DR.COSTA LEITE: 1º MÉDICO DE BOTUCATU E BENEMÉRITO FUNDADOR DA MISERICÓRDIA BOTUCATUENSE!
DIA DO MÉDICO - 18 DE OUTUBRO
Em homenagem ao DIA DO MÉDICO, nada mais justo que homenagearmos o 1º Médico de Botucatu e Fundador de nosso primeiro hospital: a MISERICÓRDIA BOTUCATUENSE!
A Misericórdia Botucatuense, fundada em 1893, completou em 1993 - para júbilo geral! -, seu 1º Centenário Um século. Uma vida de bons e inestimáveis serviços prestados a Botucatu. Entre os botucatuenses que colaboraram desde o início, destacamos a presença e liderança do médico Antônio José da Costa Leite. Baiano de nascimento, formouse médico em Salvador e veio ajudar na construção do Estado do Bandeirantismo, tornando-se botucatuense de coração. A influência do Dr. Costa Leite na cidade de Botucatu foi marcante. Como único médico da cidade e de toda uma grande região, Costa Leite gozava de efetivo prestígio. Botucatu era considerada “Boca do Sertão” e a rota dos tropeiros que rasgavam o solo paulista em direção a Mato Grosso e ao norte do Paraná. Àquela época, o médico diplomado exercia verdadeiro fascínio e admiração junto à população Tratado com especial deferência, era tido como alguém possuidor de poderes especiais, quase como um representante dos deuses, dos quais receberia poderes mágicos...
Antes da entrada do novo século, a pequena Botucatu já possuía o seu primeiro médico E haveria de ser ele a liderar amplo movimento para a construção de nosso primeiro hospital: a Misericórdia Botucatuense.
Na história das instituições filantrópicas, ao menos em suas origens e primeiros tempos, duas características são sentidas: a presença constante de crises financeiras e a obtenção de melhorias tecnológicas graças ao prestígio e relacionamento desses profissionais da medicina, verdadeiros sacerdotes da saúde, junto às suas comunidades
Assim ocorreu com a nossa Misericórdia. O Dr. Costa Leite obtém junto à matriarca Dona Isabel Franco de Arruda, rica proprietária que para aqui veio, nascida na Vila da Constituição (Piracicaba), a expressiva doação de dez contos de réis Dez contos de réis!
Com esse primeiro capital, o Dr. Costa Leite lançou-se à luta. Antônio Ferreira da Silva Veiga Russo e Domingos Soares de Barros doaram ao novo empreendimento parte de suas propriedades, para a localização e construção das obras. Domingos Soares de Barros além dessas terras, doou propriedades na cidade como primeira fonte de renda da Misericórdia.
O prestígio do Dr. Costa Leite estava viabilizando o hospital. Na galeria dos colaboradores iniciais, vemos os nomes de Antônio Joaquim Cardoso de Almeida (fundador do clã que tantos benefícios trouxe para Botucatu) português de nascimento e que chegou a exercer a vereança em nossa cidade, Floriano Simões, Monsenhor Paschoal Ferrari (idealizador de nossa Diocese), Raphael de Moura Campos, Antônio Cardoso do Amaral (ou Antônio Cardoso Almeida), José Cardoso de Almeida (Jucá), Armindo Cardoso de Almeida, Amando do Amaral Barros, João Morato Conceição, Brazil Gomes Pinheiro Machado, José Paes de Almeida, João Rodrigo de Souza Aranha, Antônio Amaral César, Luiz Ayres de Almeida Freitas, Raphael Nigro, Henrique Reis, João Morethzorn, Joaquim Benedito da Costa, Alberto Pereira, Luiz Augusto Tavares, Cândido Cyríaco Martins, Caetano Caldeira, Napoleão de Barros, Samuel Levy, Joaquim Francisco de Paula Eduardo, José A. Camargo, Manoel Pinto Costa, José Moraes Costa, Francisco da Rocha Campos Bicudo, Manoel Theodoro de Aguiar, Fernando José Teixeira Guimarães, José Elias Marins, Francisco Antunes de Almeida, José Cláudio Pereira, Júlio C. Oliveira e José Pires de Almeida Moura.
A primeira Ata de Fundação e Constituição do novo e benemérito empreendimento é datada de 02 de janeiro de 1893. A primeira Diretoria constituída é composta, além do comando do Dr. Costa Leite, dos Senhores Antônio César, Amando do Amaral Barros, João Rodrigo e Floriano Simões. O Juiz de Direito, Dr. Luiz Ayres de Almeida Freitas, que por 20 anos dignificou a justiça em Botucatu, foi o primeiro Provedor da Misericórdia Botucatuense, tendo na administração o Sr. Antônio Ignácio de Oliveira.
presença estatal na assistência médica, a Misericórdia passou a atuar como um hospital conveniado com os Institutos Federais de Previdência. No entanto, NUNCA deixou de existir o espírito que norteou a sua fundação: amparar a todos que necessitem de apoio médico, notadamente aos mais carentes.
O primeiro médico a colaborar com o Dr. Costa Leite foi o Dr. Miguel Zacharias de Alvarenga. Ao depois, os Drs. Carvalho Barros, Vital Brasil, José Procópio Teixeira Guimarães, Aristides Franco Meireles, Vicente Vianna Júnior, Francisco Rodrigues do Lago, Jorge Vianna Bittencourt, Paschoal e Paulo Rugna, Miguel Losso, José Maria de Freitas, Moacir Corte Brilho, Jacinto Gomes, Marco Túlio de Carvalho, Antônio Gióia, Francisco Figueira de Mello, Horácio Figueiredo, Nestor Seabra, Edmundo de Oliveira e Darwin do Amaral Viegas.
Segundo relato do Dr. Olívio Stersa (Memórias da Misericórdia Botucatuense - 1988), temos a presença de médicos italianos atuando na Misericórdia: “...Entre os italianos que também freqüentavam o nosocômio, podemos citar os doutores Maggiore, Thadei, Antônio Gioia, os irmãos Paschoal e Paulo Rugna e Miguel Losso.”
Em 1948, com a chegada do novo Bispo Diocesano, Dom Henrique Golland Trindade, aconteceu o “encontro histórico” entre o grande chefe maçon e o chefe da Igreja Católica:
O FAMOSO TEATRO ESPÉRIA
O Sr. Luiz Baptistão, que foi Provedor da Misericórdia, realizou importante pesquisa relativa à história desse hospital beneficente. Recentemente, através da “GAZETA DE BOTUCATU”, de 12/03/93, trouxe ao conhecimento da comunidade botucatuense que “...os valorosos homens públicos, no correr dos tempos, antes já haviam pensado com que recursos financeiros contaria a Misericórdia para se manter em funcionamento, com as despesas de funcionários, cozinha, medicamentos, rouparia, limpeza, tudo enfim. Ocorreu-lhes, pois, a idéia, de ao mesmo tempo em que construiriam o hospital, erigiriam um teatro destinado a proporcionar alegrias e divertimento ao povo em geral, mediante pagamento de uma taxa por sessão de espetáculo, com função permanente, em proveito das finanças do hospital.”

Essa é a origem do Teatro Santa Cruz , em terreno de propriedade do hospital, ao depois Cine Espéria e sede da Sociedade Italiana de Beneficência, que o comprou da Misericórdia. A sua construção teve também projeto do Arquiteto Francisco B. Soler e a Comissão que administrou a construção do teatro era constituída do Dr. Antônio José da Costa Leite (Presidência), Armindo Cardoso de Almeida e Amando de Barros. No ano de 1954, um incêndio destruiu o teatro. Não foi reconstruído. A bela arquitetura de sua fachada ficou registrada nas fotos da época... Mas nessa pesquisa, o Sr. Luiz Baptistão nos dá, também, uma sinalização da situação e mando político da época, visto a reunião da Diretoria da Misericórdia ter ocorrido, sob a presidência do “...incansável Dr. Antônio José da Costa Leite, no Salão de Leitura do “Gabinete Literário e Recreativo de Botucatu”(o mesmo prédio que sedia a Rádio Emissora de Botucatu S.A., na Rua Marechal Deodoro, 320 - antiga e linda sede do Partido Cardosista).”

Realmente, a personalidade do Dr. Costa Leite era marcante. A par de seu desempenho como médico, era ele verdadeira locomotiva de nossa sociedade. Amante do teatro, além do empreendimento acima, participava ativamente de grupos teatrais amadores da cidade e patrocinava a vinda de companhias de fora No esporte, foi responsável pela introdução da prática do tênis de campo em Botucatu. Liderando destacadas personalidades de nossa sociedade, Costa Leite introduziu a prática desse esporte entre nós. As quadras então existentes situavam-se próximas das atuais quadras do BTC, ao lado do Centro Cultural e da Prefeitura Municipal.
INTRODUZIU O TÊNIS DE CAMPO

A oito de dezembro de 1901, a Misericórdia foi oficialmente inaugurada. Seu benemérito, Dr. Costa Leite, assim relatou: “...no dia da inauguração enfeitei muito bem o prédio, iluminei-o com gás acetileno, deixei tudo pronto e fugi. Fui para o Lageado e só voltei à noite, quando tudo estava terminado. No início tivemos que vencer grandes dificuldades. Quase tudo parou. Mas, o sempre caridoso povo de Botucatu veio em meu auxílio.” (Folha de Botucatu, 14/12/1941). Na inauguração do Hospital, a eficiente pesquisa do Sr. Luiz Baptistão (Gazeta de Botucatu/ edição No. 1.699), nos dá a exata dimensão dessa solenidade: “Enfim, no dia 8 de dezembro de 1901, no edifício do Hospital, reunidas a Diretoria, Exmas. famílias, Associações, autoridades e grande massa popular... Houve discurso do Agente Consular Italiano, do Representante da Sociedade Italiana “Pró-Pátria”, do “Círculo Filo-Dramático Paulo Ferrari”, do representante da Sociedade “Casa de Savoia”, do representante da Loja Maçônica “Guia do Futuro” e “Sociedade de Caridade Maria Pia”. O Dr. Costa Leite foi maçon e venerável. No artigo “CENTENÁRIO DA MAÇONARIA EM BOTUCATU” (http://blogdodelmanto.blogspot.com. br/2011/06/centenario-da-misericordia-botucatuense.html), publicado pela revista botucatuense de cultura PEABIRU, de setembro/outubro de 1998, numa iniciativa da LOJA GUIA REGENERADORA, foi cedido para publicação e divulgação a ficha cadastral do Dr. Costa Leite: O Hospital sempre enfrentou dificuldades financeiras. Para efeito didático, dividimos em 2 fases a história da Misericórdia Botucatuense: a 1a. Fase desde a sua fundação, em 1893, até o ano de 1937, quando houve a gravíssima ruptura entre o Corpo Clínico e a Diretoria Administrativa (com a demissão do Corpo Clínico) e, a 2a. Fase, a partir de 1937 até os nossos dias.
Pioneiros do Tênis em Botucatu: Da esquerda: DeoclesianoPontes, Ester Portela Pontes, (?), Antônio José da Costa Leite, Augusto Viana Junior, Virgínia Neves Costa Leite, (?), Aníbal Costa Leite. (“Achegas”, Hernâni Donato, 1985)
Mesmo local das atuais quadras do BTC. Os primeiros tenistas. Aníbal Costa Leite é o quarto a partir da esquerda. (“Achegas”, Hernâni Donato, 1985)
1ª. FASE: Na principal fase, a da consolidação do empreendimento, além dos beneméritos já citados, é preciso citar a presença dos médicos que vieram prestar a sua colaboração à Misericórdia. É preciso que se destaque que durante a primeira fase e até meados da segunda fase a colaboração médica era SEM REMUNERAÇÃO, era o verdadeiro sacerdócio médico. Afinal, a Misericórdia era e é uma Instituição de Benemerência À partir de meados da 2a. Fase, com as modificações do setor de saúde, com a crescente socialização da medicina e maior
Mas o pacificador e benemérito da Misericórdia Botucatuense teria que comparecer mais uma vez para garantir a estabilidade do Hospital. O risco de uma paralização era eminente. Pela “FOLHA DE BOTUCATU”, de 17/03/37, a notícia de que o Dr. Costa Leite, mesmo com idade e já afastado do exercício da profissão, assumia a direção clínica do Hospital: “MISERICÓRDIA BOTUCATUENSE” Acaba de assumir a direção da Misericórdia Botucatuense o Dr. Costa Leite, o venerando facultativo a quem se deve a existência desse modelar estabelecimento de caridade em nossa cidade. Tendo agora como operador o Dr. Cyro de Oliveira Guimarães de quem fazemos referências em outra parte, está a Misericórdia Botucatuense perfeitamente aparelhada para continuar a sua rota sem tropeços, fazendo o bem e minorando os sofrimentos daqueles que necessitarem dos recursos médicos”. No final de sua 1a. Fase, a Misericórdia conseguia atravessar esse sério obstáculo pelas mãos seguras do Dr. Costa Leite. A 2a. Fase começou em 1937, com Emílio Peduti no comando administrativo da entidade e com a convocação do Dr. Antônio Delmanto para o corpo clínico. Emílio Peduti, bem sucedido capitalista, teve por incumbência a gestão administrativa e a grave crise financeira que abalou a instituição. A Antônio Delmanto, com a colaboração inicial de pouquíssimos colegas (com especial destaque para a presença sempre firme do Dr. Antônio Pires de Campos), coube a função de reestruturar o Corpo Clínico, diante do afastamento ocorrido de toda a equipe médica que atuava no hospital.


"Perfeita sintonia"
MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA
Amanheceu aquele dia meio nublado.
Era muito cedo ainda, e lá da cozinha veio aquele indefectível cheirinho de um café recém-passado.
A menina em mim espreguiçou e saiu da cama para ir até a varanda es - cutar o canto dos passarinhos e respirar o fresco da manhã.
Pés descalços, passando pelo corredor até a saleta passou pelo rádio e automaticamente o ligou, girando o dial procurando sua frequência preferida e aumentou o som ao ouvir a voz do locutor anunciando a próxima música.
Cantarolou junto ensaiando alguns pequenos passos de dança para acompanhar o ritmo.
Ao chegar na varanda respirou profundamente de olhos fechados.
Um tímido raio de sol insinuou-se entre as nuvens e veio brincar nos cabelos.
Ficou ali alguns momentos enquanto sua cachorra estabanada veio pedir colo se apoiando com toda força das perninhas tortas e fortes, quase derrubando-a.
Deu aquele sorriso olhando-a direto nos seus olhos com aqueles brilhantes e doces cor de mel.
Desarmada deu-lhe um abraço desengonçado.
E voltou até a cozinha pegando no armário sua caneca preferida.
Colocou um pouco de café quente, cheirou e bebeu um gole quente enquanto acariciava a cabeça da cachorra.
Cantarolou o refrão da música que seguia tocando em voz baixa, pegando um pão e cortou na metade, passando a manteiga com a faca no miolo.
Deu uma dentada mastigando. Pegou um naco de miolo de pão com manteiga e jogou para a cachorra que o pegou no ar.
A música já terminava e o locutor anunciou os comerciais.
Terminando de comer o pão e dando um último gole em seu café foi até o quarto, para se arrumar para o trabalho.
Ao sair de casa desligou o rádio.
Deu ração e água para a cachorra e foi saindo para a garagem, colocando a bolsa sobre o ombro direito.
Abriu a porta do carro e acionou o portão da garagem que se abriu.
Deu uma última olhada para a cachorra dizendo: -"Daqui a pouco mamãe volta."
Como se pudesse entender ela retribuiu com um sorriso e um latido.
Tirou o carro da garagem, fechou o portão automático e ligou o rádio, virou a esquina e seguiu em frente ao som da música.
Quem nunca viveu sempre sintonizado numa rádio, ouvindo as suas músicas prediletas ou as notícias?
Hoje ele pode estar um pouco esquecido, mas, para alguns faz parte inalienável da vida de muitos ouvintes.
Viva o Dia do Rádio !