. Meus jovens primos, todos contrários ao Golpe, queriam comparecer, mas foram proibidos pelos pais, preocupados que pudesse haver algum tumulto.

Desconsolados, no dia e hora aprazados, estavam todos com o ouvido no rádio. Foi quando o locutor anunciou: “Com a palavra o primeiro orador da noite: o advogado e ex-prefeito Mário Torres”.

Ouviram, então, a voz sonora e inconfundível do avô: “Povo de Botucatu ...”

Os netos foram todos ao êxtase e, em seu idealismo, se sentiram confortados ...

O FLAGRANTE

O escritório de Mário, com sua vasta biblioteca, ficava no subsolo da casa, coisa comum nas residências interioranas da época.

Uma tarde, voltando do Fórum, meu avô estava abaixado, com o pé em uma mesinha, amarrando o sapato, quando um antigo cliente surgiu esbaforido.

Travou-se, aí, o seguinte diálogo:

Cliente: “Dr. Mário, atirei numa pessoa!”

Dr. Mário, continuando a amarrar o sapato: “Alguém viu?”

Cliente: “Várias pessoas!”

Dr. Mário, ainda abaixado, sem parar de amarrar o sapato:

“Então, foge do flagrante e depois me procura ...”

O LIVRO

Com o passar dos anos, como costuma acontecer com muitos advogados, os clientes de meu avô diminuíram.

Mas ele não deixava de estar diariamente no escritório, mesmo que ninguém aparecesse.

Servia-lhe de secretário, na antessala, o primo Izalco Sardenberg, que se tornaria respeitado jornalista e um belíssimo, embora retardatário, poeta. Certa manhã, surge um novo cliente e Izalco entra na sala do avô ávido para dar-lhe a boa notícia, encontrando-o recostado na sua cadeira, tirando um bom cochilo.

Izalco, pergunta se pode fazer o cliente entrar. Mário diz-lhe que não e pede-lhe para pegar um livro da estante.

Izalco indaga: “qual livro?” e Mário responde: “qualquer um”

Pegando o livro, apruma-se na cadeira, abre-o e como se estivesse lendo, fala ao neto: “Agora, pode fazer o cliente entrar ...”

Em 1964, recebeu da Câmara Municipal o título de Cidadão Botucatuense.

Já idoso, mas continuando a advogar, muitas vezes de graça, meu avô ainda era visto subindo as escadas da cadeia local para visitar algum cliente preso...

LEITURA DINÂMICA

Tudo começou assim:

2–

As irmãs eram lindas e muito parecidas...

Com o casamento de suas 3 filhas, constituiu ampla família, com efetiva influência e destaque na sociedade local Seus genros, todos italianos, Francisco Botti (Francesco Botti Caffoni), Pedro Delmanto (Pietro Del Manto) e Adeodato Faconti Francisco Botti, casado com Albina Varoli, atuou no setor bancário e deu continuidade à atuação na cafeicultura do sogro, assumindo a sua grande propriedade rural. Botti chegou a ter seu próprio banco, o Banco Brasul (absorvido em meados da década de 1970 pelo Banco Itaú) em sociedade com a família Mellão, da vizinha cidade de São Manoel. Pedro Delmanto, casado com Maria Varoli, atuou no setor calçadista, possuindo Loja de Calçados, Fábrica de Calçados e o Curtume Bella Vista, especialmente montado para servir a Fábrica Delmanto Adeodato Faconti, casado com Leonilda Varoli, sucedeu ao sogro na Industria de Bebidas, além de atuar de forma expressiva como jornalista e escritor, tendo exercido a vereança em Botucatu.

também na cafeicultura, possuindo na região de Itu uma grande fazenda para a produção de café Na virada do século, conseguiu unificar as entidades representativas da Colônia Italiana em nossa cidade em histórica reunião realizada, em 1902, na casa de seu genro Francisco Botti, constituindo a Società Italiana di Beneficenza (Hoje, o Centro Brasil-Itália). Aleixo Varoli presidiu por muitos anos a Società Italiana di Beneficenza e foi Agente Consular da Itália em nossa cidade. Num inverno rigoroso, Alessio Varoli faleceu em Parma, em sua propriedade rural. Está enterrado no Cimitero di Parma (Viletta), em 31/01/1916.

4–

Os laços familiares estão sempre reforçados. Através das primas Alexandra e Rachel Faconti, mantemos a ligação com as notícias dos parentes em Londrina (Paraná). Lá estão preparando a edição de um livro sobre a vida de Adeodato Faconti e Leonilda Faconti.

5–

Preciosa lembrança do famoso “Licor Eucaliptus”, fabricado pela Casa Varoli, sob o comando de Adeodato Faconti.

6- Adeodato Faconti, saudades... 1-

3–

Na atuação da Colônia Italiana de Botucatu é preciso que se dê destaque à atuação do pioneiro industrial Aleixo Varoli. Com Indústria de Licores e Refrigerantes, Aleixo Varoli atuava

Notas&Fotos Adelina Guimarães

A BELEZA DA CRIAÇÃO COLETIVA

Na sexta-feira, 14 de novembro de 2025, o Salão Nobre da Pinacoteca de Botucatu foi o palco da emocionante abertura da exposição “Fios de Sonhos”. A mostra apresenta o resultado do projeto realizado ao longo de cinco meses pelo IBot – Instituto Botucatu, na Oficina Terapêutica Estação Girassol, que tem como diretora, Gracieli Fernanda Ferreira e teve a curadoria de Daniela Karam. A iniciativa contou com patrocínio da Bracell Social, destinado à qualificação dos monitores. No espaço expositivo, o público

pode conhecer obras têxteis e objetos de decoração produzidas na Oficina Terapêutica e fotografias assinadas por Cris Aoki, que registrou o processo criativo e terapêutico que exibe o resultado de um processo criativo coletivo. Durante o evento, dedicado à valorização da arte como instrumento de expressão e cuidado com a saúde mental, o público acompanhou falas emocionantes, além de uma apresentação de dança realizada por atendidos e monitores da Estação Girassol. O encerramento foi marcado por um mo-

mento de forte integração: atendidos e visitantes cantaram e dançaram juntos a música “Sem Medo de Ser Feliz”, finalizando o evento com muitos abraços. A exposição permanece aberta à visitação na Pinacoteca até 14 de dezembro.

Daniela Karan, Curadora da exposição
Gracieli Fernanda Ferreira, diretora da Estação Girassol
Silvia Sassaoca, Coordenadora e Gestora do projeto
Derci de Oliveira e Jésse de Oliveira – mãe e filho
André Goes
Josefa Silva Ana Azevedo

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