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FERIADO NA COPA?

Só inconstitucionalissimamente É o veredicto do jurista Ives Gandra Martins: "O projeto de lei do governo contraria o Estatuto do Torcedor já existente". Página 6

Cada dia parado, R$ 11 bilhões. Isso é o quanto se perde com um feriado no País. No caso do Estado de São Paulo, o prejuízo é de R$ 4,7 bi. Imagine se a Cidade parar a cada jogo da Copa. Pág. 13 Ano 87 - Nº 23.462

Conclusão: 23h45

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Jornal do empreendedor

R$ 1,40

São Paulo, quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Bruna Prado/Frame/AE

PRIMAVERA

ANTICORRUPÇAO

Ed Ferreira/AE

Brasil é bem transparente. Lá em N.York.

Às vésperas da nova estação, o movimento Todos Juntos Contra a Corrupção, nascido na internet, levou 2,5 mil pessoas à Cinelândia (Rio). À noite, cerca de 300 bombeiros grevistas reforçaram a manifestação marcada pela espontaneidade dos participantes. Pág. 7

Fabio Motta/AE

Dilma disse a Obama e a líderes mundiais em Nova York que "não tem compromisso com o malfeito nem com o erro e nem com o desvio". O grupo Parceria para Governo Aberto, com 46 países, reunido ontem, foi iniciativa dos EUA e do Brasil. Hoje, Dilma abre a Assembleia Geral da ONU. Pág. 5 Apu Gomes/Folhapress

Sistema tributário é "muito ruim" para 79% dos industriais

IPI Oposição quer derrubar aumento do imposto

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), maior problema é o número excessivo de impostos. Página 15 HOJE Sol com pancadas de chuva Máxima 24º C. Mínima 15º C.

AMANHÃ Parcialmente nublado Máxima 26º C. Mínima 13º C. ISSN 1679-2688

23462

9 771679 268008

Cheques à frente nas compras Ganharam com vantagem dos cartões no 1° semestre, diz Fecomércio. Pág. 16

Novo aeroporto na rota de SP Alckmin deu a notícia no novo Conselho da Região Metropolitana. Pág. 10

Deputado Mendonça Filho (DEM-PE) apresentou ontem projeto de decreto legislativo contra a medida. Na China, mais críticas. Página 13


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O governo Dilma está gastando mais em 2011 que em 2010, ano de happening eleitoral. José Márcio Mendonça

pinião Edson Ruiz/Folha Imagem

JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA

Mostrando o bom, ocultando o ruim.

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omo bom discípulo, o governo botou para rodar anteontem, segunda-feira, o infeliz princípio enunciado pelo então ministro da Fazenda de Itamar Franco, Rubens Ricupero, segundo o qual "o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde". Acredita-se que nem tudo a sociedade precisa saber, para não cobrar. Curioso é que a presidente Dilma está assinando com o presidente dos Estados Unidos um programa de transparência de informações públicas. Do lado bom, pela ótica de que pode render frutos eleitorais, a ministra Teresa Campelo, do Desenvolvimento Social, anunciou, com o estardalhaço de sempre, uma série de novidades no Bolsa Família: quem se desligar do programa pode retornar; o limite de filhos be-

neficiados, até 15 anos, passa de três para cinco – e mais 180 mil famílias foram incorporadas pelo programa. Na outra ponta, no que pode ser considerado um lado "menos bom" – pois pode suscitar dúvidas e cobranças sobre a política fiscal de austeridade que a presidente e seu ministro da Fazenda vêm apregoando como já posta em prática – divulgou-se, da forma mais discreta possível, com certo cheiro até de clandestinidade, a reformulação das projeções de receita do Tesouro Nacional para este ano, com base no que foi arrecadado até agosto e do que se espera para o comportamento da economia para dezembro.

Governo fez mudanças no programa Bolsa Família, fato divulgado com estardalhaço. Já as projeções do Tesouro tiveram tratamento discreto.

não está fazendo um aperto fiscal para valer este ano, apenas se beneficiando de mais recursos dos impostos. Em outras palavras: o governo Dilma está gastando mais em 2011 que em 2010, ano de um grande happening eleitoral público. E mais grave: não são gastos ampliados com investimentos. Retirados os restos a pagar, as despesas com in-

vestimentos, medidas até julho, estão abaixo das realizadas no mesmo período do ano passado. O ministro da Fazenda, pai desse ajuste fiscal, já havia antecipado um pouco dessa estratégia quando anunciou um reforço de R$ 10 bilhões no superávit primário (grosso modo, economia para pagar juros) de 2011. Guido Mantega, na ocasião, explicou que essa

A solução do governo para alguns problemas na gestão da economia passa, quase sempre, por aumento nos impostos, como o IPI de carros importados ou o IOF sobre derivativos.

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discrição é facilmente explicável diante da suspeita de boa parte dos analistas de que o governo

economia não viria de mais cortes, mas do aproveitamento das sobras de arrecadação. Agora, o documento de revisão deixa as contas mais limpas, mais claras. Os ganhos de arrecadação, além do previsto, devem chegar a R$ 21 bilhões. Descontados os R$ 10 bi reservados para aumentar o superávit, os R$ 11 bilhões de sobra vão ser realocados para o consumo, ou seja, para aumento de despesas. Assim, os R$ 50 bilhões de ajuste anunciados em janeiro, viram na verdade, R$ 39 bilhões. Como porcentagem do PIB, os gastos do governo federal saltarão de 17,9% para 18% em 2011.

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ão é, naturalmente, uma postura de quem promete austeridade. Mas é nela, nessa promessa, que o Banco Central fundamentou parte dos argumentos adotados para a sur-

preendente baixa dos juros básicos há quinze dias. Não é também uma situação calamitosa de falta de recursos para serviços básicos, como deixa transparecer o discurso oficial de que é preciso encontrar novas fontes de recursos para a área de saúde.

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m tempo: nem todo mundo está observando que a solução encontrada pelo governo para alguns problemas que aparecem na gestão da economia passa, quase sempre, por aumento nos impostos – como no caso do IPI de carros importados, IOF sobre investimentos externos, IOF sobre derivativos... É o que se poderia dizer: unir o útil – para o governo – ao desagradável – para os agentes econômicos. JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO

A RESPONSABILIDADE DOS CURADORES N

o artigo anterior falamos sobre curatela, uma palavra que causa estranhamento mas dá nome a um instrumento jurídico de extrema utilidade. É por meio da curatela que se institui um curador para cuidar, zelar e proteger – bem como administrar os bens – de pessoa adulta, maior de 18 anos, que já não pode exercer os atos da vida civil. Também a diferenciamos da tutela, que se refere à nomeação de um tutor, para cuidar de criança ou jovem menor de 18 anos. Antigamente, quando as mulheres ainda exerciam papel central dentro de casa, o trabalho de cuidar dos mais velhos ou dos doentes da família era legado a elas naturalmente. E na prática diária da lei, entendia-se o papel do curador quase que exclusivamente para administrar bens, quando o interdito ou curatelado os possuía. Os tempos mudaram, e o papel do curador ganhou outras dimensões. Aspectos como afeto e laços familiares são levados em consideração na hora de nomear curadores. Por exemplo, uma avó já velhinha teria, teoricamente,

IVONE ZEGER

um de seus filhos como curador. Mas se a sua maior convivência é com um neto, este pode assumir o papel de curador se o juiz entender que assim o laço de afeto será preservado. Aliás, ter uma pessoa que cuide com legítimo interesse, honestidade e carinho é um "achado", como se diz popularmente.

T

em sido cada vez mais difícil indicar curadores no seio de famílias em que todos trabalham e cuidam de suas próprias vidas. O cônjuge ou companheiro, por exemplo, tem prioridade para assumir o papel de curador, mas a premissa não vale se houver litígio judicial entre o casal, fato que hoje é muito mais frequente do que antigamente. Preservando tradições, o juiz pode determinar que o filho primogênito seja o curador. Mas essa premissa também já não é a única a vigorar, pois se a ideia é o bem estar do interdito, considera-se razoável que o curador seja aquele entre os filhos que tenha mais disponibilidade, pois a curatela exige enorme responsabilidade.

O curador responde civilmente pelos atos de seu curatelado. Se um adulto curatelado resolve pegar um carro e comete um delito no trânsito, se houver prejuízo é o curador quem terá de pagar de seu próprio bolso, embora depois ele possa pedir ressarcimento ao curatelado. Isso não se aplica a delitos que se enquadrem no código penal – como um roubo numa loja, digamos.

J

ustamente por envolver enorme responsabilidade, há certa movimentação nos meios jurídicos para que se estude a criação do instituto da curatela compartilhada. A administração dos bens, logicamente, é a grande tarefa do curador. Ela deve ser feita com proveito para o curatelado, que

deve, dentro do possível, ter seu padrão de vida mantido igual ao de antes da interdição. Em relação à administração de bens, o curador presta contas ao juiz. Em especial no que se refere ao grau de comprometimento do curador com o bem estar do interdito, para além da prestação de contas relativas à administração de bens, a lei especifica os cuidados em relação à saúde e tratamentos que eventualmente o interdito pode necessitar. A lei também fala de zelo e proteção, mas não especifica de que forma deve o curador agir na convivência com seu curatelado, como também não exerce um controle sobre essa questão. Fica implícito que essa convivência deve ser pautada a partir dos princípios constitucionais da dignidade humana.

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cláudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

Quando ninguém entre os familiares se apresenta como curador, o juiz pode ele mesmo determinar quem o fará. Eventualmente, o curador pode ter uma remuneração financeira por esse trabalho – e só aqui a curatela se aproxima da tutela. As mesmas regras para remuneração utilizadas na tutela são aplicáveis para a curatela: o curador pode receber a remuneração proporcional à importância dos bens que ele esteja administrando.

episódios envolvendo jovens e crianças, na faixa dos 9 aos 14 anos, que já se dedicam ao crime, faz com que os juristas se debrucem sobre o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente – e sobre o papel do tutor. Esse será o assunto do próximo artigo. IVONE ZEGER É ADVOGADA ESPECIALISTA EM DIREITO DE FAMÍLIA E

SUCESSÃO, AUTORA DOS LIVROS "HERANÇA: PERGUNTAS E RESPOSTAS" E "FAMÍLIA: PERGUNTAS E RESPOSTAS" - MESCLA EDITORIAL WWW.IVONEZEGER.COM.BR

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curatela está intimamente relacionada a laços familiares e a sentimentos como o de solidariedade ou gratidão, e assim deveria se manter. Mas se a remuneração pode ser um alento para o parente que assume a responsabilidade, também pode ser um chamariz para gente de má fé. Por isso, é uma autorização que a lei determina com cuidado. Aliás, o Direito de Família tem na curatela e na tutela fontes inesgotáveis de estudo e reflexão. Numerosos

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edi tor - Ch e fe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Chefia de Reportagem: Teresinha Leite Matos (tmatos@acsp.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro (aribeiro@dcomercio.com.br) Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Fernanda Pressinott, Kleber Gutierrez, Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Eliana Haberli, Evelyn Schulke, e Sérgio Siscaro Repórteres: Anderson Cavalcante (acavalcante@dcomercio.com.br), André de Almeida, Fátima Lourenço, Ivan Ventura, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mário Tonocchi, Neide Martingo, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente PL Arthur Gebara Jr. (agebara@acsp.com.br) Gerente Executiva Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

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pinião

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SCRUTON DIZ VERDADES PATENTES HÁ DÉCADAS, EM UMA LINGUAGEM ELEGANTE E FERINA.

ATÉ QUE ENFIM!

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mídia brasileira sempre acaba descobrindo as coisas. Basta esperar umas quantas décadas, e você, já maduro ou velhinho, recebe a informação vital que poderia ter mudado o seu destino se lhe chegasse na juventude. Quem primeiro me falou de Roger Scruton, no início dos anos 90, foi Daniel Brilhante de Brito, o brasileiro mais culto que já conheci. Citei o filósofo inglês em 1993, em A Nova Era e a Revolução Cultural, antevendo – nada é mais fácil neste país – que sua obra dificilmente chegaria ao conhecimento dos nossos compatriotas. Decorridos sete anos, o Dicionário Crítico do Pensamento da Direita, pago com dinheiro do governo à fina flor da esquerda falante – 104 intelectuais que prometiam esgotar o assunto –, ainda exibia despudoradamente a ignorância universitária de um autor que, àquela altura, já era tido no seu país e nos EUA como um dos mais vigorosos homens de ideias no campo conservador. Só se pode alegar como atenuante o fato de que não haviam excluído Roger Scruton por birra pessoal. Ao contrário, eram rigorosamente democráticos na distribuição da sua ignorância: desconheciam, por igual, Ludwig von Mises, Friedrich von Hayek, Murray Rothbard, Russel Kirk, Thomas Sowell, Bertrand de Jouvenel, Alain Peyrefitte e praticamente todos os demais autores sem os quais não existiria nenhum "pensamento da direita" para ser dicionarizado.

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ma breve consulta ao popular Dictionary of American Conservatism, publicado três anos antes, teria bastado para dar àqueles cavalheiros a informação mínima que lhes faltava sobre o assunto em que pontificavam, mas provavelmente as verbas federais com que encheram os bolsos não bastaram para comprar um exemplar. Voltei a falar de Scruton, à base de uma vez por ano, de 1999 até 2008. Em vão. Durante muito tempo vigorou nas redações de jornais e nas universidades o mandamento comunista de Milton Temer, "O Olavo de Carvalho não é para ser comentado" (http://www.fazendomedia.com/fm0023/entrevista0023.htm), que o zelo dos discípulos estendia aos autores citados nos meus artigos. Alguns liam esses autores em segredo, como quem se escondesse no banheiro com um livreto de Carlos Zéfiro. Mas esperavam, para comentá-los, que o tempo apagasse toda associação entre aqueles nomes e a minha pessoa. Assim transcorreu o prazo de uma geração. Imagino o que teria sido a vida de milhares de estudantes brasileiros se lessem, logo que publicado, em 1985, o hoje clássico Thinkers of the New Left. Naquela época, o marxismo já estava cambaleante, mas as ideias da "Nova Esquerda", que prometiam injetar-lhe vida nova, estavam acabando de aterrissar na taba. Se Antonio Gramsci e Louis Althusser já eram

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crise por que atravessa a Europa tem muito mais importância para o Brasil do que os simples aspectos econômicos – que, por si só, já justificariam sérias preocupações. A União Europeia é fundamental para nosso comércio exterior. É a sede de algumas das maiores empresas multinacionais que operam no Brasil e seus bancos têm relacionamento estreito com nossa economia. E, politicamente, o que acontece em Portugal e na Espanha, principalmente, tem efeito psicológico muito grande na América Latina. Nossa cultura tem forte presença europeia, como a miscigenação exemplar de nossa gente, herança bendita dos portugueses e tão bem avaliada por Gilberto Freyre. Também as

estrelas nos céus acadêmicos tabajaras, outros, como Michel Foucault e Jürgen Habermas, mal haviam desembarcado, e outros ainda, como Immanuel Wallerstein e E. P. Thompson, ainda eram vagas promessas de novos deslumbramentos que só na década de 90 iriam espoucar ante os olhos ávidos da estudantada devota.

Revista teve o mérito de levar ao conhecimento do público o pensador Roger Scruton, tido na Europa e Estados Unidos como um dos mais vigorosos homens de ideias no campo conservador.

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cada um desses autores Scruton consagrava modestas oito ou dez páginas que os reduziam ao estado de múmias, fazendo jus àquilo que mais tarde se diria de outro filósofo conservador, o australiano David Stove (também desconhecido nestas plagas): "Ele não faz prisioneiros. Escreve para matar". Se alguma longínqua esperança na recuperação da dignidade intelectual marxista ainda restava na minha cabeça de esquerdista desencantado, foi sobretudo esse livro que a exorcizou. Uma tradução brasileira dele teria feito bem a muita gente. Talvez tivesse até debilitado a fé de Milton Temer no monopólio esquerdista da racionalidade, poupando-o do vexame de continuar carregando essa cruz nas suas costas vergadas de septuagenário. Foi para impedir essa tragédia que a elite esquerdista dominante nos meios universitários e editoriais não só se absteve de ler livros conservadores como também tomou todas as providências para que ninguém mais os lesse. Não que agisse assim por um plano deliberado. Não: essa gente pratica a exclusão e a marginalização dos adversários com espontânea naturalidade. A regra leninista de que não se deve conviver com a oposição, mas eliminá-la, incorporou-se na sua mente como uma segunda natureza, e desde que a esquerda tomou o poder neste país tornou-se hábito generalizado e corriqueiro suprimir as vozes discordantes para depois proclamar que elas não existem.

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or isso é que só agora o indispensável Roger Scruton chega ao conhecimento do público brasileiro, por iniciativa das páginas amarelas da Veja, de 21 de setembro, onde ele diz o que todo mundo pensa, mas não tem meios de dizer em voz alta. Exemplos: 1) Os arruaceiros de Londres não são pobres excluídos. São meninos mimados, sustentados pela previdência social, que se acostumaram à ideia de que têm todos os direitos e nenhuma obrigação; 2) Nenhum país pode suportar um fluxo ilimitado de imigrantes sem integrá-los na sua cultura nacional; 3) Toda a ideologia de esquerda é baseada na idéia imbecil da "soma zero", onde alguém só pode ganhar alguma coisa se alguém perder outro tanto; 4) Marx, Lênin e Mao pregaram

bases do cristianismo que professamos vieram da Europa.

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União Europeia vive um momento delicado, com forte intolerância de parte organizada da população, engrossada por imigrantes de outras origens e culturas, que não aceitam a realidade de que o mundo mudou, que a competição é uma realidade, que o domínio da tecnologia deixou de ser de meia dúzia de países mais desenvolvidos. Há que se conformar com a necessidade de ajustes por alguns anos, para depois retormar o progresso com bem-estar social dentro de um quadro compatível com os recursos disponíveis. Não podem os países de referência para as Américas – incluindo os EUA e Canadá, com influência da Inglaterra e da França na sua formação – se limitar a um destino turístico, pelos seus acervos artísticos, pela gastronomia,

Só agora Roger Scruton chega ao público brasileiro, nas páginas de Veja, onde ele diz o que todos pensam, mas não têm meios de dizer em voz alta.

abertamente a liquidação de populações inteiras, mas a esquerda fica indignada quando lhes imputamos a culpa moral pelas consequências óbvias da aplicação de suas ideias – se um conservador escreve uma palavrinha contra os excessos da imigração forçada, é imediatamente acusado de fomentar crimes contra os imigrantes; 5) A União Europeia é inviável. O euro, paciente terminal, que o diga; 6) A esquerda sente a necessidade de sempre explicar tudo em termos de culpados e vítimas, mas, como cada explicação desse tipo logo se revela insustentável, é preciso buscar sempre novas vítimas para que as ondas de indignação se sucedam sem parar, alimentando a liderança revolucionária – que sem isso não sobreviveria uma semana.

A primeira vítima oficial foram os proletários, depois os índios, os negros, as mulheres, os jovens, os gays e agora, a maior vítima de todas: o planeta. Em nome da salvação do planeta, supostamente ameaçado de extinção pelo capitalismo, é lícito matar, roubar, sequestrar, incendiar, ludibriar, mentir sem parar e, sobretudo, gastar dinheiro extorquido dos malvados capitalistas por meio do Estado redentor. Em todos esses casos, é historicamente comprovado que a situação das alegadas vítimas, sob o capitalismo, jamais parou de melhorar, na mesma medida em que piorava substancialmente nos países socialistas; mas a mentalidade esquerdista tem a tendência compulsiva de sentir-se tanto mais indignada com os outros quanto mais suas próprias culpas aumentam. É o velho preceito leninista: acuse-os

do que você faz, xingue-os do que você é. A par da sua obra propriamente filosófica, de valor inestimável para os estudiosos, Scruton tem dito essas coisas, de uma verdade patente, há muitas décadas e com uma linguagem ao mesmo tempo elegante e ferina que desencoraja o mais inflamado dos contendores. Espero que a entrevista da Veja desperte a atenção dos leitores para os livros desse autor imprescindível. A respeito do item 6, convém acrescentar uma informação de que talvez o próprio Scruton não disponha, mas que vem mostrar o quanto ele tem razão. Nos anos 50, grupos globalistas bilionários – os metacapitalistas, como os chamo, aqueles sujeitos que ganharam tanto dinheiro com o capitalismo que agora já não querem mais se submeter às oscilações do mercado e por isso se tornam aliados naturais do estatismo esquerdista – tomaram a iniciativa de contratar algumas dezenas de intelectuais de primeira ordem para que escolhessem a vítima das vítimas, alguém em cuja defesa, em caso de ameaça, a sociedade inteira correria com uma solicitude de mãe, lançando automaticamente sobre todas as objeções possíveis a suspeita de

REFLEXOS DA EUROPA história, arquitetura. Não devem, pela ação irresponsável de baderneiros, de um lado, e de governos omissos, de outro, assistir à destruição de indústrias com tecnologia de vanguarda, e que se tornarão inviáveis com a demora nos ajustes. O sacrifício exigido é inevitável, podendo ser por curto tempo ou por um longo período. Não existe mágica na economia contemporânea. A Europa, de exemplar cultura, já perdeu oportunidades, ao longo da história, por conta de guerras, por questões geopolíticas equivocadas, pelos 70 anos de comunismo, oprimindo parte de

seus povos, e gerando crises políticas e muita agitação nas democracias. Seu colapso eventual afetará a paz mundial, retirará do centro de decisões nações com conhecimento da formação do mundo como ele é, e fazendo com que outras culturas, fortalecidas pelos recursos financeiros, venham buscar certa hegemonia, ao influenciar outros países, a começar pela nossa América Latina. O mau exemplo que nos é oferecido deve ser observado. Endividamento público irresponsável, inchaço da máquina burocrática, distribuição de benefícios onerosos à produção e

OLAVO DE CARVALHO traição à espécie humana. Depois de conjeturar várias hipóteses, os estudiosos concluíram que ninguém se recusaria a lutar em favor da Terra, da MãeNatureza. Foi a partir de então que os subsídios começaram a jorrar para os bolsos de ecologistas que se dispusessem a colaborar na construção do mito do planeta ameaçado pela liberdade de mercado. As conclusões daquele estudo foram publicadas sob o título de Report from Iron Mountain – a prova viva de que o salvacionismo planetário é o maior engodo científico de todos os tempos. O escrito foi publicado anonimamente, mas o economista John Kenneth Galbraith, do qual não há razões para duvidar nesse ponto, confirmou a autenticidade do documento, ao confessar que ele próprio fizera parte daquele grupo de estudos e ajudara a redigir as conclusões. OLAVO DE CARVALHO É ENSAÍSTA, JORNALISTA E PROFESSOR DE FILOSOFIA

ARISTÓTELES DRUMMOND ao comércio, políticas migratórias levianas – na Espanha, 10% da população são imigrantes, que receberam direitos políticos – e, por fim, déficit acumulado em proporções explosivas, desembocando na atual crise.

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Plano Real, no governo Itamar Franco, com a Lei de Responsabilidade Fiscal e o PROER a seguir, de certa forma ajudou o Brasil a ficar numa situação de mais conforto. Mas há pontos fracos em nossa economia e o momento da correção é este. A continuidade de uma política econômica responsável depende

de como o governo e o Judiciário vão enfrentar a onda de greves em curso, em setores estratégicos como os de energia e de serviços bancários. Devemos acompanhar o que se passa no Velho Mundo. Não podemos ter a pretensão de que não sofreremos reflexos de lá, sejam econômicos, políticos ou mesmo no respeito aos nossos princípios éticos, morais e de liberdade com dignidade. ARISTÓTELES DRUMMOND É JORNALISTA E VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO RIO DE JANEIRO. ARI.DRUMMOND@YAHOO.COM.BR


DIà RIO DO COMÉRCIO

4 -.GERAL

GibaUm

3 Outra mania de Roberto Carlos, por conta do TOC: rezar três terços por dia em seguida. Não pode ser horårios diferentes.

gibaum@gibaum.com.br

ÂŤ

k Obrigado a todos que torceram por mim!!!.

EDMUNDO // ex-jogador, no Twitter, após extinção de seu processo pelo STF, 16 anos depois de matar três pessoas dirigindo bêbado.

Fotos: BusinessNews

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

3 MAIS: um amigo pegou uma carona com ele, queria conversar e RC: "Não vai dar. Estou na metade do primeiro terço."

Fora do Soletrando 333 O apresentador de televisĂŁo Luciano Huck, que queria impedir estranhos na praia em frente Ă sua casa em Angra dos Reis (cercou a ĂĄrea do mar, teve de voltar atrĂĄs por decisĂŁo judicial e alegou que queria criar mariscos), foi homenageado na festa da Brazil Foundation, em Nova York, esta semana, por conta do Instituto Criar. Pelo Twitter, antes do evento, avisou que estava “vestido de pingĂźimâ€? e acrescentou: “NĂŁo colocava smoking a milĂŞnios!â€? Desse jeito, nunca poderĂĄ c ncorrer ao Soletrando.

CALAMYTY JANE

O festival de cinema Rio 2011 abre suas portas em outubro, com a exibição de mais de 350 filmes de todos os cantos do planeta. A mais recente produção de Pedro Almodóvar, La piel que habito, que conta a história de um cirurgião plåstico vivido por Antonio Banderas, poderå abrir o evento. Marisa Peredes, uma das musas do cineasta espanhol, tambÊm no filme, deverå vir ao Brasil. Entre tantos, a direção do festival anuncia a première brasileira de dois documentårios de Martin Scorsese: George Harrison: living in the material world e Public Speaking, sobre a escritora novaiorquina Fran Lebowitz, jå exibido à exaustão por aqui pela HBO. 333

333

Pobres: lå e cå Os Estados Unidos exibem a maior parcela de habitantes em estado de pobreza, desde 1993: 15% da população, ou seja, 46,2 milhþes de pessoas. Lå, são consideradas pobres famílias de quatro pessoas que vivem com atÊ US$ 1.860 por mês (cerca de R$ 3.300) ou adultos sozinhos que vivem com atÊ US$ 930 mensais (R$ 1.600). Brasil, pobre Ê quem vive com menos de R$ 134 por mês. Na União EuropÊia, pobre Ê quem passa com atÊ 60% da renda mÊdia em cada país. Jå o Banco Mundial considera extremamente pobre (miseråvel e candidato à fome) quem sobrevive com atÊ US$ 1,25 por dia (R$ 63 por mês) e pobre quem se aguenta com atÊ US$ 2 por dia (R$ 100 por mês).

333

h

NEM TANTO

“Sexo ĂŠ como beber ĂĄgua, comer. É uma coisa natural do ser humano. JĂĄ ser sexy ĂŠ uma atitude, o descontraĂ­do, o cabelo solto, o pĂŠ descalço. Preciso, no sexy, ver o Deus e o demĂ´nio de uma pessoaâ€?. É Alinne Moraes, a Lili de O Astro, fazendo confissĂľes, depois de ter sido eleita a Mulher Mais Sexy de 2011 da revista IstoÉ Gente, encabeçando uma relação de 100 conhecidas figuras. No bloco masculino, o campeĂŁo ĂŠ Rodrigo Lombardi, o Herculano Quintanilha da mesma sĂŠrie.

A mais sexy

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OUT

Azul bebĂŞ.

Azul royal.

Quadro grave Enquanto Dilma defende a quebra de patentes de medicamentos em Nova York, o artista plåstico Gustavo Rosa, que gasta R$ 14 mil por mês com a importação de remÊdios, Ê um dos 22 mil brasileiros que assinaram a lista solicitando imediatamente o registro da lenalidomida no Brasil, substância aprovada em mais de 70 países e fundamental para pacientes com mielona múltiplo (tipo de câncer de medula). Se o medicamento tivesse autorização da Anvisa, eles poderiam contar com ajuda do governo ou dos planos de saúde. No Brasil, o mal deverå registrar 12 mil novos casos nos próximos 12 meses. 333

O EX-presidente Lula continua em ação: hoje, tem encontro marcado no Palåcio do Jaburu com o vice-presidente Michel Temer. Quer conversar sobre a reforma política.

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333 A WARNER pagarĂĄ a Charlie Sheen US$ 25 milhĂľes por ter deixado gravado cerca de 180 episĂłdios da sĂŠrie Two and a Half Men. Ele ganhava US$ 1,2 milhĂŁo por episĂłdio e seu substituto, Ashton Kutcher ganharĂĄ US$ 700 mil. Sheen e a produtora acabam de chegar a um acordo e a dinheirama serĂĄ depositada em duas semanas.

333 QUEM diria: o francoargentino Luis Favre, ex-assessor internacional do PT e ex-marido de Marta Suplicy, que trabalhou na eleição de Ollanta Humala, virou assessor especial do presidente peruano e ganhou gabinete e tudo mais, com direito a ser considerado uma das vozes mais ouvidas pelo chefe do governo de lå.

SE a revista Playboy com Adriane Galisteu encalhou nas bancas (estima-se que mais de 30% do reparte voltou Ă editora), a estrĂŠia de seu novo programa Projeto Fashion (versĂŁo do original Project Runway, comandado por Heidi Klum, grande sucesso na TV fechada) na Band, amargou apenas um ponto de audiĂŞncia. 333

Colaboração: Paula Rodrigues,Alexandre Favero

Solução

   

AtÊ agora, o MinistÊrio Público Federal, que denunciou 21 suspeitos de envolvimento em esquema de fraudes no MinistÊrio do Turismo, não conseguiu colocar as mãos (e nem as algemas da Polícia Federal) numa lobista chamada Beatriz ou Bia, conhecida por dirigentes de ONGs e funcionårios da Pasta. Ela conseguia acelerar a liberação de recursos para qualquer show ou evento cultural mediante uma comissão que variava de 20% a 50% do valor do convênio. É apadrinhada por conhecido cacique petista. Depois da explosão da Operação Voucher, ela desapareceu. 333

A VIDA do cantor, exdeputado federal e vereador de SĂŁo Paulo, Agnaldo TimĂłteo, tambĂŠm vai virar documentĂĄrio. Ele ĂŠ do PP, partido de Paulo Maluf, Severino Cavalcanti, Jair Bolsonaro e MĂĄrio Negromonte. No documentĂĄrio – e nem poderia ser diferente – haverĂĄ trecho da gravação do primeiro discurso feito por TimĂłteo na Câmara Federal onde, de cara, saudou sua progenitora avisando que havia chegado lĂĄ: “AlĂ´, mamĂŁe!â€?.

333



     

  

    

Lobista cassada

O SUPERIOR Tribunal de Justiça vai gastar R$ 14,5 mil para se livrar de insetos (voadores e rasteiros), roedores e atÊ escorpiþes que infestam a sede do órgão e seus anexos. A Câmara dos Deputados tambÊm gastarå (primeira parte da ação) R$ 3,4 mil para aplicar veneno em suas dependências, para acabar com ratos e outros bichos. No total das dedetizaçþes, o valor serå de R$ 20,4 mil.

  

  

A ONG Brazil Foundation, que esta semana ganhou uma noite de gala na New York Public Library, foi fundada hĂĄ quase dez anos, tem um site onde informa que jĂĄ arrecadou US$ 17 milhĂľes que foram utilizados no apoio a mais de 300 projetos de pequenas e mĂŠdias entidades de 24 Estados Brasileiros (no site, tem atĂŠ mapa). Hoje, estĂĄ preocupada em estabelecer um fundo patrimonial para garantir “futuro estĂĄvel e sustentĂĄvel Ă fundaçãoâ€?. Tem entre seus patrocinadores, Camargo CorrĂŞa, Shopping Cidade Jardim, TAM, Duracell e outros e no site, nĂŁo ĂŠ citada nenhuma entidade socorrida no Brasil. 333

MISTURA FINA 333

            

 

MISTÉRIO

333 Nesses dias, a ex-guerrilheira Dilma Rousseff viveu em Nova York momentos que lembravam um prêmio de algum concurso semelhante a Rainha por um dia: capa da Newsweek, discurso na abertura da AssemblÊia Geral da ONU (primeira mulher a chegar lå), encontro com Hillary Clinton e Michele Bachelet na ONU Mulheres, jantar em sua homenagem no The Pierre pelo Woodrow Wilson Center, visita ao Metropolitan Museum, almoço no restaurante do Moma, jantar no cafÊ Boulud e suíte no The Waldorf Astoria. E isso tudo sem jamais ter disputado, anteriormente, uma eleição e com chance de ser reeleita em 2014. O melhor da festa: não ter de agßentar Ideli Salvatti, Pedro Novais, Henrique Alves, Candido Vaccarezza, Rui Falcão, entre outros tantos – e especialmente Lula.

Rainha por um dia

333 A presidente Dilma Rousseff gostou de ser chamada pela Newsweek de “Dilma Dinamiteâ€?. Achou que parece os filmes de cowboys de antigamente e atĂŠ lembrou de Calamity Jane (no Brasil, ArdidacomoPimenta),de 1953, com Doris Day no papeltĂ­tulo e Howard Keel como Wild Bill Hickok . No filme, Doris Day canta Secret Love, Oscar de melhor canção e um dos grande hits românticos da dĂŠcada de 50. Ela assistia nos tempos de colĂŠgio.

   





      

333 Torneiras em metal cromado, resistentes à corrosão e com fechamento automåtico foram compradas pelo Senado por R$ 42 mil. A novidade Ê que elas possuem botão antifurto, que deverå garantir longa permanência na Casa. Resumo da ópera: nos últimos tempos, sabe-se lå se inspirados pelo clima de corrupção que reina em Brasília, ladrþes (supostamente funcionårios ou terceirizados que agem na calada da noite) vinham surrupiando torneiras de vårias dependências do Senado. Entre Planalto e Alvorada, a situação não Ê diferente: xícaras, pratos, talheres e outros objetos de uso diårio são objetos de licitação anual porque vivem evaporando.

Gala em benefĂ­cio

                

      

      

   

   

AtĂŠ torneiras

Brasileiros e americanos movimentaram os salþes da New York Public Library, esta semana, numa noite de gala em beneficio das açþes da Brazil Foundation: venda de mesas e leilão de obras de arte renderam US$ 1,7 milhão para a entidade. Ronaldo Nazårio levou um quadro de Adriana Varejão por US$ 20 mil e entre tantos que circularam por lå viam-se, da esquerda para direita, a apresentadora AngÊlica; Leona Shepperd, presidente da fundação; Luciana Gimenez e Izabel Goulart; Valentino e Mariana e Zeca Auriemo. 333

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

5 PODEROSA Dilma Rousseff será a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU.

olítica

PODEROSO Cezar Peluso, do STF, envia carta intimando Dilma por aumento.

Mandel Ngam/AFP

Dilma Rousseff discursa durante sete minutos: tempo suficiente para falar bem do seu governo, do antecessor e dos avanços conquistados.

Dilma e Obama: juntos pela transparência Brasil e Estados Unidos lançam, em Nova York, projeto para viabilizar a execução de políticas públicas abertas. E ganham a adesão de 46 países.

E

m discurso de pouco mais de sete minutos, a presidente Dilma Rousseff participou ontem da cerimônia de abertura dos debates do grupo denominado Parceria para Governo Aberto, que engloba 46 países dispostos a discutir e a executar políticas públicas transparentes. O projeto é uma iniciativa dos governos brasileiro e norte-americano. Em evento no hotel Waldorf Astoria, em Nova York, a presidente realçou que se "trata de importante instrumento para fortalecimento das nossas democracias". A fala de Dilma, que se congratulou com Barack Obama "por haver levantado esse tema", veio logo após o discurso do presidente americano e foi acompanhada por uma plateia formada por lide-

ranças globais. "O uso das redes digitais é essencial para promoção de governos mais transparentes e acessíveis aos cidadãos para melhoria dos serviços públicos, de educação, da saúde, da segurança e do meio ambiente", afirmou. "Essas redes são importante instrumento para nosso objetivo de fortalecimento da democracia e o Brasil endossa o plano de ação para Parceria para Governo Aberto", completou. Avanços – A presidente citou avanços já feitos no País nesse sentido, como o portal Transparência Brasil, a proposta para extinguir o sigilo eterno dos documentos públicos, os projetos de acessos a dados sobre orçamento e o fato de a imprensa brasileira não sofrer nenhum tipo de constrangimen-

to por parte do governo. no governo do ex-presidente "As convicções do governo Luiz Inácio Lula da Silva, de nessa matéria são firmes e per- consultas públicas sobre projemanentes e deixei isso bem cla- tos do governo. "Recorremos ro desde o discurso de posse", às consultas públicas para a relembrou. De preparação de acordo com planos e proDilma, seu gogramas de governo está verno, entre os O atual governo ciente da imquais o Plano não terá portância de Plurianual se assegurar a 2012/2015 e as compromisso prestação de propostas pacom o erro contas, fiscalira a Conferennem com o zação e particia das Nações desvio e nem cipação dos ciUnidas sobre com o malfeito. dadãos. Ela D e s e n v o l v ireafirmou, no mento SustenDILMA ROUSSEFF discurso, que t á v e l , a o atual goverRio+20, que o no não tem "compromisso com Brasil terá a honra de sediar", o malfeito nem com o erro e afirmou. nem com o desvio". Ao final do discurso, Dilma Cons ultas – A presidente informou que o Brasil irá semencionou ainda a realização, diar o próximo encontro da

Parceria para Governo Aberto, em 2012. Ela reforçou o convite aos chefes de Estados presentes para a rodada brasileira de debates. Mais cedo, Dilma se reuniu com Obama para discutir, principalmente, o impacto da crise econômica mundial e, em seguida, com o presidente do México, Felipe Calderón, com quem tratou do fortalecimento comercial bilateral. A conversa entre os dois, na avaliação do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, foi "longa". A ge nd a – Dilma participa hoje da abertura da Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) e ainda manterá uma série de encontros bilaterais. Há reuniões agendadas com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e os presidentes

da França, Nicolas Sarkozy; do Chile, Sebastián Piñera; do Peru, Ollanta Humala; da Colômbia, Juan Mnauel Santos, e com o primeiro-ministro britânico, David Cameron. No discurso de abertura da assembleia, Dilma antecipou que também ira transmitir uma mensagem de "esperança". Ela disse que pretende falar sobre a preocupação com os conflitos no mundo árabe, a necessidade de adotar medidas relativas ao desenvolvimento sustentável e a defesa da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A presidente já participou de dois grandes eventos na ONU. Um deles destinado à discussão sobre doenças crônicas não transmissíveis e, o outro, sobre a presença da mulher em discussões políticas. (Agências)

Mandel Ngan/AFP

De dia, o 'breve' encontro da presidente. À noite, o prêmio Crise global pauta encontro de Dilma com Barack Obama. Depois, afagos.

O

ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que na conversa de ontem entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Dilma Rousseff expôs a Barack Obama a "importância de como lidar com o comércio internacional neste momento difícil" e os dois manifestaram preocupação com a piora no cenário externo, em especial na Europa. Dilma e Obama tiveram um encontro bilateral breve, de menos de 30 minutos, no hotel Waldorf Astoria, em Nova York. De acordo com Patriota, ambos falaram da necessidade de se conversar de forma mais aprofundada sobre o tema antes do encontro do G-20, no início de novembro, em Cannes, na França. Além disso, a presidente lembrou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, irá tratar do assunto com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithn e r, n e s t a s e m a n a , e m Washington, onde eles participarão do encontro de outono do Fundo Monetário Internacional (FMI). Co nvi te – Patriota confirmou que Obama convidou Dilma para visitar os EUA no ano que vem e que os dois presidentes ressaltaram a importância de trabalharem juntos, especialmente num momento difícil para a economia global. O ministro contou também que Dilma e Obama tiveram

uma "conversa curta" sobre o mundo árabe, especialmente a Líbia, mas não fizeram nenhuma referência à questão da Palestina. "Dilma ressaltou a importância de que a etapa de apoio à Líbia se desenvolva no âmbito da ONU", revelou Patriota, indicando que ela deverá tratar da criação de um Estado palestino no discurso de hoje, na abertura da Assembleia Geral. "É melhor aguardar, mas será um discurso histórico", disse . Acredita-se que en-

Dilma ressaltou a importância de que a etapa de apoio à Líbia se desenvolva no âmbito da ONU. ANTONIO PATRIOTA, MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, SOBRE CONVERSA COM OBAMA tre os pontos polêmicos, a presidente deverá defender o fim do embargo americano a Cuba. Dilma será a primeira mulher a abrir uma AssembleiaGeral da Organização das Nações Unidas (ONU). Prêmio – Dilma também foi homenageada à noite, quando recebeu o prêmio Serviço Público, concedido pelo Instituto Woodrow Wilson International Center for Scholars. A entidade premia as personalida-

des que colaboram para os avanços intelectuais e científicos no mundo. A premiação, nas categorias Serviço Público e Cidadania Corporativa, é concedida a políticos, empresários, líderes de organizações cívicas, artistas e pesquisadores que atuam para melhorar o mundo. A inspiração para a homenagem são as orientações difundidas pelo ex-presidente norte-americano, o democrata Thomas Woodrow Wilson, que governou os EUA entre 1913 e 1921 e ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1919. Dilma chegou em Nova York no domingo acompanhada por cinco ministros. Além de Patriota; o da Saúde, Alexandre Padilha; o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel; o de Esporte, Orlando Silva, e a da Comunicação Social da Presidência, Helena Chagas. Ao desembarcar já era capa da revista norte-americana Newsweek, que a apresentou com o título Don't mess with Dilma – em tradução livre Não mexa com a Dilma. A reportagem principal citava o crescimento econômico do Brasil e a participação de Dilma nesse processo de mudança, iniciado no governo Lula. Ela também falou de sua vida pessoal. Disse que, quando criança, queria ser bailarina ou bombeira e relembrou a sua passagem pela prisão. (Agências)

Barack Obama, como determina o protocolo da gentileza, ajeita a cadeira para a presidente Dilma.

Peluso cobra do governo aumento do Judiciário em 2012 A mensagem encaminhada à presidente Dilma Rousseff foi em tom de intimação

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ressionado por juízes e funcionários que querem aumentos nos salários, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, enviou ofício à presidente Dilma Rousseff, em tom de intimação, indagando se ela pretende incluir na proposta orçamentária para o próximo ano recursos para garantir os reajustes do Judiciário. A mensagem foi encaminhada no dia 15, um dia depois de a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ter dito no Congresso que o governo não trabalha com a possibilidade de elevação das remunerações

do Judiciário no ano que vem. Essa decisão abriu uma crise entre o Judiciário e o Executivo. O Supremo Tribunal Federal (STF) sustentou que não cabe ao Executivo fazer cortes na proposta orçamentária dos tribunais. Peluso chegou a dizer que o corte tinha sido um equívoco e que seria corrigido. Como não foi, para amenizar o clima entre os poderes, uma comitiva de ministros do governo esteve no STF para conversar com Peluso. Em seguida, a presidente encaminhou uma carta ao Congresso listando os projetos de reajuste do Judiciário, mas deixando

claro que se aprovados eles terão impacto de R$ 7,7 bilhões. O STF quer dois aumentos. O primeiro, de 14,79%, elevaria os salários dos ministros da Corte dos atuais R$ 26,7 mil para 30,6 mil. O segundo, de 4,8%, faria com que as remunerações passassem de R$ 30,6 mil para R$ 32 mil. De acordo com as propostas, o objetivo é recompor perdas inflacionárias. Como o salário dos ministros do STF é o teto do funcionalismo e do Judiciário, aumentos provocam efeitos em cascata nas remunerações do serviço público e em especial da Justiça. (AE)


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A coleta de assinaturas para a Frente foi facilitada porque o desgaste da Câmara é muito alto. Ivan Valente (PSol-SP)

olítica

L.C. Leite/LUZ - 20.07.10

Feriado na Copa: inconstitucional Para especialistas, além de prejudicial ao País, medida contraria Estatuto do Torcedor Victória Brotto

O

projeto de lei que concede aos prefeitos e governadores o direito de decretar feriado em dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo é simplesmente inconstitucional, porque contraria de maneira frontal o Estatuto do Torcedor, já existente. É o que garante o presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomércio de São Paulo, Ives Gandra Martins. O projeto de lei do governo federal transfere a responsabilidade dos jogos da Copa à União, e esta responsabilidade, no Estatuto, deve ser das

instituições organizadoras, no caso, FIFA e Col (Comitê Organizador Local, a CBF). Se uma pessoa quebrar a perna, exemplifica o presidente do Conselho da Fecomercio, e decidir entrar com uma ação contra a União, obedecendo os moldes do projeto do governo, a indenização demorará muito tempo. E mesmo que consiga chegar na última instância, explica, ele receberá somente um precatório (adiamento do recebimento do valor para o ano que vem). "Em todas as ações contra a União, há um imenso conjunto de recursos, envolvendo análise de tribunais superiores, e, mesmo quando se ganha a ação, a vitória leva ao governo

a emitir um precatório como forma de pagamento", lamenta Martins. Corrupção é melhor – É melhor ter feriado do que corrupção, superfaturamento e infração de leis nas obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014, acredita o especialista em Planejamento de Transportes e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, a respeito da polêmica em torno do projeto. A medida, a despeito do grande prejuízo para a indústria, o comércio e os bancos, conta com o entusiasmo federal em aplicá-la sem a devida avaliação sobre as suas consequências. "Para ficar tudo pronto, pas-

Yves Gandra Martins: "Mesmo quando se ganha a ação, a vitória leva ao governo a emitir um precatório".

saremos por cima de leis, de políticas e sobretudo vamos nos aproximar perigosamente da área onde a corrupção impera", prevê. Resende afirma ainda que agora não dá tempo de projetar nada para o País no longo prazo, o que desemboca no que

chama de "fazer para a Copa". Mesmo com a preferência, Resende não abre mão de críticas: "A mensagem que o projeto) passa é a de que não temos competência para grandes eventos e, com isso, confirmamos a ineficiência do gestor público, que não consegue ga-

rantir uma mobilidade urbana mínima razoável". Para Paulo Resende, que falou ontem à rádio CBN, o projeto de lei beneficiará o gestor incompetente, que nesse caso poderá atribuir o fluxo normal de pessoas durante os jogos à sua "boa gestão".

Oposição já se manifesta contra a medida Duarte Nogueira, líder do PSDB na Câmara dos Deputados e o senador José Agripino Maia, presidente do DEM, não concordam com proposta de feriados Guilherme Calderazzo

Andre Dusek/AE

Duarte Nogueira: "É a prova de que o governo não fará a tempo as obras de mobilidade urbana nas cidades".

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nviado anteontem pelo governo ao Congresso para votação, o projeto da Lei Geral da Copa é criticado por parlamentares da oposição, em especial o item que permite aos estados, municípios e Distrito Federal decretarem feriado local nos dias de jogos da Copa das Confederações, em 2013, e da Copa do Mundo, em 2014. Segundo o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), líder do partido na Câmara dos Deputados, e o senador José Agripi-

no (CE), presidente do Democratas, a questão do feriado no projeto deverá ser mudada quando ocorrer a votação. "Essa proposta do projeto é a prova de que o governo não fará a tempo as obras de mobilidade urbana nas cidades onde ocorrerão os jogos das Copas. Não teve agilidade e nem atua com a rapidez necessária para resolver a questão. O que vemos é muita propaganda e pouco resultado", diz Nogueira. Diante disso, acrescenta, a proposta de feriado é uma forma de interferir nas cidades. "Não vamos permitir essa inteferência", diz Nogueira. Se-

gundo ele, um prefeito e um governador conhecem as necessidades de suas regiões, e portanto não seria necessária uma lei para autorizá-los a decretar feriado ou não num,a Copa do Mundo. Para o presidente do Democratas, senador José Agripino (RN), a decretação de feriado em dias de jogos não se sustenta e nem é necessária, pelo prejuízo que traria. "Sou contra essa regra do projeto. Nada justifica a parada da produção em dia de jogo da Copa, até porque os jogos vão ocorrer fora do horário de trabalho", diz o senador.

Beto Barata/AE

Para Romário, 'é péssimo!' Deputado condena a iniciativa e faz críticas aos gastos com os jogos

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ada está definido ainda – o projeto mal acabou de chegar à Câmara – mas o ex-atacante da seleção brasileira e deputado Romário (PSB-RJ) classificou ontem como péssima a possibilidade de que os dias de jogos da Copa de 2014 sejam transformados em feriado, como sugere a União. Para ele, é uma forma de o governo "maquiar" os possíveis problemas estruturais que ainda existirão até lá. "O feriado é péssimo", reclama. "Pode ser um motivo para encobrir as obras que não estejam terminadas 100%. Os feriados vão maquiar um pouco os problemas", reclamou, ao tomar conhecimento do projeto da Lei Geral da Copa, enviado ontem ao Congresso e que permite que Estados, Distrito Federal, municípios e a pró-

pria União decretem feriado local nos dias de jogos. Na opinião do deputado, o brasileiro já tende a trabalhar apenas meio período em dias de jogo, por isso não seria preciso criar um decreto nesse sentido. Ainda sobre o texto enviado pelo governo, Romário cobrou que sejam determinadas obrigações para a Fifa com relação ao preço dos ingressos. Ele diz que vai apresentar uma emenda ao projeto propondo que os valores sejam acessíveis também para as classes D e E. A Lei da Copa diz que cabe à entidade determinar os preços das entradas. "Temos que baratear os ingressos", protesta. "Estão falando em algo em torno de R$ 100, R$ 120, o que mostra o que eu tenho falado sempre: que a Copa vai ser do Brasil e

Pode ser um motivo para encobrir as obras que não estejam terminadas 100%. Os feriados vão maquiar os problemas. ROMÁRIO (PSB-RJ ) não dos brasileiros". Outro ponto da proposta do governo criticado por Romário foi a ausência de detalhes sobre o acesso para as pessoas com deficiência. Ele diz que também deve apresentar uma emenda para garantir mobilidade nos estádio. Apesar das críticas, o deputado classificou a Lei Geral da

Bola fora: "Tudo mostra o que eu tenho falado sempre, que a Copa vai ser do Brasil e não dos brasileiros".

Copa como "positiva". Ontem, Romário também voltou a criticar os investimentos que estão sendo feitos nos estádios brasileiros para o evento. Citou as inúmeras re-

formas no Maracanã e os gastos em Brasília, que, de acordo com ele, não tem tradição alguma no futebol. "E a tendência em todos esses estádio é de ter mais gastos,

enquanto faltam tantas coisas nos hospitais e escolas públicas. São gastos desnecessários. Eu, como político, cobro. E como brasileiro, lamento", completou. (Folhapress)

Andre Dusek/AE - 16.09.11

Jaqueline Roriz queria reparação. Juiz negou.

Deputados lançam frente em defesa do voto aberto Com 205 adesões, faltam ainda 103 para o fim do voto secreto na Câmara

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Justiça do Distrito Federal negou o pedido da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), de receber indenização por reportagem que vinculou seu nome ao suposto esquema de corrupção, conhecido como mensalão do DEM. Ela queria reparação por danos morais após reportagem do Jornal de Brasília, de agosto de 2010, que a colocou como beneficiária do esquema, de acordo com investigação da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Em defesa, o jornal afirma que o nome de Jaqueline aparece na investigação da PF e que ela foi ouvida pela jornalista antes da publicação da reportagem. "Se o nome da autora figurava em documentos periciados pelo órgão investigativo, a ilação não era totalmente desarrazoada, e, portanto, inapta a gerar indenização por dano moral", afirma juiz. De acordo com o magistrado, não haveria danos morais mesmo se a notícia estivesse errada, "porque no conflito do direito do autor com a liberdade de imprensa e de opinião, deve ser

P Jaqueline queria indenização. Pagará R$ 1.500.

prestigiada esta última em razão da supremacia do interesse publico". A Justiça determinou que a deputada pague R$ 1.500 de custas processuais e honorários advocatícios – para jornal e jornalista. Cabe recurso. O advogado de Jaqueline analisará o teor da decisão para saber se ela recorrerá. (Folhapress)

arlamentares dos principais partidos da Câmara participaram, na tarde de ontem, do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto. O evento contou com representantes de entidades da sociedade civil, como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras. A Frente foi lançada com a adesão de 205 deputados federais. Para aprovar a

Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata do tema são necessários 308 votos entre os 513 deputados. A proposta foi aprovada em primeiro turno, em setembro de 2006, e aguarda nova votação. Se aprovada em segundo turno seguirá para o Senado, onde precisará de 49 votos em duas votações. O movimento ganhou força depois da absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Na votação secreta, 265 parlamentares votaram por absolvição e só 166 por cassação. Ela foi flagrada em vídeo recebendo um pacote

de dinheiro do delator do DEM, Durval Barbosa. Sua defesa focou a argumentação no fato de que a gravação foi realizada em 2006, quando ela ainda não era deputada. O coordenador da frente, deputado Ivan Valente (PSol-SP), aposta na pressão popular para conseguir que a Câmara acabe com o voto secreto. Ele observou que a absolvição de Jaqueline provocou indignação popular e tem ajudado a convencer os colegas. "A coleta de assinaturas para a frente foi facilitada porque o desgaste da Câmara é muito alto". (AE)


p Rio toma Cinelândia contra corrupção DIÁRIO DO COMÉRCIO

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

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Esses patifes não podem se proteger na imunidade. Trecho de discurso na Cinelândia (Rio), ontem.

olítica

Movimento "Todos Juntos contra a Corrupção" reuniu 2,5 mil pessoas no centro sob as mais diferentes palavras de ordem, com foco apenas na faxina governamental Sérgio Moraes/Reuters

A

manifestação "Todos Juntos contra a Corrupção - Compartilhe Honestidade", realizada ontem na Cinelândia, no centro do Rio, foi marcada pela espontaneidade dos participantes, a presença reduzida de jovens, os discursos contraditórios e a inexperiência dos organizadores, que misturavam falas genéricas com músicas de protesto e longos períodos de silêncio. O ato, que foi idealizado a partir das redes sociais e conquistou o apoio de mais de 33 mil usuários no Facebook, conseguiu reunir cerca de 2,5 mil pessoas até o início da noite, de acordo com a estimativa da Polícia Militar. Apesar de a indignação e de os protestos contra a corrupção terem sido o principal mote do ato, as palavras de ordem se multiplicavam. Muitos cartazes improvisados e feitos à mão faziam referência à "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff no governo federal. Uns apoiavam e outros reclamavam que a "limpa" havia sido interrompida. As reivindicações eram variadas. Manifestantes apoiavam a Lei da Ficha Limpa, o voto distrital, a campanha "Fora Ricardo Teixeira", a aprovação da PEC 300. Houve protestos até por questões locais, como o sucateamento do sistema de bondes de Santa Teresa e campanhas por drenagem e pavimentação de ruas.

Embora os organizadores falassem o tempo todo que não eram contra políticos e nem partidos políticos, seus discursos se referiam aos "vagabundos que estão no poder", à "cambada de ladrões de Brasília", a "esses patifes que não podem se proteger na imunidade". Vassouras foram distribuídas pela ONG Rio de Paz e coloriram de verde e amarelo a área da manifestação. No início da noite, o movimento grevista dos bombeiros do estado do Rio reforçou a manifestação, com mais de 300 homens que marcharam desde a Assembleia Legislativa, a um quilômetro da Cinelândia. Palavras de ordem contra o governador Sérgio Cabral começaram a competir com os discursos do carro de som Políticos como o vereador Eliomar Coelho e o deputado Marcelo Freixo, ambos do PSol, foram hostilizados por alguns manifestantes, sob acusação de oportunismo, e defendidos por outros. Fernando Gabeira e Fernando Peregrino, candidatos derrotados ao governo do Rio ano passado, também compareceram. Tradicional ponto de manifestações, a Cinelândia reuniu figuras pitorescas. O palco de muitos foi a escadaria da Câmara Municipal. Fantasiado de Cristo crucificado, o mineiro André Luiz dos Santos vestia uma camiseta com a frase "Sinto vergonha das autoridades constituídas". (AE)

Sergio Moraes/Reuters

Fabio Motta/AE

Alessandra Buzas/Folhapress

Vassouras nas mãos, os manifestantes expuseram sua indignação das mais variadas formas. Mais entusiasmado, um participante até se cruxificou diante da escadaria da Câmara Municipal (acima).

Sarney indica Gondim para o Turismo. Roseana veta Secretário de Planejamento do Maranhão seria o novo número 2 do ministério

O

ministro do Turismo, Gastão Vieira, recebeu uma negativa da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, na escolha do secretárioexecutivo da pasta. Gastão queria colocar no cargo, tido como o mais importante do ministério, o secretário de Planejamento do Maranhão, Fábio Gondim, mais um aliado do presidente do Congresso, José Sarney. Consultada antes, Roseana, no entanto, pediu a Gastão que desistisse da ideia porque não deseja abrir mão de seu secretário. Nascido em Brasília, aos 43 anos o servidor público Fábio Gondim tem uma carreira

bem-sucedida. Em 2010, deixou o cargo de consultor-geral de orçamento do Senado, onde ficou de 1998 a 2010, ao aceitar o convite de Roseana para cuidar das finanças do Maranhão. Aos que à época estranharam sua opção, Fábio respondia que se sentia atraído pelo desafio de trocar temporariamente de carreira. Antes de passar no concurso para o Senado, ele trabalhou, de 1987 a 1992, na Câmara dos Deputados; no Ministério Público da União, de 1992 a 1994; na chefia de gabinete da Presidência da República, de 1994 a 1996; e como analista de finanças do Ministério da Fazenda,

de 1996 a 1998. Inquérito – Procuradores da República no Distrito Federal abriram um inquérito civil para apurar suspeitas de que o ex-ministro do Turismo e deputado federal Pedro Novais (PMDB-MA) teria usado indevidamente os serviços de uma secretária parlamentar em funções particulares. Para instruir o inquérito, o MP pediu informações ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia (PTRS). Os procuradores querem uma cópia dos registros funcionais de Doralice Bento de Souza, que teria trabalhado como governanta no apartamento dele. (AE)

José Cruz/Agência Senado - 13.09.11

José Sarney: "dono" da pasta, presidente do Senado, dessa vez não conseguiu emplacar seu aliado, por resistência da filha, que o quer com ela.


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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O PT precisa ter um José Alencar em São Paulo. Ex-presidente Lula

olítica

Ricardo Cardoso/Frama/AE

Sob protestos, Lula vira doutor na BA Estudantes invadem salão onde ex-presidente recebia título de honoris causa

F

À força: manifestantes invadem cerimônia e pedem 10% do PIB para Educação no País E - 22.10.11

Tarso Sarraf/A

Beto Oliveira/Ag. Câmara - 30.08.11

Sérgio Lima/Fo

lhapress - 25.08

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Collor, Erundina e Aécio: segundo pesquisa, os senadores mais poderosos no Congresso.

Os mais influentes no Congresso Pesquisa do Diap indica quais são os partidos e parlamentares mais respeitados

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deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Fernando Collor (PTB-AL) integram a lista do 100 "cabeças" do Congresso Nacional, segundo levantamento divulgado pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). A pesquisa indica que, na lista com 62 deputados e 38 senadores, os partidos com maior número de parlamentares na elite

são: o PT, em primeiro lugar, com 27 nomes, seguido do PMDB, com 14 e do PSDB, com 13. Proporcionalmente, a pesquisa mostra que a presença feminina na lista é inferior à participação da mulher no Legislativo Federal. Enquanto as mulheres representam 15,31% do Congresso (91, sendo 83 deputadas e 8 senadoras), na elite do Congresso elas correspondem a 9%: 5 deputadas e 4 senadoras – Alice

Portugal (PCdoB-BA), Ana Arraes (PSB-PE), Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) e Rose de Freitas (PMDB-ES); e Kátia Abreu (DEMTO), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Marta Suplicy (PT-SP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). "Em ascensão" estão os senadores Blairo Maggi (PR-MT) e Acir Gurgacz (PDT-RO); os deputados Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Ivan Valente (PSol-SP) e Jilmar Tatto (PT-SP). (Folhapress)

oi sob protestos de um grupo de cerca de 100 estudantes ligados ao Diretório Central da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem o título de doutor honoris causa da instituição, em Salvador. Essa é a sexta condecoração do gênero que Lula recebe desde o início de 2011 – as outras foram das Universidades de Coimbra, Portugal; Federal de Viçosa (UFV), Pernambuco (UPE); Federal de Pernambuco (Ufpe) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Lula optou por receber esses títulos só após deixar o cargo. "Não achava correto usar o mandato para receber título". Durante a solenidade, um grupo de estudantes foi ao prédio da reitoria para cobrar, entre outras melhorias, o aumento para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) o montante a ser obrigatoriamente investido em educação no País. Do lado de fora, os manifestantes gritaram palavras de ordem até que Lula terminasse seu discurso de 30 minutos. Então, entraram no salão da cerimônia e receberam autógrafos nos cartazes com as reivindicações. "Essa é uma reivindicação nova. Até outro dia, os estudantes falavam em 7% (do PIB), o que foi colocado no plano de governo da presidente Dilma Rousseff até 2014. Até brinquei, dia desses, que se fizessem essa reivindicação en-

quanto eu era presidente, talvez a gente tivesse atendido", disse Lula. Para ele, é natural que o montante do PIB destinado à educação cresça: "Eu acho que é uma reivindicação correta, é só discutir para ver se há viabilidade. Cada vez vamos precisar de mais dinheiro para a educação, porque não se faz educação de qualidade sem dinheiro". Avanços – O ex-presidente auto-elogiou sua gestão: "Nós fizemos 14 universidades federais novas, 126 extensões

A reivindicação é correta. Vamos precisar de mais dinheiro, porque não se faz educação de qualidade sem dinheiro. EX-PRESIDENTE LULA universitárias, 214 escolas técnicas, um Reuni e ainda o Prouni. Ainda é preciso fazer muito para a educação chegar aonde a gente quer. Nós não queremos continuar sendo apenas exportadores de produtos in natura ou de commodities. Nós queremos ser exportadores de conhecimento, de inteligência." 67 vezes doutor – Lula disse que já aceitou 67 desses títulos. "E vou continuar aceitando os que me forem oferecidos. Cer-

tamente existe uma parcela da elite retrógrada deste País que não se conforma. Se souberem que vou receber, no dia 27, o título de doutor honoris causa da Sciences Po Paris (Instituto de Ciências Políticas de Paris) vão ficar doentes. Eu serei o primeiro latino-americano a receber esse título". Em discurso, afirmou que quer fazer um livro sobre seu governo. "Eu resolvi que não era correto eu mesmo fazer um livro, porque livro de um expresidente nunca vai ser verdadeiro. Não sei se vocês leram o livro do (ex-presidente americano Bill) Clinton. A Monica Lewinsky (estagiária que foi caso de Clinton) não está lá. Um livro meu também não ia contar tudo – e eu não ia fazer um livro para contar apenas o que vocês já leram no jornal". Segundo Lula, a solução será um livro com várias pessoas falando sobre seu governo. Sobre o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, disse que "o PT precisa ter um José Alencar em São Paulo". Ele lembrou que o PT, historicamente, sempre atingiu, no máximo, 30% do eleitorado paulistano, no 1º turno para prefeito. E ainda que o partido necessita de alguém forte como Alencar para alcançar os 50%. Sobre Marta e Haddad, saiu-se com um diplomático "qualquer que seja o candidato, farei campanha". Lula reafirmou que o partido precisa de "gente nova" para vencer em São Paulo. (Agências)


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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

9 IÊMEN Em terceiro dia de confrontos em Sanaa, mortes chegam a 76.

nternacional

JAPÃO Ameaça de tufão obriga 1,3 milhão de pessoas a deixarem suas casas

Reuters

Explosão abala capital da Turquia Foi um ataque terrorista, confirmam autoridades.

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explosão de um veículo que seria um carro-bomba matou três pessoas e deixou outras 34 pessoas feridas, ontem, em Ancara, capital da Turquia. O ministro de Interior do país, Idris Naim Sahin, disse que a explosão "muito provavelmente é um ataque terrorista". O incidente foi no bairro central de Kizilay, a menos de um quilômetro do escritório do premiê, da sede do chefe de gabinete e de ministérios. "A explosão aconteceu em um local onde circulam muitas

pessoas e automóveis. Parece que o objetivo era atingir o número máximo possível de pessoas", disse Sahin. A polícia deteve uma mulher que gritou após a explosão, perto do carro em chamas: "Vida longa à nossa luta", mostrou um vídeo da agência de notícias Dogan. Recentemente, insurgentes curdos têm escalado os ataques no país. Outros suspeitos são insurgentes islamitas e marxistas, que também estão ativos. (Agências)

Mandel Ngan/AFP

Líbia comemora novo capítulo em sua história Líderes do Conselho Nacional de Transição são recebidos na ONU com nova bandeira e promessas de ajuda na reconstrução do país. Com paradeiro desconhecido, Kadafi diz que seu regime ainda vive.

Reconhecimento: Obama cumprimenta Mustafa Jalil (à esq.) durante conferência da ONU.

Um golpe à paz afegã Turbante-bomba mata principal negociador do governo com o Taleban

B

Rabbani, que foi derrubado do poder pelo Taleban, era responsável por negociar uma solução pacífica com os insurgentes.

04/06/98 - AFP

urhanuddin Rabbani, ex-presidente do Afeganistão e atual responsável pelas negociações de paz com a milícia fundamentalista islâmica Taleban, foi morto em um atentado, ontem, em sua residência em Cabul, informaram autoridades locais. Segundo a polícia, Rabbani, um tajique étnico, foi morto por um homem que se apresentou como enviado do Taleban para discutir a paz e levava uma bomba no turbante. O presidente afegão, Hamid Karzai, interrompeu sua viagem a Nova York, onde participaria de reuniões na ONU, e voltou a Cabul. Apesar da segurança refor-

çada no local onde fica a casa de Rabbani em Cabul, um distrito que abriga embaixadas, um suicida se fez passar por um dos insurgentes com quem Rabbani se encontraria e detonou explosivos que levava no turbante. Outras quatro pessoas morreram. O assassinato de Rabbani,

que era atualmente o principal negociador do governo com o Taleban, colocou mais uma vez em questão a competência das forças afegãs para assumir a segurança no país – bem como o calendário dos EUA que prevê a retirada total das tropas norte-americanas até 2014. (Agências)

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nova bandeira da bombardeios da Otan contra Líbia tremulou on- as forças de Kadafi. "Hoje devemos novamente tem na Organizaç ã o d a s N a ç õ e s responder com tal velocidade Unidas (ONU) pela primeira e ação decisiva – desta vez para vez desde que Muamar Kadafi consolidar a paz e a democrafoi derrubado do poder, sob elo- cia", afirmou Ban. Em resposta, o líder do Congios de diversos líderes internacionais, inclusive o secretário- selho Nacional de Transição geral da ONU, Ban Ki-Moon, e (CNT), Mustafa Abdel Jalil, proo presidente norte-americano, meteu respeito aos direitos huBarack Obama. Arrai TV/AFP O secretário-geral da ONU disse, ao receber a nova bandeira, que foi colocada junto à das Nações Unidas, que "para a Líbia, este é um dia histórico". Autoridades presentes em uma conferência de alto nível da ONU sobre o assunto congratularam os líbios – e a si próprios – pela queda de Kadafi, ocorrida após de sete meses de Em mensagem, Kadafi guerra civil em que a Organizachamou a atual situação ção do Tratado do Atlântico na Líbia de 'farsa'. Norte (Otan) foi decisiva no seu apoio aos rebeldes. manos e afirmou que não haveAo saudar os novos líderes rá vingança. Segundo ele, havelíbios na comunidade interna- rá "perdão e reconciliação". cional, Ban disse que o Conse"Ainda há muitos desafios a lho de Segurança da ONU agiu curto e a longo prazo, principalpara proteger o povo líbio da mente pela presença de Kadafi e violência, e por isso autorizou pelos esforços da reconstrução

do país", disse Jalil. Para os novos líderes líbios, a previsão é que o país tenha um novo governo nos próximos dez dias. Apoio - O presidente norteamericano, Barack Obama, afirmou ontem que vai apoiar a população líbia na reconstrução do país após mais de quatro décadas sob o regime de Kadafi. Obama anunciou o retorno do embaixador dos EUA a Trípoli e pediu que os partidários de Kadafi entreguem as armas e aceitem a transição. "Hoje o povo líbio está escrevendo um novo capítulo na vida da sua nação", disse. "Os que ainda resistem devem entender – o velho regime acabou, e é hora de depor as armas e aderir à nova Líbia", afirmou Obama, quase um mês após Kadafi ser expulso do poder. Kadafi provocou ontem o Ocidente, em discurso transmitido por uma TV síria. "Não exultem nem acreditem que um regime foi deposto e outro imposto com a ajuda de ataques aéreos e marítimos", afirmou Kadafi no áudio. (Agências)

PALESTINOS: OTIMISMO EM ALTA.

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poucos dias da apresentação do pedido dos palestinos para serem reconhecidos como Estado membro da Organização das Nações Unidas (ONU), as negociações se intensificavam para conquistar apoio no Conselho de Segurança. Os palestinos dizem que tem ao menos seis votos e expressaram confiança em obter os nove votos necessários no organismo. "(As autoridades palestinas) estão tentando convencer dois ou três membros do Conselho de Segurança a votar a favor de aceitar a Palestina como Estado membro da ONU", afirmou o ministro das Relações Exteriores palestino, Riad Malki, em Nova York. O projeto precisa de nove votos no Conselho formado por 15 nações para ser aprovado, mas os Estados Unidos – um dos cinco membros permanentes com direito a veto – já disse-

Ahmad Gharabli/AFP

Jack Guez/AFP

Árabes agitam bandeiras palestinas em frente à embaixada dos EUA em Tel Aviv...

... enquanto israelenses demonstram apoio aos assentamentos na Cisjordânia.

ram que vetarão a medida. Os EUA argumentam que o Estado palestino deveria ser criado após uma negociação direta com Israel. Hoje, o presidente dos EUA, Barack Obama, deve se reunir com os colegas israelense, Benjamin Netanyahu,

e palestino, Mahmoud Abbas. O líder palestino disse que vai entregar nesta sexta-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, o pedido, que, assim, será encaminhado ao Conselho. Os palestinos contam atualmente com os votos de Brasil,

China, Índia, Rússia, África do Sul e Líbano. Além dos EUA, os votos contrários dados como certos são os de Colômbia e Alemanha. A dúvida ainda paira em relação ao Reino Unido, França, Bósnia, Nigéria, Gabão e Portugal.

O governo israelense também iniciou conversas para evitar que o pedido palestino seja aprovado. O presidente israelense, Shimon Peres, conversou ontem com o colega da Bósnia e deveria fazer o mesmo com os líderes de Gabão e Nigéria.

Na Cisjordânia, houve confrontos nos arredores de Nablus envolvendo colonos judeus indignados com a solicitação palestina de adesão à ONU. O território palestino foi ocupado por Israel após uma guerra em 1967. (Agências)


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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Danilo Verpa/Folhapress

REIVINDICAÇÃO METROPOLITANA O governador Geraldo Alckmin afirmou que a Região Metropolitana de São Paulo precisa de um terceiro aeroporto. "Viracopos é uma boa alternativa, mas fica mais distante". Congonhas (foto) está saturado.

idades

Alckmin defende terceiro aeroporto O Criado ontem, Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo vai reivindicar aeroporto perto de São Paulo, o que excluiria Viracopos Raimundo Pacco/Folha Imagem - 10/12/2007

governador Geraldo Alckmin disse ontem que a construção de um terceiro aeroporto na Grande São Paulo será um dos primeiros projetos a ser discutido no recém-criado Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo, que inclui os prefeitos dos 39 municípios dessa região - entre eles, a Capital. Durante a cerimônia, o prefeito Gilberto Kassab, presidente interino do grupo e que deverá ser oficializado definitivamente no cargo, também defendeu a construção do aeroporto e destacou ainda outros quatro temas prioritários para a região: saneamento básico para prevenção de doenças, coleta e tratamento do lixo, transporte coletivo e poluição ambiental. O evento foi realizado na manhã de ontem no auditório do Ibirapuera, na zona sul da cidade. Após a cerimônia de posse do Conselho, o governador Alckmin, acompanhado do vice-governador, Guilherme Afif Domingos, afirmou que, apesar da sua importância, o Aeroporto de Viracopos é uma opção muito distante da Capital - ele está localizado na cidade de Campinas, a 96 quilômetros de São Paulo. "Temos de pensar num terceiro aeroporto para a região metropolitana. Viracopos é uma boa alternativa, mas fica mais distante", afirmou o governador Alckmin, sem, contudo, dar detalhes sobre onde o novo terminal aeroportuário poderá ser construído. Recentemente, aventou-se a possibilidade de construção de um aeroporto no município de Carapicuíba, na região oeste, o que ainda não foi confirmado. Temas – Na pauta do Conselho, a construção do terceiro aeroporto vai se juntar à criação do bilhete único metropolitano (que interligará os serviços da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e do Metrô). Por sugestão de Gilberto Kassab, outros temas serão agregados: projetos de saneamento básico, destino do lixo dos municí-

Temos de pensar num terceiro aeroporto para a região metropolitana. Viracopos é uma boa alternativa, mas fica mais distante. GERALDO ALCKMIN

Para o governador Geraldo Alckmin, os 39 municípios da Região Metropolitana necessitam de um novo aeroporto mais próximo Apu Gomes/Folhapress

Somos cerca de 20 milhões de habitantes vivendo em uma única mancha urbana. Pensando como um grupo, podemos chegar a soluções mais criativas. GILBERTO KASSAB

Trabalho em grupo: encontro no Ibirapuera reuniu os prefeitos da Região Metropolitana de São Paulo

pios da região e o combate à poluição ambiental. O Conselho deve se reunir em até dez dias para elaborar um regimento interno e discutir a criação de uma agência de desenvolvimento e de um fun-

do para a região metropolitana. O grupo deverá ainda eleger um presidente, cargo interinamente ocupado pelo prefeito Kassab. Enquanto a agência de desenvolvimento não sair do pa-

pel, as funções da Secretaria Executiva do Conselho ficam à cargo da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (Emplasa). Grupo – "É difícil hoje a execução de um projeto de ape-

nas uma cidade, já que elas estão todas 'conurbadas'", disse o governador. "Somos a terceira maior metrópole do mundo e enfrentamos problemas que extravasam o limite de uma cidade, e precisamos enfrentá-los de maneira regional." O prefeito de São Paulo, durante seu discurso de posse no conselho, fez afirmações no mesmo sentido. "Atualmente, somos cerca de 20 milhões de habitantes vivendo em uma única mancha urbana. Pensando como um

grupo, podemos chegar a soluções mais criativas", disse. A Região Metropolitana de São Paulo é formada por 39 municípios divididos em cinco sub-regiões. Criada em 2005, ela foi reorganizada em 16 de junho deste ano por meio do Projeto de Lei Complementar de nº 1.139. O objetivo do grupo é deliberar sobre planos, projetos, programas e obras estratégicas a serem executadas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) com recursos do Fundo de Desenvolvimento. Cada prefeitura terá direito a voto para definir quanto de recurso irá para cada região. O Produto Interno Bruto (PIB) da região corresponde a 57% do total das riquezas do Estado e a 18,8% do País, somando R$ 572,2 bilhões. "Teremos, a partir de hoje, uma mesa comum onde se sentarão todos os prefeitos junto com o governo de São Paulo", disse o secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido. Suprapartidário - Em entrevista, Alckmin rechaçou a hipótese de o conselho servir como uma tentativa do governo do PSDB de ampliar sua influência em uma área de intensa disputa de voto com o PT. "A gente não pode enxergar no projeto uma questão partidária", disse o governador, ao destacar que o PLC 1.139 foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa paulista. "A participação aqui é totalmente suprapartidária, é uma questão de políticas públicas para a metrópole." (AE e I.V.)

Marcos Mendes/Luz

O presidente da ACSP, Rogério Amato, durante a reunião da CPU

Cumbica: novo terminal estará pronto em 2012 Ivan Ventura

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s uper inte nden te da Infraero de São Paulo, Willer Larry Furtado, afirmou ontem que o segundo terminal remoto de passageiros do Aeroporto Internacional de Cumbica deve ficar pronto até o primeiro trimestre do próximo ano. Os dois terminais remotos (o primeiro concluído em agosto deste ano) representam uma alternativa ao embarque e desembarque de passageiros até a construção do terceiro terminal de Cumbica. O anúncio foi feito ontem

durante encontro quinzenal do Conselho de Política Urbana (CPU), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "Tivemos um problema (a construção foi barrada pela Justiça), mas (as obras) já foram retomadas. Estão dentro do prazo", afirmou Furtado. O presidente da ACSP, Rogério Amato, acompanhou o evento ao lado do vice-presidente da ACSP e coordenador da CPU, Antonio Carlos Pela. "Ele trouxe uma visão ampla da obras da Infraero. A informação trouxe tranquilidade para a entidade", disse Antonio Pela.


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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

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50 TÍTULOS é a quantidade de filmes nacionais exibidos pelo projeto Cine B.

setor

22 MIL é o número de pessoas que viram aos filmes em mais de 150 sessões.

Paulo Pampolin/Digna Imagem/Arquivo/DC

CINEMA PARA TODOS Kelly Ferreira

Cine B leva filmes nacionais a bairros da periferia e cidades da região metropolitana. Como antigamente, as sessões são ao ar livre, em praças ou escolas.

Fotos: Divulgação

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Nas fotos ao alto, sessão de cinema na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, na Vila Leopoldina. Acima, Cynthia Alário (à esquerda) e Cidálio Vieira Santos (à direita).

cinema brasileiro ao alcance da população de São Paulo: de leste a oeste, de norte a sul, passando por municípios da região metropolitana. E o melhor, a pipoca é de graça. Foi por meio do projeto Cine B que a gerente do Posto de Saúde do Jardim Santo Amaro, na zona sul, Caroline Terrazas, conseguiu levar lazer e cultura à população do bairro. "É uma comunidade carente de tudo, as ruas são de terra e não há opções de lazer e cultura para a população local", disse. Mas o Jardim Santo Amaro tem igrejas e uma associação de moradores. "Por isso, quando conheci o Cine B, fui atrás para conseguir uma exibição. Saúde não é só dar vacina. Todo ser humano precisa de momentos agradáveis, ver coisas bonitas que façam bem pra gente", afirmou Caroline.

Lado B – O Cine B, realizado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, com a organização da Brazucah Produções, é um projeto de democratização do cinema brasileiro com projeções de longas e curtas nacionais em espaços comunitários, como praças, escolas e salões de igreja. Em quatro anos, o projeto já exibiu em torno de 50 títulos para um público superior a 22 mil pessoas em mais de 150 sessões. As sessões atraem, em média, 130 pessoas, e acontecem durante o ano inteiro, colaborando na criação de circuito alternativo de exibição gratuita de filmes brasileiros. As exibições ajudam a despertar o interesse pela cinematografia nacional em pessoas que não têm acesso ao circuito comercial. "As crianças e os idosos sempre se encantam com essa volta ao passado, naquele tempo em que as sessões de cinema aconteciam ao ar livre", disse Cynthia Alário, uma das idealizadoras do projeto e proprietária da Brazucah. "As pessoas aproveitam para colocar a conversa em dia ao encontrar os vizinhos. Fazemos tudo para aproximar os brasileiros dos filmes produzidos no nosso País", afirmou. Convite – De acordo com Cynthia, o número de expectadores durante as exibições sempre aumenta quando o projeto retorna à comunidade. "Ir ao cinema é caro, muitos não têm acesso e alguns bons

filmes brasileiros são mal trabalhados. A cada ano que passa ganhamos mais público, que sempre cresce nos lugares por onde já passamos." Segundo um dos coordenadores do Cine B, Cidálio Vieira Santos, a comunidade é quem confecciona os convites, que devem ser retirados com antecedência. O projeto fica com a divulgação antecipada do evento e leva toda a estrutura necessária para montar uma sala de cinema ao ar livre: telão, projetor, caixas de som, banners e cadeiras. "No final da sessão distribuímos uma pesquisa para que o público opine sobre os filmes exibidos. Junto com a pesquisa, realizamos sorteio de brindes. Como cinema e pipoca têm tudo a ver, um pipoqueiro sempre acompanha as exibições e distribui os saquinhos padronizados do projeto", completou Cidálio. O cronograma das exibições para 2012 ainda não está fechado. Mas o número de sessões de cinema, que este ano deve chegar a 50, vai aumentar. No próximo dia 1º, o Projeto Cine B exibirá o longa Contador de Histórias, de Luiz Villaça, e o curta A Mula Teimosa e o controle Remoto, de Hélio Vilela Nunes, no Parque Municipal Vila Silvia, na zona leste da capital.

S ERVIÇO Dia 1º de outubro, às 19h o Cine B estará no Parque Municipal Vila Silvia, na zona leste da cidade, na rua Carlos Barbosa, 365. Contatos pelo telefone 2545-4944. A retirada de ingressos é no próprio parque, com Alcides (assistente administrativo). Mais informações no site http://cineb.spbancarios.com.br

Divulgação

Contando histórias O filme Contador de Histórias, que será exibido na Vila Silvia, como diz o título, conta, é claro, a vida (real) de um contador de histórias: Roberto Carlos Ramos, de Belo Horizonte. O diretor do longa, Luiz Villaça, descobriu Roberto Carlos em um livro infantil de seu filho. Após ler sua história, Villaça desenvolveu o projeto do filme, premiado com o selo da Unesco. Tido como irrecuperável na infância, na Febem, o menino Roberto é adotado pela pedagoga francesa Margherit Duvas, que muda sua vida com carinho e atenção. O faz estudar e o leva para a França. Após concluir seus estudos, Roberto Carlos retorna à Febem, agora como educador. Cria uma família, adotando 20 crianças e adolescentes, alguns, como ele, supostamente irrecuperáveis. Participam do filme, Maria de Medeiros, como Margherit, e Daniel Henrique, Paulinho Mendes e Cleiton Santos, como Roberto Carlos em várias idades.


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12 -.LOGO

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Nasa/Reuters

Nasa 'inocenta' asteroides A queda de um asteroide do tipo Baptistina – ao lado em imagem criada por artistas – na Terra, há 65 milhões de anos, pode não ter sido a causa da extinção dos dinossauros, segundo estudo baseado dados da sonda WISE e divulgado pela agência espacial norte-americana (Nasa). Os cientistas têm certeza de que um grande asteroide atingiu a Terra e provocou a morte dos répteis gigantes, mas desconhecem sua origem exata. Em 2007, um estudo realizado com telescópios terrestres, feito pelo Instituto de Pesquisa de Southwest, no Colorado, apontou como "responsável" um corpo celeste do tipo Baptistina, situado no cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter. No entanto, a pesquisa recente da Nasa refuta a teoria. AFP

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O tuiteiro ambicioso

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uando criou sua conta no Twitter, Jason Castillo não pensava em ganhar dinheiro com ela. Até esta semana, quando a empresa Netflix decidiu separar seus dois serviços. Manteve com sua marca a locação de filmes online e criou um novo nome para o envio de DVDs pelo correio. Para lançar a nova marca, a Netfix buscou um nome marcante. Encontrou

Ele já foi o mais barato O Nano, da Tata Motors, lançado em 2008 para ser o carro mais barato do mundo e que atualmente custa US$ 2,9 mil, subiu na vida. Em parceria com a joalheria Goldplus, a Tata criou uma versão caríssima do carro, cobrindo-o com 80 kg de ouro 22 quilates, 15 kg de prata, rubis, pérolas e esmeraldas. Com esses "itens de fábrica", o carro passou a valer US$ 4,5 milhões.

"Qwikster", exatamente o nome de usuário da conta de Jason, que agora pretende vender seu perfil por, pelo menos, US$ 100 mil. Segundo o site TechCrunch, Jason estava longe de ser um dos usuários "apegado" ao Twitter. Fazia mais de um mês que ele não atualizava seus tuítes. Mas assim que soube da criação da Qwikster, seu perfil de usuário mudou. Ele passou a postar mensagens seguidas com frases como "A

@Netflix começou a me seguir, mas ainda não fizeram contato sobre negociações"; "Não tenho nada para comer. Vou pedir algum dinheiro para o meu pai"; "Alguém me ofereceu 1.000 dólares pelo endereço"; "não vou aceitar até ter um contrato, e vou negociar" e "sigam meu amigo @soccerislifegc7. Vou considerar vender o domínio para quem seguir meu amigo". Ele também disse que não venderia o nome de

usuário por um valor "com pelo menos seis dígitos". Ontem, Jason tuitou à vontade e se tornou notícia mundo afora. Mas ele corre um risco: ser banido do serviço. De acordo com os termos de uso do Twitter, vender nomes de usuário é proibido e os usuários "pegos" em transações do tipo perdem a conta. Se isso acontece, o nome de usuário banido fica disponível novamente para quem desejá-lo.

I NTERNET

Pesquisa divulgada ontem pela comScore aponta que 90,8% dos brasileiros com acesso à internet usam as redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. Em junho, 43,9 milhões de usuários brasileiros da internet gastaram um total de 12,5 bilhões de minutos nas redes sociais. Cada usuário fica, em média, 4,7 horas por mês

conectado nesses serviços. O relatório, que analisa o desempenho das mídias sociais em toda a América Latina, mostra que a região registrou, em 2010, um aumento de 16% no uso desses serviços e o tempo gasto cresceu 88%. O Brasil ainda é um dos poucos países onde o Facebook não é líder, perdendo para o Orkut.

Ted Aljibe/AFP

Brasileiro adora redes sociais

G @DGET DU JOUR

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COM A VIDA MANSA - Cuidador de girafas no santuário de vida selvagem da ilha de Calauit, em Busuanga, nas Filipinas, alimenta girafas. A ilha, de cerca de 37 quilômetros quadrados, é área de preservação de espécies locais e animais africanos desde 1977.

F OTOGRAFIA Esqueça o clique. Você vai apertar, beliscar e afofar seu mouse. É assim que o Blob interage com seu computador. No mínimo, divertido.

Clicados contra as paredes

http://bit.ly/oEDYt0

L OTERIAS Concurso 1004 da DUPLA SENA

Segundo sorteio 05

10

41

42

46

47

Primeiro sorteio 05

19

31

37

45

46

Concurso 2701 da QUINA 38

A TÉ LOGO

43

60

70

76

Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

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Mega-Sena pode pagar R$ 31 milhões hoje

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Felipão antecipa concentração no Palmeiras

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Fogos de artifício terão a ter controle mais rígido

Considerado um dos fotógrafos norte-americanos mais talentosos para retratar pessoas, Irving Penn (1917-2009) tinha uma preferência por "cenários" austeros para compor seus retratos. O efeito dessa preferência, especial, foi reconhecido até mesmo pela revista de moda Vogue, para a qual ele trabalhou por décadas. Agora, uma de suas famosas séries, a "Corners", em que celebridades foram clicadas contra um canto estreito, pode ser vista no site How to be a retronaut. Além de Salvador Dalí e Truman Capote, que aparecem nesta página, a coleção traz retratos de Marlene Dietrich, Marcel Duchamp e outros. Veja no site. http://bit.ly/nH9dWC


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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

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13 TELEFONIA BNDES aprova financiamento de R$ 3 bilhões para a Vivo

conomia

BANCO MUNDIAL Copa do Mundo e Jogos Olímpicos dificultarão ajuste fiscal brasileiro

Possibilidade de feriados nos dias de jogos pelo campeonato mundial que será realizado no Brasil em 2014 preocupa empresários. Classe de trabalhadores aprova medida que irá trazer ganhos aos bolsos. ALFER

Economia perde de goleada com a Copa Rejane Tamoto

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artigo da Lei Geral da Copa – que deixa para governadores e prefeitos de 12 cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol em 2014 a decisão de decretar feriados em dias de jogos – preocupa o setor produtivo do País. Segundo cálculos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), atualmente o Brasil perde R$ 11 bilhões por dia parado em razão de feriados. O rombo gerado pela paralisação de um dia útil no Estado de São Paulo é de R$ 4,7 bilhões. "Isso já nos dá uma ideia de quanto poderia vir a ser o prejuízo se todas as cidades-sede decidissem adotar a postura sugerida pelo governo federal

de instituir feriados nos dias de jogos da Copa", disse o gerente de estudos econômicos da Firjan, Guilherme Mercês. De acordo com ele, o cálculo feito sobre o Produto Interno Bruto (PIB), traz o valor de perda máximo de um dia parado em razão de feriados. Somente neste ano, o País vai perder R$ 135,8 bilhões, ou 3,8% do PIB, com paralisações causadas por nove feriados nacionais e 30 estaduais. Alguns setores sofreriam mais, como a indústria de processo contínuo. "O setor siderúrgico, por exemplo, não pode parar e teria custos maiores com horas extras", afirmou. Sem a definição da tabela de jogos não é possível fazer o cálculo do impacto de possíveis feriados da Copa para o Brasil. O evento terá duração de aproximadamente um mês, mas o

Mailson critica protecionismo Ex-ministro alerta para efeitos negativos no futuro

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Brasil está cami- mas que pode chegar a 25%, n h a n d o r u m o a entre a posição comprada e u m a e c o n o m i a vendida no mercado futuro, mais fechada e me- sem fazer nenhuma consulta nos competitiva – o que deve "São decisões tomadas no afoter consequências negativas gadilho", disse. no longo prazo. A avaliação As novas regras do IPI prepartiu do ex-ministro da Fa- veem que as empresas que não zenda e sócio da Tendências atenderem aos requisitos de Consultoria, Mailson da Nó- investimentos e uso de compobrega. Para ele, tanto o aumen- nentes nacionais terão alta de to do Imposto sobre Produtos até 30 pontos percentuais na Industrializados (IPI) para au- alíquota do tributo até o fim de tomóveis importados como a 2012. As montadoras terão de decisão de aplicar o Imposto usar no mínimo 65% de consobre Operações Financeiras teúdo nacional ou regional ( I O F ) s o b re ( M e rc o s u l ) , transações investir em com derivatipesquisa e devos cambiais s e n v o l v iEssas medidas são exemplos mento e premostram que esse de decisões encher seis e q u i v oc a d a s etapas de proé um governo que do Ministério dução no improvisa, que da Fazenda. País. acredita que tem "Essas meJ u r o s – Ele de dar subsídios a d i d a s m o sdisse que a retram que esse cente decisão certos setores. é um governo do Banco MAÍLSON DA NÓBREGA que improviCentral (BC) sa, que acrede cortar o judita que tem de dar subsídios a ro em 0,5 ponto percentual, pacertos setores, escolher vence- ra 12% ao ano, na última reudores, proteger o mercado in- nião do Comitê de Política Moterno. Isso é um equívoco. Vai netária (Copom), pode se mosfechar ainda mais o mercado trar no futuro "inapropriada". brasileiro e não é bom no longo Por enquanto, Mailson avalia prazo", afirmou ontem Mail- que a taxa básica de juros terá son, durante o evento Brasil mais três cortes de 0,5 ponto, Inc., em Nova York. chegando a 10,5% ao ano. Para o ex-ministro, no fim "Acredito que o superávit das contas tanto o consumidor primário em 2012 será de 2,2%, quanto a indústria saem per- e não de 3% como espera o godendo com medidas protecio- verno. E não vejo no horizonte nistas. "O consumidor acaba um alto risco de colapso no sispagando mais e a indústria fica tema financeiro como em 2008. menos competitiva", avaliou. Então, se o cenário do BC não Segundo ele, o governo mos- se confirmar, ele terá que voltrou que improvisa ao decidir, tar a aumentar a taxa. Isso afeem julho, aplicar IOF sobre de- tará ainda mais a credibilidade rivativos, inicialmente de 1%, do BC, já arranhada." (AE)

projeto de lei prevê para os governadores e prefeitos a decisão de instituir feriado em qualquer dia de jogo. Na primeira fase da Copa, por exemplo, a Seleção Brasileira participará de três jogos. Se ganhar e chegar à final do campeonato, deverá jogar sete partidas. Sem o calendário, não é possível saber se esses jogos serão realizados em fins de semana ou dias úteis. "Se considerarmos sete feriados, o prejuízo econômico já seria grande. Por mais que o evento traga recursos para a economia, acredito que eles não superem a redução da atividade produtiva nacional", disse Mercês. A ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, justificou os feriados como forma de facilitar a mobilidade urbana nas cidades. Na opinião do gerente da Fir-

jan, o feriado não pode ser solução para o problema da falta de infraestrutura no País, até porque ele minimizaria os ganhos que o campeonato pode trazer ao Brasil. Custos – Para o economistachefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, a instituição de feriados em dias de jogos aumentará os custos dos comerciantes com pagamentos trabalhistas. Hoje, um funcionário do comércio que trabalha no feriado recebe o valor de um dia de trabalho em dobro, mais folga, vale-transporte e cerca de R$ 20 para refeição. Além desse impacto, há a queda no movimento de consumidores nas ruas comerciais. "Esse tipo de comércio, principalmente o da região central, vive do tráfego de pessoas nas ruas", afirmou.

O diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, disse que em ano de Copa do Mundo os estabelecimentos registram queda no rendimento por precisarem fechar durante os jogos. "Depois que a partida termina, o movimento não é recuperado. A medida é demagógica e não tem efeito produtivo ou turístico", afirmou Silva. Para o consultor tributário e sócio da Macro Auditoria e Consultoria, Leandro Cossalter, os empresários terão de pagar não só o dobro de um dia aos funcionários, mas também mais encargos trabalhistas e previdenciários. "O governo deveria estudar desoneração

sobre as horas extras. Vamos aguardar o projeto ser votado e regulamentado", disse. Positivos – O secretário de Relações do Trabalho da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Messias Melo, afirma que vê de modo satisfatório a instituição de feriados em dias de jogos. "Será importante do ponto de vista da valorização do País. Os impactos positivos do turismo e do consumo compensarão qualquer problema econômico gerado pelas paralisações", afirmou Melo. Para o presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, o feriado é positivo para os trabalhadores do setor, que terão sua condição financeira melhorada. Leia mais sobre a Copa na pág. 6.

EPE aposta em mais carros flex no País devido a aumento de imposto

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presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou ontem que o aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis importados deve elevar a proporção de veículos flex no País, com a produção nacional de carros adaptados ao etanol. Para ele, o Brasil deverá chegar a 2020 com 80% de carros flex, ante 49% atuais. Tolmasquim disse que a projeção da EPE de que haverá 50,3 milhões de automóveis em circulação no País em 2020 é conservadora. Ele aposta que a frota chegará a 53 milhões de veículos, ante 27,9 milhões de

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milhões de veículos adaptados ao etanol estarão circulando no Brasil em 2020, segundo a EPE.

hoje. A EPE projeta que, com o Pré-sal, o Brasil irá produzir, em dez anos, 6,1 milhões de barris de petróleo por dia, incluindo a produção da Petrobras e demais empresas que farão a exploração. Atualmente, a produção está em 2,3 milhões de barris diários. Desse total previsto para 2021, Tolmasquim calcula que 3 milhões de barris diários serão excedentes que poderão ser exportados. Ele diz que apesar de o Brasil ter a perspec-

tiva de se tornar um grande produtor e exportador de petróleo, a matriz energética brasileira não deve se alterar significativamente nesse período, permanecendo com prioridade em energias renováveis. "É um retrato muito positivo, com o País conseguindo ter uma inserção estratégica com o petróleo (no mundo, como exporta do r), mas mantendo uma matriz limpa", afirmou. Até 2020, o presidente da EPE calcula que aumentarão as

participações da cana de açúcar (de 18% para 22%) e do gás natural (de 10% para 14%) na matriz. A perspectiva para o gás, diz, é conservadora e, com a exploração do Pré-sal, tende a ser mais forte. O aumento da cana será favorecido com o início do processamento da palha e da ponta da cana, que hoje ainda são queimados, desperdiçando um terço da energia potencial da planta. As projeções da EPE consideram um crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano, e aumento da demanda de energia a 5,3%. Tolmasquim participou da 4ª edição da conferência Rio Pipeline, organizada pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). (AE)

Ernesto Rodrigues/AE

Projeto quer reverter elevação do IPI

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ma iniciativa parlamentar apresentada ontem tenta barrar a medida anunciada na semana passada pelo governo federal, pela qual foi elevado em até 30 pontos percentuais da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre veículos importados. O deputado federal Mendonça Filho (DEMPE) propôs ontem em projeto de decreto legislativo ao Congresso a derrubada do aumento. A proposta ainda precisa ser aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado para ter efeito prático. No entanto, como o governo federal dispõe de maioria nas duas Casas, as

chances de sucesso da iniciativa no Legislativo são pequenas. O DEM já estuda levar o caso à Justiça. China – Oaumento do IPI para carros importados deverá ter um impacto bastante forte sobre as exportações automotivas da China ao Brasil, além de gerar uma drástica redução nos investimentos das montadoras daquele país. Em reportagem publicada ontem na Folha de S. Paulo, a Associação dos Fabricantes de Carros de Passeio da China (CPCA, na sigla em inglês) criticou a medida. "Há inúmeras formas de evitar uma disputa comercial. É completamente desne-

Medida deverá afetar investimentos de montadoras chinesas

cessário jogar um ajuste abrupto que provoca estragos à confiança mútua", avaliou Cui Dongshu, vice-secretário-geral e economista-sênior da entidade. A CPCA reúne todas as empresas daquele país que atuam no mercado brasileiro. Ele sugeriu ao governo brasileiro que seja encontrada uma

solução negociada para a importação de carros chineses. De acordo com o economista da CPCA, o governo deveria ter concedido às montadoras "tempo suficiente" para que elas pudesses aumentar o nível de nacionalização dos veículos chineses até serem totalmente fabricados no Brasil. (Agências)


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Mesmo se todos os estados repassassem corretamente o recurso, teríamos R$ 3 bilhões a mais. É longe de ser suficiente. Jurandi Frutuoso, secretário-executivo do Conass

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Patrícia Cruz/LUZ

Imposto da saúde pode ser criado hoje Economistas debatem sobre a necessidade de se lançar uma nova fonte de recursos para a área de saúde Renato Carbonari Ibelli

O

s deputados federais devem votar hoje um destaque da Emenda Constitucional 29 que abre o caminho para a criação de mais um tributo para o País – a Contribuição Social para a Saúde (CSS), que faria as vezes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O assunto é polêmico. O que se debate é a real necessidade de os recursos virem de uma nova fonte ou se haveria a possibilidade de realocar recursos já arrecadados, direcionando-os para essa área vital. Então, qual deveria ser a origem dos recursos para financiar a saúde? Na opinião do economista Roberto Piscitelli, professor de finanças públicas da Universidade de Brasília (UnB), o crescimento consistente da arrecadação permite que a União redirecione mais recursos para a saúde sem a necessidade de criar outra fonte. Piscitelli lembrou que recentemente o go-

verno federal aumentou o superávit primário – ou seja, vai guardar dinheiro –, o que reforça a certeza de que há sobra orçamentária que poderia ser investida. "Dinheiro para a saúde tem. A questão é outra: o governo não gosta de rearranjar a distribuição do orçament o p a r a n ã o c o m p ro m e t e r programas que já estão em andamento", avaliou. Lógica – Uma outra solução que vem sendo discutida seria aumentar a taxação sobre produtos nocivos à saúde, como cigarro e bebida, garantindo que o acréscimo na arrecadação, proveniente desse ajuste de alíquota, seria direcionada integralmente para a saúde. A princípio parece uma saída lógica, mas tem problemas. "Todas as vezes que se taxa demasiadamente um setor, a sonegação e o contrabando crescem dentro dele, anulando os benefícios do que parecia ser uma boa ideia" afirmou Piscitelli. Criar um tributo soa como uma saída fácil para o economista Roberto Romano, professor de ética e filosofia política da Universidade de Campi-

Fazer mudanças sutis em uma lei, de uma maneira imperceptível para o cidadão, é golpe de Estado, sem a dramaticidade que costuma ser dada. ROBERTO ROMANO, UNICAMP nas (Unicamp). Vale lembrar que, embora a arrecadação bata um recorde após o outro, boa parte dos recursos é absorvida pela máquina pública, que tem custo elevado. Romano lembrou que o momento em que se discute a criação de mais um tributo é acompanhado por escândalos decorrentes da utilização indevida de dinheiro público, que já levaram à queda de ministros. O professor defende o rearranjo dos repartes públicos para evitar o uso indevido do dinheiro público, garantindo assim que ele chegue onde deve. Para ele, é preciso dar mais au-

Lindomar Cruz/ABr

Piscitelli: com a alta consistente da arrecadação, não é preciso criar outra fonte de recursos para a saúde.

tonomia aos municípios, por ser a esfera pública que lida diretamente com as necessidades imediatas da população, como o acesso à saúde. "A verdade é que os recursos ficam distantes da população por estarem concentrados na União. Então, o município tem de acionar deputados e vereadores para fazer lobby junto ao governo federal. É esse excesso de pedágios que abre espaço para corrupção", afirmou o professor da Unicamp. Embora se manifestem contrários à criação de um outro tributo, ambos os professores veem uma forte possibilidade de que esse seja, no final, o caminho adotado. Os governos estaduais vêm pressionando Congresso e União pela criação de outra fonte de recurso para a saúde. Segundo Jurandi Frutuoso, secretário-executivo do Conselho Nacional de secretários de Saúde (Conass), "independentemente da alta da arrecadação, sem um novo tributo não é possível recuperar a saúde pública." Frutuoso diz que seria preciso dobrar os recursos voltados à saúde para que o Brasil atinja o patamar destinado para essa área por países como Colômbia, Costa Rica ou Estados Unidos e as nações da zona do euro. "Em média, esses países destinam entre 6% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) para a saúde. O Brasil destina apenas 3,4%", afirmou o representante do Conass. Para Frutuoso, nem se todos os estados cumprissem sua parte no percentual destinado à área seria possível chegar ao ideal. A metade dos Estados destinam 12% da arrecadação para a saúde. "Mesmo se todos os estados repassassem corretamente o recurso, teríamos R$ 3 bilhões a mais. É longe de ser suficiente", disse. Para Romano, em uma sociedade democrática é preciso ter o consenso da população para saber se um tributo é vá-

Romano considera ruim a falta do plebiscito para ouvir o povo

Pré-sal, outra opção.

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governo federal vai estudar a possibilidade de ceder uma parcela do que arrecada em participações especiais sobre as operações de petróleo para tentar alcançar um acordo sobre a distribuição das receitas entre estados produtores e não produtores da commodity. Tanto o líder governista no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), quanto o secretárioexecutivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disseram que uma possibilidade de abrir mão de quatro pontos percentuais das participações especiais, em favor de estados não produtores, será analisada

lido ou não. "Esse é um dos defeitos do nosso processo político. Não temos a política do plebiscito para ouvir o povo sobre questões importantes", afirmou o professor da Unicamp. Romano classifica essa con-

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Fonte CNI

competitividade. As contribuições previdenciárias e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, (Cofins) também estão no alto dessa lista com 62,5% e 58,2% respectivamente. Nos setores vestuário, calçados, edição e impressão, máquinas e materiais elétricos e outros equipamentos de transportes, as contribuições previdenciárias são apontadas como o tributo mais nocivo à competitividade. A sondagem mostra que 72,4% dos empresários defendem a unificação das alíquotas do ICMS. Simplificar procedimentos e exigências aparece em segundo lugar com 46,1%. A pesquisa mostra que 96% dos empresários criticaram o elevado número de tributos existentes no País. "É um entrave enorme à competitividade do setor industrial brasileiro. As empresas vivem em um

emaranhado de normas tributárias. A tributação é excessiva. E o sistema tributário é cheio de problemas", disse o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco. Ele destacou que um levantamento recente feito pela Consultoria Legislativa do Senado mostrou que existem 104 tributos no Brasil "E ainda tem gente que quer criar mais um tributo em cascata, que não tem transparência e que vai afetar a competitividade", afirmou, referindo-se à discussão sobre a possibilidade da volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) (leia mais acima). O economista avaliou que o Brasil tem uma carga tributária muito mais elevada entre os países emergentes, o que reflete na competitividade. Para ele, um eventual retorno da CPMF provocará uma reação

negativa da indústria por trazer mais custos, menos competitividade e menos vendas. IPI– Ao responder sobre a decisão do governo de elevar o IPI para automóveis importados, o economista disse que a medida é uma reação de defesa do mercado brasileiro em relação aos importados. Para ele, as distorções do sistema tributário e as suas deficiências ficam "desnudadas" com a valorização do real. "Com certeza é uma medida diferente das usuais, quase emergencial do ponto de vista de ação, com características específicas e transitórias", defendeu. O economista acredita que, apesar da elevação do tributo, o mercado brasileiro é atrativo. "Se a empresa estiver no processo de instalação de uma planta no Brasil, pode ser um estímulo para ela acelerar este processo", avaliou. (AE)

duta como golpe de Estado. "Fazer mudanças sutis em uma lei, de uma maneira imperceptível para o cidadão é golpe de Estado, sem a dramaticidade que costuma ser dada", comentou.

Anac aprova compra da Webjet pela Gol

Sistema tributário é reprovado maioria dos empresários industriais considera o sistema tributário brasileiro ruim ou muito ruim. De acordo com uma sondagem especial sobre a qualidade do sistema, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 79% dos industriais acham o consideram muito ruim. Apenas 1% avaliou o sistema tributário como muito bom. A elevada reprovação ocorreu entre as empresas do setor industrial. A pior avaliação foi em relação ao número de tributos no País, seguido pela falta de simplicidade do sistema. Para 90,8% dos empresários, a tributação excessiva é o principal fator negativo do sistema no País, e a sua incidência sobre a folha de pagamento é tida como o maior problema para 61,2%. Na pergunta sobre as características negativas em relação ao sistema tributário do País, os empresários puderam apontar mais de um item. Em terceiro lugar, foram apontados como principal problema os tributos cumulativos ou em cascata (42,2%). A sondagem indica ainda que os empresários consideram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) o tributo que gera o pior impacto sobre a competitividade do setor industrial. Segundo a pesquisa, 70,1% das empresas afirmam que o ICMS afeta sua

pelo Executivo. Barbosa e Jucá falaram a jornalistas após o término de nova rodada de discussões para um acordo sobre a distribuição das receitas nas operações de petróleo entre estados e municípios produtores e não produtores da commodity. A proposta de a União e os estados produtores abrirem mão de uma parcela das participações foi apresentada pelo deputado federal Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara. "Estamos avaliando essa proposta. Vamos levar esses cálculos ao ministro Guido Mantega (da Fazenda) e à presidente Dilma." (Reuters)

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Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou ontem a compra da Webjet pela Gol. Este é o primeiro passo para que a Gol assuma o controle total da concorrente. A decisão autoriza a mudança societária da Webjet, de modo que a Gol passe a administrá-la financeiramente. As operações das duas companhias, porém, continuam separadas. Isso significa que a Gol não pode ainda usar os slots (horários e espaços para pousos e decolagens nos aeroportos) da Webjet nem se desfazer da marca. Para unir as operações e conseguir usar os slots da Webjet, a Gol precisa fazer um pedido de avaliação técnica à Anac. Além disso, o negócio precisa ser julgado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que pode barrá-lo caso avalie que traz prejuízo à concorrência. A Gol anunciou a compra da Webjet no início de julho, em um negócio de R$ 96 milhões. A Webjet estava avaliada em R$ 310,7 milhões, no entanto suas dívidas na época somavam R$ 214,7 milhões. Mercado – A demanda por voos domésticos em agosto registrou crescimento de 13,45% ante igual mês do ano passado. Em relação à oferta, o crescimento foi de 14,31%. No acumulado do ano até o mês passado, o crescimento da deman-

da atingiu 20,14% e o da oferta, 14,39%. Os Dados Comparativos Avançados foram divulgados ontem pela Anac. No mercado internacional (composto apenas por empresas brasileiras), o crescimento da demanda por voos domésticos foi de 5,91% e o da oferta 6% em comparação com agosto de 2010. No acumulado do ano, a demanda registrou 15,83% e a oferta, 10,53%. A Gol ultrapassou a TAM em agosto, mas as duas empresas estão praticamente empatadas na primeira posição. A Gol fechou o mês passado com 38,84% de participação de mercado e a TAM, com 38,37%. Em seguida aparece a Azul, com 9,27% de mercado, seguida pela Webjet, com 5,74%, a Avianca, com 3,55%, e a Trip, com 3,43%. Iata – A indústria mundial da aviação comercial terá mais lucro do que o previsto para este ano, mas a margem reduzirá e terá um momento delicado em 2012 pelo panorama econômico global de incerteza, anunciou a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). O diretor-geral e executivochefe da Iata, Tony Tyler, apresentou o relatório trimestral da entidade, que indica que o setor arrecadará US$ 6,9 bilhões neste ano. Esse montante representa uma alta de US$ 2,9 bilhões sobre os cálculos feitos em junho. (Agências)


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e Cheques compram mais que cartões Estudamos o comportamento do consumidor durante 20 meses. Hélio Rotenberg, presidente da Positivo

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No primeiro semestre deste ano, os valores superaram em 70% as compras feitas com os plásticos, segundo pesquisa da Fecomercio-SP. Marcelo Soares/ LUZ

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Mesmo com volume menor de transações, os itens de preços superiores e o uso de pré-datados levam os cheques a cobrir 70% mais pagamentos do que os cartões.

Alta do índice oficial da inflação dobra

Positivo lança tablet nacional a R$ 999 Werther Santana/AE

IPCA-15, que mostra uma prévia da alta dos preços, subiu 0,53% em setembro.

O

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo15 (IPCA-15), que funciona como uma prévia da inflação oficial do País, ficou em 0,53% em setembro. O resultado é praticamente o dobro da taxa registrada um mês antes – 0,27%. Na comparação anual, o IPCA-15 havia subido 0,31% em setembro de 2010.

Acumulado – Segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano o IPCA-15 acumula alta de 5,04 %, resultado que também supera o observado em igual período do ano anterior (3,53%). Nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 7,33%, acima dos 12 meses imediatamente

2010

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QUARTA-FEIRA, 21 DE SETEMBRO DE 2011

EMPREGADA DOMÉSTICA TEM DIREITO AO SALÁRIO FAMÍLIA? Informamos que o empregado doméstico não faz jus ao recebimento do salário família.Base Legal – Art.81 do Decreto nº 3.048/99. EMPRESA PRETENDE CONTRATAR CONVÊNIO MÉDICO E ODONTOLÓGICO (NUM MESMO PLANO E EMPRESA) PARA SEUS FUNCIONÁRIOS. NÃO HÁ % A RESPEITO DE DESCONTOS NA CONVENÇÃO COLETIVA DA CATEGORIA. QUAL O VALOR QUE PODERÁ DESCONTAR DOS FUNCIONÁRIOS MENSALMENTE? Informamos que não há previsão expressa em lei, uma vez que a concessão do benefício de assistência médica e odontológica é feita por liberalidade do empregador ou por cláusula expressa em documento coletivo. Desta forma, ficará a critério do empregador o percentual a ser descontado. VALE-TRANSPORTE EM DINHEIRO Empresa pode conceder vale-transporte em dinheiro e mencionar no holerite,há algum impedimento? Saiba mais acessando a íntegra do conteúdo no site: [www.empresario.com.br/legislacao].

anteriores (7,1%). De acordo com o levantamento, o resultado deste mês foi pressionado pelos alimentos, que apresentaram alta de 0,72% – variação bem mais intensa do que a do mês anterior (0,21%). Pesaram mais no bolso do consumidor produtos como o açúcar cristal (alta de 4,72%) e o refinado (variação de 4,59%), o leite pasteurizado (2,64%), o frango (2,51%), as carnes (1,79%) e o arroz (1,74%). Com isso, o grupo alimentação e bebidas acumula alta de 4,29% neste ano. Passagens – O levantamento do IBGE destaca que, embora os produtos não alimentícios tenham subido menos do que os alimentos, registrando alta de 0,47%, também acima da de agosto (0,29%), foram as passagens aéreas que lideraram a relação dos principais impactos no mês. Para viagens em setembro, os voos disponíveis subiram, em média, 23,4%. Com esse resultado, a taxa do grupo transportes passou de 0,03% para 0,7% de um mês para o outro. (ABr)

REGISTRO RETROATIVO DE FUNCIONÁRIOS Empresa pretende fazer o registro retroativo de um ano atrás para cinco funcionários? Como proceder? Saiba mais acessando a íntegra do conteúdo no site:[www.empresario.com.br/legislacao].

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Positivo Informática lançou seu tablet ontem, entrando em um mercado altamente competitivo dominado por empresas como Apple e Samsung. O produto, batizado de Ypy, chega ao varejo na segunda quinzena de outubro a R$ 999. A maior fabricante de computadores do Brasil aposta em preços menores que os produtos concorrentes e na oferta de conteúdo nacional dedicado, tanto de aplicativos quanto de serviços. Segundo a empresa,

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ADIANTAMENTO DO 13º SALÁRIO A empresa pode adiantar o 13º total dos funcionários no mês de setembro? Saiba mais:[www.empresario.com.br/legislacao].

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Rotenberg, presidente da Positivo, aposta no preço menor e no sistema em português para enfrentar iPad.

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FUNCIONÁRIOQUETRABALHOUNAEMPRESADE2002A2006,ESTÁ SENDO RECONTRATANDOEM2011COMAMESMAFUNÇÃO.PODERÁ SER ELABORADO O CONTRATO DE EXPERIÊNCIA NORMALMENTE? Informamos que perante a legislação não há qualquer impedimento que seja celebrado,neste caso,novo contrato de experiência. Atenciosamente.

valor total movimentado pelos brasileiros por meio de cheques ao longo do primeiro semestre deste ano somou R$ 511,6 bilhões, montante 70% superior ao volume envolvendo cartões de crédito (R$ 301,8 bilhões), segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) feito com base em dados do Banco Central (BC). De acordo com a entidade, os cheques pré-datados em parcelamentos ou entradas para a compra de itens de maior valor são os principais responsáveis pelo resultado dessa modalidade de pagamento. "Quando se parcela em valores elevados, a taxa de administração cobrada pelas operadoras de cartões inviabiliza seu uso, e com isso estimula o uso do cheque. Além disso, poucas pessoas possuem limite alto no cartão de crédito para cobrir despesas elevadas. Por fim, a emissão de cheques administrativos também colabora para o elevado valor médio dos cheques, atualmente", afirmou a Fecomercio-SP, em nota distribuída ontem à imprensa. A entidade classifica os números de "surpreendentes", já que o total de transações feitas com cartões de crédito equivale a 7,5 vezes a quantidade de cheques compensados no período – 3,8 bilhões ante 508,8 milhões de negociações. O valor médio mensal gasto no cartão de crédito foi de R$ 78,81, ante os R$ 1.005,53 registrados pelos cheques compensados. Além disso, o levantamento revela que a média mensal de estoque de cartões de crédito no primeiro semestre de 2011 foi expressiva – 646 milhões, o correspondente a 3,4 unidades para cada brasileiro. (AE)

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sua linha de tablets foi desenvolvida a partir de estudos em parceria com pesquisadores brasileiros. O Positivo Ypy, disse a empresa, já sai de fábrica com mais de 50 aplicativos pré-instalados, além do sistema operacional em português. "Estudamos o comportamento do consumidor durante 20 meses para chegar a um produto 100% voltado ao brasileiro", disse Hélio Bruck Rotenberg, presidente da Positivo. As duas versões do novo tablet possuem tela sensível ao toque, com definição de alta resolução e formato 4:3. O teclado virtual também está em português, com teclas como a cedilha. O produto dispõe ainda de um sensor de movimentos (acelerômetro), que pode ser usado em jogos; porta USB e saída HDMI para ser ligado à TV de LCD; e suporte para uso de sites com Adobe Flash. Argentina – O tablet Ypy será vendido ainda neste ano na Argentina, de acordo com Rotenberg. "Vamos lançar com um pouco de atraso em relação ao Brasil, pelo ecossistema que precisa ser desenvolvido em espanhol", disse, se referindo ao conjunto de softwares, que inclui os aplicativos e o sistema operacional. Ele afirmou ainda que a empresa atingiu a liderança de vendas de computadores no mercado argentino,

segundo dados extra-oficiais. Desde o final de 2010, a empresa tem uma joint venture com a argentina BGH, que foi a primeira unidade fabril da Positivo fora do Brasil. O executivo evitou dar projeções de vendas dos modelos de tablet lançados. Segundo ele, a empresa está "preparada para competir com os tablets fabricados por empresas estrangeiras". O principal concorrente é o iPad da Apple. Rotenberg afirmou que a variação cambial vai definir os preços dos tablets. "Mesmo após a recente alta do dólar, mantivemos um tablet com preço abaixo de R$ 1 mil. Mas como temos margens baixas, se o dólar subir vamos ter de repassar para os preços." Segundo ele, a vantagem de já atender o varejo com a venda de PCs vai ajudar para que os produtos cheguem facilmente às lojas no Brasil. "Já estamos negociando com as redes varejistas", adiantou. Rotenberg não revelou o total de investimentos, mas afirmou que eles representaram grande parte dos R$ 40 milhões aplicados em pesquisa e desenvolvimento neste ano. "Os investimentos foram em produtos, aplicativos, e não em fábricas." A fabricação inicial será em Curitiba, mas deverá ser expandida a Manaus. (Agências)


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17 A desassistência a pacientes de planos avança e se aproxima daquela do SUS. Aluísio Tibiraçá, presidente do Conselho Federal de Medicina

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Correios esperam proposta O

Fabiana Ortega Vasconcelos/ AE

Sem negociação, greve completa uma semana.

s representantes dos funcionários dos Correios devem encaminhar nos próximos dias uma contraproposta para o acordo coletivo de trabalho e assim tentar encerrar a greve da categoria, que está completando uma semana. Essa pode ser uma solução para encerrar a paralisação, uma vez que a empresa retirou a sua proposta e anunciou que não negociaria mais com os grevistas. Impasse – Os Correios apresentaram duas propostas antes do início da greve, mas depois afirmaram que só vão negociar quando os trabalhadores voltarem ao trabalho. Mas o presidente da empresa, Wagner Pinheiro de Oliveira, disse ontem que informou os sindicatos de que aceitaria analisar uma contraproposta dos funcionários. "Nosso comando de negociação está trabalhando em uma contraproposta. Após fe-

chá-la, nós vamos levar para as assembleias e, se for aprovada, encaminhamos para a diretoria dos Correios", disse a presidente do sindicato de Brasília, Amanda Corcino. A categoria vai realizar novas assembleias na manhã de hoje, mas a contraproposta não deve ainda ser apresentada. Os grevistas realizaram ontem em Brasília um "enterro simbólico" do presidente da empresa e do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações. Os trabalhadores em greve também se dirigiram à Câmara dos Deputados para buscar apoio para a abertura de uma nova rodada de negociações com a empresa. Adesão – Os Correios afirmam que a adesão ao movimento se manteve estável ontem, em torno de 23% do total de 110 mil funcionários. Do outro lado, os representantes da categoria continuam falando em números maiores – 70% de adesão. (Folhapress).

Trabalhadores de Brasília se dirigiram à Câmara dos Deputados, pedindo apoio. Fizeram enterro simbólico do ministro das Comunicações.

Febraban recomenda anular multa

A

Federação Brasileira de Bancos (Febraban) recomenda que as instituições financeiras procurem as prefeituras, empresas concessionárias de serviços públicos (água,

luz, telefone e gás) e os cedentes de bloquetos de cobrança visando obter isenção de encargos para o recebimento das faturas e bloquetos de cobrança vencidos até que seja restabelecia a situação de normalidade com o fim da greve dos funcionários da ECT. No caso das prefeituras, a recomendação é para que os pagamentos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre

Médicos de braços cruzados

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édicos de 24 estados do País suspendem hoje por 24 horas o atendimento aos planos de saúde, em protesto contra os baixos honorários repassados pelas operadoras. A paralisação atingirá tanto o atendimento em consultórios quanto em ambulatórios e hospitais. Somente as equipes dos serviços de urgência manterão suas atividades. O movimento é organizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam). A estimativa é de que 25 milhões de pessoas sejam usuárias dos planos de saúde que terão o atendimento interrompido. Em nove estados, médicos suspenderão o atendimento a todas as operadoras de saúde. Na Bahia, a paralisação será de

uma semana. Os médicos reivindicam o O presidente da Federação aumento da consulta Nacional dos Médicos, Cid para R$ 60. Hoje, a média Jayme Carvalhaes, afirmou paga para os profissionais é que 120 mil profissionais de R$ 40. "O preço de um prestam corte de serviços para cabelo no planos de Rio", saúde. "Mas disseram. não temos Cotas – O como dizer movimento quantos quer também milhões de pessoas estarão o fim da são usuárias dos envolvidos na intervenção manifestação." das planos de saúde O protesto operadoras que terão o continua o na atuação movimento de médicos, atendimento realizado pela como cotas interrompido hoje categoria, em para pedidos por 24 horas abril deste de exames ano. "Como a ou tempo maior parte máximo para das operadoras não internação em Unidades de respondeu nossas Tratamento Intensivo e a reivindicações, resolvemos adoção de critérios e fazer essa nova mobilização", periodicidade para o reajuste. disse o vice-presidente "Os planos têm ajuste do CFM, Aluísio Tibiraçá. anual. Para profissionais, não

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há nenhuma previsão de ajuste. Não nos resta outra atitude além do conflito", disse Tibiriçá. Durante o anúncio do movimento nacional, o médico criticou a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ele afirmou que a recente expansão de pessoas que têm planos de saúde não foi acompanhada pelo aumento da rede de assistência. "A desassistência a pacientes de planos avança a passos largos e se aproxima da registrada entre usuários do SUS", disse. A ANS informou que as operadoras devem marcar para outra data consultas e exames de pacientes. A agência observou que serviços de urgência e emergência devem ser mantidos e que não é permitida cobrança de valores adicionais. Para mais informações, o Disque ANS: 0800 701 9656. (AE)

Piora externa pode elevar desemprego no País

O

Banco Central (BC) apontou ontem, em seu Relatório de Estabilidade Financeira, que a piora do cenário econômico-financeiro internacional pode provocar aumento do desemprego e redução da renda no Brasil. Com esse cenário, haveria alta da inadimplência, gerada pelo "crescente endividamento das famílias nos últimos anos." Segundo o documento, "os cenários de curto e médio prazo podem apresentar desafios às instituições do sistema bancário, dependendo principalmente da repercussão interna dos desdobramentos associados ao cenário financeiro internacional." No entanto, o risco de liquidez é considerado baixo. "A rentabilidade do sistema bancário foi mais uma vez determinada pela dinâmica das variáveis relativas ao crédito. Se, por um lado, as despesas de provisão aumentaram, acompanhando a elevação da inadimplência, por outro, a ampliação da carteira permi-

tiu aos bancos aumentar o reO relatório destacou o insultado de intermediação fi- gresso de recursos externos na nanceira e, consequentemen- economia doméstica, causado te, o lucro e a rentabilidade." pela elevada liquidez, no priSegundo o diretor de Fiscali- meiro semestre. Com isso, o tozação do BC, Anthero Meirel- tal recolhido como compulsóles, o País está rio é superior preparado a R $ 4 0 0 b ipara o problelhões. "Mesma – mesmo mo sendo um em cenários i n s t ru m e n t o de bastante de política i n st a b i li d amonetária, a bilhões de reais de. "O sisteliberação desma financeiro ses recursos é o total de recursos brasileiro repode, em caso oriundos dos sistiria muito de necessidadepósitos bem a esses de, ser utilizachoques." da pelo BC cocompulsórios dos Bancos – O m o i n s t r ubancos hoje BC indicou mento para no relatório g a r a n t i r l isob controle do BC que poderá quidez ao sisvoltar a libetema bancárar os depósitos compulsórios rio", avaliou o relatório. dos bancos, em caso de necesEm 2008, no início da crise fisidade provocada pela instabi- nanceira internacional, o BC lilidade econômica. O dinheiro berou R$ 80 bilhões em depósiretido pelo BC nos depósitos à tos compulsórios para que os vista ultrapassa o montante de bancos pudessem manter as liR$ 400 bilhões. nhas de crédito.

400

Juros – Um novo tipo de taxa que passou a ser divulgado ontem pelo BC mostra que as grandes empresas brasileiras pagam juros mais altos que os cobrados em outros países emergentes. Ainda assim, a diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e a taxa cobrada por eles dessas empresas, o chamado spread bancário, é o mais baixo entre as economias emergentes. No trimestre encerrado em julho, último dado disponível, empresas do porte da Vale e da Petrobras, com baixíssimo risco de inadimplência, pagaram 17,5% ao ano – praticamente metade da taxa média para todas as empresas no país e pouco mais de um terço do que é pago pelo consumidor. O número também está próximo da média verificada desde 2005, de 16,2% ao ano. Ele supera, contudo, as demais grandes economias emergentes: Rússia (11,4%), Índia e África do Sul (11,8%) e China (6%). (Agências)

Serviços (ISS) não sejam onerados com multas. A entidade ressalta, em nota, que apenas as entidades responsáveis pelo lançamento podem isentar a cobrança de encargos por atrasos no pagamento. Entretanto, em relação aos boletos que constituem créditos dos próprios bancos vencidos no período de greve dos funcionários dos Correios, a orientação da Febraban é de

que seja dispensada a cobrança de atualização monetária, juros e mora. A federação observa ainda que o Débito Direto Autorizado (DDA), serviço bancário disponível desde 2009, elimina a necessidade do boleto impresso. Podem ser acessados eletronicamente pelos consumidores, sem o risco de extravio da correspondência e a alteração dos dados.

PF dissolve esquema nacional de contrabando

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Polícia Federal (PF) prendeu ontem cinco pessoas acusadas de envolvimento em um esquema de contrabando de produtos eletrônicos e de eletrodomésticos vindos do Paraguai. Além das prisões durante a Operação Canal Vermelho 2, organizada em conjunto com a Receita Federal, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão nos Estados do Ceará, São Paulo, Paraná e Minas Gerais e no Distrito Federal. A ação é o desdobramento de outra operação feita no ano passado e que foi motivada pela tentativa de assassinato do auditor José Jesus Ferreira, da Receita Federal no Ceará. Segundo a PF, o comerciante iraniano Farhad Marvizi, preso desde 2010, foi o mandante do crime. Ele tinha lojas no Ceará que comercializavam produtos contrabandeados pela quadrilha, que teve integrantes presos ontem. "Após a prisão do iraniano, o

próximo passo foi descobrir a origem dos produtos ilegais, o que resultou na operação de hoje (ontem)", explicou Cláudia Braga, da Superintendência da Polícia Federal no Ceará. As investigações apuraram que a mercadoria era comprada no Paraguai e entrava no Brasil em aviões de uma transportadora em Foz do Iguaçu. Os principais receptadores eram empresas do Distrito Federal e de São Paulo que faziam com que os produtos chegassem aos demais estados. "Não sabemos estimar a quantidade de produtos que já entrou no Brasil, nem a evasão de impostos porém, em apenas um local de apreensão, na região da Rua 25 de Março na cidade de São Paulo (Shopping Oriente), os produtos totalizaram mais de R$ 300 mil. As principais mercadorias eram celulares e câmeras fotográficas", explicou o delegado da Polícia Federal Inacy Pereira de Jesus. (ABr)

BANCO VOTORANTIM S.A. CNPJ/MF nº 59.588.111/0001-03 - NIRE nº 35.300.525.353 EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA O Presidente do Conselho de Administração do Banco Votorantim S.A. (“Sociedade”) convida os Acionistas a participarem, em primeira convocação, da Assembleia Geral Extraordinária que se realizará em sua sede social, localizada na Capital do Estado de São Paulo, na Avenida das Nações Unidas, nº 14.171, Torre A, 18º andar, às 17:00 horas do dia 29.09.2011, para apreciação dos seguintes assuntos: (i) Aprovação das Demonstrações Contábeis, referentes ao semestre encerrado em 30 de junho de 2011, da Sociedade e empresas por ela controladas (“Sociedades Controladas”); (ii) Aprovação da proposta dos órgãos da administração referente à destinação do lucro da Sociedade e Sociedades Controladas, bem como a fixação do prazo de pagamento de dividendos aos Acionistas da Sociedade; (iii) Re-ratificação dos aumentos de capital das Sociedades Controladas deliberados na Assembleia Geral Extraordinária da Sociedade, realizada em 22.12.2010, para fazer constar ajustes de valores, conforme solicitado pelo Banco Central do Brasil; (iv) Ratificação e fixação dos montantes globais anuais de remuneração dos membros dos órgãos de administração da Sociedade e das Sociedades Controladas, referentes aos exercícios de 2010 e 2011; (v) Aprovação da reforma do Estatuto Social da Sociedade, com (a) a exclusão da expressão “todos acionistas da Sociedade” do parágrafo 1º do Artigo 8º; (b) a exclusão do parágrafo 4º dos Artigos 8º, 16 e 22, e do parágrafo 5º do Artigo 23, com a consequente renumeração dos parágrafos subsequentes, caso aplicável; e (c) a consolidação de referido documento; e (vi) Outros assuntos de interesse da Assembleia. São Paulo, 21 de setembro de 2011. BANCO VOTORANTIM S.A. Aldemir Bendine - Presidente do Conselho de Administração.

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Edital de Pregão Eletrônico para Registro de Preços Objetivando a Aquisição de Pedaços Empanados e Congelados de Carnes de Aves. Edital de Pregão Eletrônico n° 105/2011. Processo n° 8705/5900/2011. Oferta de Compra n° 80105000012011OC00124. Endereço Eletrônico: www.bec.sp.gov.br ou www.bec.fazenda.sp.gov.br. Data do Início do Prazo para Envio da Proposta Eletrônica: 20/09/2011. Data e Hora da Abertura da Sessão Pública: 03/ 10/2011, 10:00 horas. Edital de Pregão Eletrônico para Registro de Preços Objetivando a Compra de Escorredor de Macarrão Pequeno (15 litros) e Escorredor de Macarrão Grande (27 Litros). Edital de Pregão Eletrônico n° 106/2011. Processo n° 8648/5900/2011. Oferta de Compra n° 080105000012011OC00125. Endereço Eletrônico: www.bec.sp.gov.br ou www.bec.fazenda.sp.gov.br. Data do Início do Prazo para Envio da Proposta Eletrônica: 20/ 09/2011. Data e Hora da Abertura da Sessão Pública: 03/10/2011, 10:00 horas. Informações: Fones: (11) 3866-1615/1616, de 2ª a 6ª feira, no horário das 8h às 17h. Endereço Eletrônico: www.bec.sp.gov.br ou www.bec.fazenda.sp.gov.br.

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE SUPRIMENTO ESCOLAR

DELUI CONFECÇÕES LTDA.-EPP torna público que requereu na CETESB de forma concomitante a Licença Prévia e a Licença de Instalação para Confecção, sob medida, de peças do vestuário, exceto roupas íntimas, sita à Rua JOSÉ PEDRESCHI N° 514, Bairro VILA SOUZA, CEP 02881000, São Paulo, SP.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 20 de setembro de 2011, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Requerente: Açocorte Ferro e Aço Ltda. Requerido: IBEF Com. Brasileiro de Estruturas de Ferro Ltda. Rua Vila de Arouca, 300 – Sítio Barrocada 2ª Vara de Falências.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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e FMI vê risco de recessão nos EUA e na Europa

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

conomia

Itália questiona rebaixamento Jean Froidevaux/SXC

O

Órgão reduz previsões de alta para a economia ano e no próximo, cortando estimativas para quase todas as regiões do mundo. Além disso, os riscos continuam em tendência negativa. Há apenas três meses, o FMI estimava expansão global de 4,3% para 2011 e de 4,5% para 2012. E u ro p a – A mensagem do FMI para os líderes europeus é a de que precisam fazer o que for preciso para preservar a confiança nas políticas econômicas nacionais e no euro, pedindo que o Banco Central Europeu (BCE) reduza a taxa básica de juros se persistirem os riscos ao crescimento. O Fundo cortou em quase 0,5%, para 1,6%, a projeção de crescimento para a zona do euro em 2011. Condições ainda mais fracas são esperadas no ano que vem, com estimativa de apenas 1,1% de expansão no período. Atualmente, o bloco monetário está crescendo a uma taxa anual de 0,25%. EUA – O FMI alertou que os duros cortes no orçamento dos EUA podem enfraquecer ainda mais o avanço econômico do país, e disse que o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) precisa estar pronto para afrouxar ainda

mais a política monetária. O organismo agora vê o crescimento dos EUA em 1,5% neste ano e em 1,8% em 2012, ante previsões de 2,5 e 2,7% em junho, respectivamente. Emergentes – O Fundo também disse que as perspectivas para as economias emergentes estão ficando mais incertas, embora o crescimento deva permanecer forte, em cerca de 6,4% neste ano e 6,1% em 2012. Porém, os sinais de superaquecimento ainda merecem atenção nesses países. O FMI salientou ainda que paira sobre algumas economias a sombra dos elevados preços de commodities e das incertezas sociais e políticas. O FMI também cortou as previsões de crescimento econômico para a China e outros países asiáticos em desenvolvimento, em parte devido à lentidão da economia global.

Brasil – O FMI rebaixou ontem em 0,3% as perspectivas de crescimento para a economia do Brasil em 2011 com relação à previsão de junho, e a situou em 3,8%. No entanto, o Fundo manteve a previsão de expansão da ecopor cento é a nomia brasileira projeção de em 3,6% para o ano que vem. crescimento da A instituição economia mundial espera que a economia do País neste ano, de cumpra suas acordo com o metas de inflarelatório do FMI. ção, reduzidas nas novas previsões para 6,6% em 2011 e 5,2% no próximo ano. Com relação à taxa de desemprego, o FMI prevê que seja elevada de 6,7% em 2011 para 7,5% em 2012. (Agências)

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Toshifumi Kitamura/AFP

COMEÇAR DE NOVO – O presidente e CEO da Nissan Motor, o brasileiro Carlos Ghosn, na unidade da empresa na cidade de Iwaki, localizada na unidade administrativa de Fukushima, na região leste do país. De acordo com relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), a reconstrução do Japão após o terremoto seguido de tsunami deverá impulsionar o crescimento da economia nacional em 2,3% neste ano.(AE)

Grécia enxuga máquina pública

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ressionado pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para que siga cortando gastos, o governo grego se comprometeu a reduzir em 30% o número de empregados de seus ministérios, mesmo após já ter suprimido 200 mil cargos do funcionalismo público. O ministro de Reformas Administrativas, Dimitris Repas, enviou ontem uma circular governamental na qual pede que todos os ministérios elaborem uma lista com o pessoal considerado prescindível. Nos últimos dois anos, o governo cortou 200 mil cargos públicos, entre aposentadorias não cobertas e funcionários temporários, segundo informou o secretário de Estado, Angelo Tolkas. No entanto, a Grécia prometeu aos parceiros europeus e ao FMI que ainda suprimirá outros 150 mil postos até o fim de 2015, em troca de uma ajuda financeira de 160 bilhões de euros. O país deve cumprir as medidas acordadas para reduzir seu déficit pú-

John Kolesidis/Reuters

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Europa e os Estados Unidos podem voltar à recessão no ano que vem a menos que os governos combatam rapidamente os problemas econômicos que podem contagiar o resto do mundo. A avaliação foi feita ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu relatório Perspectivas para a Economia Global. O órgão argumentou que a volatilidade financeira aumentou dramaticamente, seguindo a preocupação dos investidores sobre a escalada da crise de dívida da zona do euro e o enfraquecimento da recuperação dos EUA. Ao avaliar que essas duas regiões apresentam os maiores riscos para a perspectiva econômica global, o FMI advertiu que impasses políticos podem ser obstáculos às medidas anticrise. O Fundo também pediu um plano mais ambicioso para reduzir a dívida pública do Japão. "A indecisão de políticas exacerbou as incertezas e ampliou a extenuação financeira, contagiando a economia real", avaliou o organismo, que reduziu para 4% as previsões para o crescimento global neste

governo italiano afirmou ontem que as conclusões nas quais se baseou a agência de medição de riscos Standard & Poor's (S&P) para rebaixar a classificação da dívida soberana da Itália estão ditadas por informações de jornais e não se baseiam na realidade. "As avaliações parecem mais ditadas pelo que contam os periódicos do que pela realidade, e estão influenciadas por considerações políticas", disse o Executivo em comunicado. Em sua conclusão, a S&P informou que "o rebaixamento reflete nossa visão de que a frágil coalizão que governa a Itália e as diferenças políticas dentro do Parlamento seguirão limitando a habilidade do go- A Itália está verno para responder de adotando forma decisiva aos desafios medidas internos e ao entorno maa fim de croeconômico externo". Por isso, o governo de Silreduzir a vio Berlusconi ressaltou que dívida. "sempre obteve a confiança do Parlamento", e lembrou AMADEU TARDIO, DA CE que a "Itália aprovou recentemente intervenções que preveem o equilíbrio orçamentário em 2013, e que o governo projeta medidas a favor do crescimento". Por sua vez, a agência de risco defendeu em nota sua classificação. "As avaliações da S&P são baseadas em uma análise detalhada e independente das perspectivas econômicas e fiscais da Itália, e sobre as hipóteses relativas ao andamento da dívida, como é amplamente mostrado nos dois relatórios publicados." Medidas – As reformas econômicas anunciadas pela Itália deverão reduzir a alta dívida do governo italiano, declarou ontem Amadeu Altafaj Tardio, porta-voz da Comissão Europeia (CE). "A Itália está adotando as medidas necessárias a fim de reduzir a dívida, num ritmo sustentável e para cumprir as metas acordadas com seus parceiros europeus." Em julho e neste mês, o governo da Itália delineou dois conjuntos de medidas de consolidação orçamentária. Segundo Tardio, elas são um "pré-requisito para o crescimento sustentável na Itália." (Agências)

O ministro Venizelos continua negociando com órgãos internacionais

blico a 17,1 bilhões de euros ainda neste ano – montante equivalente a 7,6% do seu Produto Interno Bruto (PIB). O Fundo e a UE destacaram que é indispensável que os gregos sigam realizando seu programa de reformas estruturais. Ontem o ministro das Finanças, Vangelis Venizelos, prosseguiu as negociações com os parceiros do país. A imprensa local informou que uma das primeiras medidas acertadas foi o corte imediato de 25 mil funcionários

públicos, o que significará uma economia de 1 bilhão de euros aos cofres públicos. Outra medida acertada é a implantação de um sistema comum de remunerações do setor público, que reduzirá as despesas estatais em 25%. Além disso, as recomendações sugerem o fechamento de 60 instituições públicas, assim como privatizações de empresas do governo. Estima-se que essas medidas renderiam 5 bilhões de euros em 2011 e 50 bilhões de euros até 2015. (EFE)

Diário do Comércio  

21 set 2011

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