Skip to main content

1664

Page 1


“Assis Chateaubriand vai chamar, em 1934, esse grupo industrial de “O ESTADO MATARAZZO”, lembrando que São Paulo tinha uma renda bruta de 400 mil contos e o parque industrial Matarazzo uma receita de 350 mil, acima de qualquer outra unidade federativa brasileira...O Conde Matarazzo, financeira e economicamente é o segundo Estado do Brasil...”

“...negli anni1930/40 lui era considerato l’italiano piu ricco del mondo!”

Diário da Cuesta

Ufa! O trabalho ficou pronto! O “Momento MAIOR Itália/Brasil = Conde Francesco Matarazzo!” é fruto de pesquisas feitas por vários anos. Fui construindo, pedra a pedra, o edifício-representativo da importante contribuição da Colônia Italiana à construção do Estado Brasileiro. Tão perfeita e motivada foi essa participação que, hoje, a Colônia Italiana já está completamente integrada à pujante Nação Brasileira.

E o trabalho está centrado na vida magnífica desse empreendedor singular que impulsionou o nosso país industrialmente, sem nunca esquecer a “Mãe-Pátria”. E o título de CONDE dado pelo Rei da Itália é a prova provada do merecimento desse imigrante italiano: Conde Francesco Matarazzo!

E São Paulo, com as Industrias Reunidas Francisco Matarazzo – IRFM, passou a ser exemplo para todo o interior do Estado e para outras colônias localizadas em outros estados. Assim, o Hospital Humberto Primo (conhecido como Hospital Matarazzo) motivou iniciativas menores, mas no mesmo sentido. A Maternidade do Hospital Matarazzo era considerada a maior e a melhor da América Latina. Da mesma forma, a industrialização no interior do estado, seguiu, também em menor escala, o exemplo do complexo industrial Matarazzo.

A citação da cidade de Botucatu/SP é meramente referencial. Em Sorocaba ( a “Manchester Paulista”), Jundiaí, Ribeirão Preto e em outras cidades o desenvolvimento industrial ocorreu com igual ou maior amplitude. E, finalmente, a CULTURA! A atuação de Ciccillo Matarazzo é impressionante e exuberante. Incansável batalhador e visionário, sabia conviver com diferentes realidades culturais e, captar delas, a essência a ser preservada para as futuras gerações. A sua atuação como Presidente da Comissão do IV Centenário, escolhendo o Ibirapuera para os eventos e contratando o arquiteto Oscar Niemeyer para projetar os prédios e Roberto Burle Max para fazer o paisagismo, já dá a sua dimensão e visão, sendo certo que estava ocorrendo em São Paulo, uma “avant-première” do que seria Brasília nas mãos desses dois gênios: Niemeyer e Burle Max!!!

Um Matarazzo Mecenas da Cultura Brasileira Francisco Antonio Paulo Matarazzo (Francisco Matarazzo Sobrinho), conhecido como Ciccillo Matarazzo, era sobrinho do Conde Francisco Matarazzo e nasceu na capital paulista. Após recusar por duas vezes o convite do Rei da Itália para que participasse do Senado Italiano, o Conde Matarazzo indicou seu irmão, Ângelo Andrea Matarazzo, pai de Ciccillo, para o Senado Italiano

E Ciccillo Matarazzo viria a ser o grande promotor das artes, indiscutivelmente o grande Mecenas da Cutura Brasileira. Estudou dos 10 anos aos 20 anos na Itália, como era costume das famílias italianas, àquela época, mandarem estudar seus filhos na Pátria-Mãe. Também estudou Engenharia, sem concluir o curso, em Nápoles e na Bélgica. Juntamente com o primo Julio Pignatari dirigiu a Metalúrgica Matarazzo – Metalma. Em 1943, casou-se, no México, com Yolanda Penteado, de tradicional família pau-

EXPEDIENTE

lista. A cultura brasileira teve a marca pessoal de Ciccillo Matarazzo: o Teatro Brasileiro de Comédia, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, a Cinemateca Brasileira, a construção do Parque do Ibirapuera, o Museu de Arte e Arqueologia da Universidade de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, o Presépio Napolitano, o Balé do 4º Centenário e as representações brasileiras nas Bienais de Veneza.

Matarazzo & Votorantin

Este trabalho, espero, há de dignificar a participação pioneira e entusiasta dos imigrantes italianos na construção da Pátria Brasileira! Essa lembrança do Império Matarazzo, lembra outras estórias. Na industrialização do Brasil, dois grupos industriais preponderaram: o Grupo Matarazzo e o Grupo Votorantin. Agora, a coincidência: os dois estabelecidos na mesma rua, na então considerada “Manchester Paulista”, que era Sorocaba Primeiro, Francesco Matarazzo, Francesco Grandino iniciavam, em Sorocaba a construção do Império. Já em Botucatu, para onde foram os trilhos da EFS – Estrada de Ferro Sorocabana, levando o progresso, estava instalado Pedro Delmanto, também imigrante de Castellabate e tinha, como colega e amigo na profissão de comercio de calçados, o imigrante português Antonio Pereira Ignácio. Após alguns anos, já casado, Pereira Ignácio vai para Sorocaba, instalando-se na mesma rua do comércio de Matarazzo e instala seu comércio de caroço de algodão. Em pouco tempo, começaria a construir o império da Votorantim... De Sorocaba, Francisco Matarazzo leva seu império para a Capital Paulista: são as IRFM – a maior potência Industrial da América Latina e, ele, o italiano mais rico do mundo!

Com o fim das Industrias Matarazzo, já na terceira geração, o Brasil passa a admirar o, agora, maior Império Industrial Brasileiro: a Votorantim. O Comendador Antonio Pereira Ignácio casa sua filha Helena com o engenheiro José Ermírio de Moraes (pai do empresário Antonio Ermírio de Moraes), que viria a comandar, consolidar e expandir o Grupo Industrial da Votorantim.

É Registro Histórico (AMD)

Registro Histórico - O Comendador Antonio Pereira Ignácio iniciou, de fato, sua atividade profissional em Botucatu. Aqui chegando em 1900, instalou-se na Vila dos Lavradores (Major Matheus), com uma sapataria. Tornou-se muito ligado a Pedro Delmanto que tinha sua loja de calçados, sua fábrica de calçados e o Curtume Bella Vista, no Bairro Alto. Atuando no mesmo ramo, tornaram-se amigos.Posteriormente, Pereira Ignácio montou armazém e continuou a atuar no comércio do algodão Aqui em Botucatu, casou-se com Lucinda Rodrigues Viana. Tiveram 3 filhos: João, Paulo e Helena De Botucatu, Pereira Ignácio voltou a Sorocaba onde acabou por estrutrar essa potência que é o conglomerado Votorantim.Veio a ser seu genro, o engenheiro José Ermirio de Moraes, que o sucedeu em suas empresas, tornando-se, anos mais tarde, Senador da República. Para Botucatu, o Comendador Antonio Pereira Ignácio sempre mostrou sua gratidão. A sua casa própria, doou-a à Misericórdia Botucatuense , sendo que o seu retrato e de Dona Lucinda se destacam na galeria dos benfeitores do Hospital . Anos depois de sua partida, Pereira Ignácio voltou a ajudar a Misericórdia Botucatuense . Quem faz o relato é o Dr. Antônio Delmanto (filho de Pedro Delmanto) que foi Diretor Clínico do Hospital e responsável pela modernização da Misericórdia , consolidando, assim, essa grande obra do Dr. Costa Leite: “...Outro problema a resolver era o aparelho de Raio X, cuja aquisição era dificílima, quase impossível, dado o preço do mesmo, absolutamente fora do alcance da Misericórdia. Lembrei-me do Comendador Pereira Ignácio, amigo e colega de meu pai na mocidade, quando trabalhava na Vila dos Lavradores com comércio de calçados. Depois foi para Sorocaba onde fundou esse império que é a Votorantim ( é avô do empresário Antonio Ermírio de Moraes). Apelei para o Comendador Pereira Ignácio, expondo as nossas dificuldades e a impossibilidade financeira de adquirirmos tão caro equipamento. Pedi que ele abrisse a campanha para a aquisição do Raio X. Qual não foi a nossa grande surpresa quando Pereira Ignácio enviou, de presente, um novo e moderníssimo Aparelho de Raio X para a Misericórdia Botucatuense...” ( do livro “Memórias de Botucatu II”, pág. 30, 1993 ).

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

Diário da Cuesta 3

Conde Francisco Matarazzo: O Empreendedor do Século XX

Transformações profundas mudavam o perfil da sociedade nos campos da literatura, da arte e da música: desde a revolucionária Semana de Arte Moderna de 1922 até a nova música que surgia carregada de folclore e brasilidade na maestria criativa de Heitor Villa Lobos

Ao mesmo tempo que a crise de 1929/30 abalava, de forma definitiva, as estruturas econômicas e sociais da sociedade brasileira, havia algo de novo, havia esperança: era a crescente industrialização paulista! O grande fluxo migratório trazido em sua grande maioria para a cafeicultura, passou a dar nova característica à sociedade paulista: muitos vieram tentar uma nova vida, ou como dizem, para “fazer a América!”

A crescente industrialização abrangeu muitos setores, mas para que o cenário mágico da realidade paulista, em 1934, possa ser bem compreendido e avaliado vamos focar, como exemplo, as industrias Matarazzo, que ocupavam indiscutível liderança nesse importante segmento da economia.

No ano de 1934, o ano do cenário mágico paulista, o Conde Francisco Matarazzo estava comemorando seus 80 anos... “Ottant’anni !” Nessa época, as industrias Matarazzo representavam realmente a maior força econômica do Brasil, depois dos orçamentos da União e do Estado de São Paulo... Não se pode falar em processo de industrialização no país sem que se destaque a presença forte do imigrante italiano Francisco (Francesco) Matarazzo.

O ESTADO MATARAZZO

“Assis Chateaubriand vai chamar, em 1934, esse grupo industrial de “O ESTADO MATARAZZO”, lembrando que São Paulo tinha uma renda bruta de 400 mil contos e o parque industrial Matarazzo uma receita de 350 mil, acima de qualquer outra unidade federativa brasileira...O Conde Matarazzo, financeira e economicamente é o segundo Estado do Brasil...”

“Monteiro Lobato na mesma época, compara-o a Henry Ford: a atuação de ambos no criar foi um permanente “rush” para cima...”

“Miguel Couto, Presidente da Academia Brasileira de Letras: “Aos que buscavam e rebuscavam na sua prosápia o sangue azul que achavam que estava faltando, Napoleão Bonaparte, feito Imperador da França, respondeu desdenhosamente: “Eu sou filho de mim mesmo”. Felizes os que, de menor altura embora, podem dizer com o mesmo orgulho – eu sou filho de mim mesmo... Isto é, sou o exclusivo produto do meu trabalho, do meu descortínio, da minha inteligência. Tal é Francisco Matarazzo”.

HISTÓRICO – Em Castellabate, distante 180 km de Nápoles, nascia Francesco Matarazzo, em 09 de março de 1854. Francesco era filho de um médico e rico proprietário, Costábile e de Mariângela. Seu pai faleceu quando ele tinha 19 anos Com a depressão econômica que vivia a Itália, foi obrigado a abandonar os estudos para cuidar da família Aos 27 anos, sabendo das condições favoráveis para os imigrantes no Brasil, imigra. Traz junto uma boa quantidade de queijos e vinhos, além de um reforço em liras italianas.

Queijos e vinhos se perdem quando o navio atraca no Rio de Janeiro, afundados com a embarcação que ligava o navio ao porto. Sem desanimar, parte para São Paulo disposto a multiplicar as suas liras. Contando com a colaboração de outros imigrantes que o precederam, entra firme no comércio, participa de caravanas, conhece outros estados e se estabelece em Sorocaba, então limite das paralelas poderosas da Estrada de Ferro Sorocabana que levava o progresso e o desenvolvimento para o interior inexplorado. Logo, passou a ter um grande rebanho de suínos. Passou a fazer banha e a comercializá-la, em latas. Importa e vende farinha e monta uma tecelagem para fazer os sacos de farinha... Daí para frente foi num crescente, num multiplicar inacreditável. Resumindo: em 1934, as Industrias Matarazzo assumiam o seu auge que foi crescente até 1950, quando chegou a possuir 38 mil e setecentos funcionários, com controle acionário majoritário ou expressivo em 365 empresas, possuindo 12 unidades navais, uma Casa Bancária, enfim, um complexo industrial que chegou a ter o terceiro orçamento do Brasil! É indiscutível a grandiosidade do “Império Matarazzo” no processo de industrialização do Estado de São Paulo e, portanto, do Brasil. O interior do estado e todo o Brasil se espelhava na força, ousadia e competência desse empreendedor valoroso.

Matarazzo motiva o Empreendedorismo dos imigrantes italianos

No inicio dos anos 20, a então poderosa colônia italiana no Brasil e, em especial no Estado de São Paulo, atingia o auge de sua prosperidade. Era mais unida e o sentimento da origem comum ainda era forte. A colônia italiana tinha a sua escola, a sua banda musical, o seu jornal, o seu clube social, o seu teatro, os seus estabelecimentos comerciais, as suas fábricas e até a sua loja maçônica. Longe deles qualquer sentimento divisionista, ao contrário, o que havia era uma natural aglutinação de pessoas com a mesma origem, os mesmos costumes, a mesma paixão pelas coisas

Como ocorrera, com muito sucesso, na capital, onde a colônia italiana erguera o imponente Hospital Umberto Primo (Hospital Matarazzo), em 1904, ampliando-o sucessivamente, o exemplo passou a ser seguido pelos núcleos mais expressivos dos imigrantes italianos nas cidades do interior do estado.

E, como exemplo, vamos retratar uma cidade do interior paulista: Botucatu. Estava situada no limite de onde chegara a Estrada de Ferro Sorocabana, em 1889 e dali partindo para a conquista do interior, “plantando” cidades com o progresso que as suas poderosas paralelas levavam: Lençóis Paulista, Bauru, Assis, Ourinhos e Presidente Prudente se destacando entre tantas outras...

Na segunda metade dos anos 20, Pedro Delmanto (Pietro Del Manto) já tinha completado seu ciclo produtivo: com fazenda de gado, curtume, fábrica de calçados (máquinário importado da Alemanha) e loja de comércio, sendo que exportava calçados para a França e a Alemanha. Era um imigrante empreendedor de sucesso. Mas tinha um grande sonho: um hospital para atender a forte colônia italiana de Botucatu e dirigido por seu filho primogênito, Aleixo, que se formara em Medicina pela Real Universidade de Parma, na Itália. Assim, construiu e inaugurou a Casa de Saúde Sul Paulista, em 1928, trazendo como seu Diretor Clínico, o Professor Titular de Cirurgia Clínica da Real Universidade de Nápoles, Dr. Ludovico Tarsia que tivera que se exilar no Brasil por problemas políticos na Itália.

O exemplo de Botucatu é meramente referencial a mostrar o Empreendedorismo dos Imigrantes a se espalhar por todo o Brasil.

Elege o irmão para o Senado Italiano

Por duas vezes é convidado para o Senado Italiano. Por fim, indica seu irmão, André Matarazzo que foi eleito para a Câmara Alta Italiana. Com sua “Casa Bancária” representa no Brasil o Banco de Nápoles, liderando a arrecadação para ajuda financeira dos italianos residentes no exterior para envio para a Itália (cerca de 85 mil contos, 50% do déficit nacional). Esse grande e patriótico trabalho levou o Rei Vittorio Emanuelle III a lhe conferir o título nobiliárquico de Conde, em 1917, concedendo-lhe, em 1926, a hereditariedade ao título.

NO ANO MÁGICO DE 1934 - Afora as comemorações pelos oitenta anos, o Conde Matarazzo viveria seguidas vitórias: foi considerado o “Empreendedor do Século”; o sucesso da publicação do livro “Il Conde Matarazzo a ottant’anni”; a conquista do Tri-Campeonato Paulista de Futebol (1932/33/34) pelo Palestra Itália (Palmeiras), clube da Colônia Italiana presidido por Dante e a eleição, com a maior votação do estado, do Deputado Estadual Constituinte, Dante Delmanto. Dante era filho de seu conterrâneo (Castellabate) e amigo, o imigrante italiano Pedro Delmanto, industrial no interior do Estado (Botucatu). O OCASO DO IMPÉRIO – Quem poderia imaginar que o “Império Matarazzo” poderia acabar?!? Quem imaginaria o ocaso?!? É o fim, a pobreza? Não, seguramente, não! A família continuará, por gerações, a viver bem, mas é o ocaso do complexo industrial Estudos acadêmicos nos mostram que duas empresas seguiram rumos diferentes, ambas empresas familiares: IBM e IRFM. Os donos da IBM abriram o capital social, perderam o controle direto, mas ficaram acionistas da que é hoje uma das maiores empresas do mundo A IRFM, optou , após a morte do Conde (1937), pela administração familiar. Com o falecimento do sucessor, Conde Matarazzo II (início dos anos 80), com as desavenças entre os filhos pelo controle acionário do grupo, ficou inviabilizada economicamente a empresa...

A verdade é que tudo mudou e apenas restou a imagem lendária do menino que naufragou nas costas do Brasil, perdeu uma partida de queijos e vinhos, iniciou a revolução industrial brasileira e virou Conde... (AMD)

Comentários (Blog do Delmanto): Caro Delmanto,

1 - Recebi com muito prazer a matéria que fez sobre Francesco Matarazzo. Realmente um homem que mudou o Brasil e nos deixou um exemplo incomparável. Muitos de seus princípios nos norteiam até hoje. Seja como industrial como também na vida pública. Gostei demais dos comentários sobre a matéria. Significam que as pessoas sabem separar as coisas. Te agradeço a atenção. Um forte abraço Andrea (Andrea Matarazzo - amatarazzo@sp.gov.br). 14 de julho de 2011

2 - Prezado Armando, Agradeço pelo material enviado. O abraço, Senador Eduardo Matarazzo Suplicy. 5 de julho de 2011

3 - Caríssimo Armando. Foi nessa Casa de Saúde Sul Paulista que Dr. Tarsia operou meu pai de uma apendicite aguda no ano de 1932, época da revolução. Ainda quero lhe contar: Meu avô Luiz Smaniotto trouxe da cidade italiana de Trento um navio de imigrantes pelo ano de 1800 e não sei quantos, aportou nas costas de Santa Catarina, adquiriu um pedaço de terra e fundou a cidade de Nova Trento (terra de irmã Paulina, hoje Santa Paulina) Com duas mulheres meu avô foi pai de 33 filhos. Em l895, alí nasceu minha mãe. Hoje, Nova Trento é uma cidade bonita e orgulha os catarinenses por ser a terra de Santa Paulina e abriga grande número de turistas devotos. Parabéns pelo belo artigo neste blog, exaltando os imigrantes italianos. Lembro-me perfeitamente das famílias ali citadas, desde a cervejaria Bacchi perto do pontilhão da Sorocabana. A filha do “patriarcha” Bacchi foi a primeira mulher a dirigir carro em Botucatu. Tempo muito saudoso. Abraço forte. Neide (neidesanches@uol.com.br). 5 de outubro de 2011 19:47 Delmanto disse... Salve, Neide. Seu comentário é muito valioso. É preciso resgatar esse período tão importante para Botucatu, como foi o da implantação e existência da Casa de Saúde Sul Paulista. O seu testemunho sobre o Prof. Tarsia é o primeiro caso concreto que temos conhecimento sobre a sua atuação em Botucatu. No início dos anos 30, era uma honra para uma cidade de porte médio contar com a experiência e competência de um Cirurgião Catedrático de uma Universidade da Europa (Nápoles). E sobre a colônia de Nova Trento é uma verdadeira riqueza. Obrigado por seu interesse. Grande abraço,5 de outubro de 2011 4 - Caro Sig. Delmanto, È con enorme piacere che ho avuto conoscimeto del tuo lavoro. “Momento MAGGIORE Italia/Brasile = Conte Matarazzo!” Già conoscevo la fama del Conte Matarazzo, essendo certo che negli anni1930/40 lui era considerato l’italiano piu ricco del mondo! Questo lavoro ritratta bene l’importanza dell’immigrazione italiana per il Brasile . La stesso è occorso in altri Paesi come Stati Uniti, Canada e L’Australia. A compitua integrazione della Colonia Italiana con i brasiliani à il principale distaco per aspetto positivo di questa immigrazione. Saluti per il bello e ricco lavoro. Cordialmente, Paolo Trevisani (paolo.trevisani@comune.bologna.it) 4 de outubro de 2011

Diário da Cuesta

Hospital Umberto Primo / Hospital Matarazzo

Com a força do Império Matarazzo, o Conde Matarazzo foi o principal patrocinador da fundação, em 1904, do Hospital Umberto Primo. E não parou aí. A ampliação foi constante, chegando a 27.000 m2 de área construída a um quarteirão da Avenida Paulista. O crescimento do complexo hospitalar foi constante:

• Prédio original do Hospital Umberto I (pavilhão administrativo), 1904

• Casa de Saúde Francisco Matarazzo,1915

• Capela, 1922

• Casa de Saúde Ermelino Matarazzo, 1925

• Cozinha, Lavanderia e Refeitório, 1929• Residência das irmãs, Ambulatórios e Enfermarias, anterior a 1930• Clínica Pediátrica Amélia de Camilis, 1935

• Pavilhão Vitório Emanuele III, 1937

• Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, 1943• Prédio Hospitalar (ampliação), 1974

Na década de 50, chegou a ter 500 leitos e nos anos 70 passou a ser referência na formação de profissionais, ao firmar convênio com o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social), sendo que sua maternidade era vista como a melhor da América do Sul. Com o fim do Império Matarazzo, o hospital também entrou em crise. Já transformado em um ícone arquitetônico e por sua importância histórica foi tombado, em 1986, pelos órgãos do patrimônio.

A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil – PREVI, comprou o prédio, em 1996, para transformá-lo num complexo turístico e hotel. Não realizou o planejado e o vendeu, neste ano de 2011, para a PUC –Pontíficia Universidade Católica que fará o aproveitamento dos prédios, colocando um Campus Universitário e um complexo cultural.

EMPREENDEDORISMO

DOS “ORIUNDI” NA SAÚDE!

No inicio dos anos 20 , a então poderosa colônia italiana em Botucatu atingia o auge de sua prosperidade. Era mais unida e o sentimento da origem comum ainda era forte A colônia italiana tinha a sua escola, a sua banda musical, o seu jornal, o seu clube social, o seu teatro, os seus estabelecimentos comerciais, as suas fábricas e até a sua loja maçônica Longe deles qualquer sentimento divisionista, ao contrário, o que havia era uma natural aglutinação de pessoas com a mesma origem, os mesmos costumes, a mesma paixão pelas coisas

Como ocorrera, com muito sucesso, na capital, onde a colônia italiana erguera o imponente Hospital Umberto Primo , em 1904, ampliando-o sucessivamente, o exemplo passou a ser seguido pelos núcleos mais expressivos dos imigrantes italianos nas cidades do interior do estado

E Botucatu estava situada no limite de onde chegara a Estrada de Ferro Sorocabana , em 1889 e dali partindo para a conquista do interior, “plantando” cidades com o progresso que as suas paralelas levavam: Lençóis Paulista, Bauru, Assis, Ourinhos e Presidente Prudente se destacando entre tantas outras...

Na segunda metade dos anos 20, Pedro Delmanto (Pietro Del Manto) já tinha completado seu ciclo produtivo de calçados : com fazenda de gado, curtume, fábrica de calçados (máquinário importado da Alemanha ) e loja de comércio, sendo que exportava calçados para a França e a Alemanha . Era um imigrante empreendedor de sucesso . Mas tinha um grande sonho: um hospital para atender a forte colônia italiana de Botucatu e dirigido por seu filho primogênito, Aleixo , que se formara em Medicina pela Real Universidade de Parma, na Itália. Assim, inaugurou a Casa de Saúde Sul Paulista, em 1928, trazendo como seu Diretor Clínico , o Professor Titular de Cirurgia Clínica da Real Universidade de Nápoles, Dr. Ludovico Tarsia que tivera que se exilar no Brasil por problemas políticos na Itália.

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook