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Diário da Cuesta

QUARESMA Arquidiocese de Sant’ Ana...

Quarta-feira de Cinzas

Iniciamos o Tempo da Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2026.

Fraternidade e Moradia

“Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14)

Na sua mensagem, Dom Maurício Grotto de Camargo nos convida a viver a Quaresma como tempo de conversão e compromisso concreto com a dignidade humana, especialmente daqueles que não têm uma.

Como recorda o Papa Leão XIV:

“Converter-se é aprender novamente a escutar a Deus e aos irmãos.”

Que este caminho quaresmal gere em nós fé, fraternidade e responsabilidade social.

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Você sabia?!? “BRASILEIRIZAÇÃO”

Países ricos deveriam temer ‘Brasileirização’ da economia global, diz The Economist PÁGINA 4

A Quaresma é um período de 40 dias de preparação, reflexão e conversão que antecede a Páscoa, marcando a jornada cristã de retorno a Deus e renovação espiritual. Baseado nos 40 dias de Jesus no deserto, este tempo sagrado foca em oração, jejum e esmola (partilha), convidando a uma mudança de vida.

Aqui estão os pontos principais sobre a importância da Quaresma:

Tempo de Conversão (Metanoia): A Quaresma é um convite profundo para mudar de direção, abandonando o “homem velho” e voltando o coração para Deus e para o próximo, conforme o Papa Francisco.

Os Três Pilares: A Igreja propõe a prática da oração (intimidade com Deus), jejum(domínio das paixões e penitência) e esmola(amor ao próximo e partilha), que servem para romper com o egoísmo e fortalecer a alma.

Significado dos 40 Dias: O número 40 na Bíblia representa tempo de preparação e purificação. Remete aos 40 dias de Jesus no deserto, os 40 anos do povo de Israel no deserto e os 40 dias de dilúvio, simbolizando um período de prova e amadurecimento espiritual.

Preparação para a Páscoa: A Quaresma não é um tempo de tristeza, mas de preparação séria para celebrar a ressurreição de Cristo. Inicia na Quarta-feira de Cinzas e termina antes da Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa.

Renovação Batismal: É uma oportunidade para os cristãos refletirem sobre seu comportamento, examinarem a consciência e prepararem-se para renovar as promessas do batismo na Vigília Pascal.

Roxo e Despojamento: A cor litúrgica é o roxo (penitência). Há um despojamento nas celebrações (menos flores, sem “Aleluia”), incentivando um foco maior na sobriedade e na escuta da Palavra de Deus.

A Quaresma é um “deserto” espiritual, um local de

encontro com o divino para educar o coração para o essencial: o amor de Cristo.

Dom Maurício Grotto de Camargo, Arcebispo de Botucatu, convida a Arquidiocese à conversão e solidariedade na Quaresma 2026, com foco na Campanha da Fraternidade sobre moradia (“Ele veio morar entre nós”). Em suas mensagens, destaca a oração, jejum e caridade como caminhos para renovar a fé e dignidade humana.

Pontos principais da mensagem de Dom Maurício: Campanha da Fraternidade 2026: Dom Maurício Grotto de Camargo enfatiza a temática da moradia e o lema “Ele veio morar entre nós”, chamando a atenção para o drama das pessoas sem moradia adequada.

Tempo de Conversão: O Arcebispo destaca a Quaresma como um período para escutar novamente a Deus e aos irmãos, gerando fé e compromisso social.

Sinal da Quaresma: A mensagem de Dom Maurício, frequentemente proferida na Quarta-feira de Cinzas, exorta a comunidade a viver a espiritualidade quaresmal com propósitos concretos.

Ação Pastoral: O Arcebispo incentiva a Igreja em Botucatu a ser “casa” de acolhimento e a praticar gestos de fraternidade, buscando a dignidade para todos.

A Quaresma em Botucatu, sob a orientação de Dom Maurício, busca transformar o período de jejum e penitência em atitudes concretas de solidariedade, conversão pessoal e social.

FRATERNIDADE ITALIANA

Como é maravilhosa nossa atávica latinidade, não? Como é profundo esse sentimentalismo arraigado em nós ambos que nem a crosta dos anos - carregados de um realismo cruel e convincente a gritar-nos a toda hora que o mundo de hoje é outro, muito outro - é capaz de extinguir!

Como é linda e enternecedora essa amorável ternura que ao menor sopro das evocações nos reaviva os melhores e mais edificantes momentos da existência transportando para as figuras, as coisas e as épocas a carga emocional que trazemos de longe.

Como é bom constatarmos que não estamos sós. Que essa teimosa sentimentalidade envolvente não subsiste em nós tão somente. Que remanesce nas alturas que você ocupa onde os horizontes mais abertos e largos oferecem outro conceito do quotidiano, nem por isso capaz de diminuir-lhe a memória em potencial. Como é bom saber que daí de cima dimanam espontâneos e magníficos os raios da amorável fraternidade que não morre, que vê a todos, na planura, com olhos bondosos e acenadores. Como é bom verificarmos que maior e mais potente do que a distancia e o longo caminho de vinte anos percorrido é a envolvente e pura amizade remanescente.

A exposição do MASP da Capital, que você já deve ter visto e que nos ofereceu há pouco tempo aqui, no Brasil-Itália, uma retrospectiva breve da Colonização Italiana, vem despertar-nos, pelo noticiário dos jornais, facetas ciosamente guardadas do passado.

Como era linda a amizade entre os imigrantes. Aqui, em Botucatu, eles formavam uma só família.

Não importa que viessem dos Abruzzos, ou do Piemonte, da Toscana ou da Calábria. Tudo era um só traço afetivo a unir, a estreitar vínculos, a miscigenar famílias, a entrelaçar nomes.

O grupo de nosso avô paterno era grande. Mas vinculavam-se pelo compadresco mais sólido do que o sangue, os Francisco Grecco, Francisco Gran-

de, de Vitoriana, José Pedutti.

A horta, o pomar, fazia o denominador comum. Trocavam-se mudas, sementes. Faziam-se experiências. Ensaiavam-se culturas. Todos tinham o seu quintal. Vasto, espaçoso, ubertoso, pródigo.

O cooperativismo entre eles, faria inveja às mais bem organizadas agremiações agrícolas de hoje. Tudo era planejado. Esperava-se o dia, o mês, a lua. A enxertia era para eles, um cerimonial. Reunidos os quatro, desciam ao nosso quintal. Enxertia no parreiral, previamente podado. A planta-cavalo, tronco matriz, já fora previamente escolhida. A plantinha a enxertar, que iria haurir do galho mestre toda a vitalidade e a seiva, já fora separada. Essa era o presente do amigo. De um, ou de outro. Agora, todos juntos, num emaranhado e pitoresco linguajar de dialetos, agiam concomitantemente : um aproximava o garfo ou enxerto, outro aplicava a cera fina e maleável enquanto o terceiro trançava a tira de casca.

Enxertia de borbulha. Tudo realizado, era uma festa para os olhos. Vovô presidia.

Agora, a espera. O quotidiano cuidado, o zeloso observar, o constante umedecer a terra facilitando a plena saúde da nova planta a ressurgir.

Tempos depois, os nódulos vermelhos avolumando-se, abrindo-se de um dia para outro. O espoucar surpreendente das tenras folhinhas, já verdes e macias. Depois, os primeiros tênues tentáculos à procura do apoio. Eis então, delicadas vergônteas, os primeiros ramúnculos.

Que alegria para os amigos. A expectativa ansiosa, a satisfação do trabalho conjunto realizado.

Esses encontros semanais acabavam na gostosa reunião ao redor da vasta mesa da sala de jantar simples e acolhedora. E havia sempre um vinho, da última safra, para celebrar o acontecimento. Ao redor deles, o mundo infantil dos netos trêfegos e brejeiros.

Países ricos deveriam temer ‘Brasileirização’ da economia global, diz The Economist

A revista The Economist usou o Brasil de alerta para a economia de países ricos Em artigo publicado nesta quinta-feira (12/2), o veículo afirma que o mundo rico deveria temer a “Brasileirização”, ou seja, um cenário em que juros elevados tornam a dívida pública cada vez mais difícil de administrar.

O artigo afirma que o paradoxo do país é combinar indicadores que, à primeira vista, seriam considerados positivos, como crescimento econômico, banco central independente e orçamento primário “quase equilibrado”, com uma dinâmica de endividamento considerada explosiva.

Com a selic, a taxa básica de juros, em 15% ao ano, o governo brasileiro “provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros”, diz a revista, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio.

“Sua dívida líquida, em 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os do mundo rico.”

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública bruta do Brasil vai atingir 99% do PIB em 2030. Em 2010, correspondia a 62%.

“Pode parecer dolorosamente difícil, em um mundo populista, ao mesmo tempo, prometer baixa inflação e gastar menos com os idosos. Mas isso não é nada comparado à escolha agonizante que se aproxima do Brasil:

Com a selic a 15%, o governo brasileiro precisará pagar conta alta de juros

entre uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida.”

Mas a saída pela austeridade, diz a publicação, parece politicamente inviável. Segundo o texto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição em outubro, “afrouxou os cordões da bolsa”, o que reduz as chances de um ajuste fiscal severo no curto prazo.

Para explicar por que o país paga taxas tão superiores às de economias ricas, a revista aponta uma combinação de fatores institucionais e históricos. (THE ECONOMIST)

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