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Rainha é preso por colher dinheiro dos sem-terra Líder do MST de Base, José Rainha foi preso pela PF com seu irmão e vários funcionários do Incra, acusados de desviar dinheiro destinado à reforma agrária em São Paulo. Páginas 5 e 6

Sua majestade, o Leão federal, o voraz Pelo 5º mês seguido, a arrecadação federal é recorde em comparação com igual período de 2010. Em maio, ela foi de R$ 71,5 bilhões (7,18% maior). Pág. 15 Agliberto Lima/AE

Ano 86 - Nº 23.396

Conclusão: 23H50

Jornal do empreendedor

www.dcomercio.com.br

Ninguém mais será obrigado a ter sócio Projeto que acaba com a obrigatoriedade foi aprovado no Senado. Só falta Dilma assinar. Pág. 15

R$ 1,40

São Paulo, sexta-feira, 17 de junho de 2011

O ministro Castelli explicou ao não assinar um acordo aéreo: "O Brasil não terá nunca minha assinatura". Pág. 7

Divulgação

EUA dão chance ao etanol brasileiro

Zíper nos segredos da História

Subsídios e tarifa de importação caíram no Senado. Agora, falta a Câmara votar. Pág. 18

Historiador não vê razão para a censura eterna: são "registros banais". Pág. 7 Divulgação

Luxo e conforto à prova de alagados, areiões, barro, buracos... Land Rover traz o Freelander 2 Diesel. Pág. 19 Antonela Sallem/DC

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cultura

HOJE Ensolarado, com névoa ao amanhecer. Máxima 10º C. Mínima 24º C.

AMANHÃ Sol com agumas nuvens. Máxima 11º C. Mínima 25º C.

ISSN 1679-2688

23396

9 771679 268008

Allen faz de Bruni uma guia Não só a primeira-dama Carla Bruni aparece em Meia-noite em Paris, o novo Woody Allen: Picasso, Dali, Hemingway, o casal Fitzgerald e Buñuel sentam-se em cenas de bar. Hitchcock completo, até 24 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil. Página 22

Marrakesh, para lá de fascinante A antiga cidade imperial do Marrocos une glamour, tradição e, agora, hotelaria de luxo. Boa Viagem. Pág. 11


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Não são as massas descontentes nas ruas que levarão a Grécia à moratória. Roberto Fendt

pinião

John Kolesidis/Reuters

EYMAR MASCARO

O PSDB EM PONTO DE BALA

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As manifestações na Grécia, devido à crise do país, tendem a crescer, conforme o governo tiver de adotar medidas mais drásticas.

GRÉCIA: PREPARAÇÃO PARA O PIOR.

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análise do Financial Times de ontem já dizia tudo no título: a Europa e a Grécia devem preparar-se para o pior. A questão é: o que é o pior? À medida que o governo do primeiro ministro George Papandreou vai perdendo sua base de sustentação, como se gosta de dizer aqui, e vai sendo abandonado pelo seu partido socialista, acelera-se o inevitável: a moratória grega. Não são as massas descontentes nas ruas que levarão a Grécia à moratória. Quem a levou, como apontei aqui neste espaço no último dia 11, foram os governos gregos que se seguiram à adesão do país à União Europeia e principalmente ao euro; as agências internacionais de classificação de riscos; o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu; e os bancos privados, cúmplices da tragédia que está por começar. Voltemos ao pior. O que fará o novo governo que substituir Papandreou? Se optar pelo correto – e eventualmente inevitável –, precisará desvalorizar o câmbio, de forma a reduzir o deficit nas contas externas, e aumentar tributos e reduzir gastos, para reduzir o déficit nas contas internas. Alguém pode imaginar algo pior, já que o prazo para fazer essas duas megamaldades é, ainda por cima, extremamente curto? É claro e provável que o novo governo procure ganhar tempo e tente fazer os dois ajustes da forma mais dilatada possível. O problema é que pelo menos o ajuste externo não poderá esperar e virá, ou não, de uma só vez. Refiro-me à necessidade urgente da Grécia abandonar o euro e voltar à sua moeda nacional, com

ROBERTO FENDT o nome antigo de dracma, novo dracma ou que outro nome parecer mais conveniente. Se não o fizer, não terá como tornar o país mais barato, assim atraindo mais turistas, ao mesmo tempo que tornando mais competitivos seus poucos produtos de exportação, como o azeite de oliva.

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esse respeito, falar é mais fácil que fazer. Haverá enormes resistências, primeiro entre os parceiros do sistema monetário europeu, que não aceitarão o inevitável com tamanha fidalguia. A saída da Grécia estimulará Portugal a fazer o mesmo, já que padece do mesmo mal e necessita do mesmo remédio. Poderá também incentivar outros membros do grupo, uma vez aberta a porta. Isso indica que se prometerá à Grécia novos pacotes de ajuda para permitir adiar o inadiável. Por ou-

tro lado, abandonar o euro e voltar à moeda nacional implicará de pronto uma perda de poder de compra de todos os nacionais, especialmente dos trabalhadores – porque tudo que consomem e importam do restante da Europa e do mundo ficará mais caro, abruptamente.

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e já há manifestações nas ruas, imagine-se o tamanho delas quando as pessoas sentirem no bolso o peso da solução para o problema externo grego. Também fará aumentar o número dos participantes nas manifestações de rua o aumento de impostos e os cortes de despesas do governo. A classe média, mais atingida geralmente pelo aumento de tributos, esperneará; os mais pobres, clientes dos serviços do governo, certamente farão o mesmo. "Tudo nos une, nada nos separa", o lema famoso de Saenz Peña, será trasla-

A Grécia precisa abandonar o euro e voltar à sua moeda nacional. Se não o fizer, não terá como tornar o país mais barato. Mas haverá resistência, a começar pelos parceiros europeus.

dado da Argentina para o Mediterrâneo oriental. Mencionei que se requer uma desvalorização cambial, para acertar as contas externas, e um aumento de impostos e corte de gastos, para acertar as contas internas. A maneira convencional dos livros-texto é fazer esses ajustes com os instrumentos da política econômica. Contudo, o mais das vezes não assim que se fazem ajustes, quando necessários. Existe um outro instrumento poderoso, muito conhecido dos latinoamericanos, que produz os mesmos efeitos de mudanças radicais na política econômica: a inflação.

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ssim foi que ocorreu conosco, com a Argentina, com o Chile e muitos outros países de nossa vizinhança. A recessão que ocorrerá na Grécia reduzirá, em lugar de aumentar, a arrecadação tributária. Para substituí-la, o novo governo poderá simplesmente imprimir dinheiro e pagar com ele as suas contas, evitando um brusco colapso da despesa pública. Alguém, contudo, em última instância, pagará a conta, já que papel-moeda é simplesmente papel, não é riqueza. Quem não puder proteger os seus rendimentos com aplicações financeiras, como os mais pobres, receberão a conta do ajustamento. O outro candidato a receber a conta são os bancos que emprestaram irresponsavelmente à Grécia mais do que recomendava o bom senso. Razão tem o Financial Times ao alertar que a Europa e a Grécia devem preparar-se para o pior. Pagar pela irresponsabilidade fiscal e monetária tarda, mas não falha. ROBERTO FENDT É ECONOMISTA

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cláudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

cúpula do PSDB está reivindicando o apoio total dos oito governadores eleitos pelo partido em 2010, para fortalecer a oposição ao governo petista de Dilma Rousseff. Com a divulgação da pesquisa Datafolha, o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra, chegou à conclusão de que o PSDB precisa começar a enfraquecer o PT, se quiser ter chance de voltar ao Poder em 2014. A pesquisa Datafolha surpreendeu a oposição, que esperava, em vão, pelo desgaste da presidente com o estouro do caso Palocci. Não foi o que aconteceu. Dilma manteve o mesmo índice de aprovação. Mas, apesar do resultado da pesquisa, a oposição vai lutar pelo desdobramento do caso Palocci, na expectativa de que Dilma e o PT ainda saiam arranhados do episódio.

PSDB decidiu também incentivar as críticas ao governo do PT aproveitando que a presidente está enfrentando a crise envolvendo o seu partido e o PMDB, que brigam por mais cargos no governo. A oposição, contudo, tem uma dúvida: como os estados dependem de verbas federais para tocar obras, ela não sabe se vai poder contar com a colaboração de seus governadores. O PSDB tem dois fortes pretendentes à legenda presidencial, que são José Serra e Aécio Neves. Os dois, no entanto, não quiseram se envolver a fundo no movimento que o partido incentivou, juntamente com o DEM e PPS, até a queda de Antonio Palocci da chefia da Casa Civil. Ficou claro que Aécio Neves prefere conduzir a oposição a Dilma Rousseff de sua tribuna no Senado, enquanto Serra dispõe de um canal para também se opor ao governo, a internet. Na tentativa de reconquistar o Poder, o PSDB está se preparando com antecedência para disputar a próxima eleição. Os tucanos estão convencidos de que terão uma difícil missão em 2014, porque também o PT dispõe de dois encorpados précandidatos, que são Lula e a própria Dilma Rousseff, que deseja concorrer à reeleição. Na festa de aniversário de Fernando Henrique rolou solta a promessa de que o partido estará unido para enfrentar o PT, apesar da falta de sintonia existente entre Serra e Aécio Neves. Até hoje, por exemplo, Serra não se conforma de ter perdido

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O PSDB decidiu incentivar as críticas ao governo, para aproveitar a crise que Dilma está enfrentando, envolvendo o PT e o PMDB, que brigam por cargos

a eleição em 2010 para Dilma nos dois turnos, em Minas, sobretudo porque o Estado estava e está em mãos do PSDB. Para os tucanos paulistas, Aécio Neves e o governador Antonio Anastásia não teriam se empenhado, como devia, na campanha do candidato do partido. erra está ciente de que Sérgio Guerra já trabalha para pavimentar a candidatura presidencial de Aécio. Mesmo assim, Serra espera tentar pela terceira vez a candidatura ao Palácio do Planalto, por entender que tem um eleitorado fiel, a ponto de dar a ele 44 milhões de votos. Minas, porém, responde que a fila andou no partido e que chegou a vez do PSDB do seu estado bancar o próximo candidato a presidente. Aécio Neves se elegeu senador em 2010 para exercer mandato de oito anos. Portanto, se vier a ser candidato à presidência em 2014 e perder a eleição, ainda terá mais quatro anos no Senado. Com base neste raciocínio, Aécio já chegou a declarar que nada teria a perder. Detalhe: na hipótese do senador mineiro conseguir a legenda presidencial, Serra terá a oportunidade de se candidatar ao Senado, se não quiser continuar sem mandato. Ele pode ser candidato à vaga que se abrirá no Senado com o término do mandato de Eduardo Suplicy.

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Lula continua afirmando que Dilma Rousseff será candidata à reeleição, mas a cúpula do partido concorda com o ex-presidente, desde que a presidente esteja em alta nas pesquisas. Caso contrário, o partido vai de Lula, mais uma vez. EYMAR MASCARO É JORNALISTA E COMENTARISTA POLÍTICO MASCARO@BIGHOST.COM.BR

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 17 de junho de 2011

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pinião

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D A D O S R E V E L A M Q U E C O M I D A M ATA U M A P E S S O A A C A D A D U A S H O R A S N O S E U A .

QUANDO A COMIDA MATA

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morte recente de 31 pessoas na Europa por causa de um tipo novo da E. coli causou alarme no mundo todo, mas não deveríamos ficar surpresos. Nossa comida frequentemente nos trai. Há apenas poucos dias, uma menina de dois anos em Dryden, Virgínia, morreu no hospital após sofrer uma diarreia sanguinolenta relacionada a outro tipo de E. coli. Seu irmão também foi hospitalizado, mas sobreviveu. Todos os anos nos Estados Unidos, 325 mil pessoas são hospitalizadas por causa de doenças originadas de alimentos e 5 mil morrem, de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças. Isso mesmo: a comida mata uma pessoa a cada duas horas. Enquanto os ataques terroristas de 2011 nos levaram a modificar a forma como lidamos com a segurança nacional, a morte de quase duas vezes mais pessoas por ano ainda não gerou quaisquer iniciativas básicas para a segurança alimentar. Temos um sistema agrícola industrial que é um prodígio para produzir alimento barato, mas seus lobistas bloqueiam iniciativas para tornar a comida mais segura. Talvez o aspecto mais vergonhoso de nosso sistema agrícola – digo isso por ser um menino de fazenda em Oregon que já criou ovelhas, bois e porcos – é a forma com que os antibióticos são irresponsavelmente dados a animais saudáveis para que cresçam mais rápido. A Agência de Remédios e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) informou recentemente que 80% dos antibióticos nos Estados Unidos vão para os animais, não para pessoas. E 90% dos antibióticos animais são administrados na comida ou na água deles, geralmente para animais saudáveis a fim de evitar que fiquem doentes quando são confinados em condições

imundas e superlotadas. Só o Estado da Carolina do Norte usa mais antibióticos para animais do que os Estados Unidos inteiros usam para seres humanos. Essa utilização arbitrária de antibióticos de baixo nível cria um terreno perfeito para o surgimento de agentes patogênicos resistentes a antibióticos. O resultado é que as doenças podem se tornar bem mais difíceis de serem tratadas. A Sociedade de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, uma organização profissional de doutores, cita o caso de Josh Nahum, um instrutor de mergulho de 27 anos, do Colorado. Ele desenvolveu uma febre por causa de uma bactéria que não respondia à medicação. A infecção se espalhou e provocou uma pressão enorme em seu crânio. Parte de seu cérebro foi empurrada para a coluna vertebral, paralisando-o. Ele se tornou um tetraplégico dependente de ventilador para respirar. Uma semana depois, ele morreu.

Só a Carolina do Norte usa mais antibióticos para animais do que todo os EUA para seres humanos. O terreno é perfeito para gerar agentes patogênicos resistentes a antibióticos.

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ão há nenhum motivo para relacionar o caso de Nahum, especificamente, ao uso agrícola excessivo, pois a resistência a antibióticos tem causas múltiplas que são difíceis de desvendar. Os médicos os prescrevem em excesso. Os pacientes os usam mal. Porém, olhando para os números, de longe o maior elemento do uso exagerado é a agricultura. Nós nunca pensamos em manter nossas crianças saudáveis adicionado antibióticos à água dos bebedouros da escola porque sabemos que isso iria gerar bactérias resistentes a antibióticos. É chocante que as empresas de biotecnologia façam algo parecido com os animais. Louise Slaughter, a única microbióloga da Câmara dos Deputados dos EUA, tem lutado uma batalha solitária para restringir essa prática – mas os interesses da agroindústria sempre bloqueiam seus projetos. "Essas estatísticas revelam a

e uma das formas mais benignas, atualmente, está difundida em pocilgas e entre pessoas que lidam com porcos.

NICHOLAS D. KRISTOF história de uma indústria que está usando desenfreadamente mal os antibióticos, na tentativa de encobrir as abomináveis e insalubres condições de vida dos animais", declarou Slaughter. "Enquanto dão antibióticos aos animais para mantê-los saudáveis, estão deixando nossas famílias mais doentes, ao espalhar esses tipos de bactérias mortais". Os vegetarianos podem pensar que estão imunes, mas não estão. A E. coli se origina em animais,

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mas pode cair na água utilizada para irrigar os vegetais, contaminando-os. O surto europeu de E. coli aparentemente surgiu em uma plantação de brotos de feijão em uma fazenda orgânica na Alemanha. Um dos agentes patogênicos mais resistentes a antibióticos é o MRSA, que atualmente mata mais norte-americanos e aumenta bastante os custos médicos dos Estados Unidos. A MRSA tem muitas variantes

ste ano, um artigo num jornal chamado Applied and Environmental Microbiology informou que a MRSA foi encontrada em 70% dos porcos de uma fazenda. Outro jornal especializado divulgou que a MRSA foi encontrada em 45% dos empregados de fazendas de porcos. E os Centros para Controles de Doenças relataram, em abril último, que esse tipo de bactéria foi encontrado no funcionário de um centro de cuidados médicos diários em Iowa. Outros países estão se movendo para proibir a utilização de antibióticos em

animais. Mas nos Estados Unidos o lobby do agronegócio segura o Congresso. O surto europeu deveria abalar as pessoas. "Ele aponta para um sistema completamente quebrado", observa Robert Martin, do Pew Environment Group.

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recisamos de inspeções mais abrangentes no sistema de alimentos, mais testes para outros tipos de E. coli e mais educação (sempre lavar as mãos depois de tocar em carne crua, e não usar a tábua de cortar para carnes e verduras). Um grande ponto para começar as reformas seria proibir o uso de antibióticos para animais saudáveis. NICHOLAS D. KRISTOF É COLUNISTA DO NEW YORK TIMES

O VIRUNDUM DO POSTE O

virundum, sabemos, é a forma popular, agora privilegiada até nos vestibulares da UFRJ em contraposição à forma culta da lingua portuguesa, hoje em relativa desgraça oficialesca, que defende o lullês como a novilíngua, na reforma por enquanto informal da maneira como falamos e escrevemos a última flor do Lácio. O virundum, repito, é "ôvirundum Ipiranga/as marge prácida (...)" – você sabe o resto se, como eu, vê futebol pela tevê. A reforma "informal" não demora vira lei. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal é presidida por João Paulo Cunha, um dos Quarenta... Réus do processo do mensalão no STF, que pratica a novilíngua com perfeição. A Comissão de Educação tem como elemento de proa o Tiririca, 1.350.000 votos no Estado de Sumpólo, tido como o mais culto e adiantado "destepaíz", que não só a pratica mas ensina. O virundum foi escrito como homenagem à Independência do Brasil de Portugal, proclamada por D. Pedro I. É obrigatoriamente tocado e

cantado pelos jogadores em todos os jogos de futebol, não sei se também pelos professores e alunos das escolas públicas nas aulas. Muitos dos jogadores cantamno com a mão no coração, embora sem decorar a letra inteira que, reconheço, é muito comprida. bre parênteses para uma pequena explicação aos mais distraídos – e sou um deles. D.Pedro I era pai de D. Pedro II, portanto o mais velho dos dois. Mas a História do Brasil, plena de armadilhas, apresenta sempre o mais velho com a figura de mais moço, barba feita, bigodinhos finos aparados e costeletinhas à galã (que era mesmo). O mais moço é mostrado com figura avoenga de muito mais velho – duvido que alguém tenha visto sua cara de moço – com barbona, costeletonas e bigodões brancos, vá a gente entender. O moço é o velho e vice-versa. Fecha. Desde Pero Vaz de Caminha, com sua carta a El Rei – aquela que todo mundo conhece e que ao descrever as nossas terras dizia que são

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NEIL DUQUEESTRADA

FERREIRA "tão ricas e dadivosas, que em nelas se plantando, tudo dá"– até os e-mails endereçados pela internet aos poderosos de outra maneira inacessíveis, e às redações dos jornais que criaram seções de desabafo dos leitores, escrever cartas é um esporte nacional.

cumpanherada, que constantemente ameaçava calotes nas dívidas externa e interna, com quebras de contratos, rompimento com o FMI e desprivatizações, que chamavam num mantra insuportável de "piratizações" e "privataria".

as algumas cartas são mais cartas do que outras. Essa do Caminha é o exemplo primeirão de todos. Há outros. A "Carta aos Brasileiros", assinada por Lulla, antes da eleição de 2002, até parecia ter sido escrita por Malan, Meirelles e Fraga, da competente equipe econômica de FHC, que colocara o Brasil no rumo da prosperidade. A "Carta aos Brasileiros" era para "acalmar o mercado", temeroso do radicalismo da

"mercado", essa entidade de mil caras sem nenhuma cara, estava mandando o dólar às alturas de Quatro Reais cada um, e qual assustador Walter Mercado dos anúncios de rádio, comandava histérico a gritaria de "Compre djá !" e "Venda djá !" da Bolsa de Valores, que despencava. Na minha opinião, foi uma carta tão importante e histórica quanto a de Caminha. Lulla venceu as eleições e falou-se muito na

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continuidade de Meirelles e Fraga na equipe econômica do primeiro mandato de Lulla. Fraga recusou, Meirelles aceitou o Banco Central, onde ficou com Lulla nos seus dois mandatos, sempre alvo do "fogo amigo" do PT, mas prestigiado por Lulla, que nunca foi bobo nem nada. Meirelles ajudara a plantar durante o governo FHC, saberia colher melhor do que todos os Mercadantes do PT, somados. Soube. gora vem o que penso ser a carta mais importante dos nossos dias. É recente. Tentar avaliar sua importância histórica pode parecer atitude prematura e arriscada, ninguém pode avaliar o futuro num país em que dizem que "até o passado é imprevisível". É a carta assinada pelo Poste, em homenagem aos 80 anos de FHC (amanhã) e comemorados há uma semana num jantar de 400 talheres, na finíssima Sala São Paulo, com o non plus ultra da zelite brasileira. Não foi frango assado com polenta, cachaça e cerveja no ABC. Pesquei na carta que o Poste

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afirma que FHC é "acadêmico inovador", "político habilidoso", "presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica", "que acredita no diálogo como força motriz da política", "foi essencial para a consolidação da democracia brasileira” e luta por seus ideais "até os dias de hoje". Fechou com chave de ouro: "Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas justamente por isso, maior é a minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias." ara mim, é o virundum do Poste. Proclamou sua independência do Lulla, parece que se libertou do discurso mentiroso e injusto da "herança maldita". Esse ministério não dá esperança, não se livrou do lullopetismo. Porém, sua carta ao FHC pode ter sido um pequeno passo para a democracia, mas um grande passo para o postismo. Ok, finalmente concordo com o Poste.

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NEIL FERREIRA É PUBLICITÁRIO


DIà RIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 17 de junho de 2011

17 de Junho

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SĂŁo Ranieri de Pisa

                  

         

     

 



        

Solução

anieri nasceu em Pisa, na ItĂĄlia, no ano 1118. Era tocador de lira quando, aos 19 anos, se converteu ao Cristianismo e passou a viver como eremita atĂŠ ingressar no Mosteiro de SĂŁo Vito daquela cidade. Muito virtuoso, possuĂ­a o dom dos milagres, expulsava demĂ´nios e operava curas.



 

                  

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 17 de junho de 2011

5 SEM LIBERDADE José Rainha é preso pela quarta vez. O governo fica triste e a UDR festeja.

olítica

SEM DISFARCE Para Lula, Rainha é supercompanheiro. Para Rainha, Lula é superpresidente.

Geraldo Ataíde/Ag. A Tarde/AE

Cadeia para o desvio de Rainha Ex-líder do MST foi preso pela PF sob suspeita de desviar dinheiro do Incra

José Rainha Júnior é acusado pela Justiça Federal de liderar uma quadrilha que cometeu seis crimes, entre eles desviar recursos da reforma agrária para assentados em cidades paulistas. Ex-líder do MST foi preso em Presidente Prudente e transferido para São Paulo de avião.

Ricardo Stuckert/AFP - 22/06/2009

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m megaoperação batizada de Operação Desfalque, com a participação de 50 agentes, a Polícia Federal prendeu ontem, em várias cidades paulistas, nove acusados de desviar dinheiro destinado para a reforma agrária no Estado de São Paulo. Um dos presos é o líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, atualmente à frente da Federação dos Trabalhadores Acampados e Assentados de Teodoro Sampaio. Além de Rainha, foi confirmada a prisão do seu irmão, o advogado Roberto Rainha, e a detenção do superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Paulo, e de mais dois coordenadores do órgão. A operação era para cumprir ao todo 10 mandados de prisão temporária, sete mandados de condução coercitiva e 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Andradina, Araçatuba, Euclides da Cunha Paulista, Presidente Bernardes, Presidente Prudente, Presidente Epitácio, Sandovalina, São Paulo e Teodoro Sampaio. De acordo com o juiz da 5ª Vara da Justiça Federal, em Presidente Prudente, Joaquim Eurípedes Alves Filho, o grupo é acusado de ter cometido seis crimes – extorsão contra

O líder Rainha indicava as associações que receberiam dinheiro. O líder também cobrava cestas básicas. RONALDO DE GÓES CARRER

donos de terras invadidas, estelionato, peculato, apropriação indébita de recursos de assentados, formação de quadrilha e extração ilegal de madeira de áreas de preservação permanente (APPs). Por isso, determinou a prisão temporária de cinco dias, podendo ser prorrogada por mais cinco dias. O inquérito deverá ser concluído em 30 dias e estão previstas novas prisões. A investigação foi iniciada há cerca de dez meses com o acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF), depois de denúncias de assentados ligados às cooperativas e projetos agrários na região do Pontal do Paranapanema (SP), que estariam sendo explorados no suposto esquema de desvio de recursos públicos. As denúncias eram de que os assentados estavam sendo usados pelas cooperativas li-

gadas a José Rainha, principalmente na cidade de Teodoro Sampaio, que escolhiam quais empresas e quais insumos seriam adquiridos pelas famílias e estavam adulterando notas fiscais para desviar o dinheiro procedente do Incra. Rainha recebeu voz de prisão na casa onde estava hospedado, em Presidente Prudente. A dona da residência também foi presa, suspeita de usar um carro comprado com dinheiro público. "Ela colabora com a organização criminosa, é uma pessoa próxima do líder Rainha", disse Ronaldo de Góes Carrer, delegado titular da Polícia Federal em Presidente Prudente. Segundo o delegado, a organização pretendia desviar ao menos R$ 5 milhões para associações de assentados. "O líder Rainha indicava as associações que receberiam o dinheiro". Eles também vendiam madeira ilegalmente e distribuiam cestas básicas entregues pelo Incra, mas "o líder e seus comparsas cobravam as cestas dos assentados". Rainha foi transferido de avião para São Paulo. A dona da casa e três outras mulheres foram levadas para a Cadeia de Adamantina. Quatro acusados estão presos em Presidente Venceslau. Há um foragido e sete foram ouvidos e liberados. (Agências)

Governo lamenta decisão. E a UDR comemora Para o ministro Gilberto Carvalho, a prisão vai tumultuar a reforma agrária José Cruz/ABr -20/4/2011

Lula, quando era presidente, usava boné do MST e elogiava José Rainha: "Companheiro de muitos anos".

Para Lula, 'meu companheiro'. Para Rainha, 'meu presidente'. Durante o tempo em que passou no Planalto, Lula preferiu elogiar e ser elogiado

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m 2005, quando ainda estava na Presidência da República, em seu primeiro mandato, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a inauguração de um assentamento, em São Paulo, abraçou José Rainha – ele já tinha sido preso, acusado de formação de quadrilha e porte ilegal de armas. Depois, no palanque, Lula elogiou Rainha. "Eu quero dizer para o Zé Rainha que, muitas vezes, Zé, as pessoas têm... Eu já vi gente com medo de ficar perto do Zé Rainha, porque o Zé Rainha é perseguido, de vez em quando é preso. E eu quero dizer aqui,

como presidente da República, Zé, o seguinte: você não é um companheiro de primeira hora, você é um companheiro que eu conheço há muitos anos, há muitos e muitos anos. E eu sei que quando eu deixar de ser presidente, muitos que hoje são meus companheiros, não serão mais, mas você, certamente, continuará sendo meu companheiro". Dois anos depois, em abril de 2007, numa linha contrária ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha dizia que o presidente Lula, já em seu segundo mandato, não deveria ser tratado como

"inimigo" pelo MST. "A direita já faz o papel de atacá-lo". A defesa foi feita por ele após encontro, em Brasília, com então ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário. "Tenho orgulho do presidente Lula. Como militante do MST eu vou defender o presidente e o seu governo. Ele é nosso aliado e faz o melhor governo dos últimos 500 anos". Na época, Rainha respondia em liberdade, beneficiado por habeas corpus, a uma condenação de 10 anos de prisão em regime fechado por crimes que teria praticado durante invasão, em 2002. (Folhapress)

Uma carreira e quatro prisões

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prisão de José Rainha Júnior, em Presidente Prudente, sob acusação de desviar recursos destinados a assentamentos, é a quarta desde que ele iniciou na militância pela reforma agrária, ainda como integrante do MST. A primeira prisão ocorreu no fim dos anos 80, quando foi acusado de ter participação nas mortes de um fazendeiro e de um policial militar, em 1989, em Pedro Canário, no Espírito Santo, estado onde nasceu. Respondeu o processo em

liberdade e se mudou para São Paulo. Levado a júri, foi condenado a 26 anos de prisão, mas recorreu e foi absolvido no segundo julgamento. Já no Pontal do Paranapanema (SP) foi preso em flagrante, em abril de 2002, por porte ilegal de arma. Durante blitz policial, foi encontrada uma espingarda calibre 12 escondida sob o banco do carro. Depois de dois meses, conseguiu habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça. Rainha voltou para a cadeia em abril de 2005, depois de ser

condenado pela Justiça por furto qualificado durante invasão de uma fazenda. Ficou preso 4 meses e 15 dias em penitenciárias no Oeste Paulista. Numa delas, em Presidente Bernardes, foi colocado na mesma ala em que estavam Fernandinho Beira-Mar e Marcos William Camacho, líder do PCC. Rainha também tem várias condenações por crimes relacionados à sua militância. Em março deste ano, foi condenado a 4 anos e 1 mês por liderar ataque a uma fazenda paulista. (AE)

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ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, interlocutor no governo Dilma Rousseff com os movimentos sociais, ficou "muito triste" e "lamentou" a prisão de José Rainha Júnior, ontem pela Polícia Federal, acusado de desvio de dinheiro público destinado a programas de reforma agrária. Para o ministro, a prisão de Rainha "tumultua o processo da reforma agrária" e também "a relação com os movimentos sociais". Por isso, admitiu: "Estamos extremamente preocupados". Embora tenha reconhecido que a prisão ocorreu depois de dez meses de investigação, Carvalho foi cauteloso ao comentar o assunto. "Ele está sendo acusado de um crime, mas nós preferimos tentar entender o que está acontecendo de fato". De qualquer forma, para o ministro, "ainda é cedo para qualquer palavra que incrimine ou não", afirmou. Sobre a prisão do superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires da Silva, e de pelo menos dois coordenadores regionais do órgão, Carvalho foi direto. "As medidas

Carvalho: "triste" e "preocupado", evitou criticar Rainha.

que tivermos de tomar em relação ao Incra o faremos imediatamente, como o eventual afastamento das pessoas que estão envolvidas em algum desmando ou malfeito". Rainha foi expulso do MST em 2004 e, a partir daí, passou a ter uma atuação independente no Pontal do Paranapanema e fundou entidades que passaram a receber dinheiro do governo e que, agora, estão sob investigação. UDR acusa – O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse ontem,

ao comentar a prisão de Rainha, que o desvio de dinheiro da reforma agrária não é exceção, e sim a regra. "O exemplo do Ministério Público Federal em São Paulo deve ser seguido em outros estados", afirmou. "Se investigarem outros convênios, vão descobrir irregularidade". Rainha foi preso sob a acusação de desviar recursos repassados a entidades ligadas ao seu grupo. O ruralista classificou o repasse de verbas do governo para cooperativas ligadas a grupos de sem-terra como uma "farra com o dinheiro público". (AE)

Convênios do Incra sob suspeita

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Federação das Associações dos Assentados e Agricultores Familiares do Oeste Paulista (Faafop) e a Associação Amigos de Teodoro Sampaio, ligadas a José Rainha Júnior, preso ontem pela Polícia Federal, são investigadas também por desvio de recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Entre 2007 e 2009, as entidades receberam R$ 10 milhões por meio de convênio com o MDA para um programa de construção de moradias

nos assentamentos, mas o Ministério Público Federal (MPF) encontrou irregularidades na prestação de contas da primeira parcela, de R$ 3,5 milhões. Notas frias teriam sido usadas para justificar as despesas. Convênios do Incra/São Paulo com outras entidades ligadas aos sem-terra também estão sob investigação. A Procuradoria da República em Ourinhos (SP) abriu inquérito para apurar a venda irregular de 400 mil metros cúbicos de madeira do Horto de Iaras, ob-

jeto de convênio entre o Incra e a Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária na Região de Iaras (Copafi), do Movimento dos Sem-Terra (MST). Parte do dinheiro da madeira, que custou R$ 13 milhões ao erário, desapareceu. O MPF apura desvio semelhante no Horto Aimorés, em Pederneiras, região de Bauru. Um convênio do Incra com o Instituto de Orientação Comunitária e Assistência Rural (Inocar), com sede em Itaberá, também está sob investigação. (AE)


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Estamos cansados da enrolação do Incra com os trabalhadores rurais. Tito Moura, um dos coordenadores do MST

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Fotos: Evaristo SA/AFP

Armados e paus e foices, cerca de 1.500 integrantes do MST invadiram a rodovia Transamazônica na altura de Marabá (PA). Clima na reunião, tenso após assassinatos de líderes rurais nas últimas semanas, se agravou ainda mais, ontem.

MST não responde por MST de Base Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile diz que não se responsabiliza por ações do dissidente José Rainha Mário Tonocchi

Sem-terra bloqueiam Transamazônica Manifestantes interrompem estrada e cobram o assentamento de 8 mil famílias, entre outras exigências.

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trecho urbano da rodovia Transamazônica em Marabá, a sudeste do Pará, foi fechado durante toda a manhã de ontem por 1.500 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), que cobram o assentamento de oito mil famílias, assistência técnica nos lotes já existentes e emissão de licenças ambientais. Depois de negociação com uma juíza e uma promotora, e a presença da tropa de choque da Polícia Militar de Belém, os manifestantes liberaram a estrada no começo da tarde. Os procuradores da República em Marabá, Tiago Modesto Rabelo e André Casagrande Raupp, ingressaram com ação na Justiça Federal pedindo a desocupação das vias de acesso aos órgãos públicos na área onde fica a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), invadida e ocupada por cinco mil semterra desde a semana passada. Rabelo e Raupp também cobram a desobstrução de esta-

cionamentos públicos e calçadas para permitir o acesso da população aos prédios da Justiça Federal, INSS e outros órgãos com caminhos ocupados pelos sem-terra. O juiz federal Carlos Henrique Borlido Haddad ia despachar o pedido dos procuradores, mas preferiu aguardar a negociação da juíza da Vara Agrária, Cláudia Favacho Moura, e da promotora de justiça, Francisca Suênia de Sá, que estavam à frente da negociação com as lideranças do MST e da Fetagri. Mas o MST informou que não pretende sair do prédio do Incra até que a pauta de reivindicações seja negociada com autoridades de Brasília. A juíza confirmou para segundafeira, em Brasília, uma reunião de lideres do MST e da Fetagri com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Bandeira Florence. Os dirigentes das duas entidades exigem a presença do secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Grileiros – "Estamos cansados da enrolação do Incra com os trabalhadores rurais. Nin-

guém vai desocupar a sede em Marabá enquanto nossas reivindicações não forem atendidas pelo governo federal", prometeu Tito Moura, um dos coordenadores do MST. Para a direção do Incra, a pauta dos movimentos foi quase toda atendida. Não há razão para o prédio continuar ocupado. Segundo o superintendente do órgão em Marabá, Edson Luiz Bonetti, o orçamento triplicou para atender às reivindicações, principalmente com recursos para manutenção de estradas, assistência técnica e

serviços de topografia nos assentamentos. Moura rebate, afirmando que nada ficou decidido na reunião com o Incra porque os assentamentos que serão criados ainda estão na dependência de desapropriações, da desocupação de terras públicas e da retomada de lotes que estão em poder de grileiros. O líder do MST ameaçou "botar oito mil sem-terra" na sede do Incra se a reunião em Brasília com o ministro não contemplar a extensa pauta do movimento. (AE)

Evaristo SA/AFP

Há uma divisão clara entre os sem-terra, o que se evidenciou no começo de 2011, quancoordenador do do Rainha lançou o movimenM o v i m e n t o d o s to MST de Base. Entre os envolTrabalhadores Ru- vidos, disputam as atenções r a i s S e m Te r r a sem-terra o MST de Base e o (MST), João Pedro Stedile, dis- "oficial" ou "nacional", dirigise, via assessoria de imprensa, do por Stedile. Para avançar os campos de que não vai se pronunciar soatuação do bre as prisões Wilson Dias/ABr MST oficial, seno Pontal do gundo estudo Par anap aneda Universidama. de Estadual Segundo Paulista, o MST Stedile, Raide Base se aliou nha não faz a diversos moparte do Movimentos. vimento desEntre eles, de 2007, ao ser e s t ã o : M o v iexpulso por mento dos envolvimento A g r i c u l t o re s em denúncias S e m - Te r r a de desvio de (Mast); Moviverba de promento dos Trajetos de assenbalhadores tamentos para S e m Te r r a produção de Stédile: Rainha não integra o (MTST); Movibiodiesel. movimento desde 2007. m e n t o d e L iEm 2007, bertação dos R a i n h a p a ssou a comandar a Federação Sem Terra (MLST); Movimendos Trabalhadores Acampa- to Terra Brasil (MTB ) e União dos e Assentados de Teodoro dos Movimentos Sociais Pela Sampaio (Faafop). Até hoje, Terra (Uniterra). Segundo o esele continua se declarando tudo, o MST da Base está "termembro do MST e usa os sím- ritorializado" em assentamenbolos do Movimento nos as- tos no Pontal do Paranapanema, Araçatuba e Andradina. sentamentos da Faafop.

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Pastoral denuncia ameaças no Acre Rodovia é liberada com a chegada da tropa de choque da PM de Belém

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uas ameaças de morte foram feitas aos membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Acre este mês. Uma delas foi contra o trabalhador rural e agente da CPT, Cosmo Capistano, em 3 de junho. "Um homem me ligou e disse: ''Olha, avise aos seus amigos que já morreu gente no Pará, em Rondônia, e agora é no Amazonas e Acre e daí por diante'. Disse isso e desligou", relembrou ele. O agente trabalha na região de Boca do Acre, município ao sul do estado do Amazonas, mas confessa que preferiu buscar ajuda das autoridades do Acre pois, segundo ele, o poder do estado é ausente naquela região. "Isso é uma consequência do que vem aconte-

cendo pela não atuação do poder público na regularização de terra no sul do Amazonas. Creio que por isso a gente sofre essas ameaças. A primeira que recebi foi em 2009". Segundo a coordenadora da CPT do Acre, Darlene Braga, um homem ligou para a sede da Comissão Pastoral da Terra em Rio Branco e ameaçou o funcionário Célio Lima: "Avise aos seus amiguinhos Darlene e Cosmo que eles estão na lista". Essa foi a segunda ameaça. Temendo que a situação se agrave, os representantes da CPT denunciaram as ameaças no Ministério Público Federal do Acre. O procurador da República, Ricardo Gralha Massia, disse que instaurou procedimento administrativo. (AE)

Índios rompem relações com governo federal

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Publicidade - 11 3244-3643

ndignados com o que classificam como "descaso e a paralisia" do governo federal diante dos "graves problemas enfrentados por mais de 230 povos indígenas", entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI). A comissão é a principal responsável por organizar a atuação de vários órgãos federais que trabalham com os indígenas. Reúne representantes das organizações regionais indígenas, membros do governo e de organizações indigenistas. Em nota, a Apib afirma que o rompimento das relações com o governo federal deve durar até que a presidente Dilma Rousseff e seus ministros recebam os representantes do mo-

vimento. Além de definir uma agenda de trabalho, as organizações indígenas querem que o Palácio do Planalto assuma o compromisso de atender às reivindicações apresentadas pelo movimento durante o Acampamento Terra Livre, mobilização que ocorreu de 2 a 5 de maio último, em Brasília. Entre as principais demandas dos índios, estão maior atenção à saúde indígena, o fim da criminalização e da violência contra lideranças do movimento e agilidade no processo de demarcação de terras indígenas. A Apib também critica a construção grandes empreendimentos em reservas legais sem consulta prévia às populações. Como exemplos, a entidade cidade a Usina de Belo Monte e a transposição do Rio São Francisco. (ABr)


p Collor: sigilo eterno é 'questão de Estado'

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 17 de junho de 2011

7 Fui presidente há cerca de 20 anos e as informações sobre o meu governo estão disponíveis. Senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL)

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Dida Sampaio/AE

Senador nega que esteja defendendo seus próprios interesses e diz que tem apoio da presidente Dilma

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ex-presidente Fer- ao então ex-ministro Antonio nando Collor de Palocci e ao ministro Luiz SérMello (PTB-AL) gio, na época em que ele ocuquebrou o silêncio pava a Secretaria de Relações ontem para defender a manu- Institucionais. tenção do sigilo eterno de doO senador lembrou que Dilma foi uma das c u m e n t o s u lsubscritoras do trassecretos do governo brasiprojeto origileiro. Ao afirnal do governo mar que tem o Ela (Dilma) que veio que prevê prorrogação indefiapoio da presiao Congresso e nida para o sidente Dilma entregou o projeto gilo eterno. Rousseff em ao então presidente "Ela que veio sua posição, o da Câmara, Michel ao Congresso e senador disse entregou o proque a defesa da Temer. Esta é a manutenção do posição do governo. j e t o a o e n t ã o presidente da s i g i l o e m a lFERNANDO COLLOR DE MELLO C â m a r a , M ig u n s d o c uchel Temer. Esmentos oficiais não é uma "questão pessoal" ta é a posição do governo (o para preservar informações do projeto inicial). "Quando cheseu governo ou do ex-presi- gou à Câmara, esse projeto foi dente José Sarney (PMDB- de alguma maneira adensado AP), mas "questão de Estado". com uma série de maneiras Collor relatou conversa que que contém, segundo a minha manteve com Dilma este mês, avaliação, imperfeições que quando a presidente teria se necessitam ser corrigidas". "Fui presidente há cerca de mostrado "sensibilizada" e "disposta a encontrar a melhor 20 anos e as informações em resolução" para o impasse dos lação ao meu governo e ao godocumentos secretos. O mes- verno Sarney já estão disponímo relato Collor disse ter feito veis", disse. (Folhapress) Celso Junior/AE

Presidente abre mão de um tema delicado: crimes de tortura.

Dilma desiste de revisão para punir torturadores

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presidente Dilma Rousseff desistiu oficialmente da revisão da Lei da Anistia, que possibilitaria a punição de crimes cometidos por agentes da repressão durante o regime militar. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirmou em parecer que a questão foi encerrada em abril do ano passado, quando o STF decidiu pela não revisão da lei. Em nome da presidente, Adams recomendou ao tribunal que rejeite um recurso do Conselho Federal da OAB. A entidade cobra novo posicionamento do STF quanto à submissão ou não do Brasil à Corte Interamericana de Direitos Humanos. A corte considera que crimes cometidos por autoridades estatais são crimes contra a humanidade e, portanto, não poderiam ser anistiados por leis nacionais. Quando era ministra da Casa Civil, Dilma defendeu a revisão da Lei da Anistia ao dizer que os crimes cometidos por agentes de repressão durante a ditadura eram "imprescritíveis" e, portanto, poderiam ser julgados a qualquer tempo. Juntamente com os então

ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vanucchi (Direitos Humanos), ela representou dissidência dentro do governo e criticou duramente o parecer contrário à revisão feito pelo Advogado Geral da União, à época, o hoje ministro do STF, José Antônio Dias Toffoli. Durante a campanha, Dilma passou a se dizer contra a revisão porque não queria "revanchismos". Esperava-se, porém, que ao assumir a presidência, desse atenção ao assunto. Esta é a segunda vez, nesta semana, que Dilma recua em um tema antes caro. A primeira, foi não mais se empenhar para acabar com o sigilo eterno de papéis ultrassecretos. Em parecer encaminhado ao STF, a Advocacia-Geral da União defende que o País não cumpra a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos e mantenha o alcance da Lei de Anistia para crimes de tortura e assassinato ocorridos durante o governo militar. Para a AGU, o julgamento do STF sobre a Lei da Anistia foi claro e a lei deve ter aplicação bilateral – vale para as vítimas do regime, para militares e agentes de Estado. (Agências)

Collor: a presidente Dilma foi uma das subscritoras do projeto original do governo, lembrou o senador em seu discurso, ontem.

Guerra do Paraguai: registros banais Pesquisador sobre o assunto lembra que a aguardada abertura dos arquivos foi uma grande decepção Divulgação

Valdir Sanches

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s discussões sobre a necessidade de se manter ou não sigilo sobre documentos da Guerra do Paraguai (1864-1870) perderam o sentido em 1998. Nesse ano, os arquivos secretos sobre o conflito, que incendiavam a imaginação dos historiadores, foram abertos. "Foi uma decepção", diz o historiador Francisco Doratioto. Professor de pós-graduação da Universidade de Brasília, Francisco é especialista em relações Brasil-Rio da Prata, tema a que se dedica há vinte anos. Conhece "a fundo" o pessoal do Itamaraty e a documentação. "Todo mundo sabia que existia o arquivo secreto da Guerra do Paraguai, mas não podia pesquisar, era fechado. Ficávamos fazendo mil especulações. Se está proibido é porque algo está sendo escondido. Fizeram-se as elucubrações mais absurdas". Aberto, descobriu-se que continham originais de documentos já publicados, entre 1872 e 1878. Havia até um tratado sobre química, da Marinha de Guerra. "A única coisa nova eram umas 20 cartas do Solano Lopes (general que com a n d o u a s t r o p a s p a r aguaias), mas falavam de coisas secundárias, como questões de saúde, cólera no Exército,

Caso Battisti: primeira reação dos italianos

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vice-ministro de Infraestrutura e Transporte da Itália, Roberto Castelli, afirmou ontem que "o Brasil não terá nunca a minha assinatura". Referia-se a acordo no setor de transporte aéreo . Segundo ele, o gesto "é um pequeno, mas significativo exemplo de protesto contra um país que demonstrou não ter respeito pela Itália". Castelli explicou que já conversou com o ministro da pasta, Altero Matteoli, e com o chanceler italiano, Franco Frattini, sobre sua decisão. "Eles entenderam as minhas razões". Agora, cabe ao governo italiano e ao Ministério das Relações Exteriores decidir a validação do acordo aéreo. A postura do vice-ministro decorre da negação do Brasil de extraditar o ex-terrorista italiano Cesare Battisti. A decisão de negar a extradição foi tomada pelo ex-presidente Lula e validada na semana passada pelo STF – Supremo Tribunal Federal. (Folhapress)

nada de fundamental". Francisco diz não poder afirmar que não exista material sobre o conflito ainda não pesquisado. "Como em qualquer arquivo histórico do mundo, achar documentos significa o historiador garimpar". O do Itamaraty é muito bem organizado, mas possui milhões de documentos, entre eles os que foram trazidos de Portugal pela família real. Diz que pode haver um ou vários documentos ainda não pesquisados, porque se encontram sob uma rubrica pouco sugestiva, como transporte

A única coisa nova eram umas 20 cartas do Solano Lopez, mas falavam de coisas secundárias, como questões de saúde. FRANCISCO DORATIOTO marítimo. Vai-se olhar, achamse coisas sobre a Marinha de Guerra. "Agora, é altamente improvável que exista um arquivo secreto, preservado propositalmente para não ser pesquisado, sobre a Guerra do Paraguai", acredita. "A Guerra do Paraguai é uma questão que não se coloca mais no Itamaraty (Ministério das Relações Ex-

Ceticismo: como historiador, Doratioto defende acesso a documentos.

teriores). Eles mesmos me perguntaram, há alguns meses, se eles tinham algum documento nesse sentido, porque pesquisei muito no arquivo deles..." Se não havia nada especialmente importante, por que o arquivo era secreto? "Porque alguém disse que era para ficar assim, outro veio e foi repetindo, repetindo". A cr e – O historiador acha que pode ter acontecido a mesma coisa em outra questão: manter ou não em sigilo os arquivos sobre o Acre? "Que o Acre era reconhecido como boliviano, está em toda a bibliografia. O que existe nessa documentação provavelmente é o que a gente já sabe". O Brasil reconheceu a área onde hoje está o Acre como território boliviano, em 1867. Região de difícil acesso, acabou sendo ocupada por seringalistas brasileiros.

A Bolívia reagiu e seguiramse vários conflitos até que, em 1903, por um tratado conduzido pelo Barão do Rio Branco, o Brasil ficou com o Acre em troca de 2 milhões de libras esterlinas e a abertura da ferrovia Madeira-Mamoré. "Ao que se saiba, existem alguns documentos do Barão do Rio Branco que não estão abertos", diz Francisco. "Comentase que o arquivo do Barão tem documentos sobre fronteiras". Francisco acha que o presidente do Senado, José Sarney, que quer sigilo eterno para documentos ultrassecretos, esteja preocupado com isso. "Como historiador, quero todos os documentos abertos", diz. "O que podem conter de excepcional, isso é uma especulação minha, podem ser referências do Barão negativas a bolivianos, a peruanos, ou ao negociador (o Barão)".


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 17 de junho de 2011 Mario Tama/AFP

ELE NÃO AGUENTOU A PRESSÃO Após resistir por 20 dias, o deputado norte-americano Anthony Weiner renunciou ontem ao cargo. Ele admitiu ter enviado mensagens e fotos picantes a diversas mulheres pelo Twitter.

nternacional

'O REGIME LÍBIO ESTÁ MORTO'

Homem caminha perto do Parlamento líbio que, segundo autoridades, teria sido destruído pela Otan. Aliança diz que bombas devem continuar.

potencial concessão em dúvida ao dizer a repórteres: "Gostaria de corrigir (o que foi dito) dizendo que o líder da revolução não está preocupado com qualquer referendo." Ele acrescentou que não havia razão para o líder líbio renunciar, já que ele não tem nenhuma posição formal política ou administrativa desde 1977. As autoridades do regime de Kadafi disseram no passado que uma eleição eventual poderia ser parte do acordo para acabar com a crise, ao mesmo tempo em que ressaltavam que o país apoiaria Kadafi em qualquer votação. Desconfiança - Os rebeldes, que realizaram um levante quatro meses atrás, disseram que não confiam em um processo político organizado com Kadafi no poder. Nir Elias/Reuters

A liderança rebelde na base de Benghazi, no leste do país, rejeitou a oferta do filho de Kadafi dizendo que ele estava "desperdiçando o nosso tempo." "Saif al-Islam não está em posição para oferecer eleições. A Líbia terá eleições livres e democráticas, mas a família de

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Explosão de gás mata quatro em Israel

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ma explosão ocorrida ontem em Netanya, cidade costeira situada ao norte de Tel-Aviv, resultou na morte de pelo quatro pessoas e feriu mais de 50, informou a polícia israelense. A explosão ocorreu nas primeiras horas desta sexta-feira, pelo horário local. Mickey Rosenfeld, portavoz da polícia de Israel, confirmou ontem que "uma explosão ocorreu em um prédio de quatro andares em Netanya". A explosão teria ocorrido no terceiro andar, disseram moradores, acrescentando que a frente do edifício teria desabado. A polícia isolou a região, frequentada por turistas, enquanto equipes de resgate buscavam moradores do prédio entre os escombros. O comandante da Polícia Shimon Shomrani disse que o incidente não estava relacionado com terror. "Aparentemente, (a explosão) resultou de um vazamento de gás.

Acreditamos que o gás vazou a partir dos andares mais baixos, se espalhou para os andares mais altos, e, em seguida, a explosão ocorreu", disse o comandante ao jornal israelense Yedioth Ahronoth. "Nós retiramos todas as vítimas do edifício", acrescentou. Mas o porta-voz da Polícia foi mais cauteloso. Segundo Rosenfeld, a tragédia foi aparentemente causada pela explosão de um botijão de gás, mas o caso está sendo investigado "para que tenha certeza de que não foi um ato terrorista". Um homem suspeito foi detido depois que moradores o viram perto dos botijões poucas horas antes da explosão, informou o diário. A polícia também está à procura de outros dois suspeitos que teriam fugido do local. Um técnico que foi chamado por moradores para averiguar o cheiro de gás antes do acidente também será interrogado pela polícia. (Agências)

ne veio de animais abatidos em três países europeus e foi processada na França. A SEB disse ter solicitado o recall dos produtos. Embora o surto tenha ocorrido na esteira dos casos de E. coli ligados a brotos de feijão contaminados que mataram 38 pessoas na Alemanha e uma na Suécia, as autoridades de saúde disseram que os casos na França não têm ligação aparente com os da Alemanha. (Agências)

François Nascimbeni/AFP

Equipes de resgate buscam vítimas entre os escombros do prédio

Kadafi não terá nenhum papel neste processo", declarou Jalal el-Gallal, um porta-voz rebelde à Reuters. "Estas pessoas são criminosas com enorme desrespeito pela vida humana. Eles precisam retirar as tropas das nossas cidades, permitir que a aju-

Hambúrger, a nova fonte de E. coli? ete crianças foram hospitalizadas, em Lille, no norte da França, com infecção por Escherichia coli (E. coli), depois de comerem hambúrgueres de carne bovina que, de acordo com fabricantes, podem ter vindo da Alemanha. O grupo, cuja criança mais nova tem apenas 20 meses de idade, ingeriu hambúrgueres descongelados produzidos pela empresa francesa SEB. A companhia revelou que a car-

da humanitária chegue e eles vão enfrentar a Justiça pelos crimes que cometeram. Só aí é que podemos falar sobre eleições", enfatizou. Washington também rejeitou a oferta. "É um pouco tarde para qualquer proposta de Kadafi e seus assessores de uma mudança democrática", afirmou Victoria Nuland, portavoz do Departamento de Estado norte-americano. Diálogo - Outro indício de que Kadafi procura uma saída negociada da guerra civil é que, pela primeira vez, representantes do regime líbio teriam participado de uma negociação direta com os rebeldes. O encontro teria ocorrido em Paris e terminado na quarta-feira, segundo o diplomata Mikhail Margelov, enviado pelo governo russo para nego-

A recompensa pela captura de Zawahiri é de US$ 25 milhões

A Al-Qaeda apresenta seu novo líder

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Suspeita: linha de produção de hambúrgeres da SEB.

ciar a paz na Líbia. Ele disse ter sido informado da negociação pelo premiê líbio. "Recebi informações seguras hoje (ontem) de que contatos diretos entre Benghazi e Trípoli estão ocorrendo", disse Margelov após uma reunião com Al-Mahmoudi. Na Líbia, autoridades italianas estão promovendo um encontro de líderes tribais de todas as partes do país, com o objetivo de promover a reconciliação. Segundo o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, cerca de 300 pessoas vão participar da reunião, que segundo a agência de notícias Ansa, deve acontecer na semana que vem. Bombas - Na frente militar, os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, que realizam os ataques aéreos contra as forças de Kaddafi, confirmaram que não vão parar os bombardeios até que o líder líbio renuncie. O último ataque da Otan ao complexo de Kadafi provocou a quebra de janelas e fumaça no centro da capital Trípoli. Não ficou claro o que foi atacado e não há informações sobre vítimas. Funcionários do governo não falaram sobre o ataque. Os aviões da Otan têm atacado repetidamente a região do complexo em Bab al-Aziziya. Por sua vez, os rebeldes anunciaram que já são capazes de lançar ataques coordenados nas três frentes do conflito: Zlitan, Brega e montanhas Nafusa. Fu ga - O militar tunisiano Mokhtar Ben Nasr disse que o número de líbios que fugiram nos últimos dias aumentou. Segundo ele, 6.300 refugiados cruzaram a fronteira com a Tunísia no início desta semana. Dezenas de soldados líbios também desertaram e foram para a Tunísia de barco, informou a agência de notícias estatal na quarta-feira. (Agências)

Divulgação/AFP - 08/06/11

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m um sinal de que a pressão diplomática e os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) podem estar fazendo efeito, o regime líbio admitiu ontem, pela primeira vez, que o líder Muamar Kadafi, está disposto a realizar eleições e abandonar o poder se perder a disputa. A solução negociada, oferecida pelo filho de Kadafi, Saif al-Islam, foi prontamente rejeitada pelos rebeldes líbios e pelos Estados Unidos. Saif al-Islam reconheceu que "o regime do meu pai, como desenvolvido desde 1969, está morto" e propôs a realização de eleições democráticas – supervisionadas por órgãos internacionais – em três meses ou, no máximo, até o final deste ano. O filho de Kadafi disse que prevê um Estado federal, com autonomia local forte e um governo central fraco em Trípoli. "Eleições rapidamente e com supervisão internacional. Esse é o único modo indolor para acabar com o impasse na Líbia", disse o filho de Kadafi, em entrevista publicada ontem no jornal italiano Corriere della Sera. O governo líbio aceitaria como observadores internacionais representantes da ONU, da União Europeia, da União Africana e até da Otan. Saif al-Islam, que antes do conflito era cotado para substituir Kadafi, disse que o seu pai está disposto a deixar o poder se perder a eleição, ainda que ele não pretenda ir para o exílio. Ele acredita, porém, que uma derrota eleitoral do ditador é improvável. "A grande maioria dos líbios está com o meu pai e vê os rebeldes como fanáticos integralistas islâmicos". O primeiro-ministro líbio, Al-Baghdadi Ali al-Mahmoudi, apareceu momentos depois para, aparentemente, colocar a

Ahmed Jadallah/Reuters

Filho de Kadafi admite a necessidade de mudanças e faz oferta de eleições. Para os Estados Unidos e rebeldes, a proposta vem tarde demais.

rede Al-Qaeda tem um novo líder. O médico egípcio Ayman al-Zawahiri foi nomeado o sucessor de Osama bin Laden, segundo um comunicado divulgado ontem em um site utilizado por radicais islâmicos para divulgar mensagens. "A liderança geral do grupo Al-Qaeda, depois da conclusão das consultas, anuncia que o xeque Dr. Ayman Zawahri, que Deus lhe dê sucesso, assumiu a responsabilidade pelo comando do grupo", disse em um comunicado o website islâmico Ansar al-Mujahidin (Seguidores dos Guerreiros Sagrados). Bin Laden foi assassinado em uma operação de forças especiais norte-americanas em 2 de maio, na cidade paquistanesa de Abbottabad. O Departamento de Estado dos Estados Unidos desdenhou o anúncio ao declarar que pouco importa quem é o novo líder da Al-Qaeda. "Francamente, praticamen-

te não importa quem comanda a Al-Qaeda, porque a Al-Qaeda é uma ideologia falida", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, em seu briefing diário, sem comentar sobre a credibilidade das informações. "Se você olhar em volta no mundo, os movimentos pacíficos por mudança ao redor do mundo fizeram muito mais pelo povo muçulmano do que a Al- Qaeda jamais fez", acrescentou ela. Braço direito de Bin Laden e o cérebro por trás de boa parte da estratégia da Al-Qaeda, Zawahri prometeu este mês seguir adiante com a campanha da rede contra os Estados Unidos e seus aliados. O paradeiro de Zawahri é desconhecido, embora se acredite que ele esteja escondido entre o Afeganistão e o Paquistão. Os EUA estão oferecendo uma recompensa de US$ 25 milhões a quem der dados que conduzam à sua captura. (Agências)


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sexta-feira, 17 de junho de 2011

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9 Leandro Moraes/Luz

UM BOM MODELO A Prefeitura tem intensificado a fiscalização sobre o estado de conservação das calçadas. Uma delas, na rua Cardoso de Almeida (ao lado), foi reformada e ficou adequada às exigências da legislação. O piso está liso, bem cuidado e sem avarias perigosas aos pedestres.

idades

Paulistano vai eleger Conselho Urbano

Escolha será feita no próximo domingo e os conselheiros eleitos representarão as oito macrorregiões da cidade junto à Prefeitura. A ACSP vai concorrer às cadeiras.

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o próximo domingo, das 9h às 16h, acontece a eleição para a escolha dos novos integrantes do Conselho Municipal de Política Urbana (CMPU) para as oito macrorregiões de São Paulo. São elas: Leste 1 (Mooca, Penha e Tatuapé) e 2 (São Miguel), Norte 1 (Vila Maria e Norte) e 2 (Noroeste), Sul 1 (Sudeste, Jabaquara e Ipiranga) e 2 (Santo Amaro), Oeste (Lapa, Pinheiros e Butantã) e Centro. Serão escolhidos oito conselheiros e oito suplentes para um mandato de dois anos. Posteriormente, eles poderão ser reeleitos uma única vez. Os nomes dos candidatos serão afixados nos locais de votação. Segundo a Prefeitura, o futuro conselheiro poderá atuar diretamente no debate da política urbana da cidade, apreciando relatórios, o Plano Diretor Estratégico e os Planos Regionais, entre outros. Além disso, ele será responsável pelo acompanhamento e análise desses planos e também pela execução dos programas da Prefeitura na macrorregião para a qual foi eleito. A escolha dos conselheiros será pelo voto direto. Qualquer pessoa poderá votar em qual-

Alex Ribeiro/DC - 04/10/2006

quer um dos candidatos, desde que apresente o título de eleitor no dia da eleição. Só serão aceitos títulos recentes. A votação acontece nas oito subprefeituras onde os conselheiros exercerão seus cargos. São elas: Pinheiros, Jabaquara, M'Boi Mirim, Itaquera, Sé, Mooca, Casa Verde e Santana/Tucuruvi. ACSP - Este ano, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) terá candidatos em todas as macrorregiões da cidade, ligados a uma das 15 distritais da entidade. Atualmente, representantes da ACSP ocupam seis das oito c a d e i r a s c o m o t i t u l a re s e duas como suplentes. O vice-presidente da ACSP e coordenador da Comissão de Política Urbana (CPU) da mesma entidade, Antonio Carlos Pela, ressaltou a importância do conselho para a cidade. "A ACSP tomou a posição de ocupar as cadeiras do Conselho Municipal. Ele é importante, pois com ele podemos acompanhar as movimentações na cidade. Estaremos antenados com cada fato novo em cada uma das oito macrorregiões de São Paulo. Bem informados, teremos ferramentas para exigir e reagir", disse Pela. (I.V.)

Patrícia Cruz/Luz - 04/02/2011

A política urbana a ser adotada na cidade passará pelos conselheiros

Pela, da ACSP: "Bem informados, teremos as ferramentas para exigir"

Paulo Pampolin/Hype

Calçada ideal ainda confunde cidadão Prefeitura tem multado calçamentos irregulares. Munícipes se queixam de falta de informações. Leandro Moraes/Luz

Mariana Missiaggia

D Na Estação da Luz, plataformas de trens passarão por mudanças

Reforma na Luz muda plataformas de trens

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partir de amanhã, os trens das linhas 7-Rubi (Luz- Jundiaí) e 11-Coral (Luz-Estudantes) da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) terão as plataformas de chegada e partida alteradas na Estação da Luz (região central de São Paulo). A mudança ocorrerá em função da reforma na estação. A estação Júlio Prestes também será modificada e deve ficar fechada neste fim de semana entre 17h de sábado e meia-noite de domingo. A CPTM vai iniciar obras para possibilitar a diminuição do intervalo médio entre os trens na Linha 7-Rubi (Luz-Francisco Morato), que hoje é de sete minutos, nos horários de pico. Segundo a CPTM, a previsão é de que as intervenções na estação da Luz durem até agosto, no lado norte da estação, sentido Palmeiras-Barra Funda, interditando duas das quatro vias existentes no local. Os aparelhos de mudança de via, conhecidos como AMV, trilhos, dormentes e britas, serão substituídos, além de serviço de terraplenagem. Posteriormente, de acordo com a empresa, as intervenções deverão ocorrer no lado sul, em direção ao Brás. A Estação da Luz atende a três linhas simultaneamente: 7-Rubi (Luz-Jundiaí), 10-Turquesa (Luz-Rio Grande da Serra) e 11-Coral (Luz-Estudantes), além da integração com a Linha 1-Azul, do Metrô. Cerca de 400 mil usuários circulam na estação em dias úteis, segundo a companhia. A empresa também informou, por meio de nota, que as

obras de infraestrutura que estão sendo realizadas nas seis linhas da CPTM permitirão que "os 105 novos trens que já estão sendo incorporados à frota tenham um melhor desempenho, resultando na redução do intervalo e no aumento da oferta de lugares". Para orientar os usuários sobre as mudanças temporárias, a CPTM diz que fará campanha informativa com panfletos, cartazes, painéis e totens nas estações das linhas 7-Rubi, 10Turquesa e 11-Coral. Ainda serão emitidos avisos sonoros nos trens e estações, e empregados estarão nos acessos e nas plataformas da Estação Luz para auxiliar o público. Investimentos – Pelo terceiro dia consecutivo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) reuniu prefeitos da Grande São Paulo e anunciou investimentos, a maioria em transportes. Na terça-feira, em Santo André, ele anunciou, entre outros, a chegada do metrô à região e uma nova linha de trem, o Expresso do ABC. Anteontem, em Itapevi, deu início às obras dos primeiros 5 km do corredor metropolitano de ônibus Itapevi-Butantã – serão 30,4 km. Ontem, disse que estuda levar o metrô até Guarulhos, mesma cidade para onde já havia prometido uma linha de trem. "Guarulhos não tem transporte sobre trilhos. Nem trem nem metrô. Estudamos o metrô e vamos fazer rápido o trem." Ainda prometeu duplicar a rodovia Mogi-Dutra no trecho que faz a ligação entre as rodovias Ayrton Senna e Dutra. (Folhapress)

esde o início do ano a Prefeitura intensifica a fiscalização no estado de conservação das calçadas e, evidentemente, distribuindo multas, pois se existe algo que a população ignora – por falta de divulgação eficiente – é o modelo adequado de passeio que a legislação determina. As informações se encontram no portal da Prefeitura, mas os munícipes em dívida não podem ser acusados de negligentes, uma vez que os computadores e a internet ainda não estão popularizados como a televisão. Além disso, o vocabulário técnico não ajuda a compreender o assunto. Portanto, é difícil buscar uma solução, a menos que o pagador de IPTU tenha tempo e disposição para ir até a sua subprefeitura ou tenha a sorte de esbarrar eventualmente com uma campanha esporádica a respeito da questão. Dona Berta Trajtengertz, 74 anos, residente na rua Cardoso de Almeida, em Perdizes, foi uma "vítima" da consulta ao site da Prefeitura. "O texto que encontrei era indecifrável", ela conta. "Ainda bem que meu filho é engenheiro." Berta havia recebido uma notificação para tapar um buraco na sua calçada, uma ameaça de multa e nenhuma orientação de como proceder. Gastou mil reais. Por ironia, o buraco advinha de uma árvore que a própria Prefeitura removeu e jamais se preocupou em tapar, apesar das várias petições enviadas por dona Berta Trajtengertz às autoridades municipais. Recomendações – Se tivesse a felicidade de se encontrar com Miriana Pereira Márquez, dona Berta poderia esclarecer todas as dúvidas. Na condição de supervisora técnica de planejamento urbano da subprefeitura Butantã, Miriana domina perfeitamente o assunto. Pena que não possa falar com todos os munícipes. São recomendações simples e fáceis de serem postas em prática. "Toda calçada deve ter uma largura mínima de 1,90 m e, a

Berta Trajtengertz: crítica à falta de clareza do site da Prefeitura sobre a conservação de calçadas em SP Newton Santos/Hype - 26/01/2011

Calçada da rua 13 de Maio, no Bixiga: obras de acordo com a lei

partir dessa medida, ela deve ser dividida em duas partes", informa. Confirmada a medida exigida, Miriana explica que a primeira faixa , com 70 cm de largura, é aquela que fica mais próxima à rua, com a função de abrigar o chamado mobiliário urbano: postes de iluminação, placas, lixeiras e árvores, advertindo que o plantio de árvore ou sua autorização é atribuição exclusiva da subprefeitura lo-

cal. O restante, 1,20 m, é destinado à passagem livre. Esta faixa deve ter superfície contínua e firme, sem emendas, fissuras ou qualquer obstáculo que dificulte a circulação confortável dos pedestres e cadeirantes. Já o piso precisa ser antiderrapante. É permitido o uso de três materiais: placas de concreto pré-moldado, blocos de concreto intertravados ou ladrilhos hidráulicos. Qualquer

pedreiro ou calceteiro saberá sem dúvida providenciá-los. Caso a calçada ultrapasse 1,90 m, o munícipe poderá criar uma terceira faixa contígua à fachada da casa para fazer jardim ou fixar placas particulares e mesas, em se tratando de estabelecimentos comerciais. Por fim, Miriana lembra que a legislação situa o rebaixamento de calçada para o acesso à garagem junto à guia, sem invadir a área de passagem livre. Centro – Amauri Pastorello, assistente técnico da Secretaria de Coordenação de Subprefeituras, estima que a Capital tenha 30 mil km de calçadas e 90% do fluxo de circulação ocorre no Centro expandido. Por isso, ele defende prioritariamente a regularização das calçadas nessa área da cidade. Pastorello adianta que as avenidas Celso Garcia, Faria Lima e o entorno do Parque Anhembi, no que toca à Prefeitura, passarão por reformas nas guias e sarjetas, paralelamente ao recapeamento das vias. É a parte que cabe à Prefeitura para atender às reclamações recorrentes. Pastorello também esclarece que os munícipes notificados por alguma irregularidade têm 30 dias para consertar suas calçadas. Se esse prazo não for observado, serão multados na base de R$ 96,33 a R$ 196, 66 por metro linear.


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Donos de imóveis que quiserem empreender terão um ano e meio para elaborar seus projetos e dois anos e meio para fazer as obras.

idades

GRIPE SUÍNA Ministério da Saúde recomenda mais uso do Oseltamivir contra o vírus da gripe H1N1.

MACONHA A PM não usará a Tropa de Choque contra a Marcha da Maconha, a ocorrer amanhã, em SP.

Ó RBITA

Proprietários serão parceiros na Nova Luz O

Donos de imóveis poderão se associar e sugerir projetos para a recuperação da região da Cracolândia

Gaizka Iroz/AFP

Luiz Prado/Luz - 10/05/05

VOO 447: NAVIO LEVA CORPOS À FRANÇA

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navio que realizou a última operação de busca dos restos mortais das vítimas do acidente com o voo 447 da Air France chegou ontem ao porto de Bayonne, no sudoeste da França. O navio encerrou as operações no dia 3 passado. O "Ile de Sein" atracou no começo da manhã trazendo peças da aeronave e os corpos de 104 vítimas. No total, morreram no acidente as 228 pessoas a bordo do

avião. Autoridades francesas reservaram um píer afastado das áreas mais movimentadas do porto para evitar a presença de curiosos durante os trabalhos de descarga, informou a emissora de rádio "France Info". O processo de identificação dos corpos deverá começar ainda esta semana e poderá levar meses, segundo autoridades da França. (Folhapress)

HABEAS CORPUS

JÚRI POPULAR

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Tribunal de Justiça do Rio concedeu, ontem à tarde, habeas corpus ao exjogador Edmundo, preso na noite de anteontem, em São Paulo. A informação é do advogado do ex-jogador, Arthur Lavigne, que fez o pedido na manhã de ontem. O habeas corpus foi julgado pela desembargadora da 6ª Câmara Criminal Rosita Maria de Oliveira Netto. Lavigne alega que a pena de Edmundo prescreveu. Foi condenado em 1999 a quatro anos e seis meses de prisão por um acidente de carro ocorrido em 1995, no Rio, que deixou três mortos. A condenação do ex-jogador foi por triplo homicídio culposo. (Folhapress)

O

Tribunal de Justiça do Paraná divulgou ontem que manteve a decisão de levar o ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, 29, a júri popular sob acusação de duplo homicídio. A defesa afirma que vai recorrer. A decisão saiu após julgamento de um recurso da defesa de Carli, que discordava da sentença de janeiro. O ex-deputado é acusado pela morte dos jovens Gilmar Yared, 26, e Carlos Murilo de Almeida, 20, em um acidente de trânsito ocorrido em maio de 2009. Segundo exame de dosagem alcoólica feito na época, Carli Filho estava embriagado. (Folhapress)

prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou na manhã de ontem que os proprietários de imóveis localizados no perímetro do projeto Nova Luz poderão fazer parte das obras de transformação da região da Cracolândia, uma das áreas mais degradadas do centro da cidade. Para isso, terão que se associar e apresentar projetos. A supervisão desses projetos e de sua execução ficará a cargo de uma concessionária, a ser escolhida por licitação. A empresa tem de garantir que as obras sigam as diretrizes estabelecidas pela Prefeitura. Antes, a concessionária ganhava do município o direito de fazer as desapropriações necessárias para promover a modificação urbana, caso não fosse possível chegar a um consenso com os proprietários sobre a compra dos imóveis. Um modelo proposto para evitar desapropriações foi a de um consórcio imobiliário, pelo qual os proprietários receberiam apartamentos ou escritórios nos prédios construídos. Agora, os proprietários ganharam a prioridade na apresentação de propostas. Os projetos também poderão ser feitos em parceria com a concessionária, que pode entrar com até 30% de participação. Os donos de imóveis que quiserem empreender terão um ano e meio para elaborar seus projetos, e dois anos e meio para fazer as obras. Se não houver interesse dos proprietários e a área tiver transformações previstas no projeto, o responsável pela

A região da Cracolândia, no centro da cidade: proprietários de imóveis poderão apresentar projetos Pablo de Sousa/Luz - 26/04/2009

execução delas continua sendo a concessionária, que pode então fazer as desapropriações que julgar necessárias. Transformação - A transformação da região da Cracolândia na Nova Luz deverá levar cerca de 15 anos. Cerca de 30% da área, onde hoje há consumo de drogas à luz do dia, será desapropriada e demolida. A região terá prédios novos que irão conviver com imóveis históricos, muitos deles tombados, que serão restaurados e terão um novo uso. Os dados constam de um relatório elaborado pelo consórcio Nova Luz, contratado pela Prefeitura de São Paulo para elaborar um plano urbanístico de revitalização da região mais degradada da área central de São Paulo. (Folhapress e Agências)

O consumo aberto de drogas nas ruas da Cracolândia ainda é um dos grandes problemas da região

Devanir Amâncio/Divulgação

INFÂNCIA EM PROTESTO

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ais do que as palavras de ordem e o barulho tradicional, chamava a atenção na passeata dos sem-teto que percorreu o Centro Histórico de São Paulo na última segunda-feira a presença de crianças mobilizadas para a manifestação. Divulgação

GOVERNADOR POR UM DIA

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a segunda-feira passada, o economista Guilherme Afif Domingos (PSD), 67 anos, fez sua estreia como governador do Estado de São Paulo. Substituía Geraldo Alckmin, que estendeu o fim de semana na Cidade do México, onde foi conhecer os gêmeos recém-nascidos do filho Geraldinho, casado com uma mexicana, que lá reside. A circunstância coincidiu com uma audiência a Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e Luiz Roberto Gonçalves, vice-presidente da ACSP. O encontro se transformou em uma celebração à instituição, pois Afif também a presidiu – por dois mandatos. Entre os temas tratados figurou o estímulo à livre iniciativa, às pequenas empresas e ao empreendedorismo – que se coloca entre os principais valores defendidos pela entidade.

Guilherme Afif Domingos, Rogério Amato e Luiz Roberto Gonçalves

mão. Os sapatos profissionais também têm pesos diferenciados e devem se ajustar perfeitamente aos pés. Os profissionais preferem sapatear sem meias para sentir mais os pés e tentar fazer dos sapatos uma extensão do corpo.

Christiane Matello - Para mim, é. Minha mãe diz que eu sapateio desde os dois anos. Outro dia, ela me chamou a atenção porque eu estava sapateando na fila do supermercado.

Metrópole - No Sapateia São Paulo vocês vão sapatear no cimento do Ibirapuera. Qual é o piso ideal para o sapateio? Christiane - De madeira. E não encerado, para o dançarino não escorregar.

Metrópole - Qual é o segredo de sapatear? Como vocês conseguem aquele ritmo agradável? Christiane - Os sapatos, de couro, têm uma placa de alumínio na frente e atrás. No caso de profissionais, elas são especiais, parafusadas à

Metrópole - Mas o que tem de tão bom em sapatear? Christiane - É alegria, é jogar a autoestima lá em cima. (Christiane Matello, 39 anos, moradora no Jardim Marajoara).

Metrópole - A expressão Era Antropocena está provocando animado debate na comunidade científica. O que é isso?

Márcia Marques

Metrópole - Você está promovendo amanhã a sétima edição do Sapateia São Paulo(*), é sapateadora profissional há mais de 20 anos, está sapateando no musical "New York, New York". Sapatear é viver?

OLHA O HOMEM NA FITA! lhões de anoS), que é a dos dinossauros. Finalmente temos a cenozóica (65 milhões a 500 mil anos) na qual surgiram os mamíferos, os insetos e as plantas com flores. O planeta está em permanente mudança.

Paulo Boggiani - É o nome dado a uma nova era geológica que estaria se iniciando. Ela discute a presença do homem como agente geológicoa e as suas consequências. O aquecimento global faria parte dessa inter venção.

Metrópole - Como se constata o surgimento de uma era? Boggiani - O critério é a extinção de espécies e o aparecimento de novas, no qual nos incluímos.

Metrópole - E como será? Boggiani - Quem poderá prever? Uma era pode durar milhões de anos. Temos a era paleozóica, que ocorreu entre 540 e 245 milhões de anos. É marcada pela existência da vida marinha. Depois, a mesozóica (251 a 165 mi-

Metrópole - O homem poderá ser extinto? B oggiani - Esta possibilidade existe e é bom que tenhamos consciência disso. (Paulo Boggiani, 49 anos, geólogo, professor da USP, morador no Butantã)

Leandro Moraes/LUZ

VIVER SOBRE OS SAPATOS


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sexta-feira, 17 de junho de 2011

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urismo

Muralhas (à esq.) envolvem o velho centro da Cidade Vermelha. Visita inclui Palácio Bahia e Medersa Ben Youssef (fotos abaixo).

Uma das antigas cidades imperiais do Marrocos, une glamour e tradição e cresce em oferta hoteleira de luxo

Antonella Salem

Fotos: Antonella Salem

UMA NOVA MARRAKESH

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empre quis conhecer o Marrocos. Envolto pelas areias e mistérios do Saara, o país do noroeste da África lidera a lista de destinos imperdíveis no mundo e, acredite, superou as minhas expectativas. Por cinco noites, vivi como numa fábula das Mil e Uma Noites, encantada com a hospitalidade, o luxo, os aromas, as tradições e modernidades que envolvem o reino. "Marhaba", disse a moça à minha espera, com o cartaz com o nome do meu hotel praticamente na pista do aeroporto de Marrakesh. Ela me dava as boas-vindas e já me conduzia a uma sala vip para cuidar da imigração e das malas. Hóspedes de dois ou três dos hotéis mais estrelados da cidade têm esse serviço especial, que evita filas e estende o tapete vermelho ao visitante. Um chá bem doce com biscoitinhos árabes dava início a uma estada dos sonhos. Entre o deserto e o litoral atlântico, Marrakesh é uma das cidades imperiais, cujo passado ficou marcado pela colonização árabe islâmica, a ocupação das tribos bérberes (povo nômade) e dos franceses. A Cidade Vermelha exibe sua coloração terracota já à primeira vista, nas muralhas da Medina, o centro antigo, e parte desse velho muro forma os domínios do Royal Mansour, o mais novo hotel marroquino. O hotel – Na entrada, um portão majestoso sinaliza o trabalho minucioso de artesãos. Propriedade do rei, como quase tudo hoje no Marrocos, o Royal Mansour é como uma cidadela dentro da cidade: recria a Medina em 3,5 hectares de vielas, praças, jardins e riads – as típicas casas compostas por pátios internos circundados pelos cômodos. Ao todo, o hotel abriga 53, de um a quatro quartos. Na decoração, muitas sedas e brocados, lustres Baccarat, mobília feita à mão e antiguidades. Sem falar na combinação das tradicionais técnicas arquitetônicas nos interiores, com gesso trabalhado, zellige (pastilhas de cerâmica geométrica) e madeira esculpida. Hóspedes famosos que já estiveram lá? Carlos Slim, Jacques Chirac, Susan Sarandon e Francis Ford Coppola, e a família real é presença frequente. Entre os muitos luxos, os restaurantes são supervisionados pelo parisiense Yannick Alléno, três estrelas M ichelin, e o spa oferece hammam (banho turco) e tratamentos com produtos à base de essências nacionais, como flor de laranjeira. Revolução – A fragrância paira no ar pelas ruas de Marrakesh, que cresce a olhos nus em oferta hoteleira de luxo. Nos próximos dois a três anos estão previstos hotéis das marcas internacionais Four Seasons, Fairmont, Oberoi, Park Hyatt, Baglioni e Raffles – os primeiros dois abrem este ano. Prefira um tour de charrete, passando pela Mesquita Koutoubia, uma torre com 77 metros de altura, e visitando o

Praça Djemâa el Fna (acima) exibe as cores e o exotismo do reino. No mercado (à esq.) e pelas ruelas da Medina (abaixo), muitos costumes à mostra. Passeios de camelo? Nos arredores (acima, à esq.) de Marrakesh.

RAIO X COMO CHEGAR A partir de São Paulo, a melhor rota é pela Europa. Na TAM (www.tam.com.br) ida-e-volta para Madri a partir de R$ 1.506,14 por trecho, em julho. A conexão (uma hora e meia de voo) é feita com a Royal Air Maroc (www.royalairmaroc. com/) – será preciso ficar uma noite em Madri – ou a low fare Ryan Air (www.ryanair.com) – conexão direta. ONDE DORMIR A oferta é farta, entre hotéis da rede Accor (www.accorhotels.com), o Four Seasons (www.fourseasons.com), que abre este ano. Royal Mansour: Rue Abou Abbas El Sebti, Marrakech, Marrocos, tel. (212-0-529) 80-8080, www.royalmansour.com/. Diárias a partir de 1.700 euros por riad. ONDE COMER Dar Yacout: 79, derb Sidi Ahmed Soussi/Bab Doukkala, www.yacout.net/. Um dos imperdíveis de cozinha típica. Menu fixo. Terrace des Épices: 15 souk Cherifia, Sidi Abelaziz, www.terrassedesepices.com. Para almoço, em um terraço com vista para a Medina. Cozinha marroquina moderna. Palais Soleiman: Boulevard du II Janvier, Kaâ Machraâ, www.palaissoleiman.com. Outro restaurante tradicional para jantar. Café de la Poste: Guéliz, www.grandcafedelaposte.com. Na parte moderna, estilo brasserie francesa. FAÇA AS MALAS Visto: não é necessário para turistas brasileiros no Marrocos. Fuso: três horas a mais em relação a Brasília. Moeda: dirham marroquino. 1 euro vale 11,3 MAD. Idioma: árabe e francês. Melhor época: de março a maio (primavera), e de setembro a novembro. No verão (julho a agosto) é muito quente. Operadora local: passeios e guias com a Abercrombie & Kent, www.akdmc.com. Noite: Palais Jad Mahal, www.jad-mahal.com. Fotos: Divulgação

Contraste: ruas modernas no bairro de Guéliz (acima) e casa bérbere (à esq.), nas montanhas. Palácio Bahia, um exemplo da arquitetura oriental do século XIX, e a Medersa Ben Youssef, a maior escola corânica do Magreb, de 1570. "Jean-Paul Gaultier e Simon Xavier Guerand Hermès têm em Marrakesh sua segunda casa", comenta o guia. Como eles, nos anos 60 e 70, muitos franceses, hippies e artistas, caíram de amores pela cidade. Em 1980, Yves Saint Laurent comprou o Jardin Majorelle com Pierre Berger e lá montaram uma residência. Antiga propriedade do pintor francês Jacques Majorelle, o lugar guarda as cinzas de Saint Laurent e abriga abriga um museu de arte islâmica. O jardim é mais um ponto de visita obrigatória, assim como a Praça Djemâa el Fna. É lá que estão à mostra as cores e o exotismo marroquinos, com os engolidores de fogo, encantadores de serpente e muitas barraquinhas de frutas secas e suco de laranja. Prove um copo, eles fazem na hora, na sua frente. A

Jardin Majorelle (acima) é propriedade de Pierre Berger e Yves Saint Laurent, aberta a visitantes. Discotecas (à esq.) animam as noites. poucos passos da praça, o souk (mercado) permite perder-se entre vielas. Um guia é indispensável, pois só ele poderá mostra-lhe as ruas do couro, dos metais, e as lojinhas especiais que surgem como passe de mágica. Barganhar, só nas barracas. Entre oliveiras – Será difícil deixar a Medina, mas Marrakesh tem a cidade nova. No bairro de Guéliz, há lojas bacanas, vendendo desde mocassins feitos à mão até tunicas, e internacionais, como Zara, e um shopping de luxo a caminho – outro sinal da transformação. À noite, hora de provar o tajine (ensopado de frango ou cordeiro), feito em panela especial de barro, acompanhado de vinho marroquino (sim, peça o vinho nacional), num ritual gastronômico que inclui mezze (a variedade de entradas) e cuscuz com verduras em um dos restaurantes tradicionais, ao som de músicas bérbere e árabe ao vivo. Depois, há um outro mundo a descobrir: o das discotecas, com dança do ventre à certa altura da madrugada. O Marrocos é mesmo um país de contrastes. Saindo da cidade, por caminhos bordados de oliveiras, pés de laranja e palmeiras, um passeio de um dia inteiro leva às montanhas do Atlas, de até 4 mil metros de altura, onde muitos turistas pra-

Royal Mansour (à esq. e abaixo), o mais novo hotel da cidade, recria a Medina, com vielas, praças e luxuosos riads – as típicas casas marroquinas.

ticam trekking. Pare para dar uma volta de camelo. Afinal, é um programa emblemático. Pelas estradas tortuosas, será fácil lembrar do filme Babel, com Brad Pitt e Cate Blanchett, encenado na região montanhosa. No povoado de Asni, um gostinho daquela vida simples. Só ocre e a simpatia de uma família bérbere que nos recebe em sua casa para um chá com panquecas marroquinas, onde o tempo parou. Viagem a convite do Royal Mansour e da TAM


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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Logo Logo

Uma prateleira que cresce na mesma proporção que sua biblioteca. Assim é a Book Wrap. Feita em metal, a prateleira garante a tensão para manter os livros seguros.

www.dcomercio.com.br

17

JUNHO

12 -.LOGO

Dia Mundial de Combate à Desertificação

http://bit.ly/k8E3y8

P ERU E SPAÇO

A RQUEOLOGIA

Paolo Aguilar/EFE

Mercúrio, agora um mistério

Fotos: Stoyan Nenov/Reuters

Cristo polêmico

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Nasa/Reuters

Imagens da superfície de Mercúrio, registradas pela Nasa em maio e divulgadas ontem, indicam a presença de depósitos ricos em enxofre no planeta. Segundo os cientistas, isso indicaria que Mercúrio tem origem muito diferente da de outros planetas, inclusive a Terra. Os astrônomos buscam agora descobrir essa origem.

litoral de Lima amanheceu ontem com uma novidade na paisagem: a estátua do Cristo do Pacífico, iniciativa do presidente Alan García que provocou críticas e chacotas na imprensa, entre arquitetos, e na própria Prefeitura de Lima. Embora a inauguração da estátua de 37 metros de altura, inspirada no Cristo do Redentor, esteja prevista somente para o dia 29 de junho, os trabalhos de instalação já foram quase concluídos. A estátua, que segundo García será "uma figura que abençoará o Peru e protegerá Lima", foi rejeitada pela prefeita da capital peruana, Susana Villarán. Um dos principais motivos da rejeição de muitos cidadãos é que a estátua tenha sido uma decisão unilateral de García, que está no fim de seu mandato. Embora muitas das críticas também estejam ligadas ao suposto "mal gosto" da estátua, os opositores mais sérios questionam o financiamento do projeto. O próprio García doou US$ 32 mil para as obras, mas o orçamento para a Uli Deck/AFP

VERTICAL Obra "Car Building" (1960/2011), do designer e arquiteto australiano Hans Hollein. A escultura integra a exposição 'Car Culture, Media of Mobility', que acontecem em Karlsruhe, no sul da Alemanha. A exposição é dedicada a representar e discutir o movimento dos corpos, das máquinas e, claro, dos carros.

Uma grande colisão cósmica A colisão entre uma estrela e um enorme buraco negro provocou uma das maiores explosões espaciais jamais registradas, cujo brilho viajou por 3,8 milhões de anos luz até chegar à Terra, segundo estudo publicado nesta ontem pela revista Science. Segundo os cientistas, cerca de 10% da massa dessa estrela se transformou em energia irradiada, Efe

como raios-X e gama, que podiam ser vistos na Terra, uma vez que o feixe de luz apontava para a Via Láctea. Ao repassar o histórico de explosões na Constelação de Draco, onde foi observado o fenômeno, os cientistas determinaram que o acontecimento foi "excepcional", já que não encontraram indícios de outras emissões de raios-X ou gama. O estudo estima que as emissões de raios gama, que começaram entre os dias 24 e 25 de março em uma galáxia não identificada a cerca de 3,8 milhões de anos luz, vão se dissipar ao longo do ano.

F UTEBOL Celso Pupo/Fotoarena/Folhapress

A TÉ LOGO

Canadá devolve tesouro búlgaro Arqueólogos e historiadores do Museu de História Nacional da Bulgária apresentaram ontem um conjunto de moedas - uma delas com a imagem de Alexandre, o Grande - e outros artefatos antigos que fazem parte de um lote de 21 mil itens contrabandeados para o Canadá. As peças também teriam sido escavadas ilegalmente por caçadores de tesouros. O Canadá devolveu as antiguidades ao governo búlgaro. As peças são, em sua maioria, peças de ouro, moedas, prataria, joias, amuletos e selos, entre outros. I NTERNET

Facebook, bom para a política Pesquisa do Pew Research Center sobre seu uso de redes como Facebook, MySpace, LinkedIn e Twitter mostra que o Facebook é bom para a política. A pesquisa, feita com 2.255 adultos nos EUA, mostra que os usuários do Facebook são mais confiáveis, têm amigos mais próximos e são mais engajados politicamente. Os usuários do Facebook são 2,5 vezes mais propensas a ir a um encontro político, 57% mais propensas a tentar convencer alguém de que seu voto é correto e 43% mais propensas a dizer em quem votam. L OTERIAS Concurso 644 da LOTOFÁCIL 02

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Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

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Fifa e COI poderão inflar orçamentos de Copa e Jogos Olímpicos no Brasil

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Andrés Sanchez garante que contrato para o Itaquerão sai até fim do mês

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Com um bolo em tom de gramado, a Secretaria de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro comemorou ontem os 61 anos do estádio do Maracanã. Em reforma para a Copa de 2014, o estádio também teve ontem uma má notícia: o orçamento para as obras caiu de R$ 956,78 milhões para R$ 931,88 milhões.

construção do monumento foi completado por uma doação de US$ 833,4 mil da empresa brasileira Odebrecht. Alguns meios de comunicação afirmaram que esta doação permitirá à empresa deduzir do imposto de renda devido no país até 30% do total doado. (Efe)

Concurso 2624 da QUINA 32

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São Paulo já sofre com o assédio de clubes europeus pelo volante Casemiro

M ODA Marcio Fernandes/AE

Dançando na passarela

T ECNOLOGIA

China condena 'ladrões do iPad 2'

Hacker búlgaro roubou até Bill Gates

Três pessoas foram condenadas na China à prisão e a multas por terem roubado informações sobre o design do iPad 2 e lançado produtos piratas iguais ao da Apple antes que o gadget fosse lançado no país, informou ontem o jornal Guangzhou Daily. Entre os detidos está um funcionário da Foxconn, empresa de Taiwan que produz o iPad e o iPhone para a Apple na China. O iPad 2 foi lançado oficialmente na China em maio, mas a versão pirata, iPed já podia ser encontrada no segundo semestre de 2010.

A polícia paraguaia prendeu o hacker búlgaro Kolarov Aleksey Petrov, quando ele comprava com cartões clonados em lojas de Assunção. Petrov, 28 anos, roubou milhares de dólares na Europa e nos EUA. Uma de suas vítimas foi Bill Gates, o fundador da Microsoft. Petrov participou de um esquema de clonagem de um dos cartões de crédito de Gates. Os antecedentes criminais o apontam como o líder de uma rede" de falsificadores de cartões desarticulada nos EUA e na Europa em 2004.

Com a passarela dominada por um grande grupo de dançarinos, a estilista Paula Raia apresentou pela primeira vez na SPFW uma coleção solo ontem. Ex-parceira da estilista Fernanda de Goeye (da marca Raia de Goeye), Paula Raia criou uma coleção que aposta nas transparências, cintura marcada, cores fortes misturadas com tons opacos. A coleção é inspirada no estilo urbano e combina vestidos leves com macacões e calças bem amplas e confortáveis. O desfile começou com uma apresentação de música e dança hip-hop, estilo que marca sobretudo os acessórios da grife, como os lenços amarrados nas roupas e as correntes.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 17 de junho de 2011

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13 GRÉCIA CE adia para 11 de julho o prazo para definir ajuda ao país

conomia

SANTANDER Espanha investiga presidente do banco, Emilio Botín, por fraude fiscal.

Patrícia Cruz/LUZ

Vendas a prazo subiram 11,6% na primeira quinzena de junho, segundo o SCPC. Já os negócios à vista cresceram 18%. Os comerciantes se beneficiaram ao terem um dia útil a mais do que em igual período de 2010.

Economista do IEGV/ACSP estimou que, se a baixa temperatura continuar, a expectativa é de que as vendas a prazo apresentem alta de 3% neste mês.

Frio ajuda varejo a vender mais Neide Martingo

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clima frio estimulou as vendas na primeira quinzena de junho – impulsionando também o movimento no Dia dos Namorados. O Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Boa Vista Serviços (BVS) – empresa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que edita este Diário do Comércio –, que mede as vendas a prazo, cres-

ceu 11,6% nos primeiros quinze dias deste mês, ante igual período de 2010. Já o índice do SCPC Cheque foi de 18%. Para o economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV) da ACSP, Emilio Alfieri, o resultado acumulado foi beneficiado pelo "efeito calendário" – na primeira quinzena de junho, os lojistas tiveram um dia útil a mais para fazer negócios. Se não fosse isso, os índices seriam de 3% e 8,9%, respectivamente, levando em conta a média diária.

Com isso, a média de vendas da quinzena é de 6% – dentro, portanto, da estimativa da ACSP. "A compra de itens de vestuário e acessórios foi priorizada. O 'efeito calendário' será diluído na segunda quinze-

na de junho, com o feriado de Corpus Christi, no dia 23." O economista afirmou ainda que, se a baixa temperatura continuar, a expectativa é de que as vendas a prazo apresentem alta de 3% no fechamento

do mês de junho. O aumento do SCPC Cheque pode chegar a 9%, na comparação com o resultado de igual mês de 2010. Inadimplência – Os registros em atraso tiveram crescimento de 16,4% – número que também foi afetado pelo "efeito calendário". Alfieri avaliou que, no final de junho, o índice deverá ser de aproximadamente 7,5%. "O resultado não é alarmante. Mas os consumidores e os lojistas devem ficar atentos". Ele afirmou ainda que, em ju-

nho do ano passado, a taxa líquida de inadimplência medida pela ACSP foi de 5,6%. Se o ritmo deste mês continuar, o número poderá chegar a 6,3% – ainda abaixo do registrado em 2009, de 7,7%, considerado o índice mais alto da década. "A inadimplência não segue o ritmo de vendas. A variação pode dar um salto ou retroceder – tudo depende da economia. As medidas de contenção ao consumo promovidas pelo governo podem apresentar resultados", ponderou.

Renato Carbonari Ibelli

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s vendas no varejo de shopping centers crescem na casa de dois dígitos, e as perspectivas para os próximos anos são de continuidade dessa tendência. Um reflexo disso é o volume de empreendimentos em construção: são 124 que deverão ser concluídos até 2013, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Com isso, o número de lojas em centros de compras saltará de 99,5 mil para cerca de 120 mil. Estruturar uma loja em um

Dívida não afeta consumo no País

shopping center é relativamente simples se alguns cuidados forem tomados, como explicou o diretor institucional da Alshop, Luís Augusto Ildefonso da Silva. Como em qualquer outra incursão comercial, o primeiro passo é sondar o ambiente onde se quer instalar o empreendimento – levando em conta o público do shopping center e se há um volume excessivo de lojas do mesmo ramo no local. "Afinal, o bolo será dividido entre todas", disse. As lojas de perfumaria e cosméticos são as que mais crescem em volume de vendas dentro dos shopping centers. No

A

s famílias brasileiras continuam endividadas, mas aumentaram levemente sua intenção de consumir, segundo dois levantamentos divulgados ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O nível de endividamento foi de 64,1% em junho, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) nacional – ligeiramente abaixo dos 64,2% registrados em maio. Na compara-

ano passado, suas vendas avançaram 14% em comparação com 2009, de acordo com a Alshop. Em seguida aparecem varejos de brinquedos, eletrônicos e eletrodomésticos, óculos, bijuteria e acessórios, todos com expansão de 12%. O segmento de vestuário avançou 10%, e o de calçados, 9%. Benefícios – Ter uma loja em shopping center tem uma vantagem: a garantia de público frequente passando em frente à vitrina. Mensalmente 447 milhões de pessoas circulam pelos corredores desses centros de compras no Brasil. Mas há um preço: o valor do metro quadrado pode ser elevado, chegando a mais de R$ 7 mil no caso do Iguatemi São Paulo – a locação mais onerosa entre os shopping centers do País. Esse centro de compras completou recentemente 45 anos, e a marca Iguatemi já figura entre as 50 mais valiosas do País. Mas é possível encontrar preços mais acessíveis em outros empreendimentos da cidade. É o caso do West Plaza, onde, em média, o metro quadrado custa R$ 120. Ainda assim, pelo fato de o investimento em shop-

ção com igual período de 2010, houve forte alta no endividamento – que, em junho do ano passado, era de 54%. Já o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso ficou em 23,3% em junho, mostrando um recuo frente a maio, quando atingiu 24,4%. O nível de inadimplência também ficou abaixo do registrado em junho de 2010, de 23,5%. O percentual de famílias que não terão condições de pagar seus débitos ficou em 8,4%, apontando uma ligeira

Newton Santos/Hype

Shopping centers: oportunidades ao lojista. O Iguatemi São Paulo tem o mais alto preço de locação do País. Outros centros de compras da cidade podem ser opção mais acessível.

ping ser geralmente elevado, é preciso ficar atento ao retorno que ele proporcionará ao negócio. "Aconselho ouvir a opinião dos lojistas já instalados no local para ter uma noção exata do custo da ocupação, e não apenas a opinião do gerente comercial do empreendimento", lembrou o Silva.

queda em relação ao resultado de maio, de 8,6%, mas acima do registrado em igual período do ano passado, de 7,8%. Apesar dos números desfavoráveis, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), também medida pela CNC, registrou leve alta em junho, de 0,7% frente a maio, atingindo os 130,8 pontos. Após cinco quedas consecutivas, foi o primeiro resultado positivo em 2011. Apenas o item "compras a prazo" registrou queda, de 0,4%. Todos os outros com-

Com o retorno dos lojistas já instalados, o novo empreendedor terá argumentos que possivelmente poderão ser usados para negociar cláusulas contratuais com o gerente comercial do shopping center. Nesse ponto é que serão discutidos o preço pela ocupação, a maneira como as vitrines po-

ponentes do indicador tiveram altas. Mas, na comparação com junho de 2010, o ICF teve queda de 1,7%. Entre as regiões, apenas Norte e Nordeste tiveram quedas na intenção de compra em junho, de 2,2% e 0,5%, respectivamente. Depois de cinco retrações consecutivas, as famílias com renda de até dez salários-mínimos voltaram a apresentar maior intenção de consumo em relação ao mês anterior, com uma alta de 0,9%. (AE)

dem ser expostas, o horário de funcionamento etc. "Em geral, marcas já estabelecidas conseguem sucesso nessas negociações", disse. Centros de compras com vacância mais elevada também são mais flexíveis, segundo o diretor da Alshop. Evidentemente que um lojista de rua que deseja entrar em um shopping center enfrentará um caminho mais fácil que o encarado por empreendedor de primeira viagem. Para este, o representante da Alshop recomendou que o melhor caminho é buscar uma franquia. No ano passado os shopping centers brasileiros venderam R$ 93 bilhões, o que representou avanço de 12% em relação a 2009. Esse montante representa 16% do total de vendas do varejo brasileiro. Isso também revela que ainda há um grande espaço para o setor crescer. Nos Estados Unidos, por exemplo, 70% das vendas contabilizadas pelo varejo estão nas mãos desse tipo de empreendimento. Para 2011, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) prevê crescimento de 12% nas vendas em comparação a 2010.

1,1 ponto percentual foi a queda no índice de famílias com contas ou dívidas em atraso entre maio e junho


14 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

COMÉRCIO

sexta-feira, 17 de junho de 2011


sexta-feira, 17 de junho de 2011

e Tributos federais somam R$ 71,5 bi

DIÁRIO DO COMÉRCIO

15 O governo arrecadou 57% a mais de IPI nos primeiros cinco meses deste ano.

conomia

ção da economia em crescimento, o reflexo apareceu na arrecadação federal. Com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis, por exemplo, o governo arrecadou 57% a mais nos primeiros cinco meses deste ano. Esse aumento decorre, também, da recomposição da alíquota em março de 2010. No caso do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), o aumento real da arrecadação foi de 25% nos cinco primeiros meses do ano por conta da tributação do lucro obtido na alienação de bens e direitos. Também subiu a arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), que avançou 17,12% no período. O Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), cuja alíquota para despesas com cartões de crédito no exterior e empréstimos internacionais subiu neste a n o , t e v e c re s c i m e n t o d e 13,18% na arrecadação de janeiro a maio de 2011. (Agências)

É o quinto mês consecutivo no qual a arrecadação tributária bate recorde na comparação com igual mês do ano passado.

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arrecadação das receitas e contribuições federais no mês de maio alcançou o montante recorde de R$ 71,534 bilhões, de acordo com os dados da Receita Federal do Brasil (RFB). O resultado representa uma queda real (pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) de 16,39% ante abril, mas é 7,18% maior do que registrado em maio do ano passado. De acordo com o órgão, o valor é recorde para meses de

maio. É o quinto mês consecutivo no qual a arrecadação bate recorde na comparação com igual mês do ano anterior. O resultado ficou dentro do intervalo esperado pelos analistas, de R$ 67,6 bilhões a R$ 74,87 bilhões e superou a mediana, de R$ 70,8 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, a arrecadação de tributos totalizou R$ 382,883 bilhões, avanço real de 10,69% em relação aos cinco primeiros meses do ano passado. Crescimento – O principal

Arte MAX

fator que explica o aumento da arrecadação em maio, e no acumulado deste ano, é a manutenção do crescimento da economia. Embora em ritmo me-

nor, visto que o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 7,5% em 2010, a economia segue crescendo neste ano. A previsão dos economistas para este ano é de uma taxa de expansão de aproximadamente 4%.

CIEE e ACSP debatem energia em São Paulo

Copom vê economia forte

O

Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou que a demanda doméstica na economia brasileira está robusta. Segundo a ata de sua última reunião, divulgada ontem pelo Banco Central (BC), isso deve-se , em grande parte, ao crescimento da renda e à expansão do crédito no Brasil. Além disso, o BC considera que os efeitos do aumento recente de gastos e do crédito ainda se refletem na economia brasileira. "Em que pese iniciativas recentes apontarem contenção das despesas do setor público, impulsos fiscais e creditícios foram aplicados na economia nos últimos trimestres, e ainda deverão contribuir para a expansão da atividade", informou o documento. O BC afirmou ainda que,

como contraponto a esse impacto dos gastos e do crédito, houve uma reversão das iniciativas tomadas durante a crise financeira, tal como a adoção de medidas de contenção do crédito e a elevação da taxa básica de juros, a Selic. Dívida pública – O Comitê destacou a necessidade de concretização das metas de superávit primário das contas públicas para a queda da inflação. "O Copom reafirma que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais." O superávit primário representa a economia para pagamento dos juros da dívida pública. O Copom destacou também que o cenário central contempla moderação na expansão no mercado de

crédito. Para esse cenário, teriam contribuído as ações de contenção do crédito e as convencionais de política monetária adotadas recente pelo governo federal. Inflação – A projeção de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2011 no cenário traçado pelo BC recuou, mas ainda se encontra acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2012, a projeção ficou estável no cenário de referência – portanto, permaneceu acima do valor central da meta. O cenário de referência considera as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,60 e da Selic em 12% ao ano em todo o horizonte relevante. No

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Pelo projeto, apenas o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da própria empresa, excluindo-se o patrimônio pessoal do empresário. Marcos Montes lembra, na justificativa, que desde os anos da década de 1980 está sendo discutida a proposta da empresa individual. O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), lembrou na CCJ que, pelas regras da legislação atual, quem deseja ter a sua própria empresa precisa montar a operação detendo 99% do patrimônio, mas sendo obrigado a ter pelo menos mais um sócio, com 1% do capital. "A exemplo do que fez o ex-ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci na criação da consultoria Projeto", citou. No caso do ex-ministro, Demóstenes declarou que ele tem 99,9% do capital

Seminário, na segunda-feira, dia 20, reunirá especialistas no assunto.

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Cade busca acordo para Sadia-Perdigão

da empresa e seu sócio tem menos de 1% do capital. Dívidas – O texto aprovado prevê que a nova empresa jurídica tenha um patrimônio mínimo integralizado de pelo menos 100 salários-mínimos. A empresa individual de responsabilidade limitada só será obrigada a honrar dívidas no limite de 100 salários, ficando o patrimônio pessoal do empresário protegido. Dornelles afirmou que o procedimento atual eleva os custos, "afetando a competitividade internacional do empresário em um ambiente de concorrência global". Citou como exemplo o fato de a Junta Comercial do Rio de Janeiro cobrar R$ 182 para realizar o registro do empresário. "Mas o valor é elevado para R$ 300, no caso de sociedade limitada", informou o senador. (AE)

O

prazo de 30 dias que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu à BRF Brasil Foods para apresentar uma proposta de acordo mudou a percepção de advogados da área da concorrência em relação à fusão entre a Sadia e a Perdigão. Segundo os especialistas, ficou mais evidente que a autarquia quer encontrar uma solução amigável para a empresa, evitando assim derrubar o negócio. Diante dos sinais duros emitidos pelo Cade até agora, a percepção de alguns advogados era a de que o órgão estaria obedecendo ao regimento da autarquia e demonstrando apenas que não estava irredutível em relação a um acordo. O primeiro encontro entre as partes ocorreu ontem, minutos depois do anúncio do adiamento do julgamento. (AE)

Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) realizam na próxima segunda-feira, dia 20, às 8h30, seminário sobre a Matriz Energética do Estado de São Paulo. O presidente da ACSP e conselheiro do CIEE, Rogério Amato, fará o pronunciamento de abertura do evento, que será realizado no Espaço Sociocultural, do teatro do CIEE, na Capital. Entre os palestrantes, estão o gerente-executivo de logística da Petrobras, Eduardo Autran de Almeida Júnior, que irá falar sobre o abastecimento de petróleo no Brasil; o presidente da União da Indústria de Cana-deAçúcar (Unica), Marcos Jank, que discursará sobre o etanol; o secretário estadual de Energia

de São Paulo, José Aníbal, que vai falar da situação atual e das perspectivas das energias alternativas, e o professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Saldiva, que falará sobre os reflexos dos combustíveis no meio ambiente. Os trabalhos do evento têm a coordenação de Luiz Gonzaga Bertelli, presidente-executivo do CIEE, vice-presidente da ACSP, conselheiro e diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Serviço – O seminário tem entrada gratuita. As inscrições devem ser feitas pelo site www.ciee.org.br/portal/eventos. O Teatro CIEE fica na rua Tabapuã, 445, no Itaim Bibi. Mais informações nos telefones: (11) 3040-6541 e 3040-6542.

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DC

Senado aprovou ontem, por unanimidade, o projeto de lei que trata da empresa individual de responsabilidade limitada. O projeto, de iniciativa do deputado Marcos Montes (DEM-MG), segue para sanção presidencial. O parecer do relator, senador Francisco Dornelles (PP-RJ) havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no início deste mês. A proposta acaba com a obrigatoriedade de haver dois sócios na constituição de uma empresa. Dornelles chamou-o de "Projeto antilaranja" alegando que, na maioria das vezes, "o outro sócio não tem interesse na empresa, formando uma sociedade limitada originalmente fictícia, para afastar o risco de afetação do patrimônio pessoal do empresário".

Reprodução

cenário de mercado – que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo BC com analistas de mercado no período imediatamente anterior à reunião do Copom – a projeção de inflação para 2011 também recuou, mas se encontra acima do índice central da meta para a inflação. Combustíveis – O BC elevou em 1,8 ponto percentual – de 2,2% para 4% – a projeção de reajuste do preço da gasolina acumulado em 2011. Essa projeção, segundo a ata do Copom, contempla a reversão parcial da elevação de 10,5% ocorrida no preço do combustível até maio. Já a projeção para o reajuste no preço do gás de botijão para o acumulado de 2011 foi mantida em 0%. (AE)

Senado aprova criação de empresas individuais

A produção industrial, por exemplo, cresceu 1,57% de janeiro a maio, enquanto o volume geral de vendas subiu 16,4% e a massa salarial avançou 15,8% no período. Reflexo – Com a manuten-

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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Agora, somando participações diretas e indiretas, o Casino detém 37% das ações do Grupo Pão de Açúcar.

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Fotos: Divulgação

EM SEGREDO

Na unidade da Linck, os preparou tanto para o estudo convencional como o profissional. Fez tremendo sucesso e novas turmas começaram a chegar das periferias e ingressar no projeto, muitos com pouco ou nenhum estudo. Desde então, a proposta conquistou aliados, empresas de fornecedores primeiro, depois outras que queriam ter acesso à sua tecnologia. Com a morte do idealizador, a família decidiu manter o projeto, criando o Instituto Pescar – hoje uma bem-sucedida franquia de fazer o bem e que vende o conhecimento e as apostilas para diferentes empresas a custos reduzidos, mantendo acesa a chama da inclusão social em 145 unidades no Brasil, 21 na Argentina e uma no Paraguai. Em todas elas, de diferentes segmentos, a exemplo de Braskem, Dixie Toga, Grupo Fischer, Fleury, Gerdau, Renner e Weg, o instituto forma os jovens talentos para a indústria além de complementar fortemente o ensino para que possam finalmente com a vara pescar o peixe e manter a economia girando. A agência de publicidade gaúcha Escala acaba de criar campanha para alardear ainda mais esse projeto. Marcelo Menna Barreto, diretor responsável pela expansão do Pescar, diz que o custo por jovem é metade daquele investido pelo governo em escolas básicas. Deveria servir de lição. Amante da pesca, Geraldo Linck deixou de legado esse ensino, pena que muitas das unidades públicas não levem essa "pescaria" a sério e convivem com escolas nas páginas policiais – e não nas editorias de economia, onde se espera notícias sempre melhores e mais prósperas.

Envie informações para essa coluna para o e-mail: carlosfranco@revistapublicitta. com.br

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motivo parar

rir à toa

NOS PÉS DE NEYMAR odo mundo arruma tempo para fazer dinheiro. Entre um jogo e outro, Neymar gravou a nova campanha publicitária do Tenys Pé Baruel. O resultado vai ao ar a partir de julho e contempla filme, material de ponto de venda e eventos da marca. "Neymar é o principal jogador do País, conhecido mundialmente e apostamos na força dele como referência aliada à paixão do brasileiro pelo futebol", diz o diretor de vendas Daniel Tiraboschi, detalhando que o acordo é válido até as Olimpíadas de 2012. Com o desodorante nos pés e os bolsos cheios de dinheiro, o jogador faz a festa. É por isso que está rindo à toa.

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uas semanas depois de entrar com pedido de arbitragem para resolver o conflito travado com a família Diniz pelo controle do Pão de Açúcar, a rede francesa Casino aumentou sua participação no capital social da companhia brasileira com a compra de ações preferenciais (sem direito a voto). No mercado, a aquisição soou como um aviso ao empresário Abílio Diniz de que os franceses não devem abrir mão do controle do Grupo Pão de Açúcar. No comunicado divulgado ontem, o Casino "reitera sua intenção de fortalecer o desenvolvimento de longo prazo" da empresa brasileira "bem como a posição do grupo em mercados em rápido crescimento".

JESUS NO ARRAIÁ nspirado nas festividades de São João celebradas no Maranhão, o Guaraná Jesus lança uma comunicação para reforçar a identificação da marca com a cultura do estado. Trata-se da campanha "O sabor de viver todos os sotaques", que estreia neste fim de semana e é assinada pela agência DIA Comunicação. As tradicionais festas juninas do Nordeste nos meses de junho e julho são comemoradas de forma peculiar pelos maranhenses, que festejam com a beleza das cores e ritmos do Bumba-meu-boi, Cacuriá e Tambor de Crioula. A campanha do Guaraná Jesus explora essa multiplicidade de manifestações artísticas e culturais, sugerindo ao consumidor que experimente o sabor de viver o Maranhão. As latas do produto ganharam embalagem especial e comemorativa.

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Com a compra de 8,5 milhões de ações, equivalentes a 5,4% das preferenciais, o grupo francês aumentou em 3,3% sua fatia no capital total da empresa brasileira, numa operação da ordem de US$ 363 milhões. Agora, somando participações diretas e indiretas, o Casino detém 37% das ações do Grupo Pão de Açúcar. Após o anúncio, as ações da Companhia Brasileira de Distribuição, controladora do Pão de Açúcar, caíram 1,02%. "É uma resposta dos franceses ao mercado e uma sinalização de que querem manter sua posição no Brasil", afirmou o advogado André Osório Gondinho, sócio do escritório Dória, Jacobina Rosado e Gondinho Advogados. (AE)

anette volta à mídia com o objetivo de mostrar que existe algo ainda mais difícil do que fazer o ex-pugilista Maguila dar aula de etiqueta: resistir à Danette, a sobremesa cremosa da Danone – empresa líder mundial e nacional no mercado de lácteos frescos. A campanha tem uma série de quatro filmes, assinados pela agência Young & Rubicam, e usa o bom humor para ressaltar o sabor único do produto. Além de Maguila, estrelam a campanha Sergio Mallandro, Palmirinha e Supla. O time, sem dúvida, é da pesada.

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Casino amplia participação no Grupo Pão de Açúcar

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MARS, uma das maiores fabricantes de rações para animais domésticos no País, investe em ação promocional para impulsionar as vendas de seus produtos. A promoção busca atrair o consumidor por meio de oferta de brindes exclusivos para cães e gatos, trocados por pontos adquiridos na compra de produtos das marcas Pedigree e Whiskas. A troca poderá ser feita no próprio ponto de venda. A Dabster Comunicação assina a criação, produção e a operacionalização da campanha, que será realizada até o final de junho em 200 pontos de venda nas principais cidades do Brasil. Para quem tem cão e gato é um prato cheio.

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QUE TIME

GUARANÁ no clima de São João

JOGADOR tem

PETS MIMADOS

ETIQUETA com Danette

Itautec lança caixa eletrônico em 3D

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Itautec desenvolveu o primeiro caixa eletrônico com a tecnologia 3D. No terminal, o cliente faz todas as operações financeiras, como saques e consultas de saldos, sem contato físico com o equipamento, por meio de comandos com gestos. O cliente faz os comandos da operação bancárias por meio de gestos sobre estas imagens. A tecnologia foi desenvolvida no Brasil e a Itautec já pediu a patente do uso. Segundo o vice-presidente da empresa e responsável pela área de tecnologia, Wilton Ruas, não há notícias de um terminal bancário semelhante no mundo atualmente. Não há prazo para o caixa eletrônico 3D chegar ao mer-

cado. "A tecnologia está pronta e agora estamos checando o interesse dos bancos", destaca Ruas. O novo caixa está sendo apresentado no Ciab, maior feira de tecnologia bancária da América Latina. Outra vantagem da tecnologia 3D, destaca o executivo, é que os cofres dos caixas eletrônicos podem ficar separados das telas que fazem a interface com o cliente e não precisam ficar visíveis. Por isso, os caixas ficam menos sujeitos a arrombamentos. No caso de um saque, um canal leva as notas do cofre até o espaço onde o cliente retira o dinheiro. Em um caixa tradicional, o terminal é um único componente, com as telas e o cofre em uma caixa única. (AE)

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pauta de exportações brasileira ganhou mais um item não-mensurável em termos de balança comercial: a tecnologia social. Isso mesmo: estamos exportando o bem. Viviane Senna, irmã do piloto Ayrton Senna, tem levado, na forma de palestras e, melhor, resultados, a experiência do instituto que carrega o nome do nosso campeão de automobilismo para todos os lugares do mundo. O mesmo fez dona Zilda Arns (1934-2010) com a Pastoral da Criança, ao levar para o Haiti, onde morreu no terremoto que destruiu a capital e ceifou milhares de vidas em janeiro de 2010, a simples tecnologia que salva vidas da desnutrição, o soro caseiro, com uma colher de sal e duas de açúcar. Agora, é a vez do Instituto Pescar, que prepara jovens que vivem na periferia das cidades para o mercado de trabalho, chegar na Argentina e no Paraguai, onde vive uma fase de intensa expansão. O Pescar, para quem prefere dar a vara a quem tem fome do que o peixe, nasceu do pensamento do empresário gaúcho Geraldo Tollens Linck (1927-1998), dono da Linck S/A, empresa fabricante de autopeças. É que, em 1976, o empresário percebeu, ao ser assaltado, que esses eram jovens e sem possibilidade de vislumbrar um futuro, portanto presas fáceis de uma criminalidade que poderá ganhar em escalada. Então, decidiu convidar alguns dos jovens da periferia do local onde estava a fábrica, literalmente pescar alguns com disposição para o crescimento para que servissem de exemplo em suas comunidades.

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Playboy do Brasil acaba de colocar no ar uma nova campanha de olho no público que busca acima de tudo discrição e privacidade na aquisição de canais adultos. A apresentadora do Sexy Hot, Rossana Freire, gravou três peças publicitárias que já podem ser vistas nos canais da Globosat Megapix, Multishow, GNT e no canal 37 da operadora NET. Os comerciais serão veiculados também nas redes sociais como Facebook, Twitter e Youtube. O objetivo é informar aos assinantes que eles podem adquirir os seis canais da empresa (Sexy Hot, Playboy TV, For Man, Venus, Playboy TV Movies e Private) sem que ninguém precise saber. É que o conteúdo adulto não vem com o nome especificado na fatura, e os canais podem ser protegidos por senha. O comercial, que será veiculado ao longo de 2011, pretende atingir cerca de 4 milhões

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 17 de junho de 2011

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: COMUNICADO Referente à Tomada de Preços nº 46/00152/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Acessibilidade e Apresentação de Pasta Técnica contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança nas EE Profa Nadir Lessa Tognini, EE Prof. José Augusto Leite Franco e EE Sen. Lacerda Franco - em Santo André-SP. Tendo em vista a inclusão no subitem 3.1. (Condições de Participação) das Condições Específicas do Edital, da exigência de cadastro na área Projeto de Restauro, comunicamos que a sessão de processamento da referida Tomada de Preços foi alterada para às 11:30 horas do dia 20/07/2011.

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

ECONOMIA/LEGAIS - 17 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: COMUNICADO A Comissão Julgadora de Licitações comunica o adiamento da data de entrega dos envelopes 1 e 2, referentes às Concorrências nos 05/00793/11/01 e 05/00839/11/01, para o dia 29/06/11, às 14:30 e 15:00 h, respectivamente.

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: TOMADA DE PREÇOS - TIPO TÉCNICA E PREÇO A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Projetos: TOMADA DE PREÇOS Nº - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - ÁREA (se houver) - PRAZO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 46/00021/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Acessibilidade e Apresentação de Pasta Técnica contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Profa Lavinia Ribeiro Aranha - Rua das Bromélias, s/n - 13225-310 - Jd. Bertioga - Várzea Paulista/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica); EE Prof. Antonio Luiz de Moraes - Estrada Orlando Leme Franco, s/n - 13610-000 - Jd. São Joaquim - Leme/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica) - 09:30 - 20/07/2011.

46/00024/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Acessibilidade e Apresentação de Pasta Técnica contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Maj. Fonseca - Rua Venâncio Ayres, 108 - 18200-660 - Centro - Itapetininga/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica); EE Sen. Vicente Prado - Av. Paes de Barros, 446 - 17230-000 - Centro - Itapuí/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica) 10:00 - 20/07/2011. 46/00072/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Acessibilidade e Apresentação de Pasta Técnica contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Prof. Alziro Barbosa Nascimento - Rua Bahia, 1 - 09450-000 - Vila S João - Rio Grande da Serra/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica); EE Dep. Ivete Vargas - Est. do Rio Pequeno, 2.700 - 09450-000 - Vila Palmira - Rio Grande da Serra/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica); EE Prof. Péricles Galvão - Est. José Correa de Moraes, s/n - 18200-000 - Chapada Grande Itapetininga/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica) - 10:30 - 20/07/2011. 46/00099/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Acessibilidade e Apresentação de Pasta Técnica contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Prof. Roberto Frade Monte - Praça Francisco Vicente, 65/66 - 09960-450 - Jd. Marilene - Diadema/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica); EE Profa. Mercia Artimos Maron - Rua Sta. Marta, 86 - 09940-180 - Jd. Sta. Rita - Diadema/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica); EE Prof. Alipio de Oliveira e Silva - Rua Miquelina Tollio Christillo, 105 - 06755-020 - Jd. Sta. Rosa Taboão da Serra/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica) - 11:00 - 20/07/2011. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 17/06/2011, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Os invólucros contendo a Proposta Técnica, a Proposta Comercial e os documentos de Habilitação, deverão ser entregues na Supervisão de Licitações, na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, o estabelecido no edital. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

PREFEITURA MUNICIPAL DE ESPÍRITO SANTO DO TURVO Extrato de Edital - TOMADA DE PREÇO nº 04/2011 A Prefeitura de Espírito Santo do Turvo torna público, para conhecimento dos interessados, que está aberta a licitação na modalidade Tomada de Preços do tipo Menor Preço, para pessoas previamente cadastradas, para a contratação de pessoa jurídica, ou pessoa física para a Construção de Creche Pró - infância tipo “B”, em Espírito Santo do Turvo, cuja contratação se dará pelo regime de empreitada integral, pela Prefeitura de Espírito Santo do Turvo, conforme descrição e detalhamento previsto nos anexos I (memorial descritivo, Cronograma, planilha orçamentária e projetos, conforme estabelecido pelo FNDE), no prazo máximo de duzentos e quarenta dias, contados a partir da assinatura do contrato. O recebimento dos envelopes contendo os documentos e proposta será até o dia 07 de Julho de 2011, às 14h00min, na sede da Prefeitura de Espírito Santo do Turvo, situada na Rua Lino dos Santos, s/nº, sendo que a sessão será realizada a seguir, nos termos da legislação vigente. O edital na íntegra encontra-se à disposição no endereço acima e poderá ser retirado no horário de expediente, no site www.espiritosantodoturvo.sp.gov.br ou solicitado por e-mail: marcos@espiritosantodoturvo.sp.gov.br ou compras2@espiritosantodoturvo.sp.gov.br , por telefone: 14-33759500, até as 24 horas que antecedem a data de recebimento dos envelopes, mediante o pagamento de uma taxa de R$ 25,00 (vinte cinco reais). Maiores informações poderão ser obtidas na Prefeitura – Setor de Licitações, ou através do telefone acima indicado. Espírito Santo do Turvo/SP, 15 de junho de 2011. Juliana de Campos Andrade - Presidente da Comissão de Licitação

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: PREGÃO ELETRÔNICO Nº 21/00084/11/05 OBJETO: Prestação de Serviços de Transporte, Armazenagem e Guarda, incluindo a Montagem de kits, Embalagem e Distribuição de Diversos Materiais Pedagógicos e outros Documentos para as Diretorias de Ensino e demais órgãos que compõem a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para Prestação de Serviços de Transporte, Armazenagem e Guarda, incluindo a Montagem de kits, Embalagem e Distribuição de Diversos Materiais Pedagógicos e outros Documentos para as Diretorias de Ensino e demais órgãos que compõem a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital a partir de 17/06/2011, no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br ou na sede da FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, ou verificar o edital na íntegra, através da Internet no endereço: http://www.fde.sp.gov.br. A sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br, no dia 08/07/2011, às 09:30 horas e será conduzida pelo pregoeiro com o auxílio da equipe de apoio, designados nos autos do processo em epígrafe e indicados no sistema pela autoridade competente. Todas as propostas deverão obedecer, rigorosamente, o estabelecido no edital e seus anexos e serão encaminhadas, por meio eletrônico, após o registro dos interessados em participar do certame e o credenciamento de seus representantes previamente cadastrados. A data do início do prazo para envio da proposta eletrônica será de 17/06/ 2011, até o momento anterior ao início da sessão pública. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 16 de junho de 2011, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Reqte: KM Indústria e Comércio de Papel Ltda. Reqdo: São José Indústria e Comércio de Papéis Ltda. R. Dias da Silva, 284 – Vila Maria Baixa - 2ª V. de Falências. Reqte: New Progress Factoring de Fomento Mercantil Ltda. Reqdo:Soundvox Indústria e Comércio de Peças e Acessórios Ltda. Praça Automóvel Clube Paulista, 31 – Jardim Satélite 1ª V. de Falências


DIÁRIO DO COMÉRCIO

18

e Plano dá R$ 107 bi para a agricultura

sexta-feira, 17 de junho de 2011

É o velho sonho da consolidação do etanol como commodity global. Marcos Jank, presidente da Unica

conomia

Sérgio Moraes/Reuters

Governo anuncia hoje o Plano Agrícola e Pecuário de 2011/2012, que destina mais recurso ao agronegócio

O

governo federal confirmou que o Plano Agrícola e P e c u á r i o 2011/2012 terá R$ 107,2 bilhões para financiamento de custeio e investimentos, além de linhas especiais de crédito para agricultura empresarial. O volume de recursos é 7,2% maior que os R$ 100 bilhões destinados no ano-safra 2010/2011 e deve atender a uma produção de 169,5 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas, alta de 5% sobre as 161,5 milhões de toneladas previstas para a safra atual. O Plano de Safra 2011/12 será apresentado hoje em Ribeirão Preto, em cerimônia com a presença prevista da presidente Dilma Rousseff. O plano entra em vigor dia 1 de julho. O governo confirmou que irá manter R$ 16 bilhões de recursos para a agricultura familiar, o que eleva o total do crédito para R$ 123,2 bilhões. Do total para a agricultura empresarial, R$ 80,2 bilhões irão para o custeio e comercialização da safra, alta de 6,08% ante os R$ 75,6 bilhões de 2010/2011. Do total para custeio e comercialização, R$ 64,1 bilhões terão juros controlados e R$ 16,1 bilhões juros livres. Já os recursos para investi-

mentos da agricultura empresarial somarão R$ 20,5 bilhões, alta de 13,9% ante os R$ 18 bilhões da safra passada. As linhas especiais saltarão 1,56% entre os períodos, de R$ 6,4 bilhões para R$ 6,5 bilhões. "São recursos que não são linha rural, mas que o governo consegue liberar a juros de 6,75% ao ano, como Programa de Sustentação de Investimentos", disse Wilson Araújo, coordenador-geral de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura. Pecuária – O plano cria uma linha de crédito direcionada à pecuária e um programa de investimento para o setor sucroalcooleiro. Os criadores poderão contratar até R$ 750 mil para investimentos em compra de reprodutores e matrizes de bovinos e búfalos. O limite para custeio será de R$ 650 mil, incluindo pecuária de corte, leiteira, ovinocaprinocultura, apicultura e suinocultura. Já o programa de investimento para a cana-deaçúcar terá limite de R$ 1 milhão por produtor e prazo de cinco anos para pagamento. Em nota, o Ministério confirmou a unificação e aumento dos limites de financiamento para custeio de todas as culturas e atividades para R$ 650 mil, por produtor. Antes, cada

Projeto cria um programa de investimento para o setor sucroalcooleiro, com limite de R$ 1 milhão e prazo de cinco anos para o pagamento.

produto tinha um limite estabelecido. Com a medida, o governo diz pretender estimular a diversificação da atividade agrícola, beneficiando igualmente produtores de commodities, voltados para a exportação, e produtores que abastecem o mercado interno. Sust entáve l – A partir da safra 2011/2012, o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), lançado em julho de 2010, vai incorporar todas as ações que incentivam a produção de alimentos com preservação ambiental, ou de maneira sustentável. No total, os programas de investimento voltados a atividades agropecuárias que permitem a mitigação da emissão de gases de efeito estufa terão R$ 3,15 bilhões e poderão ser contratados com condições mais facilitadas. No evento de hoje devem comparecer o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. (AE)

O

grupo de países que integra o G20 vai monitorar em conjunto a oferta mundial dos principais grãos, em um movimento que ajudaria a evitar a especulação que eleve os preços dos alimentos. A iniciativa foi estabelecida em um esboço de comunicado do encontro que ocorre nos dias 22 e 23 deste mês em Paris, e que reunirão os ministros da Agricultura dessas nações. Eles também pedirão que os ministros das Finanças controlem a especulação das commodities alimentares, adotando uma regulação mais rígida para os mercados de derivativos agrícolas, segundo o comunicado. Os preços globais dos ali-

REPUBLICADO PARA ALTERAÇÃO DA DATA DE ABERTURA DA SESSÃO EDITAL DE PREGÃO ELETRÔNICO PARA REGISTRO DE PREÇOS OBJETIVANDO A COMPRA DE NÉCTAR DE ABACAXI EDITAL DE PREGÃO ELETRÔNICO n° 059/2011 PROCESSO n° 2547/5900/2011 OFERTA DE COMPRA N° 080105000012011OC00065 ENDEREÇO ELETRÔNICO: www.bec.sp.gov.br ou www.bec.fazenda.sp.gov.br DATA DO INÍCIO DO PRAZO PARA ENVIO DA PROPOSTA ELETRÔNICA: 15/06/2011 DATA E HORA DA ABERTURA DA SESSÃO PÚBLICA: 30/06/2011 – 10:00 horas EDITAL DE PREGÃO ELETRÔNICO PARA REGISTRO DE PREÇOS OBJETIVANDO A COMPRA DE ARROZ PARBOILIZADO TIPO 2 - LONGO FINO EDITAL DE PREGÃO ELETRÔNICO n° 060/2011 PROCESSO n° 4558/5900/2011 OFERTA DE COMPRA N° 080105000012011OC00066 ENDEREÇO ELETRÔNICO: www.bec.sp.gov.br ou www.bec.fazenda.sp.gov.br DATA DO INÍCIO DO PRAZO PARA ENVIO DA PROPOSTA ELETRÔNICA: 16/06/2011 DATA E HORA DA ABERTURA DA SESSÃO PÚBLICA: 01/07/2011- 10:00 horas EDITAL DE PREGÃO ELETRÔNICO PARA REGISTRO DE PREÇOS OBJETIVANDO A COMPRA DE MISTURA PARA O PREPARO DE CANJICA EDITAL DE PREGÃO ELETRÔNICO n° 061/2011 PROCESSO n° 4559/5900/2011 OFERTA DE COMPRA N° 080105000012011OC00067 ENDEREÇO ELETRÔNICO: www.bec.sp.gov.br ou www.bec.fazenda.sp.gov.br DATA DO INÍCIO DO PRAZO PARA ENVIO DA PROPOSTA ELETRÔNICA: 16/06/2011 DATA E HORA DA ABERTURA DA SESSÃO PÚBLICA: 01/07/2011 – 10:00 horas INFORMAÇÕES: fones: (11) 3866-1615/1616, de 2ª a 6ª feira, no horário das 8h às 17h. ENDEREÇO ELETRÔNICO: www.bec.sp.gov.br ou www.bec.fazenda.sp.gov.br

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE SUPRIMENTO ESCOLAR

EXTRATO DE PRORROGAÇÃO CONTRATUAL PROCESSO Nº 102/2009 - CONCORRÊNCIA Nº 03/2009 CONTRATANTE: Prefeitura do Município de Andradina. CONTRATADO: NGA JARDINÓPOLIS - NÚCLEO DE GERENCIAMENTO AMBIENTAL LTDA. CLÁUSULA PRIMEIRA: Fica ajustado entre as partes que o contrato será prorrogado por mais 12 (doze) meses, perfazendo o valor de R$ 110.946,00 (cento e dez mil, novecentos e quarenta e seis reais). CLÁUSULA SEGUNDA: Todas as demais cláusulas constantes do instrumento original permanecem inalteradas. DATA: 10 de junho de 2011. JAMIL AKIO ONO - Prefeito.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE ANDRADINA EXTRATO DE PRORROGAÇÃO CONTRATUAL PROCESSO Nº 77/10 – TOMADA DE PREÇOS Nº 14/10 CONTRATANTE: Prefeitura do Município de Andradina CONTRATADO: PONTAL – ENGENHARIA CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA EPP Fica ajustado entre as partes que o prazo de execução será prorrogado por mais 90 (noventa) dias e, em consequência, o prazo de vigência do contrato será prorrogado por mais 90 (noventa) dias. As demais cláusulas e condições dos contratos supra permanecem inalteradas. Andradina,16 de junho de 2011. JAMIL AKIO ONO – Prefeito.

AÇÃO COMUNITÁRIA DO BRASIL - SÃO PAULO CNPJ nº 61.750.246/0001-75 Demonstrações Financeiras

BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2010 E 2009 - (Em milhares de Reais)

Não circulante Depósitos judiciais Outras contas a receber Imobilizado Intangível Total do ativo

Nota

2010

2009

4 5 6

4.628 1.361 1.170 333 309 255 5 8.061

5.042 1.425 1.008 304 212 101 4 8.096

14 1.637 42 1.693 9.754

39 7 1.639 52 1.737 9.833

7

8

Passivo Circulante Fornecedores Férias e encargos Impostos a recolher Adiantamento para projetos sociais Outras contas a pagar Não circulante Provisão para contingências Patrimônio líquido Patrimônio social Superávit acumulado

Nota 9 10

11 12

2010

2009

469 264 4 1.358 63 2.158

400 275 7 1.434 106 2.222

67

115

7.496 33 7.529

7.496 7.496

Total do passivo e patrimônio líquido

9.754

9.833

O

Senado dos Estados Unidos aprovou ontem uma medida que inclui a revogação dos subsídios de US$ 6 bilhões por ano aos produtores de etanol do país. O crédito tributário ao setor destina US$ 0,45 por galão de etanol misturado à gasolina. A indústria de etanol é ainda protegida por uma tarifa de importação de US$ 0,54 por galão – cuja revogação está incluída na medida. Com a aprovação de ontem, a emenda foi incluída em um projeto de lei que visa a renovar o programa de direcionamento de recursos federais para regiões menos favorecidas dos EUA. No entanto, há a expectativa de que a iniciativa não passe pela Câmara dos Representantes – o que limitaria a aprovação do Senado a um caráter meramente simbólico. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

2009

33

(285)

140 30 203

141 7 36 (101)

Variações nos ativos e passivos Redução (aumento) bancos e aplicações financeiras 65 (Aumento) do contas a receber (162) (Aumento) redução dos estoques (29) (Aumento) dos outros créditos (97) (Aumento) redução dos impostos a recuperar (154) (Aumento) redução das despesas antecipadas (1) Redução dos depósitos judiciais e outras contas a receber não circulante 31 Aumento em fornecedores 69 (Redução) em salários, ferias e encargos (22) (Redução) aumento de adiantamento para projetos (76) (Redução) de impostos a recolher (3) Aumento (redução) de outras provisões e contingencias (80) Caixa líquido utilizado nas atividades operacionais (256) Fluxo de caixa das atividades de investimentos Aquisições de bens do ativo imobilizado e intangível (158) Caixa líquido utilizado nas atividade de investimentos (158) Redução de caixa e equivalentes de caixa (414) Demonstração da redução do caixa e equivalentes de caixa Caixa e equivalentes de caixa no inicio do exercício 5.042 Caixa e equivalentes de caixa no final do exercício 4.628 Redução de caixa e equivalentes de caixa (414) As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

Nota Receita operacional Contribuições e doações Projetos incentivados Venda de produtos Custo dos produtos vendidos Lucro bruto Outras receitas (despesas) operacionais Programas sociais Administrativas Despesas com captação de recursos Despesas com vendas de produtos Depreciação e amortização Outras receitas operacionais

18 17

(566) (69) 35 (76) 24 1 8 50 (12) 161 (3) (24) (572)

(4.813) (748) 19 (496) 20 (589) (140) 342 (6.444) Déficit antes das receitas financeiras líquidas (361) Receitas financeiras 436 Despesas financeiras (42) Receitas financeiras líquidas 394 Superávit (déficit) do exercício 33 As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

(154) (154) (726)

Patrimônio Superávit social acumulado Saldo em lº de janeiro de 2009 7.781 Déficit do exercício (285) Transferência para patrimônio social (285) 285 Saldo em 31 de dezembro de 2009 7.496 Superávit do exercício 33 Saldo em 31 de dezembro de 2010 7.496 33 As notas explicativas são parte integrante das demonstrações financeiras.

5.768 5.042 (726)

ZONA NORTE

2010 2009 (reclassificado) 2.760 2.175 4.935 2.703 (1.555) 6.083

14

2.726 2.018 4.744 2.565 (1.328) 5.981

A íntegra das Demonstrações Financeiras, as notas e parecer dos auditores, estão disponíveis no site: www.acomunitaria.org.br - “Quem somos” - “Gestão”.

A PPA Zona Norte tem a mais completa linha em Automatizadores de Portão, CFTV, Porteiros, Alarmes e muito mais. PPA - PRONTOS PARA ATENDÊ-LO Av. Eng. Caetano Álvares nº 7.592 - Mandaqui - SP PABX: 11 2952 1474 • 9946 3905 (cel.)

(4.689) (702) (717) (561) (141) 100 (6.710) (729) 484 (40) 444 (285)

Demonstrações das mutações do patrimônio líquido - Exercícios findos em 31 de dezembro de 2010 e 2009 - (Em milhares de Reais) Total 7.781 (285) 7.496 33 7.529

(Unica), Marcos Jank, afirmou que essa decisão indica a transformação do combustível em uma commoditie global. "É o velho sonho do setor privado e do governo da consolidação do etanol como commodity global, por meio da política comum de deixar o etanol circular livremente e de se estabelecer um mercado mundial, como o do petróleo." Algodão – Ontem a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou um projeto para cancelar o pagamento anual de US$ 147 milhões para o setor de algodão do Brasil. O valor foi acertado após o governo norte-americano perder uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) relacionada aos subsídios de Washington ao setor. O Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) acredita que essa posição possa ser revertida no Senado dos EUA. (Agências)

CONFORTO COM SEGURANÇA PARA VOCÊ. DC

2010 Fluxo de caixa das atividades operacionais Superávit (déficit) do exercício Ajustes Depreciação e amortização Resultado na venda de ativo imobilizado Provisão para contingencia

Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou ontem sua estimativa para a produção de soja em grão neste ano para 72,5 milhões de toneladas, ante 71,1 milhões de toneladas na previsão anterior. De acordo com Rodrigo Feix, economista da entidade, esse aumento terá reflexo positivo no processamento do grão, com aumento tanto na produção de farelo quanto na de óleo. Em 2010, o País produziu 68,9 milhões de toneladas de soja em grão. Suco– O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, disse que o governo vai destinar uma linha inédita de R$ 300 milhões para as indústrias de suco de laranja comprarem a fruta para a estocagem da bebida na safra 2011/2012. (AE)

Zona Norte

DISTRIBUIDOR

Demonstrações de superávits - Exercícios findos em 31 de dezembro de 2010 e 2009 (Em milhares de Reais)

Demonstrações dos fluxos de caixa Exercícios findos em 31 de dezembro de 2010 e 2009 - (Em milhares de Reais)

A

EUA: Senado revoga subsídios ao etanol.

DC

Ativo Circulante Caixa e equivalentes de caixa Bancos e aplicações financeiras Contas a receber Estoques Outros créditos I mpostos a recuperar Despesas antecipadas

mentos tiveram forte alta no início deste ano devido ao aumento dos custos dos grãos, renovando as preocupações quanto à segurança alimentar e a pressão inflacionária – particularmente em alguns países em desenvolvimento. Os preços dos grãos têm caído, mas em maio ficaram 37% acima dos níveis de 2010. Na proposta que será feita, o G20, também integrado pelo Brasil, dividiria informações de mercado por meio de um banco de dados denominado Sistema de Informação do Mercado Agrícola (AMIS, na sigla em inglês). Ele será dirigido pela Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) da Organização das Nações Unidas (ONU). (Reuters)

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE ANDRADINA

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Soja terá safra maior

G20 quer evitar especulação de grãos

Carneiro Intermediação de Negócios Benefícios em Geral Revisão de Aposentadoria - Aposentadoria por Idade Aposentadoria Especial - Aposentadoria Proporcional Aposentadoria por Tempo de Serviço - Auxílio Doença Pensão por Morte - Aposentadoria por Invalidez Contagem de Tempo de Serviço Fones: 11 2058 Cel: 11

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sexta-feira, 17 de junho de 2011 Nº 372

DCARR

19 A Ford Ranger universal será uma das estrelas do Salão do Automóvel de Buenos Aires, que abre suas portas hoje para o público na Capital argentina. A presença de jornalistas brasileiros, que visitariam a mostra, a convite da Anfavea, foi impedida pelas nuvens do vulcão Puyehue.

LAND ROVER DIESEL

Atravessando rios e montanhas Com preço partindo de R$ 129.900, chega ao Brasil a Freelander 2 Diesel ANDERSON CAVALCANTE

I

magine uma viagem de carro em que só o trecho inicial chega quase aos 250 quilômetros, com o tempo nublado, chuva em estradas asfaltadas e de terra, alagados e areiões. Ao anoitecer, um acampamento para dormir e, no dia seguinte, o despertar será junto com o sol seguido de mais 150 quilômetros do mesmo tipo de estradas. Cansativo? Não! Pelo contrário, tudo muito prazeroso. Claro que não estamos falando de um simples acampamento. Viajamos no recém-lançado Freelander 2 com motor diesel, 2.2 litros de 190 cv e 42,8 mkgf de torque, e transmissão automática de seis velocidades, além disso, o acampamento teve tudo necessário para oferecer conforto aos jornalistas participantes. A expedição organizada pela Land Rover seguiu por estradas asfaltadas, dunas, rios, lagos e praias, localizadas entre a capital do Rio Grande do Norte, Natal, e a cidade de São Miguel do Gostoso, no norte do Estado. O Freelander 2 Diesel não tem novidades estéticas em relação ao modelo a gasolina e será comercializado em três versões, a S por R$ 129.900, a SE por R$ 147.900 e a HSE, que custará R$ 172.900. Na cidade, ele mostrou que,

apesar de seus 4,50 m de comprimento e 1,74 m de altura, sabe ser ágil nas saídas e retomadas. Segundo a marca, ele vai de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos. No mais, luxo e conforto como em um digno sedan, mas com um atrativo porta-malas para 755 litros de bagagens. O percurso rapidamente nos levou a trechos de terra e cascalho e para isso utilizamos um botão giratório no console que aciona o sistema Terrain Response que regula a distribuição de torque em uma ação conjunta entre motor, câmbio e tração, conforme o terreno. Neste momento utilizamos

a seleção cascalho. Em seguida, usamos a opção lama para ultrapassar locais alagados, deixando claro também, o bom desempenho da tração integral 4x4 e os bons ângulos de entrada e saída (31,2 graus e 34,1 graus, respectivamente). Depois, já utilizando o modo areia, um passeio pelas dunas, coisa que só não deixaria boquiabertos os bugueiros profissionais da região. Ou talvez até eles ficassem surpresos com a capacidade do grandalhão em ultrapassar obstáculos sem deixar o conforto de lado. Mesmo sabendo que muitos jornalistas não estão ambienta-

dos com uma direção radicalmente off-road, alguns trechos foram escolhidos para chegar quase aos limites do carro, mas com monitoramento intensivo de profissionais treinados. E o resultado não poderia ter sido melhor: ótimo teste para carros e pilotos. Abandonamos as dunas após o por do sol e chegamos ao acampamento erguido entre elas e as praias em um trecho desabitado. Assim como a montadora prima pelo conforto e acabamento em

seus modelos, não deixou de se esmerar na produção das barracas, que continham camas, cobertores e jogo de banho de deixar muitas pousadas "no chão". Valeu também o banho quente em barracas apropriadas. Após, um jantar com cardápio condizente com a região, com direito a muitos frutos do mar, um bom bate-papo e, enfim, uma agradável noite de sono. Bom dia - Pela manhã, um café reforçado e o retorno para Natal

inicia logo ao amanhecer. Três fatores marcaram a viagem: a passagem pelo centro de São Miguel do Gostoso, a cerca de 110 km de Natal e inacreditavelmente próxima ao acampamento. A segunda, o marco zero da BR 101, rodovia que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Por último, e o que realmente interessa, já com o Terrain Response no modo asfalto, o ótimo desempenho deste motor diesel na estrada. Apesar de utilizar um combustível que deixa os veículos mais ruidosos, ele pouco deixa o barulho do motor invadir a cabine. Outra vantagem é a facilidade nas retomadas, já que o torque aparece em baixas rotações, atingindo 42 kgfm a 1.750 rpm. Com autonomia de 970 quilômetros, o Freelander 2 Diesel tem consumo médio de 14,3 km/l e traz ar-condicionado digital, nove air bags e na versão HSE oferece tela com mapeamento GPS e teto solar panorâmico.


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DCARR NOVO ORIENTAL

Este chinês tem sangue inglês Fabricado na China, o novo MG ganhou novas linhas com as tendências atuais do design de automóveis. Nada parecido com os simpáticos carrinhos dos anos 60. Fotos:Divulgação

CHICOLELIS

S

e você é "ligado" em automóvel, com certeza se lembra do pequeno MG, o compacto esportivo inglês, muito famoso nos anos 50/60 (havia modelos diferentes, mas este era o mais conhecido), que tinha como grande concorrente, da mesma terra da rainha Victoria, o Triumph, com as mesmas características, que desapareceu do mercado. O MG continuou, tem novos modelos, virou chinês e agora está chegando ao Brasil, com loja na avenida boutique de carros de luxo, a Europa, nos jardins. Ela é a primeira das 11 concessionárias que serão abertas no País até o fim do ano. Lá estão os dois modelos produzidos pelo grupo chinês SAIC, o MG550, sedan e o fastback MG6, ambos que, já apresentados durante o Salão do Automóvel de 2010, são classificados como de luxo pelo Grupo Forest Trade, que representa a marca no Brasil. Os dois modelos diferem muito daquele estilo esportivo conhecido pelos brasileiros, que ganhou a famosa réplica MP Lafer. Dezenas deles ainda rodam pelas nossas ruas e estradas e, em sua maioria, muito bem-cuidados pelos seus zelosos proprietários. MG 550 - O carro, que custa R$ 94.789, em versão única, foi projetado no Centro de Design da MG, em Birmingham, Inglaterra, onde ganhou conjunto ótico com faróis e lanternas integrados a uma grade cromada com formato de trapézio. Seguindo as tendências de alguns modelos europeus da BMW, Audi e Mercedes-Benz, a linha lateral forma uma curva levemente acentuada, terminando nas lanternas traseiras. A tampa

O sedan MG550 e o fastback MG6 são a atual aposta da chinesa SAIC. O modelo MG é descendente de um compacto esportivo inglês, famoso nos anos 50 e 60.

do porta-malas também tem formato trapezoidal. Dentro, o painel digital, com todas as conectividades e modernidades eletrônicas do momento e espaço para cinco pessoas. O modelo vem equipado

com motor de quatro cilindros 1.8 16V turbo, em alumínio, com potência de 170 cv a 5.500 rpm e torque de 21,92 kgfm a 2.5004.500 rpm, com máxima de 270 Km/h. O câmbio, de cinco marchas, é automático com coman-

do tiptronic na alavanca e "borboletas" no volante. São seis air bags e o freio a disco ventilado com sistema de autolimpeza e sensor antitravamento ABS com EBD nas quatro rodas além de controle de tração (TCS).

MG6 - Este, também vendido em versão única, custa R$ 99.789 e também foi projetado na Inglaterra. A marca oferece até sete anos de garantia, dependendo do programa comprado junto com o carro. Ele tem de-

sign agressivo com a característica máscara negra nos faróis e lanternas. Por dentro, a diferença do "irmão" MG550 está nos mostradores analógicos e a tela digital central. Também é igual o conjunto mecânico.

RANGER SPORT

FORTE, ALTA E IMPONENTE No começo a altura chega a preocupar, mas com o tempo acostuma-se

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o começo a altura chega a preocupar, mas com o tempo acostuma-se. Confesso que tive problemas no início. Para a esposa grávida ou para a mãe e a sogra, que, além de "baixinhas", têm a idade mais avançada, só descendo do banco do motorista, abrindo a porta do passageiro e às vezes até fazendo uma escadinha. Mas é esta altura da Ford Ranger Sport 2012 que mais chama atenção, que mais atrai as mulheres em especial. Depois de alguns dias, você já se habitua a estacionar rente a partes mais altas da calçada, facilitando a vida dos passageiros. Esta edição da picape recebeu uma bela grade frontal, o s p a r a - c h oques passaram a ser na cor do veículo e seus faróis e lanternas foram escurecidos e as rodas de liga leve pintadas na cor cinza. Estas, aliás, são outro item que atrai olhares nas ruas. Várias vezes percebi "olhos invejosos" nas rodas da grandalhona. Preço - Comercializada com motor Duratec 2.3 16V, gasolina, de 150 cv de potência, 22,1 kgfm de torque e, de série, com direção hidráulica, ar-condiciona-

do, vidros e travas elétricas, sistema de som My Connection com quatro alto-falantes, conexão USB e Bluetooth, faróis de neblina e alarme, pneus todoterreno, entre outros itens, a Ranger Sport 2011 custa R$ 55.990. Força não falta à imponente Ranger e ela é própria para ultrapassar obstáculos. Os passageiros - voltando às delicadas, esposa grávida, mãe e sogra - reclamam que chacoalha muito, mas adoram observar por cima

os "mortais" que andam em outros "carrinhos". O acabamento interno, simples, lembra sua maior vocação que não é urbana, mas ela está mais equipada nesta linha 2012, além de ter seu design também mais moderno. Agora é só esperar a apresentação do novo modelo global da Ranger, no Salão de Buenos Aires, que abre hoje, mas que não deve substituir a linha atual. Não? Anderson Cavalcante


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AFP

cultura

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Woody: de volta à diversão leve.

Paris é a festa de Woody Allen Capital francesa estrela comédia romântica com Owen Wilson, Marion Cottilard e Carla Bruni. Lúcia Helena de Camargo Fotos: Paris Filmes/Divulgação

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e você pudesse ser transportado do tempo presente para qualquer época da história da humanidade, qual escolheria? Valendo passado e futuro e ainda com a possibilidade de escolher o lugar. O norte-americano Gil (Owen Wilson) não teria dúvidas. Passaria seus dias em Paris, nos anos de 1920. E para o ambiente ficar perfeito, ele encomendaria tardes e noites chuvosas. "Paris é muito mais bonita sob a chuva", diz – e nesse momento quase ouvimos a voz de Woody Allen fazendo a declaração. Personagem principal de Meia Noite em Paris, novo filme do cineasta novaiorquino, e seu alterego na trama, Gil está noivo de Inez, uma bela mulher (Rachel McAdams) e passeia com ela pela capital francesa. Bem sucedido roteirista, acha que vai ter a vida realizada quando conseguir escrever um romance. Mas segue com a escrita empacada, envolto em muitas ideias e poucas decisões sobre como elaborar o texto. No quarto ao lado do hotel no qual se hospedam Gil e Inez estão os pais da moça, que não hesitam em dar palpites sobre todos os aspectos da vida da filha, de vestidos a preparativos para o casamento, incluindo compra de peças de decoração e comportamento do futuro marido. Para aumentar a tensão, entra em cena outro casal de americanos, amigos de Inez. Encontrados por

acaso em um restaurante, passam a conduzir os passeios. O quarteto visita museus, vai a concertos e a degustações de vinhos. Sempre com Paul (Michael Sheen) desfilando seus supostos vastos conhecimentos sobre enologia, artes, história, arquitetura e outros assuntos. E então aparece Carla Bruni, como a guia do museu que vai apontar a falha no monumental acervo de sapiências do visitante. Diversão e neuroses Embora a trama lembre aqui e ali alguns filmes anteriores de Allen, o cineasta sabe, fazendo mais do mesmo, se reinventar. Como em Alice (1990), elementos fantásticos entram na história naturalmente. Como em Desconstruindo Harry (1997), o escritor com problemas encontrará inspiração e apoio onde menos imagina. E como em muitos outros roteiros de Woody, os conflitos entre os casais podem ser tão divertidos quanto neuróticos. Meia-Noite em Paris é bem mais engraçado do que o último Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, de 2010, que continha uma nota melancólica. A tese central é que todas as pessoas, quando pensam no passado, o enxergam mais glamouroso e interessante do que sua própria realidade cotidiana. Mas lembre: trata-se de uma comédia. E há a diversão adicional de encontrar em mesas de bar personalidades como os pintores

espanhóis Salvador Dalí e Pablo Picasso; o cineasta Luis Buñuel; o fotógrafo Man Ray; Zelda e Scott Fitzgerald, além de Gertrude Stein, Cole Porter, Ernest Hemingway e até Toulouse-Lautrec e Paul Gauguin. A bela atriz francesa Marion Cotillard, no papel de Adriana, transita entre os mundos, ligando paisagens e romance. Meia-Noite em Paris poderá agradar até quem não é fã do diretor. Nisso aposta a distribuidora Paris Filmes, que o lança no Brasil em tempo recorde em relação à estreia mundial, que aconteceu no Festival de Cinema de Cannes há menos de dois meses. Os filmes de Allen costumavam demorar muitos meses, às vezes até anos, para chegar às telas brasileiras. Mas de posse da pesquisa que aponta existir público para eles, desta vez o longa foi comprado antecipadamente e chega a 98 salas do País. Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 201, EUA / Espanha, 100 minutos). Direção: Woody Allen. Com Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Adrien Brody, Kathy Bates.

Na foto acima, Owen Wilson e Rachel McAdams. À esquerda, Allen dirige Carla Bruni. Primeiradama da França saiu-se bem no papel da guia de museu.

Miguel Medina/Reuters

PARIS, 1920 Na foto, a Ópera, na década da efervescência cultural em que autores escreviam obras-primas nas mesas dos cafés parisienses; pintores geravam movimentos artísticos, cineastas criavam cenas antológicas. Arquivo DC

Os mitos na mesa do bar Arquivo DC

Arquivo DC

Arquivo DC

O extravagante Salvador Dalí (1904-1989), pintor catalão.

Adrien Brody como Dalí: surrealista com lado cômico.

Os escritores americanos Francis Scott Fitzgerald (1896-1940) e Zelda Fitzgerald (1900-1948).

Alison Pill vive Zelda e Tom Hiddleston é Scott: casal animado.

Ernest Miller Hemingway (18991961): talento iconoclasta.

Corey Stoll é Hemingway: bebedeiras e dicas para Gil.

Nesta edição: no cinema, estreia de Mamonas - Pra Sempre e retrospectiva de Alfred Hitchcock no Centro Cultural Banco do Brasil. Entrevista com Bárbara Heliodora, a grande dama da crítica de teatro. Miriam Leitão lança livro sobre dinheiro brasileiro. Gastronomia: festas juninas nos restaurantes. Visuais: instalação gráfica de Fernando Vilela.


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sexta-feira, 17 de junho de 2011

cultura

Hitchcock completo: mudos, em preto e branco e cores. Na telinha e na telona do CCBB.

Reprodução

Documentário sobre Mamonas Assassinas reúne imagens incomuns. Vale o ingresso.

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longa-metragens entraram na retrospectiva dedicada à obra do cineasta inglês Alfred Hitchcock (1899-1980). Sediada pelo Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, a mostra iniciada ontem, segue até o dia 24 de julho. Na programação entraram desde filmes feitos na época do cinema mudo até clássicos de Hollywood, como Janela Indiscreta (1954); Um Corpo Que Cai (1958) e Psicose (1960). E ainda três curtametragens e 127 episódios da série para a TV Alfred Hitchcock Apresenta. A curadoria do evento é de Arndt Roskens. E 20 filmes da mostra serão exibidos durante dez dias também no Cinesesc. As sessões especiais de filmes mudos serão acompanhadas de

música e narração ao vivo, tratamento que será dado a O Inquilino (The Lodger: A Story of the London Fog), de 1926, um dos primeiros sucessos de Hitchcock, com história inspirada nos assassinatos de Jack o Estripador. Em paralelo, será ministrado um curso sobre o cineasta inglês, com 12 aulas. E editado um catálogo de 400 páginas, com material iconográfico, filmografia e textos inéditos. Tanto o curso quanto o catálogo serão gratuitos. Na parte dedicada à televisão, o público poderá assistir às três temporadas completas de Alfred Hitchcock Apresenta, que no total contam com 117 episódios, dos quais dez dirigidos por ele. Da quarta à 7ª temporada, chegam os sete episódios dirigidos por ele, além de um episódio da série

The Hitchcock Hour, um de Star time e um de Suspicion, também dirigidos pelo mestre do suspense. Nesta sexta (17) chegam às telas do CCBB-SP Agente Secreto, às 10h; Alfred Hitchcock Apresenta, em DVD, ao meio-dia. Cortina Rasgada será exibido às 14h30; Sabotador às 17h e Marnie, Confissões da uma Ladra às 19h30. O destaque de sábado (18) é Os 39 Degraus, às 17h. E na quarta (22) será apresentado, às 19h30, o engraçado O Terceiro Tiro. A mostra se inicia no CineSesc em 8 de julho, com Rebecca, a Mulher Inesquecível, às 19h. (LHC) Hitchcock. CCBB-SP. Cinema: 70 lugares. Rua Álvares Penteado 112, Centro. Tel.: 3113-3651. Ingressos: R$ 4. www.bb.com.br/cultura.

Bastidores da moda, aguardente. E polêmica. Se conseguir, veja o denso francês Vênus Negra.

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egando carona no evento de moda São Paulo Fashion Week, que acontece em São Paulo, estreia TOP Models – Um Conto de Fadas Brasileiro (Brasil, 2009, 90 minutos). Direção de Richard Luiz, com roteiro de Renata Terra. Misto de documentário e ficção, o filme mostra alegrias e dificuldades na vida das modelos. A atriz Alice Braga faz a narração, no papel de uma jornalista interessada em desvendar o mistério que faz as modelos parecerem tão extraordinárias. Aparecem Shirley Mallman, Gisele Bündchen, Carol Trentini (foto à direita), Isabelli Fontana, Raquel Zimmerman, Fernanda Tavares, Adriana Lima, Carol Ribeiro e outras. Há imagens filmadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Tóquio, Londres e Milão, onde ocorrem os desfiles das principais semanas de moda. Chega aos cinemas também outro documentário nacional, Estrada Real da Cachaça(Brasil, 2008, 98 minutos). Com direção de Pedro Urano, o filme se pretende uma investigação histórica e poética, tomando como mote a

popular bebida nacional. O documentário recebeu o prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio 2008, e Melhor Documentário LatinoAmericano no Festival de Mar Del Plata 2008. Já a estreia Vênus Negra (Venus Noire, 2010, França, Itália, Bélgica, 159 minutos, foto acima) é para quem prefere filmes densos. O diretor Abdellatif Kechiche (O Segredo do Grão) confessou a intenção de deixar o espectador desconfortável. Exibido para jornalistas no 67º Festiv a l d e Ve n e z a , o f i l m e f o i considerado difícil por alguns, ótimo por outros e quase insuportável por muitos. Ao final da sessão, houve aplausos e vaias. Ambientado em Paris nos anos de 1800, mostra Saartjie, que sai da terra natal na África do Sul com seu mestre, Caezar, que expõe seu corpo para a audiência dos shows de horrores em Londres. Polêmica garantida. (LHC)

André Domingues Fotos: Divulgação

M

uita gente boa torcia o nariz para os Mamonas Assassinas naquelas tardes de domingo, entre meados de 1995 e o começo de 1996, quando seu besteirol juvenil inundava os programas de televisão, escorrendo rapidamente para os rádios, os carros e as festinhas de criança. A providencial distância dos anos, porém, foi devolvendo o prestígio que o excesso de exposição lhes tomou. No documentário Mamonas pra Sempre, de Cláudio Kahns, que estreia hoje, sexta (17), fica a certeza de que eles eram bons mesmo. Eram sensacionais. Mamonas pra Sempre narra desde a formação da primeira banda de rock dos meninos, a ainda séria Utopia, formada no final dos anos de 1980, até o desfecho abrupto da sua carreira, no desastre aéreo que os vitimou em março de 2006. O material consiste, basicamente, em gravações particulares e televisivas, além de entrevistas com familiares e profissionais do meio musical. Sobressai-se, naturalmente, a figura do produtor Rick Bonadio, descobridor e, ao mesmo tempo, descoberta do grupo (já que, a partir dali, tornou-se um profissional famoso). São dele os depoimentos mais interessantes. O primeiro grande serviço de Mamonas pra Sempre é mostrar que o grupo guarulhense não era um desses enlatados culturais, preparados minuciosamente para agradar à mídia. Ao contrário, o filme registra bem o quanto aquelas performances foram improvisadas e implementadas em seguida com o que tinham à mão, na cara e na coragem. Vista assim, no contexto certo, Pelados em Santos, Vira-Vira e Robocop Gay refletem bem menos as paredes esponjosas dos estúdios do que o cenário da periferia, a herança nordestina, a cultura jovem suburbana em que eles estavam metidos. Outro mérito do documentário é mostrar o quanto os Mamonas eram competentes. Não se trata de apenas tocarem ou comporem bem, em parâmetros estritamente musicais, mas de se comunicarem com incrível desenvoltura na encenação, na dança, nos figurinos. Dinho, sobretudo, pode ser visto como um verdadeiro fenômeno: hábil em todos esses quesitos e dono de uma velocidade mental impressionante (basta ver seus improvisos nas gravações caseiras). A trajetória dos Mamonas Assassinas durou um pouco mais de um ano e transcorreu, praticamente, aos olhos do Brasil inteiro. Há, porém, imagens incomuns no filme, assim como as do pungente show feito no “Thomeuzão”, em Guarulhos, em janeiro de 1996. Acontece que, ainda nos tempos de Utopia, o grupo tinha sido

desprezado por lá, o que magoou profundamente a todos, principalmente a Dinho. Nessa volta triunfal, bastante tensa, o vocalista resolveu subir ao palco com roupas normais (ao contrário das fantasias costumeiras), interpretar uma parte do repertório do Utopia e ainda por cima, parar o show para um ácido discurso contra a elite e a política local. É o ponto mais emocionante do documentário. Vale o ingresso. Mamonas pra Sempre traz, ainda, uma discussão valiosa para o universo dos documentários, já que, por ser quase todo feito a partir de imagens particulares e televisivas, é cinematograficamente mal acabado (e o recurso a vinhetas com animações engraçadinhas não colabora para melhorar...). Fica muito difícil, entretanto, alguém encarar o tema e criar imagens melhores do que aquelas, registradas no calor da hora e, muitas vezes, pelos próprios artistas. Seguindo essa linha, é capaz de, no futuro, o trabalho dos diretores ser o de tratar, organizar e editar o que sai de câmeras, celulares ou webcams comuns. A produção de documentários poderá ser, então, um aplicativo dos sites de imagens. Mamonas pra Sempre (Brasil, 2009, 84 minutos). Direção: Cláudio Khans.


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cultura

Ela decide o futuro dos espetáculos Sérgio Roveri

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Uma tradução pode se revelar tão definitiva quanto a obra original ou revisões feitas ao longo dos anos tendem a melhorar o seu resultado? Como a língua é dinâmica, é possível que após algumas décadas uma tradução esteja ultrapassada. Quanto menos ela recorrer à linguagem do momento, mais chance tem ela de perdurar. Quando a senhora assiste a algum espetáculo que utiliza uma tradução sua, experimenta

execução. Concordo que não são muitos, e que não pode haver grande prazer no que é ruim ou mal feito. Ao longo de sua trajetória, a senhora fez apostas certeiras no sucesso de alguns atores e dramaturgos em início de carreira? Nunca procurei ter bola de cristal, mas, do mesmo modo que muitos outros, reconheci desde logo a presença de talento em alguém que apenas despontava. Creio que tive dois ou três desapontamentos com promessas que não se cumpriram.

Fotos: Lenise Pinheiro

Com que frequência a senhora vai ao teatro hoje? Duas ou três vezes por semana. Em algumas raras semanas, chego a ir cinco vezes.

Divulgação

emida por uns, admirada por outros, ignorada por ninguém. Consenso é uma palavra que parece não cair bem quando se fala da crítica teatral carioca Bárbara Heliodora Carneiro de Mendonça, firme, forte, atuante e afiadíssima aos 88 anos. A seu respeito, existe uma única constatação sobre a qual a classe artística, o público, os muitos amigos e alguns desafetos estão de acordo: a de que ela tem sido, nos últimos 50 anos, a crítica de teatro mais influente do Rio de Janeiro e uma das mais conhecidas e respeitadas do Brasil. Sua coluna, publicada desde 1990 no jornal O Globo, ainda conserva o raro poder de decidir o futuro de um espetáculo – daí o rebuliço nas coxias quando, para desespero do elenco, é anunciada sua presença na plateia. A estreia de Bárbara Heliodora na crítica teatral se deu em novembro de 1957, quando começou a escrever críticas regulares no jornal Tribuna de Imprensa. Passou, depois, pelo Jornal do Brasil, revista Visão e novamente pela Tribuna antes de chegar ao Globo. A comprovada habilidade de dissecar os espetáculos é apenas uma faceta de seus múltiplos talentos. Ela é também professora, conferencista, diretora, roteirista, autora de ensaios publicados no Brasil e no Exterior e, acima de tudo, a maior especialista brasileira em William Shakespeare (foto), de quem já traduziu, entre outros clássicos, as peças Romeu e Julieta, Sonhos de Uma Noite de Verão, Rei Lear e A Comédia dos Erros. É dela, também, a tradução empregada no espetáculo A Tempestade (fotos), a última peça de Shakespeare, atualmente em cartaz no Teatro Raul Cortez, no bairro da Bela Vista. "A tradução da Bárbara faz com que o público desfrute, em português, não apenas do significado exato, mas das sensações do imaginário de Shakespeare", diz Marcelo Lazzaratto, diretor do espetáculo. "Como ela é muito fiel e sabe preservar o que é verso e o que é prosa, a compreensão dos personagens se torna muito mais aguçada". A seguir, os principais trechos da entrevista concedida pela crítica ao Diário do Comércio.

uma sensação de co-autoria? Jamais pensei em co-autoria. Só me preocupa a fidelidade ao autor. Embora seja muito respeitada por seu conhecimento de Shakespeare, a senhora também já traduziu, entre outros, Oscar Wilde, Tchecóv e Agatha Christie. Shakespeare oferece alguma dificuldade especial? Todo autor muito bom é difícil, mas Shakespeare tem grande parte de sua obra em verso, o que se torna mais difícil na medida em que é preciso encontrar qual o ritmo e a música que, na nova língua, podem corresponder ao original. Reprodução

É possível realizar uma boa tradução de uma obra específica de um autor sem conhecer o restante de sua produção e o período histórico em que ele viveu? Talvez. Eu não saberia dizer, porque tenho traduzido obras de autores sobre os quais disponho de informações suficientes. Até que ponto a carreira de

sua mãe, a também tradutora Anna Amélia, influenciou na sua escolha profissional? A minha mãe queria que eu fosse advogada. Eu, na verdade, só comecei a traduzir Shakespeare depois que ela morreu, e nunca com a incrível facilidade que ela tinha, porque era em si mesma poeta. Mas não houve uma influência direta na escolha da minha profissão Por que, na sua opinião, entre tantos outros grandes dramaturgos ocidentais, Shakespeare parece ser o que melhor traduz, até hoje, os anseios do homem moderno? Talvez porque tenha observado seus contemporâneos com tanta atenção, que lhe foi possível obter insights sobre o ser humano em si, seus valores e costumes básicos. O que muda é a superfície. De tempos em tempos, surge alguém com a tese de que a obra de Shakespeare teria sido escrita por outros autores. O que a senhora pensa disso?

ou distração no ato de ver teatro quando se é uma crítica famosa? É claro que sim, cada vez que surge um espetáculo realmente bom de conteúdo, forma e

Não conheço nenhum grande estudioso de Shakespeare que embarque nessa enganação. Existem mais de 50 candidatos ao cargo, mas nenhum deles é Shakespeare. Diz o notável linguista Eric Partridge que todos querem que Shakespeare seja nobre, porque não aceitam que um homem do povo, filho de um curtidor de peles e fabricante de luvas, tenha sido o maior dramaturgo da história.

Como é um dia típico na vida de Bárbara Heliodora? Fico muito em casa, trabalho com traduções, estou planejando um livro, brinco com o cachorro, vejo DVD. Saio pouco, vejo amigos. Nada de muito extraordinário. A senhora é uma entusiasta da dramaturgia brasileira ou encara a produção nacional com algumas ressalvas? Sou torcedora. Acho que a dramaturgia está melhorando, mas ainda tem de caminhar muito para não cair de volta nas chanchadas baratas. Mas como o Brasil está caminhando, o teatro tem de caminhar com ele.

A senhora acredita que o teatro vai resistir ao impressionante avanço das mídias digitais? Eu costumo dizer, por brincadeira, que quando o dramaturgo Eurípides começou a escrever, já houve quem dissesse: "Ele não é Sófocles. O teatro está acabando". Seja como for, não conheço moribundo mais saudável. Não creio que o teatro deixe de existir agora ou no futuro. A senhora angariou inimigos ao longo da carreira? Há alguns, eu creio, que positivamente não gostam de mim. Mas que eu saiba, são poucos. Tenho muitos amigos atores e diretores. É possível encontrar prazer

GÊNIOS DO SHOW

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om um trabalho inédito e duas reprises, a Sutil Companhia de Teatro, criada em Curitiba pelo diretor Felipe Hirsch e pelo ator Guilherme Weber, decidiu comemorar em São Paulo os 18 anos de uma carreira que já brindou o público brasileiro com iguarias como A Vida é Cheia de Som e Fúria, Avenida Dropsie e A Morte de um Caixeiro Viajante. A celebração da maioridade da companhia se dará a partir deste sá-

Murilo Hauser

Resgate de velhas canções de amor bado (18), no Teatro do Sesc Belenzinho, com a estreia do inédito Trilhas Sonoras de Amor Perdidas. O evento ainda traz de volta ao cartaz as peças Não Sobre o Amor, apresentada em 2008 no Centro Cultural do Banco do Brasil, e Thom Pain/Lady Grey, vista basicamente nos principais festivais de teatro do Brasil. Estrelado por Guilherme Weber e pela atriz Natália Lage, Trilhas Sonoras de Amor Perdidas mostra o empenho de um colunista de jornal e

apresentador de um programa de rádio para resgatar do esquecimento velhas fitas cassetes recheadas de canções românticas. Este exercício saudosista ganha um colorido quando ele conhece uma garota que não poderia ser mais diferente dele – a não ser pela paixão que ela também dedica à música. Obviamente, este novo relacionamento terá como trilha sonora as canções que ele começa a gravar para ela. O segundo espetáculo a entrar

em cartaz é Thom Pain/Lady Grey, já na próxima quinta-feira (23). Finalmente, Não Sobre o Amor poderá ser visto a partir de 15 de julho. (SR) Mostra Sutil Companhia de Teatro, estreia neste sábado (18), no Teatro do Sesc Belenzinho. Rua Padre Adelino, 1000. Tel.: 2076-9700. Sábado às 20h e domingo às 18h. R$ 24.

A Sociedade de Cultura Artística programou para domingo (19), segunda (20) e terça (21), na Sala São Paulo, os concertos mais esperados de 2011 na Cidade. Unindo genialidade e show, levam ao palco a música do austríaco Gustav Mahler (18601911); a Sinfônica Simón Bolívar, da Venezuela; e o maestro Gustavo Dudamel (foto). Mahler é o compositor mais lembrado dos últimos dois anos, pelos 150 anos de morte e 100 de nascimento. A Simón Bolívar, projeto El Sistema, idealizado em 1978 pelo pedagogo José Antonio Abreu, atende mais de 250 mil jovens carentes. Saudada pelo crítico Alex Ross, da New Yorker, como a mais celebrada orquestra jovem do mundo, felizmente continua blindada contra as garras do ditador Hugo Chávez. Gustavo Dudamel, fruto do El Sistema, é, no momento, diretor da Filarmônica de Los Angeles, da Sinfônica de Gotemburgo, além da Simón Bolívar. Em São Paulo, rege a grandiosa (70 minutos) Sinfonia N. 7 em Si Menor de Mahler. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes. Tel.: 3223-3966. Domingo (19), segunda (20), terça (21). 21h. R$ 140 a R$ 290. (MMJ)


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cultura

Pinhão, vinho quente e sanfona. Festa junina nos restaurantes tem cardápio especial e diversão para as crianças. Lúcia Helena de Camargo

Risoto de pinhão (à esquerda) da Chácara Santa Cecília. Cheeseburguer feito com broa de milho, da Família Burger (acima).

Festa entre amigos Regina Ricca

S Fotos: Elisângela Andrade/Divulgação

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unho é mês de quermesse, quentão, paçoquinha e bolo de milho. A festa junina acontece no pátio da escola, no galpão da igreja, na rua. Mas se você prefere comer os quitutes da época confortavelmente sentado à mesa do restaurante, trazemos aqui opções de lugares que servem a comida típica. Na Chácara Santa Cecília, a festa acontece amanhã, sábado (18), das 12h às 17h. O restaurante, que tem uma grande área verde, contará com decoração típica, funcionários vestidos a caráter, correio elegante, sanfoneiros e diversão para as crianças. No bufê, para petiscar haverá pastéis de carne, queijo e palmito; mandioca frita; pinhão; tapioca; milho cozido; batata doce frita; espetinhos de carne, frango, linguiça e queijo coalho e pamonha salgada. Entre os pratos principais, leitão à pururuca (assado no fogão a lenha); feijão tropeiro; arroz biro-biro; couve mineira; quibebe (refogado de abóbora); banana da terra grelhada; pescada branca em crosta de pão e ervas finas; galeto assado com batatas ao murro; polenta mole com molho bolonhesa; costela de boi assada ao alecrim, medalhão de mignon ao rôti envolto em bacon e risoto de pinhão. No copo, quentão, vinho quente, caldo verde e de feijão. Custará R$ 69 para adultos e R$ 25 para crianças de seis a 12 anos. Grátis até cinco anos. Para aos pequenos, cachorro-quente; batata frita smille; filé de frango; penne colorido e creme de milho. A mesa de sobremesas terá arroz doce, canjica, curau, pamonha doce; maçã do amor; canudinhos de doce de leite e amendoim e cocada de colher. Uma brincadeira vai reunir a tradicional pesca de festa junina com educação ambiental. Chamada de Pescaria Ecológica, objetivo é pescar materiais como garrafas PET, papéis e caixas de leite, e jogá-los nos recipientes identificados para reciclagem (papel, metal, vidro e plástico). Quem depositar mais coisas no lugar certo ganha a prenda. No Derruba Lata, cada lata numerada corresponderá a ações ecológicas, como evitar derrubada de árvores e limpar um lago. Vence quem chegar na categoria "salvou o planeta". A recreação infantil terá ainda pintura de rosto – bigodinho para os meninos e pintinhas para as meninas. Sardinhas

Na Adega Santiago, cuja cozinha é inspirada nos sabores da Península Ibérica, a vedete é a sardinha. O cardápio foi criado para homenagear Santo Antônio, santo popular em Portugal. Vem sendo servido desde o dia 13, o dia do santo, e segue até domingo (19). O peixe aparece em em três versões: sardinhas assadas na lenha (R$ 27); sardinhas na grelha com pão (R$ 27) e tapas de sardinha com cebola e ovo de codorna (duas unidades, R$ 10,50, e quatro unidades, R$ 20). Para harmonizar, a casa sugere o vinho Quinta

da Aveleda, vendido a R$ 59 a garrafa e R$ 15 a taça. As sardinhas na lenha integram o cardápio fixo. Broa de milho A hamburgueria Família Burger criou um cardápío especial para o mês de junho. O tradicional pão do cheeseburger foi substituído por broa de milho (R$ 10,10); o milk shake de creme ganhou cobertura de farelos de paçoca (R$ 17,90). A festa termina no dia 29, dia de São Pedro.

A pesca infantil na Chácara Santa Cecília. E as sardinhas na brasa da Adega Santiago: tradição nas quermeses de Lisboa.

hows musicais vão dar tempero especial à programação de TV nestes dias frios de inverno, a começar pela homenagem que o rei do pop Michael Jackson recebeu de vários amigos – Whitney Houston, Gloria Gaynor, Dionne Warwick, Gladys Knight, Elizabeth Taylor e Samuel L. Jackson – no Madison Square Garden, em Nova York em 2001, quando ele celebrou 30 anos de carreira. Rever um elenco de músicos estrelados festejando esse ícone pop, dois anos após a sua morte, em Los Angeles, e rever a participação dos irmãos Jackson – que não se apresentavam juntos havia 20 anos – recordando os principais momentos do grupo Jackson Five pode aquecer qualquer noite fria no sofá. O especial 30th Anniversary Celebration vai ao ar neste domingo (19), às 23h, pelo canal A&E. No Canal Brasil, também no domingo, às 21h, quem pede passagem é o samba malandro de Martinho da Vila (abaixo) na gravação do CD Lambendo a Cria, no qual o sambista reverencia àqueles que participaram ativamente de sua trajetória neste trabalho recém-lançado. Martinho aqui retorna às raízes e reúne instrumentistas que o acompanham há anos para compor a realização do CD Lambendo a Cria, uma celebração à família e à amizade. Realizado em março de 2010, o especial conta com 14 faixas compostas e interpretadas por Martinho, acompanhado dos filhos e sua banda, os quais apelidou carinhosamente de Família Musical: Paulinho Black (bateria); Ivan Machado (baixo); Wanderson Martins (cavaquinho); Kiko Horta (acordeom e teclado); Cláudio Jorge (violão); Marcelinho Moreira e Tunico Ferreira (percussão);

Analimar, Juju e Paula Tribuzy (coro) e Ovídio Brito (percussionista). As apresentações acontecem em estúdio, divididas em duas partes: na primeira, todos estão posicionados tradicionalmente, e, posteriormente, em uma roda de samba improvisada. No repertório, canções inéditas e outras já gravadas, como Na Minha Veia, sucesso na voz de Simone. Destaque também para Noel, tributo a Noel Rosa; Lara, homenagem à Dona Ivone Lara em parceria com a filha Mart'nália (abaixo); e Agradeço à Vida, versão para o clássico Gracias a La Vida, imortalizado por Mercedes Sosa. Outro nosso velho conhecido, o alagoano Hermeto Pascoal (acima) está prestes a completar 75 anos de idade. E no dia 20, segundafeira, dois dias antes do aniversário, mostra músicas autorais (daquelas que ele chama de universais, porque podem ser tocadas e entendidas em qualquer lugar do planeta), às 22h, no SescTV. Inédito, o espetáculo foi gravado no Sesc Consolação, em São Paulo, e nele Hermeto lembra, em depoimentos que intercalam as músicas, passagens da infância, conversa sobre a sua carreira e como conheceu Aline Morena, que contribui com voz, percussão e viola no septeto que o acompanha. Formada em canto erudito, Aline fala sobre a permissão que Hermeto dá a cada integrante do grupo para que se descubram a si próprios. No repertório, composições e improvisos de autoria do multi-instrumentista, que expõe sua versatilidade ao tocar diversos instrumentos, como piano, flauta, escaleta, além de uma bomba de bicicleta e uma chaleira. Destaque para as músicas Ilzinha, Ailin, Piano Solo, Improviso e Garrote.

Adega Santiago. Rua Sampaio Vidal, 1072, Jardim Paulistano. Tel. 3081-5211. Chácara Santa Cecília. Rua Ferreira de Araújo, 601, Pinheiros. Tel. 3034-6251. Família Burger. Rua Monte Alegre, 681, Perdizes. Tel.: 3672-8989.

Divulgação

O brilho da nação maranhense Aquiles Rique Reis

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rancisco Fuzzetti de Viveiros Filho nasceu em São Luís do Maranhão. Ao completar dezoito anos, desceu para São Paulo. Cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Influenciado pelo ambiente musical da época, fez-se compositor e violonista. Àquela altura, conhecido apenas como Maranhão, tocou violão na premiada montagem de Vida e Morte Severina (1968), de João Cabral de Melo Neto, cujos versos Chico Buarque musicou. Participou do terceiro Festival de Música Popular Brasileira (1967) da TV Record, onde conquistou o sexto lugar com o frevo Gabriela. Para avaliar o va-

lor do feito, lembremo-nos de que nesse festival Edu Lobo e Capinan conquistaram o primeiro lugar com Ponteio, Gilberto Gil ficou em segundo com Domingo no Parque, Chico Buarque, com Roda Viva, ficou em terceiro e Caetano Veloso (Alegria, Alegria) chegou em quarto. O tempo passou e Maranhão voltou para casa. Virou Chico Maranhão e tratou de fazer valer seu amor por sua terra, nomeando-a Nação do Boi. Fezse um estudioso cultural e aprofundou seu olhar amoroso sobre a cidade de São Luís, o que o levou a escrever o livro Urbanidade do sobrado, um estu-

do sobre a arquitetura dos sobrados da antiga São Luís. Compositor instintivo, mas com rara sensibilidade, Chico Maranhão, em seu retorno, logo se dedicou a um disco de fôlego: Ópera Boi - O sonho de Catirina, uma ópera popular em um ato. No CD (independente, com apoios diversos), Chico Maranhão disseca o espírito do bumba-meu-boi maranhense; demonstra suas variantes; espicaça suas intenções; chama atenção para a força

do boi no imaginário da gente maranhense. E isso não é pouca coisa, não! Trata-se, isso sim, de uma obra de referência para os que acreditam que é através da cultura e suas manifestações populares que o Brasil assume sua verdadeira cara como nação. Ópera Boi – O Sonho de Catirina pr incipia com um tambor de crioula. A marcação rítmica é tão forte como potente é a voz feminina que entoa versos ricos em imagens. Ao final, surgem cantos de passari-

nhos, em satisfeita harmonia com as cordas que remetem a um canto litúrgico. Vem um polichinelo para alegremente anunciar a chegada do circo. Os lavradores Catirina e Francisco conversam. Cinco cantatas têm ritmo de matracas, pandeirões e chocalhos, em comunhão com cordas, violão, teclado, sopros e flauta, resultando em saborosa mescla de sons múltiplos. Ao misturar a consistência da arte popular com a fortuna da música erudita, a simplicidade musical do trabalho cativa. E vêm surgindo em cena o amo e senhor, os Rajados, os Tapúios e os Ca-

zumbás. É o povo cantando, dançando o passo e a sua dor ancestral. Os solistas, o coro, o batuque e o cordão tornam vivo o boi. E nele, São Luís e o Maranhão se agigantam e se tornam ainda mais fortes e pertencentes àquela uma gente que os ama incondicionalmente. Trabalho de um verdadeiro amador, a ópera popular de Chico Maranhão tem na emoção e na sinceridade a bela tônica. Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.


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Os Vinhos da Dinamarca Carlos Celso Orcesi

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spero não cansar os leitores contando causos de recente viagem aos países nórdicos: Noruega, Suécia e Dinamarca. Fez 21º em Copenhagen (1,5 milhão habitam a região metropolitana) e as moças vestiam regata e mini-saia. Nada contra: adorei as pernas brancas, canais e ruas divididas por pedestres e bicicletas. Nas últimas décadas sofisticado planejamento tem desenvolvido áreas urbanas antes degradadas, como a zona portuária, distritos industriais e cervejarias, por exemplo em Orestad e Carslberg. Aliás, por falar em vinhos, cervejas densas e geladas no ponto. De repente a gigante da navegação Mersck doa à cidade a nova "Ópera", tão bela por fora quanto o novo "Concert Hall" da Sinfônica da Dinamarca é por dentro. Vale a pena abrir o Google em 'Copenhagen Ópera' para entender minhas palavras. Dois centros culturais construídos há quase dez anos num país com 10 milhões de pessoas! Todos vão à ópera? Na Zelândia (bairro residencial a 30 kms.) o Museu Lousiana tinha incrível quantidade de 'aposentados' ouvindo aquelas longas explicações dos guias sobre Giacometti,

Arquivo DC

Andy Warhol, Henry Moore e mais de 100 Picasso! Que país é este cujo zoológico contrata o arquiteto Norman Foster (que esteve no final de maio no Brasil) para desenhar ambientes para elefantes e hipopótamos, em nome da "promoção do bem estar da fauna em cativeiro"? Abram "the elephant house Copenhagen" no youtube. Obviamente que unem o útil ao agradável porque atraem turistas às novas atrações. De nossa parte, conseguiremos construir aeroportos para a Copa do Mundo de 2004? E por falar em zoológico, Guarulhos é um... chiqueiro comparado aos aeroportos da Escandinávia. Sobre Copenhague tenho uma estória que renderá vários artigos: o jantar no Noma, o nº 1 do mundo. Antecipo: aquilo não é jantar, é um show de culinária. Nosso cicerone em Copenhagen Peer Braginsky, fez curiosa aposta: "o AOC é melhor do que o Noma". Bom, mas não chega a bater o nº 1. O fato apenas demonstra como as classificações são sutis. Quem lê

o regulamento da Restauranteur que seleciona os melhores do mundo (o DOM de Atala pulou do 23º para o 8º lugar) constata porque a classificação é respeitada. É como na eleição do "bola de ouro" da FIFA, quem vota são os boleiros,

no caso os restauranteiros e críticos de culinária do mundo afora, não o público, não você e eu. Como no Oscar, o melhor filme quase nunca é o recordista de bilheteria. Na noite posterior fomos ao AOC.

Trouxe o menu para casa: três entradas, duas das quais dei nota 9,5 (a) pão queimado com queijo defumado e caviar por cima e (b) duas ostras com couve-flor picada e gema de ovo acima. O vinho foi Sauvignon Blanc Dog Piont 2009 de Marlborough, a principal região vinícola da Nova Zelândia. Sempre em pequenas doses não gostei do lingueirão (molusco, espécie de caramujo) com cascas de ervilha, morango e azeite; e logo em seguida camarão com sal, broto de alface, pétalas de flor (aneto) e espuma de queijo. O cardápio em inglês menciona "fried skate". Difícil tradução? Raia, sim, aquele peixe esguio da família dos tubarões. Não gostei mas tentei. Pior foi comer baleia na ilha de Lofoten na Noruega! No total foram três entradas, cinco pratos e duas sobremesas. Poderia parar por aí porque todos já tiveram ideia. O AOC inclusive compatibiliza o vinho com a comida. Para cada prato um copo de vinho. Destaque para o 'Les Hauts' de Smith Blanc 2006 e para o 'Pauillac', segundo

vinho do Château Pichon Longueville Baron de Lalande 2006, servido com picadinho de carne com caldo reduzido de cogumelos silvestres, ervas verdes e maionese de cebolinha. 'God', bom! Para finalizar 'Castelnau' do Château Suduirat 2001, Sauternes, com estranho sorvete de bétula (aquela planta medicinal) com amêndoas, merengue queimado e toque de alcaçuz. Na terceira noite fomos a um bom... italiano, o "La Vecchia Signora" que como os boleiros sabem se refere à Juve de Turim. Pasta, pão e vinho, aliás um ótimo "Canonnau di Sardegna", da família Garnacha (Espanha) ou Grenache (França) dos Chateauneuf-duPape. Copenhagen impressiona com bairros futuristas, construções novas 'nye' e restaurantes inovadores. O homem quer brincar de Deus mas Ele responde: é impossível fabricar o pôrdo-sol, visto da janela do Noma, às 9 da noite, sobre o Nyhaven, "porto novo"... escavado em 1693 (foto). Antiga zona de prostituição, hoje abriga restaurantes ao longo do passeio. Num deles almoçamos pizza, regada a 'olio di oliva' e Carlsberg nacional, 318 anos depois.

Fotos: Divulgação

Miriam Leitão conta a luta do povo contra a inflação

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s que conhecem a jornalista especializada em economia Miriam Leitão por meio de suas colunas de jornal, no rádio e na televisão, estão acostumados a seu comedimento e à sua objetividade. Ela maneja números, estatísticas e analisa situações reais com o realismo próprio dos cientistas em seus laboratórios. Mas, em seu novo livro, Saga Brasileira: a Longa Luta de um Povo pela Sua Moeda, lançado pela Editora Record, ela se revela uma mulher apaixonada pelo povo brasileiro. Pois Miriam Leitão não se limita a retratar as idas e voltas da luta contra a inflação e a hiperinflação que marcou o País nos últimos 25 anos por meio da narrativa do confronto entre governantes, ministros e economistas, da narração da sucessão de teses sobre as origens da inflação – seria de demanda, seria de oferta, seria inercial? – ou dos diferentes remédios para debelá-la – o choque ortodoxo, o choque heterodoxo ou o choque anti-inercial. Não se limita a descrever as ações e as personalidades de nomes como Persio Arida, André Lara Resende, Pedro Malan. Pelo contrário, ela sai às ruas, vai aos supermercados, entra nas casas, acompanha os sofrimentos das donas de casa, principalmente das camadas mais populares, com os preços que literalmente não paravam de disparar; testemunha os momentos de euforia, que se revelaram precipitados, durante o Plano Cruzado. Narra as peripécias hoje julgadas ultrajantes do Plano Collor em que a população no começo aceitou o mal disfarçado confisco de seus depósitos bancários, e depois se desiludiu com o fracasso, e até com o próprio Collor. Plano Real - A história vai finalmente desembocar no êxito duradouro do Plano Real, êxito em que, segundo demonstra Miriam Leitão,

Renato Pompeu a participação do povo, não só pela escolha de onde, quando e a que preço comprar, mas também pelo voto e pelas pressões inerentes ao jogo democrático, foi decisiva em todos os momentos. A autora também não esconde suas preferências entre os vários economistas, mas sempre se baseando em fatos. Ao destacar o que considera acertos de Arida e Lara Resende, por exemplo, ligados à Pontifícia Universidade Católica-PUC do Rio de Janeiro e outros,, ela destaca também o que considera erros de Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo e

João Manuel Cardoso de Mello, ligados à Universidade Estadual de Campinas, SP-Unicamp, e outros - isso só para falar dos que passaram à história como os "pais do Cruzado". Mais do que jornalista especializada em economia, Miriam Leitão aparece nesse livro como uma jornalista completa, a bem dizer uma verdadeira historiadora – tanto que a apresentação é feita por ninguém menos do que o consagrado historiador José Murilo de Carvalho. Ela faz não só uma acurada análise técnica dos sucessivos planos

contra a inflação e hiperinflação de tantos anos atrás, como uma grande e comovente reportagem sobre as emoções e atitudes, caracteres e personalidades, não só de presidentes da República, ministros, grandes empresários, economistas, mas de gente de nosso sofrido povo, na sua vida cotidiana. E finalmente ela faz história, faz uma verdadeira história de um dos poucos povos, o brasileiro, que conseguiu debelar uma hiperinflação sem um grande trauma político, sem conflitos violentos, sem sequelas intoleráveis, como aconteceu na Alemanha nos anos 1920 e na Argentina dos anos recentes. Epopeia - Desse ponto-de-vista, seu livro chega a ser uma grande epopeia, com momentos literalmente épicos. Mas Miriam Leitão deixa claro que o tom épico não advém de sua pena privilegiada; é uma epopeia que advém dos fatos, do comportamento do povo brasileiro em geral, da personalidade e da capacidade intelectual e prática de alguns de seus melhores filhos. Ler seu livro é se enfronhar na política, na economia, nas questões internacionais, mas se envolver também na capacidade das pessoas anônimas do povo que tanto contribuíram para o êxito, finalmente, do Plano Real, lançado afinal pelo presidente Itamar Franco e pelo ministro Fernando Henrique Cardoso. Neste momento em que a inflação de novo bate à porta, é preciso rever um triste passado que se tornou um triunfo ainda hoje presente, mas que pode ser ameaçado no futuro. Nunca um livro sobre economia teve um título tão chamativo, mas ao mesmo tempo tão adequado. A luta do povo brasileiro contra a inflação foi, de fato, uma saga e merece ser relembrada pelos que a viveram e, mais do que isso, merece ser conhecida pelos mais jovens.

Política e pop arte em movimento Rita Alves Quer ver um espetáculo de dança sem precisar colocar a mão no bolso? Uma boa opção está no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000, Paraíso, tel.: 3397-4002). É lá que os bailarinos Cléia Varges, Daiana Rodrigues, Marcela Teixeira, Mazé Soares, Rodrigo Cândido, Thiago Silva e Welton Silva exibem A Máquina de Fazer Falar, dirigido por Gal Martins. O espetáculo aborda a rotina do departamento Político de Auschwitz e será apresentado nesta sexta (17), sábado (18) e domingo (19), às 21h. Já no Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195, R$ 10, tel.: 3095-9400), quem se apresenta é a Cia. Perversos Polimorfos. Eles exibem todas as terças e quartas, às 21h, o espetáculo Ânsia, até o dia 13 de julho. No palco, a poesia da dramaturga Sarah Kane e os retratos desenhados pelo artista David Hockney dão forma aos movimentos dos dançarinos, que dançam sem cenário especial. “O palco vazio é explorado no design de luz que procura ampliar a sensação de solidão tão presente na obra de Sarah Kane: o subsolo”, explica Ricardo Gali, diretor e bailarino-intérprete, responsável pela concepção do espetáculo. Com trilha sonora experimental de Dan Nakagawa, a apresentação exibe uma dramaturgia coreográfica em tempo real. “Neste trabalho é difícil especificar o quanto de improviso e de coreografia existe. Na verdade há desenhos de cena bem estabelecidos, mas a ordem em que os movimentos acontecem dentro de cada cena é construída na hora”, conta a codiretora e bailarina Nathalia Catharina.


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Instalação Caçadas - Deslocamentos Gráficos, de Fernando Vilela, exibe máquinas destrutivas. cultura E encantadoras.

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Mergulho poético Rita Alves

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ostes de luz, placas de rua, semáforos, fachadas de prédios, calçadas. Tais elementos urbanos, presentes no entorno do prédio da Funarte, serviram de inspiração para o artista plástico Fernando Vilela criar sua própria cidade. O feito pode ser visto na ocupação intitulada Caçada - Deslocamentos Gráficos, em cartaz na sala Mário Schenberg, da Funarte. O espaço de 233 metros exibe uma gigante gravura impressa, que recobre todas as paredes da sala. Em preto e vermelho, o belo trabalho mostra dois aviões caças (F-14 e F-18) cercados de traços e planos.

Fotos: Divulgação

Caçadas Deslocamentos Gráficos: instalação gráfica mostra dois aviões caças cercados de traços e planos, na Funarte.

Dentro da sala, a sensação de iminente destruição em meio ao silêncio é uma das possibilidades. Alguns, encantados com os movimentos das linhas e massas de cor, quase não percebem os aviões. "Outras pessoas fazem a leitura mais literal dos aviões como se referindo aos conflitos na África do Norte e Oriente Médio. Outras ainda sentem a sala como aconchego. O trabalho é aberto", conta o artista. Mas antes de conhecer a sala, o público pode assistir a um vídeo de cinco minutos com imagens estáticas, filmagens e animações exibido em uma tela de TV, próxima da entrada da sala. O filme foi pensando desde o início do trabalho e finalizado depois das gravuras dos aviões e a concepção final da instalação, estreitando assim o diálogo entre eles. Segundo Vilela, assisti-lo antes de entrar na Mário Schenberg pode ser interessante porque o vídeo funciona como um prelúdio ao trabalho. Apesar da imagem dos caças, a destruição urbana não foi o foco do artista no momento de criar. Vilela pensou na imagem poética da transformação, como a ocorrida na metrópole. "São Paulo é uma cidade quase sem passado, que engoliu algumas vezes as cidades antigas. Esta metrópole nunca foi bombardeada numa guerra, mas a destruição do passado abre espaço para a construção do presente e futuro com boas e más consequências. O trabalho dialoga com este processo."

Vilela também não crê que as grandes metrópoles caminhem rumo à destruição. "Destruição acho um termo forte. Talvez colapso seja mais adequado", diz. "Sou positivo com a vida e com o ser humano, apesar do capitalismo ser um sistema falido e destruidor do planeta. Há um movimento natural irracional e egoísta de pessoas que querem riqueza a todo custo e ao mesmo tempo outros movimentos que vão na direção de melhorar o mundo e também com força e ação efetiva de transformação, em diversos níveis. Me identifico como esses grupos." Para criar uma cidade dentro de outra, o artista fez o projeto de uma instalação gráfica para a galeria da Funarte, especialmente para o Prêmio Ocupação dos Espaços Funarte 2010. Contemplado, Vilela começou seu trabalho gráfico com gravuras, fotografias, desenhos e colagens, que dialogavam com o entorno arquitetônico da galeria. "Um dia surgiu a ideia de colocar os caças mergulhando e encalhando nessa cidade. Eles já permeavam minha imaginação há um certo tempo", afirma. "Há uma contradição entre o encanto da beleza gráfica dessas máquinas e seu poder nocivo e destruidor. Fazê-las interagir com a cidade de São Paulo foi o ponto de partida desta obra." Funarte. Alameda Nortmann, 1058, Centro. Tel.: 3662-5177. Grátis.

Há uma contradição entre o encanto da beleza gráfica dessas máquinas e seu poder nocivo e destruidor. Fazê-las interagir com a cidade de São Paulo foi o ponto de partida desta obra. Fernando Vilela


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