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Diário da Cuesta

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Botucatu promove roteiro especial para conhecer construções históricas da cidade

Atividade gratuita terá 20 vagas e saída às 9h, em frente ao Hospital da Misericórdia

A Prefeitura da Estância Turística de Botucatu realiza, no próximo domingo, 1º de março, um passeio guiado para explorar a arquitetura histórica do município. A saída está marcada para as 9 horas, em frente ao Hospital da Misericórdia, na Praça Isabel Arruda, 138, no Centro.

A atividade é gratuita e conta com 20 vagas, preenchidas por ordem de inscrição por meio de link disponibilizado pela organização.

O passeio é realizado e possui 20 vagas disponíveis, que serão preenchidas

por ordem de inscrição através DESTE LINK

A arquitetura histórica de Botucatu apresenta características neoclássicas, seguindo projeto encomendado para a MISERICÓRDIA pelo Dr. Costa Leite, em 1893, ao arquiteto e engenheiro Francisco Soler, marco importante no desenvolvimento urbano da cidade.

Os organizadores orientam que os participantes utilizem roupas leves e confortáveis, calçados adequados para caminhada, repelente, boné ou cha-

péu para proteção solar, além de levarem água, lanche leve e, se possível, câmera fotográfica ou binóculo.

O passeio poderá sofrer alterações conforme as condições climáticas.

Mais informações podem ser obtidas junto à Secretaria Municipal de Turismo, localizada na Rua Benjamin Constant, 155 – Vila Jahu, pelos telefones (14) 3811-1490 e (14) 98164-6352, ou pelo e-mail turismo@botucatu.sp.gov.br

(Acontece Botucatu)

Feminicídio em Botucatu repercute nacionalmente pela extrema violência!

Farmacêutica morre três dias após ser baleada pelo ex-marido em Botucatu; atual namorado também foi morto A farmacêutica Julia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, morreu na noite de terça-feira (24/2), três dias após ser baleada no rosto pelo ex-marido, em Botucatu, no interior de São Paulo. O atual namorado dela, Diego Corrêa, foi morto no local do crime.

O suspeito dos disparos, Diego Sansalone, ex-marido da vítima, foi preso no domingo (22/2) e é apontado pela polícia como autor do duplo homicídio.

De acordo com informações da Polícia Civil, a ocorrência foi registrada na noite do crime no bairro Cambuí, após a Polícia Militar ser acionada para atender a um chamado de disparos de arma de fogo. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram as vítimas dentro de um carro que havia colidido contra um poste.

Julia ainda estava com vida, mas perdendo a consciência. Já Diego Corrêa aparentava estar morto. Ambos apresentavam ferimentos provocados por disparos de arma de fogo.

No banco traseiro do veículo estavam duas crianças. Um menino de 8 anos — filho de Julia com o suspeito — sofreu ferimentos no rosto e no joelho. Ele foi resgatado horas depois e encaminhado aos cuidados de familiares. A outra criança, filha de Diego Corrêa, também estava no carro e teve ferimentos leves.

Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia indicam que o motorista perdeu o controle do veículo possivelmente após ser atingido pelos disparos. O vídeo também mostra o suspeito se aproximando do carro, descendo de outro veículo e retirando o próprio filho do interior do automóvel das vítimas.

No local do crime, familiares relataram aos policiais

EXPEDIENTE

que o relacionamento entre Julia e o ex-marido era conturbado e que ele não aceitava o fim da relação. Antes de perder a consciência, a farmacêutica teria afirmado que o ex-companheiro foi o autor dos disparos.

A morte de Julia foi confirmada pela Polícia Civil na quarta-feira (25/2).

Natural de Botucatu, Julia Gabriela Bravin Trovão era farmacêutica, especialista em estética avançada e tinha experiência na área hospitalar. Ela era formada pela Faculdade Marechal Rondon e deixa um filho de 8 anos.

O caso segue sob investigação.

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

Feminicídio: uma epidemia ignorada

Campanhas não bastam para deter a escalada da violência doméstica e familiar

Todos os dias, quatro mulheres são assassinadas no Brasil apenas por serem mulheres. Outras dez sobrevivem a tentativas de feminicídio por dia. A maioria dos agressores são homens próximos: companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Nem em casa estamos seguras.

Os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública representam pessoas reais, com histórias que se repetem nas páginas policiais. Ironicamente, este mês também é marcado pelo Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização sobre a violência contra a mulher.

Os altos índices mostram que, embora necessárias, campanhas não bastam para deter a escalada da violência doméstica e familiar, que tantas vezes culmina em morte. Uma situação tão sistemática como a violência com origem no machismo não se resolve apenas com campanhas de conscientização.

O arcabouço legal avançou. A Lei do Feminicídio, que completou dez anos em 2025, tipificou o crime no Código Penal —caracterizado pelo assassinato de uma mulher por razões da sua condição de sexo feminino, em contexto de violência doméstica ou de gênero. Esse tipo de crime é hoje considerado crime hediondo, que garante penas mais rigorosas, de 20 a 40 anos de reclusão. Ainda assim, a aplicação da lei revela inconsistências.

Naturalmente, definir o que é uma “razão da condição de sexo feminino” tem um teor de subjetividade. Dois casos recentes ilustram esse aspecto. O primeiro ocorreu no Rio Grande do Norte no dia 24 de julho: uma mulher é brutalmente agredida por seu companheiro dentro de um eleva-

dor, tendo sido tudo gravado pelas câmeras de segurança. Foram 61 socos.

O segundo caso ocorreu apenas uma semana depois, no Distrito Federal, quando outra agressão semelhante foi registrada da mesma forma. Contudo, enquanto o caso potiguar foi registrado como tentativa de feminicídio na delegacia, o da capital federal foi inicialmente tipificado como lesão corporal qualificada por violência doméstica, crime este com pena bem mais branda. O que mais teria que ter acontecido para indicar que o agressor tinha a intenção de matar?

A lei é um marco de proteção à mulher, mas não é suficiente. Em 2024, o número de feminicídios foi o maior já registrado, e as tentativas cresceram 19% em relação a 2023. Além disso, os dados podem estar subestimados, considerando que muitos casos não são notificados e, quando são, podem acabar sendo tipificados de outra forma.

A conscientização trazida pelas leis e campanhas contribui para a elevação dos registros de casos que antes não eram nem reconhecidos pelas próprias vítimas e tampouco notificados às autoridades.

Potencialmente, muitas mulheres deixaram de ser agredidas e mortas graças à devida aplicação das leis e medidas de acolhimento. Mas, depois de uma década da Lei do Feminicídio e quase duas da Lei Maria da Penha, gostaríamos de começar a ver uma redução consistente nesses índices.

O fortalecimento de políticas efetivas de prevenção, acolhimento às vítimas, punição e reeducação dos agressores é indispensável para mudar um cenário persistente. O feminicídio não é apenas estatística: é uma epidemia que insistimos em ignorar.

03/09/2025

Viagens # Fé

Na Basílica de Santa Maria in Cosmedin, a igreja da “Boca da Verdade”

Igreja da Idade Média muito conhecida por abrigar em seu pórtico a famosa “La Bocca della Verità”, a Basílica Menor de Santa Maria in Cosmedin foi construída no século VI sobre os restos do Templo de Hércules no Fórum Boarium, um dos antigos centros de distribuição de alimentos em Roma, situado no bairro Ripa

O templo recebeu esse nome do adjetivo grego kosmidion (belo), graças à sua abundante decoração. Embora atualmente careça de adornos, ela ainda conserva alguns elementos decorativos, como os mosaicos do chão, o trono do bispo, o coro e o baldaquino.

A fachada, restaurada com um aspecto medieval, tem um pórtico de sete arcos no qual os turistas se apertam para introduzir a mão na mítica Boca da Verdade, antiga peça de mármore (uma tampa de bueiro) que representa a máscara de Tritão, deus greco-romano mensageiro do mar, com a boca aberta a quem a lenda medieval atribui o poder de morder os dedos da mão de um mentiroso que ousasse inseri-la na abertura.

Aliás, essa legendária escultura com enormes dimensões ficava na Piazza de la Bocca della Verità até que em 1632 foi levada para uma das paredes da Basílica de Santa Maria in Cosmedin. Com diâmetro de 1,75m, ela é representada por um rosto masculino com barba, e com os olhos, o nariz e a boca perfurados.

Sob o altar da basílica está a cripta erguida no século VIII para guardar as relíquias que o Papa Adriano I (700-795) havia extraído das catacumbas. O lugar tem a forma de uma pequena basílica na qual estão vários nichos com estantes de mármore onde são exibidas as relíquias dos peregrinos.

Hoje, o interior do templo divide-se em uma nave e dois corredores separados por quatro pilastras e dezoito colunas antigas. Pinturas dos séculos VIII ao XII, em

três camadas superpostas, estão preservadas na parte superior da nave e no arco triunfal. Há um coro medieval bem conservado com o piso decorado em cosmasteco. Na sacristia vê-se um precioso mosaico do século VIII oriundo da antiga Basílica de São Pedro, uma raridade. E numa das capelas laterais está o crânio coroado com flores de São Valentim, o padroeiro dos namorados. Já a torre sineira, de estilo românico, erguida em 1123, é a mais alta de Roma, com aproximadamente 34,2 metros.

• Cronista e pesquisador, membro da Academia Botucatuense de Letras, é autor de 58 livros sobre a história regional.

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