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Cásper

Diário da Cuesta

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Líbero foi um homem visionário e suas ideias contribuíram para o desenvolvimento da Comunicação no Brasil.

Foi o responsável por modernizar o jornal impresso “A Gazeta”, unindo o jornalismo ético e correto às novas tecnologias, transformando o periódico no primeiro jornal a imprimir em cores no país. Continuou inovando quando inaugurou o Palácio da Imprensa, primeiro prédio a abrigar a redação, gravura, composição, impressão e distribuição de um jornal. No mesmo edifício, inaugurou a PRA-6 Rádio Gazeta, com grandes nomes da música lírica Admirador e incentivador do esporte, foi o idealizador da “A Gazeta Esportiva”, publicada inicialmente como coluna, posteriormente suplemento do jornal, depois de maneira independente, sendo considerado o mais completo jornal de esportes da América Latina Idealizou a

1ª Faculdade de Jornalismo do Brasil

Seguindo o desejo manifestado por Cásper em seu testamento, a Fundação Cásper Líbero cria a primeira escola de jornalismo do país, a atual Faculdade Cásper Líbero, que posteriormente ampliou suas opções de curso na área da Comunicação.

Corrida de São Silvestre, a maior e mais famosa corrida pedestre do mundo, criou a Prova Ciclística 9 de Julho, a mais tradicional do Brasil no ciclismo, e também foi o responsável pelas primeiras transmissões de um jogo de futebol, que aconteciam no Rio de Janeiro, via alto-falantes. Infelizmente, Cásper Líbero teve sua vida interrompida precocemente em um acidente de avião em agosto de 1943. Como não era casado e não tinha herdeiros, em seu testamento, o jornalista e empresário pediu que seus bens fossem destinados à criação de uma fundação para apoiar a construção de uma sociedade justa e desenvolvida, por meio da educação qualificada e da comunicação. Em 1944, nasce a Fundação Cásper Líbero.

(2/3/1889 – 27/8/1943)

Sob administração de Cásper Líbero, o jornal “A Gazeta” criou em 1918 uma pequena coluna, de ¼ de página voltada ao segmento esportivo, entitulada “Gazeta Esportiva”. Sua popularização fez com que esta pequena coluna se transformasse em Suplemento em 24 de dezembro de 1928, agora denominado “A Gazeta – Edição Esportiva”.

Em 10 de outubro de 1947, quatro anos após a morte de Cásper Líbero e sob a gestão de Carlos Joel Nelli, o suplemento tornou-se um jornal diário e ganhou um grande número de páginas. Nasceu, então, “A Gazeta Esportiva”, já apoiada no sucesso de diversas provas promovidas por “A Gazeta” como a Corrida de São Silvestre e a Prova Ciclística Nove de Julho.

A GAZETA ESPORTIVA A TRADICIONAL CORRIDA DE SÃO SILVESTRE

Em uma viagem que fez a Paris, CÁSPER LÍBERO ficou maravilhado com uma corrida realizada à noite, em que os corredores carregavam tochas ao longo do percurso. Decidido a promover algo semelhante no Brasil, criou uma corrida noturna a ser realizada no último dia do ano de 1925. Estava fundada a Corrida de São Silvestre, que recebeu esse nome em homenagem ao santo do dia.

A corrida, a mais famosa e tradicional do Brasil e a da América do Sul, tem um percurso atual de 15 km pelo centro de São Paulo e é uma corrida mista desde 1975, quando começou a participação oficial das mulheres. Entre 1925, ano de sua criação e 1944, foi disputada apenas por corredores brasileiros. O maior vencedor da prova – e recordista até a edição de 2019, quando afinal teve sua marca quebrada após 25 anos – é o queniano Paul Tergat com cinco vitórias e, entre as mulheres, a portuguesa Rosa Mota, que com seis vitórias consecutivas nos anos 1980 é a maior vencedora geral. Entre os brasileiros, o título fica com Marílson Gomes dos Santos, com três vitórias. (Fonte: Wikipedia)

Cásper Líbero

Formou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e dois anos mais tarde, fundava o jornal Última Hora, na cidade do Rio de Janeiro. Aos 23 anos, criava a primeira agência de notícias do estado de São Paulo, a Agência Americana.

Em 1918, aos 29 anos de idade, tornou-se diretor e proprietário do vespertino A Gazeta, modernizando-o e transformando-o num dos maiores órgãos de imprensa da época. Para esse fim, importou rotativas da Alemanha, substituiu o telégrafo pelo teletipo e implantou novas técnicas de gravura, composição e impressão gráfica, a primeira em cores no Brasil. Paralelamente, implantou, uma nova dinâmica no transporte e distribuição do jornal, possibilitando que os exemplares chegassem às mãos dos leitores em tempo recorde.

Em 1932, foi um dos líderes da Revolução Constitucionalista. Em 1939, inaugurou o Palácio da Imprensa, como viria a ser chamada a sede própria do jornal A Gazeta na antiga Rua da Conceição, atual Avenida Cásper Líbero. Foi o primeiro edifício

erguido no país com as características apropriadas para redação, gravura, composição, impressão e distribuição de um jornal. Presidiu, entre 1940 e 1941, a Federação Nacional da Imprensa (FENAI - FAIBRA). Criou um suplemento especialmente dedicado aos esportes, voltado para a cobertura futebolística, chamado de A Gazeta Esportiva e foi o idealizador da Corrida de São Silvestre.

Ao morrer num acidente aéreo no Rio de Janeiro, no qual também morreu o então rcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, ele deixou, de acordo com sua vontade presente no próprio testamento, um complexo de comunicações que é administrado atualmente pela Fundação Cásper Líbero. Este complexo que reúne atualmente a TV Gazeta, Rádio Gazeta e Gazeta FM, o portal Gazeta Esportiva, a Faculdade Cásper Líbero e o Grupo Cidadania Empresarial.

Encontra-se sepultado no Obelisco de São Paulo, onde repousam os restos mortais dos heróis da Revolução de 32

Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
O

Diário da Cuesta

VANGUARDISTA E

EMPREENDEDOR,

CÁSPER LÍBERO

MUDOU O JORNALISMO EM VIDA E DEIXOU COMO LEGADO UMA FUNDAÇÃO QUE, HÁ 75 ANOS,

CUMPRE O MESMO PAPEL DE INOVAÇÃO

Filho caçula do casal Honório Líbero, médico e político republicano, e Zerbina de Toledo Líbero, Cásper Líbero nasceu em Bragança Paulista no ano de 1889. Cásper viria a ser o idealizador da primeira Faculdade de Jornalismo do Brasil – antes da trajetória como comunicador, formouse no bacharelado de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito Largo São Francisco. A carreira na advocacia, porém, foi rapidamente rendida pela paixão pela comunicação.

Cásper trabalhou na administração da sucursal carioca do jornal O Estado de S. Paulo e, pouco tempo depois, criou a Americana, primeira agência com notícias integralmente nacionais Aos 23 anos, com o auxílio de amigos, fundou o jornal A Última Hora, periódico marcado pelas duras críticas ao governo do marechal e então presidente Hermes da Fonseca – o teor ácido da oposição ao marechal seria também o motivo do fechamento da edição. Seis anos depois, como repórter policial aos 29 anos, Líbero adquiriu os direitos de um dos principais veículos da época: o jornal A Gazeta, tornando-se diretor e proprietário do veículo.

ÍMPETO EMPREENDEDOR

Em um ato ousado, Cásper Líbero ins-

titui uma série de mudanças e modernizações no jornal e consegue reerguer a gestão do diário, que enfrentava fortes crises financeiras. Ele foi o primeiro a imprimir em cores no país, além de implementar novas tecnologias, como o uso de rotogravuras e a valorização das imagens nas paginações. Seu espírito empreendedor também permitiu que o patrono desenvolvesse uma coluna que em pouco tempo seria um dos principais jornais de esportes da América Latina, a Gazeta Esportiva.

Em 1934, seu jornal ganharia uma versão sonora na rádio, sendo incluída no programa Grande Jornal Falado d’A Gazeta, transmitido pela Rádio Cruzeiro do Sul. Com o objetivo de melhorar as transmissões, Cásper Líbero inaugurou o Palácio de Imprensa, em 1939, localizado na Rua Conceição, 88 – atual Avenida Cásper Líbero. A ideia era que o espaço fosse utilizado como um complexo de comunicação O prédio foi o primeiro no Brasil criado para abrigar conjuntamente redação, gravura, impressão e distribuição de um jornal.

A título de curiosidade, Cásper Líbero também foi idealizador da icônica Corrida de São Silvestre, realizada anualmente no dia 31/12 desde 1925. A inspiração vem da March aux Flambeaux, tradicional espetáculo noturno francês. Quase simultanea-

mente, também criou a tradicional prova de ciclismo do Brasil, denominada Prova Ciclística Nove de Julho, em homenagem ao início da Revolução Constitucionalista de 1932.

TRAGÉDIA E LEGADO

No dia 27 de agosto de 1943, Cásper faleceu aos 54 anos em um acidente de avião que envolveu o choque da aeronave contra a Torre da Escola Naval na Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. Antes de morrer, Cásper Líbero, que não possuía herdeiros ou esposa, determinou que sua herança fosse usada na criação de uma fundação, com o objetivo de assegurar a manutenção de seus veículos e apoiar a criação de uma sociedade justa e desenvolvida, por meio da educação qualificada da comunicação. Por meio dos alicerces deixados por Cásper, a Fundação Cásper Líbero criou a primeira faculdade de jornalismo da América Latina, preservando o legado de seu idealizador, assim como os valores de ética e profissionalismo. Anos depois, a Fundação também passaria a gerir uma emissora, a TV Gazeta. Fundada em 16 de maio de 1947, a Faculdade Cásper Líbero só seria transferida para Paulista, 900 em 1967 –por quase 20 anos, a escola de Jornalismo operou no Palácio de Imprensa.

“O caiçara”

Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende as suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: “sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda.” – Rainer Maria Rilke

Quando mergulho em mim e busco respostas, na madrugada, no meio do sonho, surgem um mandarim, ou um profeta, um ser estranho e absolutamente raro surge em sua beleza oriental e exótica..

Não é necessário nem buscar muito .

Um som agudo, um trinar de pássaro, uma borboleta branca me seguindo por entre as folhas do jardim..

Então me lembrei de uma situação esdrúxula que passei.

Era muito jovem e fomos de férias para Santos.

Íamos para a praia muito cedo para aproveitar o sol e caminhar pela orla.

Eu aproveitava para ler um pouco, fazer palavras cruzadas, hábito que mantenho até hoje.

Numa dessas frescas manhãs de março, eu estava ali sentada sobre a esteira lendo um romance, muito entretida, e aproveitando o sol que tentava dourar minha pele muito branca.

Foi quando um homem de pele muito escura e curtida pelo sol, vestido com bermuda desbotada muito usada e camisa aberta no peito, sentou-se a meu lado, sem ser convidado.

Fiquei em pânico sem saber o que fazer.

Absolutamente surpreendida, eu apenas conseguia olhar com o cantos dos olhos aquele homem rude, pele curtida pelo sol, pés descalços enormes, com dedos muito espalhados por andarem muito tempo descalços, sola rachada.

Era de estatura mediana, entroncado, não muito alto, mas forte, mãos calosas pelo trabalho pesado, cara quadrada, olhos escuros e frios enterrados entre o nariz pequeno com grandes narinas.

Parecia não ter boca, um risco cortava a face de bochechas secas.

Barba escura e rala que lhe dava um aspecto sombrio.

Cabelo curto escuro e anelado.

Lembrava um daqueles personagens trabalhadores da lida dos quadros de Portinari.

Na verdade fiquei muda , tentando não manter contacto visual com o homem de cara quadrada.

Ele pegou minhas mãos e eu fiquei mais nervosa ainda.

Parecia um daqueles pescadores que já havia visto por ali, com seus barcos e redes.

O tipo era meio sinistro.

Minha cabeça virou no avesso e já fiquei pensando que era um daqueles estupradores e que ia me sequestrar.

Pensava, -”se ele acha que tenho cara de rica, está muito enganado, coitado.”

Foi ficando pior porque ele não falava nada mas ficava ali sentado segurando minhas mãos. E eu sem ação, paralisada de medo.

A minha sorte foi que minha mãe chegou naquele momento da caminhada, acompanhada da vizinha de apartamento que tinha encontrado pelo caminho, e as duas assustadas começaram a fazer perguntas em voz cada vez mais alta para o lúgubre personagem que desapareceu correndo rápidinho por entre os já numerosos caminhantes da orla da praia, sob um sol que já começava a arder. Virou fumaça.

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