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JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS Diário da Cuesta
Falar do livro “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos (página 2) pode parecer uma volta no tempo e... é mesmo! Mas é uma volta positiva. Quando escrevi o artigo “Mensageiro do Amor”, no DCI – Diário do Comércio & Indústria”, em 1969, expressei toda a satisfação que senti ao ler o livro (página 3). E hoje, a satisfação se repete. É uma história que encanta em sua simplicidade encontrada em toda cidade deste país. É a vida sendo vivida e sonhada com uma carga muito grande de esperança no amor e no ser humano. É a vida como ela é... A vida com as superações possíveis... Sim, é possível superar as dificuldades. Sim, com o “escudo” de um mundo imaginário é possível construirmos um caminho para nossa vida calcado na interação positiva entre as pessoas. “MEU PÉ DE LARANJA LIMA” é um grande filme! Não percam! Vale a pena!!! (AMD)

Página 2

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O anúncio foi feito durante evento realizado em Melbourne, na Flórida. Segundo a fabricante, os modelos marcam a primeira evolução da família Praetor e trazem mudanças na cabine, novos assentos e tecnologias voltadas ao aumento do conforto, da conectividade e da produtividade em voos de longa distância.
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JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS

José Mauro de Vasconcelos (1920-1984) foi um escritor brasileiro, autor do romance juvenil “Meu Pé de Laranja Lima”, obra que se tornou um clássico da literatura brasileira.
José Mauro de Vasconcelos nasceu em Bangu, no Rio de Janeiro, no dia 26 de fevereiro de 1920. Filho de imigrante português foi criado pelos tios, na cidade de Natal no Rio Grande do Norte.
Com 15 anos, José Mauro voltou para o Rio de Janeiro onde trabalhou em diversos empregos para se sustentar, foi carregador de bananas numa fazenda no litoral do estado, foi instrutor de boxe e operário.
Mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como garçom de boate. Iniciou o curso de Medicina, mas abandonou a universidade. Recebeu uma bolsa para estudar na Espanha, mas também não se adaptou à vida acadêmica.
Primeiros livros
José Mauro de Vasconcelos se aventurou junto aos irmãos Villas-Boas, em uma viagem pelos rios da região do Araguaia. O resultado foi seu livro de estreia “Banana Brava” (1942), onde relata o mundo do garimpo da região.
Em 1945 publica “Barro Branco”, seu primeiro sucesso de crítica. Escreveu “Longe da Terra” (1949), “Vazante” (1951), “Arara Vermelha” (1953), “Arraia de Fogo” (1955).
Seu primeiro grande sucesso veio com “Rosinha Minha Canoa” (1962). A obra foi utilizada no curso de Português na Sorbonne, em Paris. Nos anos seguintes escreveu “Doidão” (1963), “Coração de Vidro” (1964).
EXPEDIENTE
Meu Pé de Laranja Lima
Em 1968, José Mauro de Vasconcelos publicou seu maior sucesso, “Meu Pé de Laranja Lima”, que se tornou um clássico da literatura brasileira.
A obra é uma história autobiográfica que relata a vida sofrida na infância, as longas conversas com um pé de laranja que fica no quintal de sua casa e as buscas por mudanças.
Com 6 anos, o protagonista vive aprontando, viaja com sua imaginação, explora, descobre e responde aos adultos. A obra foi adaptada para a televisão e para o cinema.
Cinema
José Mauro de Vasconcelos trabalhou em diversos filmes, entre eles, Modelo 19 (1950), que lhe valeu o Prêmio Saci de Melhor Ator Coadjuvante, O Canto do Mar (1953), onde atuou como roteirista, Garganta do Diabo (1960), A Ilha (1963) e Mulheres & Milhões (1961), que também lhe valeu o Prêmio Saci de Melhor Ator.
José Mauro de Vasconcelos faleceu em São Paulo, no dia 24 de julho de 1984.
Escreveu também:
Rua Descalça (1969)
O Palácio Japonês (1969)
Farinha Órfã (1970)
Chuva Crioula (1972)
O Veleiro de Cristal (1973)
Vamos Aquecer o Sol (1974)
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes
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MEU PÉ DE LARANJA LIMA

Esse filme sobre a obra do autor foi um grande lançamento do cinema nacional. A 2ª versão adaptada para o cinema do livro “Meu Pé de Laranja Lima”, do escritor José Mauro de Vasconcelos. A 1ª versão é de 1970 e foi um sucesso de bilheteria O livro de Zé Mauro foi traduzido para mais de 30 idiomas e marcou a literatura brasileira. Foi adaptado para o cinema, o teatro e a televisão
O filme é dirigido por Marcos Bernstein, que fez o roteiro do filme Central do Brasil Traz no elenco Caco Ciocler (como Zé Mauro), João Guilherme Ávila (ator mirim revelação no papel de Zezé), Emiliano Queiroz e José de Abreu (no papel do “Portuga”). O filme mostra a história de um menino (Zezé) que vive num mundo imaginário todo seu, dessa forma se refugiando da realidade hostil que o cerca. Em sua imaginação, o pé de laranja lima é seu amigo e dialoga com ele. Com 8 anos de idade, incompreendido pelos adultos de casa encontra, no português Manoel (José de Abreu) a quem chama carinhosamente de “Portuga”, o amparo e a interação necessários.


O filme foi rodado em Minas Gerais nos anos de 2011 e 2012.


peão absoluto de vendas em 1968, adaptado ao cinema, foi sucesso em 1970.
NO TÚNEL DO TEMPO...
Em 1969, eu tinha uma coluna diária, “A Juventude”, no “DCI – Diário do Comércio & Indústria”, da Capital. Cursando Direito na USP e trabalhando, diariamente fazia meu artigo, tendo como tema sempre a participação dos jovens na renovação política e na construção da cidadania E no artigo “Mensageiro do Amor”, escrevi com todo o entusiasmo e romantismo do jovem universitário sobre o livro lançado por José Mauro de Vasconcelos, “Meu Pé de Laranja Lima”.
Edição de 1970
Em uma época, como a nossa, em que cada vez mais estão a colocar em segundo plano o sentimento entre as pessoas encontramos um escritor que se caracteriza como um defensor do amor, um defensor que, sem ser piegas, consegue em sua simplicidade relatar, com profundo lirismo, as relações entre as pessoas: os dramas familiares, oriundos da incompreensão; as sutilezas e os vazios daqueles que, por motivos os mais variados, se perdem na solidão; a capacidade do ser humano, quando vive com amor e ao amor se dedica, de ver beleza em tudo e com tudo se identificar podendo, assim, completar-se com a natureza, com os animais e com os homens.

Mas um escritor assim precisa falar a linguagem do amor, mas muito mais, ele precisa ser o próprio amor: um profundo ser sensível que vive e em cada ato e em cada participação que tenha consiga ser um porta-voz do amor, um mensageiro do amor.

Por oportuno, reproduzo o artigo “Mensageiro do Amor” que, em 1970, foi incluído e publicado na coletânea de meus artigos no DCI: “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”, editada pela Editora EDIJOR.
É uma obra especial que irá encantar a juventude atual, como já aconteceu com o livro e com o filme de 1970. Na televisão (foi tema de 3 novelas), sendo que em 1998, Gianfrancesco Guarnieri fez na novela o papel do “Portuga”.
José Mauro de Vasconcelos se firmou como escritor criativo e de qualidade Com 19 livros, destacamos o Meu Pé de Laranja Lima, Rosinha- Minha Canoa, Doidão e As Confissões do Frei Abóbora.
Mensageiro do Amor
A literatura é a forma de expressão de um povo. Ela retrata uma época. Ela retrata o sentimento do povo. Ela demonstra as tendências sociais. Ela evidência a evolução econômica e política de uma geração. Ela é, enfim, o fruto de uma época...
No Brasil, atualmente, o surto literário se apresenta de forma marcadamente revolucionária: são novas técnicas, novos estilos e uma outra concepção da vida e da finalidade do ser humano.
Pensando no amor e lembrando alguém que com suas obras se caracteriza como um mensageiro do amor, é que nos animamos a escrever este artigo, um artigo-agradecimento a alguém que nos faz acreditar cada vez mais na bondade humana, no sentimento e na sensibilidade dos homens.
O mensageiro do amor, o cavaleiro errante do carinho e da compreensão é José Mauro de Vasconcelos. A capacidade que tem esse escritor de se comunicar com as pessoas e ser por elas compreendido é singular. É comumente afirmado que “Vox Populi, Vox Dei”... Ora, nada mais certo. Logo, a voz de José Mauro, sendo a voz do povo é a voz de Deus. Pois Ele, através de seu filho, foi amor, pregou o amor e falou o amor.
José Mauro foi o escritor mais lido do Brasil. Nunca, em matéria de literatura brasileira houve tanto acerto: o povo se encontrando em um grande escritor; um grande escritor que falando a linguagem do povo consegue, sem se vulgarizar, levar mensagens de esperanças, de compreensão e de vida.
Diriam alguns que é um fenômeno. Eu ficaria com a afirmação de que são sinais de novos tempos. A nosso ver é o despertar da população para as boas coisas da vida; é o despertar para um mundo que estava sendo esquecido e olvidado no que mais belo ele tem: o sentimento do ser humano de criar e modificar situações através do amor, inteirando-se com seus iguais, identificando-se com a natureza e estimando os animais.
O Zé Mauro é tudo isso. Ele é global e é um homem total. Ele vive de emoções, ele se limita a apresentar, não a impor as suas convicções. Ele é um escritor modesto, mas profundo; um puro, mas alguém que conheceu as maldades e as impurezas da vida; ele consegue amar, precisa amar e é grandemente amado.
Esse é o grande escritor, revolucionariamente descoberto, nos anos da década de 60 pela nossa juventude.
Quem ainda não leu algum livro do Zé Mauro?
Quem não leu, leia. (AMD)
"Um Dia de Domingo"

MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA
Um Dia de Domingo
Tim Maia
Eu preciso te falar
Te encontrar
De qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar
De encontro ao vento
Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol
Que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez
Te ver sorrindo
Te encontrar num sonho lindo
Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de Domingo
Faz de conta que
Ainda é cedo
Tudo vai ficar
Por conta da emoção
Faz de conta que
Ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração....
PAZ, LUZ e AMOR!!!
Amanheceu !
Um gostosa manhã de domingo se abriu!
Escrevo e escuto a alegria das maritacas de repente próximas e subitamente ao longe em seu voo matinal.
Cenas de outras manhãs se fazem lembrar.
Uma preciosa manhã rósea, sol ainda nascendo.
Abro o portão de ferro e vou caminhando até a padaria por entre alguns vizinhos, sem perceber que a Web, nome da Yorkshire dos meus sobrinhos, escapuliu atrás de mim e se esgueirou pelas ruas do bairro de Santa Angelina, em Araraquara, ainda tranquilo naquela hora.
Ao voltar dou com a Web sentadinha ao lado do portão do vizinho.
Assustada mas alegre ao ver que ela está ali fora.
Suspiro agradecida ao vê-la vir ao meu encontro toda feliz e
a pego no colo rindo das suas lambidas pelo meu rosto.
Coloco a chave na fechadura do portão e abro, colocando a pequenina sapeca no chão, aliviada só pensando no sofrimento das crianças ao sabê-la perdida.
Ela me segue até a cozinha aonde a mesa do café já está posta e o cheiro do café recentemente passado rescende.
Coloco o saco de pão fresco, ainda quente o cheiro do pão invade minhas narinas e não resisto á vontade de roubar um naco da ponta de um deles, passo um pouco de manteiga Aviação no pedaço de pão, e numa xícara coloco um pouco de café.
Este é um dos meus momentos de alegria matinal.
Dou uma pequena mordida e vou mastigando com prazer e bebericando o café.
Enquanto quase todos dormem, passo os olhos sobre a mesa e para verificar se falta algum item ou algum talher.
Vou até a geladeira e pego o pote de geleia de morango que faltava.
Fazer o café da manhã, buscar o pão, e por a mesa era um dos meus prazeres quando visitava os meu sobrinhos em Araraquara.
Logo a acolhedora cozinha se enchia de vozes, cumprimentos afetuosos, e depois de todos sentados á volta da mesa tomávamos alegremente o café.
A conversa das mulheres já era sobre o almoço, e se faltava algum ingrediente.

Se o almoço fosse churrasco íamos mais tarde até o açougue buscar o ingrediente que faltava.
A grande preocupação nas manhãs era alimentar o pequeno sobrinho neto que naquela época só tomava suco de soja em sua mamadeira.
Ele mudava o sabor de vez em quando.
Eu nem me podia imaginar tomando aquele suco, nem mesmo gelado.
Depois de um passeio pela praça e com a parada na banca de revistas para pegar o jornal e algum livrinho infantil para a sobrinha neta, dar uma olhada pelos inúmeros visitantes.
A tarde íamos visitar o SESC, que tinha uma bela brinquedoteca e atividades para as crianças e adultos.
A noite íamos todos assistir a missa na paróquia do bairro, que tinha muitas vezes um divertido bingo beneficiente e alguns quitutes como deliciosos pastéis, pizzas, sobremesas, sorvetes.
Voltávamos á casa mais cansados que as crianças que já dormiam no colo dos pais.
E aquele domingo ficou ali preso na saudade e nas lembranças.