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educação3.0

Exames

O Ministério da Educação decidiu aplicar provas de aferição no 2.º, no 5.º e no 8.º ano de escolaridade e manter a prova final no 9.º ano, eliminando a obrigatoriedade de exames com peso para a nota final nos 4.º e 6.º anos de escolaridade. Medidas integram novo modelo de avaliação já em vigor.

educação e escolas para o futuro edição de 14/01/16

Realidades que os “rankings” das escolas desconhecem Para lá das percentagens, há crianças e jovens em escolas integradas em realidades muito distintas. Reportagem no Ingote e na Figueira da Foz pág.2-3

“Aristides, o semeador de estrelas”

Martim de Freitas no Hospital sem Medos

A biblioteca escolar da Escola Básica 2,3 Dr.ª Maria Alice Gouveia, em Coimbra, acolhe hoje, a partir das 12H00, um encontro com a escritora Ana Cristina Luz, dirigido aos alunos do 5.º C, 6.º C e 6.º F. A autora

Decorre esta quinta-feira, a partir das 14H30, mais uma edição do programa Hospital sem Medos, no Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, que, desta vez,

dará a conhecer um pouco da personalidade marcante de Aristides de Sousa Mendes através da obra “Aristides, o semeador de estrelas”, com ilustrações de António Moncada de Sousa Mendes. Atividade integra-se no Dia Internacional em Memória

das Vítimas do Holocausto – 27 de janeiro–, criado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em homenagem aos seis milhões de judeus exterminados e outras vítimas do nazismo na II Guerra Mundial.

convida as crianças do 5.º ano da Escola Martim de Freitas. O encontro entre as crianças hospitalizadas e os alunos da Martim de Freitas contará com a animação proporcionada pelo Grupo de Fantoches do Ateneu de Coimbra - Xarabanecos.


2 | boas experiências

educação 3.0 | 3

projeto#1

A diferença está no diálogo

Um dos desafios da EB1 do Ingote é fazer “a ponte” com a comunidade

educação 3.0 // coordenação Lídia Pereira/textos Lídia Pereira | Jot’Alves /Fotografia Carlos Jorge Monteiro | Jot’Alves

Numa década, a realidade vivida na Escola Básica 1 do Ingote - Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, em Coimbra –, alterou-se substancialmente. Ultrapassado o desafio do abandono, permanece o do absentismo, mas a escola é hoje “peça” central na comunidade Há outras, muitas outras pelo país. Mas a Escola Básica 1 do Ingote, em Coimbra, é o exemplo acabado da diferença que a educação pode fazer e faz, numa circunstância que a transforma em pilar numa democracia avançada. Peça central numa comunidade multiétnica e com fortes condicionamentos sociais e económicos, é à escola que tem cabido a absolutamente necessária mudança de hábitos e mentalidades. Numa década, combateu-se o abandono e luta-se agora contra o absentismo. Mas, hoje, já são as crianças que fazem ver aos pais a importância de ir à escola. Poderá não ser grande o feito. De facto, não será “nada” se engolido pela voracidade dos rankings nacionais, que relegam esta e outras escolas como esta para o extremo de uma lista que, queira-se ou não, “continua a comparar o incomparável”. O feito aqui, garantem Nelson Dinis e Graça Marcos, os dois professores que, há oito anos, fazem o quadro “estável” da EB1 do Ingote, está na conquista diária da confiança das crianças e, por sua via, das famílias, permitindo transformar o dia-a-dia escolar num efetivo e compensador processo educativo.

A montante, assegura Paulo Costa, diretor do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, está a decisão do tal quadro docente “estável”, que tem permitido a concretização de um trabalho que, todos os dias, acrescenta algo mais à relação que a escola tem conseguido estabelecer com a comunidade que integra e de que, nos últimos anos, se tem afirmado como estrutura central. Numa rede de relações e parcerias em que não são de somenos importância as

O professor Nelson Dinis com o adjunto da direção Pedro Romano e o diretor do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel Paulo Costa

instituições de apoio social com intervenção local. 25 alunos em duas turmas A EB1 do Ingote tem hoje 25 alunos em duas turmas: uma do primeiro e segundo ano e outra com alunos de terceiro e quarto ano. Para estes alunos, dois professores titulares, a quem se juntam um professor de apoio e um professor de educação especial, num “acréscimo” permitido pelo facto de o Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel integrar os

Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TAIP), com contrato de autonomia. O agrupamento tem 14 escolas do primeiro ciclo e 10 jardins-de-infância em grande proximidade, numa zona geográfica alargada. “Exatamente o que acontece no Ingote, com a EB1 e o jardim-de-infância a trabalharem em grande cumplicidade”, como destaca o responsável. “Uma das vantagens de sermos TEIP é termos recursos adicionais. Temos

mais dois professores para todo o agrupamento, que canalizamos para os alunos do primeiro e segundo ano, numa tentativa de prevenir e não apenas de remediar”, diz Paulo Costa. Para quem esta estratégia tem dado bons resultados: “se olharmos para as notas do primeiro período, nesta escola, temos taxas de sucesso a português, matemática e estudo do meio perfeitamente integradas no resto do agrupamento e, em algumas situações, até melhores”.

Taxa de abandono zero O que, para Paulo Costa, significa duas coisas: “um corpo docente estável, com os professores Nelson e Graça transformados em referências da comunidade”. Depois, sublinha, “o trabalho dos professores de apoio e a relação que existe com o projeto Trampolim e outras entidades”. O facto é que tudo isto já permitiu ter uma taxa de abandono zero. “Os resultados académicos começam a aparecer, mas os resultados sociais há muito que existem”, garante o responsável. “De taxas de abandono brutais, a EB1 do Ingote passou a uma taxa de abandono zero. Este era um dos objetivos fundamentais: ter todas as crianças na escola. Porque nós orgulhamo-nos de ter uma escola pública, inclusiva e democrática”, assume Paulo Costa. Em conjunto, direção, professores e alunos deixam um recado à Câmara Municipal de Coimbra: o espaço exterior da EB1 do Ingote já merecia uma intervenção que lhe lavasse a “cara” e proporcionasse aos miúdos um recreio e um recinto (coberto) com melhores condições. Pode ser sr. presidente?

Carlos Santos é o diretor da Escola Secundária Joaquim de Carvalho

projeto#2

Escola Secundária Joaquim de Carvalho obtém “resultado extremamente positivo” Ninguém é inferente aos resultados do ranking nacional das escolas portuguesas. Porém, este não é um tema consensual junto da comunidade educativa, havendo quem discorde dele ou do método utilizado. À margem dos prós e dos contras, a tabela continua a ser liderada pelos estabelecimentos de ensino particular. Na Figueira da Foz não existe nenhuma escola do setor privado que inclua o secundário. Os resultados do ranking são analisados à lupa pelas escolas, que veem mais além daquilo que, à primeira vista, dizem os números. Servem, sobretudo, como indicadores do que há que corrigir, manter ou reforçar. E é assim que também Carlos Santos, diretor da Escola Secundária Joaquim de Carvalho (com 3.º ciclo) encara o assunto. “Se fizermos a comparação do ranking mais recente com os anteriores, aquela leitura que inicialmente era feita, apenas com base nos números e sem qualquer tipo de contextualização, tem vindo a ser modificado ao longo dos anos. En-

contrámos, agora, um fator essencial, que já preside, também, à avaliação externa das escolas, que é o valor esperado”. Ou seja, explica Carlos Santos, “em função da especificidade da escola, de quem a frequenta, a sua origem socioeconómica, etc., é delineado um determinado valor esperado”. Com base nesta variante, os resultados são internamente avaliados, tendo em conta a diferença entre o valor esperado e o valor obtido no ranking. No caso da Joaquim de Carvalho, a diferença foi mínima, o que denota, numa análise linear, o rigor da avaliação interna. Contudo, quando a diferença dos resultados entre a frequência e o exame ultrapassa os dois valores, dispara o alarme da escola. Não foi o caso, em 2015. “Independentemente de valer o que vale, é muito mais fiável o resultado dos rankings de hoje do que o de há 10 ou 12 anos”, ressalva Carlos Santos. Escola entre as 100 melhores do país Este estabelecimento de ensino da Figueira da Foz já

obteve lugares cimeiros no ranking das escolas portuguesas. Entretanto, os métodos foram sendo alterados e os resultados também. Não obstante, mantém-se entre as primeiras 100. Atendendo ao universo em causa, o antigo liceu ocupa, pois, a nível nacional, uma posição de destaque. Acerca da posição da Joaquim de Carvalho no mais recente ranking, publicado em dezembro do ano passado, o diretor considera que ela se traduz num “resultado extremamente positivo, que orgulha toda a comunidade escolar”. Nota de imprensa da escola realça que, nos exames do 9.º ano, com uma média global de 3.55, foi a 8.ª escola pública a nível nacional e a 2.ª a nível distrital. Nos exames do secundário, com média global de 12,36 valores, foi a 12.ª melhor escola pública, no cômputo nacional, e 2.ª melhor do distrito de Coimbra. No concelho da Figueira da Foz, ocupa o 1.º lugar, nos dois níveis de ensino. “Houve um ano em que obteve o 11.º lugar nacional. A partir daí, tem andado entre os

100 primeiros, mas as variantes que entravam nas contas são muito diferentes”, frisa Carlos Santos. Será que os rankings estão a ser sobrestimados pela comunicação social e pela comunidade escolar? “Vivemos a época dos resultados e há coisas que nós achamos que são assim e há outras que vemos que, efetivamente, são assim”, responde o diretor da Escola Secundária Joaquim de Carvalho. Todavia, ressalva, os resultados “são importantes para justificar e tornar presente que há um conjunto de boas práticas que têm bons resultados”. A Secundária Joaquim de Carvalho foi o único estabelecimento de ensino do concelho da Figueira da Foz incluído no plano nacional de modernização do parque escolar. Ao abrigo da intervenção da Administração Central, a área coberta duplicou e o edif ício préexistente foi remodelado. A escola tem 1.100 alunos, 99 professores e 32 funcionários. Além do ensino regular, conta com dois cursos profissionais da área da informática.

O antigo liceu da Figueira da Foz foi fundado em 1932. Mudou várias vezes de nome. A Revolução dos Cravos, em abril de 1974, acabou com a distinção entre as escolas públicas e atual Escola Secundária Joaquim de Carvalho não foi exceção. Até à inauguração da Escola Secundária Cristina Torres, há 25 anos, o ensino secundário na cidade era lecionado na Joaquim de Carvalho e na Bernardino Machado. A diferença que existe entre as três escolas está diretamente relacionada com a história do país. A Escola Secundária Bernardino Machado mantém a matriz da antiga escola comercial e industrial, tendo aberto, entretanto, as portas ao ensino regular. Ao longo dos anos, tem concentrado energias no combate ao estigma de ser um estabelecimento de ensino para alunos com menos propensão para as letras e para as ciências e os resultados são positivos. Por sua vez, a Joaquim de Carvalho manteve a imagem elitista que o Estado Novo atribuiu aos extintos liceus. O diretor, Carlos Santos, garante, porém, que é

apenas fama e que dela não retira proveito, afirmando, por outro lado, que é “uma escola inclusiva”. De facto, nenhum aluno é rejeitado ou matriculado em função da sua condição socioeconómica. A Escola Secundária Cristina Torres, por seu lado, vem ultrapassando a reputação de ser um estabelecimento de ensino maioritariamente frequentado por alunos das periferias da cidade. Hoje, tal como as suas congéneres da Figueira da Foz, é uma escola onde convergem estudantes de várias origens geográficas e socioeconómicas. Em comum têm ainda a integração do 3.º ciclo. A Joaquim de Carvalho diferencia-se das restantes escolas secundárias da cidade através do contrato de autonomia firmado com o Ministério da Educação, que lhe permite manter-se à margem dos agrupamentos escolares. Este estabelecimento de ensino, acrescenta Carlos Santos, prima pelo “processo de boas práticas de autoavaliação” e pelo “diálogo” existente entre os vários agentes da sua comunidade escolar.


4 | educação 3.0

vida nas escolas Escola Eletrão tem inscrições Agrupamento de Escolas de Penacova abertas até dia 18 de janeiro Parlamento dos Jovens em São Pedro de Alva

Mais de 150 mil alunos já se encontram inscritos na Escola Eletrão, iniciativa que desafia as escolas ao encaminhamento adequado dos Resíduos Elétricos e Eletrónicos (REEE) e Resíduos de Pilhas e Acumuladores (RPA) para a Rede Eletrão. As escolas ainda interessadas em participar têm até 18 de janeiro para se inscrever, devendo reunir o máximo destes resíduos nos primeiros três meses de 2016, para vencerem prémios num montante total superior a 33 mil euros. A Escola Eletrão é uma campanha da AMB3E, com o apoio da Direção Geral da Educação e da

Agência Portuguesa do Ambiente, destinada essencialmente às escolas do ensino básico (2.º e 3.º ciclos) e do ensino secundário, que pretende sensibilizar e envolver os professores, alunos, funcionários, pais e comunidade em geral, para a importância da reciclagem dos REEE e RPA. A recolha de resíduos decorre entre janeiro e março e as escolas vencedoras serão anunciadas em junho. A campanha pode ser realizada em simultâneo com outros projetos no âmbito da sustentabilidade. Informação em www.electrao. pt ou http://www.escolaelectrao.pt/.

Milhares de alunos nas Olimpíadas de Matemática Depois da segunda eliminatória das Olimpíadas de Matemática, ontem realizada em simultâneo em centenas de escolas de todo o país, segue-se, no dia 27 de janeiro, a prova única das Mini-Olimpíadas, dirigidas aos 3.º e 4.º anos de escolaridade. Todos estes alunos estão em competição por um lugar na Final Nacional das XXXIV Olimpíadas Portuguesas de Matemática (OPM), que terá lugar na Escola Secundária Luís de Freitas Branco, em Paço de Arcos, Oeiras, entre os dias 17 e 20 de março.

As OPM são organizadas pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) em parceria com o Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, com o objetivo de desenvolver o conhecimento da matemática, o treino do raciocínio e o gosto pelos desafios matemáticos. A SPM conta com o apoio do Ministério da Educação e Ciência, do programa Ciência Viva, da Fundação Calouste Gulbenkian, do Novo Banco, da Pathena, da ASA e da Gailivro na concretização deste projeto nacional.

A Escola Básica e Integrada de São Pedro de Alva do Agrupamento de Escolas de Penacova acolheu, na última segunda-feira, uma sessão com o deputado Maurício Marques, no âmbito do projeto Parlamento dos Jovens. A sessão destinouse a esclarecer o papel da Assembleia da República, o seu funcionamento e ainda as funções de um deputado. Maurício Marques disse aos jovens alunos presentes que “ser deputado não é uma profissão, mas sim um serviço”, frisando que “vale sempre a pena estudar”.

Agrupamento de Escolas Coimbra Centro Postais da cidade legendados em língua gestual O Agrupamento de Escolas Coimbra Centro apresentou há uma semana, no Café Santa Cruz, uma coleção de postais ilustrativos de Coimbra, legendados em Língua Gestual Portuguesa (LGP) e criados pelo artista plástico Victor Costa. A iniciativa decorre no âmbito do projeto “À Descoberta da Cidade - Coimbra em LGP”, em curso no Jardim de Infância de São Bartolomeu, com o apoio da União de Freguesias de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu).

Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo Projeto Mentes Brilhantes para todos os alunos Iniciativa da Fundação Assistência Desenvolvimento e Formação Profissional, a decorrer no concelho de Miranda do Corvo, o projeto Mentes Brilhantes recomeçou as suas atividades na primeira semana de janeiro. Recentemente vencedor da sexta edição do prémio Manuel António da Mota, no ano em que o tema foi a inovação social, o projeto visa possibilitar o acesso a programas de estudos avançados e incentivar o desenvolvimento intelectual de todas as crianças.

novas formas de aprender

82 sítios para descarregar recursos educativos criativos Utilizar a web e os conteúdos que ela disponibiliza para fins educativos pressupõe igualmente que se possa editar e adaptar esses conteúdos. Este link permite o acesso a aplicações que fazem isso e que estão disponíveis sem implicação de custos. http://ticsyformacion. com/2016/01/09/82-sitiospara-descargar-recursos-creativos-infografia-infographic-design/

Dez regras de ouro para a aprendizagem colaborativa Aprender, hoje, é desenvolver estratégias colaborativas de aprendizagem, nas quais os alunos introduzem, participam, na sua própria construção do conhecimento. Conhecer os princípios dessa metodologia é condição essencial para um bom resultado. http://www.seminariointernacional.com.mx/blog/diezreglas-de-oro-del-aprendizaje-colaborativo

Este caderno estará disponível amanhã na página www.asbeiras.pt

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Educação 3.0 14 jan 2016  

Caderno Educação 3.0 publicado no dia 14 de janeiro de 2016 pelo Diário as Beiras

Educação 3.0 14 jan 2016  

Caderno Educação 3.0 publicado no dia 14 de janeiro de 2016 pelo Diário as Beiras

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