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FALTAM 3 DIAS PARA O TRILEÃO - O TRILHÃO DE IMPOSTOS Dia 26/10, às 12h30.

Ano 86 - Nº 23.232

Jornal do empreendedor

www.dcomercio.com.br

Conclusão: 23h55

R$ 1,40

São Paulo, sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mentiras com pernas curtas Reprodução/SBT

Reprodução/Globo

Qual a verdade? A quebra do sigilo fiscal de serristas produziu nova acusação: Rui Falcão teria copiado o dossiê do jornalista Amaury Ribeiro (abaixo). E novo desmentido do PT: "Absurdo!" Pág. 8

A bolinha de papel na cabeça de Serra levou Lula a sugerir um novo Dia da Mentira. "Farsa!" Ele a equiparou à do goleiro Rojas, que simulou ter sido alvo de fogos de artifício. E Dilma o repetiu, após quase atingida por bexiga com água. "Eu não faço isso", simulação. Parte do dia, a vítima Serra foi o algoz em blogs e jornais online.

Mas houve outro ataque Precipitação petista. Em outra cena, só mostrada ontem à noite, algo mais pesado acerta a cabeça de Serra. Perícia atesta dois diferentes momentos (acima). Testemunhas e médico confirmam. Quem será homenageado no novo Dia da Mentira? Pág. 5

AO VIVO NA TV

"Garanta seu emprego que eu garanto minha dignidade" O jornalista Paulo Beringhs reagiu à proibição de entrevistar um opositor ao governo de Goiás, que é o dono da T V Brasil Central. Pág. 7 Kleber Gutierrez/DC ção

Fotos/Divulga

"Eguando em Quentcap" Nosso repórter Kléber Gutierrez desbrava o Piauí, e aprende piauiês. Boa Viagem Divulgação

a m e n i C o d o de novembro. l 4 té a u i a v e a je o h P São ostra Internacional de Cinema, que começa

O novo calhambeque do Rei, bi, bi ! Guiamos o Audi R-8 antes de Roberto Carlos, o primeiro a comprá-lo. Págs. 18 e 19

xibidos na 34ª M

serão e Quase 500 filmes Wilton Júnior/AE

Página 10 HOJE Parcialmente nublado Máxima 29º C. Mínima 13º C.

AMANHÃ Sol com pancadas de chuva Máxima 30º C. Mínima 16º C.

ISSN 1679-2688

23232

9 771679 268008

E São Paulo da Arte

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Passeie pelo cultura verdadeiro museu a céu aberto – as ruas da Cidade: descubra desenhos nas fachadas dos prédios e quadros por toda a av. Paulista (foto). Nos palcos, a estreia do musical Gaiola das Loucas e, hoje, a voz da soprano Jessye Norman, no Teatro Bradesco.

Newton Santos/Hype

Habeas corpus para o chimpanzé Jimmy


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Restrições às importações servem apenas para encarecer os produtos importados. Roberto Fendt

pinião

EYMAR MASCARO

PT E PSDB TIRAM VOTO DE PEDRA

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Notícias para reflexão

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sta semana foi pródiga de novidades na área econômica. Selecionei três notícias para a meditação do leitor: o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e a reação do mercado; as novas medidas para conter a valorização do real; e as consequências de medidas de controle das importações. À primeira vista pode parecer que são temas sem relação entre si, mas o oposto é verdadeiro. A primeira selecionada refere-se à reunião do Copom do Banco Central. Por unanimidade de votos, os integrantes do Copom mantiveram os juros da taxa Selic em 10,75%, sem viés, até a próxima reunião do Comitê, em dezembro. O mercado, sempre olhando para a frente, já está projetando, para 2011, a taxa Selic em 11,75% e a inflação do IPCA, que baliza a meta de inflação, em 4,99%. Curiosa situação. Se o mercado espera hoje uma inflação para os próximos 12 meses em torno do centro da meta de inflação, a taxa real de juros – obtida deduzindo-se da taxa Selic a taxa esperada de inflação – situa-se em torno de 5,98%. Com as expectativas do mercado sobre os juros e a inflação em 2011, a taxa real de juros esperada sobe para 6,44%. O que explicaria esse aumento? Não é a inflação projetada, uma vez que ela já entrou no cálculo da taxa real de juros. Outro fator poderia explicar essa expectativa. Talvez um aumento do Risco País, um dos componentes da taxa de juros real. Esse risco, calculado pelo banco JP Morgan, anda hoje em torno de 187 pontos base, o equivalente a 1,87% embutido na taxa

ROBERTO FENDT real de juros. Estaria o mercado esperando um aumento do risco Brasil? Isso teria algo a ver com o resultado da eleição? O futuro dirá. A segunda notícia digna de registro é o aumento do IOF aplicado à entrada de capitais para investimento no mercado brasileiro. O governo já promoveu dois aumentos no IOF, de 2% para 4%, e daí para 6%. As autoridades têm insistido que não ficarão de braços cruzados se as medidas já tomadas não surtirem o efeito desejado.

N

a quarta-feira, junto com a elevação da alíquota do IOF, foram tomadas medidas complementares destinadas a impedir que o aumento do IOF seja ineficaz em operações envolvendo bancos locais e estrangeiros. A expectativa é de que elas sejam suficientes para controlar o problema – pelo menos até onde se consegue enxergar o seu real tamanho. Se ainda assim as

medidas não forem suficientes, há alternativas, como, por exemplo, impor uma quarentena à entrada dos recursos, como foi praticado por muitos anos no Chile.

É

bom que seja assim. Na feliz expressão do senhor ministro da Fazenda, estamos em meio a uma "guerra cambial". O dólar persiste em sua rota de desvalorização, acompanhado da moeda chinesa, atrelada que está ao dólar americano. Todas as demais moedas, em consequência, estão se valorizando, com prejuízos visíveis para as exportações desses países. Estamos hoje, em escala menor, repetindo os erros da década de 20 do século passado. A valorização do real, junto com as taxas de juros muito mais altas aqui do que em outros países de mesmo grau de risco que o nosso, continuam a atrair capitais para o nosso mercado financeiro, como a

O real valorizado e as taxas de juros muito mais altas do que em outros países de risco parecido continuam a atrair capitais para o nosso mercado financeiro, como a luz atrai os cupins.

luz atrai os cupins. Em vista disso, cada país está aplicando medidas restritivas à entrada desses capitais. O Brasil não foge à regra. O que não podemos é tomar medidas contra as exportações como complemento àquelas postas em prática contra a entrada excessiva de capitais. Nesse contexto, foi muito feliz o senhor presidente da República ao corroborar as palavras do senhor ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ao afirmar que "o que ele (o ministro) acha é que a gente não tem que diminuir as importações, mas continuar trabalhando para aumentar as exportações". Restrições às importações servem apenas para encarecer os produtos importados. Com a menor demanda de dólares, aumentam as pressões para a valorização do câmbio, resultado oposto ao desejado pela política econômica.

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co km nome da coerência, é saudável que o senhor presidente descarte medidas nesse sentido, embora as tenha descartado com a reserva de que poderão vir a ser implementadas, caso necessário. É de todo desejável que qualquer medida adicional para enfrentar o influxo de recursos para aplicação no nosso mercado financeiro se restrinja à origem do problema, ou seja, a conta de capitais. Se assim procedermos, estaremos agindo na direção correta, em lugar de aumentar um problema que já é grande o suficiente. ROBERTO FENDT É ECONOMISTA

xiste uma reserva que pode chegar a 10 milhões de votos, pertencentes a eleitores indecisos, e que pode decidir a eleição presidencial no dia 31. Pelas últimas pesquisas, a eleição continua indefinida, com os dois candidatos, José Serra e Dilma Rousseff procurando aumentar suas respectivas votações. Tucanos e petistas caitituam principalmente os votos em Minas e São Paulo, os dois maiores colégios eleitorais do País, somando quase 45 milhões de votos. O PSDB paulista joga todas as suas fichas na força eleitoral de Aécio Neves, na expectativa de que o ex-governador aumente a votação de Serra em Minas. No 1º turno, Dilma Rousseff ganhou a eleição no estado, mas como Aécio se elegeu senador com expressiva votação, os tucanos paulistas esperam que Serra reverta a situação no Estado. Somente em Minas estão concentrados cerca de 15 milhões de eleitores. Mas os tucanos sabem que Dilma nasceu em Belo Horizonte, embora tenha feito carreira política no Rio Grande do Sul. Os petistas advogam a tese de que a vitória de Serra não interessaria muito a Aécio Neves. Como é candidato, desde já, ao Planalto em 2014, Aécio teria as portas fechadas no PSDB, porque Serra, se ganhar a eleição agora, será candidato à reeleição. Serra, no entanto, repudia a tese do PT, acreditando que Aécio fará o máximo no resto de campanha no 2º turno, para ajudá-lo a se eleger. Existe ainda a hipótese de Aécio vir a ser candidato daqui a 4 anos por outro partido.

T e PSDB tem um ponto em comum: vão usar a televisão, nesses últimos 10 dias de campanha, para convencer sobretudo os eleitores indecisos. Ambos confessam que podem atrair parcela desses votos também com o debate na Rede Globo. A situação eleitoral dos dois candidatos é semelhante: quem perder a eleição dificilmente terá condições de pleitear de seu partido nova candidatura presidencial em 2014. Com a queda de Dilma nas pesquisas após o 1º turno, os marqueteiros do PT decidiram voltar a explorar a imagem de Lula nos comícios e na televisão, até o final da campanha. Com isso, a candidata voltou a crescer, como revelam as novas pesquisas do Ibope e VoxPopuli. Detalhe: o presidente mantém o índice de 80% de aprovação de seu governo. Essa popularidade de Lula,

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PT e PSDB sabem o que representa cada voto na reta final da campanha, pois o vitorioso deverá ter uma vantagem mínima de votos em relação ao derrotado.

no entanto, não impediu que Serra crescesse depois do 1º turno. Discute-se entre marqueteiros a intrigante permanência do coordenador de campanha do PSDB, senador Sérgio Guerra, tanto tempo fora do seu Estado, Pernambuco. Os marqueteiros entendem que Guerra seria mais útil a Serra se participasse da campanha no Nordeste, região em que a candidata petista obteve mais de 60% dos votos em 3 de outubro. O Nordeste é importante também do ponto de vista eleitoral, pois a região contabiliza 35 milhões de eleitores.

Eleito governador de São Paulo já no 1º turno, Geraldo Alckmin foi escalado pelo PSDB para fazer campanha por Serra em algumas regiões do Norte do País, uma vez que o candidato não dispõe de tempo para percorrer todos os estados. mesma providência foi tomada pelos tucanos em relação a outros governadores aliados eleitos também no 1º turno. Igual decisão, porém, foi adotada pelo PT, que também mobilizou seus eleitos para projetar Dilma nas regiões em que ela não poderá estar presente. PT e PSDB, enfim, estão convencidos do que representa cada voto na reta final da campanha, porque o candidato vitorioso deverá ter uma vantagem mínima de votos em relação ao derrotado. Essa pequena diferença pode estar alojada no conjunto de votos dos eleitores indecisos.

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EYMAR MASCARO É JORNALISTA E COMENTARISTA POLÍTICO MASCARO@BIGHOST.COM.BR

Fundado em 1º de julho de 1924 Presidente Alencar Burti Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto, Antonio Carlos Pela, Arab Chafic Zakka, Carlos Roberto Pinto Monteiro, Claudio Vaz, Edy Luiz Kogut, Gilberto Kassab, Guilherme Afif Domingos, João de Almeida Sampaio Filho, João de Favari, José Maria Chapina Alcazar, Lincoln da Cunha Pereira Filho, Luís Eduardo Schoueri, Luiz Roberto Gonçalves, Moacir Roberto Boscolo, Nelson F. Kheirallah, Roberto Macedo, Roberto Mateus Ordine, Rogério Pinto Coelho Amato, Sérgio Antonio Reze

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

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RÁPIDO PROGRESSO DO OMÃ É RESULTADO DE INVESTIMENTOS CENTRADOS NA EDUCAÇÃO.

pinião

Divulgação

NEIL

Promover a educação para todos é uma das formas mais eficientes de subjugar o extremismo.

SERRA NELLES

FERREIRA

OS ÚLTIMOS PREGOS NO CAIXÃO DE DILLMA

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Aprendendo com o Omã

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nquanto os Estados Unidos contam com o poder de fogo para tentar esmagar o extremismo no Afeganistão, no Paquistão e no Iêmen, eles deveriam mesmo é considerar a lição de Omã, um notável país árabe. Há apenas 40 anos, Omã era uma dos sociedades mais tradicionalistas do mundo. Não havia televisão e os rádios eram proibidos como se fossem obra do demônio. Não havia nenhum diplomata omani no exterior, e o sultão mantinha o seu país em um isolamento quase completo. Omã, um país do tamanho de Kansas (cerca de 310 mil quilômetros quadrados), tinha apenas 10 quilômetros de estrada pavimentada e a maioria da população era analfabeta e bastante tribal. O país tinha três escolas miseráveis, atendendo 909 alunos – todos garotos nas primeiras séries. Nenhuma menina de Omã estava na escola. A capital de Omã, Mascate, encravada entre montanhas rochosas no deserto da Península Arábica, era cercada por uma muralha tradicional. No pôr do sol, as autoridades disparavam um canhão e fechavam os portões da cidade durante a noite. Qualquer pessoa vista caminhando do lado de fora sem uma tocha poderia ser alvo de um tiro. Historicamente, Omã é igual ao seu vizinho Iêmen, que agora se tornou uma incubadora para terroristas filiados à al-Qaida. Mas em 1970 Omã abandonou o caminho do fundamentalismo. O filho do sultão depôs o pai e iniciou uma impressionante modernização, baseada na educação igual para meninos e meninas. Eu visitei o Omã atual. Ele é um país

NICHOLAS D. KRISTOF contemporâneo, com rodovias, aeroportos novos e elegantes, antenas de TV parabólicas e uma séria de universidades públicas e particulares. As crianças começam a estudar inglês e computação na primeira séria. Meninos e meninas têm a mesma perspectiva de concluir, pelo menos, o ensino médio. É pacífico e pró-Ocidente, sem o fundamentalismo disseminado e o terrorismo que afligem o Iêmen. Embora o Iêmen talvez seja o país mais belo do mundo árabe, meu palpite é que muitos dos jovens ocidentais que ali estudam a língua árabe vão terminar se transferindo para Omã por causa da tranquilidade existente.

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particularmente notável como se modificou o papel da mulher. Uma universitária de 18 anos com quem conversei, chamada Rihab Ahmed al-Rhabi, contou-me (num inglês fluente) sobre seu interesse em empreendedorismo. Ela também me falou, carinhosamente, sobre sua avó, que era analfabeta, casou-se com 9 anos e deu a luz a dez filhos. Quanto a al-Rhabi, ela disse que não pretende se prender a um marido –não tão cedo. Se não, o que ocorreria se seu marido não quisesse que ela fosse estudar no exterior? E quando

eventualmente se casar, especula ela, apenas, um filho seria suficiente. Al-Rhabi fez parte do time – só de garotas omanis – que ganhou a medalha de ouro em uma competição sobre empreendedorismo no mundo árabe no ano passado. A disputa foi organizada por Injaz, um organização excelente, que vai a escolas em todo o mundo árabe para ensinar aos jovens como fundar e administrar pequenas empresas. Os mais destacados jovens empreendedores de Omã hoje em dia são majoritariamente mulheres: 9 de 11 finalistas na disputa sobre empreendedorismo no país eram equipes totalmente femininas. A equipe vencedora me impressionou. Seus membros começaram no ensino médio fundando uma empresa para publicar livros ilustrados , para crianças, escritos em árabe. Conseguiram capital, fizeram pesquisa de mercado, planejaram e escreveram os livros e supervisionaram as vendas e a distribuição. "Agora estamos pensando em publicar e-books", explicou Ameera Tariq, uma concluinte do ensino médio e membro da diretoria da editora da equipe. Talvez, diz, uma das clientes de um futuro livro ilustrado eletrônico seja sua avó, que se casou aos 12 anos e nunca aprendeu a ler.

Em resumo, uma das lições de Omã é que uma das melhores e mais eficientes formas de subjugar o extremismo é promover a educação para todos. Muitos pesquisadores descobriram relações entre o aumento da educação e a redução de conflitos. Um estudo publicado em 2006, por exemplo, sugeriu que dobrar o número de matriculados no ensino primário em um país pobre estava associado a diminuir pela metade o risco de guerra civil. Outro descobriu que aumentar a média da realização educacional de um país em apenas mais um ano de estudo poderia reduzir significativamente o risco de conflitos. Desculpem se essa ênfase na educação soa como um clichê. Ela é amplamente conhecida na teoria, e o presidente Barack Obama prometeu, como candidato, que iria criar um fundo para a educação global de US$ 2 bilhões. Mas nada foi feito. Em vez disso, ele está gastando 50 vezes mais, só neste ano, com as tropas norte-americanas no Afeganistão – embora as soluções militares não tenham um bom histórico em locais problemáticos como a educação tem. O modelo parece estar bem difundido: todo mundo apoia a educação, mas ninguém a financia. Para mim, a lição de Omã tem a ver com as próximas paradas da minha viagem: Afeganistão e Paquistão. Se nós queremos remodelá-los como sociedades pacíficas, então vamos tentar investir menos e bombas e mais em escolas. NICHOLAS D. KRISTOF É COLUNISTA DO NEW YORK TIMES

TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA

A SUSTENTABILIDADE E A PRÁTICA

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a última reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), do Global Compact , em Nova York, participando como representante da Associação Comercial do Paraná, foi possível notar a preocupação da maioria dos presentes com a lentidão, em vários países, do cumprimento das Metas do Milênio. Muitos avanços têm ocorrido mas há problemas sérios, como a persistência da miséria no mundo. Mesmo se o objetivo principal – de reduzir pela metade a pobreza extrema – for atingido nos próximos cinco anos, cerca de um bilhão de pessoas em todo o planeta ainda continuarão vivendo com uma renda de menos de R$ 2,15 por dia. Transportando esta preocupação para o nosso Estado, o Paraná, lembro que este é só um aspecto parcial da sustentabilidade, que deveria ter sido melhor debatida pelos candidatos e que precisa merecer do governador eleito, Beto Richa, total atenção. As cidades e sua sustentabilidade merecem um olhar acurado. Mais de 50% dos 6,9 bilhões de habitantes do planeta vivem em regiões urbanas e,

MARCOS DOMAKOSKI deles, 2,57 bilhões moram em cidades de países de renda baixa e média, expostos a graves riscos, segundo dados do Relatório Mundial de Desastres 2010, da Federação Internacional da Cruz Vermelha. O documento alerta que a acelerada e improvisada urbanização cria riscos consideráveis, sobretudo para os cerca de um bilhão de pessoas que moram em bairros insalubres nas cidades. Cruz Vermelha receita uma estratégia urbana mais eficiente para evitar a marginalização e medidas para combater a mudança climática, além da melhora dos serviços sociais, para atenuar possíveis catástrofes. No Brasil, a população das cidades já ultrapassou dois terços do número total de habitantes – são 138 milhões de pessoas, segundo o censo do IBGE de 2000. Teremos dados mais significativos no censo que está sendo

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realizado neste ano. Pelo censo de 2000, no Paraná 81,5% das pessoas já habitavam as cidades. Esta população eminentemente urbana nos leva a demandar, sem nunca esquecer daqueles que nos alimentam no meio rural , um compromisso detalhado de como a administração pública pode resolver os pontos da sustentabilidade de forma coesa e agregada. os debates anteriores às eleições, o que se apresentou foi um processo de propostas de sustentabilidade meio desconectado, como pedaços que não parecem fazer parte de um todo. Isso reforça as preocupações que foram sentidas na reunião de junho em Nova York. A sustentabilidade nas cidades, sejam metrópoles, médios ou pequenos núcleos urbanos, deve ser ponto destacado dos programas de governo como meta a ser atingida da maneira como propõe a ONU.

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E sustentabilidade em todos os seus aspectos, de forma coesa, como propõem as Metas do Milênio. Foi o que fizemos na própria Associação Comercial do Paraná, em 2004, quando convidamos profissionais dos mais variados setores, além de acadêmicos, para avaliar problemas e propor soluções para a capital do estado. A iniciativa resultou em um documento denominado Mais Curitiba, que está sendo reapresentado pela entidade à comunidade para ser debatido e reavaliado. São propostas concretas de sustentabilidade para a cidade, com a parceria público-privada e a participação efetiva de entidades de classe. sustentabilidade, em todos os seus aspectos – econômicos, políticos, sociais, culturais, ecológicos, espaciais e ambientais, necessita de debate comunitário a cada dia, com a noção de uma só proposta, de corpo e rumo únicos, para que possamos conquistá-la de fato em todo o Brasil.

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MARCOS DOMAKOSKI É EMPRESÁRIO, EX-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO PARANÁ E REPRESENTANTE DA ENTIDADE NO GLOBAL COMPACT DESDE 2004

s porradas no Serra, dadas no Rio pelos seus (dela) Camisas Vremeias. Penúltimos pregos, vá lá, ainda há muitas erenices para jogar a última pá de terra. É pau, é pedra, é o fim do caminho, é o fim da picada. O desespero da Tropa de "Elite" do lullismo agredindo Serra fisicamente no seu ponto mais sensível, a careca, é a prova de que Dillma já era. Se a campanha do Serra colocar as cenas da violência explícita no horário político, não vai precisar falar nada. Uma imagem vale mais de mil palavras, cala as bocas de aluguel dos Vóquispópulis, DataFalhas e Ibopes farjutos. (O Ibope explica no voto feminino esse pulo da Dillma. Só agora as mulheres desconfiaram que Dillma talvez seja uma delas). A gangue agressora é da Velha Guarda Stalinista. Obedeceu à Palavra de Ordem do Comissário Dirceu em 2002: "Vamos ganhar no voto e na porrada", quando mandou a Cut espancar o indefeso, idoso e doente Governador Covas. Foi obedecido ao pé da letra, a barbárie foi filmada. ussolini começou tudo com seus Camisas Negras e Hitler aprendeu com ele. O promessão Lulla aprendeu com Duda Mendonça, que aprendeu com os Camisas Pardas Nazistas de Rhömer. Agora temos aqui os Camisas Vremeias, mercenários, filhotes do ovo da serpente. Sumpólo e Rio são iguais, podes crer. A dica veio do chegado da arrumadeira de um amigo, que é de confiança. Suas pistas são quentes. Não dou a ele o codinome "Deep Throat" porque codinome é coisa de petista e petismo ele não admite nem de gozação. O chegado da arrumadeira tem um brow que é Gavião da Fiel. Recrutado, bateu para o brow esse, que contou para a namorada aquela, que comentou com a patroa que falou para o marido, que "vazou" para mim. É a prova da exatidão da Teoria dos 6 Graus, que diz que estamos a 6 apertos de mão de distância da Jennifer Aniston, a "Rachel" da série Friends, que o deficiente mental Brad Pitt trocou pela sujinha Angelina Jolie. Espero ansioso chegar a minha vez de apertar a mão da Aniston (a mão e tudo mais o que eu puder, sonhar é digrátis). Demonstrada a pureza das águas da minha fonte, afirmo por estas vias traversas mas confiáveis que o Gavião da Fiel citado pertence às fileiras da nova crasse-mérdia enricada pelo Ipea, já que no seu barraco há 11 quadros ativos (um time inteiro do córintcha) do Movimento dos Com BolsaEsmola, receptadores de 1.069,20 reais de renda mensal. Além do Ipea, há um estudo da GV – que já foi séria, mas se o Suplicy é p´ssor lá imagine os alunos – que afirma que um barraco com renda familiar mensal acima de 1.064,00 reais é uma "casa" crasse-mérdia, não importa

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quantos mânus nem quantas minas com barriga sejam necessários para juntar essa grana, vendendo chiclé e amendoim ali no farol da esquina. Ele e mais um monte de cumpanherada foi informada boca-a-boca de que há boquinhas para us mânus sangue bom. Us mânus sangue-ruim já pegaram as duzentas mil boconas de confiança oficiais, com retratos nos jornais. É só ir no esquisito e se ligar, não requer prática nem habilidade. Precisa uma patola sarada, peito (coragem) e um par de pernas jamaicanas ou quenianas velozes para correr, há possibilidade de serem necessárias fugas nas velocidades olímpicas. O alistamento é feito em segredo de cartão corporativo lullista. O nome fica na moita, não pedem RG nem CPF. A bufunfa sai pelo Caixa Dois, abençoado em peçoa você sabe por quem. Se você vê filmes antigos de Hollywood nas madrugadas das tevês, achará que se alista na Legião Estrangeira, nos desertos da África. Ninguém te pergunta de onde veio; ou se veio em fuga por crime de morte em assalto de expropriação a banco, ou por paixão avassaladora não correspondida. Não interessa se está lá um corpo estendido no chão, de um amante ou uma esposa flagrados. Ou de um marido chifrado, que nos tempos d´antanho achava que honra se lavava em sangue, mas hoje elege-se encenador, ostentando a condecoração na testa todo cheio de si. pagamento é em dinheiro, dois salários por mês mais duas quentinhas e um lanche por dia para os cabeças de chave, como o "Mata-Mosquitos" barrigudão do Rio, que agrediu o Serra. Os cabeça de bagre, um salário e vale refeição de déreal. O equipamento consta de um par de coteminas (camisetas) vremeias enfeitadas com uma estrela e uma mochila fechada, com "ferramentas de trabalho" – marretas, tacapes, sei lá. Não há mais militantes voluntários e os mercenários são escalados para encher os comícios da Dillma e gritar suas complicadas palavras de ordem, como "Fora Zelite !", "Viva Lulla !", "Pau no Serra!", "Ferro no Arquimim !", "Com a Virma Mulé do Lulla nóis vai sê filiz !", "Virma é Lulla!" Em outros casos, há que fingir coragem, sair para o bate-pronto com os inimigos e melar seus comícios, é trabalho duro, dobrado e honrado. Em caso extremo, o bate-pau é na careca do Serra, como no Rio. Os empregos são informais, não têm carteira assinada nem aposentadoria. Servem, porém, de estatística: o desemprego cai no governo Lulla. Mas dia 31 essa mamata acaba, há Serra no fim do túnel.

O

HEIL DILLMA ! SIEG HEIL !

NEIL FERREIRA É PUBLICITÁRIO


DIÁRIO DO COMÉRCIO

4 -.GERAL

Giba Um

3 A revista The Economist

volta a apostar na vitória de Dilma e o Financial Times recomenda votar no tucano José Serra.

gibaum@gibaum.com.br

k Sabe o que o Capitão Nascimento falou quando chegou ao Nossa

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Mega-anéis.

Por: José Nassif Neto Definição de um litígio entre cidadãos.

'Sobre', em inglês.

Reza.

Profissão do que faz cenário para TV.

'Rocha', em francês.

A Capital do Peru.

O que tem pouco valor.

Piauí, sigla do Estado.

333

333 No Rio, acontece esta semana o Forum de ONGs LGBT, composto por 25 organizações, que lança manifesto contra a morte de homossexuais no país. Estimam as entidades que, a cada dois dias, um gay seja assassinado no Brasil em virtude de sua orientação sexual. Entre os participantes, está Douglas Drumond, dono da sauna Clube 269, em São Paulo e da Associação LGBT Casarão Brasil, que promove palestras e dá atendimento gratuito de saúde, psicológico e jurídico aos gays. Ele agora está batalhando pela criação de delegacias e órgãos que se dediquem à elaboração de políticas para homossexuais.

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QUEM cruza, hoje em dia, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sensivelmente mais magro, pode até ficar preocupado. Só que ele vai logo avisando que está se submetendo a rígido regime – e aí, todo mundo vai querendo a receita. Meirelles explica que é a dieta sem carboidratos. Seus ternos são feitos em Nova York, há anos e muitos já estavam sendo difíceis de ser abotoados.

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Delegacia para gays

O SENADO anda mais do que vazio: Lula orientou os aliados para não apareceram no plenário e tampouco nas comissões porque teme que, aproveitando o período, a oposição acabe aprovando alguma bondade com o chapéu alheio . 333

Solução

A L C IA O R

TAMBÉM a Caixa Econômica Federal resolveu entrar na corrida para comprar uma participação do BNP Paribas/ Cetelem na financeira do Carrefour. No mesmo páreo, já correm Itaú e Banco do Brasil.

L

Semana movimentada no Rio: de um lado, Eike Batista e sua namorada Flávia Sampaio (à esquerda) inauguram a clínica de estética Beaux, distribuida em 1.500 metros quadrados (investimento de R$ 15 milhões) no mesmo prédio da MDX, centro médico do bilionário, na Barra; de outro, a atriz e socialite Antonia Frering (à direita, com a famosa mãe Carmen Mayrin Veiga), que estudou arte dramática em Londres, estréia nos palcos brasileiros (é também a produtora) em O Pintor, de Donald Churchill, no Teatro Leblon. 333

OUT

Mega-relógios.

CUSTA CARO 333 Muita gente que acha que a disputa entre celebridades para ser escolhida madrinha (ou rainha) da bateria de uma escola de samba do Rio seja apenas uma questão de popularidade e sex appeal, engana-se. A tradicional batalha exige também bom saldo bancário. Agora mesmo, Adriane Galisteu já separou R$ 150 mil para manter seu posto na Unidos da Tijuca, vencedora do Carnaval carioca do ano passado.

333 ENQUANTO constrói uma casa de 17 mil metros quadrados em Alphaville, Amilcare Dallevo, sócio majoritário da Rede Tv!, aguarda a chegada de seu novo brinquedinho: é um helicóptero AW Grand New da empresa italiana Agusta Westland, biturbina, com capacidade para seis passageiros e autonomia de vôo para até quatro horas. Preço: US$ 7 milhões, cerca de R$ 11,8 milhões.

C

O alfaiate Milton Silva, que não sabe quando receberá cerca de R$ 100 mil que a Daslu lhe deve, que sempre confeccionou roupas para Geraldo Alckmin, achava que o governador eleito iria lhe encomendar novo terno para sua posse. Só que Alckmin resolveu usar o mesmo terno de outra posse. Mais: o profissional vinha se defendendo confeccionando roupas difíceis para Ricardo Almeida, que colocava sua etiqueta nelas. Uma dessas roupas é aquele smoking de veludo vinho de Fausto Silva. 333

MISTURA FINA

I

Terno da posse

Marilia Pêra está adaptando o livro Leite Derramado, de Chico Buarque, para o teatro: quer interpretar o personagem narrador e centenário do romance. A seu lado, está o cineasta Miguel Faria Jr., que deverá dirigir a montagem, com estréia prevista para 2011. Será a segunda vez que Marilia interpretará um texto de Chico Buarque,onovo caboeleitoral de Dilma Rousseff: nos anos 60, ela estava no elenco de Roda Viva, emSãoPaulo,quefoiagredido pelo pessoal do CCC – Comando Caça Comunista. No final dos anos 80, a mesma Marilia, trocando de lado, apoiava Fernando Collor contra Lula. 333

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Dose dupla

e origem irlandesa, Donato foi eleito bispo de Fiesole, na Itália, em 829. Era um pastor sábio e prudente e governou a Diocese na Toscana por 40 anos, sempre empenhado na boa formação do clero e dos fiéis e no combate dos usurpadores dos bens da Igreja.

OUTROS TEMPOS

R

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São Donato

O O N O G R A T A O U D O L I EL MA F A V E A I D E A C E N R O D E

O americano The Wall Street Journal foi um dos primeiros (agora, outros periódicos de economia e negócios estão fazendo a mesma coisa) a criticar a decisão do governo brasileiro de elevar o IOF para capital estrangeiro de 4% para 6%. O título da matéria é O Brasil flerta com o perigo. Adiante, diz que “esse comportamento coquete (do Brasil) é compreensível para quem é atraente, mas o risco de provocar mágoa está aumentando. Por enquanto, as medidas tiveram pouco efeito, mas a tendência é que surjam outras. O perigo é de que uma hora falte capital para cobrir o déficit do Brasil com o exterior. Com o tempo, os investidores podem retirar suas aplicações – e o país ainda depende delas”. 333

PAULO ALEMÃO OengenheiroPauloVieirade Souza, ex-Dersa, acha que Dilma Rousseff não vence a eleição. Se vencer e ganhar foro privilegiado, “mesmo assim, um dia, terá de provar tudo o que disse”. A candidata petista (e também o deputado Antonio Mentor)éanovaintegrantede sua lista de figuras que estão sendo processadas por espalharem e multiplicarema novela dodesvio dedinheirodacampanha(oquejá foidesmentido por José Serra). A conversa era com seu advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca , que foi surpreendido por uma ironia de seu cliente: “Fiz uma pesquisa na minha árvore genealógica e descobri que tive um ascendente louro e nascido na Alemanha. Ou seja: doravante, podem me chamar de Paulo Alemão”. Era uma alusão ao apelido que lhe deram, Paulo Preto .

O filme Tropa de Elite 2, que acaba de chegar aos cinco milhões de espectadores, vem provocando a realização de encontros e debates de José Padilha e Wagner Moura em livrarias, entidades culturais e faculdades. Padilha sempre cita o personagem Don Corleone (vivido por Marlon Brando) no filme O Poderoso Chefão, associando que “não é apenas no nosso filme que as pessoas torcem para figuras com problemas éticos”. Já do seu lado, Wagner Moura sempre fala sobre a cena que espanca um político corrupto, que vem provocando aplausos nos cinemas: “Eu também tive muito prazer na hora de dar porrada nele”.

A

Baseada em São Paulo, a MTV Brasil resolveu comemorar seus 20 anos no ar com uma festa no Píer Mauá, no Rio, reunindo músicos e artistas, todos fãs da emissora, muitos que começaram lá e outros que ainda participam da grade. Em 1990, a MTV deu a largada com Marina Lima cantando Garota de Ipanema e no evento, foi Caetano Veloso (primeira foto à esquerda, com Valeska Popozuda) que interpretou o clássico de Tom e Vinicius. Entre tantos que estavam lá, no palco e na platéia, da segunda foto à esquerda para a direita, viam-se Maria Paula, Adriana Bombom e Ellen Jabour, Rodrigo Santoro e as gêmeas Bia e Branca Feres. 333

20 anos de MTV

Brasil coquete

D

Muito prazer

P D A D Ã MB R A D O

No ano passado, o grupo de Edir Macedo comprou 40% do banco gaúcho Renner que, no primeiro semestre deste ano, viu sua carteira de crédito somar R$ 235 milhões. É um resultado muito distante do pretendido pelo dono da Record e da Igreja Universal: ele quer montar uma plataforma para a oferta de crédito aos muitos milhares de fiéis, usando o própria rede de templos como agências para a venda de produtos financeiros. Para os executivos do grupo de Macedo, os controladores do Banco Renner são muito conservadores e por isso, está sendo iniciada uma conversa para ver se os gaúchos vendem o restante do capital. Se der certo, a instituição, no futuro, poderá até mudar de nome. Já são cogitados Banco da Fé, Banco Universal, Banco do Reino de Deus e outros. 333

22 de Outubro

D C E N C T I R S O O Ã C U D O J U U A D J I AC V I L A U A L A

MARCELO ADNET // humorista, misturando os dois filmes nacionais de grande faturamento. Fotos: Paula Lima

Banco da Fé

MAIS: na página The Lex Column, reforça o nome do candidato do PSDB por conta de "um governo de austeridade".

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Lar? Não vai subir mais ninguém.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

R$ 30 milhões por ano 333 Pelé chega aos 70 anos, mais de 100 contratos publicitários e ganhando R$ 30 milhões por ano. Hoje, ele não faz nada por menos de R$ 2 milhões (dois dias de filmagens e fotos para seis meses de veiculação). Se tiver de comparecer a eventos, mais 10% no valor do contrato. O mercado estima que seja de R$ 600 milhões o valor para arrendar a marca Pelé por 20 anos. Mas, fora do campo, Pelé sempre teve sua vida sujeita a chuvas e trovoadas. A empresa Brand Asset Valuator fez uma pesquisa sobre dois lados do ex-craque: 1. Pelé é: único, líder, sociável, prestativo, visionário, simples, inteligente e gentil. 2. Pelé não é: inovador, sensual, divertido, diferente, saudável, fashion, bonito e engraçado.

O PR marcou encontro com o PMDB para definir sua participação na reta final da campanha do segundo turno e não chamou Tiririca, deputado federal mais votado de São Paulo pelo partido e que, com sua votação, elegeu mais companheiros do PT. Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, não deixou por menos: “Pelo que se vê, chuparam o caroço e jogaram o bagaço fora”. 333

Colaboração: Paula Rodrigues,Alexandre Favero

Vogais de jóia. Floresta. Aptidão.

Região da Itália e Austria. Solteiro.

A estação das frutas. Da família dos canídeos. Ídolo.

Dá de modo gratuíto. Regra para a sociedade Sigla do Estado do Amazonas.

'Rato', em inglês.

Gueto pobre de uma cidade grande. Conjunto de dois. Fruto do juazeiro.

Fibra de rá- Várzea. Letra do al- Domicílio. fabeto que fia obtida de palmeira Destinar; vem depois Mais africana. empregar. do 'm'. adiante.

Lugar próximo; vizinho.

Preparar a terra para o plantio.

Ficar exitante; indeciso.

O satélite natural da terra.

Algo como imaginado.

Consoantes de dúbio. Cercado de tela ou fios de arame.

Prender com um nó.

Vogais de rua.

(391) 2-fã; dá; on; só; 3-rat; dad; juá; cão; roc; 4-liar; 5-pífio; acolá.

Hábito do rato. Hóstia consagrada.

Oferece; cede. 'Papai', em inglês.


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

5 BOLA DENTRO Serra acusa Lula de instigar a violência na atual campanha eleitoral.

olítica

BOLA FORA Video aponta bolinha de papel como real objeto atirado em tucano

Serra culpa Lula por clima de violência Reprodução TV SBT

Tucano atribui ao presidente – ao se dedicar integralmente à campanha de Dilma Rousseff – a responsabilidade por agressões que vem sofrendo

O

candidato do PSDB à Presidência, José Serra, culpou ontem o presidente Lula pela violência que afirma estar sofrendo nesta reta final de campanha, como no incidente de quarta-feira no Rio de Janeiro. Segundo Serra, o que aconteceu no Rio não foi ação de militantes, mas de gente preparada para intimidar. "O incidente comigo foi só um exemplo, teve uma jornalista que também foi agredida", disse o tucano em Maringá (PR). Serra disse que a atitude do presidente Lula, "de se colocar de corpo e alma no processo eleitoral, ao invés de governar o País, ou mesmo incitar a destruir os adversários, como ele tem feito, só contribuiu para esse clima de violência". O candidato tucano disse que o PT vive de factoides e que sua campanha não vai se intimidar. "Não vamos reproduzir o que eles fazem". Antes da entrevista, Serra falou para uma plateia de prefeitos na Associação de Funcionários da Cocamar Agroindustrial, a segunda maior cooperativa do Paraná, e foi ainda mais incisivo ao criticar o que classificou de violência dos adversários. "São capangas, gente treinada, uma verdadeira tropa de assalto ao estilo nazista, fascista, mas nós não trataremos nossos adversários como inimigos". Ele afirmou nunca ter pensado em viver uma situação como essa, disputando uma eleição contra a maior "concentração de mentiras já vista em uma eleição". Serra anunciou que irá, caso eleito, cons-

truir um aeroporto em Maringá que atenda as necessidades da grandeza da região. Direito de resposta – O candidato tucano, protocolou ontem uma representação no TSE (Tribunal Regional Eleitoral) pedindo direito de resposta contra mensagens que o deputado estadual reeleito por São Paulo, Rui Falcão, que também é coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT), postou no Twitter. De acordo com os advogados do presidenciável tucano, Falcão postou duas mensagens ofensivas contra Serra na última terça-feira. Segundo a representação, "a mensagem, altamente ofensiva, foi imediatamente remetida aos 2.113 seguidores do representado no Twitter, sendo certo que cada um desses seguidores tem a possibilidade de retransmitir a mensagem a seus próprios seguidores, com o uso da ferramenta denominada Retweet, ampliando, e muito, a disseminação da mensagem". As mensagens postadas por Falcão pedem a seus seguidores "cuidado com os telefonemas da turma do Serra. No meio das ligações, pode ter gente capturando seu nome para usar criminosamente... podem clonar seu número, pode ser ligação de dentro dos presídios, trote, ameaça de sequestro e assim por diante. Identifique quem liga!". O problema, de acordo com os advogados, é que a mensagem do deputado atribui ao candidato "fatos criminosos como clonagem de telefone, ameaça de sequestro, trote e utilização criminosa de dados de eleitores". (Folhapress)

São capangas, gente treinada, uma verdadeira tropa de assalto ao estilo nazista, fascista, mas nós não trataremos nossos adversários como inimigos José Serra, presidenciável tucano, voltando a lamentar, ontem, o episódio em que foi atingido na cabeça por um rolo de adesivos durante confronto entre militâncias.

Tucano compara agressão com a sofrida por Mário Covas em 2000

O

candidato à Presidência do PSDB, José Serra, explorou em seu programa da tarde de ontem, a susposta agressão que sofreu durante uma caminhada no Rio de Janeiro, nesta quartafeira. E comparou o episódio em que Mário Covas recebeu uma bandeirada de professores durante uma greve em Diadema, em 2000. "Os brasileiros lutaram muito para reconquistar a democracia. O regime que é o da liberdade e da tolerância. Por isso, é inaceitável o que aconteceu nesta quarta-feira no Rio. Serra estava andando no calçadão de Campo Grande, uma caminhada pacífica e calorosa", afirmou uma atriz. Na quarta-feira, após o tumulto, Serra teria sido atingido na cabeça por um objeto lançado por militantes do PT. Cenas em que Covas é agredido com uma bandeirada na

cabeça apareceram logo depois das imagens de Serra. "Fui cassado para garantir o direito de vocês falarem. Não o direito de me dar paulada na cabeça", dizia Covas, na época. "Essa é a democracia que você quer para o Brasil?", questiona a atriz. Serra voltou a criticar Dilma de forma indireta e sugeriu que ela estaria envolvida em escândalos e que muda de opinião sobre assuntos polêmicos a todo momento. "Essa pode ser a eleição dos valores mais profundos e mais importantes para os brasileiros. Uma eleição onde prevaleça o dever de falar a verdade. O povo está exigindo e vai exigir cada vez mais que os candidatos sejam verdadeiros. Que assumam posições e opiniões sem enrolar, e sem mudar ao sabor dos ventos. Essa também pode ser a eleição da valorização de quem nunca esteve metido em escândalos". (AE)

Reprodução Rede Blogo

Acima, vídeo divulgado pelo SBT mostra "agressão" a Serra com bola de papel – o que ocorreu momento antes de ele ser atingindo por um rolo de adesivo. À esquerda jogo virtual na internet em que se sai vencedor o jogador que mais acertar bolinhas de papel na cabeça do candidato tucano.

Vídeo mostra bolinha de papel e vira hit Petistas usam imagens do SBT para tentar mostrar que agressão ao candidato tucano seria só uma farsa

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impatizantes da campanha da petista Dilma Rousseff divulgaram ontem um vídeo – rapidamente transformado em hit na internet – que procura provar que o tucano José Serra simulou ter sido ferido durante caminhada no calçadão de Campo Grande, zona oeste do Rio, ontem, mas teria sido atingido por uma bolinha de papel. O vídeo reproduz imagens levadas ao ar pelo SBT sobre a tumultuada caminhada de Serra, quando militantes do PT e do PSDB entraram em confronto. A sequência mostra

que o tucano leva a mão esquerda à cabeça, sem ferimento aparente, depois de falar ao telefone e 20 minutos após ter sido atingido pela bolinha. As imagens exibem momentos diferentes da caminhada, editadas na ordem em que ocorreram. Primeiro, é possível ver cartazes com mensagens contra Serra e, depois, cenas das portas das lojas sendo fechadas. Em seguida, aparece o momento em que a bolinha de papel – ou de adesivos amassados – atinge a cabeça do tucano. Serra continua a caminhada. O vídeo mostra cenas

de brigas e empurrões entre os militantes. Na cena seguinte, a van do candidato tucano deixa o local. O vídeo mostra então Serra, já a 200 metros adiante, tentando retomar a caminhada, ao lado do candidato derrotado ao governo do Rio, Fernando Gabeira (PV). Rolo – O vídeo do SBT não mostra o momento em que Serra leva a mão direita à cabeça e é amparado até a van. Nenhum objeto foi captado nas imagens ou visto pela reportagem. Na versão dos tucanos, este foi o momento em que Serra foi atingido por um objeto

pesado, provavelmente um rolo de papelão. Também não foi possível ver nenhum ferimento na cabeça do candidato. A sequência exibida pelo SBT, em que Serra fala ao telefone e põe a mão esquerda na cabeça, ocorreu depois de o tucano, dentro da van, ter colocado bolsa de gelo na cabeça e ter dito que ficou "meio grogue". Na internet, o vídeo ganhou o nome de Serra-Rojas, menção ao goleiro chileno que cortou propositalmente o supercílio para simular ter sido atingido por um sinalizador no Maracanã, em 1989. (AE)

Aécio critica uso da máquina federal Senador volta a condenar o uso da estrutura de poder pelo presidente Lula para favorecer sua candidata

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senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG), criticou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo uso da máquina administrativa federal em favor de um partido, o PT, e da candidatura de Dilma Roussef à Presidência da República. "O Brasil tem de seguir construindo o seu destino", disse Aécio. "Não pode se acovardar, não pode se curvar à força daqueles que se acham donos definitivos do poder, e que colocam o País a serviço de um partido político", afirmou, durante discurso. Aécio inaugurou o comitê conjunto do PSDB, para as campanhas de Marconi Perilo, governador, e José Serra, presidente. Ele chegou um dia após o presidente Lula atacar os tucanos, durante comício na periferia de Goiânia. Seu discurso foi considerado "desrespeitoso, agressivo e desleal" em nota oficial do PSDB de Goiás

Reforço – Na última semana da disputa presidencial, o núcleo da campanha do candidato do PSDB decidiu mobilizar Aécio Neves e todos os governadores da coligação para tentar melhorar o desempenho do tucano em praticamente todas as regiões. Enquanto Aécio e os governadores concentrarão esforços

no Norte, Nordeste e CentroOeste, Serra dará preferência a compromissos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Multiplicação – O presidente do partido e coordenadorgeral da campanha, Sérgio Guerra (PE), afirmou que a intenção é "multiplicar e potencializar as ações na reta final da

Sérgio Lima/Folhapress

Aécio em campanha pelo candidato do PSDB à Presidência, José Serra: "O Brasil não pode se acovardar, não pode se curvar à força daqueles que se acham donos definitivos do poder".

campanha". Outra decisão tomada pela coordenação de campanha é que Aécio e os governadores alternarão os dias de compromissos no Nordeste e Centro-Oeste. O objetivo é tentar reverter o cenário do primeiro turno, em que Dilma obteve 61,63% dos votos no Nordeste, contra 21,48% de Serra. (AE/ABr)


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quanto mais pobre o estado ou município, maior a tendência de governismo. O PT soube aproveitar tal brecha. Roberto Romano

olítica

O verde altera a paisagem política Ondas vermelhas, azuis e verdes são fenômenos de marketing. Os verdes entraram no cenário enviando sinal de alerta para o contingente dos descontentes. Décio Viotto

O

s 19.636.359 votos recebidos por Marina Silva não só bagunçaram o coreto, como desafinaram o coro dos contentes. A chamada onda verde, que teria tirado votos de José Serra (PSDB) nas cidades grandes e de Dilma Rousseff (PT) nos municípios médios, não é suficiente para explicar o fenômeno – resultado das diferentes tendências sociais que convergiram para seu nome no final da campanha. O número de votos obtidos pela candidata – derrotada – do Partido Verde, entretanto, ficou atrás das abstenções, que somaram 24,6 milhões de eleitores. É como se todo o estado da Bahia e todo o estado de Minas Gerias não votassem. "Do ponto de vista quantitativo, a votação em Marina no primeiro turno não pode ser considerada decisiva na passagem para o segundo turno", afirma Gabriel Cohn, sociólogo e professor aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). "A importância da sua figura [Marina Silva] foi altamente inflada", acrescenta. O voto verde – A votação tímida do Partido Verde é um atestado de que a preocupação com o ambiente e com a sustentabilidade econômica teve uma contribuição razoável para a arrancada de Marina. Porém, os evangélicos, os católicos e os conservadores encontraram nela a resposta contra a alardeada posição de Dilma a favor do aborto como questão de saúde pública.

Somados os votos verdes, brancos e nulos, temos uma relativização forte (...) dos partidos governistas e do próprio Presidente. ROBERTO ROMANO

Além disso, a candidatura de Marina foi sustentada por um contingente de jovens que, descontentes com a política tradicional do PT e do PSDB, encontraram na candidata verde uma válvula de escape para suas aspirações. A partir dessas perspectivas é que Roberto Romano, professor de Ética e Política da Unicamp, afirma que o papel da

candidata foi importante, não apenas pelo montante de votos, mas porque representou uma opção para os que estavam cansados do cinismo e do maquiavelismo da política. "Somados os votos em Marina com os brancos e nulos, temos uma relativização muito forte da pretensa fortaleza dos partidos governistas e do próprio Presidente." No entanto, Cohn opina que o voto destinado a ela "claramente não foi partidário ou programático, mas personalizado, em um sentido muito específico e fundamental para entender o caráter dessa eleição no seu conjunto". Em seu entendimento, "trata-se de um voto que traduzia muito mais mal-estar com a política, incluindo partidos e programas, do que participação ativa dela. Disso resulta o mais importante: é que, se a atuação de Marina não foi decisiva quantitativamente no primeiro turno, acabou tendo um qualitativo, que se acentua neste segundo turno e que vem sendo explorado pela campanha da oposição". Efeito Marina – Nesse sentido, a mais recente "onda verde", como tantas outras ondas, estaria mais para um produto de marketing do que para um fenômeno eleitoral.

Patrícia Cruz/LUZ - 28.09.10

Na visão de Celso Roma, cientista político com doutorado na Universidade de São Paulo (USP), especialista em eleições e partidos, em especial no PSDB, "o PV não elegeu nenhum governador, nenhum senador, e as bancadas federais e estaduais tiveram crescimento insignificantes". Por isso, ele acrescenta que "se a onda verde subiu, ninguém sabe, ninguém viu". Já Roberto Romano tem outra versão para essa análise. "Todas as ondas, vermelhas, verdes, azuis, pelo simples uso de semelhantes nomes, já são fenômenos de marketing e, no caso de Marina, não seria diferente. Mas ela não foi apenas um fato mercadológico. Ela entrou num vazio de representação muito grande. Os políticos de todos os partidos deveriam estar preocupados com res um votou no PV), ficando esse elemento." em segundo ou terceiro lugaGabriel Cohn esclarece que res na disputa presidencial. Marina contribuiu decisivaCelso Romano alerta para o mente para infato de que é troduzir no preciso compaprocesso um rar o que ela componente conseguiu com n ão -p ol ít ic o, o que se propaO voto [no PV] muito mais litraduzia muito mais gou sobre ela. gado a impul"A se acredio mal-estar com a sos privados tar nos institupolítica (...) partidos tos de pesquido que a quese programas, que a sas – e tais institões públicas. "Ela abriu, participação ativa tutos deveriam assim, uma rever seus prodela [Marina]. porta para a cedimentos urGABRIEL COHN emergência de gente –, Marina tudo aquilo seria um fator que compromete o avanço da irrelevante. Não foi." formação de práticas políticas Roma destaca que Marina democráticas na sociedade: "teve pior desempenho no cinrancores, ressentimentos, ódio turão agrícola do País, e isso reprimido a Lula e àquilo que pode ser um mau sinal, de que ele representa em termos de o eleitorado dessa região priviavanços populares em todas as legia a economia no lugar do áreas. Teve, enfim, um efeito meio ambiente". predatório e, politicamente, Até mesmo no Acre, sua terregressivo." ra natal, Marina ficou em terA força do PV – Uma outra ceiro lugar, com 81.102 votos. vertente do resultado conse- Ou seja, menos do que os canguido por Marina precisa ser didatos mais votados para o levado em consideração: a real governo do Estado e para o Seforça do Partido Verde. nado. E só elegeu um deputaA candidata verde ganhou do federal, Henrique Afonso, no Distrito Federal (41,96%. com 20.306 votos, sexto lugar Mas nos demais estados, osci- entre oito eleitos. E, apesar de lou de 11,33%, no Rio Grande concorrer com oito candidatos do Sul, a 31,52% no Rio de Ja- à Assembléia Legislativa, não neiro (onde de cada três eleito- elegeu nenhum.

Na avaliação de Romano, "quanto mais pobre um estado ou município, maior é a tendência de governismo, e o PT soube aproveitar tal brecha". Para o o professor da Unicamp, Marina até que conseguiu muito no Acre. Abstenções – Outro efeito ainda passível de avaliação são os 24,6 milhões de abstenções, que correspondem a 18% do eleitorado. Somados os votos em branco e nulos, o total chega a 33,6 milhões. Ou seja, esse total é mais do que obteve Serra (33,1 milhões) no primeiro turno. Tal comportamento do eleitor, passadas as eleições, é um fenômeno que também deve ser investigado, como adverte Romano. "A malha fina deve ser passada sobre os dados dessa atitude do eleitor. Se não for feito tal levantamento, o abismo entre a classe política e a população tenderá a aumentar." Além disso, se ainda forem consideradas as pesquisas já existentes sobre a desconfiança popular diante das instituições políticas e jurídicas brasileiras, o rumo está marcado, acredita Romano. "Nossa forma de Estado e nosso povo discordam e tendem a seguir rumos diferentes", aposta o especialista no assunto, o professor Romano.

O PV não elegeu nenhum governador, nenhum senador (...) Se a onda verde subiu, ninguém sabe, ninguém viu. CELSO ROMA Outro ponto de vista – Celso Roma tem outra visão a respeito do assunto. Para ele, a taxa de comparecimento eleitoral no País é alta. Só para efeito de comparação, cita a eleição para a presidência nos Estados Unidos, em 2008, quando apenas 58% dos americanos com idade para votar compareceram às urnas. "Nem a crise econômica, nem mesmo Barack Obama conseguiram entusiasmar os eleitores". Ou a última eleição parlamentar na Grã-Bretanha, "que registrou um total de 38% de abstenção". "O Brasil registra desempenho superior ao de países com longa tradição em democracia, e isto se deve ao fato de que o voto é obrigatório no Brasil. Se a punição aos faltosos for rigorosa, um número ainda maior de eleitores comparecerá à votação", conclui Celso Roma.

Patrícia Cruz/LUZ - 09.09.10

The Economist muda de ideia: "Serra daria melhor presidente" Revista analisa quadro eleitoral e conclui: Brasil ganharia com a troca no poder.

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revista britânica T he E co no mi s t, que dava como certa a vitória de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais, em setembro, mudou de opinião. A edição de ontem dedica o editorial e uma reportagem ao tema e sugere que o candidato tucano José Serra pode ser um presidente melhor que Dilma. A matéria analisa o quadro eleitoral brasileiro e conclui que o País ganharia com uma troca de legendas no poder. "Embora nenhum partido brasileiro tenha o monopólio quando o assunto é corrupção, há inúmeros indícios de que o PT esteja confortável no poder. Depois de oito anos de PT, o Brasil se beneficiaria de uma mudança no poder". O editorial diz que Serra teve sorte de ganhar uma segunda oportunidade e que atribui o fato à terceira candidata, Marina Silva (PV) que acumulou um total de 19.3% de votos nas urnas. O texto pondera que Dilma, "que antes apoiava o direito do aborto, ainda pode ser a favorita, só que Serra subiu um degrau. Agora o Brasil tem uma alternativa". Dos debates a dois, diz a matéria, surgiu um Serra energizado. O texto lembra que na campanha durante o primeiro turno, Dilma trombou contra alguns líderes religiosos, foi

duramente criticada por sua antiga opinião a favor do aborto e que, diante disso mudou de opinião – o que permitiu a Serra descrevê-la como 'duas caras". A seguir, a matéria assinala que "Dilma ganhou tudo o que pode com o apoio de Lula e mesmo assim, não bastou". Para The Economist, Serra seria um presidente melhor, pois sua trajetória aponta que ele tem mais capacidade de adotar medidas de cortes em gas-

tos desnecessários e em eliminar o déficit fiscal. "É difícil imaginar Dilma e o PT colocando um ponto final nos gastos públicos". Depois de provar que Dilma não merece vencer só porque foi escolhida por Lula, o texto enumera motivos pelos quais os brasileiros deveriam votar em Serra. Um deles: "Dilma não é Lula. Ela não tem os extraordinários dons políticos dele, nem seu inato pragmatismo".

Reprodução

Serra e Dilma em um novo contexto: "Agora o Brasil tem alternativa".


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

7 Há um método tradicional na política conservadora de direita, que é criar fatos e acusar o lado de lá. Dilma Rousseff, candidata petista à Presidência

olítica

Edu Andrade/AOG

Dilma escapa de bexigas e bandeiras Ontem foi a vez de a petista ser atacada por militantes, em Curitiba. Mas ela ironizou o comportamento do adversário.

U

m dia depois de o presidenciável José Serra (PSDB) ser agredido por petistas no Rio, a candidata Dilma Rousseff (PT) enfrentou clima de hostilidade em Curitiba, onde o tucano venceu no primeiro turno. Em visita à capital paranaense, ela ouviu vaias e quase foi atingida por um balão de água arremessado do alto de um e d i f í c i o e nquanto desfilava em carro aberto na rua XV d e N o v e m b ro – que é fechada para pedestres. O balão estourou no capô do veículo e assustou Dilma, que acenava para o público – ao lado dos senadores eleitos Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT). No total, três bexigas cheias de água foram arremessadas de prédios comerciais na direção da petista, atingindo apenas militantes que a acompa-

nhavam. Depois, durante uma carreata até a cidade de Piraquara, uma bandeira foi jogada na direção de Dilma. A candidata não foi atingida, mas o objeto passou voando por cima de sua cabeça. Depois desses sustos, a presidenciável discursou rapidamente. E cometeu uma gafe ao chamar o Paraná de Pará. Ela se corrigiu na sequência – ao ouvir as primeiras vaias. Passada a preocupação com o incidente, a candidata ironizou o seu rival no segundo turno ao desembarcar no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, após a tentativa de agressão que sofreu durante caminhada em Curitiba. "Não sou o Rojas para ficar fazendo firula com isso porque, ao contrário dele, me esquivei". Dilma referia-se ao ex-goleiro Roberto Rojas, da seleção do Chile, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou

Dilma em carreata ao lado deManuela d'Ávila, Tarso Genro e Olívio Dutra, em Porto Alegre. A recepção em Curitiba, antes, foi de hostilidade.

ao candidato Serra. O ex-atleta fingiu ter sido atingido por um foguete sinalizador no Maracanã, suspendendo a partida entre Brasil e Chile pelas eliminatórias, em 1989. A candidata defendeu que a campanha eleitoral não pode se pautar por "agressão nem tendências de criar factoides". Ela alfinetou Serra sobre o episódio de ontem, no Rio de Janeiro, no qual o tucano foi acertado por um objeto na cabeça – que, de acordo com imagens do SBT e da Record, teria sido uma bolinha de papel (na verdade atirada antes do rolo de adesivos). Questionada sobre o acirramento da disputa eleitoral, pontuada pelas trocas de acusações, Dilma jogou a culpa na direita. "Há um método muito tradicional na política conser-

vadora de direita, que é criar Na tevê – O programa de fatos e acusar o lado de lá de Dilma na tevê, ontem, contiviolência. É típico de campa- nuou a relacionar Serra às prinha direitista." vatizações promovidas pelo A po io – A petista recebeu governo do ex-presidente Ferontem o apoio nando Henride professoque Cardoso – res da Univercomo as da Vasidade Fedele, Telebrás e Não sou o Rojas ral do Paraná Light. para ficar fazendo e prometeu, se "Juntos, eles e l e i t a , a mvenderam defirula com isso pliar os inveszenas de emporque, ao timentos na presas brasicontrário dele, me rede pública leiras e agora esquivei [de uma de ensino suestão querenperior. do voltar ao bexiga com água]. À tarde, ela poder já penDILMA ROUSSEFF participou de sando em pric a r re a t a e m vatizar mais Pinhais, na região metropoli- uma riqueza do Brasil: o prétana de Curitiba, e embarcou sal", afirmou um locutor. para o Rio Grande do Sul, onde Uma atriz foi escalada para prosseguiria a campanha – fazer críticas a Serra, que tem sem dar entrevista alguma. dito que irá manter os progra-

mas sociais do governo Lula se for eleito. "Estranho ele dizer isso. Afinal, sempre que assume um cargo, Serra interrompe o que estava em andamento. Interrompeu programas de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo e, no governo, cortou pela metade até programas de Alckmin, como as escolas de tempo integral e as escolas da família. E olha que Alckmin é de seu próprio partido, o PSDB. Agora, imagine o que ele não seria capaz de fazer com os programas do Lula?", questionou a atriz. Cenas do ato realizado em apoio a Dilma no Rio, com a presença de mais de mil artistas e intelectuais, foi explorado no programa. Foram exibidos depoimentos das estrelas presentes, reunidas por Chico Buarque. (Folhapress/AE)

Lula: 'Foi um dia de farsa, um dia de mentira' Depois de assistir vídeo, presidente classifica como "mentira descarada" a agressão sofrida pelo candidato tucano José Serra num conflito entre militantes, no Rio

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presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi contundente nas críticas ao candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, em rápida entrevista coletiva após a inauguração do dique seco de Rio Grande (RS) ontem. Sobre a suposta agressão sofrida pelo tucano durante comício na última no Rio de Janeiro, Lula chegou a usar os termos "mentira descarada" para classificar o ocorrido. O presidente disse ter visto imagens das redes Re co rd e S BT . Segundo ele, Serra foi atingido por uma bolinha de papel e seguiu caminhando por mais 20 minutos, quando recebeu um telefonema "de algum assessor da publicidade da campanha que o sugeriu para parar de caminhar e por a mão na cabeça para criar um factoide". Para Lula, o episódio "deixou o dia de ontem (anteontem) marcado como o dia

credito

da farsa, o dia da mentira". O presidente ainda comparou o candidato tucano ao exgoleiro Roberto Rojas, que, em 1989, fingiu ter sido atingido por um foguete no Maracanã, suspendendo a partida entre Brasil e Chile pelas eliminatórias. Após uma câmera da rede Globo ter flagrado que o foguete não acertou o goleiro, o Chile foi desclassificado das eliminatórias e suspenso da edição seguinte. Bicadas – O presidente Lula também atribuiu ontem a quebra dos sigilos fiscais de parentes e pessoas próximas a José Serra (PSDB) a tucanos de "bico grande" que travavam uma disputa pela indicação para a candidatura presidencial no ano passado. Ao comentar o inquérito da Polícia Federal sobre o assunto, Lula citou o jornalista Amaury Ribeiro Jr., que disse ter encomendado os dados si-

gilosos para "proteger" o então governador mineiro Aécio Neves (PSDB) de supostos arapongas ligados a Serra. Os dois disputavam, então, a candidatura tucana. "Ficou um pouco claro que era uma briga entre tucanos. Era uma briga que aconteceu no auge da disputa interna do PSDB. Vi uma declaração do Aécio de que ele não sabia de nada, pode até ser realmente que não sabia, mas as evidências que estão no inquérito estão mostrando que era uma briga entre tucanos", disse. Em seguida, Lula isentou a campanha de Dilma Rousseff (PT) de culpa pela quebra do sigilo: "Era uma briga entre tucanos. Tucano tentando bicar tucano. Como eles têm o bico grande, alguém poderia se ferir. Para ninguém se ferir, tentaram jogar a culpa no coitado do PT, que sempre é o bode expiatório". (AE/Folhapress)

Lula em Rio Grande (RS), ontem: Era uma briga entre tucanos. Tucano tentando bicar tucano".

Reprodução

O nosso jornalismo passa a não ter liberdade como a gente teve, o que é uma coisa que eu lamento muito. PAULO BERINGHS, JORNALISTA E APRESENTADOR DE TEVÊ

Jornalista denuncia censura. E pede demissão ao vivo

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legando estar sob censura, o jornalista e apresentador de tevê, Paulo Beringhs, interrompeu uma entrevista que fazia ao vivo, anteontem à noite, na "Edição da Noite" da TV Brasil Central, e pediu demissão no ar. Segundo ele, a decisão foi tomada por causa de pressão política nos bastidores. A estação de televisão pertence ao governo de Goiás, comandado por Alcides Rodrigues (PP) e coligado na disputa sucessória com o PMDB e o PT. Nos bastidores, afirmou o jornalista, havia uma ordem para não entrevistar o candidato tucano Marconi Perillo. Ele discordou e denunciou ao vivo a determinação. "Nós es-

tamos sob intervenção, o nosso jornalismo passa a não ter liberdade como a gente teve até agora, o que é uma coisa que eu lamento muito", disse Beringhs, que tem 46 anos de profissão e tem contrato até 2011. Ainda no ar, comentou, sob a pressão que sofria: "Garanta seu emprego que eu garanto a minha dignidade". O entrevistado da noite era o senador Demóstenes Torres (DEM), que disse ter ficado perplexo não com o pedido de demissão, mas com o que considerou "uma mordaça". O a n ú n c i o d e P a u l o B eringhs está no site YouTube e na rede de microblogs Twitter. "Eu lamento demais esta postura do senhor Jorcelino Braga

(ex-secretário da Fazenda) e do grupo de Iris Rezende, que tem tradição em censurar a imprensa", disse no vídeo. "Foi uma grande surpresa o que aconteceu", disse Marcos Vinicius de Faria, diretor da Agência de Comunicação do Estado (Agecom), que controla a tevê, com alcance em todos os municípios do Estado. "Mesmo assim, ele não está demitido", afirmou. "Se quiser pode voltar hoje mesmo para trabalhar", garantiu. Farias explicou que a empresa de Paulo Beringhs, a Conceito Produções e Eventos Jornalísticos Ltda., tem contrato com a Agecom no valor de R$ 600 mil ao ano, desde 2008 e renovou em 2009 até 2011. (AE)


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Quando procurado, sempre informei que a campanha não produzia dossiês. Rui Falcão, deputado (PT)

olítica

Jornalista acusa petista de furtar dossiê

Charles Bispo/AE

Amaury Ribeiro Jr. diz que documentos fiscais de pessoas ligadas a Serra foram copiados por Rui Falcão

A

cusado de ser o autor do dossiê antitucanos, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. disse, em depoimento prestado à Polícia Federal na última sexta-feira, dia 11, "ter certeza" de que os documentos fiscais sigilosos de pessoas ligadas a José Serra (PSDB) foram copiados sem o seu consentimento por Rui Falcão, deputado estadual do PT e um

William Volcov/AE - 10.10.10

dos coordenadores de comunicação da campanha de Dilma Rousseff (PT). Amaury contou aos policiais que "nunca entregou o material a qualquer pessoa" e que "acredita com veemência" que os arquivos foram copiados do seu notebook no quarto do apart-hotel Meliá Brasília. Em um trecho do depoimento à polícia, Amaury afirma ter "certeza que tal material foi co-

piado por Rui Falcão, pois só O episódio já havia sido reele tinha a chave do aparta- velado por Veja ainda no primento, já que ele havia residi- meiro semestre deste ano e ledo no mesmo, tendo o decla- vou Luiz Lanzetta [que corante verificado que o nome de mandava estratégia de mídia Rui Falcão constava na porta- da petista] ao afastamento . A assessoria de Falcão diz ria do hotel como sendo o ocupante daquela unidade". que ele nunca morou naqueSegundo Amaury, o quarto le flat e que a acusação é inveque ocupava no Meliá é de um rídica. Em nota, o deputado homem identificado por ele ainda nega ter conhecimento de que seu apenas como nome conste Jorge. No depoimento, ele na recepção do flat, como também afirNego, a f i r m o u ma que Jorge é o "responsáA m a u r y J r. terminantemente, n o d e p o ivel pela admique tenha copiado mento à PF. nistração dos dados ou arquivos gastos da casa N o t a – Sedo mencionado do Lago Sul e gundo Rui lap-top do jornalista F a l c ã o , e l e da campanha não teve acesde Dilma". [Amaury Jr.]. so ao depoi" É u m a bRUI FALCÃO mento que surdo essa A m a u r y história. Rui Falcão jamais esteve lá". Foi o prestou à Polícia Federal. E esque afirmou a assessoria do clarece que as afirmações de deputado ao estadão.com.br , que tenha residido no Meliá em relação ao local onde teria não procedem. "Se, porventuse reunido, em abril, a "central ra, chegou a constar meu nome de inteligência" da pré-campa- na recepção do hotel, não é de nha de Dilma. A "central" seria meu conhecimento, nem de responsável por produzir dos- minha responsabilidade. Nesiês contra Serra para serem go terminantemente que teusados na campanha. nha copiado dados ou arquivos do mencionado lap-top do jornalista. Tive conhecimento Rui Falcão: há meses, pela imprensa, da assessoria do existência de um suposto dosdeputado diz que siê. Quando procurado, semele nunca morou pre informei que a campanha no apart-hotel não produzia dossiês, nem auMeliá Brasília, torizava qualquer pessoa a facomo afirmou z ê - l o e m n o m e d a c a m p aAmaury Ribeiro Jr. nha".(Folhapress)

PF para carro de Anchieta: agentes e seguranças se enfrentam

PF aborda governador de RO de arma em punho

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governador de Roraima, Anchieta Júnior, candidato à reeleição pelo PSDB, foi abordado pela Polícia Federal ontem, ao chegar ao Palácio Senador Hélio Campos, sede do executivo estadual. Com ânimos acirrados, os seguranças do governador e os agentes federais apontaram armas entre si. Não houve disparos. A abordagem, segundo a PF, ocorreu após denúncia de que os dois veículos Honda Civic, nos quais estavam o governador e seus seguranças, estariam transportando dinheiro supostamente para compra de votos. Os carros foram revistados, mas não foram encontrados indícios de ilícito eleitoral, segundo o superintendente da PF, Herbert Gasparini. Ele garantiu que a PF desconhecia quem eram os ocupantes dos carros.

"Ninguém sabia que o governador estava no carro. Ele foi tratado com toda deferência e tudo foi filmado". Anchieta Júnior minimizou ter sido parado sob a mira de armas. "Foi uma abordagem de rotina. Imparcial. A ação da PF sempre é feita com armas em punho e meus seguranças também portam armas e estão sempre alertas nestas situações". Mas disse que "é um processo eleitoral atípico. Nunca tínhamos visto uma ação com essa dimensão". Anchieta classificou de "infundada" a denúncia que motivou a ação, criada pela oposição para "tumultuar e atrapalhar o processo eleitoral". E contou que essa foi a quarta vez que foi parado por agentes federais. Segundo o superintendente, não será aberto inquérito, pois dinheiro algum foi encontrado. (AE)


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9 PARA ANDAR 1 São Paulo tem hoje cerca de 30 mil quilômetros de calçadas.

idades

PARA ANDAR 2 Experiências como a da Avanhandava poderão ser repetidas.

Pedestre em SP, uma questão de coragem Marcos Romano, presidente da Associação Brasileira dos Pedestres, defende novo modelo de calçada e mais educação para motoristas e para quem anda a pé Filipe Marcel

Henrique Manreza/e-SIM - 22/06/2009

Fotos de Zé Carlos Barretta/Hype

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odo mundo sabe que para ser pedestre em São Paulo é preciso ter coragem e paciência. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a média de mortes chega a duas pessoas por dia apenas na região metropolitana, a maioria delas vítima de atropelamento. A falta de semáforos inteligentes e de mais faixas preferenciais, além de motoristas distraídos ou que trafegam em alta velocidade, transforma a caminhada do paulistano em um teste de sobrevivência. Calçamentos estreitos e esburacados, árvores plantadas em locais inadequados, portas de garagem que abrem para fora, lixo acumulado nas vias, sujeira de animais, pisos escorregadios e desnivelados são as reclamações mais frequentes recebidas pela Associação Brasileira de Pedestres, que só em São Paulo atua há mais de 10 anos com educação e prevenção de acidentes. Selva de pedra – Mesmo com a Lei 10.588/88, que estabelece que o proprietário fica responsável pela manutenção e reparo da calçada em frente ao seu imóvel, muita gente continua sendo submetida a um extenuante sobe e desce, sendo obrigada a desviar de vasos e plantas, toldos baixos, além de enfrentar quase todos os dias a falta de guias rebaixadas, o escoamento irregular de água e esgoto, entre outros obstáculos que vão parar logo no passeio público. "Nem todos dirigem, mas todo mundo é pedestre. No entanto, ainda sentimos a falta de apoio e de pessoal para levar nossos projetos para as escolas. Precisamos educar os pedestres para o bem da nossa cidade", afirma Marcos Romano, presidente da Associação Brasileira dos Pedestres (Abraspe) em São Paulo. A cidade conta hoje com aproximadamente 30 mil quilômetros de calçadas, grande parte delas ainda em mosaico português (pedras sobre o cimento). Para Romano, que também é assessor técnico da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura, a tendência é que a cidade ganhe o piso de concreto intertravado,

Marcos Romano, da Associação Brasileira dos Pedestres: sugestões

No Centro da cidade, calçadas com defeitos ou esburacadas: um risco sério para pedestres menos avisados A calçada da rua Avanhandava pode ser um modelo para outras regiões da cidade. Obra aumentou a segurança e a frequência de pedestres.

Cesar Diniz/Hype - 09/12/2008

Motoristas que desrespeitam as faixas de segurança: outro perigo a ser enfrentado nas ruas da Capital

que é feito com blocos encaixados sobre uma mistura de areia que, além de absorver até 70% da água, ainda tem propriedade antiderrapante. Passeio livre – Entregue em janeiro de 2007, a obra realizada numa parceria entre a Abraspe, a Associação dos Restaurantes da rua Avanhandava e Prefeitura de São Paulo transformou o endereço que abriga restaurantes como Gigetto e Famiglia Mancini em uma espécie de boulevard com piso intertravado, asfaltamento próprio na entrada dos estacionamentos, recuos e calçadas mais amplas, facilitando o caminhar de quem

atravessa a rua. O custo total da obra, segundo a Subprefeitura da Sé, foi de R$ 1,5 milhão e seu benefício pode ser visto no aumento da frequência de pedestres na região. Experiências semelhantes à da rua Avanhandava podem ser vistas em endereços como a rua Oscar Freire, nos Jardins. A reforma da rua, iniciada em 2006, removeu 100 postes, nivelou as novas calçadas e custou para os cofres da Prefeitura cerca de R$ 4,5 milhões. Outras obras que priorizaram o bem- estar do pedestre podem ser vistas na rua Joaquim Nabuco, no Brooklin, e nas ruas João Cachoeira e Olimpíadas, ambas na região do

Itaim Bibi. Agora resta saber se as outras 60 ruas temáticas da cidade, como a Teodoro Sampaio, a Frei Caneca, a 25 de Março e a Aspicuelta, na Vila Madalena, conseguirão ver seus projetos aprovados. O problema das reformas é que não se tem uma idéia exata do que será feito depois de concluídas as obras. A avenida Paulista, por exemplo, virou uma enorme pista de skate. Apesar do risco de acidentes, não há como proibir isso depois", acrescentou o presidente da Abraspe. Sinal aberto – As reformas das calçadas, no entanto, podem ser bem conduzidas.

Um exemplo positivo está na estação Santa Cruz do Metrô, que trouxe novos pisos e áreas de acesso da rua Domingos de Morais até o prédio da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), a quatro quadras dali. A acessibilidade foi levada também para os pedestres na região do Hospital das Clínicas, na zona oeste, onde foram retirados os antigos pisos em mosaico português e acrescentados corrimãos entre a saída da estação Clínicas do Metrô e a porta do Instituto do Coração (Incor). A vereadora Mara Gabrilli, eleita deputada federal nas do dia 3 passado, elaborou um Plano Emergencial de Calçadas, que obriga a Prefeitura a reformar o passeio público dentro de rotas estratégicas e lugares onde estão instalados os principais serviços da região, como bancos, hospitais e

escolas. "Nossa capital ainda tem muito a desenvolver em termos de conscientização da população. Diferente de outros lugares, cujas leis são respeitadas e as pessoas bem informadas sobre os seus direitos, aqui há falta de fiscalização no que diz respeito às normas de acessibilidade", enfatiza ela, que ficou tetraplégica depois de sofrer um acidente de carro em 1994. Para a arquiteta e urbanista Juçara Morelli, do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (CEPAM), o plano de acessibilidade deve ser pensado junto com mudanças na legislação. "A gente gostaria que a Prefeitura fizesse o que faz com o asfalto, que cobra dos proprietários dos imóveis quando é realizado qualquer tipo de reparo na via. Basta passar a cobrar as reformas das calçadas."

André Feltes/Folhapress

Mizael diz que investigará o crime Acusado pela morte de Mércia Nakashima, ex-PM negou participação no assassinato André Lessa/AE

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ex-PM Mizael Bispo de Souza negou ontem envolvimento no assassinato de sua exn a m o r a d a , a a dvo g a d a Mércia Nakashima, durante o quarto dia de audiência do processo sobre a morte da jovem, realizado no fórum de Guarulhos. O depoimento de Mizael começou por volta das 14h e durou quase duas horas. Questionado pelo juiz Leandro Cano se havia matado Mércia, ele respondeu: "Nunca, Excelência. Jamais. Eu acho que foi armadilha que armaram para mim. A gente não sabe, mas sempre tem inimigos." E acrescentou: "Assim que provar minha inocência, vou fazer uma investigação própria. Quem cometeu esse crime vai pagar na mesma moeda (...) Não só quero como ainda vou vê-la atrás das grades." Mizael questionou o trabalho da polícia na investi-

Mizael Bispo de Souza (esq.), quando chegava ao Fórum de Guarulhos

gação do crime. Ele afirma que todo o inquérito foi direcionado a apontá-lo como autor do crime. "Quando termina um relacionamento, o outro é sempre suspeito. Como não tem outra linha de investigação, fizeram isso." Mizael também justifi-

cou o fato de não ter informado à polícia o uso de um celular para falar com Mércia e Evandro Bezerra Silva, vigia acusado de ajudá-lo no crime. A linha não estava cadastrada no nome do ex-PM, mas foi usada por ele até o dia do desaparecimento da advo-

gada, em 23 de maio. O acusado alegou que sempre usou vários números de celulares e que não se lembrava de um deles. Segundo a polícia, Mizael usou o telefone para falar com Evandro 19 vezes no dia do desaparecimento de Mércia. (Agências)

DRAMA DO VÍCIO – Uma jovem que confessou ser usuária de crack foi presa ontem em Canoas, município da região metropolitana de Porto Alegre, acusada de ter vendido seu filho de sete meses (foto) por R$ 500. O dinheiro seria utilizado para a compra de droga.


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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O tratamento que damos a ele (chimpanzé Jymmi) é altamente humanizado. Gisela Candiotto, do zoológico de Niterói, ao defender que animal fique no local

idades

Marlene Bergamo/Folhapress

Moradia de chimpanzé vira caso judicial no RJ Em habeas corpus, Ong pede que animal vá para Sorocaba. Zoológico quer manter guarda do primata. Wilton Junior/AE

Jimmy, no Zoológico de Niterói: exposto à visitação, alimenta-se duas vezes por dia e faz pintura.

A superbactéria KPC é estudada no Hospital Albert Einstein, em SP

Paulo Liebert/AE

Atropelamento de galinhas vai à Justiça no RS

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caminhoneiro Alexandre do Prado terá de se explicar à Justiça pelo atropelamento de duas galinhas. O acidente ocorreu na sexta-feira, na rodovia RST480, entre Erechim e São Valentim (RS), e foi testemunhado pela promotora Karina Denicol, que levou o caso à polícia. O motorista alega que as aves correram repentinamente do acostamento para o meio da pista. Também explica que, diante das circunstâncias, reduziu a velocidade, mas não jogou o caminhão para o lado porque poderia tombá-lo. Para Karina, o atropelamento foi proposital. Prado pode ser processado pelo caso. (AE)

Papagaio com epilepsia causa disputa judicial

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PINGUIM REBELDE Contrariando sua natureza pacífica, um pinguim causa preocupação no Guarujá. Morador do aquário Acqua Mundo, naquela cidade, o animal, de dois anos, tem agora um comportamento agressivo para com seus pais. Por isso, a direção do local terá de transferi-lo para Santos. (AE)

papagaio de nome Soró, morador de Moema (zona sul de São Paulo), é portador de epilepsia e alvo de uma disputa judicial entre a socióloga Tânia de Oliveira, sua dona, e o Ibama. O Ibama determinou no mês passado a entrega da ave porque, segundo ele, as normas não permitem mais a criação dessa espécie em cativeiro. Caso seja entregue, Soró será sacrificado. Diante disso, para permanecer com o animal, Tânia recorreu à Justiça que, neste mês, lhe deu razão em caráter liminar. A decisão final, porém, não tem data prevista para ocorrer. (Folhapress).

Superbactéria atinge 183 pessoas e provoca 18 mortes no Distrito Federal

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número de pessoas contaminadas pela bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), no Distrito Federal (DF), aumentou 69,44% em menos de duas semanas. Segundo informações divulgadas ontem pela Secretaria de Saúde do DF, o total passou de 108, no dia 8 de outubro, para 183, em 17 hospitais. Na sextafeira, havia 135 pessoas atingidas pela bactéria. Dos 183 portadores da KPC, um micro-organismo resistente a antibióticos, 46 tiveram quadro de infecção e 61 continuam internados em hospitais públicos e privados do DF. Na sexta-feira, a Gerência de Investigação e Prevenção das Infecções da secretaria, responsável pelo levantamento da situação nos hospitais, confirmou 15 mortes relacionadas à infecção, e descartou três casos

suspeitos. Anteontem, o dado foi novamente revisto e foram confirmados 18 óbitos. A secretaria informou que estão em falta nos hospitais do Distrito Federal alguns materiais e insumos, e que o estoque será reabastecido até o fim desta semana, por meio de compra emergencial. O motivo alegado pelo órgão para a falta do material é que, com o aumento do número de casos de contaminação pela bactéria KPC, houve uma demanda maior por produtos descartáveis e de higiene, o que levou ao desabastecimento antes que o novo lote dos produtos fosse adquirido. Outra razão é a suspensão de licitações que incluíam esses produtos pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que encontrou inconsistências no edital usado pelo governo do DF. (Agências)

Anestesistas iniciam greve

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ospitais de pelo menos 23 cidades paulistas registraram ontem a paralisação de 24 horas, parcial ou integral, dos anestesistas do estado de São Paulo. Na cidade de São Paulo, cerca de 17 hospitais interromperam o atendimento de cirurgias eletivas – não emergenciais. As informações foram transmitidas por intermédio da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (Saesp). A categoria promoveu a paralisação para reivindicar melhores condições de trabalho e remuneração da categoria baseada em um novo plano de cargos, carreiras e salários. Se-

gundo estimativa da Saesp, de 3.500 a quatro mil anestesistas devem ter paralisado os serviços em todo o estado. De acordo com a Saesp, funcionários de unidades como o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti e o Hospital Municipal de São José dos Campos, no interior do estado, e o Pérola Byngton, na Capital, além de hospitais particulares, aderiram ao movimento. O atendimento de emergência será mantido, segundo a Saesp. As secretarias municipal e estadual da Saúde de São Paulo afirmaram não haver informação sobre a paralisação dos anestesistas. (Agências)

DC

U

m chimpanzé de 26 anos virou alvo de uma disputa judicial entre entidades não governamentais nacionais e internacionais, associações científicas e a Fundação Jardim Zoológico de Niterói, no Rio. Jimmy, que até os 3 anos viveu num circo e há 12 vive no zoológico, teve o habeas corpus pedido na Segunda Câmara Criminal do Rio. Os autores da ação defendem que o chimpanzé seja levado para um santuário, localizado em Sorocaba, no interior de São Paulo. Defendendo que os chimpanzés são como os seres humanos e não podem viver isolados e enjaulados, os autores da ação alegam que Jimmy sofre maus-tratos e que precisa de uma família para viver feliz. "Isolar é maltratar e ele está numa jaula para exibição ao público. Somos contra a exibição de qualquer chimpanzé. Jimmy está estressado. No santuário, ele terá mil metros quadrados para brincar, correr e ter uma família", afirmou o microbiologista Pedro Ynterian, presidente internacional do Projeto Gap, uma Ong afiliada da entidade internacional Great Ape Project, defensora dos direitos dos grandes primatas. Presidente da Fundação Jardim Zoológico de Niterói, Giselda Candiotto contesta o habeas corpus, afirmando que, caso Jimmy seja levado para Sorocaba, ele continuará preso. "Como podem falar em liberdade num local que é todo murado, que não tem verde? Se ele fosse transferido para a África, de onde veio, para ter uma família, eu seria a primeira a colocá-lo no avião. O tratamento que damos a ele é altamente humanizado", afirmou Giselda. Numa cela de 120m2, Jimmy recebe duas alimentações diárias, toma banho todos os dias e faz pinturas. "Ele se alimenta de frutas e folhas e faz atividades de enriquecimento ambiental, como a pintura. Toda vez que preciso aplicar um remédio ou dar vitamina, ele não oferece resistência. Se fosse um animal maltratado, eu não teria essa facilidade", sustenta o veterinário do zoológico Marco Janackovic. O julgamento do caso deverá ocorrer em novembro e, de acordo com o desembargador responsável, José Muiños Piñeiro Filho, a causa traz duas questões polêmicas. A discussão se os chimpanzés podem viver em cativeiro, levando-se em conta que são a espécie mais próxima do homem, e a constitucionalidade de um pedido de habeas corpus para um animal. (AE)

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

11 DITADURA Deputados uruguaios aprovam lei que derruba anistia a militares

nternacional

LAMA TÓXICA OMS: água na Hungria é potável, mas precisa de monitoramento.

Musa Al-Shaer/AFP

Construções a todo vapor na Cisjordânia Palestinos e ONU dizem que situação é 'alarmante'

O

s colonos israelenses começaram a construir novas residências num ritmo muito forte desde que o governo encerrou sua moratória para novas edificações na Cisjordânia: cerca de 550 em apenas três semanas. E muitas outras estão sendo erguidas em áreas que deveriam integrar um futuro Estado palestino, o que pode prejudicar as negociações de paz intermediadas pelos Estados Unidos. Segundo uma contagem feita pela Associated Press, 544 novas residências foram erguidas desde 26 de setembro, quando Israel levantou sua moratória de novas construções, que durou dez meses. O levantamento foi feito com base em visitas a 16

dos mais de 120 assentamentos na Cisjordânia, bem como em ligações telefônicas a quase 50 assentamentos e entrevistas com prefeitos e trabalhadores da construção civil. "Os dados são alarmantes e é outro indicador de que Israel não considera com seriedade o processo de paz, que deveria tratar do fim da ocupação", disse Ghassan Khatib, porta-voz do governo do presidente Mahmoud Abbas, que controla o território palestino. Para o grupo ativista Peace Now, as construções chegariam a pelo menos 600 novas residências. "Segundo nossa estimativa, foram iniciadas entre 600 e 700 novas unidades de moradia em menos de um mês, o que é quatro vezes o ritmo de

Provocação: bombeiro palestino apaga fogo iniciado por colonos judeus na vila de Hussan, na Cisjordânia.

construção de antes da moratória", disse Hagit Ofran, membro da organização. Cerca de 300 mil colonos vivem na Cisjordânia, região habitada por 2,2 milhões de palestinos. Os colonos estão em todo o território, tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967 – juntamente com a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Críticas - O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Oriente Médio, Robert Serry, declarou-se ontem preocupado com a rápida expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, e criticou Israel por permitir um ritmo de construção tão intenso. Em comunicado, Serry também disse que a situação é "alarmante". Segundo ele, a constru-

ção dos assentamentos "é ilegal perante a lei internacional" e "só serve para minar a confiança" entre as partes envolvidas nas negociações de paz, retomadas no início de setembro. Paz - O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, decretou a moratória em novembro passado para tentar atrair os palestinos às negociações. As conversas diretas foram retomadas neste ano, mas o israelense disse que não renovaria a moratória, provocando a revolta dos palestinos, que ameaçaram se retirar do processo caso as construções fossem reiniciadas. Os EUA, que atuam como mediador no diálogo, pressionam Israel para renovar a medida para que as negociações não tornem a fracassar. (AE)

Fotos: Rodrigo Buendia/AFP

Exaustão: socorrista desmaiado é auxiliado por colegas.

Adalberto Roque/AFP

Tensão nas ruas de Buenos Aires

Parente chora após receber notícia sobre morte de mineiros

Sem final feliz no Equador

Governo Kirchner é acusado por morte de militante

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morte de um militante do partido esquerdista Polo Operário (PO) durante a manifestação realizada na quarta-feira pela contratação de trabalhadores terceirizados no setor ferroviário desencadeou ontem uma onda de protestos em Buenos Aires. Num clima de tensão, a Casa Rosada foi acusada de ser responsável pelo assassinato de Mariano Ferreyra, 23 anos. Segundo as primeiras informações, o jovem foi baleado em meio a choques entre manifestantes do PO e representantes da União Ferroviária (que se opõe à contratação dos trabalhadores terceirizados), sindicato vinculado ao governo. O Executivo também foi questionado pela atitude da Polícia Federal que, de acordo com setores antikirchneristas, teria liberado uma zona do município de Avellaneda, na província de Buenos Aires, para que os sindicalistas atacassem os trabalhadores terceirizados e seus aliados esquerdistas. Visivelmente irritada, a presidente Cristina Kirchner disse que "faz tempo que a oposição estava querendo um morto e agora o achou". No entanto, ela se comprometeu a trabalhar para que os culpados sejam identificados. (Agências)

Resgate de mineiros não teve o mesmo sucesso da operação no Chile Fariñas diante de sua casa na cidade cubana de Santa Clara: jejum pela libertação de presos políticos.

Um prêmio à coragem Dissidente cubano é condecorado pelo Parlamento Europeu

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Parlamento Europeu concedeu ontem o prestigioso Prêmio Sakharov de direitos humanos ao dissidente cubano Guillermo Fariñas. O jornalista e psicólogo de 48 anos realizou várias greves de fome, colocando a própria vida em risco para protestar por mais liberdades na ilha comunista. O protesto de Fariñas, depois da morte de um preso político em greve de fome, em fevereiro, teve uma forte repercussão internacional. Ele encerrou seu jejum de 135 dias em julho, depois que o presidente de Cuba, Raúl Castro, prometeu à Igreja Católica soltar 50 presos políticos. Nas últimas duas décadas, ele realizou mais de 20 greves de

fome. Em jejuns realizados entre 1995 e 1997, ele conseguiu chamar a atenção à corrupção no hospital em que trabalhava. Também fez greve de fome de seis meses em 2006, mas nessa ocasião não conseguiu forçar o governo a permitir um acesso maior e mais livre à internet. "Fariñas esteve pronto para se sacrificar e arriscar a própria vida e saúde como meio de pressão para alcançar mudanças em Cuba", disse o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, ao anunciar a premiação. O governo cubano considera dissidentes como Fariñas mercenários a serviço de seus inimigos nos EUA e na Europa. O prêmio será entregue em 15 de dezembro. O 22º Prêmio Sakharov, que leva o nome do

dissidente russo Andrei Sakharov, inclui 50 mil euros. Guerra nuclear - O ex-presidente cubano Fidel Castro fez um alerta para os riscos de uma "iminente" catástrofe nuclear, se EUA e Israel vierem a atacar o Irã, em inusitado vídeo gravado e veiculado em sete línguas, ontem, no website Cubadebate. Esta é uma das primeiras vezes que Fidel grava mensagem de vídeo e o governo cubano divulga um discurso do líder na internet. "Hoje existe o risco iminente de uma guerra com o uso deste tipo de arma, e não tenho nenhuma dúvida de que um ataque dos EUA e de Israel contra a República Islâmica do Irã iria virar, inevitavelmente, uma guerra nuclear global", alertou o líder de 84 anos. (Agências)

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resgate de dois mineiros do Equador não teve o mesmo fim de seus colegas chilenos. Equipes de resgate encontraram na quarta-feira à noite os últimos dois corpos de mineiros que morreram em um acidente em uma mina de ouro numa região remota, ocorrido há uma semana. No total, foram quatro mortos. A tristeza de parentes e socorristas na mina no Equador contrastou com o júbilo que tomou conta do Chile, na semana passada, quando 33 mineiros foram resgatados em boas condições após mais de dois meses soterrados. Três equatorianos e um peruano ficaram presos na sexta-feira passada, a 150 metros de profundidade, no fundo da mina Casa Negra, perto de Portovelo, 400 quilômetros ao sul da capital Quito. Um dia após o desmoronamento foram encontrados os corpos do equatoria-

no Walter Vera, de 31 anos e chefe do grupo, e do peruano Paul Aguirre, de 21 anos, que já foi repatriado. Em seguida, começou uma intensa busca pelos outros dois desaparecidos: Angel Vera, de 29 anos, e Pedro Mendoza, de 28 anos. Angel era irmão de Walter. Esperava-se que os mineiros estivessem refugiados em área provida de oxigênio para quatro ou cinco dias. No entanto, ambos foram encontrados mortos. O governo do Equador afirmou ontem que "não houve tempo" para encontrar os dois mineiros com vida. "Fizemos tudo o que era humanamente possível", disse o presidente do país, Rafael Correa, no local do acidente. As autoridades equatorianas anunciaram que indenizarão as viúvas e filhos dos mineiros nacionais com casas, bolsas de estudo e cobertura de saúde. (Agências)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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Logo Logo www.dcomercio.com.br

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

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O bolo de carne mumificado com macarrão é dica de receita do site Gather and Nest.

Dia do Paraquedista

http://gatherandnest.-

OUTUBRO

com/?p=2848

I NTERNET A NIMAIS

Somos campeões no Twitter

Ilya Naymushin/Reuters

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Macho de sagui-leãozinho e seu filhote de dois meses fotografados no zoológico de Royev Ruchey, na cidade de Krasnoyarsk, na Sibéria. O sagui-leãozinho é uma espécie nativa da floresta amazônica, encontrado em toda a extensão do rio Amazonas.

ma pesquisa realizada pela empresa ComScore e divulgada ontem pela revista Time mostra que 23% dos usuários de internet do Brasil acessaram o Twitter em agosto. O percentual é o maior registrado entre todos os demais países presentes na rede social. Na reportagem sobre a pesquisa, a revista analisa os motivos de um país com tamanha desigualdade

entre a população mais rica e a mais pobre dominar a rede social. Em depoimento à revista, Katie Stanton, vicepresidente da divisão internacional do Twitter, afirma que o Brasil tem se demonstrado eufórico com a rede social e as razões para isso estariam na história cultural do País. O professor James Green, de estudos brasileiros da Universidade de Brown, nos EUA, afirma que o

passado de autoritarismo, marcado pela ditadura, pode ser uma das razões os brasileiros usarem a rede. Segundo ele, o fato de o País ter vivido 21 anos de ditadura militar e depois ter passado para a democracia deixou os brasileiros "com sede" de usar as redes sociais online como o Twitter, onde é possível expor opiniões e ideias. Além disso, segundo ele, a rede é uma opção para quem quer lutar

Dominique Faget/AFP

M ARKETING

E SPAÇO

Sex.com vendido por US$ 13 milhões

Lua de prata, de verdade Pesquisadores da Universidade Brown, que analisaram partículas de poeira lunar, obtidas por uma colisão organizada pela Nasa no ano passado, descobriram que o satélite da Terra está repleto de uma surpreendentemente rica mistura que, além de prata, incluiu água e compostos como hidroxil, monóxido de carbono, dióxido de carbono, amônia e sódio livre. A pesquisa, publicada

contra o caráter tendencioso da mídia de massa. E mais: "O País tem uma sede tremenda de descobrir o que o mundo está pensando", afirmou. A revista também destaca que outras redes sociais têm maior apelo entre os internautas brasileiros, em especial o Orkut, que é o mais popular dos sites de relacionamento no Brasil, com cerca de 30 milhões de usuários únicos em agosto.

na edição de hoje da revista Science, é a primeira a analisar a composição do solo lunar. As partículas foram obtidas quando um foguete da Nasa acertou a cratera Cabeus, no polo sul lunar, a uma velocidade de 9 mil km/h, provocando a elevação de uma enorme pluma de material do fundo da cratera, que permaneceu intocado pela luz do sol durante bilhões de anos.

R IO DE JANEIRO Antonio Scorza/AFP

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SONECA - Clientes de um shopping center de Madri, na Espanha, observam o sono dos competidores do primeiro Campeonato de Siesta, os juízes acompanham tempo, posição e sinais vitais dos competidores. O vencedor ganhará mil euros.

O domínio Sex.com, considerado como um dos endereços mais valiosos da web, foi vendido por US$ 13 milhões por sua proprietária, a Escom LLC, que passa por pedido de concordata. A companhia informou que a Clover Holdings foi a compradora, mas a venda ainda precisa ser aprovada em tribunal. Ainda não foi divulgado o que a Clover Holdings planeja fazer com o endereço. Em maio, a Escom fechou um acordo com credores para leiloar o sex.com e contratou a Sedo.com, um mercado on-line de endereços da web, para encontrar potenciais compradores. A Escom teria comprado o sex.com em 2006 por US$ 14 milhões.

Nasa/AFP

T ECNOLOGIA

Mega loja da Apple será em São Paulo L

A maior Apple Shop da América Latina será inaugurada hoje em São Paulo. O espaço de 200m² abre as portas na Fnac Morumbi, no Shopping Morumbi, e comercializará toda a linha de produtos para uso doméstico ou profissional, inclusive iPad e toda a família iPod. Para a inauguração, a loja oferecerá descontos de 15% a 30% na linha de computadores Mac. A Apple Shop também terá demonstrações de produtos Apple, eventos e workshops.

Com efeitos especiais produzidos com um jogo de luz e sombra, o cineasta Fernando Salis transformou o Cristo Redentor em uma animação. O efeito mostra o Cristo abraçando a si mesmo.

B IODIVERSIDADE

Tigres podem ser extintos em 12 anos Os tigres podem estar extintos em 12 anos, mas um encontro de alto nível na Rússia, no próximo mês, poderá reverter o declínio da população destes animais, anunciou ontem a organização ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF). A organização lidera uma campanha global para tentar dobrar o número de tigres A TÉ LOGO

até 2022, quando começará o próximo ano do tigre. O WWF informou que no último século, a caça ilegal, a redução do hábitat e o comércio de partes de tigre utilizadas na medicina oriental fizeram o número de grandes felinos cair, em todo o mundo, 97%, diminuindo sua população para 3.200 indivíduos, atualmente.

L OTERIAS Concurso 576 da LOTOFÁCIL

Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

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Fifa não garante estádio do Corinthians na Copa

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Aquecimento leva degelo no Ártico a nível crítico

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Brasil faz acordo de cooperação olímpica com EUA SOL - A Nasa divulgou ontem a imagem da supermancha solar 1112, que está crescendo rapidamente e lançando labaredas ao espaço. A imagem mostra as partículas de energia liberadas nas labaredas, que podem danificar satélites e causar problemas em aviões.

T ECNOLOGIA

Fabrizio Bensch/Reuters

TUDO ILUMINADO A tecnologia LED dá um toque de glamour ao chuveiro e à garrafa de vinho. No primeiro caso, é uma forma de tornar o banho mais relaxante. No segundo, intensifica a cor da bebida. Já nos sapatos de salto alto, o LED dá a ilusão de que a modelo caminha sobre o ar. Lançamento da feira Venus, em Berlim. www.ubergizmo.com

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13 DÍVIDA PÚBLICA Estrangeiros responderam por 10,23% em setembro

conomia

ALUGUEL Alta média de 1,7% em contratos residenciais, em setembro.

Consumidores dispostos a engordar Noel Confiança da população, que se mantém em alta, e mais disposição para adquirir bens prometem ampliar movimento no varejo paulistano no último trimestre. Crediário continua a ser o preferido na hora de comprar. Patrícia Büll

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último trimestre do ano promete vendas aquecidas para o varejo paulistano. Em relação ao Natal, a expansão deverá ser de 9% em relação ao ano passado. As projeções constam da Pesquisa Trimestral de Intenção de Compra, realizada pelo Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Pesquisa (Provar/FIA) e divulgada ontem. De acordo com o coordenador geral do Provar, Claudio Felisoni de Angelo, com base em dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esperase uma alta de 3% nas vendas do varejo na passagem de setembro para outubro; queda de 1% de outubro para novembro e uma expansão muito forte, de 24,6% de novembro para dezembro, reflexo direto das vendas natalinas. Ainda segundo o levantamento do Provar, no contraponto entre o terceiro e o quarto trimestres, o índice de consumidores que pretende comprar bens duráveis passou de 75,6% para 76,2%. Em igual período do ano passado, o percentual verificado era de 77%. Feita com 500 consumidores da cidade de São Paulo, a amostra analisou a intenção de compra e de gasto em relação a dez categorias. Para os próximos três meses, o grupo cine e foto está no topo da preferência: 14,2% dos entrevistados disseram ter intenção de adquirir um produto desse segmento; seguido por eletroeletrônicos (13,2%) e informática (12,4%). Segundo o professor e diretor de Estudos e Pesquisas do Provar, Nuno Manoel Fouto, a intenção de compra de bens duráveis continua elevada, o que demonstra que as pessoas estão confiantes com a economia e com o futuro. "Só quem

acredita que continuará empregado pelos próximos meses – e, dessa forma, com renda – pode adquirir bens de maior valor que provavelmente irão comprometer o orçamento por um prazo longo." Tanto é assim que a maioria das pessoas que tem intenção de compra pretende utilizar crédito. De acordo com a pesquisa, além dos gastos com despesas fixas, os consumidores já têm 13,3% do orçamento mensal comprometido com crediário. Mesmo assim, restariam 15,9% para novas despesas. "Se considerarmos um salário médio de R$ 1,5 mil, sobrariam cerca de R$ 180 para novas compras, daí a opção pelo crediário", explicou o coordenador geral do Provar. Das pessoas que pretendem adquirir produtos de cine e foto, por exemplo, 54,9% irão utilizar crediário. No caso de informática, o índice sobe para 80,6% e de veículos, para 90%. Mais prazo – A pesquisa também captou que o consumidor passou a considerar mais importante o prazo médio para a realização das compras do que o aumento da renda. Até o ano passado, cada ponto percentual ganho na renda representava um aumento de 0,79% nas vendas, enquanto a mesma ampliação no prazo re p re s e n t a v a e l e v a ç ã o d e 0,28%. Neste ano, a relação passou a ser de 0,78% de expansão na venda para cada ganho de renda e de 0,44% a cada ponto no prazo – quase o dobro da relação em 2009. "Aumentou a importância do prazo na decisão de compra porque houve ampliação ao consumo no número de pessoas com menor renda. Para essas, o importante é que a prestação caiba no bolso independentemente do número de parcelas", disse Felisoni.

Décimo terceiro injetará mais de R$ 100 bi na economia

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té dezembro devem ser injetados na economia cerca de R$ 102 bilhões, em decorrência do pagamento do 13º salário a aproximadamente 74 milhões de brasileiros. Só no Estado de São Paulo, os recursos extras deverão alcançar uma cifra em torno de R$ 31,2 bilhões. A informação consta de estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor estimado em escala nacional representa cerca de 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do País e engloba os trabalhadores do mercado formal, inclusive os empregados domésticos e beneficiários da Previdência Social (aposentados e pensionistas). Segundo o Dieese, o número de pessoas que receberá o 13º salário em 2010 é 5,85% maior que o observado em 2009. O valor estimado, por sua vez, é 20% superior ao número que havia sido previsto no ano passado, de R$ 85 bilhões. De acordo com o Dieese, a retomada das contratações em

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

Brasileiro é um dos menos endividados No entanto, cabe destacar que participação do crédito em relação ao PIB ainda é tímida.

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iferentemente dos países desenvolvidos, a proporção do endividamento das famílias no Brasil em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é baixa e se assemelha mais ao das nações emergentes. Considerando valores de 2008, o endividamento das famílias brasileiras em crédito imobiliário e consumo correspondia a 29,3% do total da renda. Nos Estados Unidos, essa relação atingia 131,6%, enquanto no Reino Unido era de 181,4%. As informações constam da oitava edição do documento Economia Brasileira em Perspectiva divulgado ontem pelo Ministério da Fazenda. No entanto, o boletim ressalvou que, apesar de crescer a taxas superiores a 15% ao ano nos últimos anos, o crédito no País em proporção ao PIB ainda é baixo se comparado a outras economias. A estima-

tiva para 2010 é de que essa relação chegue a 48% (se confirmada, será a maior de toda a série histórica). Esse patamar ainda seria bem inferior ao de outros emergentes como a Índia (78%). No comparativo às economias desenvolvidas, a diferença aumentaria ainda mais. Casos, por exemplo, do Reino Unido (155%) e dos Estados Unidos (187%). Quanto ao crédito imobiliário, o Brasil também tem um longo caminho a percorrer. O déficit habitacional, estimado entre 6 e 8 milhões de residências, permite a expansão do mercado com linhas do financiamento mais abundantes e acesso por parte de toda população. A modalidade atualmente corresponde a apenas 3,3% do PIB, ante 78% nos Estados Unidos e 100% na Dinamarca. O documento da Fazenda englobou ainda outras variáveis macroe-

ritmo mais vigoroso em 2010 foi um elemento importante para que o conjunto de beneficiários do abono de fim de ano tivesse um crescimento maior que o observado em 2009. Os técnicos da instituição estimaram ainda que 4,9 milhões de pessoas passarão a receber o benefício, por terem requerido aposentadoria ou pensão, se incorporado ao mercado de trabalho ou ainda formalizado o vínculo empregatício. Do montante a ser pago, cerca de 20% dos R$ 102 bilhões (pouco mais de R$ 20 bilhões) será destinado a beneficiários do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Outros R$ 71 bilhões (70%) irão para empregados formalizados. Aos aposentados e pensionistas da União caberá o equivalente a R$ 5,5 bilhões (5,4%) e aos dos Estados serão destinados R$ 4,7 bilhões (4,7%). O valor estimado para o Estado de São Paulo representa 31% do total do Brasil e 60% do Sudeste. O montante representa cerca de 2,6% do PIB estadual. (AE)

conômicas. O PIB deve crescer 7,5% em 2010 e a demanda interna avançar 10,3%, a maior elevação dos últimos anos, sem resultar em aumento de preços. Quanto ao consumo de massa, as projeções são de que o percentual da classe C cresça para 21,5%. O total de empregos gerados, deve se situar em 15 milhões no período entre 2003 a 2010. No fim de 2010, os investimentos públicos deverão responder por 19,1% do PIB. A projeção para ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) – voltado à produção – foi mantida em US$ 35 bilhões. Diante da valorização do real, a estimativa para o déficit em conta-corrente ficou em US$ 49,5 bilhões (2,49% do PIB), ante previsão anterior feita pelo Ministério da Fazenda de US$ 45,9 bilhões (2,3% da riqueza nacional). (Agências)

COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÃO Acha-se aberta a licitação em epígrafe PREGÃO PRESENCIAL Nº 36/SME/2010 - 2010-0.145.092-9 - CONTRATAÇÃO DE EMPRESA ESPECIALIZADA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA PATRIMONIAL COM SERVIÇOS DE SISTEMA INTEGRADO DE SEGURANÇA ELETRÔNICA NAS DEPENDÊNCIAS DOS CENTROS DE EDUCAÇÃO UNIFICADOS - CEUS E CENTRO DE CONVIVÊNCIA HELIÓPOLIS. A abertura da licitação em epígrafe. O credenciamento e os envelopes nº 01 (proposta) e envelopes nº 02 (documentação) deverão ser entregues até as 10:00 horas do dia 08/11/2010, no Auditório de CONAE, situado na Rua Dr. Diogo de Faria, 1247 - 1º andar - Vila Clementino. O Edital e seus Anexos poderão ser obtidos, até o último dia que anteceder a abertura, mediante recolhimento de guia de arrecadação, ou através a apresentação de CD ROM gravável no Setor de Licitação - CONAE 151 - sala 318, ou no site http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br, bem como, as cópias do Edital estarão expostas no mural do Setor de Licitação.

SECRETARIA DA SAÚDE DIVISÃO TÉCNICA DE SUPRIMENTOS - SMS.3 ABERTURA DE LICITAÇÃO Encontram-se abertos no Gabinete: PREGÃO ELETRÔNICO 284/2010-SMS.G, processo 2010-0.235.254-8, destinado ao registro de preço de LUVA DE EXPURGO CANO LONGO PEQUENA, para Central de Distribuição de Medicamentos e Correlatos CDMEC/Área Técnica de Material Médico Hospitalar, do tipo menor preço por item. A abertura/realização da sessão pública de pregão ocorrerá a partir das 11 horas do dia 08 de novembro de 2010, a cargo da 1ª Comissão Permanente de Licitações da Secretaria Municipal da Saúde. PREGÃO ELETRÔNICO 303/2010-SMS.G, processo 2010-0.251.466-1, destinado ao registro de preços de CÂNULA DE TRAQUEOSTOMIA COM BALÃO, para a Central de Distribuição de Medicamentos e Correlatos - CDMEC/Área Técnica de Material Médico Hospitalar, do tipo menor preço por item. A abertura/realização da sessão pública de pregão ocorrerá a partir das 13 horas do dia 16 de novembro de 2010, a cargo da 4ª Comissão Permanente de Licitações da Secretaria Municipal da Saúde. DOCUMENTAÇÃO - PREGÃO ELETRÔNICO Os documentos referentes às propostas comerciais e anexos, das empresas interessadas, deverão ser encaminhados a partir da disponibilização do sistema, www.comprasnet.gov.br, até a data de abertura, conforme especificado no edital. RETIRADA DO EDITAL O edital do pregão acima poderá ser consultado e/ou obtido nos endereços: http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br, www.comprasnet.gov.br, ou, no gabinete da Secretaria Municipal da Saúde, na Rua General Jardim, 36 - 3º andar - Vila Buarque - São Paulo/SP - CEP 01223-010, mediante o recolhimento de taxa referente aos custos de reprografia do edital, através do DAMSP, Documento de Arrecadação do Município de São Paulo.


14 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

COMÉRCIO

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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15 Há um cenário que favorece o mercado de trabalho a contratar. Cimar Azeredo, gerente da pesquisa do IBGE

conomia Euclides Oltramari Jr/AE

Desemprego atinge menor taxa em nove anos De acordo com pesquisa do IBGE, índice de desocupação caiu em razão da geração de novos postos de trabalho. Salário médio também subiu, e chegou a R$ 1.499.

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mercado de trabalho registrou, em setembro, a menor taxa de desemprego em nove anos e o maior rendimento apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 2002. Houve aumento da formalização e do número de ocupados, enquanto a população desocupada ficou, pela primeira vez na série histórica, abaixo de 1,5 milhão de pessoas. A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País recuou para 6,2% em setembro, o menor patamar da série iniciada em março de 2002. O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, atribuiu esse desempenho ao "cenário econômico favorável". Segundo ele, a desocupação caiu em função da geração de postos de trabalho e não porque as pessoas tenham desistido de procurar emprego. Ele destacou que houve um conjunto de dados positivos, com

762 mil vagas foram criadas em setembro – o que representa um crescimento de 3,5% na comparação com igual mês de 2009. queda na desocupação e aumento da ocupação, da formalidade e do rendimento. Sazonalidade – Na avaliação do professor Ruy Quintans, do Ibmec-RJ, os bons resultados do mercado de trabalho são sazonais. "Estamos na expectativa de um Natal explosivo em termos de consumo e isso demanda empregos temporários não só no comércio, mas também na manufatu-

ra de bens de consumo para o fim do ano", declarou, acrescentando que acredita numa inversão de cenário a partir de 2011, em razão principalmente do efeito sobre a indústria da competição dos produtos importados. O número de ocupados aumentou 3,5% ante setembro do ano passado, com a criação de 762 mil vagas. Já o volume de desocupados apresentou recuo de 17,7% no período, para 1,48 milhão. Salário – O rendimento médio real dos trabalhadores chegou a R$ 1.499,00, com alta de 6,2% ante igual mês do ano passado. O número de trabalhadores com carteira assinada aumentou 1% em setembro ante agosto e subiu 8,6% ante setembro de 2009. Entre setembro do ano passado e igual mês deste ano foram geradas 816 mil vagas formais, enquanto o número total de ocupados, no mesmo período, cresceu em 762 mil pessoas. O bom desempenho se repe-

METALÚRGICOS – Cerca de mil integrantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes realizaram ontem um protesto na zona sul da capital por aumento salarial. A categoria reivindica reposição da inflação e aumento real condizente com o crescimento da economia, aumento do piso salarial, licença-maternidade de 180 dias e qualificação profissional. (AE)

te quando os dados se referem ao período de janeiro a setembro. A taxa média de desemprego nos nove primeiros meses do ano ficou em 7,1%, a menor para o período em toda a série histórica, desde 2003. Ainda que a pesquisa mensal de emprego tenha tido início em março de 2002, os dados desse intervalo de tempo só estão disponíveis a partir de 2003 porque houve perda de dados de algumas regiões. O rendimento médio real dos trabalhadores apurado na média de janeiro a setembro, de R$ 1.443,94, também é o maior da série histórica. Em igual período de 2003 era de R$ 1.233,99 e, no ano passado, de R$ 1.402,21. (AE)

EUA: número positivo.

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total de trabalhadores norte-americanos que entrou pela primeira vez com pedido de auxíliodesemprego caiu para 452 mil, após ajustes sazonais, na semana até 16 de outubro, informou ontem o Departamento do Trabalho dos EUA. O número da semana anterior foi revisado em alta para 475 mil, dos 462 mil informados anteriormente. A média móvel de pedidos feitos em quatro semanas – calculada para suavizar a volatilidade do

dado – caiu para 462,25 mil, o que representa um encolhimento de 4,25 mil. Na semana encerrada em 9 de outubro, o número total de norte-americanos que recebia auxíliodesemprego caiu 9 mil, para 4,441 milhões, de 4,45 milhões na semana anterior. A taxa de desemprego para trabalhadores com seguro-desemprego foi de 3,5% na semana até 9 de outubro. O percentual ficou inalterado ante a taxa da semana anterior. (AE)

Zé Carlos Barretta/Hype

Previdência tem rombo de R$ 9,19 bi

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Previdência Social teve déficit de R$ 9,191 bilhões em setembro, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Previdência Social. O valor é resultado de uma arrecadação líquida de R$ 17,127 bilhões e de

Novo espaço da agência permitirá melhorar o atendimento a empreendedores

Fomento ganha casa nova

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Paula Cunha

mpliar o acesso às empresas e difundir as ações da Agência de Fomento Paulista. Estes são os objetivos do novo espaço de atendimento, inaugurado na quarta-feira na sede da entidade, na região central da Capital. Vinculada à Secretaria da Fazenda, a iniciativa já destinou a pequenos e médios empreendedores R$ 600 milhões desde março de 2009 – ou 60% da verba autorizada pelo governo estadual. No novo espaço, gerentes treinados atenderão tanto a empreendedores que desejam conhecer as atividades da agência quanto aos que já recorreram a ela para melhor gerenciar suas iniciativas e expandir as atividades de seus negócios. Para isso, ela firmou parceria com entidades ligadas à indústria, ao comércio e ao segmento de serviços, que atuarão para atender interessados do interior paulista. Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp),

Alencar Burti, a participação tria, comércio e serviços; mádas duas entidades é impor- quinas e equipamentos, com tante. "A agência vai ao encon- modalidades de financiamentro das nossas preocupações to para aquisição de bens e em relação às pequenas e mé- parceria com o Banco Naciodias empresas. Portanto, é fun- nal de Desenvolvimento Ecodamental que haja uma união nômico e Social (BNDES); e entre as instituições, como a projetos de investimento. São Facesp, para melhor atender oferecidos juros menores que esse segmento do empreende- os cobrados pelo mercado, dorismo, responsável pelo com prazos estendidos. Expectativas – O conselheimaior contingente de emprer o d a A C S P, gos do País." O presidenRoberto Macedo, ressalte da Agência, tou que os reMilton Luiz cursos destide Melo SanÉ fundamental que nados ao protos, enfatizou haja união entre as jeto ainda são que ela é uma instituições para superiores à alternativa demanda. com a qual o melhor atender às Estado pode pequenas e médias. Contudo, ele a c re s c e n t o u financiar os ALENCAR BURTI, que o interesse e m p r e e n d ePRESIDENTE DA ACSP na iniciativa dores. Foram E DA FACESP aumentará à realizadas medida que as mais de 1,1 mil ações tiverem operações de crédito com cerca de 300 em- mais divulgação. Já o secretário estadual de presas de aproximadamente 4 7 m u n i c í p i o s . O p o r t a l Desenvolvimento, Luciano www.nossacaixadesenvolvimen- Almeida, reforçou as caracteto.co m.br também oferece in- rísticas de inclusão da agência, pelos baixos juros dos emformações e orientação. A agência atua em três fren- préstimos e pela possibilidates: capital de giro, com linhas de de mais orientação que o de empréstimo para indús- novo espaço proporcionará.

uma despesa com pagamentos de benefícios previdenciários de R$ 26,318 bilhões. No acumulado dos nove primeiros meses de 2010, o déficit foi de R$ 40,132 bilhões. Em setembro de 2009, o

déficit foi de R$ 9,602 bilhões – valor corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Contribuiu para o resultado a antecipação do pagamento do 13º salário a aposentados e pensionistas. (AE)


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Especialista pede que toda a cadeia envolvida com as questões aduaneiras trabalhe por 24 horas

conomia

Fotos: Divulgação

SOBREVIVER É PRECISO Annie Leibovitz/Divulgação

PÚBLICO com mais renda no Mais Shopping

NOVA CLASSE primeiro shopping center do mercado desenvolvido na medida para contemplar a nova classe média está com tudo pronto para abrir suas portas ao público no dia 29 de outubro. É o Mais Shopping Largo 13, empreendimento com investimentos de R$ 240 milhões, que nasce em uma região por onde circulam 1,3 milhão de pessoas por dia, em Santo Amaro. Criada pela agência Una Resultados, a campanha exibe esse público, que na era Lula ascendeu ao patamar da classe C, tão cobiçado pela indústria e varejo.

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CAMPANHA exagera no neologismo

SUCESSO BAIACU stá fazendo sucesso campanha criada pela agência F/Nazca, do publicitário Fábio Fernandes, para a cerveja Skol 360º, que promete fim ao "efeito baiacu", aquela sensação de empapuçamento que dá algumas cervejas vendidas no mercado. A F/Nazca, sempre tão criativa, só exagerou na dose ao criar a palavra "bebalidade". Aí, já é demais. Lembra aquela coisa de empregabilidade que tanta irritação causou a quem trabalha.

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Envie informações para essa coluna para o e-mail: carlosfranco@revistapublicitta. com.br

MÉDICOS alertam sobre riscos do álcool

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império do luxo, o grupo LVMH, dono de marcas como Louis Vuitton, Möet & Chandon, Givenchy, Kenzo, Donna Karan e Dior, começa a se mover em velocidade de cruzeiro e não de transantlântico para manter os negócios em alta em um mundo em transformação. É que cada vez mais os consumidores, conscientes e endinheirados, deixam de lado produtos sem compromisso com a sustentabilidade. E para um grupo que sempre vendeu o supérfluo a mudança de perfil dos consumidores pode ser dramática. Então, é melhor surfar na onda verde e, com isso, reduzir custos de investimentos ou força de incentivos à produção limpa e agregar valor às marcas. Por isso, é com estardalhaço que o império do luxo começa a distribuir as novas coleções da grife Edun, da qual comprou 50% do capital das mãos do vocalista Bono Vox, da banda U2. Bono e sua mulher Ali Hewson criaram a grife em 2005 para estimular a venda de camisetas e vestidos produzidos com algodão orgânico colhido no Peru, Quênia e Uganda. A ideia é permitir que a população local troque seus produtos por ajuda como forma de construir comunidades sustentáveis. O casal, para emprestar credibilidade à grife, estampa o material de campanha em fotos de Annie Leibovitz (acima). A empresa diz que o principal objetivo da grife é encorajar o surgimento de comunidades sustentáveis em regiões em desenvolvimento, especialmente na África. A LVMH também especifica que muitas de suas bebidas de luxo, como

O HOMEM E A LATA m grupo de publicitários se uniu para divulgar os trabalhos da Abramet, entidade médica sem fins lucrativos que congrega os especialistas em Medicina de Tráfego, desenvolvendo ações, estudos e pesquisas para a prevenção de acidentes há 30 anos. Os diretores de arte, Alex Gonçalves e Leo Macias, e os redatores, Guigo Oliva e o Phillipe Degen, e o diretor de marketing Alex Sander Camargos, se uniram para criar a campanha, explorando os perigos de dirigir após beber. Realizada sem fins lucrativos, a ação inclui anúncios, pôsteres, postal Mica, e-mail marketing e ação em ruas de bares de São Paulo. Quem avisa de riscos, amigo é.

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QUAL É O SEU BIC? agência BorghiErh/Lowe decidiu explorar a diversidade dos isqueiros BIC, a marca mais famosa de canetas esferográficas do mundo, para assinar campanha sugestiva: "Qual é o seu BIC para hoje?". Assim, exibe os 15 modelos e os classifica e divide por grupos de comportamento. Os curiosos encontram qual é o seu BIC no sitewww.multibicse.com.br

A BONO Vox e Ali Hewson: grife produzida com algodão orgânico.

Dom Perignon, são produzidas com uvas orgânicas e que muitos dos seus produtos fazem uso de cadeia de produção de energia limpa e renovável. Assim, o consumidor sente que, ao pagar a mais pelo luxo, contribui para um mundo melhor e a LVMH mantém sustentável o seu império. E se previne da onda que colocará em xeque o mercado do luxo e o varejo dos supérfluos. É desse rótulo incômodo que o grupo LVMH quer fugir a todo custo e assim

se perpetuar. Os impérios sabem que estão com os dias contados, desde Roma, quando não são mais percebidos como sinônimos de poder e glória. Se Maria Antonieta tivesse sido mais simpática e entendesse mais a linguagem do andar de baixo, talvez não tivesse perdido a cabeça. Ficou sem pão e sem brioches. O império do luxo quer continuar reluzente e não apenas um retrato na parede como o "Rei Sol" da França e seus decapitados herdeiros.

MTV AOS 20 Loducca assina campanha para não deixar passar em branco os 20 anos da MTV no Brasil. Reúne nas peças publicitárias momentos marcantes do cenário musical do País e do mundo nas duas últimas décadas em que se tornou referência em videoclipes, artistas, bandas e comportamentos especialmente entre os baixinhos e quase baixinhos, porque adolescentes. Esses, é claro, se sentem adultos e alguns adultos, como os apresentadores da MTV, adolescentes.

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Abepra defende Projeto Porto 24 horas Patrícia Cruz/LUZ

Presidente da entidade que reúne operadores de portos secos afirmou ser necessário que todos os elos da logística de movimentação de cargas atuem ininterruptamente.

Fátima Lourenço

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Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizou mais uma reunião para discutir o Projeto Porto 24 Horas – iniciativa que tem como objetivo encontrar soluções que promovam ganho de produtividade no complexo portuário da Baixada Santista. O encontro aconteceu na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), onde o diretor da Associação Brasileira das Empresas Operadoras de Regimes Aduaneiros (Abepra), José Roberto Sampaio, apresentou a visão dos chamados portos secos sobre o tema, a exemplo do que já fizeram outros segmentos envolvidos. "Temos que pensar em logística de transporte de carga 24 horas; tem que ter exportador e importador também dispostos a trabalhar 24 horas", comentou Sampaio. Em sua exposição, ele explicou que os terminais portuários já operam sem interrupção para receber cargas marítimas e por terra, mas que há baixa utilização no período noturno. De acordo com Sampaio, exportadores e importadores, na maioria dos casos, trabalham de segunda-feira a sexta-feira, em horário comercial. E órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Receita Federal não operam 24 horas. "O porto seco quer que se trabalhe 24 horas. O problema é a falta de demanda."

Temos que pensar em logística de transporte de carga 24 horas. O porto seco quer isso. O problema é a falta de demanda. JOSÉ ROBERTO SAMPAIO, PRESIDENTE DA ABEPRA

Senna: reuniões irão ao interior.

Atrasos – O porto seco é um elo logístico de passagem da carga importada. De acordo com o executivo, ela chega a esperar 17 dias até ser liberada. A média mundial varia de dois a três dias, comparou. Para o presidente da Abepra, se essa demora cair para cinco dias já será positivo. Contudo, há o empecilho da Documentação de Trânsito Aduaneiro (DTA), necessária para que a carga siga do terminal para o porto seco. Ela depende do lacre da Receita. "Se o lacre de origem não estiver violado, não há motivo para se pôr um outro. Está sendo feito um trabalho junto à

Receita para se acabar com isso", informou. "Precisamos encontrar soluções fáceis, de rápida aplicação." Ao falar sobre acessibilidade, por exemplo, Sampaio lembrou da exposição que assistiu recentemente, em que se informava que o sistema Anchieta Imigrantes estará totalmente congestionado em 2013. "Há problemas graves que não são gerados no porto", disse. Comus – O Projeto Porto 24 Horas foi eleito o tema central das atividades do Comus. A iniciativa ganhou forma a partir de reuniões e debates realizados ao longo dos últimos anos. A proposta básica é

viabilizar o funcionamento ininterrupto das operações logísticas de Santos nos sete dias da semana. Mais detalhes sobre os eventos e reuniões do comitê podem ser pesquisados no site w w w. l ogisticainternacional.com.br. O Comus ainda deverá se reunir pelo menos mais duas vezes até o final deste ano, informou o coordenador do comitê, José Cândido Senna. O cronograma de 2011 ainda será elaborado, mas ele adiantou que muitas das reuniões acontecerão no interior do Estado, para envolver importadores e exportadores diretamente envolvidos com a questão.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

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ECONOMIA/LEGAIS - 17 Atuaremos para que as soluções para a questão cambial sejam negociadas. Guido Mantega, ministro da Fazenda

conomia

Taxa de IOF para aplicar em ações deve ficar inalterada

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direção da Bolsa de elevação do IOF para esValores, Mercado- trangeiros nas margens de rias e Futuros de garantias em derivativos, São Paulo (BM&FBovespa) anunciada pelo governo na teve indicações de que o go- segunda-feira. verno não irá aplicar o ImNa quarta-feira, o Conseposto sobre Operações Fi- lho Monetário Nacional nanceiras (IOF) maior sobre (CMN) e o Banco Central o capital externo destinado (BC) divulgaram medidas à aplicação em ações, como relacionadas ao assunto. O fez na renda objetivo das fixa e nas últimas resom a rg e n s d e luções foi eligarantias em m i n a r b r eJá houve uma d er i va ti v os . chas que o inAs medidas vestidor esmanifestação re cé m - an u ntrangeiro do ministro de ciadas têm teria para drique a questão por objetivo blar o pagaestava mais desestimular mento do trinos futuros. o ingresso de buto maior c a p i t a l e ssobre as marEDEMIR PINTO, PRESIDENTE trangeiro de g e n s n a DA BM&FBOVESPA curto prazo, BM&FBovesatraído pela pa. O uso de diferença entre os juros ele- cartas de fiança, por exemvados no País e a perspecti- plo, foi excluído do rol de va de mais alívio monetário garantias aceitas por estranem mercados como o norte- geiros nas operações com americano. derivativos na bolsa. As já "Já houve uma manifesta- usadas como garantias poção por parte do ministro (da derão permanecer válidas Fazenda, Guido Mantega)de por mais 180 dias. Atualque essa questão estava mente, há cerca de R$ 85 bimais nos ( m e rc a d o s ) f u t u- lhões depositados em garos", afirmou ontem o presi- rantias na BM&FBovespa. dente da BM&FBovespa, A parcela de capital estranEdemir Pinto. geiro nesse total é de 15% a O executivo disse tam- 18 %, segundo o executivo. bém que vai demorar de 15 a Atualmente, as cartas de 20 dias para que a bolsa te- fiança são uma fatia pequenha uma estimativa do im- na das garantias utilizadas pacto em seus negócios da na bolsa. (Reuters) Brasmetal Waelzholz S.A. Indústria e Comércio torna público que recebeu da CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, as Licenças Prévia e de Instalação nº 48000229 e requereu a Licença de Operação para área construída em sua unidade de Relaminação de Fitas de Aço na Rua Goiás nº 501 - Vila Oriental - Diadema - SP.

PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI-MIRIM EXTRATO DO EDITAL DA CONCORRÊNCIA PÚBLICA Nº 005/2010 Objeto: Alienação por venda de lotes comerciais e/ou de serviços no Loteamento denominado Jardim Linda Chaib em Mogi Mirim. Data de encerramento: 25/11/2010 às 09:00 h. Informações: Departamento de Recursos Materiais, à Rua Dr. José Alves, 129, Centro, ou pelos telefones: (19) 3814-1046/1049/1060. Disponibilidade do edital: Diretamente na Divisão de Licitações e/ou através do site www.mogimirim.sp.gov.br, sem ônus, até o dia 24/11/2010. Presidente da CPL.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO SERVIÇO MUNICIPAL AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SeMAE AVISO DE ANULAÇÃO - CONCORRÊNCIA 11/2010 – PROC. 093/2010 Objeto: Contratação de empresa especializada para a realização de cortina vegetal para barreira de odores, trato cultural e manutenção do paisagismo na estação de tratamento de esgoto, pertencente ao SEMAE, situada no município de São José do Rio Preto. Tendo em vista os apontamentos da Comissão e o parecer jurídico, fica ANULADA a presente licitação. São José do Rio Preto, 21.10.2010 – Antonio José Tavares Ranzani – Superintendente do SeMAE.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 21 de outubro de 2010, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial:

Requerente: A Siciliana Fomento Mercantil Ltda. - Requerido: Faarte Editora Ambiental Ltda. - Rua Rego Freitas, 454, cj. 91 - 1ª Vara de Falências

Tradição

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rasil e Estados Unidos irão pressionar juntos para que os desequilíbrios cambiais sejam pauta de discussão no G20, afirmou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele disse ter conversado na quarta-feira sobre o assunto com o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner. Segundo Mantega, em contato telefônico feito por iniciativa de Geithner, o secretário norte-americano teria afirmado que a política dos Estados Unidos não é desvalorizar o dólar e sim fortalecer a moeda. E acrescentado que a política do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) está sendo superestimada em seu impacto. "Então eu falei 'bom, se você levar essa posição, dando declarações claras de que o dólar não vai ser desvalorizado e que ele poderá até ser valorizado, que os Estados Unidos trabalham com o dólar forte', nós temos mais condições de abrir uma negociação sobre a questão cambial", disse Mantega. "Porque aí não fica só pressão em cima dos chineses." Encontro – Mantega não irá à Coreia do Sul para o encontro de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, que ocorre no final da semana. Mas disse ter pedido a Geithner que defendesse, em

Kim White/Reuters

Governo apertou cerco a fim de evitar que investidor estrangeiro consiga driblar nova tarifa

Mantega consegue apoio de EUA no G20

Secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, busca aliança com ministro brasileiro quanto ao câmbio. seu nome, uma solução multilateral para a questão cambial. "Nós dois vamos fazer força para colocar a questão no âmbito do G20 de modo que as soluções para a questão do câmbio sejam negociadas e não individuais

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para cada país." Ele afirmou ter a expectativa de que a reunião de líderes de governo do G20, que ocorre no início de novembro, possa chegar a algum tipo de acordo. " A moeda norte-americana

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: TOMADAS DE PREÇOS A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução: Tomada de Preços nº - Objeto - Prédio - Localização - Prazo - Área (se houver) - Patrimônio Líquido Mínimo p/ Participar - Garantia de Participação - Abertura da Licitação (Hora e Dia). 05/16354/10/02 - Reforma de Prédio Escolar - EE Profa Palmira Grassiotto Ferreira da Silva - Rua Almeida Leme, 100 09761-170 - Jd. Industrial - São Bernardo do Campo/SP - 180 - R$ 47.889,00 - R$ 4.788,00 - 14:30 - 11/11/2010. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital e o respectivo Caderno de Encargos e Composição do BDI, na sede da FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 22/10/2010, na sede da FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Todas as propostas deverão estar acompanhadas de garantia de participação, a ser apresentada à Supervisão de Licitações da FDE até às 17:00 horas do dia 08/11/2010, conforme valor indicado acima. Os invólucros contendo a Proposta Comercial e os Documentos de Habilitação deverão ser entregues na sede da FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a Lei Federal nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas condições gerais para a realização de licitações e contratações da Fundação para o Desenvolvimento da Educação - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, o estabelecido no edital. FÁBIO BONINI SIMÕES DE LIMA Presidente

tem perdido valor globalmente, principalmente diante da expectativa de que o Fed possa injetar mais recursos na economia em um esforço para incentivar a recuperação. No Brasil, a tendência de baixa do dólar tem sido agravada pela forte entrada de recursos estrangeiros. Ontem, a moeda fechou a R$ 1,702. No início da semana, o governo federal elevou a taxação sobre parte desse fluxo para tentar abrandar a valorização do real e proteger as exportações brasileiras. "Para mim, o que mais desestabiliza o câmbio mundial é o dólar, é a desvalorização da moeda norte-americana até mais do que a valorização da chinesa", avaliou Mantega. Chile – Para ajudar os exportadores atingidos pela valorização do peso, o governo chileno anunciou que reduzirá a burocracia alfandegária. Segundo o ministro das Finanças do país, Felipe Larrain, as providências, que não foram tão fortes quanto esperado por analistas, se somam ao rígido controle sobre os gastos fiscais, ao uso das receitas do cobre e à oferta de crédito em dólares para ajudar exportadores afetados pela valorização do peso chileno. O país ainda não seguiu os passos de outros da América Latina que intervieram no mercado para frear a queda do dólar. (Agências)

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: CONCORRÊNCIA Nº 46/00103/10/01 OBJETO: GERENCIAMENTO DE PROJETOS DE ARQUITETURA E DE ENGENHARIA DE OBRAS CIVIS DE PRÉDIOS ESCOLARES E ADMINISTRATIVOS DA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO. A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE torna público que se acha aberta Concorrência Pública, tipo Técnica e Preço, nº 46/00103/10/01, objetivando a seleção de empresas ou consórcio de empresas para a prestação de serviços técnicos profissionais especializados de engenharia consultiva, relativos ao gerenciamento de projetos de arquitetura e de engenharia de obras civis de prédios escolares e administrativos da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, sob o regime de empreitada por preços unitários. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital na Avenida São Luís nº 99, República, São Paulo - SP, CEP 01046-001 ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM, a partir de 22/10/2010, na sede da FDE, de segunda a sexta-feira, dentro do horário de expediente, das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável, pelo valor de R$ 50,00 (cinquenta reais). A sessão pública para a apresentação dos envelopes (Documentação de Habilitação, Proposta Técnica e Proposta Comercial) das empresas interessadas será realizada na sede da FDE, sita à Avenida São Luís nº 99, 1º andar, República, São Paulo - SP, às 10 horas, do dia 09/12/2010, ocasião em que se fará a abertura do envelope 1 Documentação de Habilitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a Lei Federal nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas Condições Gerais para a realização de licitações e contratações da Fundação para o Desenvolvimento da Educação - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, o estabelecido no edital. FÁBIO BONINI SIMÕES DE LIMA Presidente

B. I. Companhia Securitizadora de Créditos Imobiliários CNPJ/MF nº 07.112.325/0001-05 / NIRE 35.300.321.308 Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 18 de outubro de 2010 Data, Hora e Local: Em 18/10/2010, às 10h, na sede da Companhia, na Rua São Benedito, nº 634, no bairro de Santo Amaro, no Município e mente, sempre que necessário e quando convocado pelo Presidente ou pela maioria dos Conselheiros, com a presença de, no mínimo, a maioria de Estado de São Paulo, CEP 04735-001. Presença: Presentes os acionistas representando a totalidade do capital social, conforme assinaturas no Livro seus membros. Parágrafo primeiro - Os membros do Conselho de Administração serão convocados por meio de correspondência enviada à residência de Presença de Acionistas. Convocação: Foi dispensada a convocação, nos termos do art. 124, § 4º, da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tendo de cada um dos Conselheiros, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias úteis. Parágrafo segundo - Todas as resoluções ou deliberações serão em vista a presença de todos os acionistas da Companhia. Composição da Mesa: Presidente: Reinaldo Zakalski da Silva. Secretária: Beatriz Ribei- lavradas em forma de sumário ou por extenso, como couber, no livro de Atas das Reuniões do Conselho de Administração. Artigo 10 - Em caso de ro Matrowitz. Ordem do Dia: i) Alterar o quadro societário da Companhia e cessão de quotas; ii) Aprovar a alteração do quadro de membros do vacância do cargo de Conselheiro, caberá ao Conselho de Administração escolher o substituto, que servirá até a primeira Assembléia Geral. Parágrafo Conselho de Administração da Companhia e outras disposições; iii) Aprovar a eleição da Nova Diretora de Relações com Investidores e a renuncia da único - O Presidente do Conselho de Administração poderá ser substituído por deliberação de dois terços dos votos dos conselheiros da Companhia atual Diretora de Relações com Investidores iv) Ratificar e consolidar as demais cláusulas do Estatuto Social; Deliberações: i) Alterar o quadro ou, ainda, pelo Vice-Presidente em caso de vacância. Artigo 11 - Compete ao Conselho de Administração: a) fixar a orientação geral dos negócios da societário da Companhia e cessão de quotas: a) retira-se o sócio acionista Marcos Germano Matrowitz, brasileiro, casado sob o regime da Companhia; b) convocar a Assembléia Geral Ordinária e, quando necessária, a Assembléia Geral Extraordinária; c) eleger e destituir os Diretores da comunhão parcial de bens, administrador de empresas, portador da cédula de identidade RG nº 14.195.698-7 SSP-SP e inscrito no CPF/MF nº Companhia e fixar-lhes as atribuições e remunerações individuais (respeitados os limites globais fixados neste estatuto e pela assembléia geral); d) 083.608.008-47, residente e domiciliado na Rua José Morales Lopes, nº 235 / 1, Jardim dos Estados, no Município e Estado de São Paulo, CEP manifestar-se previamente sobre o Relatório da Administração, as contas da Diretoria, as demonstrações financeiras do exercício e examinar os balan04641-090 que cede e transfere a totalidade de 1.000 (mil) ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, representativas do capital social da cetes mensais; e) fiscalizar a gestão dos Diretores; f) examinar atos, livros, documentos e contratos da Companhia; g) escolher e destituir os auditores Companhia, de que é titular, ao sócio ingressante Guilherme Zakalski Nunes da Silva, brasileiro, solteiro, consultor, portador da cédula de identida- independentes, se houver; h) deliberar sobre a emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações e sem garantia real; i) sem prejuízo de a de RG nº 44.231.910-1 SSP-SP e inscrito no CPF/MF nº 230.784.578-00, residente e domiciliado na Rua Canumã, nº 100, Jardim dos Estados, na mesma competência ser atribuída à assembléia geral, deliberar sobre as matérias descritas nos incisos VI a VIII do artigo 59 da Lei nº 6.404/76; j) cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 04642-040, que subscreve e integraliza o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), em moeda corrente exercer outras atribuições legais ou que lhe sejam conferidas pela Assembléia Geral. Seção II - Diretoria: Artigo 12 - A Diretoria será composta de, nacional, dando-se aquela por pago e satisfeito de todos os seus direitos e haveres sociais, não tendo mais nada a reclamar a qualquer tempo ou no mínimo 2 (dois) e no máximo 4 (quatro) diretores, com mandatos de 2 (dois) anos, permitida a recondução, sendo 1 (um) Diretor Geral, 1 (um) título, por si e por seus herdeiros; b) retira-se a sócia acionista Beatriz Ribeiro Matrowitz, brasileira, casada sob o regime de comunhão parcial de Diretor de Relações com Investidores e de 1 (um) até 2 (dois) Diretores sem designação específica, residentes no país, acionistas ou não, eleitos e bens, empresária, portadora da cédula de identidade RG no 25.318.794-1 - SSP/SP e inscrita no CPF/MF sob o no 176.085.738-64, residente e domicili- destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. Parágrafo único - Os diretores permanecerão no exercício dos respectivos cargos até a ada na Rua José Morales Lopes, no 235 / 1, Jardim dos Estados, no Município e Estado de São Paulo, CEP 04641-090 que cede e transfere a totalida- escolha de seus sucessores. Artigo 13 - Ocorrendo vacância do cargo de diretor, ou impedimento do titular, caberá ao Conselho de Administração de de 1.000 (mil) ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, representativas do capital social da Companhia, de que é titular, a sócia ingres- eleger o novo diretor ou designar o substituto, que permanecerá no cargo pelo prazo de gestão do outro diretor. Artigo 14 - Compete à Diretoria sante Gabriela Zakalski Nunes da Silva, brasileira, solteira, consultora, portadora da cédula de identidade RG nº 44.231.961-7 SSP-SP e inscrito no exercer as atribuições que a lei, o Estatuto e o Conselho de Administração lhe conferirem para a prática dos atos necessários ao funcionamento regular CPF/MF nº 349.544.778-40, residente e domiciliado na Rua Canumã, nº 100, Jardim dos Estados, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP da Companhia. Artigo 15 - Caberá ao Diretor Geral o exercício, entre outras, das seguintes atribuições: a) presidir e convocar as reuniões de Diretoria; 04642-040, que a subscreve e integraliza o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), em moeda corrente nacional, dando-se aquela por paga e satisfeita e b) manter permanente coordenação entre Diretoria e o Conselho de Administração. Parágrafo único - O Diretor Geral terá, além do voto comum o de de todos os seus direitos e haveres sociais, não tendo mais nada a reclamar a qualquer tempo ou título, por si e por seus herdeiros; c) o sócio Reinal- qualidade, no caso de empate na votação. Artigo 16 - Caberá ao Diretor de Relações com Investidores, dentre outras atribuições, (i) prestar quaisquer do Zakalski da Silva, brasileiro, casado sob o regime da comunhão universal de bens, administrador de carteiras, portador da cédula de identidade informações ao público investidor e à Comissão de Valores Mobiliários; (ii) manter atualizado o registro de companhia perante a Comissão de Valores RG nº 10.856.459-9 SSP/SP e inscrito no CPF/MF nº 007.018.998-67, residente e domiciliado na Rua Canumã, nº 100, Jardim dos Estados, no Municí- Mobiliários; e (iii) zelar pelo regular adimplemento das obrigações assumidas pela Companhia. Artigo 17 - A Diretoria tem as atribuições e os podepio e Estado de São Paulo, CEP 04642-040, cede e transfere a totalidade de 46.000 (quarenta e seis mil) ações ordinárias nominativas, sem valor res que lhe forem conferidos por lei, pelo presente Estatuto e pelo Conselho de Administração, para assegurar o regular funcionamento da Companhia, nominal, representativas do capital social da Companhia, de que é titular, à sócia BI Invest Participações e Finanças Corporativas Ltda, sediada competindo-lhe especialmente: a) fixar a política administrativa e financeira, bem como deliberar sobre a orientação administrativa dos negócios, orna Rua São Benedito, 634, Santo Amaro, no Município e Estado de São Paulo, CEP 04735-001, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 07.392.496/0001-35, ganizando planos gerais do desenvolvimento da Companhia; b) determinar as providências que assegurem a rigorosa execução das suas resoluções; com ato constitutivo arquivado na Jucesp sob o NIRE 35.219.939.623, em 13/05/2005, e última alteração arquivada na Jucesp sob o nº 407.647/08- c) conceder licenças a quaisquer de seus membros; d) solucionar as dúvidas e divergências suscitadas no exercício das competências de seus membros; 9, em 22/12/2008, neste ato, representada por seu sócio Reinaldo Zakalski da Silva, acima qualificado, que subscreve e integraliza o valor de R$ e) apresentar à Assembléia Geral Ordinária seu relatório, bem como as Demonstrações Financeiras; f) observar e fazer cumprir este Estatuto, bem como 46.000,00 (quarenta e seis mil reais), em moeda corrente nacional, dando-se aquele por pago e satisfeito todos os seus direitos e haveres sociais, não fazer cumprir as deliberações das Assembléias Gerais; g) zelar pelo pontual pagamento dos tributos devidos pela Companhia, determinando as provitendo mais nada a reclamar a qualquer tempo ou título, por si e por seus herdeiros. Face às deliberações acima, o “caput” do artigo 5º do Estatuto dências necessárias a tanto; h) representar a Companhia perante as Repartições Públicas Federais, Estaduais e Municipais, Autarquias, empresas de da Companhia passa a ter a seguinte redação:”Artigo 5º - O capital social da Companhia é de R$ 100.000,00 (cem mil reais), dividido em 100.000 serviços públicos e quaisquer outros órgãos do Poder Público; i) deliberar sobre emissões de CRIs e instituição de respectivos patrimônio separados; e j) coordenar, estruturar, e administrar as emissões de CRIs. Seção III - Representação: Artigo 18 - A representação ativa e passiva da Companhia, em (cem mil) ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal”. Diante disso, o seguinte quadro societário reflete a alteração ora realizada: Acionistas _ Nº de Ações Valor (R$) atos e operações que envolvam a sua responsabilidade, é privativa de dois diretores ou apenas do DRI (Diretor de Relações com Investidores), quando BI INVEST PARTICIPAÇÕES E FINANÇAS CORPORATIVAS LTDA 97.000 97.000,00 os demais cargos de diretoria estiverem vagos. Artigo 19 - Nos limites de suas atribuições, 2 (dois) diretores em conjunto ou apenas o DRI, quando os REINALDO ZAKALSKI DA SILVA 1.000 1.000,00 demais cargos de diretoria estiverem vagos, poderão constituir procuradores ou mandatários para, em conjunto com um diretor, representar a CompaGUILHERME ZAKALSKI NUNES DA SILVA 1.000 1.000,00 nhia e praticar os atos e operações que forem especificados nos respectivos instrumentos de mandato, que sempre particularizarão os poderes e o GABRIELA ZAKALSKI NUNES DA SILVA 1.000 1.000,00 prazo de duração do mandato. Artigo 20 - Exceção feita às procurações “ad judicia”, todas as demais não poderão ter vigência excedente a 2 (dois) Total 100.000 100.000,00 anos. Artigo 21 - Quaisquer atos praticados pelos Diretores ou por procuradores da Companhia, em nome desta, e que sejam estranhos ao objeto ii) Aprovar a alteração do quadro de membros do Conselho de Administração da Companhia e outras disposições: a) com sua retirada, o social são expressamente proibidos e nulos de pleno direito, incluindo, sem limitar, a contratação de empréstimos. Parágrafo único - É vedada a sócio Marcos Germano Matrowitz renunciou o cargo de membro do Conselho de Administração, sendo eleito, por unanimidade de votos, para o concessão de fianças, avais ou a prestação de qualquer espécie de garantia pessoal pela Companhia em favor de terceiros, incluindo os acionistas da respectivo cargo o sócio ingressante Guilherme Zakalski Nunes da Silva, que permanecerá no exercício pelo período restante do mandato ora substi- Companhia. Quaisquer atos praticados sem a observância do disposto nesta cláusula serão nulos de pleno direito e não produzirão efeitos em relatuído, que se encerra em 25/04/2011; b) com sua retirada a sócia Beatriz Ribeiro Matrowitz renunciou o cargo de membro do Conselho de Adminis- ção à Companhia. Capítulo IV - Conselho Fiscal: Artigo 22 - Poderá ser instalado um Conselho Fiscal, por deliberação da Assembléia Geral, em tração, sendo eleita, por unanimidade de votos; para o respectivo cargo a sócia ingressante, Gabriela Zakalski Nunes da Silva que permanecerá no conformidade com o disposto nos artigos 161 a 165 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Capítulo V - Assembléia Geral: Artigo 23 - A exercício pelo período restante do mandato ora substituído, que se encerra em 25/04/2011; c) ratificar a reeleição do sócio Reinaldo Zakalski da Assembléia Geral Ordinária reunir-se-á, anualmente, nos 4 (quatro) primeiros meses seguintes ao término do exercício social e a Assembléia Geral ExtraSilva no cargo de Presidente do Conselho de Administração até 25/04/2011, reeleito por unanimidade de votos dos acionistas para o respectivo cargo ordinária, sempre que a lei ou os interesses sociais exigirem a manifestação dos acionistas. Artigo 24 - A Assembléia Geral, convocada na forma da na Assembléia Geral Extraordinária e Ordinária realizada em 25/04/2008, e arquivada na Jucesp em 04/06/2008 (sob o nº 170.034/08-2); foi delibe- lei, tem competência para decidir sobre todos os assuntos de interesse da Companhia, à exceção dos que por disposição legal ou por força do presenrado por unanimidade de votos: d) os membros do Conselho de Administração não receberão quaisquer valores a título de remuneração pelo exercício te Estatuto forem reservados à competência dos órgãos de administração. Artigo 25 - As deliberações da Assembléia Geral serão tomadas por maioria de seus cargos; e) os conselheiros declaram que não estão impedidos por lei especial, ou condenados por crime falimentar, de prevaricação, peita ou absoluta de votos, ressalvadas as exceções previstas em lei. Artigo 26 - A Assembléia Geral será convocada mediante anúncio publicado por 3 (três) suborno, concussão, peculato, contra a economia popular, a fé pública ou a propriedade, ou a pena criminal que vede, ainda que temporariamente, o vezes em veículo de divulgação indicado por lei, contendo local, data e hora da mesma, assim como a ordem do dia, sendo que o primeiro anúncio acesso a cargos públicos, ou por quaisquer outros crimes que os impediriam de exercer atividades mercantis. iii) Aprovar a eleição da Nova Direto- deve anteceder a assembléia em, no mínimo, 15 (quinze) dias. Artigo 27 - Antes de instalar-se a Assembléia Geral, os acionistas assinarão o Livro de ra de Relações com Investidores e a renuncia do atual Diretor de Relações com Investidores: a) Os membros do Conselho de Administração Presença, indicando o seu nome, nacionalidade, residência e a quantidade de ações de que forem titulares. Artigo 28 - A Assembléia Geral será decidiram, por unanimidade, aceitar a renuncia do Sra. Roswitha Limberger Ricci do cargo de Diretora de Relações com Investidores. Conforme carta de instalada pelo Presidente do Conselho de Administração ou, no seu impedimento, por outro membro do Conselho, devendo os acionistas escolher o renuncia apresentada nesta data. b) Os membros do Conselho de Administração decidiram, por unanimidade eleger, para o Cargo de Diretora de Rela- Presidente e o Secretário da Mesa, que dirigirá os trabalhos. Artigo 29 - Além de outras matérias previstas em lei, compete privativamente à Assembléia ções com Investidores a Srta Gabriela Zakalski Nunes da Silva, brasileira, solteira, consultora, portadora da cédula de identidade RG nº Geral deliberar sobre: a) a reforma deste Estatuto; b) a emissão, características e preço de emissão de ações ou quaisquer outros valores mobiliários ou 44.231.961-7 SSP-SP e inscrito no CPF/MF nº 349.544.778-40, residente e domiciliada na Rua Canumã, nº 100, Jardim dos Estados, na cidade de títulos de crédito, com exceção dos CRIs, e observado o disposto no artigo 11, alínea h, no tocante à emissão de debêntures; c) a eleição dos membros São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 04642-040, para o mandado ate 25 de Abril de 2011. Declaração de Desimpedimento: O membro da do Conselho de Administração; d) a fixação do valor e condições de pagamento da remuneração dos membros dos órgãos de administração e do Diretoria ora eleito não esta impedido por lei especial ou condenado por crime falimentar, de prevaricação, suborno, concussão, peculato, contra a Conselho Fiscal, caso instalado; e) a destinação dos lucros líquidos e distribuição de dividendos; f) fusão, cisão ou incorporação; g) dissolução e economia popular, a fé pública ou a propriedade ou, a pena criminal que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos ou por liquidação da Companhia; h) confissão de falência ou impetração de concordata, ou autorização para que os administradores pratiquem tais atos; i) quaisquer outros crimes que os impediram de exercer atividades mercantis. iv) Ratificar e consolidar as demais cláusulas do Estatuto Social: por a alienação dos bens da Companhia, transferência da sua posse direta ou indireta ou a constituição de qualquer ônus ou gravame sobre os mesmos; deliberação unânime, resolvem os sócios ratificar todas demais cláusulas do Estatuto Social e o consolidar que passar a ter a seguinte redação: e j) quaisquer atos que possam afetar adversamente a capacidade da Companhia de efetuar o pagamento pontual e integral de obrigações fiscais e ESTATUTO SOCIAL - Capítulo I - Denominação, Sede, Objeto e Duração: Artigo 1º - Sob a denominação de B.I. Companhia Securitizadora de representadas por debêntures, CRIs ou outros títulos e valores mobiliários por ela emitidos. Parágrafo primeiro - A disposição da alínea “i” acima Créditos Imobiliários opera a sociedade anônima que se regerá por este Estatuto Social e pela legislação aplicável às sociedades anônimas e, mais não se aplica nos casos de constituição de ônus ou gravame sobre bens imóveis em favor de titulares de CRIs. Nesta hipótese, a competência para a especificamente, às companhias securitizadoras de créditos imobiliários. Artigo 2º - A Companhia tem sede e foro no Município de São Paulo, Estado sua constituição é da Diretoria. Parágrafo segundo - Depende de aprovação da maioria absoluta do capital social da Companhia, reunidos em de São Paulo, na Rua São Benedito, 634 - Santo Amaro - CEP 04735-001. Artigo 3º - A Companhia tem por objeto social: (i) a aquisição e securitiza- assembléia geral extraordinária, qualquer alteração estatutária que verse sobre as seguintes matérias: a) denominação da Companhia; b) objeto socição de créditos imobiliários oriundos ou relacionados a quaisquer modalidades imobiliárias, tais como aluguéis e parcelas de contrato de compra e al; c) participação em outras empresas ou em grupo de sociedades; d) aumento ou redução do capital social; e) contratação de empregados; f) incorvenda de imóveis; (ii) emissão e colocação, no mercado financeiro, de Certificados de Recebíveis Imobiliários - CRIs, debêntures ou quaisquer outros poração de outra sociedade, da sociedade em outra, fusão, cisão, transformação, dissolução ou liquidação da companhia; e g) pedido de concordatítulos de crédito ou valores mobiliários lastreados em créditos imobiliários e (iii) realização de negócios e prestação de serviços relacionados à securi- ta ou declaração de falência. Capítulo VI - Exercício Social: Artigo 30 - O exercício social terminará em 31 de dezembro de cada ano. No encerratização de créditos imobiliários em questão, observados os termos da Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, ou da lei que vier a substituí-la, mento do exercício, serão elaboradas as demonstrações financeiras exigidas em lei, observando-se quanto à distribuição de resultado apurado, as alterá-la ou implementá-la. Artigo 4º - O prazo de duração da Companhia é indeterminado. Capítulo II - Capital Social e Ações: Artigo 5º - O seguintes regras: (i) dedução dos prejuízos acumulados e provisão para imposto de renda; e (ii) distribuição do lucro líquido do exercício, da seguinte capital social da Companhia é de R$100.000,00 (cem mil reais), dividido em 100.000 (cem mil) ações ordinárias, todas nominativas e sem valor forma: (a) 5% (cinco por cento) para a constituição de reserva legal, até que ela atinja 20% (vinte por cento) do capital social; e (b) 25% (vinte e nominal. Parágrafo primeiro - Cada ação ordinária terá direito a um voto nas deliberações da Assembléia Geral. Parágrafo segundo - Quaisquer cinco por cento) do saldo, ajustado na forma do art. 202 da Lei nº 6.404/76 será destinado ao pagamento do dividendo obrigatório, ressalvada a emissões de novas ações serão efetivadas apenas em ações ordinárias, vedada a emissão de ações preferenciais. Capítulo III - Administração: Artigo hipótese prevista no parágrafo 4º do referido Artigo 202. Capítulo VII - Dissolução, Liquidação e Extinção: Artigo 31 - A Companhia entrará em 6º - A administração da Companhia será exercida pelo Conselho de Administração e pela Diretoria. Parágrafo primeiro - Não haverá qualquer tipo dissolução, liquidação e extinção nos casos previstos em lei. Parágrafo único - A Assembléia Geral nomeará o liquidante e determinará o modo de de remuneração mensal global da administração da Companhia. Parágrafo segundo - É vedado à Companhia contratar empregados, qualquer que liquidação e elegerá o Conselho Fiscal, ou manterá o já existente, que deve funcionar durante o período de liquidação. Encerramento: Nada mais seja a remuneração dos mesmos, sem a prévia e expressa autorização da Assembléia Geral. Parágrafo terceiro - Exceto as despesas de encargos havendo a deliberar, o Presidente deu por encerrados e concluídos os trabalhos. Em seguida, suspendeu a sessão pelo tempo necessário à lavratura tributários e demais obrigações principais ou acessórias definidas em lei, quaisquer despesas administrativas serão levadas à aprovação do Conselho da presente ata sob forma extensa. Reaberta a sessão, a presente ata foi lida, aprovada e, por todos os presentes, assinada. Acionistas presentes: de Administração. Seção I - Conselho de Administração: Artigo 7º - O Conselho de Administração será composto por 3 (três) Conselheiros, eleitos Reinaldo Zakalski da Silva, Beatriz Ribeiro Matrowitz, Marcos Germano Matrowitz, BI Invest Participações e Finanças Corporativas Ltda, por seu reprepela Assembléia Geral, sendo um conselheiro Presidente e um Vice-presidente, cada qual com mandato de 3 (três) anos, todos acionistas, podendo ser sentante Reinaldo Zakalski da Silva, Gabriela Zakalski Nunes da Silva, Guilherme Zakalski Nunes da Silva. São Paulo, 18 de outubro de 2010. Reireeleitos. Parágrafo único - Os Conselheiros permanecerão nos cargos até a investidura dos novos administradores eleitos. Artigo 8º - O Conselho naldo Zakalski da Silva - Presidente; Beatriz Ribeiro Matrowitz - Secretária. Acionistas: Reinaldo Zakalski da Silva; Marcos Germano Matrowitz; de Administração deliberará por maioria de votos. Parágrafo único - O Presidente do Conselho de Administração terá, além do voto comum, o de Gabriela Zakalski Nunes da Silva; Beatriz Ribeiro Matrowitz; Guilherme Zakalski Nunes da Silva; Bi Invest Participações e Finanças Corporativas Ltda. qualidade, no caso de empate na votação. Artigo 9° - O Conselho de Administração reunir-se-á, ordinariamente, uma vez por ano, e extraordinaria- Reinaldo Zakalski da Silva (sócio representante legal).


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18 Nº 339

DCARR

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Não se esqueça: na próxima quarta-feira começa a festa do 50º aniversário do Salão do Automóvel, no Anhembi, que irá até o dia 7 de novembro

SÃO TANTAS EMOÇÕES Fotos: Divulgação

O Rei será o primeiro a comprar o R8, o superesportivo da Audi. Mas nós andamos na frente dele. São as emoções da vida, por R$ 785 mil.

A 313 km/h a visão traseira do R8 vai a mais popular entre os demais motoristas. Mas vale pela beleza.

CAMINHÕES

NC² CHEGA AO BRASIL Caterpillar e Navistar, juntas, investem US$ 200 milhões no País

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NC² é uma joint venture mundial formada pela Caterpillar e Navistar International Corporation que montará e distribuirá, no Brasil, caminhões comerciais com as marcas International e Cat. A empresa investirá aproximadamente US$ 200 milhões, no País, com a compra de equipamentos, pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias. Segundo seu presidente, Al Satiel, dentro de seis ou sete meses, novos investimentos deverão ser anunciados para a construção da fábrica no Brasil. Por enquanto, dois modelos serão produzidos na planta de Caxias do Sul, que é de propriedade e é operada pela Agrale.

O primeiro modelo será o pesado International 9800i. O início de sua comercialização está previsto para o mês de novembro. A versão para o mercado brasileiro será equipada com motor eletrônico de 11 litros, com 417 cv e 2010 Nm de torque, terá duas opções de tração, 6x2 e 6x4, e PBTC (Peso Bruto Total Combinado) de 57 e 74 toneladas, respectivamente . O segundo caminhão da NC² será o semipesado International DuraStar, líder de vendas em sua categoria nos Estados Unidos, Canadá e México. O modelo estará disponível nas versões 4x2, 6x2 e 6x4 e será equipado com motor eletrônico MWM international MaxxForce 7.2 litros Euro III, de 260 cv e 900 Nm de torque. Ainda em 2010, a empresa contará com 10 pontos de venda no Brasil e em 2011 pretende abrir mais vinte.

DUAS RODAS

HONDA: MAIS 500 MIL MOTOS/ANO Investindo R$ 90 milhões, Honda inaugura nova linha de produção

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eixando para trás os resquícios da crise econômica global, o setor de "duas rodas" volta a apresentar otimismo e a investir no aumento da produção brasileira de motocicletas. A Moto Honda da Amazônia inaugurou na última semana uma nova linha de produção em seu complexo industrial de Manaus, no Amazonas. Com investimentos de R$ 90 milhões, a nova linha de montagem tem capacidade produtiva de 500 mil motocicletas por ano. Ela será responsável pela produção dos modelos Biz 125, Pop 100 e Lead 110. Batizada de HDA 2, seu tempo de fabricação para cada unidade dos dois primeiros modelos é de 39 segundos e para a Lead 110, 49 segundos. A expectativa é de que a nova linha produza 300 mil unidades em 2011 e 415 mil até 2013. A HDA 2 contará com 760 colaboradores operando em dois turnos, distribuídos em oito setores produtivos interligados por esteiras aéreas. Com a nova linha, a Honda, maior produtora de motocicletas do Brasil e líder em vendas com 77% do mercado, aumenta sua capacidade de produção de 1,5 milhão para 2 milhões de motocicletas anualmente, apesar de, em 2010, a

estimativa de fabricação da marca ser de 1.430 milhão unidades - 15% mais que em 2009. Desde o início de suas operações produtivas, em 1976, a Honda já fabricou mais de 14 milhões de motocicletas no Brasil. Atualmente, o índice de nacionalização dos seus modelos é de 90%.

Na frente do Rei Roberto Carlos ANDERSON CAVALCANTE

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arece que Roberto C a r l o s re s o l v e u dar um descanso para seus Cadillacs e Calhambeques, cantados em suas músicas antigas. Agora, para curtir “as curvas da estrada de Santos” ou acelerar “A 300 km/h”, como no seu filme que leva este nome, quando pilota um protótipo Avallone, vermelho, com motor Chrysler, o músico decidiu partir para um Audi R8 Spyder conversível, também vermelho – mas com um exclusivo acabamento interno branco. Ele foi o primeiro, no Brasil, a comprar o superesportivo, avaliado em R$ 785 mil. É o mesmo utilizado pelo super-herói Tony Stark em o Homem de Ferro 2. O modelo, que será lançado oficialmente durante o Salão do Automóvel de São Paulo, atinge máxima de 313 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em apenas 4,1 segundos. Com 1.720 quilos, o R8 é literalmente empurrado pelo motor - aspirado , 5.2 litros FSI quattro V10, capaz de gerar 525 cavalos de potência a 8.000 rpm e 530 Nm de torque, a 6.500 rpm. Com isso, o R8 possui relação peso-potência de 3,3 kg por cavalo. O propulsor é acoplado a uma transmissão automática de seis velocidades. Apesar de tamanha força, segundo a marca alemã, o bólido consome a boa média combinada cidade/estrada de 7,2 km/l de gasolina. Mas andando com o carro a impressão de baixo consumo é ampliada graças à autonomia proporcionada pelo tanque de combustível para 90 litros. Se externamente o R8 é capaz de fazer parar o trânsito com suas linhas extremamente arrojadas e esportivas, por dentro "veste" bem o piloto, como um traje de caimento impecável. O passageiro também fica completamente envolvido em seu espaço. Os assentos possuem aquecimento indivi-

Na frente, a imponência do superesportivo com seus faróis de felino

dual e ajustes elétricos de posicionamento e, assim como todos modelos Audi, o conversível oferece um sistema multimídia sofisticado. Sentindo-se na pista - O Spyder possui sistema de informação que inclui cronômetro para registrar os tempos por volta em um circuito de corridas. O volante, revestido em couro, tem três raios multifuncional com a base achatada aumentando a sensação de estarmos pilotando um verdadeiro carro de competição.

Mas a vontade de viver uma prova de automobilismo você sente mesmo ao pisar fundo no acelerador. Todo o impressionante silêncio do habitáculo é substituído por um ronco "musical" vindo do V10. O “coice” provocado pela extraordinária aceleração é prazeroso e instigante, e a rapidez com que os outros veículos ficam para trás aumenta a sensação de poder. É preciso ter muito controle emocional para não se sentir

d e n t ro d e u m a u t ó d ro m o quando não se está. Aliás, fora das pistas o melhor é mesmo relaxar e aproveitar toda tecnologia integrada. Para maior segurança, oferece a opção de microfones instalados nos dois cintos de segurança e na moldura do para-brisa. O sistema permite que o piloto possa falar ao telefone sem ter que tirar as mãos do volante e pode ser utilizado por ambos ocupantes, mesmo com a capota aberta. Inclusive, a capota de lona é outro show a parte, principalmente com seu acionamento eletro-hidráulico que garante sua abertura e fechamento em apenas 19 segundos, mesmo com o carro em movimento até 50 km/h. Aí, é só baixar a capota, esquecer que é um super-herói, sentir-se um verdadeiro “Rei” e aproveitar os “detalhes tão pequenos” dos dois ocupantes. Ah! É bom que as malas também sejam pequenas, afinal, o R8 possui apenas um reduzido compartimento, localizado sob o capô dianteiro, para acomodar até 100 litros de bagagens. Uma advertência: as curvas da estrada de Santos de hoje estão cheias de radares. E também de muitos caminhões que desobedecem as normas da boa condução, com o olhar benevolente da nossa Polícia Rodoviária.


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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

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DCARR BELO PASSEIO

Entre asfalto, areia, terra e buracos A viagem durou 22 dias e a Saveiro foi uma boa parceira, ainda que reclamando um pouco do calor e dos buracos. Como? Fazendo barulho.

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tilitário para lazer ou carro de passeio que dá para trabalhar, essa é a única dúvida que paira sobre a Saveiro Cross, lançada em fevereiro pela Volkswagen. De resto, não há contestação: é bom para asfalto, terra, cidade, campo e praia. Testamos o veículo em várias cidades e estradas da Paraíba, Pernambuco e Alagoas e podemos garantir que, além de bonitinha, a nova Saveiro atende aos que vão utilizar a picape compacta para uma aplicação comercial ou passear nos finais de semana. A boa altura em relação ao solo permite que a picape encare bem os buracos encontrados no litoral nordestino e nas estradas mal cuidadas brasileiras. Os pneus 175/70 R14 são de uso misto, 70% asfalto e 30% terra, que têm banda de rodagem mais emborrachada, permitindo menor impacto com o solo e mais estabilidade. O modelo cross é vendido apenas com cabine estendida, o que auxilia bem na guarda de pequenas malas e objetos. A caçamba, de 924 litros, pode ser trancada e conta com a lona marítima que não permite a entrada de água mesmo nas mais torrenciais chuvas de verão. As comodidades extras ficam por conta do fechamento da tampa com amortecedor, apoio para pés para facilidade de manuseio das cargas e o rack de teto que se prolonga até a caçamba. Este serve de apoio em toda a extensão do carro e não atrapalha a instalação da capota.

Fábio Bonato

Bom comportamento na terra e no asfalto, conforto para duas pessoas, cabine estendida e caçamba com grande capacidade de carga. Tudo isso faz da Saveiro uma boa opção para uso misto na cidade, praia, campo e montanha

FERNANDA PRESSINOTT Em se falando de beleza, a Saveiro Cross é apaixonante para os fãs do estilo aventureiro: lanternas escurecidas, enorme entrada de ar com aspecto agressivo na frente, borrachões nas laterais e o já mencionado rack dão ar de robustez. Por dentro, anéis polidos nos mostradores e nos comandos e bancos em tecido imitando as marcas deixadas por um pneu de jipe na trilha. A Saveiro é vendida em versão única, com motor 1.6, que gera 104 cv com álcool e 101 cv com gasolina. É confiável - como todos os carros VW - e atende a proposta de pequeno utilitário. Faz bonito nas ultrapassagens e nas curvas. No quesito conforto, o interior do carro é completo e com comandos de fácil acesso. A picape oferece como itens de série direção hidráulica, trio elétrico, alarme com acionamento na chave, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, computador de bordo, sensor de estacionamento traseiro, faróis de neblina e rodas de liga leve. O preço inicial é de R$ 42.380. Os opcionais são formados por ar-condicionado, freios com sistema ABS, rádio CD Player com Bluetooth, volante multifuncional e air-bag duplos. O preço com todos os itens e cor metálica pode fazer o veículo chegar a R$ 49.690. O único senão da picape lançada pela VW fica por conta do ruído interno, bastante elevado, principalmente com as altas temperaturas. Todos os plásticos parecem estalar ao mesmo tempo.


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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

ELEFANTE DE PEDRA Em Sete Cidades, vento e chuva esculpiram as rochas

urismo

Dois parques nacionais: Sete Cidades (à esq.) reúne 25 sítios rupestres, no topo ao lado. Abaixo, imagem que dá nome ao parque da Serra da Capivara, um dos maiores sítios arqueológicos do mundo. Depois, 'O Beijo' e o Boqueirão da Pedra Furada. O local abriga 1,8 mil cavernas.

Fotos: Kleber Gutierrez

Piauí: o Estado mais rupestre do Brasil. Uma surpresa no Nordeste, o destino combina formações geográficas indescritíveis e belas praias Kleber Gutierrez

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iajo há 30 anos pelo Brasil. Ainda bem jovem, decidi que só sairia do meu país depois de conhecêlo todo. Pelo menos, ter passado alguns dias em cada Estado. Missão quase cumprida! Para fechar o Nordeste, faltava mergulhar no Piauí. Mal podia imaginar as surpresas que encontraria por lá. O Estado é daqueles paraísos quase intocados, com história milenar, formações geográficas indescritíveis e praias capazes de encantar corpo e alma. Mas o principal achado foi seu povo acolhedor e peculiar, que tem até língua própria, devidamente documentada pela Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês. Para não dar uma “rata” (cometer uma gafe) enquanto percorrer suas trilhas, é melhor adquirir o seu exemplar. Como sede da pátria piauiense, Teresina, a Quentecap, concentra a maior população do Estado e algumas das temperaturas mais altas do País. O bafo que envolve seu corpo logo ao sair do avião será constante na viagem. Uma delícia para quem foge do inverno no Sul e Sudeste.

Mas relaxe, porque há sempre a chegada de uma refrescante brisa. Essa M esopotâmia brasileira se orgulha dos seus dois rios, Poti e Parnaíba. Vá ver o encontro desses titãs da Caatinga. Há muito artesanato, com destaque para as peças em barro, e um delicioso restaurante flutuante. Programe-se para desfrutar do pôr-do-sol degustando peixes nativos e leve um bom repelente: após a queda da luz, você vira o prato, com a implacável chegada das "muriçocas" (mosquitos). A cidade começa a adquirir ares de metrópole, ganhou uma ponte estaiada e abriga em seu topo um mirante. Vale visitar as belezas arquitetônicas no centro, comer o capote (feito com galinha d’Angola) e o doce de buriti (fruto da palmeira abundante na região). Mas o melhor do Piauí está no interior e litoral. Arqueolo gia – Indo para o sul, chega-se a São Raimundo Nonato (uns 650 km de distância). É aí que começa a aventura. A cidade hospeda uma das poucas universidades públicas com formação em Arqueologia

do Brasil. Não é para menos, pois é o ponto de partida para um gigantesco salto no tempo. Dali, você vai para a Serra da Capivara: lugar tido como berço do homem americano! A teoria é que há mais de 100 mil anos povos daquela região iniciaram a conquista das Américas. Teriam vindo pela corrente oceânica que percorre da Guiné, na África, até o Brasil. E não atravessado o Estreito de Bering como muitos defendem. Uma tese controversa para os cientistas do Hemisfério Norte, que relutam em aceitar que seu ‘primeiro mundo’ originou-se a partir de selvagens brasileiros... O fato é que a região é tomada por um dos maiores sítios arqueológicos de pinturas rupestres do planeta. Para se ter uma ideia, o Parque Nacional da Serra da Capivara possui 1,8 mil tocas com pinturas catalogadas e em estudo. E centenas de outras ainda desconhecidas. O que chama a atenção dos pesquisadores é também a qualidade dos relatos materializados na rocha. Não são apenas cenas de caça aos

animais da região, como na maioria dos sítios desse tipo. E olha que lá tem exemplares fósseis do tigre dente de sabre, da preguiça gigante, do tatu com o tamanho de um fusca e até de uma espécie de cavalo que só possuía um dedo. A Serra da Capivara traz toda uma descrição comportamental daquela sociedade que dominou a região há milhares de anos. Cenas inusitadas de sexo são recorrentes e em cores, todas usando os minerais ainda encontrados por lá. Mas vá logo, porque as rochas são porosas, e o sal que mina naturalmente também cumpre o papel de apagador dessas riquezas. Museu – Antes de visitar a serra, aconselho que você vá ao Museu do Homem Americano. A sensação ao adentrar a estrutura é a de ter sido abdusido. Explico: para chegar ao local, trafega-se por áreas agrestes e pouco urbanizadas. É bem provável que veja cães, galinhas, cavalos, porcos e jumentos, soltos, todos juntos, disputando algum alimento. E, de repente, será deixado num local cuja visita é toda guiada por equipamentos digitais, computadores e vídeos. Acredite, você vai se sentir em outro planeta! É onde você pode definir as tocas

que deseja visitar, escolher quais pinturas apreciar bem de perto e ver o resultado das escavações arqueológicas feitas na serra. Se você só ouviu falar de pré-história em longínquas salas de aula, vá ver o crânio original de Zuzu, um dos machos mais antigos do homo sapiens com quase 10 mil anos, as urnas funerárias com esqueletos originais e os instrumentos criados com pedras lascadas e polidas pelos nossos ancestrais. Selva de pedra – O Parque Nacional de Sete Cidades, a menos de 200 quilômetros de Teresina e na direção

do litoral, é outra atração rochosa do Estado. Lapidadas por água e ventos fortes nos últimos 200 milhões de anos, suas formações trazem imagens inusitadas: o boi deitado, a tartaruga, o elefante... São mais 25 sítios rupestres, elaborados por outros grupos sociais e em época mais recente que os da Capivara, uma vez que os traços são mais geométricos. Não deixe de subir até o mirante, a vista vai sapecar sua mente. Viagem a convite da CTI Nordeste e Piemtur (Piauí Turismo)

CAMPO DE GUERRA – Em 13 de março de 1823, a cidade de Campo Maior viu ocorrer o único confronto armado do País pela Independência: a Batalha do Jenipapo, nome do riacho que passa no local. Quase esquecidos pela história, alguns dos 500 piauienses, cearenses, maranhenses e portugueses que morreram no confronto – responsável por expulsar os lusos da região – ainda jazem atrás do museu (foto) erguido em sua memória.

RAIO X

O LITORAL

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São 66 km de costa no Estado. Barra Grande (acima) revela o cotidiano de uma comunidade de pescadores em Cajueiro da Praia. Pedra do Sal (acima, à dir.) é a única praia de Parnaíba – o ponto de partida para explorar outras belezas, como a Praia do Coqueiro e o delta mais fantástico das Américas (fotos à dir.).

arnaíba é a segunda maior cidade do Estado e o ponto de partida para vasculhar os 66 quilômetros de litoral. É nela que se encontra a melhor estrutura de serviços da região: pousadas aconchegantes, locadoras e agências de viagens. De lá partem ônibus, motos e vans para as praias. Mas Parnaíba só possui uma, a Pedra do Sal. As outras estão nos municípios seguintes, como as badaladas Atalaia e Coqueiro, em Luís Correa, e a maravilhosa Barra Grande, em Cajueiro da Praia, uma vila de pescadores que se abre para um turismo requintado e sustentável. É possível observar cavalos-marinhos, peixes-boi e as enormes caças que o mar oferece. Delta – O Parnaíba é o único rio totalmente nordestino, com 1,6 mil km de extensão, e reserva um dos maiores espetáculos da terra: ao se aproximar do Atlântico, produz um raro exemplar de delta em mar aberto. Vistas do alto, suas cinco baías (Igaraçu, Canárias, Caju, Melancieira e Tutoia) formam a letra grega delta,

daí o nome. O nosso é o terceiro maior do mundo, só perde para o do Rio Nilo, na África, e o do Rio Mekong, na Ásia. As águas do Parnaíba e do Atlântico se fundem. E o oceano, apesar de manter sua correnteza forte e ondas potentes, é convidado a aceitar um pouco de doçura. A exata síntese do lugar: o povo mais aguerrido do País, te acolhe e ainda oferece o melhor cômodo da casa... Aproveite a oportunidade, peça ao barqueiro para desligar o motor, compreenda que está em um dos lugares menos tocados pela humanidade e desfrute do privilégio de se sentir ungido pelo divino, um ser especial... Ilhas fluviais – Se isso não for suficiente, hospede-se em uma das exclusivas ilhas fluviais. Há poucas com estrutura para receber. Ou, pelo menos, almoce na Ilha das Canárias, na Pousada do Oswaldo. Desfrute do mirante, e se tiver vontade de mais um mergulho, converse com os habitantes. Eles te mostrarão onde o braço do rio permite se banhar.

COMO CHEGAR De São Paulo, a Azul (www.voeazul.com.br) é a única que opera voos diretos para Teresina. Ida-e-volta a partir de R$ 728,84, com taxas. Na TAM (www.tam.com.br) e na Gol (www.voegol.com.br), conexão em Brasília. A partir de R$ 417 e R$ 329, respectivamente, o trecho, sem taxas.

E, quando você estiver “eguando” (de bobeira), com a água na altura do pescoço, te dirão com a maior calma que, exatamente ali, alguém fisgou o maior cação já pego no local. Para quem não entendeu a tirada, explico: cação é o nome que se dá quando você come o peixe, quando ele te come, o nome é tubarão. Não se esqueça, você está em um ambiente selvagem. Atenção nunca é demais. E o prazer que vai sentir em terras piauienses também não. Boa viagem! (KG)

ONDE DORMIR Diárias variam de R$ 80 a 250 o casal, conforme a época. Parnaíba Pousada Vila Parnaíba: tel. (86) 3323-2781, www.pousadavilaparnaiba.com.br. Luis Correia Islamar Hotéis de Charme: tel. (86) 3366-1165, www.islamar.com.br. Aimberê Eco Resort Hotel: tel. (86) 33661142, www.aimbereecoresorthotel.com.br. Cajueiro da Praia BGK - Barra Grande Kitecamp: tel. (86) 9983-1020, www.barragrandekitecamp.com.br. Rota dos Ventos: tel. (86) 3369-8161, www.pousadarotadosventos.com FAÇA AS MALAS Passeios: na Clip Ecoturismo e Aventura, Parnaíba, tel. (86) 3322-3129, www.clipecoturismo.com.br. Informações turísticas: Piemtur, Teresina, tel. (86) 3216-6414.


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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

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34ª Mostra Internacional de Cinema começa nesta sexta (22) e segue até 4 de novembro, em 20 salas de exibição da Cidade. Ingressos a R$ 14, de segunda a quinta, e R$ 18, de sexta a domingo. Permanentes entre R$ 90 e R$ 390.

cultura

ESTE ANO, QUASE 500 FILMES. EM 2009, FORAM 700. O TOM É DE HOMENAGENS E PRODUÇÕES COM VISUAL EXUBERANTE.

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Fotos: Divulgação

Teresa Isasi/Divulgação

Lúcia Helena de Camargo

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im Wenders, cineasta conhecido pr incipalmente por Paris Texas e Asas do Desejo, é o autor de um dos cartazes da 34ª Mostra de Cinema de São Paulo, iniciada nesta sexta (22). O outro tem como base um desenho do japonês Akira Kurosawa, de quem serão expostos outros trabalhos gráficos no Instituto Tomie Ohtake. Ambos ganham homenagens. O alemão é a estrela da exposição Lugares, Estranhos e Quietos, aberta no Masp com fotografias inéditas feitas por ele em viagens. E comparece à exibição de seu Até o Fim do Mundo – longa-metragem com 4h40 de duração. Serão lançados livros sobre obras dos dois cineastas. As artes visuais e cinematográficas estão mais juntas do que nunca nesta edição da maratona de cinema, já com mais de 470 filmes confirmados na programação. Outro exemplo é a exibição especial de Metrópolis (1927), de Fritz Lang, em cópia com 25 minutos adicionais, recobrados de material encontrado no Museu do Cinema de Buenos Aires em julho de 2008. A especialíssima sessão acontece neste domingo (24), às 20h, no gramado do auditório Ibirapuera, e contará com acompanhamento da orquestra Jazz Sinfônica, sob regência do maestro João Maurício Galindo. Antes, às 19h, apresentam-se os alunos da Escola do Auditório Ibirapuera. Entre os filmes nos quais cada fotoTeresa Isasi/Divulgação

Disco e a Guerra Atômica, feito na Estônia, mostra como o totalitarismo enfrenta a cultura pop.

grama assemelha-se a uma pintura está Lope, de Andrucha Waddington. e também O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira, que abriu a seção Un Certain Regard do Festival de Cannes. Narra a história de Issac, jovem fotógrafo que certa noite recebe a ligação urgente de uma família rica, pedindo a ele que tire a última foto de Angélica, a filha do casal morta poucos dias depois de seu casamento. E ele se apaixona pela imagem da moça. O filme foi idealizado pelo português logo depois da Segunda Guerra Mundial, mas o regime de Salazar impediu o projeto de vingar na época, em razão das reflexões em torno do nazismo contidas na trama. De Amos Gitai, chega Rosas a Crédito, que mostra a recuperação da França no mesmo período de pós-guerra. Poderá ser visto antes da estreia no circuito o novo filme de Woody Allen, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, assim como Um Lugar Qualquer, de Sofia Coppola, vencedor do Leão de Ouro no último Festival de Veneza. Não faltam grandes nomes. Devem atrair público também Cópia Fiel, do iraniano Abbas Kiarostami, com Juliette Binoche no elenco; além de Abel, do mexicano Diego Luna, e Machete, de Robert Rodriguez, que deve estrear em breve nos cinemas brasileiros. A grande homenageada desta edição é Hanna Schygulla, alemã que ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes em 1983 por A História de Piera, de Marco Ferreri. Protegida

de Werner Fassbinder, em doze anos ela estrelou 23 filmes do diretor, incluindo O Casamento de Maria Braun, vencedor do Urso de Prata em Berlim. Desde 1997 ela não atua mais à frente das câmeras. Grava canções – algumas das quais estão no CD Hanna Schygulla Sings (2003). E dirige filmes. Entre os exibidos nesta Mostra, Alicia Bustamante; Lucero; Eu E Meu Duplo; Hanna Hannah e Protocolos dos Sonhos. Outro prestigiado será o norueguês Bent Hamer, presente nas salas escuras com Kitchen Stories; Factotum e Home for Christmas. As produções da Noruega, aliás, ganharam quase uma mostra à parte, com diversos títulos. O terceiro homenageado é o time paulista que este ano comemora o centenário. Os cinéfilos-torcedores poderão ver O Corintiano, de Milton Amaral, estrelado por Mazzaropi. A 34ª Mostra segue até 4 de novembro. O panorama inclui curtas, documentários e obras de novos diretores. Uma iniciativa interessante é o Festival Online (http://mubi.com), que exibe filmes na internet, para chegar a quem não pode vir a São Paulo. E entre as novidades está a instalação de 15 bicicletários para quem preferir ir ao cinema sem poluir mais a Cidade.

Acima, cartaz da Mostra por Wim Wenders. No alto, O Estranho Caso de Angélica; o casal de Rosas a Crédito; Rashomon, de Akira Kurosawa e a homenageada Hanna Shcygulla.

Central da Mostra. Av. Paulista, 2.073. Programação: www.mostra.org

Teresa Isasi/Divulgação

Lope, de Andrucha Waddington, retrata a juventude do poeta espanhol Lope de Vega. Estrelado pelo argentino Alberto Ammann.

Da Armênia chega Le Trésor des Îles Chiennes, dentro da retrospectiva dedicada a Serge Avedikian, membro do júri da 34ª Mostra.

Metrópolis: exibição domingo (24), às 20h, no gramado do auditório Ibirapuera, ao som da orquestra Jazz Sinfônica.

Na página 2, desenhos de Kurosawa e The Event, série que chega à TV. Miguel Falabella e Diogo Vilela na página 3. Dia do Macarrão na página 4. Queijos na página 5. E arte nas ruas na página 6.


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Fotos: Divulgação

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Cinema antes da cena. E outras histórias. Rita Alves Kurosawa Production Inc. Licensed exclusively by HoriPro inc.

Um triste solteiro e ação com De Niro

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ichael Douglas, em cartaz na cidade com Wall Street - O Dinheiro Nunca Dome, pode ser visto a partir desta sexta (22) também em O Solteirão (Solitary Man, EUA, 2010, 90 minutos). Exibido no festival do Rio, o filme conta a história do cinquentão Ben Kalmen, ex-vendedor de carros e morador de Nova York. Por algum motivo ele não consegue muito sucesso na vida profissional ou amorosa. Perde o emprego, separa-se da mulher por quem é apaixonado. Os únicos momentos nos quais espairece é quando está com suas filha e neta. Dirigido por Brian Koppelman e David Levien. Com produção de Steven Soderbergh e Susan Sarandon (acima, com Douglas) no papel de Nancy, a mulher de Ben. Jenna Fisher, do seriado The Office, interpreta a filha de Ben, Susan; Mary Louise Parker (Weeds) é a namorada, e Imogen Poots (Extermínio 2) vive a filha de Ben, Allyson. Danny de Vito faz uma participação especial. Homens em Fúria (Stone, EUA, 2010, 110 minutos, foto abaixo) traz Robert De Niro no papel de Jack, agente de condicional prestes a se aposentar que se dedica a avaliar seus processos de libertação. Entre eles está o de Gerald (Edward Norton), presidiário acusado de incendiar o local de um crime para encobrir os sinais de um assassinato brutal. Com ajuda de sua esposa Lucetta (Milla Jovovich), Gerald tenta convencer Jack de que merece a liberdade. Suspense bem construído, sem moral da história. E para quem aprecia um trash, a estreia é Piranha 3D (EUA, 2010, 88 minutos). Na tarde do feriado de sol à beira do lado, com música, cerveja e mulheres de biquini, aparecem as famintas e perigosas piranhas carnívoras. (LHC)

Capa do livro À Espera do Tempo Filmando com Kurosawa, escrito por Teruyo Nogami, que foi produtora e assistente do diretor.

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abertura da 34ª Mostra Internacional de Cinema é o grande assunto do fim de semana. Quer continuar no clima cinematográfico, mas fora das salas? Vá ao Instituto Tomie Ohtake. É lá que os apaixonados por filmes e arte vão ter a chance de conhecer outra bela faceta do mestre Akira Kurosawa (1910-1998). O local exibe Kurosawa – Criando Imagens para Cinema, exposição comemorativa do centenário do cineasta japonês. Vinda do Metropolitan Museum of Photografy de Tóquio, a mostra apresenta pela primeira vez no País 80 desenhos do artista criados para os filmes Kagemusha (1980), Ran (1985), Sonhos (1990), Rapsódia em Agosto (1991), Madadayo (1993) e Sob o Olhar do Mar (2002). Diante das obras é possível identificar traços dos personagens, figurino, locações, luz, enquadramento e cenas vistas na tela grande. Outra fascinante maneira de relembrar Kurosawa é por meio da literatura, com a obra À Espera do Tempo – Filmando com Kurosawa (320 páginas, 38 ilustrações, R$ 69), lançada pela Cosac Naify em parceria com Mostra Internacional de Cinema. O livro é de autoria de Teruyo Nogami, parceira mais próxima do cineasta durante mais de 50 anos e traz textos escritos por ela após a morte de Kurosawa. Já os desenhos que integram a obra foram criados antes, durante as filmagens do diretor. (RA)

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No alto, storyboard feito para Sonhos. E, acima, para o filme Ran. No Tomie Ohtake.

Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201, Pinheiros. Tel.: 2245-1900. De sábado (23) a 28 de novembro. Terça a domingo, das 11h às 20h. Grátis.

Mistérios e alienígenas no novo The Event

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"escola" Lost de ser (mistério sempre há de pintar por aí...) emplacou mais uma série na TV americana no último mês de setembro. O alvoroço agora se dá em torno de The Event (O Evento), que estreou no Brasil nesta semana, via canal Universal Channel. A trama conspiratória criada para a rede NBC por Nick Wauters, que vai ao ar todas as segundas, às 22h, é também recheada de ação e de fatos extraordinários (como uma raça humanóide meio alienígena que chegou à Terra há cerca de 60 anos). Coisas que nós, seres humanos normais, não conseguimos explicar – mas que podem transformar os destinos do mundo. E dá charme a essa história. Sean Walker (vivido por Jason Ritter), programador de videogames, graduado em Ciência da Computação pelo MIT e ex-hacker, é o personagem central da trama. Sean namora Leila Buchanan (Sarah Roemer) e planejou com ela uma viagem romântica, na qual irá pedi-la casamento. Tudo vai bem até que Leila desaparece durante o cruzeiro. Sean começa a investigar o caso e descobrirá uma rede de in-

Regina Ricca trigas políticas que o levam até o recémeleito presidente americano Elias Martinez (Blair Underwood) e ao chefe da CIA, Sterling Blake (Zeljko Ivanek). Admirado pelo povo americano e respeitado em todo mundo, esse presidente da ficção (negro como o Obama da vida real) enfrenta problemas dentro do governo. Descobre, por exemplo, que a CIA (de novo ela!) escondia dados importantíssimos sobre prisioneiros de um local isolado no Mount Inostranka (qualquer semelhança com Guantánamo não será mera coincidência). Respeitado por sua honestidade, Martinez decide então conhecer a líder dos prisioneiros, Sophia Maguire (Laura Innes, a chefe dos médicos em E.R.), pessoalmente. O chefe da CIA, no entanto, não concorda com as decisões do presidente Martinez em relação ao presídio, e daí pode-se esperar uma série de sabotagens.

Conclusão: se você pensou que The Event é um cruzamento entre Lost e 24 Horas, acertou na mosca. Mas se observar na nova série outros ingredientes já vistos em Fringe; FlashForward ou Arquivo X também não estará errando. The Event resulta da mistura de toda essa receita, mas com certeza vai conseguir entreter com bons roteiros todos os órfãos desses finados seriados. Revival sobre as on das – O topete do veterano Jack Lord não emplacou no look do novo ator escolhido para viver o detetive Steve McGarrett, mas a música-tema de abertura resistiu ao tempo, e está lá para nos avisar que a clássica Hawaii Five-0 está de volta à TV brasileira, apenas um mês após o lançamento nos EUA. Em tempo: o McGarrett dos anos 2010 é vivido agora pelo jovem galã Alex O'Loughlin. Hawaii Five-0 foi produzida e exibida pela rede norte-americana CBS entre 1968

e 1980. A nova versão da série é fiel ao modelo anterior. No arquipélago americano recheado de praias, belas garotas, muito sol e surf desenvolve-se a história de uma recém formada força de elite da polícia de Honolulu, que luta para dar fim a criminosos que agem nas ilhas do Havaí. Na nova versão, além do protagonista Alex O'Loughlin (detetive Steve McGarrett), estão também seu parceiro Scott Caan (o detetive Danny Danno Williams) e o galã oriental da série Lost, Daniel Dae Kim (vivendo o detetive Chin Ho Kelly). Totalmente filmada in loco, Hawaii Five-0 vai ao ar no canal Liv todas as quartas, às 22h.

Hawaii Five-0: nova versão fiel ao modelo anterior. Belas praias e garotas, sol e surf misturam-se à elite da polícia de Honolulu, que combate o crime no Havaí. Com Alex O'Loughlin (detetive Steve McGarrett), Scott Caan (Danny Danno Williams) e o galã oriental de Lost, Daniel Dae Kim (detetive Chin Ho Kelly). A série chegou à TV brasileira apenas um mês após o lançamento nos EUA. Vai ao ar no canal Liv todas as quartas, às 22h.


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Fotos: Arquivo DC

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Uma soprano de volta às raízes

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cultura

Diogo Vilela e Miguel Falabella estrelam o musical A Gaiola das Loucas, superprodução com 25 atores e bailarinos e orquestra de 14 músicos. A partir deste sábado (23), no Teatro Bradesco.

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Vilela, entre saltos e vestidos apertados, vive no palco a exuberante Zazá. Falabella dirige e é seu companheiro Georges.

Gaiola de plumas, lantejoulas e música. Sérgio Roveri

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oucos personagens na carreira de Diogo Vilela exigiram tanto empenho do ator quanto a transformista Zazá, a principal vedete do musical A Gaiola das Loucas. Antes do início dos ensaios, ele já se preparava havia quase dois anos para o papel. Primeiro, passou um ano aprendendo as canções do espetáculo, a partir de um CD com a íntegra do musical em inglês. Depois, foram mais seis meses até dominar as canções em português, na versão feita por Miguel Falabella que, além de dirigir a peça, vive em cena seu companheiro Georges. Por último, consumiu outros dois meses para aprender a andar com sapatos de salto alto e adquirir uma graça naturalmente feminina na hora de fumar, tomar um drinque ou simplesmente flanar pela casa dentro de apertados vestidos bordados com lantejoulas. O resultado de tamanho esforço poderá ser contemplado pelo público a partir deste sábado (23) quando o musical A Gaiola das Loucas, uma superprodução com 25 atores e bailarinos e orquestra de 14 músicos, dá início a uma temporada de dois meses no Teatro Bradesco, no Shopping Bourbon. Graças a duas versões cinematográficas – a de 1978, estrelada por Ugo Tognazzi e Michel Serrault, e a de 1996, com Robin Williams e Nathan Lane – a vida que corre por trás do brilho deste cabaré de St. Tropez, batizado de A Gaiola das Loucaspor conta de um famoso show de variedades estrelado por travestis, é amplamente conhecida pelo público. “Este musical, inspirado em uma peça francesa de 1973, estreou na Broadway em 1983,

Caio Gallucci/Divulgação

quando a comunidade gay estava sendo dizimada pela aids”, diz o ator e diretor Miguel Falabella. “O espetáculo serviu como um alívio no meio de tanta dor. Ele surgiu com a missão de celebrar o amor e a vida no momento em que tantas pessoas estavam morrendo vítimas da doença”. Escrita no início dos anos de 1970 pelo francês Jean Poiret, a peça pode ser lida também como um libelo contra a intolerância. Na história, o cinquentão Georges (Miguel Falabella) é o mestre de cerimônia e proprietário do cabaré A Gaiola das Loucas, notória casa de shows que tem na figura da transformista Zazá sua principal estrela. Longe dos holofotes e despida da peruca e da maquiagem pesada, Zazá volta a ser o amoroso e maternal Albin, com quem Georges está casado há mais de vinte anos. Juntos, eles criaram Jean Michel, o filho que Georges teve na juventude com uma corista do cabaré Lido de Paris. Um dia Jean surpreende os pais com a notícia de que irá se casar com Anne, filha única de um político conservador avesso a qualquer liberdade sexual. Grande parte da graça do espetáculo concentra-se na noite em que Georges recebe para jantar em seu cabaré a família do futuro sogro, diante de quem se vê obrigado a agir como um pai de família assumidamente tradicional e careta. A Gaiola das Loucas, estreia no sábado, 23, no Teatro Bradesco, no Bourbon Shopping São Paulo, Rua Turiassu, 2100, 3º piso. Tel.: 3670-4100. Quinta e sábado às 21h, sexta às 21h30 e domingo às 19h. R$ 20 a R$ 70.

Entrevista com Miguel Falabella Existe alguma característica que torne A Gaiola das Loucas diferente de tantos outros musicais encenados na cidade ultimamente? Miguel Falabella: Em primeiro lugar, não se trata de um musical fácil. Ele tem uma sonoridade da escola da velha Broadway, suas canções são propositadamente melodiosas. Quando os autores Harvey Fierstein (texto) e Jerry Hermann (músicas) estrearam o musical em 1983, eles queriam contar uma história de amor gay assumidamente feliz e que pudesse ser vista por toda a família. Na época, o espetáculo podia ser considerado uma farsa risível, mas hoje se transformou numa história de amor possível e crível. A Gaiola foi vista e encenada de forma diferente ao longo dos anos. Como foi o processo de tradução e adaptação do texto? Existe espaço para um pouco da realidade brasileira no espetáculo? Adaptar é sempre complicado, não me interessa copiar uma fórmula. Meu processo de tradução é algo muito particular, tem muito a ver comigo. Hoje em dia todo mundo viaja e pode ver estes musicais no original, tanto na Broadway quanto em Londres. Por isso não me interessa reproduzir aqui o que eles estão fazendo lá fora. Eu quero mostrar algumas coisas nossas, quero que o público sinta aquelas letras como se elas tivessem sido escritas em português. Todo mundo percebe quando se trata de uma tradução. Embora A Gaiola seja uma história de época ambientada no balneário de St. Tropez, fiz um espetáculo brasileiro. Antes de A Gaiola, você já havia adaptado dois outros grandes musicais estrangeiros, Hairspray e Os Produtores. Não sonha com uma história genuinamente brasileira? Sim, eu quero escrever musicais originais. Acabo de comprar os direitos do livro Memórias de Um Gigolô, do Marcos Rey. Vai dar um excelente musical passado na São Paulo dos anos 30. Os grandes musicais levantam a auto-estima do público brasileiro. Até algum tempo atrás, a gente via estes

espetáculos no exterior e se achava um lixo porque não conseguia fazer aqui. Agora a gente é capaz de fazer, temos grandes atores, cantores e bailarinos. Às vezes, o resultado é muito melhor do que vemos lá fora.

Jessye (alto), múltipla: diva da ópera reencontra o spiritual. Hendricks e… Battle: ecos do jazz.

Entrevista com Diogo Vilela Como se deu a definição dos papéis principais neste espetáculo? Diogo Vilela: Foi muito simples. O Miguel Falabella não queria usar salto alto e peruca. Sobrou para mim. Deus sabe o que estou passando. Quando aceitei fazer a transformista Zazá, não sabia o tamanho da encrenca em que estava me metendo. Brincadeiras à parte, o figurino não é a principal dificuldade que o personagem oferece. Zazá é o arquétipo muito querido do gay que deseja uma família e alimenta aspirações românticas. É difícil porque ela fica no limite da caricatura e, ao mesmo tempo, no limite da humanidade. Durante todo processo, concentrei meu esforço para transformar este personagem em uma pessoa real, em alguém que criou um filho e que, no momento em que este filho cresceu e quer se casar, já não serve mais. Qual sua explicação para o sucesso que este gênero tem feito no Brasil recentemente? Os musicais da Broadway valorizam a sonoridade. Já o Brasil tem uma musicalidade muito maior que a americana. Então aqui a receita deu muito certo, pois soubemos combinar a dramaturgia americana, que é muito precisa, com a nossa musicalidade natural. Com isso, foi possível criar um mercado que nos permite fazer um teatro encantador para quem assiste. E é fácil fazer este mercado funcionar? Não. Por isso eu tenho uma vontade enorme que o candidato José Serra vença a eleição. Eu sinto que com ele a nossa cultura voltará a ser valorizada, voltará a ser vista como mercado. São Paulo é o único lugar do País em que você consegue fazer teatro de maneira decente. Eu venho do Rio de Janeiro, uma cidade em que os teatros estão sendo demolidos. Se eu quero exercer a minha profissão com dignidade, tenho de pegar a ponte-aérea e vir fazer teatro em São Paulo. O teatro é colocado sempre para baixo no Brasil, a gente precisa aprender a se valorizar.

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soprano americana Jessye Norman, 65 anos, visita a Cidade, nesta sexta (22), para dar um espetáculo de jazz e de clássicos da música popular americana. Nada de ópera, gênero com o qual se consagrou como uma das vozes mais importantes da segunda metade do século XX. Cantores líricos, quando se aventuram a interpretar música popular, quase sempre beiram o fiasco. Os três tenores "mais" famosos – Pavarotti, Domingo e Carreras – entram nessa lista negra. Já Jessye, e mais duas rivais carismáticas, Barbara Hendricks e Kathleen Battle, ambas com 62 anos, driblam com galhardia os cacoetes da técnica lírica, e dão show ao voltar às raízes (spiritual, gospel), brilhando também ao abordar o jazz e stardards americanos. Em especial Jessye, formidável soprano dramática, que tem flexibilidade suficiente para reinventar My Baby Just Cares For Me (composição de Donaldson e Kahn), que ganhou, bem antes, uma versão inesquecível de Nina Simone. Esta canção faz parte do CD duplo Roots: My Life, My Song, que Jessye levará ao palco do Teatro Bradesco. E as rivais de Jessye? Barbara Hendricks, no CD No Borders, com a Gustav Sjökvist

Chamber Orchestra, vai de motetos de Brahms ao espetacular spiritual Nobody Knows The Troubled I'Ve Seen, uma das marcas registradas de Louis Armstrong. Belo exercício de versatilidade. Kathleen Battle não fica atrás. Acompanhada pelo trompetista Winton Marsalis e pela Orchestra of St. Luke, sob regência de John Nelson, faz um passeio barroco com sabor jazzístico ao interpretar Bach, Handel e Scarlatti. O CD Baroque Duetdeixa claro o comentário de que o jazz tradicional bebeu em fontes barrocas. Mas a soprano do momento, com a versatilidade das três divas, é a jovem canadense Measha Bruggergosman, de 33 anos. Ela transita à vontade em diversos repertórios, da ópera ao jazz. No CD So Much To Teell, acompanhada pela Monitoba Chamber Orchestra, sob a regência de Roy Goodman, dá mostras sedutoras desse talento. Em especial, quando interpreta Embreaceble You e I've Got a Crush On You, de George e Ira Gershwin. (MMJ)

Barbara: Brahms e spiritual.

Jessye: reminiscências.

Kathleen: barroco bem temperado.

Measha: de Copland e Gershwin.

Jessye Norman. Teatro Bradesco. Bourbon Shopping. Tel.: 3670-4141. Sexta (22). 21h. R$ 60 a R$ 400.


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cultura

MASSA VEGETARIANA

Verão de ceifadores em Colmar

No Gorila Restaurante e Bar, massas diferentes, como a Pasta Amarga Nigro, que leva spaghettini de café – o café é misturado à sêmola. A proposta da casa é servir pratos vegetarianos com toque gourmet. Rua Dr. Melo Alves, 74. Jardins. Tel.: 2364-0436.

José Guilherme R. Ferreira

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Fotos: Tadeu Brunelli/Divulgação

Espaguete carbonara do bistrô italiano Aldina: macarrão feito na casa pelo jovem chef Henrique Schoendorfer integra o menu executivo do almoço.

Para celebrar o macarrão

ataque ao vinhedo experimental em Colmar, na Alsácia, Nordeste da França, foi no início da noite de 15 de agosto. Tudo muito rápido, como descreveu o repórter Ben O'Donnel, do site da revista Wine Spectator. Não demorou nem 20 minutos para que cerca de 70 ativistas do grupo Les Faucheurs Volontaires (Ceifadores Voluntários) arrancassem e destruíssem 70 videiras, plantadas em área do Instituto Nacional Francês de Pesquisa Agrícola (INRA), na medieval cidadezinha de Colmar. O vinhedo era a base de uma pesquisa de sete anos, destinada a encontrar soluções para combater uma doença que ataca as videiras e tira o sono dos viticultores em várias regiões produtoras do mundo. Vermes microscópicos, os nematóides que vivem às custas das vinhas são vetores do vírus court-noué (fanleaf), que reduz o rendimento das parreiras, mata plantas, arruína o solo e pode dar origem a uma verdadeira praga. Com a destruição dos vinhedos de Colmar, perdeu-se parte importante de um projeto que já havia consumido 1,2 milhão de euros. No centro da polêmica a natureza dessas videiras, com suas raízes geneticamente modificadas, dotadas de genes resistentes ao vírus. Os ativistas do Les Faucheurs Volontaires lutam contra todos os alimentos geneticamente modificados (e contra o globalizado Carrefour também!). Segundo os ativistas, ainda faltam testes que mostrem sua inofensividade. Têm medo também que o vírus se torne resistente e/ou que as plantas modificadas acabem se alastrando para a vizinhança. Os cientistas garantem que a

pesquisa é absolutamente experimental e faz parte de um projeto com várias outras alternativas de combate ao fanleaf. A Alsácia vem enfrentando problemas com seus belos vinhedos desde a Idade Média, quando estes foram enfileirados às margens do Reno. Muitas guerras e invasões foram motivadas também pelo terreno estratégico, arduamente disputado entre franceses e alemães. Numa outra direção, o imperador Napoleão Bonaparte simplesmente os repartiu entre amigos sem nenhum dom para esse empreendimento agrícola que requer muita dedicação. Recuperados no Segundo Império, os vinhedos foram dizimados com os prussianos de Bismarck, em 1870. Quem conta esse "vaivém França-Alemanha" é o jornalista e crítico Renato Machado em seu livro Em Volta do Vinho (Editora Globo/2004). Hitler chegou a anexar a região em 1940, Alsácia que voltou aos franceses no final da Segunda Guerra. A última investida contra os vinhedos foi essa promovida na cidadezinha de Colmar, onde o INRA tem seu vinhedo experimental – a Colmar da uva Riesling, que já foi chamada de gentil aromatique.É com ela que a Alsácia faz vinhos brancos que, como diz Renato Machado, são verdadeiras obras de arte.

José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileira de Gastronomia (ABG) e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas (Editora Terceiro Nome)

http://www.inra.fr/ http://www.winespectator.com/webfeature/show/id/43586

Lúcia Helena de Camargo

S

egunda-feira é o dia em que muitos restaurantes fecham. Mas na próxima semana alguns vão abrir exceção, já que comemora-se o Dia do Macarrão. E há aqueles que mantém as portas abertas todos os dias, como o Emiliano, dentro do hotel de mesmo nome. Com todas as massas produzidas em sua própria cozinha, serve nhoque ao funghi (R$ 49); tagliatelle com camarões, guandue pimenta vermelha (R$ 56), talharim negro fresco com frutos do mar (R$ 67), entre outros. A data, lembrada em países como Estados Unidos, Turquia, Alemanha, Venezuela e, evidentemente, Itália, surgiu em 1995, na realização do 1º Congresso Mundial de Pasta, em Roma. Segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias de Massa Alimentícia (Abima), o Brasil produz 1,2 milhão de tone-

ladas anuais de macarrão. O consumo no País é de cerca de seis quilos por pessoa, a cada ano. No bistrô italiano Aldina as massas também ganham atenção especial. O nome é uma homenagem à nonna Aldina, dos proprietários Júlio e César De Ranieri. A cozinha envidraçada pode ser vista do salão. E na tarefa de comandar o menu está Henrique Schoendorfer, de 24 anos. O cardápio tem apenas 25 pratos, reunindo receitas familiares dos proprietários e criações do jovem chef. Entre as vedetes do menu estão pappardelle com ragu de ossobuco (R$ 25); linguini com frutos do mar (R$ 29), que leva lula, polvo, tomate, azeitonas pretas e manjericão; além do espaguete carbonara; a maltagliati com ragu de codorna e a farfalle allacrema com funghi, as três massas servidas no

menu executivo do almoço (R$ 20). No Empório Ravioli, do chef R oberto Ravioli, a massa da vez é o agnolotti al taleggio ao creme de parmesão e tomate fresco. Na Bottega BottaGallo, também com massas preparadas na própria casa, aparecem o gnochi dourado (nhoque no azeite, com ricota, cubos de tomate e rúcula (R$ 17 a R$ 35); o fettuccine al sugo Della Vigilia (molho feito com tomates italianos e aliche). O prato individual custa R$ 39. E o familiar (para até quatro pessoas), sai a R$ 124. A Mercearia do Conde serve macarrão com toque oriental: noodles picante com legumes e frango à Phad thai (R$ 46). Se prefere um tailandês vegetariano, uma opção é o Pad Veggie (foto), um talharim de arroz frito com shitake, tomate, pesto de hortelã e molho cítrico (R$ 30), uma das especialidades do Bankao.

O poeta cantador de loucas ficções Aquiles Rique Reis

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oney Giah lançou seu quarto disco Queimando a Moleira (independente). O trabalho, no qual todas as músicas são de sua autoria, demonstra um compositor ampliando sua identidade musical. Compositor e guitarrista, no CD ele toca violão de sete cordas sem, contudo, valer-se das baixarias que a sétima corda propicia. Roney é também arranjador, cujo grande mérito foi dar asas à inventividade e à sensibilidade de Mario Manga (violoncelo) e de Alexandre Ribeiro (clarinete), que juntos dão amplitude às intenções dos versos e aos intervalos melódicos de onze das dezoito músicas do álbum. Some-se a eles o baixo acústico de Maurício Biazzi e temos uma trinca com enormes Divulgação recursos, a dar requinte à perspectiva musical desejada pelo autor. Liberdade e criatividade das quais também se valem Toninho Ferragutti e seu acordeom para um espetáculo de rara competência. Cantor de recursos limitados, sua voz dá conta de revelar imagens e conceitos criados pelo versejador. E a força de sua música vem justamente das palavras que soam como que vindas da imensidão de um delírio, como que fugidas das profundezas do que restou para ainda ser dito. Suas letras são ora leves, ora estranhas; ora dolentes, ora incandescentes; ora diretas, ora metafóricas... Imprevistas. Valendo-se do que hoje se rotula como chamber pop (música pop de câmera), na qual a melodia funciona quase como um pano de fundo que busca sonorizar a intenção de cada verso, o cantar resulta num "falar melodioso", como se todos estivessem a serviço de refletir o

Aldina. Rua Fradique Coutinho, 1464, Vila Madalena. Tel.: 2384-6567. Bankao. Rua Manuel Guedes, 444, Itaim Bibi. Tel.: 3168-0662 Bottega BottaGallo. Rua Jesuíno Arruda, 520, Itaim Bibi. Tel: 3078-2858. Emiliano. Rua Oscar Freire, 384, Jardins. Tel.: 3068-4390. Empório Ravioli. Rua Fidêncio Ramos, 18, Vila Olimpía. Tel.: 3846 2908. Mercearia do Conde. Rua Joaquim Antunes, 217, Jardins. Telefone: 3081-7204

Em pauta, as pastas.

este domingo (24) começa, no Rio de Janeiro, o IV World Pasta Congress, festival que vai reunir profissionais ligados à massas de todo o País no hotel Sofitel para palestras, workshops e intercâmbio de informações. O evento acontece pela primeira vez nas Américas, com organização da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), entidade que representa 85% do mercado brasileiro. No jantar gala da abertura, na segunda (25), a Pissani Massas Gourmet servirá a sobremesa flor de chocolate recheada com chocolate branco e frutas vermelhas (foto). Há dois anos no mercado como produtora de massas premium, a

empresa é fornecedora dos hotéis Sofitel, Intercontinental, Hyatt, Unique, Hilton e Renaissance de São Paulo, além de outros no Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

Pissani Massas Gourmet. Alameda Franca, 1413, Jardins. Tel.: 3081-6847 www.pissani.com.br Divulgação

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pensamento do letrista. E é aí que brilha, reafirmo sem temor de ser redundante, o talento do Roney Giah arranjador: violão de sete cordas, baixo acústico e piano Fender Rodhes (Nado Silva e Piu) seguram a onda da harmonia e das levadas, permitindo ao clarinete e ao clarone de Alexandre Ribeiro, ao acordeom de Toninho Ferragutti e ao violoncelo de Mario Manga ficarem liberados para flutuar em múltiplos improvisos, com os mais inspirados desenhos melódicos. Estamos Seguros Debaixo do Meu Cobertor, a primeira faixa do CD, começa com o baixo marcando o ritmo. O clarinete dá sinal de vida. Giah inicia o canto. O piano se ajunta ao cello. Logo a voz de Dandara Modesto se junta à de Roney para cantar o refrão que repete o título da música. Ícaro tem letra que diz: "(...) Parecia ser tão certo, era o sonho ser feliz ou chegar perto/ E ter apenas um motivo pra acordar e desejar a paz/ Mas múltiplos enganos no decorrer da história/ Eu acho tão humano duvidar da vitória/ Conquistas e derrotas são como o mar e a gaivota (...)". O clarinete boia sobre as águas do canto e da letra. Junto com o violão de sete, o baixo elétrico marca, lembrando as canções folk norte-americanas. Feito Ícaro, como um argonauta atarantado, as palavras conclusivas de Roney Giah se confundem com as inconclusivas, abrindo espaço para o absurdo e para a incoerência, tudo findando em músicas cativantes. Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.

BALLET STAGIUM, 40 ANOS Aniversário da companhia de dança é comemorado com o espetáculo Adoniran, que homenageia o centenário do compositor paulista Adoniran Barbosa. Na trilha e na coreografia, bom humor. Nesta sexta (22) e sábado (23), às 21h; domingo (24), às 18h. Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, Pinheiros. Tels.: 3095-9400 e 0800-118220. De R$ 3,50 a R$ 15. www.sescsp.org.br


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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cultura

PODEROSO MARKETING Krug vs. Dom Pérignon Carlos Celso Orcesi

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mundo do vinho é muito afeito à ação do marketing. O que possibilita, usando linguagem popular, a venda de gato por lebre! Um reserva pode ser ordinário, tanto quanto um vinho comum surpreender. Quem afinal nos garante que tal vinho é de fato reserva a não ser o rótulo colado à garrafa? Não, por favor, não critico os marqueteiros, nem tenho conceito simplório desta profissão. Sei que há ética no marketing, por exemplo a busca de um relacionamento de longo prazo com o consumidor, do tipo ganha-ganha. Não ignoro que pode fazer parte da estratégia empresarial, englobando desde o desenvolvimento ao lançamento do produto ou serviço; que envolve estudo de mercado etc. Utilizo o conceito no jargão popular, ou seja, de que se trata de um meio para "vender" ou despertar o desejo de consumir. Isto ocorre porque o vinho é um produto de luxo, embora 60% da produção nos países sulamericanos sejam destinados aos consumidores de baixa renda, aqui no

Brasil chamados de "vinhos de garrafão". Daí que tanto no segmento popular como no de luxo e popular o negócio de vinhos é muito propício ao trading up, que significa a venda de produtos premium por preços acima da margem normal, mas que ao mesmo tempo emprestam ao comprador uma certa mais valia emocional em função da exclusividade. "Luxo para poucos". A maior do mundo no segmento é a LVHM, Louis Vuitton Hennessy Moët. Pois bem, quem já provou a Champagne Krug Grand Cuvée? Começa que não advém de um único vinhedo, como sua ainda mais cara irmã Krug Clos du Mesnil, branca de brancas (apenas chardonnay). Continua que não é safrada (nonvintage), ou seja, reúne uvas de vários anos (entre 6 e 10) e vinhedos (entre 20 ou 30), tendo como arte o blend, a mistura de tanta variedade. Trocando em miúdos, seria um vinho ordinário não fosse a tradição e o cuidado com que é feito, a fermentação em pequenos barris de madeira etc.

Fotos: Reprodução

Pois bem, na abertura do jantar de dez anos de sua existência, no DOM, a Confraria Opus resolveu compará-la à Dom Pérignon 2000 da Moët Chandon. Nós confrades somos críticos leves, chegamos aos jantares desarmados, mas obviamente não temos rabo preso. E os oito às oito concluíram que a Dom Pérignon bateu a Krug por larga margem. Esta reflete o blend, tem notas azedas agradáveis e madeira, enquanto a topo da Moët é cremosa e integrada, com abacaxi e mel. A Dom Pérignon mereceu nota média entre 94 e 96 pontos, enquanto a Krug ficou entre 89 e 91 pontos. Não se trata de "implicar" com a LVHM, como no artigo da semana passada sobre a excessiva nota de Parker para o Cheval des Andes 2006. Até porque, desta vez, os dois espumantes pertencem ao mesmo grupo. A sentença final partiu do confrade Toninho: "é uma boa champagne comum". Ou se quiséssemos complicar: "é champagne inferior no segmento premium". Digo mais: mesmo comparada com outros

Arquivo DC

blends do segundo nível, a meu ver a Krug é inferior à Philipponnat (intensa com 70% de Pinot Noir), à Deutz, à Roederer entre outras. Mormente se ao fator qualidade adicionarmos o preço, estas custando a terça parte daquela. Sempre ressalvado o gosto de cada um, o importante é chamar a atenção do leitor não apenas sobre esta degustação, mas sobre que o fenômeno se repete no mundo do vinho: notas altas, preços inchados e promessas de felicidade instantânea. Digamos que acaso a Krug custasse a metade dos R$ 900 que custa e estaríamos começando a nos aproximar da realidade. Para a LVHM esta marca construída e preservada pelo insinuante marketing deve ser um de seus produtos com maior margem de lucro. Tudo isso sem contar o fato de ser multi-vintage por ter 6 safras e 30 vinhedos para misturar. E ao longo do tempo mudar, tanto quanto se modificam as uvas novas e antigas. Eis aí uma champagne mutante e inacabável.

Fotos: Patrícia Cruz/LUZ

Marca pioneira: primeiro rótulo de queijo registrado em 1888 no Arquivo Nacional.

A saborosa história do queijo no Brasil

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Renato Pompeu

erta vez, o conceituado repórter Evaldo Dantas Ferreira, que foi presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo nos anos 1960, observou que, enquanto na França, em cada região, só era vendido um único tipo de queijo, Brie, Gruyère etc, característico daquela região, feito por artesãos especializados incapazes de produzir outros tipos, no Brasil, em cada barraquinha de beira-estrada, se vendem vários tipos de queijo, fabricados numa única queijaria. Se os queijos brasileiros estão longe de serem tão famosos quanto os franceses, a verdade é que eles são muito apreciados em nosso País, a ponto de sua história já ser digna de ser contada num belo livro de grande formato com lindas ilustrações. Trata-se do álbum Uma longa e deliciosa viagem - O primeiro livro da história do queijo no Brasil, editado pela Barleus, de autoria do jornalista especializado em agricultura e produtor de leite em Santa Cruz do Rio PardoSP, João Castanho Dias, autor já de O Leite na Pauliceia, O Agribusiness do Café no Brasil e outras obras. JSegundo o livro, a préhistória do queijo no Brasil ocorreu em 1532, quando o donatário Martim Afonso de Sousa introduziu em São Vicente-SP os primeiros bovinos da nova colônia portuguesa. Mas o primeiro registro por escrito de fabricação de queijo data de 1581, na Bahia, no Colégio dos Jesuítas em Salvador, ou num engenho do Recôncavo. Em 1585, o célebre padre José de Anchieta, também jesuíta, anotou em uma carta o consumo de queijo em São Paulo. Meio século depois, em 1639, as autoridades do Recife e Olinda proibiam a remessa de queijos holandeses para o interior, para assegurar o seu abastecimento nas duas cidades. Mas só bem mais adiante, em 1778, é que se nota no Rio Grande do Sul a existência de "grandes fábricas de queijos de muito bom gosto" Um episódio importante ocorreria em 1819, quando Dom João VI instalou em Nova FriburgoRJ, colonos suíços que deram início à fabricação de queijos típicos de seu país. Mas a história empresarial do queijo no Brasil só iria ter início com a inauguração, em 1888, da primeira fábrica moderna de queijos, em Mantiqueira-MG, por iniciativa do médico Carlos Pereira Sá Fortes.

A segunda só viria em 1897, em Campos do Piauí, do engenheiro Antônio José Sampaio. A terceira iria começar a funcionar em 1907, em Pedras Altas-RS, do ex-ministro da Agricultura Joaquim Francisco de Assis Brasil. Em 1911 começaram a vir para o Brasil colonos dinamarqueses, que introduziram no País a produção de queijos finos. O primeiro rótulo brasileiro de queijo foi registrado no Arquivo Nacional ainda no Império, em 1888, trazia a figura de uma jovem e a efígie de uma vaca, mais os dizeres: "Queijo da Mantiqueira – Marca Registrada – Industria Nacional – BrazilMinas". Também famoso é o rótulo do queijo Palmyra, que apresenta a imagem de uma borboleta sugando uma flor e os dizeres: "Companhia Lacticínios Gilberto Boeke – Capital realizado 3.000:000$000 - Sede: Pslmyra - Estado de Minas Filial: rua S. Pedro, 207 e 209 - Rio"; João Castanho Dias conta que, até a Descoberta, ou melhor, até a introdução de animais de criação pelos portugueses em 1532, o queijo era um "ilustre desconhecido no Éden Tropical", segundo ele um dos oito nomes que o Brasil teve, como Vera Cruz, Terra da Santa Cruz, Terra dos Papagaios. Isso apesar de o queijo ser conhecido dos seres humanos ditos "civilizados", na Mesopotâmia, desde pelo menos seis mil anos antes de Cristo: "Reza a lenda que teria sido descoberto por povos que viviam na Mesopotâmia, a mesma região do nascimento da agricultura, após notarem que, guardado num odre feito com o estômago talvez de um vitelo, cabra ou cordeiro, o leite coagulava gerando uma massa branca seca de sabor agradável". Qual foi nosso primeiro queijo? Responde o autor que a exploração do leite começou em 1552, na "cidade de São Salvador, na Bahia de Todos os Santos, onde os jesuítas fundaram um colégio e em suas cercanias instalaram a primeira granja leiteira do Brasil, com doze vacas africanas procedentes do arquipélago de Cabo Verde". Quem deu a notícia foi ninguém menos do que o padre Manuel da Nóbrega. Mas a produção de queijo só consta de um registro de 1581, nesse colégio. O livro segue por 168 páginas, todas assim saborosas.

O Centro Cultural: entorno verde, selvático, intenso e refrescante. Uma declaração de amor de Kiki Vassimon à Cidade.

O encanto do Rio Verde Armando Serra Negra

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o início do século passado, o riacho Verde nascia na rua Oscar Freire, nos Jardins, e desaguava no rio Pinheiros. Passando pela Vila Madalena (então Sítio do Rio Verde, propriedade de um português), sobre um recanto de seu leito há, atualmente, um lugar encantador. O nome sobreviveu no Centro Cultural Rio Verde, uma declaração de amor que a empresária e artista carioca, Cristina (Kiki) Vassimon, faz à Cidade. Trata-se de um casarão paulistano, puxadinhos aqui e ali. Obras de arte. O entorno é verde, selvático, intenso e refrescante, as plantas são cuidadosamente catalogadas: 28 espécies de árvores, flores, frutos, canteiros, vasos e hortaliças, devidamente assinaladas em tabuletas. Ao canto, em um discreto espelho d'água, descansa o jabuti. Sensuais alegorias em metal, assinadas por Kiki, indicam os lavabos, masculino, feminino, e

acessível. Pena que não estejam à venda. Trabalho de serralheria com grife, através do amplo painel recortado, adaptado como portão lateral, uma repaginação do estilo art nouveau, vê-se o vai e vem das pessoas na calçada, enquanto se pita um tabaquinho. Atração à parte, haverá um charuteiro genuíno enrolando as folhas de fumo no tablado carac terístico, para quem quiser degustar a preços módicos (R$ 2 cada). Músicas, então, uau! No coreto – com deck e teto de sapê – à direita de quem entra (depois do aceno do porteiro Jorge) um contrabaixo entoa a percussão. Outro ambiente, interno, mais elétrico e intimista, recebe João Gordo e sua trupe nesta sexta (22) à meia-noite, para o embalo Afrokubano. Uma

João Gordo e trupe: no palco nesta sexta (22).

homenagem ao Dia Nacional da Cultura Cubana, comemorado anteontem (20) em Cuba. “É um cidadão punk cantando rumba, mambo, boleros e chá-chá-chá!”, convida Kiki. Há também um estúdio de som, irradiando a Rádio da Vila online, os shows da casa ao vivo, e seu durante a semana: música nordestina, erudita, instrumental, MPB, Jazz. A cabine de mixagem garante a gravação de CDs para os artistas amigos, que podem ser adquiridos no quiosque do bar: Que Que Ce Qué, Daniella Alcarpe, Rogério Sochlitz (R$ 15), Bruno Mais (R$ 5), e Amoy Ribas, nos dois preços. A escolha é vária, e a boa qualidade das gravações rolam o ano todo. Fogão a lenha, forno de pizza, cardápio enxuto e variável: caldo verde,

sopa de cenoura, alecrim e gengibre, creme de mandioquinha (R$ 8); porção com três brusquetas divinas, de catupiri e tomate italiano (R$ 6). Acima da estante etílica, um belíssimo vitral sobressai a outros, garimpados em demolições antigas. Adornam as passagens entre os diversos ambientes. Cuba Libre (R$ 12), caipirinha (R$ 10), caipiroska (R$ 14), leque de cervejas (R$ 3,50 cada). A bartender Francisca (foto) é expert no Mojito (R$ 15), e badala o sino do balcão quando os drinques estão prontos. O Centro Cultural Rio Verde pode ser reservado para eventos particulares e corporativos. Um local que inspira sossego, contemplação e reflexão, em atmosfera aconchegante. A cumplicidade brincalhona dança ao sabor do som; dessa vez é Kiki em seu violão. Vaya! Centro Cultural Rio Verde. Rua Belmiro Braga, 119. Vila Madalena. Telefone: 3459-5321. www.centroculturalrioverde. com.br www.radiodavila.com.br

Boa música, comida e bebida. E aceita reservas para eventos.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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A Cidade está de cara nova. No Centro, fachadas de prédios serviram de tela para os artistas da Street Biennale. Sobre o Rio Tamanduateí está Errante, de Hector Zamora. Já na Avenida Paulista, o público esbarra com Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Goya...

cultura

MUSEU A CÉU ABERTO. NA MOLDURA URBANA: INSTALAÇÕES, TELAS, COLAGENS, FOTOGRAFIAS.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fotos: Newton Santos/Hype

Rita Alves

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venida Paulista, Avenida São João, Praça Julio Prestes, Rio Tamanduateí. Se você costuma passar com frequência por esses locais, aproveite para avistar pequenas surpresas pelo caminho. Se o trajeto é outro, experimente mudar o rumo. O benefício? Contemplar fotografias, pinturas, colagens e instalações ao ar livre. As obras integram projetos cujo lema é levar arte para fora dos museus. Quem passa pela região central, tem a chance de topar com novas fachadas de prédios, transformadas pelos artistas da Street Biennale. A mostra, idealizada pelo curador francês Jeremy Planchon, apresenta 14 obras inéditas criadas por sete artistas: a chinesa Ko Siu Lan, os franceses Mohamed Bourouissa e MAMBO e os brasileiros Herbert Baglione, Vicente de Mello, Fabiano Gonper e Paulo Climachauska. O trabalho do grupo, sempre em grandes formatos, pode ser visto em andanças por lugares como a Praça Julio Prestes e as avenidas São João e Rio Branco. O curador, Jeremy Planchon, procurou mesclar talentos de diferentes vertentes artísticas. "A ideia é fazer com que a arte saia dos museus e galerias, dos espaços fechados e convencionais, para ocupar lugares atípicos e atingir um público mais amplo e variado", diz. Além de alcançar quem não vai aos museus, o projeto procurou reunir artistas que não têm a rua como local de criação. "Propomos um diálogo entre o artista e o público, e entre a cidade e ambos. A ambição da mostra é expor ao olhar de todos a criação de hoje, na sua diversidade ideológica formal, mas com total liberdade. O espectador se torna ator sem ser arrancado do seu cotidiano", relata o curador. Ainda no Centro, agora sobre o Rio Tamanduateí, mais uma nova paisagem. O responsável pela novidade é o mexicano Hector Zamora, criador de Errante, uma espécie de jardim aéreo, "plantado" por uma extensão de cerca de 200 metros (entre o Mercado Municipal e a ponte do Parque Dom Pedro II). Errante faz parte do projeto Margem, curado pelo arquiteto e urbanista Guilherme Wisnik, e exibe nove árvores de várias espécies suspensas sobre o córrego. O local foi escolhido por Zamora e Wisnik por ser um das regiões mais áridas e marginais da Cidade, características adquiridas no seu processo de desenvolvimento. Para o curador a intervenção de Zamora não é uma discussão meramente ecológica. "Ela é uma mistura de surrealismo com crítica social urbana, além de ambiental", afirma. "Ao suspender árvores sobre o leito do rio Tamanduateí, no centro histórico da cidade (a várzea do Carmo), ele cria oniricamente um parque suspenso, um parque em terreno nenhum", completa. O parque onírico do Tamanduateí possui as espécies Copaíba, Sapucaia, Mirindiba, Magnólia, Ipê-rosa, Canafístula e Jequitibá, todas com sete a oito metros de altura e cerca de duas toneladas cada. Segundo Zamora, desde o primeiro dia, a chegada das árvores provocou diversos comentários, feitos por trabalhadores do Mercado Municipal, camelôs e moradores de rua. "Todos eles com reações de assombro e estranheza." Alguns demonstravam empolgação, outros afirmavam que as árvores são sinal de boa sorte. O artista mexicano mora no Brasil há três anos, tempo suficiente para opinar sobre as contradições da metrópole. "É impressionante como uma cidade pode ter uma avenida como a Paulista e suas luxuosas e modernas edificações, e tão perto dali estar o centro de São Paulo, que se destaca pelo abandono", diz Zamora. Apesar das características diferentes, a Paulista também é destaque no tema arte urbana, graças ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). A instituição pinçou de seu acervo 40 reproduções de obras-primas e levou todas para a rua, dentro da exposição RevelArte - O Masp nas Ruas. A mostra reúne cópias de trabalhos como os dos mestres Van Gogh, Renoir e Goya, que podem ser vistas nos muros da região delimitada pelas avenidas Brigadeiro Luís Antônio e Radial Leste-Oeste e ruas da Consolação e Estados Unidos.

Exercício do poder é tema de O Manipulador, de Fabio Gonper e a instalação Veja Bem, de Paulo Climachauska, ambas na Street Biennale.

Errante: jardim aéreo criado pelo mexicano Hector Zamora reúne nove árvores de diversas espécies sobre o Rio Tamanduateí, no Centro.

RevelArte - O Masp nas Ruas: mostra expõe 40 reproduções de obras-primas integrantes do acervo do Museu de Arte de São Paulo.

Obra de Henry Vinet na estação Consolação.

A Virgem de Pé com o Menino Abraçando a Mãe, de Giovanni Bellini, no Edifício Gazeta.

Diário do Comércio  

22 out 2010

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