Skip to main content

1647

Page 1


Escola de Samba ROSAS DE OURO esquenta o carnaval em Botucatu!!!

A Avenida do Fórum lotada com a população aproveitando o show dado por integrantes da Escola de Samba Campeã do Carnaval Paulista de 2025. Na segunda noite de Carnaval, a programação oficial da Prefeitura de Botucatu tem obtido o sucesso esperado. AVANTE!

O Carnaval das Grandes Escolas de Samba, do Rio e de São Paulo, é a Grande Ópera Popular. Com mais de 60 mil pessoas assistindo ao vivo e milhões de outras pelo mundo todo assistindo, através do “flash” do melhor momento do desfile de Carnaval, pela televisão e pela internet... Página 2

é

Diário da Cuesta 2

Relembrando

Diário da Cuesta

GRANDE ÓPERA POPULAR !

guem os afoitos. Não vou escrever uma palavra sequer sobre as performances operísticas do Tonico de Campinas no palco do norte da Itália. Vou apenas descrever o que vi em visita recente a esse magnífico teatro e, especialmente, ao museu que ocupa áreas importantes da casa de espetáculos. O saguão de entrada do Scala é feericamente iluminado e lindo na sua decoração clássica. Por uma porta à frente desse saguão entrei numa frisa e pude observar, por alguns momentos, todo o interior do teatro, o palco, o fosso da orquestra, os camarotes, as frisas, a galeria, a plateia – tudo me trazendo à memória o lindo Teatro Municipal de Campinas, tristemente demolido há mais de meio século. Muito parecidos! Aliás, os teatros em estilo clássico, os municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, são muito semelhantes ao Alla

Scala Nessa observação tive a sorte de ver e ouvir um pouco de uma ópera de Mozart que estava sendo encenada. Maravilha pura! Saindo dali, dirigi-me ao museu, onde me esperavam intensas emoções, estéticas e de sentimento. Sobre uma mesa de honra pousavam os bustos em bronze de todos os principais operistas italianos, cujas obras foram levadas no Alla Scala: Verdi, Puccini, Rossini e enorme galeria. Ali, nesse local de honra do Museu apenas um estrangeiro. Quem? Wagner, o gênio alemão de Tristão e Isolda? Mozart, Beethoven, quem? Parece incrível, mas o único bronze de estrangeiro sobre essa mesa era o do brasileiro Antônio Carlos Gomes o nosso Tonico de Campinas. Nas paredes, pendurados, havia quadros a óleo com retratos de outros compositores italianos e estrangeiros insignes; sobre pedestais, bronzes de compositores e cantores líricos, como Caruso; um

dos quadros era o da soprano Tebaldi, que impressionava pela beleza da cantora, tão linda quão virtuose. Mas bronze de estrangeiro na mesa de honra só o de Carlos Gomes! Também me chamou a atenção um quadro pendurado em uma das paredes do museu, retratando a fachada do Teatro Alla Scala por volta de sua inauguração. A tela era assinada por Angelo Inganni e tinha por título Facciata del Teatro Alla Scala. Data: 1852. Uma linda obra. Depois dessa emocionante incursão, saí para o ar livre da fria primavera do norte italiano. A emoção da visita foi tão intensa quanto, dias mais tarde, a de percorrer o teatro grego de Siracusa, no sul da Itália, na bela Sicília A grande diferença é que este era de dois milênios antes e nele jamais se apresentou nenhum brasileiro, até porque Brasil não existia… Campinas, SP, Brasil

“Seria difícil imaginar um auditório com 60 mil pessoas assistindo a uma ópera, mesmo num palco a céu aberto. Mas não numa ópera popular. Nesta, o palco é móvel e múltiplo. Os atos são móveis e múltiplos. Cada ato desliza com seu cenário e seus figurantes nesse palco móvel. O libreto conta o enredo que é cantado por um coro de milhares de vozes junto aos tenores populares, em carro próprio de som. Assim é o desfile das escolas de samba: uma ópera popular...” César Maia Claro que há uma leitura de uma obra para o teatro e outra leitura, com outro ritmo, uma outra linguagem para o cinema. Imaginem então para o Grande Palco Móvel com milhares de pessoas na platéia. O grande brasileiro e maestro Carlos Gomes poderia ter a sua obra “O Guarani” levada no sambódromo do Rio ou de São Paulo. Adaptada, claro. A grande abertura com a imagem do grande maestro e compositor, com os demais carros alegóricos destacando os principais momentos da ópera famosa, com toda a ambientação devida. Seria uma “leitura” dinâmica de “O Guarani” e, garanto, seria de fácil compreensão para o público presente e para todos conectados pela internet ou que assistissem pela televisão. Uma grande ideia. Seria um resgate da obra clássica de Carlos Gomes com uma leitura poética e visionária de um carnavalesco competente. É isso: a Grande Ópera Popular! O Carnaval das Grandes Escolas de Samba, do Rio e de São Paulo, é a Grande Ópera Popular. Com mais de 60 mil pessoas assistindo ao vivo e milhões de outras pelo mundo todo assistindo, através do “flash” do melhor momento do desfile de cada escola, pela televisão e pela internet. Nessa Aldeia Global, consolidada pela revolução da informação, o carnaval das grandes escolas é

festa popular o mal cheiro e a sujeira transformam esses logradouros públicos no caos de cada comunidade. A VOLTA DAS MARCHINHAS E DOS BAILES DE SALÕES A outra

Diário da Cuesta 5

“104 anos da Semana de Arte de 1922”

Um grupo de artistas brasileiros: poetas, pintores, escritores reuniram-se no período de 13 a 22/02/1922, num evento cultural, que se realizou no Teatro Municipal de São Paulo inspirados na nova estética da arte europeia.

O mundo recém saído da 1a Guerra Mundial caminhava para mudanças sociais , políticas, economicas, e no Brasil não era diferente.

A industrialização chegando.

A crescente urbanização, a imigração estrangeira vinda de tantos países, que geraram miscigenação de povos, idiomas.

Muitos nomes se destacaram tais como: Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Villa Lobos, Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Carlos Drumond de Andrade, Guiomar Novaes.

Alguns dos seus objetivos eram: romper com o formalismo da sociedade paulistana, popularizar a arte, criar uma cultura e arte autenticamente brasileira valorizando sua identidade.

Criticar a arte acadêmica engessada em seu modelo rígido. Novos experimentos estéticos, aproximar-se da linguagem popular.

Uso de temáticas cotidianas e nacionalistas.

Enfim, corajosamente romper formalismos das artes vigentes. Contaram com o apoio do governador na época: Washington Luís.

Naquela auspiciosa semana, cada dia contava com novas apresentações nas diferentes artes.

Tudo se passou dentro de um cenário político delicado da chamada política Café com leite.

O Brasil carecia desse movimento pois não havia quem o representasse, levasse ao mundo sua identidade própria.

E ficou marcada na história de São Paulo e do nosso país com um movimento chamado Modernismo.

Quebrou paradigmas.

Respiravam novos ares, entusiásticos tempos de uma mudança necessária.

Foi o estopim de uma verdadeira renovação nas mais diferentes formas de arte no país. Ficará para sempre lembrada como a necessária alavanca para a sociedade que se transformava.

Historiando

AFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETOESCRITOR

“O Brasil não tem povo, tem público” (LB1922)

LIMA BARRETO faz parte do grupo de brasileiros inserido no Pré-modernismo, uma fase de transição entre o Simbolismo e o Modernismo com suas obras publicadas entre 1902 e 1922. Sua trajetória foi marcada pelo racismo e exclusão. Em suas obras dava voz às camadas mais populares do Rio de Janeiro, além de retratar momentos de sua infância e juventude. Escrevia romances, sátiras, contos e crônicas publicadas em jornais e Revistas populares encontradas em bancas da cidade. Natural da cidade do Rio de janeiro onde nasceu no dia 13 de maio de 1881, Afonso Henriques era filho de João Henriques de Lima Barreto, filho de uma antiga escrava e de madeireiro português. Sua avó materna Geraldina Leocádia da Conceição, foi uma escrava alforriada. Seu pai ganhava a vida como tipógrafo, e aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico que imprimia o periódico “Semana Ilustrada”; porém, sofria de doença mental. Sua mãe, Amália Augusta, professora primária, morreu de tuberculose quando o filho tinha 6 anos de idade. Lima Barreto alimentava o sonho de ser Engenheiro mas as condições econômicas de seus pais não permitia, sequer, frequentar escolas para vestibulares e seu padrinho o Visconde de Ouro Preto Afonso Celso de Assis Figueiredo (1836-1912) possuidor de posses permitiu que o escritor estudasse no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro e assim, conseguiu entrar na Escola Politécnica. A Escola cobrava mensalidades e ele, como estudante e sem a ajuda do Padrinho, precisando trabalhar para sua manutenção teve que abandonar e não concluiu a Faculdade. Não se deu por vencido e em 1903 prestou concurso para trabalhar na Diretoria do Expediente da Secretaria da Guerra. Conseguido o empregou passou

Roque Roberto Pires de Carvalho email:roquerpcarvalho@gmail.com

a dedicar suas horas de folga na escrita de suas mais variadas intuições literárias. Em abril de 1907 fez sua primeira publicação em uma revista de nome FON-FON, da qual era Secretário. Sentindo-se desvalorizado, demitiu-se e lançou sua própria Revista “Floreal”. Mandava seus escritos para outras revistas ABC e Careta. Em 1911 publicou seu primeiro romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma” nas páginas do Jornal do Comércio, pagando de seu próprio bolso a edição em livro, lançado em dezembro de 1915.A seguir, tornaram-se mais agudas as crises de alcoolismo e depressão como portador de Transtorno Afetivo Bipolar, causa de sua primeira internação hospitalar para tratamento. Em 1916, colaborou com a Revista ABC, publicando alguns textos de viés socialista/anarquista do início do século XX. Dado seus constantes problemas de saúde e de outras internações em Hospital dos Alienados, foi aposentado em 1918. No ano seguinte publicou o romance “Vida e Morte de M.J.Gonzaga de Sá”, pela Revista do Brasil, propriedade de Monteiro Lobato que o elogiou para vários de seus amigos.Por duas vezes pleiteou sua candidatura à Academia Brasileira de Letras, mas foi preterido. De 1909 a 1922, foi excluído da crítica oficial com um “silêncio implacável” quanto aos seus escritos. Sua posição combativa e sua crítica contundente custaram-lhe a marginalidade e a indiferença da elite cultural. Sua típica visão do mundo que o cercava e que aparece na ironia presente em seu personagem Quaresma: “O Brasil não tem povo, tem público”. Faleceu aos 41 anos, em 1º de novembro de 1922 e sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro. Na Lista de suas obras encontramos: 5 Romances; 3 Novelas; Teatro 4; Coletânea de Contos 5 , com destaque para “O Homem que sabia Javanês”; uma Coletânea de 9 Crônicas e 3 escritos com suas memórias. A descoberta e valorização de suas obras somente foram reconhecidas após sua morte.

EXCERTO: Wikipédia; PRADO,Arnoni (L. Barreto:o crítico e a crise.

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook