Issuu on Google+

Presente do Dia do Comerciante Ano 87 - Nº 23.666

Conclusão: 23h45

Jornal do empreendedor

www.dcomercio.com.br

R$ 1,40

São Paulo, sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

Preparamos um caderno especial de 14 páginas em homenagem a quem, dia após dia, faz a economia prosperar.

Arte sobre foto de Marcus Mok/Corbis

A China reduziu em até 50% os impostos sobre lucros que empresas estrangeiras repatriam a seus países para incentivar mais investimentos. E o primeiro-ministro Wen Jiabao alertou para "tempos difíceis". Pág. 18 Daniel Marenco/Folhapress

Antonio Milena/AE

De ré no tempo para estacionar Eram poucos os carros. E não havia garagens. Muito menos congestionamentos. Pág. 9 Yasen Homsy/Reuters

Reprodução The Sun

Guerra civil adentra a capital síria.

Saem as mocinhas, entram os marmanjos. Neymar, que brilhou no 1º coletivo da Seleção que vai a Londres, foi o mais 'tietado' na escola de Educação Física do Exército. Pelo menos não teve gritinhos... Esporte

Batalhas no sul de Damasco. Acima, em Homs, oposicionista guarda posição. Pág. 8

Este senhor mandou 15,7 mil judeus para a morte Nazista mais procurado do mundo foi encontrado em Budapeste: Lazlo Czatary, 97 anos. Pág. 8

HOJE Chuvoso durante o dia e a noite. Máxima 15º C. Mínima 10º C.

ISSN 1679-2688

23666

AMANHÃ Chuvoso durante o dia e a noite. Máxima 17º C. Mínima 11º C.

9 771679 268008


DIÁRIO DO COMÉRCIO

2

o

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

Se olharmos em direção à Eurolândia, creio que não há muito o que discordar das análises pessimistas. Delfim Netto

pinião

HORA DE PÔR MÃOS À OBRA DELFIM NETTO

Com relação ao Brasil, não se pode deixar de reconhecer que estamos em situação relativamente mais confortável que outros países. Não sem motivo, somos uma das sociedades onde são maiores o otimismo e a esperança de melhoria no futuro.

tacional e o aumento do consumo interno, seja acelerando os investimentos mais pesados nos setores da infraestrutura e dos transportes. Seja qual for a visão que se tenha, de fora, da economia chinesa, não resta dúvida que ela vai continuar liderando o desenvolvimento mundial, embora desacelerando dos formidáveis 10% ou 11% anuais para robustos 7,5% ou 8% de crescimento do PIB.

A

divulgação em Paris, na semana passada, da série de "indicadores antecedentes" da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que trata do nível da atividade nos 34 países mais desenvolvidos do globo, conclui que o crescimento da economia mundial será declinante nos próximos meses, apontando apenas uma exceção: o Brasil. Não é novidade – segundo a análise da agência de notícias Down Jones Newswires , publicada na edição da última terça-feira do jornal Valor Econômico (pág. A-13) – que, entre os países desenvolvidos, o principal foco da fragilidade continua sendo a zona do euro. Os indicadores – que se mostraram confiáveis no passado – representam um golpe a qualquer esperança que ainda havia entre as autoridades do mundo inteiro de uma rápida saída de um período de atividade anêmica. Interessante é que depois de mostrar que o "crescimento declinante" não vai poupar Estados Unidos, China, Rússia e Índia, o relato da agência

Q afirma que os indicadores antecedentes revelam que "a principal exceção à tendência geral foi o Brasil, que teve seu indicador antecedente elevado de 99,0 pontos de abril para 99,2 pontos em maio, o que, segundo a OCDE é sinal que o crescimento do país vai se acelerar". Até por que não houve tempo para acessar o texto integral do documento da OCDE, temos de limitar este comen-

tário, mas é evidente que o relatório contrasta fortemente com as avaliações pessimistas de um número significativo de nossos economistas e comentaristas, que têm ocupado os espaços na mídia nas últimas semanas. Se olharmos em direção à Eurolândia, creio que não há muito o que discordar das análises pessimistas, pois quando se assiste à furiosa reação popular de gregos e espanhóis

no momento mesmo em que estão recebendo o socorro financeiro dos demais parceiros, é difícil imaginar que a crise social e econômica vá ceder, mesmo com as mudanças de governo. No caso da China e dos Estados Unidos, a desaceleração que atinge suas economias e os esforços de recuperação têm características claramente distintas: os americanos dependem do re-

sultado da eleição presidencial, até o momento obviamente indefinida, pendendo ligeiramente, entretanto, para um repeteco de Obama. Já o processo chinês procura repetir o esforço bem sucedido com que enfrentaram os efeitos da crise de 2008/2009, mas mudando o foco para o crescimento do mercado interno, seja estimulando moderadamente a expansão do mercado habi-

uanto ao Brasil, é difícil deixar de reconhecer que estamos em situação relativamente mais confortável e que, não sem motivo, somos uma das sociedades onde são maiores o otimismo e a esperança de melhoria no futuro. Ultimamente temos crescido bem menos do que poderíamos, não fossem os efeitos dos furacões financeiros. E, à semelhança da China, voltamos a estimular o crescimento do consumo interno, da construção habitacional e os investimentos pesados nos setores da infraestrutura de energia e transportes. ANTÔNIO DELFIM NETTO É PROFESSOR EMÉRITO DA FEA-USP, EX-MINISTRO DA FAZENDA, DA AGRICULTURA E DO PLANEJAMENTO

contatodelfimnetto@terra.com.br

COMO FIGUEIREDO ME PROMOVEU E

ra 15 de outubro de 1978. O Brasil vivia sob o regime militar e o presidente da República era definido por um Colégio Eleitoral, no Congresso Nacional, onde a Arena, partido oficial, detinha a maioria. A oposição orbitava em torno do MDB. O governo militar indicou o general João Batista Figueiredo no Colégio Eleitoral para sucessor do general Ernesto Geisel. A oposição lançou também um general, já reformado, Euler Bentes Monteiro, para concorrer – de certa forma legitimando a "disputa" presidencial. O Colégio Eleitoral se reuniu na manhã daquele 15 de outubro no plenário da Câmara dos Deputados. Eu estava lá. Eu vi e narrei. Trabalhava então na Rádio Capital de São Paulo como comentarista político, dentro das regras do regime vigente.

Fui escalado para participar da cobertura da votação e cheguei a Brasília no dia anterior, hospedando-me no Hotel Aracoara. Ali estava também o quartelgeneral, ou melhor, o comitê de campanha do general Figueiredo. A emissora havia escalado uma repórter para a cobertura e o correspondente da rádio na Capital Federal para a transmissão. Eu faria os comentários dentro dos limites possíveis.

N

a hora de iniciar a transmissão, numa cabine improvisada na galeria do público, soube que a repórter havia exagerado na noite anterior e estava sem condições de trabalhar. E que o correspondente da emissora era taquígrafo do Congresso e havia sido escalado para trabalhar na sessão. Resumo da ópera: fiquei sozinho – e durante

PAULO SAAB cinco horas, das nove da manhã às duas da tarde, estive no ar transmitindo o que acontecia, voto a voto, na eleição indireta presidencial. Figueiredo foi eleito com 355 votos a favor, contra 226 dados a Euler Monteiro. Foi uma eleição até inflamada, com protestos no microfone do

plenário, do tipo: "Contra o cheiro de cavalo, voto no general Euler Monteiro", como esbravejou um oposicionista, por Figueiredo ter dito que preferia cheiro de cavalo (ele era da Cavalaria) a cheiro do povo. Terminada a transmissão, voltei

O general Figueiredo, empossado naquele dia, me deu um aperto de mão forte e disse: "Parabéns pela sua cobertura". E voltou para o meio dos demais presentes.

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Claudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

ao Hotel Aracoara. Estava arrumando a mala para voltar a São Paulo quando recebi um telefonema do professor Edvaldo Alves da Silva, dono da Rádio Capital, chamandome para encontrá-lo no Hotel Nacional (que era o máximo naquela época). Pensei com meus botões: será que eu disse muitas bobagens?

E

stranhei quando me apresentei na recepção e fui imediatamente "escoltado" por dois seguranças tipo armário até o apartamento do professor Edvaldo. Lá havia muita gente comemorando o resultado do Colégio Eleitoral. E o professor me disse: "O general Figueiredo acompanhou a votação ouvindo sua transmissão pela nossa Rádio Capital. Ele quer cumprimentá-lo". O general me deu um aperto de mão forte e

disse: "Parabéns pela sua cobertura". E voltou para o meio dos demais presentes. O professor me levou até a porta do apartamento e foi direto: "Segunda-feira apresente-se ao Hélio Ribeiro (diretor geral da rádio) como novo diretor de jornalismo da Capital".

A

Arena virou PDS. O MDB virou PMDB. O general Figueiredo ficou famoso pelas frases que produzia, mas também deu os passos em direção à reabertura democrática, que ocorreria no fim de seu mandato de seis anos. Ah! E eu fiquei dois meses na direção e voltei a ser comentarista político até 1983, quando saí da emissora. Por incompatibilidade de gênios com a magistral figura do Hélio Ribeiro – o poder da Comunicação. PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edi tor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Eliana Haberli e Evelyn Schulke, Ricardo Osman, Tsuli Narimatsu Repórter Especial: Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), . Repórteres:André de Almeida, Fátima Lourenço, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, , Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens : dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3180-3175. Fax 3180-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3180-3197, 3180-3983, Fax 3180-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3180-3544, 3180-3176 , Fax 3180-3355 Esta publicação é impressa em papel certificado FSC®, garantia de manejo florestal responsável, pela Oesp Gráfica.

REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3180-3737 REDAÇÃO (011) 3180-3449 FAX (011) 3180-3046, (011) 3180-3983 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

o

3

DIVIDIDA INTERNAMENTE, A SÍRIA ESTEVE SEMPRE EM GUERRA CONSIGO MESMA .

pinião

Reuters

H

á quem acredite que o drama que a Síria está vivendo hoje, engolfada em sangrenta e brutal guerra civil, deve-se à devastadora estiagem que impediu a colheita na maioria das regiões agrícolas do sul do país, castigadas por um clima seco e quente. Outros atribuem a interesses políticos e comerciais inconfessáveis da Rússia e do Irã a continuação da carnificina que ceifou 17 mil vidas no último ano. No entanto, é preciso não conhecer a alma e o passado sírios para crer nessas versões, bastando entender que a seu modo todos os países do Oriente Médio têm uma geografia semelhante e nenhum deles conheceu tantos golpes militares, tentativas de golpes, estados de sítio, militares autoritários no poder e dissidências político-religiosas quanto a Síria – para só falar na Síria moderna, que se tornou independente em abril de 1946. Uma das explicações de algibeira do nosso tempo atribui à ecologia e às mudanças climáticas o desencadeamento e a repetição dos conflitos humanos, acreditando assim que a felicidade dos homens depende muito de competentes cuidados com o meio ambiente, e nada mais. Um exame mais atento da História, no entanto, parece apontar em outra direção, permitindo ver as divisões e subdivisões da mente humana como causa inicial e consequente do desentendimento e da discórdia entre os homens. O já célebre relatório do economista inglês Nicholas Stern, sobre a ligação entre os conflitos humanos e as questões ambientais, foi contestado pelo cientista norueguês Halvard Buhaung, do Instituto Oslo para a Paz, que alertou para o fato de que pelo menos na África os conflitos vêm decrescendo no mesmo período em que as temperaturas, nas mesmas regiões, têm aumentando e as chuvas escasseado.

LUIZ CARLOS LISBOA nário de alguma piedade e de muita intolerância religiosa – e está ligada ao Judaísmo, ao Cristianismo e ao Islamismo. Lá, mil guerras foram travadas por combatentes devotados à sua fé particular, convencidos de que somente eles eram os portadores da verdade. Damasco, e depois a Síria toda, tornaram-se um campo de batalha em 1260 a.C., na luta entre hititas e egípcios do sul. E isso foi somente o começo de um tempo que culminou com o domínio turco do país e sua divisão como colônia entre França e Inglaterra, após a Primeira Guerra Mundial.

U

ma nação dividida internamente, a Síria esteve sempre em guerra consigo mesma. É verdade que de algum modo isso tem ocorrido em quase todas as nações do mundo, mas a incidência do fenômeno é desproporcionalmente alta naquela região do planeta. Os que acreditam que o meio ambiente (calor, seca, deserto) escreve a história dos povos terão dificuldade em explicar a multiplicidade de opiniões, filosofias, teologias e ideologias que se conflitam ali há muitos séculos – todas mutuamente excludentes, é bom repetir. Sendo assim, parece difícil acreditar que a remoção de um dirigente, ou um simples tratado entre partes em conflito, traga paz à Síria ou a outra nação, sem que antes se descubra como alguém pode escolher entre um partido político e outro, ou sequer entre um clube esportivo e outro.

Golpes militares, tirania, estado de sítio, dissidências político-religiosas: tudo isso faz parte da história da Síria.

Todos os conflitos da Síria Os conflitos sectários e tribais que marcam as discórdias no Oriente Médio, na Síria formam um amplo e variado complexo que nem mesmo as correntes em atrito conseguem definir. Em certas regiões do país, como na de Homs, há uma guerra particular entre alauítas e cristãos, que apoiam Bashar-al -Assad, contra os sunitas da oposição. As cidades da região de Houla são sunitas, mas estão

cercadas por vilarejos alauítas. Nada é novo na atual guerra civil síria, sendo tudo a continuação das lutas e intrigas do tempo de Hafez-al-Assad, pai do atual dirigente. No país, como se sabe, predominam os muçulmanos sunitas, mas sobrevive ali uma expressiva população alauíta e porções menores de xiitas e de drusos, além de cristãos. É a fórmula perfeita para o desencontro, essa reunião de re-

ligiosos intransigentes e mutuamente intolerantes. A população é majoritariamente árabe e o partido governante é o Baath, uma agremiação pan-árabe de inspiração socialista que se impôs na Síria e no Iraque de Sadam Hussein. Baath significa "renascimento" e seus adeptos rejeitam o liberalismo ocidental e o fundamentalismo árabe. Os soviéticos sempre se relacionaram bem com os sí-

rios do Partido Baath devido às restrições de ambos ao capitalismo e ao modo de vida ocidental. Ainda hoje a Rússia tem grande poder simbólico na Síria, e exerce real influência nos seus governantes. O país é um símbolo perfeito da mente humana, que algumas tradições religiosas acreditam ter-se corrompido desde o Pecado Original. A capital Damasco, uma das cidades mais antigas do mundo, foi ce-

LUIZ CARLOS LISBOA É JORNALISTA E ESCREVE DE PRINCETON (EUA)

CHINA RETOMA O SEU ANTIGO POSTO Reuters

P

raticamente todos os dias a China está nas primeiras páginas de jornais do mundo inteiro por causa de sua força produtiva – o país é a maior potência industrial do planeta e de algum modo toca a vida de todos os habitantes da Terra. Mas todos sabemos que nem sempre foi assim. Até que a Segunda Guerra Mundial terminasse, o império da manufatura era a Inglaterra. Graças à máquina a vapor e, depois, aos motores a explosão e elétrico, mais ou menos a partir de 1780 tudo o que havia de artesanato naquele país começou a se transformar em indústria – uma após outra, fábricas e mais fábricas foram aparecendo, produzindo em grande quantidade e com grande velocidade artigos dos mais variados tipos, com grande destaque para as tecelagens. Foi esse o início da Revolução Industrial, que levou a Inglaterra ao posto de maior economia do mundo durante décadas. E quem estava nesse posto antes? Justamente a China. E assim foi até o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos assumiram a liderança mundial em manufatura – durante os anos de conflito, o país desenvolveu tecnologia e competência e acabou deixando a Inglaterra para trás. Bem, o tempo passou e outros países começaram também a disputar a liderança industrial no mundo: nos anos 60, o Japão apareceu como potência,

transferiram para outros países – em tese, exportando empregos –, em busca de custos menores e de mais lucro para seus acionistas. Isso só foi possível por causa do barateamento de vários recursos, como o transporte e as telecomunicações. Com a perda dessas fábricas, esses países buscaram ganhar mais dinheiro no setor de serviços, o que inclui os financeiros, as consultorias, o desenvolvimento de software e assim por diante. Isso deu a impressão de que, daí em diante, toda manufatura seria deslocada para países com mão de obra barata, enquanto os serviços ficariam nos países desenvolvidos, onde a mão-de-obra é mais cara.

A força da manufatura: China recupera o espaço perdido. recuperando-se da sua quase destruição na 2ª Guerra. Nos anos 80, foram os "Tigres Asiáticos", países como Coreia, Tailândia, Cingapura; e nos 90, finalmente, a China.

E

agora, o que poderá acontecer? Outro país vai substituir a China? O jornalista Peter Marsh, do jornal inglês Financial Times, garante que a história da manufatura ainda vai trazer muitas surpresas a todos nós. Seus argumentos e explicações estão em The New Industrial Revolution: Consumers, Globalization and the End of Mass Production (em português, "A Nova Revolução Industrial:

Consumidores, Globalização e o Fim da Produção em Massa", editora Yale University Press, 320 páginas). Para escrever o livro, Marsh aproveitou-se de dois privilégios importantes: primeiro, o fato de ser inglês e morar na Inglaterra, onde pôde pesquisar confortavelmente a farta documentação sobre o assunto. Em segundo lugar, o fato de ocupar o lugar de principal repórter de indústria do Financial Times, um dos jornais mais importantes que existem para o mundo dos negócios. Nos últimos anos, ele observa, muitos países industrializados perderam fábricas, porque as

M

as engana-se quem pensa que essa situação continuará assim por muito tempo – é certo, ele admite, que países como Brasil e Índia estão em ascensão, a caminho de se tornar grandes potências industriais, mas os avanços em tecnologia que acontecem nos países outrora líderes em manufatura (leia-se Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e França) estão anunciando uma nova revolução industrial. Não será uma revolução marcada pela quantidade e velocidade de produção, como foi no passado, mas pelos artigos produzidos especificamente para determinadas pessoas – produção personalizada a um nível de sofisticação

nunca visto antes. Esse caminho trilhado pelas manufaturas dos países desenvolvidos não é novo: hoje você já pode encomendar um carro pela internet, possuindo uma enorme variedade de escolha, que vai desde a cor até os opcionais internos, item após item. Poucos carros serão iguais àquele. Mas o que Marsh anuncia é muito mais do que isso: "Existem enormes oportunidades para a criação de riqueza, felicidade, saúde. Os benefícios sociais e econômicos serão compartilhados não apenas por alguns países, como na primeira revolução industrial, mas por muitos". Para ajudar, a crise que desde 2008 incomoda todos os países faz com que nos desenvolvidos nenhuma opção que permita a criação de emprego e geração de renda seja descartada. Até mesmo a construção ou reabertura de fábricas.

É

uma ilusão acreditar que em todos os países desenvolvidos a população é inteiramente formada por cidadãos no topo da escala do bem-estar social. Edinburgh, no estado norte-americano do Texas, é uma prova disso: a cidade, perto da fronteira com o México, perdeu fábricas por volta do ano 2000 e viu-se com uma multidão de desempregados. Nos últimos quatro anos, a prefeitura local

PAULO BRITO baixou impostos, criou incentivos para a vinda de novas indústrias e essa estratégia está dando certo. Uma das novas fábricas é a Santana Têxtil, do Ceará, que abriu lá uma tecelagem para produzir brim azul – denim indigo blue – para fazer jeans. Não é tão charmoso quanto produzir iPads e iPhones, mas para quem está precisando recuperar sua força em manufatura é um bom recomeço. PAULO BRITO É JORNALISTA, GRADUADO EM ECONOMIA E MESTRE EM COMUNICAÇÃO E SEMIÓTICA


DIÁRIO DO COMÉRCIO

4

GibaUm

3 Para

quem nem imagina: o Executivo tem 500 mil funcionários terceirizados. Equivale a um para cada servidor ativo.

gibaum@gibaum.com.br

k Já pulei muito muro e telhado.

JULIANA PAES // atriz, ao gravar a clássica cena do telhado na nova versão de Gabriela.

Foto: James Dimnock

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

3 MAIS:

eles valem como moeda de troca e as empresas são de senadores, deputados, familiares ou laranjas .

Novas quedas 333 A taxa básica de juros (Selic) caiu para 8% e pode ir caindo mais até o final do ano. Analistas de alguns setores estimam que dezembro possa fechar em 6,75% tendo como pano de fundo a deterioração do cenário mundial. O risco maior é ter de subir muito, mais à frente e muito rapidamente. Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, tem garantido a presidente Dilma Rousseff que a inflação ainda não assusta ninguém. Há quem aposte, contudo, que os futuros cortes serão em percentuais menores.

AVAILABLE Outro chanceler 333 Nos primeiros meses do governo, Dilma Rousseff decidira deixar a distância o assessor para assuntos internacionais Marco Aurélio Garcia. Nas ultimas semanas, o outro chanceler foi sendo requisitado e as trapalhadas do Itamaraty que puniram o Paraguai e premiaram a Venezuela foram creditadas a Marco Aurélio. Ninguém esticou qualquer conversa em torno do gesto do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que se demitiu do cargo de representante no Mercosul na esteira do imbróglio. O titular das Relações Exteriores, Antonio Patriota, assumiu todo o desgaste – e mesmo porque já estava mais do que desgastado. Chegou até a considerar “uma opinião” a posição da OEA garantindo que não ouve golpe no Paraguai.

REFORÇO Secretário da Fazenda do governo Geraldo Alckmin, expresidente do BNDES e amigo de José Serra, Andrea Calabi prometeu ao candidato à prefeitura de São Paulo esforço total para conseguir o apoio de Luciano Huck para sua campanha. O apresentador de TV é filho de Marta Grostein, mulher de Calabi. E nada de Huck colocar sua cara nos comerciais de televisão: ele é umfenômenodeaudiêncianas redes sociais. Agora, acaba de romper a casa dos sete milhões de fãs em seu perfil no Facebook. Maior do que ele, entre os brasileiros, só Paulo Coelho.

Katherine Von Drachenberg ou apenas Kat Von D é considerada a diva das tatuagens, misturando seu talento como tatuadora e o volume de tatuagens que tem pelo corpo à sua atuação na TV, na série Miami Ink, já exibida no Brasil e outra subseqüente, LA Ink . Mexicana de nascimento, pais argentinos (com descendência alemã e hispano-italiana), ela mora nos Estados Unidos desde os quatro anos de idade e veio a São Paulo lançar sua linha de cosméticos (destaques), com seu nome, na nova loja Sephora, no JK Iguatemi. 333

Diva of tatoo

333 Para a presidente Dilma Rousseff, o país deve ser avaliado pelo que faz às crianças e adolescentes, alternativa à qual a Chefe do Governo acaba de recorrer para tirar o foco do pífio crescimento do PIB. Só que o Brasil está longe de servir de referência nessa área: 18 mil crianças são vitimas de violência doméstica por dia (representam 12% das 55,6 milhões de crianças abaixo de 14 anos); dos 21 milhões de adolescentes (entre 12 e 18 anos), cerca de 14 milhões vivem em condições de miséria; 40% das mortes de crianças e jovens decorrem de causas não naturais (homicídio ou acidentes); atualmente, 16 crianças são assassinadas por dia; 3,8 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola; e a mortalidade infantil é de 20,5 a cada mil nascimentos.

Criança à brasileira

333

333 O modelo andrógino Andrej Pejic, sérvio, que já esteve no Brasil duas vezes para participar das semanas de moda de São Paulo e Rio, vai ganhar um programa (tipo reality show) na TV por assinatura nos Estados Unidos, onde contará um pouco de sua vida e carreira, com gravações de seu cotidiano. Sua mãe, Jadranka Savic, vai participar. O site TMZ acha que é uma alternativa dos programas de Paris Hilton e de Kim Kardashian. No caso de Kim, o mesmo TMZ andou contando que o vídeo caliente entre Kim e um namorado colocado na internet teria sido arquitetado pela mãe dela, Kris Jenner.

PATERNIDADE Para tentar invalidar os grampos da Policia Federal, a defesa de Carlinhos Cachoeira alega, nos autos, que a investigação começou com uma denuncia anônima. O ex-ministro e advogado do contraventor, Marcio Thomaz Bastos, já usou estratégia semelhante a favor da Camargo Correa,ondeconseguiuêxitoeo processo foi considerado nulo. Com referencia a Cachoeira, contudo,odonodaONGPolíticos Sem Fronteiras, Walter Paiva, ex-candidato ao governo de Goiás, avisa que é o autor da denuncia, repleta de informações, protocolada na mesma Policia Federal em março de 2004.

333

MISTURA FINA ACABA de surgir na internet a rede social evangélica Cristaobook.com, que vai na cola do Facebook – e até mesmo no logotipo.

333

O EX-senador Demóstenes Torres, que já reassumiu suas funções no Ministério Publico de Goiás, já tem mais de 30 mil seguidores no Twitter e avisa que vai continuar falando de tudo, “de musica e literatura até política”. E argumenta: “Me tiraram o mandato. Não me tiraram a coragem”.

333

UM dos mais conhecidos nomes da joalheria nacional, Tobias Dryzun, fundador da rede Dryzun, voltará a atuar na sua especialidade: até o final do ano deverá abrir nova loja. Durante anos, Tobias teve, durante anos, como sócio o irmão Rubens Dryzun, do qual se separou há algum tempo, assumindo a Missoni (Casa) no Brasil.

333

333 O fotógrafo peruano Mario Testino (entre as modelos, da esquerda para a direita, Izabel Goulart, Edita Vilkeviciute, Karlie Kloss, Constance Jablonski e Isabeli Fontana) acaba de inaugurar em Lima, no Peru, com grande festa, a Mate – Asociación Mario Testino, que objetiva incentivar manifestações de arte na cidade. A primeira mostra é Todo o Nada com fotos de gente conhecida ou não (vestida ou totalmente sem roupa), já passou por várias cidades européias. Ele adora o Brasil e na festa de largada, tocava Roberto Carlos e muita bossa nova, alem de musica típica peruana. Entre os convidados, Regina Cazé e Beatriz Milhazes.

Peruano bem amado

Em alta O discurso da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), rachando a bancada ruralista, foi básico para a aprovação do relatório do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) sobre o novo Código Florestal. De quebra, elogios feitos pela senadora à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ela desceu, há dias, a rampa do Planalto de braços dados com a presidente Dilma e ocupa um espaço vazio deixado pelo atual ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro. Nas possíveis mudanças depois das eleições, Kátia Abreu passa a encabeçar a lista dos ministeriáveis.

333

h IN

Muitos e grandes anéis.

h

Namorador

333 A cantora Gretchen, recordista de plástica (quinze até agora) e casamentos, acaba de se separar do 16º marido, o pecuarista Túlio Souto Mayor, que já voltou para o interior de Pernambuco. Nessa época em que esteve confinada no reality show A Fazenda, do qual saiu por estar com saudades dos filhos, Gretchen fez a alegria dos camelôs de São Paulo e Rio, que vendem CDs piratas com suas aventuras sexuais (R$5), que já virou cult movie .

OUT

Poucos e pequenos anéis.

Carla Bruni latina A nova primeira-dama do México, Angélica Rivera, 41 anos, é uma estrela de TV, com mais de vinte anos de carreira, atuando em novelas da Televisa, videoclipes de Ricky Martin e até já andou se arriscando como cantora. Em 2010, abandonou o showbiz para acompanhar o marido Enrique Peña Nieto e muitos blogs referiam-se a ela como uma espécie de “Carla Bruni latina”, lembrando a mulher de Nicolas Sarkozy. Os mexicanos chamam Angélica de A Gaivota por causa de sua personagem na novela Destilando Amor, de 2007. Nos palanques e no visual, ela vem mantendo total discrição (é o segundo casamento dos dois). 333

333 O LÍDER do governo na Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) deixou a base de apoio do Planalto totalmente desorientada porque resolveu tirar licença – e sem avisar ninguém – e viajar para os Estados Unidos para visitar a filha que mora em Chicago. Chinaglia nem esperou a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que tem que ser votada, obrigatoriamente, antes do recesso do meio do ano.

É O BRASIL real: além de não acabar com os 14º e 15º salários, os deputados federais aprovaram resolução segundo a qual podem se dar aumento sem precisar reajustar o resto do gabinete. Também ganha força a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que pretende vincular vencimento dos legisladores ao aumento de salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

333

333 O MAIOR campeonato de motociclismo do mundo, o MotoGP, pode voltar ao Brasil com a primeira prova em 2014, ano eleitoral, no autódromo de Brasília, que está sendo reformado, com obras estimadas em R$ 200 milhões. As negociações estão sendo tratadas entre a Dorna Sports, o governo do DF e Emerson Fittipaldi. No ano que vem, o evento acontecerá na Argentina.

Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero

CHARGE DO DIA


p

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

DIÁRIO DO COMÉRCIO

5 ATAQUE Vice-presidente da CPI quer que Marconi Perillo seja indiciado.

olítica

DEFESA Enfraquecido, DEM já cogita uma fusão com o PMDB.

Dida Sampaio/AE - 12.06.12

Teixeira defende indiciamento de Perillo Vice-presidente da CPI diz que o relatório da Polícia Federal é suficiente para ligar o governador a Cachoeira.

O

vice-presidente da C o m i s s ã o P a r l amentar Mista de Inquérito, a CPI do Cachoeira, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), defendeu ontem o indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, por envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Propina – Um relatório da Polícia Federal diz que Perillo firmou um "compromisso" com a Delta Construções, assim que assumiu o cargo, no ano passado. O acordo contava, segundo a PF, com a intermediação de Cachoeira. O acerto incluiria a liberação de créditos milionários da empreiteira com o governo de Goiás mediante suposto pagamento de

propina a Perillo. O primeiro "compromisso", segundo reportagem da Época desta semana, teria sido a compra da casa do governador de Goiás pelo contraventor. "Fechou o cerco. O relatório da PF é a prova cabal de que a venda da casa foi para Cachoeira, foi pago com dinheiro da Delta e que houve uma vinculação entre os pagamentos de créditos para a empreiteira e a quitação das parcelas pela casa", afirmou Teixeira. Questionado sobre por quais crimes o governador de Goiás poderia ter o indiciamento sugerido pela CPI, Teixeira disse que não é possível saber agora. "Tem muitos tipos penais em que ele será enquadrado", afirmou. A CPI tem prazo para encerrar os traba-

Saulo Cruz/Ag. Câmara - 15.02.11

Deputado Paulo Teixeira quer novo depoimento de Perillo na CPI.

lhos em novembro, caso não seja prorrogada. Suas conclusões serão remetidas para o Ministério Público, que poderá, ou não, acatá-las. O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), preferiu não comentar a sugestão feita por Teixeira. "Nós falamos em lugares diferentes: não vou antecipar minha opinião a respeito do relatório final", disse. "Os fatos são conhecidos da CPI. A novidade é que a Polícia Federal se manifesta na linha de estabelecer os vínculos do governador com a organização criminosa", completou. Ele mentiu – Para Cunha, os fatos reforçam o que ele já disse do governador. Marconi "mentiu" à CPI sobre a venda da casa. No final de junho, o relator da comissão disse que a "história da casa" foi montada para negar a relação de Perillo com Cachoeira. Embora tenha admitido que Perillo "mentiu", Cunha também não quis revelar se pedirá o indiciamento do governador por crime de perjúrio (falso testemunho) ao final dos trabalhos. Em depoimento à comissão no dia 12 de junho, Perillo negou saber quem havia comprado a casa, tendo transferido toda a responsabilidade pela negociação ao ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB). Na ocasião, o governador rebateu a suposição de que seria

ligado a Cachoeira ou à Delta. Reconvocar – Teixeira afirmou ainda que o governador tem de ser reconvocado para depor em agosto. Hoje, o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) deve apresentar requerimento para chamar novamente Perillo à comissão. Cunha, por sua vez, acredita que o melhor seria convocá-lo quando se encerrarem as apurações. "É preciso aprofundar a investigação", disse. (AE) Marconi Perillo: relatório da PF aponta que o governador fez acerto com Carlos Cachoeira e a Delta.

DEM: agora, ou vai ou racha.

O

DEM depende das eleições municipais para sobreviver. Se vencer em capitais como Salvador e Aracaju, e tiver bom desempenho em grandes cidades como Mossoró (RN), Vila Velha (ES), Feira de Santana (BA) e Caruaru (PE), estará salvo. Caso contrário, dirigentes do partido já admitem que a saída poderá ser a fusão com outro partido e a opção mais cogitada por sua cúpula hoje é o PMDB, e não o PSDB, antigo aliado. Tudo porque a parceria

tradicional com os tucanos vai de mal a pior. Embora acusem o golpe de ver o novo PSD solapar metade de seus recursos no fundo partidário e de seu tempo de televisão no horário eleitoral, os dirigentes do DEM ainda mantêm a esperança de que a legenda garanta sua existência nas urnas. Mas se o risco da fusão só é mencionado em conversas reservadas, o afastamento do PSDB nesta reta final da montagem das coligações é tratado abertamente.

Lideranças do DEM não escondem a insatisfação com o tucanato. Candidato a prefeito do Rio contra o colega tucano Otavio Leite, o deputado Rodrigo Maia (DEM) afirma que não houve diálogo entre os partidos, o que prejudicaria o Democratas. Lembra que o afastamento do PSDB vem de longe. Começou em 2010. "Nas duas outras capitais em que estamos juntos não houve aliança. O que aconteceu foi puro escambo", reclama Maia. (AE)


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

6

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

O objetivo é fixar uma imagem conciliadora, deixar para trás o tom radical. Marqueteiro brasileiro sobre a campanha eleitoral de Hugo Chávez

olítica

Estilo Lula, modelo na eleição da Venezuela. Fui perseguido como um cão sarnento, acusado como se fosse uma mulher vagabunda e como não apareceu nada, nada, nada, começaram a inventar. Demóstenes Torres, em discurso que antecedeu sua cassação pelo Senado.

É uma campanha que está movendose a partir da periferia para o centro, e vai dar bons frutos. ARMANDO BRIQUET, CHEFE DA CAMPANHA DE CAPRILES.

Capriles: investimento em educação e apoio aos pobres, como Lula.

Chávez: apelo emocional, com novo visual e discurso mais ameno.

João Santana: apoio a Chávez

latino-americanos em seu currículo até agora, está tentando algo similar com Chávez. O desafio começou por incentivar o ex-soldado a deixar seu uniforme militar verde no armário por algum tempo. Chávez agora às vezes aparece de terno e ainda com um casaco esportivo sobre uma camisa aberta no pescoço. Chávez também está sendo pressionado para baixar o tom da sua retórica rebelde sobre geopolítica e se ater mais a suas pragmáticas e unificadoras características, como a química improvável com seu "novo melhor amigo", o líder conservador da Colômbia Juan Manuel Santos. "O objetivo é fixar uma imagem mais conciliadora: deixar para trás o tom radical", disse um dos conselheiros brasileiros da equipe de Hugo Chávez, que pediu anonimato. Ao procurar investir na co-

truir casas de baixo custo. A presença de brasileiros na campanha de Capriles é parte de seu esforço para se apresentar como líder progressista e mostrar um recomeço dos governantes que estavam desacreditados por quatro décadas no poder antes da chegada de Chávez à Presidência. A oposição também está destacando o contraste entre um Capriles de 39 anos de idade – um jovem entusiasmado, que passou meses em uma desgastante turnê "casa a casa" – e um Hugo Chávez enfraquecido pelo câncer. Pereira e Mendes, que afiaram seus dentes em casa, em grandes campanhas nacionais, incluindo a vitória em 2006 do governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, têm estado na vanguarda desses esforços, lançando slogans para Capriles, como: "Há um caminho" e "Algo de bom está acontecendo" (http://bit.ly/ oUy6pm). O duo também criou um filme em que Capriles aparece usando um terno escuro e camisa aberta no pescoço – o que não constitui sua aparência usual – e falando sobre a im-

Valter Campanato/ABr – 20/72008

Duda Mendonça: 60 campanhas. nexão permanente de Chávez com a maioria pobre da Venezuela, eles têm insistido no slogan "Coração venezuelano", que agora adorna todos os anúncios de campanha. "Vamos enfatizar as relações do público com o Chávez ser humano – ele deu e continua a dar sua vida pelo país", disse o conselheiro de campanha. Chávez, que recentemente se submeteu a um tratamento contra câncer, retorna frequentemente a um tema similar. "Estou consumido por estar a serviço do povo, acima de todo o sofrimento. E os mais necessitados, eu os amo!", afirmou recentemente. A ideia é a de gerar uma mensagem sentimental. Um spot televisivo tipicamente inspirado por João Santana diz que o comandante Hugo Chávez "está em cada casa" e

"não tem permissão para sair" (http://bit.ly/LJZd22). Vitórias – A história latinoamericana eleitoral recente parece mostrar que o estilo brasileiro de marketing político pode dar frutos. Durante sua primeira eleição no Peru, Ollanta Humala foi criticado pelos rivais por seus laços estreitos com Chá-

Este é o primeiro avanço, forte e variado. Antes, costumava haver apenas um: Duda Mendonça. JUAN JOSÉ RENDON, SOBRE MARQUETEIROS DO BRASIL

vez. Ele teve que se distanciar do venezuelano para ter uma chance. Com a ajuda de Luis Favre e Vladimir Garreta, dois conselheiros do Partido dos Trabalhadores de Lula, ele venceu no ano passado. Algo semelhante ocorreu com Mauricio Funes em El Salvador. Ou seja, a moderação "à la Lula" e a mão orientadora de João Santana o levou à vitória na eleição de 2009. Santana ajudou Lula a ganhar a reeleição em 2006 e há dois anos, com sucesso, posicionou Dilma Rousseff como sucessora de Lula e primeira líder feminina do Brasil. Mais recentemente, João Santana também deu assessoria a Danilo Medina, vencedor da eleição presidencial na República Dominicana, em maio. Imitação – Para além do populismo e das câmeras, o apoio a Lula foi baseado principalmente no crescimento vertiginoso do consumo interno, na criação de empregos e na melhoria dos salários para os funcionários do setor público, bem como a concessão de empréstimos para os brasileiros pobres, o que lhes permitiu comprar eletrodomésticos, computadores, motos, carros e casas subsidiadas. Capriles, um fã de Lula, passou grande parte de seu tempo, como governador de Miranda, segundo maior estado da Venezuela, tentando imitálo, ao dedicar grande parte de seu orçamento à educação, ao ajudar os pobres a montar pequenas empresas com "microempréstimos" e ao cons-

Estou consumido por estar a serviço do povo, acima de todo o sofrimento. Eu amo os mais necessitados. HUGO CHÁVEZ, DISCURSO NA CAMPANHA PRESIDENCIAL.

portância do respeito, independentemente da "cor política". As cenas foram misturadas com imagens dele abraçando eleitores e no meio de inundações, com água pela cintura, quando era governador (http://bit.ly/MOXYwW). "Ele está indo às casas mais abandonadas, aos lugares onde há menos pessoas", disse Armando Briquet, o chefe da campanha de Capriles. "É uma campanha que está se movendo a partir da periferia para o centro, e vai dar bons frutos." Independentemente de quem triunfe em outubro, haverá um único vencedor definitivo: a máquina de marketing político do Brasil.(*Da Reuters, em Caracas)

Marcos Oliveira/Agência Senado

Ana Ottoni/Folhapress – 27/1/2003

Demóstenes adotou comportamento incompatível com o decoro do mandato. Ele feriu de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe aos parlamentares. Senador Pedro Taques (PDT-MT), relator da Comissão de Constituição e Justiça.

É impossível na política sermos ingênuos e, no caso, é impossível acreditar que uma pessoa conviva tanto tempo com outra sem saber o que ela faz. Senador João Capiberibe (PSB-AP)

Não é aceitável, sob nenhuma hipótese, que o senador tenha suas contas pagas por quem quer que seja, ainda mais por um notório contraventor. Senador Humberto Costa (PT-PE), relator do pedido de cassação no Conselho de Ética, sobre a tese de defesa de Antonio Carlos de Almeida Castro. Senador, não basta ser inteligente. É preciso ter predisposição de caráter. Senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES)

Geraldo Magela/Agência Senado

Hoje é um dia de moralidade, sim. Mas o País sabe que aqui não tem moralidade. O Brasil inteiro sabe que não existe Senado, que não existe Câmara neste País. E deve estar dizendo: me engana, que eu gosto. Senador Mário Couto (PSDB-PA)

O episódio Demóstenes é uma página virada na Casa. José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado.

Adriana Spaca/AE

Carlos Garcia Rawlins/Reuters – 9/7/2011

As pessoas vão comprar urnas e serviços onde quiserem. A concorrência vai levar à queda do preço. Celso Russomano, candidato a prefeito pelo PRB, durante velório da sua mãe Theuda, de 89 anos, na quarta-feira. Ele acusou a prefeitura de praticar venda casada de caixão e serviço funerário. A cassação não acabou com minha vida e não vai acabar com a dele. Luiz Estevão, até então o único senador cassado.

Marcos Oliveira/Agência Senado

A

mbos os candidatos a presidente na Venezuela estão recorrendo a marqueteiros brasileiros, em uma tentativa de tomar emprestado de Luiz Inácio Lula da Silva um modelo popular de esquerda e seu estilo político, uma vez que os dois candidatos venezuelanos admiram o ex-metalúrgico que liderou o Brasil durante oitos anos (2003-2010). Assim como ele, os candidatos querem cortejar os eleitores centristas, fazer negócios com os Estados Unidos e com a China, supervisionar o crescimento econômico, reduzir a pobreza e criar robustos programas de bem-estar social. As equipes do presidente Hugo Chávez e de seu rival, Henrique Capriles, contrataram estrelas da crescente indústria do marketing político no Brasil, já bem conhecida por seus insinuantes spots de campanha eleitoral. O veterano marqueteiro João Santana, 59 anos, juntouse à operação de Chávez há alguns meses, enquanto a jovem dupla Renato Pereira e Francisco Mendes tem trabalhado com Capriles, candidato da oposição. Os marqueteiros atuam nas duas campanhas desde o início deste ano. Lutar pelo eleitor médio, no estilo Lula, pode se tornar a batalha decisiva da eleição venezuelana. A maioria das pesquisas dá a Chávez vantagem de dois dígitos sobre Capriles, mas também mostram que cerca de um terço do eleitorado continua indeciso. Apelidado de "fazedor de presidentes", Santana orientou Lula, sua sucessora Dilma Rousseff e outros líderes regionais. Na Venezuela, ele tenta suavizar a imagem, muitas vezes belicosa, de Chávez. Santana divide seu tempo entre Brasil, Venezuela e Angola, onde também atua na eleição presidencial do país. Por outro lado, a dupla Pereira e Mendes – parceiros na empresa de relações públicas Prole – trabalha em sua primeira eleição presidencial. Seu desafio é distanciar Capriles das influências mais à direita na coalizão de oposição, tática de voto vencedor vital para uma nação polarizada. Mais de um – Juan José Rendon, estrategista político venezuelano que acabou de ajudar o PRI, no México, a retornar ao poder, avalia que consultores brasileiros estão tornando-se uma força nas eleições latino-americanas. "Este é o primeiro avanço, forte e variado. Antes, costumava haver apenas um: Duda Mendonça", disse, referindose ao marqueteiro político peso-pesado brasileiro que dirige uma agência de propaganda e já comandou mais de 60 campanhas eleitorais. Durante a quarta – e, finalmente, bem-sucedida – campanha de Lula à Presidência do Brasil, em 2002, ele procurou abrandar a imagem de líder sindical linha-dura do candidato. Lula aparou a barba, vestiu terno e gravata, baixou o tom de sua retórica, sorriu mais e abrandou o discurso. Essa transformação foi creditada a Duda Mendonça, que também lançou o slogan "Lulinha, paz e amor", ajudando Lula a se tornar o primeiro presidente oriundo da classe trabalhadora no Brasil. Santana, que se projetou rapidamente e pode se gabar de ter conseguido quatro vitórias presidenciais em três países

Carlos Garcia Rawlins/Reuters – 6/7/2011

Diego Ore*

Beto Barata/AE

Adversários, Hugo Chávez e Henrique Capriles usam o marketing lulista, para vencer disputa presidencial.

Gilberto Kassab atua de forma arbitrária e clandestina, de abandono de qualquer resquício de lealdade e respeito aos dirigentes do PSD. Senadora Kátia Abreu (PSD-TO), em carta a Kassab, presidente nacional da sigla.


p

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

DIÁRIO DO COMÉRCIO

7 Lula aliou-se à roubalheira: [ele e Maluf] são homens iguais, dando-se as mãos. Hélio Bicudo

olítica

Divulgação

C

om 90 anos de idade, completados em 5 de julho, o jurista e homem público Hélio Bicudo tem muito a dizer. Principalmente às vésperas do julgamento do Mensalão, em 2 de agosto, escândalo que o levou a romper com o Partido dos Trabalhadores (PT) em 2005. Um dos mais antigos e prestigiados políticos do partido, formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em 1946. Com vasto currículo, pontuado pela defesa dos Direitos Humanos, assumiu cargos públicos a partir de 1947. Entre outros, foi ministro interino da Fazenda no governo João Goulart (1963), duas vezes deputado federal, secretário dos Negócios Jurídicos da administração Luiza Erundina (1990-1991), presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (2000) e vice-prefeito de Marta Suplicy (2001-2004). Promotor público na mocidade, uma de suas missões de destaque foi investigar a corrupção de Adhemar de Barros (1901-1969) no governo do Estado de São Paulo. Casado com Déa, sete filhos, 14 netos e três bisnetos, plantou árvores e escreveu um livro (Hélio Bicudo, Minhas Memórias, Martins Editora, 2006 – R$ 43,50). Procurador de Justiça do Estado de São Paulo, combateu o Esquadrão da Morte nos anos de chumbo, o que lhe valeu um dossiê no antigo Serviço Nacional de Informações (SNI). Bicudo atendeu o Diário do Comércio no intervalo de seu jogging diário no Clube Athlético Paulistano. Aficionado do esporte, até faturou medalha de ouro na Corrida Anual de Hamilton, em 2008, no Canadá, na categoria 5 quilômetros. Lúcido, adverte: "Não tenho papas na língua". Diário do Comércio – Qual o político que mais admira? Hélio Bicudo – [Carlos Alberto Alves de] Carvalho Pinto [1910-1987], com quem trabalhei, por sua honestidade e eficiência administrativa. DC – Como foi a propina dos caminhões de Adhemar de Barros? Bic udo – Descobrimos um cheque equivalente a R$ 300 mil, depositado no Banco do Estado, entregue a ele por um coronel, referente à compra de caminhões para a Força Pública. Condenado, fugiu para a Bolívia. Mas conseguiu anular o processo no Tribunal de Justiça de São Paulo. DC – Hoje se rouba mais? Bicudo – Passou-se a adotar a função pública como meio de locupletar-se ilicitamente com o erário. No tempo do Adhemar estimava-se a corrupção em milhares; hoje, em milhões. DC – Porque se filiou ao PT? Bicudo – Participei com entusiasmo da criação do PT. Era uma nova ideia de partido, com núcleos de base, prevendo maior participação da sociedade no mundo político. Contraponto à tutela militar, nossos eleitores se engajaram no restabelecimento da Democracia. DC – O que achou da foto em que Lula e Maluf apertam as mãos? Bic udo – No Brasil só há o partido do "Sim" e o do "Sim, Senhor". Não tenho nada pessoal contra Lula; mas, como homem, ele não é de partido nenhum. Jogou no lixo o patrimônio ético conquistado pelo PT, e aliou-se à roubalheira: são homens iguais, dando-se as mãos. DC – E da Erundina sair da chapa? Bicudo – Ela não desmentiu seu passado de mulher correta e firme em suas posições. Não foi à toa que se desligou do PT, em 1997. DC – A corrupção petista levou outros militantes a abandonar o PT? Bicudo – O melhor caminho para uma administração isenta

HÉLIO BICUDO

Jurista espera isenção no julgamento do Mensalão Mas ele teme que o Poder Judiciário, formatado pelo lulismo, leve a um desastre jurídico. Armando Serra Negra Karime Xavier/Folhapress – 29/9/2010

O livro de memórias, com sua atuação pública, lançado em 2006.

DC – E a situação dos Direitos Humanos no País? Bicudo – A presidente Dilma Rousseff desconhece totalmente o assunto, ou não teria excluído o Brasil da vigilância internacional das diversas entidades – a CIDH entre outras –, cujos tratados o Brasil assinou e referendou. DC – De onde vem a fama de que o Brasil é um país pacífico? Bicudo – Isso vem da República Velha, quando o barão do Rio Branco [José Maria da Silva Paranhos Júnior, 18451912], ministro das Relações Exteriores do governo Floriano Peixoto [1839-1895], resolveu pacificamente todos os problemas de fronteiras. Até hoje o Itamaraty segue essa orientação, de não resolver as questões internacionais pela força bruta, mas pelo diálogo.

Hélio Bicudo diz que, ao fazer uma foto ao lado de Maluf, Lula jogou no lixo o patrimônio ético conquistado pelo Partido dos Trabalhadores. de corrupção é não estar engajada ao PT. DC - O acha da luta do PT pelo poder? Bicudo – A luta do PT não deveria ser pelo poder, e menos ainda para garantir as benesses que este confere. Nosso ideal era o da real democratização brasileira. DC – Por que José Dirceu bate na tecla do "controle social" da mídia? Bicudo – Cercear a imprensa é a luta dos que buscam o totalitarismo político. Vejo a imprensa brasileira com 90% de imparcialidade e isenção! DC - Qual o melhor momento da Nova República? Bicudo – A política econômica começou a se cristalizar no governo Fernando Henrique Cardoso, com frutos capitalizados por Lula. Mas não foi o motor desenvolvimentista, que já estava ligado. A partir de Juscelino [Kubitschek, 1902-1976] já havia um grande impulso no País.

blico das campanhas seria um bom começo, restringindo a política do compadrio. A origem das grandes fortunas dos políticos também deveria ser investigada, para então se proceder a uma verdadeira faxina. DC – O Ministério Público, a Procuradoria Geral da República e o Conselho Nacional de Justiça estão extrapolando suas funções? Bicu do – Absolutamente. Embora haja empenho da sociedade civil em apurar todo tipo de corrupção por meio do MP, há políticos querendo barrar isso. E o CNJ, por ser um órgão misto, composto de juízes, juristas e advogados, traz a esperança de um Judiciário mais eficiente e imparcial.

DC – O que acha do julgamento do Mensalão? Bicudo – É difícil ter imparcialidade em um julgamento em que a maioria de ministros foi eleita por uma das partes. A escolha de ministros guarda um grave defeito de origem, pois A Comissão da o STF não usa a Verdade deve DC – CPIs são p re rr og at iv a eficazes no d e v e t a r n oredesenhar a combate à mes. A indicahistória com uma corrupção? ção de um miatuação positiva, Bicudo – nistro é atribuipara que os fatos Quando cheção do presinão se repitam. ga a fatos podente da Resitivos, sim. pública, refeHÉLIO BICUDO Por exemplo, rendada pelo a CPMI do CaSenado. Se o choeira já serviu para revelar a STF discordar da escolha, pode relação promíscua dos pode- pedir nova indicação. Mas nunres público e privado. Mas co- ca o faz. Receio de que o Poder mo as minorias do Congresso, Judiciário, formatado pelo lulisque têm maior compromisso mo, leve a um desastre jurídico. com os eleitores, são alijadas Esperemos que os ministros, da participação pelas grandes cientes da grandeza de sua legendas, o que mais se vê é missão, votem com isenção. um circo. Caracteres duvidosos, travestidos de capitães DC – Qual foi sua atuação na da moral sob os holofotes da Comissão Interamericana de mídia, mas pouco se lixando Direitos Humanos (CIDH)? Bicudo – Ao presidir a entidapara o resultado das apurações. Há exceções; mas onde de, fui relator do caso do Peru, já se viu um ex-presidente quando o ditador Alberto Fujidestituído do cargo por cor- mori fugiu para o Japão (2000). rupção ser eleito senador e in- Na ocasião, tive uma altercategrar uma CPI? Essas comis- ção com um padre da Opus sões têm sido muito mais para Dei, monsenhor Cipriani, que a autopromoção dos interro- era contrário ao princípio dos gantes, do que para investigar Direitos Humanos... Hoje ele é e apontar responsáveis para o o cardeal primaz do país! Ministério Público. DC – Como vê a Comissão da DC – Como combater a corrupção? Verdade? Bicudo – O financiamento púB ic u do – Eu acho que esta

Comissão não é isenta, pois a escolha dos membros foi aleatória, sem consulta ao Legislativo, que é o representante do povo. O importante é redese-

nhar a história com uma atuação positiva, para que esses fatos não se repitam. E acabar com essa questão de que o poder político não é punido.

DC – Como define sua vida? B i cu d o – Tive uma vida de lutas. Acho que plantei algo em prol da Justiça – em última análise, uma luta pela Democracia. Tive muitas alegrias e muitos dissabores, porque atuei pelos direitos das pessoas, não só internamente, mas também no campo internacional.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

8

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

PARAGUAI Maioria dos paraguaios aprova impeachment de Fernando Lugo, segundo pesquisa de opinião realizada pelo instituto Ati Snead.

nternacional Reuters

Reuters

'Monica, Monica!'

Milongas de Chávez

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, foi recebida ontem com provocação por manifestantes na cidade portuária de Alexandria, no Egito. O grupo, reunido em frente ao consulado americano, gritava "Monica, Monica", em referência à Monica Lewinsky, a jovem com quem o então presidente (e marido de Hillary) Bill Clinton teve um caso na década de 1990. Antes, a secretária se reuniu por mais de uma hora (foto acima) com o líder do exército do Egito, o marechal Hussein Tantawi, para fazer um pedido simples: trabalhar junto com os novos líderes islâmicos em uma ampla transição para regras civis.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e seu rival opositor, Henrique Capriles, voltaram às ruas neste fim de semana em busca de votos para as eleições do dia 7 de outubro, para as quais o primeiro se apresenta como o projeto da "pátria", enquanto o segundo se define como um "nova liderança". Chávez, que aspira a sua terceira reeleição consecutiva para a gestão 2013-2019, disse no sábado que o narcotráfico estaria por trás da "expulsão" do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, deposto por impeachment em 22 de junho. De acordo com ele, facções criminosas paraguaias teriam se infiltrado nos partidos de direita no país.

Síria: combates em Damasco. Combatentes oposicionistas entraram em confronto com forças do governo sírio ontem em Damasco, no que foi descrito por moradores da capital síria como o mais violento até agora dentro dos limites da cidade. Quando anoitecia, ativistas disseram que a luta estava se espalhando da parte sul da cidade para uma segunda área e que as tropas governamentais haviam fechado a estrada de acesso ao aeroporto. Vários moradores contatados pela agência de notícia Reuters afirmaram estar ouvindo fortes explosões e constante troca de tiros. Eles descreveram os combates como sendo os piores desde o início do levante contra o presidente Bashar al-Assad há 17 meses. Uma grossa fumaça escura era visível no céu de Damasco em imagens de vídeo ao vivo, divulgadas na Internet. Nas últimas semanas os confrontos chegaram à periferia da capital, concentrando-se em áreas mais pobres, onde a revolta contra as autoridades é maior. Na semana passada foram lançados morteiros dentro da capital pela primeira vez.

80 mortos – À tarde, o grupo oposicionista Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que faz um balanço de relatos de ativistas anti-Assad, disse que a cifra de mortos ontem em todo

o país chegou a pelo menos 80 e que foram usados foguetes em Damasco. Um porta-voz do regime voltou a negar ontem que tenha ocorrido um massacre em

Treimsa, onde na quinta-feira morreram ao menos 220 pessoas, segundo opositores. Irã – O Irã, principal aliado regional da Síria, está pronto para sediar uma reunião entre o governo vizinho e seus oponentes com o objetivo de resolver o conflito no país, afirmou o ministro de Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, à rede de televisão árabe Al-Alam. "Nós acreditamos que a questão da Síria deveria ter uma solução síria", disse o ministro iraniano. O governo de Teerã tem repetidamente se oferecido para ajudar a solucionar a crise, mas isso tem sido rejeitado pela oposição síria, por países do Ocidente e Estados árabes, que acusam o Irã de ajudar militarmente o regime de Assad a oprimir a revolta popular. Em troca, o Irã acusa alguns países ocidentais e árabes de armar os rebeldes sírios. O enviado das Nações Unidas, Kofi Annan, a Rússia e a China favorecem a participação do Irã na busca por uma solução para a crise. Mais de 17 mil pessoas já foram mortas na Síria desde o início da revolta. (Leia mais sobre a Síria na pág 3)

Divulgação

SECRETARIA DE COORDENAÇÃO DAS SUBPREFEITURAS SUBPREFEITURA DE ITAQUERA

COMUNICADO - ABERTURA DE LICITAÇÃO Processo Administrativo nº 2012-0.075.299-2 - Encontra-se aberta na Subprefeitura de Itaquera - SP/IQ, licitação na modalidade TOMADA DE PREÇOS nº 01/SP-IQ/GAB-ATJ/2012, tipo menor preço global, para CONTRATAÇÃO DE EMPRESA ESPECIALIZADA PARA REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA JOÃO TEIXEIRA, LOCALIZADA À RUA FIGUEIRA DA INDIA - JARDIM FERNANDES - ITAQUERA - SÃO PAULO, CONFORME MEMORIAL DESCRITIVO - ANEXO I E PLANILHA DE PREÇOS - ANEXO III. O Edital poderá ser acessado gratuitamente no site da Prefeitura do Município de São Paulo, no endereço eletrônico: http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br/, ou adquirido na sede da Subprefeitura de Itaquera, na Assessoria Técnica Jurídica, à Rua Augusto Carlos Bauman nº 851 - 2º andar - Itaquera - São Paulo, mediante apresentação de um CD novo ou pagamento do preço público para cópias reprográficas. Os envelopes nº 01 “PROPOSTA”, nº 02 “HABILITAÇÃO”, bem como demais documentos exigidos no certame, deverão ser entregues na Sala de licitações, situada na Rua Augusto Carlos Bauman, nº 851 - 2º andar - Itaquera - São Paulo, no dia 30/07/2012, segunda-feira, às 14:00 horas, quando serão iniciados os trabalhos relativos à licitação em epígrafe.

SECRETARIA DA SAÚDE DIVISÃO TÉCNICA DE SUPRIMENTOS - SMS.3 ABERTURA DE LICITAÇÕES Encontram-se abertos no Gabinete, os seguintes pregões: PREGÃO ELETRÔNICO 195/2012-SMS.G, processo 2012-0.095.952-0, destinado ao registro de preço para o fornecimento de AGULHAS PARA CANETA DE INSULINA ULTRAFINE III - 31GX5MM, 31GX8MM E 29GX12,7MM para atendimento de Determinações do Poder Judiciário, Ministério Público e Conselhos Tutelares - Ações Judiciais, para a Divisão Técnica de Suprimentos SMS.3/Grupo Técnico de Compras - GTC/Área Técnica de Ação Judicial, do tipo menor preço. A abertura/realização da sessão pública de pregão ocorrerá a partir das 9 horas do dia 26 de julho de 2012, pelo endereço www.comprasnet.gov.br, a cargo da 4ª Comissão Permanente de Licitações da Secretaria Municipal da Saúde. RETIRADA DE EDITAIS Os editais dos pregões acima poderão ser consultados e/ou obtidos nos endereços: http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br; www.comprasnet.gov.br, quando pregão eletrônico; ou, no gabinete da Secretaria Municipal da Saúde, na Rua General Jardim, 36 - 3º andar - Vila Buarque - São Paulo/SP - CEP 01223-010, mediante o recolhimento de taxa referente aos custos de reprografia do edital, através do DAMSP, Documento de Arrecadação do Município de São Paulo. DOCUMENTAÇÃO - PREGÃO ELETRÔNICO Os documentos referentes às propostas comerciais e anexos, das empresas interessadas, deverão ser encaminhados a partir da disponibilização do sistema, www.comprasnet.gov.br, até a data de abertura, conforme especificado no edital.

Cafés e restaurantes pra lá de Teerã A polícia iraniana fechou dezenas de restaurantes e cafeterias no fim de semana, informou a mídia local, em uma nova repressão contra o que o Estado vê como imoral e de comportamento anti-islâmico. Agentes regulares e membros da "polícia moral" invadiram 87 cafés e restaurantes em um único distrito da capital Teerã no sábado e detiveram mulheres por desrespeitar o código de vestimenta islâmico, de acordo com a agência de notícias estudantil Isna. "Esses lugares foram fechados por não seguirem os valores islâmicos, dando narguilé às mulheres, e pela falta de licenças apropriadas", disse o oficial da polícia de Teerã, Alireza Mehrabi, de acordo com a Isna. Mulheres não têm autorização para usar narguilés em público. Mehrabi disse que a ação continuará em outras partes de Teerã. (Reuters)

Acusado de cumplicidade na morte de 15.700 judeus, Laszlo Csatary foi encontrado em Budapeste.

Achado nazista mais procurado O criminoso nazista mais procurado do mundo, Laszlo Csatary, 97 anos, acusado de cumplicidade na morte de 15.700 judeus durante a Segunda Guerra Mundial, foi encontrado em Budapeste. O anúncio foi feito ontem pelo diretor do escritório do Centro Wiesenthal

em Israel, Efraim Zuroff. "O jornal The Sun pôde fotografá-lo e filmá-lo graças a informações que fornecemos em setembro de 2011", acrescentou Zuroff. As informações sobre o paradeiro de Csatary foram enviadas em setembro de 2011 à

promotoria da capital húngara. O vice-procurador de Budapeste, Jenö Varga, não confirmou a informação, limitando-se a declarar que "existe uma investigação em andamento. A promotoria está estudando as informações recebidas." (Agências)


sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

c

DIÁRIO DO COMÉRCIO

9 LEI ANTIGA Legislação impedia venda de imóveis comerciais na capital paulista.

idades

SEM VAGA Primeiros edifícios eram projetados sem vagas para veículos.

Reprodução

Praça da Sé, no Centro, nas primeiras décadas do século 20. A praça funcionava como uma espécie de "bolsão" dos veículos paulistanos daquela época. A maioria das pessoas usava o transporte coletivo.

Carros eram poucos. Garagens também. Na São Paulo de meados do século passado, muitos prédios eram construídos sem vagas de garagem. Afinal, os poucos veículos estacionavam na rua mesmo. Valdir Sanches

L

ogo cedo, Verany Bicudo chegava para o trabalho, em um prédio da Rua Líbero Badaró. Naqueles anos, ao redor de 1950, a via não era mais de paralelepípedos. Como suas vizinhas do Centro, havia sido asfaltada. Verany estacionava seu Ford cupê azul marinho, bem em frente ao prédio de 18 andares. “Abria a porta, descia do carro e entrava no elevador.” Mais tarde, quando o sol batia neste lado da rua, descia do escritório de corretagem de imóveis e mudava o automóvel de lugar. Estacionava no lado com sombra. O prédio não tinha garagem. Quem pensava nisso, naquela época? Os carros eram importados, custavam caro. Só pessoas bem postas podiam ter um. A população andava de bonde ou ônibus. Os que podiam, usavam táxi. Certas famílias tinham seu motorista de táxi de confiança, para algumas ocasiões. Mas os automóveis particulares não eram, afinal, tão

poucos. E a atividade econômica se concentrava no Centro. Pouco mais tarde, a Prefeitura proibiu o estacionamento nas ruas centrais, para facilitar a passagem dos ônibus. No Centro (de resto, em toda a cidade) não havia estacionamentos, muito menos edifícios-garagem. Onde, afinal, os motoristas estacionavam? Verany, em seus 83 anos, nos conta como foi. “Eu descia a Rua Dr. Falcão, e deixava o carro na Praça da Bandeira, que era um grande espaço vazio.” Sempre preocupado com o sol em seu Ford. “Muitas vezes parava embaixo do Viaduto do Chá, para aproveitar a sombra.” Não existiam zona azul, nem parquímetros. Custo zero, portanto. Havia, é verdade, certos incômodos. Aquele grande estacionamento a céu aberto não era calçado. O chão se fazia de um tijolo socado que, quando chovia, sujava os sapatos. Mas o pior era voltar a pé para a Líbero Badaró. O percurso exigia encarar o Largo da Memória, notável por sua ladeira fortemente íngreme.

Dimitri Kessel/09/1947

Anhangabaú por volta de 1950: sobrava espaço para os poucos carros

Os motoristas daquela parte do Centro dispunham do descampado, que não se esgotava na Praça da Bandeira. Estendia-se até onde hoje está o Palácio Anchieta, sede da Câmara Municipal, no Viaduto Jacareí. Mas, e os dos outros cantos da Pauliceia? Quem estava nos arredores da Praça da Sé contava com a praça vizinha, a Clóvis Beviláqua (hoje unidas, com a estação do metrô embaixo). Esta também era uma área desimpedida. Outro descampado situava-se onde hoje está a Praça Roosevelt, entre as ruas da Consolação e Augusta. Servia aos motoristas que chegavam a lugares próximos, como a Avenida São Luis e a Praça da República. Um ou outro improvisado estacionamento surgia em terrenos onde casas velhas haviam sido demolidas. Mais tarde vieram os edifícios-garagem. O primeiro condomínio (o usuário era dono de sua garagem) foi o Xavier de Toledo, junto à rua de igual nome, na frente da Biblioteca Municipal. Bem perto do Largo da Memória. Motoristas que haviam enfrentado a penosa ladeira do largo agora podiam deixar o carro e usar o elevador. Verany trabalhou um quarto de século na Rua Líbero Badaró. No último ano, 1964, a cidade havia mudado. Os vazios, como a Praça da Bandeira, estavam ocupados. Agora, ele deixava o carro no primeiro edifício-garagem de São Paulo, a Garagem América. Inaugurada em 1958, na Rua Riachuelo, fica às costas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. O automóvel de Verany, por aqueles dias, era um Chevrolet verde-garrafa, importado. Tinha que estar à disposição, para os deslocamentos requeridos pela corretagem de imóveis. Mais tarde, em 1978, ele tornou as coisas mais fáceis. Comprou um Volkswagen sedã, o Fusca. Verany nasceu em uma família de corretores. Seu pai,

Chico Ferreira/Luz

Verany Bicudo, corretor de imóveis: carro ficava estacionado na rua de acordo com a posição do sol. Argemiro Bicudo, militou ati- ragem? Não se pensou. vamente na profissão. Os dois Verany quase sentiu os efeifilhos, Verany e Newton, se- tos do descuido na própria peguiram-lhe os passos. le. Em 1960 separou-se da Argemiro construiu edifícios mulher e foi morar no último na cidade. Nas ruas Conselhei- andar do prédio da Rua Huro Carrão e Major Diogo, na Be- maitá. Deixava o carro, um la Vista; e na Fernando de Albu- Fusca branco, na porta. querque, na Consolação. Exposto a neblina e ao pó, o Um quarto prédio, na Rua Hu- carro branco ficava sujo. Mas maitá, com oito andares, foi fei- havia na rua um homem que to com ajuda de Verany. Deta- vivia de lavar os carros estalhe comum a toc i o n a d o s . dos: não tinham “Quando eu pegaragem. “Na gava o automóépoca, nem se vel, de manhã, Eu descia a Rua pensava em nisestava limpo”, Dr. Falcão e so”, diz Verany. E, recorda-se o deixava o carro numa espécie de proprietário. na Praça da “mea culpa”: “Foi O passar do um descuido de t e m p o c e r t aBandeira, que todos nós”. A vermente acabaria era um grande dade é que mesmudando essa espaço vazio. mo notáveis edifísituação. Mas VERANY BICUDO cios de São Paulo em frente ao préforam feitos sem dio ficava o galprever o futuro. pão de uma indústria, que acaMartinelli – Ou seja, que a fro- bou desativada. O lugar foi ta de poucos carros importados adaptado como estacionada cidade chegaria aos sete mi- mento. Assim, Verany dispôs lhões atuais. Para citar dois ca- de uma vaga segura, coberta, sos: o Edifício Martinelli, nosso em frente de casa. Pensando primeiro arranha-céu, de 1929, bem, sempre teve sorte para na Avenida São João com a Rua estacionar o carro. Líbero Badaró. E o Altino AranLei – O que dificultou a constes (“Prédio do Banespa”), na trução de edifícios-garagem, Rua João Brícola, de 1947. Ga- até a década de 1950, foi uma

lei federal. Ela não permitia que o proprietário de um prédio comercial vendesse as salas, e se estabelecesse um condomínio. Tudo o que podia fazer era alugá-las. Se fossem feitas garagens, estariam no mesmo caso. A venda e a criação de condomínio eram permitidos apenas em prédios residenciais. O dono podia vender espaços que tivessem pelo menos sala, banheiro e cozinha. Ou, no mínimo, sala-dormitório, banheiro e uma pia – as quitinetes. Por essa época, o dr. Mello Barros, dono de um prédio da Rua Sete de Abril, no Centro, pediu ajuda a Verany Bicudo, o corretor de imóveis. Barros queria vender, não alugar, as salas de seu edifício. Verany conta que ele e alguns colegas se empenharam em gestões no Congresso Nacional, e disso resultou uma nova lei, que eliminava as restrições. O primeiro a se beneficiar, em São Paulo, foi o Condomínio Garagem Automática Xavier de Toledo, situado no número 1 da Rua da Consolação, em frente à Biblioteca Municipal. Em terreno que era da Santa Casa foi construído o prédio de 28 andares e 5 subsolos, com 426 garagens, e quatro elevadores.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

10

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

acsp

ATÉ O FINAL DO ANO No total, a Liberdade possui 427 luminárias japonesas – as 'suzuranto'. Destas, 200 peças serão trocadas até o final do ano.

distritais

Divulgação

Mais luz para a Liberdade As luminárias do bairro oriental paulistano, chamadas 'suzuranto', que estão quebradas ou deterioradas serão substituídas até o final do ano. Uma reivindicação de comerciantes e moradores que lutam pela conservação e preservação da área.

Liberdade ao anoitecer: lâmpadas apagadas em toda a extensão da avenida principal do bairro. Falta de luminosidade aumenta a sensação de insegurança.

Fotos: Érika Garrido/Hype

André de Almeida

A

s tradicionais luminárias japonesas, que dão uma cara oriental ao bairro da Liberdade, na região central de São Paulo, estão sendo trocadas por novas. Instaladas no local desde o início da década de 1970, as peças passavam por um processo de desgaste. A troca só está sendo possível, em grande parte, graças à atuação da Distrital Centro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que há mais de um ano tem encaminhado ofícios ao Departamento de Iluminação Pública da Prefeitura de São Paulo (Ilume) reclamando do estado de conservação e solicitando reparos. A s p r i m e i r a s p e ç a s c om e ç a r a m a s e r s u b s t i t u ídas no mês passado. No total, a Liberdade possui 4 2 7 l u m i n á r i a s j a p o n es a s , a s c h a m a d a s ' s u z uranto'. Destas, em torno d e 2 0 0 p e ç a s s e r ã o t r o c adas até o final do ano. As cem unidades que estão e m p i o r e s t a d o d e c o n s e rvação serão substituídas até o próximo mês. As novas luminárias têm vida útil de 30 anos, possuem três globos (e suas lâmpadas), canga (suporte), e os postes, que serão pintados ou substituídos, dependendo do estado em que se encontram. Mas lâmpadas de todas elas, inclusive as que estão em bom estado, também serão trocadas. No lugar das lâmpadas de vapor de sódio, amarelas usadas hoje, entrarão as de vapor metálico, brancas e semelhantes às que existem na avenida Paulista, por exemplo, que gastam menos energia e iluminam três vezes mais. “A maioria das unidades ainda está deteriorada, com lâmpadas faltando, postes amassados e descascados e globos sujos ou quebrados. Alguma coisa tinha de ser feita, já que se trata de um símbolo do bairro”, afirmou o superintendente da Distrital Centro, José Alarico Rebouças. Documentação – A última troca das lâmpadas e peças na Liberdade foi em 2008, ano em que se comemorou o centenário da imigração ja-

Ideia inicial era copiar Chinatown Rua com as tradicionais luminárias japonesas. Acima, à direita, peça com a sanca deteriorada. ponesa no Brasil. Na ocasião, 227 luminárias foram substituídas e várias outras passaram por reforma. De lá para cá, no entanto, o serviço de conservação ficou limitado a pequenos reparos. Preocupado com a visível deterioração de um dos mais representativos símbolos da cultura japonesa no bairro, em maio do ano passado, o superintendente designou funcionários da Distrital Centro para uma importante missão: percorrer as ruas da Liberdade à noite e fotografar as luminárias que apresentassem problemas. “Naquela época, durante um evento que teve a presença do prefeito Gilberto Kassab, pedi para que a situação fosse resolvida. Muitos moradores e comerciantes da Liberdade estavam preocupados com a falta de iluminação e a sensação de insegurança que isso transmite”, contou Alarico.

A maioria das luminárias está deteriorada e os postes amassados e descascados.

Ofícios – O superintendente começou então a encaminhar ofícios, sempre com as fotos anexas, para a Ilume, denunciando a situação e pedindo que providências fossem tomadas. Os pedidos foram acrescidos de visitas pessoais e telefonemas constantes para o órgão. Até o início do mês passado, em torno de 20 ofícios já haviam sido encaminhados. A providência tomada por Alarico foi adotada também pelo empresário e presidente da Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (Acal), Hirofume Ikesaki, que bombardeou a Prefeitura com mais uma quantidade considerável de ofícios e solicitações. “A Liberdade é um bairro turístico da cidade e, como tal, deve ser preservado. A revitalização das peças irá colaborar para preservar a história”, afirmou. Vias – De acordo com a Se-

cretaria de Serviços do município, a troca, manutenção e limpeza das peças acontecerão nas seguintes vias: ruas Galvão Bueno, Barão de Iguape, da Glória, Tomas Gonzaga, dos Estudantes, dos Aflitos, Américo de Campos, Fagundes e São Joaquim; viadutos Cidade de Osaka e Mie Ken; Jardim Oriental, largo da Pólvora e praça da Liberdade. As unidades que não serão substituídas agora, pois já foram trocadas em 2008, receberão lâmpadas de vapor metálico. Segundo nota da Secretaria de Serviços, “as manutenções continuarão a ser feitas constantemente, inclusive de forma preventiva, o que inclui a pintura de postes e lavagem de globos, além da troca de lâmpadas que apresentarem menor rendimento”. Mesmo com as providências sendo tomadas, Alarico finalizou “continuaremos vigilantes”.

A

s primeiras luminárias japonesas, chamadas 'suzuranto', começaram a ser instaladas na Liberdade a partir da década de 1970, quando a Prefeitura iniciou um plano para transformar o bairro em um ponto turístico. A ideia, a princípio, era copiar a região de Chinatown, de Nova York, nos Estados Unidos. As peças, que anteriormente eram de vidro, foram aos poucos sendo trocadas pelas de polietileno. As mais recentes agora têm aço em sua composição. Os suportes das luminárias (cangas) têm 1,81 metro de comprimento, avançando sobre as ruas, 25 centímetros de largura e 27 centímetros de altura. A canga, com o globo instalado, fica a 4,78 metros do chão. Os novos conjuntos foram comprados da empresa Newlux, a mesma que forneceu as atuais luminárias da avenida Paulista. (AA)

G Ir Agendas da Associação e das distritais

Hoje I Norte – Às 9h30,

encontro de candidatos a vereador e entidades, apresentação das principais necessidades e reivindicações da região. Rua Jovita, 309. Confirmações: 29733708/2979-4504 ou dnorte@acsp.com.br.

Quinta

JOSÉ ALARICO REBOUÇAS,

I Penha – Às 19h30, 21ª

SUPERINTENDENTE DA

reunião ordinária e homenagem aos comerciantes. Avenida Gabriela Mistral, 199.

DISTRITAL CENTRO

I Santo Amaro – Das 10h

às 17h, sessão de Negócios em parceria com Sebrae. Esporte Clube Banespa, rua São Sebastião, 276. Inscrições: 3253-2133 (ramal 220) ou ney@sbancodeprojetos. com.br

Sábado I Santo Amaro – Das 9h às

16h, Feira da Saúde 2012. Casa de Cultura Palhaço Carequinha, rua Professor Oscar Barreto Filho, 252, Parque América, Grajaú.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

11

facesp

DESDE A FUNDAÇÃO As exposições retratam o empreendedorismo piracicabano desde a fundação da cidade, em 1767, até os dias atuais.

regionais

Piracicaba conta a história do empreendedorismo Memorial, instalado na sede da associação comercial, usa da tecnologia e da interatividade para mostrar imagens e fatos sobre a trajetória econômica da cidade. André de Almeida Fotos: Departamento de Comunicação da Acipi

A própria Acipi está retratada no memorial, pois sua atuação marcou o progresso da cidade. MARLY PERECIN, COORDENADORA TÉCNICA

Jorge Aversa Júnior (acima), ex-presidente da Acipi, idealizou o museu, que tem grande parte de seu acervo digitalizado.

R

esgatar a história do empreendedorismo em Piracicaba, no Interior paulista, desde a fundação da cidade, em 1767, até os dias atuais. Este é o principal objetivo do Memorial do Empreendedorismo inaugurado no início do mês na sede da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi), criadora do projeto. O museu é o primeiro com esta temática no Brasil a ser implantado dentro de uma associação comercial. Idealizado pelo ex-presidente da Acipi, Jorge Aversa Júnior, atual presidente do Conselho

"Mas nós nos inspiramos no Museu do Futebol, no Pacaembu, que é interativo e tem grande acervo digital. Investimos em novas tecnologias e esperamos que o nosso memorial fomentar cada vez mais o empreendedorismo no município". Conceito - Os grandes destaques do memorial de Piracicaba são a interatividade e grande parte do acervo digitalizada. Para o desenvolvimento do conceito do museu, a Acipi recebeu a consultoria de profissionais do próprio Museu do Futebol. Já o desenvolvimento do projeto e do conteúdo teve a coordenação técnica da hisArquivo/DC toriadora Marly Therezinha Germano Perecin. No museu, uma linha do tempo traz informações sobre os acontecimentos importantes relacionados ao em pree ndeO Museu do Futebol inspirou o memorial dorismo e à história de PiConsultivo da entidade, o me- racicaba. As principais atramorial começou a ser concebi- ções, além dos recursos tecnodo há dois anos. "O museu traz lógicos, são as fotos, artigos, registros históricos e informa- anúncios, objetos de época e ções sobre o município, que já pinturas. "A própria Acipi está nasceu com vocação empre- retratada no memorial, pois endedora", disse Aversa. A ci- sua atuação também marcou o dade foi fundada por Antônio desenvolvimento do empreenCorrea Barbosa, que, ao che- dedorismo e o progresso da cigar, reparou na madeira de dade", disse Marly. Percurso -Ao entrar no espatamboril e passou a explorá-la ço, um vídeo de boas vindas, para a construção de barcos. De acordo com o dirigente, com o jornalista Cid Moreira, reuma comissão da Acipi visitou cebe o visitante, que, virtualvários museus em São Paulo, mente, atravessa o rio Piracicaentre eles o Espaço Catavento e ba, talvez o mais importante o Museu da Lingua Portuguesa. ponto turístico da cidade. A se-

guir, painéis mostram o crescimento econômico e a evolução do empreendedorismo na cidade até os dias atuais, sempre relacionados com a conjuntura do País e do mundo. A linha do tempo, segundo Marly, pode ser dividida em duas fases: antes e depois da fundação da Acipi, em 1933. O conteúdo referente ao século 18 mostra, principalmente, os primeiros investimentos em Piracicaba; depois, os engenhos de cana de açúcar, no século 19; o crescimento industrial no século 20; e a criação dos distritos industriais neste século. "Nosso público é formado por pessoas de todas as idades, desde os mais velhos, que vivenciaram alguns dos acontecimentos retratados, até os mais jovens, que desejam conhecer um pouco da história do empreendedorismo na cidade", afirmou o ex-presidente da Acipi. "Como a visão dialética da história é muito rápida, atualmente o aprendizado tem que ser instantâneo, daí nossa opção pelo acervo digital e pela inclusão da tecnologia", explicou Marly. "Este museu ficará marcado de uma maneira muito especial na história da cidade. A Acipi, enquanto entidade representativa, se esmerou no projeto, que trará muitas surpresas positivas. As pessoas estão em busca de iniciativas que tragam conhecimento", completou a diretora cultural da Acipi, Celisa Amaral Frias. O Memorial do Empreendedorismo fica no segundo andar da Acipi, na rua do Rosário, 700. Informações e agendamentos pelo telefone (19) 3417-1766. A entrada é gratuita.

As principais atrações da Linha do Tempo são as fotos, artigos, anúncios, objetos de época e pinturas

Associação comercial nasceu em 1933

F

undada em 9 de julho de 1933, a Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi) representa na cidade os interesses das empresas do comércio, indústria e serviços. A entidade, cujo primeiro presidente foi Luiz Dias Gonzaga, oferece produtos e serviços que são importantes ferramentas para complementar as atividades comerciais de seus 3,3 mil associados, permitindo que acompanhem um mercado cada vez mais competitivo. A entidade desenvolve treinamentos, reuniões de interesse público, consultorias, cartão de descontos,

Programa de Distritos Industriais

Arquivo/DC

O O rio Piracicaba, principal ponto turístico da cidade, também é lembrado no memorial .

estágios, comércio internacional, proteção ao crédito (SCPC), convênios, cooperativa de crédito e parcerias com universidades e entidades. A Acipi tem como uma de suas principais características a capacitação da mão-deobra local, para que Piracicaba continue sendo referência em diversificação de produtos e atendimento na sua microrregião. Com diretoria e conselhos que trabalham voluntariamente, a entidade também está representada e envolvida em discussões de temas importantes para o município e do interesse da comunidade. (AA)

vice-presidente da Facesp Gino Torrezan reuniu-se, na Assembleia Legislativa, com o deputado Itamar Borges, coordenador da Frente Parlamentar do Empreendedorismo e Apoio às Micro e Pequenas Empresas, para apresentar proposta e discutir o Programa de Distritos Industriais em Cidades do Estado. A proposta prevê parcerias entre municípios, Governo do Estado e empresários, para a implantação

de minidistritos, com infraestrutura e serviços de apoio empresarial às micro e pequenas. Poderão participar, também, órgãos de fomento, do meio ambiente, de desenvolvimento regional, secretarias e entidades empresariais. O deputado manifestou seu apoio e se prontificou a buscar apoio também na secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. Itamar Borges adiantou que já solicitou o levantamento

de todos os Projetos de Lei relacionados ao tema, para avaliar a conveniência de promover uma reunião ou audiência pública sobre políticas públicas para distritos industriais. Participaram da reunião Olival Almeida, assessor de superintendência da Facesp, Carlos Antônio De Agostino, consultor jurídico da Facesp/ACSP, entidades signatárias do Termo de Cooperação e Silvério Crestana, Secretário Executivo da Frente Parlamentar.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

HUMANOIDES

12

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

www.dcomercio.com.br

C LIMA

São Paulo mais fria

Este robô da Meka Robotics serve drinks e é a estrela de uma série de fotos de Josh Meister, dos laboratórios Georgia Tech. http://bit.ly/NmCDLN

Luiz Guarnieri/AE

S

ão Paulo voltou a registrar ontem a temperatura mais fria do ano até agora, com 8,8°C medidos durante a madrugada no Mirante de Santana, na zona norte, informou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A marca ficou 0,1°C abaixo da verificada na madrugada de sábado. Por volta das 16h, os termômetros marcavam 16,8°C, abaixo da máxima prevista pelo Inmet para o dia, de 18°C. À dir., manhã fria no Centro. Nas estações do CGE (Centro de Gerenciamento e Emergências), da Prefeitura, os termômetros também registraram valores baixos na madrugada. Itaim Paulista, na Zona Leste, e Pirituba, na Oeste, foram os bairros que tiveram as menores temperaturas – 7,3°C e 7,5°C, respectivamente. De acordo com o CGE, a umidade relativa do ar oscilava

em torno dos 60% e a nebulosidade aumentou no decorrer da tarde em função de ventos úmidos vindos do oceano. Previsão – A semana começa fria e úmida na região metropolitana, segundo a CGE. Hoje, de acordo com a Climatempo, a nebulosidade deve aumentar, com possibilidade de garoa durante o período da

manhã. Depois, a previsão é de chuvas alternadas com períodos de melhoria, inclusive à noite. Os termômetros devem variar entre 10°C e 15°C. Campos do Jordão, no Vale do Paraíba, voltou a ter geadas moderadas na madrugada de ontem, com mínima de 0,6°C. Às 15h45, os termômetros marcavam 14,8°C. (Agências)

Lee Jae-Won/Reuters

E M

C A R T A Z

VISUAIS

'Cartas na Manga' exibe obras de André Gonzaga Dalata. Matilha Cultural. Rua Rego Freitas, 542. Grátis.

A LTA

Hebe já está em casa foi confirmada pelo hospital, onde ela deu entrada na sexta-feira. Hebe teria feito alguns exames, mas não foram informados quais.

L

A apresentadora Hebe Camargo teve alta do Hospital Albert Einstein no início da tarde de ontem e já está em casa. A informação

NA LAMA - Mulher brinca no Festival da Lama de Boryeong ( Coreia do Sul), realizado na praia de Daecheon. Mais de dois milhões de turistas (locais e estrangeiros) aproveitaram a festa, que nasceu há 13 anos, no embalo da fama da lama local – ela faria bem à pele.

Motocicletas além do tempo Dan Tanenbaum, do Canadá, recicla velhos relógios e os transforma em detalhadíssimas esculturas de motocicletas vintage. http://bit.ly/NqxpgO

I LUSTRAÇÃO

Toad

Luigi

http://society6.com/DerfGnay/prints

Mario

Fire Mario

SUPER MARIO MINIMALISTA

De quantos detalhes você precisa para recordar os personagens que marcaram sua infância? Fred Yang aposta no minimalismo para homenagear figuras das séries Pokémon, Power Rangers e o Super Mario. Veja mais no site.


e CAIXA 1 conomia

O seu consultor financeiro

13

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

Tobias Schwarz/Reuters

Esteja preparado

para surpresas na bolsa Brendan McDermid/Reuters

REJANE TAMOTO

F

atos, especulações e expectativas estão a todo momento movimentando o mercado de ações. Mas se a alta ou a queda do preço de um determinado papel for exagerada e muito rápida, não tem jeito: o movimento normalmente vai pegar o pequeno investidor de surpresa, mesmo que ele se informe muito bem sobre a companhia na qual investe. Em um momento como esse, é preciso fazer a lição de casa de quem investe na bolsa. Especialistas em finanças lembram que o pequeno investidor deve sempre reavaliar sua carteira, diversificando-a em diferentes empresas e setores da economia para evitar prejuízos grandes. "Temos um fundo programado com 3,5% a 4% de ações da OGX Petróleo na carteira, de um total de R$ 500 milhões. A diversificação e a pequena participação desses papéis fizeram com que sua queda não produzisse impacto grande na nossa rentabilidade", afirma o consultor de investimentos da Geração Futuro Gabriel Matos, referindo-se à derrocada superior a 40% que os papéis da empresa do grupo de Eike Batista acumularam em apenas dois dias no fim de junho. Também é importante o aplicador ficar atento ao prazo do investimento. Se for longo, vale a pena prestar mais atenção aos fundamentos das companhias do que nas oscilações dos papéis. Outra observação interessante é refletir sobre o próprio perfil: quem não entende muito sobre esse tipo de investimento deve considerar comprar cotas de fundos de ações ou de índices, em vez de operar individualmente. Se a resistência a perdas é zero, o jeito é diversificar na renda fixa. O caso mais recente de queda brusca na bolsa foi exatamente o das ações da OGX, que despencaram 45% em

apenas dois dias de junho (27 e 28). O tombo da petroleira foi precedido de troca de comando da empresa, que passou para Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, que era CEO do estaleiro OSX, do mesmo grupo. A recuperação da ação, foi mais lenta, de 15,25% até a última sexta-feira. Especialistas explicam que o caso ilustra bem o peso das expectativas sobre um papel de uma empresa mais exposta ao risco. A divulgação de que a produção da OGX – uma empresa em fase pré-operacional – será de 5 mil barris, menor do que a esperada frustrou os investidores.

Um mar de informações O risco da empresa, no entanto, não era desconhecido. A frase "a companhia poderá não conseguir alcançar seus objetivos de exploração e produção" está na página 15 da seção 4.1 do Formulário de Re-

Saber que ações são investimentos de longo prazo ajuda a enfrentar quedas bruscas dos papéis ferência da OGX, um docuA constatação de Mescher mento de 281 páginas, que é reflete o que boa parte dos de divulgação obrigatória pe- executivos de Relações com las companhias abertas. Investidores (RIs) de 42 em"As informações estão lá e presas reconheceram ao sehá muito espaço para rem questionados escrever sobre os para estudo feiriscos. Mas t o p e l a D eO volume de acho que há loitte, com informações di vul gaç ão o apoio do e xc es si va . I n st i t ut o tem sido uma O que cosBr as il eidificuldade até t u m a f a lro de Repara investidores tar nestes lações f o r m u l ác o m I ninstitucionais. rios é justav e s t i d oBRUCE MESCHER, mente o risres (Ibri), DA DELOITTE c o m a i s i mnos meses portante. No de abril e q u e v o c ê s f omaio. Seguncam? Qual a sua hisdo a pesquisa sotória?", questiona o sóbre a qualidade das incio-líder de Global IFRS and Of- formações das companhias ferings Services da Deloitte, abertas, 51% dos RIs acham Bruce Mescher, sem mencio- que há muito o que melhorar nar empresa específica. nos relatórios corporativos.

Desses, 15% afirmaram que as informações publicadas são extensas e não dizem muito. Esse mesmo percentual de RIs, em respostas qualitativas, disse que as empresas precisam falar mais sobre as estratégias de longo prazo e de como gerenciam riscos.

Conhecimento ajuda decisão Segundo Mescher, há muita informação sobre riscos e pouco sobre como gerenciá-los – e isso é o que importa desde os casos de escândalos de governança corporativa deflagrados na crise de 2008. O fato é que a informação não resolve todos os problemas associados ao risco aos quais o investidor está exposto. "Não resolve problemas de transparência e de governança. Mas ajuda o investidor a tomar uma decisão. Na minha opinião, o nível de sofisticação dos dados das companhias abertas é

alto e a pessoa física precisa aprender a lê-los ou ser assessorada por um profissional. O volume de informações tem sido uma dificuldade até para investidores institucionais." A pesquisa mostrou que, por outro lado, a maioria das empresas prioriza o contato cara a cara com o investidor: 67% agendam até 100 reuniões por ano, enquanto 27% fazem de 101 até 200 encontros anuais. Nem por isso as companhias deixaram de usar a tecnologia para se comunicarem com seus investidores, já que 64% dos RIs disseram que o site na internet foi o canal que mais cresceu nos últimos três anos. "As companhias têm mantido uma área específica para atender à pessoa física, seja nas respostas de dúvidas por e-mail até gravações de mensagens na internet sobre estratégias. Aos poucos, a sofisticação da pessoa física tem crescido, em razão de nossas campanhas", diz o presidente do IBRI, Ricardo Florence. Gabriel Matos, consultor de investimentos da Geração Futuro, lembra que também é trabalho da corretora prover a pessoa física de informações, seja por meio de relatórios, em palestras, pela internet ou pelo atendimento telefônico. O consultor lembra que a ação da OGX é bastante exposta ao risco e muito usada por investidores que operam no curto prazo. "Costumamos não recomendar essa forma de operação para a pessoa física", diz. Ele afirma que orienta o cliente a montar uma carteira que tenha diferentes aplicações de curto e de longo prazo. Na bolsa, recomenda investimento longo, acreditando no crescimento da empresa por fundamentos financeiros e econômicos. Quem costuma operar no curto prazo utiliza a análise gráfica, que consiste no estudo do comportamento do preço da ação por meio de gráficos, sem considerar os fundamentos da companhia.

ATENÇÃO ÀS PERSPECTIVAS E AOS CONCORRENTES O professor do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) Keyler Carvalho Rocha lembra que é melhor para a pessoa física investir em uma empresa que já conhece. Ela deve saber, entre outras informações, quais são as pers-

pectivas para a companhia e quem são seus concorrentes nacionais e internacionais. "Não dá para eliminar o risco, mas é bom poder identificar se a ação caiu porque a empresa vai mal ou se foi por problemas conjunturais do mercado de ações", afirma.

Quando uma ação sobe muito rápido ou cai na mesma velocidade, primeiro deve-se observar se essas variações têm fundamentos. "Em muitos casos, a bolsa pode cair por outros motivos, como a realização de lucros. Hoje, 33% do capital na bolsa

são dos estrangeiros. Às vezes, a crise na Europa faz com que eles fiquem com maior aversão ao risco e saiam do mercado. Este movimento afeta os papéis momentaneamente", diz Gabriel Matos, consultor de investimentos da Geração Futuro.

Rocha, da FIA, recomenda a quem não tem experiência nem conhecimento sobre investimentos no mercado de ações e tempo para acompanhar as oscilações que invista em fundos de ações ou de índices (ETFs – Exchange Traded Funds). Um deles acom-

panha a evolução das empresas que fazem parte do Ibovespa, principal referência da bolsa. "É uma maneira de o investidor se familiarizar com as empresas, até o momento que sentir segurança para comprar ações individualmente", observa.


14 -.ECONOMIA

e

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

conomia

CAIXA 1 O seu consultor financeiro

AGENDA 16

Segunda-feira

O Banco Central divulga a pesquisa Focus, com projeções de analistas.

19

Quinta-feira

Divulgação da ata da última reunião do Copom, com as razões para a queda do juro.

20

Sexta-feira

Sai resultado de julho do IPCA-15, espécie de prévia da inflação do IBGE.

A

BM&FBovespa conseguiu interromper a sequência de quatro quedas seguidas e terminou a sexta-feira no azul. O mérito foi atribuído à alta das ações da Petrobras, após o reajuste do diesel anunciado na véspera. A divulgação no fim da noite de quinta-feira do Produto Interno Bruto (PIB) da China animou os investidores, ao mostrar que a desaceleração do crescimento está ocorrendo de forma gradual. Além disso, o bom desempenho em Nova York, em razão de resultados corporativos, também pesou positivamente.

Bolsa TEM BAIXA na semana Com isso, o Ibovespa encerrou a sexta-feira com ganho de 1,7%, em 54.330 pontos. Na semana, no entanto, o índice não conseguiu reverter as perdas (-1,92%). No mês e no ano os recuos são de 0,04% e 4,27%, respectivamente. O giro financeiro ficou em R$ 5,666 bilhões. As ações da Petrobras encerraram com valorização de

5,63% (ON) e 5,22% (PN). Na quinta-feira, a estatal informou que irá promover um reajuste de 6% no preço de venda do diesel nas refinarias. O aumento é o segundo no prazo de apenas três semanas e o novo valor vigorará a partir de hoje. Vale ON registrou ganho de 2,13% e PNA subiu 1,84%, influenciada pela alta do me-

tais, que também foram impactados pelo fator China. O país asiático informou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,6% no segundo trimestre do ano, dentro do esperado. A produção industrial apresentou expansão de 9,5% em junho ante o ano anterior e abaixo das expectativas. Esses números confirmaram que a desaceleração eco-

nômica está ocorrendo de forma gradual, mas também fizeram crescer a possibilidade de que o governo do país adote políticas de incentivo à economia. Em Nova York, o tom foi ditado ainda pelo resultado do JP Morgan acima do esperado no segundo trimestre deste ano. O índice Dow Jones encerrou com ganho de 1,62%, o S&P 500 subiu 1,65% e o Nasdaq avançou 1,48%. No fechamento de sextafeira, a cotação do mercado à vista de balcão ficou em R$ 2,037, com perda de 0,15% no dia. Na semana, a moeda subiu 0,3%. (AE)


sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

DIÁRIO DO COMÉRCIO

15

e Em SP, preços dos imóveis nas alturas. O mercado é cíclico. Em 2011, tivemos muitos lançamentos. Para este ano, não teremos tanto. Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio

conomia

Apesar da demanda mais fraca, supervalorização do metro quadrado de imóveis novos de alguns bairros mantém a média de preços elevada na Capital. Paulo Pampolin/Hype

Renato Carbonari Ibelli

O

processo de elevação de preços dos imóveis novos na cidade de São Paulo está longe de atingir um estado de acomodação. Embora na média as altas atuais sejam menores, quando comparadas às do ano passado, os valores do metro quadrado de alguns bairros da Capital paulista ainda contribuem para manter os preços das unidades distantes de um patamar de estabilidade. Para Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), os preços encontrados hoje em imóveis à venda em regiões como o Alto da Lapa, Campo Belo, Bela Vista e Vila Madalena, "extrapolam os limites". Nos últimos 24 meses, por exemplo, o bairro da Bela Vista, na região central de São Paulo, recebeu cinco lançamentos de unidades com dois dormitórios. O preço médio do metro quadrado desses empreendimentos atingiu os R$ 7,6 mil. No mesmo período, o bairro de Moema (na zona Sul da cidade), considerado de

alto padrão, recebeu um empreendimento de dois dormitórios, cujo preço do metro quadrado médio foi de R$ 7,3 mil. "A valorização da Bela Vista pode indicar um princípio de preocupação da região do Centro. Ainda assim os preços praticados por lá estão exagerados", diz Pompéia. Trazendo para uma realidade mais próxima, os dados da Embraesp mostram que, nos primeiros cinco meses de 2012, o preço médio do metro quadrado dos imóveis de dois dormitórios no bairro de Campo Belo, também na zona Sul da cidade, atingiu a casa de R$ 9,7 mil. No bairro do Morumbi (ainda na zona Sul), em igual período, o valor médio foi de R$ 4,2 mil. Escalada – As estatísticas da Embraesp revelam ainda que o processo de escalada dos preços também foi mais acelerado no Campo Belo do que no Morumbi. Em 24 meses, considerando os anos de 2010 e 2011, a média do metro quadrado de empreendimentos de dois dormitórios no Campo Belo foi de R$ 7,3 mil. De janeiro a maio de 2012, como já apontado, a média subiu para R$ 9,7 mil, ou seja, quase 25% de aumento. No Morumbi, es-

sa elevação foi de 15% no mesmo período, considerando que o preço médio em 2010 e 2011 foi de R$ 3,7 mil, subindo para os R$ 4,2 mil nos primeiros cinco meses do ano. Quando considerado todo o município, os preços do metro quadrado dos imóveis novos – independentemente do número de dormitórios da unidade – cresceram 6,3% nos cinco primeiros meses de 2012, segundo as estatísticas do Sindicato da Habitação (Secovi). A valorização é menor do que a vista em igual período do ano passado, quando a alta havia sido de 10%. Ainda assim, para Luiz Paulo Pompéia, o estoque elevado e a demanda mais fraca deveriam resultar em valorização ainda menor ao longo deste ano. Mas as supervalorizações localizadas em algumas regiões ajudam a segurar a média dos preços em patamar de constante elevação. Para o final do ano, Pompéia espera um crescimento um pouco mais fraco dos preços. "As vendas não são mais as mesmas dos anos anteriores. No período entre 2007 e 2011, se vendia em um único mês o esperado para se vender em seis meses. Hoje, a demanda é menor", afirma o diretor da Embraesp. Equilíbrio – Por outro lado, de acordo com Pompéia, o recuo na oferta de unidades tende a equilibrar os lançamentos à realidade de uma demanda menor, o que deve segurar uma elevação dos preços. "O mercado é cíclico. Em 2011, tivemos muitos lançamentos. Para este ano, não teremos tanto", diz.

Número de processos aumenta em maio na Capital Segundo Secovi-SP, ações na Justiça subiram 15% em maio em relação a abril.

O

número de ações locatícias protocoladas em maio último no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo cresceu 15% ante abril, segundo levantamento realizado pelo Secovi-SP (o sindicato da habitação). O levantamento foi feito no Fórum da cidade de São Paulo e aponta que foram registrados 2.040 processos, ante os 1.774 do mês anterior. Em relação a maio de 2011, quando tinham sido abertos 1.757 processos, a alta foi de 16,1% (confira no quadro ao lado). Esse crescimento do número de processos não chega a surpreender Jaques Bushatsky, diretor de Legislação do Inquilinato do Secovi-SP. "Todos os índices de inadimplência do mercado estão em alta. Demorou um pouco, mas o mercado de locação residencial também foi contaminado", afirmou Bushatsky. No mês de maio, a falta de pagamento continuou respondendo pela maioria dos processos. Com 1.591 ações, a inadimplência correspondeu a 78% do total de ações do mês. A alta verificada em maio

contribuiu para o aumento do número de ações locatícias neste ano. De janeiro a maio, foram protocoladas 8.998 ações, um crescimento de 11,5% em relação ao volume dos cinco primeiros meses de 2011, que foi de 8.069 ações. Habite- se eletrônico – Na sexta-feira, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, falou, como convidado do Núcleo de Altos Temas (NAT) do SecoviSP, sobre as inovações tecnológicas que estão em curso para agilizar a aprovação de empreendimentos imobiliários. "Na próxima segunda-feira (hoj e), já entrará em vigor o Habite-se eletrônico", informou Kassab. Isso significa que o certificado de conclusão de obra poderá ser feito pela In-

ternet. O processo ficará centralizado na Secretaria das Subprefeituras, mas as diversas secretarias envolvidas terão núcleos encarregados de informar se todas as exigências foram cumpridas. Vencida essa etapa, o Habite-se sairá eletronicamente. "Esperamos que esse trâmite não demore mais do que cinco dias", garantiu Alfonso Orlandi Neto, responsável pelo órgão de Supervisão Geral de Uso e Ocupação de Solo (Sguos), da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, também presente ao evento, ao lado de vários secretários municipais. Segundo o Secovi-SP, a Prefeitura pretende criar a Secretaria de Licenciamentos.

Daniel Teixeira/AE

Nos primeiros cinco meses deste ano, o total de ações da área de habitação chegou a 8.998 na cidade de São Paulo. Esse total supera o número dos cinco primeiros meses de 2011.

Lançamentos: especialista avalia que preços dos imóveis novos em São Paulo extrapolam todos os limites.

Nos cinco primeiros meses do ano, segundo dados do Secovi, o número de lançamentos na cidade de São Paulo recuou 31,4%. Foi o menor pata-

mar desde maio de 2009. O Secovi projeta, para o final de 2012, uma alta entre 10% e 15% nos preços dos imóveis novos na Capital paulista. A

valorização é menor do que a ocorrida no ano passado, quando a elevação no valor das unidades havia sido de 26% sobre o ano de 2010.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

16

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

e Sanduíche com pitada de sofisticação Esse público busca uma experiência gastronômica completa e especial. Régis Pina, gerente de marketing da Cia.

conomia

Redes de hambúrgueres e sanduíches investem em chapeiros 'gourmets' e ambientes arquitetônicos arrojados para atenderem consumidores exigentes Karina Lignelli

É

Big X Picanha pretende fechar este ano com 60 lojas no País. Rita Poli, diretora da rede e também da Abrasel-SP, diz que o consumidor está mais exigente. Chapeiros com treinamento especial e carnes Wessel.

Newton Santos/Hype

a "gourmetização" do fast food ou a "gastronomização" do sanduíche? Apesar de complicadas, as expressões dos especialistas em food service, Sergio Molinari e Enzo Donna, traduzem um movimento que não é novo, mas está ficando cada vez mais forte no eixo São Paulo-Rio: a transformação do formato tradicional das lanchonetes em "butiques" de hambúrguer. Ambientação mais intimista e com móveis de grife, baseada em projetos arquitetônicos que privilegiam conforto e espaço, e até chapeiros "gourmets" que montam sanduíches com carnes nobres e no ponto que o cliente quer, são alguns dos exemplos de uma tendência cada vez mais forte. "É a rapidez do fast food com qualidade 'prime', que inclui produtos diferenciados e de boa procedência na preparação dos hambúrgueres", explica a diretora da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP), Rita Poli. E a concorrência vai ficando cada vez maior: exemplo disso é a criação de novas filiais para lojas já consolidadas, como a Lanchonete da Cidade ou a Dizzy. Há ainda a expansão de redes como Big X Picanha, que pretende encerrar 2012 com 60 lojas no País, sem contar com a chegada da rede norte-americana de hamburguerias Carl's Jr., prevista para este segundo semestre. Há uma estimativa de Sergio Molinari, professor do curso de Food Service da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) sobre o segmento de sanduíches (no qual a maioria se caracteriza por hambúrgueres). Segundo ele, representam 34% do total de estabelecimentos de alimentação franqueados – e que por sua vez, respondem por quase

L.C.Leite/LUZ

60% do faturamento das franquias. "Em boa parte, esses números se devem às duas maiores operações de franquias de alimentação do Brasil (Bob's e McDonald's). Elas moldaram o mercado e se caracterizaram pelo faturamento altíssimo, derivado de um grande fluxo de clientes – e não por conta de um tíquete médio mais alto", informou o especialista. Enzo Donna, que é diretor da ECD Consultoria, especializada em Food Service, explica que, hoje, em termos de marcas – já que a maioria é formada por estabelecimentos únicos ou expressivamente pequenos –, se houver 20 ou 25 lanchonetes nesse conceito sofisticado "é muito". Mas a tendência, diz ele, é que se transformem em um universo bastante consistente em mais ou menos dois anos.

"Não é como o caso das pa- te da Cidade mistura o ar "redarias que vendem refeições, trô" dos estabelecimentos de uma tendência consolidada balcão de fórmica dos anos 60, que hoje representa 40% do com arquitetura modernista. faturamento desses estabele- Tudo para oferecer o melhor cimentos", explica. Esse novo em termos de hambúrguer, formato de 'hamburgueria', para um público que "busca em que o lanche faz um link uma experiência gastronômicom o ambiente, é uma res- ca completa e especial", seposta do mercado a esses no- gundo o gerente de marketing vos consumidores, jovens da Cia., Régis Pina. Vide os adultos entre 20 e 30 anos que campeões da casa, como o evoluíram para um consumo Hambúrguer Bombom, que lesofisticado muito além do va molho de tomate fresco, ou "lanche de saquinho". o Bombom à La Presse, com roO especialista alerta ainda delas de mussarela de búfala e que, para o emtomate caqui, preendedor, o ambos prepacusto de monrados com piÉ uma experiência canha e fralditagem nesse tipo de negócio é nha frescas rede consumo nova alto, devido às cebidas diariapara um produto instalações m e n t e – antigo, que se mais caras e, qualidade que transforma em para recuperar é "obsessão 'obra de arte'. o capital, o pepara a equipe", ríodo é dois a garante Pina. ENZO DONNA, três anos. "Esse consuDA ECD CONSULTORIA Tudo isso remidor não se flete no preço contenta mais 'salgado' dos lanches, que com um bom produto, que já custam, em média, R$ 25. não é fácil de encontrar. Ele "Sanduíche dá lucro e essas quer um serviço eficiente, um mudanças colaboram para ambiente bem desenhado, aumentar seu valor agregado. bem cuidado e casual – além É uma experiência de consu- do mais raro de encontrar: a mo nova para um produto an- hospitalidade da equipe, para tigo, que se transforma em fazer com que o cliente se sin'obra de arte'. Por isso, custa ta 'em casa'". caro, mas o consumidor paga Familiar – No caso da pequecom prazer", frisa. nina lanchonete da Vila Maria, Retrô – A Lanchonete da Ci- na Zona Norte, que existe desdade, da Cia.Tradicional do de 1969, o negócio foi ampliaComércio (que inclui a Pizzaria do. A Dizzy abriu caminho para Bráz e os bares Astor e Pirajá), uma outra "irmã", localizada por exemplo, é um caso clássi- na Av. Braz Leme, área nobre co, de aposta na originalidade da região. Os irmãos Marcius e para se destacar da concor- Marcus Vinícius Temperani, rência. Com cinco unidades na que herdaram a Dizzy do pai, Capital, sempre localizadas optaram por expandir o negóem regiões nobres – a mais re- cio "chamando bastante atencente foi inaugurada na Rua ção do público". Amauri, no Itaim. A LanchoneConvocaram bons arquiteRomulo Fialdini/ Divulgação

Lanchonete da Cidade: originalidade.

Dizzi Hambúrgeres, na Av. Braz Leme: filhos dão uma guinada na lanchonete do pai, investem em arquitetura e crescem com novo público. tos, investiram no ambiente "futurista, arejado" de 200 lugares, com iluminação indireta, pé direito alto e muitas árvores para atrair principalmente as famílias. "Tínhamos um bom produto (os hambúrgueres), mas não um bom ambiente. Hoje, temos os dois", disse Marcius. O tradicional Cheese Salada da casa, além de outras criações de Marcius – formado em Gastronomia – como o hambúrguer de soja e lanches naturais de shiitake e abobrinha , dividem espaço com refeições gourmet, como salmão e carré de cordeiro – elaboradas por ele para garantir a rentabilidade em outros horários, como o de almoço. "Cada um tem seu produto, tem seu espaço... O importante é valorizar o nosso, que tem nome e tradição na região. É a nossa diferença, e apostamos muito nisso", completou. Expansão – Com o DNA de expansão na veia, a rede Big X Picanha, famosa pelos lanches gigantes montados com uma das carnes mais apreciadas pelos brasileiros, e até com salmão, calabresa ou vegetais, procura mesclar a característica com a tendência da "butique de hambúrguer". Segundo Rita Poli, que além da Abrasel-SP também é uma das diretoras da rede, o consumidor da "nova classe média" es-

tá muito mais exigente, privilegiando suas saídas para lazer que vão muito além do "sentar e comer". Para atender a esse público e se adaptar à nova tendência de mercado, todas as lojas foram reformadas no conceito steak house (churrascaria), para oferecer hambúrgueres produzidos com carnes da marca Wessel e "tudo o que tiver de top em termos de qualidade e variedade". Até chapeiros têm treinamento especializado para saber lidar com o produto, feito para o cliente, explica ela. "Oferecemos o que há de melhor para quem antes não tinha poder aquisitivo para comer no Outback (a rede australiana de lanchonetes), mas agora consegue ir a um lugar equivalente em nível de conforto e qualidade, e com preços acessíveis. É esse padrão que nos destaca, e torna o Big X Picanha um porto seguro para os consumidores em geral", acredita Poli.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

e

A folha de pagamento do Estado cresceu drasticamente, não com tecnocratas, mas com os funcionários dos partidos. Toby Dodge, professor da London School of Economics

conomia

U

17

m shopping center tem uma sala especial para orações em Bagdá. Outro revista os clientes na entrada, exigindo que guardem suas pistolas, como se fossem casacos em um restaurante chique. Eles são bons lugares para fugir do calor do deserto e, em uma cultura islâmica conservadora, são um dos poucos lugares onde casais jovens podem flertar abertamente e mulheres podem fumar em público. Comuns na maior parte dos vizinhos iraquianos no Golfo Pérsico, os shopping centers em estilo norte-americano demoraram a chegar a uma Bagdá desolada pela guerra. Mas agora, grandes shoppings estão sendo construídos em toda a capital. O maior deles irá incluir um hotel cinco estrelas e um hospital. Um dos que já estão funcionando recebe todas as semanas um caminhão carregado de Big Macs congelados, vindos de um McDonald's em Amã, na Jordânia. O crescimento da construção civil geralmente é saudado como uma evidência do progresso e do retorno à normalidade no Iraque, mais de nove anos depois da invasão dos Estados Unidos e pouco mais de seis meses depois da partida das últimas tropas. Entretanto, economistas e outros especialistas veem um lado negativo: eles afirmam que o surgimento de uma cultura de consumo mascara falhas fundamentais em uma economia que, como as de outros países ricos em energia – a exemplo da Arábia Saudita e do Qatar – sufoca a produção, uma vez que se baseia exclusivamente no lucro do petróleo e nos milhões de empregos públicos financiados por esses lucros, como parte do vasto sistema de clientelismo do país. "Basicamente, o Iraque está tentando construir uma sociedade de consumo de base socialista, e não com base em um capitalismo de Estado, como na China", afirmou Marie-Helene Bricknell, representante do Banco Mundial no Iraque. Petróleo – Um dos principais objetivos de Washington era desenvolver uma economia de livre mercado no país. Ainda assim, com tanto dinheiro advindo do petróleo em suas mãos, os líderes iraquianos tomaram poucas medidas no sentido de desenvolver o setor privado. Mais de 90% da receita do governo iraquiano vem do petróleo e, com a rápida expansão de sua produção, a receita anual do país pode triplicar nos próximos cinco anos, chegando a mais de US$ 300 bilhões. Com tamanha riqueza chegando ao país, uma das grandes questões enfrentadas pelo Iraque é o que fazer com todo esse dinheiro. Em vista da mentalidade estadista de boa parte das autoridades iraquianas, além da corrupção generalizada no país, a maior parte dos diplomatas não acredita que a renda governamental será utilizada para cultivar o setor privado, ou para financiar um ambicioso programa de desenvolvimento dos serviços públicos – algo fundamental em um país onde 40% da população ainda não tem acesso

Fotos de Ayman Oghanna/NYT

Em uma cultura islâmica, os shopping centers são lugares raros onde as mulheres podem se exibir em público e os jovens fazerem o flerte.

Shopping centers, no estilo dos EUA, invadem Bagdá. Depois dos tanques, a capital do Iraque vê surgir das ruínas os centros de comércio do Ocidente, graças ao consumismo financiado pelo petróleo. Tim Arango*

à água potável. Em vez disso, os especialistas acreditam que esse dinheiro só irá gerar mais do mesmo no Iraque: mais corrupção e uma enorme mão de obra a serviço do governo. A maior parte dos grandes setores continua nas mãos do Estado, e a maior ambição de muitos iraquianos é conseguir um emprego público. De acordo com as estatísticas do ministério do planejamento iraquiano, quase um terço da mão de obra do país trabalha para o governo. Ao todo, mais de cinco milhões de pessoas, e esse número está crescendo, uma vez que os partidos políticos que estão no comando dos ministérios trocam empregos por votos. Tecnocratas – "A folha de pagamento do Estado cresceu drasticamente, não com tecnocratas, mas com os funcionários dos partidos, uma vez que o Estado se tornou uma maneira de financiar a lealdade partidária", afirmou Toby Dodge, professor da Lond on School of Economics, em recente mesa redonda a respeito do Iraque, realizada em Londres. "Isso é diretamente responsável por comprometer e prejudicar a capacidade do Estado iraquiano. Tudo o que resta é Estado gigantesco." Uma vez que os salários do governo são muito mais altos do que os do setor privado, as empresas privadas operam em desvantagem, já que, en-

McDonald's e entretenimento no cinema: o novo sonho do iraquiano vira realidade.

As lojas exibem marcas que são o objeto de desejo dos clientes e buscam atrair os funcionários públicos tre outros problemas, os candidatos a empresários não são capazes de contratar os funcionários mais capacitados. O Banco Mundial coloca o Iraque na 153ª posição – de um total de 183 países – em relação à facilidade em se fazer negócios. "Construir uma sociedade de consumo baseada em nada é como criar uma bolha que irá estourar no futuro", afirmou Bricknell. Segundo ele, com os shoppings "eles só estão envernizando um núcleo podre". Contudo, por enquanto, esse verniz parece muito bom em um lugar que já sofreu tanto. Supermercado – Ali Aboud, um construtor iraquiano que se mudou para a Holanda em 2006, voltou recentemente

para abrir um shopping de quatro andares com seu irmão. O primeiro andar é um supermercado, o segundo está cheio de roupas, o terceiro tem móveis e produtos para casa, e último andar tem uma praça de alimentação e uma área para as crianças. Enquanto caminhava pelo mercado, Aboud mostrou queijos da Dinamarca, camarões congelados do Golfo Pérsico, hambúrgueres e frangos fritos congelados. "As pessoas vêm para cá e pedem produtos do McDonald's ou do KFC", afirmou ele. "Há muitos iraquianos que viveram fora do país." Nenhuma das franquias famosas já chegou ao Iraque. Mahdi al-Saadi, gerente e

filho do dono do shopping com controle de segurança, afirmou: "O Iraque ainda não é um lugar onde você pode deixar as pessoas entrarem sem antes revistá-las. A situação da segurança é nosso maior desafio. Ela ainda não se estabilizou". S eg ur an ça – Lamiya al-Rifaee, uma mãe e empresária de 40 anos, estava fazendo compras recentemente e reclamou que o shopping não era tão grande nem tão chique quanto os outros que ela visitou em Dubai, nos Emirados Árabes, e na Turquia. Mas, segundo ela, para o Iraque já é um bom começo, e um dos poucos lugares onde ela pode deixar seus filhos longe de seus olhos, deixando-os na

área infantil do último andar. "Aqui, eu posso ver meus filhos brincando com segurança, e comprar tudo o que preciso nas lojas." Ela acrescentou que "as mulheres iraquianas sofrem da doença das compras". A academia e o salão de beleza do quinto andar são proibidos para os homens. "Nós temos uma academia para mulheres gordas que queiram perder peso", afirmou Huda Abdul Allah, a proprietária. Ela explicou: "Nós precisamos fazer algo chique, como em Dubai. Nós vivemos em uma sociedade que não permite que as mulheres vão a esses lugares sem privacidade". Um enorme shopping que está sendo construído nas proximidades de Mansour, um bairro de classe média alta, irá superar qualquer outro shopping da cidade e planeja ser o lugar onde os iraquianos possam viver o consumismo americano. Boutiques venderão marcas ocidentais, como tênis Ecco, ternos Zara e equipamentos Timberland, e há planos para a construção de um fliperama, diversos cinemas, mais de uma dúzia de restaurantes e uma pista de boliche. Ele não será apenas um shopping, mas um "resort de entretenimento completo". "As pessoas precisam se divertir", afirmou Maythem Shakir, o engenheiro chefe do projeto de US$ 25 milhões, que está sendo financiado por um grupo de iraquianos abastados e construído por uma empresa turca. "As pessoas precisam ter acesso às mesmas coisas que todos têm." O consumismo financiado pelo petróleo em Bagdá já tem um precedente histórico. No livro História Moderna do Iraque, a historiadora norte-americana Phebe Marr descreve uma trajetória similar nos anos 1970, quando, segundo ela, "a era da prosperidade criou rapidamente uma sociedade de consumo dependente dos empregos públicos". Armas – Nos dias de hoje, alguns especialistas veem o acúmulo de poder nas mãos do líder iraquiano, o primeiroministro Nouri al-Maliki, aliado ao aumento das receitas advindas do petróleo, e temem que a história se repita. O breve período de prosperidade, ocorrido há algumas décadas, criou uma população dependente do governo, que aceitou a brutal ascensão de Saddam Hussein, que utilizou os lucros do petróleo para aumentar seu estoque de armas e realizar uma desastrosa guerra contra o Irã. "O petróleo foi uma maldição para o povo, já que seu lucro foi utilizado para formar exércitos e para atacar os vizinhos do Iraque, ou o próprio povo iraquiano. Ele não foi investido em infraestrutura, no desenvolvimento dos diversos setores econômicos do país", afirmou Hussain alShahristani, o vice-primeiroministro que fiscaliza a política energética do país, em uma entrevista recente para o Iraq Oil Report. Entretanto, por enquanto o dinheiro do petróleo se traduz em shopping centers e em marcas ocidentais, que são objeto de desejo entre muitos iraquianos. "Isso é um tipo de liberdade", afirmou Mahdi alSaadi, um dos proprietários do shopping de Mansour. "Os iraquianos irão gastar dinheiro imediatamente. Eles foram privados da escolha, e do acesso às grandes marcas." * The New York Times


DIà RIO DO COMÉRCIO

18 -.ECONOMIA/LEGAIS

e China reduz impostos Ă s estrangeiras

sĂĄbado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

Agora, não existe crise. Mas, se a China sofrer, todos terão problemas Jurgen Ratzinger, diretor da Câmara de ComÊrcio e Indústria da Alemanha

conomia

Regra ĂŠ para empresa do exterior que investe no paĂ­s

A

s empresas estrangeiras que atuam na China terão os impostos sobre o lucro que obtêm no país reduzidos em atÊ 50% depois que regras sobre impostos retidos na fonte forem flexibilizadas como parte dos esforços do governo chinês para estimular mais investimentos externos, informa reportagem do jornal britânico Financial Times. Segundo a publicação, as reduçþes nos impostos retidos na fonte foram introduzidas pela China primeiramente em 2009, mas o processo para solicitar o corte era complicado. Agora, qualquer companhia aberta com sede em um país que tenha um tratado fiscal com a China serå qualificada para o alívio sobre os dividendos das operaçþes chinesas, como anunciado na semana passada pelos governos das províncias de Jiangsu e Tangshan. Hong Kong, Cingapura e Reino Unido têm tratados sobre impostos com a China, bem como tradicionais paraísos fiscais, afirmou a consultoria KPMG ao jornal. Re cup eraç ão – Na semana passada, a China informou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 7,6% no segundo trimestre deste ano, abaixo da alta de 8,1% no primeiro trimestre, mas em linha com as expectativas. O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, alertou que a recuperação econômica do país ainda não Ê eståvel e que os obs-

tåculos vão prosseguir por algum tempo, segundo reportagem da agência de notícias estatal chinesa Xinhua. Durante uma viagem na província de Sichuan no fim de semana, Wen pediu esforço para fortalecer a vitalidade e o dinamismo do crescimento econômico. "A taxa de crescimento da economia ainda estå dentro da faixa alvo do governo estabelecida no começo do ano e políticas de estabilização estão funcionando", disse Wen. A estabilidade da China Ê tida como a âncora do mercado global. Qualquer indício em direção a uma forte desaceleração do país pode ter impacto no mundo todo. Um quadro de recessão na China poderia, por exemplo, provocar uma piora na crise da Europa. Espanha e GrÊcia apresentaram as maiores taxas de desemprego de suas histórias e a Itålia tem uma dívida pública que equivale a 123% de seu PIB. AtÊ a Alemanha, país europeu que menos sente os efeitos da crise e teve a expansão do PIB recentemente revisada para cima, pode sentir os efeitos de uma China mais enfraquecida. "Agora, não existe crise. Mas, se a China sofrer, todos terão problemas", declarou o diretor do Departamento Internacional da Câmara de ComÊrcio e Indústria da Alemanha, Jurgen Ratzinger. Metade da produção alemã atualmente vai para o mercado externo. (AE)

'FKVCN FG Â&#x153; G Â&#x153; 2TCnC FG $GO +OxXGN G RCTC KPVKOCnlQ FQU GZGEWVCFQU 9KNNKCPU %CUCPQXC 4)  G %2(  G /CTKC FC 2C\ %CUCPQXC 4)  G %2(  DGO EQOQ C ETGFQTC JKRQVGEhTKC %CKZC 'EQPzOKEC (GFGTCN  %'( G FGOCKU KPVGTGUUCFQU GZVTCsFC FQU CWVQU FC #nlQ FG 'ZGEWnlQ FG 6sVWNQ 'ZVTCLWFKEKCN 2TQE    TGSWGTKFC RQT (QTVGPIG %QPUVTWn|GU G 'ORTGGPFKOGPVQU .VFC %02, PÂ?  1 &T ,7.+1 %'5#4 5+.8# &' /'0&10c# (4#0%1 // ,WK\ FG &KTGKVQ FC Â&#x153; 8CTC %sXGN FQ (QTQ 4GIKQPCN +8  .CRC FC %QOCTEC FG 5lQ 2CWNQ FQ 'UVCFQ FG 5lQ 2CWNQ PC HQTOC FC .GK GVE (#< 5#$'4 SWG PQU VGTOQU FQ CTV # FQ %2% TGIWNCOGPVCFQ RGNQ 2TQXKOGPVQ %5/ PÂ?  FQ 6,52 G CFCRVCFQ PQU VGTOQU FQ CTV  FGUUG RTQXKOGPVQ EQO KPKEKQ PQ FKC      CU  G VoTOKPQ PQ FKC      iU  PC #XGPKFC #PIoNKEC PÂ?  Â? CPFCT 5lQ 2CWNQ52 Q .GKNQGKTQ 1HKEKCN NGXCTh C Â&#x153; 2TCnC Q DGO KOxXGN CDCKZQ FGUETKVQ GPVTGICPFQQ C SWGO OCKU FGT CEKOC FC CXCNKCnlQ SWG GO QWVWDTQ FG  GSWKXCNKC C 4  PlQ JCXGPFQ NKEKVCPVGU PC Â&#x153; HKEC FGUFG Lh FGUKIPCFQ RCTC GXGPVWCN Â&#x153; 2TCnC EQO KPKEKQ FKC      iU  G VoTOKPQ PQ FKC     iU  JQTCU QECUKlQ GO SWG Q TGHGTKFQ DGO KOxXGN UGTh GPVTGIWG C SWGO OCKU FGT PlQ UGPFQ CEGKVQ NCPEG XKN UGPFQ SWG RGNQ RTGUGPVG GFKVCN HKECO QU GZGEWVCFQU KPVKOCFQU FCU FGUKIPCn|GU UWRTC 6CODoO UGTlQ CEGKVQU NCPEGU GNGVTzPKEQU UKOWNVjPGQU G RToXKQU CVTCXoU FQ UKVG YYY\WMGTOCPEQODT FQU KPVGTGUUCFQU RTGXKCOGPVG ECFCUVTCFQU SWG EQPEQTTGTlQ GO KIWCNFCFG FG EQPFKn|GU EQO QU FGOCKU RCTVKEKRCPVGU .'+.1'+41 1 NGKNlQ UGTh TGCNK\CFQ RGNQU NGKNQGKTQU (CDKQ <WMGTOCP ,7%'52 PÂ?  &QTC 2NCV ,7%'52 PÂ?  G ,JQPPK $CNDKPQ FC 5KNXC ,7%'52 PÂ?  CEQORCPJCFQU RGNQ IGUVQT G NGKNQGKTQ /CWTQ <WMGTOCP ,7%'52 PÂ?  C SWGO UGTh FGXKFC RGNQ CTTGOCVCPVG C EQOKUUlQ FG  UQDTG Q XCNQT FQ NCPEG &'5%4+c­1 &1 $'/ #RCTVCOGPVQ PÂ?  NQECNK\CFQ PQ Â? CPFCT FQ ²'FKHsEKQ (KTGP\GÂł QW $NQEQ % KPVGITCPVG FQ %QPFQOsPKQ )KCTFKPQ &Âľ+VCNKC UKVWCFQ PC 4WC &G\GUUGKU GUSWKPC EQO C 4WC 4KECTFQ #DGF Â? 5WDFKUVTKVQ2KTKVWDC EQPVGPFQ C hTGC }VKN FG OĂŻ hTGC EQOWO FG OĂŻ hTGC VQVCN FG OĂŻ ECDGPFQNJG Q FKTGKVQ C WOC XCIC KPFGVGTOKPCFC PQ GUVCEKQPCOGPVQ EQNGVKXQ EQTTGURQPFGPFQ NJG C HTCnlQ KFGCN FG  PQ VGTTGPQ FQ EQPFQOsPKQ EQPVTKDWKPVG  OCKQT hTGC  'PEQPVTCUG TGIKUVTCFQ UQD Q PÂ? /CVTsEWNC  LWPVQ CQ Â? %4+ FC %CRKVCN #8#.+#c­1 4    SWG UGTh CVWCNK\CFC PC FCVC FQ GHGVKXQ NGKNlQ Ă?075 %QPUVC FC TGHGTKFC OCVTsEWNC EQPHQTOG 4 CXGTDCFC GO  FG FG\GODTQ FG  JKRQVGEC GO HCXQT FC %CKZC 'EQPzOKEC (GFGTCN %'( G PQ #X CXGTDCFC GO  FG LCPGKTQ FG  HQK RTQEGFKFC C 2'0*14# FQ KOxXGN QDLGVQ FGUVC 1 .CWFQ FG CXCNKCnlQ GPEQPVTCUG i FKURQUKnlQ FQU KPVGTGUUCFQU PQ %CTVxTKQ FQ Â? 1HsEKQ %sXGN FQ (QTQ 4GIKQPCN FC .CRC PGUVC %CRKVCN %QTTGTlQ RQT EQPVC FQ CTTGOCVCPVG VQFCU CU RTQXKFqPEKCU RCTC C KOKUUlQ PC RQUUG FQ KOxXGN DGO EQOQ CU FGURGUCU EQO VTCPUHGTqPEKC KPENWKPFQ VCZCU G GOQNWOGPVQU ECTVQThTKQU 'XGPVWCKU FoDKVQU VTKDWVhTKQU SWG TGECsTGO UQDTG Q KOxXGN SWG VGPJCO RQT HCVQ IGTCFQT C RTQRTKGFCFG FQOsPKQ }VKN QW C RQUUG EQPUQNKFCFQU CVo C CTTGOCVCnlQ UG UWDTQICTlQ PQ RTGnQ PGNC CRWTCFQ CTV  RCThITCHQ }PKEQ FQ %60  1WVTQU FoDKVQU UGTlQ FG TGURQPUCDKNKFCFG FQ CTTGOCVCPVG GZEGVWCFQU CSWGNGU GXGPVWCNOGPVG SWKVCFQU EQO Q RTQFWVQ FC CNKGPCnlQ %10&+cÂŽ'5 &' 2#)#/'061 1 RCICOGPVQ UGTh i XKUVC GO CVo  JQTCU CRxU Q GPEGTTCOGPVQ FC RTCnC QW FC JQOQNQICnlQ FQ NCPEG RGNQ // ,WK\ TGURQPUhXGN #NVGTPCVKXCOGPVG UGTh CKPFC CFOKVKFQ RCICOGPVQ PQ RTC\Q FG  FKCU OGFKCPVG ECWnlQ FG  FQ XCNQT FG CTTGOCVCnlQ CTV  FQ %2%  2CTC VCPVQ Q CTTGOCVCPVG FGKZCTh EQO Q NGKNQGKTQ FQKU EJGSWGU UGPFQ WO PQ XCNQT FQ NCPEGECWnlQ G QWVTQ PQ XCNQT FC EQOKUUlQ EQTTGURQPFGPVG C  1 NGKNQGKTQ UG TGURQPUCDKNK\CTh RGNQU FGRxUKVQU PQ RTC\Q RTGXKUVQ 0lQ UGPFQ GHGVKXCOGPVG EQPETGVK\CFQ Q PGIxEKQ RQT EWNRC FQ CTTGOCVCPVG GUVG CTECTh EQO VQFQU QU zPWU G EQPUGSWqPEKCU FG UWC QOKUUlQ KPENWUKXG RCTC C QDVGPnlQ FG PQXQU FQEWOGPVQU G TGUUCTEKOGPVQ FCU FGURGUCU RCTC C TGCNK\CnlQ FC RTCnC #RxU C RWDNKECnlQ FGUUG GFKVCN GO ECUQ FG CEQTFQ RCICOGPVQ FC FsXKFC QW CFLWFKECnlQ FQ DGO CPVGU FC CNKGPCnlQ FGXGTh Q KPVGTGUUCFQ CRTGUGPVCT CVo Q KPsEKQ FQ RTGIlQ C IWKC EQORTQDCVxTKC FQ TGHGTKFQ RCICOGPVQ GQW RGVKnlQ QPFG UG XGTKHKSWG ENCTCOGPVG C UKVWCnlQ SWG FGVGTOKPG C UWURGPUlQ FC RTCnC UGPFQ XGFCFQ Q WUQ FQ RTQVQEQNQ KPVGITCFQ 'O ECUQ FG RCICOGPVQ FC FsXKFC GUVC FGXGTh UGT CETGUEKFC FG LWTQU EWUVCU G JQPQThTKQU CFXQECVsEKQU 'O SWCNSWGT FCU UKVWCn|GU FGUETKVCU UGTh FGXKFC RGNQ GZGEWVCFQ QW RGNQ CFLWFKECPVG CQ .GKNQGKTQ 1HKEKCN C KORQTVjPEKC GSWKXCNGPVG C  VTqU RQT EGPVQ UQDTG Q XCNQT FC CXCNKCnlQ FQ DGO RCTC TGUUCTEKOGPVQ FCU FGURGUCU UWRQTVCFCU EQO C RWDNKECnlQ FQ GFKVCN 1U RTGnQU FQU DGPU CTTGOCVCFQU QPNKPG FGXGTlQ UGT FGRQUKVCFQU CVTCXoU FG IWKC FG FGRxUKVQ LWFKEKCN FQ $CPEQ FQ $TCUKN 5# QDVKFC GO UWCU CIqPEKCU QW CVTCXoU FQ UKVG YYYDDEQODT PQ RTC\Q FG  JQTCU FC TGCNK\CnlQ FQ NGKNlQ DGO EQOQ FGXGTh UGT FGRQUKVCFC C EQOKUUlQ FQ .GKNQGKTQ CVTCXoU FG RCICOGPVQ GO FKPJGKTQ PC TGFG DCPEhTKC &1% QW 6'& ° 6TCPUHGTqPEKC 'NGVTzPKEC &KURQPsXGN PQ RTC\Q FG CVo  WO FKC }VKN C EQPVCT FQ GPEGTTCOGPVQ FQ NGKNlQ PC EQPVC FQ .GKNQGKTQ 1HKEKCN /CWTQ <WMGTOCP ° %2(  $CPEQ +VC} #IqPEKC  %%  'O CVo  JQTCU CRxU Q GPEGTTCOGPVQ FQ .GKNlQ ECFC CTTGOCVCPVG TGEGDGTh WO GOCKN EQO KPUVTWn|GU RCTC FGRxUKVQ ° TGEQOGPFCOQU GURGTCT Q TGEGDKOGPVQ FGUVG GOCKN CPVGU FG GHGVWCT Q FGRxUKVQ &GEQTTKFQU Q RTC\Q UGO SWG CTTGOCVCPVG VGPJC TGCNK\CFQ Q FGRxUKVQ VCN KPHQTOCnlQ UGTh GPECOKPJCFC CQ // ,Ws\Q EQORGVGPVG RCTC C CRNKECnlQ FCU OGFKFCU NGICKU ECDsXGKU 0lQ EQPUVCO FQU CWVQU TGEWTUQU RGPFGPVGU FG LWNICOGPVQ 2GNQ RTGUGPVG HKECO QU GZGEWVCFQU KPVKOCFQU FCU RTCnCU FGUKIPCFCU ECUQ PlQ VGPJCO UKFQ FG QWVTC HQTOC PQU VGTOQU FQ CTVKIQ  Â&#x2026; Â? FQ %2% # XGPFC UGTh GHGVWCFC GO ECThVGT ²CF EQTRWUÂł G PQ GUVCFQ FG EQPUGTXCnlQ GO SWG UG GPEQPVTC 5GTh Q RTGUGPVG GFKVCN RQT GZVTCVQ CHKZCFQ G RWDNKECFQ PC HQTOC FC NGK 5lQ 2CWNQ 

(GLWDO GH FLWDomR  SUD]R GH YLQWH GLDV 3URFHVVR QÂ&#x17E;   2UGHP QÂ&#x17E;  2 'RXWRU )$%,2 0$57,16 0$56,*/,2 00 -XL] GH 'LUHLWR GD 9DUD Ă&#x2019;QLFD 'LVWULWDO GH 9DUJHP *UDQGH 3DXOLVWD GD &RPDUFD GH &RWLD (VWDGR GH 6mR 3DXOR QD IRUPD GD OHL )$= 6$%(5 D 3$75,&,$ )5(,7$6 *21&$/9(6 5*  &3)  TXH OKH IRL SURSRVWD XPD DomR GH 5HLQWHJUDomR  0DQXWHQomR GH 3RVVH SRU $/&$6( (035((1',0(1726 ,02%,/,$5,26 /7'$ &13-  FRQVWDQGR GD LQLFLDO TXH D UHTXHULGD HP  DVVLQRX ,QVWUXPHQWR 3DUWLFXODU GH &RPSURPLVVR GH &RPSUD H 9HQGD SDUD DGTXLULU R ORWH  GD TXDGUD  GR ORWHDPHQWR 5HVLGrQFLD 6DQ 'LHJR 9DUJHP *UDQGH 3DXOLVWD 63 4XH D Up GHL[RX GH SDJDU WRGDV DV SDUFHODV D SDUWLU GH  5HTXHUHX D UHLQWHJUDomR GD SRVVH GR LPyYHO H D FRQGHQDomR GD Up QR SDJDPHQWR GDV FXVWDV DGPLQLVWUDWLYDV H FDUWRUiULDV GDV FRQWULEXLo}HV PHQVDLV GHYLGDV j DVVRFLDomR DGPLQLVWUDGRUD GR ORWHDPHQWR GR ,378 H GHPDLV LPSRVWRV GR LPyYHO GR DOXJXHO GHVGH R LQtFLR GD LQDGLPSOrQFLD DWp D UHLQWHJUDomR GD SRVVH H ILQDOPHQWH GDV FXVWDV GHVSHVDV SURFHVVXDLV H GRV KRQRUiULRV DGYRFDWtFLRV (QFRQWUDQGRVH R UpX HP OXJDU LQFHUWR H QmRVDELGR IRL GHWHUPLQDGD D VXD &,7$d­2 SRU HGLWDO SDUD RV DWRV H WHUPRV GD DomR SURSRVWD H SDUD FRQWHVWDU R IHLWR QR SUD]R GH TXLQ]H GLDV GHFRUULGR R SUD]R VXSUD GR HGLWDO H TXH QRV WHUPRV GR DUWLJR  GR &yGLJR GH 3URFHVVR &LYLO QmR VHQGR FRQWHVWDGD D DomR SUHVXPLUVHmR YHUGDGHLURV RV IDWRV DUWLFXODGRV SHOR DXWRU 6HUi R SUHVHQWH HGLWDO DIL[DGR QR ORFDO GH FRVWXPH H SXEOLFDGR SHOD LPSUHQVD QD IRUPD GD OHL 1$'$ 0$,6 'DGR H SDVVDGR QHVWD FLGDGH H FRPDUFD GH 9DUJHP *UDQGH 3DXOLVWD  GH PDLR GH 

PIB italiano abaixo de 2%

O

governo da Itålia vai revisar sua estimativa para a economia neste ano, para uma contração de menos de 2%, quando reavaliar suas metas econômicas no mês de setembro, informou o novo ministro da Economia, Vittorio Grilli, em entrevista publicada ontem pelo jornal Corriere della Sera. Anteriormente, o governo italiano havia estimado que economia iria encolher 1,2% neste ano. A nova estimativa fica próxima da projeção do Banco da Itålia (banco central italiano) de contração de 2%, porÊm Ê

mais otimista que a previsão do lobby industrial Confindustria, de uma contração superior a 2,4%. Vittorio Grilli afirmou que o governo italiano estå tendo dificuldades com a questão de como diminuir sua dívida. De acordo com o novo ministro da economia, "o caminho mais factível" para a diminuição da dívida, equivalente a 123% do PIB (Produto Interno Bruto), Ê um plano de vårios anos de venda de ativos estatais de forma gradual, garantindo entre 15 e 20 bilhþes de euros por ano. (Reuters)

(',7$/ '( Â? H Â? 35$d$ GH LQWLPDomR GH 3$8/2 +(15,48( 5,%(,52 *20(6 GHSRVLWiULR  LQVFULWR QR &3)0) VRE R QÂ&#x17E;  H GH VXD PXOKHU /285'(6 )$%,$1$ '$ 6,/9$ *20(6 GHSRVLWiULD  LQVFULWD QR &3)0) VRE R QÂ&#x17E;  GD FRSURSULHWiULD $/(66$1'5$ 5,%(,52 '$ 6,/9$ LQVFULWD QR &3)0) VRE R QÂ&#x17E;  H GD FUHGRUD KLSRWHFiULD &$,;$ (&21Ă? 0,&$ )('(5$/ Âą &() LQVFULWD QR &13-0) VRE R QÂ&#x17E;  $ 'UD $GULDQD 0DULOGD 1HJUmR 00 -Xt]D GH 'LUHLWR GD Â? 9DUD &tYHO GR )RUR GD &RPDUFD GH 7DERmR GD 6HUUD  63 QD IRUPD GD OHL )$= 6$%(5 DRV TXH R SUHVHQWH (GLWDO GH Â? H Â? 3UDoD GR EHP LPyYHO YLUHP RX GHOH FRQKHFLPHQWR WLYHUHP H LQWHUHVVDU SRVVD TXH SRU HVWH -Xt]R SURFHVVDPVH RV DXWRV GD $omR GH &REUDQoD GH &RQGRPtQLR SHOR 3URFHGLPHQWR 6XPiULR DMXL]DGD SRU &21'20Ă&#x2039;1,2 5(6,'(1&,$/ 2852 35(72 HP IDFH GH 3$8/2 +(15,48( 5,%(,52 *20(6 H RXWUD  3URFHVVR QÂ&#x17E;  FRQWUROH QÂ&#x17E;  H TXH IRL GHVLJQDGD D YHQGD GR EHP GHVFULWR DEDL[R GH DFRUGR FRP DV UHJUDV H[SRVWDV D VHJXLU '2 ,0Ă? 9(/  2 LPyYHO VHUi YHQGLGR HP FDUiWHU $' &25386´H QR HVWDGR HP TXH VH HQFRQWUD $V IRWRV H D GHVFULomR GHWDOKDGD GR LPyYHO D VHU DSUHJRDGR HVWmR GLVSRQtYHLV QR 3RUWDO Z Z Z PHJDOHLORHVFRPEU '$ 9,6,7$d­2  $V YLVLWDV GHYHUmR VHU DJHQGDGDV YLD HPDLO YLVLWDFDR# PHJDOHLORHVFRPEU '$ 35$d$ Âą $ SUDoD VHUi UHDOL]DGD SRU 0(,2 (/(75Ă? 1,&2 DWUDYpV GR 3RUWDO Z Z Z PHJDOHLORHVFRPEU D Â? 3UDoD WHUi LQtFLR QR GLD  jV KV H VH HQFHUUDUi GLD  jV KV RQGH VRPHQWH VHUmR DFHLWRV ODQFHV LJXDLV RX VXSHULRUHV DR YDORU GD DYDOLDomR QmR KDYHQGR ODQFH LJXDO RX VXSHULRU DR YDORU GD DYDOLDomR VHJXLUVHi VHP LQWHUUXSomR D Â? 3UDoD TXH WHUi LQtFLR QR GLD  jV KV H VH HQFHUUDUi QR GLD  jV KV RQGH VHUmR DFHLWRV ODQFHV FRP QR PtQLPR  GR YDORU GD DYDOLDomR '2 &21'8725 '$ 35$d$ Âą $ SUDoD VHUi FRQGX]LGD SHOR /HLORHLUR 2ILFLDO 6U )HUQDQGR -RVp &HUHOOR *RQoDOYHV 3HUHLUD PDWULFXODGR QD -XQWD &RPHUFLDO GR (VWDGR GH 6mR 3DXOR Âą-8&(63 VRE R QÂ&#x17E;  '2 9$/25 0Ă&#x2039;1,02 '( 9(1'$ '2 ,0Ă? 9(/ Âą1D Â? 3UDoD R YDORU PtQLPR SDUD D YHQGD GR LPyYHO FRUUHVSRQGHUi D  VHVVHQWD SRU FHQWR GR YDORU GD DYDOLDomR MXGLFLDO TXH VHUi DWXDOL]DGD DWp D GDWD GD DOLHQDomR MXGLFLDO '26 /$1&(6 Âą 2V ODQFHV SRGHUmR VHU RIHUWDGRV SHOD ,QWHUQHW DWUDYpV GR 3RUWDO Z Z Z PHJDOHLORHVFRPEU '26 'e%,726 (YHQWXDLV {QXV VREUH R LPyYHO FRUUHUmR SRU FRQWD GR DUUHPDWDQWH H[FHWR HYHQWXDLV GpELWRV GH ,378 H GHPDLV WD[DV H LPSRVWRV TXH VHUmR VXEURJDGRV QR YDORU GD DUUHPDWDomR QRV WHUPRV GR DUW  ÂłFDSXW´H SDUiJUDIR ~QLFR GR &71 '2 3$*$0(172  2 DUUHPDWDQWH GHYHUi HIHWXDU R SDJDPHQWR GR SUHoR GR LPyYHO DUUHPDWDGR QR SUD]R GH DWp KV YLQWH H TXDWUR KRUDV DSyV R HQFHUUDPHQWR GD SUDoDFLrQFLD GD OLEHUDomR GR ODQFH FRQGLFLRQDO DWUDYpV GH JXLD GH GHSyVLWR MXGLFLDO HP IDYRU GR -Xt]R UHVSRQViYHO VRE SHQD GH VH GHVID]HU D DUUHPDWDomR '$ &20,66­2 Âą2 DUUHPDWDQWH GHYHUi SDJDU j 0(*$/(,/2(6 *(6725 -8',&,$/ D WtWXOR GH FRPLVVmR R YDORU FRUUHVSRQGHQWH D  FLQFR SRU FHQWR VREUH R SUHoR GH DUUHPDWDomR GR LPyYHO $ FRPLVVmR GHYLGD j 0HJD /HLO}HV QmR HVWi LQFOXtGD QR YDORU GR ODQFH H QmR VHUi GHYROYLGD DR DUUHPDWDQWH HP QHQKXPD KLSyWHVH VDOYR VH D DUUHPDWDomR IRU GHVIHLWD SRU GHWHUPLQDomR MXGLFLDO RX SRU UD]}HV DOKHLDV j YRQWDGH GR DUUHPDWDQWH H GHGX]LGDV DV GHVSHVDV LQFRUULGDV '2 3$*$0(172 '$ &20,66­2  2 SDJDPHQWR GD FRPLVVmR GD 0(*$/(,/2(6 *(6725 -8',&,$/ GHYHUi VHU UHDOL]DGR HP DWp KV YLQWH H TXDWUR KRUDV D FRQWDU GR HQFHUUDPHQWR GD SUDoDFLrQFLD GD OLEHUDomR GR ODQFH FRQGLFLRQDO DWUDYpV GH JXLD GH GHSyVLWR TXH ILFDUi GLVSRQtYHO QR VLWH GR JHVWRU RX VHUi HQYLDGD SRU HPDLO '$ $'-8',&$d­2 Âą 1D KLSyWHVH GH DGMXGLFDomR GR LPyYHO SHOR H[HTXHQWH HVWH ILFDUi UHVSRQViYHO SHOD FRPLVVmR GHYLGD 7RGDV DV UHJUDV H FRQGLo}HV GD 3UDoD HVWmR GLVSRQtYHLV QR 3RUWDO Z Z Z PHJDOHLORHVFRPEU $ SXEOLFDomR GHVWH HGLWDO VXSUH HYHQWXDO LQVXFHVVR QDV QRWLILFDo}HV SHVVRDLV H GRV UHVSHFWLYRV SDWURQRV 5(/$d­2 '26 %(16 Âą 0DWUtFXOD QÂ&#x17E;  GR Â&#x17E; &DUWyULR GH 5HJLVWUR GH ,PyYHLV GD &RPDUFD GH ,WDSHFHULFD GD 6HUUD63 Âą,0Ă? 9(/ $SDUWDPHQWR QÂ&#x17E;  GR Â&#x17E; DQGDU GR (GLItFLR 5HVLGHQFLDO 2XUR 3UHWR VLWXDGR QD $YHQLGD $JHPLUR +RQRUDWR GH $TXLQR QÂ&#x17E;  HP ]RQD XUEDQD QR 'LVWULWR H 0XQLFtSLR GH 7DERmR GD 6HUUD &RPDUFD GH ,WDSHFHULFD GD 6HUUD SRVVXL DV VHJXLQWHV DFRPRGDo}HV GRLV GRUPLWyULRV VDOD EDQKHLUR FR]LQKD iUHD GH VHUYLoR H WHUUDoR FRP D iUHD SULYDWLYD GH PĂ° iUHD GH XVR FRPXP GH PĂ° WRWDOL]DQGR D iUHD GH PĂ° FRUUHVSRQGHQGROKH XPD IUDomR LGHDO GH  FRP UHIHUrQFLD D SURSULHGDGH GR WHUUHQR FRQIURQWD GH TXHP GR LPyYHO ROKD SDUD D $YHQLGD $JHPLUR +RQRUDWR GH $TXLQR SHOD IUHQWH FRP UHFXR GR (GLItFLR SHOR ODGR GLUHLWR FRP iUHD OLYUH GR FRQGRPtQLR SHOR ODGR HVTXHUGR FRP DSDUWDPHQWR QÂ&#x17E;  H SHORV IXQGRV FRP iUHD OLYUH GR FRQGRPtQLR FDEHQGR R GLUHLWR GH HVWDFLRQDPHQWR GH XP  DXWRPyYHO GH SDVVHLR GH SRUWH PpGLR HP ORFDO LQGHWHUPLQDGR H VXMHLWR D DWXDomR GH PDQREULVWD &RQVWD QD $Y  GHVWD PDWUtFXOD TXH R LPyYHO REMHWR GHVWD PDWUtFXOD DFKDVH KLSRWHFDGR HP IDYRU GD &$,;$ (&21Ă? 0,&$ )('(5$/  &() &RQVWD QR 5  GHVWD PDWUtFXOD TXH R LPyYHO REMHWR GHVWD PDWUtFXOD IRL DWULEXtGR SRU LQVWUXPHQWR SDUWLFXODU SDUD 3$8/2 +(15,48( 5,%(,52 *20(6 H VXD PXOKHU /285'(6 )$%,$1$ '$ 6,/$ *20(6 H $/(66$1'5$ 5,%(,52 '$ 6,/9$ &RQWULEXLQWH QÂ&#x17E;V   H  'pELWRV GHVWD DomR QR YDORU GH 5  -DQHLUR  9DORU GH $YDOLDomR 5  FHP PLO TXLQKHQWRV H TXDUHQWD UHDLV H WULQWD H VHLV FHQWDYRV 0DLR TXH VHUi DWXDOL]DGR DWp D GDWD GD DOLHQDomR FRQIRUPH WDEHOD GH DWXDOL]DomR PRQHWiULD GR 7-63 (',7$/ '( ,17(5',d­2 GH 1$<6$ .$11(%/(< %,77(1&2857 (;3(','2 12 352&(662 '( $d­2 '( ,17(5',d­2 UHTXHULGD SRU 0$5,$ $3$5(&,'$ %,77(1&2857 (/8)  352&(662 15    1U GH 2UGHP  2 (;&(/(17Ă&#x2039;66,02 6(1+25 '28725 9(1,/721 &$9$/&$17( 0$55(5$ 00 -8,= '( ',5(,72 '$ 7(5&(,5$ 9$5$ '( )$0Ă&#x2039;/,$ ( 68&(66ÂŽ(6 '$ &20$5&$ '( &$03,1$6 '2 (67$'2 '( 6­2 3$8/2 1$ )250$ '$ /(, (7& )$= 6$%(5 D WRGRV TXDQWR R SUHVHQWH HGLWDO YLUHP RX GHOH FRQKHFLPHQWR WLYHUHP TXH SRU HVWH -Xt]R H &DUWyULR GD Â&#x17E; 2ItFLR GH )DPtOLD H 6XFHVV}HV VH SURFHVVDUDP DRV WHUPRV GH XPD ,QWHUGLomR HQWUH DV SDUWHV 0$5,$ $3$5(&,'$ %,77(1&2857  UHTXHUHQWH H 1$<6$ .$11(%/(< %,77(1&2857 UHTXHULGD H SRU U VHQWHQoD GH GD ODYUD GR ([FHOHQWtVVLPR D 6HQKRU D 'RXWRU D -XL] D GH 'LUHLWR GD Â? 9DUD GH )DPtOLD H 6XFHVV}HV GD &RPDUFD GH &DPSLQDV63 '5 9(1,/721 &$9$/&$17( 0$55(5$ GDWDGD GH  TXH WUDQVLWRX HP MXOJDGR VHP LQWHUSRVLomR GH UHFXUVRV HP  IRL GHFUHWDGD D LQWHUGLomR GH 1$<6$ .$11(%/(< %,77(1&2857 %UDVLOHLUD YL~YD SHQVLRQLVWD &3) Q  5* Q  UHVLGHQWH H GRPLFLOLDGD QD &OtQLFD 0pGLFD $)$0 VLWXDGD D UXD 0LJXHO 3HQWHDGR   *XDQDEDUD  &$03,1$6  63  VHQGR QRPHDGD &XUDGRUD 0$5,$ $3$5(&,'$ %,77(1&2857 (/8) %UDVLOHLUD YL~YD SURIHVVRUD &3) Q  5* Q  UHVLGHQWH D 'U -DYHUW GH $QGUDGH   6DQWR $PDUR  6­2 3$8/2  63 HP IDFH GR HVWDGR PHQWDO GR LQWHUGLWDQGR ( SDUD TXH FKHJXH DR FRQKHFLPHQWR GH WRGRV H QLQJXpP SRVVD DOHJDU LJQRUkQFLD PDQGRX R 00 -XL] TXH VH H[SHGLVVH R SUHVHQWH HGLWDO TXH VHUi SXEOLFDGR H DIL[DGR QD IRUPD GD OHL 'DGR H SDVVDGR QHVWD FLGDGH H &RPDUFD GH &DPSLQDV (VWDGR GH 6mR 3DXOR DRV  D 0$5,1$ '2 &$502 3(6621, (VFUHYHQWH &KHIH GLJLWHL (X D 9$/(5,$ &5,67,1$ 3,5(6 )(51$1'(6 (VFULYm 'LUHWRUD VXEVFUHYL D 9(1,/721 &$9$/&$17( 0$55(5$  -8,= '( ',5(,72

&LWDomR  3UD]R  GLDV  3URF  QÂ&#x17E; GH 2UGHP  $ 'UD 9DQHVVD &DUROLQD )HUQDQGHV)HUUDUL-Xt]DGH'LUHLWRGDÂ?9DUD&tYHOGD&RPDUFDGH6DQWR$QGUpHWF)D]6DEHUD6LGQH\ 1XQHV3LPHQWHOSRUWDGRUGR5*663')&30)0) TXH-D\PH'LYLQR0DUTXHV DMXL]RX$omRGH,QGHQL]DomRFRPSURFHGLPHQWR2UGLQiULRREMHWLYDQGRDSURFHGrQFLDSDUDFRQGHQDURUpXDR SDJDPHQWRGHGDQRVPRUDLVHPDWHULDLVQRYDORUGH5  DFUHVFLGRGHMXURVHFRUUHomR PRQHWiULDEHPFRPRGDVFXVWDVKRQRUiULRVHGHPDLVFRPLQDo}HV(VWDQGRRUHTXHULGRHPOXJDULJQRUDGR IRLGHIHULGDDFLWDomRSRUHGLWDOSDUDTXHHPGLDVDIOXLUDSyVRVGLDV VXSUDFRQWHVWHDDomRVRESHQD GHSUHVXPLUHPVHDFHLWRVRVIDWRVDUWLFXODGRV(SDUDTXHFKHJXHDRFRQKHFLPHQWRGHWRGRVHTXHQRIXWXUR QmRVHDOHJXHLJQRUkQFLDH[SHGLXVHRSUHVHQWHHGLWDOTXHVHUiDIL[DGRHPOXJDUS~EOLFRFRPRGHFRVWXPH H SXEOLFDGR QD IRUPD GD /HL 6DQWR $QGUp  GH MXOKR GH  % H 

&LWDomR 3UD]R  GLDV 3URF  $ 'UD $QQD 3DXOD 'LDV GD &RVWD -Xt]D GH 'LUHLWR GD Â? 9DUD &tYHO 5HJLRQDO GH 6DQWR $PDUR )D] 6DEHU D 6RQLD /X L]D GD 6LOY D &3)   TXH OKH IRL SURSRVWD XPD DomR 2UGLQiULD GH 5HVFLVmR &RQWUDWXDO &XPXODGD FRP 5HLQWHJUDomR GH 3RVVH UHTXHULGD SRU &203$1+,$ '( '(6(192/9,0(172 +$%,7$&,21$/ ( 85%$12 '2 (67$'2 '( 6ÂŽ 2 3$8/2 ² &'+8 REMHWLYDQGR GHFODUDU UHVFLQGLQGR R FRQWUDWR FHOHEUDGR UHIHUHQWH DR $SWR QÂ&#x17E; %  ORFDOL]DGR QR 3UpGLR % VLWXDGR QD 5XD )HLWLoR GD 9LOD QÂ&#x17E;  &KiFDUD 6DQWD 0DULD 6mR 3DXOR63 Âą &(3  GHVFRQVWLWXtGR R YLQFXOR MXUtGLFR FRPSHQVDQGRVH HYHQWXDLV GLUHLWRV GHFRUUHQWHV GH EHQIHLWRULDV LPSOHPHQWDGDV QR EHP EHP FRPR R YDORU GHYLGR SHOD RFXSDomR JUDWXLWD GR LPyYHO GHVGH R DGYHQWR GD LQDGLPSOrQFLD DWp D GHVRFXSDomR HIHWLYD GR PHVPR GHWHUPLQDQGR D UHLQWHJUDomR GD DXWRUD QD SRVVH GR EHP FRQGHQDQGR D Up DR SDJDPHQWR GDV FXVWDV SURFHVVXDLV KRQRUiULRV DGYRFDWtFLRV H QDV GHPDLV FRPLQDo}HV OHJDLV (VWDQGR D Up HP OXJDU LJQRUDGR IRL GHIHULGD D VXD FLWDomR SRU HGLWDO SDUD TXH HP  GLDV D IOXLU DSyV RV  GLDV VXSUD FRQWHVWH R IHLWR VRE SHQD GH SUHVXPLUHPVH FRPR YHUGDGHLURV RV IDWRV DOHJDGRV 6HUi R HGLWDO DIL[DGR H SXEOLFDGR QD IRUPD GD OHL Ć&#x2021;

(GLWDO GH FLWDomR FRP SUD]R GH  GLDV 3URF  2 'RXWRU (GXDUGR 7RELDV GH $JXLDU 0RHOOHU 00 -XL] GH 'LUHLWR GD Â? 9DUD &tYHO GR )RUR 5HJLRQDO ;, 3LQKHLURV 'R (VWDGR GH 6mR 3DXOR QD )RUPD GD /HL )D] 6DEHU D 6DQWD 0DULD 7ULFRW /WGD &13-   QD SHVVRD GH VHX UHSUHVHQWDQWH OHJDO (OLDQD 0DULD GD 6LOY D 5DPRV EUDVLOHLUD FDVDGD FRPHUFLDQWH &3)  5*  H D 2UDFLQD %DUERVD GRV 6DQWRV EUDVLOHLUD FDVDGD FRPHUFLDQWH &3)  5*  TXH %$1&2 1266$ &$,;$ 6 $ &13-    SRVWHULRUPHQWH VXFHGLGR SRU %DQFR GR %UDVLO 6 $ &13-  OKHV DMXL]RX XPD DomR 0RQLWyULD REMHWLYDQGR D FREUDQoD GD TXDQWLD GH 5  MX QKR GHFRUUHQWH GR LQDGLPSOHPHQWR SHODV UHTXHULGDV GR FRQWUDWR GH DEHUWXUD GH FUpGLWR URWDWLYR HP FRQWD FRUUHQWH Âą SHVVRD MXUtGLFD Âą FKHTXH HPSUHVD FHOHEUDGR HP  SHOR TXDO IRLOKHV FRQFHGLGR OLPLWH GH FUpGLWR QR YDORU GH 5  FRQWUDWR HVWH JDUDQWLGR SRU XPD QRWD SURPLVVyULD QR YDORU GH 5  $OHJD D UHTXHUHQWH TXH DV UpV XWLOL]DUDP D WRWDOLGDGH GR OLPLWH FRQFHGLGR H QmR UHIRUoDUDP DV JDUDQWLDV GHL[DQGR GH TXLWDUHP R VDOGR GHYHGRU DQWHV GR YHQFLPHQWR (QFRQWUDQGRVH DV UHTXHULGDV HP OXJDU LJQRUDGR IRL GHIHULGD D FLWDomR SRU HGLWDO SDUD TXH HP TXLQ]H GLDV D IOXLU DSyV R SUD]R GH YLQWH GLDV FRQWDGRV D SDUWLU GD SXEOLFDomR GHVWH HGLWDO RIHUHoDP HPEDUJRV PRQLWyULRV RX SDJXHP D LPSRUWkQFLD VXSUD ILFDQGR FLHQWH RXWURVVLP GH TXH QHVWH ~OWLPR FDVR ILFDUmR LVHQWDV GH FXVWDV H KRQRUiULRV DGYRFDWtFLRV H GH TXH QD KLSyWHVH GH QmR RIHUHFLPHQWR GH HPEDUJRV VHUi LQLFLDGD D H[HFXomR FRQIRUPH SUHYLVWR QR /LYUR ,, 7tWXOR ,, FDStWXORV ,,H ,9 6HUi R SUHVHQWH HGLWDO SRU H[WUDWR DIL[DGR H SXEOLFDGR QD IRUPD GD OHL Ć&#x2021;

&LWDomR SUD]R  GLDV SURF  2 '28725 &(6$5 /8,= '( $/0(,'$ 00 -XL] GH 'LUHLWR GD Â? 9DUD &tYHO GH 6mR 0LJXHO 3DXOLVWD63 )D] 6DEHU ÂŹ *UDGLO 5HVWDXUDGRUD GH 2EMHWRV 0HWDOLFRV /WGD &13-   QD SHVVRD GH VHXV UHSUHVHQWDQWHV TXH 1,48(/)(5 &20(5 &,2 '( 0(7$,6 /7$ DMXL]RXOKH D DomR GH ([HFXomR GH 7tWXOR ([WUDMXGLFLDO REMHWLYDQGR D FREUDQoD GH 5 UHIHUHQWHD&RQWUDWRILUPDGRHQWUHDVSDUWHV(VWDQGRRUpXHPORFDOLJQRUDGRH[SHGHVHRSUHVHQWH HGLWDO SDUD TXH QR SUD]R GH  GLDV HIHWXDU R SDJDPHQWR QRV WHUPRV GR DUWLJR  H VHJXLQWHV GR &yGLJR 3URFHVVXDO &LYLO RX DSUHVHQWDU HPEDUJRV QR SUD]R GH  GLDV 6HUi R SUHVHQWH HGLWDO DIL[DGR H SXEOLFDGR QD IRUPDGD/HL6mR3DXOR %  H 

&LWDomR 3UD]R  GLDV 3URF  2 'U )DELR &RLPEUD -XQTXHLUD -XL] GH 'LUHLWR GD Â? 9DUD &tYHO 5HJLRQDO GH 3LQKHLURV )D] 6DEHU D /LJLD 0DULD 3RUWR &3)  H 5*   TXH 62&,('$'( %(1(),&(17( ,65$(/,7$ %5$6,/(,5$ +263,7$/ $/%(57 (,167(,1 OKH DMXL]RX XPD DomR 0RQLWyULD YLVDQGR R UHFHELPHQWR GH 5  PDUoR  UHSUHVHQWDGR SHOD QRWD ILVFDO GH VHUYLoR QÂ&#x17E;  QR YDORU GH 5  HPLWLGD H QmR SDJD GHFRUUHQWH GR FRQWUDWR GH SUHVWDomR GH VHUYLoRV PpGLFRV KRVSLWDODUHV ILUPDGR HQWUHV DV SDUWHV (VWDQGR D Up HP OXJDU LJQRUDGR IRL GHIHULGD D VXD FLWDomR SRU HGLWDO SDUD TXH HP  GLDV DIOXLU DSyV R SUD]R GR HGLWDO VXSUD LVHQWD GH FXVWDV H KRQRUiULRV DGYRFDWtFLRV  SDJXH D TXDQWLD UHFODPDGD RX RIHUHoD HPEDUJRV VRE SHQD GH FRQYHUVmR GD DomR 0RQLWyULD HP ([HFXomR FRQIRUPH DUW  GR &3& 6HUi R HGLWDO DIL[DGR H SXEOLFDGR QD IRUPD GD OHL Ć&#x2021;

Merkel: parlamento apoiarĂĄ ajuda Ă  Espanha.

A

chanceler alemã, Angela Merkel, disse ontem que estava confiante de que a maioria dos parlamentares alemães apoiarå a ajuda ao combalido setor bancårio espanhol durante uma sessão especial da Câmara Baixa do Parlamento marcada para a próxima quinta-feira. Na sexta-feira passada, centenas de espanhóis se manifestaram em Madri, contra os cortes aprovados pelo governo central e para pedir a demissão do presidente da Espanha, Mariano Rajoy. Ministros das Finanças da zona do euro concordaram na última segunda-feira com um pacote de resgate de atÊ 100 bilhþes de euros para os bancos espanhóis, devastados pelo estouro da bolha imobiliåria. O governo de Merkel deve receber primeiro um sinal verde do Parlamento antes de que o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, possa se comprometer em uma reunião na sexta-feira a pagar a parte da Alemanha do emprÊstimo. "Sempre conseguimos a maioria de que precisamos", disse Merkel em uma entrevista gravada para o canal ZDF que foi ao ar na noite de ontem. Uma pequena minoria de parlamentares da coalizão de centro-direita de Merkel votou recentemente contra o novo fundo de resgate da zona do euro e novas regras orçamentårias, destacando a crescente inquietação na Alemanha sobre os custos de apoiar os membros mais fracos do bloco de moeda única. No entanto, o governo de Merkel conseguiu facilmente uma maioria de dois terços para as duas medidas com a ajuda dos partidos da oposição. Merkel tambÊm

acrescentou que a zona do euro ainda nĂŁo resolveu se seus fundos de resgate â&#x20AC;&#x201C; Fundo Europeu de Estabilização Financeira e seu eventual sucessor, o Mecanismo Europeu de Estabilidade â&#x20AC;&#x201C; ou os Estados beneficiĂĄrios seriam responsĂĄveis pelo pagamento de ajudas futuras aos bancos. "Ainda nĂŁo adotamos qualquer posição final sobre isso", afirmou. A lĂ­der conservadora reafirmou sua posição de que o preço de um apoio continuado para os paĂ­ses da zona do euro em dificuldade deve ser uma adesĂŁo estrita por parte dos governos envolvidos a duras metas fiscais e de monitoramento europeu sobre o seu progresso. "Todas as tentativas ... dizer 'oh, vamos praticar a solidariedade e, no entanto, nĂŁo ter supervisĂŁo ou condiçþes' nĂŁo terĂŁo nenhuma chance comigo ou com a Alemanha", disse a chanceler. Sobre a GrĂŠcia, Merkel afirmou que queria esperar o relatĂłrio das autoridades da troika, formada por ComissĂŁo Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo MonetĂĄrio Internacional (FMI), sobre o progresso das reformas de Atenas antes de decidir sobre os prĂłximos passos. A GrĂŠcia, a apenas algumas semanas de ficar sem dinheiro, quer renegociar os termos do seu plano de resgate de 130 bilhĂľes de euros com a UniĂŁo Europeia e o FMI, mas os credores â&#x20AC;&#x201C; liderados pela Alemanha â&#x20AC;&#x201C; disseram que podem ajustar, mas nĂŁo reescrever o documento. "Eu resolvi que sĂł vou dizer o que vamos fazer com base neste relatĂłrio (da troika) e, portanto, devemos esperar por outro par de semanas", disse Merkel. (Reuters)

Angela Lionel Cironneau/Reuters

Chanceler Angela Merkel aguarda relatĂłrio das autoridades da troika


sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

DIÁRIO DO COMÉRCIO

ECONOMIA/LEGAIS - 19

INTERNET GROUP DO BRASIL S.A. CNPJ 03.368.522/0001-39 RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO Aos acionistas, Em atendimento à legislação societária em vigor, apresentamos as Demonstrações Financeiras e respectivas notas explicativas relativas aos exercícios sociais findos em 31 de dezembro de 2011 e de 2010. A Administração. BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2011 E DE 2010 DEMONSTRAÇÕES DO FLUXO DE CAIXA DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2011 E DE 2010 EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2011 E DE 2010 Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma Ativo Nota 2011 2010 Passivo e patrimônio líquido Nota 2011 2010 2011 2010 Circulante Nota 2011 2010 Circulante Caixa e equivalentes de caixa 9 100.524 89.725 Receitas de vendas e/ou serviços 4 236.645 288.346 Atividades operacionais Salários, encargos sociais e Lucro antes das tributações 10.739 20.910 Aplicações financeiras 9 1.051 1.026 benefícios 7.250 6.684 Custo dos bens e/ou serviços Contas a receber 10 35.106 67.242 Fornecedores 37.428 39.325 (95.791) (61.349) Itens de resultado que não afetam o caixa vendidos 5 Tributos correntes a recuperar 11 2.785 11.309 Encargos, rendimentos financeiros e Lucro bruto 140.854 226.997 Tributos correntes a recolher 11 346 7.101 Outros tributos 12 219 145 atualizações monetárias (527) 516 Receitas (despesas) operacionais Outros tributos 12 2.106 4.158 Adiantamento a fornecedores Depreciação e amortização 18.513 16.977 Resultado de equivalência patrimonial 412 Programa de refinanciamento fiscal 19 415 230 - partes relacionadas 13 24.167 Provisão para créditos de liquidação duvidosa 6.926 13.061 Despesas com vendas 5 (67.757) (79.298) Provisões 20 421 788 Dividendos a Receber 273 Provisões 1.269 1.763 Despesas gerais e administrativas 5 (67.886) (133.758) Participação nos resultados 23 11.160 20.931 Depósitos e bloqueios judiciais 14 260 288 Reversão provisão ISS (18.160) Outras receitas operacionais 6 10.562 30.413 Receitas a apropriar 5.933 7.065 Demais ativos 15 4.444 4.296 Equivalência patrimonial (412) Outras despesas operacionais 6 (14.018) (32.290) Demais obrigações 21 7.616 8.544 168.829 174.031 Atualização monetária do programa de Lucro operacional antes do 72.675 94.826 Não circulante refinanciamento fiscal 439 270 resultado financeiro 2.167 12.064 Não circulante Crédito com partes relacionadas 24 2.622 2.348 Participação dos empregados e administradores 9.863 21.296 Receitas financeiras 7 12.032 10.750 Outros tributos 12 2.541 413 Adiantamentos a fornecedores Outros 111 870 Despesas financeiras 7 (3.460) (1.904) Programa de refinanciamento fiscal 19 3.376 3.752 - partes relacionadas 13 5.363 5.465 46.921 57.503 Lucro antes das tributações 10.739 20.910 Provisões 20 7.176 6.906 Tributos diferidos a recuperar 11 94.083 98.201 Mutações patrimoniais Imposto de renda e contribuição social 13.093 11.071 Depósitos e bloqueios judiciais 14 1.687 1.839 Contas a receber 25.210 4.895 Corrente 8 (3.498) (6.860) 22 Demais ativos 15 350 763 Patrimônio líquido Tributos (535) (5.239) Diferido 8 (3.424) (2.235) Capital social 396.477 396.477 Investimentos 16 1.638 1.500 Adiantamento a fornecedor (24.065) 14.659 3.817 11.815 Prejuízos acumulados (123.784) (127.601) Lucro do exercício Imobilizado 17 45.895 55.078 Fornecedores (3.199) (40.218) 272.693 268.876 A Companhia não possui resultados abrangentes, razão pela qual não Intangível 18 37.994 35.548 Salários, encargos sociais e benefícios 566 1.873 Total do passivo e patrimônio está apresentando a demonstração relativa a este resultado. 189.632 200.742 Provisões (1.770) (795) líquido 358.461 374.773 Total do ativo 358.461 374.773 As notas explicativas da administração são parte integrante Participação dos empregados e administradores (19.634) (3.076) das demonstrações financeiras. Outras contas ativas e passivas (1.285) 9.652 As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras. (24.712) (18.249) DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO EM NOTAS EXPLICATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2011 E DE 2010 Caixa proveniente das operações Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma 31 DE DEZEMBRO DE 2011 E DE 2010 Imposto de renda e contribuição social pagos Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma Provisões 1 - INFORMAÇÕES GERAIS Empresa (7.389) Capital Prejuízos A Internet Group do Brasil S.A. (Companhia) é uma sociedade por ações O valor reconhecido como provisão é a melhor estimativa de desembolso Fluxo de caixa das atividades operacionais 22.209 31.865 social acumulados Total exigido para liquidar a obrigação presente na data do balanço, com base de capital fechado e tem sua operação baseada no provimento de acesso Atividades de investimentos 396.477 (139.416) 257.061 à Internet, realizado de forma discada e através de banda larga. Também na opinião dos administradores e consultores jurídicos internos e externos, Em 1 de janeiro de 2010 Aquisições de bens do ativo imobilizado e Lucro líquido do exercício 11.815 11.815 provê serviços de valor agregado voltado para o mercado residencial e sendo os valores registrados com base nas estimativas dos custos dos intangível (11.377) (29.352) Em 31 de dezembro de 2010 396.477 (127.601) 268.876 empresarial, incluindo o acelerador de conexão à Internet. Além desses desfechos dos processos. (3.259) (3.428) Depósitos e bloqueios judiciais Lucro líquido do exercício 3.817 3.817 serviços, a Companhia também conta com a venda de espaço publicitário O aumento da obrigação em decorrência da passagem do tempo é Resgate de depósitos e bloqueios judiciais 3.515 3.016 Em 31 de dezembro de 2011 396.477 (123.784) 272.693 reconhecido como despesa financeira. em seu portal. Fluxo de caixa das atividades de investimentos (11.121) (29.764) As notas explicativas da administração são parte integrante A Companhia é controlada pela BrT Serviços de Internet (subsidiária Participações dos empregados no resultado Atividades de financiamentos das demonstrações financeiras. integral de Oi S.A.), que em 31 de dezembro de 2011, detém 53,82% A provisão que contempla o programa de participações dos empregados Programa de Refinanciamento Fiscal – REFIS (289) (115) do capital total, sendo que a iG Participações S.A. (“iG Part”) e Oi S.A. nos resultados é contabilizada pelo regime de competência, no qual hipóteses para apuração do valor justo pode ter efeito material nos valores Fluxo de caixa das atividades de detém 32,53% e 13,65%, respectivamente da participação restante. A participam todos os empregados elegíveis que tenham trabalhado obtidos. financiamentos (289) (115) Companhia é sediada no Brasil, na cidade de São Paulo, no bairro Jardim proporcionalmente no ano conforme as regras do Programa. A Para títulos negociáveis em mercados ativos, o valor justo equivale ao valor Fluxo de caixa do período 10.799 1.986 determinação do montante, que é pago até abril do ano seguinte ao do da última cotação de fechamento disponível na data do encerramento do Caixa e equivalente de caixa Europa, na Rua Amauri, 299. Em junho de 2010, a controladora indireta da Companhia Oi S.A. aprovou registro da provisão, considera o programa de metas estabelecido junto período multiplicado pelo número de títulos em circulação. Saldo final 100.524 89.725 e realizou a reorganização societária das empresas de internet, visando aos sindicatos da categoria, através de acordo coletivo específico, em Para contratos em que as condições de contratação atuais são Saldo inicial 89.725 87.739 semelhantes àquelas em que os mesmos se originaram ou que não simplificar as atividades semelhantes e proporcionar maior eficiência consonância com a Lei nº 10.101/2000 e com o estatuto social. 10.799 1.986 Variação no período apresentam parâmetros para cotação ou contratação, os valores justos Reconhecimento das receitas operacional. Assim neste período, a iG Part incorporou as empresas iG As notas explicativas da administração são parte integrante As receitas correspondem, substancialmente, ao valor das são iguais aos valores contábeis. Cayman e Nova Tarrafa Inc. das demonstrações financeiras. Abaixo estão resumidas as principais informações sobre os acervos contraprestações recebidas ou recebíveis para venda de serviços no curso Hierarquia do valor justo 2011 2010 O CPC 40 define valor justo como o valor/preço que seria recebido na venda regular das atividades da Companhia. líquidos incorporados por iG Part: Multas (136) (253) A receita é reconhecida quando o valor da mesma pode ser mensurado de um ativo ou pago na transferência de um passivo em uma transação Relação de Provisão para perdas em processos judiciais (1.269) (1.763) de maneira confiável, é provável que benefícios econômicos futuros ordinária entre participantes de um mercado na data de sua mensuração. troca * Empresa incorporada pela iG Part Acervo líquido Provisão para PPR/Bônus de empregados e serão transferidos para a Companhia, os custos incorridos na transação A norma esclarece que o valor justo deve ser fundamentado nas premissas iG Cayman (2.785) 2,00399169 (9.863) (21.296) possam ser mensurados, os riscos e benefícios foram, substancialmente, que os participantes de um mercado utilizam quando atribuem um valor/ administradores Nova Tarrafa Inc. 322 125,12660374 Tributos (exceto sobre receita bruta, IRPJ e transferidos ao comprador e quando critérios específicos forem satisfeitos preço a um ativo ou passivo e estabelece uma hierarquia que prioriza a * Quantidade de ações de iG Part por ação da empresa incorporada. CSLL) (509) (807) informação utilizada para desenvolver essas premissas. A hierarquia do O organograma simplificado a seguir demonstra a estrutura societária para cada uma das atividades da Companhia. Despesa na baixa do imobilizado (597) (13) As receitas de serviços de acesso e de vendas de aplicativos são valor justo atribui maior peso às informações de mercado disponíveis (ou antes e após a Reorganização Societária: Créditos baixados (962) (7.144) reconhecidas quando estes são prestados. As receitas dos serviços seja, dados observáveis) e menor peso às informações relacionadas a Custas processuais (77) (23) de publicidade são reconhecidas no período em que as mesmas são dados sem transparência (ou seja, dados inobserváveis). Adicionalmente, Fundos de pensão (268) (368) a norma requer que a empresa considere todos os aspectos de riscos de veiculadas. Outras despesas (337) (623) ” incluindo o próprio crédito da não desempenho (“nonperformance risk”), Reconhecimento das despesas Total (14.018) (32.290) As despesas são contabilizadas pelo regime de competência, obedecendo Companhia, ao mensurar o valor justo de um passivo. a sua vinculação com a realização das receitas. As despesas pagas O CPC 40 estabelece uma hierarquia de três níveis a ser utilizada ao 7 - RESULTADO FINANCEIRO 2011 2010 antecipadamente e que competem a exercícios futuros são diferidas de mensurar e divulgar o valor justo. Um instrumento de categorização na hierarquia do valor justo baseia-se no menor nível de “input” significativo Receitas financeiras acordo com os respectivos prazos de duração. 185 129 para sua mensuração. A seguir está demonstrada uma descrição dos três Atualização monetária de depósitos judiciais Receitas e despesas financeiras Juros e variações monetárias sobre outros As receitas financeiras são contabilizadas pelo regime de competência e níveis de hierarquia: 318 699 representam os juros efetivos auferidos sobre contas a receber liquidadas Nível 1 - Os “inputs” são determinados com base nos preços praticados ativos 10.375 9.824 em um mercado ativo para ativos ou passivos idênticos na data da Rendimentos de aplicações financeiras após o vencimento e ganhos com aplicações financeiras. Juros e variações monetárias sobre impostos mensuração. Adicionalmente, a Companhia deve ter possibilidade de As despesas financeiras representam os juros efetivos incorridos e os 586 70 demais encargos com empréstimos, financiamentos e outras transações negociar nesse mercado ativo e o preço praticado não pode ser ajustado e contribuições 568 28 Outras receitas financeiras pela Companhia. financeiras. 12.032 10.750 Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro correntes e Nível 2 - Os “inputs” são outros que não sejam preços praticados conforme Total determinado pelo Nível 1 que são observáveis para o ativo ou passivo, Despesas financeiras diferidos Juros sobre empréstimos a pagar a terceiros (362) (21) direta ou indiretamente. Os “inputs” do Nível 2 incluem preços praticados O imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro são contabilizados pelo regime de competência. Os tributos mencionados atribuíveis a em um mercado ativo para ativos ou passivos similares, preços praticados Variação monetária e cambial sobre (1) (190) diferenças temporárias, prejuízos fiscais e base negativa da contribuição em um mercado inativo para ativos ou passivos idênticos; ou “inputs” que empréstimos a pagar a terceiros social são registrados no ativo ou passivo, conforme o caso, somente no são observáveis ou que possam corroborar na observação de dados de Atualização monetária de provisões para perdas em processos judiciais (403) (985) um mercado por correlação ou de outras formas para substancialmente pressuposto de realização ou exigibilidade futura. A Companhia elabora Atualização monetária PAES (439) (271) estudos técnicos que contemplam a geração futura de resultados de toda parte do ativo ou passivo. (1.455) acordo com a expectativa da Administração, considerando a continuidade Nível 3 - Os “inputs” inobserváveis são aqueles provenientes de pouca ou Juros/atualização monetária parcelamento ISS das empresas. A Companhia reduz o valor contábil do ativo fiscal diferido nenhuma atividade de mercado. Esses “inputs” representam as melhores Imposto sobre operações financeiras e (16) (11) na medida em que não seja mais provável que lucro tributável suficiente estimativas da Administração da Companhia de como os participantes encargos bancários As participações em empresas coligadas estão demonstradas abaixo: (78) (426) Outras despesas financeiras Direta Indireta Direta Indireta estará disponível para permitir que o benefício de parte ou de todo de mercado poderiam atribuir valor/preço a esses ativos ou passivos. (3.460) (1.904) aquele ativo fiscal diferido possa ser utilizado. Qualquer redução do ativo Geralmente, os ativos e passivos de Nível 3 são mensurados utilizando Total Empresa Atividade 2011 2011 2010 2010 fiscal diferido é revertida na medida em que se torne provável que lucro modelos de precificação, fluxo de caixa descontados, ou metodologias 8 - IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Participação no tributável suficiente estará disponível. Os estudos técnicos são atualizados similares que demandam um significativo julgamento ou estimativa. Os tributos sobre a renda abrangem o imposto de renda e a contribuição Z Participações capital de outras emanualmente, aprovados pela Administração e os créditos tributários são De acordo com o CPC 40, a Companhia mensura seus equivalentes de social sobre o lucro. A alíquota para imposto de renda é de 25% e a S.A. (Brasil) presas 21,2% 21,2% caixa e aplicações financeiras pelo seu valor justo. Os equivalentes de alíquota para contribuição social é de 9%, produzindo uma taxa tributária ajustados de acordo com os resultados dessas revisões. Moip Serviços de cobrança caixa e aplicações financeiras são classificados como Nível 2, pois são nominal combinada de 34%. Demonstração dos Fluxos de Caixa Pagamentos e gerenciamento de Os registros relativos à provisão de imposto de renda e contribuição social A Demonstração dos Fluxos de Caixa é preparada de acordo com o mensurados utilizando preços de mercado para instrumentos similares. S.A.(Brasil) créditos pela Internet 75% 75% CPC 03 através do método indireto. A Companhia classifica na rubrica A tabela abaixo demonstra, de forma resumida, nossos principais ativos e sobre o lucro reconhecidos no resultado são os seguintes: As coligadas da Companhia são sediadas no Brasil. passivos financeiros em 31 de dezembro de 2011 e de 2010. Para aqueles 2011 2010 de caixa e equivalentes de caixa os saldos de numerários conversíveis 2 - PRINCIPAIS POLÍTICAS CONTÁBEIS Tributos correntes (3.498) (6.860) imediatamente em caixa e os investimentos de alta liquidez (normalmente ativos e passivos financeiros registrados a valor justo, demonstramos (a) Base de elaboração também os respectivos níveis de hierarquia (3.424) (2.235) Tributos diferidos As Demonstrações Financeiras foram elaboradas com base no custo com vencimento inferior a três meses) sujeitos a um insignificante risco de 2011 Total (6.922) (9.095) histórico, exceto por determinados instrumentos financeiros mensurados mudança de valor. Mensuração Hierarquia do Valor Valor pelos seus valores justos, conforme descrito nas políticas contábeis a Os fluxos de caixa são classificados na Demonstração dos Fluxos de 2011 2010 contábil valor justo contábil justo Caixa, dependendo da sua natureza, em (1) atividades operacionais; (2) seguir. Lucro antes das tributações / resultado Ativo A preparação das Demonstrações Financeiras requer o uso de certas atividades de investimento; e (3) atividades de financiamento. tributado 10.739 20.910 Equivalentes de caixa Valor justo Nível 2 100.396 100.396 estimativas contábeis e também o exercício de julgamento por parte da (c) Estimativas e julgamentos contábeis críticos IRPJ e CSLL sobre o resultado tributado Nível 2 1.051 1.051 Administração. Aquelas áreas que requerem maior nível de julgamento e Ao preparar as Demonstrações Financeiras, a Administração da Aplicações financeiras Valor justo (10%+15%+9%=34%) (3.651) (7.110) Custo possuem maior complexidade, bem como as áreas nas quais premissas e Companhia se baseia em estimativas e premissas derivadas da experiência Equivalência patrimonial 140 amortizado 35.106 35.106 histórica e outros fatores, incluindo expectativas de eventos futuros, as Contas a receber estimativas são significativas estão divulgadas no item (c). Baixa de créditos tributários (i) (3.151) Custo As Demonstrações Financeiras foram elaboradas e estão apresentadas quais se consideram razoáveis e relevantes. A aplicação das estimativas Créditos com partes Perda indedutíveis com contas a receber (362) (2.803) relacionadas amortizado 2.622 2.622 de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, com base nas e premissas frequentemente requer julgamentos relacionados a assuntos Efeito tributário sobre exclusões (adições) disposições contidas na Lei das Sociedades por Ações, pronunciamentos, que são incertos, com relação aos resultados das operações e ao valor Passivo 102 818 permanentes (ii) Custo orientações e interpretações emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos dos ativos e passivos. Os resultados operacionais e posição financeira Efeito de IRPJ e CSLL na demonstração amortizado 37.428 37.428 podem diferir se as experiências e premissas utilizadas na mensuração Fornecedores Contábeis – CPC. (6.922) (9.095) de resultado Custo das estimativas forem diferentes dos resultados reais. As estimativas que Participação nos (b) Principais políticas contábeis amortizado 11.160 11.160 (i) Refere-se à baixa de créditos tributários prescritos. possuem risco significativo de causar ajustes materiais sobre os saldos resultados Moeda funcional e de apresentação (ii) Refere-se substancialmente, às adições e exclusões permanentes e 2010 A Companhia atua como provedora de acesso à Internet e em atividades contábeis dos ativos e passivos estão relacionadas a seguir: Mensuração Hierarquia do Valor Valor despesas operacionais indedutíveis. correlacionadas ao respectivo setor no Brasil, sendo a moeda funcional e Reconhecimento de receita e contas a receber contábil valor justo contábil justo 9 - CAIXA, EQUIVALENTES DE CAIXA E APLICAÇÕES FINANCEIRAS A política de reconhecimento de receita da Companhia é significativa de apresentação o Real (R$). As aplicações financeiras realizadas pela Companhia, nos exercícios em razão de ser componente relevante dos resultados operacionais. A Ativo Caixa e equivalentes de caixa Equivalentes de caixa Valor justo Nível 2 85.162 85.162 sociais findos em 31 de dezembro de 2011 e de 2010, são classificadas Este grupo é representado pelos saldos de numerários em espécie no determinação de preços pela Administração, capacidade de cobrança Aplicações financeiras Valor justo Nível 2 1.026 1.026 como mantidas para negociação e são mensuradas pelos respectivos caixa e em fundo fixo, contas bancárias e aplicações financeiras de e os direitos a receber de certas receitas se baseiam em julgamentos valores justos. Custo curtíssimo prazo, de alta liquidez (normalmente com vencimento inferior relacionados à natureza dos serviços prestados e o poder de cobrar essas Contas a receber amortizado 67.242 67.242 (a) Caixa e equivalentes de caixa a três meses), prontamente conversíveis em um montante conhecido receitas. Se mudanças nas condições fizerem com que a Administração 2011 2010 Créditos com partes Custo de caixa e sujeitos a um insignificante risco de mudança de valor, sendo julgue que esses critérios não estão sendo atendidos em certas operações, Caixa 128 4.563 relacionadas amortizado 2.348 2.348 demonstrados pelo valor justo na data de encerramento do exercício o valor das contas a receber pode ser afetado. 100.396 85.162 Equivalentes de caixa Passivo apresentado e não superam o valor de mercado, cuja classificação é Provisão para créditos de liquidação duvidosa Total 100.524 89.725 Custo A provisão para créditos de liquidação duvidosa é estabelecida para determinada conforme comentado no item abaixo. 41.942 5.511 amortizado 39.325 39.325 CDB – Certificado de Depósito Bancário reconhecer as perdas prováveis de contas a receber, levando-se em Fornecedores Aplicações financeiras Operações compromissadas 58.454 75.727 Participação nos Custo As aplicações financeiras são classificadas de acordo com a sua finalidade consideração as medidas implementadas para restringir a prestação 3.924 Outros resultados amortizado 20.391 20.391 em: (i) mantidas para negociação; (ii) mantidas até o vencimento; e (iii) de serviços a clientes com contas em atraso e para cobrar clientes 100.396 85.162 (b) Mensuração dos ativos e passivos financeiros pelo custo Equivalentes de caixa inadimplentes. disponíveis para venda. (b) Aplicações financeiras amortizado As aplicações mantidas para negociação são avaliadas pelo seu valor Depreciação e amortização de ativos com vida útil definida 2011 2010 Na avaliação efetuada para fins de determinação do valor presente dos justo, com seus efeitos reconhecidos em resultado. As aplicações mantidas Os ativos de vida útil definida do imobilizado e do intangível são 176 10 ativos e passivos mensurados pelo método de custo amortizado, não foi Títulos públicos até o vencimento são mensuradas pelo custo de aquisição acrescido dos depreciados e amortizados, respectivamente, usando o método linear no 875 1.016 Títulos privados constatada a aplicabilidade deste ajuste, destacando-se as seguintes decorrer da vida útil dos respectivos ativos. As taxas de depreciação e rendimentos auferidos, reduzida de provisão para ajuste ao valor provável 1.051 1.026 razões: (i) Contas a receber: curtíssimo prazo de vencimento das faturas Aplicações financeiras de realização, quando aplicável. As aplicações disponíveis para venda são de amortização dos ativos mais relevantes estão demonstradas na Nota Circulante 1.051 1.026 e (ii) Fornecedores: curto prazo para liquidação de todas as obrigações. avaliadas ao valor justo, com seus efeitos reconhecidos na conta de ajuste 17 e 18, respectivamente. A Companhia revisa anualmente as vidas úteis 10 - CONTAS A RECEBER (c) Risco de crédito desses ativos. de avaliação patrimonial, quando aplicável. 2011 2010 A concentração do risco de crédito associado às contas a receber de Redução ao valor recuperável de ativos de longa duração Contas a receber 34.866 52.830 clientes não é relevante em função da pulverização da carteira. Os créditos Serviços faturados A Companhia revisa e analisa a possibilidade de recuperação dos valores As contas a receber de clientes estão registradas pelo valor do serviço na 8.418 22.203 de liquidação duvidosa estão adequadamente cobertos por provisão para Serviços a faturar data da sua prestação e não diferem de seus valores justos. Essas contas registrados no ativo imobilizado e intangível para avaliar a ocorrência fazer face às eventuais perdas nas suas realizações. (8.178) (7.791) Provisão para créditos de liquidação duvidosa a receber também incluem os serviços prestados a clientes não faturados de redução do valor recuperável dos ativos da Companhia, seja como As operações com instituições financeiras (aplicações financeiras) Total 35.106 67.242 até a data de encerramento dos exercícios. A estimativa da provisão para o resultado de decisões de descontinuar atividades relacionadas a tais são distribuídas em instituições de primeira linha, evitando risco de A composição por idade dos valores a receber é apresentada a seguir: créditos de liquidação duvidosa é constituída em montante considerado ativos ou em caso de haver evidências de que as receitas operacionais concentração. O risco de crédito das aplicações financeiras é avaliado 2011 % 2010 % suficiente para cobrir eventuais perdas na realização desses créditos. O futuras não serão suficientes para garantir sua realização. através do estabelecimento de limites máximos de aplicação nas A faturar 8.418 19,45 22.203 29,59 ” dos ativos de vida útil definida valor da estimativa da provisão para créditos de liquidação duvidosa é Os testes de recuperabilidade (“impairment”) contrapartes, considerando os “ratings” publicados pelas principais A vencer 15.707 36,28 34.210 45,59 são aplicados sempre que eventos ou mudanças em circunstâncias elaborado com base em histórico de inadimplência. agências de risco internacionais para cada uma destas contrapartes. Vencidas até 60 dias 12.732 29,42 12.793 17,05 indicam que o valor contábil pode não ser recuperado. Investimentos (d) Riscos contingenciais Vencidas de 61 a 90 dias 896 2,07 2.150 2,87 Os investimentos em coligadas estão avaliados pelo método de Os valores recuperáveis dos ativos são determinados com base na Os riscos contingenciais são avaliados segundo hipóteses de exigibilidade Vencidas de 91 a 120 dias 914 2,11 1.059 1,41 comparação entre os cálculos do valor em uso e do valor de venda. Esses equivalência patrimonial. e estão segregados entre provisões e passivos contingentes, conforme Vencidas de 121 a 150 735 1,70 525 0,70 cálculos exigem o uso de julgamentos e premissas. A determinação do Imobilizado definições contidas no CPC 25. Provisões são as contingências Vencidas de 151 a 180 dias 609 1,41 684 0,91 O imobilizado está demonstrado pelo custo de aquisição ou construção, valor justo e dos fluxos de caixa operacionais futuros descontados exige consideradas como de risco provável, reconhecidas no passivo, pois Vencidas acima de 180 dias 3.272 7,56 1.409 1,88 deduzido da depreciação acumulada. Os custos históricos incluem que a Companhia estabeleça determinadas suposições e estimativas existe uma obrigação presente como resultado de evento passado, sendo Total 43.284 100,00 75.033 100,00 gastos que são diretamente atribuíveis à aquisição dos ativos. Incluem referentes aos fluxos de entrada e saída de caixas projetados relacionados provável uma saída de recursos para liquidar a obrigação. Os detalhes As movimentações na provisão para créditos de liquidação duvidosa de ainda determinados gastos com instalações, quando é provável que às receitas, gastos e despesas futuras. Essas suposições e estimativas desses riscos estão apresentados na Nota 20. clientes da Companhia são as seguintes: futuros benefícios econômicos associados a esses gastos fluirão para a podem ser influenciadas por diferentes fatores externos e internos, tais (e) Riscos de Liquidez Saldo em 01/01/2010 (5.808) como tendências econômicas, tendências da indústria e taxas de juros, Companhia. O risco de liquidez surge da possibilidade da Companhia não honrar com Provisão para créditos de liquidação duvidosa (13.061) Os custos subsequentes são incluídos no valor contábil conforme mudanças nas estratégias de negócios e mudanças no tipo de serviços as suas obrigações contratadas nas datas previstas e necessidades de 11.078 Contas a receber de clientes baixadas como incobráveis apropriado somente quando esses ativos geram benefícios econômicos e produtos que a Companhia fornece ao mercado. O uso de diferentes caixa devido às restrições de liquidez do mercado. (7.791) futuros e possam ser medidos de forma confiável. O saldo residual do premissas pode alterar de maneira significativa nossas Demonstrações A Companhia utiliza o fluxo de caixa gerado a partir das operações para Saldo em 2010 Provisão para créditos de liquidação duvidosa (6.926) ativo substituído é baixado. Os gastos com manutenção e reparo são Financeiras. custear gastos de capital e investir em novos negócios. 6.539 Contas a receber de clientes baixadas como incobráveis registrados ao resultado durante o período em que ocorrem, entretanto, Provisões 4 - RECEITAS DE VENDAS E/OU SERVIÇOS (8.178) Saldo em 2011 são capitalizados somente quando representam claramente aumento da A Companhia reconhece provisões para perdas em processos judiciais 2011 2010 11 TRIBUTOS CORRENTES E DIFERIDOS SOBRE A RENDA que correm nas esferas trabalhistas, tributária e cível, bem como processos capacidade instalada ou da vida útil econômica. Receita bruta de vendas e/ou serviços 270.098 332.480 Ativo A depreciação é calculada pelo método linear de acordo com a expectativa administrativos, conforme apresentado na Nota 20. O reconhecimento da Deduções da receita bruta 2011 2010 provisão para perdas em processos judiciais se baseia na avaliação de de vida útil-econômica dos bens, a qual a Companhia revisa anualmente. Tributos (26.378) (34.728) Tributos correntes a recuperar risco de perda em cada processo, que inclui a avaliação das evidências Intangível (7.075) (9.406) Outras deduções CS a recuperar (i) 61 2.231 Ativos intangíveis com vida útil definida adquiridos são registrados ao custo, disponíveis e decisões recentes, e refletem provisões razoavelmente Receitas de vendas e/ou serviços 236.645 288.346 IR a recuperar (i) 162 6.323 deduzido da amortização e das perdas por redução ao valor recuperável estimadas, conforme avaliado pela Administração, sua assessoria jurídica 5 - DESPESAS POR NATUREZA 2.562 2.755 acumuladas, quando aplicável. A amortização é reconhecida linearmente e advogados externos. É possível que as premissas utilizadas para A Companhia optou por apresentar a demonstração do resultado por Impostos retidos na fonte – IR/CS 2.785 11.309 com base na vida útil estimada dos ativos. A vida útil estimada e o método estimar a provisão para perdas em processos judiciais alterem, podendo, função. O detalhamento das despesas por natureza está apresentado a Circulante Tributos diferidos a recuperar de amortização são revisados no fim de cada exercício e o efeito de portanto resultar em mudanças nas futuras provisões para perdas nos seguir: IR sobre adições temporárias (ii) 6.578 8.977 processos judiciais. quaisquer mudanças nas estimativas é contabilizado prospectivamente. 2011 2010 CS sobre adições temporárias (ii) 2.368 3.232 Imposto de renda e contribuição social diferidos As licenças de software adquiridas são capitalizadas com base nos (108.336) (114.181) IR sobre prejuízos fiscais (ii) 56.900 57.019 custos incorridos para adquirir os softwares e fazer com que eles estejam A Companhia revisa regularmente os ativos de tributos diferidos quanto a Serviços de terceiros (18.513) (16.977) CS sobre base negativa (ii) 20.488 20.531 prontos para serem utilizados. Os custos diretamente atribuíveis, que são recuperabilidade e reconhece provisão para redução ao valor recuperável Depreciação e amortização (61.650) (64.767) Outros tributos diferidos 7.749 8.442 capitalizados como parte do produto de software, incluem os custos com caso seja provável que esses ativos não sejam realizados, baseada no Pessoal Aluguéis e seguros (18.990) (34.623) 94.083 98.201 Não circulante lucro tributável histórico, na projeção de lucro tributável futuro e no tempo empregados alocados no desenvolvimento de softwares. Esses custos são Provisão para créditos de liquidação duvidosa (6.926) (13.061) Adições temporárias por natureza: estimado de reversão das diferenças temporárias existentes. Esses amortizados durante sua vida útil estimável de cinco anos. (14.710) (27.089) Participação nos lucros 3.522 6.697 Os custos associados à manutenção de softwares são reconhecidos como cálculos exigem o uso de estimativas e premissas. O uso de diferentes Publicidade e propaganda (850) (1.056) Provisão para devedores duvidosos 2.780 2.649 estimativas e premissas poderiam resultar em provisão para redução ao Materiais despesa, conforme incorridos. Meios de conexão (1.352) (2.562) Provisões contingências 2.583 2.616 valor recuperável de todo ou de parte significativa do ativo de tributos Redução ao valor recuperável de ativos de longa duração (107) (89) Provisões diversas Outros custos e despesas 61 247 Compreende a avaliação anual ou sempre que eventos ou mudanças diferidos. Total (231.434) (274.405) Total 8.946 12.209 nas circunstâncias indiquem que o valor contábil de um ativo ou grupo de 3 - INSTRUMENTOS FINANCEIROS E ANÁLISE DE RISCOS Classificados como: ativos não poderá ser recuperável. Os ativos de longa duração podem ser Administração do risco financeiro (95.791) (61.349) Passivo identificados como de vida útil indefinida e ativos sujeitos a depreciação e O gerenciamento de risco é realizado pela diretoria de tesouraria da Custos dos serviços prestados Comercialização dos serviços (67.757) (79.298) 2011 2010 amortização (ativo imobilizado e ativo intangível). Uma eventual perda é Companhia, de acordo com as políticas aprovadas pela Administração. (67.886) (133.758) Gerais e administrativas Tributos correntes a recolher De acordo com as suas naturezas, os instrumentos financeiros podem reconhecida por um montante pelo qual o saldo contábil do ativo excede (231.434) (274.405) IR a pagar 246 5.181 seu montante recuperável. O valor recuperável é o maior valor entre valor envolver riscos conhecidos ou não, sendo importante, no melhor Total 100 1.920 CS a pagar julgamento, avaliar o potencial desses riscos. Assim, podem existir riscos 6 - OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS justo do ativo menos o custo de vender e seu valor em uso. 346 7.101 2011 2010 Circulante De acordo com as avaliações efetuadas pela Companhia, não houve com garantias ou sem garantias, dependendo de aspectos circunstanciais Outras receitas operacionais (i) Referem-se a pagamentos realizados, calculados com estimativas evidências de perda de valor que gerassem a realização de projeções ou legais. (a) Valor justo dos instrumentos financeiros Aluguel de infra-estrutura operacional e legais, que serão compensados com obrigações fiscais futuras. para os ativos com vida útil definida, como também, para os ativos com A Companhia procedeu a uma avaliação de seus ativos e passivos outros 117 104 (ii) Imposto de renda e contribuição social diferidos ativos são reconhecidos vida útil indefinida. contábeis em relação aos valores de mercado ou de efetiva realização Multas 50 2.231 somente na extensão em que seja provável que existirá base tributável Deterioração de ativos financeiros Recuperação de tributos e despesas 4.743 8.065 positiva para a qual as diferenças temporárias possam ser utilizadas e A Companhia avalia, na data do encerramento do exercício, se há evidência (valor justo), utilizando informações disponíveis e metodologias de Reversão de provisão ISS 18.160 prejuízos fiscais possam ser compensados. Ativos de imposto de renda objetiva de que o ativo financeiro ou um grupo de ativos financeiros está avaliação apropriadas para cada situação. A interpretação dos dados de Reversão de outras provisões 3.671 1.382 e contribuição social diferido são revisados a cada data de encerramento mercado quanto à escolha de metodologias exige considerável julgamento deteriorado. Um ativo financeiro ou um grupo de ativos financeiros é Alienação de imobilizado 46 16 de exercício e serão reduzidos na medida em que sua realização não considerado deteriorado quando existirem evidências objetivas da redução e estabelecimento de estimativas para se chegar a um valor considerado Fundos de pensão 387 seja mais provável. A Companhia compensa seus prejuízos fiscais e base de seu valor recuperável, sendo estas evidências o resultado de um ou adequado para cada situação. Consequentemente, as estimativas 1.935 68 negativa da contribuição social, até o limite de 30% do lucro fiscal apurado, Outras receitas mais eventos que ocorreram após o reconhecimento inicial do ativo, e apresentadas podem não indicar, necessariamente, os montantes que 10.562 30.413 conforme legislação fiscal vigente. poderão ser obtidos no mercado corrente. A utilização de diferentes Total quando houver impacto nos fluxos de caixa futuros estimados.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

20 -.ECONOMIA/LEGAIS

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

INTERNET GROUP DO BRASIL S.A. CNPJ 03.368.522/0001-39 A seguir estão apresentados os prazos de expectativa de realização dos ativos de tributos diferidos: 2011 2013 1.056 2014 4.018 2015 7.011 2016 10.453 2017 12.625 2018 14.409 2019 15.861 2020 16.961 3.940 2021 86.334 Total Movimentação do imposto de renda e contribuição social diferidos: Saldo Reconhecido Saldo em 2010 no resultado em 2011 Impostos diferidos ativos com relação a: Participação nos lucros 6.697 (3.175) 3.522 Provisão para devedores duvidosos 2.649 131 2.780 Provisões contingências 2.616 (33) 2.583 247 (186) 61 Provisões diversas 12.209 (3.263) 8.946 Total

13 - ADIANTAMENTO A FORNECEDORES - PARTES RELACIONADAS 2011 2010 Telemar Internet 13.614 Oi S.A. 10.553 5.363 5.465 Brasil Telecom Serviços de Internet 29.530 5.465 Total Circulante 24.167 – Não Circulante 5.363 5.465 2011 2010 14 - DEPÓSITOS E BLOQUEIOS JUDICIAIS Tributários 990 602 Cíveis 260 287 697 1.238 Trabalhistas 1.947 2.127 Total Circulante 260 288 Não circulante 1.687 1.839 Conforme estabelecido pelas respectivas legislações, os depósitos judiciais são atualizados monetariamente. 2011 2010 15 - DEMAIS ATIVOS Adiantamentos a empregados 2.882 1.509 Despesas antecipadas 1.159 2.649 Caução Aluguel 370 362 383 539 Outros 4.794 5.059 Total Circulante 4.444 4.296 Não circulante 350 763 2011 2010 16 - INVESTIMENTOS Participações avaliadas pelo método de equivalência patrimonial 217 79 1.421 1.421 Ágio na aquisição de Z Investimentos S.A. 1.638 1.500 Total A movimentação dos investimentos está resumida da seguinte maneira: Saldo em 2010 1.500 Equivalência patrimonial 412 (274) Distribuição de dividendos Saldo em 2011 1.638 2011 Capital Qtde. de ParticipaLucro social Ações ção - % Patrimônio integra- líquido do Capital Líquido total lizado exercício Ordinárias Z Investimentos S.A. 1.025 424 1.943 2.648 21,2 2011 Equivalência Valor do patrimonial investimento Z Investimentos S.A. 412 217

20 - PROVISÕES (a) Composição do saldo

2011 2010 Total de ações Partici- Total de ações Particiordinárias pação % ordinárias pação % Tributárias (vide item (d) (1)) iG Participações S.A. 267.137.659 32,53 267.137.659 32,53 Pis-Cofins 983 1.306 Brasil Telecom 690 155 Demais ações Serviços de 1.673 1.461 Total Internet S.A. 441.974.113 53,82 441.974.113 53,82 Trabalhistas (vide item (d) (2)) 112.047.365 13,65 112.047.365 13,65 Oi S.A. Horas extras 99 35 Total 821.159.137 100,00 821.159.137 100,00 Indenizações 158 2011 2010 Verbas rescisórias 197 165 Valor patrimonial por ação (R$) 0,33 0,33 1.658 1.863 23 - BENEFÍCIOS A EMPREGADOS Vínculo empregatício 1.954 2.221 Participação dos empregados nos lucros Total Cíveis (vide item (d) (3)) O plano de participação nos lucros foi instituído como forma Juizado Especial Cível 86 90 de incentivar os empregados a alcançar as metas individuais 3.884 3.922 e corporativas, melhorando o retorno dos acionistas. O Plano Demais ações Total 3.970 4.012 entra em vigor quando são atingidas as seguintes metas: 7.597 7.694 • Cumprimento de metas de valor adicionado econômico (indicadores de Total das provisões Circulante 421 788 lucro antes dos juros, imposto de renda, depreciação e amortização, além de Não circulante 7.176 6.906 indicadores de valor econômico adicionado); e Conforme estabelecido pelas respectivas legislações, as provisões • Indicadores operacionais, qualidade e mercado. para perdas em processos judiciais são mensalmente atualizadas Em 31 de dezembro de 2011, a Companhia registrou provisões com base monetariamente. nas estimativas do cumprimento dessas metas, no montante total de R$ (b) Detalhamento dos processos por natureza de risco 9.863 (2010 – R$ 21.296). 2011 24 - TRANSAÇÕES COM PARTES RELACIONADAS Tributárias Trabalhistas Cíveis Total 2011 2010 Provisões 1.673 1.954 3.970 7.597 Ativo Prejuízos fiscais 57.019 (119) 56.900 Passivos contingentes 130.766 524 2.426 133.716 Contas a receber 5.660 18.203 2010 20.531 (43) 20.488 Base negativa de CS Oi S.A. 1.348 12.270 Tributárias Trabalhistas Cíveis Total 77.550 (161) 77.388 Total Telemar Norte Leste 2.630 5.857 Provisões 1.461 2.221 4.012 7.694 89.759 (3.424) 86.334 Total imposto diferido ativo 14 Brasil Telecom Celular 111 76 Passivos contingentes 21.375 441 3.756 25.572 12 - OUTROS TRIBUTOS BrT Comunicação Multimídia Ltda. 1.571 (c) Resumo das movimentações dos saldos de provisões Ativo Adiantamento a fornecedor 29.530 5.465 Tributárias Trabalhistas Cíveis Total Telemar Internet Ltda. 13.614 2011 2010 Saldo em 01/01/2010 2.544 3.198 5.742 Oi S.A. 10.553 PIS/COFINS 219 131 Adições, líquidas de Brasil Telecom Serviços de Internet 5.363 5.465 14 Impostos retidos na fonte reversões (Nota 6) 979 173 611 1.763 Dividendos a receber 273 219 145 Total Baixa por pagamento / Z Investimentos S.A. 273 encerramento (496) (300) (796) Circulante 219 145 Outros 2.657 2.382 Atualização monetária BrT Comunicação Multimídia Ltda. 2 2 Passivo 482 503 985 (Nota 7) 14 Brasil Telecom Celular 3 3 2011 2010 Saldo em 2010 1.461 2.221 4.012 7.694 Agência Jornal da Internet 2 Adições, líquidas de ICMS 252 Oi S.A. 30 27 reversões (Nota 6) 339 242 688 1.269 PIS/COFINS 1.505 2.043 IG Participações S.A. 2.622 2.348 Baixa por pagamento / ISS parcelamento 2.964 1.543 encerramento (814) (955) (1.769) Passivo 178 733 ISS outros Atualização monetária Fornecedores 12.723 14.635 (127) 304 226 403 (Nota 7) 4.647 4.571 Total Oi S.A. 4.619 4.102 1.673 1.953 3.971 7.597 Saldo em 2011 Circulante 2.106 4.158 BrT Comunicação Multimídia Ltda. 4.813 5.694 (d) Provisões Brasil Telecom Serviços de Internet 40 Não circulante 2.541 413 (1) Tributárias BrT Call Center 3.291 4.799 17 - IMOBILIZADO Provisão refere-se a exigência de PIS/COFINS decorrente da suposta Outros 5.621 5.551 Equipamentos utilização indevida de créditos. Brasil Telecom Serviços de Internet 5.181 5.174 Bens de de transmissão InfraObras em Outros (2) Trabalhistas BrT Subsea Cable Systems Bermudas Ltd. 165 119 Prédios Andamento Total uso geral estrutura ativos e outros (i) Verbas rescisórias - Representada por verbas devidas e não Oi S.A. 242 228 Custo do imobilizado (valor bruto) quitadas quando da rescisão contratual dos ex- empregados, incluindo BrT Comunicação Multimídia Ltda. 4 1 Saldo em 01/01/2010 72.422 1.623 1.400 4.662 8.876 443 89.426 indenização prevista no PIRC – Plano Incentivado de Rescisão 14 Brasil Telecom Celular 29 29 Adições 2.800 3.721 62 26.979 33.562 Contratual. Baixas (301) (301) (ii) Indenizações - As indenizações correspondem a pedidos de 10.912 252 493 (19.006) (7.349) ressarcimento ou compensação por danos ocorridos no curso do contrato Receitas Transferências Receita de serviço 6.592 22.558 Saldo em 2010 85.833 5.344 1.714 5.155 16.849 443 115.338 de trabalho, decorrentes de razões diversas, entre as quais pode-se citar: Oi S.A. 3.752 12.055 Adições 2.138 1 705 9.341 12.185 acidente de trabalho, estabilidade provisória, danos morais, devolução Telemar Norte Leste 2.840 10.503 Baixas (18.255) (12) (11) (305) (18) (18.601) de descontos em folha de pagamento, auxílio creche e produtividade Receita financeira 249 135 1.762 4 (15.656) (13.890) previstos em acordo coletivo. Transferências iG Participações 249 135 Saldo em 2011 71.478 5.333 2.412 5.155 10.229 425 95.032 (iii) Vínculo empregatício - Reclamações de ex-empregados de empresas Depreciação acumulada terceirizadas requerendo o reconhecimento do vínculo empregatício Despesas Saldo em 01/01/2010 (49.989) (510) (463) (4.061) (183) (55.206) direto com a Companhia, sob o fundamento de terceirização ilícita e/ Custos dos serviços 14.666 21.411 Despesas de depreciação (4.139) (696) (225) (254) (28) (5.342) ou configuração dos elementos do vínculo, como subordinação direta. Oi S.A. 10.874 17.556 288 288 Baixas (iv) Horas extras - Reclamações referentes a pedidos de recebimento de Telemar Norte Leste 754 291 Saldo em 2010 (53.840) (1.206) (688) (4.315) (211) (60.260) horas adicionais, trabalhadas além da jornada normal de trabalho. BrT Comunicação Multimídia Ltda. 3.038 3.564 Despesas de depreciação (4.958) (994) (397) (199) (28) (6.576) (3) Cíveis 17.658 12 11 18 17.699 Baixas (i) Cível – Ações que envolvam valores superiores a 40 salários mínimos Despesas com vendas 17.660 18.482 Saldo em 2011 (41.140) (2.188) (1.074) (4.514) (221) (49.137) e temas que não se enquadram na categoria estratégica. Brasil Telecom S.A. Call Center 17.626 18.115 Imobilizado líquido (ii) Cível estratégico – refere-se a diversas ações em curso abrangendo Telemar Norte Leste 34 367 Saldo em 2010 31.993 4.138 1.026 840 14.318 2.763 55.078 rescisão contratual, indenização de fornecedores e representantes Outras despesas 3.084 2.748 Saldo em 2011 30.338 3.145 1.338 641 10.227 206 45.895 comerciais, entre outros. Oi S.A. 2.846 2.740 Taxa média depreciação 10% 11% 20% 10% 11% (iii) Consumidor – Questionamentos realizados por clientes cujos valores Telemar Norte Leste 238 8 18 - INTANGÍVEL “Despesas financeiras”. individuais de indenização não ultrapassam 40 salários mínimos. Despesas financeiras 3 7 Sistemas de A seguir está apresentado o cronograma de pagamento: (e) Passivos contingentes BrT Comunicação Multimídia Ltda. 1 processamento Marcas e 2011 A Companhia também possui diversos processos cujas expectativas de BrT Subsea Cable Systems Bermudas Ltd. 2 7 Total de dados patentes 2012 415 perda são classificadas como possíveis na opinião de seus consultores As principais transações realizadas compreendem aluguel de porta IP e Custo do intangível 2013 346 jurídicos e para as quais não foram constituídas provisões. conexão Internet, serviços de telecomunicações de longa distância nacional (valor bruto) 2014 266 Na opinião da Administração, baseado em seus consultores jurídicos, os e internacional, serviços de data center e aluguel de infra-estrutura e Saldo em 01/01/2010 75.966 259 76.225 2015 a 2017 799 principais passivos contingentes estão resumidos abaixo: publicidade. Adições 48 48 2018 a 2020 799 Trabalhistas: 25 - SEGUROS 7.348 7.348 Transferências 2021 a 2023 799 Referem-se a questionamentos em diversos pedidos de reclamação A cobertura dos bens patrimoniais da Companhia é administrada de forma Saldo em 2010 83.362 259 83.621 367 2024 e exercícios seguintes relativos a diferenças salariais, horas extras, adicionais de periculosidade corporativa pela controladora do grupo Oi S.A.. A administração entende que Adições 494 494 3.791 Total e insalubridade, e responsabilidade solidária, dentre outros, no valor o montante contratado para fazer face aos eventuais danos materiais e perda 13.889 13.889 Transferências REFIS II - PAES aproximado de R$ 524 (2010 - R$ 441). de receitas decorrentes desses danos (lucros cessantes) é considerado Saldo em 2011 97.745 259 98.004 A Companhia aderiu ao PAES - Parcelamento Especial, (também Tributárias: Amortização acumulada conhecido como REFIS II - Programa de Refinanciamento Fiscal II), As principais causas existentes estão representadas pelos seguintes suficiente para garantir a integridade patrimonial e continuidade operacional. 26 - EVENTOS SUBSEQUENTES Saldo em 01/01/2010 (36.432) (6) (36.438) disciplinado pela Lei nº 10.684/2003, inscrevendo parte substancial dos objetos: (a) Aprovação da Reorganização Societária – Oi S.A. (anteriormente (11.635) (11.635) Despesas de amortização débitos com a Fazenda Nacional vencidos até 28 de fevereiro de 2003. (i) Tributos federais – processos administrativos sendo o principal objeto Saldo em 2010 (48.067) (6) (48.073) Conforme previsto no art. 7 da referida Lei, a Companhia estava obrigada a cobrança de IRPJ e CSLL, apuração de saldo negativo. O montante denominada Brasil Telecom S.A.) Em assembleias gerais realizadas em 27 de fevereiro de 2012, os acionistas (11.937) (11.937) Despesas de amortização a manter o pagamento regular das parcelas do PAES, podendo ser aproximado é de R$ 15.300 (2010 – R$ 21.375). Saldo em 2011 (60.004) (6) (60.010) excluída do programa caso atrasasse esses pagamentos por três meses (ii) Tributos estaduais – autuação da empresa cobrando supostos das Companhias Oi Tele Norte Leste S.A. (“TNL”), Telemar Norte Leste S.A. Intangível líquido consecutivos ou seis meses alternados, o que primeiro ocorresse. créditos de ICMS sobre veiculação de publicidade via internet. O (“TMAR”), Coari Participações S.A. (“Coari”) e Brasil Telecom S.A. (“BrT”) Saldo em 2010 35.295 253 35.548 aprovaram a Reorganização Societária que compreendeu conjuntamente a O refinanciamento foi pactuado em 120 meses, tendo sido liquidados, montante aproximado é de R$ 42.454 (2010 – R$ 0). Saldo em 2011 37.741 253 37.994 sem atraso no exercício findo em 31 de dezembro de 2011, R$129 (iii) Tributos municipais – autuação da empresa cobrando supostos cisão parcial da TMAR com a incorporação da parcela cindida pela Coari Taxa média de amortização 20% (2010 - R$115), em consonância com a determinação da Instrução CVM créditos de ISS sobre provimento de internet, agenciamento de tráfego seguida de incorporação de ações da TMAR pela Coari e as incorporações 19 - PROGRAMA DE REFINANCIAMENTO FISCAL nº 346/2000, que dispõe sobre a regularidade do pagamento como de internet, links patrocinados, outros agenciamentos e comissões, da Coari e da TNL pela BrT, companhia esta que passa a concentrar todas as O saldo do Programa de refinanciamento fiscal está composto como condição essencial para a manutenção das condições previstas no publicidade e serviços adicionais, multa por não emissão de documento participações acionárias atuais nas Companhias Oi e passa a ser a única das segue: Companhias Oi listada em bolsa de valores, tendo sido a sua denominação parcelamento. fiscal. O montante aproximado é de R$ 73.012 (2010 – R$ 0). 2011 2010 social alterada para Oi S.A. por ocasião dessas assembleias gerais. Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 Cíveis: PAES 216 228 A Companhia aderiu ao Novo Parcelamento de Débitos Tributários As principais causas existentes estão representadas pelos seguintes A reorganização societária citada foi realizada nos níveis dos controladores 3.575 3.754 Parcelamento da Lei nº 11.941/2009 de grupo, não produzindo efeitos para Companhia. Federais, disciplinado pela Lei nº 11.941/2009, incluindo parte dos objetos: 3.791 3.982 Total débitos administrados pela RFB e PGFN (débitos relativos a tributos Ações que não possuem nenhuma decisão judicial vinculada, cujos (b) Acordo para a venda da linha de negócio conteúdo/publicidade e Circulante 415 230 objetos são cobrança indevida, venda indevida, entre outros. Esses constituição da empresa IG Publicidade e Conteúdo Ltda. federais) vencidos até 30 de novembro de 2008. Não circulante 3.376 3.752 questionamento perfazem aproximadamente R$ 2.426 (2010 – R$ Em 18 de abril de 2012 a Companhia firmou um acordo para a venda de Conforme previsto no art. 1, V, §9 da Lei, a empresa é obrigada a manter Os valores do PAES e do novo parcelamento instituído pela Lei 100% da linha de negócio Conteúdo/Publicidade para a empresa Ongoing 3.756). nº 11.941/2009 segregados em principal, multas e juros são compostos o pagamento regular das parcelas do novo parcelamento, podendo Comunicações – Participações S.A. com o objetivo de aumentar o foco das ser excluída do programa caso mantenha em aberto três parcelas, 21 - DEMAIS OBRIGAÇÕES como segue: 2011 2010 Companhias Oi nos negócios ligados à banda larga, e por outro lado, dar consecutivas ou não, ou de uma parcela, estando pagas todas as demais. 2011 2010 576 mais autonomia ao negócio objeto da venda. O resultado desta unidade de O refinanciamento foi pactuado em 161 meses. Conforme previsto Adiantamentos de clientes Principal Multas Juros Total Total 223 564 negócios em 31 de dezembro de 2011 é negativo no montante de R$86.072, e na legislação de regência e nas Portarias que a disciplinaram, as Obrigação com impostos COFINS 54 5 74 133 140 Retenções em folha de pagamento 1.381 1.269 o valor dos ativos e passivos líquidos transferidos nessa data é de R$ 35.045. empresas que aderiram ao programa passaram a fazer o recolhimento CSLL 448 113 350 911 957 Obrigações com empresas associadas 5.632 5.562 A Companhia continua com as linhas de negócio acesso e serviços digitais. IRPJ 1.246 119 1.332 2.697 2.834 mínimo mensal das parcelas, uma vez que seu valor definitivo apenas 380 573 Conforme acordo acima, a Companhia deveria constituir e capitalizar uma Outros IRRF 4 2 16 22 23 será obtido após a consolidação dos débitos pela Receita Federal. A Total 7.616 8.544 nova sociedade com a transferência dos ativos e passivos inerentes ao 5 2 21 28 28 PIS Companhia formalizou junto à Receita Federal do Brasil e Procuradoria Circulante 7.616 8.544 negócio Publicidade/Conteúdo. 1.757 241 1.793 3.791 3.982 Total Geral da Fazenda Nacional, dentro do prazo estabelecido pelas 22 - PATRIMÔNIO LÍQUIDO A Companhia adquiriu 490 quotas da empresa IG Publicidade e Conteúdo Os valores do PAES são atualizados monetariamente pela variação da Portarias conjuntas editadas pelos referidos órgãos, a consolidação (a) Capital Social Ltda., representativas de 98% do capital votante, e em 01 de junho de 2012 TJLP, e do Novo Parcelamento pela SELIC, tendo sido reconhecidos no dos débitos incluídos nas diversas modalidades do parcelamento da Lei O capital social subscrito e integralizado, na data de encerramento dos capitalizou a mesma transferindo os ativos e passivos líquidos relativos à exercício findo em 31 de dezembro de 2011 R$439 (2010 - R$271) como n° 11.941/2009. balanços é de R$ 396.477 e esta representado pela composição a seguir: linha de negócio Conteúdo e Publicidade. Francisco Tosta Valim Filho - Diretor Presidente; Alex Waldemar Zornig - Diretor de Finanças; Tarso Rebello Dias – Diretor; Eurico de Jesus Teles Neto - Diretor - Benedita Miranda Apolinario - Gerente de Controladoria - CPF 008.948.368-54 - CRC 1SP221819/O-7 Aos Acionistas e Administradores da Internet Group do Brasil S.A. São Paulo – SP Examinamos as demonstrações financeiras da Internet Group do Brasil S.A. (“Companhia”), que compreendem o balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2011 e as respectivas demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, assim como o resumo das principais práticas contábeis e demais notas explicativas. Responsabilidade da Administração sobre as demonstrações financeiras A administração da Companhia é responsável pela elaboração e adequada apresentação dessas demonstrações financeiras de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e pelos controles internos

Opinião Em nossa opinião, as demonstrações financeiras acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da Internet Group do Brasil S.A., em 31 de dezembro de 2011, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Rio de Janeiro, 30 de abril de 2012.

DELOITTE TOUCHE TOHMATSU Auditores Independentes CRC 2SP 011.609/O-8

Otávio Ramos Pereira Contador CRC n° RS-057770/O-2 “S” SP

A desoneração é fundamental porque a energia elétrica onera muito os produtos brasileiros, principalmente a fabricação de itens como o alumínio. Ives Gandra Martins, jurista

conomia

R

2010

RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS que ela determinou como necessários para permitir a elaboração incluindo a avaliação dos riscos de distorção relevante nas demonstrações dessas demonstrações financeiras livres de distorção relevante, financeiras, independentemente se causada por fraude ou erro. Nessa independentemente se causada por fraude ou erro. avaliação de riscos, o auditor considera os controles internos relevantes Responsabilidade dos Auditores Independentes para a elaboração e adequada apresentação das demonstrações Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas financeiras da Companhia para planejar os procedimentos de auditoria demonstrações financeiras com base em nossa auditoria, conduzida que são apropriados nas circunstâncias, mas não para fins de expressar de acordo com as normas brasileiras e internacionais de auditoria. uma opinião sobre a eficácia desses controles internos da Companhia. Essas normas requerem o cumprimento de exigências éticas pelos Uma auditoria inclui, também, a avaliação da adequação das práticas auditores e que a auditoria seja planejada e executada com o objetivo de obter segurança razoável de que as demonstrações financeiras contábeis utilizadas e a razoabilidade das estimativas contábeis feitas estão livres de distorção relevante. Uma auditoria envolve a execução pela administração, bem como a avaliação da apresentação das de procedimentos selecionados para obtenção de evidência a respeito demonstrações financeiras tomadas em conjunto. Acreditamos que a dos valores e divulgações apresentados nas demonstrações financeiras. evidência de auditoria obtida é suficiente e apropriada para fundamentar Os procedimentos selecionados dependem do julgamento do auditor, nossa opinião.

e

eduzir impostos, eliminar encargos setoriais e fixar tarifas mais baixas com a renovação das concessões do setor elétrico são algumas opções do governo para diminuir o custo da energia no País, que está entre os mais caros do mundo. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os custos da energia são divididos da seguinte forma: geração (32,4%), transmissão (6,4%), distribuição (24,1%), encargos setoriais (10,2%), tributos federais (5,2%) e estaduais (21,7%). O governo está analisando os componentes da estrutura tarifária, e o mais viável para uma redução a curto prazo são os impostos federais que incidem sobre a energia: Programa de Integração Social (Pis) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A avaliação foi feita pelo coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Ge-

2011

Corte de tributos é meio de baixar custo da energia Governo considera que o mais viável para uma redução a curto prazo seria cortar os impostos federais que incidem sobre a energia: Pis e Cofins. sel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro. Para ele, a redução desses dois impostos é "importante e pertinente". "As tarifas de energia elétrica do Brasil estão relativamente altas em relação a outros países. Olhando o setor industrial, esse custo vem contribuindo como um fator que explica a desindustrialização brasileira, na medida em que os setores eletrointensivos,

que consomem muita energia elétrica no processo produtivo, por ter uma energia mais cara perdem competitividade e tendem a abrir fábricas em outros países onde a energia é mais barata", alerta Castro. Ao reduzir os impostos federais, o governo mostra a importância de diminuir também o peso do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é atribuição dos estados. Para isso, se-

gundo Castro, seria preciso uma política parecida com o acordo feito para acabar com a "guerra dos portos", onde foi possível ordenar a cobrança do ICMS. "O problema é o complicador político, é preciso negociar com os estados. Mas acreditamos que, com a experiência que o governo federal teve com a guerra dos portos, certamente vai fazer isso". O jurista Ives Gandra Martins também defende a deso-

neração do ICMS no valor da energia elétrica, que poderia ser feita com uma compensação aos estados, com repasse de tributos federais, como uma parte da Cofins. "A desoneração é fundamental porque a energia onera muito os produtos brasileiros, principalmente a fabricação de itens como o alumínio. Mas se a União quer fazer a desoneração, ela que pague, não obrigue os estados a pagar", diz.

Gandra também sugere uma desoneração condicionada à redução do preço da energia. "A União condicionaria que só poderiam gozar da desoneração aqueles que reduzissem paralelamente o custo de energia para os seus consumidores". Também poderá haver redução da Reserva Geral de Reversão (RGR), encargo criado para indenizar os investidores por possíveis reversões de concessão do serviço de energia elétrica. O encargo foi renovado até 2035, mas se o governo decidir renovar as concessões que vencem a partir de 2015, ele pode ser extinto. O coordenador do Gesel acredita que, confirmada a opção do governo pela renovação das concessões, haverá condições de redução significativa no preço da energia, determinando nos novos contratos reajustes menores. Mas os efeitos só serão sentidos a partir de 2015. (ABr)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

ECONOMIA/LEGAIS - 21

e Governo avalia dívidas de citricultores As indústrias alegam que iniciaram esta safra com estoques elevados e não têm como absorver toda a laranja que será produzida no ano, em função da retração das exportações.

conomia

Há a possibilidade de se criar uma linha de investimento com prazo de cinco anos para pagamento e juros de 5,5% ao ano para a área de citricultura.

O

Joel Silva/Folhapress

governo estuda prorrogar por um ano todas as dívidas de custeio e investimento dos citricultores, segundo o secretário executivo do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz. O assunto foi discutido na sexta-feira, na câmara setorial de citricultura, em Brasília. O presidente da câmara, Marco Antonio dos Santos, calcula que 8 milhões de caixas de 40,8 quilos de laranjas se perderam nos pomares paulistas por falta de compradores para as frutas, que deixaram de ser colhidas. O tamanho da perda pode ser ainda maior, caso o setor não encontre uma alternativa para escoar a produção de laranja que excede a capacidade de armazenamento de suco por parte da indústria. De acordo com Santos, o governo estuda criar uma linha de investimento com prazo de cinco anos para pagamento e juros de 5,5% ao ano, para financiar a manutenção dos pomares e evitar o abandono e a disseminação de pra-

gas e doenças. Os citricultores ainda não conseguiram do governo uma saída para o escoamento da fruta excedente. As indústrias alegam que iniciaram esta safra com estoques elevados e não têm como absorver toda a laranja que será produzida no ano, em função da retração das exportações, devido às restrições dos Estados Unidos ao suco concentrado (por causa do fungicida carbendazim) e ao desaquecimento da economia europeia. Uma opção apresentada ao governo foi a liberação de recursos para processamento da laranja pelas indústrias e preparo do suco concentrado em embalagens de papelão que seria distribuído em escolas. Santos calcula que o custo seria de R$ 4 por embalagem de 1,2 kg, que pode proporcionar 5 litros de suco. Em sua opinião, R$ 100 milhões seriam suficientes para escoar 7 milhões de caixas de laranja. Na semana passada, Santos apresentou a proposta ao governo paulista que, a exemplo do Ministério da Agricultura, fi-

PREFEITURA MUNICIPAL DE PEREIRA BARRETO/SP Processo nº 3675/2012 - Tomada de Preço nº 010/2012 RESUMO DO EDITAL ARNALDO SHIGUEYUKI ENOMOTO, Prefeito de Pereira Barreto - SP, faz saber que se acha aberta nesta Prefeitura até às 14h30min do dia 03 de agosto de 2012, a TOMADA DE PREÇOS nº 010/2012, objetivando a seleção para obtenção da proposta mais vantajosa para Administração Pública Municipal, pelo critério de julgamento de MENOR PREÇO GLOBAL, para a contratação de empresa qualificada, para a execução da Obra de Construção do Centro de Capacitação de Ensino e Normas Pedagógicas, localizada na Rua Coza Taguchi esquina com a Luiza Canevari s/nº, no município de Pereira Barreto, incluindo material e mão de obra. O Edital completo será fornecido aos interessados na Avenida Jonas Alves de Mello, 1.947, na cidade de Pereira Barreto, mediante o recolhimento da taxa de expediente, no valor de R$ 10,00. Maiores informações poderão ser obtidas pelo telefone (18) 3704-8505, pelo e-mail licitacao@pereirabarreto.sp.gov.br, ou ainda pelo Edital no site www.pereirabarreto.sp.gov.br Pereira Barreto, 13 de julho de 2012. Arnaldo Shigueyuki Enomoto - Prefeito. Serpartners Participações e Administração S.A. CNPJ/MF n° 07.865.305/0001-05 - NIRE 35.300.329.007 Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 02/07/2012 1. Local, Horário e Data: Na sede social da Serpartners Participações e Administração S.A. (“Cia.”), localizada em SP/ SP, na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, na 1.830, 12°, Torre I, s/ 3, Itaim, no dia 02/07/12, às 11:30hs. 2. Convocacão e Presença: Dispensada a convocação, tendo em vista a presença de acionistas representando a totalidade do capital social da Cia., nos termos do art. 124, § 4°, da Lei n° 6.404/76, conforme alterada (“ Lei das S/As”) e conforme assinaturas constantes do respectivo Livro de Presença de Acionistas. 3. Mesa: Presidente: Jair Ribeiro da Silva Neto; Secretário: André Jacintho Mesquita. 4. Ordem do Dia: (i) deliberar sobre a proposta da administração da Cia. para distribuição de dividendos; e (ii) caso aprovada a matéria que consta do item “(i)” da Ordem do Dia, autorizar a administração da Cia. a tomeu todas as medidas, bem como a assinar todos os documentos necessários ao pagamento dos dividendos distribuídos aos acionistas da Cia.. 5. Leitura de Documentos: Dispensada, por unanimidade de votos, a leitura dos documentos relacionados às matérias a serem deliberadas nesta Assembleia Geral, uma vez que são do Inteiro conhecimento dos acionistas. 6. Deliberações: Os acionistas presentes, representando a totalidade do capital social da Cia., aprovaram, por unanimidade de votos, a proposta da administração da Cia. para a distribuição de dividendos intercalares, no valor total de R$ 14.396.503138, valor este calculado de acordo com balancete levantado nesta data, com data base de 30/06/12, e distribuído aos acionistas da Cia. de forma proporcional às suas respectivas participações. Fica a administração da Cia. desde já autorizada a tomar todas as medidas, bem como assinar todos os documentos que se fizerem necessários ao pagamento dos dividendos ora distribuídos em 02/07/12. 7. Encerramento: Nada mais havendo a tratar, foram os trabalhos suspensos pelo tempo necessário à lavratura desta ata na forma de sumário, nos termos do art. 130, § 1° da Lei das S/As, conforme aprovado por unanimidade de votos da totalidade dos acionistas da Cia.. Reabertos os trabalhos, foi a presente ata lida e aprovada, sendo assinada por todos os presentes. 8. Assinaturas: Presidente da Mesa: Jair Ribeiro da Silva Neto; Secretário da Mesa: André Jacintho Mesquita; acionistas: Jair Ribeiro da Silva Neto, MSP Participações S.A., por sua representante legal Marina Guaspari Brito Gonçalves, FRFC Participações e Administração Ltda., por seu represetante legal, Alfredo de Goeye Junior, Alfredo de Goeye Junior, Silvana Guaspari de Brito Gutfreund, Marina Guaspari de Brito Gonçalves, Paulo Carlos de Brito Filho e Phoenyx Fund LLC, por seu procurador Marco Antonio Cairalla Moherdaul, Luciano Mascigrande Sapata, André Jacintho Mesquita e Giampaolo Maria Sisto Felice Baglioni. Confere com original lavrado em livro próprio. SP, 02/07/12. Assinaturas: Mesa: Jair Ribeiro da Silva Neto - Presidente - André Jacintho Mesquita - Secretário. Jucesp 297.080/12-0 em 11/07/2012. Gisela Simiema Ceschin - Secretária Geral.

Juro menor é opção para renda variável crescer

A

8 milhões de caixas de 40,8 quilos de laranjas já se perderam nos pomares paulistas por falta de compradores para as frutas

cou de analisar o assunto para responder em alguns dias. Ele diz que o problema da demora é que a cada dia os prejuízos

aumentam, pois a safra começou há 45 dias e as indústrias ainda não abriram preços para compra da laranja. (AE)

queda da taxa básica de juros se traduz em um momento oportuno para o mercado de capitais crescer nos próximos dez anos, segundo a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. O argumento é que, diante da menor rentabilidade dos títulos públicos em meio à redução da taxa básica de juros (Selic), os investidores tendem a aplicar mais em renda variável. "O mercado tem de aproveitar para crescer diante do volume que vai procurar a renda variável", disse a executiva na última semana em evento organizado pela BM&FBovespa. Maria Helena reforçou a necessidade de a bolsa trazer mais empresas e servir a economia brasileira em maior escala. Neste contexto, também comentou o esforço do grupo formado por agentes públicos e privados, que viajou para sete países na tentativa de co-

nhecer experiências internacionais com menores ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês). "Já chegamos até aqui. Não podemos desistir. Temos de abrir a cabeça e ver o que é possível fazer para melhorar a relação custo-benefício das empresas menores que desejam acessar o mercado de capitais, sem prejudicar o nível de transparência", avaliou Maria Helena. Ela voltou a falar que a próxima tarefa é reunir características de outros mercados que possam ser adotadas no Brasil e viabilizar IPOs menores. "Não existe uma única medida para tornar o acesso das empresas menores à bolsa viável. Será preciso fazer um processo de ajustes", disse Maria Helena, que deixou, no sábado, o comando da autarquia, após cinco anos na presidência da CVM e um ano como diretora. (AE)

Softinvest Particições e Administração S.A

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: TOMADAS DE PREÇOS A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Obras: TOMADA DE PREÇOS Nº - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - PRAZO - ÁREA (se houver) - PATRIMÔNIO LÍQUIDO MÍNIMO P/ PARTICIPAR - GARANTIA DE PARTICIPAÇÃO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 69/01064/12/02 - Construção de Cobertura de Quadra em Estrutura Mista - EE Profª Maria de Lourdes Campos Freire Marques - Av. Dr. Andre Tozello, 65 - Cep: 13053-240 - Jd. Sta Terezinha – Campinas/SP - 150 - R$ 40.080,00 - R$ 4.008,00 - 14:00 - 01/08/2012. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital e o respectivo Caderno de Encargos e Composição do BDI na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 16/07/2012, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Todas as propostas deverão estar acompanhadas de garantia de participação, a ser apresentada à Supervisão de Licitações da FDE, conforme valor indicado acima. Os invólucros contendo a PROPOSTA COMERCIAL e os DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação e a garantia de participação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente

Softinvest Participações e Administração S.A CNPJ/MF n° 07.865.318/0001-84 – NIRE 35.300.328.990 Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 02/07/2012 1. Data, Hora e Local: 02/07/12, 10:30hs na sede social da Softinvest Participações e Administração S.A., CNPJ/MF n° 07.865.318/0001-84, na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830, 12°, em SP/SP ( a ``Cia.´´). 2 Convocação e Presenças: Dispensada a convocação, tendo em vista a presença de acionistas representando a totalidade do capital social da Cia., nos termos do art. 124, § 4° da Lei n° 6.404/76 (``Lei das Sociedades por Ações´´) e conforme assinaturas constantes do respectivo Livro de Presença de acionistas. 3. Mesa: Presidente: Jair Ribeiro da Silva Neto; Secretário: André Jacintho Mesquita. 4 Ordem do Dia: (i) deliberar sobre a proposta da administração da Cia. para distribuição de dividendos, (ii) caso aprovada a matéria que consta do item ``(i)´´ da Ordem do Dia, autorizar a administração da Cia. a tomar todas as medidas, bem, como a assinar todos os documentos necessários ao pagamento dos dividendos distribuídos aos acionistas da Cia.; e (iii) deliberar sobre o pedido de renúncia apresentado por determinado membro do Cons. de Adm. da Cia. ao seu respectivo cargo. 5. Deliberações: Dando início aos trabalhos, os acionistas axaminaram os itens constantes da ordem do dia e deliberaram, por unanimidade de votos: (i) Aprovar a proposta da administração da Cia. para a distribuição de dividendos intercalados, no valor total de R$ 14.094.079,49 valor este calculado de acordo com balancete levantado nesta data, com data base de 30/07/12, e distribuído aos acionistas da Cia. de forma proporcional ás suas respectivas participações. (ii) Autorizar a administração da Cia. a tomar todas as medidas, bem como assinar todos os documentos que se fizerem necessário ao pagamento em 02/07/12 dos dividendos ora distribuídos. (iii) Reconhecer e aceitar o pedido de renúncia, apresentado através da anexa Carta de Renúncia, pelo Sr. Giampaolo M.S.F. Baglioni, ao seu respectivo cargo de membro efetivo do Cons. de Adm. da Cia.. Os acionistas agradecem pelo serviço prestado e pelos esforços do Sr. Giampaolo M.S.F Baglioni no desempenho de suas funções, na qualidade de membro efetivo do Cons.de Adm. da Cia., permanecendo vago o cargo deixado pelo Sr. Giampaolo M.S.F Baglioni. 6 Encerramento: Nada mais havendo a tratar, os trabalhos foram suspensos pelo tempo necessário á lavratura desta ata na forma de sumário, nos termos de art. 130, § 1° da Lei das S/As, conforme aprovada por unanimidade de votos da totalidade dos acionistas da Cia.. Reabertos os trabalhos, foi presente ata lida e aprovada, sendo assinada por todos os presentes. SP, 02/07/12. 7 Assinaturas: Presidente da Mesa: Jair Ribeiro da Silva Neto; Secretário da Mesa: André Jacintho Mesquita; Acionistas: Serpartners Participações e Administração S.A., Jair Ribeiro da Silva Neto; Paulo Carlos Brito, Luciano M. Sapata, Alfredo de Goeye Junior, André Jacintho Mesquita, Rogerio Igreja Brecha Junior, Giampaolo M.S.F. Baglioní. A Presente é cópia fiel da ata original lavrada em livro próprio. Jucesp nº 297.079/12-8 em 11/07/2012.Gisela Simiema Ceschin-Secretária Geral.

CNPJ/MF N° 7.865.318/0001-84 – NIRE 35.300.328.990 Ata da AGOE Realizada em 25 de Junho de 2012 1.Data,Hora e Local:25/06/12, 11hs, na sede social da SoftInvest Participações e Administração S.A.,CNPJ/MF n° 07.865.318/000184, na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830, 12°, em SP/SP (a ``Cia.´´). 2. Convocação e Presenças: Dispensada a convocação, tendo em vista a presença de acionistas representando a totalidade de capital social da Cia., nos termos do art. 124, § 4° da Lei n° 6.404/76 (`` Lei das Sociedades por Ações´´) e conforme assinaturas constantes do respectivo Livro de Presença de Acionistas. 3. Composição da Mesa: Presidente: Jair Ribeiro da Silva Neto; Secretário: André Jacintho Mesquita. 4. Ordem do Dia: Em AGO: (i) tomar as contas pela Diretoria da Cia. relativas aos exercícios sociais de 2009, 2010 e 2011; (ii) deliberar acerca de dos balanços e das demonstrações financeiras da Cia. relativas ao exercício social de 2009, 2010 e 2011; e (iii) a destinação de resultados apurados nos exercícios sociais de 2009, 2010 e 2011. Em AGE: (i) deliberar sobre o resgate da totalidade das ações ordinárias detidas pela acionista BDSTechnolog LLC, CNPJ/MF n° 08.105.187/0001-08 (doravante denominada simplesmente `` BDS´´.) nos termos do artigo 44 da lei das Sociedades por Ações, (ii) autorizar a Diretoria a praticar todos os atos e assinar todos os documentos que se fizerem necessários à implementação do resgate de ações ordinárias de emissão da Cia.; (iii) deliberar sobre a alteração do Art. 5° do Estatuto Social; (iv) deliberar sobre operação de associação entre a CPM Braxis S/A, inscrita no CNPJ/ MF sob o n° 65.599.953/0001-63 (``CPM´´), sociedade na qual a Cia. detém participação direta e indireta, e a Caixa Econômica Federal, instituição financeira concede, em Brasilia Distrito Federal na SBS, Bloco 4, Cj 3 e 4, 21°, CNPJ/MF n° 00.360.305/0001-4 (``CEF´´), Seja diretamente ou por meio de qualquer uma das afiliadas ou subsidiária da CPM e/ou da CEF (a ``Transação´´); e (v) deliberar sobre os pedidos de renúncia apresentados por determinados membros do Cons. de Adm. da Cia. aos seus respectivos cargos.5. Deliberações: Dando início aos trabalhos, os acionistas examinaram os itens constantes da ordem do dia e deliberaram, por unanimidade de votos. Em AGO: (i) Aprovar as contas prestadas pela Diretoria da Cia. relativas aos exercícios sociais de 2009, 2010 e 2011; (ii) Aprovar os balanços e as demonstrações financeiras da Cia. relativos aos exercícios de 2009, 2010 e 2011; e (iii) Não distribuir lucros e dividendos relativos aos exercícios sociais de 2009, 2010 e 2011, conforme a facultado pelo art. 202, §3°, II da Lei das S/As. Em AGE: (i) Resgatar, observando o art. 44 da Lei das S/As, 6.093.061 ações ordinárias de emissão da Cia. detidas pela acionista BDS, com o consequente cancelamento das referidas ações, mas sem redução do capital social, mediante o pagamento à acionista BDS, pelas ações ora resgatadas, por meio da transferência e entrega, à referida acionista, de 774.473 ações ordinárias de emissão da CPM e titularidade da Cia., ao valor patrimonial contábil total de R$ 370.403,04 e 149,849 ações preferências classe ``A´´ de emissão da CPM e titularidade da Cia., ao valor patrimonial contábil total de R$ 71.667,48. BDS, na qualidade de detentora da totalidade das ações ordinárias de emissão da Cia. ora resgatadas, expressamente concorda como resgate ora aprovado, dando a Cia., neste ato, a mais ampla geral, irrevogável e irretratável quitação com relação ao resgate e ao pagamento pelas ações resgatadas, para nada mais reclamar a qualquer título; (ii) em virtude da deliberação constante do itens ``(i)´´ acima, autorizar os Diretores da Cia. a praticarem todos os atos, bem como a assinarem todos os documentos que fizerem necessários à efetiva implementação do resgate das referidas ações e a consequentemente transferência de ações da CPM, de titularidade da Cia., à acionista BDS; (iii) ainda em virtude da deliberação constantes do item ``(i)´´ acima, aprovar a alteração do Art. 5° do estatuto social da Cia., o qual passa a vigorar com a seguinte nova redação; ``Art. 5° `` O Capital Social subscrito e integralizado é R$ 14.123.242,00, dividido em 57.668.318 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, representadas por cautelas, certificados ou títulos simples ou múltiplos.´´ Todos os demais Artigos do Estatuto Social da Cia. permanecem inalterados e em pleno vigor e efeito: (iv) aprovar e ratificar e realização da Transação, autorizando a Diretoria da Cia. a praticar todos e quaisquer atos e a assinar todos e qualquer documentos que se fizerem necessários à implementação e execução da transação bem como ratificando todos os atos que tenham sido praticados e todos os documentos que tenham sido assinados pela Diretoria da Cia. para esse fim; e (v) reconhecer e aceitar os pedidos de renúncia, apresentados através das anexas cartas de Renúncia. Aos seus respectivos cargos de membros efetivos do Cons. de Adm. da Cia., pelos Srs David Shpilberg e Ben Schneider. Os acionistas agradecem pelos serviços prestados e pelos esforços dos Srs. David Shpilberg e Ben Schneider no desempenho de suas funções na qualidade de membros efetivos do Cons. de Adm. da Cia. permanecendo vagos os respectivos cargos deixados pelos Srs. David Shpilberg e Ben Schneider. 6. Encerramento: Nada mais havendo a tratar, os trabalhos foram suspensos pelo tempo necessário à lavratura desta ata na forma de sumário nos termos do art. 130, § 1° da Lei das S/As, conforme aprovado por unanimidade de votos da totalidade dos acionistas da Cia.. Reabertos os trabalhos, foi a presente ata lida e aprovada, sendo assinada por todos os presentes. SP, 25/06/12 7. Assinaturas: Presidente da Mesa: Jair Ribeiro da Silva Neto; Secretário da Mesa: André Jacintho Mesquita; Acionistas: Serparthners Participações e Administração S.A., Jair Ribeiro da Silva Neto, Paulo Carlos de Brito, Luciano M. Sapata, Alfredo de Goeye Junior, André Jacintho Mesquita, Rogerio Igreja Brecha Junior, Giampaolo M.S.F. Baglioni, BDS Technology LLC. A presente é cópia fiel da ata original lavrada em livro próprio. Jucesp nº 292.213/12-8 em 06/07/2012.Gisela Simiema Ceschin-Secretária Geral.

Braxis Tecnologia da Informação S.A CNPJ/MF n° 07.837.195/0001-78 – NARE 35.300.328.299 Ata da Assembleía Geral Extraordinária Realizada em 02/07/2012 1. Data, Hora e Local: 02/07/12, 9:30hs, na sede social da Braxis Tecnologia da Informática da Informação S.A, CNPJ/MF n° 07.837.195./0001-78, na Av.Presidente Juscelino Kubitschek, 1.830,Torres I e II, 12°, Itaim Bibi, em SP/SP ( a ``Cia.´´).2.Convocação e Presenças: Dispensada a convocação, tendo em vista a presença de acionistas representando a totalidade do capital social da Cia., nos termos do art.124, § 4°, da lei n° 6.404/76, conforme alterada (``Lei das Sociedades por Ações´´) e conforme assinatura constantes do respectivo Livro de presença de Acionistas.3.Composição da Mesa: Presidente:Jair Ribeiro da Silva Neto;Secretário: André Jacintho Mesquita.4.Ordem do Dia: (i) deliberar sobre a proposta da administração da Cia.para distribuição de dividendos;(ii) caso aprovada a matéria que consta do item ``(i)´´ da Ordem do Dia, autorizar a administração da Cia.a tomar todas as medidas, bem como a assinar todos os documentos necessários ao pagamento dos dividendos distribuídos aos acionistas da Cia..5.Deliberações: Dando início aos trabalhos, os acionistas examinaram os itens constantes da ordem do dia e decidiram, por unanimidade de votos, sem ressalvas: (i) Aprovar a proposta da administração da Cia. para a distribuição de dividendos intercalares, no valor total de R$ 21.967.468,03, valor este calculado de acordo com o balancete levantado nesta data, com data base de 30/07/12, e distribuído aos acionistas da Cia. de forma proporcional às suas respectivas participações: e (ii) Autorizar a administração da Cia. e tomar todas as medidas, bem como assinar todos os documentos que se fizerem necessários ao pagamento de dividendos ora distribuídos em 02/07/12. 6. Encerramento: Nada mais havendo a tratar, foram os trabalhos suspensos para a lavratura da presente ata na forma permitida pelo § 1° do art.130 da Lei das S/As, tendo sido assinada por todos os acionistas presentes.SP, 02/07/12.7. Assinaturas: Presidente da Mesa: Jair Ribeiro da Silva Neto; Secretário da Mesa: André Jacinto Mesquita; Acionistas: Softinvest Participações e Administração S.A., Serpartners Participações e Administração S.A., Jair Ribeiro da Silva Neto, André Jacintho Mesquita, Luciano M.Sapata,Veronika Falconer, João Carlos Bemvenutti Ezírio, Rogerio Igreja Brecha Junior, Alfredo de Goeye Junior, Paulo Carlos de Brito, Silvana Guaspari de Brito Gutfreund, Jenner de Lisandro Marques, Wagner César Guimarães, José Carlos Pimentel, Antonio da Silva Nora, José Antonio PatoVila, Marcos Antonio Gonçalves, Rita de Cássia de Souza Andrada, Paulo Marcelo Lessa Morreira, AlexViena Pinto, Fernando Rodrigues Perez Junior e Alvaro Henrique Lima Mattos.A presente é cópia fiel da ata original lavrada em livro próprio. Jucesp nº 297.082/12-7 em 11/07/2012.Gisela Simiema Ceschin-Secretária Geral.

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Softinvest Participações e Administração S.A. CMPJ/MF n° 07.865.318/0001-84 – NIRE 35.300.328.990 Ata de Reunião do Conselho de Administração Realizada 02/07/12 1. Data, Hora e Local: 02/07/12, 11hs, na sede social da Softinvest Participações e Administração S.A., CNPJ/MF n° 07.865.318/0001-84, na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830, 12°, em SP/SP ( a ``Cia.´´). 2. Presença: Verificou-se a presença da totalidade dos Srs membros do Cons.de Adm.da Cia..3. Convocação: Dispensada a comprovação da convocação tendo em vista a presença da totalidade dos membros do Cons. de Adm. da Cia..4. Mesa: Presidente: Jair Ribeiro da Silva Neto Secretário: André Jacintho Mesquita 5. Ordem do dia: Deliberar sobre assinatura de carta conforto, pela Cia., em benefício do Sr. Acionista Giampaolo M.S.F. Baglioni , tendo em vista a renúncia apresentada pelo Sr. Giampaolo M.S.F Baglioni, nesta data, ao seu respectivo cargo de membro efetivo do Cons. de Adm. da Cia., conforme já apreciado e reconhecido em AGE da Cia. realizada nesta data ( a ``Carta Conforto´´).6.Deliberações: Por unanimidade de votos dos presentes e sem quaisquer ressalvas, os membros do Cons. de Adm. aprovaram a assinatura, pela Cia., da Carta Conforto, autorizado desde já a diretoria da Cia. a tornar todas e quaisquer providências, praticar todos e quaisquer atos, bem como assinar todos e quaisquer documento, incluindo a assinatura da Carta Conforto, que sejam necessários para este fim.7.Encerramento: Nada mais havendo a tratar o Sr.Presidente ofereceu a palavra a quem dela quisesse fazer uso, e como ninguém se manifestou, deu por encerramento a presente reunião, determinando-se, por unanimidade de votos dos presentes, a lavratura desta ata na forma de sumário nos termos do art. 130, §1°, da Lei n° 6.404/76, conforme alterada, a qual, após lida e aprovada, foi por todos assinada. 8. Assinaturas: Presidente da Mesa: Jair Ribeiro da Silva Neto; Secretário da Mesa: André Jacintho Mesquita; Conselheiros: Jair Ribeiro da Silva Neto, Alfredo de Goeye Junior, Rogério Igreja Brecha Júnior e Paulo Carlos de Brito. Cópia transcrita no Livro de Registro de Atas de Reunião do Cons. de Adm. da Cia.. Confere com o original, SP, 02/07/12 Mesa: Presidente-Jair Ribeiro da Silva Neto Secretátio-André Jacintho Mesquita. Jucesp nº 297.081/12-3 em 11/07/2012.Gisela Simiema Ceschin-Secretária Geral.

DECLARAÇÃO À PRAÇA - Comunica-se o extravio dos Livros Mod. 51 e 57, da PMSP da empresa PRIORI REPRESENTAÇÕES SS LTDA. com Inscrição na CCM 9 432 459 0 e CNPJ 57.745.168/0001-43.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 13 de julho de 2012, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Requerente: Gopel Artefatos de Papel Ltda. Requerido: Rimed Comércio e Representações Ltda. Rua Cayowaa, 1.042 - Perdizes - 1ª Vara de Falências. Requerente: Antonio Paulo Xavier de Azevedo Marques. Requerido: AST Projetos e Design Ltda. Avenida das Nações Unidas, 12.555 - Loja 304 - Chácara Itaim - 2ª Vara de Falências.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE BRAGANÇA PAULISTA AVISO DE ABERTURA DE LICITAÇÃO Acha-se aberto na Prefeitura do Município de Bragança Paulista os seguintes certames licitatórios: TOMADA DE PREÇOS 013/2012 OBJETO:OBRAS NO GINÁSIO MUNICIPAL DE ESPORTE DR. JULIO MESQUITA FILHOFECHAMENTO DO PASSEIO EM ÁREA EXTERNA DATA DE ABERTURA: 31.07.2012, ÀS 10 HORAS VALOR ESTIMADO: R$ 167.998,54 GARANTIA PARA LICITAR (CAUÇÃO) ATÉ: 30.07.2012 VISITA TÉCNICA DE 30.07.2012 O presente edital é publicado em resumo no Diário Oficial da União (DOU) e do Estado (DOE), no Diário do Comércio, Jornal Local e afixado no quadro de avisos da Prefeitura Municipal. As informações poderão ser obtidas na Divisão de Licitação, Compras e Almoxarifado da Prefeitura Municipal, sita à Avenida Antonio Pires Pimentel, nº 2.015 Centro,pelo site “www.braganca.sp.gov.br” ou pelo telefone (11) 4034-7002 / 7106/7091, em dias úteis das 09:00 às 16:00 horas. Bragança Paulista, 13 de Julho de 2012. JOSE PEREIRA DE GODOI CHEFE DA DIVISÃO DE LICITAÇÃO, COMPRAS E ALMOXARIFADO BIOCAPITAL PARTICIPAÇÕES S.A. C.N.P.J. Nº: 07.814.533/0001-56 - NIRE 35.300.328.302 Edital de Convocação para AGO e Extraordinária Ficam os senhores acionistas da Biocapital Participações S.A. convocados para se reunir em Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da Companhia, que será realizada na sede social, localizada na Av. Industrial, 360 ( Parte ) na cidade de Charqueada-SP, com início às 10h do dia 24 de julho de 2012, para deliberar sobre a seguinte ordem do dia: (I) Apreciação, discussão e votação das demonstrações financeiras referentes ao exercício social findo em 31 de dezembro de 2011; (II) Homologação da nova licença para industrialização e fabricação de BIODIESEL junto a ANP; (III ) Situação financeira atual da Biocapital; e (IV) Deliberar e apresentar os novos projetos para continuidade da Biocapital; Nos termos do parágrafo primeiro do Artigo 126 da Lei nº 6.404/76, os acionistas poderão ser representados por mandatários, observadas as restrições legais, devendo ser entregues na sede da Companhia, até 48 (quarenta e oito) horas antes da realização da Assembleia, o instrumento de procuração e demais atos societários que comprovem a regularidade da representação. Finalmente, em atenção às disposições legais e estatutárias pertinentes, encontram-se à disposição dos senhores acionistas, na sede social da Companhia, cópias dos documentos a serem discutidos na referida Assembleia.

EAA - Administração e Empreendimentos S.A.

CNPJ/MF nº 11.493.109/0001-24 - NIRE 35.300.376.021 Assembleia Geral Extraordinária - Convocação Pelo presente, ficam convidados os Srs. Acionistas da EAA - Administração e Empreendimentos S.A. para se reunirem em Assembleia Geral Extraordinária no próximo dia 25 (vinte e cinco) de julho de 2012, às 15:00 horas (quinze horas), na sede social, localizada nesta Capital na Rua Inglaterra, nº 563 (Jardim Europa), com a finalidade de tomarem conhecimento e deliberarem sobre a seguinte “ordem do dia”: a. destituição do Diretor sem designação específica, Dr. Ricardo Almeida Blanco, eleito na Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária realizada no dia 30 de abril de 2012; b. eleição de seu substituto, para complemento do mandato estatutário, e fixação dos respectivos honorários. São Paulo, 12 de julho de 2012. Ernesto Assad Abdalla Filho - Diretor Presidente

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: Pregão Eletrônico de Registro de Preços nº 36/00272/12/05 OBJETO: ATA DE REGISTRO DE PREÇO PARA AQUISIÇÃO DE TABELA PERIÓDICA A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para: ATA DE REGISTRO DE PREÇO PARA AQUISIÇÃO DE TABELA PERIÓDICA As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital a partir de 16/07/2012, no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br ou na sede da FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 São Paulo/SP, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, ou verificar o edital na íntegra, através da Internet no endereço: http://www.fde.sp.gov.br. A sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br, no dia 27/07/2012, às 10:00 horas, e será conduzida pelo pregoeiro com o auxílio da equipe de apoio, designados nos autos do processo em epígrafe e indicados no sistema pela autoridade competente. Todas as propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital e seus anexos e serão encaminhadas, por meio eletrônico, após o registro dos interessados em participar do certame e o credenciamento de seus representantes previamente cadastrados. A data do início do prazo para envio da proposta eletrônica será de 16/07/2012, até o momento anterior ao início da sessão pública. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente

PREFEITURA MUNICIPAL DE PEREIRA BARRETO/SP PREGÃO Nº 017/2012 - PROCESSO Nº 3669/2012 RESUMO DE EDITAL ARNALDO SHIGUEYUKI ENOMOTO, prefeito de Pereira Barreto-SP, faz saber que se acha aberto, até às 09h00min do dia 27 de Julho de 2012, o Pregão Presencial nº 017/2012, do tipo menor preço por item, que tem por objeto a Aquisição de equipamentos e material permanente (médicohospitalar, mobiliário, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, ar-condicionado e informática) para uso em diversos setores desta municipalidade, conforme características constantes no Anexo I do Edital. Maiores informações no Dep. de Licitações pelo fone/fax (18) 3704-8505, pelo email licitacao@pereirabarreto.sp.gov.br, ou ainda pelo Edital completo no website www.pereirabarreto.sp.gov.br. Pereira Barreto-SP, 13 de Julho de 2012. Arnaldo Shigueyuki Enomoto - Prefeito ETH BIOENERGIA S.A. CNPJ/MF nº 08.636.745/0001-53 - NIRE 35.300.350.391 Edital de Convocação de Assembleia Geral Ordinária Ficam convocados os acionistas da ETH Bioenergia S.A. (a “Companhia”) para comparecerem à Assembleia Geral Ordinária que será realizada em 30 de julho de 2012, às 9hs, na sede da Companhia, localizada na Cidade de São Paulo, na Avenida Rebouças, 3.970, 26º andar, parte, Pinheiros, CEP 05402-920, a fim de deliberarem sobre as seguintes matérias: (i) aprovação do Relatório da Administração, Balanço Patrimonial e demais Demonstrações Financeiras da Companhia, referentes ao exercício social encerrado em 31 de março de 2012; (ii) destinação do resultado do exercício social encerrado em 31 de março de 2012; (iii) fixação do limite global de remuneração dos Administradores da Companhia para o corrente exercício; (iv) substituição e eleição de membros do Conselho de Administração. São Paulo, 13, 14 e 17 de julho de 2012. ETH Bioenergia S.A. Marcelo Bahia Odebrecht - Presidente do Conselho de Administração. (13, 14 e 17/07/2012)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

22

e

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

Se a atividade do estabelecimento representa um risco para o consumidor, ele é sim responsável pelos danos causados aos seus clientes. Vinícius Zwarg, advogado do Emerenciano, Baggio e Associado

conomia

Algumas decisões judiciais determinam que empreendimentos devem indenizar consumidor Chico Ferreira/LUZ

Assaltos e arrastões: responsabilidade é da empresa?

S

fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias". Portanto, os assaltos nas próprias agências, nos estacionamentos ou em caixas eletrônicos devem ser indenizados. É também do STJ a decisão de condenar uma rede de hipermercados a indenizar os três filhos de uma cliente, vítima de assalto no estacionamento do estabelecimento em São Paulo. Ela morreu na presença da filha, ao reagir a uma tentativa de estupro. A Turma da Segunda Seção, que julgou o caso, adotou como premissa na decisão que a responsabilidade civil do fornecedor de serviços, por previsão expressa no Código de Defesa do Consumidor (CDC), é objetiva. No entendimento dos ministros, "ocorrida a falha de segurança do hipermercado, com o consequente dano ao consumidor ou à família, a responsabilização do fornecedor se impõe", já que o hipermercado "se diferencia dos centros comerciais tradi-

ão cada vez mais frequentes na imprensa notícias de arrastões em restaurantes e em vans de transporte público, assim como de assaltos e sequestros relâmpago em estacionamentos de supermercados, shoppings e bancos. As perdas financeiras sofridas pelos consumidores nesses eventos fogem ao controle dos empresários. Se é assim, é deles a responsabilidade? "Depende", diz Vinícius Zwarg, advogado especialista em defesa do consumidor que atua no escritório Emerenciano, Baggio e Associados. "Se a atividade do estabelecimento representa um risco para o consumidor, ele é sim responsável pelos danos causados aos seus clientes". O advogado observa que, no fim de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) publicou a Súmula 479, inserindo as instituições bancárias no círculo da responsabilidade objetiva, ou seja, agora elas "respondem objetivamente pelos danos gerados ao cidadão por

cionais pelo adicional de segurança que oferece". Arr astõe s – Quanto aos arrastões em restaurantes, o advogado Vinícius Zwarg só vê o dever de indenização às vítimas se o estabelecimento tomar para si a questão da segurança, isto é, decidir contratar segurança particular com o objetivo de oferecer a seus clientes tranquilidade. "O proprietário assume que a segurança dos consumidores dentro de seu estabelecimento

Se o restaurante tomar para si a questão da segurança, o advogado Vinícius Zwarg entende que o estabelecimento dever ressarcir as vítimas.

faz parte de seu negócio. E, com isso, passa a ser responsável tanto por uma agressão como pelas perdas econômicas e morais que esse cliente possa ter em um evento como um assalto."

C

abe à Justiça a decisão final sobre se é possível aplicar as regras de caso fortuito ou força maior em assaltos em estabelecimentos comerciais. As decisões dos tribunais sobre o assunto não são unânimes. De qualquer forma, um dos caminhos que os donos de estabelecimentos podem seguir nesses casos, conforme o advogado Vinícius Zwarg, é o do diálogo. Primeiro com o cliente; depois

com advogados. Se na conversa com o consumidor ficar visível a intenção de buscar na Justiça a reparação pelos danos sofridos em arrastões ou em assaltos em estabelecimentos comerciais, é fundamental buscar orientações de advogados para saber como proceder no caso específico. "Não se deve descartar o diálogo com os governos, que pode ser feito pela entidade de classe, objetivan-

SUSPENSÃO

animadoras, o que, conforme o diretor-executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, serve de orientativo ao consumidor para saber como ele é tratado pela empresas. Segundo Góes, "se a empresa não oferece proposta ou o faz irrisoriamente, está sinalizando que não dá muita atenção ao seu cliente. É bom destacar que o compromisso a ser assumido não é com o Procon-SP, mas com o consumidor", conclui.

RECLAMADAS O Procon do Paraná divulgou o ranking das 20 empresas com o maior índice de problemas não solucionados entre janeiro de 2011 e maio de 2012. A divulgação tem como objetivo auxiliar o consumidor a avaliar sua decisão de compra ou contratação de serviço de determinado fornecedor ao conhecer o comportamento da empresa em relação às reclamações registradas. Os bancos e as instituições financeiras lideram o ranking de reclamações não resolvidas. A lista completa pode ser acessada pelo link www. procon.pr.gov.br.

REVISÃO

DIVULGAÇÃO

Poderá ser revista a orientação passada a todos os Procons do País de punir o varejo que estabelece preços diferentes para pagamento com dinheiro ou cartões. A base para a mudança é a redução de juros e o intenso uso de cartão de crédito. O assunto será debatido na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, em breve.

Em Sorocaba, a Câmara de Vereadores aprovou projeto de lei que estabelece a divulgação mensal do nome de empresas comerciais e prestadoras de serviço que mais receberam reclamações no Procon local. A lista será divulgada nos sites da Prefeitura e da Câmara Municipal e no Jornal do Município. Para o autor do projeto, vereador Marinho Marte, a divulgação tem efeito educativo inclusive para as empresas, que poderão melhorar sua relação com o consumidor.

Foram suspensas, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a comercialização de 268 planos de saúde de 37 operadoras que atuam em todo o País. A medida foi uma resposta ao descumprimento reiterado da Resolução Normativa 259, que determina prazos para que o consumidor seja atendido em consultas, exames e cirurgias. No aviso da suspensão, a agência pediu aos consumidores que "não contratem os planos de saúde listados e, caso recebam oferta de adesão de algum plano com ordem de suspensão, que denunciem à ANS". Quem já mantém convênio com alguma das empresas suspensas não será prejudicado, conforme a ANS, "mas beneficiados, tendo em vista que as operadoras terão de melhorar os serviços prestados aos clientes", escreveu a agência em seu site. A lista completa pode ser obtida no endereço www.ans.gov.br.

Angela Crespo é jornalista especializada em consumo. E-mail: doislados@dcomercio.com.br

Banco pagará indenização por assalto 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) decidiu que uma instituição financeira deverá indenizar uma consumidora por ter sido assaltada dentro de uma agência bancária. O fato é de 2008 e ocorreu após ela sacar o dinheiro. Na fuga, o assaltante foi perseguido e parte do di-

nheiro, recuperado. O banco aceitou restituir o valor restante. Mesmo assim, a consumidora ajuizou em Primeira Instância ação solicitando danos morais. O juiz acatou e estabeleceu indenização de R$ 10 mil. O banco recorreu e o Tribunal de Justiça entendeu que, "ao ressarcir o valor

do a busca pela redução dessas ações", diz o advogado. Ações preventivas também devem estar na pauta dos empresários para evitar essas situações. Se for considerado que vale a pena ter segurança própria, também é imprescindível a consulta a um advogado para saber como fazer isso. Caso a opção seja por contratação de apólice de seguro, é importante buscar orientações sobre quais tipos de co-

bertura se deve ter. Bares e restaurantes ou outros estabelecimentos que optarem pela contratação de seguros para cobrir os prejuízos em caso de arrastões devem ter cobertura contra roubo – que é o assalto mediante violência. Mas não se pode esquecer que seguro é para cobrir o incerto. Se há a certeza de um determinado sinistro, o valor do prêmio é elevado, inviabilizando a contratação.

O QUE DIZ O CDC

METAS

A

de só será da empresa se ela não provar que a culpa é exclusiva de terceiro. Nos arrastões, o comerciante não tem como prever nem evitar o evento, que não tem nexo de causalidade com o negócio.

Prevenção e diálogo são essenciais

Fique por dentro Somente 32 empresas das 38 convocadas aceitaram participar do "Plano de Metas" elaborado pelo Procon-SP, cujo objetivo é a redução de registro de queixas de consumidores no órgão público e aumento do índice de solução para as reclamações que chegam à instituição. As demais empresas não se dispuseram a participar do projeto. Das que responderam "sim", as propostas apresentadas não foram muito

Se a vítima de um arrastão exigir do estabelecimento o ressarcimento aos danos sofridos, a defesa deverá ser feita com base no parágrafo 3º do artigo 12 do CDC. Ele estabelece que a responsabilida-

não recuperado, a instituição financeira reconheceu que houve o fato". Isto é, se houve o assalto, consequentemente está caracterizado o dano moral, que deve ser reparado. No entanto, o valor estipulado para a indenização foi reduzido para R$ 8 mil. Fonte: Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)

Artigo 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios (redação dada pela lei 9.008/1995). Artigo 12 O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. § 1° - O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi colocado em circulação. § 2º - O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado. § 3° - O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I - que não colocou o produto no mercado; II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Artigo 13 O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso. Artigo 14 O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. § 1° - O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo de seu fornecimento; II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi fornecido. § 2º - O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas. § 3° - O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. § 4° - A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa


sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

e

DIÁRIO DO COMÉRCIO

23 BRASILEIRO Corinthians vence e Santos, desfalcado, consegue empate. Pág. 24

sporte

M

OLIMPÍADA Seleção treina e dá autógrafo a militares no Rio. Pág. 25

DUPLO PREJUÍZO

esmo desfalcado de Thiago Heleno, Luan, Barcos e Marcos Assunção, com um jogador a menos durante 40 minutos (Henrique foi expulso logo no início do segundo tempo) e perdendo um pênalti, o Palmeiras conseguiu sair da Arena Barueri com o empate por 1 a 1 no clássico de ontem contra o São Paulo. Mas o campeão da Copa do Brasil ainda segue em penúltimo lugar no Brasileiro. Para o Tricolor, que estreava o técnico Ney Franco, o prejuízo também foi grande: o gol de empate sofrido a nove minutos do final do jogo custou um lugar no G-4, ocupado pelo Botafogo ao final da rodada. Na ânsia de carimbar as faixas de campeão do adversário (leia mais abaixo, no Almanaque), o São Paulo aproveitou a primeira chance que criou. Jadson cobrou falta e Luis Fabiano surgiu sem marcação para pôr para dentro do gol. A situação são-paulina poderia ter melhorado ainda mais aos 8 minutos do segundo tempo, quando o palmeirense Henrique foi expulso. Mas o Palmeiras continuou superior. Poderia ter empatado pouco depois, aos 13, quando o goleiro Dênis defendeu fraca cobrança de pênalti de Valdivia. O gol do empate saiu já no fim, quando Mazinho precisou finalizar duas vezes na mesma jogada, iniciada num escanteio, para impedir a derrota. “Peço desculpas à torcida”, disse Valdivia após a partida, referindo-se ao pênalti perdido. “Foram a luta e a entrega do time que não nos deixaram perder o jogo. Os jogadores do São Paulo disseram que mesmo com um a mais não conseguiam jogar. Isso é respeito.” Do lado são-paulino, o estreante técnico Ney Franco minimizou a má apresentação e disse ter tirado boas lições. “Nossa equipe não teve um desempenho técnico e não conseguiu fazer valer a questão numérica”, afirmou. “Abrimos e perdemos algumas bolas no ataque. É nos jogos que você começa a conhecer mais o elenco. Ao menos agora eu conheço um pouco mais meus jogadores.” O grupo ainda está em fase de entrosamento com o novo chefe, mas não faltam elogios à sua postura. “É difícil falar em tempo, mas precisamos nos concentrar e fazer isso acontecer o mais rapidamente possível. Ele tem muita qualidade e certamente irá nos ajudar muito”, elogiou o goleiro Dênis, que reconheceu a atuação ruim da equipe são-paulina. “Temos que tomar um pouco mais de cuidado, criar mais, chegar mais à frente. Tomamos um sufoco com o Palmeiras com um a menos e precisamos consertar isso”, lamentou.

Marcelo Machado de Melo/Folhapress

Luis Fabiano abriu a contagem para o São Paulo. Depois, mesmo jogando com um homem a mais durante quase todo o segundo tempo, o time cedeu o empate e o lugar no G-4 César Greco/Folhapress

Mazinho (no centro) empatou para o Palmeiras, que já havia desperdiçado um pênalti, mas a equipe campeã da Copa do Brasil ainda é a penúltima colocada no Brasileiro

E

almanaque

ra a última rodada do Campeonato Paulista de 1934. Na penúltima, o Palestra havia se sagrado tricampeão por antecipação, ao bater o extinto Clube Atlético Paulista por 3 a 1. Estava invicto, com 12 vitórias e um único empate, até ser derrotado pelo Tricolor. Por conta disso, aquela campanha passou para a história com o nome de “Sinfonia Inacabada”. O São Paulo foi vice, com 10 vitórias, 3 empates e uma unica derrota, para o próprio Palestra (2 a 0, no primeiro turno).

Celso Unzelte

78 anos sem carimbar as faixas do Palmeiras

P

ara encontrar um jogo em que o São Paulo carimbou as faixas do Palmeiras campeão, é preciso retroagir até o dia 2 de setembro de 1934. Com este gol de Friedenreich (foto), o São Paulo, ainda “da Floresta” (antecessor do atual São Paulo Futebol Clube, refundado em 1935), derrotou o então Palestra Itália, tricampeão paulista, por 1 a 0. Reprodução/Arquivo Celso Unzelte

2

tras vezes o São Paulo

ou teve a chance de carimbar as faixas do Palmeiras, ambas na última rodada de s, Campeonatos Paulista de sem conseguir. Em 17 u dezembro de 1963, de Palmeiras, 1 a 0. Em 15 de dezembro de 1966, 0. também: Palmeiras 3 a

CURTAS

 Há 62 anos, em 16 de

julho de 1950, o Brasil perdia a Copa do Mundo para o Uruguai: 2 a 1, no Maracanã.  Há 23 anos, em 16 de

julho de 1989, também no Maracanã, contra os uruguaios, os brasileiros venceram por 1 a 0 e reconquistaram a Copa América após 40 anos.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

24

e

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

Falta só colocar no papel.” Muricy Ramalho, sobre a iminente renovação de seu contrato com o Santos

sporte

CORINTHIANS SOBE... N

o s á b a d o , n o P acaembu, o Corinthians conseguiu sua segunda vitória no Brasileiro: 2 a 1 no Náutico, de virada, com dois gols de Danilo. Foi também o primeiro resultado positivo depois do título da Libertadores, fazendo com que a equipe deixasse a zona de rebaixamento e terminasse a rodada em 14º. Foi, ainda, a primeira partida de Emerson após o título da Libertadores. Herói da conquista, ao marcar duas vezes na decisão diante do Boca Juniors, o atacante vinha sentindo dores no tornozelo esquerdo e havia ficado de fora dos jogos contra Sport e Botafogo. No primeiro tempo, Náutico e Corinthians marcaram em sequência. Aos 20 minutos, Elicarlos tentou o toque pela esquerda, a bola bateu em Chicão e voltou para ele. O volante dominou na meia-lua e bateu no canto esquerdo de Cássio. Mas não deu nem tempo para a torcida pernambucana comemorar. Um minuto depois, Paulinho recebeu na intermediária e lançou Danilo, que empatou. Na volta para a etapa final, o Corinthians desempatou logo

Moisés Nascimento/AE

Danilo fez os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o Náutico, de virada, no sábado, a primeira desde a conquista da Libertadores, que ajudou a tirar o Alvinegro da zona de rebaixamento

aos quatro minutos. Emerson fez boa jogada pela esquerda e cruzou. Ronaldo Alves desviou contra a própria meta e acertou a trave. Paulinho bateu no travessão. A bola voltou para Fábio Santos, que ajeitou de cabeça para Danilo marcar.

“Todos no grupo são importantes. Com cada um fazendo sua parte bem feita, o time vai conseguir os resultados”, disse o autor dos dois gols. “Depois de fazer história (ganhar uma Libertadores), a melhor forma de retribuir o carinho da

torcida é ganhando os jogos”, completou o volante Paulinho. Foi seu primeiro jogo após ter renovado o contrato com o Corinthians até o fim de 2015. A diretoria lhe deu aumento e ele preferiu ficar para disputar o Mundial de Clubes da Fifa a

jogar na Europa - a Inter de Milão fez uma proposta de 8,5 milhões de euros e acenava com salários de R$ 600 mil. “Tínhamos de conquistar os três pontos. É normal dar uma caída após um título importante, mas já passou.”

...E O SANTOS TAMBÉM O

ntem, em Porto Alegre, o Santos não saiu do 0 a 0 com o Inter. Mesmo assim, o resultado acabou sendo comemorado, pois a equipe atuou com um homem a menos durante quase todo o segundo tempo (o lateral-esquerdo Juan foi expulso logo na volta do intervalo) e ainda acabou subindo do 15º para o 13º lugar na classificação do Campeonato Brasileiro. Os dois times entraram em campo muito desfalcados pelos jogadores que servirão a Seleção Brasileira na Olimpíada de Londres — Oscar e Leandro Damião, pelo Inter, Rafael, Paulo Henrique Ganso e Neymar, pelo Santos. No Inter, D'Alessandro, suspenso, também ficou de fora. Miralles, contratado junto ao Grêmio no início da semana, fez sua estreia pelo Santos. Logo na volta para o segundo tempo, o Santos perdeu Juan. O árbitro Wagner do Nascimento Magalhães apitou falta duvidosa do lateral em Lucas Lima e, depois de muita demora, decidiu mostrar o segundo cartão amarelo e, consequentemente, o vermelho.

Wesley Santos/Folhapress

De contrato praticamente renovado até o fim de 2013, técnico Muricy Ramalho aplaudiu o empate por 0 a 0 com o Inter, em Porto Alegre. O Santos jogou com um homem durante praticamente todo o segundo tempo

São Caetano encosta no G4

O

s resultados da rodada da Série B foram ótimos para os times paulistas. Nenhum deles perdeu e o São Caetano ficou a dois pontos do G4. Na terça-feira, o Guaratinguetá, jogando em casa, fez 2 a 1 no ASA. Na sexta, o Barueri, mesmo jogando fora, fez 3 a 0 no Ipatinga e passou a lanterna da competição para o próprio adversário. No sábado, o São Caetano fez 1 a 0 no Joinville, no ABC, e Bragantino e Guarani empataram por 0 a 0. Demais resultados: na terça, Vitória 4 x 3 Paraná e Criciúma 4 x 1 Boa. Na sexta, Goiás 2 x 0 América-MG. No sábado, Atlético-PR 2 x 1 ABC, América-RN 1 x 1 Ceará e CRB 2 x 0 Avaí. Amanhã tem rodada completa, com os seguintes jogos: Boa x CRB, ASA x Vitória, Joinville x Ipatinga, Guarani x Goiás, Ceará x São Caetano, Avaí x Atlético-PR, Barueri x Bragantino, Paraná x América-RN, ABC x Criciúma e América-MG x Guaratinguetá.

PELO BRASIL

 Na Série C, o Icasa-CE

passou a liderar o Grupo A com 7 pontos, após a vitória de ontem por 2 a 1 Mesmo com um jogador a mais, o Inter não conseguia se impor. Pelo contrário: o Santos se fechou na defesa, com a entrada de Gérson Magrão no lugar de Dimba, e aproveitava os contra-ataques, nos quais era mais perigoso.

Na saída do gramado, após o empate sem gols, o técnico Muricy Ramalho afirmou que está a um passo de assinar um novo vínculo contratual com o Santos até 2013. “Já está tudo acertado, falta só colocar no papel. Sei do momento em

que o Santos vive e não pedi nada exagerado. O clube paga em dia, tenho excelente ambiente de trabalho, não quero sair”, disse Muricy. Santos e Muricy negociam a renovação contratual desde o término do Paulistão 2012,

quando surgiram especulações de que o São Paulo, seu ex-clube, estaria interessado em recontratá-lo. Mas o técnico logo descartou esse possível retorno e acertou com o Santos a renovação até o fim da próxima temporada.

sobre o Águia-PA. Segundo colocado com 6 pontos, o Paysandu-PA recebe hoje o FortalezaCE. No Grupo B, o líder é o Madureira-RJ, que no sábado, em casa, venceu o Tupi por 1 a 0 e chegou a 9 pontos, contra 6 de Macaé-RJ e Caxias-RS.  Na Série D, os dois

primeiros de cada grupo são: Remo-PA e AtléticoAC (Grupo A1), Sampaio Corrêa-MA e Mixto-MT (A2), Baraúnas-RN e Horizonte-CE (A3), CSA-AL e Sousa-PB (A4), CeilândiaDF e CRAC-GO (A5), Friburguense-RJ e Aracruz-ES (A6), CianortePR e Mogi Mirim (A7) e Arapongas-PR e Brasil-RS (A8). Hoje, pelo Grupo A6, jogam Nacional-MG x Guarani-MG.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

e

25 A Copa está longe, temos de trabalhar e mostrar serviço na Olimpíada.” Rafael, goleiro da Seleção

sporte

Daniel Marenco/Folhapress

Na Escola de Educação Física do Exército, Seleção treina para a Olimpíada de Londres e vira atração para militares, que fazem questão de guardar um registro com seus ídolos

CONCENTRAÇÃO O

s jogadores da Seleção Brasileira que vão disputar a Olimpíada de Londres estão acostumados a tirar fotos e dar autógrafos, e neste domingo tiveram que fazer isso dentro da concentração: após o primeiro treino coletivo comandado pelo técnico Mano Menezes nesta semana de treinos no Rio, os jogadores atenderam aos anfitriões da Escola de Educação F��sica do Exército e tiraram fotos com “fãs” diferentes: em vez de mocinhas apaixonadas, soldados uniformizados e armados com fuzis. A sessão de fotos serviu para os jogadores relaxarem após a vitória por 4 a 0 dos titulares, que entraram com: Rafael Cabral, Rafael, Thiago Silva, Juan e Marcelo; Sandro, Rômulo e Oscar; Hulk, Leandro Damião e Neymar. Neymar, o mais solicitado para fotos, marcou um gol, o terceiro, de cabeça, e participou dos outros dois: deu passe para Hulk marcar o primeiro e sofreu o pênalti que Oscar converteu, no segundo (ele também bateu em seguida e marcou). No quarto gol, Hulk deixou Leandro Damião na ca-

ra do goleiro Neto, e o centroavante bateu forte e marcou. Para completar o time reserva, foram utilizados seis jogadores das categorias de base do Botafogo. Sem tantas estrelas e com Alexandre Pato poupado, por causa de dores que sentiu depois de uma dividida forte com Juan, no treino de sábado, os reservas, mesmo com Paulo Henrique Ganso, em nenhum momento ameaçaram o gol de Rafael Cabral. O capitão Thiago Silva cumpriu bem sua função e gritou o tempo todo, inclusive orientando os atacantes a marcar a saída de bola. Marcelo e Oscar foram outros que tiveram boa atuação. O aniversariante do dia, Danilo, também ficou no time reserva. Ao completar 21 anos, ele disse que ainda não está preocupado com a perda de posição na lateral direita para Rafael, que ficou com a camisa 2 na inscrição (veja o quadro ao lado). “Da mesma forma que ele não conversou comigo para me colocar no time, não conversou para tirar. Ele entendeu que o momento do Rafael é melhor, já vem jogando há mais tempo e eu, desde que tive a lesão, não consegui ter

uma sequência legal de jogos. Então, nada mais justo que colocá-lo para jogar”, disse, disciplinado como um militar. Mas prometeu não relaxar e nem aceitar passivamente a reserva. “Sou daquela filosofia de que nenhum jogador tem de ficar contente com o banco. Vou brigar para ser titular. Respeito muito o Rafael, um excelente jogador, mas vou fazer minha parte.” Danilo aproveitou e pediu um presente óbvio. “O primeiro presente foi a convocação. Agora, teremos muito trabalho, espero que o restante do presente seja a medalha, vencer a Olimpíada e marcar o nome da história do nosso País.” O volante Rômulo, que deixou o Vasco e no início do mês foi apresentado pelo Spartak de Moscou, comemorou a semana de preparação no Brasil. “O jogador brasileiro se sente muito à vontade aqui, principalmente no Rio, ainda mais com um cenário maravilhoso desses no treinamento”, afirmou, elogiando as instalações militares banhadas pelo mar, aos pés do morro da Urca, na zona sul do Rio. “O apoio dos familiares também é sempre muito acolhedor”, afirmou. Fotos: Thomas Peter/Reuters

VÔLEI DE PRAIA

Cartão de visitas A

Juliana e Larissa venceram a etapa de Berlim contra as chinesas Xue e Zhang Xi

s duplas brasileiras deixaram uma ótima impressão na última competição antes da Olimpíada de Londres, com os títulos de Juliana e Larissa e Alison e Emanuel na etapa de Berlim do Circuito Mundial, que tinha status de Grand Slam, com pontuação especial. Neste domingo, Juliana e Larissa venceram a final feminina contra as chinesas Chen Xue e Zhang Xi por 2 a 0 (21/16 e 21/18), e encerraram um jejum brasileiro na capital alemã que vinha desde 2004, com o título de Adriana Behar e Shelda. “Foi ótimo conquistar pela pri-

meira vez o Grand Slam de Berlim. Xue e Zhang Xi já haviam vencido três etapas do Circuito, estão liderando o ranking, e isso valoriza ainda mais o que fizemos. Vencer perto da Olimpíada é algo que sempre anima”, disse Larissa. Na decisão masculina, disputada no sábado, Alison e Emanuel conseguiram o título em cima dos americanos Gibb e Rosenthal por 2 a 1 (21/17, 15/21 e 15/11), vingando a derrota nas duas decisões anteriores, na Itália e na Suíça. Com o título na Alemanha, eles ainda se isolaram na liderança do ranking de 2012, justamente à frente de Gibb e Rosenthal.

Alison e Emanuel bateram Gibb e Rosenthal (EUA)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

26 -.ESPORTE

sábado, domingo e segunda-feira, 14, 15 e 16 de julho de 2012

FIM DE JOGO

L

Cielo e equipe brasileira de natação desembarcam hoje em Londres

L

Ryan Giggs será técnico depois de liderar seleção britânica na Olimpíada

L

Espanha derrota Grécia por 1 a 0 e conquista o Europeu Sub-19 na Estônia

L

Vídeo em destaque - McLaren para crianças - www.dcomercio.com.br

www.dcomercio.com.br/esporte/

CONTRATAÇÕES PROFESSORES VENCEDORES Levi Bianco/AE

 O técnico há mais tempo no cargo entre os clubes da Série A do Brasileiro, o palmeirense Luiz Felipe Scolari, saúda o estreante são-paulino Ney Franco antes do clássico deste domingo, em Barueri, que terminou empatado por 1 a 1. Um encontro de pentacampeões mundiais: Felipão liderou a Seleção principal na Copa de 2002 e Ney Franco foi o técnico do quinto título mundial sub-20, conquistado no ano passado pelo Brasil. Domingo, 15

GINÁSTICA

Sai Laís Souza, volta Ethiene Franco

U

ma fratura no dedo anular da mão direita tira Laís Souza da Olimpíada de Londres. A ginasta foi cortada no sábado da seleção e substituída por Ethiene Franco, depois de se contundir em treino realizado em Ipswich, durante os exercícios nas barras paralelas. O diagnóstico foi feito pelo chefe médico da delegação brasileira, José Padilha, num hospital local. “Lamentamos muito o ocorrido, mas no esporte, infelizmente, esses incidentes podem acon-

tecer. Ethiene já estava concentrada com o grupo em Ipswich e será a substituta da Laís”, informou o supervisor das seleções de ginástica, Klayler Mourthe. O resto da seleção feminina que competirá em Londres é composto por Daniele Hypolito, Daiane dos Santos, Adrian Gomes e Bruna Leal. Jade Barbosa, considerada a melhor ginasta brasileira hoje, ficou de fora por falta de acordo com a Confederação Brasileira de Ginástica. Sábado, 14

CELEBRIDADE

O Brasil está no mercado Jessica Rinaldi/Reuters

Nem só da exportação de talentos vive o futebol brasileiro nesta temporada. Vale também importar.

Guga entra para o Hall da Fama do tênis

A

companhado da filha, Maria Augusta, Gustavo Kuerten recebe a placa por sua entrada no International Tennis Hall of Fame & Museum, em Newport (EUA). Seus 20 títulos (três em Roland Garros) ficarão para sempre registrados entre os feitos de outras feras. Guga não escondeu a emoção ao lembrar do pai, Aldo, que morreu apitando

um jogo de tênis. “O tênis levou meu pai, mas fez com que eu ganhasse outros dois: Rafael, meu irmão, e o Larri”, disse, em referência a seu técnico. Guga prometeu continuar trabalhando pela evolução do esporte, especialmente no Brasil. “Minha contribuição para o tênis não para por aqui. Eu espero poder fazer muito mais.” Sábado, 14

T

rês craques brasileiros de prestígio nos campos da Europa mudaram de pouso nos últimos dias: Thiago Silva trocou o Milan pelo Paris Saint-Germain; Juan deixou a Roma e preferiu o Internacional ao Flamengo; e Nilmar parece ter desistido de vestir mais uma vez a camisa do Colorado para aceitar uma proposta milionária do AlRayyan, do Catar. Dois outros brasileiros podem mudar de emprego nos próximos dias: Kaká, que se reapresenta hoje ao Real Madrid para os trabalhos de pré-temporada, interessa novamente ao Milan, que fez dinheiro com a cessão de Thiago Silva e ainda admite ceder o sueco Ibrahimovic ao PSG e Robinho ao Santos, desde que, neste caso, leve o

goleiro Rafael. Se fizer todos os negócios, o clube de Milão terá recursos para recontratar Kaká. O retorno do zagueiro Juan ao futebol brasileiro, depois da contratação do uruguaio Forlán pelo Inter e do holandês Seedorf pelo Botafogo, é mais uma demonstração de que a Europa está perdendo um pouco de sua força no mercado mundial. O Corinthians, campeão brasileiro e da Libertadores, e o Vasco, vice-campeão brasileiro, ainda perderam jogadores importantes neste meio de temporada - como Leandro Castan e Willian, de um lado; Rômulo e Allan, de outro -, mas deram sinais, na semana passada, de que a exportação de talentos começa a ganhar limite. Na quinta-feira, o Vasco

anunciou a renovação do contrato do zagueiro Dedé até 2015. No dia seguinte, foi a vez de o Corinthians informar à sua torcida que os volantes Ralf e Paulinho também ficarão no clube pelo menos até 2015. Dedé e Paulinho, principalmente, eram pretendidos por vários grandes clubes europeus. O São Paulo também resistiu até agora ao assédio à sua mais promissora estrela, o meia-atacante Lucas, um dos 18 da Seleção que tentará o inédito ouro olímpico em Londres. Na última semana, o Manchester United fez uma proposta de mais de 30 milhões de euros para tirar o jovem craque do Morumbi. O São Paulo recusou. A multa para rescisão de contrato de Lucas é de 80 milhões de euros. O Santos tem de definir

nesta semana se repatria realmente o atacante Robinho, pois a janela para contratações internacionais se fecha na sexta-feira. Se as negociações com o Milan forem bem-sucedidas, a Vila Belmiro pode perder mais do que o goleiro Rafael, possibilidade que já preocupa o técnico Muricy Ramalho. Com Neymar e Robinho juntos, ficaria mais fácil a liberação de Paulo Henrique Ganso para vestir a camisa do Internacional, responsável pelas maiores contratações do futebol brasileiro neste ano. Especificamente neste negócio, o clube gaúcho contaria com o apoio do empresário Delcir Sonda. Ele tem a maior parte dos direitos econômicos do jogador, não se entende com os dirigentes santistas e é torcedor colorado.

CARTÃO VERMELHO

Agora, Blatter não quer mais saber de Havelange

Fábio Motta/AE

niu como "comissões" pagas pela ISL, empresa de marketing esportivo. No site da entidade, Blatter chegou a declarar, sobre o dinheiro recebido pelo ex-presidente e atual presidente honorário da Fifa e pelo ex-presidente da CBF: "Naquela época, tais pagamentos podiam até ser deduzidos do imposto a pagar, como despesas de negócios. Atualmente, isto é punido pela lei. Mas não se pode julgar o passado pelo padrão atual". Pressionado por entidades e organismos governamentais que pedem a sua renúncia, Blatter passou a pedir a cabeça de Havelange. Em entrevista divulgada ontem pelo jornal

suíço SonntagsBlick, diz: "Ele tem de sair, não pode continuar a ser presidente honorário da entidade depois desses acontecimentos. Quando eu disse que é difícil medir problemas do passado com os padrões de hoje, falei de forma geral. Para mim, suborno é inaceitável." Fabrice Coffrini/AFP

L

ogo que a Justiça suíça autorizou a divulgação das denúncias do recebimento de propinas milionárias por João Havelange e Ricardo Teixeira, o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, tentou salvar as aparências, alegando que tinha conhecimento das irregularidades - que ele defi-


ENTREGA ESPECIAL

Dia do Comerciante Um presente do Diário do Comércio para quem, a cada dia, abre as portas ao desenvolvimento.

Max

Jornal do empreendedor

Suplemento Especial

São Paulo, segunda-feira, 16 de julho de 2012


DIÁRIO DO COMÉRCIO

2 -.ESPECIAL

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Comércio resiste às turbulências econômicas Apesar de o ritmo da economia ter desacelerado, o emprego estável e o crescimento da renda ajudam a manter as vendas Barbara Oliveira

O

L. C. Leite

ano teve linhas de crédito acessíveis nos bancos e nas lojas, com juros mais baixos, além de redução e até isenções de IPI para automóveis, linha branca e móveis. São fatores que, aliados ao emprego estável e o crescimento da renda, têm contribuído para manter as vendas do comércio no período. Segundo indicadores mais recentes elaborados pela Associação Comercial de São Paulo/Federação das Associações Comerciais do Estado de SP (ACSP/Facesp), justamente foram os dois segmentos – a linha branca e os móveis – que impulsionaram o comércio no Estado em junho, em comparação com o mesmo período de 2011. Nas vendas a prazo, a alta foi de 5,4% em São Paulo, com acumulado de 3,1% no primeiro semestre. Na modalidade à vista, elas subiram apenas 0,3% em junho, mas no semestre esse índice positivo foi de 2,8%. Paralelamente, começa a se verificar um esgotamento no consumo de bens e a elevação do endividamento e da inadimplência do brasileiro. Já uma pesquisa divulgada semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta para uma queda de 0,8% das vendas do varejo em maio ante abril. Foi o maior recuo registrado desde novembro de 2008, quando a taxa caiu 1,3%. Na comparação com maio de 2011, as vendas do varejo tiveram alta de Patrícia Cruz/Luz

O comércio continuará crescendo nos próximos seis meses MARCEL SOLIMEO

8,2% no mesmo mês deste ano. Até maio, as vendas do varejo acumulam altas de 9,0% no ano e de 7,3% nos últimos 12 meses. Para o economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Domingos Solimeo, não se poderia esperar índices muito elevados, já que o ritmo da economia começou a desacelerar a partir do segundo semestre de 2011. "Os percentuais nas vendas estão menos expressivos, porque estávamos acostumados a bases maiores de anos anteriores – especialmente 2010 e primeiro semestre de 2011". Mas, segundo Solimeo, o comércio continuará crescendo nos próximos seis meses por conta de todas as medidas de

Diretor de Redação Moisés Rabinovici Editor-Chefe José Guilherme Rodrigues Ferreira Edição Carlos Ossamu Reportagem Barbara Oliveira

estímulo ao consumo, aliadas ao emprego e à renda da população. "Não se pode esperar taxas de 10% porque o consumidor está num ponto de saturação, ele já comprou carro, geladeira, televisor e máquinas de lavar. Chega o momento em que ele precisa recompor suas finanças para evitar um alto endividamento". Esse esgotamento do consumo pode ser medido por out r o s i n d i c a d ores. Um deles é a P e s q u i s a T r im e s t r a l d e I ntenção de Compra, do Programa de Administração do Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração e divulgada pelo Diário do Comércio. A pesquisa feita com 500 consumidores da cidade de São Paulo mostra que a intenção de compras de bens duráveis para o próximo trimestre caiu 18,6 pontos percentuais se comparado ao mesmo período do ano anterior, com 53,8%, o menor nos últimos três anos. Se comparado ao segundo trimestre, o nível de intenção de compras reduziu 4,2 pontos. Confiança do consumidor Ao mesmo tempo, a Fundação Getúlio Vargas, que também mede o índice de confiança do consumidor (ICC) para os próximos seis meses, e se baseia na situação da economia local e situação financeira das famílias, constata que essa confiança recuou 2,8% em junho em comparação a maio, um recuo que já fora verificado no mês anterior. O ICC bai-

Diagramação Evana Clicia Lisbôa Sutilo Gerente Executiva de Publicidade Sonia Oliveira Telefone: 3180-3029 soliveira@acsp.com.br

xou de 127,1 pontos para 123,5. A coordenadora da pesquisa da FGV, Viviane Seda, explica que esse comportamento expressa o sentimento do pesquisado, geralmente o chefe da família (são sondados 2,1 mil domicílios em sete capitais) para consumir nos próximos meses. "De todas as perguntas que fizemos, a única que teve uma pequena melhora foi relativa a bens duráveis. No período de maio para junho, o indicador de confiança saiu de 90 pontos para 92,2, indicando uma leve alta. Há a intenção de comprar um pouco mais de bens duráveis". Ela lembra, porém, um fator

importante e que pode animar os varejistas nesse emaranhado de números não muito estimulantes. O nível de confiança do consumidor neste primeiro semestre do ano foi melhor do que os primeiros seis meses de 2011, e em junho ele foi positivo comparado ao mesmo mês de 2011 e 2010 – em junho do ano passado, o ICC estava em 118 pontos, em 2010 estava 119,3, e agora subiu para 123,5. "Mas, o consumidor está cauteloso na hora das compras", diz Seda. "O emprego sustentou a confiança no semestre, e houve aumento de renda, mas há mais cautela, não só porque existe

uma incerteza em relação ao segundo período na economia interna e no cenário externo, mas porque essas pessoas estão endividadas". Endividamento De fato, o endividamento e o calote no pagamento de contas têm preocupado governo e economistas, não só os consumidores. O último levantamento do Banco Central, divulgado no mês passado, informa que a inadimplência entre pessoas físicas atingiu seu maior patamar em maio, 8%, o mais alto desde 2009. E que as faturas do cartão de crédito li-

deravam esse calote, com 30% delas inadimplentes há mais de 90 dias. Os financiamentos de veículos, cheque especial, crédito pessoal e aquisição de bens são outras categorias que tiveram índices ascendentes de inadimplência. Segundo a Sondagem de Expectativa do Consumidor da FGV, 48,5% dos consumidores brasileiros possuem dívidas comprometendo entre 11% e 50% da sua renda, e quanto maior o salário, mais alto é o comprometimento. Gabriel Leal de Barros, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), observa que a qualidade do crédito no País está concentrada em modalidades estruturalmente ruins, como o cartão de crédito e cheque especial, que visam o consumo de curto prazo e cujas taxas de juros são altíssimas. "Essa inadimplência tem relação próxima com a migração de milhares de famílias das classe D e E para a C, a nova classe média. E essas famílias não têm ainda educação financeira, não poupam e consomem toda a renda. Para elas é tudo novo e é fácil tomar crédito, então, o custo de rolar a dívida fica elevado." Mas o endividamento e o calote também deixaram o crédito mais seletivo nos últimos meses, analisa o economista Marcel Solimeo. "Especialmente nos caso dos veículos, que tiveram um boom de vendas em até 60 meses. "Isso não se sustenta mais". Segundo Solimeo, a inadimplência deve cair daqui para a frente, porque há mais critério na concessão de crédito. "Quando ela é decorrente do desemprego, é difícil recompor, mas quando é por excesso de gastos, a pessoa administra". Como o emprego e a renda estão se mantendo, e o crédito ficou mais seletivo, será possível controlar gastos.

Reprodução

Um defensor do livre mercado

H

oje, se comemora o Dia do Comerciante, uma homenagem a José da Silva Lisboa, conhecido como Visconde de Cairú, nascido em 16 de julho de 1756, em Salvador (BA). Foi político, economista, historiador, jurista e escritor, tendo exercido grande influência junto ao príncipe regente português D. João VI, para que fossem abertos os portos brasileiros em 1808 para o comércio com as nações amigas. A sua escolha como Patrono do Comércio se explica não apenas por ser um dos inspiradores da abertura dos portos, mas, também, porque foi um importante defensor da economia de mercado, sem a qual o comércio não pode prosperar. Cairú era filho do arquiteto português Henrique da Silva Lisboa e de Helena Nunes de Jesus. Fez os preparatórios na Bahia desde seus oito anos, estudando Filosofia, música e piano. Concluiu os estudos em Lisboa, na Universidade de Coimbra. O Visconde de Cairú acompanhava as teorias econômicas europeias, como as de Adam Smith, que afirmava que um país só progride se seus industriais e comerciantes dispõem do

Pintura retrata o Visconde de Cairú (sentado) ao lado de José Bonifácio. Cairú defendia a liberdade de empreender.

máximo de liberdade para ganhar dinheiro. Foi ardoroso defensor dessas ideias no Brasil, expostas em seus livros "Princípios de Direito Mercantil e Leis da Marinha", de 1801; "Princípios de Economia Política", de 1804; e "Observações sobre o Comércio Franco", de 1808, no qual faz a defesa da abertura comercial e do livre comércio. Assim, tão logo D. João desembarcou no Brasil,

pediu audiência para lhe propor a abertura dos portos brasileiros. O que o Visconde de Cairú não sabia era que essa abertura já estava decidida pela Convenção Secreta de Londres, após D. João ter fugido de Lisboa. Defendeu ainda o fim da proibição da instalação de manufaturas no Brasil e participou do esboço inicial

do Código Comercial. O comércio, dizia Cairú, "como instituição civilizadora, permitia aos homens, mesmo que de forma não planejada, criar e distribuir riquezas e, assim, harmonizar os interesses egoistas e satisfazer às necessidades de toda sociedade". Seguindo as ideias de Smith, Cairú afirmava que "as trocas

comerciais, baseadas no interesse mútuo, favoreciam a cultura da respeitabilidade, estimulando os homens a desenvolverem o autocontrole, a prudência e a se tratarem com mais decência, melhorando assim o nível da sociedade". Cairú considerava o comércio um fator de civilização. Contrário aos monopólios e à escravidão, que considerava prejudicial à produtividade, defendia a necessidade do bom funcionamento das instituições, como o direito de propriedade e respeito aos contratos para o bom funcionamento da economia. José da Silva Lisboa faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de agosto de 1835.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

DIÁRIO DO COMÉRCIO

ESPECIAL - 3


DIÁRIO DO COMÉRCIO

4 -.ESPECIAL

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Lojistas devem oferecer sensações O varejo precisa se reinventar para atender o novo perfil de consumidor Fotos: Divulgação

A mudança no visual das Hering Stores mais que dobraram as vendas, se transformando em um case de sucesso.

E

O consumidor não está mais buscando produtos e sim soluções para seu estilo de vida JULIO TAKANO

xperiência sensorial. Essas duas palavrinhas mágicas estão martelando na cabeça dos varejistas. Porque é através da experiência e das sensações (ou dos cinco sentidos) que o varejo tradicional atrai seus clientes para dentro da loja, mesmo aquele antenado e que gosta de comprar pela internet. O consumidor mudou, está mais exigente e bem informado sobre o produto desejado. E o varejo precisou se adaptar a essas novas necessidades, oferecendo mais do que uma mercadoria exposta na loja – ele precisa de uma renovação cosmética e emocional. Por isso, vemos tantos pontos de venda alterando seu design interno e externo, organizando melhor suas vitrines e exposição de produtos, tendo mais cuidado com a iluminação e com elementos sustentáveis, brindando o cliente com música ambiente e um aroma sutil, reservando espaços interativos. "O ponto de venda físico nunca vai acabar, porque ali temos uma experiência emocional muito forte. Muitos consumidores ainda passam pela internet, pesquisam preços e escolhem o que querem, mas vão às lojas para comprar e para sen-

tir o produto", observa Ana Cláudia Costa, gerente-geral da Popai Brasil, uma associação internacional dedicada a estudar o comportamento dos consumidores e da construção e arquitetura dos ambientes. "Embora a loja física esteja com seu futuro garantido, ela precisa se reinventar", alerta Luiz Goes, sócio-sênior da GS&MD, consultoria especializada em varejo e marketing. Segundo Goes, os modelos de lojas devem ser mais dinâmicos para mudar sua configuração visual de forma ágil e simples, além de seguir tendências de cores e iluminação.

não está mais buscando produtos e sim soluções para seu estilo de vida, por isso, os pontos de venda devem oferecer uma comunicação visual baseada em tecnologias, aromas, sonorização. Takano também dirige a Kawahara e Takano Soluções para Varejo e atende dezenas de shoppings, lojas e franquias, proje-

para uma marca com 130 anos de existência. Depois do reposicionamento da empresa com novas coleções, de produção própria e terceirizada, redução de reposição de estoques, a criação de novos canais de venda física (neste ano ela terá 507 lojas no País), e a mudança no visual das Hering Stores, as vendas pularam de R$ 11 mil por m²/ano, em 2006, para R$ 24 mil por m²/ano, em 2011. No novo desenho de lojas Hering, a iluminação foi trocada para LED, as prateleiras são retroiluminadas e o espaço ficou mais organizado e mais clean. Na Cavalera, cujo comprador é homem, geralmente casado, gosta de rock, mas é sóbrio, foram colocadas, no interior da flagship dos Jardins (SP), uma mesa de granito

de aromas específicos e criados para identificar a marca – um bom exemplo é a Le Lis Blanc, grife de moda feminina, cujo cheiro de alecrim dentro de suas lojas é tradicional há 12 anos –, algumas empresas adotam outros tipos de experiências. A música ambiente adaptada ao tipo de público é outro recurso que chama a atenção. Se for uma grife para jovens, é importante uma iluminação escura e com som alto, para parecer que ele está numa balada, como acontece na flagship John John, da Oscar Freire, em São Paulo, inaugurada em março deste ano. Na rede Abercrombie & Fitch, de roupas para jovens moderninhos, e presença forte nos Estados Unidos, o vendedor per-

preto e cadeiras clássicas, além de uma armadura em ferro de mais de 300 anos como decoração. Na vitrine da Le Postiche do shopping ABC Plaza, foi pendurada uma tela do artista plástico Romero Brito, e alguns destaques, como acessórios e bolsas, são mais iluminados para chamar a atenção da mulher, que é quem compra malas e acessórios das viagens da família.

gunta a música preferida do cliente e, depois de um tempo, ela começa a tocar. "Isso cria uma ligação com o consumidor e o seu volume de compras aumenta, já que aquela música é importante para ele", analisa Ana Cláudia. O especialista em design de varejo da agência francesa Saguez & Partners, Olivier Saguez, lembra que o "consumidor é hiperconectado sete dias por semana, tem conhecimento sobre a marca e opinião de todo o mundo (na internet) sobre os produtos que procura, e nunca teve tantas formas distintas de consumir." Segundo Saguez, o cliente não quer só uma loja, e sim, vivenciar um momento agradável, dialogar, experimentar, ver. (B.O.)

Cumplicidade Ana Cláudia, da Popai Brasil, lembra que a experiência emocional a ser trabalhada pelos designers deve englobar os cinco sentidos – visão, olfato, tato, paladar e audição –, e mais a intuição, pela qual a equipe treinada será capaz de perceber o cliente. "Em muitos casos, a sinceridade do vendedor mais ajuda do que atrapalha", diz Ana Cláudia. Se o cliente colocou uma roupa e ela não corresponde ao seu físico, é importante o vendedor falar, pois esse gesto vai criar um relacionamento, uma cumplicidade entre os dois e o consumidor pode voltar à loja. Ou um garçom, na hora de descrever um prato, pode detalhar tanto e de forma tão entusiasmada que vai despertar o desejo no cliente em comer aquele prato, explica a especialista. O arquiteto Julio Takano, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo, lembra que o consumidor

Na vitrine da Le Postiche do shopping ABC Plaza, foi pendurada uma tela do artista plástico Romero Brito.

tando novos designs e arquiteturas para esses ambientes. Entre seus clientes estão a Hering e a Le Postiche, que depois de repaginadas de acordo com as novas tendências, conseguiram aumentar suas vendas entre 100% e 400%.

Sensações De cara nova Durante o evento Retail Design, da GS&MD e BYSide, realizado em São Paulo há algumas semanas, Fábio Hering, presidente da companhia, relatou seu próprio case de sucesso

Há vários casos, tanto no Brasil como no exterior, de empresas que se adaptaram às tendências do marketing sensorial para manter o consumidor fiel e dentro da loja o mais tempo possível. Além


DIÁRIO DO COMÉRCIO

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Galeria Melissa e Natura surpreendem público com espaços multissensoriais e arte nas ruas

ESPECIAL - 5

Ao lado, loja-conceito da Natura no bairro dos Jardins, com árvores de metal e lâmpadas LED, que mudam de cor via mensagem SMS do consumidor. Abaixo, Galeria Melissa, decorada por artistas. Fotos: Divulgação

H

á bons exemplos de pontos de v e n d a c o n c e ituais e já completamente adaptados às tendências de marketing sensorial no Brasil e com objetivo de oferecer ao consumidor novas experiências e afinidade com a marca. A Melissa e a fabricante de cosméticos Natura criaram espaços com essa identidade. A Natura chegou a abrir duas lojas com aromas, música, iluminação, experimentação de produtos e massagens. A Galeria Melissa também ousa no design, contratando artistas brasileiros e internacionais para assinar a fachada da galeria a cada estação. A loja-conceito da Natura, com 600 m², situada na esquina da rua da Consolação com a Oscar Freire, bairro nobre paulistano, onde havia um posto de gasolina e também onde funcionou o primeiro endereço da marca, em 1970, chama a atenção de quem passa no bairro dos Jardins. Surgiu algo novo ali. Foi aberto em fevereiro um espaço amplo e iluminado e com árvores feitas de estrutura de metal e lâmpadas LED, cujas cores variam à noite conforme escolha dos consumidores (via SMS). O espaço tinha data para fechar (30 de junho), mas fez tanto sucesso junto ao público que a direção da empresa decidiu prorrogar até o final do ano. Os clientes da marca po-

Canal de comunicação da marca dem manter um contato mais direto com as diversas linhas de produtos e comprar ali mesmo, sem catálogos, mas com a ajuda das consultoras, que orientam as pessoas menos familiarizadas com os lançamentos Eko, Amó, Chronos, Uma, TodoDia, Natura Homem, Mulher e Bebê. Segundo Mônica Gregori, diretora da unidade de negócios da empresa, o objetivo continua sendo a venda direta pelas milhares de consultoras

espalhadas pelo País (são mais de 1,3 milhão). "Queríamos que o consumidor conhecesse os conceitos por trás da marca, mas sempre com a orientação de uma consultora para um relacionamento futuro". Internamente, além do visual clean, com vários balcões separados por linhas de cosméticos e cores, trilha sonora especialmente preparada por um DJ e experimentação de cremes e fragrâncias, os clientes degustam chocolates aro-

Luxo para a classe C

A

as ao gosto e ao bolso do comprador. Vieram as facilidades de crédito e de pagamento, com parcelamentos ampliados em até 8 ou 10 vezes, o que facilitou ainda mais o acesso desse público a produtos melhores e com valor agregado. E mesmo com o valor elevado do ouro, o produto nacional teve uma queda média de 50% no preço em relação ao ano de 2002. Na Casa da Alianças, por exemplo, com 36 lojas na Grande São Paulo, é possível encontrar alianças de ouro de 18k, a partir de R$ 180. Isso não significa que as joias para a classe C sejam de qualidade inferior nos materiais ou na estética. Henriques lembra que os designers foram chamados para trabalhar e mostrar toda a sua criatividade nas peças. "Hoje não existe nenhuma empresa que não tenha um profissional para desenhar suas joias e bijuterias", observa Henriques. São produtos que incorporam pedras preciosas brasileiras – turmalina, turquesa, quartzo, ametista, topázio – ou peças vazadas com ouro e prata, mais leves, mas que não perderam nem o valor nem a elegância. As joias leves, segundo a designer Mariane Chela, são aquelas cujo preço está abaixo de R$ 1,5 mil. A partir desse valor e até R$ 5 mil, são consideradas peças médias, e acima de R$ 5 mil já se encontram as chamadas joias pesadas. As que mais vendem hoje nas relojoarias fornecidas pela NF são as leves, diz Chela. "A

matizados, fazem massagens nas mãos e nos pés, obtêm dicas de maquiagem com profissionais que estão ali só para isso. Cursos, shows e exposições também fazem parte da programação paralela. Assim como o espaço-conceito pode ser repetido em outras regiões, uma loja pop-up da Natura, ou seja, com prazo determinado (e menor) de funcionamento também foi aberta no Shopping Villa Lobos e ficará ali até o dia 31 de julho. Trata-se de uma ação temporária de marketing para as linhas de perfumes e cremes, que podem ser adquiridos pela internet (site Submarino, parceiro da marca) e percorrerá outras 11 capitais brasileiras ao longo do ano. A empresa quer se aproximar desse público específico e de classe A, segmento em que também está crescendo.

Exemplos internacionais

mentos divertidos, como expositores redondos de plásticos, onde ficam os sapatos. A fachada, com recuo de 100 m² da rua, foi projetada para abrigar eventos e receber a criatividade dos artistas a cada estação. Para o lançamento da coleção Rainbow Verão 2013, marcada pelos tons pasteis e arco-íris, a inglesa Julie Verhoeven criou um maxipainel multicolorido e com desenhos de meninas. A artista já fez trabalhos para Louis Vuitton, Versace, Lancôme e H&M, e, em outubro, levará seu trabalho para a Galeria Melissa de Nova York, inaugurada neste ano no mo-

Para o arquiteto de varejo Julio Takano, o consumidor vê muita commodity, mas aspira estilo de vida, e quando isso ocorre, as vendas incrementam no mínimo 35%. "O comércio que deixar de ser interessante pode desaparecer", diz o designer francês Olivier Saguez. Ele cita a Cook & Book, uma livraria que possui dois restaurantes internos. A Cook & Book é considerada uma das mais belas do mundo, e está situada em Bruxelas, na Bélgica, ocupando 1.500 m². Em um dos ambientes, os livros têm suas brochuras penduradas no teto, um detalhe importante na decoração, e os restaurantes oferecem comida vegetariana, francesa e italiana para até 250 pessoas, além de sanduíches e saladas leves. Os visitantes podem escolher entre comer no terraço num dia ensolarado, ou pegar

derninho bairro do SoHo. Mas como o prédio que abriga o espaço na cidade norte-americana é tombado, as intervenções serão feitas internamente. Julie também vai customizar um dos produtos mais vendidos da marca, o modelo de sapatilhas Ultragirl, previsto para estar nas lojas em agosto. A Galeria já teve exposições do designer egípcio Karim Rashid, dos irmãos Fernando e Humberto Campana, da vocalista da banda Cansei de Ser Sexy, LoveFoxxx, e dos estilistas Alexandre Herchco-

uma bebida no bar enquanto leem um livro. Para as crianças, foi criado um ambiente no pátio central. "Todos esses apelos contribuem para aumentar o tíquete médio da loja", avalia Ana. Ela também lembra a loja da Prada, em Tóquio, um edifício de seis andares de vidro, com vários prêmios de tecnologia e design, que além de ser um ponto comercial, aluga espaços para festas pessoais. "Isso é uma forma de comunicação institucional e que ganha a simpatia do público". (B.O.)

Obra de arte

criação de joias mais leves é um desafio que os designers brasileiros têm vencido". A criatividade dos designers contribuiu para uma boa posição das peças no mercado brasileiro e externo. "A joia brasileira é reconhecida no exterior pelo design e pelos materiais que incorpora", afirma Henriques. "Além de bonita, ela combina movimento, sensualidade, alegria e cores." Fotos: Divulgação

nova classe média soma, hoje, mais de 100 milhões de consumidores. Eles estão comprando tudo o que podem e aproveitam ao máximo as condições de crédito, redução de impostos e taxas mais baixas de juros. São eletrodomésticos, eletrônicos, celulares, roupas, móveis, carros e imóveis. É natural que essa população também ingressasse num segmento antes exclusivo às camadas com renda superior, o mercado de joias, um luxo agora possível à nova massa de compradores. A designer Mariane Chela, da NF Joias, de Limeira, trabalha no ramo joalheiro há 11 anos e cria para dezenas de lojas no Brasil todo – entre elas, as tradicionais Casa das Alianças e Relojoaria Suissa (com essa grafia mesmo), ambas de São Paulo. As mulheres das classes B e C são a maioria das clientes da NF, foco, aliás, para o desenvolvimento das suas coleções. O ouro é um dos ativos mais seguros em épocas de crise. O metal teve uma valorização sistemática desde a crise mundial de 2008, triplicando sua cotação em onça troy – passou de US$ 420 para US$ 1.600. E quem não estava no exclusivo segmento de luxo teve de se adaptar. Como a indústria e o varejo não podiam repassar os custos do ouro para o consumidor final, e foi beneficiada, em 2007, com a redução do IPI de 20% para 12% nas gemas e joias, os criadores começaram a mudar o design das peças, moldando-

vich e Vivienne Westwood. Assim, a cada temporada, a flagship store mescla a arte com a venda de sandálias e sapatos de plástico, considerados clássicos pela consumidora brasileira. "A Galeria Melissa é um case mundial, muitos varejistas vêm para cá para replicar lá fora", destaca Ana Cláudia Costa, gerente-geral da Popai Brasil, que se dedica a estudar o comportamento do varejo. "Eles pegam o plástico e transformam num objeto de desejo, e os maiores designers do mundo querem participar disso".

Mariane Chela, designer da NF Joias, de Limeira.

"O consumidor está mais exigente, mesmo o da classe C, então, a nossa dedicação na criação e fabricação das peças é a mesma que empregamos no desenvolvimento para outros mercados", diz Chela. "Ele está atento quanto ao teor do ouro e acabamento, o que exige investimentos em novas tecnologias. A linha popular precisa ter boa aparência e estar em sintonia com a moda", explica. (B.O.)

A artista plástica inglesa Julie Verhoeven é a responsável pela nova fachada da Galeria Melissa, outra loja-conceito da conhecida marca de calçados fabricados pela Grendene e que a cada temporada se renova interna e externamente, instalando uma obra de arte na fachada da rua Oscar Freire. Nos seus 445 m² de área construída, a Galeria Melissa tem como objetivo se comunicar com o público através, não só dos produtos expostos, como também pela arte. O projeto arquitetônico interno da concept store foi criado pelo designer carioca Muti Randolph. Segundo o artista, o espaço reúne arquitetura, artes, moda e design e funciona como um canal de comunicação da grife. Foram instalados ele-


DIÁRIO DO COMÉRCIO

6 -.ESPECIAL

segunda-feira, 16 de julho de 2012 Newton Santos/Hype

Aromas seduzem o consumidor

O

cheiro do café passado na hora, do bolo da vovó assando no forno, do pé de jasmim na casa da infância no interior. São aromas que ficam na memória das pessoas, reavivando as boas lembranças do passado e do presente. O olfato é um dos cinco sentidos que os especialistas de marketing e comerciantes vêm estimulando em seus consumidores nos últimos anos, uma forma de criar, não só uma identidade da marca ou da loja, como também atrair mais gente à visitação e ao consumo, mantendo o cliente mais tempo dentro do estabelecimento. O marketing olfativo é um dos pilares do marketing sensorial, que desde o final dos anos 90 vem se firmando no Brasil e se transformou num ramo de negócio bem sucedido para os fabricantes desses aromas. "É um novo jeito de chamar a atenção do consumidor num mercado tão concorrido", avalia o especialista em fragrâncias Fernando Amaral, fundador e diretor-científico da WNF - World´s Natural Fragrances, cuja marca Aromagia é uma das líderes e pioneiras no segmento, atendendo a mais de 600 empresas no País, entre varejistas, hotéis, indústrias e eventos. Cerca de oito mil tipos de aromas saem de sua fábrica na Casa Verde, cuja produção orgânica é concentrada em uma fazenda em Monte Verde (MG). "Só de lavanda temos 40 tipos de aromas", conta Amaral, formado na Suíça e craque em detectar o que o cliente deseja. "Nosso objetivo é agregar valor aos ambientes e às marcas, com a criação de produtos personalizados para todo o tipo de perfil e de demanda". Identidade aromática A Pandemonium, uma loja de roupas femininas do dia-adia e de festas, é voltada para mulheres de espírito jovem,

O comércio utiliza fragrâncias especiais para manter as pessoas mais tempo dentro da loja

informais e profissionais e existe há 43 anos no bairro dos Jardins (zona sul de São Paulo). Ela adotou o marketing olfativo ainda na década de 90. A fragrância que exala no ambiente mistura ylang-ylang (planta originária da Ásia tropical), acentuada pela flor de laranjeira e sândalo com "aroma marcante e exótico", nas palavras de Fernando Amaral, seu criador. "Desenvolvemos um produto para o perfil das mulheres independentes e modernas, entre 20 e 40 anos". O perfume ganha a cal-

ela", ressalta Silvia. De fato, além de levar a roupa, a compradora tem a possibilidade de adquirir o frasco do perfume. Agora, a loja vai comercializar outras fragrâncias. Muitos lojistas, pequenos, grandes, independentes ou com redes e franquias, estão aderindo ao marketing sensorial (aroma e som, cujas músicas são selecionadas por DJs ou por empresas especializadas em trilhas sonoras). "O marketing olfativo e as trilhas À esquerda, Alexandre sonoras estão, Tadeu da Costa, hoje, afinados presidente da Cacau com uma conShow; à direita, Silvia cepção mais MacFarland, proprietária a m p l a d e d eda loja Pandemonium: o sign do coméruso de aromas cria uma cio, baseada identidade da marca ou em uma nova da loja. arquitetura, mer chandi sing visual e comunicação com o público e impulDivulgação sionando as vendas", explica o designer e arquiteto de varejo Julio Takano, responsável pelo redesenho de redes como Riachuelo, Le Postiche, Hering, O Boticário, Artex, Cavalera, Scala, entre outras. Segundo Takano, essa combinação de fatores resulta em 35% a mais de vendas no segmento de life style. A grife de moda Le Lis Blanc, com 75 unidades no País, possui um aroma marcante em seus pontos de venda, que logo é identificado pelas suas clientes, mulheres das classes A e B. Um cheiro de alecrim inunda as lojas da marca há 12 çada da rua Augusta e não anos, e o sucesso é tão grande p a s s a d e s p e r c e b i d o p a r a que foi criada a linha Le Lis Aroma, de home spray, fragrânquem caminha por ali. O perfume acabou criando cias para lençóis e toalhas, sauma identidade para a Pande- bonete líquido, mini sabonemonium, já que está há anos tes, além de velas aromatiperfumando aquele pedaci- zantes. Ao levar para casa nho de calçada entre a Alame- algum desses itens, a cliente, da Lorena e a Oscar Freire. "Mi- além de possuir o aroma pernhas clientes gostam do aro- sonalizado da loja, perpetua o ma, porque ele chama, agrada prazer da compra. O Otri Spa Urbano, inaugue causa um bem-estar, e isso estimula a permanecerem rado em 2007, em São Paulo, mais tempo aqui dentro. É não poderia deixar de ter tamuma forma de perpetuar o bém uma fragrância especial bom momento da compra. Ela para todos os ambientes da acaba levando o aroma com casa, localizada no bairro Hi-

gienópolis. Afinal, as pessoas vão ali para experimentar momentos de relaxamento. O aroma Otris, de lavanda e alecrim, perfuma o ambiente e também é utilizado no principal produto oferecido pela casa, o Ritual Otrive, uma massagem do rosto, mãos e pés, cujos óleos essenciais são extraídos dessas duas plantas. Segundo Daniela Gimenes, responsável pela área de Eventos e parcerias corporativas do spa, a ideia de ter o aroma personalizado é "criar uma imagem positiva da marca." Estimulando as sensações Um agradável cheirinho de chocolate também está presente não só nas trufas comercializadas pela Cacau Show. Um projeto de alternar o cheiro

do chocolate com o de café, visando a estimular o consumo dos dois itens em seus pontos de venda, foi desenvolvido e personalizado pela FreeSense, segundo Alexandre Tadeu da Costa, presidente da Cacau Show. O projeto está sendo testado em cinco lojas em São Paulo. A aprovação dos clientes entrevistados sobre a aromatização foi de 94%, sendo que 34% deles acham que a ação de marketing estimula o consumo. "Temos, também, uma trilha sonora especial para todas as lojas (são 1.150 no País) intercalada por locuções anunciando algumas promoções. Tudo isso – cheiro bom, produtos de qualidade e música – aumentou a permanência das pessoas dentro do ponto de venda e ampliou o faturamento médio em 28%", relata. (B.O.) Fotos: Divulgação

Fernando Amaral, da Aromagia, pioneira no mercado e que presta consultoria a mais de 600 empresas.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ESPECIAL - 7

Sua empresa é sustentável? Pequenas ações como mudança de lâmpadas e economia de gás e água fazem a diferença e permitem ganhos e a simpatia do consumidor

S

er sustentável hoje é fundamental. Mesmo ações aparentemente pequenas podem fazer a diferença, tanto para o público externo como para a empresa, cuja economia no final do mês é bem-vinda. A sustentabilidade pode começar com mudanças de hábitos, envolvendo funcionários, ciclo de produção, uso de energia alternativa, transformação de resíduos, etc. Essa nova mentalidade também tomou conta do varejista e lhe garante uma imagem positiva junto ao cliente. Um bom exemplo é a rede de artigos esportivos Centauro, do grupo SBF, com 161 lojas no Brasil. A empresa começou seu projeto com a troca de lâmpadas antigas pela tecnologia de LED. Hoje, 31 lojas já estão com a nova iluminação, 19 são unidades inauguradas recentemente e com novo visual, e 12 só fizeram a troca das lâmpadas. Segundo o diretor-administrativo e de operações do grupo SBF, Emilio Janner, o piloto com o novo layout e troca de lâmpadas foi iniciado no Shopping Parque Dom Pedro, em Campinas (SP), com 2.000 m² e a um custo de R$ 235 mil. "Mas o retorno desse investimento chega em 14 meses, porque a economia de energia chegará a 50% ou 70% ao final desse prazo", conta Janner. Ele lembra outras vantagens obtidas com a troca. A iluminação convencional (HQI - halógenas de quartzo e iodo) aquece mais, e por conta disso, era preciso aumentar a carga dos aparelhos de ar refrigerado, consumindo mais energia. O grupo SBF vai inaugurar e

Fotos: Divulgação

A troca é vantajosa para o comerciante e para o ambiente onde está localizada a franqueada (muitas delas dentro de shoppings), observa Tieghi, "porque a lenha pode trazer sujeira e até insetos". Assim, o comerciante substitui a lenha por um produto sustentável e que seria descartado, é reconhecido como ecológico pelo Ibama, e não precisa mais derrubar árvores. Segundo a empresa, desde o início do projeto há três anos e meio, o Eco Pizza ajudou a preservar uma área ambiental equivalente a 50 estádios de futebol por ano. Até 2013 as 100 lojas existentes no País e as que ainda serão inauguradas terão completado o uso de briquetes nos fornos. "Temos orgulho em saber que cada pizza vendida significa um pedaço de preservação", diz Rafael Augusto, executivo de Marketing da Patroni.

A rede Spoleto economizou 35 milhões de litros de água em 2011; a Centauro optou por lâmpadas LED.

19

toneladas de vidros foram recolhidos pelo Boticário em Recife e Salvador

reformar outras 21 lojas Centauro com LED e trocar em outras 57, e até o final de 2013 toda a rede terá o novo sistema, além do centro administrativo e o seu centro de distribuição, com investimentos previstos de R$ 10,7 milhões. Premiação A Associação Franquia Sustentável (Afras) é um segmen-

to dentro da ABF (Associação Brasileira de Franchising) que promove, há sete anos, entre as empresas associadas, a cultura da gestão socialmente responsável. Anualmente, a entidade premia as melhores iniciativas e práticas de sustentabilidade de seus associados. Segundo o presidente da Afras, Cláudio Tieghi, neste ano foram inscritos 40 cases de empresas que incorpora-

ram esse conceito em sua estratégia de negócio. Uma das premiadas deste ano foi a rede Patroni Pizza, com 141 lojas no País, e cujo projeto Eco Pizza, iniciado em 2009, prevê a troca total da lenha tradicional em seus fornos de pizzas por briquetes ecológicos, resultado do processo de secagem e prensagem de resíduos, como a serragem ou o pó de madeiras ou vegetais.

Economia

O u t r a i n ic i a t i v a s u stentável e premiada pela Afras foi a dos restaurantes Spoleto, de comida italiana, para diminuir o uso de combustíveis fósseis (como o gás), economizar água e produtos de limpeza menos nocivos para funcionários e o ambiente. O projeto Spoleto 21 começou em 2010 no shopping Via Parque, no Rio de Janeiro, com a troca do fogão à gás pelo de indução, que proporciona menos calor dentro da loja, da iluminação, e utilização de produtos químicos menos agressi-

A Afras promove a cultura da gestão socialmente responsável no setor de franquias CLÁUDIO TIEGHI

vos na lavagem dos utensílios. Só nessa reformulação da unidade no Shopping Via Parque, da Barra da Tijuca, foram investidos R$ 100 mil em obras civis para alteração de infraestrutura e compra de novos tanques de lavagem, fogões de indução e utensílios. Os 38 restaurantes Spoleto que adotaram as novas medidas já conseguiram diminuir também o consumo de água. No ano passado, foram 35,4 milhões de litros – equivalente a 14 piscinas olímpicas. De gás de cozinha, foram economizados 7.216 botijões e 4.560 litros de produtos de limpeza deixaram de ser despejados no solo (ou 10 litros/mês por loja). Com essas ações, houve um aumento de 7% no lucro das lojas e se refletiu também na remuneração dos funcionários. Um programa de reciclagem de embalagens, desenvolvido por lojas do Boticário em Recife e Salvador, com o recolhimento de vidros vazios que seriam descartados no lixo e transformando-os em matéria-prima utilizada em outros ciclos produtivos, foi premiado pela Afras. O resultado foi o recolhimento de 19 toneladas de vidros. (B.O.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

8 -.ESPECIAL

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Fotos: Divulgação

É atacado ou é varejo? As duas modalidades estão contempladas nos atacarejos, um segmento que vem crescendo por oferecer preços mais baixos

É

fato que o consumidor é multicanal, comprando em pontos de venda de todos os tipos, tamanhos e plataformas (hiper, supermercados, minimercados, físicos e online). E é natural que ele também começasse a se aventurar em outros canais, como os atacados, atrás de mais economia, especialmente agora com a ascensão

da classe C. Os atacadistas, por sua vez, perderam clientes entre No atacado se os pequenos consegue comprar varejistas, mais com menos devido ao dinheiro processo de aquisição peJEFFERSON FERNANDES las grandes redes, e tiveram de se adaptar para vender também ao consumidor final, nascendo, assim, os populares atacarejos. Além do cliente tradicional, que é o pequeno varejista, esses atacados de autosserviço ou atacarejos têm em sua base de consumidor final um grande aliado para o cresci-

mento de faturamento e expansão de lojas espalhadas pelo País. Segundo pesquisa da Nielsen, o cliente final já representa 50% das vendas em volume desses canais e, em média, o segmento está crescendo 15% ao ano. "Em 2011, de cada 100 famílias, 31 compraram nos atacarejos, e esse número evolui desde 2008, quando 19 lares em cada 100 buscavam os autosserviços", informa Olegário Araújo, diretor de atendimento da Nielsen, que periodicamente realiza pesquisa para a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad). Essas famílias são atraídas por preços entre 10% e 30% mais baixos do que os supermercados. Somente em 2011, cerca de 3,6 milhões de pessoas compraram pela primeira vez nesses estabelecimentos. "Os atacarejos se transformaram em um novo formato, como os antigos hipermercados, atendendo varejistas, transformadores e famílias. Eles se reinventaram, ficaram mais despojados, alteraram as embalagens – passando a oferecer também produtos individuais – e usam o apelo do preço mais baixo para ampliar a clientela", destaca Araújo. Os preços nesses atacarejos são mais baratos do que os encontrados em supermercados, e muitas famílias acham que vale a pena se deslocar até um desses cash & carry – geralmente localizados em regiões mais distantes – para fazer a diferença no final do mês, avalia o presidente da Abad e diretor do Tenda Atacado, Carlos Eduardo Severini, que também trabalha com

cliente final, além do transformador (restaurantes, bares, "dogueiros") e pequeno comércio (mercearias, minimercados, etc.). O número de lojas especificamente dedicadas ao atacado de varejo também está evoluindo, com cerca de 350 unidades, 40% delas concentradas em São Paulo. As principais empresas do segmento, como Atacadão, Assaí, Roldão, Tenda, entre outros, têm planos de abrir novas lojas até o final do ano.

de hiper e supermermercados do grupo Pão de Açúcar, cuja média foi de 10%. O Roldão Atacadista espera aumentar seu faturamento neste ano em 15%, uma média que tem se mantido nos últimos anos. Metade das vendas é feita para pessoas físicas, informa Jefferson Fernandes, diretor de Marketing da empresa. "Hoje existe um incremento da população que não tinha acesso a bens e serviços, e ela descobriu que no atacado consegue comprar mais com menos dinheiro".

Estratégias Serviços O Atacadão, do grupo Carrefour, já inaugurou quatro lojas em 2012 e dispõe de 84 pontos de autosserviço no Brasil. O Roldão terá três unidades a mais em São Paulo capital, interior e na Baixada Fluminense (RJ) chegando a 18; o Tenda abrirá duas até o fim do ano, completando 18 atacados. O Assaí (da rede Pão de Açúcar), com 59 lojas no País, tem como foco, ainda, a empresa jurídica (transformadores e pequenos e médios comerciantes), e está investindo em novos layouts, sortimento de produtos e parcerias com indústrias e para atender melhor seu público-alvo. "O Assaí sempre vendeu para o consumidor final, porém, estamos focados na pessoa jurídica. Se as famílias fizerem compras em grandes volumes terão a possibilidade de economizar em torno de 25% conosco", informa o presidente da rede Assaí, Belmiro Gomes. No ano passado, a rede teve crescimento de 32%, bem acima das receitas das outras empresas

O diferencial do Roldão para concorrer num mercado cada vez mais competitivo é o serviço, analisa Fernandes. O público procura preço, quantidade e qualidade, e isso ele vai encontrar em muitos lugares, e como os produtos são mais ou menos iguais e m t o d a a c adeia de atacados (bebidas, alimentos, produtos de higiene e limpeza), Fernandes diz que precisa se difer e n c i a r o f e r ecendo algo mais ao cliente. "Eu tenho um açougue para o transformador (pizzarias, lanchonetes, restaurantes, padarias, dogueiros). Se ele compra uma peça inteira e não tem tempo de cortar, eu corto para ele" O consumidor não deve esperar desses pontos de venda

Acima, Roldão Atacadista; abaixo, loja da rede Beauty Point: de cada 100 famílias, 31 compram nos atacarejos, segundo levantamento da Nielsen.

o layout mais aprimorado ou até luxuoso encontrado em alguns supermercados, ou mesmo produtos e marcas especiais e exclusivas de drogarias, mas, certamente, encontrará preços mais em conta. Araújo, da Nielsen, lembra que o consumidor final se transformou em um importante cliente para a maioria desses novos canais de venda. O crescimento do setor de higiene e beleza entre os clientes finais tem levado algumas empresas a adotarem novas estratégias. Foi o caso da EBC Atacado de Cosméticos, fundada em 1997 como autosser-

viço, e que em 2009 decidiu abrir um canal exclusivo de varejo, a rede Beauty Point. Hoje, ela tem 56 lojas conveniadas em São Paulo, com gestão própria e independentes, e com preços e promoções competitivas. (B.O.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ESPECIAL - 9 Fotos: Divulgação

Chegou a hora dos minimercados As grandes redes reinventam seus mercados de bairros para torná-los mais atraentes, convenientes e ficarem mais próximos dos clientes

T

rânsito pesado, falta de tempo para grandes deslocamentos na hora de fazer compras, inflação estável, melhora do poder aquisitivo da população, proximidade e preço competitivo. Esses são os principais fatores da sobrevivência e crescimento do pequeno comércio. Sejam padarias, farmácias, lojas de conveniência ou minimercados – esse varejo de bairro vem crescendo, em média, 15% ao ano. Especialmente os minimercados, que estão ganhando novo fôlego com reformulação de lojas e ampliação dos mix de produtos para justamente atender a uma população que quer mais comodidade e compras rápidas. Os hipermercados, tão em moda nos anos 70/80, e os supermercados, concentrados em poucas grandes redes a partir dos anos 90, vão continuar existindo, embora em novos formatos e tamanhos, mas são os minimercados que ganham importância junto à população, porque são convenientes, oferecem preço competitivo até mesmo se comparados aos grandes, e têm um mix de produtos que o consumidor procura para sua necessidade mais urgente, avalia o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda. Ele lembra que as lojas pequenas têm ainda longo futuro pela frente, principalmente se estiverem associadas às

grandes redes ou forem fraqueadas, como já acontece, para terem barganha na hora de negociar com os fornecedores. "São lojas de extrema conveniência para famílias, adaptaram seu mix às necessidades urgentes, oferecendo comida pronta ou congelada, e ampliaram a padaria e o setor de frios a granel". "As pessoas não têm mais tempo para ir a hipermercados para fazer pequenas compras. Os minimercados se adaptaram aos novos tempos e com a economia estável, ascensão da classe C, trânsito caótico, encarecimento do

metro quadrado nos centros urbanos e consumidor confiante, esse tipo de loja deve se fortalecer", observa Roberto Nascimento de Oliveira, professor de Varejo da ESPM. Segundo Oliveira, o pequeno varejo tem estrutura ágil, com menos de 1.000 m² e cerca de 1.500 itens, é mais dinâ-

Minimercados Extra: até o fim do ano a rede pretende ter mais de 100 lojas na Grande São Paulo.

mico e conhece o consumidor, oferecendo o que ele deseja, a quantidade e preço que ele quer. Por isso ele cresce 15% ao ano, diz Oliveira. Uma pesquisa do núcleo de varejo da ESPM para avaliar a preferência dos consumidores pelos minimercados demonstrou que 50% das pessoas ouvidas

queriam que eles fossem próximos de casa, 36% delas buscavam boas ofertas e 25%, variedade de produtos. Crescimento A rede Extra foi uma das primeiras a investir nesse pequeno varejo com a antiga bandei-

ra Extra Fácil. No final de 2008 tinha apenas quatro unidades, mas até o final do ano esse número vai superar a 100 lojas na Grande São Paulo, englobando as antigas que sofreram uma repaginação de layout e novas unidades, informa o diretor de Operações da rede, João Simões. Além do nome, as lojas passaram a se chamar Minimercados Extra, outras mudanças foram adotadas a partir de pesquisas feitas junto aos consumidores há dois anos. A rede está investindo R$ 36 milhões na reestruturação do formato, incluindo maior área, com 250 a 300 m², ampliação dos serviços, quantidade de caixas e de colaboradores. O mix de produtos também aumentou. As novas lojas têm entre 3 mil a 4 mil itens. "Fizemos uma avaliação sobre o que o consumidor precisava e a partir daí, mudamos o formato, as cores, renovamos a padaria, a seção de perecíveis, e estamos ofertando mais comida pronta, congelada ou não", diz Simões. O executivo diz que além da proximidade, um minimercado precisa ser de conveniência. O consumidor buscava

presunto fatiado na hora, mas só encontrava em pacotes fechados, queria mais do que pão francês na padaria, um pão doce, um bolo. Antes, as opções de carnes eram escassas e só vinham embaladas a vácuo. "Para o modelo de proximidade, o cliente entende que os perecíveis são importantes, até porque ele não estoca". A padaria era fraca, reconhece Simões. Por isso, a rede ampliou a oferta de pães com uma linha de 20 produtos. Foi mudado até o jeito de fazer o pãozinho, garantindo que ele seja mais crocante. Reestruturação O Dia%, multinacional espanhola e uma das três maiores redes de supermercados franqueados do mundo (em mercados médios e minis), está há 11 anos no País, e também ampliou seu número de lojas em São Paulo e no Rio Grande do Sul, os dois Estados onde atua. Está com 450 unidades e pretende abrir outras 10 até o final do ano, segundo assessoria da empresa. O crescimento de vendas do Dia% é de 20% ao ano. A empresa assumiu, ao longo da última década, o

papel de mercado de bairro Segundo o professor Oliveira, da ESPM, a rede oferece o sortimento que o cliente quer, e não se importa se as lojas não são sofisticadas e tem um layout bem básico. "A proposta do Dia% nunca foi ser uma loja bonita, eles têm 3 mil pontos na Espanha e com pouco sortimento, mas seus clientes vão lá porque querem comprar o essencial, a preços baixos e porque está próximo de casa". Outra reestruturação esperada para os próximos anos será na rede Pão de Açúcar, que passou a ser comandada pela francesa Casino em junho último. Oliveira acha que com o Casino no comando haverá um novo divisor de águas no varejo brasileiro, como aconteceu nas décadas de 70/90 com a chegada das grandes redes, como o Carrefour, Walmart e o próprio Pão de Açúcar concentrando as atividades de grandes supermercados. O Casino deve prestar atenção aos hábitos dos brasileiros, promovendo mudanças de acordo com o perfil de compradores, classe social e lembrando que as mulheres ainda representam 85% do público dos supermercados. (B.O.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

10 -.ESPECIAL

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Um novo jeito de comprar na loja física

A

Vitrine virtual Outra inovação da rede de supermercados foi anunciada

A tecnologia permite mais interatividade e autonomia para o cliente fazer suas compras Chico Ferreira/Luz

Luiz Felipe Martinelli, diretor da memove: usamos o RFID em cada item comercializado na loja

neste mês. São as vitrines virtuais que simulam gôndolas e que serão instaladas em pontos estratégicos da cidade onde a circulação de pessoas é grande, desde que disponham de smartphones e tablets com Android ou sistema operacional da Apple. "A vitrine virtual é mais uma estratégia visando

a comodidade do usuário, e vai criar uma forma de relacionamento entre o cliente e a marca", segundo a gerente de Marketing Digital da empresa, Andrea Dietrich. Basta o consumidor baixar o aplicativo móvel Pão de Açúcar Delivery – que dá acesso ao carrinho de compras, listas sugeridas e customizadas. A plataforma está disponível para Android e produtos Apple (iPhone, iPad). Ao passar por um dessas vitrines com mais de 300 produtos, o aparelho móvel faz a leitura dos códigos de barra bidimensionais (QR Codes) colocados abaixo de cada item exposto na gôndola virtual. O cliente

escolhe o que deseja e manda entregar em casa. O primeiro frete custa R$ 13,90, mas esse valor vai diminuindo a partir do número de compras realizadas. O pagamento é concluído também pelo aplicativo. O consumidor digita os dados do cartão e confirma o valor. A vitrine virtual passou a funcionar no dia 6 deste mês no Shopping Cidade Jardim e será ampliada para outros locais até o final do ano.

cadeia produtiva a tecnologia RFID (identificação por radiofrequência) para reduzir custos, agilizar operações e controlar produtos. "Usamos RFID em cada item comercializado em nossas lojas, e isso também abrange fornecedores, logística e atendimento ao cliente". Além da identificação por radiofrequência controlar as mercadorias desde o fabri-

cante até a chegada ao centro de distribuição, lojas e consumidor final, a memove também dispõe de um fast checkout, um caixa expresso para pagamento com cartão de débito ou crédito e que permite a leitura dos preço das roupas à distância graças ao RFID nas etiquetas. A loja ainda oferece serviço gratuito Wi-Fi e tablets que sugerem combinações de peças. Embora os resultados ainda não possam ser medidos ou comparados com períodos anteriores porque tanto as lojas como o projeto tecnológico (que nasceu com elas) são recentes - o start up foi dado no final de 2011 -, Martinelli adianta que já pode detectar "ganhos de produtividade, maior controle de estoques, redução de rupturas (falta de produtos) nas lojas, mais eficiência no planejamento de compras e redução de erros nos processos envolvendo funcionários". A memove segue a tendência de práticas sustentáveis no varejo, com iluminação LED para economizar no consumo de ar refrigerado e piso com material reciclado. A marca adotou técnicas do marketing sensorial e design, com cores, sons, aromas e ambiente clean em suas unidades. "São iniciativas que estão alinhadas com o público-alvo da marca, uma nova geração de consumidores, composta de jovens praticantes de esportes, com vida saudável, amantes de música, cinema, culinária e tecnologia". (B.O.)

Tecnologia RFID As seis lojas de roupas memove – quatro em São Paulo, uma em Recife e outra em Campo Grande – também estão utilizando inteligência para mover o seu negócio. Segundo Luiz Felipe Martinelli, diretor de operações da marca, trata-se da primeira empresa de varejo de moda do Brasil a adotar em toda a sua

Personal Shop: com um scanner de mão, o cliente escolhe os produtos, paga e recebe a mercadoria em casa.

Divulgação

concorrência com os canais de vendas online tem motivado as lojas físicas a se modernizarem para proporcionar um ambiente de relacionamento e interatividade com o cliente, integrando antigas e novas tecnologias. Além da inovação, elas também garantem ao varejista mais agilidade na gestão e redução de custos. O Pão de Açúcar é uma das redes de supermercados mais aderente às novas tecnologias e, através delas, vem oferecendo praticidade e mais autonomia ao c o n s u m idor na hor a d a c om pr a. Uma dessas novidades está em uso em quatro unidades de São Paulo, nas lojas do Shopping Iguatemi, Panamby, Tamboré e na Granja Viana-São Camilo. Nelas, o cliente utiliza o terminal Personal Shop para fazer suas compras, ganhando em tempo e conforto. Se quiser que as mercadorias sejam entregues em casa, eliminando o carrinho ou as sacolas retornáveis, a pessoa cadastrada no programa de fidelidade da rede deve informar seu endereço em um painel virtual na entrada do supermercado. O Personal Shop funciona como um scanner que ao passar pelos códigos de barras dos produtos nas prateleiras armazena os dados na memória. Quando encerrar as compras, o usuário entrega o scanner no caixa para efetuar o pagamento. O cliente ainda pode selecionar o botão Personal para selecionar seus itens habituais, compor um perfil, visualizar a lista de compras e localizar os itens na loja.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ESPECIAL - 11

Fotos: Divulgação

Além de hi-tech, elas oferecem serviços Empresas de tecnologia abrem lojas próprias ou franquias e prestam assistência técnica A Sony Store (ao lado) tem sete unidades, todas localizadas em shopping centers. A Samsung (acima) inaugurou, em abril, sua primeira loja franqueada em São Paulo, no Shopping Higienópolis.

N

os últimos anos, marcas como a Apple, Dell, Nokia, HP, Sony, Samsung dedicaram-se a criar corners em grandes redes de varejo. Algumas investiram em lojas próprias ou franquias para um melhor posicionamento no competitivo mercado de eletrônicos e oferecem uma experiência completa do produto. O consumidor pode interagir com os equipamentos e tirar suas dúvidas na hora, com atendentes treinados e conhecedores da tecnologia. Além de serem espaços amplos, com design clean para exposição e comercialização, os fabricantes e lojistas ampliaram os serviços de pós-vendas, facilitando a vida do cliente. A HP é uma das grandes a ter

lojas no País. Desde 2008 já inaugurou 35 unidades através de franqueados, todas supervisionadas pela empresa. Neste ano, serão abertas outras oito HP Stores, informa seu gerente de Trade, Marco Almeida. A ideia é vender para todos que precisam de um contato direto com o produto: impressoras, notebooks, cartuchos e acessórios. Isso significa eliminar aquela etapa chata de procurar uma assistência técnica longe de casa ou da empresa e esperar pelo prazo dado pelo técnico para resolver o problema

da máquina. Alguns casos são atendidos dentro da loja mesmo. Se estiver dentro da garantia, não é cobrado nada, se estiver fora, tem um custo. Segundo Érico Souza, gerente da Sony Store, esse tipo de serviço pós-venda está crescendo no varejo especializado. "Temos uma sala de treinamento no fundo das lojas para que o consumidor possa entender como deve configurar seu aparelho de home theater ou televisor". Se houver necessidade de um reparo técnico, nosso pessoal faz esse conserto gratuitamente,

desde que o produto esteja na garantia, e mesmo que tenha sido adquirido em outra loja, acrescenta Souza. "O serviço premium funciona como uma assistência técnica. Ali o consumidor compra, instala, configura e conserta". Degustação A Samsung também aposta nessa proximidade com seus consumidores e no serviço diferenciado de pós-venda. A empresa inaugurou, em abril, sua primeira loja franqueada em São Paulo, no Shopping Hi-

gienópolis. A marca já dispunha de dois show-rooms só para demonstração. A intenção é instalar outras seis unidades comerciais até o final do ano, segundo informa Michel Piestun, vice-presidente de Telecom da empresa. O ambiente tem o mesmo apelo dos concorrentes: conforto, iluminação especial e disposição de produtos de forma a permitir a "degustação" do equipamento e solução de dúvidas de softwares e aplicativos. O espaço vende celulares, smartphones, notebooks, tablets, câmeras e acessórios. No local, afirma Piestun, o vendedor dá dicas de como usar melhor o aparelho e tirar proveito da bateria, da tela, dos programas inseridos, mas consertos são feitos apenas pela rede de assistência técnica autorizada, avisa o executivo. A Apple divide seus pontos de vendas em Premium Resel-

lers – como a A2You e iPlace, localizadas em shoppings centers; em Apple Shops (corners especiais dentro da rede Fnac) e revendedores autorizados. O visual, especialmente nas unidades Premium, é o mesmo visto em lojas do exterior, uma padronização exigida pela marca. Em todas, a empresa possui gente especializada e certificada para atender às demandas dos clientes de iPhones, iPads, iMacs. Problemas de softwares podem ser solucionados pela equipe de atendimento dentro da loja. Se o usuário comprar algum produto Apple em qualquer parte do mundo e tiver dúvidas sobre seu funcionamento ou falhas do sistema operacional e de programas, basta ir a uma revenda autorizada para pedir ajuda. Além disso, a aba Suporte do site da Apple Store traz informações das assistências técnicas em vários idiomas. (B.O.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

12 -.ESPECIAL

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Empresas pequenas sobrevivem em família

C

O segredo é manter a paixão pelo negócio e que os descendentes mantenham a liderança e o carisma dos fundadores

L.C. Leite/Luz

omeçar na cantina de um hospital, transferir o negóc i o p a r a u m p equeno trailer, expandir para lojas físicas e ser reconhecido como o fornecedor de um produto considerado "o melhor da cidade", foi o desafio de José Antônio Anversa Rocha com o Rancho da Empada, nos últimos 16 anos. A empresa caseira se profissionalizou – com a ajuda dos filhos e com a expertise do chef e sócio Adelino Brandl, e atingiu a marca de 10 mil empadas vendidas por dia em São Paulo, inclusive suprindo vários bares, cafés e até lojas de departamentos. A receita do sucesso dessa empresa familiar está justamente no seu principal produto, a empada – hoje, com 25 tipos de recheios e cuja massa desmancha na primeira mordida. Foram anos de aprimoramento na confecção do carrochefe do Rancho da Empada, graças a receitas familiares de ambos os sócios. "Não existe milagre em alimentação, e x i s t e a e scolha das ma téri asprimas para se fazer

o melhor", observa José Rocha. Ele e o sócio, Adelino Brandl, saíram da lanchonete de um hospital, onde já faziam a empada, e compraram um pequeno trailer na frente da casa de Rocha, na rua Sena Madureira, na Vila Clementino (SP). "Até abrimos o muro de minha casa para colocar o trailer. Tivemos de enfrentar muito preconceito de gente que não gosta de comida de rua", conta. No começo, ele oferecia o produto e desafiava o cliente, se ele não gostasse

Regina Matta Capote, a nora Pérola Callegari e o filho Leonardo: loja de ferragens

Milton Mansilha/Luz

não precisava pagar. Com o tempo e o boca-aboca, o trailer ganhou movimento e não mais precisou dar empadas de graça. Durante 10 anos ele permaneceu no trailer na zona sul de São Paulo. Foi só em 2004 que abandonou o carrinho e passou a ter lojas físicas próprias e franquias, chegando a oito unidades. Rocha contou com ajuda profissional do filho Rodrigo, que fez cursos de Administração de Empresas e Direito. A filha Renata, formada em Psicologia, cuida dos Recursos Humanos da empresa,

HORLO’S CONTÁBIL LTDA. Serviço Contábil Assessoria Tributária Orientação Gerencial e1 Desd

O aprendizado veio com o pai, morto há dois anos. Seu Renato era um homem severo e exigente, trabalhava diariamente na ferragem e nunca tirou férias. Ele também tocava uma loja de eletrodomésticos, em sociedade com o irmão Mario e com um cunhado, mas desfez a parceria ainda na década de 50 para se dedicar apenas à ferragem. Ensinou tudo o que sabia do comércio aos três filhos, mas foi Regina a única a se interessar em manter o negócio adiante e se assume apaixonada pelo que faz. "Desde criança frequentava a ferragem e já ajudava no atendimento depois que chegava da escola". Como boa observadora, passou a aprender como funcionava aquele mundo de parafusos, pregos, ferramentas,

982

3221-3475 FAX: 11 3223-9537 Tel.: 11

Av. Ipiranga, 877 - 14º andar - Cj. 144 - Centro - São Paulo/SP

com 64 funcionários. O empresário lembra que antigamente existia uma mentalidade de que a pessoa tinha só duas opções: ou ia estudar ou se tornava comerciante. "Hoje, para ser um comerciante é preciso estudar e muito, porque o mercado ficou complexo demais, mesmo para empresas pequenas como a nossa." Porcas e parafusos A paixão pelo empreendimento do patriarca foi que moveu a família de Renato Matta a manter a ferragem Casa das Três Meninas por 57 anos. A lo-

ja de 50 m², no bairro de Santa Cecília, é comandada, hoje, pela herdeira e filha de seu Renato, Regina Matta Capote, e os filhos dela. Ali, proprietários e fregueses se cumprimentam pelo nome, e dona Regina mostra seu conhecimento sobre parafusos e ferragens num mundo dominado por homens. "Nunca sofri preconceito por ser mulher", diz ela, enquanto atende seus clientes encanadores, carpinteiros, marceneiros, eletricistas. "Eles se espantam que uma mulher possa ensinar algo sobre o que estão procurando", ri.

Hoje, para ser um comerciante é preciso estudar e muito JOSÉ ANTÔNIO ROCHA, DO RANCHO DA EMPADA

materiais elétricos e rebites de ferro, de aço, inox, alumínio, tubulares, semi tubulares, etc. Cursou Direito, criou os filhos e nos anos 80 passou a se dedicar inteiramente ao estabelecimento familiar,

agora com o suporte do primogênito Leo Capote, designer industrial, que também virou sócio da mãe e é auxiliado na parte administrativa pela mulher Pérola Callegari. A loja é pequena e simples, o nome Casa das Três Meninas foi herdado do estabelecimento anterior, que mantinha essa denominação antes de ser comprada por seu Renato. Não tem site nem programa de gestão ou automação, não aceita cheques, só dinheiro ou cartão. "Porque sem isso não daria para trabalhar", observa Regina. O estoque é controlado "no olho". "Quando acaba, a gente repõe", conta o filho Leo. Foi ele quem fez as únicas mudanças na loja desde a sua criação há meio século, mesmo sob os protestos do avô, que não queria nenhuma mudança. Os b a l c õ e s v elhos foram trocados por novos e os parafusos, pregos, rebites e porcas foram colocados em vidros transparentes e et iq ue ta do s, a c om o d ad o s em prateleiras na parede esquerda, o que deu um certo charme e o r g a n i z ação ao lugar. Leo também trocou portas de madeira pelas de vidro nas estantes da parede, o que facilita a visualização. O próximo passo será mudar a iluminação, para que a loja fique mais clara e destaque melhor as mercadorias. "Site não temos, nossa clientela é fixa e já nos conhece, e não precisa nos procurar na internet. Mas vai chegar o dia em que teremos de controlar os produtos no computador e isso minha mulher (que é técnica em administração) já está começando a preparar", revela Leo. O primeiro e-mail da loja foi criado só no mês passado. (B.O.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ESPECIAL - 13

Fotos: Divulgação

A marca de chocolates Kopenhagen e as Lojas Marisa (abaixo) dão descontos e prêmios para os clientes que são fiéis.

Livraria Cultura: o programa +Cultura existe desde 2003 e possui 3,7 milhões de clientes cadastradas.

Divulgação

O importante é fazer parte do clube Lojistas aderem aos programas de relacionamento, oferecendo descontos e prêmios para fidelizar o cliente

F

idelizar o cliente é um dos grandes desafios do comércio. Conhecer melhor quem está comprando ajuda a aumentar as vendas e ações de marketing na empresa. Para atrair e manter esses compradores ativos junto à marca, produto ou estabelecimento, os varejistas também aderiram ao que as companhias aéreas e bandeiras de cartões de crédito fazem há anos, criaram seus clubes de relacionamento. Atualmente, lojas, livrarias, farmácias, e até restaurantes, bares e pizzarias adotam o cadastro ou um cartão de fidelidade objetivando a assiduidade dos clientes e prometendo descontos, pontuação ou prêmios. A Livraria Cultura, a marca de chocolates Kopenhagen e a rede Marisa são três exemplos de empresas que fazem parte desse clube cada vez mais amplo e que premia seus compradores por eles serem assíduos.

A Cultura é a mais antiga das três, com o programa +Cultura desde 2003 e 3,7 milhões de clientes cadastradas. As 300 lojas da Kopenhagen, a marca de chocolates finos há 85 anos no mercado brasileiro, começaram o seu KopClub em setembro do ano passado e estão com mais de 200 mil associados. "A meta é chegar a dois milhões de afiliados até 2014", estima Orlando Glingani, gerente de Marke-

ting e Inovações da marca. Classe C Outro programa de fidelidade novo é o da Marisa. Denominado Amiga, ele foi lançado há um ano nas 341 lojas da rede, depois de alguns pilotos feitos na região Centro-Oeste em 2010. Andrea Beatrix, gerente-geral de Marketing da empresa, explica que o seu público é formado por mulhe-

res da classe C e o programa precisava ser de fácil entendimento. "Apesar de estar habituada ao uso de cartões, nossa consumidora tem dúvidas sobre o funcionamento, então simplificamos ao máximo". Os pontos somados dão direito a um vale compras. Até agora, 2,2 milhões de pessoas estão cadastradas no Amiga e pelo menos 1 milhão de clientes já usaram os pontos ou acumularam pontuação para ter o benefício. É um programa atrelado aos cartões private label (da própria loja) e aos parceiros da bandeira Mastercard e Banco Itaú (co-branded). A partir do momento em que a cliente adere ao programa já passa a acumular pontuação. Quando somar 25 pontos, terá direito a um vale de R$ 25. Se as compras forem feitas dentro da Marisa, 5% do valor reverterá em pontos, e se pagar com o cartão co-branded em outros estabelecimento fora

da Marisa, só poderá reverter 2% dessas compras em pontos. "Queremos que ela vá mais à loja e gaste mais lá dentro", diz Andrea. Quando a cliente atingir os 25 pontos, ela receberá um SMS alertando que tem direito ao vale moda. Sem plástico Ao contrário da Kopenhagen, onde possuir o cartão é sinal de status para o cliente, a livraria Cultura decidiu não fornecer o plástico para seus consumidores, basta o cadastro na boca do caixa ou no site e apresentar seu CPF na hora da compra. Para Karla Garcia, diretora de Marketing e Relacionamento da livraria, com 14 lojas no País, a fidelidade ajuda a aumentar as vendas e as informações são usadas no programa de gestão. Os 3,7 milhões de cadastrados representam uma "base significativa" (que Karla não infor-

ma) do número total de clientes da rede. Entre os benefícios do programa estão o acúmulo de pontos – para 1 real gasto ele acumula 4 pontos no programa e isso reverterá em descontos nas compras de livros, CDs, DVDs, games, consoles –, além de descontos imediatos na boca do caixa e parceria com a Multiplus para transferência de pontos na aquisição de outros produtos ou serviços. "Temos o cuidado de não enviar spam ou qualquer tipo de e-mail marketing para os clientes", diz a diretora da Cultura. Nos próximos meses, a empresa terá novas ferramentas de CRM para se aproximar ainda mais do frequentador da livraria. Como o programa de fidelidade da Cultura está disseminado entre a quase totalidade de seus compradores, foi possível à rede ampliar o número de lojas e até de criar novos nichos solicitados por eles. (B.O.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

14 -.ESPECIAL

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Brasileiro descobre o chocolate gourmet Novas lojas, com matérias-primas nobres, surgem para satisfazer os paladares mais exigentes

A

L.C. Leite/Luz

o mesmo tempo em que está descobrindo o café premium, os vinhos e cervejas de boa qualidade e os chás importados, o consumidor brasileiro começa a experimentar o novo sabor de um chocolate gourmet, aquele sem conservantes e elaborado com matérias-primas das melhores plantações de cacau da África e das Américas e de indústrias belgas e francesas, consideradas as melhores do mundo. Os chocolates finos também desembarcaram no Brasil e seu consumo vem aumentando por aqui, estimulando a abertura de casas especializadas na iguaria e ampliando o empreendedorismo dos chocolatiers. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau e Derivados (Abicab) informa que nos últimos três anos esse mercado tem crescido, em média, 12% no Brasil. O índice engloba todos os tipos de chocolates, mas o segmento premium gourmet, ainda um nicho no País, está evoluindo. Hoje, estima-se que ele corresponda a 2% do mercado total.

Cintia Sanches Lima: quando abri a loja, vendia mais chocolate ao leite, mas hoje o meio amargo já é mais vendido.

de pasta de cacau, manteiga e não tem aromatizantes. Quando abri a loja, vendia mais chocolate ao leite, mas hoje o meio amargo já é mais vendido". Seu crescimento tem sido de 20% ao ano, e ela também vende pela internet para o Brasil todo e para o segmento corporativo (na forma de brindes). "Fui obrigada a diversificar para pagar meus custos". Atualmente, ela comercializa 10 mil bombons por mês. "Não esperava tanto, minha ideia inicial era atender somente o meu bairro". Sabores da França

Degustação A Chocolat des Arts ( w w w . c h o c o l a t d esarts.com.br), na Vila Nova Conceição, é um desses pontos de degustação e venda de doces cuja matéria-prima (massa de cacau) vem da Bélgica, França e da Bahia. São chocolates do tipo Callebaut, Valrhona e Amma – este brasileiro e orgânico, de Ilhéus, considerado um dos melhores e exportado para o mundo todo. Cintia Sanches Lima, a proprietária, formada em Marketing e Business nos Estados Unidos, viajou para vários países em 2007 e começou a estudar o mercado de chocolates gourmet, que estava em franco crescimento. "Abri a loja em 2008, quando percebi que havia um mercado promissor para esse tipo de produto no Brasil". Apesar dos custos para se

tornar uma empreendedora no Brasil, com uma empresa pequena (Simples), impostos, taxas com administradoras de cartões de crédito e de débito (de 2% a 4% ao mês), burocracia e preços altos das embalagens brasileiras em relação às chinesas, Cintia apostou no sucesso de sua loja e pretende abrir uma nova em 2013. Ela vende bombons, pães-de-mel, biscoitos, barras, brigadeiros, mini bolos num ambiente

agradável aos olhos e ao paladar. A arquitetura da loja e a decoração lembram os cafés da Belle Époque, no final do século 19. Chama a atenção uma árvore de cacau, no meio da lo-

ja, com cinco metros de altura e cujos primeiros frutos apareceram em 2010. Cintia diz que o brasileiro está treinando seu paladar. "Nossos clientes ficam surpresos ao ver que o produto meio amargo é gostoso, porque ele tem um alto índice

Na Brigadeiros by Cousin's ( w w w . b r i g a d e i r o s b y c o usins.com.br), a proposta é oferecer uma grande variedade de brigadeiros – são 60 sabores do docinho, um produto essencialmente brasileiro. Mas a chef pâtissière Giulianna Scalamandré, que estudou na renomada escola francesa Lenôtre de confeitaria, transformou o comum brigadeiro numa iguaria, agregando chocolates suíços, franceses e belgas e misturando o doce com salgado. "Alguns deles contêm ervas da Provence, flor de sal e azeite, e passaram a ser os preferidos dos meus clientes", conta Giulianna. Os brigadeiros representam 70% da produção da by Cousin's, mas ela também confecciona macarons, aqueles famosos franceses que lembram uma bolachinha de suspiro e amêndoas, além de éclairs, tortinhas e minibolos. Sua loja só foi aberta em Divulgação

Giulianna Scalamandré: Os brigadeiros representam 70% da produção da Brigadeiros by Cousin's. São 60 sabores que agradam qualquer paladar.

2011 em São Paulo, mas desde 2004 a chef já comercializava doces e flores (de decoração) sob encomenda, por telefone e internet, com duas primas (daí o nome da loja). As embalagens para levar o doce para casa são em caixas que evocam uma data (Dia das Mães, Páscoa, Namorados, Pais, Crianças). Produto diferenciado A ex-publicitária e chocolatière Paula de Lima Azevedo comanda, há 25 anos, a Sweet Brazil ( w w w . s w e e tbr.com.br), uma pequena fábrica de chocolat e s . I n i c i a lmente ela não tinha pretensão alguma e se dedicava a fazer ovos de Páscoa e doces em formatos inusitados (flores, brinquedos). Como os pedidos dos amigos começaram a aumentar, ela não parou mais. Hoje, a Sweet tem 25 funcionários e produz 10 toneladas de chocolates finos por ano – boa parte disso é vendida para mais de 200 empresas. A matéria-prima, segundo Paula, é composta de ingredientes nobres, originados da Europa e com cacaus da América Central e do Sul. "São produtos sem gordura hidrogenada, com maior concentração de cacau, e ganham status de gourmet também pela origem, tipo de cultivo e produção, envolvendo a plantação, colheita, fermentação, secagem do cacau até a criação do produto na fábrica", explica Paula. A concorrência a partir da abertura de várias lojas do produto gourmet em São Paulo não incomoda Paula. "Criamos um conceito de produto com formato diferenciado. Quando o consumidor quer algo diferente ou personalizado ele procura a Sweet Brazil". (B.O.)


Diário do Comércio