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O homem de mais de 300 bandeiras

Hoje é o dia de hastear bandeira Ano 86 - Nº 23.250

Jornal do empreendedor

www.dcomercio.com.br

Conclusão: 23h55

A bandeira do município de SP é dele, Lauro Ribeiro Escobar. Há outras, Brasil afora. O dia, hoje, é como se fosse o seu aniversário. Pág. 8

R$ 1,40

São Paulo, sexta-feira, 19 de novembro de 2010 Masao Goto Filho/e-SIM/5/1/2010

Perigo: consumidores estão perdendo os limites. O gasto descontrolado está produzindo mais inadimplentes do que o desemprego. A revelação é de uma pesquisa inédita do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial. Página 13 Romeo Gacad/AFP

Daniel Marenco/Folhapress

Warner Bros/Divulgação

Mantega escolhido. Por Lula. Decidida a anunciar sua equipe econômica em bloco, a presidente Dilma Rousseff não confirma nem nega a decisão de manter Guido Mantega na Fazenda, conforme desejo expresso de Lula. Pág. 5

IPVA

B rasil MENOR R ússia Í ndia C hina: Página 15

1.1 triLeão.

quem é o campeão de tributos?

Recorde

No Brasil, 34% do PIB são de impostos. Na Rússia, 23% do PIB. Na China, 20%. E na Índia, 12,1%. No quesito simplicidade tributária, o Brasil é o último do mundo. Pág. 15

Arrecadação tributária de todo o País em 2010 chegará a marca inédita, na segundafeira, dia 22. Registrada pelo Impostômetro da ACSP. Pág. 15

Bruxos em São Paulo Daniel Radcliffe, na pele de Potter: quase adulto, aprende a se defender sozinho no novo filme da série. Ex-beatle, 65: shows com vigor juvenil. Violante Placido, parceira de George Clooney em Homem Misterioso: ação e muita psicologia.

Divulgação

d

cultura

Um carro de Griffe até no nome

Divulgação

Crossover 3800 da Peugeot chega ao mercado com extensa lista de equipamentos. A versão top é o Griffe.

Brasil: 20 anos ligado no celular. Pág. 20

Levantar

âncora!

HOJE Parcialmente nublado Máxima 31º C. Mínima 14º C.

AMANHÃ Parcialmente nublado Máxima 33º C. Mínima 17º C.

ISSN 1679-2688

23250

9 771679 268008

20 navios prontos para zarpar. Boa Viagem

DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

É importante acompanhar o desenrolar desses acontecimentos pelo que eles podem ter de instrutivo. Roberto Fendt

pinião

EYMAR MASCARO

O COMPLICADO JOGO DO PODER

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Outra vez estagflação?

À

s vezes é necessário criar uma palavra para descrever um fenômeno até então desconhecido. Foi o que fez o membro conservador do parlamento, Iain Norman Macleod, em discurso na Câmara dos Comuns em 1965. Macleod usou o termo "estagflação" pela primeira vez para explicar a ocorrência simultânea da estagnação econômica com inflação alta – fenômeno ocorrido na década de 1960 e que se espalhou no mundo desenvolvido na década seguinte. Seria precipitado dizer que corremos o risco de entrar em novo período de stagflação. Mas o que estamos assistindo hoje? O caso mais típico de uma estagflação é a Grécia. Projeta-se uma queda de 4% no PIB grego em 2010, e que esta pode dar-se após redução do 2,5% no PIB em 2009. O desemprego subiu de 9,5% em 2009 para 12% em 2010 e estima-se que cresça para 13,5% em 2011. No passado se imaginaria que um cenário dessa natureza culminasse numa deflação. Ledo engano. Na Grécia, a inflação subiu de comportados 0,5% em 2009 para 3,9% até março deste ano: um exemplo clássico de estagflação. Mas não só na Grécia o andar da carruagem parece indicar mais inflação e menos crescimento. Na China, os preços ao consumidor já subiram 4,4% entre janeiro e outubro. A taxa anualizada da inflação de alimentos bateu em 10,1%. Recorde-se que a meta de inflação da China para 2010 é de 3%. Se não é possível falar em estagnação, observe-se que a taxa de crescimento do PIB chinês está desacelerando. Na Grã Bretanha, as coisas também não vão bem. !Nos próximos

ROBERTO FENDT meses a inflação vai continuar subindo", apontou o Governador do Banco da Inglaterra em carta ao ministro das finanças, George Osborne. É a quarta carta do Governador ao ministro neste ano, justificando a ultrapassagem da meta. Ele culpa as altas dos preços das commodities como responsáveis pela aceleração da inflação.

nossa miopia ao acompanhamento mais de perto do IPCA do que do IGP-M. O aumento de preços das commodities no mercado internacional refletiu-se diretamente no IGP-M, onde é maior o peso desses bens. Entre janeiro e outubro, o índice subiu 8,98% – como sabe muito bem quem tem contratos de aluguel a reajustar.

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eria razão o Governador do Banco da Inglaterra? Os dados parecem indicar que sim. Os preços das commodities, na contramão da desvalorização do dólar, subiram acentuadamente nos nove meses do ano. Os grãos tiveram alta média de preços em dólar de 6,8%; as matérias-primas, de 9,9%; os minerais, de 29%. E tudo indica que o dólar continuará a se desvalorizar no futuro próximo. Se ainda não percebemos com clareza esse cenário, devemos

nossa inflação, medida pelo IPCA, só continua bem comportada porque o peso dos serviços é maior neste índice, reduzindo assim o impacto das altas de preços no mercado internacional. É importante acompanhar o desenrolar desses acontecimentos pelo que eles podem ter de instrutivo. Na China, começa-se a falar abertamente em controles de preços, especialmente tendo em vista a alta persistente dos alimentos. A média dos preços de 18 vegetais

Nossa inflação, medida pelo IPCA, só continua bem comportada porque o peso dos serviços é maior no índice, reduzindo o impacto das altas de preços no mercado internacional.

está 62% mais alta, comparandose os preços nos primeiros dez dias de novembro, relativamente ao mesmo período de 2009. Para conter a elevação, o governo chinês já havia aumentado a taxa de juros e as reservas compulsórias dos bancos. Mas medidas dessa natureza, que visam reduzir a taxa de crescimento dos meios de pagamentos, levam tempo para gerar os resultados desejados.

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governo chinês tem pressa. Em razão disso, estão sendo examinadas medidas de controle de preços, subsídios aos alimentos e venda de estoques governamentais de carne de porco e açúcar. Em paralelo, o governo chinês tem acusado os EUA de causar a inflação com suas políticas de expansão monetária e fiscal. É difícil ver como isso é possível, já que os preços nos EUA não estão subindo. Tudo indica que os controles de preços, se de fato vierem a ser implementados na China, não surtirão efeito. Isso se sabe desde o governo do imperador romano Diocleciano, que baixou no ano 301 de nossa era o édito que leva seu nome. Por meio dele, mais de mil produtos tiveram seus preços tabelados – e o resultado é que os produtos escassearam, sendo encontrados só no mercado negro. Padecemos de uma irresistível inclinação pelo heterodoxo. Se a inflação voltar a subir no Brasil, podemos cair na tentação de encontrar pedras filosofais para controlá-la. Esperemos que a China nos sirva de exemplo e impeça que venhamos, se voltar a inflação, a cair no erro de controlar preços. ROBERTO FENDT É ECONOMISTA

e Dilma Rousseff vier a ser candidata à reeleição em 2014, o PT admite forçar Lula a ser candidato ao governo de São Paulo. O partido entende que esta seria a fórmula mais promissora na tentativa de sacar o PSDB do governo estadual, que ocupa há 16 anos. O problema é que Lula sonha em voltar a ser presidente daqui a 4 anos. Geraldo Alckmin vai assumir o governo do Estado pela 3ª vez em 1º de janeiro, com a intenção de ficar no cargo mais 8 anos. Os tucanos entendem que o PT, que é o seu principal adversário em São Paulo, não dispõe de cacife eleitoral necessário para desalojá-los do poder tão cedo no estado. Mas o partido correria risco se tivesse de enfrentar Lula. O PSDB aposta que Dilma Rousseff não abrirá mão de ser candidata à reeleição, principalmente se fizer um bom governo e chegar em 2014 com alto índice de aprovação. Mesmo assim, os tucanos não acreditam que Lula seja candidato a governador de São Paulo. A tese que predomina na cúpula do PSDB é que a presidente eleita sabe que, se fracassar no cargo, Lula encontrará as portas abertas no PT para ser convocado a disputar novamente à Presidência. Na verdade, os tucanos torcem para que Lula não volte a se encantar com nova candidatura ao Planalto. Ainda está na lembrança deles o resultado das últimas pesquisas de opinião, apontando que Lula deixará o cargo com índice de popularidade superior a 80%. iante desse quadro, a ordem entre tucanos é lançar seu candidato a presidente em 2012, isto é, 2 anos antes da eleição. O partido reconhece ter cometido o erro fatal de atrasar o lançamento da candidatura de José Serra, mesmo advertido de que Lula já estava em campanha com Dilma Rousseff. Eleito senador por Minas com expressiva votação para cumprir um mandato até 2018, Aécio Neves acha que chegou a sua vez de ser o candidato do partido ao Planalto, embora os tucanos paulistas ainda alimentem a esperança de que Serra tente nova candidatura presidencial em 2014; afinal –argumentam – mesmo derrotado por Dilma Rousseff, Serra arrancou quase 44 milhões de votos nas urnas, que não podem ser jogados na lata do lixo. A partir de 2011, Aécio começa a fazer lobby para sedimentar a candidatura presidencial, usando o Senado

O PSDB aposta que Dilma não abrirá mão de ser candidata à reeleição, principalmente se fizer um bom governo e chegar em 2014 com um alto índice de aprovação.

como palanque. O mineiro quer se projetar no Congresso como opositor nº 1 do governo petista. Serra, portanto, fica em desvantagem, porque não dispõe de nenhum palanque. Detalhe: Serra acertaria o alvo se viesse a presidir o PSDB a partir de maio do próximo ano, data em que o partido deve realizar convenções para renovação de seus quadros diretivos. rônicos, os mineiros avaliam que Aécio Neves tem mais aptidão do que Serra para atrair o apoio de outros partidos no momento certo. E concluem que, se no lugar do ex-governador paulista o candidato à sucessão de Lula tivesse sido Aécio, o partido não teria levado uma surra de votos, por exemplo, no Nordeste, região em que Dilma obteve cerca de 70% da votação. Mas o que os mineiros procuram ignorar é que o PSDB perdeu a eleição para o PT, nos dois turnos, em Minas.

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as eleições presidenciais de 2014, PT e PSDB vão voltar a enfrentar Marina Silva, cuja candidatura já foi abraçada pelo Partido Verde. E, como novidade, o presidente do DEM, Rodrigo Maia, garante que seu partido não fará fusão com o PMDB, porque também pretende ter um candidato próprio a presidente em 2014. O DEM saiu enfraquecido das urnas e não deseja continuar navegando a reboque do PSDB.

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EYMAR MASCARO É JORNALISTA E COMENTARISTA POLÍTICO MASCARO@BIGHOST.COM.BR

Fundado em 1º de julho de 1924 Presidente Alencar Burti Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto, Antonio Carlos Pela, Arab Chafic Zakka, Carlos Roberto Pinto Monteiro, Claudio Vaz, Edy Luiz Kogut, Gilberto Kassab, Guilherme Afif Domingos, João de Almeida Sampaio Filho, João de Favari, José Maria Chapina Alcazar, Lincoln da Cunha Pereira Filho, Luís Eduardo Schoueri, Luiz Roberto Gonçalves, Moacir Roberto Boscolo, Nelson F. Kheirallah, Roberto Macedo, Roberto Mateus Ordine, Rogério Pinto Coelho Amato, Sérgio Antonio Reze

CONSELHO EDITORIAL Alencar Burti, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo, Márcio Aranha e Rogério Amato Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Chefia de Reportagem: Teresinha Leite Matos (tmatos@acsp.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro (aribeiro@dcomercio.com.br) Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Kleber Gutierrez, Marcus Lopes, Rejane Aguiar e Tsuli Narimatsu Redatores: Adriana David, Evelyn Schulke, Giseli Cabrini e Sérgio Siscaro Repórteres: Anderson Cavalcante (acavalcante@dcomercio.com.br), André Alves, Fátima Lourenço, Fernanda Pressinott, Geriane Oliveira, Ivan Ventura, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mário Tonocchi, Neide Martingo, Patrícia Büll, Paula Cunha, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vanessa Rosal, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente Comercial Arthur Gebara Jr. (agebara@acsp.com.br) Gerente Executiva de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações José Gonçalves de Faria Filho (jfilho@acsp.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Globo e Reuters Impressão Diário S. Paulo Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

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pinião

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DILMA ROUSSEFF TERÁ DESAFIOS ECONÔMICOS E POLÍTICOS À FRENTE, SOB OS OLHOS DO MUNDO.

DILMA SOB OS HOLOFOTES

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omo se previa, Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil na eleição de 31 de outubro – a meira mulher a liderar o país. Os 13 ntos de vantagem no primeiro turse mostraram insuperáveis para o ncorrente José Serra, apesar dos ers da campanha de Rousseff e da falta apoio da candidata do Partido Ver, Marina Silva. O trabalho de Rousseff é feito para a. O presidente que está saindo, Luis ácio Lula da Silva, imensamente polar, deixou desafios que crescem ariamente. A economia brasileira ode estar superaquecida, atiçada or infusões de capitais geradas em rte pela algazarra sobre o Brasil asndente e em parte pelas recentes líticas do Federal Reserve destinas a baixar as taxas de juros nos EUA – que leva os investidores a procurar utros horizontes e rendimentos aiores em países como o Brasil. O fluxo de capitais pode reacender a lação no Brasil, manter as taxas de jus de longo prazo anormalmente altas orçar a desaceleração econômica. o surpreende que Lula tenha sido um s principais críticos do Fed (e do preente Obama) na reunião do G20 este ês em Seul e na mídia internacional. Existe uma profunda fraqueza esutural na economia, provocada pela ha do Brasil em investir no próprio escimento. A taxa de investimento País é cerca de 18% do PIB. A do Méco é 22% e a da China, 45%. Com as deficiências em infraestrura, educação e proteção ambiental Brasil, uma taxa de investimento aixo da média trabalha contra o escimento alto. Sem elevar esse ínce, o Brasil não consegue corresponr às expectativas. O país está aproitando uma alta nas exportações de mmodities, alimentada pela deanda gigantesca da China e da Índia, e talvez não dure. Rousseff deseja que o Estado desemnhe um papel maior nos investimens, principalmente por meio do do BanNacional de Desenvolvimento Ecomico e Social (BNDES), que não é nessariamente a melhor solução. A dição brasileira de investimentos pedos do setor público nem sempre é m sucesso – frequentemente afastano setor privado e estimulando a bucracia e a corrupção. Um desafio deságua em outro. A lítica social de Lula foi baseada no ograma Bolsa Família, com a qual falias de baixa renda recebem um auio mensal se suas crianças estão vanadas e frequentam a escola. Instituída em 2003, a Bolsa Família duziu dramaticamente a pobreza Brasil – mas com enorme despesa ra o governo. O programa foi proje-

NEIL SÃOPAULINO

FERREIRA

ENTREGA PRO FLU, SÃO PAULO

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JORGE G. CASTAÑEDA tado para quebrar o ciclo de pobreza que passa de geração a geração criando capital humano para o futuro. Os filhos dos pobres, graças a melhores condições de saúde, nutrição e educação, ganhariam mais do que seus pais ao entrar no mercado de trabalho. Há 30 anos o México implantou um programa parecido, conhecido como Progresa-Opportunidades. As avaliações ainda estão sendo feitas. O economista mexicano Santiago Levy, um dos fundadores do programa, não está convencido que os resultados serão conclusivos. Quaisquer que sejam os resultados do programa, o crescimento da economia informal do México também desempenhou um papel. O Brasil precisará de um grande crescimento para sustentar o Bolsa Família.

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ousseff também enfrenta desafios políticos, começando com a formação de seu governo. De um lado, ela tem de reduzir o número de ministérios criados por Lula; de outro, tem favores a pagar, aliados a acomodar e pressões para afastar. Um ponto de pressão é o próprio Lula, que, não importa o que diga, vai querer pôr alguns assessores e aliados no novo Gabinete. Outros pedidos por empregos, ministérios e verbas virão do PMDB, que apoiou Rousseff na eleição, e de todas as facções dentro do próprio partido dela (e de Lula), o PT. Além disso, Rousseff terá de mostrar que ela é ela mesma e não o Lula 2. O que leva para o próximo desafio: faltalhe a história (e o poder) que Lula tem com o PT. O partido, tradicionalmente à esquerda de Lula, aprovou relutantemente seu pragmatismo. A não ser que Rousseff controle com mão forte o PT, ela vai reforçar a impressão de que talvez seja uma presidente interina, apenas esperando pela nova eleição de Lula em 2014. Interinos se tornam rapidamente patos mancos. A história de Lula na política externa é confusa. O Brasil se tornou um membro líder do G20 e está perto de receber maior participação com direito a voto no Fundo Monetário Internacional. Mas

Lula não conseguiu seu principal objetivo – um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Lula, trabalhando com a Turquia, não conseguiu intermediar um acordo, que seria bem-vindo, entre o Irã e Ocidente. Ele também não obteve muito progresso em resolver as crises regionais na América Latina – embora tenha criado muita propaganda sobre o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016;.

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ula tendeu a agir mais como líder do Terceiro Mundo do que como líder mundial. Mas adorou impressionar as plateias nos palcos mundiais e desprezar Washington – às vezes em terreno sólido, às vezes não. Rousseff será tão ativa? E tão antiquada? A melhor aposta: "não" para a primeira pergunta, "sim?" para a se-

gunda. Ela tem demonstrado pouco interesse pelo holofotes, mas rivaliza com Lula como defensora da soberania nacional e como advogada das potências emergentes. Rousseff deve ficar menos envolvida em questão internacionais e mais em questões regionais, talvez ultrapassando Lula numa inclinação pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pelo boliviano Evo Morales e outros membros da esquerda regional. O Brasil, a região e o mundo estão observando como Dilma Rousseff lida com esses desafios. JORGE G. CASTAÑEDA FOI MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO MÉXICO E É PROFESSOR NA UNIVERSIDADE DE NOVA YORK. SEU LIVRO MAIS RECENTE É "EX MEX: FROM MIGRANTS TO IMMIGRANTS". TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA

UMA VISÃO URBANÍSTICA GLOBAL O

mundo moderno é metropolitano. É com essa frase curta, mas convincente, que o governador eleito Geraldo Alckmin justifica sua intenção de criar um organismo estadual que se dedique às três regiões metropolitanas do estado – Grande São Paulo, Baixada Santista e Grande Campinas. Elas somam um PIB de R$ 607 bilhões e concentram cerca de 60% da população de São Paulo. O formato do novo órgão ainda não está definido. Em sua campanha, Alckmin chegou a dar ideia de que poderia ser uma Secretaria de Gestão e Desenvolvimento Metropolitano. Mas agora especula-se sobre outras possibilidades. Uma seria um órgão específico dentro da Secretaria de Planejamento para traçar as políticas para as metrópoles; outra, a formação de um comitê e uma secretaria executiva, com a participação direta de todos os prefeitos na elaboração das políticas comuns em favor de suas regiões. Mobilidade, saneamento e habitação são três setores vistos como prioritários. O maior

JÚLIO MORENO avanço, porém, será a adoção de uma visão urbanística global das metrópoles paulistas de maneira a eliminar as desigualdades e garantir a sustentabilidade de suas cidades. o passado, a Grande São Paulo já teve uma Secretaria dos Negócios Metropolitanos, fruto de uma política do governo federal que fomentou a criação, pelos estados, de algumas empresas de desenvolvimento metropolitano e órgãos de planejamento. "Eu diria que não foi feita muita coisa, mas havia algum nível de gestão metropolitana. A partir da redemocratização do País, o pouco que existia caiu por terra, já que os municípios ganharam muito mais autonomia", avalia a urbanista Raquel Rolnik,

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consultora da ONU. No caso da Grande São Paulo, apenas o setor de transportes continuou com uma secretaria metropolitana. Nesse contexto, cada município cuida de seu "quintal" e problemas que exigiriam políticas mais amplas, envolvendo ações conjuntas, só se agravam. Soluções isoladas nunca são satisfatórias e, como há superposição de investimentos, os gastos públicos são maiores. recisamos ser mais unidos, seguindo a dinâmica da vida cada vez mais interdependente de nossas cidades. Tentativas inovadoras, é certo, aconteceram. No ABC funciona há 20 anos o consórcio de municípios para tratar de problemas comuns. A urbanista Nadia Somekh, que participou por cinco anos da Ação Regional

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do ABC, diz que a experiência é exemplo a ser seguido: prefeitos de partidos diferentes trabalham em conjunto pelo interesse comum, o desenvolvimento da região. Em Minas, o governo estadual criou uma agência de desenvolvimento para articular as ações públicas na região metropolitana de Belo Horizonte, mas suas ações são incipientes. que Alckmin se propõe a fazer é algo mais ousado, por articular secretarias estaduais e prefeituras de três regiões metropolitanas, não só a da Capital. A obra, porém, estará incompleta se não se cuidar também da macrometrópole São Paulo-Rio, que provoca a contínua conurbação das cidades do Vale do Paraíba. Essa é uma tarefa que o governo federal deveria assumir, no âmbito de um Plano Nacional de Desenvolvimento Urbano que sistematize a governabilidade de nossas metrópoles. O que a presidente eleita Dilma Roussef pensa disso é uma incógnita.

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JÚLIO MORENO É JORNALISTA E AUTOR DE "O FUTURO DAS CIDADES"

ocê viu o "pênalti" arrumado contra o Cruzeiro, aos 43 do segundo tempo, que deu a "vitória" para o córintcha, mostrado e provado em prosa e verso pela tevê como falso, inexistente, roubado ? Até os córintchanos de bem (são poucos mas existem) ficaram envergonhados, ganharam em gritante silêncio, nem foguetes soltaram, resolveram economizar para alguma vitória verdadeira. Ronaldão Fofão, entrevistado após o jogo, confirmou o "pênalti" sob gargalhadas gerais dos repórteres. Você não ficou pê da vida ? Eu fiquei. Não posso fazer nada a não ser aderir à Campanha Cívica "Entrega pro Flu, São Paulo". Há incontáveis razões para nossa adesão incondicional, veja o símbolo a cores no link http://www.spfc.net/news. asp?nID=45634 A primeira é que não podemos dar mais esmola para o córintcha de novo. Chega já quando a marginália ia sendo despachada para a segundona e o Grafite marcou dois num timeco aí e salvamos a casca grossa dos gambáticos. A segunda é que a urubuzada, mal-agradecida, entregou para o Flamengo no ano passado, acho que o jogo foi em Campinas, a gente não esquece, o córintcha tomou de 2x0, prejudicou São Paulo e Palmeiras e saiu do campo dando risada e comemorando. A terceira é que o Flu é tricolor como nós, pó de arroz como nós, Muricy como nós, zelite como nós. A quarta e principal é que as cartas estão marcadas e precisamos melar esse jogo sujo por medida de limpeza pelo menos do futebol desta pátria amada, salve salve. É razão puramente ideológica, que nada tem a ver com torcer para o São Paulo, para o Palmeiras ou contra o córintcha (esta é de longe a maior torcida do Brasil; meu segundo time do coração, que sou desde criancinha, é aquele que joga contra o córintcha). Cara, por achar que pode tudo e manda em tudo, supostamente obnubilado por supostos eflúvios alegadamente oriundos das Terras Altas do Reino Unido, talvez Scotland, não sou assim tão viajado, entregou a armação. "Por que estás tão feliz, meu Amo e Senhor ?" indagou-lhe um áulico de supresa e em público. A pergunta parecia até "plantada" pois a resposta veio na bucha e em voz alta e pastosa para todos ouvirem: "A Dilma ganhou e o córintcha vai ser campeão" e brindou tumando mais uma, o agora Premero Comentarista e Profeta-Mor do Futibór. Estávamos a seis ou sete rodadas antes do final e os mais reconhecidos especialistas do ramo, como Neto, Casagrande, Falcão e o Calaboca Galvão, entre outras sumidades passavam noites em mesas redondas, tentando adivinhar o que poderia acontecer e u Ômi já profetizava o resultado, fala sério. Faz-se necessária uma explicação. O Oráculo de Delfos também falava uma fala pastosa e incompreesnível pela boca de uma sacerdotisa, supostamente

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obnubilada por eflúvios oriundos do âmago da Terra. Como ninguém entendia niques do que a mina chapada falava, ela acertava sempre. Tudo o que acontecia era o que ela tinha falado, embora ninguém entendesse uma vírgula. A fala do Padim Padi Ciço redivivo não foi a mesma coisa, todo mundo entendeu claramente o que disse e que foi transmitido, gravado, apresentado, escrito e publicado. Era mais do que uma profecia – era uma ordem. A eleição foi comprada, todo mundo está José Serra (careca) de saber. A diferença do Poste para o Serra, uns 14 milhões de votos, era "por coincidência" um número "coincidente" com as bolsas-esmola distribuídas pelo gunnverrno separatista você sabe de quem. Isso a gente engolimos vai, já acostumamos. as futebol, péra lá, treta no futebol a gente não permitimos. Podemos tragar calados um Poste aqui e uma CPMF ali, mas ajeitação com a mão no futebol, isso a gente chiamos barbaridade. O Brasileirão, o Carnaval e a Praia são mais importantes do que inleissão.

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Não esquecemos que o ex-presidente do córintcha, que alegadamente sumiu com supostos Cem Milhões de Reais, confessou e foi gravado por supostos federais e a gravação alegadamente foi "vazada" pelos mesmos supostos federais, que "o Brasileirão de 2005 foi roubado, o campeão foi o Internacional de Porto Alegre" (sic, palavras do ex-presidente córintchano, eu escutei num monte de emissoras de rádio, esqueci o nome do indigitado, seria Dualibe ?). E agora de novo ? Ma che ! Os palestrinos não permitirão nem os pó de arroz são-paulinos. Podem nos chamar de periquitos (a eles, os pelstrinos) e de bambis (a nós, os sãopaulinos), que estamos juntos nessa empreitada, "somos flacas pero somos muchas", como dizem las hermanitas argentinas. tomem tento marginália, gambazada, urubuzada e bebunzada, o Cara não dá gole sem jogar umas gotas pro santo. O prano delli é arrumar mais esse campeonato pra vosseis e daqui a pouco, quando ficar desempregado, vai querer ser presidente aí dos Estados Unidos da Marginal, por dois mandatos no mínimo. E vai transformar todos os aerobus do Tietê em aerolullas de luxo. Mas esse não é o pobrema. O pobrema é que adispois elle vai empurrar a Dillma nosseis também. Guenta ! CÓRINTCHA CAMPEÃO ? ESSA NÃO. NEIL FERREIRA É PUBLICITÁRIO

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Não éo último ano de Lulla

DIÁRIO DO COMÉRCIO

4 -.GERAL

Giba Um

3 Nada irrita mais Ronaldo

ex-Fenômeno do que ser chamado, mesmo em tom de brincadeira, de Fofão, pela frente ou pelas costas.

gibaum@gibaum.com.br

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MAIS: na entrada do show de Marília Gabriela, em São Paulo, alguém gritou Aí, Fofão! e ele fechou a cara por mais de uma hora.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

19 de Novembro

a juventude, dedicou-se à carreira militar – chegou a ser ministro da Guerra da Lituânia, sua terra natal. Em 1877, aos 42 anos, entrou na Ordem dos Carmelitas Descalços, onde ordenou-se. Mais tarde, tornou-se o grande São Rafael de restaurador dessa ordem na Polônia. sé

k Os melhores pagadores são os mais pobres. Na alta roda, quanto mais Olho na Embratur LULA // em seminário sobre inclusão financeira, evitando falar sobre o Panamericano.

Fotos: Paula Lima

M R A T I D E R C A L

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G R A N D E S A

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Colaboração: Paula Rodrigues,Alexandre Favero

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333 DEPOIS de Maitê Proença, Daniele Winits, Glória Maria e até Naomi Campbell, o ator Sérgio Marone, 29 anos, é o novo titular da atriz Débora Bloch, 47 anos. Já Fernanda Machado, separada do fotógrafo Marcelo Faustini, circula com o diretor de Insensato Coração, Vinicius Coimbra.

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Confirmando-se o convite de Dilma Rousseff para que Guido Mantega, no traço de Kácio, permaneça no Ministério da Fazenda, especialmente diante de novo período de turbulência que o Brasil deverá enfrentar, por conta da situação mundial, o italiano passa a dar as cartas e protagoniza uma volta por cima . Quando Lula venceu em 2002, ele foi o quarto nome convidado para o Planejamento (os primeiros três recusaram) e isso depois de muito tempo respondendo pela área de economia do PT. Na Fazenda, Mantega ganhou pitos públicos de Lula e até tentaram torpedeá-lo com um dossiê que envolvia sua filha Marina. Detalhe: até meados de 2002, Mantega defendia o calote . 333

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Dando as cartas

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Verão: calça dobrada, pula-brejo.

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Verão: colete com camiseta.

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S I A M I N A

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333 RODRIGO Maia, presidente do DEM, que não quis saber de qualquer fusão com o PMDB, alegando que, dessa forma, os atuais Democratas passariam a apoiar o governo Dilma, acha que Candido Vaccarezza (PTSP) é o melhor nome para a presidência da Câmara Federal, no ano que vem.

E

333 Enquanto a Deloitte Touche Tohmatsu fica pulando no caso da fraude de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, estudo da Crowe Horwarth Internacional, que atua em 102 países, revela que o Brasil tem a menor taxa de auditores por habitante do mundo em comparação com outras 20 nações desenvolvidas e em desenvolvimento na América e Europa. Aqui, são 24,6 mil pessoas para cada especialista, quase o dobro da Argentina (13,2 mil), ficando também atrás do Chile (9,7 mil). Na Holanda, primeira do ranking, a taxa é de 900 habitantes por auditor.

333 MARCELA e o vice eleito Michel Temer passaram o último fim de semana em Buenos Aires, hospedados numa suíte do encantador Alvear Palace Hotel. Ele havia prometido um weekend só para ela e Marcela gosta muito da cidade – e mais ainda de seus shoppings, com lojas exibindo produtos de grife a preços baratissimos.

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Auditores nomundo

333 O GOVERNADOR Alberto Goldman gostaria muito de ser brindado pelo governador eleito Geraldo Alckmin com a Secretaria de Negócios Metropolitanos.

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C

Enquanto garante que não posaria para Playboy por dinheiro nenhum ("minha mãe me mata"), a cantora, compositora, dançarina, modelo, designer de moda e até atriz Rihanna, 22 anos, posa para fotos sem a parte de cima da roupa para alavancar seu novo lançamento, Loud (no sentido de forte). Ela coleciona três Grammy e mais vinte outros prêmios, já vendeu 12 milhões de álbuns de estúdio e conseguiu colocar oito singles . Por conta do sucesso do single Umbrella, Rihanna tem at�� uma marca própria da guarda-chuvas.

Rihanna em campo

Solução

D

333 A indicação de Sidney Beraldo para a Casa Civil do governo Geraldo Alckmin, mais uma vez, derruba as pretensões de José Aníbal, que foi um dos coordenadores da campanha do tucano. O posto é vital: nenhum ato vai para o Diário Oficial do Estado sem passar pela Casa Civil, como nos tempos de José Serra tudo tinha de passar pela mesa de Aloysio Nunes Ferreira. O mesmo posto deverá também sofrer mudanças na administração de Gilberto Kassab: Clovis Carvalho, ex-poderoso do governo FHC, será substituído e, muito provavelmente, também Alexandre Schneider, atual titular da Educação.

NO PRIMEIRO governo de Lula, Marta Suplicy sonhava com a embaixada brasileira em Paris, por conta também do namorado da época, o franco-argentino Luis Favre, ex-consultor internacional do PT e hoje, figura rara de se ver. Depois, sonhava com a embaixada em Buenos Aires. Agora, até se contentaria com o Ministério das Relações Exteriores, no lugar de Celso Amorim. Marta, a propósito, fala fluentemente espanhol, inglês e francês.

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A D E S T R A D O S O

HOMEM-FORTE

333 EM ALGUM momento de descanso, depois do seguro turno, em Porto Alegre, a presidente eleita teria se submetido a um pequeno retoque num dos olhos na clinica do cirurgião plástico gaúcho Renato Vieira, que provocou reduzido hematoma.

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333 Depois do casamento com o príncipe William, sua noiva Kate Middleton será tratada como Lady Kate, tornando-se xará de uma das mais engraçadas figuras da televisão brasileira, criada por Katiuscia Canoro, do elenco do humorístico Zorra Total. Recentemente, Katiuscia ganhou maior popularidade, participando até de grande campanha de publicidade. Na TV, a sua Lady Kate repete o bordão: “Só me falta-me o glamour”. No caso de sua homônima inglesa, de origem plebéia, pode até faltar dinheiro, mas charme tem muito.

MISTURA FINA

A

Duas Ladies Kate

A primeira-dama da França, Carla Bruni, deverá inaugurar, entre março e abril do ano que vem, o novo núcleo de robótica do Hospital do Câncer de Barretos, interior de São Paulo. Mas, antes disso, deverá estar em Brasília, na posse de Dilma Rousseff, ao lado do maridão Nicolas Sarkozy: ele já confirmou sua presença ao cerimonial do Itamaraty. Dilma gostou e não gostou: sabe que Carla Bruni poderá se transformar em estrela-extra da festa.

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V

Paulo Szot, o barítono brasileiro que ganhou um Tony por sua atuação na Broadway no musical South Pacific (e que continua se apresentando em óperas pelo mundo), quer gravar um CD com músicas populares, depois do sucesso de sua temporada no Carlyle, no veterano Hotel Roosevelt, QG de Bobby Short, em outros tempos. Szot quer gravar bolerões, clássicos da bossanova e canções americanas de Cole Porter e dos irmãos Ira e Irving Berlin. Michael Crawford, depois do êxito no musical The Phantom of the Opera , fez um caminho semelhante e excursionou por todos os Estados Unidos em shows, onde cantava de tudo.

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333 É como comprar um produto pela internet ou numa loja de varejo sem ter a menor certeza de que será entregue e muito menos no prazo combinado. Diante do surgimento do blocão , Dilma foi direta com Michel Temer: “Você segura os seus que eu seguro os meus”. Ledo engano: nem o vice eleito e tampouco Dilma, com toda sua fama de durona , conseguem resultados, mesmo porque até a vontade deles não é total. Hoje, o PMDB tem seis ministérios, o PT tem 17 e o PSB, que tem dois ministérios, quer mais – e nada de secretaria sem importância e pouco orçamento. Já o PMDB está avisando que, generosamente, não quer exagerar sua cota nessa partilha, expressão inicialmente usada por Temer: fica feliz mesmo com cinco ministérios, desde que, no meio, estejam Transportes e Cidades, mais uma diretoria da Petrobras.

Partilha com abatimento

ESTRELA-EXTRA

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ATÉ BOLERÕES

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O R I E H N I D I

O casal (ainda) presidencial está disposto a vir morar em São Paulo. O apartamento de São Bernardo, que Lula sempre diz que “cabe dentro do gabinete no Planalto”, ficaria ocupado pelos filhos. Marisa Letícia quer ficar mais próxima de seu cabeleireiro, sua dermatologista e mesmo de seu cirurgião plástico (afinal, sempre pode surgir um retoque) e Lula quer um apartamento bem maior, que lhe permita fazer reuniões e receber gente importante para jantar. Os bairros de São Paulo que estão sendo examinados vão dos Jardins a Vila Nova Conceição, preferência de Marisa Letícia. O Chefe do Governo só não quer saber de Higienópolis, que considera “área de Fernando Henrique Cardoso”.

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Das madrugadas em que atacava de cantora, no antigo Paddock, no velho centro de São Paulo, nem sinal: agora, Marilia Gabriela, 62 anos (primeira foto à esquerda), em grande forma, graças às magias de Pedro Albuquerque, canta profissionalmente (Pelé diz que ela "tem voz de travesseiro") e na estréia de seu show Incoerente, no Bourbon Street, o que não faltava era convidado famoso. Entre tantos, da segunda foto à esquerda para a esquerda, Ronaldo (chegou com a mulher Bia e seis seguranças, entrando e saindo pela cozinha), a cantora Wanessa, Antonio Fagundes com a namorada Alexandra Martins e a grande figura do joalheiro e cantor Antonio Guerreiro.

Voz de travesseiro

São Jo

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Higienópolis, não

O vice eleito Michel Temer também gostaria muito de ver Miguel Colassuono, integrante da diretoria nacional do PMDB, na presidência da Embratur. Se não conseguir emplaca-lo, Colassuono pode ir para a presidência da SPTuris, como parte da cota peemedebista na administração de Gilberto Kassab. Miguel, para quem tem memória curta, já foi prefeito de São Paulo e depois, vereador. Nos tempos de Celso Pitta na prefeitura, era um homem de articulação entre o Palácio das Indústrias e a Câmara Municipal. Depois, bandeou-se para o PMDB, virou homem de confiança de Orestes Quércia e hoje é ligado a Temer.

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deve, mais chique é.

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O CÃO

Os ANIMAIS domésticos, especialmente os cães mais dóceis e ADESTRADOS, têm SERVIDO de companhia para as pessoas, especialmente nas GRANDES cidades. A CUMPLICIDADE entre o ser humano e o animal nos leva a ACREDITAR que a única coisa que o cão PRECISA fazer para ser REALMENTE o melhor AMIGO do homem é emprestar-lhe DINHEIRO.

M I X Z F U I Y W H B J K I A

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Por: José Nassif Neto

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

5 NADA A DIZER Dilma não confirma permanência de Mantega, considerada certa.

olítica

NADA A DISCUTIR Paulo Bernardo reafirma proposta de R$ 540 para o salário mínimo

Andre Dusek/AE

Dilma não confirma, mas Mantega fica Presidente eleita deve consolidar desejo manifestado por Lula semana que vem, e todo o seu ministério até o dia 15 de dezembro. Um dirigente do PT lembrou que a escolha da equipe econômica não passa pelo crivo de partidos e, portanto, pode ser divulgada antes das demais pastas.

nutenção de Mantega no comando da Fazenda. Segundo a Folha, Dilma preferia trocar a presidência do Banco Central (BC), mas diminuiu sua resistência em manter Meirelles porque está preocupada com uma piora da economia mundial e seus efeitos no Brasil bem no começo de seu governo. Ela voltou de Seul, onde participou de reunião do G20 (que reúne as maiores economias do mundo), disposta a reavaliar a sugestão de Lula para manter Meirelles no BC. Dilma gosta de Mantega, a quem sempre tratou por "Guidinho" quando era ministra da Casa Civil. No governo, ele sempre se aliou a Dilma na defesa da política desenvolvimentista, mesmo tendo embates com o então ministro da Fazenda Antonio Palocci, no primeiro mandato de Lula. Nada a declarar – O presidente não quis responder às perguntas da imprensa sobre a possível permanência de Mantega no futuro governo. Tanto na entrada quanto na saída do Palácio do Itamaraty, onde reCelso Júnior/AE - 10.12.09

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pós duas horas e meia de reunião com a presidente eleita Dilma Rousseff, o ministro Guido Mantega (Fazenda) deixou a Granja do Torto, ontem, sem falar com a imprensa. Além de Dilma e Mantega, também estavam presentes o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e o assessor da petista, Giles Azevedo, cotado para ser chefe de gabinete do próximo governo. Mesmo em meio às especulações sobre a sua continuidade no cargo, o ministro preferiu deixar a Granja do Torto sem falar nada. Ele também cancelou uma viagem que faria para São Paulo, onde teria atividades internas da pasta. Em sua edição de ontem, a Folha de S. Paulo informou que o ministro da Fazenda foi convidado a permanecer à frente do ministério no próximo governo – o que ainda não foi oficialmente confirmado, embora todo os rumores em Brasília apontem nesta direção. Dilma pretende anunciar a equipe econômica em bloco na

Mantega: permanência no cargo deve ser anunciada por Dilma

I nf lu ên ci a – Lula e Dilma discutiram uma lista de nomes que a presidente eleita pretende convidar para montar o primeiro escalão, mas nada foi divulgado até agora. Em reunião na terça-feira à noite, no Palácio da Alvorada, Lula voltou a defender a ma-

Em segredo: Dilma participa de reunião com assessores, mas não referenda nome do ministro da Fazenda

cebeu o presidente da Zâmbia, Rupiah Banda, Lula não quis falar com a imprensa. Ao ser questionado, em duas ocasiões, desconversou e apelou para o futebol: pediu que todos torcessem para o Timão que, segundo alerta dele, vai precisar da torcida. 'Justa' – O economista e exministro da Fazenda Antônio Delfim Netto disse ontem que o ministro Guido Mantega é um conhecedor da economia do Brasil e que ele fez um bom trabalho à frente do ministério. Por isso, Delfim Netto afirmou achar "justa" uma eventual manutenção de Mantega no cargo. "Eu acho ótimo. Ele tem coragem para tomar decisões e racionalidade para escolhêlas", afirmou. Delfim Netto participou ontem de um evento na Câmara de Comércio Americana (Amcham) que discutiu propostas de reforma tributária.

Não sei. A definição [de ministérios] é prerrogativa da presidenta eleita. E o PT tem as suas instâncias. JOSÉ EDUARDO DUTRA, PRESIDENTE DO PT

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse considerar "excelente" a possibilidade de que o ministro da Fazenda seja mantido no cargo. "Acho excelente. Quem sou eu para dar palpite?", afirmou, durante coletiva, após se reunir com centrais sindicais. Questionado sobre sua própria permanência, Bernardo disse não ter nenhuma expectativa de ficar.

"Acho que Dilma deveria renovar o máximo possível", comentou ele. O ministro também foi questionado sobre se aceitaria um convite de Dilma para ficar no cargo. Bernardo, então, sorriu e respondeu: "Vou pensar". Mic roem presa – O presidente do PT, José Eduardo Dutra, um dos coordenadores do governo de transição, informou ontem, que, por enquanto, a presidenta eleita deverá criar apenas um ministério: o da Micro e Pequena Empresa. Em reunião com a bancada de senadores eleitos, afirmou que Dilma deverá compor um "governo plural, com a participação de vários partidos". Dutra evitou falar em nomes e em prazos, especialmente sobre a equipe econômica. "Não tenho informações. A definição de ministérios é prerrogativa da presidente. E o PT tem as suas instâncias", disse. (Agências)

Bernardo às centrais: mínimo é R$ 540 Michel Filho/AOG

Ministro diz que proposta não muda, apesar da pressão sindical por R$ 580

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ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reafirmou ontem que o governo vai manter a proposta de elevar o salário mínimo para R$ 540 em 2011, apesar da pressão das centrais sindicais para elevar este valor para R$ 580. O ministro disse que deverá haver nova rodada de negociação com as centrais na próxima terça ou quarta-feira, em Brasília, e que espera que o acordo seja fechado até meados de dezembro. De acordo com ele, o valor de R$ 540 segue o critério do acordo fechado com as centrais sindicais em 2006, com validade até 2023, de corrigir o mínimo pela inflação do ano anterior e pela variação do PIB de dois antes. "Nós manifestamos para as centrais que consideramos o acordo vitorioso e exitoso. Ele garantiu um aumento real de 60% para o mínimo durante o governo Lula, ajudou a alavancar o mercado interno, o comércio, a economia e ajudou a aplacar a crise econômica", afirmou. Para o ministro, se as centrais quiserem modificar a política de reajuste do mínimo, terá de ser discutida a criação de um novo critério. "Mas se é para manter, tem de fazer a conta e ver no que dá", ressaltou. De acordo com o ministro, o presidente Lula manifestou decepção pelo fato de que o acordo ainda não se tornou lei e precisa ser votado todos os anos por meio de medida provisória. Segundo ele, Lula teria dito que iria consultar a presidente eleita Dilma Rousseff caso ela deseje "fazer alguma inflexão na política do mínimo". Sobre a afirmação do senador Gim Argello (PPB-DF), que teria dito em reunião realizada anteontem, em Brasília, que há espaço para elevar o mí-

nimo a R$ 560 ou R$ 570, Bernardo disse que o Congresso seguirá aquilo que for acordado entre o governo e as centrais. Ele ironizou o fato de que a reunião realizada a portas fechadas teria vazado para a imprensa. "Nós somos um governo notável. Nos reunimos e transmitimos online. Foi quase uma coletiva. Só faltou perguntas dos jornalistas", disse. Insistência – O secretáriogeral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, mais conhecido como "Juruna", disse ontem, em São Paulo, que as centrais sindicais insistirão na proposta de um salário mínimo de R$ 580.

"Isso eu acho que é uma questão de pressão das centrais sindicais. Eu acho que não basta o governo agradar apenas aos partidos aliados, sem atender a população em geral. Nesse aspecto, eu acho que ainda há condições de negociação", disse. "Acredito que nós deveríamos pensar num número positivo de aumento real, uma vez que quanto melhor o mercado interno, melhor para o País em geral". Bingos - "Juruna" disse também que a Força Sindical é favorável à regulamentação dos bingos no País. Alguns deputados, como Sandro Mabel (PR-GO) e Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, ligado à central, pressionaram o Michel Filho/AOG

Ministro Paulo Bernardo (acima) reuniu-se ontem com líderes sindicais como Arthur Henrique, da CUT (abaixo, à esquerda) para reiterar: apesar de estar aberto a novas rodadas de negociação, governo entende que já tem acordo firmado desde 2006 com entidades e espera que o assunto seja sacramentado até meados do ano que vem

Nós manifestamos para as centrais que consideramos o acordo [sobre o mínimo] vitorioso e exitoso. PAULO BERNARDO, MINISTRO DO PLANEJAMENTO "Como já foi dito pelo relator do Orçamento no Congresso, senador Gim Argello (PTBDF), há condições de se dar esse aumento", disse, em referência à reunião de anteontem durante a qual o parlamentar admitiu que o governo tem uma margem de manobra e poderia chegar a um valor de R$ 570, apesar de a proposta oficial do governo ser de R$ 540. Embora grande parte dos prefeitos do País seja contra esse aumento, que afirmam não terem condições de repassar ao funcionalismo público municipal, "Juruna" disse que o governo tem de agradar à população e não apenas aos partidos aliados.

governo pela legalização dos bingos, alegando que poderiam usar parte dos recursos do jogo para ampliar verbas da saúde e na aprovação da Emenda Constitucional 300, que oferece piso salarial de R$ 3,2 mil para policiais militares e bombeiros nos Estados.

"A Força é a favor [da legalização dos bingos], primeiro pela questão do emprego, e segundo porque isso poderia também aumentar a arrecadação de impostos", afirmou, ressaltando que as demais entidades sindicais não concordam com a sugestão.

A p o s e n t a d os – De acordo com o secretário-geral da Força Sindical, no encontro de ontem não seria discutida a proposta de aumento da remuneração dos aposentados que ganham acima do mínimo. "O combinado é voltar a discutir isso depois", disse.

O vice-presidente da Força Sindical, Miguel Torres, acrescentou que a entidade pretende negociar o reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR) com a administração federal. "Neste ano, 99% das categorias tiveram aumentos entre 7% e 9% e muitos trabalhadores isentos do pagamento de IR entrarão na faixa para pagar. Então, queremos uma solução", disse. A proposta da Força é que o reajuste no IR acompanhe a inflação e fique em torno de 5%. (AE/Folhapress)

p Congresso: PT confia na proporcionalidade DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Reduzir impostos não é factível. Temos que reduzir gastos e distribuir melhor a arrecadação. Delfim Netto

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Celso Junior/AE

Partido diz que acredita no equilíbrio da composição das mesas, tanto na Câmara como no Senado

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PT no Senado espera que, na próxima legislatura, a prop o rc i o n a l i d a d e dos partidos seja respeitada na escolha dos presidentes da Casa e também da Câmara dos Deputados. Com isso, o partido ficaria com a presidência da Câmara e o PMDB, com a do Senado. Mas o PT ainda não indicou nomes para ocupar os cargos e não pretende interferir na escolha dos nomes de outros partidos para ocupar as cadeiras a que têm direito. "Cada bancada tem a responsabilidade de fazer suas indicações. Teremos a presidência na Câmara e a 1ª Secretaria no Senado", disse o líder do partido, Aloizio Mercadante (SP). Ele se reuniu ontem, com o presidente do partido, José Eduardo Dutra, e com os senadores eleitos para discutir o posicionamento deles no próximo governo. "Se houver qualquer alteração nesse quad ro , q u e re m o s d i a l o g a r " , acrescentou Mercadante. Ao contrário do que houve na Câmara, no Senado o partido não pretende criar blocos para ter a maioria de senadores e, com isso, ter direito à disputa pela presidência da Casa. O PT tem conversado com o PR, o PSB, o PCdoB e o PRB para formar um bloco no Senado. "Mas não faremos nenhum bloco maior que o PMDB, maior bancada na Casa. Será apenas para facilitar as votações nas comissões", ressalvou Mercadante. Na Câmara, a formação do chamado blocão fará com que o grupo seja a maior bancada da Casa, com 202 deputados,

número superior aos 87 que o PT terá na próxima legislatura. "No Senado, haverá o respeito à proporcionalidade", afirmou o líder do PT. José Eduardo Dutra manifestou a mesma opinião. Disse que haverá o respeito à proporcionalidade não só em relação ao PT na Câmara, como em relação a outros partidos. Apesar de garantir que não haverá conflito, Dutra disse que o rodízio entre o PT e o PMDB na presidência da Câmara é uma questão a ser discutida com os peemedebistas: "Há também outros partidos da base que precisam ser consultados." 'Só protocolo' – O vice-presidente eleito e presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), chamou de "protocolo de intenções" o movimento para formação de um blocão na Casa – PMDB, PP, PR e PSC. O governo se irritou com as articulações do PMDB que poderiam garantir a eleição de H e n r i q u e E d u a rd o A l v e s (PMDB-RN) à Presidência da Casa. "Não sei qual o bloco que vai surgir. O que percebi foi uma intenção, uma espécie de protocolo de intenções", disse Temer. Ele chamou de "equívoco" achar que a formação do bloco crie atrito com o PT, partido que também pleiteia a presidência da Câmara. "Não vejo nenhum indício dessa tensão que foi, ao meu modo de ver, artificialmente criada". Reajuste – Para Temer, o reajuste do salário dos parlamentares tem tão pouca relevância, que nem falou sobre o assunto. "Falarei em outra oportunidade". (Agências)

Delfim Netto: reforma tributária deve ser focada

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Reunião da Executiva do PT: Mercadante, Dutra e senadores eleitos: alterações teriam de ser discutidas

Líderes vinculam votação do pré-sal com Código Florestal 43 parlamentares fecham acordo informal: Código será votado ainda este ano

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m reunião de lideranças partidárias, ontem, em Brasília, 43 parlamentares fecharam acordo informal vinculando a votação do Código Florestal, ainda este ano, com o fim da obstrução para apreciar o projeto do pré-sal. Na reunião, eles também discutiram a possibilidade de Henrique Alves (RN), líder do PMDB na Câmara (RN), ser eleito presidente da Casa. Segundo o deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR), a reunião contou com a presença de todas as lideranças, com exceção do PV e do PSol. "Ficou muito claro que manter o Código como está é um

desastre", disse Stephanes, para quem Alves se comprometeu a colocar o tema em pauta ainda este ano. "Não há mais espaço para se aceitar um projeto substitutivo do governo", disse um participante. "O tempo dado ao governo acabou". O Ministério do Meio Ambiente se responsabilizou em preparar um substitutivo, mas o andamento do projeto se estagnou após a eleição do 1º turno. Assim, valeria a proposta do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator do novo projeto, muito criticado por ambientalistas. Ontem, porém, os ruralistas teriam concordado em recuar

na data de punição aos responsáveis por desmatamentos de 2008 a 2001, quando a nova lei entrou em vigor. "Não haverá mais perdão aos que desmataram a partir de 2001, pois já se tinha consciência dos problemas para o meio ambiente", afirmou Stephanes. Em outro encontro, o tema foi debatido com o setor canavieiro, preocupado com os impactos de nova legislação ambiental. A cana tem áreas consolidadas no Paraná e em São Paulo. "Se a mata no bioma de São Paulo fosse recomposta, inviabilizaria a indústria", disse Stephanes. Porque o preço das terras explodiria. (AE)

ex-ministro da Fazenda, Delfim Netto, defendeu ontem que a reforma tributária tem que tornar o sistema eficiente. E isso não implica necessariamente em reduzir o tamanho da carga tributária. "A ideia de reduzir impostos não é factível. Temos que aproveitar essa gente que está chegando (no mercado de trabalho) e distribuir melhor a arrecadação", comentou, durante o seminário Reforma Tributária Possível, realizado pela pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo. "Se tentarmos fazer uma reforma completa, não conseguiremos. Se fo c a r m o s e m a l g u n s pontos, aí sim, poderemos obter algum sucesso", afirmou. Segundo ele, o principal desafio do próximo governo é fazer com que todas as suas despesas cresçam menos do que o PIB, pois desta forma é que o País reunirá condições de investir mais para crescer sem pressão inflacionária. O ex-ministro ressaltou que a bolsa de valores no Brasil tem todas as condições de captar recursos e transformá-los em poupança interna. (AE)

Fabio Pozzebom/ABr

Tucanos convocam a Executiva para remontar o 'ninho' PSDB discute rumos do partido após a derrota do candidato Serra à Presidência

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PSDB reuniu sua Exe- com a criação de um "cadastro cutiva nacional on- nacional" para organizar tem, pela primeira aqueles que mantém ligação vez desde as eleições, para dis- com a sigla. cutir os rumos da sigla após a "Queremos montar o partiderrota de José Serra para a do em todos os municípios do Presidência da República. Brasil", disse o presidente do Sem a presença de líderes tu- Instituto Teotônio Vilela, Luiz canos como Aécio Neves, Fer- Paulo Veloso Lucas. nando Henrique Cardoso ou Outra decisão importante é Serra, o PSDB resolveu elabo- manter a postura de oposição rar um plano de reestrutura- frente ao governo da presição do partido para as eleições dente eleita, Dilma Rousseff municipais de 2012, embora (PT), com críticas também ao tudo indique que caminhe pa- governo do presidente Luiz ra manter o senador Sérgio Inácio Lula da Silva, em muiGuerra (PSDB-PE) na presi- tos momentos escondidas na dência da legenda. campanha eleitoral, devido à Neutro na alta popularidisputa que dade que gomarca o PSDB za o presidende São Paulo e te petista. A oposição não Minas Gerais, o Segundo ficou menor. Terá senador GuerGuerra, o parque ser mais ra conta com o tido voltará a combativa do apoio do grupo se reunir, de que teme um f o r m a a mque já foi, e não racha na legenpliada, em denos faltarão da, provocado zembro, para vozes para isso. pela disputa dar continuiSÉRGIO GUERRA entre as alas lidade a essas gadas a Serra e discussões de a Aécio. r e f o r m u l aNo entanto, o presidente tu- ções internas. cano afirma que a discussão Bancadas – Sobre a redução sobre o comando da sigla só de suas bancadas no Congresterá início às vésperas das con- so após as eleições de outubro, venções partidárias do PSDB, Guerra explicou que a oposimarcadas para março (as mu- ção "não ficou menor" por connicipais), abril (as estaduais) e tar com menos deputados e semaio (a nacional). "Temos uma nadores. proposta do Aécio Neves de "A oposição terá que ser reestruturar o nosso programa mais combativa do que já foi, e político. Um grupo, que deve não nos faltarão vozes para faser composto por ele, Fernan- zer essa oposição", disse. No Senado, o PSDB e o DEM do Henrique Cardoso, José Serra e Tasso Jereissati, vai pro- buscam parlamentares filiapor mudanças no programa do dos a partidos governistas que não se alinham ao governo partido", declarou Guerra. O PSDB quer aumentar o nú- Dilma. De acordo com as conmero de filiados e militantes, tas da oposição, pelo menos 22

PSDB reúne a Executiva nacional, em Brasília. As discussões sobre as mudanças internas foram conduzidas por Eduardo Jorge e Sérgio Guerra.

senadores poderão votar contra o governo – embora juntos, o DEM e PSDB, tenham conseguido eleger 17 senadores. Dívida – O PSDB confirmou ontem que vai receber uma dívida de até R$ 10 milhões da campanha de Serra à Presidência. O senador Guerra reconheceu que a sigla vai "herdar" parte dos gastos da campanha presidencial sem conseguir zerar suas contas até o dia 30, prazo para quem disputou o segundo turno prestar contas à Justiça Eleitoral. "Algumas contas não vamos ter capacidade de pagar. O que pode sobrar para o partido é entre R$ 8 a R$ 10 milhões. O resto será pago até o dia 29". O PSDB confirma que gastou um total de R$ 140 milhões na campanha, embora a previsão inicial de orçamento fosse de R$ 180 milhões. "Foi uma campanha econômica", disse o ex-deputado Márcio Fortes, do conselho fiscal do partido. Reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo mos-

tra que, assim como a campanha de Serra, a da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) também vai deixar dívida de R$ 10 milhões para o partido. No caso de Dilma, há dez dias seus auxiliares trabalham para reduzir o deficit de cerca de R$ 25 milhões a um patamar similar ao deixado pelo presidente Lula em 2006 – R$ 10 milhões. Segundo petistas, há casos de doadores que prometeram complementar repasses, e de outros que surgiriam após o sucesso nas urnas. No PSDB, em 2006, as contas do então candidato Geraldo Alckmin terminaram com um deficit de R$ 19,5 milhões – valor que já foi quitado. Sinalização – O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deu novo indício de sua saída do DEM: declarou ontem, apoio oficial ao adversário do seu partido na disputa pela presidência da Câmara Municipal e admitiu, pela primeira vez, conversas com a cúpula nacional do PMDB.

Pela manhã, na sede da Prefeitura, Kassab confirmou que apoia a candidatura de José Police Neto (PSDB) para o comando da Mesa Diretora do Legislativo. O adversário do tucano na disputa é o vereador Milton Leite (DEM), atual relator do Orçamento do Executivo e um dos principais cabos eleitorais do prefeito na zona sul em sua campanha à reeleição, em 2008. "Tenho muito respeito pelo Milton, mas meu apoio é ao Neto. É um apoio isento, não vou interferir na eleição da Mesa. São duas figuras muito importantes na política da cidade e que merecem respeito", disse Kassab. Após a entrevista, ele reafirmou às principais lideranças da Câmara o seu apoio ao candidato do PSDB. A notícia agravou a crise entre o prefeito e os sete vereadores do DEM, os líderes do "centrão" – bloco que agrega 16 dos 55 parlamentares das legendas PR, PMDB, PTB, PV e PP – e ainda a bancada de dez verea-

Um grupo [Aécio, FHC, Serra e Tasso Jereissati] vai propor mudanças no programa do partido. IDEM dores do PT. "Tenho apoio da direção nacional do meu partido, mas ainda não tomei a decisão final de ser candidato", desconversou Leite, ao saber da posição de Kassab. No Senado, Antonio Carlos Rodrigues (PR) considera a posição do prefeito mais um indicativo de sua saída do DEM. "O Kassab está com um pé para fora do partido. E não acho que existe um apoio isento à candidatura do PSDB. Centroavante quando vai bater pênalti é para marcar gol", comparou. (AE/Folhapress)

p Caso Celso Daniel: sai a 1ª condenação DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

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É um contra senso não se admitir que o MP não possa produzir provas. Antonio Augusto Galvão de França Hristov, juiz que presidiu o tribunal

olítica

Promotoria alega que Celso Daniel foi torturado e assassinado por possuir um dossiê com os nomes dos membros do PT envolvidos em esquema de corrupção

A

Justiça condenou ontem a 18 anos de prisão em regime f e c h a d o M a rc o s Roberto Bispo dos Santos, apontado como um dos integrantes do grupo que sequestrou e executou a tiros Celso Daniel, prefeito de Santo André (PT), em janeiro de 2002. O argumento central do Ministério Público era o de que Daniel foi vítima de crime político, encomendado "por uma corja de malfeitores alojada na administração petista". Após cinco horas de debates, o conselho de sentença, formado por sete jurados – cinco mulheres e dois homens –, analisou seis quesitos e acolheu, integralmente, a denúncia contra o réu. Bispo é o primeiro condenado no caso, mas não é o principal alvo da Promotoria. Outros seis acusados deverão ir a júri popular, entre eles o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, apontado como mandante do assassinato e "chefe da máfia" na Prefeitura de Santo André. Bispo, que está com a prisão preventiva decretada, não compareceu ao plenário do Fórum de Itapecerica da Serra porque não foi intimado, segundo seus advogados. Ele já cumpriu oito anos em caráter preventivo – em março de 2010 foi solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) – e esse tempo será descontado. O promotor Francisco Cembranelli, que fez a acusação, avalia que a condenação de Bispo representa um revés ao esquema de corrupção na gestão do PT em Santo André. Ele

Helvio Romero/AE

ligou o desvio de recursos públicos à vitória do presidente Lula, na campanha de 2002. Assessor de Lula – Cembranelli sustentou que o dinheiro ilícito se destinava a contas pessoais de políticos que faziam parte da organização que "dilapidava o patrimônio público" para abastecer caixas de campanhas do PT, "inclusive a primeira eleição do presidente Lula". Aos jurados, destacou que Daniel foi torturado em

Não estou preocupado em transformar o Partido dos Trabalhadores em réu nesse processo. É evidente que faz parte do contexto. FRANCISCO CEMBRANELLI dois cativeiros, um na favela do Pantanal, em Diadema, e outro em Juquitiba, para que revelasse onde havia guardado um dossiê "com informações contra integrantes do PT envolvidos no esquema de propinas". O documento estaria guardado na residência de Daniel. "Celso Daniel era um homem cuidadoso, meticuloso", disse o promotor. Ele asseverou que uma testemunha contou ter visto Gilberto Carvalho – hoje, assessor especial de Lula e, na época, secretário municipal em Santo André – saindo do apartamento de Celso Daniel no dia seguinte ao sequestro. Klinger de Oliveira Sousa, ex-

vereador pelo PT, teria acompanhado Carvalho. Ambos teriam saído do apartamento carregando documentos. "Não estou preocupado em transformar o Partido dos Trabalhadores em réu nesse processo. Não vou pôr o PT no banco dos réus. As pessoas que conduziam a prefeitura estavam ligadas ao Partido dos Trabalhadores", acrescentou o representante do Ministério Público. "É evidente que ele faz parte do contexto e algumas pessoas serão mencionadas. Que há um escândalo público envolvendo a prefeitura de Santo André, isso é óbvio. Pessoas desviavam recursos para campanhas eleitorais e contas pessoais", explicou. Para o promotor, a tese de que a corrupção mandou matar Celso Daniel foi acatada pelos jurados. "Especificamente foi proposto um quesito de que o crime foi cometido mediante paga e promessa de recompensa e o júri acolheu. Não houve crime de extorsão mediante sequestro, mas um crime encomendado e a prova mostra isso. Vale para todos os réus." Bispo foi condenado por homicídio duplamente qualificado – motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Segundo a Promotoria, ele participou do arrebatamento e da remoção do prefeito até os cativeiros. O advogado de defesa Adriano Marreiro dos Santos afirmou aos jurados que Bispo foi "barbaramente torturado pela polícia para confessar". Às 17h30, o juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov leu a sentença, destacando

Itamar Miranda/AE - 28.05.97

Plenário do Fórum de Itapecerica da Serra (SP). Bispo é o primeiro condenado no caso, mas não é o principal alvo da Promotoria. Outros seis acusados deverão ir a júri popular, entre eles o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra.

que a morte de Daniel teve "grande repercussão" por conta da proximidade entre a vítima e Lula. "Os fatos causaram severo desassossego social". E lembrou que a vítima era "potencial coordenador do

programa de governo do primeiro mandato do atual presidente da República e também cotado para exercer o cargo de ministro de Estado". O juiz fez ainda uma defesa pública do poder de investiga-

ção da Promotoria, questionado no STF por Sombra. "Se a Constituição atribui ao Ministério Público a titularidade da ação penal, seria um contra senso não se admitir que não possa produzir provas." (Agências)

Alex Silva/AE - 14.11.05

Defesa alega que confissão só veio mediante tortura

Advogado de Marcos Roberto Bispo dos Santos (foto do réu ao lado) alega que não existem provas suficientes para condená-lo. Promotoria alega que pelo menos 21 testemunhas o colocam na cena do sequestro de Celso Daniel.

E põe em dúvida aqueles que testemunharam contra o réu. São todos eles co-réus.

O

advogado Adriano Marreiro dos Santos, que defende Marcos Roberto Bispo dos Santos, sustenta que o réu foi torturado pela Polícia Civil para confessar o envolvimento no assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT). "A gente tem que respeitar a sentença porque foi um ato democrático, mas antecipo que a defesa vai recorrer [da condenação de 18 anos]. Primeiro, porque a gente desafiou várias vezes o doutor Cembaranelli a apresentar provas contra o acusado e não foram apresentadas. Ele foi condenado sem uma única

prova, a não ser a sua confissão na delegacia. Uma confissão maculada, uma confissão mediante tortura. Segundo, por nulidade de intimação do réu", afirmou o advogado, após a sentença. A tortura, segundo ele, teria acontecido no DEIC (Delegacia Estadual de Investigações Criminais) e no DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). O advogado enfatiza que não há perícia ou depoimento de testemunha, que não seja co-réu, indicando que seu cliente estava no local e na hora do crime. O julgamento de Marquinhos começou ontem, por volta de 10h, no Fórum de

Itapecerica de Serra (SP). A defesa também afirma que o ex-deputado federal, Luiz Eduardo Greenhalgh, atuou no caso Celso Daniel apenas para defender interesses do PT e não os humanistas. E diz que o petista chegou a dar um tapa em um dos acusados. Greenhalgh participou das investigações na condição de observador de garantias dos direitos humanos. O defensor fez as afirmações para tentar mostrar aos jurados que as confissões do caso foram obtidas sob coação. O advogado disse que o exdeputado petista foi indicado como testemunha no júri de

ontem , mas não foi localizado pela Justiça. "Não há prova suficiente para condenar o Marcos", disse aos jurados. Nenhuma testemunha compareceu à sessão do júri. A exposição de Marreiro dos Santos começou por volta das 12h20, logo após a fala do promotor Francisco

Sérgio Gomes tenta invalidar investigação Empresário vai ao Supremo Tribunal Federal sustentar que atuação do Ministério Público foi irregular

A Celso Junior/AE - 17.11.05

pontado pelo Ministério Público como mandante da morte do ex-prefeito Celso Daniel, Sérgio Gomes da Silva, o "Sombra", levou o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF) – que decidirá se toda a investigação é válida ou

não. Apesar de o julgamento estar relacionado diretamente ao processo que apura a morte do ex-prefeito, o STF vai definir, na prática, até onde vai o poder de investigação do Ministério Público (MP). Ontem o advogado de Sombra, Roberto Podval, enviou ao júri de Marcos Roberto Bispo dos Santos um representante para acompanhar de perto a argumentação do promotor Francisco Cembranelli. Defesa e promotoria já duelaram no caso Isabella Nardoni. A discussão se arrasta há seis anos. A defesa do empresário entrou com um pedido de habeas corpus no Supremo, em 2004, para trancar a ação penal que corre na Justiça de Itapecerica da Serra. E alega que todo processo é irre-

gular, uma vez que teve como base uma investigação promovida pelo MP. O processo está no gabinete do ministro Cezar Peluso desde junho de 2007. Atual presidente do Supremo, ele pediu para analisar melhor o caso. A discussão está empatada – um a um. Em 11 de junho de 2007, o relator, ministro Marco Aurélio Mello, abriu a discussão e votou a favor da anulação do processo. "As investigações do caso deveriam partir da Polícia Civil e não do Ministério Público, que é parte da ação penal". Já o ministro Sepúlveda Pertence (hoje aposentado) teve posição contrária. Peluso pediu vista em seguida. A defesa alega que a Constituição Federal não dá ao MP o poder de conduzir investigações criminais. A Procuradoria Geral da República tem tese contrária.

"Não há na Constituição Federal nenhuma regra que exclua o poder investigatório do MP. As normas estabelecidas trabalham no sentido da sua ampla legitimidade investigatória, seja na área penal ou não. No caso concreto, a atividade do MP foi supletiva à policial", disse o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, à época. Efeito prático – Apesar de nunca ter sido decidida em plenário, que reúne todos os 11 integrantes do Supremo – composição atualmente desfalcada após a aposentadoria de Eros Grau –, a discussão sobre as atribuições do MP já foi assunto nas Turmas do STF, que reúnem cinco magistrados cada, com exceção do presidente. O julgamento ainda não tem data para acontecer. Mas, desde já, promete. Vai esquentar o plenário. (Agências)

Cembranelli, que pediu a condenação do réu. Segundo o promotor, depoimentos de 21 testemunhas, entre elas alguns acusados no caso, permitem comprovar que Marquinhos dirigiu um dos dois veículos que perseguiram o carro em que Celso Daniel estava na noite

do sequestro. De acordo com o promotor, as provas também indicam que o réu encomendou o roubo do outro veículo usado na ação, uma Blazer, e foi o responsável pelo transporte de Daniel da Favela Pantanal em São Paulo, para o sítio em Juquitiba. (Folhapress)

SECRETARIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS MINUTA DE EDITAL 1ª Vara dos Registros Públicos/SP Notificação. Prazo de 20 dias. Processo nº 100.07.227101-6. O Dr. Gustavo Henrique Bretas Marzagão, MM. Juiz de Direito da 1ª Vara de Registros Públicos, na forma da lei, faz saber a, Moisés (ou Moysés) Politis e sua mulher, Jamila Politis, assim como de Szyja Dafner e sua mulher, Toni Dafner, e eventuais herdeiros ou sucessores, que a Municipalidade de São Paulo ajuizou pedido de providência objetivando a abertura de matrícula para o espaço livre 1 do loteamento “Jardim Marcelo”, área com superfície de 5.778,20 m², com acesso pela Rua Lérici, implantado na gleba que tem origem nas transcrições nºs 110.200, 110.201 e 161.168, do 11º Serviço de Registro de Imóveis da Capital. Estando em termos, expede-se o edital para notificação dos supra-mencionados, a fim de que, no prazo de 15 dias, a fluir após os 20 dias acima referidos, ofereçam eventual impugnação ao pedido, sob pena de produzirem-se os efeitos da revelia. Será o presente edital afixado e publicado na forma da lei. Gustavo Henrique Bretas Marzagão Juiz de Direito

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PREGÃO PRESENCIAL Nº 21/SME/DME/2010 - 2010-0.167.081-3 - REGISTRO DE PREÇOS PARA FORNECIMENTO DE MARGARINA - SME/DME. O credenciamento e os envelopes nº 01 (proposta) e envelopes nº 02 (documentação) deverão ser entregues até às 10:00 horas do dia 10/12/2010, no Departamento de Merenda Escolar - DME, situado na Rua Libero Badaró, 425 - 9º andar - Centro. Acha-se aberta no Departamento de Merenda Escolar - DME sito Rua: Libero Badaró, 425 - 9º andar - Centro, a licitação na modalidade: PREGÃO PRESENCIAL Nº 22/SME/DME/2010 - 2010-0.181.454-8 - REGISTRO DE PREÇOS PARA FORNECIMENTO DE PREPARADO LÍQUIDO PARA REFRESCO ADOÇADO - SME/DME. O credenciamento e os envelopes nº 01 (proposta) e envelopes nº 02 (documentação) deverão ser entregues até às 10:00 horas do dia 09/12/2010, no Departamento de Merenda Escolar - DME, situado na Rua Libero Badaró, 425 - 9º andar - Centro. Os Editais e seus anexos poderão ser obtidos, até o último dia que anteceder a abertura, mediante recolhimento de guia de arrecadação, ou mediante a apresentação de CD ROM gravável no Departamento de Compras ou através do site http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br, bem como, a cópia do Edital estará exposta no mural do Setor de Licitação.

DIÁRIO DO COMÉRCIO

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idades

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Marcelo Casal Jr./ABr

Em entrevista ao Diário do Comércio, Lauro Ribeiro Escobar explica as características da bandeira brasileira, como o significado das cores verde, amarelo, azul e branco. Especialista em vexilologia, a ciência dos desenhos das bandeiras, Escobar lembra que já tivemos outras ao longo dos tempos

Ao lado, torcedores abraçam a bandeira brasileira durante a Copa da África do Sul, em junho deste ano. Um dos principais símbolos do País foi apresentado no dia 19 de novembro de 1889, quatro dias após a proclamação da República. Masao Goto Filho/e-SIM - 05/01/2010

Hoje é Dia da Bandeira, um símbolo carregado de história Reprodução

José Maria dos Santos

Q

uando se trata de bandeiras, é aconselhável bater na porta de Lauro Ribeiro Escobar, 83 anos, que mora em um apartamento na Consolação. Ele é o mais conhecido dos nossos especialistas em heráldica e vexilologia, que vem a ser a ciência dos desenhos de bandeiras. Nessa condição, sua agenda está permanentemente ocupada por conferências e cursos sobre o assunto. Lauro não é apenas um teórico, também cria pavilhões. E o faz gratuitamente, por amor ao tema, como gosta de proclamar. Aliás, nossa bandeira municipal é de sua autoria, assim como mais de 300 outras espalhadas por cidades do Brasil afora. Ninguém melhor do que ele é credenciado para falar da nossa Bandeira, no dia que a homenageia.

Diário do Comércio - Na qualidade de especialista em vexilologia (ciência de desenhos de bandeiras) e de heráldica, o senhor tem alguma novidade tipo novos estudos ou pesquisas sobre a nossa bandeira, que comemoramos hoje? Lauro Ribeiro Escobar Creio que tudo que podia ser dito sobre nossa bandeira já o foi. Aliás, no meu entender, é um pavilhão extremamente bonito. O que me incomoda um pouco nas comemorações de 19 de novembro é que a nossa bandeira imperial seja tão pouco lembrada. Todas as celebrações se concentram apenas na bandeira republicana. Ora, a outra também é nossa, e muito legitimamente. Foi a bandeira do Império brasileiro. Ora, nossa pátria é o Brasil, tanto no Império como na República. No entanto, ela é vista apenas como um registro nos livros escolares.

DC - Por esse ângulo, trata-se de uma visão interessante... Escobar - Trata-se de uma bandeira gloriosa. Tremulou nas batalhas cruentas da Guerra do Paraguai, como Lomas Valentina, Avaí, Riachuelo e outras mais. Também testemunhou, em inúmeras operações militares, os movimentos de pacificação

Lauro Ribeiro Escobar: especialista em bandeiras, ele já fez mais de 300, inclusive para a cidade de São Paulo

ues/Hype -

drig Leonardo Ro

uma bandeira sectária. Por outro lado, ao reproduzir na esfera, da forma como fizeram, o céu do Rio de Janeiro na noite de 15 de novembro de 1889, promoveram uma bela trapalhada.

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26/05/20

Bandeira do Império do Brasil: cores representam dinastias europeias Divulgação-16/04/2010

nias as as cerimô sente em tod re p tá es ra ei cional, band Orgulho na

Desenho da bandeira é de Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos

interna ao longo do Segundo Império. Sem desmerecer as também gloriosas batalhas da FEB na Itália, creio que os combates da Guerra do Paraguai foram extremamente significativos, inclusive por responderem a uma ofensa concreta contra o território nacional. DC – Em todo caso, as duas bandeiras são bastante parecidas. Escobar - É verdade. E as duas tem em comum que não há, oficialmente, informações sobre a criação delas. Existem apenas versões. DC – O senhor poderia detalhar melhor essa questão? Escobar - Essa pergunta remete à nossa primeira bandeira, que se desdobrou posteriormente na do Império e depois na da República. Dom Pedro 1.º (1798-1834) proclamou a Independência em sete de setembro, e no dia 18 daquele mês apresentou a bandeira do reino no Rio de Janeiro. Esta bandeira seria modificada em dezembro, quando o Brasil se tornou Império. A

mudança foi pequena: se deu no tópico da coroa, que aparece acima do brasão de armas. No caso, os arcos achatados da primeira, se tornaram mais elevados na segunda. De resto, a bandeira continuou com o campo verde e o losango amarelo. Foi atribuída a Debret (Jean-Baptiste Debret, 1768-1848). Mas não há provas disso. DC – Por que foi atribuída a Debret? Escobar - Talvez tenha sido suposto que Debret, um pintor, conheceria Heráldica. Mas eu suspeito que, pela exiguidade de tempo entre o sete e 18 de setembro para se conceber uma bandeira, tarefa que exige estudos, o pavilhão já estivesse pronto, provavelmente vindo da Inglaterra, origem que seria mais óbvia para a época. O fato é que não há qualquer referência ao autor, como não há, apesar de versões existentes, uma explicação sobre a escolha das cores, que, aliás, sobreviveu na bandeira republicana. DC – E qual é a versão das cores? Escobar - O verde represen-

taria a cor da casa de Bragança, da Família Real portuguesa; o amarelo, da Casa Habsburgo, de onde veio Leopoldina (1797-1826), nossa primeira rainha e depois imperatriz; o azul e o branco, de Afonso Henriques (1109?1185), fundador e primeiro rei de Portugal. Porém, no processo de criação da bandeira não há qualquer alusão a respeito dessa possível inspiração. Depois, na documentação referente à modificação da bandeira para se tornar republicana, imediatamente após a proclamação do Marec h a l D e o d o ro d a F o n s e c a (1827-1892), também não há notícias dessa natureza. DC - E aquela explicação que aprendemos na escola em que o verde representa nossas florestas; o ouro, nossas riquezas; o azul, o nosso céu e o branco, a nossa paz? Escobar - Também é outra explicação encontrada posteriormente. Pode ser sugestiva e até guardar alguma verdade. Mas o fato é que, oficialmente, não há nada. DC - A bandeira republicana foi basicamente concebida por Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927) e Miguel Lemos (1854-1917), então expoentes da corrente filosófica do

positivismo, do francês Auguste Comte (1798-1857), que estava na moda em nosso País. Quais foram as modificações introduzidas? Escobar - O losango amarelo, em vez de chegar até as extremidades, como acontecia no pavilhão imperial, ficou solto sob o campo verde. E o brasão de armas com a esfera armilar foi substituído pela esfera azul com as estrelas e o dístico "Ordem e Progresso". DC – O que vem a ser a esfera armilar? Escobar - Trata-se de um instrumento de astronomia, que reproduz a esfera celeste e a sua mecânica de funcionamento e que era utilizado nas navegações e do qual há registro já no ano I a.C. Foi introduzido em Portugal pelo Rei Dom Manoel I (1469-1521). DC – O senhor referiu-se ao positivismo. Os seguidores de Comte eram tão poderosos a ponto de influir dessa maneira? Escobar - Os positivistas eram poucos. Talvez todos coubessem numa perua Kombi, como se diz. Mas tinham amigos no poder e faziam barulho. O fato é que, ao impor uma frase de nítida orientação positivista no símbolo máximo da Pátria, eles criaram, no meu entender,

DC - Por que, professor? Escobar - As estrelas e constelações estão na ordem invertida para serem diferenciadas da maneira como eram vistas aqui debaixo. Este detalhe resultou em um trabalho imenso, quando se trata de desenhar a Bandeira Nacional. Não estou falando do ato de imprimir cópias, mas sim do rigor necessário em obediência aos preceitos estabelecidos para se desenhar um símbolo da magnitude da bandeira. DC - O dia 19 de novembro corresponde à data de nascimento da nossa bandeira? Escobar – Sim. O decreto nº 4, estabelecendo sua existência, foi assinado em 19 de novembro de 1889. Mas o primeiro culto à bandeira nesse dia foi registrado em 1906, aqui em São Paulo. A cerimônia foi organizada por professores e alunos da Escola Normal da Praça, que se tornaria a Escola Caetano de Campos. Finalmente, em 1909, o Governo Federal oficializou a data. Mas, a propósito da bandeira republicana, há um fato curioso para nós, paulistas. DC – E qual é, professor? Escobar - Do dia 15 ao 19 de novembro de 1889, devido à indefinição sobre a nova bandeira ou até a sua não-existência, tremulou provisoriamente na cidade de São Paulo, a título de pavilhão nacional, a bandeira paulista, essa que nós temos, de 13 listas. Ela havia sido criada pelo escritor Júlio Ribeiro (1845-1890), um republicano fervoroso, logo após a Abolição dos Escravos, em 1888, com vista a instalação da República entre nós.

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

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9 Esta praça é o micropulmão da 25 de março e lamentavelmente está fechada. Robyson Lima, flanelinha

idades

TABU SUPERIOR?

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ão-paulinos indignados reportaram à coluna que o tabu imposto pelo Corinthians ao tricolor e largamente proclamado pelos corintianos nos últimos dias, iniciado em 14 de julho de 2007, ainda não chegou ao patamar de igual castigo propiciado pelo São Paulo ao alvinegro no período que vai de 15 de junho de 2003 à fatídica data mencionada acima. Argumentam que o

jejum do Parque São Jorge foi de 13 jogos, enquanto que o do Morumbi bateu apenas nos 11. Alegam ainda que o maior placar alvinegro foi de 3 X 0 em 22 de agosto de 2010, enquanto o tricolor enfiou 5 X 1 em oito de maio de 2005. Convém lembrar que nessa guerra de cotejos, o Corinthians ainda tem um ano pela frente para igualar.

Reprodução

Mauro Bonfim/Arquivo

UM RAMO INCÔMODO

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Divulgação

BENDITO QUEM SEMEIA...

N

ESPORTE NA CANTAREIRA

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julgar pela programação da Virada Esportiva deste fim de semana, a Cidade está começando a ganhar um pólo esportivo na Serra da Cantareira. Ao longo do sábado e do domingo, os mais afoitos poderão se aventurar no rapel, na tirolesa, no arvorismo e até numa escalada em rochedo. Evidentemente os neófitos ou novatos contarão com gente especializada para assisti-los. Naturalmente também haverá atividade mais amena ligada à Natureza, tipo passeio de jipe, bike cross country e ginástica. A serra é

uma magnífica área verde de 64 mil hectares de Mata Atlântica. Não por acaso, a profusão de animais é resumida na trágica rotina de bugios e pequenos herbívoros atropelados por automóveis nos caminhos que a cortam. Somente o Parque Estadual que ela abriga equivale a oito mil campos de futebol. Seu nome provém do hábito de tropeiros lá se abastecerem de água durante suas paradas, que acondicionavam em cântaros de barro e os apoiavam em prateleiras ditas cantareiras.

Dia da Bandeira, que comemoramos hoje (veja entrevista na página ao lado), é oportuno para lembrar uma polêmica surda que vem perseguindo outro símbolo nacional – o Brasão das Armas do Brasil – na esteira da campanha contra o fumo. Antitabagistas radicais têm implicado com o ramo de tabaco, aliás, florido, que emoldura a estrela pelo lado esquerdo; à direita o brasão tem um ramo de café. Sua remoção poderia, quem sabe, dar lugar a um galho de soja ou a haste de cana-de-açúcar, igualmente representativos da nossa pujança agrícola. Até agora as manifestações têm sido infrutíferas, até porque é difícil mudar símbolo tão tradicional. O Brasão de Armas foi criado por decreto do Marechal Deodoro da Fonseca após a Proclamação da República. Seu autor é o alemão Luiz Grüder, funcionário da casa Laemmertz, do Rio, misto de tipografia e editora de livros. A escolha teve uma razão simples: o marechal era amigo dos donos. Grüder, embora talvez fosse bom em capas de livros, cartazes e rótulos, nada entendia de Heráldica. De modo que nosso Brasão não tem maior significado nesse terreno.

este fim de semana a Fundação Tide Setubal está realizando a quinta edição do seu Festival de Livro e Literatura, no bairro de São Miguel Paulista. O evento consta de variadas oficinas distribuídas por toda a região, além da instalação de

corredores de livros com fácil acesso para estimular a leitura. Louve-se a iniciativa da Fundação que ganha maior dimensão se for considerado que São Miguel apresenta um dos piores índices de livros disponíveis para a população: 0,12 por habitante

acima de 15 anos, quando a média recomendada pela Unesco é de 2 exemplares. Esses números foram reunidos pelo Observatório Cidadão, ligado à Rede Nossa São Paulo. São Miguel abriga em torno de 100 mil moradores.

LIÇÃO DE VIDA

O

s cinco rapazes de classe média que se meteram naquela rumorosa agressão contra outros três na Avenida Paulista entre domingo e o feriado de segunda-feira passada certamente passaram por uma experiência inesperada durante o período em que foram recolhidos à unidade da fundação Casas, no Brás, com capacidade para 64.

Chegaram por volta das duas da manhã, recusaram o lanche que lhes foi oferecido e dormiram nos beliches que compõem os dois dormitórios do local, respectivamente com 40 e 24 vagas cada um. Acordados ao romper do dia, tomaram o desjejum, provavelmente frugal, que constou do clássico café com leite, pão francês e manteiga. Cumpriram

pequenas tarefas ao longo da manhã e às 11 horas saborearam o almoço cujo cardápio apontava arroz, feijão, picadinho, mandioca na manteiga, salada de almeirão e uma banana de sobremesa. Em seguida foram convocados para limpar o refeitório e deixá-lo em ordem. À tarde passaram por audiência com o juizplantonista e foram liberados.

Um monumento à espera de restauração A escultura Amizade Sírio-Libanesa, um presente dos libaneses aos brasileiros, vem sendo depredada desde os anos 1960. Há anos ela espera por sua restauração. Fotos de Patrícia Cruz/Luz

Mariana Missiaggia

Urbano Erbiste/Folhapress

H

á muitos anos, o monumento Amizade Sírio-Libanesa, instalado na praça Ragueb Chohfi, está à vista dos paulistanos que passam pela região do Parque D. Pedro II e da rua 25 de Março. As grades em volta lhe dá uma falsa ideia de proteção. Mas ao longo do tempo, desde os anos 1960, a obra vem sendo seriamente depredada e não existe um plano para recuperá-la. O monumento foi um presente da comunidade sírio-libanesa aos brasileiros, pelo Centenário da Independência. Inaugurada em 1928, no Parque D. Pedro II, a escultura ficava em frente ao Palácio das Indústrias. Nos anos 80, o ex-prefeito Jânio Quadros decidiu transferir a obra para a praça Ragueb Chohfi, próximo à rua 25 de Março, onde 90% dos comerciantes são origem libanesa. Além disso, a comunidade libanesa (e seus descendentes) somam cerca de 7 milhões de pessoas no Brasil, população bem maior que a do Líbano, em torno de 4 milhões. Em 1988, a família Chohfi, de origem libanesa, adotou o monumento por meio do programa Adote uma Obra Artística. Inicialmente, a praça era aberta ao público. Hoje, para escapar da ação de vândalos, ela está cercada. Tombada, a escultura do italiano Ettore Ximenes (1855 1926) retrata a chegada dos libaneses no Brasil. Com aproximadamente 14 metros de altura, figuras em bronze e pedestal de granito rosa, no seu topo há um índio simbolizando o Brasil e um homem representando a comunidade sírio-libanesa, amparados por uma figura feminina que retrata a República. Abaixo há uma embarcação com figuras que representam os assírios e indígenas brasileiros. Ao longo do tempo, além da pi-

Zumbi dos Palmares: escultura restaurada e pichada novamente

Zumbi e Mãe Preta, vítimas Vivi Andreani/Luz

À O monumento Amizade Sírio-Libanesa, na região da 25 de Março, é vítima de vandalismo desde os anos 60

No alto da escultura (à esq.), a figura de um índio e de um libanês, ambos ao lado da República. Acima, o busto em bronze de Ragueb Chohfi. Seus óculos foram roubados por vândalos.

chação, partes do monumento foram arrancadas, maculando seu valor histórico e cultural. A escultura em bronze de uma índia, o braço de um índio, uma lança, duas placas de bronze e até refletores foram roubados. A praça é mantida pela União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), por Lourenço Chohfi e pela Prefeitura. Além do apoio da Prefeitura, Chohfi e a Univinco gastam R$1.500 por mês. Segundo Cláudia Urias, as-

sessora administrativa da Univinco, a restauração da praça deverá ser incluída no projeto de revitalização do Parque D. Pedro II. "A ideia é retirar o gradil e colocar bancos na praça. Mas isso é difícil porque moradores de rua se instalam no local durante o dia", disse. A família Chohfi tem todo interesse em recolocar as peças que foram roubadas e reabrir a praça com a obra restaurada. No entanto, há muita dificuldade em fabricá-las.

Roberto Rodrigues, de 57 anos, dono da banca de jornal 25, instalada numa das calçadas da praça, reclama de quem vem descansar à sombra de sua banca. "Já reclamei para a Univinco. As pessoas sentam no chão, ao lado da banca para fugir do sol. Não custa nada reabrir a praça, colocar bancos e uma viatura da GCM", sugeriu. Robyson Lima, de 38 anos, é flanelinha no local há 22 anos e há 15 observa a praça durante o

s vésperas do Dia da Consciência Negra, a escultura em homenagem a Zumbi dos Palmares, instalada na Praça Onze, no Rio, amanheceu pichada. Recentemente o monumento foi restaurado e estava em seu pedestal há menos de uma semana. Em São Paulo, a escultura em bronze da Mãe Preta, instalada no pátio da Igreja de N.S. do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, também está pichada. Para o frei franciscano David Raimundo dos Santos, esses fatos não espantam. "Qualquer monumento que remeta à cultura ou história negra sofre esse tipo de ataque que re-

dia, acompanhando o trabalho de manutenção. Segundo ele, a praça é varrida duas vezes por dia e mensalmente um caminhão pipa passa para lavar o monumento. Mesmo assim, é possível encontrar lixo no chão da praça, além de flores pisoteadas ao redor do monumento. "Esta praça é o micropulmão da rua 25 de março e lamentavelmente está fechada", disse Lima. Em razão do grande volume de pessoas que passa pela re-

Mãe Preta: atacada outra vez

vela e resume a intolerância racial enquistada em setores da sociedade," afirmou. (DC)

gião, há 26 anos a praça foi cortada por uma rua. De um lado fica o monumento Amizade SírioLibanesa. Do outro, o busto em bronze do patriarca Chohfi (1892-1983). Só que seus óculos também foram roubados. De acordo com informações da Secretária de Cultura de São Paulo, a degradação da praça Ragueb Chohfi é um reflexo da construção de viadutos e da implantação de terminais de ônibus na região, no final dos anos 1960.

DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

urismo Fotos: Divulgação

Já começou a temporada de cruzeiros marítimos no litoral brasileiro. Até maio, 20 navios farão roteiros por aqui

Antonella Salem

A

s férias de verão brasileiras têm um clássico: os navios que percorrem o litoral no período entre outubro e maio. A cada ano a oferta é maior e é mais variado o cardápio de atrações para conquistar o navegante. Nesta temporada 2010/2011, são 20 navios – dois a mais que no ano passado e 14 a mais que em 2004/2005 – percorrendo 21 cidades em 415 cruzeiros. Destes, 37 temáticos: há desde os cruzeiros com shows (Daniel, Chiclete com Banana...) até viagens voltadas para a boa forma.

Costa Serena (foto), primeira vez no Brasil. Golfe é atração no MSC Armonia ( à esq.); e parede de escalada, sucesso no Imperatriz (à dir.).

Para quem quiser subir a bordo, é possível fazer minicruzeiros de três dias ou roteiros mais extensos rumo a Buenos Aires e Punta del Este, saindo dos portos de Santos, do Rio de Janeiro e do Recife. Segundo a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos

(Abremar), a previsão é que o Rio receba o maior número de cruzeiristas, 507 mil, seguido por Búzios, com 401 mil. “Búzios é um dos destinos mais queridos dos cruzeiristas”, afirma Ricardo Amaral, presidente da Abremar. A entidade prevê que a temporada irá re-

HORA DE ZARPAR gistrar 886 mil passageiros, 23% a mais em relação à anterior, quando 18 navios transportaram 720 mil. “A chegada dos cruzeiros marítimos movimenta a costa brasileira. As vendas aumentam com as promoções e os destinos se preparam para receber

os turistas”, diz Amaral. Nos portos de parada, o gasto médio é de R$ 200 por pessoa por dia. Os cruzeiros incrementam em até 40% atividades como varejo, alimentação e transporte. Na temporada anterior, o segmento movimentou US$ 534,2 milhões.

Além de conhecer diversos destinos em uma mesma viagem, o passageiro aproveita a infra-estrutura a bordo (entre cassino e quadras esportivas) e a facilidade do sistema “tudo incluído no preço” – exceto bebidas alcoólicas e compras. Cinco navios de bandeira internacional vem pela primeira vez ao País: AidaCara, Costa Serena, Bleu de France, Horizon e Mariner of the Seas – este último o maior da temporada, com capacidade para 3835 passageiros, pista de patinação no gelo e até campo de golfe em alto-mar. Já o Blue de France, o menor transatlântico por aqui, para 700 viajantes, é o único a visitar Fernando de Noronha. O DC mostra o perfil, os portos e preços em cada embarcação. Escolha a sua!

OS 20 NAVIOS DO VERÃO BRASILEIRO Grand Mistral

AidaCara

Capacidade: 1.186 passageiros. Destaques: um navio feito para o viajante alemão. A bordo, idioma alemão. Portos: Santos, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Ilhabela, Punta del Este, Buenos Aires, Montevidéu e Itajaí. Para embarcar: 14 dias a partir de 899 euros por pessoa. Aida Cruises, www.aida.de

Capacidade: 1700 passageiros. Destaques: perfeito para eventos de médio porte e fretamentos. É o navio da frota Ibero com maior quantidade de cabines externas com varanda. Roteiros temáticos incluem Anos Dourados. Portos: Recife, Salvador, Ilhéus, Búzios, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Ilhabela, Santos, Porto Belo, Punta del Este e Buenos Aires. Para embarcar: três noites a partir de US$ 299 por pessoa. Ibero Cruzeiros, www.iberocruzeiros.com.br

MSC Opera MSC Musica

Capacidade: 3013 passageiros. Destaques: abriga grande quantidade de cabines com varanda e ambientes elegantes como o wine bar e restaurante japonês. Portos: Santos, Búzios, Salvador, Ilhéus, Punta del Este, Buenos Aires, Montevidéu, Ilha Grande/Angra dos Reis, Ubatuba e Ilhabela. Para embarcar: três noites a partir de US$ 349 por pessoa. MSC Cruzeiros, www.msccruzeiros.com.br

Capacidade: 2055 passageiros. Destaques: o requinte a bordo, com cassino, cigar room, minigolfe e muito mais. Cruzeiros temáticos incluem o Fashion Cruise. Portos: Santos, Rio de Janeiro, Búzios, Ilha Grande/Angra, Buenos Aires, Punta del Este, Ilhabela, São Francisco do Sul e Ubatuba. Para embarcar: três noites a partir de US$ 349 por pessoa. MSC Cruzeiros, www.msccruzeiros.com.br

Grand Holiday

Capacidade: 1848 passageiros. Destaques: foi totalmente remodelado no ano passado e é perfeito para eventos de médio porte e fretamentos. Na infra-estrutura, duas discotecas e Popi Club para crianças. Portos: Maceió, Salvador, Vitória, Búzios, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Ilhabela e Santos. Para embarcar: três noites a partir de US$ 229 por pessoa. Ibero Cruzeiros, www.iberocruzeiros.com.br

Costa Victoria

Capacidade: 2.394 passageiros. Destaques: mistura os estilos clássico e moderno. Na infraestrutura, Espaço Playstation e Pompei Spa, com piscina inspirada nas antigas termas romanas. Portos: Rio de Janeiro, Ilhabela, Angra dos Reis, Búzios, Buenos Aires e Punta del Este. Para embarcar: três noites a partir de US$ 199 por pessoa. Costa Cruzeiros, www.costacruzeiros.com.br

Costa Fortuna

Capacidade: 3.470 passageiros. Destaques: ambientes inspirados nos míticos transatlânticos do início do século XX. Na infra-estrutura, há toboágua. Entre saídas temáticas, Cruzeiro Gourmet. Portos: Santos, Rio de Janeiro, Ilhabela, Porto Belo, Buenos Aires e Punta del Este. Para embarcar: três noites a partir de US$ 289 por pessoa. Costa Cruzeiros, www.costacruzeiros.com.br.

Grand Celebration

Soberano

Capacidade: 2684 passageiros. Destaques: é o maior navio da frota CVC e opera dois cruzeiros musicais – Daniel e Elétrico (com Chiclete com Banana, Cheiro de Amor e Nando Reis). Portos: Rio de Janeiro, Salvador, Búzios, Santos e praia privativa CVC (Mangaratiba). Para embarcar: três noites a partir de US$ 378 por pessoa. CVC, www.cvc.com.br/cruzeiros

Costa Serena

Capacidade: 3.780 passageiros. Destaques: é o maior navio da Europa e tem decoração sob o tema deuses da mitologia. Na infra-estrutura, spa de 6 mil m² e simulador de carro de corrida. Roteiro Fitness. Portos: Rio de Janeiro, Búzios, Santos, Ilhabela, Salvador e Ilhéus. Para embarcar: três noites a partir de US$ 269 por pessoa. Costa Cruzeiros, www.costacruzeiros.com.br

MSC Lírica

Capacidade: 2069 passageiros. Destaques: um centro de realidade virtual e cyber café. Infra-estrutura inclui, ainda, minigolfe, cassino e spa. Portos: Buenos Aires, Punta del Este, Montevidéu, Ilha Grande/Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Ilhabela e Búzios. Para embarcar: três noites a partir de US$ 309 por pessoa. MSC Cruzeiros, www.msccruzeiros.com.br

Splendour of the Seas

Mariner of the Seas

Capacidade: 3835 passageiros. Destaques: o maior navio da temporada, tem até pista de patinação no gelo, minicampo de golfe com nove buracos e restaurante Johnny Rockets. Portos: Santos, Rio de Janeiro e Salvador. Para embarcar: duas noites a partir de R$ 464 por pessoa. Royal Caribbean, www.royalcaribbean.com.br

Imperatriz

Capacidade: 1850 passageiros. Destaques: os roteiros à Argentina e Uruguai. Infra-estrutura inclui parede de escalada. Portos: Santos, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Montevidéu, Cabo Frio, Búzios, Ilhabela, Vitória, São Francisco do Sul e Itajaí. Para embarcar: três noites a partir de US$ 398 por pessoa. CVC, www.cvc.com.br/cruzeiros

MSC Armonia

Vision of the Seas

Capacidade: 2435 passageiros. Destaques: infra-estrutura caprichada, que inclui parede de escalada e pista de cooper. Portos: Santos, Búzios, Ilha Grande, Ilhabela, Porto Belo e Rio de Janeiro. Para embarcar: três noites a partir de R$ 713 por pessoa. Royal Caribbean, www.royalcaribbean.com.br

Capacidade: 2087 passageiros. Destaques: duas suítes para família e a tradição da cozinha mediterrânea. Portos: Santos, Rio de Janeiro, Ilhabela, Ubatuba, Ilha Grande/Angra dos Reis, Salvador, Ilhéus, Maceió, Buenos Aires, Punta del Este e São Francisco do Sul. Para embarcar: três noites a partir de US$ 349 por pessoa. MSC Cruzeiros, www.msccruzeiros.com.br

Capacidade: 1896 passageiros. Destaques: perfeito para eventos de médio porte e fretamentos. Na infraestrutura, desde sala de conferência até centro de beleza. Portos: Salvador, Ilhéus, Búzios, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Ilhabela, Santos, Itajaí, Porto Belo, Punta del Este e Buenos Aires. Para embarcar: três noites a partir de US$ 309 por pessoa. Ibero Cruzeiros, www.iberocruzeiros.com.br

Capacidade: 2076 passageiros. Destaques: infra-estrutura caprichada, que inclui parede de escalada, minicampo de golfe com 18 buracos e pista de cooper. Portos: Santos, Buzios, Ilhabela, Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este. Para embarcar: três noites a partir de R$ 641 por pessoa. Royal Caribbean, www.royalcaribbean.com.br

Zenith

Capacidade: 1770 passageiros. Destaques: os cruzeiros musicais com shows de Claudia Leitte e Alexandre Pires. Maioria das cabines é externa. Portos: Santos, Cabo Frio, Búzios, praia privativa CVC (Mangaratiba), Ilhabela e Vitória. Para embarcar: três noites a partir de US$ 380 por pessoa. CVC, www.cvc.com.br/cruzeiros

Bleu de France

Capacidade: 700 passageiros. Destaques: os roteiros para Fernando de Noronha. A bordo, capricho no entretenimento infantil. Portos: Recife, Fernando de Noronha, Fortaleza, Natal, Salvador, Maceió, Santos, Búzios e praia privativa CVC (Mangaratiba). Para embarcar: três noites a partir de US$ 575 por pessoa. CVC, www.cvc.com.br/cruzeiros

Horizon

Capacidade: 1770 passageiros. Destaques: infra-estrutura caprichada, que inclui Kid’s Club e cassino. Portos: Santos, Rio de Janeiro, São Francisco do Sul, Itajaí, Vitória, Ilhabela, praia privativa CVC (Mangaratiba) e Cabo Frio. Para embarcar: quatro noites a partir de US$ 513 por pessoa. CVC, www.cvc.com.br/cruzeiros

MSC Orchestra

Capacidade: 3013 passageiros. Destaques: a grande quantidade de cabines com varanda e a infra-estrutura grandiosa, entre minigolfe, wine bar e restaurante chinês. Cruzeiros temáticos incluem o Qualidade de Vida. Portos: Santos, Ilhabela, Ubatuba, Rio de Janeiro, Ilha Grande/Angra, Búzios, Porto Belo, Salvador, Ilhéus, Maceió, Buenos Aires, Punta del Este e Montevidéu. Para embarcar: três noites a partir de US$ 349 por pessoa. MSC Cruzeiros, www.msccruzeiros.com.br

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nternacional

E o Nobel vai para... ninguém. Boicote chinês impede ativista de receber Prêmio da Paz; seis países recusam convite para cerimônia de entrega.

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AFP - 14.03.05

c o mi t ê ses na cerimônia de do Prêentrega do prêmio. m i o Seis países já recusaNobel ram convites para a enfrenta um dilecerimônia , no dia 10 ma: a medalha do de dezembro, e ouNobel da Paz pode tros 16 não haviam não ser entregue esrespondido até o te ano, já que apaprazo, que se encerrentemente nem o rou ontem. laureado, o dissiLiu está cumprindente chinês Liu do uma sentença de Xiaobo, e nem os Liu e esposa estão presos 11 anos por subverseus familiares consão, ao defender reseguirão comparecer à cerimô- formas políticas na China. A nia. Caso isso aconteça, será a mulher dele, Liu Xia, está em primeira vez desde 1935 que prisão domiciliar desde o anúnninguém estará presente para cio do prêmio, no mês passado. aceitar a honraria. Amigos do casal dizem que o O secretário do Comitê do cunhado do dissidente, Liu Nobel, Geir Lundestad, revelou Tong, bem como os três irmãos que a China realizou uma cam- dele, estão sob vigilância da popanha sem precedentes para lícia e não podem viajar. boicotar a participação dos paíO prêmio, que inclui o equi-

valente a US$ 1,4 milhão, pode ser recebido apenas pelo vencedor ou por parentes próximos. O norueguês Geir Lundestad disse ontem que nenhum outro parente de Liu anunciou sua intenção de ir a Oslo para a cerimônia do próximo mês. "Pelo jeito, não é provável que alguém de sua família próxima comparecerá", afirmou. "Portanto, nós não vamos dar a medalha e o diploma durante a cerimônia." Mas o comitê ainda não descartou a possibilidade de algum parente próximo comparecer. "Se alguém aparecer no último minuto, não será um problema mudar os planos", notou. A última vez em que o Nobel da Paz não foi entregue foi em 1935, quando nenhum parente estava na festa para receber a honraria pelo jornalista alemão

Carl von Ossietzky, que estava ferido e não recebeu permissão para deixar a Alemanha nazista. Na ocasião, porém, um representante de Ossietzky recebeu o prêmio em dinheiro, segundo Lundestad. Pressão - Pequim considera Liu um criminoso e pressionou vários países para não enviarem representantes à festa. "Não conheço nenhum outro exemplo em que um país tentou ativamente e diretamente retirar embaixadores da cerimônia do Nobel", disse Lundestad à Reuters. O comitê enviou convites a 58 países com embaixadas na Noruega. Seis deles recusaram: Rússia, Casaquistão, Cuba, Marrocos, Iraque e a própria China. Outros 36 aceitaram, enquanto 16 não haviam respondido. (Agências)

Christof Stache/AFP

Caso WikiLeaks: sexo, mentiras e difamação. Reuters - 04.11.10

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m tribunal sueco decretou ontem a prisão de Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, por suspeita de estupro e outros crimes sexuais, acusações que ele nega. O advogado de Assange, Bjorn Hurtig, Assange passou de acusador a acusado disse a jornalistas que espera que um mandamotoria deve emitir uma orto de prisão seja emitido depois dem internacional de prisão, da audiência ao seu cliente, que através da Interpol. Se a ordem já visitou a Suécia no passado, e for emitida, isso acabaria com disse que irá apelar a decisão. a habilidade do australiano de "Ele reafirma sua total ino- 39 anos em se mover de um cência", declarou o advogado, país para outro. que não quis responder onde Assange criticou o que ele está o acusado. chamou de um circo jurídico na A diretora da promotoria pú- Suécia, onde ele tenta construir blica sueca, Marianne Ny, disse uma base para se beneficiar das ontem que o pedido foi feito leis de proteção ao jornalismo. pois os investigadores não conEle tem dito que foi alertado seguiram interrogar Assange. pela inteligência australiana de O fundador do site nega as acu- que ele poderia enfrentar uma sações, surgidas durante encon- campanha de difamação. O seu tros separados com duas mu- site causou ira nos EUA pela dilheres em uma viagem feita por vulgação de documentos secreele à Suécia em agosto. tos sobre as guerras do AfegaMarianne disse que a pro- nistão e do Iraque. (Agências) ÁFRICA Oficiais rebelados continuam motim em Madagáscar; cresce pressão sobre o presidente.

ORIENTE MÉDIO Israel diz que congelamento de construção de casas não inclui Jerusalém Oriental

Após descoberta de mala suspeita, avião da Air Berlin, segunda maior companhia aérea da Alemanha, chegou a Munique com atraso de seis horas.

ARGENTINA

NÃO FOI BLEFE

clima de tensão aumentou no Congresso arO gentino. Um dia após a de-

Alemanha confirma ameaça de terror: bomba suspeita é retirada de voo na Namíbia com destino a Munique.

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decisão da Alemanha de aumentar a segurança no país não foi à toa: um dia após alertar para possíveis ataques terroristas no país, a polícia anunciou ontem que uma suposta bomba foi encontrada em uma aeronave que viajava de Windhoek, a capital da Namíbia, com destino a Munique. Os operadores do aeroporto de Windhoek afirmaram que a polícia solicitou o desembarque dos 296 passageiros e 10 membros da tripulação do avião da Air Berlin. As bagagens e a carga também foram retiradas do voo para serem revistadas, após a descoberta do pacote suspeito na passagem pela alfândega. Teste? - Segundo as autoridades alemãs, o pacote suspeito conteria um detonador, baterias e um relógio despertador. Berlim admitiu, porém, que não estava claro se a mala continha explosivos. Uma fonte alemã afirmou que o pacote suspeito teria uma etiqueta indicando tratar-se de um teste de segurança, embora não estivesse claro quem teria sido o responsável por realizar esse procedimento.

Patrik Stollarz/AFP

A carga do voo da Air Berlin ficou na Namíbia para investigação

A polícia na Namíbia, uma ex-colônia alemã perto da África do Sul e com cerca de dois milhões de habitantes, não confirmou nem negou que o pacote continha explosivos ou se era um teste. "Vamos informar ao público sobre a investigação assim que for encerrada", declarou o inspetor da polícia namibiana, Jay Nangolo. Mia Davids, porta-voz da empresa que administra os aeroportos da Namíbia – Namibian Airports Company – disse que as autoridades estavam levando o incidente a sério. "Não era um teste", revelou.

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, quem alertou na véspera que o país enfrentava um alto risco de ataques de militantes islâmicos, disse ontem que, segundo a inteligência, a bagagem seria levada a um avião programado para voar para Munique. A administradora aeroportuária disse que a carga do voo da Air Berlin ficou na Namíbia para investigação. O vice-inspetor da polícia da Namíbia, general Vilio Hifindaka, declarou que o pacote suspeito foi encontrado pelo raio-X de segurança, mas se negou a confirmar ou negar se

continha explosivos. A Air Berlin, segunda maior companhia aérea da Alemanha, deixou claro que o pacote não foi encontrado a bordo do avião procedente de Windhoek, mas no terminal do aeroporto. A empresa confirmou que o voo chegou ao destino com atraso de seis horas. "Os passageiros do voo, as bagagens e a própria aeronave foram submetidos a mais controles antes da decolagem e chegaram em segurança em Munique na madrugada", informou a polícia alemã, em comunicado. Alerta - As autoridades alemãs aumentaram a segurança nos aeroportos e estações de trem na quarta-feira passada, depois que informações da inteligência revelaram que militantes islâmicos planejavam ataques no país nas próximas duas semanas. A polícia da Alemanha foi enviada à Namíbia para ajudar na investigação. Karl Peter Bruch, ministro do Interior do Estado alemão de Renânia-Palatinado, afirmou que a maioria das cidades da Alemanha corria riscos, com "indicações concretas" de ameaças contra Berlim, Hamburgo e Munique. (Agências)

putada Graciela Camaño, do peronismo dissidente, ter dado um tapa na cara de seu colega Carlos Kunkel, aliado do governo Kirchner, o líder da bancada governista na Câmara, Agustín Rossi, pediu o afastamento dela do comando da Comissão de Assuntos Constitucionais (uma das mais importantes da Casa). O escândalo ocorreu na quarta-feira, durante um debate que trata de supostas pressões do governo para que a oposição aprove o orçamento de 2011. (Agências)

HAITI s protestos contra a ONU se espalharam O ontem pela capital do Haiti, Porto Príncipe, com manifestantes hostilizando as tropas de paz e o governo do Haiti, bloqueando ruas e atacando automóveis de estrangeiros. Um terceiro manifestante foi morto na quarta-feira. Os distúrbios começaram no norte e centro do Haiti no dia 15, por causa dos boatos de que soldados nepaleses da ONU seriam responsáveis pela propagação da epidemia de cólera no país, que já matou mais de mil pessoas em um mês. (AE)

Cubadebate.cu/AFP

Ó RBITA

CUBA ex-presidente cubano Fidel Castro (foto) disse O que "não está em condições" de continuar ocupando a direção do Partido Comunista e delegou suas atribuições, informou a mídia oficial ontem, sugerindo que ele poderá renunciar a seu último posto de liderança. Fidel, de 84 anos, renunciou em 2008 à Presidência por questões de saúde, mas se manteve no influente cargo de primeirosecretário do governista Partido Comunista. Durante um encontro na quarta-feira com estudantes, ele esclareceu, contudo, que não estava no local como chefe do partido. "Fiquei doente e fiz o que devia fazer: deleguei minhas atribuições. Não posso fazer algo que não estou em condições de me dedicar todo o tempo", disse Fidel, segundo o jornal oficial Granma. (Reuters)

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NOVEMBRO

www.dcomercio.com.br

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Sergio Moraes/Reuters

Dia da Bandeira

G UINESS D ESIGN

No livro dos recordes Gopal Chitrakar/Reuters

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a imagem do canto direito, o homem mais alto do mundo e está no Brasil para divulgar a edição deste ano do Guinness Book, o livro dos recordes. Sultan Kosen, 2,46 m de altura, 140 quilos – 80% de seu peso são ossos – e mãos que medem 27, 5cm. Na imagem ao lado, o homem mais baixo do mundo: Khagendra Thapa Magar, 67,08cm, nos braços de seu cuidador. Ele celebrou ontem a noca edição do Guiness Book em Katmandu, no Nepal. O dia 18 de novembro é comemorado como o dia mundial da quebra de recordes em todo o mundo.

Maçaneta de recados Com essa maçaneta na porta de casa, você nunca mais esquecerá a lista de compras ou deixará de receber um aviso daquela visita inesperada que foi à sua casa quando você não estava. Ideia para lá de simples.

Konsen entrou para a edição 2011 do Guiness Book ao superar o antigo recordista, o chinês Bao Xishun, que tem 2,36m

F OTOGRAFIA

A RTE

François Xavier Marit/AFP

Andreas Solaro/AFP

Imagem registrada embaixo d'água com câmera especial mostra a nadadora Ye Shi Wen, da China, durante a competição final dos 200 metros individual estilo medley. A competição aconteceu ontem como parte dos XVI Jogos Asiáticos, em Guangzhou, na China. Ye Shi Wen ficou com a medalha de ouro com o tempo de 2m09s37. A medalha de prata foi para a também chinesa Wang Qun, com tempo de 2m12s02. O bronze foi da sul-coreana Choi Hye-ra que fez o tempo de 2m12s85.

http://mocoloco.com

I NGLATERRA Leon Neal/AFP

A Vênus de Berlusconi Estátua romana de Vênus e Marte do gabinete do primeiroministro italiano Silvio Berlusconi foi restaurada. Os braços esquerdos das figuras e o pênis de Marte estavam quebrados, mas foram restaurados a pedido de Berlusconi. A VES Tyrone Siu/Reuters

Phil No

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Natalia Kolesnikova/AFP

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A contorcionista "Zlata", do Cazaquistão, posa ao lado do presidente da empresa Erotica, Savvas Christodoulou, em um trem do metrô de Londres. A Erotica organiza uma feira anual que reúne fabricantes, comerciantes e consumidores da indústria do sexo.

No alto, pássaros fotografados nas ruas de Hong Kong, onde uma mulher contraiu o vírus H5N1 esta semana. Acima, dois pássaros recém-nascidos no zoo de Chester, Inglaterra. Eles receberam os nomes de Príncipe William e Kate Middleton, em homenagem ao mais novo casal da realeza britânica.

T WITTER

Tweet e trabalhos forçados adicionou ao texto original: “Jovens revoltados, ação!”. A China não permite o uso do Twitter, mas existem meios de burlar os filtros e a censura. Por causa da mensagem, Cheng foi enviada para um campo de trabalho feminino, onde ela imediatamente começou uma greve de fome. A previsão é que ela fique lá por um ano, por “perturbação da ordem social”. Além de prendê-la, a polícia não avisou imediatamente a família nem o noivo da jovem, o que levou todos a pensarem que ela havia fugido do casamento.

L OTERIAS Concurso 584 da LOTOFÁCIL

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A jovem chinesa Cheng Jianping foi presa por ter dado RT (retweet, ferramenta que permite duplicar uma mensagem alheia) numa piada de seu noivo no dia do casamento. A frase dizia: "Manifestações antijaponesas, esmagar produtos japoneses, tudo isso já foi feito anos atrás por Guo Quan. Não há nada de novo. Se você realmente ficou bravo com ele, é só pegar imediatamente um voo para Xangai para esmagar o pavilhão de Exposições do Japão". Em chinês, a frase cabia em menos de 140 caracteres e a noiva ainda

BANHO GELADO - Dois ursos polares nadam na piscina exclusiva para os animais da espécie no zoológico de Moscou, na Rússia. A temperatura média na cidade, ontem, foi de 7 graus Celsius.

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Concurso 2450 da QUINA 20

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T RADIÇÃO Fotos: Lluis Gene/AFP

Uma singela homenagem do povo catalão

Leo Messi

Michael Jackson

Albert Einstein

A TÉ LOGO

Elvis Presley

Pode parecer uma brincadeira escatológica, mas não é. Na tradição catalã, retratar uma figura humana defecando é uma homenagem. As pequenas estátuas de cerâmica chamadas "caganers" são uma tradição natalina da Catalunha, na Espanha, desde o século 18 e simbolizam a fertilidade, a esperança e a prosperidade do novo ano.

Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

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Estudo mostra que alimentação do brasileiro está longe do saudável

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Torcida do São Paulo faz campanha para o time "entregar" o jogo

DIÁRIO DO COMÉRCIO

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13 IRLANDA Governo admite que país poderá precisar de ajuda do FMI e da UE

conomia

ANATEL Bancos e redes varejistas podem atuar no mercado de telefonia celular

Emergentes: gasto fora de controle. Pesquisa do IEGV/ACSP aponta que principal razão da inadimplência nas camadas intermediárias de renda é o descontrole das despesas. Patrícia Cruz/LUZ

Ricardo Osman

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s consumidores da classe média emergente, aqueles com renda mensal de quatro a cinco salários mínimos (de R$ 2.040 a R$ 2.550), perderam o controle dos gastos nas compras a prazo e, agora, apontam este fato como principal razão da inadimplência. O descontrole dos gastos supera até a justificativa do desemprego nesta faixa. A revelação é de pesquisa inédita do Perfil de Inadimplência, realizada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP). O levantamento apurou que, considerando todas as faixas de renda a partir de um salário-mínimo, o resultado é outro. O desemprego é o principal motivo para a inadimplência, segundo 48,5% do total dos entrevistados. A novidade, portanto, está entre os consumidores da classe média emergente do País, cujas respostas indicam a necessidade de melhor planejamento financeiro na hora de ir às compras. Do total dos entrevistados nesta faixa de renda entre quatro e cinco salários mínimos, 25% apontaram o "descontrole de gasto" como razão de não conseguir honrar os compromissos assumidos no comércio. Nesta faixa, o "desemprego" e "o fato de ser fiador de alguém" surgem em segundo lugar na relação de motivos da inadimplência (veja quadro abaixo). "Nossas pesquisas mostram que a inadimplência está em declínio em 2010, mas o perfil da inadimplência revelado no levantamento é um alerta para o comércio e para os consumi-

O perfil da inadimplência é um alerta para o comércio e para os consumidores. ALENCAR BURTI, PRESIDENTE DA ACSP E DA FACESP

dores, que devem administrar com cuidado os seus orçamentos domésticos", disse Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). Descontrole – O economista Emilio Alfieri, do IEGV, afirmou que as tabulações da pesquisa revelaram uma nova realidade: os consumidores da classe média emergente estão indo às compras bastante confiantes no trabalho que possuem. "A garantia de emprego, nesta faixa intermediária, é muito boa hoje no País e, por isso, o consumidor se sente seguro e começa a comprar mais a prazo, assumindo cada vez mais compromissos", disse Alfieri. O resultado pode ser o descontrole nos gastos e a inadimplência. "Neste sentido, é fundamental falarmos da importância dos programas de educação financeira para os consumidores", acrescentou. "O consumidor deve fazer planilhas detalhadas de seus gastos, mês a mês, e evitar a falta de pagamento." Conforme o economista, apesar da facilidade de crédito e das ofertas do varejo, não se deve comprometer mais do que 25% da renda mensal com prestações de bens.

A pesquisa revelou que os jovens até 20 anos consomem mais moda (roupas e calçados) do que eletrodomésticos, e apontam a compra destas peças de vestuário como causa da inadimplência. Já na faixa etária acima dos 60 anos, são os eletrodomésticos os bens mais adquiridos e que estão com as prestações vencidas. Mu lh er es – Os dados do Perfil de Inadimplência foram também tabulados por sexo. Neste caso, os dados mostram que existem algumas diferenças em relação à inadimplência entre homens e mulheres. A doença de algum integrante da família, por exemplo, gera mais inadimplência no comércio para as mulheres do que para os homens. Do total de mulheres entrevistadas, 8,4% declararam ser esta a principal razão da inadimplência e apenas 3,5% dos homens apontaram ser este motivo para a falta de pagamento. Mais mulheres do que homens apontaram o descontrole de gastos como razão da inadimplência. Neste ponto, 12% afirmaram ser a ausência de controle dos gastos o motivo do rombo no orçamento contra apenas 9,2% dos homens. Um pouco mais de homens do que de mulheres indicou o desemprego como principal razão para não ter as contas em dia, 54,2% contra 42,8%. "As informações devem levar homens e mulheres a uma tomada de consciência sobre a importância do planejamento nas compras a prazo", ressaltou Alfieri. O estudo do IEGV/ACSP foi realizado junto a 950 consumidores que procuraram informações no Balcão de Atendimento do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), na Capital de São Paulo.

Considerando todas as faixas de renda, o desemprego aparece como principal razão para inadimplência.

Papai Noel chega pela internet Segundo projeção da e-bit, comércio eletrônico deve ter alta de 40%.

Mais cautela na hora de gastar o 13º Consumidores estão pensando mais em poupar nesse final de ano do que em comprar presentes Renato Carbonari Ibelli

O

consumidor está mais conservador neste ano com relação ao uso da primeira parcela do 13° salário. Pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com o instituto Ipsos, mostra que 20,4% dos brasileiros pretendem usar o recurso para comprar presentes. Esse percentual era de 29,3% em 2009. Por outro lado, aumentou a proporção dos que preferem poupar esse dinheiro – de 14,6% para 18,2%. Segundo o economista Emí-

lio Alfieri, da ACSP, os dados sugerem que os comerciantes precisam intensificar suas estratégias de vendas. "É necessário investir em campanhas de marketing e nas promoções para atrair esse comprador mais cauteloso", disse. Outro dado corrobora essa estratégia. De acordo com o levantamento, neste ano há mais pessoas indecisas quanto ao uso da primeira parcela do 13° salário. Em 2009, eram 7,3%; agora são 18,2%. "Ainda há um grande potencial de consumo entre os indecisos, mas é preciso conquistá-los", reforçou. Entre aqueles que têm a in-

tenção de usar o recurso para comprar presente, a maior parte pertence às classes A e B (21,8%) e são moradores da região Sul (35,6%). O percentual dos entrevistados acima de 60 anos que pretende usar o dinheiro extra para comprar presentes também é considerável. Nessa faixa, 25,4% querem dar esse fim ao recurso. Além disso, entre aqueles que planejam comprar presentes, 2,3% voltam suas atenções para a aquisição de roupas. Dívidas x consumo – O uso do 13° para o pagamento de dívidas não prejudica o consumo. Esse destino é apontado

por 27,2% dos entrevistados, enquanto que no ano passado era de 31,7%. O mesmo ocorre entre os que pretendiam direcionar o dinheiro para realizar reformas, que caiu de 4,9% para 2,3% neste ano. Por outro lado, aumentou a parcela daqueles que querem utilizar esses recursos extras para viajar. Estes eram 4,9% em 2009 e passaram a ser 9,1% neste ano. Vale lembrar que a desvalorização do dólar ante o real tem impacto na redução dos preços das passagens. O levantamento consultou 1 mil entrevistados nas principais cidades do País.

Jakub Krechowicz/sxc

13º salário e de bônus anuais, é um fator que "estimula as pessoas a adquirirem mais produtos", segundo afirmou o diretor de marketing e produtos da e-bit, Alexandre Umberti, em comunicado. De acordo com ele, antecipar as compras em um período aquecido do mercado é mais do que necessário. "Recomendamos que os e-consumidores planejem suas compras antecipadamente. Dessa forma, não correm o risco de enfrentar uma surpresa desagradável durante a comemoração. Por outro lado, a comodidade de realizar as compras em casa ou no escritório, evitando filas em shopping centers e o trânsito das grandes cidades, é uma vantagem para esses clientes", explicou. (Agências)

Natal: mais vendas na web.

das brutas de R$ 15 bilhões, representando uma alta de 40% sobre o ano passado. Perspectivas – Na avaliação da e-bit, o potencial de crescimento do País no varejo online é tão expressivo que chega a superar as projeções relativas ao mercado norte-americano. A disponibilidade de mais dinheiro para as compras de fim de ano, proporcionada pelo

DC

A

s vendas de bens de consumo por meio da internet devem crescer 40% entre 15 de novembro e 24 de dezembro deste ano na comparação com igual período do ano passado. A projeção é da e-bit, empresa de monitoramento de comércio eletrônico. O faturamento das empresas neste período deverá somar R$ 2,2 bilhões, com um tíquete médio de compras de R$ 370. As vendas de livros, de produtos eletrônicos, de informática e de eletrodomésticos devem puxar os números totais do e-commerce. Entre o público feminino, a expectativa da e-bit é pela liderança dos segmento de cosméticos e beleza. Em 2010, o comércio eletrônico poderá fechar com ven-

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14 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

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15 O Brasil está bem. Mas o que acontecerá em alguns meses é uma incógnita. Lia Valls, economista da FGV

conomia Fotos: Divulgação

IPVA será menor no ano que vem A desvalorização verificada nos preços dos veículos usados vai puxar para baixo o valor o IPVA de 2011. Sílvia Pimentel

O

Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) vai pesar menos no bolso do contribuinte paulista em 2011. Uma pesquisa realizada em setembro pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) detectou uma desvalorização média de 7,2% nos preços de venda de carros cobrados no mercado. As motocicletas registraram uma retração acima da média, com queda de 9,1%. O levantamento é usado pelo fisco para calcular o imposto. A tabela com os valores venais será publicada na edição de hoje do Diário Oficial do Estado e estará disponível no site da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo( www3.fazenda.sp.gov.br/ipvanet). Para saber o montante do IPVA de 2011 basta aplicar as alíquotas correspondentes, que serão as mesmas do ano passado: 4% para automóveis

movidos a gasolina ou biocombustíveis, 2% para utilitários, motos, ônibus e microônibus, 3% para carros movidos a álcool ou gás natural e 1,5% para caminhões. Receita – A retração dos preços não vai causar impacto nos cofres públicos. De acordo com o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, o IPVA deverá gerar uma receita de R$ 9,5 bilhões no ano que vem. Até outubro deste ano, o imposto rendeu R$ 8,7 bilhões. A previsão para o final do ano é de uma arrecadação de R$ 8,9 bilhões. "Há expectativa de aumento das vendas de veículos novos, compensando essa queda de preços", disse. Estimativas do fisco indicam que 1,3 milhão de veículos novos se integrem à frota paulista todos os anos, aumentando a base tributável, hoje de 13,8 milhões. E saem 300 mil automóveis usados, que deixam de ser tributados pelo IP-

O menor IPVA é de R$ 6,78 para a mobilete Hero Puch, de 1991.

VA porque atingiram mais de 20 anos. São também isentos do pagamento automóveis usados por taxistas e pessoas portadoras de deficiência. Regras – Assim como as alíquotas, as regras para o pagamento do IPVA não sofreram alterações. Proprietários de veículos usados que optarem pelo pagamento em cota única em janeiro terão um desconto de 3%. O imposto pode ainda ser parcelado, sem desconto, em três vezes, com o primeiro vencimento para o mês de janeiro. A data varia de acordo com o número da placa do veículo. Mauro Costa descartou a possibilidade de aumentar o número de parcelas para a quitação do imposto porque metade da arrecadação é repassada aos municípios. Destaques – Entre os maiores valores venais apurados na pesquisa realizada pela Fipe está um Mercedes Benz SLR, fabricado em 2009, avaliado em R$ 2,604 milhões. Nesse caso, o proprietário vai desembolsar cerca de R$ 104.175,16 referente ao imposto, sem o desconto. O menor valor encontrado foi de R$ 6,78 para a mobilete Hero Puch, de 1991. Os avisos de vencimento serão encaminhados aos contribuintes a partir da segunda quinzena do próximo mês. O pagamento do imposto poderá ser feito antes de janeiro na rede bancária, com o número do Renavam. Neste ano, R$ 57,09 milhões em créditos da Nota Fiscal Paulista foram direcionados para o pagamento do IPVA de 268,2 mil veículos.

Arrecadação chega a R$ 1,1 tri

A

arrecadação tributária de todo o País em 2010 chegará à marca inédita de R$ 1,1 trilhão na próxima segundafeira. A cifra poderá ser visualizada no Impostômetro, painel eletrônico que mostra toda a receita desde o primeiro dia do ano e está instalada na frente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), no centro da capital paulista.

Por meio da ferramenta, é possível acompanhar em tempor real o valor arrecadado pelos governos federal, estaduais e municipais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que alimenta o painel com os dados dos fiscos, o valor será atingido menos de um mês após ter sido alcançada a marca de R$ 1 trilhão, em 26 de outubro.

Vale lembrar que, em 2009, a marca de R$ 1 trilhão só foi alcançada em 14 de dezembro – o que mostra a voracidade da arrecadação. O Impostômetro também pode ser consultado pela internet, na página www.impostometro.com.br. No site, há ainda a receita tributária por municípios, estados, e por diferentes períodos – como segundo, minuto e hora.

Piora clima econômico na AL

E

m outubro, a América Latina recebeu de analistas internacionais a pior avaliação de clima econômico dos últimos 15 meses. A situação é medida pelo Índice de Clima Econômico (ICE), que para a região caiu de seis para 5,8 pontos entre julho e outubro. O resultado refletiu a onda de pessimismo em relação aos rumos da economia na América Latina. A análise consta de levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o instituto alemão IFO, especializado em pesquisas econômicas. Os analistas atribuíram o recuo ao cenário de guerra cambial, combinado com as ameaças de avanço da inflação e do déficit público. O câmbio foi o principal fator de preocupação entre os 145 analistas, em 17 países, ouvidos pela Sondagem da América Latina. Com base nestas respostas é calculado, trimes-

tralmente, o ICE. O obstáculo mais lembrado em outubro, na lista de principais entraves à sustentabilidade do crescimento latino-americano, foi a falta de competitividade internacional. "Os analistas foram influenciados pelo câmbio", disse a pesquisadora e responsável pela divulgação do indicador, a economista da FGV Lia Valls. No caso do Brasil, assim como nos outros países da América Latina, a inflação, o déficit público e o câmbio são problemas que começam a inibir as projeções dos analistas quanto à taxa de crescimento econômico. As expectativas dos especialistas quanto aos rumos futuros da economia do País foram, em outubro deste ano, as piores desde abril de 2009. "Dizem que o cenário é róseo na economia brasileira porque a China continuará a crescer e os países desenvolvidos continuarão a operar com

juros baixos. E ainda temos o pré-sal. Mas outros veem com preocupação a forma de financiamento das contas externas, bem como o risco de desindustrialização que podemos ter", afirmou a economista. "Nós estamos bem, no momento. Mas o que vai acontecer daqui a alguns meses é uma incógnita", acrescentou. A pesquisadora informou que o levantamento de dados para a pesquisa foi encerrado antes da reunião do G20, na Coreia do Sul, no início deste mês. Para ela, não é possível prever que as expectativas quanto às economias mundial, latino-americana e brasileira possam continuar a piorar nos próximos meses por causa de uma possível frustração quanto aos resultados do G-20. "Não acho que os analistas de mercado internacional estavam esperando que acontecesse alguma decisão muito significativa no G20", afirmou. (AE)

O IPVA do Mercedes Benz SLR, calculado em R$ 104.175,16 sem desconto, está entre os mais caros do País.

Brasil tem mais tributos O

Brasil é o país que tem a maior carga tributária entre os Brics (grupo de países de economia emergente, composto por Brasil, Rússia, India e China). O total de impostos, tributos e contribuições recolhidos no País é de 34% do Produto Interno Bruto (PIB). Na Rússia a carga é de 23% do PIB, na China, de 20%, e na India, país cuja estrutura tributária é a mais parecida com a brasileira, de 12,1%. Os dados fazem parte do levantamento "Carga Tributária no Mundo – Um comparativo Brasil x Brics", apresentado ontem pelo sócio do escritório de advocacia Machado-Meyer, Daniel Monteiro Peixoto, durante o seminário Reforma Tributária Possível, realizado na Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham-SP). De acordo com Daniel Peixoto, o tamanho da carga tributária no Brasil não representa um problema, mas sim a qualidade do uso dos recursos arrecadados.

Ainda assim, segundo o estudo, o Brasil leva alguma vantagem sobre seus parceiros do Brics – tanto do ponto de vista do avanço dos instrumentos arrecadatórios como da distribuição dos recursos arrecadados. "Hoje, reconhecidamente a aparelhagem de arrecadação do Brasil é bem melhor do que a de outros países", disse Peixoto. No entanto, quando o estudo avalia a simplicidade da estrutura tributária em 183 países, o Brasil consegue ficar em último lugar, bem longe do penúltimo colocado, que é a República dos Camarões. Brasil e Índia – No Brasil, diz o advogado, passam-se dias para o contribuinte conseguir pagar o imposto. A India tem baixa capacidade de arrecadação e isso faz com que o País tenha um déficit fiscal da ordem de 10% em relação ao PIB. Enquanto no Brasil, que tem uma população de cerca de 185 milhões de habitantes, o número de

contribuintes é de 20 milhões, na India, com 1,1 bilhão de habitantes, só há 40 milhões de contribuintes para o fisco daquele país. Outra grande diferença está nos gastos com assistência previdenciária. No Brasil, os benefícios chegam a 12% do PIB, enquanto na India a apenas 0,6%. De comum entre os dois países está a tributação dos serviços. Assim como no Brasil, afirmou Peixoto, na India é muito difícil distinguir o que é serviço e o que é produto na hora da tributação e isso é um componente a mais que gera guerra fiscal nos estados dos dois países. "Apesar de o Brasil ter a carga tributária mais elevada entre os Brics, isso não significa que a estrutura seja pior. Mas também não é reflexo de crescimento, já que a India tem uma carga tributária menor e também tem apresentado taxas expressivas de crescimento", reiterou o sócio do escritório Machado-Meyer. (AE)

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A loja virtual incrementa o faturamento e dá maior visibilidade à marca. Sandra Turchi, superintendente de marketing da ACSP

conomia

Fotos: Divulgação

NATAL RECICLADO partir de hoje, a rede Pão de Açúcar começa a exibir em suas lojas um Natal reciclado. São flores, mandalas, anjos e árvores confeccionadas com garrafas PET e latas de óleo em 12 unidades localizadas próximas aos principais pontos turísticos da data na Capital. Isso além das lojas com conceitos verdes, como a de Indaiatuba (SP). Toda a decoração passadas as festas de fim de ano seguirá para nova reciclagem. Do lixo ao luxo, a vida se renova. Tudo a ver com Natal.

UM TIRO NA HISTÓRIA

A

O

PÃO DE AÇÚCAR: enfeites "verdes" para celebrar data.

TROCA O CHIP bordão "Troca o chip" é explorado na campanha de Natal da Claro, assinada pela F/Nazca. Lançado em outubro, o conceito inova na comunicação com o público pré-pago, trazendo ações que incentivam o uso do Claro Chip. O comercial que começa a ser veiculado, em linguagem bem-

O

humorada, mostra uma ceia de Natal e dois jovens conversando sobre o amigo-secreto e a tia, que sempre compra o mesmo presente e, portanto, deveria trocar de chip. Durante a conversa, a parente aparece e deixa os dois sem graça tentando disfarçar. Se ela vai trocar o componente é outra história.

CLARO: bom humor para incentivar troca de componente.

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Palácio do Catete – que por 63 2011. A Claro e a Oi têm oferecido o mesanos foi sede do poder repu- mo e a TIM tem assegurado que irá atuar blicano no País até a transfe- com escolas para se tornar plataforma rência da capital para Brasília em 1960 – de distribuição de conteúdo. E, como alguém tem que pagar a cone que atualmente é um museu, acaba de entrar na era digital. A diretora, Magaly ta daquilo que as operadoras começam Cabral, que é mãe do governador Sérgio a oferecer, eis que entra em campo a puCabral Filho, decidiu digitalizar o acerco blicidade para financiar com patrocínio para que todos tenham acesso via inter- essa crescente oferta de conteúdo. As agências ainda não sabem lidar muito net e celulares. O palácio que fica no Rio de Janeiro foi bem com as redes sociais e os portais, o local onde Getúlio Vargas deu um tiro mas como o movimento é irreversível, no peito na noite de 24 de agosto de tratam de vitaminar suas áreas de co1954, adiando em dez anos o golpe mi- nhecimento digital. Na outra ponta, os meios de comunilitar de 1964. O atual museu guarda uma parte relevante da história do País. Tam- cação começam a se movimentar para bém conhecido como Palácio das garantir reserva de mercado. Entidades Águias, o Catete foi palco das mais im- como a Associação Brasileira de Empreportantes reuniões políticas e das prin- sas de Rádio e Televisão (Abert) pedem cipais decisões do País durante as duas ao governo, em um movimento que se grandes guerras. No acervo está, inclu- intensificou nas duas últimas semanas sive, o pijama, a arma e a carta-testa- no Congresso Nacional, que regulamento de Vargas, falando das aves de ra- mente os sites de conteúdo jornalístico pina que sempre buscam rondar o po- na internet, preservando-se a legislação der no País, algumas vezes usurpando que exige comando e capital majoritáos sonhos da população especialmente rio nacional na área de comunicação. O temor é que estrangeiros comecem das classes mais baixas, que acabam de a dominar o conteúdo em língua portuingressar no mercado de consumo. Mas o que chama a atenção, além do guesa. Mas se a rede só existe por conta acervo histórico agora disponível no en- da liberdade de expressão e liberalidadereço www.museudarepublica.org.br, é de, a disputa vai ser boa e promete. o uso das novas ferramentas na educação e difusão do conhecimento. As operadores de telefonia já começam a pegar carona na nova onda, dispostas a transformar o acesso à banda larga em dinheiro. A Vivo, por exemplo, deve levar o serviço para 2.832 cidaCATETE: acervo entra na era digital. des até dezembro de

ATHLETA: ação para promover futebol americano no Brasil.

TIMÃO AMERICANIZADO Athleta – primeira marca a confeccionar uniformes escolares e esportivos – além de criar e produzir as históricas camisas da Seleção Brasileira de Futebol nas Copas de 1958, 1962 e 1970, apresenta a campanha da linha Corinthians Steamrollers,

A

considerado o melhor time de futebol americano do Brasil. Criada por Ton Lo Bianco, diretor de arte da agência Yo!, a ação tem como pano de fundo o campo e os jogadores do time alvinegro. Mas o alvo está na torcida do timão que ainda não se familiarizou muito com o esporte.

BRADESCO SEGUROS: campanha para assegurar vida longa, à prova de riscos.

VAI QUE... agência AlmapBBDO assina nova fase da campanha do Grupo Bradesco Seguros e Previdência que entra hoje em cartaz. Reforça o conceito "vai que..." para realçar a importância da previdência privada e do seguro de vida. Afinal, com os ganhos da longevidade, tem gente comemorando 102 anos e que deseja viver com qualidade. Mais: tem aqueles que programam a chegada de um filho e ganham dois, três... Então, sem previdência, a vida em vez de sonho é risco. Põe risco nisso.

A

As oportunidades da economia digital Evento da ACSP e da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico mostrou potencial da atividade

Av. Joaquim Napoleão Machado, 14/20 - Jd. Sta. Bárbara

Vanessa Rosal

ta o pequeno empresário a montar o seu negócio na internet. A loja virtual incrementa o faturamento e dá maior om o aumento de vendas visibilidade à marca", disse Sandra. Temas como infraestrutura e conecpela internet e a proximidade do fim de ano, a Em- tividade, meios de pagamento online, presa Brasileira de Cor- logística e publicidade foram abordareios e Telégrafos espera entregar 44,2 dos durante o seminário em paralelo milhões de objetos por dia entre 20 de com orientações simples sobre o funnovembro e 20 de dezembro, volume cionamento de uma loja virtual. "Percebemos que os consumidores 30% maior em relação a dias normais – quando não há o apelo de datas co- brasileiros estão cada vez mais adepmemorativas. Cerca de 6% dessas en- tos a ferramentas virtuais, como o Skycomendas serão de empresas do vare- pe. O resultado disso é uma importanjo, como Submarino, Lojas America- te mudança de hábito da população nas e livraria Saraiva. "Um site espe- em relação ao consumo, e a internet é cial está sendo desenvolvido para fundamental", disse a executiva de atender à demanda de consumidores contas da Embratel, Vanessa Silveira. Expansão – Uma pesquisa realizada que desejam rastrear suas respectivas compras", afirmou o analista de co- pelo Instituto Brasileiro de Geografia mércio eletrônico da empresa, Le- e Estatística (IBGE) mostra exatamente a evolução do númuel Costa e Silva. mero de brasileiros Os Correios são c o n e c t a d o s à re d e u m e x e m p l o e n t re mundial de computatantas outras benefidores. No ano passaciadas pelo crescido, 67,9 milhões de mento das vendas pessoas com dez ou online. O comércio bilhões foi o mais anos de idade eletrônico faturou R$ faturamento declararam ter usado 7,8 bilhões no Brasil a internet, o que repreno primeiro semesregistrado pelo senta um aumento de tre, um crescimento comércio eletrônico 12 milhões (21,5%) sode 41,2% em relação a bre 2008. Em 2005, a igual período do ano no Brasil no rede mundial de compassado, segundo primeiro semestre putadores tinha 31,9 dados da consultoria de 2010 milhões de usuários e-bit. O número suno Brasil o que reprepera o total de vensenta um crescimento das dos shopping centers da Grande São Paulo nos pri- de 112,9% no período. De acordo com o analista de markemeiros seis meses do ano, estimado em R$ 7,2 bilhões. Para o ano, a ex- ting para a América Latina da Veripectativa do varejo virtual é atingir sign, Alexandre Giglio, no ano passado foram registrados 196 milhões de uma receita de R$ 14,3 bilhões. De olho nesse potencial, a Câmara domínios no mundo, uma elevação Brasileira de Comércio Eletrônico de 8% em relação a 2008. "Só no Brasil, (camara-e.net) realizou ontem, em são mais de 17 milhões de consumiparceria com a Associação Comercial dores acessando a internet. Eles comde São Paulo (ACSP), um seminário pram em sites de varejo e pagam conde capacitação sobre a economia digi- tas online nos sites dos bancos. O petal. A superintendente de marketing queno empresário precisa ter essa vida ACSP, Sandra Turchi, participou são para crescer e expandir os seus da cerimônia de abertura ao lado do negócios", disse o executivo da emdiretor da entidade, Gerson Rolim. presa que é especializada em registro "O evento é importante porque orien- de domínios na web.

C

7,8

É fundamental adotar ações de segurança

O

comerciante que administra uma loja na internet precisa adotar alguns procedimentos referentes à segurança. Cerca de 78% dos consumidores não gostam de fornecer dados do cartão de crédito na loja virtual por medo de clonagens. "Ainda temos muito o que crescer no Brasil. Apenas 26% da população brasileira que acessa a rede realiza algum tipo de compra na web. Precisamos atrair os 74% restantes", disse o analista de marketing do PagSeguro, meio de pagamento online do grupo UOL, Douglas Ribas. Além do pagamento via cartão, os lojistas podem oferecer outras opções como débito automático e boleto bancário, que o consumidor emite por meio do próprio site. Do lado das empresas, contra possíveis fraudes, é melhor prevenir. Segundo o gerente de produtos para pessoa jurídica do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcos Tibiriçá, as lojas virtuais brasileiras são muito vulneráveis a esse tipo de problema. "Todo mundo quer vender a qualquer custo, há muita concorrência regional e pressão por faturamento. " Para controlar essas ocorrências, ele dá dicas sobre como identificar golpistas. "Em geral, não pedem desconto e nem questionam preço. Há ainda dificuldade em fornecer documentação." Em 2009, o serviço contra fraudes do SCPC evitou que 26 mil clientes fossem prejudicados, identificando 262 empresas golpistas por mês. ( VR)

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

e Alta renda prefere aplicar em private banking

ECONOMIA/LEGAIS - 17

A Operação Leão Expresso da Receita Federal apreendeu nos Correios de São Paulo cerca de R$ 135 milhões em artigos, na maioria falsificados.

conomia

Reprodução The Economist

Levantamento da Anbima mostra liderança de São Paulo nesse tipo de aplicação, com 56% dos recursos.

O

s brasileiros de alta renda têm R$ 337 bilhões aplicados nas áreas privates dos bancos do País, segundo levantamento inédito da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A expectativa é que esse mercado cresça entre 20% e 21% neste ano, influenciado por fatores como o aquecimento da economia, segundo o executivo Rogério Pessoa, da Anbima. Para ser considerado um investidor da área private dos bancos, em geral é necessário ter no mínimo R$ 1 milhão aplicado. A estimativa da Anbima é que o número total desses aplicadores pode chegar a 150 mil pessoas no Brasil. Os produtos preferidos das pessoas de alta renda são fundos de investimento, que respondem por 42% das aplicações. Papéis de renda fixa, como títulos emitidos pelo governo, respondem por 34%. As ações de empresas lançadas na bolsa ficam com 19%. Os 5% restantes estão investidos em produtos como poupança e planos de previdência, segundo o levantamento. Ousadia – Diferentemente do investidor comum, as pessoas de alta renda possuem um perfil mais arriscado. Apenas 13% aplicam em fundos de renda fixa, os mais conservadores. Os preferidos são os multimercados, carteiras de maior risco, que aplicam em ações, renda fixa, moedas e derivativos. Essas aplicações respondem por 52% da alocação de recursos. Quando se considera todo o setor de fundos brasileiro, a alocação em multimercados é bem menor, de

Dominik Gwarek/sxc

Para revista The Economist, País carece de inovação.

P

24%. Já na renda fixa, o percentual é maior, de 28%. Ao se levar em conta a distribuição nacional dos recursos dos milionários, São Paulo concentra a maior parte das aplicações, com 56% do total. No Rio de Janeiro estão 18%; em Minas Gerais e Espírito Santos, 9%. A região Sul responde por 13%, seguida pela Nordeste, com 9% e CentroOeste com 2%. A região Norte apresentou número muito

pequeno e por isso não aparece na estatística. Este é o primeiro levantamento que a Anbima fez do mercado de private banking no Brasil. As estatísticas foram coletadas com o próprios bancos, que informaram dados desde dezembro do ano passado. Naquele mês, as aplicações na área private somavam R$ 291 bilhões. Em junho desse ano, os investimentos saltaram para R$ 311 bi-

lhões e chegaram aos R$ 337 bilhões no final de setembro. De acordo com Pessoa, a partir de agora os bancos sócios da Anbima serão obrigados a mandar os dados para a entidade. Com isso, se pretende criar estatísticas regulares, como já ocorre com o mercado de fundos de investimento. De acordo com os números do levantamento, o setor de private banking tem 1,5 mil profissionais no Brasil. (AE)

ara cumprir sua eterna missão de se tornar o "país do futuro", o Brasil deve primeiro melhorar seus níveis de inovação e investir mais em pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos administrativos e de manufatura. A avaliação foi feita na edição de ontem da revista britânica The Economist, na reportagem "The Brazilian model", na qual a elevada globalização da economia brasileira é contrastada com a manutenção de práticas de produção obsoletas. O texto destacou a Embraer – empresa de sucesso no setor aeronáutico, que exporta para companhias aéreas de todas as partes do mundo – para ressaltar a necessidade de inovação. "A empresa, que quase faliu no início da década de 1990, se reinventou ao detectar o nicho dos jatos de tamanho médio e criar novos modelos de negócio." No entanto, esse caso é quase uma exceção na economia brasileira – que, apesar de apresentar nos últimos anos resultados positivos, com empresas posicionadas entre as maiores do mundo, não investe em técnicas de inovação. A revista lembrou que o País direciona apenas 1,1% de seu Produto Interno

Bruto (PIB) à pesquisa e desenvolvimento, ao passo que a China aplica 1,4%, e o Japão, 3,4%. A queda do Brasil no índice anual da Insead (que lista as nações mais comprometidas com a inovação), de 50º para 68º lugar, reforçou o argumento do texto. A reportagem também lembrou a alta concentração de produtos básicos nas exportações brasileiras. "Pode o País se tornar inovador por si mesmo, ou seu crescimento recente é apenas um produto derivado do apetite chinês por commodities?", provocou a The Economist. Ainda que tenha citado outros casos de inovação no meio empresarial brasileiro, como os da Natura e da Embrapa, o texto salientou que os empresários se preocupam mais em encontrar "jeitinhos" para contornar a burocracia governamental do que para investir em inovação. A desigualdade social também foi lembrada pela revista, que citou o caso da favela Heliópolis, na capital paulista, na qual proliferam atividades econômicas informais. "Muitas empresas ignoram os habitantes de Heliópolis, e o governo os encara mais como vítimas do que como empreendedores em potencial."

André Vicente/Folhapress

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS - DIEESE

CNPJ nº 60.964.996/0001-87 RESULTADO DE JULGAMENTO - PREGÃO ELETRÔNICO DIE 01/2010 A Comissão de Licitação do DIEESE, comunica a vencedora do Pregão Eletrônico DIE 01/2010: DIGIBASE BASE DE DADOS DIGITAIS LTDA., CNPJ nº 03.077.939/0001-42, para aquisição de Base Cartográfica Digital; lote 1, no âmbito do Convênio nº 005/2010 Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado da Bahia, valor total R$ 18.750,00 (dezoito mil setecentos e cinqüenta reais), e lote 2 no âmbito do Convênio MTE/SPPE/CODEFAT nº 003/2007 e termo aditivo, valor total R$ 90.000,00 (noventa mil reais). São Paulo, 05 de novembro de 2010.

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CNPJ nº 60.964.996/0001-87 EXTRATO DE CONTRATO - PREGÃO ELETRÔNICO DIE 02/2010 ESPÉCIE: Contrato de prestação de serviços firmado entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - DIEESE, CNPJ nº 60.964.996/0001-87, e ASSOCIAÇÃO ZONA LESTE RÁDIO TÁXI, CNPJ nº 58.370.651/0001-53. OBJETO: Contratação de empresa especializada na prestação de serviços de transporte de passageiros por intermédio de táxi, considerando os objetivos do Convênio MTE/SPPE/CODEFAT nº 092/2007 e 5º Termo Aditivo. MODALIDADE: Pregão Eletrônico nº DIE 02/2010. VALOR ESTIMADO: R$ 9.900,00. FONTE DE RECURSOS: Convênio MTE/SPPE/CODEFAT nº 092/2007 e 5º Termo Aditivo. DATA DA ASSINATURA: 05/11/2010. VIGÊNCIA: 05/11/2010 a 30/11/2010. ASSINAM: Pelo DIEESE, CLEMENTE GANZ LÚCIO, Diretor Técnico, pela ASSOCIAÇÃO ZONA LESTE RÁDIO TÁXI, Sr. MAURO JÓIA TEIXEIRA VIEIRA, Presidente. São Paulo, 04 de novembro de 2010.

Produtos retidos incluem de óculos de sol a pentes de memória

Receita faz apreensão recorde nos Correios

A

Receita Federal apreendeu nos Correios de São Paulo, durante 108 dias da Operação Leão Expresso 2010, cerca de R$ 135 milhões em artigos, na sua maioria falsificados. Segundo a Receita, esta é a maior operação de apreensão de artigos desse tipo da história do órgão. Entre as 110 toneladas de mercadorias estão 410 mil celulares e 460 mil óculos chineses, que seriam importados por 130 empresas e pessoas físicas. Foram lavrados 3,66 mil termos de retenção. Apenas uma das mais de 130 empresas importadoras teve de arcar com um prejuízo de cerca de R$ 8 milhões em mercadorias apreendidas. Entre os artigos originais, chama a atenção uma carga de pentes de memória para notebooks, avaliada em R$ 500 mil. Segundo a Receita, a operação Leão Expresso 2010 teve apoio da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, entre 14 de julho

e o fim de outubro, com fiscalização no setor de remessas expressas destinado à importação de artigos para consumo próprio, de valor até US$ 3 mil (e imposto de importação de 60%). Ilícitos – Durante a investigação, foram detectadas diversas fraudes e crimes na importação, entre elas o subfaturamento, a falsa declaração de conteúdo e a pirataria. Em certas cargas, com centenas de celulares chineses, era frequente a declaração de valores comerciais subfaturados, inferiores a US$ 200. No lugar de celulares completos, eram declaradas partes e peças avulsas. De acordo com a Receita, a relação das 130 empresas importadoras e pessoas físicas irá ao Ministério Público Federal (MPF), que poderá promover a denúncia pelos crimes de contrabando e descaminho. A pena é de um a quatro anos de reclusão. (AE)

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS - DIEESE CNPJ nº 60.964.996/0001-87 EXTRATO DE CONTRATO - PREGÃO ELETRÔNICO DIE 02/2010 ESPÉCIE: Contrato de prestação de serviços firmado entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - DIEESE, CNPJ nº 60.964.996/0001-87, e ASSOCIAÇÃO ZONA LESTE RÁDIO TÁXI, CNPJ nº 58.370.651/0001-53. OBJETO: Contratação de empresa especializada na prestação de serviços de transporte de passageiros por intermédio de táxi, considerando os objetivos do Convênio MTE/SPPE/CODEFAT nº 003/2007 e 3º Termo Aditivo. MODALIDADE: Pregão Eletrônico nº DIE 02/2010. VALOR ESTIMADO: R$ 47.300,00. FONTE DE RECURSOS: Convênio MTE/SPPE/CODEFAT nº 003/2007 e 3º Termo Aditivo. DATA DA ASSINATURA: 05/11/2010. VIGÊNCIA: 05/11/2010 a 23/07/2011. ASSINAM: Pelo DIEESE, CLEMENTE GANZ LÚCIO, Diretor Técnico, pela ASSOCIAÇÃO ZONA LESTE RÁDIO TÁXI, Sr. MAURO JÓIA TEIXEIRA VIEIRA, Presidente. São Paulo, 04 de novembro de 2010.

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS - DIEESE CNPJ nº 60.964.996/0001-87 RESULTADO DE JULGAMENTO - PREGÃO ELETRÔNICO DIE 02/2010 A Comissão de Licitação do DIEESE, comunica a vencedora do Pregão Eletrônico DIE 02/2010: ASSOCIAÇÃO ZONA LESTE RÁDIO TÁXI, CNPJ nº 58.370.651/0001-53, para prestação de serviços de transporte de passageiros por intermédio de táxi para transporte de funcionários, diretores e clientes, no âmbito dos Convênios MTE/SPPE/CODEFAT nº 092/2007 5º termo aditivo, valor total R$ 9.900,00 (nove mil e novecentos reais), e MTE/SPPE/CODEFAT nº 003/2007 3º termo aditivo valor total R$ 47.300,00 (quarenta e sete mil e trezentos reais) e ATN/ME-11684-BR (BR-M1077), valor total R$ 7.700,00 (sete mil e setecentos reais). São Paulo, 05 de novembro de 2010.

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CNPJ nº 60.964.996/0001-87 EXTRATO DE CONTRATO - PREGÃO ELETRÔNICO DIE 01/2010 ESPÉCIE: Contrato de prestação de serviços firmado entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - DIEESE, CNPJ nº 60.964.996/0001-87, e DIGIBASE BASE DE DADOS DIGITAIS LTDA., CNPJ nº 03.077.939/0001-42. Lote 2 - OBJETO: Aquisição de Base Cartográfica, considerando os objetivos do Convênio MTE/SPPE/CODEFAT nº 003/2007 3º Termo Aditivo. MODALIDADE: Pregão Eletrônico nº DIE 01/2010. VALOR: R$ 90.000,00. FONTE DE RECURSOS: Convênio MTE/SPPE/CODEFAT nº 003/2007. DATA DA ASSINATURA: 08/11/2010. VIGÊNCIA: 08/11/2010 a 13/11/2010. ASSINAM: Pelo DIEESE, CLEMENTE GANZ LÚCIO, Diretor Técnico, pela DIGIBASE BASE DE DADOS DIGITAIS LTDA., Sr. ALEXANDRE DERANI JUNIOR, Sócio. São Paulo, 08 de novembro de 2010.

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CNPJ nº 60.964.996/0001-87 EXTRATO DE CONTRATO - PREGÃO ELETRÔNICO DIE 02/2010 ESPÉCIE: Contrato de prestação de serviços firmado entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - DIEESE, CNPJ nº 60.964.996/0001-87, e ASSOCIAÇÃO ZONA LESTE RÁDIO TÁXI, CNPJ nº 58.370.651/0001-53. OBJETO: Contratação de empresa especializada na prestação de serviços de transporte de passageiros por intermédio de táxi, considerando os objetivos do Convênio ATN/ME-11684-BR (BR-M1077). MODALIDADE: Pregão Eletrônico nº DIE 02/2010. VALOR ESTIMADO: R$ 7.700,00. FONTE DE RECURSOS: Convênio ATN/ME-11684-BR (BR-M1077). DATA DA ASSINATURA: 05/11/2010. VIGÊNCIA: 05/11/2010 a 18/10/2012. ASSINAM: Pelo DIEESE, CLEMENTE GANZ LÚCIO, Diretor Técnico, pela ASSOCIAÇÃO ZONA LESTE RÁDIO TÁXI, Sr. MAURO JÓIA TEIXEIRA VIEIRA, Presidente. São Paulo, 04 de novembro de 2010

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS - DIEESE CNPJ nº 60.964.996/0001-87 EXTRATO DE CONTRATO - PREGÃO ELETRÔNICO DIE 01/2010 ESPÉCIE: Contrato de prestação de serviços firmado entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - DIEESE, CNPJ nº 60.964.996/0001-87, e DIGIBASE BASE DE DADOS DIGITAIS LTDA., CNPJ nº 03.077.939/0001-42. Lote 1 - OBJETO: Aquisição de Base Cartográfica, considerando os objetivos do Convênio nº 005/2010. MODALIDADE: Pregão Eletrônico nº DIE 01/2010. VALOR: R$ 18.750,00. FONTE DE RECURSOS: Convênio nº 005/2010. DATA DA ASSINATURA: 08/11/2010. VIGÊNCIA: 08/11/2010 a 13/11/2010. ASSINAM: Pelo DIEESE, CLEMENTE GANZ LÚCIO, Diretor Técnico, pela DIGIBASE BASE DE DADOS DIGITAIS LTDA., Sr. ALEXANDRE DERANI JUNIOR, Sócio. São Paulo, 08 de novembro de 2010

ASSOCIAÇÃO SAÚDE DA FAMÍLIA – ASF Pregão Presencial nº 013/2010 A ASSOCIAÇÃO SAÚDE DA FAMÍLIA – ASF comunica às empresas interessadas que se acha aberta a licitação na modalidade de Pregão Presencial para contratação de empresa para prestação de serviços de locação de ambulância para o CAPS AD SÉ. Informações e Edital: Associação Saúde da Família, Praça Mal Cordeiro de Farias, 65 (11) 3154-7050. Site: www.saudedafamilia.org, endereço eletrônico ggomes@saudedafamilia.org. Entrega de documentos e abertura de envelopes: 01/12/2010, às 10h00. Local da sessão: Associação Saúde da Família, Praça Marechal Cordeiro de Faria, 65 – Higienópolis – São Paulo.

Ultra S.A. - Participações CNPJ nº 54.041.439/0001-91 - NIRE 35.300.105.702 Ata da Reunião do Conselho de Administração Data, Hora e Local: 20 de outubro de 2010, às 10h, na sede social, localizada na Av. Brigadeiro Luiz Antônio, nº 1343, 9º andar, na Cidade e Estado de São Paulo. Presença: Membros do Conselho de Administração, abaixo assinados. Deliberações: 1. Os membros do Conselho de Administração analisaram a proposta de posicionamento estratégico relativo à Oxiteno, divisão de negócios da Ultrapar Participações S.A. (“Ultrapar”) no segmento químico. 2. Os Conselheiros foram atualizados sobre os investimentos previstos para Ultracargo, divisão de negócios da Ultrapar no segmento de armazenagem para granéis líquidos. 3. Os Conselheiros foram atualizados sobre os projetos estratégicos e de expansão das subsidiárias da Ultrapar. Nada mais havendo a tratar, foram encerrados os trabalhos e lavrada a presente Ata que, lida e aprovada, foi assinada por todos os conselheiros presentes. aa) Paulo Guilherme Aguiar Cunha - Presidente; Lucio de Castro Andrade Filho; Ana Maria Levy Villela Igel; Fábio Igel; Hélio Marcos Coutinho Beltrão; Pedro Wongtschowski; Rogério Igel; José Carlos Guimarães de Almeida; Márcia Igel Joppert - Conselheiros. Declaro que a presente é cópia fiel da Ata lavrada no Livro próprio. Paulo Guilherme Aguiar Cunha Presidente. Secretaria da Fazenda. Junta Comercial do Estado de São Paulo. Certifico o Registro sob o número 408.779/10-0 em 17/11/2010. Kátia Regina Bueno de Godoy Santos - Secretária Geral.

Cooperativa de P. R. R. R. e C. de R. S. E. E Edital de convocação de assembleia geral ordinária e extraordinária O presidente, Sr. Alex Luiz Pereira, convoca os Sr. (as) Cooperados da Coopermiti - Cooperativa de P. R. R. R. e C. de R. S. E. E. Inscrita no CNPJ: 11.258.736/0001-80, em condições de votar, para comparecerem à assembleia geral ordinária e extraordinária, que se fará realizar em sua sede social a Rua Dr. Sergio Meira, 268 e 280 São Paulo/SP, às 8h, do dia 30 de novembro de 10; em 1ª convocação, às 7h, com 2/3 dos seus cooperados; em segunda convocação, as 8 horas, com metade mais um e em 3ª convocação, às 9h, com o mínimo de 10. Primeiramente, serão deliberados os assuntos da assembléia geral ordinária, para tratarem das seguintes ordens do dia: a) Prestação de contas do órgão de administração, compreendendo balanço geral do exercício de 2009; b) Destituição do secretário do conselho de administração e de membros do conselho fiscal ; c) Eleição do secretário do conselho de administração e de membros do conselho fiscal; d) Exclusão de membros cooperados inativos que não integralizaram a quota parte; e) Deliberação sobre o plano de trabalho formulado pelo conselho de administração. Após, serão deliberados os assuntos da assembleia geral extraordinária para tratar das seguintes ordens do dia: a) Reforma do estatuto social; b) Aprovação do regimento interno; c) Regulamentação da responsabilidade de cada cooperado sobre o kit de ferramentas que lhe é confiado; d) Regulamentação de forma e manuseio dos resíduos sólidos confiados à Coopermiti. São Paulo, 19 de novembro de 10.

Companhia Cacique de Café Solúvel Cia. Aberta - CVM nº 00290-9 CNPJ/MF nº 78.588.415/0001-15 - NIRE nº 41.300.047.316 Ata da 268ª da Reunião da Diretoria I - Data, Hora, Local: Realizada no dia 30 de Setembro de 2010, às 10h00 (dez horas), no escritório administrativo de São Paulo/SP, localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima nº 3.900 - 1º andar. II - Presença: Registrou-se o comparecimento dos Srs. Sergio Coimbra e Cesário Coimbra Neto, além da presença do Dr. Sérgio Ricardo de Almeida, advogado convocado para secretariar a presente reunião, todos abaixo assinados. III - Composição da Mesa: Sergio Coimbra - Presidente e Sérgio Ricardo de Almeida - Secretário Executivo. IV - Deliberações: Iniciados os trabalhos, esclareceu o Sr. Presidente que o objetivo da presente reunião é deliberar sobre o encerramento da filial da Companhia localizada na Avenida Fernando Cerqueira Cesar Coimbra nº 830, CEP 86072-380, Londrina/PR, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 78.588.415/0009-72 e Inscrição Estadual nº 601.236.66-45, ficando autorizada a adoção de todas as providências necessárias perante a Junta Comercial do Estado do Paraná, repartições públicas e demais órgãos fiscais municipais, estaduais e federais. O capital social então destacado por ocasião da abertura da referida filial por intermédio da 217ª Reunião da Diretoria, realizada em 1º/07/1991, retornará para a unidade matriz. V - Quorum das Deliberações: Posta em votação, todas as deliberações foram aprovadas por unanimidade e sem quaisquer reservas, abstendo-se de votar os impedidos por lei, se e quando configurado o impedimento. VI - Ata dos Trabalhos: Lavrada na forma de sumário e autorizada sua publicação com omissão das assinaturas. VII - Encerramento: Nada mais havendo a tratar o Sr. Presidente suspendeu a reunião pelo tempo necessário à lavratura da presente ata. Reaberta, foi lida e colocada em discussão e, tendo sido aprovada, vai devidamente assinada pelos presentes. São Paulo/SP, 30 de Setembro de 2010. Sergio Coimbra - Presidente; Cesário Coimbra Neto - Diretor Superintendente e de Relação com Investidores; Sérgio Ricardo de Almeida - Secretário-Executivo, OAB/SP 125.306. É a presente cópia fiel da original, transcrita no livro próprio de Ata de Reuniões de Diretoria nº 04, registrado na Junta Comercial do Estado do Paraná sob nº 01/024435-2, em 11/05/2001. São Paulo/SP, 30 de Setembro de 2010. Sérgio Ricardo de Almeida - Secretário-Executivo - OAB/SP 125.306. Registrado na JUCEPAR em 09/11/2010, sob o nº 20109731638, por Sebastião Mota - Secretário Geral.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 18 de novembro de 2010, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial:

Requerente: Banco Industrial e Comercial S/A - Requerido: Extrapel Indústria e Comércio de Artefatos de Papel Ltda. - Rua Visconde de Parnaíba, 2.271 - 1ª Vara de Falências Requerente: Puccini Comércio de Roupas Ltda. - Requerido: Blue Marlin

Indústria e Comércio de Confecções Ltda. - Rua da Consolação, 3.122 - 2ª Vara de Falências Requerente: José Aparecido de Oliveira - Requerido: Prodotti Laboratório e Farmacêutico Ltda. - R da Alfândega,108 - 2ª Vara de Falências

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Começou nesta semana a pré-venda, com entrega prevista para março de 2011, do Audi A1 no Brasil. Modelo chega com motor 1.4 TFSI de 122 cv, aceleração de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos e máxima de 203 km/h. Preço: a partir de R$ 89.900.

DCARR CROSSOVER PEUGEOT Divulgação

3008. Um belo trabalho de imagem. Modelo oferece espaço, conforto, beleza e bom pacote tecnológico, mas número de unidades importadas mensalmente parece pouco para o mercado brasileiro ANDERSON CAVALCANTE

O

crossover 3008 da Peugeot esteve exposto no Salão do Automóvel de São Paulo, mas não foi uma das grandes estrelas do evento. Talvez até merecesse mais atenção do público brasileiro, já que está sendo lançado por aqui com uma variada e extensa lista de equipamentos, oferece conforto e boa dirigibilidade e terá um preço que promete incomodar fortes concorrentes como Hyundai ix35, Kia Sportage, Honda CR-V, Chevrolet Captiva e Volkswagen Tiguan. O modelo chega em duas versões fechadas, sem a adição de opcionais. A mais básica é a Allure que custará R$ 79.900, e vem com ABS e sistemas antiderrapagem e assistência de frenagem, além de ar-condicionado digital com sensor de qualidade do ar, oito air bags, direção eletro-hidráulica, computador de bordo, CD player com Bluetooth com controles na coluna de direção e uma tela de acrílico projetada à frente do motorista que informa a velocidade atual, piloto automático e o limitador de velocidade.

A versão top de linha é a Griffe, que custa R$ 86.900, e ainda conta com retrovisor interno eletrocromático, bancos em couro, sendo que os dianteiros têm aquecimento, acendimento automático dos faróis, retrovisores externos rebatíveis eletricamente e um belo e enorme teto solar panorâmico de 1,6 m² que aumenta a área envidraçada do 3008 para 5,3 m². Motorização Acoplado a uma bem acertada transmissão automática sequencial de seis velocidades está um propulsor desenvolvido em conjunto com a BMW. Ele representa a nova tendência internacional de downsizing, ou seja, motores compactos com performance elevada e baixos níveis de consumo e emissão de poluentes. O 1.6l THP Turbo é capaz de gerar até 156 cv a 6.000 rpm e torque de 24,5 kgfm a partir de 1.400 rpm. Em um primeiro momento ele parece deixar o crossover comportado, mas é só usar o pedal do acelerador com vontade e ele mostra ter fôlego de sobra. Sua dirigibilidade é outra característica que surpreende,

apesar de seu tamanho e da posição elevada do motorista, fica fácil se instalar em frente ao volante e desfrutar de uma agilidade própria de carros menores. O tamanho do 3008 também pode passar a impressão de que o modelo não tem muita estabilidade em curvas, mas, pelo contrário, ele traz em sua suspensão traseira um amortecedor hidráulico instalado horizontalmente na barra es ta bi li za do ra que mantém o carro colado ao chão mesmo em curvas mais fechadas e contornadas de forma abrupta. Aliás, vale dizer que dentro do 3008 todos os instrumentos estão sempre à mão. O design interno é muito bem equilibrado e ainda foi trabalhado de forma a não deixar o motorista com a atenção dispersa. Um exemplo é o console central do crossover: ele é alto, quase como um divisor de ambientes, mas sua posição facilita bastante na decisão de usar a troca de marchas de forma manual. Para completar o quadro favorável ao 3008, seu porta-malas tem capacidade para generosos 512 litros de bagagens, po-

dendo chegar a 1.604 litros com os bancos traseiros rebatidos e oferece ainda uma tampa inferior escamoteável para facilitar os serviços de carga e descarga. Apesar de ser um carro para deixar os concorrentes de "orelha em pé", a Peugeot conseguiu, por enquanto, reservar apenas 200 unidades por mês para trazer ao Brasil. Mesmo assim, segundo o presidente da marca no País, Guillaume Couzy, o modelo funcionará "mais como trabalho de imagem do que como um novo produto para o mercado brasileiro".

APRESENTAÇÃO HONDA

NOVIDADES MERCEDES-BENZ

HÍBRIDOS MAIS ACESSÍVEIS

PROTETOR SOLAR TECNOLÓGICO

Fit ou City devem representar a tecnologia híbrida da Honda no Brasil

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Mercedes-Benz já comercializa o S400 Hybrid, a Ford está lançando oficialmente hoje o Fusion Hybrid para o Brasil e a BMW Série 7 chega por aqui com esta tecnologia no ano que vem, agora, os japoneses da Honda prometem chegar com um produto novo, mas só para o final de 2011, ou quem sabe, em 2012. A ideia é lançar um carro híbrido flex com motor compacto, que possa buscar os incentivos do governo brasileiro e talvez até mesmo ser produzido por aqui, na fábrica da montadora em Sumaré, no interior de São Paulo, para poder comercializá-lo com preços não muito distantes de carros convencionais, ou seja, tudo indica que deva ser ou o New Fit ou o Honda City, que utilizam motor 1.5, mas o líder em apostas é o Fit, que acaba de receber uma versão híbrida para o mercado europeu e japonês.

Modelos apresentados - Enquanto isso não se concretiza, a marca mostrou dois de seus modelos que já utilizam a tecnologia híbrida: o Insight e o CR-Z, ambos com um propulsor a combustão auxiliado por um motor elétrico. A apresentação aconteceu em um autódromo em Piracicaba, no interior paulista.

O 3008 será vendido em duas versões: a Allure custa R$ 79.900, enquanto a top, Griffe, vem com teto solar panorâmico e preço de R$ 86.900

2011 trará novidades para a SLK e para a Classe S

O CR-Z é o primeiro híbrido com transmissão manual de seis velocidades. No painel, gráficos informam o nível de economia.

Uma pena, já que, apesar de termos simulado várias situações, o princípio básico deste tipo de veículo é que o motor elétrico entra muito mais vezes em uso, no "para e anda" das grandes cidades. Uma prova disso é que a economia de consumo destes veículos é muito maior em circuitos urbanos do que nas estradas, ainda mais por também utilizarem o sistema start-stop - que desliga o motor quando o carro está parado, por exemplo, em um semáforo e religa com um simples toque no acelerador. Com isso, o ganho com a diminuição de emissões também é mais vantajoso nas grandes cidades. O Insight é equipado com um motor 1.3 acoplado a um elétrico

que geram 120 cv de potência e garantem um consumo médio de até 30 km/l. O Honda CR-Z possui um propulsor 1.5 i-VTEC, que junto com o motor elétrico é capaz de render 140 cv de potência. Segundo o engenheiro da montadora, Alfredo Guedes, a tecnologia híbrida utilizada pela Honda traz também vantagens quanto ao seu custo, já que é um dos sistemas mais simples, onde o motor a combustão e o elétrico podem propulsionar as rodas ao mesmo tempo, por isso chama-se "híbrido paralelo", e sem a necessidade do auxílio de um gerador para alimentar as baterias, já que o próprio motor elétrico exerce esta função durante as desacelerações.

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inda sem data marcada para o lançamento, apenas certo que será no primeiro semestre de 2011, a terceira geração do Mercedes-Benz SLK ficará mais parecida com a recém-lançada SLS. O roadster, um dos mais bonitos e elegantes, terá outra grande novidade: teto panorâmico de vidro, que automaticamente escurecerá ou ficará mais transparente conforme a força da luz solar. No modo transparente oferece uma sensação de teto aberto, enquanto, quando há grande incidência de raios solares, fica totalmente escuro. Isso graças a tecnologia Magic Sky Control, que submete o vidro a uma carga elétrica, que obriga as partículas a se movimentar, de forma a permitir a passagem de luz. Quando esta carga elétrica é desativada, as partículas voltam a se movimentar aleatoriamente, bloqueando parcialmente a luz. Tudo é controlado por uma unidade e pode ser comandada por um botão na frente do vidro do teto. Os raios UV e os infravermelhos sempre serão impedidos de entrar no habitáculo do carro em qualquer configuração. Outra vantagem do sistema é que permite uma diminuição no uso do ar-condicionado. Novidade na Classe S - Outra boa notícia da Mercedes-Benz para o início do próximo ano, é o lançamento da Classe S, a maior da marca, com motor de quatro cilindros. O intuito é se adaptar às rigorosas normas euro-

SLK está prestes a ganhar sua esperada reestilização e virá com teto panorâmico de vidro

peias de emissões de C02. O modelo S 250 CDI estará equipado com um motor a diesel, de 2.2 litros de 204 cv, com turbocompressor de duas fases, o que permite boas respostas em baixas rotações e, segundo a marca alemã, não decepcionará os consumidores. A nova Classe S contará com a tecnologia stop-start. Segundo a fabricante o consumo médio será de 17,5 km/l e emissões de CO2 de 149 g/km. Isso o transforma no modelo da sua categoria com menor consumo e emissões. Antônio Fraga

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DCARR AUTO SHOW

Fotos: Divulgação

Novidades em Los Angeles

Salão abriu suas portas para a imprensa nesta semana e funcionará até o dia 28 de novembro. Entre as novidades, a reestreia da Fiat nos Estados Unidos.

Ao lado do Fiat 500, outras novidades agitam o Salão de Los Angeles. A Nissan lança o conversível Murano CrossCabriolet e a minivan Quest. Enquanto, entre os conceitos, destaque para o Volvo Air Motion, mais leve que um F1.

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Fiat Auto retorna ao mercado norte-americano em grande estilo. Está apresentando no Los Angeles Auto Show, que vai até 28 de novembro, o novo Fiat 500, carro compacto que integra o segmento que mais cresce nos Estados Unidos. O design elegante do modelo italiano, sua eficiência e preço foram calibrados especialmente para o mercado americano. Produzido no México, o novo Fiat 500 será comercializado por US$ 15.500 dólares (preço inicial). Apesar de pequeno, acomoda com conforto quatro passageiros. Elogiado também o seu acabamento. A versão disponível tem motor 1.4 litro MultiAir, com câmbio de

seis marchas, Blue&Me (sistema de comunicação), sete air bags (dois frontais, quatro laterais e um para os joelhos) e ABS. Outras novidades - A Nissan apresenta três novos veículos durante o Salão de Los Angeles: o Nissan Murano CrossCabriolet 2011, o Nissan Ellure Concept e o Nissan Quest Minivan 2011. Os três modelos, juntamente com o veículo 100% elétrico, Nissan LEAF, e o esportivo GT-R, remodelado, são as grandes atrações da montadora. O Murano CrossCabriolet, com teto conversível automático, e o Nissan Quest, assim como o reestilizado GT-R, devem começar a ser comercializados nos Estados

Unidos no início de 2011. O Nissan LEAF chega ainda este ano ao mercado e alcançou a marca de 20 mil reservas para o primeiro lote de entregas. Conceito - Um veículo mais leve que um carro de Fórmula 1, superveloz, capaz de abrigar três ocupantes, sem gastar uma gota de gasolina sequer. Pois um modelo do Volvo Air Motion, de 200 quilos, exposto em Los Angeles, tem justamente esse perfil e com ele participará do Concurso Challenge Design. Concebido como uma concha e esculpido em fibra de carbono ultra-leve, o Volvo Air Motion minimiza o peso com uma enorme redução de componentes, sem diminuir o prazer de diri-

gir. O modelo utiliza motores de ar comprimido no lugar dos motores a combustão interna. Os motores não esquentam com o uso, por isso não há a necessidade de sistemas pesados de refrigeração. O tanque de ar comprimido foi instalado no centro. As turbinas de ar aproveitam a força do "vento" para gerar energia e convertê-la em eletricidade para a compressão. Um estudo detalhado chegou a um resultado espetacular para o chassi, suspensão e interior do veículo, o que permite ao motorista dirigir com muita segurança, estabilidade e sem nenhum dano à natureza. Entre outras atrações do Salão está a edição conversível do esportivo Camaro, recém-lançado, no Brasil, na versão tradicional.

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Hélcio Toth/Digna Imagem

Lula Marques/Folhapress

Ozires Silva

Jarbas Passarinho

BRASILEIRO

E CELULAR

Uma ligação

de 20 anos

Chamada interministerial feita em 30 de novembro de 1990 inaugurou oficialmente a telefonia móvel no País.

Aparelho que era praticamente inacessível no passado e símbolo de status, é item comum no dia a dia.

oduç Repr

H

á 20 anos, o então ministro Ozires Silva, da Infraestrutura, fazia uma ligação ao colega Jarbas Passarinho, da Justiça. Nada demais, se o telefonema não fosse realizado literalmente do meio da rua, com um aparelho sem nenhuma ligação física com as redes de telefonia da época. Era o celular dando as caras no Brasil. Foi com essa ligação "interministerial" que, em 30 de novembro de 1990, inaugurava-se oficialmente a telefonia móvel no País. Nos primórdios, acredite, o celular só fazia e recebia ligações. Eram aparelhos grandes – pesavam um quilo – munidos de baterias que não permitiam ir além de duas horas de conversação. E o mais surpreendente é que milhares de brasileiros desembolsavam o equivalente a R$ 12 mil para ter um desses trambolhos deselegantes junto à cintura. Aquela novidade de outrora com preço elevado e que era símbolo de status, atualmente tornou-se um bem indispensável, acessível a praticamente todo cidadão brasileiro e que passou a incorporar tecnologias fora do alcance da imaginação duas décadas atrás, como acesso à internet. Mas para que esse caminho evolutivo fosse pavimentado no Brasil mudanças políticas, mercadológicas e culturais precisaram ser postas em prática (veja matéria ao lado). Na ocasião do telefonema pioneiro, Ozires Silva estava no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Até então, ele era o único município a ter uma rede de telefonia móvel operante no País. Nesse início, a expansão da rede móvel era uma atribuição da então estatal Telebrás e seus braços estaduais. No Rio, essa era uma incumbência da Telerj.

Eduardo Levy, que foi diretor da companhia de telecomunicação de 1990 a 1995, lembra dos testes iniciais. "Tínhamos celulares da marca NEC em alguns carros da companhia. Nós rodávamos pela cidade para experimentar a abrangência da rede e ela era mínima", conta o executivo. Dada essa precariedade inicial, era preciso encontrar uma maneira elegante de informar aos usuários de celular que o telefone estava fora de área de cobertura. "Não tínhamos ideia de como fazer essa mensagem. Então telefonei para um número aleatório nos Estados Unidos e torci para que não atendessem. Então veio a mensagem: 'o carro para o qual você ligou está fora de serviço ou já chegou ao destino'. Traduzimos essa mensagem e ela passou a ser usada aqui por um bom tempo", recorda Levy. C on ex ão – Carro e celular estavam intimamente ligados no início. O modelo da japonesa NEC usado inicialmente pela Telerj possuía mais de 30 centímetros e dependia de uma maleta na qual as baterias eram carregadas. Ou seja, não eram exatamente portáteis. Além disso, propagandas da época estimulavam o uso do aparelho ao volante, vendendo a ideia de que essa era uma boa saída para executivos adiantarem suas reuniões. Atualmente, essa é uma péssima ideia. Apesar das mudanças culturais ocorridas ao longo desses 20 anos, alguns detalhes nunca mudaram. Tanto celulares quanto carros sempre foram alvos de ações criminosas. Levy recorda que o primeiro aparelho usado pela Telerj foi também o primeiro roubado no Brasil. "Os ladrões encontraram o aparelho no banco da frente do carro da companhia e acharam que se tratava de um rádio da polícia. O motorista precisou de tato para escapar ileso", conta o ex-diretor.

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Marcelo Souhbia/Folhapress

Renato Carbonari Ibelli

Os antigos "tijolões" dos anos 1990 contrastam com a modernidade dos aparelhos atuais, como o iPhone 4.

Avanço em progressão geométrica Atualmente, existem 187 milhões de linhas, praticamente uma para cada brasileiro.

A

pesar dos percalços iniciais, a telefonia móvel ganhou espaço no Brasil. Em 1991, Brasília passou a operar o segundo sistema celular do País, precedido pelos de Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO). São Paulo só teve o seu serviço disponível em 1993. Nesse curto intervalo de tempo, o número de linhas disponíveis avançou de 667 para mais de 191 mil. E esse número foi crescendo em progressão geométrica. Atualmente, são 187 milhões de linhas, praticamente uma para cada brasileiro. Um passo fundamental para esse avanço ocorreu em 1997, quando foi consolidado o processo de abertura do mercado de telecomunicações com a edição Lei Geral. Ela abriu caminho

para que o sistema Telebrás fosse privatizado, fundamental para a expansão da telefonia móvel no País. "O volume de investimento para ampliação da rede é enorme. Somente entre 2000 e 2010, as operadoras aplicaram R$ 68 bilhões. Esse montante é inviável para o governo. Além disso, a privatização gera competição entre empresas, que reduz preços e melhora os serviços", diz o presidente da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações, Eduardo Tude. A competição entre as operadoras permite, por exemplo, que o aparelho seja entregue gratuitamente aos clientes, uma realidade que contrasta com os custos aos quais os primeiros usuários eram submetidos. Além do valor do celular, no início da década de 1990, o usuário

ainda depositava caução equivalente a R$ 20 mil, pagava assinatura mensal de quase R$ 200 e mais a conta das ligações que, em média, era de R$ 500 (todos os valores foram atualizados para os dias de hoje). Atualmente, os custos são bem menores, embora o Brasil figure como o quarto País do mundo com as tarifas de telefonia celular mais elevadas, atrás de Japão, França e Austrália. Ainda entre 1997 e 1998 outro marco foi a adoção da tecnologia digital. A voz tornou-se apenas um dos meios intermediados pelo aparelho que passou a oferecer serviços de textos e imagens. O próximo grande avanço aconteceu em 2001 com a opção das operadoras brasileiras pela tecnologia GSM. Por ter preços menores, é a mais

difundida no mundo permitindo aos brasileiros acesso a mais opções e novas tecnologias. Nesse período, as operadoras começaram a se consolidar regionalmente no País, preparando-se para outro marco: as licitações para estruturação da rede para celulares de terceira geração (3G), iniciada em 2007. Essa tecnologia permite o envio de arquivos em alta velocidade, o que abriu espaço para aparelhos com acesso à internet, multimídia, videoconferência, entre outras aplicações. Segundo a Teleco, há cerca de 16 milhões de celulares 3G em uso no País. Mas apesar dos avanços, muito precisa ser feito. A rede ainda enfrenta problemas de estabilidade e as operadoras estão entre as empresas mais reclamadas no Procon. (RCI)

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O Paul McCartney que se apresenta em São Paulo no domingo (21) e segunda (22), com ingressos infelizmente esgotados (vale sondar desistências...), não é apenas um astro, mas o maior mito pop vivo. Afinal, ele foi, ao lado de John Lennon, um dos pilares dos Beatles, o grupo que conquistou mais sucesso comercial e prestígio artístico em toda a história da música popular. Até ali, duvidava-se seriamente da capacidade da arte pop de ser profunda e inovadora e, ao mesmo tempo, consumida por milhões de pessoas. Depois, não. Daí que, aos 68 anos, Paul seja louvado não cultura só como um artista brilhante, mas, também, como um verdadeiro fundador da cultura mundial contemporânea.

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Edison Vara/Reuters

O SHOW DE SIR PAUL

Um Cavaleiro do Império Britânico canta a eterna juventude

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André Domingues

No ninho dos Beatles

Antológico e inovador

inevitável que as apresentações de Paul McCartney, como a atual turnê Up and Coming, tenham um forte sentido evocativo da memória dos Beatles. Muitos dos elementos da estética do antigo grupo estão lá preservados, dos grandes sucessos à instrumentação, de modo a atender à natural nostalgia dos fãs. Esse cuidado costuma chegar ao preciosismo de manter até os tons originais das canções. É um esforço considerável, em se tratando de um senhor de quase 70 anos que, apesar da figura jovial, obviamente não tem a elasticidade vocal de há quatro décadas. As mudanças na voz de Paul não são tantas assim, mas estão lá: o timbre ficou menos brilhante e ligeiramente mais encorpado, os saltos para o agudo já não são mais tão seguros, o apoio das notas longas traz alguma oscilação. O resultado, porém, continua sensacional. Acontece que os discretos sinais do tempo só fazem reforçar, ainda mais, a imagem despojada que Paul sempre cultivou. Dentre as canções dos Beatles escolhidas para o show, há um natural privilégio para as que tiveram maior participação do próprio Paul (sabe-se

que, por um acordo dos primeiros tempos, as obras dele e de John vinham assinadas como "Lennon e McCartney", independentemente de serem parcerias, de fato, ou criações individuais). Assim, estão lá joias como Yesterday, Hey Jude, Ob-la-di, Ob-la-da, Eleanor Rigby e Paperback Writter. Por meio delas, Paul faz um apanhado de diversas fases do conjunto, desde o início inocente, com All My Loving, de 1963, até o desfecho agressivo de Get Back, de 1970, passando pela psicodélica Sgt. Peppers Lonely Heearts Club Band, que deu título ao antológico disco de 1967.

Hey, Paul! Estádio do Morumbi. Domingo (21) e segunda (22). 21h30. Informações: tel.: 4003-3222. R$ 140 a R$ 700. Portões abrem às 17h30.

Embora a memória dos Beatles comande as apresentações de Paul, é preciso notar que sua carreira posterior também rendeu ótimas canções, sobretudo nos anos 70, quando formou a banda The Wings. O show, inclusive, traz boas representantes desse período, com obras como Jet, Band On The Run e Live And Let Die. Essa última, aliás, tem uma performance marcante, à altura do vibrante filme 007-James Bond: Viva e Deixe Morrer (1973), do qual foi música-tema. Ao chegar no primeiro refrão, começa a detonação de uma série de efeitos com imagens explosivas no telão, fogos de artifício e raio laser. É de cair o queixo. O capricho visual de Up and Coming só é superado pelo sonoro, garantido por uma excelente banda, com Abe Laboriel Jr na bateria, Brian Ray dividindo-se entre guitarra e baixo, Rusty Anderson na guitarra e Paul Wix Wickens nos teclados, além do próprio Paul variando entre diversos instrumentos. Tanto cuidado é, enfim, mais um atributo louvável de Paul, artista que, não bastasse ser excepcionalmente criativo, ainda mostra um profissionalismo irrepreensível.

Arquivo DC

Paul McCartney, em dezenas de primeiras páginas de revistas. Acima, algumas delas. Veja mais: http://nascapas.blogspot.com.

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m dezembro deste ano vai fazer 40 anos do término oficial dos Beatles. Paul McCartney esteve no epicentro desse processo, espremido entre as viagens egoicas de John Lennon, a insatisfação de George Harrison e o desejo incontrolável dos fãs e da indústria fonográfica por músicas novas e ainda mais emocionantes. O que Paul representava nos Beatles? Muita coisa. Àquela altura, ele era, inclusive, o líder e compositor principal do conjunto, posições assumidas desde o final de 1967, quando John começou a se distanciar em função de projetos pessoais. Por conta disso, ele era quem mais opinava sobre as questões práticas do grupo, da sonoridade dos arranjos aos contratos comerciais. Muito poder e muitas cobranças. Afora as disputas internas, porém, é preciso notar que Paul seria mesmo o mais indicado para assumir tais responsabilidades. Seu senso de profissionalismo era apurado e, dentre os quatrorapazes, era o artista mais completo, compondo, cantando e tocando instrumentos com grande desenvoltura. John tinha uma postura desafiadora, instigante, mas era

Sir Paul, ícone em 2010: para qual público? Paul/Lennon; Paul/George. E a busca de novos caminhos musicais. Página 2

muito individualista e instável para comandar os Beatles. Já Paul era doce, seguro e, embora também vaidoso, tinha mais capacidade de priorizar os interesses da banda. O mesmo temperamento que Paul mostrava nas questões de trabalho do grupo estava presente nas suas canções. Contrabalançando a agressividade de John, ele era quem mais compunha obras românticas, emplacando canções melodiosas como Yesterday, Hey Jude, Long And Winding Road e And I Love Her. Não é de se estranhar, portanto, que tenha se tornado uma espécie de namoradinho ideal das garotas. Sua contribuição, contudo, não se restringia a acrescentar açúcar na receita do grupo. Paul também tinha seus ímpetos rebeldes, como se percebe no visceral Get Back, que conclamava os roqueiros a voltar para o som cru original, após as incontáveis experiências sonoras daqueles anos 60. A diferença para John era que esses rompantes soavam bastante menos radicais e corrosivos. Foi uma pena Paul e John não terem conseguido sustentar na condução dos Beatles o mesmo equilíbrio que atingiram na criação artística. Aquela combinação de pés no chão e ousadia seria uma fórmula imbatível. Separados, sem dúvida, foram menos do que juntos. Basta ver que as carreiras posteriores dos dois, ainda que bem-sucedidas, nunca chegaram perto do que produziram em parceria, entre 1957 e 1970.

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O SHOW DE SIR PAUL

Nostalgia de uma simbiose imperfeita

Paul, durante show no Estádio do Pacaembu, em 1995.

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obra. Um destaque, sem dúvida, fica para a sua primeira grande investida no universo da música de concerto, com o Liverpool Oratorio, protagonizado por Kiri Te Kanawa, Jerry Hadley, Sally Burgess e Willard White. A obra, gravada em 1991, na Catedral de Liverpool, está completa e com boa qualidade de vídeo no site youtube.com. Vale a pena conferir a desenvoltura de Paul numa linguagem diferente do pop habitual. (AD)

ão é certo dizer que Paul McCartney tenha se resumido a carregar a memória dos Beatles pelo restante da vida. Sua carreira posterior revelou ainda mais caminhos do que os muitos já trilhados pelo conjunto. De música erudita a eletrônica, Paul experimentou, com competência, tudo o que lhe chamou a atenção. Sem nunca descuidar do rock, é claro. A internet pode ser uma grande aliada para se conhecer a completude da sua

Autor inquieto de um belo oratório

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rentes e parceiros de negócios. Atualmente, passados tantos anos, Paul se refere a John com carinho. Foi, sem dúvida, o seu maior parceiro. Não por acaso, o show traz algumas singelas homenagens. Uma delas é o medley com A Day In The Life, música que resultou da fusão de uma canção de cada um, e Give Peace a Chance, famoso "grito de paz" do amigo falecido. Outra, ainda mais comovente, é a autoral Here Tod ay , dedicada a John, que Paul canta só ao violão. É uma canção que combina memórias de juventude e a imaginação de como seria um encontro dos dois hoje em dia. No desfecho, Paul revela um desejo conciliatório inatingível que é tanto seu quanto dos admiradores da dupla: dizer a John que realmente o amava e que estava agradecido por ter caminhado ao seu lado.

É

comum encontrar pais e filhos juntos na plateia de roqueiros consagrados. E com Paul McCartney não seria abuso juntar alguns avós. Afinal, quem era um jovem de 20 e poucos anos na época dos primeiros sucessos dos Beatles hoje está na casa dos 70. Nada mais justo, portanto, do que ter vontade de ver seu velho ídolo. O que mais chama a atenção, contudo, não é a presença de fãs de mais idade, mas a horda juvenil que ainda renova o público de Paul. No recente show de Porto Alegre, por exemplo, houve o caso de duas meninas que subiram ao palco para ganhar um autógrafo nos braços, com a intenção de transformá-lo posteriormente em tatuagem. Pura tietagem adolescente. O que está por trás desse fato e de outros tantos, porém, é a relação do ex-beatle com uma ainda fortíssima imagem de juventude, da qual foi, ao mesmo tempo, um dos criadores e um dos principais modelos. Assim, no final das contas, é bem menos Paul que se esforça para se aproximar da moçada de agora, do que os garotos que buscam, ainda, se parecerem com ele. (AD)

Juan Esteves/Folhapress

André Domingues A questão, para lá de banal – até porque McCartney e Lennon soa bem pior do que o contrário –, trazia um peso desproporcional à sua relevância: o peso da mágoa represada. Lennon, por sua vez, também deu evidências de descontrole na disputa. Um caso claro foi quando se apressou para casar com Yoko Ono – um pouco contrariada –, assim que soube do matrimônio de Paul com Linda Eastman. Nos últimos anos dos Beatles as relações se azedaram bastante entre os dois parceiros. A essa altura, dedicavam bem menos tempo a criar juntos do que falar mal um do outro. John ficou cada vez mais ausente; Paul, cada vez mais mandão. Quando veio o desfecho drástico e o grupo acabou, sobraram farpas de parte a parte, ferindo, inclusive, os outros dois colegas, além de amigos, pa-

U

m momento muito especial no atual show de Paul McCartney é a homenagem prestada ao ex-companheiro George Harrison, falecido em 2001 em consequência de um câncer. Sozinho no palco, ele puxa o maior sucesso do amigo, Something, empunhando um ukulele (instrumento havaiano da família do cavaquinho, que George adorava). Uma lembrança muito justa. Acontece que, afora ter sido sua amizade mais longa nos Beatles - eram colegas de escola -, George foi seu maior interlocutor nas questões propriamente musicais dentro do grupo. Além de bom compositor, com preciosidades como Here Comes The Sun e While My Guitar Gently Weeps George era um guitarrista muito competente, fosse pela eficiência das suas harmonizações, fosse pelo cuidado com a fluência e o contorno melódico dos riffs e fraseados. Acrescentava muito ao grupo, também, com sua curiosidade musical por novos timbres, como o do mencionado ukulele ou o da cítara indiana. George nunca obteve reconhecimento similar a John e Paul. Talvez fosse demais para ele. Por outro lado, é preciso reconhecer que encontrou algumas sérias dificuldades pelas quais os companheiros não passaram. Uma foi sua timidez. Outra foi o amadurecimento musical mais lento do que o dos colegas. Uma terceira foi a polarização do conjunto em John e Paul, que estreitava o espaço para suas obras. Essa última, nem a amizade de infância pôde dobrar. Tanto é, que, dos quatro beatles, George foi o primeiro a lançar disco solo e a querer deixar o conjunto. (AD)

Juan Esteves/Folhapress/17/03/95

m meados de 1957, quando John Lennon convidou Paul McCartney para integrar seu conjunto juvenil, os Quarrymen (embrião dos Beatles), passou-lhe pela cabeça o pensamento: "Ele é tão bom quanto eu. Se eu o aceitar, o que vai acontecer?...". Entre defender o trono ou fortalecer o grupo, Lennon ficou com o segundo. Nascia ali uma parceria fundamental para a vida de ambos e para toda a história da música. Em pouco tempo, os dois já não se desgrudavam mais. Passavam tardes na casa de um ou de outro tocando guitarra, cantando sucessos americanos e arriscando as primeiras composições. A ideia de assinar todas as músicas juntos surgiu nesse tempo, quando Paul e John pareciam viver e fazer música simbioticamente, trocando versos e melodias sem parar. A estimulante parceria juvenil logo se tornou uma relação profissional, e tudo começou a mudar. Por um lado, nasceu uma benéfica disputa por quem compunha melhor, conseguia mais sucesso ou inovava mais. Por outro, surgiram brigas por inveja, vaidade e dinheiro. Um exemplo disso foi o desejo de Paul de inverter a ordem dos nomes na célebre assinatura Lennon e McCartney.

O tempo passa. O tempo para.

SOMETHING

GEORGE

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cultura

Com a palavra, o jurado 8.

irigido em 1957 por Sidney Lumet e tendo seu elenco encabeçado por um estupendo Henry Fonda, o longa Doze Homens e Uma Sentença tornou-se um dos melhores e mais angustiantes filmes de tribunal já feitos pelo cinema americano - com o indispensável adendo de que mal chegam a ser exibidos as sessões do júri e o rosto do réu, um jovem portoriquenho acusado de ter matado o pai. O filme, com exceção de apenas três minutos de sequências externas, é ambientado em uma apertada sala em que os 12 jurados, submetidos ao desconforto do calor nova-iorquino e decididos a voltar para casa o mais cedo possível, têm de chegar, por unanimidade, a um veredicto que irá conduzir o rapaz para a forca, o que parece ser o mais provável, ou para a liberdade. À medida que expõem seus argumentos sobre os indícios de culpa do jovem, os jurados vão, ainda que contra sua vontade, revelando facetas nem sempre beneméritas de suas personalidades. Este genial debate de ideias, apoiado unicamente na força dos argumentos e na atuação do elenco, chega pela primeira vez aos palcos brasileiros. Dirigida por Eduardo Tolentino de Araújo, a versão teatral de Doze Homens e uma Sentença entra em cartaz nesta sexta (19), no teatro do Centro Cultural do Banco do Brasil. O ator Norival Rizzo interpreta o arquiteto Davis, o jurado número 8 que foi vivido no cinema por

Sérgio Roveri Fotos: Arquivo DC

Divulgação

Norival Rizzo (esq.) é o jurado 8 na versão teatral de 12 Homens e Uma Sentença. À direita, Henry Fonda. Fonda e que é o primeiro a levantar a possibilidade de o rapaz ser inocente depois que os outros 11 jurados já haviam votado pela culpa. A peça marca a volta aos palcos do ator e diretor José Renato, criador do Teatro de Arena no início dos anos de 1950. "A peça promove uma grande investigação sobre a nossa capacidade

de julgar", diz a atriz e jornalista Ana Paz, que produz o espetáculo ao lado do marido, o ator Mário José Paz. "O sistema defende que, se existem dúvidas, não pode existir uma sentença. Mas nós não prestamos muita atenção a esta recomendação. É da condição humana julgar. A grande virada da história se dá a partir da argumentação

do jurado número 8, quando ele propõe a discussão dos fatos e circunstâncias que cercam o crime de maneira isenta de paixões, crenças e preconceitos, o que acaba sendo um exercício democrático". Ana Paz comprou os direitos do texto após assistir à montagem inglesa realizada em Londres pelo National Theatre.

A disposição do grupo em liquidar rapidamente a questão pode ser compreendida, por exemplo, pelos argumentos do jurado número sete, vivido aqui pelo ator André Garolli. Fã de beisebol, ele pretende condenar o rapaz a tempo de chegar em casa e acompanhar a partida entre os times do Cleveland e Yankees, um resultado que

ele assume ser, para ele, muito mais importante do que a vida do acusado. Doze Homens e Uma Sentença nasceu como uma peça para a televisão, exibida ao vivo pela rede americana CBS em 1954. Decidido a levar a história para o cinema, o ator Henry Fonda bancou a produção com recursos próprios e convidou Sidney Lumet para a direção. O filme recebeu três indicações para o Oscar e Fonda levou o prêmio de melhor ator em vários festivais ao redor do mundo. Ana Paz acredita que a montagem teatral preserve as principais características do filme, entre elas o jogo de ideias sobre o qual a história se sustenta. "Penso que o cerne do material criativo está no trabalho dos atores, na sua presença em cena e em suas ações", diz. "A estrutura narrativa da peça está muito bem construída para que os espectadores acompanhem o seu desenvolvimento enquanto assistem a 12 indivíduos que emergem da massa compacta com as suas grandezas, mesquinharias, seus rancores e suas dores. Foi sempre o que me fascinou nesta história" Doze Homens e uma Sentença. Estréia nesta sexta (19). Centro Cultural do Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112. Tel.: 3113-3651. Quinta a sábado. 19h30. Domingo.18h. R$ 15.

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Bailarinos no teatro, em livro e DVD. São Paulo Companhia de Dança no Sérgio Cardoso, a preço popular. Rita Alves

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uem perdeu os espetáculos da São Paulo Companhia de Dança este ano tem mais uma oportunidade para assisti-los. O grupo, dirigido por Iracity Cardoso e Inês Bogéa, reapresentará seis peças de seu repertório a preços populares (R$ 10). E a iniciativa já tem palco garantido: o Teatro Sérgio Cardoso. É lá que os bailarinos da companhia se apresentarão neste fim de semana, entre os dias 19 e 21, e 26 a 28 deste mês. Se na sua agenda o compromisso com os dançarinos está marcado para esta sexta (19), sábado (20) e domingo (21), prepare-se para ver Theme and Variations, de George Balanchine (19041983), balé sustentado pela música de Tchaikovsky (1840-1893), compositor russo. Vigor técnico, leveza, força, habilidade nos desequilíbrios e virtuosismo serão características vistas no palco, comuns nos trabalhos do coreógrafo. O solo Prélude à L´aprés-midi d'un Faune (1994), da coreógrafa canadense Marie Chouinard (1955), a partir da obra homônima de Debussy (1862-1918), vem na sequência e dura oito minutos. A inspiração da dança de Marie surgiu depois de ela ter estudado as fotos feitas por Adolphe Meyer durante a coreografia de Vaslav Nijinski, em 1912, em Paris. E por último chega Sechs Tänze, do coreógrafo Jirí Kylián (1947), remontada no Brasil por Patrick Delcroix (1963). Interpretado por oito bailarinos, o espetáculo mescla dança e humor em condensados 13 minutos. Prefere ver os dançarinos no último fim de semana do mês? Sem problema. O programa também traz belas coreografias. Nos dias 26, 27 e 28 a plateia assiste a Os Duplos, de Maurício de Oliveira, protagonizado por oito bailarinos. No palco, o espectador contempla a imagem do bailarino que dança ao som da música de André Abujamra. Integram o programa ainda as criações de George Balanchine: Tchaikovsky Pás de Deux e Serenade. A coreografia Tchaikovsky Pás de Deux dura oito minutos, tempo suficiente

Reginaldo Azevedo/Reprodução

Divulgação

para ver no palco o virtuosismo técnico dos bailarinos, que misturam técnicas clássicas e neoclássicas. Apresentada pela primeira vez em 1960, pelo New York City Ballet, tem remontagem atual assinada pelo bailarino e professor belga Bem Huys. O artista também é responsável pela remontagem de Serenade, coreografia sobre a Serenata em Dó Maior para Cordas, de Tchaikovsky. Sala de Ensaio Além de assistir aos espetáculos, o público também poderá ver os dançarinos entre os livros da biblioteca de casa. A São Paulo Companhia de Dança é tema do livro Sala de Ensaio Textos Sobre a São Paulo Companhia de Dança (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e São Paulo Companhia de Dança, diversos autores, 288 páginas, R$ 50), organizado por Inês Bogéa, diretora

artística da companhia. A obra será lançada nos dias 19 e 20 de novembro, às 19h30, e 21 de novembro, às 17h30, no Teatro Sérgio Cardoso. O livro traz nove artigos, um deles de autoria de Inês Bogéa. Entre os outros escritores estão os jornalistas Manuel da Costa Pinto e Flávia Fontes Oliveira, a pesquisadora Sandra Meyer, os escritores Antonio Prata, Francisco Bosco e Fabrício Corsaletti, a pesquisadora Márcia Strazzacappa e o curador e crítico de arte Agnaldo Farias. O leitor ainda encontra fotos dos espetáculos e ilustrações do cartunista Caco Galhardo, além de tradução dos textos para o inglês.

Bogéa e Iracity Cardoso, está previsto para ser lançado no próximo sábado (20), às 19h, no Teatro Sérgio Cardoso, e será distribuído em escolas, bibliotecas e instituições culturais. O box trata da carreira artística e da obra de cinco emblemáticos personagens da história da dança no Brasil: Angel Vianna, Carlos Moraes, Márcia Haydée, Décio Otero e Sônia Mota. O espectador terá a oportunidade de ver nas fitas depoimentos, registros audiovisuais e material iconográfico. Quem preferir, pode sintonizar a TV Cultura nos dias 20 e 23 de novembro e 30 de outubro, às 17h30, datas em que serão exibidas a íntegra de alguns filmes.

Figuras da Dança Os artistas também fazem parte de Figuras da Dança, terceira temporada da série, composta por box com cinco DVDs. O material, concebido por Inês

Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, tel.: 3288-0136. Sexta, 21h30. Sábado, 21h. Domingo, 19h. R$ 10.

Regina Ricca

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rimeiro foi a fase da descoberta da metrópole. Alice saiu de Palmas, no Tocantins, e se perdeu no caleidoscópio paulistano, onde desenhou uma espécie de crônica urbana acelerada que muitos dos que aqui vivem conhecem bem. Reencontrou parentes, viveu uma tragédia pessoal, fez novos amigos, bateu ponto freneticamente pela noite paulistana e foi tocando a vida, dando cabeçadas aqui e acolá. Na segunda temporada – que ficará restrita a um especial de duas partes, com 80 minutos cada um –, iremos reencontrar Alice dois anos depois ainda em busca de si mesma, mas em uma situação diferente: estabelecida na profissão, com situação financeira mais folgada e prestes a dar novo rumo à vida amorosa. Alice – personagem-título do seriado produzido pela HBO e pela Gullane Filmes que foi ao ar em setembro de 2008 em 13 capítulos (ao custo milionário de R$ 1 milhão cada) – volta ao ar neste sábado (20), às 22h, agora batizada como Alice – Um Especial em Duas Partes. Dirigida por dois craques da telona – Karim Ainöuz e Sergio Machado –, a trama se inspira no universo de Lewis Carroll: tem no centro de sua história uma garota doce, curiosa e cheia de ambição que cai no "País das Maravilhas" paulistano. E como São Paulo também é protagonista desta história, as câmeras dos dois cineastas fizeram jus ao talento de ambos: a Cidade nunca foi tão lindamente fotografada como em Alice. Grande parte do sucesso da série deve-se à performance da atriz mineira Andréia Horta (foto no alto) como a protagonista da história. "Voltar a fazer Alice foi como reencontrar uma grande amiga que não vemos há dois anos. Já a conheço muito bem e sei tudo sobre ela. Com a diferença de que eu também estou mais madura, como ela", diz Andréia, que também pôde ser vista como a médica Rosângela, na série A Cura, da Globo, e está no longa Muita Calma Nessa Hora, em cartaz nos cinemas. Segundo Andréia, Alice agora pensa em se casar com Nicholas (Vinicius Zinn), comprar apartamento e construir família. Na procura pela casa ideal, Alice vai encontrar figuras estranhas e se emocionar com as histórias de algumas delas. Também vai ficar mais atenta aos relacionamentos amorosos de pessoas próximas, como o da amiga Monique (Silvia Lourenço) que faz de tudo para viver um amor de verdade, ou o da madrasta Irislene (Carla Ribas), que aposta tudo em um novo relacionamento, e os da meia-irmã adolescente Regina Célia (Daniela Adler Piepszyk), que está descobrindo o amor. "Tudo isso vai servir de pretexto para que Alice se reencontre consigo mesma, e ponha em xeque essa história de casamento", diz Andréia. "Alice é uma série apaixonante. Ela reúne personagens que agem de modo muito passional diante dos conflitos da vida e isso cria reações igualmente intensas no público", afirma Luis F. Peraza, vice-presidente executivo de Aquisições e Produção Original da HBO Latin America. Vale dizer que Alice não comoveu apenas o público brasileiro. Vendida internacionalmente, a série chegou pelo Fox Life em Portugal e já foi apresentada nos EUA em versão dublada em espanhol e legendada em inglês. Arquivo DC

Renata Massetti/Reprodução

Presa aos eixos da grande cidade, Alice continua sonhando.

OS MUTANTES

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á viu alguma fotografia 3x4 admirável? Na Caixa Cultural é possível encontrar uma série delas em grande formato. As inusitadas imagens fazem parte da exposição Quem é Você?, da publicitária e artista gaúcha Renata Massetti, em parceria criativa com Juliano Moreira (acima, à esquerda). No local, o espectador vê o ensaio fotográfico de dois rapazes, ambos com a aparência física modificada diversas vezes desde 2006. A artista explica que o projeto nasceu com o convite do amigo Juliano Moreira. "O Juliano sabia que iria mudar de visual e me convidou para registrar tal alteração física, para seu uso pessoal mesmo. Partindo mais da intenção de uma ação do que de uma ideia formada, o projeto foi originado". Diante do pedido de Juliano, Renata não titubeou e pensou em algo mais rico. "Esse momento foi crucial. Não pensei na dimensão que o projeto poderia ganhar, mas percebi que deveria captar as imagens de uma maneira pensada, pois teríamos duas

visualidades muito diferentes. Foi então que sugeri que fizéssemos uma fotografia estilo catalogação. Ou seja, sem expressões faciais ou gestual, algo estilo 3x4 e que mostrasse toda a visualidade através de um giro de 360 graus em fotografias. No entanto, boa parte do material exposto são fotografias nas quais os personagens estão com expressões diversas. Essa segunda linha de material foi captada, mais na descontração do que para uma real utilidade e posteriormente é que essas imagens ganharam força, pois deram mais leveza ao trabalho." A ideia de fotografar outra pessoa, além do amigo Juliano, veio em seguida. Renata conta que o segundo personagem foi uma questão de oportunidade. O comentário de um amigo próximo sobre os planos de dar fim aos seus dreadlocks, raspando a cabeça, foi o suficiente para o convite ser feito. "Sempre pensamos em colocar uma mulher no projeto, mas aí não basta escolher alguém aleatoriamente, é preciso que esta pessoa tenha um

perfil que mude constantemente de visual. O trabalho é aberto, pessoas que têm esse perfil e gostariam de participar, podem me procurar, e uma mulher será muito bem vinda!" Além das fotografias, o visitante também encontra pelo local extensas tiras com as imagens dos retratados. A aparência distinta deles ainda pode ser vista em um vídeo com trilha sonora. Outra maneira divertida de aproveitar a mostra é brincando com o clássico jogo cara-a-cara, adaptado com o retrato da dupla de modelos. "O jogo cara-a-cara (que particularmente marcou minha infância) brinca com a ideia da aquisição de diferentes identidades através do visual", afirma Renata. Um praxinoscópio também permite interação. O objeto deve ser rotacionado pelo espectador para reproduzir a sequência de imagens em movimento. "São diferentes pontos de partida para a leitura do trabalho, mas todos com a mesma finalidade: evidenciar a alteração e levar a reflexão sobre a construção

de nossa identidade." O objetivo de Quem é Você?, além de destacar as alterações físicas dos rapazes, é surpreender o público. "É uma discussão sobre as identidades que podemos adquirir somente através da nossa alteração visual. A mobilidade de sentidos que temos ao construirmos nossa aparência, e como ela está carregada desses sentidos pelos imaginários simbólicos e bagagem cultural da sociedade e do próprio sujeito." Renata conta que continua a retratar a dupla de modelos e pretende continuar a jornada fotográfica enquanto puder. Os registros das últimas modificações deles estão na mostra. Diferente dos garotos, a artista afirma que só mudou seu visual duas vezes. "Não sou do tipo tão radical assim, os meninos são muito mais inspirados para esse quesito." (RA) Caixa Cultural. Praça da Sé, 111, tel.: 3321-4400. Terça-feira a domingo, das 9h às 21h. Grátis.

Che no Telecine Os fãs do Telecine Cult, canal que garante sempre a exibição do bom cinema, têm polêmico programa neste sábado (20), às 22h: assistir ao filme Che, de Steven Soderbergh, produção lançada em 2008 nos cinemas em coprodução entre Espanha, França e EUA. O drama conta a história do médico argentino Ernesto Guevara de La Serna (vivido por Benício Del Toro, foto ao lado), que se transforma no principal líder revolucionário das Américas. O filme desvenda as articulações e a trajetória de Che ao lado de Fidel e Raul Castro, que culminaram na Revolução Cubana de 1956. Baseado no livro de memórias O Diário de Che à Bolívia, de autoria do próprio revolucionário, a produção foi dividida em dois filmes. O Telecine Cult exibe agora apenas a primeira parte da história. A segunda, que ganhou o nome de Che - A Guerrilha, ainda não tem data de estréia na TV.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

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cultura

Uma omelete e uma taça de vinho

Suez serve comida inspirada na região. Menu inclui polvo à galega e peito de pato ao vinho do Porto.

O Mediterrâneo dos Jardins Fotos: Divulgação

Filé mignon ao glacê de vinho tinto com gratin de batata, tomate cereja confit e aspargos verdes.

Lúcia Helena de Camargo

bucólica com muito verde, em São Paulo fica no coração do agito das lojas de luxo, na rua Oscar Freire. Instalado no local onde anteriormente funcionava uma casa de vinhos, manteve na decoração as prateleiras de madeira e livros sobre o assunto que podem ser consultados pelos clientes. Com apenas 60 lugares, é aconchegante sem ser apertado. Talvez o lugar para levar a namorada para jantar no final de semana. O primeiro contato com a culinária de Alex é a através do couvert (R$ 8). A cesta de pães chega à mesa acompanhada de patê de cebolas confitadas, manteiga aromatizada com sálvia e flor de sal, mini caponata de berinjelas e alho confit. Na seção de "Entradinhas", bolinho de paella (R$ 23); arancini de queijo gorgonzola e pancetta (R$ 23); mini bruschetta de queijo de cabra com cogumelos (R$ 26); camarões

empanados com massa Kadaif ao molho de mel (R$ 31) e defumado de polvo à galega (R$ 28). Se você é curioso pelos sabores, vale a pena pedir a tábua de tapas (R$ 33) que reúne todas essas delícias em uma única porção. Alex planeja incluir em breve outras tapas, além de vinhos a R$ 10 a taça, para animar o happy hour da casa. As entradas propriamente ditas são cinco: bouquet de verdes com trilogia de queijos empanados, geléia de tomate, crutons de ervas e amêndoas tostadas (R$ 26); parrillada de verduras ao molho romesco (R$ 28); carpaccio de polvo com bouquet de folhas, em processo de defumação em sua própria mesa (R$ 28); pimentão piquillo recheado de brandade de bacalhau ao molho aioli (R$ 31) e tartar de cordeiro com pasta de grão de bico (R$ 30). A lista de pratos principais é vasta. Exemplos: filé mignon ao glacê de vinho tinto com gratin de batata, tomate cereja confit e aspargos verdes (R$ 40); carrê de cordeiro com espaguete de palmito pupunha ao creme de parmesão, com azeite de trufa branca (R$ 67), que merece ser provado; palheta de cordeiro com couscous marroquino e tartar de maçãs (R$ 58); magret (peito) de pato com redução de vinho do Porto, risoto de pecorino e figos confitados (R$ 42); filé de frango marinado com purê de batata trufado e mini legumes grelhados (R$ 38). Alex prepara risotos de aspargos com mascarpone e amêndoas tostadas (R$ 36), de bacalhau com espuma de pilpil (R$ 42), entre outros. Na parte de frutos do mar, destaca-se a falsa paella de frutos do mar (R$ 120 para duas pessoas), que em vez de arroz, leva a massa risoni. Há ainda robalo com espuma de alho poró, fricassê de cogumelos e quinua (R$ 60); linguado com risoto de limão siciliano e radicchio grelhado (R$ 52) e caçarola do mar ao molho romesco (R$ 74). Se prefere pastas, a opção pode ser o nhoque de mandioquinha ao creme de gorgonzola e rúcula (R$ 36); o ravióli de

açafrão com queijo feta e crocante de presunto espanhol ao molho de sálvia (R$ 38) ou o fidellini na manteiga de limão siciliano e cogumelos (R$ 38). Para a sobremesa, embarque na mil folhas de morango com sorvete de açafrão (R$ 27), no creme brulê de capim-limão (R$ 14), na refrescante sopa de pêssego com esferas de melão (R$ 14) ou no crumble de frutas com espuma de crema catalã (R$ 18). Se prefere três sabores distintos, peça a trilogia que leva brigadeiro de canela, pera ao vinho e sorvete de limão siciliano (R$ 24). Não dispensa o chocolate? Vá de terrine de chocolate com sorvete de manjericão (R$ 16) ou parfait de chocolate branco com frutas vermelhas (R$ 16). E nos dias mais quentes, tiramisu (R$ 14). A areia você só verá nos vasos de flores que decoram a casa.

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xistem vinhos para pratos (falsamente simples) com ovos? A escritora inglesa Elizabeth David (19131992) deixou um pequeno tratado sobre o assunto, artigo originalmente escrito para The Spectator e reunido num de seus livros de sucesso An Omelette and a Glass of Wine (The Globe Pequot Press/1997). Na verdade, conhecedora da posição de vários sommeliers, a de que ovos não combinam muito bem com vinhos (alguns fazem cara feia para o cheiro forte que os ovos deixam na taça), Elizabeth David faz, desde o título, uma das suas deliciosas provocações, defendendo sempre a liberdade das combinações à mesa. Ela conta que ao degustar uma singela omelette no celebrado restaurante Hôtel de la Tête d'Or, no Monte Saint Michel, na Normandia – confecção que demanda tanto uma grande entrega quanto muito respeito aos ingredientes –, não dispensou uma ou duas taças de vinho, que realçaram mais ainda o sabor de seus ovos. Se essa combinação fosse banida das mesas, o que dizer de pratos feitos como uma luva para um bom vinho, mas adereçados com molhos mayonnaise, Hollandaise e Béarnaise? Quando jovem, Elizabeth David viveu na França e estudou na Sorbonne. Mais tarde passou a viajar e escrever sobre gastronomia, o que fez com talento durante décadas. Levou alegria à sua Inglaterra de mesa racionada do pós-guerra, introduzindo delícias da culinária da França e da Itália e os sabores do Mediterrâneo. Ah, a abobrinha! É dela o clássico

Mediterranean Food (John Lehmann), publicado em 1950. A cozinha regional francesa sempre foi celebrada em seus escritos, incluindo a ode à omelette, esse prato que encontra ecos e maneiras de preparação diversas em todo o mundo. Elizabeth faz questão de descrever em detalhes o prato de um pequeno restaurante de Avignon, a cidade dos papas, com destaque para a Omelette Molière, que leva na receita a magia dos queijos parmesão e gruyère. Para esse prato de ovos e queijos, Elizabeth defende a participação de vinhos brancos: um aromático traminer da Alsácia, ou um Borgonha branco como o adorável Meursault. Há sommeliers que apostam hoje, resistindo sempre, num Chardonnay mais untuoso e barricado, chileno talvez, para a brava omeletteque sai fumegante da cozinha.

José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileira de Gastronomia (ABG) e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas(Editora Terceiro Nome)

RECITAL

Suez. Rua Oscar Freire, 155, Jardins. Tel.: 3081-7909. Estrada do Capuava, 4228, Granja Viana, Cotia. Tel.: 4616-0241. www.restaurantesuez.com.br

Arquivo DC

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uem já andou pelas imediações desérticas do Canal de Suez – que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho – relata que ali o que mais se come é areia. E, com sorte, bebe-se água. Já no restaurante paulistano que leva esse nome, a qualidade do cardápio é bem melhor. Na cozinha comandada pelo chef Alex Fediczko cabem desde frutos do mar com inspiração mediterrânea até invenções próprias desse brasileiro filho de italianos. O nome foi escolhido por remeter à região interessante. "Também era curto, sonoro, e ficava bem no logotipo", diz Fediczko. Recém aberta nos Jardins, a casa é filial do Suez da Granja Viana, em Cotia, inaugurada no início do ano. Enquanto a matriz está localizada em uma rua

José Guilherme R. Ferreira

A arte de um virtuose pop

Lousa com sugestões do dia. E a falsa paella.

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Entrada e mesas em ambiente externo do restaurante Suez

violinista Itzhak Perlman, nascido há 65 anos em Tel Aviv, e radicado em Nova York, faz parte de um seleto clã de músicos, com os quais trabalha há décadas. Entre eles, o pianista e regente argentino Daniel Barenboim; o também pianista e regente russo Vladimir Ashkenazy; o maestro indiano Zubin Mehta; o cellista francês de origem chinesa Yo-Yo Ma e o violinista, violista e regente israelense Pinchas Zukerman. Esse timaço, volta e meia, reúne-se para fazer música de câmara e concertos. Todos se inserem no departamento de astros pops. Mas este rótulo só lhes infla a qualificação. Porque são virtuoses de verdade. Além de ostentarem técnica e musicalidade indiscutíveis, são intelectuais estudiosos, cultos e dedicados à formação de novas plateias. Nos bastidores, longe dos holofotes, apoiam causas nobres, envolvendo projetos de música educativa para a juventude carente. Dito isso (lembrança sempre bem-vinda), voltemos a Perlman. Ele está, agora, entre nós, para uma série de recitais. No sábado (20), toca no Theatro Municipal de Paulínia; domingo (21), segunda (22) e na terça (23), na Sala São Paulo, encerrando a temporada internacional deste ano da Sociedade de Cultura Artística. Itzhak Perlman (assim como seu clã) não se impõe barreiras artísticas; transita espontaneamente (e com alegria) entre o repertório erudito e a música popular. Seu desempenho, documentado em CDs e DVDs, revela como lida bem, por exemplo, com o jazz (ao lado do

pianista canadense Oscar Peterson, gravou standards do gênero; e com o pianista e regente alemão, naturalizado americano, André Prévin produziu um divertido disco dedicado apenas ao ragtime do mestre Scott Joplin/ 1867-1917). Revela, também, como é solicitado para participar de trilhas sonoras de filmes (em A Lista de Schindler, dirigido por Steven Spielberg, interpreta temas da música tradicional judaica, conhecida como klezmer). Nas duas últimas décadas, Perlman ousou mais, se isso ainda é possível: vem assumindo o pódio de grandes orquestras, como a Filarmônica de Berlim e a de Israel. Erudito por formação, e violinista por paixão, Perlman, evidentemente, não se distancia de suas prioridades. É como violinista que transmite o melhor de seu talento: sorte de quem puder assisti-lo nos recitais programados em São Paulo. Acompanhado pelo pianista Rohan de Silva, natural do Sri Lanka, interpretará obras de Jean-Marie Leclair (Sonata em Ré Maior); Beethoven (Sonata Nº 7 em Dó Menor Op. 30 Nº 2) e Dvorák (Sonatina em Sol Maior Op. 100). (MMJ)

ITZHAK PERLMAN Theatro Municipal de Paulínia. Sábado (20). 20h. Tel.: (19) 3933-2140. R$ 100 a R$ 300. Sala São Paulo (Sociedade de Cultura Artística). Praça Júlio Prestes, 16. Tel.: 3223-3966. Domingo (21). 20h. Segunda (22), terça (23). 21h. R$ 110 a R$ 250.

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cultura

Champagne Sem Gás Carlos Celso Orcesi

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o dia 30.7.2010 escrevi o texto Champagne Falsificado protestando contra a ordem de Rob Smedley para Felipe Massa entregar o GP da Europa (disputado na Alemanha) a Fernando Alonso. Ninguém investigou que o patrocinador da Ferrari é o Banco Santander, cujo principal acionista o também espanhol Emilio Botin estava nos boxes em Hockenheim, e ainda por cima patrocinava o próprio GP da Europa. Como estávamos no meio do campeonato, não se pode afastar a hipótese da Ferrari ter resolvido agradar o seu mecenas, o que tornaria duplamente imoral a decisão. Don Botin estava lá novamente em Abu Dhabi torcendo para o seu pupilo. Galvão Bueno pulou seu nome, até porque não é ingênuo e sabe onde pisa. Desta vez o dinheiro nada pode fazer porque Sebastian Vettel dominou a prova e Alonso sequer conseguiu ultrapassar a Renault de Petrov. No final o garoto mimado reclamou, pasme o leitor de ler, que o russo não lhe deu passagem! O reizinho Fernando queria que seus súditos lhe deixassem ganhar... assim como fez a Ferrari, ou antes a Renault, também com enorme prejuízo à sua imagem. Em que submundo vive o dândi espanhol? Não pretendo retirar o episódio das cinzas, antes argumentar que esse pessoal produziu um mal incalculável ao bom nome da Ferrari. Quando garoto vivi sob essa mística, torcendo para os "mais fracos" quando os Ford MK bateram as Ferrari nas "24 Horas de Le Mans" entre 1966 e 1969. Vingança porque Enzo Ferrari na última hora desistiu de vender a marca à Ford. A Itália considerava traição vender o cavallino rampante ao grupo americano. Quando o MKII venceu a P3 em 1966, Enzo chamou seu diretor técnico Mauro Forghieri dando-lhe a seguinte ordem: "construa o carro que você sonha. Tudo que quero é vencer". Mas a bela P4 330 V-12, depois de vencer Daytona, voltou a perder mais três vezes para o MK-IV em Mans. Ainda assim era Davi lutando contra Golias. Mais tarde a fábrica foi vendida à FIAT. Tinha 19 anos quando visitamos Maranello com meu

pai Philomeno e meus três irmãos, impecável com as máquinas do Campeonato de Protótipos e da Fórmula 1 manejadas nos cavaletes como violinos Stradivarius. Pois bem, tudo que Enzo construiu com suor e mística foi perdido. O pior é os três cegos Montezemolo, Domenicali e Smedley se recusam a ver; não compreendem a alma do torcedor: vencer na pista sem mutretagem. Pisaram na história de Enzo ignorando o valor do esporte. Como todos os que manipulam o poder sem ética supõem que os fins justifiquem os meios. Reverência à equipe austríaca, fabricante do isotônico Red Bull e ao chefe Christian Horner; ambos deram lição de ética e desportividade ao permitir que o campeão vencesse na pista. Curioso foi o momento final. Vettel no pódio tentou sacudir a garrafa que não tinha gás! De fato, no início o abade Dom Pérignon queria eliminar as bolhas do Champagne em torno de 1680. A fermentação da uva começava após a colheita de outono, mas naquela região fria parava no inverno. O vinho era então engarrafado, mas voltava a fermentar na primavera, estourando as garrafas. O líquido que sobrevivia deliciava os consumidores do século XVIII. Pode-se resumir que champanha nada mais é do que a técnica do aprisionamento do gás. Daí que champanhe sem bolhas é contradição em termos. Ou não? A explicação é simples: nos Emirados Árabes o álcool é proibido, conforme a religião muçulmana. Afora a comemoração com leite das 500 Milhas de Indianópolis (porque na origem era patrocinada pelos criadores de gado), é a única comemoração da Fórmula 1 sem champagne. Eu sou apenas um, minha família são vinte, meus amigos algumas dezenas. O mal feito é que simplesmente as pessoas pararam de torcer para a Ferrari. Champagne sem gás nem é champagne, mas certamente é melhor do que falsificação. Os três tradittores jogaram a mística na lama.

Vettel comemora: champagne sem bolhas. Nos Emirados Árabes, álcool é proibido.

Fotos: Arquivo DC

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Rua do Riachuelo, antiga Rua de Matacavallos: "machadiana".

Um belíssimo romance, sobre o Rio dos anos 1920.

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Renato Pompeu

stá dentro das melhores tradições da literatura brasileira e mundial esse romance Acidente em Matacavallos e Outros Faits Divers, a obra de estreia do carioca Mateus Kacowicz, editado pela Record. Nos anos 1920, no Rio de Janeiro que se prepara para a exposição internacional e outros festejos para marcar o Centenário da Independência do Brasil faltam apenas 12 anos para o bicentenário - um acidente fatal de bonde na Rua de Matacavallos, tão ligada ao grande escritor Machado de Assis, desencadeia uma trama intrigante e atraente que envolve as relações entre a imprensa marrom, as famílias tradicionais que vivem de falcatruas políticas, valentões profissionais, empresas estrangeiras, altos funcionários governamentais e, picarescamente, bordéis de luxo, além de militantes anarquistas e comunistas. A par de evocar Machado, o romance também descreve como morreu o igualmente grande escritor Lima Barreto; no enredo predominam personagens fictícios, mas também há personagens reais, principalmente políticos. O personagem central é um jovem judeu recém-chegado da Ucrânia, onde seu pai e irmã foram assassinados num pogrom, que começa a trabalhar como vendedor ambulante de roupas nos subúrbios cariocas e se inicia na sinuca e no jornalismo. Inesquecível é a descrição do carnaval de rua tal como foi visto, pela primeira vez na vida, pelo jovem e surpreso vendedor ambulante, que de início não entende nada. O fio condutor desse romance são os "faits divers" tal como desfilam nas páginas dos jornais da época. Para os mais jovens, talvez seja necessário indicar que "faits divers", "fatos diversos" em francês, são as notícias de jornal que não são muito importantes, mas que atraem a atenção dos leitores. Um dos principais focos do romance é a imprensa marrom. A partir do acidente fatal de bonde, um jornal de um empresário inescrupuloso desencadeia uma campanha de ataques à empresa inglesa que, no livro, explora o serviço de bondes do Rio. A campanha é apoiada por militantes anarquistas e comunistas, com manifestações e passeatas, mas o objetivo do dono do jornal não é "defender os interesses do povo contra a exploração

imperialista", e sim extorquir grandes somas de dinheiro da empresa inglesa. Outro dos principais focos da obra é o bordel de luxo, em que belas mulheres estrangeiras, em especial louras francesas, encantam a vida de senadores, deputados, ministros, empresários e jornalistas. Ali no bordel tudo se sabe e tudo se decide. Entre as suas mais importantes virtudes, a obra apresenta uma perfeitíssima reconstituição do Rio da época, não só na descrição física das ruas recém-renovadas pelas febris obras relacionadas ao Centenário e dos primeiros prédios mais altos da cidade, dos subúrbios recémabertos aos contatos com o centro do Rio pelas novas linhas de trens suburbanos, mas também na descrição dos costumes de então, principalmente o modo como a imprensa escolhe as suas notícias e a linguagem já na época antiquada que a maioria dos jornais adotava. Outra virtude importante que o livro apresenta é o seu caráter polivalente, às vezes satírico, às vezes pícaro, às vezes cético, às vezes trágico. Descrevendo sempre com humor as tradicionais mazelas do Brasil, Mateus Kacowicz, apesar disso, também demonstra que os corruptos são tão humanos e tão ciosos de seus afetos quanto as pessoas honestas. Assim, diante de nós desfila um Rio de Janeiro multicolorido e festivo, que tende a acolher com igual bonomia pessoas de todas as cores e de todas as etnias, embora também as elites sejam extremamente preconceituosas, não só contra negros e mestiços, mas igualmente contra judeus e protestantes. E, mesmo em meio às vicissitudes e peripécias das corrupções políticas e pessoais tão perenes em nossa vida nacional, Kacowicz nos descreve, com isenção cética, um Rio de Janeiro simpático em geral aos imigrantes estrangeiros. È interessante notar que mais esse importante escritor judeu vem se somar à literatura brasileira, exatamente quando o Festival Internacional de Literatura de Pernambuco discute a importância dos judeus na literatura e na cultura ibero-americanas. Kacowicz vem assim se juntar a nomes como Clarice Lispector e Moacyr Scliar, entre os grandes escritores brasileiros.

m meados de 2008, o jornalista e escritor Laurentino Gomes conversava com o vice-almirante da Marinha Armando de Senna Bittencourt em um simpósio no Museu Histórico Nacional, no Rio, quando o militar fez uma observação curiosa: “Quando se olha para trás, 1822 parece um milagre”. Gomes ficou com o comentário na cabeça e, dois anos depois, revela que o almirante tinha razão no livro 1822 (Nova Fronteira, 352 páginas, R$ 44,90). Na trilha do best-seller histórico 1808, sua estreia na literatura e que narra as peripécias da vinda da Família Real para o Brasil fugindo das tropas de Napoleão, desta vez o jornalista mergulhou a fundo no período da Independência. Com um texto leve e bem humorado, marca registrada das suas obras, o autor mostra que o Brasil era um lugar que tinha tudo para dar errado (alguns pensam isso até hoje) e um processo tão complexo como a separação de Portugal foi, de fato, um milagre. Afinal, como construir uma nação independente e unificada em um território com dimensões continentais, onde a esmagadora maioria da população era pobre , analfabeta (de cada dez brasileiros apenas um sabia ler e escrever) e os poucos ricos, com raras exceções, eram totalmente ignorantes? Isso sem contar a massa de escravos. De cada três brasileiros, dois eram escravos, mestiços ou índios. A economia era agrária, rudimentar e amparada no tráfico negreiro. Enfim, aos olhos europeus, isso aqui era uma terra que praticamente vivia na idade da pedra lascada. Nem na pedra polida havia chegado. Mas, mesmo com todas essas adversidades, a independência deu certo. Com um pouco de sorte e meio no improviso, mas conforme as aspirações do grupo que pretendia separar a colônia da metrópole, sob a liderança de D. Pedro 1º. “O livro procura explicar como o Brasil conseguiu manter a integridade do seu território e se firmar como nação independente por uma notável combinação de sorte, acaso, improvisação e também de sabedoria de algumas lideranças incumbidas de conduzir os destinos do país naquele momento de grandes sonhos e

Saboroso resgate dos fatos de 1822 Marcus Lopes

perigos”, explica o autor que, com a perícia jornalística adquirida em anos de experiência, pesquisou durante três anos e leu ou consultou cerca de 170 livros e documentos de referência do período, tanto no Brasil como em Portugal. É claro que nem tudo foi mera obra do acaso ou tão simples assim. Amparado em estudos de historiadores do porte de Sérgio Buarque de Holanda, o livro mostra que os fatos ocorridos naquele setembro de 1822 começaram a ser germinados em 1808. Ao modernizar o Brasil durante sua estada, com a abertura dos portos e a criação do Banco do Brasil, por exemplo, o rei de Portugal D. João VI

tornou inevitável a separação. Outros fatos históricos importantes também contribuíram para a independência. Entre eles, as disputas entre os próprios portugueses. O livro cita uma tese de Buarque de Holanda de que a independência brasileira foi resultado de “uma guerra civil entre os portugueses”, desencadeada na revolução Liberal do Porto, em 1820, motivada pelos privilégios concedidos por D. João à colônia americana. Personagens ilustres daquele momento e que deram sustentação ao novo país, como José Bonifácio de Andrade e Silva, tiveram sua biografia resgatada. É interessante

saber que o “patriarca da Independência” era um homem avançado para a sua época, sendo que muitas de suas ideias caberiam perfeitamente nos programas de governo de vários candidatos atuais: defendia a abolição dos escravos, reforma agrária de terras improdutivas, proteção de florestas, educação para todos e respeito aos povos indígenas. Já naquela época se falava na necessidade de transferência da capital do Rio para algum lugar do centro-oeste, para estimular a interiorização do país. O próprio D. Pedro, apesar de autoritário, se mostrava um homem avançado, a tal ponto de defender a abolição dos escravos, conforme atesta um documento no Museu Imperial de Petrópolis. Assim como ocorreu com 1808, Gomes aborda os assuntos de uma maneira saborosa, mas sem perder a profundidade e a qualidade. Segundo definição do próprio autor, o livro, na verdade, é uma grande reportagem, uma história muito bem contada. Basta citar que a obra começa contando que D. Pedro, no momento da Independência às margens do Ipiranga, estava com uma bela dor de barriga. Esse novo jeito de contar a História, muito mais agradável do que nos livrões tradicionais, transforma obras do gênero em verdadeiros best-sellers, atraindo um público cada vez maior para o estudo do nosso passado e do mundo. E até a televisão já percebeu esse movimento, através de canais pagos na TV a cabo, como o History. E o jornalista-escritor não para. Em meio ao lançamento de 1822, ele já está debruçado nos estudos para sua nova tarefa, que vai abordar a proclamação da República, completando a trilogia iniciada com o desembarque da Coroa portuguesa no Brasil.

MARATONA DAS ARTES NO SESC Shows, espetáculos, intervenções, oficinas e instalações. O leque de atrações é amplo e dura até o próximo dia 28. Trata-se da Mostra Sesc de Artes 2010 que nesta edição apresenta 62 projetos culturais feitos por brasileiros e estrangeiros, distribuídos por 15 unidades do Sesc. Entre os destaques da programação, está o show do americano Lou Reed (foto), atração do Sesc Pinheiros nos dias 20 e 21 (ingressos esgotados). De Portugal, chegam as performances da dupla Ana Borralho e João Galante, autores da obra World of Interiors (Mundos Interiores). A performance acontece nos dias 24 (quarta), 25 (quinta) e 26 (sexta), às 19h no Sesc Pinheiros. É lá que o público vai se deparar com pessoas imóveis deitadas no chão, ao som de sussurros de textos de Rodrigo Garcia e Mahler.

Artes cênicas? Uma bela opção é o espetáculo OTRO, do coletivo carioca Improviso, que tem na direção Enrique Diaz e Cristina Moura. A pesquisa inicial para o espetáculo foi feita a partir de residências artísticas pelas ruas do Rio de Janeiro. As sessões serão nos dias 24 e 25, às 21h30, no Sesc Pinheiros. Para os fãs de cinema, a dica é o longa DR9, de Matthew Barney (marido da cantora Björk), que será exibido no Cinesesc, quinta (25), às 20h30. A diversão pode ser muito maior. Veja como em www.sescsp.org.br

DIÁRIO DO COMÉRCIO

26

d

cultura

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

BRUXO COM A BARBA POR FAZER

Em Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1, o trio de amigos sai em busca das horcruxes de Voldemort. E Harry (já homenzinho, barba à mostra) beija Hermione. Ou não?

Harry Potter se esconde em ação morna no penúltimo filme da série Lúcia Helena de Camargo

H

arry Potter completa 17 anos mensais da morte". Entre eles, Beatriz em Harry Potter e as Relíquias da Lestrange (a sempre ótima Helena BoMorte - Parte 1, estreia desta sex- nham Carter). Há voos em vassouras e ta (19). Como os fãs já sabem, a trama do fil- uma alucinada perseguição de carros em me é baseada na primeira metade do séti- uma rodovia próxima a Londres. Vemos mo e último livro sobre o bruxinho escrito um apavorado Harry a bordo de um tosco pela inglesa J.K. Howling. Assim como vai sidecar de motocicleta. acontecer com a série Crepúsculo, que tamDepois da correria, no entanto, a ação bém desdobra o livro final em dois filmes, a cai em certo marasmo. O trio recebe a vijustificativa para dividir a obra é que as mais sita do ministro Rufus Scrimgeour, que de 700 páginas da obra não poderiam ser lhes entrega os objetos deixados para condensadas em um único longa-metra- eles por Dumbledore, de acordo com o gem. A sequência final chega na Warner Bros/Divulgação metade do próximo ano. O trio de amigos – Harry Potter (Daniel Radcliffe), Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) – desta vez vai sair pelo mundo com a missão de encontrar e destruir as horcruxes (objetos que guardam fragmentos da alma de alguém), que contêm o segredo da imortalidade de Voldemort (Ralph Fiennes), que representa a encarnação do Mal. Relembrando: algumas dessas horcruxes já foram achadas em filmes anteriores. Um delas foi deixada pelo lorde das estipulado em seu testamento. Os amitrevas quando matou os pais de Harry, gos passam então longos períodos Tiago e Lílian Potter. Outra estava na es- acampados na floresta ou no alto de cola e no diário de Tom Ridle. montanhas. Nada têm a fazer. PermaneClones - Há o anúncio inicial de que os cem ali somente esperando passar o perigos, desta vez, serão os maiores que tempo até seus perseguidores perderem já se viu em toda a série. Em seguida, al- o rastro. Conversam, leem livros, ouvem guma diversão. A turma do bem, disposta rádio. Estão por conta própria e não poa ajudar na tarefa, se metamorfoseia, com dem recorrer a seus professores. o uso da poção polissuco, em uma série de Por algum tempo, Harry – cuja barba já clones de Potter – artifício utilizado para denuncia a definitiva maturidade do raconfundir os capangas do vilão, os "co- paz – e Hermione ficam sozinhos no acam-

pamento. Será que terão um caso? Para desespero de Roni, um longo e sensual beijo entre eles poderá ser visto nesta parte da história. Quem leu o livro sabe a conclusão da situação, que não será narrada aqui para não estragar a surpresa. Elfos domésticos - As aparições dos feios, olhudos e adoráveis elfos domésticos Dobby e Criatura conferem a leveza necessária para contrabalançar as cenas de Voldermort. Ele destrata aliados, mata sem pestanejar, além de possuir o péssimo hábito de se fazer acompanhar por gigantescas serpentes. Quem aprecia levar sustos na sala escura poderá se deleitar com as peripécias dos monstruosos ofídios, principalmente nas salas 3D. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 tem direção de David Yates, que dirigiu os anteriores Harry Potter e a Ordem da Fênix e Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Na produção continua David Heyman, responsável por todos os filmes anteriores, juntamente a David Barron e a própria J.K. Rowling, que se encarrega de garantir a fidelidade a seus livros. Ela conseguiu. E talvez esse seja o motivo deste filme ser um tanto morno, já que o maior volume de ação e desfechos ficou para o capítulo final. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 1, Inglaterra/EUA, 2010, 147 mintutos). Direção: David Yates. Fotos: Warner Bros/Divulgação

OS MÁGICOS NÚMEROS DA SAGA

2001

foi o ano de lançamento do primeiro filme da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal, com base no livro escrito pela britânica J.K. Howling em 1997. A escritora tornou-se a mulher mais rica na história da literatura. Ela tem hoje mais dinheiro do que a Rainha Elizabeth II.

5

bilhões de dólares, aproximadamente, é o que a saga do bruxinho já rendeu no cinema, sendo que o mais rentável até agora foi o primeiro longa-metragem, com a bilheteria na casa dos US$ 975 milhões, uma das cinco maiores de todos os tempos.

400

15

70

7

milhões de exemplares foram vendidos em todo o mundo, somados todos os sete livros publicados. idiomas contam com traduções de Harry Potter.

de julho de 2011 é a data prevista para lançamento do último filme da franquia, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2.

indicações ao Oscar foram recebidas. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi indicado nas categorias Figurino,

Trilha Sonora e Direção de Arte; O Prisioneiro de Azkaban entrou na lista para Melhor Trilha Sonora e Melhores Efeitos Especiais; O Cálice de Fogo ficou entre possíveis premiados pela Direção de Arte; e O Enigma do Príncipe recebeu a indicação a Melhor Fotografia. A série, porém, não ganhou o prêmio nenhuma vez.

5 400

videogames são baseados nas histórias do bruxinho.

produtos foram licenciados com a marca Harry Potter, incluindo um iPod.

G

eorge Clooney (foto) protagoniza o suspense Um Homem Misterioso (The American, EUA, 2010, 105 minutos) empunhando armas, correndo. É um filme de ação. Mas o que mais interessa é o drama particular do homem. Matador profissional, começa a pensar que a vida precisa de um pouco mais do que adrenalina para merecer ser vivida. Jack, seu personagem, questiona, tem medo, foge da morte e de si mesmo. A história é ambientada na Itália, numa cidade belíssima encravada na montanha, próxima a Roma. Jack mantém profundas conversas com um religioso (Paolo Bonacelli) e, em certo momento, chega à conclusão de que Deus não está muito interessado nele. O que fazer? É um assassino. Mas não do tipo tarefeiro brutamontes. Ele comete a insanidade de pensar. Violante Placido é a prostituta que fará as coisas ficarem um pouco mais amenas, já que ela

própria talvez também esteja em uma encruzilhada parecida. A base da trama é o romance de Martin Booth, A Very Private Gentleman, que virou roteiro pelas mãos de Rowan Joffe. A direção é do holandês Anton Corbijn. Direitos Humanos - Nesta sexta (19) começa a 5ª edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que, em 2010, chega a 20 capitais, quatro a mais do que na edição anterior. As exibições – gratuitas – seguem até quinta (25) no CineSesc e na Cinemateca Brasileira. A programação reúne 41 filmes, representando dez países da América do Sul. Entre os longas que serão exibidos estão A Batalha do Chile, A História Oficial e Pra Frente Brasil. Este ano a Mostra homenageia o ator argentino Ricardo Darín, que vem ao Brasil participar do evento. Amanhã, sábado (20), o Cinemateca exibe, às 17h, o novo filme do argentino Pablo Trapero, Abutres,

estrelado por Darín. Conta histórias de advogados que procuram as vítimas de trânsito para tirar a maior indenização possível das seguradoras. Em seguida, às 19h, o ator conversa com o público. E na sequência, às 21h, será projetado Kamchatka, de Marcelo Piñeyro, também com Darín no elenco. Veja a programação completa em: www.cinedireitoshumanos.org.br. Estreia também 3 Homens e Uma Noite Fria (Kolme Viisasta Miestä, Finlândia, 2008, 105 minutos), dirigido por Mika Kaurismäki. Trata-se de um inusitado drama sobre três homens de meia idade que, na véspera de Natal, acabam em um bar. Desconsolados, trocam informações sobre seus infortúnios. O filme entrou na Seleção Oficial do Festival de Cinema de Toronto. (LHC)

Paramount/Divulgação

Um assassino que pensa demais


Diário do Comércio